12.1.06

Quando Cavaco obrigou os portugueses a trabalhar no feriado do Carnaval


Corria o ano de 1993. Estávamos em pleno mês de Fevereiro. A rotina seguia o seu curso. Aproximava-se o feriado do Carnaval, que naquele ano correspondia ao dia 28 de Fevereiro. O Carnaval sempre foi - e é - uma ocasião festiva que é aproveitada por muitos para retemperar forças, divertir-se um pouco e esquecer as agruras da vida. Dá-se então o inesperado.
Uma portaria do Governo PSD de Cavaco Silva retirava o tradicional feriado para os funcionários públicos para a terça-feira de Carnaval. Foi a estupefacção geral, em todo o país. Mais do que indignação, a medida governamental foi encarada como um acinte e motivo de irrisão generalizada.
No próprio dia era ver a rádio e a televisão a fazer reportagens em directo, a partir dos locais de trabalho, para os trabalhadores darem publicamente conta, de forma sarcástica e corrosiva , como aquele dia estava a ser inesquecível, «altamente produtivo para o PIB nacional» e um contributo insubstituível para o aumento da produtividade do país !!!

Aquela retirada do feriado do Carnaval aos funcionários públicos foi o sinal da degenerescência do cavaquismo e marca, na verdade, o início da queda vertiginosa do mito providencial do populismo cavaquista. Até ver...

O século XXI será ocioso e sem facturas


Em consequência do desenvolvimento dos transportes internacionais de mercadorias e dos sistemas de telecomunicação modernos, o capitalismo dominante não está naturalmente muito inclinado a realizar economias de energia e a utilizar recursos renováveis enquanto existirem reservas de petróleo ao seu dispor. O capitalismo não possui nenhuma inteligência global e não parará enquanto não sentir falta de recursos naturais. Em vez de uma «formidável faculdade de adaptação» como garante de progresso, conviria antes falar de uma lógica primária de predação, senão mesmo de devastação. É, por isso, inútil esperar por uma redução das emissões de gases com efeito de estufa ou uma melhoria climática antes da penúria material do petróleo. Desgraçadamente parece que não estamos longe dessa situação. O petróleo vai certamente desaparecer de forma lenta mas inevitável. Entre 2010 e 2020 a sua produção diária irá atingir o seu máximo antes de iniciar uma descida imparável. O petróleo apenas inaugurará uma série que irá prosseguir com o esgotamento dos recursos como do gáz natural, do carvão e do urânio. Não existe uma solução mágica para a escassez do petróleo. Os políticos preferem não falar de catástrofe uma vez que isso pressupunha a necessidade de dar respostas o que eles sabem não poder dar. A ideia do pico do petróleo seguido de um declínio é recusada ainda por várias pessoas convencidas no progresso ilimitado da ciência ou que recusam simplesmente essa ideia por criar demasiada angústia.
Num futuro próximo vai ser preciso limitar as deslocações e de re-localizar as actividades vitais desenvolvendo alternativas que nos conduzam à autonomia, ao respeito pelo ambiente e provavelmente a um modo de funcionamento augestionário.
Com efeito, o custo elevado do petróleo e da energia repercutir-se-á nas matérias-primas e nos bens de produção final. A rede de transportes internacional irá lentamente retrair-se. Os Estados Unidos – cuja intervenção no Iraque reflecte mais uma reacção de pânico do que preocupações democráticas – não poderão sustentar o modelo sobre o qual se baseia o seu crescimento económico. As cidades não demorarão a seguir um regime energético com base nos transportes comuns, partilha de transportes, A vida tornar-se-á mais onerosa, e as relações de força entre empregadores/empregados orientar-se-ão para novos enquadramentos ( pagamento pelo tempo de transporte e de deslocação…) e a questão social da partilha assumirá um grande relevo à medida que diminuir o que houver para compartilhar. O mundo rural oferecerá condições e vantagens que poderão torná-lo atraente a longo prazo, desde a proximidade dos alimentos, economia de custos, uso de biomassa como carburante, ou da madeira para o aquecimento, até aos espaços para as energias eólicas e a possibilidade de aplicação de técnicas de arquitectura bioclimáticas avançadas. Pode-se pois imaginar que o futuro do homem será cada vez mais ocioso, em que se trabalhará cada vez mais, nos alimentaremos com produtos biológicos ( note-se que a agricultura intensiva alimenta-se de petróleo), que haverá mais autonomia e respeito pela natureza, e onde se participará na vida de sociedades locais autogeridas em relação com o resto do planeta por meio dos meios de telecomunicação pouco dispendiosos de energia.
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Texto dos trabalhadores da terra e do ambiente da CNT francesa
CNT 63. Syndicat des Travailleurs de la Terre et de l’Environnement
2, place Poly 63100 Clermont-Ferrand

Amnistia Internacional denunciou novas torturas e maus tratos em Guantánamo


Quando passa o 4º aniversário dos primeiros internamentos de prisioneiros em Gantanamo Bay, a Amnistia internacional divulgou novos testemunhos de tortura e de maus tratos sobre os detidos que se encontram naquele tristemente célebre centro de detenção do exército norte-americano.
Entre os testemunhos revelados conta-se o de um dos primeiros detidos a serem transferidos para Guantanamo, Jumah al Dossari de 32 anos que foi para lá transferido em Janeiro de 2002 depois de ter sido preso pelas forças norte-americanas na base aérea de Kandahar no Afeganistão.
O seu testemunho, confirmado por várias pessoas, entretanto, libertadas, contám várias alegações de torturas morais e físicas, para além de sistemáticos maus tratos que lhe foram infligidos.
«Em Guantanamo cerca de 500 homens foram tratados de uma forma que é completamente inaceitável» refere explicitamente a Amnistia Internacional, conhecida organização não-governamental de defesa dos direitos humanos, acrescentando que nessas condições não seja surpreendente que certos indivíduos preferissem morrer a terem de se sujeitar a tais torturas.
A Amnistia Internacional refere-se ainda ao caso do jornalista da Al Jazira, Sami al Haji, transferido em Guantanamo em Junho de 2002 depois de ter estado preso em Bgram e Kandahar, assim como ao caso de Abdulsalam al Hela, homem de negócios iémenita , transferido secretamente para Guantánamo.
«Não há qualquer solução de remedeio para Guantanamo. O centro de detenção deve ser imediatamente encerrado e ser aberto um inquérito sobre os maus tratos e torturas que aí foram realiazadas desde 2002», conclui a Amnistia Internacional.

Sobre estas matérias consultar:

USA : Testimony of Guantánamo detainee Jumah al-Dossari (index AI : AMR 51/107/2005) ;
Estados Unidos: quem são os detidos em Guantánamo? Caso nº 11:Jumah al Dossari, cidadão iemenita (index AI : AMR 51/129/2005) ;

USA : Who are the Guantánamo detainees - Sami al Hajj (index AI : AMR 51/207/2005) ;

USA : Who are the Guantánamo detainees - Abdulsalam al-Hela (index AI : AMR 51/206/2005).

...no seguinte site:

http://news.amnesty.org/pages/usa-n...

Sobre a campanha conduzida pela Amnistia Internacional contra os maus tratos no quadro da «guerra contra o terrorismo», consultar:

http://efai.amnesty.org/torture
ou
http://www.amnesty.org


«…os piores dias da minha detenção foram marcados por privações, actos de humilhação, de opressão e de sofrimentomental…»

«…não estava autorizado a falar senão a 3 pessoas, que eram quem me torturavam…»

«…tornei-me numa espécie de castelo de cartas que não parava de cair, qualquer que fosse o lado por onde se tentasse reconstruí-lo…»

( palavras de Jumah al Dossari)

Destituição de Blair


Está a ser lançado um grande movimento com vista à destituição do primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Um dos signatários é o General Sir Michael Rose, comandante indigitado pela Nações Unidas para a Bósnia.

Consultar:

Vigiando a Polícia


Já existe uma importante base de dados internacional sobre as brutalidades e ilegalidades cometidas pelas forças policiais, a Copwatch.com (http://www.copwatch.com/) que pretende salvaguardar a segurança pública e promover a contenção nas acções realizadas pelos agentes e forças policiais no estrito cumprimento das normas legais e no respeito pelos direitos, garantias e liberdades dos cidadãos.


10.1.06

A tensão entre regulação e emancipação



«A tensão entre regulação e emancipação entrou num longo processo histórico de degradação caracterizado pela gradual e crescente transformação das energias emancipatórias em energias regulatórias»
Boaventura Sousa Santos, in « A crítica da razão indolente. Contra o Desperdício da Experiência» ( 2000)

The Wire seleccionou os discos do ano de 2005


Para além do mainstream musical, geralmente associado à cultura de massas e à industria musical dominante, encontramos muitas outras formas minoritárias de expressão musical desde as chamadas etnomusicologias até à música improvisada. Por isso mesmo considerámos útil a divulgação das preferências musicais do ano de 2005 segundo a revista The Wire ( www.thewire.co.uk ), conhecida por ser um importante canal de divulgação das músicas de vanguarda e de improvisação.

Os 50 discos do ano de 2005 seleccionados pela Wire

(músico/grupo – disco - editora)

The Books – Lost And Safe – Tomlab

MIA – Arular – XL

Animal Collective – Feels – FatCat

Richards Youngs – The Naive Shaman - Jagjaguwar

The Lappetites – Before Tje Libretto - Quecksilber

The Focus Group - Hey Let Loose Your Love – Ghost Box

LCD SoundSystem – LCD Soundsystem – DFA

Tetuzi Akiyama – Route 13 To The Gates of the Hell: live in Tokyo – Headz

CocoRosie – Noah’s Ark – Touch and Go

Boards of Canada – The Campfire Headphase – Warp

Antony & The Johnsons – I Am a bird – Rough Trade

Ariel Pink – Worn Copy – Paw Tracks

The Chap – Ham - Lo Recordings

Black Mountain – Black Mountain – Jagjaguwar

Isolée – We are Monster - Playhouse

David Behrman – My Dear Siegfried – XI

The Sealed Knot – Unwanted Object – Confront Collectors Séries

Kokono nº1 – Congotronics – Crammed Discs

Edan – The Beauty and The Beat – Lewis Recordings

Jackson & His Computer Band – Smash – Warp

Lightning Bolt – Hypermagic Mountain – Load

Lau Lau – Kuutarha – Locust Music

Thuja – Pine Cone Temples – Strange Attractors Audio House

Sunburned Hand of The Man – Wedlock – Eclipse

Kanye West – Late Registration - Roc-A-Fella

John Fahey – The Great Santa Barbara Oil Slick – Water

Mouthus – Slow Globes – Troubleman

Sufjan Stevens – Illinoise – Rough Trade

Rova :: Orkestrova – Electric Ascension – Atavistic

John Wall – Cphon – Utterpsalm

Jamie Lidell – Multiply – Warp

Susan Howe & David Grubbs – Triefth – Blue Chopsticks

Broadcasr – Tender Buttons – Warp

Om – Variations on a Theme – Holy Mountain

Low – The Great Destroyer – Rough Trade

Akron/Family – Akron/Family – Young God

John Coltrane – One Down, One Up: Live at the Half Note – Impulse

Brian Eno – Another Day on the Earth – Hannibal

Josephine Foster – Hazel Eyes, I Will Lead You – Locust Music

Prurient – Black Vase – Load

Bonnie ‘Prince’ Billy & Matt Sweeney – Superwolf – Domino

Sightings – Arrived in Gold – Load

Masayuki Takayanagi – Action Direct – Tiliqua

Einstürzende Neubauten – Grundstück –
www.neubauten.org

Pelt – Untitled VHF

Mattew Herbert – Plat Du Jour – Accidental

Buck 65 – Secret House Against The World – Warners

Six Organs of Admittance – School of the Flower – Drag City

Keiji Haino – Global Ancient Atmosphere – PSF

Eliane Radigue – Elemental II – ROSA




As selecções na categoria do Rock de Vanguarda

Birchville Cat Motel with Lee Ranaldo – 30th December 2004 – Celebrate Psi Phenomenon

Burning Star Core – The very heart of the World – Thin Wrist

Double Leopards – Out of one, through one and to one – Eclipse

Earth – Hex; or printing in the infernal method – Southern Lord

Hisato Higuchi – 2004 11 2005 – Ghost Disc

Jandek – Glasgow Sunday – Corwood

Mouthus – Slow Globes – Troubleman

MV/EE & The Bummer Road – We offer you guru – Child of Microtones

Om – Variations on a Theme – Holy Mountain

Skullflower – Orange Canyon mind – Crucial Blast

Sunburned Hand of the Man – Wedlock – Eclipse

Sunn O))) – Black One – Southern Lord

Jack Rose – Kensington Blues – Beautiful Happiness

Yellow Swans/Grey Daturas – Copper/Silver – JYRK

Wooden Wand & The Vanishing Voice – Buck Dharma – Time-Lag


As selecções na categoria «Critical Beats»

Isolée – My Hi-Matic – Playhouse

DJ Koze – Don«t Feed the cat – Kompatkt

Motiivi: Tunetmaton – 1939 – Freundinnen

Don Atom featuring Tea time – Mueve La Cintura – Essay Recordings

Skream – Midnight Request Line – Tempa

Tori Alamaze – Don’t Cha – Universal

Les visiteurs – Snoop’s Acid Drop – White Label

Lindstrom – I feel Space – Feedelity

Paul Kalkbrenner – Tatu-Tata – Bpitch Control

Matias Aguayo – Drums & Feathers – Kompakt

Hell – Follow you ( Dominik Eulberg Remix) – Gigolo

Aswefall – Ride ( Der Schmeisser Lovelysplintermix) – Kill the DJ

Rude 66 – Die Starke Der Vernichtenden Schlage – Bunker

George Issakidis – Understand What I’m Saying – NovaMute

MANDY vs Booka – Shade Mandarine Girl – Get Physical


As selecções na categoria Dub


The Bug featuring Warrior Queen – Dem A Bomb We – Ladybug

Buh Chemists – Raw Raw Dub – ROIR

Coki – Officer/Mood Dub – DMZ

Digidub & Fairshare – Unity Sound System I Scream/No Way/Versiona – David

Prince Far I – Silver & Gold – Blood And Fire

Kode9 & Space Ape – Kingstown/Kingstown Dub – Hyperdub

Damian Marley - «Welcome to Jamrock» - Tuff Gong International

Ranking Joe – World In Trouble – M Records

Ricky Ranking – Can’t Trick – Banana Klan

Ossie All Stars – Leggo Dub – Hot Pot

Phillip Smart Productions – Five Borough Fire: Digital Dancehall NYC Style – Street Platinum & Gold

Tempa All Stars – Tempa All Stars vol.2 – Tempa

Travellers Black – Black Minds – Pressure Sounds

Various – Jack Ruby Hi-Fi – Auralux

Various – Studio One Roots 2 – Soul Jazz


As selecções na categoria de música Global

Abdullah Chhadeh & Nara - Seven Gates - ABYC

Konono Nº1 – Congotronics – Crammed Discs

Oki – Tonkori – Chikar Studio

Lobi Traoré – The Lobi Traoré Group – Honest Jon’s

Various – Afro Baby: The Evolution of the Afro-Sound in Nigéria 1970-79 – Sound Way

Various – Albania: Labë Country Complaints And LOve Songs – Ocora

Various – Congrotronics 2: Buzz ‘N’ Rumble from the Urb ‘N’ Jungle – Crammed Discs

Various – Folk and pop sounds of Sumatra vol.2 – Sublime Frequencies

Various – Molam: Thai Country Groove from Isan - Sublime Frequencies

Various – Out of Cuba: Latin American Music Takes Africa by Storm – Topic

Various – The Naked Prey OST – Latitude

Various – The Rough Guide to the msic of the central Ásia Uzbekistan to Kazakhistan: sounds of the Silkroad – World Music Network

Various – Tibetan Buddhist Rites from the Monasteries of Bhutan vol.1 – Sub Rosa

Various – Sleeping in the Market: Ethiopian Music & Sounds from Amhara – Latitude

Various – Thai Beat A Go-Go vol.3 – Subliminal Sounds



As selecções na categoria HIP-HOP

Aasim – Hip-hop 101 – AV8

Edan – Beauty and the beat – Lewis Recordings

Ghostface – Kilos – Det Jam

Ellay Khule – Califormula – Decon/Project Blowed

Legendary KO – George Bush doesn’t care about black people – N/A

Mac Dre & Mac Mall – Dredio – Thizz

Mistah FAB – Super Sic Wit – Thizz

Quasimoto – The Further Adventures of the Lord Quas – Stones Throw

Sadat X – Experience and Education – Female Fun

Juelz Santana – There It Go – Det Jam

Beanie Sigel – The B. Coming – Roc-A-Fella

13 & God – EP – Alien Transístor

Three 6 Mafia – Stay Fly – Columbia

TTC – Batards Sensibles – Big Dada

Tuff Crew & Krown Rulers – Phanjam – Traffic




As selecções na categoria de Jazz Improvisado


Chris Abrahams – Thrown – Room 40

Derek Bailey – Carpal Tunnel – Tzadik

Clive Bell & David Ross – Mystery Lights/ Nightsflowers – Metier Jazz

Bill Carrothers – Civil War – Illusion

Cold Bleak Heat – It’s Magnificent, but it isn’t War – Family Vineyard

Cooper-Moore & Assif Tsahar – Tells Untold – Hopscotch

Crowther/Franklin/Marsh – Amherst Dislodged – Slam

Paul Flaherty & Chris Corsano – Steel Sleet – Tyyfus

Mochizuki Harutaka – Solo Document 2004 – Bishop

Kerbaj/Sehnaoui/Sehnaoui/Zach – Rouba 3i5 – Al Maslakh

Mat Maneri – Pentagon – Thirsty Ear

MEV & AMM – Apogee – Matchless

Owl Sounds – Owl Sounds with Arrington DeDionyso – Colour Sounds Recordings

ROVA :: Orkestrova – Electric Ascension – Atavistic


As selecções na categoria de Composição Moderna

David Behrman – My Dear Siegfried – XI

Harrison Birtwistle – The triumph of time/Gawain’s Journey – NMC

Candlesnuffer – Apsomeophone – Lexicon Devil

Henry Cowell – A Continuum Portrait – Naxos

Gérard Grisey – Le noir de l’étoile – Accord

Alvin Curran – Maritime Rites – New World

Morton Feldman – Violin and Orchestra – Col Legno

Morton Feldman/Christopher Fox – Clarinet Quintets –Metier

Tristan Murail – Complete Piano Music – Metier

Terry riley & Michael McClure – I like your Eyes Liberty - Sri Moonshine

David Rosenboom/JB Floyd/Tricky Sankaran – Suitable for Framing – Mutable

Giacinto Scelsi – Suotono Rotondo – Wergo

Salvatore Sciarrino – Fiato – Stradivarius

James tenney – Pika-Don – Hat Hut

Iaanis Xenakis – Orchestral Works vol.4 – Timpani


As selecções na categoria de «inqualificáveis»

Avarus – Ruskeatimanti – Tumult

Keith Berry – The ear that was sold to a fish – Crouton

Maurizio Bianchi & Land Use – Psychoneurose – Manifold

Boris with Merzbow – Sun Baked Snow Cave – Hydra Head

Andrew Chalk – The river that runs into the sand – Faraway press

Double Leopards & Wolf Eyes – Breeding Turbines – American Tapes

Sophie Durand & Manu Holterbach – Verres Enharmoniques: Un – Cloudmirror

Henry Flynt – Purified by the fire – Locust Music

Grouper – Way their crept – Free Porcupine society

Keiji Haino – Uchu Ni Karami Tsuiteiru Waga Itami – PSF

Inca Ore – A knit of my own Fibers/ when you are sleeping I tell you secrets – JYRK

Paavoharju – Yhä Hämärää – Fonal

James Plotkin – Kurtlanmak – Utech

Prurient – Black Vase –Load

Alexander Tucker – Old Fog - ATP


As selecções na categoria de Compilações

American Primitive vol.II: pré-war revenants 1897-1939 - Revenant

An Anthology of Noise & Electronic Music Third A-Chronology 1952-2004 – Sub-Rose

Archives GRM - INA/GRM

Berlin Super 80 – Monitorpop

By The Fruits You Shall Know The Roots – Eclipse/Time-Lag

Can You Jack? Chicago Acid and Experimental House 1985-95 – Soul Jazz

Doctor Who at the BBC Radiophonic workshop vol.I: the early years 1963-69 – Mute

Freq_out – Ash International

Ghana Soundz vol.2 – Soundway

Good for what ails you: music of the medicine shows 1927-37 – Old Hat

Die Grosse Untergangsshow: festival genialer dilletanten – Vinyl-on-demand

Invisible Pryramid: Elegy box – Last Visible Dog

New Thing! Deep Jazz from the USA 1970-85 – Soul Jazz

Run the road vol.1 – 679 Recordings

Spire: Live in Geneva Cathedral, Saint Pierre – Touch

10 Yrs Séries – Carbon

The Sexual Life of the Savages: underground post-punk from São Paulo, Brazil – Soul Jazz

Tokyo Flashback 5 – PSF

Total 6 – Kompakt

Qbico U-Nite New York I/Bruxelles II - Obico



As selecções na categoria de Reedições

AFX – Hangable Autobulb – Warb

Borbetomagus – Barbed Wire Maggots – Agaric

Shirley Collins & Davy Graham – Folk roots, New roots – Fledg’ling

Comus – Complete Recordings – Sanctuary

Contemporary Jazz Quintet – Actions 1966-67 – Atavistic Unheard Music Séries

Bill Fay – Time of the last persecution – Eclectic

GI Gurdjieff – Harmonic Development: the complete harmonium recordings 1948-49 – Basta

Toshi Ichiyanagi – Opera from the Works of Tadanori Yokoo – Bridge

Kemialliset Ystävät – Kellari Juniversum – Fonal

Basil Kirchin – Abstractions of the industrial north – Trunk

Gottfried Michael Koenig – Accousmatrix 1 / 2 – Bvhaast

Ennio Morricone – Crime and dissonance – Ipecac

Last Exit – Köln – Atavistic

Moondog – Moondog – Honest Jon’s

Naked City – Complete Studio Recordings – Tzadik

Steve Reich & Musicians – Live 1977 – The Kitchen

Sonny Sharrock – Black Woman – Water

Judee Sill – Dreams Come True Hi Love You Right Heartily Hers – Water

Soft Machine – Out-Bloody-Rageous: na anthology 1967-73 – Sony

Sonic Youth – Goo Deluxe - Geffen

Spontaneous Music Ensemble – A new distance – Emanem

Mark Stewart –Kiss the future – Soul Jazz

The Stooges – Heavy Liquid – Easy Action

Super_Collider – Raw Digits – Rise Robots Rise

Masayuki Takayanagi Angry Waves – Dislocations - Jinya




Concerto de Amâncio Prada na Guarda ( 14 de Jan.)


O conhecido cantautor Amâncio Prada, de origem castelhana ( cidade de Léon), antigo companheiro de canções de George Brassens, e um exímio trovador, dá um concerto no próximo dia 14 de Janeiro no teatro municipal da cidade da Guarda.

Histórias do Pequeno ao Moço ( nos Maus Hábitos)


Aos Domingos, a partir das 11 horas da manhã, realizam-se no bar Maus Hábitos ( à Rua Passos Manuel, Porto) sessões-espectáculos de contadores de histórias, dirigidas ao público infanto-juvenil, e onde se oferece também o pequeno almoço.
As sessões são sobretudo dirigidas para as escolas e infantários, mas estão abertas também ao público em geral ( entrada: 3 euros)

6.1.06

Semana Vermelha ( Berlim, 6 a 11 de Janeiro de 1919)

Os Conselhos Operários na Alemanha: pequena nota histórica

Em 6 de Janeiro de 1919, depois da sublevação spartakista, deflagram combates em Berlim e multiplicam-se manifestações e recontros em várias cidades alemãs opondo forças populares contra o aparelho repressivo estatal e a forças para-militares reaccionárias.
Em 11 de Janeiro, o general Noske entra em Berlim e começa uma repressão implacável contra elementos e forças revolucionárias
A 15 de Janeiro dois dos mais destacados dirigentes operários, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht são assassinados.

Recorde-se que no ano anterior a Alemanha tinha assistido a um crescendo de greves e lutas sociais e de insurreições operárias e de marinheiros que levaram em Novembro de 1918 à proclamação da República Socialista da Baviera ( República dos Conselhos de Munique) e à criação de conselhos operários em várias outras cidades alemãs como em Bremen, a fim de instituir o poder dos Conselhos Operários, como resposta à tentativa da burguesia de constituir uma republica burguesa com os sociais-democratas (como Friedrich Ebert) na liderança, o que viria a suceder a 9 de Novembro de 1918 em consequência do imperador e dos príncipes terem abandonado os seus cargos após a derrota militar sofrida na I Grande Guerra.

Depois da repressão e do esmagamento das revoltas proletárias ( o exército reconquista Munique, em Maio de 1919, pondo termo à Republica dos Conselhos da Baviera e fuzilando os seus dirigentes), a burguesia organizou eleições que levaram à promulgação da Constituição de Weimar em 11 de Agosto de !919 à sombra da qual veio a florescer as forças hitlerianas que mais tarde tomaram o poder.

http://fr.wikipedia.org/wiki/R%C3%A9volution_allemande

Físicos contra o recurso às armas nucleares


Corre pelo mundo uma petição internacional subscrita por mais de um milhar de físicos ( actualmente já 1688 físicos a assinaram), alguns deles Prémios Nobel, contra o projecto do departamento de Defesa norte-americano que pretende autorizar o recurso às armas nucleares contra os países não-nuclearizados, isto é, que não possuem armas nucleares.
Escusado será dizer que um projecto deste género por parte da Administração Bush tem um alvo muito claro: o Irão.
Note-se ainda que existe uma petição paralela para todos os restantes interessados em subscrevê-la.

Para consultar a petição e subscrever, consultar:

http://physics.ucsd.edu/petition/

Substituir os métodos passivos pelos métodos activos de aprendizagem


«É indispensável substituir por toda a parte, os métodos passivos em que o aluno se limita a receber a lição do professor ou o ensino do livro, pelos métodos activos que exercitam os dedos, estimulam a observação e provocam a reflexão pessoal; aos métodos que enchem a memória, os que formam o carácter e a inteligência; ao ensino pela lição, a educação pela acção…»

Magalhães Lima, 1910

5.1.06

Morreu o poeta António Gancho


O poeta António Gancho, de 66 anos, faleceu na Casa de Saúde do Telhal, onde se encontrava internado desde o ano de 1967. O seu falecimento foi em consequência de um ataque cardíaco ocorrido no passado 1 de Janeiro, dia em que se cumpria 39 anos que se encontrava internado naquela instituição de saúde mental no concelho de Sintra.

A sua obra não é vasta, mas não deixa de ser valiosa na recente literatura portuguesa. Esteve ligado ao grupo dos poetas surealistas, com quem privou no mítico café do Gelo.
António Gancho era natural de Évora, indo depois para Lisboa onde fez tertúlia com o poeta António Charrua e o pintor Álvaro Lapa.
A Assírio & Alvim publicou recentemente dois dos seus livros: «As dioptrias de Elisa» e «O ar da manhã» (reunião de quatro livros escritos entre 1967 e 1985).


http://www.cidadevirtual.pt/up-arte/dois/gancho-p.html

geocities.yahoo.com.br/poesiaeterna/poetas/antoniogancho.htm



Reproduzimos uma das suas poesias:

Noite Luarenta


Noite luarenta
Noite a luarar
Noite tão sangrenta
Noite a dar a dar
Na chaminé da planície
a solidão a cismar
na chaminé da planície
noite luarenta a dar a dar
Noite luarenta
noite de mistério
noite tão sangrenta
solidão cemitério
Na chaminé da planície
o Alentejo a solidar
noite luarenta que o visse
noite luarenta a dar a dar
Noite luarenta
noite luarol
na chaminé da planície
o temor e o tremor
O cavalo a luarar
a lua a fazer meiguice
noite luarenta a luarar
noite luarenta a luarice.

António Gancho

O emprego mata mais que a guerra


4 mortes por minuto.
Os acidentes laborais e as doenças do trabalho provocam em cada ano mais vítimas que os conflitos armados, segundo afirma a Organização Internacional do Trabalho (OIT) num texto redigido recentemente a propósito do Dia internacional da saúde e da segurança no trabalho

Os chimpanzés não toleram injustiças

Chimpanzés Não Toleram Injustiças... se vierem da parte de estranhos
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Os chimpanzés têm o sentido da justiça, como os humanos?
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Pode um chimpanzé sentir-se ofendido por um companheiro receber uma recompensa, enquanto ele fica a ver navios, apesar de ter feito algo que merecia pelo menos uma coçadela nas costas, à laia de obrigado?
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Os primatólogos Sarah Brosnan e Frans de Waal dizem que sim, mas tudo depende da força dos laços sociais que os unem - tal como acontece entre os seres humanos, afinal. Num artigo publicado na revista "Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences", os cientistas da Universidade de Emory e do Centro de Investigação de Primatas de Yerkes (Atlanta, EUA) relatam experiências feitas com chimpanzés que mostram que estes grandes primatas podem tolerar injustiças se o companheiro que a protagonizar for um velho amigo, com quem mantêm bom relacionamento no grupo.
Se for um estranho, ou se se conhecerem há pouco tempo, a injustiça dificilmente será perdoada. "A variação na resposta dos chimpanzés dependia do grupo social a que pertenciam", explicou Sarah Brosnan à Reuters.
"Isto é interessante porque os psicólogos sociais descobriram que os seres humanos apresentam a mesma variabilidade de resposta com base na qualidade das suas relações sociais."
Frans de Waal, que é holandês mas vive nos EUA há muitos anos, escreveu vários livros sobre chimpanzés e outros primatas. O primeiro chamava-se "Chimpanzee Politics" (política de chimpanzés, numa tradução literal), e ilustra bem a linha de investigação que ainda segue. Como director do Centro Living Links, na Universidade de Emory, estuda a evolução humana através da investigação das nossas semelhanças genéticas, anatómicas, cognitivas e comportamentais com grandes primatas como os chimpanzés - que, geneticamente, são pelo menos 98 por cento idênticos aos humanos.
O sentido da justiça é algo que consideramos muito humano mas, ao que indicam estas experiências, está longe de ser exclusivamente humano. Em 2003, Sarah Brosnan e Frans de Waal publicaram na revista "Nature" um estudo em que afirmavam que os macacos capuchinhos mostravam ter sentido da justiça (ver "Capuchinhos têm sentido da justiça", PÚBLICO de 18 de Setembro de 2003). Experiências mostravam que estes macacos da América Central e do Sul ("Cebus apella") recusavam-se a aceitar uma recompensa menor, se os cientistas lhes davam pepino em vez das uvas de que estavam à espera, e viravam as costas a quem lhes fazia a proposta desonesta.
"É a primeira vez que se descobre o sentido da justiça noutro animal que não um ser humano", explicava Brosnan. "O sentido de justiça é, provavelmente, universal (...). Mas não somos a única espécie em que há cooperação, pelo que a aversão à desigualdade pode não ser uma característica unicamente humana", escreviam os investigadores.
O estudo com os capuchinhos mostrava que o sentido de justiça podia existir em dois primatas que partilharam o último antepassado comum há cerca de 40 milhões de anos - os capuchinhos e os humanos, que são igualmente cooperantes.
Os chimpanzés e os humanos seguiram uma evolução distinta há apenas cinco a sete milhões de ano, portanto poderiam ser modelos mais próximos para perceber este processo. "As decisões humanas costumam ter uma fundamentação emocional e variam, consoante as pessoas envolvidas", explica Brosnan, citada num comunicado e imprensa da sua universidade.
Essa fundamentação emocional parece ser partilhada com os chimpanzés: uma vez que os que recebiam pepinos em vez de uvas como recompensa em troca de uma tarefa só reagiam mal se o companheiro que recebia as desejadas uvas era alguém com quem conviviam há pouco tempo, os cientistas concluem que o sentido da justiça se desenvolveu como uma resposta adaptativa. "Não há uma resposta certa para cada situação, tudo depende do ambiente social."
Assim sendo, o sentido da justiça pode ser um processo de adaptação evolutiva antigo: "As respostas dos capuchinhos, bem como as dos chimpanzés, que são a espécie mais próxima da dos humanos, podem representar fases da evolução de respostas complexas à injustiça que são comuns aos seres humanos e podem ajudar a compreender por que é que tomamos certas decisões", conclui Brosnan.
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"Numa sociedade em que existe muita cooperação, como as dos humanos e dos chimpanzés, cada indivíduo precisa de avaliar os seus próprios esforços, comparando-os com os dos outros, bem como as recompensas, para evitar que alguém se aproveite", disse Frans de Waal, citado pelo "site" noticioso da revista "Nature" ( http://www.nature.com/news ). Por isso, a cooperação pode ter evoluído como um contraponto à aversão à desigualdade, conclui.

4.1.06

O altruísmo no novo livro de Frans de Waal


Surgiu no ano passado mais um novo e interessantíssimo livro de Frans de Waal, «Our Inner Ape», Riverhead Books, 2005 que demonstra como o altruísmo desinteressado se encontra intimamente inscrito na nossa herança biológica.

Uma fêmea bonobo, kuni, vê um estorninho ir ao encontro de um vidro. Ela pega delicadamente o pássaro em estado de choque e põe-lo em pé. Como ele não dá de si, ela dá-lhe um impulso, mas apenas se limita a mexer nas asas. Kupi sobe então à árvore mais alta das proximidades, sem ajuda das mãos que estão ocupadas com o pássaro. Com cuidado, ela afasta as asas, cada una numa das suas mãos, e em seguida lança-o no ar tal como uma criança faz comum avião de papel. O estorninho poisa no chão. Kuni desce da árvore e cuida dele. À noite, o pássaro bate as asas e vai-se embora.

Frans de Waal já tinha relatado esta história no seu livro anterior que consagrara aos bonobos. Fala-se mais uma vez da perturbante proximidade destes primos dos chimpanzés. Ao longo das suas obras, o conhecido primatólogo trata e aprofunda a ideia central que ele desenvolve nas suas pesquisas desde a sua obra de 1982, «A política do chimpanzé»: as características-base dos nossos comportamentos individuais e colectivos estão já presentes nos animais que mais se aparentam connosco.
Situados à mesma distância de nós na árvore da evolução, chimpazés e bonobos são entre si diferentes como é a noite para o dia. Na realidade eles incarnam os dois pólos do «macaco bipolar» que nós somos. O nosso lado chimpanzé traduz-se nas pulsões de dominação masculina, no culto da competição, a tentação da violência, mas também na arte da reconciliação política. O nosso lado bonobo traduz-se na cultura do hedonismo, do amor e da paz.
De Waal trata destas questões com elegância e clareza. Em tom de conversa amena as quatro parte em que se divide o seu novo livro «Our Inner Ape» ( trad. Francesa, «Singe intérieur») - poder, sexo, violência e bondade – oferecem um síntese dos conhecimentos sobre aqueles dois nossos primos e, ao mesmo tempo, um grelha de leitura do mundo contemporâneo.
Uma das suas teses mais interessante é que tem sido o sucesso indiscutível do capitalismo que explica porque é que os seres humanos têm super-investido numa ideologia neo-darwinista algo idiota, e que nos leva a negligenciar e a subestimar o valor e aforça das forças altruístas, as quais estão inscritas no nosso património biológico e que nos tem moldados ao longo da noite dos tempos.
Multiplicando os exemplos, retirados da observação não só dos bonobos mas também dos chimpanzés, Frans de Waal demonstra de forma convincente que o altruísmo desinteressado está inscrito na nossa herança biológica, tanto quanto a competição pela «sobrevivência do mais apto».Já presente nos macacos mais longínquos e até mesmo nos mamíferos como os elefantes e golfinhos, esta propensão foi reforçada nos grandes primatas, pela faculdade de se reconhecerem num espelho.
A empatia está já presente no cão, por exemplo, mas a consciência de si, nascida da hipertrofia do neo-córtex, abre a via à representação fina do que se passa no espírito do outro. Assim como à faculdade de vir em ajuda do outro, mesmo se este não tem nada a oferecer em troca.

Autor: Olivier Postel-Vinay
Texto surgido no nº393, Janvier de 2006 da revista La Recherche , l’actualité dês sciences

Sobre a Televisão ( citações)


«Não há com certeza nenhuma razão para que os noos totalitarismos se pareçam com os antigos. Governar com garrotes e esquadrões de incendiários, ou através da fome artificialmente fomentada, com detenções massivas, não só se tem mostrado ser desumano…como se tem provado ser ineficiente, e numa era de tecnologia avançada a ineficiência é um pecado contra o espírito santo. Um Estado totalitário realmente eficiente será aquele em que o governo dos todo-poderosos, mais o seu exército de administradores, controlarão uma população de escravos que não necessitarão de ser obrigados uma vez que eles próprios passarão a gostar da sua servidão. Fazer que tal aconteça será sem dúvida um objectivo desses governos.
Aldous Huxley


«Se o homem; às vezes não fechasse soberanamente os olhos, acabaria por não ver aquilo que vale realmente contemplar.»
René Char


«Encontro a televisão muito,mas muito educativa. Cada vez que alguém a acenda, tenho logo vontade de ir para outro compartimento ler um livro.»
Groucho Marx


«Não é por acidente que a televisão seja dominada por um punhado de forças empresariais ou estatais. Tão pouco é casual que a televisão seja utilizada para recrear os seres humanos sob um nova forma que se adequa aos meio comercial e artificial. Uma conspiração de factores económico e tecnológicos fazem isto inevitável.»
Jerry Mander, in «As 4 razões para suprimir a TV»

«As crianças de 4 anos não deveria, ver um único programa de televisão porque isso é altamente prejudicial para eles. Assustam-se mediante as imagens que lhes aparecem e desaparecem constantemente. As crianças de tenra idade sentem-se desorientados e confundidos com a televisão. Num momento em uma criança dessas reconhece na televisão uma certa figura, a primeira coisa que ela queria fazer era brincar com ela, pegá-la, mas acaba por não obter qualquer resposta. Ora a criança precisa de tocar, saborear, cheira e isso a televisão não lhe deixa nem lhe permite.»
Samuel Arango M., jornalista

«É verdade que há intervenções e um controle político ( que se exerce, em especial, mediante nomeações para cargos dirigentes), mas também acontece que, numa época como a actual, com grande precariedade de trabalho e com um exército de reserva de aspirantes desejosos em ingressar nas profissões ligadas á rádio e à televisão, a tendência para o conformismo é maior. As pessoas deixam-se levar por uma forma consciente de auto-censura, sem sequer haver necessidade de chamadas à ordem.»
Pierre Bourdieu


«Ignacio Ramonet demonstra por meio de vário exemplos mais ou menos recentes como um determinada montagem de certas imagens pode construir um acontecimento que nunca ocorreu, mas que o telespectador sente e interpreta como real devido à carga emocional e dramática das imagens. A concorrência entre os meios de comunicação explica porque è que eles procuram o sensacionalismo para atrair as audiências, sendo o menos importante para eles a verificação da verdade da informação.O poder político conhece muito bem estes efeitos e só os controla durante os conflitos armados.»
Ramon Tóston, prof. da Universidad Complutense de Madrid

«A televisão é muito útil. Adormece-me à noite. Mas, na realidade, adormece-me também durante o dia. Esse é que é o problema.»
Um avô…

Teatro do Oprimido - Ensaiar a mudança


Teatro do Oprimido – ensaiar a mudança
É sob este tema que vai decorrer uma Acção de Formação orientada por José Soeiro nos dias 13, 20 e 27 de Janeiro entre as 21.30 e 23.30 no Centro Social do Soutelo, situado na Rua de Macau nº 200, em Rio Tinto, nos arredores da cidade do Porto.

Para mais informações contactar:
Telefone 224809183 ou
e-mail:
css@centrosocialsoutelo.org

Cornucópia vai estar em Janeiro no Teatro Carlos Alberto


O grupo de teatro da Cornucópia vai fazer uma temporada de representações no edifício do Teatro Carlos Alberto, situado perto da Praça com o mesmo nome na cidade do Porto durante todo o mês de Janeiro.

Entre 4 a 8 de Janeiro será levada à cena a peça de Reiner Werner Fassbinder, Sangue no Pescoço do Gato.

Entre 13 e 22 de Janeiro será a vez da peça de António José da Silva ( o Judeu), Esopaida ou Vida de Esopo.

Finalmente, nos dis 28 e 29 de Janeiro será representada «História do Solddo» de Igor Stravinsky.

Todas as peças têm a encenação de Luís Miguel Cintra.

2.1.06

Os grevistas das Pirâmides



Corria o ano 1166 a.C., e no Egipto de Ramsés III lavrava a corrupção. Em Deir el-Medina viviam aí escravos-operários que construíam o túmulo do faraó. Eram cerca de sessenta homens que deveriam receber diariamente uma ração de pão, cerveja, verduras e água potável.
Os víveres nunca chegavam a tempo, e fartos daquela situação resolveram abandonar os seus postos de trabalho e esperar sentados no chão até que as rações devidas lhes fossem entregues.

No papiro da greve, existente e conservado actualmente em Turim, pode ler-se:

«Não temos roupa, nem alimentos, nem peixe, nem legumes. Falem disso ao faraó, nosso senhor, e ao vizir, nosso chefe, para que nos dêem sustento.»

Foi graças à sua acção que viram satisfeitos as suas reivindicações.

Apesar de não se poder falar, naquele tempo, de greve com inteira propriedade da expressão, o certo é que aquela acção constituiu um acto colectivamente concertado que consistiu numa paralisação ao trabalho e em todos se sentarem no chão ( sit-in), pelo que poucas dúvidas existem que se tenha tratado numa verdadeira greve, guardadas as devidas proporções ( note-se que estávamos em pleno antigo Egipto).