18.11.07

Apelo para uma greve geral dos consumidores a partir do dia 24 de Novembro

CONSOME, idiota!


Todos nós desempenhamos um papel económico bem mais importante como consumidores do que como trablhadores

Os direitos dos trabalhadores são sistematicamente esvaziados, quando não mesmo retirados e anulados nos últimos anos, e, por circunstâncias várias, as greves de trabalhadores não se têm revelado eficazes.

Por isso é urgente que as greves de trabalhadores sejam complementadas com uma greve geral de consumo como forma de demonstrar ao poder instituído a nossa determinação na luta por uma nova sociedade e um novo modo de viver.

Apelamos assim para que, a partir do dia 24 de Novembro, todos comprem o menos possível e para deixarem de fazer compras inúteis , o que teria indiscutivelmente uma grande repercussão em toda a economia e faria tremer o poder político e económico.


A greve das compras terá de ser articulada com a greve ao trabalho.

Uma greve geral ilimitada dos consumidores, a partir de 24 de Novembro, a ser adoptada por um número significativo de aderentes teria um impacto enorme e desencadearia uma dinâmica de transformações sociais e culturais.


Ver e consultar:
http://www.supermercadosnogracias.org/

15 coisas para fazer no hipermercado …

1. Agarra em 24 caixas de preservativos e põe em vários carrinhos, aleatoriamente, quando a pessoa estiver distraída.

2. Programa os despertadores para tocarem de 5 em 5 minutos.

3. Faz um rasto com molho de tomate até à casa de banho.

4. Aborda um funcionário e diz "Código vermelho na secção da loiça"... e vê o que ele faz!

5. Vai ao apoio a clientes e pergunta se te podem reservar um pacote de M&Ms.

6. Põe o sinal de "ATENÇÃO - PISO MOLHADO" ao pé da área dos tapetes.

7. Monta uma tenda na secção de campismo, diz aos outros clientes que vais passar a noite por lá. Convence as pessoas atraentes a trazerem almofadas da secção têxtil e juntarem-se a ti.

8. Quando um funcionário te perguntar se precisas de ajuda, começa a chorar e grita "Porque é que vocês não me deixam em paz?!?!!?!?"

9. Encontra uma câmara de vigilância e usa-a como espelho enquanto tiras macacos do nariz.

10. Procura uma faca de trinchar bem afiada. Leva-a contigo durante todo o percurso das compras e vai perguntando aos funcionários se ali vendem anti-depressivos.

11. Desliza pela loja com um ar suspeito, enquanto cantas o tema da "Missão Impossível".

12. Na secção de acessórios para os automóveis, pratica o teu "look Madonna" usando diferentes tipos de cones de sinalização.

13. Esconde-te atrás da roupa que está exposta em cabides e quando alguém estiver a ver os artigos grita "ESCOLHE-ME! LEVA-ME PARA CASA!"

14. Quando alguém anunciar seja o que for no altifalante, deita-te no chão, em posição fetal, e grita: "NÃÃÃO! As vozes! Outra vez as vozes!"

E, por fim:

15. Vai ao provador de roupa. Fecha a porta, aguarda um minuto e depois grita: "Onde é que está o papel higiénico?


Retirado de:
http://renatoamorim.blogs.sapo.pt/44337.html

O jornal El Pais abre os seus arquivos de textos e artigos publicados ao longo de 30 anos

Qualquer que seja a ideia que se tenha sobre o jornal El País e o grupo económico Prisa que o controla julgamos do maior interesse a abertura dos arquivos deste jornal e a sua disponibilização online a todos quantos estejam interessados na sua consulta.

São assim três décadas recheadas de factos históricos a que acrescem os milhares de artigos e reportagens que podem ser consultados via Internet e de forma totalmente gratuita.

Para tanto, bastará ir à
hemeroteca do ELPAÍS.com e começar a fazer as pesquisas desejadas

O edifício do Capitólio, sede do poder legislativo dos EUA, foi construído por escravos negros!!!


O Capitólio em Washington, sede do poder legislativo, o Congreso dos Estados Unidos da América, é um edifício majestoso ( ocupa uma superficie de 18.000 m2 e 87,60 metros de altura) e foi construído no século XIX para glorificar a liberdade e a democracia norte-americana, valores que serviram sempre de alarde ao nascimento e à criação dos Estados Unidos da América .

Vêm-se agora a saber, contudo, que o edifício foi erguido à custa de mão-de-obra escrava das explorações rurais dos Estados esclavagistas. Com efeito, quando George Washington esboçou o ambicioso projecto de construir a capital dos Estados Unidos não contava com a penúria de trabalhadores na região e foi necessário recorrer aos proprietários rurais para que estes disponibilizassem os seus escravos que, dia e noite, e em tempo recorde, conseguiram com a sua força braçal construir o edifício que, paradoxalmente, é vangloriado comosímbolo da democracia e da liberdade!!!

Este facto histórico veio a reforçar as pretensões da actual população afro-americana a viver nos Estados Unidos em ver reconhecido o seu papel cívico na construção do país e as suas actuais reivindicações por um estatuto social ao nível da sua importância e participação histórica.

Feira de poesia popular em Olinda (I FENAPOP)

Durante três dias (9, 10 e 11 de Nov.), Olinda transformou-se na capital da poesia popular, com a I Feira Nacional de Poesia Popular (Fenapop). O evento, que aconteceu no Parque do Carmo e teve entrada gratuita, reuniu muita cantoria de viola, embolada, recitais de poesia, exposições de artesanato e literatura de cordel.


A cidade de Olinda foi escolhida para receber o evento por ter abrigado nos anos 70 um dos maiores festivais do Nordeste, o Torneio de Olinda, que foi palco de manifestações contrárias ao regime militar. De lá saíram as primeiras caravanas de poetas pelo Brasil, que percorriam várias capitais até chegar a Brasília.

Na sexta-feira (09), a festa começou, às 19h, com a embolada da dupla Rouxinol e Patativa. No sábado (10), o Coreto da Poesia abriu espaço para poetas amadores. Já no palco principal, o destaque maior foi o repente de Ivanildo Vila Nova, que formou dupla com Sebastião da Silva. O domingo (11) ficou reservado para duas das atracções mais esperadas: o recital solo de Oliveira de Panelas e a poesia matuta de Jessier Quirino.


Comício em beco estreito
Uma livre adaptação da poesia de Jessier Quirino




Poesia de emboladores de coco (Natal, Brazil 1996)
(poetas populares Zizi Gaviao e Caetano da Ingazeira improvisam versos)






Repentistas troçando de toda a gente




Repentistas



Deixamos aqui a programação seguida pela I FENAPOP

SEXTA-FEIRA (09.11)

19h00 – Abertura com FELIZARDO MOURA
19h30 – ROUXINOL & PATATIVA – embolada
20h30 – ZELITO NUNES – contador de causos
21h00 – EDMILSON FERREIRA & ANTONIO LISBOA – repente
21h40 – CHICO PEDROSA – declamação
22h15 – JOÃO PARAIBANO & SEBASTIÃO DIAS
23h00 – Encerramento

SÁBADO (10.11)

19h00 – Abertura com FELIZARDO MOURA
19h10 – ROUXINOL & PATATIVA – embolada
19h30 – EDVALDO ZUZU & SINÉSIO PEREIRA - repente
20h00 – YPONAX VILA NOVA – declamação
20h30 – MOCINHA DE PASSIRA & MINERVINA FERREIRA – repente feminino
21h00 – CORETO DA POESIA – c/ poetas amadores
21h30 – RAUDÊNIO LIMA - declamação
22h00 – RIVANI, a cangaceira do cordel – poesia
22h30 – VASSULA - declamação
23h00 – ZÉ CARDOSO & RAULINO SILVA – repente
23h30 – CHICO PEDROSA – declamação
00h00 – IVANILDO VILA NOVA & SEBASTIÃO DA SILVA – repente
00h30 – GERALDO AMÂNCIO & MOACIR LAURENTINO – repente
01h00 – Encerramento

DOMINGO (11.11)

19h00 – Abertura com FELIZARDO MOURA
19h10 – YPONAX VILA NOVA – declamação
19h30 – CORETO DA POESIA – poemas livres
20h00 – SINÉSIO PEREIRA & EDVALDO ZUZU – repente
20h30 – MOCINHA DE PASSIRA & MINERVINA FERREIRA – repente feminino
21h00 – ZÉ VIOLA & ZÉ GALDINO – repente
21h30 – OLIVEIRA DE PANELAS – recital
22h00 – ROUXINOL & PATATIVA – embolada
22h30 – CHICO PEDROSA – declamação
23h00 – IVANILDO VILA NOVA & SEBASTIÃO DA SILVA - repente
23h30 – JESSIER QUIRINO – declamação
24h00 – Encerramento

O Nu-jazz de Bugge Wesseltoft

Jens Christian Bugge Wesseltoft é um músico, pianista, compositor e produtor norueguês que se move nas águas do jazz, em particular na sua versão mais europeísta e fusional do «future jazz» ou «nu jazz». Bugge tem também uma produtora, a Jazzland Records, que divulga o jazz praticado na Noruega, cujas figuras mais conhecidas são Jan Garbarek e Ion Christensen.
IM é o último cd de Bugge Wesseltoft, marcado por um tom minimalista de piano solo, bastante diferente do que estávamos habituados a ouvir na sua música, e na embalagem que acompanha o cd é possível ler textos anti-belicistas.

Discografia:
It's snowing on my piano - 1997 - Act
New Conception of Jazz - 1997 - Jazzland
Sharing - 1998 - Jazzland
Moving - 2001 - Jazzland
Live - 2003 - Jazzland
FiLM iNG - 2004 - Jazzland
IM - 2007 - Jazzland

With Sidsel Endresen:
• Nightsong - 1994 - Act
• Out Here, In There - 2002 - Jazzland

Consultar

http://www.buggesroom.com/


Nu jazz é um termo abrangente que aparece nos anos de 1990 para caracterizar aquele tipo de jazz instrumental baseado no funk, na electrónica e na improvisação livre. Outros termos sinónimos utilizados são electronic jazz, electro-jazz, e-jazz, jazztronica, jazz house, phusion, or future jazz.

O Nu jazz vai mais longe do que o acid jazz (ou groove jazz) na medida em que explora mais intensamente os recursos electrónicos e da improvisação.

The sound of Nu Jazz can be described as jazz music with a slow tempo from about 65-100 B.P.M. generally alongside an ambient beat, and usually little to no vocals are involved. Nu Jazz music rhythms and melodies can often be repetitive in nature.
It ranges from combining live instrumentation with beats of jazz house (exemplified by the French St Germain, the German Jazzanova and Fila Brazillia from the UK) to more band-based improvised jazz with electronic elements (such as that of the The Cinematic Orchestra from the UK, the Belgian PhusionCulture, Mexican duo Kobol, nu jazz improvisation collective, the Norwegian "future jazz" style pioneered by Bugge Wesseltoft, Jaga Jazzist, Nils Petter Molvær, and others). It is a term sometimes ascribed to Squarepusher's music.



Bugge Wesseltoft Live at Badechieff Berlin


Bugge Wesseltoft: Gare du Nord.
From the album 'Moving'.


Bugge Wesseltoft Live From Jazid Oslo 2000

Live from North Sea Jazzfestival

17.11.07

O relatório final do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC) é conclusivo: o aquecimento global é inevitável e está a acelerar-se

«O aquecimento do clima é inequívoco e já é evidente o aumento da temperatura média global do ar e dos oceanos, a ampla fusão de gelo e neve e o aumento global do nível do mar», assim começa o relatório final do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC) reunido nos últimos dias na cidade de Valência com delegados de 130 países. O documento destaca que já são visíveis os impactos do aquecimento global como é o caso do aumento do nível do mar, acrescentando ainda que o aquecimento global se irá manter ao longo dos próximos séculos.

O texto foi suavizado por pressão de países como os Estados Unidos, a Arábia Saudita e a Índia. Mas a conclusão não oferece dúvidas: a responsabilidade pela mudança no clima deve ser imputada ao homem.
Apesar de não ser o estudo mais avançado nem o mais ousado, o documento final é importante pois representa o consenso científico do momento e servirá de base de trabalho para a cimeira de Bali, daqui a 3 semanas, quando os países começarão a preparar um novo tratado que substitua o de Quioto.

No texto aprovado afirma-se: « 11 dos últimos 12 anos (1995-2006) foram os mais quentes em todos os registos apurados da superfície terrestre desde 1850», verificando-se ainda que o ritmo actual d aquecimento (0,13 graus em cada década) é maior do que a estimativa feita pelo IPCC em 2001. Além disso, a temperatura subiu mais no hemisfério norte e no Ártico ao dobro da velocidade do resto do planeta.
O aumento foi tão forte que «as observações desde 1961 mostram que as temperaturas no oceano aumentaram a profundidades até 3.000 metros, estando o oceano a absorver mais de 80% do calor suplementar no nosso sistema climático.» A subida no mar foi muito pequena, até porque o aquecimento oceânico exige uma imensa quantidade de energia. Ao aquecer, o mar aumenta de volume e o seu nível sobe em média 3,1 milímetros ao ano, desde 1993.

Neste documento refere-se ainda que o gelo árctico reduziu-se 7,4% em cada década desde o ano de 1978, altura em que começaram os registos por satélite. (note-se que estes némeros já estão desactualizados,uma vez que se basearam nas informações fornecidas peloInstitutp Nacional de Investigação do Gelo dos Estados Unidos que, no passado mês de Outubro, reviu os seus dados ao comunicar que desgelo árctivo evolui à média de 10% em cada década).

Conclui-se que a temperatura média da última metade do século XX foi provavelmente a maior de qualquer período seguido de 50 anos, desde a época dos Descobrimentos, e «muito provavelmente a mais alta dos últimos 1.300 anos».

Animais e plantas reagem a estas mudanças. As aves migram e altera-se a altitude das árvores .

«As emissões de gazes com efeito de estufa cresceram 70% entre 1970 e 2004». Estes gazes ( dos quais 80% são CO2) são os que fazem possível a vida na terra. Acumulam-se na atmosfera e retêm parte do calor libertado na Terra, que sem eles seria demasiado fria. Mas desde que, em 1750, a humanidade começou a queimar carvão e petróleo e quantidades astronómicas, aquela concentração aumentou exponencialmente. A manta que mantinha temperada a temperatura terrestre ameaça asfixiá-la: «A concentração atmosférica de CO em 2005 excede de longe o patamar natural dos últimos 650.000 anos», sustenta o IPCC.

O Relatório é claro ao atribuir o aquecimento global à acção do homem, e não deixa lugar algum aos cépticos: «A maior parte do aumento da temperatura observada globalmente na segunda metade do século XX é muito provavelmente devida ao aumento observado dos gazes com efeito de estufa e de origem humana. É provável que o fenómeno dos últimos 50 anos se trate de um aquecimento antropogénico em todos os continentes, salvo na Antártida»

No Relatório dá-se por adquirido que as emissões de gazes com efeito de estufa continuarão a aumentar ao longo das próximas décadas, o que causará uma mudança climática de maior magnitude do que aquela que foi observada no século XX.

Os cientistas prevêem uma subida entre 1 e 6,4 graus para o século XXI conforme a opção que se tomar: ou continuar a queimar carvão ou limitar a população…De qualquer modo, o mais provável é que o aquecimento global se situe entre 2 e 4,5 graus.


Por seu turno, o «aumento do nível do mar é inevitável. A expansão térmica prosseguirá durante séculos até se estabilizar a concentração dos gazes com efeito de estufa, o que irá causar uma subida maior do que anteriormente prevista para o século XXI».


Fonte: El País, de 17 de Novembro.

Consultar:
Síntese do Relatório em ingês(formato PDF)

Os maiores problemas ambientais em gráficos

http://www.ipcc.ch/





As principais conclusões do relatório são:

-Desde 1970, as emissões de gases do efeito estufa causadas pelo ser humano aumentaram 70%.

- A concentração de CO2 na atmosfera supera em muito o volume natural dos últimos 650 mil anos.

- A temperatura média mundial provavelmente aumentará entre 1,1 ºC e 6,4 ºC neste século.

- O nível do mar provavelmente subirá entre 18 cm e 59 com neste século.

- Se o aumento da temperatura superar a faixa de 1,5 a 2,5 ºC, então 20% a 30% das espécies de plantas e animais estarão ameaçados de extinção.

- O risco de fenómenos climáticos extremos aumenta: haverá mais inundações, períodos de seca e ondas de calor. Ecossistemas únicos estão ameaçados: nos pólos Norte e Sul, nas regiões montanhosas e nos recifes de corais.

- As consequências da mudança climática se distribuem-se de forma desigual: pessoas idosas e pobres serão mais atingidas, o mesmo ocorre com os países equatoriais, que na África se encontram entre os Estados mais pobres do mundo.

- As regiões mais atingidas serão a África, o Oceano Árctico, pequenas ilhas e grandes deltas na costa asiática.

- Para limitar o aumento da temperatura ao nível de 2,0 ºC a 2,4 ºC em relação à era pré-industrial, as emissões totais de gases do efeito estufa precisam diminuir a partir de 2015.

-Os custos para o combate à mudança climática, segundo os cenários mais optimistas, são estimados em menos de 0,12% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Na pior das hipóteses, teriam de ser investidos 3% do PIB mundial nessa luta até 2030.

Segundo as Nações Unidas a escolha a fazer é entre o mercado-rei ou a ecologia, sendo certo que a privatização é o pior cenário para o ambiente.


O futuro ecológico do planeta depende directamente das escolhas políticas a tomar. Jamais esta conclusão tinha sido tão evidente num documento das Nações Unidas. Mas é o que se pode ler no Relatório «GEO 4» do Programa das Nações Unidas para o ambiente (PNUE) publicado no dia 25 de Outubro, onde se diz claramente que a privatização generalizada dos recursos e dos serviços será o pior cenário do ponto de vista do ambiente.

Esta é a conclusão de uma abordagem original baseada na construção de cenários para futuros possíveis, cenários esses que são determinados pelas políticas que tiverem sido escolhidas para serem seguidas. Um trabalho que se prolongou por dois anos, feitos por grupos internacionais de especialistas, e cujo ponto de partida foi a crise ecológica que passa hoje o planeta.

Actualizando o quadro descritivo graças a numerosas fontes, o relatório do PNUE dá a conhecer o processo de degradação do clima, da biodiversidade, da saúde dos solos, dos recurso de água, etc…
Sublinha, por exemplo, a regressão verificada nos recursos disponíveis por cada habitante: com efeito, a superfície de terra disponível por cada ser humano passou de 7,91 hectares em 1900 para 2,02 em 2005.

Motivo de atenção é também a rapidez do fenómeno, constatando-se que a extensão e a composição dos ecossistemas terrestres foram modificados pelas populações a uma velocidade sem precedente. Os especialistas insistem igualmente na noção de limiar: « Os efeitos acumulados das contínuas mudanças no ambiente podem atingir limiares a partir dos quais podem acontecer mudanças brutais e irreversíveis. Tais perturbações não se verificarão só no clima, mas também em vários outros, como nos fenómenos da desertificação, descida dos níveis freáticos, colapso dos ecossistemas, etc »



«A destruição sistemática dos recursos naturais da Terra chegou a um tal ponto em que a viabilidade das economias está em perigo, para além de que a factura que teremos de deixar aos nossos filhos será impossível de pagar» - este é a conclusão a que chegou Achim Steiner, director do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUE). Ao apresentar o relatório «GEO 4 – Futuro do ambiente mundial», no passado dia 25 de Outubro em Nova Iorque, ele frisou bem a conexão entre o sistema económico e a degradação do ambiente.

O «GEO 4» é o resultado do trabalho de 1.400 cientistas e especialistas e esboça um quadro alarmante da situação ecológica do planeta, apesar de também sublinhar quanto a sua evolução dependerá das escolhas a fazer em matéria de políticas económicas.

Vinte anos depois do célebre Relatório Brundtland que, em 1987, tinha inventado o conceito do desenvolvimento sustentável, a maioria dos indicadores agora divulgados encontram-se com luz vermelha: clima ( as concentrações de gás carbónico na atmosfera aumentou um terço nos últimos 20 anos), biodiversidade ( as populações de anfíbios foram reduzidos para metade durante o mesmo período), poluição ( a do ar é, por exemplo, responsável pela morte de 500.000 pessoas por ano, segundo a OMS), artificialização dos solos ( a impermeabilização urbana com cimento )

A PNUE mostra que a crise ecológica se articula com a crise social. O contraste é acentuado entre a pressão ecológica intensa que sofre a biosfera e a expansão económica, a qual fez aumentar o produto anual por ser humano de 6.000 para 8.000 dólares entre 1987 e 2007, mas de uma forma muito desigual: «As injustiças ambientais continuam a aumentar, afectando sobretudo os pobres ( que estão muito mais vulneráveis aos perigos naturais), as mulheres e os povos indígenas». O ambiente reflecte essas desigualdades: « certas regiões desenvolvidas realizaram progressos ambientais à custa de outras regiões, exportando a produção e os seus efeitos»

Os valores culturais próprios do sistema económico dominante têm o maior efeito, com «um modelo de desenvolvimento do Norte, prevalece sempre um tipo de desenvolvimento urbano baseado na dependência do automóvel.»

A PNUE vai mais longe apresentando cenários de evolução até 2050 segundo diferentes políticas. Trabalho que foi levado a cabo por vários grupos de especialistas internacionais que trabalharam sobre modelos prospectivos utilizados por várias instituições.

A modelização permite medir a influencia sobre o ambiente de cada um dos quatro cenários através do consumo de energia, as emissões de poluentes, o tipo de actividade agrícola, as reservas de água e outros parâmetros.

São definidos , assim, 4 cenários.

Para cada cenário existe 1 objectivo privilegiado:

A) O primado do mercado = o governo ajuda o sector privado a alcançar um máximo de crescimento económico
Neste cenário o Estado rende-se ao lucro do sector privado, assiste-se ao desenvolvimento sem limite do comércio, e à privatização dos bens naturais.

B) O primado da política = o governo aplica fortes políticas a fim de atingir o objectivo de dar muita importância ao desenvolvimento económico
Neste cenário há uma intervenção centralizada que visa equilibrar um forte crescimento económico por via de um esforço em limitar os impactos ambientais e sociais.

C) O primado da segurança = a prioridade é dada à procura de segurança sobre outros valores, colocando limitações crescentes ao modo como vivem as pessoas.

D) O primado da ecologia = aposta na colaboração entre o governo, a sociedade civil e o sector privado para melhorar o ambiente e o bem-estar de todos.
Neste cenário a opção clara é pela sustentabilidade e equidade, onde os cidadãos desempenharão um papel activo.


Sem surpresa o cenário ecológico tem em vista reduzir a amplitude da crise económica. Supõe que a demografia evolua abaixo das previsões da ONU,ou seja, de 8 biliões de habitantes em 2050. A taxa de crescimento anual da economia mundial seria moderada, mas longe de ser nula, uma vez que é admitido que o produto interior bruto mundial possa triplicar.

O cenário mercado mais não faz que prosseguir a lógica dominante dos anos 1990, prevendo-se que a população atinja os 9 biliões em 2050 e a multiplicação por cinco do crescimento do PIB mundial. Este cenário conduzirá a uma situação ecológica muito degradada em 2050, tal como o cenário de segurança que induzirá a conflitos permanentes por todo o planeta. Segundo os autores do relatório « no cenário do mercado, o ambiente e a sociedade evoluirão muito mais rapidamente para perturbações em que mudanças súbitas e irreversíveis poderão acontecer.»

O prosseguimento da liberalização aparece assim como o cenário mais perigoso. Os especialistas fazem notar que a lógica ecológica é incompatível com a busca ilimitada do crescimento económico: «A perda da biodiversidade e a mudança climática têm consequências irreversíveis, que o crescimento dos rendimento não poderá resolver»

A análise do PNUE não deverá alterar a curto prazo o sentido das políticas económicas que continuarão a estar focalizadas na liberalização e no crescimento. Mas apoiando o diagnóstico pessimista traçado pelo GIEC sobre o clima, e surgindo alguns dias antes do anúncio do Programa das nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre os países mais pobres, o certo é que o Relatório agora divulgado sublinha a importância de ora em diante a comunidade ambientalista se preocupar pelas escolhas económicas para o futuro.

Consultar o Relatório em
www.unep.org/geo
Fonte: Le Monde

Cidadãos do Porto vão criar hoje (dia 17 de Nov. às 20h.) a sua árvore de Natal em defesa dos transportes públicos

O MUT-AMP (Movimento de Utentes de Transportes Públicos da Área Metropolitana do Porto) convida os cidadãos da Área Metropolitana do Porto para a colocação de uma Árvore de Natal com mensagens dos cidadãos e recolha de outras e novas reclamações dos utentes dos transportes públicos.


A iniciativa realiza-se hoje, Sábado, dia 17 de Novembro de 2007, pelas 20h00, na Praça da Liberdade - Porto


Participar e Mobilizar é um dever !!!

Para mais informações contactar:
transportes.amp@gmail.com


clicar por cima da imagem para ampliar

16.11.07

Apresentação do livro «Dorregarai, a Casa-Torre» do escritor basco Anjel Rekalde por Rui Pereira - hoje na Biblioteca Almeida Garret (às 21h.30)


É já hoje, dia 16, sexta-feira, pelas 21:30, que no foyer da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, vai ser apresentado o livro «Dorregarai, A Casa-Torre» de autoria de Anjel Rekalde. A apresentação estará a cargo do jornalista Rui Pereira.


O escritor basco, nascido em Tolosa, Euskadi, terá oportunidade de debater com os presentes a luta do povo basco pela independência desde há séculos.


Em Coimbra será no dia 17, pelas 18:00, no espaço da Almedina Estádio.




Integrado numa trilogia, cuja publicação em português a Deriva Editores agora inicia, Dorregarai, A Casa-Torre é uma densa saga histórica, que conta a História do último século e meio de vida da nação basca, desde a abolição militar da sua última fronteira com Espanha, no rio Ebro, até aos anos 90 do século XX. Difunde-se, pela primeira vez em língua portuguesa, a visão independentista do conflito, pela mão de um dos mais reputados ficcionistas do país na actualidade.


Anjel Rekalde, nascido em Tolosa em 1957 é um profundo conhecedor da História nacional basca e do seu conflito nacional com os Estados espanhol e francês, do qual possui, aliás, uma funda vivência pessoal. Encarcerado durante e após o franquismo pela sua militância na organização armada basca ETA, cumpriu duas décadas de prisão em numerosos cárceres do Estado espanhol, que transformou num tempo fecundo de grande vitalidade intelectual.


De Angel Rekalde, em co-autoria com o jornalista português Rui Pereira, encontra-se também editado em Portugal o ensaio O Novo Jornalismo Fardado – El País e o Nacionalismo Basco.

15.11.07

Mais de 200 pessoas estiveram no magusto que marcou a abertura do Centro Social da Mouraria e a nova sede nacional do GAIA

Um magusto realizado no passado dia 11 de Novembro marcou a abertura do Centro Social da Mouraria nas instalações do Grupo Desportivo da Mouraria, e que passará também a abrigar a sede nacional do GAIA, Grupo de Acção e Intervenção Ambiental.

Mais de 200 pessoas passaram pelo magusto o que constitui um facto digno de realce pela convivialidade criada entre todos os presentes. Desde pessoas idosas até aos ecologistas, passando por residentes locais e pessoal mais «alternativo» todos deram o seu melhor para o êxito desta inauguração.

Prevê-se a realização de actividades de cariz ambiental e social que envolvam a comunidade local e os activistas em geral, pelo que todos são bem-vindos para não só conhecerem o local como poderem envolver-se nos diversos projectos em curso ou a implementar.

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Reprodução da notícia retirada do website do GAIA:
http://gaia.org.pt/node/2689

O Centro Social da Mouraria abriu com o Magnifico Magusto!

No passado domingo, dia 11 de Novembro a partir das 15h aconteceu um Magusto no Grupo Desportivo da Mouraria para celebrar a abertura do Centro Social. O projecto é dinamizado pelo GAIA que pretende envolver a comunidade local e activistas no geral em actividades de cariz ambiental e social a realizar na zona da Mouraria.
Apareceram mais de 200 pessoas, uma mistura simpática e colorida, desde velhotas e velhotes querid@s do bairro até activistas preocupad@s com os direitos dos animais e da Natureza.
Houve castanhas, água-pé, eco-rifas que ofereciam dicas ecológicas e prémios de produtos reciclados. A música fazia-se ouvir pelos Shokolades e Episutódia que puseram a malta a dançar e a cantar. Outras associações também estiveram presentes com a sua banca, como é o caso da SOS Racismo. No meio disto tudo ainda houve tempo para um jogo de futebol com os miúdos da Mouraria no campo de jogos do Grupo Desportivo.
As visitas guiadas com grupos de cerca de 15 pessoas ao espaço do Centro Social, no sótão do Grupo Desportivo, encantaram @s veteran@s que se sentiram impressiond@s e até emcionad@s por ver o espaço tão bonito e multi-usos, visto que @s activistas limparam, arrumaram e recuperaram o espaço durante três meses. Para além de uma Loja grátis no local, uma sala para reuniões e outras actividades, o GAIA tem como prioridade um projecto de educação ambiental para crianças com a dinamização de uma horta comunitária, ateliers de reciclagem, biblioteca libertária e do ambiente. O desporto e o teatro também ocupam lugar no Centro Social!
Nada se faz sem as pessoas e este projecto é para toda a gente! Quem quiser vir, conhecer e até envolver-se em projectos pode aparecer todos os dias úteis da semana a partir das 15h até às 18h, com horário ainda a definir!

Se quiseres receber as actividades semanais do Centro Social envia um e-mail para
csm@gaia.org.pt



Localização do Centro Social da Mouraria:
Travessa da Nazaré, 21-1º em Lisboa

Ciclo de cinema promovido pelo grupo local do Porto da Amnistia Internacional


http://www.aiporto.blogspot.com/

Ciclo de Cinema promovido pelo grupo local do Porto da Amnistia Internacional
Local: Pinguim Café, R. de Belomonte, 67
( às sextas-feiras pelas 23h.)
Proxima sessão:16 de Novembro

Novo vídeo sobre a acção de desobediência civil contra o milho transgénico em Silves

Ver o vídeo em:


A acção do Movimento Verde Eufémia em Silves, no passado dia 17 de Agosto, chamou a atenção para o problema do cultivo de transgénicos na agricultura portuguesa. Contudo, de uma forma geral, a comunicação social apresentou apenas uma perspectiva parcial desta acção política, classificando-a como um acto de violência e vandalismo perante um agricultor indefeso.

2 meses passados sobre a primeira acção de desobediência civil contra os transgénicos em Portugal, um vídeo da acção é publicado na internet, com novas imagens sobre a acção que mostram uma acção não-violenta e simbólica, que não afectou a subsistência do empresário agrícola José Menezes.

O vídeo inédito mostra uma outra perspectiva da acção. Nas imagens vêm-se activistas a evitar agressões dos agricultores e a tentar pacificar os conflitos que se criaram. Estas imagens são o reflexo dos dois princípios inscritos que os activistas anunciaram: a não-violência em relação a pessoas e uma atitude que visa a atenuação dos conflitos.

O filme mostra também que há vários activistas que participaram na acção sem cobrir o rosto, assumindo publicamente o seu acto na defesa do bem comum, num acto político que consideraram ser tão justo quanto necessário.

As imagens finais são prova do simbolismo do acto de desobediência civil em Silves, que afectou menos de 1 hectare de uma propriedade com mais de 70 hectares de monocultivo intensivo de milho (dos quais 51 hectares eram de milho transgénico). Ao contrário da imagem que a comunicação social veiculou, o modo de subsistência do empresário agrícola José Menezes não foi de todo posto em causa. Por outro lado, na altura da acção, os participantes no protesto fizeram uma oferta de milho biológico suficiente para recultivar os 51 hectares de milho transgénico, proposta essa que foi rejeitada pelo proprietário.

O filme está disponível em português e inglês para streaming e download em http://ogm.blip.tv/ O vídeo está publicado ao abrigo de uma licença CreativeCommons-NonCommercial que não permite a reedição, mas permite a distribuição gratuita e exibição para fins não comerciais.

O azevinho está a extinguir-se. Vamos salvar o azevinho.


O azevinho é um arbusto típico de países mediterrânicos.

Na Península Ibérica vive em todos os sistemas montanhosos, sendo mais abundante na sua metade Norte. Os seus bonitos frutos vermelhos e as suas folhas espinhosas de verde escuro intenso converteram-no em adorno Natalício, uma tradição que o tem retirado do seu habitat natural. Por esta razão, na Europa, está em perigo de extinção e por isso está protegido.

De nome científico Ilex aquifolium é o único representante na Península Ibérica da família Aquifoliaceae. É uma espécie de crescimento lento e elevada longevidade (pode chegar a viver até 100 anos). O tamanho pode alcançar 10m e o seu caule é lenhoso. Os frutos vermelhos e carnudos, com 3 a 5 sementes no seu interior, amadurecem no Outono-Inverno. Para além da sua importância botânica, cultural e paisagística, proporcionam refúgio e alimento a muitas aves e mamíferos.

Apesar de ser uma espécie protegida (Decreto- Lei nº 423/89 de 2 de Dezembro) , a venda de ramos de azevinho no Natal é legal, mas, nenhuma autoridade se preocupa em verificar se a origem do azevinho provém de cortes autorizados. As irregularidades estão na ordem do dia, por isso pedimos ao consumidor que seja responsável. Não compre azevinho!

Se cada um de nós plantar um azevinho no jardim e tratar bem dele, podemos contribuir para a sua sobrevivência. E, claro, temos também de alertar as pessoas para não colherem azevinho da floresta.

Plantar azevinho requer cuidados muito simples. Prefere lugares que não tenham uma exposição excessiva ao Sol e o solo deve ter uma boa drenagem e ser preferencialmente de características ácidas.

No próximo dia 23 de Novembro, dia da Floresta Autóctone, escolas de Vagos, Aveiro, Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, Vila Nova de Gaia, Porto, Vila do Conde, Rio Tinto, Maia, Matosinhos, Baltar e Macedo de Cavaleiros irão plantar pés de azevinho cedido pelo FAPAS e trabalhar o tema da Floresta Autóctone.

Vamos salvar o azevinho! Dê também o seu contributo.

___________________________________________________

FAPAS

Rua Alexandre Herculano, 371, 4ºDtº

4000-055 Porto

Tel: 22 2002472; FAX: 22 2087455

Email:
fapas@claranet.pt ; www.fapas.pt

A arte da performance(do futurismo ao presente), de Roselle Goldberg editado pela Orfeu Negro




A ARTE DA PERFORMANCE é um clássico. O livro, editado e traduzido em diversos países, com versões constantemente actualizadas pela autora, é a grande referência de um repertório histórico que contextualiza a origem e o desenvolvimento da performance – desde os futuristas italianos às obras contemporâneas do artista Matthew Barney – no cenário internacional.
Atravessando as áreas da dança, teatro, música, cinema, arquitectura e artes plásticas, a performance é hoje reconhecida, inclusive em termos académicos, pelo seu enorme contributo à evolução da história geral da arte e a sua importância no domínio dos estudos culturais.

RoseLee Goldberg é historiadora e crítica de arte. Lecciona na Universidade de Nova Iorque e colabora, entre outras publicações, com a revista ARTFORUM. Actualmente directora e curadora do Festival Performa, em Nova Iorque, é também autora de PERFORMANCE: LIVE ART SINCE 1960 e LAURIE ANDERSON. Internacionalmente reconhecida, Goldberg recebeu,em 2006, o título de Comendadora das Artes e das Letras, atribuído pelo ministério da Cultura francês.


A nova editora Orfeu Negro



ORFEU NEGRO vai dedicar-se à edição no âmbito das artes contemporâneas, tanto no que se refere a ensaios históricos e outros trabalhos documentais, como a obras de reflexão sobre os modos de criação artística, as relações entre a arte e a cultura e o cruzamento das diversas artes.

Da dança à arquitectura, passando pela música, o teatro, a fotografia, o cinema e as artes plásticas, ORFEU NEGRO privilegia a transversalidade do pensamento artístico e as áreas híbridas ou «marginais» da criação, propondo uma leitura aberta da história e o questionamento das convenções estéticas e sociais.

Mito da transgressão, Orfeu representa também a aventura da criação artística. ORFEU NEGRO, designação furtada ao título do filme de Marcel Camus, que por sua vez adapta a peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, acrescenta mais uma leitura às diversas interpretações.

E, tratando-se de uma chancela da Antígona, há-de continuar com a língua de fora.

14.11.07

A ética subversiva no comportamento do quotidiano

Quem é subversivo? Quem o pode ser? Será que hoje ainda se pode ser? Sim, acho que sim, mas longe das imitações da subversão teatralizada que espectaculariza o gesto e integra-o na lógica dominante que encontra o lugar do subversivo dentro do mundo mediático, e que o situa confortavelmente ao lado do bobo, do palhaço, do farsante e do cómico de serviço.

A subversão consiste em levar uma vida filosófica na qual as virtudes dominantes da nossa época mercantil ( o dinheiro, o poder, a riqueza, a ostentação, as honras, a busca de celebridade, a futilidade, a mundanidade, a paixão pelas aparências…) sejam completamente ignoradas e substituídas sem alarde por valores pesados: ser em contraste com o ter; o poder sobre si e não sobre os outros; a indiferença em relação ao dinheiro – quer o tenhamos ou não, nada se fará para o ter; a supremacia da vida interior contra o império do olhar do outro sobre si; a recusa das honras, de que se preferirá o sentido da honra; a indiferença relativamente à celebridade – tenha-se ou não, o importante é nada fazer para a ter; o desejo de se construir em profundidade longe da superficialidade mundana, ou seja, a escultura de si como acto para si e não como ficção para o outro.
A verdadeira subversão é assumir tudo isso no nosso quotidiano: uma postura que assume sem barulho, sem palavras mais altas que as dos outros, o exemplo de uma filosofia existencial (na linhagem do que seria um Diógenes ou um Arístipo da era atómica) que seria uma máquina de guerra lançada contra a moleza adoptada na nossa época.

(excerto de um texo publicado na edição de Novembro da revista Lire intitulado «Mon abécédaire» de autoria de Michel Onfray)




Aristipo de Cirene
Filósofo grego (Cirene, c. 435 a.C. -?, 356 a.C.)

Aristipo foi discípulo de Sócrates e fundador da Escola Cirenaica. Ganhava sua vida lecionando e escrevendo na corte de Dionísio de Siracusa. De seus escritos, nada restou; nem mesmo fragmentos. Tudo o que se conhece da reflexão filosófica de Aristipo decorre do comentário de terceiros.

Como Sócrates, Aristipo se interessou quase que exclusivamente pela ética. Segundo o filósofo, a vida ética deveria ser praticada para atingir um fim específico que era o gozo de todo prazer imediato. Defendia, porém, um controle racional sobre o prazer para que não se desenvolvesse uma depêndencia dos prazeres.

Tanto a dor quanto o prazer eram vistos como uma espécie de movimento. O prazer seria um movimento leve e a dor um movimento violento. Já o êxtase, era visto como a ausência tanto de prazer quanto de dor e não era, portanto, nem agradável nem doloroso.

Frase de Arisitpo de Cirene:

«Somente o presente nos pertence, não o momento passado nem aquele que esperamos, porque um já se desfez e o outro não sabemos se virá»


O pesadelo ambiental da assinatura do Tratado de Lisboa que obriga ao consumo extra de 135 toneladas de carbono


A assinatura do Tratado de Lisboa – com a deslocação de comitivas e milhares de políticos funcionário a Lisboa - obriga ao consumo extra de 135 toneladas de carbono

A assinatura do Tratado Reformador em Lisboa, marcada para as 11.00 da manhã de 13 de Dezembro, no Mosteiro dos Jerónimos, implicará um pesadelo ambiental: o consumo extra de 135 toneladas de carbono.
Isto porque, de acordo com o previsto, os líderes europeus viajarão logo a seguir, nesse mesmo dia, para Bruxelas, onde se reunirá o Conselho Europeu de encerramento da presidência portuguesa da União Europeia. Segundo o Tratado de Nice, o último Conselho Europeu de cada presidência é obrigatoriamente em Bruxelas. E está convocada precisamente para 13 de Dezembro, iniciando-se ao final da tarde.
O The Times britânico fez ontem as contas às deslocações e aos respectivos custos (em dinheiro e em produção de carbono. As deslocações das comitivas dos 27 para Lisboa e depois para Bruxelas implicará 77 mil quilómetros de viagens. E 27 jactos produzirão 135 toneladas de carbono, o que é o que um cidadão britânico produz por ano (ou dois belgas ou três romenos ou quatro romenos).
Na presidência portuguesa a notícia do jornal britânico é lida como uma tentativa de pressionar os líderes dos 27 para que a assinatura do Tratado não seja em Lisboa, mas sim em Bruxelas. Neil O'Brien, director do think-tank (clube de reflexão) britânico Open Europe , citado pelo The Times, foi violento: "Isto é o ridículo europeu no seu pior. Os líderes da UE esbanjam quantidades enormes de dinheiro dos contribuintes e produzem quantidades enormes de carbono e tudo por causa da vaidade patética dos belgas e dos portugueses."
In DN 03/11/07

Inaugurada a primeira escola francesa com energia zero de consumo

Acabou de ser inaugurada um França a primeira escola de energia passiva, isto é, com um edifício que produz mais energia do que consme.
O establecimento escolar Jean-Louis-Marquèze de que se fala situa-se na região de Paris, em Limeil Brévannes e produzirá energia mais do que precisa graças a um campo de painéis fotovotaicos de 700m2 e que, além disso, foi projectado para minorar as necessidades energéticas: vidros largos para reduzir o uso de luz artificial, um sistema de ventilação de recuperação do calor, vidros duplos e um bom sistema de isolamento térmico.
Segundo cálculos feitos a construção agora inaugurada permitirá evitar a produção de vinte toneladas de CO2 que, de outra maneira, seriam lançados para a atmosfera.
Para mais informações consultar: aqui, aqui, aqui

«Terrorista lírica» que escrevia poemas é condenada pelos tribunais britânicos ao abrigo da lei anti-terrorista

Uma jovem britânica de 23 anos que se auto-intitulava "terrorista lírica" acaba de ser condenada ao abrigo da lei anti—terrorista por ter escrito poemas e assinados com o pseudónimo de «terrorista lírica»


Samina Malik, que vivia a oeste de Londres, foi considerada culpada pelo tribunal britânico com a acusação de possuir manuais “terroristas”.
Durante o julgamento, a acusação acusou a ré de ter escrito poemas num tom extremista, nos quais elogiava Osama Bin Laden, apoiava atentados suicidas e discutia a decapitação.

A jovem trabalhava numa livraria do aeroporto de Heathrow (o principal da região de Londres) até ao passado mês Outubro, quando foi presa.
Segundo a procurador, ela publicara poemas seus em vários sites da internet usando o pseudónimo de “terrorista lírica”.
Malik disse que escolheu o apelido porque parecia "legal" e que os poemas não significavam nada.
Mas o promotor Jonathan Sharp argumentou que eles são um forte indício de que ela estava profundamente envolvida com grupos relacionados ao terrorismo.
A polícia afirmou ter encontrado uma "colecção" de livros islâmicos extremistas no quarto de Malik, incluindo o Manual da Al-Qaeda e o Guia dos Venenos do Guerreiro Islâmico.
Ela também teria escrito no verso de um recibo da livraria onde trabalhava: "A cada dia aumenta o desejo dentro de mim de me entregar ao martírio".

Em defesa da pobre rapariga os seus advogados invocaram que a sua poesia não é mais perigosa que o poema First World War de Wilfred Owen.
Recordaram ainda que ela começou a escrever poemas ao estilo rap em 2002 quando frequentava a Villiers High School em Southall, Middlesex, inpirando-se na escritas dos rappers norte-americanos como Tupac Shakur, 50 Cent utilizando então o pseudónimo de Lyrical Babe. Só em 2004 é que se começou a interessar-se pela religião, passando a usar então um véu, e mudando o nome de Lyrical Babe para Lyrical Terrorist porque achou a expressão mais «cool»

Acesso livre e gratuito às revistas editadas pela Sage até 30 de Novembro

A editora Sage disponibiliza gratuitamente o acesso aos conteúdos das diversas revistas científicas e de investigaçãocom a chancela daquela reputada editora britância até ao próximo dia 30 de Novembro, pelo que é de aproveitar a consulta aos milhares de textos e artigos daquelas publicações

http://www.sagepub.com/
http://www.sagepub.com/journals.nav


recomendamos as publicações dos cultural studies e sociology : ver aqui, e aqui

13.11.07

Convite para um fim-de-semana de debates e acções na Casa-Viva(14, 15 e 16 de Dezembro)

Texto incluído no Convite dirigido para todos os interessados ( pessoas individuais e colectivos) se reunirem na Casa-Viva ( no Porto) durante um fim-de-semana do próximo mês de Dezembro com vista à realização de debates e acções:


CONVITE

Para contrariarmos a esperteza da raposa no galinheiro e não ficarmos cada um a seu canto a esgravatar terra

Às vezes acorda-se sorridente, bem disposto, radioso. Noutras manhãs, tudo é cinzento, triste, irritante. A malta da CasaViva também experimenta estes dois acordares e toda a variedade de outros amanheceres que estão entre um extremo e o outro. Mas incomodamo-nos sempre. Todos os dias.

Sempre que paramos este permanente bulir que nos ensinaram que é o verdadeiro viver. Nesses momentos, ficamos frequentemente cabreados. Existiriam, decerto, formas mais eruditas de colocar a questão, mas o que está dito dito está e pareceu-nos mais simples fazer este acrescento do que procurar um sinónimo para uma palavra cuja abrangência de conteúdo só é permitida por ter a sua origem na sabedoria popular.

Chateia-nos viver num planeta com tanto para partilhar e que apenas é explorado em proveito da espécie dominante, tornando a usurpação e o abuso nos conceitos por onde se começa a definição de ser humano.

Aborrece-nos que nos tomem por parvos quando nos tiram direitos e nos dizem que é para nosso bem, como se os direitos que nos tiram se evaporassem e não fossem, como dizia Lavoisier, apenas transformados em direitos de outros.

Apoquenta-nos que nos controlem, nos vigiem, nos fichem, nos transformem em conteúdos de bases de dados, nos gravem, nos chantageiem, nos cortem o direito a contestar, nos façam a todos bufos e polícias.

Indigna-nos que tudo seja mercadoria. Negociável, transaccionável, passível de ser transformado em lucro.

Não pode ser.

O capitalismo, já todos o sabemos, é apenas esta liberdade da raposa no galinheiro. Também não é segredo que a força do predador aumenta na proporção directa da desunião entre as presas. No entanto, mesmo possuindo o diagnóstico, nunca tratamos da maleita. E a responsabilidade de tentar a aproximação entre todos os que acreditam numa mudança organizacional radical é nossa, dos suficientemente vivos para darem umas bicadas na besta, de forma a que, de dispersas e curáveis, se tornem mais eficazes, provoquem gangrenas e acelerem a morte do carcereiro. De outro modo, continuaremos cada um no seu canto, a esgravatar terra como quem se deixa paralisar pelo medo, e a sair esporadicamente, aplicar uma bicada e recolher.

Já houve várias tentativas de união de esforços. Redundaram quase sempre em grandes exercícios de retórica sobre a maior validade da minha forma de luta em relação à tua. Na melhor das hipóteses, acabaram numa lista electrónica de discussão também electrónica que se foi silenciando com o tempo.

Mas a desistência não pode fazer parte do vocabulário de nenhum de nós. Se a coisa não tem funcionado, talvez seja hora de procurar métodos diferentes para a fazer progredir. E, a nós, parece-nos que não é na conversa formal que a união verdadeira cresce. É nas acções que nos sentimos mais próximos. É em ambientes mais descontraídos que nos sentimos mais preparados para falar uns com os outros. É na rua e na festa que se criam laços e se constroem afinidades, onde se forjam verdadeiras redes de interesses e participação.

Queremos, portanto, convidar-vos para que apareçam na sexta-feira, dia 14 de Dezembro, e que só saiam daqui na segunda, dia 17.
Para esses dias, pensamos num programa de festas (1) que será próximo do seguinte:

Sexta, 14 de Dezembro
19h00 – 22h00 – Concertos / Festa
22h30 – Jantar
23h00 – Apresentação dos colectivos presentes (2)
Conversas

Sábado, 15 de Dezembro
09h00 – Pequeno-almoço, onde se combinarão as acções do dia
10h00 - ... - Acções (3)
19h00 - 20h00 – Concertos / Festa
20h30 – Jantar + Balanço do dia

Domingo, 16 de Dezembro
10h00 – Pequeno-almoço, onde se combinarão as acções do dia
11h00 - ... - Acções (3)
19h00 – Assembleia final e marcação de próxima jornada (4)


(1) O programa está longe de estar finalizado. As horas são meramente indicativas.

(2) Para não ser maçador, achamos que o melhor que há a fazer é cada colectivo apresentar-se, caso o queira, em formato imagem. Se assim for, é importante que nos façam chegar essa apresentação pelo menos uma semana antes do evento (até 9 de Dezembro). A ideia é, depois, discutirmos ao sabor do que a visualização das imagens nos fizer passar pela cabeça.

(3) A ideia são acções que impliquem pouca gente e pouca preparação no momento. Dessa forma, será possível apresentá-las ao pequeno-almoço e sair para a rua para as colocar em prática uma hora depois. Nós teremos meia dúzia de acções pensadas. Mas o ideal seria aparecerem mais, desde que tenham condições para se realizarem. Queremos dizer que não vale a pena, por exemplo, propor uma marcha com pancartas em punho se não se tiverem já as pancartas feitas. Cada pessoa ou colectivo apresentará uma ideia e dirá quantas pessoas são necessárias. Depois, cada um se juntará ao grupo que quiser, se houver gente e ideias suficientes. Se não houver, o mesmo grupo poderá tratar de mais do que uma acção.

(4) Era importante que toda a gente pudesse ficar até domingo à noite, porque a assembleia final, onde se poderão discutir formas de nos tornarmos mais presentes nas coisas que cada um dos outros organiza, e a marcação de uma próxima jornada de acções são coisas que precisam de toda a gente.

Nota final – Nestes dias era importante que a CasaViva fosse autogerida por todos os participantes. Portanto, que ninguém estranhe que se retire uns minutos de cada dia para organizar as várias coisas de que a Casa precise (quem cozinhe, quem limpe, quem lave, quem ...)

CasaViva
pç marquês de pombal, 167 porto
casaviva167@gmail.com

Café filosófico no Instituto franco-portugais de Lisboa sobre a equação Saber = Poder

O Instituto franco-portugais de Lisboa organiza periodicamente cafés-filosóficos onde são debatidos alguns temas importantes da cultura e das sociedades contemporãneas. Amanhã o debate informal do encontro girará sobre a equação Saber = Poder



Que pouvons-nous penser de l'équation : savoir = pouvoir ?

Local : Institut Franco-Portugais
Avenida Luís Bívar, 91 / 1050-143 Lisboa
Tel: (+351) 21 311 14 00
Courriel :
infos@ifp-lisboa.com
Site :
http://www.ifp-lisboa.com

12.11.07

É preciso que o país real acabe com o país nominal, inventado nas secretarias (Alexandre Herculano)

«Essa imensa tutela de milhares de homens por seis ou sete homens é forçosamente absurda.» Alexandre Herculano




O carneirismo de pseudocidadãos está para esta democracia como a fidelidade dos vassalos esteve para o absolutismo régio.


Algumas citações sobre o carneirismo: uma de Camões (a propósito do gesto vergonhoso de Egas Moniz) , outra de Bocage ( a propósito dos que dão a vida pelo rei injusto e iníquo) , e finalmente uma terceira de Alexandre Herculano ( a propósito do Estado centralizado e a favor do self-government):


«Oh grão fidelidade portuguesa
De vassalo!...»
(Camões a propósito do gesto de Egas Moniz )


«Ah! Segue-o submissa grei
Lusas mãos pendões desferem
E até na injustiça querem
Dar a vida pelo rei»
(Bocage )



Escrevia Alexandre Herculano em 1858, na «Carta aos eleitores de Cintra»:

Quereis encontrar o governo central? Do berço à cova encontrai-lo por todas as fases da vossa vida, raramente para vos proteger, de contínuo para vos incomodar. Nada, a bem dizer, se move na vida colectiva do povo, que não venha de cima o impulso…Essa imensa tutela de milhares de homens por seis ou sete homens é forçosamente absurda…É preciso que o país da realidade , o país dos casais, das aldeias, das vilas, das cidades, das províncias, acabe com o país nominal, inventado nas secretarias, nos quartéis, nos clubes, nos jornais, e constituído pelas diversas camadas do funcionalismo que é, e do funcionalismo que quer e há-de ser…Os partidos, sejam quais forem as suas opiniões e os seus interesses, ganham sempre com a centralização…A administração do país pelo país é a realização material, palpável, efectiva, da liberdade na sua plenitude, sem anarquia, sem revoluções, de que não vem quase nunca senão mal…A centralização, na cópia portuguesa, como hoje existe e como a sofremos, é o fideicomisso legado pelo absolutismo aos governos representativos, mas enriquecido, exagerado; é, perdoai-me a frase, o absolutismo liberal. A diferença está nisto: dantes os frutos que dá o predomínio da centralização supunha-se colhê-los um homem chamado rei; hoje colhem-nos seis ou sete homens chamados ministros. Dantes os cortesãos repartiam entre si os frutos, e diziam ao rei que tudo era dele e para ele; hoje os ministros reservam-nos para si ou distribuem-nos pelos que lhes servem de voz, de braços, de mãos; pelo partido que os defende, e dizem depois que tudo é do país, pelo país e para o país. E não mentem. O país de que falam é o seu país nominal; é a sua clientela, o seu funcionalismo; é o próprio governo; é a tradução moderna da frase de Luís XIV – l’état c’est moi, menos a sinceridade.
( Alexandre Herculano)

A sociedade de consumo


A sociedade de consumo aprende a dominar, ou seja, a prever, vigiar, reduzir ou derivar as grandes motivações do homem. Torna-as em alavancas económicas.
(…) O consumo tende a reconduzir a ele todos os outros instintos, como a um modelo comercialmente perfeito.
(…) A única necessidade para a qual o homem-consumidor se sente impelido é a de comprar consoante a fantasia dos seus desejos do momento. Certamente, a necessidade nem sempre é realizável. Entre a necessidade e o facto de comprar, instala-se a vaga agressividade de um animal que perdeu todos os seus pontos de referência naturais. Perante o critério único do dinheiro, a violência ou a utilização social da pulsão de agressividade torna-se latente, subtil, permanente e imprecisa como uma ameaça.

Debate sobre o Ensino Superior: só há um caminho?(14 Nov. às 15h. em Agronomia)

Debate promovido pelo Movimento Aberto Por outra Vida na Escola


Comunidade de leitores com Manuel António Pina na Biblioteca de Espinho (próxima sessão: dia 16 de Nov. às 22h.)

INSCREVAM-SE E APAREÇAM

De 15 em 15 dias reunir-nos-emos à volta de um livro.
Ele, o livro, será um pretexto para, falando dele, falarmos provavelmente de tudo, de nós mesmos, do Mundo, da relação de cada um consigo e com o Mundo. Para isso servem também os livros: para nos ouvirmos neles.


A próxima sessão será no dia 16 de Novembro, pelas 22 horas, na Biblioteca Municipal de Espinho.

Texto de apresentação desta Comunidade de Leitores, e da autoria de Manuel António Pina:

Acho que é Borges quem escreve que toda a literatura (e toda a arte) se reduz, de um modo ou de outro, a três assuntos elementares: o amor, a morte e, entre ambos, o tempo. E Barthes, salvo erro em "Madame Edwarda" (ou é em "Le petit"?) fala do amor e da morte como assuntos centrais do riso ("ris-te porque tens medo"): o amor e a morte, o primeiro ligado ao aparecimento e o segundo ao desaparecimento do ser, isto é, aos dois precipícios-limite da existência, o antes e o depois do ser.

Por isso, escolhendo como temas o amor e a morte (e o tempo), talvez nos pudéssemos aproximar um pouco daquilo que leva os homens a escrever livros e a ler livros. Mas porque o amor é talvez assunto vasto de mais, e equívoco de mais, e tratado de mais – e, principalmente, porque me parece que a sua presença na poesia será talvez mais estimulante, e mais próxima daquil que nele é mais singular; e ainda porque talvez seja conveniente dar, para já, preferência à ficção por razões de operacionalidade, já que a ficção tem mais leitores do que a poesia –, achei melhor deixar o tema específico do amor a aguardar melhor prova.

De qualquer modo, ele está presente (e como não estaria?) em todos os livros que proponho que leiamos durante a nossa Comunidade de Leitores (proposta inteiramente aberta, claro, às sugestões dos próprios leitores).

Restam a morte e o tempo. Proponho, assim, os temas da morte e da memória. E, já agora, também o do sonho, que é um modo singular de interrogar quer a morte quer a memória. E, se ainda for necessário um quarto tema, o da infância.

Quanto a livros (lista, como ficou dito, aberta a sugestões):

Morte (e amor, e memória): “Morte em Veneza”, de Thomas Mann; "O deserto dos tártaros", de Buzzati; “Narciso e Goldmundo”, de Hermann Hesse; “Bartleby, o escrivão”, de Herman Melville; “O coração das trevas”, de Joseph Conrad; os "Cadernos de Malte Laurids Brigge", de Rilke; “O retrato de Dorian Gray”, de Óscar Wilde; "Debaixo do vulcão", de Malcolm Lowry…

Memória (e amor, e sonho, e morte): "Funes, o memorioso", de Borges, conto incluído em "Ficções", onde também está o conto "As ruínas circulares" para o tema Sonho, pelo que "Ficções" pode servir duplamente; "Os passos em volta", de Herberto Helder; "Memórias do subterrâneo", de Dostoievski; “A um Deus desconhecido”, de John Steinbeck; “Para sempre”, de Vergílio Ferreira; “Elizabeth Costello”, de J. M. Coetzee; "Fahrenheit 451", de Ray Bradbury...

Sonho (e memória, e amor, e morte): “O sorriso aos pés da escada”, de Henry Miller; "Nadja", de Breton; "Carta a Lord Chandos", de Hoffmanstahl; e, se for possível, e se existir tradução portuguesa (irei tentar saber), sobretudo o "Kublai Khan", de Coleridge(ao menos um poema!); além de "As ruínas circulares" do já citado "Ficções", de Borges…

Estou a lembrar-me ainda de outros, com as "Palmeiras bravas" de Faulkner, que poderia servir quer para a´Memória quer para a Morte. Ou, em torno do tema da Infância, de "Esteiros", de Soeiro Pererira Gomes e de "Infância", de Graciliano Ramos, e, principalmente, esse clássico absoluto que é “Winnie-the-Pooh”, de A. A. Milne…



Infelizmente, o formato das Comunidades de Leitores prevê apenas a realização de seis sessões. Que seis livros escolher então entre os antes referidos (e essa é já uma escolha tão escassa!) e todos os que os próprios participantes na Comunidade eventualmente quiserem escolher?

Atrevo-me a sugerir desde já alguns: para a primeira sessão, o “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, que é um livro sobre livros e sobre o mistério da leitura (o próprio “Fahrenheit 451” inclui uma espécie de paideuma de livros “fundamentais”…).
Depois, para as restantes sessões, se não surgirem sugestões diferentes, talvez alguns dentre estes (por esta ordem ou por outra): “Ficções”, de Jorge Luís Borges; “Morte em Veneza”, de Thomas Mann (se for possível visionar o filme de Visconti teremos pano para mangas sobre as relações do cinema e da literatura, e as condições de um e de outra); “Narciso e Goldmundo”, de Hermann Hesse; “Bartleby”, de Melville, “O coração das trevas”, de Conrad; “O sorriso aos pés da escada”, de Henry Miller; “O retrato de Dorian Gray”, de Óscar Wilde; “Elizabeth Costello”, de J. M. Coetzee; ou, se os participantes estiverem virados para a sabedoria e a ternura, ainda o “Winnie-the-Pooh”, de A. A. Milne.

Escolhi deliberadamente livros breves, que decerto ninguém terá problemas em ler em 15 dias, mesmo com afazeres pessoais e profissionais. A maior parte deles tem um reduzido número de páginas, e os mais longos ou são livros de contos ou, como “O retrato de Dorian Gray”, por exemplo, parecem-me suficientemente interessantes para, depois de aberta a primeira página, ser difícil não continuar a lê-los até ao fim.

Porto, 10 de Outubro de 2007
Manuel António Pina


http://leremespinho.blogspot.com/

11.11.07

Projecto e Festival Cargotopia no cais de Vila Nova de Gaia (9, 10 e 11 de Novembro)


CaRgoToPia” é uma plataforma para criar respostas alternativas para temas políticos, sociais, culturais, e ecológicos na terra e pelo mar.
Com o projecto "Cargotopia" pretendemos explorar novos aspectos e possibilidades de um cargueiro à vela, assim como, facilitar a troca entre povos, numa escala mais alargada.


"Cargotopia" começa como uma viagem marítima socio-cultural no veleiro de carga "Estelle" no norte de Europa com destino a Portugal. A bordo estão jovens, artistas, tripulação e jovens trabalhadores sociais.. Também a vida marítima , a arte, a cultura, a experiência e a informação serão transportados durante meio ano.

Em Portugal, o veleiro ancorará nos portos de Gaia , Vila Franca de Xira e Setubal , navegando depois rumo ao Mediterranio, Espanha, França, Italia...oferecendo "Cargotopia" como uma plataforma socio-cultural para oficinas, festivais e outras iniciativas locais.


A participação de jovens alemães e portugueses será possível com a colaboração de instituições sociais de ambos os países. Com este projeto os jovens serão apoiados nos seus esforços para re-integrar a sociedade, após o tempo passado na prisão ou noutras situações difíceis. Como ficou já demonstrado num grande número de projetos de navegação precedentes , a experiência de compartilhar a responsabilidade na comunidade do navio fornecerá aos jovens uma oportunidade educacional muito importante.

Entretanto, como "Cargotopia" está a ser criado com a colaboração das escolas, instituições culturais e organizações civis, o projeto fornecerá a todos os envolvido s- no mar e na terra; artística mas também socialmente envolvidos - novos contactos e possibilidades . Além disso, "Cargotopia" tocará num número de temas ligados ao mundo do transporte marítimo , tais como hierarquias do comércio, diferença s entre tradições e visões - tudo no espírito de substituir a dinâmica de exploração do outro , pela colaboração sustentável e compartilhada



Educação

O método focalizado na acção da educação experimental , junta os elementos da natureza, da educação e da comunidade.
O sucesso deste método é baseado no facto de que a eficácia de uma aproximação educacional não depende tanto da sua duração ou regularidade, mas da intensidade.
Às vezes um período de três meses passado no mar pode ter um efeito maior do que anos de esforço educacional do ensino teórico.

No mar, a disciplina, a responsabilidade, a comunicação e a utilização correcta dos recursos são pré-requisitos concretos e compreensíveis para uma viagem boa e segura, e jamais demandas abstratas e forçadas.

O navio constitui um microcosmos onde todos dependem do outro, fazendo dos efeitos do comportamento social individual uma experiência direta para todos. Essa configuração acima referida tem que ser tratada , porque não há nenhuma possibilidade de escapar . Para muitos jovens que usaram o escapismo como uma maneira de resolver o conflito, a "definição" da situação a bordo constitui uma experiência nova , de como os conflitos podem realmente ser resolvidos e ela fornece uma curva de aprendizagem íngreme dentro dos processos da dinâmica do grupo.

As regras e hierarquias a bordo de um veleiro , são experimentadas, como uma necessidade que nasce do destino concordado da viagem e das forças naturais em jogo em torno do navio no mar. Os limites já não são experimentados de forma arbitrária, ou como jogos desnecessários de poder, mas tão naturalmente como se levantam da situação a bordo e das
forças naturais do mar.


Arte

O projeto "Cargotopia" combina os aspectos educacionais/terapêuticos de uma viagem
náutica, compartilhada com os processos artísticos da comunidade. Com os artistas e os jovens a viajar, é possível criar e trabalhar em conjunto, em projectos artísticos.
Estas colaborações devem emergir voluntáriamente e sem nenhuma obrigação dos participantes.

Todos os jovens que viajam no navio podem participar no processo criativo do todo, ou de um determinado projeto, da ideia ao planeamento e à execução. Isto permitirá que os participantes treinem habilidades colaborativas , sociais, e do ofício. Estas habilidades altamente transferíveis serão úteis para eles, não somente para o trabalho criativo mais tarde, mas possivelmente , ajudar-los-ão também a desenvolver uma atitude criativa e mais aberta à vida como um todo.

O trabalho artístico será o ponto de ligação entre o microcosmos do navio e os portos em que o navio atraca. Com estas iniciativas será possível criar uma rede com as instituições e as iniciativas culturais locais, promovendo as ligações , a troca entre as pessoas que viajam e as que vivem em domicílios fixos.


Cargueiro

Podem existir muitas definições diferentes para a carga do navio. Pode consistir na arte e no trabalho cultural na formulação de projectos e de objectos de disciplinas diferentes (música, teatro, jogos de rádio, desempenho, arte figurativa); pode consistir em coisas imateriais , tais como as habilidades, as experiências, a informação e as histórias trazidas por viajantes. Neste caso também o grupo inteiro do navio é um bem transportado, com sua experiência compartilhada, interação e comunicação que são um foco melhor que seu mero transporte.

Antigamente quase todos os veleiros foram usados como navios de carga.
Para fornecer a ocasião para a reflexão , em meios comuns do transporte da carga, nós gostaríamos de integrar o navio "Estelle", registado como o único veleiro de carga na Europa, no projecto "Cargotopia". O transporte dos bens em navios de vela tem-se tornado hoje em dia praticamente obsoleto nos portos das nações industriais. Por um lado , o
transporte moderno de carga , está a crescer e a cruzar os mares , em embarcações cada vez maiores, mais baratas, com tempo de vida mais curto, transportando bens produzidos em massa e explorando trabalhadores pagos com baixos salários.

"Cargotopia" deve servir como uma plataforma para a discussão, oficinas e pesquisa, ambos durante a viagem e durante o tempo no porto. Os temas tais como a carga que navega no passado, actualmente e no futuro devem ser investigados. É verdade que o veleiro-cargueiro é demasiado lento para ser economicamente viavel hoje em dia? Além das vantagens ecológicas óbvias, que outras vantagens terá o veleiro-carga sobre transporte motorizado?

Seria possível desenvolver de raiz um comércio internacional em veleiros de carga, através de uma colaboração colectiva?
Que tipo de bens seria apropriado para este tipo de comércio? Pode o"comércio justo” ser realmente chamado comércio justo se os bens produzidos de uma maneira socialmente viável , forem transportados em torno do mundo em navios de carga que usam quantidades imensas de combustível e exploraram trabalhadores internacionais? Como pode ser possível aumentar a consciência geral para bens transportados ecologicamente?


O Projecto

2007 - Cargotopia Ano 0


A Viagem
Nordwest – um veleiro de um mastro com cerca de 20 m de comprimento – deixará o Porto de S. Adrian, na Galiza, em direcção ao Cais de Gaia. Aí, será desenvolvida uma troca de experiências entre a tripulação e artistas, jovens e habitantes locais.

Em Terra
Esta troca tomará a forma de um festival de 3 dias que desenvolverá, em torno da zona ocupada pelo barco, actividades para jovens relativas à vida no mar e técnicas de navegação, exposições, debates, viagens de um dia no barco, espectáculos de teatro, projecções de cinema, música, formação em artes de rua, e um espectáculo especialmente criado para

acontecer no cais e no barco. O festival terminará a 11 de Novembro, com uma festa de S. Martinho para toda a população .

Outros Portos
Depois o Nordwest seguirá para sul, rumo ao porto de Alhandra onde será organizada uma semana de formação em técnicas de circo e artes de rua bem como viagens diárias no mar. A paragem seguinte será Setúbal, onde o veleiro poderá fazer reparações de manutenção e acolherá outro evento reunindo artistas, jovens e comunidade local. Durante a sua estadia serão promovidas duas residências artísticas, espectáculos para crianças, sessões de cinema, oficinas com crianças e jovens de associações locais, exposições, etc.



Programa CARGOTOPIA 2007

20 Setembro
Início da formação em teatro de rua e criação para um local específico


15 Outubro a 2 Novembro
Início da viagem por mar da Galiza (Espanha) para Gaia (Portugal) com duração aproximada de 3 a 4 dias

Estadia do barco na Afurada

Viagens no barco, em dois dias a designar


5 a 11 Novembro
Ensaios finais e apresentação do espectáculo de rua "O Último Barco" *(anexo)


9 a 11 Novembro
Festival Cargotopia Gaia/Porto


12 Novembro
Limpeza e balanço do evento


14 a 19 Novembro
Viagem marítima para Alhandra


21 a 28 Novembro
Viagens diárias

Formação de uma semana em artes circenses e teatro de rua para jovens; apresentação final


30 Novembro Início de Dezembro


viagem para Setúbal


Até 20 Dezembro
Manutenção


20 a 31 Dezembro
Viagens diárias, forúms, preparação do acontecimento de fim de ano

1 Janeiro a 20 Fevereiro 2008
Residências teatrais, oficinas, projecções de cinema, espectáculos de teatro, trabalho com jovens

21 Fevereiro 2008
Possibilidade de seguir para Viana do Castelo




Programação para o Festival do Cais Frestas-Cargotopia



De 9 a 11 de Novembro (no cais de Vila Nova de Gaia)

Dia 09 às 17h

ABERTURA OFICIAL discurso dos Presidente da Câmara e patrocinador IBEROL, no cais

Parada de rua pelos alunos da ACE

18h FORUM sobre ecologia, navegação, comércio justo e integração pela arte, espaço Cargotopia (tenda ou espaço interior a designar)

19h “Disco do Fogão” Joana Moraes – Actriz / Nuno Aroso - Músico performance música/teatro gastronómico, Espaço Cargotopia (tenda no cais)

22.30h Concerto Mônica Besser – Cantora - Brasil
Concerto + dj’s CHAPADALAPA – DJ – Portugal, Espaço Cargotopia (fechado)


Dia 10

10h Regata Clube Náutico

11h Oficinas Abertas Fotografia com Teresa Couto Espectáculo para Crianças “Diz que Diz” pelo Teatro Frio, no espaço do teatro de Ferro

12h Thomas Bak – Contador de histórias – Brasil
Espectáculo “O Senhor Dos Cordéis”, Espaço Cargotopia

15h Associação “Pular a Cerca” Ginástica Acrobática, Praça Ramos Pinto

17h Associação “Pular a Cerca” Hip Hop, Praça SuperBock

18h “Ultimo Barco” pelos Alunos da ACE, barco no cais

21h Thomas Bak – Contador de histórias – Brasil Espectáculo “O Senhor Dos Cordéis”, Espaço Cargotopia



22.30h Concerto Urban Strawberry Lunch, palco Super Bock


Dia 11

10h Sara Leguisano Marques – Artista Plástica –Brasil “Oficinas do Olhar” Desenho e Pintura

15h Márcio Libar (http://www.mundoaocontrario.com.br/ ) Palhaço – Brasil Oficina, palestra e espectáculo “O Pregoeiro”, cais

16h Raquel Nicoletti (http://www.requelnicoletti.com/ ) Trapezista – Brasil Solo de lençol com fado da Margarida, barco no cais

18h Festa de S. Martinho magusto Social, com oferta de castanhas

21h Concerto com oferta de sopa à comunidade, pelos Take Care, no cais


Grupos e pessoas envolvidas no Festival:

Ultimo Barco - Teatro de Rua- Cargotopia-Ace-Portugal

Mônica Besser – Cantora - Brasil
Concerto

Chapadalapa – DJ – Portugal

Márcio Libar (http://www.mundoaocontrario.com.br/ ) Palhaço – Brasil
Oficina, palestra e espectáculo “O Pregoeiro”

Graça Ochôa – Actriz/Palhaça – Portugal
Peça “A Galinha da Minha Vizinha”

Chloe Pisco (http://www.nofrontiersdance.com/ ) Bailarina e directora da No Frontiers Dance


Company Irlanda
Oficina e solo de dança
Possibilidade de ligação a escola e intercâmbio com Festival No Frontiers em Cork Irlanda

Piotrek – Escultor – Polónia
Performance
Proposta de intercâmbio com Escola de Arte ou Faculdade de Belas Artes para intercâmbio anual

Joana Moraes – Actriz / Nuno Aroso - Músico
“O Disco do Fogão” performance música/teatro gastronômico

Thomas Bak – Contador de histórias – Brasil
Espectáculo “O Senhor Dos Cordéis”

Sara Leguisano Marques – Artista Plástica –Brasil
“Oficinas do Olhar” Desenho e Pintura

Raquel Nicoletti (http://www.requelnicoletti.com/ ) Trapezista – Brasil
Solo de lençol

Jorg Heuer – Músico construtor de instrumentos- Alemanha
Songline Instalação



Barcos envolvidos no Projecto Cargotopia

Nome :Nordwest
Dono:Bart
Medidas do Barco: 20m x 5m x 2,10m
Motor: Perkins 130 Hp 6 cyl
Construido em: Harlingen



Nome : Estelle
Dono: Eestaas Oy
Número de registro: 363.475
Número de Identificação:0623526-5
Operador Principal: Uusi tuuli ry
Bandeira: Filandesa
Letras distintivas: OGPW
IMO: 5108883
Classe: Autoridade Maritima Filandesa
Originalmente construído em Emden 1922
Medido por 8m in 1957
Reconstruído como veleiro em 1997
Medidas
Largura Total 53,00 m
Nominal: 38,58 m
Lateral: 7,08 m
Profundidade: 3,35 m
Peso: 247


website:
http://cargotopia.forum5.com/index.php?mforum=cargotopia