8.4.06

Desobediência: Virtude Original do Homem ( Oscar Wilde)



Pode-se até admitir que os pobres tenham virtudes, mas elas devem ser lamentadas. Muitas vezes ouvimos que os pobres são gratos à caridade. Alguns o são, sem dúvida, mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes - e têm razão. Consideram que a caridade é uma forma inadequada e ridícula de restituição parcial, uma esmola, geralmente acompanhada de uma tentativa impertinente, por parte do doador, de tiranizar a vida de quem a recebe. Por que deveriam sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos? Eles deveriam estar sentados nela e agora começam a percebê-lo. Quanto ao descontentamento, qualquer homem que não se sentisse descontente com o péssimo ambiente e o baixo nível de vida que lhe são reservados seria realmente muito estúpido.

Qualquer pessoa que tenha lido a história da humanidade aprendeu que a desobediência é a virtude original do homem. O progresso é uma consequência da desobediência e da rebelião. Muitas vezes elogiamos os pobres por serem económicos. Mas recomendar aos pobres que poupem é algo grotesco e insultante. Seria como aconselhar um homem que está morrendo de fome a comer menos; um trabalhador urbano ou rural que poupasse seria totalmente imoral. Nenhum homem deveria estar sempre pronto a mostrar que consegue viver como um animal mal alimentado. Deveria recusar-se a viver assim, roubar ou fazer greve - o que para muitos é uma forma de roubo.

Quanto à mendicância, é muito mais seguro mendigar do que roubar, mas é melhor roubar do que mendigar. Não! Um pobre que é ingrato, descontente, rebelde e que se recusa a poupar terá, provavelmente, uma verdadeira personalidade e uma grande riqueza interior. De qualquer forma, ele representará uma saudável forma de protesto. Quanto aos pobres virtuosos, devemos ter pena deles mas jamais admirá-los. Eles entraram num acordo particular com o inimigo e venderam os seus direitos por um preço muito baixo. Devem ser também extraordinariamente estúpidos. Posso entender um homem que aceita as leis que protegem a propriedade privada e admita que ela seja acumulada enquanto for capaz de realizar alguma forma de actividade intelectual sob tais condições. Mas não consigo entender como alguém que tem uma vida medonha graças a essas leis possa ainda concordar com a sua continuidade.

Entretanto, a explicação não é difícil, pelo contrário. A miséria e a pobreza são de tal modo degradantes e exercem um efeito tão paralisante sobre a natureza humana que nenhuma classe consegue realmente ter consciência do seu próprio sofrimento. É preciso que outras pessoas venham apontá-lo e mesmo assim muitas vezes não acreditam nelas. O que os patrões dizem sobre os agitadores é totalmente verdadeiro. Os agitadores são um bando de pessoas intrometidas que se infiltram num determinado segmento da comunidade totalmente satisfeito com a situação em que vivem e semeiam o descontentamento nele. É por isso que os agitadores são necessários. Sem eles, em nosso estado imperfeito, a civilização não avançaria. A abolição da escravatura na América não foi uma consequência da acção directa dos escravos nem uma expressão do seu desejo de liberdade. A escravidão foi abolida graças a conduta totalmente ilegal de agitadores vindos de Boston e de outros lugares, que não eram escravos, não tinham escravos nem qualquer relação directa com o problema. Foram eles, sem dúvida, que começaram tudo. É curioso lembrar que dos próprios escravos eles recebiam pouquíssima ajuda material e quase nenhuma solidariedade. E quando a guerra terminou e os escravos descobriram que estavam livres, tão livres que podiam até morrer de fome livremente, muitos lamentaram amargamente a nova situação. Para o pensador, o fato mais trágico da revolução francesa não foi o de que Maria Antonieta tenha sido morta por ser rainha, mas que os camponeses famintos da Vendée tivessem concordado em morrer defendendo a causa do feudalismo.


Extraído da Obra "A Alma do Homem Sob o Socialismo", de 1891

6.4.06

Recordar Mário Viegas




Mário Viegas, actor, encenador e homem do teatro, leitor e um notável declamador de poesia, deixou-nos há 10 anos, mais concretamente no dia 1 de Abril de 1996. Reproduzimos abaixo um texto escrito por Jorge Leitão Ramos no Expresso em 5 de Abril do mesmo ano.

Entretanto anuncia-se a criação da Associação dos Amigos de Mário Viegas que terá a sua sede na cidade natal deste, Santarém, no Largo Ramiro Nobre. A sede da Associação será denominada Casa do teatro. A discografia completa de Mário Viegas está a ser editada.


"Quando eu morrer batam em latas", poderia ter dito, parafraseando um dos poetas que tanto amou, incitando-nos a não confundir a dor com tarefa de carpideira, a perda com necessidade de panegírico. Por mim não resisti, diante do seu féretro exposto nos Jerónimos, a lembrar-me de A Birra do Morto, de Vicente Sanches, com que inaugurou a sua Companhia Teatral do Chiado, em 1990, na Sala-Estúdio do Teatro São Luiz que agora tem o nome de Mário Viegas. Era o mesmo ambiente, as cadeiras, as pessoas em volta, a voz baixa, o cheiro morno a flores - quase que esperei que ele se levantasse, quebrando o frio do espaço e o queixume, quebrando a solidão em cada um de nós ali se encontrava, galhofando no nariz da morte, em passe de mágica, momento de teatro. Mar, por uma vez, pela última vez, a surpresa foi diversa. A voz de Mário Viegas calou-se, ficou um silêncio muito grande e não se vê quem o preencha.
Viveu muito e muito intensamente, com uma urgência sem medida. Foi actor, encenador, empresário, declamador, escreveu crónicas, traduziu peças de teatro, divulgou poetas, gravou discos, fez rádio, cinema e televisão - e sorveu a vida, em todas as direcções, às golfadas. Grandes amigos, grandes ódios, grandes sonhos. Podia ser "cabotiníssimo", como ele próprio disse do livro informe e impetuoso com que se despediu de nós em Novembro, essa Auto-Photo Biografia (não autorizada) em Formato A3, em que, "para bons entendedores", foi dando a saber que estava de partida. Um objecto comovente: terminava com uma enorme fotografia do actor, alucinado, junto a um caixão (da peça O Suicidário) e um verso terrível de Camilo Pessanha lá por cima ("Eu vi a luz em um país perdido./ A minha alma é lânguida e inerme./ Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído!/ No chão sumir-se, como faz um verme").
Excessivo, colérico, apaixonado, violento e doce, actor aceso pela graça da transfiguração, pelo riso que nos divertia e desinquietava, Mário Viegas era um personagem contraditório. Nenhum outro desafiou, do cimo de um palco, os poderes e os podres, as prepotências e as hipocrisias. Mas gostava de saber que o poder reconhecia a sua arte. Não adianta dizer, agora que morreu, que era uma figura consensual da cena e do cinema portugueses - porque não era. Dividiu muito, fustigou e foi fustigado, não sabia fazer as coisas em temperatura morna, em registo de assim-assim. Há 20 anos, quando o ouvi dizer, pela primeira vez, o Manifesto Anti-Dantas numa festa do teatro em luta (na FIL), estava David Mourão-Ferreira na SEC, percebi que era um adversário temível para quem quer que se sentasse na cadeira do poder. E o seu espectáculo a solo Europa Não! Portugal Nunca!, em 1994/95, em registo de conferência de imprensa de pré-pré-candidatura à Presidência da República, tinha uma fúria de iluminado, a corrosão de uma coragem sem limites, a louca a tocante fragilidade da auto-exposição, tudo caldeado em textos das mais diversas fontes que nos faziam ir do riso absoluto à dor de alma, porque era de nós todos e de si mesmo que falava.
Não me apetece, incréu de que nunca mais ouça a sua voz ao telefone convocando-me para a estreia de uma nova peça no teatrinho do Chiado, escrever hoje a sua ficha definitiva de dicionário. Não o vou escrever afora. Mas logo no dia da sua morte ouvi dizer nas rádios e televisões que Mário Viegas tinha 47, 48 e 49 anos, que se estreara no Teatro Experimental do Porto, que se candidatara várias vezes a Presidente da República - e esses disparates factuais tê-lo-iam posto ao rubro, e com razão. Um homem, quando morre, tem pelo menos direito a evocação biográfica que esteja certa. Do que de mais peculiar Viegas tinha como actor - e de que foram marcos os espectáculos que fez a solo, Mário Gin-Tónico (1986), Mário Gin-Tónico Volta a Atacar (1991), Tótó (1991) e Europa Não! Portugal Nunca! (1994) - não é possível saber algo, senão por ouvir dizer. Viviam daquilo que o teatro tem de mais específico, a directa circulação de energia entre o palco e o público, construindo-se num jogo de vaivém que os fazia diferentes a cada dia, a cada representação, jogo de risco de que o último daqueles títulos (um ano em cena!) era a expressão mais estremada porque quase inteiramente dependente da própria intervenção dos espectadores questionando o "candidato". Dia em que o público não estivesse para aí virado, era dia em que o espectáculo fenecia. De maneira que esse Viegas, actor de grandes cometimentos na corda bamba, só existirá enquando nos lembrarmos do que o vimos fazer. É esse o destino do teatro, em geral, mas muito especificamente daquele que Viegas praticou com mais singularidade.
Do outro actor, capaz de composições em registos vários, sobrarão os testemunhos do cimena - e, felizmente, Mário Viegas fez muitos filmes e, melhor ainda, filmes onde ficou presente a extrema diversidade de recursos que tinha e até os seus maiores defeitos e qualidades. A filmografia de Viegas é significativa, caso muito raro no panorama português.
Se houvesse que escolher, pôr-se-ia à cabeça um dos primeiros filmes em que participou, esse O Rei das Berlengas, de Artur Semedo (1975/76), onde atravessava em sátira desmedida toda a História de Portugal. Aí encontramos aquilo que se poderia chamar um actor-diamante em estado bruto, sem lapidação, indirigido. O cómico do esgar facial e da truculência, do excesso turbulento e sem margens, autocomplacente, capaz de provocar a gargalhada de primeiro grau e mal se podendo saber se distingue entre o devido e o mau gosto. Mas também se encontra o actor capaz de fazer fundir o estado de riso e o patético - numa linha que muito poucos são capazes de pisar - juntando o humor e o aperto no coração, em particular nas espontosas sequências em que o proclamado rei das Berlengas é entrevistado no hospício e descobre que o que o povo lhe gritara e aos seus antepassados, durante oito séculos, não era "come!, come!, come!), mas "fome!, fome!, fome!".
Veio, depois, José Fonseca e Costa, o cineasta essencial da carreira de Mário Viegas, aquele que lhe permitiu não apenas alguns êxitos históricos - como Kilas, o Mau da Fita (1977/79) e Sem Sombra de Pecado (1982) - mas também o que provocou que o actor controlasse e diversificasse os seus recursos. Fonseca e Costa nunca lhe pediu uma comicidade de primeiro grau, nunca quis despertar nele um registo de farsa, antes o sorriso que podia ser menos ou mais subtil, mas se ancorava as mais das vezes em detalhes. E, melhor do que tudo, entregou-lhe a figuração do português total, a que o actor correspondeu. Foi o pequeno manguelas lisboeta, muita parra pouca uva, no Kilas; foi um rapaz da alta burguesia, imberbe e crédulo, nas malhas tecidas pelo líbido de uma mulher em Sem Sombra de Pecado - talvez o seu grande desempenho cinematográfico. Foi caricatura de intelectual castrado em A Mulher do Próximo. Foi professoral e pomposo - vazio, vazio - em Os Cornos de Cronos.
Viegas era um actor tendencialmente calhado para a comédia (não por acaso, foi o género que estatisticamente mais praticou no teatro - e aquele a que se dedicou, quase em exclusivo, quando dirigiu, nos últimos cinco anos, a Companhia Teatral do Chiado). Mas nunca quis ficar preso a essa faceta. No teatro é possível lembrá-lo a fazer Brecht (Baal, em 1984, no Teatro Aberto, sob a direcção de João Lourenço) ou a notável criação de Na Solidão dos Campos de Algodão, de Bernard-Marie Koltès, encenação de João Lourenço no Teatro Aberto em Abril de 1990. Mas o cinema vai guardar essa vertente do actor, no ainda por estrear Rosa Negra, de Margarida Gil, na figura de um vagabundo sem-abrigo verdadeiramente singular. Havia ainda o actor-boneco, o actor-roberto, o que se despojava de psicologia para ser apenas ícone marionético, máscara, personagem de "cartoon": a série de 48 Filmezinhos de Sam que gravou para a RTP, em 1988, são disso testemunho.
E vão ficar os discos de poesia, infelizmente há muito esgotados e não reeditados, no que é uma injustiça profunda para com o grande divulgador de poetas que Viegas também o foi. Aí ficará guardada memória da multiplicidade de coisas que ele era capaz de fazer apenas com a voz. E não teriam sido precisos todos os discos para o saber: logo no segundo - Palavras Ditas, de 1972 - Viegas como que estabelece um catálogo de modulações, do lírico ao humor, da gravidade trágica à caricatura. É nesse disco que, quase em estilo de demonstração de que a voz é tudo, ele lê o boletim meteorológico como se estivesse a invocar um presságio funesto. O resultado é espantoso. De poesia perdurará, ainda, nos arquivos da RTP, pelo menos a série Palavras Vivas, que Nuno Teixeira dirigiu em 1984.
O resto, o teatro, esfuma-se devagar enquanto a nossa memória se apaga com o correr dos dias. A última vez que o vi representar no palco foi em Outubro, quando estreou aquela que viria a ser a sua última peça, quer como actor quer como encenador (Uma Comédia às Escuras, de Peter Shaffer). Depois disso vi-o representar na vida o papel de um homem ainda pronto para todos os combates, enquanto se ia despedindo, codificadamente, de cada um de nós.
Agora foi-se embora de vez, era 1 de Abril. Parece impossível.
Escrevi um dia acerca de Mário Viegas que era um declamador genial e um actor de grande talento. Não percebia eu então que dizer poesia era nele ainda um mode de ser Actor. Aqui o deixo dito, com maiúscula, como ele gostava. E acho que devemos, pelo menos, beber um copo em sua honra."

10 mandamentos para 1 espectador de teatro ( por Mário Viegas)

Extraído de:
http://pancadademoliere.blogspot.com/


1º NÃO CHEGARÁS ATRASADO, incomodando a concentração daqueles que estão a Representar e dos outros (que chegaram religiosamente a horas) que estão a assistir ao Santo Sacrifício do Teatro.
2º NÃO FALARÁS BAIXINHO com o ou a acompanhante; incomodando com a tua inclinação de cabeça o Espectador de trás, e distraindo os Actores celebrantes do Santo Sacrifício do teatro.
3º NÃO ADORMECERÁS NEM RESSONARÁS, dando marradas para a frente ou para trás, ou pondo a mão nos olhos para os outros pensarem que estás muito concentrado no Santo Sacrifício do teatro.
4º NÃO TOSSIRÁS NEM TE ASSOARÁS com grande ruído, escolhendo as melhores pausas dos celebrantes do Santo Sacrifício do Teatro.
5º NÃO TE ABANARÁS constantemente com o programa, distraindo os que estão, religiosamente, ao teu lado e, irritando os que estão no palco a celebrar o Santo Sacrifício do Teatro.
6º NÃO COMERÁS rebuçados, pipocas, caramelos, chocolates, pastilhas, comprimidos; tirando-os muito devagarinho, fazendo com o papel e as pratinhas o mais diabólico, satânico e herético ruído numa sala de espectáculos em que se celebra o Santo Sacrifício do Teatro.
7º NÃO LEVARÁS relógios com pipis electrónicos, telemóveis e sacos de plásticos que andarás constantemente a pôr, ora entre as pernas, ora no colo, perturbando os que celebram o Santo Sacrifício do Teatro.
8º NÃO LERÁS OU FOLHEARÁS o programa durante a celebração do Santo
Sacrifício do Teatro para tentar saber qual é o nome de determinado Actor, ou para tentar perceber a sequência do Santo Sacrifício do Teatro.
9º NÃO PEDIRÁS borlas ou insistirás em descontos, a que não tens direito, para assistir à celebração do Santo Sacrifício do Teatro.
10º NÃO OLHARÁS «com umas grandes vendas» para o vizinho do lado, que achou religiosamente Graça ao que tu não achaste, ou que, piamente e cheio de Fé, se levantou logo para aplaudir, enquanto tu bates palmas por frete e já a pensar ir a correr tirar a porcaria do teu carrinho, ou a porcaria do teu sobretudo do bengaleiro, mais cedo do que os outros.

ASSIM: SUBIRÁS PURO AOS CÉUS!
OU ASSIM: PODERÁS IR A 13 DE MAIO À COVA DA IRIA
OU ASSIM: PODERÁS IR E COMUNGAR NO CASAMENTO REAL

de Sua Majestade Sereníssima Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael De Bragança, chefe da Sereníssima Casa de Bragança, Duque de Bragança, de Guimarães e de Barcelos, Marquês de Vila Viçosa, Conde de Arraiolos, de Ourém, de Barcelos, de Faria, de Neiva e de Guimarães; e de sua Augusta Noiva Isabel Inês De Castro Corvello de Herédia.

IDE E ESPALHAI A BOA NOVA!!

Portugal

Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir
como se tivesse oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os
infiéis ao norte de África
só porque não podia combater a doença que lhe
atacava os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo mentira, que o Infante
D. Henrique foi uma invenção do Walt
Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do
Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino
nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
àparte o facto de agora me tentar convencer que nos
espera um futuro de rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos a ver se
contraía a febre do Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um
resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr encon-
trar uma pétala que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Se tivesse dinheiro comprava um Império e dava-to
Juro que era capaz de fazer isso só para te ver sorrir
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude apaixonar por um velho decrépito e
idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce, que os
pastéis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer
à minha vontade
Portugal
estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete, Salazar
estava no poder, nada de ressentimentos
O meu irmão esteve na guerra, tenho amigos que
emigraram, nada de ressentimentos
Um dia bebi vinagre nada de ressentimentos
Portugal depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas
a nado na piscina municipal de Braga
ia propôr-te um projecto eminentemente nacional
Que fossemos todos a Ceuta à procura do olho que
Camões lá deixou
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca

(de Jorge de Sousa Braga)

5.4.06

Dia Internacional contra os OGMs ( 8 de Abril)

Monsanto - OGMs tradicionais ( a nossa experiência em química já vem desde a Guerra do Vietname)
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Dia Internacional contra os OGMs (Organismos Geneticamente Modificados)
8 de Abril de 2006

Novas livrarias alternativas: Letra Livre (em Lisboa) e Maria vai com as outras (no Porto)

Estão prestes a abrir as suas portas duas novas livrarias alternativas.
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A Letra Livre é uma livraria que se assume como um espaço libertário de resistência ao pensamento único e está situada na Calçada do Combro, tendo sido criada por ex-trabalhadores da Ler Devagar, e que terá livros novos, antigos e até mesmo alguns esgotados. Especializar-se-á sobretudo nas áreas de ciências humanas, com particular incidência na história social dos séculos XIX e XX.
No texto de anúncio e de apresentação os responsáveis da nova livraria Letra Livre escrevem:
«Na Letra Livre poderão encontrar as obras de referência das diversas correntesliterárias portuguesas e, ainda, os livros proibídos, esquecidos, escondidos,os autores malditos e os clássicos, embora previsivelmente não encontrem láas várias toneladas do lixo editorial actual, fácilmente disponível emmuitos outros lugares.
Tentaremos também reunir os livros das pequenaseditoras que tentam sobreviver ao processo de uniformização editorial domercado português.
Paralelamente, iremos fazer todos os possíveis para localizar obras esgotadasde língua portuguesa para os nossos clientes ajudando-os a criar oureconstruir as suas bibliotecas ideais.
Seremos pois uma pequena livraria mas com espaço suficiente para a boaliteratura e para todo o pensamento libertário, heteredoxo e dissidente. »
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Por sua vez está prevista a abertura para o próximo Sábado (8 de Abril) da nova livraria «Maria vai com as outras», situada na Rua do Almada ( na cidade do Porto), próximo de outros espaços alternativos já existentes na mesma rua.
A nova livraria insere-se na cena LGBT, mas não só, uma vez que terá muitas outras obras, nomeadamente livros e literatura contra-cultural.
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Vamos todos apoiar estas novas livrarias.
E venham mais cinco...

2.4.06

O imenso poder da televisão!



Em média, cada cidadão europeu consome mais de 3 horas diárias de televisão!!!

Quer isto dizer que todos os aspectos da nossa existência passam pelo pequeno ecrã.
Impossível ignorar esse poder imenso que a todos afecta.


Esta semana, o Eurodata TV Worldwide ( que integra a empresa europeia Médiamétrie) divulgou um curiosíssimo estudo sobre os tempos de consumo da televisão. De acordo com os dados recolhidos em 64 países, verifica-se que a duração média de acompanhamento da televisão, por dia e por pessoa, atingiu em 2005 o valor de 3 horas e quatro minutos, um minuto mais do valor correspondente a 2004. Considerando os trinta países (predominantemente europeus) que constituem a base histórica dos estudos do Eurodata, isso significa que, entre 1995 e 2005, cada cidadão passou a consumir mais 28 minutos diários de televisão: cada europeu vê agora 3 horas e quinze minutos de televisão por dia.
São dados tanto mais impressionantes quanto ajudam a sacudir um pouco a pressão chantagista que, por vezes, os números das audiências adquirem no interior de alguns discursos. (…) De acordo com tais discursos, o máximo de audiência coincide com o «gosto» mais alargado, ogo deve ser adoptado como lei global de todas as grelhas.
Em boa verdade, essa lógica argumentativa não passa do simulacro de um discurso economicista, empenhado em reduzir todas as actividades humanas a quantidades sempre mensuráveis que, na sua frieza aritmética, não reconhecem legitimidade a qualquer ponto de vista alternativa.(…) Tem-se visto, entre nós, os resultados práticos da sua maquinaria. Ou seja: o triunfo generalizado de conceitos unívocos de espectáculo ( com o domínio absoluto do futebol) e de modelos encerrados em mecanismos de pura repetição ( televisão, reality shows).
Os valores divulgados pelo Eurodata implicam uma mensagem muito simples com que, regra geral, as televisões não gostam de lidar. A saber: a televisão é o maior e mais poderoso instrumento cultural do mundo contemporâneo. Importa repetir esta evidência básica, quanto mais não seja porque muitas televisões (sobretudo as generalistas) insistem em definir a «cultura» como o espaço dos «outros», negando o simples facto de que tudo na televisão é cultural. Porquê? Porque decorre de escolhas ( o que se programa e o que não se programa), destaques ( o que se coloca no horário nobre ou dele se exclui) e celebrações ( o que se promove e o que se difunde sem qualquer tipo de apoio).
Supor que a cultura é o espaço de um «bem» comum e automático é um discurso de incorrigível ingenuidade (…) A cultura …é…uma paisagem sempre em guerra. O que é que nela se guerreia? Visões do mundo, modos de olhar, conceitos de relações. A média de mais de 3 horas por dia é um poder imenso. Tudo nas nossas vidas passa por ele.

Reprodução quase integral de um artigo de autoria de João Lopes, sob o título «A cultura é uma guerra», publicado no Diário de Notícias de 2 de Abril de 2006

O destino dos livros está escrito nas estrelas



O IBBY (International Board on Books for young people) celebra o Dia Internacional do Livro Infantil a fim de comemorar o nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen. Cada ano um país associado assume o encargo de editar o cartaz comemorativo deste dia e a redacção da respectiva mensagem.
Este ano de 2006 coube à Eslováquia essa tarefa que, por isso, distriubuiu um cartaz de Peter Cisárik e a mensagem redigida por Ján Uliciansky:

O Destino dos livros está escrito nas estrelas

Os adultos perguntam frequentemente o que se passará quando as crianças deixem de ler. Esta podia ser uma das respostas:
«Metemo-los em grandes naves espaciais e enviamo-los para as estrelas»
Estupendo.
Os livros são na realidade como as estrelas que brilham na noite. Há tantos que não se podem contar e muitas vezes estão tão longe de nós que não atrevemos a ir buscá-los.
Mas imginem a escuridão que não reinaria se um dia todos os livros, esses cometas do nosso universo cerebral se escapassem e deixassem de emitir essa energia sem limites de conhecimento e da imaginação humanas…
O que seria!
(…)
As estrelas são livros que iluminam o céu da noite.

(curto excerto da mensagem de Ján Uliciansky)

Há 30 anos atrás os fascistas assassinavam o padre Max e Maria de Lurdes


Maximino Barbosa de Sousa (conhecido por Padre Max) tinha 32 anos. Maria de Lurdes Pereira 19. O primeiro, era padre, professor do liceu e candidato independente a deputado nas listas da União Democrática Popular (UDP). A segunda, uma aluna e apoiante do candidato. No dia 2 de Abril de 1976, o carro em que ambos viajavam – na localidade de Cumieira para Vila Real – foi alvo de um ataque bombista, matando-os.

Depois de várias peripécias judiciais os alegados autores do assassinato, conhecidos membros do movimento fascista MDLP, responsável junto com o ELP, de uma criminosa campanha contra-revolucionaria em 1975 e 1976, foram ilibados pelos tribunais, apesar de todas as evidências.

Trinta anos depois o padre que aceitou ser candidato para “fazer chegar a sua voz aos mais humildes” aguarda Justiça na campa 1240 do cemitério de Santa Iria, em Vila Real.

31.3.06

A guerra é um massacre...


A guerra é um massacre entre pessoas que não se conhecem em benefício de outras que não se massacram, mas que se conhecem bem demais entre si.

Paul Valery

Na França, os estudantes bloquearam ontem estradas e comboios


Seguindo o apelo da coordenação estudantil nacional para o bloqueio no dia 30 de Março dos grandes eixos rodoviários e ferroviários, os estudantes universitários os alunos das escolas secundárias ( liceus) um pouco por toda a França realizaram diversas barragens à circulação ferroviária e rodoviária.
Em Nantes várias pontes sobre o rio Loire forma bloqueadas provocando grandes engarrafamentos do tráfego automóvel.
Em Rennes também se verificaram bloqueios nas principais entradas da cidade, havendo notícia de perturbações da circulação ferroviária.
A via periférica de Paris foi objecto de uma barragem que causou importantes engarrafamentos e que levou inclusivamente à detenção de muitos estudantes.
Noutras cidades o panorama repetiu-se com várias centenas de estudantes a realizarem acções de bloqueio ao tráfego automóvel e ferroviário.
Parece que o movimento anti-CPE está a ganhar uma outra dimensão
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30.3.06

Não Apaguem a Memória


Não apaguem a memória

Consultar:

http://maismemoria.org/

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Manifesto

No passado dia 5 de Outubro, um conjunto de cidadãos reuniu-se junto à antiga Sede da PIDE/DGS, reafirmando o protesto público contra a conversão daquele edifício em condomínio fechado e contra o apagamento da memória do fascismo e do sofrimento causado aos portugueses. No local, ficou então uma faixa com os nomes de muitos dos que foram assassinados pela ditadura que oprimiu Portugal durante quase 50 anos.

É finalidade desta iniciativa cívica continuar essa acção, convertendo-a no impulso simbólico dum vasto movimento de cidadãos, plural e aberto, de exigência da salvaguarda, investigação e divulgação da memória do fascismo e da resistência, como responsabilidade do Estado, do conjunto dos poderes públicos e da sociedade.

1. Reclamamos dos poderes públicos que, mais de 30 anos passados sobre o 25 de Abril, assumam a responsabilidade de constituir um espaço público nacional de preservação e divulgação pedagógica da memória colectiva sobre os crimes do chamado Estado Novo e a resistência à ditadura, que aproveite os espaços emblemáticos dessa realidade como são o Aljube, o Forte de Peniche, Caxias, a sala do plenário da Boa-Hora, a sede central da PIDE/DGS e a sua Delegação do Porto, e que coordene a sua acção com o valioso trabalho desenvolvido neste domínio por diversas instituições;

2. Condenamos a conversão do edifício da sede da PIDE/DGS em condomínio fechado e exigimos a criação de um espaço e de um elemento memorial naquela área, que assegurem a memória e a homenagem ao sofrimento de muitos portugueses e a condenação dos crimes cometidos pela polícia política do fascismo, que constituiu um dos principais pilares da ditadura;

3. Apelamos a todos os cidadãos e organizações que multipliquem, partilhem e tomem nas suas mãos, pelas formas e iniciativas que entenderem, a preservação duradoura da memória colectiva dos combates pela democracia e pela liberdade em Portugal, como elemento indispensável à construção de um futuro melhor.

Porque sem memória não há futuro.

Outubro de 2005.

Movimento Não apaguem a memória
Rua da Misericórdia 95 1200-271 Lisboa

Greves e Manifs na França, Grã-Bretanha e Alemanha






3 milhões de franceses em manifs de protesto no passado dia 28 de Março contra o CPE ( contrato do primeiro emprego), 1 milhão de ingleses em greve, e na Alemanha preparam-se greves para os próximos dias contra a política neoliberal do capital e do governo.
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Em França convocou-se, entretanto, nova greve geral e uma jornada nacional de protesto contra a precaridade laboral e o CPE para o próximo dia 4 de Abril.
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Cada vez mais se torna premente a questão:

Para quando uma greve geral em toda a União Europeia?

A gripe das aves e o rentável negócio de incutir medo e pânico


Não será muito difícil de concluir que muito do que se tem dito a propósito da chamada gripe das aves resulta de uma bem preparada ( e oleada) campanha de intoxicação mental que consiste no fundamental em incutir nas pessoas, incluindo responsáveis políticos, um síndroma de medo e pânico generalizado. Campanha à escala mundial e com garantidos lucros para a empresa detentora da milagrosa vacina anti-gripe. Os contorno concretos de mais esta mentira mundial não são ainda muito bem conhecido, mas para quem conheça o modus faciendi das indústrias farmacêuticas não custará adivinhar qual a sua estratégia mundial para jogar a seu proveito com a saúde e a boa fé das pessoas.
Até conhecermos mais em pormenor todo esse jogo sujo, remetemos para a leitura dos dados e informações recolhidos pelo
Ondas3 na sua posta de 29 de Março.

Aproveitamos, já agora, a ocasião para recordar o incansável trabalho informativo do autor do
Ondas3 ao recensear diariamente todo um conjunto valioso de informações acerca das questões ambientais e ecológicas, acção meritória que é, sem dúvida, digna de registo e reconhecimento.

28.3.06

O acidente nuclear de Three Mile Island foi há 27 anos



Ler o texto que aqui publicamos no ano passado.

E ainda o texto aqui da wikipedia

Energia Nuclear? Não, obrigado.

Quando uma galinha atravessa a rua, o que é que eles dizem...?


A cena é a seguinte: uma galinha, no passeio público, atravessa a rua.
Pergunta-se então: porque é que ela atravessou a rua?


Descartes: Para ir para o outro lado

Platão: Para o seu bem, porque o outro lado era a verdade

Aristóteles: É da natureza da galinha atravessar as ruas

Buda: Colocar essa questão recalca a vossa própria natureza de galinha

Karl Marx : Era historicamente inevitável

Capitão James T. Kirk : Para ir lá, onde nenhuma outra galinha tinha ido anteriormente

Hipócrates: Por causa de um excesso de secreções no pâncreas

Martin Luther King: Tenho a visão de um mundo em que todas as galinhas sejam livres de atravessar a rua sem ser preciso justificar o seu acto.

Moisés : E Deus desceu do céu e disse à galinha : «Tu deves atravessar a rua. E a galinha atravessou a rua, mostrando Deus assim quanto isso era bom»

Galileu: E, no entanto, ela atravessa

Maquiavel: O importante do acontecimento é que a galinha tenha atravessado a rua. E porquê ? Porque o fim em si mesmo de atravessar a rua justifica todo motivo, qualquer que ele seja

Freud: O facto de você se preocupar pelo facto da galinha atravessar a rua só revela o vosso profundo sentimento de insegurança sexual latente

Nixon ( presidente americano no tempo do Vietname): A galinha não atravessou a rua ; eu repito : a galinha nunca atravessou a rua

Bill Gates: Nós acabamos de lançar no mercado o novo «Galinha Office 2006» que não só é capaz de atravessar as ruas, mas poderá cobrir todos os ovos, classificar os vossos dossiers, etc

Ronaldo ( jogador de futebol). A galinha atravessou a rua para ir buscar a bola.

Ministro do interior : A galinha atravessou talvez a rua ; mas ainda não atravessou uma auto-estrada

Igreja do Reino de Deus: A força está em você. Pela módica quantia de 1500 euros por sessão, mais o aluguer de um detector de mentiras, uma análise à vossa fé permitirá descobri-la

Bill Clinton: Juro pela Constituição que não se passou nada entre mim e a galinha

Einstein: O facto de ser a galinha a atravessar a rua, ou ser a rua a mover-se sob a galinha depende unicamente do vosso referencial

Guru Zen: A galinha pode em vão atravessar a rua, mas só o Mestre conhece o ruído da sua sombra

José Sócrates ( 1º ministro português): A galinha não atravessou a rua, mas o governo continua a trabalhar

Mário Soares: Bem, devo dizer que ainda não
sei a resposta. O que disse o meu amigo Heny Kissinger sobre o assunto?

José Manuel Fernandes (director do jornal Público): Sem dúvida, que a atitude da galinha faz parte de um complot anti-americano. Foi o que li num livro que trouxe dos States.

Forest Gump : Corre galinha, corre

Staline: A galinha devia ser fuzilada de imediato, assim como todas as testemunhas da cena, mais outras 10 pessoas escolhidas ao acaso por não terem impedido um acto subversivo

George W. Bush: O facto da galinha ter atravessado esta rua com toda a impunidade, apesar das resoluções da ONU representa uma afronta à democracia, à liberdade, à justiça. Isso só prova indiscutivelmente que nós devíamos já ter bombardeado essa rua há bastante tempo. No sentido de garantir a paz na região, e para evitar que os valores que defendemos não sejam outra vez desrespeitados por mais um acto de terrorismo como esse, o governo dos Estados Unidos decidiu enviar 17 porta-aviões, 46 destroyers, 156 cruzadores, apoiados no solo por 243.000 G.I. e no ar por 846 bombardeiros que terão por missão, em nome da liberdade e da democracia, eliminar toda a raça de porcas galinhas e os seus galinheiros num raio d 5.000 Km à volta, depois dos tiros e do lançamento dos mísseis, julgados necessários para reduzir a pó e cinzas tudo o que seja galinheiro e galináceos, de forma a que as galinhas, com a sua conhecida arrogância, não mais desafiem a nossa valente nação. Decidimos ainda, por generosidade, que o nosso governo se encarregará de reconstruir os galinheiros seguindo todas as normas de segurança em vigor, e que os novos galinheiros terão na sua direcção um galo, democraticamente eleito pelo embaixador dos Estados Unidos. Para o financiamento dessa grande obra de reconstrução, nós apenas nos contentaremos com o controle absoluto de toda a produção cerealífera da região durante os próximos 30 anos, podendo os habitantes locais da região usufruir de um desconto especial no consumo desses cereais, em troca de uma leal cooperação. Nesse novo país de justiça, paz e liberdade, poderemos assegurar-vos que mais nenhuma galinha tentará atravessar uma rua pela simples razão que não haverá nunca mais ruas, e que as galinhas deixarão de ter patas. Que Deus abençoe a América.

Conto futurista sobre a mudança climática

…acidentes climáticos sempre terríveis. Começaram pelas tempestades, as inundações, as canículas nas primeiras décadas do século XXI. Em 100 anos a temperatura média do globo aumentou 6º C. Foi então que tudo se precipitou: as florestas foram devoradas pelo fogo, as inundações catastróficas devastaram o hemisfério Norte, provocando milhões de mortes. No auge da crise, em 2054, a Assembleia-Geral das Nações Unidas autoproclamou-se «governo planetário» e decidiu o lançamento de um imposto mundial de solidariedade ecológica destinado à luta contra o sobreaquecimento climático. Foram lançadas sucessivas campanhas de reflorestação intensiva, e o esgotamento das reservas petrolíferas levou à generalização do motor não poluente a hidrogénio. Mas nada resultou. O clima estava irremediavelmente desregulado, fazendo alternar inundações, secas, fomes. Foi necessário promover políticas drásticas de controlo da natalidade para impedir o crescimento da população mundial. Deixou-se de falar em liberalismo, em crescimento económico, em progresso. A Humanidade mobilizou-se por inteiro na luta pela sobrevivência, sob a égide de um governo planetário, pressionado a promover um programa ecológico tão global quanto ambicioso…mas tardio e, por consequência, .
E depois houve esta descoberta espantosa dos investigadores da Universidade de Copenhaga, especializados no estudo dos golfinhos. Em 2094, anunciaram que os golfinhos tinham descodificado a nossa linguagem, tal como nós conseguíamos compreender a deles. A comunicação tornou-se possível entre eles e nós. Descobriu-se com espanto que a inteligência desta espécie estava quase a igualar a nossa. Que se tinha passado? Uma mutação decisiva no seu património genético?
Ninguém sabia nada, mas as relações entre os humanos e os golfinhos deram uma tal reviravolta que estes nomeram um embaixador junto dos homens e vice-versa.
Tais eram precisamente as funções do pai de Théo. Naquele dia ele ia encontrar-secom embaixador dos golfinhos cujas atribuições englobavam a representação de todos os cetáceos. Deveriam assinar um protocolo com vista a uma estreita colaboração a fim de ambas as espécies partilharem um amplo banco de peixe proveniente do Ártico, cuja chegada tinha sido assinalada.
A gestão do planeta daí em diante era parcimoniosa e estritamente regulamentada. Geria-se a penúria procurando fazer face, o melhor possível às catástrofes climáticas que se sucediam. (…)
(…) O governo planetário tentava retomar a rédea das coisas. A prioridade passara da economia para a ecologia. Daí em diante a palavra de ordem passara a ser «solidariedade». Acabara-se a concorrência encarniçada entre indiíduos, entre empresas, entre nações. O imperativo de defender o ambiente, reconhecido como prioridade absoluta, tinha relegado para segundo plano a corrida ao «sempre mais e mais».
O mundo inteiro mobilizara-se para tentar limitar os danos. Face a uma natureza destroçada, o homem-demiurgo sentia-se muito pequeno…

Excerto retirado do livro «A solidariedade nas plantas, nos animais, nos humanos» de Jean-Marie Pelt, das edições Mareantes editores.

Depois das aves, a gripe dos cães?....


Estamos em 2120. O planeta está num estado lamentável. A grande crise ecológica começou no início do século XXI e desde então as catástrofes foram-se sucedendo numa cadência infernal. Em 2014, todos os cães sucumbiram. Foram necessários três anos para identificar a causa desta hecatombe. A comida estandardizada para cães, fabricada pela multinacional Montecano, despoletou uma extraordinária epidemia de paralisia fulgurante. Esta foi imputada a um novo agente patogénico até então desconhecido, ligado ao consumo pelos caninos da sua comida habitual – o «compacto micro-equilibrado geneticamente modificado». De imediato, todos os OGMs foram retirados do mercado, mas a raça canina, essa, não sobreviveu.

Excerto retirado do livro «A solidariedade nas plantas, nos animais, nos humanos» de Jean-Marie Pelt, das edições Mareantes editores.

27.3.06

Dia Mundial do Teatro de 2006


Mensagem do dramaturgo mexicano
Victor Hugo Rascón Banda

Um Raio de Esperança


Todos os dias devem ser dias mundiais de teatro, porque nestes 20 séculos a chama do teatro esteve sempre acesa em qualquer canto da terra.
Decretou-se sempre a morte do teatro, sobretudo com o aparecimento do cinema, da televisão e, agora, dos meios digitais. A tecnologia invadiu os cenários, e afastou a dimensão humana, ensaiando um teatro plástico, perto da pintura em movimento, que deslocou a palavra. Houve obras sem palavras, ou sem luz ou mesmo sem actores, só com manequins e bonecos numa instalação com múltiplos jogos de luzes.
A tecnologia tentou converter o teatro em fogo de artificio ou em espectáculo de feira.
Assistimos hoje ao regresso do actor em frente do espectador. E ao regresso da palavra sobre o o cenário.
O teatro renunciou à comunicação massiva e reconheceu os seus próprios limites, que impõem a presença de dois seres frente a frente, comunicando sentimentos, emoções, sonhos e esperanças. A arte cénica está deixando de contar histórias para debater ideias.
O teatro comove, ilumina, incomoda, perturba, exalta, revela, provoca, transgride. Trata-se de uma comunicação partilhada como a sociedade. O teatro é a primeira arte que se defronta com o nada, com as sombras e o silêncio a fim que surja a palavra, o movimento, as luzes e a vida.
O teatro é um facto vivo que se consome a si mesmo enquanto se produz, mas que renasce sempre das cinzas. É uma comunicação mágica em que cada pessoa dá e recebe algo que a transforma.
O teatro reflecte a angústia existencial do homem e desvenda a condição humana. Através do teatro, não falam os seus criadores, mas a sociedade da época.
O teatro tem inimigos visíveis, a ausência de educação artística na infância que impede a sua descoberta e a possibilidade de o usufruir; a pobreza que alastra no mundo, afastando os espectadores das salas e a indiferença e desprezo dos governos que deveriam promovê-lo.
Foi no teatro que os deuses falaram, mas agora é o homem que fala para os outros homens. Por isso, o teatro tem que ser melhor que a própria vida. O teatro é um acto de fé no valor da palavra sensata num mundo demente. É um acto de fé nos seres humanos que são responsáveis pelo seu destino.
Há que viver o teatro para entender o que se está passando, para transmitir a dor que paira no ar, mas também para vislumbrar um raio de esperança no caos e no pesadelo quotidiano.

Vivam os oficiantes do rito teatral.
Viva o teatro.


Mensagem de Victor Hugo Rascón Banda ( dramaturgo mexicano)

Mais info:
http://www.iti-worldwide.org

Breve glossário de teatro

Extraído de:
http://form.ccems.pt/drama/geral.htm


A

Agon- termo da Comédia antiga (Aristófanes)para designar o diálogo central de um conflito entre inimigos. Hoje o termo é mais lato referindo-se ao ponto central de uma história ,ao coração de um drama.


Antagonista- Personagem em oposição ou em conflito. O caracter antagonista do universo teatral é um dos princípios essenciais da forma dramática.


Anti-herói- Personagem principal que não corresponde ás caraxterísticas ou aos valores do herói tradicional.

Antiteatro- Termo geral que designa uma dramaturgia e um estilo de jogo dramático que nega todos os princípios da ilusão teatral. O termo aparece nos anos cinquenta , nos começos do teatro do absurdo.


Antonomasia- Figura de estilo que substitui o nome de um personagem por uma perífrase ou por um nome comum que o caracteriza.( O homem da coragem ao vento- D.Quixote)

Aparte- Palavra ou expressão que o actor diz á parte para si, mas de maneira a entender-se no público.


Aforismo- Fórmula resumida que define um saber científico ou moral.


Arquétipo- Personagem que se assume como modelo mítico do imaginário de um povo Que está acima de um modelo real.


Argumento- Resumo da história da peça que leva à cena. Pode-se falar igualmente de um argumento de ballet


Arlequinada – Peça com ou sem palavras que tem o Arlequim por personagem central.


Assonância- Repetição do mesmo som, especialmente da vogal acentuada no fim de cada verso (bela e tela)


Attente- Atitude de espectativa do público quando actua em antecipação à conclusão e há resolução final dos conflitos

Advertência- texto marginal do autor dramático quando se dirige ao leitor para o advertir das suas intenções, para precisar as circunstâncias do seu trabalho, analisar a sua obra .


B

Barroco- Diz-se de um estilo caracterizado pela liberdade de formas e a profusão de ornamentos

Burlesco- forma cómica exagerada e de paródia, empregando expressões triviais para travestir personagens e situações heróicas; a epopeia burlesca aparece em França no século XVIII. No seculo XX, o burlesco encontra a sua prefeita expressão em certos filmes cómicos (ex:Charlie Chaplin, Buster Keaton) e nos espectáculos de “music-hall”.



C

Canevas- Resumo ou “cenário” de uma peça para as improvisações de actores, em particular os da Comedia dell’arte.


Carácter- Traço próprio a uma pessoa que a permite distinguir dos outros. Conjunto de traços físicos, psicológicos e morais de um personagem. Pessoa ou personagem considerada na sua individualidade, originalidade, nas suas qualidades morais. Os caracteres constituem, segundo Ariosto, um dos seis elementos da tragédia, com o canto, elocução(estilo do discurso), a fábula, o pensamento e o espectáculo.

Carnavalisação- Transformação espectacular de um evento por um reverso total de situações habituais, do sério para o cómico.


Catastrofe- Da tragédia grega, última das quatro partes da obra, onde o herói recebe a sua punição, geralmente funesta.


Catharsis. Efeito de purgação das paixões produzido sobre os espectadores numa representação dramática não distanciada.


Canto- Do teatro grego, termo para designar o texto poético de coro. No teatro de Brecht aplicava-se também o canto embora com intenção parcialmente diferente.

Cena – Termo designando o espaço de actuação Parte ou divisão de um acto onde não está previsto nenhuma mudança de personagens.

Cenografia – Arte da organização do espaço teatral. Conjunto de elementos (tela pintadas, praticáveis, mobiliário...) que determinam este espaço.

Coreografia- termo, vindo do teatro grego que designava a arte de dirigir os coros, utilizada depois no começo do século XVIII , para designar a arte de compor as danças e de regular as figuras e os passos. Hoje em dia utiliza-se este termo para designar a encenação do teatro gestual e mesmo do ballet.


Coro- Grupo- ou grupos alternados- encarregados de intervir colectivamente, por meio do canto, da dança e o recitativo, dentro do “quadro” de um ritual ou de um espectáculo. No teatro grego, a intervenção dos coreutas, dirigido por um corifeu, dá-se o nome de “Choreia”.


Comédia- Acção cénica que provoca o riso pela situação das personagens ou pela utilização de trejeitos e dos caracteres, cujo desfecho é feliz.


Comédia musical- Comédia ou intriga, pouco restrita, que serve de pretexto a uma série de canções e de danças. Um bom exemplo é a comédia musical “Hair” composta em 1967.


Comédia dell’arte- Género de comédia na qual, o “scenário” ou “canevas” servia apenas de regra para a improvisação dos actores. Este género existiu entre os séculos XVI a XVIII ,iniciou-se em Veneza ,em Itália e estendeu-se por toda a Europa.


Conotação- Conjunto de valores subjectivos variáveis de uma palavra.

Consola- Aparelho de controle das luzes e do som

Contexto- Conjunto de circunstâncias que rodeiam a emissão do texto linguístico e/ ou da sua representação, circunstâncias que facilitam ou permitem a sua compreensão.

Contraponto- Série de linhas temáticas ou de intrigas paralelas que se correspondem num princípio de contraste.

Convenção teatral- Conjunto de pressupostos ideológicos e estéticos, explícitos ou não, que permitem ao publico receber correctamente a peça; por exemplo: a Quarta parede do palco, os apartes dos actores , o uso de um coro, o uso de objectos com outras funções; o próprio palco como espaço de ficção.

Corifeu- Chefe do coro, no teatro grego.


D

Diálogo – Conversa entre dois personagens. Encaixe de palavras trocadas pelas personagens de uma peça de teatro.

Dialogismo – caracter dialogado de um texto não teatral (ex: processo verbal de um interrogatório, troca de palavras numa récita, etc)Num sentido largo, o termo designa a estrutura de toda a ficção fundada sobre um conflito entre duas polaridades.

Didascal – Nome dado na Grécia àquele que ensinava uma arte, nomeadamente a arte dramática.

Didascália – Instrução do Didascal aos seus intérpretes. Diz-se das indicações cénicas dadas fora do texto, separadas das réplicas.

Diegese – Imitação de um evento em palavras, que contam uma história sem representação dos personagens.

Distanciação – Efeito teatral pelo qual o actor ou o encenador tentam evitar a identificação a um personagem ou a uma situação em particular. Efeito obtido por diversos processos de recuo, como “dirigir-se ao público”, a fabula épica, utilização de gestos sociais, as canções, técnicas de luz, etc.

Distribuição – Repartição dos papéis.

Dithyrambo – Cântico lírico à glória de Dionisios donde nasceu a tragédia.

Docudrama – (teatro documental) peça que utiliza por texto documentos autênticos sobre determinado evento.

Dramaticidade – Caracter do que é dramático; qualidade de um texto, de um espaço ou de um acontecimento que são susceptíveis de se porem em cena.

Dramatis personae – Personagens ou protagonistas cujos nomes figuram no genérico de uma peça

Dramaturgo – Autor de um texto dramático

Dramaturgia – Arte da composição de peças de teatro. Técnica ou poética da arte dramática que procura estabelecer os princípios da construção da obra.

Dramaturgista – Especialista de dramaturgia. Muitas vezes assistente do encenador, está encarregado de diversas questões relativas ao texto (reportório, adaptação de peças, redacção, documentação...)Dizemos geralmente que é um conselheiro dramaturgico.

Drama – Acção cénica representada por personagens.


E

Escrita dramática- Estrutura literária que se funda sobre alguns princípios dramaturgicos: separação de papéis, diálogos, tensão dramática, acção dos personagens.

Escrita cénica – Maneira de utilizar o aparelho teatral para pôr em cena os personagens, o lugar e a acção que se desenrolam.

Espectáculo – aquilo que se oferece ao olhar(performance ou representação). Um dos seis elementos da tragédia de Aristóteles.


Efeito de destaque- Pôr em primeiro plano um fenómeno fazendo realçar a estrutura artística da mensagem.

Encenação – Conjunto de meios de interpretação cénica (cenografia, musica, jogo, etc....);actividade que consiste em conjugar estes meios. Articulação entre o trabalho de criador e coordenador de uma equipa de artistas; transposição de uma escrita dramática numa escrita cénica.

Epílogo – Discurso recitativo no fim de uma peça.

Épico – Diz-se de uma fábula tirada da vida dos homens, é engrandecida e tratada de tal maneira, nomeadamente por ajustes ideológicos, que é impossível para o espectador de se identificar com o herói ou com a situação.

Episódios - Capítulos da tragédia grega entre o prólogo e o êxodo e entre as intervenções cantadas e dançadas do coro.

Espaço dramático – Construção imaginária, pelo leitor e espectador, da estrutura espacial de um drama.

Espaço cénico – Espaço proposto sobre a “cena” pelo cenógrafo e seus colaboradores.

Estética – Filosofia do belo. O seu objecto é o bom e a verdade. Estudo que se dedica a definir os critérios de julgamento em matéria de poesia e arte.

Êxodo – Canto coral de saída.

Exposição – Informações fornecidas nas primeiras cenas para permitir quea situação evolua e a acção desenvolva.


F

Fábula – Conjunto de factos que constituem o elemento narrativo de uma obra. Um dos seis elementos da tragédia ,segundo Aristóteles, com os caracteres, o canto, a elocução, o pensamento e o espectáculo.

Farsa – Comédia trivial muitas vezes caracterizada por uma série de enganos e que terminava muitas vezes com pancadaria.

Fatalidade – Força sobrenatural pela qual tudo o que acontece (sobretudo desagradável) é predestinado e determina todos os acontecimentos de uma maneira inevitável. A fatalidade é o motor da tragédia grega.

Ficção – Forma do discurso que faz referencia a um universo conhecido. Mas através de pessoas e eventos imaginários.


Focalização – Acção de pôr em evidência, de fazer convergir num determinado ponto.

Fora do texto – Termo para designar o contexto e intertexto.

Fresnelle – Projector cujo poder de iluminar é aumentado por uma lente graduada.


G

Grotesco – Cómico caricatural, de tipo bizarro, burlesco ou fantástico, por vezes absurdo ou irreal.


H

Happening – Espectáculo que exige a participação ou prevê uma reacção do público, e que procura provocar uma criação artística espontânea, eventualmente colectiva.

Herói – Tipo de personagem dotado de poderes fora de comum e que pode “levantar-se” a favor ou contra a Cidade (Grécia). Personagem principal de uma obra.



I

Ícon – Sinal visual que sugere um determinado objecto em virtude do carácter e qualidades que ele possui.

Identificação – Trabalho do actor e do espectador para adoptar as atitudes e os sentimentos de um personagem num dado contexto teatral.

Ilusão – Fenómeno que faz que tomemos a ficção por real e verdadeira.

Inspiração – Teoria platónica segundo a qual, no momento da criação, o pensamento de um poeta, é trocado por um estado perto da demência que faz o actor parecer um Deus.

Intertexto – Conjunto de fragmentos citados num dado corpus;
Relação de ordem textual resultante de estar em presença de dois ou mais discursos de arte ou de escrita.

Intertextualidade – Fenómeno segundo o qual um texto parece situar-se na junção de diversos discursos.

Intriga – Conjunto de acontecimentos que constituem o “motor” da peça. Série de entracelamento de conflitos ou de obstáculos postos numa obra com vista a serem ultrapassados..


J

Jogo – Em teatro, o termo designa tanto uma forma de representação medieval como unidade disciplinar no ensino das artes de cena( jogo dramático) , e ainda as modalidades de interpretação de um actor (jogo realista, jogo distanciado, etc.).


K

Kabuki – Forma tradicional do teatro japonês, exclusivamente masculino, caracterizado pela violência das intrigas e a sumptuosidade do guarda-roupa e maquilhagens. A gestualidade ,que exprime muitas vezes os sentimentos humanos pela dança, sobrepõem-se geralmente sobre o texto inaudível de histórias bem conhecidas.


L

Lazzi – Elemento mímico ou improvisação do actor que serve para caracterizar comicamente um personagem.

Leitura – No teatro: Decifração e interpretação dos diferentes sistemas cénicos que se oferecem à percepção do leitor(texto dramático) ou espectador (texto cénico). A leitura pode ser horizontal ou vertical. Ler um texto, é estabelecer os laços entre as variáveis produtoras de sentido e importar os elementos imperativos susceptíveis de tecer um texto dentro de um texto.

Literalidade – Caracter de um texto considerado como obra literária.


M

Melodrama – Drama popular, muitas vezes acompanhado por melodia, caracterizado pela inverosimilhança da intriga e das situações, a multiplicidade de episódios violentos é outra das características.

Mimica – Num primeiro sentido, imitação directa de uma acção, contando uma história por gestos. Hoje em dia a Mímica distingue-se da pantomima essencialmente por se libertar, como a dança, de grandes figurações e de referencias para se especializar na criação de formas novas, por vezes abstractas.

Mimodrama – Acção dramática representada em pantomima ou linguagem corporal.

Monodrama – Drama cujos personagens são apresentados do ponto de vista de um só.

Monólogo – Cena falada apenas por um personagem; discurso aparentemente dirigido a ele mesmo, ou a um auditório do qual não se espera resposta. Na análise do discurso teatral, é considerado como uma variedade do diálogo.

Montagem – Diz-se de uma colagem de textos e por vezes da encenação; ou realização material da encenação.

Motivo – Imagem visual ou sonora, modulada ou repetida, que faz parte de um tema. Unidade indissociável da intriga, que constitui uma unidade autónoma da acção.

Musica de cena - Contribuição musical de um texto cénico, que anuncia ou sublinha uma emoção, ou para acompanhar uma acção ou um texto, ou mesmo substituir completamente um texto dramático.

Mistério – Acção cénica de ordem religiosa- egípcia, grega, medieval – e principalmente dedicada à vida dos deuses na terra.


N

Naturalismo – Representação realista de Natureza ou do natural.

Nô – Drama lírico japonês(mimado, cantado e dançado, com coros e instrumentos), executado no teatro, com guarda-roupa e máscaras, sem cenário. Compreende secções de prosa (kotoba) e de poesia (utai). Inspira-se geralmente em lendas e contos antigos do Japão, onde os seus actores são o shité e o waki, o segundo é uma espécie de duplo do primeiro.


O

Objectivo e Superobjectivo – Motivações que, segundo C. Stanislavski, estruturam a estratégia global de um personagem.

Ópera – Drama lírico, inteiramente cantado, realizado num Teatro com cenários e guarda-roupa.

Ópereta – Comédia lírica, constituída de cantos e diálogos ou pantomimas alternadas com cenários e guarda-roupa.


P

Papel – Conjunto de indicações de acções de um personagem; é a vida de um personagem; Conjunto de réplicas de um personagem.

Parada – Forma de intervenção teatral que se faz à porta das salas de espectáculo, para angariar publico.

Parateatro – diz-se das formas paralelas do teatro.

Paródia – Peça ou fragmento dela do género burlesco que se transveste uma obra maior.

Patético – Modo de recepção de um espectáculo que provoca a compaixão

Pathos – Emoção ou paixão, amplificada ou simulada, susceptível, por técnicas específicas do teatro, de suscitar ou manipular no publico sentimentos naturais de piedade ou de terror, com vista a provocar a catharsis.

Performance – Expressão artística de unidade variável que consiste em produzir determinados eventos por meio de gestos e acções sem contar qualquer história .

Praxis – Acção dos personagens, acção que se manifesta na cadeia de acontecimentos ou fábula.

Prólogo – Parte da peça que nos gregos precede a entrada do coro.

Proscenium – Parte anterior do palco.

Psicodrama – Técnica de investigação psicológica que procura analisar os conflitos interiores em fazendo jogar um quadro improvisado a partir de quaisquer dados.


Q

Quadro – Divisão de um texto dramático ou cénico, fundado sobre uma mudança do espaço ou do espaço-tempo. Constitui uma alternativa à cena ou ao acto. Bertolt Brecht revalorizou es tipo de divisão.

Quarto muro – No teatro naturalista: muro imaginário que separa a cena da sala.

Quiproquo – Situação de engano que faz prender um personagem – ou uma coisa – a outra.


R

Realismo – Concepção da arte e da literatura, segundo a qual não se deve procurar idealizar o real ou mesmo depurá-lo.

Récita – Fábula. Discurso de um personagem narrando um acontecimento que se produz fora de cena.

Recitativo – Na Ópera ou na cantata, parte declamada – não cantada - cujo ritmo e métrica difere do canto ou da música que a precedem ou a seguem.

Repertório – Conjunto de peças realizadas por uma companhia teatral; conjunto de peças do mesmo estilo ou de uma mesma época; conjunto de papéis que um actor já interpretou e que fazem parte do seu curriculum.

Réplica – Resposta a um discurso; texto dito por um personagem no decurso de um diálogo.

Retórica –Termo empregado para designar a arte de persuadir, a lista de figuras de estilo e de juízos de escola num discurso artístico e literário.


S

Sátira – Género teatral de origem grega; Discurso que ataca alguém ou qualquer coisa, gozando isso.

Signo – A mais pequena unidade de sentido, proveniente da combinação de um significado e significante.

Situação dramática – Conjunto de dados textuais e cénicos cujo conhecimento é indispensável para a compreensão do texto e da acção.

Sociodrama – Técnica inspirada da criação colectiva teatral e empregada na terapia de grupo.

Solilóquio – Discurso de um pessoa que fala para si mesma; monólogo interior. Discurso de uma pessoa que, em companhia, está apenas a falar para si mesma.

Song – Intervenção coral, no teatro brechtiano.

Subtexto – Aquilo que não se diz explicitamente no texto dramático, mas que ressalta da interpretação do actor.


Sublime – Categoria estética que designa um sentimento que faz “sair” aquele que experimenta os limites habituais da sua percepção do belo, para o conduzir em direcção à grandiosidade ou ao horror.

Suspense – Momento ou passagem que faz nascer um grande sentimento de angústia ou de dúvida; caracter daquilo que é susceptível de provocar este sentimento.

Simbolismo – Movimento artístico e literário que, em reacção ao Naturalismo, se esforça de fundar a arte sobre uma visão espiritual do mundo, traduzida por meios de expressão metafóricos ou poéticos.


T

Texto dramático – Escrito onde a teatralidade é explicitamente inscrita.

Texto cénico – Produto da encenação, que foi produzido ou não por um texto dramático.

Teatralidade – Caracter do que é teatral; pela qual um escrito, um espaço ou um evento se definissem como configuração de elementos estilísticos e de valores diferenciados (guarda-roupa, personagens, adereços, etc...), regras, implicitamente ou explicitamente, por leis do sistema teatral. Pode-se falar da teatralidade de um evento judiciário, de um lugar sagrado, de uma máscara primitiva...

Tragédia – Acção cénica cujas peripécias são dirigidas por uma fatalidade e cujo desfecho é sempre funesto.


U

Unidade de acção – caracter de uma peça do qual a matéria narrativa se organiza á volta de uma fábula principal á qual as intrigas anexas são logicamente ligadas.

Unidade de lugar – Carácter de uma peça segundo a qual se organiza à volta de um e mesmo espaço.


Unidade de tempo - Carácter de uma peça cuja acção se organiza no mesmo tempo de acção.


V

Variedades – Espectáculo que apresenta diversas atracções (canções, danças ,etc...).

Verosimilhança - Carácter pela qual as acções, os personagens e os ligares representados são percepcionados pelo publico com uma imitação da realidade e não como uma realidade verdadeira ou sobrenatural.

Listagem de sítios web sobre os movimentos e manifs anti-CPE ( contrato do primeiro emprego)



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O movimento na Web

Collectif Stop CPE (national)
http://www.stopcpe.net/cpe/

Stop CPE... en direct des régions
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Stop CPE 92
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Collectif Stop CPE Jura
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Stop CPE 71(Saône-et-Loire)
http://www.stopcpe71.wb.st

CPE-Lannion : Le combat continue
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La grève à Tolbiac, au jour le jour...
http://anticpe.blogspot.com

Saint-Charles en lutte (Paris I)
http://u-blog.net/touscontrelecpe

Mobilisation sur Nice contre le CPE
http://anticpenice.canalblog.com

Université Toulouse Le Mirail en lutte
http://mirailenlutte.hopto.org

Comité de grève de Censier
http://comitedegrevecensier.ifrance.com

Sciences-Po Paris contre le CPE
http://sciences-pocontrelecpe.over-blog.org

Collectif Première Embuche Nanterre
http://premiereembuche.blogspot.com

L’iUT de Paris 5 contre le CPE
http://iutp5contrelecpe.blogspot.com

Comité IUTiens en lutte anti-CPE (Bordeaux) http://iutienscontrecpe.canalblog.com

IUT Rennes contre le CPE
http://www.iut35contrelecpe.sup.fr

Le blog des manifestations lycéennes et étudiantes de Limoges: aqui

Forum de Coordination de la jeunesse Belleysanne contre le CPE !- ver aqui

Le CLAC (Collectif Lycéen de l’Agglomération Chambérienne): ver aqui

Le Collectif lycéen de Grenoble
http://ronan.m.free.fr/lyceens/

Le Collectif lycéen Lyonnais
http://contestationlyon.free.fr

Le forum de coordination des étudiants de Grenoble: aqui

Forum du Comité d’Action Lycéen - Rennes

http://www.cal-rennes.supersite.fr

LP en grève (Marseille)
http://lpengreve.free.fr



O mouvimento em imagens


Le blog 1d-photo Sélection thématique d’images de la coopérative de photographes indépendants 1d-photo: aqui

Niahaaa !! Le cri de guerre des étudiant-e-s de Nanterre contre le CNE et le CPE ! - ver aqui

Sous la matraque, la jeunesse:
ver aqui

Les Coteaux en grève (Nice): aqui

Gallerie libcom.org

www.libcom.org/gallery/v/news/france-cpe/

Perspikace sur Flickr
http://www.flickr.com/photos/perspi...

Gunthert sur Flickr: ver aqui


O mouvemento em vcast


Videobase (vidéos)
http://videobaseproject.net

Samizdat infoblog (sélection vidéos): ver aqui

Vcast du mouvement sur Daily Motion (vidéos) Un service commercial (gratuit) de partage de vidéos utilisé par le mouvement: ver aqui

Télé Sorbonne Une télévision étudiante... - ver aqui

Des stagiaires répondent à Dominique de Villepin: ver aqui

Stop CPE rubrique vidéos
http://www.stopcpe.net/cpe/Videos

TV Bruits
www.tv-bruits.abri.org/SPIP/

Début du mouvement contre le CPE/CNE (site perso) http://thibautcho.free.fr/videocpe.html

Indymedia Paris: aqui ; aqui ; aqui



Os média alternativos:

Grenoble Indymedia (Actualités locales sur la lutte anti CPE en page d’accueil): aqui

Nantes Indymedia (page actualisée en permanence sur la lutte anti CPE):
aqui

Nice Indymedia (page actualisée en permanence sur la lutte anti CPE):
aqui

Paris Indymedia (thème sur la lutte anti CPE):
aqui

Toulouse Indymedia (page actualisée en permanence sur la lutte anti CPE):
aqui

Marseille Indymedia (dossier sur le mouvement dans le sud-est : Marseille, Aix, Avignon, etc.): aqui

Salade niçoise:

http://www.salade-nicoise.net

Rebellyon
http://rebellyon.info

Mille babords
http://www.millebabords.org

libcom.org/blog (em inglês)
http://libcom.org/blog/

Justice pour Cyril
http://justicepourcyril.zeblog.com


As Organizações


Sud Etudiant

http://www.sud-etudiant.org

Confédération étudiante
http://www.confederation-etudiante.org

Fédération syndicale étudiante
http://www.luttes-etudiantes.com