10.5.09

Marcha Global da Marijuana de 2009 teve manifestações de rua no Porto, Lisboa, Braga e Coimbra


A Marcha Global da marijuana é uma iniciativa internacional que reivindica a legalização da marijuana. Realiza-se desde 1999 no primeiro sábado de maio e desde então já contou com a participação de 485 cidades por todo o mundo. Em Portugal, a primeira MGM aconteceu em 2006 na cidade de Lisboa. Este ano a Marcha teve acções de rua no Porto ( dia 2 de Maio) e em Lisboa, Braga e Coimbra ( dia 9 de Maio).


MANIFESTO Marcha Global da Marijuana – Portugal
(Manifesto conjunto da MGM Lisboa e MGM Porto)

O facto de a canábis ser considerada uma substância ilegal tem consequências sociais e sanitárias bem maiores do que se fosse um produto permitido, nomeadamente:

- A crescente probabilidade de adulteração dos produtos, muitas vezes com substâncias mais perigosas (especialmente quando fumadas) do que a canábis, com o perigo que isso implica para a saúde pública, dado o elevado número de consumidores.
- O fomento do tráfico, que alimenta uma economia paralela dinamizada por máfias, em que os grandes lucros ficam na mão de uns quantos, quando seria justo para os contribuintes e para o Estado poder beneficiar dos impostos que recairiam sobre essas actividades (muito lucrativas) se fossem regulamentadas.
- A limitação do uso terapêutico de uma substância que tem claros benefícios no tratamento de algumas doenças; e os impeditivos legais que a proibição supõe para o desenvolvimento de uma investigação rigorosa centrada nesta planta, devido à grande quantidade de licenças que são necessárias e ao perfil político e não-científico das entidades que podem autorizar tais investigações.
- A criminalização e penalização dos consumidores, só porque têm um determinado comportamento que não afecta outrem e que, mesmo a nível individual, não traz mais problemas potenciais que o consumo de álcool, tabaco ou outras substâncias legais e com as quais o Estado lucra bastante, apesar dos riscos assumidos.
- A inexistência de prevenção e de educação para a utilização de canábis.

Em Portugal o consumo da canábis foi descriminalizado em 2001. No entanto, a perseguição policial aos consumidores mantém-se e o risco de se ser tomado por traficante é demasiado grande, uma vez que a quantidade pela qual se pode ser acusado de tráfico é mínima. A saber: a lei portuguesa prevê que qualquer pessoa possa ter em sua posse, sem consequências jurídicas, óleo, resina ou “folhas e sumidades floridas ou frutificadas da planta” de canábis que “não poderão exceder a quantidade necessária para o consumo médio individual durante o período de 10 dias” (Lei 30/2000 – “Descriminalização do Consumo de Drogas”).

De salientar que esta lei explicita que é “sem consequências jurídicas”, o que significa aquele que tenha até àquela quantidade não será considerado um criminoso, mas poderá ser será penalizado com uma contra-ordenação (multa) e poderá ter de se submeter a tratamento psicológico se o juiz de turno assim o entender.

E assim, oito anos depois da descriminalização, ainda há consumidores de canábis que são presos ou que são postos numa situação delicada face à justiça, vendo-se obrigados a provar que não são traficantes quando, muitas vezes, não há provas de que o são.

Além disso, não faz qualquer sentido estipular a quantidade permitida como a “necessária para o consumo médio individual durante o período de 10 dias”, limite muito pouco claro, tendo em conta que nem toda a gente consome a mesma quantidade e que a maior parte dos consumidores preferem comprar mais de cada vez para não ter de estar sempre a recorrer aos “dealers”, com os riscos que isso supõe não só em termos de segurança, mas pela possibilidade de ser induzido a comprar drogas verdadeiramente perniciosas.

E resta destacar que, sendo permitido o consumo, como esperam as autoridades que o consumidor se abasteça sem estimular o tráfico, tendo em conta que tanto a venda como o cultivo de marijuana são ilegais? A proibição de cultivar esta planta obriga os consumidores a alimentar actividades criminosas. Assim, entendemos que o direito ao consumo deve contemplar a possibilidade de cada um cultivar as suas próprias plantas, podendo, desta forma, garantir a qualidade do produto que consome, o que não acontece quando se vê obrigado a recorrer ao mercado clandestino.Alterar a situação legal da canábis é corrigir um erro histórico que tem trazido mais consequências negativas para os consumidores e para a sociedade em geral do que o consumo. Décadas após é clara, a desadequação da lei é cada vez mais evidentes tendo em conta os benefícios múltiplos que esta planta tem.

O presidente do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência (OEDT), Marcel Reimen, afirma que "é essencial compreender de que modo e por que razão os consumidores de canábis podem desenvolver problemas, a fim de planear as respostas e avaliar o impacto que a droga ilegal mais consumida na Europa poderá ter para a saúde". Perante isto, perguntamos: como é possível desenvolver respostas se não sabemos qual a composição dos produtos consumidos?!

No mercado português, a grande maioria do haxixe vendido tem diferentes e variáveis substâncias usadas para o cortar e fazer render mais. Para estudar a resposta ao impacto na saúde que tem essas substâncias têm, é necessário saber o que são e qual o seu impacto no organismo. Só a legalização pode garantir a qualidade do produto e assim desenvolver respostas em termos de saúde e só assim haverá a informação necessária para que exista um consumo consciente e responsável.

Todos os esforços feitos até agora para acabar com o tráfico e o consumo desta substância têm sido em vão e todo o dinheiro gasto tem sido um absoluto desperdício, visto que, de acordo com todos os relatórios oficiais da ONU e da União Europeia, cada vez há mais pessoas a lucrar com este negócio clandestino e cada vez há mais consumidores.

Em 2008 chega ao fim o prazo de 10 anos estipulado pelas Nações Unidas com a sua Estratégia para acabar com o tráfico de drogas no mundo (http://www.un.org/ga/20special/poldecla.htm ). Segue-se um ano de reflexão em que se vai analisar qual o impacto do acordo assumido pelas Nações Unidas e se, realmente, os objectivos de reduzir significativamente a procura e oferta de drogas foram atingidos.

De acordo com todos os relatórios oficiais, esta estratégia e as sucessivas políticas de combate às drogas falharam rotundamente, apesar dos milhões gastos com este tipo de iniciativas.
Por isto, como cidadãos, exigimos: mudem de estratégia!

Somos mesmo muitos
Segundo o relatório de OEDT de 2007, quase um quarto da população entre os 16 e os 64 anos de idade – cerca de 70 milhões de pessoas –, consome ou já consumiu canábis em algum momento das suas vidas. É um facto: a canábis existe e os seus consumidores também, toda a gente o sabe. Como já ficou provado, não é proibindo que vai deixar de se consumir.

Um apelo a ti
Embora a Canábis não seja inofensiva, os riscos do seu consumo são mínimos, principalmente quando comparada com outras substâncias largamente consumidas e aceites pela lei e pela sociedade. A proibição NÃO é do interesse público: põe em risco a saúde dos cidadãos, fomentando o mercado negro e a adulteração dos produtos e impedindo o Estado de arrecadar milhões de euros em impostos.

A experiência mostra-nos que o uso de Canábis não é uma grave ameaça nem aos consumidores, nem à sociedade. Cabe por isso ao Estado o dever de provar o contrário se pretende continuar a limitar a liberdade individual e a penalizar os consumidores.

Apelamos a toda a sociedade civil que se junte ao nosso protesto pela legalização da Canábis e o do seu cultivo para consumo pessoal ou para fins industriais ou com vista à investigação para fins medicinais.

Os nossos objectivos
• A legalização e regulamentação da canábis para todas as suas utilizações.
• A descriminalização total do consumo de Canábis por adultos, regulamentando modos de obtenção como o cultivo para consumo próprio ou a compra em estabelecimentos ou outros organismos autorizados e regulados.
• Encorajar o estudo e a pesquisa, públicos ou privados, das muitas utilizações benéficas da planta Cannabis Sativa L para o seu uso industrial, social, recreativo e medicinal.
As nossas propostas
• Remoção da canábis e de todos os produtos derivados da planta das listas de substâncias controladas, anexas à lei 15/93 e das respectivas adições a estas listas.
• Desburocratizar e dar prioridade ao cultivo e à indústria de canábis para a produção de energia renovável (biomassa; biodiesel; etanol) e para a produção de fibra e pasta de papel. Desde que esta produção seja feita de forma sustentável e com respeito pelas populações.
• Permitir que médicos e outros profissionais de saúde tenham a possibilidade de recomendar o uso de canábis no tratamento terapêutico, sintomatológico ou para a melhoria da qualidade de vida, nomeadamente, a doentes de SIDA, cancro, em tratamento de quimioterapia, esclerose múltipla, glaucoma ou doença de Chron, entre outros que com o seu uso possam ter melhorias de saúde e qualidade de vida.
• Despenalização da posse, consumo e cultivo de canábis e de todos os produtos derivados desta planta.
• Criação de regulamentação para o fornecimento, comércio e compra legal de canábis por adultos.
• Criação de regulamentação para estabelecimentos públicos onde o consumo de canábis por adultos seja permitido.

No Porto (2 de Maio de 2009)






Em Lisboa:

Em época eleitoral consideramos que é útil e urgente que os partidos se pronunciem e tomem posição sobre esta matéria. Porque a proibição da canábis é uma política errada, quem a defende deve ser capaz de a justificar, algo que ainda não foi feito.
O objectivo da nossa marcha é por isso o objectivo da petição que aproveitamos para lançar. Esta petição é dirigida à Assembleia da República e está disponível on-line em http://legalizacao.pt.vu/.
Petição à Assembleia da República solicitando a legalização da canábis para auto-cultivo (cultivo para consumo próprio) e a sua venda em estabelecimentos autorizados a maiores de idade. Não sendo inócua, a canábis é, das drogas ilegais, a mais consumida em todo o mundo. Apesar disso, a sua utilização não causa qualquer impacto negativo nos interesses colectivos da sociedade. E por isso, o Estado não tem o direito de proibir a sua utilização.
A proibição prejudica a saúde pública impedindo a aplicação de medidas de redução de riscos e fomenta a desinformação; promove o comércio ilegal financiando os grandes traficantes e desperdiça recursos na guerra ao tráfico e, apesar da descriminalização, continua a perseguir e a prender utilizadores. A proibição atenta contra a liberdade individual e o direito à não interferência do Estado na vida pessoal dos seus cidadãos. A legalização protege a saúde pública, assegurando a não adulteração das substâncias e o acesso a informação correcta e credível; permite reduzir drasticamente o tráfico e contribuir com impostos para a educação, investigação e prevenção; Por isso propomos a legalização da canábis para auto-cultivo (cultivo para consumo próprio) e a sua venda em estabelecimentos autorizados a maiores de idade.




Em Braga:

http://mgm-braga.blogspot.com/

Em Braga a Marcha começou com uma concentração às 15h no Arco da Porta Nova e depois seguiu pela Rua do Souto para terminar na Avenida Central





Em Coimbra:

http://mgm-coimbra.blogspot.com/

No Brasil:


Marcha Global:

9.5.09

Tertúlia do milagre de Fátima: conversa em torno de milagres, aparições e outras alucinações ( no bar Bacalhoeiro, dia 13 de Maio, às 22h.)

Clicar sobre a imagem para ampiar e ler em detalhe

Encontros do Tremoço

Tertúlia do milagre
Fátima: conversa em torno de milagres, aparições e outras alucinações

Dia 13 de Maio às 22h00

com a projecção das curtas-metragens
Em Fátima rezei por ti de Gonçalo C. Luz
Lucy de Nuno Costa e Cristiano van Zeller
“I got you under my skin”

Na manhã de 13 de Maio, o Jornal de Notícias publicava uma carta assinada por um devoto espírita, que anunciava um facto a respeito da guerra que iria impressionar muita gente. Algumas horas depois, uma pastorinha, Lúcia, num ambiente bucólico e verdejante, teria uma experiência de natureza enteógena e mística, através do consumo de um cogumelo, durante a qual acabaria por receber a visita de um Ser de Luz. Hoje, noventa anos depois, o local onde Lúcia recebeu a inusitada visita é considerado o Altar do Mundo para a maior parte dos crentes católicos. Afinal, a previsão espírita acabaria por confirmar-se.

Local:Bacalhoeiro

Rua dos Bacalhoeiros, 125 Lisboa

tel. 21 886 48 91

geral@bacalhoeiro.pt

www.bacalhoeiro.blog.com


O Bacalhoeiro é uma associação cultural sem fins lucrativos dedicada aos sócios. Traz um amigo também! Todos os eventos são grátis para os sócios, e a cada um é permitido trazer sempre um convidado mediante a apresentação do respectivo cartão.
O custo anual do cartão de sócio é de 8 euros que se destinam a compensar monetariamente o trabalho de todos os artistas que tornam possível a nossa programação

Noites de Sociologia (13 a 15 de Maio, no bar Labirinto, no Porto) vão ter como tema de debate a Cultura do Novo Capitalismo

Blogue de um grupo de estudantes de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto: http://espacolibertado.blogspot.com/



Realizam-se entre os próximos dias 13 e 15 de Maio as Noites da Sociologia, evento histórico organizado por estudantes de Sociologia da Faculdade de Letras, com o apoio do Departamento de Sociologia da mesma faculdade e do Instituto de Sociologia.
Este ano, as noites visitam o bar Labirinto, e abordam uma temática em voga nos dias de hoje, o sistema capitalista à escala internacional nas suas mais diversas dimensões.
Nesse âmbito, será promovido um debate pluridisciplinar onde, para além de oradores ligados à sociologia, marcarão presença convidados das áreas da economia, história, psicologia e da música.

13 de Maio - O Capital e os Capitais: sistema económico e sistemas sociais



- Carlos Manuel Gonçalves
- João Couto
- Manuel Loff

14 de Maio - Encruzilhadas da Política e do Consumo no Novo Capitalismo



- Rui Pereira
- José Mário Branco
- Claudino Ferreira

15 de Maio - Transformação do «Eu» na vida quotidiana das sociedades contemporâneas

- Susana Ralha
- Helena Vilaça
- Orador a anunciar da área da psicologia
E ainda música com os Godot!

Noites da Sociologia, de 13 a 15 de Maio, a partir das 21:30 no Bar Labirinto (Rua Nossa Senhora de Fátima, 334)

II Ciclo de Mulheres Palhaço no Chapitô ( de 2 a 31 de Maio)


De 2 a 31 de Maio de 2009 realiza-se no Chapitô, em Lisboa, o II Ciclo de Mulheres Palhaço, uma iniciativa que reúne cinco artistas que trabalham a arte mímica, o teatro, a música, a máscara, o circo e as técnicas clown: Cantaclown por Marta Carbayo (
2 a 5 de Maio), L'élégance et la beauté por Charlotte Saliou (7 a 10 de Maio), Elisabeth's Last Stand por Nola Rae (11 a 13 de Maio), Joana D'Arppo (Joana, a Brava) por Gardi Hutter (21 a 24 de Maio) e A Won Woman Show por Laura Herts (28 a 31 de Maio).

O lugar das mulheres no campo artístico, na cultura e na sociedade é uma questão presente no trabalho destas cinco mulheres palhaço, atravessado pelo humor, pela ironia e pelo riso. Com toda a importância de um certo modo palhaço de ser.

PROGRAMA DO CICLO

Marta Carbayo – Cantaclown
2 a 5 de Maio de 2009, 22h


Sobre Marta Carbayo

«Natural do Reino de Espanha, a residir na Dinamarca, Marta Carbayo trabalhou com os Palhaços Sem Fronteiras no Sri Lanka. Mais do que uma Mulher palhaço, Marta Carbayo tem presente no seu trabalho de clown preocupações sociais às quais dá forma através das actividades que desenvolve com um grupo de música constituído por pessoas portadoras de deficiência mental.»

Sobre Cantaclwon

«Espectáculo mímico a solo acompanhado por grandes clássicos da música nos seus diferentes géneros: pop, tradicional e clássica. 
Cantaclown já correu os mais variados festivais de Circo e Teatro da Europa como Espanha, Noruega, Dinamarca, Suécia, mas também já viajou por outros continentes.»

Duração: 55 minutos
Direcção: Marta Carbayo
Interpretação: Marta Carbayo

Charlotte Saliou – L'élégance et la beauté
7 a 10 de Maio de 2009, 22h

Sobre Charlotte Saliou

«Natural de França, Charlotte Saliou estudou Musicologia na Université Paris IV Sorbonne e Canto no Conservatoire Municipal des Lilás, no Conservatoire National de Région d'Aubervilliers - La Courneuve, na École Nationale de Musique de Pantin e na École du Samovar.
Tendo trabalhado com diversas companhias em óperas cómicas, como «Monsieur Chouf leur i» de Jacques Offenbach, «Phi-Phi» de Henri Christiné com a companhia Figaro & Co, «Valses de Vienne» de Johann Strauss, com a companhia Le Renouveau Lyr ique, Charlotte Saliou opta por seguir um percurso profissional ligado ao Circo e às Técnicas de Clown e Construção de Máscaras, construindo, em 2003, a personagem Jackie Star, com a qual tem viajado por todo o mundo, fazendo uma sátira à sociedade contemporânea.»

Sobre L'élégance et la beauté

«Depois de um acidente de viação, Jackie Star, uma ex-hospedeira de bordo da Força Aérea torna-se conferencista. Agora, ela vai discutir a elegância e a beleza.
Jackie Star deambula entre o riso, a insanidade e a sua dupla personalidade. Perfeita hospedeira de bordo, exausta comediante trágica, desarranjada cantora de ópera... mas profundamente ligada a nós.»

Duração: 60 minutos
Texto original: Charlotte Saliou
Texto adaptado: Charlotte Saliou e Michael Egard
Direcção: Charlotte Saliou
Interpretação: Charlotte Saliou e Delphine Saliou
Público-alvo: A partir dos 8 anos

Nola Rae – Elisabeth's Last Stand
11 a 13 de Maio de 2009, 22h

Sobre Nola Rae

«Natural de Sidney, emigrou para Londres muito nova. Estudou Ballet na Royal School em Londres para, mais tarde, tornar-se actriz mimo e aperfeiçoar as técnicas mímicas estudando em Paris com Marcel Marceau.
Amante de Shakespeare, Nola Rae trabalha com John Mowat, encenador da Companhia Chapitô, diversos textos do autor, transformando tragédias shakespearianas em comédias. 
Mas é a partir de 1990, com Elisabeth's Last Stand, que Nola muda radicalmente o seu estilo transformando personagens da comédia dramática em personagens contemporâneos, as quais reflectem os vícios e medos do dia-a-dia.»

Sobre Elisabeth's Last Stand

«No final da sua vida, quando tinha 70 anos, Isabel I de Inglaterra permaneceu de pé, durante 15 horas, no tribunal, período após o qual, persuadida pelos já exaustos pajens, sentou-se. Receosa, ela nunca mais se voltou a levantar. Esta é a imagem que inspirou o espectáculo e o seu título "Elisabeth's Last Stand".

Em todas as mulheres vive uma Isabel I. Uma mulher que é forte, poderosa, esperta, receosa, apaixonada e controladora. Até mesmo na tímida Betty (personagem baseada na avó paterna de Nola Rae) reside, à espreita, uma rainha.»

Duração: 1h30
Direcção: Simon McBurney
Coreografia: Nola Rae
Música: Peter West
Público-alvo: A partir dos 8 anos



Gardi Hutter – Joana D'Arppo (ou Joana, a Brava)
21 a 24 de Maio de 2009, 22h

Sobre Gardi Hutter

«Natural da Suíça, Gardi Hutter estudou na Academy of Dramatic Arts em Zurique e no CRT - Centro di ricerca per il teatro.
Enquanto actriz cómica representou peças de Aristófanes e como clown conta com mais de 2700 performances exibidas em mais de 22 países. Também escritora, publicou três obras para crianças e uma para adultos.»

Sobre Joana D'Arppo (ou Joana, a Brava)

«Uma desmazelada lavadeira sonha em tornar-se uma heroína tal como o foi Joana D'Arc, mas na ausência de temíveis inimigos ela transforma a sua lavandaria num grotesco campo de batalha.
Num estilo de comédia trágica, Joana D'Arppo é uma parábola aos dias de hoje pelas mãos de uma desgrenhada, furiosa, suja, louca, tocante e poética mulher-palhaço.»

Duração: 80 minutos
Texto original: Gardi Hutter e Ferruccio Cainero
Direcção: Ferruccio Cainero
Interpretação: Gardi Hutter
Público-alvo: A partir dos 8 anos



Laura Herts – A Won Woman Show
28 a 31 de Maio de 2009, 22h

Sobre Laura Herts

«Natural de Washington DC, descendente de uma família de imigrantes judeus da Alemanha, os Marx Brothers, célebres comediantes do período pós-guerra, Laura Herts cresceu entre o humor e o riso.
Cedo iniciou tournées artísticas e aos 19 anos descobre a paixão pela arte mímica promovendo os seus próprios espectáculos pela Europa, Israel e Estados Unidos da América. Apostada em combinar as Técnicas de Teatro com as Técnicas de Mímica, Laura Herts estou na School of Mime-Theatre Lassaad, na Bélgica, e fez formação em Teatro Físico, Clown com Máscara, Máscara Neutra e Objectos Mímicos para Teatro.
Em 2001 forma a Companhia "The Travelling Laughter Association" com a qual tem viajado por todo o mundo.»

Sobre A Won Woman Show

«Gladys vai ao teatro para ver um filme e depara-se ela mesma em palco, no filme da sua vida. Uma comédia dramática que se apresenta como a história de uma vulgar mulher de meia-idade, porém um pouco excêntrica, que acredita que o marido está presente, ainda que não esteja de facto.
À medida que Gladys vai caindo na realidade de um mundo difícil para as mulheres, ela consegue gerir e encontrar o verdadeiro sentido da vida por detrás da sua própria condição social, deixando que o destino lhe proporcione a experiência da descoberta da liberdade.»

Duração: 1h20
Texto original: Laura Herts
Direcção: Laura Herts, Jango Edwards e Raffaella Benini
Coreografia: Laura Herts
Interpretação: Laura Herts
Público-alvo: A partir dos 8 anos


http://chapito.org/?s=events&v=view&e=17
http://chapito.org/

Carta Aberta sobre Políticas de Imigração e convocação de uma Jornada Europeia pelos Direitos dos/as Migrantes (17 de Maio)


Foi lançada uma CARTA ABERTA sobre políticas de imigração, com o objectivo “promover um debate sério e construtivo, que envolva uma ampla participação da sociedade civil” em torno das políticas de imigração. Preocupados com o actual rumo e opções tomadas em matéria de imigração e comprometidos com a defesa dos direitos humanos e a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, dezenas de personalidades públicas dos mais variados sectores da sociedade portuguesa, ligadas a movimentos cívicos/sociais, ao meio académico, às artes, líderes religiosos, defendem a “necessidade de equacionar políticas que assentem no respeito da dignidade humana e que promovam a igualdade de direitos entre as pessoas, independentemente do lugar onde tenham nascido”.

O documento lançado em conferência de imprensa por alguns dos seus subscritores, entre os quais Alípio de Freitas (jornalista e professor universitário), Carlos Trindade (dirigente da CGTP), Chullage (músico), Frei Francisco Sales (Director da Obra Católica Portuguesa para as Migrações) e Paula Teixeira da Cruz (advogada), refere alguns dos os principais problemas que actualmente enfrentam os imigrantes. Em Portugal, várias dezenas de milhares de pessoas mantêm-se à espera da regularização, sujeitas ao carácter excepcional e oficioso dalguns dispositivos da actual legislação. Em toda a Europa, a Directiva de Retorno (popularmente conhecida como da Vergonha) e o Pacto Sarkozy visam criminalizar os imigrantes e minar inclusivamente os seus direitos fundamentais.

A subscrição da carta aberta poderá ser feita para o email:
cartaabertaimigracao@gmail.com



JORNADA EUROPEIA PELOS DIREITOS DOS/AS MIGRANTES

Foi também anunciada a realização, no próximo dia 17 de Maio, uma JORNADA EUROPEIA PELOS DIREITOS DOS/AS MIGRANTES, sob o lema NÃO À EUROPA DA VERGONHA, a decorrer em vários países europeus. Em Portugal, a realizar-se-á uma concentração, a ter lugar pelas 15h, no Martim Moniz.


Carta Aberta sobre políticas de imigração

A todas as cidadãs
A todos os cidadãos
Aos responsáveis dos Órgãos de Soberania
Aos Partidos Políticos

O ano de 2009, ano para o qual está prevista a realização três actos eleitorais, é um momento decisivo para o debate sobre as opções a tomar em temas cruciais como é o caso das políticas de imigração. Mais de um ano após a entrada em vigor da nova Lei de Imigração, as expectativas criadas aquando da sua aprovação não foram cumpridas e, embora a nova lei visasse tentar minorar alguns dos aspectos mais gravosos verificados na anterior, são inúmeras as situações de injustiça com as quais os/as imigrantes se deparam no seu dia-a-dia, das quais destacamos:

• O carácter excepcional e oficioso dos mecanismos de regularização, a exigência de visto de entrada e o rotundo fracasso da política de quotas têm alimentado uma bolsa de indocumentados/as, que neste momento serão de mais de meia centena de milhar;
• Os crescentes entraves colocados ao reagrupamento familiar, à renovação de documentos e os exorbitantes valores das taxas pagas pelos/as imigrantes são outros dos problemas enfrentados.
Estas práticas e políticas em nada favorecem a inclusão dos/as imigrantes na sociedade portuguesa, contribuindo, pelo contrário, para o crescimento trabalho ilegal, para a desumanização das relações de trabalho e para acentuar as desigualdades sociais.

É também com uma enorme preocupação que temos acompanhado as últimas evoluções a nível Europeu. A Directiva de Retorno representa um enorme retrocesso civilizacional que envergonha a Europa. Permitir que uma pessoa (incluindo crianças) possa ficar detida, até 18 meses pelo único “delito” de ter migrado, promover as expulsões, perseguir migrantes, generalizar os centros de detenção, não são passos a seguir se queremos construir uma sociedade mais justa e inclusiva. A adopção formal daquela que foi apelidada por largos sectores da sociedade civil como a “Directiva da Vergonha” em pleno Ano Europeu para o Diálogo Intercultural, e, em particular, nas vésperas das comemorações da Declaração Universal dos Direitos Humanos, é sintoma de um gritante divórcio entre os discursos oficiais e a realidade.

Por outro lado, o Pacto Europeu sobre Imigração e Asilo é o programa político que visa consolidar medidas de criminalização e de desrespeito dos direitos dos/as migrantes, com o reforço e subcontratação do controle das fronteiras, o condicionamento do acesso ao reagrupamento familiar, a dificultação do acesso a vistos e a adopção do “Cartão Azul” (um esquema de recrutamento hiper-selectivo, em função das qualificações). Por fim, o pacto proíbe a realização de processos regularização de carácter generalizado, condenando à clandestinidade os cerca de 8 milhões de indocumentados/as que vivem na Europa e resumindo as suas possibilidades a uma análise “caso a caso”. O documento, instrumento de carácter programático que visa definir as linhas de acção para o próximo ciclo político – 2010 a 2015 -, contribui para consolidar o carácter repressivo na aplicação das políticas desenvolvidas pelos estados membros e condiciona o próximo “Governo” da UE, ainda antes da realização, em Junho, das próximas eleições para o Parlamento Europeu. Por um lado, é mais um entorse da democracia numa Europa virada de costas para os cidadãos; por outro, está a ser um instrumento de afirmação dos sectores mais xenófobos e populistas da Europa.

As migrações não são uma realidade nova, são tão antigas como a própria história da Humanidade, mas constituem uma característica fundamental da aceleração do processo de globalização verificado nas últimas décadas. Neste processo, a desregulação dos mercados e o aumento das desigualdades Norte-Sul estiveram na base da direcção e magnitude dos actuais fluxos migratórios. O envelhecimento demográfico e as acentuadas necessidades de mão-de-obra, tornaram o velho continente Europeu num pólo de atracção das migrações. No entanto, e apesar da Europa precisar destes/as migrantes, sempre dominou uma relutância hipócrita em reconhecê-lo. O resultado foi um modelo migratório restritivo que alimentou a migração clandestina e o tráfico humano, e que criou um contingente de mão-de-obra desprovida de direitos, descartável, vulnerável perante a exploração laboral e para trabalhar em sectores pouco atraentes para os europeus, com altos níveis de precariedade e de sinistralidade – uma experiência de resto bem conhecida dos milhões de portugueses/as que emigraram, e ainda o fazem, para todo o mundo.

A Europa, a encarar uma crise económica grave, de resto generalizada a todo o globo, tem usado os/as imigrantes para “explicar” o terrorismo, a insegurança, desemprego, enfim os vários males sociais. Preocupa-nos que hoje, tal como em anteriores crises, sejam eles/as o bode expiatório desta situação e as suas primeiras vítimas.

A solução para o impasse requer que se vá à raiz dos problemas.
O direito à residência - sem a qual a existência dos/as imigrantes é relegada a um limbo jurídico que só alimenta a exploração laboral e a exclusão social - é condição sine qua non para uma real inclusão dos/as imigrantes e para a coesão de toda a sociedade.

Mas, no caminho rumo a uma cidadania plena, há ainda muito a percorrer. O direito de voto dos/as estrangeiros/as residentes já existe nas eleições autárquicas para os comunitários e os abrangidos pelos acordos de reciprocidade. Esta situação é manifestamente discriminatória, sendo urgente o acesso ao direito de voto pelos imigrantes residentes, em todas as eleições. Deve-se ainda prestar especial atenção à vulnerabilidade acrescida que enfrentam as mulheres migrantes, assim como à realidade de muitos jovens descendentes, os quais, continuam a sofrer os efeitos da guetização e exclusão. Escutemos a insatisfação crescente que se vive nos bairros.
Lançamos um desafio: o de promover um debate sério e construtivo, que envolva uma ampla participação da sociedade civil, incluindo os/as imigrantes. É necessário equacionar políticas que assentem no respeito da dignidade humana e que promovam a igualdade de direitos entre as pessoas, independentemente do lugar onde tenham nascido.

Lisboa, 6 de Maio de 2009.

OS/AS SUBSCRITORES/AS:
Adelino Gomes, Jornalista
Alípio de Freitas, Jornalista
Ana Barradas, Editora
Ana Paula Beja Horta, Prof. Universitária
Anne Marie Delettrez, Pres. Ass. Geral da UMAR
António Avelãs, Presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa
António Pedro Dores, Prof. Universitário
Bonga, Músico
Carlos Trindade, Membro da Comissão Executiva da CGTP
Christiane Coêlho, Investigadora
Chullage, Músico
Dalila Rodrigues, Historiadora de Arte
Elizabete Brazil, Jurista
Fernando Nobre, Médico
Francisco Fanhais, Cantor e Professor
Francisco Keil do Amaral, Arquitecto
(Frei) Francisco Sales, Director da Obra Católica Portuguesa para as Migrações
Frederico Lobo, Realizador
Guadalupe Magalhães, Presidente da Ass. Abril
Helena Roseta , Arquitecta
Heloísa Perista, Prof. Universitária
(D.) Ilídio Leandro, Bispo de Viseu
Irene Pimentel, Historiadora
(D.) Januário Torgal Ferreira, Bispo
João Afonso, Músico
João Brites, Encenador
João Teixeira Lopes, Prof. Universitário
Jorge Malheiros, Prof. Universitário
José Bracinha Vieira, consultor jurídico
José Eduardo Agualusa, Escritor
José Mário Branco, Músico
José Mussuaili, Jornalista
Lira Keil do Amaral, Professora
Luanda Cozetti, Músico
Luís Calheiros, Pintor/professor de Estética
Manuel Carvalho da Silva, Secretário-Geral da CGTP-IN
Manuel Freire, Cantor e Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores
Maria Anadon , Cantora de Jazz
Maria Viana, Cantora de Jazz
Miguel Vale de Almeida, Prof. Universitário
Mito Elias, Pintor
Paula Teixeira da Cruz, Advogada
Pedro Bacelar Vasconcelos, Prof. Universitário
Pedro Joia, Guitarrista
Raquel Freire, Cineasta
Rui Tavares, Historiador
Sergio Trefaut , Realizador
Tito Paris, Músico
Vanessa de la Blétière, Investigadora
Xana, Cantora
Zé Pedro, Músico
ORGANIZAÇÕES PROMOTORAS DA CARTA ABERTA
Acção Humanista Cooperação e Desenvolvimento
Associação de Amigos da Mulher Angolana
Associação de Apoio ao Estudante Africano
Associação Caboverdeana de Lisboa
Associação de Cubanos Residentes em Portugal
Associação Khapaz
Associação Lusofonia, Cultura e Cidadania
Associação de Melhoramentos e Recreativa do Talude
Associação José Afonso
Associação De Solidariedade Caboverdeana da Margem Sul
Associação dos Ucranianos em Portugal
Ballet Pungu Andongo
Casa do Brasil de Lisboa
Colectivo Mumia Abu-Jamal
Frente Anti-Racista
GAFFE – Grupo A Formiga Fora da Estrada
Obra Católica Portuguesa de Migrações
Olho Vivo – Associação para a Defesa do Património, Ambiente e Direitos Humanos
UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta
Solidariedade Imigrante – Associação para a Defesa dos Direitos dos Imigrantes
SOS Racismo

Ciclo de cinema «Gadjo é Gadjo, Cigano é Cigano» no Bacalhoeiro (de 5 a 26 de Maio)

De 5 a 26 de Maio de 2009 realiza-se na Associação Bacalhoeiro, em Lisboa, o Ciclo de Cinema "Gadjo é Gadjo, Cigano é Cigano", uma iniciativa com programação de Micol Brazzabeni (CRIA) e organizada com o apoio do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA). Em cada sessão serão projectados filmes por onde passam diferentes olhares sobre comunidades ciganas, com uma apresentação de Paulo Raposo (Departamento de Antropologia do ISCTE, CRIA), José Mapril (CRIA), Filipe Reis (Departamento de Antropologia do ISCTE, CRIA), Ruy Llera Blanes (ICS-UL) e Micol Brazzabeni (CRIA).

APRESENTAÇÃO

«Um filme e cinco documentários: o ciclo revela lugares, pessoas, emoções, estratégias, actividades, ironias, estereótipos e as suas desconstruções, formas de viver, alternativas a uma visão única, linear, condescendente e monocromática de estar.

Cada sessão tem um distinto olhar cinematográfico que varia entre o lirismo alucinado do filme “Vengo”; a narrativa desconcertante do “Pretty Dyana” e o tom intimista e quotidiano do “Everyday Life” e do “Gypsy summer”; “When the road bends”, um road movie de bandas ciganas e, concluindo, o “T’an bahktale! ‘Good fortune to you’”, um documentário etnográfico denso e multivocal.»

PROGRAMA

5 de Maio de 2009

Filme: Vengo
Apresentação do ciclo: Micol Brazzabeni
Apresentação do filme: Paulo Raposo

Título: Vengo
Realizador: Tony Gatlif
Ano: 2000
País: França, Espanha
Duração: 95'

«Andaluzia. Duas famílias ciganas, a do Caco e a dos Caravacas, duas famílias rivais. O enredo da narração envolve-nos para além da história, quase linear na sua construção. Entre pequenas ruas e paisagens rurais, as personagens feitas de rostos, corpos, música, canto e dança expressam formas de sentir a dor, o amor, a vingança, o destino, deixando-nos, como elas, inebriados.»

12 de Maio de 2009

Filmes: Gypsy summer, Everyday life of Roma children from Block 71 e Pretty Dyana. A Gypsy recycling saga
Apresentação: Filipe Reis e José Mapril

Título: Gypsy summer
Realizadora: Kristina Nikolova
Ano: 2006
Nação: Bulgaria
Duração: 12'

«Durante o período estival, uma família rom da Bulgária vive num acampamento pouco distante da praia onde há 25 anos trabalha recolhendo o lixo deixado pelos turistas. O breve documentário ilustra uma forma de trabalho sazonal alternativo nas estâncias balneares do Mar Negro, que se ajusta às poucas possibilidades laborais que se encontram na cidade.»

Título: Pretty Dyana. A Gypsy recycling saga
Realizador: Boris Mitic
Ano: 2003
País: Sérvia, Montenegro
Duração: 45'

«Um olhar divertido e desconcertante sobre o quotidiano de algumas famílias rom, refugiadas na periferia de Belgrado, que nos apresentam uma inesperada maneira de ganhar a vida: transformar carros Citroën clássicos 2cv e Dyane em veículos reciclados, estilo Mad Max, para recolher e transportar papéis, garrafas, restos metálicos. Muito mais eficientes que outros tipos de transportes, estes “modernos cavalos” significam muito mais que uma simple oportunidade de trabalho...Mas a polícia nem sempre acha estes estranhos veículos divertidos...enjoy it.»


Título: Everyday life of Roma children from Block 71
Realizadora: Ivana Todorovic
Ano: 2006
País: Sérvia
Duração: 23'

«No acampamento de barracas, o Bloco 71 em Belgrado, vivem os Stankovic, uma família rom emigrada do sul da Sérvia.
O documentário narra, através da voz da realizadora e, sobretudo, das crianças, pequenos excertos de vida, escapando a tons piedosos e vitimizadores. A aprendizagem dos miúdos é aqui descrita como um conjunto de possibilidades, trabalhos quotidianos, desejos, vivências e regras sociais, cujos limites se misturam com a densidade do dia-à-dia.»

19 de Maio de 2009

Filme: When the road bends… Tales of a Gypsy caravan
Apresentação: Ruy Blanes

Título: When the road bends… Tales of a Gypsy caravan
Realizadora: Jasmine Dellal
Ano: 2006
País: Estados Unidos
Duração: 110'

«Quarenta músicos rom de quatro diferentes países juntam-se para partilhar uma viagem musical de seis semanas passando pela Macedónia, a Roménia, a Índia e a Espanha, visitando lugares e parentes até chegar aos Estados Unidos cenário de 18 concertos. Última realização de Jasmin Dellal, este documentário acompanha de forma entusiasta e intrigante os shows e os backstage da Gypsy Caravan mostrando-nos a variedade musical, cultural e social das personagens envolvidas.»

26 de Maio de 2009

Filme: T’an bahktale! “Good fortune to you”
Apresentação: Micol Brazzabeni

Título: T’an bahktale! “Good fortune to you”
Realizadora: Alaina Lemon
Ano: 1996
Nação: Rússia
Duração: 75'

«Filmado na Rússia Central pós-soviética em 1993, depois de dois anos de trabalho de terreno com familías rom, kalderash e lovari, este documentário etnográfico revela as percepções (positivas e negativas) acerca dos rom nos discursos populares, através de entrevistas com pessoas comuns, romani performers, bem sucedidos negociantes e comerciantes pobres rom, assim como metalúrgicos descrevem o que significa ser “rom”.»


http://www.cria.org.pt/

O movimento de pescadores e cidadãos contra as praias privadas organiza debates/reuniões em Lisboa (9/5) no Porto (16/5) e em Fanhais (na Nazaré)

Lisboa: Sábado, dia 9 de Maio, Centro Social da Mouraria, 16 horas
Porto: Sábado, 16 de Maio, Casa da Horta, 17 horas
Fanhais: (Nazaré): Sábado, Liga dos Amigos de Fanhais, 21 horas


Debate/Reunião aberta com a presença de representantes do Movimento de Pescadores e Cidadãos contra as Praias Privadas

O Mar é Nosso!
(inclui a passagem do filme Filme O Mar é Nosso! com a realização de Tiago Cravidão)

Sucessivas leis têm vindo a privatizar o espaço público. Tenta-se proibir a pesca nos parques naturais, depois nas zonas costeiras, agora também em rios. Estas e outras leis são formas de privatização da propriedade, formas de expulsar as populações aí residentes, tirando-lhes os meios de subsistência para vender aquilo que era de todos – primeiro é um parque natural, uma reserva, depois passa para a gestão privada. Projectos turísticos e de agricultura intensiva estão previstos em toda a costa de Portugal, uns vendidos para resorts à filha do José Eduardo dos Santos ou ao Sousa Sintra, outros para marinas privadas. Já vedaram as Pedras d’el Rei para campos de golfe; deram entrada projectos para fazer o mesmo em Odeceixe, na foz do Alcoa na Nazaré, na Polvoeira… Do Minho a Sagres, como mostra o cartaz divulgado pelos movimentos. Um movimento de pescadores e outros cidadãos de todo o País está a lutar contra estas leis. A eles juntaram-se milhares de pessoas em todo o País que defendem o mar livre, são contra praias privadas e querem ter na costa um meio de lazer público. É urgente que em Lisboa nos juntemos a esta campanha contra a privatização da terra que é de todos, do mar que é nosso. A Rubra junta-se a todos aqueles que de Norte a Sul dizem Mar Privado? Não, Obrigado!
Fomos à Costa Vicentina e à Nazaré ouvir dezenas de testemunhos locais e fizemos um filme que mostra quem aí vive, como vive e todos os negócios escuros por trás de uma proibição de ir à pesca. Segue-se um debate/reunião aberta com representantes dos movimentos de pescadores e de cidadãos contra a privatização das praias e da orla costeira para o qual convidamos todos os indivíduos, movimentos e organizações, onde se vai decidir formas de participação na manifestação de 24 de Maio e outras formas de luta que se queiram apresentar.

Organização
Colectivo Revista Rubra
revistarubra@gmail.com
Em breve site disponível:
www.revistarubra.org

Locais:
Grupo Desportivo da Mouraria
Travessa da Nazaré, nº 21 – Entre o Largo das Olarias e a Calçada do Monte
http://gaia.org.pt/

8.5.09

O Rendimento Universal de Cidadania nas palavras de Bertrand Russell proferidas há já 90 anos atrás…


Bertrand Russell, filósofo, matemático, pensador político inconformista, militante pacifista e Prémio Nobel, defendeu o rendimento básico e universal de cidadania há já 90 anos. Eis o que ele escreveu, num pequeno livro intitulado Roads to Freedom, em 1918:

"(...) Em termos mais simples, o plano que defendemos consiste, essencialmente, no seguinte: que um certo pequeno rendimento, suficiente para as necessidades básicas, deve ser garantido a todos, quer queiram ou não trabalhar, e que um rendimento maior - tanto maior quanto possa ser garantido pela totalidade das mercadorias produzidas - deve ser dado àqueles que estejam dispostos a empenhar-se em alguma actividade que a comunidade considere de utilidade... Depois de concluída a educação, ninguém deve ser compelido a trabalhar e aqueles que escolherem não o fazer devem receber meios mínimos de subsistência e devem ser deixados completamente em paz."

traduzido de



Diário do drama da sobrevivência dos imigrantes na travessia do mar em pequenos barcos...






Mundial de Filosofia (Alemanha contra a Grécia)

O tempo que os filósofos passam a reflectir para que serve uma bola...

Para quem não teve ocasião de o encontrar no 1º de Maio, aqui temos…Vital Moreira



Acerta-lhe...

7.5.09

Manifestação anti-garraiada na Figueira da Foz ( hoje, dia 7, pelas 14h.) promovida pelo Grupo Ecológica da Associação académica de Coimbra


Manifestação Anti-Garraiada

7 de Maio , às 14horas

Praça de Touros da Figueira da Foz


“Tirem a tourada, e não ficam senão badamecos derreados da espinha…”
Eça de Queirós, in Os Maias, cap. IX

“O touro está ‘templado’, vai ao engano, todos os movimentos de capote e muleta servem para adormecê-lo, suavizá-lo. É então que entra num sonho e vai reconhecendo que chegou o seu fim. E chora. Muitas vezes, vemos lágrimas no touro.”
In Diário de Notícias, 22 Abril 89

“A última «faena» de um toureiro triunfador”.
José Júlio – Ex-matador de touros.


Nas touradas, assiste-se à clara violação dos direitos dos animais, consagrados na Declaração Universal dos Direitos dos Animais, aprovada pela UNESCO, em Outubro de 1987, nomeadamente nos artigos:

· Todo o animal tem direito a ser respeitado;

· Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a actos cruéis;

· O homem como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los;

· Se for necessário matar um animal, ele deverá ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia (como nas touradas);

· Nenhum animal deve ser explorado para divertimento do homem;

· As exibições de animais e os espectáculos que usem animais são incompatíveis com a dignidade animal;

· Todo o acto que implique a morte de uma animal sem necessidade é um crime contra a vida.



Deste modo, o Grupo Ecológico da AAC condena actos bárbaros considerados espectáculos, como a tourada, garraiada e todos aqueles que infligem sofrimento a animais, assim como lamenta que instituições académicas, que têm como objectivo a formação intelectual e humanista do indivíduo, embarquem em tais espectáculos de violência medieval.

Neste sentido, propomos aos estudantes e demais pessoas que não colaborem de modo algum com a manutenção de tão vergonhoso “divertimento”!

Participe na Manifestação Anti-Garraiada, dia 7 de Maio, pelas 14 horas, na Praça de Touros da Figueira da Foz.


Para mais informações:
grupoecologico.aac@gmail.com

6.5.09

Ecologia da paisagem - curso a realizar em Bragança nos dias 16 e 17 de Maio



16 e 17 de Maio de 2009
Curso: Ecologia da Paisagem - A Paisagem no Turismo Rural e de Natureza
Bragança - Instituto Politécnico de Bragança



Programa

Sábado, 16 de Maio9.00 - Abertura do secretariado e apresentação do curso.
9.30 - Ecologia da Paisagem: origem e as bases conceptuais (José Castro, ESAB).
11.00 - Intervalo
11.15 - Componentes e funcionamentos da paisagem rural: exemplos da etnobotânica local e regional (Ana Maria Carvalho, ESAB).
13.00 - Almoço
15.00 - Exercício prático sobre o carácter da paisagem de origem de cada participante: as diferentes escalas para a sua representação, e os principais elementos e funcionamentos envolvidos.
18.00 - Análise e discussão em conjunto da informação recolhida e trabalhada.
Domingo, 17 Maio
9.30 - A percepção da Paisagem (Ana Lavrador, Universidade Nova de Lisboa).
11.00 - Intervalo.
11.15 - A exploração estética da Paisagem (Luísa Genésio, ESAB).
13.00 - Almoço.


Inscriçoes:

Trabalhar em centros comerciais. Algumas notas sobre uma pesquisa empírica - 2ª oficina do pensável na Universidade Popular do Porto

Livro: Entre a casa e a caixa. Retrato dos trabalhadores na Grande Distribuição.
Autora: Sofia Cruz
Edições Afrontamento

Com algum atraso damos aqui conta da realização no passado dia 30 de Abril da 2ª oficina do Pensável promovida pela Universidade Popular do Porto (UPP) a cargo de Sofia Alexandra Cruz e subordinada ao tema «Trabalhar em centros comerciais. Algumas notas sobre uma pesquisa empírica.»
As oficinas do pensável são uma iniciativa organizada no quadro das actividades da UPP Universidade Popular do Porto . Trata-se de um lugar de intercâmbio onde falamos do nosso trabalho e conhecemos o dos outros. Tudo porque rejeitamos essa espécie de "solidão especializada", hoje tantas vezes prevalecente, e reconhecemos que o conhecimento é sempre mais do que a soma das suas infinitas partes. Somos uma oficina onde pensar é um trabalho de todos para todos."


As Oficinas do Pensável
acontecem na última 5a de cada mês, às 21h30 nas instalações da UPP, na Rua Augusto Luso 167, 1 Porto



Trabalhar em centros comerciais. Algumas notas sobre uma pesquisa empírica.
Sofia Alexandra Cruz


Os centros comerciais (1) marcam desde os anos oitenta do século XX a paisagem urbana e comercial portuguesa. No contexto das jornadas sobre centros comerciais que se realizaram em Lisboa, no ano de 1989, defendeu-se que estes espaços eram centros de vida, uma vez que para além do uso comercial também estava em causa um uso cultural, desportivo e social. Volvidos vinte anos sobre esse encontro, destacamos uma outra utilização absolutamente incontornável - a laboral -, que remete para uma dimensão da sociedade do consumo e do lazer composta por indivíduos para quem estes centros comerciais correspondem aos seus locais de trabalho.
Muito embora contemplados sob o olhar da arquitectura, da engenharia e da geografia, os centros comerciais raramente têm sido analisados pela sociologia, exceptuando alguns estudos sobre a sociologia do consumo que os consideram como a expressão máxima de uma cultura de consumo e local mágico de troca e de fruição de mercadorias. Esta constatação, as conclusões decorrentes de um trajecto de investigação anterior (2) e a circulação por estes espaços em muito contribuíram para elegermos como objecto de estudo os/as trabalhadores/as dos centros comerciais.
Nesta Oficina nº2 pretendeu-se dar conta da pesquisa desenvolvida sobre o universo laboral constituído pelos/as trabalhadores/as de lojas de vestuário e de restauração localizadas em centros comerciais. O objectivo central foi reflectir sobre a estratégia metodológica accionada para investigar esta realidade e os desafios encontrados.



(1) A Portaria nº424/85 de 5 de Julho define o centro comercial como o “empreendimento comercial que reúna cumulativamente os seguintes requisitos:
1) possua uma área bruta mínima de 500m2 e um número mínimo de doze lojas, de venda a retalho e prestação de serviços, devendo estas, na sua maior parte, prosseguir diversificadas e especializadas;
2) todas as lojas devem ser instaladas com continuidade num único edifício ou em edifícios ou pisos contíguos e interligados, de modo a que todas usufruam de zonas comuns privativas do centro pelas quais prioritariamente o público tenha acesso às lojas implantadas;
3) o conjunto do empreendimento tem de possuir unidade de gestão, entendendo-se por esta a implementação, direcção e coordenação dos serviços comuns, bem como a fiscalização do cumprimento de toda a regulação interna;
4) o período de funcionamento (abertura e encerramento) das diversas lojas deve ser comum, com excepção das que pela especificidade da sua actividade se afastem do funcionamento usual das outras actividades instaladas”.

(2) No âmbito da tese de mestrado desenvolvemos uma reflexão sobre a especificidade do trabalho da linha de caixas nos hipermercados (Sofia Alexandra Cruz, 2003, Entre a Casa e Caixa. Retrato de Trabalhadoras na Grande Distribuição, Porto, Afrontamento).

Festival Fábrica 2009 de dança contemporânea

A dança contemporânea, apesar de todas as contrariedades, sempre foi um enorme campo de experimentação, cruzamentos e florescimento de novas abordagens de encarar o corpo, o movimento e a sociedade onde os artistas se inserem e o mundo onde se movem.
Dessa rede de relações, baseadas em conteúdos manipulados pelos próprios artistas, surgem documentos que registam e retratam o corpo nas suas múltiplas identidades.

Nessa 11ª Edição, procuramos ampliar ainda mais nossa intervenção como parceiros privilegiados da difusão de novas obras, bem como de novos artistas. Estabelecemos várias co-produções. Convidamos artistas em início de carreira. Estabelecemos colaborações com vários espaços de forma a tornar bem mais acessível a participação do público (e não esperar que todos se dirijam ao teatro).

Esta Edição, é marcadamente uma programação feita com artistas que estão a despontar e a construir um corpus de trabalho inteligente e coeso dentro da criação coreográfica contemporânea.



Programação

01 a 23 de Maio 2009
Contagiarte - 23H30
Exposição de fotografias de Renato Silva
Um olhar

01.05.09
Espaço Maus Hábitos / Mostra Show Rooms - 22H30
Pongo land - Nuno Lucas (PT) / Hermann Heisig (GER)


07.05.09
Teatro Helena Sá Costa - 21H30
Charlotte O'Day - Flávio Rodrigues (PT)

Simon 06.07.08.09 - João Costa (PT)


08 e 09.05.09
Espaço Maus Hábitos / Mostra Show Rooms – 22H30
Gingerbread cookie country - Rani Nair (SWE)



09.05.09
Teatro Helena Sá Costa - 21H30
Im–Francisco Camacho / Vera Mota (PT)
Razzle Dazzle - Marianne Baillot (FR)



16.05.09
Teatro Helena Sá Costa - 21H30
Ningyo – Nicole Seiler (SW)



18 a 22.05.09
NEC - Núcleo de Experimentação Coreográfica - 21H30
Workshop Nicole Seiler
Horário: 18H às 21H



20.05.09
Espaço Maus Hábitos / Mostra Show Rooms – 22H30
Ready steady - Daniel Almgren Recén – (SWE)



22 e 23.05.09
Espaço Sacramento – 21H30
ONE some body thing – Adriana Cubides (COL)
“Augustus hears cars like sea waves” – Raul Maia (PT)



23.05.09
NEC - Núcleo de Experimentação Coreográfica - 17H
Proposition 1 – Miet Warlop (BEL)

Contagiarte - 23H
K Two (performance) – Nicole Seiler



21 a 23.05.09
salabranca - 22H

O Festival da Fábrica – 11ª edição, em colaboração com salabranca, apresenta LUPA festival, que decorre de 21 a 23 de Maio.09

O LUPA festival é um dos projectos da salabranca lab, que surge com o objectivo de criar um espaço de apresentação e reflexão de trabalhos performativos: 3 artistas durante 3 dias cruzam-se com o público num ambiente de grande proximidade.

Viagem a Nova Iorque - 3º estudo: as personagens da viagem.. - Micaela Maia (PORT)
INFORMAÇÕES ÚTEIS
Teatro Helena Sá Costa
Rua da Escola Normal, 39
Porto

NEC - Fundação Escultor José Rodrigues/Fábrica Social
Rua da Fábrica Social, s/n
Porto

Espaço Sacramento
Rua de Guilherme Braga, 44
Vila Nova de Gaia

Estúdio La Marmita
Rua da França, 6
Vila Nova de Gaia

Maus Hábitos
Rua de Passos Manuel, 178 - 4º
Porto

Contagiarte
Rua Alvares Cabral, 372
Porto

salabranca
Rua Augusto Rosa, 176 - 3º
Porto
Para saber mais:

Concerto em Águeda do grupo galego de folk celta Luar na Lubre (dia 8 de Maio às 22h.)



SEXTAS CULTURAIS ÁGUEDA 2009

8 Maio, 22h00

Luar na Lubre ou o grande folk celta no palco das Sextas, em Águeda!

http://www.luarnalubre.com/

Da cidade portuária da Corunha para o mundo: música celta galega! Luar na Lubre é um dos mais importantes grupos folk galegos, com uma carreira internacional recheada de êxitos, discos e reconhecimentos. O grupo difunde por todo o planeta a música da nossa irmã Galiza, estreitando laços culturais entre países e culturas, numa relação também muito especial com a música e os músicos portugueses. A voz do grupo é da cantora portuguesa Sara Vidal, cujas ligações familiares a Águeda darão especial emoção ao concerto dos Luar na Lubre nas Sextas Culturais.

http://www.dorfeu.pt/


Canto de Andar (Luar Na Lubre)




O son do Ar




Espiral




Chove en Santiago



A carqueja, uma das plantas mais vulgares e bonitas nos terrenos mais elevados batidos pelo vento...



A carqueja ou carqueija é uma planta muito vulgar nos campos e matos incultos de Portugal
O seu nome científico é Pterospartum tridentatum e pertence à família Fabaceae mais conhecidas por leguminosas. O nome da família (Fabaceae ) talvez derive do facto de todas as plantas que a integram produzirem pequenas vagens (como a ervilheira o feijoeiro ou a acácia), mas um dos aspectos mais curiosos prende-se com o facto de serem leguminosas. Grande parte das espécies desta família apresentam simbiose das suas raízes com bactérias do género Rhizobium e semelhantes, que fixam o nitrogénio da atmosfera, uma característica ecológica de extrema importância uma vez que contribui para o enriquecimento do solo.

A carqueja tem mais aspectos curiosos como seja o facto de praticamente não possuir folhas. A função fotossintética é feita pelo caule, que para o efeito apresenta duas espécies de asas que se prolongam ao longo dele em posições opostas, funcionando como folhas.

Em Portugal estão identificadas 3 subespécies de carqueja, mas a sua identificação não é muito fácil. São muito abundantes, principalmente a norte. A floração acontece entre Março a Junho mas é nos meses de Abril e Maio que se faz a colheita da flor, tão tradicional nas nossas aldeias.Cresce bem em matos, matagais e terrenos incultos. Está espalhada por todos os locais principalmente nos pontos mais elevados onde existe vegetação rasteira, partilhando o espaço com giestas, estevas e arçãs e também o tojo, "parente" muito próximo da carqueja.
A lenha de carqueja (estamos a falar de um arbusto) já foi bastante usada para aquecimento dos fornos de cozer o pão, mas actualmente é pouco usada como combustível. As suas flores são colhidas e secas. Com elas se faz o tão conhecido chá de carqueja indicado para hipertensão, constipações, tosse, bronquite, diabetes, rins e bexiga. Mas é na culinária que a carqueja ganha cada vez mais adeptos: as partes terminais de pequenos caules são usadas para temperar carne estufada, principalmente coelho. É famoso o arroz de carqueja mas ainda não provei.
A carqueja também é utilizada para aromatizar licores.
Por último, o chá de carqueja ajuda no emagrecimento devido à sua função diurética.




FAMÍLIA: Papilionáceas

NOME VULGAR: Carqueja

DESCRIÇÃO: planta lenhosa, arbustiva; flores amarelas. com pedúnculos curtos, reunidas em fascículos axilares e terminais; corola com o estandarte ovado ou quase arredondado e a quilha prateado-acetinada, peluda; estames unidos num só grupo; os ramos são alados e as folhas substituídas por filódios (forma laminar) coriáceos; vagem 10-12 mm pubescente-acetinada

HABITAT: Charnecas, matos, pinhais, montados

FLORAÇÃO: Março a Junho

As gripes comuns, a gripe A do subtipo H1N1 ou suína, e as outras «gripes» muito mais arrasadoras que convém não falar...

A gripe comum e mais vulgar causa cerca de meio milhão de mortes no mundo em cada ano.

Em 2005 a gripe aviar causou 243 mortes em todo o mundo. O governo norte-americano de Bush recomendou o Tamiflú para combatê-la. Acontece que a patente deste medicamento era propriedade de uma empresa cujo presidente era Donald Rumsfeld, secretário de Defensa de Bush, e principal responsável pela guerra do Iraque que matou milhão e meio de pessoas. O Tamiflú valia 44 euros em 1999 e passou a valer 377 euros em 2006.

A gripe suína ( ou mexicana, ou gripe A subtipo H1N1) infectou menos de mil pessoas, tendo falecido até agora cerca de 20 pessoas, segundo a Organização Mundial de Saúde. A OMS diz-nos agora que o Tamiflú também serve para esta gripe.

O que se passa é que pouca gente fala de outras «gripes» que acontecem todos os dias:

- cerca de 90.000 pessoas morrem de fome no mundo em cada dia;
-cerca de 2.000 crianças são infectadas pela SIDA em cada dia
-cerca de 200 milhões de crianças dormem na rua em cada dia
-cerca de dois milhões de raparigas menores são obrigadas a prostituírem-se todos os dias
-cerca de 35.000 crianças morrem em cada dia de doenças que poderiam ser evitadas


Apesar destas «gripes» os governos, os Estados, os media preferem bombardear-nos e aterrorizarem-nos com a gripe suína…

Por muito cuidado que devemos ter com as novas doenças, as novas estirpes de vírus, é preciso nunca esquecer as doenças crónicas que atacam e envergonham a Humanidade: as desigualdades sociais, as injustiças, a miséria e a exploração de muitos a favor de uns poucos…



Epidemia de lucros

Texto de Silvia Ribeiro publicado no jornal mexicano La Jornada


A epidemia de gripe suína que dia-a-dia ameaça expandir-se por mais regiões do mundo não é um fenómeno isolado; é parte da crise generalizada e tem suas raízes no sistema de criação industrial de animais dominado pelas grandes empresas transnacionais.

No México, as grandes empresas de criação de aves e suínos têm proliferado amplamente nas águas (sujas) do Tratado de Livre Comércio da América do Norte. Um exemplo é a Granja Carroll, em Veracruz, propriedade da Smithfield Foods, a maior empresa de criação de porcos e processamento de produtos suínos no mundo, com filiais nos EUA, na Europa e na China. Em sua sede de Perote começou há algumas semanas uma virulenta epidemia de enfermidades respiratórias que atingiu 60% da população de La Gloria, facto informado pelo jornal La Jornada em vários momentos a partir das denúncias dos habitantes do lugar. Eles, há uns anos, travam uma dura luta contra a contaminação causada pela empresa e têm sofrido, inclusive, repressão das autoridades por denunciar. A Granjas Carroll declarou que não está relacionada nem é a origem da actual epidemia, alegando que a população tinha uma gripe "comum". Não foram feitas análises para saber exactamente de que vírus se tratava.

Em contraste, as conclusões do painel Pew Commission on Industrial Farm Animal Prodution (Comissão Pew sobre Produção Animal Industrial), publicadas em 2008, afirmam que as condições de criação e confinamento da produção industrial, sobretudo em suínos, criam um ambiente perfeito para a recombinação de vírus de distintas cepas.

Inclusive, mencionam o perigo de recombinação da gripe aviária e da suína e como finalmente pode chegar a recombinar em vírus que afectem e sejam transmitidos entre humanos. Mencionam também que por muitas vias, incluindo a contaminação das águas, pode chegar a localidades longínquas, sem aparente contacto direto. Um exemplo do que devemos aprender é o surgimento da gripe aviária - ver, por exemplo, o relatório de GRAIN, que ilustra como a indústria avícola criou a gripe aviária: http://www.grain.org/.

Porém, as respostas oficiais diante da crise actual, além de tardias (esperaram que os Estados Unidos anunciassem primeiro o surgimento do novo vírus, perdendo dias preciosos para combater a epidemia), parecem ignorar as causas reais e mais contundentes. Mais do que enviar cepas de vírus para o seu sequenciamento genómico a cientistas, como Craig Venter, que enriqueceu com a privatização da pesquisa e dos seus resultados (sequenciamento que, com certeza, já foi feito por pesquisadores públicos do Centro de Prevenção de Enfermidades em Atlanta, EUA), o que se torna necessário é saber que esse fenómeno irá continuar a repetir-se enquanto existirem os focos criadores dessas enfermidades.

Já na epidemia, são também as transnacionais, as que mais lucram: as empresas biotecnológicas e farmacêuticas que monopolizam as vacinas e os antivirais. O governo anunciou que tinha um milhão de doses de anti-genes para atacar a nova variedade de gripe suína; porém, nunca informou qual o seu custo.

Os únicos antivirais que ainda têm acção contra o novo vírus estão patenteados na maior parte do mundo e são de propriedade de duas grandes empresas farmacêuticas: o zanamivir, com nome comercial Relenza, comercializado pela GlaxoSmithKline, e o oseltamivir, cuja marca comercial é Tamiflu, patenteado pela Gilead Sciencies, licenciado de forma exclusiva pela Roche. Glaxo e Roche são, respectivamente, a segunda e a quarta empresas farmacêuticas em escala mundial e, igualmente como no restante de seus remédios, as epidemias são as suas melhores oportunidades de negócio.

Com a gripe aviária, todas elas lucraram centenas ou milhões de dólares. Com o anúncio da nova epidemia no México, as acções da Gilead subiram 3%, as da Roche 4% e as da Glaxo 6%; e isso é somente o começo.

Outra empresa que persegue esse lucrativo negócio é a Baxter, outra farmacêutica global (ocupa o 22º lugar), e que teve um "acidente" na sua fábrica na Áustria, em Fevereiro de 2009. Enviou um produto contra a gripe para a Alemanha, Eslovénia e República Checa contaminado com vírus da gripe aviária. Segundo a empresa "foram erros humanos e problemas no processo", do qual não pode dar detalhes, "porque teria que revelar processos patenteados".

Não necessitamos enfrentar somente a epidemia da gripe; necessitamos enfrentar também a epidemia do lucro.

Silvia Ribeiro é pesquisador do grupo ETC, que pratica estudos sócio-económicos e ecológicos (http://www.etcgroup.org/ )