22.2.07

As Vinhas da Ira (de John Steinbeck)


As Vinhas da Ira (The Grapes of Wrath) é um livro do escritor norte-americano John Steinbeck, publicado no ano de 1939.
Relata a história de uma família pobre do estado de Oklahoma, que durante a Grande Depressão de 1929 vê-se obrigada a abandonar as suas terras e partir para um novo mundo, a Califórnia, em busca de melhores condições de vida melhores. A ideia é levar a família num pequeno camião até a Califórnia, onde se diz que trabalho lá não falta. Durante a viagem eles passam por diversos tipos de provações e quando chegam à Terra Prometida descobrem que era um lugar bem pior do que aquele que tinham deixado.
Ludibriados por falsas promessas, a família toda parte num velho caminhão pela famosa estrada 66 numa jornada em que nada pode ser previsto.
Por essa obra, Steinbeck recebeu o Prémio Nobel de Literatura no ano de 1962.

Steinbeck nasceu a 27 de Fevereiro de 1902 em Salinas, Califórnia. Apesar de ter estudado diversos anos na Universidade de Stanford, saiu sem qualquer grau e passou a trabalhar como operário para sustentar-se enquanto escrevia.
O seu primeiro romance foi publicado em 1929, mas foi somente a partir da publicação de Tortilla Flat, em 1935, que o autor alcançou o reconhecimento da crítica e do público. O seu sucesso literário continuou com In dubious battle (1936) e com Of mice and men (1937). As vinhas da ira (1939) conferiu a Steinbeck o Prémio Pulitzer. Nessas obras, os temas proletários acham-se expressos pelo retrato dos trabalhadores desarticulados e despossuídos que habitavam sua região. Os romances Of mice and men e As vinhas da ira foram mais tarde transportados para o cinema.
Em 1943 Steinbeck viaja para a África do Norte como correspondente de guerra. Alguns dos seus últimos trabalhos incluem Cannery Row (1945), The pearl (1947), East of Eden (1952), The winter of our discontent (1961) e Travels with Charley (1962). Produziu também diversos “scripts” para o cinema, incluindo a adaptação de dois entre seus trabalhos mais curtos: The pearl e The red poney. Steinbeck morreu em Nova Iorque em 20 de Dezembro de 1968.

As Vinhas da Ira foram passadas ao cinema por John Ford sob o título de A Conquista do Oeste onde os actores foram Henry Fonda e John Carradine

O tema do romance, ao enfatizar que há ainda muito por fazer:“the quest is never over”, nas palavras do próprio autor, procura reforçar e ampliar a consciência de luta social e a necessidade de continuar essa luta: “we ain’t gonna die out. People is goin’ right on - changin’ a little maybe, but goin’ on.”
Esse credo pessoal de Steinbeck será pronunciado, com as mesmas palavras, pela personagem-espiral, a “alma” do romance. De resto, não faltam comprovações de outros traços autobiográficos. O personagem Tom Joad resulta ser “a prova artística” do credo particular de Steinbeck: “[...] man reaches, stumbles forward, painfully, mistakenly sometimes. Having stepped forward, he may slip back, but only half a step, and never the full step back...”9 Com essas palavras sugeridas pela sua personagem, o autor parece reafirmar, uma vez mais, a mudança ocorrida. Apesar das graves dificuldades, não se pode voltar atrás, é preciso continuar e ganhar novas batalhas. Pode-se voltar meio passo, nunca um passo inteiro. À nossa frente a luta continua...



parte 1



parte 2



Parte 3



Parte 4


Ladrões de bicicletas (filme de Vittorio de Sica)


O filme é considerado uma das obras mais emblemáticas do neo-realismo italiano. Os actores que nele intervêm não são profissionais. Está baseado no livro Ladri dì biciclette de Luigi Bartolini.
O argumento do filme remete-nos para a Itália pós-guerra onde há falta de trabalho. O personagem do filme tem a sorte de arranjar um emprego, mas para isso tem de ter uma bicicleta.
Ladrón de Bicicletas sitúa la historia en la Italia de la posguerra donde el trabajo escasea y obtenerlo es un suceso excepcional. El protagonista de la historia tiene la fortuna de conseguir trabajo pegando carteles por la ciudad pero para poder realizarlo necesita una bicicleta, el problema es que su bicicleta esta empeñada por lo que su primera tarea será recuperarla. O problema é que após o seu primeiro dia de trabalho roubam-lhe a bicicleta e come la o seu futuro. O enredo desenvolve-se então numa busca incessante em tentar recuperá-la até que na cena final o protagonista vê-se condenado a converter-se ele também em ladrão.


Breves comentários - parte 1


parte 2

21.2.07

70.000 italianos manifestam-se contra o alargamento de uma base americana

Dezenas de milhares de manifestantes desfilaram no passado Sábado contra o alargamento da base militar do exército norte-americano de Vicenza no norte da Itália e onde está instalada a 173ª brigada aerotransportada. A manifestação decorreu pacificamente e a acção foi vista como um autêntico referendo popular contra aquele alargamento. Para a adesão popular não foi certamente alheio o descrédito em que os Estados Unidos se envolveram ao efectuarem raptos ilegais em território italiano, assim como a morte de um agente secreto italiano pelos soldados norte-americanos e, acima de tudo, pela invasão e ocupação do Iraque pelas forças armadas e por mercenários dos Estados Unidos.
Para piorar as coisas o alargamento será efectuado de forma descontínua, isto é, as novas instalações situar-se-ão no lado oposto ao da actual base, o que é motivo de sérias apreensões por parte dos residentes. A população teme pelas mais que previsíveis perturbações na circulação rodoviária assim como pelo facto da base se encontrar muito próximo da cidade o que a tornará um alvo num futuro conflito bélico.
Segundo fontes oficiais os efectivos norte-americanos da base de Vicenza deverão passar de 2.750 para 4.500 homens em razão do reagrupamento em curso das várias unidades do exército instaladas em Banburg e Schweinfurt na Alemanha.

Reportagem-video da manifestação ( com canções e música italiana como banda sonora)






Los poetas andaluces de ahora ( Rafael Alberti)

Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
Qué miran los poetas andaluces de ahora?
Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre
pero, dónde los hombres?
Con ojos de hombre miran
pero, dónde los hombres?
Con pecho de hombre sienten
pero, dónde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos
Miran, y cuando miran parece que están solos
Sienten, y cuando sienten parece que están solos
Qué cantan los poetas, poetas andaluces de ahora?
Qué miran los poetas, poetas andaluces de ahora?
Qué sienten los poetas, poetas andaluces de ahora?

Y cuando cantan, parece que están solos
Y cuando miran , parece que están solos
Y cuando sienten, parece que están solos

Y cuando cantan, parece que están solos
Y cuando miran , parece que están solos
Y cuando sienten, parece que están solos
Pero, dónde los hombres?

Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
Que en los campos y mares andaluces no hay nadie?

No habrá ya quien responda a la voz del poeta,
Quien mire al corazón sin muro del poeta?
Tantas cosas han muerto, que no hay más que el poeta

Cantad alto, oireis que oyen otros oidos
Mirad alto, vereis que miran otros ojos
Latid alto, sabreis que palpita otra sangre

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo encerrado
Su canto asciende a más profundo, cuando abierto en el aire
ya es de todos los hombres

Y ya tu canto es de todos los hombres
Y ya tu canto es de todos los hombres
Y ya tu canto es de todos los hombres
Y ya tu canto es de todos los hombres (bis)


Autor: Rafael Alberti

( poesia que serviu de letra para um conhecido tema do lendário grupo Aguaviva)


O carnaval e os caretos de Lazarim


Decorreu no último fim de semana e nesta 2ª e 3ª feira mais um Carnaval de Lazarim, pequena vila situada no concelho de Lamego, com difíceis acessos que a torna algo isolada, mas que não se cansa de dar provas de ser uma comunidade rural orgulhosa das suas raízes e tradições e que demonstra uma invulgar vitalidade na sua defesa e promoção.

Uma dessas manifestações são os caretos, máscaras de madeira de amieiro esculpidas por artesãos, e que saem à rua por alturas do Carnaval por intermédio dos filhos da terra, com particular destaque para as raparigas que, com galhardia e (muita alegria à mistura), demonstram assim o seu apego a uma manifestação genuína de cultura popular.

Com efeito, perde-se no tempo a festa do entrudo em Lazarim. Um dos testemunhos pessoais descreve o Carnaval de Lazarim em 1879 como uma manifestação medieval, recheada de referências ao belzebu, e que era motivo para brincadeiras sombrias que assustavam sobretudo os mais novos. Máscaras de madeira eram frequentemente revestidas a pele de coelho, cujo pêlo era depois rapado a lâmina de barba, deixando apenas assinalados com o pêlo do próprio animal as zonas das sobrancelhas e do bigode.Cobras e sardões, apanhados no estado de hibernação do Inverno, eram também frequentemente utilizados. Pregados às máscaras de madeira serviam de ornamento a estas, deixando aterrorizados habitantes.

Um dos pontos altos do Carnaval de Lazarim é a leitura na praça da aldeia dos Testamentos da Comadre e do Compadre feita sucessivamente por uma rapariga e um rapaz da terra. São então feitas as apreciações mais desassombradas a todos os jovens da aldeia sob a forma de versos compostos em segredo e onde não faltam os chiste e as inconfidências da má-língua, explorando muitas vezes as rivalidades entre os dois sexos. À compita assiste a multidão que não perde pitada e se diverte com as críticas cerradas feitas a uns e aos outros. E realmente só ouvindo em viva voz se pode dizer que em Lazarim, naquela tarde de 3ª feira, vale tudo entre os rapazes e as raparigas da vila.

Mandam as regras que só os solteiros possam criticar e só eles sejam alvo de chacota. Do Testamento consta a imaginároa distribuição de um burro ou burra, que a imaginação divide, cabendo a cada um o órgão ou parte que mais se adequa ao «defeito» que se quer denunciar na pessoas que é o alvo do versejador.

Todas, mesmo todas, as partes do animais são atribuídas, no meio de quadras que nem sempre dissimulam os palavrões. «As raparigas são mais finas, sabem dizer as coisas de outra maneira. Agora eles, às vezes, dizem tudo por claro», conta Ester Ribeiro, de 19 anos, uma das moças que têm ajudado a compor as estrofes da comadre. Sabe que vai ouvir das boas, mas já está preparada para não ligar. Sempre as raparigas as compuseram, mas só em 1985 se libertaram do porta-voz que fazia, por elas, a leitura das «deixadas» do testamento. Apesar da permissividade própria do Carnaval, que, dizem os antropólogos, serve para exorcizar e esquecer o passado, nem todos se contentam com um cerrar de dentes. Houve um ano em que a GNR foi chamada e as ofensas valeram multas de 400 escudos, acrescidos de cinco tostões de imposto de selo. No ano seguinte, o testamento só teve uma quadra: «Vamos ler o testamento / para que ninguém se fique a rir / por causa de 400 e coroa / fica a burra por dividir.»



Para ilustração bastará ler algumas quadras dos testamentos:

Testamento da Comadre
[ uma rapaz da vila lê o testamento a uma rapariga ]

Olá queridas comadres
Olá grandes feiticeiras
Cá estamos mais uma vez
Para vos tirar as peneiras.

Sois todas umas cadela
sQuase me matais de fome
Senão tivesse vergonha
Tratava-vos por outro nome.

Tende cuidado com o burro
Que ele é abonado
Se a dele não chegar
Tendes aqui mais um bocado

Hoje em dia as raparigas
São de lhe tirar o chapéu
Se lhes tirarmos os trapos
Ficam com os podres ao léu

Olá menina Márcia
Condutora de fim de semana
Não sei qual foi a ideia
Da tatuagem na mama

Já estou farto desta merda
Só me apetece dar um grito
Sois todas umas corrumbeiras
Ide todas levar no pito.

[excerto do Testamento da Comadre de 2000]


Testamento do Compadre
[ uma rapariga da vila lê o testamento a um rapaz ]

Quando tocares no apito
Não o mostres a ninguém
Apenas à namorada
Para ela o tocar também

Não sei que raio vos deu
Parece que é comichão
Passais a vida a coçar
O instrumento com a mão.

Sois todos uns paneleiros
que não valem 2 vinténs
Ninguém quer de vós saber
Até vos mijam os cães.

Alguns vêm de propósito
Para meter o focinho
Mas aquilo que nós queremos
É que leveis no cuzinho.

Alguns metem nojo
Com o paleio que têm
Se isto é tão ruim
Porque diabo cá vêm

De vós me vou despedir
Ó grande rapaziada
Não gostais de raparigas
Juntos fazeis marmelada.

[excerto do Testamento do Compadre de 2000]


«Uma vez pedi uma máscara, vesti-me, e saí de careto, juntamente com outra moça. Mas eles lá descobriram, fosse pela forma do corpo, fosse pelo andar, e começaram a querer pôr as mãos onde não deviam. Tivemos de fugir», recorda Maria de Lurdes, com 49 anos e muita saudade do tempo em que podia fazer versos para o testamento das comadres.

Segue-se depois o desfile tradicional em que não falta a farinha lançada ao ar, e que termina com a morte do compadre e da comadre, simbolizados em dois bonecos que acabam por arder no meio do fogo.
Para terminar, realiza-se o concurso das máscaras ( caretos) e se descobrem as caras dos respectivos portadores.
Para remate final, manda a tradição que seja servida a feijoada e o caldo de farinha que as mulheres da aldeia tratam de preparar num largo fronteiriço à praça principal.


Como homenagem a Lazarim inserimos a seguir um pequeno filme que fomos encontrar no you tube:

Pifaradas Zabunbadas dos Pastores






Os Caretos
Os Caretos são máscaras que escondem os seus portadores que andam pelas ruas de certas povoações do Norte peninsular ( Baira Alta e Trás-Os-Montes, em Portugal; e na Galiza e em Castela-Léon) e que servem para meter medo, fazendo de diabo à solta, Podem aparecer tanto no Carnaval como por alturas do Natal e fim de ano.
Os caretos fazem parte de uma tradição portuguesa muito, muito antiga, e os mais conhecidos são os de Podence e de Ousilhão (Trás-os-Montes), mas também os há noutras zonas, como em Lazarim, na Beira Alta.
Os homens de Podence, por exemplo, mascaram-se de caretos , uma espécie de criaturas de outro mundo, que fazem muito barulho e perseguem as raparigas solteiras. O caretos andam em grupos, com máscaras de couro ou de madeira, muito feias. Vestem velhas colchas de lã transformadas em fatos de cores fortes como o verde, azul, preto, vermelho e amarelo (tudo às riscas). Para chamar a atenção e fazer todo o barulho que lhes é característico, usam grandes chocalhos pendurados na cintura e guizos nos tornozelos. Uma das v´timas preferidas dos caretos são as meninas solteiras, mas também os donos das adegas que, quando apanhados, são obrigados a abrir as pipas para os caretos beberem vinho.




Os Caretos de Podence
(texto retirado da net)

Despedem o Inverno e saúdam a Primavera, os caretos do Carnaval são um ritual entre o pagão e o religioso, tão natural como a passagem do tempo e a renovação das estações. Em Podence, concelho de Macedo de cavaleiros, todos os anos é assim.. Chegado o Mês de Fevereiro, os homens envergam os trajes coloridos (elaborados com colchas franjadas de Lã ou de linho, em teares caseiros) escondem a cabeça entre duas máscaras de lata, prendem uma enfiada de chocalhos á cintura e bandoleiras de campainhas e dependem toda a energia do mundo para assinalar o calor e os dias maiores que se prestem a chegar. Normalmente, contam com os favores do Sol, magnânimo para quem louva o seu reino com tanto fervor. Religioso também pois assim se marca , com os últimos estertores da folia o início da Quaresma. Período de calma, reflexão e contenção do calendário religioso. A cansar no Carnaval para acalmar até á Páscoa.

Dizem fontes que a festa de Podence se imerge no domínio dos tempos até às antigas Saturnais romanas – celebração em honra de Saturno, Deus das sementeiras. Procura-se acalmar a ira dos Céus e garantir favores de uma boa colheita. Nesses tempos idos da agricultura de subsistência, a diferença entre a vida e a morte quase se cingia à dimensão da lavra. E a dupla máscara acentua a relação, ao lembrar uma das duas importantes divindades romanas: Jano Deus do passado e do futuro e também do presente, senhor dos portões e entrada, da guerra e da paz e dono de todos os princípios. O filho de Apolo, que um dia partilhou o trono com Saturno e conjuntamente civilizaram os habitantes de Itália, levando-os a tal prosperidade que ao reinado chamaram era de ouro, é geralmente representado com duas caras por ser do passado e do futuro, e principalmente, por ser símbolo do SOL , que aparece de manhã e se esconde á noite. Passados á parte , em Podence ainda hoje a agricultura é a principal actividade da população. Da terra se extrai cereais e castanhas, embora nos últimos anos , tenha aumentado a produção de azeite. A aldeia de Podence parece ter força suficiente para manter tradição e garantir a vida a estas figuras, recheados de homens endemoninhados, armados de chocalhos e rédea solta para as tropelias. Mesmos, explicam os mais velhos, o tempo tenha brandado a folganças e as moças da terra já não sintam tantas nódoas no corpo. Melhor que nada pois nos anos 70, esteve a tradição por perder-se , à conta dos últimos anos de ditadura e do fenómeno da emigração. Recuperada uma década mais tarde, quando alguma prosperidade respirar um pouco o interior, que abraçou também o regresso de alguns dos que tinham ido á aventura. Hoje serão quarenta dezenas os homens com fatos de Carreto e energia para invadir a praça na aldeia domingo e terça feira de Entrudo. E o futuro está garantido por há muitos Facanitos (crianças com fatos idênticos aos mais velhos) prontos a tomar o testemunho. Os outros aquelas que não podem evergar fatiota, abrem as adegas para dessedentar os folgazões. A imunidade conferida pela máscara, permite aos caretos mergulhar nos excessos. Sendo as mulheres solteiras as vítimas preferencias. Encostam-se a elas e ensaiam estranhas danças com conteúdo erótico, agitando a cintura e batendo com os chocalhos nas ancas das vítimas que, par bem do corpo acompanham a dança. Dança com o nome chocalhar. Entre o barulho festivo, a risota e o alarido lembram-se outros tempos em que as mulheres se escondiam em casa pois os foliões iam muito para além dos chocalhos, lançando cinza e dejectos e f ustigando as incautas compele de coelho seca ou bexiga de porco fumada. Para não falar no banho de formigas , broma pesada e cruel com espécimens selvagens recolhidos nos campos durante meses. Também as casas eram invadidas e panela ao lume era panela condenada a verter o conteúdo para mal da barriga dos infelizes. Ao careto mau diabo á solta pelas ruas de Podence, querem-no vivo em cada Fevereiro, mesmo que á conta disso não possam dormir descansadas as moçoilas da aldeia de Podence. Porém com a internacionalização dos últimos anos, tal parece impossível. Realmente desde as Jornadas de Cultural de Popular da Academia de Coimbra em 1985, importantes para o reavivar da tradição, até aos dias de hoje , os Caretos transmontanos percorrem um lento caminho que os levou de Norte a Sul do país, afigurar na Capa de Cd da Brigada de Victor Jara e até ultrapassar fronteiras para actuar na Disneyland Paris, Carnaval de Nice e Carnaval em Itália.

Adaptados ou não a tempos de mais brandos costumes o Carnaval de Podence mantém o clima fantástico de antes. Sedutores e misteriosos, os Caretos guardam a magia dos tempos em que as histórias junto á lareira franqueavam a entrada em mundos de sonho. A eles tudo se permite; o anonimato dá-lhes prerrogativas : dá-lhes poder. Por dois dias no ano os homens são crianças e quem mais brinca mais poder tem



O Carnaval no Nordeste (tradição e significado),
por António A. Pinelo Tiza

O Carnaval dos nossos dias, urbano ou rural, remonta, na sua origem, às antigas festas da Natureza, "de fundo agrário" (1), as Saturnais romanas e as Lupercais celebradas em honra de Pan, o deus dos rebanhos. A expressão popular "é Carnaval, ninguém leva a mal" encontra o seu fundamento nos rituais licenciosos próprios destas festividades, uma licenciosidade autorizada que, a par de outros rituais expurgatórios, constitui ainda hoje a sua principal característica. A destruição pelo fogo de figuras alusivas ao passado (tudo o que é velho), o julgamento e queima, em cerimónia pública, do Entrudo, do Velho e de outras figuras míticas, o castigo que os mascarados infligem às mulheres que se atrevem, nesse dia, a sair à rua, a serra da velha, as "chocalhadas", como rito regenerador e fecundante que os espalhafatosos caretos aplicam às mulheres e a crítica social expressa na publicação e encenação dos "casamentos" burlescos e ridicularizantes dos jovens "casadoiros" são rituais expurgatórios deste período de passagem que é o fim do Inverno e a entrada na Primavera. Rituais ainda vigentes, um pouco por todo o lado no Nordeste Transmontano.

Recuando no tempo, podemos encontrar as origens do Entrudo nas antigas festas Lupercais, celebradas na antiga Roma, em meados de Fevereiro, em honra do deus Pan, protector dos pastores e dos rebanhos. Como em qualquer festa digna desta nome, eram permitidos aos festejeiros todos os excessos, no uso e abuso da comida e da bebida e na fuga às normas e comportamentos socialmente instituídos, organizando-se, para tal, em sociedades secretas. As anomias eram praticadas e assumidas pelos próprios sacerdotes, constituindo verdadeiros rituais de apelo à fecundidade, no momento mais propício do ciclo da Natureza, a aproximação do seu rejuvenescimento, a entrada na Primavera. Era também o momento da purificação e expurgação das pessoas e das comunidades, o que se processava pelos rituais de crítica social institucionalizada e a sua divulgação na praça pública.

Apesar da "cristianização" que todas estas práticas festivas sofreram ao longo de dois milénios, podemos entender ser ainda hoje esse mesmo o sentido a dar aos rituais carnavalescos que se podem constatar em algumas localidades do Nordeste desenrolados no Domingo Gordo, Carnaval, Quarta-feira de Cinzas e mais adiante no tempo, a meio da Quaresma.

A crítica social

A crítica social institucionalizada acontece em dois momentos festivos do ciclo do Inverno: nas festas solsticiais do Natal, Ano Novo e Reis e no período de Carnaval. Esta última, que vamos referir, aparece sob a forma de "casamentos" que, apesar de ter sucumbido em muitas localidades, subsiste ainda em outras tantas terras de toda a região bragançana.

Em terras de Mogadouro, os "casamentos" são tornados públicos no próprio dia de Carnaval; "turrear" quer dizer publicar um casamanto, os noivos, os padrinhos, os dotes... Toda a crítica social está contida na forma como o cerimonial se desenrola; os anunciantes escolhem determinados pontos estratégicos para poderem ser claramente entendidos e aproveitam a escuridão da noite para não serem identificados; estão assim à vontade para explorar os pontos sensíveis das pessoas que desejam invectivar, achincalhando-as com a atribuição do respectivo noivo ou noiva, padrinho ou dotes que contraria as suas já conhecidas aspirações ou ridiculamente os contempla.

A público vêm também os "contratos de casamento" em Podence, no Domingo Gordo, ao cair da noite. Aqui os anunciantes assumem o papel de sacerdotes que, acompanhados de numerosa turba de acólitos, se colocam em pontos elevados da aldeia, os dois pilares dos portões do adro da igreja, para aí anunciarem os "casamentos" de todos os solteiros da terra. São estes os visados pela censura. A sua voz é amplificada pelos embudes (grandes funis usados para verter o vinho para as pipas) que, ao mesmo tempo, a distorcem para impedir a identidade dos proclamadores.

Esta acção satírica assume características de natureza social onde o "casamento" funciona mais como um pretexto para se poder dar livre curso à crítica do que como um fim a alcançar com a encenação, isto é, a aproximação dos proclamados noivos. Esta nunca se verifica pelo ridículo que o "casal" anunciado envolve. O importante é que se possa falar de tudo e de todos, num ambiente de permissiva licenciosidade, em que tudo é permitido e consentido. Estaremos perante um momento de escape e de purificação social que a comunidade conserva como absolutamente necessário à sua boa saúde social.

"Palhas, alhas leva-as o vento!
Oh, oh, oh...
Aqui se vai formar e ordenar um casamento.
Oh, oh, oh...
E quem é que nós havemos de casar?
Tu o dirás.
Há-de ser a Maria rita que mora no bairro do Castelo.
Oh, oh, oh...
E quem é que nós havemos de dar para marido?
Tu o dirás.
Há-de ser o João da Rua que mora lá em baixo no Porto.
Oh, oh, oh...
E que nós havemos de dar de dote a ela?
Tu o dirás.
Há-de ser uma máquina de costura
porque ela é uma boa costureira.
E que é que nós havemos de dar de dote a ele?
Tu o dirás.
Há-de ser uma terra ao Souto
para que não saia um de cima do outro
enquanto for Inverno.

Toda esta permissividade no dizer e na liberdade de tudo expressar surge naturalmente enquadrada no contexto geral das festas solsticiais, as antigas Bacanais e do Carnaval, as Saturnais, em que as anomias se estendem a todos os outros comportamentos individuais e sociais, desde os excessos de comida e bebida até às danças, rondas, galhofas e pandorcadas.
São momentos que podem ser considerados de escape ou de válvula em que publicamente tudo e a todos se pode dizer sem que qualquer sanção daí resulte e sem que os visados possam levar a mal tais palavras, gestos ou atitudes.

A função das máscaras

O mascarado que nesta região sai à rua nas festas solsticiais do Inverno e no período de Carnaval, assume hoje funções meramente profanas, bem distintas das que estão na origem do seu aparecimento. Sendo na Antiguidade um elemento de ligação entre os vivos e os mortos, entre o homem e a divindade, o mascarado parece hoje desempenhar, de forma inconsciente, as mesmas funções mas, aos olhos do povo, representa o diabo e conscientemente se assume como tal nos gesto e atitudes que toma.


Qualquer momento de passagem é crítico para a comunidade que o vive. O carnaval situa-se no momento de passagem do Inverno para a Primevara ou de um ano a outro (segundo o antigo calendário gregoriano o ano começava em Março). Logo, o Carnaval corresponde a um momento crítico para as sociedades agrárias. A presença do mascarado justifica-se assim e a sua acção relaciona-se com a preparação para essa passagem, através do desempenho das suas funções sagradas: purificação das comunidades, pela crítica social; o culto da Natureza, pelas suas atitudes licenciosas relacionadas com o apelo à fecundidade; o culto dos mortos e da divindade com a transformação de uma pessoa humana num ser com poderes que estão acima das normas sociais instituídas.


Por isso, o mascarado activo transforma-se num ser superior, gozando de uma força e liberdade sem paralelo; coloca-se acima de toda a lei humana e, como se se tratasse de um ente sagrado, mas possuído pelo diabo, se liberta de todos os entraves e dá largas às suas faculdades de destruir e de castigar, de troçar e de acariciar, de dançar e de gritar, a seu bel prazer.

Os mascarados de Podence enquadram-se nestas funções: expurgatórias por um lado, ao castigar os elementos da comunidade com as suas "chocalhadas" vioelntas e, por outro lado, propiciatórias, ao tomarem atitudes licenciosas para com as mulheres, outrora consideradas fecundantes, num apelo à fertilidade da Mãe-Natureza, no início do novo ciclo de vida.

O mesmo se poderá entender das funções dos "diabos" que, em Bragança e Vinhais, saem à rua, no dia seguinte ao Carnaval, a Quarta-feira de Cinzas. As atitudes castigadoras que tomam são relacionadas pelo Abade de Baçal "nas Festas Lupercais celebradas pelos sacerdotes de Pan a 15 de Fevereiro, que despidos, tapando apenas as partes genitais com uma tira de pele caprina, recentemente imolada e tinta de sangue, percorriam as ruas, batendo com um chicote em quantos encontravam, principalmente nas mulheres, que julgavam fecundar com estas pancadas" (2). O P. Firmino Martins parece comungar desta mesma tese e confirma as raízes pagãs destes rituais: "Que eram as agonales, as lupercales (...) essa infinidade de festas festas em honra dos deuses protectores dos campos, dos trabalhos, das sementes, dos frutos, intempéries, doenças, dos lares, dos actos de casamento, da guerra, da morte? o sacrifício de pessoas, animais e alimentos? " (3).

A reprodução da vida humana nas suas diferentes fases fundamentais, sobretudo os rituais de maior impacto social é outra das funções dos mascarados, tanto no Solstício do Inverno como no Carnaval. Iso mesmo pode ser observado nas representações teatrais da crítica social da festa dos rapazes de Varge, na encenação do julgamento do entrudo de Santulhão ou nas "cerimónias" dos casamentos de Podence. Em qualquer dos exemplos sugeridos toda a vida da comunidade rural é manifesta, tanto nos utensílios e adereços utilizados como nos significados das mensagens contidas nos rituais.

Notas
(1) Benjamim Pereira, Máscaras Portuguesas, Junta de Investigações do Ultramar, Lisboa, 1973, pp. 120.
(2) Francisco Manuel Alves, Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança, Tomo IX, pp. 301.
(3) Padre Firmino Martins, Folklore do Concelho de Vinhais, 2º vol., pp. 130

Manifestação pelo direito à habitação ( no Domingo, dia 25, às 15h. na Pr. da Figueira)

Consultar:

http://moramosca.wordpress.com/

http://plataformaartigo65.org/

Vão-se realizar também as JORNADAS DA HABITAÇÃO no próximo dia 24 de Fevereiro ( das 9h. às 17h.)

O local das jornadas é no TEATRO A BARRACA ( em Lisboa)



O Estado tem esquecido o seu dever de promover uma política que controle a especulação desenfreada e promova o acesso e dignidade na habitação para todos.

Hoje, milhares de pessoas:

- vivem em habitações degradadas, sobre-lotação, barracas, pensões, de favor ...
- estão endividadas em muito mais do que seria aceitável.
- têm mais dificuldade em conquistar autonomia na habitação, sobretudo jovens e idosos. Os bairros de barracas estão a ser demolidos, centenas de pessoas, sem possibilidade de acesso à habitação, são postas à força na rua.

No entanto:

- só na área de Lisboa há mais de 112 mil casas à venda sem comprador e o preço não baixa;
- no país, há 544 000 casas devolutas;
- os centros das cidades estão cada vez mais vazios;
- o apoio ao arrendamento jovem foi reduzido em50% e além disso as verbas para habitação social e reabilitação diminuiram;
Os lucros dos bancos e das imobiliárias atingiram valores Record nos últimos anos!


TODOS SOMOS MORADORES.

TEMOS UMA PALAVRA A DIZER .

TODOS OS MORADORES À RUA !

DOMINGO 25 DE FEV – 15 H – PRAÇA DA FIGUEIRA


17.2.07

Próximas actividades em Aljustrel (no Centro cultural Gonçalves Correia)

Dia 17 de Fev.(Sábado de Carnaval) - Festa Reggae no Clube Aljustrelense ( Aljustrel)

Mais info:
http://www.goncalvescorreia.blogspot.com/


Dia 23 De Fevereiro às 21 h. em Aljustrel - debate e apresentação de livro sobre

“O Terrorismo de Estado na Rússia. A Guerra na Tchetchénia”


Cristina Dunaeva e Fernando Bonfim (Brasil) vêm falar sobre terrores escondidos que sucedem cada dia que passa. De regresso da Rússia, Cristina Dunaeva aproveita a ocasião para falar junto com Fernando Bonfim, da Guerra na Tchetchénia e da luta anti-militarista na Rússia.
Cristina Dunaeva e Fernando Bonfim, assinando pela Ação Literária pela Autodeterminação dos Povos, são autores do livro “O Terrorismo de Estado na Rússia: a guerra na Tchetchênia nos descaminhos da industria da violência” (ed. Achiamé, Rio de Janeiro 2006).
Fruto de trabalho de dois anos, procuraram contribuir com as lutas de movimentos pela autodeterminação do povo tchetcheno e de resistência à xenofobia, racismo e limpeza étnica no território da ex-URSS. O foco principal da publicação é o conflito dessa pequena républica situada na região a norte das montanhas do Cáucaso, iniciado em 1994 com a invasão do território pelo exército da Federação Russa. Há dois séculos que os tchetchenos são chamados de terroristas, ora pelos dirigentes do Partido Comunista da URSS, e agora por Putin e seus demais.
Mas quem é terrorista nesta História? Quem utiliza a retórica do terrorismo nos dias de hoje e com quais objectivos? Quais os interesses comuns entre os governantes de Estados e os Empresários ligados à industria transnacional da violência?


MOVIMENTO DE UTENTES DA S.T.C.P.PROSSEGUE

Depois de várias acções populares de contestação ao (péssimo)funcionamento das novas linhas dos autocarros da S.T.C.P.(Sociedade de Transportes Colectivos do Porto), que passaram por várias manifestações e bloqueios de autocarros em vários locais do Porto metropolitano, contestando nomeadamente a eliminação de várias linhas, a alteração de percursos, a obrigatoriedade de mais transbordos e portanto de mais tempo de espera nas paragens e de bichas maiores (com a consequente sobrelotação dos autocarros), a inadequação dos abrigos das paragens (e mesmo da inexistência de quaisquer abrigos em muitas delas-apesar do aumento das bichas...),a inadequação da nova política tarifária ao nivel de vida da maioria dos utentes, etc., etc., a luta por melhores condições de transporte prossegue por parte deste movimento popular realizou-se no salão da Junta de Freguesia do Bonfim, ao Campo 24 de Agosto um ENCONTRO/ASSEMBLEIA de tod@s @s interessad@s e dos vários grupos/comissões locais que constituem este movimento , para trocar ideias e decidir novas formas de luta ...

Até porque, embora em alguns locais já se tenha conseguido vergar o autoritarismo e o desprezo da administração pelas populações (e pelos próprios trabalhadores da empresa), HÁ AINDA MUITAS INSUFICIÊNCIAS E ERROS NO FUNCIONAMENTO DESTES SERVIÇOS, A COLMATAR E A CORRIGIR!


entretanto foi lançado e está a circular uma convocatória para a realização de uma

ASSEMBLEIA DE UTENTES DA STCP BAIXA E PORTO-CENTRO

Com vista a organizar a comissão/grupo local deste movimento na zona da Baixa e parte da Zona Histórica do Porto, convocam-se @s utentes destas zonas para esta reunião SÁBADO, 17/2 ÀS 21.00 horas na sede da associação Terra Viva!Associação de Ecologia Social, RUA DOS CALDEIREIROS, 213, sala A, à Cordoaria, convidando to@s quantos destas zonas têm tido de aguentar O VENTO E A CHUVA NAS PARAGENS, OS NOVOS TRANSBORDOS, AS BICHAS , OS APERTÕES NOS AUTOCARROS, ETC., a aparecer.

PELA QUALIDADE DE VIDA DAS POPULAÇÕES!

POR CONDIÇÕES DE TRANSPORTES DIGNAS!

O POVO UNIDO FUNCIONA SEM PARTIDO!

A luta continua!

Haverá organização tão mafiosa como esta?

Será possível imaginar uma organização tão mafiosa como esta?

Uma organização que tem pouco mais de 500 «funcionários» de entre os quais encontramos elementos com os seguintes atributos:

29 foram acusados de maus tratos às suas respectivas mulheres

7 foram já presos por fraude

19 foram acusados de assinar cheques sem cobertura

117 arruinaram-se já nos negócios

3 foram presos por actos de violência

71 não possuem cartão de crédito devido a terem sido à sua reiterada má gestão

14 foram detidos por ladroagem

21 estão actualmente acusados em diferentes processos judiciais

E só no ano de 1998, 84 deles foram detidos por conduzirem alcoolizados

Poderás porventura adivinhar de qual a organização estamos a falar com «funcionários» deste calibre?

Trata-se nada mais nada menos do que o Congresso de deputados da maior potência do mundo, isso mesmo, do Congresso dos Estados Unidos da América !!!

Libertação imediata da Susana

Estudante portuguesa presa na Dinamarca espera julgamento há dois meses!!!
Fonte: jornal Público (16/2/2007)

A estudante portuguesa Susana Santos, de 26 anos, é hoje ouvida em tribunal em Copenhaga, Dinamarca, sob acusação de agressão às autoridades.
Susana Santos está presa preventivamente desde 16 de Dezembro passado, depois de ter participado numa marcha de protesto contra o encerramento de um centro de juventude de Copenhaga. Foram detidas cerca de 200 pessoas, entre as quais mais de 80 estrangeiros.
Os seus amigos lançaram há semanas uma campanha de solidariedade na Internet.
Familiares e amigos da jovem contestam a lentidão da justiça dinamarquesa, já que Susana Santos foi detida e presente a um juiz em Dezembro, tendo sido formalizada a acusação. Mas a estudante deveria ter sido presente a tribunal a 11 de Janeiro, já que a lei dinamarquesa indica que após a formalização da acusação o julgamento deve ocorrer nas quatro semanas seguintes.
A audiência foi adiada para 25 de Janeiro e o mesmo voltou a acontecer a 8 de Fevereiro. A nova sessão foi marcada para hoje e para dia 22, em que serão ouvidos outros activistas detidos no mesmo protesto. Susana Santos encontrava-se “numa visita de estudo”, como contou a mãe da jovem ao PÚBLICO, e solidarizou-se com a causa do Ungdomshuset, um centro social dinamizado por jovens e alvo de uma ordem de despejo, à qual resistiram.
Numa marcha de protesto no dia 16 ocorreram incidentes e focos de violência e, afirma Diana Dias, uma das mobilizadoras da campanha “Su livre!”, Susana e um grupo de amigos foram detidos pela polícia. “Viu o melhor amigo dela ser preso e reagiu”, resistindo à polícia. Desde então encontra-se detida no estabelecimento de Vestrefangsel, na ilha de Kobenhaven, nas imediações da capital dinamarquesa.
Do grupo de detidos, detalhou Diana Dias, “continuam presos a Susana, um amigo italiano — que vão ser julgados ao mesmo tempo —, um finlandês e também um inglês”, além de outros jovens identificados posteriormente pelas autoridades de Copenhaga, que estarão a recorrer a vídeos para identificar os envolvidos nos distúrbios.
Fonte da Secretaria de Estado das Comunidades disse ao PÚBLICO que “tem conhecimento do caso e tem estado a acompanhá-lo”, adiantando que “o chanceler tem visitado” Susana Santos no estabelecimento prisional e que “há expectativa de que ela seja libertada” hoje, se o julgamento não sofrer mais adiamentos.
O PÚBLICO tentou, sem sucesso, contactar a embaixada dinamarquesa em Lisboa e a embaixada portuguesa em Copenhaga. João Salgueiro, informático de Lisboa, tomou conhecimento do caso esta semana através da campanha de solidariedade, alojada num sítio da Internet, que levou amigos, familiares e simpatizantes a contactar a representação dinamarquesa em Lisboa. Tentou informar-se sobre a situação de Susana Santos. Falou na quarta-feira com uma representante da embaixada da Dinamarca em Portugal, junto da qual confi rmou que “tinham detido uma estudante portuguesa e que o prazo das quatro semanas tinha expirado”.
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Para escreverem à Susana a dar apoio escrevam para este e-mail (retsgruppe69@yahoo.dk), que é de uma associação que está a dar apoio, que eles imprimem e fazem chegar à Susana.
Ponham no assunto algo como "a letter for Susana".
Escrevam a dar apoio.

5.2.07

Vozes contra a globalização capitalista (série de 7 documentários em castelhano)

Uma série de 7 documentários produzida pela TVE ( Televisão espanhola), falados em castelhano, e que questionam o fenómeno da globalização


Documentário nº 1 – Os Senhores do Mundo

Sabes que existem multinacionais cujo volume de negócios é superior ao produto interior bruto de muitos países, tais como a Áustria e a Dinamarca?

Qual é a função dos paraísos fiscais que dão cobertura ao dinheiro sujo da corrupção e do crime? Porque é que se permite tais territórios, que são deixados fora da tutela de qualquer lei?
Qual é o verdadeiro papel de organizações como o FMI, o Banco Mundial, e a OMC? O que se passou na Argentina e que levou ao colapso do seu sistema financeiro?
Estes e outros temas são abordados no 1º documentário da série «Vozes contra a globalização».

Nesta série documental diversas vozes fazem-se ouvir como, por exemplo,o economista Jeremy Rifkin (EUA); o ecologista Ramón Fernández Durán (España); o relator das Nacões Unidas para a alimentação, Jean Ziegler (Suiça); o analista da globalização David Held (Grã-Bretanha); o director do Centro Tridimensional, Francois Hautart (Bélgica); o ex portavoz do Forum Social de Génova, Vittorio Agnolletto (Italia); o escritor Eduardo Galeano (Uruguay); o especialista em Química Atmosférica James Lovelock (Grã Bretanha); o etnólogo Jean Malaury (França); a ensayista Fatema Mernissi (Marrocos); o premio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel; o premio Nobel de Literatura, Jose Saramago (Portugal); o analista social José Vidal Beneyto; o activista francês José Bové; la vicepresidenta de Attac, Susan George; o ex-presidente da Unesco, Federico Mayor Zaragoza; o profesor de Ciencia Política Carlos Taibo, o historiador Jaume Botey o economista SAMI NAIR, o jornalista IGNACIO RAMONET, o activista JOSE BOVE, omúsico Manu Chão, o filósofo Toni Negri, etc, vozes essas que arremetem contra o actual modelo da globalização.
A série consta de 7 episódios sob a forma de documentário com a duração aproximada de 1 hora cada e é o resultado do trabalho do realizador e guionista da série, Carlos Estévez, que através de uma linguagem simples e directa tentam fazer a denúncia contra o domínio de uma única potência imperialista sobre o resto do mundo, assim como se denúncia a indústria do medo que se abateu sobre os cidadãos, muitos dos quais lutam, apesar de tudo, para que um outro mundo seja possível.


Para ver o 1º documentário linkar aqui


2º Documentário – A Estratégia de Simbad
Analisa-se aqui o actual panorama laboral no mundo, nomeadamente, as deslocalizações de empresas, as economias emergentes ( China e índia), a imigração, o declínio da sociedade de Bem-Estar na Europa, as privatizações dos direitos laborais, a precariedade social, a vitória da economia especulativa sobre a economia produtiva e a política económica neoliberal.

Para ver o 2º documentário linkar aqui


Neste episódio analisa-se se uma só potência mundial poderá governar o mundo e função dos seus interesses estratégicos, económicos e culturais.O fim do mundo bipolar não deu lugar a um mundo mais tranquilo e estável, com menos tensões e conflitos militares, antes pelo contrário, assistimos a uma vontade desmedida das grandes potências em exercerem o seu domínio e controle sobre os mais variados recursos, sempre com a ajuda das grandes multinacionais de armanento e do petróleo. Ao mesmo tempo que os neoconservadores impõem nos Estados Unidos as suas ideias e os seus ideólogos proclamam o fim das ideologias e da História, regista-se no alvores do século XXI a grandes demonstrações de força por parte dos poderosos do mundo cujo efeito imediato é desestabilizar regiões inteiras do mundo e criar uma sensação de insegurança mundial.

Fala-se aqui da pobreza e de como os valores individuais deixaram de ter a mínima importância em favor do consumismo mais desenfreado. Um não-consumidor é um indivíduo marginal, e tal como ele existem países e até continentes inteiros marginais. Fala-se não só como foi possível esta evolução como também de como os meios de comunicação de massas, nas mãos dos grandes grupos económicos, fomentam o consumismo e o chamado «pensamento único». Denuncia-se também o papel das farmacêuticas no actual estado da saúde global.
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Aborda-se desta vez a questão do aquecimento global, a extinção de milhões de espécies, e a insensibilidade dos plíticos e a indiferença dos cidadãos perante este fenómenos da maior grandeza. Reúnem-se aqui vários cientistas e economistas prestigiados que se mostram críticos face a esta globalização que pode colocar em perigo a própria espécie humana.
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Pela voz dos indígenas fala-se aqui da colonização económica e cultural, a uniformização cultural e as privatizações na América Latina


Neste sétimo e último episódio pergunta-se se afinal esse outro mundo que se procura é possível ou não será tão-só uma utopia.

Para ver o 7º episódio linkar aqui

Decálogo-profecia a favor de um novo velho teatro, por Alfonso Sastre

( e que foi distribuída com o drama «Ulalume» escrito por Alfonso Sastre, e inspirado nos últimos dias de Edgar Allan Poe, e que foi estreado no passado dia 27 de Janeiro em San Sebastian,)

1. Tenho que confessar desavergonhadamente que «Onde estás, Ulalume, onde estás?» é um drama que cuidei em inseri-lo na melhor tradição do teatro europeu e americano

2. A minha profecia é que voltará a haver no mundo «ocidental» um drama digno daquela tradição literária e que vai desde Sófocles s Brecht, passando por Shakespeare, Ibsen, O´Neill Y Pirandello.


3. Creio que voltará a haver grandes autores dramáticos e que a sua história ainda não terminou

4. Voltará a haver um Drama que intervirá na vida social e na história do pensamento

5. Um Drama que voltará a ser um jogo perigoso, ou seja, uma actividade poética

6. Um drama que voltará a ser uma actividade política. Naturalmente crítica da política profissional e das suas corrupções; ou seja, um teatro crítico.

7.Um teatro que voltará a ser uma séria e divertida investigação (exploração) da realidade

8. Um Drama que exaltará a vida humana como uma praxis negadora de toda a agonia entendida como um absoluto ( um Drama contra o ilustre legado de Samuel Beckett, digamos) e também e ao mesmo tempo com o mesmo objectivo de perseguição da complexidade, como uma agonia negadora de qualquer activismo de revés ( contra o falso legado dos discípulos de Brecht)

9. A história do Drama não terminou, pois; e pela mesma razão pela qual q pós-modernidade começa hoje a ser uma antiguidade. Esta história do Drama continuará seguramente nas pequenas salas, naquelas onde se projectará uma luz sempre renovada sobre a vida social.

10. Nós acompanhamos hoje quase apologeticamente o nosso herói irrisório, Edgar Allan Poe, na sua morte histórica e na sua contínua ressurreição, também histórica. Esta é a pequena luz que agora acendemos neste palco em que nos encontramos, com a nossa agonia e a nossa praxis, ou seja, com a nossa praxis e a nossa agonia, à altura do nosso tempo

Tempos Modernos de Chaplin foi estreado a 5 de Fevereiro de 1936

Em 5 de Fevereiro de 1936, Charlie Chaplin lançava "Tempos Modernos" nos cinemas norte-americanos. Chaplin dirigiu o filme e interpretou o papel principal. Na Alemanha e na Itália, a película "de tendência comunista" foi proibida.

Na comédia Tempos Modernos, o autor, realizador e actor Charles Spencer Chaplin parodiava as facetas nefastas da crise económica mundial e da nova fase da industrialização. Gente lutando contra máquinas, a exploração, a necessidade extrema. No centro da história, alguém tenta sobreviver aos difíceis tempos: um vagabundo, com chapéu de coco, bigode, sapatos enormes e bengala.


Devido aos seus filmes de humor sofisticado, Charlie Chaplin pode ser considerado ainda hoje o comediante mais famoso de todos os tempos do cinema. Ele recusava, porém, a imagem que faziam dele em função de seu trabalho.
"As pessoas dizem que sou uma pessoa alegre. Não sou de jeito algum. Sou um homem bem sério. Com frequência não sei como devo expressar alguma coisa. Por isso os meus filmes são sempre tão longos. E o mais difícil é dar-lhes a aparência de simples."


Chaplin precisou de quatro anos para concluir Tempos Modernos. O filme tornou-se um momento de ruptura na sua carreira. Pela última vez, o artista levava para as telas o seu legendário vagabundo. E este entrou para a história do cinema como seu derradeiro filme mudo.

Pouco tempo antes as películas haviam ganhado som. Mesmo assim, Chaplin confiou mais uma vez na sua muda arte da pantomima, restringindo a sonorização à música e efeitos sonoros. Somente um personagem podia falar: o dono da fábrica, que vigiava seus operários através de uma gigantesca parede de projecção.

"Pavilhão Número 5 está trabalhando muito devagar! Dobrem a velocidade! Capataz, os parafusos estão frouxos demais. Verifique o que está acontecendo! Ei, aqui não é lugar de se fumar, mas para trabalhar!", ditava ordens o patrão, interpretado por Alan Garcia.

Cenas inesquecíveis – O pequeno vagabundo, auxiliar na linha de montagem, aperta os parafusos muito devagar. De repente, fica preso numa peça na esteira rolante e é arrastado para dentro de uma enorme engrenagem da máquina. Mais uma cena de Chaplin que entrou para a história do cinema. Tempos Modernos é antes uma sequência de cenas engraçadas isoladas do que grande roteiro dramático.

"Bom dia, meus senhores e minhas senhoras, aqui fala o vendedor automático. Eu tenho a honra de apresentar-lhes o Sr. John Billows, inventor da máquina automática de alimentação. O aparelho é uma invenção genial para se comer automaticamente. Os senhores economizam o intervalo do almoço e dão um golpe na concorrência", anuncia a nova máquina.

Mas golpe mesmo sofre apenas o pequeno vagabundo. Tendo justamente ele como cobaia, a máquina vai ser testada em dar de comer e ao fazêlo sai fora do controle, dá um banho de sopa ao protagonista, alimenta-o com parafusos e surra-o com o mecanismo que deveria limpar a sua boca. O público na pré-estreia, a 5 de Fevereiro de 1936, no cinema Rivoli de Nova York, fica deslumbrado.

A música de Tempos Modernos também deve-se às ideias de Chaplin. A sua voz pode ser igualmente ouvida no filme. Num restaurante, o pequeno vagabundo deve entreter os fregueses com uma canção. No momento decisivo, ele esquece a letra, canta algo absurdo, improvisado, misturando idiomas, e vai de novo para a rua. Mais um trabalho sem sucesso.

Mensagem política ou pura diversão? - "Eu acho que passar mensagens é muito problemático. Elas podem ser indignas. Podem até mesmo serem ridículas. Não acredito em mensagens", comentou certa vez ao falar de Tempos Modernos.

Chaplin não via seu último filme mudo como uma sátira política, mas como entretenimento.
Mesmo assim, o governo americano sentiu-se incomodado, assim como os governos nazi da Alemanha e fascista da Itália, que proibiram a exibição da película. Após novos filmes e anos de atritos com o governo dos EUA, o artista britânico deixou o país que escolhera para viver, retornando à Europa.

Somente décadas depois Hollywood reconheceria o mérito das obras do criador do vagabundo. Em 1971, Chaplin, já com 83 anos, recebeu um Óscar pela sua "incalculável contribuição ao cinema".

29.1.07

Marcha contra a guerra do Iraque juntou mais de 100 mil em Washington




Milhares de opositores à intervenção dos Estados Unidos na guerra do Iraque realizaram no Sábado passado, 27 de Janeiro, um enorme marcha em Washington que contou com a presença de milhares de manifestantes e que pretende marcar o início de um movimento a nível nacional, de uma ponta a outra dos EUA, a favor da retirada das tropas norte-americanas.
Entre os manifestantes via-se figuras conhecidas como Jane Fonda ( que teve um destacado papel na luta contra a guerra do Vietname, que lhe valeu de resto o cognome dado pelos conservadores de «Hanoi Jane»), Susan Sarandon, Sean Penn e o rev Jesse Jackson

Mais de 100.000 pessoas participaram na Marcha convocada pela aliança United for Peace, e que foi integrada por várias associações e activistas vindos de todos os lados do território norte-americano.

http://www.unitedforpeace.org

A suprema elegância do ler o jornal!

Ler o jornal: suprema elegância nos dias de hoje!

Quando observamos hoje os jovens dentro dos cafés dá a impressão que lhes falta algo de essencial na sua vida: a arte e o estilo de andar com um jornal. Sentados, com os olhos virados para o écrã de um computador, algumas vezes com fios que lhes saem das orelhas, o seu quotidiano oscila entre a viagem na MySpace, essa patética enciclopédia, e um vídeo de um tipo qualquer a dançar a macarena. Como é triste e deprimente que, hoje, quase ninguém saiba quanto a leitura de um jornal é um dos segredos da elegância. Esquecemos aquelas frases tonitruantes sobre a função da imprensa numa democracia – e encaremos a situação de um outro ângulo: o jornal como uma questão de estilo.

Quer esteja sentado ou de pé, dentro ou no exterior, apoiado negligentemente contra a parede ou com os pés sobre a secretária, a leitura de um jornal permite desenvolver-vos um rico vocabulário gestual. Com um movimento de braços abrimo-lo ao mesmo tempo que se faz sentir o som de barulho do papel, e todo o nosso estilo se descobre na maneira como viramos as folhas e como percorremos com o nosso olhar os títulos e os blocos de notícias, os nossos olhos dançam sobre as infelicidades do mundo antes de passar para outra coisa até que num golpe seco fechamos o jornal, o dobramos em dois, depois em quatro, e colocamo-lo debaixo do braço ou dentro do bolso do sobretudo. Cary Grant, Spencer Tracy, Jimmy Stewart e todos os grandes actores utilizaram um jornal para mostrar o seu estilo. Indiscutivelmente folhear um álbum de fotos de uma criança, agora com 18 anos, mais o seu gato, é coisa que não tem estilo algum.
Um tipo sentado diante de um portátil é como um homem sentado numa secretária. Onde está aí o estilo? Inclinado para a frente, com a cabeça entre os olhos, o olhar vidrado, saliva no canto dos lábios, enquanto olha, fascinado, o vídeo do pescador caído sobre a sua barcaça. O leitor do jornal é, antes de mais, um mosqueteiro, um samurai. Ter um jornal, e lê-lo, permite exprimir-vos, tal como Coltrane com o seu sax. Basta para isso observar algumas regras muito simples:

1.Se quereis mesmo fazer sensação não compres só um jornal, mas três ou quatro. Toda a pessoa que entre num café com 4 jornais sob o braço é vista automaticamente como um sábio. Se for jovem, é um sábio de informática. Se não o for, e se tiver ainda o pijama debaixo do seu impermável, é certamente um sábio excêntrico.

2.Demorai o vosso tempo para abrirdes o jornal. Já conheceis a música, apreciai então o perfume; se o leres é justamente para saber o que os outros sabem, logo não há pressa.

3. Uma vez aberto, não levanteis nunca os olhos a menos que alguém vos chame pelo vosso nome. Não vos deixeis distrair, mesmo se uma loura com umas pernas intermináveis atravessar a sala deixando atrás de si eflúvios de tabaco de menta e perfurme de marca. Não vos esqueçais: vós sois aí o actor, os outros não são mais que o público, pelo que importa que desempenhaiss cabalmente o papel.

4.Percorrei a primeira página, os títulos, mas não fiqueis aturdido, nem vacileis com acabeça. Tende estilo. Ide directamente às páginas culturais, depois à da banda desenhada, às de política internacional e, finalmente, aos casos do dia. Nesta pirâmide invertida de informações está todo um estilo de viver.

5. Depois de ler um ou dois artigos, recortai-os e enfiai os dois recortes no fundo dos bolsos do casaco. Fazei isso não de uma forma banal e negligente, mas com alguma urgência de maneira a emprestar ao acto uma aura de mistério.

6.Quando terminardes de ler o jornal, fechai-o e mexei levemente a cabela (não há analogia possível para um portátil). Um gesto de desdenho que deve singificar: «Agora é que eles vão ver! Basta de palavras! Para diante é que é o caminho! Para as barricadas!»

7. Tudo isso não deve durar mais de 20 minutos. Conheço um tipo, quase da minha idade, que cresceu com os dedos cheios de tinta de tipografia, mas que, por razões que sou incapaz de explicar, virou-se para a leitura da imprensa pela net.Visita regularmente os sites do Times, do Washington Posto e da Slate, mas acaba sempre por ir dar a um site de video onde uma matrona austríaca com grandes tetas vos dá ordens. Com os olhos fulminados pelos da mulher, ele parece que ouve: «acaba o teu trabalho, maldito sejas!, antes de fazer uma ou outra visita que ele toma como transgressões imaginárias suas. E se ele tem a intenção de desligar o aparelho a valquíria logo lhe põe aos berros antes de lhe mandar um rotteweiler com ar ameaçador. Ele acaba, no fundo, por ser um prisioneiro do seu portador, e os seus dias são lixados.

Coisas deste género acontecem sem darmos conta. A internet acabará por vos queimar vivos. Com os jornais, não. Vós tendes 20 minutos, não mais. E depois é a vida, a vida que tendes de escolher.

Tradução livre e adaptada de um texto de Garrison Keillor, publicado no Le Monde de 20 de Janeiro de 2007
Nota do tradutor: dada a natureza paroquiana da imprensa escrita portuguesa (nas mãos dos grandes grupos económicos) não nos responsabilizamos pelos eventuais danos que a sua leitura possa causar ao leitor mais incauto. Existem excepções, é certo. Por exemplo: a edição em português do Le Monde Diplomatique.

28.1.07

Premiado o matemático que provou que o «caos é a regra»

A ideia de que o bater de asas de uma borboleta pode provocar uma tempestade no outro lado do mundo é talvez a metáfora que melhor explica o campo de estudos em que se destacou Marcelo Viana, o matemático luso-brasileiro de 44 anos que acabou de receber o Prémio Universidade de Coimbra 2007.

Os sistemas dinâmicos, uma das áreas mais importantes da matemática pura e aplicada, são os modelos matemáticos decritivos da evolução da realidade ao longo do tempo. No fundo, estudam as minúsculas alterações nas variáveis de um sistema – hoje conhecidas como comportamentos caóticos – que podem provocar mudanças dramáticas no comportamento de todo esse sistema. Como explicou João Filipe Queiró, matemático e membro do júri do Prémio Universidade de Coimbra, «pequenas causas podem provocar perturbações enormes nas consequências».

A par da medicina, da biologia ou da economia, a meteorologia é uma área que beneficia do estudo dos sistemas dinâmicos. Estes ajudam a calcular o impacto que pequenas oscilações nas variáveis em causa vão ter sobre o estado do tempo no futuro. Apesar de tudo, actualmente, ainda é muito difícil fazer previsões meteorológicas rigorosas para mais de três dias.

O prestígio adquirido pelo premiado advêm dos trabalhos por ele desenvolvidos ainda na década de 1980 sobre a dimensão e o significado dos tais comportamentos caóticos.

Marcelo Viana veio provar, nomeadamente, que, «para uma grande classe dos sistemas dinâmicos, o caos não é a excepção, mas a regra».

Licenciado em Matemática em 1985 pela Universidade do Porto, Marcelo Viana segue para o Brasil onde vai passar a residir e faz o doutoramento no Instituto de Matemática Pura Aplicada (IMPA), o instituto de matemática mais importante da América Latina, e de que se torna director adjunto.

Fonte: Jornal de Notícias (26 de Janeiro de 2006)

O tráfego automóvel reduz o desenvolvimento pulmonar


As crianças que vivam nas proximidades de uma estrada com uma forte intensidade de tráfego têm um desenvolvimento pulmonar reduzido e é maior o risco para a sua saúde quando atingirem a idade adulta, segundo as conclusões de um estudo publicado na revista britânica de medicina The Lancet.

Mais de 3.600 crianças e adolescentes residentes no sul da Califórnia foram acompanhados durante 8 anos, entre os 10 e os 18 anos. As suas funções pulmonares foram medidas em cada ano. Os resultados são conclusivos: aqueles jovens que viveram a menos de 500 metros de uma estrada com forte intensidade de trânsito automóvel revelaram «défices substanciais» no desenvolvimento das suas funções respiratórias em comparação com aqueles outros que residissem a uma distância maior de 1,5 Km de uma via de trânsito intenso.
Esse défice mentem-se ao longo de toda a vida. »Quem sofra na infância de um défice nas funções pulmonares terá provavelmente pulmões menos saudável durante o resto da sua vida», afirma James Gaudeman. (University of Southern California, Los Angeles).
Ora sabe-se que uma reduzida função pulmonar na idade adulta é um factor de risco importante para as doenças respiratórias e cardiovasculares.

Crianças não-asmáticas e os não-fumadores sofreram défices significativos das suas funções respiratórias o que parece sugerir que todas as crianças que gozem de boa saúde são potencialmente afectadas pelo facto de estarem expostas ao tráfego automóvel. Tendo em conta estes resultados a conclusão é óbvia: uma redução à exposição da poluição automóvel levaria a significativas melhorias para a saúde pública. Algo que os legisladores deverão pois ter em conta quando aprovarem a regulamentação para a construção das vias e das casas.

«Estes resultados colocam importantes questões às sociedades sobre a estrutura do nosso sistema de transportes, sobre os motores, os carburantes, a combustão e a poeira das estradas dentro das áreas urbanas», declarou Thomas Sandstrom (University Hospital, Umea, Suède) no comentário acerca deste estudo e que o acompanha na última edição da The Lancet.

27.1.07

O desemprego mundial nunca foi tão alto

Pessoas sem lugar no mercado de trabalho eram 195,2 milhões em 2006.
Crescimento da economia não tem correspondência no aumento do emprego
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O mundo nunca teve tantos desempregados, pelo menos desde que as estatísticas os registam, como no ano passado.
O número dos que não têm emprego atingiu, em 2006, os 195,2 milhões de pessoas e os mais afectados são os jovens, indica o relatório Tendências globais de emprego 2007, ontem divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
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Mesmo com crescimento económico, e apesar de mais gente ter trabalhado, o número dos que não têm emprego cresceu em números absolutos, ainda que ligeiramente: os desempregados eram 194,7 milhões em 2005. Os dados preliminares sobre 2006 divulgados pela OIT indicam também que a taxa de desemprego quase não sofreu alterações: 6,3 por cento, face aos 6,4 por cento do ano anterior.
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Em muitas regiões do mundo não houve mudanças significativas de um ano para o outro. A redução mais notória do desemprego ocorreu nas economias desenvolvidas e na União Europeia, onde baixou 0,6 e se fixou em 6,2 por cento.
No caso de Portugal, a taxa de desemprego estabilizou em Novembro passado nos 7,1 por cento, segundo a informação divulgada no início deste ano pelo Eurostat, serviço de estatística da Comissão Europeia.
O valor mais baixo de desemprego continua a ser o do Leste asiático, com uma taxa de 3,6 por cento. Os índices mais elevados são os apresentados pelo Médio Oriente e Norte de África, com 12,2 por cento em 2006.
O Médio Oriente e o Norte de África são também as regiões onde é menor a percentagem de população empregada: 47,3 por cento em 2006. O valor mais elevado é registado no Leste asiático, onde, apesar de uma descida de 3,5 por cento na última década - explicada por um aumento da escolarização - a percentagem de população empregada é a mais elevada: 71,6 por cento. Na União Europeia, a percentagem de população empregada é de 56,7 por cento.O crescimento económico da última década reflectiu-se mais no aumento da produtividade do que na criação do emprego, refere a OIT, que ilustra a afirmação com números: crescimento de 26 por cento na produtividade contra apenas 16,6 por cento no emprego.
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Os mais jovens são os mais atingidos pela falta de trabalho: 86,3 milhões dos desempregados em 2006, qualquer coisa como 44 por cento do total, tinham entre 15 e 24 anos, indica a organização. Outra tendência que permanece é a do fosso entre homens e mulheres em matéria laboral. No caso das mulheres, a percentagem das que tinham trabalho, que era de 49,6 por cento em 1996, está em 48,9 dez anos depois. No caso dos homens, passou-se de 75,7 para 74,0 por cento.
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1,87 mil milhões ganham menos de 1,54 euros por dia
O relatório da OIT dá também conta de ganhos muito modestos dos 1,87 mil milhões de pessoas que têm remunerações mais precárias: 507 milhões ganhavam menos de um dólar por dia (77 cêntimos de euro) e boa parte destes vivia no Sul da Ásia e na África subsariana, regiões onde estavam concentrados 348,2 milhões. Outros 1,37 mil milhões ganham menos de dois dólares diários (cerca de 1,54 euros).
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"O forte crescimento económico da última meia década teve um impacto mínimo na redução do número de trabalhadores que vivem com as suas famílias na pobreza", declarou o director-geral da OIT, Juan Somavia. Para a organização, "é tempo de os Governos, bem como a comunidade internacional, assegurarem que as condições económicas favoráveis na maior parte do mundo se traduzam em criação de bons empregos".
A distribuição do emprego por sectores conheceu algumas modificações: de 2005 para 2006 o peso dos serviços no conjunto do emprego subiu de 39,5 para 40 por cento e ultrapassou pela primeira vez a quota da agricultura, que baixou de 39,7 para 38,7 por cento. A indústria ocupava no ano passado 21,3 por cento do total do emprego.
fonte: jornal Público

Fast Food Nation - Geração Fast Food (2006)


Fast food nation - filme de Richard Linklater, baseado no best-seller do New York Times e selecção oficial do Festival de Cinema de Cannes de 2006, é já considerado um dos melhores filmes políticos de um realizador norte-americano desde Fahrenheit 9/11 de Michael Moore

Para começar. Apetece-lhe um hambúrguer?

Se sim, então tudo começa com uma fatia de pão, um pedaço de carne mal passada, queijo derretido q.b., meia folha de alface, duas rodelas de pepino, uma de tomate, um molho branco que escorrega pelos ingredientes anteriormente enumerados e a mão do funcionário que empurra tudo com mais uma fatia de pão, desta vez com sementes, enquanto deixa sair uma cuspidela e um sorriso de satisfação. A caixa de cartão fecha-se à pressa e o 'the big one' está pronto para seguir no tabuleiro e fazer mais uma família americana feliz.



Este é o cartão de visita de Michey's, a cadeia de fast food que graças ao hambúrguer 'the big one' se está a tornar um sucesso de vendas. Por pouco mais de 4 dólares, qualquer americano pode comprar um 'the big one' ajustado ao seu paladar, que pode passar pelo sabor barbecue ou frango calipso, com um ligeiro toque de lima, e que dá direito a uma bebida 'super-preço'. Mas por detrás de tal degustação dos tempos modernos, sabem realmente os consumidores o que estão a meter à boca?


Os resultados de análises que indicam a existência de estrume na carne (e ameaçam o bom desempenho do negócio) levam a multinacional a enviar o seu inspector sanitário Don a Cody, uma localidade do Colorado, onde se encontram o matadouro e a fábrica onde a carne vendida pela multinacional é embalada. Uma vez chegado ao UMP (Uniglobe Meet Packing), Don é conduzido por um mundo artificial de brancura e desinfecção imaculadas, onde cada funcionário de avental fardado nasceu com a vocação inquestionável de separar a gordura da carne com um gancho de talhante.



Mas por detrás desta higiene aparente, Don vai conseguir averiguar que cada 'the big one' esconde estórias medonhas, como passadeiras rolantes por onde passam as vísceras mal lavadas, animais que são cruelmente maltratados e funcionários ilegais que perdem pernas e braços em acidentes de trabalho.À medida que cada "the big one" é trincado por uma boca de 1º Mundo que o pode comprar, dezenas de mexicanos continuam a saltar fronteiras em busca do novo sonho americano de ganhar dinheiro rápido com a comida rápida. Mas o único que encontram é um trabalho nojento e mal-cheiroso onde as cabeças de vaca rebolam sem olhos pelo chão do matadouro, a carne congelada é empacotada com vestígios de tripas e pêlo, e as trituradoras da fábrica engolem acidentalmente funcionários que antes de perderem alguma parte do corpo precisam de andar de galochas para que o sangue não lhes chegue até aos joelhos. Uma utopia de gente pobre seduzida pelo novo 'american way of life' que põe de lado a dignidade laboral e sexual em troca de um afortunado posto na fila dos que têm jeito para arrancarem rins de vaca.



Uma denúncia em estado cru do realizador Richard Linklater, que conta com as interpretações de Ethan Hawke, Greg Kinnear, Catalina Sandino Moreno, Patricia Arquette, Avril Lavigne e Bruce Willis.



Depois disto, será que ainda lhe apetece um hambúrguer?


Retirado de:
http://www.rascunho.net/critica.asp?id=1048

O Império Segundo Sócrates

retirado de:
www.vozdapovoa.com/diversos/opiniao.html

Texto de Artur Queiroz

A Oferta Púbica de Aquisição (OPA) da Sonae à Portugal Telecom faz lembrar os tempos em que Salazar assentava o seu poder em três pilares: a Igreja, a Repressão e o Império da CUF. O velho ditador percebeu que só conseguia impor a sua tacanhez e mediocridade se tivesse do seu lado o Poder Económico e fizesse do Poder Judicial um feroz aparelho de repressão ao serviço da ditadura. A PIDE e as forças armadas e militarizadas garantiam que ninguém ousaria pôr em causa o edifício salazarista. Hoje, José Sócrates, na senda de Salazar, faz tudo para pôr de pé o Império Sonae, dando a Belmiro de Azevedo, de mão beijada, a maior empresa portuguesa. De merceeiro açambarcador, com maior ou menor habilidade para as engenharias financeiras, Belmiro passa a ser detentor daquela que já foi a jóia da coroa do sector empresarial do Estado.

No primeiro dia da OPA, o principal noticiário da RTP convidou Rosado de Carvalho, um empregado de Belmiro de Azevedo, para comentar a operação. No dia seguinte, a Autoridade da Concorrência divulgava um estudo patético que dava gás às pretensões de Belmiro. Fora o árbitro, que está comprado! Ainda a poeira do estudo não nos tinha cegado de todo, já Judite de Sousa convidava o merceeiro do Continente para uma grande entrevista, na antena da RTP. Belmiro mostrou a arrogância própria de quem ostenta o título de homem mais rico de Portugal, insinuou que tem no bolso o Primeiro-Ministro, que só avançou com o negócio porque tinha garantias do Governo e ousou chamar pedintes aos accionistas de referência da PT que, na sua santa ingenuidade, proclamam que a empresa vale mais do que as cascas de alhos que o merceeiro quer dar. Puro engano de alma!

A Portugal Telecom não vale 9,5 euros como quer Belmiro nem 11,5 euros como avalia a administração da empresa. A Portugal Telecom pura e simplesmente não tem preço. O ministro das Finanças de Sócrates se não sabe isto, nem sequer serve para moço de fretes de uma mercearia. Se José Sócrates não sabe que o Poder Político se comprometeu a manter o controlo estratégico da empresa nas mãos do Estado, está a trair a boa fé dos portugueses. E não venham com truques baixos alegando que a União Europeia quer acabar com as “golden share”. Porque se mudam as regras que levaram à privatização da empresa, então o Governo tem a obrigação de fazer regressar a PT ao sector empresarial do Estado, custe o que custar.

Face à desgraça anunciada, os portugueses lá vão cantando e rindo a caminho da penúria absoluta. O Estado já pouco mais é do que um domador de funcionários públicos, proprietário de edifícios em ruínas, pagador de pensões de reformas e subsídios de desemprego. Os Belmiros ostenta os anéis que nos pertencem e arrotam milhões. Já é tempo de perceberemos que com o nosso silêncio e indiferença face a golpadas como a que está em curso na Portugal Telecom, somos cúmplices da morte anunciada do nosso futuro e do futuro dos nossos filhos. É tempo de nos interrogarmos porque razão a televisão do Estado está ao serviço de Belmiro de Azevedo no negócio da Portugal Telecom. E porque será que José Sócrates e o seu ministro da tutela estão a caucionar esta iniquidade sem nome.

Vive! Pensa! Lê! Aprende! Conhece! Age!

Escolhe a afirmação seguinte que melhor reflecte as tuas atitudes e o teu comportamento quotidiano, e serve-te das tuas respostas para te conhecer melhor :


Afirmação A = 0 pontos
Cito a Bíblia 10 vezes ao dia e leio o Correio da Manhã todos os dias


Afirmação B = 5 pontos
Sei tudo o que se passa no mundo do futebol

Afirmação C = 10 pontos
Não perco nenhum programa dos «Prós e Contras», compro e leio todos os livros da Margarida Pinto Rebelo, e acho imensa piada ao Herman


Afirmação D = 20 pontos
Sou vegetariano, amigo dos animais domésticos, mas gosto de comprar roupas de marca

Afirmação E= 30 pontos
Vejo e leio atentamente as notícias em casa, sentado no meu sofá, a comer biscoitos e a tomar chá, e leio habitualmente algum livro antes de adormecer

Afirmação F= 40 pontos
Gosto de me divertir, vou aos bares e discotecas, ouço e converso com os amigos e conhecidos, porque a vida são só dois dias, e o que temos é de a gozar ao máximo.


Afirmação G= 50 pontos
Sou um leitor compulsivo, amante do bom cinema, e um apreciador de arte


Afirmação H = 60 pontos
Pertenço a quatro associações cívicas, a uma cooperativa e sou voluntário de várias campanhas sociais, a nível nacional e internacional

Afirmação I = 70 pontos
Fui excomungado por várias igrejas, e expulso de diversos locais selectos por não suportar os convencionalismos bacocos dos hipócritas.

Afirmação J = 80 pontos
Gosto de ler literatura e poesia de vanguarda, escrevo os meus textos e tento lutar contra as injustiças sociais.

Afirmação L = 90 pontos
Tento levar à prática o máximo possível as minhas ideias ecologistas, vivo em comunidade, recuso-me a ver televisão e o ar abafado e as luzes artificiais dos centros comerciais atordoam-me.

Afirmação K = 100 pontos
Envolvo-me no activismo social, leio quer autores clássicos quer os marginais, e sempre que posso vou viver para junto da natureza


Conclusão: Ler jornais ou ver Tv não nos faz estar mais bem informados. Até pelo contrário: as notícias dos media são em grande parte enviesadas senão mesmo deturpadas. Mais importante do que isso é desenvolver uma contínua auto-formação alimentada por uma boa dose de curiosidade, e uma predisposição para apoiar e ajudar os mais carenciados a terem uma vida digna e autónoma. Pensar, investigar e explorar as questões à nossa própria custa constitui não só uma manifestação da nossa inteligência como um poderoso antídoto contra as manipulações de toda a espécie. E nunca fechar-se em dogmas e conclusões definitivas. Mostrar espírito aberto, inconformista e imaginativo. Agir a favor da justiça e da liberdade, no respeito pela natureza e dos outros.
Tudo isto pela simples razão de que a vida, a nossa curta vida é mais, muito mais do que futebol e televisão…