21.12.07

Por uma nova forma de viver e de jogar: não aos brinquedos bélicos, sexistas e que promovam o egoísmo


Escolhe e dá preferência a brinquedos que não sejam bélicos, sexistas, nem promovam o egoísmo,…


...que sejam construtivos e que, acima de tudo, ensinem uma nova forma de viver, distinta da concorrência individualista própria do mercado capitalista



Dizemos não aos brinquedos bélicos
Porque por intermédio deles e com a compra de brinquedos que simulam armas estamos na prática a legitimar o uso de armas e da guerra na resolução de conflitos aos olhos dos nossos filhos e jovens. (há que argumente que assim estamos a contrariar a vontade da criança, ou que agindo dessa forma estaríamos a potenciar o seu desejo, mas cabe perguntar se ele quisesse jogar com fogo, acaso o permitíramos?)
Na realidade, é importante formar um sentimento de auto-estima e na base da qual ele poderá construir uma personalidade capaz de vencer a pressão exercida pelos seus amigos. Ensina-o por isso a pensar pela sua própria cabeça. Mostra-lhe que o objectivo dos empresários de brinquedos é aumentar o seu lucro, e não garantir o bem estar das pessoas.


Dizemos não aos brinquedos sexistas
Porque por intermédio deles estamos a fomentar a desigualdade de género. Não se trata de impor nada, mas simplesmente de superar a uma construção social ideologicamente direccionada que afirma que «isto é para rapazes» e «aquilo é para raparigas». Note-se que quando se chama rapariga a um rapaz que brinca às casinhas o efeito depreciativo desaparecerá se os modelos referenciais da criança (o pai, a mãe, o professor, …) realizam indistintamente as mesmas tarefas, contrariando os padrões convencionais que tendem a desvalorizar as actividades realizadas pelas mulheres. Com os brinquedos tais esquemas mentais poderão diluir-se ou reforçar-se.


Conselhos básicos ao comprar brinquedos:
- Brinquedos de paz e não deguerra
- Evitar os brinquedos que não sejam só para raparigas ou só para rapazes
-Brinquedos em demasia não são bons
-Brinquedos que possam também divertir os adultos
-Os jogos de computador devem ser usados com bom senso e não serem demasiados absorventes
-Fazer sempre que possível os nossos próprios brinquedos
- Os brinquedos não deverão reproduzir nem reforçar comportamentos sexistas, autoritários, agressivos, racistas e egoístas.
- Ensinar as crianças a partilhas os seus brinquedos



Ler outros textos já publicados neste blogue: aqui, aqui

Mais info:
http://www.elmonoazul.org

As melhores tascas do Porto por Raúl Simões Pinto

Sugestões retiradas do livro «As Tascas do Porto», de Raul Simões Pinto, editado recentemente pela Afrontamento, e que constitui um inventário fascinante das casas de pasto e tascas, e de muitas histórias e memórias, que ainda vão subsistindo na cidade do Porto.


Uma lista elaborada por Raúl Simões Pinto, autor do livro As Tascas do Porto, onde são inventariadas dezenas de tabernas, adegas, casas de pasto, tasquinhas, botequins e tascas que ainda existem na cidade do Porto e que esperam por todos nós para se manterem vivas e com elas algumas das características mais marcantes da cultura popular urbana.


As «minhas» 20 tascas antigas e tradicionais do Porto, para que conste, antes que fechem as portas (por Raúl Simões Pinto):


1) Adega de S. Martinho - R. D.João IV, 795

2) O Alfredo Portista - R. do Cativo, junto a Cimo da Vila)

3) O Escondidinho de Paranhos - R. de Costa e Almeida, 255 (junto à Arca d'Água)

4) O Presuntinho - R. de Sro Ildefonso

5) Filha da Mãe Preta - R. dos Canastreiros ( à Ribeira)

6)Casa das Iscas - Largo da Igreja de Paranhos

7) Adega da Piedade - Muro do Ouro ( na marginal do rio)

8) O Firmino - R. da Preciosa ( em Pereiró, Ramalde)

9 ) O João do Fado - R. Direita de Francos, 146, Ramalde

10) Adega O Cantinho - Campo Mártires da Pátria, 130

11) Casa Costa - R. de Trás, 224 (na Vitória)

12) O Manel do Abade - R. da Estação ( em Campanhã)

13) O Tone das Águas - R. da Arrábida, 153 ( no Aleixo)

14) O Leandro - R de Trás (perto dos Lóios)

15) O Radar - R. das Taipas, 17C (perto do tribunal de S.joão Novo)

16) O Túnel - R. de Serralves (junto ao Hotel Ipanema)

17)O Escondidinho do Monte Aventino - R. do Monte Aventino, 236 ( às Antas)

18) A Flor de S. Vítor - R. de S. Vítor ( no Bonfim)

19) A Floresta - R. de Afonso Martins do Alho, 115 ( antiga travessa das Flores)

20) A Badalhoca - R. do Dr. Alberto Macedo ( em Ramalde)

Solidariedade com o bispo Dom Cappio em greve de fome na defesa do Rio São Francisco e contra o transvase das águas


Poesia de cordel em solidariedade com o bispo Dom Cappio em greve de fome na defesa do Rio São Francisco e contra o transvase das águas como está previsto no projecto governamental em vias de execução



Entre as muitas balelas
Que fazem divulgação
Com promessas mentirosas
De fartura e redenção
A mais deslavada eu digo
Pode acreditar amigo
É a da transposição.

Dizem que nosso sertão
Só vai melhorar um dia
Se as águas do São Francisco
Aqui fizer moradia
Transportando o velho Chico
Fazendo o maior fuxico
Com um rio em agonia.

Eu acho uma ironia
Trazer um rio cansado
Do estado da Bahia
Pra ele ser desviado
Do seu leito, do seu canto
Quando precisa portanto
De ser revitalizado.

Mas é que foi inventado
Pelo Dom Pedro Segundo
Desde o tempo do império
Um governo moribundo
Que seria a salvação
Trazer água pra o sertão
Dum rio grande e profundo.

Mas, é preciso ir mais fundo
Na nossa realidade
Hoje é bem diferente
Seja no campo ou cidade
Do século dezessete
Onde não pintavam o sete
Nem havia liberdade.




Sem ser dono da verdade
Posso afirmar que o rio
Sendo transposto assim
Num constrangido desvio
Para outra região
Não será a solução
Para a fome e o fastio.

Porque se somente água
Fosse a solução real
Não existiria fome
Em bacia fluvial
Amazônia e Mato Grosso
Onde a água corre grosso
De forma descomunal.

Só água não basta não
Tem que ter seriedade
Gerenciar os recursos
Com ética e muita vontade
Com políticas sociais
Compromisso e ideais
E solidariedade.

Dizer que 12 milhões
De pessoas no Nordeste
Vão saciar sua sede
E ficar livres da peste
Com esta transposição
É conversa pra bobão
E não pra cabra que preste.

Peço até que me conteste
Mas, é conversa fiada
Dizer que a transposição
Vai trazer uma enxurrada
De bênçãos e matar a sede
De quem dorme numa rede
Isso é promessa de fada

Porque a nossa desgraça:
Fome, sede e coisa e tal.
Nunca foi por falta d’água
Ou recurso natural
Mas, é a concentração
De renda e a exploração
Do sistema social.



Porque a transposição
Tem o seu objetivo
Voltado ao agronegócio
O seu marco decisivo
Criador de camarão
De tilápia e de salmão
Tem água e mais incentivo.


No eixo do Ceará
O destino é consciente
Água para a siderúrgica
Para o Pecém água quente
As empreiteiras lucrando
Com as obras faturando
E nosso povo doente.

Então vem um cearense
Radicado em Pernambuco
Escrever contra o bispo
Com sentimento caduco
Num cordel intransigente
Agressivo e inconseqüente
Igual bala de trabuco.

Seu alan Sales devia
Pesquisar mais a história
E não cair na conversa
Tão insensata e simplória
Que a fome no sertão
É por falta d?água, irmão
Reze uma ?jaculatória.?

A fome, sede e miséria
No sertão já faz alarde
Desde o tempo do império
O couro do pobre arde
É pela concentração
De terra e a opressão
Do latifúndio covarde.

O bispo Dom Cappio é
Fervoroso Franciscano
Que defende a natureza
Sem consultar o Vaticano
Seu compromisso é com a vida
Das pessoas sem guarida
Que esperam em Deus soberano.


Pois se São Francisco fosse
Vivo não comungaria
Em desviar nosso rio
Ele não concordaria
Transportar o velho Chico
Fazendo esse fuxico
Com tanta selvageria.

O bispo Dom Cappio é
Um homem justo e humano
Sem ganância e em soberba
Confirma o povo baiano
Porém foi desrespeitado
E ridicularizado
Por um poeta mundano.

A greve do bispo é
Um protesto rigoroso
Contra o cruel latifúndio
Atrasado e asqueroso
Pela vida e a favor
Da justiça e do amor
Contra quem é poderoso.

Os que são contra o bispo
E sua manifestação
São também contra as lutas
De Canudos e Caldeirão
Do Beato Zé Lourenço
Conselheiro que sem lenço
Queria um outro sertão.

A atitude do bispo
É uma revolução
Como foi com o beato
Construindo o Caldeirão
E Conselheiro em Canudos
Sertanejos sem escudos
Resistindo à opressão.

Canudos e Caldeirão
Tinham tudo com fartura
Farinha, milho e feijão,
Leite, carne e rapadura
Tinham água à vontade
Mas, destruíram a cidade
De forma cruel e dura.



A luta do bispo clama
Por vida com dignidade
Para o povo do sertão
Seja do campo ou cidade
Sem fazer transposição
Mas, buscando solução
Com solidariedade.


Se o rio for transportado
Vai se sentir muito mal
Será grande a agressão
Pra natureza em geral
Alertamos a toda gente
Que será sem precedente
O impacto ambiental.


O bispo Dom Luiz Cappio
Tem comportamento ético
É humilde e humanista
Tem pensamento eclético
Porque defende os pobres
É um perigo para os nobres
Este seu gesto profético.


O bispo Dom Luiz Cappio
Merece nosso respeito
E não ser zombado assim
Por um maldoso sujeito
Que usa a poesia
Pra dizer tanta heresia
De um homem de conceito.

A greve do bispo é feita
Para sensibilizar
Governantes insensíveis
Para não continuar
Esta obra inconseqüente
Do rio que está doente
Devemos lhe preservar.

Porque hoje o velho Chico
Está muito ameaçado
Queimadas, desmatamento
Encontra-se assoreado
Tem que ficar no seu canto
Precisa ele, portanto
É ser revitalizado.

Água estocada em açudes
Aqui no Nordeste tem
O problema é o destino:
Quem vai usá-la também
Quem controla é a questão
O problema é a gestão
De séculos sem fim, amém.

O presidente devia
Ouvir a população
Movimentos Sociais
E o povo do sertão
Fazer cisternas de placas
Pagar bom preço por sacas
De milho, fava e feijão.

Para que transposição
Se a água vai ser cobrada ?
O destino está traçado:
Fruticultura irrigada
Das multinacionais;
Carcinicultura e mais
Pra siderúrgica implantada.


O compromisso de Lula
Agora é com empresário
E com o agronegócio
E o latifundiário
Que atrasou o Brasil
Explorando a mais de mil
O agricultor e operário.

Se Lula não abre mão
Da obra descomunal
É porque tem compromisso
Com o grande capital
Se o bispo morrer de fome
Morre o corpo a terra come
Mas fica o seu ideal.


A concentração de renda
Desigualdade social
Falta de políticas públicas
Para a zona rural
É o grande mal e a mágoa
De quem não tem terra e água
Pra tomar um sonrisal.
Se a esmola é muito grande
Todo cego desconfia
Este projeto promete
Redenção e galhardia
Mas, tem ?gente? interessada
Quer só o lucro e mais nada
Deus nos livre, Ave Maria.


Se o governo quer mesmo
O sertanejo com água
Faça milhões de cisternas
Para a chuva que deságua
Ser pra dentro captada
Água boa armazenada
E o povo com menos mágoa.

Façam pequenas barragens
E açudes no sertão
Sejam também equipados
Pra pequena irrigação
Com correto equipamento
E com acompanhamento
Técnico e orientação.


Se a água existente
Nos açudes armazenada
Fosse bem distribuída
Com justiça utilizada
Com um programa de gestão
Seria a solução
Sem transposição, sem nada.

Já chega de violência
Contra o meio ambiente
A natureza devastada
Morre bicho, planta e gente
Efeito estufa é o tal
Aquecimento global
E o planeta doente.

Defendem a transposição
E falam em crescimento
Econômico voltado
Para o desenvolvimento
Visando o lucro insano
Sem pensar no ser humano
Na vida em seu elemento.


Pensam no imediato
O lucro é sua verdade
Devastam a flora e a fauna
Nossa biodiversidade
O planeta ameaçado
Por um modelo atrasado
Sem sustentabilidade.

Dizem que isso é progresso
Que a ciência não erra
Transgênicos, Transposição
Vão devastar nossa terra
E as multinacionais
Lucrando cada vez mais
Deixando o planeta em guerra.


Conviver no semi-árido
É realmente viável
Sem transposição de um rio
Com esta agressão terrível
Uma obra deplorável
Mas, outro mundo é possível
Sem essa agressão terrível
E com vida sustentável.

Portanto, Seu Alan Sales
Esqueça a transposição
Escreva o seu cordel
Com outra conotação
Respeite o bispo e o povo
Que querem um mundo novo
E vida para o sertão.




José Rogaciano S. Oliveira
Tauá-CE, dezembro de 2007



Mai info: aqui, aqui, aqui








Informação sobre o rio São Francisco retirada da Wikipedia:

O rio São Francisco, também chamado de Opará, como era conhecido pelos indígenas antes da colonização, ou popularmente de Velho Chico, é um rio brasileiro que nasce na Serra da Canastra no estado de Minas Gerais, a aproximadamente 1200 metros de altitude, atravessa o estado da Bahia, fazendo a divisa ao norte com Pernambuco, bem como constituindo a divisa natural dos estados de Sergipe e Alagoas. Por fim, deságua no Oceano Atlântico, na região nordeste do Brasil.
Com 2.800 km de extensão, e drenando uma área de aproximadamente 641.000 km2, o rio São Francisco nasce no estado de Minas Gerais, na Serra da Canastra, desemboca no Oceano Atlântico, entre Sergipe e Alagoas. Apresenta dois estirões navegáveis: o médio, com cerca de 1.371 km de extensão, entre Pirapora(MG) e Juazeiro(BA)/Petrolina(PE) e o baixo, com 208 km, entre Piranhas(AL) e a foz, no Oceano Atlântico.
O rio São Francisco atravessa regiões com condições naturais das mais diversas. As partes extremas superior e inferior da bacia apresentam bons índices pluviométricos, enquanto os seus cursos médio e sub-médio atravessam áreas de clima bastante seco. Assim, cerca de 75% do deflúvio do São Francisco é gerado em Minas Gerais, cuja área da bacia ali inserida é de apenas 37% da área total.
A área compreendida entre a fronteira Minas Gerais-Bahia e a cidade de Juazeiro(BA), representa 45% do vale e contribui com apenas 20% do deflúvio anual.
Os aluviões recentes, os arenitos e calcários, que dominam boa parte da bacia de drenagem, funcionam como verdadeiras esponjas para reterem e liberarem as águas nos meses de estiagem, a tal ponto que, em Pirapora (MG), Januária (MG) e até mesmo em Carinhanha (BA), o mínimo se dá em setembro, dois meses após o mínimo pluvial de julho.
À medida em que o São Francisco penetra na zona sertaneja semi-árida, apesar da intensa evaporação, da baixa pluviosidade e dos afluentes temporários da margem direita, tem seu volume d'água diminuído, mas mantém-se perene, graças ao mecanismo de retroalimentação proveniente do seu alto curso e dos afluentes no centro de Minas Gerais e oeste da Bahia. Nesse trecho o período das cheias ocorre de outubro a abril, com altura máxima em março, no fim da estação chuvosa. As vazantes são observadas de maio a setembro, condicionadas à estação seca.

20.12.07

Jaime, de António Reis ( filme de 1974)


Consultar o excelente blogue dedicado à obra de António Reis:




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Reproduz-se a seguir o texto de Mathias Lavin, retirado de um das edições da revista Docs.pt :

Jaime de António Reis (1974)
A VIDA DE UM HOMEM INFAME

Jaime pertence à categoria pouco frequente de filmes cuja singularidade é quase ofuscante. Não a essa “aristocracia de obras primas” de que falava Susan Sontag a propósito de Hitler de Syberberg, nem a essas obras menores das quais muitos cinéfilos são apreciadores, mas antes à constelação desses filmes solitários e frágeis que figuram à margem de toda a genealogia estilística e quase sem linhagem. Hoje estamos algo esquecidos de que nos anos 70, sobretudo depois da realização de Trás-os-Montes (1976), António Reis era considerado no discurso crítico, tanto em Portugal como no estrangeiro, o realizador português mais importante juntamente com Oliveira – à frente de Paulo Rocha, Fernando Lopes, ou César Monteiro, que avançará para primeiro plano durante o decénio seguinte. Se a morte prematura do cineasta e o número diminuto das suas obras lhe conferem desde logo um estatuto quase secreto, à distância de 30 anos a emoção crítica provocada por Jaime torna-se ainda mais surpreendente.


Oriundo do Porto, Reis iniciou a sua actividade cinematográfica como assistente de Oliveira em Acto da Primavera (1963) e como argumentista de Mudar de Vida (1967) de Rocha, realizando três curtas-metragens documentais nos anos 60. É preciso lembrar igualmente que, desde finais dos anos 50, Reis escrevia poesia, uma prática que não deixou de se reflectir no conjunto da sua obra. Porque, se por um lado, podemos colocar Jaime na linha dos documentários que tentaram transformar a visão comum sobre a loucura, por outro, a sua vertente poética distingue-o de Matti da Slegare (Agosti/Bellocchio/Petraglia/Rulli, 1975), Animación en la Sala de Espera (Coronado/Rodriguez Sans, 1981) ou San Clemente (Depardon-Ristelhueber, 1982).


Para evocar Jaime, que deu a conhecer o nome de António Reis, um quase estreante de 47 anos, e o da sua companheira e colaboradora, Margarida Cordeiro, deve referir-se o contexto da sua realização. Filmado durante o ano de 1973, estreado de forma providencial logo após a revolução, no início de Maio de 1974, o filme esteve em adequação perfeita com o seu tempo. Compreende-se de que maneira o retrato de Jaime Fernandes - um camponês originário da região da Covilhã, que tendo passado quase 30 anos num asilo, onde morreu em 1969, começou subitamente a desenhar e a pintar depois dos 60, na mais pura tradição da arte bruta - podia rimar com a época da anti-psiquiatria, da crítica da clausura e das instituições.


Ao rever o filme, torna-se evidente a proximidade com um dos mais belos textos de Michel Foucault, La vie des hommes infames, ambos atendendo às “existências obscuras e infortunadas”. Mais ainda, no contexto português, o filme (o início em particular) oferece uma metáfora suficientemente legível de um país sufocado pelo Salazarismo – como o fará alguns meses mais tarde o Benilde de Oliveira num registo diferente. E compreende-se que esta obra, apesar da sua curta duração, tenha suscitado inúmeras discussões ao longo de toda a Primavera de 74, como se o silêncio ao qual estavam confinados os loucos tivesse um valor de metonímia para todo um povo e devesse ser compensado por uma libertação geral da palavra.


Após uma fotografia de Jaime, e um plano sobre as suas notas, o filme abre-se no pátio circular do Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa. Estes planos utilizam efeitos de íris que, mais do que um processo do cinema mudo, evocam uma visão através de um óculo de alcance ou de um buraco de fechadura. As poucas silhuetas pressentidas, apanhadas na sua inacção ou na repetição de gestos simples, parecem remeter para um universo carcerário. Se a entrada no asilo se faz por arrombamento, a inteligência do cineasta reside na escolha de não associar a obsessão de um olhar e o carácter espectacular do que é mostrado. Vemo-lo claramente nesse plano onde as sombras imóveis de três pacientes são projectadas sobre uma parede, enquanto um médico de bata branca atravessa o espaço em diagonal. Não se trata de descrever, nem de denunciar, mas de recolher e de produzir um conjunto de signos com carácter fragmentário assumido. Nessas imagens em parte encobertas, nesses corpos filmados à distância, ou nessas sombras, inscreve-se a dimensão de vestígio do filme. Dessa maneira, emergem os magros rastos da vida de Jaime no seio da instituição asilar, como outros tantos retalhos da grande História.


O filme é pontuado regularmente por imagens mostrando a escrita de Jaime e as suas fórmulas opacas, pelos seus desenhos (personagens, animais), ou ainda por documentos que emanam da instituição médica (notas, gráficos), diversas marcas dessa existência de clausura. Uma fórmula anotada por Jaime é particularmente tocante: “morrereis como estes retratos” – logo depois, Reis mostra detalhes de um desenho, um animal (difícil de identificar) levado pela trela por um personagem. Estariam as imagens, elas próprias, condenadas à morte? O risco existe e toda a obra de Reis está assombrada pela angústia de ver desaparecer o que foi gravado pela câmara, mas o filme não coloca a morte como uma paragem definitiva: “oito vezes Jaime já foi morto aqui” adianta um outro fragmento de texto. A morte torna possível o renascimento como indica uma das sequências mais impressionantes do filme: filmado de costas, um homem vestido com uma capa de cores faz um gesto com a mão em direcção a uma porta do asilo enquadrada por dois pacientes deitados. Essa benção profana, quase tão miraculosa como a de Johannes em A Palavra [Carl T. Dreyer, 1955], faz abrir a porta do edifício e, após um raccord no eixo, um médico sai, precipitando-se então a câmara através da abertura para conduzir a uma banheira, que passa a ocupar todo o plano.


Reis não se contenta com a imagem, apesar de tudo muito atraente, deste lugar de cura e de tortura. Ele associa a esta imagem o som do vento e, sempre com esse mesmo som, faz o encadeamento com planos de uma barca, depois de uma torrente. Neste fragmento, vemos como a dimensão política (fazer justiça ao que se manteve na noite da clausura) é utilizada juntamente com um princípio de movimento poético: o vento que reforçava o aspecto desértico do asilo acompanha o fluxo da corrente, a banheira transforma-se em embarcação, etc.. Não se trata de uma estrita equivalência, mas sim de um princípio de encadeamento que se encontra frequentemente no filme, seja pelo parentesco das formas (por exemplo, um pouco mais adiante, uma panorâmica sobre uma colina e depois sobre um cavalo) ou pelo choque de elementos (especialmente a dissociação entre som e imagem). Reis e Cordeiro dão assim a experimentar uma sensação de co-dependência dos diferentes elementos filmados.


Este último ponto permite atenuar uma interpretação frequente que considera Jaime como um meio de encontrar, através de um certo número de artifícios, a subjectividade de um alienado. Se, por um lado, essa leitura se justifica, nela falta todavia um elemento essencial: tudo aponta no filme para a recusa de uma fronteira entre objectividade e subjectividade – como entre normalidade/ anormalidade – o que faz com que a identificação de um ponto de vista, ainda que delirante, se torne problemática. Trata-se de operar a passagem do ponto de vista à visão, para tornar sensível essa co-dependência dos dois elementos separados pela experiência quotidiana. Assim, um outro olhar é frequentemente lançado sobre as coisas do mundo e não apenas sobre o asilo. Vemo-lo, por exemplo, nos planos filmados num interior sombrio (sem dúvida a casa da esposa de Jaime), onde a câmara se demora sobre réstias de cebolas, um monte de espigas de milho, ou uma pipa de vinho. Estas coisas vulgares tornam-se tão estranhas como as maçãs artificiais de tamanho desproporcionado ou a cabra imóvel num palheiro (o do asilo ou o da casa de família?). E poderíamos continuar ainda a enumerar outras imagens: o curso de um ribeiro, um campo de flores atravessado por uma câmara que enlouquece, uma tigela vazia poisada sobre uma mesa; tantos planos que ficam fortemente impregnados na memória devido à sua estranheza, e à sua quase novidade.


Numa entrevista feita por João César Monteiro no momento da estreia do filme, Reis compara as criações de Jaime às do fauvismo e do expressionismo - apesar dele não ser contemporâneo destes dois movimentos pictóricos - afirmando: “o seu tempo histórico e psicológico era outro.” Evidentemente, esta observação remete para a arte de um cineasta que se quis sempre “excentrado” e cujo lado inactual convida à redescoberta.


Mais ainda, parece-me que a herança de António Reis e de Margarida Cordeiro mereceria finalmente ser assumida. Seguindo este exemplo maior, os realizadores de documentário não deveriam renunciar à dimensão poética da sua arte. Poderiam autorizar-se uma força visionária, não se contentando com uma atitude de aceitação ou de denúncia do que existe. Isto, em suma, para seguir o programa de Foucault que comecei por usar para descrever a sua afinidade com Jaime: “fazer aparecer o que não aparece – não pode ou não deve aparecer: dizer os últimos níveis, os mais ténues do real.” •


Referências:

Anabela Moutinho e Maria da Graça Lobo (org.), António Reis e Margarida Cordeiro – A poesia da terra, Cineclube de Faro, 1997. [Uma obra de referência de grande qualidade]



ANTÓNIO REIS
António Reis (1927-1991) chega ao cinema nos anos 60, quando já exercia actividade como pintor e poeta. Após curtas-metragens documentários, chama a atenção para o seu trabalho com Jaime (1974), a que se seguiram três longas-metragens (Trás-os-Montes, Ana e Rosa de Areia), realizadas com a sua mulher Margarida Cordeiro. As suas obras, oscilando entre o ensaio e o poema, são consagradas à cultura popular de Trás-os-Montes. Reis foi igualmente um grande pedagogo que formou a nova geração de cineastas portugueses na Escola Superior de Teatro e Cinema.

MATHIAS LAVIN
Mathias Lavin, doutor em cinema pela universidade Paris III (tese consagrada à obra de Manoel de Oliveira), lecciona Estética e História do Cinema (Lyon II e Paris III). Autor de diversos artigos, nomeadamente para as revistas Trafic, Cinergon, Vertigo; chefe co-redactor da revista de literatura Action Restreinte.

Hoje é o lançamento de mais um número da Docs.pt, a única revista dedicada ao documentário

Vai ser lançado hoje no Museu do Chiado pelas 18h30 mais um número da revista Docs.pt, a única publicação do género dedicada ao cinema documental.
Trata-se desta vez de um número temático sobre a «Arte do Cinema – a hipótese cinema no campo das artes»


Com esta edição temática, a docs.pt intenta abrir um campo de reflexão e de partilha teórica sobre a relação entre cinema e arte, sobre correspondências e ressonâncias entre diversas práticas e processos de criação. Privilegiando a dimensão do encontro e a forma dialógica, procurámos convocar autores e ensaístas oriundos das diversas áreas e desdobrar o pensamento em torno do cinema, das suas migrações no campo das artes e da sua mise en espace, do documentário sobre as artes e os seus dispositivos.


Será projectado o documentário "Le Centre Georges Pompidou" de Roberto Rossellini, com a presença do produtor Jacques Grandclaude, no contexto da exposição Centro Pompidou Novos Media 1965-2003


A docs.pt é a única publicação portuguesa dedicada ao cinema documental e uma das poucas existentes na Europa. Bilingue – em Português e em Inglês -, e editada duas vezes por ano (em Junho e em Outubro), a docs.pt foi criada para servir de veículo de promoção e de difusão da cultura cinematográfica portuguesa, dos seus autores, obras e realidades.
A docs.pt assume-se como uma proposta alternativa para todos os que se interessam pelos documentário contemporâneo.


Tem como objectivos divulgar o cinema documental e levar os filmes a um público cada vez mais alargado, constituir um acervo escrito da evolução e do crescimento deste género em Portugal e criar condições para um espaço crítico onde se pense e debata o cinema e as suas linguagens.
Assim, num âmbito mais restrito, a docs.pt responde às necessidades de um conjunto de profissionais e de estudantes das áreas do cinema, audiovisual, comunicação, artes, e ciências sociais, que, tendo já encontrado espaços e momentos de visibilidade das obras documentais, pode encontrar nesta publicação um campo de reflexão mais aprofundado.
A docs.pt quer ser uma janela para outras realidades, um veículo de aprofundamento e de interligação das várias práticas do cinema e do cinema Documental, confrontando-as com cinematografias estrangeiras, segmentos das artes visuais e performativas, estimulando uma convivência com outras áreas e pessoas de formação diversa.
Editada pela Apordoc – Associação pelo Documentário, a docs.pt enquadra-se na linha de acção da organização, empenhada em contribuir para a criação e para o desenvolvimento de uma cultura do cinema documental em Portugal.
Uma das particularidades da docs.pt é ter partido de uma pluralidade de ideias e formas de expressão. Por essa razão, apostou numa direcção editorial organizada num conselho ou fórum de “consulta”, onde são elaboradas e discutidas as opções editoriais de cada número. Este conselho editorial é composto por um grupo de realizadores, produtores, programadores, professores e jornalistas.

EQUIPA
Direcção: Caroline Barraud
Direcção editorial (número especial / Dez. 2007): Luciana Fina
Coordenação de redacção e edição: Miguel Coelho
Revisão: Cátia Salgueiro, Raquel Schefer
Tradução inglesa: Kevin Rose, Mark Cain, Claudia Buonaiuto
Tradução portuguesa: Maura Lemos, Paola d´Agostino
Conselho editorial: Ana Isabel Strindberg, Caroline Barraud, Cátia Salgueiro, Clémentine Mourão-Ferreira, Luciana Fina, Miguel Coelho, Susana de Sousa Dias, Susana Martins
Publicidade e distribuição: Margarida Ventosa
Assinaturas: Nina Ramos
Tratamento de imagem: Pedro Silva
Produção gráfica: João Costa
Design: Miss Sushie


CONTACTOS
Redacção: docsptred@gmail.com
Publicidade e distribuição: docs.ptpub@gmail.com
Assinaturas e vendas: apordoc@sapo.pt
http://www.apordoc.org/index.htm?no=2020001230

http://www.apordoc.org/index.htm

Em Coimbra a Escola da Noite tem em cena «Na estrada Real» de Tchékhov até 23 de Dez.



A Escola da Noite está a apresentar, no mês de Dezembro, o espectáculo "Na Estrada Real [um estudo dramático]", de Anton Tchékhov, com encenação de António Augusto Barros.

O espectáculo, que estreou a 19 de Outubro e teve uma curta temporada (14 espectáculos], vai estar em cena entre 13 e 23 de Dezembro, de terça a sábado às 21h30 e aos domingos às 16h, na Oficina Municipal do Teatro.

Em "Na Estrada Real" — um exercício de escrita a partir da forma do melodrama —, Tchékhov propõe uma curiosa e (ainda hoje) perturbante inversão dos termos normalmente associados a este género teatral, particularmente popular na Europa do final do século XIX. Evitando conscientemente, e com grande mestria, o facilitismo panfletário ou moralista, bem como o final feliz que hoje associamos a certos tipos de entretenimento cinematográfico ou televisivo, Tchékhov (e, com ele, A Escola da Noite) convida os espectadores a entrar na taberna de beira de estrada onde Tíkhon, seu proprietário, alberga peregrinos, trabalhadores fabris, vagabundos e fidalgos. E porque o mundo, a vida e o ser humano são sempre mais complexos do que a forma como conseguimos representá-los, recusa fornecer-nos as conclusões, desafiando cada um de nós a terminar uma história aparentemente inacabada.
Em "Na Estrada Real" — um exercício de escrita a partir da forma do melodrama —, Tchékhov propõe uma curiosa e (ainda hoje) perturbante inversão dos termos normalmente associados a este género teatral, particularmente popular na Europa do final do século XIX. Evitando conscientemente, e com grande mestria, o facilitismo panfletário ou moralista, bem como o final feliz que hoje associamos a certos tipos de entretenimento cinematográfico ou televisivo, Tchékhov (e, com ele, A Escola da Noite) convida os espectadores a entrar na taberna de beira de estrada onde Tíkhon, seu proprietário, alberga peregrinos, trabalhadores fabris, vagabundos e fidalgos. E porque o mundo, a vida e o ser humano são sempre mais complexos do que a forma como conseguimos representá-los, recusa fornecer-nos as conclusões, desafiando cada um de nós a terminar uma história aparentemente inacabada.

de 13 a 23 de Dezembro
de terça a sábado, às 21h30, domingos, às 16h00
Oficina Municipal do Teatro, Coimbra
espectáculo para maiores de 12 bilhetes entre 6 e 10 Euros
reservas telf 239 718 238, 966 302 488


um estudo dramático em um acto de Anton Tchékhov

tradução do original russo António Pescada
encenação António Augusto Barros
elenco António Jorge, Eduardo Dias, Eduardo Gama, Maria João Robalo, Miguel Magalhães, Ricardo Kalash, Rui Valente, Sofia Lobo, Sílvia Brito e Valdemar Cruz



A Escola da Noite
Rua Pedro Nunes, Oficina Municipal do Teatro
3030-199 COIMBRA

www.aescoladanoite.pt

tel. 239 718 238 fax 239 703 761
tlm. 965 659 792




A Escola da Noite apresenta Tchékhov em sessão especial para Russos


O espectáculo de domingo, 23 de Dezembro, a apresentar pelas 16h, inicialmente divulgado para o público em geral, vai ser apresentado em exclusivo para os cidadãos russófonos, numa colaboração entre a companhia e a Embaixada da Federação da Rússia. Uma maneira curiosa de terminar um ano de trabalho d'A Escola da Noite em torno da obra teatral do escrito russo: recordamos que "Na Estrada Real" é o terceiro e último espectáculo do ciclo dedicado ao dramaturgo russo que tem ocupado a companhia desde o início do ano, depois do exercício-espectáculo "A Boda" e do muito elogiado "Tchékhov e a Arte Menor", que incluía a representação de seis peças em um acto deste autor.


Espectáculo de TEATRO
23 de Dezembro DOMINGO 15h

Oficina Municipal do Teatro Coimbra
“NA ESTRADA REAL”
peça de Anton Tchékhov por A ESCOLA DA NOITE
Sessão especial para cidadãos russófonos
Entrada gratuita com marcação antecipada obrigatória pelo telefone 239718238 ou telemóvel 966302488 [lotação limitada]
Organização: Embaixada da Federação da Rússia


Вечер Русской Культуры
В воскресенье 23 декабря 2007 года в 15.00
в помещении Муниципальной театральной мастерской города Коимбры состоится спектакль
театра "Escola da Noite", поставленного по пьесе А.П. Чехова «На большой дороге».
Специальное представление для русскоязычных граждан
Вход свободный. Предварительная запись по телефонам: 239 718238 или 96 6302488
[количество мест ограничено].
Организатор мероприятия: Посольство Российской Федерации.

Conversa-debate sobre o livro de Chomsky, A Democracia e os Mercados na nova ordem mundial,no café-livraria Gato Vadio (22 de Dez., Sábado, às 22h,)


19.12.07

Tarde de solidariedade para com o povo basco ( na Casa-Viva, Sábado, 22 Dez, às 15h)

Os legítimos anseios do povo basco em prol da sua auto-determinação merecem-nos o nosso maior apreço e admiração. A manipulação informativa e a repressão que se abateu sobre essa legítima aspiração não pode pois deixar de ser objecto da mais viva condenação, especialmente quando essa repressão recorre à tortura e violação dos direitos humanos.


Por isso, é importante a solidariedade para com um povo que luta pela sua emancipação social das forças externas que impedem a sua independência e soberania. Uma luta que, no nosso entendimento, não deve recorrer a armas nem a actos de violência gratuita, mas antes ter como protagonista principal a legítima vontade popular de se separar do Estado espanhol através dos meios pacíficos mais adequados por onde essa pretensão se possa manifestar.

A paranóia repressiva é de tal ordem que o Estado espanhol não se limita a ilegalizar Partidos políticos representativos dos bascos nem a fechar e a coagir órgãos de informação, mas vai ao ponto de pretender encerrar bares e cafés, simples estabelecimentos comerciais, onde a cultura basca se faz sentir com toda a sua vivacidade.
Felizmente, e segundo as últimas decisões do Supremo Tribunal de Justiça do Estado espanhol, o pedido de encerramento das chamada Herrico tabernas por parte das autoridades espanholas foi indeferido por se considerar que os seus titulares são pessoas particulares.

Mas muitas outras acções repressivas têm sido lançadas , constituindo grosseiras violações dos direitos humanos, como é o caso da tortura sistemática e da prisão sem provas nem fundamento legal.

A violência estatal não deverá, no entanto, justificar qualquer acto de violência gratuita sobre pessoas por parte de quem luta pela emancipação do povo basco.




Onde procurar informação sobre o país basco:

http://paisbasco.blogspot.com/

http://www.stoptortura.com/

http://www.behatokia.info/ observatório dos direitos humanos no país basco

http://www.gara.net/

http://irishbasquecommittees.blogspot.com/





Murais políticos em Euskal Herria (país basco)
http://muralespoliticos.blogspot.com


Parte I




Parte 2



Parte 3



Parte 4

Câmara do Porto vai destruir e desfigurar o Mercado do Bolhão (património da cidade)!




Uma bonita loja do comércio tradicional, situada numa das ruas circundantes ao Mercado do Bolhão, e que será certamente prejudicada com a instalação de um hipermercado no antigo Bolhão.


A decisão já foi tomada. O executivo da Câmara do Porto, liderado pelo inominável Rui Rio, vai entregar o Mercado do Bolhão a uma empresa holandesa (Trancrone), especializada em centros comerciais, para esta o transformar num grande supermercado com o inevitável parque de estacionamento subterrâneo.

Seguindo sempre a já velha e conhecida estratégia de desinvestir, deixar apodrecer e, depois, avançar para a privatização, Rui Rio desfere assim mais outro golpe contra o património público da cidade e a gestão pública dos equipamentos colectivos ao admitir não só a destruição do antigo Mercado do Bolhão da cidade, mas a concessão desse espaço por 50 anos a uma empresa privada para nele ser construído e explorado um incaracterístico supermercado que, além de ser altamente prejudicial para com os estabelecimentos do comércio tradicional existentes na zona circundante, vai desfigurar completamente o espaço tal como o conhecemos.


Notícia da imprensa:

O executivo camarário do Porto aprovou hoje, com os votos favoráveis da maioria PSD/CDS-PP e contra do PS e CDU, o contrato de concepção, construção e exploração, por 50 anos, da renovação do Mercado do Bolhão.
O PS justificou o voto contra com a recusa do presidente da autarquia, o social-democrata Rui Rio, de inclusão de um representante do partido na Comissão de Acompanhamento da execução do projecto.
O vereador socialista Matos Fernandes, que substituiu hoje Francisco Assis, afirmou que o projecto vencedor, da empresa de capitais holandeses Tramcrone, «é um mar de dúvidas».
«Aquilo que sabemos é que a equipa que ganhou é muito má a fazer projectos e muito boa a negociá-los», disse Matos Fernandes, referindo-se ao facto de ter sido seleccionado o concorrente que teve pior classificação na avaliação da qualidade técnica do projecto.
O vereador da CDU, Rui Sá, considerou a proposta «um cheque em branco», acusando a maioria PSD/CDS-PP de falta de transparência de procedimentos.
«Estamos a votar um contrato que remete o essencial para anexos que fazem parte do próprio contrato, mas não temos nenhum deles», frisou Rui Sá.
Para o autarca comunista, a execução do projecto da Tramcrone vai «destruir a alma do Mercado do Bolhão», sem dar garantias concretas aos actuais comerciantes e transformando o imóvel numa «filosofia de centro comercial e não mercado de produtos tradicionais».
«Porque é que na conferência de imprensa não falaram no supermercado?», questionou Rui Sá, acusando a maioria de ter «alguns pruridos» em admitir publicamente que a Tramcrone tem autorização para instalar um supermercado, que fará concorrência ao comércio tradicional do edifício.
O vereador do Urbanismo, Lino Ferreira, admitiu que a proposta da Tramcrone prevê a construção de um supermercado no Bolhão «mas não no mesmo piso do comércio tradicional».
O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, anunciou quarta-feira, em conferência de imprensa, que a Tramcrone venceu o concurso para a renovação do Mercado do Bolhão, com uma proposta de investimento de 50 milhões de euros.
Rui Rio referiu que «o objectivo é que o Mercado do Bolhão abra dentro de dois anos, no Natal de 2009», mas antes que as obras se iniciem é necessário ainda que o projecto de execução seja elaborado e aprovado pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (Ippar).
O «novo» Mercado do Bolhão vai manter a traça original e partilhar a área comercial tradicional com novas lojas, cerca de metade das quais de cultura, lazer e restauração.
A Tramcrone vai construir dois pisos subterrâneos para cargas e descargas e estacionamento, com capacidade para 216 automóveis, e um piso intermédio entre os dois actuais pisos comerciais.
A restauração e o comércio tradicional vão ficar instalados no segundo piso, com entrada pela Rua Fernandes Tomás, a céu aberto, mas com cobertura amovível «para os dias de maior invernia».
Os pisos zero e um, ambos cobertos, vão receber lojas «âncora» e de conveniência.
Nos torreões do edifício, vão ser criadas pequenas habitações complementares ou serviços compatíveis, nomeadamente para utilização pelos comerciantes.
Rui Rio explicou que a Câmara do Porto vai ceder o edifício em direito de superfície por 50 anos, recebendo um milhão de euros no momento da emissão da licença de construção e uma percentagem dos resultados de exploração a partir do décimo ano.
Entre o décimo e 33º ano, a Tramcrone terá de pagar à autarquia 2,5 por cento dos resultados (cerca de 72 mil euros por ano) e, entre o 34º e o 50º ano, 43,5 por cento dos resultados (1,26 milhões de euros por ano).
Rui Rio referiu que uma das razões que levou a autarquia a escolher a proposta da Tramcrone, em detrimento da da Aplicação Urbana (do grupo espanhol Chamartín), foi o seu lema: «Os comerciantes do Bolhão são parte da solução e não do problema».
O autarca afirmou que a concessionária se compromete a negociar com cada comerciante e ocupante do Mercado do Bolhão as condições de continuação, reconversão ou saída do seu negócio.
Enquanto decorrerem as obras, os actuais comerciantes vão poder exercer a sua actividade de comércio tradicional num local ainda não definido, mas que será «tão próximo quanto possível do Mercado do Bolhão».
A Tramcrone compromete-se ainda a disponibilizar 200 mil euros por ano para actividades culturais, de animação e marketing, a executar de forma coordenada com a empresa municipal Porto Lazer.
O vereador do Urbanismo, Lino Ferreira, referiu que vai ser criado um gabinete técnico de apoio para os actuais comerciantes e um gabinete de acompanhamento e fiscalização, pela autarquia, da execução do projecto. Lino Ferreira disse hoje que a autarquia vai nomear um técnico para a comissão de acompanhamento, que «trabalhará todos os dias», permanência que, em sua opinião, inviabiliza a representatividade política nesta comissão.

Notícia da Lusa/SOL



Como é o Mercado do Bolhão ( para mais tarde recordar)






Natal Social na Crew Hassan Cooperativa Cultural


A 3ª edição do Natal Social na Crew Hassan começa a partir do dia 19 de Dezembro e prolonga-se até ao dia 24.

Podes fazer as tuas compras de natal no Mercado de Artesãos do Natal Social, acompanhado sempre de boa música com a Rádio CrewHassan, concertos, dj´s, mega cabine de som e muita animação…

...há também recolha de comida, roupa e brinquedos que revertem favor dos Médicos do Mundo, Cais e Associação Cultural Africana.


Se ainda não entendes o conceito deste evento, dá uma vista de olhos no cartaz/programação e vai visitar entre 19 a 24 de Dezembro das 18h às 02h.

Natal Vegetariano dia 21 no Porto - Peixinho da Horta em acção

Queres passar um Natal mais ecológico?
Queres saber como podes oferecer prendas sem abusar dos recursos finitos do nosso planeta? Queres ter um jantar de natal delicioso sem que para isso provoques sofrimento nos animais nem ajudes à extinção de outros?

Então vem aprender a fazer um presente com mais valor reutilizando materiais.
Vem provar as nossas especialidades Natalicias vegetarianas!!
Aparece a partir das 18:00 para a oficina (grátis)
A partir das 20:00 para o jantar (5€).

Dia 21 de Dezembro no JUP, Rua Miguel Bombarda, 187, Porto.

Em caso de dúvidas: porto@gaia.org.pt
ou tlf 914678389

Nota: Todo o lucro obtido neste jantar reverterá para a gestão de um novo espaço que será futuramente a sede do núcleo do Porto do GAIA.

18.12.07

Acção em todo o país! Concentração de T2 de cartão em Lisboa, Porto e Coimbra (20 de Dez. às 12h)



O Movimento Porta 65 Fechada e a Plataforma Artigo 65 organizam acção de alerta para os problemas do Porta 65 Jovem. As acções decorrerão simultaneamente em Lisboa, Porto e Coimbra.


Outras cidades se poderão ainda juntar.
Mais informação em http://porta65.blogspot.com


LISBOA

Dia 20 às 12h - Concentração em frente ao IHRU à praça de espanha

Dia 19 a partir das 18h - Construção de casas de cartão para distribuir por Lisboa
Local: sede da ATM ao bairro dos loios MAPA
Contactos: João Cleto - 964255386 -
porta65fechada@gmail.com




PORTO

Dia 20 às 12h - Concentração em frente ao IHRU R. D. Manuel II

Dia 19 a partir das 18h - Construção de casas de cartão para distribuir pelo Porto
Local: Espaço 555 na Rua do Almada.
Contactos: Susana Otero - 963916977 - susyotero@gmail.com


COIMBRA

Dia 20 às 12h - Local a designar
Contactos:
filipafilipe@gmail.com


Reportagem de dia 16 de Dezembro na SIC sobre os problemas do Porta 65 Jovem

A Câmara de Lisboa não tem verbas para escolas e jardins mas tem dinheiro para financiar o rali Lisboa-Dakar!!!

Não acredite quando lhe disserem que a Câmara de Lisboa está falida

texto retirado de:
http://sol.sapo.pt/blogs/contramestre/


A Câmara Municipal de Lisboa passa terríveis dificuldades financeiras. Esta é a opinião unânime de quase todos os munícipes e de uma série de políticos, analistas, financeiros e jornalistas. Eu discordo, embora reconheça que não percebo nada de finanças e sou muito mau em números. A minha discordância advêm do facto que não há ninguém nem nenhuma instituição, que estando à beira da falência, se permite esbanjar dinheiro.

Ora o que é, se não esbanjar dinheiro, doar 400 mil euros a uma organização privada que não dá nenhuma contrapartida à Câmara? Pois foi exactamente isso que a Câmara de Lisboa fez por proposta do seu presidente e com o apoio dos vereadores do PS, PSD, independentes de Carmona e pasmem até da CDU.

Estes senhores todos aprovaram um donativo de 400 mil euros à organização do Lisboa-Dakar e isentaram-na de todas as taxas municipais. Ora o Lisboa-Dakar conta com inúmeros patrocínios, dinamiza a poderosa indústria automóvel e é um evento comercial extraordinariamente lucrativo movimentando muitos e muitos milhões.

Torna-se agora incompreensível para qualquer munícipe o argumento da falta de dinheiro, que sempre se ouve, quando é necessário pedir algo à Câmara. As pequenas reparações nas escolas municipais não custam muito dinheiro, mas a Câmara não tem dinheiro. Regar os jardins e limpar os seus lagos, não custa muito dinheiro, mas a Câmara não tem dinheiro. Tapar uns buracos mesmo às nossas portas não custa muito dinheiro, mas a Câmara não tem dinheiro. Dotar os sanitários de papel não custa muito dinheiro, mas a Câmara não tem dinheiro. Eu já nem falo das grandes obras paradas, dos bairros sociais votados ao abandono. Falo só destas pequenas coisas.

Cá para mim a Câmara não está à beira da falência. Está apenas mal governada porque estes senhores pouco se preocupam com os munícipes e o seu dia a dia.




A aprovação da Câmara de Lisboa do subsídio à organização do Rali Lisboa-Dakar é um verdadeiro escândalo tanto mais que a verba é dada a uma empresa privada (Sociedade João Lagos Sports, S.A.), com declarados fins lucrativos, na realização de um evento de interesse no mínimo discutível para a cidade de Lisboa, e que, além do mais, promove uma atitude irresponsável face à sustentabilidade económica e só contribuirá para piorar o problema da emissão de CO2 e do aquecimento global


A barbárie do Rali lisboa-Dakar (ex-rali Paris-Dakar)






Versão em ingles

Poesia e aforismos de António Ramos Rosa






“A música começa / no deserto do não” (Voz Inicial, Lisboa, 1960)


“Há um caminho que te conduz até ao sono, ao nível do mar.” (Sobre o Rosto da Terra, Covilhã, 1961)


“A linguagem é uma página de sinais esquecidos. Depois de todas as imagens, depois da última palavra, permanece o amor frágil de uma imagem suspensa, como que interdita sobre a aresta de um obstáculo. É a imagem que se apaga, que se perde, e no entanto caminha para o desconhecido e ganha o sombrio fulgor da palavra transfigurada.” (Quando o Inexorável, Porto, 1983)


“Devoramos o livro e com os olhos cegos de brancura transformamos a impossível leitura na escrita de uns signos imediatos que nos devolvem a linguagem da luz apagada pela luz.” (Quando o Inexorável, Porto, 1983)


“Escreve-se sempre com as mãos nuas mas a nudez e a transparência da página é que permitem a penetração no obscuro, a revelação do invisível.” (Quando o Inexorável, Porto, 1983)


“Há palavras carregadas de noite e de ombros surdos / e há palavras como giestas vivas” (Gravitações, Lisboa, 1983)


“A palavra mais viva é a mais inesperada é a palavra nua” (Gravitações, Lisboa, 1983)


“O poema é um arbusto que não cessa de tremer.” (Volante Verde, Lisboa, 1986)


“A verdade é semelhante a uma adolescente / vibrante, flexível, em radiosa sombra.” (Volante Verde, Lisboa, 1986)


“o mundo é uma brecha um esplendor um redemoinho.” (Volante Verde, Lisboa, 1986)


“Apreender com as palavras a substância mais nocturna / é o mesmo que povoar o deserto / com a própria substância do deserto” (O Livro da Ignorância, Ponta Delgada, 1988)


“O que somos agora é a sombra do que somos / em nocturnas letras de um idioma branco.” (Acordes, Lisboa, 1989)


“Na serena encantação as paredes resplandecem / e na realeza do instante o espaço doura-se.” (Facilidade do Ar, Lisboa, 1990)


“Quem grita surdamente / não pertence / à partitura do tempo. / Quem grita em altos gritos / não pertence / à sinfonia das nuvens.” (Estrias, Lisboa, 1990)


“Também de rasgões é feito o poema / entre uma possível estrela e a carne dolorosa” (A Intacta Ferida, Lisboa, 1991)


“O trajecto / mais breve / de uma sombra a outra / pode ser / outra sombra” (Oásis Branco, Lisboa, 1991)


“Há uma nudez / que assombra / há outra / que fulmina / e há a que ilumina” (Oásis Branco, Lisboa, 1991)


“Oferece o teu hálito ao presságio / para além do limiar das palavras / para transformar o segredo incomunicável / na iniciativa de um gesto inaugural” (Pólen-Silêncio, Porto, 1992)


“Nada mais delicado do que o tecido do olhar” (Delta seguido de Pela Primeira Vez, Lisboa, 1996)


“Todo aquele que abre um livro entra numa nuvem / ou para beber a água de um espelho / ou para se embriagar como um pássaro ingénuo” (Delta seguido de Pela Primeira Vez, Lisboa, 1996)


“O livro é redondo como uma serpente enrolada / e formado de fragmentos onde lateja o sangue de um pulso / que já não é de um autor que nunca o foi / e que será sempre o ritmo do que está a nascer / irrigando o nada e os terraços sobre os abismos” (Delta seguido de Pela Primeira Vez, Lisboa, 1996)


“Quem escreve nunca está só na sua solidão de asceta” (À Mesa do Vento seguido de As Espirais de Dioniso, Guimarães, 1997)


“Somos apenas cúmplices da nossa inabilidade / e dos ornamentos com que a revestimos / para parecer que somos e ser o que parecemos” (Pátria Soberana seguido de Nova Ficção, Vila Nova de Famalicão, 1999)


“A pátria é a ideia mas também matéria / de ser quotidiano sob o arco do tempo / Ela é a tranquila vivacidade da obra / que cada um realiza através dos obstáculos / e a grávida vontade de modelar o mundo” (Pátria Soberana seguido de Nova Ficção, Vila Nova de Famalicão, 1999)


“Se a pátria é uma herança ela é também o espaço que está à nossa frente / em que temos de projectar as suas dinâmicas linhas / em que vibrará o ritmo do nosso sangue e da nossa respiração / porque ela será a realidade do que em nós é a irrealidade do nosso ideal” (Pátria Soberana seguido de Nova Ficção, Vila Nova de Famalicão, 1999)


“A meditação não é mais do que a contemplação de uma matéria que contém em si o excesso da sua energia calma e a densidade materna que envolve todas as interrogações e torna supérfluo e intruso o pensamento.” (O Aprendiz Secreto, Vila Nova de Famalicão, 2001)


“Não há segredo mais supremo nem mais simples do que esta relação vital entre o corpo e o espaço, entre o alento e a paisagem, entre o olhar e o ser.” (O Aprendiz Secreto, Vila Nova de Famalicão, 2001)


“O deus do real não está no interior do sujeito, no círculo fechado da confusa intimidade, mas no rosto dos outros e é através desses rostos que se perspectiva a construção humana de uma comunidade viva e essencialmente aberta.” (O Aprendiz Secreto, Vila Nova de Famalicão, 2001)


Sobre a poesia de António Ramos Rosa

A poesia dos «(…) portugueses são, por natureza, líricos, afastando-se quase sempre da escrita de poemas cuja principal missão seja a sugestão de ideias e conceitos, através de uma sábia articulação da palavra com o pensamento.»

(…)

Em contraponto a essa linha poética prevalecente «a poesia de António Ramos Rosa representa na contemporaneidade um caso sui generis. Para já, temos em mãos uma obra que dificilmente conseguiremos abarcar na totalidade. Possuidora de uma assinalável coerência entre a produção ensaística e a produção poética, vive na demanda permanente de uma intensa liberdade do artista criador, concretizada na plena liberdade concedida ao leitor do poema (…)


(excertos do texto de autoria de Ruy Ventura com o título «Os Aforismos de António Ramos Rosa», de onde também retiramos a série de aforismos deste poeta maior da literatura portuguesa)



Sobre Ruy Ventura, autor do texto e responsável pela selecção dos aforismos de António Ramos Rosa:

RUY VENTURA (Portalegre, 1973) é professor na península da Arrábida. Publicou, em poesia, Arquitectura do Silêncio (Lisboa, 2000; Prémio Revelação de Poesia, da Associação Portuguesa de Escritores), sete capítulos do mundo (Lisboa, 2003), Assim se deixa uma casa (Coimbra, 2003) e Um pouco mais sobre a cidade (Villanueva de la Serena, 2004) e O lugar, a imagem (Badajoz, 2006 – no prelo). Organizou as antologias Poetas e Escritores da Serra de São Mamede (Vila Nova de Famalicão, 2002), Contos e Lendas da Serra de São Mamede (Almada, 2005) e Em memória de J. O. Travanca-Rêgo e Orlando Neves (na revista Callipole, nº 13, Vila Viçosa, 2005) e o livro José do Carmo Francisco, uma aproximação (Almada, 2005). Traduziu a antologia 20 Poetas Espanhóis do Século XX (Coimbra, 2003) e os livros de poemas Dias, Fumo, de Antonio Sáez Delgado (Coimbra, 2003), Jola, de Ángel Campos Pámpano (Badajoz, 2003) e A Árvore-das-Borboletas, de Anton van Wilderode (Badajoz, 2003). É colaborador de várias revistas nacionais e estrangeiras, nomeadamente espanholas, brasileiras e americanas. Como ensaísta, tem escrito sobre Poesia Contemporânea, Literatura Tradicional e/ou Oral e Toponímia

17.12.07

O fim de semana de activismo social na Casa Viva teve muita gente e foi marcado por acções de rua imaginativas e de crítica social contundente

Respondendo a um apelo lançado há algumas semanas atrás vários colectivos e activistas sociais reuniram-se neste fim de semana (14,15 e 16 de Dez.) na Casa-Viva, no Porto. Foram realizados debates, encontros e múltiplas acções de rua que envolveram dezenas de pessoas e com uma boa receptividade da parte da população.
Desde uma marcha de empresários a pedir salários mais baixos até uma acção anti-consumo dentro de um centro comercial passando pela criação na rua de uma loja grátis ambulante e um passeio com um enorme símbolo fálico com o qual se realizou uma masturbação nacional pelo tratado de Lisboa, foi possível realizar mais do que uma dezena de acções ao longo do fim de semana.
Simultaneamente realizaram-se encontros , debates, concertos e outras apresentações que chamaram à Casa Viva dezenas de activistas. Por sua vez, a Casa Viva entrou em autogestão com o envolvimento de todos os presentes nas suas tarefas de gestão corrente.
Um fim de semana que serviu para mostrar que nem tudo vai mal no Reino da Dinamarca...



Nota: mais fotos e vídeos serão aqui colocados à medida que forem disponibilizados pelos seus autores. O seu visionamento permitirá mostrar o bom acolhimento recebido das múltiplas acções realizadas, e a grande participação que teve este fim de semana activista na Casa Viva no Porto.



Marcha dos Empresários, que reivindicavam salários mais baixos...

Queremos salários mais baixos, consome, compete...





Acções de denúncia e crítica ao consumismo....





Loja grátis ambulante...






Largada de Balões com frases anti-consumismo



Vídeo sobre a acção de lançamento de balões anti-consumistas
dentro de um centro comercial...





Fotos retiradas de http://gaia.org.pt/node/3724




A Pila do Millenium ao alto com o tratado de Lisboa...



foto retirada de http://www.mruim.blogspot.com/

16.12.07

Já querem privatizar as Faculdades de Medicina!

O Regime Jurídico para as Instituições do Ensino Superior (RJIES) chegou à Faculdade de Medicina (FML) como a todas as faculdades do país: sem discussão, sem levantar ondas, como se nada fosse. O facto de ser um regulamento ainda sem resultados práticos, com consequências que parecem ser todas a muito longo prazo, além de todo o contexto do movimento estudantil português, fizeram com que a contestação ao mesmo se cingisse a poucas pessoas.

O SALTA (Saúde, Alternativa e Acção) tenta promover a discussão com duas sessões de esclarecimento acerca do RJIES. Ambas têm poucos espectadores, mas elementos da direcção da AEFML participaram, tentando quebrar a discussão, dizendo por um lado que a passagem a fundação era impossível, mas parecendo defender uma eventual mudança de regime jurídico.


(...) Apesar de se ter chegado a algumas pessoas, a mobilização continua distante. Quando alguns que não queriam admitir o previsível chamavam esquizofrénicos a quem tentava informar e discutir a eventual passagem a fundação, a bomba cai: o director da faculdade dá uma entrevista ao semanário SOL, onde afirma já estar tudo tratado. Se é um consórcio ou fundação, ele não sabe. Mas que vai acontecer, vai. Na sessão solene de abertura do ano académico a cena repete-se: a palavra "fundação" é evitada com um jogo de cintura ágil, utilizando-se agora preferencialmente a palavra consórcio. Mas sempre sem especificar de que tipo. Pelos corredores do hospital corria o boato de que o director "queria algo".... Mas não eram ferrero rocher...

Caída a máscara, a faceta neoliberal do RJIES revela-se. Neste contexto, o SALTA aproveita para marcar uma RGA que emitirá uma opinião dos alunos acerca da possível privatização da FML. Os cartazes e panfletos para divulgar esta RGA têm agora um objectivo concreto: impedir a privatização. Não basta juntar gente e fazer coisas se não há um plano que chame as pessoas, que as alerte para a importância de agir. Que as alerte para o objectivo da sua acção. A RGA tem uma participação razoável, 100 pessoas inicialmente, com cerca de 70 no final, após algumas horas de discussão. O SALTA apresenta as suas razões contra a privatização do Ensino Superior. A discussão é produtiva e elucidativa: exceptuando a direcção da AEFML, que se absteve, todas as pessoas votam contra a privatização da FML.

A tomada de posição dos alunos votada em RGA chega ao director, que se apressa a desmentir os boatos "paranóicos" de privatização. Após sucessivas propostas, acede em fazer uma sessão de esclarecimentos. Exactamente um mês e uma semana depois de ter dado a entrevista. A notícia de tal sessão de esclarecimentos viajou rapidamente até à reitoria, tendo o reitor da UL apressado-se a dizer que gostaria de estar presente. E com ele vem o Charles Buchanan, director executivo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) membro da assembleia estatutária da UL. Entretanto, as informações sucedem-se: já não é apenas a FLAD, uma fundação privada ligada a várias multinancionais que está interessada no nosso cantinho em Santa Maria. Aparentemente, os grupos Mello e Espírito Santo já foram contactados. Director apressa-se a desmentir que estes contactos estejam relacionados com a faculdade. As informações são contraditórias, a discussão escassa, mas as movimentações não.


O SALTA tem tentado agir com vários pressupostos: evitar a privatização da Faculdade de Medicina é uma luta que tem que ser feita com todos os estudantes, professores e outros elementos da escola que recusem a inevitabilidade liberalizante. A bandeira "anti–privatização" é algo de palpável e que chega às pessoas. Quando os nossos "representantes" (AEs) não defendem os direitos estudantis, neste caso, a escola pública, os movimentos devem fazê-lo intransigentemente. É preciso aproveitar o facto de mais pessoas se juntarem a nós por sentirem as consequências de uma medida com a qual não concordam para alertar para o seu contexto: esta medida existe devido ao RJIES, cuja revogação tem que ser um objectivo, e faz parte do plano traçado pelas superiores instâncias da OCDE e da UE e aplicado pelo Governo de serviço, o do PS/Sócrates.


(...)


Urge ainda uma mobilização dos movimentos estudantis e AEs contra o RJIES para uma acção conjunta, para que se chegue a mais gente e se explique que há uma alternativa ao que nos querem impor: é possível uma Escola pública, gratuita, democrática e de qualidade.

Texto retirado de:

MUT-MAIA promove vigília de Natal contra os aumentos dos preços dos bilhetes de transportes (20 Dez das 17h às 21h.)

Consultar:
http://mut-amp.blogspot.com/

Atelier de Marionetas com material reciclado



Nas férias do Natal vamos construir, brincar e criar o TEU Teatro de Marionetas. Para todas pessoas que gostam de teatro entre 6 e 112 anos, com Inês Clematis, que tem anos de experiência em Portugal e no estrangeiro com marionetas e outras artes.


Centro social do Gaia (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental)
Grupo desportivo da Mouraria
Travessa da Nazaré, 21
Lisboa

O Grémio Lisbonense tem a cabeça a prémio! Hoje é dia de protesto contra a iminência do despejo.

Dia 16 Dez., Domingo, a partir da 11h - um dia de protesto contra a iminência de despejo do Grémio Lisbonense

O GRÉMIO TEM A CABEÇA A PRÉMIO

Um dia inteirinho, cheio de actividades, músicos, artistas, Dj`s, campeonatos de snooker, bilhar e suéca.
Um dia de protesto, um dia de manifesto contra a acção de despejo.

Junta-te a nós, aparece, assina a petição... não deixes a associação mais antiga de Lisboa fechar!!!


Petição contra o despejo
http://www.PetitionOnline.com/GREMIO/


Horário
*3ª a Sábado
das 14h à 00h00 (ou mais tarde se houver festa),


Morada
Associação Grémio Lisbonense
Rua dos Sapateiros Nº 226 1º
porta em frente ao Animatógrafo
Telf: 21 3420266


Para consultar a programação de actividades do mês de Dezembro:
http://gremiolisbonense.blogspot.com/

Um Poeta a Mijar – novo livro de A.Pedro Ribeiro vai ser lançado no dia 21 de Dez. no bar Real Feytoria

"Um Poeta a Mijar" é o título do novo livro de A. Pedro Ribeiro, publicado pela Corpos Editora.

O livro vai ser lançado dia 21 de Dezembro, sexta, pelas 22, 30 horas no bar Real Feytoria, no Porto (à Ribeira).

"Um Poeta a Mijar" situa-se entre o surrealismo, o dadá e o beatnick, entre a mulher e os bares, entre o palco e a loucura.

"Um Poeta a Mijar" sucede a "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (2004), "Á Mesa do Homem Só. Estórias" (2001) e a "Gritos. Murmúrios" (1988).



A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto em Maio de 1968, viveu em Braga, no Porto e na Trofa e actualmente reside em Vilar do Pinheiro (Vila do Conde). Diz regularmente poesia no norte do país, tendo actuado no Festival de Paredes de Coura de 2006 ao lado de Adolfo Luxúria Canibal e de Isaque Ferreira. Em 2005 alguns órgãos de comunicação social noticiaram uma candidatura sua à Presidência da República.
Integra as bandas Mana Calórica- www.myspace.com/manacalorica - e Las Tequillas.
Foi fundador e é colaborador da revista Aguasfurtadas.



BORBOLETAS

Borboletas na Internet disquete cassete sai e mete na Rosete que nos submete e promete ceias de Natal à entrada do centro comercial à saída do Telejornal cacetete tête-à-tête confidencial dá-me a tua morada a tua namorada o teu portal envia-me um postal uma queca no matagal uma mulher fatal e diz aos putos para parar com o cagaçal não me trates mal não me ponhas mole, ó Amaral.
Chiclete na net orgia na retrete revista coquete croquetes amor de trotinete atómica supersónica harmónica filarmónica filantrópica psicotrópica Mónica, volta aos meus braços aos meus cansaços aos meus bagaços aos meus palhaços em pedaços laços estilhaços calhamaços caracóis duquesa de Góis rouxinóis prato de rissóis cachecóis em Cascais aos casais jornais informais ais aias saias sais minerais saque no cais de embarque um traque no Iraque tic-tac xeque-mate Camarate serrote garrote pote pichote Senhora do Ó tende piedade do Tó que anda metido no pó Aniki-bobó às quartas-feiras dentro das eiras dentro das freiras dentro das frieiras na àgua das torneiras no universo dos Pereiras das colmeias e das onomatopeias ah já dá cá cara de amenduá meu xará vem cá saravá em Dakar junto ao mar
recomeçar dar as cartas cavalgar inventar assassinar penar pinar reinar alcatroar albatroz fêmea feroz fêmea atroz fêmea atrás fêmea com gás que leva e traz prazeres em ruínas suíças preguiças tesão que não sobe mulher que fode mulher que pede e escraviza e sodomiza Torre de Pisa rio Tamisa camisa falsa alça alce alface vegetal tribunal Cabral ao comité central ministros no bacanal com o teu soutien acampado na Lousã no comício do Louçã na casca da maçã a anciã masturba-se turva-se lava-se conserva-se foda-se! Latas de sardinhas minhas campainhas picuinhas lingrinhas xoninhas xanax pentax de alcoolemia cloreto de Eufémia mezinhas da Roménia Ofélia à janela Hamlet dentro dela omelete de cabidela cidadela sitiada aguarela sentinela ao relento rebento em movimento sedento sebento sardento sargento lá dentro whisky alento talento.


http://tripnaarcada.blogspot.com/