24.4.06

Semana sem televisão ( 24 a 30 de Abril)




O TV-B-Gone é o terror do homem-Tv

O TV-B-Gone é o terror do Homer Simpson


Um activista anti-TV inventou um dispositivo de controle remoto (TV-B-Gone) que permite de forma anónima, e sem pedir licença a ninguém, desligar os aparelhos de televisão que se encontram nos espaços públicos e centros comerciais.

As acções dos activistas anti-TV têm mais a ver com objectivos de saúde mental do que com fins simplesmente de carácter político ao defenderem o desaparecimento ou a secundarização da TV como razão de vida de muitos dos cidadãos telespectadores espalhados pelos quatro cantos do mundo. Um dos métodos de acção directa preferidos pelos activistas anti-TV – e dos mais eficazes – é desligarem os aparelhos de televisão que se encontrarem nos espaços públicos graças a um dispositivo técnico inventado.
Mitch Altman, um engenheiro electrónico de Sillicon Valley, na Califórnia, e defensor do uso social da tecnologia, inventou há cerca de dois anos o TV-B-Gone ( em português, «a TV foi-se») que consiste num dispositivo de controle remoto universal ( que dá para todos os aparelhos e marcas) mediante o qual é possível apagar qualquer tipo de aparelho de TV situado num raio de 17 metros com um simples botão de carregar. Com esta «bomba», os activistas anti-TV cometem os seus «atentados» em espaços públicos como cafés, restaurantes, bares, aeroportos, etc. «Hoje os aparelhos de TV estão por todo o lado, acesos, independentemente de haver pessoas a vê-los ou não. Basta um minuto para pensar nos efeitos que este poderoso media tem hoje em dia na nossa vida diária.», diz Altman que se vê a si próprio como alguém que ajudou com a sua invenção a levar a paz a alguns lares. Confessa que já não TV desde 1980 e que tal lhe permitiu já usufruir algumas boas horas de bem-estar de que estaria privado se tivesse continuado a possuir televisão em casa. Altman, que tem o seu próprio website (
http://www.tvbgone.com/) onde é feita a divulgação da sua invenção, que é distribuída comercialmente quer nos Estados Unidos quer na Europa, não esconde a sua satisfação: «O TV-G-Gone» dá-te a possibilidade de teres algum poder sobre aqueles milhares de aparelhos que enxameiam o nosso espaço público visual».

Todos ao anos realiza-se a nível internacional um iniciativa com a designação genérica de «TV turn-off week» («A semana sem televisão») que defende a ideia de que a nossa qualidade de vida seria muito melhor sem a presença ( e intromissão) do pequenos ecrãs nas nossas casas, assim como nos espaços públicos por onde passamos no dia-a-dia. A iniciativa foi desencadeada com base em estudos realizados que indicam que a televisão aumenta a depressão, a ansiedade e diminui a auto-estima. Está também provado que aumenta a demência e a obesidade; já para não falar do facto das crianças que estiverem mais expostas à TV serem habitualmente mais propensas à violência ( segundo estimativas feitas, só nos Estados Unidos e Reino Unidos haverá cerca de 18 mil «tele-assassinos» em idade escolar). E, ainda que não custe a reconhecer que nem toda a TV é má, o certo é cada telespectador que passe 4 ou 5 horas por dia a ver televisão, como nos mostram os recentes inquéritos sobre os hábitos televisivos, perderá 10 anos da sua vida sentado no sofá a fitar o aparelho de televisão!!!
Os contestatários da televisão afirmam que não actuam contra a televisão em si mesma. Trata-se de uma tecnologia útil que não desaparecerá tão cedo. Pretendem apenas sensibilizar um cada vez maior número de pessoas para mudarem os seus hábitos, além de preconizarem a criação de espaços públicos sem televisão.
Recorde-se, por exemplo, que nos Estados Unidos o canal de programas infantis Nickelodeon decidiu certo dia ( 2 de Outubro de 2004) cancelar a sua programação habitual durante 3 horas, e limitar-se a transmitir ao longo dessas horas um cartaz onde se convidava os seus telespectadores a aproveitar esse tempo livre para actividades recreativas. Esse caso serve de exemplo para o que se pretende com uma iniciativa internacional como é a «TV turn-off» ( televisão desligada) e que decorre todos os anos na última semana do mês de Abril ( em 2006, de 24 a 30 de Abril).
Mais do que acções que firam a susceptibilidade dos teledependentes o que se pretende é levar a cabo acções de carácter persuasivo. Convencer os donos dos restaurantes de que a presença da TV nos seus estabelecimentos, em vez de atrair clientes, tem justamente o efeito contrário, poderia ser um bom exemplo de uma acção que se enquadra nos objectivos desta «semana sem televisão». Mas, no fundo, o que se pretende é passar a mensagem de que viver sem a televisão constitui uma experiência de vida libertadora, divertida e até mesmo enriquecedora.
Não se trata, pois, de aferir se existem bons ou maus programas, ou se a programação televisiva tem estas ou aquelas características. Não, nada disso. O que se trata é de constatar que a televisão é uma verdadeira indústria e, como tal, cabe-lhe oferecer produtos fantasiosos e cativar a maior audiência possível, uma vez que o êxito dessa indústria se mede em quantos minutos da nossa vida ela consegue roubar. Actualmente, por exemplo, nos Estados Unidos e no Reino Unido o número de horas que em média cada pessoa passa a ver televisão cifra-se em cerca de 4 horas/dia, isto é, metade do tempo em que não se está a dormir e a trabalhar. Uma dose diária excessiva, sem dúvida, que gera efeitos devastadores para uns mas que representa para outros um grande negócio. Na verdade, quando o aparelho de televisão não te diz o que deves comprar, nem o que deves pensar, nem o que deves sentir, então é quando ele te está a convencer a não mudares de canal, e a não perderes mais este episódio.
Há alguns anos atrás um dos activistas anti-TV, David Burke, realizou uma perfomance pública em Londres - em nome da White Dot, organização inglesa que organiza no Reino Unido a semana sem TV - colocando uma grande televisão à frente da abadia de Westminster com uma legenda « White Dot says GET A LIFE» ( White Dot diz-te para que tenhas uma vida), enquanto lia uma carta ao príncipe Carlos a pedir para não permitir a transmissão por televisão do acto da sua futura coroação. Esta acção teve reprcussão na grande imprensa e permitiu que a semana sem televisão fosse notícia dos jornais principais.

O dispositivo TV-B-Gone permite, além do mais, o desencadeamento imediato de um debate/discussão no próprio local em que a acção decorrer, o que tem vantagens acrescidas. O TV-B-Gone corresponde a mil flyers ao suscitar uma reflexão e debate público, quase que espontaneamente.

Se valorizarmos a nossa liberdade, o mínimo que nos cabe fazer é questionarmos porque é que estamos a ver televisão.
Na realidade, uma poderosa indústria não cessa em gastar milhões de euros para produzir programas e transmitir publicidade que não visam senão seduzir e manipular os seus destinatários. E não são poucos os que passam horas inteiras a ver televisão, absorvendo cada minuto aquelas fascinantes imagens, num autêntico bombardeamento visual que tem precisamente como alvo o próprio telespectador passivo.
Convidar as pessoas a questionarem a presença excessiva, e até abusiva, da TV no seu dia-a-dia, e convidá-la a tirarem melhor proveito do seu tempo de vida é, no essencial, o objectivo primeiro de iniciativas como a da
«Semana sem Televisão».
Enjoy it

Tradução e adaptação de um texto de autoria de Leonardo Oliva, publicado no nº 24 da revista The Ecologist, versão em castelhano.

Mais info sobre o TV-B-Gone: aqui


Sobre a conexão entre a televisão e a obesidade ler: aqui





Mais info sobre a iniciativa «TV-turn off week»:
wwv-turnoff.org/

A televisão no Árctico (!!!) e os seus efeitos catastróficos!


Ao longo do livro « Quatro argumentos para acabar com a televisão» é possível encontrar muitos exemplos do impacte da televisão nas culturas nativas e o tipo de visões do mundo matizadas que não se prestam a serem representadas por este meio de comunicação. Dez anos depois de acabar de redigir o livro tive ocasião de tomar contacto directo com o chamado processo de homogeneização cultural a que me referi, quando visitei uma comunidade de indígenas que tinham acabado de ver pela primeira vez uma televisão. O que observei confirmou plenamente a ideia de como esse meio de comunicação pode transformar negativamente uma cultura, reconfigurando-a de forma a adptá-la ao mundo industrial das grandes empresas.

Fui convidado pela Associação de Mulheres Nativas dos territórios do Noroeste do Canadá para visitar as aldeias mais a norte dos índios dene e dos inuit (esquimós) precisamente quando a recepção de televisão acabava de ser possível naqueles longínquos territórios. Tudo se passou nos meados da década de 1980. Aqueles territórios eram uma região muito remota, descrita como «terra baldia, vazia e despovoada», perto do círculo árctico. Para começar, o território referido, longe de estar «vazio», possui cerca de 26 comunidades nativas de nómadas itinerantes ( num total de 22.000 pessoas) que vivem dispersas ao longo dos lagos, bosques, e, a norte, da tundra. Na maior parte dos casos, estas comunidades haviam conservado a sua economia tradicional e as suas práticas culturais: a pesca através do gelo, a caça com tiro, com cães e armadilhas. Viviam em casas comunitárias, feitas de troncos de madeira para várias famílias que compartilhavam o trabalho. Nesses locais, as temperaturas baixam a -30º e a estação de Verão era muito pequena. As precipitações eram de tal modo escassas que a região se considera desértica. Esses povos iam sobrevivendo, aparentemente, com alegria, desde há mais de 5 mil anos, até que chegou a televisão.

Segundo a Associação de Mulheres Nativas logo que chegou a televisão as coisas começaram a mudar. O governo canadiano tinha insistido junto destas comunidades para que aceitassem a sua oferta grátis de instalação de televisão por satélite, admitindo que a sua intenção era para que os indígenas se sentissem mais canadianos. Acontece que a descoberta de novas jazidas de petróleo nos territórios mais a noroeste requeria uma maior abundância de mão de operários, e os índios bem poderiam desempenhar essa função, para mais como uma mão de obra barata, desde que abandonassem os seus hábitos tradicionais. Ora a televisão era o único meio de poderia realizar essa tarefa de desculturalização e de reculturalização que levaria a estimular o desejo de abandonar os costumes índios, e tornar estes povos mais urbanizados, à procura de comodidade e de salários regulares.
A Associação das Mulheres Nativas confirma que a chegada da televisão provocou mudanças repentinas na vida familiar, em especial no comportamento e nos valores dos jovens, principalmente quanto ao seu interesse em aprender as habilidades tradicionais de sobrevivência num habitat dos mais duros do mundo. Para além do mais, os jovens deixaram de ir à caça e pesca. O que eles passaram a querer a desejar era comida junk, carros novos ( apesar daqueles territórios não teres estradas), e roupa de moda.

Mas o mais grave, segundo aquelas mulheres, era a extinção de práticas culturais como «narrar histórias». Até a televisão chegar uma das actividades mais típicas era, depois do cair da noite, a refeição em comunidade, após a qual os jovens se reuniam num canto com os mais velhos para escutar as suas histórias. Escusado dizer que eram histórias fabulosas que tinham passado por gerações, e através das quais se realizavam processos de aprendizagem, essenciais para a preservação da cultura. Mais do que isso, as pessoas eram criadas com essas histórias. Estar sentada com os mais velhos, a ouvir os seus contos, era como uma janela aberta para o passado, para as raízes ancestrais da existência índia. Reuniões como essas estimulavam também, o amor de integração, a confiança e o respeito. Com a chegada da televisão, acabaram as narrativas e os contos.
Quando eu lá cheguei encontrei toda a gente, jovens e menos jovens, sentada diante de um aparelho de televisão a ouvir «histórias» de Los Angeles, de Toronto e Nova Iorque sobre polícias e ladrões, casas esplendorosas e refeições opíparas.
Ao fim de escassos 3 anos os jovens começaram a dizer que lhes custava serem «índios» e que, por sua vontade, queriam ir trabalhar para o oleoduto, e ir viver para as barracas, construídos para o efeito pelos projectistas da empresa de extracção do petróleo.

Autor: Jerry Mander
O texto é o prefácio da tradução em castelhano do conhecido livro de Jerry Mander « Os quatro argumentos para acabar com a televisão» ( existe tradução portuguesa na Antígona)

23.4.06

Letra Livre – uma livraria contra o pensamento único (já abriu)

Livraria Letra Livre
Calçada do Combro, 139
1200-113 Lisboa

Abriu finalmente neste sábado, dia 22, a Livraria Letra Livre, criada por três dos ex-trabalhadores da Ler Devagar. Uma livraria de livros novos, usados e fundos,mas onde se poderão encontrar as edições da pequenas editoras e muitas dasedições esgotadas nas áreas de história social, sociologia, antropologia eliteratura como também em temas hoje quase ausentes das livrarias como críticasocial, anarquismo, marxismo, ecologia e género.


Notícia retirada das agências noticiosas:

"Tendo como critério a qualidade, vamos especializar-nos nas edições esgotadas e nos fundos de catálogo, ou seja, livros que estão disponíveis para venda mas não encontram lugar nas livrarias", disse à agência Lusa Eduardo Costa, sócio-gerente da Letra Livre.
Conseguir edições esgotadas é, aparentemente, um contra-senso, mas Eduardo Costa explicou que "muitos livros são dados como esgotados porque já não existem nas editoras - algumas entretanto extintas - nem nas distribuidoras, mas é possível encontrá-los".


A livraria Letra Livre, que abre portas sábado ( dia 22 de Abril) em Lisboa, afirma-se contra o ritmo acelerado dos livros nas grandes superfícies e pretende disponibilizar livros usados e obras cujas edições já estejam esgotadas

"O que acontece com essas obras é que perderam o contacto com o mercado e andam de armazém em armazém", acrescentou o responsável livreiro, esclarecendo que, "para descobrir livros nessa situação vai ser muito útil a experiência acumulada no sector".

Eduardo Costa é um dos vários antigos funcionários da livraria Ler Devagar, já encerrada, que decidiram reunir esforços num novo projecto assim que souberam do destino do espaço em que trabalhavam, na rua da São Boaventura, Bairro Alto, em Lisboa.

"Em Setembro do ano passado, ao saber que a Ler Devagar ia perder o seu espaço, alguns funcionários começaram a pensar em abrir outra livraria, mas apenas em Novembro teve início a escolha da localização e dos livros", afirmou Eduardo Costa.
A nova livraria, na Calçada do Combro, em Lisboa, vai ter disponíveis 10.000 exemplares, "embora existam mais entre 30.000 e 40.000 no armazém", que serão colocados numa base de dados até final do ano, para permitir a venda através da Internet.

Com destaque para a ficção e as ciências humanas, a Letra Livre vai também divulgar livros novos, que vão chegando ao mercado, "desde que tenham qualidade", mas recusa assumir qualquer compromisso com os êxitos de vendas que não preencham o anterior critério.

"Como não é possível competir com grandes cadeias como a FNAC ou a Bertrand, que destacam as novidades literárias, optámos por estabelecer ligações privilegiadas com editoras como a Antígona, a Fenda, a &Etc e a Frenesi, cujos catálogos teremos quase integralmente disponível", revelou Eduardo Costa.

Esta é mais uma forma de contrariar "a voragem actual, em que o tempo médio de exposição de um livro numa livraria oscila entre os 30 e os 60 dias, o que não deixa espaço para obras cujo ritmo de venda seja mais lento", criticou o sócio-gerente da Letra Livre.

Os livros anarquistas são armas contra o fascismo

Cartaz publicado em Barcelona entre 1936 e 1939


Neste dia internacional do livro (23 de Abril) fui buscar estas fotografias e algumas informações sobre elas a um weblog que vivamente recomendo:
http://bibliotecarioanarquista.blogspot.com/


Books are weapons ( Os livros são armas)


Cartaz publicado entre 1941 e 1942 pela Biblioteca Pública de Nova Iorque a encorajar os cidadãos negros a utilizar com mais frequência os recursos da biblioteca para conhecerem a História de África, a História Afro-Americana e a cultura negra. O cartaz foi exibido também numa exposição realizada em 2003 no Holocaust Memorial Museum intitulada “Respostas dos EUA à queima de livros pelos nazis”.

21.4.06

V for vendetta





Está actualmente em exibição nas salas de cinema do Porto e de Lisboa um filme que pretende ser a adaptação para o cinema da banda desenhada «V for Vendeta» criada por Alan Moore e David Lloyd (desenho) no início dos anos 1980, e cuja publicação começou pela editora Warrior com uma série a preto e branco, mas que depois foi retomada e republicada, já a cores, pela Vertigo/DC Comics nos Estados Unidos, e pela Titan Books no Reino Unido, nunca tendo sido editada em Portugal.
Esta banda desenhada tornou-se célebre por inspirar-se nas ideias sociais anarquistas de uma organização social caracterizada por uma ordem livremente construída, assente na liberdade individual. Esta marca ideológica está aliás bem patente nas capas dos livros desta banda desenhada pois o V de Vendetta é apresentado graficamente como o A do anarquismo.

O enredo consiste na denúncia de uma sociedade totalitária e o combate contra a tirania instalada.
A acção desenrola-se em 1997 na cidade de Londres, reconstruída depois de ter sido devastada por uma guerra nuclear, e que é dominada por um governo e um regime totalitário, cujos governantes se intitulam a mão, o ouvido e a cabeça, conforme as suas funções. O governo impõe uma tirania que não reconhece quaisquer direitos civis e impõe a censura, perseguindo e impedindo qualquer manifestação de oposição.
Trata-se de um estado que vigia os cidadãos através de câmaras de vigilância e que monta campos de concentração para quem não segue nem obedece a essa ordem social totalitária, onde são interrogados, torturados e mortos os contestatários. O paralelismo com a distopia de Orwell é óbvia, mas os criadores da banda desenhada tinham em mente criticar e contestar a politica da então primeira-ministra inglesa, Margareth Thatcher que no inicio da década de 80 foi o alvo preferido dos comics ingleses pela sua política de liberalismo selvagem e, responsável, pelos ataques aos direitos sociais.

A dada altura surge um justiceiro solitário para fazer frente a este totalitarismo. Conhecido simplesmente por V ( a Vendetta pretendia ser uma espécie de justiça popular anónima, uma retaliação contra a injustiça e os abusos de poder), o vingador solitário aparece vestido com trajes do século XVII e uma máscara reproduzindo a cara de Guy Fawkes, um personagem histórico que viveu entre 1570 e 1606 e que participou numa conspiração de católicos contra o rei inglês Jaime I, que pretendia m fazer explodir o edifício do Parlemento em 5 de Novembro de 1605, quando ali estivessem reunidos o rei, a rainha, o herdeiro do trono, os ministros e os paralamentares. A conjura abortou por acção da denúncia de um traidor, o que levou Fawkes a ser preso, torturado e executado em frente ao edifício do Parlamento.
A banda desenhada começa exactamente com V a salvar uma jovem de ser violada por polícias do regime que a leva em seguida para o cimo de um edifício onde ambos pudesse observar a explosão do edifício do Parlemento que ele preparara. V adopta então a jovem Evey e transmite-lhe a sua visão de liberdade e explica-lhe o significado das palavras anarquia e anarquismo, cujo significado sempre foi adulterado e pervertido pelo poder, nada interessado na difusão dos ideais libertários.
Nota-se ainda que a personagem V é uma mistura de características de vários heróis. Tem uma cara sorridente e age como aqueles heróis de capa e espada, tipo Scaramouche, mas é também um poeta espadachim como Cyrano de Bergerac. A sua agilidade e firça faz lembrar a dos super-heróis, ao mesmo tempo que o seu esconderijo está repleto de livros, obras de arte e uma jukebox que toca, por exemplo, Cole Porter e o tema Martha and the Vandelas: Além disso, o nosso herói cita frequentemente Shakespeare, William Blake, Loud Reed, Rolling Stones, etc

Ora foi esta história em banda desenhada que foi supostamente passada para o cinema pelos irmãos Andry e Larry Wachowski ( os autores de Matrix) num filme realizado por James McTeigue, com a participação dos actores Hugo Weaving no papel de V, e de Natalie Portman como Evey.
Dizemos supostamente porque na verdade o filme esvazia completamente a mensagem subversiva que se encontrava nos comics de Alan Moore e David Lloyd, cuja filosofia política sai totalmente branqueada tornando-se numa filme asséptico e incaracterístico, inócuo mesmo, que obrigou o autor do comics, Alan Moore a exigir que o seu nome fosse retirado do genérico do filme e que a sua pessoa não estivesse associada ao argumento montado pelos irmãos Wachowski.
O filme começa por mostrar Fawkes, em 1605, a encher as caves do Parlamento com pólvora, e depois a ser preso e enforcado. Mostra ainda a protagonista feminina a ser molestada pelos Apontadores ( polícia secreta) e a ser salva por V. Mas os grandes momentos da fita são as explosões dos edifícios do Parlamento ao som da «1812» de Tchaikovsky. O problema é que estas explosões que visam o símbolo por excelência do poder, que é o Parlamento inglês, não tem o sentido político que Alan Moore imprimiu na sua banda desenhada, tendo os argumentistas do filme convertido a forte carga política dos ataques ao poder totalitário num acto de pura vingança pessoal do sujeito que teria sido objecto de experiências médicas às mãos dos seus inimigos. O filme destrói e faz desaparecer qualquer conexão com a filosofia e a prática anarquista, ao arrepio e em oposição à vontade manifestada pelos autores do comics «V for Vendetta». Um ou outro resquício dessa mensagem releva da pura insignificância que passa perfeitamente despercebida a quem veja unicamente a fita, sem conhecer a banda desenhada que lhe serviu de base e inspiração. Os Estados Unidos, por exemplo, são ligeiramente beliscados quando no filme a sigla EUA pretende significar «Esfíncter Ulcerado da Asnérica» …

Em suma, trata-se de mais um filme-espectáculo da dupla Wachowski ( que também fez o Matrix), adulterando grosseiramente o obra «V for Vendetta» de Alan Moore, o faz com que o resultado final se aproxime mais de uma fita do Batman do que uma real adaptação para o cinema da banda desenhada «V for Vendtta», já tornada clássica na História recente dos Comics.
Um colectivo de libertário norte-americanos decidiu rectificar e expor os inúmeros cometidos na adaptação da banda desenhada para o cinema e criou um site para denunciar a situação:


Há também um site em castelhano:

http://vvvvv.vdevendetta.info/

Mais info:


http://en.wikipedia.org/wiki/V_for_Vendetta

http://en.wikipedia.org/wiki/Alan_Moore

http://www.alanmoorefansite.com/

http://www.shadowgalaxy.net/Vendetta/vmain.html

O site oficial do filme:


http://vforvendetta.warnerbros.com/



It’s no surprise that a film produced by multi-millionaires at Time-Warner, the largest f over $43 billion) would sell us the sizzle of violence and destruction while holding back the steak of anarchist opposition to capitalism. But it is worth taking a look at the differences between the book and the movie to see the specific ways they drain the story of its revolutionary politics.

Anarchy in the UK?
In Alan Moore’s comic book, V is an insurrectionary anarchist of the type that gave the ruling class nightmares around the turn of the 21st century—a bomb-throwing, dagger-wielding assassin and saboteur.
Most importantly, in the comic book, Moore’s V hints at the possibilities of a society organized without coercion. V is not only fighting against something, he is fighting FOR something. The constructive side of the anarchist vision is already downplayed in the comic book, but it is totally missing from the movie. What remains are V’s thrilling adventures in assassination and demolition. The viewer is left with a vague impression, however stirring, of rebellion tinged with nihilism. No alternative is proposed. The only mention of anarchism in the entire movie is when a wild-eyed stick-up-man shouts “Anarchy in the UK!” while robbing a grocery store.
Some of the characters are changed subtly as well: In the book, Evey Hammond makes the transition from helpless teenager to hardened insurrectionist. Evey’s character represents the possibility of people who are apathetic, cowed, and disengaged becoming transformed into active participants in revolutionary struggle. In the movie, she is from the beginning feisty and mistrustful of authority, and so her ‘transformation’ rings hollow. Are we to believe that only the natural rebels can fight the system, or that anyone can wake up and join in the good fight? In the movie too, the detective character Finch is made much more sympathetic, and only half-heartedly resists Evey’s final act. What would a Hollywood movie be without a good cop?
The movie’s presentation of fascism is watered down as well. It does draw some crucial links with the present situation in the US, making references to ‘rendition’, targeting of Muslim citizens, black hoods, detention centers, clampdown on radicals, profiteering by government cronies on mass vaccination, and fear-mongering over public catastrophes. But the comic’s clear-eyed presentation of fascism as a collusion between government and business elites to protect private capital is lost. In the movie, we are presented with an oppressive government, but its seems to be an oppression for oppression’s own sake. The real nature of fascism, which at root serves to protect private capital from the power of the people, is obscured.




Quem foi Guy Fawkers ?

Remember, Remember the Fifth of November The Gunpowder Treason and Plot I know of no reason why the Gunpowder Treason Should ever be forgot

Who is Guy Fawkes, and what is his relation to V for Vendetta? Well, before you can understand his relation to the book, you need to understand why Guy is so (in)famous to begin with.
The short answer is this: Guy (alias Guido) Fawkes was one of the members of The Gunpowder Plot of 1605 in which a group of Catholics attempted to blow up the Houses of Parliament and kill James I, the King of England, to protest Protestant rule. As the man chosen to light the fuse and the first captured, Guy has recieved the lion's share of attention among the conspirators. The long of it is as follows:
Since Henry the VIII's reign, England was divided between Catholics and Protestants with the factions fighting bitterly over control of the throne. Queen Elizabeth I had been staunchly Protestant, but with her death and the succession of James I as King, Catholics had thought their persecution was at and end. They were wrong. Shortly after James' coronation in 1603, it became clear he had no intention of granting leniency to the Catholics.
Guy himself was born in England in 1570 but by the turn of the century, Guy had spent several years fighting for Spain in the Netherlands, as well as participating in the Siege of Calais. His years of service earned him a reputation for his bravery and skill, especially with munitions. (Spain, a long-time rival of England, was staunchly Catholic and was often seen as an ally to English Catholics.) It was through his reputation and his pro-Catholic activities that he was brought to the attention of Thomas Wintour. It was Wintour who invited Fawkes into the circle of men that initially comprised The Gunpowder Plot.
The initial five members of The Gunpower Plot (of which Guy was one of; the Plot would eventually grow to thirteen members) first met in 1604 and began their plans. By March, 1605, the conspirators had rented a cellar under Parliament and began stockpiling 36 barrels of gunpowder. Guy was in charge of maintaining the stockpile, keeping the gunpowder fresh until Parliament's next session. In October, word of the conspiracy leaked, possibly by someone within the Conspiracy, although the warning did not mention the Plot specifically.
Believing they still had time, Fawkes and his conspirators went ahead with their plans. Parliament was due to meet on November 5th and it was that day that King James' men discovered the stockpile. They also discovered Fawkes, who was standing guard, and on his person they found all the tools necessary to light the gunpowder. Guy was captured, interrogated, and tortured; after two days he confessed the details of the Plot. Along with the surviving members of the conspiracy (several members died during attempts to capture them), Fawkes was tried on January 27th, 1606, and executed on Janury 30th.
After The Gunpowder Plot was foiled, King James decreed that on the anniversary of the plot's failure should always be remembered. 400 years later, that celebration is known as Bonfire Night where bonfires and fireworks are lit, and effigies of Fawkes (known, appropriately, as "guys") are burned, in celebration. (You'll have to ask the individual revelers whether or they are celebrating the Plot's failure or its attempt.)
It is in this context that we come to V for Vendetta. As Alan Moore wrote in his behind-the-scenes article "Behind the Painted Smile":
The big breakthrough [regarding what the character of V should look and act like] was all Dave's, much as it sickens me to admit it. More remarkable still, it was all contained in one single letter that he'd dashed off the top of his head . . . I transcribe the relevant portions beneath:
"Re. The script: While I was writing this, I had this idea about the hero, which is a bit redundant now we've got (can't read this next bit) but nonetheless . . . I was thinking, why don't we portray him as a resurrected Guy Fawkes, complete with one of those papier mache masks, in a cape and conical hat? He'd look really bizarre and it would give Guy Fawkes the image he's deserved all these years. We shouldn't burn the chap every Nov. 5th but celebrate his attempt to blow up Parliament!"
The moment I read these words, two things occurred to me. Firstly, Dave was obviously a lot less sane than I hitherto believed him to be, and secondly, this was the best idea I'd ever heard in my entire life. All of the various fragments in my head suddenly fell into place, united behind the single image of a Guy Fawkes mask.
With the idea of Guy Fawkes, Moore was able to crystallize his vision of who V was and helped give Moore further inspiration towards the themes of rebellion and revolution that exists in the novel. These days, the idea of basing the "hero" of a story on a terrorist is one that could give many people pause. If you are interested, you can read my own thoughts on this subject in the essay "V and Terrorism" found in the Analysis section.
Lengthy as this summary has been, there is far more to the story than what I've written here. If you are interested in reading further about Guy Fawkes, The Gunpowder Plot, or Bonfire Night, then I encourage you to click on the links below to learn more.
The Gunpowder Plot: Parliament & Treason 1605
The Gunpowder Society
The Center for Fawkesian Pursuits
Guy Fawkes - Treason in 1605
The Encyclopedia Britannica's Entry for The Gunpowder Plot
A Celebration of Guy Fawkes Day
Guy Fawkes and Bonfire Night

Literatura em viagem (22, 23 e 24 de Abril, em Matosinhos)




Encontro Internacional «Literatura em Viagem» (ciclo de encontos e colóquios em Matosinhos nos dias 22, 23 e 24 de Abril)
Local: Biblioteca Municipal Florbela Espanca, Matosinhos
Acesso livre

22 de Abril
15.30h. - Colóquio: «Adeus a Terminus: as fronteiras geográficas e as fronteiras da escrita», com
Olivier Rolin (França)
AnaPaula Tavares (Angola)
Jacinto Rego de Almeida
Moderador: João Rodrigues

18h. – Colóquio: «Que faço eu aqui?»
Richard Zimler (EUA)
Xavier Queipo (Galiza)
José Eduardo Agualusa (Angola)
Moderador: José Carlos Vasconcelos

22h. – Música: Janita canta os poetas

23 de Abril

15.30 h. - Colóquio: «Da ilha do tesouro à perregrinação»
Fernando António Almeida
Ramiro Fonte ( Espanha)
Santiago Gambôa (Colômbia)
Eduardo Prado Coelho
Moderador: Manuel Alberto Valente

18h. – Colóquio: «As viagens formam a juventude»
Álvaro Siza
Francisco José Viegas
José Manuel Fajardo (Espanha)
José Manuel Dias de Fonseca
Moderador: Ana Isabel Mineiro

24 de Abril

15.30h.- Colóquio: «Viagem em volta de umlivro»
Patrick Deville (França)
Manuel Jorge Marmelo
Vergílio Alberto Vieira
Moderador: Vítor Quelhas

18h. - Colóquio: «Porque deambulam os homens em vez de estarem quietos?»
Ondjaki (Angola)
Alexandre Quintanilha
Mia Couto (Moçambique)
Moderador: Marcelo Correia Ribeiro

Estão programadas ainda três exposições, outros encontros com a música e lançamento de vários livros ( entre os quais a recente edição em português de Olivier Rolin, «Suite no Hotel Crystal»)

Copyriot – Gente Sem Patente (20 de Abril a 1 de Maio)

Consultar para mais informações:
http://copyriot.azine.org/


Copyriot - manifesto

Em defesa do conhecimento e da cultura para todos

No mundo de hoje, regido pela febre do consumo e pelo dinheiro, a espiritualidade do ser humano, a sua criatividade, o conhecimento acumulado ao longo de milhares de anos, o rico mosaico de culturas que conforma a espécie, estão seriamente ameaçados. Seria de estranhar que algo de tão importante escapasse à protecção das leis. E, de facto, não escapa. Mas os interesses económicos das multinacionais adulteraram todo o sentido destes conceitos. O que deveria servir a criação transformou-se em protecção ao investimento, impedindo inclusivamente o exercício efectivo dos direitos mais elementares do homem, tais como o direito à vida, ao conhecimento, à sua identidade, ao seu direito a participar activamente na vida espiritual da sociedade.

Actualmente, o regime de direito de autor não satisfaz as necessidades da sociedade nem está de acordo com as possibilidades que o desenvolvimento tecnológico coloca nas suas mãos. Este sistema transformou-se em legitimador da submissão da cultura às leis do mercado, favorecendo a dominação económica e cultural dos povos.

O direito de autor como direito humano deve ter implícito o equilíbrio entre o direito do autor à sua obra e o direito da sociedade a ter acesso a ela. Este equilíbrio foi quebrado, não a favor dos autores nem da sociedade, mas a favor dos que exercem os direitos em nome dos autores, ou seja, os cada vez maiores monopólios da indústria editorial, informática, biotecnológica e do entretenimento. O exercício dos monopópios exclusivos que a legislação de propriedade intelectual outorga entra frequentemente em contradição com o exercício de direitos humanos tão importantes como o direito à saúde, à vida, ao conhecimento e à educação. E são sempre estes que saem a perder.
Por detrás de uma aparente defesa dos direitos dos autores, os interesses empresariais juntam criadores, governos e sociedade em geral ao reforço das legislações de propriedade intelectual e à sua hegemonização internacional, tomando como referente as propostas dos países mais desenvolvidos, apoiados por muitos organismos internacionais. Desta forma, a cultura, o intercâmbio de conhecimentos e o desenvolvimento vêem-se seriamente danificados.


A inclusão de normas de propriedade intelectual nos acordos da OMC e nos tratados de comércio livre não é mais do que o fechar do círculo, ameaçando seriamente a soberania e a diversidade cultural dos povos. Ao obrigar os Estados a adoptarem conceitos de direitos de autor muito restritos ao impedi-los de exercer políticas culturais de protecção efectiva, os monopólios garantem um comércio de produtos e serviços culturais desigual e afoga-se o desenvolvimento das expressões culturais locais.

Por outro lado, o estudo dos processos criativos em todo o mundo demonstra a falta de universalidade de muitos dos conceitos e instituições criados pelo direito de autor para a protecção da criação, ao não reconhecer, entre outros aspectos, as formas colectivas de criação e apropriação dos povos originários, ou a necessidade de outras formas de regulação que não a dos monopólios exclusivos de exploração dos resultados criativos. O sistema vigente, ao ser aplicado a realidades e momentos tão diferentes, apenas tornou possível (e até motivou) as utilizações ilegítimas e o saque do património colectivo.

A criação não se defende impedindo a sua difusão. Normas mais rígidas não trarão mais criatividade. Para proteger a criação tem que se garantir os seus espaços, estimulá-la, incentivá-la, tenha ou não êxito comercial, apenas em virtude da sua condição de expressão da espiritualidade do ser humano, de cada um deles na sua infinita diversidade. Há já muitos locais em que se notou a evidência das contradições assinaladas e onde se formam posições contrárias. Surgiu um número considerável de iniciativas que têm como objectivo o uso de modelos legais mais permissivos, que fomentam a solidariedade e a cooperação em vez de a proibir. Princípios como o GPL, o Copyleft, as iniciativas Creative Commons, abriram um caminho ao qual se juntaram associações de profissionais, intelectuais, criadores e programadores que começam a transformar, a pouco e pouco, o cenário internacional.

Tendo em conta estes princípios, parece-nos importante:

1.Construir, na teoria, um pensamento anti-hegemónico integrador em matéria de direitos culturais, artísticos, intelectuais, científicos e tecnológicos.

2.Articular a resistência através da ligação entre pessoas, instituições, meios de difusão, organizações e redes sensíveis a estes problemas, que permitam desenvolver a capacidade mobilizadora necessária para dar resposta imediata, por todos os meios possíveis, às manobras do poder hegemónico tanto a nível nacional como internacional.

3.Apoiar as alternativas em marcha no âmbito da cultura livre.

4.Inventar propostas ou projectos viáveis que tenham como objectivo principal o fomento de relações culturais e fluxos de conhecimentos entre pessoas, que estimulem a criatividade da sociedade como via para o enriquecimento do património cultural, educativo e espiritual dos povos, ao mesmo tempo que favorecem o acesso de todos aos resultados que se alcancem.

É por estas e por muitas outras razões que achamos indispensável o debate e a criação de alternativas reais que, de alguma forma, protejam quem cria e que lhe permitam decidir livremente qual o rumo e quais os moldes em que pretende divulgar e fazer conhecer a sua obra. Em suma, é necessária a criação de alternativas que defendam realmente as obras e os direitos de quem as cria, e não apenas de quem cria riquezas à custa da exploração da obra e da submissão do(s) criador(es).

Porque quem realmente é o nosso inimigo não é o pessoal que gosta, copia, divulga, mostra, troca, empresta, apoia, o que se faz, mas antes quem nos impede de mostrarmos o que fazemos e que reprime quem o faz.

Por tudo isto, não queremos passar sem deixar bem claro que somos defensores da diversidade cultural. Somos pessoas, artistas, criadores e distribuidores que, a partir de modelos alternativos, criticam as cadeias tradicionais de produção e distribuição das multinacionais. Lutamos pela salvaguarda das expressões culturais dos povos, defendemos culturas e formas de expressão em perigo real de serem absorvidas pela cultura hegemónica, acreditamos no chamado património cultural imaterial, nas formas de criação e apropriação culturais colectivas, como os conhecimentos tradicionais. Somos também artistas que levam a cabo ou apoiam uma alteração nas formas de criar. Pessoas que clamam por um maior acesso à informação e ao conhecimento, em defesa dos interesses sociais, criticando aspectos como o secretismo, a competitividade e o facto de as necessidades de mercado se sobreporem às verdadeiras necessidades da sociedade, o que acaba por resultar na imposição de uma pseudo-cultura enlatada que é utilizada como meio de dominação. Queremos que o direito de autor seja reconhecido dentro dos direitos culturais nas suas duas vertentes: como direito outorgado ao criador e como direito de acesso da sociedade aos resultados e aos processos criativos.


Programa


20-04-2006

> Senhorio
Bancas de Publicações
22h00 - Abertura das exposições de ilustração e desenho de residentes e amigos do Senhorio
23h00 - Lançamento dos fanzines "Não me contes o fim, eles morrem todos", Bicho mulher o verdadeiro debate" e "Álbum de família"

21-04-2006

> Faculdade de Belas Artes da Univ do Porto
Bancas de Publicações
Vídeo "Can I get an Amen Break" de Nate Harrison
16h00 - Conversa sobre Copyright e Música com a presença do professor Heitor Alvelos
18h00 - Workshop de partilha de ficheiros
20h00 - Churrasco (também para vegetarianos)
Concerto Trashbaile
Concerto Cabaret Fortuna

>Casaviva 167
02h00 - Concerto Digital - Ana
02h30 - DJ Miserable

22-04-2006

> Casaviva 167
14h00 – Abertura
Vídeo – OSU 1 e OSU 2
Bancas de Publicações
Exposição de pintura de Rui Ricardo
Exposição de pintura 3D de Manuel Horta
Exposição Colectiva de Fotografia
15h00 - Conversa– Centro de Média Independente
17h00 - Conversas – Metareciclagem e Linux Terminal Server Project
00h00 - Vídeo - Porto 2003 - Cultura do Capital

> Maus Hábitos
22h00 - Abertura da banca A Mula (entrada a pagar)
23h00 - Lançamento do Fanzine Cospe Aqui (entrada a pagar)

> Passos Manuel0
2h00 - VEC Electronic Live Set (consumo - 5 euros)

23-04-2006

> Casaviva 167
14h00 - Abertura
15h00 - Conversa sobre Gnu/ Linux
17h00 - Conversa sobre patenteação da Vida

> Senhorio
21h00 - Abertura
Feira de fanzines
21h30 - Conversa sobre Fanzines

24-04-2006

> Senhorio
21h00 - Abertura

> Artes Múltiplas
24h00 - Concerto Acid da Semana (entrada a pagar)

> Casaviva 167
24h00 – Vídeo – Linhas Paralelas
01h00 – Vídeo – Vídeo "O que é uma borboleta?" de Eduarda Sá-Andresen e Kolja von der Lippe
02h00 - DJ Kim

25-04-2006

> Casaviva167
15h00 – Vídeo – Memória Subversiva
Vídeos e conversa sobre Sociedades Secretas

> Passos Manuel
22h00 - Concerto e gravação de CD de Senhor Doutor (entrada a pagar)

28-04-2006

> Terra Viva
22h00 – Festa da Apostasia - Para desapropriar a Igreja da patente baptismal

> Zaragata
22h00 - Concerto - Payasos Dopados + Love you Dead

> Associação EkxtaktikaCircus of Horror - Ginásio Clube de Corroios

21:30 - Intro do espectáculo, com a actuação de DJ Bosnia(residente), com vídeo-projecção de conteúdos temáticos
22:00 - Concerto Not Without a Fighting (Hardcore de Seixal)
22:45 - DJ e vídeo projecção
23:00 - Actuação da banda Veinless (Trash Metal de Almada)
23:45 - Intervalo (música de fundo e destaque à feira alternativa de artesanato/merchadising/tattoos e piercings)
00:05 - Actuação dos Teatrum (Industrial melódico de Seixal), com vídeo projecção de imagens feitas pela banda;
00:50 - Animação Circense com fogo, da responsabilidade da Companhia Algarvia "Safron Fire", ao som tribal/industrial de DJ Wega e video-projecção; 01:15 - Actuação da última banda (ainda por decidir) com uma pequena surpresa da organização.

Além do concerto, Dj´s, de circo e da mini-feira, vamos ter bancada com shots e com pequenas refeições rápidas vegetarianas.

29-04-2006

> Zaragata22h00 - Concerto - Violência Violeta + Trashbaile

30-04-2006

> Zaragata

22h00 - Noite Merzbau
Concerto - Debut + Goodbye Toulouse + Lobster0

1-05-2006

> ZaragataConteúdo e horários a definir

20.4.06

Um livro sobre o pensamento crítico da globalização capitalista neoliberal




Foi lançado em França um livro sobre os principais autores ou, pelo menos, os mais conhecidos e mediáticos, do pensamento crítico da globalização capitalista neoliberal com o título «La planète altermondialiste», sob a coordenação de Chiara Bonfiglioli et Sébastien Budgen (Editions Textuel -La discorde )


Trata-se de uma introdução ao pensamento de alguns dos mais destacados pensadores dos movimentos altermundialistas que têm marcado presença nos vários Fóruns sociais mundiais e europeus que se têm realizado.
O conteúdo do sumário do livro é o seguinte:


- Samir Amin, um teório militante, por Rémy Herrera

- Walden Bello e a " desglobalização ", por Nicola Bullard

- Leonardo Boff e Frei Betto, a teologia da libertação, por Michael Löwy

- Pierre Bourdieu, pensador da dominação, por Lilian Mathieu

- Bernard Cassen, o programa sem o movimento ?, por Cédric Durand

- Hugo Chavez, do basebol a Bolívar, por Sébastien Ville

- Noam Chomsky e a longa história do imperialismo norte-americano, por Vivek Chibber

- Susan George, palavras contra os males, por Julien Rochedy

- John Holloway, a revolução sem a revolução , por Daniel Bensaïd

- Naomi Klein, passadora de resistências, por Sylvain Pattieu

- Sub-Comandante Marcos, uma fragilidade radical, por Philippe Corcuff

- Toni Negri, teórico do Império, por Alex Callinicos

- Arundhati Roy, a força dissidente de uma mulher contra a democracia imperial instantânea, por Geetha Ganapathy-Doré

- Boaventura de Sousa Santos, uma utopia realista de globalização democrática, por Francisco Louça

- Vandana Shiva, a luta altermundialista entre a ecologia e o feminismo, por Chiara Bonfiglioli

- Joseph Stiglitz, o itinerário de um dissidente,por Stéphanie Treillet

- Aminata Dramane Traoré, figura de proa do altermundialismo africano, por Danièle Obono

- Immanuel Wallerstein e a crise do siste,a-mundo, por Christophe Aguiton

Este livro tem a ambição de fornecer uma introdução crítica dos pensadores altermundialistas e contitui um guia para o pensamento surgido no interior da rede altermundialista, apresentando um ponto da situação dos debates sobre a matéria. La Planète altermondialiste esboça a paisagem intelectual da galáxia altermundialista descrevendo as ideiasd os autores de sucessivas gerações que contribuíram para a elaboração das abordagens críticas acerca da globalização capitalista neolibera, bem assim como as suas fontes históricas e as correntes de pensamento de que se reivindicam, com a emergências de novas temáticas como as ligadas ao feminismo, à ecologia e ao pós-colonialismo..

19.4.06

May Day - contra a precarização

1º de Maio - May Day
Contra a Precarização
As nossas vidas não são negociáveis


&etc, edições culturais do subterrâneo


Alguns livros disponíveis, e seleccionados por nós, da editora &etc, edições culturais do subterrâneo

A editora &etc mantém, desde sempre, uma postura que nunca é demais de realçar no nosso panorama editorial e literário ao não soçobrar perante os cantos maviosos do mercado, e permanecer ao longo do tempo com um notável conjunto de livros e folhetos, cuidadosamente escolhidos e produzidos segundo critérios alheios às modas e gostos dominantes.
Como modesta homenagem à editora ( com 33 anos de existência), e ao seu responsável, publicamos aqui um catálogo dos livros da «& etc», seleccionado por nós( não incluímos as obras que se encontram esgotadas):


Berlioz, Hector – Eufonia

Carroll, Lewis – Vespão de Peruca

Cendrars, Blaise – Brasil…Vieram os Homens
- O Eubage (nos antípodas da Unidade)

Darien, George – Biribi

De Quincey, Thomas – Judas Iscariotes

Desnos, Robert – Jack o estripador

Diderot – Suplemento à Viagem de Bougainville

Dionísio, Eduarda – Tina M.- Prova de Contacto

Domingos, Paulo da Costa – Pó de Anjo

Fialho d’Almeida – Fialho Negro

Filipe, Léon – O Sapateiro de Van Gogh

Gauguin, Paul – Paleios de Borra-Tintas

Gombrowicz, Witold S. – Morte ao Dante

Gómez de la Serna, Ramón – Seios

Guimarães, Regina – Anelar Mínimo

Hikmer, Nazim – Poemas da prisão e do exílio

Jarry, Alfred – O Amor em Visitas

Lafargue, Paul – Anti-Hugo, a lenda de Victor Hugo

Lafargue, Paul – A Religião do Capital

Lapa, Álvaro – Barulheira

Long Haniel – A Singular Aventura de Cabeza de Vaca

Luciano de Samóstrata – Parasita ou o Papa-Jantares

Malevitch, Strindberg, John Oswald – Achas Revolucionárias

Melo, Jorge Silva – Prometeu

Monteiro, João César – Le Bassin de John Wayne, seguido de as Bodas de Deus

Padre Camões – Testamento de D. Burro, pai dos asnos

Péret, Benjamin – Ovelha Galante

Picabia, Francis – Jesus-Cristo Rastacuero

Picasso, Pablo – O Enterro do Conde de Orgaz

Pimenta, Alberto – Grande Colecção de Inverno 2001/2002

Pimenta, Alberto – Moscas de Pégaso

Pimenta, Alberto – Ode Pós-Moderna

Pimenta, Alberto – Imitação de Ovídio

Prévert, Jacques – Cenas

Schulz, Bruno – Tratado dos Manequins

Stevenson, Robert Louis – Uma Apologia dos Ociosos

Strindberg, August – O Sacristão Romântico de Rano

Svevo, Ítalo – Fábulas

Vários – Joyciana

Verlaine, Paul – Hombres

Vieira, António – Improvisações sobre a ideia de Deus
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Contacto:
&etc,
Edições Culturais do Subterrâneo,Lda
Rua da Emenda, 30, sub 3, 1200-170 Lisboa
Tel. 21 347 19 55

Re-localizar a Economia


Pela Soberania Alimentar

A ideia de alimentos de alimentos frescos e locais é um sonho que une tanto os defensores da segurança alimentar e do meio ambiente como os entusiastas da «slow food» e dos pequenos agricultores.

Apoiar e reconstruir os sistemas de produção locais com o objectivo de levar, para os mercados, alimentos frescos, directamente dos produtores para os consumidores locais…é, sem dúvida, uma maneira de fomentar o desenvolvimento quer no âmbito de uma comunidade quer à escala regional no contexto do mercado global do Norte e do Sul.
Com efeito, produzir e promover os produtos locais pode ajudar a atenuar e aliviar problemas como a mudança climática global e a pobreza rural. Construir tais sistemas de mercado exige uma nova forma de abordar a indústria e as instituições que a fomentam.

Comércio e Mudança Climática


Defender os produtos locais pressupõe rever e reexaminar a teoria económica, que se encontra tão fortemente arraigada, sobre as vantagens da competitividade, e que se baseia na ideia de que cada região deveria especializar-se em produzir só o que pode produzir mais barato ou ao menor custo, e negociar com as outras regiões tudo aquilo que carece e que necessita de adquirir. Acontece que os cálculos económicos tradicionais não levam em linha de conta os verdadeiros custos ambientais desse tipo de comércio. Mais concretamente, os custos ambientais do transporte de mercadorias em distâncias longas é muitíssimo maior do que julgava até agora, e que têm, de resto, um impacte evidente nas mudanças climáticas.
A maioria dos alimentos viajam centenas senão mesmo milhares de quilómetros, desde o produtor até ao nosso prato, e a infra-estrutura de transportes que é utilizada para essa finalidade consome combustíveis fósseis que geram gazes com efeito de estufa e que contribuem para as mudanças do clima. Estas mudanças estão a fazer subir a temperatura dos mares, a conduzir à inundação das zonas costeiras, e potencialmente, pode levar à perda de colheitas, assim como ser a causa de extinções maciças, e levar ao reforço de factores meteorológicos destrutivos como os furacões. Ora todas essas alterações têm profundas implicações para a agricultura e a população. Ainda que seja difícil prever todas as consequências dos danos provocados pelas emissões destes gazes com efeito de estufa, a verdade é que eles são indesmentíveis e importa inclui-los nos custos energéticos das transacções mercantis do comércio mundial.
Ajustar os preços para baixar os custos energéticos, ou cobrar «pequenos impostos ambientais» às empresas não são indicadores nem muito menos soluções fiáveis para o alto preço social e ecológico que representa o constante aumento do comércio na actual economia global. O consumo de produtos locais pode constituir, assim, uma enorme benefício para o meio ambiente. Um exemplo concreto basta para ilustrar a diferença que haveria com uma tal opção: em 1920, o Estado do Iowa, nos Estados Unidos, produzia uma grande variedade de frutas e verduras, mas na actualidade a maior parte desses produtos que são consumidos nesse Estado vêm de outras regiões. Ora, se os habitantes do Estado do Iowa optassem por consumir uns 10% mais da produção local, estima-se que se poderia poupar até 7,9 milhões de toneladas anuais de emissões de dióxido de carbono.

Exemplos


A organização ambientalista japonesa Daichi-o-Mamoru concluiu que, se as famílias japonesas consumissem produtos locais em vez de produtos importados, o impacto seria equivalente a reduzir-se em 20% da energia doméstica; o mesmo resultado se chegaria se em vez de se consumirem os produtos de soja, importados dos Estados Unidos, se optasse pelos produtos de soja cultivados no Japão.
Sendo certo que a importação de alguns produtos é inevitável, como é o caso do café, proveniente de países tropicais, e que se tornou um bem essencial nos países frios, a verdade é que existe uma infindável quantidade de produtos que podem ser localmente produzidos, já para não falar de muitos outros cuja existência é altamente discutível porque mostram ser antieconómicos e anti-ecológicos e que são até sucedâneos de outros, já existentes.
Por exemplo: o ketchup Heinz que se consome na Califórnia é feito de tomates cultivados na Califórnia que são enviados para o Canadá a fim de serem processados e embalados e são, de seguida, reenviados novamente para a Califórnia. Outro exemplo: o porto de Nova Iorque exportou 431.000 dólares de amêndoas para a Itália, e importou 397.000 dólares de amêndoas da Itália para o mercado interno norte-americano. Ora este tipo de comércio revela-se completamente desnecessário e mostra até que ponto estamos a hipotecar a herança que iremos deixar para as gerações futuras.

A ruína dos comércios locais

Para os que pensam que a falta de alimentos produz a fome no mundo há que dizer-lhes que actualmente se regista uma superprodução mundial no que se refere a bens básicos, o que tem, aliás, uma repercussão negativa nos pequenos e médios agricultores, já que ao haver um excesso de produção, os preços baixam, e com eles os rendimentos dos produtores rurais.
O excesso de produção pode também ser mostrado se repararmos que o preço dos produtos importados é menor do que aquele que é gasto para os produzir. Não por acaso, os países em desenvolvimento denunciam frequentemente a injustiça em que se transformou o mercado global. Na verdade, e como resposta aos baixos preços, muitos dos agricultores dos países do primeiro mundo recebem subsídios, permitindo-lhes assim vender os seus produtos a um preço mais baixo do seu custo de produção. As leis do mercado permitem uma invasão de produtos que provocam a destruição das explorações dos agricultores não-subvencionados. Por exemplo: o arroz, que é um produto muito vulgar em todo o mundo, é exportado pelos Estados Unidos, e é vendido no mercado mundial a um preço entre 20 a 30% mais baixo que o seu custo de produção pelos agricultores norte-americanos, graças aos subsídios estatais por estes recebidos, destruindo assim qualquer leal concorrência entre os agricultores a nível mundial. Este facto levou em 2004 a Indonésia a proibir todas as importações de arroz, protegendo os agricultores indonésios, ao garantir a sua sobrevivência, uma vez que produziam arroz suficiente para alimentar toda a população do país.

Pobreza rural

Mas se os agricultores sofrem, será que, porventura, as camadas mais pobres da população beneficiam com isso? A realidade nua e crua é que a maioria das pessoas pobres no mundo vivem na agricultura, e 50% das pessoas que sofrem com as calamidades são pequenos agricultores. A superprodução global de alimentos é a principal causa para a constante diminuição dos rendimentos dos rurais e o empobrecimento crescente das áreas rurais. Note-se ainda que a pobreza rural provoca por sua vez a pobreza urbana, uma vez que a impossibilidade de sobrevivência dos camponeses força-os a migrar para as cidades, convertendo-se em mão-de-obra barata no mercado de trabalho.
Ora as políticas de desenvolvimento deveriam preocupar-se em aumentar os rendimentos dos pequenos agricultores, de forma a não forçá-los a abandonarem as sua regiões rurais.
Restabelecer o acesso dos pequenos agricultores aos mercados locais para que possam vender os seus produtos é um dos principais objectivos ( e propostas) da Via Campesina, uma rede de mais de 100 organizações de pequenos agricultores, espalhada por todo o mundo.
A expansão das grandes cadeias de hipermercados nas regiões, que sempre foram abastecidas por agricultores locais ou da região através dos circuitos tradicionais, está a prejudicar gravemente os pequenos agricultores e os produtos locais. De 1992 a 2002, os hipermercados aumentaram as suas vendas em 30% no mercado asiático ( excluindo a China) e em 45% no sul do continente africano. A agravar isto está a circunstância dos hipermercados estarem a ficar nas mãos de um número cada vez mais reduzido de grupos económicos empresariais.

A centralização


Tais grupos e cadeias de hipermercados tendem por sua vez a centralizar o abastecimento em determinados centros de distribuição, que compram a por junto a muito poucos produtores, quase sempre a grandes agricultores ou a grandes importadores, com claro prejuízo para os pequenos agricultores.
Além disso, o facto de se trazer produtos de longe, e de os comprar a grandes empresas produtoras, faz com que se assista a uma estandardização dos alimentos que prejudica a diversidade de sabores, a herança cultural de cada região, e até mesmo a qualidade da nossa nutrição. A concentração dos supermercados obriga os pequenos agricultores a baixar os preços para serem mais competitivos, obrigando ainda ao fecho e declínio do comércio local, que assim não contribui para a a circulação do dinheiro nem para o desenvolvimento da comunidade local.
Um estudo realizado em Chicago mostra que, em cada 100 dólares gastos em produtos de um estabelecimento local, 68 dólares mantêm-se na economia daquela área geográfica, enquanto que aí só ficarão 48 dólares, caso o comércio local seja realizado por intermédio de uma grande superfície. Outro dado interessante é saber que por cada metro quadrado ocupado por uma empresa local o seu impacto na economia da zona é de 179 dólares, ao passo que com uma grande superfície esse impacto diminui para os 105 dólares..
Outro estudo demonstrou que as grandes superfícies comerciais, como a Wal-Mart, reforça a pobreza nos municípios onde se instala, uma vez que absorve as ajudas estatais concedidas às famílias mais carenciadas
Se os seus trabalhadores ganhassem um salário justo e digno não ficariam dependentes dos bens alimentares, baratos e artificiais, que são vendidos na Wal-Mart, e poderiam ajudar os pequenos agricultores locais e o comércio local.

O comércio é um grande negócio

Promover os sistemas alimentares locais requer uma transformação das políticas e das instituições. As políticas que promovem o livre mercado e que o apresentam como a panaceia global para a erradicação da fome, da pobreza e das desigualdades, acabam por beneficiar somente as grandes empresas que não cessam em procurara novos mercados para obterem ainda mais lucros.
O Fundo monetário internacional (FMI) e o Banco Mundial defendem a rápida liberalização do mercado sem qualquer prova, bem pelo contrário, de que uma tal orientação ajude a retirar as populações da situação em que vivem.
As agências de crédito para exportação gastam mais de 100 biliões de dólares anuais em empréstimos que visam ajudar os países a importarem alimentos das grandes empresas dos países industrializados, aumentando assim a dívida daqueles países. Os países mais poderosos impõem as normas que muito bem lhes interessam nos acordos, tratados e nas organizações internacionais, impedindo assim que as nações e os países façam valer a sua soberania alimentar e favoreçam a produção local e os interesses dos cidadãos.
O governo dos Estados Unidos, devidamente assessorado por um grupo de «homens de negócios», demonstrou nos últimos anos a capacidade de um governo para criar uma guerra ( no Iraque) com a óbvia intenção de proteger o livre acesso das empresas norte-americanos aos recursos e aos mercados mundiais. São políticas deste género que explicam como é que uma empresa como a Cargill, uma mais maiores empresas de alimentação em todo o mundo, tenham apresentado lucros que ultrapassam os 1,3 biliões de dólares em 2003, quase 3 vezes mais que no ano 2000.

Movimento globais, alimentos locais

Os defensores da produção local estão aos poucos a unirem-se um pouco por toda a parte. Alguns munícipios da Pensilvânia ( USA) já adoptaram medidas no sentido de interditar a compra de propriedades rurais por parte das grandes empresas.
Também um número cada vez maior de cidadãos começam a consciencializarem-se sobre o assunto, e não esperam que os hipermercados invadam as suas vilas e cidades, preferindo começar a cultivar eles próprios os legumes em hortas urbanas, algumas delas de carácter comunitário ou de bairro, ou então optam deliberadamente por comprar no comércio tradicional.
Organizações como a Community Food Security Coalition desenvolvem determinados projectos para as escolas e hospitais com o objectivo de abastece-las em produtos alimentares frescos, produzidos pelos produtores locais.
Por seu turno, ambientalistas e grupos ecologistas estão a organizarem-se para fomentar o consumo de produtos locais. É o caso da BALLE (Business Aliance for Local Living Economics) que criou uma rede de pequenos agricultores a fim de promover o consumo de produtos locais, e da National Farm Colation que preconiza a revitalização das explorações familiares e da chamada agricultura familiar.

Texto de Kirsten Schwind,
in The Ecologist, nº 25 ( Abril, Maio, Junho de 2006), em castelhano

O que podes fazer:
-Compra no mercado produtos que tenham sido cultivados na tua área
-Pede na escola que consumam produtos da região
-Opõe-te e mostra a tua oposição aos Acordos coercivos impostos pelos arautos do neoliberalismo
-Ajuda a construir redes entre organizações locais e os agricultores de outros países de forma a juntos transformarem o sistema de mercado alimentar.



Consultar:

www.viacampesina.org

www.nffc.net

www.foodfirst.org

www.foodsecurity.org

A Wal-Mart é o melhor amigo da China!!!



Em 2005 o défice comercial dos Estados Unidos atingiu um recorde absoluto: 726 mil milhões de dólares. O que constitui um aumento de 17% relativamente ao ano de 2004.
O valor do défice comercial representa qualquer coisa como 5,8% do Produto Interior Bruto dos Estados Unidos da América, o que constitui também um recorde jamais atingido desde 1929.
O défice comercial deve-se principalmente à chamada factura petrolífera ( 229 mil milhões de dólares), assim como das importações provenientes da China ( 200 mil milhões, mais 25% do valor registado no ano anterior).

A Wal-Mart, a conhecida cadeia de distribuição norte-americana, aonde 8 em 10 norte-americanos se abastecem regularmente, abastece-se hoje em dia massivamente no mercado chinês, o que leva os seus críticos a consideraram a Wal-Mart – empresa de um poderoso grupo económico de origem americana e presente já em vários países, em todo o mundo – como o melhor amigo da China, uma vez que se calcula que 70% dos seus produtos contêm algum componente de origem chinesa, dado que em 2005 a mesma Wal-Mart adquiriu produtos chineses no valor de 18 mil milhões de dólares.

Esta política comercial da Wal-Mart – compras no mercado chinês - significa a deslocalização de um milhão de empregos americanos para a China!!!

Fonte:
www.walmartwatch.org

17.4.06

Dia Internacional das lutas camponesas (17 de Abril)


Em 17 de Abril de 1996 polícias e militares do exército brasileiro abriram fogo contra famílias inteiras de camponeses sem terra que ocupavam uma parcela não cultivada de uma grande propriedade fundiária, vulgo latifúndio. O massacre de Carajás, no estado do Pará, Brasil, fez 21 mortos e um número indeterminado de órfãos e feridos. Chocados com este acontecimento os elementos da Via Ca,pesina, Organização internacional que luta pela defesa dos interesses dos camponeses e da agricultura não-industrial reuniram-se nesse mesmo dia no México e, Assembleia Geral e decidiram fazer do dia 17 de Abril uma jornada anual de informação sobra as lutas camponesas.
Desgraçadamente decorridos 10 anos ainda não estão totalmente esclarecidas as circunstâncias em que se deram aqueles acontecimento, e nenhum militar ou polícia foi sequer detido ou condenado por causa das mortes.
Mais uma vez, este ano, 172 organizações camponesas de todo o mundo denunciam esta impunidade e exigem ao governo brasileiro a reabertura de um inquérito rigoroso sobre a tragédia, e recordam a necessidade de levar por diante lutas não-violentas a favor da melhoria das condições de vida dos camponeses, uma reforma agrária que contemple os interesses da agricultura local, um acesso equitativo às fontes e recursos, única maneira de garantir a soberania alimentar, enquanto verdadeira alternativa à liberalização do comércio dos produtos agrícolas preconizada – e imposta – pela OMC ( Organização Mundial do Comércio).
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Consultar:

Vegetarianismo


Vegetarianismo previne cancro e doenças cardiovasculares
(texto da jornalista Helena Norte)
Fonte: JN
Os vegetarianos que seguem um regime alimentar equilibrado e variado apresentam uma menor incidência de cancro e doenças cardiovasculares, bem como níveis mais baixos de obesidade e hipertensão arterial em relação à restante população. Vários estudos comprovam que a alimentação à base de produtos vegetais promove uma maior qualidade de vida e protege de diversas patologias degenerativas. Desde que se observem certos cuidados. Mitos e verdades sobre a carne e a necessidade de proteína animal.
A Associação Americana de Dietética conclui, num estudo alargado publicado em 2003, que a alimentação vegetariana bem planeada, mesmo a mais radical - como a vegan, que exclui todo o tipo de produto de origem animal -, é apropriada para todas as idades, incluindo bebés e idosos, mulheres grávidas e lactantes. Mais apresenta níveis baixos de colesterol, gorduras saturadas e teores elevados de carbohidratos, fibras, magnésio, potássio, antioxidantes e várias vitaminas.
Pedro Graça, professor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, afirma que há uma relação estatisticamente comprovada entre a alimentação vegetariana e índices mais baixos de cancro do pulmão e do tracto digestivo, doenças cardiovasculares e obesidade. Estudos que compararam vários indicadores de saúde entre grupos vegetarianos e a população omnívora são bastante conclusivos quanto aos benefícios desse tipo de regime alimentar. Pedro Graça sublinha, contudo, que, embora a importância da alimentação seja inquestionável, existem outros factores que influenciam decisivamente o estado de saúde. "Verifica-se que os vegetarianos, em regra, praticam mais exercício físico, evitam o álcool e consomem menos tabaco do que a população em geral, o que contribui para prevenir diversas doenças".
Por outro, diversas investigações revelam que os défices proteicos são relativamente raros entre as pessoas que não comem carne nem peixe. A necessidade de proteínas animais é um mito? "É e não é", responde o especialista. É preciso distinguir carne de proteínas de origem animal e perceber as reais necessidades proteicas cerca de 10 a 15% do total de calorias ingeridas diariamente. Os produtos de origem animal - como a carne e o peixe, mas também o leite e os ovos - são ricos em proteínas de alta qualidade, porque têm os aminoácidos essenciais nas quantidades e proporções certas.Há muitos vegetais que também têm aminoácidos.
O problema reside nas proporções se não forem as correctas, a absorção de proteínas é reduzida. Por essa razão, é preciso saber combinar cereais com leguminosas e produtos hortícolas, por exemplo. Ou seja, é possível suprir a necessidade de proteína, recorrendo apenas a vegetais, mas é preciso alguns cuidados. Esta questão não coloca para os ovolactovegetarianos, uma vez que os produtos lácteos e os ovos são completos do ponto de vista proteico.As proteínas não são o único nutriente que pode faltar num regime vegetariano mal balanceado.
A vitamina B12 encontra-se quase exclusivamente nos alimentos de origem animal e a sua carência prolongada provoca anemia e problemas digestivos e nervosos. Algas, sementes germinadas e levedura de cerveja são alguns dos produtos com um bom teor de B12.A alimentação vegetariana durante a infância é um assunto quase tabu. É verdade que as crianças têm exigências nutricionais específicas, pelo que convém observar cuidados especiais, o que não significa, porém, que seja imprescindível comer carne e peixe.
Pedro Graça cita vários estudos realizados com crianças vegetarianas puras que apontam para um crescimento mais lento, entre o primeiro e o terceiro ano de vida, que se esbate, contudo, a partir dos cinco anos e já não é perceptível aos dez.
Há também algumas investigações que apontam para alguns défices de ferro, vitaminas B e B12, cálcio e zinco nas crianças antes da adolescência. Por essas razões, o nutricionista aconselha a que, até essa idade, o regime alimentar contemple leite e ovos para evitar carências de nutrientes essenciais.
Vegetarianismo e macrobiótica são estilos de alimentação que ainda são facilmente confundidos, embora haja diferenças substanciais. A começar pelo uso de animais. O vegetarianismo exclui carne e peixe, podendo recorrer a ovos e lacticínios, no caso dos ovolactovegetarianos. A macrobiótica defende um regime adaptado a cada pessoa, podendo incluir carnes brancas e peixe em doses baixas. Em contrapartida, evita ovos, leite e seus derivados, açúcar, chá, café e produtos refinados e também frutos e vegetais tropicais.
O princípio orientador não é tanto a origem mas se é equilibrado e sustentável, tanto para cada pessoa como para o meio ambiente. Francisco Varatojo, precursor da filosofia de vida macrobiótica em Portugal, desmistifica alguns dos preconceitos que ainda rodeiam a comida macrobiótica. "A ideia da monodieta de arroz integral é incorrecta. Defendemos uma alimentação variada, com destaque para os cereais integrais, mas também vegetais, leguminosas e algas. Não é um modelo rígido ou um dogma alimentar". A macrobiótica - palavra de origem grega composta por "macro" (grande) e "bio" (vida) - defende um estilo de vida em harmonia, tanto quanto possível, com a Natureza. Isso significa comer alimentos biológicos e naturais, preferencialmente da época e da região em que são consumidos. Propõe um padrão, um modelo, que deve ser adaptado à idade, condição e actividade física de cada pessoa, explica o director do Instituto Macrobiótico de Portugal. Razões para se ser macrobiótico, no século XXI, são variadas, garante Varatojo. Porque é benéfico para a saúde. Porque contribui para o equilíbrio do ecossistema.
fonte: aqui

14.4.06

Perseguição a professores progressistas e pacifistas nos Estados Unidos


O jornal inglês The Guardian publicou na passada semana uma reportagem que denunciava as perseguições que estavam a ser alvo os professores progressistas, muito particularmente aqueles que se manifestavam pela paz e regresso das tropas norte-americanas do Iraque. O articulista referia-se ainda ao ambiente de «caça às bruxas» e de «lei da rolha» que se vive actualmente em muitas senão todas as Universidades norte-americanas (Yale, Califórnia, Columbia, Berkeley, Stanford, etc,etc), e ainda em muitas outras escolas dos mais variados graus de ensino, ao ponto dos alunos serem convidados a denunciar os professores que se mostrarem ser progressistas, defenderem a retirada das tropas norte-americanas do Iraque ou, simplesmente, ensinarem autores ou matérias consideradas como «anti-americanas». Chegou-se mesmo ao ponto de se elaborar uma lista dos 101 mais perigosos professores de todo o país!!!
Tudo isto revela bem o que actualmente se passa nos Estados Unidos e os «progroms» que lá já se começam a viver…

Ler: aqui

Para um anarquismo sem dogmas, um novo livro de Tomás Ibáñez


Porquê o A ?
Fragmentos dispersos para un anarquismo sin dogmas.
Livro de Tomás Ibáñez
Anthropos editorial


«Podem criar-se condições de vida nas quais não exista dominação? Pergunta sem resposta segura, mas da qual decorre sem dúvida a ideia de que lá onde haja dominação sempre estará em aberto um espaço para a reinvenção do anarquismo.
Insubmissão radical da sensibilidade e do pensamento face a qualquer forma de dominação,o anarquismo é tão polimorfo e tão variável como podem ser as próprias formas de dominação.. É assim porque ele brota contínua e directamente das infinitas redes de poder que condicionam as nossas condições de vida, pelo que não se pode aprender o ainarquismo nos livros, ou encerra-lo em fórmulas definitivas, pois o que há a fazer é inventá-lo incessantemente, a partir do anatagonismo social e a partir das práticas de resistência.
Fluído e tumultuoso, o anarquismo corre os mais riscos quando se imobiliza, quando se petrifica, e quando esquece de se questionar a si mesmo. »


Este é o texto que se pode encontrar na contracapa do novo livro em castelhano, acabado de ser lançado pelas edições Anthropos, de Tomáz Ibáñez Gracia (n. Zaragoza, 1944), militante libertário de há longa data, que residiu em França entre 1947 até 1973, tendo participado em várias acções o grupos anarquistas ao longo desse tempo. É apontado geralmente como o autor da ideia do «A-em-círculo», no início dos anos 60, que rapidamente se difundiu ao ponto de ser hoje o símbolo característico dos anarquistas. Participou também activamente na revolta de Maio de 68 em Paris, assim como na luta antifranquista. Hoje em dia é professor catedrático da Universidade Autónoma de Barcelona, e autor de inúmeras obras e artigos quer sobre Psicologia e Ciências Humanas, quer sobre as ideias libertárias e a sua prática actualizada. Muitos dos seus textos encontram-se na imprensa libertária europeia.

Revista Crítica das Ciências Sociais, os dois últimos números já saíram ( nº 72 e 73)

O nº 72 e o nº 73 da Revista Crítica das Ciências Sociais já se encontram ao dispor dos interessados quer nas bibliotecas quer no circuito comercial.
O Nº 72 tem como tema de fundo a «A Acção Colectiva e o Protesto» e o seu sumário é o seguinte:


A crítica da governação neoliberal: O Fórum Social Mundial como política e legalidade cosmopolita subalterna , por Boaventura Sousa Santos.
Resumo: A governação é hoje apresentada como um novo paradigma de regulação social que veio suplantar o paradigma anteriormente em vigor assente no conflito social e no papel privilegiado do Estado, enquanto ente soberano, para regular esse conflito por via do poder de comando e de coerção ao seu dispor. Neste artigo faço uma crítica radical do novo paradigma, concebendo-o como a matriz regulatória do neoliberalismo, entendido como a nova versão do capitalismo de laissez faire. Centrada na questão da governabilidade, esta matriz regulatória pressupõe uma política de direito e de direitos que tende a agravar a crise da legitimidade do Estado. Algumas das facetas da governação podem ser encontradas no movimento global de resistência contra a globalização neoliberal que tem hoje a sua melhor expressão no Fórum Social Mundial. Ao contrário da governação hegemónica, este movimento assenta na ideia de conflito e da luta contra a exclusão social, o que se torna manifesto nas concepções e políticas de direito que adopta.


A questão da relevância nos estudos dos movimentos sociais, por Dick Flacks
Resumo: A colaboração entre Charles Tilly, Sidney Tarrow e Doug McAdam traduziu-se num quadro conceptual que hoje domina os estudos dos movimentos sociais. O trabalho destes autores teve a utilidade de dirigir a atenção para as determinações estruturais das acções de protesto, ao acentuar as oportunidades externas, as ameaças e os constrangimentos que explicam a emergência e evolução dos movimentos. Sucede, no entanto, que os estudos dos movimentos sociais se foram tornando cada vez mais "académicos", apontando sobretudo para o apuramento dos conceitos e o testar das hipóteses. Nesse sentido, o trabalho realizado nesta área não só tem perdido relevância social como tem vindo a descurar questões intelectuais que são fundamentais. Entre estas contam-se os esforços no sentido de compreender as origens do poder dos movimentos e da motivação dos activistas. Uma forma de restaurar aquilo que é relevante e substancial será fazer com que os académicos vocacionados para a questão dos movimentos retomem o diálogo com os activistas desses mesmos movimentos.


Movimientos sociales, espacio público y ciudadanía: Los caminos de la utopia, por Benjamin Tejerina
Resumo: El objeto de este artículo son las relaciones que se establecen entre los movimientos sociales y los procesos de construcción de la ciudadanía mediante la reapropiación y resignificación tanto física como simbólica del espacio público. Desde los estudios de la acción colectiva el espacio público se ha comprendido tradicionalmente como el escenario en el que tienen lugar las disputas por la legitimidad de las demandas colectivas. Pero lo que sucede en el espacio público tiene una conexión directa con los espacios de la privacidad, con los intereses privados y con la agregación de estos intereses en redes de socialidad que conectan diversas individualidades. Una especie de privacidad compartida que se hará visible cuando la movilización política ocupe el espacio público. La cristalización de las demandas que se formulan en la privacidad compartida produce la modificación del ámbito de derechos y responsabilidades de ciudadanía que cuestiona y pone en crisis los límites de la política institucional(izada).



Acção colectiva e protesto em Portugal: Os movimentos sociais ao espelho dos media (1992-2002), por José Manuel de Oliveira Mendes, e Ana Maria Seixas
Resumo: Neste artigo apresentamos uma análise das acções colectivas e de protesto ocorridas em Portugal entre 1992 e 2002. O objectivo principal é apreender de forma mais precisa a configuração social e política das acções de protesto, a sua evolução no tempo, as suas características definidoras e o reportório de tecnologias utilizado. A efervescência política e o elevado grau de mobilização detectados contrastam com as habituais afirmações da debilidade da sociedade civil em Portugal. Sendo as acções de protesto marcadas por um localismo acentuado, argumentamos que este localismo pode potenciar uma renovação da vivência política, assente na participação e na proximidade dos poderes aos cidadãos, numa democratização radical da vida social e política. A violência que perpassa muitas das acções analisadas não pode ser lida como a reminiscência de uma qualquer violência primordial ou de lógicas atávicas de actuação política, mas sim como um indicador da maturidade democrática da sociedade portuguesa. A centralidade da escola, a todos os seus níveis de ensino, nas acções de protesto revelam quão importante é a educação e o capital escolar nas estratégias familiares de reprodução e de mobilidade sociais na sociedade portuguesa.


Os novos movimentos de protesto em França. A articulação de novas arenas públicas, por Daniel Cefai
Resumo: Este artigo traça um panorama crítico da emergência dos novos movimentos de protesto (NMP) em França, nas últimas décadas. Argumenta-se que desde meados dos anos oitenta, novas arenas públicas foram abertas pelos NMPs, seguindo as transformações da sociedade salarial e da política pública, e respondendo à mundialização crescente dos mecanismos económicos, estratégicos e sociais. Para quem investe politicamente nos NMPs, a importância da sua emergência reside no rearmamento da crítica social e na reconstituição de uma esquerda radical. Novos problemas públicos se impuseram aos cidadãos, aos especialistas e aos decisores políticos, em particular em torno da questão dos "sem documentos", dos "sem trabalho" e dos "sem abrigo" mas também da saúde pública, da ecologia ou do consumo. Novos actores colectivos, ONGs, movimentos e coordenações tornaram-se os parceiros e os adversários incontornáveis dos poderes públicos. Contudo, alerta-se para o perigo destes movimentos resvalarem para uma acção político-partidária institucional, que poria em causa a acção concertada da esquerda política e a eficácia da sua actuação quer no contexto nacional quer no contexto europeu.

"Só é vencido quem deixa de lutar": Protesto e Estado democrático em Portugal, por José Manuel de Oliveira Mendes
Resumo: Procuro neste artigo apreender como se constrói a cidadania a partir do estudo de um espaço local fortemente marcado por uma lógica de mobilização colectiva. O estudo de caso é usado para perceber as dinâmicas de intersecção da comunidade em análise com as lógicas de controlo e de poder do Estado central. Argumento também que os conceitos de populismo, caciquismo, cesarismo, etc. reconfigurados pelas elites políticas e mediáticas às exigências do jogo democrático, remetem para comportamentos irracionais e desqualificam a capacidade de subjectivação política das pessoas e das populações, elidindo os processos sociopolíticos que poderão explicar determinadas acções ou representações no campo da política.


Aprender a democracia: Jovens e protesto no ensino secundário em Portugal, por Ana Maria Seixas
Resumo: A partir, fundamentalmente de relatos na imprensa e de entrevistas a alunos do ensino secundário, pretende-se, neste artigo, analisar as três principais mobilizações de protesto dos alunos do ensino secundário em Portugal desde os anos 90: a contestação à Prova Geral de Acesso ao Ensino Superior em 1992 e às Provas Globais em 1994, bem como o movimento contra a Política Educativa e Revisão Curricular no final da década de 90 e início da primeira década de 2000. Procura-se compreender porque protestam os alunos do ensino secundário, quais os motivos e lógicas de justificação invocados, como se organizam e como vêem a sua participação, numa época em que a educação para a cidadania, visando a formação de cidadãos conscientes e participativos, é por demais salientada.



Por seu turno o nº 73, correspondente ao passado mês de Dezembro, tem o seguinte sumário:

Da construção identitária a uma trama de diferenças — Um olhar sobre as literaturas de língua portuguesa (p. 3-28)Laura Cavalcante Padilha

Política de imigração: A regulação dos fluxos (p. 29-44)Maria Ioannis Baganha

A sociologia de Marcel Mauss: Dádiva, simbolismo e associação (p. 45-66)Paulo Henrique Martins

Fazer o bem compensa?Uma reflexão sobre a responsabilidade social empresarial (p. 67-89)Maria Alice Nunes Costa

Novos espaços produtivos e novas-velhas formas de organização do trabalho:As experiências com cooperativas de trabalho no Nordeste brasileiro (p. 91-110)Jacob Carlos Lima

Afinal, o que é mesmo a Nova Sociologia Económica? (p. 111-129)João Carlos Graça