14.7.05

Indicadores do desenvolvimento sustentável


Como construir os indicadores do desenvolvimento sustentável

(Nota: um indicador é uma variável que serve para dar conta de uma realidade.
Já um índice faz a síntese de vários indicadores
)

Uma política de desenvolvimento sustentável não pode fazer-se sem indicadores.
Ora para os autores da Agenda 21 – o programa que resultou da Conferência do Rio de 1992 – os indicadores existentes ( Produto Nacional Bruto, Produto Interno Bruto, etc) são incapazes de avaliar a sustentabilidade de uma política de desenvolvimento. Na continuação dos indicadores sociais que irromperam no domínio das políticas públicas em meados dos anos 60, a procura de indicadores de desenvolvimento regressou em força nos últimos tempos.
Entre as tentativas visando superar ou, pelo menos, completar o PIB, existe uma com certo sucesso. É o índice de desenvolvimento humano (IDH) proposto pelo Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD). As outras ficaram entre os iniciados e ainda não encontraram legitimidade para um eventual uso.

Quais são esses indicadores?

IDH (índice do Desenvolvimento Humano) combina 3 indicadores de base: a esperança de vida à nascença, o rendimento e o nível de educação

Índice de bem-estar económico sustentável (índex of sustainable economic welfare, Isew) é um índice monetário que corrige o PIB tendo em conta as contribuições negativas ( custos sociais e ambientais ligados às desigualdades de rendimentos, à poluição, aos ruídos sonoros, às perdas nos ecossistemas naturais; à diminuição dos recursos não-renováveis; à erosão da camada de ozono, etc) e positivas ( trabalho doméstico e despesas públicas de educação e de saúde)

Indicador do progresso real (genuine progress indicator, GPI) derivado do Isew, mas ao qual junta as contribuições positivas dos beneméritos, dos bens de consumo sustentáveis e das infraestruturas de transportes, e que subtrai os custos suplementares como os das fracturas familiares, do desemprego, e perda dos tempos livres, etc

Indicador do bem-estar económico e social de Lars Osberg e Andrew Sharpe que consiste numa média ponderada de 4 indicadores sintéticos sobre os fluxos de consumo, as riquezas (económico, humano e ambiental), as desigualdades e a insegurança económica

Índice de bem-estar humano (human weel-being índex, HWI), proposto pelo economista Robert Prescott_Allen, composto de indicadores relativos à saúde e à vida familiar (estabilidade da família), ao rendimento e grau de satisfação das necessidades de base, à economia, ao nível de educação e meios de comunicação, direitos políticos e cívicos, paz ou conflito armado, criminalidade e equidade

Cada um destes indicadores combina 4 tipos de abordagem: o primeiro consiste em dar uma parte variável aos 3 pilares do desenvolvimento sustentável ( o económico, o social e o ambiental), o segundo diz respeito aos recurso e a sua duração; o terceiro é centrado sobre o humano, e reflecte o bem estar; o quarto define as normas e os procedimentos que permitem avaliar toda acção social a respeito do desenvolvimento sustentável.

Histórias de uma trabalhadora na Era de Informação


Quando da implantação em massa de robots e de computadores nas actividades produtivas em geral, os optimistas consideraram que os efeitos seriam positivos para os trabalhadores. A realidade, no entanto é muito diferente.

O surgimento das máquinas ferramenta de controle numérico computorizadas, robots e redes de computadores nas industrias, gerou muitas expectativas. As pessoas mais optimistas, desvalorizando a função objectiva de uma empresa capitalista, logo viram apenas sinais positivos.
Seguiu-se uma onda de especulações sobre como o futuro dos trabalhadores seria radioso doravante. As máquinas iriam substituir o trabalho humano penoso e enfadonho. Os trabalhadores passariam a exercer funções muito mais criativas, em ambientes mais agradáveis, com horários de trabalho menores e mais flexíveis e, sobretudo, melhor remunerados.
Isso tudo seria possível pelo vertiginoso aumento da produtividade que, como todos “sabem” sempre reverte em benefício de… toda a sociedade! O elementar facto de que os ganhos em função desses aumentos de produtividade são apropriados pelas empresas, e não pelos empregados parecia ser um mero detalhe de pouca importância.
Para os economistas, administradores de empresas e profissionais de informática, a realidade logo ficou clara. Os objectivos da automação eram respectivamente: cortar o maior número possível de empregados e extrair o máximo de trabalho da mão-de-obra restante nas unidades industriais.
Mas, para se alcançar esses objectivos era necessário um novo sistema de gestão, capaz de compatibilizar os novos equipamentos com os recursos humanos. A isso se prestavam perfeitamente os conceitos desenvolvidos no Japão, mais especificamente, o sistema concebido pelo engenheiro Eiji Toyoda e o seu especialista em produção Taichi Ohno nas instalações da Toyota.
Dessas técnicas, hoje bastante conhecidas, nasceram os processos de reestruturação e reengenharia da produção, largamente utilizados em todo o mundo. Dele também deriva o conceito de produção “enxuta”, das vantagens da terciarização e da flexibilização das relações de trabalho. A este novo paradigma, seguindo Manuel Castells, chamamos de capitalismo informacional.
As consequências da utilização combinada das novas tecnologias de informação e telecomunicações e dessas técnicas de gestão de pessoal podem ser brevemente sintetizadas:
1) A automação elimina empregos, em quantidade assustadora, nos níveis intermediários da hierarquia. Os empregados “sobreviventes” aos processos de reengenharia, tanto os operários quanto os executivos, passam a serem pressionados a aceitar aumentos progressivos de sua carga de trabalho.
2) Embora o desemprego possa não se manifestar nos níveis mais baixos, as condições de trabalho em geral deterioram-se. Os trabalhadores são obrigados a um ajustamento às velocidades de produção dos robots, muito mais exigentes do que a linha de produção “taylorista/fordista” tradicional.
3) O nível de instrução dos trabalhadores decresce continuamente com o aumento da “inteligência” das máquinas e das interfaces “amigáveis”.
Para mostrar como isso ocorre na prática, citaremos o depoimento de uma trabalhadora que passou dois anos a trabalhar no Japão, o berço dessas novas ideias e de longe o país que mais as utiliza.

Escolhemos a narrativa dessa pessoa por duas razões:
Em primeiro lugar porque sua experiência de trabalho foi junto a linhas de produção automatizadas e executando as mesmas tarefas que seus colegas japoneses, e não como acontece com muitos imigrantes que se aventuram nos EUA e Europa, que acabam executando tarefas específicas, justamente onde a nova automação está quase ausente (restaurantes, hotéis, serviços de manutenção, limpeza, etc).
A segunda razão é que se trata de pessoa com um alto nível intelectual, tanto mais que as suas narrativas são extraídas de um trabalho académico da sua autoria, cujo objectivo é exactamente uma análise do “toyotismo”.(1)
Segundo reconhece a autora: “A automatização é considerada o primeiro elemento desse modelo. Trata-se da utilização de máquinas capazes de parar automaticamente quando surgem problemas. Assim o trabalhador que até então era treinado para desenvolver o seu trabalho numa única máquina pode ser responsabilizado por várias, o que diminuiria a quantidade de trabalhadores necessários numa linha de montagem, onde a autora teve experiência de trabalho, como relata a seguir”.
A narração da autora inicia-se, como era de se esperar, pelas dificuldades do próprio processo de deixar o seu país e enfrentar uma realidade totalmente desconhecida, o Japão. Note-se que o novo capitalismo informacional não reduz significativamente a procura de empregos de baixa qualificação.
A autora relata que a certa altura, “a ala feminina do grupo é submetida a um teste com trinta cálculos matemáticos, com a informação de que quem resolvesse todos os trinta cálculos em cinco minutos seria indicada para a vaga daquele dia. A autora conseguiu resolver vinte e oito dos cálculos no tempo que foi estipulado e por isso foi levada a uma fábrica da Suzuki na cidade de Kosai para uma entrevista”.
Isso levar-nos-ia a concluir que se valoriza bastante o nível de ensino, principalmente a preparação básica em ciências exactas, já que o trabalho é junto a equipamentos altamente sofisticados. Mas, após repetir o teste na fábrica da Suzuki, a autora acaba por ser recusada, e o motivo foi que:
“a fábrica não aceitava secretárias, enfermeiras e professoras, pois, a função (trabalhar no sector de reposição de peças) exigia que se desse 15 mil passos por dia, e para a empresa se certificar que o funcionário estava dentro das normas era colocado um marcador na perna – na altura do tornozelo – e segundo eles, pelo porte físico, ela não conseguiria desenvolver a função”.
Perguntar-se-á então: e o teste de matemática não serviu para nada? É simples. Uma pessoa capaz de realizar cálculos sob pressão (trinta cálculos em cinco minutos), está apta a tomar decisões simples, como escolher e contar peças codificadas, por exemplo, na velocidade exigida pelas linhas de montagem dirigidas pelos robots.
Prossegue a autora: “No dia seguinte, candidatei-me a outra vaga, desta vez uma fábrica que produzia fechaduras para carros da Mitsubishi. Ao chegar recebo o uniforme e fui levada à linha de montagem. Não houve nenhum treino, apenas orientações de como realizar a tarefa”.
Devemos notar que isso seria impensável numa fábrica tradicional. Além disso, a autora “durante os primeiros dias trabalhou muito preocupada em dar conta da produção exigida (950 peças por dia), as dificuldades eram grandes, pois, jamais havia visto ou executado tal função”. Como é possível que uma indústria espere que um funcionário atinja metas ambiciosas de produção sem nenhum treino e sem “jamais ter visto ou executado tal função?”
A resposta está em que, como dissemos, as novas tecnologias estão longe de necessitar de empregados com melhor nível cultural e mesmo qualquer experiência anterior. As “interfaces amigáveis” permitem que tarefas complexas sejam executadas por pessoas sem nenhuma qualificação.
Prossegue a autora: “Ao terceiro dia de trabalho, a tentativa para tentar conseguir acompanhar o ritmo das máquinas, criou-me problemas de saúde o que obrigou a ecarregada a levá-la para a enfermaria, sob o olhar reprovador do chefe e dos colegas de linha. Neste dia ficou a saber que uma colega havia tentado suicidar-se, tão grande era o sofrimento pelo qual passava, pois além da adaptação ser difícil, havia a agravante de estar no emprego já por vários dias sem confirmação de trabalho”.
Isso comprova o que também afirmamos: O segredo da espectacular “produtividade” do capitalismo informacional não está somente na tecnologia mas sim na sua combinação com técnicas, às vezes brutais, de exploração da mão-de-obra.
Depois disso, a autora conseguiu transferir-se para outra fábrica e ao cabo de um mês estava a trabalhar num departamento de controle de qualidade. Devemos lembrar que nas fábricas tradicionais, esse era um cargo altamente qualificado, mas a autora relata uma realidade bem diferente:
“As peças eram dispostas num aparelho que através de um computador verificava a sua perfeição ou seu o defeito. A actividade era tão mecânica que apesar do entendimento da língua japonesa ser pouco e de informática ainda menos, a autora foi capaz de realizá-la sem maiores problemas”.
Ou seja, o “controle de qualidade” na realidade era feito pelo computador e a trabalhadora limitava-se a observar os resultados num monitor de vídeo. Resumindo, ela não passava de um auxiliar humano da máquina. Nas suas conclusões a autora nota que:
“A experiência como operária subcontratada tornou possível ver bem de perto que a única diferença entre os trabalhadores, ainda que isso seja despercebido para muitos deles, são as mercadorias que produzem. Não fosse assim, não haveria diferença de uma fábrica para outra. Em todas que a autora teve oportunidade de trabalhar ou apenas conhecer, como era de se esperar, as actividades sempre seguiam a mesma linha, extremamente repetitivas e exaustivas, onde o trabalho se encontra totalmente alienado”.
Isso ocorre porque as novas tecnologias são flexíveis. Ao contrário das máquinas mais antigas, os robots e computadores podem ser programados para executar tarefas diferentes sem alterar praticamente nada as suas características. O mesmo acaba por acontecer para as pessoas que trabalham com eles.
Com esse relato, podemos passar a ter uma visão prática do que até então abordávamos apenas em teoria. Longe do paraíso das jornadas de trabalho flexíveis e do trabalho criativo e de alto nível intelectual, a nova realidade da classe trabalhadora pode ser sintetizada na visão da fabrica do futuro como descrita por Fabio Kazuo Ocada, citado pela autora: “[...] por todos os lados sirenes piscam e os ruídos ensurdecedores da estrutura de metal em funcionamento misturam-se com a música sintética [...] A primeira impressão chega a lembrar um sofisticado parque de diversões, a segunda impressão sugere a imagem do inferno”. (2)
Notas:
(1) FUTATA, Marli Delmônico de Araújo. Breve análise sobre o toyotismo: modelo japonês de produção – Revista Espaço Acadêmico – Nº 47 – Abril de 2005.
Disponível em:
http://www.espacoacademico.com.br/047/47cfutata.htm

(2) OCADA, Fabio Kazuo. Trabalho, sofrimento e migração internacional: o caso dos brasileiros no Japão. In: ANTUNES, Ricardo e SILVA, Maria Aparecida Moraes. O avesso do trabalho. 1ª. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2004.
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(texto retirado da net)

A maior empresa do mundo é a Wal-Mart


A revista Fortune publicou a sua lista anual das maiores empresas mundiais.A tabela ordenada com base nas rceitas do ano anterior conta com 176 empresas norte-americanas. Nas 10 maiores há 4 petrolíferas, 4 fabricantes de automóveis, um retalhista e um conglomerado, a General Motor.
A Wal-Mart fechou o ano de 2004 com receitas de 287,9 mil milhões de dólares, e um lucro de 10,26 mil milhões de dólares.

71% dos alunos do 9ºano chumbaram a Matemática


Saíram os resultados do novos exames do 9º anos e os dados não podiam ser mais reveladores: 71% dos alunos do 9ºanos (num total de 84.980 alunos) reprovaram à disciplina no exame de Matemática, mas como a nota de exame tem um peso de 25% a maior parte os alunos passou para o ano seguinte( ou seja, 74% recebeu a aprovação)
Na disciplina de Português 77% dos que fizeram exame obtiveram classificação positiva.

11.7.05

A personalidade autoritária ( segundo Adorno)

Adorno defendia que a formação de uma personalidade autoritária se liga fundamentalmente às frustrações a que os indivíduos estão sujeitos ao longo do seu processo de socialização, mormente na sua face inicial ( infância e adolescência).
Na continuação do que tinha sido exposto por Freud, certos autores como Adorno pensam que o desenvolvimento da personalidade envolve necessariamente alguma repressão e o redireccionamento das «pulsões agressivas».
A repressão e os padrões severos de disciplina estariam na origem da emergência, nas crianças, de fortes impulsos de agressão que, não podendo ser dirigidos directamente sobre os próprios pais, incidem sobre outros alvos, preferencialmente percepcionados como os mais fracos e/ou inferiores, tal como por exemplo, os indivíduos socialmente desviantes e as minorias étnicas.
A expressão desta agressão seria pois socialmente influenciada uma vez que as pessoas seriam levadas a deslocarem as suas pulsões agressivas para alvos atingíveis e socialmente admissíveis, como sejam os grupos desviantes ou minoritários convertidos em «bodes expiatórios» preferenciais, e que se estenderiam rapidamente sobre os grupos sociais com dificuldades de atingir os objectivos socialmente partilhados.
A resultante seria a tendência para perceber o mundo de um modo totalitário e um comportamento caracterizado por elevada submissão às figuras autoritárias, simultaneamente com uma afincada hostilidade para com outros grupos.
Este padrão de valores e atitudes constituiria aquilo que Adorno designa por personalidade autoritária.
Adorno e outros autores construíram a escala F que consistia num questionário com uma série de 48 afirmações a fim de avaliarem a dimensão fascista da personalidade autoritária. De acordo com as suas respostas, as pessoas poderiam ser caracterizadas num continuum cujos pólos são as tendências fascistas e racistas e as tendências democráticas. A aplicação deste questionário, combinado com metodologias clínicas, permitiriam descobrir que os indivíduos com uma pontuação elevada na escala F tinham tido uma socialização familiar dogmática e altamente repressiva comparativamente com aqueles que tinham obtido uma baixa pontuação na escala, em que a educação e a socialização se teria desenvolvido em ambientes mais permissivos e tolerantes.
A proposta teórica de Adorno mereceu a atenção e o interesse subsequente de muitos investigadores. Uma pesquisa posterior pretendeu confirmar a teoria de Adorno sobre a personalidade autoritária a concluir que os indivíduos autoritários tendem a simplificar, a dicotomizar a forma de ver e encarar a vida quotidiana.
Outros autores criticaram a teoria de Adorno por negligenciar os factores situacionais e socioculturais
E um outro investigador formula a hipótese de que a hiper-simplificação e a rigidez de estilo de pensamento que Adorno associa à «Personalidade autoritária» não eram apenas apanágio dos fascistas, dos indivíduos racistas ou de extrema-direita, mas encontravam-se em indivíduos e grupos que partilhavam e se caracterizavam por um «espírito fechado».
Segundo o mesmo investigador o «espírito fechado» é uma forma de raciocínio que se define por uma separação mental de dois ou mais sistemas de crenças diferentes, de modo a permitir (a) a conciliação de opiniões de outro modo contraditórias, (b) a resistência dessas crenças à mudança, face a nova informação, (c) a utilização do recurso ao argumento de autoridade para justificar a correcção das crenças ameaçadas.

A loucura é a terra onde floresce a lucidez do homem (a propósito de Flaubert)


Excertos do livro «Diário de um louco» de Flaubert

...fui agredido em todos os meus gostos: na aula, pelas minhas ideias; nos recreios, pelo meu pendor para a selvajaria solitária. Desde então, sou um louco!
Vivi lá portanto sozinho e aborrecido, atormentado pelos meus mestres e escarnecido pelos meus colegas......

(…)

....vejo-me ainda, sentado nos bancos da minha sala de aula, absorto nos meus sonhos de futuro, pensando no que a imaginação de uma criança pode sonhar de sublime, enquanto o pedagogo troçava dos meus versos latinos, os meus colegas me olhavam zombeteiros. Que imbecis! Eles, rirem-se de mim! Eles tão fracos, tão vulgares, com um cérebro tão exíguo; eu cujo espírito se afundava nos limites da criatividade, que andava perdido em todos os mundos da poesia, que me sentia maior do que eles, que recebia alegrias infinitas e que tinha êxtases celestes perante todas as revelações íntimas da minha alma!

(…)

Nunca apreciei uma vida regrada, horas certas, uma existência de relógio em que é preciso que o pensamento pare com o sino, em que tudo já foi percorrido de antemão por séculos e gerações. Esta regularidade sem dúvida pode convir á maioria, mas para a pobre criança que se alimenta de poesia, de sonhos e de quimeras, que pensa no amor e em todas as tolices, é o despertar incessante deste sonho sublime, é não lhe deixar um momento de repouso, é asfixiá-la transportando-a para a nossa esfera do materialismo e do bom senso a que ela tem horror e nojo!

(…)

... tinha deturpado o gosto e o coração, como diziam os meus professores e, entre tantos seres de tendências tão ignóbeis, a minha independência de espírito levava a que fosse tomado pelo mais depravado de todos; era rechaçado para o nível mais baixo da própria superioridade, Mesmo reconhecendo-me imaginação, o que é, segundo eles, uma exaltação do cérebro vizinha da loucura!

(…)

.....abandonemos o manto real, o ceptro, os diamantes, o palácio em derrocada, a cidade em queda , para irmos ter com a égua e a loba!....

(…)

.....a natureza será livre sem o homem ...

(…)

Há mulheres em quem detectei o pretensiosismo a um quarto de légua de distância, só pela maneira como elas olhavam as ondas.....






10.7.05

83% de portugueses inquiridos admitem bater em crianças!

e...

3500 crianças morrem por maus tratos nos países da OCDE

Morrem anualmente 3.500 crianças de idades inferiores a 15 anos, vítimas de maus tratos no meio familiar, nos 30 países membros da OCDE, segundo umrelatório da Unicef.
De acordo com o mesmo documento morrem semanalmente duas crianças na Alemanha, três em França e 27 nos Estados Unidos.
A dado passo do relatório menciona-se uma sondagem realizada em Portugal em 2004 na qual 83% dos inquiridos (todos adultos) aceitam que é admissível bater nas crianças.

Info:
www.violencestudy.org

A juventude está ilegal


Segundo um conhecido semanário deste fim de semana mais de 50% dos jovens que atingem a maioridade nos últimos 4 anos não estão recenseados. Coisa que não seria de espantar conhecido como é o pouco valor das eleições para o futuro, e como os políticos estão desacreditados.
Acontece que segundo a legislação em vigor o recenseamento é obrigatório para os cidadãos portugueses, encontrando-se pois milhares de jovens em situação de ilegalidade.

Greve de zelo selvagem dos juízes e magistrados


A greve de zelo selvagem decretada no passado dia 18 já estão a produzir atrasos consecutivos. Recorde-se que nesse dia as associações sindicais dos magistrados e dos juízes decidiram não trabalhar para lá das 17 horas nem fazer nada para além do seu horário de trabalho como resposta à decisão governamental de redução das férias judiciais e de suspensão das carreiras.
Note-se que os tribunais são órgãos de soberania pelo que não estão propriamente sujeitos à legislação geral para os trabalhadores assalariados.

Custo da mão de obra na China

Na China um operário ganha entre 100 a 300 euros por mês e trabalha 60 horas por semana.

Desemprego para uns e lucro para outros


A Lear de Valongo reduziu o número dos seus trabalhadores de três mil para 800. A Yasaki Saltano, em Gaia, passou de quatro mil para 1200 trabalhadores. A Sinviauto e a Cottesi, de Gaia, transferiram parte da sua produção. A Quintas e Quintas na Póvoa de Varzim ameaça deslocalizar-se.. A Molex Automotive, em Santo Tirso, desperta preocupação. O mesmo se passa com as Confecções Vissuto, em Paredes, com a iminência do desemprego para 200 trabalhadores.
No total, contam-se presentemente com 115 mil desempregados no distrito do Porto.

Enquanto isso os lucros dos principais bancos privados durante o primeiro trimestre deste anos, comparados com os do ano passado, registou um aumento de 42,5%

Empresa com 49% de capital público vai deslocalizar-se!!!


A Diatrada, uma empresa de lapidação de diamantes, onde o Estado português detêm 49% do capital social (os restantes 51% pertencem aos sul-africanos da Debeers, o maior grupo do sector de todo o mundo), vai fechar a sua filial em Viseu, até ao fim do mês, e transferir a produção para a China. Mais de 70 trabalhadores, altamente especializados, e que já foram considerados os melhores lapidadores do mundo, vão ficar no desemprego

4.000 operários vão diariamente para as obras na Galiza


Cerca de 4.000 operários portugueses da construção civil a viver no distrito de Braga estão actualmente a trabalhar em obras na Galiza, informaram os sindicatos do sector. Os mesmo sindicatos alertaram para o facto de alguns deles estarem a receber salários inferiores aos praticados em Espanha ( cuja média é de 1100 euros, o que um operário ganha em Espanha, em contraponto com os 800 euros de salário pago pelas empresas portuguesas).
Em 2004 no distrito de Braga trabalhavam 24.000 operários de construção civil.

Pinochet depositou dinheiro no Banco Espírito Santo


Segundo informações tornadas agora públicas o ditador chileno Augusto Pinochet transferiu, entre 1991 e 2000, 3,9 milhões de dólares para a sua conta pessoal no Espírito Santo Bank em Miami.
Como se isso não fosse suficiente surgem agora rumores que o mesmo grupo bancário se encontra envolvido na corrupção que atinge actualmente o governo brasileiro.


Fonte: Expresso

Pouca água pode provocar paragem das centrais eléctricas e morticínio de peixes

A pouca água dos rios, por força da seca, poderá não ser suficiente para resfriar os reactores da Central da Tapada do Outeiro, nas margens do rio Douro.
A REN ( Rede Eléctrica Nacional) já pediu autorização para, em caso de emergência, utilizar as águas do rio Douro em quantidade suficiente para satisfazer as suas necessidades e garantir o funcionamento da central. Mas se tal acontecer é quase certo o aumento da temperatura das águas do rio, que provocaria automaticamente um desastre ecológico com a morte de todos os peixes do rio Douro.

Fonte: Expresso

Efectivos do exército português


Segundo o jornal Público de 7/7/2005 as forças armadas portuguesas contam actualmente com os seguintes efectivos:

Tenente-General (general de 3 estrelas) – 16 efectivos
Major-General (general de 2 estrelas) – 45 efectivos
Brigadeiro – 2 efectivos
Coronel – 220 efectivos
Tenente-Coronel – 537 efectivos
Major – 581 efectivos
Capitães – 674 efectivos
Tenentes – 289 efectivos
Total de oficiais – 2.355 efectivos

Sargento-Mor – 210 efectivos
Sargento-Chefe – 371 efectivos
Sargento-ajudante – 1339 efectivos
1º Sargento – 1605
2º Sargento – 182
Total de sargentos – 3703 efectivos

Rumores sobre empresa norueguesa de confecções


Na empresa norueguesa de confecções Synfiber, de Albergaria-a-Velha os trabalhadores temem pelos seus postos de trabalho depois das férias de Verão.

Despedimento de 13 trabalhadores em Ovar no grupo Philips


A Sociedade de Componentes Bobinados de Ovar (SCBO), do grupo Philips; despediu 13 trabalhadores. A intenção é encerrar a fábrica, apesar dos atingidos denunciarem o facto da empresa estar a contratar pessoal através de uma empresa de trabalho temporário

9.7.05

Reprovação geral dos serventuários do poder face a pergunta de exame do 12º ano


No enunciado da prova de exame de Psicologia do 12º Ano realizado na passada 3ª feira encontra-se uma questão interessante que implicaria a reprovação mais que certa a todos os serventuários do poder.
Dizia ela assim:

«Comente a seguinte afirmação:
O pensamento divergente é um dos processos cognitivos indispensáveis ao avanço do conhecimento»
.
Calcula-se a dificuldade que sentiriam quem tão zelosamente se dedica a bajular os manda-chuvas cá da paróquia.

Contra-ataque iraquiano a Londres


O inevitável aconteceu. Depois dos ataques, invasão, ocupação e toda a destruição semeada pelas tropas britânicas junto da população iraquiana, registaram-se no dia 7 de Julho vários contra-ataques bombistas à cidade de Londres causando mais de 50 mortos e mais de um milhar de feridos.
Os efeitos das guerras são devastadores. Mais uma vez se vêm os seus efeitos nas populações civis...

97% do país em seca extrema


A situação de seca em Portugal continental na 2º quinzena de Junho piorou, com quase a totalidade d território (97%) em situação de seca severa, segundo o relatório divulgado pelo Instituto da Água.
A 30 de Junho encontrava-se em situação de seca extrema 64% do território. Além disso, a percentagem de água no solo em relação à capacidade de água utilizável pelas plantas era inferior a 40% em todo o território, valores muito inferiores aos médios para esta época do ano.
Já estão a recorrer a autotanques para abastecimento de água 39 municípios que envolvem 22.385 habitantes. Mas muitos outros municípios estão a braços com a falta de água para abastecimento ás populações.
Para piorar ainda mais as coisas soube-se ainda que o consumo de electricidade em Portugal subiu 6,6% em Junho deste ano, face ao mesmo mês do ano passado, passando para 3894 gigawatts, segundo estatísticas fornecidas pela Rede Eléctrica Nacional (REN).
A actual seca continua a reduzir a produção hídrica, cuja descida foi de 37% relativamente a Junho de 2004, para 327 gigawatts, e que foi compensada com a subida da produção térmica em 16% o que veio a traduzir-se em 2.685 gigawatts.

Aldeia do Catarredor (Lousã)


Na aldeia do Catarredor, juntamente com mais duas outras aldeias ( Vaquerinho e Talasnal), conhecidas por serem, há muito tempo, as «aldeias do hippies», pelo facto de terem recebido nas décadas anteriores muitos jovens urbanos à procura de modos alternativos de vida, estão a ser palco neste fim de semana (8,9 e 10 de Julho) de vários concertos de borla com grupos de música de vários estilos, desde o punk até ao reggae passando por sonoridades mais electrónicas.

Jordi Savall vai estar na Póvoa no próximo dia 19


O músico catalão Jordi Savall, acompanhado como o seu grupo Hesperion XXI/La Capela Reial de Catalunya vai apresentar-se no próximo dia 19 na Igreja Matriz da Póvoa de Varzim, num concerto integrado no 27º Festival Internacional de Música.
Recorde-se que Jordi savall é um exímio instrumentista de música antiga, além de utilizar instrumento da época, como é o caso da viola da gamba, com uma espantosa sonoridade.

TV prejudica aprendizagem


As crianças e os jovens que estiverem expostos e criarem habituação à Tv ficam prejudicados nas suas capacidades de aprendizagem. De acordo com investigadores norte-americanos da Universidade de Washington, ver televisão antes dos 3 anos tem um impacte negativo no desempenho da Matemática, na leitura e na compreensão nas crianças por volta dos 6 anos. O estudo foi publicado no «archives of Pediatrics and Adolescent Medicine».

Só 5% da população vai à missa de Domingo


Segundo documentos do Vaticano os católicos divorciado encontram-se em situação de pecado, e se voltarem a casar, cometem uma falta grave que os impede de comungar.
As mesmas fontes do Vaticano informam, com grande pesar, que só 5% da população dos países desenvolvidos frequentam a missa de Domingo.

Pudera… com tanto shoppings por aí.

3 milhões de portugueses sofrem alergias


Responsáveis da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica alertaaram para o facto de haver já 3 milhões de portugueses que sofrem de doenças alérgicas., o que significa um nítido acréscimo relativamente a anos aneriores.
Este aumento deve-se, segundo os especialistas, ao facto de existir uma menor exposição do organismo a doenças infecciosas, o que leva o sistema imunitário ficar mais estimulado para outros agentes que se encontram no meio ambiente.Assim toda a poluição química, biológica e física pode afectar o organismo.
Pense-se sobretudo nas situações do quotidiano em que a maior parte das pessoas vivem dentro de edifícios, cuja qualidade do ar não é a melhor, já para não falar da parafernália de produtos de limpeza, materiais de construção, decoração e equipamentos electrónicos que geram campos magnéticos que acabam por produzir efeitos nocivos para a saúde

Videovigilância nas estradas para efeitos probatórios é ilegal


A Comissão de Protecção de Dados deu um parecer negativo quanto à decisão do Governo de permitir que os agentes policiais tenham acesso às imagens da videovigilância captadas ao longo das estradas para efeitos de prova, considerando um tal procedimento como ilegal e inconstitucional.
Acresce-se ainda que todo o sistema de videovigilância nas auto-estradas está todo ele inquinado de ilegalidade, apesar da Lei 1/2005 pretender remendar a situação ao autorizar a polícia de utilizar as imagens recolhidas por esses dispositivos, o que não é conseguido segundo aquela Comissão.
Lamentavelmente a Associação de Cidadãos Automobilizados parece que desconhece o que está aqui em causa ao manifestar-se a favor da videovigilância para aqueles efeitos.
Bem poderia, se assim estivesse realmente interessada no combate à sinistralidade por alta velocidade, em propor a proibição de venda pública das viaturas com velocidades maiores às legalmente permitidas. O problema ficaria resolvido pela raiz.

Extinção do Ballet Gulbenkian, e consequentes despedimentos


Acabou de ser anunciada a extinção da Companhia do Ballet Gulbenkian que nas últimas décadas se tornou conhecida pelas sua coreografias vanguardistas, lançando para o despedimento dezenas de dançarinos de mais alto valor. A Comissão de Trabalhadores já manifestou a sua solidariedade, estranhando a forma precipitada como tudo aconteceu.
A extinção do Ballet Gulbenkian afecta gravemente não só os artistas como todo o panorama da dança em Portugal.

Luta dos trabalhadores dos Correios


Realizou-se um plenário dos trabalhadores dos Correios de Portugal (CTT) na cidade do Porto que decidiu recusar os serviços extraordinários se os trabalhadores não receberem o pagamento por esse serviço.
A reunião abrangia apenas os trabalhadores que desenvolvem a sua actividade no centro da cidade. A reunião obrigou à suspensão da laboração normal.

Forte Apache retorna aos índios


Os índios apaches, liderados hoje pelo chefe Dallas Massey Sénior, vão retornar ao Forte Apache, o território do Arizona de onde foram expulsos em 1881 pelas tropas federais. O Supremo Tribunal dos Estados Unidos só agora veio a reconhecer os nativos como donos legítimos daquele lugar, atribuindo-lhes ainda um subsídio de 12 milhões de dólares.
Esta vitória dos apaches dá outro ânimo às centenas de pretensões de muitas outras tribos indígenas espalhadas pelo território norte-americano nas suas pretensões contra os esbulhos, as espoliações e os danos de toda a espécie que sofreram pela colonização dos europeus brancos.

Os privilegiados da agricultura portuguesa


De acordo com os dados publicados no último livro do ex-ministro da Agricultura, António Campos, «Agricultura, alimentação e saúde» um terço de todos os subsídios para a agricultura resultantes dos fundos comunitários foi entregue a apenas 1.650 agricultores portugueses num total de 412 mil agricultores existentes no país.

8.7.05

Senado americano deu luz verde para a produção das minibombas nucleares (mininukes)


O Senado dos Estados Unidos da América acabou por votar favoravelmente uma resolução que permite a retoma do polémico programa das minibombas necleares (mininukes), que são capazes, segundos os entendidos, de atacar os bunkers ou instalações subterrâneas.
Esta votação agradou particularmente aos grandes Laboratórios de pesquisa nuclear que irão assim beneficiar de financiamentos e que se calculam que sejam qualquer coisa como 4 milhões de dólares só para 2006 a fim de prosseguirem as suas investigações.

O narco-imperialismo no seu melhor: Afeganistão forneceu 87% da produção mundial do ópio


O Afeganistão forneceu 87% da produção mundial do ópio em 2004, concluiu a ONU através o relatório acabado de ser tornado e da autoria da Agência das Nações Unidas contra a droga e o crime (ONVDC).
Pode-se também ficar a saber que a área cultivada onde é possível a produção de ópio (com o qual se fabrica a heroína) aumentou 62% em 2004, alcançado o valor, até aqui desconhecido, de 130.000 hectares de superfície de cultivo.
Recorde-se que o governo dos Talibans tinha acabado com a cultura do ópio em 2001, que foi retomada e se encontra em franca expansão com a invasão e a ocupação do território pelo exército norte-americano.

Mortos por armas no Brasil são mais que os mortos provocados por guerras


O número de mortos por causa de armas de fogo, registado no Brasil nos últimos 10 anos, ultrapassa o total de vítimas de 16 conflitos armadas, entre os quais se conta a guerra do Golfo e o conflito do Próximo Oriente, segundo o relatório da Unesco acabado de apresentar em Brasília: 325.551 pessoas morreram por ferimentos causados com armas de fogo entre os anos de 1993 e 2003.
Ficou-se também a saber que, entre 1973 e 2003, os casos de homicídios por armas de fogo atingiram o total de 550.000, uma progressão de 542%, quando a percentagem de aumento da população foi tão-só de 51%
Note-se ainda que em 2004 foram cometidos 50.800 homicídios em todo o Brasil.

Advogado de Saddam demite-se e denúncia pressões dos seus colegas norte-americanos


O chefe da equipa de advogados de Saddam Hussein, Zaiad Al Jasawneh, anunciou a sua demissão do cargo que desempenhava, acusando os seus colegas norte-americanos, que também fazem parte da equipa de defensores, de tentarem controlar a defesa para que esta não critique nem se refira à presença militar dos Estados Unidos no Iraque.
Recorde-se que na numerosa equipe de advogados-defensores de Saddam Husseim encontram-se vários juristas norte-americanos, entre os quais se conta o antigo Procurador Geral dos Estados Unidos, Ramsey Clark.

Com defensores destes, bem pode Saddam prescindir de saber quem são os seus acusadores….

Homenagem a Fernando Pereira, eco-pacifista, assassinado pelos agentes secretos franceses


Militantes da Greenpeace organizaram no passado dia 2 de Julho de 2005 em cerca de 15 cidades francesas acções para recordar o militante eco-pacifista de origem portuguesa, Fernando Pereira, vítima de um atentado organizado e perpetrado pelos serviços secretos franceses contra o barco Rainbow Warrior no porto de Auckland, em 10 de Julho de 1985.
Com esse atentado terrorista o Estado francês pretendia pôr um ponto final na campanha levada a cabo pela Greenpeace contra os ensaios nucleares do exército francês em Mururoa, na Polinésia francesa.
Em Avignon, Bordéus, Cherbourg, Grenoble, Lille, Lyon, Marseille, Montpellier, Nantes, Paris, Poitiers, Rennes et Strasbourg, os militantes franceses da Greenpeace rebaptizaram várias ruas com o nome de Fernando Pereira, acrescentado o seguinte:
"rue, place ou site Fernando Pereira Militant pacifiste tué par l'Etat français lors de l'attentat du Rainbow Warrior »
(rua, praça ou lugar Fernado Pereira Militante pacifista morto pelo Estado francês no atentado do Rainbow Warrior)
Recorde-se que 20 anos depois o Estado francês ainda nem seuqer apresentou desculpas á família de Fernando Pereira. « Muitos dos agentes secretos que estiveram envolvidos na operação saíram indemnes», declara Marelle Pereira, filha de Fernando Pereira. Apenas Dominique Prieur e Alain Mafart ( os famosos falsos esposos Turenge), foram presos na Nova Zelândia, e condenados a 10 anos de reclusão, mas regressaram a França ao fim de 3 anos!!!



Fazem agora 20 anos que os serviços de informação franceses ( vulgarmente conhecidos por serviços secretos, ou pela secreta) afundaram o Rainbow Warrior num porto neozelandês num dos actos de terrorismo que ficou nos anais da recente história do terrorismo de estado. A principal vítima foi um português, fotógrafo de profissão, que se encontrava a bordo no momento do atentado que levou ao afundamento do barco ecologista.

No dia 7 de Julho de 1985 o barco da organização Greenpeace, o Raibow Warrior aporta no porto de Auckland, Nova Zelândia, para acompanhar de perto os ensaios nucleares que o Estado francês se preparava para realizar na região do Pacífico. Foi então que na noite de 10 de Julho explodiram duas potentes bombas que provocaram o afundamento e a morte do fotógrafo português que não conseguiu sair a tempo do barco.


Numa época em que tanto se fala de terrorismo, de ecologia, de escutas, de videovigilância, de infiltrações, e da fragilização e desrespeito pelos direitos humanos, é bom que ninguém - absolutamente ninguém - se esqueça destes factos

Mais info:
http://www.RW20.org

6.7.05

10 regras para um conformista submisso


1 – Pense sempre em si, nada mais que isso.

2 – Pense também que a realidade em que vive é assim, e não se pode mudá-la por mais voltas que se lhe dê

3 – Aceite a miséria, as injustiças e as desigualdades como fatalidades, ou então como vontade de deus e da natureza

4 – Pense que o Estado, os tribunais, os parlamentos, os partidos políticos e tantas outras instituições foram todas elas criadas porque pessoas como você não sabem ou não podem governar-se a si próprias.

5 – Pense que é natural que haja pessoas que mandam, e outras que obedeçam, que é naturalíssimo que haja ricos e pobres, e que nada mais natural que sejam os ricos a mandar e os pobres a obedecer.

6 – Acredite em tudo o que ouça e veja na rádio e na TV, e em tudo o que leia nos jornais, não questionando qualquer notícia ou reportagem

7 – Acredite piamente que o seu patrão só está a ajudá-lo ao permitir que trabalhe para ele em troca de um salário.

8 – Acredita religiosamente que a polícia só tem como tarefa a segurança dos cidadãos, que os militares existem para proteger a pátria, e que a Igreja mais não faz que velar pelos pobrezinhos.

9 – Pense que só tem direitos a ter aquilo que pode comprar, ainda que não precise de muitos desses bens para viver.

10 – Aceite sem qualquer reticência que há pessoas que pensam por si, e que só isso é conveniente para si próprio.

O que é que mais nos espanta?

«O que espanta não é o facto de haver gente que rouba, de haver quem faça greve; mas sim o facto de haver esfomeados que não roubam, de haver explorados que não fazem greve.»

Wilhelm Reich

A vida de quem anda, às ordens de quem manda...


A vida de quem anda
às ordens de quem manda
já cheira que tresanda
não anda nem desanda

a vida de quem chora
À espera de uma aurora
Que leve a morte embora
Bem perde pela demora

A vida de quem cata
Pulgas numa barata
É tão longa e tão chata
Nem ata nem desata

Autor e cantor: Sérgio Godinho
(letra da canção a-e-i-o-u, do álbum Os Sobreviventes, de 1971)

Aviso a tempo por causa do tempo

Declara-se para que se saiba:

1º que não apoiamos qualquer partido, grupo, directriz política ou ideologia e que na sua frente apenas nos resta tomar conhecimento: algumas vezes achar bom outras achar mau. Quanto à nossa própria doutrina, os outros hão-de falar.

2º que não simpatizando com qualquer organização policial ou militar achamo-las no entano fruto e elemento exacto e necessário da sociedade – com quem não simpatizamos igualmente.

3º que sendo nós indivíduos livres de compromissos políticos permaneceremos em qualquer local com o mesmo há vontade. Seremos nós os melhores cofres-fortes dos segredos do estado: ignoramo-los.

4 º que sendo individualidades e portanto abjeccionalmente desligados das normas convencionais, temos o máximo regizijo em ver essas mesmas normas nos componentes da sociedade. Assim delas daremos por vezes testemunho e mesmo ensino.

5º que não somos assim contra a ordem, o trabalho, o progresso, a família, a pátria, o conhecimento estabelecido (religioso, filosófico, científico) mas que na e pela Liberdade, Amor e Conhecimento que lhes preside preferimos estes

6º que a crítica é a forma da nossa permanência.

Acreditamos que nestes seis pontos fundamentais vão os elementos necessários para que o Estado, os Governos, a Polícia e a Sociedade nos respeitem; nós há muito que nos limitamos neles e neles temos conhecido a maior liberdade. Não se têm do mesmo modo limitado o Estado, a Polícia e a Sociedade e muito menos o seu último reduto: a família. A eles permaneceremos fiéis pois todo o nosso próprio destino e não só parte dele a estes seis pontos andam ligados como homens, como artistas, como poetas e por paradoxo como membros da sociedade.

(texto datado de Julho de 1953)
António Maria Lisboa

Na sociedade capitalista tudo pode ser dito, excepto o que for importante


Ao que parece, nunca terá existido um sociedade com mais informação, e ao mesmo tempo com menos conhecimento, do que a sociedade capitalista actual. E deveras notável, apesar de todas as comunicações por satélite e das fibras ópticas que podem transmitir milhares de milhões de fragmentos de informação por segundo, que os trabalhadores russos e norte-americanos saiba, hoje em dia menos acerca uns dos outros do que um século atrás.

Todos os regimes da história tiveram de produzir e difundir a informação de que precisavam para sobreviver, numa tensão permanente entre manterem os povos ignorantes e dar-lhes a informação necessária à realização de tarefas. É sempre difícil, no entanto, garantir que uma tal informação não venha a ser utilizada contra si mesma; os gladiadores podem ser levados a matar-se um ao outro na arena, mas muitas vezes acontece que um tal exercício constitui o caminho para a revolta.

A censura foi a arma usada pela burguesia no século XIX; na «sociedade da informação» dos nossos dias, porém, a censura já assumiu outras formas. Inundando-nos com vagas de vagas informações, espera-se assim que os factos reais se desgastem ao baterem nos rochedos da insignificância, e fiquem esquecidos. A informação, tal como acontece com as vias de comunicação (estradas, vias aéreas e marítimas), só se torna disponível quando e onde o comércio precisar dela para realizar lucros, ou onde as pessoas, devido a condições locais, tenham posto em perigo esses lucros. Os canais de informação ( telefone, televisão, bancos de dados) funcionam do mesmo modo.

«A política da informação, escrevia Goebbels nos seus diários, é uma arma de guerra; o seu objectivo é levar a cabo a guerra, e não transmitir notícias». Referia-se isto aos sujos tempos de Belsen e Dachau, quando se tentou censurar algo tão enorme como o holocausto, conseguindo-se de resto até certo ponto e durante algum tempo. Nestes nossos dias mais limpos, se a informação de tal modo se tornou uma arma espectacular, é muito simplesmente porque ela é uma arma do espectáculo.

A «sociedade da informação» proclama pois haver hoje uma maior aceso à informação. Mas esta corriqueira ficção científica de jornalista omite, nisto, o ponto essencial, que é o seguinte: toda essa deformada informação é cuidadosamente produzida, sendo a sua produção cuidadosamente controlada. Uma tal ficção omite, ainda, o facto de a informação real ser hierarquicamente controlada.

Aquilo que é apresentado nos milhares de bancos de dados ( estações de TV, revistas e jornais, bibliotecas, sistemas de transmissões por cabos, sistemas de computarização de dados) é preparado segundo parâmetros cuidadosamente estudados. A informação fornecida através de sistemas públicos ( tanto na qualidade de serviços como na de mercadorias) é definida segundo determinados parâmetros de informação, ao passo que a informação de que precisam as grandes empresas ou os governos funciona em moldes muito diferentes. Os indivíduos que controlam os bancos de dados são a elite real – não tanto à maneira do Grande Irmão de 1984 que nos espia, mas mais à duma Esponja Gigantesca gotejando informação deformada.

A democracia do espectáculo insiste em que há hoje uma quantidade maior de informação disponível; mas a verdadeira natureza do poder hierárquico encerra a informação nos seus parâmetros próprios. O espectáculo da democracia significa que tudo isso é semelhantemente inútil – o resumo dum texto de Goethe, enviado para um computador doméstico por um outro computador, reduz Goethe e o seu tempo a uma banalidade.

O poder de quem decide que informação deve ser dada e qual convém omitir é igual ao poder dos detentores monopolistas de jornais ou de estações de televisão. Apesar de algumas destas coisas poderem ser corrigidas no interior do capitalismo, na medida em que se aperfeiçoar a tecnologia nesse sentido, o que subsiste e importa é a natureza hierárquica da informação.

Quando a informação deformada não é suficiente, invoca-se o sigilo, geralmente com uma justificação militar.

(texto publicado na revista Pravda nº 4 , Verão de 1986, das edições Fenda, e que foi extraído do livro «And Yet It Moves. The realization and suppression of science and technology» de Boy Igor)

O Espectaculotariado


O proletariado que apareceu com a Revolução Industrial já pouco tem de comum com o espectaculotariado dos nossos tempos. O reino da Mercadoria penetrou até ao fundo de todas as áreas do nosso modo de vida quotidiano: na informação, no ócio, na cultura, no sexo, na linguagem… Hoje, qualquer actividade humana gera uma enorme quantidade de Mais-Valia. Mas com a emergência do Espectáculo Global, isto é, do Estado Espectaculista, surge o espectaculotariado.


O proletariado bateu-se e envolveu-se historicamente na luta de classes

O espectaculotariado envolve-se por sua vez em muitas classes de luta

Face à histórica luta de classes, irrompem hoje muitas classes de luta
(extraído do nº 1 de «los plegos de La Infiltracion)

3.7.05

A hipocrisia do G8: o abismo entre o negócio das armas e as ajudas

Os Estados ricos gastam mais de 1 bilião de dólares em armamento, ao passo que gastam tão somente 79.000 milhões em ajudas às populações mais pobres e carenciadas.
Isto significa que por cada 100 dólares entregues à poderosa indústria de armamento, os mais pobres do planeta recebem 7,90 dólares.

«A despesa militar mundial está a ultrapassar o nível de despesas atingido durante o período da chamada guerra fria», pode-se ler no relatório sobre as despesas em armamento publicado periodicamente pelo Instituto Internacional de Investigações para a Paz em Estocolmo (SIPRI)

Os Estados Unidos é o país com a maior despesa militar do mundo, já que o seu orçamento militar ultrapassa o total das despesas militares dos 35 países mais ricos do mundo.

Façamos algumas comparações:

Os Estados Unidos gastam 455.300 milhões de dólares em armas, mas só 19.000 para ajudas às populações e países mais pobres

O Reino Unidos gasta 47.400 milhões de dólares em armas mas só 7.800 milhões em ajudas

A França gasta 46.200 milhões de dólares em armas, mas só 8.500 milhões em ajudas aos países subdesenvolvidos

O Japão gasta 42.400 milhões dólares em armamento, mas só 8.900 milhões de dólares em ajudas

A educação popular

Para nós a EDUCAÇÃO POPULAR significa:

- O desenvolvimento de uma consciência crítica sobre o mundo em que vivemos
- A promoção da justiça social e ambiental, independente de lucro económico
- A valorização do conhecimento criativo, emocional mais do simples factos

Na PRÁTICA isto envolve:
- Conhecer o grupo e o seu contexto antes de mais nada, e tentando que as sessões sejam capazes de satisfazer as necessidades deles/delas.
- Trabalhar com base nas práticas existentes e no conhecimento dentro dos grupos de uma forma não-hierárquica.
- Estimular o debate e o livre pensamento em vez de factos consumados
- Apoiar acções futuras, identificando as oportunidades locais para a organização, a construção de redes e o reforço de contactos.

Estão abertas as nomeações para os prémios de 2005 para a estupidez mundial

Se alguém conhecer quem mereça o Óscar da idiotice, não hesite em nomeá-lo para os prémios 2005 da estupidez mundial.

2.7.05

Banca despediu, paga menos salários e lucra mais

O número de trabalhadores da banca caiu 2,5% em 2004, o que representa menos 1334 trabalhadores.
No final do ano de 2004 o sector empregava 51.523 empregados. Registou-se ainda no ano passado uma descida das despesas em salários. Com efeito, as despesas com pessoal baixaram 5%, para 2.117 milhões de euros, tendo o peso dos salários diminuído 1,8%, isto é, para 1.609 milhões. Os encargos sociais caíram 6,5% e as despesas com pensões 8,3%.
As informações foram recolhidas junto do boletim Informativo da própria AssociaçãoPortuguesa de Bancos, noticiou o Jornal de Notícias.

Os impostos sobre os lucros dos bancos diminuíram

Segundo o Boletim Informativo da Associação Portuguesa dos Bancos, a que se reporta a notícia publicada no Jornal de Notícias do passado 29 de Junho, os impostos pagos sobre os lucros pelo sector bancário diminuíram 39,9% face ao ano anterior, para qualquer coisa como 172 milhões de euros.

Afinal, há países cujas despesas públicas são ainda maiores que em Portugal

A despesa total do Estado será em 2005 o equivalente a 49,3% do PIB, ou seja, a 62,072 mil milhões de euros. A isto não é estranho o facto do peso do Estado na riqueza produzida ter aumentado.
Acontece que, ao contrário do que vem sendo noticiado pelos gurus do costume, as despesas do Estado português até nem são das maiores.
Na União Europeia, por exemplo, na França, na Áustria ( ambos da zona euro) e na Suécia , as despesas públicas dos respectivos Estado ultrapassam mesmo a barreira dos 50% na França e a Áustria, sendo até muito superiores na Suécia.
O Estados espanhol contabiliza despesas de 40% do seu PIB.

Catecismo católico não condena a pena de morte

Foi apresentado o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica pelo Papa bento XVI, que segue fielmente e doutrina do Catecismo da Igreja católica, assinado por João Paulo II em Junho de 1992. O presente Compêndio com 205 páginas é uma súmula com perguntas e respostas do Catecismo de 1992 que contava com 450 páginas indigestas mesmo a qualquer católico.
Este compêndio continua a considerar imoral a fecundação artificial, a proibir a comunhão aos católicos divorciados que voltarem a casar-se, reconhece a desobediência civil quando as leis se opõem à moral, assim como a legítima defesa, e quanto à pena de morte, ainda que a considere que não tem sentido nas actuais sociedades, não é objecto de nenhuma condenação contundente.

Fonte: JN de 29 de Junho de 2005-07-02

Chumbo está a envenenar as aves

As aves aquáticas que vivem em Portugal ou aqui demandam as zonas húmidas estão a sofrer envenenamento pelo chumbo, que se vai acumulando no seu habitat, em consequência da actividade venatória dos caçadores que utilizam munições ,de chumbo em zonas como arrozais, pequenas lagoas e açudes e que assim estão a matar prematuramente as suas próprias presas ( patos reais ou marrecos e galinhas de água). Curiosamente os próprios caçadores poderão ser também vítimas desse mesmo envenenamento se consumirem a carne desse animais.
Espanha já aprovou legislação a vedar o uso do chumbo.

Transvaze de água do Tejo

O governo espanhol acabou de autorizar o transvaze de 82 hectómetros de água entre as baxias do Tejo e do Seguro, pondo fim a um conflito entre as comunidades de Castilla e de Múrcia, mas diminuindo o caudal do rio que chega a território português. Desse montante total, 39hm3 será para abastecimento humano e 43hm3 para regadio.
O porta-voz do governo da comunidade de Castilla já disse que a decisão contentou alguns regantes mas colocou em risco o abastecimento de água a 3 milhões de pessoas.
As autoridades portuguesas estão atentas ao problemas e já declararam que a decião não viola a Convenção sobre a Cooperação para a Protecção e o Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas luso-espanholas que foi assinado em Albufeira a 30 de Novembro de 1998.

Alguns sectores económicos

O sector dos moldes em Portugal emprega cerca de 7500 trabalhadores, cada vez mais qualificados dada a natureza do trabalho, e mais de 90% da sua produção vai para exportação, que representa 349 milhões de euros de volume de negócios.
Por sua vez a indústria automóvel abrange dois tipos de produções: a montagem e a de componentes. Ambos valem 1,7 % da riqueza produzida em Portugal, e representam mais de 20% das nossas exportações. Na montagem destacam-se as empresas da Autoeuropa e da Opel. Quanto à dos componentes, é constituída essencialmente por empresas nacionais que produzem baterias, travões, consolas e couro para estofos.Aliás a grande maioria dos assentos dos carros de todo o mundo são feitos em Portugal.
A indústria têxtil representa 17 % das exportações portuguesas.
O sector da indústria de calçado representa 8% do total das exportações nacionais.
Quanto ao sector turístico, este já contribui 11% para o PIB. Além disso Portugal ocupa o 16º lugar no ranking dos destinos turísticos mais procurados

Dinheiro plástico

Em 2004 o número de cartões bancários no sistema Multibanco chegou aos 16,19 milhões de unidades.
A rede Caixa Automática Multibanco tinha em funcionamento, no final de 2004, 10.085 terminais, mais 8,2% do que em 2003, e tinham-se realizado um total de 1.405 milhões de operações em 2004, num montante de 53.438 milhões de euros.

Eu me confesso refractário e desertor desse mundo.

Perigosa concentração de óxido de azoto na VCI

O tráfego rodoviário na VCI na cidade do Porto provoca uma concentração de óxido de azoto (NO2), que é quase o dobro do valor aceitável para a saúde pública ( esse valor é de 50 microgramas por metro cúbico de NO2). Na zona da Boavista os valores chegam aos 98,3 microgramas por metro cúbico.
O óxido azótico provoca irritação ocular e respiratória e, em condições extremas, pode levar à asfixia.

Fonte: JN 29/6

Já há peixes mortos no rio Sabor!

Apareceram milhares de peixes mortos a boiar no rio Sabor, em Gimonde, no concelho de Bragança. As causas, apesar de desconhecidas, apontam para uma descarga criminosa de um ETAR ( estação de tratamento de águas residuais) instalada há sete anos no local.

Os eleitores são condicionados pela propaganda

Politólogos estiveram reunidos em Vila Real a estudar e discutir os comportamentos políticos e eleitorais. Uma das intervenções pretendeu demonstrar que o ambiente informativo a que uma pessoa está exposta condiciona a sua opção eleitoral. Ou seja, a repetição constante de determinada opção nos mass media prevalece sobre a identificação partidária e mesmo ideológica.

Fonte: JN 23/6

Câmaras de videovigilância ameaçam a privacidade

As 5 câmaras que vigiam os 18 Km de extensão da área de paisagem protegida do litoral de Esposende são tão potentes que conseguem não só identificar o rosto de alguém, ler detalhadamente a matrícula dos carros como ainda ver tudo o que se passa nos terraços, nas varandas e nos interior das habitações circunvizinhas.

Vídeo desmonta a invenção do «arrastão de Carcavelos»

A conhecida jornalista Diana Andringa realizou um vídeo que desmonta o pseudo-acontecimento que constituiu o chamado «arrastão» na praia de Carcavelos. Os factos revelam bem como as notícias são produzidas pelos jornalistas e reporters, sobretudo da dos canais de TV, e em que medida a invenção de acontecimento pode alimentar os preconceitos mais enraizados nas mentalidades mais racistas e nas atitudes de cáracter xenófobo, para além dos aproveitamentos que a extrema-direita não deixou de fazer dos factos assim «inventados»

Porsche vende 48 carros em Junho

Apesar de todo o ambiente económico que se vive em Portugal, soube-se hoje que a Marca de automóveis Porsche vendeu no mês de Junho 48 automóveis topo de gama, um número record nos anais da história do representante da marca no nosso país.

Portugal é o país europeu onde se faz menos exercício físico.

A uma pergunta sobre se faz exercício físico ou se pratica desporto, os portugueses levaram a palma da inércia comparativamenta a todos os outros países. Com efeito, 665 dos inquiridos em Portugal disseram que nunca faziam exercício físico ou praticavam desporto. Seguiram-se a Hungria ( 60%), a Itália (58%), a Grécia (57%), a Espanha (47%), a Alemanha (36%), a França (35%), o Reino Unido (31%), a Dinamarca ( 17%), a Suécia (7%), a Finlândia (4%).
A média da EU é de 40% de europeus que não fazem exercício físico algum.

Estados Unidos acusados de esconder presos em navios

O relator especial da ONU contra a tortura, Manfred Nowak, acabou de denunciar, em Viena, que existem muitos indícios de que os Estados Unidos utilizam navios de guerra como campos secretos de prisioneiros.
Nowak, que também chefia o Instituto Ludwig Boltzmann de Viena para os Direitos Humanos, denunciou mais esta tentativa de Washington de escapar à legislação nacional e internacional sobre o regime de tratamento a prisioneiros, e o respeito pelos direitos destes, assim como à proibição de tortura.

Fonte: JN 29/6

Prisões ilegais nos USA

A polícia norte-americana prendeu, sem quaisquer provas, dezenas de muçulmanos residentes nos Estados Unidos, após os atentados de 11 de SETEMBRO DE 2001, indica o relatório de duas organizações de defesa dos direitos humanos ( a Human Rights Watch e a American Civil Liberties Union-ACLU).
Foram detidos muçulmanos só por terem frequentado a mesma mesquita que um dos piratas doar do 11 de Setembro, ou ainda só por terem um abra-latas, exemplicaram um dos relatores da Human Watch.

Aldeia da Paradinha

A aldeia da Paradinha, situada num pequeno vale, a escassos metros da margem do rio Paiva, na freguesia de Alvarenga, Arouca, está a ser recuperada com os materiais tradicionais das aldeias como o xisto e a lousa. A população da aldeia era constituída por camponeses dedicados ao amanho da terra e por trabalhadores das minas de volfrâmio, antes de começar a desertificar-se por efeito da emigração.

Consumo de carne vermelha está associada ao cancro

Parece existir uma associação entre o consumo de carne vermelha e o risco de desenvolver cancro no intestino, revelou um estudo da European Prospective Investigation into Câncer and Nutrition, que analisou os hábitos alimentares de mais de 500 mil europeus durante 10 anos. O estudo, publicado no Journal of the National Câncer Institute, mostrou que aqueles que ingeriam mais de duas porções de 80 gramas de carne vermelha por dia tinham 30% mais probabilidades de desenvolver a patologia em relação àqueles que consomem carne apenas uma vez por semana.

Greve nos STCP teve grande adesão

A greve convocada pelo 3 sindicatos do sector representativos dos trabalhadores da Sociedade dos Transportes Colectivos do Porto (STCP) para o dia 1 de Julho paralisou a empresa: segundo os sindicatos 80% dos autocarros não circularam até às 12 horas. Os trabalhadores lutam por aumentos salariais e manutenção de direitos adquiridos

Greve dos Enfermeiros

Teve uma adesão de 85% a greve dos enfermeiros levada a cabo no dia 29 de Julho. A greve é contra o congelamento das carreiras, o adiamento da idade da reforma, e outras medidas lesivas dos direitos adquiridos.

Manif de praças da Armada contra cortes nos seus direitos

Centenas de praças da Armada manifestaram-se no passado dia 30 de Julho numa marcha entre o Estado Maior da Armada e a Assembleia da Republica, descontentes com as medidas que os prejudicam na progressão das carreiras e na assistência à saúde.

Lear anuncia encerramento da empresa

A multinacional Lear Corporation anunciou o encerramento da sua unidade fabril têxtil situada na Póvoa de Lanhoso, o que vai atirar para o desemprego mais 800 trabalhadores. O motivo é a deslocalização para os países de leste onde o custo da mão de obra é muito mais baixo.
Recorde-se que aquela empresa tinha sido inaugirada compompa e circunstancia prlo ex-ministro Pina e Moura em 13/3/1998.
Acresce que outras 14 empresas têxteis, com cerca de 400 trabalhadores, do concelho de Cabeceiras de Basto, e que forneciam para a Benetton e Zara, estão em vias de encerarrar uma vez que foi anunciado o fim das encomendas a aprtir do próximo 15 de Agosto.

Trabalhadores da Grundig fizeram greve

Os trabalhadores do complexo Grundig sediado em Braga fizeram uma greve no passado dia 28 de Junho em defesa da contratação colectiva, e pela perda de direitos adquiridos. Dados recolhidos permitem constatar que toda a linha de produção parou. Recorde-se que no complexo Grundig em Braga trabalham cerca de 2800 trabalhadores.

A Woco em Viseu vai deslocalizar-se

A empresa alemã Woco que produz componentes de borracha para a indústria automóvel em Viseu vai fechar até ao final do ano lançando mais 100 trabalhadores para o desemprego, foi anunciado pela administração da empresa.

1.7.05

Habitam-me...

«Habitam-me um animal, uma flor e um deus, mergulhados em água e fogo. Ou, por outras palavras, comungo de uma multiplicidade de elementos, que o aspecto social não consegue esgotar, apesar da sua tentação tenaz de os anular. A sociedade exige que eu negue a minha natureza animal, vegetal, mineral e divina. Tal como pretende impedir que eu seja criança só porque já sou adulta, que eu também seja homem, uma vez que sou mulher. Aos meus mil rostos procura apôr uma máscara definitiva. A isso chama ela realização.
Confesso que uma sociedade destas não me interessa.»

Regina Louro, escritora e tradutora

O general obsceno

Esta sociedade é obscena em produzir e exibir indecorosamente uma abundância sufocante de mercadorias, ao mesmo tempo que priva muitos, da satisfação das necessidades vitais; obscena em atolhar-se a si própria de bens, enquanto as latas dos seus desperdícios envenenam o mundo dos explorados (…) Obscena não é a gravura de uma mulher nua que expõe os pêlos do púbis, mas sim o general completamente vestido que exibe as suas medalhas de uma guerra de agressão.

Herbert Marcuse, in «Ensaio para a Libertação»

O vagabundo

Hoje em dia o vagabundo vê-se aflito para vagabundear devido ao aumento da vigilância policial nas auto-estradas, entrepostos ferroviárias, cais marítimos, margens de rios, aterros e mil e um esconderijos da noite industrial.
Na Califórnia, o rato de mochila, o velho tipo que vai a butes de cidade a cidade com as provisões e a cama às costas, o «irmão sem lar», desapareceu praticamente, juntamente com o antigo rato do deserto, peneirador de ouro que costumava percorrer com a esperança no coração as labutadoras cidades do Oeste que são hoje tão prósperas que já não querem velhos vagabundos.
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Grandes e sinistros carros de Polícia, pagos pelos contribuintes ( modelos de 1960 com holofotes tristes) são muito bem capazes de se abater sobre o vagabundo no seu trote idealista para a liberdade e para os montes do santo silêncio e santa intimidade. Não há nada mais nobre do que suportar algumas inconveniências como cobras e poeira por amor da liberdade absoluta.
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Considera-se que acampar um desporto saudável para escuteiros, mas um crime quando é praticado os homens adultos que disso fizeram a sua vocação. A pobreza é considerada uma virtude entre os monges das nações civilizadas, mas passa-se uma noite nos calabouços quando se é apanhado sem o mínimo admissível para vagabundear ( da última vez que tive conhecimento disso, eram cinquenta cêntimos, mas quanto será agora?)
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No tempo de Brueghel as crianças dançavam à roda do vagabundo, que vestia roupas enormes e esfarrapadas e olhava sempre em frente, e as famílias não se importavam de as suas crianças brincarem com o vagabundo, que era uma coisa natural. Mas hoje as mães agarram bem os filhos quando o vagabundo passa pela cidade por causa daquilo em que os jornais o transformaram – violentador, estrangulador, comedor de crianças. Afastam-se de desconhecidos, que lhes dão rebuçados envenenados. Embora o vagabundo de Brueghel e o vagabundo de hoje sejam o mesmo, as crianças mudaram. Onde está sequer o vagabundo chaplinesco? Hoje o vagabundo anda furtivamente – toda a gente passou a ver filmes de polícias, os actuais heróis na TV.

Jack Kerouac, in Viajante Solitário

29.6.05

A tribo que escapou ao tsunami está agora ameaçada pelos colonos

A tribo isolada dos Jarawa, nas ilhas Andaman, ao largo da Índia, que no passado mês de Dezembro ocupou as páginas dos jornais por tere sobrevivido ao tsunami, arrisca-se agora a sucumbir e a desaparecer em consequência da invasão do seu território por colonos recém-chegados do continente indiano.
Os Jarawa são presentemente uma tribo constituída por 270 indivíduos que vivem na floresta, caçando com a ajuda de arcos e flechas. Só a partir de 1998 começaram a ter contactos pacíficos com o exterior.
Segundo informações recolhidas assiste-se neste momento à contínua chegada de colonos indianos que invadem o seu território, apropriam-se dos seus recursos, fornecem-lhes álcool e tabaco, violam as suas mulheres, e começam já a utilizar os homens como mão-de-obra barata no lucrativo negócio das bananas. A polícia local acaba por ser cúmplice destes abusos.
Todos estes contactos não controlados com o mundo exterior fazem temer por uma contaminação dos membros da tribo por doenças, a que a tribo esteve imune graças ao seu isolamento ao longo de milhares de anos.
Stephen Corry, director da Survival International receia pelo desaparecimento rápido de mais esta população indígena.
Recorde-se que, ao contrário das outras populações da região, os Jarawa não foram atingidos pelo tsunami que flagelou as costas da sua ilha, e tal facto se deve à estreita relação da tribo com o seu meio que lhes terá permitido prever a catástrofe

Mais info:

http://www.survival-international.org/fr/tc%20jarawa.htm

a liberdade é sempre inconveniente

«…a perspectiva de permanecer de todo livre para falar, anima-me porque prezo a liberdade; e porque nunca esperei que a liberdade fosse menos do que inconveniente.»
E.E. Cummings

28.6.05

Todas as flores artificiais do mundo plástico não valem um lírio dos campos

Castro Laboreiro, 17 de Julho de 1976

Como um clínico que assiste impotente à agonia de um moribundo, a sentir-lhe o pulso a apagar-se lentamente debaixo do polegar aflito, assim eu acompanho há anos a progressiva degradação desta terra, que preservou séculos a fio, inalteráveis, sacrossantos valores humanos e sociais, e hoje quase só pode garantir, a quem a visita, a pureza e autenticidade do ar que respira e da água que bebe. Tudo o mais se abastardou. O carácter das construções e dos trajes, a sobriedade da alimentação, o tipismo das falas, as práticas agro-pastoris. Foi aqui, em Vilarinho das Furnas e em Rio de Onor que vi pela primeira vez ao natural criaturas de Deus na sua plenitude livre e solidária. E - já que Vilarinho das Furnas desapareceu do mapa, engolida por uma albufeira – é em Rio de Onor e Castro Laboreiro que o meu comunitarismo impenitente mergulha as raízes. Teimo, portanto, nestas visitas, mesmo de progressivo desencanto. Tenho como verdade de fé que o homem há-de acabar por reagir contra a massificação planetária em que vai embarcado. A razão e o instinto hão-de acabar por dizer-lhe que todas as flores artificiais do mundo plastificado não valem um lírio dos campos, que todas as químicas laboratoriais não valem a fermentação de um carro de estrume, que todos os apitos imperativos do progresso não valem o som cordial de um chocalho. Nessa hora redentora, que não deve tardar – e, quanto mais tarde, pior – estes santuários serão redescobertos, reconstruídos e dignificados. Daí que eu sofra mas não desanime a vê-los desmoronar. A minha esperança está nos alicerces.

Miguel Torga, in Diário XII

A Não-Violência

«As populações têm na não-violência uma arma que permite a uma criança, a uma mulher ou mesmo a um velho sem forças resistir e derrubar o mais poderoso dos governos»
Gandhi


A VIOLÊNCIA

- é um desperdício estúpido de vidas humanas, de muitos recursos da inteligência, e muitas vezes, da enorme riqueza da vida vegetal e mineral que deveriam ser conservadas

- é elitista, pois gera hierarquias disciplinadas de especialistas, que seguem um lógica própria, difícil de controlar. Além disso, a violência privilegia os jovens e os saudáveis ( normalmente, os homens)

- é mistificante, porque normalmente manipula as emoções, utilizando expedientes, truques, mentiras, hinos, bandeiras, medalhas, uniformes, veneração de heróis, tendo quase sempre uma veneração reverencial à arma, supremo símbolo da violência.

- é perturbadora da personalidade, uma vez que encoraja atitudes de agressão, levando as pessoas a tratar dos outros como objectos a remover ou eliminar, tal como num jogo se tratasse

- é corruptora e auto-perpetua-se, originando a sua própria espiral de paranóia, fugindo a qualquer controle político

- é sexista, já que tem sido praticada, historicamente, pelos homens

-é injusta, porquanto tende à vitória do mais forte, e não do mais justo



A NÃO-VIOLÊNCIA

- é humana, porque utiliza sobretudo as qualidades que só a espécie humana possui

- é subversiva, porque mina a legitimidade das instituições vigentes que se mantêm pela força ( por definição, o Estado tem o monopólio da violência), ataca as fontes de poder, não respeitando as normas sociais impostas, e permite a mobilização de outros valores sociais, estranhos a todas as formas de dominação

- é um método civilista, uma vez que pressupõe a politização e a consciencialização da população, baseando-se na bravura física e na força de vontade das pessoas, permitindo a participação popular de todos, e não só dos mais aptos, nem apenas dos especialistas

- é voluntária, já que nos métodos de não-violência as pessoas não são recrutadas obrigatoriamente, nem pela pura propaganda, nem a disciplina é mantida pelo medo

- é radical, porquanto os seus métodos envolvem incentivos à consulta e participação da maior parte da população, constituindo uma pré-figuração das sociedades mais livres.

- ajusta-se a todas as comunidades, não sendo necessário o recurso e o investimento a tecnologias, a máquinas nem a indústrias que são característica da civilização ocidental tecno-burocrática

- restringe e inibe a violência descontrolada e a fuga dos conflitos para fora do controle político das populações

- é dignificante, já que só depende da vontade de afirmação das pessoas e da sua recusa em abdicar dos seus argumentos, considerados os mais justos


Conclusão: A não-violência é, portanto, muito mais do que uma táctica útil e pragmática. Na realidade, a não-violência promove activamente a participação popular e a criação de estruturas descentralizadas. Para além disso, supõe a mobilização das consciências e das energias individuais e colectivas para novas formas de relacionamento, opostas às relações de dominação, à violência e à exploração, típicas das sociedades hierarquizadas e estratificadas como é a actual sociedade capitalista

27.6.05

A Solidariedade nas plantas, nos animais, nos humanos

Foi lançado mais um livro no catálogo de uma nova editora, Mareantes Editores (www.mareantes.com), cujas edições merecem alguma atenção dado o seu interesse e as áreas que cobrem, nomeadamente a ecologia, a história e a mitologia.

A recente edição é uma tradução para português do livro de Jean-Marie Pelt, professor de biologia vegetal e de farmacologia na Universidade de Metz, e ainda presidente do Instituto Europeu de Ecologia, e tem como título « A Solidariedade nas plantas, nos animais, nos humanos».
Na contracapa da edição portuguesa pode-se ler:

Uma interpretação, muito discutível, da obra de Darwin impôs a competição e a luta como os motores da vida, tanto da natureza como na sociedade. Em alternativa, o autor propõe-nos uma visão diferente: a natureza realiza inumeráveis sistemas de simbioses e solidariedades que desempenharam um papel determinante em toda a evolução biológica e sem as quais seria impossível de compreender o funcionamento dos ecossistemas. Para tal o autor apresenta-nos numerosos e variados exemplos como os dos líquenes e dos corais, seres duplos em que cada uma das partes presta serviços à outra; dos cogumelos, que alimentam as árvores que parecem parasitar.No reino animal, as prestações de serviços mútuos entre as espécies são efectivamente correntes. Peixes e aves praticam comportamentos de entreajuda que atestam um autêntico altruísmo: estes, como a amizade entre inúmeros mamíferos, não são exclusivos do homem.Quanto às sociedades humanas, estas edificaram magníficas organizações: as mutualidades, as cooperativas, a segurança social e os seguros, etc., que são a base da economia solidária.A elaboração de novos mecanismos de solidariedade torna-se, portanto, absolutamente necessária caso se pretenda amanhã assegurar a todos um emprego e um estatuto dignos dum ser humano: mas, também, para salvar o planeta das ameaças crescentes que pesam sobre o nosso modo do desenvolvimento.
Jean-Marie Pelt é professor emérito de biologia vegetal e de farmacologia na Universidade de Metz e presidente do Instituto Europeu de Ecologia. Conhecido autor de obras de divulgação publicou mais de trinta títulos dedicados a temas de botânica, farmacologia e ecologia, alguns dos quais já editados em Portugal (A Prodigiosa Aventura das Plantas, Gradiva, 1984; A Natureza Reencontrada, Gradiva, 1991; Do Universo ao Ser, Instituto Piaget, 1998; A Mais Bela História das Plantas, ASA, 2000; A Terra como Herança, Editorial Inquérito, 2001; Os Novos Remédios Naturais, Bizâncio, 2002)


Reproduz-se uma pequena recensão crítica sobre a obra de Jean-Marie Pelt, «A Solidariedade nas plantas, nos animais, nos humanos»


La solidarité selon Jean-Marie Pelt
Par Nicole DuparcAvec
Jean-Marie Pelt, biologiste et professeur émérite de biologie végétale à l'université de MetzVéritable moteur de la vie, la solidarité est le thème central du dernier livre de Jean-Marie Pelt, professeur émérite de biologie végétale à l’Université de Metz et président de l’institut européen d’écologie. Dans son précédent livre, La loi de la jungle (éd. Fayard), le botaniste de renommée internationale montrait à quel point l’agressivité, expression de l’omniprésente lutte pour la vie reste prégnante dans les sociétés humaines. En effet, "de l’immense majorité des mammifères, l’homme est l’espèce la plus agressive envers elle-même et envers la nature" comme le souligne Jean-Marie Pelt.

Mais l’agressivité réciproque n’est pas l’unique loi en ce monde… Son dernier ouvrage, La solidarité chez les plantes, les animaux, les humains (éd. Fayard), explore les innombrables systèmes de symbioses et de solidarité mis en œuvre par la nature et les hommes. De la pâquerette faisant de l’aide sociale à l’égard de la chicorée en passant par l’acacia qui fournit gîte et couvert aux fourmis, les exemples de symbioses performantes fondées sur la solidarité entre espèces foisonnent ! Les plus agressifs ne sont donc pas forcément les mieux adaptés…Poissons et oiseaux pratiquent également des comportements d’entraide témoignant d’un véritable altruisme et il arrive que des relations d’amitié puissent naître entre les espèces les plus hostiles.

Quant aux sociétés humaines, elles ont également mis en œuvre de multiples organisations, représentant ce que Jean-Marie Pelt appelle l’économie solidaire : coopératives, mutualités, assurances, etc.

Mais force est de constater qu’aujourd’hui l’individualisme et le goût de la compétition sont au cœur de la mondialisation: "Chacun est de plus en plus libre de faire n’importe quoi, les marchés ayant toujours le dernier mot. Telle est la loi de la jungle, précisément" écrit encore
Jean-Marie Pelt.

S’élevant contre une interprétation discutable de l’œuvre de Darwin imposant la compétition et la lutte comme les moteurs de la vie,
Jean-Marie Pelt met en lumière le fonctionnement de symbioses très suggestives à travers lesquelles se déploie l’art et la manière de vivre ensemble….

Outras edições da mesma editora:

A REVOLTA DOS CIOMPI - de Nicolau Maquiavel
(Trata da revolta dos ciompi na Florença, no início do último quartel do século XIV, jóia do capitalismo ascendente na Europa mais abastada, uma república corporativista dirigida caoticamente por comerciantes internacionais, grandes banqueiros e detentores de grandes manufacturas têxteis. É nesta cidade rica, que em 1378 eclode uma insurreição das classes mais exploradas e desfavorecidas (os Ciompi) que chega a tomar o poder, ainda que por um breve período de tempo, e até a impor algumas reformas. A singularidade desta revolta é exemplar, pois forçosamente nos remete para a evocação de confrontos sociais mais recentes ou mesmo contemporâneos)


RAMEIRAS E ESPOSAS, quatro Mitos sobre Sexo e Dever – de Antonio Escohotado
(Este livro apaixonante rememora quatro lendas clássicas, vendo nelas diferentes modos de assumir o destino feminino e o destino masculino. Do lado da mulher está Ishtar, Hera, Dejanira e Maria. Do lado do homem está Gilgamesh, Zeus, Hércules e José.Diferentemente da novela e do ensaio, que se constroem sobre puras personagens ou ideias puras, os mitos falam-nos de heróis e heroínas que contam a nossa história mais íntima a partir da sua.Consideradas como lendas sobre sexo e dever – ou como catálogo de responsabilidades associadas à posse de um género sexual –, o autor sugere que estes mitos ilustram etapas de uma longa guerra, repleta de equívocos, com razões e cláusulas para diversos armistícios. Completando a lógica interna das suas peripécias, os capítulos finais examinam o panorama doméstico no mundo antigo e no actual.)


CARTAS DA TERRA – de Mark Twain



Para mais informações sobre a editora:
www.mareantes.com

Todos os estudantes norte-americanos passaram a ser fichados pelo Pentágono

O ministério da defesa norte-americano começou a trabalhar com uma empresa privada com o objectivo de criar uma base de dados para recensear os estudantes liceais de 16 a 18 anos, assim como todos os restantes estudantes universitários, com o objectivo de ajudar o exército a identificar os potenciais recrutas.

A notícia foi publicada no Washington Post e pode ser lida na sua integralidade aqui:
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2005/06/22/AR2005062202305_pf.html




Pentagon Creating Student Database

Recruiting Tool For Military Raises Privacy Concerns

By Jonathan Krim
Washington Post Staff Writer
Thursday, June 23, 2005; A01


The Defense Department began working yesterday with a private marketing firm to create a database of high school students ages 16 to 18 and all college students to help the military identify potential recruits in a time of dwindling enlistment in some branches.
The program is provoking a furor among privacy advocates. The new database will include personal information including birth dates, Social Security numbers, e-mail addresses, grade-point averages, ethnicity and what subjects the students are studying.
The data will be managed by BeNow Inc. of Wakefield, Mass., one of many marketing firms that use computers to analyze large amounts of data to target potential customers based on their personal profiles and habits.
"The purpose of the system . . . is to provide a single central facility within the Department of Defense to compile, process and distribute files of individuals who meet age and minimum school requirements for military service," according to the official notice of the program.
Privacy advocates said the plan appeared to be an effort to circumvent laws that restrict the government's right to collect or hold citizen information by turning to private firms to do the work.
Some information on high school students already is given to military recruiters in a separate program under provisions of the 2002 No Child Left Behind Act. Recruiters have been using the information to contact students at home, angering some parents and school districts around the country.
School systems that fail to provide that information risk losing federal funds, although individual parents or students can withhold information that would be transferred to the military by their districts. John Moriarty, president of the PTA at Walter Johnson High School in Bethesda, said the issue has "generated a great deal of angst" among many parents participating in an e-mail discussion group.
Under the new system, additional data will be collected from commercial data brokers, state drivers' license records and other sources, including information already held by the military.
"Using multiple sources allows the compilation of a more complete list of eligible candidates to join the military," according to written statements provided by Pentagon spokeswoman Lt. Col. Ellen Krenke in response to questions. "This program is important because it helps bolster the effectiveness of all the services' recruiting and retention efforts."
The Pentagon's statements added that anyone can "opt out" of the system by providing detailed personal information that will be kept in a separate "suppression file." That file will be matched with the full database regularly to ensure that those who do not wish to be contacted are not, according to the Pentagon.
But privacy advocates said using database marketers for military recruitment is inappropriate.
"We support the U.S. armed forces, and understand that DoD faces serious challenges in recruiting for the military," a coalition of privacy groups wrote to the Pentagon after notice of the program was published in the Federal Register a month ago. "But . . . the collection of this information is not consistent with the Privacy Act, which was passed by Congress to reduce the government's collection of personal information on Americans."
Chris Jay Hoofnagle, West Coast director of the Electronic Privacy Information Center, called the system "an audacious plan to target-market kids, as young as 16, for military solicitation."
He added that collecting Social Security numbers was not only unnecessary but posed a needless risk of identity fraud. Theft of Social Security numbers and other personal information from data brokers, government agencies, financial institutions and other companies is rampant.
"What's ironic is that the private sector has ways of uniquely identifying individuals without using Social Security numbers for marketing," he said.
The Pentagon statements said the military is "acutely aware of the substantial security required to protect personal data," and that Social Security numbers will be used only to "provide a higher degree of accuracy in matching duplicate data records."
The Pentagon said it routinely monitors its vendors to ensure compliance with its security standards.
Krenke said she did not know how much the contract with BeNow was worth, or whether it was bid competitively.
Officials at BeNow did not return several messages seeking comment. The company's Web site does not have a published privacy policy, nor does it list either a chief privacy officer or security officer on its executive team.
According to the Federal Register notice, the data will be open to "those who require the records in the performance of their official duties." It said the data would be protected by passwords.
The system also gives the Pentagon the right, without notifying citizens, to share the data for numerous uses outside the military, including with law enforcement, state tax authorities and Congress.
Some see the program as part of a growing encroachment of government into private lives, particularly since the Sept. 11, 2001, terrorist attacks.
"It's just typical of how voracious government is when it comes to personal information," said James W. Harper, a privacy expert with the Cato Institute, a libertarian think tank. "Defense is an area where government has a legitimate responsibility . . . but there are a lot of data fields they don't need and shouldn't be keeping. Ethnicity strikes me as particularly inappropriate."
Yesterday, the New York Times reported that the Social Security Administration relaxed its privacy policies and provided data on citizens to the FBI in connection with terrorism investigations.


Microsoft, Yahoo e Google colaboram com o governo chinês na censura

A fim de ter acesso ao lucrativo mercado de cerca de 100 milhõesde internautas chineses, a Microsoft, a Yahoo, a Google, a Cisco, a Nortel, a Sun ou a Websense acabam de aceitar, face às autoridades chinesas, bloquear sistematicamente o acesso a todas as páginas web onde estejam as palavras como «democracia», «liberdade», «direitos do homem», «independência de Taiwan» ou muito simplesmente «manifestação».