8.9.07

Encontro mundial de pastores nómadas e transumantes em La Granja ( Segóvia, Espanha) entre 8 e 16 de Setembro




Começa hoje o Encontro mundial de pastores nómadas e transumantes na localidade de La Granja, perto da cidade castelhana de Segóvia.. Pretende-se com este encontro, entre outros objectivos, defender e dar mais visibilidade à vida das populações nómadas e transumantes que fazem da pastorícia a sua principal actividade.


http://www.pastos.org/
http://www.pastos.org/Propuesta/propuesta_total.html
http://www.nomadassegovia2007.org/

«O homem e os seus rebanhos caminham ao ritmo dos ciclos da natureza; não procuram modificar o clima nem em conseguir elevados níveis de rentabilidade através da aquisição de complexas e dispendiosas tecnologias; modelam a paisagem com técnicas simples e efectivas, adaptam-se ao curso sucessivo das estações. Vivem em harmonia com o meio ambiente e não têm necessidade de violentar a natureza para sobreviver; basta-lhes acaraciá-la, e submeter-se ao ritmo que ela própria lhes impõe.»
(Severino Pallaruelo, 1993)




A península ibérica tem uma larga tradição de pastoreio transumante que remonta ao século XIII. Hoje em pleno século XXI o objectivo deve ser tornar compatível a conservação das culturas nómadas tradcionais e o desenvolvimento sustentável. Por isso uma série de instituições internacionais relacionadas com a pastorícia e a conservação da diversidade biológica ( (UNDP, UICN, CLCD, WAMP, CENESTA,etc) apoiam este Encontro mundial de pastores nómadas e transumantes, cuja realização não é fácil dadas as especificidades da actividade dos participantes. Mesmo assim os objectivos que são propostos são da maior relevância:

1) Colaborar com a ONU e demais organizações internacionais para alcançar as metas propostas na luta contra a desertificação através do desenvolvimento sustentável das zonas áridas do planeta.
2) Demonstrar que o pastoreio extensivo é perfeitamente compatívelo e necessário para o desenvolvimento moderno e equilibrado, cuja melhor ilustração é o caso espanhol onde já existe uma lei de vias pecuárias e de defesa do patrimóni das raças autóctones, que recebeu o apoio da União Europeia.
3) Favorecer as relações entre os diferentes povos nómadas e transumantes do mundo, facilitando as relações entre eles a fim de tornar possível o debate aberto dos seus problemas e a busca de soluções, assim como o estabelecimento de relações estáveis de colaboração e amizade.
4)Contribuição para a resolução dos impedimentos ao livre movimento dos nómadas pelas suas rotas tradicionais, reconhecendo o direito aos pastos nos seus territórios, à sua organização social, à propriedade intelectual das suas raças autóctones, aos seus conhecimentos ancestrais, ao seu artesanato e música, damdo o devido valor ao seu património para a conservação do meio ambiente e da diversidade biológica.
5)Criação de um Observatório de Povos Nómadas que reforce e apoie as organizações já existentes com uma plataforma e secretaria permanente que reúna e distribua toda a informação gerada sobre a situação das diferentes culturas nómadas, evolução das suas populações, pproblemas políticos e sociais como as restrições à sua mobilidade, a influencia das mudanças climáticas ou a emergência de novas epidemias.



Mais de metade da população mundial depende total ou parcialmente dos animais para sobreviver. Nessa população inclui-se uns 200 milhões de pastores, 600 milhões de pequenos criadores de gado e mais de 1.000 milhões de pessoas sem terras.
A maior parte destas pessoas habitam em regiões frágeis e marginais, que não admitem os cultivos nem muito menos uma intensificação agrícola nos solos pobres e desérticos , sujeitos a chuvas irregulares e a temperaturas extremas.

É imprescindível manter os usos e cosutmes tradicionais destes criadores de gado pois todos as tentativas para «melhorar e modernizar» as suas condições de vida acabaram por fracassar quer de um ponto de vista económico-social como ecológico.
Os povos pastores constituem uma das culturas mais antigas do mundo, com mais de 10.000 anos de experiência no manejo e na melhoria dos territórios onde habitam, eplo que são depositários de conhecimentos e recursos genéticos valiosíssimos para o futuro da Humanidade.
A Convenção das Nações Unidas para Combater a Desertificação (UNCCD) procura salvaguardar estas realidades e nunca é demais todo o apoio para sensibilizar as populações e as autoridades para elas.
Uma em cada seis pessoas depende destes frágeis ecossitemas para sobreviver, sem esquecer que no século XXI a desertificação afectará mais de 1.000 milhões de pessoas. Os prejuízos agrícolas e ambientais resultantes da desertificação são estimados actualmente em 40.000 milhões de euro em cada ano. As causas são sobretudo de natureza humana derivadas das práticas agrícolas e florestais inadequadas, aos incêndiso e às polítcas de sedentirização das populações nómadas.

A EROSÃO GENÉTICA

Ligado à perda dos solos está p desaparecimento das raças autóctones, conservadas e seleccionadas ao longo de séculos pelas diferentes culturas em todo o mundo. Das 15 milhões de espécies animais conhecidas só 49 foram domesticadas, e foram-no precisamente pelos povos nómadas. Note-se ainda que 90% da produção animal do planeta depende só de 14 espécies principais.

Segundo a FAO conhecem-se actualmente uma 4.000 raças animais domésticas, mas dessas quase 1.000 encontram-se em perigo de extinção, e outras 1.000 já se extinguiram no último século, pricipalmente por efeito da ressãp de raças muito produtivas, seleccinadas e impostas pelos países industrializados. O actual ritmo de desaparecimento é de 2 raças autóctones por cada semana. Na Europa 40% das raças autócotnes estão ameaçadas, o que significa uma enorme vulnerabilidade genética, de que é exemplo a estimativa de que para o ano de 2015 as centenas de milhar de vacas frísias corresponderão tão-só a uma variabilidade de 66 exemplares, como tudo o que isso significa de alto risco para a alimentação mundial em caso de doenças e degenerações.

As raças autóctones sobrevivem em condições muito adversas e são resistentes a muitas doenças, o que é o resultado do trabalho milenário de selecção e melhoria dos pequenos criadores locais de gado. A substituição do seu uso múltiplo, não especializado, para uma única produção traz consequências negativas.Por isso reconhecer essa multifuncionalidade é fundamental.

É urgente respeitar e defender o trabalho realizado ao longo dos séculos pelos povos nómadas e transumantes, proteger as suas formas tradicionais de vida e os seus territórios ancestrais, garantindo a sua participação na gestão e nos benefícios destas áreas.

Chocalhos 2007 – festival e feira dos Caminhos da Transumânsia na vila de Alpedrinha / Fundão ( 15 a 23 de Set.)


Vai-se realizar entre 15 e 23 de Setembro na vila de Alpedrinha no concelho do Fundão um festival e uma feira sobre os caminhos da transumânsia sob a designação geral de Chocalhos 2007, onde se pretende fazer sobressair e valorizar as rotas dos rebanhos e do pastoreio regional.


Cinco rotas, cujos percursos têm como temática a actividade pastoril, são uma das grandes novidades do calendário do Chocalhos 2007, no Fundão. Visitar uma herdade, locais de produção de queijo ou percorrer, em passeio pedestre, os trilhos usados pelos pastores constituem os pilares dos programas integrados no âmbito do evento que tem como epicentro a vila de Alpedrinha. No total, são cinco propostas, com quatro delas a receberem o nome de raças autóctones da região: “Merino da Beira Baixa”, “Churra da Campo”, “Bordaleira” e “Novelinho”. A outra, como não podia deixar de ser, intitula-se “Rota dos Pastores”.

O festival inclui também uma série de outras actividades que envolvem exposições e música.



No dia 21 começará a Feira do Chocalhos, com as tasquinhas, espactáculos de rua e venda de produtos locais, em Alpedrinha, e que se prolongará por mais dois dias.

A culminar o programa, no domingo, dia 23, realiza-se o tradicional passeio Pedestre Com Rebanho Pela Serra Da Gardunha, que ligará a Praça do Município a Alpe-drinha, via Alcongosta.


Está também previsto a conclusão no Palácio do Picadeiro do Centro de Interpretação da Rota da Transumãncia.


http://www.fundaoturismo.pt/destaques/chocalhos-2007

O modelo dos baixos salários acentua-se em Portugal


Em todas as regiões de Portugal, exceptuando Lisboa e Vale do Tejo, é no escalão entre os 310 e 600 euros que se encontra a maioria dos trabalhadores por conta de outrem. No Norte, são mais de metade (53%), o dobro da percentagem em Lisboa (25). No Centro, Alentejo e Algarve, este escalão remuneratório abrange 44,5%, 46,2% e 38,5%.

Segundo os dados do INE, 4,9% das pessoas que trabalham para terceiros no Norte do país ganham menos de 310 euros. Esta percentagem desce para 4,1% no centro, 3,1% em Lisboa, 3% no Alentejo e 2,4% no Algarve.

É por haver tanta gente nos escalões remuneratórios inferiores que o vencimento líquido mediano se afasta tanto do médio. O valor médio é de 712 euros, mas o mediano, que leva em conta a distribuição das pessoas pelos vários escalões, é de apenas 560 euros.
Ou seja, metade dos portugueses ganha até 560 euros.

O que sobressai destes dados estatísticos do INE?

Apesar do salário mínimo ser próximo dos 400€, os salários líquidos de uma percentagem importante de trabalhadores estão abaixo deste valor. Isto significa que muitas pessoas têm trabalho a tempo parcial, o que aliás é confirmado por um estudo recente da CGTP ( ver:
http://www.pt.indymedia.org/ler.php?numero=130375&cidade=1 )

Existem sensíveis assimetrias regionais. Embora devidas às actividades (indústria, serviços, administração pública, etc.) estarem em proporção diferente no emprego das diferentes zonas do país, o certo é que - em termos de poder de compra dos trabalhadores e suas famílias - há assinaláveis discrepâncias.A estrutura salarial está distorcida para baixo, ou seja, existe uma proporção anómala de salários em torno do salário mínimo. Isto sobressai melhor se tivermos em conta as percentagens de trabalhadores que recebem um salário mínimo noutros países da UE, principalmente da zona euro. Em França, por exemplo, são apenas 16%.


A estrutura global de salários de miséria mantém-se ao longo das décadas. Apesar do custo de vida em Portugal não ser inferior ao da Espanha, no país vizinho o salário mínimo é IGUAL AO SALÁRIO MEDIANO PORTUGUÊS. Pelo menos metade da população trabalhadora portuguesa aufere menos que o salário mínimo de Espanha (560 €). Não admira pois que haja um enorme fluxo de emigração para Espanha e outros países da UE.

Mantém-se uma percepção distorcida pela propaganda (do governo e da generalidade dos media) sobre a realidade portuguesa. O facto é que as diferenças de mais de oito vezes entre a fatia dos 10% de rendimentos mais altos em relação aos 10% mais baixos explicam-se muito claramente pela enorme exploração dos trabalhadores.

Sendo constante, desde há pelo menos 27 anos, uma perda do poder de compra dos salários portugueses e um ataque paralelo às garantias de estabilidade dos empregos, devemos concluir que, na divisão internacional do trabalho decidida ao nível do grande capital europeu e apoiada pelo poder político da Comissão Europeia e pelos governos sucessivos, a Portugal tem sido reservado o papel de reserva de mão-de-obra barata, país de turismo e de emigração, de fraco desenvolvimento industrial e agrícola .

O país importa cerca de dois terços dos géneros alimentares consumidos, apesar das suas excelentes condições naturais (agrícolas e piscícolas).


Fonte: aqui

Realizada a 1ª bicicletada em Aveiro


Por intermédio do blogue http://ailusaodavisao.blogspot.com/ soubemos que se realizou no fim do mês de Agosto uma bicicletada em Aveiro pela primeira vez.

Recorde-se que as bicicletadas inserem-se no movimento mundial da Massa Crítica, presente em mais de 350 cidades por todo o mundo. Depois de Lisboa, Porto e Coimbra, é chegada a vez de Aveiro ter a sua bicicletada na última sexta-feira de cada mês.

Que venham mais cinco

7.9.07

Manifestação para o fecho da central nuclear de Almaraz na Extremadura espanhola (8 de Setembro, em Navalmoral de la Mata- 19.30)


Na Extremadura ( Espanha) , energia limpa e social.

FECHAR ALMARAZ


MANIFESTAÇÃO


8 de septiembre. Navalmoral de la Mata
Paseo de la Estación 19.30 h. y posterior concentración a las puertas de la central
.

depois haverá


FESTA REIVINDICATIVA

Parque de Las Minas a las 22.00 h.


Bocatas, sangría y actuaciones de calle y musicales.


Artistas invitados:

Quintín Cabrera Raúl La Kabra José Mª. Aldaya Pepe Extremadura


CONVOCAM a MANIFESTAÇÃO:
Plataforma de vecinos afectados por la Central de Almaraz, Plataforma Antinuclear Cerrar Almaraz, ADENEX; Ecologistas en Acción Campo Arañuelo, Ecologistas en Acción Monesterio, GREENPEACE, CGT, IU Extremadura, PCEx, Asociación de Jóvenes del Valle del Jerte, Asociación Garabato de Piornal, Los Verdes, Asociación Garabato de Piornal, Plataforma Ciudadana Refinería NO, Plataforma Térmicas NO.


A central de Almaraz tem tido incidentes com regularidade com situações em que já foram medidos níveis de radioactividade superiores ao permitido, sendo Portugal afectado por a central se situar numa albufeira afluente do rio Tejo e pela proximidade em caso de contaminação por via atmosférica.

Esta concentração, que é apoiada por mais de 12 organizações, pretende, à semelhança do ocorrido noutros anos, manifestar o desejo de que a Central de Almaraz seja encerrada, pois não só já completou 25 anos de funcionamento, como tem conhecido inúmeros acidentes ao longo da sua laboração, colocando em risco as populações (locais, nacionais e ibéricas).


Consultar: aqui, aqui

Kofi Annan não quer transgénicos em África

«Nós e a aliança não incorporaremos os OGMs nos nossos programas. Devemos trabalhar com os agricultores utilizando as sementes tradicionais» (Kofi Annan, prémio Nobel da Paz e ex-secretário-geral da ONU)

Nota: Kofi Annan foi nomeado no passado dia 14 de Junho de 2007 para presidir à «Aliança para uma revolução verde em África» (AGRA), um organismo criado em 2006 e financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates e a Fundação Rockfeller, agupando um vasto conjunto de dirigentes, homens de negócios, agricultores e investigadores. Esta organização tem como finalidade principal ajudar os agricultores africanos a melhorar o seu rendimento nas suas explorações agrícolas.

Ver:
http://reopen911.online.fr/Anti-OGM/?p=69
www.flag-sa.org/blog/rallyround.html

Consultar:
http://www.agra-alliance.org/

Para celebrar a multisecular Agricultura Africana :
www.agra-alliance.org/celebrating/


Sobre Kofi Annan:
http://fr.wikipedia.org/wiki/Kofi_Annan

O pretenso desconhecimento de Durão Barroso sobre o financiamento da Somague ao PSD e a sua responsabilidade pela invasão do Iraque.

Um texto de Artur Queiroz onde, a propósito do financiamento ilegal do PSD pela empresa Somague no tempo do governo de Durão Barroso (actual presidente da Comissão Europeia) e que este se apressou em negar qualquer conhecimento pessoal do assunto, se lança esta pergunta:

Será que «Durão Barroso vai um dia destes dizer que nada teve a ver com a invasão do Iraque e que não é responsável pelos milhares de mortos civis e pela existência de mais de quatro milhões de refugiados iraquianos…»?




Texto de Artur Queiroz, retirado de:
www.vozdapovoa.com/diversos/opiniao.html


Durão Nunca Quis a Invasão do Iraque

O financiamento ilegal da Somague à campanha eleitoral do PSD quando Durão Barroso era o líder do partido, mereceu do actual presidente da Comissão Europeia uma desculpa esfarrapada e indigna de quem anda na vida pública. José Luís Arnault veio a correr assumir responsabilidades mas depois sacudiu a água do capote para cima de alguém que está doente e por isso é defendido pela família. Este passa culpas para o parceiro do lado é inaceitável.

Durão Barroso escreveu uma carta ao Parlamento Europeu a declarar a sua inocência e com esse gesto encerrou as explicações que deve aos portugueses e a quem lhe confiou a presidência da comissão da União Europeia. É natural que Durão Barroso esteja incomodado com o escândalo que se abateu sobre o partido que liderou e não queira sequer ouvir falar do assunto. E pelos vistos, está a conseguir os seus objectivos com facilidade.

Também enterrou o seu passado de esquerdista, com a maior das facilidades. Os seus ímpetos revolucionários levaram-no a roubar mobílias da Faculdade de Direito e a levá-las para a sede do seu partido de então, o MRPP, mas este episódio é ignorado ou tratado com bonomia, tipo coisas da juventude estouvada mas generosa. Mas Durão não pode apagar com a mesma facilidade o financiamento ilegal da campanha eleitoral do PSD que o guindou ao cargo de Primeiro-Ministro, trampolim para o cargo que hoje ocupa e cujo mandato almeja renovar.

Por este andar, Durão Barroso vai um dia destes dizer que nada teve a ver com a invasão do Iraque e que não é responsável pelos milhares de mortos civis e pela existência de mais de quatro milhões de refugiados iraquianos que vivem em condições desumanas, deslocados no interior do seu país ou nos países vizinhos. Mas todos sabemos que Durão Barroso não esteve na cimeira das Lajes apenas para compor o ramalhete. Esteve lá porque, conforme declarou publicamente, viu provas da existência de armas de destruição maciça no Iraque. Durão Barroso é um dos principais responsáveis pela tragédia que se abateu sobre os iraquianos.

Também é o principal responsável pelo episódio que envolveu a Somague e o PSD e que se traduz num financiamento ilegal ao partido. Quem começou na política roubando bens públicos, tarde ou nunca endireita. Durão Barroso é um dos muitos políticos portugueses que anda a mais na política. Mas gente como ele faz muito jeito ao socialismo cavaquista.

Alguns afluentes do movimento ecológico em Portugal

Texto escrito em 1997 por Afonso Cautela
Retirado de:
http://www.catbox.info/catbooks/antess-1.htm
(onde se pode ler e consultar outros textos)


ALGUNS AFLUENTES ( INCLUINDO IDEOLÓGICOS)
DO MOVIMENTO ECOLÓGICO EM PORTUGAL


Lisboa 26/Julho/1997 - Se o chamado «óbvio ululante», na feliz expressão de um brasileiro (Millor Fernandes?), constitui a matéria do ecologismo e das ecologias, não há dúvida que o Movimento Ecológico Português, quando nasceu, em Maio de 1974 e se legalizou em Fevereiro de 1975, vinha antecedido de algumas ideias óbvias e movimentos sociais que deram bastante brado.

Ser vivo e Ambiente constituem uma unidade indissociável: eis a mais óbvia de todas as coisas óbvias. Ninguém, por exemplo, pode viver sem respirar. Mas foi preciso chegar ao século XX para a nossa «civilização» ter pensado nisso.

O facto de a cultura ocidental nunca ter assumido nem compreendido este tipo de evidências básicas, terá levado, em boa parte, à catastrófica e em certos aspectos patética, crise ecológica actual. Crise que, antes do 25 de Abril, era apenas óbvia para alguns mas que hoje, sem ter decrescido um milímetro, ainda continua a não ser sentida por muito boa gente.

- O congestionamento das cidades modernas, ligado à macrocefalia urbana que atrofia e desertifica os campos, eis outra óbvia realidade que estando na base de muitos problemas modernos, conduziria a uma consciência que, por sua vez, o movimento ecológico procuraria traduzir, através dos múltiplos textos editados.

- A sintomatologia na Medicina, na Sociologia e na Política (as chamadas «sopas depois de almoço» ou aposteriorismo das soluções), provocaria necessariamente uma reacção adversa naqueles que, cultivando uma mentalidade simplista de ligação causa-efeito (outro óbvio ululante), perceberam sempre que as doenças, quer sociais quer individuais, não caem do céu e que a melhor forma de não as ter é prevenir, fazer profilaxia das ditas doenças.
Todas as doenças - sociais e individuais - estão no ambiente físico - ar, água, solos -, mas também sócio-mitológico - todo o sistema de manipulação do homem pelo homem que, desde a publicidade comercial à propaganda político-partidária, condiciona de raiz os comportamentos, conforma e deforma o cérebro humano.

Neste sentido, a poluição - a famosa e famigerada poluição - é atmosférica, é agrícola, é hídrica mas é também, como alguns perceberam, psíquica e moral.

Ou seja: não se trata de corrigir pontualmente o sistema mas trata-se de «mudar de sistema».
Este radicalismo, a que mais tarde se chamaria fundamentalismo, foi sempre muito mal visto por todos os quadrantes ideológicos, incluindo os próprios que se diziam ecologistas e ambientalistas.

Radicalizar posições era um propósito do movimento ecológico mas que nunca teve expressão real e só se manifestou nos múltiplos textos publicados pelas edições «Frente Ecológica».
Os excessos de linguagem, note-se, foram sempre e aliás, para certas boas almas, mais intoleráveis do que as mais abomináveis agressões ambientais.

A expressão «crime ecológico» e o neologismo «biocídio» foram utilizados, pela primeira e última vez, nas edições «Frente Ecológica».

- A dominante «catastrofista» da sociedade industrial foi outra realidade, bastante óbvia, que levaria necessariamente à ideia e à constelação ecologista radical.

Alguns dos que fizeram o M.E.P. nunca chegariam a reconciliar-se com a síndrome de catástrofe intrínseca à sociedade industrial. Ficariam sempre os eternos «inimigos da civilização», como premonitoriamente lhes chamou Freud.

O que não deixou de provocar uma patética acusação dos estalinistas que tinham como insulto predilecto contra os ecologistas, chamarem-lhes catastrofistas. Isto, até que eles próprios, com o Partido dos Verdes, se fizeram também «catastrofistas».

- Ao cerco sem saída da crise ambiental constatado pelo norte-americano Barry Commoner - os retrocessos do progresso, como se dizia na «Frente Ecológica» - chamou Herbert Marcuse «homem unidimensional». Foram marcusianos os estudantes de Maio 68 e marcusianos foram os que dotaram o M.E.P dos seus fundamentos ideológicos.

A «ideologia ecológica», porém, nunca teve qualquer expressão além dos textos, normalmente muito críticos e polémicos, da «Frente Ecológica».

Nesse sentido, o ecologismo português foi totalmente desmiolado. Embora Antero de Quental perguntasse, atónito: «Mas, meus senhores, será possível viver sem ideias?», Portugal dos últimos 500 anos prova que sim: que é possível viver sem ideias, ou seja, sobreviver. O que já não é nada mau, em tempo de sobrevivência planetária.

Termo-nos habituado a sobreviver em vez de aprender a viver, poderá ser outra subtil nuance que fundamenta a revolta de alguns ecologistas «avant la lettre». Ou seja, antes do 25 de Abril de 1974.

- Se é o sistema cultural que leva à crise ecológica, é óbvio (ululante) que a crise só pode ter solução mudando de sistema - o que leva ao chamado «fundamentalismo» ecologista e que, depois do 25 de Abril, na «Frente Ecológica», se chamou «realismo ecologista» ou «eco-realismo», para o distinguir das derivantes reformistas e utopistas.

Entre a Utopia e a Reforma, o ecorealismo das edições «Frente Ecológica» marcou uma posição solitária, sem companhias nem aderentes, tentando reafirmar, em vão, o primado do real, do quotidiano, face a todas as mitologias modernas, nomeadamente as do hedonismo consumista.
Em vão também, porque a lógica consumista e a economia de marketing, sendo intrínsecas à lógica do macrosistema são também intrínsecas à devastadora crise ecológica.

O caso do sistema médico rentabilizando a doença em vez de conservar a saúde (higiene holística), mostra a perversidade estrutural intrínseca do hedonismo consumista.

Se a doença dá dinheiro e lucros a tanta gente, a tantos profissionais que da doença vivem, a tanta empresa, é evidente que tudo será feito para que a doença progrida e nada para que a saúde se conserve.

- «Congestionamento» é uma das palavras-chave nos antecedentes mais antigos do movimento ecológico.

Congestionamento físico - nas cidades e nas sociedades - mas principalmente congestionamento de dados, de informação. E ainda não fora inventado o chafurdo da Internet.

A sensibilidade ao congestionamento de dados constituiu uma componente de um mal-estar que necessitaria uma atitude chamada movimento ecologista.

- A industrialização em geral e a industrialização da agricultura em particular (com adubos químicos, pesticidas e monoculturas gigantescas) dadas como tabu intocável por todas as ideologias no terreno - capitalistas e socialistas - foram as componentes que atrasaram, por medo às aparências, a eclosão das manifestações ecologistas e, portanto, do movimento.

Também a indústria nuclear, dita pacífica para a demarcar do átomo militar, sacralizada por todas as ideologias, blocos e superpotências mundiais, seria um terreno onde dificilmente surgiria qualquer contestação.

Neste sentido, o movimento ecologista era mesmo um movimento de alto risco para quem o proclamasse e assumisse.

Foi, portanto, necessário atingir o limiar do insuportável - onde aliás ainda estamos e continuaremos - para que alguns, muito poucos, se atrevessem a fazer as primeiras críticas:
a) Ao nuclear (dito) pacífico
b) À industrialização em geral e à agricultura química em particular
c) A ciência e à tecnologia

Os tabus mantidos por todas as ideologias em confronto, mostram duas coisas:
a) Embora aparentemente se digladiem em aspectos pontuais (guerras em que se disputa o mesmo bolo), no fundamental as ideologias e os blocos têm alguns mitos que se tornam seus alicerces de suporte, permanência e eterna auto-reprodução.
b) Como o ecologismo tem de começar por denunciar esses tabus ideológicos, ele próprio, enquanto movimento, se tornará também tabu, passando automaticamente à clandestinidade.

- Significativo, no aspecto da industrialização, é o título da colecção «Zero», da editora Arcádia, «A Indústria do Ruído».
Para o director da colecção e autor do prefácio do livro, o Ruído era uma das muitas manifestações que, pelas repercussões na saúde pública, tinha sido e continua a ser rentabilizada.
Se o Ruído é «fábrica de doenças», como nesse livro se procura mostrar, certamente que o Ruído não será eliminado e, se for preciso, irá ser fomentado. É o que tem acontecido até hoje, 26 de Julho de 1997.

Este «cinismo» eco-realista chocou muito algumas boas almas que se queriam e diziam ecologistas, amigas do ambiente como o Persil e sempre dispostas a perdoar ao chamado Progresso os crimes e artimanhas do Progresso.

- Ecologia da doença, Ecologia do Trabalho (Doenças do Trabalho), Ecologia Alimentar ( Doenças do ambiente alimentar) aparecem bastante cedo nos textos de pessoas que, mais tarde, pós 25 de Abril, integrariam o M.E.P, a «Frente Ecológica» , a «Esquerda Ecológica», a «Ecologia em Diálogo» e outros títulos que agitaram as águas no pós 25 de Abril.

- Mas o atrevimento eco-realista do chamado «grupo coordenador» do M.E.P, da «F.E.» e de outras «frentes», ia até ao ponto de contestar as apregoadas virtudes e a própria legitimidade da ciência ordinária, essa «vaca sagrada» das modernas sociedades tecnológicas, que não dão um peido sem primeiro ir perguntar à ilustre classe universitária se é científico.
A crítica à Tecnologia era, de facto, algo impensável.
E muito em especial se essa tecnologia implicava mortes maciças da população.
O caso do que, na «Frente Ecológica», se chamou «sindroma sísmico-nuclear» - 30 anos de sismos provocados por rebentamentos subterrâneos de bombas termonucleares - é exemplar como fenómeno de dimensão planetária e como silenciamento total e totalitário sobre o maior crime de genocídio contra a Humanidade, ocultado em nome da ciência, do progresso tecnológico-militar e das conveniências da coexistência pacífica, tão em voga nos anos que precederam o 25 de Abril.
Foi talvez este «dossier maldito» - sismos provocados por bombas - o que mais cedo suscitou a revolta no espírito daquele (s) que, pós-25 de Abril, decidiram a reunião do 14 de Maio de 1974 para o lançamento do M.E.P.
O que não impede de ter ficado o mais maldito dos dossiês malditos, através de todos estes anos e até hoje, em que a frequência sísmica tem decrescido em resultado do decréscimo do número de bombas rebentadas nos poços de Semipalantinsk, Nevada e Muroroa.
- Pela positiva, o dossiê mais maldito é certamente o das eco-alternativas energéticas: Solar, Eólica, Maremotriz e Biogás.
Classificado como escândalo público o abandono a que todos - incluindo grupos ditos ecologistas - votaram a luta pelas alternativas energéticas, que é a luta pela sociedade paralela, única saída para a catástrofe, este dossiê das eco-energias é o barómetro que, só por si, dá bem o estado a que tudo isto - ecologistas e movimento ecológico incluídos - chegou.

O total silêncio e silenciamento sobre o crime nacional de Alqueva - só porque todos os partidos estão de acordo no crime - é outro dossier significativo do apodrecimento a que tudo isto - País, políticos, economistas, partidos e tutti quanti - chegou.

Não há fundamentalismo que nos livre desta neurose suprema.

- Sendo o diagnóstico da neurose totalitária um dos que induziram alguns carolas a sonhar, pós 25 de Abril, um 25 de Abril ecológico, esse facto diz bem e bastante da realidade que efectivamente se verificou: a clandestinidade do movimento e dos que nele podiam ter militado.

- Em autores de grande síntese - como Teilhard de Chardin, Arnold Toynbee ou Bertrand Russell - que podiam ter aberto a civilização ocidental a uma autocrítica e, portanto, a uma consciência ecológica profunda, foram assinaladas, no entanto, limitações estruturais por alguns precursores do movimento ecologista.

Relativamente às teses de Ivan Illich, adoptado pelo M.E.P. como seu farol e timoneiro, eram aqueles autores considerados reformistas dentro do sistema que vive de ir matando os ecossistemas.
- Os antecessores do M.E.P. foram buscar a um filósofo do materialismo dialéctico, Henri Lefèbvre, 2 noções-chave do movimento: o diferencialismo (o chamado «respeito à diferença» muito explorado pelos «hippies») e a «crítica da vida quotidiana», título de um livro de Henri Lefèbvre.

Uma «política do quotidiano» foi preconizada, pela 1ª vez, em textos da «Frente Ecológica». Pela 1ª e última vez, diga-se de passagem, sendo matéria de mais um dossier que ficou e continua maldito.

- A voga das «transplantações cirúrgicas» e o «boom» do cirurgião Barnard motivaram em alguns descontentes do Progresso um tremendo mal-estar.

Era o típico exemplo do progresso que não podia ser criticado, porque «salvava» vidas.

A demagogia do discurso científico e cientifista foi, com certeza, dos obstáculos a que o movimento ecologista nascente nunca saberia (nem poderia) dar resposta adequada.

Essa mesma demagogia verificar-se-ia, também, com o discurso dos sindicatos relativamente às indústrias mais devastadoras do meio ambiente ou aos empreendimentos mais calamitosos.
Tudo o que gera emprego (e todas as indústrias geram um emprego acrescentado - o de coveiro) é automaticamente bom e intocável.

Fosse a eucaliptação maciça do País (com os inerentes fogos de Verão), fosse a barragem de Alqueva (projecto salazarista, não o esqueçamos), fosse o encerramento de centrais nucleares, o alibi era e é sempre a criação de novos postos de trabalho.

Nunca o movimento ecologista poderia dar a volta a isto. O que significa, portanto, que a crise ecológica é irreversível e conduzirá inevitavelmente à catástrofe. Com todos a gritar «Vivó Progresso».

Catástrofe que evidentemente criará milhares de postos de trabalho - o de Coveiro.
A medicina das transplantações a salvar vidas e o industrialismo em geral, mesmo o mais catastrófico e mortífero, a criar postos de trabalho e a agricultura química a matar a fome mundial enquanto faz subir em flecha a incidência de cancros, são os dogmas da demagogia moderna, a Leste e a Oeste, à esquerda e à direita, a Norte e a Sul, que, à partida, o ecologismo teria de enfrentar. Claro que saiu literalmente derrotado.
- A rentabilização da doença, já citada, era apenas, bem vistas as coisas, um aspecto particular daquilo que, nos manuscritos de juventude, Karl Marx designou de alienação e que filósofos marxistas designaram de Reificação.

Uma página inédita de um diário, de 26/3/1971, assinala, em termos mais prosaicos e menos filosóficos, essa realidade de fundo que justificaria, mais do que nenhuma, o advento de uma «democracia ecológica», expressão que viria a aparecer, mais tarde, em escritos da «Frente Ecológica».

A alienação ou reificação marxista, alguém, em 1971, lhe chamava «patalogia administrativa», acrescentando: « Tudo se administra: o sexo, a educação, os tempos livres, a liberdade. Tudo se consome e se vende. Tudo se compra.»

- A crítica da agricultura química não se desligava do contexto mundial da Fome.

Ao contrário do que os agrónomos da F.A.O. e seus sequazes largamente defendiam, nos termos demagógicos que se conhecem, a agricultura química provoca mais fome em vez de a combater.

Mas esta afirmação precisava de uma demonstração autorizada que procedesse à desmontagem de 2 sofismas habilmente instilados na opinião pública:
1º sofisma - A fome decorre do excesso de população (teoria neomaltusiana a que, aliás, muitos alegados ecologistas, para não dizer todos, aderiram)
2º sofisma - Só com a agricultura química é possível matar a fome no Mundo.

O primeiro sofisma foi desmascarado pelo sociólogo brasileiro Josué de Castro, que demonstrou exactamente o contrário: a Fome provoca o excesso de população.

O segundo sofisma seria mais difícil de desmontar, embora sejam óbvias duas coisas:
a) Em 40 anos de agroquímica, a Fome alastrou em vez de recuar
b) Com a destruição dos solos pelas culturas químicas, a fome alastrará até aos países que até agora se julgavam imunes a ela.

Se houve fracassos estrondosos no movimento ecologista, este foi o maior: não ter conseguido fazer passar a verdade face aos sofismas e à demagogia generalizada sobre a Fome do Terceiro Mundo.

Em publicações da «Frente Ecológica» ler-se-ia que é o desenvolvimento que gera o subdesenvolvimento - heresia que, evidentemente, seria logo abafada pela retórica das multinacionais em geral e as do agrobusiness em especial.

- A reacção dita de esquerda às propostas ecologistas foi, sem dúvida e desde cedo, o sapo mais difícil de engolir pelo movimento ecologista nascente.

Em 1971, era bastante claro para alguns dos que viriam a dar forma ao M.E.P., esse flanco da reacção.

Com a crítica ao imperialismo norte-americano, a esquerda resolvia tudo: de um lado, os maus capitalistas, do outro lado os bons dos comunistas. Com este maniqueísmo se tentava calar toda a opinião que alinhasse pela alternativa.

Poluição era um mal do capitalismo e não da industrialização. Críticas ao industrialismo, portanto, eram automaticamente reduzidas ao industrialismo capitalista.

A denúncia de tudo o que era comum a leste e a Oeste, era considerado «inimigo da ordem e do progresso».

A denúncia da Bomba, da Poluição, da Burocracia de Estado, da Tortura, da Maratona termonuclear, da maratona olímpica, da maratona supersónica e espacial, do falhanço da medicina sintomática, etc, só tinha sentido se se inscrevesse tudo isso no rótulo geral de capitalismo. Tudo isso, a Leste, era o cúmulo da virtude.

4.9.07

A propósito da não-violência e das lutas sociais ilegais

Ceifeiros Voluntários de Transgénicos (OGMs)

Tirar fotocópias de um livro é um acto ilegal, mas um acto não-violento.
E o mesmo se passou em Silves com a acção contra os transgénicos: tratou-se também de um acto ilegal não-violento.


A intoxicação é tanta, o confusionismo que se instalou é enorme que se torna imperioso que as pessoas mais sensatas e esclarecidas intervenham e mostrem que a acção não-violenta contra os transgénicos em Silves foi mais uma das muitas que se tem registado desde há anos por essa Europa fora.

É PRECISO CONTRARIAR A DESINFORMAÇÃO E O OBSCURANTISMO que é incutido por gente ao serviço de interesses inconfessáveis.

Por isso aqui vão alguns esclarecimentos para os que estão mais confusos.

A acção contra os transgénicos em Silves foi uma acção ilegal ( como é ilegal tirar fotocópias de um livro, ou impedir a circulação numa estrada) , mas todos esses actos são acções não-violentas.

Juridicamente a violência física define-se como o emprego de força sobre o corpo da vítima, com alguma lesão corporal para a sua integridade física. Ora nada disso aconteceu.


Para mostrar o carácter não-violento da acção contra os transgénicos coloco aqui abaixo um texto com uma entrevista a Jean-Baptiste Libouban, uma das figuras destacadas do movimento dos ceifeiros voluntários que tem levado a cabo ceifas anti-OGM em França.

Jean-Baptiste Libouban pertence e foi responsável pelas Comunidades de l’Arche, que são as comunidades inspiradas na filosofia da não-violência de Lanza del Vasto.


O texto de Boaventura Sousa Santos, o mais prestigiado sociólogo português, e também doutorado em direito penal pela Faculdade de Direito de Coimbra, que há dias atrás transcrevi aqui, fala que os actos ilegais foram fundacionais das democracias modernas.


Um texto de José Carlos Marques, que também entretanto apareceu ( pesquisar no Fórum do Gaia), mostra igualmente que muitas das acções na recente história do movimento ecologista foram ilegais.

Victor Louro, engenheiro de silvicultura, num texto publicado no jornal Público do passado domingo, escreve:

«Em Portugal assistimos, por exemplo, nas décadas de 80 e 90, a acções contra a eucaliptização indiscriminada, nem todas respeitadoras da legalidade instituída. No entanto, foi graças a tais acções (algumas também atentatórias da propriedade privada), que a eucaliptização selvagem foi sendo travada, dando origem a legislação mais atenta ao bem público. Mas nem nessa altura se viu a berraria a que temos assistido a propósito desta acção relativa ao milho transgénico!»







Entrevista com Jean-Baptiste Libouban:
http://www.terre-net.fr/outils/fiches/FicheDetail.asp?id=2731

Jean-Baptiste Libouban é um membro das Comunidades de L’Arche (movimento criado por Lanza del Vasto), de que ele foi um dos principais responsáveis entre 1990 e 2005. Ele é ambém um dos iniciadores do movimento dos «Ceifeiros Voluntários» (Fauchers Volontaires) para cuja criação ele apelou no encontro de Larzac 2003.
Participou em numerosas ceifas anti-OGM e foi condenado pelo tribunal de Toulouse em 8 de Novembro de 2004 por uma acção de destruição de uma parcela de milho transgénico em 25 de Julho de 2004 em Menville ( Haute-Garonne, França), tendo apelado para o tribunal superior dessa decisão, esperando uma decisão final para o próximo dia 10 de Janeiro de 2007.

Acerca de Libouban, da não-violência e das Comunidades de L’Arche de Lanza del Vasto, ver:
http://amopie.free.fr/l_arche_de_lanza.htm



«Nós não pedimos à Monsanto para vir poluir os nossos campos»(Jean-Baptiste Libouban)

No momento em que se multiplicam as acções anti-OGM em França a tensão entre activistas e agricultores de transgénicos aumenta à medida que estes vêem os seus campos a serem periodicamente destruídos, apesar dos processos judiciais contra os primeiros e do apelo a mais dureza lançado pelo procurador-geral.
Trata-se de um fenómeno que marca o aparecimento mediático dos «Ceifeiros Voluntários», um grupo que soube impor-se na paisagem pública em poucos anos. Encontro com Jean-Baptiste Libouban, agricultor reformado, que está na origem da criação do colectivo.

Pergunta – Como nasceram os ceifeiros voluntários?
Resposta de Jean-Baptiste Libouban – A génese do movimento remonta à destruição de um stock de sementes transgénicas no laboratório da Novartis em Lot-et-Garonne, em Fevereiro de 1998. Quando José Bové e os seus colegas foram condenados, criminalizados pelo seu acto, pareceu-me insuportável que uma vez mais fossem os camponeses, os únicos a arcar com a responsabilidade por uma acção concebida e realizada pelo bem comum. Daí surgiu a ideia de alargar a base de militantes. No dia da saída da prisão, fui ter com José Bové para lhe apresentar o meu projecto, que imediatamente lhe agradou. A ideia era de reunir, à volta da questão dos OGM, gente de todos os horizontes que, conscientemente, se empenhassem contra os cultivos transgénicos. Por ocasião do encontro de Larzac de 2003, montamos um stand para informar os participantes da nossa iniciativa. No fim do encontro tínhamos reunido mais de 400 assinaturas de pessoas prontas a associarem-se ao movimento. Hoje somos 3.2000 ceifeiros. Todos se identificam no combate contra os OGM em razão do risco que eles representam para o património vegetal., do perigo latente em matéria de saúde humana, e da vontade conjunta de defesa do mundo camponês.

Pergunta – Vocês definem-se como «colectivo cidadão», enquanto os agricultores de transgénicos qualificam as vossas acções como de «simples delinquentes». Como concebe um movimento de cidadãos actuando na ilegalidade?
Resposta – Toda a noção de desobediência civil está aí. Estamos conscientes em que actuamos contra as normas legais. Mas diferentemente dos criminosos não fugimos à sanção, porque actuamos por aquilo que estimamos ser o interesse colectivo. É preciso mudar a lei que protege as empresas que colocam em perigo o nosso património comum, o património vegetal. Por exemplo, nenhuma responsabilidade foi pedida em caso de contaminação de um terreno por uma cultura vizinha de OGM . Isso é intolerável. Não me considero delinquente, mas enquanto membro da sociedade civil, entendo que de deve ouvir a voz da maioria dos franceses que, recorde-se, se opuseram aos OGM.

P – As acções dos ceifeiros voluntários obedecem a um certo número de regras.
R – Sim, absolutamente.As manifestações lançadas e reivindicadas pelos ceifeiros voluntários são feitas sistematicamente a luz do dia, de cara descoberta e de maneira não-violenta.. A este títuloreivindicamos até agora 3 acções. As de Menvile, Marsat e Pithiviers, as únicas que preencheram essas condições. Além disso, não somos uma associação, o que evita eventuais demandas judiciárias contra nós. Cada cefeiro responde inteiramente, e unicamente, pelos seus actos face à justiça. É por essa situação, ou antes por falta de um estatuto definido, que se explica o facto de na hora em que algumas figuras conhecidas do movimento serem ouvidas nos postos policiais também haver uma massiva comparência de activistas. De resto, a atitude das autoridades é contraditória. Actualmente somos nove pessoas processadas por um «delito cometido em reunião com 400 co-autores ou cúmplices». Se assim é porque não ouvir esses 400 «cúmplices»? Porquê que são seleccionados apenas os eleitos e as caras conhecidas – eis uma pergunta a ser feita ao proocurador.

P – A propósito disso como explica que, no momento em que o Procurador-geral pede maior dureza contra os ceifeiros voluntários, são muitas as pessoas que se surpreendem com a relativa impunidade que os activistas beneficiam durante as suas acções?
R – É verdade que em Menville,por exemplo, os poucos polícias presentes não impediram a destruição das culturas de transgénicos, mas identificaram os participantes com vista a acusações posteriores. Penso que se trata de uma orientação dos poderes públicos para não fazerem de nós mártires, o que multiplicaria o número de ceifeiros. Dito isto, tal não impede o risco de apnharmos penas de cinco anos de prisão e 75.000 euros de multa, e o dobro para José Bové, que é reincidente. Aceito que a situação é igualmente difícil para os agricultores de transgénicos que perdem muito dinheiro e trabalho nessas destruições. Mas não fomos nós que pedimos à Monsanto e a outros para virem poluir os nossos campos.

P – Uma nova destruição é prevista para o dia 5 de Setembro. O objectivo da vossa luta não será afinal de forçar a justiça prender-vos, em desespero de causa?
R – Mas isso só iria reforçar o movimento. Caso eles nos prendam, tal seria lamentável, mas lá estaremos. Em todo o caso, ninguém se subtrairá à justiça. Representamos a sociedade civil, em que uma maioria rejeita os OGM. Se o Estado não assume o seu papel, nós faremos o seu. Somos uma espécie de cirurgiões As culturas transgénicas ao ar livre são membros atingidos por gangrena que se torna necessário amputar antes que o mal se lastre aos campos vizinhos. As grandes empresas de sementes empurraram o governo a aceitar as culturas ao ar livre, pensando num mercado a conquistar. Pela minha parte, penso que a agricultura francesa deve ter outras ambições.

P- O que pensa sobre o impacto nos media do colectivo a que pertence?
R – Acho que os ceifeiros dão um boa resposta de cidadania a um problema da sociedade. Diz-se que os Franceses não votam, que se desinteressam do debate: eu, por mim, vejo pessoas que se mobilizam. Isso agrada-me, mesmo que me vá custar caro.

P – Os ensaios sobre os OGM devem continuar?
R - Nós não somos contra uma investigação pura, desde que seja confinada, e independente das empresas privadas.O que eu receio é a difusão de produtos de que não tem a mínima ideia do seu impacto no ambiente, nem sobre a saúde humana. E os ensaios ao ar livre, para além de um risco elevado de contaminação que provocam. Constituem um autêntico perigo para as culturas sãs vizinhas. Ao contrário do que ouvi dizer da boca de eminentes cientistas, o princípio da precaução defendido entre outros por Hervé Gaymard é tudo menos um travão à pesquisa.


Ler um artigo do jornal L'Humanité sobre Libouban, sintomaticamente com o título «Em nome dos fora-da-lei»:
http://www.humanite.fr/2004-08-05_Politique_-Au-nom-des-hors-la-loi

Ler ainda:
http://non-violence-mp.org/reflexions_fichiers/libouban.htm

A Agrobio promove cursos de introdução à agricultura biológica e à horta-jardim


A AGROBIO vai promover cursos de introdução à agricultura biológica e à horta-jardim.
Os(as) interessados(as) podem contactar ou consultar:
http://www.agrobio.pt/


http://www.agrobio.pt/formacao/planoformacao.pdf

AGROBIO - Departamento de Formação
Calçada da Tapada, 39 R/C Dto - 1300-545 Lisboa
Tel. +351 213 623 585 - Fax: +351 213 623 586

CURRÍCULO-BASE EM AGRICULTURA BIOLÓGICA
 Horta-Jardim
 Introdução à Agricultura
 Agricultura Biológica


FORMAÇÃO AVANÇADA EM AGRICULTURA BIOLÓGICA
 Plantas aromáticas e Medicinais em Agricultura Biológica
 Olivicultura Biológica
 Introdução ao Marketing
 Viticultura Biológica
 Apicultura Biológica
 Fruticultura Biológica
 Horticultura Biológica





MERCADO BIOLÓGICO EM LISBOA ( todos os Sábados)

JARDIM DO PRÍNCIPE REAL (SÁBADOS, 8.00 - 14.00 H )

O Campo vem à Cidade, trazendo à mesa dos lisboetas produtos mais saborosos e saudáveis

Com o objectivo colocar os produtos de Agricultura Biológica mais perto do consumidor, a Câmara Municipal de Lisboa, com a colaboração da AGROBIO, deu início a estes mercados de rua biológicos em Lisboa.

Convidamo-lo a visitar este mercado. Nele encontrará, entre outros produtos, hortaliças, frutas, vinhos, cereais, azeite, pão, etc., produzidos em Agricultura Biológica. Faça as suas compras à porta de casa!

Aproveite o passeio e forneça à sua família produtos de qualidade, sem pesticidas e sem adubos químicos de síntese, saudáveis para si e para o ambiente!






O que é a Agricultura Biológica?


«A Agricultura Biológica é um sistema de produção holístico, que promove e melhora a saúde do ecossistema agrícola, ao fomentar a biodiversidade, os ciclos biológicos e a actividade biológica do solo. Privilegia o uso de boas práticas de gestão da exploração agrícola, em lugar do recurso a factores de produção externos, tendo em conta que os sistemas de produção devem ser adaptados às condições regionais. Isto é conseguido, sempre que possível, através do uso de métodos culturais, biológicos e mecânicos em detrimento da utilização de materiais sintéticos.»

Codex Alimentarius Comission, FAO/WHO, 1999





A Agricultura Biológica, também conhecida como “agricultura orgânica” (Brasil e países de língua inglesa), “agricultura ecológica” (Espanha, Dinamarca) ou “agricultura natural” (Japão) caracteriza-se por possuir uma base:

Ecológica


Baseia-se no funcionamento do ecossistema agrário e recorre a práticas – como rotações culturais, adubos verdes, consociações, luta biológica contra pragas e doenças - que fomentam o seu equilíbrio e biodiversidade;
Baseia-se na interacção dinâmica entre o solo, as plantas, os animais e os humanos, considerados como uma cadeia indissociável, em que cada elo afecta os restantes;

Sustentável


Visa:
* manter e melhorar a fertilidade do solo a longo prazo, preservando os recursos naturais solo, água e ar e minimizar todas as formas de poluição que possam resultar de práticas agrícolas;
* reciclar restos de origem vegetal ou animal de forma a devolver nutrientes à terra, minimizando deste modo o uso de recursos não-renováveis;
* depender de recursos renováveis em sistemas agrícolas organizados a nível local. Assim, exclui a quase totalidade dos produtos químicos de síntese como adubos, pesticidas, reguladores de crescimento e aditivos alimentares para animais.

Socialmente responsável


A Agricultura Biológica une os agricultores e os consumidores na responsabilidade de:
* Produzir alimentos e fibras de forma ambiental, social e economicamente sã e sustentável;
* Preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais;
* Permitir aos agricultores uma melhor valorização das suas produções e uma dignificação da sua profissão, bem como a possibilidade de permanecerem nas suas comunidades;
* Garantir ao consumidor o direito à escolha, na medida em que os produtos de Agricultura Biológica não são irradiados nem geneticamente modificados (OGM), nem contêm resíduos resultantes da aplicação de pesticidas.
* Garantir ao consumidor, no caso dos produtos animais, que estes são produzidos respeitando princípios éticos, necessidades e comportamento natural da espécie, em regime extensivo ou semi-intensivo; são alimentados de acordo com a sua fisiologia, com produtos sãos, de preferência provenientes da própria exploração e produzidos em Agricultura Biológica (logo, os riscos de transmissão de doenças veiculadas pelos alimentos, como a BSE, são minimizados) e não recebem tratamentos de rotina com antibióticos (minimizam os problemas de resistência).

3.9.07

Cooperativa Árvore - oficinas livres 2007-2008




Oficinas Livres de Curta Duração da Árvore 2007-2008

Com estas oficinas estamos a oferecer-lhe a possibilidade de experimentar alguns meios e técnicas de expressão e representação no tempo mínimo necessário, para que possa perceber as suas principais características expressivas e de que forma podem esses meios e técnicas, influenciar o processo criativo e a sua expressão pessoal.
Procuramos que a oferta seja vasta e diversificada para irmos ao encontro das suas preferências intuitivas ou ao seu desejo de aventura e descoberta. Assim temos para lhe oferecer as seguintes Oficinas:
• Papel
• Cerâmica / Olaria
• Gravura / Calcografia
• Serigrafia

As oficinas são práticas, funcionam em horário pós-laboral e numa sessão única de 3 horas semanais, a sua duração nunca ultrapassa 3 meses, que de acordo com as inscrições, poderão funcionar da seguinte forma:
• Trimestre – Outubro / Novembro / Dezembro
• Trimestre – Janeiro / Fevereiro / Março
• Trimestre – Abril / Maio / Junho
Com esta estrutura pode, se o entender, inscrever-se a mais do que a uma oficina. Venha conhecer o espaço privilegiado da Árvore, junte-se a nós e descubra-se a si próprio.
Para mais informações contactar: Filipa FerreiraTel.: 222 076 010


Oficinas Livres Anuais da Árvore 2007-2008

Pintura
Desenho I e II
Cerâmica
Painel cerâmico/azulejo
Escultura cerâmica
Rakú

As Oficinas Livres da Árvore têm funcionado ao longo dos anos com a participação entusiasta de todos os que a frequentam. Mas este ano o departamento de cursos sentiu a necessidade de modificar alguns aspectos conceptuais e estruturais dessas oficinas, para que se tornem mais dinâmicas e abertas a outras experiências, o que, por certo, fará aumentar o interesse de quem as vier a frequentar. É nosso propósito, ainda, promover algumas oficinas cujo principal objectivo é tornar possível o contacto com artistas com obras e actuações muito diversos e em conjunto observar e compreender o seu processo criativo e todos os aspectos de concepção, formalização e comunicação que o envolve.
Inscrições: 3 a 21 de Setembro de 2007
Para mais informações contactar: Filipa FerreiraTel.: 222 076 010

http://www.arvorecoop.pt/gca/?id=137

Universidade Popular do Porto - Cursos livres 2007-2008

http://www.upp.pt/


Cursos Livres

Alemão
por: Amélia Sousa

Ambiente
Carlos Ferreira

Astronomia
José Raeiro

Conhecer o Porto Contemporâneo
Annie Gunther


Desenho e Pintura: Desenho I
Manuela Lobo

Desenho e Pintura: Desenho II
Manuela Lobo

Desenho e Pintura: Acrílico (manhã)
Manuela Lobo

Desenho e Pintura: Acrilico (tarde)
Manuela Lobo

Desenho e Pintura: Aguarela Manuela
Lobo

Desenho e Pintura: Pastel
Manuela Lobo

O Direito na Vida de Todos Nós
Rubem Amaral

Física Moderna (nível I)
Daisi Silva e Regina Gouveia

Física Clássica (nível II)
Daisi Silva e Regina Gouveia

Francês através da impresa periódica francesa
Carlos Amador

Grandes Questões da Actualidade
Carlos Amador

História da Arte do Porto (Nível I)
Assunção Lemos

História da Arte do Porto (Nível II)
Assunção Lemos

História das Religiões (Nível I)
Palmira Pinho

História das Religiões (Nível II)
Palmira Pinho

História do Cinema (A)
José Eduardo Mendonça

História do Cinema (B)
José Eduardo Mendonça

Inglês I
Amélia Sousa

Inglês II
Manuela Coelho

Inglês III
Beatriz Bachá

Literatura Portuguesa
Paulina Sousa

Psicologia
Felicidade Castro

Reflexões sobre a História
Fátima Silva

Roteiros na Natureza
Dalmindo Natividade

Sociologia (Manhã)
António Laundes

Sociologia (Tarde)
António Laundes



Informações

REINSCRIÇÕES:
a partor de 1 de Junho


NOVAS INSCRIÇÕES:
2 de Julho


INICIO DAS AULAS (Previsão):
8 de Outubro


DURAÇÃO DO CURSO:
Outubro a Junho, inclusivé


TEMPO SEMANAL POR CURSO:
90 minutos


HORÁRIO DOS CURSOS:
estabelecido até final de Setembro




Inscrições
Inscrições
on-line ou na sede da UPP, na Rua de Augusto Luso,167, 1º, Porto, de segunda a sexta-feira, das 10 às 13h e das 14h.30 às 18h.30. Telefone: 226098641 Fax: 226004335

A participação nos cursos não se restringe a um conjunto de aulas teóricas mas abre um espaço de participação em cursos, debates, visitas de estudo e actividades diversas, de acordo com os interesses e motivação de cada um.

Civilização ou barbárie - Os desafios do mundo contemporâneo. (Serpa 2007)


Nota prévia: apesar de todas as nossas divergências relativamente às perspectivas teóricas que possam estar subjacentes a esta iniciativa, julgamos útil e interessante dar notícia deste encontro que se vai realizar em Serpa ( no sul de Portugal) no início do mês de Outubro com a participação de conhecidos pensadores e analistas portugueses e estrangeiros.



O jornal web http://www.odiario.info/ e a Revista Vértice vão promover em Serpa, nos dias 5, 6 e 7 de Outubro, o II Encontro Internacional Civilização ou Barbárie.

A iniciativa reunirá naquela cidade alentejana eminentes pensadores, cientistas políticos e autarcas de 17 países: Angola, Argentina, Bolívia, Brasil, Cabo Verde, Canadá, Colômbia, Cuba, Egipto, Espanha, Estados Unidos da América, França, Líbano, México, Portugal, Reino Unido e Venezuela.

Temas do Encontro

O AGRAVAMENTO DA CRISE DO CAPITALISMO
O SOCIALISMO COMO ALTERNATIVA À BARBÁRIE

A COMPLEMENTARIDADE DA LUTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS PROGRESSISTAS E DOS PARTIDOS E ORGANIZAÇÕES REVOLUCIONÁRIOS
ACTUALIDADE DE MARX E LENINE

O TERRORISMO DE ESTADO, AS AGRESSÕES IMPERIAIS
E A ESTRATÉGIA DAS GUERRAS PREVENTIVAS

GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL, MUDANÇAS GLOBAIS
E CRISES GLOBAIS SOB O IMPERIALISMO

REVOLUÇÃO E CONTRA-REVOLUÇÃO NA AMÉRICA LATINA

LUTAS SOCIAIS E POLÍTICAS NA UNIÃO EUROPEIA
A PRESIDÊNCIA PORTUGUESA

A PERVERSÃO MEDIÁTICA E A HEGEMONIA
DAS TRANSNACIONAIS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL

O PAPEL DO PODER LOCAL COMO FACTOR DE
MUDANÇA SOCIAL




Participantes portugueses no Encontro cuja presença já foi confirmada:

Francisco Melo, editor, ensaísta e investigador

Fernando Correia, professor universitário

Anabela Fino, jornalista

Correia da Fonseca, escritor, critico de televisão

Jorge Messias, especialista em temas de religião

Silas Cerqueira, professor universitário

Rogério Reis, professor universitário

Abílio Fernandes, economista, especialista em Poder Local

Carlos Lopes Pereira, jornalista

Luisa Tovar, engenheira

Sérgio Ribeiro, economista

Pedro Carvalho, economista

João Rocha, engenheiro, autarca, especialista em Poder Local

José Paulo Gascão, editor de odiario.info, publicista

Miguel Urbano Rodrigues, editor de odiario.info, escritor

Rui Namorado Rosa, editor de odiario.info, professor universitário



Dos convidados estrangeiros para o II Encontro Internacional Civilização ou Barbárie já confirmaram a sua presença em Serpa:

Samir Amin, egipcio, sociólogo e economista, professor da Universidade de Dakar, presidente do Fórum do Terceiro Mundo e do Fórum das Alternativas

István Mézaros, húngaro, filósofo, professor da Universidade de Sussex, Inglaterra

Georges Labica, francês, filósofo professor da Universidade de Paris

Henri Alleg, francês, escritor

Jean Salem, francês, professor de História, Universidade de Paris

Georges Gastaud, francês, cientista político, professor de filosofia,escritor

Remy Herrera, francês, professor de Economia, Universidade de Paris.

Marina Minicuci, italiana, politóloga e jornalista

Angeles Maestro, espanhola, cientista política, médica

Leila Ghanem, libanesa, politóloga e jornalista

Olivio Pires, cabo – verdiano, politólogo, diplomata, comandante das Forças Armadas

Michel Chossudovsky, canadiano, economista, professor da Universidade de Otawa

John Catalinotto, estadunidense, cientista político e jornalista

Isabel Monal, cubana, professora de filosofia na Universidade de Havana

Alberto Anaya, mexicano, senador, professor universitário de Economia

Pavel Blanco Cabrera, mexicano, politólogo, dirigente partidário

Piedad Córdoba, colombiana, senadora, politóloga

Rafael Uzcategui, venezuelano, politólogo, dirigente partidário

Marcos Domich, boliviano, escritor, professor da Universidade de La Paz, médico, dirigente partidário

Ivana Jinkings, brasileira, editora, politóloga, escritora

Virgínia Fontes, brasileira, professora de Filosofia na Universidade Fluminense do Rio de Janeiro

Luciano Alzaga, argentino, jornalista, politólogo.

Krishna Murthy, indiano, sindicalista, dirigente do Fórum Social Mundial

Osvaldo Martinez, cubano, ex-ministro da Economia

Julio Gambina, argentino, economista, professor na Universidade Nacional de Rosário

http://odiario.info/

2.9.07

Comemoram-se hoje os 50 anos da reserva ornitológica do Mindelo


Fonte da notícia: jornal O Primeiro de Janeiro

Em 1957, foi criada em Vila do Conde a primeira área protegida nacional.

Actualmente, a ROM estende-se por 600 hectares que constituem a última área costeira não construída do Grande Porto.



A Reserva Ornitológica de Mindelo (ROM) – primeira área protegida criada em Portugal em 1957 – comemora hoje 50 anos de vida. Durante décadas foi um espaço único que marcou o nascimento do estudo das aves e da conservação da Natureza em Portugal e no mundo. Nos primeiros trinta anos Santos Júnior, professor da Universidade do Porto, e os seus colaboradores da comunidade local, anilharam na zona mais de 78 mil aves. Com o aumento da pressão urbanística a área foi abandonada tornando-se um espaço ameaçado. Apesar da degradação a que se chegou, e da ambiguidade do seu estatuto de conservação, a ROM, que se estende por 600 hectares, foi conseguindo sobreviver, sendo mesmo a última área costeira não construída do Grande Porto, sendo procurada por cientistas e pela população para actividades de investigação e lazer. Nas últimas duas décadas foram realizadas campanhas de sensibilização da população local e foi criado o Movimento PROMindelo (Pela Reserva Ornitológica de Mindelo) que envolveu milhares de pessoas.



24 horas pela ROM


Para assinalar os 50 anos da ROM, estão em curso várias actividades que se iniciaram com a acção «De Regresso ao Futuro» realizada em Outubro de 2006, recriando as acções de anilhagem aí realizadas, e que se irão reforçar durante o próximo ano. O Movimento PROMindelo, fundado pela Associação dos Amigos do Mindelo para a Defesa do Ambiente, irá também acompanhar a ROM durante 24 horas (que têm início hoje pelas 19h00 em Árvore na Rua Engenheiro Mário Almeida), contribuindo para a sua revitalização e na sequência do trabalho que diariamente é realizado. Serão, por isso, organizadas acções de remoção de resíduos (pelas 9h00 de domingo), limpeza de mato e abertura de caminhos, para além de actividades lúdicas como treino de orientação pedestre, piquenique solar e jogos tradicionais, previstos para as 14h00.


O objectivo é a ROM passar a ser Paisagem Protegida do Litoral de Vila do Conde. A finalidade é a de transformar este num espaço de promoção de actividades económicas sustentáveis, turismo e lazer, e de uma actividade educativa e científica em meio natural.


Às voltas na reserva

No princípio era o mar, as ondas espraiando-se em dunas que invadem a terra num ecossistema peculiar. Era o sal espalhado pelo vento, os pequenos arbustos resistentes às intempéries, pintando de verde os espaços amarelados de sol. Acalmam-se as areias numa planície transitória entre a praia e a floresta, como se uma força maior se tivesse rendido à energia da natureza e permitido, finalmente, o desabrochar da fauna e flora. O imenso azul cede a vez a um manto verde pontilhado, aqui e ali, por pequenas pétalas multicolores. O silêncio emanado da própria terra é apenas interrompido pelas vozes de quem segue pelos trilhos, de quem caminha entre os diversos ecossistemas que formam a ROM. É a praia, o espaço interdunar, o espaço agrícola e, por fim, a floresta. O chão vê-se geometricamente dividido em áreas de cultivo, terras aradas, montes de feno empilhados formando linhas de um xadrez imaginário. Apenas mais uns metros e as solas dos sapatos sentem uma nova textura; não mais a granulada de areia, ou a suave de campos tratados mas a terra nova, o chão rígido que não se deixa abater a passos dados. Aqui os trilhos são mais sinuosos… E no ar o cheiro a eucalipto, à seiva que corre nas árvores brotando em resina e mais uma vez o silêncio, ou a música das folhas que se agitam com o vento…




e aqui ler o texto já publicado aqui

Hoje vamos todos vestir t-shirts contra os transgénicos

Imagem encontrada no blogue http://opafuncio.blogspot.com/


Participa:

Dia da t-shirt contra os transgénicos
Dia 2 de Setembro (hoje, Domingo)


Pela sua Saúde, pelo Ambiente


Pontos de encontro às 19h:
Lisboa: Praça da Figueira (junto à estátua)
Porto: Praça dos Leões (junto à estátua)
Coimbra: Largo da Portagem (junto à estátua)


Para mais informações sobre os perigos dos transgénicos:
www.stopogm.net



Objectivos: Um grupo de cidadãos preocupados com a questão dos transgénicos sobre a nossa saúde e outros aspectos importantes, de forma individual e independente, decidiu fazer uma acção de informação e sensibilização, perante a sociedade portuguesa sobre a questão relacionada com os graves perigos que os organismos geneticamente modificados (OGMs ou transgénicos) representam na saúde dos consumidores, no ambiente, na agricultura e na sociedade no geral.

Método: Hoje, Domingo, está planeada uma simples acção de sensibilização. O objectivo é somente distribuir panfletos (os dois primeiros localizados aqui:
http://stopogm.net/?q=node/85 , imprima e fotocopie) e conversar com as pessoas de forma a esclarecê-las o que os OGMs / Transgénicos realmente representam e do quanto estão e vão afectar a todos.



Para tal iremos vestir t-shirts com palavras contra os transgénicos.

Todas as pessoas são convidadas a fazerem uma t-shirt para si (com tinta, marcador, estampagem, etc) com frases tais como: "Transgénicos? Não Obrigado"; "Boicote transgénicos - Perigo para a saúde e o Ambiente"; "Transgénicos não"; ou outras frases que sejam interessantes e bem explícitas. Poderão igualmente colocar o site da Plataforma Transgénicos Fora: www.stopogm.net



Às 19h de domingo, as "t-shirts" encontram-se para distribuírem panfletos de esclarecimento em relação aos OGM, nas zonas acima anunciadas ou noutros locais que qualquer outra/s pessoa/s possa/m querer organizar para fazer o mesmo, seja em outras cidades, vilas ou aldeias.

Todos estão convidados - Ajude a fazer a diferença: Convidamos a todas as pessoas em Portugal, que caso não se possam juntar aos eventos nos locais anunciados acima, que no domingo e mesmo noutros dias, dentro da sua localidade, possam organizar um grupo de amigos e realizar o mesmo género de acção aqui descrito. Não podemos ficar parados, há que informar para ajudara evitar maiores males! Passe a mensagem por todos (fóruns, sites, e-mail, sms, telefone, boca a boca).


T-shirts à venda:












1.9.07

Estão abertas as inscrições para um workshop de Samba – Ritmos de Resistência


Está-se a organizar na cidade do Porto um workshop intensivo de Samba- Ritmos de Resistência ("Samba band - Rhythms of Resistance") para os dias 10 a 14 de Setembro. O workshop será dinamizado por uma activista da Samba Band de Berlim.

Recorde-se que os Ritmos de Resistência (“Rhythms of Resistance") é uma rede internacional de activistas e grupos que tocam e dançam de uma forma criativa e auto-organizada em manifestações e acções.
Para saber mais, consultar
http://www.rhythms-of-resistance.org/


A realização deste workshop na cidade do Porto tem como objectivo preparar uma participação dos Ritmos de Resistência na manifestação anti-OGM no Porto por ocasião da reunião informal dos ministros de agricultura europeus que decorrerá nesta cidade durante o mês de Setembro ( 16 a 18 de Set.)


Os interessados devem contactar o mais cedo possível para utopiar@netcabo.pt


NOTA:
É importante terem a certeza se podem participar e enviarem o contacto o mais rápido possível, pois a realização ou não deste workshop depende de um número mínimo de 8 participantes.


Há grupos do género em muitas outras cidades como Amsterdam, Barcelona, Bremen, Maastricht, Mexico City, Oberhausen, Oxford, Sofia und Torino ...


Mailing List europeia do Samba-Ritmos de Resistência:
https://lists.riseup.net/www/info/jogjugtrob


Outros websites de interesse:
http://www.infernalnoise.org/
http://www.rhythmsofresistance.co.uk/
http://www.action-samba-berlin.so36.net/en/index.html