4.6.08

A história esquecida da mulher na música


Texto de João-Maria Nabais

Publicado no suplemento das Artes e Letras do jornal O Primeiro de Janeiro do dia 2 de Junhi de 2008
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Preâmbulo


Ao longo da História da Humanidade, a acção e o trabalho da mulher foram subalternizados e de certo modo negligenciados, já que estava obedientemente dependente sob a sombra tutelar omnipresente do homem. Durante muitos séculos, sempre estiveram destinados ao homem todos os ofícios mais condizentes com o fenótipo da sua estrutura morfológica, de início, representada na figura do nómada, do caçador-recolector (recolhendo o seu sustento da Natureza), do guerreiro, cavaleiro ou militar, evoluindo à posteriori para tarefas remuneradas no círculo exterior à família. Assim, desde tempos imemoriais, a ocupação da mulher resumia-se sobretudo à sua função de cônjuge, mãe e dona de casa.




Após um longo e lento processo evolutivo, desenvolvido ao longo de milhares de anos, a matriz primacial, para a sua emancipação, vai radicar na Revolução Francesa e nos acontecimentos daí decorrentes com a proclamação dos princípios universais de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, simbolicamente, imortalizados pela imagem de uma mulher, decidida e corajosa, disposta a saltar da tela, representada no quadro A Liberdade Guiando o Povo, pintado em 1830 por Eugène Delacroix. Em paralelo, a seguir à Revolução Industrial, muitas mulheres passam a exercer uma actividade laboral, embora a um nível remuneratório inferior à do homem. Lutando contra essa discriminação, algumas na viragem para o século XX, encetam outras formas de luta, ex. greves reivindicativas, tanto nos EUA como na Europa que vão levar à sua emancipação, drasticamente acentuada a seguir à última Grande Guerra.


A partir de agora, o papel feminino no mundo globalizado pós-guerra, produz uma mudança decisiva nos hábitos e nas tendências do costumado núcleo familiar, tornando-se a mulher maioritária em vários segmentos da sociedade moderna, tanto ao nível do ensino, da educação (basta ver a larga percentagem de mulheres a frequentar os cursos médios-superiores, em múltiplos ramos e especialidades e, o número igualmente elevado de licenciadas que todos os anos saem das nossas universidades, à conquista do mercado livre de trabalho, hoje cada vez mais restrito e competitivo, mesmo naquelas profissões que até há bem pouco tempo, estavam só destinadas a homens), bem como em lugares de chefia e mesmo na política. Hoje, apesar de serem maioria em muitas das profissões mais importantes, a discriminação (já para não falar do crónico problema da inserção sócio-laboral dos deficientes) mantém-se a nível salarial, na segurança do emprego, no rendimento de substituição na doença, na percentagem de desempregados ou nos casos em situação de reforma.



(...)


A linha do tempo no universo musical

Pode-se dizer que a música tem origem nos primórdios da civilização. A palavra Música deriva da arte das musas, numa referência à mitologia grega, verdadeiro marco da antiguidade clássica donde deriva toda a cultura ocidental.


Já na Pré-História, o ser humano comunicava com a ajuda de sinais sonoros recorrendo a paus, ramos, troncos, pedras, osso, etc., para tentar imitar os sons que diariamente ouvia na natureza, incluindo os gritos e cantos emitidos por pássaros e outros animais.


É a partir deste momento singular quando, intencionalmente, o Homem começa a produzir sons que se inicia a longa caminhada da História da Música. Os primeiros vestígios podem-se encontrar nas pinturas rupestres, onde aparecem desenhados os mais antigos apetrechos rudimentares de música, em cerimónias e ritos sociais, na evocação das forças da natureza, no culto dos mortos, na caça e na exaltação à guerra tribal, isto é, seria uma música de carácter mágico-religioso e ritualista. Primeiramente, usaria a voz e outros sons pela percussão de partes do corpo, ex. batendo as mãos e os pés, mas ao longo dos tempos, foi construindo outros utensílios, ex. à base de madeira, para acompanhar essas músicas e danças primitivas, cada vez mais elaboradas de modo, a melhor agradar aos deuses.


Nas primeiras grandes civilizações, a música induzia uma acção positiva em muitas das actividades sociais, outras vezes, era empregue como consolo ou necessidade lúdica.
Um bom exemplo é o Egipto dos faraós, em que a música e a dança acompanhavam de perto a vida do dia-a-dia, sendo a maioria dos personagens mulheres. A harpa, a lira e um género de alaúde eram muito usados, tanto na corte soberana como auxiliar e suporte no trabalho dos campos. A música sendo considerada de origem divina, estaria muito ligada ao culto das múltiplas divindades presentes.



Ao longo dos tempos, a música vai conquistando o seu espaço, com a aquisição de novas ferramentas: o órgão nas igrejas; o alaúde, a charamela (flauta rústica), a cítara, a sanfona, o realejo, a rabeca, o saltério, integrados na música popular profana. É na época dos menestréis e trovadores que se acentua o aperfeiçoamento da escrita musical. Surge na Idade Média, por esta altura, uma mulher notável que se destaca do panorama musical, sendo considerada uma das mais importantes compositoras de todos os tempos, o seu nome Hildegarda, natural de Bingen, uma monja beneditina alemã, mística, filósofa, visionária, escritora (escreve também sobre medicina natural, tratamentos de diversas doenças, alimentação, pedras preciosas, etc.) e compositora, conhecida como a Sibila do Reno. A sua música, preservada ao fim de novecentos anos está hoje disponível em CD, sendo objecto de larga difusão.


Com a Renascença, o homem assume o seu papel de protagonista nas Artes Humanitatis. A Europa inicia assim, uma longa caminhada para a secularização, ou laicização que vai levar ao afastamento da Igreja dos caminhos do poder e do controlo do saber. Até ao século XVI, a história musical progride quase exclusivamente no plano vocal. A música depressa irradia, com a ajuda preciosa da impressão musical. Maddalena Casulana (c.1544-c. 1590), alaudista e cantora do Renascimento tardio, será a primeira compositora a ver a sua obra (essencialmente madrigais) impressa e publicada nos anais da música ocidental.


A transição para o Barroco é um tempo de grande criatividade. A música instrumental apelando a novas sonoridades atinge um nível equiparado à da polifonia vocal religiosa. Há um progresso na prática do fabrico e na arte, com a manufactura de novos instrumentos de corda, tais como: o violoncelo, violino, viola da gamba, de arco e contrabaixo. Muito se deve este aperfeiçoamento, a Antonius Stradivarius, célebre luthier1 italiano. As peças orquestrais adquirem uma dificuldade técnica superior e ganham um renovado e maior esplendor. Os instrumentos de tecla acompanham a mesma evolução e o cravo tal como o violino alcançam o seu estatuto de solista. Surge a Ópera e o Ballet.


Neste tempo, há algumas poucas mulheres que se destacam, entre elas Francesca Caccini (1587-c.1640), mais conhecida, entre outros motivos, por ser a primeira compositora de sempre, a escrever uma ópera (talvez, a figura musical feminina mais importante entre os séculos XII e XIX), e Leonora Duarte (1610-1678), solista, também ela compositora, natural de Antuérpia, duma próspera família de genealogia sefardita portuguesa fugida à inquisição.




A importância e o papel das mulheres na música, dita clássica


“… Desejo mostrar ao mundo, a errónea presunção, tanto como pode a arte musical, de que só os homens possuem os dons da arte e do intelecto e de que estes dons nunca são atributos da mulher… “ (Maddalena Casulana)


Com o Humanismo, a datar dos séculos XIV-XV, a Europa é agitada por um amplo movimento de renovação cultural - o Renascimento, assente na redescoberta e reinterpretação da cultura clássica greco-romana.


As artes começam a centrar de novo, o ideal de harmonia, equilíbrio e beleza no corpo humano. E quem mais, senão a mulher para protagonizar esse modelo e arquétipo de serenidade e perfeição, isto é, a emoção estética do belo. Daqui a sua influência nas ciências e nas artes. A mulher torna-se a musa inspiradora tanto para poetas, músicos e artistas como em poemas (madrigais) e canções. A música passa a fazer parte da sociedade artística e intelectual desse tempo.


Através de pintores como Giorgione, Jan van Hemessen, Caravaggio, Jan Vermeer, Antoine Watteau, François Boucher, Fragonard, a figura feminina começa ser representada muitas vezes em lugar de destaque, cantando ou tocando vários instrumentos.


Até aqui, era crença assente que a mulher não possuía as qualidades emocionais e intelectuais obrigatórias para apreender a luz do conhecimento, sendo até considerada nociva essa mesma aprendizagem, porque podia desviá-la da sua função primacial de mulher e mãe.


Além do mais, as mulheres não eram bem aceites, sendo consideradas pessoas pouco dignas, se fizessem parte como solistas ou intérpretes, em espaços onde ate aí os homens tradicionalmente dominavam, como seriam as orquestras e os salões de ópera, melhor dito, a arte da música estava-lhes vedada como modelo respeitável de profissão. Este espírito vigente, ao atravessar transversalmente toda a história da música, anula a esperança de uma possível carreira, o que explica os poucos nomes que se distinguiram no panorama musical feminino até ao passado século.


Segundo consta, a própria Luísa Todi, já famosa além-fronteiras, ao voltar a Portugal em finais de setecentos, precisou de uma autorização especial, pois por cá, era ainda proibido às mulheres actuar em público. Essa liberdade, só irá verdadeiramente acontecer, em plenitude, na sequência do 25 de Abril.


Com o advento do século XIX e do Romantismo, os músicos tornam-se livres de tutelas, passando a ser também respeitados no seu estatuto profissional, ao adquirir o direito de auferir um salário justo e adequado durante as suas tournées anuais. Alguns passam a ser venerados como as actuais estrelas de cinema e da pop-music.


A mulher começa, gradualmente, a ter um papel mais participativo na música sendo agora, socialmente, melhor aceite, num período de maior liberdade na expressão de paixões e sentimentos. No entanto, as suas próprias composições têm dificuldade em chegar às salas de concerto e as obras quase nunca são publicadas.


Vários nomes sobressaem, numa listagem de mulheres compositoras que viveram nos últimos 250 anos, feita por Diana Ambache (a única mulher da Grã-bretanha, a fundar e a dirigir a sua orquestra clássica de câmara), tais como: Marianne Martinez (1744-1812), Louise Farrenc (1804-1875), Fanny Mendelssohn (1805-1847), Ethyl Smith (1858-1944), Nadia Boulanger (1887-1979), Germaine Tailleferre (1892-1983).


Além destas, é justo sublinhar a pessoa de Clara Schumann - “No que à arte diz respeito, você é suficientemente homem” (Joseph Joachim e o seu pensamento sobre Clara Schumann) -, ela própria proveniente de uma família de músicos, que vai conquistar uma emérita carreira de pianista, concertista e compositora alemã, após estar casada com o grande músico e criador romântico Robert Schumann, até à morte trágica deste num hospício para loucos em 1856. É uma das mais conhecidas intérpretes de sempre, ao mesmo tempo que teve de lutar contra a natural resistência e misoginia do espírito dominante à época - para a mulher estava destinada o cuidar da casa, aprender a bordar e costurar, além da educação dos filhos; aquelas poucas que não professassem num convento, o máximo a que podiam aspirar era dar lições de piano aos filhos das elites.


Com o apoio incondicional do seu amigo de longa data, Johannes Brahms, compõe uma série de peças para piano, orquestra, música de câmara e lieders, sendo uma das mais admiráveis executantes do repertório romântico. É hoje pacífico aceitar como um dos maiores talentos musicais desde o tempo em que viveu.


Já nessa altura e ainda hoje, embora menos, o universo profissional da música tal como uma arte apolínea tem sido dominada pelo homem, o que cria as maiores dificuldades de afirmação à mulher, mesmo que demonstre boas qualidades técnicas e especial sensibilidade interpretativa. Presentemente, o panorama musical está mudar, vendo-se até uma coisa impensável há uns anos atrás, mulheres na direcção orquestral.


E os últimos estudos mostram que as mulheres consomem cada vez mais cultura em relação aos seus parceiros e competidores mais directos, os homens. Lêem mais, são assíduas frequentadoras do teatro, do cinema, e vão mais vezes a museus e exposições e, estão mais atentas às últimas novidades.


1 Derivação da palavra francesa luthier (fabricante de instrumentos de corda), de luth (alaúde) mais o sufixo, -ier. (Dic. António Houaiss).

Seminário de Investigação sobre "Risco, Precaução e Cidadania: A Regulação dos OGM na UE e em Portugal"

A DINÂMIA – Centro de Estudos sobre a mudança socioeconómica, o ISCTE e o Centro de Estudos Sociais (CES),da Universidade de Coimbra, organizam um Seminário de Investigação sobre «Risco, Precaução e Cidadania: a Regulação dos OGM na UE e em Portugal»



Sala B201, ISCTE, Lisboa, 6 de Junho de 2008

O seminário discutirá os princípios e regras, procedimentos e práticas das autoridades reguladoras na UE e em Portugal em matéria de OGM e o modo como procuram responder aos desafios colocados pela incerteza científica, pela controvérsia pública e pela necessidade de coordenação inter-estatal neste



APRESENTAÇÃO

O regime aplicável aos Organismos Geneticamente Modificados (OGM) na União Europeia (UE) ilustra de forma modelar os desafios enfrentados pelas autoridades reguladoras perante inovações tecnológicas que ao mesmo tempo que prometem benefícios económicos e sociais chegam envoltas em incertezas quanto aos seus impactes, o que as torna especialmente propensas a controvérsia. Os OGM têm propiciado por isso um terreno favorável à "invenção" de princípios jurídicos e de modos de regulação originais, questionando conceitos e práticas enraizadas no mundo do direito e das suas instituições.

Por um lado, é elevada, nestas áreas, a exigência de incorporação de conhecimentos especializados no processo regulatório. Por outro lado, é acentuada a pressão social no sentido de conferir uma maior transparência e de garantir uma participação mais activa das partes interessadas e da sociedade civil nesse processo e, em particular, na "gestão do risco". Além disso, a incidência transnacional da produção e comercialização de culturas e produtos transgénicos torna imperativa a cooperação entre os Estados e a acção das organizações internacionais competentes, bem como a clarificação das suas responsabilidades na matéria.

A necessidade de agir em face de conhecimento insuficiente ou incerto sobre os factos relevantes representa um desafio considerável para o regulador e de um modo mais geral para um sistema jurídico no qual a verificação ou prova constituem, por norma e por tradição, a base indispensável quer da activação da regra legal, quer do apuramento da sua (eventual) violação. Do mesmo passo, a amplitude, diversidade e globalidade dos interesses que envolvem esta tecnologia e as suas aplicações convidam as instituições a reconsiderar e porventura a reforçar os mecanismos de informação e participação.

Uma das interrogações que fará por isso sentido colocar será a de saber como é que o legislador europeu vem lidando com a complexidade específica deste campo de regulação, como vem incorporando na linguagem do direito da União Europeia:

i) A incerteza ou margem de ignorância e de indeterminação do risco associado aos OGM;

ii) A função da ciência na avaliação e monitorização do risco e a sua relação com a autonomia decisória das autoridades competentes;

iii) Os factores insusceptíveis de ser apreciados por critérios científicos ou técnicos, ou seja, os valores éticos e culturais e os interesses económicos e sociais;

iv) A controvérsia inerente à introdução desta nova tecnologia.

A regulação europeia dos OGM obedece ao objectivo de aproximar as legislações internas dos Estados Membros de acordo com padrões elevados de protecção ambiental e sanitária. É notória, porém, a tensão entre este esforço de harmonização e coordenação e as diferenças nas dinâmicas do sector agrícola, nas percepções públicas de risco e nos graus de mobilização social de país para país. Portugal surge, neste contexto, como um dos países europeus onde é menor a polémica e a resistência às culturas e alimentos transgénicos. A área cultivada de milho geneticamente tem vindo, no entanto, a crescer. Coincidência ou não, foi em 2007 que pela primeira vez o debate sobre os OGM extravasou dos círculos de especialistas e penetrou o espaço público quando uma plantação de milho modificado foi alvo de destruição por um grupo de activistas.

É este o pano de fundo de um projecto de investigação em curso no quadro do DINÂMIA e do CES, com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Neste estudo se procura analisar criticamente os princípios e regras, procedimentos e práticas das autoridades reguladoras na UE e em Portugal em matéria de OGM e o modo como procuram responder aos desafios colocados pela incerteza científica, pela controvérsia pública e pela necessidade de coordenação inter-estatal neste domínio.

O objectivo do presente Seminário de Investigação é permitir a apresentação e discussão do resultado preliminar deste estudo.


PROGRAMA

9:30 – 10:00 Recepção dos participantes

10:00 – 10:20 Introdução ao Seminário, Maria Eduarda Gonçalves (DINÂMIA – Sec. Aut. Dir. ISCTE)

10:20 – 10:40 "Novas tendências do direito da alimentação", Rui Cavaleiro Azevedo, Sub-director da Unidade "Food Law, Nutrition and Labelling", Comissão Europeia

10:40 – 11:00 Debate

11:00 – 11:15 Pausa para café

11:15 – 11:35 "Risco, precaução e ciência: o exemplo dos OGM", por Maria Eduarda Gonçalves (DINÂMIA – Sec. Aut. Dir. ISCTE)

11:35 – 11:50 Comentário, por Helena Freitas (Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade de Coimbra)

11:50 – 12:30 Debate

12:30-14:30 Almoço

14:30 – 15:00 "Civil society involvement in the EU regulations on GMOs", por Patrycja Dabrowska, Center for Europe, Universidade de Varsóvia

15:00 – 15:20 "Controvérsia, participação e movimento social em Portugal: o caso dos OGM", por Maria Inês Gameiro (DINÂMIA-ISCTE)

15:20 – 15:35 Comentário por Joaquim Gil Nave (Dep. Sociologia, ISCTE)

15:35 – 15:50 Comentário por Marisa Matias (CES, Universidade de Coimbra)

15:50 – 16:10 Pausa para café

16:10 – 16:30 "Desafios e impasses da regulação", por Catarina Frade (CES, Universidade de Coimbra)

16:30 – 16:45 Comentário, por Maria Manuel Leitão Marques (CES, Universidade de Coimbra; actualmente, Secretária de Estado da Modernização Administrativa)

16:45 - 18:00 Debate

18:00 Encerramento



Ver: aqui
Caso pretenda participar, por favor descarregue aqui a ficha de inscrição que, após preenchida, poderá ser enviada para o Dinâmia(ou para o cacifo 239)

Curso de biotecnologia sobre os alimentos transgénicos em Portugal

Biotecnologia - OS ALIMENTOS TRANSGÉNICOS EM PORTUGAL


Este curso pretende abordar questões da actualidade portuguesa relativas aos alimentos e culturas transgénicas: como se fazem transgénicos? Como se distinguem dos outros? Que alimentos os usam? Qual a legislação relevante? Existe risco associado ao consumo? Qual o conhecimento científico? Qual o papel da precaução? Qual o futuro desta tecnologia?



Estrutura :12 horas (4 horas x 3 dias)


Data de realização
De 7 a 9 de Julho, das 15 às 19 h


Local e estruturas a utilizar
UCP, Universidade Católica do Porto ( Campus da Asprela -Sala AF202)

Taxa de inscrição
30 € (5€ para alunos da UCP)


Participantes
Estudantes do ensino secundário ou superior, público adulto


Número mínimo e máximo de participantes
Entre 10 e 25


Docentes
Margarida Silva
(UCP, Escola Superior de Biotecnologia)

Inscricoes:
Campus da Asprela - Serviços de Formação
Rua Dr. António Bernardino de Almeida
4200-072 Porto Portugal
Tel.: +351 225 580 076

Curso de Identificação, Biologia e Conservação de Aves de Rapina (5 a 8 de Junho) em Figueira de Castelo Rodrigo


5 a 8 de Junho de 2008

Curso: Identificação, Biologia e Conservação de Aves de Rapina, 3ª Edição

Figueira de Castelo Rodrigo - Parque Natural do Douro Internacional

INSCRIÇÕES MUITO LIMITADAS - INSCREVA-SE JÁ!



PROGRAMA:

DIA 5 de Junho
LOCAL: Casa da Cultura de Figueira de Castelo Rodrigo

15:00
- Abertura de secretariado, recepção e entrega de material aos participantes
- Apresentação do curso e respectivo programa

16:00 – 19:30: Módulo I (Teórico)
- Sistemática e Taxonomia
- Introdução à Biologia, Ecologia e Genética
- Técnicas de Observação e Identificação
- Quiz de Identificação de Aves de Rapina

20:30 - Jantar em Figueira de Castelo Rodrigo
Dormida: Figueira de Castelo Rodrigo


DIA 6 de Junho
LOCAL (ponto de encontro): Praça da fonte luminosa, Figueira de Castelo Rodrigo. 9:00.


9:00 – 13:00: Módulo II (Teórico-prático)
- Identificação de Aves de Rapina no Campo

- Avaliação da importância de diferentes tipos de Habitats para as diferentes espécies

Itinerário em autocarro intercalado com pequenos percursos a pé (Figueira de Castelo Rodrigo, Vilar Torpim, Vermiosa, Malpartida, Vale da Coelha, Vale da Mula, S. Pedro do Rio Seco, Vilar Formoso, Almeida).
Interpretação de biótopos agrícolas, florestais, agro-florestais, estepários, aquáticos dentro do Planalto de Riba-Côa.

13:00 – Almoço no campo - Largo da Capela de Santo André das Arribas (Almofala)

Participação da população local de Almofala no almoço e actividades da parte da tarde


14:00 - 20:00: Módulo III (Teórico-prático, Aula de Campo)
LOCAL: Arribas do Rio Águeda


- Métodos de Censo e Monitorização de Aves Rupícolas

- Observação e contagem de Grifos em duas colónias importantes (Distribuição em 2 ou 3 grupos)


21:00 – Jantar em Almofala

(Sessão aberta às pessoas da aldeia de Almofala)


Dormida: Figueira de Castelo Rodrigo


DIA 7 de Junho

LOCAL (ponto de encontro): Praça da fonte luminosa, Figueira de Castelo Rodrigo. 9:00.

9:00 – 19:00: Modulo V (Teórico - Prático)
Percurso de autocarro através do Parque Natural de Arribes del Duero (PNAD)

- Continuação de Identificação de Aves de Rapina no Campo

- Contacto com exemplos de problemas de conservação

- Aula de campo sobre o Programa Antídoto - Portugal


Percurso: Figueira de Castelo Rodrigo, Barca d'Alva, Centro interpretativo do PNAD em Sobradillo, Visita Guiada Lumbrales e Vale do Rio Huebra (miradouros), Barragem de Aldeadávila, Penedo Durão


21:00 – Jantar em Escalhão

23:00 - Módulo IV (Prático)
Censo de aves nocturnas

Dormida: Figueira de Castelo Rodrigo



DIA 8 de Junho

10:00-12:00 Módulo VI (Teórico)

Local: Algodres (Junta de Freguesia)

- Apresentações sobre Problemática e Projectos de Conservação de Aves de Rapina no Parque Natural do Douro Internacional
- Projecto Reserva da Faia Brava, ZPE Vale do Côa (Associação Transumância e Natureza)

12:30 – Passeio de Burro e Caminhada na Reserva da Faia Brava, ZPE Vale do Côa (Almoço junto ao rio Côa)
- Observação de aves
- Visita aos principais locais do projecto de conservação de aves rupícolas na Reserva da Faia Brava
- A problemática dos incêndios rurais/florestais

- A importância da agricultura tradicional na conservação da avifauna

17:30 – Regresso a Algodres e Encerramento



www.aldeia.org/portal/PT/5/EID/96/DETID/2/default.aspx

Mais uma loja das aldeias de xisto vai ser aberta em Martim Branco em simultâneo com o Caminho de Xisto


As Aldeias do Xisto são já em número de 24 e estão distribuídas pela Região Centro, num território de enorme beleza.

8 1/2 Festa do Cinema Italiano ( entre 5 e 11 de Junho)


Apresentar obras do novo cinema italiano de autor, reconhecidas pelo crítica e pelo público, e que foram exibidas em reconhecidos festivais de cinema. Este é o objectivo a que se propõe a primeira edição da mostra de cinema 8 ½ Festa do Cinema Italiano, que decorrerá no cinema King, em Lisboa, de 5 a 11 de Junho.



Organizada pela recentemente criada Associação Cultural Il Sorpasso, esta mostra dará ao público português a oportunidade de ver filmes de jovens realizadores italianos, ainda pouco conhecidos em Portugal, a par de nomes internacionalmente consagrados. Com o objectivo de contribuir para o fortalecimento das relações culturais já existentes entre Portugal e Itália, em sintonia e de acordo com as instituições locais, a associaçao Il Sorpasso organiza esta primeira edição da Festa do Cinema Italiano com o Alto Patrocínio da Embaixada de Itália, e em colaboração com o Instituto Italiano de Cultura de Lisboa e a Cinemateca Portuguesa.



A par da exibição de oito de filmes, a 8 ½ Festa do Cinema Italiano contará com a participação de convidados quais Maria de Medeiros, Antonietta De Lillo, Marco Simon Puccioni e Diane Fleri.



Para mais informações: http://www.festadocinemaitaliano.com/


PROGRAMA

Cinema King – 5 Junho – 21h00

ABERTURA DO FESTIVAL

Com a actriz Maria de Medeiros e os realizadores Antonietta de Lillo e Marco Simon Puccioni

Riparo (“Abrigo”) Trailerde Marco Simon Puccioni / Itália, 2007, 98’ – v.o. leg. em pt.
Interpretação: Maria de Medeiros, Antonia Liskova, Mounir Ouadi
Anna e Mara são namoradas, de regresso das férias em Marrocos, descobrem um jovem clandestino no porta-bagagem do carro: Anis. Conta que perdeu os pais e que quer ir para Milão. As raparigas decidem escondê-lo e ajudá-lo. Mas as relações entre os três rapidamente arrefecem…
Antestreia nacional


Il resto di niente (“O Resto de Nada”) Trailerde Antonietta de Lillo / Itália, 2004, 103’ – v.o. leg. em pt.
Interpretação: Maria De Medeiros, Imma Villa, Lucia Ragni
Eleonora Pimentel Fonseca é uma jovem e fervente revolucionária que, em 1799 adere às ideias da Revolução de Nápoles e tenta divulgá-las através de um jornal que utiliza a língua do povo. Mas por azar, para ela e seus companheiros não tardou chegar a repressão dos borbónicos e com ela o patíbulo




6 Junho – 21h30
Com a presença de Diane Fleri

Mio fratello è figlio unico (“Meu Irmão è Filho Único”) Trailerde Daniele Luchetti / Itália, 2007, 100’– v.o. leg. em pt.
Interpretação: Elio Germano, Riccardo Scamarcio, Diane Fleri
Accio, um fascista susceptível é o irmão de Manrico, um comunista fascinante. Entre os dois há um constante confronto numa época de grandes paixões e de agitação social e cultural: os anos '60 e '70. A atracção de ambos para Francesca põe à dura prova a relação conflituosa entre eles, que se distingue pela afeição, sempre presente.
Antestreia nacional



7 Junho – 22h00
La giusta distanza (“A Distância Certa”)
Trailerde Carlo Mazzacurati / Itália, 2007, 110’– v.o. leg. em pt.
Interpretação: Giovanni Capovilla, Ahmed Hafiene, Fabrizio Bentivoglio
Hassan é um mecânico tunisino, Mara é uma jovem professora. Giovanni, amigo deles, tem dezoito anos e é um aspirante a jornalista, testemunha da relação entre eles. Uma história que começa com alguns sinais de inquietação e acaba numa tragédia inesperada. Giovanni vira as costas a Hassan, pois a vida é mais incerta e dolorosa do que parece…



8 Junho – 21h30
La terramadre (“A Terramãe”)de Nello La Marca / Itália, 2008, 120’– v.o. leg. em pt.
Interpretação: actores não profissionais de Palma di Montechiaro
Histórias de duas personagens que têm em comum um destino impossível de gerir e orientar. Gaetano tem que ir à Alemanha com o pai, apesar da sua ligação inexplicável com a terra de origem. Ali é um emigrante clandestino que chegou a Palma por mar, depois de um naufrágio, arrastando o cadáver de uma mulher.

9 Junho – 22h00
Il nascondiglio (“O Esconderijo”) Trailerde Pupi Avati / Itália, 2007, 100’ – v.o. leg. em pt.
Interpretação: Laura Morante, Rita Tushingham, Burt Young
Uma italiana muda-se para Davenport para abrir um restaurante. Mas depois do suicídio do marido terá que ficar internada num hospital psiquiátrico durante quinze anos. Finalmente livre, decide reabrir outro restaurante vindo a saber que naquele mesmo lugar, cinquenta anos antes, tinha acontecido um terrível massacre, ainda envolto num mistério.


10 Junho – 21h30
N (Io e Napoleone) “N (Eu e Napoleão)”
Trailerde Paolo Virzì / Itália, 2006, 110’ – v.o. leg. em pt.
Interpretação: Daniel Auteuil, Elio Germano, Monica Bellucci
1814. Napoleão encontra-se exilado na ilha de Elba e tem uma boa relação com a população local. Todos o adoram menos um: Martino Papucci. Todas as noite Martino sonha matá-lo para vingar os ideais revolucionarios traidos. Quando tem a oportunidade de se tornar escrivão do antigo imperador, aceita sem hesitações...


11 Junho – 21h30
Una ballata bianca (“Uma Balada Branca”)
Trailerde Stefano Odoardi / Itália, 2007, 78’ – v.o. leg. em pt.
Interpretação: Nicola Lanci, Carmela Lanci, Simona Senzacqua
Num apartamento a vida de um casal já de idade desenrola-se como um antigo gira-discos: lenta e mecânica. A mulher não tem muito tempo de vida, ela sofre de uma grave doença. Um belíssimo poema sobre o fim de um amor.




ACTIVIDADES PARALELAS


FESTA DE ABERTURA 8 1/2
4 de Junho às 20h30 no Intermezzo Cocktail Bar - Rua Garret 19 (Chiado) Lisboa

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AL CAFFE' DEL CINEMA ITALIANO
Al caffè del Cinema Italiano é uma viagem sonora na história e memória colectiva de La Bella Itália. Em tom de café concerto o músico italiano Marco Spinetta e a actriz portuguesa Joana Seixas divagam entre as personagens, a música, o cinema e a língua italiana. Um espectáculo intimista, divertido e mágico em homenagem ao cinema italiano.
8 de Junho às 23h00 no Maria Matos Café

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PASOLINI - O CHEIRO DA ÍNDIA / FELLINI - SOU UM GRANDE MENTIROSO
Debate à volta de dois livros recém-editados, da autoria de dois grandes realizadores italianos.
11 de Junho às 19h00 na FNAC Chiado



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FESTA DE ENCERRAMENTO 8 1/2
11 de Junho às 23h00 no Luca Tapas Bar - Rua Santa Marta 35 Lisboa


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8 1/2 FESTA DO CINEMA ITALIANO RECOMENDA:
Noites interculturais no Bacalhoeiro, Sábado dia 24: Itália

2.6.08

Plantados no Chão – um livro de Natália Viana sobre os assassinatos políticos no Brasil de Hoje


Por via do Jornal Mudar de Vida soubemos da possibilidade de descarregar integralmente o livro «Plantados no Chão – os assassinatos políticos no Brasil de Hoje» da jornalista Natália Viana e publicado pela editora Conrad. Trata-se de um corajoso trabalho acerca dos assassinatos de activistas dos movimentos sociais no Brasil dos nossos dias. O livro está pois disponível em versão PDF para download gratuito.

O objectivo da autora e dos editores é divulgar o máximo possível o conteúdo do livro, levantando o debate sobre a violência que os movimentos sociais continuam a enfrentar no Brasil.

www.conradeditora.com.br/plantadosnochao.html


Às onze horas do dia 20 de novembro de 2004, dezessete homens armados entraram na fazenda Nova Alegria, no município de Felisburgo, Minas Gerais. Queriam "acertar a contas" com as 130 famílias do Movimento de Trabalhadores Sem-Terra (MST), que estavam há mais de dois anos no acampamento batizado de Terra Prometida. Os sem-terra denunciavam que parte da terra havia sido grilada, e pela lei deveria ser desapropriada. Adriano Chafik – dono da propriedade – e seus homens caminharam até o centro da ocupação e abriram fogo. Mataram cinco sem-terra e feriram quinze.

Três anos se passaram.

As 13 horas do dia 21 de outubro de 2007, quarenta homens armados entraram na fazenda da multinacional Syngenta Seeds, próxima ao Parque Nacional do Iguaçu, em Santa Tereza do Oeste, Paraná. Queriam “acertar as contas” com os líderes das setenta famílias da Via Campesina que montaram ali um acampamento batizado de Terra Livre. Os camponeses denunciavam os experimentos da Syngenta com sementes transgênicas de soja e milho, que feriam uma lei que proíbe tal prática próxima a reservas florestais. Os homens, contratados de uma empresa de segurança privada, entraram na fazenda já atirando. Executaram um líder sem-terra e feriram outros cinco.




O relato dos dois episódios assusta pela semelhança. Mas deveria chamar a atenção, também, pela diferença. São duas histórias distantes no espaço e no tempo, envolvendo atores diferentes e com motivações diferentes. No entanto, como numa novela bem ensaiada, o desenrolar dos acontecimentos é idêntico: as vítimas já haviam sido ameaçadas, as autoridades sabiam do perigo eminente, mas mesmo assim nada foi feito. O desfecho, também, provavelmente será o mesmo. Enquanto matavam mais um sem-terra no campo da Syngenta, Adriano Chafik, réu confesso do massacre de Felisburgo, continuava sem julgamento – e sem previsão para tal.


O livro Plantados no Chão é um grito de indignação contra essa novela. Publicado em junho de 2007, é uma compilação de mais de 180 casos de militantes assassinados nos últimos 4 anos – durante do governo Lula – por causa da sua convicção. É uma tentativa de entender esses assassinatos, buscar estabelecer que padrão eles seguem, por que eles acontecem e perguntar como continuam a ocorrer em um governo que foi eleito com o apoio desses mesmos movimentos sociais. Não são respostas fáceis, e por isso não pretendemos esgotar o assunto, mas iniciar um debate muito necessário.


Cada assassinato político não é a morte de um militante, é um pouco a morte da causa que ele defende. Os assassinatos políticos nos dias de hoje não servem para exterminar uma pessoa, mas para refrear a demanda de um grupo que é representado por essa pessoa. Ao permitir essa rotina de violência, nosso governo permite que a democracia brasileira continue sendo decidida a bala. Não é algo para se orgulhar.

Desde o lançamento, sempre quisemos que o livro fosse disponibilizado na internet para download gratuito. Queríamos desde o começo que o seu conteúdo tivesse mais alcance do que a forma (e o preço) de um livro pode alcançar. Queremos levar esse debate para os mais diferentes cantos possíveis. Por isso, como autora (juntamente com toda a equipe da Conrad) pedimos: baixe o livro, copie, imprima, leia, releia, critique. Afinal, parafraseando a jornalista britância Jan Rocha, autora do prefácio do livro, o assassinato político não é a morte de uma só pessoa; é um golpe contra a esperança – e contra o futuro da nossa democracia.
E o trabalho iniciado com Plantados no Chão não termina por aqui. Em breve estrearemos um blog neste site, onde manteremos os leitores atualizados não apenas em relação aos crimes relatados no livro, mas também abrindo espaço para novas denúncias.
Aproveite o livro e o site, e espalhe a idéia.

Natalia Viana

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Entrevista à autora do Livro Plantado no Chão:


- Como surgiu a idéia de lançar um livro com esta temática, de assassinatos políticos no Brasil?



O Plantados no Chão nasceu de uma proposta que os editores da Conrad me fizeram: vamos fazer um livro, uma espécie de lista dos casos de assassinatos políticos no Brasil hoje. Isso porque o Anderson Luís, presidente do Sintrafrios, sindicato de trabalhadores em Frios e Laticínios da baixada Fluminense, tinha acabado de ser assassinado e havia um sentimento de revolta que assassinatos assim, por conta da militância política, ainda acontecessem no Brasil tantos anos depois de derrubada a ditadura. Só que quando comecei a pesquisar, descobri que não havia tal levantamento, e o pior: não havia nem mesmo um conceito estabelecido de assassinato político contemporâneo. Muita gente que procurei falava imediatamente de casos de políticos assassinados, o que não é nem de longe a mesma coisa.


2 - Porque você classificou estes casos como crimes políticos?


Para nós, sempre esteve claro que o assassinato político tem como raiz a ação política de um grupo, ou seja, um indivíduo é morto porque age politicamente em nome de um grupo. Adotamos o sentido de política usado pelo sociólogo Chico de Oliveira, que diz que “política é a reclamação das partes pelos que não têm parte”. Assim, a política, ou democracia, como prefiro chamar, é a disputa entre grupos dentro do Estado de Direito. Nesse sentido, o assassinato político de hoje em dia tem uma função praticamente oposto ao da ditadura. Se na época da ditadura a repressão era considerada necessária para manter o regime, hoje em dia o assassinato político é um golpe contra o atual regime, um golpe contra a democracia. Ou, como diz no prefácio do livro a jornalista Jan Rocha, que foi correspondente do Guardian e da BBC no Brasil, “A morte de um líder não é simplesmente a eliminação de uma pessoa inconveniente. mas um golpe contra a esperança. Contra o futuro”.


3 - Os dados e personagens foram pesquisados nos mapas e informes da Comissão Pastoral da Terra e de outras entidades? quais?


Algumas organizações coletam dados que entraram parcialmente no livro depois de uma avaliação caso a caso. Além da CPT, usamos dados do Cimi, Conselho Indigenista Missionário, que publica uma lista de todos os indígenas assassinados a cada ano, da ONG Justiça Global, que publica o relatório Na Linha de Frente, sobre defensores de direitos assassinados e relatos de outras organizações como Terra de Direitos, CUT e o Movimento Passe Livre – além dos relatórios da ONU sobre defensores de direitos no Brasil feitos pela relatora Hina Jilani.


4- Como vê o fato de os crimes terem aumentado em um governo de centro-esquerda e, ao menos teoricamente, mais preocupado com questões sociais?


Primeiro, não podemos afirmar que os crimes políticos no geral aumentaram durante esse governo, mesmo porque só levantamos dados sobre esse período e não temos nada com que comparar. Mas dados tanto da CPT quanto da Ouvidoria Agrária Nacional mostram que no caso dos conflitos por terra, o número aumentou muito no primeiro ano do governo Lula com relação ao governo anterior, e se manteve mais alto até o ano passado.
Dito isso, é claro que consideramos um absurdo que esses crimes continuem a acontecer durante um governo de um presidente que foi ele mesmo vítima de repressão política. Acho que as iniciativas deste governo – como a criação do Programa Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos – são ainda fracas. Seria necessário um posicionamento mais firme neste sentido, mais pressão para que esses casos andem na justiça. Acreditamos que, como atentados à democracia, eles devem ser tratados de forma exemplar – todos eles deveriam seguir o exemplo da apuração da morte de Dorothy Stang.



5 - Como foi feita a pesquisa para o livro, você foi em algum lugar?


A pesquisa para o livro foi basicamente documental, feita a partir de dados da organizações que já citei, pesquisas acadêmicas, processo judiciais e inquéritos. Além disso, conversei longamente com parentes das vítimas e pessoas envolvidas, movimentos e advogados que trabalham com os casos. Isso porque desde o começo a idéia era fazer uma listagem mais do que apurar cada caso com pormenores, o que seria impossível. Queríamos reunir o máximo de casos porque sabíamos que íamos chegar a um número grande que ia surpreender muita gente –a idéia era mostrar que há um fenômeno acontecendo no Brasil que não tem recebido a devida atenção.


6 - De quem foi a idéia e como está a repercussão do livro disponibilizado na internet?


Desde o começo eu queria disponibilizar o livro para download porque, como já disse, a idéia sempre foi propor a discussão. E realmente tem sido muito legal. Agora estamos estudando como licenciar o livro em creative commons para disponibilizar mais abertamente em outro sites como o Overmundo. Além disso, como o livro tem um site próprio(www.conradeditora.com.br/plantadosnochao), com mais informações do que no livro, e um blog sobre o tema (www.conradeditora.com.br/plantados ), sinto que ele tem uma vida que vai além do formato papel, e além de tudo pode ser atualizado a qualquer momento. O formato virtual me parece ser muito mais livre.


7 - Há alguns retornos interessantes da proposta?


Tem, claro. Tenho recebido emails de muitas partes do país - outro dia me escreveu um rapaz da China, veja só que incrível, isso jamais seria possível se o livro ficasse só no formato papel. Como ele está disponível para todos, ficou bem mais fácil ele ser comentado, resenhado e indicado; muitas listas de discussão e blogs passaram a idéia adiante. É muito bacana isso.




8 - Pretende voltar ao Brasil e continuar a pesquisa? Há algum outro projeto em vista?


Sim, sem dúvida quando voltar ao Brasil pretendo continuar a cobrir o tema. Por enquanto, continuo o trabalho como eu posso, através do blog Plantados no Chão (http://www.conradeditora.com.br/plantados/ ), que estamos fazendo em parceria com a revista Caros Amigos. Nele eu estou atualizando alguns casos relatados no livro e também acompanhando sempre que possível outros casos de violência contra defensores de direitos no Brasil. Comecei há menos de um mês, e eu mesma estou perplexa com a quantidade de notícias que tenho recebido – prova de que a violência contra quem protesta ainda é rotina no nosso país.

9 - Como você vê, em termos gerais, o Brasil, como a oitava economia do mundo, uma democracia consolidada e, mesmo assim, ainda com números tão altos de assassinatos políticos principalmente no campo?



Basicamente, acho que o alto número de assassinatos políticos mostra que a nossa democracia ainda está no caminho da maturidade, estamos ainda no estágio em que atores políticos legítimos são vistos como criminosos e onde em muitas regiões disputas políticas ainda são resolvidas a bala. Em anos recentes, os movimentos sociais compreenderam o seu papel na sociedade, e estão reivindicando legitimidade e apoio dos poderes para agirem de acordo com o que são – atores políticos de pressão. De certo modo acho que o problema é que os poderes em geral – inclusive a mídia – demoram um pouco em perceber essa mudança. As pessoas ainda não perceberam que em muitos casos quem está forçando a aplicação da lei são os movimentos populares.


10 - Porque estes casos foram escolhidos como emblemáticos?


Cada um dos seis casos relatados no livro foi selecionado por um motivo de modo que a reunião dos seis casos ilustrasse diferentes aspectos do problema. A escolha de Dorothy Stang foi óbvia pois, além da repercussão, e até por causa dela, foi um caso que andou rápido e de maneira exemplar na justiça. Para contrastar, achamos interessante relatar o massacre de Felisburgo, um episódio brutal em que o próprio fazendeiro, segundo testemunhas, entrou na terra ocupada para matar a sangue-frio um ex funcionário e outros sem-terra. A coisa ainda está parada principalmente no processo contra o próprio fazendeiro. Depois, achamos bom incluir também um caso envolvendo conflitos por terra indígena, que também são muitos dentro do quadro de violência por questão de terra. Aí encontrei o caso dos Xukuru, que aponta como a justiça repetidamente criminalizou esses indígenas ao longo dos anos, com vários Xukuru respondendo processos judiciais. Muito indígenas foram assassinados, mas há poucos assassinos punidos. Um dos assassinos dos jovens Josenilson e José Ademilson, em 2003, por exemplo, foi inocentado e o outro já está em liberdade depois de ter cumprido quatro anos de cadeia.
Depois, quisemos chamar atenção para o fato de que nas cidades também há violência contra militantes, embora haja muito menos informação sobre esses casos – nenhuma organização coleta tais dados. Então tratamos do caso de Anderson Luís, que aliás deu origem ao livro, como já falei, e o caso dele mostra como a investigação policial é lenta e falha em muitos casos. O assassinato vai fazer dois anos em abril, e o inquérito policial nem foi concluído ainda. O caso do Anderson Amaurilio, um estudante atropelado durante um protesto em Londrina, revela também a forte repressão policial e institucional que os estudantes do movimento pelo Passe Livre têm sofrido no país. E por fim, o caso do sindicalista Anderosn Luís, porque ele demonstra a violência policial contra manifestantes. O caso dele é de arrepiar; ele foi estrangulado por policiais em frente a uma multidão no final de uma passeata – ora, uma coisa dessas só pode acontecer em um país que permite abertamente a violência contra quem protesta.



11 - O que fazer, em sua visão, para combater a impunidade neste tipo de crime?


Olha, é um problema complexo que inclui várias instâncias e vários atores. Como jornalista, o que eu pude fazer foi chamar a atenção para o problema e tentar propor um debate para que se busquem soluções. Mas a pesquisa do livro me leva a crer que, para acabar com os assassinatos políticos é preciso, primeiro, que se reconheça e inclua os movimentos como atores políticos legítimos e importantes para o funcionamento da democracia. Os assassinatos de militantes só são possíveis em um contexto em que os líderes populares, organizações e movimentos sociais ainda podem ser taxados de baderneiros e criminosos. O primeiro passo seria esse.
Outra possibilidade que ainda não foi usada é a federalização dos casos, cuja possibilidade foi aprovada em 2004 para todos os crimes em que há grave violações de direitos humanos – todos os assassinatos de defensores de direitos humanos, poderiam de encaixar nessa lei. Só que o pedido de federalização tem que ser feito pelo procurador-geral da República, o que só foi feito em um caso desde a lei ter sido aprovada: no caso da Dorothy Stang, e foi negado pelo STJ. Federalizar os casos de assassinatos políticos poderia ser uma boa maneira de combater um problema sério nas justiças locais, onde a influência regional de muitos dos possíveis executores dos crimes, como fazendeiros, madeireiros e empresários pode perverter o rumo da justiça.



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Links úteis sobre os temas tratados no livro:


1. Documentos


Relatório World Report 2008, da Human Rights Watch. Em português: http://hrw.org/portuguese/docs/2008/01/31/brazil17926.htm


Relatório Direitos Humanos no Brasil 2007, da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. www.social.org.br/relatorio2007.pdf


Relatório Preliminar Conflitos no Campo 2007, da Comissão Pastoral da Terra.
www.cptnac.com.br/?system=news&action=read&id=2108&eid=6


Relatório da enviada da ONU Hina Jilano sobre a situação dos Defensores de Direitros Humanos no Brasil. Em Inglês:
www2.ohchr.org/english/bodies/hrcouncil/docs/4session/A-HRC-4-37-Add.2.doc






Relatório Na Linha de Frente: Defensores de Direitos Humanos no Brasil (2002-2005), da organização Justiça Global:

www.global.org.br/portuguese/relatoriodefensores2005.html


2. ONGs:

Comissão Pastoral da Terra - ligada à Igreja Católica, acompanha a violência causada por conflitos de terra no Brasil.
http://www.cptnac.com.br/


Conselho Indigenista Missionário - também ligado à Igreja Católica, acompanha a violência contra indígenas.
http://www.cimi.org.br/


Terra de Direitos - oferece auxílio jurídico aos movimentos que lutam pela terra.
http://www.terradedireitos.org.br/


Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) - dá apoio jurídico a movimentos populares
http://www.gajop.org.br/


Movimento Nacional de Direitos Humanos - Reúne diversos movimentos e organizações que trabalham com direitos humanos.
http://www.mndh.org.br/


Fórum de entidades Nacionais de Direiros Humanos - traz notícias sobre direitos humanos.
http://www.direitos.org.br/


Conectas Direitos Humanos - acompanha todos os tipos de violações aos direitos humanos.
http://www.conectas.org/


Anistia Internacional - organização com forte atuação no país que costuma emitir apelos pela defesa dos defensores de direitos no aís.
http://www.amnesty.org/


Instituto Socio Ambiental - acompanha movimentos sociais que trabalham com temas ligados ao meio ambiente
http://www.socioambiental.org/home_html


Organização das Nações Unidas (ONU) - Seção Brasil
http://www.onu-brasil.org.br/


3. Movimentos sociais:


Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra
http://www.mst.org.br/


Via Campesina
http://www.viacampesina.org/


Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB)
http://www.mabnacional.org.br/


Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
http://www.mpabrasil.org.br/


Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)
http://www.mtst.info/


Movimento de Mulheres Camponesas (MMC)
http://www.mmcbrasil.com.br/


4. Sites de Notícias

Repórter Brasil - site de jornalismo social com especial enfoque no trabalho escravo.
http://www.reporterbrasil.org.br/


Carta Maior - agência de notícias que cobre amplamente os movimentos sociais
http://www.agenciacartamaior.org.br/


Repórter Social - agência de notícias sobre temas sociais em geral
http://www.reportersocial.com.br/noticias.asp?id=1407


Correio da Cidadania - veículo independente que cobre temas sociais.
http://www.correiocidadania.com.br/


Brasil de Fato - jornal ligado ao movimento sem-terra http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia


Caros Amigos - revista mensal de esquerda
http://www.carosamigos.com.br/


Centro de Mídia Independente - seção brasileira do movimento internacional Indymedia.
http://www.midiaindependente.org/


Rede Direitos Humanos e Cultura (DHNET) - notícias sobre direitos humanos no Brasil e demais países lusófonos.

http://www.dhnet.org.br/interagir/noticias/noticias.htm


Agência Chasque - agência de notícias sobre trabalhadores rurais e urbanos o Rio Grande do Sul
http://www.agenciachasque.com.br/


Blog do Sakamoto - o jornalista Leonardo Sakamoto traz notícias sobre desigualdade social, movimentos e combate ao trabalho escravo.
http://blogdosakamoto.blig.ig.com.br/


A 2ª sessão (amanhã, dia 3 às 22h) do cinema comunitário é dedicada a documentários sobre o ambiente


A 2ª sessão do cinema comunitário, que se realiza nas primeiras terças-feiras de cada mês na Casa Viva, no Porto, será preenchida com dois documentários sobre a temática do ambiente.

A pouco mais de um mês da próxima cimeira do G8 em Toyako, no Japão, os ministros do ambiente dos respectivos 8 países anunciaram que entre outros temas irá ser proposto um projecto para reduzir as emissões de dioxido de carbono significativamente até 2050. Antecipando a cacafonia e demagogia que seguramente marcará as discussões em Julho a segunda sessão do Cinema Comunitário é dedicada ao tema do ambiente.


“Lammas Housing Project” (Produzido por Undercurrents UK- 4mins)
Um pequeno documentário sobre uma pacata comunidade sustentável no sul de inglaterra, determinada a provar que é possivel viver um estilo de vida confortavel sem que seja necessario abusar dos recursos naturais que tão grande impacto têm na biosfera que suporta toda a vida no planeta.



“Climate Camp” (Produzido Luciano Ibarra, Cine Rebelde e Rising Tide UK – 1h e 2mins)
Entre 26 de Agosto e 4 de Setembro de 2007 teve lugar o “Camp for Climate Action”, uma ocupação de um terreno fronteireiço com a Drax Power station, a maior emissora de CO2 na Europa, onde milhares de pessoas se concentraram para fechar a central energetica por um dia.
Numa altura em que se procura alternativas energeticas, o governo britanico reabriu a velhinha rede de exploracao de carvão, a mais poluidora forma de energia. A central energetica Drax consome anualmente 13 milhoes de toneladas de carvao e emite 20.8 toneladas de dioxido de carbono por ano.
O documentário analisa toda a problematica das mudancas climatericas a nivel global, tal como a dificuldade de organizar um acampamento desta natureza.

Todas as primeiras Terças-Feiras de cada mês 1 Filme.

Entrada Livre.

Casa Viva- 167 praça Marquês de Pombal, Porto

http://www.cinemacomunitario.blogspot.com/

Eleonora Fonseca Pimentel, a portuguesa de Nápoles, uma aristocrata revolucionária que fundou a República de Nápoles, vai ser evocada amanhã no Porto


Integrado na Giornata della Cultura Italiana na cidade do Porto que decorre nesta cidade desde o dia 24 de Junho vai realizar-se amanhã, dia 3 de Junho às 21h30 na Fundação Eng. António de Almeida, Rua Tenente Valadim, 325), uma conferência sobre a figura de Eleonora Fonseca Pimentel, a portuguesa de Nápoles, uma aristocrata revolucionária, que inspirada pelas ideias de Liberdade, Igualdade e Fraternidade da Revolução Francesa, participou activamente na implantação da efémera República de Nápoles contra o domínio espanhol dos Bourbons. Acusada de crime contra o Estado é enforcada na Praça do Mercado de Nápoles em 1799 .Despede-se no cadafalso citando Virgílio: "Forsan et haec olim menimisse juvabit" ( talvez um dia seja bom recordarmos tudo isto).


A conferência intitulada “Eleonora Pimentel Fonseca A portuguesinha de Nápoles tra realtà storica e memoria artistica” estará a cargo de Maria Luisa Cusati, docente de Língua e Literatura Portuguesa nas Universidades L’Orientale e Suor Orsola Benincasa de Nápoles


Seguir-se-á a projecção do filme “Il Resto di Niente” de Antonietta de Lillo (2004), com Maria de Medeiros. Duração 103 min. Versão original em língua italiana com legendas em italiano
O filme é uma análise da Revolução Napolitana de 1799 que vai além dos eventos históricos, mostrando as emoções que galvanizaram a busca de uma nova realidade. Um mundo com distribuição de riqueza justa, o sonho de um país baseado na responsabilidade partilhada,
isso é o que sonhava a República Napolitana. A história é contada por Eleonora Pimentel Fonseca, nobre de origens portuguesas, mulher frágil que foi uma das principais protagonistas daquele momento.
Por meio das suas esperanças, sofrimentos e paixões, descobrimos alguém que não queria ser heroína, não desejava aventuras, não escolheu a revolução, mas quando se viu dentro dela encarou a causa como um compromisso.
No fim da projecção, encontro-debate com a realizadora Antonietta de Lillo


Quem foi Leonor da Fonseca Pimentel

Leonor da Fonseca Pimentel (Roma, 13 de Janeiro de 1752 - Nápoles, 20 de Agosto de 1799), conhecida como Eleonora de Fonseca Pimentel, "A Portuguesa de Nápoles". Ficou na história por ter defendido ideais liberais que conduziram à Revolução e à instauração da malograda República Napolitana (1799).



Ela foi poetisa, escritora, pedagoga, bióloga e uma das primeiras jornalistas europeias. Amiga íntima de intelectuais e revolucionários, desempenhou um papel de relevo na revolução jacobina de Nápoles de 1797, inspirada pelo ideário social e político da Revolução Francesa.

Leonor fundou o jornal oficial da república então instalada - O Monitore Napolitano - considerado o primeiro jornal político napolitano - que teve profunda influência na moderação das decisões do governo revolucionário

Leonor da Fonseca Pimentel, que se considerava "filha de Portugal", cultivou a língua pátria e manteve correspondência com intelectuais portugueses.

Em 1777, chegou a escrever uma peça de teatro de homenagem ao Marquês de Pombal: Il Trionfo della Virtù. Em Nápoles, o seu nome foi dado a uma Escola do Magistério Primário em homenagem à forma denodada como defendeu o primado da educação.

A portuguesa de Nápoles, como ficou conhecida, figura no Pantéon di Martiri dela Libertà, tornando-se, portanto, uma referência do pensamento político italiano. Embora multifacetada, distribuindo os seus esforços pelo jornalismo, a luta política, a biologia, a poesia e a pedagogia, Leonor ficou na História por ter defendido os ideais liberais que conduziram à Revolução jacobina de Nápoles e à instauração da malograda República Napolitana (1797-1799).

Em 1799, Leonor foi acusada de crime contra o Estado e enforcada na Praça do Mercado de Nápoles.

Desde 1997 que a cidade de Nápoles homenageia a vida cultural multifacetada de Eleonora, daí resultando estudos, teses, colóquios e exposições dedicados à sua vida e obra.

Bibliografia
• Benedetto Croce, Eleonora de Fonseca Pimentel, Roma, Tipografia Nazionale, 1887
• Bice Gurgo, Eleonora Fonseca Pimentel, Nápoles, Cooperativa Libreria, 1935
• Maria Antonietta Macciocchi, Cara Eleonora, Milan, Rizzoli, 1993
• Elena Urgnani, La Vicenda Letteraria e Politica di Eleonora de Fonseca Pimentel, Nápoles, La Città del Sole, 1998
• Enzo Striano, Il resto di niente. Storia di Eleonora de Fonseca Pimentel e della rivoluzione napoletana del 1799, Nápoles, Avagliano 1999; Milan, Rizzoli 2001, 2004
• Teresa Santos - Sara Marques Pereira (ed.), Leonor da Fonseca Pimentel. A Portuguesa de Nápoles (1752-1799), "Actas do colóquio realizado no bicentenário da morte de Leonor da Fonseca Pimentel", Lisboa, Horizonte, 2001
• Nico Perrone, La Loggia della Philantropia, Palermo, Sellerio, 2006



Recentemente foi editado entre nós um livro sobre esta figura histórica:

Leonor da Fonseca Pimentel - A Portuguesa de Nápoles (1752-1799), de Teresa Santos e Sara Marques Pereira ( coord.). Editora: Livros Horizonte

Na sua contracapa pode-se ler:
“Morta há duzentos anos, Leonor da Fonseca Pimentel continua na memória contemporânia como exemplo de autonomia e solidariadade, tanto mais notável por a sua vida ter sido extraordinariamente acentuada pelo trágico.Quase desconhecida entre nós, a «Portuguesa de Nápoles», como tambem é chamada, figura no tristíssimo Panteón di Martini della Libertà, em Nápoles, ao lado dos companheiros revolucionários de 1797. Mas Leonor da Fonseca Pimentel não encarna, apenas, a figura da heroína nacional cujo fervor revolucionário se nutria da lata consciência de adesão à causa eleita e cuja actividade se pautava pela coerência para com os princípios da liberdade, igualdade e fraternidade. Também espantam o vigor do trabalho intelectual, a sensibilidade literária, o entusiasmo jornalístico e a lucidez com que, numa época de tão desvairadas paixões políticas – a da Europa pós-revolução Françesa-, soube sempre manter-se equidistante quer do despotismo absolutista quer do radicalismo jacobino.”

Novo Encontro de Reutilizadores está marcado para o próximo Sábado ( 7 de Junho) em Lisboa


Um novo ENCONTRO DOS REUTILIZADORES vai realizar-se no próximo Sábado, dia 7 de Junho.


Todas as pessoas interessadas em reutilizar materiais e objectos úteis, em vez de os atirar para o lixo, podem ( e devem) encontrar-se no próximo Sábado, dia 7 de Junho.


O objectivo é que todos os reutilizadores, de todos vos grupos de reutilização que puderem vir a Lisboa, se encontrem, partilhem experiências, que sejam combinadas as entregas "pendentes" de objectos nesse dia, e que se tragam outros objectos para quem quiser ficar com eles!


Por exemplo, se eu anunciei para o meu grupo que tenho uma almofada para oferecer, e já me responderam que a querem, vou combinar a entrega para o próximo sábado no encontro!


Actualmente existem vários Grupos de Reutilização, e o objectivo é juntar as pessoas dos vários grupos, e todas as outras pessoas interessadas em Reutilizar!

Talvez o grupo mais conhecido é o Freecycle -
www.freecycle.org ( com grupos locais em Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Braga e Alcobaça!)




Se tiveres coisas que não precises leva-as para o Encontro dos Reutilizadores já no próximo Sábado!

Com o Encontro vamos todos poder conhecer outras pessoas do grupo, ver outras ofertas de objectos a acontecerem, conviver, trocar ideias, experiências, e levar as pessoas que nos abordem a aderir ao grupo também.


Só para salvaguardar que todos são bem-vindos!!
Com ou sem coisas para oferecer ou receber!
Tragam os amigos, a família, os colegas!


TODOS ESTÃO CONVIDADOS!!!

O nosso encontro será na Quinta das Conchas, na Alameda das Linhas de Torres, no Lumiar em Lisboa, entre as 10h e as 13h.

A Câmara Municipal de Lisboa lançou-nos o desafio para esta iniciativa e disponibiliza-nos o seu espaço!

Podem ir de Metro até à estação da Quinta das Conchas na Linha amarela
ou de autocarro (nºs 7, 36, 106, 108, 207, 701).

Para ver o mapa do local: aqui



Para qualquer dúvida ou esclarecimento podem contactar-me através do mail claudiocortez@clix.pt

ou para o 962849240.

Terrorismo = militarismo


Terrorismo = Militarismo
A única diferença é que o terrorismo é considerado como um acto ilegal, ao passo que o militarismo é visto como uma acção legal, pelo menos, ... para alguns idiotas!

Ciclo de cinema de intervenção e feminismo «Que querem elas?» (3,10, 17 e 24 de Junho no Bacalhoeiro)


Um ciclo de cinema de intervenção feminista vai realizar-se no bar Bacalhoeiro ( R. dos Bacalhoeiros, em Lisboa)



Dia 3 - “Lettre à ma sœur”
Dia 10 - “De niña a madre”
Dia 17 - “Convicções”
Dia 24 - “Raimunda a quebradeira”

"Este ciclo de cinema foi elaborado em colaboração com o Centre Audiovisuel Simone de Beauvoir em Paris e em parceria com o Instituto Franco Português e a Associação Cultural Bacalhoeiro."


Dia 3 - “Lettre à ma sœur”
Habiba Djahine, França, Argélia, 2006, 68´, V.O. francesa/árabe, legendada em inglês
"Nabila Djahnine, a minha irmã, foi assassinada dia 15 de fevereiro em Tizi-Ouzou, uma cidade importante da região da Cabilia (Argélia). A Nabila era arquitecta e presidente da associação de defesa dos direitos das mulheres « Thighri N’tmettouth » (Grito de mulher) sedeada nesta cidade. Em 1993, a Nabila escreveu-me uma carta em que falava do aumento da violência, da repressão, dos assassinatos, da falta de esperança e do seu desespero perante a quase impossibilidade de agir naqueles anos de chumbo. Eu tinha ido viver durante uns tempos para uma cidade do Sahara argelino, com o objectivo de me distanciar da acção militante. Dez anos depois do assassinato de Nabila, voltei a Tizi-Ouzou para fazer este filme. Lettre à ma sœur é a minha resposta à sua carta, uma forma de contar o que aconteceu durante estes dez anos.

Dia 10 - “De niña a madre”
Florence Jaugey, Nicaragua, 2006, 70´, V.O. espanhola, legendada em francês
O filme acompanha a vida de três adolescentes confrontadas com a maternidade na Nicarágua rural. Durante três anos, a realizadora captou com mestria os triunfos e as batalhas de Kenia, Vivian e Bianca, recorrendo a entrevistas em profundidade com estas jovens mulheres, as suas mães e os pais dos bebés. Kenia, Vivian e Bianca são levadas a reajustar as suas esperanças e sonhos em função da difícil realidade que é a maternidade adolescente numa comunidade tradicional como esta.


Dia 17 - “Convicções”
Julie Frères, Portugal/França, 2007, 55´, V.O. português
Em Fevereiro de 2007, os Portugueses foram chamados a votar pela ou contra a despenalização do aborto. Partindo do quotidiano de quatro mulheres de convicções totalmente opostas, o filme segue de perto a campanha do referendo, nos bastidores, na rua e nos média.

Dia 24 - “Raimunda a quebradeira”
Marcelo Silva, Brasil, 2007, 52´, V.O. português, legendada em inglês
Confrontada com o problema do acesso à terra, Raimunda luta diariamente, trabalhando como quebradeira de coco. Ao lado do padre Josimo, assassinado por homens de mão dos latifundiários, ajudou as quebradeiras a organizarem-se para obter terras, conseguindo assim dar a ouvir o grito destas excluídas.
Pela acção política ou pelo trabalho como quebradeiras de coco, estas mulheres asseguram a sobrevivência de suas famílias numa região onde as disputas pela posse da terra tiveram um saldo de centenas de mortes, entre fazendeiros, mercenários, activistas e até religiosos. Raimunda consagra todo o seu tempo e energia a esta causa, assim como à agricultura biológica e à melhoria da qualidade de vida das quebradeiras, combatendo os interesses dos industriais e grandes proprietários.


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A restante programação do mês de Junho:
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Manifestação nacional contra a revisão da legislação laboral (todos a Lisboa no dia 5 de Junho, no M. de Pombal às 15h.)


Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!

Mobilização geral para 5 de Junho contra a ofensiva do Governo e do patronato


As mais graves alterações para pior que o Governo de Sócrates quer introduzir nas leis do trabalho são:


• horários de trabalho à medida do patrão, pois seria possível impor horários de 12 horas diárias e 60 semanais, incluindo fins-de-semana, sem pagamento de horas extra;

• os horários concentrados abririam a possibilidade de juntar mais do que um horário num único dia de trabalho ou em determinados dias da semana, à vontade do patrão;

• com os bancos de horas, as horas trabalhadas fora do horário normal seriam trocadas por dias de descanso, eliminando o pagamento de trabalho suplementar;

• os horários flexíveis, aplicados a grupos de trabalhadores da mesma empresa, seriam obrigatórios mesmo para aqueles que não estivessem de acordo;

• a caducidade da contratação colectiva poria fim a condições hoje garantidas e iria nivelar os direitos (horas extra, assistência à família, horários, subsídios de turno e trabalho nocturno, etc.) pelos mínimos da lei geral, ou pior;

• despedimentos facilitados, através da simplificação do processo disciplinar, cortando as possibilidades de defesa do trabalhador, aliviando a empresa do pagamento de salários durante o processo e permitindo ao patrão que recusasse a integração de um trabalhador após o despedimento ser anulado em tribunal;

• ao introduzir a inaptidão como causa de despedimento, a lei permitiria que fosse suficiente inventar incompetência ou desempenho insatisfatório, para uma empresa despedir um trabalhador.


A RESPOSTA A ESTA PROPOSTA INACEITÁVEL DE REVISÃO DO CÓDIGO DE TRABALHO, SÓ PODE SER UMA: A LUTA!


DIA 5 DE JUNHO
GRANDE MANIFESTAÇÃO NACIONAL EM LISBOA




As graves propostas do Governo sobre a legislação laboral, na Administração Pública e no sector privado, fazem parte da política de José Sócrates e do PS, com o objectivo de tirar o máximo a quem trabalha e dar ainda mais ao grande capital: retira direitos a todos os trabalhadores, para diminuir os custos do trabalho, passando mais uns milhões para os cofres patronais; destrói os serviços públicos e retira direitos à maioria dos portugueses, facilitando os negócios dos grandes grupos privados.


Para rechaçar esta política de retrocesso e exigir condições dignas de vida e de trabalho para todos, a CGTP-IN lançou um «alerta geral», apelando a uma «resposta global» dos trabalhadores, com uma forte participação na grande manifestação nacional, convocada para a próxima quinta-feira, 5 de Junho, em Lisboa.

Horas de trabalho e dias de descanso, despedimento, pagamento do trabalho suplementar, do trabalho nocturno e do trabalho por turnos, carreiras profissionais e funções, a definição do local de trabalho - tudo passaria de novo a depender da empresa, do patrão, do chefe. A desigual e injusta relação de forças entre quem trabalha e quem explora ficaria ainda mais desigual e mais injusta, porque o Direito do Trabalho veria os seus princípios subvertidos e as convenções colectivas seriam destruídas.


Em vez de corrigir o Código do Trabalho de Bagão Félix, que condenou há cinco anos, o PS pretende agora torná-lo ainda pior para os trabalhadores.


Não há tempo a perder

A 22 de Abril, o Governo apresentou na Concertação Social um «documento de trabalho», com 44 páginas, contendo «propostas para um novo consenso na regulação dos sistemas de relações laborais, de protecção social e de emprego». Com o Livro Verde (apresentado em Novembro de 2006 pela Comissão Europeia) e o Livro Branco (cuja Comissão foi empossada pelo ministro do Trabalho naquele mesmo mês, apresentou um «relatório de progresso» há um ano e a versão final em Dezembro), entende o Governo que houve «um debate informado, participado e intenso» e que pode assim «levar a cabo um processo de reforma ambicioso, que se pretende ancorado num alargado consenso social».


Mas o embrulho de diálogo, consenso e modernidade não se ajusta, nem de perto, nem de longe, ao conteúdo anunciado para esta revisão do Código do Trabalho, que segue o essencial das propostas da Comissão do Livro Branco. O Governo não formalizou a proposta legislativa, mas pretende que ela seja aprovada rapidamente no Parlamento e que entre em vigor em 2009.
Não há tempo a perder, para quem promove esta revisão, mas também para os trabalhadores, que a têm combatido vivamente, desde que o PS mostrou que não ia respeitar as posições que assumiu quando estava na oposição.


Para o Governo, as lutas travadas nestes últimos dois anos, com poderosas manifestações e com uma greve geral, a 30 de Maio de 2007, apenas se integram num «debate vivo» que ainda não justifica a alteração dos pontos mais gravosos da sua «reforma». No que toca às exigências patronais, o Governo tem gerado consensos fáceis e até dá o exemplo aos patrões, tentando impor aos trabalhadores da Administração Pública a redução de direitos, a diminuição das remunerações, a instabilidade de horários, a polivalência de funções, a insegurança no emprego.
Tal como sucedeu com anteriores maiorias, só a luta firme de todos os trabalhadores levará o Governo PS e a sua maioria absoluta a recuarem nesta ofensiva. A próxima batalha é já no dia 5 de Junho.

Descodificar os «eixos»

Na linguagem do Governo, dar um passo largo para a inconstitucional liberalização dos despedimentos é «racionalizar e reforçar a segurança das partes nos processos de despedimento» - o nome de um dos cinco «eixos» estruturantes do «documento de trabalho» que o ministro Vieira da Silva apresentou na Concertação Social e que precisa ser lido em simultâneo com as propostas do Livro Branco das Relações Laborais.


Neste exemplo do despedimento é bem visível o alcance das alterações pretendidas. A «descodificação» tem por base um dos textos que a CGTP-IN entregou ao Governo e demais parceiros e publicou no seu sítio na Internet. A central critica os objectivos visados e apresenta as suas propostas.

Começa por notar que «a liberalização dos despedimentos é uma velha aspiração patronal, que aparece agora mascarada de moderna necessidade, imposta pelos condicionalismos dos mercados globalizados, e elevada à categoria de solução milagrosa para os problemas do desemprego e da segmentação do mercado de trabalho». O Governo «opta claramente por contornar os princípios constitucionais», que proíbem o despedimento sem justa causa, e procura «uma via mais ou menos indirecta para a liberalização».

Por um lado, o Executivo propõe uma «simplificação profunda» dos processos de despedimento por facto imputável ao trabalhador, designadamente, os procedimentos disciplinares.

Muitas das formalidades hoje exigidas às empresas deixariam de ser obrigatórias, cabendo à entidade patronal decidir sobre a sua promoção ou não.

Um despedimento que fosse declarado ilícito, «apenas» por vícios procedimentais, não seria invalidado e o trabalhador deixaria de ter direito à reintegração.

Seria reduzido o prazo para a impugnação do despedimento.

O Governo propõe ainda que seja transferida, para o Estado, a responsabilidade pelo pagamento das retribuições vencidas durante uma acção de impugnação, pelo menos nas situações em que se verifique uma maior demora (um ano). A CGTP-IN repudia esta «medida promocional do despedimento», pois alivia o patrão do receio de ter que pagar aquelas retribuições se vier a perder a acção judicial. A morosidade da Justiça não pode justificar tal medida, já que «não há notícia de que o Governo se tenha prontificado a legislar no sentido de atribuir indemnizações a outros cidadãos lesados pela demora da Justiça, incluindo trabalhadores que estão à espera de receber indemnizações há cinco, dez e até vinte anos».

Por outro lado, acusa a Inter, o Governo preconiza o alargamento do despedimento por inadaptação. Passariam a ser motivo de despedimento «situações de alteração na estrutura funcional do posto de trabalho», deixando de ser exigida a ocorrência de modificações tecnológicas. Seria assim admitido o despedimento por inaptidão (por falta de capacidade, incompetência ou desempenho insuficiente do trabalhador), «baseado em causas subjectivas, quiçá de natureza ilícita».


Os outros quatro «eixos» apresentam igualmente designações bem modernas: «Aumentar a adaptabilidade das empresas», «Promover a regulação contratual colectiva», «Reforçar a efectividade da legislação laboral», «Combater a precariedade e segmentação e promover a qualidade do emprego». Contêm, no entanto, graves perigos para os trabalhadores, como alertam as estruturas do movimento sindical unitário. Destacam-se:


– o ataque aos direitos conquistados e consagrados na contratação colectiva (que não podem hoje ser anulados por decreto, embora a falta de fiscalização deixe impunes muitos casos de desrespeito dos contratos pelas empresas), quer pela imposição da caducidade de todas as convenções colectivas ao fim de dez anos da sua primeira publicação, quer passando a permitir que novos acordos tivessem normas ainda piores para os trabalhadores do que os mínimos do Código;

– o horário de trabalho poderia chegar até 12 horas diárias e 60 semanais, incluindo os fins-de-semana, sem o acordo do trabalhador e sem pagamento de horas extraordinárias; o limite legal das 40 horas semanais e 8 horas diárias seria calculado com base no número de horas trabalhadas num dado período (um ano, no caso dos «bancos de horas», ou menos, noutros casos), permitindo a compensação em tempo de descanso, quando a empresa entendesse; uma das variantes seriam os «horários concentrados», aumentando as horas de trabalho em dados dias da semana e alargando os dias de descanso;

– poderia ser aplicada a flexibilização dos horários apenas a certos grupos de trabalhadores, dentro da empresa; a aceitação destes horários pela maioria obrigava os demais trabalhadores do grupo, mesmo aqueles que tivessem fortes objecções (e que hoje podem recusar o trabalho suplementar);

– a redução do horário implicaria a diminuição do salário, com o fim do limite do trabalho temporário;

– ampliando a mobilidade funcional (polivalência), deixaria de ser remunerado o exercício de funções superiores às da classificação profissional;

– a mobilidade geográfica dependeria apenas da imposição patronal;

- reconhecendo os elevados níveis de precariedade, o Governo propõe a legalização dos abusos dos contratos a prazo e das falsas situações de recibos verdes, através de uma mínima contribuição patronal para a Segurança Social (cinco por cento, nos recibos verdes, quando a taxa patronal normal é de 23,75 por cento).








O filme Os Respigadores e a Respigadora, seguido de debate, vai passar na Casa da Horta no dia mundial do ambiente (5 de Junho às 21h30)


No dia 5 de Junho celebra-se o Dia Mundial do Ambiente. A Casa da Horta em colaboração com o GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental - pretende marcar essa data questionando o modelo de consumo actual capitalista com um filme e debate.


Aqui está o programa de Quinta-Feira, dia 5 de Junho.


21:30 - Filme
Os Respigadores e a Respigadora


SINOPSE

A partir de um célebre quadro de Millet, o filme de Agnès Varda é um olhar sobre a persistência na sociedade contemporânea dos respigadores, aqueles que vivem da recuperação de coisas (detritos, sobras) que os outros não querem ou deixam para trás. A respigadora, nesse sentido é Agnès Varda, que experimentando pela primeira vez uma pequena câmara digital, se quer assumir como uma “recuperadora” das imagens que os outros não querem ver nem fazer, e que portanto deixam para trás.


23:00 - Debate
Debate aberto sobre Consumo e Consumismo.