19.3.11

Assembleia Popular hoje às 14h. na Pr. D.João I, no Porto

A ALEGRIA DO TEU CORPO,
A LIBERDADE DO TEU ESPÍRITO
e a ACÇÃO DA TUA AUTONOMIA
metem medo ao capitalismo



No passado sábado, no Porto, foram muitas as caras que os Gat@s Vadi@s reconheceram.
Trocámos sorrisos, palavras, ânimo. Vontade de viver! Agora, voltamos a falar-te para que voltes.

Naturalmente, lá estivemos. Estamos lá, desde há 4 anos. E vamos continuar. A utopia tem de sair à rua todos os dias e jamais para picar o ponto…

Integrámos com a Casa da Horta, a Casa Viva, o Colectivo Hipátia e a Terra Viva, a plataforma libertária, para afirmarmos um caminho possível. Caminho que passa pela autonomia, a alegria, a resistência crítica, a criatividade, a solidariedade, a democracia directa e participativa. E sem nos esquecermos que à rasca está o mundo inteiro e não apenas o nosso umbigo.

Sabemos que muitas amigas e amigos da Gato querem fazer alguma coisa, gritar, berrar a plenos pulmões, sair à rua, vencer o silêncio, vencer o fascismo do silêncio que se impôs nas nossas vidas. E agora, é voltar. Há ir e vir, há organizar e mudar!

E se formos este sábado, dia 19 de Março, às 14h à Assembleia Popular na Praça D.João ?

Quanto à Gato Vadio, no sábado passado foi espalhando papelinhos traquinas, muito, muito traquinas:

“– Papá, na TV estão a dizer que as pessoas da Gato Vadio são extremistas, radicais e perigosas?
– Filhinha, se dizem é porque é verdade, meu anjinho.”


“Um dia, a alegria do teu corpo, a liberdade do teu espírito e a acção da tua autonomia vão inspirar terror ao capitalismo”.


“– Precários, não vos inquietais, a solução está nas nossas mãos, trataremos do teus problemas, o teu lugar é aqui, a máquina não pode parar!
Não precarizes o teu imaginário, reclama a vida!”

Sonho Geral, Decrescimento do Capital!

http://gatovadiolivraria.blogspot.com/



Cerca de 200 pessoas reuniram-se em Assembleia Popular na Praça D.João no dia 12, no seguimento da manifestação realizada nesse dia, para expôr livremente as suas experiências e apresentar as suas propostas.

Decidiu-se então continuar essa Assembleia no próximo dia 19 de Março ( Sábado) às 14 h. na Praça D.João I, Porto, com os objectivos de criar ideias, soluções, respostas, esperança e reforçar a persistência das nossas palavras e do nosso protesto, unindo-nos livremente, sem nenhuma burocracia ou desigualdade de palavra que se interponha entre a nossa opinião e a sua exposição a todos e todas.


Viva o Poder Popular!

www.facebook.com/event.php?eid=116618951750063

Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller, os Mercados e Outras Conversas, novo livro de A. Pedro Ribeiro (reportagem da sua apresentação)



Breve reportagem da sessão de poesia e de apresentação do novo livro de A. PEDRO RIBEIRO. "Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller, os Mercados e Outras Conversas", editado pela Corpus editora, no Clube Literário do Porto, realizada no passado dia 17 de Março.

Recorde-se que a tertúlia "Poesia de Choque" realiza-se na terceira quinta-feira do mês no Clube Literário do Porto. A sessão é dinamizada por António Pedro Ribeiro e Luís Carvalho

http://tripnaarcada.blogspot.com/2011/03/nietzsche-jim-morrison-henry-miller-os.html
http://www.corposeditora.com/site/default.asp

No Porto são vários espaços da cidade, de cafés a instituições culturais, que organizam sessões onde se pode ouvir mais também ler-se poemas: Bar Pinguim, livraria-bar Gato Vadio, café Progresso, CLP, Maria vai com as outras,No feminino, etc.

18.3.11

Nem NATO, Nem Khadafi, os assassinos de povos não apoiam a emancipação social: contra a agressão imperialista na Líbia

NÃO A UMA NOVA GUERRA DA NATO
França, Grã-Bretanha e países da Nato preparam-se para atacar a Líbia
Ataques estão iminentes.

Maquiavel é que defendia que os fins justificam os meios (guerra)
Os pacifistas são contra o militarismo
Toda a guerra é interesseira

NEM ARMAS, NEM GENERAIS
JÁ TEMOS MERDA A MAIS


NÃO ÀS INTERVENÇÔES MILITARES para «exportar democracia»

Com esta atitude não apoiamos o regime líbio.

Os rebeldes líbios merecem a nossa simpatia e apoio

Do que se trata é de não ser ingénuo, e politicamente analfabeto.

Do que se trata é de defender que os exércitos ocidentais são os últimos a terem legitimidade de apoiarem os rebeldes líbios.

Depois de terem provocado impunemente mais de 1 milhão de mortos no Iraque, com a invasão e guerra, os exércitos ocidentais são os últimos a terem autoridade para apoiar seja o que for.

Evidentemente que os rebeldes líbios precisam de apoio, mas não do apoio de assassinos piores que o Khadafi e o Saddam Husseim. Se estes cometeram crimes contra os seus povos, o que dizer do exército norte-americano, britânico e tutti quanti?



CONTRA A AGRESSÃO IMPERIALISTA NA LÍBIA

Não à agressão militar contra a Líbia – abaixo-assinado

As Organizações signatárias, apoiam as legitimas aspirações políticas, económicas e sociais dos trabalhadores e do povo da Líbia, não podendo deixar de manifestar a sua profunda preocupação e condenação pelas posições recentemente assumidas por parte de potências e organizações estrangeiras, nomeadamente os Estados Unidos da América, a União Europeia, a NATO e a Liga Árabe, no sentido de aproveitarem a situação de conflito armado no país para uma inaceitável ingerência nas questões internas deste Estado e uma clara intenção da busca de pretextos para uma agressão militar camuflada, ou não, de ” ajuda humanitária”.



Denunciando a pressão, que os EUA, a UE e a NATO (com o seu novo conceito estratégico) têm exercido ao deslocarem forças militares para a zona, e mediante acções diplomáticas e mediáticas, pressão que tem contribuído para uma ainda maior destabilização da situação interna, e que poderá desencadear o risco, ou somar pretextos, para uma intervenção directa;
Afirmando que qualquer agressão, mascarada de “ajuda humanitária” ou de qualquer outro pretexto, tentará na realidade garantir o controlo dos recursos naturais líbios e a implantação permanente de forças militares que aumentem a esfera de influência dos invasores, criando condições para tentar impedir o avanço das revoltas populares da região, que vêm aliando às exigências de melhores condições de vida, também o pleno acesso a direitos sociais e laborais e a concretização de maior independência e soberania nacionais;
Lembrando que qualquer intervenção militar terá como primeira vítima o povo líbio, e que disso são exemplo as intervenções de “forças aliadas”, com ou sem mandato das NU, nos Balcãs, Iraque e Afeganistão;



Exigimos uma resolução pacífica do conflito que recuse qualquer ingerência estrangeira, e que o Governo Português, actualmente com assento no Conselho de Segurança da ONU, actue em consonância com a Constituição da República Portuguesa nomeadamente do seu artigo 7o.




Associação de Amizade Portugal Cuba

Associação de Intervenção Democrática

Associação Portuguesa de Amizade e Cooperação Iúri Gagárin

Colectivo Mumia Abu-Jamal

Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses CGTP-IN

Confederação Nacional da Agricultura

Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto

Confederação Portuguesa de Quadros Técnicos e Científicos

Conselho Português para a Paz e Cooperação

Ecolojovem

Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal

Frente Anti-Racista

Iniciativa Jovem

Interjovem/CGTP-IN

Juventude Comunista Portuguesa

Movimento Democrático de Mulheres

Partido Comunista Português

Partido Ecologista “Os Verdes”

Projecto Ruido

Sindicato doa Trabalhadores da Admnistração Local

Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal

Tribunal-Iraque (Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque)

União dos Resistentes Antifascistas Portugueses

União dos Sindicatos de Lisboa

União dos Sindicados de Aveiro

Fonte: http://www.vermelhos.net/index.php

17.3.11

Mais vale ser activo hoje do que radiocativo amanhã (concentração anti-nuclear hoje, às 18h., na Av da Liberdade, Lisboa)


Chernobil, Fukushima:

NÃO À ENERGIA NUCLEAR EM TODO O MUNDO!

A tragédia do Japão despertou a solidariedade de todo o mundo pela perda de milhares de vidas humanas e de vastas regiões e cidades daquele país devido ao terramoto de grau 9 e ao posterior tsunami que arrasou com partes significativas do território japonês. As redes, organizações e pessoas abaixo assinadas querem exprimir em primeiro lugar as suas mais profundas condolências ao povo japonês e dar a conhecer a sua dor partilhada e solidariedade pela emergência humanitária provocada por este desastre.

Ao mesmo tempo é altamente preocupante o impacto que o desastre natural causou na central nuclear de Fukushima, provocando explosões, o que levou a uma situação de grave risco por causa da libertação de material radioactivo, situação que pode piorar se os elementos do núcleo desta instalação se fusionam por sobreaquecimento. Também estão em perigo outras duas instalações nucleares em situação de risco em Onagawa e Tokai. O governo japonês viu-se obrigado a apagar pelo menos 11 centrais nucleares com o objectivo de prevenir mais desastres, o que deixou mais de 6 milhões de pessoas sem abastecimento de electricidade. 200.000 pessoas já foram evacuadas para prevenir uma possível exposição aos efeitos nocivos de um acidente nuclear e já se estão a tomar medidas de saúde pública com a população exposta.

Esta trágica situação alerta-nos UMA VEZ MAIS sobre o enorme perigo que significam as instalações nucleares para a sobrevivência e segurança do planeta e recordam-nos a resistência de activistas japoneses que há 40 anos se negaram à construção destas instalações. Hoje o mundo está a mudar, não só pelos riscos de desastres naturais mas também pelos riscos a que estamos sujeitos pelos impactos da mudança climática que produziu grandes inundações, deslizamentos e alterações severas na habitabilidade do planeta, como as derrocadas no Rio de Janeiro que há pouco tempo ameaçaram centrais nucleares instaladas na zona que tiveram de ser paradas até que a situação se estabilize. Esta vulnerabilidade global deve ser considerada adicionalmente, mas sobretudo devemos ser conscientes de que a tecnologia e o dinheiro não salvarão vidas uma vez que as tragédias se produzem.

A crise climática e a necessidade de energia deram lugar a que sobretudo as grandes corporações e os países desenvolvidos falem da energia nuclear como energia alternativa limpa e sustentável. Os próprios projectos do Banco Mundial sobre energia consideram-na como uma importante possibilidade assim como as grandes hidroeléctricas. Cada vez se torna mais claro que estas são falsas soluções que só aumentam o perigo e a vulnerabilidade da humanidade face às mudanças globais.

Está-se a propor a energia nuclear como uma fonte de energia alternativa e "limpa" nas negociações de mudança climática, mas está demonstrado que pode ficar fora de controlo tanto técnico como humano e afectar milhões de pessoas e em particular as próximas gerações pelo seu potencial efeito nocivo sobre a vida. Os Fóruns Multilaterais como o Processo Rio+20, o processo da Convenção do Clima, os fóruns relacionados com energia alternativa e outros devem considerar muito seriamente o uso da energia nuclear pela sua perigosidade.

Pedimos também aos governos que escutem as vozes da sociedade civil de todo o mundo que manifestou a sua oposição às falsas soluções, que escutem os seus povos.

Exigimos que os governos se concentrem em garantir a sobrevivência, o direito à habitabilidade, o direito à saúde e à soberania alimentar de milhões de pessoas no mundo, em vez de debilitar as condições no planeta cumprindo mandatos do capital.

Exigimos e reclamamos em todo o mundo que se proceda ao desmantelamento das centrais nucleares, que se procurem verdadeiras soluções para os povos e que no caminho se apliquem todas as precauções para evitar danos que tenhamos que lamentar. Chernobil, Fukushima são alertas que devem obrigar os governos a deixar de insistir em continuar a promover estes projectos. A energia nuclear para abastecimento de energia e ainda mais com fins bélicos deve parar.

Os negócios não nos interessam, o que nos interessa é a vida e a segurança da população, e não aumentar a sua vulnerabilidade.

CHERNOBIL E FUKUSHIMA SÃO SUFICIENTES!

NÃO À ENERGIA NUCLEAR!



REDES - AMIGOS DE LA TIERRA - Uruguay

FUNDACION SOLON - Bolivia

ECOLOGISTAS EN ACCION - España

BLUE PLANET PROJECT - Canadá

TWN (La RED DEL TERCER MUNDO) -

FoEM FRIENDS OF THE EARTH - Malaysia

CONSUMERS ASSOCIATION OF PENANG, Malasia

PLATAFORMA BOLIVIANA DE ACCION SOBRE EL CAMBIO CLIMATICO

COLECTIVO VIENTOSUR - Chile

HIJOS DEL MONTE, FRENTE NACIONAL CAMPESINO - Argentina

FOCO - Foro Ciudadano de Participación por la Justicia y los Derechos Humanos - Argentina

FEDAEPS - Ecuador

MOCICC (Movimiento Ciudadano Frente al Cambio Climático) - Perú

COMDA (Coalición de Organizaciones Mexicanas por el Derecho al Agua)

FOCUS ON THE GLOBAL SOUTH

ALIANZA SOCIAL CONTINENTAL

SUSTAINABLE ENERGY AND ECONOMY NETWORK (SEEN) - USA

IPS (Institute for Policy Studies) - USA

FUNDACION ECOSUR -Patagonia Chile

FUNDACION TERRAM - Chile

ASAMBLEA CIUDADANA POR LA VIDA de Chilecito, La Rioja -Argentina

Coordinadora por la defensa del agua y la vida. Provincia de El Loa

Asociación Colectivo Poder y Desarrollo Local - Guatemala

Asociación Vidas Verdes - Perú

GREENPEACE - México

GREENPEACE - Argentina

JUBILEO SUR

ACCION ECOLOGICA

OILWATCH - SUDAMERICA

OTROS MUNDOS A.C. - Amig@s de la Tierra México

Irene León, Socióloga - Ecuador

Alicia Tarrio - Argentina

(aberto a adesões)

16.3.11

Japão: sismo desencadeia alerta nuclear ( texto muito interessante do Le Monde Diplomatique)

Japão: sismo desencadeia alerta nuclear
Depois do terramoto, seguido de tsunami, veio a explosão na central nuclear de Fukushima, cujas consequências futuras são ainda desconhecidas (a central situa-se a apenas 300 quilómetros de Tóquio).

Neste momento, os nossos primeiros pensamentos vão para as japonesas e para os japoneses, que acabam de sofrer o maior sismo desde Kobé, em 1995. E, entre eles, vão para os bombeiros que partiram de avião para a central nuclear. Estes «liquidatários» vão arriscar a vida para salvar o país e, mais ainda, limitar as consequências planetárias da explosão do reactor. A radioactividade dentro da central já atinge, a cada hora que passa, a quantidade anual admissível. Qualquer acidente adicional vai traduzir-se num crescimento dos riscos para os intervenientes.

É preciso ter uma coragem sem limites para intervir ali conhecendo as consequências. A experiência dos liquidatários de Tchernobil não pode ser esquecida. Aquelas e aqueles que nunca receberam informação sobre essa experiência devem, sem dúvida, ler o livro La Supplication, de Svetlana Alexievitch [1].

Se há pessoas que merecem, a título colectivo, um prémio Nobel da Paz, são realmente os liquidatários de Tchernobil — e agora os de Fukushima.

Do lado oposto ao destas mulheres e homens que vão sofrer neste combate, estão os que brincaram com o fogo nuclear. É a eles que devemos dirigir-nos agora para obter informações que nos permitam realmente escolher, democrática e cientificamente.

Porque o nuclear é uma tecnologia muito particular. Nunca foi confinado e os seus riscos prendem-se com dois tipos de acontecimentos. Em primeiro lugar, o risco ligado ao «acidente»: avaria, explosão e consequências de acontecimentos externos (tsunamis ou perigos terroristas, como o causado pelo avião que, a 11 de Setembro de 2001, devia ter-se despenhado sobre a central de Three Mile Island. A libertação na atmosfera de muitos materiais radioactivos vai provocar, desde logo, cancros e outras doenças — cujo acompanhamento não está, aliás, assegurado. Depois, há o risco das «doses reduzidas», porque as centrais e os outros elos da cadeia nuclear — em particular os transportes, os locais de armazenamento e de extracção de plutónio, como Haia — libertam regularmente elementos radioactivos que estão a seguir presentes nos rios, no mar, nas praias, nas florestas, etc.

Esta ausência de confinamento, que faz com que uma dispersão de produtos radioactivos afecte todo o planeta, diz respeito aos dois tipos de riscos. Tchernobil, apesar dos esforços dos alfandegários franceses, mostrou a extensão das zonas afectadas pelos acidentes. Mas há outras informações que sugerem que os elementos radioactivos circulam cada vez mais. Por exemplo, enquanto que antes de 1945 não existia plutónio na natureza, agora ele pode ser encontrado nos dentes de leite das crianças britânicas.

Quando alguns decidem desenvolver o sector nuclear, todo o planeta é, portanto, afectado. Mas estas decisões são tomadas de forma opaca, sem debate público, sem que se disponibilize uma real informação — contraditória e científica — às populações.

Faltam-nos, em particular, informações essenciais para a tomada de decisões. Todas as tecnologias têm riscos. A questão que se coloca nunca é a da segurança absoluta, mas a da relação entre o risco e os benefícios desejados. Ora, não dispomos de estudos relativos aos seguintes pontos essenciais.

• Qual é a rentabilidade económica do nuclear, considerando todo o tempo de vida do sector? Com efeito, o nuclear tem um tempo de vida muito superior ao tempo de funcionamento (rentabilidade de um ponto de vista económico imediato, a que demasiadas vezes se dá prioridade). Para medir o custo económico real, convém incluir nos modelos o acompanhamento dos resíduos até que os seus riscos se tornem insignificantes, ou seja, durante séculos. Há também o «desmantelamento» das centrais. A experiência de Brennilis, na Bretanha, mostra-nos que os custos reais (e os problemas técnicos surgidos) são muito superiores aos avaliados [2]. Por fim, deve ser feita a avaliação do custo dos acidentes, que como são assumidos por toda a sociedade nunca são incluídos nos cálculos de rentabilidade efectuados pelos agentes da fileira nuclear. Uma subparte desta questão seria conhecer de forma bem precisa o balanço energético global do sector. Que parte da energia produzida é realmente utilizável, uma vez subtraídas as perdas em linha (centrais evidentemente distanciadas dos locais de consumo), a energia dissipada na construção e depois no tratamento dos resíduos e, por fim, no desmantelamento. Sem falar de todo o tipo de custos em caso de acidente.

• Qual é o real impacto do nuclear na saúde, tanto em doses reduzidas [3] como, evidentemente, em situação de acidente? Neste quadro, não nos podemos limitar aos mortos imediatos (em Tchernobil foram uns trinta): é preciso contabilizar as consequências posteriores nas populações vizinhas e nos liquidadores. A morbilidade (doenças, mal-estar, problemas crónicos…) merece toda a nossa atenção. Os estudos relacionados com Tchernobil sempre minimizaram este aspecto [4]. E quando o médico bielorrusso Yury Bandazhevsky mostrou as consequências de Tchernobil nas crianças nascidas depois do acidente, o poder preferiu fechá-lo na prisão. As consequências no Japão, que dispõe de um excelente aparelho estatístico e de um acompanhamento médico particularmente eficaz e competente na área do nuclear — uma herança de Hiroxima e Nagasáqui — devem merecer toda a nossa atenção. Os doentes não podem continuar a ser descartados como vítimas de uma síndrome de paranóia atómica.

• Quais são as implicações do nuclear energético sobre a paz no mundo? É nas chamadas fileiras «civis» que têm origem os produtos utilizados pelas armas nucleares, tanto no caso dos materiais físseis de alta energia usados para a bomba como no caso dos chamados materiais «empobrecidos» usados para as armas penetrantes. A mesma origem «civil» têm os produtos usados nas «bombas sujas», utilizadas por agentes não-estatais. E não são as centrais nucleares pontos de fraqueza que podem ser explorados por atacantes? O exemplo japonês mostra que o acidente não está forçosamente ligado a causas «internas» às próprias centrais.

• Qual é o impacto social da indústria nuclear? Porque se tornou o emprego precário a norma numa indústria em que a força de trabalho que se compra, para intervir em zona contaminada, é a própria vida dos operários? O excelente romance La Centrale, de Elisabeth Filhol, é uma investigação junto destes precários do nuclear em França [5]… Basta imaginar qual será a situação em países onde a pobreza, e portanto a necessidade de vender o que se tem para alimentar a família, é mais forte. A que modelo de trabalho recorre o sector nuclear? E de que modelo de dessensibilização se cobrem os «assalariados»? Quem lida com trabalhadores do nuclear tem, evidentemente, histórias anedóticas para contar sobre a mistura de medo da radiação e de valentia que muitas vezes leva, em caso de exposição a doses excessivas, a que se acuse os detectores de radioactividade em vez de reconhecer as emissões.

Os entusiasmos das décadas entre 1930 e 1950, período em que reinou a ideia de uma energia «inesgotável», de alto rendimento e de baixo custo, podem ser compreendidos. Tratava-se de dominar o fogo, uma actividade que os homens adoram… Mas será possível que tudo fique igual depois de Tchernobil? Podemos persistir no mesmo? Porque o argumento da «segurança» reforçada nas centrais refere-se sobretudo a problemas internos, nomeadamente aos meios para enfrentar as más decisões humanas. Mas será possível oferecer garantias suficientes face aos actos externos de alta energia (sismo, tsunami, mas também tempestade, ataque terrorista dirigido, etc.)? É certo que, a partir do momento em que há um alerta sísmico, as centrais japonesas são colocadas em suspensão, mas esta é uma operação longa e que pode correr mal, como temos vindo a constatar nos últimos dias. Haveria uma «segurança» que pudesse ter estado à altura do acontecimento? À altura das consequências sociais e sanitárias do acidente?

É a este tipo de questões que a comunidade científica, mas também os cidadãos, a quem elas dizem respeito, devem dedicar a sua atenção. Para que a escolha de manter ou abandonar o nuclear se apoie em dados globais e coerentes, e não em pressupostos, sejam eles ideológicos (a mistificação do progresso e do controlo humano dos acontecimentos) ou mais especificamente ligados a interesses económicos. Os poderes públicos podiam dedicar os seus esforços a estas reflexões abertas, em vez de servirem de representantes comerciais internacionais aos transnacionais do sector.

Acrescentemos um último ponto sobre a informação relativa ao nuclear. Estamos agora perante um estudo de caso. O que nos dizem os jornalistas é fiável? Quais são as suas fontes? Seguir, hora após hora, os fios das informações, das negações, dos desmentidos, das confirmações e dos erros de informação difundidos desde que o sismo ocorreu mostra os limites de uma informação planetária quando estão em jogo questões económicas, mas também políticas, militares e ideológicas.

É verdade que o papel da comunicação social não é fazer com que as populações entrem em pânico. Muitas vezes o pânico provoca catástrofes ainda maiores. Mas à distância também será assim? Teremos de fazer o luto de uma informação apoiada nos factos em benefício de uma «informação de guerra», isto é, orientada pelas necessidades de segurança dos poderes públicos? Por fim, será que se deve tomar as populações por ignorantes e acreditar que ninguém consegue perceber a preocupação que está por detrás da agitação? E, neste caso, a ausência de transparência não será ainda mais preocupante?

Os acidentes são momentos muito sensíveis durante os quais é preciso calar e agir (o perigo está ali, é preciso enfrentá-lo) e preparar o amanhã, retirar lições e prever consequências. Infelizmente, uma vez passada a emoção, as questões tendem a ser postas de lado pela rotina, pelos compromissos, pela ausência de reflexão global e, sobretudo, pela imunidade de que gozam os agentes dos sectores que criam os acidentes (e não apenas o nuclear…). No fim de contas, se ainda há pessoas vivas para continuar a informar, é certamente porque o perigo foi «vencido»…

Ulrich Bek, no livro premonitório La Société du risque (escrito antes de Tchernobil e publicado na semana seguinte, com um prefácio escrito a quente [6]), explicava que depois de o risco se ter concretizado, as sociedades, para continuarem a existir, tinham como principal obsessão simplesmente negá-lo. Até à sua próxima ocorrência?

Texto de Hervé Le Crosnier

Foto de Dalaiama Street Art

quarta-feira 16 de Março de 2011

Notas
[1] Ver Dominique Chouchan, «Les survivants de Tchernobyl», Le Monde diplomatique, Abril de 1999.

[2] Ler «Brennilis: 25 ans de centrale. Il est plus facile de construire une centrale nucléaire que de la démanteler», Le Canard enchaîné, 28 de Julho de 2010; Angélie Baral, «Nucléaire pas cher: la fin du rêve», Urbiz.fr, 25 de Agosto de 2010.

[3] Ver Jean-François Viel, La Santé publique atomisée. Radioactivité et leucémie, Les leçons de la Hague, La Découverte, 1998.

[4] Para um balanço actualizado da catástrofe, ler Alison Katz, «Os dossiês enterrados de Tchernobil», Le Monde diplomatique — edição portuguesa, Dezembro de 2010.

[5] Elisabeth Filhol, La Centrale, POL, Paris, 2010.

[6] Traduzido em francês em 2001, Flammarion, Paris.

Concentração contra a ameaça nuclear e de solidariedade com o povo japonês em Lisboa ( dia 17, às 18h00)



Foram convocadas, em toda a Península Ibérica, concentrações contra a ameaça nuclear e de solidariedade com o povo japonês, afectado pelos desastres das centrais nucleares.
Não só queremos acabar com a energia nuclear, como queremos a transição para um modelo energético mais sustentável!

Em Lisboa, queremos fazer uma concentração silenciosa em frente à Embaixada do Japão, para manifestar a solidariedade com o povo japonês.
De seguida, descemos um pouco a Avenida da Liberdade e vamos até à Embaixada de Espanha exigir o encerramento de todas as centrais nucleares da Península Ibérica!

Lisboa: 5ª feira, 17/03/2011, 18h00

Embaixada Japão (Av. Liberdade, 245) - 18h00
Embaixada Espanha (R. Salitre, 1) - 19h00

Evento de Lisboa no Facebook:

Lista de iniciativas na Península Ibérica:




O estado lastimável em que se encontram os 4 reactores da central nuclear de Fukushima no Japão. O reactor nº4 é o que concentra as maiores atenções, mas tudo indica que uma catástrofe nuclear está iminente

O ponto da situação às 13 horas de Lisboa de hoje (16/3/2011):

REACTEUR 1: Le coeur a partiellement fondu. Pour abaisser la pression dans le bâtiment du réacteur, Tepco a procédé samedi à un rejet d'hydrogène dans l'atmosphère qui a provoqué une explosion. Le toit du bâtiment s'est effondré, mais l'enceinte de confinement de ce réacteur serait intacte.

REACTEUR 2: Le coeur a partiellement fondu. Explosion d'hydrogène mardi à l'aube dans le bâtiment du réacteur. Une piscine de rétention située à l'intérieur de l'enceinte de confinement est endommagée. L'étendue des dégâts, notamment sur l'étanchéité de l'enceinte de confinement, reste incertaine.

REACTEUR 3: Fusion partielle du coeur. Explosion d'hydrogène lundi provoquée par un relâchement de pression dans le bâtiment du réacteur. Le toit et certaines parois du bâtiment extérieur sont soufflées. L'enceinte de confinement a peut-être été endommagée.

REACTEUR 4: Explosion mardi dans ce réacteur à l'arrêt pour maintenance au moment du séisme. Un incendie se déclare au niveau de la piscine d'entreposage du combustible usé. Il est éteint par l'armée américaine. Une partie du combustible n'est plus recouverte et les autorités essayent de le remettre sous l'eau pour empêcher des rejets radioactifs dans l'atmosphère. Un hélicoptère est déployé pour verser de l'eau sur ce réacteur, mais l'opération a dû être interrompue à cause d'un niveau de radiation trop élevé. Une nouvelle tentative sera faite avec un canon à eau.

REACTEURS 5 ET 6: Une légère hausse de température a été mesurée mardi dans ces deux réacteurs éloignés des réacteurs 1 à 4, et qui étaient à l'arrêt pour maintenance au moment du séisme.

Fonte: Le Monde

15.3.11

35 anos depois de Ferrel, Península Ibérica exige o fim da energia nuclear

Há 35 anos, os sinos da igreja tocaram e o povo de Ferrel (concelho de Peniche) marchou contra a construção da central de nuclear projectada para a sua localidade à beira-mar plantada. O fim do nuclear em Portugal estava lançado.




Há 35 anos atrás, a população de Ferrel marchou contra a construção da primeira central nuclear em Portugal e estabeleceu um marco na rejeição do nuclear em Portugal. Também em Espanha, nos anos 70, fortes mobilizações anti-nucleares conseguiram impedir 10 dos 25 projectos planeados. Contudo, o acidente de Fukushima veio relembrar que os perigos da energia nuclear não conhecem fronteiras. Organizações portuguesas e espanholas reclamam agora o encerramento de todas as centrais nucleares em Espanha.


A situação nuclear no Japão

No passado dia 11 de Março, o Japão foi devastado por um sismo de magnitude 9,0 graus na escala de Richter e consequente tsunami. Para além da significativa perda de vidas humanas e de bens, as consequências podem ser ainda mais graves devido a problemas registados nas centrais nucleares.Esta situação expõe as fragilidades e os riscos associados ao uso da energia nuclear de fissão, não obstante o enorme investimento feito em segurança e o discurso tecnocrata de que tudo é controlável.

Vários especialistas consideram já este como o segundo maior incidente nuclear da história e não excluem a hipótese de ultrapassar a gravidade de Chernobil. Há neste momento vários reactores em risco de fusão do núcleo e já ocorreram várias fugas de compostos altamente radioactivas. Uma catástrofe ecológica e social é, neste momento, uma forte possibilidade. A gravidade da catástrofe, não só para o Japão, como também para os países vizinhos, será ditada pelo que se venha a passar com os reactores (que continuam a constituir uma incógnita para os especialistas), bem como pela direcção dos ventos que transportam as nuvens radioactivas.

Portugal disse não ao nuclear em Ferrel, há 35 anos
Em 1976 ainda não tinham ocorrido os acidentes nucleares mais graves da história: Three Mile Island (1979), Chernobyl (1986) e Fukushima (2011). Tal não impediu a população de Ferrel (localidade situada numa zona de sismicidade elevada, no concelho de Peniche) de marchar contra a construção de uma central nuclear na sua terra, a 15 de Março de 1976.

Também em Espanha se geraram fortes mobilizações anti-nucleares em Espanha, que conseguiram impedir a construção de 15 centrais nucleares no território espanhol. Como resultado, apenas entraram em funcionamento 10 reactores nucleares dos 25 planeados. Destes dez, um deles foi encerrado após o acidente de Vandellós em 1979 e a de Zorita encerrou em Junho de 2004.

35 anos depois, é tempo de reavaliar as unidades que se construiram por toda a Europa e, em particular na Península Ibérica, onde Espanha conta com 6 centrais nucleares (8 reactores) em operação, duas delas (Sta. María Garoña, perto de Burgos e Cofrentes, perto de Valência), utilizando a mesma tecnologia (BWR) que a central de Fukushima. A Central Nuclear de Almaraz, junto ao Tejo e a 100km da fronteira portuguesa, já ultrapassou o período previsto de funcionamento e há alguns meses foi decidido prolongar em 10 anos o seu período de actividade. Este é mais um factor de preocupação para Espanha e para Portugal. Em caso de um grave acidente nuclear, os impactos dificilmente ficarão contidos nas fronteiras espanholas.

Pedimos o encerramento faseado das centrais nucleares espanholas
A energia nuclear é prescindível em Espanha, dado que este país exporta energia eléctrica a todos os seus países vizinhos, incluindo França. A electricidade produzida pelas nucleares pode substituir-se por medidas de poupança e eficiência e por um forte apoio às energias renováveis. Desta forma poderia libertar-se a Península Ibérica do risco que constitui o funcionamento do 8 reactores nucleares, eliminando a possibilidade de desastres com o de Fukushima, no Japão.

Além do mais, evita-se a necessidade de gestão de resíduos radioactivos que venham a ser produzidos. Actualmente há cerca de 3500 toneladas de resíduos de alta actividade, que chegariam a 7000 Tm. Com o encerramento faseado das nucleares, o volume de resíduos nucleares seria convenientemente reduzido.

Se queremos uma sociedade sustentável, não podemos apostar em formas de produzir energia que possam pôr em causa as gerações presentes e as futuras, seja através da exploração do urânio, da ocorrência de acidentes ou através do legado futuro em termos de desmantelamento e deposição final dos resíduos nucleares.

Esperamos que a situação se resolva sem danos significativos para as pessoas e para o ambiente, mas o aviso é claro e não pode deixar de ser ouvido por todos aqueles que desejam uma sociedade sustentável e com futuro. As organizações subscritoras deste comunicado, apelam, por isso, ao encerramento de todas as centrais nucleares em Espanha.

AZU
Ecologistas en Acción
Francisco Castejón (Campaña Antinuclear)
GAIA
Quercus

http://gaia.org.pt/node/15922

Imagem retirada do:
http://ingenea.gualter.net/

Tsunami Nuclear no Japão e solidariedade com o povo japonês

Para quem quiser acompanhar o Tsunami nuclear no Japão:

http://twitter.com/ecologistas/favorites

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-12307698

http://www.ecologistasenaccion.org/


http://www.naoaonuclear.org/

Foi convocado para dia 17 uma acção internacional contra a Ameaça Nuclear e de Solidariedade com o povo japonês.

ENERGIA NUCLEAR? NÂO, OBRIGADO
Agora e sempre contra o lobby pró-nuclear

Novas e várias explosões registaram-se na central nuclear de Fukushima, no Japão. A radioactividade encontra-se acima dos níveis admissíveis. O Acidente Nuclear gannha cada vez maiores proporções.

A 100 km a norte a central de Onagawa está em estado de urgência.
Por sua vez na central de Tokaï a cerca de 100 km a norte de Toquio, um dos seu reactores encontra-se avariado e não se consegue o seu arrefecimento.

Assembleia MayDay em Lisboa na próxima 4ª feira (dia 16)


3ª Assembleia MayDay 2011
4ª feira :: 16 de Março :: 21h
SOLIM (Rua da Madalena, 8)

Entretanto, no Porto, no dia 1 de Março, realizou-se também a primeira assembleia preparatória do MayDay, às 21h30, no Breyner 85 (Rua do Breyner, 65. Porto).

MayDay Lisboa 2011 já arrancou e começou a reunir forças para um percurso que junta muitas vozes contra a precariedade e que culmina na manifestação de todos os trabalhadores, no 1º de Maio.

Vem pensar e construir este caminho connosco!

O MayDay é uma parada contra a precariedade, que decorre no dia 1 de Maio. Desde a estreia em Milão (2001), o MayDay tem-se multiplicado por todo o mundo. Em 2007, chegou a Lisboa e, em 2009, realizou-se pela primeira vez, no Porto. Em 2011, novamente, o precariado sairá à rua em Lisboa e no Porto É um protesto de trabalhadores/as precários/as que se realiza no 1º de Maio.


Em 2011, vamos novamente sair à rua...
porque acreditamos em trabalho com direitos, para todos/as;
porque defendemos o trabalho digno;
porque não aceitamos que as nossas vidas se façam a prazo, a recibo verde ou em empresas de trabalho temporário (ETT's);
porque não aceitamos a indignidade do desemprego e da desprotecção social;
porque acreditamos que não há liberdade enquanto houver precariedade.


http://www.maydaylisboa.net
http://www.maydayporto.blogspot.com/

12 Março 2011O MayDay Lisboa 2011 já começou!
Dia 13 de Março o protesto continua!
A precariedade não é inevitável!
Diz-se por aí que a precariedade é inevitável e que é o único sistema possível. Mas nós sabemos que não é verdade! E também não é uma questão geracional: hoje, quem cai no desemprego só encontra precariedade, independentemente da sua idade.

O discurso da estabilidade que nos vende o poder político e financeiro é simples: é o discurso do medo, do “deixem-se estar quietinhos, porque senão vai ser ainda pior”. Não podemos viver no medo do FMI, do défice ou dos mercados financeiros porque esse medo é a chantagem para que a nossa vida seja cada vez pior. Acusam-nos de ter excesso de expectativas quando ainda só conhecemos dificuldades.

MayDay, MayDay!!
O Mayday é um movimento de trabalhadores/as precários/as que culmina numa manifestação no 1º de Maio, onde nos juntamos, todos e todas. De todas as idades e de todas as experiências laborais. Porque sabemos que a chantagem que nos impõem é sobre a nossa vida e que, embora se reflicta de formas diferentes, ela tem por base o mesmo plano político de desestruturação social e de aumento das desigualdades. Organizamo-nos através de assembleias abertas e divulgadas publicamente para que toda a gente possa participar. No Mayday, toda a gente faz falta – trabalhadores e trabalhadoras a falsos recibos verdes, com contratos a termo, em subcontratação por Empresas de Trabalho Temporário que nos roubam metade do salário, trabalhadores/as informais, estudantes a quem a bolsa foi cortada, intermitentes do espectáculo, desempregados/as, bolseiros/as de investigação, quem faz estágios não-remunerados, todos e todas aquelas que vêem os seus direitos reduzidos e todas e todos os que se quiserem juntar por saberem que os direitos laborais, sendo para todos, são também para si.

Sabemos que a precariedade não é inevitável. E sabemos que somos muito mais do que aquilo a que nos querem reduzir. Junta o teu grito a esta revolta

Prosseguem agora na cidade de Compostela as II Jornadas Galego-portuguesas de Edição Independente


Depois de uma semana de atividades no Porto, continuam em Compostela as II Jornadas Galego-portuguesas de Ediçom Independente organizadas por Estaleiro Editora, Corsárias, Gato Vadio, Casa Viva e Colectivo Hipátia.

As mesas redondas em Compostela vam-se desenvolver de 14 a 17 de Março, às 19:00 h. na Biblioteca Ánxel Casal e na sexta-feira 18 vam finalizar com um recital poético-musical que se celebrará no Bar As Duas às 22h00 (Pr. da Oliveira, Compostela).

As II Jornadas Galego-portuguesas de Ediçom Independente começam em Compostela nesta segunda feira, 14 de Março, às 19:00 h. na Biblioteca Ánxel Casal. As quatro mesas redondas tocarám temas de atualidade relacionados com a ediçom e o pensamento crítico. Para isto vai-se contar com mais dumha duzia de ativistas de diferentes ámbitos profissionais (jornalistas, advogados, professores, sociólogas, sindicalitas, poetas, etc). As mesas giram à volta de quatro eixos temáticos: a situaçom dos meios de comunicaçom galegos, a restriçom dos direitos civis, o conhecimento para a transformaçom social e as diferentes caras da crise.

A seguir o programa completo:

COMPOSTELA (de 14 a 18 de Março):

Às 19:00 na Biblioteca Ánxel Casal

14 de Março, segunda-feira

Na Galiza em Galego!

A situaçom dos meios de comunicaçom nacionais a debate:

Comba Campoy (Tempos Novos), Marcos Pérez Pena

(jornalista), Xoán R. Sampedro (Novas da Galiza),

Gerardo Rodrigues (Portal Galego da Língua)

1.- Como achas a situaçom dos meios de comunicaçom galegos após a chegada ao poder do PP?

2.- Pensas que o boom deste tipo de iniciativas estivo apoiada mais nas ajudas públicas do bipartito que em projectos empresariais coerentes, com vocaçom de continuidade?

3.- Em definitivo, que factor julgas que influenciou mais o feche de meios galegos: a transformaçom das políticas autonómicas ou a falta de manobra dos seus gestores?

4.- Qual pensas que é o papel que tem que desempenhar o trabalho voluntário no jornalismo galego? No vosso meio, como vivedes este tema?

15 de Março, terça-feira

Estado de excepçom normalizado.

A restriçom dos direitos civis na ofensiva ultraliberal:

Borxa Colmenero (Ceivar), José A. Brandariz (Esculca),

Miguel Fernández (Foro galego da imigración), Sandra

Garrido (PreSOS), Rui Pereira (jornalista, Universidade

do Minho).

1.- O Estado de Excepçom é umha excepçom ou umha norma? Pode-se manter umha sociedade de privilégio sem um estado de excepçom?

2.- Onde avaliades umha erosom dos direitos civis e políticos?

3.- Nos processos de exclusom social implementados polos governos, como afecta ao conjunto da cidadania e em particular às pessoas reclusas, às trabalhadoras migrantes e/ou às refugiadas?

4.- Como afecta o neocolonialismo das multinacionais ocidentais aos fluxos migratórios?

5.- Está garantido o direito à informaçom?

6.- Como fazer frente, neutralizar e visibilizar estas opressons? Como chegar às maiorias sociais?

16 de Março, quarta-feira

Pensamento à margem.

O conhecimento para a transformaçom social:

Maria do Cebreiro Rábade Vilar (teórica da literatura),

Tareixa Ledo Regal (socióloga), Marcial Gondar Portasany

(antropólogo), Francisco Sampedro (filósofo)

1.- Pensamento fora ou dentro da academia?

2.- Como incluir o conhecimento das mulheres e o da populaçom camponesa numha práctica emancipadora?

3.- Continua a ser o proletariado o Sujeito histórico?

4.- Que ligaçons há entre a injustiça social global e a injustiça cognitiva global?

5.- Como combater o individualismo e criar novas colectividades?

6.- Pode-se falar da poesia como lugar de pensamento e de intervençom?

17 de Março, quinta-feira

As caras da crise.

Movermo-nos politicamente num momento de resistência social:

Laura Bugalho (CIG), Carme Freire (SLG), David Rodríguez

(Fonambulista Coxo), Antom Santos (Escola Popular Galega)

1.- Que propostas a curto prazo vedes viáveis para combater a crise? Como passar da teoria à práctica?

2.- As estruturas organizativas tradicionais excluem sistematicamente as mulheres da participaçom política?

3.- Como responder ao ataque aos sindicatos, o aumento da precariedade laboral e o aumento do desarraigo?

4.- Como se podem conjugar as reivindicaçons sociais e ecológicas?

5.- Tendo em conta a complexidade da crise, como transmitir entusiasmo e visibilizar alternativas? Quais podem ser os caminhos?

18 de Março, sexta-feira 22h00 Bar As Duas

Encerramento jornadas

Festaleiro Corsário Vadio.

Recital poético-musical Copyleft


14.3.11

Congresso Internacional sobre Greves e Conflitos Sociais (sec. XX)/ Strikes and Social Conflicts in the Twentieth Century (16 a 20 de Março,em Lisboa)


Lisboa vai receber entre 16 e 20 de Março de 2011 um dos maiores colóquios já realizado sobre conflitos sociais no século XX, graças à organização conunta do Instituto de História Contemporânea (Universidade Nova de Lisboa), do Instituto Internacional de História Social (Amesterdão), do Arquivo Edgard Leuenroth (Unicamp/Brasil), do Centro de Estudos do Franquismo e da Democracia (Universidade Autónoma de Barcelona) e da Maison des Sciences de L’Homme (França)

Na Universidade Nova vão estar quase 200 investigadores que estudam os conflitos sociais no século XX que tiveram lugar nas fábricas, nas universidades, nos serviços públicos, conflitos urbanos e rurais, bem como conflitos que ganharam uma dimensão de guerra civil/revolução. Muitos dos trabalhos versam ainda sobre as organizações e lideranças políticas e sindicais do movimento operário e do socialismo.

Entre os presentes contam-se Marcel van der Linden, director de investigação do Instituto de Amesterdão, Kevin Murphy, prémio Issac Deutscher, Serge Wolikow, director da Maison de Sciences d L’Homme de Dijon, Alvaro Bianchi, director do Arquivo Edgard Leuenroth, Fernando Rosas, presidente do IHC, Lisboa, Beverly Silver, autora de Forces of Labour, Geert van Goethem, director do Instituto Amsab de História Social da Bélgica, Peter Birke, editor da Social History online, Andrea Catone, editor do jornal L’Ernesto, Anja Kruke, directora do Arquivo da Fundação Friedrich Ebert, Armando Boito, editor do jornal Crítica Marxista, Dave Lyddo, editor da Historical Studies in Industrial Relations, entre muitos outros

O século XX confirmou-se como o século em que o conflito capital-trabalho foi mais agudo. A Conferência Internacional Greves e Conflitos Sociais no Século XX acolherá comunicações sobre as greves e os conflitos sociais no século XX bem como trabalhos de discussão teórica sobre as organizações políticas e sindicais. Serão ainda seleccionados trabalhos sobre metodologia e historiografia do movimento operário. Serão acolhidas comunicações que versem sobre conflitos que tiveram lugar nas fábricas, nas universidades, nos serviços públicos, conflitos urbanos e rurais, bem como conflitos que ganharam uma dimensão de guerra civil/revolução a nível nacional e internacional.

Depois da revolução russa a relação de forças capital-trabalho nunca mais voltou a ser a mesma, com um período de revolução e contra-revolução que terminou com a Segunda Guerra Mundial. Protagonista da vitória sobre o fascismo, o movimento operário e o seu estudo viram-se novamente subestimados em alguns países centrais sob o impacto do crescimento económico da década de 50 e 60. O Maio de 68 inverteu a situação, com um boom de estudos operários durante a década de 70. Porém, superada a crise dos anos 70, a emergência do neoliberalismo, com a deterioração das leis laborais, e a crise dos sindicatos assistiu à desvalorização pela academia do estudo dos conflitos sociais. A crise recente, no entanto, demonstrou que os trabalhadores, os movimentos sociais e os novos fenómenos que caracterizam o mundo do trabalho, não só não são obsoletos como reganharam decisiva centralidade.

O recrudescimento dos conflitos sociais na última década impulsionou um regresso à academia do estudo do movimento operário e dos movimentos sociais. Esta conferência pretende ser parte deste processo: recuperar, fomentar e divulgar a história dos conflitos sociais do século XX.

Áreas de Comunicações

- Greves no século XX;
- Conflitos Sociais no Século XX. Serão acolhidas comunicações que versem sobre conflitos que tiveram lugar nas fábricas, nas universidades, nos serviços públicos, conflitos urbanos e rurais, bem como conflitos que ganharam uma dimensão de guerra civil/revolução a nível nacional e internacional;
- Historiografia/Historiadores do Movimento Operário;
- Pensamento Político;
- História das Organizações Políticas e Sindicais.



Contacto:
Instituto de História Contemporânea/ Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
(Universidade Nova de Lisboa), Av. de Berna, 26 C, 1069-061 Lisboa, Portugal.
E-Mail: ihc@fcsh.unl.pt
http://www.iisg.nl/

PROGRAMA do CONGRESSO: AQUI

Entrada Livre

13.3.11

Não há que pagar esta dívida! Pela criação de uma Comissão de auditoria da dívida portuguesa

Texto retirado de:


Não há que pagar esta dívida!
Pela criação de uma Comissão de auditoria da divida portuguesa
por Guilherme Alves Coelho [*]



Especialistas de vários países consideram que dívidas externas de Estados altamente devedores, originadas por empréstimos contraídos no âmbito de uma total desregulação dos mercados, podem ser investigadas e, se forem consideradas ilegítimas, ilegais ou odiosas, devem ser renegociadas ou mesmo anuladas. A divida externa portuguesa – uma das maiores da Europa [1] – resultante de empréstimos que nenhuns benefícios trouxeram ao povo, parece estar nessas condições. Será portanto legitimo indagar como, quando e para quê foram esses empréstimos concedidos e quem deles beneficiou e, se for caso disso, fazê-los pagar a dívida. Alguns países já seguiram este caminho com resultados positivos.


Após mais de três décadas de aplicação da política neoliberal em muitos países, os resultados não podiam ser piores para as suas populações: a destruição da produção nacional, o saqueio dos Estados, uma catastrófica redução dos direitos e níveis de vida dos cidadãos e um obsceno crescimento do número de multimilionários, provocando a maior desigualdade social de sempre. Como consequência, uma crise global sem precedentes parece ter-se instalado em definitivo.

Portugal não foi excepção. A imposição do colete-de-forças da UE e do Euro entregou definitivamente a soberania nacional nas mãos do capital especulativo financeiro estrangeiro e nacional. O país ficou assim privado dos possíveis mecanismos de equilíbrio financeiro.

Sem defesas e com a produção paralisada, Portugal tornou-se um dos mais endividados da zona euro, com o endividamento externo crescendo a níveis incomportáveis. A dívida externa é hoje o maior problema que o pais enfrenta [2] .

A solução para sair desta crise, imposta pelos que a provocaram, é apenas a continuação da ruinosa politica do neoliberalismo, fazendo pagar a dívida aqueles que já eram as suas principais vítimas: os trabalhadores e o povo em geral. Este caminho só pode conduzir ao desastre, ao retrocesso civilizacional e ao comprometimento das gerações futuras. O sacrifício dos portugueses ao longo de décadas foi inútil.

Um pouco por todo o mundo onde esta politica tem sido imposta, os trabalhadores começam a rebelar-se contra estes abusos. Os portugueses têm resistido maciçamente, através de manifestações de protesto, atingindo níveis de participação nunca antes alcançados. Mas, num quadro de legalidade cujas regras são ditadas pelo poder, os resultados estão ainda longe de fazer recuar a classe dominante, que prossegue a sua caminhada devastadora.

Perante um cenário como este, que pode ser irreversível, muitos crêem que não há mais lugar para contemporizações. Que é imperioso romper com as actuais politicas neoliberais e encontrar outros caminhos, que façam pagar a crise aos que com ela abusivamente lucraram.

O que fazer?

Embora o pensamento único tente fazer crer na inevitabilidade da solução neoliberal, segundo alguns autores outras soluções existem em relação aos pagamentos das dívidas externas. [3] Pelo menos três hipóteses alternativas se colocam:
- a primeira, a de austeridade para a maioria; esta hipótese favorece o capital financeiro e corresponde à continuação das medidas actuais.
- a segunda, a reforma da União Europeia, no sentido de a tornar favorável aos povos; obrigaria a uma autêntica revolução – coisa que está nos antípodas do pensamento e da acção dos actuais responsáveis políticos, e nem os trabalhadores estão em condições de encetar.
- a terceira alternativa, o deliberado incumprimento da dívida; permitiria reexaminar a legitimidade da dívida e, se necessário, não a pagar.

Só esta última solução poderia beneficiar a maioria trabalhadora.

Alegam aqueles especialistas que será perfeitamente legítimo não pagar aquilo que foi ilegal ou ilegitimamente emprestado, quer devido aos juros desproporcionados, quer pela inutilidade na aplicação dos empréstimos ou até pela sua apropriação fraudulenta. Neste caso será mesmo de imputar o pagamento das dívidas aos que deles beneficiaram.

Desde há vários anos que um movimento mundial, nomeadamente de países do chamado terceiro mundo – o CADTM (Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo) – vem defendendo o não pagamento aos países ricos e às instituições financeiras internacionais das respectivas dividas externas. Considera esse movimento que as riquezas nacionais têm sido saqueadas ao longo dos séculos pelos actuais credores. Assim, se alguém deve alguma coisa, são os países que enriqueceram à custa desse saqueio e não o contrário. Por isso contestam a legitimidade dos empréstimos dos seus países, alguns contraídos por ditadores afectos aos países credores, e exigem renegociar as suas imensas dívidas ou mesmo a sua anulação.

Esta ideia começa a ganhar força por todo o mundo. Casos como o da Rússia em 1998 e da Argentina em 2001-2005, mostram que "um incumprimento (não pagamento da dívida) pode ter resultados positivos, desde que seja rápido e conduzido com firmeza". [4]

O caso recente do Equador que acaba de ver a sua dívida renegociada para cerca de 30% do valor inicial, é o exemplo mais recente de sucesso. Uma comissão idónea demonstrou cabalmente que a maior parte da divida era ilegítima ou ilegal, ou mesmo odiosa porque contraída pela ditadura. Tal operação permitiu ao Estado recuperar financiamentos que de outro modo estariam perdidos e empregá-los no desenvolvimento do país.

Nos países periféricos da Europa, muito endividados, como Portugal, vítimas de ataques especulativos, começam a surgir propostas semelhantes. A Grécia é, neste momento, um dos mais avançados nesse processo. Deputados do Parlamento grego propuseram a criação de uma Comissão para investigar as condições dos empréstimos que provocaram a divida. [5] [6] Na Irlanda já se advoga abertamente a saída do Euro e o repúdio da própria dívida. [7] Na Islândia a situação é menos conhecida, mas dão-se passos seguros no mesmo sentido. Em referendo, 93% dos islandeses votaram contra o pagamento da dívida [8] .

Portugal está em condições semelhantes às deste grupo de países devedores ditos periféricos na zona euro. As soluções não poderão ser diferentes. Muitos dos empréstimos foram negociados em condições pouco claras, outros eram de duvidosa necessidade e ainda outros ainda terão sido aplicados em ruinosas operações. Longe de ajudarem o povo, os principais beneficiários deles foram os especuladores financeiros.

Parece pois legítimo, se não mesmo inevitável, que se actue para pôr cobro a esta situação que se agrava hora a hora e o momento de actuar é agora. Será desejável que se crie um movimento de opinião, o mais amplo possível, dentro e fora do Parlamento, que promova o equacionamento destas questões e avance com uma solução alternativa ao actual modelo.

Um grupo português de acompanhamento, com a assistência técnica do CADTM, poderia ser o embrião de uma Comissão de Auditoria da Dívida Externa Portuguesa, de preferência internacional e representativa das várias correntes económicas e com a participação dos trabalhadores. Esta Comissão, teria por objectivo promover uma investigação imparcial sobre a divida, nomeadamente sobre as condições dos empréstimos e o uso que deles foi feito. Esta investigação deveria criar a base jurídica para a renegociação da dívida e permitir imputar responsabilidades aos seus eventuais beneficiários. [9]

Um movimento global do conjunto dos povos destes países, centrado nesta questão concreta, seria ainda mais desejável e teria a vantagem de criar um objectivo ofensivo bastante visível de luta, sem abdicar das lutas de resistência diariamente prosseguidas.

Só assim os povos da Europa e os portugueses poderão retomar a sua economia em novos moldes, rompendo com a politica neoliberal que os levou ao desastre.

Notas e fontes

1. Dimensão da dívida
Dívida total (Pública e Privada) - Milhões € Dívida total (Pública e Privada) % Do PIB - Dívida
Privada / Dívida Pública - Dívida externa / Dívida Interna

Espanha- 5315 - 506% - 87% / 13% - 33 / 67
Portugal - 783 - 479% - 85% / 15% - 49 / 51
Grécia - 703 - 296% - 58% / 42% - 51 / 49

Esses défices são essencialmente imputáveis ao sector privado, uma vez que os três países têm cumprido com o PSC e os seus orçamentos fixavam excedentes (Espanha) ou défices moderados (Grécia e Portugal). Somente em 2008-2009, com o declínio nas receitas do Estado, devido à crise, os défices orçamentais se deterioraram. "A eurozona entre a austeridade e o incumprimento" , Stephanie Jacquemont (CADTM).

2. "A análise da situação da economia nacional revela que o problema fundamental e mais grave do País não é o Défice Orçamental como se pretende fazer crer. (...) É a incomportável Divida Externa que não pára de crescer, consequência de um elevado défice da Balança Corrente e que persiste em plena crise. "A Responsabilidade Social dos Economistas" , Eugénio Rosa.

3. "O espectro do incumprimento na Europa" , C. Lapavitsas, A. Kaltenbrunner, G. Lambrinidis, D. Lindo, J. Meadway, J.Michell, J.P. Painceira, E. Pires, J. Powell, A. Stenfors e N. Teles.

4. "A Eurozona entre a austeridade e o Incumprimento" . Stephanie Jacquemont , "The Eurozone between austerity and default".

5. "Comissão Internacional de Auditoria da dívida grega: um imperativo" , Lapavitsas Costas.

6. "Grécia: símbolo da dívida ilegítima" , Eric Toussaint.

7. "Repudiar a dívida já. Exijamos um referendo já." , Declaração do Partido Comunista da Irlanda, 03/Fevereiro/2011.

Quand l'Islande réinvente la démocratie , 16 décembre 2010, Jean Tosti

9. "A morte da Europa Social" . Michael Hudson e Jeffrey Sommers.

Estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto irão participar no dia nacional de luta dos estudantes (24 de Março)

Comunicado da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto


Tendo em conta que:

As afectações da nova Portaria n.º 92/2011 de 28 de Fevereiro que vem introduzir um novo modelo de Programa de Estágios Profissionais, que é prejudicial, sobretudo para os jovens graduados, como anteriormente elencado;

A postura dos órgãos executores que optaram por seguir um modelo de resposta à crise pela via não keynesiana e que, optaram por “cortes financeiros” em sectores-chave do Estado-Providência, em claro prejuízo dos cidadãos portugueses;

O clima nacional de descrença, fruto da não promoção da igualdade de oportunidades, à partida, e da meritocracia, na sua finalidade, verificando-se um clima de corrupção de determinadas estruturas da esfera do Estado;

A AEFCUP é uma associação estudantil com legitimidade de expressão política, por lei, pela via estatutária e da sua declaração de princípios;

A aprovação da proposta da Direcção da AEFCUP da Assembleia-Geral de 26 de Janeiro de 2011, que lhe conferia total poder decisório sobre iniciativas político-reivindicativas até ao findar do presente mandato.

Tomando em conta os pressupostos acima apresentados, a Direcção da AEFCUP – Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto -, vem por este meio comunicar que estará na “linha da frente” numa acção de manifestação e de desagrado estudantil concertada com outras estruturas, no próximo dia 24 de Março (Dia do Estudante).

Reiteramos, ainda, que defenderemos que a manifestação deve ocorrer de forma responsável, ordeira, não instrumentalizada e mantendo a nossa postura até momento, que é pautada pela seriedade e apresentação de soluções para a resposta aos problemas sócio-económicos e do foro ético que afectam a sociedade portuguesa, em geral, e os estudantes, em particular.
Assim, apresentada esta deliberação, todos os estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto são convidados a participar na iniciativa e na continua busca por soluções, em nome de um Ensino Superior de qualidade, justo, democrático e solidário.


http://aefcup.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=438:comunicado-a-aefcup-avanca-para-manifestacao-dia-24-de-marco-dia-do-estudante&catid=70:presidencia&Itemid=93

Dia do estudante - 24 de Março - Dia Nacional de Luta


No passado dia 24 de Fevereiro, realizaram-se em mais de 60 escolas do país, várias acções de luta por:

melhores condições materiais e humanas,
mais funcionários e professores,
mais financiamento,
contra a privatização das escolas com a entrada da Empresa Parque Escolar,
pela real aplicação da educação sexual nas escolas,
contra o estatuto do aluno e a figura do director,
contra os exames e por uma avaliação continua justa
Contra o fim do desporto escolar
e por muitos outros motivos que sentimos no dia a dia nas escolas.

Deste dia 24 de Fevereiro, ficou uma certeza: de que estamos dispostos a continuar a lutar até os problemas que vivemos se resolvam através de abaixo-assinados, marcação de Reuniões Gerais de Alunos, pinturas de faixas, concentrações e apitões até serem ouvidas as suas exigências.
A DNAEESB, apela desde já a que todas as Associações de Estudantes e todos os estudantes continuem a luta nas escolas. O mês de Março é um mês de luta!

24 de Março, foi consagrado como Dia Nacional do Estudante antes do 25 de Abril de 1974 e desde as suas origens teve um importante significado na luta estudantil. Assim como os estudantes saíram à rua antes da Revolução de Abril, pela democratização do ensino e por melhores condições de estudo, a DNAEESB assinalará este dia como um dia nacional de luta dos estudantes do Ensino Básico e Secundário, em que faremos ouvir bem alto a voz de todos os estudantes por uma educação PUBLICA, GRATUITA, DE QUALIDADE, DEMOCRÁTICA PARA TODOS!


http://dnaeesb.blogspot.com/

Assembleia Popular na Praça da Batalha no próximo dia 19 de Março às 14h.

Cerca de 200 pessoas reuniram-se em Assembleia Popular na Praça D.João no dia 12, no seguimento da manifestação realizada nesse dia, para expôr livremente as suas experiências e apresentar as suas propostas.


Decidiu-se então continuar essa Assembleia no próximo dia 19 de Março ( Sábado) às 14 h. na Praça da Batalha, Porto, com os objectivos de criar ideias, soluções, respostas, esperança e reforçar a persistência das nossas palavras e do nosso protesto, unindo-nos livremente, sem nenhuma burocracia ou desigualdade de palavra que se interponha entre a nossa opinião e a sua exposição a todos e todas.

Manifestação de protesto Geração à Rasca no Porto (12 de Março 2011) com vídeos editados



Vídeos do Protesto Geração à Rasca de 12 de Março em Lisboa



Movimento 3Rs na Avenida da Liberdade a 12 de Março






Principio e fim da manifestação na Av. Liberdade






Anarquistas na manifestação "geração à rasca"



Homens da Luta com Fernando Tordo a cantar a Tourada



Homens da Luta, Fernando Tordo e Rui Veloso



Gerações à rasca ( texto do escritor Manuel Poppe)

Texto do escritor Manuel Poppe retirado do seu blogue:


O justo título dessa manifestação de ontem, foi a do “Jornal de Notícias”:

Gerações à Rasca

Havia a juventude e os outros.

Porque todos estamos à rasca.

Pertencemos a uma sociedade que não nos reconhece.

Ou nos vê de duas maneiras:

é desnecessária a nossa existência,

somos úteis enquanto escravos.

O governo vai apresentar novas medidas de austeridade.

Não terá informado o Presidente da República.

Institucionalmente, talvez tenha sido um erro

E digo “talvez” porque não sei.

Eticamente, fez bem.

Cavaco é um dos maiores responsáveis pelo desastre que vivemos e nem sequer é capaz de corrigir erros: é um medíocre mental.

À rasca estamos, de facto, nós todos.

E as novas medidas de austeridade não resolverão nada.

Empobrecem quem já é pobre.

O défice é do governo para com o cidadão.

Não é do país.

A dívida é o roubo da banca ao cidadão.

A culpa dos governos é governarem os interesses da banca.

Equilibrarão o défice... à custa do cidadão...

Daqui a um ano, em dívida, voltarão a pedir o osso ao frango.

O frango, que é o cidadão, ao qual já lhe comeram a pele, a carne

e lhe chupam os ossos, à procura do tutano.

É o sistema, o neo-capitalista sistema que tem de se repudiar: ou seja "pega lá dinheiro que já te peço o triplo".

Ou morremos todos de fome –e os vampiros connosco, secado o nosso sangue.

É a única saída.

E depende de ti, amigo.


Manuel Poppe
Para conhecer Manuel Poppe: AQUI

A missão da geração à rasca é empurrar para a rua um povo adormecido


É imprevisível o desfecho do movimento, que terá de lutar contra a apatia, dizem os especialistas em ciências sociais

(...)

A missão desta geração à rasca é de monta: contrariar a natureza de um povo que se desabituou de protestar, que "não muda de estilo de vida de um dia para o outro ou que pertence a uma geração que enquanto estiver apoiada pelos papás não sai de casa para gritar", defende Villaverde Cabral. A falta de autonomia pode até ser um motor desencadeador - diz o sociólogo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa -, mas é "demasiado subjectivo" para se saber se terá força suficiente para os empurrar até à rua.


Protesto monstro Gritar na rua é um hábito que se tornou estranho para os portugueses: "Após a consolidação da democracia, o país conheceu a desmobilização cívica, eleitoral ou sindical e tem hoje uma taxa de conflitos sociais baixa em comparação, por exemplo, com França ou Inglaterra", explica António Costa Pinto. A apatia tem um preço alto, avisa D. Januário Torgal Ferreira: "Os portugueses caíram na descrença, não acreditam em ninguém ou sequer na mudança."


(...)

Resta saber se será suficiente e ver se chega para contaminar quem está afastado das redes sociais. "Este protesto não tem ligação aos que mais afectados foram por esta crise", defende Villaverde Cabral. Os que passaram a fasquia dos 45 anos, têm baixas qualificações, caíram no desemprego, dormem na periferia e "têm um intenso treino de apertar o cinto", diz o sociólogo.

Não é bem assim, avisa Paula Godinho, antropóloga da Universidade Nova de Lisboa e estudiosa dos movimentos sociais: "O protesto da geração à rasca ganhou força e está agora em todo o lado, seja nos monitores dos computadores, seja nos televisores ou nas páginas dos jornais." Bateu à porta dos universitários com medo do desemprego, entrou em casa dos pais que temem pelo futuro dos filhos e também dos pais que perderam o emprego: "Há também outras gerações que têm casa e contas para pagar. O trunfo desta manifestação é ter uma base multifacetada, que a transformou num protesto transgeracional."


Todas as dúvidas deixam esta tarde de fazer sentido quando as praças e as avenidas das oito cidades portuguesas estiverem às moscas ou então entregues às multidões. Mas é sobretudo ser uma contestação que escapou ao "controlo de todos" que faz com que a geração à rasca tenha "quase tudo" para se tornar num "marco histórico", defende André Pestana, professor contratado em Oeiras que optou por aderir à convocatória via Facebook, em vez de participar no plenário do Campo Pequeno: "Há muitos como eu que vão a esta manifestação precisamente por não ter essa carga pesada dos dirigentes sindicais ou partidários. Vou a uma demonstração de força e entusiasmo que não precisou de um aparelho nem terá discursos desgastados e bolorentos", remata o coordenador do movimento dos professores 3R - Renovar, Refundar e Rejuvenescer


Excertos de um artigo publicado no jornal i -
AQUI

Ideias e propostas para uma nova sociedade, sem capitalistas e outros gatunos

Para um programa de medidas favoráveis aos trabalhadores





Fonte: AQUI