22.1.06

Ibsen, o realismo e a crítica social


A propósito do centenário da morte de Ibsen, notável dramaturgo norueguês que exerceu uma grande influência nos autores e nos activistas sociais do fim do século XIX, aparecerá brevemente no Pimenta Negra um ou mais textos sobre a relação de Ibsen e os teóricos e as ideias libertárias

Ver:
http://www.ibsen2006.no/?id=83
http://www.ibsenworldwide.info/
http://www.noruega.org.pt/ibsen/ em português



Os quatro dramas que Ibsen publicou nos anos de 1877-82, 'Os Pilares da Sociedade', 'Uma Casa de Bonecas', 'Espectros' e 'Um Inimigo do Povo' são caracterizados como dramas realistas contemporâneas ou dramas de problematização social. Basicamente, existem quatro aspectos destas peças que justificam uma tal descrição:

1. Fazem de problemas sociais o tema em debate. 2. Têm uma perspectiva crítica relativamente à sociedade. 3. A acção decorre num ambiente contemporâneo. 4. Apresentam pessoas e situações comuns.

Problemas em debate

O crítico literário dinamarquês Georg Brandes (1842-1927) foi o grande pioneiro do avanço do realismo nos países nórdicos. Em 1871, Brandes realizou uma série de prelecções na Universidade de Copenhaga sob o título 'As Principais Correntes na Literatura do Século XIX' (publicado em seis volumes em 1872-90). Nesta obra, o crítico literário avança com o seguinte manifesto para uma nova forma de literatura que deverá ser de crítica social e realista:
«Que a literatura nos nossos dias está viva é visível pelo facto de apresentar problemas para debate. Assim, por exemplo, George Sand coloca em discussão a relação entre os dois sexos, Byron e Feuerbach a religião, Proudhon e Stuart Mill a propriedade, e Turgenev, Spielhagen e Emile Augier as doenças na sociedade. Que a literatura não apresente nada para debate é igual a estar em vias de perder todo o significado».

Os representantes do realismo de crítica social na Noruega – Ibsen, Bjørnson, Lie, Garborg, Kielland e Skram – receberam inspiração de Brandes. Nos quatro dramas acima mencionados da autoria de Ibsen voltamos a deparar-nos com diversos problemas sociais que Brandes usa como exemplos na citação. A relação entre os sexos é tema de debate em 'Uma Casa de Bonecas' e 'Espectros', e as características problemáticas de males prevalentes na sociedade são debatidos em 'Os Pilares da Sociedade' e 'Um Inimigo do Povo' (moralidade social, tirania da maioria, considerações de índole comercial versus considerações gerais de nível social, considerações ambientais, etc.).

Perspectiva de crítica social

Nestes dramas realistas Ibsen era impiedoso na sua demanda por desmascarar o lado negativo da sociedade, a hipocrisia e a falsidade, o uso da força e o comportamento manipulativo, tendo o autor efectuado exigências incansáveis a favor da sinceridade e da liberdade. A verdade, a emancipação, a realização pessoal e a liberdade do indivíduo são os termos chave. Em 'Os Pilares da Sociedade', Lona Hessel tem a última palavra e conclui dizendo que «o espírito da verdade e o espírito da liberdade – são eles os pilares da sociedade». Em 'Espectros', Ibsen aponta uma luz crítica aos pilares que suportam a sociedade burguesa, o casamento e o Cristianismo, e utiliza tabus típicos, o incesto, as doenças venéreas e a eutanásia. Este facto fez com que o autor e os que partilhavam das suas ideias se tornassem figuras controversas no seu tempo. As suas obras geraram controvérsias violentas ou furor absoluto. A partir de um ponto de vista posterior, é possível observar a enorme importância de algumas destas obras para diversos movimentos sociais. Praticamente não existe, em quase todas as culturas do mundo, uma outra obra literária que tenha significado tanto para a libertação da mulher como 'Uma Casa de Bonecas'.

Perspectiva contemporânea

A acção em todos os dramas que Ibsen escreveu, incluindo 'Os Pilares da Sociedade', decorre na sociedade contemporânea (daí a designação dramas contemporâneos). Os representantes da literatura realista exigiram a si mesmos que deviam ir para o seu próprio tempo e deixar-se marcar por ele. Os dramas históricos no estilo nacional-romântico estavam fora de moda. Os deuses e heróis clássicos, os imperadores romanos e os reis de potências mundiais foram substituídos por pessoas «como nós». O decorrer da acção nestes dramas iria carregar a marca dos tempos.
As primeiras anotações de Ibsen para 'Uma Casa de Bonecas' (datadas de 19 de Outubro de 1878) têm o cabeçalho «Notas para a tragédia contemporânea». O termo «tragédia contemporânea» é expressivo. O projecto de Ibsen nesta peça é aplicar a forma clássica da tragédia a um material moderno. A nível formal, Ibsen não se envolve em experimentações radicais em 'Uma Casa de Bonecas'. Por exemplo, as três unidades clássicas mantêm-se, bem como as unidades de tempo, espaço e acção. O que há de novo é o material de conflito moderno, a temática daquilo que decorre em palco.
Pessoas e situações comunsNuma carta dirigida ao teatrólogo sueco August Lindberg, que estava em vias de encenar 'Espectros' em Agosto de 1883 (a sua representação com estreia em Helsingborg a 22 de Agosto de 1883 foi a primeira nos países nórdicos e na Europa), Ibsen escreveu:
«A linguagem deve soar natural e o modo de expressão tem de ser característico de cada uma das pessoas na peça. Como é evidente, nenhuma pessoa se expressa da mesma maneira que outra. A este respeito muita coisa pode ser corrigida durante os ensaios, que é quando mais facilmente se repara no que não nos soa natural e espontâneo, tendo de ser, portanto, alterado uma e outra vez, até as falas atingirem uma forma de credibilidade e realismo total. O efeito da peça depende, em grande medida, da sensação que o público tenha de que está sentado a ouvir o que se passa na vida real».
Ibsen preocupava-se muito com o facto de que, nos seus dramas contemporâneos, o público no teatro (e os leitores) fosse testemunha de cadeias de eventos que poderiam muito bem ter-se passado na vida de cada um. Esta circunstância requeria que as personagens dos dramas do autor falassem e se comportassem de forma natural e que as situações tivessem o cunho do quotidiano. As personagens já não podiam falar em verso, como em 'Brand' e 'Peer Gynt'. Os monólogos, apartes e modos afectados de falar (como em 'Os Guerreiros de Helgeland') foram postos de parte. O drama realista iria criar a ilusão da realidade reconhecível.

Texto da autoria de Jens-Morten Hanssen / ibsen.net


Cronologia

1828 Henrik Johan Ibsen nasce a 20 de Março em Stockmannsgården, Skien. Pais: Marichen (nascida Altenburg) e Knud Ibsen, comerciante.

1835 O pai tem de desistir do negócio. As propriedades são leiloadas. A família muda-se para Venstøp, uma quinta em Gjerpen.

1843 Crisma na igreja de Gjerpen. A família muda-se para Snipetorp, em Skien.Ibsen sai de casa dos pais a 27 de Dezembro.

1844 Chega a Grimstad a 3 de Janeiro para ser aprendiz de Jens Aarup Reimann, farmacêutico.

1846 Tem um filho ilegítimo com Else Sophie Jensdatter, uma das criadas de Reimann.

1847 Lars Nielsen torna-se proprietário da farmácia, mudando-se para instalações maiores.

1849 Ibsen escreve Catilina.

1850 Vai para Cristiânia estudar para o exame de admissão à universidade. A peça Catilina é publicada sob o pseudónimo Brynjolf Bjarme. Edita o jornal da Associação de Estudantes Samfundsbladet e o semanário satírico Andhrimner.Primeira encenação de uma obra de Ibsen na história. A peça em um acto The Burial Mound é representada no Teatro de Cristiânia a 26 de Setembro.

1852 Muda-se para Bergen para começar a dirigir produções teatrais no Teatro Det norske. Faz uma viagem de estudo a Copenhaga e a Dresden.

1853 Primeira representação de A Noite de São João.

1854 Primeira representação de The Burial Mound numa versão revista.

1855 Primeira representação de Lady Inger.

1856 Primeira representação de The Feast at Solhoug.Fica noivo de Suzannah Thoresen.

1857 Primeira representação de Olaf Liljekrans. É nomeado director artístico do Kristiania Norske Theater.

1858 Casa com Suzannah Thoresen a 18 de Junho. Primeira representação de Os Guerreiros de Helgeland.

1859 Escreve o poema «Paa Vidderne» («Vida nas Terras Altas») e o ciclo de poemas «I illedgalleriet» («Na Galeria de Arte»). Nasce o seu filho Sigurd a 23 de Dezembro.

1860 Escreve Svanhild, um esboço de A Comédia do Amor.

1861 Escreve o poema «Terje Vigen».

1862 O Kristiania Norske Theater vai à falência. Ibsen parte numa viagem de estudo ao vale de Gudbrandsdalen e à região ocidental do país para estudar folclore.A Comédia do Amor é publicada (primeira representação no Teatro de Cristiânia a 24 de Novembro de 1873). É nomeado consultor do Teatro de Cristiânia.

1863 A peça Os Pretendentes é publicada.Escreve o poema «En broder i nød» («Um Irmão em Pobreza»).

1864 Os Pretendentes é representado pela primeira vez no Teatro de Cristiânia. Parte para Itália e vive em Roma durante quatro anos.

1865 Escreve The Epic Brand. Revê o texto, apresentando-o com o título Brand. 1866 Brand é publicado e é um sucesso. É atribuído a Ibsen um dos estipêndios estatais para artistas.

1867 Publica A Comédia do Amor numa versão revista.Escreve e publica Peer Gynt (Primeira representação no Teatro de Cristiânia a 24 de Fevereiro de 1876). 1868 Muda-se para Dresden, onde a família vive durante sete anos. 1869 The League of Youth é publicada e representada pela primeira vez no Teatro de Cristiânia. Ibsen participa numa reunião sobre ortografia escandinava em Estocolmo. Vai para o Egipto e está presente na abertura do Canal do Suez. 1870 Escreve o poema «Ballongbrev til en svensk dame» («Carta balão a uma senhora sueca»).

1871 Publica uma compilação de poemas (Digte) pela primeira e última vez.

1872 É escrita uma grande parte de Imperador e Galileu.

1873 Conclui e publica Imperador e Galileu.Faz parte de um júri internacional de arte na exposição mundial em Viena.

1874 Visita a Noruega (Cristiânia). Vai para Estocolmo.Publica Lady Inger numa nova versão.

1875 Publica Catilina numa nova versão.Muda-se para Munique, onde vive durante três anos.Escreve o poema «Et rimbrev» («Uma carta em rima»). 1877 Escreve Os Pilares da Sociedade, encenado pela primeira vez no Det Kongelige Teater (Teatro Real) em Copenhaga.Recebe um doutoramento honoris causa pela Universidade de Uppsala.

1878 Muda-se de novo para Roma e permanece nessa cidade durante sete anos, com a excepção de diversos tempos de interregno. 1879 Escreve e publica Uma Casa de Bonecas, que é representado pela primeira vez no Det Kongelige Teater (Teatro Real) em Copenhaga.
1881 Escreve e publica Espectros (encenado no teatro Aurora Turner Hall em Chicago a 20 de Maio de 1882).

1882 Escreve e publica Um Inimigo do Povo (primeira representação no Teatro de Cristiânia a 13 de Janeiro de 1883).

1883 Publica The Feast at Solhoug numa nova edição.

1884 Escreve e publica O Pato Bravo (primeira representação no Den Nationale Scene em Bergen a 9 de Janeiro de 1885). 1885 Visita a Noruega (Cristiânia, Trondhjem, Molde e Bergen).Muda-se para Munique e lá permanece durante seis anos.

1886 Escreve e publica Rosmersholm (primeira representação no teatro Den Nationale Scene a 7 de Janeiro de 1887).

1887 Passa o Verão no norte da Jutelândia (em Sæby). Continua para Gotemburgo, Estocolmo e Copenhaga.

1888 Escreve e publica A Dama do Mar (primeira representação realizada no Hoftheater em Weimar e no Teatro de Cristiânia no mesmo dia, 12 de Fevereiro de 1889).

1889 Último Verão em Gossensass. Conhece Emilie Bardach.

1890 Escreve e publica Hedda Gabler (primeira encenação no Residenztheater em Munique a 31 de Janeiro de 1891).

1891 Regressa à Noruega e instala-se em Cristiânia. Conhece Hildur Andersen.

1892 Escreve e publica O Construtor (primeira produção realizada no Lessingtheater em Berlim a 19 de Janeiro de 893). Sigurd Ibsen casa com Bergliot Bjørnson.

1894 Escreve e publica O Pequeno Eyolf (representado pela primeira vez no Deutsches Theater em Berlim a 12 de Janeiro de 1895).

1895 Muda-se para o apartamento na esquina entre Arbiensgate e Drammensveien em Cristiânia e aí permanece pelo resto da vida.

1896 Escreve e publica João Gabriel Borkman (primeira representação simultânea dos teatros Det svenske Teater (Suécia) e Det finske Teater (Finlândia) em Helsingfors a 10 de Janeiro de 1897).

1898 70º aniversário - celebrações em grande escala em Cristiânia, Copenhaga e Estocolmo.

1899 Escreve e publica Quando Despertamos de Entre os Mortos (primeira encenação no Hoftheater em Estugarda a 26 de Janeiro de 1900).

1900 Tem a primeira trombose.

1906 Morre a 23 de Maio.

Texto da autoria de ibsen.net

Fórum Social Mundial de 2006


A sexta edição do Fórum Social Mundial (FSM), que este ano é policêntrico, acabou de abrir as suas portas em Bamako ( Mali), decorrendo entre 19 e 23 de Janeiro, transferindo-se depois a partir do dia 24 para Caracas para terminar no mês de Março em Karachi, uma vez que o sismo de Cachemira abalou profundamente todo o Paquistão, impediu a sequência temporal prevista e forçou ao adiamento da reunião a fim de não prejudicar os esforços de ajuda às vítimas.
Esta diversificação espacial do FSM responde ao duplo objectivo de acentuar a sua vocação como resposta global às grandes questões actuais, além do confessado propósito de reivindicar a especificidade dos problemas e as eventuais soluções nos diversos contextos geopolíticos. Em sintonia com estas preocupações, a reunião de Bamako centar-se-á sobre as questões da migrações e do meio ambiente, em Caracas será a vez da atenção recair sobre o imperialismo e a militarização do planeta, enquanto em Karachi se insistirá na desmontagem do sistema de castas e do patriarcado, na linha do que aconteceu, de resto, há dois anos atrás por ocasião do FSM de Mumbai.
Para além destas metas gerais, o policentrismo do presente Fórum aponta a necessidade de ir mais longe do que da simples área eurolatinoamericana, que tem prevalecido até agora, a fim de realçar a importância de outras regiões e continentes, como a Ásia e a África, em especial esta última que, não obstante as enormes potencialidades que possui, se transformou na terra maldita do planeta – vejam-se os recentes filmes-denúncia como o The Constant Gardener ( O Fiel Jardineiro) sobre a vilania da indústria farmacêutica e o The Lord of War ( que denúncia o tráfico de armas).
O próximo FSM que terá lugar em 2007 em Nairobi ( Quénia) e actual Fórum em Bamako com os seus 30.000 participantes e mais de 2.500 actores colectivos podem e devem contribuir para transformar o destino miserável a que o continente africano tem sido refém.
Claro que a multiplicação dos Fóruns e o seu policentrismo presta-se a algumas acusações como o risco de se tornarem em clubes de viagens políticas ou de Féria internacional de uma sociedade civil circulante como se referem Ignacio Ramonet e Gustave Massiah. Mas a dinamização dos movimentos sociais é a melhor defesa contras as guerras de Bush e o totalitarismo do império norte-americano e das suas multinacionais. Sem esquecer que num momento de re-nacionalização das políticas dos Estados e de demagogias nacionalistas o que faz falta são trincheiras protectoras e causas alternativas.
Quando o fim de trabalho para todos, com a precarização laboral e a desqualificação sindical que arrasta consigo, turvou o horizonte simbólico de uma sociedade mais justa e socialmente mais comprometida, o que há a fazer é procurar outros mitos para enraizar as esperanças colectivas. E se o integralismo nacionalista tem assumido a função referencial para o qual contribuiu a globalização de quase todos os processos mais determinantes, assim como o fenómeno migratório exacerbou a exigência de um pertença grupal, que vai muito para além do territorial até à consagração de solidariedades extraterritoriais com a emergência de comunidades transnacionais, o que há a fazer é encontrar as melhores formas de o defrontarmos.
A rigidez institucional dos sistemas políticos afastou os cidadãos, e sempre que estes querem sair deste jugo da partidocracia ao manifestarem-se nas ruas, são logo taxados de populistas.
Por isso é que é cada vez mais premente encontrarmos alternativas ao mercado das multinacionais e ao sistema da partidocracia, bem como a uma política capitalista de corrupção e depredatória dos recursos naturais, convocando os cidadãos à participação popular.

O FSM do Mali abriu com um multitudinária manifestação que mostrou a força e variedade da sociedade civil do Mali, em especial das populações do Sahra, estando presente muitas e variadas ONGs de todo o mundo.


FSM do Mali-
http://www.fsmmali.org/

FSM -
http://www.wsf2006.org/

FSM de Caracas -
http://www.forosocialmundial.org.ve/

21.1.06

Críticas e alternativas às 5 monoculturas em que assentam as sociedades ocidentais

( teses de Boaventura Sousa Santos)

Nas suas últimas obras, o sociólogo, jurista e activista ( impulsionador da criação dos Fóruns Sociais Mundiais, como o de Porto Alegre) Boaventura Sousa Santos - que tem tentado pensar e reflectir sobre o conteúdo e as formas de uma globalização contra-hegemónica, a partir de baixo, isto é, arrancando dos movimentos sociais - ensaia uma original abordagem sobre o que ele designa por sociologia das ausências e a sociologia das emergências, onde faz uma crítica contundente às cinco monoculturas sobre que assenta as sociedades ocidentais:

- a monocultura do saber que crê que o único tipo de saber é o saber rigoroso ( e que tem levado ao chamado epistemicídio de outros saberes)

- a monocultura do progresso, do tempo linear que entende a história como uma direcção de sentido único

- a monocultura da naturalização das hierarquias fundadas em factores como os da etnia, classe social, género, e que considera os fenómenos como inscritos na natureza das coisas, e por conseguinte, imodificáveis.

- a monocultura do universal como o único critério válido, à margem dos contextos, pelo que se considera que o oposto ao universal – o vernáculo – carece de validade, além de que o global prevaleceria sobre o local

- a monocultura da produtividade que define a realidade humana pelo critério do crescimento económico enquanto objectivo racional inquestionável, e critério esse que se aplica ao trabalho humano, mas também à natureza, encarada como objecto de exploração e depredação. Quem não produzisse estava condenado.


Ora contra estas cinco monoculturas, construções da modernidade ocidental, Boaventura Sousa Santos propõe as correspondentes respostas e alternativas, a saber:

A ) Contra a monocultura do saber científico, propõe a ecologia dos diferentes saberes, através do necessário diálogo e da não menos necessária confrontação entre si


B) Contra a monocultura e a lógica do tempo linear que, no fundo, não passa de uma secularização do judaísmo e do cristianismo, propõe a ecologia das temporalidades, em que se valoriza positivamente as distintas temporalidades como formas de viver a contemporaneidade, sem se estabelecer hierarquias ou juízos de valor sobre elas.

C) Contra a monocultura da classificação social, que tenta identificar diferença com desigualdade, propõe a ecologia dos reconhecimentos, que busca uma nova articulação entre ambas noções que dê lugar às «diferenças iguais»

D) Contra a monocultura do universal, como único critério válido, propõe a ecologia das trans-escalas, que valoriza o local como tal, situando-o fora da globalização hegemónica

E) Contra a monocultura produtivista da ortodoxia capitalista, que dá prioridade aos objectivos da acumulação sobre os da distribuição, propõe a ecologia das produções e das distribuições sociais
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Lutar contra o esquecimento…


Sempre que tenhas uma dúvida, põe em acção o seguinte esquema mental: lembra-te da cara da pessoa mais pobre e débil que tenhas visto ao longo da tua vida e interroga-te se o passo que vais dar será da alguma utilidade para ela.

Maratma Gandhi

A diferença entre os países do Norte e do Sul…


Palavras de um trabalhador de calçado nos Estados Unidos:

- Trabalho dezasseis horas por dia para um dos maiores fabricantes de calçado. E pagam-me 50.000 dólares à semana.


Palavras de um trabalhador de calçado na Indonésia:

- Trabalho dezasseis horas por dia para um dos maiores fabricantes de calçado. E pagam-me 15 dólares à semana.


Comentários, para quê…???
O que é preciso é agir para que as coisas comecem a mudar.
O que é preciso é lutar pela justiça e liberdade, aqui e agora!

O Produto Interno Bruto não mede o mais importante…


O Produto Interno Bruto não mede a saúde das nossas crianças, a qualidade da sua educação, nem a alegria dos seus jogos. Não mede nem a beleza da nossa poesia, nem a força dos nossos casamentos. O PIB é indiferente tanto à decência das nossas fábricas como à segurança das nossas ruas. Não mede o nosso saber nem a nossa educação, nem o nosso talento, nem a nossa coragem, nem a nossa compaixão (...). Na realidade, o PIB mede tudo excepto aquilo que faz com que a vida valha a pena ser vivida..
Robert Kennedy

"Vivemos numa sociedade consumista porque a escola educa para esses valores"

Já saiu o nº de Janeiro do jornal A Página ( jornal dos professores, dedicado a temas educativos e não só…)
Para ver o índice e ler os textos do último jornal A Página:
http://www.apagina.pt/arquivo/FichaDeJornal.asp?ID=152
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Reflectir na escola sobre o consumo responsável

Maria González Reyes tem 28 anos, é professora do ensino secundário e trabalha com o colectivo madrileno “Consume Hasta Morir” (Consome Até Morrer), um grupo que integra a organização não governamental espanhola de âmbito nacional “Ecologistas en Acción”.
Em parceria com os restantes elementos do grupo, divulga pelas escolas espanholas uma iniciativa já com raízes na América do Norte - nomeadamente no Canadá, onde tudo começou – mas ainda pouco conhecida na Europa: a contra-publicidade, isto é, a satirização da publicidade como ferramenta educativa para reflectir sobre o consumo responsável.Nesta entrevista, procuramos saber mais sobre este tema e de que forma pode ser trabalhado na escola. Para uma informação mais completa pode-se consultar o site,
www.consumehastamorir.com


Que papel joga hoje a publicidade na educação das crianças e dos jovens?
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A publicidade constitui actualmente um meio educativo por excelência. Diariamente, entre publicidade televisiva, cartazes nas ruas, anúncios nas rádios ou logótipos nas roupas, visualizamos cerca de três mil impactos publicitários. Isto faz da publicidade uma ferramenta educativa e socializadora indiscutível, cuja linguagem extremamente eficaz, baseada em imagem e texto, nos impele a comprar os mais variados produtos e a formar a actual sociedade de consumo que hoje caracteriza o modelo de desenvolvimento neoliberal.
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Qual é o segredo por trás dessa estratégia?
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A publicidade funciona como uma espécie de metáfora a que chamamos “espelho publicitário”, isto é, como uma mensagem na qual nos vemos reflectidos, onde há sempre algo ou alguém com quem nos identificamos. Desta forma, tendemos a pensar que há sempre alguma coisa que ainda não temos e que nos faz falta.
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Um universo onde as crianças e os jovens serão provavelmente mais influenciáveis do que os adultos…
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A publicidade toca a todos de maneira diferente, já que há estratégias para todo o tipo de públicos. Quando nos perguntam nas escolas qual o tipo de publicidade que consideramos mais perigosa, costumamos dizer que é, sobretudo, aquela que nos agrada. Os adolescentes têm perfeita consciência da influência da publicidade nos seus gostos pessoais, mas assumem que as coisas funcionam assim e que não há volta a dar-lhe. As crianças, porém, já não têm essa capacidade.
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Concorda com a ideia de que hoje em dia a publicidade já não vende tanto os produtos mas sobretudo marcas e modos de vida?
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Sim, e isso acontece sobretudo desde os anos 80, altura em que se passou a distinguir a venda de produtos da criação e do consumo de marcas. Desde essa altura que a estratégia publicitária tem caminhado no sentido de nos sentirmos sentimentalmente identificados com um produto associado a um conceito. Um anúncio da Coca-Cola, por exemplo, já não se limita a vender o produto mas antes de mais um sentimento positivo e uma atitude em relação à vida, ou seja, cria um sentimento e uma identidade de pertença. É através desta estratégia que as crianças e os jovens se sentem desde pequenos identificados com a ideia de uma marca, mantendo-se, em princípio, fiéis a ela ao longo da vida.
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Partindo da sua experiência como professora, de que forma considera que a escola encara esta questão?
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Eu creio que hoje em dia vivemos numa sociedade consumista porque a escola educa para os mesmos valores que se difundem no exterior dela. Por vezes afirma-se que a escola já não tem a mesma função educadora de outrora porque existem meios complementares como a televisão, os meios de comunicação social, a família, que assumem tanto ou mais importância do que a própria escola. Pessoalmente discordo dessa ideia, porque essa é a forma mais fácil de se legitimar o actual sistema socioeconómico. Se os professores tivessem uma formação inicial de carácter mais crítico, que permitisse não apenas transmitir conhecimentos mas educar para o pensamento, estou convencida de que a sociedade poderia evoluir de forma diferente.
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Como pode a escola educar para a contra-publicidade?
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A publicidade é basicamente uma mensagem unidireccional à qual não temos oportunidade de responder. Se algum anúncio ofende a minha condição de mulher ou de professora, por exemplo, eu não tenho qualquer hipótese de contestá-la. A contra-publicidade é uma forma de podermos questionar as mensagens que nos são transmitidas através dos mais diversos meios, e é esse tipo de trabalho que o nosso colectivo tem vindo a trabalhar. Para isso recorremos exactamente o mesmo tipo de estratégia utilizada na publicidade, desmontando o seu conteúdo e fazendo os alunos reflectir sobre ele.
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Como é realizado esse trabalho na sala de aula?
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Em primeiro lugar analisamos os anúncios juntamente com os alunos, procurando saber que tipo de mensagem nos estão a procurar passar. Habitualmente procuramos publicidade cujo conteúdo possa ser percepcionado como manipulador ou que veicule uma mensagem sexista ou classista. Desta forma conseguimos que a publicidade seja vista de uma perspectiva crítica e não passiva, como nos habituamos a vê-la diariamente. É muito importante não iniciar esta primeira fase do trabalho com marcas conhecidas, que eventualmente lhes possam estar próximas, porque dessa forma é muito provável que os alunos não queiram ouvir. A melhor forma de iniciar esta abordagem é através de publicidade com menor impacto, que funcione apenas como meio para que os alunos se apercebam dos seus mecanismos de produção e possam desmontá-lo de forma a abordar os aspectos que os influenciam directamente no consumo.Uma vez analisados os anúncios, os alunos são convidados a realizar contra-anúncios, ou seja, a procurar um determinado elemento ou característica que considerem criticável e a reinventá-lo de forma a satirizar uma determinada mensagem.
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Que meios utilizam para fazer este trabalho?
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A forma mais acessível de chegar às escolas é utilizar recortes de anúncios retirados de jornais ou de revistas e trabalhar a partir deles. É também possível fazê-lo através de anúncios de rádio, utilizando exactamente o mesmo método, mas recorrendo à linguagem sonora e auditiva, o que também resulta bem. Outra possibilidade é o vídeo, mas raramente recorremos a ele porque consideramos que neste tipo de iniciativa devem ser utilizadas ferramentas de trabalho que cheguem ao maior número possível de pessoas.
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A técnica que privilegiam não limitará esta actividade à disciplina de educação visual?
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Não, pelo contrário. Este tipo de trabalho pode ser feito no âmbito de qualquer disciplina. É uma boa forma não só de abordar a educação crítica para o consumo, mas também de aumentar a motivação para os conteúdos das diferentes disciplinas. Pela minha experiência, esta actividade constitui igualmente uma excelente maneira de incluir todo o tipo de alunos, desde os habitualmente participativos aos mais desinteressados.
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Como reagem eles a esta proposta?
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Este tema funciona muito bem com os adolescentes porque a publicidade cativa-os de uma forma particular. Como nesta idade já não gostam que os enganem ou que lhes contem “histórias”, quando se dão conta das subtilezas que estão por trás da publicidade passam a encará-la de um modo diferente. Além disso, atraio-os a oportunidade de conhecer as técnicas que se utiliza na sua realização e de a refazer na sua própria perspectiva.
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E os professores? Qual é habitualmente a sua receptividade?
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Os professores têm, geralmente, uma atitude diferente, porque esta é uma forma de eles próprios questionarem o seu modelo individual de vida, faltando-lhes por vezes uma posição crítica. Muitos deles desenvolvem um trabalho extraordinário, reinventando diariamente a sua profissão, mas falta ainda que reflictam um pouco mais sobre o consumo responsável e a possibilidade de outro modelo de sociedade.
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Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa


Retirado de:
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=4334

20.1.06

O nosso maior problema é a obediência civil !



A desobediência civil não é o nosso problema.
O nosso problema é, sim, a obediência civil!

O nosso problema está na multidão de pessoas que em todo o mundo obedecem às ordens dos líderes governamentais e que por isso foram ( e continuam a ir) para a guerra, onde morrem milhões de seres humanos por causa dessa obediência…

O nosso problema está em que em todo o mundo as pessoas são obedientes perante a pobreza e a fome, perante a estupidez, a guerra e a crueldade.

O nosso problema é que as pessoas são obedientes quando as prisões ficam cheias de pequenos ladrões enquanto os grandes ladrões governam o país.
Esse é que é o nosso problema!

Howard Zinn

«Eu não sou um moderado», manifesto eleitoral de Dario Fo

Manifesto eleitoral de Dario Fo, candidato às eleições autárquicas para a Câmara da cidade de Milão pela Unione (coligação de centro-esquerda)

(nota: Dario Fo é escritor e dramaturgo italiano, mundialmente conhecido, que recebeu já diversos prémios, entre os quais o Prémio Nobel da Literatura há alguns anos atrás)

Se buscais um moderado, tende cuidado quando estiverdes a votar em mim
Porque comigo corre-se perigo!
Mas será quereis um autarca moderado?
Um moderado é forte com os débeis e fraco com os fortes.
O moderado finge resolver os problemas sem os enfrentar!
O moderado faz vista grossa face à especulação imobiliária.
O moderado retira os inquilinos das suas casas no centro
Para depois revender a casas aos magnatas da especulação
O moderado transforma as periferias em guettos
O moderado aceita uma escola para ricos e outra para pobres.
O moderado deixa que as cidades se tornem cada vez mais tristes
E entusiasma-se com os arranha-céus,
Onde não se vê crianças a brincar nem gente a pedalar bicicletas
O moderado receia desiludir os cidadãos poderosos
E não dá a palavra aos que não têm voz
O moderado nunca mudará nada.
O moderado não resolverá o problema da contaminação
de Milão, nem salvará os pulmões das crinaças de 5 anos.
O moderado não os libertará do tráfego,
nem sequer do milhão de automóveis que, com a sua engrenagem,
transformou a cidade numa autêntica câmara de gás.
Hoje, ao que parece, não ser um moderado é um defeito ou um delito;
Ou então um privilégio dos jovens.
Mas faltam muitos,muitos anos…para se chegar a ser verdadeiramente jovem!
Milão, se a minha música te soa demasiadamente forte,
então isso apenas quer dizer que estás a tornar-te demasiadamente velha.
Não há moderado que tenha feito história,
assim como não há moderado que tenha ganho um Nobel.
Eu não sou moderado!
Serei sempre um autarca que arisca.
Porque acredito que o risco da mudança é a única resposta
Correcta para quem aposte o seu voto num projecto para Milão.
Se decidires votar em mim, estais a arriscar-vos muito…
Estais a arriscar-vos a viver num cidade melhor!


Para ver o texto original em italiano:
www.beppegrillo.it/
Para mais informação sobre a campanha eleitoral de Dário Fo:
www.dariofo.it/

( a tradução foi feita para o português a partir do texto em castelhano publicado em
www.rebelion.org )

Memória Subversiva - filme a ver em Braga ( 20 de Jan.)

Às 18 horas na livraria Centésima página, na cidade de Braga, será feita a apresentação do último número da revista "Coice de Mula".

19.1.06

Carta da Ecopedagogia


Os princípios orientadores da ecopedagogia:

1 – O planeta é encarado como uma única comunidade

2 – A Terra é tratada como uma mãe e um organismo vivo em evolução

3 – A necessidade de uma nova consciência que saiba o que é sustentável, apropriado e que faça sentido para a nossa existência.

4 – Desenvolver a ternura para com essa casa. O nosso endereço é a Terra.

5 – Defende a justiça socio-económica. A Terra é um grande pobre, o maior de todos os pobres.

6 - A ecopedagogia é uma pedagogia biófila que promove a vida, e fomenta que as pessoas se envolvam, se comuniquem, compartilhem entre si, problematizem, relacionem-se e entusiasmem-se

7 – Supõe uma concepção de conhecimento que só admite ser integral na condição de ser compartilhado

8 - Apela ao caminhar com sentido ( na vida quotidiana)

9 – Inspira-se numa racionalidade intuitiva e comunicativa, isto é, afectiva e não meramente instrumental

10 – Preconiza uma cultura da sustentabilidade através da ecofirmação, apontando uma exigência: ampliar o nosso ponto de vista.


( o movimento pela ecopedagogia apareceu com o 1º Encontro Internacional da Carta da Terra na perspectiva da Educação, organizado pelo Instituto Paulo Freire em 23-26 de Agosto de 1999 na cidade de São Paulo, Brasil, assim como do I Fórum Internacional sobre Ecopedagogia que teve lugar na Faculdade de Psicologia e das ciências da Educação da Universidade do Porto entre os dias 24 e 26 de Março de 2000)

Consultar:
http://www.ufmt.br/revista/arquivo/rev21/moacir_gadotti.htm



Ecopedagogia – o que é?

Trata-se de uma pedagogia orientada para a aprendizagem do sentido das coisas a partir da vida quotidiana, tendo como objectivo a promoção de sociedades sustentáveis.
O conceito de ecopedagogia, criado por Francisco Gutiérrez, pesquisador do pensamento de Paulo Freire na Costa Rica, segue os princípios da “Carta da Terra”, adoptado pela ONU com o mesmo valor da “Declaração dos Direitos Humanos”. A “Carta da Terra” foi aprovada por um fórum da sociedade civil, com representantes de todos os povos, e, por isso, conseguiu o status de documento da “cidadania planetária”.
A ecopedagogia trabalha com a fundamentação teórica dessa “cidadania planetária” cuja ideia é dar sentido para a acção dos homens enquanto seres vivos que compartilham com as demais vidas a experiência do planeta Terra. Ou seja, constitui-se um verdadeiro movimento político e educativo cujo projecto é mudar as actuais relações humanas, sociais e ambientais. A promoção das sociedades sustentáveis e a preservação do meio ambiente depende, de acordo com a ecopedagogia, de uma consciência ecológica e a formação dessa consciência depende da educação


Universidades Populares


Herdeiras da tradição do movimento operário, as universidades populares vão reaparecendo um pouco por todo o lado, com essa designação ou outra qualquer. Assumem normalmente uma dupla missão: oferecer uma formação a todos, em especial àqueles que não puderam aceder ao ensino superior, assim como construir um saber crítico contra as ideias dominantes.
Uma das suas limitações prende-se com o facto dos seus frequentadores serem actualmente elementos das classes médias e serem poucos os que provêem das camadas mais exploradas e oprimidas das sociedades capitalistas.

Em França as Universidades Populares estão a atravessar um momento de autêntico renascimento senão mesmo de florescimento de tal modo que podemos encontrá-los nas principais cidades francesas. Todas, ou quase, oferecem cursos gratuitos ou por montantes extraordinariamente módicos a todos os interessados. Calcula-se que sejam cerca de 100 o número de Universidades Populares actualmente existentes em França, as quais envolvem por volta de 110.000 pessoas.

O filósofo Michel Onfray contribuiu decisivamente para esta nova vaga das Universidades Populares ao criar em 2002 a Universidade Popular de Caen, em que tenta retomar o espírito das Universidades Populares, aproveitando ainda das experiências recentes dos chamados café-filosóficos.

Pretende-se, segundo aquele autor, propor um saber alternativo ao «pensamento único neoliberal».

O aumento de interesse e a demonstração de um desejo para se cultivar, sem ter a pretensão em adquirir qualquer diploma, explica o sucesso e o impacte das Universidades Populares.

A Associação das Universidades populares de França (AUPF) faz parte da Associação Europeia de Educação de Adultos (EAE, em inglês) e abrange associações de 35 países europeus, totalizando 45 milhões de auditores.
Ver:
www.u-p.asso.fr

Algumas direcções de Universidades Populares em França:

UP du Berry : www.upberry.org

UP de Romans-sur-Isère : http://accesromans.com

UP de l’agglomération valentinoise : upaval@wanadoo.fr

UP Savoie Mont-Blanc : www.upsavoie-mb.fr

UP de Gennevilliers : http://universite-populaire92.org

UP du Rhin (Mulhouse) : www.u-p.asso.fr

UP de Belfort : www.ideeup.org

L’UP de Bretagne occidentale : www.univ-brest.fr/fc/ep

Les universités d’Attac : www.local.attac.org

Le Secours populaire : www.secourspopulaire.fr

L’Université pop du Lieu unique à Nantes : www.lelieuunique.com

A rede da Universidades Populares em que participa Michel Onfray:

UP d’Avignon : www.upavignon.org

UP de la région Picardie : http://unipop.pic.free.fr

A criminologia anarquista



O anarquismo é uma das correntes do pensamento político mais difíceis de definir e conceptualizar por várias razões, uma das quais é a não existência de uma ideologia anarquista sistematizada e uniforme, a que se deve acrescentar o facto do anarquismo ser frequentemente objecto de permanentes deformações pelos seus opositores. Daí que se prefira concebê-lo mais como um movimento onde convergem um certo número de filosofias, algumas convicções e práticas de acção que emergiram como reacção ao aparecimento e consolidação do Estado-Nação e do capitalismo ao longo dos últimos séculos, se bem que num passado remoto já tenham surgido autores e pensamentos de natureza anarquista.
Um dos traços comuns a todos os anarquistas é a afirmação de que o Estado é uma entidade coerciva, punitiva, opressiva, corruptora e destrutiva. Formas de vida alternativas como o apoio mútuo, a cooperação voluntária segundo formas não-autoritárias, não-coactivas, não-hierárquicas são normalmente preconizadas e promovidas pelos autores anarquistas.

Algumas das principais ideias anarquistas foram desenvolvidos por autores como Max Stirner (1806-1856), Proudhon ( 1814-1876), Bakunine (1814-1876), Kropotkine (1842-1921) e Emma Godman (1869-1940).
Em geral, os princípios por eles defendidos não conceptualizam nenhuma sociedade caótica e desordenada, mas antes uma forma de aprofundamento e expansão da ordem social que passa por dispensar a presença ( e a omnipotência ) do Estado. Uma tal ordem social maximizará as liberdades individuais, encorajando ainda o associativismo voluntário e a auto-regulação. Outro dos traços importantes do pensamento anarquista é a ideia da substituição das formas monopolísticas do capitalismo e da propriedade privada pela posse colectiva dos bens.

Segundo criminologistas de filiação anarquista, como Jeff Ferrell, não se pode falar de uma criminologia anarquista propriamente dita pois tal seria uma contradição nos termos. Todavia, os escritos de Pete Kropotkine sobre a lei e o Estado constituem referências-chave para a construção de uma criminologia anarquista.
Kropotkine sustenta que as leis são inúteis e nocivas, provocando a criminalidade em massa e várias patologias sociais. As leis que protegem a propriedade privada e os interesses do Estado são responsáveis por dois terços a três quartos de todos os crimes. O principal objectivo da legislação criminal, que é punir e prevenir os crimes, acaba por não conseguir o seu objectivo e, pior que isso, degrada a sociedade ao alimentar os piores instintos humanos como a obediência, o conformismo passivo e o reforço vicioso da dominação estatal.
Kropotkine insiste que a maioria dos crimes desaparecerão no dia em que deixar de existir a propriedade privada, e ainda quando as necessidades humanas e a cooperação substituírem a ânsia do lucro e a competição concorrencial como princípios organizadores da vida social.. Formas alternativas de relacionamento social como a solidariedade social, a justiça e a inclusão social mostram-se mais adequadas do que o sistema estatal de justiça criminal ou o chamado «primado da lei» para responder e contrariar os comportamentos anti-sociais.

Jeff Ferrell, um autor que se tem dedicado a estas matérias, escreve a propósito da existência de uma criminologia anarquista:

«At its best, anarchism and the process of justice that flows from it constitute a sort of dance that we make up as we go along, na emerging swirl of ambiguity, uncertainty, and pleasure. Once you dive into the complex rhythms of human interaction and the steps that you and others invent in response. So, if you want centainty or authority, you might want to sit this one out. As for the rest os us: start the music.»
Jeff Ferrell, in «Anarchy against discipline»,
in Journal of Criminal Justice and Popular Culture, 3 (4)


Em suma, a teoria anarquista consiste:
- numa profunda crítica à lei, ao poder e ao estado
- na defesa de relações sociais não-coercivas
- em formas alternativas de resolução de conflitos como a auto-composição de interesses e que não passem tanto quanto possível pela intervenção de entidades terceiras, estranhas à disputa
- em intervenções de carácter político que se mostrem adequadas para um mundo complexo e fragmentado

Para mais informação:

Ferrell, Jeff (1995) «Anarchy against discipline», in JOurnal of Criminal Justice and Popular Culture, 3 (4)

Ferrel, K. (1999) «Anarchist criminology and social justice», in B.A. Arrigo (ed.) Social Justice/Criminal Justice. Belmont, CA, Wadsworth

Kropotkine, P (1996) «Law and Authority», in J. Muncie, E. McLaughlin and M. Langam (eds), Criminological Perspectives: a Reader. London, Sage

Tifft, L.L. (1979) «The coming re-defitions of crime: Ana anarchist perspective», Social Problems, 26

18.1.06

A insurreição operária do 18 de Janeiro contra a ditadura fascista de Salazar



O 18 de Janeiro de 1934 foi um dia histórico na história do movimento operário e da luta e resistência contra a Ditadura fascista de Salazar por ter sido nessa data que se registou um movimento grevista insurreccional operário e camponês contra a política salazarista de cerceamento das liberdades e direitos dos trabalhadores e das suas associações sindicais, e que visava igualmente o derrube daquele regime, movimento esse que teve impacte especial na Marinha Grande onde os operários vidreiros conseguir tomar a localidade, desafiando e resistindo às forças da repressão que foram lançadas contra os trabalhadores.

Todas as correntes do movimento operário participaram, destacando-se no entanto os militantes da CGT, a maior confederação sindical anarco-sindicalista durante o período da I República ( 1910-1926) e que ofereceu uma resistência persistente contra a fascistização dos sindicatos e da sociedade portuguesa, não obstante a repressão e a perseguição que se abateu sobre si e os seus dirigentes e militantes.
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Recorde-se que o movimento operário de 18 de Janeiro de 1934, foi uma acção desencadeada pelas organizações operárias contra a fascização dos sindicatos que a ditadura fascista de Salazar queria obrigatoriamente vincular ao sindicalismo fascista. Para isso havia sido elaborado o decreto 23.050 de Setembro de 1933, que obrigava à dissolução e encerramento dos Sindicatos Nacionais e à sua agregação compulsiva ao Corporativismo até ao dia 31 de Dezembro desse ano de 1933.
As Associações Sindicais de classe reagiram preparando uma greve geral. Secretamente, preparava-se também uma insurreição armada visando o derrube da ditadura, que viria a falhar, revestindo-se numa grave e pesada derrota para o operariado e suas organizações de classe.
Foi na Marinha Grande que o 18 de Janeiro de 1934 teve o seu expoente máximo, pelo cumprimento total das missões previamente atribuídas ao operariado local. Foi tomado o posta da Guarda Nacional Republicana, a estação dos Correios e a então ainda vila isolada por cortes das comunicações terrestres e telefónicas.
Embora efemeramente, os operários foram senhores absolutos da então ainda não cidade, tendo reaberto o seu sindicato.
Com a chegada de meios militares de Leiria, seriam derrotados, presos na Trafaria (margem esquerda do rio Tejo junto à sua foz) e, posteriormente,, deportados cerca de quarenta operários vidreiros, primeiro para Angra do Heroísmo (Açores) e alguns para o campo de concentração do Tarrafal, tristemente celebrizado por "campo da morte lenta" com processos trazidos da Alemanha fascista.
Desses deportados da Marinha Grande, três morreriam no degredo: António Guerra, Augusto Costa e Francisco da Cruz.
Nessa madrugada de 18 de Janeiro de 1934 deflagraram outros focos de rebelião contra o regime fascista, como o descarrilamento de um combóio em Santa Iria da Azóia (perto de Lisboa), rebentamento da central eléctrica de Coimbra e bombas em Silves (Algarve) e Barreiro (perto da Trafaria), em acções sem grande coordenação que provocaram centenas de prisões entre dirigentes associativos e sindicais.

Greve a 100% paralisa os portos portugueses( e europeus)


Os portos portugueses estiveram completamente paralisados nos dois últimos dias ( 16 e 17 de Janeiro) com uma adesão à greve de 100% dos respectivos estivadores. A greve de dois dias, que foi convocada a nível europeu para todos os portos europeus ( mais de 100 portos), destina-se a protestar contra a proposta da Comissão Europeia que prevê a liberalização do trabalho portuário, permitindo por exemplo que as tripulações dos navios possam fazer cargas e descargas. A adesão dos trabalhadores em todos os portos europeus foi também muito grande, e a paralisação foi seguida de forma generalizada por todoa a Europa, segundo informações veiculadas pela imprensa.

Vamos cantar as Janeiras

Natal dos simples

Letra e música: José Afonso
In: Cantares de Andarilho;

Vamos cantar as janeiras

Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras

Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas

Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte

Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza

Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura

11 milhões de americanos não sabem ler ou escrever

Mais de onze milhões de americanos não conseguem ler e escrever em inglês e cerca de trinta milhões só conseguem assinar documentos, revela uma estudo sobre alfabetização conduzido pelo governo americano. O estudo foi realizado pelo Centro Nacional de Estatísticas em Educação, que usou meios como jornais, horários de autocarro e formulários de impostos para efectuar o levantamento.O estudo considerou que sete milhões de adultos (3%) se situam no nível mais baixo da literacia básica, sendo que outras quatro milhões de pessoas (2%) não realizaram as provas porque não falavam inglês.

16.1.06

É urgente parar o massacre do Paris-Dakar, agora rebaptizado Lisboa-Dakar



Cada ano que passa o rali habitualmente conhecido por Paris-Dakar e que este ano foi rebaptizado por Lisboa-Dakar, é motivo de extensas e sucessivas reportagens em tudo o que é órgão de comunicação social, com a TV à frente, como não podia deixar de ser. Vêem-se os bólides e as potentes máquinas a atravessar paisagens de sonho, mas quase nunca se fala nem se vêem as populações locais, e muito menos as crianças que todos os anos morrem por baixo daquelas viaturas de todo o terreno…e que têm transformado aquelas terras num cemitério de carcaças de viaturas como constituem uma ameaça constante para a integridade física das populações indígenas.

Este ano, mais uma vez, registaram-se mais 3 perdas humanas, a de um concorrente ( o motard australiano Andy Caldecott ) e de dois habitantes locais, uma delas a de uma criança de 10 anos ( Boubacar Diallo) .

Curiosamente os organizadores e a imprensa só falam da morte dos concorrentes, mas quase nunca das mortes de civis locais, sobretudo, das crianças!!! E a verdade é que são os próprios pilotos das máquinas assassinas que confessam não levantarem o pé do acelerador quando atravessam aldeias ou zonas povoadas.

Oficialmente ( segundo os organizadores) o rali já conta com 25 mortes desde que foi criado. Acontece que nessa estatística não se incluem os habitantes locais que já faleceram em consequência desta intolerável intromissão da indústria motorizada em terras africanas. Caso isso acontecesse os números seriam já bem mais redondos…

A realização do rali não só tem causado a morte de pessoas, como representa bem a arrogância europeia e a civilização do desperdício.
Face a este massacre há que exigir a supressão desta infeliz e triste operação publicitário-mediática das poderosas empresas automobilísticas.

Petição a pedir a supressão do rali Paris-Dakar ( ou Lisboa-Dakar, qualquer que seja o seu nome):

http://www.gopetition.com/online/7725.html

A contracultura socrática



«Não me interessam as coisas que interessam à maioria: ganhar dinheiro, possuir uma casa confortável, uma posição civil ou militar prestigiada e todas as outras actividades, cargos políticos, sociedades secretas, organizações partidárias que normalmente têm lugar na nossa cidade.»
Sócrates, segundo Platão


«Sócrates sustentava que o objectivo da vida humana é buscar a verdade da natureza das coisas tal como elas são, e não como são interpretadas pelo pensamento convencional…Como um flautista Hamelín, Sócrates foi um agitador da juventude, acusado pelas cabeças e mentes conservadoras de fazer o perigoso jogo de ridicularizar toda a autoridade perante um círculo de jovens impressionáveis e de subtrair ao Estado a estabilidade da tradição…o efeito de inquietação que suscitava junto da juventude e a sua crítica permanente eram coisas intoleráveis para qualquer ordem estabelecida»
Timothy Leary

Manual do manifestante

livro em castelhano de José António Pérez

Com base na conhecida frase de Albert Camus para quem «o homem rebelde é o homem informado», José António Pérez escreve mais um excelente livro contendo importantes e preciosas informações para activistas e manifestantes.
Recorde-se que o mesmo autor já tinha publicado outros livros como « Manual práctico para desobediência civil» ( em 1994) ou o «Diccionario del paro y otras misérias de la globalizacion» ( de 2002) e, no qual se pode ler, entre outras coisas, a propósito da pobreza que esta «não é um estado natural do ser humano, mas antes uma instituição social estabelecida pelas estruturas do poder»

Este Manual del manifestante vem em ajuda a todos quantos não se ficam no remanso do sofá e vêem para rua manifestar a sua indignação e revolta contra a injustiça dos poderosos.

Contra a invasão dos tanques soviéticos da Checoslováquia



Em 16 de Janeiro de 1969 o estudante checo Jan Palach imola-se pelo fogo para protestar contra a repressão, a invasão e a ocupação da Checoslováquia pelos tanques e tropas do regime soviético, após um breve período de abertura do regime estabelecido naquele país e que é designado pela Primavera de Praga.

Consultar:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Primavera_de_Praga
http://alternativelibertaire.org/index.php?dir=Dossiers/Prague&page=doA1006c.html&n=1

Guia da alimentação sustentável


No website castelhano da organização ecologista «Amigos de la Tierra» está disponível um guia para a Alimentação Sustentável e várias informações sobre agricultura ecológica.

12.1.06

Quando Cavaco obrigou os portugueses a trabalhar no feriado do Carnaval


Corria o ano de 1993. Estávamos em pleno mês de Fevereiro. A rotina seguia o seu curso. Aproximava-se o feriado do Carnaval, que naquele ano correspondia ao dia 28 de Fevereiro. O Carnaval sempre foi - e é - uma ocasião festiva que é aproveitada por muitos para retemperar forças, divertir-se um pouco e esquecer as agruras da vida. Dá-se então o inesperado.
Uma portaria do Governo PSD de Cavaco Silva retirava o tradicional feriado para os funcionários públicos para a terça-feira de Carnaval. Foi a estupefacção geral, em todo o país. Mais do que indignação, a medida governamental foi encarada como um acinte e motivo de irrisão generalizada.
No próprio dia era ver a rádio e a televisão a fazer reportagens em directo, a partir dos locais de trabalho, para os trabalhadores darem publicamente conta, de forma sarcástica e corrosiva , como aquele dia estava a ser inesquecível, «altamente produtivo para o PIB nacional» e um contributo insubstituível para o aumento da produtividade do país !!!

Aquela retirada do feriado do Carnaval aos funcionários públicos foi o sinal da degenerescência do cavaquismo e marca, na verdade, o início da queda vertiginosa do mito providencial do populismo cavaquista. Até ver...

O século XXI será ocioso e sem facturas


Em consequência do desenvolvimento dos transportes internacionais de mercadorias e dos sistemas de telecomunicação modernos, o capitalismo dominante não está naturalmente muito inclinado a realizar economias de energia e a utilizar recursos renováveis enquanto existirem reservas de petróleo ao seu dispor. O capitalismo não possui nenhuma inteligência global e não parará enquanto não sentir falta de recursos naturais. Em vez de uma «formidável faculdade de adaptação» como garante de progresso, conviria antes falar de uma lógica primária de predação, senão mesmo de devastação. É, por isso, inútil esperar por uma redução das emissões de gases com efeito de estufa ou uma melhoria climática antes da penúria material do petróleo. Desgraçadamente parece que não estamos longe dessa situação. O petróleo vai certamente desaparecer de forma lenta mas inevitável. Entre 2010 e 2020 a sua produção diária irá atingir o seu máximo antes de iniciar uma descida imparável. O petróleo apenas inaugurará uma série que irá prosseguir com o esgotamento dos recursos como do gáz natural, do carvão e do urânio. Não existe uma solução mágica para a escassez do petróleo. Os políticos preferem não falar de catástrofe uma vez que isso pressupunha a necessidade de dar respostas o que eles sabem não poder dar. A ideia do pico do petróleo seguido de um declínio é recusada ainda por várias pessoas convencidas no progresso ilimitado da ciência ou que recusam simplesmente essa ideia por criar demasiada angústia.
Num futuro próximo vai ser preciso limitar as deslocações e de re-localizar as actividades vitais desenvolvendo alternativas que nos conduzam à autonomia, ao respeito pelo ambiente e provavelmente a um modo de funcionamento augestionário.
Com efeito, o custo elevado do petróleo e da energia repercutir-se-á nas matérias-primas e nos bens de produção final. A rede de transportes internacional irá lentamente retrair-se. Os Estados Unidos – cuja intervenção no Iraque reflecte mais uma reacção de pânico do que preocupações democráticas – não poderão sustentar o modelo sobre o qual se baseia o seu crescimento económico. As cidades não demorarão a seguir um regime energético com base nos transportes comuns, partilha de transportes, A vida tornar-se-á mais onerosa, e as relações de força entre empregadores/empregados orientar-se-ão para novos enquadramentos ( pagamento pelo tempo de transporte e de deslocação…) e a questão social da partilha assumirá um grande relevo à medida que diminuir o que houver para compartilhar. O mundo rural oferecerá condições e vantagens que poderão torná-lo atraente a longo prazo, desde a proximidade dos alimentos, economia de custos, uso de biomassa como carburante, ou da madeira para o aquecimento, até aos espaços para as energias eólicas e a possibilidade de aplicação de técnicas de arquitectura bioclimáticas avançadas. Pode-se pois imaginar que o futuro do homem será cada vez mais ocioso, em que se trabalhará cada vez mais, nos alimentaremos com produtos biológicos ( note-se que a agricultura intensiva alimenta-se de petróleo), que haverá mais autonomia e respeito pela natureza, e onde se participará na vida de sociedades locais autogeridas em relação com o resto do planeta por meio dos meios de telecomunicação pouco dispendiosos de energia.
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Texto dos trabalhadores da terra e do ambiente da CNT francesa
CNT 63. Syndicat des Travailleurs de la Terre et de l’Environnement
2, place Poly 63100 Clermont-Ferrand

Amnistia Internacional denunciou novas torturas e maus tratos em Guantánamo


Quando passa o 4º aniversário dos primeiros internamentos de prisioneiros em Gantanamo Bay, a Amnistia internacional divulgou novos testemunhos de tortura e de maus tratos sobre os detidos que se encontram naquele tristemente célebre centro de detenção do exército norte-americano.
Entre os testemunhos revelados conta-se o de um dos primeiros detidos a serem transferidos para Guantanamo, Jumah al Dossari de 32 anos que foi para lá transferido em Janeiro de 2002 depois de ter sido preso pelas forças norte-americanas na base aérea de Kandahar no Afeganistão.
O seu testemunho, confirmado por várias pessoas, entretanto, libertadas, contám várias alegações de torturas morais e físicas, para além de sistemáticos maus tratos que lhe foram infligidos.
«Em Guantanamo cerca de 500 homens foram tratados de uma forma que é completamente inaceitável» refere explicitamente a Amnistia Internacional, conhecida organização não-governamental de defesa dos direitos humanos, acrescentando que nessas condições não seja surpreendente que certos indivíduos preferissem morrer a terem de se sujeitar a tais torturas.
A Amnistia Internacional refere-se ainda ao caso do jornalista da Al Jazira, Sami al Haji, transferido em Guantanamo em Junho de 2002 depois de ter estado preso em Bgram e Kandahar, assim como ao caso de Abdulsalam al Hela, homem de negócios iémenita , transferido secretamente para Guantánamo.
«Não há qualquer solução de remedeio para Guantanamo. O centro de detenção deve ser imediatamente encerrado e ser aberto um inquérito sobre os maus tratos e torturas que aí foram realiazadas desde 2002», conclui a Amnistia Internacional.

Sobre estas matérias consultar:

USA : Testimony of Guantánamo detainee Jumah al-Dossari (index AI : AMR 51/107/2005) ;
Estados Unidos: quem são os detidos em Guantánamo? Caso nº 11:Jumah al Dossari, cidadão iemenita (index AI : AMR 51/129/2005) ;

USA : Who are the Guantánamo detainees - Sami al Hajj (index AI : AMR 51/207/2005) ;

USA : Who are the Guantánamo detainees - Abdulsalam al-Hela (index AI : AMR 51/206/2005).

...no seguinte site:

http://news.amnesty.org/pages/usa-n...

Sobre a campanha conduzida pela Amnistia Internacional contra os maus tratos no quadro da «guerra contra o terrorismo», consultar:

http://efai.amnesty.org/torture
ou
http://www.amnesty.org


«…os piores dias da minha detenção foram marcados por privações, actos de humilhação, de opressão e de sofrimentomental…»

«…não estava autorizado a falar senão a 3 pessoas, que eram quem me torturavam…»

«…tornei-me numa espécie de castelo de cartas que não parava de cair, qualquer que fosse o lado por onde se tentasse reconstruí-lo…»

( palavras de Jumah al Dossari)

Destituição de Blair


Está a ser lançado um grande movimento com vista à destituição do primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Um dos signatários é o General Sir Michael Rose, comandante indigitado pela Nações Unidas para a Bósnia.

Consultar:

Vigiando a Polícia


Já existe uma importante base de dados internacional sobre as brutalidades e ilegalidades cometidas pelas forças policiais, a Copwatch.com (http://www.copwatch.com/) que pretende salvaguardar a segurança pública e promover a contenção nas acções realizadas pelos agentes e forças policiais no estrito cumprimento das normas legais e no respeito pelos direitos, garantias e liberdades dos cidadãos.


10.1.06

A tensão entre regulação e emancipação



«A tensão entre regulação e emancipação entrou num longo processo histórico de degradação caracterizado pela gradual e crescente transformação das energias emancipatórias em energias regulatórias»
Boaventura Sousa Santos, in « A crítica da razão indolente. Contra o Desperdício da Experiência» ( 2000)

The Wire seleccionou os discos do ano de 2005


Para além do mainstream musical, geralmente associado à cultura de massas e à industria musical dominante, encontramos muitas outras formas minoritárias de expressão musical desde as chamadas etnomusicologias até à música improvisada. Por isso mesmo considerámos útil a divulgação das preferências musicais do ano de 2005 segundo a revista The Wire ( www.thewire.co.uk ), conhecida por ser um importante canal de divulgação das músicas de vanguarda e de improvisação.

Os 50 discos do ano de 2005 seleccionados pela Wire

(músico/grupo – disco - editora)

The Books – Lost And Safe – Tomlab

MIA – Arular – XL

Animal Collective – Feels – FatCat

Richards Youngs – The Naive Shaman - Jagjaguwar

The Lappetites – Before Tje Libretto - Quecksilber

The Focus Group - Hey Let Loose Your Love – Ghost Box

LCD SoundSystem – LCD Soundsystem – DFA

Tetuzi Akiyama – Route 13 To The Gates of the Hell: live in Tokyo – Headz

CocoRosie – Noah’s Ark – Touch and Go

Boards of Canada – The Campfire Headphase – Warp

Antony & The Johnsons – I Am a bird – Rough Trade

Ariel Pink – Worn Copy – Paw Tracks

The Chap – Ham - Lo Recordings

Black Mountain – Black Mountain – Jagjaguwar

Isolée – We are Monster - Playhouse

David Behrman – My Dear Siegfried – XI

The Sealed Knot – Unwanted Object – Confront Collectors Séries

Kokono nº1 – Congotronics – Crammed Discs

Edan – The Beauty and The Beat – Lewis Recordings

Jackson & His Computer Band – Smash – Warp

Lightning Bolt – Hypermagic Mountain – Load

Lau Lau – Kuutarha – Locust Music

Thuja – Pine Cone Temples – Strange Attractors Audio House

Sunburned Hand of The Man – Wedlock – Eclipse

Kanye West – Late Registration - Roc-A-Fella

John Fahey – The Great Santa Barbara Oil Slick – Water

Mouthus – Slow Globes – Troubleman

Sufjan Stevens – Illinoise – Rough Trade

Rova :: Orkestrova – Electric Ascension – Atavistic

John Wall – Cphon – Utterpsalm

Jamie Lidell – Multiply – Warp

Susan Howe & David Grubbs – Triefth – Blue Chopsticks

Broadcasr – Tender Buttons – Warp

Om – Variations on a Theme – Holy Mountain

Low – The Great Destroyer – Rough Trade

Akron/Family – Akron/Family – Young God

John Coltrane – One Down, One Up: Live at the Half Note – Impulse

Brian Eno – Another Day on the Earth – Hannibal

Josephine Foster – Hazel Eyes, I Will Lead You – Locust Music

Prurient – Black Vase – Load

Bonnie ‘Prince’ Billy & Matt Sweeney – Superwolf – Domino

Sightings – Arrived in Gold – Load

Masayuki Takayanagi – Action Direct – Tiliqua

Einstürzende Neubauten – Grundstück –
www.neubauten.org

Pelt – Untitled VHF

Mattew Herbert – Plat Du Jour – Accidental

Buck 65 – Secret House Against The World – Warners

Six Organs of Admittance – School of the Flower – Drag City

Keiji Haino – Global Ancient Atmosphere – PSF

Eliane Radigue – Elemental II – ROSA




As selecções na categoria do Rock de Vanguarda

Birchville Cat Motel with Lee Ranaldo – 30th December 2004 – Celebrate Psi Phenomenon

Burning Star Core – The very heart of the World – Thin Wrist

Double Leopards – Out of one, through one and to one – Eclipse

Earth – Hex; or printing in the infernal method – Southern Lord

Hisato Higuchi – 2004 11 2005 – Ghost Disc

Jandek – Glasgow Sunday – Corwood

Mouthus – Slow Globes – Troubleman

MV/EE & The Bummer Road – We offer you guru – Child of Microtones

Om – Variations on a Theme – Holy Mountain

Skullflower – Orange Canyon mind – Crucial Blast

Sunburned Hand of the Man – Wedlock – Eclipse

Sunn O))) – Black One – Southern Lord

Jack Rose – Kensington Blues – Beautiful Happiness

Yellow Swans/Grey Daturas – Copper/Silver – JYRK

Wooden Wand & The Vanishing Voice – Buck Dharma – Time-Lag


As selecções na categoria «Critical Beats»

Isolée – My Hi-Matic – Playhouse

DJ Koze – Don«t Feed the cat – Kompatkt

Motiivi: Tunetmaton – 1939 – Freundinnen

Don Atom featuring Tea time – Mueve La Cintura – Essay Recordings

Skream – Midnight Request Line – Tempa

Tori Alamaze – Don’t Cha – Universal

Les visiteurs – Snoop’s Acid Drop – White Label

Lindstrom – I feel Space – Feedelity

Paul Kalkbrenner – Tatu-Tata – Bpitch Control

Matias Aguayo – Drums & Feathers – Kompakt

Hell – Follow you ( Dominik Eulberg Remix) – Gigolo

Aswefall – Ride ( Der Schmeisser Lovelysplintermix) – Kill the DJ

Rude 66 – Die Starke Der Vernichtenden Schlage – Bunker

George Issakidis – Understand What I’m Saying – NovaMute

MANDY vs Booka – Shade Mandarine Girl – Get Physical


As selecções na categoria Dub


The Bug featuring Warrior Queen – Dem A Bomb We – Ladybug

Buh Chemists – Raw Raw Dub – ROIR

Coki – Officer/Mood Dub – DMZ

Digidub & Fairshare – Unity Sound System I Scream/No Way/Versiona – David

Prince Far I – Silver & Gold – Blood And Fire

Kode9 & Space Ape – Kingstown/Kingstown Dub – Hyperdub

Damian Marley - «Welcome to Jamrock» - Tuff Gong International

Ranking Joe – World In Trouble – M Records

Ricky Ranking – Can’t Trick – Banana Klan

Ossie All Stars – Leggo Dub – Hot Pot

Phillip Smart Productions – Five Borough Fire: Digital Dancehall NYC Style – Street Platinum & Gold

Tempa All Stars – Tempa All Stars vol.2 – Tempa

Travellers Black – Black Minds – Pressure Sounds

Various – Jack Ruby Hi-Fi – Auralux

Various – Studio One Roots 2 – Soul Jazz


As selecções na categoria de música Global

Abdullah Chhadeh & Nara - Seven Gates - ABYC

Konono Nº1 – Congotronics – Crammed Discs

Oki – Tonkori – Chikar Studio

Lobi Traoré – The Lobi Traoré Group – Honest Jon’s

Various – Afro Baby: The Evolution of the Afro-Sound in Nigéria 1970-79 – Sound Way

Various – Albania: Labë Country Complaints And LOve Songs – Ocora

Various – Congrotronics 2: Buzz ‘N’ Rumble from the Urb ‘N’ Jungle – Crammed Discs

Various – Folk and pop sounds of Sumatra vol.2 – Sublime Frequencies

Various – Molam: Thai Country Groove from Isan - Sublime Frequencies

Various – Out of Cuba: Latin American Music Takes Africa by Storm – Topic

Various – The Naked Prey OST – Latitude

Various – The Rough Guide to the msic of the central Ásia Uzbekistan to Kazakhistan: sounds of the Silkroad – World Music Network

Various – Tibetan Buddhist Rites from the Monasteries of Bhutan vol.1 – Sub Rosa

Various – Sleeping in the Market: Ethiopian Music & Sounds from Amhara – Latitude

Various – Thai Beat A Go-Go vol.3 – Subliminal Sounds



As selecções na categoria HIP-HOP

Aasim – Hip-hop 101 – AV8

Edan – Beauty and the beat – Lewis Recordings

Ghostface – Kilos – Det Jam

Ellay Khule – Califormula – Decon/Project Blowed

Legendary KO – George Bush doesn’t care about black people – N/A

Mac Dre & Mac Mall – Dredio – Thizz

Mistah FAB – Super Sic Wit – Thizz

Quasimoto – The Further Adventures of the Lord Quas – Stones Throw

Sadat X – Experience and Education – Female Fun

Juelz Santana – There It Go – Det Jam

Beanie Sigel – The B. Coming – Roc-A-Fella

13 & God – EP – Alien Transístor

Three 6 Mafia – Stay Fly – Columbia

TTC – Batards Sensibles – Big Dada

Tuff Crew & Krown Rulers – Phanjam – Traffic




As selecções na categoria de Jazz Improvisado


Chris Abrahams – Thrown – Room 40

Derek Bailey – Carpal Tunnel – Tzadik

Clive Bell & David Ross – Mystery Lights/ Nightsflowers – Metier Jazz

Bill Carrothers – Civil War – Illusion

Cold Bleak Heat – It’s Magnificent, but it isn’t War – Family Vineyard

Cooper-Moore & Assif Tsahar – Tells Untold – Hopscotch

Crowther/Franklin/Marsh – Amherst Dislodged – Slam

Paul Flaherty & Chris Corsano – Steel Sleet – Tyyfus

Mochizuki Harutaka – Solo Document 2004 – Bishop

Kerbaj/Sehnaoui/Sehnaoui/Zach – Rouba 3i5 – Al Maslakh

Mat Maneri – Pentagon – Thirsty Ear

MEV & AMM – Apogee – Matchless

Owl Sounds – Owl Sounds with Arrington DeDionyso – Colour Sounds Recordings

ROVA :: Orkestrova – Electric Ascension – Atavistic


As selecções na categoria de Composição Moderna

David Behrman – My Dear Siegfried – XI

Harrison Birtwistle – The triumph of time/Gawain’s Journey – NMC

Candlesnuffer – Apsomeophone – Lexicon Devil

Henry Cowell – A Continuum Portrait – Naxos

Gérard Grisey – Le noir de l’étoile – Accord

Alvin Curran – Maritime Rites – New World

Morton Feldman – Violin and Orchestra – Col Legno

Morton Feldman/Christopher Fox – Clarinet Quintets –Metier

Tristan Murail – Complete Piano Music – Metier

Terry riley & Michael McClure – I like your Eyes Liberty - Sri Moonshine

David Rosenboom/JB Floyd/Tricky Sankaran – Suitable for Framing – Mutable

Giacinto Scelsi – Suotono Rotondo – Wergo

Salvatore Sciarrino – Fiato – Stradivarius

James tenney – Pika-Don – Hat Hut

Iaanis Xenakis – Orchestral Works vol.4 – Timpani


As selecções na categoria de «inqualificáveis»

Avarus – Ruskeatimanti – Tumult

Keith Berry – The ear that was sold to a fish – Crouton

Maurizio Bianchi & Land Use – Psychoneurose – Manifold

Boris with Merzbow – Sun Baked Snow Cave – Hydra Head

Andrew Chalk – The river that runs into the sand – Faraway press

Double Leopards & Wolf Eyes – Breeding Turbines – American Tapes

Sophie Durand & Manu Holterbach – Verres Enharmoniques: Un – Cloudmirror

Henry Flynt – Purified by the fire – Locust Music

Grouper – Way their crept – Free Porcupine society

Keiji Haino – Uchu Ni Karami Tsuiteiru Waga Itami – PSF

Inca Ore – A knit of my own Fibers/ when you are sleeping I tell you secrets – JYRK

Paavoharju – Yhä Hämärää – Fonal

James Plotkin – Kurtlanmak – Utech

Prurient – Black Vase –Load

Alexander Tucker – Old Fog - ATP


As selecções na categoria de Compilações

American Primitive vol.II: pré-war revenants 1897-1939 - Revenant

An Anthology of Noise & Electronic Music Third A-Chronology 1952-2004 – Sub-Rose

Archives GRM - INA/GRM

Berlin Super 80 – Monitorpop

By The Fruits You Shall Know The Roots – Eclipse/Time-Lag

Can You Jack? Chicago Acid and Experimental House 1985-95 – Soul Jazz

Doctor Who at the BBC Radiophonic workshop vol.I: the early years 1963-69 – Mute

Freq_out – Ash International

Ghana Soundz vol.2 – Soundway

Good for what ails you: music of the medicine shows 1927-37 – Old Hat

Die Grosse Untergangsshow: festival genialer dilletanten – Vinyl-on-demand

Invisible Pryramid: Elegy box – Last Visible Dog

New Thing! Deep Jazz from the USA 1970-85 – Soul Jazz

Run the road vol.1 – 679 Recordings

Spire: Live in Geneva Cathedral, Saint Pierre – Touch

10 Yrs Séries – Carbon

The Sexual Life of the Savages: underground post-punk from São Paulo, Brazil – Soul Jazz

Tokyo Flashback 5 – PSF

Total 6 – Kompakt

Qbico U-Nite New York I/Bruxelles II - Obico



As selecções na categoria de Reedições

AFX – Hangable Autobulb – Warb

Borbetomagus – Barbed Wire Maggots – Agaric

Shirley Collins & Davy Graham – Folk roots, New roots – Fledg’ling

Comus – Complete Recordings – Sanctuary

Contemporary Jazz Quintet – Actions 1966-67 – Atavistic Unheard Music Séries

Bill Fay – Time of the last persecution – Eclectic

GI Gurdjieff – Harmonic Development: the complete harmonium recordings 1948-49 – Basta

Toshi Ichiyanagi – Opera from the Works of Tadanori Yokoo – Bridge

Kemialliset Ystävät – Kellari Juniversum – Fonal

Basil Kirchin – Abstractions of the industrial north – Trunk

Gottfried Michael Koenig – Accousmatrix 1 / 2 – Bvhaast

Ennio Morricone – Crime and dissonance – Ipecac

Last Exit – Köln – Atavistic

Moondog – Moondog – Honest Jon’s

Naked City – Complete Studio Recordings – Tzadik

Steve Reich & Musicians – Live 1977 – The Kitchen

Sonny Sharrock – Black Woman – Water

Judee Sill – Dreams Come True Hi Love You Right Heartily Hers – Water

Soft Machine – Out-Bloody-Rageous: na anthology 1967-73 – Sony

Sonic Youth – Goo Deluxe - Geffen

Spontaneous Music Ensemble – A new distance – Emanem

Mark Stewart –Kiss the future – Soul Jazz

The Stooges – Heavy Liquid – Easy Action

Super_Collider – Raw Digits – Rise Robots Rise

Masayuki Takayanagi Angry Waves – Dislocations - Jinya




Concerto de Amâncio Prada na Guarda ( 14 de Jan.)


O conhecido cantautor Amâncio Prada, de origem castelhana ( cidade de Léon), antigo companheiro de canções de George Brassens, e um exímio trovador, dá um concerto no próximo dia 14 de Janeiro no teatro municipal da cidade da Guarda.

Histórias do Pequeno ao Moço ( nos Maus Hábitos)


Aos Domingos, a partir das 11 horas da manhã, realizam-se no bar Maus Hábitos ( à Rua Passos Manuel, Porto) sessões-espectáculos de contadores de histórias, dirigidas ao público infanto-juvenil, e onde se oferece também o pequeno almoço.
As sessões são sobretudo dirigidas para as escolas e infantários, mas estão abertas também ao público em geral ( entrada: 3 euros)

6.1.06

Semana Vermelha ( Berlim, 6 a 11 de Janeiro de 1919)

Os Conselhos Operários na Alemanha: pequena nota histórica

Em 6 de Janeiro de 1919, depois da sublevação spartakista, deflagram combates em Berlim e multiplicam-se manifestações e recontros em várias cidades alemãs opondo forças populares contra o aparelho repressivo estatal e a forças para-militares reaccionárias.
Em 11 de Janeiro, o general Noske entra em Berlim e começa uma repressão implacável contra elementos e forças revolucionárias
A 15 de Janeiro dois dos mais destacados dirigentes operários, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht são assassinados.

Recorde-se que no ano anterior a Alemanha tinha assistido a um crescendo de greves e lutas sociais e de insurreições operárias e de marinheiros que levaram em Novembro de 1918 à proclamação da República Socialista da Baviera ( República dos Conselhos de Munique) e à criação de conselhos operários em várias outras cidades alemãs como em Bremen, a fim de instituir o poder dos Conselhos Operários, como resposta à tentativa da burguesia de constituir uma republica burguesa com os sociais-democratas (como Friedrich Ebert) na liderança, o que viria a suceder a 9 de Novembro de 1918 em consequência do imperador e dos príncipes terem abandonado os seus cargos após a derrota militar sofrida na I Grande Guerra.

Depois da repressão e do esmagamento das revoltas proletárias ( o exército reconquista Munique, em Maio de 1919, pondo termo à Republica dos Conselhos da Baviera e fuzilando os seus dirigentes), a burguesia organizou eleições que levaram à promulgação da Constituição de Weimar em 11 de Agosto de !919 à sombra da qual veio a florescer as forças hitlerianas que mais tarde tomaram o poder.

http://fr.wikipedia.org/wiki/R%C3%A9volution_allemande

Físicos contra o recurso às armas nucleares


Corre pelo mundo uma petição internacional subscrita por mais de um milhar de físicos ( actualmente já 1688 físicos a assinaram), alguns deles Prémios Nobel, contra o projecto do departamento de Defesa norte-americano que pretende autorizar o recurso às armas nucleares contra os países não-nuclearizados, isto é, que não possuem armas nucleares.
Escusado será dizer que um projecto deste género por parte da Administração Bush tem um alvo muito claro: o Irão.
Note-se ainda que existe uma petição paralela para todos os restantes interessados em subscrevê-la.

Para consultar a petição e subscrever, consultar:

http://physics.ucsd.edu/petition/

Substituir os métodos passivos pelos métodos activos de aprendizagem


«É indispensável substituir por toda a parte, os métodos passivos em que o aluno se limita a receber a lição do professor ou o ensino do livro, pelos métodos activos que exercitam os dedos, estimulam a observação e provocam a reflexão pessoal; aos métodos que enchem a memória, os que formam o carácter e a inteligência; ao ensino pela lição, a educação pela acção…»

Magalhães Lima, 1910