19.9.07

Os Dias da Criação - 22 e 23 de Set., na Casa da Eira Longa, em Vilar, Boticas (Trás-Os-Montes)


OS DIAS DA CRIAÇÃO

nos dias 22 e 23 de Setembro 2007

na Casa da Eira Longa, em Vilar, Boticas (Trás-os-Montes).

Nesta iniciativa estará a presença diversificada de criadores leoneses e transmontanos, nas distintas áreas da criação: Audiovisual, Escrita, Performance, Música, Pintura, Fotografia, Pensamento, Gravura, Teatro, Grafismos, Artesanato, Escultura, Contacontos.
Apesar de se tratar de um encontro de âmbito regional não há qualquer segregação relativamente à presença de criadores que fisicamente tenham nascido noutras paragens. Assim, desde a Galiza ao Algarve, passando pela América Latina, este encontro é marcado pelo Aberto, pela infinitude do ómega.

programa:

22 Setembro, Sábado:

10h:00-Casa da Eira Longa: Performance de Teresa Paiva

10h,03m -Casa da Eira Longa: Pensamento e Debate
Comunicações:
abel neves, alexandre teixeira mendes, amadeu ferreira, antónio cabral, bento da cruz, gerardo queipo, silvia zayas
Distribuições e dinâmicas coloquiais: alberto augusto miranda, hermínio chaves fernandes.

12h 30m, Casa da Eira Longa: Performance Guantanano por Ad+Hoc: antonio rivas, begoña miguéns, carlos piñeiro, elisa framil, lois gil magariños, pedro lamas, ramón cruces

15h,30-Casa da Eira Longa: Inauguração de uma exposição colectiva de artistas visuais de león e de trás-os-montes.
Exponentes: adriana henriques, agostinho chaves, alfredo cabeleira; ana carneiro, ana luisa monteiro; ana sampaio, andré gomes, antero de alda, antónio pizarro; anxo pastor; asun parrilla, bruno ruivo, carla mota, carmen cierto, clara vale, daniel alonso, deborah nofret; dinis cortes; elisabete a. monteiro; elisabete pires monteiro; emanuel teixeira, francisco conceição, gerardo queipo; helder josé de carvalho, helena cordeiro, herminio chaves fernandes, inês abrantes, inma doval, isabel ribeiro; ivan almeida; joana caldelas, joaquim vieira, jorge cordeiro, jorge linhares, jorge marinho, josé fernando costa, josé moura, juan ondategui, julio costa, katús otero, linda ramos, lola oviedo, luis matos, manoel bonabal, maria sá, mário castro, mônica delicato, natalia gonzález devesa, nelson silva, pablo garcia garcia, paula garcez, paulo gaspar ferreira, pedro colaço, renato ferrão, rui gabriel, sabela arias, sacha habermann, sindo cerviño, Susana Llamazares, vânia ferreira, victor sousa

16h30:– Casa da Eira Longa: Curtas-metragens
Apresentação de obras de:
abel morán, adriana perez, angelica liddell, jesus dominguez, koke vega, pedro sena nunes, sara jess

18h00, Casa da Eira Longa: Actos Poéticos

Apresentação, por fernando martinho guimarães, do livro:
Tengo Algo De Arbol / Tenho Qualquer Coisa De Árvore

Selecta de poetas leoneses.
Poesia de: antonio gamoneda, gaspar moisés gómez, aldo z. sanz, tomás sánchez santiago, josé luís puerto, juan carlos mestre, ildefonso rodríguez, sílvia zayas, victor m. díez, eloísa otero, miguel suárez, ruben mielgo, jorge pascual.
Edição bilingue castelhano-português. Organização e selecção: sílvia zayas. Tradução: alberto augusto miranda. Ed. Intensidez.

Poesia dita por poetas: amilcar mendes, ana de sousa, antónio cabral, concha rousia, fernando soares, fracisco niebro, henrique dória, jorge pascual, juan carlos mestre, laura ortega, marcos calchadora, natalia fernandez, nuno rebocho, ruben mielgo, salviano ferreira, teresa cuco

21h30, Auditório de Boticas: Música, Performances, Teatro

Com: adérito silveira, alberto augusto miranda, alexandra bernardo, aurelino costa, chus fernandez león, david lópez fernández, dinis cortes, isabel fernandes pinto, josé angel, manuel guimarães, nelson moura, núria antón, pepa yañez anllo, rosabel muñiz, rosario granell, sílvia zayas, sirma, vicente pereira


23 Setembro 2007, Domingo:

10h -Casa da Eira Longa: MOSTRA DOS TRABALHOS AUDIOVISUAIS FEITOS IN LOCO:
Com: andré rodrigues, carlos marques, ivan terra, jaime mendes, joana lopes, joana magalhães, joão neiva, joaquim vieira, luis martins, michelle reis, nicole freitas, paulo pereira, pedro teixeira, raquel silva, rodrigo marcos, sandro sousa, sarah rego, tiago faifa, vânia ferreira, vitor leal

12h-Casa da Eira Longa: A Poesia Jovem latino-americana:
Com: estrella gomes (venezuela), geison garcia (venezuela), joaquín m. chávez (el salvador), raquel molina (venezuela)

14h – Almoço de encerramento

Entrada Livre

informações:
tlf 351.960238922 (eira longa)
tlf 351.965817337 (incomunidade)

Artes da lua d'outono (21,22 e 23 Setembro, em Coimbra) - para celebrar o equinócio

Para celebrar o equinócio
ARTES da LUA d'OUTONO
Iniciativa do Colectivo Germinal
Local: Praça da Canção ( em Coimbra)
A Praça da Canção em Coimbra é o local também conhecido por Choupalinho. Situa-se na margem do rio Mondego, ao lado da ponte Santa Clara



Artes da lua d’outono é um encontro animado por grupos, colectivos e indivíduos do espaço alternativo que propõem fazer desta iniciativa uma afirmação da sua cidadania. A festa da liberdade, da individualidade da fraternidade, interveniente na arte, na criação, no debate, na acção.

Perante a degradação crescente do equilíbrio ambiental e social, só a evolução urgente de comportamentos, hábitos e atitudes que tragam uma alteração positiva e profunda na relação entre indivíduos, a sociedade e a Mãe-Terra pode assegurar a sobrevivência da espécie humana.
Vemos que nos anos recentes se desenvolveu na sociedade a influência de vivências alternativas que tem crescido em número e articulação. Diferentes experiências, organizações e eventos têm contribuído para uma maior visibilidade e capacidade de intervenção. Novas opções estão disponíveis, mais e maiores áreas da nossa vida podem ser saboreadas e construídas, livres dos preconceitos e mercantilismos predominantes.

Este vai ser um encontro centrado na temática da Educação Alternativa mas com carácter multidimensional aberto à diversidade da vossas contribuições. Estão convidados a juntarem-se a nós com a vossa arte, com a vossa iniciativa, com os vossos trabalhos, com a vossa magia e com a vossa energia para juntos fazermos deste evento uma convergência dinâmica de novas formas de se viver.

Grupo de projecto artes da lua d'outono
artes@luadoutono.pegada.net
Apartado 6033, 3040-005 Coimbra




Colectivo Germinal - Associação Cultural

O Colectivo Germinal nasceu da iniciativa de um conjunto de activistas interessados em criar uma plataforma legal para ampliar e formalizar a sua intervenção social.
Legalizado como Associação Cultural em 2002, o Germinal tem a sede no Concelho da Lousã.
Entre os membros contam-se artesãos, agricultores, artistas plásticos e perfomativos, estudantes, professores, terapeutas, pessoas para quem a sua vertente de animação social e cultural é um prolongamento natural da forma como organizam e vivem o seu quotidiano.
No decorrer da sua existência o Colectivo Germinal tem acolhido e promovido iniciativas que procuram melhorar a qualidade de vida, protegendo a Natureza e a Mãe-Terra, questionando o consumismo e o mercantilismo, promovendo a organização em rede de cidadãos, grupos, associações. Actualmente o Germinal desenvolve em parceria Acções de Reflorestação centradas na região do rio Côa e está empenhado na realização do artes da lua d'outono, sendo-lhe particularmente importante a área do Encontro de Educação Alternativa, pela importância que o tema assume na procura de um equilíbrio sustentável no desenvolvimento social. Igualmente tem vindo a intervir em questões relacionadas com a protecção da floresta e animação cultural na zona onde está sedeado e na Região Centro, apoiando individual e enquanto Colectivo a realização do Ecotopia.


PROGRAMA
Sexta Feira, 21 de Setembro

17h - Bodypainting para crianças e adultos com a Magda e o Sérgio
17h- Debate sobre os Transgénicos com Gualter do GAIA
18h - Espectáculo de animação de teatro - Tostamista
22h - Concerto com Mário Morais e Sandra Peres


Sábado, 22 de Setembro

10h - Didgeridoo para iniciados e médios (trazer instrumento) - Ricardo Lopes
11h- Aula de Percussão com Antoine Piquard (trazer instrumento)
12h - Qigong
15h - Aula de Percussão com Humberto (trazer instrumento)
15.30h - Aula de matemática para crianças
17h- Oficina de demonstração de couro com Antoine Piquard
17h- Debate sobre Motivações e limites da desobediência civil e não-violência
18h - Encontros do Umbigo - Miguel Bento
19.30h - Co'mover-se - massagem, toque - Fátima Marques
22h - CANTO LOGO ESPANTO - Encerrado para obras
23h - Concerto Didgeridoo: Ricardo Lopes
24h - CELEBRAÇÃO DO EQUINÓCIO: Circulo de percussão com Kula

Domingo, 23 de Setembro

10h- Construir instrumentos musicais com material reciclado - Ricardo Lopes
11h- Dança indiana com a Erika
11h- Aula de Percussão com Antoine Piquard (trazer instrumento)
15h - Clube do riso de Coimbra
16h- Rede de Comunidades rurais e urbanas: Projecto UnificAção
16h - Aula de Percussão com Humberto (trazer instrumento)
16h - Animação infantil - Espectáculo de magia e pinturas faciais com a Karyna
17h - Concerto - OCO - Seres do vento
21h - Preachy Boys - banda punk de Coimbra
22h - Concerto a confirmar


Encontro de (e sobre a) Educação Alternativa

A escolaridade obrigatória foi instituída com a finalidade de acabar com o trabalho infantil. Mas o que começou como boa intenção acabou por tornar os pais dependentes dum sistema educativo que não se adapta ao individualismo dos nossos pequenos mestres. Um sistema que fez com que nós, pais, perdêssemos a fé na capacidade de educar os nossos filhos, ao ponto de muitos de nós se acharem incompetentes. Um sistema que nos quer fazer querer que nem sequer temos o direito de escolher o que, e como, os nossos filhos aprendem. É de admirar que eles se transformem em pessoas que nos são estranhas, cujo comportamento nos choca? E que nos sintamos culpados por isso?

A tentativa do governo para acabar com o trabalho infantil merece a nossa gratidão. Mas não só continua a haver crianças neste país que são obrigadas a ajudar a sustentar as suas famílias, como o tema do insucesso escolar é um assunto muito preocupante. Há cada vez mais pais com capacidade e vontade de alterar pelo menos esta última situação, e se mostrarmos a esses pais pelo menos algumas opções como fazê-lo, não só estamos a contribuir de forma positiva com o sistema, como acima de tudo estamos a contribuir para a chegada de uma geração com integridade e diversidade de pensamento para abordar os desafios que o nosso país encara: os nossos filhos.

Inserido neste evento de temas diversos haverá uma área dedicada à educação alternativa, será um dome (espécie de tenda) com 9 metros de diâmetro.
Neste espaço queremos dar a conhecer aos visitantes as opções de educação existentes neste país, o que são e a forma como tornar a escolha de uma dessas opções uma realidade.
Durante os três dias vamos ter um programa com palestras oferecidas por entidades relacionados com este tema, incluindo reuniões de pais para incentivar a criação de projectos de escolas alternativas que possam começar a funcionar após o evento e actividades ludo-didácticas para pais e filhos experimentarem diferentes formas de aprendizagem.


http://luadoutono.pegada.net/

Ciclo sobre os locais de resistência à ditadura começa com um encontro no café Piolho (29 de Set. às 15.30)

Encontros em lugares de Memória da Resistência
O núcleo do Porto do movimento Não Apaguem a Memória!, movimento cívico que visa a preservação da memória histórica das lutas de resistência à ditadura, promove os Encontros em Lugares de Memória da Resistência, esperando que as histórias contadas pelos protagonistas das acções de resistência antifascista venham enriquecer a nossa memória colectiva do fascismo.

Contando com os testemunhos dos que participaram nas lutas informais e nas actividades promovidas por associações de todo o tipo, como colectividades culturais, entidades cooperativas, organizações de jovens trabalhadores e associações estudantis, o movimento Não Apaguem a Memória! convida todos quantos frequentaram os lugares simbólicos dessas acções.


Este ciclo de tertúlias inicia-se com o encontro no café "Piolho", o emblemático Café Âncora d' Ouro, na cidade do Porto.
Apelamos à participação na tertúlia na tarde de sábado, 29 de Setembro, pela presença activa nesse lugar de memória da resistência juvenil no Porto


APAREÇA E APRESENTE O SEU TESTEMUNHO!

LOCAL: “Piolho" (Café Âncora d'Ouro) - na cidade do Porto


DATA: 29 de Setembro – 15.30 h







17.9.07

Manifestação no Porto de protesto contra os transgénicos

Greenpeace e a Plataforma «Transgénicos Fora»
protestaram no Porto contra os OGM









A Greenpeace Internacional associou-se ontem à plataforma portuguesa «Transgénicos Fora» numa manifestação em frente ao hotel no Porto onde decorreram os primeiros trabalhos do conselho informal dos ministros da Agricultura da União Europeia.

O responsável pelas questões genéticas da Greenpeace Internacional apelou às autoridades portuguesas para que repensem o recurso a organismos geneticamente modificados (OGM).

“Os ministros da UE devem começar a levar estas questões mais a sério, porque estão a aprovar todos os OGM e a rejeitar as provas científicas independentes que questionam a sua segurança”, afirmou Geert Ritsema.


Além de um perigo para a saúde pública, a utilização de transgénicos “é um perigo para a democracia”.

Os governos da Alemanha, Polónia, Hungria, Grécia e Áustria, segundo Geert Ritsema, proibiram já o cultivo de milho transgénico, devido aos receios em torno dos seus possíveis efeitos.

“É tempo de Portugal também começar a ouvir os seus parceiros”, sublinhou. A este propósito, a porta-voz da plataforma «Transgénicos Fora» recordou que, “curiosamente Portugal apoiou a posição da Hungria quando este país proibiu o cultivo do milho transgénico MON 810, mas é autorizada a sua plantação em Portugal”.

Para Margarida Silva, em causa está “o direito à escolha” dos cidadãos, que estão a consumir transgénicos, sem disso terem consciência, devido a falhas na aplicação da legislação, fiscalização e rotulagem.

Fonte:jornal O Primeiro de Janeiro
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Comunicado da Plataforma Transgénicos Fora


SEM DIREITO À ESCOLHA NÃO HÁ FUTURO PARA A AGRICULTURA EUROPEIA

No dia em que os ministros da agricultura dos Estados-Membros iniciam no Porto um encontro onde irão debater o futuro da agricultura na União Europeia, levantam-se sete questões centrais para o direito à escolha e à segurança de consumidores e que a Plataforma Transgénicos Fora, em colaboração com a Greenpeace Internacional,
coloca à consideração destes representantes. Este documento será também entregue pessoalmente ao Ministro da Agricultura português, amanhã pelas 18:45, na Alfândega do Porto.

- Para quando a rotulagem dos produtos animais?
Independentemente do risco alimentar decorrente das rações transgénicas, os consumidores europeus pretendem exercer o seu direito à escolha quando compram carne, ovos, leite e derivados. Neste momento o consumidor não tem acesso a qualquer indicação sobre a cadeia alimentar de onde tais
animais provêm. No entanto, em Agosto passado, a ministra da agricultura da Finlândia
anunciou já a sua intenção de impor tal rotulagem no seu país - não há, pois, qualquer impedimento técnico que impeça os restantes Estados-Membros da União Europeia de possibilitarem aos seus cidadãos idêntico acesso à informação.

- Para quando a legalização das zonas livres de transgénicos?
A Comissão Europeia tem sistematicamente impedido a criação legal de zonas livres de transgénicos em toda a União. No entanto, e ao mesmo tempo, a Comissão também argumenta, por exemplo junto da Organização Mundial de Comércio, que existem «vastas áreas de incerteza» e que nem sequer é possível verificar que impacto na saúde pode já ter tido a introdução dos transgénicos na Europa.
A legislação europeia é clara: face à incerteza deve aplicar-se o Princípio da Precaução. Mas as regiões e municípios têm sido impedidos de o fazer, contra todo o peso da sua legitimidade democrática.

- Para quando a rotulagem completa dos produtos vegetais?
Embora exista um regulamento europeu para rotulagem de produtos vegetais, ele não cobre numerosos aspectos. Há classes inteiras de produtos que não são sujeitas a rotulagem mesmo quando têm ingredientes totalmente transgénicos (como o mel, numerosos aditivos, enzimas, etc), há produtos contaminados que são tratados como
isentos (se a contaminação for "acidental" e estiver abaixo de 0.9%, o consumidor não é informado), e há circunstâncias em que mesmo os alimentos rotulados deixam de o ser (uma embalagem com corn flakes de milho transgénico tem de estar rotulada se for vendida no supermercado, mas num hotel ou cantina já não tem de existir qualquer rotulagem).

- Para quando o cumprimento da lei pela autoridade alimentar europeia?
É do domínio público que existem no painel OGM da EFSA, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, problemas evidentes de conflito de interesses: o próprio presidente desse painel trabalha em programas de apoio à introdução de
OGM na Europa. A falta de transparência, o escândalo perante os cidadãos e a insatisfação dos próprios governos dos Estados-Membros atingiram proporções tais que a Comissão Europeia prometeu diversas reformas, nomeadamente a imposição de que a EFSA passe a cumprir a lei (por exemplo, a EFSA não tem exigido - ao contrário do previsto na Directiva 2001/18 - a realização de quaisquer estudos sobre os efeitos
de longo prazo dos alimentos transgénicos; do mesmo modo requisitos como a demonstração da estabilidade genética são sumariamente ignorados). Mas na prática ainda nada mudou, ficando assim em causa o direito mais básico do consumidor: o de não ser exposto a produtos mal testados, ou não-testados.

- Para quando a prioridade máxima à protecção da saúde?
A Comissão Europeia já anunciou que vai autorizar, pela primeira vez desde 1998, um
transgénico novo para cultivo em toda a União. Trata-se da batata Amflor, que apresenta uma composição química alterada com o objectivo de facilitar processamento industrial e que não é suposta ser consumida por pessoas - no entanto, o consumo humano também está em aprovação iminente.
Este transgénico que, pouco surpreendentemente, obteve luz verde da EFSA, já foi criticado pela Organização Mundial de Saúde e cientistas não ligados a empresas. No único estudo toxicológico realizado até agora foram detectadas diferenças significativas em leucócitos e no baço, para além de se ter detectado um aumento de cistos na tiróide dos animais de laboratório. Se o futuro da agricultura europeia não passa pela degradação da segurança alimentar, esta batata não pode ser
autorizada.

- Para quando uma fiscalização eficaz dos alimentos com transgénicos?
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica portuguesa admitiu publicamente, em Abril deste ano, que não fiscalizava o cumprimento da rotulagem de produtos alimentares transgénicos.
Esta postura retira toda a credibilidade à legislação e impede qualquer exercício do (pouco) direito à escolha previsto pela União Europeia.

- Para quando a proibição do milho MON 810 em toda a União Europeia?
Embora tenha sido autorizado pela Comissão Europeia para toda a União e esteja a ser
produzido em Portugal, o cultivo do milho transgénico MON 810 foi proibido unilateralmente pela Grécia, Áustria, Polónia, Hungria e, mais recentemente, também pela Alemanha. As razões são numerosas e válidas. Por exemplo, a Monsanto nunca apresentou - e muito menos implementou - o plano de monitorização do impacto ambiental destas libertações comerciais que está previsto na Directiva 2001/18. Além disso, segundo o actual governo alemão, existem razões substantivas para recear que o cultivo do MON 810 acarrete perigos para o ambiente. Portugal, que apoiou a proibição decidida pela Hungria, tem de tomar a mesma medida a nível nacional e apoiar uma posição europeia unida em torno da máxima protecção ecológica prevista pelo Princípio da Precaução - esta é a única forma de garantir igualmente o máximo de protecção à saúde humana.

Os direitos à escolha e segurança dos consumidores europeus, actuais e futuros, devem ser considerações principais na reflexão ministerial que hoje se inicia. Só há futuro para a agricultura europeia com uma aposta forte na sustentabilidade que apenas a produção familiar, tradicional e biológica, assentes na diversidade agrícola e selvagem, podem proporcionar. É este o tipo de alimentação que os europeus realmente preferem e procuram.

A Plataforma Transgénicos Fora é uma estrutura integrada por onze entidades não-governamentais da área do ambiente e agricultura (ARP - Aliança
para a Defesa do Mundo Rural Português; ATTAC - Associação para a Taxação das Transacções Financeiras para a Ajuda ao Cidadão; CNA - Confederação Nacional da Agricultura; Colher para Semear - Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais; FAPAS - Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens; GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental; GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente; LPN - Liga para a Protecção da Natureza; MPI - Movimento Pró-Informação para a Cidadania e
Ambiente; QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza; e SALVA - Associação de Produtores em Agricultura Biológica do Sul) e apoiada por dezenas de outras









Para mais informações contactar info@stopogm.net ou
http://www.stopogm.net/

16.9.07

VI edição do festival Poetas na Rua em Combarro (Poio, na Galiza)

Hoje, 16 de Setembro, Domingo, a partir das 18.30 horas, na Praza de San Roque, en Combarro (Poio, Galiza), celebra-se a VI edição do Festival de poesía “Poetas na rúa”.


Os participantes deste ano, presentados por Rosa Aneiros, são: Iago Castro, Brais González, Oriana Méndez, Silvia Penas, Óscar Antón Pérez, Elvira Riveiro, Xabier Xil Xardón e Isaac Xubín (todos/as eles/as poetas pertencentes ás Redes Escarlata).

A música esta a cargo de Tino Baz.

Fonte:

Por uma nova moratória europeia sobre os transgénicos

Transgénicos? Não, obrigado!

Os ministros europeus da Agricultura reúnem-se por estes dias na cidade do Porto. São eles, os decisores políticos, que são responsáveis pelas medidas relativas à agricultura e, em última análise, sobre a nossa segurança alimentar. Coube-lhes a eles a decisão de acabar com a moratória sobre a produção e comercialização de produtos agrícolas transgénicos no espaço da União Europeia, que vigorou durante alguns anos, apesar de todas as dúvidas e incertezas que rodeiam os organismos geneticamente modificados, sobretudo quanto aos efeitos que poderão ter a médio e longo prazo na saúde humana. Daí a urgência e a necessidade de medidas que imponham a rotulagem indicativa nos bens alimentares ( como os produtos animais) com transgénicos incorporados na sua cadeia de produção.

A forma como são aprovados e licenciados os transgénicos a nível da União Europeia é também tudo menos transparente, e todas as dúvidas são legítimas face ao poder e à pressão das grandes empresas agro-alimentares sobre as instâncias comunitárias que autorizam a comercialização daqueles produtos sem uma investigação independente sobre os mesmos!!!

A criação de zonas livres de OGMs deve ser um direito e uma possibilidade para todas as regiões e municípios da Europa. Qualquer entrave desse direito deve merecer a nossa mais viva repulsa e ser motivo de crítica por parte de todos nós. Não menos importante é a reivindicação de existirem zonas-tampões alargadas entre os terrenos cultivados com transgénicos e todas as demais culturas convencionais a fim de impedir a contaminação destas pelo efeito invasivo da polinização das plantas transgénicas sobre as outras. Com efeito, a distância actual fixada mostra-se claramente insuficiente, sendo um forte motivo de contestação por partes dos agricultores vizinhos dos terrenos com culturas transgénicas.

Por todas estas razões é que apelamos à mobilização dos cidadãos do Porto para que manifestem a sua mais viva inquietação e repulsa em relação à introdução dos transgénicos não só nos campos e culturas agrícolas do nosso país, como na cadeia alimentar, sem os estudos independentes nem o consenso entre a comunidade científica sobre a matéria, nomeadamente quanto aos efeitos nocivos para a nossa saúde.

Reivindicamos a revisão da legislação de forma a impôr uma rotulagem indicativa dos produtos derivados dos transgénicos, o aumento da extensão das zonas-tampões entre culturas transgénicas e convencionais, assim como investigações científicas independentes dos grandes lobbies que dominam o sector. Mas, sobretudo, impõe-se a aprovação de uma nova moratória na União Europeia que suspenda a comercialização dos transgénicos até a obtenção de dados e informações técnico-científicas mais fiáveis no respeito pelo Princípio da Precaução que deve reger matérias tão sensíveis como esta.

Com a comercialização e a produção de produtos transgénicos é toda a biodiversidade e soberania alimentar que ficam em causa, pois é toda a variedade natural de culturas agrícolas e da agricultura local que desaparecem para dar lugar a monoculturas agrícolas impostas pelas 5 ou 6 empresas que monopolizam à escala global o agro-negócio.


Informar e consciencializar o cidadão, alertar a população e mobilizar as pessoas contra os riscos e os perigos dos transgénicos na agricultura e na nossa alimentação são um imperativo democrático que a todos deve motivar.

Aproveitemos assim o encontro informal dos ministros europeus de Agricultura para relançar a campanha contra os transgénicos e exigir uma nova moratória para toda a União Europeia.

Stop OGMs

Por uma Europa livre de transgénicos

Transgénicos, fora dos nossos pratos



(texto distribuído no Porto durante a concentração e marcha Por uma Europa livre de Transgénicos)

11.9.07

Pela bibliodiversidade

A Aliança dos editores independentes que reúne mais de 330 editoras espalhadas por 40 e tal países lançou no passado mês de Julho uma «Declaração internacional pela protecção e a promoção da bibliodiversidade», reafirmando a vontade de resistência e acção comum.

Nesta Declaração é lançado um alerta para a ameaça que paira sobre a diversidade cultural dos livros por efeito da concentração do capital e das empresas editoriais, como sobretudo pela crescente financiarização do sector, e que tem a ver com a crescente e perigosa penetração dos bancos e dos grandes grupos bancários financeiros no capital das editoras o que significa um domínio acrescido dos grandes grupos económicos nesta área cultural tão importante como é o das edições de livros.


www.alliance-editeurs.org

Ler a declaração aqui

Concentração e marcha por uma Europa livre de transgénicos (no Porto, 16 de Setembro, às 13h em frente ao hotel Sheraton)


De 16 a 18 de Setembro vai acontecer na cidade do Porto (Norte de Portugal) uma Reunião Informal de Ministros da Agricultura europeus que se realizará no edifício da antiga Alfândega do Porto.É uma boa oportunidade para a sociedade civil dizer o que pensa sobre as políticas agrícolas.A «Plataforma Transgénicos Fora» vai aproveitar a ocasião para protestar contra os transgénicos e as leis que protegem as multinacionais em vez do ambiente e da saúde das pessoas.



Dia 16 - Domingo
Haverá uma concentração, seguida de marcha com música, teatro e dança por uma Europa livre de transgénicos!.

13h00 - concentração em frente ao Hotel Sheraton (Av. da Boavista)

15h - Início da Marcha contra os OGM até à Avenida dos Aliados (passando pela Av. da Boavista, R. Júlio Dinis, Jardim da Cordoaria, Rua dos Clérigos) - chegada prevista: 17h
22h - passagem dos documentários "The future of food" e "TranXgenia" (Local: Casa Viva, Pr. do Marquês nº 167)

Se estás interessado, contacta porto@gaia.org.pt e enviamos-te mais pormenores.


O nosso programa inclui ainda para os dias 14 e 15 ( sexta e sábado) ensaios intensivos na Casa Viva (Praça do Marquês nº 167 - metro: Marquês, cidade do Porto) – com possibilidade de alojamento e refeições comunitárias - de samba ( ritmos da resistência), dança, teatro do oprimido, «exército de palhaços»(clown army).
Haverá também preparação de cartazes, faixas e de gigantones.

Plataforma Transgénicos Fora - http://www.stopogm.net/


http://casa-viva.blogspot.com/



(nota: para entrar na Casa Viva é preciso tocar no batente. A entrada é livre para todos os interessados em participar)

Exposição de arte na Árvore de tributo a José Afonso começa hoje


Tem início hoje na Cooperativa Árvore na cidade do Porto uma exposição de artes plásticas como tributo a José Afonso. Realiza-se também hoje no mesmo local uma sessão musical constituída com as suas canções.

Os Dez Princípios da Nova Cultura da Água

A COAGRET ( Coordenadora de afectados pelos grandes embalses e transvases) é uma organização não-governamental fundada em 1995 em Zaragoza com o objectivo de aglutinar os municípios, as populações e as pessoas afectadas pelas grandes obras e construções na área das infra-estruturas hídricas, quer as que estão já construídas quer as que estão ainda em projecto por todo o território do Estado espanhol. No âmbito das suas actividades foi lançado um decálogo sob o título «Os Dez Princípios da Niva Cultura da Água», a saber:

1 – Não inundar os vales de montanha nem secar os deltas do rio, que são a casa e o sustento das povoações para cuja identidade contribuíam ao longo dos anos.


2 – Conservar os rios e o património que nele floresceu no decorrer dos anos, devolvendo as águas às suas funções e atributos mais essenciais.


3 – Gerir a água a partir do princípio da solidariedade, e encará-la como uma herança comum das gerações do presente e que devemos transmitir nas melhores condições possíveis às gerações vindouras.


4 – Poupar e preservar a qualidade da água, alterando o menos possível os sistemas naturais, e reduzindo na origem a carga contaminante, restringindo paulatinamente as operações de depuração.


5 – Gerir de forma sustentável os recursos hídricos, perante todo o desperdício, graças à poupança, à melhoria e a um uso eficiente, assim como à reutiização.


6 – Instaurar a cultura da participação e da imaginação, capazes de acolher as estratégias sábias de fazer pequeno e bem, tal como a subsidiariedade, como formas vinculativas de gestão.


7 - Viver a água enquanto nossa realidade mediterrânica, uma realidade limitada, incompatível com a cultura de um bem livre, que aponta para a oferta ilimitada da água a cargo do erário público.


8 – Abandonar a dialéctica demagógica de um falso produtivismo da água ( especialmente para regadio) a fim de incorporar critérios sérios de valoração económica e de recuperação integral dos custos, na perspectiva de uma gestão sustentável do desenvolvimento.


9 – Aproveitar as águas superficiais e subterrâneas como um recurso unitário, cientes de que formam parte de um mesmo ciclo e que lutar contra os aquíferos e a sua contaminação é o melhor contributo que podemos dar para esse aproveitamento conjunto.


10 – Defender para a água o conceito de recurso público gerido na base do interesse geral, evitando a sua mercantilização e a sua conversão em objecto de especulação.

Consultar:
http://www.coagret.com/

Os destaques da edição portuguesa do Le Monde Diplomatique de Setembro


«Novas Precariedades em Portugal: do Trabalho aos Estilos de Vida» é o tema do dossiê português do número de Setembro do Le Monde diplomatique - edição portuguesa, que está já nas bancas.


O sumário da edição bem como textos de outras rubricas estão acessíveis em http://pt.mondediplo.com.


Destacamos o artigo sobre a actual crise financeira, «O mundo refém do poder financeira» de Frédéric Lordon, um outro texto sobre as manobras económico-militares à volta do Árctico, «Início de guerra fria nos glaciares», assim como um longo texto sobre a vitimização de Mona Chollet sob o título « Segundas intenções dos discursos sobre a vitimização».

Para ler e guardar.

Repensar o saber para reformar a escola ( entrevista com Edgar Morin)

Sem querer suprimir a escola, como defendia Ivan Illich, o sociólogo e o pensador francês Edgar Morin propõe-se, no entanto, romper com o actual esquema tradicional constituído pelas várias disciplinas que fixa, rigidifica e burocratiza o conhecimento.

A luta por uma pedagogia da mudança


Pergunta – Em que contexto emergiu o pensamento de Ivan Illich que pretendia romper com a instituição escolar?
Resposta de Edgar Morin – Aparece no fim dos anos 60 ao mesmo tempo que as primeiras preocupações de carácter ecológico. Mas os escritos de Illich nunca convenceram os espíritos. O livro «Uma sociedade sem escola» foi lido, mas esta obra incendiária foi imediatamente rejeitada poruqe atacava as bases profundas da nossa civilização.

P – O que é que ele pretendia dizer quando falava do perigo do saber ficar confinado à escola?
R – Tomemos um exemplo. Reparei que os jovens ameríndios do norte do Canada compreendiam os fenómenos humanos ou naturais das suas relações mútuas. Abordavam assim a água ou a floresta colocando em relação uma erva esmagada, um excremento animal ou um ruído para figurarem a passagem de um pequeno mamífero. Ora desde a chegada da escola eles ficaram desamparados por efeito dos cortes disciplinares operados por uma instituição que forma e que adapta os espíritos às normas da racionalidade dominante. Illich mostra bem como o saber, tal como a medecina, ficou periigosamente especializado, emparcelado e parcializado.

P – Qual é a alternativa proposta?
R – A sai ideia é a de instituir aquilo que ele chama «redes de saber», a partir de uma oficina de coordenação que forneceria professores conforma os pedidos de cada aluno. Por exemplo, se alguém tivesse vontade de aprender chinês, era-lhe atribuído um professor de chinês. A escola assim descolarizada libertar-se-ia do esquema disciplinar das diversas disciplinas.

P – Acha que essas «redes de saber» possam ainda hoje ser actuais?
R - Sem chegar aí, é indispensável aproveitar esta crítica para pensar numa reforma educatica. Essa fragmentação do conhecimento, de que Illich deplorava, faz com que se evite questionar a civilização, transformando esta num soma de problemas individuais. Não se reflecte globalmente sobre nós mesmos, pois a cada problema é tratado por este ou aquele especialista, e torna-se independente dos outros. O ensino deve recentrar-se sobre o que permitiria defrontarmos com os nossos problemas vitais, como pessoas, cidadãos e seres humanos.

P – Como é que isso se traduziria no concreto?
R – Poder-se-ia, por exemplo, colocar o acento desde a primária na compreensão do outro, e mostrar à criança que, em vez de procurar saber sempre quem começou uma disputa, quem tem ou não razão, ela deveria antes considerar o círculo vicioso de uma incompreensão galopante do outro. Seria necessário que as crianças aprendessem desde muito cedo a reflectir sobre elas próprios. Acontece-lhes de se enganar, de ser vítimas de ilusões. Em vez de coleccionar verdades, a escola devia mostrar porque é que elas se enganam, o que já seria uma forma de conhecimento pertinente. Os saberes fundamentais, que hoje estão desintegrados nas compartimentações disciplinares, deveriam ser estudados durante uma ano propedêutico obrigatório antes do ensino universitário. Sou também a favor da criação de um instituto onde se ensinasse saberes transdisciplinares. Esta pedagogia da complexidade substituiria assim o saber em migalhas.

P – Como se poderia ensinar esse pensamento da complexidade?
R – Inspirando-nos na maiêutica socrática, o discípulo descobriria nele uma verdade que ignorava. A escola não tem mais o monopólio de um conhecimento a transmitir, já que o seu papel será antes o de ajudar os alunos a descobrirem um saber ao qual eles aspiram e que corresponde às suas curiosidades naturais. O desafio não é tanto o de ensinar todos os saberes, mas de mostrar como todos eles se inscrevem num mesmo projecto de conhecimento fundamental e vital. Os objectos disciplinares são por definição cortados; ora a natureza, e mesmo a natureza humana, não está organizada dessa forma disciplinar.

P – Isso significaria suprimir as disciplinas?
R – Bem pelo contrário. É verdade que a especialização fechada impede a cultura. Mas a especialização aberta alimenta o contexto e nutre-se do contexto. Renovadas, as disciplinas poderiam satisfazer as necessidades de conhecimento. É sobretudo necessário sair do esquema autoritário e parcelar do ensino sem troca, como é denunciado por Ivan Illich. Claro está que isso levanta um problema demográfico, porque com 40 alunos por classe não é difícil ver a verdadeira torça pedagógica não se faz senão com dois ou três eleitos.

P – Será então preciso acabar com a instituição escolar, como desejava Illich?
R – Não creio. No fundo não há razão nenhuma para suprimir as escolas quantos os quartéis. Eu diria que a escola deve ser preservada como local de encontro e de amizade. Um antigo colega meu enviou-me há pouco tempo uma fotografia tirado nos tempos do liceu que frequentei. E essa recordação levou-mea pensar que era bom partilhar momentos de companheirismo e de fraternidade. Será necessário reformar profundamente a escola, e o pensamento de Illich pode-nos ajudar a lutar contra um pensamento fixista, burocratizado, e libertar as aspirações à descoberta.

Entrevista concedida por Edgar Morin ao Le Monde de l’Éducation nº 360, Julho/Agosto 2007

9.9.07

Para acabar com o fundamentalismo escolar


(Excerto do livro Uma sociedade sem escola, de Ivan Illich)

Neste livro que teve grande impacto, «Uma sociedade sem escola» ( de 1971), Ivan Illich explica como a instituição escolar confiscou a educação. Tal como o hospital se apropria da saúde, a instituição escolar monopoliza o saber.


Muitos estudantes, em particular aqueles que vêm das famílias modestas, sabem intuitivamente o que lhes traz a instituição escolar. Ela ensina-lhes a confundir os métodos de aquisição do saber e a matéria de aprendizagem e, depois de apagada a distinção, ei-los prontos a admitir a lógica da escola: quanto mais tempo eles ficarem sob o seu império, melhores serão os resultados, ou então, o «processo de escalada» conduz ao sucesso! É assim que os alunos são instruídos na escola. É assim que eles aprendem a confundir ensinar e aprender, a crer que a educação consiste a passar de uma classe para outra, que o diploma é sinónimo de competência, que saber utilizar a linguagem é o mesmo que dizer algo de novo…


A sua imaginação, agora sujeita à norma escolar, deixa-se enredar e substitui a ideia de valor pela ideia de serviço: basta pensar nos cuidados a ter com a saúde, e ele não vê outro remédio que não seja o tratamento médico; a melhoria da vida comunitária passará pelos serviços sociais; confundirá a segurança individual com a protecção da polícia, assim como a segurança nacional com o exército, a luta quotidiana de sobrevivência e o trabalho produtivo. Saúde, instrução, dignidade humana, independência, esforço criativo, tudo isso passará a depender do bom funcionamento das instituições que pretendem servir esses fins, e toda a melhoria é concebida por via da alocação de créditos suplementares aos hospitais, às escolas e aos demais organismos (…)


Os pobres são enganados quando julgam que as crianças devem beneficiar de uma escolaridade. Que isso seja uma promessa como na América latina, ou uma realidade como nos Estados Unidos, tanto num caso como no outro o resultado é o mesmo: esses doze anos de escola fazem das crianças do Norte, deserdadas e adultos inválidos, porque sofredoras, e das crianças do Sul, desalentadas e atrasadas, porque não se sentem beneficiárias. Nem no Norte, nem no Sul as escolas asseguram a igualdade. Pelo contrário, a sua existência desencoraja os pobres, torna-os incapazes de tomar nas suas próprias mãos a educação. Em todo o mundo a escola prejudica a educação, porque arroga-se como a única forma de a dar. E muitos acabam por acreditar que os seus insucessos próvam que a educação é uma tarefa dispendiosa, de uma incompreensível complexidade, e que releva de uma alquimia misteriosa – a pesquisa é – porque não ? – a pedra filosofal.


A escola apropria-se do dinheiro, dos homens e das boas vontades disponíveis para a educação, e , ciosa do seu monopólio, esforça-se em proibir as outras instituições que assumem as tarefas educativas. Além disso , ela desempenha um papel importante nos hábitos e nos conhecimentos que são requisitos para as diferentes actividades da vida social, quer seja no trabalho, os lazeres, a política, a vida na cidade, e até dentro da própria família. Ela não permite a estas diversas actividades tornarem-se meios educativos privilegiados, mesmo quando os preços dos estabelecimentos de ensino se tornam proibitivos…

Os estabelecimentos de ensino levam-nos a uma situação paradoxal: precisam cada vez mais de dinheiro e uma tal escalada orçamental só conduz ao reforço do seu poder de destruição quer nos países que aceitam esse esforço financeiro como no plano internacional. No momento em que se torna visível que o nosso meio físico está ameaçado pela poluição, e em breve ficará inabitável se não tomarmos cuidado e não mudarmos os métodos de produção, talvez seja altura de nos apercebermos que existem outras formas de poluição. A vida social, a existência do indivíduo, são envenenados pelos subprodutos da segurança social, da saúde, considerados como produtos de consumo obrigatório e concorrenciais.



Esta escalada» em matéria escolar é tão perigosa quanto a dos armamentos, sem que tenhamos muito bem consciência disso. Trata-se de um fenómeno geral: por todo o lado os orçamentos escolares enchem desmedidamente, mais que o número de alunos e o produto nacional. Por todo o lado, os créditos alocados se mostram insuficientes e não respondem às expectativas dos pais, dos professores e dos alunos, e embora o problema dos não-escolarizados seja esquecido torna-se impossível encontrar os capitaos e as vontades necessárias para tentar arranjar uma solução.

Excerto do livro Uma sociedade sem escola, de Ivan Illich (1926-2002)


Ivan Illich nasceu em Viena Frequenta os estabelecimentos religiosos até 1941. Expulso pelas leis anti-semitas acaba por terminar os seus estudos secundários em Florença., antes de se formar em Teologia e em Filosofia na Universidade gregoriana de Roma. Quando o Vaticano se preparava para o nomear para a carreira diplomática, ele escolhe ser o vicário duma paróquia em Nova Iorque. Vice-reitor da Universidade católica de Ponse ( em Porto Rico) entre os anos de 1956 a 1969, depois professor na Universidade Fordham ( New York), ele abre em 1961 o Centro Intercultural de Documentação (Cidoc) no México onde ele tenta aplicar as suas teorias sobre a escola, a convivialidade ou a energia.

Será que o ideal do bom aluno é verdadeiramente desejável?

Será que o ideal do bom aluno, do aluno «sério» é verdadeiramente desejável?
Não será que a reverência e a submissão que normalmente vão associadas àquela categoria de aluno não são elas próprias altamente problemáticas, uma vez que implicam frequentemente – mas, nem sempre - uma relação de dependência , isto é, um processo de «infantilização»?




Texto de Charlotte Nordmann, ensaísta, tradutora e professora de filosofia.
Acaba de lançar em França o seu novo livro «La fabrique de l’impuissance. 2. L’École entre domination et emancipation» ( A fábrica da impotência. 2. A Escola entre a dominação e a emancipação)
Face às contradições da escola republicana e às sirenes da reacção, é chegado o momento de sair do impasse e da infantilização. Charlotte Nordmann propugna por uma outra escola, a da autonomia e da emancipação.

Tradução para português do texto publicado no Le Monde de l’Education nº 360, Julho/Agosto de 2007



Para tomar consciência do desafio que aqui lançamos é preciso partir de um problema fundamental que não foi enunciado de forma muito clara até hoje. A escola republicana baseia-se desde a sua origem numa contradição irredutível. A sua função é, com efeito, dupla: ela é, simultaneamente, factor de democratização e de hierarquização.

Estes dois princípios contraditórios casaram-se por força da ideologia do trabalho, do mérito e da sua recompensa: as hierarquias produzidas pela escola teriam pelo menos um fundamento aceitável, elas seriam a manifestação da ascensão legitima dos «melhores», isto é, dos «merecedores do mérito».
Ainda hoje, é-nos dito que a escola deve garantir a «igualdade de oportunidades»: tendo renunciado à igualdade, pelo menos, garantiríamos que todos tivessem as mesmas oportunidades à partida – cabendo depois a cada qual dar provas do seu valor individual e de arranjar meios para assegurar a sua promoção inidividual.

Esta contradição, que sempre se mostrou altamente discutível tanto por quem se preocupasse em ter uma perspectiva objectiva como por quem quisesse salvaguardar a democracia, tornou-se hoje em dia insuportável. Com efeito, quando a percentagem das crianças dos meios populares que acediam à Universidade, pouco relevante nos anos de 1960, diminui ao longo dos últimos anos; quando desemprego massificado veio para ficar; e quando a precariedade no trabalho se tornou a condição de vida mais comum, é mais que premente questionar como é que a ideia de celebrar o trabalho e o mérito tem hoje qualquer eficácia?

É justamente no momento em que os discursos reactivos mostram não terem aprendido nada com a realidade que eles se tornam mais presentes e mais insolentemente ruidosos. Ouvimos continuamente: é preciso «restaurar a autoridade», o «respeito pelos professores», valorizar «o valor do trabalho». Porque tudo isso se perdeu, que tudo isso foi desvalorizado, calcado aos pés dos inconscientes beneficiários é que nos encontramos nesta situação. E eis que Maio 68 é visto como o coveiro de uma escola que era verdadeiramente democrática pois que, pelas suas exigências iguais para todos, dava aos filhos do povo ( aos mais «meritórios» dentre eles, bem entendido) os meios para se alçarem ao nível dos seus superiores, os tais que a pátria devia estar orgulhosa! E teriam sido livros como «A Reprodução» e os «Os Herdeiros» os incendiários que lançaram o fogo ao palácio da República! Denunciando a parcialidade dos princípios de selecção aquelas obras minaram os fundamentos da nossa democracia. A escola da República já não desempenha a sua função de factor de «ascensão social» ( mas quantas vagas existiriam nessa ascensão social?) uma vez que, desde então, ela tinha renunciado a defender os seus princípios fundamentais: o trabalho, o esforço, o mérito, e sobretudo, o respeito. E não falta quem vá ao ponto de dizer que cada um é responsável pelo seu destino e que a sociologia não foi criada senão para fornecer desculpas aos miseráveis – tal como a ficção da liberdade não teria sido criada, a acreditar em Nietzsche, senão para poder punir a quem ela é retirada.

Será que é possível imaginar um discurso mais evanescente como este? Mas a verdade é que é este tipo de discurso melancólico, isto é, desesperado, antecipando a sua própria impotência, que lamenta o fracasso anunciado da cruzada contra-a-corrente de uma época cujo processo foi já instruído, de uma época indigna em que a palavra democracia se tornou o estandarte da vulgaridade e da mediocridade… Poder-se-á imaginar discurso mais odioso do que aquele que culpabiliza os que não tem outro remédio que se levantar cedo acusando-os de ser responsáveis por aquilo que estão a sofrer? De qualquer modo porque é que é preciso levantar cedo e trabalhar? E que trabalho vai ter que ser feito? São questões como estas que estão proibidas agora, depois do regresso em força de um discurso globalmente anacrónico que está hoje muito em moda.

Tratar-se-ia então de fazer o luto de uma certa esperança democrática, de apostar sobretudo em garantir as condições de promoção social de alguns indivíduos. Salvar alguns, desprezando aqueles que pela sua origem social estarão condenados aos cursos técnicos. Tratar-se-ia, no fundo, de reconhecer a ordem social tal como a reconhecemos, os seus princípios e fins, como os únicos possíveis, e desde logo, para nós próprios nos submeter a ela, defendê-la e respeitá-la.

É aqui que se mostra particularmente salutar virarmo-nos para os que, desde há muito tempo, pelo menos, desde que se implantaram as estruturas da sociedade capitalista, procuraram pensar e fazer uma outra escola.

Será que desejamos uma sociedade em que cada um tem que contar só com as suas próprias forças, em que tem de se submeter à ordem porque «é preciso respeitar a autoridade»? E como solucionar o insucesso escolar? Com evitar o abandono escolar?

Mas uma outra questão, talvez fundamental , se poderia levantar: será que o ideal do bom aluno, do aluno «sério» é desejável? Será que a reverência e a submissão não são problemáticas uma vez que implicam frequentemente a dependência , isto é, a «infantilização»?

Uma palavra condensa os efeitos produzidos pelo sistema escolar tal como ele existe actualmente: a impotência. Impotência dos alunos, desprovidos de toda a relação autónoma aos saberes e à prática da escrita e da palavra. Impotência dos professores, constantemente confrontados com esta realidade e desprovidos de meios para fazer que a máquina funcione de outra maneira, resvalando as mais das vezes para um sentimento de absurdo. Impotência dos pais que esperam muito da escola sem compreender porque é que ela é incapaz de satisfazer as suas promessas. A cada um, o funcionamento da escola parece inculcar que «as coisas são assim e não de outro modo», que é preciso passar por isso («Faz o 12º ano e logo se verá!», ouve-se a dizer), que é preciso seguir por esse caminho.

Falam-nos de «democracia na escola», mas qual o controle que os alunos têm sobre a definição do seu curso e a sua organização? Certamente que os princípios da pedagogia institucional permitiriam dar uma resposta concreta. De qualquer modo, se o requisito para uma política democrática é difundir a ideia que um outro mundo é possível, então um dos mitos que urge desfazer é o da escola: será que uma outra escola é possível?

A contradição estruturante da escola está em vias de se agravar hoje em dia (…) acentuando a hierarquia já existente entre os estabelecimentos escolares e reenviando para a universidade o acesso aos saberes e a posse de competências necessárias para uma actividade intelectual autónoma. Esperemos que esta situação insustentável, para os que encaram de outro modo a escola, encontre rapidamente os meios para a sua superação.

Mas para que uma outra escola seja possível, ou para que a escola possa funcionar de outra forma, é preciso acabar com a ideia de que se trata de um problema puramente pedagógico. O que produz a escola não depende simplesmente dos métodos que são utilizados ou dos valores que são defendidos. Mas também não se trata de uma questão de meios de financiamento.

Para começar, mais do que métodos, termo que sugere sempre um espírito instruído e competente guiando o espírito incerto e fraco, deve-se falar de «agenciamentos», de situações simultaneamente materiais e humanas, que produzam o poder de cada sujeito. Nesta matéria Freinet e a pedagogia institucional sugerem dispositivos muito concretos que permitiriam sair da relação dual professor-aluno, e que ajudariam a que a máquina escolar não alimentasse o narcisismo ou a angústia do aluno, ou ainda o desejo de «agradar» ao professor.

Mas o mais urgente é re-politizar a questão – e não apenas nos termos redutores da resistência à «mercantilização da escola», por mais real que seja esta ameaça. Ou seja, é urgente assumir a contradição inerente à lógica da escola a fim de interrogarmo-nos acerca dos meios da majorar a função emancipadora em detrimento da sua função de hierarquização. O que significa interrogarmo-nos acerca dos enquadramento políticos do domínio da leitura, da relação à palavra e da relação aos saberes.

Como fazer com que estas práticas estimulem a autonomia?
Como fazer com que o reconhecimento do valor dos saberes transmitidos não se converta em respeito do princípio da competência dos «instruídos» e dos «especialistas»?

Pretendeu-se democratizar o ensino, pô-lo ao alcance de «novos públicos», «simplificando» o conteúdo dos programas e reduzindo-os aos seus elementos primários. Mas esta saudável aspiração esvaziou de sentido os saberes a ensinar, evacuando sistematicamente a sua dimensão problemática, e tornando invisível o facto de que tais saberes serem construídos historicamente, e que são animados por polémicas e debates, graças aos quais os seus significados políticos são revelados.

Trata-se pois de interrogarmos a nossa própria relação com a escrita, a palavra, o conhecimento, procurando ao mesmo tempo desenvolver também em nós a autonomia.

Não mais cultivar a deferência para com aqueles que são supostos possuir o saber, mas reivindicar para cada um o direito de participar na elaboração desse saber, que deve mostrar aquilo que ele realmente é: algo em construção, de polémico, enfim, vivo.

A emancipação política é indissociável da emancipação intelectual: trata-se de sair do circulo de infantilização e começar a pensar e desejar possíveis outros.

Perante uma situação incontestavelmente precária, portador do pior mal, é urgente sair da angústia que nos paralisa, que nos impede de ver que o esforço para manter o status quo é o caminho mais certo para a ruína do que queremos defender. É tudo menos ingénuo dizer-se que é necessário restaurar a nossa confiança na nossa capacidade de agir e cultivar o nosso desejo de uma real democracia.

Charlotte Nordmann

Sobre a autora:
http://www.liberation.fr/transversales/portraits/218073.FR.php

8.9.07

Encontro mundial de pastores nómadas e transumantes em La Granja ( Segóvia, Espanha) entre 8 e 16 de Setembro




Começa hoje o Encontro mundial de pastores nómadas e transumantes na localidade de La Granja, perto da cidade castelhana de Segóvia.. Pretende-se com este encontro, entre outros objectivos, defender e dar mais visibilidade à vida das populações nómadas e transumantes que fazem da pastorícia a sua principal actividade.


http://www.pastos.org/
http://www.pastos.org/Propuesta/propuesta_total.html
http://www.nomadassegovia2007.org/

«O homem e os seus rebanhos caminham ao ritmo dos ciclos da natureza; não procuram modificar o clima nem em conseguir elevados níveis de rentabilidade através da aquisição de complexas e dispendiosas tecnologias; modelam a paisagem com técnicas simples e efectivas, adaptam-se ao curso sucessivo das estações. Vivem em harmonia com o meio ambiente e não têm necessidade de violentar a natureza para sobreviver; basta-lhes acaraciá-la, e submeter-se ao ritmo que ela própria lhes impõe.»
(Severino Pallaruelo, 1993)




A península ibérica tem uma larga tradição de pastoreio transumante que remonta ao século XIII. Hoje em pleno século XXI o objectivo deve ser tornar compatível a conservação das culturas nómadas tradcionais e o desenvolvimento sustentável. Por isso uma série de instituições internacionais relacionadas com a pastorícia e a conservação da diversidade biológica ( (UNDP, UICN, CLCD, WAMP, CENESTA,etc) apoiam este Encontro mundial de pastores nómadas e transumantes, cuja realização não é fácil dadas as especificidades da actividade dos participantes. Mesmo assim os objectivos que são propostos são da maior relevância:

1) Colaborar com a ONU e demais organizações internacionais para alcançar as metas propostas na luta contra a desertificação através do desenvolvimento sustentável das zonas áridas do planeta.
2) Demonstrar que o pastoreio extensivo é perfeitamente compatívelo e necessário para o desenvolvimento moderno e equilibrado, cuja melhor ilustração é o caso espanhol onde já existe uma lei de vias pecuárias e de defesa do patrimóni das raças autóctones, que recebeu o apoio da União Europeia.
3) Favorecer as relações entre os diferentes povos nómadas e transumantes do mundo, facilitando as relações entre eles a fim de tornar possível o debate aberto dos seus problemas e a busca de soluções, assim como o estabelecimento de relações estáveis de colaboração e amizade.
4)Contribuição para a resolução dos impedimentos ao livre movimento dos nómadas pelas suas rotas tradicionais, reconhecendo o direito aos pastos nos seus territórios, à sua organização social, à propriedade intelectual das suas raças autóctones, aos seus conhecimentos ancestrais, ao seu artesanato e música, damdo o devido valor ao seu património para a conservação do meio ambiente e da diversidade biológica.
5)Criação de um Observatório de Povos Nómadas que reforce e apoie as organizações já existentes com uma plataforma e secretaria permanente que reúna e distribua toda a informação gerada sobre a situação das diferentes culturas nómadas, evolução das suas populações, pproblemas políticos e sociais como as restrições à sua mobilidade, a influencia das mudanças climáticas ou a emergência de novas epidemias.



Mais de metade da população mundial depende total ou parcialmente dos animais para sobreviver. Nessa população inclui-se uns 200 milhões de pastores, 600 milhões de pequenos criadores de gado e mais de 1.000 milhões de pessoas sem terras.
A maior parte destas pessoas habitam em regiões frágeis e marginais, que não admitem os cultivos nem muito menos uma intensificação agrícola nos solos pobres e desérticos , sujeitos a chuvas irregulares e a temperaturas extremas.

É imprescindível manter os usos e cosutmes tradicionais destes criadores de gado pois todos as tentativas para «melhorar e modernizar» as suas condições de vida acabaram por fracassar quer de um ponto de vista económico-social como ecológico.
Os povos pastores constituem uma das culturas mais antigas do mundo, com mais de 10.000 anos de experiência no manejo e na melhoria dos territórios onde habitam, eplo que são depositários de conhecimentos e recursos genéticos valiosíssimos para o futuro da Humanidade.
A Convenção das Nações Unidas para Combater a Desertificação (UNCCD) procura salvaguardar estas realidades e nunca é demais todo o apoio para sensibilizar as populações e as autoridades para elas.
Uma em cada seis pessoas depende destes frágeis ecossitemas para sobreviver, sem esquecer que no século XXI a desertificação afectará mais de 1.000 milhões de pessoas. Os prejuízos agrícolas e ambientais resultantes da desertificação são estimados actualmente em 40.000 milhões de euro em cada ano. As causas são sobretudo de natureza humana derivadas das práticas agrícolas e florestais inadequadas, aos incêndiso e às polítcas de sedentirização das populações nómadas.

A EROSÃO GENÉTICA

Ligado à perda dos solos está p desaparecimento das raças autóctones, conservadas e seleccionadas ao longo de séculos pelas diferentes culturas em todo o mundo. Das 15 milhões de espécies animais conhecidas só 49 foram domesticadas, e foram-no precisamente pelos povos nómadas. Note-se ainda que 90% da produção animal do planeta depende só de 14 espécies principais.

Segundo a FAO conhecem-se actualmente uma 4.000 raças animais domésticas, mas dessas quase 1.000 encontram-se em perigo de extinção, e outras 1.000 já se extinguiram no último século, pricipalmente por efeito da ressãp de raças muito produtivas, seleccinadas e impostas pelos países industrializados. O actual ritmo de desaparecimento é de 2 raças autóctones por cada semana. Na Europa 40% das raças autócotnes estão ameaçadas, o que significa uma enorme vulnerabilidade genética, de que é exemplo a estimativa de que para o ano de 2015 as centenas de milhar de vacas frísias corresponderão tão-só a uma variabilidade de 66 exemplares, como tudo o que isso significa de alto risco para a alimentação mundial em caso de doenças e degenerações.

As raças autóctones sobrevivem em condições muito adversas e são resistentes a muitas doenças, o que é o resultado do trabalho milenário de selecção e melhoria dos pequenos criadores locais de gado. A substituição do seu uso múltiplo, não especializado, para uma única produção traz consequências negativas.Por isso reconhecer essa multifuncionalidade é fundamental.

É urgente respeitar e defender o trabalho realizado ao longo dos séculos pelos povos nómadas e transumantes, proteger as suas formas tradicionais de vida e os seus territórios ancestrais, garantindo a sua participação na gestão e nos benefícios destas áreas.

Chocalhos 2007 – festival e feira dos Caminhos da Transumânsia na vila de Alpedrinha / Fundão ( 15 a 23 de Set.)


Vai-se realizar entre 15 e 23 de Setembro na vila de Alpedrinha no concelho do Fundão um festival e uma feira sobre os caminhos da transumânsia sob a designação geral de Chocalhos 2007, onde se pretende fazer sobressair e valorizar as rotas dos rebanhos e do pastoreio regional.


Cinco rotas, cujos percursos têm como temática a actividade pastoril, são uma das grandes novidades do calendário do Chocalhos 2007, no Fundão. Visitar uma herdade, locais de produção de queijo ou percorrer, em passeio pedestre, os trilhos usados pelos pastores constituem os pilares dos programas integrados no âmbito do evento que tem como epicentro a vila de Alpedrinha. No total, são cinco propostas, com quatro delas a receberem o nome de raças autóctones da região: “Merino da Beira Baixa”, “Churra da Campo”, “Bordaleira” e “Novelinho”. A outra, como não podia deixar de ser, intitula-se “Rota dos Pastores”.

O festival inclui também uma série de outras actividades que envolvem exposições e música.



No dia 21 começará a Feira do Chocalhos, com as tasquinhas, espactáculos de rua e venda de produtos locais, em Alpedrinha, e que se prolongará por mais dois dias.

A culminar o programa, no domingo, dia 23, realiza-se o tradicional passeio Pedestre Com Rebanho Pela Serra Da Gardunha, que ligará a Praça do Município a Alpe-drinha, via Alcongosta.


Está também previsto a conclusão no Palácio do Picadeiro do Centro de Interpretação da Rota da Transumãncia.


http://www.fundaoturismo.pt/destaques/chocalhos-2007

O modelo dos baixos salários acentua-se em Portugal


Em todas as regiões de Portugal, exceptuando Lisboa e Vale do Tejo, é no escalão entre os 310 e 600 euros que se encontra a maioria dos trabalhadores por conta de outrem. No Norte, são mais de metade (53%), o dobro da percentagem em Lisboa (25). No Centro, Alentejo e Algarve, este escalão remuneratório abrange 44,5%, 46,2% e 38,5%.

Segundo os dados do INE, 4,9% das pessoas que trabalham para terceiros no Norte do país ganham menos de 310 euros. Esta percentagem desce para 4,1% no centro, 3,1% em Lisboa, 3% no Alentejo e 2,4% no Algarve.

É por haver tanta gente nos escalões remuneratórios inferiores que o vencimento líquido mediano se afasta tanto do médio. O valor médio é de 712 euros, mas o mediano, que leva em conta a distribuição das pessoas pelos vários escalões, é de apenas 560 euros.
Ou seja, metade dos portugueses ganha até 560 euros.

O que sobressai destes dados estatísticos do INE?

Apesar do salário mínimo ser próximo dos 400€, os salários líquidos de uma percentagem importante de trabalhadores estão abaixo deste valor. Isto significa que muitas pessoas têm trabalho a tempo parcial, o que aliás é confirmado por um estudo recente da CGTP ( ver:
http://www.pt.indymedia.org/ler.php?numero=130375&cidade=1 )

Existem sensíveis assimetrias regionais. Embora devidas às actividades (indústria, serviços, administração pública, etc.) estarem em proporção diferente no emprego das diferentes zonas do país, o certo é que - em termos de poder de compra dos trabalhadores e suas famílias - há assinaláveis discrepâncias.A estrutura salarial está distorcida para baixo, ou seja, existe uma proporção anómala de salários em torno do salário mínimo. Isto sobressai melhor se tivermos em conta as percentagens de trabalhadores que recebem um salário mínimo noutros países da UE, principalmente da zona euro. Em França, por exemplo, são apenas 16%.


A estrutura global de salários de miséria mantém-se ao longo das décadas. Apesar do custo de vida em Portugal não ser inferior ao da Espanha, no país vizinho o salário mínimo é IGUAL AO SALÁRIO MEDIANO PORTUGUÊS. Pelo menos metade da população trabalhadora portuguesa aufere menos que o salário mínimo de Espanha (560 €). Não admira pois que haja um enorme fluxo de emigração para Espanha e outros países da UE.

Mantém-se uma percepção distorcida pela propaganda (do governo e da generalidade dos media) sobre a realidade portuguesa. O facto é que as diferenças de mais de oito vezes entre a fatia dos 10% de rendimentos mais altos em relação aos 10% mais baixos explicam-se muito claramente pela enorme exploração dos trabalhadores.

Sendo constante, desde há pelo menos 27 anos, uma perda do poder de compra dos salários portugueses e um ataque paralelo às garantias de estabilidade dos empregos, devemos concluir que, na divisão internacional do trabalho decidida ao nível do grande capital europeu e apoiada pelo poder político da Comissão Europeia e pelos governos sucessivos, a Portugal tem sido reservado o papel de reserva de mão-de-obra barata, país de turismo e de emigração, de fraco desenvolvimento industrial e agrícola .

O país importa cerca de dois terços dos géneros alimentares consumidos, apesar das suas excelentes condições naturais (agrícolas e piscícolas).


Fonte: aqui

Realizada a 1ª bicicletada em Aveiro


Por intermédio do blogue http://ailusaodavisao.blogspot.com/ soubemos que se realizou no fim do mês de Agosto uma bicicletada em Aveiro pela primeira vez.

Recorde-se que as bicicletadas inserem-se no movimento mundial da Massa Crítica, presente em mais de 350 cidades por todo o mundo. Depois de Lisboa, Porto e Coimbra, é chegada a vez de Aveiro ter a sua bicicletada na última sexta-feira de cada mês.

Que venham mais cinco

7.9.07

Manifestação para o fecho da central nuclear de Almaraz na Extremadura espanhola (8 de Setembro, em Navalmoral de la Mata- 19.30)


Na Extremadura ( Espanha) , energia limpa e social.

FECHAR ALMARAZ


MANIFESTAÇÃO


8 de septiembre. Navalmoral de la Mata
Paseo de la Estación 19.30 h. y posterior concentración a las puertas de la central
.

depois haverá


FESTA REIVINDICATIVA

Parque de Las Minas a las 22.00 h.


Bocatas, sangría y actuaciones de calle y musicales.


Artistas invitados:

Quintín Cabrera Raúl La Kabra José Mª. Aldaya Pepe Extremadura


CONVOCAM a MANIFESTAÇÃO:
Plataforma de vecinos afectados por la Central de Almaraz, Plataforma Antinuclear Cerrar Almaraz, ADENEX; Ecologistas en Acción Campo Arañuelo, Ecologistas en Acción Monesterio, GREENPEACE, CGT, IU Extremadura, PCEx, Asociación de Jóvenes del Valle del Jerte, Asociación Garabato de Piornal, Los Verdes, Asociación Garabato de Piornal, Plataforma Ciudadana Refinería NO, Plataforma Térmicas NO.


A central de Almaraz tem tido incidentes com regularidade com situações em que já foram medidos níveis de radioactividade superiores ao permitido, sendo Portugal afectado por a central se situar numa albufeira afluente do rio Tejo e pela proximidade em caso de contaminação por via atmosférica.

Esta concentração, que é apoiada por mais de 12 organizações, pretende, à semelhança do ocorrido noutros anos, manifestar o desejo de que a Central de Almaraz seja encerrada, pois não só já completou 25 anos de funcionamento, como tem conhecido inúmeros acidentes ao longo da sua laboração, colocando em risco as populações (locais, nacionais e ibéricas).


Consultar: aqui, aqui