18.11.06

Contra as (J)aulas de substituição

Realizaram-se em todo o país manifestações e foram fechadas várias escolas contra as (J)aulas de substituição

Convocada nova Manifestação de estudantes no Porto
(para a Avenida dos Aliados às 9.30 h.do próximo dia 22 de Nov.

Circulou por todo o país um SMS com esta mensagem: «Greve de alunos 16 de Novembro contra as substituições. Mensagem a rodar.Passem.».
O resultado deste apelo que circulava desde o início do mês foi o encerramento de várias escolas a cadeado ( em Vale de Cambra, em Portalegre, em duas escolas de Lisboa, e noutros pontos do país com particular incidência no Alentejo e Algarve, onde centenas de alunos faltaram às aulas e se manifestaram nas ruas). A acção desencadeada teve larga repercussão o que obrigou o Ministério da Educação a ordenar aos Conselhos Executivos das Escolas a chamarem de imediato a polícia e a tentarem identificar os seus autores.

Em Lisboa, cerca de 400 estudantes manifestaram-se frente ao Ministério da Educação, onde decorre a vigília dos professores, gritando na rua pela demissão da ministra.Na zona da capital, as escolas secundárias Fonseca Benevides e Braancamp Freire foram encerradas a cadeado, tendo-se ainda registado desacatos na Escola Básica do 2.º e 3.º Ciclos Gonçalves Crespo, na Pontinha, onde os alunos impediram a entrada dos professores

A repercussão dos protestos teve grande impacto no Alentejo, onde a participação rondou os 80 a 90 por cento na secundária São Lourenço, em Portalegre, e cerca de 50 por cento na secundária Diogo de Gouveia, em Beja. Em Évora, os alunos bloquearam com pregos as entradas da secundária Gabriel Pereira, enquanto no litoral alentejano mais de duas centenas de estudantes protestaram nas ruas de Alcácer do Sal, com a greve a fazer-se sentir igualmente nos concelhos de Sines e Santiago do Cacém.
No Algarve, cerca de 200 estudantes manifestaram-se nas ruas de Faro, tendo sido recebidos pelo governador Civil da cidade, a quem entregaram uma moção com as suas reivindicações.
Também na Madeira houve participantes no protesto, contrariamente aos Açores, onde não houve qualquer tipo de protestos pelos alunos do ensino secundário.

Cerca de 200 alunos das duas Escolas Secundárias da cidade de Beja, Diogo de Gouveia e D. Manuel 1.º, manifestaram-se hoje, junto do Governo Civil de Beja, contra as aulas de substituição.
André Rosa, aluno da Escola Secundária Diogo de Gouveia, disse à Voz da Planície que "os alunos sairam à rua para protestar contra a maneira como as aulas de substituição são feitas e contra os exames de 9º. ano".
O protesto começou junto ao Governo Civil de Beja e terminou nas instalações da Escola Secundária Diogo de Gouveia.


Várias centenas de alunos da Escola Secundária de Vale de Cambra boicotaram, na manhã de ontem, a ida às aulas em protesto pelas aulas de substituição e manifestaram-se em frente à autarquia. O estabelecimento de ensino esteve encerrado durante as primeiras horas da manhã com um cadeado, mas os alunos acabaram por permitir a entrada de professores e auxiliares de acção educativa. Alguns dos alunos contestatários consideram que as aulas de substituição não têm utilidade prática para o ensino e não representam uma mais-valia


Convocatória para uma manifestação dos estudantes do Básico e Secundário das escolas do distrito do Porto para o próximo dia 22 de Novembro (4ª feita)

Entretanto foi convocada para o próximo dia 22 de Novembro ( 4ª feira) uma manifestação dos alunos do Básico e do Secundário das escolas do distrito do Porto a fim de ser divulgado um caderno reivindicativo, onde se exige o fim das (J)aulas de substituição e a introdução da disciplina de educação sexual no currículo escolar.

Declararação dos Direitos Sexuais


A Organização Mundial de Saúde considera a sexualidade como um aspecto fundamental na qualidade de vida de qualquer ser humano. Essa dimensão é fundamental em tudo o que somos, sentimos e fazemos. A OMS considera ainda a saúde sexual como uma condição necessária para o bem-estar físico, psíquico e socio-cultural.

Sexualidade é uma parte integral da personalidade de todo ser humano. O desenvolvimento total depende da satisfação de necessidades humanas básicas tais quais desejo de contacto, intimidade, expressão emocional, prazer, carinho e amor.Sexualidade é construída através da interacção entre o indivíduo e as estruturas sociais. O total desenvolvimento da sexualidade é essencial para o bem estar individual, interpessoal e social.

No seguimento destes postulados a Associação Mundial de Sexualidade, com o apoio da OMS, aprovou a seguinte Declaração dos Direitos Sexuais:

1. O direito à liberdade sexual.
A liberdade sexual diz respeito à possibilidade dos indivíduos em expressar seu potencial sexual. No entanto, aqui se excluem todas as formas de coerção, exploração e abuso em qualquer época ou situações de vida.
2. O direito à autonomia sexual, integridade sexual e à segurança do corpo sexual.
Este direito envolve a habilidade de uma pessoa em tomar decisões autónomas sobre a própria vida sexual num contexto de ética pessoa e social. Também inclui o controle e o prazer de nossos corpos livres de tortura, mutilação e violência de qualquer tipo.
3. O direito à privacidade sexual.
O direito às decisões individuais e aos comportamentos sobre intimidade desde que não interfiram nos direitos sexuais dos outros.
4. O direito à igualdade sexual.
Liberdade de todas as formas de discriminação, independentemente do sexo, género, orientação sexual, idade, raça, classe social, religião, deficiências mentais ou físicas.
5. O direito ao prazer sexual.
O prazer sexual, incluindo auto-erotismo, é uma fonte de bem estar físico, psicológico, intelectual e espiritual.
6. O direito à expressão Sexual.
A expressão sexual é mais que um prazer erótico ou actos sexuais. Cada indivíduo tem o direito de expressar a sexualidade através da comunicação, toques, expressão emocional e amor.
7. O direito à livre associação sexual.
Significa a possibilidade de casamento ou não, ao divórcio, e ao estabelecimento de outros tipos de associações sexuais responsáveis.
8. O direito às escolhas reprodutivas livres e responsáveis.
É o direito em decidir ter ou não ter filhos, o número e o tempo entre cada um, e o direito total aos métodos de regulação da fertilidade.
9. O direito à informação baseada no conhecimento científico.
A informação sexual deve ser gerada através de um processo científico e ético e disseminado em formas apropriadas e a todos os níveis sociais.
10. O direito à educação sexual compreensiva.
Este é um processo que dura a vida toda, desde o nascimento, pela vida afora e deveria envolver todas as instituições sociais.
11. O direito à saúde sexual.
O cuidado com a saúde sexual deveria estar disponível para a prevenção e tratamento de todos os problemas sexuais, preocupações e desordens.

Consultar:
http://www.worldsexology.org/


O presente texto foi retirado do weblog Sexualidade Medular. Trata-se de um blog que se dedica meritoriamente a divulgar informações acerca da sexualidade das pessoas que se encontram numa situação de discapacidade física. Ver:
http://sexualidademedular.blogspot.com/

A GNR avalizou o corte de uma árvore, contra a vontade da população


À terceira foi de vez. A árvore nº 290 do Instituto Estradas de Portugal (IEP) deixou de fazer sombra às gentes do lugar de Arufe, Loivos da Ribeira, em Baião.
A árvore - um majestoso plátano com cerca de 30 metros de altura suportado por um tronco que teria na base um diâmetro de quatro metros - foi cortada pela raiz para desgosto da maioria da população.
A regra básica da democracia, as maiorias, desta vez de nada lhes valeu.
A ofensa foi tal, que só com a presença da GNR, e uma suposta ordem judicial, é que os contestatários cederam à vontade dos técnicos do IEP de eliminar o referido plátano.
"É um crime", repetia-se à medida que a motosserra golpeava os ramos da árvore deixando-a despida, antes do golpe fatal.
Questões de segurança?
A árvore fazia parte de um conjunto de oito plátanos que ladeiam a ponte sobre o rio Teixeira, na estrada nacional 108, actualmente em obras. Na empreitada, os técnicos confrontados com a existência de uma cavidade na base do árvore, decidiram-se, há cerca de 15 dias, pelo seu abate, alegando questões de segurança.
Porém, a população opôs-se ao corte da árvore. Os moradores lembraram que, já há cerca de 13 anos, houve idêntica intenção, e se na ocasião não conseguiram vencê-los, não seria agora. Os dois agentes da GNR, entretanto chamados ao local, terão sido incapazes de manter as condições necessárias para que o corte fosse efectuado sem alteração da ordem pública. Ontem, o mesmo número de agentes com uma suposta ordem judicial, foi o suficiente para a população baixasse os braços, mas não a revolta.
Nas imediações, estaria pronto a intervir o pelotão de intervenção da GNR, segundo o JN conseguiu apurar junto de fonte que pediu anonimato.Os poucos habitantes da aldeia, presentes, mais não fizeram que descarregar para o bloco de apontamentos do repórter, a "tristeza na alma", com algumas bocas de permeio aos técnicos.
Dizem que o "tal rombo" no tronco, "foi provocado com fogo, pelo proprietário do terreno" que colhia a maior fatia da sombra. O homem, que o JN não conseguiu localizar, alegadamente, não gostaria da sombra que a árvore lhe fazia à sua casa. Por essa razão, acusam os contestatários, "tentou secar a árvore com fogueiras"." Mas não conseguiu ela está ali firme", diziam. Foi por pouco tempo.

Fonte: JN

Festival de Teatro Associativo

12º AMASPORTO -FESTIVAL DE TEATRO ASSOCIATIVO
de 4 de Novembro de 2006 a 27 de Janeiro de 2007 no Porto


Calendário da programação

Todos os espectáculos às 21,45HORAS,
no auditório da Companhia Teatral de Ramalde
Rua de Requesende, 1949



04 de Novembro - Teatro Fonseca Moreira - Felgueiras
"MULHER SEM PECADO"


18 de Novembro - SENTIDOS - Grupo de Teatro – Porto
"QUEM SOMOS: UM GRÃO DE AREIA NO SAPATO?"


25 de Novembro - ARAUTOS -Grupo D'arte e Cultura - Esmoriz
"AS JÓIAS DE SANGUE"

02 de Dezembro - TEAGUS - Teatro Amador de Gulpilhares"
AS MULHERES DE ATENAS"

16 de Dezembro - Escola Dramática e Musical Valboense
"DESPERTA E CANTA "

06 de Janeiro - CORIFEU - Grupo Teatro de Vila do Conde
"A RUA"

13 de Janeiro - CORIFEU - Grupo de Teatro de Vila do Conde
"CARTA A UMA FILHA"

20 de Janeiro - A Capoeira – Companhia de Teatro de Barcelos
"FARSA DE INÊS PEREIRA"

27 de Janeiro - Companhia Teatral de Ramalde - Porto
" A PÁTRIA DAS CAMÉLIAS"-segundo O Porto Profundo(excepcionalmente, a estreia ocorrerá no Auditório da Paróquia da Freguesia de Ramalde)

Encerramento

28 de Janeiro -16 horas- Atribuição dos "PRÉMIO TALMA" Entrega das Placas Associativas aos Grupos participantes

Colóquio - Exílio e Exilados Políticos (1926-1974)




Encontro- Colóquio Exílio e Exilados Políticos (1926-1974)

24 e 25 de Novembro

Casa das Artes

A entrada é livre, sendo apenas necessário a inscrição prévia até 22 de Nov.

Programa

24 Novembro Sexta


09h30 -ABERTURA. Intervenções do Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Arq. Armindo Costa, e do Consultor Científico do Museu Bernardino Machado, Prof. Doutor Norberto Ferreira da Cunha


10h00 - O REVIRALHISMO E A LIGA DE PARIS.Prof. Doutor Fernando Rosas (Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa)

10h30 - BERNARDINO MACHADO, OPOSICIONISTA À DITADURA MILITAR E AO SALAZARISMO (1926-1944). Prof. Doutor Norberto Cunha (Universidade do Minho)

11h00 -Debate

11h30 - OS BUDAS E A OPOSIÇÃO À DITADURA MILITAR E AO ESTADO NOVO - CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS NO REVIRALHISMO DOS ANOS 30.Mestre António José Queirós (Investigador do Centro de Estudos da População Economia e Sociedade da Universidade do Porto)


12h00 - OS EXILADOS PORTUGUESES NO BRASIL. Prof.ª Doutora Heloísa Paulo (Universidade Salgado de Oliveira, de Niterói, Brasil)

12h30 - Debate

15h00 - OS EXILADOS PORTUGUESES NA SUÍÇA: REFLEXÕES EM VOLTA DE UMA EXPERIÊNCIA VIVIDA (1963-1974). Prof. Doutor Eurico Figueiredo (Universidade do Porto)

15h30 - A FRENTE PATRIÓTICA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL (1962-1974). Prof.ª Doutora Susana Martins (Doutoranda da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa)

16h00 - Debate

16h30 - O EXÍLIO SOCIALISTA ORGANIZADO: DA ACÇÃO SOCIALISTA AO PARTIDO SOCIALISTA (1964-1974). Prof. Doutor António Reis (Universidade Nova de Lisboa)

17h00 - EXILADOS DISCRETOS. Prof. Doutor António Ventura (Universidade de Lisboa)

17h30 - EXÍLIO E MEMÓRIA. Prof. Doutor Acílio Estanqueiro Rocha (Universidade do Minho)

18h00 - Debate



25 Novembro I Sábado


09h30 -JAIME CORTESÃO: UM HISTORIADOR NO EXÍLIO. Mestre Elisa Neves Travess(Universidade de Lisboa)

10h00 -ALEXANDRE PINHEIRO TORRES: AS ILHAS E O DESTERRO. Doutor Fernando Guimarães (Poeta e Ensaísta)

10h30 -Debate

11h00 - OS EXÍLIOS DOS ARTISTAS PLÁSTICOS: ARTE E EXÍLIO EM PORTUGAL. Prof. Doutor António Pedro Pita (Universidade de Coimbra) e Prof. Doutor Bernardo Pinto de Almeida (Universidade do Porto)

11h30 -RUY LUÍS GOMES: UM CIENTISTA NO EXÍLIO. Prof.ª Doutora Natália Bebiano Providência (Universidade de Coimbra)

12h00 - Debate.

12h30 - Conclusões e encerramento.

17.11.06

As «malditas palmeiras»




As lógicas dos impérios têm muito em comum e será, pois, oportuno relembrar o que se passou quando um governador imperial britânico, Sir Stamford Raffles, visitou uma das ilhas da Indonésia, no final do século XIX. Aqui as populações viviam autonomamente, graças a uma vida frugal e às palmeiras espontâneas locais que lhes forneciam tudo aquilo de que necessitavam.
Afirmou então o Governador: «Mas estas pessoas são ingovernáveis!».
Queria ele dizer que eram ingovernáveis porque não havia nada que o poder lhes pudesse dar e que elas quisessem ou precisassem.
Perante isso, é evidente que o governo sob a chefia do dito Governador foi forçado a deitar abaixo as «malditas palmeiras» a fim de tornar as populações locais dependentes e, por conseguinte, governáveis.



As ideologias das missões, da colonização e do «desenvolvimento»

Antes da colonização, a ideologia da missão dividia os seres humanos em cristão e pagãos, tendo os primeiros o «dever» de levar a «fé» aos pagãos.
A ideologia da colonização, surgida no século XVIII dividia os seres humanos em civilizados e selvagens, competindo aos civilizados a tarefa de levar a «civilização» aos «selvagens».
A partir da II Grande Guerra Mundial começa-se a falar e a fazer-se a distinção entre desenvolvimento e subdesenvolvimento: os seres humanos são então divididos em ricos e pobres, cabendo aos ricos ajudar os «pobres» de forma a estes se tornarem «ricos». Esta ideologia do «desenvolvimento» aparece nos Estados Unidos e visa substituir a ideologia da colonização, já que os próprios Estados Unidos tinham sido colónias pelo que dificilmente poderiam aceitar a ideologia da colonização.
Hoje em dia em plena época do capitalismo financeiro e da globalização capitalista o termo subdesenvolvidos toma um tom pejorativo e passa-se a estabelecer diferenças na base do maior ou menor grau de industrialização, aparecendo então a distinção entre 1) países industrializados; 2) Novos países industrializados; 3) Países em Desenvolvimento
.

O colonialismo destruiu sociedades e culturas inteiras (genocídio e etnocídio)




O colonialismo assenta fundamentalmente na imposição de um modelo económico-cultural a outras sociedades e culturas que provocou a desintegração, senão mesmo o desaparecimento, das economias e culturas autóctones, forçando essas populações a inserirem-se na chamada economia-mundo.
Com efeito, antes desses povos serem colonizados havia neles uma economia de subsistência e um certo grau de progresso como o demonstram historicamente algumas sociedades que atingiram um elevado grau de evolução.
Na verdade, os povos colonizadores não eram mais ricos nem mais civilizados do que os povos colonizados, antes da expansão das sociedades europeias através das cruzadas e da colonização, ao contrário do que muitas vezes se pretende fazer crer.
A imposição aos povos de valores, modos de vida e comportamentos a que eram alheios trouxe como consequência a destruição de muitas sociedades no plano económico e cultural e a perda e inferiorização das suas identidades próprias. Em não poucos casos chegou-se mesmo ao ponto da eliminação física de povos e sociedades (genocídio e etnocídio).

Para ilustrar tudo isso leia-se este texto com data de 1971 de autoria de Aimé Cesaire:

«É a minha vez de propor uma equação: colonização-coisificação
Já ouço a trovoada. Falam-me de trovoada, de «realizações», de doenças curadas, e de níveis de vida elevados acima de si próprios.
Eu falo de sociedade esvaziadas de si próprias, de culturas espezinhadas, de instituições minadas, de terras confiscadas, de religiões assassinadas, de magnificências artísticas enfraquecidas, de possibilidades extraordinárias suprimidas.
Atiram-me à cabeça com factos, estatísticas, quilómetros de estradas, canais e caminhos-de-ferro.
Eu falo de milhares de homens sacrificados no Congo.
Falo dos que, à mesma hora em que escrevo, escavam à mão o porto de Abidjan. Falo dos milhões de homens arrancados aos seus deuses, hábitos, vidas, à vida, à dança e à sabedoria.
Enchem-me os olhos com toneladas de algodão ou de cacau exportadas, com hectares de plantações de olivais ou de vinha.
Eu falo de economias naturais e de economias harmoniosas e viáveis que, apesar de serem desorganizadas, estavam à medida do homem indígena, e que foram destruídas juntamente com as suas culturas alimentares, falo de subalimentação crónica, de desenvolvimento agrícola orientado para benefício exclusivo das metrópoles, de saque de produtos e de matérias-primas.»

Canção burguesa ( de Raul de Carvalho)

Consolo e delícia
Da vida burguesa...

Sete horas em ponto
O jantar na mesa;
Café bem quentinho,
Conversa tranquila,
E um lençol de linho
Esperando o seu dono
Para um belo sono...

Que bom não ter sonhos,
Dormir sossegado!
Já estou acordado,
Já salto da cama,
- Maria, Maria,
Traga os chinelos,
Traga o meu pijama...
A alma lavada,
O corpo limpinho.
- Bom dia vizinha!
- Bom dia vizinho!


Consolo e delícia
Da vida burguesa...
Se isto continua,
Morro, com certeza!

( de Raul de Carvalho, 1920-1984)

Raul de Carvalho foi um poeta irreverente, marcado pela influência de algum surrealismo, tendo colaborado em revistas como a àrvore, Seara Nova e Cadernos de poesia.



"Quem somos? Um grão de areia no sapato" pelo Teatro dos Sentidos (dia 17, às 21.30, na Junta de Massarelos, Porto)

Na próxima sexta-feira, 17 de Novembro, pelas 21.30 horas, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Massarelos (ao Campo Alegre), a companhia Teatro dos Sentidos representará a peça de teatro "Quem Somos? Um Grão de Areia no Sapato".


O texto é de Vera Cunha com um poema de Tiago Magalhães
Encenação: Vera Cunha
Elenco: Graziela Sousa, Isabel Pinto Morais, José Stuart Torrie, Miguel Peixoto, Sérgio P



Sinopse:
Na brevidade de um momento, cinco personagens dão a conhecer a sua identidade.
Num universo, inicialmente, camuflado: Júlia, Pedro, Tiago, Matilde e Lucas conversam acerca daquilo que, à partida, não havia para conversar. Desvendam-se experiências de vida, partilham-se sentimentos, exteriorizam-se emoções, afinal e quiçá, desnecessárias... Uma performance em que o desenvolvimento dramaturgico é, propositadamente, linear e onde se dispensam clímaxes. Em conformidade com a nota introdutória: "Um texto superficial, monótono, pouco significativo... como, também, a vida consegue ser." "Quem somos?", serve de mote para uma encenação que, se pretende, fulcral para a compreensão dos significados implícitos na incapacidade humana e presentes ao longo de toda a acção.Porque, Júlia, Pedro, Tiago, Matilde e Lucas são apenas uma ilustração do que cada um de nós talvez seja, tenha sido ou possa ainda vir a ser... nada mais, nada menos que um grão de areia no sapato
….


IR AO TEATRO É UM PRAZER

15.11.06

Advogados processam Donald Rumsfeld por «crimes de guerra»



Rumsfeld acusado de mandar torturar prisioneiros iraquianos

Activistas alemães e norte-americanos dos Direitos Humanos juntam forças para levar Rumsfeld a Tribunal.

Advogados processam Donald Rumsfeld por «crimes de guerra»

Um colectivo internacional de advogados apresentou hoje na Alemanha uma queixa contra o antigo secretário da Defesa norte-americano Donald Rumsfeld por ter justificado o uso da tortura contra prisioneiros de guerra no Iraque e em Guantanamo.
A queixa, um documento de 220 páginas, foi entregue à procuradora-geral da Alemanha, Monika Harms, em Karlsruhe (oeste), disse Hannes Honecker, dirigente da União dos Advogados Republicanos, uma das associações subscritoras do documento.
A queixa foi apresentada pelo Centro para os Direitos Constitucionais em nome de 11 antigos detidos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, e de Mohamed Al-Qahtani, um detido na base norte-americana de Guantanamo.
Além de Rumsfeld a queixa visa cinco juristas da administração Bush, entre os quais o ministro da Justiça (Attorney General), Alberto Gonzalez, na sua qualidade de antigo conselheiro da Casa Branca.
Em causa estão os argumentos jurídicos que estes juristas invocaram para justificar a diversificação das técnicas de interrogatório aos prisioneiros.
Donald Rumsfeld, que é considerado por diversas associações de advogados e de direitos humanos como «um dos arquitectos do programa norte-americano de tortura», ficou exposto à possibilidade de um processo judicial quando se demitiu no passado 8 de Novembro, deixando de poder invocar imunidade.
Nessa altura, várias organizações de defesa dos direitos humanos tinham anunciado a intenção de apresentar uma queixa por tortura contra Rumsfeld e outros, perante um tribunal alemão, em nome do princípio de jurisdição universal, que permitiu, nomeadamente, que o ex-ditador chileno Augusto Pinochet fosse processado em Espanha.
A ex-general de brigada norte-americana Janis Karpinski, que adminstrava a prisão de Abu Ghraib na época do escândalo da divulgação de fotos de abusos contra os presos, disse estar disposta a testemunhar contra Rumsfeld, seu ex-chefe.

Radio Libertaire festeja 25 anos de emissão para todo o mundo


Para ouvir a Radio Libertaire de Paris, via Internet:
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Para consultar a grelha de programas e obter outras informações sobre a programação da Radio Libertaire:
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Nos próximos dias completam-se 25 anos de actividade radiofónica da Radio Libertaire, em Paris, que é o resultado do trabalho cooperativo de cerca de 200 pessoas que realizam diariamente uma radio interventiva e de enorme qualidade.
Perspectivas anti-militaristas têm aí lugar, ao lado de programas e intervenções feministas, ecologistas, sindicalistas, e de activismos vários. Além disso, é possível ouvir muitas e variadas músicas fora do mainstream musical por parte de criadores de todo o mundo.
Uma radio a ouvir todos os dias e ao alcance de poucas teclas no nosso computador.
Ouçam e nunca mais vão desistir...

11.11.06

Os narizes das classes dirigentes








«Suas Excelências estão contemplando ou estão simplesmente dormindo? Seria talvez tempo de sairmos desta dúvida, apoderando-nos dos narizes das classes dirigentes, e sacudindo-lhes por algum tempo com o respeito vigoroso, profundo e tenaz que todos os narizes altamente colocados devem merecer à crítica e à opinião das massas»
Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão,
in As Farpas



Cruel dilema: serão os narizes verdadeiros ou de cera? No museu das Tristes Figuras há muito que os escultores aguardam impacientes, perante a quantidade de narizes ( e de cera) que se lhes anuncia. Há-os de todos os feitios: a classe dirigente é fértil em figuras, quase todas tristes. Sinais do fado ( o nosso, não o deles…). Narizes há que convergem, outros que divergem, outros que se mantêm orgulhosamente sós. O narigal, mercê do método de Hondt, apresenta ao olhar dos observadores, tipos e tamanhos de pencas variegadas. Nem a reforma agrária, já na sua versão corrigida, consegue colectivizar tais apêndices: eles são uma reserva preciosa como argumento eleitoral.
Sem o seu nariz identificador, que seria dos líderes partidários, dos ministros, secretários de Estado e demais políticos que fazem a delícia e a alegria dos Portugueses e das Portuguesas.
Senhores dos seus narizes, mas indiferentes aos odores que perfumam de norte a sul este jardim plantado, passeiam-se impávidos e serenos por entre os lenços dos seus concidadãos nasalmente menos resistentes. Nem um oceano de desodorizantes chagaria para proteger a capital de certas pestilências. Apetece-nos neste momento citar Cambronne!
Ou as massas abanam os narizes ou os narizes abanam-se sobre as massas.
Há opiniões controversas, críticas perversas: mas quem tem mais nariz sensível, que não seja de cera, arrisca-se à asfixia, se quer a todo o custo ignorar os maus cheiros. Também nós fizemos um inquérito, coisa tão em voga na jovem democracia, e concluímos que a hipersensibilidade é pecha do cidadão comum, a que escapam os políticos. E por que escapam?
A resposta é fácil: Tapam os narizes ( ou as orelhas, ou os olhos, etc, o que vem a dar no mesmo)! No fundo é tudo uma questão de tapume. Isto é: a política do tapa aqui, tapa acolá. Mas os buracos sucedem-se e a produção nacional bruta de tapume não atinge os objectivos do plano, que pelo menos neste aspecto é ambicioso.

No outro dia, um cidadão respeitável torcia cepticamente o nariz a um discurso pré-eleitoral ( os discursos políticos em Portugal são sempre pré-eleitorais). É que o nariz do orador ameaçava romper o pequeno ecrã e esparramar-se sobre os telespectadores. Já intimidade da vida privada não está a salvo das narigadas! Nasaladamente, as promessas ritmadas e repetidas penetram pelos tímpanos mais virgens: nada há que lhes resista.
Os narizes tornaram-se eróticos, à medida que a cera funde.
Desesperado, o cidadão desligou o interruptor, mas a imagem do nariz não lhe deu tréguas. No dia seguinte, foi ao psicanalista e constatou estupefacto que o consultório estava cheio de narizes! Deu maia volta e foi postar frente do televisor, arengando às massas: o nariz crescera-lhe assustadoramente.

Moralidade: se não começarmos a sacudir os narizes às nossas classes dirigentes, ficaremos todos de nariz à banda.


( texto publicado no Suplemento «Das Artes e Letras» de 6 de Novembro de 2006 do jornal «O Primeiro de Janeiro»)

Editorial do jornal anarca «A Merda»

«A Merda» foi um jornal do Grupo Anarca Autónomo editado em 1974/1975, em Portugal, e que foi profusamente distribuído( teve centenas de milhares de exemplares) pelas ruas e praças de Lisboa e Porto no período imediato do pós-25 de Abril, com um enorme impacto público.

Na verdade, essa publicação constitui, talvez, nos últimos cinquenta anos a referência anarca que mais eco teve junto da população em geral, subsistindo ainda hoje na memória e no subconsciente de muita gente que viveu naquela época ( o jornal teve quatro números).


Reproduzimos o editorial do seu primeiro número que rapidamente se esgotou, tal foi a procura e o êxito que encontrou nos anos eufóricos, vividos em Portugal em 1974 e 1975.





O editorial do jornal anarca «A Merda»


No mundo de hoje, as pessoas apaixonam-se pela merda duma bandeira, porque têm o sexo na cabeça;
Sentem a emoção a invadir-lhes o corpo quando cantam a merda do hino (à boa maneira hitleriana);
Põem na merda da palavra nação um acento rácico mal disfarçado;
Criam-se merdas como as pides para reforçar a defesa da merda do Estado e a sua consequente merda doutrinária;
Fazem coincidir a merda do Estado com a merda da nação;
Criam-se partidos de merda para agrupar os carneiros de merda;
Preparam-se eleições de merda para eleger as merdas dos governantes;
Prestam-se homenagens a merdas que se distinguiram pelos seus serviços de merda;
Fazem com que o povo se orgulhe pelo passado de merda e festejam-se os heróis de merda, da merda da nossa história;
Fazem-se leis de merda para obstar a que se derrube a merda do sistema;
Há toda uma merda de papéis a invadir as ruas, os bairros e as nossas casas para que as leis de merda sejam cumpridas;
Agora até se servem da merda sonora da rádio e da merda televisiva;
Mas como muitos procuram fugir à merda das leis, mandam os merdas dos polícias ( autoridades da merda das democracias da merda, tanto de leste como da merda do oeste);
E como os merdas dos polícias não chegassem para chatear a malta, é preciso a merda do exército com a hierarquia de merda;
Os senhores de merda, bem situados na merda desta sociedade, vêm com a merda dos discursos exaltar a sua moral de merda;
Os merdas dos burocratas, os cívicos de merda e toda a classe dos merdas exploradores são os que melhor se sentem na merda da sociedade e são os mais zelosos defensores da merda;
Nesta sociedade de merda, as pessoas já se não dão conta da merda em que estão;

E o homem?
O homem está em vias de extinção devido à repressão exercida pela merda do Estado e pelos seus lacaios de merda que são quem possibilita a merda das igrejas civis e religiosas que escravizam o homem;
O homem és tu, leitor.

Deves começar já hoje a guerra contra a poluição.
Mas atenção!

É preciso começar por tirar a merda da tua própria cabeça.

O mais espantoso de tudo é...


«O que espanta não é o facto de haver gente que rouba, de haver quem faça greve; mas sim o facto de haver esfomeados que não roubam, de haver explorados que não fazem greve»

Wilhelm Reich

9.11.06

Edição portuguesa do Le Monde Diplomatique volta aos quiosques





O jornal mensal Le Monde Diplomatique, de origem francesa e publicado há já algumas décadas, tem vindo a ter edições em vários países e em várias línguas, incluindo mesmo o esperanto (edição digital).
Em Portugal o Le Monde Diplomatique começou por ser publicado e traduzido em português nos anos de 1980 pela mão de Snu Abecassis, através da sua editora, a D. Quixote. Interrompida a sua publicação pouco tempo depois, o jornal passou a ser lido apenas na sua edição original ( em francês). Só há 7 anos atrás é que a editora Campo das Letras, formada há pouco tempo, começou novamente a editar em português o jornal que, entretanto, ganhara prestígio e se multiplicara por várias edições em diversas línguas. No início de 2006 a Campo das Letras decide suspender a sua publicação, restando aos leitores portugueses que não dominam a língua francesa, recorrer à leitura de textos da edição brasileira no respectivo website.
Entretanto, os trabalhadores ( tradutores e outros) que garantiam a edição do Le Monde Diplomatique decidiram constituir nos últimos meses uma cooperativa («Outro Modo») a fim de relançar mais uma vez a edição portuguesa do Le Monde Diplomatique, que volta a estar nas bancas dos jornais a partir deste mês de Novembro de 2006.
Face ao panorama paupérrimo da imprensa portuguesa, ao seu controlo pelos grandes grupos económicos, e a todas as dificuldades de sobrevivência no mercado de órgãos independentes do poder económico e político, a existência em português do Le Monde Diplomatique constitui uma brecha no discurso neo-liberal dominante. Por isso não hesitamos em saudar e apoiar o reaparecimento do Le Monde Diplomatique, em edição portuguesa. O que não significa que partilhamos muitos dos pontos de vista que aí são defendidos. Tal não deve, no entanto, impedir a sua leitura atenta, e o seu uso como ferramenta para o debate e estudo dos problemas contemporâneos do mundo actual.

Pelo que não podemos deixar de apoiar e manifestar a nossa satisfação pelo relançamento da edição portuguesa, e a solidariedade aos seus trabalhadores que decidiram manter e defender o título, e tornar possível aos leitores portugueses o acesso a uma das publicações de qualidade que mais se tem batido a nível internacional contra o neoliberalismo e a globalização capitalista.

Nessa medida, e independentemente de divergências de perspectivas teóricas que nos possam separar, o Pimenta Negra saúda e apoia a edição portuguesa do Le Monde Diplomatique.


Edição portuguesa:
http://pt.mondediplo.com/

Edição brasileira:
http://diplo.uol.com.br/

Edição francesa ( original)
http://www.monde-diplomatique.fr/

Edição espanhola:
http://www.monde-diplomatique.es/

Edição no Chile:
http://www.lemondediplomatique.cl/



Nota Importante:

O website francês do Le Monde Diplomatique costuma editar artigos com alguma regularidade sobre a actualidade. Consultar:


http://www.monde-diplomatique.fr/carnet/

O mesmo website disponibiliza ainda uma valiosa Agenda e uma interessante recensão de imprensa ( com um notável lista de remissões para revistas e jornais):

http://www.monde-diplomatique.fr/revues/

http://www.monde-diplomatique.fr/agenda/


Para além de tudo isso, cada edição inclui normalmente a referência e por vezes recensões críticas a livros editados ( em Portugal, na edição portuguesa; e em França, na edição francesa).
No último número do Le Monde Diplomatique ( de Novembro de 2006) aparece, por exemplo, a referência a um livro acabado de aparecer em França com os Contos (« Les Contes») escritos por Mumia Abu-Jamal ( jornalista e activista negro, actualmente preso nos USA, e condenado à morte) , assim como o livro, editado em 2005 pela edições L’Echappée, de Alexander Berkman, «Qu’est-ce que l’anarchisme?». Reproduzimos o comentário a este último livro:


«Qu’est-ce que l’anarchisme?», de Alexander Berkman, editions L’Echappée, Paris, 2005.
Anarquista russo exilado nos Estados Unidos em 1888, Alexander Berkman (1870-1936) foi expulso da Rússia em 1919, juntamente com Emma Goldman pela sua participação nas lutas sociais. Ambos partiram em 1921, desencantados e amargurados. Berkman escreveu o Mito Bolchevique para explicar como a ditadura tinha destruído a liberdade e a revolução. No livro, que agora sai à estampa, reúnem-se dois textos de 1929, traduzidos pela primeira vez para o francês, onde sintetiza pela primeira vez um pensamento comunista libertário, tendo em consideração os acontecimentos do seu tempo ( fracasso da revolução russa e das insurreições europeias) e dirigindo-se a um operário americanos médio através de uma linguagem simples e límpida. A primeira parte analisa os males que não mudaram (trabalho assalariado, governo, funcionamento do sistema, guerra, desemprego, religião) e as falsas soluções para eles ( Igrejas, Partidos políticos, sindicatos, socialismo reformista e o bolchevismo). A segunda parte define o anarquismo como «a concepção mais racional e mais prática de uma vida social livre e harmoniosa», e a terceira parte explica finalmente a necessidade da revolução social para pôr termo à autoridade dos senhores que dirigem as nossas vidas.
( autor deste comentário do jornal em edição francesa: Charles Jacquier)

Greve Geral na Administração Pública a 9 e 10 de Novembro



A apresentação do Orçamento do Estado para 2007 e as declarações do Ministro de Estado e das Finanças sobre o tema dão ainda mais razão à realização e a uma massiva participação dos trabalhadores na greve geral da Administração Pública de 9 e 10 de Novembro.
O Governo não pode continuar a atacar impunemente as condições de vida e de trabalho e a dignidade dos trabalhadores, para favorecer os grandes grupos económico-financeiros!
A degradação das condições de vida e de trabalho daqueles que produzem a riqueza deste país não pode continuar!
Os trabalhadores exigem uma política diferente para o país!
É mentirosa a afirmação de que “os sacrifícios são para todos “, pois Portugal é o país da União Europeia com o maior fosso entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres e este fosso tem vindo a aumentar nos últimos anos. É a própria UE a reconhecer este facto.
E, em paralelo, possuímos algumas das maiores fortunas a nível europeu…
Os trabalhadores e a população em geral sentem na pele o continuado aumento do preço de bens essenciais, muito superior às taxas de inflação, na água, no pão, nos combustíveis, nos transportes e na generalidade dos bens de primeira necessidade. Está a ser agora anunciado o aumento de 16% dezasseis por cento, na electricidade.
Entretanto, o capital financeiro paga cerca de metade da percentagem do IRC que pagam as micro, pequenas e médias empresas e as percentagens de lucros dos Bancos são cada vez maiores – em 2005, segundo o Banco de Portugal, aumentaram 71,5% e ultrapassaram os 2,2 mil milhões de euros. Na situação actual de crise e empobrecimento da maioria da população, esta situação assume um carácter de autêntica obscenidade.
Para que isto assim seja, o Governo PS/Sócrates tem que tirar poder de compra aos trabalhadores e aos reformados, tem de acabar com direitos sociais, degradar a Segurança Social e os Serviços Públicos e entregar as partes rentáveis ao grande capital, tal como exigiu a irmandade do Compromisso do Beato, em propostas que a CGTP não hesitou em classificar de terroristas.
Isto não pode continuar!
Na Administração Pública, estamos a ser confrontados com o maior ataque aos direitos dos trabalhadores que se verificou desde o 25 de Abril, mesmo a direitos que constituíam valores civilizacionais indiscutíveis, como o direito ao trabalho – aliás, constitucionalmente garantido.
O Governo de Sócrates não tem pejo em apresentar uma proposta de tabela que retiraria a todos os trabalhadores, em 2007, entre 3,7% e 0,7% do seu poder de compra. Isto depois de, desde 2000, terem perdido uma média de 10%.
Nas reuniões já realizadas, o Governo apresentou uma proposta de aumento salarial de 1,5% que é efectivamente de 1%, já que pretende descontar 0,5% mais para a ADSE .
É a primeira vez, desde 1977, que o Orçamento de Estado regista uma diminuição nas despesas com o pessoal (0,9%) em 2 anos consecutivos.
Os objectivos nefastos do Governo manifestam-se em todas as áreas da Administração Pública:
. Na Educação, com a privatização de segmentos do sistema e o ataque ao Estatuto das Carreiras dos Professores e Educadores e do Pessoal não Docente;
. Na Saúde, tentando concretizar a máxima “quem quer saúde paga-a”, com o cortejo de mazelas sociais que daí resultará;
. Na Justiça, com um ataque aos Tribunais e às independência das Magistraturas e dificultando, quando não impossibilitando, a acesso à justiça aos mais desfavorecidos;
. Nas Forças de Segurança, com a degradação das condições de trabalho e de intervenção no terreno;
. Nas Autarquias Locais, com a limitação ou a retirada de autonomia do poder local democrático.
E as propostas apresentadas aos Sindicatos pelo Governo pretendem:
. Degradar as pensões de aposentação, o que também se propõe fazer no regime geral de segurança social;
. Acabar com o vínculo de emprego público de todos os trabalhadores;
. Implementar o despedimento sem justa causa;
. Acabar com o regime de carreiras;
. Aumentar o horário de trabalho, alterar o regime de faltas (com a exigência de justificações em duplicado) e diminuir o período de férias.
Os Trabalhadores da Administração Pública não vão baixar os braços. Vão continuar a lutaram a lutar, com determinação e entusiasmo

EM DEFESA DOS DIREITOS SOCIAIS !

POR CARREIRAS E SALÁRIOS DIGNOS !

CONTRA A PRECARIEDADE, O DESEMPREGO E OS DESPEDIMENTOS !

CONTRA A DESTRUIÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E AS PRIVATIZAÇÕES !

POR UMA NOVA POLÍTICA.


E contra o simulacro de negociações que o Governo pratica com os Sindicatos da Administração Pública, através de uma Greve Geral de dois dias, nos dias 9 e 10 de Novembro.
Só a luta e a unidade dos trabalhadores da Administração Pública poderão contrariar ou minorar os efeitos desastrosos para os trabalhadores e para as camadas mais desfavorecidas dos portugueses das medidas que o Governo PS/Sócrates quer implementar.


Dia 9 e 10 de Novembro vamos mostrar que os trabalhadores não estão dispostos a aturar mais tempo as patifarias deste Governo.


Quem trabalha, tem direito a ser tratado com dignidade!


A Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública

8.11.06

Dia Mundial contra a Shell ( 10 de Nov ) - sessão promovida pelo GAIA na Casa Viva ( no Porto ), às 21 horas.



A 10 de Novembro de 2006, no espaço CASA VIVA
(Praça do Marquês de Pombal, 167, Porto)

será relembrado o assassinato do activista ambiental Ken Saro-Wiwa

e a problemática das alterações climáticas no
Dia Mundial Contra a Shell



Ken Saro-Wiwa assumiu funções de presidente do Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni (MOSOP), uma das etnias que vivem no delta no rio Níger: Wiwa lutou pela defesa dos direitos dos 550 mil habitantes da região.
Um projecto de extracção de petróleo da Shell, implantado no país em 1958, destruiu os meios de sobrevivência deste povo indígena.
Saro-Wiwa juntou 300 mil pessoas numa marcha de protesto, exigindo à Shell o pagamento de indemnizações e a reparação dos danos ambientais causados. No ano seguinte, o líder do movimento é preso, junto com outros dirigentes, acusados da morte de quatro líderes Ogoni. A Amnistia Internacional considera Saro-Wiwa, defensor da não-violência, um “prisioneiro de consciência”. Um tribunal militar condena Saro-Wiwa por homicídio. Governos e organizações de todo o mundo acusam o tribunal de fraude, apelam à libertação do líder e ecologista e tentam levar a Shell a intervir. Sem êxito.
A 10 de Novembro, Saro-Wiwa e os oito dirigentes do movimento são enforcados.

Olhando do espaço, conseguimos distinguir na Terra miríades de pontos luminosos na superfície. Uns são facilmente preceptiveis como sendo cidades. Porém, uma parte substancial são impressões digitais de crimes. Não são mais do que queimadas realizadas nas zonas florestais do planeta.
Cada ponto luminoso, das centenas que podem ser avistados diariamente, corresponde à pira funerária de milhares de árvores, em queimadas megalómanas, patrocinadas por empresas petrolíferas como a Shell.
A destruição das florestas naturais e a libertação de grandes quantidades de dióxido de carbono pelos automóveis e máquinas afins que utilizamos, têm vindo a intensificar a concentração deste gás na atmosfera.
Como consequência, temos vindo a assistir por todo o planeta ao chamado aquecimento global: um aumento da temperatura média superficial global que se têm registado nos últimos 150 anos.
Embora a Shell alegue estar a reduzir as suas emissões de dióxido de carbono (o principal causador das alterações climáticas), a quantidade de dióxido de carbono produzida pelo petróleo da Shell excede a produzida pelo Brasil.
A Shell pretende aumentar a sua produção de petróleo para além dos 100 milhões de barris por dia nos próximos 10 a 15 anos.
Simultaneamente, procura aumentar a dependência mundial do gás natural, que também contribui para o aquecimento global.
Como membro do American Petroleum Institute, a Shell continua a fazer um lobby feroz contra as medidas para mitigar as alterações climáticas, incluindo o Protocolo de Quioto.


Assim, por um mundo melhor,
em colaboração com o Espaço CASA VIVA,
o GAIA apresenta:
o filme,
A Herança – “O Mundo dos Nossos Filhos”

21:00
A Hora do Chá: Um Momento de Meditação por um Mundo Melhor e por aqueles que lutam para que esse mundo “aconteça”;

22:00
Documentário sobre as Alterações Climáticas;

23:00
Tertúlia dinâmica sobre as Alterações Climáticas e a Procura de Soluções para o problema;

00:00
Música, Actividades Interactivas e Convívio.

Cantos de Maldoror, de Isidore Ducasse ( breves citações)



Que a tua graça multiplique por dez as minhas forças naturais
In Cantos de Maldoror, de Isidore Ducasse


Quando estiveres na cama e ouvires o uivar dos cães no campo, esconde-te debaixo dos cobertores, não te rias do que eles fazem; eles têm sede insaciável de infinito, como tu, como eu, como os restantes humanos, de rosto pálido e comprido
In Cantos de Maldoror, de Isidore Ducassé


Vai realizar-se em Barcelona (22 a 25 de Novembro) um Colóquio Internacional sobre Lautréamont. Ver:
http://www.maldoror.org/Programme_Barcelone.rtf

Ver ainda:

http://www.maldoror.org/
.
Ler artigo de R.Vaneigem sobre Lautréamont em:
http://library.nothingness.org/articles/SI/fr/display/72

Chico Science, os «Nação Zumbi» e a Mangue beat




Francisco de Assis França, mais conhecido pela alcunha de Chico Science (13/3/1966- 2/2/1997) foi um cantor e compositor do Recife (Pernambuco, Brasil), e um dos principais colaboradores do movimento Manguebeat em meados da década de 90.

Mangue – Em rápidas palavras, foi um movimento que surgiu no Recife (Pernambuco, Brasil) nos primeiros anos da década de noventa. Trabalhando em cooperativa, dois grupos desconhecidos, Chico Science e Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, juntaram-se a alguns jornalistas, designers e desempregados, para tentar criar uma cena artística capaz de quebrar o marasmo que dominava a vida local. O termo é inspirado nos manguezais, a vegetação que dominava boa parte da área sob a qual foi construído o Recife. A ideia era gerar uma cena tão rica e diversificada quanto esse ecossistema, de modo a abranger toda a complexidade embutida potencialmente na vida de uma cidade grande.
A empreitada foi um sucesso: em poucos anos, centenas de bandas estavam actuando em bares, casas nocturnas e garagens, e a agitação havia se espalhado para o cinema, as artes plásticas e a moda. Recife, desde então, passou a ser conhecida como a “Manguetown”.


Chico Science

Líder da banda Nação Zumbi e principal expoente do movimento mangue beat de Pernambuco, teve sua carreira precocemente abortada por um acidente de carro. Chico Science participava de grupos de dança e hip hop em Pernambuco no início dos anos 80. No final da década integrou algumas bandas de música como Orla Orbe e Loustal, inspiradas na música soul, no funk e no hip hop.
A fusão com os ritmos nordestinos, principalmente o maracatu, veio em 1991, quando Science entrou em contacto com o bloco afro Lamento Negro, de Peixinhos, subúrbio de Olinda. Misturou o ritmo da percussão com o som de sua antiga banda e formou o Nação Zumbi.
A partir daí o grupo começou a apresentar-se em Recife e Olinda e iniciou o "movimento" mangue beat, com direito a manifesto ("Caranguejos com Cérebro"). Em 1993 a sua apresentação por São Paulo e Belo Horizonte chamou a atenção dos principais media. O primeiro disco, "Da Lama ao Caos", projectou a banda nacionalmente. O segundo, "Afrociberdelia", mais pop e electrónico, confirmou a tendência inovadora de Chico Science e Nação Zumbi, que viajaram e apresentaram-se então pela Europa e Estados Unidos. O Nação Zumbi lançou um CD duplo em 1998, depois da morte do líder, com músicas novas e versões ao vivo remixadas por DJs.


Monólogo ao Pé do Ouvido (Chico Science)

Modernizar o passado
É uma evolução musical
Cadê as notas que estavam aqui?
Não preciso delas!
Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos
O medo dá origem ao mal
O homem coletivo sente a necessidade de lutar
O orgulho, a arrôgancia, a glória
Enche a imaginação de domínio
São demônios os que detroem o poder
Bravio da humanidade
Viva Zapata!
Viva Sandino!
Viva Zumbi
Antônio conselheiro!
Todos os panteras negras
Lampião sua imagem e semelhança
Eu tenho certeza eles também cantarm um dia.



Os grandes marcos do mangue beat

Há alguns anos, em Recife (PE), Fred Rodrigues Montenegro encantava-se com Jorge Ben e a sua mistura de samba, rhythm'n'blues e baião. Ainda adolescente, foi convidado para tocar guitarra. O seu primeiro grupo, ainda no início dos anos 80, chamava-se Trapaça. Influências de bandas paulistas provocaram o surgimento de uma segunda banda, os Serviço Sujo, em cuja formação Fred tinha o cognome de "Rato". Em 1984, dos restos das bandas punks, surge o mundo livre S/A e seu cognome definitivo: Zero Quatro. Enquanto isso, na mesma cidade... Francisco de Assis França era daqueles músicos que não estudaram em conservatórios, mas que ouviam de tudo. Frequentava festas funk e os seus ídolos eram James Brown, Grandmaster Flash e Kurtis Blown. Nos anos 90, Francisco, ou melhor, Chico Science, descobriu o Lamento Negro, um grupo de samba-reggae. Impressionado com o som, chamou dois colegas do Loustal, o seu anterior grupo de hip hop e funk, para formar, o Chico Science e Lamento Negro no início de 1991. Aí, começa a história...
No início da década de 90, Zero Quatro, Chico Science e amigos em comum - entre eles futuros integrantes da Nação Zumbi - encontravam-se com regularidade. Foi este convívio que deu origem ao movimento que ficou conhecido como mangue beat. Em 1994 foram lançados os discos Da Lama ao Caos, de Chico Science & Nação Zumbi, e Samba Esquema Noise, do MLS/A .
O famoso manifesto dos "Caranguejos com cérebro" foi escrito por Zero Quatro. Segundo o jornalista e escritor Renato L, o texto era, na verdade, um release, um "book do mangue" para acompanhar os shows. Quando chegou à imprensa, passou a ser considerado um manifesto. Talvez eles não imaginassem que aquele texto, utópico, iria mudar a cara da música pernambucana e elevar o estado nordestino a um dos mais criativos e efervescentes da cultura brasileira. Passada mais de uma década, o mangue beat continua influenciando as novas gerações com seu som e sua ideologia. Ao fim de 10 anos foi organizada uma exposição com acervo de Chico Science, que morreu em Fevereiro de 1997 num acidente de carro. Passada a morte do vocalista, os Nação Zumbi pararm por um tempo e só voltaram depois com Jorge Du Peixe na voz. Saiu um livro e um cd por essa altura.


MANIFESTO CARANGUEJOS COM CÉREBRO

Mangue --- O conceito
.
Estuário. Parte terminal de um rio ou lagoa. Porção de rio com água salobra. Em suas margens se encontram os manguezais, comunidades de plantas tropicais ou subtropicais inundadas pelos movimentos dos mares. Pela troca de matéria orgânica entre a água doce e a água salgada, os mangues estão entre os ecossistemas mais produtivos do mundo.
Estima-se que duas mil espécies de microorganismos e animais vertebrados e invertebrados estejam associados à vegetação do mangue. Os estuários fornecem áreas de desova e criação para dois terços da produção anual de pescados do mundo inteiro. Pelo menos oitenta espécies comercialmente importantes dependem dos alagadiços costeiros.
Não é por acaso que os mangues são considerados um elo básico da cadeia alimentar marinha. Apesar das muriçocas, mosquitos e mutucas, inimigos das donas-de-casa, para os cientistas os mangues são tidos como os símbolos de fertilidade, diversidade e riqueza.

Manguetown - A cidade

A planície costeira onde a cidade do Recife foi fundada, é cortada por seis rios. Após a expulsão dos holandeses, no século XVII, a (ex) cidade "maurícia" passou a crescer desordenadamente as custas do aterramento indiscriminado e da destruição dos seus manguezais.
Em contrapartida, o desvairio irresistível de uma cínica noção de "progresso", que elevou a cidade ao posto de "metrópole" do Nordeste, não tardou a revelar sua fragilidade.
Bastaram pequenas mudanças nos "ventos" da história para que os primeiros sinais de esclerose econômica se manifestassem no início dos anos 60. Nos últimos trinta anos a síndrome da estagnação, aliada à permanência do mito da "metrópole", só tem levado ao agravamento acelerado do quadro de miséria e caos urbano.
O Recife detém hoje o maior índice de desemprego do país. Mais da metade dos seus habitantes moram em favelas e alagados. Segundo um instituto de estudos populacionais de Washington, é hoje a quarta pior cidade do mundo para se viver.

Mangue --- a cena
Emergência! Um choque rápido, ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico pra saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruir as suas veias. O modo mais rápido também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paraliza os cidadãos? Como devolver o ânimo deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco da energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.
Em meados de 1991 começou a ser gerado e articulado em vários pontos da cidade um núcleo de pesquisa e produção de idéias pop. O objetivo é engendrar um "circuito energético", capaz de conectar as boas vibrações dos mangues com a rede mundial de circulação de conceitos pop. Imagem símbolo, uma antena parabólica enfiada na lama.
Os mangueboys e manguegirls são indivíduos interessados em: quadrinhos, tv interativa, anti-psiquiatra, Bezerra da Silva, Hip Hop, midiotia, artismo, música de rua, John Coltrane, acaso, sexo não-virtual, conflitos étnicos e todos os avanços da química aplicada no terreno da alteração e expansão da consciência
.

Contra a vídeovigilância e a sociedade de controle






«Para sua segurança, este local encontra-se equiapdo com câmaras vídeo», «Local vigiado por sistema de vídeo», «Sorria, está a ser filmado» - anúncios/avisos do género multiplicam-se hoje por toda a parte: «shoppings», aeroportos, estradas, edifícios, fábricas, escolas, estádios, ao mesmo tempo que uma câmara oculta de TV pode estar em qualquer lugar à espreita…Um imenso «bufo» electrónico, ao serviço de uma difusa e inverificável autoridade, segue cada um dos nossos passos, cada um dos nossos gestos, cada um (como na vigilância informática na Net) dos nossos pensamentos e desejos, sem, ao contrário dos seus congéneres humanos, qualquer escrutínio moral ou jurídico, antes suportado num discurso securitário que é o paroxismo do panopticismo benthaminano feito ideologia. Agora são as auto-estradas que, a partir do próximo ano serão equipadas com 510 câmaras capazes de registas todos os «comportamentos fora do padrão». A Brisa terá ainda acesso aos dados da DGV e Direcção-Geral de Registos e Notariado. Como no panóptico de Bentham, o guarda invisível nem precisa já de estar lá. Basta sabermos que somos observados para nos transformarmos nós mesmos em guardas da nossa conformidade ao «padrão» e ao que o «big brother» espera de nós.
(crónica de Manuel António Pina, publicada no Jornal de Notícias de 6 de Nov. de 2006, sob o título «Policia-te a ti mesmo» )

5.11.06

Luta contra as mudanças climáticas

Ontem realizaram-se por todo o mundo acções para a sensibilização da população e dos poderes instituídos quanto ao problema das mudanças climáticas.
As fotos que se seguem foram retiradas da manifestação realizada em Londres, e que contou com a presença de milhares de manifestantes.
Ver:








Imprensa ecologista em Portugal: dois exemplos históricos

A Urtiga foi a melhor revista ecologista de sempre em Portugal.
Coincide também com uma época importante na história ( meados e fins dos anos 70) da nossa sociedade portuguesa, para além de ter marcado (pela positiva) a evolução existencial de alguma gente, da qual me incluo.




O jornal Terra Mágica, que aparece algum tempo depois e de que saíram alguns números, representa uma época de alguma reanimação ecologista em Portugal. A sua publicação pretendia relançar a temática e o movimento ecologista na nossa sociedade.


Memória histórica: anarquistas entram no governo republicano há 70 anos (4 de Nov. de 1936)



No dia 4 de Novembro de 1936, faz hoje 70 anos, quatro dirigentes da CNT entraram no governo da República em guerra e que era presidido pelo socialista Francisco Largo Caballeo. Tratava-se de um «facto transcendente» como afirmava nesse mesmo dia o jornal Solidaridad Obrera, o principal órgão de expressão da CNT, porque os anarquistas nunca haviam confiado nos poderes da acção governativa e porque era a primeira vez que isso ocorria na história mundial.Anarquistas no Governo de uma nação era realmente um facto transcendental e irrepetível.
Poucos homens ilustres do anarquismo espanhol se negaram a dar esse passo e as resistências da «base», dessa base sindical que era suposto ser revolucionário e fazer frente aos dirigentes reformistas foram também mínimas. O Verão, sangrento ainda que mítico verão revolucionário de 1936 já havia passado. Anarquistas radicais e sindicalistas moderados, que se tinham enfrentado e separado nos primeiros anos republicanos, estavam agora juntos, esforçando-se por obter os apoios necessários para pôr em marcha as suas novas convicções políticas. Tratava-se de não deixar os mecanismos do poder político e armado nas mãos das restantes organizações políticas, uma vez que foi claro que o que estava a acontecer em Espanha era uma guerra e não uma festa revolucionária.
O Comité Nacional da CNT elegeu os quatro nomes para essa missão: FedericaMontseney, Juan Garcia Oliver, Joan Peiró e Juan López. Nesses quatro dirigentes estavam representados de forma equilibrada os dois principais sectores que haviam pugnado pela supremacia no anarco-sindicalismo durante os anos republicanos: os sindicalistas e a FAI. Joan Peró e JUan lópez, ministros da Idústria e do Comércio, eram as figuras indiscutíveis daqueles sindicatos de oposição que tinham sido expulsos da CNT e, 1933 e que haviam voltado mais tarde, pouco antes da sublevação militar. Juan Garcia Oliver, novo ministro da Justiça, era o símbolo do «homem de acção», da «ginástica revolucionária», da estratégia insurreccional contra a República, que havia ascendido como a espuma a partir das jornadas revolucionárias de Julho em Barcelona. De Federica Montseney, ministra da saúde, a fama vinha de ser da família onde nascera – era filha de Federico Urales e Soledad Gustavo – e que se havia empenhado na República para atacar desde um anarquismo mais intrasigente todos os traidores reformistas. Ela ia ser, além disso, a primeira mulher a desempenhar o cargo de ministro na história do país.
Da passagem da CNT pelo Governo ficaram poucos vestígios. Entraram em Novembro de 1936 e abandonaram em Maio de 1937. Pouco puderam fazer em sete meses. Recorda-se muito mais o que significou a participação dos quatro anarquistas num Governo do que a sua actividade legislativa. Como a revolução e a guerra foram perdidas, nunca eles puderam expor a sua dignidade como ministros na história. E como não podia ser, semelhante acto de ruptura para com a tradição anti-política trouxeram-lhes as maiores desgraças. Para memória colectiva do movimento libertário, derrotado, e no exílio, aquela traição e aquele erro só podia trazer consequências funestas. Toda a literatura anarquista posterior, quando aborda o assunto, deixa de lado a análise, para descarregar um chuva de censuras e críticas por demais conhecidas. De um lado, fica a revolução, vigorosa e soberana; do outro, a sua destruição, feita realidade pela ofensiva que desde o poder se lançou contras as milícias, os comités revolucionários, as colectivizações, as três solenes manifestações pela mudança revolucionária.
Se menospreza assim, nesse ajuste de contas com o passado, o que de necessário e de positivo houve naquele momento extraordinário. Necessário, porque a revolução e a guerra, que os anarquistas não haviam provocado, obrigaram a articular uma solução que, evidentemente, devia afastar-se das doutrinas e das atitudes com que historicamente se identificavam. Positivo, porque essa defesa da responsabilidade e da disciplina, que converteu justamente a participação no Governo num dos seus símbolos, melhorou a situação na retaguarda, evitou ainda mais derramamentos inúteis de sangue, e contribuiu a mitigar a resistência que a outra estratégia disponível, a maximalista e a do confronto radical com as instituições republicanas, havia alimentado.
Evidentemente que uma análise deste tipo que separa o historiador do juízo de autenticidade sobre a pureza doutrinal daqueles protagonistas leva a considerar outras facetas esquecidas. Como aquela que se refere ao facto de ter sido um «anarquista de acção» como Garcia Oliver quem consolidou os tribunais populares ou que criou os campos de trabalho, substituindo os tiros na nuca para os presos fascistas. Ou que um sindicalista de toda uma vida como Juan Peiró se encarregara das intervenções nas industrias de guerra. Ou que uma mulher subisse às cúspide do poder politico, um espaço negado tradicionalmente às mulheres e que Franco voltaria a negar durante décadas, e desde aí empreendesse uma política sanitária de medicina preventiva, de controle das doenças venéreas, uma das pragas da época, e da reforma eugenésica do aborto que, apesar de não ter passado das intenções, fez avançar alguns debates ainda presentes das sociedades actuais.
Acabada a guerra, as prisões, as execuções e o exílio meteram o anarquismo num túnel de que é difícil sair. Na memória dos anarquistas, na literatura e no cinema a figura que acabou por sobressair foi Buenaventura Durrutti, com todo o seu passado novelesco e façanhas de herói, ficando na obscuridade outras figuras como Juan Peiró que dedicou a sua vida a fabricar bombas, a organizar sindicatos e a ajustar o anarquismo com o relógio da história. Denunciou ante de todos, e por escrito, em Agosto de 1936, a violência revolucionária de destruição dos opositores. Quando, depois dos acontecimentos de Maio de 1937, Manuel Azaña encarregou Juan Negrín da formação de um novo governo sem CNT, Peiró acusa os comunistas de term provocado a crise e denunciou a repressão contra o POUM. Com a ocupação da Catalunha pelo exército franquistas , foge para França, onde foi detido pela Gestapo em Novembro de
1940 tendo sido entregue às autoridades franquistas que não demoraram em executá-lo em 24 de Julho de 1941.
O anarquismo arrastou atrás da sua bandeira vermelha e negra vastos e diversos sectores populares.Lançou raízes em sítios tão díspares como a Catalunha industrial, onde até à Guerra Civil, nunca entrara o socialismo organizado, e na Andaluzia camponesa. Muitos dos seus militantes participaram durante décadas numa frenética actividade cultural e educativa. Nesse trajecto a violência sempre esteve presente. A sua lenda de honradez, sacrifício e combate foi cultivadas durante décadas. Os seus inimigos, à direita e à esquerda, sempre se referiram à tendência dos anarquistas em lançar bombas e a empunhar um revólver. São, sem dúvida, imagens exageradas das quais os historiadores não escaparam e que até as tem alimentado. Uma prova mais das múltiplas facetas daquilo que se chama hoje por memória histórica.

Julián Casanova, texto publicado no El País de 4 de Novembro.

Polónia 1944

As SS chegam a uma aldeia e reúnem a população.
Um jovem padre consegue escapar-se mas é imediatamente perseguido por um jovem nazi.
O padre encontra-se encurralado num pátio, sem esperança.
O jovem soldado aponta e prepara-se para disparar quando subitamente o céu escurece e Deus intervém gritando:
- «Pára, infeliz! Não dispares! Um dia este jovem polaco será Papa!»
Perplexo, o alemão responde:
- «Sim, Senhor, e eu?»
- «Tu, virás depois».
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retirado de:

3.11.06

Sobre o caso IKEA em Paços Ferreira - comunicado da Convergir

CONVERGIR
Plataforma de associações cívicas do Noroeste/Norte de Portugal em matéria de ambiente, urbanismo e ordenamento do território
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COMUNICADO
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Em nome de um modelo social e económico assente na sustentabilidade, a Plataforma Convergir não pode deixar de se opor à recente decisão do Grupo IKEA, há dias anunciada, de instalar as suas projectadas fábricas à custa da destruição de cerca de 50 hectares de Reserva Ecológica Nacional.
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Apesar de existirem alternativas, não estando pois em causa a viabilizaçãodo empreendimento, o Grupo IKEA optou por negar clamorosamente na prática as suas proclamadas intenções de respeitar o ambiente e a natureza nas suas actividades empresariais, expondo assim ao desmentido e ao ridículo a sua tão cuidada imagem «verde».
Mas, obviamente, os principais responsáveis são as autoridades ei nstituições nacionais que consentiram em mais uma operação de destruição deáreas naturais protegidas, designadamente o Governo, a Câmara Municipal de Paços de Ferreira e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional doNorte.
Mais uma vez, o Governo autorizou a que se suspenda a lei (neste caso oPlano Director Municipal de Paços de Ferreira, além da desanexação da REN) para permitir a destruição daquilo que a lei protege. Casos recentes como oCentro Comercial Nassica ou a Lactogal, ambos licenciados à custa dadestruição de áreas consideráveis da Reserva Agrícola Nacional no concelhode Vila do Conde, juntamente com diversos outros casos semelhantes pelopaís fora, consumados ou previstos, banalizam o recurso à excepção à lei, aponto de se poder dizer que a excepção à regra se está a tornar na regra daexcepção. Com isso, o Governo, que apregoa a necessidade de uma firmepolítica de ordenamento do território, torna a lei o motor da sua própriasubversão e o ordenamento uma simples tirada retórica.
Não pode esquecer-se, neste contexto, a responsabilidade da Comissão deCoordenação /Norte que, contra toda a lógica, e ciente da oferta domunicípio de Paredes de alojar as referidas fábricas em zona jáinfraestruturada e que não provocaria nova destruição de valores naturais,emitiu parecer favorável, atrás do qual se escuda o Governo, à desanexaçãode uma zona de protecção de cabeceiras de água e dotada de povoamentos desobreiros, espécie protegida por lei. Tanto mais extraordinário quanto aCCDRN integra a ex-Direcção Regional do Ambiente, a quem caberia o papelprincipal na defesa dos referidos valores.
A região Norte do País, deprimida social e economicamente em relação à médianacional, necessita certamente de uma resposta a essa depressão. Talresposta, no entanto, sob risco de se tornar ilusória, efémera econtraproducente, tem que assentar firmememente nos valores dasustentabilidade.
Se necessitamos de investimento e emprego, também não podemos dispensar afirme protecção dos solos, da biodiversidade, das paisagens e das nascentesdas linhas de água. O Norte necessita de um modelo que aposte nosinvestimentos e no emprego que valorizem os seus recursos naturaisfundamentais, não que promovam a sua destruição. A criação de riquezaeconómica através da destruição irreversível de riqueza natural tão ou maisvaliosa prepara a prazo a desertificação e a pobreza para os nossos filhos eos nossos netos.
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A Plataforma Convergir, e designadamente as associação ALDEIA - Acção,Liberdade, Desenvolvimento, Educação, Investigação, Ambiente, a APRIL -Associação Política Regional de Intervenção Local, a Associação dos Amigosdo Mindelo, a Associação dos Amigos do Rio Ovelha, a Campo Aberto -associação de defesa do ambiente, o FAPAS - Fundo de Protecção dos AnimaisSelvagens, o GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, a LigaPortuguesa de Profilaxia Social, o NDMALO - Núcleo de Defesa do MeioAmbiente de Lordelo do Ouro, o Núcleo do Porto da Quercus - AssociaçãoNacional de Conservação da Natureza, e a Vento Norte - Associação de Defesado Ambiente e Ocupação dos Tempos Livres, que subscrevem este comunicado,apoiam ainda em conjunto a posição recentemente tomada sobre este assuntopela Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, inclusive oeventual recurso a acção judicial que anule esta infracção às regras básicasdo ordenamento do território.
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Porto, 2 de Novembro de 2006
Para mais informações: Leonor Costa Pinto 931 620 212

A impostura democrática ( entrevista com José Saramago)


O livro «Ensaio sobre a lucidez» de José Saramago acabou de ser traduzido para a língua francesa com o título « La Lucidité », numa edição da Seuil.
A conhecida revista semanal francesa Le Nouvel Observateur publica no seu último número uma breve entrevista com o escritor português, onde ele denuncia a impostura democrática.


Le Nouvel Observateur – O seu romance «Ensaio sobre a lucidez» é uma dura crítica aos nossos governos. O que é que o irrita no sistema actual?

José Saramago – As democracias ocidentais não são senão as fachadas políticas do poder económico. Uma fachada com cores, bandeiras, discursos intermináveis sobre a democracia. Vivemos uma época em que podemos discutir tudo. Com uma excepção: a democracia. Ele está aí, é um dado adquirido. Não tocar, como se diz nos museus. Ora é necessário lançar um grande debate mundial, antes que seja tarde, sobre a democracia.

N.Obs. – Em que é que as democracias não são democráticas, segundo você?

José Saramago - Durante muito tempo, falava-se de pleno emprego. Estava nos programas de todos os partidos. Hoje, isso acabou. Vivemos numa espécie de anestesia social generalizada. Quando se chega aos 40 anos, e vos é dito, que não há nada para você, o que é que isso significa? Para onde vais o dinheiro? Passou-se do ideal, dessa utopia do pleno emprego ao emprego precário? Quem decidiu esta mudança brutal nas relações das pessoas com o direito ao trabalho? Um governo? O governo francês, italiano, português? Não, claro que não. Foi antes o poder económico. Eu sei que esta expressão pode parecer arcaica. E, todavia, é o poder económico que controla o mundo. Mas ninguém se lembra do momento em que se passou do ideal do pleno emprego a este dado tornado obrigatório que é o emprego precário. Trata-se de um êxito completo da arte do esconde-esconde.

N.Obs. – Você pede para se votar em branco?

J. Saramago – Não, eu não faço essa porpaganda. O que eu digo é que se pode escolher votar por um partido, ficar em casa, anular o seu boletim ou votar em branco. A abstenção é a solução mais fácil, mas pouco significativa. Ao passo que as pessoas que se esforçam por votar podem, através do voto branco, exprimir de uma forma muito clara o seu descontentamento. E mostrar o seu descontentamento em votar sem que realmente nada mude. 20% de votos brancos já daria para as pessoas reflectirem. Você sabe, até porque nunca fiz segredo disso, que sou comunista. Houve quem me censurasse, como se eu fosse inimigo da democracia. Tal é um absurdo. Até pelo contrário. Sou um comunista que diz: salvemos a democracia. Porque o que temos, àquilo que chamamos de democracia, não é senão um simulacro.. Nos gabinetes do poder ri-se dos pobres. Divertem-se à nossa custa. É tempo de fazer qualquer coisa.

N.O. – O comunismo não mudou lá as coisas…

J. Saramago – O comunismo? Isso nunca existiu. Não se sabe o que é. Há ideais, princípios. Mas esses princípios foram desnaturados, quando começaram a ser aplicados. Pode-se dizer que o comunismo é isto ou aquilo, mas a verdade é que não se sabe nada. Na União Soviética o comunismo não foi outra coisa senão um capitalismo de Estado. E a China segue a mesma via, com a cumplicidade das potências ocidentais., que aplaudem e não se cansam de dizer bravo. É lamentável.

N.O. –Na sua opinião essa abertura económica não poderá levar a China para a democracia?

J. Saramago – Abertura? Mas as democracias são governadas por poderes que não são democráticos. O Fundo Monetário Internacional é uma instituição democrática? Não. A Organização Mundial do Comércio? Não. E são ambos que decidem os nossos destinos, a nossa felicidade. Não existe democracia, apenas uma aparência democrática. Quanto aos media, eles são propriedade de grandes empresas, de bancos. Vivemos num simulacro. Se queremos a verdadeira democracia, temos que a inventar.

N.O.- Parece que você anuncia no seu romance uma viragem das democracias para o autoritarismo?

J. Saramago – Posso enganar-me talvez. Mas acho que vamos viver uma nova era de democracias mais autoritárias.

N.O – Você tem 84 anos. É célebre em todo o mundo. O que é que o leva a lutar por um mundo melhor?

J. Saramago – Milhões e milhões de pessoas têm o mesmo discurso que eu, se pudessem. Tão simples como isso. Se se puder dizer o que achamos o que é verdade, então não nos devemos calar. Trata-se de uma possibilidade extraordinária poder exprimir-me pela escrita. Poderia ficar na minha casa , com o meu prémio Nobel, cultivar o meu jardim, metafórico ou real. Mas não posso. Sou um simples cidadão que fala. Mas falar não é suficiente. Já se falou muito. Acho que é tempo de ladrar. De ladrar como os cães, tal como escrevo na epígrafe do meu livro. Com a minha fraca voz é aquilo que eu faço.

2.11.06

Apelo contra os liquidatários do vinho e da diversidade das vinhas


Eles querem transformar os nossos vinhos numa bebida industrial e estandardizada
Querem impor às vinhas e aos seus cultivadores o seu «modelo do produtivismo»

As aldeias, os terrenos, as paisagens, a história, as mulheres e os homens da vinha, os saberes acumulados, o saboroso vinho popular, as mil e uma cepas existentes no país, e as cinco mil variedades de vinho que existirão em todo o mundo, deverá toda essa riqueza desaparecer para ser substituída pela uniformidade e capacidade de reprodução?

A Confederação Camponesa (França) lança um apelo para uma grande campanha de mobilização geral para a rejeição da uniformização e estandardização dos vinhos e dos sabores.

Será que também nós iremos aceitar que toda a riqueza das cepas de vinho desapareça em proveito de uma insípida e uniforme bebida?

Ler o apelo: