
21.2.08
Para recordar José Afonso: vieram de noite...e cantaram! (sessão no dia 23 de Fev. às 22h. no Porto)

Indyzine ( publicação em papel do Indymedia-Portugal) está de novo em circulação

Jantar e oficina aberta pel@s KAMIQUASES no Centro de Cultura Libertária ( em Almada)

A nossa proposta é que participem numa oficina aberta que iremos realizar naquele ateneu (ou no exterior - consoante o número de participantes) pelas 16h, seguida de jantar vegetariano (às 20h, preço livre).
Apareçam!
http://kamiquases.blogspot.com
Centro de Cultura Libertária: Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. - Cacilhas
Intervenção artística/musical de rua no mercado do bolhão em solidariedade com o património e os comerciantes

ANIMAÇÃO NO BOLHÃO!
SÁBADO 23 DE FEVEREIRO 10H- 13H
INTERVENÇÃO ARTISTICA/ MUSICAL DE RUA –NO MERCADO DO BOLHÃO
ACÇÃO DE SOLIDARIEDADE PARA COM PATRIMONIO E COMERCIANTES
Vamos recriar um espaço com diferentes formas de arte, cativando mais gente ao Mercado, alertando à sociedade em geral, que o Bolhão está Vivo e não necessita de ser tornado num shopping, semelhante a tantos outros na cidade!
Venha ouvir OS SONS NO BOLHÃO!
Concertos voluntários de jovens artistas do "Círculo do Fogo" e "Os Galegos" entre outros.
No dia 16 de Fevereiro no Bolhão a Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa veio dar força à liberdade, ao pequeno comércio tradicional, ao valor da diversidade, do património e da vontade do povo do Porto
Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa (F.R.I.C.S.)
Num momento em que o Mercado do Bolhão, símbolo não apenas da Cidade do Porto, mas de toda uma forma de vida oposta à crescente homogeneidade e esterilização da actualidade, se encontra ameaçado, a F.R.I.C.S. tem a honra de contribuir para mais uma acção de protesto (e pudesse o seu som ser tão eficaz como o das trombetas que fizeram cair as muralhas de Jericó!).
Depois dos ataques e restrições à colher de pau, ao azeite caseiro, aos licores do tio-avô, às rolhas de cortiça e a toda uma quantidade de elementos que tornam o mundo um lugar mais variado e surpreendente, assistimos a uma manobra que visa apagar do mapa um bastião do comércio tradicional, personalizado e não-massificado, para o substituir por um centro mercantil estéril e falsamente popular.
A F.R.I.C.S., ela própria uma filha da caótica biodiversidade decorrente da junção de ex-membros dos Clã, Gangrena, Amigos da Salsa, Genocide, e colaboradores de Plácido Domingo numa mesma banda, coloca-se firmemente do lado da diversidade não-catalogável, contra o impulso destrutivo que se esconde por detrás da "segurança", da "higiene" e da "modernização".
www.myspace.com/fanfarraimprovisada
Putos do Bolhão
em Fevereiro de 2008
Sou um jovem de 23 anos, que fo criado dentro do Mercado do Bolhão. Dentro deste mercado habituei-me a ouvir os famosos pregões, a sentir a mistura de aromas no ar, qual cocktail de sensações, a estar rodeado de cor das frutas e das flores. Grande parte daquilo que sou hoje deve-se ao que vivi dentro deste mercado. E por isso me considero o que em bom portuense se diz um "puto do bolhão". Ao contrário do que se possa pensar, não sou o único da minha geração, muitos da minha idade, cresceram e se fizeram homens e mulheres aqui dentro. Os comerciantes que lá trabalham dizem por graça: "esta é a minha faculdade", mas a verdade é que dentro daquelas quatro paredes se ensinou a viver, muito mais do que em certas faculdades.
As pessoas que aqui trabalham já há muito tempo se habituaram por altura de eleições, ver um vai e vem, de políticos de caras sorridentes a passear pelo mercado prometendo mundos e fundos, qual "caça furtiva de votos".
Estava eu a começar a aprender a escrever, quando foi falado no projecto de reabilitação do mercado. Presidente atrás de Presidente, foi prometendo uma nova vida para o Bolhão, até que um dia subiu ao cargo o Sr. Rui Rio que nada teve para dizer aos comerciantes do que: "O Mercado do Bolhão não é prioridade"
Comentário esse que abalou mais um pouco os já muito frágil mas muito receptivo e alegre moral dos comerciantes. Por essa altura, já se implorava por obras no Mercado, devido ao estado do edifício.
Agora pergunto Sr. Presidente, não tinham já o seu tempo? Se a sua habitação estivesse a mostrar sinais de desgaste só iria mandar arranjar quando se ouve o "perigo eminente" (que tanto se fala) de ela lhe cair em cima?
Eu muitas vezes o oiço a dizer que é necessário revitalizar a baixa portuense. Mas é importante saber que grande parte do carácter que é atribuido à baixa portuense, se deve ao Mercado do Bolhão. Citando o site da Câmara Municipal do Porto, (http://www.cm-porto.pt/) : "É vulgar dizer-se que no Mercado do Bolhão, mora a verdadeira alma, o profundo carácter, a singular mundividência das gentes dos Porto".
"O Mercado do Bolhão é um excelente exemplar da arquitectura civil comercial, apresentando fortes caracteristicas do estilo neoclássico tardio, sobressaindo a sua monumentalidade pelos torreões nas suas esquinas que contrastam com as suas linhas horizontais, marcadas nas superficies das fachadas." Mas o verdadeiro néctar do mercado é a sua gente e isso é que é muito importante não esquecer.
Espero que no futuro que se avizinha para este mercado, todos estes pontos sejam levados em conta.
Obrigado
Juvenal Pinheiro
Retirado de:
http://manifestobolhao.blogspot.com/
Exposição-encontro com músicas sob o tema da Fronteira (23 de Fev., ao longo de todo o dia, no espaço 555, Porto)
FRONTEIRA
“limite, extremo que separa dois países; linha de demarcação entre duas frentes; limite, fim, baliza;”
O encontro e exposição que aqui se propõem pretendem mostrar diferentes projectos que desenvolvem trabalho fomentando, entre outros, uma reflexão sobre a noção de “fronteira”.
As fronteiras podem assumir características diversas, visíveis ou invisíveis, e a maneira como o homem as compreende e se relaciona com elas é complexa. Os projectos envolvidos nesta iniciativa, “Cidade de Abrigo” dos ASFP e grupo M.I.R.A., “Frontiers” do grupo artístico Gold Extra, “Uma terra sem gente para gente sem terra” exposição de Nuno Coelho e “Pisar a Linha” análise comentada de Adam Kershaw visam a reflexão sobre esta problemática. É a partir da exposição dos seus trabalhos e pontos de vista que esperamos sensibilizar e envolver mais pessoas em torno desta e de outras questões relativas, para um papel social mais consciente e activo do indivíduo.
CIDADE DE ABRIGO
EXPOSIÇÃO DAS PROPOSTAS RECEBIDAS NO CONCURSO DE IDEIAS INTERNACIONAL
SÁBADO 23 FEVEREIRO 2008 15:30
A.S.F.P. - Arquitectos sem Fronteiras Portugal
M.I.R.A. - Migration Interface for Reflexion and Activism
O contexto de pós modernidade traz ao espaço urbano uma profunda crise de identificação. Os antigos paradigmas de análise e compreensão de sociedade e cidade tradicionais não mais servem ao estudo e investigação dos actuais fenómenos urbanos. Estes aumentam em dispersão, variedade e multiplicidade. Longe da rendição à impossibilidade de manejar tal complexidade, este projecto pretende ser uma plataforma de confluência do pensamento sobre espaço físico e social, concretamente no que respeita aos fenómenos associados à migração e exclusão social. Na primeira tentativa de aproximação abriu-se o caminho à reflexão, à observação dos fenómenos sociais e urbanos, através do estímulo à intervenção aberta em contextos reais formulados em quatro casos de estudo. Do concurso internacional de ideias Cidade de Abrigo/Hosting City resulta agora uma exposição pública, uma mostra das propostas de cada participante de onde salta a complexidade na abordagem geral de que cada um toma para si como ponto de partida. Diversas formulações do conceito de problema, metodologias e a variedade do conceito de solução convertem para uma mostra também ela múltipla e diversa.
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PISAR A LINHA
ANÁLISE DE ADAM KERSHAW
SÁBADO 23 FEVEREIRO 2008 18:00
Hoje poucas guerras são travadas por questões territoriais, mas o conflito entre Israel e os territórios Palestinianos parece conter todas as causas tradicionais de conflito: religiosas, económicas, culturais e um sentido de justificação histórica. Este tipo de luta habitualmente não tem um "meio termo", sem espaço para um compromisso quando as duas partes lutam por aquilo que julgam ser como o seu absoluto e inegável direito. Os posters gráficos realizados por Nuno Coelho para a sua exposição "Uma Terra Sem Gente para Gente Sem Terra" pretendem criar um discurso visual com o espectador, simplificando a história complexa da região para uma forma mais acessível, quase infantil. Através do uso de técnicas simples, como colorir mapas, podemos localizar a fonte e o trajecto do conflito. Acompanhando os gráficos criados por Nuno Coelho, Adam Kershaw tentará analisar o conflito do ponto de vista das fronteiras, tendo como referência a sua própria experiência na Cisjordânia em 2006, e discutir o actual conflito e a decisão tomada por Israel de construir uma "barreira de separação definitiva" em vez de uma fronteira legítima.
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SIMONAL BIÉ & CONVIDADOS
SÁBADO 23 FEVEREIRO 2008 22:00
Nascido em Maputo, Moçambique, Simonal é um etnomusicologista, especializado em instrumentos tradicionais moçambicanos. Para além deste género, colabora igualmente com vários músicos/produtores de outros estilos, tendo participado na criação de projectos como Tchkare Kanyembe, Maty, entre outros.
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ATHLETIC COCKTAIL (DJ/VJ SET)
SÁBADO 23 FEVEREIRO 2008 24:00
Alejandra Pinggera vem da Suíça, mas tem raízes mexicanas e argentinas. Mulher de negócios e designer de palco, estudou na Business School de Zurique, Schule fuer Gestaltung Basel, na Suíça, e na Academy for Scenekunst, na Noruega. Alejandra trabalhou igualmente para o Teatro Nacional de Oslo, no Festival Ibsen, com uma instalação audiovisual intitulada «INBETWEEN», em 2006. Também trabalhou com o Hotel Pro Forma como artista de vídeo para a performance «Sand child» , na Dinamarca, e para o filme «fra Sor» presente no Festival de Cinema Norueguês, sendo ainda responsável por instalações de vídeo e pelas festas de abertura e encerramento. Em complemento, trabalhou em diversos projectos de arte independentes.
Desde o encontro na Academy for Scenekunst, Alejandra Pinggera e Filipe Canha iniciaram juntos um trabalho em termos conceptuais traduzido em várias performances de palco, instalações e projectos: a performance «no meat to chew», em 2006 - Noruega; a instalação de vídeo «Umen» com Bernardo Vercelli, em 2006 - Noruega; a performance «Mr. EggMan», em 2007.
Filipe Canha é um artista de performance com estudos em ballett clássico, dança moderna, dança contemporânea e interpretação teatral. Completou o seu curso universitário na Academy for Scenekunst, na Noruega, e realizou um intercâmbio na Concordia University, em Montreal, Quebec, Canadá, em coreografia, no qual resultou uma profunda investigação para os seus estudos conceptuais. Enquanto criador, desenvolveu e coreografou as seguintes performances: «asphyxia», em 2006; «The words, the truthful words are mute.», em 2006; «...anonymously, women.», em 2007, «none metalayer», em 2007, Canadá.
Sónia Carvalho é oriunda de Portugal. Esta artista direccionou o seu estudo universitário para a ESAD, nas Caldas da Rainha. Paralelamente, ingressou no programa ERASMUS no departamento de Belas Artes de Madrid, Espanha. Sónia Carvalho realiza exposições desde 2000 e, em complemento, trabalha com a galeria de arte contemporânea Galeria Plumba, no Porto. O seu trabalho provém de uma mistura entre performance, pintura, vídeo-arte e instalação, sendo ainda que nem a música é esquecida. Há três anos atrás, Sónia Carvalho esteve envolvida num projecto de DJ/VJ chamado GIRLS ON GOMMA, realizado por um colectivo de seis raparigas, no Porto, cujo som se aproximava dos beats anos 80 e electroclash.
O propósito destes três artistas é criar uma pista de dança interdisciplinar, na qual se fundem efeitos visuais e arte performativa com beats africanos, grime e sons de hip hop. Explorando diferentes desportos, as personagens dos Athletic Cocktail são infuenciadas pela cultura street wear, vivendo com vibrações cómicas e positivas... mas a diversão tem que ser organizada!
www.myspace.com/athleticcocktail
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ANTÓNIO SERGINHO DIZ EI! BOM DIA!
SÁBADO 23 FEVEREIRO 2008 02:00
O aguardado regresso ao 555 de António Serginho, a afamada marimba dos inigualáveis Tchakare Kanyembe. Desta feita atrás dos decks, cabe a este artista de vulto encerrar esta nobre noite. A não perder!
Exposição sobre Sphaera Mundi: A Ciência na Aula da Esfera (a partir de 21 de Fev.na Biblioteca Nacional)

Manuscritos Científicos do Colégio de Santo Antão nas Colecções da BNP , na Galeria de Exposições (2º piso).
A exposição que agora se inaugura mostra, através dos fundos de Reservados da BNP, principalmente da colecção de Manuscritos, a grande vitalidade de uma instituição estreitamente ligada ao ensino e prática científicos em Portugal: a “Aula da Esfera” do Colégio de Santo Antão.
A «Aula da Esfera» do Colégio de Santo Antão foi uma das mais marcantes instituições de ensino e de prática científica em Portugal, tendo sido, durante quase dois séculos, o principal centro de formação dos quadros técnicos e científicos (cosmógrafos, engenheiros, etc.)
O colégio jesuíta de Santo Antão tem como característica particular ter sido a única instituição a assegurar ininterruptamente, durante cerca de 170 anos (finais do séc. XVI a meados do séc. XVIII), o ensino de disciplinas físico-matemáticas em Portugal, leccionadas por alguns dos mais reputados mestres europeus: Cristoph Grienberg (1564-1636), Cristoforo Borri (1583-1632) ou Giovanni Paolo Lembo (1570-1618) e nacionais como João Delgado (1553-1612), Luís Gonzaga (1666-1747), Inácio Vieira (1678-1739) entre outros. Embora o seu nome apele directamente ao ensino da Cosmografia e Astronomia – que utilizavam como obra introdutória o Tratado da Esfera, de João de Sacrobosco, redigida no séc. XIII e desde então largamente comentada e parafraseada – também o ensino da Geometria, Aritmética, Náutica, Óptica e outros temas científicos ou teórico-práticos ali tinha lugar.
Henrique Leitão , comissário científico desta exposição, destaca o papel privilegiado desta “Aula” como: ponto de entrada das novidades científicas (como o telescópio e o novo mundo que ele descobriu, as novas técnicas matemáticas); local único de ensino e aplicação de algumas disciplinas emergentes como a Estática, a Mecânica teórica, ou a Óptica geométrica; o Colégio de Santo Antão era um centro de investigação verdadeiramente internacional que sempre beneficiou dos recursos e contactos da rede da Companhia de Jesus em que se encontrava integrado.
As notas e apontamentos dos alunos, e outros trabalhos manuscritos que sobreviveram e integram a colecção de manuscritos da BNP, constituem fontes indirectas para o conhecimento dos professores que leccionaram no Colégio e os seus ensinamentos. Embora este Colégio seja estudado e conhecido, a sua real dimensão e importância não se encontra ainda suficientemente divulgada junto do grande público que pode também, simultaneamente, avaliar sob uma outra perspectiva a riqueza patrimonial da BNP.
O catálogo que acompanha a exposição é a parte visível de um projecto mais amplo que o sustenta e que tem sido o esforço de inventariação, catalogação e estudo dos manuscritos científicos da BNP, precedido por estudos parcelares que dão conta das actividades da “Aula da Esfera” e do seu impacto cultural. A iniciativa conta com o apoio mecenático da REN – Redes Energéticas Nacionais.
21 798 2124,
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Horário de visita à Exposição: Dias úteis: 10h - 19h
Sábados: 10h -17h
Encerra domingos e feriados
O Povo das Mercadorias
Nos primeiros tempos, os brancos viviam como nós na floresta e os seus ancestrais eram pouco numerosos. Omama transmitiu também a eles as suas palavras, mas não o escutaram. Pensaram que eram mentiras e puseram-se a procurar minerais e petróleo por toda parte, todas essas coisas perigosas que Omama quis ocultar sob a terra e a água porque o seu calor é perigoso. Mas os brancos encontraram-nas e pensaram fazer com elas ferramentas, máquinas, carros e aviões. Eles ficaram eufóricos e disseram: "Nós somos os únicos a ser tão engenhosos, só nós sabemos realmente fabricar as mercadorias e as máquinas!". Foi nesse momento que eles perderam realmente toda a sabedoria. Primeiro estragaram a sua própria terra antes de ir trabalhar na dos outros para aumentar as suas mercadorias sem parar. Nunca mais eles disseram: "Se destruirmos a terra, será que seremos capazes de recriar uma outra?"
Quando conheci a terra dos brancos isso deixou-me inquieto. Algumas cidades são belas, mas o seu barulho não pára nunca. Eles correm por elas com carros, nas ruas e mesmo com comboios por debaixo da terra. Há muito barulho e gente por toda parte. O espírito torna-se obscuro e emaranhado, não se pode mais pensar direito. É por isso que o pensamento dos brancos está cheio de vertigens e eles não compreendem as nossas palavras. Eles não fazem mais que dizer: "Estamos muito contentes de rodar e de voar! Continuemos! Procuremos petróleo, ouro, ferro! Os yanomami são mentirosos!". O pensamento desses brancos está obstruído, é por isso que eles maltratam a terra, desbravando-a por toda parte, e a cavam até debaixo das suas casas. Eles não pensam que ela vai acabar por desmoronar. Eles não temem cair no mundo subterrâneo. Porém, é assim. Se os "brancos-espíritos-tatus-gigantes", as mineradoras, entram por toda parte sob a terra para retirar minérios, eles vão-se perder e cair no mundo escuro e podre dos ancestrais canibais.
[O universo yanomami compõe-se de quatro níveis superpostos suspensos em um "grande vazio". O mundo subterrâneo foi formado pela queda do nível terrestre na aurora dos tempos. É habitado pelos ancestrais yanomami da primeira humanidade, que se tornaram monstros canibais, os aõpataripë.]
Nós, nós queremos que a floresta permaneça como é, sempre. Queremos viver nela com boa saúde e que continuem a viver nela os espíritos xapiripë, a caça e os peixes. Cultivamos apenas as plantas que nos alimentam, não queremos fábricas, nem buracos na terra, nem rios sujos. Queremos que a floresta permaneça silenciosa, que o céu continue claro, que a escuridão da noite caia realmente e que se possam ver as estrelas. A terra dos brancos estão contaminadas, estão cobertas da xawara wakixi, uma "epidemia-fumaça", que se estendeu muito alto no peito do céu. Essa fumaça dirige-se para nós mas ainda não chega lá, pois o espírito Hutukarari repele-a ainda sem descanso. Acima da nossa floresta o céu ainda é claro, pois não faz tanto tempo que os brancos se aproximaram de nós. Mas bem mais tarde, quando eu estiver morto, talvez essa fumaça aumente a ponto de estender a escuridão sobre a terra e de apagar o sol. Os brancos nunca pensam nessas coisas que os xamãs conhecem, é por isso que eles não têm medo. O seu pensamento está cheio de esquecimento. Eles continuam a fixá-lo sem descanso nas suas mercadorias, como se estas fossem as suas namoradas.
Davi Kopenawa Yanomami, xamã, 1998.
O corpo não espera (por nós ou pelo amor): café-teatro pelos Bonifrates em Tondela (23 de Fev.)

http://www.bonifrates.com/
O Médico à Força
Teatro-Estúdio Bonifrates
Sinopse
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O CORPO NÃO ESPERA (POR NÓS OU PELO AMOR)
O corpo é praia a boca é a nascente
Ter um corpo de mulher às vezes...é mar… é violência
são rugas… são barriguinhas… são borbulhas… são momentos.
O que é um corpo de mulher,
um corpo de mulher sente-se
Memórias, sensações…às vezes doridas, outras vezes…é bom ser mulher.
Quando fala, fala amor
fala desamor
fala paixão
fala raiva
fala ausência
fala sonho
ternura
fala vida.
Eu gosto de ter um corpo de mulher e gosto da forma como o corpo muda, como fica bonito
e sensual…
O corpo cansa-se
aí o corpo adormece e fica uma outra coisa que não é o corpo.
O corpo não espera não por nós ou pelo amor.
A parte do corpo que eu mais gosto
é a boca
eu gosto particularmente do umbigo
e dos lábios…
O corpo é praia…
memórias, sensações… às vezes doridas…às vezes…
Quando fala, fala amor
fala desamor
fala vida
Sobretudo fala vida.
Oito mulheres, através da poesia e do movimento, falam do corpo.
Do corpo na sua relação consigo, com o outro, com o amor.
Do corpo como lugar de encontro e desencontros. Lugar de memórias, de esquecimentos, de mudanças e resistência a mudanças, lugar de desejos, de entrega e (também) de solidão.
É um espectáculo onde pulsa a contradição que percorre a mulher, herdeira de uma tradição judaico-cristã que durante séculos lhe negou o corpo e o prazer, e teima em palpitar no desejo maculado pela noção de pecado.
Mulher cujo despojamento procura na pele as memórias do desejo, no toque a sede dos beijos, o húmido das carícias.
Mulher cujo abandono de si procura na entrega ao outro, o corpo que não espera.
Neste espectáculo encontramo-nos com o sentir de oito mulheres… respiramos com elas mas também com Maria Teresa Horta, Eugénio de Andrade, Carolina Kujawski, Jorge de Sena, Adília Lopes, Sarah Kane, Chico Buarque, David Mourão-Ferreira, Herberto Hélder, Guillaume Apolinaire, António Ramos Rosa, Natália Correia, Conceição da Costa Neves, Astor Piazzolla, Ângelo Badalamenti, Umebayshi Shigeru, Dead Combo e David Sylvian.
Ficha Técnica
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Criação colectiva: Alexandra Mascarenhas, Carla Miguel, Cristina Janicas, Filipa Amorim, Maria Manuel Almeida, Paula Santos, Sílvia Barbeiro, Tânia Almeida
Selecção de textos: Paula Santos
Sábado, 23 Fev'08, às 21.45h
www.acert.pt/programacao/registo.php?id=183
Vai-se realizar no Porto a I Feira do Cânhamo (16,17 e 18 de Maio)

Canhamo ou canhamo industrial é o nome que recebe as variedades da planta Cannabis e o nome da fibra que se obtem delas, que tem, entre outros, uso texteis. Além de roupas, é utilizado na fabricação de papel e como forragem animal.
Muito cultivado em várias partes do mundo, inclusive na Europa, onde a União Européia em 1998 o legalizou e autorizou inclusive o subsídio ao linho de cânhamo.
Há limitações quanto ao seu plantio, sendo permitido só para terrenos de até um hectare, segundo normas da comissão agrícola européia. Não confundir com a maconha, cujo o teor de THC é bem superior ao do cânhamo, apesar de ambos pertencerem ao género Cannabis.
Para quem quer plantar é recomendável recorrer ao Ministério da Agricultura ou a empresas especializadas, pois estes disponibilizam a legislação e meios para o agricultor que queira iniciar no ramo da cânhamo cultura.
Em Portugal há uma empresa chamada "Cânhamo de Portugal", devidamente certificada (desde 1999) que comercializa (e produz) diversos produtos em cânhamos, desde materiais de construção, produtos alimentares, vestuário, cosméticos, sementes, etc...
O cultivo do cânhamo em Portugal é legal (tal como em toda a comunidade europeia) e subvencionado. No entanto temos que ter em consideração que a estirpe tem de provir de semente devidamente certificada de forma a que esteja garantido que o teor de THC (toxicidade) seja inferior a 0.3
Em 1998 existiam em Portugal 23 produtores subsidiados, segundo informações do INGA.
O cânhamo é cultivado em todos os continentes e está a ressurgir na Europa, com especial incidência em França, Alemanha, Inglaterra, Espanha, Holanda, Áustria, etc...
A planta é integralmente utilizada para os mais diversos fins, mas destaca-se especialmente a sua fibra, também chamada de filaça, muito usada na indústria de papel, pois um hectare de cânhamo produz o mesmo que quatro hectares de eucaliptos, num período de vinte anos.
A indústria têxtil também é um bom mercado para o cânhamo, por este ser cinco vezes mais resistente que o algodão, e com seus longos feixes de até 4,5 m é usado para fabricar cordas e amarras de navios pois são bastante resistentes. Da semente extrai-se um óleo muito usado na indústrias de cosméticos como base para cremes, xampus, óleos hidratantes, etc, na indústria mecânica para vernizes, lubrificantes, combustíveis, tintas e outros, bem como para a alimentação humana em óleo, tempero, margarina, flocos de cereais, snacks e outros
Texto retirado da wikipedia
Em defesa do espaço público: caminhada pela Tapada das Necessidades (dia 24 de Fev. às 10h.)

O Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, convida todos para uma Caminhada à volta daquele maravilhoso pulmão verde de Lisboa, que decorrerá no próximo domingo dia 24 de Fevereiro, a partir das 10 horas da manhã.
Fundado em 10 de Abril de 2007, o Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades foi criado para ajudar a salvaguardar a arquitectura paisagística, a flora, a fauna,o património edificado e uma História de dez hectares de sonho, que resistem no coração da cidade, apesar de algum abandono e até degradação.
Constituído por moradores vizinhos da Tapada, associações ambientalistas e colectividades locais, o Grupo realizou até hoje várias acções de divulgação, nomeadamente uma caminhada com a população da freguesia, na Primavera, um painel na Feira de Artes e Ofícios dos Prazeres, pelo S. Martinho, uma intervenção distribuída à Comunicação Social e aos autarcas, na Assembleia Municipal de Lisboa e, ao longo da época natalícia, afixação de cartazes em estabelecimentos do comércio local.
http://gatnecessidades.blogspot.com/
http://aaldraba.blogspot.com/
19.2.08
2ª Assembleia preparatória do MayDay 2008 vai realizar-se nesta quinta-feira ( 21 de Fev.) às 21h30 na CrewHassan
De há uns anos a esta parte, diversos países têm vindo a assinalar o dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador/a, alertando especificamente para a situação dos trabalhadores/as precários. Esta iniciativa é conhecida como MayDay.MayDay é um termo utilizado nas comunicações radiofónicas, marítimas ou aeronáuticas que significa “urgência” ou “socorro” e que deriva do francês “m'aidez” (ajudem-me).
No dia 1 de Maio de 2007, realizou-se pela primeira vez em Portugal o MayDay, uma iniciativa que decorreu em Lisboa e que acabou por integrar a marcha da CGTP.
Nesta primeira parada do MayDay participaram trabalhadores/as do espectáculo, de call-centers, bolseiros/as, imigrantes, contratados/as a prazo e muitas outras pessoas solidárias com a causa.
Começamos agora a preparação do MayDay 2008 e convidamo-vos a participar!
Na 1ª Assembleia já realizada verificou-se que há pessoas e vontades e ideias, muitas ideias, e também um objectivo em comum: construir um percurso de acções, eventos, debates, festa e concerto que culmine no 1.º de Maio com a parada alternativa de precári@s - MayDayLisboa2008 - e deste modo conseguir juntar pessoas, desde precários a desempregados, estudantes a imigrantes, etc., convocando o MayDay e contestando já a precariedade, dando-lhe visibilidade ou denunciando patrões e leis.
Precisamos então de nos organizar, discutir propostas, agendar coisas, construir o MayDayLisboa2008.
A próxima assembleia preparativa do MayDay decorre esta quinta-feira, dia 21 de Fevereiro, às 21h30, na CrewHassan, situada na Rua das Portas de Santo Antão, 159, 1.º (rua do Coliseu), em Lisboa.
http://www.precariosinflexiveis.blogspot.com/
O precariado rebela-se!!!
Tod@s à Crewhassan às 21h30 do próximo dia 21 de Fevereiro ( nesta 5ª feira)
Nota: a assembleia é antecedida de um jantar vegetariano às 20h a umpreço precário (4euros)
CrewHassan
*Rua das Portas de Santo Antão, 159, 1.º (rua do Coliseu).
Uma Marcha da Indignação de Professores e Educadores foi convocada para o próximo dia 8 de Março

ASSIM NÃO SE PODE SER PROFESSOR
Permanentemente desrespeitado e desconsiderado pelos responsáveis do ME, entre outros governantes;
Sujeito a horários de trabalho pedagogicamente desadequados e que retiram qualidade ao desempenho dos docentes;
Com um ECD que desvaloriza os profissionais e a função docente e que urge ser renegociado;
Com uma avaliação dos professores que é burocrática, injusta e ofensiva dos profissionais e que deve ser urgentemente alterada;
Com o tratamento dado a docentes que deram o melhor de si à Educação e agora serão remetidos para supranumerários, como se de trapos velhos se tratassem;
Com a tremenda instabilidade em que vivem milhares de professores contratados, muitos outros milhares no desemprego e a quem, o ME, pretende retirar a qualidade de "docente" com o designado "exame de ingresso" a que os sujeitará.
Também no Ensino Superior, o problema da precariedade e do desemprego atinge proporções inéditas e extremamente preocupantes.
A ESCOLA PÚBLICA NÃO AGUENTA MAIS ESTA POLÍTICA
Que degrada as suas condições de trabalho e o seu funcionamento em resultado de uma cada vez maior desresponsabilização do Estado e de um crescente desinvestimento público;
Que aponta para a desvalorização do primado do pedagógico face ao administrativo, por via de um regime de direcção e gestão que reduz ao mínimo ou liquida espaços e princípios de participação democrática;
Que retira capacidade de resposta aos alunos com necessidades educativas especiais, ferindo de morte princípios essenciais da escola inclusiva; Que prevê privatizar o parque escolar do Secundário e entregar aos municípios todas as responsabilidades em relação à Educação Pré-Escolar e Ensino Básico;
Que já encerrou mais de 2.000 escolas e prevê encerrar, ainda, outras tantas;
Que transforma o que deveria ser uma escola a tempo inteiro, num conjunto de ofertas [prolongamento de horário, AEC's] sem qualidade nem regulação; que se prepara, para, em nome da poupança degradar a qualidade do ensino no 2º Ciclo do Ensino Básico;
Que empurra as Instituições de Ensino Superior Público para a privatização
Petição contra a nomeação do criminoso de guerra Tony Blair para presidente do Conselho da União Europeia. Assinem

Nós, cidadãos europeus de todas as origens e inclinações políticas, desejamos expressar a nossa oposiçao total à nomeação de Tony Blair para a Presidência do Conselho da União Europeia.
O Tratado de Lisboa prevê a criação do cargo de Presidente do Conselho da União Europeia, a ser eleito pelo Conselho para um mandato de dois anos e meio, renovável uma vez. Nos termos do Tratado: “O Presidente assegura a preparação e continuidade dos trabalhos do Conselho Europeu“ e “O Presidente preside aos trabalhos do Conselho Europeu e dinamiza esses trabalhos“. Além disso, “O Presidente do Conselho Europeu assegura, ao seu nível e nessa qualidade, a representação externa da União nas matérias do âmbito da política externa e de segurança comum“¹.
O futuro presidente terá portanto um papel chave na definição das políticas da União Europeia e nas relações desta com o resto do mundo. A primeira presidência possuirá ainda um peso simbólico particular, quer para os cidadãos da União Europeia, quer para a imagem da União no resto do mundo. Nesta perspectiva, cremos ser essencial que o primeiro presidente incarne o espírito e os valores do projecto europeu.
Desde há algum tempo, saem na imprensa artigos, cada vez mais frequentes, tornando evidente o desejo por parte de alguns quadrantes em fazer de Tony Blair o primeiro Presidente do Conselho da União Europeia. Esta nomeação, a acontecer, estaria em contradição total com os valores representados pelo projecto europeu.
Em violação do direito internacional, Tony Blair envolveu o seu país numa guerra no Iraque, guerra essa à qual se opôs a maioria dos cidadãos europeus. Uma guerra que fez centenas de milhares de vítimas e provocou milhões de refugiados. Que é um factor maior na actual desestabilização profunda do Médio Oriente e que enfraqueceu a segurança mundial. De modo a conduzir o seu país à guerra, Blair fez uso sistemático de provas forjadas e de manipulação da informação. O seu papel na guerra do Iraque pesaria fortemente sobre a imagem da União no mundo, caso fosse eleito presidente.
As medidas tomadas pelo seu governo, bem como a sua cumplicidade com a administração Bush no programa ilegal de “entregas extraordinárias“ (conhecido como “vôos da CIA“) resultaram num recuo sem precedentes das liberdades civis, em contradição com os termos da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, a qual é parte integrante do Tratado.
A Carta Europeia dos Direitos Fundamentais formaliza os valores fundadores do projecto europeu e constitui um dos pilares do novo tratado. Tony Blair lutou contra a sua integração no Tratado de Lisboa e assegurou que não fosse aplicada no Reino Unido.
Ao invês de fazer avançar a integração europeia, o antigo primeiro-ministro britânico impôs uma série de “linhas vermelhas“ durante a negociação do tratado², com o intuito de bloquear qualquer progresso nas questões sociais e de harmonização fiscal, bem como na política externa e de defensa comuns.
Além disso, parece-nos impensável que o primeiro presidente da União Europeia seja o antigo chefe de um governo que manteve o seu país afastado de dois elementos chaves da construção da Europa: o Espaço Schengen de livre circulação de pessoas e a Zona Euro.
Numa altura em que uma das prioridades das instituições europeias é a reaproximação aos seus cidadãos, cremos ser fundamental que o Presidente do Conselho da União Europeia seja alguêm em quem uma maioria dos cidadãos possa rever-se, ao invês de alguêm rejeitado pela maioria³. Por tudo isto, declaramos a nossa oposição total a esta nomeação.
Tratado de Lisboa, Artigo 1º, nº 16 - que insere o Artigo 9ºB no Tratado da União Europeia -, parágrafos 5 e 6. (2007/C 306/17, 18) ↑
Blair sets out EU treaty demands, BBC, Junho de 2007. ↑
Tabela 6 da Sondagem FT/Harris, Junho de 2007. ↑
Exposição-venda em apoio à revista «Águas Furtadas» com pedido de colaboração
A edição da revista "aguasfurtadas" está suspensa por falta de dinheiro. Para tentar evitar o fim da revista, ou pelo menos adiá-lo o mais possível, pretende-se promover uma venda de obras de arte. Assim, pede-se a colaboração de diversos autores amigos, nas mais diversas áreas (fotografia, ilustração, pintura, música, literatura, etc.), no sentido de doarem um pequeno trabalho da sua lavra. Esse trabalho estará em exposição a partir do dia 1 de Março na Galeria do Jornal Universitário do Porto (Rua Miguel Bombarda, 187, Porto) e será vendido pelo preço unitário de €20 ao primeiro comprador interessado. O dinheiro que resultar desta venda será aplicado na edição do número 11 da revista "aguasfurtadas".No caso da literatura, pedia-se muito simplesmente um texto manuscrito numa folha A4 (de linhas, sem linhas, quadriculada, como preferirem). Pode ser um poema breve, um microconto, um aforismo, um excerto de romance, qualquer coisa, desde que da vossa autoria, escrito pela vossa mão e assinado (não precisa de ser um inédito).Todas as peças a €20.
Fotografias, pinturas, ilustrações, pautas musicais originais, manuscritos, etc., etc.
Só autores famosos.
Inauguração no dia 1 de Março, pelas 16h00, na Galeria do JUP (Rua Miguel Bombarda, 187, R/C, no Porto).
O produto das vendas será aplicado na produção da revista "aguasfurtadas" 11.
http://revista-aguasfurtadas.blogspot.com/
18.2.08
O que mais adoras na tua terra?
No Sotavento de hoje? Da minha geração?
O único espaço no Barlavento a albergar consistentemente exposições de artistas livres, e concertos quase todos os dias para "qualquer um que tivesse uma banda e quisesse tocar" era o bar Santa Suzana do Tim, punk alemão, perto de Aljezur, no meio do monte. Quando fechou passou a não haver nada ... até que abriu o Satori, perto de Querença, do francês Pascal.
Noites e noites passadas na Pereira, Arão, sob as estrelas, e acordar junto de praias selvagens são as melhores memórias que tenho.Há quatro anos, toda essa zona ardeu. Os terrenos desvalorizaram brutalmente. Cada vez mais amigos se vão embora, para a Austrália, para América do Sul, onde as praias ainda são selvagens e a gente ainda se pode sentar à fogueira, a água dos poços ainda se pode beber sem pesticidas dos campos de golf e onde não se toca fogo à terra para construir autódromos. Perdemos todos.
Dançai ó parcas vossa negra festa
Texto completo:
Cantai bichos da treva e da aparência
Na absolvição por incontinência
Cantai cantai no pino do inferno
Em Janeiro ou em Maio é sempre cedo
Cantai cardumes da guerra e da agonia
Neste areal onde não nasce o dia
Cantai cantai melancolias serenas
Como trigo da moda nas verbenas
Canta cantai guisos doidos dos sinos
Os vossos salmos de embalar meninos
Cantai bichos da treva e da opulência
A vossa vil e vã magnificência
Cantai os vossos tronos e impérios
Sobre os degredos sobre os cemitérios
Cantai cantai ó torpes madrugadas
As clavas os clarins e as espadas
Cantai nos matadouros nas trincheiras
As armas os pendões e as bandeiras
Cantai cantai que o ódio já não cansa
Com palavras de amor e de bonança
Dançai ó Parcas vossa negra festa
Sobre a planície em redor que o ar empesta
Cantai ó corvos pela noite fora
Neste areal onde não nasce a aurora
Acervo documental de Maria de Lourdes Pintasilgo disponível pela internet
«Por ela equipei o meu mini com megafone e andei freguesias urbanas e rurais a incitar, com esta voz que Deus me deu e o tabaco aperfeiçoou, o voto numa esperança outra, pura, inteligente, límpida e visionária para Portugal. Foi em 86, era a primeira volta para as Presidenciais. Estive na sede de campanha no dia das eleições. Aplaudi-a por fora e chorei por dentro : discursos dignos provocam-me esse efeito. Uma Senhora, com maiúscula, e não só ali: em toda a sua vida. Até na hora da sua morte, atraiçoada por um ataque cardíaco devido a quem não poderia senão indignar-se e assustar-se com a perspectiva de um santanazeco lopes no governo. Jorge Sampaio vai ter que prestar muitas contas a Nosso Senhor.
Foi a única e última pessoa que me motivou tal comprometimento na vida política deste país (e nenhum partido político o houvera feito ou fez desde aí).
Com a sua derrota - e a cada dia que passa mais o entendo em toda a sua evidência - perdeu Portugal, perdemos todos nós.
Ganhámos todavia um pouco hoje: «mais de 10 mil documentos que retratam a vida de Maria de Lourdes Pintasilgo (...) vão estar disponíveis, a partir de hoje, na internet, (...) podendo ser consultado em http://www.arquivopintasilgo.pt/MLP/ . O projecto, iniciado ainda em vida de Maria de Lourdes Pintasilgo, estará acessível a todos e não apenas a historiadores e estudiosos - como era seu desejo.» (Público de hoje)
A democracia, a verdadeira democracia directa que se sustenta no respeito pelo livre-arbítrio e pela inteligência dos cidadãos, foi mais do que a sua prática - foi a essência da sua alma.
Bem-haja e até sempre, Senhora Presidente»
(fim da transcrição)
Soneto à Liberdade ( Sonnet to Liberty) de Oscar Wilde
Somente vê a própria e repugnante dor,
Cuja mente não sabe, ou quer saber, de nada
É que, com seu rugir, tuas Democracias,
Teus reinos de Terror e grandes Anarquias
Refletem meus afãs extremos como o mar,
Dando-me Liberdade! - à cólera uma irmã.
Minha alma circunspeta gosta de teus gritos
Confusos só por causa disso: do contrário,
Reis com sangrento açoite ou seus canhões traiçoeiros
Roubavam às nações seus sagrados direitos,
Deixando-me impassível e ainda, ainda assim,
Esses Cristos que morrem sobre as barricadas,
Deus sabe que os apóio ao menos parcialmente.
No original:
Not that I love thy children, whose dull eyes
See nothing save their own unlovely woe,
Whose minds know nothing, nothing care to know,
But that the roar of the Democracies,
Thy reigns of Terror, thy great Anarchies,
Mirror my wildest passions like the sea
And give my rage a brother Liberty!
For the sake only do thy dissonant cries
Delight my discreet soul, else might all kings
By bloody knout of treacherous cannonades
Rob nations of their rights inviolate
And I remain unmoved and yet, and yet,
These Christs that die upon the barricades,
God knows I am with them, in some things.
Oscar Wilde
Poema que encontrei e trouxe até aqui pela mão de um blogue com óbvias afinidades com o Pimenta Negra, e que recomendo a todos uma merecida visita.
«O conhecimento é a tua arma de guerra mais poderosa e destruidora...»
O Mundo, a Vida e a Liberdade podem ser melhores do que isto. Esforça-te para o conseguires, cada segundo, cada vez que respires. Liberta-te a ti mesmo pelo conhecimento, não acreditando nas mentiras das religiões, dos poderes, dos estados... A sabedoria é o único poder maior. Aprende, para saberes mais do que eles. O conhecimento é a tua arma de guerra mais poderosa e destruidora. Usa-a, ataca, mata, destrói.
Também no mesmo blogue encontrei este soberbo poema da Sofia de Mello Breyner Andresen que aproveito para reproduzir :
Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.
Sofia de Mello Breyner Andresen
O Canto de Intervenção ( 23 de Fev às 21h30) - tertúlia com música e poesia
Tertúlia com música e poesia.
Com a participação de:
Ana Afonso, Ana Ribeiro, Gabriela Marques, Jorge Ribeiro, José Luís Guimarães, Paulo
c l u b e l i t e r á r i o d o p o r t o
Rua Nova da Alfândega, 22

