6.6.07

O horror turístico

O horror turístico é um fenómeno civilizacional. Desenvolve-se à medida que o mundo se industrializa e de urbaniza.
Numa sociedade altamente poluída com uma agressividade difusa, os indivíduos, que vivem stressados e oprimidos num trabalho racionalizado, procuram formas de compensação terapêutica. As agências de viagens promovem um mundo idealizado, à margem das características típicas da sociedade industrializada, o que constitui um objecto muito atraente para quem vive naquelas condições. A fome e sede de exotismo e de descontracção é muita. Procura-se cada vez o fantasma de pureza original.
Paradoxalmente, é a própria indústria turística que contribui para a destruição da natureza selvagem. O mundo torna-se então objecto de re-construção turística e as cidades tranformam-se em museus e os campos em gigantes parques de atracções. Tudo se consome inclusive a própria natureza.
O mercado globalizado dos corpos e dos espaço generaliza-se e nada e ninguém ficam preservados. Curiosamente, quanto mais uma zone é preservada, mais ela é objecto de atracção! Tanto mais que a autenicidade se tornou coisa rara neste mundo feito de aparências e de simulacros. Os povos passam a ser foclorizados por aqueles mesmos que os desculturizaram, lhes desarticularam a sua economia local e os empurraram para as desordens do mercado global.
Este horror turística incide muito especialmene nos países do Sul, apesar de se estender por todo o planeta com uma enorme diversificação de fluxos. A concorrência de espaços e das megalópoles intensifica-se globalmente, e assistimos à turistificação dos espaços que participam naquela outra tendência de especialização mercantil e à emergância de monoculturas en cada território que os empobrecem e os desestruturam ainda mais.
O turismo é em grande parte responsável por toda esta evolução, tendo-se tornado numa mercadoria rentável por excelência, e alvo do apetite dos depradadores do planeta.


O último número da revista Ofensiva Libertária contém um dossier sobre o Horror turístico


Curso internacional "Globalização e desenvolvimento desigual” (25 a 29 de Junho) na Universidade Nómada (Madrid)


A Universidade Nómada pretende, com este curso, analisar o comportamento da economia-mundo capitalista e as respostas que os movimentos antisistémicos lhe tem dado. Tratar-se-á ainda da conjuntura actual, particularmente a crise de hegemonia norte-americana, assim como a guerra como instrumento de gestão e de reestruturação das relações capitalistas globais e a intensificação das desigualdades sócio-económicas à escala intra e inter-nacional.
A assistência ao curso é livre para todos os interessados. Note-se que a Universidade Complutense de Madrid confere a este curso créditos de livre configuração.

Participantes convidados:
Giovanni Arrighi (Johns Hopkins University)
David Harvey (City University of New York)
Samir Amin (Forum du Tier Monde, Dakar)
Beverly Silver (Johns Hopkins University)
Aníbal Quijano (Department of Sociology, Binghamton University, New York)
Peter Gowan (London Metropolitan University)
Ravi Palat (SUNY-Binghantom)
Jomo Kwame Sundaram (Assistant Secretary General for Economic Development, ONU)
Walden Bello (Focus on the Global South)
Vicenç Navarro (Johns Hopkins University y Universidad Pompeu y Fabra, Barcelona)
Yann Moulier Boutang (Université de Compiègne; Fernand Braudel SUNY-Binghamton; Laboratoire Isys-Matisse)
Giuseppe Cocco (Universidad Federal de Rio de Janeiro)
Mariarosa Dalla Costa (Facoltà di Scienze politiche, Università degli studi di Padova)
Emir Sader (Universidades de Sao Paulo y Rio de Janeiro)
Huang Ping (Professor & Senior Fellow Director-General Institute of American Studies Chinese Academy of Social Sciences) Darlene Miller (Sociology Department, Rhodes University, Grahamstown, South Africa)
Organização: Universidad Nómada, Ateneu Candela & Laboratorio de Creación de Nuevas Máquinas Políticas

Patrocinío: Foro Complutense, Fundación General–Universidad Complutense de Madrid

Colaboração: Fundación por la Europa de los Ciudadanos

Programa:
www.universidadnomada.net/spip.php?article143



Para mais informação e matrículas:





O que é a Universidade Nómada?


A Universidade Nómada é um laboratório anticapitalista, antiracista, descolonizador e feminista de produção teórica e intelectual, assim como uma agência de intervenção política pós-nacional e pós-europeia das novas forças de trabaçho nacionais e transnacionais que têm emergido após o ciclo de de lutas e movimentos antissistémicos históricos, e resultante dos recentes processos de reestruturação da economia-mundo capitalista levados a cabo desde os finais dos anos 70, dedicando atenção especial às novs formas de subjectividade e de constituição social dos novos sujeiros produtivos presentes nas actuais sociedades capitalistas.



Para subscrever a newsletter de informação da Universidade Nómada:
https://listas.sindominio.net/mailm...

5.6.07

Todos os dias são dias do meio ambiente

Video do Pnuma e da Greenpace a propósito do Dia Mundial do Meio Ambiente de 2007.




Mensagem lida por Helena no passado dia 2 de Junho durante uma bicicletada realizada em Madrid





Profecia dos indios Cree





Passeio por Madrid a pedir menos CO2, e mais energias renováveis

4.6.07

Participem no Dia Internacional de Acção Directa pela Justiça Climática ( 8 de Junho)

Contra as Alterações do Clima e o G8

O espectro antagonista percorre a Europa: já começaram as mobilizações contra a elite mundial do G8


Para acompanhar os protestos, as acções, os concertos, os debates e workshops, etc:


Em Portugal estão previstas várias acções. A tua participação é importante e podes colaborar de várias formas - pintura, filmagem, representação, distribuição do nosso manifesto, interacção com a população, bicicletada e o mais que queiras sugerir!
É também fundamental que ajudes desde já a passar a palavra.

No Porto:
O que vamos fazer?
Vamos simular um mercado de direitos de emissão («Outlet do Carbono») onde haverá figurantes a representar cada um dos líderes do G8 a tentar comprar direitos a outros países, ou seja, a «oferecer» gases de efeito de estufa (simbolizados por balões negros «negociados» com quem vai a passar na rua...).
Denunciar-se-á localmente um dos aspectos que mais gravemente está a contribuir para esta situação na zona do Porto : o abuso e favorecimento do automóvel privado a par com o desprezo e crescente mau trato dado aos transportes colectivos e aos seus utentes.


Onde o vamos fazer?
Entre o Castelo do Queijo e a marginal de Matosinhos.

Quando?
dia 8, sexta-feira, a partir das 15.00h

Para colaborares e para mais informações contacta:

rede-g8-porto@pegada.net

ou contacta os tls
936333332
966060499
919053035


Em Lisboa:
Entre a Rua Augusta e a Av. da Liberdade teremos no mesmo dia ( 8 de Junho) várias acções, de performance ou instalação de rua:
Na Rua Augusta vamos ter uma batalha pela justiça climática contra os líderes do G8: um mapa mundo em que todas as pessoas impedem que o G8 encha o Mundo de gases poluentes, emissões que afectam sobretudo os países do hemisfério Sul.

Salvar o clima com justiça social contra a poluição dos mais ricos!

Aparece às 17h30 no início da R. Augusta (lado Rossio)
Não faltes!

E não deixes de participar nos preparativos! Passa palavra!
Para colaborares e para mais informações contacta:
justica.climatica@gmail.com

Para acompanhares todos estes preparativos vai a:
http://www.geoito2007.blogspot.com/




A Humanidade enfrenta hoje o maior problema ecológico de todos os tempos. O Planeta está em risco e é urgente agir para combater as alterações do clima. Os impactos que já se manifestam são alarmantes e os cenários de futuro são assustadores: 19 dos 20 anos mais quentes registaram-se desde 1980, 1 milhão de espécies poderá extinguir-se até 2050, desertificação, escassez de água, cheias e inundações, … Se nada for feito, milhões de pessoas em todo o Mundo serão afectadas, sobretudo nos países e comunidades mais pobres: migrações forçadas, doenças,pobreza, fome…Os países mais ricos, representados no G8, são os responsáveis históricos pela crise ambiental. E a cópia do seu modelo de desenvolvimento pelas economias ditas emergentes significa a catástrofe.

Energia e Alterações Climáticas serão os temas fortes na próxima reuniãodo G8, entre 6 a 8 de Junho, na Alemanha. Mas sabemos o que isto significa: os interesses dos mais ricos e seus aliados estratégicos não são os interesses das populações do Globo. O futuro de tod@s continuará a ser decidido à porta fechada por uns poucos: manter-se-á a busca do lucro fácil e imediato, o poder hegemónico das multinacionais quemercadorizam o mundo e a vida, a exploração desenfreada dos recursos colectivos e a poluição destrutiva, ….O mercado continuará a ser a resposta de fundo à crise e ele significa duas coisas muito simples: o peso da redução das emissões poluentes será transferido para os países do Sul, sob uma nova forma de neo-colonialismo, e a redução não será rápida o suficiente para evitar consequências dramáticas sobre @s mais pobres.

Combater as alterações climáticas com justiça social significa reduzir já e radicalmente as emissões poluentes, sobretudo nos países mais ricos. Este é o apelo à justiça climática! Este é o apelo à mobilização social e acção directa contra o G8!

Dia 8 de Junho será o Dia Internacional de Acção Directa pela Justiça Climática

Este é o apelo a acções autónomas, descentralizadas e criativas em várias cidades e locais do Mundo. Já estão marcadas iniciativas no Reino Unido, América do Norte, Alemanha, Canadá, Austrália e muitos outros.

Também em Portugal queremos dizer "Basta de CO2, basta de poluição!","Tod@s somos o clima!", "Mudar o mundo para não mudar o clima!", e muito mais…

Ajuda a construir o protesto!
Para mais informações contacta: justica.climatica@gmail.com

Nós temos um prazo de 10 anos para agir. Assim que os megalomaníacos líderes do G8 se encontrarem na Alemanha, mascarados atrás de uma barreira de cercas e soldados, apostados em levar-nos mais a fundo no catastrófico e irreversível caos climático, nós temos que atirar, gritar e berrar “basta”. Agora é o momento para a acção directa de denúncia sobre o que eles e os seus amigos criminosos da indústria climática fazem ao planeta e à Humanidade.

Nós todos sabemos das aterradoras estatísticas: milhões de espécies extintas até 2050, 19 dos 20 anos mais quentes num recorde desde 1980, Antártica derretendo, seca, inundações, famintos… o G8 tiveram 30 anos para endereçar as mudanças climáticas e tiverem sucesso somente em subsidiar as grandes indústrias que destroem o nosso planeta e o nosso futuro. E enquanto o G8 continua a encher os bolsos, há ilhas que desaparecem e uma condição climática que não cessa de degradar.se causada pela sua irracional e incontrolável obsessão no cego, insustetável e desigualitário crescimento económico.

Temos de aproveitar este dia internacional para apoiar as lutas locais contra as refinarias de petróleo poluidoras e muitas outras fontes de poluição. Denuncie os financiadores industriais de energias fosseis. Organizem workshops para espalhar formas de vida sustentáveis pós-petróleo.

A acção direta e a desobediência civil são a resposta racional nestes tempos de crise.
Apoiem Dia Internacional de Acção Direta contra as Mudanças Climáticas e a acção contra o G8!
A receita deles para a catástrofe encontrará com nossa resistência global!


Calendário dos protestos:

1 de Junho – Colonização simulada do Bombódrono
Pretendeu-se com esta acção simulada, a ter lugar num espaço projectado para fins militares, mostrar o antagonismo contra a política de guerra, colonizando simbolicamente aquele terreno
INFO:
g8andwar.de y sichelschmiede.org

2 de Junho – Manifestação multitudinária internacional em Rostock
Sob o lema de «Outro mundo é possível» esta manifestação internacioal costituiu um enorme êxito com a presença de milhares de manifestates.


3 de Junho – dia reservado para debate e acção sobre a agricultura
A redde de acção Economia Agrária Global (Aktionsnetzwerk globale Landwirtschaft) planificou varias actividades para chamar a atençãon para as realidades catastróficas da economía agraria global e a favor do direito à soberania alimentar dos povos. Mais info:
g8-landwirtschaft.com


4 de Junho – dia dedicado aos problemas das migrações e exílios.
Tem como lema «pela liberdade global a circular, os mesmos direitos para todos». Ao fim do dia prevê-se a realização de um encontro-debate sobre o Apartheid Global com Solange Kone (Costa de Marfil), Maxim Butkewich (Ucrania), Valery Alzaga (México/ EE UU), Lawrence Liang (India) y Sunny Omwenyke (Nigeria/Alemania). Mais info: g8-migration.net.tf

5 de Junho – dia do antimilitarismo
Neste dia estão previstas várias actividades contra o militarismo, a guerra e a tortura. Não faltarão acções a lembrar que os países do G8 estão enmvolvidos dm muitas guerras Mais info:
g8andwar.de

6 e 7 de Junho – Dias de bloqueios e manifestações
Para estes dias estão prjectados bloqueios maciços e grades manifestações à volta de Heiligendamm A intenção é bloquear vías de acceso de maneroa efectiva. Mais info:
block-g8.org.

5 a 7 de Junho – Cimeira alternativa
Nestes dias realiza-se uma cimeira alternativa com a presença de várias figuras conhecidas, assim como debates e encontros vários para debates. Mais info:
g8-alternative-summit.org


Websites:

http://www.g8nao.blogspot.com/ (português)

http://g8-tv.org (televisão)

http://dissent.org.uk/

http://www.all4all.org/g8/

http://antig8.tk/home_en.php

www.block-g8.org/

http://www.gipfelsoli.org/Multilanguage/English

http://www.nadir.org/nadir/initiativ/agp/g82007/ (People Global action)

http://www.heiligendamm2007.de/Demo_en/index_demo_en.html

http://www.g8-alternative-summit.org/en/

http://www.camping-07.de/content/view/11/22/lang,en/

http://www.g8youthplatform.org/

http://www.resist.org.uk/

http://www.clownarmy.org/

en.wikipedia.org/wiki/G8

http://risingtide.org.uk/node/212

Video de apelo para uma Grande Acção Gobal para o dia 8 deJunho:

http://youtube.com/watch?v=EwHlbBbZNT4




Documentário dividido en 7 partes chamado “Outro mundo é possível”.
Para entender la situação actual: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Ver ainda o vídeo:
www.dailymotion.com/video/x1nv2b_heiligendamm-demo-against-g8-110806



Kristin Halvorsen, uma esquerdista à frente do Ministério das Finanças da Noruega!


Nota prévia deste blogue: este texto é um pequeno contributo virtual para a educação civíca das nossas provincianas elites políticas, apesar de todo o nosso cepticismo na sua inteligência social.


Texto de José Vítor Malheiros, publicado no jornal Público

O seu nome é praticamente desconhecido do público e até dos media, fora do seu país. Se dissermos que Kristin Halvorsen é ministra das Finanças da Noruega, a reacção não costuma ser mais entusiasta do que um "Ahhh...".
Se acrescentarmos que, na sua qualidade de ministra das Finanças, Halvorsen controla o Fundo de Pensões do Governo norueguês, os nossos interlocutores bocejam discretamente. O interesse só aumenta quando dizemos que o Fundo de Pensões se chamava até ao ano passado Fundo do Petróleo e se recorda que a Noruega é o terceiro exportador mundial de petróleo, depois da Arábia Saudita e da Rússia. Depois, basta dizer que o fundo recolheu nos últimos dez anos a quantia de 300.000 milhões de dólares e que é actualmente o maior fundo de investimento europeu e um dos maiores do mundo. O que se chama um "heavy player".


Mas o que tem atraído a atenção dos especialistas no Government Pension Fund norueguês é o facto de o fundo ter aprovado em 2004 um exigente código de ética que Halvorsen tem estado a pôr em prática de forma rigorosa. Em que consiste o código de ética? O fundo não investe em empresas responsáveis por violações dos direitos humanos, cuja actividade prejudique gravemente o ambiente ou que pactuem com a corrupção.
É o chamado "investimento socialmente responsável", de que todos falam, mas que quase ninguém pratica. De facto, os códigos de ética para o investimento não faltam - apenas tem faltado a ética no investimento.

Outra das novidades da direcção imposta por Halverson é a publicidade das opções do fundo, que já decidiu não investir em empresas como a Boeing, a Lockheed Martin, a General Dynamics, a Honeywell, a Raytheon ou a Northrop - grandes empresas do sector militar responsáveis pelo fabrico de armas nucleares e outras armas consideradas desumanas.
A lista das empresas excluídas está publicada na Internet, assim como as razões da exclusão (http://www.norges-bank.no/nbim/pension_fund ).

A última estrela da lista negra foi nada menos do que a cadeia de retalho Wal-Mart, acusada de beneficiar do trabalho infantil de fornecedores no Bangladesh e China. O fundo simplesmente despejou no mercado 400 milhões de acções da empresa, ao mesmo tempo que publicava o comunicado explicativo da acção. A Wal-Mart esperneou e meteu a Administração americana na discussão para fazer pressão. Halvorsen explicou que essas decisões pertenciam ao Conselho de Ética e à direcção do fundo mas foi avisando que os critérios éticos são para seguir e mesmo... para reforçar. Em discussão está neste momento a suspensão do investimento em empresas que contribuem de forma irresponsável para o aquecimento global. A dificuldade consiste em definir que linhas de acção devem ser estabelecidas, quando a riqueza do fundo provém do petróleo.

Investimento ambiental

Há dificuldades com estas orientações: uma delas é o facto de o escrutínio prejudicar tanto mais as empresas quanto mais transparentes elas forem sobre a sua actividade - o que quer dizer que as empresas americanas são penalizadas e que pode haver enviesamento na aplicação dos critérios. Mas Halvorsen responde que o fundo estará sempre disposto a rever as suas posições se a empresa condenada der provas de responsabilidade social. Isso já aconteceu no passado, com a empresa de exploração petrolífera Kerr McGee, expulsa e readmitida no fundo.
Actualmente o Fundo de Pensões faz 50 por cento dos seus investimentos na Europa, 35 por cento nas Américas e 15 por cento na Ásia e Oceânia.

Kristin Halvorsen, 46 anos, casada, dois filhos, está no Governo em representação do pequeno Partido da Esquerda Socialista, em coligação com o Labour e o Partido do Centro. É a primeira vez que o partido está no poder e é a primeira vez que uma mulher ocupa a pasta das Finanças.

As ideias políticas de Halvorsen tornam a sua posição de "supercapitalista global" particularmente paradoxal aos olhos dos americanos - esta mulher é não só "socialista", como "da esquerda socialista". A ministra, porém, não parece sentir o paradoxo de forma mais viva do que a generalidade dos noruegueses, a quem o enriquecimento súbito suscita sentimentos contraditórios e para quem o conceito de investimento socialmente responsável é algo mais vivo que no resto do mundo.
Poder-se-ia pensar (e havia quem receasse) que a autolimitação no espectro dos investimentos prejudicasse o desempenho do fundo, mas em 2006 o seu rendimento foi de 7,9 por cento, superando as expectativas.


A situação económica da Noruega, entretanto, é excelente, com um crescimento de 2,5 por cento, uma inflação de 0,75 por cento e uma taxa de desemprego de 2,5 por cento, a mais baixa dos últimos vinte anos.

Uma tendência crescente

Halvorsen dirige o seu partido desde há dez anos, começou a sua vida profissional como secretária num gabinete de advogados e estudou sociologia da educação e criminologia sem ter obtido qualquer diploma. A sua actividade política não tem sido escassa em detractores: as suas hesitações em aumentar a exploração de petróleo no mar de Barents por razões ambientais e de protecção das pescas valeram-lhe muitas críticas e o mesmo acontece com a actual filosofia de investir apenas nas empresas que não desprezem os direitos humanos, que não promovam a guerra e a exclusão social. Mas uma coisa é certa: a sua exigência neste domínio faz parte de uma tendência crescente, tem uma base social de sustentação que é planetária e que vai muito para além de qualquer fronteira partidária e pode contribuir de forma positiva para mudar a forma como se faz negócios no mundo.

Daryl Hannah no XIV Festival Internacional de Cinema do Meio Ambiente da Catalunha

A actriz Daryl Hannah ao lado do activista Charris Ford A protagonista de êxitos de bilheteira como Blade Runer, 1,2,3…, Splash e Kill Bill, a actriz de ciema norte-americana Daryl Hannah, confessa estar actualmente afastada do meio glamour da indústria do cinema assim como dos excessos e luxos a que normalemente se associa a vida de Hollywood.
De facto, ela vive presentemente numa casa rústica com energia solar, cultiva boa parte das hostaliças que consome e usa um veículo movido a biodiesel. Hannah, empenhada actualmente nas causas ecológicas, abriu na sexta-feira a XIV edição do Festival Internacional de Cinema do Meio Ambiente da Catalunha e que se prolongará até ao dia 10 de Junho.

A mostra irá passar um conjunto de curtas-metragens de temática ecológica realizadas sob a direcção de Daryl Hannah, que teve também a sua participação como protagonista, com o título de DH Love Life, assim como o documentário sobre os benefícios dos combustíveis alternativos, French fries to go, em que a actris aparece junto com o activista Charris Ford.
Hannah reivindica a necessidade da luta a favor da preservação da natureza, considerando que a chave para a consciencialização da população é oferecer a máxima informação possível. Por isso é que está emprenhada em realizar cada semana pequenas curtas-metragens para chamar a atenção para os edifícios ecológicos, a energia solar, a protecção dos animais.
Recorde-se que Love life, o conjunto de curtas-metragens, de que é responsável é distribuído pela Internet e é gratuita a sua descarga.

www.off-grid.net/index.php?p=313
http://dhlovelife.com/v2/opening/
www.sustainablestyle.org/sass/07/darylhannah.html
Sobre o Festival Internacional do Meio Ambiente da Catalunha:
http://www.ficma.com/ESP/bienvenida.html

Curso de Eco Construção na Quinta Cabeça do Mato

Curso de eco-construção de 4 a 11 de Junho com Tony Wrench
na Quinta Cabeça do Mato
em Tábua, Vila Seca

Custo 75 e.

Telhado Vivo, paredes de madeira com lama e outras técnicas

Consultar:
http://quintacabecadomato.blogspot.com/

Nós, na Quinta Cabeça do Mato, gostaríamos de juntar um grupo de boas pessoas para esta parte da construção. Assim convidamos-te para te juntares a nós na construção deste
espaço comunitário!

Nesta fase do curso de eco-construção vamos trabalhar na insolação do "telhado vivo"; nas paredes de lama, madeira e palha, com garrafas e janelas recicladas; blocos de adobe; erocket stove em taipa.

Para criar um espírito comunitário pedimos às pessoas que tragam por favor: Tenda própria, comida para partilhar, ajuda na preparação das refeições e nas tarefas do dia a dia, instrumentos musicais e boa vibrações.

A Quinta Cabeça do Mato providencia um espaço para eco-camping, duches a lenha e solares, casas de banho secas e um espaço de cozinha coberto. Temos também Yurts e tendas familiares para alugar!

Por favor reserva o teu lugar o mais breve possível pelo email
quintacabecadomato@gmail.com


Mais info: aqui

Jornadas de eco-contrução (7 a 9 de Junho)




Jornadas de Eco-Construção: Casas Saudáveis para o Presente

Quinta-feira, 7 de Junho

08 30 – Recepção e entrega de documentação

09 30 – Abertura das Jornadas.
- Câmara Municipal de Paredes de Coura
- ES Gallaecia
- ALDEIA

10 00 – 1ª Sessão - Arquitectura de Terra - Património, Diversidade Cultural e Contemporaneidade - Mariana Correia - Arquitecta. ES Gallaecia e CdT

10 40 – 2ª Sessão – A Oficina da Terra Crua. Reciclagem e Reutilização de Materiais na Construção Ecológica – Vera Schmidberger – Arquitecta. sla

11 20 – Pausa para café

11 40 – 3ª Sessão – Construção em Madeira: A Construção, A Floresta e a Paisagem – Jorge Lira -Arquitecto. Norma_Nova Arquitectura em Madeira.

12 20 – Oficina de construção em fardos de palha e cal – Jorge Lira – Arquitecto / ALDEIA / AEPGA

13 00 – Almoço

15 00 – 4ª Sessão – Edifício energeticamente auto-suficiente? - João Caixinhas. Ceifa Ambiente, Lda.

15 40 – 5ª Sessão – Coberturas ajardinadas-Contributos para um urbanismo mais sustentável – Laura Costa – Arquitecta Paisagista. UTAD

16 20 – Pausa para Café

16 40– 6ª Sessão – Piscinas Biológicas – Conceito, Construção e Manutenção – Gisela Mourão – Arquitecta Paisagista

17 20 – Debate.

18 00 – Projecção de Filmes

19 00 - Encerramento dos trabalhos


Sexta-feira, 8 de Junho

08 00 – Concentração no Centro Cultural de Paredes de Coura

08 30 – Saída de Campo

1º Local – Pensão Nascente do Ave – Piscina Biológica de uso semi-público - Vieira do Minho

2ºLocal – Quinta do Esquilo – Pavilhão de eventos em Madeira – Amares

13 00 - Almoço

14 00 – Regresso a Paredes de Coura

15 00 - Oficina da Terra Crua – (Mediante Inscrição prévia)

Introdução à Construção em terra crua
As técnicas de construção que fazem recurso da terra crua, chegaram aos nossos dias colocando-nos várias problemáticas, uma vez que deixaram de ser práticas construtivas correntes. Contudo, este tipo de construção reveste-se hoje em dia de especial actualidade, sobretudo pelos aspectos ambientais que envolve. Diversos são os estudos, investigações e realizações contemporâneas levadas a cabo no sentido de recuperar e actualizar todas as potencialidades deste material.

Limite de participantes: 22
Preço de inscrição: 20 euros



Sábado, 9 de Junho

10 00 – 1ª Sessão – Argamassas Eco-eficientes e Construção Não Convencional em Canhâmo Industrial – Rute Eires -Arquitecta. UM

10 40 – 2ª Sessão – Materiais e sistemas para a Construção Ecológica – Claúdia Sousa. BioHabitat

11 20 – Pausa para Café

11 40 – 3ª Sessão – Caracterização e Reabilitação de Construções existentes em Terra – Dora Silveira – Eng. Civil. Dep. Engenharia Civil. UA

12 30 – Almoço

14 15 - 4ª Sessão – Uma Experiência Ecológica – Uma Casa Unifamiliar em Gaia – Filipe Francisco – Eco-Arquitecto. Ecocriações_Arquitectura Sustentável

15 55 - 5ª Sessão – ¿Sostenibilidad, ecoarquitectura, bioclimática? Simplemente outra manera de ver y entender la arquitectura – Iñaki Alonso – Ecoarquitecto. satt

16 40 - 6ª Sessão – Mesa redonda / Síntese das jornadas

17 20 – Encerramento

Ciclo de cinema «Rir da Guerra» na casaViva


Projecções e conversas sob o tema Rir da Guerra

na CasaViva - Prça Marquês de Pombar, 167 Porto
(bater ao batente para entrar)


Entrada Livre

5 de Junho, 22 horas
Dr. Estranhoamor (DR. STRANGELOVE) / 1964 / EUA / 96 min
se acaso ainda não percebeu a relação entre os
senhores da guerra e as patologias da líbido,
está a precisar de ver este filme de Stanleu Kubrick.
Caso contrário, também...

Terça-feira 12 de Junho
Artigo 22 (Inglês leg. português), de Mike Nichols

Terça-feira 19 de Junho
Dr Fígado (Japonês leg. português), de Shohei Imamura

Terça-feira 26 de Junho
Duck Soup (Inglês leg. português), dos Irmãos Marx

Terça-feira 3 de Julho
Sketch de O Sentido da Vida (Inglês leg. português), dos Monty Python
A Bomba (Inglês leg. francês), de Peter Watkins

Terça-feira 10 de Julho
Os Carabineiros (Francês leg. inglês), de Jean-Luc Godard

Terça-feira 17 de Julho
Curta metragem in 9.11 (Iraniano leg. português), de Samira Makhmalbaf
Kandahar (Iraniano leg. português), de Mohsen Makhmalbaf

(programa sujeito a alterações)

Barricadas que fecham estradam mas abrem caminhos


Videos e conversa na esplanada do bar da faculdade de letras da Universidade de Lisboa às 16h. da próxima 3ª feira (5 de Junho) sobre Capitalismo e Resistências.

3.6.07

Jornais de grande circulação publicam artigos sobre o movimento libertário em Portugal


No último mês de Maio apareceram na imprensa de grande circulação alguns artigos sobre o movimento anarquista em Portugal ou, pelo menos, sobre alguns elementos que se reclamam deste ideário. Como mais vale tarde do que nunca, aqui se dá nota do acontecimento. O primeiro desses textos apareceu no semanário Sol de 5 de Maio sob o título «Os novos anti-fascistas», o segundo tem como titulo «O que faz falta é agitar a malta» e foi publicado na revista dominical que acompanha o jornal Correio da Manhã alguns dias depois da manifestação anti-autoritária realizada a 25 de Abril. Finalmente, um artigo de autoria do jornalista Pedro Rios foi publicado no jornal Público do dia 15 de Maio com o título «Anarquistas, apesar de tudo»



'Manif's'

O que faz falta é agitar a malta




Recusam o capitalismo e a globalização. São anti-racistas. São pelos direitos das mulheres e dos imigrantes. São jovens. Estudantes. Actores sem palco. Docentes às vezes. Recusam os partidos. Outros militam. Entendem-se algures, para além da esquerda bem comportada


Diferentes nos modos de acção, partilham as causas do anticapitalismo e do anti-racismo. Enfrentam, nas ruas e nas escolas, a extrema-direita. Quase sempre sem violência. Mas nunca fiando. É bom que os mais aguerridos de um lado e do outro não cheguem a cruzar-se. Ou haverá peleja.

Manuel Baptista é professor de Ciências do Ensino Secundário, tem 52 aos e define-se como anarquista. Só não lhe chamem militante da extrema-esquerda. Porque não é de extrema nem de esquerda, nem de direita e ainda menos do centro. “Os movimentos anarquistas colocaram-se sempre fora do sistema partidário”, explica aos menos atentos.

Filho de um resistente antifascista ligado ao PCP, na adolescência Manuel admirou Lenine, alma da revolução russa e fundador da URSS. Foi sol de pouca dura. “Rapidamente compreendi que esse comunismo não era o meu ideal.” Deu-se a ruptura. Fez trabalho sindical. Desiludiu-se ao constatar que “as pessoas, quando se tornam hierarcas, perdem o sentido político da solidariedade.”

Para o colaborador do jornal anarquista ‘A Batalha’, opor-se à exploração do homem pelo homem implica recusar a autoridade de uns homens sobre os outros e, em consequência, o Estado. É por isso que se considera comunista. E entende que não o são os que se dizem marxistas-leninistas.

Casado e pai, paga os seus impostos, embora gostasse de poder fugir-lhes. Resiste a qualquer forma de Estado – seja “suporte do capitalismo” ou dito “dos trabalhadores” –, mas cumpre as leis que dele emanam. Tem bagagem teórica e experiência de vida suficientes para reconhecer que ser anarquista hoje é “viver em contradição”.

Mesmo insatisfeito, é um libertário cortês e elegante. Tem o sorriso fácil. Não se veste de preto. Não usa gorro passa-montanhas. Não exibe qualquer pin ou bandeira com a primeira letra do alfabeto rasgada dentro de um círculo. Mas partilha com os que assim se apresentam as causas do anticapitalismo e a defesa dos imigrantes. Diz que fazem parte da mesma “galáxia antiautoritária”.

Uma galáxia que integra também astros habitualmente na órbita do Bloco de Esquerda – para Manuel Baptista, “não compreenderam ainda que há um fosso entre marxismo autoritário e marxismo libertário”.

Os astros antiautoritários tornaram-se por estes dias mais luminosos em reacção aos sinais de recrudescimento da extrema-direita em Portugal. Desde a morte, no Bairro Alto, de Alcino Monteiro, às mãos de sete skinheads, a 10 de Junho de 1995, que não se falava e escrevia tanto sobre pessoas que perfilham ideias neo-nazis, entre as quais a supremacia da raça branca. Ter-se considerado, mesmo se no âmbito de um programa de televisão, Oliveira Salazar o maior português de sempre também contribuiu para acicatar os ânimos daqueles cujo coração bate à esquerda. Ou para lá dela.

Tem uma peruca roxa, óculos escuros e piercings nos lábios. De estatura franzina, aparenta cerca de 20 anos. Não fala para a Imprensa, que – acusa – “deturpa a mensagem”. Distribui comunicados. “Todos conhecemos casos de miséria, de injustiça social, de terrorismo policial, estatal ou patronal (...) Mas esses pouco ou nada são divulgados nos media. No entanto, a grupúsculos de extrema-direita que propagam ideias racistas e xenófobas, que defendem ideologias como o fascismo e o nazismo, responsáveis por dezenas de milhões de mortos, é dada publicidade desmedida”. É o que diz o comunicado. Não assinado.

Diz ainda: “Defender a sacrossanta propriedade privada contra os que voluntária ou involuntariamente são colocados à margem do sistema” é a “necessidade histórica do capitalismo”. Para concluir que “a existência de grupos nazis e fascistas e a sua sobrevalorização pelos media distrai-nos dos que são os nossos verdadeiros inimigos: o Estado e o Capital.”

Junto da peruca roxa segue um rapaz com o capuz da camisola cinzenta sobre a cabeça, uma rapariga com rastas e outros dois rapazes. Não integram o cortejo ‘MayDay’ – significa Dia 1 de Maio e ao mesmo tempo um pedido de socorro usado pelos aviadores, que se supõe derivar da expressão francesa “m’aidez”, em português “ajudem-me”.

O grupo mantém a distância em relação à cauda da comitiva dos trabalhadores precários e intermitentes do espectáculo que, após o pic-nic vegetariano, abandona a Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, em direcção ao Estádio 1.º de Maio, onde vai juntar-se à manifestação da GCPT-IN, sob o olhar vigilante da Polícia, que não intervém.

Não foi assim no 25 de Abril, quando se celebrou o 33.º aniversário do “dia inicial, inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio” – como deixou escrito Sophia de Mello Breyner.

"ENCURRALARAM-NOS"

“Eles encurralaram-nos!” Eles são os agentes do Corpo de Intervenção da PSP e quem os acusa de terem recorrido a uma táctica usada contra os estudantes que se manifestavam contra o regime de Salazar e depois de Caetano é ‘Mário’, 30 anos, intermitente do espectáculo - às vezes trabalha, às vezes não.

‘Mário’ foi objector de consciência quando o serviço militar era obrigatório. Nunca votou. Habitou casas ocupadas em Portugal e passou por outras no estrangeiro, mas não lhe faltou o apoio do pai, académico, em períodos difíceis. Diz não ter partido nada. Não ter agredido ninguém na zona da Baixa/Chiado. Está assustado. “Eles encurralaram-nos!” Nem mais uma palavra. Nenhum comentário ou explicação sobre três ‘cockaitls molotov’ que a PSP diz ter apreendido. Nem sobre os mastros de metal, a substituir a madeira, das bandeiras negras.

Foi uma “manifestação antiautoritária, anticapitalista e antifascista”, não autorizada, que, a seguir às comemorações populares do 25 de Abril, partiu da Praça da Figueira em direcção ao Largo do Camões. Havia gente de cara tapada e vestida de preto, com o visual e comportamento associados ao ‘black block’ (ver caixa). Havia cães sem trela – alguns entre os anarcas são simpatizantes da Animal Liberation Front, organizada em células para o resgate, se necessário violento, de animais sujeitos a experiências científicas.

O relato de alguém que se intitula sub camarada Campos – o culto da clandestinidade entre os anarquista é evidente – encontra-se em blogues ligados à causa anticapitalista. “Ao longo do percurso foram pintadas frases na parede e atiradas algumas lâmpadas com tinta a vidros de lojas e bancos. Ninguém partiu montras.”

As frases ainda lá estão: “Eras um homem, agora és um polícia”; “O 25 de Abril passou mas a lei do bastão continua.” Os agentes do Corpo de Intervenção carregaram sobre quem se arriscou a voltar para trás, endireitando à sede, na rua da Prata, do Partido Nacional Renovador (PNR), de extrema-direita.

Sofia Roque, 24 anos, aluna de Filosofia combateu os neonazis com todas as suas forças de mulher delicada. O cenário da peleja foi a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, disputada por uma lista com elementos da extrema-direita. Não foram além dos 81 votos. Ganhou, com 818, a lista U, supostamente afecta à JCP. Nem por isso Sofia, com um caracol louro de cada lado do rosto, mais compridos do que o restante cabelo, descansa: “Desta vez tiveram o dobro dos votos.”

Não aparenta 24 anos. Desde os 16 que se empenha na defesa das ideias tradicionalmente associadas à esquerda: direitos das mulheres e dos imigrantes, anticapitalismo e antiglobalização.

Neste momento milita no Bloco. Reparte-se entre os estudos, o trabalho, “precário”, numa livraria e o activismo. Reside na casa dos pais. “Pertenço à geração dos 500 euros.” Refere-se a uma geração qualificada, diplomada, pós-graduada, que salta de emprego em emprego, normalmente assinando recibos verdes. Em Espanha chamam-lhes mileuristas. Em Portugal não ganham nem metade.

Sofia participou no desfile ‘MayDay – o Precariado Rebela-se’ e, dias antes, na manifestação do 25 de Abril ao longo da Avenida da Liberdade. Deu pelos tomates deixados ao pé do cartaz do PNR, protegido pela Polícia, em que se apela ao regresso dos imigrantes. Mas não teve tempo de pegar num e lançá-lo. O anticapitalismo e o anti-racismo que preconiza são “festivos”. Não violentos. “Isso são generalizações permitidas pelos media.”

"ESPERO QUE PASSE"

“Espero que a moda passe” Vítor Ferreira, 20 anos, refere-se à “moda” de adoptar ideais e posturas da extrema-direita. Sinal de que a maré está a mudar é – assegura – o resultado do referendo sobre a despenalização do aborto. Fala calmamente. Não tem a resposta na ponta da língua. Franze a testa como se isso o ajudasse a reflectir ou então é por causa do sol, descoberto pelo movimento de uma nuvem. Traz uma t-shirt verde onde pode ler-se ‘sun block’ – significa protector solar mas, à letra, lê -se ‘bloco solar’. Indirecta para os ‘black block’? Vítor não se identifica com os anarquistas, mas partilha as causas do anticapitalismo e do anti-racismo. Não perde tempo a falar sobre os nacionalistas. “Tem-se dado demasiada visibilidade a essas pessoas.”

Veio do Porto para estudar Medicina. No futuro espera não tratar só os endinheirados. “Não acabam com o Serviço Nacional de Saúde!” Mesmo então não se zanga. É o rosto da esquerda tranquila.

PRECÁRIOS DO MUNDO...

“Mayday, mayday” é um pedido de socorro usado pelos aviadores aflitos. Os trabalhadores precários não pilotam aviões desgovernados, mas sentem-se quase tão ansiosos acerca do futuro como aqueles. MayDay significa também Dia 1 de Maio e, no caso, reporta-se a uma parada de trabalhadores sem vínculo laboral simultânea em vários países do Mundo. Iniciou-se em Milão em 2002 e este ano realizou-se pela primeira vez em Lisboa. Operadores de call center, bolseiros de investigação científica, artistas e estudantes universitários rebelaram-se contra “a promessa de um futuro de exploração selvagem, sem direitos ou qualquer espaço para os exigir”. Um dos manifestantes contava que se os asmáticos são um milhão, os precários são muito mais e “o pior é que há precários asmáticos”. Mas não lhes falta criatividade.

"POLÍTICA É MAIS DO QUE IR VOTAR"

Os pais de Sofia Roque, 24 anos, militante do Bloco de Esquerda, “são politizados na medida em que a maioria dos portugueses é politizada, ou seja, votam quando há eleições”. Para esta estudante de Filosofia, não é suficiente. Sofia começou aos 16 anos a empenhar-se na denúncia do capitalismo, da discriminação das mulheres e dos imigrantes. “Foi o resultado de uma reflexão própria de que a política havia de ser mais do que votar nas eleições.” Na altura estudante do Ensino Secundário, tinha, além disso, “algo a dizer sobre a maneira como funcionava a escola”. Desenvolveu consciência política e dirigiu-a para a acção, depois também na Universidade.

Nasceu nove anos depois do 25 de Abril. Não sentiu a ditadura na pele, mas entristece-a o “branqueamento” da sua figura maior – Oliveira Salazar.

FRASES ANARCAS

- Ruim por ruim, votem em mim [no Galo de Barcelos]

- O MRPP é a vanguarda da classe operária. Está tão à frente que a classe operária não consegue apanhá-lo.

- Eu trabalho. Tu suas. Ele engorda.

- O nosso trabalho é o negócio (sobre a Polícia)

- em 1976 era... A terra a quem a trabalha, mortos fora dos cemitérios já!



TÁCTICA 'BLACK BLOCK' TAMBÉM EM LISBOA

Chamam-lhe ‘black block’ (bloco negro). É um pequeno grupo de activistas, entre três e 20, que se reúne em acções de protesto e manifestações anticapitalistas ou antiglobalização. Os elementos vestem-se de preto e tapam a cara – assim aparentam coesão, remetem para iconografia da acção revolucionária e evitam que a polícia os identifique. Confundido muitas vezes com uma organização internacional, o ‘black block’ é de facto uma táctica usada por alguns manifestantes.

Quando há destruição de propriedade, os ataques dirigem-se a bancos, edifícios do Estado, lojas de multinacionais, estações de abastecimento de gasolina e instalações de videovigilância. Em Portugal, os movimentos antiglobalização e anarquistas não representaram, em 2006, preocupação para o Serviço de Informações de Segurança (SIS), mais inquieto com os grupos neonazis. “São um risco efectivo para a segurança interna no tocante ao incitamento e promoção da violência política e racial.”

O ‘black blocK’ não é uma organização internacional, mas isso não significa que os activistas mais radicais não colaborem. Na manifestação contra o fascismo e o capitalismo de 25 de Abril estiveram presentes belgas, espanhóis e irlandeses.
Isabel Ramos

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Anarquistas, apesar de tudo
(histórias de 10 anarquistas)
Artigo do jornal Publico (15 de Maio de 2007)


O protesto no Chiado no 25 de Abril foi um dos maiores agrupamentos de anarquistas dos últimos anos em Portugal. Acreditam numa sociedade sem chefes, mas convivem com as inevitáveis contradições. Histórias de dez anarquistas de todos as idades
No último 25 de Abril, no Chiado, em Lisboa, surgiram de bandeiras pretas, panos com letras "A" circuladas e foram entoando palavras de ordem contra o Estado, o fascismo e o capital, numa manifestação que terminou com uma polémica carga policial.
São na sua maioria jovens, mas também os há em plena idade adulta. São anarquistas: acreditam numa sociedade sem Estado nem chefes, mas convivem diariamente com as contradições de quem vive num mundo oposto ao que imaginam.
É o caso de José Silva, nome fictício, que pede o anonimato por receio de represálias por parte dos militantes da extrema-direita. Tem 20 anos, vive em Lisboa e é estudante universitário. A actual maior visibilidade da extrema-direita portuguesa foi um dos factores que o levou a participar no protesto: "estão a crescer" e "andam saídos da casca".
A manifestação do 25 de Abril "serviu de ponto de encontro de diversos movimentos", não apenas anarquistas, contra um inimigo comum - o fascismo. "Foi uma concentração bastante grande. Foi bastante surpreendente ver tantas pessoas." E José Silva define os contornos do protesto: foi uma "manifestação anti-autoritária contra o capitalismo e o fascismo". Terá juntado cerca de 300 pessoas (150 na versão policial), sendo porventura o maior protesto a envolver anarquistas dos últimos anos.
José Silva, que se queixa de ter levado três bastonadas de um polícia sem justificação, foi um dos criadores do Cravado no Carmo, um site que reúne testemunhos e informação sobre o que os manifestantes consideram ser a acção "despropositada" e "injustificada" da PSP no Chiado. A polícia justificou a intervenção com um alegado comportamento agressivo e actos de vandalismo dos participantes do protesto. Onze pessoas com idades entre os 20 e os 30 anos foram detidas.
António Sousa é outro dos manifestantes, de 28 anos, também anarquista. Invoca o mesmo receio de represálias para usar um nome fictício na conversa com o P2. "Durante dois anos tive a minha foto na net. Vi amigos terem "nazis" à porta de casa", justifica este lisboeta, que andou pela "okupa" da Praça de Espanha, nos anos 90 e já foi detido por participar em manifestações ilegais. "Por posição ideológica não pedimos autorização ao governo civil", refere.
Com 22 anos, João (pediu para não ser identificado pelo apelido), de Évora, secretário e membro da banda anarco-punk Inconformidade Anti-Constitucional, participou no protesto para "mostrar às pessoas que existe uma alternativa", "numa altura em que o sistema tem legalizado um partido político assumidamente "nazionalista" [o PNR]", conta por e-mail. À semelhança dos outros manifestantes ouvidos pelo P2, ficou "espantado" com as dimensões da manifestação e conclui que "o movimento está a crescer".
Diogo Duarte, de 22 anos, anarquista e estudante de Antropologia Social no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), não concorda com esta análise. "Não considero que haja um movimento anarquista em Portugal. Mesmo os que se manifestaram são agrupamentos de indivíduos muito dispersos", contrapõe. O estudante acredita que "há terreno" para que "características anarquistas" tenham aplicação no dia-dia e cita como exemplos o software de código aberto e as licenças flexíveis de propriedade intelectual Creative Commons.


Viver em contradição


Mas no desfile pelo Chiado não havia só jovens. Júlio Conceição, 43 anos, gritou "contra o Estado e o capital". Pertence a uma "associação de ecologia social anti-autoritária", a Planeta Azul, que nasceu há 15 anos no Porto. Dá aulas de português a cerca de 50 imigrantes e dinamiza grupos de escuteiros livres, sem chefes e com uma postura crítica.
Também a Terra Viva, do Porto, desenvolve trabalho no âmbito da ecologia social e com escuteiros livres. José Paiva, membro da associação, refere duas ideias-chave da ecologia social: o capitalismo e o respeito pela natureza são incompatíveis e o ambientalismo é muitas vezes sinónimo de "capitalismo verde".
José Paiva tornou-se anarquista depois da revolução de 1974, quando percebeu que os partidos de extrema-esquerda, onde militou, não levariam a uma sociedade igualitária. Hoje, com 56 anos, põe a tónica na intervenção social. O anarquista deve intervir na sociedade, "não como vanguarda, mas ao lado, ombro a ombro, com pessoas não anarquistas", defende. "Se não hoje somos poucos e amanhã seremos ainda menos". Diogo Duarte, o estudante de antropologia, concorda. O anarquismo não é uma "utopia", diz. "Por uma razão: não pretende ser perfeito", explica o estudante, que chegou à ideologia no início desta década através de um livro de Noam Chomsky.
Anarquista dos sete costados, José Paiva recebe o subsídio de desemprego, concedido pelo Estado que ele próprio rejeita. Contradição? Ele diz que não: "O Estado não nos dá nada; devolve-nos um pouco do que lhes demos."


Ser vegetariano


"Qualquer anarquismo que se queira puro é reaccionário. A vida é feita de cambalhotas, mestiçagens e contradições", refere António Silva, de 48 anos, professor. Admite que o "sistema escolar faz das pessoas não tanto indivíduos livres como cidadãos obedientes", mas acredita que só através da "educação e da intervenção global" é que "o capitalismo e o poder dominante, cada vez mais global, se vão minando". É o que procura fazer nas suas aulas, no seu blogue , e no movimento ecologista.
"É quase viver em contradição", nota Diogo. Mesmo assim, tenta "questionar todo o tipo de autoridade". "Na faculdade, em que há um sistema altamente hierárquico, nunca me resignei ao espírito competitivo, quase de guerrilha", exemplifica. "Escolher aquilo que compro" e ser vegetariano são outras das pequenas vitórias do dia-a-dia para este libertário.
"Tento limitar o impacto da minha vida", aponta José Silva. Também é vegetariano e rejeita o tabaco, o álcool e as drogas para "estar o mais lúcido possível e consciente" de tudo o que o rodeia. A "autocrítica e o auto-controlo" são essenciais a este estudante que se diz "incapaz de tomar uma atitude autoritária". "Tendo a encarar isto mais como uma filosofia de vida do que como uma meta concreta que se tenta atingir. É um ideal lá ao fundo, vislumbrável aqui e ali."


Estruturas alternativas : Uma associação, duas livrarias e uma "okupa"


Não estamos numa associação anarquista, faz questão de esclarecer José Paiva, em conversa com o P2 na pequena sede da Terra Viva, na Rua dos Caldeireiros, no Porto. Mas o trabalho da associação no âmbito da ecologia social tem pontos de contacto com a postura contrária à autoridade e às hierarquias que caracteriza o anarquismo. E nas prateleiras e paredes vêem-se símbolos da ideologia, como uma bandeira igual às da antiga Confederação Geral do Trabalho (CGT), que congregou os anarco-sindicalistas do início do século XX, quando esta era a ideologia dominante no meio operário português.
A Terra Viva desenvolve trabalho com 260 jovens, muitos deles de meios sociais carenciados. Desta forma, a pequena equipa da associação quer formar "pessoas críticas", que se habituem a criar movimentos de base, como o Movimento de Utentes dos Transportes da Área Metropolitana do Porto. Paiva e outros membros da associação têm sido presença constante nos protestos contra a recente mudança na rede de autocarros da cidade.
Professora do 3º ciclo numa escola do Porto, Pilar Estefânia colabora com a sociedade desde que "não fira" os seus valores. "Todos nós temos uma vida tão burguesa como as outras. Temos trabalho, família...", admite esta espanhola com 66 anos que veio para o Porto nos anos 60.
"O que singulariza o anarquismo dos outros movimentos sociais é que ele não acredita no poder e, por isso, cria mecanismos de auto-poder, baseados em grupos de afinidade. Começa da base", diz, entusiasmada, ao P2. Encontramo-la na Utopia, livraria mantida por outro anarquista, o amigo Herculano Lapa, de 50 anos. Ironicamente situada junto a dois símbolos do poder (o quartel-general da Praça da República e a Igreja da Lapa), vende livros e revistas sobre anarquismo, situacionismo, ecologia e outros temas.


Sem assalariados


O equivalente lisboeta à Utopia é a Letra Livre. Situa-se na Calçada do Combro, artéria importante na história do anarquismo português - era lá a sede da CGT e do seu jornal A Batalha, a principal publicação operária e sindicalista da Primeira República.
A filosofia anarquista preside à organização da livraria: não há assalariados, os três sócios são os únicos trabalhadores. "Não aceito assalariados. É como se fosse uma cooperativa", explica um deles, Eduardo de Sousa, de 50 anos. É a forma de "evitar usar mecanismos de poder" e viver segundo a sua ideologia, apesar das inevitáveis "contradições".
A "semente" libertária está também plantada na Casa Viva, uma "ocupação autorizada" de um prédio na Praça do Marquês de Pombal, no Porto. Com 36 anos, António Cunha, introduzido no anarquismo no final dos anos 80 por José Paiva, vive do seu trabalho como vendedor de têxteis. Reconhece que o seu pensamento político implica "engolir muitos sapos". Mas lembra: "Só te manténs a lutar se estiveres vivo."
É fora da actividade que lhe permite sobreviver que age de acordo com a sua "ética": produz desde 1991 o fanzine Cadernos Insurreição e em 2005 juntou-se à Casa Viva. Não sendo constituída apenas por libertários (reúne várias sensibilidades à esquerda), esta "okupa" autorizada pelo proprietário funciona segundo princípios anti-autoritários. Os quatro pisos da casa centenária albergam exposições, concertos, ciclos de cinema, debates, entre outras actividades.
A realidade diária frustra o anarquista? "Frustra qualquer um", sublinha Eduardo de Sousa. "A vida é feita disso. Sei que o ritmo biológico não é o ritmo histórico. Vivo o período que me foi dado a viver", diz o livreiro, sublinhando que o anarquismo valoriza o dia presente, "vive o seu tempo".
"Não é uma remissão para o futuro da salvação, como pretendem os católicos. Falar do anarquismo em termos de utopia pode ser ilusório porque há quem o diga num sentido depreciativo. A abolição da escravatura também era vista como uma utopia", acrescenta.

Novo vídeo sobre a manifestação anti-autoritária do passado dia 25 de Abril

Vídeo inédito de 9 min com imagens de todo o percurso da manifestação anti-autoritária contra o fascismo e contra o capitalismo reaizada no passado dia 25 de Abril, e da forma ilegal como se desencadeou a acção policial contra os manifestantes pacíficos.
Como já se seria de esperar a Inspecção-geral da Administração Interna acabou de pedir a abertura de um inquérito sobre os acontecimentos que mostram uma intervenção repressiva da polícia à margem da própria lei do Estado.
Recomenda-se ainda a consulta ao blogue Cravado no Carmo e que todos os elementos testemunhais ( fotos, vídeos, etc) do que ali se passou sejam enviados para aquele blogue para a formação de um dossier que possa servir de material acusatório contra os responsáveis policiais que cometeram todas aquelas violências.



Portugal a rufar (1,2,3 de Junho no Seixal)

Dias 1, 2 e 3 de Junho, a antiga fábrica da Mundet - Seixal, recebe o 3º Festival Internacional de Percussão, Música e Dança “Portugal a Rufar”, onde vários palcos esperam artistas vindos de quatro continentes, que vão cruzar ritmos e tradições, para públicos de todas as idades.Três dias, muitos mundos em palco e uma só voz: a percussão.

A terceira edição do “Portugal a Rufar” insiste na promoção dos instrumentos e dos estilos desta linhagem musical e na divulgação de novas formações artísticas em seu redor. O objectivo de fazer vibrar consciências e mentalidades, a favor da cidadania, da tolerância e da diversidade étnica e cultural dos povos, é também conservado.
Na antiga fábrica da Mundet, a animação vai ser constante ao longo das três jornadas e os espectáculos musicais começam logo pela manhã do dia 1, Dia Mundial da Criança e prolonga-se pelas tardes e noites dentro. As oficinas artísticas serão constantes, e um espaço disponível para a guarda e entretenimento de crianças dos zero aos oito anos dará apoio aos pais durante a sua permanência no Festival.
O Festival, que se transferiu da Quinta da Fidalga (em 2006) para o enorme espaço (15 hectares) da antiga Mundet, conta com participações de numerosos grupos de Portugal ou aí sediados (Ekvat, Pulsar, Kussondulola, Dazkarieh, Wok, Rhakatta, Tjak, Tucanas, Steel Drumming, Mu, Semente, Olivetree, Kumpania Algazarra, Tim Tum), mas também de Espanha (Livika, Ttukunak), Alemanha (Ralf Gustke) ou Angola (Kilandukilu). Isto além de numerosas orquestras e grupos de percussão, bombos ou Zés Pereiras. A partir das 10h de domingo, haverá um desfile de mais de 1000 tambores pelas ruas do Seixal
O alvoroço de 700 tambores, em desfile matinal pelas ruas do Seixal, encerra o festival no domingo, 3 de Junho. É o Dia do Bombo, que finaliza com um mega espectáculo, reunindo no palco principal dezenas de artistas participantes, portugueses e estrangeiros, que se despedem do público de 2007 sob fogo de artifício sincronizado.
Actuando durante cerca de quarenta horas, num total de mais de 25 espectáculos com a participação de dezenas de artistas, entre os quais músicos, bailarinos, actores e cantores, desde África, América do Sul, Ásia e Europa, responderam ao bramir dos tambores da associação Tocá Rufar, principal promotora do festival.

http://www.portugalarufar.com/


E já agora não se esqueçam de ir ao excelente blogue sobre a chamada world music, folk, música étnica que é o Raízes e Antenas. Façam bom proveito.

2.6.07

A ordem criminal do mundo ( documentário-vídeo)

Documentário de 43 m. realizado em 2006 pela TVE2 e que conta com uma entrevista a Jean Ziegler e ao escritor Eduardo galeano.

O mundo em 10 minutos - por Eduardo Galeano

Em apenas 10 minutos o escritor uruguaio Eduardo Galeano dá-nos uma pungente visão do nosso mundo.





Eduardo Hughes Galeano (Montevideu, 3 de setembro de 1940) é um jornalisa e escritor uruguaio.
As suas obras já foram traduzidas em diversas línguas. Costuma escrever os seus livros no formato de pequenas histórias, desde assuntos políticos relevantes até assuntos simples, como o quotidiano e o futebol.
Uma das suas obras de maior relevância política e importância é "As Veias Abertas da América Latina", livro em que relata a exploração sofrida pelas nações latino-americanas, desde a formação dos impérios hispânico e português, passando pelo neo-colonialismo inglês e norte-americano, pelos diktats impostos pela economia internacional, até os dias de hoje.

Obras:
As Veias Abertas da América Latina é a sua obra publicada mais conhecida: é um tratado de acusação da exploração da América Latina por poderes estrangeiros a partir do século XV.
Memória do Fogo é um relato da história da América dividido em três temas/livros.
Galeano é comparado a John Dos Passos e Gabriel García Márquez.
• Los días siguientes (1963)
• China (1964)
• Guatemala (1967)
• Reportagens (1967)
• Los fantasmas del día del léon y otros relatos (1967)
• Su majestad el fútbol (1968)
• As veias abertas de América Latina (1971)
• Siete imágenes de Bolivia (1971)
• Violencía y enajenación (1971)
• Crónicas latinoamericanas (1972)
• Vagamundo (1973)
• La cancion de nosotros (1975)
• Conversaciones con Raimón (1977)
• Días y noches de amor y de guerra (1978)
• La piedra arde (1980)
• Voces de nuestro tiempo (1981)
• Memória do fogo (1982-1986)
• Aventuras de los jóvenes dioses (1984)
• Ventana sobre Sandino (1985)
• Contraseña (1985)
• El descubrimiento de América que todavía no fue y otros escritos (1986)
• El tigre azul y otros artículos (1988)
• Entrevistas y artículos (1962-1987) (1988)
• O Livro dos Abraços (1989)
• Nós Dizemos Não (1989)
• América Latina para entenderte mejor (1990)
• Palabras: antología personal (1990)
• An Uncertain Grace com Fred Ritchin, fotos de Sebastião Salgado (1990)
• Ser como ellos y otros artículos (1992)
• Amares (1993)
• Las palabas andantes (1993)
• úselo y tírelo (1994)
• O futebol de sol a sombra (1995)
• Bocas del Tiempo (2004)
• O Teatro do Bem e do Mal (2002)

Duelo entre Só-Cartos e Filho-da-Putin



Mais um naco de prosa deliciosa, com afiada ironia, a que me rendo completamente, e que fui buscar ao
blogue O mundo perfeito , a propósito da recente visita do Sr. José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal à Rússia, e ao seu matinal jogging em plena Praça Vermelha:


Só-Cartos - Eu cá faço sempre jogging em viagens oficiais!
Filho-da-Putin - Eu, em viagens oficiais, corro a meia-maratona, de preferência por zonas com curvas acentuadas e percursos sinuosos.

Só-Cartos - Pisei o solo da baía de Luanda. Paisagem maravilhosa!
Filho-da-Putin - Pisei o solo à volta da Casa Branca até Bush se sentir agoniado.

S-C - Pisei Copacabana. O Brasil parou para me ver.
F-d-P - Pisei Londres até Blair acusar vertigens.

S-C - Pisei o Parque de Beihai, em Pequim, com 10 graus negativos, e iam-me caindo os tim-tins.
F-d-P - Pisei Bona até o presidente alemão me gritar "ok, rendo-me, grande Filho-da-Putin".

S-C - Não se escandalize por ainda não ter tido tempo para descalçar os ténis, mas é que acabei agorinha mesmo de pisar a monumental Praça Vermelha.
F-d-P - Não há problema, eu piso frequentemente todo o povo russo sem que deles ouça um único lamento.

S-C - Ah, que aborrecimento para si, realmente! Eu também piso todos os dias os portugueses, mas, no meu caso, felizmente, eles aplaudem-me de pé e pedem bis.

A Mandrágora em representação a partir de 1 de Junho em Cascais

Em "A MandrágoraA", peça em representação hoje e nos próximos dias em Cascais, podemos ouvir um actor:

- não vos preocupeis. no princípio foi o televisor e só depois os "slogans", a barbbie, o sexo normalizado, os pais vencidos e os mestres corruptos insónia e os microships injectados que nos obrigam a recitar marcas de shampoo, vomitar palavras como cães eloquentes...



Texto do encenador e elemento coordenador do colectivo que leva ao palco esta peça:

Para Nicolau Maquiavel (1469-1527), um dos mais penetrantes e lúcidos pensadores políticos da humanidade, o mundo é o que é: - nele convivem maridos estúpidos como Nícias e mulheres virtuosas como Lucrécia, frades devassos como Timóteo, parasitas como Sóstrata e, por que não, jovens honestos como Calímaco.

Personagens centrais de A Mandrágora, eles não compõem apenas um retrato fiel e irónico da sociedade florentina do século XVI. Configuram, acima de tudo, a forma que Maquiavel escolheu para satirizar a corrupção da Itália de sua época e, principalmente, a corrupção da Santa Madre Igreja.

Nesta comédia ele ataca os vícios e a imundice em que seus contemporâneos estavam mergulhados e, da mesma forma como em O Príncipe, escreve uma obra que se mantém tão actual hoje, como há quinhentos anos.

Para mim (Cascais 1947), esta outra A Mandrágora é uma aventura que transporta imagens da obra de Maquiavel para um projecto estético que tem (também ele) por nome Mandrágora.
São as imagens que me interessam, não o discurso dramático. O discurso desta acção vale o que vale.

Não é uma obra teatral, tão pouco um poema. É uma "COISA" construída por um "fazedor de coisas" - muito bem acompanhado, aliás, por uma equipa com quem tenho tido o prazer de fazer esta e as outras "coisas" (leia-se projectos anteriores): - a Rita, a Patrícia, o Bruno, o Marco, o Miguel, o Ricardo e agora os que chegaram de novo; a Vera, o outro Bruno (mais jovem) e o Gonçalo. Mais uma acção, portanto, que passa ao lado do que se convencionou chamar teatro. É muito divertido. Dá muito prazer construir estes objectos que vos apresentamos sempre que nos é possível.

Manuel de Almeida e Sousa



Um espectáculo do Mandrágora (centro de cultura e pesquisa de arte de Cascais)
com base em

"A Mandrágora"
de Nicolau Machiavel.
no Parque Palmela
(Auditório Municipal Fernando Lopes Graça - em Cascais)


espectáculos em Junho: 1, 2, 6, 8 e 9 às 21.45 horas; dias 3 e 10 às 17 horas

Com: bruno vilão, bruno corte real, gonçalo matos, marco ferro, ricardo mestre, rita penim, sara ferreira
som ao vivo: igor sousa
coordenação técnica: miguel matias
guarda roupa: colectivo mandrágora
encenação e texto: manuel almeida e sousa


Mais um projecto desta associação cultural com raiz em Cascais


MandrágorA - 28 anos de acção cultural

Mandrágora - da planta ao projecto cultural

Não há, talvez, planta envolta por tanta crença e objecto de tantos rituais como mandrágora. Possivelmente pela semelhança da sua raiz à forma humana (o seu nome, em grego, significa raíz humana) a ela se atribuí poderes humanos e sobrehumanos.
Aos dourados frutos da mandrágora chamavam maçãs do amor de Afrodite - um dos epítetos aplicados à deusa era Mandragoritis - a da mandrágora.
O habitat natural desta planta é a zona do Mediterrâneo, onde não é raro encontrá-la durante os meses de maio e abril. Cresce em lugares secos e banhados pelo sol - à beira dos caminhos e em velhas ruinas.
A mandrágora, rica em alcalóides (mandragorina, hiosciamina e escopolamina) pertenece à família das solenáceas e é uma das ervas mais famosas quer na Antiguidade quer na Idade Média - não será estranho, portanto, que seja conhecida como a rainha das ervas mágicas.
A Biblia já se refere a ela no Cantar dos Cantares - é a maçã do amor:

...e ali te darei os meus amores.
Já sinto o aroma das mandrágoras...
(Cantar dos Cantares 7, 13-14)

Os frutos, de cor dourada e aroma parecido ao do tomate (outra solenácea) produzem um efeito muito parecido com o espírito de Afrodite: um desejo tão embriagante quão irresistível.
O odor das folhas é semelhante ao do tabaco. Quando os frutos amadurecem, as folhas secam, e o que resta da planta é a raíz, carnosa e com cerca de um metro de longitude, que continua viva e voltará a produzir folhas e frutos no ano seguinte.
Na Antiguidade, macerava-se em vinho e era muito apreciada para elaborar os filtros de amor. Em Chipre, a ilha de Afrodite, a mandrágora é conhecida desde a noite dos tempos e recomendada como remédio para a esterilidade feminina.

Na Europa pré industrial, arrancava-se esta planta durante o solstício de verão, antes da saída do sol e no último quarto da lua. A planta prosperava por baixo dos patíbulos e não era fácil colhe-la. Para que se mantivesse tranquila havia que verter em cima urina ou sangue. Os que se atreviam a colhe-la tapavam os ouvidos para não ficarem surdos e para se protegerem da loucura causada pelos gritos mortais que a planta emitia ao ver-se ferida.
Estas histórias contavam os próprios recolectores com o objectivo de manter o alto preço que pediam pelas raízes: em 1690 uma raiz chegava a custar o soldo anual de um artesão de tipo médio.
O seu uso na magia amorosa continua até hoje. Mas era também utilizada para propiciar decisões judiciais favoráveis...
As bonecas de raiz de mandrágora tinham a suposta propriedade de tornar invisível o seu proprietário e revelar tesouros ocultos, ainda que estes só causassem desgraças... acreditava-se que o dono da boneca acabaria no mesmo patíbulo debaixo do qual se tinha colhido a planta.
Por conter mandragorina, hiosciamina e outros alcalóides alucinantes, a mandrágora foi um poderoso ingrediente utilizado nos unguentos que as bruxas aplicavam no corpo para poderem voar.
Como medicamento era usada para o tratamento de artrite, úlceras, queimaduras e, também, para provocar a menstruação e para facilitar os partos. Para além disso também se prescrevia como antídoto para as mordeduras de serpente e, o mais interessante; administrava-se como indutor dos sonhos.
Os frutos podem-se comer a partir de Maio, quando amadurecem e, apesar da crença comum não são venenosos. A raiz seca macera-se em vinho (numa proporção de uns 23 gramas por cada 700 mililitros, ainda que a dose varie segundo a pessoa que a prepara). Em quantidades maiores pode provocar alucinações.

http://br.geocities.com/mandragorarte/menu.html

Os países do G8 devem 40 biliões de dólares anuais aos países pobres por terem provocado o aquecimento global

Um relatório da organização internacional Oxfam mostra como os países do G8 (as sete economias mais industrializadas e a Rússia) deveriam desembolsar anualmente pelo menos 40 biliões de dólares como forma de indemnizar os países pobres, e ajudá-los a adaptarem-se ao aquecimento global, uma vez que as economias industrializadas são as principais responsáveis por aquele fenómeno que a todos atinge.

A cifra, que a entidade disse ser uma estimativa por baixo, baseia-se num cálculo de quanto as comunidades nos países em desenvolvimento necessitarão para adaptar suas vidas às alterações climáticas.
"As comunidades terão de construir sua resistência adoptando tecnologias apropriadas e diversificando o modo de vida para lidar com as alterações climáticas.
"Os ministros terão de aprender a planear e propor orçamentos diante da incerteza do clima. Novas e velhas infraestruturas nacionais, como hospitais, reservatórios e estradas devem ser produzidas considerando as novas condições do clima."
A entidade disse que serão necessários pelo menos 50 biliões de dólares para realizar essas adaptações, e que os países do G8 deveriam pagar 80% desse volume.
Para a Oxfam, as maiores contribuições devem vir dos Estados Unidos e da União Europeia.
"Os países do G8 têm duas obrigações durante os preparativos para a reunião na Alemanha: parar de causar danos (ao clima) cortando suas emissões (de carbono) para manter o aquecimento global abaixo de 2º C, e começar a ajudar os países pobres a lidarem (com a mudança climática), pagando a sua parte dos 50 biliões de dólares por ano em fundos de adaptação."


O texto, divulgado uma semana antes da reunião do G8 na Alemanha, estima a parte desse montante que cada país deve assumir para financiar a adaptação.
A Oxfam classificou os países baseando-se nas responsabilidades de cada um pelas emissões de carbono a partir de 1992 (quando, na prática, todos os governos do mundo se comprometeram a lutar contra a mudança climática).
A ONG considerou ainda a capacidade de pagamento de cada país, baseada na posição que cada qual ocupa no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.
Segundo o ranking da Oxfam, os Estados Unidos devem arcar com a maior parte dos 50 biliões de dólares necessários, o que representa 43,7% do total da dívida.
A União Europeia deveria responder por 31,6%.
Outros países com contas a prestar seriam a Alemanha (7,1%), Grã-Bretanha (5,3%) e Itália (4,6%), sustenta o relatório.
O Japão, segundo a Oxfam, teria que contribuir com 12,9% dos 50 biliões anuais.
O Canadá teria que dar 4,3% e a Austrália, 2,9%.
"Os países do G8 têm duas obrigações durante os preparativos para a reunião na Alemanha: parar de causar danos (ao clima) cortando suas emissões (de carbono) para manter o aquecimento global abaixo de 2º C, e começar a ajudar os países pobres a lidarem (com a mudança climática), pagando a sua parte dos 50 biliões de dólares por ano em fundos de adaptação."


Fonte: ler aqui

WWF diz que central termoeléctrica de Sines é uma das mais poluentes da Europa

A central termoeléctrica de Sines, da EDP, foi no ano passado a 13ª mais poluente da Europa, subindo dois lugares no ranking das 30 centrais europeias mais poluidoras, da organização ambientalista internacional WWF.

Duas centrais gregas, seis alemãs, uma polaca e uma espanhola estão entre as dez mais poluentes da Europa, segundo o "Dirty Thirty", ranking da World Wildlife Fund (WWF) hoje divulgado, que contabiliza as emissões do dióxido de carbono.

Na anterior classificação da WWF, relativa a 2005, Portugal aparecia em 15º lugar, com a central de Sines a produzir 1050 gramas de dióxido de carbono por quilowatt/hora produzida.

Este valor mantém-se no actual relatório, mas ainda assim a central de Sines teve um pior desempenho, por ter subido dois lugares.

Em emissões absolutas, a central portuguesa produziu 8,7 milhões de toneladas de CO2 (dióxido de carbono) em 2006, um dos valores mais baixos da tabela.

Existem duas centrais termoeléctricas no país alimentadas a carvão, Sines e Pego (Abrantes), mais duas alimentadas a fuelóleo, no Barreiro e no Carregado, e outras duas a gás natural, na Tapada do Outeiro e no Carregado.

A WWF baseou-se em dados de 2006 do registo Europeu de Emissões Poluentes e analisou as emissões absolutas de dióxido de carbono das centrais eléctricas dos países da União Europeia em milhões de toneladas de CO2 por ano.

Posteriormente, classificou as 30 centrais que mais emitem de acordo com o nível de eficiência, medido em gramas de CO2 por quilowatt/hora.

Fonte: jornal Público