19.3.05

Não ao militarismo!



A guerra é uma das mais nefastas consequências do espírito autoritário. Ela deriva dos apetites imperialistas, dos interesses do capital, da intoxicação nacionalista, das razões de Estado e dos objectivos próprios das castas militares.
Por outro lado, o sistema militar é um subsistema importantíssimo de salvaguarda da sobrevivência do grande sistema estatal, autoritário por essência. Protege-se por mil e uma formas, e com cuidadosas barreiras, um dos aparelhos mais anti-democráticos do Estado moderno, através de toda uma série de dispositivos desde as formas de reprodução do espírito de casta que estruturam o corpo militar, até à inculcação de valores autoritários da obediência aos chefes, como estágio socializador dos jovens antes destes abandonarem a tropa. E é sempre o Exército que “restabelece a ordem”, seja apoiando as polícias seja fazendo golpes de estado.
Por tudo isto os libertários têm sido sempre os mais consequentes anti-militaristas, mesmo naquelas ocasiões que outros lhes acenam com a pretensa alternativa da constituição de um “exército vermelho”.
Na situação internacional em que vivemos torna-se necessário um recrudescimento do activismo anti-militarista, na luta pela destruição de todas as armas de destruição maciça, e na criação de uma lógica de paz no relacionamento entre os povos. Daí ser oportuno a divulgação da objecção de consciência ao serviço militar e a todas as formas que se traduzam no uso da violência para a resolução dos conflitos internacionais. Nesta linha justifica-se ainda plenamente o estudo, recolha e promoção das técnicas de acção não-violenta que inspiram o activismo da acção directa não-violenta, assim como de toda a filosofia que serve de raiz e fundamento à luta pela justiça e fraternidade por meios não-violentos
.

18.3.05

Tomás da Fonseca e os Sermões da Montanha




«Sermões da montanha» é um dos mais famosos livros do ex-padre católico e filósofo português Tomás da Fonseca, aparecido em 1909 . Os argumentos apresentados são contundentes e quase todos actuais. Mesmo alguns dados desactualizados permitem-nos uma útil visão para o passado não distante, lembrando-nos das terríveis pressões e limitações que os nossos antepassados sofreram da parte do retrógrado e todo-poderoso clero católico. Por isso venho aqui apresentar alguns extractos muito interessantes dessa memorável obra do ateísmo lusófono.
Escrito na forma de diálogos com o povo, assim fala o Autor na:
Página 360:
«...o protestantismo é a religião católica reformada. Não quer isso dizer que seja boa, porque não pode haver religiões boas. Dizer-se que uma religião é boa, equivale a proclamar os benefícios do câncer, as vantagens da varíola ou os confortos da sífilis. O que todavia quero dizer acerca da religião protestante é que é menos má. E é menos má porque foi expurgada dum grande número de abusos, intolerâncias e absurdos. Lutero e seus discípulos fizeram ao cristianismo o mesmo que fazemos à s árvores que caducam: podaram-no, fizeram- lhe raspagens, procuraram limpá-lo. Curaram-no? Não, apenas lhe tiraram alguns dos parasitas que roíam a sua decrepitude, a fim de o poderem conservar mais algum tempo. Assim, por exemplo, desfizeram-no dos santos, amputaram-lhe a missa, desafogaram-no dos cardeais, chegando mesmo a extrair-lhe essa grande verruga que o tem cada vez mais canceroso: o pontífice romano, com a sua corte e o seu sacro colégio, a sua infalibilidade. Eles não têm os sacramentos católicos, não observam o celibato dos pastores, não crêem na substanciação, não reconhecem a existência do Purgatório, não querem ofícios nem indulgências; não têm latim, nem confissão, não usam bulas e, sobretudo, não resgatam as almas por dinheiro, pois a isso se opõe a Bíblia, que eles consideram como seu guia principal e único.
Por aqui já podem ver que é uma religião um pouco mais leve para o povo. Sobretudo mais humana, tanto para os que a seguem como para os que a pregam. A sua condição primeira é que cada um tenha e saiba ler a Bíblia. Mas parta que se saiba ler a Bíblia, o que é preciso? Ter aprendido a ler. Pois é o que fazem: o bom protestante é obrigado a saber ler. Eles próprios se comprometem a ensinar todo aquele que os procure. Ao contrário do que manda a Madre Igreja, que só prega a revelação e a fé. Só o latim da missa, mas esse mesmo baixinho, para que ninguém ouça nem saiba o que se diz. Posto isto, que direis se eu vos provar que quanto menos religião tiver o povo, mais progresso e felicidade sentirá?...»
Página 362:
«...A verdade completa, doa a quem doer. Comecemos pelas estatísticas oficiais. O resumo que delas vou apresentar não é recente mas, embora colhido em antigos boletins, assim nos serve ainda melhor do que se fosse tirado dos últimos publicados, porque são estatísticas do tempo em que o papado regia ainda os seus estados e as comunidades religiosas gozavam de todas as regalias. Por elas se vê que, de 1841 a 1851, houve na protestante Inglaterra , em média anual, 4 assassinatos por cada milhão de habitantes, ao passo que na católica Irlanda esse número excedeu a 33. Na Bélgica, nação católica, mas centro admirável de livre- pensamento, com escolas laicas e universidades livres, dirigidas por livres-pensadores, anarquistas, ateus e protestantes, esse número baixou para 18 (relatório de 1852). A França, igualmente católica, embora também cheia de dissidentes, mas com um operariado menos culto e pior organizado do que o da Bélgica, dá já um contingente de 31 homicídios (Estatística de 1851). A Áustria, talvez a mais católica das nações, depois da Espanha, apresenta logo um contingente de 36. E a Baviera, mais católica ainda, contribui para a hecatombe com 68 assassinatos. Da Espanha não possuímos relatório algum oficial, mas cálculos têm sido feitos, sobre documentos respeitantes à criminalidade naquele país, que dão para o homicídio a verba monstruosa de 250 por milhão, anualmente.
Agora a Itália, país católico por excelência, onde assiste o representante de Cristo e onde, ao tempo do relatório que me serve de guia (1848), não havia ainda quem fizesse sombra à marcha dos negócios eclesiásticos, pois só 22 anos depois é que o papa deixou de ser rei de Roma. Dividindo por províncias, temos: na Sardenha, 20 crimes de morte por milhão; na Lombada, 45; na Toscada, 56; nos estados pontifícios (estamos ainda 24 anos antes das invasões de Garibalda) 143; na Sicília da Máfia, 190; em Nápoles, 174; e assim por diante. Isto na terra dos cardeais, onde nesse tempo ainda havia conventos como entre nós há capelas; terra que por isso mesmo tinha obrigação de ser um modelo de santidade! Acontece isto na terra dos grandes santuários, das magníficas catedrais, onde os milagres se dão todos os dias. Isto onde os padres, frades e freiras atingiam, nesse tempo, o número de 120.000. Só na cidade de Assis havia 12 conventos; em Foligno, 12 de frades e 12 de freiras; em Spoleto, 22; em Terni, 5; em Norni, 5 de freiras e 7 de monges; em Perugia, 34 pelo menos. Em Roma então era uma farra: 74 conventos de frades e 50 de freiras. Pois bem, é precisamente neste distrito da piedade e do milagre que os homicídios chegam a 115 por cada milhão de católicos. Em Nápoles e na Sicília havia 15.455 frades e 13.000 freiras, número que não se encontrava em qualquer outro país. Também em país nenhum do mundo os crimes se multiplicavam como lá, sobretudo os homicídios. Esta mesma proporção se mantém em todos os outros ramos da criminalidade.
Página 364:
«...Vejamos agora se o desenvolvimento intelectual e o progresso acompanham a mesma escala. Primeiro, em povos com a mesma origem, para que não se diga que é uma questão de raças. ´Está admitido, diz o Professor belga Emile de Laveleye, que os escoceses e os irlandeses têm a mesma origem. Uns e outros foram submetidos aos ingleses. Até ao século XVI, a Irlanda era muito mais civilizada que a Escócia. A fértil Eire foi, durante a primeira metade da Idade Média, um dos focos de civilização, quando a Escócia não passava dum covil de bárbaros. Desde que os escoceses adotaram a reforma religiosa protestante, ultrapassaram até os ingleses. O clima e a Natureza opõem-se a que a Escócia seja rica como a Inglaterra; contudo, Macamby prova que, desde o séc. XVII, os escoceses sobrepujaram os ingleses em quase tudo. A Irlanda, pelo contrário, dedicada ao seu ultramontanismo (doutrina da ligação com o papado), fica pobre, miserável, agitada pelo espírito de rebelião e parece incapaz de se tornar a levantar por suas próprias mãos´. O mesmo autor nota ainda o contrate que se observa na própria Irlanda, entre o Connaught, exclusivamente católico e o Ulster, onde domina o protestantismo. O Ulster é rico pela indústria. Connaught apresenta a imagem da miséria humana mais completa. Mas tal fato dar-se-á apenas nestes povos? Não. Basta que olhemos as duas Américas. Ao norte, os Estados Unidos fulgem entre o maior esplendor: grandeza, ordem, civilização.
Voltando os olhos para o Sul, vemos a decadência e as guerras intestinas, o atraso moral e social, acompanhados com abusos e dificuldades de toda a ordem. É porque ao norte o povo é protestante, indiferente ou ateu, e, ao sul, católico-romano, com a intolerância própria do ultramontanismo. E este fenômeno singular não é de sangue, como vimos. Também não é de clima, nem de raça, como vamos provar. Na Suíça, os cantões de Lucerna, Alto-Valois e os florestais diferem inteiramente dos de Neufchatel, Vaud e Genebra. Os últimos sobrepujam em tudo os primeiros: na instrução, na literatura, nas belas-artes, na indústria, no comércio, na riqueza, no asseio, etc. Agora a pergunta: a que raça pertencem os primeiros? À germânica. Que religião professam? O catolicismo. E os outros referidos cantões que tanto diferem pelo seu progresso e cultura, são de raça latina e professam o protestantismo. O culto, pois, e não a origem racial, é a causa da superioridade ou decadência do povo. Se olharmos agora para o cantão de Appenzell, notaremos que a parte interior, habitada por católicos, e a exterior pelos protestantes, divergem tanto entre si como Neufchatel e Lucerna. Dum lado a instrução, o progresso, a força e a harmonia; do outro, a ignorância e a pobreza, o mal estar e a desordem, o definhamento e a morte.»
Na página 367:
«...Quais são as nações mais ricas, mais prósperas e felizes do mundo? Toda a gente sabe isso, porque na boca de todos andam os nomes da Inglaterra, Alemanha, EUA, Canadá, Suécia, Japão... Pergunta-se: que religião professam? É católica alguma dessas nacionalidades? Não! São protestantes, budistas ou livres- pensadoras. Grande parte dos seus habitantes não tem mesmo religião alguma.
Mas os povos católicos? ... que é Portugal e quem somos nós, portugueses? Escravos duma nacionalidade exausta, com um povo devorado até aos ossos, cheio de fome, sem liberdade, fanatizado, escravizado, inconsciente, miserável... É católica a Espanha. Mas que é a Espanha? Uma nação depauperada, como nós também exausta e decadente, também enferma e aviltada. O jesuitismo minou-a desde os alicerces...É católica a Itália. Mas essa só agora começa a libertar-se, fazendo substituir o templo pela escola, o frade pelo professor, o devoto pelo industrial. Porque a Itália tem sido um foco imenso de miséria moral e econômica. ...É católica a Áustria. Mas como Portugal, e a Espanha, a Áustria é uma nação vencida, onde vegeta um povo miserável, em perpétuo conflito consigo próprio, os negócios sempre mal... Isto sem sairmos da Europa, porque o mesmo acontece nas duas Américas. Pois que são o Paraguai, o Brasil, o Chile, o Equador, o México, a Bolívia, católicos, comparados com os povos do norte, protestantes?
...Laveleye, que nos fornece o melhor destes dados, acentua, em conclusão, que o catolicismo é, com efeito, a causa principal da decadência duma nacionalidade...»

Campanha Primavera-Verão de Desbaptização

Apresentamos a seguir uma carta-modelo que deve ser dirigida à paróquia, assim como ao bispo de que depende a paróquia, onde foi realizado o baptismo a pedir a sua desbaptização. Ao pedido deve seguir-se uma carta da própria paróquia a confirmar a renúncia ao baptismo.
Exmº Sr. Padre ( ou bispo) da paróquia de...
Tendo sido baptizado na Igreja de..............., no dia de... /..../...., sob o nome de............................, venho junto de V. Exª requerer que junto do meu registo de baptismo seja feito um aditamento com a seguinte menção: "renegou o seu baptismo por carta de ..../..../...."
A minha atitude deve-se ao facto das minhas convicções filosóficas não corresponderem às das pessoas que, de boa fé, me fizeram baptizar. Assim, por imperativo da minha consciência, e por amor à verdade, venho por este acto contribuir para a reforma dos registos a fim de que estes sejam limpos de qualquer ambiguidade.
Esperando uma confirmação escrita da Vossa parte, queira aceitar os meus sinceros agradecimentos
Data e Assinatura



19 de Março de 2005 em Bruxelas - Todos juntos por uma Europa social, solidária, igualitária e pacífica


Em 1997, os trabalhadores da Renault organizaram em Bruxelas a primeira Euromanifestação pelo emprego. Em Dezembro de 2001 manifestámo-nos por uma outra Euroap num outro mundo. A 15 de Fevereiro 2003 uma manifestção massiva em Bruxelas respondia ao apelo do Fórum Social Europeu contra a guerra no Iraque.
Apelamos de novo a que todas e todos juntos se manifestem Sábado 19 de março de 2005 em Bruxelas.

Por toda a Europa os ataques sucedem-se contra os direitos sociais. Os serviços públicos sofrem desregulações e privatizações... As cidadãs e os cidadãos merecem melhor!
Mais que nunca devemos agir para recusar uma Europa egoísta. A União Europeia colabora a fundo com a globalização neoliberal. Esta globalização neoliberal é uma fonte de guerras, de catástrofes ecológicas e de regressão social à escala planetária. Ela alimenta o crescimento das desigualdades, das exclusões e do racismo.

A "marcha dos jovens" pelo emprego, a igualdade e o ensino gratuito reivindicará para os jovens empregos duráveis e de qualidade e uma educação gratuita em melhores condições. Denunciarão o racismo e as ideologias fascistas.

Depois do Fórum Social Europeu de Londres, os movimentos sociais lançaram um apelo para uma manifestação central a 19 de Março em Bruxelas contra aguerra, o racismo e uma Europea neoliberal, contra as privatizações, o projecto de directiva Bolkestein e o aumento do tempo de trabalho, por uma Europa dos direitos e de solidariedade entre os povos.

Os sindicatos euroepus continuarão a sua luta por uma Europa social. Manifestam-se por melhores e mais numerosos empregos. Dizem sim a empregos e serviços de qualidade e rejeitam por conseguinte a directiva Bolkestein de liberalização dos serviços. Dizem sim a direitos sociais fundamentais afim de reforçar a Europa social. Rejeitam a proposta de revisão da directiva sobre o tempo de trabalho, proposta pela Comissão Europeia que prova a incapacidade da Europa garantir um trabalho decente para todas e para todos. A batalha contra a directiva Bolkestein, símbolo da transformação de toda a sociedade em mercado, é um objectivo prioritário de todas e todos nós, sindicatos, movimentos sociais e cidadãos e ONG's.
Dois anos após a invasão do Iraque, a luta contrea a guerra mantém toda a sua actualidade: ocupação ilegal do Iraque, opressão do povo palestiniano,... A luta pela paz é indissociável da luta por uma outra Europa. Recusamos a transformação da Euroap numa grande potência militar. A luta contra as armas de destruição maciça, e em especial as armas nucleares, deve igualmente ser travada por nós lançando negociações multilaterais por um tratado mundial sobre as armas nucleares.

Os chefes de Estado e de governo europeus consagraram a sua Cimeira de Março a uma avaliação do processo de Lisboa. O seu objectivo é transformar a economia europeia na economia mais competitiva do mundo, enquanto a Europa social está mais que nunca ausente. Recusamos esta lógica da concorrência eterna, continente contra continente, país contra país, indivíduo contra indivíduo.
Pugnamos por um mundo em que o desenvolvimento sustentável se torne possível graças à solidariedade e à cooperação.

A Europa não pode ser unificada contra as suas e os seus habitantes. Ela ou será social, solidária e democrática ou não será.

Por isso continuamos a construir este movimento social de que a Europa tem necessidade.
É a nossa contribuição para um undo baseado na justiça e na paz. Conduzimos esta luta em conjunto com os povos do Sul. Com eles fazemos campanhas como a da anulação incondicional da dívida do terceiro mundo, a da taxa Tobin... Em conjunto opomo-nos a um mundo conduzido pelo mercado livre (Acordo Geral de Comércio e Serviços - OMC) e à vaga de privatizações (por exemplo da água).É por isso que nós - movimentos sociais, sindicatos e ONG's que colaboramos desde 2002 no Fórum Social da Bélgica - lançamos um apelo aos movimentos sociais e aos sindicatos europeus para se manifestarem connosco, massivamente, a 19 de Março de 2005 em Bruxelas, pelos nossos direitos e por uma outra Europa num outro mundo.

17.3.05

Manifs contra a Invasão e Ocupação do Iraque em todo o mundo (incluindo Lisboa e Porto)



On March 19, the World Says No to War (Again)
Locais das Manifs:

Porto, 19 de Março/15h30, Pr. da Batalha
Lisboa, 19 de Março/15h00, Lgo. Camões


2 anos depois, vamos lembrar para exigir a paz e o fim da ocupação do Iraque.

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Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque (sessão final)


Lisboa 18.19.20 Março 2005 (entrada livre)
Auditório da Torre do Tombo, Alameda da Universidade


Porto, RIVOLI, 20 Março, domingo, 21h30-24h00
Sessão de Encerramento: as decisões da AP-TMI

Concerto “Em memória das vítimas iraquianas”, com a participação de Camané, Clã, Jorge Palma e
Pedro Abrunhosa


http://www.march19th.org/

http://tribunaliraque.no.sapo.pt


A próxima conferência da ONU sobre o clima será em Montreal (Nov-Dez/2005)


A próxima conferência da ONU sobre as mudanças climáticas será realizada de 29 de Novembro a 9 de Dezembro de 2005 em Montreal, no Canadá, anunciou a ONU nesta quarta-feira através de um comunicado divulgado por ocasião da entrada em vigor do Protocolo de Kyoto.
Será a 11ª conferência da Convenção sobre Mudança Climática e a primeira conferência a ser realizada após a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto (MOP-1).
A convenção foi um primeiro acordo da ONU sobre o efeito estufa, de carácter muito genérico, adoptado na primeira reunião de cúpula da Terra, realizada no Rio, em 1992. Ela entrou em vigor em 1994.
O Protocolo de Kyoto, adoptado em 1997 na antiga capital do império japonês, endurece as disposições da Convenção e impõe aos países industrializados a obrigação de reduzir as suas emissões de gases poluentes até 2012.Os Estados Unidos ratificaram a convenção, mas rejeitaram o protocolo, assim como a Austrália.
Ambos participam como membros de pleno direito das discussões organizadas no âmbito da convenção e como observadores nos debates sobre a aplicação do protocolo.
Em Montreal, um dos objectivos é lançar as bases de um processo "que inclua os Estados Unidos e estabeleça objectivos para as nações emergentes em desenvolvimento, como China e Índia".

A invasão americana no Vietname foi há 40 anos


No dia 8 de Março de 1965, 3500 fuzileiros navais dos Estados Unidos desembarcaram no Sul do Vietname.

Começou uma das guerras mais marcantes na memória do povo norte-americano. Para os vietnamitas que sobreviveram, o dia foi marcado pela presença de estrangeiros loiros de olhos azuis, coisa que eles nunca tinham visto na vida. As tropas chegaram distribuindo doces às crianças e instalaram-se nos povoados.

O pretexto para a invasão era que queriam ajudar o regime do Vietname do Sul que estava sendo ameaçado pelas forças comunistas do Norte, sob a liderança do governo de Ho Chi Minh. Armados até os dentes, os combatentes viajaram de vilarejo a vilarejo com os equipamentos e armas mais modernos da época.

Por ordem do então presidente americano Lyndon Johnson, bombas de napalm começaram a ser usadas para combater as guerrilhas de Ho Chi Minh. Foi o início de um dos conflitos mais mortais e dramáticos da história do país. Três anos depois do início da guerra, os Estados Unidos já contabilizavam 540 mil soldados estacionados no Vietname. Quase 60 mil morreram e centenas de milhares voltaram para casa com traumas físicos e psicológicos. Um total de 3 milhões e 140 mil militares norte-americanos serviram no Vietname.

O conflito só terminou em 1973 e os Estados Unidos nunca foram atacados noseu próprio território. Em compensação deixaram toda uma nação devastada.

Os norte-americanos perderam a guerra, mas só saíram de lá em 1978.

Apesar de terem se passado 40 anos, as consequências da guerra continuam a marcar o quotidiano do Vietname. Para eles, a guerra é uma realidade presente e não um evento do passado. O país foi bombardeado durante 15 anos por mais de sete milhões de toneladas de bombas, cada uma com 270 quilos de explosivos. Herbicidas poderosos foram usados na destruição das plantações de arroz, o que levará 100 anos para que a terra se recupere. Outros tóxicos causaram mutação genética, cancros e outras enfermidades. Depois do fim do conflito, o país ainda sofreu uma série de sanções internacionais por causa de seu governo comunista.
A devastação e a guerra não se limitou ao Vietname, mas estendeu-se também os vizinhos Laos e Camboja. No total, foram cinco milhões de mortos na Ásia por efeito da invasão, guerra e ocupação do Vietname pelos Estados Unidos da América.

Estados Unidos perdem aliados: 11 países já abandonaram o Iraque, e outros 7 anunciam a sua retirada parcial ou total.


A resistência iraquiana está aos poucos a dar os seus frutos. Alguns dos exércitos aliados dos estados Unidos estão a abandonar o Iraque, país que foi invadido e ocupado pelos exércitos norte-americano e britânico com o pretexto de destruírem as inxistentes armas de destruição maciça e capturar Saddam Hussein . Itália acaba de anunciar a retirada dos seus 3.000 soldados a partir do próximo mês de Setembro. Bulgária prepara-se para debater no seu Parlamento a retirada parcial dos seus 460 soldados, e a Ucrânia fará mandar regressar de imediato 137 dos seus 1.650 efectivos que mantém no Iraque, os quais abandonarão o país definitivamente no mês de Setembro. Holanda já anunciou que retirará neste mês de Março as suas tropas ( 1.400 efectivos). Polónia também retirará uma quantidade não especificada dos soldados que enviou, no total de 1.700. Portugal já retirou os 127 GNRs que para lá tinha enviado, e o mesmo fez a Moldávia com os seus 12 militares. Noruega só tem actualmente 16 dos 150 que tinha destacado. Singapura retirou os 150 homens que mandara. No ano passado já se tinham retirado do Iraque os seguintes países: España (1.300), Tonga (44), Nueva Zelanda (60), Tailandia (423), Filipinas (51), Honduras (370), República Dominicana (302), Nicaragua (115) y Hungría (300).
Em contrapartida países como a Coreia do Sul, Austrália, Geórgia e Albânia manifestaram a intenção de enviar mais reforços

Einstein e a paz


Conta-se que certo dia perguntaram a Einstein que armas se utilizariam na terceira guerra mundial, ao que o famoso cientista respondeu: « sobre isso não sei, mas quanto à 4ª guerra mundial de certeza que as armas serão paus e pedras…»

Noutra ocasião perguntaram-lhe sobre qual a arma que poderia servir de resposta à bomba atómica, e sem pestanejar Einstein respondeu: a Paz

Perguntas sobre o terrorismo ( para servirem de reflexão)




Porque é que é terrorismo pôr uma bomba numa rua e não é quando se lançam dez mil bombas sobre uma cidade?

Se aquele que coloca uma bomba debaixo de uma carro «mata por matar», o que faz aquele que despeja milhares de bombas sobre um país?

Alguém será capaz de explicar como é que se faz a guerra em nome da paz, ou como é que se mata em nome da vida?

Como se explica que certos países estão sempre envolvidos em guerras de defesa, mas curiosamente estas guerras acontecem sempre em países longínquos, ou por outras palavras, porque é que os Estados Unidos para se defenderem têm sempre de ir para o Iraque, o Afeganistão, a Jugoslávia, o Panamá, a Somália, Granada, o Vietname, a Coreia, Nicarágua, República Dominicana?

Porque é que os danos colaterais têm sempre explicações?

Porque é que a violência, que é sempre má, não o é quando venha do céu?

Se os fins não justificam os meios, porque é que capturar Saddam passa por arrasar o Iraque?

Mas se os fins justificam os meios, então porque censurar Ben Laden?

As bombas de fragmentação lançadas pelos soldados de Bush são menos terríveis que as que são lançadas pelos iraquianos?

O urânio empobrecido é menos prejudicial para um iraquiano do que para um europeu ou norte-americano?

Porque é que fazer explodir um avião norte-americano é terrorismo, mas fazer o mesmo a um avião cubano já é dissidência?

Porque é que eram cruéis as torturas aplicadas por Saddam, mas desde que aplicadas pelos norte-americanos, já são consideradas maus tratos e excessos?

Porque é que Milosevic está preso, e Sharon continua em liberdade?

Porque é que a burka numa mulher afegã é censurável, mas não o é numa mulher saudita?

Porque é que uma bomba posta com a mão provoca mais terror que mil bombas laçadas de um avião?

Quantos mortos deve causar um grupo terrorista para alcançar a categoria de um exército, e assim ser considerado?
(texto retirado da net)

Sequestros da CIA estão a ser investigadas pelas polícias europeias

Autoridades de vários países europeus investigam se os agentes da CIA violaram as leis nacionais nos sequestros de supostos terroristas em território europeu e na sua transferência para o exterior.
Segundo a edição deste domingo do jornal The Washington Post, a Agencia Central de Inteligencia (CIA) realiza este tipo de operações em colaboração com as autoridades de inteligência locais.
No entanto, a Itália, Alemanha e Suécia estão a investigar se as detenções ilegais da agencia americana de espionagem nos seus territórios caracterizam ou não "uma violação da soberania nacional e dos direitos humanos".
A CIA sempre manteve em segredo os detalhes de suas operações de detenção no exterior, consideradas nos EUA como uma prática legal e eficiente na luta contra o terrorismo, acrescenta o jornal.
A legalidade destas detenções é investigada na Europa porque, entre outros motivos, o governo americano conta com o apoio para este tipo de prática de países muito criticados em matéria de direitos humanos, entre eles o Egipto, a Jordânia e o Paquistão.
Segundo o Post, as 3 investigações oficiais europeias já recolheram informações suficientes sobre o suposto envolvimento dos EUA no desaparecimento de quatro homens.
Será dificil apresentar acções contra os agentes americanos porque eles estão protegidos pela imunidade diplomática e é difícil determinar a identidade deles. No entanto, as procuradorias na Itália e na Alemanha não põem de parte a apresentação de acusações formais.

A Suécia, Itália e Alemanha querem descobrir também se estes supostos extremistas foram levados para países onde a tortura é praticada e foram vítimas de maus-tratos, como declararam posteriormente alguns destes detidos, após serem libertados por não se terem provado nada contra eles.

A Itália quer detalhes sobre o desaparecimento de Abu Omar, um imã radical e ex-combatente na Bósnia e no Afeganistão. O homem estava em Milão quando foi sequestrado e levado em numa furgoneta por desconhecidos. A justiça italiana pediu informações junto da base militar local sobre o avião norte-americano que descolou momentos depois do episódio.

16.3.05

À Memória de Rachel Corrie



( nunca esqueceremos a tua solidariedade)

Rachel Corrie era uma rapariga estudante norte-americana de 23 anos que, por solidariedade internacional, se deslocou a Rafah, na Palestina, quando os tanques e as tropas israelitas invadiram, ocuparam terras palestinianas, destruindo e matando pessoas e bens.
Em 16 de Março de 2003 numa tentativa para travar essa onda de destruição e morte, Rachel colocou-se à frente de um bulldozer do exército israelita para evitar o derrube de mais uma casa de uma família palestiniana. Foi então que o potente bulldozer avançou, matando Rachel, o que constituiu um verdadeiro assassínio deliberado.

O veículo usado é da marca Caterpillar que continua a vendê-los a Israel, apesar de todos saberem que são usados para derrubar casas palestinianas e árvores, em especial oliveiras., causando prejuízos incalculáveis.

Os amigos e companheiros de Rachel decidiram assim, em sua memória, escrever uma carta à Caterpillar a fim de lhe solicitar que deixe de vender aquele tipo de máquinas para Israel.

Esta previsto ainda um meeting à frente das instalações da Caterpillar para daqui a um mês ( a 16 de Abril) com a apresentação de provas dos danos causados com este tipo de vaículo por parte do israelitas.


Website dedicado a Rachel Corrie :
http://www.rachelcorrie.org




Reproduz-se o conteúdo da carta que irá ser enviada à empresa Caterpillar. Todos que quiserem solidarizarem-se poderão igualmente , utilizando o mesmo modelo de carta, escrever uma carta a fim de prestar solidariedade à memória de Rachel, e de todos os palestinianos vitimas do arbítrio e da violência do Estado e do Exército israelita:


Caterpillar Financial Services Ltd,
2405 Stratford Road, Solihull B94 6NW
8 March 2005
Dear Sir/Madam,
RE: Anniversary of Rachel Corrie's death
Two years ago, a 23-year-old American student named Rachel Corrie was crushed to death as she tried peacefully to prevent the destruction of a Palestinian family home in the Rafah refugee camp, Gaza.
The bulldozer which killed her was made by your company. Unfortunately, despite international protests by human rights groups, your organisation continues to sell the D9 Armored Bulldozer to Israel, whose government has continued to use it to demolish homes and agricultural areas in the occupied territories, in contravention of numerous UN resolutions and international law.
On behalf of the Palestine Solidarity Campaign we are therefore writing to let you know that a small group of us intend to lay a wreath at your offices on 16th March, the anniversary of Rachel Corrie's death. We would like an opportunity to meet with representatives of the management to talk to them about Rachel's life and death and to urge Caterpillar to stop doing business with Israel until it respects the human rights of the Palestinian people.
Yours faithfully,

A Sonae superou a antiga CUF !



Pelos dados fornecidos ultimamente chega-se à conclusão que o actual grupo económico português, onde pontifica o capitalista Belmiro de Azevedo, registou 6,63 mil milhões de euros de facturação no ano de 2004.

Comparativamente com o grupo da CUF, que dominava a economia portuguesa durante o regime de Salazar-Caetano, a actual Sonae representa, em termos percentuais, mais no PIB nacional que a CUF em 1974.

Se nos recordarmos que o regime político derrubado em 1974 se caracterizava por uma economia fortemente proteccionista e corporativa, associando estreitamente o poder económico e o poder político ( falava-se de capitalismo monopolista de Estado), podemos facilmente concluir que hoje em dia o cenário é substancialmente o mesmo em termos de poderio económico e de orientação política.

Notícia do Expresso:

Sonae vende 5,2 % do PIB português

HÁ 30 anos, o grupo CUF representava 5% do PIB e empregava 110 mil trabalhadores. Hoje, a Sonae vale 5,2% do PIB nacional e 35% dos €6,63 mil milhões da sua facturação resultam do exterior. Em 12 países emprega 58 mil pessoas, um pouco mais de metade em Portugal.

Harold Pinter deixa o Teatro para criticar e denunciar os políticos


O conhecido dramaturgo inglês considera que o actual clima político é muito preocupante

O dramaturgo Harold Pinter, uma das figuras mais importantes não só do teatro mas da cultura britânica de todo o século XX decidiu abandonar a actividade criadora para dedicar-se, a tempo inteiro a criticar a "preocupante" forma de actuar dos políticos.

Pinter, de 74 anos, autor de obras como "A festa de aniversário" (1958), "O porteiro" (1960) ou "Velhos tempos" (1971), confessou que, depois s de 29 peças teatrais, continuará a escrever poemas, mas não peças de teatro.
O clima político actual «é muito preocupante», declarou Pinter à cadeia BBC ao explicar a sua decisão

Quando jovem, Harold Pinter sempre assumiu o seu antimilitarismo e negou, inclusivamente a fazer o serviço militar, invocando a objecção de consciência.

O seu activismo político e pacifista tem vindo a ser cada vez mais notório com a invasão e ocupação do Iraque ao ponto de ter qualificado Tony Blair como «criminoso de guerra» que gosta de exibir um repugnante sorriso cristão, segundo as palavras do dramaturgo.
Também não poupou os Estados Unidos que, sob a liderança de George W.Bush, considera ser um país dirgido por um bando de delinquentes.

Recorde-se que, alguns meses atrás, Harold Pinter juntou-se a um grupo de pessoas, entre as quais o actor Corin Redgrave, e o produtor discográfico Brian Eno, para assinar um pedido de impugnação de Blair, como primeiro-ministro.

Harold Pinter mostrou-se também muito crítico nos últimos dias a propósito da polémica lei antiterrorista recentemente aprovada pelo Parlamento inglês que reforça o poder do ministro do Interior, e das autoridades policiais, em detrimento do poder dos juízes para fins de busca domiciliária a simples suspeitos.


(post de 16/3/2005)


Brevíssimo panorama das Artes Plásticas pós-1945



Expressionismo Abstracto

Uma das consequências da II Grande Guerra foi a transferência do centro artístico de Paris para Nova Iorque que assistiu ao rápido florescimento da arte norte-americana por efeito de diversos factores entre os quais a emigração de artistas e a receptividade e potencialidades existentes nos EUA para as propostas mais experimentais.
Não admira que a chamada Escola de Nova Iorque tenha marcado a época, com nomes como Arshille Gorky (1904-1948), que utilizou o automatismo surrealista numa vertente mais abstracta a estabelecer a transição para o Expressionismo Abstracto, valorizando mais o processo que o produto do seu trabalho, assim como são de apontar nomes como Robert Motherwell (1915-), Willem de Kooning (1004-), que é uma das figuras mais proeminentes do Expressionismo Abstracto americano, e principalmente Jackson Pollock (1912-1956), este último por ter desenvolvido o automatismo pictórico, a action painting (pintura de acção), e novas técnicas como o dripping, que consistia em verter tinta ou deitar pingos e manchas sobre a tela.
Outros artistas como Barnett Newman (1905-1970), Mark Rothko (1903-1970), Franz Kline ( 1910-1962) e Clyfford Still (1904-1980) inspiraram-se mais nos princípios do abstraccionismo ( de Malevitch ou de Mondrian).

Arte Informal

Simultaneamente desenvolveu-se na Europa uma tendência igualmente abstracta e expressionista designada por Arte Informal, uma pintura sem formas, sem quaisquer referências figurativas ou geométricas. Dentro desta tendência encontramos o Tachismo ( do francês tache, mancha) de Henri Michaux (1899-1984) e Hans Harting (1904-1989) que traduzem o impulso criativo em manchas e em grafismo automáticos de inspiração oriental.
Outra linha artística foi desenvolvida pela «pintura matérica» de Jean Fautrier (1898-1964) e Jean Dubuffet (1901-1985) cujos processos expressivos misturam diversas matérias e substâncias sobre a tela
Dubuffet designou a sua pintura de Arte Bruta, não só pelo modo de emprego dos materiais, mas também por aspirar a uma arte «em bruto», primitiva, infantil, sem referência culturais ou artísticas.
Este mesmo espírito «brutalista», primitivista e existencialista presidiu à fundação do grupo CoBrA ( as iniciais de Copenhaga; Bruxelas e Amsterdão, cidades dos seus mentores) em 1948, por Karl Appel (1921-1949), Asger Jorn (1914-1973) e Pierre Alechinsky (1927-1958), entre outros. Inspiram-se no imaginário fantástico do folclore nórdico e na simbologia mística.


Novo Realismo

Nos finais da década de 50 surge em Paris uma reacção contra o gestualismo do Expressionismo Abstracto e as metamorfoses anamórficas da Arte Informal, apelando a uma relação mais próxima com a realidade e os assuntos do quotidiano.
O Novo Realismo foi a designação encontrada pelo crítico Pierre Restany para dar a conhecer o manifesto do Novo Realismo publicado em1960, defendendo «a apaixonante aventura do real captado em si mesmo e não através do prisma da transcrição conceptual ou imaginativa», e referindo-se aos trabalhos de Arman (1928-), César (1921-), Yves Klein (1928-1962) e Daniel Spoerri (1930-), entre outros, que se caracterizavam pela utilização de objects trouvés (objectos recolhidos no quotidiano) segundo a técnica de assemblage, isto é, composições de objectos e materiais desperdiçados, fragmentos montados e reorganizados, cartazes rasgados e descolados, numa experiência estética com fins poéticos que propunha uma reflexão nova sobre o objecto e sobre a vida.

Foi com fundamentos similares, e reabilitando igualmente a representação figurativa, que se desenvolveu a Pop Art ( abreviatura de popular art), um movimento que inspira o seu programa na cultura urbana, nos mass media e nos objectos produzidos pela sociedade de consumo. Se bem que tenha sido e Inglaterra que, em 1956, Richard Hamilton (1927-1967) apresentou «O que é que faz exactamente os lugares de hoje tão diferentes, tão atractivos?», uma collage de grande alcance crítico relativamente ao consumismo, foi nos EUA que a Pop Art exprimiu todo o seu significado.
A partir dos seus precursores, Robert Rauschenberg (1925-) e Jasper Jones (1930-) que ensaiaram a transformação de produtos banais em objectos artísticos, nomes como Tom Wesselmann (1931-) com os seus «Grandes Nus Americanos», James Rosenquist (1933-), reelaborando o universo de imagens estereotipadas da cultura urbana, Claes Oldenburg (1929-), com ampliações dos ícones americanos, Roy Lichtenstein (1923-1997), com o uso da Banda Desenhada, mas principalmente, Andy Warhol (1928-1987) converteram a Pop Art num fenómeno genuinamente pop, experimentando novas técnicas como a fotomontagem e a serigrafia, sempre com um sentido irónico.

Nos finais dos anos 60 surgia outra manifestação do realismo contemporâneo: o Hiper-realismo que acentua a sua aproximação ao mundo, reproduzindo-o meticulosamente com uma «objectividade fotográfica» ( a partir de colossais ampliações fotográficas), tornando a realidade insustentavelmente real. Nomes: Richard Estes, Chuck Close.


Arte Cinética

A Arte Cinética ( do grego Kinesis,movimento) associa-se à obra de Alexander Calder ( 1898-1976), um escultor americano que, a partir dos anos 30, conferiu mobilidade às suas esculturas, suspendendo no tecto elementos metálicos unidos uns aos outros por arames. Os «mobiles» integravam o movimento como factor primordial de manifestação estética da obra.. Calder também executou estruturas apoiadas no solo, os «stabiles» que deixavam transparecer igualmente uma forte dinâmica através da articulação entre a forma e açor.

Op Art

Esta linha estética foi prosseguida com a Op Art ( abreviatura da Optical Art) por via dos trabalhos de Victor Vasarely (1908-) e Bridget Riley (1931-). Convocando a participação involuntária do espectador, estas obras privilegiam os elementos visuais sobre os expressivos, produzindo uma série de efeitos e ilusões ópticas, de modo a gerar sensações de movimento e a provocar a sua instabilidade perceptiva.

Minimalismo

Talvez como resposta à explosão iconográfica da sociedade de consumo e da cultura pop tenha emergido o silêncio e a acção mínima com a redução dos efeitos expressivos da obra à simplicidade extrema. Tal foi a proposta da Minimal Art, que se desenvolve nos EUA ao longo das décadas 60 e 70, e caracterizando-se pela apresentação de objectos unitários, repetição de estruturas primárias, matrizes lineares e grelhas com uma precisão matemática, cujas formas eram integradas e relacionadas com o espaço envolvente, invocando uma experiência física do espectador com a obra. Artistas como Donald Judd (1928-1994),Richard Morris (1938-), Dan Flavin (1933-), Rochard Serra (1939-), Carl André (1935-) e Sol LeWitt (1929-) privilegiaram a ordem, a clareza, e a simplicidade em trabalhos puramente abstractos, objectivos e anónimos, já que a indiferença do artista perante a obra é uma das características do Minimalismo.

Arte Conceptual

A utilização de meios mecânicos e das tecnologias modernas na produção artística distanciava cada vez mais os artistas da execução da obra, fazendo prevalecer a ideia ou o suporte conceptual que a gerara. Sol LeWitt fixa em 1968 o termo de Arte Conceptual para se referir a um projecto artístico no qual a «ideia» era mais importante do que «a obra» em si.
A Arte Conceptual tornou-se então num fenómeno artístico a partir de 1965 ao abolir radicalmente o «objecto artístico» e desviando a atenção para o processo, e toda a documentação que o acompanha, como textos, mapas, diagramas, vídeos, fotografias, perfomances que são exibidos numa galeria ou num local específico.
Este entendimento do «artista conceptual» como um fazedor de ideias mais do que objectos, tal como foi definido por Joseph Kosuth (1945-), Lawrence Weiner (1940-) ou Victor Burgin ( 1941-) veio fragilizar as noções tradicionais de artista e objecto artístico, questionando a própria linguagem da arte.

Land Art ( Artes da Terra)

Todo este questionamento provocou uma série de novas experiências artísticas que marcaram os finais dos anos 60 e inícios dos anos 70, e que rejeitando a impetuosidade do informalismo assim como o kitsch legitimado da Pop Art, pretendiam renovar e transgredir as normas e os conceitos estabelecidos, alargando a actividade artística a campos e a universos até então inexplorados. Estas novas expressões vão aspirar a uma liberdade total e a expandir a sua acção a operações de todo o género. Para tal apropriam-se das paisagens, dos ambientes, das tecnologias, dos materiais e de todas as linguagens para introduzir o puro acto estético. Estamos em pleno processo de desmaterialização do objecto artístico.

Um exemplo foi dado pela Land Art ( Artes da Terra), que abandonam o atelier e reformulam a linguagem da arte.. A Land Art tem como protagonistas, entre outros, Robert Smithson (1938-1970), Michael Heizer, Richard Long (1945-), Walter de Maria (1935-). Os seus earthworks (trabalhos da terra) caracterizam-se por intervenções de carácter efémero na paisagem, rural ou urbana, reelaborando a natureza e inscrevendo a sua presença física no território.

Arte Povera

A Arte Povera (Arte Pobre), de origem italiana, que emerge a partir de 1967, explora as propriedades físicas e químicas de materiais vulgares e insignificantes, numa tentativa de fundir a natureza com a cultura. Nomes como Mário Merz (1925-), Michelangelo Pistoletto (1933-), Giuseppe Penone ( 1947-) propuseram uma reflexão sobre a vida contemporânea e sobre a relação do home com a envolvente, numa atitude precária, anti-informal e anticomercial que se limitava à interpretação da matéria e das qualidades físicas do meio e dos elementos naturais.

Perfomances e Happenings

A ideia de que o objectivos da arte não é representar a vida mas sim fazer parte dela, constitui uma das novas e mais persistentes tendências contemporâneas.
Joseph Beuys (1921-1986) foi um dos pioneiros de «acções publicas» ou happenings, a forma mais incisiva de interferência artística na vida e no quotidiano. Beuys utilizava nas suas perfomances materiais insólitos e pouco ortodoxos, subvertendo-lhes o sentido e associando-os a ideias, conceitos, valores, etc.

O Happening (acontecimento) foi criado por Allan Kaprow (1927-) e praticado por artistas como Claes Oldenburg (1929-), Jim Dine (1935-), etc, consistindo numa representação teatral, improvisada ou encenada, integrando a envolvente e o próprio espectador na sua acção.

Body Art
Quando o artista integra o seu próprio corpo na perfomance temos a chamada Body Art, tal como acontece com os artistas Vito Acconci (1940-), Arnulf Rainer (1929-), Dennis Oppenheim (1938-).


(excertos do livro de Paulo Simões Nunes, História da Arte, ed. Lisboa)

15.3.05

O centro de Paris sem carros em 2012?


Segundo um projecto que está a ser elaborado pelo encarregado de transportes do Município de Paris, as4 primeiras divisões administrativas (arrondissements) em que se divide a capital francesa deverão ser fechadas ao trânsito a partir do ano 2012, anuncia hoje a imprensa francesa.
Trata-se de um plano a ser aplicado em 3 fases. A primeira fase passaria pela obrigatoriedade de uma velocidade reduzida, e seguir-se-iam outras medidas cada vez mais restritivas. Estaria posta de parte a possibilidade de se estabelecer qualquer portagem.

As mulheres do Kerala contra a Coca-Cola


Artigo de Vandana Shiva, publicado no Le Monde Diplomatique, de Março de 2005.

Vandana Shiva é Diretora da Research Foundation for Science, Technogloy and Ecology (Índia),
e autora de
A Guerra da Água, L’Aventurine, Paris, 2003
e de A Vida não é uma Mercadoria, L’Atelier, Paris, 2004.


Na Índia, um movimento composto maioritariamente por mulheres impõe derrotas à gigante dos refrigerantes, que explora lençóis freáticos, polui rios e terras e oferece bebida com pesticidas

Expulsa em 1977 pelo governo, a Coca-Cola voltou à Índia em 23 de Outubro de 1993, ao mesmo tempo que outra multinacional norte-americana, Pepsi-Cola se instalava no país. As duas empresas possuem actualmente noventa “unidades de engarrafamento”, que são na realidade nada mais que “unidades de bombeamento”: 52 unidades pertencem à Coca-Cola e 38 à Pepsi-Cola. Cada uma delas extrai entre 1 milhão e 1,5 milhão de litros de água por dia.
Justamente por causa dos seus procedimentos de fabricação, estes refrigerantes apresentam riscos incontornáveis. Primeiro porque o bombeamento dos lençóis praticado por aquelas empresas de engarrafamento despoja os pobres do direito fundamental de dispor de água potável. Depois, porque as empresas lançam dejectos tóxicos que ameaçam o meio ambiente e a saúde pública. Finalmente, porque as sodas são bebidas notoriamente perigosas para a saúde – o Parlamento indiano estabeleceu uma comissão parlamentar mista encarregada de investigar a presença de resíduos de pesticidas.


Exploração poluidora

Durante mais de um ano, as mulheres das tribos de Plachimada, no distrito de Palaghat, no Kerala, organizaram uma série de sit-in para protestar contra a secagem dos lençóis freáticos pela Coca-Cola. “Os habitantes”, escreve Virender Kumar, jornalista do diário Mathrubhumi, “levam sobre a cabeça pesadas cargas de água potável que eles precisam de buscar longe, enquanto camiões cheios de refrigerantes saem da unidade fabril da Coca”. Esta empresa bombeia um milhão de litros de água por dia e às vezes mais. As mulheres são obrigadas a percorrer de cinco a seis Km para buscar água potável, enquanto, ao mesmo tempo, vêm sair das instalações da fábrica entre oito e nove camiões carregados de refrigerantes. Recorde-se que são necessários nove litros de água potável para se fazer um litro de Coca.
As mulheres adivasi de Plachimada começaram seu movimento logo depois da abertura da fábrica da Coca-Cola, cuja produção deveria atingir, em Março de 2000, 1.224.000 garrafas de Coca-Cola, Fanta, Sprite, Limca, Thums up, Kinley Soda e Maaza. O panchayat local havia concedido, sob algumas condições, a autorização para extrair a água com o auxílio de bombas motorizadas. Mas a multinacional pôs-se a extrair, em completa ilegalidade, milhões de litros de água pura em mais de seis poços perfurados por sua conta e equipados com poderosas bombas eléctricas. O nível dos lençóis freáticos baixou drasticamente, passando de 45 metros para 150 metros de profundidade.
Não contente em roubar a água da colectividade, a Coca-Cola poluiu o pouco que restou, despejando as águas emporcalhadas nas perfurações a seco feitas nas suas instalações para enterrar os dejectos sólidos. Antes, a empresa depositava os dejectos do lado de fora, embora, na estação das chuvas, a sua disseminação nos arrozais, nos canais e nos poços constituísse uma ameaça das mais sérias para a saúde pública. Actualmente as coisas mudaram. Mas a contaminação das fontes aquíferas não é menos grave.

Fábrica de doenças

Essas práticas resultaram na secagem de 260 poços, cuja escavação tinha sido garantida pelas autoridades para servir às necessidades de água potável e para a irrigação agrícola. Nesta região do Kerala – chamada “celeiro de arroz”, em razão de um rico ecossistema dotado de água abundante – os rendimentos agrícolas diminuíram 10%. O cúmulo é que a Coca-Cola redistribui aos camponeses, sob forma de esterco, os dejectos tóxicos produzidos pela sua fábrica. Os testes efectuados, no entanto, mostraram que este esterco tem um forte teor de cádmio e de chumbo, substâncias cancerígenas.
Representantes de tribos e de camponeses denunciaram então a contaminação das reservas aquíferas e das fontes, além das perfurações efectuadas a torto e a direito que comprometeram gravemente as colheitas. Eles reivindicaram principalmente a protecção das fontes de água potável tradicional, dos mangues e mananciais, a manutenção das vias navegáveis e dos canais, o racionamento da água potável.Intimada a explicar-se sobre seus procedimentos, a Coca-Cola recusou-se a fornecer ao panchayat as explicações requeridas. Em consequência, este último notificou da suspensão de sua licença de exploração. De imediato, a multinacional tentou comprar o presidente da comissão, Anil Krishnan, oferecendo-lhe 300 milhões de rúpias. Em vão.
Todavia, se o panchayat lhe retirou a licença de exploração, a verdade é que o governo do Kerala continuou a proteger a empresa. E, além disso, entrega-lhe cerca de 2 milhões de rúpias (36 mil euros) a título de subvenção à política industrial regional. Em todos os Estados onde têm fábricas, a Pepsi e a Coca conseguem auxílios similares. Tudo isto para bebidas que têm um valor nutricional nulo, em comparação às bebidas indianas tradicionais (nimbu pani, lassi, panna, sattu...).

Impacto na economia

Além disso para confeccionar um xarope rico em açúcar, as empresas utilizam o milho, cuja produção já tem 30% destinados para servir de matéria-prima na fabricação industrial de alimentos para gado e de frutose. Isso diminui a quantidade para o consumo humano e, na realidade, priva os pobres de um produto de base essencial, com baixo preço. Em contrapartida, a substituição de edulcorantes extraídos da cana-de-açúcar, como o gur e o khandsari, lesa os paisanos a quem este produtos garantiam rendas e meios de subsistência. Em suma, a Coca-Cola e a Pepsi-Cola têm sobre a cadeia alimentar e a economia um impacto enorme, que não se resume ao conteúdo de suas garrafas.
Em 2003, as autoridades sanitárias do distrito informaram aos habitantes de Plachimada que a poluição da água a tornava imprópria ao consumo. As mulheres já o sabiam há algum tempo e foram as primeiras a denunciar essa “hidropirataria” durante um dharna (sit-in) diante dos portões da empresa.
Seduzido pela iniciativa das mulheres adivasi, o movimento desencadeou nos planos nacional e mundial uma onda de energias solidárias. Sob a pressão desse movimento cada vez mais poderoso e da seca que ainda veio agravar a crise da água, o chefe do governo do Kerala ordenou enfim, no dia 17 de fevereiro de 2004, o fechamento da empresa da Coca-Cola. As alianças arco-íris forjadas no início entre as mulheres da região terminaram por englobar o conjunto do panchayat. Por sua vez, o panchayat de Perumatty (no Kerala) apresentou no supremo tribunal do Kerala uma queixa contra a multinacional, em nome do interesse público

Nas mãos do Estado

No dia 16 de Dezembro de 2003, o juiz Balakrishnana Nair ordenou que a Coca-Cola cessasse os bombeamentos piratas no lençol de Plachimada. Os autos do julgamento valem tanto quanto a decisão em si mesma. De fato, o juiz especificou: “A doutrina da confiança pública repousa antes de mais nada sobre o princípio tácito de que certos recursos como o ar, a água do mar, as florestas têm para a população em sua totalidade uma importância tão grande que seria totalmente injustificado fazer delas objecto da propriedade privada. Os mencionados recursos são um dom da natureza e deveriam ser gratuitamente colocados à disposição de cada um, seja qual for sua posição social. Já que esta doutrina impõe ao governo a protecção destes recursos de tal maneira que todo mundo possa deles tirar proveito, ele não pode autorizar que eles sejam utilizados por proprietários privados ou para fins comerciais [...]. Todos os cidadãos sem excecção são beneficiários das costas, dos cursos d’água, do ar, das florestas, das terras frágeis de um ponto de vista ecológico. Enquanto administrador, o Estado tem por lei o dever de proteger os recursos naturais que não podem ser transferidos à propriedade privada”.
Em suma: a água é um bem público. O Estado e as suas diversas administrações têm o dever de proteger os lençóis freáticos contra uma exploração excessiva e, nesta questão, sua inacção é uma violação do direito à vida garantido pelo artigo 21 da Constituição indiana. A Corte Suprema sempre afirmou que o direito de gozar de água e de ar não poluídos é parte integrante do direito à vida definido nesse artigo. Por outras palavras, mesmo na falta de uma lei que regulasse especificamente a utilização dos lençóis freáticos, o panchayat e o Estado teriam de se opor à superexploração destas reservas subterrâneas. E o direito de propriedade da Coca-Cola não se estende aos lençóis situados sob as terras que lhe pertencem. Ninguém tem o direito de deles se arrogar numa grande parte, nem o governo tem qualquer poder para autorizar que entidades privadas extraiam esta água em tais quantidades.Daí as duas ordens emitidas pelo tribunal: a Coca-Cola cessará de bombear a água para seu uso num prazo de um mês ; o panchayat e o Estado garantirão que, passado este prazo, a decisão será aplicada.

A revolta das mulheres, que são o coração e alma do movimento, foi apoiada por juristas, parlamentares, cientistas, escritores... O movimento estende-se a outras regiões onde a Coca e a Pepsi bombeiam reservas aquíferas em detrimento dos habitantes. Em Jaipur, a capital do Rajahstan, depois da abertura da fábrica da Coca-Cola em 1999, o nível dos lençóis passou de 12 metros para 37,5 metros de profundidade. Em Mehdiganj, uma localidade situada a 20 Km da cidade santa de Varanasi (Benares), o nível freático baixou em 12 metros e os campos cultivados em torno da empresa estão desde então poluídos. Em Singhchancher, uma aldeia do distrito de Ballia (a leste do Utar Pradesh), a unidade da Coca-Cola poluiu por um longo período as águas e as terras. Em todo lugar o protesto organiza-se . Mas é preciso notar que, com cada vez mais frequência, as autoridades públicas respondem às manifestações com violência. Em Japiur, por exemplo, a célebre activista gandhiana Siddharaj Dodda foi presa em Outubro de 2004 por ter participado de uma marcha pacífica exigindo o fecho da fábrica.


Veneno engarrafado

À secagem dos poços, acrescentam-se os riscos de contaminação por pesticidas. O tribunal supremo do Rajahstan proibiu a venda de bebidas produzidas pela Coca e pela Pepsi, pois estas recusaram-se a detalhar uma lista de componentes, enquanto estudos mostraram que elas continham pesticidas perigosos para a saúde . As duas gigantes levaram o caso para a Suprema Corte da Índia, mas ela rejeitou o apelo, pelo que o tribunal do Rajahstan ordenou a publicação da composição precisa dos produtos fabricados pela Pepsi e pela Coca. Por hora, essas bebidas permanecem proibidas nesta região.Um estudo feito em 1999 pelo All India Coordinated Research Project on Pesticide Residue (AICRP) mostrou que 60% dos produtos alimentares vendidos no mercado estavam contaminados por pesticidas e que 14% entre eles continham doses superiores ao máximo autorizado. Tal constatação põe em questão o mito arraigado de que as multinacionais privilegiam a segurança e a confiabilidade, dando-lhes uma confiança recusada ao sector público e às autoridades locais. Este preconceito elitista contra a administração pública dos bens e dos serviços contribuiu para a aceitação da privatização da água. Na Índia, como em outros lugares do mundo, este recurso ao privado não permite que se forneça uma água de qualidade a um preço justo.

Democracia da água

No dia 20 de Janeiro de 2005, em toda a Índia, correntes humanas organizaram-se em torno de todas as fábricas da Coca-Cola e da Pepsi-Cola. Tribunais populares notificaram aos “hidropiratas” a ordem de deixar o país. O caso de Plachimada prova que o poder do povo pode impor-se sobre o das empresas privadas. Os movimentos pela preservação da água vão bem além. Eles dizem respeito também às barragens – e os planos de um grande projecto de ligação fluvial que prevê o desvio do curso de todos os rios da península indiana suscitam uma oposição crescente. Eles denunciam as privatizações encorajadas pelo Banco Mundial e a privatização do fornecimento de água em Delhi . É preciso notar que a pilhagem não poderia acontecer sem a ajuda de Estados centralizadores e corporativistas.
Esta batalha contra o roubo da água não diz respeito apenas à Índia. A superexploração dos lençóis freáticos e os grandes projectos de desvio de cursos d’água batem de frente com a preservação da Terra na sua totalidade. Para se ter uma ideia da questão, é preciso saber que se cada parte do planeta recebesse o mesmo nível de precipitações, na mesma frequência e segundo o mesmo esquema, as mesmas plantas cresceriam em toda a Terra e encontraríamos em todos os lugares as mesmas espécies de animais. O planeta é feito de diversidade. O ciclo hidrológico dos planetas é uma democracia da água – um sistema de distribuição para todas as espécies vivas. Sem democracia da água, não pode haver vida democrática.



Um pesticida matou 30 crianças que comeram mandioca



Cerca de 30 crianças de idades compreendidas entre os 7 e oitos anos morreram, e cerca de uma centena foram hospitalizadas nas Filipinas, depois de comerem mandioca frita. Segundo as análises toxicológicas a intoxicação deveu-se a um pesticida encontrado na mandioca, um alimento muito comum nas Filipinas e em toda a região asiática.
Fonte: agências de informações internacionais

14.3.05

Marketing Militar recrutou apenas 7 voluntários


Segundo informações do semanário Expresso o passado Dia D (Dia da Defesa Nacional, realizado no Outono passado), ao qual são chamados os jovens que fizeram 18 anos, e cuja comparência é obrigatória para os convocados (!!!), destina-se a sensibilizar os que tiveram o incómodo de se deslocar à Unidade Militar indicada para o alistamento voluntário na tropa e a escolha de uma carreira profissional dentro das Forças Armadas.

Segundo os dados do jornal de um universo de 70.000 jovens que perfizeram 18 anos apenas 55% o fizeram, isto é, só 8.361 indivíduos tiveram a paciência e as despesas de se deslocarem e se apresentarem nesse dia da Defesa. Nos inquéritos então realizados aos presente somente um quinto declarou interesse em apresentar uma pré-candidatura. Mas na prática, e até ao momento, o resultado daquela operação de Marketing Militar foi – imaginem-se – terem sido entregues umas escassas 7 candidaturas no ramo da Força Aérea, que recebeu, entretanto, 1.308 pedidos de informação.

Perante o caricato da situação os serviços do Ministério da Defesa vieram a informar o jornal que no Exército existem 12.800 voluntário, e que se prevê que em Abril próximo esse número cresça para 13.000, o que segundo as mesmas fontes ministeriais excedem as suas necessidades de 12.000 voluntários.


Resta recordar que o tal Dia D mobilizou consideráveis recursos financeiros e materiais que, pelos vistos, foi apenas para show-off...

(Fonte: Expresso de 12 de Março de 2005)




Hipácia de Alexandria


A filósofa mais relevante da Antiguidade grega é Hipácia, neoplatónica, e que morreu presumivelmente em 415 d.C. Foi filha do matemático e astrónomo Téon de Alexandria, que foi o seu mestre, e interessou-se tanto pela matemática como pela astronomia, como mostram três das suas obras, entretanto perdidas.
Hipácia instalou-se entretanto em Atenas onde estudou Platão e Aristóteles, exercendo uma grande influência nos meios filosóficos alexandrinos, ao tentar unificar o pensamento matemático de Diofanto com o neoplatonismo de Amónio e Plotino. O seu discípulo, Sinesio de Cirene, diz-nos que tentou aplicar o raciocínio matemático ao conceito neoplatónico do Uno, mónada dos mónadas. Pagã, mas partidária da distinção entre religião e filosofia, adquiriu também grande prestígio nos ambientes políticos de Alexandria, frequentando o prefeito romano Orestes. Tal facto provocou a inveja e o rancor dos círculos cristãos de tal forma que Hipácia foi agredida em plena rua e brutalmente assassinada por um grupo de fanáticos cristãos, dirigido por um religioso chamado de Pedro. Mas atrás esta agressão dizia-se que estava Cirilo, o patriarca de Alexandria, que a considerava responsável pelas perseguições que os cristãos sofriam.
O episódio dramático da sua morte – foi violada e lapidada por um grupo de facínoras – alimentou a imaginação de escritores e poetas como Charles Kingsley (1853), Leconte de Lisle (1852) e Charles de Péguy (1907) que a imortalizaram como a última herdeira do pensamento grego numa sociedade romana já completamente enredada na fé cristã.
Apesar de não nos ter chegado nenhum dos seus escritos, e portanto, a sua doutrina só poder ser reconstruída de modo indirecto e hipotético, numerosas fontes dão-nos conta da singularidade da sua figura: filósofa, cientista, mestra e ponto de referência política para a comunidade grega de Alexandria.
Numa época em que a Igreja cristã, com os seus Padres à frente, assumia já cada vez mais como uma instituição do poder estabelecido, e procedia à marginalização das mulheres nas funções do poder, uma pagã assumia o símbolo da sabedoria e concorria com as autoridades religiosas da sua cidade.
Um conflito que ocultava uma outra dimensão muito mais relevante: Hipácia representava a tradição da sabedoria feminina, uma antiga tradição egípcia e grega

( tradução de um excerto retirado do livro «Las filósofas, las mujeres protagonistas en la história del pensamiento», de Giulio de Martino e Marina Bruzzese, ediciones Cátedra em colaboração com o Instituto de la mujer da Universitat de Valência; Madrid, 1996)

O título original é «Le Filosofe.Le donne protagoniste nella storia del pensiero