18.4.09

African Screens - ciclo sobre os novos cinemas de África prossegue este fim-de-semana no São Jorge

As sessões realizam-se no cinema S.Jorge ( na Av. da Liberdade, Lisboa). A ENTRADA É LIVRE

Os cinemas africanos contemporâneos assumem hoje o papel que a literatura africana tinha nos anos 1960. Tal como os escritos de Chinua Achebe, Ngugi Wa Thiongo e Wole Soyinka relatavam os movimentos da descolonização e a utopia da independência, os actuais cineastas africanos preocupam-se com os desejos pós-coloniais inseridos em regimes políticos, culturais e económicos impostos pela globalização.

O que é fascinante neste novo cinema de África é a capacidade dos seus cineastas em dar voz aos africanos, de forma a poderem comunicar para além das suas fronteiras nacionais e com públicos de outras esferas. Os filmes revelam-nos diferentes pontos de vista sobre temas globais como o fim da utopia nacionalista em África, o impacto dos ajustamentos estruturais, migrações, guerras, políticas de identidade e assuntos relacionados com a saúde e o ambiente.

A primeira intenção deste programa de filmes africanos é chamar a atenção para os novos caminhos e visões criativas do cinema africano. O nosso argumento é de que hoje estão a emergir de África novos posicionamentos críticos e novas linguagens cinematográficas, muitas vezes em competição ou mesmo em conflito umas com as outras, cuja visibilidade tem sido posta em causa pela visão monolítica e politicamente correcta da definição de cinema africano veiculada pelas casas de cultura e pelos festivais do Ocidente.

Com a nossa abordagem curatorial esperamos revelar a diversidade de linguagens do cinema africano e as diferentes visões políticas e criativas que estão por detrás dos seus filmes.
Acreditamos que a melhor forma de revelar essa diversidade – de Djibril Diop Mambety e John Akomfrah a Abderrhamane Sissako, de Balufu Bakupa Kayinda a Jean-Pierre Bekolo, ou mesmo com os vídeos de Nollywood – é através de uma visão que enfatize não apenas a diferença entre o cinema africano e o cinema ocidental, mas também a multiplicidade de linguagens e de empenhamentos políticos em África.

O programa foi dividido em quarto partes/quatro fins-de-semana:
1°: 27, 28, e 29 de Março:Cinema Africano, Pós-colonialismo e políticas estéticas (Parte I)

2°: 17, 18, 19 de Abril:África ao Microscópio

3°: 8,9 e 10 de Maio:Nollywood, o Nascimento de um Cinema IndígenaCinema Africano, Pós-Colonialismo e Estratégias Estéticas de Representação (Parte II)

4°: 15, 16, e 17 de Maio:NEGRITUDE

A primeira secção, intitulada “Cinema Africano: Pós-Colonialismo e Políticas Estéticas de Representação”, debruça-se sobre os modos de representação que usam estéticas pós-coloniais como veículo de expressão. Nota-se aqui uma descolagem em relação à estética nacionalista e anti-imperialista que estávamos habituados a ver no cinema de Sembene Ousmane. Como os próprios filmes revelam – “Il va Pleuvoir sur Conakry”, “Les Saignantes”, “Drum”, etc. – a utopia nacionalista dá lugar ao afro-pessimismo, com os cineastas a procurarem uma nova utopia unificadora na era da globalização.

Na segunda secção, “África ao Microscópio”, continuamos a perseguir essa nova utopia através da exibição de filmes de realizadores africanos e estrangeiros. E quando pretendemos dar ênfase ao contributo europeu para o desenvolvimento dos novos cinemas africanos, também programamos filmes, antigos e recentes, que advogam uma posição liberal e que atribuem a culpa dos problemas africanos às mudanças impostas pelo Ocidente.

Na terceira secção dá-se realce ao novo fenómeno da indústria do vídeo na Nigéria conhecido como Nollywood e aos documentários africanos, enquanto o quarto e último módulo lida com a estética do movimento da Negritude no cinema senegalês e noutros contextos africanos.

Ao programa de exibição de filmes associamos quatro painéis de discussão com realizadores, investigadores, produtores e profissionais da indústria do cinema: o primeiro sobre cinema africano e pós-colonialismo, o segundo sobre o cinema da diáspora, um terceiro sobre o apoio europeu e a influência da televisão e o quarto sobre a Negritude.

A nossa intenção é tentar produzir uma teoria coerente dos objectivos dos novos cinemas africanos, podendo mesmo mencionar o surgimento de um novo paradigma no cinema africano, tornado possível com a emergência nos últimos 20 anos de novas estruturas de produção de filmes e vídeos, em particular na Nigéria. A verdade é que a diversidade de cinemas africanos que existe hoje não se compara com a realidade de há 25 anos atrás, quando grande parte da produção só era possível através do apoio francês. As mudanças de política do financiamento europeu que entretanto se foram concretizando também nos permitem especular para além da
oferta monolítica de filmes africanos normalmente providenciada pelos festivais e centros culturais europeus. No fundo, nenhum investigador sério pode permitir-se continuar a ignorar o sucesso cinematográfico e industrial dos vídeos de Nollywood.

Curadoria: Manthia Diawara (New York University) Lydie Diakhaté (Ghana Real Life Documentary Festival)


http://www.africacont.org/



PROGRAMA PARA ESTE FIM DE SEMANA

18 Abril (Sábado)

Sala 2
15:00 THIS IS MY AFRICA
(Esta é a Minha África)
R: Zina Saro-Wiwa
(48’, Nigéria/Reino Unido, 2008)
«Feche os olhos e pense em África. O que vê?» Esta pergunta foi feita a 20 pessoas, entre as quais o artista Yinka Shonibare e o realizador John Akomfrah. Um curso intensivo em identidade/identidades africanas: «Queria fazer um filme que usasse memórias privadas para desafiar e contrabalançar aquilo que se diz publicamente de África, que quase sempre é negativo e redutor».

Sala 3
16:00 UNE AFFAIRE DE NÈGRES
(Negócio de Negros)
R: Osvalde Lewat-Hallade
(90’, Camarões/França, 2007)
Um filme comovente sobre os Camarões dos anos 1990, quando a polícia perdeu o controlo na sua luta contra o crime. Centenas de pessoas desapareceram. “Une Affaire de Nègres” combina entrevistas chocantes com observações sensatas de pessoas magoadas que se questionam como pode a justiça prevalecer numa sociedade brutalizada.


Sala 3
18.00 NELISITA: NARRATIVAS NYANEKA
R: Ruy Duarte de Carvalho
(90’, Angola, 1982)
A partir de narrativas do povo Nyaneka, o autor cria uma ficção onde o povo actua e encena as próprias lendas.

Sala 2
20.00 Introdução: Kamel Chérif / France Bonnet e Manthia Diawara / Lydie Diakhaté
LES CAPRICES DE MARIANNE V (Caprichos Franceses)
R: Kamel Chérif / France Bonnet
(57’, França, 2008)
O realizador questiona os caprichos de Marianne (a mulher símbolo da
república francesa). Por que se recusou um canal de televisão francês a passar o seu filme “Signe d'appartenance” (2004), que ganhou um prémio em Veneza e é sobre um rapaz que tratou de fazer a sua própria circuncisão? Uma investigação autobiográfica sobre o verdadeiro conteúdo dos princípios igualitários franceses.


Sala 3
22:00 EZRA
R: Newton Aduaka
(110’, Nigéria/França, 2006)
Em 2002, na Serra Leoa, Ezra foi uma criança-soldado. Agora ele enfrenta um tribunal da ONU sobre um massacre que houve na sua aldeia. O álcool e a droga fizeram com que perdesse a memória e a sua irmã faz-lhe uma terrível acusação… Este filme é interpretado por actores amadores e conta a história de Ezra, similar à história das cerca de 120.000 crianças-soldado existentes em África. Venceu o prémio de melhor filme no festival internacional de Durban, África do Sul (2007).


19 Abril (Domingo)

Sala 3
18.00 Introdução: Claire Andrade Watkins e Manthia
Diawara / Lydie Diakhaté
SOME KIND OF FUNNY PORTO RICAN?: A CAPE VERDEAN AMERICAN STORY (Será um porto-riquenho esquisito? História de um cabo-verdiano americano)
R: Claire Andrade Watkins
(83’, EUA, 2006)
Um retrato da história dos imigrantes radicados na zona de Fox Point, em Providence, no estado de Rhode Island, onde três gerações de cabo-verdianos foram removidos à força para permitir a realização de projectos de urbanização entre finais dos anos 60 e princípios de 1970.

Sala 2
20:00 EN ATTENDANT LES HOMMES (À Espera dos Homens)
R: Katy Lena Ndiaye
(56’, Senegal/França, 2007)
Nos limites do deserto do Sahara, as sociedades são dominadas pelas tradições e pela religião. No
entanto, três mulheres não se sentem de todo predestinadas a esperar pelo seu homem.

Sala 3
22:00 HEREMAKONO
(À Espera da Felicidade)
R: Abderrahmane Sissako
(95’, Mauritânia/França, 2002)
Nouadhibou é uma pequena aldeia na costa da Mauritânia. Entre os edifícios esbranquiçados
e cantigas melancólicas que atravessaram gerações, a vida acontece enquanto se espera uma
hipotética felicidade… Antes de emigrar para a Europa, o jovem Abdallah visita a sua mãe. Incapaz de falar a língua local, o melancólico jovem de 17 anos sente-se um estranho no seu próprio país. Ele evita as festas e os costumes da aldeia e os tecidos coloridos tradicionais interessam-lhe menos do que a última moda europeia. No entanto, Abdallah observa esse universo tocante que lhe é desconhecido: as tristezas da sensual Nana; o karaoke romântico dos emigrantes chineses; a frustração do velho habilidoso Maata com as falhas de electricidade; e o
olhar curioso do jovem órfão Khatra, capaz de evocar esperança e carinho.

Ontem foi o Dia Internacional das Lutas Camponesas

Durante a Segunda Conferência da Via Campesina, em Tlaxcala, México, foi instituído o dia 17 de Abril como o Dia Internacional da Luta Camponesa, em memória aos 19 camponeses sem terra que foram assassinados no Brasil neste dia, no ano de 1996.

Em celebração a este dia, a Via Campesina e seus aliados organizaram actividades e eventos em todo o mundo para exigir:

Que as negociações da OMC não recomecem.
Que parem os Acordos de Livre Comércio (TLC) e Acordos Económicos de Sociedade (EPA, na sigla em inglês) em alimentos e agricultura.
Que acabe o modelo colonial de monocultura.
Oposição às políticas do Banco Mundial de terra e desenvolvimento rural.

Repúdio à dominação das economias mais poderosas em prejuízo das mais fracas e vulneráveis
Foram organizadas várias acções como debates públicos, oficinas, seminários, eventos culturais, e manifestações sobre a soberanía alimentar como alternativa ao modelo neoliberal, ao mesmo tempo que se convidaram académicos e movimentos sociais para participar nessas iniciativas .
A Via Campesina convocou também os movimentos e organizações sociais a realizar acções diretas, mobilizações, feiras rurais, palestras e conferências, actividades culturais, publicações de livros, divulgação de vídeos e documentários, festivais de música, entre outras manifestações, com a finalidade de homenagear a luta pela terra e os direitos dos camponeses.

A Via Campesina ressalta que, todos os anos, centenas de camponeses (as) são presos, oprimidos, intimidados e assassinados por realizarem sua luta pela vida.
Segundo o movimento camponês internacional, quase a metade de população mundial é constituída por camponeses (as) e pequenos agricultores, que produzem alimentos essenciais para a vida das pessoas: "A agricultura não é somente mais uma actividade económica, mas também significa vida, cultura e dignidade para todos nós".

A Via Campesina afirma que as famílias rurais pobres representam 75% da população que sofre fome endémica. Alerta ainda que os índices de analfabetismo aumentam nas áreas rurais e que o atendimento médico e os serviços públicos estão sendo precarizados: "Mulheres e crianças são os mais afectados e a discriminação contra as mulheres impõe uma dupla carga sobre seus ombros".

Os camponeses denunciam que a violação de seus direitos humanos tem crescido dramaticamente com a liberalização da agricultura, o que força os camponeses a produzir para a exportação e a entrar em um modelo de produção industrial. Eles acusam as instituições internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, além dos Tratados de Livre Comércio, de obrigarem os camponeses a seguir esse caminho.

Para a Via Campesina, os mecanismos e as leis em defesa dos direitos dos camponeses ainda são limitados. A entidade diz que a Carta do Camponês, produzida pela ONU em 1979, não tem sido capaz de proteger os pequenos agricultores das políticas internacionais neoliberais. Cita também outros documentos, como a Convenção 169 da OIT, a Cláusula 8-J da Convenção sobre Biodiversidade, o ponto 14.60 da Agenda 21 e o Protocolo de Cartagena, que não foram suficientes para assegurar seus direitos.

www.viacampesina.org

Consultar ainda os textos já publicados neste blogue:
AQUI, AQUI



CARAJÁS: 13 ANOS DE IMPUNIDADE


Massacre de Eldorado de Carajás completa 13 anos sem desfecho


Em 17 de abril de 1996 policiais militares promoveram o Massacre de Eldorado de Carajás, que ganhou repercussão internacional e deixou marca na história do país, ao lado do Massacre do Carandiru (1992) e da Chacina da Candelária (1993), como uma das acções policiais mais violentas do Brasil. Em 2002, o presidente FHC instituiu essa data como o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.

Passados 13 anos do massacre no Pará, permanecem soltos os 155 policiais que mataram 19 trabalhadores rurais, deixaram centenas de feridos e 69 mutilados. Entre os 144 incriminados, apenas dois foram condenados depois de três conturbados julgamentos: o coronel Mário Collares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira. Ambos aguardam em liberdade a análise do recurso da sentença, que está sob avaliação da ministra Laurita Vaz, do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Nesta semana, o MST monta dois acampamento no estado, para cobrar a condenação dos responsáveis pelo massacre e apoio às famílias sobreviventes, com encerramento das atividades no dia 17. Na Curva do S, em Eldorado de Carajás, 500 trabalhadores rurais participam das atividades do Acampamento da Juventude, desde o dia 10/4. Em Belém, 600 pessoas estão mobilizadas desde o dia 14/4.

"Estamos mobilizados para denunciar que depois de tanto tempo do massacre ninguém foi preso e as famílias ainda não foram indenizadas. Cobramos a indenização de todas as famílias e atendimento médico aos sobreviventes. Defendemos também um novo julgamento para impedir que a morte de 19 companheiros fique impune. Além disso, exigimos a Reforma Agrária para acabar com a violência contra os trabalhadores rurais", explica o integrante da coodenação nacional do MST, Ulisses Manaças.

Em 2007, os trabalhadores Sem Terra conseguiram uma vitória parcial, com a indenização de 23 famílias que foram vítimas do massacre pela governadora Ana Júlia. No entanto, no ano passado o governo estadual promoveu soldados que participaram do Massacre. O Movimento cobra a indenização do total de 79 famílias, além da regularização do atendimento médico multidisciplinar aos feridos durante o massacre, que ficaram com balas alojadas pelo corpo.

“A gente lamenta essa mentalidade de grande parte dos juristas, que acha que a pessoa deve recorrer eternamente, pela chamada presunção de inocência. Esse processo acaba gerando impunidade total e absoluta” afirma o promotor de Justiça do caso, Marco Aurélio Nascimento.

O advogado Carlos Guedes, que acompanhou o caso desde abril de 1996 até o último julgamento, em maio de 2002, acredita que a Justiça ainda não resolveu o caso. Guedes também alerta que existem dois tipos de responsabilidades em relação ao massacre que a Justiça tem de levar em consideração: as responsabilidades criminal e política.

“Se todos os que foram denunciados, desde o coronel Pantoja até o último soldado, tivessem sido condenados, isso por si só seria insuficiente. Outras pessoas tiveram participação decisiva no massacre, como o governador (Almir Gabriel), o comandante geral da Polícia Militar e o secretário de Segurança Pública (Paulo Sette Câmara). Estes sequer foram envolvidos no caso”, contesta o advogado.

Na opinião dos sobreviventes do massacre e dos advogados do MST, a justiça ainda não veio. As pessoas mutiladas, assim como as 13 viúvas que tiveram seus maridos executados naquele dia, ainda não receberam indenizações. Tanto para o coordenador nacional do MST no Pará, Charles Trocate, quanto para os mutilados do massacre, o Estado foi o culpado pelo incidente.

“A cultura da violência gera a cultura da impunidade. Carajás evidenciou um problema em proporções maiores, mas o Estado não foi capaz de criar instrumentos que corrigissem isso. Primeiro se negou julgar e condenar o governador, o secretário de Justiça e o comandante geral da PM. Segundo, nestes 13 anos, não foi produzida nenhuma condenação porque é o Estado que está no banco dos réus”, afirmou Trocate.

O 17 de abril foi marcado como dia internacional da luta das lutas dos camponeses, em homenagem à luta pela terra pelos camponeses de Carajás e de todas as partes do mundo. Todos os anos, a Via Campesina realiza mobilizações nesse período do ano para cobrar o julgamento dos responsáveis pela violência no campo e pela realização da Reforma Agrária.



Cronologia do processo dos envolvidos no Massacre de Eldorado de Carajás:

Junho de 1996 - Início do maior processo em número de réus da história criminal brasileira, envolvendo 155 policiais militares. Em 10 anos, o processo ultrapassou as 10 mil páginas.

16 de agosto de 1999 - Primeira sessão do Tribunal do Júri para julgamento dos réus em Belém, presidida pelo juiz Ronaldo Valle. Foram absolvidos três oficiais julgados - coronel Mário Colares Pantoja, major José Maria Pereira de Oliveira e capitão Raimundo José Almendra Lameira. Foram três dias de sessão com cerceamento dos poderes da acusação, impedimento da utilização em plenário de documentos juntados no prazo legal, permissão de manifestações públicas de jurados criticando a tese da acusação e defendendo pontos de vista apresentados pela defesa.

Abril de 2000 - O Tribunal de Justiça do Estado do Pará determinou a anulação do julgamento, decisão mantida em um segundo julgamento, em outubro de 2000. Antevendo a anulação do julgamento, o juiz Ronaldo Valle solicitou o afastamento do caso. Dos 18 juízes criminais da Comarca de Belém, 17 informaram ao Presidente do Tribunal de Justiça que não aceitariam presidir o julgamento, alegando, na maioria dos casos, simpatia pelos policiais militares e aversão ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e aos trabalhadores rurais.

Abril de 2001 - Nomeada uma nova juíza para o caso, Eva do Amaral Coelho, que designou o dia 18 de junho de 2001 como data para o novo julgamento dos três oficiais. Alguns dias antes do início da sessão, a juíza determinou a retirada do processo da principal prova da acusação, um minucioso parecer técnico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com imagens digitais que comprovavam que os responsáveis pelos primeiros disparos foram os policiais militares. O MST reagiu e a juíza reviu sua posição, suspendendo o julgamento sem marcar nova data.

14 de maio a 10 de junho de 2002 - O julgamento foi retomado. Após cinco sessões, entre os 144 acusados julgados, 142 foram absolvidos (soldados e 1 oficial) e dois condenados (coronel Pantoja e major Oliveira), com o benefício de recorrer da decisão em liberdade. Em decorrência dos benefícios estendidos aos dois únicos condenados, as testemunhas de acusação não compareceram mais ao julgamento, em função de ameaças de morte e por não acreditar na seriedade do julgamento. Durante vinte dias, jornais do Estado do Pará publicaram detalhes sobre intimidações e ameaças de morte que estariam recebendo as principais testemunhas da acusação, principalmente Raimundo Araújo dos Anjos e Valderes Tavares. Nada foi feito em relação à proteção e salvaguarda de tais testemunhas. O MST não aceitou participar de um julgamento onde não estivessem sequer garantidas a segurança e a tranqüilidade das pessoas fundamentais para a acusação.

Novembro de 2004 - A 2ª Câmara do Tribunal de Justiça do Pará julga numa só sessão todos os recursos da defesa e da acusação e mantém a decisão dos dois julgamentos realizados pelo Tribunal do Júri, absolvendo os 142 policiais militares e condenando o coronel Pantoja (228 anos de prisão) e o major Oliveira (154 anos de prisão).

22 de setembro de 2005 – O coronel Pantoja é posto em liberdade por decisão do Supremo Tribunal Federal.

13 de outubro de 2005 – O major Oliveira é posto em liberdade por decisão do Supremo Tribunal Federal.

2006 - Recurso especial é apresentado ao Superior Tribunal de Justiça e, posteriormente, recurso extraordinário é apresentado ao Supremo Tribunal Federal.

Abril/2007 - A governadora do estado Ana Júlia Carepa assinou decreto que concede indenização e pensões especiais a 22 famílias de trabalhadores sem-terra vítimas da chacina. “O que eu fiz foi reparar uma injustiça, reconhecendo a responsabilidade do governo do Estado”, disse Ana Júlia. A governadora classificou o massacre de Eldorado do Carajás como “um dos episódios que mais envergonhou não só o Pará diante do Brasil, mas o Pará diante do mundo”.

Setembro/2008 - O governo de Ana Júlia Carepa promoveu os soldados que participaram do Massacre de Eldorado do Carajás. Entre 87 e 90 policiais foram promovidos a cabo. Apesar de todos os promovidos já terem sido absolvidos em primeira instância pela acusação de homicídio qualificado, ainda há um recurso no STJ (Supremo Tribunal de Justiça) que pede suas condenações.

17/04/2009 - Em pronunciamento nesta quinta-feira (16/4), o senador José Nery (PSOL-PA) lembrou a passagem dos 13 anos do massacre de Eldorado de Carajás, no Pará, a serem completados no dia 17 deste mês. O senador disse que a maior chacina de trabalhadores rurais Sem Terra da história contemporânea do país continua "absolutamente impune" e que as causas mais profundas da violência praticada contra os Sem Terra permanecem "intactas

Literatura em Viagem - encontro de escritores em Matosinhos de 18 a 23 de Abril



Começa hoje, 18 de Abril, e decorre até ao dia 23 a 4.ª edição do Literatura em Viagem, encontro de escritores organizado pela Càmara de Matosinhos. Vão estar presentes autores portugueses, espanhóis, norte americanos, italianos, mexicanos, argentinos, peruanos, brasileiros e chilenos, unidos pela paixão de viajar, e este ano teremos nomes como Paul Theroux, Ricardo Menéndez Salmón, Miguel Real, Romana Petri, Richard Zimler e Francisco José Viegas, entre outros. O evento tem coordenação de Francisco Guedes e ao longo destes dias serão lançados vários livros. Eis o programa completo:

PROGRAMA

Dia 18


Ateliê Uma história nas asas de um avião, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca (11h00)

Conferência de abertura por José Fernandes Fafe e lançamento do n.º 2 da revista Itinerâncias, no Salão Nobre C.M. Matosinhos (15h00)

Ateliê Uma história nas asas de um avião, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca (16h00)

1ª Mesa: Escrever a Guerra, com António Brito, Carlos Vaz Ferraz, Henrique Levy, Luís Castro e Manuel Alberto Valente (moderador), na Galeria Municipal, (16h30)

Lançamento dos livros “Cisne de África”, de Henrique Levy (Livros de Seda), e “A Ofensa”, de Ricardo Menéndez Salmón (Porto Editora), na Galeria Municipal (18h00)

2ª Mesa: Poética da Viagem, com Filomena Marona Beja, José Jorge Letria, Miguel Real, Luís Sepúlveda e Romana Petri, na Galeria Municipal (18h30)

Inauguração da exposição Sobre el Mar, de Nacho Salorio, na Galeria Municipal (20h00)
Dia 19

Recital de piano por Raúl Peixoto Costa, no Salão Nobre da Câmara de Matosinhos (11h00)


Lançamento do livro “Leça da Palmeira e o Rio Leça nas Artes, nas Letras e nas Ciências – Indiciário Onomástico”, de Albano Chaves e António Mendes (C. M. Matosinhos/Edium-Editores), no Salão Nobre da Câmara de Matosinhos (12h00)


Lançamento dos livros “Com Cheiro a Canela”, de Alice Vieira (Texto), e “As Cidadãs”, de Filomena Marona Beja (Sextante), na Galeria Municipal (15h00)

3ª Mesa: Viajar para Contrariar a Monotonia, com Ricardo Menéndez Salmón, Julieta Monginho, Francisco José Viegas, Cristina Carvalho e José Carlos de Vasconcelos (moderador), na Galeria Municipal (15h30)


Ateliê Uma história nas asas de um avião, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca (16h00)

Lançamento dos livros “Para Lá da Terra de Fogo”, de Eduardo Belgrano Rawson, “Cabeça a Prémio”, de Marçal Aquino, “Os Suicidas do Fim do Mundo”, de Leila Guerriero, “Três Lindas Cubanas”, de Gonzalo Celório, e “O Velho Expresso da Patagónia”, de Paul Theroux (todos da Quetzal), na Biblioteca Municipal Florbela Espanca (17h00)


4ª Mesa: Ler o mundo, viajando, com Paul Theroux, Renzo Sicco, Isabel da Nóbrega, Isabel d’Ávila Winter e José Mário Silva (moderador), na Galeria Municipal (17h30)


Concerto Sons da Fala, com Sérgio Godinho (voz e guitarra), Vitorino (voz), Janita Salomé (voz), Tito Paris (voz e guitarra), Don Kikas (voz e guitarra), Guto Pires (voz), Luanda Cozetti (voz), Juka (voz) e André Cabaço (voz), no Cine Teatro Constantino Nery (22h00)


Dia 20

Ateliê Uma história nas asas de um avião, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca (11h00)


Lançamento do livro “A Casa da Praia do Açúcar”, de Helene Cooper (QuidNovi), na Galeria Municipal (15h00)

5ª Mesa: A Viagem é a Minha Memória, com Alice Vieira, Leila Guerriero, Gonzalo Celorio,

Miguel Miranda e Carlos Daniel (moderador), na Galeria Municipal (15h30)

Ateliê Uma história nas asas de um avião, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca (16h00)


Lançamentos dos livros “Vozes do Vento”, de Maria Isabel Barreno (Sextante), “O Assassinato de Berta Linhares”, de Jacinto Rego de Almeida (Sextante), e “Obama em Guantanamo: a nova segurança americana”, de Nuno Rogeiro (Sextante), na Galeria Municipal (17h00)

6ª Mesa: Viajar é um acto sensual em todos os sentidos, com João Tordo, Joaquim Teixeira de Sampaio, Santiago Roncagliolo, Christiane Tassis e José Medeiros Ferreira (moderador), na Galeria Municipal, às 17 e 30


Dia 21

Ateliê Uma história nas asas de um avião, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca (11h00)

Lançamento do livro “Ronda Filipina”, de César Magarreiro (Teorema), na Galeria Municipal (15h00)

7ª Mesa: Existe um Limite para o que a Viagem pode exprimir, com César Magarreiro, Eduardo Belgrano Rawson, João Luís Barreto Guimarães, Júlio Moreira e Marcelo Correia Ribeiro (moderador), na Galeria Municipal (15h30)

Ateliê Uma história nas asas de um avião, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca (16h00)
Lançamento do livro “Portugal no Mar – Homens que foram ao Bacalhau”, coordenado por
Álvaro Garrido (Campo das Letras), na Galeria Municipal (17h00)

8ª Mesa: Viajar é preciso, com Marçal Aquino, Richard Zimler, Luís Sepúlveda, Helene Cooper, José Luís Peixoto e Jacinto Rego de Almeida (moderador), na Galeria Municipal (17h30)

Dia 23

Actividades de comemoração do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, dedicado ao público infanto/juvenil
Biblioteca Municipal Florbela Espanca e Biblioteca São Mamede de Infesta

Lançamento do livro “A Maré”, de José Tato (Câmara Municipal de Matosinhos/Edium-Editores), no Salão Nobre dos Paços do Concelho (17h30)


Actividades em paralelo
Biblioteca Municipal Florbela Espanca
Em volta de “O Principezinho”: mostra bibliográfica, de Padre Ângelo de Sousa (Igreja de São Mamede de Infesta)
Ateliês - “Uma história nas asas de um avião”
Encontros com escritores na Biblioteca de São Mamede de Infesta e escolas do concelho de Matosinhos

O que é um Sindicato ( adaptação de um texto de Edgar Rodrigues)




Sindicato é uma associação de classe, constituída por assalariados da mesma profissão, da mesma indústria, executando trabalho similares ou correlatos.

O objectivo do sindicato é tornar-se uma força, criar para os seus associados condições capazes de resistir às ambições patronais no plano individual e profissional.

É um agrupamento formado no terreno económico, sem existência preconcebida; pois o que está em jogo são interesses; e todos os operários que têm interesses idênticos aos do agrupamento podem filiar-se a ele, sem necessidade de declararem quais são as suas idéias em matéria filosófica, política e/ou religiosa.

Dentro do seu prisma orgânico, o sindicato, forma-se a partir dos núcleos, destes para as associações sindicais, do agrupamento para União de Sindicatos; da União dos Sindicatos locais para as Federações reginais e destas para Confederação Geral do Trabalho.

Dentro desta lógica organizativa existem sindicatos Mutualistas, Beneficentes, Autónomos, Independentes, Políticos, Religiosos, Reformistas e Revolucionários.

Podem também ser de profissionais da mesma especialidade, ou então de “Ofícios Vários”, Mistos e de Artes Correlatas ou similares.

Para o sindicato funcionar com desenvoltura plena, dentro do horizonte sindicalista é preciso que os seus componentes exercitem afinidades profissionais e cultivem sentimentos de simpatia, de amizade afectiva e fraternal.

Não basta pertencerem à mesma entidade, é preciso desenvolver uma acção social conjunta, lutar por modificações económicas, capazes de serem elementos catalizadores para ajudar no descondicionamento humano, ampliando assim a tolerância, a compreensão, o respeito e o apoio mútuo, fortificantes da solidariedade.

Um sindicato onde cada componente age para si, como unidade isolada, individualista, dificulta a convivência e a formação da família sindicalista.

O sindicato para ser dinâmico, coerente, organismo consciente, além de cultivar o auxílio mútuo e praticar a solidariedade de classe e humana, precisa ministrar cursos de militância, revelar oradores, promover palestras, conferências, debates, ensinar humanidades, realizar festas de congraçamento cultural, desenvolver a arte de representar, projectar sessões de cinema com debates em torno dos filmes e deflagrar greves quando se fizerem necessárias, sempre apolíticas.

Caso contrário, torna-se um orgão inoperante, aburguesado, comerciante, começa a definhar, transforma-se num barco sem rumo, corpo sem cérebro, comandado pelo estomago.

(adaptação livre e actualizada de um texto de Edgar Rodrigues)





Hoje, assinala-se o 1º aniversário da Casa da Horta, associação cultural e o melhor restaurante vegetariano da cidade do Porto

http://casadahorta.pegada.net/
Casa da Horta, Associação Cultural
Rua de São Francisco, 12A
4050-548 Porto
(Perto da Igreja de São Francisco e Mercado Ferreira Borges)
Email:
casadahorta@pegada.net
Tel: 222024123 / 965545519
Horário:Terça a Sábado das 12h as 24
Encerrado: segundas, domingos e feriados


Hoje assinala-se o 1º aniversário da Casa da Horta, uma associação cultural e o melhor restaurante da cidade do Porto.

Por isso, desafiamos-te a trazer um poema ou um desenho sobre a Casa da Horta e habilitas-te a um vale de 10 euros de consumo na Casa da Horta.


O menu de hoje, Sábado, dia 18 de Abril e dia do 1º aniversário da Casa da Horta será:

Entradas: Pataniscas de Tofu
Sopa: Caldo Verde
Pratos: Feijoada Portuguesa com Chouriço de Soja ou Strogonoff de Seitan

Preço do Menu: 8 euros
Para os sócios Amigos da Casa o preço do Menu é o donativo que quiseres dar.


Vamos ter Sangria!!

Temos bolo para tod@s de oferta!






Hoje, Sábado, dia 18 de Abril, às 18:30h a Casa da Horta vai projectar o documentário

Quem alimenta o Mundo (“We feed the world”)

de Erwin Wagenhofer


Todos os dias, em Viena (Áustria), a quantidade de pão rejeitada para o lixo seria suficiente para alimentar a segunda maior cidade austríaca, Graz.
Cerca de 350 mil hectares de terras agrícolas, sobretudo na América Latina, são consagradas à cultura da soja para alimentar o gado austríaco ao mesmo tempo que um quarto da população local passa fome e inanição. Cada europeu come dez quilos por ano de legumes provenientes do sul de Espanha, cultivados em estufas irrigadas artificialmente, daí decorrendo severa escassez de água.
Em We Feed the World (Quem alimenta o mundo), o realizador austríaco Erwin Wagenhofer rastreia as origens dos alimentos que comemos. A sua viagem leva-o França, Espanha, Roménia, Suíça,Brasil e de novo Áustria.

Conduz-nos ao longo do filme uma entrevista com Jean Ziegler, até há pouco Relator Especial das Nações Unidas sobre o Direito à Alimentação. Quem alimenta o mundo é um filme sobre alimentação e globalização, sobre pescadores e camponeses, motoristas de camiões de longo curso e administradores poderosos de empresas multinacionais, sobre o fluxo de mercadorias e o fluxo de dinheiro – um filme sobre a escassez no meio da abundância. Com as suas imagens que se não esquecerão, o filme ajuda a compreender como são produzidos os nossos alimentos e explica o que tem a ver connosco o drama da fome no mundo.

São entrevistados, para além de pescadores, agricultores, agrónomos, biólogos e o relator Jean Ziegler, também o director da Pioneer, o maior fornecedor de sementes do mundo, e ainda Peter Brabeck, presidente da Nestlé International, a maior empresa alimentar no mundo.


http://www.we-feed-the-world.at/en/film.htm

17.4.09

As inaugurações do quarteirão Miguel Bombarda vão ter cinema de Guy Debord e Edgar Allan Poe na livraria-bar Gato Vadio (dia 18 de Abril)


Este sábado (18 de Abril) a festa volta ao quarteirão de Miguel Bombarda, com as habituais inaugurações simultâneas de exposições de arte contemporânea, animações de rua e diversas intervenções artísticas, espaços alternativos, ateliers, cafés e restaurantes da zona …
Desta vez com um motivo acrescido de interesse pois na livraria-bar GATO VADIO ( R. do Rosário, 281) vão ser projectados filmes de Guy Debord (às 18h.) e sobre Edgar Alain Poe (às 22h.).
Na mesma livraria-bar estão abertas inscrições para uma OFICINA ABERTA E DIRECTA SOBRE ARTE ( ver abaixo), e ño dia seguinte, Domingo (19 de Abril), no mesmo local, vai haver uma sessão de divulgação de astronomia pelo astrónomo italiano Giancarlo Pace.

http://gatovadiolivraria.blogspot.com/

Sociedade do Espectáculo - Filme de Guy Debord, 1973

Sábado, 18 de Abril, 18h

Gato Vadio - livraria e bar
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016

Entrada livre

Guy Debord (1931-1994)
“Em 1967, mostrei num livro, A Sociedade do Espectáculo, aquilo que o espectáculo moderno era já essencialmente: o reino autocrático da economia mercantil, tendo acedido a um estatuto de soberania irresponsável, e o conjunto das novas técnicas de governo que acompanham este reino. As alterações de 1968, que se prolongaram em diversos países no decurso dos anos seguintes, não derrubaram em nenhum lugar a organização existente da sociedade, donde o espectáculo brota como que espontaneamente; ele continuou, portanto, a reforçar-se por todos os lados, quer dizer, ao mesmo tempo que se estendeu até aos extremos em todas as direcções, aumentou a sua densidade no centro. O espectáculo aprendeu mesmo novos procedimentos defensivos, como acontece com frequência aos poderes atacados.(…) a sociedade do espectáculo não deixou de continuar a sua marcha.” Guy Debord, 1988




História de um espectáculo pouco famoso

O espectáculo está montado e o deserto cresce com a proletarização do espectador. O evento Famous Bombarda é o evento por excelência. Tudo é consensual e, no palco do “quarteirão das artes”, a arte é imediatamente assimilada, aceita, integrada, consumida.

Orgia do vazio da arte, em que a encenação do lugar-comum da alternativa artística, não passa de um exportável empreendimento de marketing que vende no discurso (e com ele) a luta contra a mercadoria e um ideário de contestação cultural. Nada é contestado. Trata-se de obscurecer, a propósito de arte, aquilo com que opera: a lógica da mercadoria, do mercado e do mercador.

O espantoso não é o evento trazer a si a prática de que nenhum de nós abdica, passiva ou acriticamente, jogar ainda o jogo da mercadoria. Incompreensível é o evento Bombarda, em vez de apelar à abertura à arte e ao debate crítico, estimular a fascinação pelo espectáculo; e, em vez de levar as pessoas à propriedade da arte, conduzi-las à arte da propriedade. Degradado é o discurso que instaura o monopólio da aparência e investe no espaço cénico para obscurecer aquilo que só o voyeur não quer ver.

E o voyeur vem. Vem, e não vê nada além do que quer ver. Vem, e não pode escapar à recuperação do sistema do espectáculo. O seu lugar na história do espectáculo é legitimar e conservar os modos e fundamentos relacionais do Poder, seja ele político ou cultural.

Não somos críticos de arte e nada há a apontar aos galeristas. São os únicos que cumprem com o seu papel e que sabem com o que cumprem.

Perceberam aquilo que o voyeur (espectador ou artista, ou artista-espectador, ou espectador-artista…) não sonha perceber: usar e abusar de uma prática e de uma técnica política que implode a relação com a Arte e com os seus fazedores. Não importa sequer a Arte nem os artistas. O jogo da mercadoria excluiu-os e é independente de quem expõe e das obras expostas. O sucesso (além dos legitimados objectivos comerciais) é retumbante. A Bombarda implode e o espectáculo subverte aquilo que a arte pode significar de irrisão de formas e de criação, a Arte como poder de romper com os campos de controlo e com a possibilidade de pôr em causa os absolutos – o absoluto – e, ao mesmo tempo, carregar consigo a recusa de outro absoluto.


Que pode um artista contra o Famous Grouse? Que pode um artista contra a Cultura e o Lazer? Que pode uma artista a favor do turismo? Que pode um espectador contra o espectáculo?

Arte, como possibilidade de auto-determinação.

Que pode um artista contra o Famous Grouse? E um espectador contra o espectáculo?

Que diferença existe entre o espectador (ou o voyeur) e o crente que nos possa ser útil para dar uma imagem da ganga com que se esgarça o cocktail Bombarda? O religioso acredita na sua fé, e a crença corresponde a uma experiência íntima que o crente não separa da realidade, da sua realidade; o voyeur encena ou adere a uma encenação ritualizada sem a ela se jurar. Nesse sentido, é mais verosímil haver reversibilidade de resposta – de dobra, de qualquer coisa outra – no Salão do Reino de Jeová, ao lado da galeria Fernando Santos, do que no tropel do evento Bombarda. Os primeiros, acreditam em fundamentos e, por mais sectários que sejam, admitem por princípio o jogo da reversibilidade do seu pensamento. Isto é, por mais cristalizada que possa ser, essa ideologia não exclui do seu imaginário o policiamento de outras religiões ou mesmo da não-religião, o horizonte ideológico está sempre aquém de algo outro. Os segundos, o espectador, como não tem crença e encena possuí-la (na arte, no dinheiro, no poder?, trilogia intermutável para o caso…) está para além da possibilidade da troca e não admite a reversibilidade dessa lógica do espectáculo, vai ver as montras e coloca o horizonte do seu imaginário na apoteose que sobeja: estão no deserto do mercado como todos nós, mas têm a displicência de o não distinguir, a graça de dramatizar a sua própria degradação, a petulância de refutar a lógica mercantil participando nela. É uma espécie de folclore desubstancializado; já que o folclore é uma legitimação pela encenação do que se perdeu e, no fundo, onde já nada é jurado senão a própria condição do folclore. Estamos no folclore do vazio, do deserto. O onanismo do impotente.

De um lado, teologia de um Deus; do outro, teologia do dinheiro. No altar do Reino coloca-se a representação divina (suprema ironia, os jeovás são mais iconoclastas do que a arte, pois ultrapassaram o ícone); no outro, prega-se a arte como representação do dinheiro. Silogismo taberneiro – num celebra-se o rito com vinho missal (embora, tanto quanto sabemos, os jeovás não comemoram); no outro, o scotsh comemora a mercadoria.

Onde cresce o monopólio da aparência, expande-se a indiferenciação e o acriticismo; onde o vazio social estiola, instaura-se o controlo do mercado; onde prolifera o deserto de ideias face à política mercantil, não poderá crescer a Arte, mas um produto acabado.

Tudo quer ir para a cama com a Arte: política; crítica; media; alta e baixa cultura; alternativa-burguesa…

Tal como o marketing e a publicidade se apropriaram do surrealismo num par de décadas, o evento Bombarda apropria-se da técnica política do Capitalismo.

Ao quebrar a relação com a Arte – no sentido acima proposto – compreende-se facilmente que venha o Ministro, o presidente de Câmara, os holofotes, aqueles que acreditam nos fundamentos actuais do pior do capitalismo – sempre que ouço falar em cultura puxo da calculadora…. É o beijo sacrificial ao estado das coisas. Paródia da emancipação artística. Ingenuidade ao não reconhecer que a própria política já não existe, que o poder dela retirou-se: o poder está no fluxo do capital e da mercadoria e nas suas estratégias.

Parafraseando um poeta vivo, tudo quer ir para a cama com a arte: política; crítica; media; alta e baixa cultura; alternativa-burguesa, etc…E a tesão? E o desejo? Não desaparecerão irremediavelmente quando a arte já não consegue propor-se ficar de fora da integração voraz da mercadoria? Que Arte subsiste, quando ela é instigada pela mercadoria, pela mercadoria absorvida?

A Arte deixou há muito de pôr em causa a estrutura política e mercantil. Não só se mercantilizou como – pura ironia – tornou-se na vanguarda da criatividade mercantil, já que o mercantilismo usa e abusa da Arte para produzir o seu discurso, a sua comunicação, e a sua legitimação.

A arte é o marketing político e publicitário mais bem sucedido do mundo mercantil. É o futuro da política e da sua regeneração ad nauseum.

A arte promovida pelas galerias (não necessariamente regra do quarteirão da Miguel Bombarda) executa ainda a performance de esconder o acto da transacção, “sonega” as próprias obras, já que é comum as exposições serem efectuadas quando as obras que a compõem já foram previamente vendidas. Ocultação do cadáver esquisito? Ocultismo mercantil? Ou arte privada privatizada?


Fica a nu que a maioria daqueles que vão à Bombarda, não vão lá para adquirir um produto – já que ele não está muito das vezes disponível – nem para ver arte, vão pelo espectáculo de ver. Não consomem arte (só uma elite dentro de uma elite terá acesso a esse consumo), mas consomem espectáculo. E a forma e o conteúdo desse espectáculo “são identicamente a justificação total das condições e das formas do sistema existente” (Debord).

Na melhor hipótese, mimetismo do fundamento em que assenta a sociedade capitalista e a sua economia de produção: tu sabes que este “naco” da civilização não é para todos, mas deverás comportar-te de forma que possas um dia obtê-lo, assim jogarás a tua vida e darás o litro para produzir e contribuir para a imparável produção de nacos da civilização que virtualmente – e aqui subsiste uma crença sem ideal, no deserto e no desespero haverá sempre crença no ilusório – poderão um dia ser teus. Assim, acenamos-te com quadros – e os cavaletes, cabe perguntar, durarão quantos séculos? – para teu deslumbre e nosso sustento.

Estamos no ciclo vicioso. Na Bombarda vê-se (e vende-se) não só o beco sem saída, como também a criatividade com que se sustenta o beco, metáfora do sistema capitalista global que já não faz mais do que gerir a sua própria degradação irreversível.

Arte, metadona da pós-burguesia

Se a religião foi o ópio do povo, a arte é a metadona da pós-burguesia. É pós, porque a burguesia já não existe – “Burgueses somos todos”, dizia e bem o poeta e pintor Cesariny – subsiste a encenação dela na degradação dos conceitos a ela associados. Pós-burguês, porque a burguesia, por mais criticáveis que fossem, construiu um conjunto de valores. Hoje, o pós-burguês tornou-se num ready-made dos tempos actuais.

E nos famosos tempos actuais, as pessoas aderem – as pessoas não participam, aderem, e o que adere é o adereço; conquista da cultura do efémero, do facilitismo e do liberalismo individualista. À sua conta e medida, cada um usa em sistema self-service a dimensão da sua fita-adesiva – nada é público, nada afecta o social e o outro, assim adere-se a tudo o que não exige troca (nem troco…) a tudo o que ao fim ao cabo não põe em causa nem a nossa redundância nem a ordem dominante das coisas. Adere-se sempre que nada se passa. E o espectáculo é o melhor sonho da sociedade moderna bombardeada – de objectos e de informação, de discursos e de “literatura”, de santos ou de hereges, de produtos com ou sem whisky –, sonho “que finalmente não exprime senão o seu desejo de dormir. O espectáculo é o guardião deste sono”. (Debord).

A cultura sempre foi a face mais folclórica e simbólica de uma sociedade. Aí se conserva como em vinha-d’alhos. Em Portugal, a chamada cultura popular possuiu sempre a fascinante capacidade para não-evoluir, apetência para uma contínua reiteração dos seus rituais e da autenticidade do seu sentido. Nunca se desfez do seu património, e nunca soube mercantilizá-lo. Ao fim ao cabo, a cultura popular nunca quis ou nunca soube ser folclórica.

A baixa-cultura – seja ela rotulada de grotesca, boçal, piolhosa, bondosa, generosa, acolhedora, genuína, artesanal, arcaica – foi sempre jurada, nela havia crença e, por isso, a decadência estava excluída do seu processo de sobrevivência face à cultura dominante: tecnologicamente agressiva e destrutiva, fundamentada na produção em auto-poiesis, no lucro, na voracidade e na dejecção permanente da mercadoria. Na cultura popular, o ser não desaparece no processo de sobrevivência, ritualiza-se no seu corpo e morre de pé.

Sabemos que a materialização dos desejos e do imaginário da Miguel Bombarda depende cada vez mais da Famous Grouse, da destilação de uma realidade técnica e funcional: do dinheiro e do seu poder simbólico. Estimula-se e exige-se gratuitamente a aparição do espectador da alta-cultura, e o espectador é aquele que cumpre o seu papel não tendo resposta para além da realidade dada e da sua própria qualidade de espectador, é aquele que se condena a sentir-se realizado além da alienação. A falácia não está em fazer parte da encenação – havia aí jogo e estratégia crítica – mas em simplesmente a ela aderir sem nela acreditar. São montras, e montras sem espelho, sem metafísica, sem chocolates…

Nem sequer é preciso pagar para nos sentirmos melhor. É tudo à borla e o próprio whisky é um puro ou gélido acaso da nossa alegria momentânea.

Um pouco ébrios e cambaleantes, talvez seja mais fácil assim para esquecer que fazemos parte da encenação, esquecer que para haver espectáculo é preciso haver espectador, e ao sabor da corrente e com a imaginação já longe, talvez um pouco embotada por mais um pouco de malte, talvez não nos ocorra que se o espectador não compra o seu espectáculo, é porque foi comprado, porque a mercadoria do espectáculo tem essa condição fascinada de duplicar-se no espectador. Depois, rua acima, rua abaixo, reproduzir o discurso do lugar-comum, o discurso de legitimação, se quisermos, o discurso do político: alternativa; cena cultural; novas dinâmicas, novos conceitos; indústrias culturais e criativas; Bombarte; Famous Miguel Bombarda…

Não é tanto a posição de acreditar na lógica capitalista à escala tripeira, mas investir numa encenação e num discurso que encobre na essência essa fé em nome da Arte que nos encosta ao estômago.

É juntar no mesmo palco o galerista, o artista, o espectador, o destilador, e todos declararem que estão a lutar contra a mercadoria porque estão todos com a Arte e envolvidos num processo de “criação” artística.

Para que fique claro, os galeristas cumprem o seu papel, exploratório, especulativo, comercial, ou seja, promovem a cultura.

A eles nada há a apontar. Os bastidores do espectáculo pertencem-lhes. A vós, artistas e espectadores, cabe aplaudir.
Os Vadios. 17 de Abril de 2009. Porto

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Oficina Aberta e Directa sobre Arte

Proposta Aberta:Oficina Aberta e Directa sobre Arte


Convida-se todos os artistas, pensadores, críticos, professores e indivíduos interessados, a participar na criação colectiva e em diálogo aberto de uma oficina aberta e regular de informação e debate crítico sobre a Arte no quarteirão da Miguel Bombarda.A Oficina estará aberta ao público em geral, com particular interesse em envolver os jovens do ensino secundário e universitário a quem chega cada vez mais a arte da cultura e cada vez menos a cultura da Arte.

Os interessados devem enviar um email com o nome e contacto para o email:
gatovadio.livraria@gmail.com com o assunto: Oficina Aberta sobre Arte.




Sábado, 18 de Abril, às 22h na livraria-bar GATO VADIO

Edgar Allan Poe
Vídeos + Poesia
Sábado, 18 de Abril, 22h

Entrada: 0,50€ (sessão Videolab)


“Era um homem gasto e amarelado, uma coisa sagrada e quase esquecida; velhas e longas cicatrizes cruzavam-lhe o peito.”, Jorge Luís Borges


O Projecto Videolab regressa ao Gato Vadio desta vez para propor uma selecção de filmes de animação e de vídeos à volta da vida e obra de Edgar Allan Poe. Do programa completo e não querendo subestimar os restantes filmes que serão exibidos, salientamos alguns filmes que foram amplamente premiados em festivais de animação ou certames de cinema, como THE RAVEN de Peter Bradley, THE PIT AND THE PENDULUM (O Poço e o Pêndulo) de Marc Lougee, EL CORAZON DELATOR (The Tell-Tale Heart) de Alfonso S. Suarez, DER VERRÜCKTE, DAS HERZ UND DAS AUGE (The Tell-Tale Heart) de Annette Jung.

Ao longo da noite serão ainda lidos alguns poemas e apresentados alguns livros de Edgar Allan Poe editados pela Alma Azul.


PROGRAMA – EDGAR ALLAN POE - VIDEOLAB


IL RITRATTO OVALE (The Oval Portrait) de Giorgio Galbiati 3’06 2006 Itália www.poisonvideo.it/index.htm

DER VERRÜCKTE, DAS HERZ UND DAS AUGE (The Tell-Tale Heart) de Annette Jung 8’ Animação 2006 Alemanha

A DREAM WITHIN A DREAM de Chuck Kluesner 2'51 Poesia Audio-visual 2008 EUA http://www.flashpoetry.net/

ANNABEL LEE de George Higham 20' Animação 2001 EUA
http://www.poepuppet.com/

EL CORAZON DELATOR (The Tell Tale Heart) de Alfonso S. Suarez 10’ Suspense 2001 Espanha

THE PIT AND THE PENDULUM (O Poço e o Pêndulo) de Marc Lougee 7’04 Animação 2006 Canadá

MIDNIGHT de Eyrun Eyjolfsdottir 11'40 Animação 2005 Islândia

THE RAVEN de Peter Bradley 11’ Horror gótico 2003 EUA

THE MAN OF THE CROWD de George Snow 11’ Drama 1987 Inglaterra
www.george-snow.com/

THE ASSIGNATION de George Snow 12’ Drama 1988 Inglaterra
www.george-snow.com/

THE CASK OF AMONTILLADO de Mario Cavalli 15’ Horror 1999 GB/Itália
http://colonymedia.co.uk/mariocavalli/

DO ABISMO OS HORRORES de Marco Martins 10’ Experimental 2005 Brasil
http://vinilfilmes.blogspot.com/

Ver:
ProjectoVideolab:
Organização:
Alma Azul, Projecto Videolab e Gato Vadio


Da Evolução Cósmica à ideia de Progresso – desconstrução de alguns mitos
Por Giancarlo Pace – Astrónomo


Domingo, dia 19 de Abril, 17h
Gato Vadio
Entrada livre

16.4.09

Curso de Introdução ao Pensamento Crítico Contemporâneo (de 28 de Abril a 28 de Maio, em Coimbra)



Vai decorrer em Coimbra um curso sobre o pensamento crítico contemporâneo, de 28 de Abril a 28 de Maio de 2009

Tomando como eixo um amplo conjunto de autores contemporâneos e as correntes e sensibilidades que os atravessam, este curso pretende mapear algumas das principais problemáticas que hoje desafiam um pensamento crítico. Desenrolando-se ao longo de dez sessões em forma de seminário, o curso decorrerá na sede da associação Arte à Parte, na rua Fernandes Tomás, n.º 17, 1.º, na Alta de Coimbra

Em cada sessão serão abordados dois autores. Na primeira parte de cada uma serão apresentadas duas comunicações, que estarão a cargo de um conjunto de convidados, que vai da Filosofia ao Jornalismo, passando pela História, a Antropologia, a Sociologia, os Estudos Literários e a Musicologia. Na segunda parte haverá oportunidade para debate entre todos os participantes. O curso tem um objectivo introdutório e destina-se ao público em geral, dispensando qualquer tipo de formação académica prévia. Serão disponibilizados materiais de leitura que permitirão uma melhor preparação dos seminário e posterior aprofundamento dos debates travados nas sessões. A moderação estará a cargo dos coordenadores do curso em Coimbra.

http://cursopcccoimbra.blogspot.com/
cursopcccoimbra@gmail.com


Curso de Introdução ao Pensamento Crítico Contemporâneo de 28 de Abril a 28 de Maio de 2009

3ªs e 5ªs das 18h30 às 20h30

Local:Associação Arte à Parte
Rua Fernandes Tomás, n.º 17,1.º,
Coimbra

PROGRAMA

28 de Abril
Stuart Hall porAntónio Sousa Ribeiro
Néstor García Canclini porPaulo Raposo

30 de Abril
Noam Chomsky/Paul Feyerabend por Rui Tavares
James Scott porJosé Manuel Sobral

5 de Maio
David Harvey por Hugo Dias
Slavoj Žižek porNuno Ramos de Almeida

7 de Maio
Pierre Bourdieu por Nuno Domingos
Luc Boltanski porArriscado Nunes

12 de Maio
Michel Foucault porJorge Ramos do Ó
György Lukács por Frederico Ágoas

14 de Maio
André Gorz por José Nuno Matos
Guy Debord por Ricardo Noronha

19 de Maio
Gayatri Spivak por Adriana Bebiano
Rosi Braidotti por Maria Irene Ramalho

21 de Maio
Antonio Negri por José Neves
Alain Badiou por Bruno Peixe

26 de Maio
Louis Althusser porAntónio Pedro Pita
Gilles Deleuze porNuno Nabais

28 de Maio
Ernst Bloch por Miguel Cardina
Theodor Adorno porJoão Pedro Cachopo



Estão abertas as inscrições para o Curso de Introdução ao Pensamento Crítico Contemporâneo.

O valor de inscrição para todo o curso é de €15, dando acesso a todas as sessões e a todos os materiais de leitura (Atenção: Lugares limitados).

Para quem pretender assistir apenas a uma ou outra sessão e por isso não tencionar inscrever-se na totalidade do curso, há um regime de entrada avulsa mediante o pagamento de 3€. Este regime, todavia, está sujeito à disponibilidade de lugares em cada sessão, não havendo possibilidade de reserva prévia.
Os interessados deverão preencher e enviar-nos via internet esta ficha, sendo-lhes depois indicado um NIB para onde deverão efectuar o pagamento da inscrição

Seminário sobre pensamento crítico contemporâneo: a Economia para além da Economia (de 7 de Maio a 11 de Junho, no ISCTE)

SEMINÁRIO PENSAMENTO CRÍTICO CONTEMPORÂNEO: A ECONOMIA PARA ALÉM DA ECONOMIA

de 7 de Maio a 11 de Junho de 2009

ISCTE
Auditório B203 (Edifício II)
2ªs e 5ªs das 19h às 20h30
metro: Entrecampos Cidade Universitária

Inscrição necessária, lugares limitados!

Organização:
CRIA - Centro em Rede de Investigação em Antropologia
unipop -
www.u-ni-pop.blogspot.com

A presente crise convida a um debate acerca do económico que convoque diferentes tradições teóricas das ciências sociais e do pensamento político. A unipop, no seguimento dos seminários de introdução ao pensamento crítico contemporâneo, e o CRIA, centro em rede de investigação em antropologia, promovem um encontro mais demorado com a economia, interrogando os próprios limites da divisão entre económico, político, social e cultural. Através do percurso de vários autores e tradições, o seminário procurará debater a economia a partir de um lugar onde teoria social, pensamento económico, filosofia, antropologia e história dos movimentos sociais se revelem indissociáveis. O seminário está aberto à frequência de todas e todos que por ele se interessem, não sendo necessário qualquer tipo de qualificação académica ou profissional. A fim de um melhor aproveitamento das sessões, será distribuído material de leitura aos inscritos.


Inscrições: unipopeconomia@gmail.com
Preço: 15€

Os 15€ dão direito a entrada em todas as sessões, assim como acesso a material de leitura. Será emitido certificado de participação.

A possibilidade de inscrição em sessão avulsa está limitada ao número de lugares disponíveis em cada sessão e não é susceptível de reserva prévia. Neste caso, o custo é de 4€ por sessão.



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Programa


7/5: a produção em deleuze e guattari
[sessão de abertura, entrada excepcionalmente livre]
por maurizio lazzarato

11/5: a dádiva em marcel mauss
por filipe reis

14/5: a grande transformação de karl polanyi
por francisco louçã

18/5: ben fine e os mundos do consumo
por emília margarida marques

21/5: foucault, governamentalidade e liberalismo
por josé luís câmara leme

25/5: a economia política alemã em georg simmel
e max weber
por josé luís garcia

28/5: a moeda viva de pierre klossowski
por josé bragança de miranda

1/6: harold innis e a economia política dos media
por filipa subtil

4/6: operários e capital de mario tronti
por ricardo noronha

8/6: david harvey, economia e espaço
por hugo dias

11/6: karl marx crítico de friedrich list
por josé neves


Apoios: NúMENA AEFCSH AEISCTE ATTAC-PORTUGAL Antígona


Apresentação dos conferencistas

Maurizio Lazzarato é sociólogo e filósofo, membro do Labaratoire Matisse-Isys (Universidade Paris 1) e da direcção da revista Multitudes. Entre as suas áreas de interesse estão os movimentos precários, a relação entre trabalho e arte, Gilles Deleuze, Gabriel Tarde. Recentemente publicou Intermittents et Précaires (com Antonella Corsani) e Puissances de l’invention. La psychologie économique de Gabriel Tarde contre l’économie politique.

Filipe Reis é antropólogo, investigador do CRIA e professor no ISCTE, onde lecciona disciplinas na área da antropologia económica e da antropologia dos media, áreas nas quais tem publicado vários trabalhos. Realizou uma tese de doutoramento intitulada Comunidades Radiofónicas. Um estudo Etnográfico sobre a rádio local em Portugal.

Francisco Louçã é economista, professor no ISEG-UTL, deputado ao parlamento português e coordenador do Bloco de Esquerda. Tem desenvolvido investigação a nível da história da economia e da teoria dos ciclos. Entre outros, publicou Das Revoluções Industriais à Revolução da Informação (com Chris Freeman) e Turbulência na Economia.

Emília Margarida Marques é antropóloga, investigadora do CRIA. Realizou o seu doutoramento em 2003, com uma tese intitulada Conduzir a máquina, construir o trabalho. Sobre usos sociais da matéria. Tem vários trabalhos publicados acerca de trabalho, indústria e técnicas, cultura material e consumos.

José Luís Câmara Leme é filósofo, professor na Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Técnica de Lisboa, onde lecciona disciplinas nas áreas da Filosofia da Técnica e da Filosofia da Ciência. Doutorou-se em filosofia com uma tese acerca de Michel Foucault, sobre o qual tem vários trabalhos publicados. Tem igualmente trabalhado a obra de Hannah Arendt.

José Luís Garcia, sociólogo e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, tem-se dedicado, entre outras matérias, ao estudo da ciência e tecnologia contemporâneas. Entre outras publicações, co-editou recentemente o livro Razão, Tempo e Tecnologia - Estudos em Homenagem a Hermínio Martins.

José Bragança de Miranda é sociólogo, professor na FCSH-UNL e professor convidado na Universidade Lusófona. As suas principais áreas da investigação são cibercultura, cultura, comunicação e media. Entre outros, publicou Queda sem fim, Teoria da Cultura e, mais recentemente, Corpo e Imagem.

Filipa Subtil é socióloga e professora na Escola Superior de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa. A sua principal área de investigação é a sociologia dos media e a teoria da comunicação. Tem trabalhado a obra de Harold Innis e publicou recentemente Compreender os media. As extensões de Marshall McLuhan.

Ricardo Noronha é historiador, investigador do Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL. Realiza actualmente uma investigação de doutoramento acerca da nacionalização da banca em Portugal durante o período revolucionário.

Hugo Dias é sociólogo, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde realiza actualmente o seu doutoramento sobre sindicalismo e movimentos sociais, área onde tem publicado os seus trabalhos.

José Neves é historiador, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde realiza actualmente pós-doutoramento. Tem-se dedicado ao estudo dos nacionalismos e à história do comunismo. Publicou recentemente Comunismo e Nacionalismo em Portugal – Política, Cultura e História no Século XX.

Colóquio Internacional e Interdisciplinar Artes da Perversão (23 e 24 de Abril na Faculdade de Letras do Porto), que inclui ciclo de cinema




Em tempos recentes, perversão parece ter-se tornado um significante livre. Por um lado, reactualiza-se nesse conceito uma leitura teológica, identificando o denominador comum do pecado ou a condição da existência num mundo marcado pela morte de Deus. Por outro, as artes não param de reivindicar um carácter perverso, por destruição ou irónica reciclagem de tradições; porque a tradição da ruptura é hoje também tradição da perversão, ou perversão de perversões. Ao mesmo tempo, a psicanálise de raiz freudiana sistematiza os comportamentos perversos do indivíduo, como patologia, estagnação no desenvolvimento libidinal, ou legítima fantasia.

De que falamos, pois, quando falamos de perversão?

Parece ser perverso o que começa nas margens de qualquer sistema, per-vertendo-o, in-vertendo-o. Nesta perspectiva, o conhecimento humano e a linguagem que o configura começam sempre por ser perversos. Todas as revoluções científicas, políticas, artísticas são necessariamente perversas, como é perverso o espaço comum que suscitam: esse lugar onde convivem Newton e Einstein, Marx, Lenine e Mussolini, Júlio Dantas e Almada Negreiros. Resta saber que perversão pode existir fora do modelo da revolução. E, se cada novidade começa por ser perversa face a um sistema, resta ainda saber como se perde e desfaz a perversão do conhecimento de cada vez que um novo conteúdo é canonizado pela doxa.

Eis-nos, então, perante o paradoxo. Se o século XX defendeu que todos temos direito à perversão, como entender a contradictio in terminis que é a perversão legitimada? Não haverá uma perda insanável nesse livre acesso contemporâneo ao perverso, que o torna mercadoria kitsch? Ou representará o kitsch justamente o triunfo mais perverso da perversão no campo estético? E finalmente: se hoje a única perversão possível for recu¬sar a perversão, se a dialéctica do legítimo e do ilegítimo perder o equilíbrio que sustém o seu movimento, resta inventar novas possibilidades criativas do perverso — ou simplesmente abandonar esse caminho por demais trilhado?

Estas são algumas das questões de partida do Colóquio Internacional Artes da Perversão, que compreenderá uma reflexão crítica alargada a diversos ramos do saber, dos estudos literários aos estudos de cinema, do teatro às artes plásticas, sem esquecer a psicanálise e a teologia


PROGRAMA
COLÓQUIO INTERNACIONAL E INTERDISCIPLINAR ARTES DA PERVERSÃO

Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
23-24 de Abril de 2009


► 23 de Abril Anfiteatro Nobre

10:00 Recepção dos conferencistas

10:30 Abertura

11:00
Moderador: Rosa Maria Martelo

Phillip Rothwell (Rutgers Univ.)
Bodies Without Places: Perversion in Contemporary Capitalism through Lacan, Badiou and Žižek

Luís Mourão (IP Viana do Castelo)
A voz material da ética e a voz material da perversão: começar e acabar em alguns mundos de Gonçalo M. Tavares

Juan José Adriasola (Rutgers Univ.)
Perversas narrativas: mercado político y “nueva narrativa” en el Chile de los 90

13:00 Almoço

14:30
Moderador: Luís Maffei

Alexandra Moreira da Silva (Univ. Porto)Formas perversas, vozes ob(s)cenas no teatro contemporâneo: Sade, Sacher-Masoch, Crébillon, Laclos

José Alberto Ferreira (Univ. Évora)
A perversão do método, ou o método da perversão

Paulo Eduardo Carvalho (Univ. Porto)
Sófocles e Molière (per)vertidos por Martin Crimp

16:30 Pausa para café

16:45
Moderador: Laura Ferreira dos Santos

David Barros (Univ. Nova Lisboa)«Pardon me, but my teeth are in your neck»: Os caminhos da perversão no cinema de Roman Polanski

Joana Matos Frias (Univ. Porto)
A Beleza Convulsiva das Imagens: Surrealismo e Perversões Ópticas

Margarida Gil dos Reis (Univ. Lisboa)
Corpos perigosos: perversão e jogo


21:30 Cinema Medeia – Shopping Cidade do Porto
Projecção do filme: Ma’s Sin de Saguenail
Debate


► 24 de Abril Anfiteatro Nobre

9:00
Moderador: Margarida Gil dos Reis

Jorge Bastos da Silva (Univ. Porto)
Assassinos Loquazes – ou: Da Arte de Matar com Arte

José Domingues de Almeida (Univ. Porto)
Perversion et naïveté dans la prose narrative d’Eugène Savitzkaya: approche du fatum humain

Pedro Eiras (Univ. Porto)
Por uma ética da perversão

10:45 Pausa para café

11:00
Moderador: Gonçalo Vilas-Boas

José Rui Teixeira (Univ. Porto / Univ. Católica Porto)
O corpo e a morte O Decadentismo finissecular da poética de Guilherme de Faria. Uma leitura teológica circunstancial

Laura Ferreira dos Santos (Univ. Minho)
Morte assistida: uma reivindicação perversa?

José Tolentino Mendonça (Univ. Católica Lisboa)
A perversão é necessária? – O efeito incontrolado de uma citação bíblica numa passagem de Dostoiévski

13:00 Almoço

14:30
Moderador: Phillip Rothwell

Américo António Lindeza Diogo (Univ. Minho)
Perversões de Autoridade em Vasco Graça Moura e Adília Lopes

Luís Maffei (Univ. Federal Fluminense)
Se tão perverso preço cabe em verso

Rosa Maria Martelo (Univ. Porto)
O “especialista em sublimação” e os usos da linguagem (acerca da poesia de António Franco Alexandre)


18:00 Trintaeum
Mesa-redonda de criadores
Moderador: Luís Mourão
Ana Luísa Amaral
José Emílio-Nelson
valter hugo mãe

3ª Caminhada pelo Rio Tinto (19 de Abril, às 10h. na praceta do parque nascente)



O Movimento em Defesa do Rio Tinto foi constituído em Abril de 2006, com o objectivo de contribuir para a requalificação desse bem natural tão importante para nós como é o rio Tinto, numa atitude de intervenção cívica que julgamos ser fundamental manter.

O que se pretende é devolver ao rio Tinto a imagem que já teve e de que, seguramente, as gerações um pouco mais distantes ainda recordam com saudade: um rio de águas transparentes, com peixes, onde se podia tomar banho e com as margens limpas e convidativas para momentos de agradável lazer.

Temos consciência, entretanto, de que a requalificação do rio e suas margens, não depende da vontade e dos esforços de um pequeno grupo de cidadãos.

Quem detém o poder de agir, de aceder a financiamentos, de elaborar planos de intervenção, é que poderá dar os passos decisivos. Mas, uma forte corrente de opinião, que, de algum modo, possa influenciar essa acção das entidades competentes, será certamente indispensável, para que a questão não se esqueça, para que a inacção não se instale.

Por tudo isso, participar na 3ª Caminhada em Defesa do Rio Tinto, será mais uma afirmação da nossa exigência em vermos serem accionados processos irreversíveis no sentido da despoluição do rio e revalorização das suas margens. Quantos mais formos, mais voz teremos


A 3ª Caminhada servirá para reclamar medidas concretas, que:
- concluam a rede de esgotos, torne eficazes os sistemas de tratamento e garantam a reabilitação do rio, valorizem a memória, o património e a sua história;
- reconheçam aos cidadãos, (que não são um obstáculo) o direito fundamental de se pronunciarem em qualquer altura sobre os processos, cujas decisões, devem assentar em trabalho técnico sério e indiscutivelmente reconhecido;
- confiram um uso racional do território, para que seja plena e livremente adoptado pelos cidadãos como um bem público, cujos custos, ao serem suportados por todos,a todos tragam benefícios.


http://moveriotinto.blogspot.com/
http://moveriotinto.no.sapo.pt/


No dia 17 de Abril haverá actividades sobre o tema, a «Água, um bem que urge preservar»
na Escola E.B. 2.3 de Rio Tinto

Convidados:
AdDP (Projecto Mil Escolas) - Dr. João Roseira
Projecto Rios - Engº Pedro Teiga (a confirmar)
Movimento em Defesa do Rio Tinto
Avert - Dra. Aurora Vieira

Programa do dia 17 de Abril:

21h15 - Recepção
21h30 - Abertura (prof. Francisco Moreira e alunos do 6D)
21h35 - Dra. Aurora Vieira (Avert)
21h45 - Dr. João Roseira (AdDP e Projecto Mil Escolas)
22h00 - Alunos 6D e prof. Serafim Faria (Demonstração de Educação Física)
22h20 - MoveRio Tinto
22h35 - Engº Pedro Teiga (Projecto Rios)
22h50 - Alunos 6D (apresentação das actividades de AP)
23h00 - Alunos 6D (Momento Musical)
23h15 - Encerramento


2ª Caminhada pelo Rio Tinto em 2008




1ª Caminhada pelo rio Tinto ( em 2007)