Um blogue sobre os movimentos sociais, a ecologia, a contra-cultura, os livros, com uma perspectiva crítica sobre todas as formas de poder (económico, político, etc)
São lindas, maravilhosas, de daninhas têm pouco ou nada, são muito desvalorizadas pela maioria, mas são mais que úteis e cheias de propriedades terapêuticas por descobrir.
Aparecem assim, aparentemente do nada, mas na verdade, vêm para alertar para o que está em desequilíbrio e colmatam falhas nutricionais do solo, alimentando-o no que lhe falta...
A Erva Daninha nº 3 é uma publicação do GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental.
E acabou de sair com um novo formato, muitas páginas...muitos estranhas ligações críticas mas nada crípticas....
E, já agora, apoiem-na, para que a Erva Daninha resistir-resistir-resistir-resistir!
Para adquirir a Erva Daninha, desloca-te a uma banca do GAIA mais perto de Ti ou envia um mail para ervadaninha@gaia.org.pt
O Jantar Popular regressa depois do Verão. Hoje, a partir das 20h, um menu que prepara também o regresso do Outono, com batatas assadas e Feijão de Fim de Verão.
A partir das 22h, um programa para começar em grande: um documentário chamado "Hortogonal", e foi filmado por Sara Correia e Daniel Melim, em várias hortas da nossa cidade. Apareçam
Grupo Desportivo da Mouraria Travessa da Nazaré, 21 - 1° 1100-368 Lisboa Telef. 218 870 058 Fax. 218 870 058
A Utopia- revista anarquista de cultura e intervenção atingiu o bonito número de 25 revistas publicadas com a saída do último e mais recente número, correspondente ao semestre de Janeiro-Junho de 2008, com um grafismo sóbrio e o formato de sempre.
São 96 páginas preenchidas com textos e material gráfico demonstrativos que é possível observarmos o mundo e analisarmos os fenómenos sociais com uma outra perspectiva daquela a que se está habituado, uma perspectiva libertária e emancipatória.
Esta última edição contém um dossier sobre o desporto, onde se destacam texto como «O Desporto como Miséria e Espectáculo na era da Globalização» de José Maria Carvalho Ferreira, e «A sociedade industrial dificulta a actividade física» de José Janela. A revista recorda ainda os acontecimentos de Maio de 68 com um texto extremamente interessante de Henrique Garcia Pereira sobre «O Outono Quente no IST em 1968» , e um outro sobre os Provos, o movimento contra-cultural holandês surgido pela mesma época. Ainda é possível ler um curioso «Glossário básico do anarquismo» ( por José Tavares), notícias várias , crítica de livros, e notas sobre o desaparecimento de Albert Cossery, Francisco Gomez «Paço», e António Manuel Anica.
A revista é editada pela Associação Cultural A Vida e nos seus princípios editoriais pode-se ler:
«UTOPIA define-se como revista anarquista de cultura e intervenção, o que significa a reivindicação do património das ideias libertárias e do movimento anarquista, ainda que à luz de um pensamento próprio, activo e actual, e no respeito face a outras interpretações desse património.
Ao definir-se como de cultura e intervenção, UTOPIA pretende-se como um espaço de tolerância, diálogo e criação, procurando contribuir para o aperfeiçoamento dos homens e para o alargamento das suas possibilidades de expressão e de invenção.
Ao definir-se como de intervenção, UTOPIA pretende-se como um espaço de análise e debate dos fenómenos sociais e políticos das sociedades contemporâneas, procurando contribuir para a emancipação e a liberdade dos indivíduos e dos grupos sujeitos a quaisquer situações de opressão, repressão e intolerância, assim como procurará opor-se aos sistemas e mecanismos conducentes a manter situações de constrangimento e desvantagem social e económica de indivíduos e grupos em relação a outros, e ao Estado, entendido como um poder a que todos os homens devem obedecer mesmo que em desacordo com ele. Nesta intervenção, UTOPIA será a expressão de lucidez e de revolta, assumindo plenamente o carácter utópico das tarefas a que se propõe.»
O preço da revista é de 5 euros
e pode ser encontrada em livrarias como:
Em Lisboa: Livraria Letra Livra – Calçada do Combro, 139, Lisboa Livraria Ler Devagar (loja sedeada na galeria ZDB) – rua da rosa 145, Lisboa
No Porto: Livraria Utopia - R. das Oliveiras,72,Porto
Eclipse Total : 5º Festival Artes do Palco Um produção da Eclipse Arte Teatro da Vilarinha
Rua da Vilarinha, 1386 (junto ao Parque da cidade)
4100-513 Porto
tel. 226 108 924
O festival é qualificado pela organização como "um espaço de encontro de sensibilidades e de oportunidades de mudança, redefinição e estabilização de cursos de vida e uma oportunidade de vivência de uma arte alternativa que pela sua capacidade de integração de artistas e espectadores numa mesma plataforma contemporânea, busca a criação de veículos artísticos".
O Eclipse Total apresenta-se ainda como "um espaço intensivo de criação e mostra de trabalhos elaborados pela equipa de criadores e produtores que dão o seu entusiasmo a esta iniciativa da Eclipse Arte".
Este ano, o festival agrega-se em torno do nascimento do movimento World Art - uma plataforma de intercâmbio cultural e artístico que pretende rodear os agentes envolvidos de condições dignas de trabalho.
Estas condições envolvem, salientam, "uma série de requisitos pré-estabelecidos, nomeadamente residência, alimentação ovo-lacto-vegetariana, capacidade de mobilização de artistas e públicos, visibilidade de trabalhos e condições de criação de riqueza e valorização dos objectos artísticos que se apresentam".
Estes objectos têm necessariamente um carácter transdisciplinar e uma linguagem universal.
Além dos espectáculos programados o festival prevê ainda várias oficinas de trabalho relacionadas com as artes de palco, assim como exposições.
ECLIPSE ARTE ASSOCIAÇÃO CULTURAL contacts: 351 96 014 01 82
«Queixe-se que é para o meu chefe saber que eu ando a trabalhar» - desabafo de um inspector do SEF depois de ter sido interpelado a identificar-se perante um cidadão que pretendia queixar-se pela sua actuação.
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal identifica passageiros do comboio Vigo-Porto estacionado na estação de Tui.
Não são apenas os emigrantes que tem queixas do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), a policia portuguesa que se ocupa da vigilância das fronteiras. Eu que sou cidadão comunitário, português de gema, lisboeta e branco, não obstante ter um «bronze» invejável que ganhei ao sol da Caparica, também acabei incomodado e alvo da arrogância desses agentes policiais. E para mais quando me encontrava ainda fora de Portugal e em território do Estado Espanhol. Passo a contar.
Vinha no comboio internacional procedente de Vigo com destino ao Porto na tarde do dia 20 de Agosto. O comboio parou em Tui, a cidade galega onde efectua a ultima paragem antes de atravessar o Rio Minho e entrar em Portugal. Após alguns minutos de espera nesta estação irrompem pelas carruagens uns senhores de colete verde que desatam a pedir a identificação a todos os passageiros. Uma rusga.
«Passaporte ou Bilhete de Identidade» gritavam arrogantemente aos viajantes. Quando percebi que eram agentes de autoridade portugueses recusei identificar-me. Afinal estava dentro de um comboio internacional ainda em território do Estado Espanhol. A minha recusa provocou a ira do inspector que brandindo o crachá de agente do SEF me ameaçou de detenção.
Perguntei-lhe se pedia contra mim alguma acusação ou se estava a cometer algum delito ao que ele respondeu que não acrescentando que tinha a obrigação de me identificar. Recusei mais uma vez e disse-lhe que apenas me identificaria a autoridades espanholas visto estar em território espanhol. E acrescentei com alguma irritação que ele não tinha autoridade para me identificar ou sequer incomodar em território estrangeiro.
O inspector secamente respondeu: «Sai comigo em Valença detido. E se quiser queixe-se às autoridades espanholas do que eu lhe estou a fazer». O revisor português, que já se encontrava no comboio, percebendo que o caldo se tinha entornado voltou cobardemente as costas e mudou de carruagem.
Nisto o comboio arranca, atravessa a fronteira e eu desço normalmente em Valença, meu destino naquela viagem. Mal ponho os pés em terra o inspector tenta lançar-me a mão e pede-me de novo a identificação. Faço-lhe o mesmo. Fiquei a saber que se tratava do inspector do SEF Edson Pinheiro.
Identifiquei-me dizendo-lhe que o fazia por já me encontrar em território português e que iria fazer relato do caso às autoridades espanholas. Respondeu com a mesma arrogância: «Queixe-se que é para o meu chefe saber que eu ando a trabalhar».
Pelos vistos o inspector do SEF Edson Pinheiro é um agente calaceiro que resolveu mostrar serviço naquela tarde da pior maneira. Incomodando os passageiros de um comboio internacional ainda estacionado em território estrangeiro.
Foi lançada uma petição contra a chipação (colocação obrigatória de chips de vigilância nas matrículas dos veículos automóveis) que representaria, se for implementada, uma gravíssima intromissão na esfera privada e liberdade pessoal, traduzindo a emergência totalitária de uma «sociedade de controle» onde um Big Brother panóptico vigiará todas as deslocações dos automóveis com o pretexto estapafúrdio de garantir a segurança rodoviária….
Reproduz-se abaixo o teor da Petição, assim como o link onde poderá ser assinada.
PETIÇÃO
Foi recentemente anunciada a intenção do governo de criar o Sistema de Identificação Electrónica de Veículos (SIEV), que torna obrigatória a colocação de chips electrónicos nas matrículas de todos os veículos automóveis.
Estes chips, designados de Dispositivos Electrónicos de Matrícula, emitem um sinal (RFID), que é lido e identificado por leitores de vigilância presentes ao longo da estrada; permitindo a identificação de cada veículo que passa nas suas imediações.
Esta tecnologia dá duas capacidades aos serviços, estatais e privados, comissionados para operar o SIEV: - controlar a circulação de automóveis nas vias sob monitorização, pela identificação de cada veículo; - após detecção, fazer cobranças automáticas aos proprietários dos veículos pela circulação nessas vias.
As intenções do governo foram reforçadas a 18/06/2008, quando os votos solitários da maioria absoluta socialista no Parlamento fizeram aprovar o Decreto nº240/X, dando ao governo autorização para legislar sobre este assunto. Como se procurará expor nos pontos abaixo, as premissas deste projecto são ambíguas e questionáveis: - o SIEV parece ser inútil, até prejudicial, do ponto de vista da facilitação da vida do utente; - o governo, e os seus parceiros privados neste projecto, passam a deter um poder excessivo e injustificado para controlar, e eventualmente taxar, os veículos; - o direito à privacidade dos automobilistas é posto em causa; - e, uma vez mais, pretende-se que os contribuintes portugueses sejam chamados a pagar um projecto governamental megalómano, dispensável, e potencialmente prejudicial para as suas liberdades e direitos elementares.
Analisemos mais detalhadamente o SIEV. As seguintes questões são fulcrais, e é essencial que sejam colocadas pelo público:
1) O SIEV não vai implicar apenas a colocação, intrusiva, de chips nas matrículas. Vai também forçar os contribuintes portugueses a verem o dinheiro dos seus impostos a ser gasto em todo um aparato infra-estrutural. E, como é de bom senso, o dinheiro público não pode ser gasto de um modo excêntrico e irresponsável pelos governantes. Assim, qual a necessidade real que justifica o dispêndio do dinheiro dos contribuintes neste sistema? Existe sequer uma necessidade real?
2) As necessidades alegadas pelo governo são listadas no Decreto nº240/X; e todas são frágeis e questionáveis:
2.1) “Fiscalização do cumprimento do Código da Estrada e demais legislação rodoviária”
Os sistemas de fiscalização existentes já cumprem estas funções eficazmente; como, aliás, é reconhecido internacionalmente. Senão, recorramos ao principal critério de eficácia neste campo – o da redução da sinistralidade rodoviária. Entre 2001 e 2007, Portugal reduziu a sua taxa de sinistralidade em 42% sendo, a par de França e Luxemburgo, considerado país-modelo pelo Conselho Europeu de Segurança Rodoviária. Os sistemas actuais obtêm resultados inegavelmente bons e eficazes. Logo, não é razoável alegar que, para as mesmas funções, seja necessário adoptar toda uma infra-estrutura acessória que, além de dispendiosa, exercerá uma influência intrusiva e controladora sobre os indivíduos.
2.2) “Identificação de veículos para efeitos de reconhecimento de veículos acidentados, abandonados ou desaparecidos”
Os meios actuais já dão resposta a estas situações. Mas, e independentemente disso, seria irracional e absurdo alegar que, para precaver excepções, é legítimo controlar intrusivamente todos os veículos.
2.3) “Cobrança electrónica de portagens em conformidade com o Serviço Electrónico Europeu de Portagem bem como outras taxas rodoviárias e similares”
Repare-se que em Portugal já existe um sistema de cobrança electrónica de portagens – chama-se Via Verde. Como é natural e legítimo, a subscrição desse serviço foi sempre opcional. As pessoas que o vêm como vantajoso, subscrevem-no; e vice-versa. Não é nem o papel nem o direito do governo, o de procurar impor um sistema similar à Via Verde a todos aqueles que, por opção própria e legítima, optaram por não subscrever esse tipo de serviço. Mas o ponto de maior interesse nesta alínea, é o modo como admite que o SIEV servirá para taxar o público – através da cobrança de portagens, mas também de «outras taxas rodoviárias e similares». Esta é, naturalmente, uma premissa perigosa. Como é demasiado evidente, dá ao governo – seja ao presente, seja a qualquer governo posterior – o espaço legal para aumentar taxas já existentes, ou mesmo para criar novas taxas; e para, depois, impor o pagamento destas taxas, com o SIEV.
Logo, nenhum destes motivos parece legitimar a implementação de um projecto dispendioso e intrusivo como o SIEV. Mas as reservas em relação a este projecto não ficam por aqui, como os pontos seguintes procuram demonstrar.
3) Sendo um sistema de controlo/vigilância, o SIEV é, por definição, intrusivo na privacidade individual. Os dados recolhidos serão registados em bases de dados estatais e/ou privadas e submetidos a cruzamentos de informação, como é admitido pelo Decreto nº240/X; que estabelece que estas bases de dados serão partilhadas entre órgãos estatais, e cruzadas com outras bases, públicas ou privadas. Mesmo assumindo que a primeira legislação aprovada pelo governo possa procurar salvaguardar a privacidade dos indivíduos – o que não é um dado adquirido –, o facto é que é criada toda uma infra-estrutura de controlo efectivo que, como tal, está sujeita a: - Falhas potencialmente graves (p.ex., partilha ilegal de dados); - Possíveis reenquadramentos legais no futuro, que o possam converter num sistema de controlo mais intrusivo do que aquele que já é pretendido.
O SIEV tem, claramente, um potencial de controlo demasiado elevado para que entidades estatais ou privadas, dele devam fazer uso. Não bastaria exigir que fosse bem utilizado por estas instâncias; é necessário antes que estas instâncias não possam sequer ter a possibilidade de usufruir desta caixa de Pandora.
4) O SIEV transformaria as estradas em gigantescas alfândegas de inspecção e vigilância indiscriminadas; fazendo dos automobilistas suspeitos até prova em contrário. E não é assim que funciona um Estado que se pretende livre e de direito.
Pelos motivos apresentados, o SIEV não parece ser apenas acessório e dispensável; mas também mais um encargo inútil para os contribuintes. E é um evidente tiro no escuro, que pode apresentar sérias implicações para as liberdades dos indivíduos. Não deve, portanto, ser levado a cabo.
Assim, enquanto cidadãos livres, consideramos que o governo tem de colocar um ponto final nas suas intenções, e parar este projecto de imediato. Não passá-lo intransigentemente; não perder mais o seu próprio tempo, e o do público, em campanhas de desinformação e de propaganda; e claro, não procurar passar o projecto de modo dissimulado, através de uma versão atenuada do mesmo.
Simplesmente, colocar um ponto final definitivo no SIEV.
Assinar a petição no seguinte endereço electrónico:
O meio e o contexto social influenciam decisivamente a saúde de cada indivíduo, segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde agora divulgado
As diferenças quanto ao estado de saúde, bem assim quanto à esperança de vida, existente entre os cidadãos dos diferentes países, e inclusivamente dentro do mesmo país, são uma consequência do contexto social onde cada qual nasce, vive, cresce, amadurece e envelhece. Esta é a principal conclusão de um estudo elaborado pela Comissão sobre as condicionantes sociais da saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS) que analisou estes factores ao longo de três anos seguidos.
O relatório afirma que «a nefasta conjugação de políticas e normas económicas deficientes e de um má gestão são os responsáveis, em grande medida, pelo facto da grande maioria da população do mundo não gozar de um grau de saúde que seja biologicamente satisfatório».
E é a própria directora geral da OMS, Margaret Chan, que retira a conclusão mais óbvia: «a iniquidade sanitária é verdadeiramente uma questão de vida ou morte».
Outro dado a reter do estudo é que o nível de riqueza dos países não é decisivo, pois países com rendimentos baixos como é o caso de Cuba, Costa Rica ou Sri Lanka conseguem bons níveis de saúde.
Para além das desigualdades no acesso à saúde, existe outra série de variáveis que influenciam também na saúde. A causa das doenças transmitidas pela água, por exemplo, não é a falta de antibióticos, mas sim muito simplesmente pela insalubridade da água. Assim também as causas para as cardiopatias não resultam da carência de unidades de cuidados, mas antes do modo de vida da população; tal como o flagelo da obesidade advêm do excesso de alimentos ricos em açúcares
Dados sintomáticos recolhidos no estudo mostram a conexão entre as diferenças sociais e as doenças:
Assim, por exemplo, em Espanha os problemas de saúde mental entre os trabalhadores variam consoante o seu estatuto laboral: nos trabalhadores com contrato fixo, a percentagem de quem sofre esse tipo de doença está entre 5% e 15%, enquanto nos trabalhadores precários, sem contrato, a percentagem de quem sofre desse tipo de debilidades está entre 25% e 35%
Na Indonésia as mulheres da classe baixa morrem entre 3 e 4 vezes mais durante o parto do que as mulheres das classes superiores
Na Austrália os aborígenes australianos vivem 17 anos menos que qualquer outro indivíduo do mesmo país.
Nos Estados Unidos da América as taxas de mortalidade entre brancos e afro-americanos são muito diferenciadas, e o seu reequilíbrio poderia representar 886.202 mortes a menos.
No Quénia a mortalidade infantil entre as crianças dos bairros de barracas de Nairobi é multiplicada por 2,5 comparada com a que se regista com as crianças dos outros bairros da mesma cidade
Na Bolívia os bebés de uma mulher boliviana não instruída tem 10% de probabilidade de morrer comparado com os 0,4% dos bebés das mulheres instruídas.
Saruul Agvaandorj, líder do movimento ecologista da Mongólia foi libertada, depois de ter sido presa durante uma acção pacífica de protesto realizada no passado dia 5 de Agosto pedindo a libertação de mais 200 pessoas detidas no início do mês de Julho, pouco depois das eleições, realizadas a 29 de Junho, quando se manifestavam para denunciar os resultados eleitorais fraudulentos que levaram ao poder o actual governo.
Foi para pedir a libertação destas pessoas que Saruu Agvaandorj, líder do Movimento verde da Mongólia, assim como Arslan Gombosuren, dirigente da «Frente por uma sociedade justa» realizaram uma acção de protesto pacífica no dia 5 de Agosto. A sua detenção prolongou-se até ao dia 19 de Agosto, dia em que foram libertados.
Foram mais de 50 mil os candidatos não colocados. Para quem quiser tentar a sorte fora do país, deixo umas dicas sobre como procurar emprego na área da educação, no Reino Unido.
1. Só vale a pena tentar, se for fluente no inglês falado e escrito. Se tiver feito o exame Toefl, o acesso fica muito facilitado. Se tiver o diploma Proficiency também fica com a vida facilitada.
2. Inscreva-se nos websites de oferta de emprego no Reino Unido. Um dos websites com mais ofertas de trabalho na área da educação é o educationjobs: http://www.education-jobs.co.uk/
8. E o eteach: http://www.eteach.cm/ Se a sua vocação para ensinar for superior ao desastre, não desanime. Se fala e escreve fluentemente inglês, lembre-se de que é fácil conseguir uma colocação numa escola inglesa, recorrendo a um destes websites. Se o seu inglês não for forte, ainda está a tempo. Inscreva-se numa boa escola de línguas e faça o exame Toefl. De seguida, concorra a uma das muitas milhares de vagas existentes no Reino Unido.
A Irlanda tem falta de professores e educadores. Se você não ficou colocado e não tem esperanças de o ser por pertencer a um grupo de recrutamento onde há muitos horários zero, pense na possibilidade de concorrer a um lugar de professor na Irlanda. Para além de ir ganhar o dobro, livrar-se-á da burocracia imposta por MLR às escolas e aos professores portugueses. Há dois requisitos que tem de cumprir para concorrer: ter uma licenciatura ou mestrado que dê habilitação profissional para o ensino e ser fluente em Inglês.
6. Não fique parado à espera que apareça uma vaga em Portugal. Se não tiver condições para concorrer a uma vaga de professor na Irlanda, comece a pensar em mudar de profissão.
7. Se o curso que tirou não lhe abre perspectivas de emprego e não quer sair de Portugal, pense na possibilidade de fazer uma reconversão profissional, frequentando um dos muitos cursos de reconversão profissisonal que as Universidades criaram para jovens licenciados sem trabalho.
8. Faça uma pesquisa dos cursos de reconversão profissional nas páginas web das Universidades ou dirija-se à Direcção Geral do Ensino Superior a pedir informações.
9. Se ousar ir ensinar para a Irlanda e for contemplado com um lugar numa escola de Dublin ou de Cork, não pense que vai ficar muito longe de casa. A Ryan Air faz voos para a Irlanda a muito baixo custo. Do Porto, pode fazer a viagem para Dublin por apenas 50 euros. Em algumas alturas do ano, por muito menos. Eu já consegui bilhetes por 10 euros! E lembre-se de que a viagem demora apenas uma hora. No fundo, se você for ensinar para a Irlanda, ficará mais perto de casa do que se for ensinar para o Algarve, tendo casa e família em Bragança.
Próxima sessão: 7 de Setembro - 17 horas DOLLS de TAKESHI KITANO Japão - 2002 - 113’ - cor
DOLLS reagrupa três histórias de amor inspiradas no Bunraku, teatro de marionetas japonês. Na primeira história, Matsumoto e Sawako são um casal feliz, mas as pressões das respectivas famílias obrigam-nos a escolher um destino trágico. Para proteger Sawako, Matsumoto liga-se a ela para sempre, unindo os corpos com uma faixa vermelha. Erram sem destino. Procuram aquilo que esqueceram. Uma viagem que vai durar o tempo de quatro estações. Na segunda história, Hiro, um yakuza, regressa a um parque onde costumava encontrar a namorada. Trinta anos antes, era pobre e viu-se obrigado a separar-se da bela rapariga para abraçar o mundo do crime. Na terceira história, Hakuma, cujo rosto está coberto com faixas, passa muito tempo a olhar o mar. Pouco tempo antes, ela era uma grande estrela da música que passava a vida a dar autógrafos e a aparecer na televisão. Nukui é o seu maior fã e está disposto a prová-lo. Três histórias inspiradas nas emoções eternas do teatro Bunraku. Três histórias delicadamente enlaçadas pela beleza da tristeza. Três histórias de amor imortal.
O Kitano de hoje tem tudo o que amamos: um artista que procura renovar-se, encontrar novas formas de contar, de gerir o tempo cinematográfico, procurando o esboço mais do que a pureza, a ingenuidade mais do que a inocência, e que abre o seu cinema ao espectador evitando cuidadosamente toda e qualquer psicologia. Quase deixando para trás as história de yakusas que o tornaram célebre, Kitano realiza com DOLLS um filme em que se unem a dor e a beleza – cenários e guarda-roupa criados por Yohji Yamamoto – ingenuidade e violência interiorizada dos sentimentos, menos excessos que habitualmente. No Teatro Nacional do Japão, assistimos a uma representação de bunraku (o teatro de marionetas japonesas). A peça interpretada é do dramaturgo Monzaemon Chikamatsu (1653-1724), o Shakespeare nipónico. Conta a história de dois amantes malditos. Na vida de hoje, um homem e uma mulher, o olhar vago, erram sem destino aparente, atados um ao outro por uma corda vermelha. Ela ficou louca no dia em que soube que ele por interesse iria casar-se com outra. A sua deambulação vai durar quatro estações. Paralelamente, um velho yakusa, sentindo a morte aproximar-se, regressa pela primeira vez ao jardim público onde, cinquenta anos antes, a noiva prometeu esperá-lo todos os sábados no mesmo banco... Noutra história, uma cantora de variedades tem um acidente de carro. Desfigurada, retira-se de cena. Mas um fã comete um acto radical... Através destas três histórias alternadas, sombrias mas coloridas, embaladas pelo vento (Kitano é o mestre do vento), o realizador nipónico conta-nos com uma grande simplicidade três histórias de paixões malditas, de fidelidade e de amor, três histórias que terminam sempre mal, como seria de esperar. Os amantes são como bonecos, marionetas privadas de liberdade nas mãos do amor louco que as une, apanhadas entre o desejo e a pressão social. A paixão é uma prisão. A única saída é a morte.
SOS RACISMO no Porto: Rua do Almada, 254 - 3º Dtº - Sala 34 4050-032 PORTO sosracismoporto@gmail.com
A 3ª fase de candidaturas ao Programa Porta 65 Jovem começou hoje (1 de Setembro) e vai até 15 de Setembro.
Recorde-se que na anterior fase de candidaturas, de 23 de Abril a 23 de Maio passado, foram submetidas 5.508 candidaturas, tendo sido aprovadas 4.156, donde ressalta um aumento global de candidaturas, em relação ao período de Dezembro, na ordem dos 54,68 % e um crescimento de novas candidaturas subvencionadas na ordem dos 169,17 %.
Mas a verdade é que o orçamento para o arrendamento jovem foi cortado entre 2007 e 2008 em mais de 50%, o número de candidatos foi drasticamente reduzido, e não existem alternativas para apoio ao arrendamento jovem e o governo falha clamorosamente todos os objectivos para a habitação jovem definidos na legislação e na constituição
Depois de críticas e protestos que se fizeram ouvir, o Governo acabou por aumentar os tectos máximos das rendas a apoiar, que nalguns casos subiram mais de 80 por cento, e a taxa de esforço (peso da renda no rendimento mensal).
Informações e contestação ao novo modelo de incentivo ao arrendamento jovem:
Artigo 65.º da Constituição da República Portuguesa
1. Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar.
2. Para assegurar o direito à habitação, incumbe ao Estado: a) Programar e executar uma política de habitação inserida em planos de ordenamento geral do território e apoiada em planos de urbanização que garantam a existência de uma rede adequada de transportes e de equipamento social; b) Promover, em colaboração com as regiões autónomas e com as autarquias locais, a construção de habitações económicas e sociais; c) Estimular a construção privada, com subordinação ao interesse geral, e o acesso à habitação própria ou arrendada; d) Incentivar e apoiar as iniciativas das comunidades locais e das populações, tendentes a resolver os respectivos problemas habitacionais e a fomentar a criação de cooperativas de habitação e a autoconstrução. 3. O Estado adoptará uma política tendente a estabelecer um sistema de renda compatível com o rendimento familiar e de acesso à habitação própria. 4. O Estado, as regiões autónomas e as autarquias locais definem as regras de ocupação, uso e transformação dos solos urbanos, designadamente através de instrumentos de planeamento, no quadro das leis respeitantes ao ordenamento do território e ao urbanismo, e procedem às expropriações dos solos que se revelem necessárias à satisfação de fins de utilidade pública urbanística. 5. É garantida a participação dos interessados na elaboração dos instrumentos de planeamento urbanístico e de quaisquer outros instrumentos de planeamento físico do território.
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Aproveitamos o ensejo para reproduzir o comunicado do Movimento Porta 65 Fechada do passado mês de Julho, quando foram conhecidos os resultados da segunda fase de candidatura ao programa Porta 65 Jovem
COMUNICADO DE JULHO DO MOVIMENTO PORTA 65 FECHADA
Porta 65 Jovem é embuste!
Após o falhanço da primeira fase de candidaturas o mesmo cenário volta a repetir-se na segunda fase: a esmagadora maioria dos jovens ficou fora da Porta 65.
4100 candidaturas aprovadas são sinais mais que evidentes de que há problemas graves no acesso ao programa. Neste momento, mais de 20.000 jovens, segundo dados do próprio IHRU, deveriam ter condições para se candidatar a apoios ao arrendamento, tal como é consagrado na Constituição, mas desde a sua implementação, apenas pouco mais de 5.000 conseguiram passar o crivo do Porta 65 Jovem, um programa que foi concebido de raiz para diminuir e dificultar o acesso a esses apoios. Desde há um ano, quando o programa Incentivo ao Arrendamento Jovem suspendeu novas candidaturas, que os jovens portugueses se vêm confrontados na prática com a quase total ausência de apoios no acesso à habitação. A propalada bolsa de habitação não existe e está contemplada na própria legislação do Porta 65!!, o mercado de arrendamento está longe de ser equilibrado e a única via de acesso é cortada por esta política antes de haver alternativas.
Confrontados com os números tão baixos apresentados pelo Porta 65 Jovem, o Movimento Porta 65 Fechada exige que seja feita uma avaliação urgente do programa que corrigir as falhas profundas que levaram a esta situação calamitosa. Têm que ser retiradas conclusões sérias dos fracos resultados do programa. Não aceitamos que o Secretário de Estado João Ferrão continue a fingir que está tudo bem, debitando para a imprensa informação irrelevante e enganadora para esconder o fracasso do Porta 65 Jovem no que deveria ser o seu objectivo primordial: apoiar os jovens no acesso à habitação, ao invés de promover um simples corte no orçamento
4100 candidaturas aprovadas é um resultado extremamente negativo e quem disser o contrário está certamente a mentir ou não tem noção da realidade da falta de acesso à habitação que os jovens enfrentam.
Estes são os vergonhosos resultados que o IHRU e o Programa Porta 65 Jovem apresentam, continuando a ignorar os milhares de jovens que ficam fora da Porta 65 e demonstrando que o mesmo foi criado apenas com o intuito de reduzir as despesas no apoio aos jovens, um corte que ascende a 70% do orçamento do IAJ (Incentivo ao Arrendamento Jovem), no ano de 2007. Com as dificuldades impostas ao simples acto da candidatura o Movimento Porta 65 Fechada teme que a lógica distorcida imposta leve a um maior corte no orçamento no próximo ano e estará atento a esta situação.
O Movimento considera que as regras deste concurso excluem quem mais precisa deste apoio. É paradigmático o caso das mulheres que tiveram filhos no ano de 2007 serem por norma impedidas de se candidatar por não poderem declarar o subsídio de maternidade como rendimento. A agravar esta situação está o facto de, frequentemente, as jovens mulheres que trabalham a recibos verdes, muitas vezes "falsos" recibos verdes, serem despedidas assim que se aproxima a altura do parto. Existem ainda casos de pais que são excluídos do Porta 65 por terem filhos, quando facilmente ficariam no primeiro escalão se concorressem sozinhos. Os jovens têm vindo a ser excluídos também por erros burocráticos e administrativos totalmente que lhes são totalmente alheios. Este programa é desfasado do tempo uma vez que a situação de estabilidade dos jovens é uma condição de acesso quando se sabe que esta é cada vez uma realidade distante.
O Movimento está empenhado em lutar contra o modelo do Porta 65, reivindicando a sua alteração profunda, procurando contribuir de forma positiva para a criação de políticas eficazes que consigam apoiar as famílias jovens e os jovens trabalhadores em início de carreira, criando condições mínimas para a sua inclusão e afirmação no mercado de trabalho e na sociedade.
O Movimento Porta 65 Jovem lança ainda um alerta à população em geral para o facto de o governo ter anunciado recentemente a intenção de alterar os regimes de apoio à habitação social para modelos semelhantes ao do Porta 65 Jovem, o que aos nossos olhos, considerando a situação de caos e precariedade agravada infligida aos jovens através da implementação deste programa, é visto com grande preocupação.
O programa Porta 65 Jovem é um claro retrocesso nas políticas de habitação do estado que vem agravar as condições de extrema precariedade vivida pelos jovens que estão a dar os primeiros passos no mercado de trabalho. Este programa continua a vedar o acesso à habitação à maioria dos jovens candidatos e reduzirá drasticamente o valor e a duração dos apoios concedido aos jovens seleccionados, pondo em causa os objectivos que supostamente pretende alcançar.
Faleceu hoje de madrugada, com 52 anos de idade, o poeta Joaquim Castro Caldas, que se tornou conhecido por divulgar, sentir e viver a poesia nas ruas ( em Paris, por exemplo, onde declamava poesia nos jardins e nas praças a troco de dinheiro), nos cafés e bares ( nas célebres noites de poesia às segundas-feiras no bar Pinguim, no Porto), e nas escolas de todo o país como declamador convidado.
Castro Caldas publicou 11 livros de poesia ao longo da sua vida. O último foi editado ainda este ano pela Deriva com o título «Mágoa das Pedras». Alguns dos outros livros são: "Português Suave", "Berlindes e abafadores", "Convém avisar os ingleses", "Só cá vim ver o Sol", "Colheita da época" e "Há".
Joaquim Castro Caldas é como alguém já escreveu «uma das últimas vozes da poesia em que o risco é companheiro da entrega à vida na sua dimensão mais intensa»
No seu último livro «Mágoa das Pedras ( editado pela Deriva) pode-se ler:
«Joaquim Castro Caldas, 52 anos, à parte dezenas de ofícios para sobreviver no Norte de África, na Europa, em Portugal e outros sítios esquisitos, desde que tem memória e se conhece que não fez nem faz outra coisa senão arte embrionária e terminal, entre centenas de aventuras, do luxo à valeta, vadio num longo percurso involuntariamente polémico de ida e volta fala-escrita ou vice-versa e documentado por registos corpo a corpo, terra a terra, sem objectivos d revelação concreta. Nada mais que esqueleto e artista, intérprete da vontade do pássaro, marginalizado irritantes porque em paz, claridade, sequer interessado em dar-se por anarka»
Num seu outro livro, «Convém Avisar os Ingleses», lê-se na contracapa:
«Nasceu em 1956, Lisboa, actor de poesia, saltimbanco, lunático praticante, diseur a tempo inteiro, teatro de vez em quando. Escola Ave-Maria, Colégio Militar, Conservatório Nacional, escola da morte e da vida, muita estrada no coração, na cabeça e no corpo. Com este, apenas 8 livros editados. A ver vamos. »
Poesia de Joaquim Castro Caldas
Devolução dos Cravos
um menino uma vez o tal que há em nós sujo de liberdade todo na ponta dos pés tentou enfiar um cravo no cano de uma G-3
hoje um homem talvez menino velho sem voz democrata que se farta mete o cravo na culatra e puxa-a de pé atrás com medo que o seu país
(do livro "Convém Avisar os Ingleses", Quasi Edições, 2002)
um sms
no tempo dos badalos, nos dentes do cocheiro as cartas eram sangues, levavam febrões de cavalos e freios nos segredos, atravessavam nevões e suores para mudar de mãos às descobertas e revoluções, eram sustento de escravos e romances de cortesãs, mote de folguedos e duelos afãs, as saias do mulherio armavam partos e escondiam medos, perguntava-se pelos amores e estimava-se por nós. hoje para chegar a tempo manda-se um silêncio a dizer morri, vivalma, nada, e deixam-se uns gemidos na bolsa marsupial dos cangurus, alguém é pago para ir lá buscá-los, não há órgãos, mãos e olhos, esporas e poros.
Desde o dia 6 de Agosto encontra-se patente no Museu do Ferro em Torre de Moncorvo uma exposição fotográfica intitulada «Escombros» dedicada às Minas transmontanas, de autoria de José Luís Gonçalves, numa inestimável contribuição dos seus promotores para o levantamento da arqueologia industrial daquela região do nordeste português. O mesmo Museu do Ferro promoveu ainda no passado dia 10 de Agosto um Encontro dos Antigos Trabalhadores da ex-Ferrominas, a empresa mineira de explorou as minas de ferro de Moncorvo, entre 1951 e 1986, que foi extinta em 1992 e integrada na EDM (Empresa de Desenvolvimento Mineiro), a actual proprietária do depósito mineral de Moncorvo.
Aproveitando o contexto desta Exposição, o Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, apresentará uma base de dados sobre Minas de Trás-os-Montes e Alto Douro, que estará disponível no Centro de Documentação do Museu.
MUSEU DO FERRO e da REGIÃO DE MONCORVO Largo Dr. Balbino Rego tel. 279252724 email: parmoncorvo@gmail.com
(tem visitas guiadas e um acervo valioso sobre a indústria mineira)
EXPOSIÇÃO «ESCOMBROS - MINAS TRANSMONTANAS»
A Exposição "Escombros - Minas transmontanas" resultou de um trabalho fotográfico de José Luís Gonçalves, realizado em 2005, num momento em que praticamente todas as minas de Trás-os-Montes se encontravam inactivas, com infra-estruturas em ruínas, mas ainda com muitos vestígios do que se pode considerar Arqueologia Industrial e Mineira. A opção fotográfica a preto & branco ajuda a salientar esse olhar trágico, hoje de desolação e silêncio, com a natureza já a cobrar os seus direitos, em sítios onde outrora se ouviu o ruído das máquinas, as explosões e a vozearia humana. Era esse o cenário quotidiano, feito de esforço insano, para retirar às entranhas da terra a riqueza mineral que fez a fortuna de alguns e deu para o remedeio de muitos outros. Obviamente as minas representadas são uma pequena parte do vasto panorama mineiro de Trás-os-Montes, mas aí se encontram algumas das principais, com destaque para Argoselo (concelho de Vimioso), que já tiveram direito ao cinema, através do filme "A sombra do Abutre" de Leonel Vieira, Ervedosa (concelho de Vinhais), Jales, de que se volta a falar, na expectativa de uma nova "febre do ouro", Portelo e Coelhoso no concelho de Bragança, e as famosas minas de Ferro de Torre de Moncorvo. Aí se exploraram diversos minerais, desde o volfrâmio, ouro, chumbo, chelite, ferro. Perante os problemas ambientais e sanitários de algumas dessas minas, a EDM (Empresa de desenvolvimento Mineiro), uma das patrocinadoras desta iniciativa, encetou trabalhos de recuperação ambiental em várias minas trasmontanas, entre as quais, algumas das que figuram nesta mostra. Assim, tendo, inclusivamente, já mudado a paisagem de algumas destas minas, podemos considerar que o olhar fotográfico de José Luís Gonçalves, como trabalho datado, se reveste também de alguma historicidade. José Luís Gonçalves, o autor desta exposição, nasceu no Porto, em 1985, tendo passado a maior parte da sua vida em Bragança, onde concluíu o ensino secundário. Em 2003 ingressou na Universidade da Beira Interior, na Covilhã, onde se licenciou em Design e Multimédia. Trabalha presentemente em Coimbra, na área de comunicação e multimédia.
GEOLOGIA NO VERÃO EM MONCORVO
Entretanto, entre os dias 26 de Agosto e 4 de Setembro de 2008, estão previstas várias acções em redor da geologia do concelho de Torre de Moncorvo, promovidas pela associação do Projecto Arqueológico da Região de Moncorvo, em colaboração com o Museu do Ferro, e no âmbito do programa Ciência Viva/Geologia de Verão 2008.
Acção sobre O Trabalhar do Ferro no séc. XVIII - a Água como força motriz
Data: 2 de Setembro às 15:00 I
Descrição: Observação de vários pontos de interesse geológico, e explicitação da sua importância relativamente à actividade humana, ao longo dos tempos.
Ponto de encontro: Museu do Ferro e da Região de Moncorvo – Largo Balbino Rego, junto à Igreja Matriz
Acção sobre a Falha da Vilariça - Implicações Tectono-estruturais e o seu aproveitamento pelo Homem ao longo dos tempos
Data: 4 de Setembro às 15:00
Descrição: Observação de vários pontos de interesse geológico, e explicitação da sua importância relativamente à actividade humana, ao longo dos tempos.
Ponto de encontro: Museu do Ferro e da Região de Moncorvo – Largo Balbino Rego, junto à Igreja Matriz
Acção sobre as minas de Ferro de Moncorvo - Contextualização Geológica, Industrial e Humana Data: 6 de Setembro às 15:00 Inscrição opcional
Descrição: Observação de vários pontos de interesse geológico, e explicitação da sua importância relativamente à actividade humana, ao longo dos tempos.
Ponto de encontro: Museu do Ferro e da Região de Moncorvo – Largo Balbino Rego, junto à Igreja Matriz
Não é só a Espanha e a França que têm tido problemas com as suas centrais nucleares. Acidentes nas centrais nucleares também se verificaram neste Verão na Alemanha, Eslovénia, Áustria, Ucrânia e Bélgica.
Na Bélgica, por exemplo, um acidente de nível 3 ocorrido no passado 24 de Agosto no Institut dês Radioélements (IRE) em Fleures desencadeou um alerta e as suas consequências, apesar de serem minimizadas pela Agência federal belga de Controle Nuclear ( AFCN), levou à interdição do consumo de legumes e do leite nas redondezas do local onde se encontram as instalações daquele Instituto.
Em Espanha, no mesmo dia, ocorreu um importante incêndio na central nuclear de VandellosII ( situada na Catalunha), o que levou à sua paragem forçada. Note-se mesmo que desde o princípio deste ano já se produziram umas 30 ocorrências acidentais nas centrais espanholas.
Na Alemanha, em Asse, a população local tomou conhecimento no final do passado mês de Junho que uma contaminação de grande amplitude atingia as minas de sal desde há anos, a partir dos detritos nucleares armazenados.
Por sua vez, na Áustria, verificou-se um incidente na noite de 2 para 3 de Agosto nos laboratórios da Agência Internacional de energia atómica (AIEA) a 35km de Viena e que só por muita sorte não teve consequências de maior…
Também na Ucrânia uma fuga de água radioactiva obrigou à paragem de um reactor da central nuclear de Rivné no passado mês de Junho.
Nesta série de ocorrências devemos incluir ainda o caso verificado na Eslovénia a 4 de Junho deste ano na central nuclear de Krsko e que desencadeou inclusivamente um alerta europeu, não se sabendo ainda o que é que então se passou.
Por fim, na França deram-se vários e preocupantes incidentes como a grave figa de urânio ( a 7 de Julho) , a descoberta de contaminações por causa do rompimento de uma canalização (18 de Julho), a contaminação de 100 funcionários na Central nuclear EDF de Tricason ( 23 de Julho), a contaminação de 15 trabalhadores na central de Isère ( 20 de Julho), despejos ilegais de carbono 14 radioactivo ( a 6 de Agosto, na central Socatri-Areva), rompimento de uma canalização ( a 21 de Agosto, na central de Comurhex-Areva, situado em Pierrelatte, no Drôme)
Antes que uma catástrofe nuclear aconteça com consequências imprevisíveis, nunca é demais alertar a opinião pública para a gravidade das contaminações e dos perigos inerentes à indústria nuclear.
Acção de luta contra o desemprego e a instabilidade profissional em 1 de Setembro
O desemprego e a precariedade resultam da acção do Governo
1 de Setembro é a data em que um maior número de professores entra, em simultâneo, na situação de desemprego. É um dia dramático para milhares deles e para as suas famílias; é um dia em que se tornam ainda mais visíveis, nesta área, os resultados das erradas opções de quem governa.
Por este motivo, a FENPROF volta a, nesta data, fazer a denúncia da situação, alertando a opinião pública para a inaceitável dimensão do desemprego docente e, ao mesmo tempo, denunciando a crescente precariedade em que milhares de profissionais qualificados para o exercício da profissão são obrigados a desenvolver a sua actividade.
Generaliza-se o recurso ilegal a recibos verdes e aumentam-se os horários de trabalho, reduz-se o direito a férias ou a licenças por doença. Deixa-se na mão dos empregadores concessionados pelas autarquias para as AEC a capacidade de empregar e de despedir sem fiscalização.
Já vários governantes fugiram à denúncia desta situação declarando, com cinismo, que o Governo não é uma "agência de emprego". Mas o que a FENPROF exige é que, de uma vez por todas, o actual Governo deixe de se portar como uma obstinada "agência para o desemprego" dos professores e que tome medidas de acordo com os interesses do país e tendo em conta os recursos humanos que este, afinal, e ao contrário de outros, ainda possui.
Nesse sentido, em todo o país a denúncia será feita à porta dos Centros de Emprego, no dia 1 de Setembro, locais onde serão distribuídos comunicados à população.
EM LISBOA, A ACÇÃO DECORRERÁ EM FRENTE À LOJA DO CIDADÃO DAS LARANJEIRAS, (Rua Abranches Ferrão), A PARTIR DAS 15.00 HORAS (COM A PRESENÇA DO SECRETÁRIO-GERAL DA FENPROF, MÁRIO NOGUEIRA).
Esta acção enquadra-se numa ampla campanha nacional de defesa do emprego público dos professores e educadores e de combate à precariedade, passando, designadamente, pela afixação de um "outdoor" que enquadra a perspectiva sindical de combate ao desemprego e ao emprego precário.
A FENPROF desde já convida os órgãos de comunicação social para acompanharem esta acção, onde será entregue um documento aos senhores jornalistas.
Locais da realização da acção de 1 de Setembro : nos CENTROS DE EMPREGO ESPALHADOS POR TODO O PAÍS
LISBOA LOJA DO CIDADÃO DAS LARANJEIRAS Rua Abranches Ferrão - 11H30 (com a presença do Sec.-Geral da FENPROF a partir das 15H00)
AVEIRO Centro de Emprego e Formação Profissional Cais da Fonte Nova 9H00
BRAGA Centro de Emprego e Formação Profissional 8H30
CASTELO BRANCO Centro de Emprego e Formação Profissional Rua Pedro Álvares Cabral 9H00
COVILHÃ Centro de Emprego e Formação Profissional Avenida 25 de Abril, 66 15H00
COIMBRA Centro de Emprego e Formação Profissional Avenida Fernão de Magalhães 9H00
GUARDA Centro de Emprego e Formação Profissional Rua Estádio Municipal 10H00
LEIRIA Centro de Emprego e Formação Profissional Rua de S. Miguel, Lote 1 9H00
PORTO Loja do Cidadão das Antas 9H00 Praça da Batalha (distribuição de comunicado à população) 15H00
SÃO JOÃO DA MADEIRA Centro de Emprego e Formação Profissional 12H00
VISEU Centro de Emprego e Formação Profissional Rua D, José da Cruz Moreira Pinto, Lote 6 9H00
Na madrugada do dia 3 de Agosto o Gato Vadio (livraria, atelier de design, café-bar) foi assaltado. O gatuno furtou o computador portátil ou, em eufemismo policial, "subtraiu diversos artigos", como consta do auto do sub-chefe da 69ª divisão da esquadra do bairro. Ao furtar o bem materialmente mais valioso, o larápio insultou clamorosamente o nosso precioso espólio ao deixar intactas as nossas estantes. É repulsivo pensar que os "nossos" livros à mão de semear não tentaram o invasor.
Depois das medidas drásticas – abrir na noite seguinte com a fechadura estragada e a porta escaqueirada – não podíamos deixar em branco esta oportunidade suprema para estreitar laços e miados com a comunidade vadia. Muitos estão já ao corrente do vil acontecimento, comentando nas últimas semanas o "thriller" dos factos ocorridos em tão triste data. Uns lamentam, vaiando o patife que anda a monte (ou, mais sinistramente, entre nós...); outros, tecem elucubrações sobre o atentado valendo-se da literatura policial, "sub-género"(?!) que passou a ser o destaque do mês da livraria Gato Vadio. Ouvem-se ainda vozes lúcidas que apontam a nossa porta de anexo como um erro de investimento (agora corrigido, com cadeados chineses e fechaduras intransponíveis).
Da algazarra geral, não é de deitar fora a teoria da conspiração que aponta a Makrohard, filial oculta do potentado da Micosoftt e o pilar que sustenta a política de monopólio do arromba-Gates, como o mais remoto responsável pelo assalto. (Para breve, está prevista uma conferência de Noam Chomsky que versará este tema).
Despicienda parece a tese burguesa que vilipendia o pedreiro do bairro da maternidade que anda a biscates e cujo primo é o maioral da cadeia do Linhó e que aqui há duas semanas veio repor a caliça no tecto. Criativa e arrevesada (tiramos-lhe a kippa...), mas não menos preconceituosa, é a liturgia que nos chegou do último cabalista do Porto que interceptou uma mensagem críptica que imputava a um conhecido Kebabista do Bolhão o atentado a nossa ex-arca-frigorífica-escritório relicário de símbolos de David (malgrado David ter partido para pregar noutras paragens...) como sejam o tomo "Combate com o Demónio" do askenhaze Stefan Zweig (mais tarde convertido à carioquice…) ou a obra Judas Iscariotes de Thomas de Quincey, o comedor de ópio. A credibilidade desta versão do cabalista caiu por terra quando soubemos que foi proferida no sábado passado, violando o sabbath sagrado.
Aproveitando as teses do médio-encéfalo houve quem se lembrou, por inferência, da CIA, pois no laptop surripiado constavam manifestos Vadios que escarnecem a soberba humana em pose G-8 e links suspeitos a sites suspeitos com links suspeitos.
Assinalamos que também o comité central emitiu um comunicado após reunião extraordinária com os órgãos máximos da célula partidária esclarecendo que a luta de classes continua e congratulando-se com o governo chinês e a festa da fraternidade dos povos agora finda. A defesa da classe operária, levou-nos a rejeitar estrepitosamente e por completo a solicitação feita por alguns vadios para que as ruas do quarteirão fossem patrulhadas a partir da meia-noite, pois desaparecendo os meliantes o que seria do pobre polícia que exerce escrupulosamente no seu "bureau", à frente da máquina de escrever, as suas tarefas diárias de bater relatórios e mais relatórios? Ao invés, estamos orgulhosos por terem palmado o portátil dando assim que fazer ao impoluto burocrata da nossa esquadra que conseguiu redigir um relatório policial sobre o assalto sem nunca referir o famigerado computador portátil!
Finalmente, para escárnio das hostes subversivas confirmamos que o supra-roubado portátil foi subsidiado pelo Ministério Geral de Bruxelas como fonte de incentivo à inovação e produtividade dos Vadios. Esperamos, do fundo do coração, que a nossa produtividade não saia beliscada, como aliás atesta o facto de os vadios-mor não terem interrompido as suas férias no Leste para se darem ao trabalho de escrever este já célebre, extemporâneo e imolado comunicado. Que venham mais couves!
Sem dúvida, alguém se aproveitou do facto de não termos trancas no espírito e nas ideias e, por silogismo muito "naif" e pouco literário, nas portas do Gato. Quanto mais próximo for o bandido da nossa comunidade mais merdoso é, pois violou o espírito da comunidade vadia e a casa onde, infelizmente, já entrara sem o pé de cabra. Como gostamos dos nossos Vadios e queremos o vosso bem (agora parece homilia...hóstias pró larapio!) avisamos que, de longe a longe, um copo passará a ter cianeto!
Mais uma vez, este Sábado, dia 30 de Agosto, realizou-se o mercado mensal de trocas em Vigo ( Galiza), promovido pelas associações (Amarante, Caleidoskopio e VerdeGaia) que integram a VigoTroca, no local habitual: Rua Urzaíz ( em Vigo, Galiza), em frente ao mercado do Calvario, entre as 12 e as 14 horas. Recorde-se que este mercado mensal de trocas em Vigo realiza-se no último Sábado de cada mês.
O objectivo deste mercado trocal é promover o intercâmbio voluntário e livre - isto é, sem dinheiro pelo meio – de bens e serviços entre todos os interessados, estimulando a consciência colectiva das pessoas envolvidas ( e não só) da necessidade de um consumo consciente e solidário. Trata-se também de fomentar a reutilização, a reciclagem e a participação cidadã na economia local.
Ferramenta que se tem mostrado extremamente útil para optimizar esse intercâmbio de bens e serviços é a página web da Vigotroca, onde qualquer pessoa pode participar e mostrar o seu interesse em trocar ou ceder os seus bens e serviços.
Índio não compra jornal. Índio não compra anúncio na televisão. Índio não compra propaganda na rádio. Índio não vota. Índio não patrocina campanha eleitoral. Índio não consome. Não consumir dá nisso: você não vale nada numa sociedade de consumo como as nossas sociedades capitalistas contemporâneas Reproduz-se a seguir um pequeno excerto de uma entrevista com a advogada Joênia Wapixana, que representa os indígenas no Supremo Tribunal Federal do Brasil a propósito da delimitação das reservas dos índios, questão que tem sido muito falada nos últimos meses a propósito da Reserva indígena Raposa Serra do Sol:
Pergunta - Há quem diga que nas regiões onde os indígenas vivem o desenvolvimento acabará por se impor da mesma forma que nas outras regiões do Brasil, e não há maneira de mudar esta evolução. O que diz a isto?
Joênia Wapixana - Olha, essa palavra desenvolvimento para nós tem outro significado que o meramente capitalista, meramente económico e individual. O desenvolvimento que trabalhamos é numa perspectiva de respeito. Primeiro, ao próprio costume e à própria cultura indígena. Para mim, desenvolvimento é você ter água com qualidade e você manter um ambiente saudável, ter saúde, educação. O desenvolvimento que se prega é muito diferente dos valores indígenas. É lógico que nós usamos tecnologia para benefício próprio. Mas o desenvolvimento dos arrozeiros é puramente individual e nele só tem importância a cobiça, a ganância e a exploração dos recursos naturais. Os rios Surumu, Tacutu e Cotingo são os principais rios que abastecem as comunidades [da reserva]. É onde se toma banho, de onde se consome para afazeres domésticos, onde tem os peixes. É a principal fonte de sobrevivência da biodiversidade. Qual é o tratamento que se dá a esses rios? Eles tiram água para a irrigação, desviam o curso do rio através de valas e não há qualquer controle sobre a utilização. Há quantos anos eles fazem isso? O que se faz ali na plantação de arroz é a pulverização, que contamina as águas! Com o que? Com agrotóxicos. O desenvolvimento que ele [arrozeiro] trouxe para Roraima é o que destrói, o que degrada, que ocupa ilegalmente terra de comunidades que têm direitos colectivos. Então queremos um desenvolvimento onde as comunidades indígenas tenham suas criações conforme os manejos tradicionais, onde tudo é discutido colectivamente, onde há respeito ao meio ambiente, onde ninguém sai jogando agrotóxico. A gente utiliza tecnologia nos cursos de preparação para lidar com reflorestamento -- por exemplo, de buritizais, de madeira -- mas para as próprias comunidades indígenas. Essa é a nossa forma de desenvolvimento, que contribui com o meio ambiente, não que acabe com ele. Desenvolvimento, sim, mas com respeito, não de qualquer jeito.
"Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens, contra outros homens".
"Mais grave ainda que a fome aguda e total, devido às suas repercussões sociais e económicas, é o fenómeno da fome crónica ou parcial, que corrói silenciosamente inúmeras populações do mundo".
"O subdesenvolvimento não é, como muitos pensam equivocadamente, insuficiência ou ausência de desenvolvimento. O subdesenvolvimento é um produto ou um subproduto do desenvolvimento, uma derivação inevitável da exploração económica colonial ou neocolonial, que continua se exercendo sobre diversas regiões do planeta
Citações de Josué de Castro
Sobre Josué de Castro: «Ele sabia que não adiantava aumentar a riqueza, sem reduzir a pobreza»
«Propunha o incentivo da agricultura familiar e a criação de restaurantes populares»
No próximo dia 5 de Setembro de 2008 completam-se 100 anos do nascimento do destacado geógrafo brasileiro ( pernambucano de nascimento), autor de livros como Geografia da Fome (1935), traduzido e editado em 25 línguas, e Geopolítica da Fome, textos que se tornaram em autênticas referências incontornáveis da literatura sobre a matéria, e onde são denunciadas as verdadeiras causas da fome que atinge milhões de seres humanos, causas de carácter social e económico, que exigem, antes de tudo o mais, uma solução política. Josué de Castro fez da luta contra a fome a sua bandeira de vida, até porque, desde miúdo, conhecera de perto o fenómeno da fome: morando perto dos mangues, Josué fez uma comparação cruel: "As pessoas que vivem naquelas áreas e sobrevivem da pesca do caranguejo, acabam se tornando 'irmãos de leite' desse anfíbio". Por causa das suas ideias progressistas, foi obrigado pelo regime militar brasileiro da época a deixar o país. Morreu no exílio, em Paris, na França, no dia 24 de Setembro de 1973, aos 65 anos de idade.
Josué de Castro teve inúmeras profissões: médico, geógrafo, professor, escritor, sociólogo e político. Presidiu a FAO, organismo da Organização das Nações Unidas (ONU) para Agricultura e Alimentação e seus conceitos sobre desenvolvimento sustentável e as causas da miséria fizeram com que fosse indicado duas vezes ao Prêmio Nobel, da Medicina, em 1954, e da Paz, em 1963.
A socióloga, filha e “herdeira cultural” do médico, Anna Maria de Castro, disse que o pai tinha propostas concretas para acabar com a fome, como reforma agrária, melhoria de sementes e aumento da produtividade. As suas ideias, no entanto, foram vistas como “comunistas”, pois , Josué acreditava na capacidade de superar a fome aliando a Ciência, a técnica e a participação das pessoas.
No início do livro «Geografia da Fome» pode-se ler:
"Neste nosso ensaio de natureza ecológica tentaremos, pois, analisar os hábitos alimentares dos diferentes grupos humanos, ligados a determinadas áreas geográficas, procurando, de um lado, descobrir as causas naturais e as causas sociais que condicionaram o seu tipo de alimentação, com suas falhas e defeitos característicos, e, de outro lado, procurando verificar até onde esses defeitos influenciam a estrutura económico-social dos diferentes grupos estudados. Assim fazendo, acreditamos poder trazer alguma luz explicativa a inúmeros fenómenos de natureza social até hoje mal compreendidos por não terem sido levados na devida conta os seus fundamentos biológicos
Um pouco mais à frente, aparece a denúncia do neocolonialismo:
"É mesmo esta a característica essencial do desenvolvimento económico do tipo colonialista, bem diferente do desenvolvimento económico autêntico de tipo nacionalista. O colonialismo promoveu pelo mundo um certa forma de progresso, mas sempre a serviço dos seus lucros exclusivos, ou quando muito associado a um pequeno número de nacionais privilegiados que se desinteressavam pelo futuro da nacionalidade, pelas aspirações políticas, sociais e culturais da maioria. Daí o desenvolvimento anómalo, sectorial, limitado a certos sectores mais rendosos, de maior atractivo para o capital especulativo, deixando no abandono outros sectores básicos, indispensáveis ao verdadeiro progresso social".
Para assinalar o centenário do nascimento de Josué de Castro foram programadas no Brasil algumas actividades que começam amanhã, dia 29 de Agosto, em Belo Horizonte:
Dia 29/8, sexta:
9h30 – Abertura 10h15 – Leitura dramatizada de trechos da peça Morte e Vida Severina, de João Cabral de Mello Neto e Chico Buarque de Holanda – professor Fernando Limoeiro (TU/UFMG) 11h – Coffee-break 11h30 – Palestra “Presença de Josué de Castro” Anna Maria de Castro – filha de Josué de Castro e professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ajax Pinto Ferreira – coordenador do Centro de Memória da Medicina Local: Salão Nobre da Faculdade de Medicina da UFMG (avenida Alfredo Balena, 190, bairro Santa Efigênia)
Dia 4/9, quinta-feira:
12h – Encenação da peça teatral Zerando a Fome, do professor Romeu Sabará Degustação de comidas típicas derivadas do milho Local: Praça de Serviços da UFMG (avenida Antônio Carlos, 6627, campus Pampulha)
Dia 5/9, sexta-feira:
14h às 17 horas – Debate sobre a “Problemática da Fome” Participantes: José Divino Lopes – professor da Escola de Enfermagem da UFMG, membro-titular do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais e suplente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar Leila Regina da Silva – Vicariato da Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte, representante do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Belo Horizonte Local: Auditório da Escola de Belas-Artes (avenida Antônio Carlos, 6627, Campus Pampulha) Actividades complementares Entre os dias 1 e 4 de setembro, será realizada na Fafich, Faculdade de Educação, Escola de Enfermagem e Escola de Belas-Artes a exibição do filme/documentário Josué de Castro – Cidadão do Mundo, de Silvio Tendler, seguida de debate.
Dia 2/9, terça-feira:
18h – Escola de Enfermagem (avenida Alfredo Balena, 190) 1 – Seminário “Josué de Castro e a alimentação como direito” Debate, precedido da exibição do documentário "Josué de Castro, Cidadão do Mundo", de Silvio Tendler Organização da disciplina Nutrição e Cidadania e do Projeto Segurança Alimentar e Cidadania na Vila Acaba Mundo (Curso de Nutrição da Escola de Enfermagem e Programa Pólos de Cidadania da Faculdade de Direito da UFMG).
JOSUÉ DE CASTRO E A LUTA CONTRA A FOME Conferência
Excerto do belissimo filme de Silvio Tendle
Chico Science falando de Josué de Castro
A Geografia da Fome (excertos de textos e escritos de Josué de Castro)
A fome é, conforme tantas vezes tenho afirmado, a expressão biológica de males sociológicos. Está intimamente ligada com as distorções económicas, a que dei, antes de ninguém, a designação de subdesenvolvimento. A fome é um fenómeno geograficamente universal, a cuja acção nefasta nenhum continente escapa. Toda a terra dos homens foi, até hoje, a terra da fome. As investigações científicas, realizadas em todas as partes do mundo, constataram o facto inconcebível de que dois terços da humanidade sofre, de maneira epidémica ou endémica, os efeitos destruidores da fome. A fome não é um produto da superpopulação: a fome já existia em massa antes do fenómeno da explosão demográfica do após-guerra. Apenas esta fome que dizimava as populações do Terceiro Mundo era escamoteada, era abafada era escondida. Não se falava do assunto que era vergonhoso: a fome era tabu.
O assunto deste livro é bastante delicado e perigoso. A tal ponto delicado e perigoso que se constituiu num dos tabus de nossa civilização. É realmente estranho, chocante o facto de que, num mundo como o nosso, caracterizado por tão excessiva capacidade de escrever-se e publicar-se, haja até hoje tão pouca coisa escrita acerca do fenómeno da fome, em suas diferentes manifestações. Quais são os factores ocultos desta verdadeira conspiração de silêncio em torno da fome? Trata-se de um silêncio premeditado pela própria alma da cultura: foram os interesses e os preconceitos de ordem moral e de ordem política e económica de nossa chamada civilização ocidental que tomaram a fome um tema proibido, ou pelo menos pouco aconselhável de ser abordado publicamente. Ao lado dos preconceitos morais, os interesses económicos das minorias dominantes também trabalhavam para escamotear o fenómeno da fome do panorama espiritual moderno. É que ao imperialismo económico e ao comércio internacional a serviço do mesmo interessava que a produção, a distribuição e o consumo dos produtos alimentares continuassem a se processar indefinidamente como fenómenos exclusivamente económicos - dirigidos e estimulados dentro de seus interesses económicos - e não como factos intimamente ligados aos interesses da saúde pública. Um dos grandes obstáculos ao planeamento de soluções adequadas ao problema da alimentação dos povos reside exactamente no pouco conhecimento que se tem do problema em conjunto, como um complexo de manifestações simultaneamente biológicas, económicas e sociais. Por outras palavras, procuraremos realizar uma sondagem de natureza ecológica, dentro deste conceito tão fecundo de Ecologia, ou seja, do estudo das acções e reacções dos seres vivos diante das influências do meio. Neste ensaio de natureza ecológica tentaremos, pois, analisar os hábitos alimentares dos diferentes grupos humanos ligados a determinadas áreas geográficas, procurando de um lado, descobrir as causas naturais e as causas sociais que condicionaram o seu tipo de alimentação, com suas falhas e defeitos característicos, e de outro lado, procurando verificar até onde esses defeitos influenciam a estrutura económico-social dos diferentes grupos estudados. O objectivo é analisar o fenómeno da fome colectiva - da fome atingindo endémica ou epidemicamente as grandes massas humanas. Não só a fome total, a verdadeira inanição que os povos de língua inglesa chamam de starvation, fenómeno, em geral, limitado a áreas de extrema miséria e a contingências excepcionais, como o fenómeno muito mais frequente e mais grave, em suas consequências numéricas, da fome parcial, da chamada fome oculta, na qual pela falta permanente de determinados elementos nutritivos, em seus regimes habituais, grupos inteiros de populações se deixam morrer lentamente de fome, apesar de comerem todos os dias. É principalmente o estudo dessas colectivas fomes parciais, dessas fomes específicas, em sua infinita variedade, que constitui o objectivo nuclear do nosso trabalho. É que existem duas maneiras de morrer de fome: não comer nada e definhar de maneira vertiginosa até o fim, ou comer de maneira inadequada e entrar em um regime de carências ou deficiências específicas, capaz de provocar um estado que pode também conduzir à morte. Mais grave ainda que a fome aguda e total, devido às suas repercussões sociais e económicas, é o fenómeno da fome crónica ou parcial, que corrói silenciosamente inúmeras populações do mundo. A noção que se tem, correntemente, do que seja a fome é, assim, uma noção bem incompleta. E este desconhecimento, por parte das elites europeias, da realidade social da fome no mundo e dos perigos que este fenómeno representa para a sua estabilidade social, constitui uma grave lacuna tanto para a análise dos acontecimentos políticos da actualidade, que se produzem em diversas regiões da terra, como no que se refere à atitude que os países da abundância deveriam ter face aos países subdesenvolvidos, permanentemente perseguidos pela penúria e pela miséria alimentar. Nenhum fator é mais negativo para a situação de abastecimento alimentar do país do que a sua estrutura agrária feudal, com um regime inadequado de propriedade, com relações de trabalho socialmente superadas e com a não utilização da riqueza potencial dos solos. Apresenta-se deste modo a Reforma Agrária como uma necessidade histórica nesta hora de transformação social que atravessamos como um imperativo nacional. É que cerca de 60% das propriedades agrícolas no Brasil são constituídas por glebas de áreas superiores a 50 hectares de terra, das quais 20% possuem mais de 10.000 hectares. No recenseamento de 1950 ficou evidenciada a existência no Brasil de algumas dezenas de propriedades que são verdadeiras capitanias feudais:proriedades com mais de 100.000 hectares de extensão. Do latifúndio decorre também a existência das grandes massas dos sem-terra, dos que trabalham na terra alheia, como assalariados ou como servos explorados por esta engrenagem económica de tipo feudal. Por sua vez, o minifúndio significa a exploração antieconómica da terra, a miséria crónica das culturas de subsistência que não dão para matar a fome da família. O tipo de reforma que julgamos imperativo da hora presente não é um simples expediente de desapropriação e redistribuição da terra para atender às aspirações dos sem-terra. Processo simplista que não traz solução real aos problemas da economia agrária. Concebemos a reforma agrária como um processo de revisão das relações jurídicas e económicas, entre os que detêm a propriedade agrícola e os que trabalham nas actividades rurais. Precisamos enfrentar o tabu da reforma agrária - assunto proibido, escabroso, perigoso - com a mesma coragem com que enfrentamos o tabu da fome. Falaremos abertamente do assunto, esvaziando desta forma o seu conteúdo tabu, mostrando através de uma larga campanha esclarecedora que a reforma agrária não é nenhum bicho-papão ou dragão maléfico que vá engolir toda a riqueza dos proprietários de terra, como pensam os mal-avisados, mas que, ao contrário, será extremamente benéfica para todos os que participam socialmente da exploração agrícola... É evidente que não bastaria dispor de alimentos em quantidade suficiente e suficientemente diversificados para cobrir as necessidades alimentares da população mundial. O problema da fome não é apenas um problema de produção insuficiente de alimentos. É preciso que a massa desta população disponha de poder de compra para adquirir estes alimentos. A fome age não apenas sobre os corpos das vítimas da seca, consumindo sua carne, corroendo seus órgãos e abrindo feridas em sua pele, mas também age sobre seu espírito, sobre sua estrutura mental, sobre sua conduta moral. Nenhuma calamidade pode desagregar a personalidade humana tão profundamente e num sentido tão nocivo quanto a fome, quando atinge os limites da verdadeira inanição. Excitados pela imperiosa necessidade de se alimentar, os instintos primários são despertados e o homem, como qualquer outro animal faminto, demonstra uma conduta mental que pode parecer das mais desconcertantes. Querer justificar a fome do mundo como um fenómeno natural e inevitável não passa de uma técnica de mistificação para ocultar as suas verdadeiras causas que foram, no passado, o tipo de exploração colonial imposto à maioria dos povos do mundo, e , no presente, o neocolonialismo económico a que estão submetidos os países de economia primária, dependentes, subdesenvolvidos, que são também países de fome. As massas humanas se deram conta de que a fome e a miséria não são indispensáveis ao equilíbrio do mundo, e que hoje, graças aos progressos da ciência e da técnica, surgiu pela primeira vez na história um tipo de sociedade na qual a miséria pode ser suprimida e com ela a fome.
Subdesenvolvimento
Os países do Terceiro Mundo são subdesenvolvidos, não por razões naturais - pela força das coisas - mas por razões históricas - pela força das circunstâncias. Circunstâncias históricas desfavoráveis, principalmente o colonialismo político e económico que manteve estas regiões à margem do processo da economia mundial em rápida evolução.7 Na verdade, o subdesenvolvimento não é a ausência de desenvolvimento, mas o produto de um tipo universal de desenvolvimento mal conduzido. É a concentração abusiva de riqueza - sobretudo neste período histórico dominado pelo neocolonialismo capitalista que foi o factor determinante do subdesenvolvimento de uma grande parte do mundo: as regiões dominadas sob a forma de colónias políticas directas ou de colónias económicas. O subdesenvolvimento é o produto da má utilização dos recursos naturais e humanos realizada de forma a não conduzir à expansão económica e a impedir as mudanças sociais indispensáveis ao processo da integração dos grupos humanos subdesenvolvidos dentro de um sistema económico integrado. Só através de uma estratégia global do desenvolvimento, capaz de mobilizar todos os factores de produção no interesse da colectividade, poderão ser eliminados o subdesenvolvimento e a fome da superfície da terra. O maior de todos esses erros foi considerar o processo do desenvolvimento em toda parte como semelhante ao desenvolvimento dos países ricos do Ocidente. Uma espécie de etnocentrismo conduziu os teóricos do desenvolvimento a assentar as suas ideias e estabelecer os seus sistemas de pensamento em concepções de economia clássica que ignoravam quase totalmente a realidade sócio-econômica das regiões de economia ocidental capitalista, uma economia socialista em elaboração acelerada e uma rede de abastecimento e de venda no resto do mundo. Não se ocupavam, pois, das estruturas económicas desse resto do mundo, abandonado quer aos sociólogos, quer, antes, aos folcloristas. Esta tremenda desigualdade social entre os povos divide economicamente o mundo em dois mundos diferentes: o mundos dos ricos e o mundo dos pobres, o mundo dos países bem desenvolvidos e industrializados e o mundo dos países proletários e subdesenvolvidos. Este fosso económico divide hoje a humanidade em dois grupos que se entendem com dificuldade: o grupo dos que não comem, constituído por dois terços da humanidade, e que habitam as áreas subdesenvolvidas do mundo, e o grupo dos que não dormem, que é o terço restante dos países ricos, e que não dormem, com receio da revolta dos que não comem. Um dos factores mais constantes e efectivos das terríveis tensões sociais reinantes é o desequilíbrio económico do mundo, com as resultantes desigualdades sociais. Constitui um dos maiores perigos para a paz o profundo desnível económico que existe entre os países economicamente bem desenvolvidos de um lado, e de outro lado os países insuficientemente desenvolvidos. Desnível que se vem acentuando cada vez mais, intensificando as dissensões sociais e gerando a inquietação, intranquilidade e os conflitos políticos e ideológicos. Ora, o problema do subdesenvolvimento não é exclusivo destes países; é antes um problema universal, que só pode ter soluções igualmente em escala universal. Viver na opulência, num mundo em que 2/3 estão mergulhados na miséria, não é apenas perigoso, é um crime. A tensão social na qual se vive hoje é, na maior parte das vezes, o produto desta conhecida injustiça social, uma vez que os povos dominados tomaram consciência da realidade sócio-económica do mundo, nesta fase da história da humanidade que vivemos, fase de transformações explosivas, caracterizadas essencialmente por explosões diversas: a explosão psicológica dos povos explorados, não menos perigosa do que a explosão atómica com a qual se abriu uma nova era no nosso planeta: a era atómica. É urgente restabelecer o equilíbrio económico do mundo aterrando o largo fosso que separa os países bem desenvolvidos dos países subdesenvolvidos, sem o que é bem difícil que se consiga a verdadeira paz e a tranquilidade entre os homens. Nenhuma tarefa internacional se apresenta mais árdua, mas ao mesmo tempo mais promissora para o futuro do mundo, do que a do desenvolvimento económico destas áreas mais atrasadas, onde os recursos naturais e os potenciais geográficos se conservam relativamente inexplorados. A paz depende mais do que nunca do equilíbrio económica do mundo. A segurança social do homem é mais importante do que a segurança nacional baseada nas armas. Igualmente falso é o conceito de desenvolvimento avaliado unicamente à base da expansão da riqueza material, do crescimento económico. O desenvolvimento implica mudanças sociais sucessivas e profundas, que acompanham inevitavelmente as transformações tecnológicas do contorno natural. O conceito de desenvolvimento não é meramente quantitativo, mas compreende os aspectos qualitativos dos grupos humanos a que concerne. Crescer é uma coisa; desenvolver é outra. Crescer é; em linhas gerais, fácil. Desenvolver equilibradamente, difícil. Cada vez se pergunta com mais insistência se desenvolver-se significa desumanizar-se, nesta frenética busca de riqueza, de acordo com a fórmula preconizada pelo Ocidente de maximizar os lucros em vez de maximizar as energias mentais que enriquecem com mais rapidez a vida dos homens e podem dar-lhes muito mais felicidade. O problema do desenvolvimento do Terceiro Mundo, e mesmo o do mundo inteiro que ainda se apresenta subdesenvolvido sob certos aspectos, é antes de tudo um problema de formação de homens. Se a revolução industrial dominou o século XIX, é a revolução cultural que deve dominar o século XX, isto é, a criação de uma cultura capaz de encontrar verdadeiras soluções para os grandes problemas da humanidade. O subdesenvolvimento é uma forma de sub-educação. De sub-educação, não apenas do Terceiro Mundo, mas do mundo inteiro. Para acabar com ele, é preciso educar bem e formar o espírito dos homens, que foi deformado por toda parte. Só um novo tipo de homens capazes de ousar pensar, ousar reflectir e de ousar passar à acção poderá realizar uma verdadeira economia baseada no desenvolvimento humano e equilibrado. As contradições do desenvolvimento são múltiplas. Desenvolvimento significa ao mesmo tempo mutação e disciplina. Mas a disciplina impede muitas vezes a mutação. É o conservantismo das sociedades que alcançaram um auto grau de desenvolvimento, que se tomam como modelo ideal de sociedade e passam a combater o desejo da transformação. Encarar aspectos isolados do problema na luta contra o subdesenvolvimento parece-nos algo ultrapassado, pois sabemos que as fórmulas tradicionais, as medidas isoladas e as concessões limitadas não bastam. A gravidade do problema requer urgentemente a adopção de uma estratégia global do desenvolvimento, comportamento e medidas convergentes por parte dos países desenvolvidos, assim como dos países em vias de desenvolvimento. Só há um tipo de verdadeiro desenvolvimento: o desenvolvimento do homem. O homem, factor de desenvolvimento, o homem beneficitário do desenvolvimento. É o cérebro do homem a fábrica de desenvolvimento. É a vida do homem que deve desabrochar pela utilização dos produtos postos à sua disposição pelo desenvolvimento.