1.9.08

Dicas para os 40.000 professores portugueses lançados no desemprego pelo governo de Sócrates, e que queiram ensinar no Reino Unido e na Irlanda

Texto e Informação útil retirada do blog:
http://www.profblog.org/


Foram mais de 50 mil os candidatos não colocados. Para quem quiser tentar a sorte fora do país, deixo umas dicas sobre como procurar emprego na área da educação, no Reino Unido.

1. Só vale a pena tentar, se for fluente no inglês falado e escrito. Se tiver feito o exame Toefl, o acesso fica muito facilitado. Se tiver o diploma Proficiency também fica com a vida facilitada.

2. Inscreva-se nos websites de oferta de emprego no Reino Unido. Um dos websites com mais ofertas de trabalho na área da educação é o educationjobs: http://www.education-jobs.co.uk/

3. Inscreva-se e envie o seu CV online no website click4teachers: http://www.click4teachers.co.uk/

4. Faça o mesmo no website ESLjobster: http://www.esljosly.co.uk/

5. E num dos maiores portais de oferta de emprego do Reino Unido: http://www.experteer.com/

8. E o eteach: http://www.eteach.cm/
Se a sua vocação para ensinar for superior ao desastre, não desanime. Se fala e escreve fluentemente inglês, lembre-se de que é fácil conseguir uma colocação numa escola inglesa, recorrendo a um destes websites. Se o seu inglês não for forte, ainda está a tempo. Inscreva-se numa boa escola de línguas e faça o exame Toefl. De seguida, concorra a uma das muitas milhares de vagas existentes no Reino Unido.




A Irlanda tem falta de professores e educadores. Se você não ficou colocado e não tem esperanças de o ser por pertencer a um grupo de recrutamento onde há muitos horários zero, pense na possibilidade de concorrer a um lugar de professor na Irlanda. Para além de ir ganhar o dobro, livrar-se-á da burocracia imposta por MLR às escolas e aos professores portugueses. Há dois requisitos que tem de cumprir para concorrer: ter uma licenciatura ou mestrado que dê habilitação profissional para o ensino e ser fluente em Inglês.

Tome nota destas dicas:

1. Vá ao website de oferta de emprego jobs.ie: http://www.jobs.ie/ e escolha uma das 111 ofertas.

5. Procure também em jobsearch: http://www.jobsearch.ie/

6. Não fique parado à espera que apareça uma vaga em Portugal. Se não tiver condições para concorrer a uma vaga de professor na Irlanda, comece a pensar em mudar de profissão.

7. Se o curso que tirou não lhe abre perspectivas de emprego e não quer sair de Portugal, pense na possibilidade de fazer uma reconversão profissional, frequentando um dos muitos cursos de reconversão profissisonal que as Universidades criaram para jovens licenciados sem trabalho.

8. Faça uma pesquisa dos cursos de reconversão profissional nas páginas web das Universidades ou dirija-se à Direcção Geral do Ensino Superior a pedir informações.
9. Se ousar ir ensinar para a Irlanda e for contemplado com um lugar numa escola de Dublin ou de Cork, não pense que vai ficar muito longe de casa. A Ryan Air faz voos para a Irlanda a muito baixo custo. Do Porto, pode fazer a viagem para Dublin por apenas 50 euros. Em algumas alturas do ano, por muito menos. Eu já consegui bilhetes por 10 euros! E lembre-se de que a viagem demora apenas uma hora. No fundo, se você for ensinar para a Irlanda, ficará mais perto de casa do que se for ensinar para o Algarve, tendo casa e família em Bragança.

Ciclo de cinema asiático na sede do SOS Racismo no Porto durante o mês de Setembro


Próxima sessão:
7 de Setembro - 17 horas
DOLLS de TAKESHI KITANO
Japão - 2002 - 113’ - cor


DOLLS reagrupa três histórias de amor inspiradas no Bunraku, teatro de marionetas japonês.
Na primeira história, Matsumoto e Sawako são um casal feliz, mas as pressões das respectivas famílias obrigam-nos a escolher um destino trágico. Para proteger Sawako, Matsumoto liga-se a ela para sempre, unindo os corpos com uma faixa vermelha. Erram sem destino. Procuram aquilo que esqueceram. Uma viagem que vai durar o tempo de quatro estações.
Na segunda história, Hiro, um yakuza, regressa a um parque onde costumava encontrar a namorada. Trinta anos antes, era pobre e viu-se obrigado a separar-se da bela rapariga para abraçar o mundo do crime.
Na terceira história, Hakuma, cujo rosto está coberto com faixas, passa muito tempo a olhar o mar. Pouco tempo antes, ela era uma grande estrela da música que passava a vida a dar autógrafos e a aparecer na televisão. Nukui é o seu maior fã e está disposto a prová-lo.
Três histórias inspiradas nas emoções eternas do teatro Bunraku. Três histórias delicadamente enlaçadas pela beleza da tristeza. Três histórias de amor imortal.

O Kitano de hoje tem tudo o que amamos: um artista que procura renovar-se, encontrar novas formas de contar, de gerir o tempo cinematográfico, procurando o esboço mais do que a pureza, a ingenuidade mais do que a inocência, e que abre o seu cinema ao espectador evitando cuidadosamente toda e qualquer psicologia. Quase deixando para trás as história de yakusas que o tornaram célebre, Kitano realiza com DOLLS um filme em que se unem a dor e a beleza – cenários e guarda-roupa criados por Yohji Yamamoto – ingenuidade e violência interiorizada dos sentimentos, menos excessos que habitualmente.
No Teatro Nacional do Japão, assistimos a uma representação de bunraku (o teatro de marionetas japonesas). A peça interpretada é do dramaturgo Monzaemon Chikamatsu (1653-1724), o Shakespeare nipónico. Conta a história de dois amantes malditos. Na vida de hoje, um homem e uma mulher, o olhar vago, erram sem destino aparente, atados um ao outro por uma corda vermelha. Ela ficou louca no dia em que soube que ele por interesse iria casar-se com outra. A sua deambulação vai durar quatro estações. Paralelamente, um velho yakusa, sentindo a morte aproximar-se, regressa pela primeira vez ao jardim público onde, cinquenta anos antes, a noiva prometeu esperá-lo todos os sábados no mesmo banco... Noutra história, uma cantora de variedades tem um acidente de carro. Desfigurada, retira-se de cena. Mas um fã comete um acto radical...
Através destas três histórias alternadas, sombrias mas coloridas, embaladas pelo vento (Kitano é o mestre do vento), o realizador nipónico conta-nos com uma grande simplicidade três histórias de paixões malditas, de fidelidade e de amor, três histórias que terminam sempre mal, como seria de esperar. Os amantes são como bonecos, marionetas privadas de liberdade nas mãos do amor louco que as une, apanhadas entre o desejo e a pressão social. A paixão é uma prisão. A única saída é a morte.




SOS RACISMO no Porto:
Rua do Almada, 254 - 3º Dtº - Sala 34
4050-032 PORTO
sosracismoporto@gmail.com


...em Lisboa
Quinta da Torrinha
Zona 1, Lote 11, Loja A
1750 Lisboa Ameixoeira

Tel: 217552700
Fax: 217552709

3ª fase de candidaturas ao apoio ao arrendamento jovem começou hoje, depois das críticas anteriores à redução dos apoios do governo

A 3ª fase de candidaturas ao Programa Porta 65 Jovem começou hoje (1 de Setembro) e vai até 15 de Setembro.

Recorde-se que na anterior fase de candidaturas, de 23 de Abril a 23 de Maio passado, foram submetidas 5.508 candidaturas, tendo sido aprovadas 4.156, donde ressalta um aumento global de candidaturas, em relação ao período de Dezembro, na ordem dos 54,68 % e um crescimento de novas candidaturas subvencionadas na ordem dos 169,17 %.

Mas a verdade é que o orçamento para o arrendamento jovem foi cortado entre 2007 e 2008 em mais de 50%, o número de candidatos foi drasticamente reduzido, e não existem alternativas para apoio ao arrendamento jovem e o governo falha clamorosamente todos os objectivos para a habitação jovem definidos na legislação e na constituição

Depois de críticas e protestos que se fizeram ouvir, o Governo acabou por aumentar os tectos máximos das rendas a apoiar, que nalguns casos subiram mais de 80 por cento, e a taxa de esforço (peso da renda no rendimento mensal).

Informações e contestação ao novo modelo de incentivo ao arrendamento jovem:

http://porta65.blogspot.com/


Artigo 65.º da Constituição da República Portuguesa

1. Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar.

2. Para assegurar o direito à habitação, incumbe ao Estado:
a) Programar e executar uma política de habitação inserida em planos de ordenamento geral do território e apoiada em planos de urbanização que garantam a existência de uma rede adequada de transportes e de equipamento social;
b) Promover, em colaboração com as regiões autónomas e com as autarquias locais, a construção de habitações económicas e sociais;
c) Estimular a construção privada, com subordinação ao interesse geral, e o acesso à habitação própria ou arrendada;
d) Incentivar e apoiar as iniciativas das comunidades locais e das populações, tendentes a resolver os respectivos problemas habitacionais e a fomentar a criação de cooperativas de habitação e a autoconstrução.
3. O Estado adoptará uma política tendente a estabelecer um sistema de renda compatível com o rendimento familiar e de acesso à habitação própria.
4. O Estado, as regiões autónomas e as autarquias locais definem as regras de ocupação, uso e transformação dos solos urbanos, designadamente através de instrumentos de planeamento, no quadro das leis respeitantes ao ordenamento do território e ao urbanismo, e procedem às expropriações dos solos que se revelem necessárias à satisfação de fins de utilidade pública urbanística.
5. É garantida a participação dos interessados na elaboração dos instrumentos de planeamento urbanístico e de quaisquer outros instrumentos de planeamento físico do território.

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Aproveitamos o ensejo para reproduzir o comunicado do Movimento Porta 65 Fechada do passado mês de Julho, quando foram conhecidos os resultados da segunda fase de candidatura ao programa Porta 65 Jovem


COMUNICADO DE JULHO DO MOVIMENTO PORTA 65 FECHADA


Porta 65 Jovem é embuste!

Após o falhanço da primeira fase de candidaturas o mesmo cenário volta a repetir-se na segunda fase: a esmagadora maioria dos jovens ficou fora da Porta 65.

4100 candidaturas aprovadas são sinais mais que evidentes de que há problemas graves no acesso ao programa. Neste momento, mais de 20.000 jovens, segundo dados do próprio IHRU, deveriam ter condições para se candidatar a apoios ao arrendamento, tal como é consagrado na Constituição, mas desde a sua implementação, apenas pouco mais de 5.000 conseguiram passar o crivo do Porta 65 Jovem, um programa que foi concebido de raiz para diminuir e dificultar o acesso a esses apoios. Desde há um ano, quando o programa Incentivo ao Arrendamento Jovem suspendeu novas candidaturas, que os jovens portugueses se vêm confrontados na prática com a quase total ausência de apoios no acesso à habitação. A propalada bolsa de habitação não existe e está contemplada na própria legislação do Porta 65!!, o mercado de arrendamento está longe de ser equilibrado e a única via de acesso é cortada por esta política antes de haver alternativas.


Confrontados com os números tão baixos apresentados pelo Porta 65 Jovem, o Movimento Porta 65 Fechada exige que seja feita uma avaliação urgente do programa que corrigir as falhas profundas que levaram a esta situação calamitosa. Têm que ser retiradas conclusões sérias dos fracos resultados do programa. Não aceitamos que o Secretário de Estado João Ferrão continue a fingir que está tudo bem, debitando para a imprensa informação irrelevante e enganadora para esconder o fracasso do Porta 65 Jovem no que deveria ser o seu objectivo primordial: apoiar os jovens no acesso à habitação, ao invés de promover um simples corte no orçamento

4100 candidaturas aprovadas é um resultado extremamente negativo e quem disser o contrário está certamente a mentir ou não tem noção da realidade da falta de acesso à habitação que os jovens enfrentam.

Estes são os vergonhosos resultados que o IHRU e o Programa Porta 65 Jovem apresentam, continuando a ignorar os milhares de jovens que ficam fora da Porta 65 e demonstrando que o mesmo foi criado apenas com o intuito de reduzir as despesas no apoio aos jovens, um corte que ascende a 70% do orçamento do IAJ (Incentivo ao Arrendamento Jovem), no ano de 2007. Com as dificuldades impostas ao simples acto da candidatura o Movimento Porta 65 Fechada teme que a lógica distorcida imposta leve a um maior corte no orçamento no próximo ano e estará atento a esta situação.

O Movimento considera que as regras deste concurso excluem quem mais precisa deste apoio. É paradigmático o caso das mulheres que tiveram filhos no ano de 2007 serem por norma impedidas de se candidatar por não poderem declarar o subsídio de maternidade como rendimento. A agravar esta situação está o facto de, frequentemente, as jovens mulheres que trabalham a recibos verdes, muitas vezes "falsos" recibos verdes, serem despedidas assim que se aproxima a altura do parto. Existem ainda casos de pais que são excluídos do Porta 65 por terem filhos, quando facilmente ficariam no primeiro escalão se concorressem sozinhos. Os jovens têm vindo a ser excluídos também por erros burocráticos e administrativos totalmente que lhes são totalmente alheios. Este programa é desfasado do tempo uma vez que a situação de estabilidade dos jovens é uma condição de acesso quando se sabe que esta é cada vez uma realidade distante.

O Movimento está empenhado em lutar contra o modelo do Porta 65, reivindicando a sua alteração profunda, procurando contribuir de forma positiva para a criação de políticas eficazes que consigam apoiar as famílias jovens e os jovens trabalhadores em início de carreira, criando condições mínimas para a sua inclusão e afirmação no mercado de trabalho e na sociedade.

O Movimento Porta 65 Jovem lança ainda um alerta à população em geral para o facto de o governo ter anunciado recentemente a intenção de alterar os regimes de apoio à habitação social para modelos semelhantes ao do Porta 65 Jovem, o que aos nossos olhos, considerando a situação de caos e precariedade agravada infligida aos jovens através da implementação deste programa, é visto com grande preocupação.

O programa Porta 65 Jovem é um claro retrocesso nas políticas de habitação do estado que vem agravar as condições de extrema precariedade vivida pelos jovens que estão a dar os primeiros passos no mercado de trabalho. Este programa continua a vedar o acesso à habitação à maioria dos jovens candidatos e reduzirá drasticamente o valor e a duração dos apoios concedido aos jovens seleccionados, pondo em causa os objectivos que supostamente pretende alcançar.


Movimento Porta 65 Fechada

31.8.08

Morreu Joaquim Castro Caldas, um dos raros poetas que teimava confundir a vida com a poesia

Faleceu hoje de madrugada, com 52 anos de idade, o poeta Joaquim Castro Caldas, que se tornou conhecido por divulgar, sentir e viver a poesia nas ruas ( em Paris, por exemplo, onde declamava poesia nos jardins e nas praças a troco de dinheiro), nos cafés e bares ( nas célebres noites de poesia às segundas-feiras no bar Pinguim, no Porto), e nas escolas de todo o país como declamador convidado.
Castro Caldas publicou 11 livros de poesia ao longo da sua vida. O último foi editado ainda este ano pela Deriva com o título «Mágoa das Pedras». Alguns dos outros livros são: "Português Suave", "Berlindes e abafadores", "Convém avisar os ingleses", "Só cá vim ver o Sol", "Colheita da época" e "Há".

Joaquim Castro Caldas é como alguém já escreveu «uma das últimas vozes da poesia em que o risco é companheiro da entrega à vida na sua dimensão mais intensa»

No seu último livro «Mágoa das Pedras ( editado pela Deriva) pode-se ler:

«Joaquim Castro Caldas, 52 anos, à parte dezenas de ofícios para sobreviver no Norte de África, na Europa, em Portugal e outros sítios esquisitos, desde que tem memória e se conhece que não fez nem faz outra coisa senão arte embrionária e terminal, entre centenas de aventuras, do luxo à valeta, vadio num longo percurso involuntariamente polémico de ida e volta fala-escrita ou vice-versa e documentado por registos corpo a corpo, terra a terra, sem objectivos d revelação concreta. Nada mais que esqueleto e artista, intérprete da vontade do pássaro, marginalizado irritantes porque em paz, claridade, sequer interessado em dar-se por anarka»


Num seu outro livro, «Convém Avisar os Ingleses», lê-se na contracapa:

«Nasceu em 1956, Lisboa, actor de poesia, saltimbanco, lunático praticante, diseur a tempo inteiro, teatro de vez em quando. Escola Ave-Maria, Colégio Militar, Conservatório Nacional, escola da morte e da vida, muita estrada no coração, na cabeça e no corpo. Com este, apenas 8 livros editados. A ver vamos. »




Poesia de Joaquim Castro Caldas

Devolução dos Cravos

um menino uma vez
o tal que há em nós
sujo de liberdade
todo na ponta dos pés
tentou enfiar um cravo
no cano de uma G-3

hoje um homem talvez
menino velho sem voz
democrata que se farta
mete o cravo na culatra
e puxa-a de pé atrás
com medo que o seu país

(do livro "Convém Avisar os Ingleses", Quasi Edições, 2002)




um sms

no tempo dos badalos, nos dentes do cocheiro as cartas eram sangues, levavam febrões de cavalos e freios nos segredos, atravessavam nevões e suores para mudar de mãos às descobertas e revoluções, eram sustento de escravos e romances de cortesãs, mote de folguedos e duelos afãs, as saias do mulherio armavam partos e escondiam medos, perguntava-se pelos amores e estimava-se por nós. hoje para chegar a tempo manda-se um silêncio a dizer morri, vivalma, nada, e deixam-se uns gemidos na bolsa marsupial dos cangurus, alguém é pago para ir lá buscá-los, não há órgãos, mãos e olhos, esporas e poros.

(do livro “Mágoa das Pedras”, edição Deriva, 2008

Exposição sobre as minas de Trás-os-Montes no Museu do Ferro em Torre de Moncorvo


Desde o dia 6 de Agosto encontra-se patente no Museu do Ferro em Torre de Moncorvo uma exposição fotográfica intitulada «Escombros» dedicada às Minas transmontanas, de autoria de José Luís Gonçalves, numa inestimável contribuição dos seus promotores para o levantamento da arqueologia industrial daquela região do nordeste português.

O mesmo Museu do Ferro promoveu ainda no passado dia 10 de Agosto um Encontro dos Antigos Trabalhadores da ex-Ferrominas, a empresa mineira de explorou as minas de ferro de Moncorvo, entre 1951 e 1986, que foi extinta em 1992 e integrada na EDM (Empresa de Desenvolvimento Mineiro), a actual proprietária do depósito mineral de Moncorvo.

Aproveitando o contexto desta Exposição, o Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, apresentará uma base de dados sobre Minas de Trás-os-Montes e Alto Douro, que estará disponível no Centro de Documentação do Museu.




MUSEU DO FERRO e da REGIÃO DE MONCORVO
Largo Dr. Balbino Rego
tel. 279252724

email: parmoncorvo@gmail.com

(tem visitas guiadas e um acervo valioso sobre a indústria mineira)





EXPOSIÇÃO «ESCOMBROS - MINAS TRANSMONTANAS»

A Exposição "Escombros - Minas transmontanas" resultou de um trabalho fotográfico de José Luís Gonçalves, realizado em 2005, num momento em que praticamente todas as minas de Trás-os-Montes se encontravam inactivas, com infra-estruturas em ruínas, mas ainda com muitos vestígios do que se pode considerar Arqueologia Industrial e Mineira. A opção fotográfica a preto & branco ajuda a salientar esse olhar trágico, hoje de desolação e silêncio, com a natureza já a cobrar os seus direitos, em sítios onde outrora se ouviu o ruído das máquinas, as explosões e a vozearia humana. Era esse o cenário quotidiano, feito de esforço insano, para retirar às entranhas da terra a riqueza mineral que fez a fortuna de alguns e deu para o remedeio de muitos outros.
Obviamente as minas representadas são uma pequena parte do vasto panorama mineiro de Trás-os-Montes, mas aí se encontram algumas das principais, com destaque para Argoselo (concelho de Vimioso), que já tiveram direito ao cinema, através do filme "A sombra do Abutre" de Leonel Vieira, Ervedosa (concelho de Vinhais), Jales, de que se volta a falar, na expectativa de uma nova "febre do ouro", Portelo e Coelhoso no concelho de Bragança, e as famosas minas de Ferro de Torre de Moncorvo. Aí se exploraram diversos minerais, desde o volfrâmio, ouro, chumbo, chelite, ferro.
Perante os problemas ambientais e sanitários de algumas dessas minas, a EDM (Empresa de desenvolvimento Mineiro), uma das patrocinadoras desta iniciativa, encetou trabalhos de recuperação ambiental em várias minas trasmontanas, entre as quais, algumas das que figuram nesta mostra. Assim, tendo, inclusivamente, já mudado a paisagem de algumas destas minas, podemos considerar que o olhar fotográfico de José Luís Gonçalves, como trabalho datado, se reveste também de alguma historicidade.
José Luís Gonçalves, o autor desta exposição, nasceu no Porto, em 1985, tendo passado a maior parte da sua vida em Bragança, onde concluíu o ensino secundário. Em 2003 ingressou na Universidade da Beira Interior, na Covilhã, onde se licenciou em Design e Multimédia. Trabalha presentemente em Coimbra, na área de comunicação e multimédia.

GEOLOGIA NO VERÃO EM MONCORVO

Entretanto, entre os dias 26 de Agosto e 4 de Setembro de 2008, estão previstas várias acções em redor da geologia do concelho de Torre de Moncorvo, promovidas pela associação do Projecto Arqueológico da Região de Moncorvo, em colaboração com o Museu do Ferro, e no âmbito do programa Ciência Viva/Geologia de Verão 2008.



Acção sobre O Trabalhar do Ferro no séc. XVIII - a Água como força motriz

Data: 2 de Setembro às 15:00 I

Descrição: Observação de vários pontos de interesse geológico, e explicitação da sua importância relativamente à actividade humana, ao longo dos tempos.

Ponto de encontro: Museu do Ferro e da Região de Moncorvo – Largo Balbino Rego, junto à Igreja Matriz





Acção sobre a Falha da Vilariça - Implicações Tectono-estruturais e o seu aproveitamento pelo Homem ao longo dos tempos

Data: 4 de Setembro às 15:00

Descrição: Observação de vários pontos de interesse geológico, e explicitação da sua importância relativamente à actividade humana, ao longo dos tempos.

Ponto de encontro: Museu do Ferro e da Região de Moncorvo – Largo Balbino Rego, junto à Igreja Matriz


Acção sobre as minas de Ferro de Moncorvo - Contextualização Geológica, Industrial e Humana
Data: 6 de Setembro às 15:00 Inscrição opcional

Descrição: Observação de vários pontos de interesse geológico, e explicitação da sua importância relativamente à actividade humana, ao longo dos tempos.

Ponto de encontro: Museu do Ferro e da Região de Moncorvo – Largo Balbino Rego, junto à Igreja Matriz

30.8.08

Série de acidentes nucleares atingiram vários países europeus ( Bélgica, França, Espanha, Alemanha, Áustria, Eslovénia, Ucrânia) neste Verão


Não é só a Espanha e a França que têm tido problemas com as suas centrais nucleares. Acidentes nas centrais nucleares também se verificaram neste Verão na Alemanha, Eslovénia, Áustria, Ucrânia e Bélgica.

Na Bélgica, por exemplo, um acidente de nível 3 ocorrido no passado 24 de Agosto no Institut dês Radioélements (IRE) em Fleures desencadeou um alerta e as suas consequências, apesar de serem minimizadas pela Agência federal belga de Controle Nuclear ( AFCN), levou à interdição do consumo de legumes e do leite nas redondezas do local onde se encontram as instalações daquele Instituto.

Em Espanha, no mesmo dia, ocorreu um importante incêndio na central nuclear de VandellosII ( situada na Catalunha), o que levou à sua paragem forçada. Note-se mesmo que desde o princípio deste ano já se produziram umas 30 ocorrências acidentais nas centrais espanholas.

Na Alemanha, em Asse, a população local tomou conhecimento no final do passado mês de Junho que uma contaminação de grande amplitude atingia as minas de sal desde há anos, a partir dos detritos nucleares armazenados.

Por sua vez, na Áustria, verificou-se um incidente na noite de 2 para 3 de Agosto nos laboratórios da Agência Internacional de energia atómica (AIEA) a 35km de Viena e que só por muita sorte não teve consequências de maior…

Também na Ucrânia uma fuga de água radioactiva obrigou à paragem de um reactor da central nuclear de Rivné no passado mês de Junho.

Nesta série de ocorrências devemos incluir ainda o caso verificado na Eslovénia a 4 de Junho deste ano na central nuclear de Krsko e que desencadeou inclusivamente um alerta europeu, não se sabendo ainda o que é que então se passou.

Por fim, na França deram-se vários e preocupantes incidentes como a grave figa de urânio ( a 7 de Julho) , a descoberta de contaminações por causa do rompimento de uma canalização (18 de Julho), a contaminação de 100 funcionários na Central nuclear EDF de Tricason ( 23 de Julho), a contaminação de 15 trabalhadores na central de Isère ( 20 de Julho), despejos ilegais de carbono 14 radioactivo ( a 6 de Agosto, na central Socatri-Areva), rompimento de uma canalização ( a 21 de Agosto, na central de Comurhex-Areva, situado em Pierrelatte, no Drôme)

Antes que uma catástrofe nuclear aconteça com consequências imprevisíveis, nunca é demais alertar a opinião pública para a gravidade das contaminações e dos perigos inerentes à indústria nuclear.

Fonte:
http://www.sortirdunucleaire.org/





O país precisa de mais professores: acção de luta (1 de Setembro em todo o país) contra o desemprego docente e a instabilidade profissional

Acção de luta contra o desemprego e a instabilidade profissional em 1 de Setembro

O desemprego e a precariedade resultam da acção do Governo

1 de Setembro é a data em que um maior número de professores entra, em simultâneo, na situação de desemprego. É um dia dramático para milhares deles e para as suas famílias; é um dia em que se tornam ainda mais visíveis, nesta área, os resultados das erradas opções de quem governa.

Por este motivo, a FENPROF volta a, nesta data, fazer a denúncia da situação, alertando a opinião pública para a inaceitável dimensão do desemprego docente e, ao mesmo tempo, denunciando a crescente precariedade em que milhares de profissionais qualificados para o exercício da profissão são obrigados a desenvolver a sua actividade.

Generaliza-se o recurso ilegal a recibos verdes e aumentam-se os horários de trabalho, reduz-se o direito a férias ou a licenças por doença. Deixa-se na mão dos empregadores concessionados pelas autarquias para as AEC a capacidade de empregar e de despedir sem fiscalização.

Já vários governantes fugiram à denúncia desta situação declarando, com cinismo, que o Governo não é uma "agência de emprego". Mas o que a FENPROF exige é que, de uma vez por todas, o actual Governo deixe de se portar como uma obstinada "agência para o desemprego" dos professores e que tome medidas de acordo com os interesses do país e tendo em conta os recursos humanos que este, afinal, e ao contrário de outros, ainda possui.

Nesse sentido, em todo o país a denúncia será feita à porta dos Centros de Emprego, no dia 1 de Setembro, locais onde serão distribuídos comunicados à população.

EM LISBOA, A ACÇÃO DECORRERÁ EM FRENTE À LOJA DO CIDADÃO DAS LARANJEIRAS, (Rua Abranches Ferrão), A PARTIR DAS 15.00 HORAS (COM A PRESENÇA DO SECRETÁRIO-GERAL DA FENPROF, MÁRIO NOGUEIRA).

Esta acção enquadra-se numa ampla campanha nacional de defesa do emprego público dos professores e educadores e de combate à precariedade, passando, designadamente, pela afixação de um "outdoor" que enquadra a perspectiva sindical de combate ao desemprego e ao emprego precário.

A FENPROF desde já convida os órgãos de comunicação social para acompanharem esta acção, onde será entregue um documento aos senhores jornalistas.

Locais da realização da acção de 1 de Setembro : nos CENTROS DE EMPREGO ESPALHADOS POR TODO O PAÍS



LISBOA
LOJA DO CIDADÃO DAS LARANJEIRAS
Rua Abranches Ferrão - 11H30
(com a presença do Sec.-Geral da FENPROF
a partir das 15H00)

AVEIRO
Centro de Emprego e Formação Profissional
Cais da Fonte Nova
9H00

BRAGA
Centro de Emprego e Formação Profissional
8H30

CASTELO BRANCO
Centro de Emprego e Formação Profissional
Rua Pedro Álvares Cabral
9H00

COVILHÃ
Centro de Emprego e Formação Profissional
Avenida 25 de Abril, 66
15H00

COIMBRA
Centro de Emprego e Formação Profissional
Avenida Fernão de Magalhães
9H00

GUARDA
Centro de Emprego e Formação Profissional
Rua Estádio Municipal
10H00

LEIRIA
Centro de Emprego e Formação Profissional
Rua de S. Miguel, Lote 1
9H00

PORTO
Loja do Cidadão das Antas
9H00
Praça da Batalha
(distribuição de comunicado à população)
15H00

SÃO JOÃO DA MADEIRA
Centro de Emprego e Formação Profissional
12H00

VISEU
Centro de Emprego e Formação Profissional
Rua D, José da Cruz Moreira Pinto, Lote 6
9H00

Aqui há Gato: a livraria-bar Gato Vadio foi assaltada!


Na madrugada do dia 3 de Agosto o Gato Vadio (livraria, atelier de design, café-bar) foi assaltado. O gatuno furtou o computador portátil ou, em eufemismo policial, "subtraiu diversos artigos", como consta do auto do sub-chefe da 69ª divisão da esquadra do bairro. Ao furtar o bem materialmente mais valioso, o larápio insultou clamorosamente o nosso precioso espólio ao deixar intactas as nossas estantes. É repulsivo pensar que os "nossos" livros à mão de semear não tentaram o invasor.

Depois das medidas drásticas – abrir na noite seguinte com a fechadura estragada e a porta escaqueirada – não podíamos deixar em branco esta oportunidade suprema para estreitar laços e miados com a comunidade vadia. Muitos estão já ao corrente do vil acontecimento, comentando nas últimas semanas o "thriller" dos factos ocorridos em tão triste data. Uns lamentam, vaiando o patife que anda a monte (ou, mais sinistramente, entre nós...); outros, tecem elucubrações sobre o atentado valendo-se da literatura policial, "sub-género"(?!) que passou a ser o destaque do mês da livraria Gato Vadio. Ouvem-se ainda vozes lúcidas que apontam a nossa porta de anexo como um erro de investimento (agora corrigido, com cadeados chineses e fechaduras intransponíveis).

Da algazarra geral, não é de deitar fora a teoria da conspiração que aponta a Makrohard, filial oculta do potentado da Micosoftt e o pilar que sustenta a política de monopólio do arromba-Gates, como o mais remoto responsável pelo assalto. (Para breve, está prevista uma conferência de Noam Chomsky que versará este tema).

Despicienda parece a tese burguesa que vilipendia o pedreiro do bairro da maternidade que anda a biscates e cujo primo é o maioral da cadeia do Linhó e que aqui há duas semanas veio repor a caliça no tecto. Criativa e arrevesada (tiramos-lhe a kippa...), mas não menos preconceituosa, é a liturgia que nos chegou do último cabalista do Porto que interceptou uma mensagem críptica que imputava a um conhecido Kebabista do Bolhão o atentado a nossa ex-arca-frigorífica-escritório relicário de símbolos de David (malgrado David ter partido para pregar noutras paragens...) como sejam o tomo "Combate com o Demónio" do askenhaze Stefan Zweig (mais tarde convertido à carioquice…) ou a obra Judas Iscariotes de Thomas de Quincey, o comedor de ópio.
A credibilidade desta versão do cabalista caiu por terra quando soubemos que foi proferida no sábado passado, violando o sabbath sagrado.

Aproveitando as teses do médio-encéfalo houve quem se lembrou, por inferência, da CIA, pois no laptop surripiado constavam manifestos Vadios que escarnecem a soberba humana em pose G-8 e links suspeitos a sites suspeitos com links suspeitos.

Assinalamos que também o comité central emitiu um comunicado após reunião extraordinária com os órgãos máximos da célula partidária esclarecendo que a luta de classes continua e congratulando-se com o governo chinês e a festa da fraternidade dos povos agora finda. A defesa da classe operária, levou-nos a rejeitar estrepitosamente e por completo a solicitação feita por alguns vadios para que as ruas do quarteirão fossem patrulhadas a partir da meia-noite, pois desaparecendo os meliantes o que seria do pobre polícia que exerce escrupulosamente no seu "bureau", à frente da máquina de escrever, as suas tarefas diárias de bater relatórios e mais relatórios? Ao invés, estamos orgulhosos por terem palmado o portátil dando assim que fazer ao impoluto burocrata da nossa esquadra que conseguiu redigir um relatório policial sobre o assalto sem nunca referir o famigerado computador portátil!

Finalmente, para escárnio das hostes subversivas confirmamos que o supra-roubado portátil foi subsidiado pelo Ministério Geral de Bruxelas como fonte de incentivo à inovação e produtividade dos Vadios. Esperamos, do fundo do coração, que a nossa produtividade não saia beliscada, como aliás atesta o facto de os vadios-mor não terem interrompido as suas férias no Leste para se darem ao trabalho de escrever este já célebre, extemporâneo e imolado comunicado. Que venham mais couves!

Sem dúvida, alguém se aproveitou do facto de não termos trancas no espírito e nas ideias e, por silogismo muito "naif" e pouco literário, nas portas do Gato. Quanto mais próximo for o bandido da nossa comunidade mais merdoso é, pois violou o espírito da comunidade vadia e a casa onde, infelizmente, já entrara sem o pé de cabra. Como gostamos dos nossos Vadios e queremos o vosso bem (agora parece homilia...hóstias pró larapio!) avisamos que, de longe a longe, um copo passará a ter cianeto!

Viva o Gato Vadio sem portátil

Viva o Gato Vadio!

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Lembramos que continuamos abertos, terça a domingo, a partir das 21h até sempre!
Apareçam!

Rua do rosário, 281 – Porto

horário:
terça a domingo das 15h - 19h30 / 21h - 24h
encerramos à segunda-feira
tel. 220131894


http://gatovadiolivraria.blogspot.com/

Mercado mensal de trocas de bens e serviços em Vigo ( Galiza), promovido pela Vigotroca



Mais uma vez, este Sábado, dia 30 de Agosto, realizou-se o mercado mensal de trocas em Vigo ( Galiza), promovido pelas associações (Amarante, Caleidoskopio e VerdeGaia) que integram a VigoTroca, no local habitual: Rua Urzaíz ( em Vigo, Galiza), em frente ao mercado do Calvario, entre as 12 e as 14 horas. Recorde-se que este mercado mensal de trocas em Vigo realiza-se no último Sábado de cada mês.

O objectivo deste mercado trocal é promover o intercâmbio voluntário e livre - isto é, sem dinheiro pelo meio – de bens e serviços entre todos os interessados, estimulando a consciência colectiva das pessoas envolvidas ( e não só) da necessidade de um consumo consciente e solidário. Trata-se também de fomentar a reutilização, a reciclagem e a participação cidadã na economia local.

Ferramenta que se tem mostrado extremamente útil para optimizar esse intercâmbio de bens e serviços é a página web da Vigotroca, onde qualquer pessoa pode participar e mostrar o seu interesse em trocar ou ceder os seus bens e serviços.

http://vigotroca.arkipelagos.net/



28.8.08

Índio não consome e quem não consome não é gente! ( a propósito do conceito de desenvolvimento...)

Resistimos



ÍNDIO NÃO CONSOME E QUEM NÃO CONSOME NÃO É GENTE
( a propósito do conceito de desenvolvimento)

Índio não compra jornal. Índio não compra anúncio na televisão. Índio não compra propaganda na rádio. Índio não vota. Índio não patrocina campanha eleitoral. Índio não consome. Não consumir dá nisso: você não vale nada numa sociedade de consumo como as nossas sociedades capitalistas contemporâneas


Reproduz-se a seguir um pequeno excerto de uma entrevista com a advogada Joênia Wapixana, que representa os indígenas no Supremo Tribunal Federal do Brasil a propósito da delimitação das reservas dos índios, questão que tem sido muito falada nos últimos meses a propósito da Reserva indígena Raposa Serra do Sol:

Pergunta - Há quem diga que nas regiões onde os indígenas vivem o desenvolvimento acabará por se impor da mesma forma que nas outras regiões do Brasil, e não há maneira de mudar esta evolução. O que diz a isto?

Joênia Wapixana - Olha, essa palavra desenvolvimento para nós tem outro significado que o meramente capitalista, meramente económico e individual. O desenvolvimento que trabalhamos é numa perspectiva de respeito. Primeiro, ao próprio costume e à própria cultura indígena. Para mim, desenvolvimento é você ter água com qualidade e você manter um ambiente saudável, ter saúde, educação. O desenvolvimento que se prega é muito diferente dos valores indígenas. É lógico que nós usamos tecnologia para benefício próprio. Mas o desenvolvimento dos arrozeiros é puramente individual e nele só tem importância a cobiça, a ganância e a exploração dos recursos naturais. Os rios Surumu, Tacutu e Cotingo são os principais rios que abastecem as comunidades [da reserva]. É onde se toma banho, de onde se consome para afazeres domésticos, onde tem os peixes. É a principal fonte de sobrevivência da biodiversidade. Qual é o tratamento que se dá a esses rios? Eles tiram água para a irrigação, desviam o curso do rio através de valas e não há qualquer controle sobre a utilização. Há quantos anos eles fazem isso? O que se faz ali na plantação de arroz é a pulverização, que contamina as águas! Com o que? Com agrotóxicos. O desenvolvimento que ele [arrozeiro] trouxe para Roraima é o que destrói, o que degrada, que ocupa ilegalmente terra de comunidades que têm direitos colectivos. Então queremos um desenvolvimento onde as comunidades indígenas tenham suas criações conforme os manejos tradicionais, onde tudo é discutido colectivamente, onde há respeito ao meio ambiente, onde ninguém sai jogando agrotóxico. A gente utiliza tecnologia nos cursos de preparação para lidar com reflorestamento -- por exemplo, de buritizais, de madeira -- mas para as próprias comunidades indígenas. Essa é a nossa forma de desenvolvimento, que contribui com o meio ambiente, não que acabe com ele. Desenvolvimento, sim, mas com respeito, não de qualquer jeito.

Fonte:
http://historiaemprojetos.blogspot.com/


Manifesto em defesa da Reserva indígena Raposa Serra do Sol:

http://www.lpp-uerj.net/manifesto/index.htm






Centenário do nascimento de Josué de Castro, geógrafo brasileiro e autor de livros como «Geografia da Fome»

"Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens, contra outros homens".

"Mais grave ainda que a fome aguda e total, devido às suas repercussões sociais e económicas, é o fenómeno da fome crónica ou parcial, que corrói silenciosamente inúmeras populações do mundo".

"O subdesenvolvimento não é, como muitos pensam equivocadamente, insuficiência ou ausência de desenvolvimento. O subdesenvolvimento é um produto ou um subproduto do desenvolvimento, uma derivação inevitável da exploração económica colonial ou neocolonial, que continua se exercendo sobre diversas regiões do planeta

Citações de Josué de Castro


Sobre Josué de Castro:
«Ele sabia que não adiantava aumentar a riqueza, sem reduzir a pobreza»

«Propunha o incentivo da agricultura familiar e a criação de restaurantes populares»


No próximo dia 5 de Setembro de 2008 completam-se 100 anos do nascimento do destacado geógrafo brasileiro ( pernambucano de nascimento), autor de livros como Geografia da Fome (1935), traduzido e editado em 25 línguas, e Geopolítica da Fome, textos que se tornaram em autênticas referências incontornáveis da literatura sobre a matéria, e onde são denunciadas as verdadeiras causas da fome que atinge milhões de seres humanos, causas de carácter social e económico, que exigem, antes de tudo o mais, uma solução política. Josué de Castro fez da luta contra a fome a sua bandeira de vida, até porque, desde miúdo, conhecera de perto o fenómeno da fome: morando perto dos mangues, Josué fez uma comparação cruel: "As pessoas que vivem naquelas áreas e sobrevivem da pesca do caranguejo, acabam se tornando 'irmãos de leite' desse anfíbio". Por causa das suas ideias progressistas, foi obrigado pelo regime militar brasileiro da época a deixar o país. Morreu no exílio, em Paris, na França, no dia 24 de Setembro de 1973, aos 65 anos de idade.

Josué de Castro teve inúmeras profissões: médico, geógrafo, professor, escritor, sociólogo e político. Presidiu a FAO, organismo da Organização das Nações Unidas (ONU) para Agricultura e Alimentação e seus conceitos sobre desenvolvimento sustentável e as causas da miséria fizeram com que fosse indicado duas vezes ao Prêmio Nobel, da Medicina, em 1954, e da Paz, em 1963.


A socióloga, filha e “herdeira cultural” do médico, Anna Maria de Castro, disse que o pai tinha propostas concretas para acabar com a fome, como reforma agrária, melhoria de sementes e aumento da produtividade. As suas ideias, no entanto, foram vistas como “comunistas”, pois , Josué acreditava na capacidade de superar a fome aliando a Ciência, a técnica e a participação das pessoas.


No início do livro «Geografia da Fome» pode-se ler:

"Neste nosso ensaio de natureza ecológica tentaremos, pois, analisar os hábitos alimentares dos diferentes grupos humanos, ligados a determinadas áreas geográficas, procurando, de um lado, descobrir as causas naturais e as causas sociais que condicionaram o seu tipo de alimentação, com suas falhas e defeitos característicos, e, de outro lado, procurando verificar até onde esses defeitos influenciam a estrutura económico-social dos diferentes grupos estudados. Assim fazendo, acreditamos poder trazer alguma luz explicativa a inúmeros fenómenos de natureza social até hoje mal compreendidos por não terem sido levados na devida conta os seus fundamentos biológicos


Um pouco mais à frente, aparece a denúncia do neocolonialismo:


"É mesmo esta a característica essencial do desenvolvimento económico do tipo colonialista, bem diferente do desenvolvimento económico autêntico de tipo nacionalista. O colonialismo promoveu pelo mundo um certa forma de progresso, mas sempre a serviço dos seus lucros exclusivos, ou quando muito associado a um pequeno número de nacionais privilegiados que se desinteressavam pelo futuro da nacionalidade, pelas aspirações políticas, sociais e culturais da maioria. Daí o desenvolvimento anómalo, sectorial, limitado a certos sectores mais rendosos, de maior atractivo para o capital especulativo, deixando no abandono outros sectores básicos, indispensáveis ao verdadeiro progresso social".




Para assinalar o centenário do nascimento de Josué de Castro foram programadas no Brasil algumas actividades que começam amanhã, dia 29 de Agosto, em Belo Horizonte:

Dia 29/8, sexta:

9h30 – Abertura
10h15 – Leitura dramatizada de trechos da peça Morte e Vida Severina, de João Cabral de Mello Neto e Chico Buarque de Holanda – professor Fernando Limoeiro (TU/UFMG)
11h – Coffee-break
11h30 – Palestra “Presença de Josué de Castro”
Anna Maria de Castro – filha de Josué de Castro e professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Ajax Pinto Ferreira – coordenador do Centro de Memória da Medicina
Local: Salão Nobre da Faculdade de Medicina da UFMG (avenida Alfredo Balena, 190, bairro Santa Efigênia)

Dia 4/9, quinta-feira:

12h – Encenação da peça teatral Zerando a Fome, do professor Romeu Sabará
Degustação de comidas típicas derivadas do milho
Local: Praça de Serviços da UFMG (avenida Antônio Carlos, 6627, campus Pampulha)

Dia 5/9, sexta-feira:

14h às 17 horas – Debate sobre a “Problemática da Fome”
Participantes: José Divino Lopes – professor da Escola de Enfermagem da UFMG, membro-titular do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais e suplente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar
Leila Regina da Silva – Vicariato da Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte, representante do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Belo Horizonte
Local: Auditório da Escola de Belas-Artes (avenida Antônio Carlos, 6627, Campus Pampulha)
Actividades complementares
Entre os dias 1 e 4 de setembro, será realizada na Fafich, Faculdade de Educação, Escola de Enfermagem e Escola de Belas-Artes a exibição do filme/documentário Josué de Castro – Cidadão do Mundo, de Silvio Tendler, seguida de debate.

Dia 2/9, terça-feira:

18h – Escola de Enfermagem (avenida Alfredo Balena, 190)
1 – Seminário “Josué de Castro e a alimentação como direito”
Debate, precedido da exibição do documentário "Josué de Castro, Cidadão do Mundo", de Silvio Tendler
Organização da disciplina Nutrição e Cidadania e do Projeto Segurança Alimentar e Cidadania na Vila Acaba Mundo (Curso de Nutrição da Escola de Enfermagem e Programa Pólos de Cidadania da Faculdade de Direito da UFMG).


JOSUÉ DE CASTRO E A LUTA CONTRA A FOME
Conferência





Excerto do belissimo filme de Silvio Tendle




Chico Science falando de Josué de Castro









A Geografia da Fome (excertos de textos e escritos de Josué de Castro)

A fome é, conforme tantas vezes tenho afirmado, a expressão biológica de males sociológicos. Está intimamente ligada com as distorções económicas, a que dei, antes de ninguém, a designação de subdesenvolvimento.
A fome é um fenómeno geograficamente universal, a cuja acção nefasta nenhum continente escapa. Toda a terra dos homens foi, até hoje, a terra da fome. As investigações científicas, realizadas em todas as partes do mundo, constataram o facto inconcebível de que dois terços da humanidade sofre, de maneira epidémica ou endémica, os efeitos destruidores da fome.
A fome não é um produto da superpopulação: a fome já existia em massa antes do fenómeno da explosão demográfica do após-guerra. Apenas esta fome que dizimava as populações do Terceiro Mundo era escamoteada, era abafada era escondida. Não se falava do assunto que era vergonhoso: a fome era tabu.

O assunto deste livro é bastante delicado e perigoso. A tal ponto delicado e perigoso que se constituiu num dos tabus de nossa civilização. É realmente estranho, chocante o facto de que, num mundo como o nosso, caracterizado por tão excessiva capacidade de escrever-se e publicar-se, haja até hoje tão pouca coisa escrita acerca do fenómeno da fome, em suas diferentes manifestações.
Quais são os factores ocultos desta verdadeira conspiração de silêncio em torno da fome? Trata-se de um silêncio premeditado pela própria alma da cultura: foram os interesses e os preconceitos de ordem moral e de ordem política e económica de nossa chamada civilização ocidental que tomaram a fome um tema proibido, ou pelo menos pouco aconselhável de ser abordado publicamente.
Ao lado dos preconceitos morais, os interesses económicos das minorias dominantes também trabalhavam para escamotear o fenómeno da fome do panorama espiritual moderno. É que ao imperialismo económico e ao comércio internacional a serviço do mesmo interessava que a produção, a distribuição e o consumo dos produtos alimentares continuassem a se processar indefinidamente como fenómenos exclusivamente económicos - dirigidos e estimulados dentro de seus interesses económicos - e não como factos intimamente ligados aos interesses da saúde pública.
Um dos grandes obstáculos ao planeamento de soluções adequadas ao problema da alimentação dos povos reside exactamente no pouco conhecimento que se tem do problema em conjunto, como um complexo de manifestações simultaneamente biológicas, económicas e sociais.
Por outras palavras, procuraremos realizar uma sondagem de natureza ecológica, dentro deste conceito tão fecundo de Ecologia, ou seja, do estudo das acções e reacções dos seres vivos diante das influências do meio.
Neste ensaio de natureza ecológica tentaremos, pois, analisar os hábitos alimentares dos diferentes grupos humanos ligados a determinadas áreas geográficas, procurando de um lado, descobrir as causas naturais e as causas sociais que condicionaram o seu tipo de alimentação, com suas falhas e defeitos característicos, e de outro lado, procurando verificar até onde esses defeitos influenciam a estrutura económico-social dos diferentes grupos estudados.
O objectivo é analisar o fenómeno da fome colectiva - da fome atingindo endémica ou epidemicamente as grandes massas humanas. Não só a fome total, a verdadeira inanição que os povos de língua inglesa chamam de starvation, fenómeno, em geral, limitado a áreas de extrema miséria e a contingências excepcionais, como o fenómeno muito mais frequente e mais grave, em suas consequências numéricas, da fome parcial, da chamada fome oculta, na qual pela falta permanente de determinados elementos nutritivos, em seus regimes habituais, grupos inteiros de populações se deixam morrer lentamente de fome, apesar de comerem todos os dias. É principalmente o estudo dessas colectivas fomes parciais, dessas fomes específicas, em sua infinita variedade, que constitui o objectivo nuclear do nosso trabalho.
É que existem duas maneiras de morrer de fome: não comer nada e definhar de maneira vertiginosa até o fim, ou comer de maneira inadequada e entrar em um regime de carências ou deficiências específicas, capaz de provocar um estado que pode também conduzir à morte. Mais grave ainda que a fome aguda e total, devido às suas repercussões sociais e económicas, é o fenómeno da fome crónica ou parcial, que corrói silenciosamente inúmeras populações do mundo.
A noção que se tem, correntemente, do que seja a fome é, assim, uma noção bem incompleta. E este desconhecimento, por parte das elites europeias, da realidade social da fome no mundo e dos perigos que este fenómeno representa para a sua estabilidade social, constitui uma grave lacuna tanto para a análise dos acontecimentos políticos da actualidade, que se produzem em diversas regiões da terra, como no que se refere à atitude que os países da abundância deveriam ter face aos países subdesenvolvidos, permanentemente perseguidos pela penúria e pela miséria alimentar.
Nenhum fator é mais negativo para a situação de abastecimento alimentar do país do que a sua estrutura agrária feudal, com um regime inadequado de propriedade, com relações de trabalho socialmente superadas e com a não utilização da riqueza potencial dos solos.
Apresenta-se deste modo a Reforma Agrária como uma necessidade histórica nesta hora de transformação social que atravessamos como um imperativo nacional.
É que cerca de 60% das propriedades agrícolas no Brasil são constituídas por glebas de áreas superiores a 50 hectares de terra, das quais 20% possuem mais de 10.000 hectares. No recenseamento de 1950 ficou evidenciada a existência no Brasil de algumas dezenas de propriedades que são verdadeiras capitanias feudais:proriedades com mais de 100.000 hectares de extensão.
Do latifúndio decorre também a existência das grandes massas dos sem-terra, dos que trabalham na terra alheia, como assalariados ou como servos explorados por esta engrenagem económica de tipo feudal. Por sua vez, o minifúndio significa a exploração antieconómica da terra, a miséria crónica das culturas de subsistência que não dão para matar a fome da família.
O tipo de reforma que julgamos imperativo da hora presente não é um simples expediente de desapropriação e redistribuição da terra para atender às aspirações dos sem-terra. Processo simplista que não traz solução real aos problemas da economia agrária. Concebemos a reforma agrária como um processo de revisão das relações jurídicas e económicas, entre os que detêm a propriedade agrícola e os que trabalham nas actividades rurais.
Precisamos enfrentar o tabu da reforma agrária - assunto proibido, escabroso, perigoso - com a mesma coragem com que enfrentamos o tabu da fome. Falaremos abertamente do assunto, esvaziando desta forma o seu conteúdo tabu, mostrando através de uma larga campanha esclarecedora que a reforma agrária não é nenhum bicho-papão ou dragão maléfico que vá engolir toda a riqueza dos proprietários de terra, como pensam os mal-avisados, mas que, ao contrário, será extremamente benéfica para todos os que participam socialmente da exploração agrícola...
É evidente que não bastaria dispor de alimentos em quantidade suficiente e suficientemente diversificados para cobrir as necessidades alimentares da população mundial. O problema da fome não é apenas um problema de produção insuficiente de alimentos. É preciso que a massa desta população disponha de poder de compra para adquirir estes alimentos.
A fome age não apenas sobre os corpos das vítimas da seca, consumindo sua carne, corroendo seus órgãos e abrindo feridas em sua pele, mas também age sobre seu espírito, sobre sua estrutura mental, sobre sua conduta moral. Nenhuma calamidade pode desagregar a personalidade humana tão profundamente e num sentido tão nocivo quanto a fome, quando atinge os limites da verdadeira inanição. Excitados pela imperiosa necessidade de se alimentar, os instintos primários são despertados e o homem, como qualquer outro animal faminto, demonstra uma conduta mental que pode parecer das mais desconcertantes.
Querer justificar a fome do mundo como um fenómeno natural e inevitável não passa de uma técnica de mistificação para ocultar as suas verdadeiras causas que foram, no passado, o tipo de exploração colonial imposto à maioria dos povos do mundo, e , no presente, o neocolonialismo económico a que estão submetidos os países de economia primária, dependentes, subdesenvolvidos, que são também países de fome.
As massas humanas se deram conta de que a fome e a miséria não são indispensáveis ao equilíbrio do mundo, e que hoje, graças aos progressos da ciência e da técnica, surgiu pela primeira vez na história um tipo de sociedade na qual a miséria pode ser suprimida e com ela a fome.


Subdesenvolvimento

Os países do Terceiro Mundo são subdesenvolvidos, não por razões naturais - pela força das coisas - mas por razões históricas - pela força das circunstâncias. Circunstâncias históricas desfavoráveis, principalmente o colonialismo político e económico que manteve estas regiões à margem do processo da economia mundial em rápida evolução.7
Na verdade, o subdesenvolvimento não é a ausência de desenvolvimento, mas o produto de um tipo universal de desenvolvimento mal conduzido. É a concentração abusiva de riqueza - sobretudo neste período histórico dominado pelo neocolonialismo capitalista que foi o factor determinante do subdesenvolvimento de uma grande parte do mundo: as regiões dominadas sob a forma de colónias políticas directas ou de colónias económicas.
O subdesenvolvimento é o produto da má utilização dos recursos naturais e humanos realizada de forma a não conduzir à expansão económica e a impedir as mudanças sociais indispensáveis ao processo da integração dos grupos humanos subdesenvolvidos dentro de um sistema económico integrado. Só através de uma estratégia global do desenvolvimento, capaz de mobilizar todos os factores de produção no interesse da colectividade, poderão ser eliminados o subdesenvolvimento e a fome da superfície da terra.
O maior de todos esses erros foi considerar o processo do desenvolvimento em toda parte como semelhante ao desenvolvimento dos países ricos do Ocidente. Uma espécie de etnocentrismo conduziu os teóricos do desenvolvimento a assentar as suas ideias e estabelecer os seus sistemas de pensamento em concepções de economia clássica que ignoravam quase totalmente a realidade sócio-econômica das regiões de economia ocidental capitalista, uma economia socialista em elaboração acelerada e uma rede de abastecimento e de venda no resto do mundo. Não se ocupavam, pois, das estruturas económicas desse resto do mundo, abandonado quer aos sociólogos, quer, antes, aos folcloristas.
Esta tremenda desigualdade social entre os povos divide economicamente o mundo em dois mundos diferentes: o mundos dos ricos e o mundo dos pobres, o mundo dos países bem desenvolvidos e industrializados e o mundo dos países proletários e subdesenvolvidos. Este fosso económico divide hoje a humanidade em dois grupos que se entendem com dificuldade: o grupo dos que não comem, constituído por dois terços da humanidade, e que habitam as áreas subdesenvolvidas do mundo, e o grupo dos que não dormem, que é o terço restante dos países ricos, e que não dormem, com receio da revolta dos que não comem.
Um dos factores mais constantes e efectivos das terríveis tensões sociais reinantes é o desequilíbrio económico do mundo, com as resultantes desigualdades sociais. Constitui um dos maiores perigos para a paz o profundo desnível económico que existe entre os países economicamente bem desenvolvidos de um lado, e de outro lado os países insuficientemente desenvolvidos. Desnível que se vem acentuando cada vez mais, intensificando as dissensões sociais e gerando a inquietação, intranquilidade e os conflitos políticos e ideológicos.
Ora, o problema do subdesenvolvimento não é exclusivo destes países; é antes um problema universal, que só pode ter soluções igualmente em escala universal. Viver na opulência, num mundo em que 2/3 estão mergulhados na miséria, não é apenas perigoso, é um crime. A tensão social na qual se vive hoje é, na maior parte das vezes, o produto desta conhecida injustiça social, uma vez que os povos dominados tomaram consciência da realidade sócio-económica do mundo, nesta fase da história da humanidade que vivemos, fase de transformações explosivas, caracterizadas essencialmente por explosões diversas: a explosão psicológica dos povos explorados, não menos perigosa do que a explosão atómica com a qual se abriu uma nova era no nosso planeta: a era atómica.
É urgente restabelecer o equilíbrio económico do mundo aterrando o largo fosso que separa os países bem desenvolvidos dos países subdesenvolvidos, sem o que é bem difícil que se consiga a verdadeira paz e a tranquilidade entre os homens. Nenhuma tarefa internacional se apresenta mais árdua, mas ao mesmo tempo mais promissora para o futuro do mundo, do que a do desenvolvimento económico destas áreas mais atrasadas, onde os recursos naturais e os potenciais geográficos se conservam relativamente inexplorados.
A paz depende mais do que nunca do equilíbrio económica do mundo. A segurança social do homem é mais importante do que a segurança nacional baseada nas armas.
Igualmente falso é o conceito de desenvolvimento avaliado unicamente à base da expansão da riqueza material, do crescimento económico. O desenvolvimento implica mudanças sociais sucessivas e profundas, que acompanham inevitavelmente as transformações tecnológicas do contorno natural. O conceito de desenvolvimento não é meramente quantitativo, mas compreende os aspectos qualitativos dos grupos humanos a que concerne. Crescer é uma coisa; desenvolver é outra. Crescer é; em linhas gerais, fácil. Desenvolver equilibradamente, difícil.
Cada vez se pergunta com mais insistência se desenvolver-se significa desumanizar-se, nesta frenética busca de riqueza, de acordo com a fórmula preconizada pelo Ocidente de maximizar os lucros em vez de maximizar as energias mentais que enriquecem com mais rapidez a vida dos homens e podem dar-lhes muito mais felicidade.
O problema do desenvolvimento do Terceiro Mundo, e mesmo o do mundo inteiro que ainda se apresenta subdesenvolvido sob certos aspectos, é antes de tudo um problema de formação de homens. Se a revolução industrial dominou o século XIX, é a revolução cultural que deve dominar o século XX, isto é, a criação de uma cultura capaz de encontrar verdadeiras soluções para os grandes problemas da humanidade.
O subdesenvolvimento é uma forma de sub-educação. De sub-educação, não apenas do Terceiro Mundo, mas do mundo inteiro. Para acabar com ele, é preciso educar bem e formar o espírito dos homens, que foi deformado por toda parte. Só um novo tipo de homens capazes de ousar pensar, ousar reflectir e de ousar passar à acção poderá realizar uma verdadeira economia baseada no desenvolvimento humano e equilibrado.
As contradições do desenvolvimento são múltiplas. Desenvolvimento significa ao mesmo tempo mutação e disciplina. Mas a disciplina impede muitas vezes a mutação. É o conservantismo das sociedades que alcançaram um auto grau de desenvolvimento, que se tomam como modelo ideal de sociedade e passam a combater o desejo da transformação.
Encarar aspectos isolados do problema na luta contra o subdesenvolvimento parece-nos algo ultrapassado, pois sabemos que as fórmulas tradicionais, as medidas isoladas e as concessões limitadas não bastam. A gravidade do problema requer urgentemente a adopção de uma estratégia global do desenvolvimento, comportamento e medidas convergentes por parte dos países desenvolvidos, assim como dos países em vias de desenvolvimento.
Só há um tipo de verdadeiro desenvolvimento: o desenvolvimento do homem. O homem, factor de desenvolvimento, o homem beneficitário do desenvolvimento. É o cérebro do homem a fábrica de desenvolvimento. É a vida do homem que deve desabrochar pela utilização dos produtos postos à sua disposição pelo desenvolvimento.


Para saber mais, consultar:

http://www.josuedecastro.com.br/port/index.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Josu%C3%A9_de_Castro

http://diplo.uol.com.br/2008-06,a2455

Iberfolk (5,6 e 7 de Setembro) em Sortelha ( uma das mais interessantes aldeias históricas)

A associação cultural Transcudânia (a associação cultural Transcudânia surgiu pela inerente necessidade e interesse de proteger e divulgar o Património Histórico e Natural do Concelho do Sabugal, no âmbito do turismo ambiental e numa dimensão regional e transfronteiriça. O nome Transcudânia surge inspirado na possível tribo que habitava esta zona de riba Côa na proto-história, os Lanciences Transcudani.) e os Rodobalho ( de Coimbra), promovem entre os dias 7 e 9 de Setembro a segunda edição do Festival Iberfolk, em Sortelha, uma das mais bonitas e interessantes aldeias históricas.

À semelhança do programa do ano passado, cujas festividades ocorreram no Sabugal, haverá muito do novo sangue da música tradicional portuguesa e das danças europeias, como PÉ NA TERRA, MOSCA TOSCA (da Luísa Côrte, “camisola amarela” do nosso quiz, na foto), TOR, COMCORDAS e, provavelmente, NO MAZURKA BAND, para além de diversos workshops de dança, teatro, relaxamento, ioga, percursos pedestres e várias actividades de ar livre, como a visita a moinhos de água.

Além das actividades planeadas deixaremos a cada um propor e realizar o que entender. Existirá, durante o festival, um placard onde cada um poderá indicar a hora e local da actividade que pretende realizar.

Não há limites ao tipo e natureza de actividades, desde que a logística esteja assegurada.
Fica na vossa mão fazer workshops, sessões de debate, percursos, projecção de filmes, o que quiserem. Sortelha e todos nós estaremos lá para participar.

O lema é: "Constrói o festival!"



PROGRAMA


Sexta, 5 de Setembro

22:00 – Observação Astronómica

22:00 – Adufeiras de Paúl

22:40 – Hora do conto (Marco Luna)


23:30 –
Ishbarian Bagpipe

00:30 –
João Gentil e Luís Formiga DJ Folk


Sábado 6 de Setembro

11:00 – Passeio de Burro


11:00 - Workshop Reciclagem

16:00 – Workshop de dança tradiconal16:00 – Workshop de inic. Gaita-de-foles

17:00 – Escalada do castelo

17:30 – Workshop de dança tradicional

21:00 - Documentário

21:00 - Observação astronómica

21:30 – Arranca Telhados

22:30 – Hora do conto (Marco Luna)

23:00 – Rabies Nubis

00:00 – No Mazurka Band DJ Folk



Domingo, 7 de Setembro


11:00 – Passeio de burro


11:00 - Workshop Reciclagem


13:00 – Caminhada à descoberta da serra da Malcata


15:00 - Documentário


16:00 – Escalada do castelo


16:00 – Workshop de dança tradicional


17:00 -
PortFolk


Consultar para mais informações :

Associação Transcudânia

http://www.rodobalho.com/




CentaMostra (5, 6 e 7 - 12, 13 e 14 de Setembro) em Vila Velha de Rodão e Castelo Branco

CENTAMOSTRA propõe a criação de um espaço de proximidade entre a criação artística contemporânea e as populações e programadores locais.

A programação tem um núcleo fixo constituído pelos projectos produzidos pelo CENTA em 2008: "mapaprovisório", "®existir-2008", "Concertos Improváveis", "Sons do Salgueiral", "Concerto para piano de John Cage – 50 anos", "All in Twlight", "powerTrio", "Experimenta o Campo", e pela colaboração com o festival urbano Pedras d'Água, através da apresentação dos projectos – "Subterrâneos de Lisboa" e " S.Domingos, a nossa casa", e um núcleo flexível constituído pela apresentação de projectos ou do trabalho de criadores apoiados pelo Programa de Residências - Margarida Mestre, Ana Martins, Mário Afonso, Sílvia Pinto Coelho, Simão Costa, Nuno Rebelo/ Marco Franco, Sofia Neuparth, Jorge Murteira, Elizabete Francisca / Miguel Pereira / Nicolaas Leach / Paula Frazão Bruno Carvalho, Gonçalo Tocha e Jack Shamblin.

A informação detalhada poderá ser consultada, em:
www.myspace.com/centamostra








A apresentação pública dos projectos produzidos pelo CENTA, em 2008, concentrou-se em Setembro conduzindo à ideia de partilhar esse espaço de visibilidade com outros criadores. De repente, abriu-se a possibilidade de mostrar o trabalho de 30 artistas, numa zona do país em que a programação de Arte Contemporânea é, praticamente, inexistente. Tal só é possível devido á natureza do CENTA e á sua localização em Vila Velha de Ródão. Há muito que a Arte se afastou do nosso quotidiano, dos suportes e modos de fazer artísticos convencionais, reconhecíveis pelo público. Esta evolução tem afastado, cada vez mais, o público e a Arte. É um problema a nível mundial que deve ser resolvido, também, a nível local, dado o carácter fundador da Arte. Há 19 anos que o CENTA trabalha neste problema inventando e experimentando formas de aproximação ao trabalho dos criadores. É a presença dos artistas que inscreve Ródão na realidade cultural do país e simultaneamente estimula o desenvolvimento local.



Centro de Estudos de Novas Tendências Artísticas [CENTA] é estrutura profissional pluridisciplinar, e tem por objectivos: oferecer condições de trabalho adequadas ao processo criativo e à investigação no território da arte contemporânea; reforçar a identidade cultural das populações através da aproximação à comunidade artística e criar dinâmicas culturais locais. Funciona nas instalações cedidas pela Tapada da Tojeira, casa agrícola com lagar de azeite e modo de produção biológico.