18.8.07

O Diário de Miguel Torga (excertos) com um breve relato da sua prisão


Eis alguns excertos da prosa diarística de Miguel Torga:


Coimbra, 16 de Junho de 1947 – Sobretudo, não desesperar. Não cair no ódio, nem na renúncia. Ser homem no meio de carneiros, ter lógica no meio de sofismas, amar o povo no meio da retórica.


Coimbra, 5 de Abril de 1948 – Creio que não é preciso. Em todo o caso, fica aqui a declaração.
O que eu fui sempre, o que eu sou, e o que serei, é um artista, um homem e um revolucionário. Na medida em que sou artista, quero um mundo onde a beleza seja o vértice da pirâmide. Na medida em que sou homem, quero que nesse mundo os indivíduos sejam livres e conscientes. E na medida em que sou revolucionário, quero que a revolução traga à tona as grandes massas, e que nunca acabe de percorrer o seu caminho perpétuo, sem estratificações e sem dogmas.




Gerês, 17 de Agosto de 1958 – Sou, na verdade, um geófago insaciável, necessitado diariamente de alguns quilómetros de nutrição. Devoro planícies como se engolisse bolachas de água e sal, e atiro-me às serranias como à broa da infância. É fisiológico, isto. Comer terra é uma prática velha do homem. Antes que ela o mastigue, vai-a mastigando ele. O mal, no meu caso particular, é que exagero. Empanturro-me de horizontes e de montanhas, e quase que me sinto depois uma província suplementar de Portugal. Uma província ainda mais pobre do que as outras, que apenas produz uns magros e tristes versos…


Coimbra, 15 de Outubro de 1963 – Quase a seguir um ao outro, dois fanatismos de pólos opostos a baterem-me à porta. Combati-os com igual denodo, embora o de raiz liberal arregalasse os olhos de espanto à medida que se via contrariado. Não era eu habitante da margem esquerda do rio das ideias? Que significava, pois, semelhante reacção? Isto apenas: a impossibilidade que sempre tive de aceitar como bom do lado de cá o que reprovo do lado de lá. Acredito em certos princípios, mas sem a cegueira dos iluminados. No auge da maior paixão, a lucidez corta-me as asas. E caio envergonhado dos pínacros da certeza no raso chão da dúvida. Daí a minha real incapacidade de adesão a igrejas de qualquer natureza. Saí da religiosa em que fui criado e da literária em que entrei um dia, por motivos idênticos: faltava-me o ar naqueles fechados ambientes de ortodoxia. Na altura, tentei justificar logicamente o meu procedimento. Mas as razões que se dão para certos actos é o que deles menos importa. Abandonei as duas confrarias, e nunca mais entrei em nenhuma. Isto, sim, diz tudo. Significa que o meu espírito, embora sedento de absoluto, como sempre o conheci, se recusa encontrá-lo em qualquer prisão dogmática, e porfia em descobri-lo no descampado inquieto da liberdade crítica.. .

S. Martinho de Anta, 23 de Dezembro de 1982 – Cá estou mais uma vez cingido à minha natureza profunda. Vestido como qualquer camponês e a sentir-me bem dentro desta pele terrosa, cavo o quintal, arranco silvas, podo roseiras, racho lenha. E converso com gente do meu agro que me vem visitar ou consultar, gente que nunca me leu, nem faz ideia do que é ser poeta, que fala de trivialidades e quer ouvir respostas triviais. Alimento como todo o meu ser essas conversas intermináveis, feitas de tudo e de nada, e quando elas acabam retomo a enxada de boa consciência, na paz de quem compreendeu e foi compreendido. Sabe bem compartilhar da condição comum. Lá em baixo sou uma ficção entre ficções; aqui sou uma criatura entre criaturas.




Passagem pelo Cárcere ( in O Quinto Dia da Criação do Mundo, Coimbra, 1974)

(Nota: Torga foi preso pela PIDE em Novembro de 1939 em Leiria e levadomais tarde para o Aljube de Lisboa)

Entregue na sede da PIDE, horas depois só por dentro continuava a ser gente. Por fora, fiquei reduzido a uma cara fotografa de todos os ângulos lombrosianos, a umas mãos esborratadas que deixavam impressões identificadoras numa ficha, a um nome sem senhoria e sem título, a um monte de ossos que o arbítrio alheio fazia mover.

- Volta a cara…Espalma agora aqui a pata…Levanta-te…

Conhecia já de nome, até bem demais, a casa, que uma legenda negra celebrava. Contavam-se por toda a parte horrores dos suplícios a que eram submetidas nos cubículos do sótão – os famigerados «moinhos» - as vítimas renitentes à confissão. Dias e noites a fio, de pé, sem dormir, ou, mal fechavam os olhos, acordadas a cachação pelos «macaquinhos», os guardas que a rendição frequente mantinha sempre em forma. Havia casos de alucinação por esgotamento, como o de um operário que cuidou ver a mulher violada e o filho único estrangulado e ia matando a sentinela com o escarrador de ferro fundido a que lançava mão. Mas, sem mesmo subir a essas celas de tortura, qualquer consciência livre encontrava nos rés-do-chão razões de sobra para se envergonhar da existência legal no mundo de semelhantes infernos de aviltamento. Mais do que as sevícias sofridas e o seu destino ali decidido, importava o massacre da personalidade de cada condenado, a perdição da sua alma tentada de todas as maneiras. De uma criatura digna que dava entrada no covil saía muitas vezes, dias, semanas ou meses depois, um trânsfuga, um traidor, um covarde – um ser psicológica, quando não fisicamente, desfigurado, que a si próprio se desconhecia.

(…)

- És então escritor?
- Sou.
- E poeta também, pelos vistos…
- Também.
- Um tipo formidável! Médico, escritor, poeta…Vais longe!
- Hei-de ir até onde puder.
Tinha a impressão de que aquele cinismo me escorria pelo corpo como uma baba.
- Muito me contas! E queres então fazer a revolução social?
- Quero que me deixe em paz.
- Deixo. Mas antes vais responder a umas perguntinhas…
- Não tenho nada a acrescentar às declarações que já fiz.
- Tens. Ora pensa lá bem …
- Está pensado.
- A sério?
- A sério.
- Ouve: eu podia pôr-te aí a falar como um papagaio. Era só dar-te corda. Mas não vale a pena. Temos muito tempo. Fica para mais tarde…Verás que daqui a alguns diass mudas de ideias…
- Não mudo.
- Mudas, mudas…
Sem táctica elaborada para enfrentar a nova situação e ferido nas mais íntimas veras do amor próprio, reagia em bloco, maciçamente, com a dureza das minhas fragas.
- Tu parece que tens fumaças de valentão! Sossega, que eu tiro-as…
- Não tira.
Ainda fez um gesto. Mas deteve-se, sorriu escarninhamente, e chamou por um subalterno.
- Este segue também…

( extracto de O Quinto Dia da Criação do Mundo, Coimbra, 1974)

Estudo social do Portugal de 1871. E também de 2007… - acrescentámos nós!

( excerto do texto de apresentação de Uma Campanha Alegre, de Eça de Queirós)

Leitor de bom senso, que abres curiosamente a primeira página deste livrinho, sabe, leitor celibatário ou casado, proprietário ou produtor, conservador ou revolucionário, velho patuleia ou legitimista hostil, que foi para ti que ele foi escrito – se tens bom senso!

E a ideia de te dar assim todos os meses, enquanto quiserdes, cem páginas irónicas, alegres e justas, nasceu no dia em que pudemos descobrir, através da ilusão das aparências, algumas realidades do nosso tempo.

Aproxima-te um pouco de nós, e vê.

O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já se não crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretárias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce… O comércio definha. A indústria enfraquece. O salário diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária explora o aluguel. A agiotagem explora o juro.
De resto a ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. O número de escolas só por si é dramático. O professor tornou-se um empregado de eleições. A população dos campos, arruinada, vivendo em casebres ignóbeis, sustentando-se de sardinha e de ervas, trabalhando só para o imposto por meio de uma agricultura decadente, leva uma vida de misérias, entrecortada de penhoras. A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do País. Apenas a devoção perturba o silêncio da opinião, com padre-nossos maquinais.
Não é uma existência, é uma expiação.

(…)

Nós não quisemos ser cúmplices na indiferença universal. E aqui começamos, sem azedume e sem cólera, a apontar dia por dia o que poderíamos chamar – o progresso da decadência. Devíamos fazê-lo com a indignação amarga de panfletários? Com a serenidade experimental de críticos? Com a Jovialidade fina de humoristas?
Não é verdade, leitor de bom senso, que neste momento histórico só há lugar para o humorismo? Esta decadência tornou-se um hábito, quase um bem-estar, para muitos uma indústria. Parlamentos, ministros, eclesiásticos, políticos, exploradores, estão de pedra e cal na corrupção

(…)

Preferias que fizéssemos um jornal político, com todas as suas inépcias e todas as suas calúnias, vasto logradouro de ideias triviais, que desmaiam de fadiga entre as mãos dos tipógrafos?

(…) Aqui estamos pois diante de ti, mundo oficial, constitucional, burguês, doutrinário e grave!
Não sabemos se a mão que vamos abrir está ou não cheia de verdades. Sabemos que está cheia de negativas.

Sobre a educação das raparigas em Portugal ( texto de Eça de Queirós)

A valia de uma geração depende da educação que recebeu das mães. O homem é «profundamente filho da mulher», disse Michelet. Sobretudo pela educação. Na criança, como num mármore branco, a mãe grava; - mais tarde os livros, os costumes, a sociedade só conseguem escrever As palavras escritas podem apagar-se, não se alteram as palavras gravadas. A educação dos primeiro anos, a mais dominante e a que mais penetra, é feita pela mãe: os grandes princípios, religião, amor do trabalho, amor do dever, obediência, honestidade, bondade, é ela que lhos deposita na alma. O pai, homem de trabalho e de actividade exterior, mais longe do filho, impõe-lhe menos a sua feição; é menos camarada e menos confidente. A criança está assim entre as mãos da mãe como uma matéria transformável de que se pode fazer – um herói ou um pulha.
Diz-me a mãe que tiveste – dir-te-ei o destino que terás.

A acção de uma geração é a expansão pública do temperamento das mães. A geração burguesa e plebeia de 1789 a 93, em França, foi livre, sensível e humana –porque as mães que a conceberam tinham chorado e pensado sobre as páginas de Rousseau.
A geração de 1830, gerada durante o primeiro império – foi nervosa, idealista, romântica, porque as mães tinham vivido nas emoções heróicas das guerras, na contemplação das fortunas maravilhosas.
Se a geração de 1851, em Portugal, foi mais forte e original do que a nossa – é porque as mães, de onde ela saiu, tinham sido as raparigas vivamente sacudidas pelos tempos dramáticos das lutas civis.

É, pois, superiormente interessante saber o que são hoje, em 1872, estas gentis raparigas de 15 a 20 anos de quem nascerá, para bem ou para mal, a geração portuguesa de 1893. Assim poderemos prever o que elas serão mais tarde como mães, como educadoras.
Que elas nos perdoem, essas gentis meninas, se a nossa pena nem sempre for glorificadora como um soneto de Petrarca: mas a tinta moderna sai do poço da Verdade. O madrigal ficou para sempre suspirando esterilmente sobre a lombada dos livros de Curvo Semedo, o pastoril desembargador; não se atreve a pôr o seu pé florido nestes caminhos revoltos da vida presente.Está tão longe de nós como os pastores vestidos de seda, apoiados a bordões de cristal. Hoje os pastores são rudes miseráveis, cobertos de farrapos. Não suspiram, em versos sonoros, as meiguices a Clóris: pedem mais pão aos patrões!
O madrigal é triste como uma flor de laranjeira de papel, desbotada, atirada para os tão. Não há nada como belas verdades, sadias e robustas, frescas moças!

A menina solteira! Vejamos o tipo geral de Lisboa. É um ser magrito, pálido, metido dentro de um vestido de grande puff, com um penteado laborioso e espesso, e movendo os passinhos numa tal fadiga, que mal se compreende como poderá jamais chegar ao alto do Chiado e da vida.
O primeiro sinal saliente é a anemia. Taine diz, pintando o sólido vigor inglês – que o dever essencial de uma menina é ter saúde…A saúde é o esplendor físio da inocência. Mens sana in corpore sano. Uma pele fresca e lisa, músculos que jogam livremente, busto direito, beiços vermelhos –indicam juízo forte, consciência recta, um sentir puro. A palidez, as olheiras, o peito deprimido, o ar murcho – revelam um ser devastado por aetites e sensibilidades mórbidas. Magrinhas, enfezadas, sem sangue, sem carne, sem força vital – umas padecem de nervos, outras de estômago, outras do peito, e todas da clorose que ataca os seres privados do sol.

Em primeiro lugar não respiram. Os seus dias são passados na preguiça de um sofá, com as janelas fechadas; - ou percorrendo num passinho derreadp a Baixa e a sua poeira. Portanto, falta de ar puro, são, restaurador. O ar da Baixa corrompe o sangue; e o ar das salas, resguardadas por cortinas ou alumiadas a gás, não tem oxigénio e portanto não alimenta.

Depois, não fazem exercício. Uma inglesa tem por dever moral, como a oração, o passeio – o largo passeio, bem marchado durante duas horas, sem preocupação «janota», todo de higiene.Aqui, as que andam a pé, depois de ir de uma loja na Rua do Ouro a uma igreja no Loreto, arquejam e recolhem à pressa no ónibus. Algumas mesmo não sabem andar; escorregam, saltiram, oscilam. Não dá tanta ideia da constância de carácter, como a firmeza do caminhar. Uma alemã, uma inglesa, anda como pensa – direita e certa. As nossas raparigas, constantemente sentadas e aninhadas, quando têm de se pôr a pé e de marchar, gingam e rolam. Além disso, o hábito do sofá, do recosto e da almofada – acostuma às posições lânguidas; cabeça errante, braços amolecidos, corpo abandonado. Uma inglesa nunca toma, por pudor, estas atitudes. São atitudes de serralho ou de pomba amorosa. Uma menina está direita e firme. É como na pintura e na estatuária se representa sempre a inocência. Deterioração pelo doce começa aos quatro anos. O sangue alimentado a massa, ovos, natas, dá

Depois não comem: é raro ver uma menina alimentar-se racionalmente de peixem carne e vinho. Comem doce e alface. Jantam as sobremesas. A gulodice do açúcar, dos bolos, das natas, é uma perpétua desnutrição. Os antigos moralistas atribuíam-lhe mesmo uma influência deplorável nos costumes e no carácer. Nas casas de província, onde a moral existe guardada em decrépitos provérbios como em frascos, dizem os velhos, com ingénuo horror:mulher gulosa, bicha manhosa.

Lisboa é uma cidade doceira, como Paris é uma cidade intelectual. Paris cria a ideia e Lisboa o pastel. Daí a grande quantidade de doenças de estômago e de maus dentes. A deterioração pelo doce começa aos quatro anos. O sangue alimentado a massa, ovos, natas, dá estes corpos débeis e estas almas amolecidas. O Baltresqui, o Ferrari, a Confeitaria Lisbonense arrasam o nosso organismo social.

Outra causa de doença é a toilette. Com estes penteados enormes, eriçados,insólitos, em forma de capacete, de fronha, de chalé, de concha, e com os materiais tenebrosos que metem por baixo para sustentar e erguer mais a construção inclemente – acumulam sobra a cabeça um fardo, uma trouxa, que não deixa arejar o crânio. A transudação acumula-se à raiz do cabelo, fecha os poros, cria um estado de inflamação. Ouve-se dizer quase sempre ás mulheres – Sinto hoje um peso na cabeça !... É p fardo! É o crânio que, sem ar, amolentado, está adoecendo como um corpo que se não despe.

Lisboa é a cidade do Universo onde as raparigas mais se apertam e se espartilham. O espartilho que destrói a beleza da linha, a melodia das curvas naturais, dificulta, ao mesmo tempo, a circulação, a respiração e a digestão. Fere as três causas da vida.
De modo que o balanço das condições físicas de uma rapariga portuguesa é este:
Músculo sem exercício;
Pulões sem ar;
Circulação comprimida;
Digestão estrangulada.

A primeira consequência é que uma rapariga assim destrói a sua beleza, a vivaz mocidade, e a graça. A pele amarelece, os olhos encovam, os lábios gretam, as orlehas despegam do crânio, o nariz afila, as mãos humedecem, todo o corpo corcova – e na bela idade da florescência, e na fresca expansão da vida, uma pobre rapariga de quinze anos ou dezoito anos está como alguma coisa de amarrotado, de melado, de murcho, de em segunda mão, com aquele aspecto safado que o pó das estradas dá à virgindade das folhas.

Começam a precisar, para serem bonitas, da luz do gás. No brilho artificial daquela luz crua uma menina, com os cabelos lustrosos, um pouso de pó-de-arroz, e muitos tules espalhados, tem encanto e pode seduzir. Mas que venha, ao outro dia, a sincera luz da manhã! Todas as máculas destacam: os cabelos, chamuscados, do ferro de frisar, estão secos e cor de rato, os beiços são como um velho bago de romã espremida, o nariz tem, na cartilagem que o liga ao rosto, um vinco escuro, toda a pele parece a de uma galinha cozinda! Ah!...o velho Paris não lhe daria a maçã.

É a moda, dizem. – Cruel razão! A moda começa por ter isto de absurdo: não é ela que é feita para o corpo –mas o corpo que tem de ser modificado para se ajeitar nela. A moda vem de fora, do figurino, feita pela fantasia burguesa de um desenhador de armazém: e aqui, depois, a pobre mulher precisa de reformar o corpo, obra do seu bom Deus – para o acomodar ao figurino, obra do seu mau jornal. De modo que para sustentar o chapéu deforma-se a cabeça; para obedecer ao puff torce—se a espinha; para satisfazer às botinas Luís XV desconjunta-se o pé; para seguir p chique das baixas destrói-se o busto. Nunca como hoje, sob o domínio da democracia, se desprezou, se desteriorou tanto o corpo humano. Não é com a intenção mística daquela santa que cortou o nariz para aniquilar as glórias mortais da sua beleza! Não! Hoje mais do que nunca se glorifica a beleza, e o corpo é o fim supremo. Somente não se aceita o corpo que a natureza dá – e procura-se aquele que se vende nas modistas.

(…)

A moda destrói a beleza e destrói o espírito. Um caixeiro desenha a lápis, em Paris um certo chapéu, um certo corpete, umas certas mangas – e todas, magras e gordas, as loiras e as trigeiras, as altas e as baixas, se introduzem, se alojam, se enfiam naquele molde, sem se preocuparem se o seu corpo, a sua cor, o seu perfil, a sua altra, o seu peito, condizem, harmonizam, vão bem com o seu molde decretado e chegado pelo correio. Abandonando-se servilmente ao figurin, abdicam a sua originalidade, o seu gosto. Aceitam uma banalidade em seda – e um lugar comum com folhos. Uma senhora que não inventa e não cria os seus vestidos – é como um escritor que não acha e nãonventa as suas ideias. Ter a toilette do figurino, é fazer como os merceeiros que têm a opinião da sua gazeta. Desabitua o espírito da invenção, da espontaneidade, da liberdade. É uma confissão tácita de que se não tem espírito, nem fantasia.

(…)

Depois da anemia do corpo, o que nas nossas raparigas mais impressiona – é a fraqueza moral que revelam os modos e os hábitos. Nada mais significativo, já notámos, que o seu modo de andar. Veja-se o andar de uma inglesa, elástico, firme, direito, sério: sente-se ali a saúde, a decisão, a coragem, a personalidade bem afirmada. Veja-se o andar de uma menina portuguesa, arrastado, incerto, hesitante, mórbido: sente-se aí a indecisão, a timidez, a incoerência.

A sua preguiça é um dos seus males. O dia de uma menina de dezoito anos é assim dissipado: almoça, vai-se pentear, corre o Diário de Notícias, cantarola um pouco pela casa, pega no croché ou na costura, atira-os para o lado, chega à janela, passa pelo espelho, dá duas pancadinhas no cabelo, adianta mais dois pontos no trabalho, deixa-o cari no regaço, come um bocadinho de doce, conversa vagamente, volta ao espelho, e assim vai puxando o tempo pelas orlhas, derreada com a sua ociosidade, e bocejando as horas.

Outro mal seu é o medo, um medo horrível de tudo; de ladrões, de trovoada, de fantasmas, da morte, dos corredores escuros, dos castigos de Deus, dos soldado e das máscaras. Não são capazes de atravessar uma sala apagada *a meia-noite; se um rato corre no soalho, saltam para cima dos móveis; gritam só com ver um revólver; têm os terrores que têm os canários.

Não há nelas nenhuma decisão, um quase nada as embaraça. É necessário que tudo em roda na vida seja muito fácil, muito claro, muito pronto; de outro modo, hesitam, estacam, sucumbem. Um não, uma carruagem que falta, o relógio que parou, o tempo que mudou – e aí estão inutilizadas. Bastavê-las no Inverni, num grande dia de chuva. A inglesa, se tem que fazer compras ou visitas, põe o seu water-proof, calça as suas galochas, toma o seu guarda-chuva, e aí vai chapinando a lama. A portuguesa em casa encolhida, amuada, inclusa ( segundo a pitoresca expressão do nosso grande desenhista Manuel de Macedo), cai, por causa de alguns pingos de água, numa desolação maior que a de Job sobre o seu monturo.

(…)

Daqui vem a sua falta de acção, a sua infeliz «passividade». Uma menina portuguesa não tem iniciativa, nem determinação, nem vontade. Precisa de ser mandada e governada; de outro modo, irresoluta e suspensa, fica no meio da vida, com os braços caídos. Perante um perigo, uma crise de família, uma situação difícil, rezam. Têm a fé abstracta que só Deus as pode inspirar, dar-lhes a decisão, a ideia precia: mas terminam quase sempre por seguir o conselho da criada.

Veja-se que companheira para a vida do homem – e do homem moderno que não é um trovador ou um contemplativo, nem um sultão para ter aninhadas, em fofas almofadas, huris perfumadas; mas um trabalhador, que precisa ganhar o seu pão, arca com todas as durezas da vida. Como há-de ele lutar com os braços sobrecarregados por estas criaturinhas que desfalecem e gemem, cheias de puff, de pós-de-arroz, de rabuge, e de mimos de romance!

(…)

Vejamos, um pouco, como as nossas raparigas portuguesas se formam, lentamente, sob a educação interior. As mães põem nas suas pequerruchas todo o interesse que um artista põe na sua glória: e tratam de dar a essa um relevo magnífico. Começam por as vestir como pequeninas senhoras! A pequerrucha de seis, oito anosm uma baby, um bocadinho de criatura, um nadinha de mulher, ei-la já com gravidades de dama, seriazita, coberta de fitas, de rendas, de folhos! Na idade em que precisam de toda a liberdade de corpo e de movimentos para crescer, já trazem a cinta apertada num anel tirânico, a cabeça oprimida por duros penteados em que o ferro lhes cresta o cabelo, os pezinhos devorados pelo verniz, e anquinhas epuffs, e um grande aparato, que é o cárcere do anjo.

(…)

Ao mesmo tempo vai-se-lhe ensinando o catecismo e a doutrina. É a educação moral. A pequerrucha aprende a persignar-se, a ajoelhar com gravidade, a recitar o padre-nosso. Depois, seguidamente, decora todas as orações da cartilha. E termina por papaguear a Doutrina correntemente, de cor e salteada, como a tabuada ou como as capitais da Europa – mas sem a menor compreensão, sem ligar uma ideia sua às palavras mortas, sentindo através delas um certo terror – porque se tarta de Deus e segundo lhe ensinam é Deus quem manda as trovoadas, as doeças, a morte.

Ora para que se ensina a religião a um homem ou a uma mulher? Para lhe dar um guia para a sua consciência eum guia para a sua inteligência; uma doutrina que lhe mostre o que deve pensar e que lhe aponte o que deve fazer: critério para bem-julgar e critério para bem-viver. O que se lhe ensina , porem,o Catecismo? Uma série de fórmulas e de palavras combinadas, cujo sentido lhe é tão estranho como uma língua ignorada. Aprende-a maquinalmente, á maneira de uma lição de escola que tem de recitar a certas horas, depressa ou devagar, por obrigação, como se penteia e como trata as unhas.

(…)

A curiosidade tem sido muito caluniada: e este nobre impulso humano é quase sempre considerado como um simples vício de criado. No entanto da curiosidade proveio toda a civilização, a Ciência, a Filosofia, as invenções, as descobertas de continentes: toda a História, toda a Crítica, é obra da curiosidade.(…) Mas é necessário saber como a educação a dirige. Descobrii a América e escutar a uma porta – são dois factos de curiosidade. Toda a criança é curiosa; resta saber se os que a educam, pelos factos e pelas ideias que oferecem ao exercício da sua curiosidade, farão dela – uma descobridora ou ua mexeriqueira.

Em Portugal, as mulheres, excluídas da vida pública, da indústria, do comércio, da literatura, de quase tudo, pelos hábitos ou pelas leis, ficam de posse apenas de um pequeno mundo, seu elemento natural – a família e a toilette. Daqui provém que senhoras reundas, conversando, giram – como borboletas em torno de um globo de candeeiro – em volta destes dois supremos assuntos: vestidos e namoros. A criança – grande ouvido e grande curiosidade – absorve, como um esponja chupa a água, tudo o que ouve dizer em redor, no conchego das saias juntas. (…) Ora quais são aqui os factos que oferecem à sua curiosidade as conversas da família, mãe, tiasm amigas ou visitas? Que fulana casou, que aquela se separou do marido, que é inexplicável a riqueza de toilette de outra, que sicrano lhe faz a corte, mas que sicrano tem uma actriz. E sempre os namoros, os vestidos, os escândalos, os mexericos, as histórias de paixões…

(…)

Tem dezasseis ou dezassete anos: ei-la entrando na vida. A educação vai-se completar agora por duas influências – uma interior, a família; outra exterior, a sociedade.
A impressão que nesta idade mais directamente lhe dá a família é toda positiva: a necessidade de ter dinheiro para viver. A organização material da vida e o seu custo, dão-lhe logo a certeza de que sem dinheiro, sem um casamento rico, a vida moderna não é mais que uma perpétua decadência e uma humilhação. Não falemos daqui nem da ricas nem das santas – duas raras espécies. Na família a rapariga vê a constente influência do dinheiro; começa a misturar-se no governo da casa, a entrar nas conversas económicas dos pais, a examinar as contas, a comprar; - hoje o rol dos fornecedores, amanhã o da modista, depois o do estofador, e um chapéu, e um camarote de teatro, e as luvas. Tudo lhe mostra a vida aplicada, como uma bomba aspirante, à bolsa da casa. A ideia do dinheiro torna-se nela fixa.Além disso embebe-se dela, nas conversas, nos jornais. Hoje, no fundo do pensamento ou do sonho, há sempre o dinheiro. A preocupação não é a religião, nem a Pátria, nem a Arte – é o dinheiro. O desinteresse é desprezado como uma ingenuidade bacoca. O mundo estende sofregamente a mão. Primeira profunda influência no espírito da mulher. – Daí o desejo de casar com dinheiro, casar rica; seja o marido velho, imbecil, rude ou trivial, contanto que traga o dinheiro, e o poder que ele da, carruagem, camarote de ópera, toilettes magníficas.- É o que todo o pai em Portugal deseja para sua filha.
Casar rica para gozar: é em que se resolve a ambição de todo o destino feminino. Dinheiro – e sensibilidade.

Coubert, o mais poderoso pintor dos tempos modernos, fez um quadro: As duas meninas do segundo império. É uma paisagem magnífica: duas mulheres solteiras descansam ali, na frescura tépida das sombras. Uma alta, loira, branca, está senta; tem o perfil frio, seco, o olhar direito, e, com um dedo apoiado à face, calcula: sente-se que pensa em dinheiro, juros, acções de companhia e jogo de fundos. A outra, deitada na relva, com os braços estendidos como abraçando a terra, trigueira, de fisionomia nervosa e imaginativa, a testa curta, os lábios secos, cisma: sente-se que sonha festas, bailes, as grandes voluptuosidades, os encontros rápidos e perigosos no fundo de um parque, e todas as exaltações da sensibilidade. Hoje, pela educação moderna dos colégios, cidades, romances, teatros, música, moral contemporânea - as duas meninas do segundo império, estão em cada mulher: fria ambição de dinheiro, exaltado ardor de sentimentalismo.

Eça de Queirós

17.8.07

Passeio nocturno sob a lua cheia de Agosto

Como infelizmente não está previsto em Portugal para a lua cheia do mês de Agosto nenhum passeio nocturno aqui damos conta de uma iniciativa do género na Andaluzia, perto da cidade de Córdova, mais propriamente na localidade de Priego de Córdoba, para o próximo dia 25 de Agosto, Sábado, organizada pelos Ecologistas en Accion e,desta vez, sob o tema «Um passeio contra a mudança climática». A marcha nocturna, que coincidirá com a lua cheia de Agosto, tem um grau de dificuldade médio-baixo, e será marcada ao longo do seu percurso por um leque variado de acções que vão desde a poesia, o teatro, a música e outras actividades relativas à temática das mudanças climáticas. O trajecto do passeio nocturno será pelas Serra de Albayate para finalizar no centro urbano de Priego de Códoba com o tradicional pequeno-almoço molinero.
O número de participantes está limitado aos 200. As inscrições podem ser realizadas no Museo Historico Municipal de Priego ( telefone 957540947 de Espanha) mediante o preço de 16 euros antes de 20 de Agosto, e de 18 euros após esta data. É recomendável roupa leve, alguma provisão de água, e não fumarem.

http://www.ecologistasenaccion.org/spip.php?article8845



Amanhã vai ser inaugurado mais um percurso pedestre em Vouzela, que conta com este em 6 vias para caminhar. O percurso a inaugurar será o PR6 “Trilho Medieval”, um percurso circular, com cerca de 8 km e que percorrerá alguns dos mais belos recantos da freguesia de Cambra. O trilho tem início no Largo do Cruzeiro, passa pelo caminho do Calvário até à Torre Medieval, em Cambra de Baixo. Segue em direcção a Tourelhe, passando por Confulcos e termina novamente no Largo do Cruzeiro. O ponto de encontro será no Posto de Turismo pelas 8h30 ou no Largo do Cruzeiro, em Cambra, pelas 9h00.


Entretanto, está previsto para o fim do mês de Setembro (dia 28) em Castelo Branco um passeio pedestre nocturno que irá percorrer alguns caminhos que levavam às quintas na periferia da cidade de Castelo Branco e às aldeias mais próximas. A concentração dos caminhantes é na Praça do Municipio ( Junto à estátua Amato Lusitano), sendo a iniciativa organizada pelos Caminheiros de Castelo Branco.
http://www.geocities.com/caminheiroscb/index.html


Para ver calendário de mais passeios, consultar:
http://www.pedestrianismo.blogspot.com/

Alguns passeios previstos:
Passeios Pedestres na ilha de Santa Maria, Açores, no mês de Agosto

2ª caminhada Rota do Caminho de Ferro em Negrelos- São Pedro do Sul (19 de Agosto)

Recorde-se que neste ano de 2007, o Dia Europeu de Pedestrianismo será festejado na Europa a 8 e 9 de Setembro (Sábado e Domingo), e o tema voltará a ser “Caminhar com os Vizinhos”.

Um hectare de milho transgénico foi ceifado hoje em Silves como protesto contra a agricultura química e transgénica


Hoje em Silves, no Algarve, mais de 100 activistas anti-OGM (organismos geneticamente modificados) realizaram uma acção de protesto contra a agricultura química e a produção agrícola de milho geneticamente modificado ceifando voluntariamente cerca de um hectare de milho transgénico PR32R43, de um total de 51 hectares que tinha sido semeado com aquele milho tóxico naquela localidade algarvia na herdade agrícola da Lameira.


Os cem activistas portugueses e estrangeiros que realizaram aquela acção acabaram por serem expulsos do terreno pela Guarda Nacional Republicana (GNR) e pelo proprietário, enquanto gritavam "Não aos OGM!" (organismos geneticamente modificados).
Num comunicado distribuído à imprensa aquele conjunto de activistas referiram-se que se tratou de uma «acção de desobediência civil contra o primeiro campo transgénico do Algarve».

Recorde-se que em 2004, o Algarve foi a primeira região do país a declarar-se livre de culturas com Organismos Geneticamente Modificados (OGM), declaração feita pela Junta Metropolitana do Algarve, que congrega 16 municípios. Daí que um dos participantes da acção de hoje tenha declarado que «Estamos a exercer o direito à resistência segundo o artigo 21º da Constituição da República Portuguesa».

Tanto mais que a legislação portuguesa sobre a matéria parece não está a ser cumprida. Com efeito, a lei que regula o cultivo de OGM em Portugal de 17 variedades de milho, estabelece que os agricultores, entre outras obrigações, devem notificar a respectiva Direcção Regional de Agricultura (DRA), informando sobre a espécie que pretendem cultivar, a área e local de cultivo e as medidas de coexistência para evitar contaminações. e essas medidas incluem distâncias mínimas de isolamento que variam entre os 200 e os 300 metros ou, em alternativa, bordaduras com 24 a 28 linhas de milho não transgénico ou sementeiras escalonadas para impedir a polinização de outras culturas adjacentes.

Após terem saído do terreno, cerca das 13:00, os ceifeiros do milho tóxico marcharam em direcção à aldeia de Poço Barreto, numa acção de sensibilização da população contra os transgénicos em que não faltaram a música, o teatro e a banda desenhada. Os activistas empunhavam cartazes em que se podia ler "Transgénicos perigo contaminação" e "Algarve sem transgénicos".

A acção foi promovida pelas associações ambientalistas Verde Eufémia e Almargem, tendo contado com a adesão de alguma população local e agricultores biológicos que discordam dos OGM.

http://www.stopogm.net/

8.8.07

Livros e leituras

Livros para crianças e jovens

Os livros que Bush nunca compreenderá

Livros ( citação de Aquilino Ribeiro)

Ler é... perigoso

Edições recentes ( a ler)

Voltaire e os perigos da leitura

Ler é um acto de rebeldia!

História

A batalha do Cambedo(1946) e a solidariedade galego-portuguesa anti-franquista

John Lennon tinha uma «visão revolucionária» ( segundo o FBI)


Há 20 anos que José Afonso nos deixou a sós com as suas canções


Liberalismo e escravatura são afinal irmãos siameses!



Os autocolantes da nossa Revolução de Abril





Morreu Abbé Pierre, o Gandhi francês


25 de Abril: para que ninguém se esqueça



O campo de extermínio nazi de Auschwitz foi libertado pelos soviéticos há 60 anos


A Rainha Vitória foi a maior traficante de drogas!

A Declaração de Independência dos Estados Unidos proclamou em 1776 que «todos os homens nascem iguais».


A invasão americana no Vietname foi há 40 anos
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À Memória de Rachel Corrie


Em 11 de Março de 1975 o terrorismo golpista da direita assassinou o soldado Luís.


O que foi o Movimento Chipko?



Listagem das Resoluções da ONU contra o Estado de Israel


A mítica revista Bicicleta já está disponível na Net.


Os heróis do nosso tempo!



A luta dos chapeleiros contra as máquinas capitalistas


Os 100 anos do mítico IWW (Industrial Workers of the World)

Filosofia

Dois livros a ler

A epistemologia de Paul Feyerabend

Educação

Escolas Secundárias públicas perdem anualmente 17.000 alunos

A pedagogia de Montessori

Economia

O desemprego mundial nunca foi tão alto

Economia participativa e a gratuitidade

Lucros da empresa-holding de Belmiro em 2004 foi de 192 milhões de euros


Endivido-me, logo existo! (por Eduardo galeano)


Nunca como hoje as grandes empresas deram tanto lucro


Já não há Europeu de futebol que salve a nossa Economia


Crise? Qual crise? Corticeira Amorim com aumento de 23,6% de lucros em 2004


Anedotas sobre o “desenvolvimento”


A reinvenção do dinheiro

Obrigatoriedade de indicadores sobre a sustentabilidade das empresas...na Alemanha!


Saldo da Segurança Social a descer

Tomem lá os números!


A desigualdade abismal entre ricos e pobres no mundo


Afinal, a produtividade em Portugal é maior que nos Estados Unidos!!!!

Aumento do desemprego


Pobreza no mundo


2 milhões de portugueses são pobres


A taxa de inflação em Portugal foi de 2004 de 2,4%. Só?


A baixa tendencial da taxa de motivação derrubará o capitalismo?

Razões para o desassossego social

Dumping social e dumping ambiental

O conceito de «Desenvolvimento sustentável»

A Felicidade Interna Bruta deve substituir o Produto Interno Bruto (PIB)

O nepotismo está no sangue dos young global leaders

Portugal tem a mão-de-obra mais barata…


Sonae superou a CUF

Cybercultura

Os ladrões do tempo

Controle social

Os microchips subcutâneos ao serviço do Big Brother

O Big Brother é italiano? As escutas telefónicas em Itália chegaram ao ponto máximo possível!!!

O Big Brother prepara-se para entrar nas escolas portuguesas...

Consumismo

Uma anedota sobre o consumismo

Alterconsumidores versus hiperconsumidores

Haverá vida fora dos centros comerciais...?


Campanha por um eco-natal

Civilização capitalista

A tirania do relógio

O novo capitalismo transforma a cultura em comércio

A feitiçaria capitalista do «progresso»...e como desenfeitiça-lo!

Ciências Sociais e Humanas

Como é que os capitalistas se mantêm no Poder...ou como é que o Poder político-económico se reproduz.


O cosmopolitismo


Razão Sensível


Capital económico, linguístico e cultural


A Sociedade contra o Estado ( P. Clastres)


A epistemologia de Paul Feyerabend

Pierre Bourdieu, sociólogo de combate

A Sociologia é um desporto de combate - La sociologie est un sport de combat (2001)

Ciência

2005 é o ano Einstein, físico e pacifista

Premiado o matemático que provou que o «caos é a regra»

Bicicletas

A bicicleta é subversiva!



As bicicletas entram no quotidiano das cidades peninsulares.

Automóveis

O automóvel e a destruição planetária

A religião do automóvel e a liturgia do divino motor


O centro de Paris sem carros em 2012?


Porto - Por um Parque Oriental sem automóveis

Associação Para a Interdição dos Veículos Inutilmente Rápidos (APIVIR)


O tráfego automóvel reduz o desenvolvimento pulmonar

A pegada carbónica do Rali Lisboa-Dacar - leiam que é elucidativo...

Rali Lisboa-Dakar: Acelerar em áreas protegidas!!!

Ateísmo e heresias

Heterodoxias versus dogmas

A Filosofia contra o Cristianismo

Tomás da Fonseca e os sermões da montanha

Campanha Primavera-Verão de Desbaptização

O homem mais odiado pela América

Bush exporta Deus


Humor apóstata

História da religião: 5000 anos de religião em 90 segundos

7.8.07

Artes plásticas

Que nasçam muitas Fridas

Arte contra os muros: Tijuana converte em arte o seu muro da vergonha

Uma Exposição de Arte sob o tema do Mal

Brevíssimo panorama das Artes Plásticas pós-1945

Um novo colectivo artístico de intervenção urbana


Exposição de arte na Tate Britain recria os protestos contra Blair e a guerra no Iraque

Anti-nuclear

Suécia estuda a hipótese de impôr a responsabilidade civil ilimitada às centrais nucleares


O acidente nuclear de Three Mile Island foi há 26 anos

Anti-militarismo e Não-violência

Gandhi e o Dia da Não-Violência (30 de Janeiro)

O «humanitarismo» lucrativo
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Vanunu, cientista e prisioneiro de consciência, foi eleito como reitor da Universidade de Glasgow


A Guerra é o mesmo que Terrorismo, mas com um orçamento maior!...


Contraste da ajuda do Estado norte-americano para as vítimas do Tsunami asiático e o custo de um bombardeiro militar

Louis Lecoin - Figura maior do pacifismo


Crise no recrutamento de soldados para a guerra


O vandalismo cultural do Exército norte-americano destrói os vestígios da Babilónia



Jornada Internacional de protesto contra Bush no dia 20/Janeiro


As Razões pelas quais me declaro desertor de qualquer guerra



A essência da Guerra ( por G. Orwell)


O Exército espanhol recruta estrangeiros imigrantes por falta de interesse dos espanhóis na tropa


Junta-te aos marines: procuram-se novos recrutas para trabalhos sujos. Paga-se bem.


100 exemplos de agressões militares norte-americanas


A destruição da cultura pela guerra e pelos exércitos(o caso do Iraque )


A nova arma de destruição maciça dos Estados Unidos: a manipulação do clima para fins militares


A Insubmissão como obra de arte


China aumenta o seu orçamento militar em 12,6%


Estados Unidos manipulam informações


Toda a guerra tem o inconveniente de precisar de um inimigo e, se possível, ter mais que um...


Abolição dos exércitos


Não a militarismo

A invasão americana no Vietname foi há 40 anos



Estados Unidos perdem aliados: 11 países já abandonaram o Iraque, e outros 7 anunciam a sua retirada parcial ou total.


Einstein e a paz


50 pequenas cidades do Estado de Vermont referendaram a favor da retirada das tropas americanas do Iraque


Vietnamitas processam empresas químicas norte-americanas por causa do «agente laranja»



Perguntas sobre o terrorismo ( para servirem de reflexão)


Marketing Militar recrutou apenas 7 voluntários


Alguns dados sobre armas e guerras para… não passarmos por idiotas

Nova arma americana visa causar máximo sofrimento sem matar

750 biólogos norte-americanos protestam contra o desvio de verbas de investigação científica para programas de bio-terrorismo


O escândalo das despesas militares no mundo!


Marcha contra a guerra do Iraque juntou mais de 100 mil em Washington


Exposição de arte na Tate Britain recria os protestos contra Blair e a guerra no Iraque



As Canções anti-Guerra ( Anti War Songs)

Alternativas são possíveis

A Simplicidade Voluntária


Os conhecimentos tradicionais

Semana mundial da vida lenta (14 a 22 de Janeiro)

Renascimento rural

Comunidades rurais: o exemplo de Matavenero e Poibueño

Agricultura

Salvemos as sementes

Biopirataria

OGMs, nocivos para consumo interno nos USA, foram despachados para a Guatemala!

A Situação Global da Agricultura Transgénica

Activismo

Como bloqueamos a Cimeira da OMC em Seattle

40º aniversário do primeiro Teach-in

Palavras brechtianas

Vive! Pensa! Lê! Aprende! Conhece! Age!

Nunca duvides da capacidade em mudar o mundo!

Os dias da criação (22 e 23 de Setembro na Casa da Eira Longa, em Vilar, Boticas )

Nesta iniciativa estará a presença diversificada de criadores leoneses e transmontanos, nas distintas áreas da criação: Audiovisual, Escrita, Performance, Música, Pintura, Fotografia, Pensamento, Gravura, Teatro, Grafismos, Artesanato, Escultura, Contacontos.
Apesar de se tratar de um encontro de âmbito regional não há qualquer segregação relativamente à presença de criadores que fisicamente tenham nascido noutras paragens. Assim, desde a Galiza ao Algarve, passando pela América Latina, este encontro é marcado pelo Aberto, pela infinitude do ómega.

programa:

22 Setembro, Sábado:

10h,03m -Casa da Eira Longa: Pensamento e Debate
Comunicações: abel neves, alexandre teixeira mendes, amadeu ferreira, antónio cabral, bento da cruz, silvia zayas, tomás sanchez santiago,
Distribuições e dinâmicas coloquiais: alberto augusto miranda, hermínio chaves fernandes.

15h,30-Casa da Eira Longa: Inauguração de uma exposição colectiva de artistas visuais de león e de trás-os-montes.
Exponentes: adriana henriques, agostinho chaves, alfredo cabeleira; ana luisa monteiro; andré gomes, antero de alda, antónio pizarro; anxo pastor; asun parrilla, bruno ruivo, carmen cierto, clara vale, daniel alonso, deborah nofret; dinis cortes; elisabete a. monteiro; elisabete pires monteiro; emanuel teixeira, gerardo queipo; inês abrantes, inma doval, isabel ribeiro; ivan almeida; joana caldelas, joaquim vieira, jorge linhares, josé moura; juan ondategui, juan rafa, katús otero, lola oviedo, manoel bonabal, mário castro, natalia gonzález devesa, nelson silva, paulo gaspar ferreira, pedro colaço, renato ferrão; sabela arias, sacha habermann, sindo cerviño, vânia ferreira;

16h30:– Casa da Eira Longa: Curtas-metragens
Apresentação de obras de: adriana perez, angelica liddell, jesus dominguez, koke vega, pedro colaço, pedro sena nunes, sara jess

18h00, Casa da Eira Longa: Actos Poéticos

Apresentação, por fernando martinho guimarães, do livro:
Tengo Algo De Arbol / Tenho Qualquer Coisa De Árvore
Selecta de poetas leoneses.
Poesia de: antonio gamoneda, gaspar moisés gómez, aldo z. sanz, tomás sánchez santiago, josé luís puerto, juan carlos mestre, ildefonso rodríguez, sílvia zayas, victor m. díez, eloísa otero, miguel suárez, ruben mielgo, jorge pascual.
Edição bilingue castelhano-português. Organização e selecção: sílvia zayas. Tradução: alberto augusto miranda. Ed. Intensidez.

Poesia dita por poetas: ana de sousa, ángel fernández benéitez, antónio cabral, concha rousia, eloisa otero, fracisco niebro, henrique dória, juan carlos mestre, juan manuel rodriguez tobal, máximo hernández, salviano ferreira, tomás sánchez santiago

21h30, Auditório de Boticas: Música, Performances, Teatro

Com: alberto augusto miranda, alexandra bernardo, aurelino costa, cova villegas, estibaliz espinosa, gonzalo ordás, hector rodriguez, ildefonso rodríguez, isabel fernandes pinto, manuel guimarães, pepa yañez anllo, sílvia zayas, victor m. díez,

23 Setembro 2007, Domingo:


10h -Casa da Eira Longa: MOSTRA DOS TRABALHOS AUDIOVISUAIS FEITOS IN LOCO:
Com: andré rodrigues, carlos marques, ivan terra, jaime mendes, joana lopes, joana magalhães, joão neiva, joaquim vieira, luis martins, michelle reis, nicole freitas, paulo pereira, pedro teixeira, raquel silva, rodrigo marcos, sandro sousa, sarah rego, tiago faifa, vânia ferreira, vitor leal


12h-Casa da Eira Longa: A Poesia Jovem latino-americana:
Com: estrella gomes (venezuela), geison garcia (venezuela), joaquín m. chávez (equador), pablo cruz (chile), raquel molina(venezuela)

14h – Almoço de encerramento

Todo o acontecimento é Público / entrada livre

informações:
+351. 960238922 (eira longa)
+351.965817337 (incomunidade)

email:

6.8.07

I Colóquio Internacional de Educação Libertária ( 7,8 e 10 de Setembro em São Paulo e Manaus)

O Instituto de Estudos Libertários - IEL, a Editora Imaginário, a EDUA e a Faculdade de Educação da Universidade Federal do Amazonas, com o intuito de fomentar o estudo, a reflexão de uma educação formadora de um ser humano livre e comprometido com a construção de uma sociedade justa e igualitária, organizam:

I COLÓQUIO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA

Trazem aos educadores, e libertários em geral, a rica história de dois séculos de reflexão e experimentações em favor de uma educação fora da esfera estatal, capitalista e religiosa, voltada para a formação de um ser livre, participativo e combativo contra todas as forças coactoras e inibidoras de sua livre acção.

Coube-nos, uma vez mais, despender grande esforço para a realização deste evento. O colóquio acontecerá por meio de inscrição de 100 participantes que pagarão R$ 100,00 para cobrir os custos (passagens aéreas internacionais, hospedagem, alimentação, transporte e divulgação). Os participantes terão direito, durante o Colóquio em São Paulo, a um ou mais livros de educação recém-lançados, ao preço de capa, até o valor máximo de R$ 80,00. Caso a escolha dos títulos ultrapasse o valor acima citado, o participante efectuará o pagamento do complemento. Observamos que sob nenhuma hipótese haverá restituição do valor total ou parcial da inscrição tendo em vista seu emprego no financiamento do evento.

Garanta já a sua presença pois há somente 100 vagas.

Participantes
Hugues Lenoir (França)
Francesco Codello (Itália)
José Pacheco (Portugal)
Sílvio Gallo (Unicamp/IEL)
José Damiro de Moraes (IEL)
Alexandre Samis (IEL)
Helena Singer (Unicamp)
José Eduardo Valladares (Unicamp)
Ana Elisa Siqueira (EMEF Amorim Lima)


Organização
Instituto de Estudos Libertários - IEL
Editora Imaginário
EDUA/FACED/UFAM


Participantes estrangeiros
Hugues Lenoir
Professor e director de pesquisas de Ciências da Educação e director do Centro de Educação Permanente da Universidade Paris X.

Francesco Codello
Historiador da Pedagogia e director pedagógico em Treviso. Membro do IDEN (International Democratic Education Network) na Itália e redactor da revista italiana Libertaria.

José Pacheco
Pedagogo e fundador da Escola da Ponte, em Portugal.


Programação em São Paulo

7 de Setembro - Sexta-feira

9h30 - 12h30
Educação Democrática e Pedagogia Libertária
Francesco Codello
Helena Singer

14h30 - 17h30
Autogestão e Educação Permanente
Hugues Lenoir
Sílvio Gallo

18h30 - 21h00
Educação Libertária e Ensino Público
José Pacheco
Ana Elisa Siqueira


8 de setembro - Sábado

9h30 - 12h30
Os Anarquistas e a Educação na Europa e no Brasil
Francesco Codello
José Damiro de Moraes

14h30 - 17h30
Sindicalismo e Educação: Autogestão e Democracia na Escola
Hugues Lenoir
Alexandre Samis
Eduardo Valladares


INSCRIÇÃO
I Colóquio Internacional de Educação Libertária (São Paulo)
As inscrições devem ser feitas mediante depósito na seguinte conta bancária:
Banco Itaú - Agência 2925 ? c/c 00494-3
em nome de Plínio A. Coêlho

Após o depósito solicitamos o envio do comprovante por fax ou e-mail bem como a ficha de inscrição abaixo devidamente preenchida para

Fone: (11) 3864-3242 ou por e-mail
ed.imaginario@uol.com.br


Revista e livros que serão lançados durante o evento:

* Pedagogia Libertária - Silvio Gallo

* Educar para Emancipar - Hugues Lenoir

* A Boa Educação: experiências libertárias e teorias anarquistas na
Europa, de Godwin a Neill vol. 1 - Francesco Codello

* A Pedagogia Libertária - Edmond-Marc Lipiansky

* Revista Educação Libertária: Experimentações Libertárias em Educação,
ontem e hoje



«Liberdade sem socialismo é privilégio e injustiça; socialismo sem liberdade é escravatura e brutalidade» ( Bakunine)

Contacto:
9511-0377 (João / coordenador do grupo)
ou
gea_nec2@yahoo.com.br


Locais de realização do Colóquio:

SÃO PAULO
7 e 8 de Setembro de 2007
Acção Educativa - Rua Gen. Jardim, 660 - V. Buarque


MANAUS
10 de Setembro de 2007
Campus da Universidade Federal do Amazonas

O nº 23 da revista Utopia já está nas livrarias

Logo da revista anarquista de cultura e intervenção


Já está disponível, e à venda nas livrarias e nos locais habituais, o nº 23 (relativo ao semestre de Janeiro a Junho de 2007) da revista Utopia, que se define «como revista anarquista de cultura e intervenção, o que significa do património histórico das ideias e do movimento anarquista, ainda que à luz de um pensamento próprio, activo e actual, e no respeito face a outras interpretações desse património».

O tema principal desta edição é a educação com um texto inicial onde se pode ler o seguinte:

«Quando as escolas funcionam como “fiéis depositárias” de rebanhos de jovens, que estão ali como poderiam estar noutro sítio qualquer, enquanto os pais são também eles rebanhos numa qualquer fábrica ou empresa, é porque algo vai mal. Será apenas a educação ou todo um modelo de sociedade, de economia, de vida, que terá de ser posto em causa e discutido? Para não variar, a classe jornalística, e por arrastamento o país, preocupa-se mais com faits divers como o diploma e as habilitações do Sr. Eng., os dislates da ministra ou os processos disciplinares levantados por uma qualquer funcionária, também ela com direito aos seus quinze minutos de fama.»
(excerto do editorial deste número)


O dossier sobre educação é composto por vários artigos: A pedagogia libertária face à crise do modelo educacional capitalista ( por José Maria Carvalho Ferreira), Alienação versus Educação ( por Ilídio dos Santos), Para os efeitos do presente despacho ( um artigo de Fernando Rebelo sobre o ensino artístico), A educação em Portugal ( por Mário Rui), A educação e a liberdade ( um texto clássico de um anarquista individualista, Manuel Devaldès), Greve na Universidade de São Paulo ( por Lúcia Bruno).

Para além destes incluem-se outros textos e várias notícias de interesse. Do seu sumário destacamos entre outros, os seguintes artigos: «R, o vampiro do Vaticano» por Cleber Rudy, «Biblioteca Popular José Ingenieros, apontamentos para a sua história» por Vicente Francomano e Antonio López, um texto do grupo de Paris do Movimento Surrealista intitulado «Para acabar com o espectro de deus»,

O nº 23 da revista termina com as duas rubricas habituais: uma com uma recensão crítica sobre alguns livros, e uma outra com as publicações recebidas pela redacção.

Preço: 6 euros

Contacto:
CulturalAVida@sapo.pt
Website:
www.utopia.pt




Outra revista anarquista, editada pelo Centro de Cultura Libertária (CCL) de Almada, é a Húmus. O último número lançado no mês de Abril constituiu para nós uma agradável surpresa pois inclui um interessante conjunto de textos cuja leitura se recomenda. O nº 3 da revista Húmus encontra-se aqui em formato PDF.

Quem estiver interessado na sua aquisição pode contactar para o CCL Centro de Cultura Libertária, na Rua cândido dos Reis, 121, 1º Dto, Cacilhas, Almada.

e-mail:
ateneu2000@yahoo.com

website:
http://culturalibertaria.blogspot.com/

6º Congresso de história local de Castro Laboreiro (Serra da Peneda, no Gerês)


O Núcleo de Estudos e Pesquisa dos Montes Laboreiro (NEPML) é uma instituição de índole cultural sem fins lucrativos – os custos das suas actividades são suportados pelos dois elementos fundadores – com o derradeiro e único propósito de divulgação dos múltiplos aspectos culturais dos antigos Montes Laboreiro.

Ou seja, do acervo cultural das montanhas graníticas de Entre-Lima-e-Minho que se estendem desde Celanova (Galiza) até Padrão de Sistelo e Soajo (Arcos de Valdevez). Tendo sempre como ponto de partida e de interesse fulcral as duas freguesias centrais desses vetustos Montes, que viram nascer os fundadores do NEPML – Lamas de Mouro e Castro Laboreiro

www.monteslaboreiro.com


O NEPML organiza no dia 11 de Agosto às 21:00 horas, na vila de Castro Laboreiro, o 6º Congresso de História Local.


Programa:

21:00: Abertura

21:10: Igreja Matriz de Castro Laboreiro – Subsídios históricos: José Domingues / Américo Rodrigues

21:40: Lançamento do Romance Histórico: Tomaz das Quingostas : José Alfredo Cerdeira

22:00: Sinais de modernidade em Castro Laboreiro no século XX: António “Bernardo”

Domingues

22:30: A vida de Tomaz das Quingostas - Joaquim Rocha
23:00: Debate Aberto / Encerramento



4.8.07

O espírito da utopia em Ernst Bloch

Pensar significa ultrapassar
(in O Princípio da Esperança, de Ernst Bloch)

«O utópico encontra-se espalhado por todos os lados, não há uma só cultura conhecida que ignore a sua presença visto que se converteu numa "dimensão antropológica essencial". Uma sociedade sem utopia é tão impossível como a um ser humano não sonhar. »

Ernst Bloch (8 de julho de 1885 - 4 de agosto de 1977) foi um filósofo alemão que dedicou uma atenção especial ao tema da utopia, vista como uma força revolucionária. As suas principais obras são «Princípio Esperança», «O Espírito da utopia», «Sujeito e Objecto em Hegel», todas elas abordando a problemática das utopias e a dimensão utópica da história humana: o homem não é só o produto do seu ser, mas está ainda dotado de um «excedente», de um «princípio de esperança», que se concretiza nas utopias sociais, económicas e religiosas, e se expressa nas artes e na música ("A relação com este mundo torna a música um sismógrafo social, ela reflete fracturas sob a superfície social, expressa desejos de transformação, convida à esperança. [...] O som exprime o que ainda está mudo no ser humano", afirma Bloch em O princípio esperança). O socialismo e o comunismo ilustrariam a capacidade de aplicação desse mesmo excedente humano.

«O que lhe fascinava eram os elementos imaginativos, os "sonhos diurnos" de todos nós, e como eles tinham o poder de modelar o comportamento e a cultura dos homens. Afastando-se da pretensão científica do marxismo, procurou enfatizar o conteúdo messiânico que a revolução era portadora. Para ele, o atraente dela estava nos seus elementos emocionais-redentores e não na sua dimensão racionais-evolucionista como Marx defendia. »

Defendendo-se de acusações de perseguir o irrealizável, Bloch desenvolverá o conceito, aparentemente paradoxal, da "utopia concreta", distanciando-se assim tanto do puro sonho quanto do banimento de todas as esperanças para um mundo melhor num qualquer além transcendental.

À ideia freudiana do inconsciente como algo "não-mais-consciente", o filósofo justapõe a existência do "ainda-não-consciente". "Sobretudo nos dias de expectativa, em que predomina, não o que já foi, mas sim o que está por vir, na dor indignada, na gratidão da felicidade, na visão do amor [...], transpomos claramente as fronteiras de um saber ainda-não-conhecido."

Importa esclarecer o uso do conceito utopia por Bloch,que é utilizado por ele de maneira bem mais ampla e genérica do que é comum. A palavra utopia é sempre associada à descrição de uma sociedade inexistente, a algo ainda não concreto e que jamais houve de facto, como na dialéctica de Platão ("República") ou na narrativa de Thomas More ("Utopia"), e tantos outros narradores utópicos. Este uso afigura-se-lhe limitado, pois é apenas um dos aspectos de como o fenómeno utópico aparece.
A utopia de Bloch é algo difenrente. É, por assim dizer, todo e qualquer pensamento maravilhoso que brota da mente humana. Pode ser a constituição de uma sociedade perfeita, a arquitectura intelectual de uma infinidade de reformadores religiosos e de filósofos sociais, ou um simples desejo de que ocorram coisas melhores no futuro. Pode surgir igualmente nos versos de um poeta, no sonhar acordado de um Goethe, de um Hölderlin,ou ainda nos castelos no ar das histórias infantis e das aventuras.

Bloch recebe influência de Hegel e Marx, e é amigo de Lukács, mas o seu marxismo sai fora de qualquer ortodoxia e adquire uma tonalidade singular que faz do filósofo alemão uma das vozes únicas no panorama intelectual europeu do século XX, e é considerado uma das fontes de todas as movimentações de contestação social ocorridas ao longo dos anos 60. Influenciou, por sua vez, filósofos como Adorno, Walter Benjamin e Erich Fromm.
A sua primeira obra, O Espírito da utopia, aparecida no início dos anos 20, faz dele um dos principais teorizadores do conceito de utopia, graças à qual é possível repensar a história e constitui, segundo ele, uma forma de messianismo moderno, e não por acaso escreveu uma obra de divulgação e análise a Thomas Muntzer («Thomas Muntzer, teólogo da revolução»), uma personagem mítica que protagonizou um movimento herético de cariz messiânico. No espírito da utopia ele escreve: "O mundo existente é o mundo passado, porém o anseio humano, em ambas suas formas – como inquietude e como sonho acordado – é a vela que leva ao outro mundo".

Mas a sua obra principal é o seu «Princípio da Esperança» em 3 volumes. A pré-condição para que se supere a servidão e as estruturas hierárquicas da sociedade é o princípio vital da esperança. Este não se deixa abalar por uma decepção qualquer, pois o ser humano precisa de coragem e de disposição à luta, um "optimismo militante". Prescinde pois de toda a leninista para fazer a Revolução.

Pelos seus escritos e pela sua descendência judia teve de se refugiar nos Estados Unidos, durante o regime nazi, após o qual voltou à Alemanha, tendo preferido em 1949 ir para a Universidade Karl Marx em Leipzig preterindo uma regência para que tinha sido convidado na Universidade Goethe de Frankfort. Pelas suas posições anti-estalinistas e opiniões libertárias resolve abandonar a RDA em 1961, quando se começa a construir o Muro de Berlim, passando a ser professor na Universidade de Tubingen


Bloch saudou o movimento estudantil nos anos 60 como uma "revolta contra a repressão primária", capaz de pôr em desordem e movimento uma sociedade estagnada. "Os nossos senhores fazem, eles próprios, que o homem comum se torne seu inimigo e se indigne, e a isso eles chamam de rebelião."


Títulos originais dos seus livros :
• Kritische Erörterungen über Heinrich Rickert und das Problem der Erkenntnistheorie, Dissertation, 1909.
• Geist der Utopie, 1918.
• Thomas Müntzer als Theologe der Revolution, München, 1921.
• Spuren, Berlin, 1930.
• Erbschaft dieser Zeit, 1935.
• Freiheit und Ordnung, Berlin, 1947.
• Subjekt - Objekt, 1949.
• Christian Thomasius, 1949.
• Avicenna und die aristotelische Linke, 1949.
• Das Prinzip Hoffnung, 3 vol., 1954-1959.
• Naturrecht und menschliche Würde, 1961.
• Tübinger Einleitung in die Philosophie, 1963.
• Atheismus im Christentum, 1968.
• Politische Messungen, 1970.
• Das Materialismusproblem, seine Geschichte und Substanz, 1972.
• Experimentum Mundi. Frage, Kategorien des Herausbringens, Praxis, 1975.


Traduções francesas
• Traces, Paris, Gallimard, 1968 (1998, coll. Tel)
• Thomas Munzer: théologien de la révolution, Paris, UGE, 10/18, 1975.
• Droit naturel et dignité humaine, Paris, Payot, 1976.
• L'esprit de l'utopie, Paris, Gallimard, 1977.
• Héritage de ce temps, Paris, Payot, 1977.
• Sujet-Objet. Éclaircissements sur Hegel, Paris, Gallimard, 1977.
• L'athéisme dans le christianisme: la religion de l'Exode et du Royaume, Paris, Gallimard, 1978.
• Experimentum mundi: question, catégories de l'élaboration, praxis, Paris, Payot, 1981.
• Le principe espérance, 3 vol., Paris, Gallimard, 1976, 1982, 1991.
• La philosophie de la Renaissance, Paris, Payot, 1994.


http://www.bloch.de/

http://www.ernst-bloch.net/

Concentração contra o encerramento e a venda de consulados de Portugal em França (no Rossio, 9 de Agosto às 15h.)


Os Portugueses, Emigrantes em França, precisam e solicitam a compreensão e apoio de todos.

Concentração no Rossio ( em Lisboa) contra o encerramento dos Consulados Portugueses


O Governo português quer encerrar quatro Consulados de Portugal em França: os das áreas de Nogent-sur-Marne, Versalhes, Orleães e Tours e concentrar todos os Emigrantesdessas áreas e todos os serviços, num único Consulado, o de Paris.

Em França, esses consulados, abrangem uma zona geográfica, superior a todo o território de Portugal, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira.



Esses consulados, prestam um serviço público essencial a mais de 500 000 utentes, ou seja, a cerca de metade dos cidadãos portugueses e luso descendentes que residem em França.


Notícia via:
www.ocorencias.blogspot.com/