7.7.09

A «gestão» de Rui Rio e a privatização do pavilhão Rosa Mota






Como um zombie a olhar o palácio

Deixemos de chutar para canto o que os nossos olhos vêem: o poder municipal não está ao serviço dos munícipes e de uma ideia de serviço dos interesses sociais da comunidade, mas está ao serviço do mercantilismo. Desse princípio orientador, autarcas e políticos, extraem a sua verdade: quando advogam que o mercantilismo está ao serviço da comunidade e do serviço público é quando o serviço público e a comunidade passam a estar ao serviço do mercantilismo.

Ou seja, não fora isso uma desmesurada mentira, a ideologia actual do capitalismo avançado postula que a liberdade e a realização do sujeito e a sua vida comunitária é determinada pelos valores do Mercado e pela sagrada virtude da Economia. Por outras palavras, o livre uso da vida e o espaço social onde ela se expressa, com a natureza e com outros seres humanos, depende de uma relação de troca mercantil, desta ideia sufocante e maldita da hiper-mercadoria ter saltado do plano da História, das ideologias, para o plano de um processo inexorável, sem origem nem fim, sem fronteiras nem horizonte.

Neste contexto de embuste ideológico, iniquidade social e cinismo político, vamos pedir ao poder municipal que tenha em conta a lei e o PDM? O que é que podemos querer negociar com uma elite política quando para nós a vida humana e social, a sua liberdade e realização, não é negociável porque não é um negócio?

O que se pode obter ainda de quem vende o património de todos confundindo a gestão pública com a liquidação lucrativa, esvaziando de sentido a substância humana desse património, depois de desde há décadas terem eles próprios feito depender a sua humanidade de valores monetários, do dogma do mercado e do fetiche da mercadoria?

O que temos ouvido da boca de autarcas ou de governantes é aquilo que ouvimos da boca dos altos administradores de multi-nacionais ou de representantes das confederações do patronato e da finança: todo o serviço público deve desaparecer assim como desaparece a sociedade para se entronizar o indivíduo, esse ente superiormente libertado pela sociedade de consumo para nela se acoitar e ingurgitar a sua cota parte do reino da insustentabilidade, do saque e da depredação de recursos, a troco de uma passividade face à insânia da exploração humana global. Falácia da cultura neo-yuppie que esconde no discurso do individualismo não só a cegueira do egoísmo e da ganância, como o facto de ser a própria noção e possibilidade do indivíduo que desaparecem na economia de mercado actual – quantos resistem aos códigos e ao controlo dessa ideologia das relações públicas globais? Quem não afoga os seus desejos, sonhos, pensamentos, críticas, disposições, numa sociedade que substitui o rosto humano pelo rosto da mercadoria? Quantos ganham a sua individuação na propaganda do individualismo vendida a torto e a direito?

…não fora a narrativa do individualismo o canto da sereia ditado às massas e em coro pelos trovadores da esperança cínica, de Sócrates a Rui Rio, de Valentim Loureiro a George Obama, de Jardim Gonçalves a Dias Loureiro…

É tempo de nos libertarmos da agonia de uma resposta que venha do sistema. Negociar com políticos que insultam quotidianamente a inteligência e a sensibilidade de seres humanos é absorver toda a negatividade – vil e pesada – gerada pela degradação humana desse sistema. De uma vez por todas, uma só proposta vinda dos interesses políticos instalados (ou um discurso na televisão) tende a fazer incomensuravelmente pior à democracia do que mil gestos infantis de um ministro em plena Assembleia da República.

Não estamos aqui para obter uma resposta do poder municipal. Todas as respostas do poder autárquico em geral, como do governativo, já foram dadas: o capital, o interesse económico e a protecção desses interesses (e da elite restrita do círculo de interesses), excluem a possibilidade do diálogo – e o diálogo é a reversibilidade plena e democrática de um poder – e a crítica desses interesses. E a legitimação dessa democracia que começa e que se encerra numa urna de quatro em quatro anos é uma miserável e funérea ideia do que poderá ser uma democracia.

Estamos aqui para obter uma resposta das pessoas. De todos aqueles que vivem nesse misto de sonolência, impotência e humilhação causados pela realidade política do país. E a realidade política do país é, grosso-modo, dominada pura e simplesmente por uma ideia economicista, que tudo reduz à circulação de mercadorias e ao proveito de uma elite. E as pessoas que se sentem enojadas por esta grande ideia de estarem sempre perto de se tornarem uma mercadoria útil ou inepta do sistema, uma estatística da base de dados de um sistema bancário, uma vítima a mais de um sistema público de saúde, um precário a tempo inteiro e indefinido, não podem responder com o silêncio e (só) a cruz do seu voto. Não podem ceder à conquista mais sofisticada do capitalismo Ocidental, essa miscelânea entre o sistema representativo e a sociedade de consumo que desenraizou de cada cidadão a sua possibilidade e potência de intervenção, de participação e de união no espaço público.

Que resposta se pode obter de um homem que não representa os interesses da cidadania e do humano, mas os próprios interesses do sistema?

Será necessário ter como referente do estado doentio da democracia homens como Berlusconi, Mesquita Machado ou Isaltino Morais, para ilibar da nossa mais firme censura quem orienta a sua conduta pessoal e política segundo os interesses da máquina financeira, da avidez das multi-nacionais e que não equaciona nenhuma manifestação da vida humana a não ser se ela for sancionada pelo altar do lucro e pela hóstia do mercado?

E que resposta podemos obter daqueles que se não revêem nesse tipo de exemplos? O bocejo, o shopping, o cansaço, a psicanálise de café? Ou estar onde estão aqueles que recusam a preeminência do dinheiro e a ignominia de uma sociedade que converte cada humano no homem-mercadoria?

Sabemos todos que nenhum argumento racional subsiste para acreditar no Capitalismo actual como sistema político e económico – como ideologia. Que para essa ideia ser justa, democrática, socializante, era preciso acreditar que a felicidade humana dependesse desse sistema bárbaro de consumo e desperdício per capita de energia dos recursos da terra e da energia humana. Era preciso acreditar na exploração contínua do homem, do outro, nesse esclavagismo legal de estimação de uma minoria (minoria alargada que pode ir de uma multi-nacional ao café da esquina).

O território desta luta não é por isso o presidente da Câmara do Porto, mas as pessoas que não querem viver sob a mentira do lucro, que querem libertar toda a sua possibilidade de dizer que a sua vida passa também por um gesto de união solidária sem competições, sem estruturas partidárias, sem visar lucros, juros, contas, dívidas ou proveitos, mas apenas contar com a riqueza do humano.

Que mais precisamos de ver para sairmos do nosso sono?


Os Vadios, 7 de Julho de 2009, Porto

Texto retirado de:
http://gatovadiolivraria.blogspot.com/

Imagem pescada de:
http://www.mruim.blogspot.com/

Quando Tróia era livre: petição pública contra a privatização de parcelas da península de Tróia, e a sua conversão em resort de luxo


Está a circular na Internet uma petição intitulada “Quando Tróia era livre” a contestar a privatização daquele espaço natural a favor de um poderoso grupo económico e a interdição do seu usufruto por parte da população.Fonte da noticia: blogue Contramestre


Petição Quando Tróia era livre


Para:

Presidente da Camara Municipal de Grândola


É com enorme desgosto que assisto a destruição de mais uma das belas paisagens do meu conselho de Grândola, estou a falar de Tróia é claro que deixou de ter aquelas belas praias selvagens para passar a ter betão.


Tróia foi servida de bandeja ao paradigma nacional dos negócios de lucro fácil e do capital intensivo, Belmiro de Azevedo. Pelo meio, a perspectiva de um Casino a fazer brilhar de cobiça os olhos do um autarca de Grândola a sonhar com o dinheiro que lhe permitirá acrescentar "obra" àquela que tem deixado implantar nas zonas dunares e agrícolas ao longo da costa alentejana... O facto de Tróia pertencer ao Concelho de Grândola não foi a única justificação para que o "Debate Público" sobre o projecto fosse agendado para Grândola, para bem longe daqueles que historicamente usaram as suas praias.


A um Estado incompetente em gerir um recurso natural e histórico de valor inestimável, juntou-se a oportunidade do negócio exclusivo. Com a desculpa do turismo, a construção maciça de segunda habitação para rico desfrutar. E o autarca "socialista" de Grândola a sonhar com o dinheiro das licenças de construção e do imposto autárquico...

José Sócrates, também "socialista" rendido aos valores da especulação imobiliária, o mesmo que patrocinou a co-incineração do outro lado do rio no meio das crateras da cimenteira Secil (convenientemente tapada digitalmente nos primeiros vídeos de apresentação do empreendimento), lá foi fingir a ignição da implosão das duas torres que teriam ficado mal construídas desde os tempos da Soltróia.

Hoje, os velhos ferrieboats a preto e branco da Transado, que transportavam pessoas e automóveis para o outro lado do rio, foram substituídos por outros de uma toda modernaça cor verde-alface... de estufa. Não foi só a cor das embarcações que foi alterada, o trajecto também, que passou a ser mais longo e feito para o interior do rio, para um antigo embarcadouro dos fuzileiros e pelo meio da rota de alimentação dos famosos golfinhos de Setúbal - de facto, roazes corvineiros, uma comunidade em declínio acelerado e já considerada em extinção pelos biólogos marítimos.

Para colmatar a distância do cais às praias da costa, a empresa de Belmiro colocou autocarros para levar as pessoas do cais dos ferrieboats para a costa. E fez cair sobre os "clientes" a duplicação do tempo de viagem e sobretudo o preço de acesso às praias. As embarcações que transportavam exclusivamente pessoas estão paradas no estaleiro, anunciaram-se novos hovercraft para os substituir mas estes ainda não apareceram - hovercraft, já os ouve no Rio Sado, mas desapareceram: dentre outras razões, o preço era tão proibitivo que os "convencionais" mantiveram a preferência dos setubalenses.

Quem pretender fazer o caminho a pé ao longo da costa terá à sua frente vedações e seguranças que o demoverão de passar na "propriedade privada". Uma repetição do abusivo impedimento da passagem pelo meio das urbanizações construídas em redor dos antigos caminhos de acesso às praias, iato num país que escreveu na Constituição que a orla marítima é de Direito Público e que não reconhece a existência de praias privadas... A desculpa: “os abusos” de alguns . A velha desculpa dos gestores incapazes de defenderem o Bem Público, e de quem encontra aí o argumento-chave para convencer os idiotas úteis quando é necessário acabar com o que é de Todos e de Todas.

Os signatários ...





------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


O que está a acontecer em Tróia?



Apartheid em Tróia



Com o início da época balnear, confirmam-se os efeitos da grande operação de especulação imobiliária de Belmiro de Azevedo em Tróia - os setubalenses estão de facto impedidos de frequentar as praias de Tróia.


O betão ocupou a praia do povo de Setúbal. Os setubalenses não são desejados numa urbanização de milhões, de carácter elitista, destinada a garantir lucros chorudos e rápidos. Os ferries aumentaram os preços para o dobro e levam os passageiros para a zona dos fuzileiros, tornando penoso o acesso à praia. Os prometidos empregos não existem, já que o objectivo não é a hotelaria mas vender imobiliário.


As viagens dos ferries para o novo cais junto aos fuzileiros, coincidindo com a área mais importante de alimentação dos golfinhos do Sado, constitui também grave ameaça à sua subsistência no estuário.

São agora evidentes os efeitos da conivência do poder central e local com os interesses imobiliários, bem como da farsa mediática que juntou Belmiro e Sócrates.

Praia do povo, ao longo dos tempos frequentada livremente pelas populações de Setúbal, foi nas décadas 60 e 70 que a Torralta construiu torres e bandas de prédios. Com o 25 de Abril foi possível garantir que esse betão não impediria o acesso à praia. Existiu uma convivência pacífica entre essa urbanização e os frequentadores da praia. Com a falência do projecto da Torralta, vieram os despedimentos do pessoal e um semi-abandono da área construída.

Um governo PS lançou um projecto diferente. Os créditos do estado foram oferecidos, praticamente dados, ao grupo SONAE, que foi impondo a sua vontade. Beneficiando da colaboração do PCP (nas câmaras de Grândola e Setúbal), garantido o do PS, e com o natural apoio e entusiasmo do PSD, os anos foram passando e os projectos avançando no papel.

Já com Sócrates, esse especialista em farsas mediáticas, os três partidos uniram-se, disputando lugares ao lado de Belmiro de Azevedo: as torres apodrecidas foram destruídas em directo nas televisões. Muitas pessoas baixaram os braços perante a indestrutível aliança destes partidos com o maior "empresário" do país.

No extremo da península de Tróia virada para Setúbal, a duna primária foi arrasada. A popular praia, do lado direito do passadiço de desembarque, desapareceu substituída por uma marina. Uma muralha de prédios de 4 e 5 pisos, bem próxima da água, deixa para trás, cercada e sem vistas, a antiga área edificada pela antiga Torralta (perante a indignação dos antigos proprietários). A erosão da costa é secundária perante a ganância de quem finge não ver a destruição das dunas.

Para os golfinhos do Sado, o "resort" actualmente em desenvolvimento em Tróia, levanta novas e graves ameaças. O projecto imobiliário, implicou a deslocação do cais dos ferries para a zona próxima das instalações da marinha. Essa zona coincide com a área de mais importante alimentação dos golfinhos.


O estudo de impacte ambiental efectuado pela Comissão de Avaliação do Projecto "Marina e novos cais dos ferries do Tróiaresort", deu parecer desfavorável por causa dos riscos eventuais para a população de golfinhos e por existir a alternativa de manter a actual localização. Este estudo foi ignorado pelo Governo. Um princípio mínimo de precaução, aconselharia a que a mudança do cais dos ferries não tivesse lugar e se mantivesse o actual cais.

A Tróia do povo está transformada numa espécie de condomínio privado de novos ricos e patos-bravos carentes de estatuto. É provável que mais dunas e cordões dunares sejam inevitavelmente destruídos, rompidos, a água comece a ameaçar com as marés e os temporais. Que a salinização e contaminação dos escassos aquíferos pela ocupação desenfreada, pelos campos de golfe, venha a sair cara a todos nós ou que cá estiver para ver.

Quando a operação imobiliária estiver concluída, Belmiro de Azevedo abandonará rapidamente Tróia e lá estará o orçamento do Estado a pagar os efeitos nefastos da destruição das dunas, construindo muros e diques para defender a selva de betão...


Texto de Álvaro Arranja retirado do website Esquerda.net

Filme/debate O Mar é Nosso! (dia 11 de Julho, às 17h., Figueira da Foz), contra a privatização do mar e do litoral



Sábado, dia 11 de Julho, Clube União Brenhense, na Figueira d Foz, às 17 horas

Projecção do filme seguida de debate aberto, com a presença de Fernando Varela, representante do Movimento de Pescadores e Cidadãos contra o Mar Privado, e Sofia Rajado pelo Colectivo Revista Rubra.

Colóquio sobre patrimónios pastoris no núcleo museológico da pastorícia do Fundão ( dia 10 de Julho)


O colóquio «Patrimónios Pastoris – cruzar olhares II» acontece na sequência de várias actividades que têm vindo a ser feitas, no Núcleo Museológico da Pastorícia, com o propósito de reflectir e valorizar o património material e imaterial que nos é legado por séculos de práticas pastoris.

Está patente, no Núcleo Museológico do Salgueiro, a exposição “Tectos Pastoris céu, colmo, barro, pedra” na qual se apresenta um grande trabalho de recolha fotográfica de elementos arquitectónicos efectuada nas vias pecuárias espanholas. Entendemos que esta é uma óptima ocasião para fazermos um cruzamento de olhares entre a arquitectura e a cultura pastoril.

Um dos objectivos deste colóquio é reflectir acerca das técnicas e materiais utilizados ancestralmente e as actuais preocupações ecológicas na arquitectura. Para nos falarem acerca destes temas vamos ter connosco a Arqt.ª Ana Cunha, o Dr. António Catana, o Dr. Santiago Bayón Vera e o Dr. Pedro Salvado.

Após este debate, iremos apresentar um filme que resultou de algumas recolhas de histórias de vida que fizemos, e está integrado no Projecto «O Céu dos Nossos Avós».

Estão todos convidados a aparecer no Núcleo Museológico da Pastorícia pelas 21h00 no dia 10 de Julho 2009.

«Abri ! Eu chamo-me a Anarquia», poesia de Gomes Leal (1848-1921) publicada no jornal anarco-sindicalista brasileiro «A Plebe»



Abri ! Eu chamo-me a Anarchia!

E sou o Turbilhão colérico e profundo,
que vem varrer a terra, o rato nunca visto.
Venho cheio de pó, cansado, todo immundo.
Em toda parte o mal! Em toda parte o Christo!
Sou quem trago a sentença escripta contra o mundo,
e que açouto o cavallo em sangue do Anti-Christo!

Sou quem trago commigo os rotos esquadrões
da plebe esguedelhada, anonyma, assassina.
Sou quem hei de varrer reis e religiões,
a indignação de baixo, a colera ferina
Já chegou a Justiça o sangue das Nações!
- A pé, a pé, a pé! A cotovia trina!

Papas, bispos, e reis, peitos de diamante!
Como não chorareis ouvindo o grande abalo?
Allemanha, arremessa ao Rheno o teu guante
Tu, Igreja, renega antes que cante o gallo
- Justiça, mostra já teu dedo flamenjante!
- Vingança, vai sellar o teu feroz cavallo!

Gomes Leal
A Plebe - Anno I - num 4 - 30 de Junho de 1917



Quem foi Gomes Leal?

Filho ilegítimo de um funcionário, António Duarte Gomes Leal nasceu em Lisboa no dia 6 de Junho de 1848. Chegou a frequentar o Curso Superior de Letras, mas a sua cultura literária foi quase toda adquirida no seu meio de trabalho e nos cafés.
Começou cedo a trabalhar no mundo jornalístico, tendo também feito edição de livros e panfletos. Colaborou com diversos jornais da época, publicando críticas literárias e artigos satíricos. Enquanto crítico, Gomes Leal era já defensor do realismo, mas como poeta era ainda ultra-romântico, sobretudo a nível formal.

O seu primeiro livro de poesia, Claridades do Sul, foi publicado em 1875, e nele já se notam os seus ideais anticlericalistas e republicanos, preocupações também presentes em obras posteriores. A partir de Anticristo (1886), e com A Mulher de Luto (1902), a poesia de Gomes Leal torna-se mais negativa, de uma certa inspiração ocultista, provavelmente devido à decadência física e moral sofrida pelo poeta. Em 1910 converteu-se ao catolicismo, mudança que se manifestou na sua obra, em livros como A Senhora da Melancolia.

A fase final da vida de Gomes Leal foi marcada por um grande fervor religioso, associado à degradação física e moral consequente do seu alcoolismo. Morreu em Lisboa no dia 30 de Janeiro de 1921.

Dandy saturniano, entre a boémia e a pobreza, entre o prestígio panfletário e o abandono visionário, Gomes Leal publicou irregularmente a mais extraordinária e desconcertante obra poética do seu tempo. Personificando a figura romântica do predestinado para os rasgos de génio e para os transes da desgraça, Gomes Leal revelou logo na primeira e insuperada colectânea — Claridades do Sul (1875) — as potencialidades ímpares e nunca perfeitamente actualizadas. Aí cruzava todas as tendências do século XIX; e por vezes antecipava aspectos do Modernismo e da imaginação surrealista.

Com a morte da sua mãe, em 1910, caiu na pobreza e converteu-se ao Catolicismo, vivendo da caridade alheia, chegando a passar fome e a dormir ao relento, em bancos de jardim, como um vagabundo, tendo uma vez sido brutalmente agredido pela canalha da rua. No final da vida, Teixeira de Pascoaes e outros escritores lançaram um apelo público para que o Estado lhe atribuísse uma pensão, o que foi conseguido, apesar de diminuta.

Funda com Magalhães Lima, Silva Pinto, Luciano Cordeiro e Guilherme de Azevedo, em 1872, o jornal satírico "O Espectro de Juvenal".

Obras suas importantes são também " A Mulher de Luto" (depois da sua viagem a Madrid em 1878, por ocasião do casamento de Afonso XII) - 1902 -; "A Fome de Camões" e "A Morte de Bocage" (aquando do centenário épico Nacional, em 1881. Reflecte nelas sobre o destino fatal do poeta de missão, com que ele próprio se identificava); no ano seguinte os panfletos poéticos "A Traição" e "O Herege" (pondo em causa o trono na pessoa do rei D.Luís, as Instituições burguesas e a Igreja, gerou um verdadeiro escândalo literário e político); e na linha desta "poesia como voz da Revolução" (como o anunciara Antero de Quental nas Odes Modernas), os folhetins satíricos "A Orgia", "A Morte do Atleta", "A Noviça", e "O Remorso do Facínora"; "A História de Jesus" em 1883 (tendência agora calma e cristã) ; "Fim do Mundo" (volume com as suas poesias de combate) - 1899 -; "Mefistófele em Lisboa" e "Retratos Femininos" ( novas sátiras e quadros da vida urbana) - obras extraordinárias onde conflui o Ultra-Romantismo, satanismo byrónico, Parnasianismo e Simbolismo.

Foram publicadas em 2000 pela Assírio & Alvim, com edição de José Carlos Seabra Pereira, as seguintes obras, até à data esgotadas ou de difícil acesso:

A Fome de Camões e Outros Destinos Poéticos
A Mulher de Luto – Processo Ruidoso e Singular
Claridades do Sul
Fim de um Mundo – Sátiras Modernas
História de Jesus (Para as Criancinhas Lerem)
Mefistófeles em Lisboa e Outros Humorismos Poéticos
O Anti-Cristo – Primeira Parte – Cristo é o Mal
O Anti-Cristo – Segunda Parte – As Teses Selvagens


Para saber mais sobre Gomes Leal:
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/5656.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Gomes_Leal



O Mundo Velho


Nas crises d'este tempo desgraçado,
Quando nos pomos tristes a espalhar
Os olhos pela historia do passado...
Quem não verá, contente ou consternado,
- Mundo velho que estás a desabar - ?!...

Sim tu estás a morrer, vil socio antigo...
E Pae de nossos vicios e paixões!
Camarada dos crimes, torpe amigo...
- Morre, emfim, correrá no teu jazigo,
Em vez de vinho, o sangue das nações!

Deves morrer, provecto criminoso!
Tens vivido de mais, vil sensual!
Tu estás velho, cansado e desgostoso,
E, como um velho principe gotoso,
Ris, cruelmente, ás sensações do mal.

- Que é feito do teu Deus, do teu Direito?
- Onde estão as visões dos teus prophetas?
- Quem te deu esse orgulho satisfeito?
Muribundo Caiphaz, junto ao teu leito,
Morrem, debalde, os gritos dos poetas!

No tempo em que eras forte, foi teu braço
Que apunhalou os grandes ideaes!...
Hoje estás gordo, sensural, devasso,
E andas, torpe a rir, como um palhaço,
N'um circulo lusente de punhaes.

Tu tens vendido os justos no mercado!
Crucificado o nobre, o bello e o bom!
Vaes cahir templo pôdre e abandonado,
Não á voz de Jesus ensanguentado,
- Mas ao verbo sinistro de Proudhon.

É elle que te arrasta ao teu jasigo,
Andas vergado á sua maldição!
Cambalêas ao funebre castigo,
E passas corcovado como o antigo,
Escravo, sob o lenho da paixão!

O seu grande clarão inda t'innunda,
Fulminou-te, morcêgo, á sua luz!
Marcou-te a consciençia rôta e immunda,
E a chaga que te abriu é mais profunda
Que a do lado direito de Jesus!

Nenhum deus, já ninguem póde cural-a!
Has-de morrer, caido amphytrião;
É essa a dôr eterna que te rala,
- Manda erguer o caixão na tua salla,
Prepara o funerario cantochão!

Tu tens quebrado os peitos mais robustos,
Tens dado aos santos o vinagre e o fel...
- Bom conviva de Nero e dos Procustos,
Andas ebrio do sangue de mil justos,
De mil sabios... de Christo e de Rossel!

Tens talhado a teu modo a Sociedade!
E por isso o infeliz que te condemne;
Ensanguentaste as mãos da Mocidade,
Nunca amaste o Direito ou a Equidade,
Matas Vallès...... Deixas viver Bazaine.

Tu viveste contente e agasalhado
Entre os brilhantes, e as visões do gaz!
- Bem te importava a neve... e o ar gelado,
O Frio e a Fome... É tepido o Peccado!
Calvo amigo!... Venceu-te Satanaz!

Tornaste o Templo casa de penhores,
- Mas ninguem ora a Deus nas cathedraes!
E já cheios de lastimas e dôres,
Nós lemos mais nas petalas das flores
Do que em todas as folhas dos missaes!

Morre, morre, venal, sem um gemido!
- Nem podes, levantar as mãos aos ceus!
Ha muito que ris d'isso, aborrecido?
Em nada crêste, em nada!--Adeus vencido!
Morre ahi como um cão!--Vencido, adeus!

Morre, morre, na lucta, pois, soldado!
Corpo cheio de tedio e de bolor!
- Adeus, velho navio destroçado!
- Morre! antigo conviva do peccado!
- Faltou-te sempre Deus, a Lei e o Amor!

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'





Acusação à Cruz


Ha muito, ó lenho triste e consagrado!
Desfeita podridão, velho madeiro!
Que tens avassalado o mundo inteiro,
Como um pendão de luto levantado.

Se o que foi nos teus braços cravejado
Foi realmente a Hostia, o Verdadeiro,
Elle está mais ferido que um guerreiro
Para livrar das flexas do Peccado.

Ha muito já que espalhas a tristeza,
Que lutas contra a alegre Natureza,
E vences ó Cruz triste! Cruz escura!

Chega-te o inverno, symbolo tremendo!
Queremos Vida e Acção- Fica-te sendo
Um emblema de morte e sepultura!

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul





Lisboa


De certo, capital alguma n'este mundo
Tem mais alegre sol e o ceu mais cavo e fundo,
Mais collinas azues, rio d'aguas mais mansas,
Mais tristes procissões, mais pallidas creanças,
Mais graves cathedraes - e ruas, onde a esteira
Seja em tardes d'estio a flor de larangeira!

A Cidade é formosa e esbelta de manhã! -
É mais alegre então, mais limpida, mais sã;
Com certo ar virginal ostenta suas graças,
Ha vida, confusão, murmurios pelas praças;
- E, ás vezes, em roupão, uma violeta bella
Vem regar o craveiro e assoma na janella.

A Cidade é beata - e, ás lucidas estrellas,
O Vicio á noute sae ás ruas e ás viellas,
Sorrindo a perseguir burguezes e estrangeiros;
E á triste e dubia luz dos baços candieiros,
- Em bairos sepulchraes, onde se dão facadas -
Corre ás vezes o sangue e o vinho nas calçadas!

As mulheres são vãs; mas altas e morenas,
D'olhos cheios de luz, nervosas e serenas,
Ebrias de devoções, relendo as suas Horas;
- Outras fortes, crueis, os olhos côr d'amoras,
Os labios sensuaes, cabellos bons, compridos...
- E ás vezes, por enfado, enganam os maridos!

Os burguezes banaes são gordos, chãos, contentes,
Amantes de Cupido, avaros, indolentes,
Graves nas procissões, nas festas e nos lutos,
Bastante sensuaes, bastante dissolutos;
Mas humildes crhistãos! - e, em lugubres momentos,
Tendo, ainda, crueis saudades dos conventos!

E assim ella se apraz n'um somno vegetal,
Contraria ao Pensamento e hostil ao Ideal! -
- Mas mau grado assim ser cruel, avara, dura,
Como Nero tambem dá concertos á lua,
E, em noutes de verão quando o luar consolla,
Põe ao peito a guitarra e a lyrica violla.

No entanto a sua vida é quasi intermitente,
Afunda-se na inação, feliz, gorda, contente;
Adora inda as acções dos seus navegadores
Velhos heroes do mar; detesta os pensadores;
Faz guerra a Vida, á Acção, ao Ideal - e ao cabo
É talvez a melhor amiga do Diabo!

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'



O Selvagem


Eu não amo ninguem. Tambem no mundo
Ninguem por mim o peito bater sente,
Ninguem entende meu sofrer profundo,
E rio quando chora a demais gente.

Vivo alheio de todos e de tudo,
Mais callado que o esquife, a Morte e as lousas,
Selvagem, solitario, inerte e mudo,
- Passividade estupida das Cousas.

Fechei, de ha muito, o livro do Passado
Sinto em mim o despreso do Futuro,
E vivo só commigo, amortalhado
N'um egoismo barbaro e escuro.

Rasguei tudo o que li. Vivo nas duras
Regiões dos crueis indifferentes,
Meu peito é um covil, onde, ás escuras,
Minhas penas calquei, como as serpentes.

E não vejo ninguem. Saio sómente
Depois de pôr-se o sol, deserta a rua,
Quando ninguem me espreita, nem me sente,
E, em lamentos, os cães ladram à lua...

6.7.09

Trabalhadoras/es corticeiras/os da Facol (Lourosa, St. M. Feira) estão há mais de um mês junto da empresa a reclamar por 7 meses de salários em atraso






Os trabalhadores da corticeira Facol há mais de um mês mantêm-se junto dos portões da empresa a reclamar sete meses de salários em atraso.

Os patrões usam a história do costume - de que não há dinheiro - para não pagarem o que devem, mas a verdade é que se trata de uma família com posses, que vive muito bem.

As dificuldades que a empresa atravessa devem-se mais a problemas de partilhas entre os irmãos [que são accionistas da Facol] do que à crise propriamente dita.

Os cerca de 50 trabalhadores da corticeira de Lourosa, que estão em greve desde 04 de Junho, reclamam o pagamento dos salários de Novembro e Dezembro de 2008, dos subsídios de férias e de Natal (também do ano passado), e dos ordenados de Janeiro, Fevereiro, Abril e Maio de 2009.

A Facol já terá avançado com um processo de insolvência - comunicou a semana passada aos seus operários que, por esse motivo, eles estariam "dispensados do trabalho sem perda de remuneração e direitos" -, mas os trabalhadores afirmam que, "nesta fase, ninguém confia no que diz a administração".

"Já houve uma série de vezes em que a entidade patronal faltou aos compromissos, inclusive aos escritos", disse o sindicalista, acrescentando que "agora, os trabalhadores não desmobilizam enquanto não virem a insolvência confirmada".

Em alguns casos, as pessoas já tiveram que recorrer ao apoio social da Câmara da Feira, para receberem géneros alimentícios

Entre os operários da Facol que reclamam os salários em atraso há muitos que trabalham na empresa há mais de 30 anos e também alguns com mais de 40 anos de casa.

A Facol surgiu como empresa individual em 1958, por iniciativa de José Almeida Lima, cuja família já tinha tradição na indústria corticeira. Passou a sociedade por quotas em 1981, adoptando então a designação José de Almeida Lima & Filhos, Lda.

Resistência popular contra o golpe militar fascista nas Honduras




Para acompanhar os acontecimentos:

Rádio Liberada ( radio clandestina das Honduras): aqui

http://radioprogresohn.com/ - ouvir online aqui

http://radioeslodemenos.blogspot.com/

http://www.radioglobohonduras.com/

http://chiapas.indymedia.org/

http://unionsl.blogspot.com/

http://hondurasresists.blogspot.com/

http://www.hondurasgolpeada.net/

http://hondurasenlucha.blogspot.com/

http://hablahonduras.com/

http://resistenciahondurena.blogspot.com/

http://porhonduraslibre.blogspot.com/

http://laluchasigue.org/

http://upsidedownworld.org/main/content/category/5/23/46

http://contraelgolpedeestadohn.blogspot.com/



OUTROS MEIOS QUE ESTÃO TAMBÉM A ACOMPANHAR OS ACONTECIMENTOS:

http://oclibertaire.free.fr/spip.php?article590
http://oclibertaire.free.fr/spip.php?breve157
http://amerikenlutte.free.fr/index.php




Telesur: http://www.telesurtv.net
Alba TV
http://www.albatv.org:80/
Aporrea:
http://www.aporrea.org/
Agencia Bolivariana de Noticias:
http://www.abn.info.ve
Prensa Latina:
http://www.prensa-latina.cu/
ANMCLA Corresponsalía Honduras:
http://www.medioscomunitarios.org/honduras/
Asociación Latinomerica de Educación Radiofónica:
http://www.aler.org/

Diario Nuestro País Costa Rica: http://www.elpais.cr/












Concentração solidária com as lutas dos povos indígenas do Peru ( dia 8 de Julho no Largo de Camões, ao Chiado)

CAMPANHA INTERNACIONAL DE SOLIDARIEDADE LIBERTARIA COM AS LUTAS INDÍGENAS NO PERU

PELO RESPEITO E AUTONOMIA DAS CULTURAS ANCESTRAIS



Em Lisboa:

Dia 8 de Julho (quarta-feira) pelas 18h
Praça de Luís de Camões (Lisboa)
Concentração de solidariedade com a luta dos povos indígenas do Peru


No Porto
:
Dia 8 de Julho (quarta-feira) pelas 18h
Rua Sampaio Bruno / Sá da Bandeira (à Casa da Sorte)
Concentração de solidariedade com a luta dos povos indígenas do Peru
Em resposta ao apelo da União Socialista Libertária (USL) a IniciativaLibertária do Porto convoca uma acção de informação para o Porto.

No passado dia 5 de Junho a polícia peruana atacou brutalmente manifestantes na região de Bagua, no norte do Peru, resultando na morte de cerca de 50 indígenas da floresta amazónica, em mais de 100 feridos e vários desaparecidos, tendo também sido detidas perto de 130 pessoas. Este massacre é consequência da repressão estatal de uma luta que os povos indígenas daquela região travam há bastante tempo contra os projectos de desenvolvimento, promovidos pelo Tratado de Comércio Livre assinado pelo governo do Peru concedendo o direito de exploração dos recursos naturais aí existentes, que irão abalar por completo o seu modo de vida e que levarão a uma destruição ambiental sem retorno. Esta é uma luta que não é só dos povos amazónicos, mas que se alastra a todos nós, já que pretende preservar aqueles que são os poucos vestígios de um mundo selvagem que tem vindo a ser arrasado em nome de um dito progresso com o único objectivo de enriquecer alguns à custa da devastação do nosso planeta.

Daí, respondemos ao apelo internacional feito pela União Socialista Libertária do Peru para o próximo dia 8 de Julho, convocando uma concentração de solidariedade com a luta dos povos indígenas.

Contra o capitalismo e a destruição do nosso mundo natural,
solidariedade com a luta dos povos indígenas!!!

Nenhuma agressão sem resposta!!!

Anarquistas por uma Terra Livre




http://uslperu.blogspot.com/


Pronunciamento internacional libertário

O seguinte comunicado é uma iniciativa de solidariedade libertária internacional com os povos indígenas e amazónicos do Peru, em luta pela defesa de suas terras e sua cultura ancestral. As mesmas que estão sendo violadas e ameaçadas pelo governo peruano em aliança com o Imperialismo, as transnacionais e a direita (principalmente o APRA, Unidade Nacional e o fujimorismo), através dos Decretos Legislativos inconstitucionais e violadores, no seguimento da assinatura do Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA.

Desde a União Socialista Libertária (USL) exortamos as organizações anarquistas, libertárias ou afins de todo o mundo a assinar este documento, fazê-lo seu e difundir seu conteúdo através de seus espaços virtuais, listas de e-mail, periódicos, revistas, boletins, comunicados, murais, fóruns, actos públicos, culturais, políticos, etc., com o propósito de afirmar uma clara posição libertária e militantes sobre o que acontece no Peru.

Por isso convocamos os companheiros libertários para organizar mobilizações e actividades em frente às embaixadas do Peru em cada país, em coordenação com outros sectores afins e em luta, para denunciar as acções do Estado e das transnacionais em nosso país.
Apelamos para a vocação solidária que nos caracteriza como revolucionários libertários, para fazer causa comum por nossos irmãos indígenas e para fazê-los saber que não estão sozinhos, já queas suas lutas são as nossas, até alcançar a verdadeira sociedade de plena liberdade, autonomia e progresso humano, sem explorados nem exploradores.




SOLIDARIEDADE COM A LUTA DOS POVOS AMAZÓNICOS DO PERU!



As comunidades amazónicas e indígenas da selva peruana (especialmente em Loreto, San Martín, Amazonas, Ucayali, Huánuco, Cuzco e Madre de Dios) novamente fazem soar os seus tambores de luta e resistência frente aos ataques do modelo económico neoliberal defendido pelo governo peruano (com o Partido Aprista à frente) e como medida de força fazem o apelo à rebelião popular através do Paro General Indefinido acatado massivamente desde 9 de Abril deste ano. Já passaram mais de 50 dias em pé de luta, o que, sem dúvida, vem a ser um claro exemplo de valor, organização e heroísmo.

Este intenso processo de luta indígena e amazónica se inicia logo que o Estado peruano infringiu seus próprios tratados internacionais e violou sistematicamente o Convénio 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece a consulta prévia aos povos indígenas ou originários antes de qualquer tipo de intervenção em seus territórios por instâncias alheias às próprias comunidades.

Foi o próprio governo aprista quem iniciou (ou melhor, reiniciou) uma nova etapa de saques e leilões transnacionais das terras que por tradição e história correspondem a cada uma das comunidades (awajún-wampis, kichuas, arabelas, huaronis, pananujuris, achuar, murunahus, ou chitonahuas, cacataibos, matsés, candoshis, shawis, cocama-cocamillas, machiguengas, yines, asháninkas, yaneshas e outras mais, incluindo os “não contatados”), que hoje reclamam seu direito de existir e resistir.



O papel do Estado peruano

Sabe-se que a Lei 20653, conhecida como Lei Geral de Comunidades Nativas, do governo de Velasco Alvarado, reconheceu em 24 de Junho de 9174, a “existência legal e a pessoa jurídica dos povos indígenas amazónicos e seus territórios, declarando-os inalienáveis, inembargáveis e imprescritíveis”, confirmada na Constituição Política de 1979, sendo apagada na Constituição fujimorista de 1993 (que marcava o início da ditadura civil-militar, do hoje sentenciado Alberto Fujimori) para deixar o caminho aberto ao despojo e saque pelos governos sucessores e abrindo a porta para o Tratado de Livre Comércio (TLC), que com os Decretos Legislativos da actual gestão aprista adquiriu força de Lei.

Tampouco deixemos de lado o fato que já desde a própria Constituição fujimorista de 93, se deixou a porta aberta para o despojo de recursos, como mencionamos acima. Então é evidente quando se iniciou a abafar e provocar o isolamento das comunidades, enquanto a voracidade das transnacionais lograva o estabelecimento de concessões em favor de empresas petroleiras, gasíferas, mineradoras, turísticas e madeireiras em territórios que ancestralmente pertencem aos povos ali assentados.

Podemos dizer que este plano é o caminho para a normatividade que o próprio Estado, – principalmente a instância legislativa (Parlamento nacional), mediante diversos decretos legislativos- declare os territórios dos povos originários: "negociáveis em função da economia de mercado".

Uma vez mais o Estado peruano colocou em evidência seu carátcer de instrumento de dominação e favorecimento das classes dominantes em nosso país, que buscam seguir expropriando não só os direitos políticos, mas também os próprios recursos de nossas populações indígenas (povos originários) que hoje se levantam em rebelião contra o poder opressor.

Como comunistas libertários, declaramos que o direito a livre autodeterminação das comunidades originárias e nativas é um exercício autêntico de poder popular, pois se baseia em princípios comunitários, de aproveitamento e uso colectivo dos recursos naturais, e nas próprias formas de trabalho e benefício comum que ancestralmente se conservam na Amazónia que possui 31 das 114 zonas de vida e ecossistemas mundiais, 95% dos bosques do país e um importante potencial de recursos hídricos e hidroenergéticos.


Indígenas do Abya Yala em pé de luta

No marco do Paro Indígena, ocorreu uma importante reunião de comunidades originárias andinas na região sul do Peru, especificamente em Puno. Este encontro foi a “IV Cumbre Continental de los Pueblos y Nacionalidades Indígenas del Abya Yala” que culminou, no último 31 de Maio, com o compromisso unânime pelo respeito da mãe terra e os recursos naturais em proveito do ser humano, o rechaço enérgico da privatização da água, a presença de empresas transnacionais e o modelo económico neoliberal.

Todos estes postulados estão compreendidos dentro da “Declaración de Mama Quta Titikaka” (Lago Titiacaca, entre Peru e Bolívia), onde também se acordou mobilizar as organizações sociais e originárias para o mês de Junho em defesa dos povos amazónicos e fazer marchas e actividades em frente às Embaixadas peruanas de cada país.

É importante, assim mesmo, ressaltar o carácter desta Cúpula indígena que trás em essência o gérmen auto-organizativo no qual nós, militantes libertários, apostamos, já que em suas recomendações finais propôs “a construção de Povos Plurinacionais Comunitários, que se fundamentem no autogoverno e a livre determinação de todos os povos”.

É claro enxergar que para a burguesia que controla o Estado sob as ordens imperialistas, o caminho até o despojo das comunidades -que também constitui um plano para destruir seu próprio tipo de organização social e a relação que os entrelaça com seu território- que em sua essência se contrapõe ao critério ocidental de propriedade privada e por isso significa um freio à voracidade do capital transnacional que busca se inserir nessas zonas, usurpando-as em aliança com o Estado para convertê-las em feudos que garantam prosperidade e domínio aos exploradores.

O mesmo presidente Alan García mente “subtilmente” quando diz que dos 63 milhões de hectares que tem a selva peruana, só 12 milhões correspondem às comunidades amazónicas, quando na realidade são mais de 25 milhões, tal como afirma o dirigente e representante máximo das comunidades em luta, Alberto Pizango quem tem sido denunciado por “atentar contra a segurança comum e entorpecer os serviços públicos”, junto aos dirigentes indígenas Marcial Mudarra, os irmãos Saúl e Servando Puerta, Daniel Marzano e Teresita Antazu.

Ademais Pizango já havia sido acusado por “rebelião, sedição e outros” na 44ª Fiscalía Provincial Penal de Lima e tem uma terceira denúncia na Segunda Fiscalía Provincial Penal de Utcubamba (Amazonas), por “alterar a tranquilidade pública em sua modalidade de distúrbios”.
Está claro que todo este processo de denúncias e perseguição judicial e política se insere dentro de uma vontade por parte do Estado de criminalizar toda forma de protesto popular e reprimir as justas demandas sociais, apresentando para a opinião pública como “simples vândalos ou selvagens ignorantes do progresso que significa a globalização” os irmãos e irmãs indígenas do Peru.

No entanto, como libertários entendemos que a luta do povo indígena, amazónico e andino, pela defesa de seus territórios, de sua organização e de sua cultura, está inscrita dentro de um programa mínimo que implica a conquista das reivindicações dos povos oprimidos frente ao Estado, o Capitalismo e o Imperialismo.

Esta plataforma mínima dever basear-se no uso de acção directa para exigir a expulsão das transnacionais de seus territórios. Em defesa da integridade e sustentabilidade do habitat e o ecossistema da região –a qual, devemos dizer, constitui um dos "pulmões" do planeta –, e por um desenvolvimento sustentável e exploração planificada da flora e da fauna, com base em critérios determinados pelas comunidades. E também, a autodefesa activa de seus territórios e a recuperação dos mesmos.

Por isso, acreditamos que a autêntica solidariedade activa com a luta amazónica e indígena poderá aprofundar o protesto popular (agitação, propaganda, greves, paralisações, acções directas, etc.) e incorporar em toda plataforma de luta, as lutas dos povos originários hoje.
Apoiar o justo protesto dos povos indígenas e amazónicos

Ainda que como libertários não temos nada à esperar do Estado (apenas sua destruição), compreendemos a luta dos povos originários como parte imediata de um projecto maior pela liberação dos explorados, e em tal sentido se insere em uma estratégia mais ampla e um programa máximo pela revolução social.

Em tal sentido, devemos aprovar as reivindicações que de imediato possam melhorar suas condições de vida e aumentar sua organização social, política e económica a fim de enfrentar o Estado e destruí-lo desde dentro, edificando esses germens de poder popular que derrubarão a esse gigante com pés de barro que agora é o Capitalismo, ferido de morte em nível mundial, por uma crise global da qual não poderá recuperar-se, se é que entendemos que tal crise deve ser paga pela burguesia e não pelos trabalhadores.

Em tal sentido, apoiamos a luta do povo amazónico e suas diversas comunidades para conseguir soluções imediatas e fazemos o chamado para:

• Anulação da normativa que atenta e vulnera os interesses das Comunidades Nativas e Camponesas. Ou seja, a anulação da Lei Nº 29317 ou nova Lei Florestal e de Fauna Silvestre, produto de uma apressada e parcial modificação do Decreto Legislativo Nº 1090 (Lei da Selva) e os conexos Decretos Legislativos 1089, 1064 e 1020. Ou seja, os 99 decretos impostos e jamais consultados aos povos.
• Exigir o respeito da autonomia e autodeterminação das comunidades nativas e sua participação política activa na tomada de decisões e na aprovação ou não, através dos mecanismos da democracia directa (Assembleias populares, referendos, etc.) das normas legais ou contratos de concessão.
• Exigir benefícios e facilidades para que as comunidades e povos originários possam desenvolver suas actividades produtivas, de comércio e industrialização, com a perspectiva de controle directo destes processos pelos mesmos moradores baseando-se em princípios autogestionários e de socialização.
• Exigir benefícios e facilidades para a abertura e promoção da educação e cultura nas comunidades (desde estas e para estas). Mais colégios, professores capacitados, promover a profissionalização dos estudantes indígenas. Ou seja, a construção de um sistema educativo racional e de qualidade sem as tendências competitivas e vorazes que ordena o mercado capitalista mundial.
• Exigir os maiores benefícios das actividades de exploração do Petróleo e do Gás, em favor dos povos originários, assim como a edificação de Hospitais, estradas e a infra-estrutura requerida, sempre que sejam aprovados pelos próprios povos e que a gestão dos mecanismos, controle e administração sejam feitas pelas mesmas comunidades.
• Fim imediato da campanha de criminalização do protesto que tem empreendido o governo aprista e a direita peruana, e também fim da perseguição aos lutadores sociais e a criação de notícias que desviem a atenção social sobre os problemas reais do país.



Solidariedade internacionalista com a luta dos povos amazónicos do Peru!

Anulação imediata dos Decretos Legislativos que atentam contra a soberania dos povos indígenas!

Pela liberdade e defesa do pensamento, cultura e autodeterminação de todos os povos do mundo!

Contra o autoritarismo do Estado, organizar-se e lutar desde as bases!

Abaixo o TLC e demais tratados comerciais capitalistas!

Fora transnacionais imperialistas e bases militares yanques da América Latina!

Contra a criminalização do protesto e liberdade imediata aos presos por lutar!

Viva as lutas heróicas dos povos indígenas do Abya Yala!

Somos todos amazônicos!

Viva os que lutam!

Lima, 05 de junho de 2008

Assinam:
1.- Unión Socialista Libertaria (Lima, Perú)
2.- Red Libertaria Popular Mateo Kramer (Colombia)
3.- Periódico Barrikada (Uruguay)
4.- Convergencia Anarquista Específica (Chile)
5.- Corriente Acción Libertaria (Chile)
6.- Huancayo Rebelde (Huancayo, Perú)
7.- Centro de Estudios Sociales Manuel González Prada (Huancayo, Perú)
8.- Columna Libertaria Joaquín Penina (Argentina)
9.- Organisation Communiste Libertaire (Francia)
10.- Asociación Obrera de Canarias / Ēššer Ămăhlan n Təkanaren (Islas Canarias, África)
11.- Frente de Estudiantes Libertarios (Chile)
12.- Federazione dei Comunisti Anarchici (Italia)
13.- Ateneo Autónomo de Contracultura y Estudios “La Libertaria” (Venezuela)
14.- Red Libertaria (Argentina)
15.- Antorcha Libertaria (Colombia)
16.- Revista libertaria Divergences (Bélgica)
17.- Colectivo de comunicación y agitación popular “Mecha” (Colombia)
18.- Colectivo ReXiste Riot Grrrl (Colombia)
19.- Estrategia Libertaria (Chile)
20.- Federación Anarquista Uruguaya (Uruguay)
21.- Organización Socialista Libertaria (Argentina)
22.- Organización Comunista Libertaria (Chile)
23.- Colectivo Agitación Libertaria (Chile)
24.- The Anarchist International (V/P)
25.- Espacio Libertario (Argentina)
26.- Kolectivo Utopía Ácrata Libertario (Argentina)
27.- Colectivo ResGestae (Colombia)
28.- Federation Anarchiste (Francia/Bélgica)
29.- Colectivo Qespikay (Cusco, Perú)
30.- Periódico Anarquista "El Surco" (Chile)
31.- Buffalo Class Action (EE.UU.)
32.- Zabalaza Anarchist Communist Front (Sudáfrica)
33.- Unión Solidaria y Libertaria (Argentina)
34.- Workers Solidarity Alliance (EE.UU. y Canadá)
35.- La Batalla de los trabajadores (Chile)
36.- Colectivo: Kolumna Insumisa Fraternal Anarquista (Colombia)
37.- Alternative Libertaire (Francia)
38.- Coordination des Groupes Anarchistes (Francia)
39.- Federação Anarquista do Rio de Janeiro (Brasil)
40.- Comité de solidarité avec les peuples du Chiapas en lutte (Francia)
41.- Miami Autonomy and Solidarity (EE.UU.)
42.- Társadalmi Forradalom -anarcho communist portal- (Hungría)
43.- North Eastern Federation of Anarchist-Communists (EE.UU.)
44.- Colectivo de Género Libertario de Arica (Chile)
45.- Grupo Militante Libertario (México)
46.- Revista “Hombre y Sociedad” (Chile)
47.- Vermelho e Negro – Fórum do Anarquismo Organizado (Brasil)
48.- Confédération Nationale du Travail (Francia)
49.- Melbourne Anarchist Communist Group (Australia)
50.- Common Action (EE.UU.)

Serão de contos na biblioteca municipal de Alcobaça (no dia 10 de Julho, às 21h30)



5.7.09

O aumento do garimpo e da actividade dos garimpeiros ameaçam a vida e as terras indígenas dos Yanomani



http://www.socioambiental.org/

Sobre os Índios Yanomani:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ianom%C3%A2mis

Em carta enviada à presidência da Funai em 27 de maio, a Associação Yanomami Hutukara (HAY) denuncia o crescimento desenfreado das actividades garimpeiras em seu território e exige das autoridades providências urgentes temendo que o garimpo cresça aos índices da década de 1980 quando a presença de mais de 45 mil garimpeiros resultou em mortes, epidemias, degradação ambiental e desestruturação social.

A carta divulgada pela HAY se baseia em relatos recebidos das comunidades e no crescimento nas vendas de material para garimpo no comércio de Boa Vista. O secretário da Hutukara, Dário Vitório, disse que nos últimos meses aumentou o número de cartas vindas das comunidades yanomami pedindo ajuda para a retirada dos garimpeiros. “Os parentes nos falam por radiofonia e através de cartas que estão com medo porque aumentou muito o barulho de aviões, helicópteros e motores nas proximidades das comunidades. Em alguns lugares, como no Papiú, os garimpeiros se aproximam das comunidades para tentar comprar nossa comida e nos convidando para trabalhar."

Segundo a carta da Hutukara, é visível o aumento da actividade garimpeira também em Boa Vista, capital de Roraima: “Em Boa Vista, aumentou o número dos comércios que vendem material para garimpo, e também as casas de compra de ouro e diamantes. O ouro voltou a ser moeda nas lojas do centro da cidade de Boa Vista".

A Hutukara critica as poucas operações até então deflagradas pela Polícia Federal e a Fundação Nacional do Índio (Funai), apontando para a sua ineficácia, pois os garimpeiros fogem para dentro da mata assim que ouvem o barulho do avião, e os que são pegos têm a certeza da impunidade: “De vez em quando garimpeiros são retirados pela Funai, porém nenhum garimpeiro foi preso e eles sempre voltam para a terra Yanomami, para garimpar. É comum na época das chuvas os garimpeiros aparecerem nos postos da Funai e se entregarem. Eles ganham uma “carona” para voltar para casa e no verão voltam para os garimpos ilegais.

A solução, conclui a Hutukara, é fazer "o controle da entrada dos garimpeiros, a prisão dos garimpeiros e dos equipamentos, mas principalmente dos empresários do garimpo, que contratam os garimpeiros e financiam esta atividade."

Para ler a carte supra referenciada:
aqui

Fonte da notícia:
http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=2900



A formação de professores Yanomami já inclui referências às mudanças climáticas globais

Na penúltima etapa do curso de Magistério Yarapiari, na Missão Catrimani (RR), os cerca de 80 participantes ouviram apresentações sobre gases poluentes e efeito estufa entre outros itens. Eles se comprometeram a fazer pesquisas sobre como a mudança climática é percebida pelas lideranças Yanomami e de que forma impacta o seu modo de vida. Devem apresentar os resultados ainda este ano, no final do curso.

Foi a décima-primeira etapa do Magistério Yarapiari de Formação de Professores Yanomami, promovida pelo Projeto Pró-Yanomami do Programa Rio Negro do ISA.

Entre 4 e 31 de maio, cerca de 80 professores falantes de quatro línguas, vindos de 11 regiões da TI, lotaram a Missão Catrimani, na TI Yanomami (RR) para participar da penúltima etapa do curso.

Os temas foram “Alimentação e Mudanças Climáticas” com a consultoria de Márcio Santilli, do ISA; “Política Lingüística e Políticas Públicas em Educação”, com a consultoria de Maria Cristina Troncarelli; “Nutrição”, com o consultor Maurice Tomioka Nilsom (Inpa/AM) e “Pesquisa” com a orientação de Judite Gonçalves de Albuquerque da Universidade Estadual de Mato Grosso – Unemat/Unicamp).

Em relação à mudanças climáticas, por exemplo, foram abordados conteúdos introdutórios, a visão da ciência sobre as mudanças climáticas, . e o aumento da emissão de gases poluentes, os chamados gases de efeito estufa, desde os tempos da revolução Industrial no século XVIII.

Como orientação para o próximo curso, no qual o tema será abordado novamente, os professores, jovens em sua maioria, realizarão pesquisas com os xamãs e lideranças tradicionais, enfatizando a visão dos Yanomami sobre as mudanças climáticas e seus possíveis impactos na vida do seu povo.

A primeira turma de professores Yanomami iniciada em 2001 vai se formar este ano. As etapas intensivas são apenas uma modalidade da formação, que inclui intercâmbios, pesquisa, acompanhamentos pedagógicos in loco e estudos autônomos. Em parceria com a Hutukara Associação Yanomami, o ISA pretende lutar para que a primeira turma de professores formados seja certificada.

Esta etapa do curso contou com a parceria da Fundação Rainforest, do Ministério das Relações Exteriores da França (MAE), da Missão Consolata (Diocese de Roraima) e da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Fonte da notícia:
http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=2904



CANTOS YANOMANI

A Hutukara Associação Yanomami lançou o CD Reahu He Ã, com Cantos da Festa Yanomami





Yanomamis: A última tribo (1/2)

Uma viagem para conhecer uma das tribos mais ancestrais que habitam na Terra, e que vive na selva tropical no norte do Brasil




Yanomamis: A última tribo (2/2)



A Civilización Enferma é uma nova publicação editada pelo colectivo libertário galego Renderen


Acaba de sair do prelo “A Civilización enferma”, o novo monográfico do Ren de Ren. Este segundo trabalho do colectivo libertário galego junta um conjunto de colaborações, todas elas originais, e com as quais submete a uma rigorosa e implacável observação o processo de industrializaçao da vida, ao mesmo tempo que reivindica a necessidade actual de renunciarmos às ilusões domésticas que oferece a civilização capitalista em prol da saúde, da plena liberdade e do bem comum.

Para começar, Miguel Amorós oferece-nos a sua diagnose e tratamento para esta sociedade doente de capitalismo. De seguida, entra-se nesse labirinto social pela mão de vários membros da associação viguesa Forças Eskizoá; e numa linha semelhante, apesar da diferença, no pensamento anti-pedagogo de Pedro García Olivo. Derradeira cidade e Fátima Bermejo, percorrem o desolador panorama que esta nova civilização oferece aos indivíduos indefesos.

Uma entrevista com Alejandro Argumedo, agrónomo quechua, abre caminho aos contributos de Felix Rodrigo Mora e da gente de Matosende que tomam o pulso à relação que mantemos com o meio natural devastado pela industrialização do agro.

A seguir, Alberto Domínguez aborda as relações entre a medicina, a indústria e o autoritarismo; Benito Alonso dá conta dos cadáveres da fria estatística; Marcos Abalde toma o pulso do real atrás da TV; Minux põe a vista sobre a perversa trindade do trabalho, produção e consumo; e Manolo Rei, na limpeza patológica. Emma Dourado, faz um completo resumo da problemática sanitária existente e um chamado à rebeldia contra esta civilização enferma.

O monográfico termina com novos contributos de Rebeca Baceiredo (Estamos enfermos ou simplesmente não estamos?), Antipanfleto (Comunicar-se no barulho urbano), Eliseo Fernández (A doença do medo) e o poeta Paulo Hortak (Antivirus).

A parte gráfica conta com excelentes constributos de Ana Cibeira, Calavera (desde Valencia), Idoia de Luxán, Kardo Kosta (desde a Suiça), Miguel Brieva (desde Madrid), Minux e Paula Cabildo, ademais do brilhante labor de maquetaçao e as colagens de Adriana.

As colaborações foram tão numerosas que ainda haveremos de aguardar pela publicação íntegra do trabalho monográfico no sítio web de Ren de Ren (http://renderen.blogspot.com) para conhecerem os contributos de Rafa Becerra, David Bruzos, Teresa Rodríguez, Otto Mas e o Grupo de Axitación Social (GAS).

O colectivo Ren de Ren mantém firmes as bases originais do seu projecto: a independência económica e ideológica de qualquer instituição, organização ou associação, o funcionamento autogestionado, autónomo e assembleario; autofinanciamento, ausência de publicidade e de contraprestaçoes económicas tanto para os colaboradores como para o colectivo editor; rigor nos conteúdos, beligerância anticapitalista e postura libertaria. Nada mais (e nada menos).

Colectivo editorial Ren de Ren
colectivo.renderen@gmail.com

http://renderen.blogspot.com/

Se nas próximas semanas não encontras o teu exemplar nos lugares habituais põe-te em contacto com:
Corsarias distri: Telefone: 635 04 05 49 // corsariaseditora@hotmail.com

Também podes ajudar o colectivo difundindo esta informação



O Cooperativismo teve ontem o seu 87º dia internacional , e foi divulgada por esse motivo uma mensagem da Aliança Cooperativa Internacional





O Dia Internacional do Cooperativismo foi instituído em 1923, no Congresso da Aliança Cooperativa Internacional - ACI, com o objetivo de comemorar, no primeiro sábado de julho de cada ano, a confraternização de todos os povos ligados ao Cooperativismo.
Originalmente denominava-se "Dia da Cooperação".
Com o tempo passou a ser chamado "Dia do Cooperativismo", e actualmente, "Dia Internacional do Cooperativismo".

MENSAGEM DA ALIANÇA COOPERATIVA INTERNACIONAL

... no 87º DIA INTERNACIONAL DAS COOPERATIVAS DA ACI ( ou 15º DIA INTERNACIONAL DAS COOPERATIVAS DA ONU ) no dia 4 DE JULHO DE 2009

"ORIENTAR A REFORMA GLOBAL POR INTERMÉDIO DA EMPRESA COOPERATIVA"

De acordo com estudo recente feito pela ACI por encomenda da Organização Internacional do Trabalho (OIT), as cooperativas resistem melhor à crise que as outras formas de empresa. As cooperativas financeiras mantiveram-se financeiramente sólidas; as cooperativas agrícolas em numerosos países do mundo tiveram excedentes; as cooperativas de consumo apresentam volumes de negócio acrescidos; as cooperativas de trabalho crescem. Cada vez mais pessoas escolhem a empresa cooperativa para responder às novas realidades económicas.

Porque é que as cooperativas são capazes de sobreviver e ainda prosperar em tempo de crise, e para lá dela?

Graças ao seu modelo. A empresa cooperativa é um modelo alternativo que, em lugar de se concentrar no lucro, se concentra nas pessoas, agrupando a sua força de mercado ao mesmo tempo que as guia pelos seus valores e princípios cooperativos.

Em numerosos países e sectores pelo mundo, a empresa cooperativa cresce em número de membros, em capital e volume de negócios. As cooperativas contribuem de modo significativo para manter e criar empregos, garantindo assim o rendimento das famílias. Garantem que os preços permanecem justos e que os produtos de consumo, alimentação e serviços se mantêm sãos, fiáveis e de boa qualidade. As instituições financeiras cooperativas conheceram um afluxo de capital porque os consumidores reconhecem a segurança e fiabilidade das cooperativas de poupança e crédito, dos bancos cooperativos e das seguradoras cooperativas que, em muitos casos, continuaram a fornecer crédito aos particulares e às pequenas empresas. Ao fazê-lo, demonstram que a empresa cooperativa é viável e que as empresas que se regem por valores éticos podem singrar e contribuir para uma retoma económica sustentável.

Os economistas, o mundo académico e a comunidade internacional procuram desesperadamente como estimular uma retoma global e ao fazê-lo, começam a interrogar-se sobre o modelo económico actual, que perdeu a confiança, tanto dos responsáveis políticos como do consumidor médio. Procuram nomeadamente regular os mercados e particularmente as instituições financeiras, para assegurar um funcionamento mais ético e transparente. Todavia, nessa procura, redescobrem também e reconhecem o potencial das cooperativas em contribuir de modo significativo para um novo sistema económico.

Numerosos Governos já tomam em conta a opção cooperativa neste novo ambiente económico, seja para estimular a produção agrícola, ou para reorganizar os sistemas de protecção social nacionais, como o mostra o recente debate nos Estados Unidos sobre a reforma do sistema de saúde e a proposta de criar cooperativas de saúde. Reconhecem também o contributo que as cooperativas podem dar na retoma nos seus países e encorajam cada vez mais os seus cidadãos a considerar a empresa cooperativa para as suas finanças, para aumentar a sua produtividade e para o seu bem-estar geral.

O Movimento Cooperativo deverá trabalhar com os responsáveis políticos para assegurar que reconheçam a particular natureza das cooperativas. Elas não devem ser demasiadamente reguladas e eles devem compreender a sua aversão ao risco. Uma resposta política coerente e bem articulada é crucial para assegurar que elas não sejam prejudicadas pelas mudanças no enquadramento regulamentar. Apenas graças a políticas apropriadas é que as cooperativas continuarão a ser capazes de orientar a retoma global.

Se bem que alguns economistas a propósito do estado da economia venham dizer que o pior já passou e que a retoma deve começar no fim do ano, a recessão afecta e afectará as empresas. Numerosas cooperativas serão tentadas a sobreviver a qualquer preço, incluindo renunciando à sua natureza. Mas é cada vez mais evidente que pôr em prática os valores e princípios cooperativos poderá ser o factor determinante de uma viabilidade a longo prazo. É tempo de fazer acentuar a natureza cooperativa.

Ao movimento cooperativo depara-se uma oportunidade sem precedentes. Deve vencer o desafio e ser capaz de demonstrar que o modelo de empresa cooperativo é o melhor modelo alternativo de empresa no futuro. As cooperativas demonstram actualmente que, não apenas gerem o desenvolvimento económico, como também praticam a democracia económica e política e são socialmente responsáveis. As cooperativas oferecem uma maneira mais justa de negociar, em que os valores sociais e ambientais não são apenas respeitados quando isso convém, mas são, simplesmente, a maneira de empreender das cooperativas.

Neste Dia Internacional das Cooperativas, a ACI faz apelo aos cooperadores do mundo inteiro para que reforcem o seu compromisso nos valores e princípios cooperativos, para que celebrem o seu sucesso nestes tempos difíceis e para que trabalhem em conjunto por forma a assegurarem-se que lideram a retoma global no mundo.



Maneiras Cooperativas de Pensar e Agir -Contributo para a História do Cooperativismo

No passado mês de Maio foi apresentado na casa António Sérgio, Travessa do Moinho de Vento, 4 – Lapa, Lisboa, por iniciativa do INSCOOP o livro “Maneiras Cooperativas de Pensar e Agir - Contributo para a História do Cooperativismo" de José Hipólito Santos que pretende ser um testemunho das condições difíceis vividas pelo cooperativismo português nos últimos anos.

As notas, sempre as notas, na mesma escola ( capitalista) de sempre, que teima em quantificar, custe o que custar…


As notas, sempre as notas, na mesmíssima escola, gerada em função das necessidades concorrenciais do capitalismo, que prefere arregimentar, classificar e quantificar as «ovelhas» do rebanho, e não tanto estimular o conhecimento, a autonomia, a independência, e o espírito crítico dos seus protagonistas ( estudantes, professores e funcionários das escolas), variáveis que não são redutíveis a simples operações de quantificação notarial, quer nos tempos da escola meritocrática ( em 1969), quer na actual escola-armazém-tutoria de cinzentismo ( conformismo) social...

Precarização dos professores em Portugal é a maior de todos os países da OCDE


Uma das edições passadas do Diário Económico divulgava as conclusões dum estudo da OCDE sobre as condições de trabalho dos professores. O "TALIS" é o primeiro grande inquérito internacional sobre o tema e concluiu que, entre os 30 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, Portugal é o que apresenta as piores condições de trabalho para os professores.

Portugal apresenta, a larga distância de qualquer um dos outros países da OCDE, os mais baixos valores no que diz respeito à contratação permanente: apenas 67,6% dos professores têm contratos sem termo, o que significa que 32,4% leccionam com vínculos precários.

É uma triste realidade. Mas, infelizmente, tudo nos leva a crer que estes números estão ainda abaixo da realidade. Em Portugal há um enorme contigente de professores desesperados, que, ficando sucessivamente à margem dos concursos, são atirados para as Actividades de Enriquecimento Curricular ou para outras formas de sub-emprego.

Não sendo nenhuma novidade, acima de tudo, estes números confirmam que em Portugal a precariedade está a ser imposta a partir do próprio Estado: é também aqui, a partir da precarização de mais de uma centena de milhar de trabalhadores e trabalhadoras, quase sempre ilegal, que se autoriza a generalização da precariedade, que hoje já atinge muito mais que dois milhões de pessoas em Portugal.


Fonte: http://www.precariosinflexiveis.org/