7.10.08

Artes da Lua d’Outono ( 10, 11 e 12 de Out. em Coimbra)

Para celebrar as borboletas
e a risada das crianças

O artes da lua d'outono, na sua 2ª edição em Coimbra, é um encontro de famílias, que se organiza num espaço aberto, plural e auto-organizado, de entrada gratuita, de quem pensa criticamente o mundo que habita e quer participar na sua construção, através de acções criativas, sustentáveis e participadas.

O nosso desafio, como grupo de projecto, é a criação de uma rede de apoio para que este evento seja concretizado apenas com práticas de entre-ajuda, troca de apoios, trabalho voluntário e donativos, das pessoas e organizações que acreditam e partilham de uma mesma visão do mundo, do ser humano e da relação entre os seres.

Este evento tem em vista contribuir para a germinação de projectos nas áreas da educação , expressão , desenvolvimento pessoal e estilos de vida sustentáveis.

O bem estar colectivo da comunidade do artes é o resultado da contribuição de cada pessoa .
O evento conta com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra e da Rádio Universitária de Coimbra.


A Visão que nos guia

Desejamos manifestar uma sociedade pacífica e criativa, na qual o trabalho mais valorizado e recompensado – e a principal prioridade social – seja o desenvolvimento integral do ser, nas suas dimensões física, mental e espiritual ; uma sociedade organizada em círculo, no qual as “crianças” e “jovens” participam com as “pessoas adultas” na construção do mundo de que fazem parte e onde se pratica o Amor, a Tolerância, a Consciência e a Responsabilidade Individual pelo Bem-Estar Colectivo.

Os objectivos

O artes da lua d’outono pretende constituir um momento de encontro entre famílias e juntar protagonistas para a partilha, sobretudo com quem está fora dos circuitos alternativos e demontra interesse por projectos e experiências do que em Portugal se faz nas seguintes áreas:
* educação integral e libertadora,
* vida comunitária,
* produção artesanal e ecológica,
* medicinas naturais e tradicionais,
* maternidade natural, consciente e intuitiva,
* desenvolvimento pessoal,
* protagonismo infanto-juvenil,
* espiritualidade infantil,
* culturas marginais,
* sustentabilidade.

Este ano terão lugar no artes da lua d'outono um

Encontro de Educação Integral e Intuitiva,
um Encontro de Fadas,
Palhaç*s e Feiticeir*s,
e um Mercadilho do Artes.


A Organização

Começou por ser um projecto do Colectivo Germinal, que hoje se expandiu para uma iniciativa organizada por vários indivíduos e colectivos que dele querem fazer parte. Caso queiras participar e colaborar na realização deste projecto, contacta-nos.

A organização do artes da lua d’outono conta unicamente com o trabalho voluntário dos elementos do grupo de projecto e de uma equipa alargada de apoio.

As receitas têm origem em patrocínios seleccionados, donativos dos visitantes, aluguer simbólico de espaços no Mercadilho e da zona para acampar, bem como nos lucros da cozinha comunitária. Os lucros no final de cada edição revertem para a realização da seguinte.

A história

Há 7 anos atrás, se a memória não nos falha, o Germinal agilizou a estrutura para a realização, no Parque de Campismo aberto de Montemor-o-Velho, o artes da lua de maio, como um encontro de alternativas e de estilos de vida sustentáveis. Todo o encontro foi realizado com o espírito de entre-ajuda do grupo de apoio do Colectivo, de entrada livre e com uma sopa da pedra para quem não tivesse moedas para comprar as refeições, a única entrada de dinheiro no evento.

Com a realização do Vida Verde e encontros afins, pareceu ao Colectivo que o acontecimento do artes da lua deixava de fazer sentido. Porém, permanecia a vontade de se envolver e promover o encontro de espíritos livres.

Há dois anos atrás identificámos o tema da alternativa educativa à escola oficial, por parte das famílias e profissionais, como uma necessidade que poderia ser objecto de um novo artes. Por outro lado a valorização do trabalho artesão passou a ser também uma vontade. E pela celebração do equinócio, em Setembro de 2007, realizou-se o artes da lua d'outono, que incluia um Encontro de Educação Alternativa e uma Feira de Artesanato.

Porque a Educação Alternativa pode ser qualquer uma que se apresente como uma opção em relação à escola tradicional, quisemos começar a definir os nossos ideias. Este anos de 2008 escolhemos a Educação Integral e Intuitiva, mas para o ano será diferente. Quem sabe Educação Livre.

Já durante a preparação do artes de 2008 surgiu a visão de um encontro organizado com as crianças. Um dia. O Encontro das Fadas, Palhac*s e Feiticeir*s começou, assim, por ser uma forma de chamá-las. E no processo de compreender quem são, descobrimos que afinal precisamos de conhecer melhor estes seres mágicos, pois são muito mais profundos do que parecem por aí.


PROGRAMA

Programa de Animação

Sexta-feira Dia 12

21h Oficina- Danças Tradicionais
Rute Mar
21h Espaço Chill Out
Reggae Phylosophy & Friends
22h30 BAILE
ManξBelas


Sábado Dia 11

14h Encontro de Malabares
15h Performance- Tosta Mista – Malabarista Cómico
Tosta Mista
21h Performance- O que lhes havemos de fazer
Não Sei Teatro
21h30 Performance/Oficina- Círculo de Percurssão
Kula
21h Espaço Chill Out
Innyanga, Italdread Soundsystem, Reggae Phylosophy
23h Concerto
ArtesJahnasce

Domingo Dia 12

18h Espectáculo
Teatro Pim!
22h30 Concerto
Urban Triβ
24h Salão de Dança
Reggae Phylosophy & Friends



Programa Cultural

Sexta-feira Dia 10
16h Oficina- Artistas Respigadores
Claudia e Pedro (a confirmar)
17h Oficina- Auto-Massagem
Rafael Nóbrega

Sábado Dia 11

10h- Tai Chi Chuang
Anabela Cudell
11h Oficina- Dança Natural
Beatrix
12h Círculo- Barragens: Alternativas para quê
Plataforma Sabor Livre
16h Círculo- Somos o que comemos: Alimentação e consumo local
GAIA
17h30 Oficina- Viagem de som
Projecto Sonotizarte

Domingo Dia 12

10h- Tai Chi Chuang
Anabela Cudell
11h Oficina- Teatro do Oprimido
Luísa Conceição
12h Oficina- Regressäo e Hipnose
Rafael Nóbrega
16h Oficina- Dança da Essência
Claudia Bonina
16h Oficina- Yoga do Riso
Vanessa Correia



Encontro de Fadas Palhaços e Feiticeiros

Sexta-feira Dia 10

16h Oficina- Fadas Palhac*s e Feiticer*s
Ana Penitência
18h Oficina- Construção de um altar e de mandalas
Luísa Martins


Sábado Dia 12

10h- Yoga com Crianças
Secção Exp Yoga
11h Oficina- Fadas Palhac*s e Feiticer*s
Ana Penitência
11h Oficina- Artes Circenses: Andas, equilibrismo e mimo
Michel
16h Oficina- À descoberta do Ser Sensível
Luisa Martins
16h Oficina- Malabarismo de Palmo e Meio
Bernardo
18hCírculo- Poções mágicas e Remédios Santos
Luisa Martins
18h Espectáculo- Estórias do Primeiro Dia
Teatro Encerrado para obras


Domingo Dia 12

10h- Yoga com Crianças
Secção Exp. Yoga AAC
11h Espectáculo- A Polegarzinha
Casa das Fadas
16h Circulo- Enconto d*s Pequen*s Feiticeir*s
Kikas
17h- Performance Final
Fadas Palhac*s e Feiticeir*s
18h Oficina- Astrologia: O Sol a Lua e as Estrelas
Anabela Cudell



Encontro de Educação Integral e Intuitiva

Sexta-feira Dia 10

18h Círculo- Contadores de Estórias
Diana Almeida


Sábado Dia 11

12h Círculo- Ideias Pedagógicas de Mestres e Aprendizes
Maria José Araújo
16h Círculo- Mapa das alternativas escolares em Portugal
Victor Andrade
15h Espaço Aberto- Círculos paralelos segundo interesses
Auto-organização


Domingo Dia 12

10h- Yoga com Grávidas
Alekssandre
11h Círculo- Cuidados naturais com bebés
Raquel Amaral
16h Círculo- O Apoio à família antes e depois do parto
Doula Sara
18h Espaço Aberto- Cículos Paralelos segundo interesses
Auto-organização
21h30 Círculo- Contadores de estórias
(a confirmar)

Oficina de montagem de cozinhas solares (25 de Out. nas Termas da Azenha, concelho de Soure)


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6.10.08

Orações Capitalistas, por Paul Lafargue


Credo

Creio no Capital que governa a matéria e o espírito;

Creio no Lucro, seu filho legítimo, e no Crédito, o Santo Espírito, que dele procede e é adorado conjuntamente;

Creio no Ouro e na Prata que, torturados na Casa da Moeda, fundidos no cadinho e batidos na balança, reaparecem ao mundo como Moeda legal e que, consideradas demasiado pesadas, depois de terem circulado sobre toda a terra, descem às caves do Banco para ressuscitar como Papel-moeda; creio na Renda a cinco por cento, a quatro e a três por cento igualmente e na Cotação autêntica dos valores; creio no Grande Livro da Dívida Pública, que garante o Capital contra riscos do comércio, da indústria e da usura; creio na Propriedade individual, fruto do trabalho dos outros, e na sua duração até ao fim dos séculos; creio na Eternidade do Assalariamento que desembaraça o trabalhador das preocupações com a propriedade; creio no Prolongamento da jornada de trabalho e na Redução dos salários e também na Falsificação dos produtos; creio no dogma sagrado: COMPRAR BARATO E VENDER CARO; e igualmente creio nos princípios eternos da nossa muito santa igreja, a Economia política oficial.

Amém.



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Oração dominical

Capital nosso que estais neste mundo, Deus todo-poderoso, que altera o curso dos rios e fura as montanhas, que separa os continentes e une as nações, criador das mercadorias e fonte de vida, que comanda os reis e os súbditos, os patrões e os assalariados, que vosso reino se estabeleça sobre toda a terra;

Dai-nos muitos compradores que adquiram nossas mercadorias, tanto as más como as boas;

Dai-nos trabalhadores miseráveis que aceitem sem revolta todos os trabalhos e contentem-se com o mais vil salário;

Dai-nos tolos que creiam em nossos prospectos;

Fazei com que nossos devedores paguem integralmente suas dívidas [1] e que o banco desconte nossos papeis;

Fazei com que Mazas [2] não se abra jamais para nós e afastai-nos da falência;

Concedei-nos rendimentos perpétuos.

Amém

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[1] O Padre nosso dos cristãos, redigido por mendicantes e vagabundos para pobres diabos esmagados por dívidas, pedia a Deus a remissão das dívidas: dimite nobis debita nostra, diz o texto latino. Mas quando proprietários e usurários se converteram ao cristianismo, os pais da igreja traíram o texto primitivo e traduziram impudentemente debita por pecados, ofensas. Tertuliano, doutor da Igreja e rico proprietário, que sem dúvida possuía créditos sobre uma multidão de pessoas, escreveu uma dissertação sobre a Oração dominical e sustenta que era preciso entender a palavra dívidas no sentido de pecados, as únicas dívidas que os cristãos absolvem. A religião do Capital, progredindo em relação à religião católica, devia reclamar o pagamento integral das dívidas pois o crédito é a alma das transacções capitalistas.
[2] Mazas: nome de uma prisão francesa no século XIX.
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Paul Lafargue é o autor de "Direito à preguiça" e de "A religião do capital", genro de Marx, 1842-1911. Estes textos estão contidos em "A religião do capital", livro de 1887.
A obra completa (63 páginas, em francês) pode ser descarregada no sítio web da Universidade de Quebec .


Tradução encontrada em

Entrevista ao Jornal de Notícias de Jorge Valadas, autor do livro «A Memória e o Fogo»


"É a podridão que mantém o regime"

Jorge Valadas, ensaísta português radicado em França que viveu por dentro o Maio de 68, traça um retrato impiedoso e polémico do século XX nacional em "A memória e o fogo"


O conformismo não encontra lugar na vida e na obra de Jorge Valadas, autor do recente ensaio "A memória e o fogo" (edição Letra Livre), uma incursão desassombrada pelo século XX português.

Nascido em Lisboa há 63 anos, exilou-se em Paris após ter desertado da Guerra Colonial. Desde 1972 tem publicado vários ensaios de índole libertária nos quais a inquietação está sempre presente, como em "O tigre de papel" e "Crónicas portuguesas" (assinados com o pseudónimo de Charles Reeve). Reside entre Paris, Nova Iorque e Tavira.

Analisando o seu percurso, há uma palavra que nos ocorre: insubmissão. As convenções nada lhe dizem?

Não possuo património genético de insubmissão, mas carrego um património cultural dos meus anos de adolescência no salazarismo tardio, sistema opressor e asmático. Como outros, fui o produto dessa dinâmica. Hoje onde estão os que partilharam essa dignidade ? Algures… Poucos, os mais visíveis mediaticamente, venderam o que melhor havia neles para aceitarem a normalização, em nome do sacrossanto realismo democrático.

À distância de 40 anos, como vê o Maio de 68, em que participou?

Há que fazer uma revelação: o Maio de 68 ainda não acabou, ou melhor, está ainda para vir! Foi um movimento de subversão dos valores e das hierarquias, criado pela vibração da vida quotidiana. Foi um desejo de um mundo novo, de viver de uma outra maneira. Nada a ver com reivindicações quantitativas negociáveis. Em Maio de 68 não me lembro de ter uma única vez olhado para o relógio. Era um presente intenso e que durava.

Optou por uma profissão - electricista - que não lhe manietasse a independência crítica. Foi uma escolha ditada pela consciência?

As circunstâncias lá me levaram. A deserção, o exílio, a recusa de optar pelo estatuto de refugiado político, controlado pela Polícia francesa... Enfim, a necessidade de trabalhar para sobreviver. O ofício de electricista deu-me a prova quotidiana que todo o trabalho manual é também trabalho intelectual. Para conceber e realizar uma instalação, o canalizador deve ter capacidades de abstracção e síntese que não são assim tão afastadas das de um universitário banal. Também percebi que o trabalho dito manual me mantinha o espírito livre e motivado para pensar outras questões. Assim foi.

A leitura do nosso século XX em "A memória e o fogo" distancia-se, pela crueza, do que estamos habituados a encontrar. A história social lusitana ainda é ignorada?

Se a minha leitura é assim tão insólita, isso levanta outra questão: por que razão esta história é evitada fora de alguns círculos confidenciais, universitários e outros? Tenho para mim que este silêncio faz parte da obra de reconstrução de um passado conveniente e desinfectado. A que Ministério Público convém que se saiba que houve em Portugal, nos primeiros quartéis do século XX, um forte movimento anarco-sindicalista, portador de um projecto utópico de igualdade social e universalista?

No livro, afirma que "a vida actual carrega um passado em ruínas". A tendência actual acentuar-se-á no futuro?

A fase actual do capitalismo caracteriza-se pela extracção de lucros fenomenais que são orientados para os sectores especulativos, alimentando redes corruptas. Onde funciona, o neoliberalismo significa o empobrecimento das sociedades, com uma riqueza cada vez mais concentrada. Lê-se hoje nos jornais que, em Portugal, 35% dos pobres é gente que trabalha! Precisa de explicação?

A arrogância atribuída às principais forças políticas é um resquício do passado?

As necessidades políticas do neoliberalismo requerem um controlo cada vez mais apertado de sociedades onde as desigualdades aumentam. Por exemplo, o PS renascido dos anos salazaristas ganhou o seu lugar ao sol, não na luta contra o Antigo Regime mas na sua acção contra as tendências radicais. É o partido do 25 de Novembro de 1975. Esta génese marca o partido e os seus 'aparatchiks' até aos dias da corte do vice-rei Sócrates.

Alguns dos problemas que aponta a Portugal são extensivos à realidade europeia, mais a sua "democracia mercantil". Os burocratas de Bruxelas são um óbice ao desenvolvimento e justiça social?

A Europa é este espaço capitalista que a queda do Muro de Berlim impôs como necessidade dos centros do capitalismo. Não foi difícil convencer o pessoal das terrinhas da periferia que a sua conversão em europeus ia trazer-lhes vantagens.

As tentativas de manipulação acontecem todos os dias. Ainda embarcamos em futebóis e esquecemo-nos do essencial?

O patriotismo efémero do futebol é uma última bóia de salvação num país que se afoga. Mais do que um resíduo do sebastianismo, essa histeria exprime algo de mais concreto, de mais real e imediato, a compensação de um grande vazio, a consciência que se vive numa sociedade que já não tem os meios de existir na forma clássica de Estado-Nação. Reduzida a um golfe para ricos rodeado de subúrbios feios, tristes e cinzentos. Não é manipulação, é desespero de uma sociedade sem fôlego que não acredita em nada.

Acredita que o regime irá cair de podre?

Não sou determinista e a política do pior não me convém. Mas é inegável que a vida política é um campo de podridão. Hoje, sem corrupção e especulação não há municípios, não há políticos, não há Estado. Os regimes mantêm-se de pé porque são podres. Cabe a cada um recusar as regras do jogo, não o praticar. Investir as energias e os desejos fora desse campo contaminado, em todas as actividades colectivas e individuais onde ainda se manifestem os valores do tal futuro que mostrou a cara em Maio de 68, no desejo de uma outra vida.

Terra e Liberdade - o filme de Ken Loach ( na 3ª feira, dia 7,às 22h, na Casa-Viva)




Land and Freedom ( Terra e Liberdade)
3ª feira , 7 setembro às 22h00
entrada livre

Casa-Viva
Praça marquês de pombal, 167 - no Porto

Land and Freedom, de Ken Loach (ficção)


Na Primavera de 1936, David, um jovem comunista desempregado de Liverpool, decide juntar-se às brigadas internacionais que lutavam com os republicanos contra o fascismo na guerra civil espanhola. Acaba a lutar ao lado da milícia do POUM (Partido Obrero de Unificación Marxista) e participa directamente no processo revolucionário catalão. Com o fim da aliança entre comunistas e anarquistas, o idealismo de David é severamente posto à prova.

Esta obra de Ken Loach é uma adaptação do famoso diário de luta de George Orwell, Homenagem à Catalunha, onde, pela primeira vez fora de Espanha, se desmistificou o papel do Partido Comunista espanhol naquela que foi a maior e mais importante batalha ideológica do século XX na Europa.

Iniciativa e programação:
www.cinemacomunitario.blogspot.com

Ciclo de cinema italiano (de 9 a 29 de Outubro no cine-estúdio do teatro do Campo Alegre)


Ciclo de Cinema Italiano
De 9 a 29 de Outubro de 2008

No Cine-Estúdio do Teatro do Campo Alegre

SENTIMENTO Luchino Visconti M/12Q - Quinta, 09 Outubro
O LEOPARDO Luchino Visconti M/12Q - Sexta, 10 Outubro
A DOCE VIDA Federico Fellini M/12 - Sábado, 11 Outubro
AMARCORD Federico Fellini M/12 - Domingo, 12 Outubro
FELLINI 8 E 1/2 Federico Fellini M/12 - Segunda, 13 Outubro
DECAMERON Pier Paolo Pasolini M/16Q - Terça, 14 Outubro
CONTOS DE CANTERBURY Pier Paolo Pasolini M/16Q - Quarta, 15 Outubro
AS MIL E UMA NOITES Pier Paolo Pasolini M/16Q - Quinta, 16 Outubro
BLOW UP - HISTÓRIA DE UM FOTÓGRAFO - Michelangelo Antonioni M/12 - Sexta, 17 Outubro
PROFISSÃO: REPÓRTER Michelangelo Antonioni M/12Q - Sábado, 18 Outubro
O ÚLTIMO TANGO EM PARIS Bernardo Bertolucci M/18 - Domingo, 19 Outubro
O MONSTRO Roberto Benigni M/12 - Segunda, 20 Outubro
ABRIL Nanni Moretti M/12 - Terça, 21 Outubro
APAIXONADAS Tonino de Bernardi M/16 - Quarta, 22 Outubro
RESPIRO Emanuele Crialese M/12 - Quinta, 23 Outubro
A JANELA EM FRENTE Ferzan Ozpetek M/12 - Sexta, 24 Outubro
A MELHOR JUVENTUDE (parte 1) Marco Tullio Giordana M/12 - Sábado, 25 Outubro
A MELHOR JUVENTUDE (parte 2) Marco Tullio Giordana M/12 - Domingo, 26 Outubro
CANTANDO POR DETRÁS DAS CORTINAS Ermanno Olmi M/12Q - Segunda, 27 Outubro
BOM DIA, NOITE, Marco Bellocchio M/12 - Terça, 28 Outubro
O ODOR DO SANGUE Mário Martone M/16 - Quarta , 29 Outubro

Preço Único - 3,50€ Sessões às 18h30 e 22h00

5.10.08

O Migalhães


O Migalhães

Lá vem pelo avelar
O filho do Zé João
Vem do centro escolar
Cansado de palmilhar
A caminho da povoação

Não há médico na aldeia
E a antiga escola fechou
Não tem carne para a ceia
Nem petróleo para a candeia
Porque o dinheiro acabou

O seu pai foi para França
Trabalhar na construção
E a mãe desta criança
Trabalha na vizinhança
Lavando pratos e chão

Mas o puto vem contente
Com o Migalhães na mão
E passa por toda a gente
Em alegria aparente
De quem já sabe a lição

Um senhor muito invulgar
Que chegou com mais senhores
Veio para visitar
O novo centro escolar
E dar os computadores

E lá vem o Joãozinho
No seu contínuo vaivém
Calcorreando o caminho
Desesperando sozinho
À espera da sua mãe

Neste país de papões
A troco de dois vinténs
Agravam-se as disfunções
O rico ganha milhões
E o pobre Migalhães

poema de Luís Costa

Retirado
daqui

A domesticação da sociedade … e dos professores ( artigo de José Gil). Até quando?

«Como foi possível passar da contestação à obediência, da revolta à «servidão voluntária» como lhe chamava La Boétie? Indiquemos um só mecanismo que o Governo utiliza: a ausência total de resposta a todo tipo de protesto. Cem mil pessoas na rua? Que se manifestem, têm todo o direito – quanto a nós continuaremos a enviar-lhes directivas, portarias, regulamentos a cumprir sob pena de…(existe a lei). Ausentando-se da contenda, tornando-se ausente, o poder torna a realidade ausente e pendura o adversário num limbo irreal.»
(...)

«No processo de domesticação da sociedade, a teimosia do Primeiro-Ministro e a teimosia da sua Ministra da Educação são técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento, e de fabricação de subjectividades obedientes. (...)»


(excertos de um texto de José Gil publicado na edição de 2 de Outubro de 2008 da revista Visão)

Nota: José Gil (nasceu em 1939) é um filósofo e ensaista português. Os seus trabalhos são em língua francesa e portuguesa. Estudou em França, nomeadamente com o filósofo Gilles Deleuze. Leciona filosofia na Universidade Nova de Lisboa e no Colégio International de Filosofia (Collège International de Philosophie) em Paris.


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Imagem retirada do excelente blogue
http://bioterra.blogspot.com/

«Os professores contam!» é o lema deste dia mundial do professor



"OS PROFESSORES CONTAM!" é o lema com que se comemora, em 5 de Outubro, este ano, o Dia Mundial do Professor. Os professores contam. Sem eles não há Escola, não há Educação, não há desenvolvimento. Os professor querem exercer com eficácia a sua profissão e exigem que o governo reconheça o seu importante papel social.

O Governo não pode:

- destruir a carreira docente;

- agravar as condições de trabalho;

- aumentar os horários;

- impor mecanismos absurdos de avaliação do desempenho;

- afastar os professores dos centros de decisão;

- elevar os índices de precariedade e desemprego;

- atacar a dignidade de ser professor.

O GOVERNO TEM DE RESPEITAR OS PROFESSORES!
Em 5 de Outubro, o Mundo celebra a profissão docente, porque OS PROFESSORES CONTAM!




A UNESCO começou a comemorar o "World Teachers' Day" em 1993. Este dia representa a convicção da contribuição vital que a profissão de professor tem para a Educação e o Desenvolvimento.
Apesar dos investimentos que a Comunidade Internacional tem feito nesta área, a UNESCO estima que são precisos mais 18 MILHÕES de Professores e Educadores em todo o mundo, para garantir até 2015 uma educação básica universal para todas as crianças do Planeta.
A falta de Profissionais qualificados é o principal problema - também por isso, as actividades comemorativas centram-se na Formação de Professores - por todo o mundo, organizações profissinais de professores chamam a atenção para a necessidade de garantir formação adequada aos PROFESSORES - because teachers matter!

Bute (Bicicletas De Utilização Estudantil) na Universidade do Porto, e não só…


A Universidade do Porto convida toda a comunidade académica a adquirir gratuitamente a sua ''BUTE''- bicicleta de utilização estudantil.

Inscreve-te e recebe a tua!

Vai a
www.sas.up.pt e envia a tua inscrição para bute@sas.up.pt até ao dia 26 de Outubro de 2008.

A Universidade do Porto, em parceria com a empresa Ideia Biba vai distribuir, nos próximos 4 anos, 4.000 bicicletas. Até ao final deste ano lectivo pelo menos um quarto deste número já terá sido atingido. O objectivo deste programa é aumentar o uso da bicicleta como meio transporte por parte da Comunidade da Universidade do Porto, promovendo a preservação ambiental e os hábitos saudáveis.

As BUTE serão entregues após um período de candidatura, efectuado mediante o preenchimento de uma ficha de inscrição que está disponível em www.sas.up.pt e que deverá ser envidada para bute@sas.up.pt. Todas as candidaturas que não sejam enviadas por este processo serão rejeitadas.

A U.Porto fará a entrega das primeiras 500 BUTE destinadas a todos os estudantes, docentes e funcionários da U.Porto ainda no mês de Novembro. As restantes BUTE´s serão distribuídas a partir de Dezembro em acções a anunciar. As necessidades individuais de entrega evidenciadas na ficha de inscrição serão tidas em conta.

A listagem de todos os candidatos será colocada em
www.sas.up.pt até ao dia 31 de Outubro.

A distribuição das BUTE é realizada de acordo com um contrato a assinar entre o candidato, a U.Porto e a Ideia Biba, que se encontra disponível em:
www.sas.up.pt

Para mais informações consulta o Regulamento de utilização.


Depois de tere sido já implementado na Universidade do Minho ( em Braga) um projecto semelhante está a decorrer também no Instituto Politécnico do Porto e ainda nas Universidades de Aveiro e Lisboa.

Começa hoje o ciclo de cinema da América Latina com o filme Zapatista (na sede do Porto da SOS Racismo, às 17h)


ZAPATISTA (2001)

Produção e direcção: BIG NOISE – http://www.bignoisefilms.com/
Duração: 54m

Entrevistas a: Zack de la Rocha, Noam Chomsky, Mumia Abu Jamal, Daryl Hannah… Zapatista é a versão definitiva da insurreição de Chiapas. É a história de um levantamento de indígenas maias, armad@s de paus e palavras, contra uma milícia do primeiro mundo. É a história de um movimento global que deteve 175 mil soldados federais, transformando a cultura política mexicana e internacional para sempre

Mais info:
http://www.sosracismoporto.blogspot.com/



4.10.08

Exposição em Lisboa de contra-anúncios e de cartazes contra-publicitários (no bar associativo Bacalhoeiro, durante todo o mês de Outubro)

« Todos os dias eu lavo o meu cérebro com anúncios publicitários»

O colectivo madrileno ConsumeHastaMorir ( consome até morreres) promove em Lisboa durante todo o mês de Outubro uma exposição de cartazes contra-publicitários por Albertiba Pena, no bar Bacalhoeiro

A contra-publicidade é uma forma de reagir no sentido de promover atitudes comportamentos críticos face ao consumo e aos meios de comunicação social.

A exposição de Consume Hasta Morir faz-nos reflectir e agir sobre a sociedade de consumo através da mostra de inúmeros contranúncios.



Bacalhoeiro
Rua dos Bacalhoeiros, 125 Lisboa 1º e 2º andar
tel. 21 886 48 91
geral@bacalhoeiro.pt
www.bacalhoeiro.blog.com

http://bacalhoeiro.blog.com/

Colectivo Consume hasta morir
www.letra.org/spip/article.php?id_article=2753

Manifestação pelos direitos dos animais (hoje, 4 de Out., às 15h. em frente à Pr. de touros do Campo Pequeno)

Manifestação pelos direitos dos animais - 4 de Outubro - Lisboa

Manifestação em defesa dos direitos dos animais, convocada pela Animal: dia 4 de Outubro de 2008 - Lisboa

Concentração inicial às 15h em frente à Praça de Touros do Campo Pequeno, de onde a Marcha arrancará em direcção à Assembleia da República.







No dia Mundial do Animal, dia 4 de Outubro, a Acção Animal vai realizar um jantar vegetariano (vegano), seguido de um debate sobre vegetarianismo e o movimento sul-americano pró-vegetarianismo "revolução das collheres".

O local será na cooperativa cultural "Crew Hassan", na Rua das Portas de Santo Antão, n.º 159, 1º andar (metro: Restauradores; http://www.crewhassan.org/).

O jantar está marcado para as 20h e terá um custo de 7 euros e terá de ser obrigatoriamente reservado até dia 26 de Setembro

geral@accaoanimal.com

O debate (21h) e concerto (22h30) têm entrada livre.



Ligações de interesse:

O Movimento Revolução da Colher ( Brasil)

Festa Sementes Sonoras (4 de Out. no Centro Social da Mouraria) para angariar fundos contra os transgénicos




Campanha "Sementes Livres de Transgénicos" dá ínicio à festa mensal "Sementes Sonoras", no primeiro sábado do mês.

Sábado, 4 de Outubro no Centro Social da Mouraria, 3 bandas ao vivo, e uma DJ já nossa aliada nestas lides, vão animar a festa, que pretende ser além de uma forma de angariar fundos para a campanha - um ponto de encontro de activistas e afins.

A banda de samba da casa, "Ritmos de Resistência", abrirá o programa com uma arruada pela Mouraria acima. Seguido do habitual Jantar Popular do CSM, encharemos o "depósito alimentar" sem transgénicos antes do dancefloor até altas horas.

Festival Internacional de Teatro Cómico da Maia ( 3 a 12 de Out. no Fórum da Maia) organizado pelo Art'Imagem



www.teatroartimagem.org/pt/art_img.htm


Programa


dia 3, sexta-feira
[ 21.30h ]
"Que Siga la Fiesta" ¬ TARA ‘N’ TELA . Itália / Chile ¬ M/4
[ 22.30h ]
"O Pranto de Maria Parda" ¬ A BARRACA / MARIA DO CÉU GUERRA . Portugal ¬ M/6


dia 4, sábado
[ 16.00h ]
"Celebrando con Pippo" ¬ TARA ‘N’ TELA . Itália / Chile ¬ M/4
[ 21.00h ]
"D. Quixote e Sancho Pança" - animação teatral de rua ¬ TEATRO ART'IMAGEM . Portugal
[ 21.30h ]
"Zic-Zag" ¬ JOSEPH COLLARD . Bégica ¬ M/6
[ 23.30h ]
"A Fraude" ¬ LEANDRO MORGADO . Portugal ¬ M/12


dia 5, domingo
[ 16.00h ]
"Cock-Tales" ¬ PAS PAR TOUT . Alemanha ¬ M/4
[ 21.00h ]
"Capuchinho Vermelho" - animação teatral de rua ¬ TEATRO ART'IMAGEM . Portugal
[ 21.30h ]
"Best Off" ¬ ELLIOT . Bélgica ¬ M/6
[ 23.30h ]
"Brother and sister Klops" ¬ PAS PAR TOUT . Alemanha ¬ M/4


dia 6, segunda-feira
[ 21.00h ]
"As Executivas" - animação teatral de rua ¬ TEATRO ART'IMAGEM . Portugal
[ 21.30h ]
"El Jefe de todo esto" ¬ ADOS TEATROA . País Basco, Espanha ¬ M/16
[ 23.30h ]
"Trasno" ¬ PABLO TRASNO . Galiza, Espanha ¬ M/12


dia 7, terça-feira
[ 21.00h ]
"Madame Gaby" - animação teatral de rua ¬ TEATRO ART'IMAGEM . Portugal
Varzim
[ 21.30h ]
"Drákula" ¬ COMPANHIA CHAPITÔ . Portugal ¬ M/12
[ 23.30h ]
"Adúlteros Desorientados" ¬ VISÕES UTEIS . Portugal ¬ M/16


dia 8, quarta-feira
[ 21.00h ]
"As Árvores" - animação teatral de rua ¬ TEATRO ART'IMAGEM . Portugal
[ 21.30h ]
"Gadgets" ¬ JOEL SALOM . Austrália ¬ M/6
[ 23.30h ]
"Vêm aí os Cómicos" ¬ PIM TEATRO . Portugal ¬ M/12


dia 9, quinta-feira
[ 21.00h ]
"Homo Habílis" - animação teatral de rua ¬ TEATRO ART'IMAGEM . Portugal
[ 21.30h ]
"Caravan Cabaret" ¬ BAAL 17 / AL-MASRAH TEATRO . Portugal ¬ M/12
[ 23.30h ]
"Stand da Comédia" ¬ HUGO SOUSA, JOÃO SEABRA E MIGUEL 7 ESTACAS . Portugal ¬ M/16


dia 10, sexta-feira
[ 21.00h ]
"Os Comediantes" - animação teatral de rua ¬ TEATRO ART'IMAGEM . Portugal
[ 21.30h ]
"Exit Napoleon - Pursued by Rabbits" ¬ NOLA RAE . Inglaterra ¬ M/6
[ 23.30h ]
"Cabaré da Santa" ¬ O TEATRÃO . Portugal ¬ M/16


dia 11, sábado
[ 16.00h ]
"Dança Comigo" ¬ MARIONETAS, ACTORES & OBJECTOS . Portugal ¬ M/4
[ 21.00h ]
"A Nau Catrineta" - animação teatral de rua ¬ TEATRO ART'IMAGEM . Portugal
[ 21.30h ]
"Quem te Improvisa teu Amigo é" ¬ COMMEDIA A LA CARTE . Portugal ¬ M/12
[ 23.30h ]
"Gil e Vicente - Uma Viagem de Barca ao Inferno" ¬ MAU ARTISTA . Portugal ¬ M/12


dia 12, domingo
[ 16.00h ]
"Queres que te Conte Outra Vez?" ¬ DELPHIM MIRANDA . Portugal ¬ M/4
[ 21.00h ]
"A Menina, o Balão e o Vilão" - animação teatral de rua ¬ TEATRO ART'IMAGEM . Portugal
[ 21.30h ]
"Ptolomeu e a sua viagem de circum-navegação" ¬ TEATRO ART'IMAGEM . Portugal ¬ M/16
[ 23.30h ]
"Músicas do Mundo" ¬ BILAN . Cabo Verde / Portugal ¬ M/12




Actividades paralelas


dia 6, segunda-feira - [ 18.00h ]
Lançamento de livro de teatro "Não Matem o Mandarim!" / "Que Relíquia!" ¬ de JOSÉ LEITÃO . edição CM Maia


De 3 a 12 de Outubro
Exposição fotográfica de teatro "Em cena com..." ¬
de MARCOS ARAÚJO

Hoje há Teatro em Óbidos, onde começa também no próximo Domingo a habitual Temporada de Cravo

Hoje, 4 de Outubro, às 21h30, o Auditório Municipal da Casa da Música, em Óbidos, recebe a peça de teatro “Três Máscaras e Um Prólogo”, de José Régio, com encenação de Nuno Nunes e cenografia de Ana Limpinho. A representação está a cargo da Companhia de Teatro Propositário Azul.

A peça põe frente a frente três personagens maiores da história do teatro europeu: Mefistófeles, do mito do Fausto, comprador de almas, que marcou presença nas obras de autores como Marlowe, Goethe, Thomas Mann e Pessoa; Columbina, a criada e enamorada que na Commedia dell’Arte partia corações a criados e patrões; Pierrot, personagem da pantomima que Charles Debureau imortalizou em Paris no séc. XIX, no Théâtre des Funâmbules, e que pintores e poetas representaram ao longo do sec. XX como a imagem da pureza e do amor leal.

Sinopse
José Régio prepara-nos o cenário para reunir estas três personagens: Na antecâmara dum salão onde se festeja uma última noite de carnaval, três mascarados irrompem excitados pelo apelo ao jogo e à sedução a que as máscaras incitam. E o jogo é simples: Pierrot e Mefistófeles disputam o coração de Columbina que espera ser cativada por aquele que melhor exerça a arte de seduzir...
A forma, o sentido e o tom dessa disputa são os ingredientes deste texto, em que o teatro questiona a possibilidade do amor existir enquanto dupla expressão dum modo e dum sentimento. Oscilamos entre duas leituras: «o amor como expressão dum teatro, ou o teatro como expressão do amor?»
Numa sequência hilariante de situações que envolvem e dão corpo a esta disputa, os três actores desafiam as leis da lógica, da razão e do artifício teatral para darem a ver como o amor pode surgir do imprevisto, do momento desacautelado, da fantasia ébria, em que um olhar, um gesto ou uma palavra adquirem o poder de desarmar o coração. Mais, dão a ver ao espectador como o acto teatral pode surgir de quase nada, das pequenas construções de sentido ou da utilização dum objecto, revelando em directo o aparecimento de cada personagem a partir do seu próprio «esqueleto histórico», num prólogo «inventado» e muito divertido.


No domingo começa a Temporada de Cravo, que se prolonga até dia 25. Este ano num formato mais aberto, onde a partir do instrumento musical se convocam outros registos artísticos da época.
Sublinhamos na primeira sessão da temporada a presença da jovem e talentosa atriz Leonor Seixas, em que "O Cravo Convida... a Poesia". Recuperamos, deste modo, o nosso reportório poético do Sec.XVIII que sofreu as benéficas influências do Iluminismo e dos ideais libertários da Revolução Francesa.

Dia 5 de Outubro às 17h
…a Poesia – Serões Culturais Ibéricos

Narração: Jorge Rodrigues
Cravo: Jenny Silvestre
Actriz: Leonor Seixas

Auditório de São Tiago


Dia 11 de Outubro às 21h30

21:30 Programa
…o Violoncelo – A Herança Germânica

Violoncelo: Irene Lima
Cravo: Ana Mafalda Castro

Auditório de São Tiago


Dia 18 de Outubro 21h30
…o Canto – Modinhas e Lundus Luso-Brasileiros

Canto: Ana Leonor Pereira
Cravo: Joana Bagulho

Auditório de São Tiago


Dia 25 de Outubro 21h30
…a Ópera – A Ópera italiana – La Serva Padrona de G. B. Pergolesi

Direcção musical: António Carrilho
Encenação: Jorge Rodrigues
Figurinos e make-up: Nuno Esteves
Elenco:
Serpina: Ana Luísa Cardoso, soprano
Uberto: José Corvelo, barítono
Vespone: Nuno Esteves / Jorge Rodrigues
Orquestra:
Denys Stetsenko: violino barroco
Raquel Cravino: violino barroco
Lúcio Studer: viola barroca
Edoardo Sbaffi: violoncelo barroco
Marta Vicente: contrabaixo barroco
Jenny Silvestre: cravo

Auditório Municipal da Casa da Música


http://www.cm-obidos.pt/

Jazzin’Tondela - 5º festival de jazz Acert (2,3,4 e 5 de Out.)


2 de Out, às 21:45h Auditório 1

CARLOS BARRETTO LOKOMOTIV
Portugal
Não deixe passar a locomotiva e embarque nesta viagem ao sabor de um jazz livre e
aventureiro…


Trabalhar com Mário Delgado ou José Salgueiro tem sido um grande desafio ao senso comum na medida em que, com eles, Carlos Barretto tudo pode experimentar, criando um som único de grande coesão e beleza, alicerçado na cumplicidade, na abertura de espírito e, sobretudo, no trabalho intenso desenvolvido ao longo destes tantos anos.

Tudo isto faz deste trio um dos mais interessantes da actualidade e de Carlos Barretto um vulto incontornável do panorama artístico português, cujo percurso musical foi marcado por uma clara inovação estética, desde o neo-bop até ao jazz europeu dos nossos dias.

A internacionalização crescente da sua actividade artística tem levado a sua música aos mais variados destinos, tanto na Europa como no resto do mundo, sempre com rasgados elogios por parte da crítica especializada.

Foi no início da década de noventa que Carlos Barretto, regressado de Paris – onde decidira dedicar a sua carreira profissional à música improvisada –, iniciou os seus projectos como líder e compositor. Para além de gravar CDs em nome próprio, colaborou com dezenas de artistas conceituados, como Bernardo Sassetti, Carlos Martins, Bob Sands, George Cables, Mário Delgado, entre muitos outros.

Às suas primeiras “Impressões”, em 1994, seguiram-se – sempre a subir! – “Going Up” (1996) e “Suite da Terra” (1998). Em 1999 foi tempo de “Olhar” para, um ano mais tarde, se dar lugar aos “Silêncios”. Quase de um só acorde surgiram “Radio Song” e “Solo Pictórico” (ambos em 2002), que precederam uma viagem de “Lokomotiv” iniciada em 2003.

+ info:
http://www.myspace.com/carlosbarretto



3 Out, às 21:45h Auditório 1

ELFAD, quarteto
Portugal

Uma música vigorosa e única que orquestra uma associação perfeita entre o jazz e as sonoridades mediterrânicas…


Com base na escrita de José Peixoto, que aqui aparece revigorada numa expressão criativa colectiva, este Quarteto pratica uma música aberta, enérgica e subtil.

O antigo guitarrista dos Madredeus – que já trabalhou com diversos nomes de prestígio como Maria João, Janita Salomé, José Mário Branco, Rui Veloso, entre outros – regressa assim ao jazz com um projecto dotado de contornos surpreendentes: este género musical aparece misturado com ressonâncias árabes/andaluzas e um forte sentido do “beat”. É precisamente nessas zonas de fronteira, onde tudo se mistura, dilui, e em que se criam e circulam dialectos vários, que podemos encontrar a expressão final da música deste grupo.

Neste trabalho parecem entretecer-se as linhas da nossa portugalidade musical e cultural, que culminam num projecto de grande impacto, onde se poderá descobrir, talvez, ecos de sons acústicos, eléctricos e electrónicos. Mas como uma nota musical vale por mil palavras, nada melhor do que deixar-se surpreender pelo grande concerto com que o Quarteto nos promete presentear…


+ info:
www.myspace.com/elfad



4 Out., às 21:45h Auditório 1

FREEFLOW
EUA
Espontaneidade, criatividade e liberdade: as palavras de ordem desta revolução jazzística a não perder!

Após uma passagem pelo Tom de Festa em 2002, está de volta o trio cuja música vai beber quer aos mais profundos meandros dos blues, quer à própria essência do jazz, de Duke Ellington a Albert Ayler.

As suas criações resultam de uma forte e notória encruzilhada de ritmos e influências, subindo e descendo com o brilhantismo da criatividade espontânea, alegria e sofrimento. Freeflow é, pois, uma banda que toca livremente dentro de todos os estilos, porque não é limitada por ou para nenhum em específico. Mas não será esta a base da música em geral e do universo jazzístico em particular?

Alex Harding (Saxofone barítono), Chris Dahlgren (Contrabaixo) e Jimmy Weinstein (Bateria) tocam juntos há vários anos. O grupo começou em Nova York, sendo que os seus membros residem actualmente nos Estados Unidos, Alemanha, Itália e Roménia.

Continuando na formação Ahmed Abdullah & Ebonic Tones, Alex Harding trabalha igualmente com nomes sonantes do panorama musical, como Cab Calloway Big Band, Don Byron, Elliott Sharp & Terreplane ou Vanessa Rubin, entre muitos outros artistas. Está também envolvido no projecto de Fela Kuti, do coreógrafo Bill T. Jones, apresentado actualmente no novo espaço cultural 37 Arts, em Nova Iorque. Do seu percurso contam-se colaborações com grandes vultos do jazz, como Greg Osby ou Aretha Franklin.

Também Chris Dahlgren, que toca com Anthony Braxton em quinteto, sexteto, septeto e duo, segue com os seus próprios projectos: Lexicon, um quinteto com G. Ullmann, C. Weidner, A. Aniseggos e E. Schaefer; Johnny La Marama, um trio com K. Kalima e E. Schaefer; e 3-D, com C. Dell, M. DeMartin, Mircea Tiberian e Maria Raducanu.

Jimmy Weinstein dedica-se com energia ao seu Traveling School, um workshop “em viagem” e, recentemente, tocou como sideman nos CDs de Rosario di Rosa, Webindra Quartet e Vertical Quasi Orizontale. Colabora ainda com Satoko Fujii, bem como em projectos do NAM e Ahmed Abdullah's Diaspora. Da sua extensa lista de cúmplices musicais constam ainda Matt Renzi, Ben Monder, Hitch_Hikers, Frank Carlberg, Webindra's Buckminster Fuller Project, Marcello Tonolo's Music on Poetry e Antonio Marangolo's Double Quartet.

Temos, assim, todo o gosto de partilhar este “revival” com o excelente público de Tondela, seis anos após a última actuação do grupo. Por isso, se quiser perceber até onde esta música pode ir, liberte (free) o seu fluxo (flow) e… seja o seu fluxo – Freeflow.


“(…) jazz intenso, o melhor free submerso na trans hipnótica dos blues. Harding provou porque é dos melhores saxofonistas barítonos do jazz actual e Jimmy Weinstein, na bateria, e especialmente o inventivo Chris Dahlgren no contrabaixo, provaram porque são seus companheiros de armas há bastante tempo”.
Pedro Costa, in Revista AllJaZZ

+ info:
http://www.alexharding.net/live/

Ficha Técnica
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Alex Harding Saxofone barítono
Chris Dahlgren Contrabaixo
Jimmy Weinstein Bateria





4 Out'08, às 23:30h Bar Novo Ciclo


QUIMERA QUINTETO
Portugal


Para fechar o festival com chave de ouro. Ou não estivéssemos a falar de uma Quimera…


Explorando sempre novos universos sonoros, o Quinteto percorre um vasto repertório, com particular atenção para a obra do compositor argentino Astor Piazzolla e outros autores do século XX.

Ao presenciar a criação deste novo mundo, repleto de novas cores e novos timbres, cada um de nós será tentado a realizar uma viagem interior no mais profundo silêncio, que promete captar o público do primeiro ao último minuto do concerto.

Nascido a partir de uma ideia muito própria acerca do modo como fazer música, o Quimera Quinteto é composto por um núcleo de artistas profissionais que prima pela originalidade da sua formação – Acordeão/Bandoneon, Contrabaixo, Guitarra Clássica/Guitarra Eléctrica, Piano e Violino. Uma panóplia de instrumentos ao serviço de um único projecto musical repleto de uma energia cativante e de um inquestionável carisma.

Com alguns músicos da “casa”, a formação vai fechar esta edição do Jazzin’ Tondela, enchendo o espaço com a capacidade virtuosa dos seus executantes e relembrando, assim, alguns dos mais conhecidos artistas da actualidade.


+ info:
www.myspace.com/quimeraquinteto


Ficha Técnica
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Carlos Miguel Violino
Nuno Silva Acordeão/Bandoneon
Rute Simões Piano
Miguel Cardoso Contrabaixo
André Cardoso Guitarra clássica/Guitarra eléctrica





Voltam as Noites de Poesia no Pinguim ( passam a ser às 2ªs feiras: a próxima é já no dia 6 de Outubro, às 23h.)


Voltam as noites de poesia ao Pinguim.
Regressam também para as noites de Segunda-Feira
Haverá ainda música, com músicos convidados em cada mêsn( Blandino durante o mês de Outubro)
Pretende-se que todos participem e haja lugar à livre expressão de cada um.
Todas as intervenções expressivas são bem-vindas.


Café-bar Pinguim (R. do Belomonte 67, Porto).

3.10.08

Começa hoje em Lisboa o Colóquio luso-alemão sobre Max Stirner (anarquista individualista) na Fac. de Letras e no Goethe Institut


O encontro internacional „A actualidade de Stirner“, que foi organizado em 2006 por ocasião do 200° aniversário de Max Striner, mostrou que a crítica tem uma importância destacada para o filósofo e, em geral, para os jovens Hegelianos.
O colóquio em Lisboa tenta desenvolver este pensamento, mas com uma conotação diferente. Será abordado a crítica de religião de Stirner, a crítica da teoría de conhecimento de então, a crítica de Stirner a Proudhon, mas também a crítica à qual Stirner foi exposto por parte de Gustav Landauer e Georg Simmel.




A crítica de Stirner e a crítica a Stirner

DIE KRITIK STIRNERS UND DIE KRITIK AN STIRNER


Colóquio luso-alemão sobre Max Stirner


Lisboa - 3 e 4 de Outubro de 2008

3 de Outubro
Faculdade de Letras - Universidade de
Lisboa - Anfiteatro III



9h
Abertura e Apresentação.


10h
José Barata-Moura (Lisboa): Stirner: da nadificação ao momento ético da intimidade proprietária / Stirner: von der Vernichtung bis zum subjektiven ethischen Moment


11h
Beate Kramer (Berlin): A Plaidoyer as to why Science is not Religion: Stirner and Feyerabend

12h
Frank Hansel (Berlin): Wie hast du’s mit der Religion: Religionskritik nach Stirner / Qual é para ti o significado da religião? Crítica da religião de e após Stirner


Pausa


14h30
Nikos Psarros (Leipzig): Aristoteles – ein Anarchist, Stirner ein Aristoteliker? /Aristóteles, um anarquista - Stirner, um aristotélico?



15h30
Adriana Veríssimo Serrão (Lisboa): La demande de Feuerbach a Stirner: "que veut-il dire être un individu?”



16h
Geert-Lueke Lueken (Leipzig): For and Against Stirner. Gustav Landauer's Way to Communitarism/ Com Stirner contra Stirner.
A via de Gustav Landauer para o comunitarismo
Coordenação: Bernd Kast e Adriana Veríssimo Serrão
Organização: Departamento de Filosofia da Universidade de
Lisboa e Max Stirner Gesellschaft (Leipzig)
Com o apoio da Cátedra A Razão (Universidade de Lisboa)



17h
José Manuel Teixeira da Silva (U. Beira Interior): Liberdade de imprensa, censura e formas de dominação / Pressefreiheit, Zensur und Herrschaftsformen



4 de Outubro
Goethe-Institut - Campo dos Mártires da Pátria 36 – 37


9h.
Bernd Kast (Lisboa): Stirner e Simmel

Maurice Schuhmann (Berlin): StirnersProudhonkritik vor dem Hintergrund der junghegelianischenProudhonrezeption / A crítica deStirner a Proudhon à luz da recepção de Proudhonpelos jovens Hegelianos

Jannis Touras: Der Substanzbegriff bei Hegel undStirner / O conceito de substância em Hegel e Stirner

Gerhard Senft (Wien): Stirner und die Kritik derPolitischen Ökonomi


As conferências serão proferidas em inglês, francês, alemão e português


ENTRADA LIVRE





Acerca de Stirner

A publicação de O Único e a sua Propriedade em 1844 caiu como um relâmpago no meio da agitação de Berlim. O seu autor, Max Stirner, faz aí o anúncio de que Deus morrera, segredo que se procurava manter oculto a toda a custa e que Nietzsche repetiu estentoricamente, com bem mais sucesso. Mais grave ainda, como Sade antes dele avisa que, desaparecido o Senhor dos senhores, já não reconhece mais nenhum. A euforia que se seguira à revolução estava a ser dissipada pela seriedade do Estado, do povo ou da humanidade. Radicalizando o contrato moderno Stirner não reconhece outra soberania que não a do único, que se nega a cedê-la ou transferi-la para o Estado. Não é loucura pôr-se em pé de igualdade com o Estado ou a Humanidade, confrontá-los numa guerra de corpo a corpo? A afirmação de Joseph Beuys de que cada um é soberano ainda pode passar, porque se mantém dentro da arte, mas aquilo que Stirner tem para dizer, por afectar a vida, já no cabe em nenhum domínio. Mas se pode dizer algo sobre a vida, é porque se trata da sua vida… da vida de cada um de nós.
Durante muito tempo Stirner só foi lido clandestinamente. Uma espécie de maldição assinalou este livro. A censura da época bem hesitou, sem saber que fazer dele. Para o primeiro censor, que proibiu a sua publicação, era uma obra de barbárie, que atacava todos os valores, e se arrogava direitos absolutos sobre a propriedade e a vida. Criminoso, portanto. Para o Ministro que autorizou a publicação era um livro «demasiado absurdo para ser perigoso». Louco, portanto. Acima de tudo é um livro que sempre resistiu à leitura, que parecia exceder a todas. Quando a revolução se tornou questão de futuro opõe-lhe a revolta permanente para impedir que a que já tinha ocorrido se estabiliza e estiole. Quando o Estado liberal se procurava implantar timidamente, faz uma crítica demolidora do direito. Quando o comunismo de Marx começa a demolir o liberalismo, sustenta que a comunidade perfeita e o «Homem» são a forma culminante da servidão. Para Stirner são tudo formas de dominação. Stirner descobre que a dialéctica hegeliana do senhor e do servo mais do que chegar ao fim, tornando todos senhores, desembocou antes numa dominação psicotrópica, em que são os próprios indivíduos que ficam obcecados, fascinados, entusiasmados, com os espectros que os possuem. Muito antes da análise das perversões por Freud, da crítica do espectáculo ou da economia do entretenimento já Stirner estava a construir as primeiras armas para o combate.
Stirner rapidamente deixa de escrever, a sua vida é uma série de fracassos. Não são fracassos «belos» à Kafka, mas fracassos sem mais. Stirner morre na miséria, depois de ter sido preso por dívidas, mas o livro fez um caminho subterrâneo até nós, usando os sucesso de outros para se difundir. Passa através de Marx e Engels que dedicam mais de 300 páginas para o demolirem, e que ocultam o texto. O Ideologia Alemão é publicado apenas nos anos 30 do século passado, e incompleta. Mas a ideia de mais valia, a noção de «fixação» rebaptizada em fetichismo, as «argúcias teológicas» da mercadoria, são metamorfoses de temas stirnerianos, que permanecem puro e duros no interior daquilo mesmo que os nega. Passa através de Dostoyevsky que em Crime e Castigo o dá a ver e o anula no próprio corpo de Raskolnikov. O crime é Stirneriano e o Castigo é a possibilidade da sua superação. Dostoyevsky leu mal Stirner, e por isso mesmo o crime impressionou mais do que o castigo. Passa também através de Nietzsche que nunca o cita, embora se saiba ter que receou que um dia pudesse ser considerado um plagiador de Stirner. Nada isso, mas nos temas da morte de Deus, do super-homem, mesmo o eterno retorno ou no «grande criminoso» são, no mínimo, antecipados por Stirner.
A natureza provocatória da escrita stirneriana, o riso sardónico que irrompe imparavelmente ao lê-lo, a defesa do crime como última ratio da soberania, o ideia de que a singularidade só pode ser entendida como monstruosidade, facilitaram todas as leituras condenatórias, propiciaram todas as vitórias fáceis que venciam à custa de reduzir o livro à patologia criminal ou à loucura de Stirner. Os inimigos, mas também os amantes de Stirner reduziram-no a fórmulas, mas o Único é a anti-fórmula por excelência. É algo que fica para além de todo o discurso, de toda a instituição, como um Minotauro que tivesse saído do labirinto, com os altos muros cercados por humanos, que espreitam para dentro, desenrolam o fio de Ariana, lhe oferecem sacrifício. Olhando do de longe, às vezes misturando-se na multidão, o Único ri-se, pois abandonou esta antiga estrutura sacrificial. O livro é a linha que circunscreve todo o espectáculo e a agitação, e cria ou lugar de onde é possível olhar para tudo isso. E sair em busca de alegria e de prazer. Como os espectadores estão a jeito…
Stirner vai retornando. Lá se lhe vai encontrando alguma utilidade. É certo que a sua crítica ao liberalismo, que se repete pela enésima vez, ainda é potente; A sua crítica ao comunismo é mais pertinente do que nunca, e Blanchot, Negri, Nancy parecem trilhar os seus traços. Mesmo a filosofia de onde tinha sido excluído começa a citá-lo timidamente, como sucede com Gilles Deleuze, Michel Foucault ou Pierre Klossowski. Derrida dedica-lhe excelentes análises no seu Spectres de Marx. Homens tão especiais como Pierre Vanderpote ou Roberto Calasso, o lídimo pensador europeu, dedicam-lhe reflexões fulgurantes. Mas foi nas artes que a sua presença se tornou incontornável. Lido por Joyce, Pound, Lewis, Miller, etc. a sensibilidade stirneriana marcou fortemente as revoluções feitas por Francis Picabia e Marcel Duchamp que é o seu herdeiro metafísico. Desde que o Único veio à luz que se pretende fugir do «buraco negro» que tem dentro, a hiperdensidade da vida tudo atrai, para acabar por se cair nele inapelavelmente. Toda a aproximação serve a Stirner. No livro que é a cinza da vida que se consumiu nele linha a linha, letra a letra, ainda braseia a paixão do fracassado Stirner, que muito baixinho diz para não ser ouvido: «Canto porque... sou um cantor. Mas uso-vos para isso, porque... preciso de ouvidos».


Texto retirado daqui

Tributo a Victor Jara (no café-concerto do ESMAE, a 4 de Outubro, às 21h30,no Porto)


Tributo a Victor Jara

4 de Outubro às 21h30

Entrada Livre

Local; café-concerto da ESMAE (Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo), Rua da Alegria ( na esquina com a Rua da Escola Normal), no Porto


Com a participação de

Ana Afonso
Ana Ribeiro
Franendo Soares
Gabriela marques
José Luís Guimarães
Luís Carvalho
Miguel Gouveia
Miguel neves
Paulo Veloso

Organização: Associação José Afonso, núcleo do Porto

A nova cultura política versus a velha política

Viver numa grande cidade como Porto ou Lisboa "influencia a forma como se exercem os direitos e deveres de cidadania". É uma das conclusões a que investigadores do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa e da Universidade de Cambridge já chegaram no âmbito do projecto "Cidade e Cidadania em Portugal", iniciado em Fevereiro de 2007 e com fim previsto para 2010.

"Controlando todos os demais atributos sócio-económicos (idade, grau de instrução, rendimento, etc.), o local de residência é, por si só, um preditor do comportamento político. Isto é, as consequências políticas de se viver numa aldeia, num subúrbio ou no centro de Lisboa são muito mais importantes do que se julgava", refere Filipe Carreira da Silva, investigador do ICS responsável pelo projecto.

Com o objectivo de compreender melhor "o exercício da cidadania no nosso país, incluindo as normas e práticas de cidadania que tendem a ser menosprezadas", o projecto estuda, entre outros pontos, a relação dos condomínios fechados na vivência democrática, o aparecimento da chamada Nova Cultura Política, associada aos jovens, e a forma como os autarcas da Área Metropolitana de Lisboa lidam com as novas formas de exercer a cidadania.

Coexistem hoje duas normas de cidadania, nota Carreira da Silva: "uma, mais clássica", "enquanto dever", que se expressa por instrumentos como o voto; outra, "nascida com o Maio de 68, a luta pelos direitos civis nos EUA e as sociedades de bem-estar do pós-guerra", enquanto "expressão da autonomia individual".

A última, que corresponde à Nova Cultura Política, é mais comum entre "os mais jovens, urbanos e instruídos". "Se quem vota, fá-lo em larga medida porque tem consciência de que é um dever de cidadania, já quem participa em manifestações, assina petições ou escreve em blogues sobre política tende a fazê-lo porque pretende fundamentalmente fazer valer os seus pontos de vista", esclarece o sociólogo.

"Estes modos de participação são pouco institucionalizados e, portanto, são muito mais atraentes para quem valoriza a sua autonomia. E os jovens portugueses, sobretudo os mais instruídos e urbanos, valorizam-na claramente", refere. "Valorizam a sua autonomia muito mais, por exemplo, do que os jovens espanhóis, sinal talvez da importância que o 25 de Abril teve na criação do imaginário democrático no nosso país", acrescenta.

"Quem vive e trabalha em Lisboa é particularmente sensível às novas formas de fazer política", daí que a área metropolitana da capital tenha sido o alvo de estudo. "Seria naturalmente interessante alargar o estudo desta Nova Cultura Política a outras zonas do país, como a zona do Grande Porto. É bem possível que, numa segunda fase deste projecto, o façamos", diz.

Com a crise do Estado-nação, incapaz de dar resposta a vários problemas, Filipe Carreira da Silva defende que "escala urbana de governação assume-se cada vez mais como uma séria alternativa à escala nacional da cidadania".
Texto retirado daqui

Hoje há noite maldita... de poesia no bar «Maria vai com as outras» (às 23h)


Hoje a Noite Maldita no bar Maira vai com as outras é dedicada à poesia de Mário Cesariny

Leitura de poemas de Mário Cesariny

Aparece com a tua poesia, os teus escritos, os teus livros
partilha o que gostas, o que lês, o que escreves


Noites de poesia na maria vai com as outras todos os meses na primeira sexta-feira

Maria vai com as outras
loja de livros, revistas, chás, artesanato, mobiliário, vinhos,galeria, café-concerto, outras cores, outros cheiros, outros sabores


R. do Almada, 443, Porto


segunda a sexta: 12h00-20h00/22h00-24h00s

Sábados,domingos e feriados:17h00-20h00/22h00-24h00

Festival islâmico Al-Mossassa decorre hoje até domingo em Marvão


Decorre em Marvão, de 3 a 5 de Outubro o Festival Islâmico al-Mossassa, celebrando assim a fundação do seu castelo, no século IX, por ibn Marwân, de quem tirou o nome.


عبد الرحمن بن مروان بن یونس

ʿAbdu r-Raḥmān bnu Marwān bnu Yūnus, também conhecido por "ibnu l-Jillīqī" (filho do Galego, designando "galego" qualquer habitante do Norte cristão) era um muwallad, um descendente de não muçulmanos, que, em 868, se revoltou contra o emir de Córdova, liderando um exército de moçárabes e muwallad. Um dos seus bastiões foi a vila de Marvão, cujo castelo construiu no cimo do monte, em cujo sopé se situou a cidade romana de Amaia.



AL MOSSASSA 2008 - Festival Islâmico


Depois do sucesso do ano de estreia e da espectacular confirmação da segunda edição, com 7.500 visitantes em 2007, o festival islâmico de Marvão regressa com muitas novidades

De 3 a 5 de Outubro, a parte alta da vila transforma-se numa deslumbrante máquina do tempo que nos transporta directamente para o século IX, para os tempos da sua fundação.

Conferências, Workshops, fabulosos espectáculos, muita animação e o "Mercado das 3 Culturas" farão as delícias de todos os vistantes durante 3 dias mágicos.

O “Mercado das 3 Culturas”, palco principal de toda esta actividade, reconstitui a ambiência das vendas dessa época e deslumbra-nos como um espaço aberto à imaginação e à história. Para além de estar repleto de fabulosas recriações e animações que interagem com os visitantes, aqui poderá encontrar tudo e mais alguma coisa que possa imaginar e tenha a ver com o Islão e a sua cultura.

O público feminino certamente se deixará encantar pela enorme variedade de brincos, pulseiras e colares em prata; pelas pedras semi-preciosas, pelos trabalhos em osso, madeira e demais adereços; pelas jarras, lâmpadas, flores secas, velas, espelhos, vidros, incensos e outros elementos de decoração; pelos sapatos, túnicas, véus, cintos para dança do ventre, peles e tecidos coloridos; pelos sabonetes e perfumes, pelas tatuagens temporárias, pelas louças e tapetes orientais, pelo artesanato egípcio, de Marrocos, dos Himalaias e da Tunísia.

Os homens adorarão ver os artesãos que trabalham ao vivo, como o ferreiro e o escultor de areia. A escrita árabe, a leitura da sina nas mãos, as massagens orientais, o stand de chás e ervas medicinais, os fósseis, as carteiras, malas, cintos e sapatos em pele com design exclusivo e fabricados à mão, as antiguidades e as réplicas de armas serão outros pontos de interesse. A oportunidade de tomar uma bebida com os amigos numa envolvente de encantar e com um cenário natural único constituirá outro forte aliciante.

As crianças vão adorar os livros em miniatura, os tão diferentes e coloridos brinquedos de madeira feitos à mão, a exposição permanente de aves, os passeios de burro e a quinta com animais exóticos e do campo. Os fatinhos de dançarina do ventre e os lenços árabes para a cabeça são sempre dos produtos mais procurados. Certamente não se esquecerão das gomas, dos torrões, dos chocolates, das tortas e doces de fabrico caseiro. Melhor que isto tudo, só mesmo um dia inteiro para brincar no espaço infantil propositadamente criado a pensar neles.

Todos juntos, em família, vão visitar a tenda gigante para tomar o verdadeiro chá árabe e por ali provarão gostos e sabores de outras paragens como os kebabs e o polvo assado. Destaque também para os crepes e as tâmaras, o fabrico de fogaças e pão, e a já famosa tenda dos cristãos locais com o suculento porco assado no espeto.

Para arrematar, uma ginginha ou um licor e a sempre excelsa doçaria conventual.

No Al Mossassa de Marvão terá mais de 70 pontos de venda seleccionados a pensar em si, para que viva a história e a cultura como nunca antes.

PROGRAMA

Sexta-Feira
Dia 3 de Outubro


17.00h – Apresentação oficial do evento pela comitiva protocolar composta por autarcas de Marvão, de Badajoz e pelos representantes da Associação “Amigos de Badajoz”
Salão Nobre dos Paços do Concelho

18.00h – Conferência “De Ammaia a Ibn-Maruan: povoamento na Lusitânia entre o fim do Império Romano e a conquista muçulmana (Séc. V-VIII)”
Dr. André Carneiro – Universidade de Évora
Salão Nobre dos Paços do Concelho

19.00h – Inauguração oficial do “Mercado das 3 Culturas”
Desfile geral de todos os protagonistas da animação com músicos, um deslumbrante colectivo de bailarinas de dança oriental, aves de rapina, encantadores de serpentes, malabaristas, cómicos, andarilhos e figuras características da época

21.30h – “Demónios na escuridão”
Espectáculo de manipulação de fogo com acompanhamento musical e dança
(25 min.)
Junto à entrada do castelo


Sábado
Dia 4 de Outubro

10.30h – Abertura do “Mercado das 3 Culturas”
(que contará com animação permanente a cargo de diversos grupos)
Parte alta de Marvão
12.00h – Demonstração de falcoaria e aves de rapina
Largo de Santa Maria

15.30h – Desfile geral de todos os protagonistas da animação com músicos, um deslumbrante colectivo de bailarinas de dança oriental, aves de rapina, encantadores de serpentes, malabaristas, cómicos, andarilhos, manipuladores de fogo e figuras características da época
Percorrerá todo o mercado

17.00h – Conferência pela Dr.ª Denise de Carvalho (Especialista em Dança Oriental)
Salão Nobre dos Paços do Concelho

18.00h – Workshop de dança oriental
(aberto a todas as interessadas)
Salão Nobre dos Paços do Concelho

19.00h – Animação com serpentes, dança e animação musical
Largo de Santa Maria

21.30h – Espectáculo com o grupo “Al-Driça”
Música Mediterrânea com dança oriental
Centro Cultural de Marvão


Domingo
Dia 5 de Outubro
Feriado Nacional

10.30h – Abertura do “Mercado das 3 Culturas”
(que contará com animação permanente a cargo de diversos grupos)
Parte alta de Marvão

12.00h – Demonstração de falcoaria e aves de rapina
Largo de Santa Maria

15.30h – Desfile geral de todos os protagonistas da animação com músicos, um deslumbrante colectivo de bailarinas de dança oriental, aves de rapina, encantadores de serpentes, malabaristas, cómicos, andarilhos, manipuladores de fogo e figuras características da época
Percorrerá todo o mercado

18.00h – Workshop de percussão árabe por Tiago Rêgo
(aberto a todos os interessados)
Salão Nobre dos Paços do Concelho

19.00h – Encerramento da animação do festival Islâmico com serpentes, dança, animação musical e manipulação de fogo

Mercado das 3 Culturas
Entrada – 1 euro (com direito a visitar o Museu Municipal)
Crianças até 12 anos – Entrada Livre

www.cm-marvao.pt/noticias/noticiasdet.asp?news=218
Programa:
www.cm-marvao.pt/uploads/742-Almossassa%2008.pdf

Jean Lambert:um dos maiores especialistas de História e Antropologia das Religiões vai estar hoje e amanhã na Fac. de Letras do Porto



O prof. Jean Lambert, um dos maiores especialistas de história e antropologia das religiões (membro titular de EHESS- CEIFR - Centre d' Études Interdisciplinaires du Fait Religieux- Paris), vai estar no Porto, Faculdade de Letras da UP, hoje e amanhã (dias 3 de 4 de Outubro de 2008).

No dia 3, sexta-feira, pelas 18 horas, no Anfiteatro 2 da FLUP, Jean Lambert pronunciará uma conferência sobre:


Comment l' Anthropologie Comparée des Monothéismes Méditerranéens (Judaisme, Christianisme, Islam) éclaire-t-elle les faits religieux d' aujourd'hui"
(Como é que a antropolgia comparada dos monoteísmos mediterrânicos (judaísmo, cristianismo, islamismo) esclarece as fenómenos religiosos actuais)


Exemplo de uma das obras do autor:
« Le Dieu distribué, une anthropologie comparée des monothéismes », édition du Cerf, collection Patrimoines, Paris 1995.


Para sabe mais consultar, por exemplo:
http://assr.revues.org/document3597.htm

http://ceifr.ehess.fr/document.php?id=162

No dia 4 de Outubro, o Prof. Jean Lambert estará à disposição dos interessados sobre temas da religião na Faculdade de Letras do Porto, a partir das 11 horas, na Sala de Reuniões.

Com o apoio:
CEAUCP - Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto