A empresa multinacional agroquímica Monsanto vai pagar uma multa de 1,5 milhão de dólares por subornar uma autoridade da Indonésia para facilitar a introdução de produtos transgénicos no país. A empresa admitiu que há três anos pagou 50 mil dólares a um elemento do governo indonésio para facilitar a aprovação da introdução do algodão.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou o acordo pelo qual a multinacional vai pagar a multa em troca de que as autoridades não apresentem nenhuma acusação formal durante os próximos três anos. Neste período, a empresa será monitorada e caso cumpra todos os termos do pacto, o caso será abandonado.
Segundo as acusações, a Monsanto contratou uma empresa indonésia de consultoria que subornou um funcionário do ministério do Meio Ambiente da Indonésia para autorizar a venda de produtos transgénicos sem que fossem feitas as avaliações de impacto ambiental, o que é exigido no país. Pela transacção, um funcionário da empresa norte-americana pediu para que a consultoria apresentasse facturas falsas, especificando como "gastos de consultoria", o que consta também nos livros da contabilidade da Monsanto.
Nos Estados Unidos, há uma lei contra as práticas corruptas no exterior que persegue as empresas norte-americanas que realizam subornos ou práticas similares. Apesar do suborno, a autoridade indonésia, que não foi identificada, não alterou o decreto que determinava a necessidade de um estudo de impacto ambiental do algodão transgénico. A Monsanto disse ter despedido todos os funcionários envolvidos no caso e que criou o cargo de director de conduta nos negócios. A empresa também actua no Brasil e beneficia da nova lei que liberaliza o plantio de transgénicos.
Fonte:http://www2.rnw.nl/rnw/pt/atualidade/americadonorte/at050107Monsanto_transgenicos
20.1.05
Afinal, a produtividade em Portugal é maior que nos Estados Unidos!!!!
Para contrariar a ideia peregrina que os trabalhadores portugueses não trabalham (!!!) e que as nossas baixas taxas de produtividade se mostram insuficientemente competitivas em relação às suas congéneres dos países e das economias desenvolvidas encontramos um estudo realizado pelo Deutsche Bank, cujas conclusões foram agora divulgadas na grande imprensa.
Soube-se assim pelo Jornal de Notícias de 19 de Janeiro de 2005 que a produtividade do capital e do trabalho em Portugal cresceu mais do que nos Estados Unidos da América, quando comparada a produção total por hora trabalhada, segundo o referido estudo do Deutsche Bank.
Entre 1995 e 2003, a produção por hora trabalhada aumentou anualmente 2,2% em Portugal e 2,1% nos USA.
De 1990 a 1995, a diferença de crescimento foi maior, já que Portugal viu a sua produtividade crescer 3,1% por ano, contra os 1,3% dos norte-americanos.
Os analistas da instituição financeira alemã explicam que as diferenças de produtividade são normalmente empoladas a favor dos USA devido a «artefactos» estatísticos.
Tradicionalmente, os norte-americanos consideram a produtividade uma medida da produção por pessoas empregada, deixando de fora o sector agrícola e excluindo os valores das empresas públicas, ao contrário do que se passa na Europa, onde estes factores são incluídos.
Para ultrapassar essas dificuldades de comparação, a equipa de investigadores do Deutsche Bank preferiu avaliar a produtividade, enquanto medida da eficiência da produção, olhando para a produção por hora trabalhada, em linha de conta não só com o factor trabalho , mas também como o factor capital.
Na análise tradicional, a diferença entre a produtividade do trabalho na União Europeia e dos USA é 1,5 pontos percentuais por ano, mas segundo o novo esquema analítico que se refere à produtividade total (com capital e trabalho) essa diferença reduz-se já para 0,5 pontos percentuais.
De qualquer modo, nesta nova análise da produtividade alguns países europeus superam claramente a produtividade dos norte-americanos, entre os quais se conta Portugal com níveis de crescimento da produtividade total mais elevados que os norte-americanos, e da ordem dos 2,2% (entre 1995 e 2003)
Para contrariar a ideia peregrina que os trabalhadores portugueses não trabalham (!!!) e que as nossas baixas taxas de produtividade se mostram insuficientemente competitivas em relação às suas congéneres dos países e das economias desenvolvidas encontramos um estudo realizado pelo Deutsche Bank, cujas conclusões foram agora divulgadas na grande imprensa.
Soube-se assim pelo Jornal de Notícias de 19 de Janeiro de 2005 que a produtividade do capital e do trabalho em Portugal cresceu mais do que nos Estados Unidos da América, quando comparada a produção total por hora trabalhada, segundo o referido estudo do Deutsche Bank.
Entre 1995 e 2003, a produção por hora trabalhada aumentou anualmente 2,2% em Portugal e 2,1% nos USA.
De 1990 a 1995, a diferença de crescimento foi maior, já que Portugal viu a sua produtividade crescer 3,1% por ano, contra os 1,3% dos norte-americanos.
Os analistas da instituição financeira alemã explicam que as diferenças de produtividade são normalmente empoladas a favor dos USA devido a «artefactos» estatísticos.
Tradicionalmente, os norte-americanos consideram a produtividade uma medida da produção por pessoas empregada, deixando de fora o sector agrícola e excluindo os valores das empresas públicas, ao contrário do que se passa na Europa, onde estes factores são incluídos.
Para ultrapassar essas dificuldades de comparação, a equipa de investigadores do Deutsche Bank preferiu avaliar a produtividade, enquanto medida da eficiência da produção, olhando para a produção por hora trabalhada, em linha de conta não só com o factor trabalho , mas também como o factor capital.
Na análise tradicional, a diferença entre a produtividade do trabalho na União Europeia e dos USA é 1,5 pontos percentuais por ano, mas segundo o novo esquema analítico que se refere à produtividade total (com capital e trabalho) essa diferença reduz-se já para 0,5 pontos percentuais.
De qualquer modo, nesta nova análise da produtividade alguns países europeus superam claramente a produtividade dos norte-americanos, entre os quais se conta Portugal com níveis de crescimento da produtividade total mais elevados que os norte-americanos, e da ordem dos 2,2% (entre 1995 e 2003)
Soube-se assim pelo Jornal de Notícias de 19 de Janeiro de 2005 que a produtividade do capital e do trabalho em Portugal cresceu mais do que nos Estados Unidos da América, quando comparada a produção total por hora trabalhada, segundo o referido estudo do Deutsche Bank.
Entre 1995 e 2003, a produção por hora trabalhada aumentou anualmente 2,2% em Portugal e 2,1% nos USA.
De 1990 a 1995, a diferença de crescimento foi maior, já que Portugal viu a sua produtividade crescer 3,1% por ano, contra os 1,3% dos norte-americanos.
Os analistas da instituição financeira alemã explicam que as diferenças de produtividade são normalmente empoladas a favor dos USA devido a «artefactos» estatísticos.
Tradicionalmente, os norte-americanos consideram a produtividade uma medida da produção por pessoas empregada, deixando de fora o sector agrícola e excluindo os valores das empresas públicas, ao contrário do que se passa na Europa, onde estes factores são incluídos.
Para ultrapassar essas dificuldades de comparação, a equipa de investigadores do Deutsche Bank preferiu avaliar a produtividade, enquanto medida da eficiência da produção, olhando para a produção por hora trabalhada, em linha de conta não só com o factor trabalho , mas também como o factor capital.
Na análise tradicional, a diferença entre a produtividade do trabalho na União Europeia e dos USA é 1,5 pontos percentuais por ano, mas segundo o novo esquema analítico que se refere à produtividade total (com capital e trabalho) essa diferença reduz-se já para 0,5 pontos percentuais.
De qualquer modo, nesta nova análise da produtividade alguns países europeus superam claramente a produtividade dos norte-americanos, entre os quais se conta Portugal com níveis de crescimento da produtividade total mais elevados que os norte-americanos, e da ordem dos 2,2% (entre 1995 e 2003)
Para contrariar a ideia peregrina que os trabalhadores portugueses não trabalham (!!!) e que as nossas baixas taxas de produtividade se mostram insuficientemente competitivas em relação às suas congéneres dos países e das economias desenvolvidas encontramos um estudo realizado pelo Deutsche Bank, cujas conclusões foram agora divulgadas na grande imprensa.
Soube-se assim pelo Jornal de Notícias de 19 de Janeiro de 2005 que a produtividade do capital e do trabalho em Portugal cresceu mais do que nos Estados Unidos da América, quando comparada a produção total por hora trabalhada, segundo o referido estudo do Deutsche Bank.
Entre 1995 e 2003, a produção por hora trabalhada aumentou anualmente 2,2% em Portugal e 2,1% nos USA.
De 1990 a 1995, a diferença de crescimento foi maior, já que Portugal viu a sua produtividade crescer 3,1% por ano, contra os 1,3% dos norte-americanos.
Os analistas da instituição financeira alemã explicam que as diferenças de produtividade são normalmente empoladas a favor dos USA devido a «artefactos» estatísticos.
Tradicionalmente, os norte-americanos consideram a produtividade uma medida da produção por pessoas empregada, deixando de fora o sector agrícola e excluindo os valores das empresas públicas, ao contrário do que se passa na Europa, onde estes factores são incluídos.
Para ultrapassar essas dificuldades de comparação, a equipa de investigadores do Deutsche Bank preferiu avaliar a produtividade, enquanto medida da eficiência da produção, olhando para a produção por hora trabalhada, em linha de conta não só com o factor trabalho , mas também como o factor capital.
Na análise tradicional, a diferença entre a produtividade do trabalho na União Europeia e dos USA é 1,5 pontos percentuais por ano, mas segundo o novo esquema analítico que se refere à produtividade total (com capital e trabalho) essa diferença reduz-se já para 0,5 pontos percentuais.
De qualquer modo, nesta nova análise da produtividade alguns países europeus superam claramente a produtividade dos norte-americanos, entre os quais se conta Portugal com níveis de crescimento da produtividade total mais elevados que os norte-americanos, e da ordem dos 2,2% (entre 1995 e 2003)
Aumento do desemprego
Segundo números divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional o total de desempregados inscritos nos centros de emprego do nosso país em Dezembro de 2004 é de 468.852 pessoas, o que corresponde a um aumento de 3,6 % relativamente ao mês de Dezembro do ano anterior. 42,2% dos desempregados relacionam-se com o chamado desemprego de longa duração. Do total de desempregados 56,% são mulheres e 43,7% são homens.
Esta estatísticas oficiais não incluem obviamente todos os existentes nem o sub-emprego, nem ainda o trabalho precário dos contratos temporários e dos contratos a prazo.
Esta estatísticas oficiais não incluem obviamente todos os existentes nem o sub-emprego, nem ainda o trabalho precário dos contratos temporários e dos contratos a prazo.
19.1.05
As auto-estradas: linhas da palma da mão ou tatuagens da ditadura do homem sobre a terra?
(texto de Vandana Shiva, publicado em zmag.org)
As auto-estradas tornaram-se na identidade distorcida da Índia contemporânea ao criarem raízes no coração do imaginário da Índia radiante (Índia Shining).
O primeiro-ministro indiano foi citado ao ter declarado:
«As auto-estradas são como as linhas da palma da mão. Há uma linha do destino que ligará Srinagar a Kanyakumani. Não demorará muito a hora em que poderemos sair de Kanyakumani e chegar facilmente a Srinagar.»
A redefinição da actual Índia pressupõe o esquecimento da Bharat, a Índia autêntica ( o nome oficial da Índia é Bharat Garanajivá). Escrever o nosso destino no cimento é apagar o destino do nosso solo, da nossa terra e da nossa ecologia.
Na Índia consideramos as nossas montanhas e os nossos rios como as «linhas da palma da nossa mão». São uma parte intrínseca da ecologia e da geografia da nossa terra-mãe: são, no fundo, os nossos doadores e os nossos receptores.
As auto-estradas não são, pois, as linhas da palma da mão, são antes como que tatuagens, marcas negras impostas na paisagem por efeito de decisões externas, um desenho que centraliza e exclui, um projecto que já fora utilizado, em outras épocas, por Hitler, para controlar o destino dos alemães. O carácter violento de um tal desenho, imposto a partir do exterior, ficou simbolizado no assassinato de um engenheiro, Dubey, que tentou denunciar e tornar pública a corrupção nos contratos de construção das auto-estradas, promovidos pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional.
Nós estamos intimamente ligados à nossa terra, aos nossos rios e montanhas. Foi a terra que moldou o nosso destino. E é através dessa união que nós nos unimos, enquanto civilização, desde Cachemira até Kanyakumari.
As fontes dos afluentes do Ganges são os «Char Dhams» ( Char Dham é uma expressão que inclui os quatro templos mais venerados da Índia). A população cruza o país em peregrinação até aos Himalaias, onde se encontra Yamunotri, Gangotri, Kedarnath e Badrinath. Nunca ninguém precisou de auto-estradas para que as pessoas do sul pudessem fazer essa peregrinação; eram suficientes os laços sagrados com as nossas montanhas e os nossos rios. Aliás, a peregrinação ganhava valor justamente pelo facto das pessoas fazerem-na a pé. A Índia sempre valorizou a «Padyatra» ( a marcha a pé).
A marcha de Gandhi foi uma Padyatra. O movimento Chipko ( movimento de resistência contra a destruição das florestas da índia, como fonte de recursos vitais, nos anos 70 e 80) difundiu-se a partir das montanhas dos Himalais por meio de Padyatras. Ainda hoje em dia, milhares de pessoas caminham com o objectivo de levar para casa «Gangajal» ( a água sagrada do Ganges), nas festas de Shivrathri ( a grande noite de Shiva). A maioria das mulheres das zonas rurais da índia costumam ir a pé buscar folhagem, lenha e água. Tais caminhadas serão cada vez mais longas à medida em que cada vez mais árvores serão cortadas, e menos água será encontrada, por causa do cimento e do alcatrão que as auto-estradas irão trazer.
A substituição, no nosso imaginário, dos nossos grandes rios sagrados pelas auto-estradas, assim como a troca da nossa união com a terra sagrada, com as suas montanhas e florestas, pelas ligações rodoviárias de alcatrão e cimento, vai mudar a ecologia da Índia, a sua cultura e a sua singularidade, e tudo isto só para adoptar o modelo ocidental de desenvolvimento obsoleto, fora de moda e insustentável pelo seu altíssimo custo social e ambiental.
Tagore recorda-nos que a Índia é diferente porque é uma «Aranya Sanskriti», isto é, inspira-se nas suas florestas e nos seres vivos, enquanto as características do ocidente derivam de tijolos e argamassas mortos.
E Gandhi escreveu:
« A civilização moderna procura aumentar os confortos do corpo, contudo, fracassa miseravelmente nisso… frente a uma civilização dessas, o que devemos é ser pacientes, porque ela inevitavelmente se autodestruirá… apesar de não haver limite para as vítimas que serão imoladas no seu altar. Os seus efeitos letais levarão as pessoas a lançarem-se nas suas chamas, acreditando que tudo isso é muito bom».
A Índia é acusada de que seu povo é incivilizado, ignorante e estúpido, o que significa uma acusação contra aquilo que constitui a nossa fortaleza. O que nós comprovamos e defendemos não nos deve fazer mudar. Há muita gente que dá conselhos à Índia, mas ela permanece inalterável. É nisso que consiste a sua beleza. Isso constitui a âncora de nossa esperança.
A nossa peculiaridade civilizadora de deixar uma pequena pegada ecológica no planeta está sendo apagada pelo afã de imitarmos o ocidente industrializado, usurpando o espaço ecológico dos outros seres, das comunidades rurais e tribais e dos pobres das cidades.
As auto-estradas e os automóveis são o símbolo cultural mais radical do desenvolvimento não sustentável e da exclusão ecológica.
As nossas estradas acolhiam as vacas, os cavalos, os camelos, os elefantes e os carros. A cidade de Dehli anunciou que, no fim de 2004, as suas vias de comunicação serão interditas para as vacas". Antes disso, foram proibidos os "rickshaw" ( os arrinhos tipicamente orientais puxados por uma pessoa, como meio de transporte tradicional para passageiros).
A cultura do automóvel e das auto-estradas são o símbolo das culturas totalitárias, as quais negam às pessoas alternativas mais sustentáveis e equitativas de mobilidade e transporte.
Para ir de Kanyakumari à Cachemira, a Índia dispõe da maior rede ferroviária mundial. Apesar disso, a propaganda dos projectos rodoviários faz crer que a ausência de rodovias implica que o povo da Índia não tem possibilidade de locomoção. O nossos dirigentes estão cegos frente à experiência do ocidente, onde foram abandonados modos de transporte mais sustentáveis e convenientes para as pessoas, optando-se pelo transporte rodoviário. Na Alemanha, o transporte rodoviário é responsável por 91% da poluição atmosférica, 64% da poluição acústica, 91% do desaparecimento de terras cultiváveis, 56% das despesas de construção e manutenção e 98% dos acidentes.
O transporte rodoviário é 8 vezes mais poluente, 10 vezes mais destruidor de terras e tem uma propensão para causar acidentes 20 vezes maior que o ferroviário. O transporte rodoviário causa 17% da contaminação por CO2, responsável pela instabilidade climática. Não obstante estarem cientes desses inconvenientes, os governantes da Índia vão escolher a mais obsoleta e custosa forma de transporte como símbolo da "Índia Radiante".
A auto-estrada ("sadak") fez parte da propaganda eleitoral do BJP ( Bharatiya Janata Party, partido do Primeiro Ministro) para as eleições legislativas. Levando-se em conta o número de anúncios publicitários na campanha para as eleições gerais, o povo da Índia pode ter certeza de que as rodovias e os automóveis serão apresentados como os símbolos de uma nova e feliz Índia. A auto-estrada tornou-se o Bharat Jodo Pariyojna (projecto de rodovias do Primeiro Ministro (PMBJP). As agências de publicidade conseguiram que a palavra auto-estrada seja equivalente a BJP, na cabeça das pessoas.
Porém, é preciso aceitarmos as lições que nos dá a história e que as outras sociedades nos oferecem. Temos um século de experiências sobre a violência social e ecológica provocadas pelo automóvel, o que nos permitiria escapar à sua escravidão. E dispomos das lições da Alemanha nazista, onde as auto-estradas foram desenhadas como forma de controle centralizado, de fascismo e de autoritarismo, e nunca como exemplo de liberdade humana e democracia.
Como Wolfgang Sachs mostra em sua agora clássica obra "For the Love of the Automobile" (Pelo Amor do Automóvel):
"As ditaduras não se mantêm somente pela força, como também pelo apelo emocional. As ilusões do homem médio constituem não só uma parte da mentalidade da época quanto de explicação para a Gestapo. A história desse entusiasmo durante o fascismo alemão, contudo, está ainda por ser escrito. Mesmo assim, quem quiser escutar escondido a conversa do bar da esquina e descobrir o consentimento dos de baixo com relação à opressão daqueles que mandam, terá que criar todo um capítulo sobre a política de motorização dos nacional-socialistas."
O populismo do Primeiro Ministro Vajpayees com o projeto de suas "adoradas" auto-estradas apresenta um claro paralelismo com as imagens do populismo de Adolf Hitler e a auto-estrada hanseática Frankfurt-Basel. A lei automobilística do Reich, que tornou possível o desenvolvimento das rodovias, retirou a competência dos estados federados e a concentrou-a no poder central.
As auto-estradas exclusivas para carros acabaram com o pluralismo e a democracia do transporte. Um documento daquela época indica o campo como o principal obstáculo para o automóvel, porque:
"espera-se compartilhar as ruas com carroças puxadas a cavalo, ciclistas e pedestres… o conceito moderno de tráfico está concentrado na introdução de uma rede de auto-estradas especiais ao serviço dos viajantes de longas distâncias e para uso pelos automóveis mais rápidos (para as quais são construídas)…" (Wolfang Sachs, p.49).
O monocultivo da mente, que destruiu a biodiversidade das granjas e florestas, e que alimentou os ódios entre as comunidades, está-se estendendo agora para a paisagem e os caminhos da Índia. O proprietário de automóvel e o viajante de longas distâncias é um cidadão privilegiado. O carro de bois, a bicicleta e o caminhante serão postos de lado pelo automóvel, que até agora era somente uma entre as várias formas de transporte. A composição diversa e pluralista da Índia está sendo remodelada de uma forma muito simples, através do projecto rodoviário do primeiro ministro. Hitler também deu impulso às "auto-estradas nacionais", com o objectivo de criar uma Volksgemeinschaft (uma sociedade nacional) unida como "um só povo, um só Reich, um só Führer", porém isso implicava erradicar a diversidade, a autonomia e a descentralização. Os nazis alemães serviram-se das auto-estradas para "moldar o povo alemão de forma unitária". Os actuais governantes da Índia também estão utilizando as auto-estradas como meio e metáfora para converter a Índia num monólito.
Segundo dados oficiais de 2004, da Índia:
"Entre 1947 e 1997 (em 50 anos): foram construídos somente 556 km de auto-estradas nacionais para 4/6 pistas de carros, ou seja, 11,12 km por ano.
A partir de 1997: com o PMBJP, estão a ser construídas 24.000 km de auto-estradas nacionais para pistas de 4/6 carros, o que significa 11 km diários, empregando 5.000 pessoas diariamente."
A propaganda dos nazis serviu-se das mesmas medidas para atingir os seus objectivos. A construção das auto-estradas foi o maior projecto de obras públicas, com 6.000 km previstos, e cerca de um milhão de empregos criados em consequência das políticas de motorização. A propaganda da "Índia Radiante de Alcatrão" só encontra paralelo com a euforia do Reich alemão. Os nacional-socialistas apresentaram a construção das auto-estradas na sua dupla condição de êxito técnico e de feito cultural. Como declarou Fritz Todt, inspector geral das auto-estradas alemãs, depois da construção das primeiras mil milhas:
"Uma vez mais resulta motivo de orgulho ser um construtor de auto-estradas. O Reich alemão está levando às auto-estradas um nível de beleza e extensão como nunca tinha sido alcançado na história da civilização humana…"
Pois bem, o Governo da Índia está tentando superar o Reich alemão.
A Índia do século XXI tem que ser construída sobre o legado de Gandhi, não sobre o de Hitler. Ela precisa evitar a repetição dos erros ecológicos e sociais dos países industrializados do ocidente. A Índia ofereceu alternativas civilizadoras que se baseiam na sustentabilidade e no pluralismo. Gandhi escreveu:
"Deus queira que a Índia não adopte nunca o modelo de industrialização ocidental. O imperialismo económico de um único ínfimo reino insular (Inglaterra) mantém hoje o mundo aprisionado. Se uma nação de 300 milhões de habitantes adoptasse o mesmo tipo de exploração económica, deixaria o mundo como se tivesse sido arrasado por uma praga de gafanhotos."
Hoje somos milhões e milhões de pessoas e pedem-nos para adoptar a forma de vida e o sistema económico de 20% da humanidade, a qual dispõe de 80% dos recursos do mundo. Se 200 milhões de cidadãos ricos da Índia quiserem viver segundo o estilo dos seus homólogos ocidentais, 800 milhões de seus irmãos e irmãs estarão privados de seus recursos hídricos, de suas terras, de suas casas e de seu sustento.
O projecto das auto-estradas não vai unir a Índia, mas dividi-la. Vai criar um apartheid automobilístico, no qual os ricos vão guiar em alta velocidade por auto-estradas que atravessam povoações e florestas, que obrigam a demolir casas, destruir plantações e arrancar árvores, que despojam do seu sustento e forma de vida os seus irmãos e irmãs. As auto-estradas são cemitérios de cimento e alcatrão que estão a enterrar os nossos solos, as nossas aldeias e as nossas liberdades.
As auto-estradas tornaram-se na identidade distorcida da Índia contemporânea ao criarem raízes no coração do imaginário da Índia radiante (Índia Shining).
O primeiro-ministro indiano foi citado ao ter declarado:
«As auto-estradas são como as linhas da palma da mão. Há uma linha do destino que ligará Srinagar a Kanyakumani. Não demorará muito a hora em que poderemos sair de Kanyakumani e chegar facilmente a Srinagar.»
A redefinição da actual Índia pressupõe o esquecimento da Bharat, a Índia autêntica ( o nome oficial da Índia é Bharat Garanajivá). Escrever o nosso destino no cimento é apagar o destino do nosso solo, da nossa terra e da nossa ecologia.
Na Índia consideramos as nossas montanhas e os nossos rios como as «linhas da palma da nossa mão». São uma parte intrínseca da ecologia e da geografia da nossa terra-mãe: são, no fundo, os nossos doadores e os nossos receptores.
As auto-estradas não são, pois, as linhas da palma da mão, são antes como que tatuagens, marcas negras impostas na paisagem por efeito de decisões externas, um desenho que centraliza e exclui, um projecto que já fora utilizado, em outras épocas, por Hitler, para controlar o destino dos alemães. O carácter violento de um tal desenho, imposto a partir do exterior, ficou simbolizado no assassinato de um engenheiro, Dubey, que tentou denunciar e tornar pública a corrupção nos contratos de construção das auto-estradas, promovidos pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional.
Nós estamos intimamente ligados à nossa terra, aos nossos rios e montanhas. Foi a terra que moldou o nosso destino. E é através dessa união que nós nos unimos, enquanto civilização, desde Cachemira até Kanyakumari.
As fontes dos afluentes do Ganges são os «Char Dhams» ( Char Dham é uma expressão que inclui os quatro templos mais venerados da Índia). A população cruza o país em peregrinação até aos Himalaias, onde se encontra Yamunotri, Gangotri, Kedarnath e Badrinath. Nunca ninguém precisou de auto-estradas para que as pessoas do sul pudessem fazer essa peregrinação; eram suficientes os laços sagrados com as nossas montanhas e os nossos rios. Aliás, a peregrinação ganhava valor justamente pelo facto das pessoas fazerem-na a pé. A Índia sempre valorizou a «Padyatra» ( a marcha a pé).
A marcha de Gandhi foi uma Padyatra. O movimento Chipko ( movimento de resistência contra a destruição das florestas da índia, como fonte de recursos vitais, nos anos 70 e 80) difundiu-se a partir das montanhas dos Himalais por meio de Padyatras. Ainda hoje em dia, milhares de pessoas caminham com o objectivo de levar para casa «Gangajal» ( a água sagrada do Ganges), nas festas de Shivrathri ( a grande noite de Shiva). A maioria das mulheres das zonas rurais da índia costumam ir a pé buscar folhagem, lenha e água. Tais caminhadas serão cada vez mais longas à medida em que cada vez mais árvores serão cortadas, e menos água será encontrada, por causa do cimento e do alcatrão que as auto-estradas irão trazer.
A substituição, no nosso imaginário, dos nossos grandes rios sagrados pelas auto-estradas, assim como a troca da nossa união com a terra sagrada, com as suas montanhas e florestas, pelas ligações rodoviárias de alcatrão e cimento, vai mudar a ecologia da Índia, a sua cultura e a sua singularidade, e tudo isto só para adoptar o modelo ocidental de desenvolvimento obsoleto, fora de moda e insustentável pelo seu altíssimo custo social e ambiental.
Tagore recorda-nos que a Índia é diferente porque é uma «Aranya Sanskriti», isto é, inspira-se nas suas florestas e nos seres vivos, enquanto as características do ocidente derivam de tijolos e argamassas mortos.
E Gandhi escreveu:
« A civilização moderna procura aumentar os confortos do corpo, contudo, fracassa miseravelmente nisso… frente a uma civilização dessas, o que devemos é ser pacientes, porque ela inevitavelmente se autodestruirá… apesar de não haver limite para as vítimas que serão imoladas no seu altar. Os seus efeitos letais levarão as pessoas a lançarem-se nas suas chamas, acreditando que tudo isso é muito bom».
A Índia é acusada de que seu povo é incivilizado, ignorante e estúpido, o que significa uma acusação contra aquilo que constitui a nossa fortaleza. O que nós comprovamos e defendemos não nos deve fazer mudar. Há muita gente que dá conselhos à Índia, mas ela permanece inalterável. É nisso que consiste a sua beleza. Isso constitui a âncora de nossa esperança.
A nossa peculiaridade civilizadora de deixar uma pequena pegada ecológica no planeta está sendo apagada pelo afã de imitarmos o ocidente industrializado, usurpando o espaço ecológico dos outros seres, das comunidades rurais e tribais e dos pobres das cidades.
As auto-estradas e os automóveis são o símbolo cultural mais radical do desenvolvimento não sustentável e da exclusão ecológica.
As nossas estradas acolhiam as vacas, os cavalos, os camelos, os elefantes e os carros. A cidade de Dehli anunciou que, no fim de 2004, as suas vias de comunicação serão interditas para as vacas". Antes disso, foram proibidos os "rickshaw" ( os arrinhos tipicamente orientais puxados por uma pessoa, como meio de transporte tradicional para passageiros).
A cultura do automóvel e das auto-estradas são o símbolo das culturas totalitárias, as quais negam às pessoas alternativas mais sustentáveis e equitativas de mobilidade e transporte.
Para ir de Kanyakumari à Cachemira, a Índia dispõe da maior rede ferroviária mundial. Apesar disso, a propaganda dos projectos rodoviários faz crer que a ausência de rodovias implica que o povo da Índia não tem possibilidade de locomoção. O nossos dirigentes estão cegos frente à experiência do ocidente, onde foram abandonados modos de transporte mais sustentáveis e convenientes para as pessoas, optando-se pelo transporte rodoviário. Na Alemanha, o transporte rodoviário é responsável por 91% da poluição atmosférica, 64% da poluição acústica, 91% do desaparecimento de terras cultiváveis, 56% das despesas de construção e manutenção e 98% dos acidentes.
O transporte rodoviário é 8 vezes mais poluente, 10 vezes mais destruidor de terras e tem uma propensão para causar acidentes 20 vezes maior que o ferroviário. O transporte rodoviário causa 17% da contaminação por CO2, responsável pela instabilidade climática. Não obstante estarem cientes desses inconvenientes, os governantes da Índia vão escolher a mais obsoleta e custosa forma de transporte como símbolo da "Índia Radiante".
A auto-estrada ("sadak") fez parte da propaganda eleitoral do BJP ( Bharatiya Janata Party, partido do Primeiro Ministro) para as eleições legislativas. Levando-se em conta o número de anúncios publicitários na campanha para as eleições gerais, o povo da Índia pode ter certeza de que as rodovias e os automóveis serão apresentados como os símbolos de uma nova e feliz Índia. A auto-estrada tornou-se o Bharat Jodo Pariyojna (projecto de rodovias do Primeiro Ministro (PMBJP). As agências de publicidade conseguiram que a palavra auto-estrada seja equivalente a BJP, na cabeça das pessoas.
Porém, é preciso aceitarmos as lições que nos dá a história e que as outras sociedades nos oferecem. Temos um século de experiências sobre a violência social e ecológica provocadas pelo automóvel, o que nos permitiria escapar à sua escravidão. E dispomos das lições da Alemanha nazista, onde as auto-estradas foram desenhadas como forma de controle centralizado, de fascismo e de autoritarismo, e nunca como exemplo de liberdade humana e democracia.
Como Wolfgang Sachs mostra em sua agora clássica obra "For the Love of the Automobile" (Pelo Amor do Automóvel):
"As ditaduras não se mantêm somente pela força, como também pelo apelo emocional. As ilusões do homem médio constituem não só uma parte da mentalidade da época quanto de explicação para a Gestapo. A história desse entusiasmo durante o fascismo alemão, contudo, está ainda por ser escrito. Mesmo assim, quem quiser escutar escondido a conversa do bar da esquina e descobrir o consentimento dos de baixo com relação à opressão daqueles que mandam, terá que criar todo um capítulo sobre a política de motorização dos nacional-socialistas."
O populismo do Primeiro Ministro Vajpayees com o projeto de suas "adoradas" auto-estradas apresenta um claro paralelismo com as imagens do populismo de Adolf Hitler e a auto-estrada hanseática Frankfurt-Basel. A lei automobilística do Reich, que tornou possível o desenvolvimento das rodovias, retirou a competência dos estados federados e a concentrou-a no poder central.
As auto-estradas exclusivas para carros acabaram com o pluralismo e a democracia do transporte. Um documento daquela época indica o campo como o principal obstáculo para o automóvel, porque:
"espera-se compartilhar as ruas com carroças puxadas a cavalo, ciclistas e pedestres… o conceito moderno de tráfico está concentrado na introdução de uma rede de auto-estradas especiais ao serviço dos viajantes de longas distâncias e para uso pelos automóveis mais rápidos (para as quais são construídas)…" (Wolfang Sachs, p.49).
O monocultivo da mente, que destruiu a biodiversidade das granjas e florestas, e que alimentou os ódios entre as comunidades, está-se estendendo agora para a paisagem e os caminhos da Índia. O proprietário de automóvel e o viajante de longas distâncias é um cidadão privilegiado. O carro de bois, a bicicleta e o caminhante serão postos de lado pelo automóvel, que até agora era somente uma entre as várias formas de transporte. A composição diversa e pluralista da Índia está sendo remodelada de uma forma muito simples, através do projecto rodoviário do primeiro ministro. Hitler também deu impulso às "auto-estradas nacionais", com o objectivo de criar uma Volksgemeinschaft (uma sociedade nacional) unida como "um só povo, um só Reich, um só Führer", porém isso implicava erradicar a diversidade, a autonomia e a descentralização. Os nazis alemães serviram-se das auto-estradas para "moldar o povo alemão de forma unitária". Os actuais governantes da Índia também estão utilizando as auto-estradas como meio e metáfora para converter a Índia num monólito.
Segundo dados oficiais de 2004, da Índia:
"Entre 1947 e 1997 (em 50 anos): foram construídos somente 556 km de auto-estradas nacionais para 4/6 pistas de carros, ou seja, 11,12 km por ano.
A partir de 1997: com o PMBJP, estão a ser construídas 24.000 km de auto-estradas nacionais para pistas de 4/6 carros, o que significa 11 km diários, empregando 5.000 pessoas diariamente."
A propaganda dos nazis serviu-se das mesmas medidas para atingir os seus objectivos. A construção das auto-estradas foi o maior projecto de obras públicas, com 6.000 km previstos, e cerca de um milhão de empregos criados em consequência das políticas de motorização. A propaganda da "Índia Radiante de Alcatrão" só encontra paralelo com a euforia do Reich alemão. Os nacional-socialistas apresentaram a construção das auto-estradas na sua dupla condição de êxito técnico e de feito cultural. Como declarou Fritz Todt, inspector geral das auto-estradas alemãs, depois da construção das primeiras mil milhas:
"Uma vez mais resulta motivo de orgulho ser um construtor de auto-estradas. O Reich alemão está levando às auto-estradas um nível de beleza e extensão como nunca tinha sido alcançado na história da civilização humana…"
Pois bem, o Governo da Índia está tentando superar o Reich alemão.
A Índia do século XXI tem que ser construída sobre o legado de Gandhi, não sobre o de Hitler. Ela precisa evitar a repetição dos erros ecológicos e sociais dos países industrializados do ocidente. A Índia ofereceu alternativas civilizadoras que se baseiam na sustentabilidade e no pluralismo. Gandhi escreveu:
"Deus queira que a Índia não adopte nunca o modelo de industrialização ocidental. O imperialismo económico de um único ínfimo reino insular (Inglaterra) mantém hoje o mundo aprisionado. Se uma nação de 300 milhões de habitantes adoptasse o mesmo tipo de exploração económica, deixaria o mundo como se tivesse sido arrasado por uma praga de gafanhotos."
Hoje somos milhões e milhões de pessoas e pedem-nos para adoptar a forma de vida e o sistema económico de 20% da humanidade, a qual dispõe de 80% dos recursos do mundo. Se 200 milhões de cidadãos ricos da Índia quiserem viver segundo o estilo dos seus homólogos ocidentais, 800 milhões de seus irmãos e irmãs estarão privados de seus recursos hídricos, de suas terras, de suas casas e de seu sustento.
O projecto das auto-estradas não vai unir a Índia, mas dividi-la. Vai criar um apartheid automobilístico, no qual os ricos vão guiar em alta velocidade por auto-estradas que atravessam povoações e florestas, que obrigam a demolir casas, destruir plantações e arrancar árvores, que despojam do seu sustento e forma de vida os seus irmãos e irmãs. As auto-estradas são cemitérios de cimento e alcatrão que estão a enterrar os nossos solos, as nossas aldeias e as nossas liberdades.
Crise no recrutamento de soldados para a guerra
Segundo notícias publicadas na imprensa inglesa do fim de semana o recrutamento de voluntários para o exército está a tornar-se cada vez mais difícil em virtude da acção continuada do movimento contra a guerra no Iraque que tem recebido apoio de celebridades mediáticas e de familiares de militares mortos no Iraque.
O mesmo está a acontecer nos Estados Unidos, especialmente nas comunidades mais pobres que, normalmente, forneciam os maiores contigentes de voluntários para o exército norte-americano. Com efeito, o número de voluntários interessados em ingressar na carreira militar, vindos das comunidades negras e hispânicas têm vindo a diminuir nos últimos meses por efeito da sensibilização junto da população promovida pelo movimento contra a guerra no Iraque.
O mesmo está a acontecer nos Estados Unidos, especialmente nas comunidades mais pobres que, normalmente, forneciam os maiores contigentes de voluntários para o exército norte-americano. Com efeito, o número de voluntários interessados em ingressar na carreira militar, vindos das comunidades negras e hispânicas têm vindo a diminuir nos últimos meses por efeito da sensibilização junto da população promovida pelo movimento contra a guerra no Iraque.
Jornada Internacional de protesto contra Bush no dia 20/Janeiro
Greve Mundial para o dia 20 Jan.
(ou fazer uma flashmob)
Links e propostas de acção para o dia 20 de Janeiro, data em que G.Bush irá tomar posse para o seu 2º mandato como Presidente dos Estados Unidos, e dia para o qual está convocada uma greve mundial e uma Jornada Internacional de protesto contra Bush pela invasão, agressão e ocupação do Iraque pelo exército norte-americano
J20 International General Strike and Bush Inauguration Protest
The first worldwide general strike in history.
Call in sick.
Take a personal day.
Blockade the imperial procession.
Protests everywhere.
www.counter-inaugural.org
www.j20.org
www.j20pdx.net
www.dawndc.net/events/j20_05/call.php
www.austinspokes.org/j20-org.shtml
www.organiccollective.org
http://www.notinourname.net/archive/20jan05-actions.htm
www.indybay.org/news/2004/11/1704178_comment.php
www.indybay.org/news/2004/12/1708244.php
http://www.globalizethis.org/article.php?id=50
www.voxunion.com
www.notinourname.net
http://actagainstwar.org/calendar.php?calid=321
http://www.unitedforpeace.org/article.php?id=2651
http://www.answerla.org/
http://www.rancor.info/
www.inaugurationmedia.org
http://www.organiccollective.org
Proposta de acção: Fazer uma flashmobs
Depending on the number of participants in your city, two or more flashmobs could descend on various locations and then converge with the main counter-inaugural protest
Esso/Exxon/Mobil provides an internationally unifying group of landmarks and could provide a clear link between Bush, corporations, oil, war, and the system in general.
Flashmobs could be a great way to rally the troops. It may not be easy but it's also not to late (and might be fun) -- so get busy, get active, get revolting!
http://www.flashmob.com/faq.html
http://xflashmobs.com/faq.asp
http://www.pacificenvironment.org/stopexxonmobil
(ou fazer uma flashmob)
Links e propostas de acção para o dia 20 de Janeiro, data em que G.Bush irá tomar posse para o seu 2º mandato como Presidente dos Estados Unidos, e dia para o qual está convocada uma greve mundial e uma Jornada Internacional de protesto contra Bush pela invasão, agressão e ocupação do Iraque pelo exército norte-americano
J20 International General Strike and Bush Inauguration Protest
The first worldwide general strike in history.
Call in sick.
Take a personal day.
Blockade the imperial procession.
Protests everywhere.
www.counter-inaugural.org
www.j20.org
www.j20pdx.net
www.dawndc.net/events/j20_05/call.php
www.austinspokes.org/j20-org.shtml
www.organiccollective.org
http://www.notinourname.net/archive/20jan05-actions.htm
www.indybay.org/news/2004/11/1704178_comment.php
www.indybay.org/news/2004/12/1708244.php
http://www.globalizethis.org/article.php?id=50
www.voxunion.com
www.notinourname.net
http://actagainstwar.org/calendar.php?calid=321
http://www.unitedforpeace.org/article.php?id=2651
http://www.answerla.org/
http://www.rancor.info/
www.inaugurationmedia.org
http://www.organiccollective.org
Proposta de acção: Fazer uma flashmobs
Depending on the number of participants in your city, two or more flashmobs could descend on various locations and then converge with the main counter-inaugural protest
Esso/Exxon/Mobil provides an internationally unifying group of landmarks and could provide a clear link between Bush, corporations, oil, war, and the system in general.
Flashmobs could be a great way to rally the troops. It may not be easy but it's also not to late (and might be fun) -- so get busy, get active, get revolting!
http://www.flashmob.com/faq.html
http://xflashmobs.com/faq.asp
http://www.pacificenvironment.org/stopexxonmobil
A Pobreza no Mundo!
Mais de mil milhões de pessoas vivem ( será melhor dizer, sobrevivem) com um rendimento inferior a 1 dólar (= 76 cêntimos) por dia.
Outros 2.700 milhões de pessoas no mundo vivem com menos de 2 dólares por dia.
Mais de 1000 milh~es de pessoas que não dispõem de água potável.
Mais de 840 milhões de pessoas são vítimas de fome crónica
Estima-se em 11 milhões o número de crianças que morrem anualmente com a idade inferior a 5 anos
São 6 milhões de crianças que morrem anualmente por motivo de doenças evitáveis, como o paludismo e a pneumonia.
Calcula-se que,no mundo inteiro, 114 milhões de crianças não frequentam o ensino básico.
Estes são alguns dados que foram tornados públicos pelo Secretário-Geral das Nações Unidas por ocasião da apresentação do Relatório do Projecto do Milénio da ONU.
Segundo o mesmo Relatório mais de mil milhões de pessoas vivem em condições de extrema pobreza, podendo esta definir-se como «pobreza que mata», uma vez que priva as pessoas dos recursos essenciais para enfrentarem a fome, a doença e os riscos ambientais.
A Cimeira do Milénio das Nações Unidas realizou-se em Setembro de 2000 e reuniu 189 dirigentes mundiais que aprovaram, por unanimidade, a Declaração do Milénio que formulava 8 objectivos concretos a serem atingidos entre os anos de 1999 e 2015: reduzir para metade a pobreza extrema e a fome; alcançar o ensino primário universal; promover a igualdade entre homens e mulheres; reduzir em dois terços a mortalidade infantil; reduzir em três quartos a mortalidade materna; controlar e começar a reduzir a propagação da sida/VIH, a malária e outras doenças graves; garantir a sustentabilidade do meio ambiente; criar uma parceria mundial para o desenvolvimento.
Outros 2.700 milhões de pessoas no mundo vivem com menos de 2 dólares por dia.
Mais de 1000 milh~es de pessoas que não dispõem de água potável.
Mais de 840 milhões de pessoas são vítimas de fome crónica
Estima-se em 11 milhões o número de crianças que morrem anualmente com a idade inferior a 5 anos
São 6 milhões de crianças que morrem anualmente por motivo de doenças evitáveis, como o paludismo e a pneumonia.
Calcula-se que,no mundo inteiro, 114 milhões de crianças não frequentam o ensino básico.
Estes são alguns dados que foram tornados públicos pelo Secretário-Geral das Nações Unidas por ocasião da apresentação do Relatório do Projecto do Milénio da ONU.
Segundo o mesmo Relatório mais de mil milhões de pessoas vivem em condições de extrema pobreza, podendo esta definir-se como «pobreza que mata», uma vez que priva as pessoas dos recursos essenciais para enfrentarem a fome, a doença e os riscos ambientais.
A Cimeira do Milénio das Nações Unidas realizou-se em Setembro de 2000 e reuniu 189 dirigentes mundiais que aprovaram, por unanimidade, a Declaração do Milénio que formulava 8 objectivos concretos a serem atingidos entre os anos de 1999 e 2015: reduzir para metade a pobreza extrema e a fome; alcançar o ensino primário universal; promover a igualdade entre homens e mulheres; reduzir em dois terços a mortalidade infantil; reduzir em três quartos a mortalidade materna; controlar e começar a reduzir a propagação da sida/VIH, a malária e outras doenças graves; garantir a sustentabilidade do meio ambiente; criar uma parceria mundial para o desenvolvimento.
2 milhões de portugueses são pobres
Portugal regista 2 milhões de nacionais que se encontram em situação de pobreza ( ou seja, 20% da sua população total), o que representa mais de 5% da média da União Europeia.
Portugal regista ainda a maior taxa de população excluída da sociedade: 15 %.
São estatísticas fornecidas pelo Relatório Anual sobre a Situação Social na EU que,além disso, informa ser Portugal o país que gastou apenas 23,9 % do PIB em protecção social, abaixo da média comunitária que se situa nos 27,5%., mas acima do país que menos gasta em protecção social que é a França ( com 14,6%).
Outro dado interessante é o que nos é fornecido pelo Instituto Nacional de Estatística e segundo o qual, no nosso país, o rendimento dos mais ricos é 6,5% superior ao rendimento das famílias mais pobres, enquanto que na União Europeia essa diferença é de, apenas, 4,4%.
Portugal regista ainda a maior taxa de população excluída da sociedade: 15 %.
São estatísticas fornecidas pelo Relatório Anual sobre a Situação Social na EU que,além disso, informa ser Portugal o país que gastou apenas 23,9 % do PIB em protecção social, abaixo da média comunitária que se situa nos 27,5%., mas acima do país que menos gasta em protecção social que é a França ( com 14,6%).
Outro dado interessante é o que nos é fornecido pelo Instituto Nacional de Estatística e segundo o qual, no nosso país, o rendimento dos mais ricos é 6,5% superior ao rendimento das famílias mais pobres, enquanto que na União Europeia essa diferença é de, apenas, 4,4%.
A taxa de inflação em Portugal foi de 2004 de 2,4%. Só?
Segundo informações do INE a taxa média de inflação de 2004 em Portugal foi de 2,4 %, acima dos valores previstos pelo Governo.Aliás, a mesma comunicação acrescenta que as previsões governamentais pecam sempre por defeito nos últimos7 anos, com um erro médio de 0,81 pontos percentuais.
É mesmo para perguntar: só?
É mesmo para perguntar: só?
Clima cada vez mais seco em Portugal
Segundo os dados fornecidos pela Faculdade de Engenharia de Recursos naturais da Universidade do Algarve o ano de 2004 é o oitavo ano consecutivo em que a precipitação não atinge os níveis médios calculados desde 1941. O último ano hidrológico em que os valores normais de precipitação foram ultrapassados remonta a 1995/96
18.1.05
A administração Bush é uma catástrofe ecológica
A administração Bush é uma catástrofe ecológica
Não faltam motivos de preocupação para os ecologistas norte-americanos.
“Há um sentimento generalizado de que a administração Bush é a pior de todas as administrações para as questões ambientais desde há muitas décadas” diz peremptoriamente Tony Juniper, director da Associação Amigos da Terra, citado pelo Financial Times.
Poucos dias antes do Natal de 2004 o presidente Bush anunciou uma reforma legislativa que visa facilitar a exploração comercial das florestas americanas.
A revisão da legislação de 1976 sobre gestão das florestas tem por objectivo dar aos responsáveis das 155 explorações florestais nacionais americanas maiores poderes de decisão sobre projectos ligados à exploração florestal, actividade mineira e petrolífera. E se os serviços florestais vêem na reforma uma forma de flexibilizar e conciliar as necessidades locais com a preservação da natureza, já os ecologistas não duvidam em considerar a medida como mais um ataque contra os dispositivos de protecção do ambiente que foram sendo aprovados ao longo do tempo pelas diferentes Administrações americanas.
Além dessa medida, é possível citar um monte de outras que são vistas como autênticos passos atrás em matéria de política ambiental. Indicam-se só a título de exemplo os casos das limitações à protecção dos habitats dos salmões e das trutas, a facilitação do uso dos pesticidas ou ainda o relaxe da legislação sobre a qualidade do ar.
A reforma da legislação sobre gestão florestal só veio agravar o descontentamento e o ambiente de crítica dos ecologistas contra a Administração Bush. Prevê-se que a contestação vá agravar-se ainda mais com a legislação que já se prepara sobre a exploração petrolífera no Alaska, e a revisão da lei sobre as espécies em perigo.Para além disso, aguarda-se a nomeação de um novo chefe da Agência de protecção do Ambiente que, segundo tudo indica, será mais um ultra conservador que tornará mais tensas e cerradas as críticas dos ecologistas a Bush e à sua Administração.
Não faltam motivos de preocupação para os ecologistas norte-americanos.
“Há um sentimento generalizado de que a administração Bush é a pior de todas as administrações para as questões ambientais desde há muitas décadas” diz peremptoriamente Tony Juniper, director da Associação Amigos da Terra, citado pelo Financial Times.
Poucos dias antes do Natal de 2004 o presidente Bush anunciou uma reforma legislativa que visa facilitar a exploração comercial das florestas americanas.
A revisão da legislação de 1976 sobre gestão das florestas tem por objectivo dar aos responsáveis das 155 explorações florestais nacionais americanas maiores poderes de decisão sobre projectos ligados à exploração florestal, actividade mineira e petrolífera. E se os serviços florestais vêem na reforma uma forma de flexibilizar e conciliar as necessidades locais com a preservação da natureza, já os ecologistas não duvidam em considerar a medida como mais um ataque contra os dispositivos de protecção do ambiente que foram sendo aprovados ao longo do tempo pelas diferentes Administrações americanas.
Além dessa medida, é possível citar um monte de outras que são vistas como autênticos passos atrás em matéria de política ambiental. Indicam-se só a título de exemplo os casos das limitações à protecção dos habitats dos salmões e das trutas, a facilitação do uso dos pesticidas ou ainda o relaxe da legislação sobre a qualidade do ar.
A reforma da legislação sobre gestão florestal só veio agravar o descontentamento e o ambiente de crítica dos ecologistas contra a Administração Bush. Prevê-se que a contestação vá agravar-se ainda mais com a legislação que já se prepara sobre a exploração petrolífera no Alaska, e a revisão da lei sobre as espécies em perigo.Para além disso, aguarda-se a nomeação de um novo chefe da Agência de protecção do Ambiente que, segundo tudo indica, será mais um ultra conservador que tornará mais tensas e cerradas as críticas dos ecologistas a Bush e à sua Administração.
A Simplicidade Voluntária
A Simplicidade Voluntária
Vivemos numa sociedade de consumo em que as pessoas acreditam que comprando, acumulando bens e objectos, possuindo cada vez mais…se tornam mais felizes. Quem realmente se aproveita deste excesso consumista ( as grandes empresas multi e transnacionanais) manipulam-nos através de artifícios como a moda, a publicidade e os meios de comunicação; criam constantemente novas necessidades e distribuem ilusões a torto e a direito. Este modo de proceder é apoiado pelos governos que sempre defendem um crescimento a qualquer preço. E a verdade é que têm tido sucesso,uma vez que o consumo e a presença da técnica nas nossas vidas não cessam de aumentar.
Um consumo deste tipo tem, todavia, inúmeras consequências. Primeiro sobre o meio ambiente: os recursos escassos diminuem a olhos vistos. Mais graves são, porém, o lixo e os resíduos que são assim gerados e cujos efeitos provocam as alterações climáticas e a contaminação do ar e da água. Actualmente consumimos para além das capacidades do planeta, o que significa simplesmente que estamos a pôr em causa o futuro das gerações vindouras. E a responsabilidade por este estado de coisas é nossa, os residentes dos países industrializados. É que não se podem imputar as culpas a 80% da população da Terra que, as mais das vezes, não têm sequer o necessário para sobreviver. Se todos os habitantes do planeta consumissem tanto como nós, seriam precisos 5 planetas Terra para satisfazer esse caudal de consumo. Não tenhamos a ilusão: todo o mundo aspira a viver como nós, depois de nós mesmos termos generalizado a ilusão que essa é a melhor maneira para se viver.
Libertar-se do consumo
O consumo excessivo tem efeitos sobre as nossas próprias vidas. Para consumir tal como fazemos precisamos de dinheiro; logo, em consequência, a maioria das pessoas trabalham desalmadamente. No Canadá, por exemplo, cerca de 20% da população activa trabalha mais de 50 horas por semana. Esgotamo-nos a trabalhar, dando o melhor do nosso tempo e das nossas vidas para o trabalho; enquanto isso, outras vertentes da nossa existência ( a família, a vida amorosa, a participação cívica e a vida comunitária, a saúde,…) sofrem com essa quase exclusividade que o trabalho exige. Acaba-se de chegar a um paradoxo: quanto mais satisfeito formos na vida material, menos felizes sentimos. E há cada vez mais pessoas que acham que isso não tem sentido, e que há que fazer algo para mudar esta situação. Mas o quê? Os governos e os partidos não dão respostas alternativas, empenham-se antes em seguir a mesma direcção tal como têm feito até agora. Ora há que ultrapassar este bloqueio E é isso justamente o que propõe a Simplicidade Voluntária: empreender as mudanças necessárias nas nossas vidas.
Não confundir a Simplicidade Voluntária com a pobreza; esta é imposta por força de circunstâncias penosas. Mas quando se opta voluntariamente por viver sobriamente,tudo funciona de modo diferente. É que não nos sentimos frustrados porque nos privamos de um bem, mas antes sentimos que vale a pena substitui-lo por algo que tenha mais sentido. Este desprendimento alarga o espaço para a nossa consciência operar de outra forma: trata-se de um estado de espírito que nos convida a apreciar, a saborear e procurar o elemento qualitativo da vida. No fundo, renunciamos aos objectos que estorvam, travam e impedem irmos até ao fim das nossas possibilidades.” Não é a riqueza, mas o apego à riqueza que é um obstáculo à emancipação; e não é o prazer da busca por coisas agradáveis que está em causa, mas sim o desejo ardente de as adquirir”, escreve Schumcher (1911-1997), autor do livro Small is Beautiful.
A Simplicidade Voluntária leva-nos ao não-uso e à não-posse de algo, implica uma escolha: não comprar certo objecto ou não seguir determinado procedimento implica uma escolha por um outro motivo de satisfação, nem que seja ser fiel aos nossos princípios ou aos nossos compromissos sociais.
Escolher não utilizar certo bem ou serviço, não seguir a moda, consumir de outra maneira, tudo isso releva de actos de consciência e de lucidez, e não de fatalidade. Na verdade, quem faça voluntariamente este tipo de opções sabe que podia não o fazer, e acaba por ser o próprio a dominar a situação em vez de se um ser dominado por esta. Claro está que não se trata de decisões irrevogáveis que arrastam consigo um radicalismo sem concessões, nem sequer de uma regra de aço que dificilmente poderíamos desvincularmo-nos. A Simplicidade Voluntária é uma opção que é tomada mediante pequenos passos, uma via que se segue por decisão própria e porque nos sentimos satisfeitos por seguir.
A sobriedade
Simplicidade Voluntária não se confunde com ascetismo; é, até mesmo, a sua antíteses. O asceta priva-se voluntariamente dos prazeres da vida materiais em busca de um ávida espiritual mais intensa; ora o adepto da Simplicidade Voluntária não foge do prazer nem das satisfações. Muito pelo contrário. Ele procura-os, mas entende que os não alcançar com os meios que lhe dá a sociedade de consumo.
O medo constitui o obstáculo mais sério para uma opção destas, a favor da Simplicidade Voluntária. Receio do que os outros vão pensar, quando nos afastarmos do seu estilo de vida; receio de sermos marginalizados, e de sentirmos inseguros face ao futuro, pois nos tempos que correm de um individualismo feroz, estamos habituados a pensar por si mesmos, a contar só connosco perante as contrariedades da vida. Quem quererá ajudar-me se não tenho dinheiro, quem me ajudará quando for velho? Protegemo-nos então com seguros, planos de reforma, depósitos bancários, etc.E quando tivermos o futuro assegurado podemo-nos dar ao luxo de viver mais livres, não sendo necessário trabalhar tanto. Acontece, porém, que cada ano que passo damo-nos conta que o dinheiro acumulado não é suficiente…
Evidentemente que, se um destes dias, alguém deixar o emprego, vender o seu carro, e começar a consumir só o que produz, a catástrofe não tardará a chegar. Mas a verdade é que a Simplicidade Voluntária é um processo gradual; e não é um fim mas antes um meio para chegar uma melhor bem estar. Com o passar do tempo cada qual poderá aprofundar mais o seu compromisso graças aos momentos de liberdade que vai conquistando e aos laços de solidariedade que vais desenvolvendo para a indispensável segurança afectiva.
Não é fácil abandonarmos o universo do consumismo. Hoje em dia, tudo nos empurra a encontrar em alguma forma de consumo a solução dos nossos problemas, e a satisfação dos nossos desejos. Não é por acaso que as lotarias passam mensagens do tipo “ganhando o primeiro prémio tem os seus problemas resolvidos”. Mas tal não passa de uma ilusão: aquilo a que tão ardentemente aspirávamos, acaba rapidamente de perder interesse logo que o obtivermos, não constituindo os bens materiais formas seguras de satisfazer as nossas mais profundas necessidades.
A Simplicidade Voluntária constitui actualmente o movimento social que ganha cada vez mais força. Não cessam de aparecer livros, contactos e interessados. Existe já vários sites directa ou indirectamente relacionados. Há que fazer o possível para dar a conhecer a Simplicidade Voluntária como meio de controlarmos as nossas vidas
Serge Mongeau ( autor do livro La Simplicité Voluntaire)
(este texto apareceu na revista The Ecologist)
www.simplicitévoluntaire.org
www.simpleliving.net
Vivemos numa sociedade de consumo em que as pessoas acreditam que comprando, acumulando bens e objectos, possuindo cada vez mais…se tornam mais felizes. Quem realmente se aproveita deste excesso consumista ( as grandes empresas multi e transnacionanais) manipulam-nos através de artifícios como a moda, a publicidade e os meios de comunicação; criam constantemente novas necessidades e distribuem ilusões a torto e a direito. Este modo de proceder é apoiado pelos governos que sempre defendem um crescimento a qualquer preço. E a verdade é que têm tido sucesso,uma vez que o consumo e a presença da técnica nas nossas vidas não cessam de aumentar.
Um consumo deste tipo tem, todavia, inúmeras consequências. Primeiro sobre o meio ambiente: os recursos escassos diminuem a olhos vistos. Mais graves são, porém, o lixo e os resíduos que são assim gerados e cujos efeitos provocam as alterações climáticas e a contaminação do ar e da água. Actualmente consumimos para além das capacidades do planeta, o que significa simplesmente que estamos a pôr em causa o futuro das gerações vindouras. E a responsabilidade por este estado de coisas é nossa, os residentes dos países industrializados. É que não se podem imputar as culpas a 80% da população da Terra que, as mais das vezes, não têm sequer o necessário para sobreviver. Se todos os habitantes do planeta consumissem tanto como nós, seriam precisos 5 planetas Terra para satisfazer esse caudal de consumo. Não tenhamos a ilusão: todo o mundo aspira a viver como nós, depois de nós mesmos termos generalizado a ilusão que essa é a melhor maneira para se viver.
Libertar-se do consumo
O consumo excessivo tem efeitos sobre as nossas próprias vidas. Para consumir tal como fazemos precisamos de dinheiro; logo, em consequência, a maioria das pessoas trabalham desalmadamente. No Canadá, por exemplo, cerca de 20% da população activa trabalha mais de 50 horas por semana. Esgotamo-nos a trabalhar, dando o melhor do nosso tempo e das nossas vidas para o trabalho; enquanto isso, outras vertentes da nossa existência ( a família, a vida amorosa, a participação cívica e a vida comunitária, a saúde,…) sofrem com essa quase exclusividade que o trabalho exige. Acaba-se de chegar a um paradoxo: quanto mais satisfeito formos na vida material, menos felizes sentimos. E há cada vez mais pessoas que acham que isso não tem sentido, e que há que fazer algo para mudar esta situação. Mas o quê? Os governos e os partidos não dão respostas alternativas, empenham-se antes em seguir a mesma direcção tal como têm feito até agora. Ora há que ultrapassar este bloqueio E é isso justamente o que propõe a Simplicidade Voluntária: empreender as mudanças necessárias nas nossas vidas.
Não confundir a Simplicidade Voluntária com a pobreza; esta é imposta por força de circunstâncias penosas. Mas quando se opta voluntariamente por viver sobriamente,tudo funciona de modo diferente. É que não nos sentimos frustrados porque nos privamos de um bem, mas antes sentimos que vale a pena substitui-lo por algo que tenha mais sentido. Este desprendimento alarga o espaço para a nossa consciência operar de outra forma: trata-se de um estado de espírito que nos convida a apreciar, a saborear e procurar o elemento qualitativo da vida. No fundo, renunciamos aos objectos que estorvam, travam e impedem irmos até ao fim das nossas possibilidades.” Não é a riqueza, mas o apego à riqueza que é um obstáculo à emancipação; e não é o prazer da busca por coisas agradáveis que está em causa, mas sim o desejo ardente de as adquirir”, escreve Schumcher (1911-1997), autor do livro Small is Beautiful.
A Simplicidade Voluntária leva-nos ao não-uso e à não-posse de algo, implica uma escolha: não comprar certo objecto ou não seguir determinado procedimento implica uma escolha por um outro motivo de satisfação, nem que seja ser fiel aos nossos princípios ou aos nossos compromissos sociais.
Escolher não utilizar certo bem ou serviço, não seguir a moda, consumir de outra maneira, tudo isso releva de actos de consciência e de lucidez, e não de fatalidade. Na verdade, quem faça voluntariamente este tipo de opções sabe que podia não o fazer, e acaba por ser o próprio a dominar a situação em vez de se um ser dominado por esta. Claro está que não se trata de decisões irrevogáveis que arrastam consigo um radicalismo sem concessões, nem sequer de uma regra de aço que dificilmente poderíamos desvincularmo-nos. A Simplicidade Voluntária é uma opção que é tomada mediante pequenos passos, uma via que se segue por decisão própria e porque nos sentimos satisfeitos por seguir.
A sobriedade
Simplicidade Voluntária não se confunde com ascetismo; é, até mesmo, a sua antíteses. O asceta priva-se voluntariamente dos prazeres da vida materiais em busca de um ávida espiritual mais intensa; ora o adepto da Simplicidade Voluntária não foge do prazer nem das satisfações. Muito pelo contrário. Ele procura-os, mas entende que os não alcançar com os meios que lhe dá a sociedade de consumo.
O medo constitui o obstáculo mais sério para uma opção destas, a favor da Simplicidade Voluntária. Receio do que os outros vão pensar, quando nos afastarmos do seu estilo de vida; receio de sermos marginalizados, e de sentirmos inseguros face ao futuro, pois nos tempos que correm de um individualismo feroz, estamos habituados a pensar por si mesmos, a contar só connosco perante as contrariedades da vida. Quem quererá ajudar-me se não tenho dinheiro, quem me ajudará quando for velho? Protegemo-nos então com seguros, planos de reforma, depósitos bancários, etc.E quando tivermos o futuro assegurado podemo-nos dar ao luxo de viver mais livres, não sendo necessário trabalhar tanto. Acontece, porém, que cada ano que passo damo-nos conta que o dinheiro acumulado não é suficiente…
Evidentemente que, se um destes dias, alguém deixar o emprego, vender o seu carro, e começar a consumir só o que produz, a catástrofe não tardará a chegar. Mas a verdade é que a Simplicidade Voluntária é um processo gradual; e não é um fim mas antes um meio para chegar uma melhor bem estar. Com o passar do tempo cada qual poderá aprofundar mais o seu compromisso graças aos momentos de liberdade que vai conquistando e aos laços de solidariedade que vais desenvolvendo para a indispensável segurança afectiva.
Não é fácil abandonarmos o universo do consumismo. Hoje em dia, tudo nos empurra a encontrar em alguma forma de consumo a solução dos nossos problemas, e a satisfação dos nossos desejos. Não é por acaso que as lotarias passam mensagens do tipo “ganhando o primeiro prémio tem os seus problemas resolvidos”. Mas tal não passa de uma ilusão: aquilo a que tão ardentemente aspirávamos, acaba rapidamente de perder interesse logo que o obtivermos, não constituindo os bens materiais formas seguras de satisfazer as nossas mais profundas necessidades.
A Simplicidade Voluntária constitui actualmente o movimento social que ganha cada vez mais força. Não cessam de aparecer livros, contactos e interessados. Existe já vários sites directa ou indirectamente relacionados. Há que fazer o possível para dar a conhecer a Simplicidade Voluntária como meio de controlarmos as nossas vidas
Serge Mongeau ( autor do livro La Simplicité Voluntaire)
(este texto apareceu na revista The Ecologist)
www.simplicitévoluntaire.org
www.simpleliving.net
A Geração Shopping
(reprodução de um texto de Arnaldo Saraiva, publicado no Jornal de Notícias)
O melhor emblema e o maior pólo de atracção social das grandes cidades foi, durante séculos, a catedral.
À volta dos anos 60,porém, a catedral ( como a igreja em geral) perdeu muita da sua frequência e da sua importância ou do seu prestígio. Dois outros lugares passaram a concorrer com ela: o estádio, que todavia, mobilizava quase só a população masculina; e sobretudo, o banco. A vitória do banco sobre a catedral; às vezes até verificável na altura e na opulência das construções, sinalizava uma verdadeira revolução nos costumes e nas mentalidades, mesmo que sinalizasse também alguma degradação, sugerida logo pelos nomes ( «catedral» tem que ver com «cadeira», «cátedra»).
Duas décadas depois, multiplicaram-se os frequentadores dos bancos, mas estes transformaram-se em lugares tristes, friamente burocráticos, e até acanhados, com funcionários circunspectos e automáticos, com bichas permanentes, com horários tontos. Longe vão os tempos em que os bancos portugueses nos deslumbravam com os seus mármores, pinturas, tapeçarias, mobílias; longe vão os tempos ( e só passaram duas décadas) em que os bancos nos ofereciam – com sorrisos e reverências - álbuns, calendários, pastas, cinzeiros e livros de cheques, que agora saem logo da nossa conta.
À entrada dos anos 80, o grande centro de atracção social das grandes cidades já não era o banco, mas o supermercado, e cada vez mais,o…centro comercial.
Ampliações das drogarias que já ampliavam os bazares medievais, os centros comerciais são miniaturas das ruas, das cidades e até do país produtor e consumidor. E não se pense que são simples lugares comerciais, que convocam todas as artes e artimanhas do consumo; porque são também lugares da festa possível, densos de vibração estética e até sentimental, que favorecem a distracção, o passatempo, o flirt e o engate.
Nos seus largos corredores centrais ou nas suas artérias não por acaso labirínticas, nos seus jogos aquáticos, nas suas plantas, mesmo que artificiais, nas suas escadas-rolantes, nas suas cores, nas suas luzes, nos seus vidros e espelhos, nos seus proliferantes sinais visuais, na variedade dos seus espaços e das suas respectivas funções ( o quiosque, a pequena boutique, a grande loja, a tabacaria, o pub, o cinema, o restaurante, o cabeleireiro, a agência, a sala de flippers, a livraria, a discoteca, etc; só falta, curiosamente, a capela, o centro comercial faz o possível para atenuar a secura e a agressividade do produto comercial e sabe envolver o consumidor numa atmosfera moderna, cosmopolita, confortável, festiva, capaz de gerar, rapidamente, um caleidoscópio de emoções.
Como disse Jean Baudrillard, o centro comercial reconcilia «o pequeno e o grande comercio», «o ritmo moderno e a antiga passeata», estimula a »errância lúdica» e a prática combinatória; sublima a vida real e a vida social objectiva, acabando por «abolir não só trabalho e o dinheiro mas também as estações», «pois oferece uma Primavera perpétua, pouco importa se artificial».
O centro comercial parece pedir ou corresponder a um novo tipo de consumidor: simultaneamente mais apressado, mais exigente, mais moderno e mais cosmopolita do que o das décadas anteriores. Não é por acaso que ele com-centra produtos sem abolir a sua variedade, selecciona sem esmagar com a quantidade ( no que contrata com o supermercado). Como não é por acaso que se dão a centros comerciais nomes cosmopolitas como Brasília, Itália, Newark, Dallas. Como não é por acaso que se diz «shopping center» em vez de centrocomercial.
Em 1965, ao deparar, no Rio de Janeiro, com o Shopping Center de Copacabana, perguntava-me se a língua portuguesa não servia para designar um lugar assim. Mas o problema, evidentemente, não era nem é de língua – era e é de «business», de «marketing», e também de moda, naturalmente ditada pelo modelo americano.
Curiosamente é um jornalista brasileiro, Pedro Zan, que, quase vinte anos depois, caracteriza a nova geração brasileira, em especial, a paulista, como uma «geração shopping»: «Chegam a pé ou em carros desportivos equipados. Entram em lojas, passeiam, descontraídos, pelos corredores. Gastam muito com os cheques dos pais. Ou, simplesmente, perguntam os preços sem levar nada. Gostam de roupas largas, folgadas, de cores cítricas, da moda Muitos não querem ouvir falar de política, nem lêem livros. Preferem curtis o «brake», «funk» ou «new wave»…»
A geração shopping portuguesa não terá todas as características da brasileira, mas ninguém duvidará que ela existe, até mesmo onde menos se espera ( nas artes, nas letras, por exemplo). E de algum modo todos pertencemos à geração shopping se não resistirmos ao fascínio do consumo e se não nos recusarmos a frequentar a moderna feira que é o centro comercial.
Acontece apenas que nem todos irão ao centro pelas mesmas razões. Alguns terão de contentar-se apenas com a festa da visão ou da comida ligeira: sanduíches, hamburgers, gelados e, agora, croissants. Outros,porém, poderão perder-se na euforia do grande consumo.
Cansados da vida, da miséria, da política, da crise, do trabalho, e também do desemprego, nem uns nem outros, porém, se disporão a ver no centro comercial o diabo que, afinal, já se manifestava no Auto da Feira de Gil Vicente:
Vender-vos-ei nesta feira
Mentiras vinte três mil,
Todas de nova maneira,
cada uma tão subtil,
que não vivais em canseira:
mentiras para senhores,
mentiras para senhoras,
mentiras para os amores,
mentiras, que a todas as horas
vos nasçam delas favores.
E como fomos avindos
Nos preços disto que digo,
Vender-vos-ei como amigo
Muitos enganos infindos,
Que aqui trago comigo
O melhor emblema e o maior pólo de atracção social das grandes cidades foi, durante séculos, a catedral.
À volta dos anos 60,porém, a catedral ( como a igreja em geral) perdeu muita da sua frequência e da sua importância ou do seu prestígio. Dois outros lugares passaram a concorrer com ela: o estádio, que todavia, mobilizava quase só a população masculina; e sobretudo, o banco. A vitória do banco sobre a catedral; às vezes até verificável na altura e na opulência das construções, sinalizava uma verdadeira revolução nos costumes e nas mentalidades, mesmo que sinalizasse também alguma degradação, sugerida logo pelos nomes ( «catedral» tem que ver com «cadeira», «cátedra»).
Duas décadas depois, multiplicaram-se os frequentadores dos bancos, mas estes transformaram-se em lugares tristes, friamente burocráticos, e até acanhados, com funcionários circunspectos e automáticos, com bichas permanentes, com horários tontos. Longe vão os tempos em que os bancos portugueses nos deslumbravam com os seus mármores, pinturas, tapeçarias, mobílias; longe vão os tempos ( e só passaram duas décadas) em que os bancos nos ofereciam – com sorrisos e reverências - álbuns, calendários, pastas, cinzeiros e livros de cheques, que agora saem logo da nossa conta.
À entrada dos anos 80, o grande centro de atracção social das grandes cidades já não era o banco, mas o supermercado, e cada vez mais,o…centro comercial.
Ampliações das drogarias que já ampliavam os bazares medievais, os centros comerciais são miniaturas das ruas, das cidades e até do país produtor e consumidor. E não se pense que são simples lugares comerciais, que convocam todas as artes e artimanhas do consumo; porque são também lugares da festa possível, densos de vibração estética e até sentimental, que favorecem a distracção, o passatempo, o flirt e o engate.
Nos seus largos corredores centrais ou nas suas artérias não por acaso labirínticas, nos seus jogos aquáticos, nas suas plantas, mesmo que artificiais, nas suas escadas-rolantes, nas suas cores, nas suas luzes, nos seus vidros e espelhos, nos seus proliferantes sinais visuais, na variedade dos seus espaços e das suas respectivas funções ( o quiosque, a pequena boutique, a grande loja, a tabacaria, o pub, o cinema, o restaurante, o cabeleireiro, a agência, a sala de flippers, a livraria, a discoteca, etc; só falta, curiosamente, a capela, o centro comercial faz o possível para atenuar a secura e a agressividade do produto comercial e sabe envolver o consumidor numa atmosfera moderna, cosmopolita, confortável, festiva, capaz de gerar, rapidamente, um caleidoscópio de emoções.
Como disse Jean Baudrillard, o centro comercial reconcilia «o pequeno e o grande comercio», «o ritmo moderno e a antiga passeata», estimula a »errância lúdica» e a prática combinatória; sublima a vida real e a vida social objectiva, acabando por «abolir não só trabalho e o dinheiro mas também as estações», «pois oferece uma Primavera perpétua, pouco importa se artificial».
O centro comercial parece pedir ou corresponder a um novo tipo de consumidor: simultaneamente mais apressado, mais exigente, mais moderno e mais cosmopolita do que o das décadas anteriores. Não é por acaso que ele com-centra produtos sem abolir a sua variedade, selecciona sem esmagar com a quantidade ( no que contrata com o supermercado). Como não é por acaso que se dão a centros comerciais nomes cosmopolitas como Brasília, Itália, Newark, Dallas. Como não é por acaso que se diz «shopping center» em vez de centrocomercial.
Em 1965, ao deparar, no Rio de Janeiro, com o Shopping Center de Copacabana, perguntava-me se a língua portuguesa não servia para designar um lugar assim. Mas o problema, evidentemente, não era nem é de língua – era e é de «business», de «marketing», e também de moda, naturalmente ditada pelo modelo americano.
Curiosamente é um jornalista brasileiro, Pedro Zan, que, quase vinte anos depois, caracteriza a nova geração brasileira, em especial, a paulista, como uma «geração shopping»: «Chegam a pé ou em carros desportivos equipados. Entram em lojas, passeiam, descontraídos, pelos corredores. Gastam muito com os cheques dos pais. Ou, simplesmente, perguntam os preços sem levar nada. Gostam de roupas largas, folgadas, de cores cítricas, da moda Muitos não querem ouvir falar de política, nem lêem livros. Preferem curtis o «brake», «funk» ou «new wave»…»
A geração shopping portuguesa não terá todas as características da brasileira, mas ninguém duvidará que ela existe, até mesmo onde menos se espera ( nas artes, nas letras, por exemplo). E de algum modo todos pertencemos à geração shopping se não resistirmos ao fascínio do consumo e se não nos recusarmos a frequentar a moderna feira que é o centro comercial.
Acontece apenas que nem todos irão ao centro pelas mesmas razões. Alguns terão de contentar-se apenas com a festa da visão ou da comida ligeira: sanduíches, hamburgers, gelados e, agora, croissants. Outros,porém, poderão perder-se na euforia do grande consumo.
Cansados da vida, da miséria, da política, da crise, do trabalho, e também do desemprego, nem uns nem outros, porém, se disporão a ver no centro comercial o diabo que, afinal, já se manifestava no Auto da Feira de Gil Vicente:
Vender-vos-ei nesta feira
Mentiras vinte três mil,
Todas de nova maneira,
cada uma tão subtil,
que não vivais em canseira:
mentiras para senhores,
mentiras para senhoras,
mentiras para os amores,
mentiras, que a todas as horas
vos nasçam delas favores.
E como fomos avindos
Nos preços disto que digo,
Vender-vos-ei como amigo
Muitos enganos infindos,
Que aqui trago comigo
O papel higiénico como meio de defesa
Reynaldo Peters (Oruro, Bolívia, 1950) é um advogado que guarda entre as suas coisas mais queridas um pedaço de papel higiénico, onde escreveu, com letra liliputiniana, o seu Habeas Corpus ( isto é, a petição a um juiz a fim que esta decida sobre se uma detenção é ou não é legal) quando se encontrava preso durante a ditadura de Hugo Bánzer em 1972 pelo facto de ser militante do Movimiento Nacional Revolucionário.
O documento foi considerado monumento jurídico e recebeu um prémio dos Direitos Humanos da Associação Internacional de Advogados com uma especial dedicatória:
“ Ao papel higiénico, instrumento de liberdade”.
Reynald Peteres recorda que na prisão corre-se frequentemente perigo. À falta de material adequado lembrou-se de recorrer a este frágil meio de escrita para fazer valer os seus direitos. Meteu na roupa suja que enviou à mulher, e o documento acabou por aparecer na imprensa .
O documento foi considerado monumento jurídico e recebeu um prémio dos Direitos Humanos da Associação Internacional de Advogados com uma especial dedicatória:
“ Ao papel higiénico, instrumento de liberdade”.
Reynald Peteres recorda que na prisão corre-se frequentemente perigo. À falta de material adequado lembrou-se de recorrer a este frágil meio de escrita para fazer valer os seus direitos. Meteu na roupa suja que enviou à mulher, e o documento acabou por aparecer na imprensa .
17.1.05
A baixa tendencial da taxa de motivação derrubará o capitalismo?
«O dinheiro não dá felicidade» é um adágio, inventado certamente pelos ricos, que se tornou cada vez mais verdadeiro.
Nos estados Unidos, a acreditar numa sondagem Gallup, a riqueza média por habitante triplicou desde a última guerra passando de 15.000 para 35.000 dólares ( cerca de 11.500 a 26.700 euros) anuais, enquanto a proporção das pessoas «muito felizes» não pára de descer desde 1960.
Face a esta realidade os economistas não deixam de se preocupar. Entre eles está Daniel Kahneman, Prémio Nobel da Economia de 2002 que acaba de abrir um centro de investigação para compreender o que cada vez mais parece ser um sério revés para a a civilização capitalista, nas palavras do Financial Times desta semana.
Karl Max profetizara que o capitalismo destruir-se-ia por ele mesmo, minado por uma baixa tendencial da taxa de lucro. Era até irremediável o seu fim por efeito da substituição do trabalho pelo capital e uma mais-valia extraída a uma mão-de-obra cada vez mais reduzida.
A verdade é que, não obstante estes prognósticos, o capitalismo regista hoje mais do que nunca lucros records, dignos dos anos mais lucrativos do século XIX.
Porém, a experiência de vida de todos nós, ao olhar à nossa volta, leva-nos a uma nova profecia do declínio capitalista. Com efeito, a motivação no trabalho desce rapidamente a olhos vistos, e atinge um número crescente de categorias sociais. O que gera um paradoxo. É que enquanto o novo capitalismo cognitivo e high-tech sente a carência de maiores recursos humanos, o que se passa na realidade é justamente o contrário: os assalariados, os quadros superiores, a até os dirigentes sentem-se fatigados, e mostram-se críticos face à situação, pretendendo dedicar mais do seu tempo à «vida pessoal».
E, na verdade, o debate sobre o trabalho nos países desenvolvidos ainda mal começou. 62 assalariados norte-americanos, em cada cem, são de opinião que a sua carga horária de trabalho é pesada, enquanto 53 sobre cem declaram-se «muito fatigados».
Até o custo dos medicamentos e dos tratamentos anti-stress atingiu a soma de 300biliões de dólares anuais segundo o New York Times, ou seja, 3% do PIB.
No Japão o fenómeno do karoshi ( a morte por sobrecarga de actividade) tomou proporções alarmantes.
E na Inglaterra, o Ministério da Saúde calcula que o stress provoque um absentismo calculado em 13 milhões de dias, em cada ano.
E para completar o cenário começam a aparecer livros como o de Corinne Maier, investigadora na EDF francesa ( a correspondente à nossa EDP) com títulos que retratam bem esse mal-estar : ««Bom dia, preguiça. Da arte e da necessidade da fazer omens possível numa empresa( edição francesa da Michalon ).
zero de falhas, zero de stocks, externalização, emagrecimento permanente, responsabilização dos agentes, avaliação contínua das suas prestações: o management moderno provocou uma revolução nas relações de trabalho, desde os operadores das máquinas até aos criativos. As trajectórias profissionais são regidas pela sacrossanta mobilidade: Richard Sennet, sociólogo da Universidade de New York, estima que um jovem americano que entra hoje no mercado de trabalho terá que mudar 11 vezes de emprego ao longo da sua vida. O emprego foi repartido em vários contratos de trabalho a prazo e a tempo parcial. Antes, a condição do assalariado era a estabilidade, hoje tornou-se a insegurança, como bem nota Robert Castel no seu livro «L’Insécurité Sociale» ( edição francesa da Seuil)
E nem os quadros superiores escapam à tormenta. Todos os estudos revelam o ser enorme descontentamento. « Os quadros tinham um contrato de lealdade para com a a sua empresa, que lhes conferia prestígio.Mas isso acabou.», declara Gilles Alenxandre, director de estudos do Institut Entreprise et Personnel. E acrescenta: «Os mais novos não deixam de demonstrar apego e ardor, é certo, mas tudo isso não demora a esmorecer, e a converter-se até em desamor.»
Ora como pode o capitalismo resolver esta contradição entre a necessidade de implicação dos seus agentes e a crescente desmotivação que estes dão conta cada vez mais?
A reacção das empresas não deixa de ser lamentável. «Elas não procuram pessoal motivado, mas sim pessoal eficaz Procuram mais a satisfação do cliente que a do seu empregado.», prossegue Gilles Alexandre. E tentam superar essa falta de motivação através da «normalização» à americana das tarefas e dos resultados tal como aparecem nos sistemas informáticos. Restam as adesões locais e circunstanciais que emprestam alguma vida. Mas de uma maneira geral o assalariado sujeita-se pura e simplesmente aos constrangimentos e opta por um desinvestimento pessoal.
Aumentar os salários? É uma resposta possível. Os prémios sempre foram usados como a promissora cenoura que era entregue a quem dela fizesse merecimento. Acontece que duas evoluções retardaram ou modificaram este tipo de dispositivos. Por um lado, a exigência de alto rendimento empresarial ( 15%) na época do capitalismo financeiro desequilibrou a partilha tradicional entre salário-lucro a favor deste último. Por outro lado, a chegada de novos mercados como a China e a Índia promete endurecer a concorrência que se traduzirá por um novo apertar do cinto pelas próprias empresas.
Reinventar um compromisso entre a mobilidade económica e a protecção social constitui para Robert Castel o novo desafio. Pensar no regresso à estabilidade dos modos de trabalho do «fordismo» de ontem releva de algum lirismo. Tornar o Estado social mais flexível e activo seria condená-lo. Resta, assim, reconfigurar os sistemas sociais de modo a que cada qual possa estar em condições de enfrentar a necessidade da mobilidade.
(adaptação de um texto de Eric Le Boucher, publicado no Le Monde de 16/01/2005)
Nos estados Unidos, a acreditar numa sondagem Gallup, a riqueza média por habitante triplicou desde a última guerra passando de 15.000 para 35.000 dólares ( cerca de 11.500 a 26.700 euros) anuais, enquanto a proporção das pessoas «muito felizes» não pára de descer desde 1960.
Face a esta realidade os economistas não deixam de se preocupar. Entre eles está Daniel Kahneman, Prémio Nobel da Economia de 2002 que acaba de abrir um centro de investigação para compreender o que cada vez mais parece ser um sério revés para a a civilização capitalista, nas palavras do Financial Times desta semana.
Karl Max profetizara que o capitalismo destruir-se-ia por ele mesmo, minado por uma baixa tendencial da taxa de lucro. Era até irremediável o seu fim por efeito da substituição do trabalho pelo capital e uma mais-valia extraída a uma mão-de-obra cada vez mais reduzida.
A verdade é que, não obstante estes prognósticos, o capitalismo regista hoje mais do que nunca lucros records, dignos dos anos mais lucrativos do século XIX.
Porém, a experiência de vida de todos nós, ao olhar à nossa volta, leva-nos a uma nova profecia do declínio capitalista. Com efeito, a motivação no trabalho desce rapidamente a olhos vistos, e atinge um número crescente de categorias sociais. O que gera um paradoxo. É que enquanto o novo capitalismo cognitivo e high-tech sente a carência de maiores recursos humanos, o que se passa na realidade é justamente o contrário: os assalariados, os quadros superiores, a até os dirigentes sentem-se fatigados, e mostram-se críticos face à situação, pretendendo dedicar mais do seu tempo à «vida pessoal».
E, na verdade, o debate sobre o trabalho nos países desenvolvidos ainda mal começou. 62 assalariados norte-americanos, em cada cem, são de opinião que a sua carga horária de trabalho é pesada, enquanto 53 sobre cem declaram-se «muito fatigados».
Até o custo dos medicamentos e dos tratamentos anti-stress atingiu a soma de 300biliões de dólares anuais segundo o New York Times, ou seja, 3% do PIB.
No Japão o fenómeno do karoshi ( a morte por sobrecarga de actividade) tomou proporções alarmantes.
E na Inglaterra, o Ministério da Saúde calcula que o stress provoque um absentismo calculado em 13 milhões de dias, em cada ano.
E para completar o cenário começam a aparecer livros como o de Corinne Maier, investigadora na EDF francesa ( a correspondente à nossa EDP) com títulos que retratam bem esse mal-estar : ««Bom dia, preguiça. Da arte e da necessidade da fazer omens possível numa empresa( edição francesa da Michalon ).
zero de falhas, zero de stocks, externalização, emagrecimento permanente, responsabilização dos agentes, avaliação contínua das suas prestações: o management moderno provocou uma revolução nas relações de trabalho, desde os operadores das máquinas até aos criativos. As trajectórias profissionais são regidas pela sacrossanta mobilidade: Richard Sennet, sociólogo da Universidade de New York, estima que um jovem americano que entra hoje no mercado de trabalho terá que mudar 11 vezes de emprego ao longo da sua vida. O emprego foi repartido em vários contratos de trabalho a prazo e a tempo parcial. Antes, a condição do assalariado era a estabilidade, hoje tornou-se a insegurança, como bem nota Robert Castel no seu livro «L’Insécurité Sociale» ( edição francesa da Seuil)
E nem os quadros superiores escapam à tormenta. Todos os estudos revelam o ser enorme descontentamento. « Os quadros tinham um contrato de lealdade para com a a sua empresa, que lhes conferia prestígio.Mas isso acabou.», declara Gilles Alenxandre, director de estudos do Institut Entreprise et Personnel. E acrescenta: «Os mais novos não deixam de demonstrar apego e ardor, é certo, mas tudo isso não demora a esmorecer, e a converter-se até em desamor.»
Ora como pode o capitalismo resolver esta contradição entre a necessidade de implicação dos seus agentes e a crescente desmotivação que estes dão conta cada vez mais?
A reacção das empresas não deixa de ser lamentável. «Elas não procuram pessoal motivado, mas sim pessoal eficaz Procuram mais a satisfação do cliente que a do seu empregado.», prossegue Gilles Alexandre. E tentam superar essa falta de motivação através da «normalização» à americana das tarefas e dos resultados tal como aparecem nos sistemas informáticos. Restam as adesões locais e circunstanciais que emprestam alguma vida. Mas de uma maneira geral o assalariado sujeita-se pura e simplesmente aos constrangimentos e opta por um desinvestimento pessoal.
Aumentar os salários? É uma resposta possível. Os prémios sempre foram usados como a promissora cenoura que era entregue a quem dela fizesse merecimento. Acontece que duas evoluções retardaram ou modificaram este tipo de dispositivos. Por um lado, a exigência de alto rendimento empresarial ( 15%) na época do capitalismo financeiro desequilibrou a partilha tradicional entre salário-lucro a favor deste último. Por outro lado, a chegada de novos mercados como a China e a Índia promete endurecer a concorrência que se traduzirá por um novo apertar do cinto pelas próprias empresas.
Reinventar um compromisso entre a mobilidade económica e a protecção social constitui para Robert Castel o novo desafio. Pensar no regresso à estabilidade dos modos de trabalho do «fordismo» de ontem releva de algum lirismo. Tornar o Estado social mais flexível e activo seria condená-lo. Resta, assim, reconfigurar os sistemas sociais de modo a que cada qual possa estar em condições de enfrentar a necessidade da mobilidade.
(adaptação de um texto de Eric Le Boucher, publicado no Le Monde de 16/01/2005)
Razões para o desassossego social
Sabias...
- que as multinacionais representam 80% do comércio mundial e que o comércio entre elas já é de 30 % de todas as operações comerciais do mundo
- que entre 1980 e 1993 as 500 maiores multinacionais mundiais suprimiram 4,4 milhões de empregos ao mesmo tempo que multiplicavam as suas vendas por 1,4, os seus activos financeiros por2,3, e os rendimentos dos seus quadros superiores em 6,1
- que a riqueza total das 10 pessoas mais ricas do mundo equivale a uma vez e meia a todos os rendimentos juntos dos países menos desenvolvidos do mundo
- que não há 6000 milhões de dólares anuais para assegurar a educação básica mundial, mas entretanto há 8000 milhões de dólares que anualmente se gasta nos Estados Unidos em cosméticos
- que não há 13000 milhões de dólares anuais para assegurar a saúde e a nutrição para a população mundial, mas em contrapartida já há anualmente 17000 milhões de dólares para gastos em mascotes na Europa e nos Estados Unidos
- que não há 80000 milhões de dólares anuais necessários para prover s todos os serviços básicos a nível mundial, mas um tal montante é inferior á fortuna das 7 pessoas mais ricas do mundo
- que se todos os habitantes da Terra consumissem o mesmo que consomem os cidadãos dos Estados Unidos seriam necessários 3 planetas Terra para alcançar essa produção
- que 2800 milhões de pessoas vivem com 1,80 euros por dia
- que 1300 milhões de pessoas são pobres e que centenas de milhões morrem permanentemente de fome
- que a OCDE prevê para um futuro próximo um desemprego controlado até 30 % da população activa e que 1/3 da população mundial poderá ficar sem meios de subsistência
- que a infraestrutura das 37000 multinacionais tem um valor equivalente a 2 vezes o PIB dos países da América Latina
- que o capital de todas as multinacionais somam, em conjunto, mais de 31000 bilhões de dólares, com os quais podem a qualuqer momento estrangular qualquer economia nacional
E sabias ainda que:
- 4000 milhões de pessoas sobrevivem com rendimento inferiores a 2 dólares diários e uns 800 milhões sofrem de fome
- 17 milhões de crianças morrem cada ano por causa de doenças que são fáceis de tratar
- 900 milhões de pessoas, 15 % da população mundial está sem trabalho
- a terceira parte dos habitantes do hemisfério sul não chega aos 40 anos de vida
- 20 % das crianças do planeta não estão escolarizados; 250 milhões trabalham como mão de obra escrava para as multinacionais a fim de ajudar as suas famílias
- 200 milhões de mulheres estão subempregadas, trabalhando sem qualquer seguro para doença e acidente profissional; e que 70 % das pessoas que vivem na pobreza são mulheres.
Para além de que 80 % da população refugiada e vítima das guerras são mulheres, sendo estas também 60 % da população analfabeta
- em cada hora que passa uma superfície dos bosques tropicais igual a um campo de futebol é pasto de chamas, e que devido à desertificação o mundo já perdeu quase um terço da sua área cultivável ao longo dos últimos 30 anos
- em mais de uma centena de países o rendimento per capita é hoje mais baixo que há 15 anos atrás, isto é, 1600 milhões de pessoas vivem pior hoje do que nos princípios dos anos 80; e que no espaço de uma geração o fosso entre países ricos e países pobres se veio a duplicar
- na União Europeia 50 milhões de pessoas vivem na pobreza e 5 milhões sem tecto
- a miséria e a pobreza de um lado da sociedade significa a riqueza e a opulência do outro – o que é bem demonstrado pelo facto do rendimento das 258 pessoas mais ricas do mundo ultrapassarem o conjunto dos rendimentos recebidos por 45% da população mundial (2.700 milhões de pessoas)
Será que precisas de mais razões para lutar contra a iniquidade capitalista?
- que as multinacionais representam 80% do comércio mundial e que o comércio entre elas já é de 30 % de todas as operações comerciais do mundo
- que entre 1980 e 1993 as 500 maiores multinacionais mundiais suprimiram 4,4 milhões de empregos ao mesmo tempo que multiplicavam as suas vendas por 1,4, os seus activos financeiros por2,3, e os rendimentos dos seus quadros superiores em 6,1
- que a riqueza total das 10 pessoas mais ricas do mundo equivale a uma vez e meia a todos os rendimentos juntos dos países menos desenvolvidos do mundo
- que não há 6000 milhões de dólares anuais para assegurar a educação básica mundial, mas entretanto há 8000 milhões de dólares que anualmente se gasta nos Estados Unidos em cosméticos
- que não há 13000 milhões de dólares anuais para assegurar a saúde e a nutrição para a população mundial, mas em contrapartida já há anualmente 17000 milhões de dólares para gastos em mascotes na Europa e nos Estados Unidos
- que não há 80000 milhões de dólares anuais necessários para prover s todos os serviços básicos a nível mundial, mas um tal montante é inferior á fortuna das 7 pessoas mais ricas do mundo
- que se todos os habitantes da Terra consumissem o mesmo que consomem os cidadãos dos Estados Unidos seriam necessários 3 planetas Terra para alcançar essa produção
- que 2800 milhões de pessoas vivem com 1,80 euros por dia
- que 1300 milhões de pessoas são pobres e que centenas de milhões morrem permanentemente de fome
- que a OCDE prevê para um futuro próximo um desemprego controlado até 30 % da população activa e que 1/3 da população mundial poderá ficar sem meios de subsistência
- que a infraestrutura das 37000 multinacionais tem um valor equivalente a 2 vezes o PIB dos países da América Latina
- que o capital de todas as multinacionais somam, em conjunto, mais de 31000 bilhões de dólares, com os quais podem a qualuqer momento estrangular qualquer economia nacional
E sabias ainda que:
- 4000 milhões de pessoas sobrevivem com rendimento inferiores a 2 dólares diários e uns 800 milhões sofrem de fome
- 17 milhões de crianças morrem cada ano por causa de doenças que são fáceis de tratar
- 900 milhões de pessoas, 15 % da população mundial está sem trabalho
- a terceira parte dos habitantes do hemisfério sul não chega aos 40 anos de vida
- 20 % das crianças do planeta não estão escolarizados; 250 milhões trabalham como mão de obra escrava para as multinacionais a fim de ajudar as suas famílias
- 200 milhões de mulheres estão subempregadas, trabalhando sem qualquer seguro para doença e acidente profissional; e que 70 % das pessoas que vivem na pobreza são mulheres.
Para além de que 80 % da população refugiada e vítima das guerras são mulheres, sendo estas também 60 % da população analfabeta
- em cada hora que passa uma superfície dos bosques tropicais igual a um campo de futebol é pasto de chamas, e que devido à desertificação o mundo já perdeu quase um terço da sua área cultivável ao longo dos últimos 30 anos
- em mais de uma centena de países o rendimento per capita é hoje mais baixo que há 15 anos atrás, isto é, 1600 milhões de pessoas vivem pior hoje do que nos princípios dos anos 80; e que no espaço de uma geração o fosso entre países ricos e países pobres se veio a duplicar
- na União Europeia 50 milhões de pessoas vivem na pobreza e 5 milhões sem tecto
- a miséria e a pobreza de um lado da sociedade significa a riqueza e a opulência do outro – o que é bem demonstrado pelo facto do rendimento das 258 pessoas mais ricas do mundo ultrapassarem o conjunto dos rendimentos recebidos por 45% da população mundial (2.700 milhões de pessoas)
Será que precisas de mais razões para lutar contra a iniquidade capitalista?
A má reputação
Nesta aldeia sem pretensão
Eu tenho má reputação
Maltrapilho ou engravatado
Acham que sou mal comportado.
Porém eu não faço nem mal nem bem
Nesta minha vida de zé-ninguém.
Mas que vida mais triste tenho
Querendo viver fora do rebanho. Sou insultado por toda a gente,
Menos p’los mudos – é evidente
Quando há festa nacional
Fico na cama, isso é fatal.
Porque a música militar
Nunca me fará levantar
Porém não me sinto nada culpado
Por não gostar de me ver fardado.
Mas os outros não gostam que eu siga um caminho sem ser o seu.
De dedo em riste todos me acusam
Salvo os manetas –porque o não usam
Quando vejo um ladrão sem sorte
Fugir dum chui que é bem mais forte, meto o pé e com uma rasteira
Lá vai o chui pela ribanceira.
Nenhum mal faço a quem bem come
Deixando escapar um ladrão com fome.
Mas na Guarda Nacional
Não acham isto natural.
Todos correm atrás de mim
Menos os coxos- seria o fim.
Nunca na vida fui profeta
Mas sei o fim que se projecta.
Vão-me atar a corda ao pescoço
P´ra me lançarem a um poço.
Porque me fecham nesta redoma?
Por o meu caminho não ir dar a Roma
Mas que vida mais triste tenho
Só por viver fora do rebanho.
Todos verão o meu funeral
Menos os cegos – é natural
Tradução de “Mauvaise Reputation” de Georges Brassens, por M. Correia, Luís Cília, inserido no disco deste último “Marginal”
Eu tenho má reputação
Maltrapilho ou engravatado
Acham que sou mal comportado.
Porém eu não faço nem mal nem bem
Nesta minha vida de zé-ninguém.
Mas que vida mais triste tenho
Querendo viver fora do rebanho. Sou insultado por toda a gente,
Menos p’los mudos – é evidente
Quando há festa nacional
Fico na cama, isso é fatal.
Porque a música militar
Nunca me fará levantar
Porém não me sinto nada culpado
Por não gostar de me ver fardado.
Mas os outros não gostam que eu siga um caminho sem ser o seu.
De dedo em riste todos me acusam
Salvo os manetas –porque o não usam
Quando vejo um ladrão sem sorte
Fugir dum chui que é bem mais forte, meto o pé e com uma rasteira
Lá vai o chui pela ribanceira.
Nenhum mal faço a quem bem come
Deixando escapar um ladrão com fome.
Mas na Guarda Nacional
Não acham isto natural.
Todos correm atrás de mim
Menos os coxos- seria o fim.
Nunca na vida fui profeta
Mas sei o fim que se projecta.
Vão-me atar a corda ao pescoço
P´ra me lançarem a um poço.
Porque me fecham nesta redoma?
Por o meu caminho não ir dar a Roma
Mas que vida mais triste tenho
Só por viver fora do rebanho.
Todos verão o meu funeral
Menos os cegos – é natural
Tradução de “Mauvaise Reputation” de Georges Brassens, por M. Correia, Luís Cília, inserido no disco deste último “Marginal”
16.1.05
Comunidades rurais: o exemplo de Matavenero e Poibueño
As duas comunidades localizam-se perto de Ponferrada na província de Léon, Espanha. Ocupam duas antigas aldeias há muito abandonadas. Reúnem pouco mais de um centena de pessoas ( com crianças), de várias nacionalidades. Tentam, desde Setembro de 1989, viver um sonho comum a todos: respeitar a terra-mãe, viver o mais próximo possível dela, respeitá-la e pôr de pé uma alternativa de vida diferente da civilização industrial e urbana.
Trata-se de comunidades ecológicas que, a muito custo, têm vindo a repovoar e reconstruir duas antigas aldeias nas montanhas rochosas de Castela La Vieja. Fazem parte da grande família Rainbow, espalhadas pelo velho e novo continente, que reúne alguns daqueles que renegam o mercantilismo urbano e regressam à vida comunitária do campo, junto da mãe-natureza. Publicam um fanzine, "L,L,L, La casa de las tres lunas", com o qual tentam divulgar a sua experiência. Mantêm contactos com muitas outras comunidades, rurais e urbanas, recebendo muitos visitantes, e deslocando-se eles próprios às outras comunidades e reuniões da família Rainbow, convocadas de forma periódica para os mais incríveis ( e belos) locais que a natureza nos oferece.
Os elementos destas duas aldeias vivem ou em casa de madeira, construídas pelos próprios, já com alguma comodidade, ou então, e como é o caso de grande parte deles, vivem em tippis, tendas índias feitas de pano e erguidas com a ajuda de troncos de madeira. Quase todas possuem salamandras para aquecerem o interior das tendas, uma vez que o frio, o gelo e a neve se fazem sentir com muita intensidade, sobretudo no inverno. Tanto mais se nos recordarmos que a altitude das aldeias é considerável , com uma espantosa vista panorâmica sobre o vale que circunda a serra, só visível nos poucos dias do ano de céu aberto. Muitos dos elementos das comunidades são vegetarianos, e cultivam os produtos de que se alimentam. Cada elemento ( ou casal ) é proprietário do seu alojamento (casa de madeira ou tenda ) e cada um tem os seus próprios meios de subsistência. Porém, muitas coisas são comuns, e postas ao serviço de toda a comunidade. Existe, por exemplo, um forno colectivo que produz pão gratuitamente para toda a comunidade. Aliás, dinheiro é coisa que poucos utilizam. Quase não existe. Pelo menos à vista desarmada. Quem quiser servir-se no bar da aldeia de um café, de chá , biscoitos ou outros produtos, só paga em dinheiro aquilo que quiser ( ou puder ) dar.
Uma mercearia, uma escola para crianças, um bar, uma casa de reuniões e uma pequena loja de artesanato constituem a infra-estrutura colectiva de Matavenero . São vários os projectos comuns e partilhados por vários elementos . Desde os mais espirituais até aos de carácter agrícola e pecuário, passando pelos inevitáveis projectos musicais de alguns elementos , a comunidade vai gerando permanentemente actividades que ocupam os elementos interessados por cada uma e lhe imprimem um dinâmica em tudo contrária à ideia de contemplação e passividade.
Sendo uma comunidade de indivíduos livres, é natural que as relações amorosas sejam também pautadas pela liberdade de cada um. Formam-se e desfazem-se casais, mas tudo isso é visto como assunto particular de cada qual. Só quando alguém não respeita estes princípios pode ser objecto de censura, e até de marginalização.
O nascimento de uma criança ( e muitas há) é motivo de de entreajuda entre as mulheres e festejado com efusiva alegria por toda a comunidade. A escola de crianças é inspirada pelos mesmos princípios: a liberdade individual, amor e respeito pela natureza e desprendimento material. Quase todas a crianças ( e adultos) falam 3 línguas: o inglês, o alemão ( grande parte dos membros da comunidade são de nacionalidade alemã) e o castelhano.
Contrariedades, dificuldades, contradições e impasses não são poucos, e mentiríamos se disséssemos que não existiam. Mas a verdade é que ninguém pretende construir o paraíso à face da terra, apenas levar um modo de vida diferente. Um dos aspectos, por exemplo, que saltam mais à vista é uma certa agressividade nas atitudes e reacções por parte das crianças, nada pacíficas - nem passivas -, irrequietas mesmo, o que se explica em grande medida pelas condições agrestes em que vivem, e pelo facto de, desde muito cedo, adquirirem uma grande liberdade fora do controle dos pais.
Matavenero e Poibueño são aldeias perdidas na serra. Para lá chegar, é necessário caminhar a pé umas boas duas horas. Sempre a subir. Ao longo do caminho avistam-se sinais a confirmar que estamos no caminho certo.
Depois do jantar, os elementos das aldeia convergem para o bar, num local cimeiro à encosta. Conversam, riem, dançam, tocam música e cantam. Todos os dias.
Durante esses momentos mágicos, e ainda quando o tam-tams dos tambores soa e corta o ar, sentimos que estamos num mundo diferente. A percussão dos tambores gera uma comunhão entre todos. Aparecem palmas, cantos, batuques. A improvisação é total. e a montanha fica mais quente, mais acolhedora. É bonito ver alguém a construir a liberdade!
Encontro-Rainbow em Portugal
No Verão do ano de 1996 realizou-se um encontro Rainbow em Portugal em Venda Nova, pequena localidade a meio caminho na estrada entre Chaves e Braga , após um encontro preparatório na Primavera anterior na Serra das Estrela. Tanto um como outro encontro foram notícia e motivo de reportagem nos jornais de grande difusão e, duma forma geral, num tom levemente encomiástico!
Quanto aos participantes portugueses que contactámos a experiência saldou-se pela surpresa, novidade e incredulidade. Não acreditavam no que lhes estava a acontecer: uma comunidade irmanada pelos valores muito diferentes dos que estavam habituados a ver nos meios onde viviam. Inevitavelmente que terá havido, aqui e acolá , algo que não correu tão bem, ou cujas expectativas não foram de todo satisfeitas. Mas ninguém pretende o paraíso nem somos anjinhos do céu. Das apreciações pessoais e colectivas destacam-se as que não conseguem descodificar o que realmente está em jogo, e ainda aquelas, mais sérias, que vêem o movimento (!) Rainbow com o ferrete de misticismo olhando-o com alguma desconfiança e até desdém. Quanto a nós julgamos que, descontado algum folclore e muito voluntarismo juvenil, importa separar o acessório do essencial, e aí não temos dúvida que a vivência Rainbow dá lições de sabedoria aos muitos militantes encartados que também não compreendem como mudar o sistema não basta, é preciso transformar e mudar de vida. Para isso requer-se uma grande dose de coragem e de idealismo.
Como registo aqui fica um excerto retirado dum dos folhetos a anunciar os encontros Rainbow em Portugal:
«Nós, guerreiros do arco-íris, filhos da Mãe-Terra, somos uma família terrestre, espiritual, mas não religiosa, sem fins políticos ou comerciais. Reunimo-nos para partilhar amor, a nossa visão comum de respeito e protecção da Mãe-Terra e, também para melhorá-la e curar os nossos seres ( nós mesmos) através do Amor, Verdade e Confiança. Não temos leis, mas sim senso comum que pedimos-te que respeites.(...) A família do Arco-Íris é um grupo não organizado cujo local de trabalho é neste mundo em que vivemos. No encontro anterior decidiu-se em consenso: -A família não tem chefe; todas as decisões são tomadas em consenso; qualquer um pode participar nas reuniões -Todas as decisões são tomadas respeitando a vida, o ser e a mãe-natureza -Não se efectuam negócios durante os encontros -Cada um(a) responsabiliza-se um pouco pelo todo, usando a sua energia em actividades comuns -Não gostamos de armas, violência, abuso de álcool, drogas destrutivas e ideias que criem líderes entre a comunidade. »
Comunidades Rainbow em território português
Em Portugal existem já há bastantes anos comunidades rurais que fazem parte da rede Rainbow. No serra algarvia, mas sobretudo no Alentejo, podem-se encontrar comunidades rurais formadas por portugueses mas principalmente jovens estrangeiros que cortaram com o modo de vida urbano que levavam nos países originários e recriam a vida rural segundo valores ligados ao respeito pela natureza e pelo seu semelhante. Mas a comunidade mais antiga e, de todas a mais conhecida, se bem que tenha já passado por altos e baixos ao longo da sua existência é a comunidade rural que se instalou na Serra da Lousã, perto Góis. Há uns tempos atrás apareceram por lá repórteres da TVI que pretendiam entrevistar e filmar a comunidade - "uns jovens excêntricos que viviam isolados em plena serra" - para o que não se fizeram rogados, entrando de rompante na aldeia recuperada. Pensavam que poderiam filmar gente tão estranha, quais animais de circo vivendo como selvagens. A resposta que receberam foi a seguinte: os habitantes e membros da comunidade rural fecharam-se nas suas casas e cabanas recusando-se a dar a cara para um media que representava a civilização que contestavam. Do acontecimento ressalta, no entanto, a intromissão forçada dos jornalistas num meio que pretende deliberadamente afastar-se da civilização que tem justamente endeusado a televisão.
Também no Público de 11 de Abril de 1994 se dá a notícia duma comunidade rural constituída por jovens ecologistas, predominantemente estrangeiros, na Serra do Açor e da sua luta contra o avanço das plantações de eucaliptos, ao mesmo tempo que tentavam renascer a vida e a cultura rural em baldios e zonas tão agrestes como são as cercanias serranas.
Trata-se de comunidades ecológicas que, a muito custo, têm vindo a repovoar e reconstruir duas antigas aldeias nas montanhas rochosas de Castela La Vieja. Fazem parte da grande família Rainbow, espalhadas pelo velho e novo continente, que reúne alguns daqueles que renegam o mercantilismo urbano e regressam à vida comunitária do campo, junto da mãe-natureza. Publicam um fanzine, "L,L,L, La casa de las tres lunas", com o qual tentam divulgar a sua experiência. Mantêm contactos com muitas outras comunidades, rurais e urbanas, recebendo muitos visitantes, e deslocando-se eles próprios às outras comunidades e reuniões da família Rainbow, convocadas de forma periódica para os mais incríveis ( e belos) locais que a natureza nos oferece.
Os elementos destas duas aldeias vivem ou em casa de madeira, construídas pelos próprios, já com alguma comodidade, ou então, e como é o caso de grande parte deles, vivem em tippis, tendas índias feitas de pano e erguidas com a ajuda de troncos de madeira. Quase todas possuem salamandras para aquecerem o interior das tendas, uma vez que o frio, o gelo e a neve se fazem sentir com muita intensidade, sobretudo no inverno. Tanto mais se nos recordarmos que a altitude das aldeias é considerável , com uma espantosa vista panorâmica sobre o vale que circunda a serra, só visível nos poucos dias do ano de céu aberto. Muitos dos elementos das comunidades são vegetarianos, e cultivam os produtos de que se alimentam. Cada elemento ( ou casal ) é proprietário do seu alojamento (casa de madeira ou tenda ) e cada um tem os seus próprios meios de subsistência. Porém, muitas coisas são comuns, e postas ao serviço de toda a comunidade. Existe, por exemplo, um forno colectivo que produz pão gratuitamente para toda a comunidade. Aliás, dinheiro é coisa que poucos utilizam. Quase não existe. Pelo menos à vista desarmada. Quem quiser servir-se no bar da aldeia de um café, de chá , biscoitos ou outros produtos, só paga em dinheiro aquilo que quiser ( ou puder ) dar.
Uma mercearia, uma escola para crianças, um bar, uma casa de reuniões e uma pequena loja de artesanato constituem a infra-estrutura colectiva de Matavenero . São vários os projectos comuns e partilhados por vários elementos . Desde os mais espirituais até aos de carácter agrícola e pecuário, passando pelos inevitáveis projectos musicais de alguns elementos , a comunidade vai gerando permanentemente actividades que ocupam os elementos interessados por cada uma e lhe imprimem um dinâmica em tudo contrária à ideia de contemplação e passividade.
Sendo uma comunidade de indivíduos livres, é natural que as relações amorosas sejam também pautadas pela liberdade de cada um. Formam-se e desfazem-se casais, mas tudo isso é visto como assunto particular de cada qual. Só quando alguém não respeita estes princípios pode ser objecto de censura, e até de marginalização.
O nascimento de uma criança ( e muitas há) é motivo de de entreajuda entre as mulheres e festejado com efusiva alegria por toda a comunidade. A escola de crianças é inspirada pelos mesmos princípios: a liberdade individual, amor e respeito pela natureza e desprendimento material. Quase todas a crianças ( e adultos) falam 3 línguas: o inglês, o alemão ( grande parte dos membros da comunidade são de nacionalidade alemã) e o castelhano.
Contrariedades, dificuldades, contradições e impasses não são poucos, e mentiríamos se disséssemos que não existiam. Mas a verdade é que ninguém pretende construir o paraíso à face da terra, apenas levar um modo de vida diferente. Um dos aspectos, por exemplo, que saltam mais à vista é uma certa agressividade nas atitudes e reacções por parte das crianças, nada pacíficas - nem passivas -, irrequietas mesmo, o que se explica em grande medida pelas condições agrestes em que vivem, e pelo facto de, desde muito cedo, adquirirem uma grande liberdade fora do controle dos pais.
Matavenero e Poibueño são aldeias perdidas na serra. Para lá chegar, é necessário caminhar a pé umas boas duas horas. Sempre a subir. Ao longo do caminho avistam-se sinais a confirmar que estamos no caminho certo.
Depois do jantar, os elementos das aldeia convergem para o bar, num local cimeiro à encosta. Conversam, riem, dançam, tocam música e cantam. Todos os dias.
Durante esses momentos mágicos, e ainda quando o tam-tams dos tambores soa e corta o ar, sentimos que estamos num mundo diferente. A percussão dos tambores gera uma comunhão entre todos. Aparecem palmas, cantos, batuques. A improvisação é total. e a montanha fica mais quente, mais acolhedora. É bonito ver alguém a construir a liberdade!
Encontro-Rainbow em Portugal
No Verão do ano de 1996 realizou-se um encontro Rainbow em Portugal em Venda Nova, pequena localidade a meio caminho na estrada entre Chaves e Braga , após um encontro preparatório na Primavera anterior na Serra das Estrela. Tanto um como outro encontro foram notícia e motivo de reportagem nos jornais de grande difusão e, duma forma geral, num tom levemente encomiástico!
Quanto aos participantes portugueses que contactámos a experiência saldou-se pela surpresa, novidade e incredulidade. Não acreditavam no que lhes estava a acontecer: uma comunidade irmanada pelos valores muito diferentes dos que estavam habituados a ver nos meios onde viviam. Inevitavelmente que terá havido, aqui e acolá , algo que não correu tão bem, ou cujas expectativas não foram de todo satisfeitas. Mas ninguém pretende o paraíso nem somos anjinhos do céu. Das apreciações pessoais e colectivas destacam-se as que não conseguem descodificar o que realmente está em jogo, e ainda aquelas, mais sérias, que vêem o movimento (!) Rainbow com o ferrete de misticismo olhando-o com alguma desconfiança e até desdém. Quanto a nós julgamos que, descontado algum folclore e muito voluntarismo juvenil, importa separar o acessório do essencial, e aí não temos dúvida que a vivência Rainbow dá lições de sabedoria aos muitos militantes encartados que também não compreendem como mudar o sistema não basta, é preciso transformar e mudar de vida. Para isso requer-se uma grande dose de coragem e de idealismo.
Como registo aqui fica um excerto retirado dum dos folhetos a anunciar os encontros Rainbow em Portugal:
«Nós, guerreiros do arco-íris, filhos da Mãe-Terra, somos uma família terrestre, espiritual, mas não religiosa, sem fins políticos ou comerciais. Reunimo-nos para partilhar amor, a nossa visão comum de respeito e protecção da Mãe-Terra e, também para melhorá-la e curar os nossos seres ( nós mesmos) através do Amor, Verdade e Confiança. Não temos leis, mas sim senso comum que pedimos-te que respeites.(...) A família do Arco-Íris é um grupo não organizado cujo local de trabalho é neste mundo em que vivemos. No encontro anterior decidiu-se em consenso: -A família não tem chefe; todas as decisões são tomadas em consenso; qualquer um pode participar nas reuniões -Todas as decisões são tomadas respeitando a vida, o ser e a mãe-natureza -Não se efectuam negócios durante os encontros -Cada um(a) responsabiliza-se um pouco pelo todo, usando a sua energia em actividades comuns -Não gostamos de armas, violência, abuso de álcool, drogas destrutivas e ideias que criem líderes entre a comunidade. »
Comunidades Rainbow em território português
Em Portugal existem já há bastantes anos comunidades rurais que fazem parte da rede Rainbow. No serra algarvia, mas sobretudo no Alentejo, podem-se encontrar comunidades rurais formadas por portugueses mas principalmente jovens estrangeiros que cortaram com o modo de vida urbano que levavam nos países originários e recriam a vida rural segundo valores ligados ao respeito pela natureza e pelo seu semelhante. Mas a comunidade mais antiga e, de todas a mais conhecida, se bem que tenha já passado por altos e baixos ao longo da sua existência é a comunidade rural que se instalou na Serra da Lousã, perto Góis. Há uns tempos atrás apareceram por lá repórteres da TVI que pretendiam entrevistar e filmar a comunidade - "uns jovens excêntricos que viviam isolados em plena serra" - para o que não se fizeram rogados, entrando de rompante na aldeia recuperada. Pensavam que poderiam filmar gente tão estranha, quais animais de circo vivendo como selvagens. A resposta que receberam foi a seguinte: os habitantes e membros da comunidade rural fecharam-se nas suas casas e cabanas recusando-se a dar a cara para um media que representava a civilização que contestavam. Do acontecimento ressalta, no entanto, a intromissão forçada dos jornalistas num meio que pretende deliberadamente afastar-se da civilização que tem justamente endeusado a televisão.
Também no Público de 11 de Abril de 1994 se dá a notícia duma comunidade rural constituída por jovens ecologistas, predominantemente estrangeiros, na Serra do Açor e da sua luta contra o avanço das plantações de eucaliptos, ao mesmo tempo que tentavam renascer a vida e a cultura rural em baldios e zonas tão agrestes como são as cercanias serranas.
Os livros que Bush nunca compreenderá
O livro do Tao – Lao-Tsé
Odisseia – Homero
D.Quixote – Cervantes
Gargântua e Pantagruel – Rabelais
Contos - de Voltaire
Ensaios - de Montaigne
Os Miseráveis – Victor Hugo
Heinrich von Ofterdingen – de Novalis
Oliver Twist – de Charles Dickens
Assim falava Zaratrusta – Nietzsche
A Guerra e a Paz – Tolstoi
Canto a Mim mesmo – Walt Whtiman
Walden – Henry David Thoreau
A Selva – Ferreira de Castro
Escuta Zé Ninguém – Wilhelm Reich
A Viagem ao fim da noite - Celine
O processo – Kafka
Ulisses – James Joyce
O Homem Revoltado – Albert Camus
Siddharta – Herman Hesse
Pela Estrada Fora – Jack Kerouac
Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Marquez
Os Desapossados – Ursula LeGuin
_______________________
O vandalismo cultural do Exército norte-americano destrói os vestígios da Babilónia
As tropas norte-americanas de ocupação danificaram seriamente a antiga, lendária e histórica cidade iraquiana da Babilónia ao instalarem uma base militar no meio da suas ruínas, é a conclusão a que chega o relatório de especialistas e arqueólogos do British Museum. Destruição que era completamente desnecessária e que poderia ser facilmente evitada.
Recorde-se que a Babilónia é uma dos mais importantes locais arqueológicos do mundo inteiro e os danos que sofreu representam um perda irreparável para o património da Humanidade, segundo escreve o articulista do jornal The Guardian, no passado dia 15 de Janeiro.
Os veículos militares blindados norte-americanos destruíram os pavimentos da velha cidade com mais de 2.600 anos de existência, declarou John Curtis, conservador do Departamento dedicado à Antiguidade do Próximo Oriente do British Museum.
Partes inteiras da velha cidade foram também desfiguradas ao serem retiradas dos seus locais primitivos pelos soldados norte-americanos para o enchimento de sacos de areia, além do local ter sido devastado e contaminado pelos 2.000 elementos do exército dos Estados Unidos quando escolheram aquele local histórico para instalar uma sua base militar.
Curtis afirmou que o que ocorreu era o mesmo que terem escolhido para base militar as pirâmides do Egipto ou a região de Stonehenge.
Todo o legado arqueológico e histórico da antiga Babilónia ficou seriamente comprometido, declarou aquele especialista de História Antiga do British Museum.
Recorde-se que a Babilónia é uma dos mais importantes locais arqueológicos do mundo inteiro e os danos que sofreu representam um perda irreparável para o património da Humanidade, segundo escreve o articulista do jornal The Guardian, no passado dia 15 de Janeiro.
Os veículos militares blindados norte-americanos destruíram os pavimentos da velha cidade com mais de 2.600 anos de existência, declarou John Curtis, conservador do Departamento dedicado à Antiguidade do Próximo Oriente do British Museum.
Partes inteiras da velha cidade foram também desfiguradas ao serem retiradas dos seus locais primitivos pelos soldados norte-americanos para o enchimento de sacos de areia, além do local ter sido devastado e contaminado pelos 2.000 elementos do exército dos Estados Unidos quando escolheram aquele local histórico para instalar uma sua base militar.
Curtis afirmou que o que ocorreu era o mesmo que terem escolhido para base militar as pirâmides do Egipto ou a região de Stonehenge.
Todo o legado arqueológico e histórico da antiga Babilónia ficou seriamente comprometido, declarou aquele especialista de História Antiga do British Museum.
Subscrever:
Mensagens (Atom)