26.10.05

Os estudos de género (gender studies)



Os gender studies apareceram nos anos 70 nos Estados Unidos e transformaram profundamente o estudo das relações homens/mulheres. Hoje em dia os estudos sobre o género multiplicaram-se e revisitam o conjunto das ciências sociais e humanas.

O conceito de «Género» apareceu nos Estados Unidos durante os anos 70 em torno de uma reflexão à volta do sexo e da utilização desta variável na pesquisa nas ciências sociais. O movimento feminista, que tinha tido obtido algum impacte após a revolução sexual, procurava fazer ouvir a sua voz nas instituições de pesquisa. Tratava-se de reconhecer um empenhamento que se assumia cada vez mais como uma reflexão renovada sobre o mundo.
Foi o psicólogo Robert Stoller que popularizou em 1968 uma noção já utilizada pelos seus colegas americanos desde os anos de 1950 para compreender a separação em certos pacientes entre corpo e identidade. Daí a ideia que não existe uma real correspondência entre género ( masculino/feminino) e o sexo ( homem/mulher). Foi em 1972 que, apoiando-se na articulação entre a natureza e a cultura desenvolvida pelo antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, a socióloga Anne Oakley reenviou o sexo para o domínio biológico e o género para a dimensão cultural. Os universitários americanos recusam a aproximação frequentemente realizada entre mulheres e natureza (principalmente feita por causa das suas faculdades reprodutivas) enquanto os homens estariam do lado da cultura. Um artigo publicado em 1974 pela antropóloga Sherry Ortner teve um forte impacte ao tornar os termos particularmente explícitos: « A mulher é para o homem o que a natureza é para a cultura». Em antropologia foi Margaret Mead que se dedicou a uma primeira reflexão sobre os papéis sexuais nos anos 1930. O estudo dos papéis desempenhados pelos indivíduos segundo os sexos e os caracteres propriamente femininos e masculinos permite distinguir a aprendizagem daquilo que é dado pela natureza.

Sexo feminino = um «macho menor» !!!

Uma vez operada a distinção entre género e sexo, os investigadores voltaram-se a concentrar nas relações homem/mulher. A historiadora Joan W. Scott incitou a ver mais longe a simples oposição entre os sexos. Esta deverá ser considerada «problemática» e constituir, enquanto tal, um objecto de pesquisa. Se o masculino e feminino se opõem de modo problemático é porque existe entre eles relações de poder em que um domina sobre o outro. Mas se o género é pensado como uma construção social, tal não se verifica com o sexo, encarado como um dado natural e, mais provavelmente, como algo «impensado». Foi o historiador Thomas Laqueur que demonstrou o carácter historicamente construído do sexo e a sua articulação com o género. Na obra « A Fábrica do Sexo» (1992) ele mostra a coexistência ( e a predominância do primeiro sobre o segundo) dois sistemas biológicos. Assim, durante muito tempo, o corpo era visto como unisexo e o sexo feminino era como um «macho menor» , quando no século XIX passamos para um sistema fundado na diferença biológica dos sexos.
Logo que o sexo se tornou cultural tal como o género, a sexualidade torna-se aos olhos dos investigadores o objecto de uma nova reflexão. A influência do filósofo francês Michel Foucault ( especialmente na década de 1980 durante a qual as suas obras foram traduzidas nos Estados Unidos) foi primordial. O género foi articulado com o poder e a sua transformação em discurso foi relacionada com a análise da sexualidade e das suas normas.
O final dos anos de 1980 dá-se um início de institucionalização. Emprestado ao vocabulário psicológico e médico pela sociologia, o termo é utilizado noutras disciplinas como a história. Antes que o género se tenha transformado numa ferramenta de análise, a história das mulheres limitava-se a fazer aflorar as narrativas até então invisíveis. Só depois é que deixa a mostrar as mulheres de uma maneira essencialista, isto é, com características próprias e imutáveis tais como as qualidades emotivas, por exemplo. A análise do género reconduz as especificidades pretensamente femininas à luz de um dado momento e uma determinada sociedade. Foi assim que os estudos de género perimitram reconhecer o carácter socialmente construído dos dados históricos sobre as mulheres como dos homens. Se o género torna visível o sexo feminino, tal implica que o homem deixe de ser neutral e geral para passar a ser visto como um indivíduo sexuado.A partir daqui foi possível desenvolver-se uma história dos homens e das masculinidades, sobretudo graças à revista americana Men and Masculinities dirigida por Michael Kimmel.
As questões à volta do género, da mesma maneira que a sua variação para a sexualidade desde os meados dos anos 80, contribui para dividir as feministas em dois grupos. As mais radicais empenham-se a mostrar o carácter opressivo da hierarquia dos sexos em termos de sexualidade a favor do homem, visto na sua globalidade como um macho dominante.

Gays, lésbicas, queers

Outro grupo, como as americanas Rubin Gayle e Judith Butler, mostram que a relação entre os sexos não implica somente uma hierarquia entre os géneros mais também uma injunção normativa. Em 1984 R. Gayle alarga a reflexão teórica às sexualidades que escapam à norma como o sadomasoquismo e a pornografia. Judith Butler, em 1990, tenta lançar um olhar transversal que inclua tanto as mulheres, os gays, as lésbicas como outras minorias que não se reduzam a nenhuma das duas primeiras categorias. Para J.Butler, se o sexo é tão cultural quanto o género, este último pode ser entendido como um discurso performativo sobre o qual se podia agir a assim introduzir modificações aos habitus impostos pela sociedade. Este esquema analítico alarga-se à pesquisa sobre as minorias tais como os homossexuais, as lésbicas ou os transsexuais. Os estudos de género constituem parte inteira pois que a opressão não diz respeito somente às mulheres, nem a dominação emana unicamente dos homens mas do sistema heterossexual. Os estudos gay e lésbicos, e mais tarde a teoria queer, insistirão na análise da norma imposta ao género ou não. Assim, o caso das lésbicas pode ser analisado sob o ângulo do género, enquanto mulheres, como do da norma, enquanto desviantes. O movimento queer baseia-se na multiplicidade das identidades sexuais estabelecidas segundo as necessidades e as contingências. Da mesma maneira, o trabalho do historiador americano George Chauncey sobre a cultura gay nova-iorquina durante o período entre as guerras mundiais cruza os parâmetros do género e da sexualidade de uma forma frutuosa. Mostra como se passou de um sistema de género em que a relação homossexual assentava nas identidades homem/mulher (só o dos homens que apresentava um comportamento feminino era estigmatizado) para um sistema em que a homossexualidade é avaliada à sombra da heterossexual idade. No segundo caso ( a que corresponde ao actual período) todo o homossexual é estigmatizado sob o olhar da sua sexualidade. O historiador mostrou assim a coexistência dos dois sistemas na actual Nova Iorque em que certas comunidades de latinos continuam a funcionar segundo um binarismo de género.

O contributo francês

O conceito de género encontrou algumas dificuldades para se implantar em França, devido principalmente à desconfiança para com o feminismo americano visto como demasiado comunitarista e radical. Nos anos 1980 a universidade francesa procurou precaver-se contra o político. Pela sua passagem pelo militantismo, os estudos feministas afastaram-se do domínio da pesquisa.
As expressões «relações de sexo» ou « relações sociais de sexo» foram durante muito tempo preferidas à noção de género, encarada por fluida demais. Esse vocabulário explica-se pela abordagem feminista materialista, influenciada pela escola marxista que caracteriza a primeira geração das investigadoras nos anos 1970, por via das sociólogas Christine Delphy, Nicole-Claude Mathieu e Colette Guillaumin.
Elas acabaram por retomar o trabalho de desnaturalização iniciado pelos universitários americanos, principalmente através do questionamento do trabalho enquanto actividade natural da mulher.
C. Delphy centra a sua reflexão na opressão como construção social. Ela opõe-se a uma visão diferencialista e identitária que vê as mulheres como um grupo homogéneo com características especificamente femininas. Inverte mesmo a problemática inicial: a masculinidade e a feminilidade não explicam a hierarquia e a dominação tal como o sexo muito menos explica o género. Os grupos de homens e mulheres não se constituíram senão porque a instituição social da hierarquia ( que se estende à organização social) é o princípio primeiro, do mesmo modo que é o género o que dá sentido à característica física do sexo (que em si não contém algum sentido).
O conceito de género começou realmente a difundir-se em França nos meados dos anos 1990, quando a Comunidade Europeia se virou para as questões de género e da paridade na busca de u ma igualdade efectiva. A partir de 1993 os debates sobre a paridade alargaram os trabalhos sobre o género ao campo político. Desde 1970 que os trabalhos de Janine Mossuz-Lavau sobre a visibilidade das mulheres relativamente ao voto, às eleições e à elegibilidade representaram uma primeira abordagem das relações entre os estudos de género e o campo político. A sociologia do trabalho acabou por concluir da necessidade de se tomar em conta o sexo de modo sistemático. Neste quadro assiste-se ao longo dos anos 90 à criação de módulos específicos de pesquisa como o «Mage» (Marche du travail et genre) à volta da socióloga Margaret Maruani que, depois de se ter interessado pela divisão sexual do trabalho, analisa hoje a divisão sexual do mercado de trabalho.
Quer seja na história, na antropologia ou em qualquer das ciências sociais, o género é objecto de um crescente interesse nos meios universitários, a passo que nos Estados Unidos parece que o conceito parece ter perdido grande parte da sua força provocativa e do seu valor heurístico, não abrindo novas pistas de investigação ou não promovendo novas perspectivas sobre os temas clássicos. Os jovens investigadores franceses estão, por seu turno, mais entusiasmados, tanto mais que se encontram distantes do militantismo que entravava o reconhecimento dos seus predecessores. Nesse sentido, o seu principal desafio é dar ao género um estatuto teórico nas ciências sociais despido de ideologia.

(Tradução para português do artigo de Sandrine Teixido, publicado no hors-série nº 4 ( Septembre-Octobre 2005)da revista francesa Sciences Humaines)

Breve glossário:

Género = de origem anglo-saxónica (gender) o termo começou por ser usado nas ciências médicas, a psicologia e a sociologia, e só depois pela história das mulheres a partir dos anos 1980. Em França preferiu-se durante muito tempo empregar expressões como «sexo social» ou «diferença social dos sexos» para se referir à mesma realidade. O termo hoje já se generalizou e inscreve-se numa perspectiva construtivista e pela qual se analisam as diferenças entre homens e mulheres (desigualdades, hierarquias, dominação masculina, etc) como construções sociais e culturais, e não como resultado de diferenças naturais.


Feminismo diferencialista = ramo do movimento feminista que postula uma diferença da natureza entre o masculino e o feminino, pelo qual existiria uma «essência feminina» que decorreria dos caracteres femininos específicos e inatos ( condutas femininas, escrita feminina,…) e que justificaria as diferenças no tratamento entre os dois sexos. Apelidadas por vezes de «essencialistas» ) sobretudo pelos seus detractores) as feministas diferencialistas reivindicam a igualdade na diferença.

Feminismo Igualitarista = para as feministas igualitaristas, também conhecidas por «universalistas», todos os seres humanos são indivíduos iguais, independentemente das diferenças dos traços físicos como a cor da pele ou o sexo. As diferenças entre homens e mulheres são o resultado de relações de poder e de dominação. A subordinação da mulher é uma produção social e toda a afirmação da especificidade feminina arrisca-se a dar lugar a uma hierarquização. O sexo deve pois estar dissociado dos papéis sociais, políticos e simbólicos na sociedade.

Queer = o termo aparece nos Estados Unidos no período entre as duas grandes guerras para designar pejorativamente os homossexuais com um comportamento ostensivamente efeminado. Hoje, o termo designa uma teoria que coloca em causa toda a norma, quer ela seja de género ou de sexo. Para desmontar as identidades, os queers empenham-se a misturar todas as classificações: sexualidade hetero ou homossexual, gays, lésbicas, transsexuais, masculino-feminino,…a fim de insistir na plasticidade das relações sexo-género. A identidade não é mais uma essência mas antes uma perfomance, algo fluído, bizarro e inclassificável…

Gender studies = conjunto de estudos e pesquisas que analisa as diferenças de tratamento entre homens e mulheres em todos os domínios sociais e que gerou inúmeros estudos nas ciências sociais de carácter transdisciplinar. Posteriormente, tais trabalhos desmultiplicaram-se em outras tantas áreas de estudo como os «men’s sutides ( sobre a construção do masculino e da virilidade), os «gay and lesbian studies» ( sobre a sexualidade), e os «queer studies»


Women’s studies
= desenvolveram-se na década de 1960 nas universidades norte-americanas estreitamente ligados ao movimento feminista da época, e marcado por um acentuado feminismo «radical» que assumia um diferencialismo e que levava à separação entre os sexos.

Alguns nomes:


· Margaret Mead (1901-1978) – figura de proa do culturalismo antropológico norte-americano. Combate a noção do «eterno feminino». A partir dos seus estudos no terreno nas ilhas do Pacífico Margaret Mead defende o carácter cultural e construído das identidades de sexo, mostrando que em certas etnias a passividade e a sensibilidade são características masculinas.
· Simone de Beauvoir – publica em 1949 o livro «O Segundo Sexo» que se vai tornar na obra de referência na reflexão sobre o género. Analisa aí as modalidades sociológicas, psicológicas e económicas da hierarquia entre os sexos e mostra a universalidade da dominação dos homens sobre as mulheres, convidando as mulheres a usar da sua liberdade para escaparem ao papel de serva e mãe.
· Luce Irigaray – é a principal figura da contestação à psicanálise enquanto disciplina patriarcal, denunciando o imperialismo masculino da filosofia ocidental. Procura lançar uma nova ética nas relações sexuais.
· Michel Foucault – o filósofo francês constitui uma referência maior para os defensores da teoria queer ao mostrar o carácter construído da normatividade heterossexual e ao questionar as noções de género e sexo.
· Carol Gilligan – psicóloga diferencialista para a qual homens e mulheres tem funcionamentos psicológicos diferenciados. Interessa-se em especial pelas concepções da moral dos dois sexos: a mulher com uma «ética da solidão» (empatia, protecção e altruísmo) e o homem com uma «ética de justiça» (igualdade das pessoas, respeito do direito).
· Elisabeth Badinter – defende uma concepção igualitarista dos dois sexos. O amor maternal não teria nada de natural e instintivo. Cada sexo tem a sua dose de masculinidade e de feminilidade. As sociedades são cada vez mais andróginas. Ao mesmo tempo que se opôs a qualquer medida discriminatória para as mulheres, erigiu-se igualmente contra as tendências de vitimização de algumas feministas, reafirmando a sua completa rejeição de todo o diferencialismo.
· Joan Scott – Historiadora americana que, no encalço de Foucault e dos desconstrucionistas (conhecida pelo seu French feminism), propôs uma definição rigorosa da noção de género. Apresenta o post-estruturalismo como um instrumento para re-analisar os fenómenos históricos, sociais e culturais à luz dos discursos e das representações sobre a diferenças dos sexos.
· Judith Butler – Professora de literatura comparada em Berkeley, esta autora, juntamente com Eve Kosofsky Sedgwick, é a teorizadora do movimento queer. Opõe-se às feministas que definem as mulheres como um grupo com características comuns, o que reforçaria o modelo heterossexual e binário. Vê o género como uma variável fluida e susceptível de variar segundo o contexto e o momento. J. Butler convida a uma acção subversiva ( o chamado «gender trouble») que leve a uma confusão e à profusão de identidades. Para ela, a identidade de género pode ser reinventada sem cessar pelos próprios actores.
· Françoise Héritier – parte da constatação do carácter universal da dominação masculina, da hierarquia homem(mulher e daquilo que ela chama uma «valência diferencial dos sexos». Preconiza uma mudança para as mulheres a partir do controle destas sobre a sua fecundidade graças à contracepção.
· Pierre Bourdieu – dedicou-se a descrever em todas as obras as relações de dominação nas sociedades e a violência simbólica que daí resulta, mostrando como as mulheres integraram o «habitus» (comportamentos mais ou menos conscientes e modos de pensar) do sexo, ou seja, da sua própria dominação. A dominação masculina torna-se assim uma «construção social naturalizada» que, não obstante o movimento feminista, não se mostra pronto a desaparecer.

25.10.05

As pessoas sem sentimentos triunfam mais nos negócios


Os psicopatas funcionais, ou seja, aquelas pessoas que reprimem os seus sentimentos, são as que tomam as melhores decisões de investimento porque não experimentam emoções como o medo, segundo revela um estudo realizado por investigadores da Stanford Graduate School of Business.
O medo evita que as pessoas assumam certos riscos, mesmo os considerados lógicos. Além disso, a capacidade de controlar as emoções contribui – segundo o mesmo estudo – para um melhor desempenho dos negócios.
Muitos executivos e eminentes advogados partilham essas características, garante Antoine Bechara, professor de Neurologia da Universidade de Iowa, num comunicado publicado no site da Stanford Graduate School of Business. O estudo foi realizado pela Carnegie Mellon University e pela Universidade do Iowa.
Cada um dos participantes no estudo recebeu 20 dólares para apostar num jogo. No começo de cada partida deviam decidir se arriscavam um dólar ao lançar uma moeda ao ar e com uma vantagem de 2,50 dólares se acertassem. Ainda que pudessem negar a participar, a aposta financeira era grande uma vez que o rendimento potencial superava o risco de perda.
Os jogadores com danos cerebrais aderiam mais facilmente à aposta. Terminavam com três dólares a mais que os outros, e investiam 84% nas partidas face aos 58% dos outros, os quais deixavam que o receio e temor influenciasse as suas decisões.
Muitos dos investidores de sucesso podiam bem ser psicopatas funcionais porque não conhecem o medo ou conseguem eliminá-lo.

O estudo foi publicado na revista Psychological Science de Junho.

Veredicto do Tribunal Internacional de Opinião para Julgar a Dívida Externa

Consultar:
www.quiendebeaquien.org/castellano/eventos/tribunal/veredicto.htm

Em castelhano:

SENTENCIA

Tras la realización de las tres Vistas Preliminares de Córdoba, Salamanca y Barcelona, ayer, día 22 de octubre, se celebró en Madrid el “Tribunal Internacional de Opinión para juzgar las políticas de Deuda Externa” con la finalidad de enjuiciar la responsabilidad del gobierno español, las empresas transnacionales españolas y las instituciones financieras internacionales en relación con los daños causados por la llamada Deuda Externa en los pueblos del sur.
Esta deuda produce perjuicios desde una perspectiva estrictamente económica, empobreciendo a los pueblos; desde una perspectiva de deterioro del medio ambiente y entorno natural, cuyo daño se trasmite a las futuras generaciones; y desde una perspectiva que fractura la convivencia y la organización política, impidiendo un desarrollo democrático de los pueblos y dañando la sociedad con grave perjuicio y sufrimiento de los sectores menos favorecidos.


Sobre estos puntos versaron los debates, las exposiciones de los testigos, peritos, y los argumentos defensivos o justificativos y sobre los mismos, el Jurado ha emitido un veredicto, tras lo cual, este

TRIBUNAL INTERNACIONAL DE OPINIÓN PARA JUZGAR LA DEUDA EXTERNA

Formula, EN NOMBRE DE LOS PUEBLOS QUE SOPORTAN LA DEUDA EXTERNA y de todos los ciudadanos y ciudadanas solidarios con los mismos, esta SENTENCIA que declara probados los siguientes HECHOS:

1. Constatamos que el monto de la denominada “Deuda Externa” se ha ido acrecentando de forma vertiginosa en las últimas décadas y que supone un claro obstáculo para el desarrollo de una vida digna de los pueblos.

2. Constatamos que el pago de la Deuda Externa cobra diariamente la muerte de personas y es una de las mayores causas de la violencia estructural y de la violación sistemática de los Derechos Humanos de la mayor parte de la población mundial.

3. Constatamos que dicha deuda es ILEGITIMA ya que:
Está pagada con creces. Los interés son usureros Se concedió a gobiernos dictatoriales y corruptos sin consultar ni repercutir a sus poblaciones, ya que éstos se destinaron a proyectos improductivos, compra de armamento o se desviaron a cuentas personales en países del Norte y paraísos fiscales. Es utilizada como instrumento de saqueo permanente del Sur y como medio de presión para imponer políticas neoliberales que lo mantiene entrampado en un ciclo de dependencia y de más deuda.


4. Constatamos la existencia de una DEUDA del Norte CONTRAÍDA CON LOS PUEBLOS DEL SUR que es mucho más profunda y que abarca los valores, el desarrollo de las personas y las comunidades y que legitima los sistemas de dominación y sometimiento de los pueblos. El problema de la deuda es un problema de PODER y de injusta distribución de ese poder a escala mundial, nacional, comunitaria y muchas veces, familiar.

5. Constatamos que la deuda del Norte abarca la inmensa DEUDA HISTÓRICA, contraída tras más de quinientos años de saqueo y destrucción, avasallamiento político y cultural, esclavitud y sometimiento perpetuado hasta el presente por un sistema y ordenamiento mundial que ha institucionalizado la inequidad, el robo, la mentira y la impunidad.

6. Constatamos que los países del Norte han generado una DEUDA ECOLÓGICA la cual tiene importantes impactos sociales y medioambientales, impide la soberanía alimentaría, contamina el aire, el agua y el suelo, provoca enfermedades poniendo en peligro de forma grave la salud pública, y supone una transferencia de carga para las generaciones futuras, además de comprometer seriamente la supervivencia del planeta.

7. Constatamos asimismo una DEUDA SOCIAL por la violación sistemática de los DERECHOS HUMANOS incluyendo los derechos a la vida, al trabajo y un salario digno, la seguridad social, la educación, la salud, el acceso a los medios de subsistencia, la alimentación, agua potable, la vivienda, el derecho a no sufrir destierro, derechos al desarrollo y a la paz.

8. Constatamos la existencia de una DEUDA POLÍTICA de vasta dimensión ya que muchos países tienen usurpada sus derechos a la vida, a la soberanía y a la autodeterminación.

9. Constatamos una DEUDA CULTURAL por el trasvase de valores y perversión del lenguaje que convierte a los acreedores en supuestos deudores; el robo y el saqueo en interdependencia y globalización; la humillación y la auto-complacencia en ayuda y cooperación.

10. Constatamos que el gobierno español así como el Fondo Monetario Internacional y el Banco Mundial han participado en la comisión de actos internacionalmente ilícitos, dando apoyo a regímenes criminales, dictatoriales y autoritarios cuando están obligados por el derecho internacional a respetar y hacer respetar los derechos humanos.

11. Constatamos que el Gobierno español, así como la Unión Europea en su conjunto, pone serias trabas a la libre circulación de los trabajadores inmigrantes y viola el Convenio de Ginebra para refugiados, mientras imponen al Sur la libre circulación de capitales y mercancías, a través del FMI, la OMC, el BM y la OECD. La inmigración se produce por la causa de las desigualdades económicas entre los p aíses empobrecidos que tienen, sin embargo, que destinar gran parte de sus recursos al pago de la deuda externa. Así, se condena a buena parte de la población mundial a una situación sin salida. Ni en los países emisores de inmigrantes ni en los receptores encuentran una posibilidad para salir de las condiciones de extrema pobreza que afrontan.

12. Constatamos que el gobierno español ha aumentado la partida de los presupuestos generales del Estado destinada a los créditos FAD (Fondos de Ayuda al Desarrollo) en un 63,5% respecto al último año. Con ello, sigue utilizando mecanismos de supuesta “ayuda” que perpetúan la generación de Deuda Externa y sirven a la internacionalización de la economía española.

13. Constatamos que el gobierno español utiliza el gasto público y mecanismos públicos de apoyo a la exportación como la CESCE (Compañía Estatal de Seguros de Crédito a la Exportación) para impulsar actividades de empresas transnacionales españolas que comportan impactos ambientales, económicos y sociales muy negativos en los países destinatarios de la Inversión Extranjera Directa española. Así mismo constatamos la total pasividad e indiferencia del gobierno español ante casos de denuncias por la violación de los derechos humanos y procesos judiciales contra empresas transnacionales españolas tales como Repsol-YPF, Endesa, Union Fenosa, Iberdrola, Gas Natural, BBVA, Grupo Santander, La Caixa, Aguas de Barcelona, Abengoa, FCC, ACS-Dragados, etc.

14. Constatamos que de llevarse a cabo la cancelación de la Deuda Externa del gobierno español al ritmo establecido actualmente, el 4%, necesitaríamos 25 años para alcanzar la cancelación total.

Estos hechos expuestos en el Tribunal Internacional de Opinión para juzgar la Deuda Externa, constituyen una violación grave del Derecho Internacional y sus normas y cuerpos legales, tales como la Declaración Universal de los Derechos Humanos, el Convenio 169 de la Organización Internacional de Trabajo (OIT) sobre los pueblos indígenas y originarios, el Pacto Internacional de Derechos Económicos, Sociales y Culturales, el Pacto Internacional de Derechos Civiles y Políticos, el Derecho a la Autodeterminación de los Pueblos, así como de leyes y normas de carácter nacional e internacional, tales como el Convenio sobre Biodiversidad o el Protocolo de Kioto.

Por ello se condena al Gobierno español, a las instituciones financieras y comerciales internacionales así como a las empresas transnacionales españolas a:

1. Reconocer política y jurídicamente que las mujeres y hombres de los países del Sur son sujetos de derecho. Se debe garantizar satisfactoriamente los derechos de todas las víctimas de la globalización capitalista a la verdad, la justicia y la reparación integral.

2. Ejecutar las políticas necesarias para abolir la deuda externa. Prohibir cualquier política económica que tenga repercusiones negativas sobre otros países, y que ponga en peligro la vida de los ciudadanos o impida la satisfacción de sus necesidades básicas (soberanía alimentaría, educación, salud, vivienda digna, agua potable, soberanía cultural, etc.).

3. Instalar una moratoria, sin acumulación de intereses, en el cobro de la deuda de los 82 países del estado español con el fin de realizar Auditorias Públicas Integrales y participativas para determinar la ilegitimidad de la deuda exigida.

4. Abolir de forma inmediata e incondicional todas las deudas impagables e ilegítimas. Establecer un calendario de compromisos para adoptar un proceso que muestre la verdad y las responsabilidades políticas y judiciales de aquellas personas y/o instituciones que permitieron, fomentaron e hicieron uso de los créditos ilegítimos. Restituir los daños causados e indemnizar a las víctimas.

5. Reconocer la deuda ecológica adquirida con los países empobrecidos - lo que implica pedir públicamente perdón por los daños y perjuicios causados -, establecer mecanismos para su restitución y aplicar políticas que eviten su generación.
La prohibición de inversiones públicas y privadas en proyectos que no cumplan los estándares ambientales, laborales y sociales. La derogación de todas aquellas políticas que fomentan un modelo de producción, transporte y consumo, dependientes de la importación de energías no renovables o la utilización de espacios ambientales fuera de nuestro territorio.
La cancelación de todos los mecanismos de flexibilidad que permitan incumplir los compromisos adquiridos de reducción de emisiones de gases de efecto invernadero.


6. Establecer, en los ámbitos que proceda, reparaciones y responsabilidades judiciales, civiles o penales, por la generación de deudas ecológicas, sociales y políticas.
La creación de un fondo de compensación por los daños producidos a causa de la deuda ecológica adquirida por el gobierno español, sus instituciones públicas y las empresas privadas.


7. La eliminación de los créditos FAD (Fondo de Ayuda al Desarrollo) como instrumento de Ayuda Oficial al Desarrollo (AOD), el cierre de la CESCE (Compañía Española de Seguros de Crédito a la Exportación) y el cese inmediato de sus actividades, así como la no contabilización de la cancelación de la deuda como AOD.

8. La no utilización de los mecanismos públicos para generar nueva Deuda Externa o de apoyo a la exportación para impulsar actividades de empresas transnacionales españolas.

9. Ejecutar políticas efectivas para la prohibición del comercio armamentístico, así como la reducción radical del gasto público militar. Además del no apoyo a leyes que fomentan la impunidad y las violaciones de los derechos humanos.

10. La incorporación de los puntos expuestos anteriormente en la Ley reguladora del tratamiento de la deuda externa, actualmente en tramite en el Parlamento español, así como en los Presupuestos Generales del Estado.

11. Promover en el ámbito internacional el no reconocimiento tanto de la deuda externa multilateral como de la privada, y proceder al desmantelamiento de las instituciones internacionales, tales como el Banco Mundial, el Fondo Monetario Internacional y la Organización Mundial de Comercio.

12. Replantear completamente el concepto de deuda externa para que los países mal llamados deudores sean considerados acreedores y los países generadores de Deuda Ecológica, Social y Política, como el Estado español, sean considerados deudores.

13. Garantizar el derecho a la información y el derecho a informar de los ciudadanos mediante legislaciones que pongan fin a la concentración de medios y favorezcan a la prensa sin animo de lucro.

14. Encaminar todas las políticas públicas y privadas hacia una profunda transformación del sistema económico capitalista.

Ordenamos a todas las autoridades y funcionarios que cumplan y hagan cumplir la presente sentencia contra la que no cabe recurso alguno.

Y así lo declaramos y firmamos en Madrid, a 22 de octubre de 2005.

Firmado, los jueces:

Juana Calfunao (Lonko de la Comunidad Mapuche Juan Paillalef, Comisión Ética contra la Impunidad, Red de Defensores Comunitarios, Chile),
Itziar Ruiz Jiménez (Profesora de Relaciones Internacionales de la Universidad Autónoma de Madrid),
Carlos Berzosa (Rector de la Universidad Complutense de Madrid).
Félix Pantoja (Vocal del Consejo General del Poder Judicial).



El Jurado Popular ha fallo de forma unánime que los acusados son culpables de todos los delitos imputados y acusaciones realizadas por la campaña ¿Quién debe a quién?. Este jurado estuve compuesto por Rosa Regás (Directora de la Biblioteca Nacional), Carlos Taibo (Profesor de Ciencia Política en la UAM), Javier Ortiz (Periodista), César Carrillo (Expresidente del sindcato USO de Colombia, exiliado), Eunice Khanyssa Mabyeka (Jurista, Miembro de la Asociación de Estudios Africanos y Panafricanismo), Chini Rueda (Teóloga, Miembro de Católicas por el Derecho a Decidir y del colectivo Somos Iglesia), Gemma Tarafa (Activista contra la Deuda Externa, Observatorio de l a Deuda en la Globalización), Jorge Fonseca (Profesor de economía de la UCM) y Begoña Lalana Alonso (Abogada, miembro de la junta de la Asociación Libre de Abogados).

Guia do ceifeiro voluntário de OGMs ( ou transgénicos)


O guia indispensável para qualquer ceifeiro voluntário de OGMs já circula na net. Ele reúne uma série de truques e cuidados a ter para as acções de descontaminação dos campos semeados de OGMs.

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http://www.geneticsaction.org.uk)

17.10.05

Conferência de Imprensa ( texto de Harold Pinter)


Excertos da peça/sketch de Harold Pinter, Prémio Nobel da literatura de 2005 com o título original «Press Conference» e que, com a tradução de Pedro Marques, faz parte do volume «Conferências de Imprensa e Outras Aldrabices, editado em conjunto pelos Artistas Unidos e Livros Cotovia, na colecção «Livrinhos de Teatro», por altura da representação do espectáculo homónimo, estreado em Junho de 2005, e encenado por Jorge Silva Melo


CONFERÊNCIA DE IMPRENSA (excertos)

Imprensa – Senhor ministro, antes de ser Ministro da Cultura creio que o senhor foi chefe da Polícia Secreta.

Ministro – Correcto.

Imprensa – Vê alguma contradição entre estes dois papéis?

Ministro – Absolutamente nenhuma. Como chefe da Polícia Secreta tinha a responsabilidade, especificamente, de proteger e garantir a nossa herança cultural de forças cuja intenção é subvertê-la. Defendíamo-nos do verme. E ainda nos defendemos.

Imprensa – O verme?

Ministro – O verme

….

Imprensa - Qual era a natureza da cultura por si proposta?

Ministro – Uma cultura baseada no respeito e nas regras da lei.

Imprensa – Como é que vê o seu actual papel de Ministro da Cultura?

Ministro – o Ministro da Cultura apoia-se nos mesmos princípios que os guardiães da Segurança Nacional. Acreditamos numa compreensão saudável, musculada e terna da nossa herança cultural e das nossas obrigações culturais. Estas obrigações incluem naturalmente a lealdade ao mercado livre.

…..

Imprensa – E a divergência crítica?

Ministro – A divergência crítica é aceitável – se for deixada em casa. O meu conselho é o seguinte – deixem-na em casa. Guardem-na debaixo da cama. Ao lado do penico do mijo.
(Ele ri-se)
É lá que é o lugar dela.

….

Imprensa – Então vê o seu papel como Ministro da Cultura como vital e frutuoso?

Ministro – Imensamente frutuoso. Acreditamos na bondade inata do vosso Manel vulgar e da vossa Maria. É isto que procuramos proteger. Procuramos proteger a bondade essencial do vosso Manel vulgar e da vossa Maria vulgar. Vemos isso como uma obrigação moral. Estamos determinados a protegê-los da corrupção e da subversão com todos os meios que temos à nossa disposição.

(…)

16.10.05

Hoje é o Dia Mundial Anti Mc Donalds



Para informações sobre os problemas que a McDonald's pode causar, ver:

Harold Pinter, nobel anti-imperialista


«Os crimes dos Estados Unidos por todo o mundo têm sido sistemáticos, constantes, clínicos, desumanos e muito bem documentados, mas ninguém fala deles.»

«O facto é que o Sr. Bush e o seu gang sabem o que estão a fazer e Blair, a não ser que seja o idiota iludido que frequentemente parece ser, também sabe o que eles estão a fazer. Bush e companhia estão determinados, muito simplesmente, a controlar o mundo e os recursos do mundo. E estão-se nas tintas para o número de pessoas que matam pelo caminho.»

Declarações de Harold Pinter, prémio Nobel da Literatura de 2005

Mais de 2000 menores estão condenados a prisão perpétua nos Estados Unidos


Um relatório da Human Rights Watch (HRW) e da Amnistia Internacional revela que, pelo menos, 2.225 pessoas estão actualmente a cumprir prisão perpétua nas prisões dos Estados Unidos por delitos que cometera, quando ainda eram menores.
16 % dessas 2.225 pessoas tinham entre 13 e 15 anos quando cometeram o delito.
O título do estudo é: «O resto das suas vidas: prisão perpétua para crianças delinquentes nos Estados Unidos».

Preparação para um Dia Internacional contra as OGMs na Primavera de 2006

Consultar:
http://altercampagne.free.fr/


Realizar-se-á na Primavera do próximo ano (isto é, em 2006) uma iniciativa à escala internacional com o objectivo de informar a população e fazer frente comum aos OGMs, vulgo, transgénicos, produzidos a céu aberto e cujo destino é a alimentação. O dia ainda por marcar deverá recair num fim de semana entre os meses de Abril e Junho de 2006.

As pessoas e organizações que já mostraram interesse e aderiram à inciativa são as abaixo-indicadas. Estão também abertas as adesões para outras parcerias por todos os países, quer a nível individual quer de organizações.

Adesões:
Vandana Shiva (India),
Liliane Spendeler (Spain),
Tamara Dabie (Croatia),
Annick Ferauge (Belgium),
Astrid Konrad (Austria),
Badrul Alam (Bangladesh),
Gerald Miles (Wales),
Juan-Roy de Menditte (France),
Frederick Ablam Kouwo (Togo),
Bare Chamsdine (Afrique),
Arca Atay (Turkey),
Antonio Onorati (Italia),
Vincent Perrot (France),
Victor Nzuzi (Congo),
Marco Presutto (Italia),
Setsuko Yasuda (Japon),
Kenneth Richter (UK),
Arnaud Apoteker (France),
Ignacio Chapela (USA-California),
Brian Tokar (USA-Vermont),
Michel Dupont (France),
Wytze de Lange (Netherlands),
Jadwiga Lopata (Poland),
Arpad Pusztai (Hungary),
Guy Kastler (France).

Que são representantes das seguintes organizações ou colectivos:

Navdanya,
Friends of the Earth,
Makronova Institute,
Bangladesh Krishok Federation,
Collectif d’Action GénEthique,
GM Free Cymru,
Attac,
Consumers International,
Crocevia,
"No to GMOsPlatform",
Vision21,
Greenpeace,
Confédération Paysanne,
Fédération Nationale d’Agriculture Biologique,
Institute for Social Ecology,
XminY Solidarityfunds,
International Coalition to Protect the Polish Countryside,
Nature & Progrès.

Estudo prova-o: aquecimento global favorece furacões


Cientistas de uma universidade norte-americana encontraram novas provas da relação entre o aquecimento global, o aumento dos gases com efeito de estufa e os fenómenos metereológicos extremos registados nos últimos tempos.
Num artigo publicado pela revista Science, investigadores do Centro de Ciências Marinhas da Universidade da Califórnia afirmam que novas provas sugerem que existe uma ligação entre o aumento do dióxido de carbono (CO2) na atmsofera e o aquecimento global que causou fenómenos como os furacões Katrina e Rita – que em finais de Agosto e Setembro se abateram sobre a América Central e do México, causando centenas de mortes e enormes prejuízos.
«A relação entre o clima tropical e os gases com efeito de estufa é particularmente crucial porque as regiões tropicais recebem a maior proporção de luz solar, que actua como aquecedor do resto da Terra», explicou David Lea, um dos autores da investigação.
Segundo o estudo, a energia e a intensidade dos furacões têm relação esteita com a maior temperatura dos oceanos, que tem aumentado, em média, um grau centígrado por ano.

Fonte: JN

15.10.05

Estamos no bom caminho quando o Pimenta Negra incomoda os agentes do poder


A desmontagem dos esquemas com que o poder se serve para se reproduzir é, e deve ser, um dos objectivos de quem luta pela emancipação social e cultural do ser humano das teias com quem o oprimem.
Esse caminho de desocultamento não é fácil nem tarefa de dias. Exige lucidez, perseverança e clarividência para a sua realização, uma vez que a força da inércia , da ignorância e ingenuidade não são infelizmente coisa rara por estas paragens, como ainda é frequente a intoxicação psicológica produzida pelas estruturas e agentes dos interesses instalados toldar a vista e a inteligência de quem se esforça para a dignificação dos explorados e oprimidos.
Claro está que tudo isto não é novidade. Os estratagemas com que o poder se socorre são já antigos ( fala-se até da «segunda mais velha profissão do mundo»…), mas já o que é surpreendente é a inexperiência e ingenuidade de que dão mostram alguns espíritos, e que preferem continuar a assobiar para o lado.
Tudo isto vem a propósito da autêntica barragem de atoardas que o responsável deste website tem sido objecto desde que colocou o post sobre o novo director do SIS ( ver infra), dando mesmo a ideia que terá tocado numa «vaca sagrada» para certos círculos, mais que minados por uma rede de influências bem direccionada. O vespeiro que veio ao de cima só reforça a ideia que estamos no bom caminho na luta pela transparência e tratamento analítico dos mecanismos do poder sacralizado, qualquer que ele seja. De resto, não são mais que dois, os elementos a quem deve ser assacada mais que previsivelmente a autoria desta campanha de ataques pessoais, devidamente acolitados pelo coro de ingénuos de sempre.
Os famigerados pára-quedistas apareceram pouco tempo depois das manifestações no Porto realizadas a propósito da cimeira da OCSE há uns três atrás. O seu repentino aparecimento, ainda para mais num contexto cibernético, a oferecerem os seus préstimos técnicos despertaram desde logo a maior curiosidade, que veio a aumentar à medida que se interessavam por aspectos que só uma consciencialização teórica ou então uma prática radical poderiam suscitar interesse. O que não era obviamente o caso. De seguida, adoptaram o procedimento típico em situações similares que é o da colagem ao líder informal e a respectiva veneração. A falta crónica de jeito, a inconsistência e a leviandade que deram mostras revelaram à saciedade que não passavam de seres alienígenas num planeta que lhes era completamente estrangeiro. A sucessão de erros e incoerências fez o resto.
Assombrações como estes não são anormais, dadas as lógicas subjacentes ao mundo capitalista contemporâneo. Infelizmente temos que conviver com tais epifenómenos. O que não impede que estejamos atentos em relação a eles, e saibamos fazer a sua descodificação.
Este weblog, e o seu autor, nunca deixarão de lutar pela transparência e pela justiça social. Até podemos entender que os aparelhos estatais (ainda que questionemos a sua génese) tenham na sua lógica interna um princípio de defesa e prevenção contra riscos externos (o mesmo se passando com qualquer organização formal ou informal), mas já somos frontalmente contra o Estado de Excepção que nos querem impor.
Assim como nos mostramos claramente contra o cerceamento de direitos e liberdades e a domesticação do combate pela justiça e pela liberdade dos injustiçados.
Desgraçadamente, como se não fossem já suficientes os obstáculos com que se vão defrontando, os vários movimento sociais (sindicalista, ecologista, libertário, etc) ainda têm que se desembaraçar dos entraves colocados artificialmente no seu caminho.
Sem esquecer a ligeireza de uns quantos que, interpelando retoricamente o poder estatal, ainda acreditam na imaculada Virgem Maria.


Contacto:
PimentaNegra@hotmal.com

13.10.05

Harold Pinter ganha Nobel de Literatura de 2005


O dramaturgo britânico Harold Pinter é o Nobel de Literatura deste ano.
Pinter, que completou 75 anos recentemente, é autor de mais de 30 peças, e é considerado como o maior dramaturgo britânico vivo. Além das peças, Pinter também escreve poemas e prosa.
Morador de Londres e filho de uma costureira judia, Pinter também é conhecido pela sua participação em campanhas pela defesa dos direitos humanos.
Foi um crítico ferrenho das políticas públicas da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e do ex-presidente dos EUA Ronald Reagan.

Famoso por seu estilo livre, cheio de silêncios, o seu nome deu origem ao termo "Pinteresque" (Pinteresco).

Em entrevista à BBC em Fevereiro deste ano, Pinter disse que havia desistido de escrever peças de teatro e que se concentraria noutras formas de literatura, principalmente a poesia.
"As minhas energias estão indo em direcções diferentes, certamente para a poesia", disse. "Mas, também nos últimos anos eu fiz vários discursos políticos em vários lugares e cerimónias."
"Estou a usar muita energia, mais especificamente em situações políticas que, eu acho, são muito preocupantes do jeito que as coisas estão."

Em 2003, Pinter publicou um livro de poesia antiguerra, intitulado War (Guerra, em tradução livre). O livro, que critica a guerra no Iraque, recebeu o prémio Wilfred Owen, que leva esse nome em homenagem ao poeta que morreu na Primeira Guerra Mundial.
A peça mais recente de Pinter foi Remembrance of Things Past (Memória de Coisas Passadas, em tradução livre), publicada em 2000.

O Ecologismo dos pobres


Por Joan Martínez Alier ( autor do livro «El ecologismo de los pobres. Conflictos ambientales y lenguajes de valoracion», professsor catedrático do Dpto de Economia e História Económica da Universitat Autónoma de Barcelona e presidente da International Society of Ecological Economics)

A brutal e crescente exploração dos recursos naturais provocado pelo nosso modelo económico não só dá origem a um longa lista de problemas ambientais, como gera cada vez mais numerosos e gravíssimos sociais.

O livro « El Ecologismo de los pobres» adopta o ponto de vista da economia ecológica, ou seja, a perspectiva do metabolismo social. Quer isto dizer que devemos ver a economia como um sistema aberto à entrada cada vez maior de energia e materiais, e à saída de resíduos como o dióxido de carbono e outras formas de contaminação.
Regista-se a um aumento da dimensão física da economia. Não nos estamos a desmaterializar. Pelo contrário, a economia humana vai aumentando relativamente quer a espaços quer a recursos físicos. Por isso aumentam também os conflitos ecológico-ambientais. Ou seja, não só estamos a prejudicar as gerações futuras e a eliminar outras espécies que, às vezes, nem as conhecíamos, como se registam crescentes conflitos ambientais aqui e agira.
Constatamos, desde logo, que tem havido um deslocamento dos custos ambientais do Norte para o Sul. Os Estados Unidos importam mais que a metade do petróleo que gastam. Europa e Japão dependem fisicamente cada vez mais das importações. Ao fazermos os cálculos dos fluxos dos materiais observamos que a América Latina está a exportar seis vezes mais toneladas do que importa ( minerais, petróleo, carvão, soja…), enquanto a União Europeia funciona ao contrário: importamos quatro vezes mais toneladas do que exportamos. Isto leva à conclusão de que existe um comércio ecológico desigual.
A mesma desigualdade se verifica nas emissões de dióxido de carbono, causa principal da mudança climática. Um cidadão dos Estados Unidos emite 15 vezes mais que a média de um cidadão da Índia. No livro atrás referido pergunta-se: quem é que tem títulos sobre os aterros de carbono que os oceanos passaram a ser, sobre a nova vegetação e os solos? Quem é que é dono da atmosfera para nela depositar o dióxido de carbono? Sabe-se que o protocolo de Kioto é melhor que a política de Bush mas que não resolve esse enorme conflito ecológico-distributivo. Daí a reivindicação da dívida ecológica que o Norte tem para com o Sul pelo comércio ecologicamente desigual, pela mudança climática, pela biopirataria e pela exportação de resíduos tóxicos. A Dívida Ecológica pode ser expressa em dinheiro mas há aspectos morais que não são abrangidos por uma avaliação monetária.

Ecologismo Popular

Ainda que o peso da economia cresça e apesar de haver crescentes conflitos não há que ser pessimista. Há muitas experiências de resistência popular e indígena contra o avanço das actividades extractivas das empresas multinacionais. Estas resistências parecem ir contra o curso da história contemporânea, que é o constante triunfo do capitalismo e a expulsão de gente pobre. No entanto, as comunidades defendem-se. Muitas vezes, as mulheres estão á frente das lutas. No livro referem-se muitos casos de defesa dos manglares, como na costa equatoriana, onde os manglares desapareceram para dar lugar a camaroneiras e as populações que ali viviam, na apanha de conchas, foram pouco a pouco deslocadas. Os consumidores de camarões não sabem nem querem saber de onde vêm aquilo que comem. Mas os protestos locais contra as indústrias camaroneiras têm provocado centenas de mortes nos últimos anos por todo o mundo.
O mesmo se passa na indústria mineira. As comunidades defendem-se apelando para os direitos territoriais indígenas ao abrigo do convénio 169 da OIT, como hoje é feito na Guatemala, ou através de referendos organizados com pleno êxito em Tambogrande (Peru), em Esquel ( Argentina) contra as minas de ouro. Em países como a Indonésia e a índia as comunidades indígenas recorrem a acções e processos legais. Assistimos em muitos lugares do mundo ao surgimento de reclamações contra empresas ao abrigo da ATCA dos estados Unidos ( Alien Tort Claims Act, uma lei de 1789 que permite reclamar pelos procedimentos fraudulentos a agravos contra estrangeiros por parte das empresas norte-americanas), em geral, sem sucesso. Na Amazónia há comunidades que resistem contra as empresas petrolíferas como Texaco, Repsol e tantas outras.
O norte consome tanto, os ricos do mundo consomem tanto que os limites para a extracção de mercadorias e matérias-primas estão a esgotar-se. Por exemplo, a fronteira do petróleo já chegou ao Alaska e à Amazónia. Mas há resistência em todos os lugares. São conhecidas por ser o ecologismo popular ou Movimento de Justiça Ambiental.
Conhecem-se ainda casos históricos de resistência ainda antes do aparecimento do ecologismo. Assim na mina de cobre em Ashio no Japão há cem anos, ou em Huelva contra a contaminação causada pela empresa Rio Tinto, que culminou com uma enorme carnificina pelo Regiment de Pavia no dia 4 de Fevereiro de 1888. Um dia que bem poderia ser declarado do Ecologismo Popular.

Os passivos ambientais

A economia ecológica é uma crítica da economia convencional porque esta crê que o crescimento económico se pode dar indefinidamente, esquecendo-se, nas contas das empresas e dos governos, da natureza. Na contabilidade de ambos não se incluem os passivos ambientais.
A economia ecológica critica a maneira como se constrói a ciência económica e a sua contabilidade. O que propõe é que se devem considerar os aspectos biológicos, físicos, da química, e sociais. Ou seja, se a economia cresceu 3%, tudo bem, desde que se explique o que foi contaminado, o que aconteceu aos rios, aos bosques, à saúde das crianças, e todos os aspectos sociais e ecológicos. Isto não é apenas uma ideia académica. Despoletam protestos sociais quando a economia massacra a natureza. Por vezes, os afectados são as futuras gerações que não podem protestar porque ainda não nasceram, ou então, uma baleia que muito menos pode protestar. Mas outras vezes os desastres ecológicos afectam as pessoas no presente, que não deixam de protestar. Essas são as lutas pela justiça ambiental.
Há sítios onde se plantaram milhares de hectares de pinheiros a fim de capturar o dióxido de carbono europeu, como no projecto FACE no Equador, onde algumas comunidades começam a protestar, pois não comem pinheiros, nem nesses terrenos podem semear ou criar gado. O pinheiro absorve a água e caso haja incêndios o contrato obriga à sua replantação. Há também conflitos pesqueiros porque a pesca industrial acaba com a pesca artesanal. E não faltam conflitos nos transportes como é caso, por exemplo, do gasoduto de Unocal da Birmânia à Tailândia, ou das hidrovias, com o caso conhecido do Prestige. Casos actuais são os protestos na Catalunha contra a quarta cintura urbana ou por causa do túnel de Bracons.
Há quem não perceba o carácter estrutural destes protestos, quando no Sul nascem as commodity frontiers, os novos locais de extracção e de contaminação. Alguns crêem que se trata de protesto tipo «não no meu pátio» quando, na realidade, são manifestações do movimento internacional pela justiça ambiental. Há mesmo quem pensa que o ecologismo é um luxo dos ricos, e que só nos preocupamos com a natureza quando temos tudo em casa. A ideia do ecologismo popular recorda-nos que há pessoas a protestar porque o que está em causa é a própria sobrevivência.
Surgem também redes deste tipo de protestos. Por exemplo, a rede Oilwatch, nascida em 1995, nas experiências na Nigéria e no Equador. Redes onde se pede ajuda aos países do Norte, uma vez que as empresas são do Norte. Outra rede similar é a Sul-Sul, chamada «Mines, Minerals & People». È nos protestos e nas resistências que nascem as resistências. Estas não advém da cabeça de qualquer intelectual, nem muito menos de qualquer partido política que diga qual é a linha correcta.

Valores incomensuráveis

Na ecologia há diversas correntes. Há quem se diga radical, por exemplo, nos Estados Unidos, mas que não o é no plano social. Trata-se de uma corrente que se preocupa só com a natureza e não tanto com as pessoas. Lutavam, por exemplo, contra barragens em paisagens naturais a preservar que iriam ser assim destruídas. Lutam pela natureza, não pelas pessoas.
Em contraste, no Brasil há um movimento popular que se chama «atingidos pelas barragens». Na índia há uma intensa luta contra uma famosa barragem no rio Narmada, onde as pessoas protestam em defesa do rio mas também em defesa das pessoas. Porque se se vier a ser construída cerca de 40 ou 50.000 pessoas terão que ser deslocadas. Figura destacada é Medha Patkar que não pensa só na natureza, mas nas pessoas pobres que serão atingidas. São grupos indígenas que carecem daquele território para viver, porque sem ele morrerão de fome. Há ecologistas que só pensam na natureza, mas também há ecologistas que entendem que não se pode separar a natureza da sociedade.
Em todos estes conflitos, seja por causa da extracção ou do transporte de matérias primas, seja por causa de contaminações locais e regionais, desenvolvem-se várias linguagens. Assim podem ser que os poderes públicos e as empresas queiram impor uma linguagem económica, dizendo que se fará uma análise ampliada dos custos-benefícios, com todas as externalidades expressas em dinheiro, sem deixar de se realizar uma avaliação do respectivo impacte ambiental a fim de ver se se vai construir ou não uma barragem ou uma mina. Mas pode acontecer que os afectados, ainda que entendam essa linguagem económica, e ainda que possam receber alguma compensação financeira, desenvolvam uma linguagem existente nas suas culturas. Podem declarar, como o fizeram os U’Wa na Colômbia perante a Occidental Petroleum e depois à Repsol, que a terra e o subsolo eram sagrados e que «a cultura própria não tem preço»
Num conflito ambiental estão envolvidos valores muito distintos, ecológicos, culturais, de subsistência das populações, e também valores económicos. São valores que se expressam em diferentes escalas e não são comensuráveis. Como disse Machado: «todo o néscio/ confunde valor e preço».
Quem tem o poder de impor o método de resolução dos conflitos ambientais? As consultas populares, que apelam à democracia local, serão um método válido? Quanto vale a linguagem do sagrado? Valem os valores ecológicos se forem traduzidos em dinheiros, ou valem por si mesmos, nas suas próprias unidades de biomassa e biodiversidade? São questões que resultam da participação reflexiva nos conflitos ambientais em diversos locais do mundo. Daí a pergunta final: quem tem poder de simplificar a complexidade impondo uma determinada linguagem de valor?
O livro « El Ecologismo de los pobres» é um livro de Economia Ecológica., a qual explica o conflito entre economia e meio ambiente e questiona a solução que normalmente é dada para esse conflito através da «modernização ecológica» ou do «desenvolvimento sustentável». Por sua vez, a Ecologia Política estuda os conflitos ambientais e mostra que nesses conflitos, diferentes actores usam ou podem usar diferentes linguagens de valoração. Vemos assim como existem valores incomensuráveis e como o reducionismo económico é um mero exercício de poder.


Texto de Joan Martínez Alier publicado no nº45 de Outono de 2005 da revista em castelhano «Ecologista», editada pelos Ecologistas en Acción

12.10.05

Dia da Resistência Indígena ( 12 de Outubro)


A chegada de Colombo à América em 1492 continua envolta de polémica. Uns consideram-na como o início da «civilização» nestas terras. Mas para os povos índios tal facto representa o começo de uma guerra de extermínio sob as mais diversas formas de colonialismo. Não obstante, passados 500 anos muitos povos indígenas preservam ainda a sua cultura graças à resistência que oferecem à penetração do capitalismo nas suas terras.
Há algum tempo o parlamento do povo Aymara declarou o dia 12 de Outubro como «dia da desgraça» ao recordar os «cinco séculos em que as nossas liberdade têm sido subjugadas».
Outros povos indígenas ratificaram este sentimento ao declararem que o colonialismo não acabou com as legítimas aspirações à livre determinação dos povos, alguns deles milenares e com uma civilização e uma cultura cósmica.
Daí que nos últimos anos a data do 12 de Outubro se tenha convertido no símbolo da reconquista cultural e política dos povos indígenas.
A luta então desencadeada fez com que, por exemplo, nas celebrações do Quinto Centenário de 1992 a ideia do «descobrimento » da América tivesse que ser substituída por «encontro dos dois mundos».
Conseguiu-se mesmo dar maior visibilidade ao ponto de vista dos povos oprimidos e à sua reivindicação face ao domínio colonial.
As organizações indígenas qualificam de etnocídeo as invasões europeias e declaram «não terem sido conquistadas», apesar da brutal exploração, roubo de terras e despojo de autonomia e marginalização a que os seus povos foram sujeitos. Sem esquecer as estratégias de sobrevivência e de resistência dos povos indígenas, assim como das rebeliões que protagonizaram.
No dia 12 de Outubro de 1992 várias e multitudinárias manifestações em todo o continente americano marcaram um novo ciclo de lutas. Nesse dia em San Cristóbal de las Casas, vestidos com os seus trajes, e com corpos pintados, armados com arcos e flechas, cerca de 10 mil indígenas tomaram a cidade e derrubaram a estátua do conquistador Diego de Mazariegos, símbolo da opressão na região. Na sua Primeira Declaração da Selva Lacandona o Exército Zapatista de Libertação Nacional apelou à resistência indígena.
De norte a sul do continente os povos reivindicaram os seus direitos territoriais e agrários, defendendo os seus recursos naturais, terras, identidades culturais, línguas e autodeterminação.
Tudo isto levou a Organização das Nações Unidas a reconhecer a pluralidade cultural e étnica das sociedades e proclamou-se a Década dos Povos Indígenas ( 1995-2004)
Hoje em dia cada vez mais se questiona a humilhação infligida aos índios, bem como a ideia peregrina de que são um «obstáculo ao progresso»,«que são atrasados» e «incivilizados», preconceitos que teimam em subsistir, apesar de tudo.
Não poucas vezes exalta-se o esplendor do passado indígena ao mesmo tempo que se despreza e se marginalizam os indígenas vivos na actualidade, relegando-os para o domínio do puro folclore.
Por isso e por muito mais é que a data de 12 de Outubro é um dia para recordar a resistência indígena, e a sua luta pelo reconhecimento das suas identidades e formas de vida, dos seus territórios e recursos naturais. Do Chile ao Canadá, passando pela Bolívia, Equador, Brasil, Colômbia, América Central e México os índios levantam a sua voz para tomar nas suas mãos a história a que têm direito.

Adaptação de um texto de:
http://www.globalizate.org/jor101005.html


Reunião do Parlamento Indígena em Quito

Na terça feira ( dia 11 de Outubro) líderes e congressistas indígenas das Américas vão abrir a primeira sessão do Parlamento Indígena, em Quito. Nesta cidade equatoriana, vão debater uma posição sobre acordos firmados entre os diversos países.
O Parlamento Indígena, que será aberto nas vésperas da data em que se lembra a Conquista Europeia, 12 de Outubro, tratará de temas como a integração regional e também as negociações de livre comércio com os Estados Unidos. Os participantes adoptarão uma só posição e vão pedir a inclusão do Parlamento Indígena na Comunidade Sul-Americana das Nações. Vão discutir ainda estratégias para evitar a exclusão em que vivem há 500 anos. Outro tema de debate entre os deputados será a Alternativa Bolivariana para as Américas, Alba, e a possibilidade de que os indígenas endossem a iniciativa do presidente venezuelano Hugo Chavez. O Parlamento Indígena tem sua sede principal na Nicarágua e conta com representantes da Argentina, Bolívia, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Chile, Equador e Estados Unidos. E ainda El Salvador, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Venezuela.



11.10.05

Novo director do SIS foi sindicalista e é ambientalista

Segundo a última edição do jornal Tal e Qual, o provável novo director do SIS, recentemente nomeado e à espera de ser empossado pelo Governo Sócrates, exercia funções de porta-voz do Conselho Superior de Magistratura e de desembargador na Relação do Porto, é conhecido por ter sido um activo sindicalista da Associação Sindical dos Juízes até há bem pouco tempo. O mesmo jornal informa que a pessoa em causa, natural de Vinhais, é muito amiga do ambiente e do património natural ao ponto de estar a reconstruir um antigo moinho na sua terra natal. Aguarda-se agora ansiosamente por saber qual será o futuro procedimento dos oficiais de informação no que respeita aos Sindicatos e Associações Ambientalistas, tendo chegado ao conhecimento público que quer Sindicatos quer Associações ambientalistas foram observados e vigiados pelo SIS num passado não muito remoto.
De qualquer forma, esta nomeação não deve surpreender, conhecida como é a predilecção dos pupilos do futuro Director do SIS pelos Sindicatos e Associações de Defesa do Ambiente. Esta predilecção tem sido aliás motivo de enorme deleite e divertimento pelos observadores que não têm deixado de gracejar com a falta de vocação e jeito para sindicalista e ambientalista de muitos dos nossos oficiais de informações por mais esforços que façam, numa tentativa inglória da simularem ser aquilo que obviamente nunca serão.
Contam-se episódios singulares como certo indivíduo que se queria passar por libertário, ao mesmo tempo que colocava links para sites liberais, ou como daquela agente que ao fazer-se passar por feminista e antimilitarista não encontrou outra forma para ilustrar a sua «fé» que uma imagem de uma matrona militar !!!
Obviamente que há muitas mais anedotas… dos chamados «serviços de inteligência do Estado» !!!
Nota Final: no jornal Público de hoje escreve-se que a nomeação de um juiz para director do SIS é má vista em certos círculos uma vez que a formação legal e processualista dos magistrados não se coaduna bem com a actuação típica dos serviços de informação…
Ou seja, os serviços de informação não estão lá muito habituados a seguir os procedimentos legais…
Para bom entendedor,

Processo judicial contra o Primeiro-ministro dinamarquês por causa da ocupação no Iraque


Cidadãos dinamarqueses entregaram uma acção judicial contra o primeiro-ministro dinamarquês Anders Fogh Rasmussen com o fundamento deste ter violado a Constituição ao envolver a Dinamarca na guerra contra o Iraque.
A denúncia entregue, constituída por 74 páginas -informou um dos advogados, Bjoer Elmquist – pretende que o chefe do governo seja condenado enquanto representante do Estado pela decisão ilegal quer do governo quer do Parlamento de 21 de Março de 2003 em levar a cabo uma guerra de agressão contra o Iraque.
O governo liberal-conservador, aliado dos Estados Unidos, envolveu o país na guerra no Iraque em 2003, com o apoio do Partido do povo dinamarquês ( de extrema-direita) e, presentemente, ainda estão 530 soldados dinamarqueses em solo iraquiano.
Na petição invoca-se o artigo 19 da Constituição Dinamarquesa de 1953 que só autoriza um guerra defensiva contra um Estado estrangeiro ou num conflito legitimado pelas Nações Unidas. Refere-se ainda que a Dinamarca não foi atacada nem sequer qualquer um dos seus aliados na NATO o foi.
Além disso, invoca-se ainda o artigo 20 da Constituição que exige uma maioria qualificada de 5/6 do Parlamento para que seja aprovada a transferência de soberania da Dinamarca para uma organização internacional, o que não se verificou, quando é certo que o governo dinamarquês aceitou colocar as suas tropas sob o comando norte-americano.
O objectivo é fazer com que a justiça proclame que os deputados dinamarqueses não respeitaram a Constituição contrariando o juramento que tinham feito quando tomaram posse como parlamentares.

Fonte: AFP

Haverá 50 milhões de refugiados ambientais em 2010


A ONU calcula que dentro de cinco anos 50 milhões de pessoas vão ser consideradas refugiadas devido a problemas ambientais nas regiões onde vivem.
Um estudo da Universidade das Nações Unidas (UNU) estima que hoje em dia já existem tantos “refugiados ambientais” quantas pessoas que são forçadas a deixar as suas casas por causa de distúrbios políticos ou sociais.
Entre os problemas ambientais que criam refugiados estão o esgotamento do solo, a desertificação, as inundações e outros desastres naturais.
A UNU afirma que é preciso criar mecanismos para que estas pessoas recebam procteção adequada, e para tanto está na hora de criar uma definição legal para o conceito de refugiados ambientais.
Uma convenção adoptada pela ONU em 1951 sobre assunto define refugiados como uma pessoa que teme “ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas” e “se encontra fora do país de sua nacionalidade”.
“Nós precisamos definir o que queremos dizer com refugiados políticos, económicos e ambientais”, disse o reitor da UNU, Han van Ginkel, à BBC.
“Se definirmos o problema melhor, poderemos estar preparados para o nível de necessidades que precisam de ser supridas”, afirmou.
Outro problema é que, historicamente, as pessoas só são consideradas refugiadas caso tenham de deixar o país onde vivem.
Mas desastres como o furacão Katrina mostraram de forma clara que muita gente que tem de deixar suas casas por causas naturais com frequência permanece no país onde vive.
Fonte: BBC

Os deputados franceses vão proibir os sacos de plásticos a partir de 2010


Os deputados franceses adoptaram uma emenda ao projecto de lei sobre orientação agrícola que ira interditar a distribuição e comercialização em França dos sacos ou embalagens de plástico não biodegradáveis a partir de 1 de Janeiro de 2010.
A eliminação desses sacos de plástico é muito dispendiosa para as autarquias. Além disso, dois terços das poluições marítimas são provocadas por sacos de plástico que demoram vários anos a desaparecer. Esta resolução justifica-se até pelo facto de existir já sacos com materiais biodegradáveis

Fonte: AP

Os franceses são mais sensíveis às questões ambientais que os seus deputados


De acordo com uma sondagem os franceses em geral são mais sensíveis às questões ambientais que os deputados eleitos !!!
Segundo essa sondagem à questão de saber quem é que subscrevia a afirmação «para preservar o ambiente para as gerações futuras torna-se obrigatório desacelerar o nosso crescimento económico» só 45% dos franceses não a subscreviam, ao passo que face à mesma proposição 75% dos parlamentares franceses manifestaram a sua discordância.

Literaturas Piratas



O Festival das literaturas piratas está a realizar-se em Paris desde o dia 10 até ao próximo dia 17 de Outubro.

10.10.05

Dia Mundial Contra a Pena de Morte ( 10 de Outubro)

Neste dia – 10 de Outubro – homens e mulheres , associações e organizações mobilizam-se em todo o mundo contra a pena de porte e a favor da sua abolição.

A Coligação mundial contra a pena de morte lança um apelo à participação e para o envolvimento de todos quantos que lutam para este objectivo.

Mais info: http://www.worldcoalition.org/coalj...

Nota importante:

Enquanto George W. o Bush foi governador do Texas, de 1995 a 2000, a cadeira de execução desse Estado era sem dúvida a mais activo de todo o país, tendo sido executadas 152 pessoas, ou seja, mais de um prisioneiro em cada duas semanas.

Curt Goering curto,Diretor de Amnistia Internacional dos USA, escreveu:
" A pena de morte nos Estados Unidos é como uma lotaria. Existe maisem função da raça, da política, do dinheiro do que da gravidade do crime. (...) Actualmente são fundamentalmente quatro, os países que levam a cabo 90 por cento das execuções do mundo. China é, sem dúvida, o pior caso. Mas logo a seguir vem o Irão, a Arábia Saudita, e os Estados Unidos. Estes são os países que são responsáveis por 90 por cento das execuções à pena capital no mundo hoje ". ( in "American Voices of Dissent" by Gabriele Zamparini and Lorenzo Meccoli, Paradigm Publischers, 2005)

9.10.05

Sobre os jornalistas de hoje…

Por Raul Simões Pinto

Os grupos e os lobbies instalados castram os escribas, e limitam em grande parte a sua liberdade de expressão e os seus ideais políticos e filosóficos. Deste modo, são manipulados pelo poder e pelas chantagens dos patrões e assim reduzem quase toda a sua acção a vectores de lucro, trabalhos rápidos e efémeros, desprezando os velhos hábitos dos jornalistas boémios e os valores de amizade, dos copos e das noites vadias no Ginjal, no Luso, no Big Bem, na Sá Reis, no Majestic, no Piolho, etc –locais de tertúlia e de gozo, ambientes de critica, fugas à censura e fintas à polícia política.. Actualmente são poucos os que se juntam para reflectirem e animarem a classe «dos jornalistas e homens das letras»; as éticas e as deontologias apreendidas nas Escolas e Universidades, foram rapidamente esquecidas e deram lugar às «notícias-sensação», lutando-se pelo furo jornalístico e pela manutenção óssea do trabalho. Por vezes, o sangue derrama para protagonistas ferozes, e quanto mais se é filho da puta, mais se sobe na carreira e na hierarquia dos poderes. No caso concreto e em termos jornalísticos, fode-se o estagiário, «come-se a estagiária», roubam-se as ideias e os planos dos miúdos, censuram-lhes os artigos , obrigam-nos a censuras permanentes, dado que o ter trabalho no jornal, raio ou televisão, mesmo sem ser pago, significa muitas vezes a escravização física e intelectual dos mensageiros…Vingar nesta profissão só quase com ene padrinhos e cunhas, ou então, fodem-se os vizinhos, roubam-se cassetes, paga-se aos «bufos» dos ministérios ou dos clubes de futebol, e entra-se no jogo sujo da corrupção sem escrúpulos, sem privacidades e sem sigilo profissional ou segredos de justiça – enfim vale tudo, até arrancar os olhos e o sangue das notícias. Generaliza-se a mentira, inventam-se novas mentiras e novos factos monstruosos, mas em que não existem provas concretas e factuais, só puras especulações e alguma ficção, digamos, científica. Manipulação sistemática, alienação permanente ao Zé povinho, anestesiado pela injecção atrás da orelha, esquisito e dobrado sob o peso da ditadura dos Media e do Espectáculo ( o futebol, as telenovelas e as Quintas das Celebridades torna-os otários e teledependentes, fiéis ao pastor e ao rei), assim se vai dominando o Zé Povinho, dando-lhe pão e circo, tornando-os subsídio-dependente, amarrando-lhe a cabeça ao estômago…


Excerto de um texto com o título « Palhaços e assassinos dançam a ronda no pinhal do rei», cujo autor é Raul Simões Pinto, publicado no nº2 da «A Voz de Deus», publicação contracultural

Acabou de sair o nº2 da «A Voz de Deus», desta vez dedicado ao tema «O sangue dos Jornalistas».

Colaboram neste segundo número: Helena Brandão, Mário Galego, Ivar Corceiro, José Manuel Rosendo, Fernando Morais, Nuno Rebocho, Virgilio Liquito, Mário Augusto, Jorge Mantas, Nunes Zarelleci, Óscar, Fernando Guerreiro, Raul Simões Pinto, Rui Carlos Souto e Pedro Moura. Arranjo Gráfico: Mão Pesada.


«A Voz de Deus» é uma publicação das Edições Mortas e da livraria «A Pulga, a minha querida livraria».

Podem encontrar esta ( e outras) publicações na Livraria «A Pulga» (entre as 15 e as 19 h.), no Parque Itália, loja 70, na Rua Júlio Dinis 752 ( perto da Rotunda da Boavista) ou então contactar para o tlm 91 422 30 65

Mais info:
www.edicoes-mortas.blogspot.com

8.10.05

Um livro (Kill! Kill! Kill!) de um ex-marine fala de genocídio sobre os iraquianos.



O livro do ex-marine Jimmy Massey com o sugestivo título «Kill!Kill!Kill!» acabou de ser editado em França pelo facto do seu autor não encontrar editor interessado nos Estados Unidos em publicar a sua obra que constitui um autêntico libelo contra a brutalidade das forças armadas norte-americanas que ocupam o Afeganistão e o Iraque.

O livro denuncia o tipo de treino militar das tropas norte-americanas que leva ao embrutecimento dos soldados e ao seu comportamento sanguinário no Iraque, e que explica, aliás, segundo Massey a força da resistência iraquiana.No seu livro ele conta que a sua e outras unidades de marines mataram muitos iraquianos por causa de um exagerado sentimento de ameaça que lhes foi incutido, alimentando ainda determinadas experiências-tipo de carácter sexual ao levarem a efeito esse tipo de procedimento agressivo. A explicação para o facto de não ter encontrado editor nos Estados Unidos para o seu livro foi que as editoras norte-americanas receavam pelos seus interesses comerciais e pela imagem que a opinião pública poderia ficar das suas tropas e do seu comportamento vergonhoso durante a invasão e ocupação do Iraque e Afeganistão. dec
Massey saiu do Iraque em Maio de 2003 quando o Presidente Bush declarou a «missão terminada» e depois de lhe ter sido diagnosticada o síndroma de stress-pós-traumático, após ter servido 12 anos nas forças de fuzileiros do exército americano.
Conta, por exemplo, que o seu grupo de Marines, quando as tropas norte-americanas se aproximavam de Bagdad, disparou contra uma aglomeração de iraquianos que se tinham aproximado a protestar e gritar palavras de ordem contra a invasão norte-americana do Iraque, verificando mais tarde que todos eles estavam desarmados. Conta ainda vários episódios de carros que não paravam nos checkpoints por várias razões, e cujos viajantes desarmados foram simplesmente mortos, sem nunca terem oferecido resistência.Numa passagem do livro ele qualifica a campanha militar do exército norte-americano no Iraque como um verdadeiro genocídio, sendo as suas finalidades tão-só o petróleo e os respectivos lucros que daí possam advir.
Massey não hesita em considerar que a brutalidade e violência demonstrada pelos soldados norte-americanos resulta do tipo de treino que recebem, e que é estimulada pelos mais altos responsáveis da hierarquia militar. Os abusos e as torturas na prisão de Abu Ghraib não são mais do que um simples reflexo de todo a mentalização que é servida aos militares norte-americanos durante a sua preparação. «Em última análise, é a administração Bush que é responsável pelas atrocidades cometidas face à mentalização instilada nos soldados», declarou Massey. Acrescentado que as instruções recebidas eram de que qualquer um podia ser um potencial terrorista - «everyone as a potential terrorist» - o que colocou em pânico os militares e explica a sua reacção de enorme violência..
Depois de França, o livro será editado proximamente em Espanha. A sua edição em língua inglesa ainda não tem data marcada.

Os norte-americanos gastam mais tempo na TV, na Net e ao telemóvel do que a dormir


Os norte-americanos gastam mais tempo a ver Tv, a falar ao telefone e a navegar na Net do que a dormir, segundo um estudo da Universidade Ball State, do Estado do Indiana e no qual se contabilizava um total de 9 horas que o americano médio ocupa para aquelas três actividades diárias.As conclusões foram tiradas depois de uma observação dos hábitos de 400 pessoas e em que os investigadores gastaram cerca de 5 mil horas.Ver a televisão é de longe a actividade que mais ocupa o tempo diário. Logo a seguir aparece o computador. 56,9% utilizam os meios de comunicação em casa, enquanto 21,1% o fazem no trabalho, 8,3%, no carro, e 13,7%, em outros lugares.
Uma pesquisa sociológica anterior já tinha concluído no mesmo sentido. Ou seja, que as pessoas vêem mais TV hoje que há 10 anos atrás.

Fonte: BBC

Ciclistas desafiam a polícia


Mais de cem ciclistas desafiarão uma ordem policial e irão com as bicicletas deles/delas circular à volta de Westminster apesar das restrições novas na área.
O passeio mensal de bicicletada Critical Mass realizar-se-á sem autorização policial, uma vez que desde a última bicicletada do passado mês os ciclistas foram informados que o evento teria de ser notificado e legalmente autorizado com uma antecedência de seis dias.

Entretanto, numa carta para a polícia, Jenny Jones, um elemento da Autoridade policial Metropolitana e conselheiro de segurança de estrada do prefeito de Londres, escreve: " A polícia deve perseguir os criminosos, em lugar de fazer executar leis estúpidas."

Fonte: The Guardian de 7 de Outubro
http://www.guardian.co.uk/uk_news/story/0,3604,1586675,00.html

Cyclists to defy police in pedal power revolt
Up to a hundred cyclists will defy a police order and ride their bikes around Westminster to highlight new public order restrictions.
Scotland Yard has been warned that the monthly Critical Mass bike ride will go ahead without police permission.
After last month's ride, the Met warned cyclists the event will be illegal without six days' notice and permission.
In a letter to the police Jenny Jones, a member of the Metropolitan police authority and road safety adviser to the mayor of London, said: "The police should be catching criminals, rather than making up stupid laws."

Greve Geral paralisou a Bélgica e grandes manifestações em França


Uma greve geral de trabalhadores na Bélgica parou grande parte do país, afectando os transportes, as escolas e os serviços públicos.
A greve geral de um dia, a primeira desde 1993, foi organizada pelo sindicato socialista belga FGTB/ABVV, em protesto contra planos do governo de retirar o direito de os trabalhadores se aposentarem cedo com a totalidade de seus benefícios.

Na última terça-feira (4 de Outubro), uma greve geral na França causou uma situação parecida no país.
Um milhão de trabalhadores franceses aderiram à acção, segundo os organizadores, para protestar contra a política económica do governo, reivindicar acções para diminuir o desemprego e lutar por melhorias salariais.

7.10.05

Indignação face à atribuição do Nobel da Paz de 2005


A atribuição do prémio Nobel da paz de 2005 à Agência Internacional para a energia atómica (AIEA) deve merecer a maior indignação e repúdio por parte de todos os activistas anti-nucleraes. Na realidade:

- a AIEA manipula a opinião pública pretendendo passar a ideia que as suas inspecções visam impedir a extensão e proliferação das armas atómicas, quando na verdade países como a Índia, o Paquistão e Israel já se dotaram de armas nucleares e entraram no restrito clube dos detentores de armas atómicas
- a AIEA é uma organização que promove o nuclear na versão «civil» e que mais não faz que tentar vender as vantagens da energia nuclear
- a AIEA oculta a verdade sobre os efeitos do nuclear civil e das suas consequências

Por estas e muitas razões é que a AIEA devia ser desmantelada, e não receber qualquer prémio e muito menos um Prémio Nobel!!!

O exército norte-americano está a abastecer-se de anthrax


O Exército norte-americano está em vias de adquirir grandes quantidades de anthrax, o que constituiria uma violação da Convenção sobre a interdição de produção e armazenamento de armas bacteriológicas.
Edward Hammond, que é o director da ONG Sunshine Project que descobriu e denunciou a existência de contratos entre a US Army Dugway Proving Ground no Utah e as empresas capazes de produzir anthrax ou bacilo de carvão, receia que a aquisição deste produto tenha por objectivo disseminá-lo por bombas que o transportariam.

Fontes:
New Scientist, 24 septembre 2005
http://fr.news.yahoo.com/06102005/185/l-armee-americaine-fait-le-plein-d-anthrax.html

Detectados 63 produtos químicos no sangue, num estudo às famílias europeias


63 produtos químicos foram detectados nas recolhas de sangue de uma amostra de 13 famílias europeias, anunciou a WWF ( Fundo mundial para a Natureza).
Esta foi conclusão a que se chegou num estudo em que se procurava a presença no sangue de 107 produtos numa amostra de 13 famílias distribuídas pelos vários países da União Europeia. O estudo incidiu sobre 3 gerações dessas famílias.

Outra conclusão é a seguinte: a geração dos avôs(avós é a mais contaminada com uma média de 63 produtos químicos no sangue. A razão é que tais pessoas foram anteriormente expostas a produtos, cujo uso é hoje interdito nos países desenvolvidos. Aparecem depois as crianças mais jovens em cujo sangue foram encontrados 59 produtos, e por último surgem as respectivas mães em cuja sangue detectaram 49 substâncias químicas.
Os produtos químicos investigados, muitos dos quais se acumulam no organismo durante toda a vida, são suspeitos de ter efeitos cancerígenos e de afectar o funcionamento do aparelho de reprodução. Mas não há certezas absolutas, uma vez que em 100.000 produtos químicos à venda no mercado, apenas 3.000 foram estudados. Recorde-se, no entanto, que num relatório sobre a relação saúde-ambiente publicado em França no ano passado calcula-se que 7 a 20% dos cancros são imputáveis a factores ambientais.
O estudo realizado pela WWF insere-se na sua campanha contra os produtos tóxicos, lançada em 2003. A WWF empreendeu esta campanha para eliminar os produtos mais perigosos como o DDT, os PCBs ou as dioxinas., neutralizando a tempo os efeitos nocivos para as futuras gerações e a ameaça que o descontrole químico representa para a biodiversidade, especialmente os produtos químicos que produzem efeitos a nível endócrino, da bioacumulação e persistência no meio.
No ano passado a associação tinha publicado os resultados das análises ao sangue efectuadas a 39 deputados europeus e a 14 ministros da saúde. O objectivo é fazer com que seja adoptada uma regulamentação mais exigente e rigorosa sobre a matéria. Note-se que o projecto REACH sobre o registo, avaliação e autorização dos produtos químicos deve ser submetido ao Parlamento Europeu no próximo dia 14 de Novembro.

6.10.05

Festival das Artes pela Biodiversidade (Terractiva) em Arzúa (Galiza)

O Festival das Artes pola Biodiversidade, Terr@ctiva, festival artístico e medioambiental volta a Galicia o 15 e 16 de outubro.
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Feira ecolóxica, música, formación, exposicións, conferencias, documentais, e moito máis, en loita pola defensa do mediambiente e a biodiversidade.
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Os días 15 e 16 de Outubro, na vila de Arzúa (A Coruña), ecoloxía, arte e cultura danse cita no Terr@ctiva.
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A defensa e promoción dunha conciencia comprometida co noso planeta voltan a ser, un ano máis, unha aposta firme do festival gracias ao apoio da Deputación da Coruña, o Concello de Arzúa e á entidade xestora do festival, Coper@ctiva Cultural, que impulsou dende o seu nacemento este proxecto de carácter multidisciplinar e multixeracional orientado a acadar o cambio necesario nos valores da sociedade para garantir o futuro da humanidade.
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O recinto ferial de Arzúa acollerá por segundo ano consecutivo os stands da feira ecolóxica Feir@ctiva.
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O Mercado Verde, proposta de carácter activo e dinámico, reunirá nun espacio único productos ecolóxicos, terapias alternativas, artesanía e colectivos sociais. Durante dous días, ofrécese aos diversos expositores, un marco incomparable onde mostrar, expoñer e/ou vender os seus productos, ideas e proxectos.
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A música tamén terá protagonismo no Terr@ctiva. A noite do sábado 15 de outubro, celebrarase o Festival Musical Galeuzca, un festival de claro compromiso coas tendencias musicais máis representativas de Galicia, Euzkadi e Catalunya, que recolle parte da riqueza cultural da península para transmitir un valor imprescindible para o futuro da humanidade: a diversidade.
No concerto actuarán Kepa Junkera, desde Euzkadi e a Matraca Perversa, desde Galicia, entre outros.
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Nesta terceira Edición do Festival, o público contará cunha oportunidade única para a aprendizaxe en materia ecolóxica, medioambiental e de mediciña alternativa. Os diversos cursos e obradoiros, que se desenrolarán durante o festival, tratarán de cubrir o baleiro existente na oferta formativa de disciplinas como a risoterapia ou a Dinamización Medioambiental.E para os mais pequenos, durante toda a fin de semana a Ludoteca funcionará para dar un ocio lúdico e alternativo, con contidos medioambientais. Conferencias, exposicións, documentais e outras actividades lúdicas, completan o amplo e variado programa de Terr@ctiva.Durante a fin de semana do 15 e 16 de outubro, a ecoloxía, a cultura, e a diversión convértense na excusa perfecta para o encontro entre expositores e visitantes en Arzúa.
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Mais info:

Lançamento do nº 2 da Voz de Deus, revista contracultural

Festa de lançamento do nº2 da Voz de Deus, revista contracultural (dia 8 às 17h.)


Vai realizar-se no próximo dia 8 ( Sábado) às 17 horas a festa de lançamento do nº 2 da revista contracultural «A Voz de Deus» na livraria «A Pulga» situada no Centro Comercial Itália, na Rua Júlio Dinis ( perto da Rotunda da Boavista) promovida pelas Edições Mortas.
A ocasião serve também para comemorar um ano de existência da «A Pulga, a minha querida livraria», um projecto de edição e distribuição de literatura marginal e de imprensa alternativa

VOZ DE DEUS, uma publicação Edições Mortas e Pulga. Colaboram neste segundo número: Helena Brandão, Mário Galego, Ivar Corceiro, José Manuel Rosendo, Fernando Morais, Nuno Rebocho, Virgilio Liquito, Mário Augusto, Jorge Mantas, Nunes Zarelleci, Óscar, Fernando Guerreiro, Raul Simões Pinto, Rui Carlos Souto e Pedro Moura. Arranjo Gráfico: Mão Pesada. Depósito Legal: 212 004 04. Pedidos: 91 422 30 65;
Info@edicoes-mortas. com;


http://edicoes-mortas.blogspot.com/

2.10.05

A pintura da Frida Kahlo vai estar exposta na Galiza



A maior exposição da artista mexicana Frida Kalho (1907-1954) vai abrir no próximo dia 28 de Outubro e estará patente até Janeiro do próximo ano. Vão estar expostas 27 obras pictóricas, 48 fotos e alguns objectos pessoais.
A artista, nascida a 6 de Julho de 1907, mostrou desde sempre um temperamento rebelde, independente e insubmisso, contradizendo todas as tradições femininas da época, mas ser nunca se afastar da cultura mexicana.
Uma ocasião única, pois, para portugueses, galegos e castelhanos observarem de perto a sua magnífica obra
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Os Estados Unidos são o único país do mundo em que…


Os Estados Unidos são o único país do mundo em que:

-os habitantes disparam sobre os helicópteros de socorro,

- os agentes da polícia sacam das suas pistolas quando alguém lhes pede ajuda,

-elevam o nível de segurança quando alguém é mais insistente

- os habitantes das cidades, que recolhem refugiados, correm às lojas de armamento para se municiarem e comparem fuzis de assalto por temor dos desgraçados sem dinheiro.

Depois há ainda que assinalar que:

Os americanos são muito mais eficazes no que toca ao uso de armas de destruição maciça ( atirar, e só depois pensar) do que prestar socorro aos infelizes dos seus compatriotas, vítimas de uma simples calamidade natural


Citação para reflexão:

«O sonho americano valoriza mais o progresso material individual, e não se preocupa tanto com o bem-estar geral, tudo isto num mundo em que os riscos, a diversidade e a interdependência não param de aumentar» ( Jeremy Rifkin)

1.10.05

Bio-carburante e autogestão


Chegou o momento para construirmos um outro futuro. Um futuro sem exploração nem dominação. Um futuro sem petróleo que começa com a produção do bio-carburante.

É chegada a hora de apropriarmo-nos da produção energética de uma energia renovável.
E impedir que as empresas petrolíferas se apropriem de novo do nosso destino.
Evitar que as nossas vidas sejam roubadas, e o nosso ar seja poluído, que as guerras dizimem os povos e roubem as suas riquezas.

Conhecemos bem demais os efeitos perversos destas lógicas industriais: objectivos puramente comerciais, desfasamento com os interesses das populações locais, procura de lucros imediatos…

Contra esta lógica vertical reivindicamos um funcionamento horizontal que promova a implicação do maior número de actores locais a partir da proliferação de pequenas unidades de produção e de reciclagem do óleo vegetal.
Defendamos o desenvolvimento do óleo vegetal como carburante, numa escala artesanal e que tenha o máximo de repercussões positivas tanto a nível de eficácia energética como ecológica.


Autonomia, Solidariedade, Autogestão…enfim, um outro Futuro

Hoje, o trabalho que nos é imposto, e que muitos reclamam para a sua sobrevivência, não tem outro valor que não seja o do dinheiro, algo abstracto e tentacular.
Ora é necessário sair deste género de trabalho que nada nos lembra e que nos rouba o tempo, para além de gerar a guerra, a miséria, condenando a nossa liberdade e a existência do nosso planeta. Precisamos de apropriar do nosso trabalho e utilizá-lo para produzir o que temos necessidade, no respeito pelo nosso ambiente. Precisamos de sair deste circuito fechado ( casa, carro, trabalho) e desta equação tirânica produção-retribuição-consumo, sair do sexismo que nela está implicado, sair do regime do salariato e libertamo-nos da subordinação aos empregadores.
Para isso criemos então uma rede que permita apropriarmo-nos da produção do nosso carburante num circuito que envolva agricultores, trabalhadores, recicladores numa lógica solidária e autogestionária.

Façamos em comum a energia de amanhã.

A Igreja do Santo Consumo


Meus irmãos e irmãs consumidores:

Posso anunciar-vos com júbilo que o vosso calvário terminou.

Desde há milénios que as religiões turvam a vista dos homens ao prometer um paraíso depois da morte. Mas a nossa Igreja é diferente. O paraíso por que todos almejamos – e que brilhantemente a nossa Igreja anuncia - está aqui, perto de nós, nos super e hipermercados, muito próximo de nós e aberto todos os dias.

Porque em verdade vos digo: a verdadeira Resposta, que tranquilizará a vossa alma e a alvoroçará a vossa carteira, a Resposta que eliminará as vossas dúvidas e os vossos medos, a Resposta que preencherá toda a vossa vida, do nascimento à morte, essa Resposta – meus Irmãos – é o Crescimento Económico Eterno.

É para isso que a Igreja do Santo Consumo existe: para vos ajudar e para nos ajudar a expandir a palavra da felicidade graças ao Santo Consumo.

Oremos juntos à Santíssima Trindade – Trabalho, Crescimento e Consumo – pois é graças a ela que alcançaremos a felicidade.

Celebrai o Santo Consumo através das vossas próprias orações diante dos muitos Templos urbanos, construídos em sua honra, e passai a Palavra santa.

Uma notícia infeliz nos chegou recentemente:
O Reverendo Paulo, membro da nossa Igreja desde a sua criação, foi acusado judicialmente quando tentava comprar o seu segundo 4x4 como todo o bom Consumidor deve proceder, preocupado como estava com a saúde económica do planeta. Temos pois de ir em seu auxílio.
Apelo a todos os Irmãos para enviar um cheque, bem nutrido, para o nosso Reverendo. A injustiça de que ele está a ser vítima não demorará muito a ser reparada para a glória do nosso Santo Consumo e da sua Igreja.


(aditamento suplementar: acabamos de saber que o Reverendo partiu para parte incerta.)




Nota de esclarecimento:

A Igreja do Santo Consumo é um culto mundial que preconiza a felicidade humana através do acto de consumo: consome para seres feliz.
Tudo o resto pouca importância tem.

As suas orações são normalmente dirigidas à Publicidade, ao Automóvel, ao Dinheiro, ao Crescimento Económico Infinito, e ao Santo Consumo

Para fazer parte da Igreja do Santo Consumo basta ter cartão de crédito, correr a um centro comercial mais próximo e comprar tudo o que vos apetecer. Os nossos estudos mostram que há 99,42% de possibilidades de tu seres já um dos nossos prosélitos.

Os poucos que se recusam em fazer parte da nossa Igreja são os heréticos, malditos livres-pensadores, refractários à felicidade pregada pela nossa santa Igreja do Consumo, para os quais o sentido da vida não está nas majestosas catedrais do Santo Consumo como são os ululantes shoppings, mas algures nos efémeros momentos de prazer de um pôr de sol, em escutar a água cristalina de uma ribeira ou, então, na cumplicidade de uma troca de olhares. Tudo coisas sem valor monetário e verdadeiras estranhas formas de heresia contemporânea




Os 10 Mandamentos da Igreja do Santo Consumo

1 - Não adorarás senão e unicamente o Consumo, a Publicidade eo Crescimento Económico
2 –Não produzirás nenhum produto nem coisa alguma enquanto não tenhas um bom plano de Marketing para os venderes.
3 – Repetirás quantas vezes te pedirem o santo nome das Empresas e das Marcas, porque a fé é instintiva e não deve merecer qualquer hesitação nem reflexão.
4 – Esquece o dia de descanso, e consome todos os dias
5 – Honra as festas e festejos, não deixando de gastar em prendas o teu salário do mês.
6 - Nunca cometerás acto algum que não tenha uma contrapartida financeira.
7 – Automóvel possuirás e periodicamente o trocarás
8 – Não roubarás jamais, pois a gratuitidade não pertence ao nosso mundo
9 – Do crédito viverás, e da poupança te livrarás
10- Os bens do teu vizinho invejarás, porque a inveja é o melhor alimento do Santo Consumo

Bosquímanos presos acabam de ganhar o Prémio Nobel Alternativo


O First People of the Kalahari, a organização de base dos bosquímanos gana e gwi do Bostswana que luta pelo direito do povo bosquímano regressar ao seu local ancestral, acabou de ganhar o Right Livelihood Award na Suécia, conhecido como o Prémio Nobel Alternativo na pessoa do seu dirigente Roy Sesana.
A justificação para o prémio foi para a «decidida resistência contra a expulsão das suas terras ancestrais e pela defesa ao seu modo e estilo de vida ancestral» por parte dos bosquímanos.
Este prémio coincide curiosamente com a prisão de 28 bosquímanos, incluindo os dirigentes da referida organização FPK que foram presos pela polícia que recorreu inclusivamente ao gás lacrimogéneo e a balas de borracha. O grupo preso estava em vias de tentar levar água e comida aos seus familiares que ainda se encontravam dentro da Reserva de Caça do Kalahari Central, e de onde a maioria dos bosquímanos foram expulsos.
Diz-se que as ricas jazidas de diamantes estão na origem da expulsão dos bosquímanos por parte do governo do Botswana.
Diga-se ainda que a empresa diamantífera De Beers, que gere todas as minas de diamantes do Botswana, é actualmente alvo de uma campanha de boicote mundial

Nota: Roy Sesana é o dirigente da FPK

Mais informações:
http://www.rightlivelihood.org/news/event05.htm

Fonte: Survival

Carter declara que Gore foi eleito presidente em 2000


Durante uma intervenção na American University de Washington o antigo presidente norte-americano Jimmy Carter declarou em resposta a uma questão colocada por um estudante que, na sua opinião, tinha sido Al Gore que tinha ganho as eleições presidenciais de 2000 tanto a nível geral como no Estado da Florida. Carter referiu-se a um disfuncionamento das instituições e a uma decisão parcial do Supremo Tribunal para explicar a conquista do poder presidencial por parte de Bush.
Este comentário segue-se a um relatório divulgado há 5 dias atrás em que Carter e Baker tinham apresentado propostas de alteração do sistema eleitoral dos Estados Unidos a fim de garantir a transparência e sinceridade dos escrutínios nas eleições norte-americanas

28.9.05

Aviso


Por motivos de força maior, de carácter pessoal, decidimos suspender temporariamente a actualização regular de textos e informações no http://Pimentanegra.blogspot.com
Agradecemos o apoio e incentivo que recebemos.
Prometemos regressar com a brevidade possível.
Mais determinados e com mais pimenta.
Obrigado por tudo.
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Nota 1: é possível que façamos algumas actualizações durante este interregno, cuja duração é indeterminada, mas só para manter o blog operacional.
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Nota 2: nunca esquecer que este é o mundo virtual, e que o mundo real é aquele onde vivemos e onde se desenvolvem as solidariedades, as resistências, as transformações sociais e individuais, as tristezas e alegrias da vida.
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Nota 3: quando estiverem reunidas as condições para o nosso regresso que, esperamos, seja tão breve quanto possível, comprometemo-nos a avisar pessoalmente por e-mail os nossos amigos que tiveram o gesto amigo e solidário de nos escrever até agora.Um abraço solidário.
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Contacto:
PimentaNegra@hotmail.com