7.6.05

Taxas ( e maior controle por satélite) sobre os carros


O governo britânico anunciou que está a estudar a imposição de taxas sobre a circulação automóvel para descongestionar o trânsito, medida benemérita se não se traduzisse por um reforço da vigilância totalitária sobre os movimentos dos cidadãos, uma vez que as taxas nas auto-estradas ( 2 euros/Km) e nas estradas ( 50 cêntimos/km) será feita com recurso a tecnologia de identificação dos veículos por satélite e ainda por via de micro-ondas.

Rio de Onor, aldeia dividida pela fronteira, tenta unir-se

O projecto para unir Rio de Onor ( em Portugal) e Riohonor de Castilha ( Estado espanhol) para a formação de uma única aldeia designada por aldeia europeia marca passo há anos.
O projecto foi discutido com toda a população em praça pública,mas não há maneira de avançar.
O que se pretende é unir ambas as partes, aproveitando o secular espírito comunitário da aldeia, dividida artificialmente pela fronteira entre o Estado português e o Estado espanhol.
Rio de Onor tem merecido atenção por parte de antropólogos por ter mantido durante séculos os usos e costumes comunitários, fazendo subsistir uma cultura rural comunit
ária

Forças Desarmadas


Forças desarmadas é o título de um documentário sobre o antimilitarismo, os grupos antimilitaristas e a objecção de consciência realizado por Anna Masllorens e Mariona Ortiz e integrado no programa informativo Línea 900 da TVE, televisão pública espanhola, que foi emitido no passado dia 14 de Maio, e que a TVE Internacional retransmitiu na semana passada. Poucos privilegiados tiveram oportunidade de ver este excelente programa, mas era óptimo que a televisão pública portuguesa tivesse imaginação e engenho suficiente para fazer algo de semelhante.
O documentário é constituído por reportagens sobre várias acções directas não-violentas levadas a efeito por grupos antimilitaristas, intervalados com entrevistas e filmagens de reuniões de preparação para aquelas acções. Fala-se ainda da objecção fiscal e da objecção científica como outras modalidades mais recentes para contestar a militarização nos mais variados domínios da sociedade.
Dois activistas históricos da não-violência e da objecção de consciência do Estado espanhol, Pepe Beúnza e Arcadi Oliveres, são igualmente entrevistados.

Criar rumores e boatos é a última moda dos publicitários


Nos Estados Unidos as empresas especializadas em criar e manipular rumores não param de aumentar e florescer. A mais importante conta já com 76.000 voluntários benévolos que se encarregam de incitar quem quer que seja a comprar jean, livros, salsichas.

A cena faz lembrar alguma situação delirante de um programa cómico. No dia 4 de Julho de 2004, Festa Nacional nos USA, um batalhão de 2.000 indivíduos participou no maior segredo numa gigantesca campanha de promoção. Aos vizinhos, a colegas de trabalho, aos parentes e familiares, todos eles tentaram convencer acerca dos méritos e vantagens de uma certa variedade de salsichas da marca Al Fresco, que tinha contratado os serviços da BzzAgent, uma empresa de marketing criada três nãos antes e especializada nos rumores públicos do diz-que-se-diz.
O resultado foi uma subida de 100% das vendas em certos estabelecimentos comerciais. « Esta nova técnica – a propaganda comercial por via dos rumores - parece-se mais com uma situação paranóica de um romance de ficção científica e que descrevem um futuro onde as empresas se tornam tão poderosas que conseguem vencer exércitos inteiros para se infiltrarem nos domicílios familiares», escreveu o jornalista Rob Walker no New York Times do passado 5 de Dezembro de 2004.
Desde há um tempo para cá, esta forma discreta do porta-a-porta tornou-se uma moda. Al Fresco, assim como outras marcas e empresas como a Penguin, a Estée Lauder, Lee, Weight Watchers, Kelloggs, Air Train Airways, Coca-Cola, os sapatos Jonston & Murphy, recorreram à BzzAgent para lançar uma campanha de boatos e rumores favoráveis a um certo produto, seja ele um perfume, uns jeans, um dentífrico, uma marca de café, ou um simples livro. A tiragem do primeiro romance de um jovem autor, Frog King, de Adam Davies, esgotou em três meses, graças à efervescência, curiosidade e interesse orquestrados nas livrarias nova-iorquinas, nos fóruns de discussão, etc.
Mais pessoal que o marketing viral propagado por via tecnológica ( e-mails,nos forums de discussão, etc) esta nova técnica de marketing é muito mais insinuante, comparada com as tradicionais técnicas como as estafadas reuniões Tupperware.

A empresa BzzAgente conta com um dezena de funcionários permanentes e de 76.000 voluntários qualificados. A estes evangelistas das marcas comerciais acrescem por semana um milhar de suplentes, recrutados via Internet, maioritariamente estudantes, reformados e assalariados, que depois de se inscreverem, recebem por e-mail uma lista de actividades a realizar.
No caso das salsichas Al Fresco pedia-se, por exemplo, para sugerir a sua compra a um desconhecido com que se cruzasse num talho; sugerir ainda aos organizadores de um piquenique a sua inclusão na merenda, ou finalmente que se elogiasse o produto em pleno jantar de amigos.
No caso dos livros, é aconselhado pelo BzzAgente, a sua exposição nos transportes públicos ou de enviar comentários para a Amazon.
Outras empresas já desenvolvem o mesmo tipo de marketing. A multinacional Procter & Gambler criou o seu departamento de marketing verbal para as marcas destinadas a um público adolescente.
O criador da BzzAgente, Mark Hugues, declarou sem qualquer rebuço:
«A publicidade clássica está ultrapassada se ela não leva as pessoas e a imprensa a falar sobre o produto. Os Estados Unidos gastam hoje, em cada ano, mais dinheiro em marketing – algo como 234 mil milhões de dólares – que o total do Produto Interno Bruto do México». No seu livro, com o título «Buzzmarketing», ele resume a sua filosofia: «O rumor e o boato representa um meio alternativo cuja eficácia está na própria credibilidade do mensageiro»
Mas, o mais incrível, é que os mensageiros não são remunerados. Eles apenas acumulam pontos que poderão a partir de certo montante serem trocados por…presentes!

Fonte: Le Monde de 4/3/2005

6.6.05

O currículo oculto dos manuais escolares



Os manuais escolares constituem apenas uma parte do que se aprende nas escolas – uma vez que nelas também se aprendem coisas tão impregnantes como a obediência, a imobilidade, a forma competitiva de nos relacionarmos com os outros, quantas vezes sob a capa da cooperação etc – mas a verdade é que são uma boa ( e amarga ) amostra das categorias e dos esquemas mentais que se pretende socializar junto das gerações mais novas, esquemas e atitudes essas que vão estar, mais tarde, na origem das opiniões e da visão do mundo dos actuais jovens.


Apesar dos manuais serem apenas uma fonte, entre outras, de formação escolar e educativa, eles são bem representativos do que o Estado, e com ele, as ideias dominantes numa dada sociedade, pretende difundir e impor aos alunos. Para agravar mais as coisas, não é raro encontrarmos pessoas para as quais o conteúdo dos manuais escolares assume um carácter de verdade absoluta e inquestionável !!!
Encontramos, desde logo, em muitos senão mesmo todos manuais um rasgado e incondicional elogio à tecnologia, e pouca e mesmo nenhuma referência aos seus aspectos negativos. Pretende-se passar a ideia que será a tecnologia a resolver os problemas presentes e nunca se enfatiza a necessidade de transformação das estruturas sociais e dos convencionalismos dominantes.
Muitos grupos sociais tornam-se completamente invisíveis a quem leia a maior parte dos manuais escolares portugueses. Desde os homossexuais até às mulheres domésticas, passando pela terceira idade e pelos operários, muitos grupos sociais e profissionais são suprimidos ou é o mesmo que não existissem à face da terra, tudo isso numa estratégia discursiva que visa consagrar os grupos e elementos que sejam importantes para o mercado, os com papel activo segundo a retórica dominante.
Ignoram-se e desprezam-se igualmente as culturas e práticas locais que, como não se revestem de natureza depredatória, são encaradas as mais das vezes como …atrasadas.
A natureza, a terra e a vida mostram-se sempre como actividades subordinadas à economia e ao mercado. Prevalece uma lógica produtivista. A ecodependência das sociedades humanas é permanentemente uma ilustre desconhecida para os livros escolares, e passa-se ao lado da natureza insustentável dos actuais processos económico-sociais. Celebram-se, por exemplo, os transportes rápidos, e a longa distância, sublimando-se explícita e sub-repticiamente os valores ligados velocidade custe o que custar.
Pior ainda é o profundo e marcado etnocentrismo que todos ou quase todos os manuais dão mostras evidentes, qualquer que seja o nível escolar para que foram destinados.
A história é convertida numa história dos Estados e do poder, com mapas e fronteiras amiúde, relegando para um plano secundário as histórias das culturas e a dinâmica social.
Perpassa em todos esses livros uma noção linear da evolução que acaba por sublimar, invariavelmente, as virtudes da modernidade, esquecendo-se de referir o quanto de barbárie esta mesma modernidade tem engendrado.
As soluções políticas e individuais são sempre de natureza individualista. Parece que não há decisões estruturais a assumir. Fazem-se recomendações e conselhos para o indivíduos, mas não se denunciam as soluções tecnocráticas e lucrativas tomadas pelas autoridades para as sociedades capitalistas.
E passam em branco muitas das áreas fundamentais da nossa vida, desde a educação sexual até à realidade, muito bem escondida, do vil e rentável negócio de armas e do domínio do complexo militar-industrial., passando pela repressão e controle dos cidadãos, a exploração económica, as mentiras e a manipulação mediática, etc,etc.

No fundo, os manuais escolares não preparam nem para o presente, nem muito menos para o futuro. Ignoram ou fazem por ignorar as grandes linhas que movem o mundo e a civilização actual. Servem antes para legitimar um modo de vida adequado às realidades sociais do sistema económico dominante, mas insustentável a curto prazo.
Não falamos, obviamente, dos erros científicos e metodologias discutíveis que pululam nos vários livros de texto editados em concorrência por várias editoras a preços proibitivos, que custam os olhos da cara a muitas famílias. Tudo para bem da reprodução social do capitalismo depredatório.

Activismo e espiritualidade ( Starhawk)


«Muitos activistas desconfiam da religião e da espiritualidade, frequentemente por muitas e boas razões. Mas cada um de nós que estamos empenhados neste trabalho tem qualquer coisa de sagrado – no sentido em que, qualquer que seja isso, não significa conforto ou prazer, mas que determina todos os nossos outros valores, e em que estamos dispostos a assumir riscos para o servir. Não precisa de deus nem de deusas ou de divindade alguma, mas pode consistir muito simplesmente na crença na liberdade, no sentimento que experimentamos quando estamos debaixo de uma sequóia, ou quando observamos uma pássaro a atravessar o céu, ou ainda quando lutamos pela verdade e pelas crianças. O que quer que ela seja, essa coisa alimenta-nos e dá-nos força. Para aqueles activistas que se identificam com uma prática espiritual, é chegado o momento de a pôr em prática, a sério. Para todos os outros, talvez valha a pena de guardar um pouco mais de tempo para se perguntar: «porque faço eu isto? O que é que é mais importante para mim? O que é que me dá forças?»

A resposta poderá ser grande ou nobre, modesta ou banal, a música hip hop ou o grafitti. Pouco importa, mas fazei dela a vossa prioridade. Praticai-la todos os dias ou, pelo menos, regularmente. Trazei-a convosco durante as acções em que vos empenhais. Deixai-a reforçar a vossa energia quando estais desencorajado.

Temos necessidade de vós todos nesta luta prolongada. E cuidar-vos é certamente um meio de preservar um dos recursos mais preciosos do movimento.

Não há nada onde ir se lá ainda não estivermos. Se mantivermos esperança e visão. Se ousarmos marchar com coragem e agir ao serviço daquilo que amamos, as barreiras, que encontrarmos, cederão, como a polícia cedeu aquando da nossa marcha para Washington. O caminho não e balizado, nem cartografado. Isso transmite um sentimento de estranheza, mas trata-se de um sentimento vivificante, um sentimento de risco, mas também um sentimento de liberdade. Nascemos para trilhar essa caminho, e os grandes poderes da vida e da criatividade marcham connosco para um futuro viável»

Excerto de «Só a poesia», texto publicado no livro «Parcours d’une Altermondialiste» de Starhawk, na edição francesa de «Empêcheurs de penser en rond»

Nota: Starhawk é uma conhecida activista anti-globalização, feiticeira neo-pagã, autora de diversos textos e de livros que nos falam da resistência anticapitalista não-violenta e da prática espiritual.
Starhawk esteve recentemente em Paris onde debateu com os activistas e as feministas francesas as suas teses e as práticas que rotagonizou nos Estados Unidos, de onde é originária.

Mais info:
www.starhawk.org
http://paris.indymedia.org/article.php3?id_article=37090

Esperanto na Internet



Para aceder a múltiplos sites, a recursos vários, conversar e ler textos e livros, além de poder aprender e fazer um curso na língua internacionalista como o Esperanto pode ir a:

O Congresso dos Vagabundos ( Stuttgart, 1929)



No fim dos anos 20, número de desempregados e sem-abrigo não parava de crescer na Alemanha. Muitos jovens partiam pelas estradas na esperança de encontrar emprego e pão. No caminho encontravam operários, artesãos e vagabundos que se tratavam todos entre si como «companheiros». Os desempregados citadinos, entre os quais se encontravam elementos politizados e outros que se interessavam por arte, passaram a conviver com os vagabundos.
Aparece então em 1927 o primeiro número da revista dos vagabundos «Der Kunde» ( «O Companheiro»), editado pelo escritor Gregor Gog, que vivia numa cabana de madeira, construída por ele mesmo, nos arredores de Stuttgart. Tinha a intenção de fundar uma «Confraria dos Vagabundos» internacional a fim de superar a atomização e a passividade dos sem-pátria. Com esse objectivo é que Gregor Gog lança um convite aos vagabundos para um encontro internacional em Stuttgart para a semana do Pentecostes de 1929. Compareceram cerca de 300 pessoas que se reuniram entre 21 e 23 de Maio no jardim da juventude livre-pensadora, atrás da Escola das Artes Aplicadas situada em Killesberg, Stuttgart. As autoridades locais tudo fizeram para silenciar a iniciativa, mas a imprensa não deixou de fazer reportagens circunstanciadas e publicar fotografias. Gregor Gog abriu o «Congresso». Falaram, em seguida, o pintor Hans Hammelrath, o agitador comunista Rudolf Geist, o advogado Philip Heinz, o professor exilado Karl Roltsch e o pastor Jakob Weidemann. Seguramente que para os operários presentes os discursos pareceram muito longos e algo solenes. Apesar de não terem ultrapassado poucas centenas de participantes, o encontro foi um sucesso. A vagabundagem fazia parte dos sinais do tempo que passava, e a imprensa não hesitou em relatar o acontecimento. Tanto mais que não se via solução para a crise social, e as autoridades tradicionais iam sofrendo forte erosão, o que permitiu um certo efeito «mobilizador». Começavam, enfim, a organizar-se, aqueles que se tinham tornado nómadas. Discutiam ao longo do dia, entre si, e apresentavam orgulhosamente os primeiros documentos de uma cultura específica, «não sedentária». Simultaneamente, na Casa das Artes Hirrlinger,situada no nº 7 da Gartenstrasse, em Stuttgart, abria uma Exposição de arte dos vagabundos.
Nos três anos seguintes, a miséria eo desemprego cresceram ainda mais. Não existiam 70.000, mas antes uns 500.000 sem-abrigos que levavam por toda a Alemanha uma vida de errância. Quando os nazis chegaram ao poder, uma das primeiras promessas foi metê-los em ordem. Deportaram os «Sinti» e os «Roms» (ciganos), declarados «racilamente inferiores», para os campos e mataram mais de 400.000. Quanto aos operários e vagabundo «arianos» obrigaram-nos pela força a sedentarizaram-se e a trabalharem. Ao mesmo tempo, centenas de anticonformistas, opositores políticos e judeus foram perseguidos, mortos ou obrigados a exilarem-se. Ao fim e ao cabo, o Estado nazi cujo objectivo deliberado era acabar com tudo o que era anti-social e criminal, acabou por se mostrar o Estado mais anti-social e criminoso da história alemã.
No ano de 1981 houve uma tentativa de retomar o «Congresso dos Vagabundos» de 1929, mas a ideia fracassou. Entretanto, o desemprego, a mendicidade e os sem-abrigo não pararam de aumentar. Há de novo mais de 100.000 pessoas na rua e ao longo das estradas. A ideia abortada de retomar aquela iniciativa, realizada no fim da República de Weimar, não tinha nada de nostálgico. A questão era antes de tentar encontrar formas eficazes de comunicação e organização susceptíveis de superar o isolamento e o desespero. Não se tratava de pôr limites à miséria, mas sim de a equacionar a partir de razões económicas. E de dizer aos políticos para inventarem outra coisa que não seja apenas o habitual reforço da polícia.

(tradução do texto publicado na revista Marginales, nº 3-4 , Hiver 2004, editado pela Agone, num número monográfico sobre «Les dépossédés,figures durefus social»)



Ecologistas e crianças acampam na Quinta Marques Gomes para a defender



Ecologistas e crianças responderam à convocatória do Terra Vivente ( ex-Terra Viva), associação de ecologia social, e durante este fim de semana estiveram acampados na Quinta Marques Guedes na zona ribeirinha de Gaia, no Canidelo, já perto da foz do rio Douro, onde está prevista a construção de uma mega urbanização promovida pela empresa Espírito Santo Fundos Imobiliários, e que por mais incrível que pareça já recebeu o acordo da Câmara de Gaia, apesar da construção prevista vir a destruir uma mancha verde insubstituível e trazer mais cimento para as encostas do rio Douro e contrariar inclusivamente o Plano Director Municipal, que terá de ser suspenso, caso contrário a urbanização prevista seria ilegal.

Enfim, mais uma negociata entre imobiliárias e autarquias…

5.6.05

Para uma ecopolis

Notas para uma estratégia de ecopolis

Por Jacinto Rodrigues

1. METODOLOGIA

A primeira reflexão metodológica é a necessidade de pensar em termos interdisciplinares e transdisciplinares nas intervenções urbanas. A abordagem deve ser integrada. Os vários elementos: a componente das energias, da produção, da circulação, dos consumos e da reciclagem, interagem uns nos outros. Assim, as questões naturais, técnicas e sociais são sistémicas e só podem ser abordadas segundo o pensamento da complexidade.Essa abordagem deve ser mais profiláctica do que terapêutica. A cidade deve ser entendida como um eco-sistema. Tal perspectiva exige sair da visão ?modernista? da cidade mega-máquina e procurar enquadrar a urbe como a expressão eco-sistémica da ligação da sociedade como componente da Biosfera. Este é o sentido lato com que se deve entender a paisagem antrópica.A cidade como mega-máquina é dissipativa, consumista e contaminante. Tem como matriz o ?Shoping Center?.A eco-polis, cidade como eco-sistema regenerativo, funciona num processo integrado entre civilização, eco-técnica e biosfera.

2. CONCEPÇÃO DA PAISAGEM

Assim, a estrutura construída, o processo de urbanização, deve enquadrar-se na paisagem mais global e articular-se na cidade-região/cidade-natureza. Como corolário deste ponto de vista procura-se então, em vez do uso de energias fósseis que levam ao esgotamento dos recursos naturais, criar uma produção de energias renováveis e eliminar uma produção com materiais poluentes e energias não limpas, evitando os resíduos contaminantes e tóxicos. Os lixos deveriam ser recicláveis, permitindo assim a substituição do metabolismo linear, próprio das máquinas, em metabolismo circular ou regenerativo dos seres vivos. Esta é toda a diferença existente entre um entendimento da cidade como máquina ou da cidade como ?ecosistema?.

3. MULTIFUNCIONALIDADE

A monofuncionalidade, ou seja, a separação das actividades urbanas, característica dos zonamentos da cidade-máquina ?moderna?,deve dar lugar a uma interacção onde os mesmos elementos podem constituir respostas multifuncionais.Isto é particularmente importante no que diz respeito à relação entre paisagem natural e edificação. As árvores e os arbustos, a reorganização do planeamento vegetal em geral, e também a reorganização hidrológica, constituem factores não apenas susceptíveis de embelezamento estético mas de bioclimatização e de biodepuração.

4. BIO-CLIMATIZAÇÃO E BIO-DEPURAÇÃO

O verde urbano, através de corredores verdes, jardins e bosques urbanos, deve ter uma função ecológica decisiva para a bioclimatização e biodepuração.Muito do lixo orgânico, resultante dos consumos urbanos, pode ser reciclado como fertilizante para hortas e bosques. Recorde-se o exemplo de Curitiba em que os fertilizantes orgânicos entregues pelos cidadãos, permitem a troca com produtos agrícolas criados nas hortas municipais.Também a renaturalização dos rios não é apenas uma questão de estética.Hoje conhecem-se bem os fenómenos da fito-depuração dos sistemas de lagunagem, da meandrização e das pequenas cascatas como factores de melhoria na qualidade da água.

5. ENERGIAS RENOVÁVEIS

As energias renováveis devem ser tratadas como uma questão central do ecodesenvolvimento. Devem ser utilizadas duma forma integrada e essencialmente numa escala regional. Por exemplo: mini-centrais que articulem várias energias complementares (solar/ eólica/ hídrica/ biogás, etc.) podem responder muito melhor do que estruturas gigantes monoenergéticas. A escala construtiva comunitária oferece também vantagens sobre o uso de protótipos energéticos à escala familiar. Todas estas estruturas devem inserir-se numa malha policêntrica do território, capaz de o cobrir, energeticamente, com o máximo de descentralidade e complementaridade.

6. BIO-CONSTRUÇÃO

A edificação deve pautar-se por uma legislação com preocupações ecológicas claras. O uso de materiais não poluentes, as preocupações pelos sistemas solares passivos, a articulação com a bioclimatização gerada pela eco-paisagem, devem ser um factor chave. A própria disposição espacial pode valorar o aproveitamento energético.O exemplo francês pode ser implementado como processo pedagógico. O programa denominado construção de alta qualidade ambiental (H.Q.C.) estabelece concursos especiais na base de soluções ecológicas através da escolha de materiais não poluentes e soluções energéticas alternativas.As edificações públicas, em particular as escolas e centros de formação cultural devem tornar-se experiências exemplares. Quando funcionam segundo o preceito da eco-construção, favorecem comportamentos e atitudes que são as melhores soluções para uma verdadeira educação ambiental.A construção bioclimática exige novas formas, novos materiais, novos processos de implantação topológica. Estas novas morfologias complexas são dispositivos catalizadores duma outra civilização.

7. AGRICULTURA E INDÚSTRIA ECOLÓGICA

Em articulação com a actividade construtiva e também em função de outras actividades como a industrial, deveria proceder-se a uma eco-agricultura que complementarizasse a abertura de novos postos de trabalho às exigências simultâneas da agricultura e indústria numa base ecológica. Um exemplo que me parece interessante estudar é o do incentivo da cultura do cânhamo que foi uma cultura historicamente conhecida no Norte, Centro e Sul de Portugal, nomeadamente quando era aplicado no fabrico das velas e do cordame para os barcos à vela, desde o séc. XVI. Tem a seguinte particularidade: é uma produção agrícola de fácil manutenção, beneficia os solos e permite, para além da tecelagem, o fabrico de papel e outros materiais. Acontece ainda que, através de processos recentes, esta planta está a ser utilizada na bioconstrução. Também a transformação tecnológica do bambú chinês ?miscanthus? poderá vir a possibilitar uma articulação entre a actividade agrícola e a bioconstrução.São também possíveis outro tipo de actividades agrícolas (permacultura, agricultura biodinâmica) capazes de promover agro-pecuárias ecológicas.

8. TRANSPORTES ALTERNATIVOS

Os transportes públicos não poluentes deveriam constituir uma alternativa à invasão do trânsito urbano.Com os corredores verdes, para além da função depuradora, criam-se circuitos pedonais e ciclovias que poderão permitir conexões entre várias zonas.As passarelas constituem atravessamentos fáceis, permitindo logradouros por onde se espraiam paisagens urbanas.Os centros da cidade, em particular os centros históricos, são avessos ao uso de automóveis.No estado actual, os veículos são poluentes e constituem uma oposição ao uso de hortas urbanas e espaços públicos de lazer e cultura.

9. PARTICIPAÇÃO CONSCIENTE DAS POPULAÇÕES

A prática do urbanismo numa perspectiva ecológica deverá ter em conta a mobilização das populações na detecção dos problemas e sua resolução.Assim, o eco-urbanismo é, antes de tudo, desígnio estratégico sujeito às múltiplas interacções surgidas ao longo dum percurso que deve ser entendido como processo permanente embora com faseamentos nos objectivos mas que serão sempre sujeitos a constantes avaliações e retroacções.A ?investigação-acção? e o ?trabalho de projecto? são as práticas sociais que melhor se coadunam com esta filosofia. A mobilização consciente da população é decisiva. Volto ainda à experiência de Curitiba: Nalguns festivais culturais, encontros de cinema, teatro ou música promovidos pela municipalidade dessa cidade brasileira, a entrada dos espectáculos é paga com garrafas usadas ou papel para reciclar. Este tipo de mobilização pela positiva é uma forma educativa que sendo alheia a qualquer processo administrativo-repressivo, liga as aspirações às necessidades, promove solidariedade e cooperação num clima social, lúdico e festivo tão necessário à participação popular nos objectivos de interesse público.Através desse processo, a população vai tomando consciência da problemática ecológica e o planeador deixa de ter a arrogância dum tecnocrata autoconvencido dum qualquer ?modelo? estático e ?ad eternum...?.Assim, o eco-urbanismo é um caminho que se faz caminhando, parafraseando o poeta Machado.No entanto, qualquer intervenção deve ser reflectida e inserida numa óptica projectiva, futurante, pois os dispositivos topológicos são, por natureza, resistentes à mudança. E quando se constroem dispositivos errados, estes funcionam como travão às mudanças, podendo mesmo transformar-se em mecanismos de reprodução de hábitos opostos à necessária e permanente metamorfose social.

Jacinto Rodrigues, in A Página

Retirado de
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=3160

7m2 per capita de espaço verde no Porto



Na cidade do Porto, em 2002, segundo dados oficiais, existiam 86Km de ruas arborizadas e calculava-se em 7m2 per capita de espaços verdes.

20 cidades têm mais de 10 milhões de habitantes




É verdade! Existem actualmente 20 megacidades com uma população de mais de 10 milhões de humanos. Assustador, não é?
Mais: nessas cidades, e em geral em todas elas, a população urbana consome 30 vezes mais em bens alimentares que as populações rurais!!!

Agricultura urbana: uma alternativa de sustentabilidade

Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a produção agrícola em cidades é um fenômeno crescente no mundo, principalmente nos países em desenvolvimento, onde a possibilidade de acesso aos alimentos é muito desigual e o sistema de abastecimento inadequado. A FAO define agricultura urbana como aquela referente ao cultivo dentro das cidades; já a agricultura peri-urbana é aquela praticada em unidades periféricas, ao redor das cidades. Ambas são realizadas principalmente por ex-camponeses, trabalhadores da terra que, devido ao êxodo rural, vieram para os centros urbanos em busca de emprego. Ao produzir alimento para seu próprio consumo, esses moradores também reforçam sua renda ao vender o excedente da colheita, proporcionando à comunidade local maior acesso a alimentos de qualidade e a preços mais baixos.

As espécies produzidas na horticultura têm alto rendimento, fornecendo até 50 kg/m² do vegetal fresco por ano, dependendo da tecnologia aplicada. Também possuem ciclo de produção curto – várias espécies podem ser colhidas em até 60 dias após o plantio, atendendo rapidamente às necessidades emergenciais de alimento às famílias, seja para sua alimentação ou para a venda, que resulta em renda para cobrir outros gastos.

Em cidades como São Paulo, as hortas urbanas têm sido alternativa para uma alimentação mais saudável e barata. Locais como a Av. Radial Leste, uma das mais movimentadas da capital, abrigam hortas que alimentam dezenas de famílias de baixa renda. Essa atividade está prevista no Plano Diretor do município, pois, além de combater a fome e promover a inclusão social, contribui para a melhoria das condições ambientais, possibilitando a ocupação de terrenos vazios, que ao invés de acumular mato e lixo, são tratados e cultivados, fornecendo alimento fresco e sem agrotóxicos. A lei permite redução do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) aos donos dos locais escolhidos, e estimula a formação de cooperativas de agricultores das hortas urbanas e a venda dos produtos cultivados de forma orgânica, ou seja, sem o uso de agrotóxicos.

A agricultura urbana contribui também para melhorar muitos outros aspectos da vida nos centros urbanos. No que diz respeito à segurança alimentar, o consumo de maior quantidade de alimento e o frescor dos alimentos perecíveis que realçam seu sabor mostram, segundo estudos de caso, que as crianças pertencentes às famílias produtoras possuem diferencial nutricional superior às outras de famílias pobres não-produtoras. Além disso, fortalece a organização comunitária e a economia solidária, valoriza a cultura e o conhecimento popular sobre plantas e tipos de plantio, ocupa idosos e desempregados e garante alimentos de boa qualidade e variedade.

A actividade também contribui para a melhoria do meio ambiente: aumenta a permeabilidade do solo, reduz erosões, substitui terrenos ociosos que antes teriam a destinação à especulação imobiliária ou a degradação ambiental. Sua utilização para a produção em bases agroecológicas (sem agrotóxicos nem fertilizantes) de baixo custo, por meio de planos participativos, promove a educação alimentar, a diversificação e valorização da cultura alimentar local, o fortalecimento da agricultura familiar e contribui para o abastecimento urbano, gerando instrumentos de inclusão social.

Em Cuba, as hortas urbanas ganharam nova dimensão após o fim da URSS, principal fornecedor de agrotóxicos e fertilizantes químicos para o país. A falta desses produtos obrigou o país a partir para a produção orgânica, sem pesticidas e usando adubo verde. A quantidade de alimentos produzida nas hortas aumentou de 40 mil toneladas em 1995 para 115 mil toneladas em 1998. A agricultura urbana em Havana produziu, em 1999, 65% de todo o arroz consumido no país e 46% dos vegetais frescos. Além do aumento da produção de alimentos, esses agricultores observaram que o ataque de pragas diminuiu significativamente devido à diversidade de plantas cultivadas.

Ao utilizar adubo orgânico, a agricultura urbana também incrementa os processos de reciclagem. Mais da metade dos resíduos produzidos pelas cidades são orgânicos, provenientes de restos de alimentos que podem ser transformados em adubo verde com o uso de composteiras. Assim, uma solução simples e de baixo custo dá sustentabilidade ao processo, produzindo alimentos e reutilizando os resíduos na produção de mais alimentos.

(texto retirado da net)

Metropolis

Metropolis é o título de um célebre filme de um dos mais importantes realizadores de cinema, Fritz Lang. Fala-nos das cidades da era industrial e do seu cenário dantesco, diabólico mesmo.

Neste dia mundial do ambiente dedicado às «cidades verdes», porque não realçar o contraste falando das megacidades profundamente alteradas pela actividade industrial e pela civilização tecno-burocrática que destrói a natureza e envenena o relacionamento entre os seres vivos.

Deixamos aqui uma breve sinopse do filme.

No ano de 2026, uma enorme, caótica e melancolicamente bela Metropolis é o cenário de uma história que mistura luta de classes, romance e um robots, tendo como pano de fundo a discussão sobre a técnica e o seu pelo homem, assim como uma reflexão sobre os modos de produção desencadeados pela Revolução Industrial, e como eles podem determinar de maneira funesta o futuro da humanidade.

Metropolis é uma cidade grandiosa e futurista onde convivem e se antagonizam duas classes bem definidas: os ricos e poderosos, que desfrutam das belezas e do fausto da superfície da cidade, e os operários, que vivem num mundo subterrâneo, abaixo do nível das máquinas, responsáveis, em última instância, pelo funcionamento e sobrevivência de toda a estrutura. Oprimidos pelos poderosos de Metropolis, massacrados pela rotina desumanizante da indústria, os operários são cuidadosamente escondidos do olhar de todos.

Joh Fredersen, um faraó moderno, o nazi Chefe de Metropolis, governa-a como se os trabalhadores não existissem, eles estão lá para simplesmente manter as engrenagens a funcionar, são até menos importantes para ele, que as próprias máquinas. Joh descobre que os operários estão preparando algo, quando começa a encontrar bilhetes aparentemente indecifráveis entre eles. Enquanto isso, o seu filho Freder Fredersen, desfruta das maravilhas de Metropolis, sem tomar conhecimento do que acontece nos subterrâneos, até que, um dia, aparece no "Jardim dos Prazeres", uma mulher, Maria, que levara os filhos dos operários para conhecerem o "andar de cima" da cidade. Freder apaixona-se por Maria, ela própria filha de um operário, o que o leva aos subterrâneos à sua procura.

Ao penetrar nesse universo totalmente estranho, Freder aterroriza-se com a situação miserável dos operários frente às máquinas. Ele presencia um acidente em que alguns trabalhadores, pelo cansaço, caem dentro de uma espécie de fornalha e tem até uma alucinação, onde a máquina se transforma num monstro que literalmente engole os homens. Revoltado, Freder vai falar com seu pai, que, sem se abalar, apenas decreta que é assim que as coisas são e continuarão sendo. Mais tarde, Freder aventura-se novamente nos subterrâneos, mais uma vez em busca de Maria. Ele vê um operário em verdadeira luta contra uma máquina indecifrável, semelhante a um relógio, e percebe que ele não aguenta mais e vai acabar sucumbindo ao poder da sua antagonista. Freder troca, então, de roupas e de identidade com o trabalhador, e assume o seu lugar perante a máquina. Essa cena é uma das mais impressionantes do filme. Freder sente na pele o peso de dez horas de trabalho pesado.

Vê-se, entretanto, uma casa sinistra, para onde Joh se dirige. Nela vive Rotwang, um cientista e inventor. Joh espera que Rotwang possa decifrar o enigmático bilhete que foi descoberto entre os trabalhadores. Mas o cientista tem algo mais fantástico para mostrar ao Chefe de Metropolis: um robot em forma de mulher, um operário perfeito, que jamais se revoltará contra a sua condição. Tudo o que ele precisará agora é de uma "alma", ou de uma aparência humana.

Rotwang decifra o bilhete que é um mapa para as catacumbas, onde os trabalhadores, sob a liderança de Maria, se reúnem para discutir sua situação e os meios para se libertarem da dupla opressão que sofrem. Joh e Rotwang assistem a uma dessa palestras, assim como Freder.

Maria é carismática, consegue liderar os operários e fala-lhes sobre um mediador, que virá para amenizar a situação de exploração . Após o discurso, Freder declara-se a Maria.
Joh, no entanto, tem planos mais diabólicos: dar ao robot as feições de Maria e programá-lo para incitar os trabalhadores à destruição das máquinas, o que acarretaria a inundação da cidade dos operários e seria um pretexto perfeito para a substituição final dos homens pelas máquinas.


Rotwang sequestra Maria e realiza a transformação, numa cena memorável, de efeitos surpreendentes. Freder não encontra sua amada e volta para a superfície. O robot, sob a aparência de Maria, acaba por convencer os operários a partirem para a luta, a destruírem quem os oprime, a máquina, é claro, não os senhores por trás delas. Como num transe, eles partem, em hordas enfurecidas, contra os aparelhos e a cidade subterrânea começa a encher de água.

Maria consegue escapar da casa de Rotwang e, juntamente com Freder, salvam as crianças - o futuro de Metropolis - da inundação. Os trabalhadores, ao perceberem o grande erro que haviam cometido, destruindo as máquinas, voltam-se contra a falsa Maria e queimam-na "viva". Nesse momento, a capa de pele que revestia o robot desaparece e eles percebem, atónitos, que não se tratava da verdadeira Maria.
Joh fica desesperado ao não encontrar o filho e descobre que este está no telhado da catedral de Metropolis, em luta com Rotwang, que acaba caindo de lá e morrer


Com a destruição do "cientista louco" e de sua "criação demoníaca", todos podem ser "felizes para sempre" e os operários descobrem que Freder, o herói romântico, ingénuo e idealista é o mediador profetizado por Maria. Ele será o intermediário entre a "cabeça" - os senhores de Metropolis - e as "mãos" - os trabalhadores.

O próprio Fritz Lang dizia que não gostava desse final, excessivamente meloso e romântico. Ao que parece, ele foi convencido pela sua esposa e guionista Thea Von Habour a dar um tom conciliatório ao desfecho do filme.


Poema do lavrador de palavras aos políticos

Poema do lavrador de palavras aos políticos
( letra e canção de Pedro Barroso)


não me perguntem coisas daquelas que eu não creia
não me perguntem coisas daquelas que não sei
remeto para os senhores as decisões do mundo
tais como governar, fazer decretos lei

no meio da tempestade no meio das sapiências
se poeta nasci, poeta morrerei
nem homem de gravata nem homem de ciências
apenas de mim próprio, e pouco, serei rei

das decisões do mundo lerei o que entender
que dentro de mim mesmo às vezes nasce um rio
e é esse desafio que nunca hei-de esquecer
e é essa a diferença que faz o meu feitio

mas digam por favor de onde nasce o sol
que eu basta-me o calor - para lá me voltarei
e saibam já agora que se eu lavrar a terra
me bastará que chova que o resto eu o farei
e digam por favor se o céu inda nos cobre
e bastará o azul
que em ave me tornei

mantenham com cuidado as árvores e estradas
pr'a gente poder ver, p'ra gente circular
que eu basta-me saúde e o sonho tão distante
e a boca perturbante que tu me sabes dar

e a festa de viver e o gozo e a paisagem
desta curva do Tejo, soprando a brisa leve
e na tranquilidade assim desta viagem
parar-se o tempo aqui, eterno, fresco e breve

que eu voo por toda a parte mas noutro horizonte
e vivo as coisas simples e rio-me da ambição
e ao fim de tanto ver, escolherei um monte
de onde assistirei, sorrindo, ao vosso enfarte

da ânsia de possuir, da ânsia de mostrar,
da ânsia da importância, da ânsia de manda

re digam por favor de onde nasce o sol
que eu basta-me o calor - para lá me voltarei
e saibam já agora que se eu lavrar a terra
me bastará que chova que o resto eu o farei
e digam por favor se o céu inda nos cobre
e bastará o azul
que em ave me tornei


www.pedrobarroso.com

4.6.05

Em prol de um maior controle sobre os produtos químicos


Um conjunto de associações ecologistas têm desenvolvido acções a favor do projecto de regulamento europeu Reach que pretende registar e controlar 30.000 produtos químicos, medida que merece o desacordo total por parte das indústrias químicas.
As associações reivindicam, além do mais, a integração no regulamento de um Princípio de substituição obrigatório para as substâncias químicas mais perigosas, e que foi defendido no relatório da Greenpeace intitulado «Substâncias mais puras com Reach».
A campanha desenvolvida com o nome de «Chemical Reaction» pretende sensibilizar os decisores para a necessidade de produtos químicos mais seguros.

Mais info:
www.greenpeace.fr/vigitox
www.chemicalreaction.org

Torres e linhas de alta tensão potenciam leucemia


Investigadores da Universidade de Oxford concluíram que a proximidade de residentes às linhas de alta tensão potenciam o aumento de casos de leucemia.

Fonte:JN de 4/6/2005

Copyleft versus copyright



As empresas e as grandes corporações multinacionais defendem o copyright como forma de rentabilizar a sua propriedades sobre certos bens. A sua utilização exige o pagamento de um preço fixado pelo seu titular.
Como alternativa a este procedimento empresarial e lucrativo apareceu o chamado copyleft, por iniciativa de artistas e músicos, que pretendem assim desenvolver novas formas de troca e intercâmbio fora do âmbito e da esfera propriamente comercial.
Copyleft significará a livre utilização dos bens, na condição de haver o reconhecimento da paternidade do autor de uma determinada obra, e a citação do seu nome. Mais: a obra ou o bem não deve sofrer qualquer alteração, sem o consentimento do seu autor. Também não deverá entrar no circuito comercial.
Actualmente numerosos sites referem-se a esta forma alternativa de uso e fruição de bens e obras artísticas quer sob o nome de copyleft quer sob a designação de «arte livre».

http://www.gnu.org/copyleft/copyleft.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Copyleft
http://artlibre.org/

A epidemia da obesidade nos Estados Unidos



As percentagens de obesidade da população do Estado norte-americano da Virgínia são alarmantes. A obesidade já foi qualificada como uma verdadeira epidemia e só por si é a causa para 400.000 mortes por ano nos Estados Unidos. Segundo as estatísticas mais recentes 20,4% dos norte-americanos são obesos, mas em Estados como o da Virgínia a ercentagem sobe para 28% da população. Problemas de diabetes e de hipertensão estão igualmente associados à obesidade e os doentes não param de aumentar nos Estados Unidos. Mas se um em cada três norte-americanos é considerado obeso, as coisas agravam-se quando se verificou que a outra terceira parte sofre de excesso de peso crónico !!!

Poucas cidades norte-americanas são verdadeiramente cosmopolitas e internacionalizadas…



De acordo com um estudo realizado as grandes cidades norte-americanas são, de uma maneira geral, menos internacionalizadas que as cidades europeias e asiáticas, excepto Nova Iorque e Miami que evidenciam claros sinais de abertura ao mundo.
A investigação esteve a cargo de Peter J.Taylor e Robert E. Lang, os autores de «US cities in the World City Network», que explicam o localismo das cidades americanas com base em dois factores: as multinacionais concentram-se em Nova Iroque deixando na sombra as outras cidades; por outro lado, o mercado interno norte-americano funciona de tal modo que muitas empresas de serviços norte-americanas dispensam a sua internacionalização.
Em suma, do estudo se pode concluir que as cidades norte-americanas não foram ainda objecto do processo de globalização, e não se mostram nem desenvolvem uma cultura cosmopolita.

Parlamento espanhol derroga em definitivo o projecto de transvaze do Ebro

O Congresso espanhol pôs um ponto final ao projecto do anterior governo espanhol de construir um transvaze do rio Ebro para as regiões mais a sul do Estado espanhol.

30% dos portugueses sofrem de insónia


Inquéritos realizados recentemente permitem concluir que cerca de 30% de portugueses sofrem de insónia moderada e severa. A falta de sono pode ter vários efeitos desde a probabilidade de acidentes até doenças como hipertensão, obesidade e diabetes. Os portugueses são, a seguir aos franceses, os europeus que mais recorrem à farmacopeia para dormir.

Protestos generalizados na Bolívia



População indígena da Bolívia bloqueia estradas e cidades reclamando reformas políticas e sociais, como a nacionalização do gás, e colocam os dirigentes políticos e a classe empresarial boliviana à beira de um ataque de nervos.

Greve de zelo na Rohde



Os trabalhadores cumpriram ontem um dia de greve de zelo na multinacional de caçado Rohde. Os 1500 trabalhadores mantiveram-se no seu posto de trabalho durante todo o dia, mas sem nada produzirem. Os protesto devem-se ao anunciado lay-off que a empresa prepara para o mês de Agosto.

Manifestação dos funcionários não-docentes das escolas



Realizou-se em Lisboa uma manifestação dos funcionários não-docentes das escolas a favor da integração no quadro e contra a aplicação dos contratos individuais de trabalho aos funcionários públicos

Concentração de trabalhadores no governo civil do Porto


Cerca de 100 trabalhadores da empresa de vestuário Vissuto ( de Paredes) concentraram-se em frente do Governo Civil do Porto em defesa dos seus empregos, uma vez que a fábrica se encontra encerrada desde 17 de Maio em consequência de uma ordem judicial de despejo das instalações.

2.6.05

Marcha pelo Decrescimento (7 de Junho a 3 de Julho)



Na linha das grandes marchas não-violentas, uma grande Marcha pelo Decrescimento será realizada em França durante o mês de Junho. Está aberta a todos que queiram resistir à sociedade de consumo, ao desperdício, ao crescimento económico, aos que contestam a ideologia publicitária e que querem transformar o mundo e o seu modo de vida.
Será um grande Marcha pelos camihos, sem recurso a motores, em que há todo o tempo para conversar, debater e trocar impressões e ideias.
Na Marcha integrar-se-á François Schneider que, desde há uma ano, promove o decrescimento através de uma caminhada pelas várias regiões francesas.
A Marcha pelo Decrescimento começara em Lyon a 7 de Junho e terminará no circuito de Magny-Cours, onde se irá pedir a supressão do Grande Prémio de Fórmula 1 que é, sem dúvida, um símbolo do desperdício em todos os sentidos.

Mais info.
www.decroisance.org/marche

Patrocinadores desta Marcha:
www.casseursdepub.org
www.decroissance.org
www.ecologiste.org
www.revuesilence.net
www.sortirdunucleaire.org
www.natureetprogres.org

Para acabar com os Grandes Prémios de F1



«Já é tempo de compreender a loucura que é andar depressa quando se anda às voltas»
Albert Jacquard


A primeira campanha pela supressão dos Grandes Prémios de Fórmula 1 foi realizada em 2001 por iniciativa da associação francesa Casseurs de Pub com o envio de mais de 10.000 postais-requerimento ao Presidente da República.
Nesse ano os activistas fizeram mais de 240 km de bicicleta até ao local onde se desenrolava as corridas de F 1 e colocaram uma cartaz gigante perto da pista onde se podia ler «Salvemos o clima».

No ano passado os activistas franceses, poucos minutos antes da partida dos carros, saltaram para a pista obrigando ao atraso do início da corrida. A sua acção teve impacte nos media que mostraram a contradição entre a ideia de «desenvolvimento sustentável» e a enorme demonstração de velocidade ( e de irresponsabilidade) que constitui a organização deste tipo de corridas numa cidade como é Lyon.
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Este ano estão também previstas várias acções no mesmo sentido.

Dias mundiais do ambiente ( 2 a 5 de Junho)



Não basta ter um dia mundial do ambiente ( 5 de Junho).
Foi a pensar nessas limitações que este ano foram programadas várias iniciativas nos Estados Unidos ao longo dos primeiros dias de Junho a fim de promover a sensibilização ambiental ( arte no espaço público, festival de cinema ambiental ,etc, etc).

Pode-se consultar e acompanhá-las por intermédio do site:
http://www.wed2005.org/

As grandes Marchas Não-Violentas


1930 na Índia, Mahatma Gandhi lança uma Marcha pela independência da Índia. Eram 79 à partida mas foram 50.000 os que chegaram ao Oceano Índico, no outro extremo do continente indiano.

1963 nos Estados Unidos, Martin Luther King organiza a Marcha de Washington que consegue reunir 250.000 pessoas e culmina com o célebre discurso «A have a dream»

1973 em França, os agricultores de Larzac marcham em direcção a Paris (750 km) para lutar contra a extensão de um campo militar na sua região.

1982 em França, activistas antinucleares partem a pé, junto do supergerador Superphénix em Malville ( Isère), em direcção ao Eliseu (Paris). Na chegada contam 2.000 caminhantes.

1995 na Europa, por iniciativa da associação ecologista e pacifista «Mother of Earth» realiza-se uma marcha durante 10 meses de Janeiro a Outubro entre Bruxelas e Moscovo ( 5.500 Km) em prol de «um mundo sem nuclear»

1997 na Europa, realiza-se a Marcha dos Desempregrados e Precários, reunindo 500 pessoas, e que percorrem toda a Europa até chegarem a Amsterdão onde se realizava a Cimeira da União Europeia. Uma manifestação de 50.000 teve lugar à chegada.

2001 no México, os zapatistas marcham pela igualdade de direitos dos índigenas. Fazem 3.000 Km por todo o México conseguindo entabular negociações com o novo governo no final da Marcha.

1.6.05

As Nanotecnologias



As nanotecnologias são técnicas de manipulação efectuadas à escala microscópica a partir de átomos e moléculas.
Curiosamente os media dão sempre exemplos positivos: a possibilidade de ter uma t-shirt que muda de cor, pinturas de paredes que podem mudar de cor através de um simples interruptor, etc.
Mas as coisas são mais complicadas. É que as nanotecnologias podem permitir a produção de armas que ultrapassam tudo o que possamos imaginar, como a destruição do corpo…a partir do seu interior. Isto é: destruir o ser vivo, sem destruir a matéria – eis o velho sonho dos militares…
Outro exemplo arrepiante: introduzindo um robot miniatura no aparelho digestivo, será possível vigiar o que a pessoa vai comendo…
Para a vigilância electrónica já existem chips subcutâneos.

Com as OGMs e as indústrias nucleares, as nanotecnologias completarão o arsenal de dispositivos que permitirá o controle totalitário dos indivíduos.

Mais info:
http://pmo.erreur404.org/PMOtotale.htm

A posse da armas nucleares é ilegal


Em 8 de Julho de 1996 o Tribunal Internacional de Haia declarou que a posse de armas nucleares é ilegal.

Tomando à letra esta decisão, activistas anti-nucleares belgas têm entrado em bases militares ( como a de Kleine Brugel, em 10/11/2004) a fim de efectuarem inspecções civis.
Para além disso, muitos activistas têm apresentado queixas à polícia contra a presença ilegal de armas nucleares no seu território

O que os militares norte-americanos fazem para aliciar os jovens…!!!



David McSwane, aluno do 12º ano no Colorado, decidiu saber até onde os recrutadores do exército norte-americano estavam prontos a chegar para aliciarem os voluntários, numa altura em que a guerra do Iraque fez baixar as vocações para a carreira militar. Em Janeiro, David entrou em contacto com o seu centro de recrutamento fazendo-se passar por um jovem à deriva, mas interessado em alistar-se no exército. Confessou que não possuía diploma algum. Ora segundo o regulamento, os recrutas do Exército devem ter, pelo menos, um certificado de escolaridade de nível liceal (isto é, da escolaridade obrigatória). Não há problema, responderam-lhe. Bastará fabricar um, sendo mais seguro arranjar um de uma escola inexistentes. O recrutador até sugeriu um nome, a Faith Hill Baptist School. Por 200 dólares, David conseguiu pela Internet obter um falso diploma no nome deste estabelecimento fictício. Referiu-se, depois, a um problema com as drogas. Quanto a isso, não há problema nenhum. O recrutador logo recomendou um kit de desintoxicação que fazia desaparecer os traços em caso de análise. Levou inclusivamente o seu pupilo a um estabelecimento comercial para a sua aquisição.
David McSwane teve o cuidado de gravar as conversas telefónicas, e convenceu a sua irmã mais nova, de 11 anos, a fotografar e pediu a uma amigo para filmar os seus encontros com uma câmara escondida. No passado dia 17 de Março publicou o seu relato no jornal do liceu de Arvada. Em Abril a cadeia CBS difunde as suas gravações. E no mês de Maio o assunto ganha contornos de debate nacional.
Desde 1973 e o fim da guerra do Vietname o exército norte-americano é constituído por voluntários. O recrutamento conhece hoje uma crise sem precedentes. Falta, 6.000 efectivos ao exército de terra para se atingir o objectivo fixado de 80.000 elementos até Outubro. Aos 7.500 oficiais recrutadores foi entregue a tarefa de recrutarem 2 voluntários por mês. A aproximação do final do ano lectivo faz aumentar a pressão, e foram registados centenas de casos de excesso de zelo. Mas só 7 incidentes foram qualificados por má conduta. Os recrutamentos foram, entretanto, suspensos a fim de permitir um apelo à ética e ao cumprimento do regulamento.
Note-se que os elementos recrutadores têm acesso aos estabelecimento. Podem circular na cantina, no buffet e até estarem presentes nas reuniões com os pais dos alunos. Oferecem bilhetes para concertos e jogos desportivos. Os pais queixam-se de intromissões, mas é o próprio liceu que fornece os números de telefone pessoal aos militares. As escolas são obrigadas a fornecer os seus ficheiros ao exército sob pena de perderem os financiamentos públicos. Não há muito, o representante da Califórnia, Mike Honda, apresentou um projecto de lei que impeça o fornecimento dos dados dos alunos ao exército salvo expressa autorização dos pais. Entretanto, um distrito escolar do Estado de New York, que recusou o acesso àqueles dados, aguarda a visita por estes dias de um coronel que não deixará de os incentivar a cooperarem.

( texto publicado no Le monde, de 1 de Junho de 2005)

Mulheres de negro



Em numerosos países têm aparecido grupos de mulheres de negro para protestar pacificamente contra a guerra, a violência e o militarismo.
A origem do movimento encontra-se em Buenos Aires, na Argentina, durante os anos 70, quando surgiram mulheres vestidas de negro a protestar contra os desaparecimentos ocorridos durante a ditadura dos generais argentinos. O movimento das mulheres de negro também se fez sentir na África do Sul, com as Black Sash, que protestavam igualmente contra os desaparecimentos relacionados com a imposição do apartheid.
Recorde-se ainda que já houve grupos de mulheres de negro durante a Primeira Guerra Mundial contra o militarismo e a guerra.
Grupos semelhantes de mulheres de negro voltaram a surgir depois de um apelo lançado pelas mulheres israelitas em 1988 para protestar contra apolítica levada a cabo pelo seu governo.
Na Bélgica vários grupos de mulheres de negro têm realizado acções de protesto contra os centros de retenção e as expulsões de imigrantes.
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links:

Burótica, um enorme esbanjamento de energia



A burótica, e mais particularmente os computadores, entraram de rompante nas nossas vidas, e é muito difícil questionar o seu uso, se este se pautar por níveis de grande exigência. Processamento de texto, poder de cálculo, modelização de fenómenos complexos são, entre outros, serviços prestados pelos computadores que, dificilmente, poderíamos prescindir. Muito do que usufruímos devem-se aos computadores que nos permitem gerir, seleccionar centenas e milhões de dados.
Mas não é despiciendo perguntamo-nos se será necessário aceitar toda esta deriva energética em que a burótica se lançou nos últimos anos. A resposta é um rotundo não. Mas vejamos de perto do que falamos…
Em média o consumo de um computador é de 362 kWh/na. Se supusermos que existam 20 milhões de computadores, isto levar-nos-á a um consumo anual de 7,2 TWh, ou seja a produção de uma grande central nuclear.
Os parâmetros que influem no consumo de um computador são o tamanho e a tecnologia do ecrã, o poder de paragem da unidade central e do ecrã e, evidentemente, o tempo do seu funcionamento.
Um computador com um ecrã catódico de 21’’ consome em média 306 kWh. Se se contentar com um ecrã de 17’’, o consumo cai para os 170 kWh. E se adoptarmos um ecrã plano de 17’’, o consumo não será mais que 102 kWh. Se tivermos um de 15’’, o consumo anual não ultrapassará os 59 kWh.
Os ecrãs planos consomem em média muito menos, cerca de 2,3 vezes menos, que os ecrãs catódicos. Não vale a pena comprar um ecrã grande se não tivermos necessidade dele. Note-se que, depois de fechado, o ecrã ainda continua a consumir ( uma potência entre 1,7 a 2,7 w). Para evitar isso há que desligar o interruptor, cortando a passagem de energia.
A solução mais cómoda é, sem dúvida, o computador portátil, uma vez que a sua potência média é 25 W. Como o trabalho no portátil nem sempre é confortável, desenvolveram-se as «estações de acolhimento». Trata-se de terminais que compreendem um ecrã plano de 15’’ e um teclado a que se liga o portátil quando queremos trabalhar. A vantagem é beneficiar do fraco consumo do portátil e do conforto da estação.
Em média, um portátil não consome mais que 53 kWh por ano, isto é, dez vezes menos que um computador pessoal com um ecrã catódico de 21’’

A grande questão está em saber como se pode fazer melhor gastando menos. Para isso é preciso entender como os computadores são utilizados nas empresas. E aí começam as surpresas. Um estudo feito mostrou que uma unidade central funciona em média 4004 h/ano, ou seja, 17,8 h. por dia de trabalho, e um ecrã 2510 h./ano, ou seja, 11,2 h. por dia de trabalho. Claro que as máquinas funcionam mesmo sem nenhuma pessoa a trabalhar com elas. Note-se que o tempo de funcionamento dos ecrãs é inferior ao das unidades centrais porque 46% deles estão sob controle de um gestor de energia que os fecha quando não são utilizados. Mesmo assim é importante notar que 7% do consumo anual dos computadores corresponde a um consumo de véspera ( quando o computador é encerrado).
Mas as surpresas continuam porque, graças a um dispositivo específico de medição, vê-se o tempo durante o qual um computador de escritório é realmente utilizado (desde que é accionado pelo rato ou teclado): 686 h./ano, ou seja, 3,0h. por dia de trabalho! Tal significa que uma unidade central é utilizada 17% do tempo em que está em funcionamento, e o ecrã é utilizado 25% do tempo de funcionamento. Todo o tempo restante é esbanjamento e desperdício.
Face a isto não deve ser difícil melhorar as coisas e reduzir os consumos. Vamos indicar as medidas prioritárias começando por aquelas que não custam nada.
A primeira é, pois, gratuita e fácil. Em todas as máquinas vendidas desde há 4 a 5 anos existe um gestor de energia. Trata-se do Energy Star. Acontece que ele nunca é activado, excepto em certos ecrãs. É, pois, aconselhável ir activá-lo no painel da configuração onde diz »Opções de alimentação». Seleccione-se a opção da paragem do ecrã após 10 minutos de inutilização e a paragem da unidade central após 20 minutos de não-uso. Esta simples medida permitirá uma redução média do consumo do ecrã em 60% e da unidade central em 51%
Se comprarmos uma multi-tomada com interruptor e a ligarmos à unidade central, ao ecrã a todos os periféricos, poder-se-á ganhar mais 6%, porque quando desligarmos o computador bastará cortar a alimentação de energia através do interruptor.
Se substituirmos os ecrãs catódicos pelos planos, activando a gestão de energia, a poupança de energia atingirá os 85 a 95%. E se utilizarmos uma «estação de acolhimento» ou um portátil, então a redução do consumo será de cerca de 83%. O simples uso de um portátil é que permitirá, enfim, a maior poupança ( cerca de 89%)

Um enorme potencial de economia

Se estendermos a análise ao conjunto de toda a burótica, então as coisas piam mais fino. O consumo anual observado é de cerca 878 kWh por assalariado. A este número deve acrescentar-se o consumo anual de electricidade específica e a que serve para a iluminação e o aquecimento no edifício, o que faz disparar os números para os 1552 kWh por pessoa, ou seja, mais de 50% que nos alojamentos residenciais.
Todos estes números mostram até que ponto estamos habituados ao esbanjamento e como o desperdício se banalizou no nosso quotidiano. Todavia, quanto será fácil fazer economias significativas no nosso dia-a-dia.

(tradução do texto publicado no nº 320 da revista Silence de Fevereiro de 2005)

Prémio Nobel da Paz censurada nos Estados Unidos


Shirin Ebadi, advogada iraniana, ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2003. Ele publicou entretanto as suas memórias onde expõe as suas opiniões sobre a mulher face ao Islão.
O livro foi proibido de se vender nos Estados Unidos com base num regulamento legal que impede «o comércio com o inimigo»…

Contra os casamentos forçados


A ONU está em vias de incluir os casamentos forçados na lista dos crimes contra a humanidade, considerando que se trata de um violência sexual

Para rir


Um velhote que vivia em Idaho (USA) decidiu plantar batatas no seu jardim, mas o trabalho era duro, pelo que decidiu escrever uma carta ao seu filho, que se encontrava preso, a fim de lhe pedir se o podia ajudar. Alguns dias mais tarde, recebe uma carta do filho: «Querido pai, semeia as batatas que quiseres, mas nunca no jardim, pois foi ali que enterrei os corpos». No dia seguinte, às 6 h. da manhã um exército de agentes do FBI e da polícia local invade a casa e o jardim do velhote, revolvem a terra do jardim à procura dos corpos. Em vão. Na semana seguinte, o velhote recebe outra carta do filho que lhe diz: «Querido pai, agora já podes plantar as tuas batatas no jardim.»

Publicidade pró-obesidade



Na Grã-Bretanha as publicidades para os produtos alimentares com alta percentagem de açúcar representam 20% do tempo publicitário, 59% das receitas publicitárias da TV, e 77% das receitas durante os períodos de programação infantil nas televisões.
Estudos efectuados mostram uma correspondência entre a obesidade das crianças e o tempo que passam diante das televisões.

Choveu menos de metade do habitual em Maio



Ao longo de Maio a chuva que caiu em Portugal continental não chegou a metade da média dos meses idênticos entre 1941 e 1998.
Em Maio a média de precipitação registada nas décadas anteriores foi de 68,5 milímetros, mas o mês de Maio que ontem findou trouxe apenas 27,4 milímetros ao território continental.

As doenças físicas para os operários, e as doenças mentais para os profissionais terciários



Segundo um estudo realizado sobre doenças profissionais, os operários são as primeiras vítimas de doenças físicas resultantes do seu trabalho repetitivo e perigoso, já as doenças mentais atingem sobretudo os quadros e as profissões terciárias.

Manif em Lisboa de trabalhadores credores de empresas falidas



Realizou-se em Lisboa uma manifestação de vários trabalhadores que se encontram na situação de credores da massa falida de empresas que encerraram por motivo de falência e que reclamaram o pagamento de 81,2 milhões de euros em salários e indemnizações em atraso. Este valor foi calculado com base numa amostra de 200 empresas que fecharam no distrito de Lisboa,e envolvem 18 mil trabalhadores.

Greve de 24 h. dos trabalhadores dos STCP

Os trabalhadores dos STCP do Porto realizaram ontem uma greve com uma adesão de 80% contra o bloqueio da revisão da contratação colectiva

Greve hoje na Yasaki, em Ovar

Os trabalhadores da Yasaki Saltano, em Ovar, cumprem hoje um dia de greve, contra a anunciada intenção da multinacional em despedir meio milhar de trabalhadores.

31.5.05

Os ecossistemas não têm preço...



O ritmo de esgotamento das matérias-primas é insustentável. E tal não diz unicamente respeito aos recursos não renováveis, os que têm origem mineral, como os hidrocarbonetos, os minerais e os metais. Também para os recursos renováveis, o ritmo de esgotamento é excessivo: é o caso da água, das pescas e das madeiras tropicais. O modo de produção é, além disso, gerador de poluição, redução da biodiversidade, e destruição do capital natural: o empobrecimento dos solos sob o efeito da agricultura intensiva, o aquecimento climático, o desaparecimento de espécies vivas ou a destruição de ecossistemas…

Não é, contudo, uma lei geral, e muitos exemplos existem que mostram os ecossistemas complexos podem ser muito produtivos sem estarem sob pressão excessiva sobre o seu ambiente.
Mas, sem dúvida, que o formidável crescimento da produção material e dos transportes, desde há dois séculos, veio a traduzir-se numa acentuação muito significativa da «pegada ecológica». Um recente relatório das Nações Unidas («Avaliação dos ecossistemas para o Milénio») constata que, « no decurso dos últimos cinquenta anos, a humanidade transformou mais intensa e rapidamente os ecossistemas do que em qualquer período da história humana». E acrescenta que o crescimento do bem estar que daí resultou para uma parte da humanidade foi feito «em detrimento das vantagens para as futuras gerações, daquilo que estas poderiam obter dos tais ecossistemas». Ou seja, estamos prestes a comer o que nos resta.

Ora o ritmo desta degradação não pára de aumentar. Os derivados de nitratos duplicaram desde 1960, e os dos fosfatos triplicaram. 60% do crescimento do efeito de estufa foram registados desde 1960. O desaparecimento de espécies animais são mil vezes mais ao longo do último século do que ao longo de milénios precedentes: 10% a 30% das espécies encontram-se ameaçadas. Uma parte não negligenciável destes problemas está ligada ao modelo de desenvolvimento industrial, que se mostra muito consumidor de recursos não renováveis. Ainda que terciarizadas, o consumo de matérias primas não pára de crescer: em seis anos (1998-2003) o consumo mundial do nickel aumentou em 16%, o do alumínio em 24%, o do cobre em 14% e o de chumbo em 13 %. Ritmos manifestamente excessivos para o futuro do nosso planeta.

Danos colaterais.

O problema não é tanto, como vulgarmente se crê, o risco de penúria. Tal risco só existe, a médio prazo, para o petróleo ( talvez, o urânio), o que explica, de resto, que a alta dos custos verificada actualmente não é conjuntural: o consumo de petróleo passou de 3 mil milhões a 4,5 mil milhões de toneladas anuais em vinte anos, um aumento de ultrapassa os novos recursos redescobertos durante o mesmo período .Quanto às outras matérias-primas, elas não correm o risco de se esgotarem.
Em contrapartida, o ritmo de extracção gera efeitos colaterais dramáticos para a populações atingidas: forte aumento da radioactividade foi registada no Níger, intoxicações por mercúrio para os produtores de moluscos, redução de superfícies agrícolas cultiváveis, descida dos lençóis de água, e desaparecimento de espécies utilizadas em certas actividades.
Verifica-se, sobretudo, um crescimento significativo da poluição difusa, a que ninguém se sente responsável porque todo o mundo é responsável: nitrificação dos lençóis freáticos causado pelo uso de produtos químicos na agricultura, salinização das terras, dispersão de metais pesados, poluições urbanas, etc. E, com certeza, há que acrescentar o aquecimento climático produzido pela acumulação dos gazes com efeito de estufa, devido principalmente à combustão de carvão e de hidrocarbonetos. O relatório da ONU sublinha que, no domínio das pescas e da água, as intervenções efectuadas ultrapassam já a capacidade regenerativa dos ecossistemas. Num total de 24 ecossistemas estudados pelos investigadores, 15 encontram-se degradados de forma profundamente inquietante.

A regulação dos preços não basta

O mecanismo dos preços – principal, senão mesmo a única via de regulação numa economia liberal – não permite travar de maneira significativa ( e, muito menos, inverter) toda esta degradação dos ecossistemas. Desde logo, porque a maior parte deles são ecossistemas não mercantis: as dificuldades dos pescadores tradicionais na Mauritânia e no Senegal, confrontados com a falta de peixe, não se repercutem em qualquer cotação bolsista, mas traduzem-se na prática na contínua degradação das condições de vida para aqueles que vivem desses ecossistemas.
Mesmo um alta de preços ( do petróleo, por exemplo) não reduz o consumo nem constitui grande estimulo para a produção de recursos alternativos renováveis. A alta o ouro negro nos últimos dois anos não impediu que a procura mundial continuasse a crescer 4% ao ano, principalmente devido ao aumento do parque de veículos e a lentidão de transformação dos sistemas de transportes no seio de um ambiente urbanizado que implicariam investimentos extremamente onerosos . A inércia não é absoluta, mas seriam necessários movimentos consideráveis no sistema de preços para as coisas se modificarem. No fundo, o ajustamento é pago pelas populações mais frágeis que pagam a maior factura para algo de que não são, de todo, responsáveis.
É, pois, pela via de políticas públicas cada vez mais restritivas que se poderá assegurar um desenvolvimento durável. E tal passará pela obrigação da reciclagem, o prolongamento do ciclo de vida dos produtos industriais, a sua redução no consumo, a fixação de taxas com efeitos no ambiente, etc. Já que o problema é mundial, as políticas públicas também o deverão ser. E como os meios dos países ricos não são os dos países pobres, tais políticas terão que ser também solidárias. Infelizmente, ainda não se começou a trilhar por esse caminho. A tomada de consciência planetária ainda não se deu, e a regra ainda continua a ser a de «cada um por si», e que os outros de desenrasquem.

( tradução do texto «Les écosystèmes n’ont pas de prix» publicado em Alternatives Economiques de Avril 2005)

Ecocrítica literária



A ecocrítica é o estudo das relações entre a literatura e o meio ambiente, segundo Cheryll Glotfelty na introdução do livro « The Ecocriticism Reader», que é, até ao momento, a obra mais completa sobre a matéria.
E não faltam críticos que têm explorado esta grelha de análise interdisciplinar, baseados no pressuposto ecológico de que tudo está interligado e, consequentemente, separar a qualidade de uma obra do seu contexto (sócio-económico, político, etc) será cair no simplismo redutor.
Segundo o próprio Glotfelty a evolução da ecocrítica processou-se ( e continuará a fazer-se) segundo o mesmo esquema evolutivo do feminismo: no início recorre-se às imagens da natureza na literatura canónica, tentando-se identificar determinados estereótipos ( Éden, Arcádia, etc) e ausências significativas; depois, num segundo momento, recupera-se alguma tradição marginalizada de textos escritos a partir da natureza; e, por último, evolui-se para uma fase teórica, preocupada por construções literárias do ser humano em relação com o seu meio natural, e daí o interesse por poéticas ligadas a movimentos como a ecologia profunda ou o ecofeminismo.
Como sempre acontece com os movimentos embrionários, logo apareceram uma praga de leituras fáceis que reivindicavam esta leitura analítica, sem com isso querer negar o aparecimento de uma série de perspectivas novas e interessantes desenvolvidas por um grupos de lúcidos ecocríticos.
No seu livro «The Environmental Imaginaions» , Lawrence Buell interessa-se pelos caminhos que levam do antropocentrismo e do egocentrismo para um ecocentrismo, procurando as obras, cujo meio natural deixou de ser um simples referencial e se tornou no verdadeiro protagonista. Estuda o «place-sense», ou seja, a consciência dos seres humanos – quer sejam narradores, personagens ou simples falantes poéticos – quanto à sua pertença a um lugar específico e que influencia, em grande medida, a sua forma de ser de agir. Existem muitos textos «ecológicos» que insistem na importância de um olhar atento, desfamiliarizador, sobre o espaço local; por outro lado, uma escrita acerca da morada ou oikos ( raiz etimológica latente na palavra ecologia) responderia à alienação que anda associada ao nosso modo de vida. Como diz Jonathan Bate, « a casa e a morada são importante para os seres humanos porque é sabido por todos o que é o desenraizamento ( o estar-sem.casa) e a alienação», enquanto outras espécies se encontram permanentemente dentro do seu ecossistema. O ser separado procura sempre efeitos catárticos na arte: « a arte é o lugar do exílio onde lamentamos a perda do nosso lugar na terra».
Ao reformular as relações entre o eu e o seu meio natural, Buell propões uma aesthtics of relinquishment, uma «estética de renúncia» que consiste fundamentalmente numa «literatura de simplicidade voluntária», em que o narrador ou o falante – personagens da obra – renunciam aos bens materiais. Mas também, de uma maneira mais radical, pode levar à renúncia do eu e a deixar-se permealizar pelo outro, ou a um cruzamento entre outros eus; outras vezes, é-se levado a uma personalização de seres não-humanos que eliminaria o abismo hierárquico entre o homo sapiens e as demais espécies; pode ainda ser-se levado a uma representação dos interesses e dos desejos das plantas e dos animais e a um retorno a formas míticas e animistas do passado.
Vários ecocríticos dedicaram-se a investigar formas pastoris. Terry Gifford, por exemplo, fala no seu livro «Green Voices» de uma poesia «post-pastoril» -a de Ted Hughes e Seamus Heaney, entre outros – em que o mundo estático da tradição virgiliana foi substituída por uma natureza dinâmica sujeita a processos cíclicos. A crítica marxista – nomeadamente Raymond Williams - refere-se às injustiças sociais que a poesia pastoril secularmente ocultou, mas Jonathan Bate defende que a representação de mundos ideais, ainda que aparentemente falseadora da realidade, é como que uma resposta a uma necessidade inerente ao ser humano, e como uma mecanismo admonitório e de sobrevivência para termos consciência das perdas provocadas pela degradação ecológica: «A idealização das comunidades orgânicas do passado, tal como a idolatria dos povos aborígenes que teriam supostamente evitado alguns males da modernidade, poderiam servir para uma máscara para as opressões do presente. Mas o mito de uma vida perdida não é menos importante pelo facto de ser mito e não história. Os mitos são imagens necessárias, relatos exemplares que ajudam a nossa espécie a dar sentido ao seu papel no mundo.»

Outros críticos investigaram as relações entre literatura e ciência: Fala-se muito, por exemplo, das ideias de Gary Snyder sobre a tradição poética como um processo análogo aos ciclos naturais de decomposição e de novo crescimento, em que o poeta seria emergia do detritus simbólico da biomassa morta, ou seja, dos escritores mortos. Fala-se também das reelaborações contemporâneas do mito do apocalipse, quer como holocausto nuclear, quer como destruição ecológica do nosso mundo em que os símbolos poéticos intemporais voltam a ser problemáticos: o ar transparente, hoje contaminado; o céu infinito, danificado pelo buraco do ozono; a chuva purificadora, convertida em chuva ácida; a terra-mãe, hoje desértica; os mares agonizantes; os rios e lagos mortos.

Também a teologia, especialmente a teologia da libertação, mostrou-se também sensível ao pensamento ecologista – e existem tanto na prosa de Boff como na poesia de Cardenal, por exemplo – um incisivo questionamento do cristianismo, a «religião mais antropocêntrica de todas a que o mundo conheceu.»
Por sua vez, o ecofeminismo ligou o activismo feminista com a causa ecologista e dedica-se ao estudo de como o androcentrismo moderno explorou quer as mulheres quer a natureza, ou como as metáforas e as imagens literárias reflectem a analogia mulher-natureza, e ainda como o actual interesse pela Deusa resulta de uma longa tradição mítica e literária que procede da tradição greco-latina, de Gaia dos hinos homéricos.
Por outro lado, os ecocríticos, enquanto se dedicam a recuperar a visão animista e harmónica das literaturas indígenas, também se viram para os discursos urbanos contemporâneos trespassados pelo lixo e despejos tóxicos.
Enfim, mil e um caminhos que o crítico e o leitor podem explorar, e que funcionam não só a nível social para despertar as nossas consciências adormecias em matéria ecológica, como também para enriquecer as nossas leituras.
Como quer que seja os notáveis estudos levados a cabo por Buell e Bate são a melhor garantia para o futuro da ecocrítica, pelo menos para os falantes de inglês. No mundo hispano é todo um imenso campo de investigação que se abre, e que se mantém virgem até agora.

Tradução de:
http://www.babab.com/no07/ecocritica.htm

Mais info em:
http://www.iyume.com/nonature/ecolinks.htm



Science and Ecocriticism
By Ursula K. Heise
The American Book Review 18.5 (July-August 1997): 4+.

Ecocriticism, or "green" criticism, is one of the most recent interdisciplinary fields to have emerged in literary and cultural studies. Ecocriticism analyzes the role that the natural environment plays in the imagination of a cultural community at a specific historical moment, examining how the concept of "nature" is defined, what values are assigned to it or denied it and why, and the way in which the relationship between humans and nature is envisioned. More specifically, it investigates how nature is used literally or metaphorically in certain literary or aesthetic genres and tropes, and what assumptions about nature underlie genres that may not address this topic directly. This analysis in turn allows ecocriticism to assess how certain historically conditioned concepts of nature and the natural, and particularly literary and artistic constructions of it, have come to shape current perceptions of the environment. In addition, some ecocritics understand their intellectual work as a direct intervention in current social, political, and economic debates surrounding environmental pollution and preservation.
Excerto de:
Science and Ecocriticism
By Ursula K. Heise
The American Book Review 18.5 (July-August 1997): 4+.

Epicuro, o filósofo dos desejos



No século IV a.c., a Grécia está sob a tutela da Macedónia. Alexandre acaba de morrer, os generais lutam entre si, e as cidades gregas perdem a sua autonomia. Epicuro (341-270 a.c.) nasce na ilha de Samos, segue o ensinamento de vários mestres, põe-se a viajar e acaba por fundar uma escola de filosofia em Atenas: o Jardim.
As mulheres e os escravos eram bem-vindos e admitidos no «Jardim», coisa rara para a época. A influência da sua filosofia foi enorme nos séculos seguintes. A verdade, porém, é que a sua filosofia foi objecto de frequentes deturpações. Epicuro buscava a «felicidade», o prazer, e os meios mais simples para os alcançar.
Não raro procurou-se converter o epicurismo numa busca do puro prazer, no sentido moderno do termo. Certo é que os cristão nunca pararam de o criticar. Mas os enganos multiplicaram-se sobre um pensamento mais próximo do ascetismo que do hedonismo.

O epicurismo opera uma distinção entre os prazeres que são naturais e necessários, como comer, beber, e aqueles que, apesar de serem naturais, não são necessários, como comer uma refeição farta, ou beber muito. Relativamente aos prazeres que não são nem naturais nem necessários, como a procura de poder, de homens ou de riquezas, tais procedimentos só podem trazer instabilidade e desequilíbrio. Perante isto, só o primeiro género de prazeres deve ser seguida: a vida feliz baseia-se na moderação dos desejos, e nas coisas simples. Epicuro suprime todas as necessidades supérfluas. Não é preciso, de todo, multiplicar os nossos desejos, que acabam por nos alienar. Precisamos de nos acautelar relativamente as estes prazeres não naturais que nos acabam por nos prender.

O pensamento de Epicuro torna-se, nos dias que correm, uma voz a ouvir. Ele viveu, tal como nós, numa sociedade despolitizada, e a sua filosofia pode ser vista como um convite para uma auto-reflexão, um caminho para a felicidade. Vinte e cinco séculos depois de ter vividos, não faltam os convites para o «expansão pessoal», e os magazines encarregam-se de vender cada um a sua receita…Mas, ao contrário do vendedores de felicidade e das ilusões, Epicuro não vê no consumo de bens materiais uma forma de atingir a felicidade. Muito pelo contrários, ele seria hoje o primeiros a estigmatizar os nossos hábitos de conforto, a nossa necessidade imperiosa de nos deslocarmo-nos a toda a velocidade, a nossa necessidade de comer carne três vezes por semana…Ora todos estes prazeres, que muitos de nós colocam no centro da sua vida, tornam-nos cegos sobre aquilo que o filósofo grego chamaria a felicidade: a simplicidade voluntária.

(texto de Sophie Divry, publicado no nº 26 de La Décroissance, le journal de la joie de vivre)

Rede internacional da hospitalidade



A associação Hospitality club é uma rede internacional de hospitalidade fundada em 2000 e que se baseia no sistema de trocas vi net, reunindo presentemente mais de 43.000 membros em 170 países. O princípio maior que inspira a rede consiste no contacto e troca entre culturas, fora do circuito turístico. Um encontro internacional realizar-se-á proximamente nos dia 13-17 de Julho em Monnai ( em Orne, França). O encontro é organizado por jovens artistas e todos os interessados são bem-vindos.

www.monnai2005.com

30.5.05

Tchernobyl nos nossos pratos!



O lobby nuclear está a tentar modificar a regulamentação internacional de modo a ser autorizada a presença de poluentes radioactivos na nossa alimentação!!!
É incrível mas, infelizmente, é verdade!

Logo após a catástrofe de Tchernobyl em 26 de Abril de 1986 os governos elaboraram normas comuns para a gestão de futuros acidentes nucleares. A contaminação então gerada tinha apanhado os governos de surpresa, e cada qual definiu as suas próprias normas, que variavam conforme os gastos que cada Estado estava pronto a gastar para limitar a quantidade de radioactividade a ingerir por cada indivíduo. A variedade de limites fixados levou à interpelação dos responsáveis acerca das arbitragens efectuadas entre as autoridades de saúde e os interesses económicos. Situação incómoda que nenhum governo deseja naturalmente viver. Entre 1987 e 1989 a acção desenvolvida foi muito intensa. A nível europeu o trabalho foi efectuado no quadro do tratado do Euratom. A nível internacional, o dossier foi entregue à Comissão do Codex Alimentarius, uma estrutura dependente da Organização Mundial da Saúde e da FAO encarregada na elaboração de normas alimentares que regulem o comércio internacional.

A regulamentação saída destes trabalhos fixa os níveis de contaminação «aceitáveis» nos géneros alimentares durante as situações de crise. Os limites então fixados não são certamente muito protectores, mais a verdade é que apresentavam duas garantias fundamentais: tais «normas» só teriam validade numa situação pós-acidente e sempre com uma duração limitada - uma duração que, segundo o regulamento europeu, devia «ser tão breve quanto possível», e que «não devia ultrapassar os 3 meses». Ora assiste-se actualmente à tentativa por parte do lobby nuclear de fazer desaparecer estes limites temporais.

Tudo começou por iniciativa da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), um organismo das Nações Unidas com duas missões: controlar o nuclear militar e promover o nuclear civil.Em 2002, esta Agência instou a Comissão do Codex alimentarius a rever a regulamentação relativa ao comércio dos alimentos contaminados. A Comissão respondeu favoravelmente…tendo encarregado a própria AEIA (!!!) a elaborar um texto regulamentador sobre a matéria!

Resultado: a regulamentação preparada sob os auspícios da Agência de promoção do nuclear civil prevê limites de contaminação dos alimentos que serão, daqui para diante, sem qualquer limitação de tempo e o seu campo de aplicação estendido não só para as situações de crise mas ainda para a própria gestão dos despejos controlados das instalações nucleares. A lógica que se quer impor será não mais limitar por um tempo a contaminação provocada por uma crise nuclear, mas autorizar definitivamente a presença de poluentes radioactivos nos nossos alimentos.

Tratando-se de poluentes cancerígenos e mutogénicos reconhecidos, a AIEA não tinha outra solução senão reafirmar os seus riscos. De facto, o texto afirma claramente a inocuidade das novas disposições: os alimentos cuja contaminação não ultrapasse os limites fixados pela AIEA «devem ser considerados como seguros para consumo humano».

O problema é que, como valerá a pena verificar, os níveis por dose, logo de risco, são de 100 a 2.000 vezes superiores àquilo que pretendem os autores do projecto. Já não estamos no patamar do risco «negligenciável» mais bem pelo contrário nos níveis de risco completamente inadmissíveis.

A afirmação, segundo a qual o consumo dos alimentos contaminados abaixo dos limites está fora de risco, esquece de precisar que isso só é válido na condição expressa que eles não sejam mais que 0,1% da alimentação total de uma pessoa. Ora 0,1% representa menos de 10g. por dia para um adulto e menos de 2g. para uma criança pequena. Trata-se de um pequeno detalhe que faz toda a diferença.

E quando se fica a saber que o projecto regulamentar não prevê absolutamente nada para garantir o respeito destas percentagens, nem sequer que os consumidores fiquem em condições de identificar os produtos com tais contaminações, pode-se então avaliar o alcance do procedimento que está em vias de ser aprovado. Sob a referência ALINORM 04/27/12, o projecto da AIEA já passou sete das oito etapas exigidas para a adopção das normas oficiais do Codex alimentarius. A luz verde, correspondente à adopção definitiva do projecto, terá lugar no início de Julho em Roma.

Há toda a urgência nesta matéria. Se a nova norma for aprovada, não haverá possibilidade de recurso: nem para os produtores nem para os consumidores, nem mesmo para os Estados que se sujeitaram às penalizações da Organização Mundial do Comércio caso bloqueiem o comércio de alimentos «legalmente» contaminados!!! Ainda estamos a tempo de fazer fracassar o projecto daAIEA…desde que não fiquemos passivos.


(texto de Corinne Castagnier, directora da Comissão de investigação e informação independente sobre a Radioactividade, CRIIRAD, publicado en edição francesa da revista L’ecologist nº15, Avril 2005)

Há uma petição a correr pela Net.

Mais info:
www.criirad.org