14.8.05

Rolling Stones mandam à merda os neoconservadores americanos



O conhecido grupo de rock Rolling Stones acaba de gravar um novo disco que terá o título «The Bigger Bang», a sair no próximo mês de Setembro. Até aí nada haveria de especial, excepto o facto do novo disco dos Rolling Stones incluir um tema com aceradas críticas aos neoconservadores norte-americanos chamando-lhes hipócritas e caracterizando-os com cabeças cheias de merda. Com efeito na canção com o título «Sweet Neo Com» pode-se ler/ouvir:

«You call yourself Christian, I call you hypocrite / You call yourself patriot, well I think you're full of shit»
(você diz-se cristão, mas eu chamo-vos hipócritas/vocês dizem-se patriotas, bom penso que sois um monte de merda
).

Estratégias de manipulação



«Para manipular eficazmente as pessoas é necessário fazer crer a todas elas que ninguém as manipula» Galbraith

As grandes corporações empresariais e transnacionais controlam todos os meios de comunicação ( diários, revistas, rádio e televisão, editoras de livros, cinema, vídeos, agências fotográficas, agências noticiosas, serviços de transmissão, editoras discográficas,…) nos Estados Unidos e nos restantes países. Face a isto é preciso ver como tudo se processa, ou seja, como é feita a manipulação, mediante que técnicas é realizada a manipulação das pessoas.

Com efeito, o domínio e o controle das pessoas e dos povos são assegurados através de determinadas técnicas de manipulação. Noam Chomsky expressa essa realidade com estas palavras: «A manipulação e a utilização sectária da informação deformam a opinião pública e anulam a capacidade do cidadão para decidir livre e responsavelmente. Se a informação e a propaganda são armas de enorme eficácia nas mãos dos regimes totalitários, também não deixam de o ser nos sistemas democráticos; quem domina a informação, domina de certa forma a cultura, a ideologia e, portanto, também controla em grande medida a sociedade.»

Vejamos algumas dessas técnicas de manipulação:

1) Criar problemas e depois oferecer soluções


Este método é também chamado «problema-reacção-solução». Cria-se primeiro o problema, uma qualquer «situação» prevista para suscitar uma certa reacção do público, a fim de que este reclame medidas que se deseja virem a ser adoptadas. Por exemplo: deixar que cresça e intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos a fim de que a população venha a reclamar leis sobre segurança ou reforço de medidas policiais que limitem as liberdades ou que justifiquem operações militares. Outro exemplo: criar uma crise económica para fazer com que sejam aceites como um mal necessário medidas que eliminem direitos sociais ou que se traduzam no desmantelamento dos serviços públicos.


2) A estratégia do «pouco a pouco» ou da degradação progressiva


Para fazer aceitar uma medida socialmente inaceitável basta aplicá-la progressivamente ao longo de um ciclo de 10 ou 20 anos. Foi assim que certas condições sócio-económicas foram impostas: reconversões, desemprego massivo, precariedade, flexibilidade, relocalização, salários insuficientes, …



3) A estratégia do acontecimento inevitável e da resignação


Outra maneira de fazer aceitar uma decisão impopular é apresentá-la como «dolorosa mas necessária», obtendo o acordo da população quando se vier a aplicá-la. É mais fácil fazer aceitar um sacrifico futuro do que um sacrifício imediato. Permite que a população se habitue à ideia de uma mudança inevitável e aceitá-la com resignação quando chegue o momento da sua aplicação.


4) Dirigir-se a um público, infantilizando-o


A maioria dos programas de TV dirigidos ao grande público utiliza um discurso, argumentos, personagens e um tom particularmente infantilizado, como se o telespectador fosse uma criança. Aliás, quanto mais pretende enganar, mais se deve reforçar o carácter infantil da comunicação a transmitir. E isto acontece muito simplesmente porque se nos dirigirmos a uma pessoa como se tivesse 12 anos, sem lhe darmos possibilidade de se questionar, o mais provável, senão mesmo o mais certo, é que ela reaja ou dê uma resposta desprovida de qualquer sentido crítico.



5) Utilizar o aspecto emocional e não a reflexão.


Hitler já dizia: «por meio de hábeis mentiras, repetidas até à saciedade, é possível fazer com que as pessoas acreditem que o céu é o inferno e o inferno é o céu…Quanto maior for a mentira, mais nela acreditam(…) Uso a emoção para a maioria e reservo a razão para a minoria»



6) Manter a população na ignorância e na mediocridade

Fazer com que a população seja incapaz de compreender o mundo em que vive e os métodos que são utilizados para a sua gestão e controle. Se assim acontecer as pessoas ficam com a sensação de que não podem fazer nada. Para atingir estes objectivos pode-se utilizar a qualidade da educação e a programação dos meios de comunicação social (TV, etc). A maioria recebe programas e uma educação medíocre, pois a excelência fica reservada apenas para uma minoria elitista. Uma mentira ou uma meia-verdade repetida por uma poderoso meio de comunicação social, ou então, por uma instituição científica, converte-se numa verdade dificilmente inquestionável para quem não tem os meios de entender. Desta maneira a propaganda induz a germinação e a multiplicação de crenças e não de verdades, obtidas por via de um processo de reflexão e pesquisa.



7) Substituir a acção pela culpabilidade e o individualismo ( ou o cinismo)

O objectivo é fazer crer ao indivíduo que só ele é o único responsável pela sua desgraça, derivada da sua falta de inteligência ou de capacidades. Assim, o indivíduo desqualifica-se e culpabiliza-se que gera não raro um estado depressivo que o inabilita para a acção e para se associar com os demais para lutar. Uma ilustração desta situação são os milhões de desempregados que aceitam a sua situação sem nenhum protesto. Outro exemplo é o chamado assistencialismo que visa minorar as carências, reforçando ainda mais a auto-culpabilidade e impedindo o emergir de uma consciência social sobre os problemas que afligem as pessoas.


8) Conhecer os indivíduos melhor do que eles próprios.



Nos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência criou um fosso cada vez maior entre os conhecimentos públicos e aqueles que estão na posse de um elite. Graças à biologia, à neurobiologia, psicologia aplicada, etc, o sistema científico conseguiu um conhecimento aprofundado sobre o ser humano. Isso significa que, nessas condições, as elites possuem um maior controle e um maior poder sobre as pessoas, mais do que estas sobre si mesmas. Um dos directores da Coca Cola, David Wheldon, expressava essa mesma ideia nos seguintes termos:
«Face à dificuldade de prever como será o consumidor do futuro, a solução é criá-lo nós mesmos desde já, com a ajuda de boas ideias e da publicidade. O consumidor vai estar onde nós queremos que esteja…». E não há, efectivamente, equipa de sociólogos e psicólogos capazes de rivalizar com aqueles que nessas áreas são empregados pelas grandes empresas transnacionais.

9) Controlar a democracia


No conhecido livro de Aldous Huxley, «Admirável Mundo Novo», o autor imaginava como seria uma ditadura perfeita: certamente, uma ditadura que desse as aparências de ser uma democracia, com indivíduos geneticamente condicionados; depois, um sistema baseado no consumo compulsivo e no divertimento fútil, que levaria os indivíduos a gostar e apreciar muito mais a sua servidão do que a sua vida; um amor à servidão que, curiosamente, seria designado por «liberdade». Um sistema ditatorial como este seria ideal, ainda ofereceria a vantagem de ser apontado como se fosse uma democracia.
Na verdade, a democracia real é intolerável para quem queira manipular.

10) Manipular a linguagem

Uma das técnicas mais eficientes de manipulação é forjar uma linguagem que não ofereça perigo para a manutenção da ordem. Assim, à miséria não se pode chamar fome, uma vez que a fome só diz respeito à alimentação. A fome não é vista como um assassinato nem um genocídio, muito embora seja a causa para o morte diária de milhares de pessoas e até crianças. A seca, catástrofes naturais e governos com maus políticos é que podem ser considerados como causas para tanto sofrimento e morte. Chama-se escravatura infantil quando se condenam as crianças aos trabalhos forçados. Mas quando os países estão empobrecidos e são espoliados pelas multinacionais, a isso chama-se «países em vias de desenvolvimento». Aos imigrantes que fogem da fome chamam-se «ilegais». A quem procura emprego chamam-lhes «mercado de trabalho» ou «capital humano». As pessoas que alugam a sua força manual e intelectual às empresas chamam-lhes «recursos humanos». Às ajudas humilhantes aos países pobres chama-se «cooperação», e dar aos outros o que nos sobra chama-se «solidariedade».

Nomear assim a realidade em que vivemos é a base de toda a desumanização. Repetir até à exaustão estas etiquetas é ocultar a realidade, e manipular os factos.
Pior que a pura miséria é aquela miséria mais profunda que leva ao sofrimento dos homens graças à sua ignorância, artificialmente promovida, e assentando no seu consentimento.


Autores: Manuel Araus e Francisco Sandalio
In Revista Autogestión nº 55
Traduzido para português a partir do site alasbarricadas.

Like a Rollins Stone ( de Bob Dylan)



A canção Like a Rolling Stone, de Bob Dylan, ficou em primeiro lugar numa sondagem para escolher os ícones do rock e do cinema que mudaram o mundo, e que acaba de ser publicada no número especial destinado a comemorar as cem edições da revista britânica de música e cinema Uncut.

Músicas, filmes que mudaram o mundo no inquérito realizado pela revista Uncut:
1- Bob Dylan – Like a Rolling Stone
2 – Elvis Presley – Heartbreak Hotel
3- The Beatles – She loves you
4 – The Rolling Stones – I can´t get no satisfaction
5 – Laranja mecânica – filme realizado por Stanley Kubrick
(…)
7 - David Bowie . The rise and Fall of Ziggy Stardust
8 - Taxi Driver
9 – Sex Pistols – Never Mind the Bollocks Here’s the sex pistols



Like a Rolling Stone ( letra e música de Bob Dylan)

Once upon a time you dressed so fine
You threw the bums a dime in your prime, didn't you?
People'd call, say, "Beware doll, you're bound to fall"
You thought they were all kiddin' you
You used to laugh about
Everybody that was hangin' out
Now you don't talk so loud
Now you don't seem so proud
About having to be scrounging for your next meal.

How does it feel
How does it feel
To be without a home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

You've gone to the finest school all right, Miss Lonely
But you know you only used to get juiced in it
And nobody has ever taught you how to live on the street
And now you find out you're gonna have to get used to it
You said you'd never compromise
With the mystery tramp, but now you realize
He's not selling any alibis
As you stare into the vacuum of his eyes
And ask him do you want to make a deal?

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

You never turned around to see the frowns on the jugglers and the clowns
When they all come down and did tricks for you
You never understood that it ain't no good
You shouldn't let other people get your kicks for you
You used to ride on the chrome horse with your diplomat
Who carried on his shoulder a Siamese cat
Ain't it hard when you discover that
He really wasn't where it's at
After he took from you everything he could steal.

How does it feel
How does it feelT
o be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

Princess on the steeple and all the pretty people
They're drinkin', thinkin' that they got it made
Exchanging all kinds of precious gifts and things
But you'd better lift your diamond ring, you'd better pawn it babe
You used to be so amused
At Napoleon in rags and the language that he used
Go to him now, he calls you, you can't refuse
When you got nothing, you got nothing to lose
You're invisible now, you got no secrets to conceal.

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

Tradução:

Era uma vez, você vestia-se tão bem

Dava esmola aos mendigos quando estavas na maior
Não foi?
As pessoas chamavam, dizendo “Cuidado boneca
Você está arriscando-se a cair”
Você achou que todos eles estavam brincando com você
Você costumava rir de
Todos os que andavam a vadiar
Agora você não fala tão alto
Agora você não parece tão orgulhosa
De ter que lutar pela sua próxima refeição

Como se sente?
Como se sente?
Por estar sem um lar?
Como uma completa estranha?
Como uma pedra que rola?

Você frequentou a melhor escola
Muito bem, Senhorita Solitária
Mas você sabe que você apenas estava lá a fazer de corpo presente
E ninguém jamais lhe ensinou
Como viver nas ruas
E agora você descobre (que)
Você vai ter que se acostumar com isso
Você dizia que jamais condescenderia
Com o vagabundo misterioso, mas agora você percebe
Que ele não tinha álibis
Enquanto você olha fixamente para o vácuo dos seus olhos
E pergunta, quer fazer negócio?

Como se sente?
Como se sente?
Por estar por sua conta?
Sem nenhuma direcção para casa
Como uma estranha?
Como uma pedra que rola?

Você nunca se virou para ver as carrancas
Dos equilibristas e dos palhaços
Enquanto todos eles chegavam
E faziam truques para você
Você jamais entendeu que isso não é bom
Você não deveria deixar as outras pessoas
Divertir-se no seu lugar
Você antigamente cavalgava o cavalo cromado
Com o seu diplomata
Que carregava no ombro um gato siamês
Não é difícil quando você descobre que
Ele realmente não era tudo que aparentava ser
Depois que ele levou de você tudo o que podia roubar?

Como se sente?
Como se sente?
Por estar por sua conta?
Sem nenhuma direcção para casa
Como uma completa estranha?
Como uma pedra que rola?

Princesa no campanário e todas as pessoas bonitas
Estão todas bebendo e pensando que estão por cima
Trocando presentes caros e coisas
Mas é melhor você surripiar o seu anel de brilhante
É melhor você penhorá-lo,
Você antigamente era tão divertida
Com o Napoleão de trapos e a linguagem que ele usava
Vá para ele agora, ele chama-a, você não pode recusar
Quando você não tem nada, você não tem nada a perder
Você está invisível agora
Você não tem mais segredos a ocultar

Como se sente?
Como se sente?
Por estar por sua conta
Sem nenhuma direcção para casa
Como uma completa estranha?
Como uma pedra que rola?

Nota:
Rolling Stone = (pedra que rola) vem da expressão ‘uma pedra que rola não carrega limo’ (a rolling stone carries no moss).
Uma vez que o limo somente se dá em local sedimentado, a metáfora sugere uma pessoa que não tem paradeiro certo e que geralmente não fica muito tempo em lugar algum.
Em português, costuma-se dizer que uma pessoa assim ‘não tem raiz’, substituindo a metáfora da pedra pela da planta.