7.9.07

Manifestação para o fecho da central nuclear de Almaraz na Extremadura espanhola (8 de Setembro, em Navalmoral de la Mata- 19.30)


Na Extremadura ( Espanha) , energia limpa e social.

FECHAR ALMARAZ


MANIFESTAÇÃO


8 de septiembre. Navalmoral de la Mata
Paseo de la Estación 19.30 h. y posterior concentración a las puertas de la central
.

depois haverá


FESTA REIVINDICATIVA

Parque de Las Minas a las 22.00 h.


Bocatas, sangría y actuaciones de calle y musicales.


Artistas invitados:

Quintín Cabrera Raúl La Kabra José Mª. Aldaya Pepe Extremadura


CONVOCAM a MANIFESTAÇÃO:
Plataforma de vecinos afectados por la Central de Almaraz, Plataforma Antinuclear Cerrar Almaraz, ADENEX; Ecologistas en Acción Campo Arañuelo, Ecologistas en Acción Monesterio, GREENPEACE, CGT, IU Extremadura, PCEx, Asociación de Jóvenes del Valle del Jerte, Asociación Garabato de Piornal, Los Verdes, Asociación Garabato de Piornal, Plataforma Ciudadana Refinería NO, Plataforma Térmicas NO.


A central de Almaraz tem tido incidentes com regularidade com situações em que já foram medidos níveis de radioactividade superiores ao permitido, sendo Portugal afectado por a central se situar numa albufeira afluente do rio Tejo e pela proximidade em caso de contaminação por via atmosférica.

Esta concentração, que é apoiada por mais de 12 organizações, pretende, à semelhança do ocorrido noutros anos, manifestar o desejo de que a Central de Almaraz seja encerrada, pois não só já completou 25 anos de funcionamento, como tem conhecido inúmeros acidentes ao longo da sua laboração, colocando em risco as populações (locais, nacionais e ibéricas).


Consultar: aqui, aqui

Kofi Annan não quer transgénicos em África

«Nós e a aliança não incorporaremos os OGMs nos nossos programas. Devemos trabalhar com os agricultores utilizando as sementes tradicionais» (Kofi Annan, prémio Nobel da Paz e ex-secretário-geral da ONU)

Nota: Kofi Annan foi nomeado no passado dia 14 de Junho de 2007 para presidir à «Aliança para uma revolução verde em África» (AGRA), um organismo criado em 2006 e financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates e a Fundação Rockfeller, agupando um vasto conjunto de dirigentes, homens de negócios, agricultores e investigadores. Esta organização tem como finalidade principal ajudar os agricultores africanos a melhorar o seu rendimento nas suas explorações agrícolas.

Ver:
http://reopen911.online.fr/Anti-OGM/?p=69
www.flag-sa.org/blog/rallyround.html

Consultar:
http://www.agra-alliance.org/

Para celebrar a multisecular Agricultura Africana :
www.agra-alliance.org/celebrating/


Sobre Kofi Annan:
http://fr.wikipedia.org/wiki/Kofi_Annan

O pretenso desconhecimento de Durão Barroso sobre o financiamento da Somague ao PSD e a sua responsabilidade pela invasão do Iraque.

Um texto de Artur Queiroz onde, a propósito do financiamento ilegal do PSD pela empresa Somague no tempo do governo de Durão Barroso (actual presidente da Comissão Europeia) e que este se apressou em negar qualquer conhecimento pessoal do assunto, se lança esta pergunta:

Será que «Durão Barroso vai um dia destes dizer que nada teve a ver com a invasão do Iraque e que não é responsável pelos milhares de mortos civis e pela existência de mais de quatro milhões de refugiados iraquianos…»?




Texto de Artur Queiroz, retirado de:
www.vozdapovoa.com/diversos/opiniao.html


Durão Nunca Quis a Invasão do Iraque

O financiamento ilegal da Somague à campanha eleitoral do PSD quando Durão Barroso era o líder do partido, mereceu do actual presidente da Comissão Europeia uma desculpa esfarrapada e indigna de quem anda na vida pública. José Luís Arnault veio a correr assumir responsabilidades mas depois sacudiu a água do capote para cima de alguém que está doente e por isso é defendido pela família. Este passa culpas para o parceiro do lado é inaceitável.

Durão Barroso escreveu uma carta ao Parlamento Europeu a declarar a sua inocência e com esse gesto encerrou as explicações que deve aos portugueses e a quem lhe confiou a presidência da comissão da União Europeia. É natural que Durão Barroso esteja incomodado com o escândalo que se abateu sobre o partido que liderou e não queira sequer ouvir falar do assunto. E pelos vistos, está a conseguir os seus objectivos com facilidade.

Também enterrou o seu passado de esquerdista, com a maior das facilidades. Os seus ímpetos revolucionários levaram-no a roubar mobílias da Faculdade de Direito e a levá-las para a sede do seu partido de então, o MRPP, mas este episódio é ignorado ou tratado com bonomia, tipo coisas da juventude estouvada mas generosa. Mas Durão não pode apagar com a mesma facilidade o financiamento ilegal da campanha eleitoral do PSD que o guindou ao cargo de Primeiro-Ministro, trampolim para o cargo que hoje ocupa e cujo mandato almeja renovar.

Por este andar, Durão Barroso vai um dia destes dizer que nada teve a ver com a invasão do Iraque e que não é responsável pelos milhares de mortos civis e pela existência de mais de quatro milhões de refugiados iraquianos que vivem em condições desumanas, deslocados no interior do seu país ou nos países vizinhos. Mas todos sabemos que Durão Barroso não esteve na cimeira das Lajes apenas para compor o ramalhete. Esteve lá porque, conforme declarou publicamente, viu provas da existência de armas de destruição maciça no Iraque. Durão Barroso é um dos principais responsáveis pela tragédia que se abateu sobre os iraquianos.

Também é o principal responsável pelo episódio que envolveu a Somague e o PSD e que se traduz num financiamento ilegal ao partido. Quem começou na política roubando bens públicos, tarde ou nunca endireita. Durão Barroso é um dos muitos políticos portugueses que anda a mais na política. Mas gente como ele faz muito jeito ao socialismo cavaquista.

Alguns afluentes do movimento ecológico em Portugal

Texto escrito em 1997 por Afonso Cautela
Retirado de:
http://www.catbox.info/catbooks/antess-1.htm
(onde se pode ler e consultar outros textos)


ALGUNS AFLUENTES ( INCLUINDO IDEOLÓGICOS)
DO MOVIMENTO ECOLÓGICO EM PORTUGAL


Lisboa 26/Julho/1997 - Se o chamado «óbvio ululante», na feliz expressão de um brasileiro (Millor Fernandes?), constitui a matéria do ecologismo e das ecologias, não há dúvida que o Movimento Ecológico Português, quando nasceu, em Maio de 1974 e se legalizou em Fevereiro de 1975, vinha antecedido de algumas ideias óbvias e movimentos sociais que deram bastante brado.

Ser vivo e Ambiente constituem uma unidade indissociável: eis a mais óbvia de todas as coisas óbvias. Ninguém, por exemplo, pode viver sem respirar. Mas foi preciso chegar ao século XX para a nossa «civilização» ter pensado nisso.

O facto de a cultura ocidental nunca ter assumido nem compreendido este tipo de evidências básicas, terá levado, em boa parte, à catastrófica e em certos aspectos patética, crise ecológica actual. Crise que, antes do 25 de Abril, era apenas óbvia para alguns mas que hoje, sem ter decrescido um milímetro, ainda continua a não ser sentida por muito boa gente.

- O congestionamento das cidades modernas, ligado à macrocefalia urbana que atrofia e desertifica os campos, eis outra óbvia realidade que estando na base de muitos problemas modernos, conduziria a uma consciência que, por sua vez, o movimento ecológico procuraria traduzir, através dos múltiplos textos editados.

- A sintomatologia na Medicina, na Sociologia e na Política (as chamadas «sopas depois de almoço» ou aposteriorismo das soluções), provocaria necessariamente uma reacção adversa naqueles que, cultivando uma mentalidade simplista de ligação causa-efeito (outro óbvio ululante), perceberam sempre que as doenças, quer sociais quer individuais, não caem do céu e que a melhor forma de não as ter é prevenir, fazer profilaxia das ditas doenças.
Todas as doenças - sociais e individuais - estão no ambiente físico - ar, água, solos -, mas também sócio-mitológico - todo o sistema de manipulação do homem pelo homem que, desde a publicidade comercial à propaganda político-partidária, condiciona de raiz os comportamentos, conforma e deforma o cérebro humano.

Neste sentido, a poluição - a famosa e famigerada poluição - é atmosférica, é agrícola, é hídrica mas é também, como alguns perceberam, psíquica e moral.

Ou seja: não se trata de corrigir pontualmente o sistema mas trata-se de «mudar de sistema».
Este radicalismo, a que mais tarde se chamaria fundamentalismo, foi sempre muito mal visto por todos os quadrantes ideológicos, incluindo os próprios que se diziam ecologistas e ambientalistas.

Radicalizar posições era um propósito do movimento ecológico mas que nunca teve expressão real e só se manifestou nos múltiplos textos publicados pelas edições «Frente Ecológica».
Os excessos de linguagem, note-se, foram sempre e aliás, para certas boas almas, mais intoleráveis do que as mais abomináveis agressões ambientais.

A expressão «crime ecológico» e o neologismo «biocídio» foram utilizados, pela primeira e última vez, nas edições «Frente Ecológica».

- A dominante «catastrofista» da sociedade industrial foi outra realidade, bastante óbvia, que levaria necessariamente à ideia e à constelação ecologista radical.

Alguns dos que fizeram o M.E.P. nunca chegariam a reconciliar-se com a síndrome de catástrofe intrínseca à sociedade industrial. Ficariam sempre os eternos «inimigos da civilização», como premonitoriamente lhes chamou Freud.

O que não deixou de provocar uma patética acusação dos estalinistas que tinham como insulto predilecto contra os ecologistas, chamarem-lhes catastrofistas. Isto, até que eles próprios, com o Partido dos Verdes, se fizeram também «catastrofistas».

- Ao cerco sem saída da crise ambiental constatado pelo norte-americano Barry Commoner - os retrocessos do progresso, como se dizia na «Frente Ecológica» - chamou Herbert Marcuse «homem unidimensional». Foram marcusianos os estudantes de Maio 68 e marcusianos foram os que dotaram o M.E.P dos seus fundamentos ideológicos.

A «ideologia ecológica», porém, nunca teve qualquer expressão além dos textos, normalmente muito críticos e polémicos, da «Frente Ecológica».

Nesse sentido, o ecologismo português foi totalmente desmiolado. Embora Antero de Quental perguntasse, atónito: «Mas, meus senhores, será possível viver sem ideias?», Portugal dos últimos 500 anos prova que sim: que é possível viver sem ideias, ou seja, sobreviver. O que já não é nada mau, em tempo de sobrevivência planetária.

Termo-nos habituado a sobreviver em vez de aprender a viver, poderá ser outra subtil nuance que fundamenta a revolta de alguns ecologistas «avant la lettre». Ou seja, antes do 25 de Abril de 1974.

- Se é o sistema cultural que leva à crise ecológica, é óbvio (ululante) que a crise só pode ter solução mudando de sistema - o que leva ao chamado «fundamentalismo» ecologista e que, depois do 25 de Abril, na «Frente Ecológica», se chamou «realismo ecologista» ou «eco-realismo», para o distinguir das derivantes reformistas e utopistas.

Entre a Utopia e a Reforma, o ecorealismo das edições «Frente Ecológica» marcou uma posição solitária, sem companhias nem aderentes, tentando reafirmar, em vão, o primado do real, do quotidiano, face a todas as mitologias modernas, nomeadamente as do hedonismo consumista.
Em vão também, porque a lógica consumista e a economia de marketing, sendo intrínsecas à lógica do macrosistema são também intrínsecas à devastadora crise ecológica.

O caso do sistema médico rentabilizando a doença em vez de conservar a saúde (higiene holística), mostra a perversidade estrutural intrínseca do hedonismo consumista.

Se a doença dá dinheiro e lucros a tanta gente, a tantos profissionais que da doença vivem, a tanta empresa, é evidente que tudo será feito para que a doença progrida e nada para que a saúde se conserve.

- «Congestionamento» é uma das palavras-chave nos antecedentes mais antigos do movimento ecológico.

Congestionamento físico - nas cidades e nas sociedades - mas principalmente congestionamento de dados, de informação. E ainda não fora inventado o chafurdo da Internet.

A sensibilidade ao congestionamento de dados constituiu uma componente de um mal-estar que necessitaria uma atitude chamada movimento ecologista.

- A industrialização em geral e a industrialização da agricultura em particular (com adubos químicos, pesticidas e monoculturas gigantescas) dadas como tabu intocável por todas as ideologias no terreno - capitalistas e socialistas - foram as componentes que atrasaram, por medo às aparências, a eclosão das manifestações ecologistas e, portanto, do movimento.

Também a indústria nuclear, dita pacífica para a demarcar do átomo militar, sacralizada por todas as ideologias, blocos e superpotências mundiais, seria um terreno onde dificilmente surgiria qualquer contestação.

Neste sentido, o movimento ecologista era mesmo um movimento de alto risco para quem o proclamasse e assumisse.

Foi, portanto, necessário atingir o limiar do insuportável - onde aliás ainda estamos e continuaremos - para que alguns, muito poucos, se atrevessem a fazer as primeiras críticas:
a) Ao nuclear (dito) pacífico
b) À industrialização em geral e à agricultura química em particular
c) A ciência e à tecnologia

Os tabus mantidos por todas as ideologias em confronto, mostram duas coisas:
a) Embora aparentemente se digladiem em aspectos pontuais (guerras em que se disputa o mesmo bolo), no fundamental as ideologias e os blocos têm alguns mitos que se tornam seus alicerces de suporte, permanência e eterna auto-reprodução.
b) Como o ecologismo tem de começar por denunciar esses tabus ideológicos, ele próprio, enquanto movimento, se tornará também tabu, passando automaticamente à clandestinidade.

- Significativo, no aspecto da industrialização, é o título da colecção «Zero», da editora Arcádia, «A Indústria do Ruído».
Para o director da colecção e autor do prefácio do livro, o Ruído era uma das muitas manifestações que, pelas repercussões na saúde pública, tinha sido e continua a ser rentabilizada.
Se o Ruído é «fábrica de doenças», como nesse livro se procura mostrar, certamente que o Ruído não será eliminado e, se for preciso, irá ser fomentado. É o que tem acontecido até hoje, 26 de Julho de 1997.

Este «cinismo» eco-realista chocou muito algumas boas almas que se queriam e diziam ecologistas, amigas do ambiente como o Persil e sempre dispostas a perdoar ao chamado Progresso os crimes e artimanhas do Progresso.

- Ecologia da doença, Ecologia do Trabalho (Doenças do Trabalho), Ecologia Alimentar ( Doenças do ambiente alimentar) aparecem bastante cedo nos textos de pessoas que, mais tarde, pós 25 de Abril, integrariam o M.E.P, a «Frente Ecológica» , a «Esquerda Ecológica», a «Ecologia em Diálogo» e outros títulos que agitaram as águas no pós 25 de Abril.

- Mas o atrevimento eco-realista do chamado «grupo coordenador» do M.E.P, da «F.E.» e de outras «frentes», ia até ao ponto de contestar as apregoadas virtudes e a própria legitimidade da ciência ordinária, essa «vaca sagrada» das modernas sociedades tecnológicas, que não dão um peido sem primeiro ir perguntar à ilustre classe universitária se é científico.
A crítica à Tecnologia era, de facto, algo impensável.
E muito em especial se essa tecnologia implicava mortes maciças da população.
O caso do que, na «Frente Ecológica», se chamou «sindroma sísmico-nuclear» - 30 anos de sismos provocados por rebentamentos subterrâneos de bombas termonucleares - é exemplar como fenómeno de dimensão planetária e como silenciamento total e totalitário sobre o maior crime de genocídio contra a Humanidade, ocultado em nome da ciência, do progresso tecnológico-militar e das conveniências da coexistência pacífica, tão em voga nos anos que precederam o 25 de Abril.
Foi talvez este «dossier maldito» - sismos provocados por bombas - o que mais cedo suscitou a revolta no espírito daquele (s) que, pós-25 de Abril, decidiram a reunião do 14 de Maio de 1974 para o lançamento do M.E.P.
O que não impede de ter ficado o mais maldito dos dossiês malditos, através de todos estes anos e até hoje, em que a frequência sísmica tem decrescido em resultado do decréscimo do número de bombas rebentadas nos poços de Semipalantinsk, Nevada e Muroroa.
- Pela positiva, o dossiê mais maldito é certamente o das eco-alternativas energéticas: Solar, Eólica, Maremotriz e Biogás.
Classificado como escândalo público o abandono a que todos - incluindo grupos ditos ecologistas - votaram a luta pelas alternativas energéticas, que é a luta pela sociedade paralela, única saída para a catástrofe, este dossiê das eco-energias é o barómetro que, só por si, dá bem o estado a que tudo isto - ecologistas e movimento ecológico incluídos - chegou.

O total silêncio e silenciamento sobre o crime nacional de Alqueva - só porque todos os partidos estão de acordo no crime - é outro dossier significativo do apodrecimento a que tudo isto - País, políticos, economistas, partidos e tutti quanti - chegou.

Não há fundamentalismo que nos livre desta neurose suprema.

- Sendo o diagnóstico da neurose totalitária um dos que induziram alguns carolas a sonhar, pós 25 de Abril, um 25 de Abril ecológico, esse facto diz bem e bastante da realidade que efectivamente se verificou: a clandestinidade do movimento e dos que nele podiam ter militado.

- Em autores de grande síntese - como Teilhard de Chardin, Arnold Toynbee ou Bertrand Russell - que podiam ter aberto a civilização ocidental a uma autocrítica e, portanto, a uma consciência ecológica profunda, foram assinaladas, no entanto, limitações estruturais por alguns precursores do movimento ecologista.

Relativamente às teses de Ivan Illich, adoptado pelo M.E.P. como seu farol e timoneiro, eram aqueles autores considerados reformistas dentro do sistema que vive de ir matando os ecossistemas.
- Os antecessores do M.E.P. foram buscar a um filósofo do materialismo dialéctico, Henri Lefèbvre, 2 noções-chave do movimento: o diferencialismo (o chamado «respeito à diferença» muito explorado pelos «hippies») e a «crítica da vida quotidiana», título de um livro de Henri Lefèbvre.

Uma «política do quotidiano» foi preconizada, pela 1ª vez, em textos da «Frente Ecológica». Pela 1ª e última vez, diga-se de passagem, sendo matéria de mais um dossier que ficou e continua maldito.

- A voga das «transplantações cirúrgicas» e o «boom» do cirurgião Barnard motivaram em alguns descontentes do Progresso um tremendo mal-estar.

Era o típico exemplo do progresso que não podia ser criticado, porque «salvava» vidas.

A demagogia do discurso científico e cientifista foi, com certeza, dos obstáculos a que o movimento ecologista nascente nunca saberia (nem poderia) dar resposta adequada.

Essa mesma demagogia verificar-se-ia, também, com o discurso dos sindicatos relativamente às indústrias mais devastadoras do meio ambiente ou aos empreendimentos mais calamitosos.
Tudo o que gera emprego (e todas as indústrias geram um emprego acrescentado - o de coveiro) é automaticamente bom e intocável.

Fosse a eucaliptação maciça do País (com os inerentes fogos de Verão), fosse a barragem de Alqueva (projecto salazarista, não o esqueçamos), fosse o encerramento de centrais nucleares, o alibi era e é sempre a criação de novos postos de trabalho.

Nunca o movimento ecologista poderia dar a volta a isto. O que significa, portanto, que a crise ecológica é irreversível e conduzirá inevitavelmente à catástrofe. Com todos a gritar «Vivó Progresso».

Catástrofe que evidentemente criará milhares de postos de trabalho - o de Coveiro.
A medicina das transplantações a salvar vidas e o industrialismo em geral, mesmo o mais catastrófico e mortífero, a criar postos de trabalho e a agricultura química a matar a fome mundial enquanto faz subir em flecha a incidência de cancros, são os dogmas da demagogia moderna, a Leste e a Oeste, à esquerda e à direita, a Norte e a Sul, que, à partida, o ecologismo teria de enfrentar. Claro que saiu literalmente derrotado.
- A rentabilização da doença, já citada, era apenas, bem vistas as coisas, um aspecto particular daquilo que, nos manuscritos de juventude, Karl Marx designou de alienação e que filósofos marxistas designaram de Reificação.

Uma página inédita de um diário, de 26/3/1971, assinala, em termos mais prosaicos e menos filosóficos, essa realidade de fundo que justificaria, mais do que nenhuma, o advento de uma «democracia ecológica», expressão que viria a aparecer, mais tarde, em escritos da «Frente Ecológica».

A alienação ou reificação marxista, alguém, em 1971, lhe chamava «patalogia administrativa», acrescentando: « Tudo se administra: o sexo, a educação, os tempos livres, a liberdade. Tudo se consome e se vende. Tudo se compra.»

- A crítica da agricultura química não se desligava do contexto mundial da Fome.

Ao contrário do que os agrónomos da F.A.O. e seus sequazes largamente defendiam, nos termos demagógicos que se conhecem, a agricultura química provoca mais fome em vez de a combater.

Mas esta afirmação precisava de uma demonstração autorizada que procedesse à desmontagem de 2 sofismas habilmente instilados na opinião pública:
1º sofisma - A fome decorre do excesso de população (teoria neomaltusiana a que, aliás, muitos alegados ecologistas, para não dizer todos, aderiram)
2º sofisma - Só com a agricultura química é possível matar a fome no Mundo.

O primeiro sofisma foi desmascarado pelo sociólogo brasileiro Josué de Castro, que demonstrou exactamente o contrário: a Fome provoca o excesso de população.

O segundo sofisma seria mais difícil de desmontar, embora sejam óbvias duas coisas:
a) Em 40 anos de agroquímica, a Fome alastrou em vez de recuar
b) Com a destruição dos solos pelas culturas químicas, a fome alastrará até aos países que até agora se julgavam imunes a ela.

Se houve fracassos estrondosos no movimento ecologista, este foi o maior: não ter conseguido fazer passar a verdade face aos sofismas e à demagogia generalizada sobre a Fome do Terceiro Mundo.

Em publicações da «Frente Ecológica» ler-se-ia que é o desenvolvimento que gera o subdesenvolvimento - heresia que, evidentemente, seria logo abafada pela retórica das multinacionais em geral e as do agrobusiness em especial.

- A reacção dita de esquerda às propostas ecologistas foi, sem dúvida e desde cedo, o sapo mais difícil de engolir pelo movimento ecologista nascente.

Em 1971, era bastante claro para alguns dos que viriam a dar forma ao M.E.P., esse flanco da reacção.

Com a crítica ao imperialismo norte-americano, a esquerda resolvia tudo: de um lado, os maus capitalistas, do outro lado os bons dos comunistas. Com este maniqueísmo se tentava calar toda a opinião que alinhasse pela alternativa.

Poluição era um mal do capitalismo e não da industrialização. Críticas ao industrialismo, portanto, eram automaticamente reduzidas ao industrialismo capitalista.

A denúncia de tudo o que era comum a leste e a Oeste, era considerado «inimigo da ordem e do progresso».

A denúncia da Bomba, da Poluição, da Burocracia de Estado, da Tortura, da Maratona termonuclear, da maratona olímpica, da maratona supersónica e espacial, do falhanço da medicina sintomática, etc, só tinha sentido se se inscrevesse tudo isso no rótulo geral de capitalismo. Tudo isso, a Leste, era o cúmulo da virtude.

4.9.07

A propósito da não-violência e das lutas sociais ilegais

Ceifeiros Voluntários de Transgénicos (OGMs)

Tirar fotocópias de um livro é um acto ilegal, mas um acto não-violento.
E o mesmo se passou em Silves com a acção contra os transgénicos: tratou-se também de um acto ilegal não-violento.


A intoxicação é tanta, o confusionismo que se instalou é enorme que se torna imperioso que as pessoas mais sensatas e esclarecidas intervenham e mostrem que a acção não-violenta contra os transgénicos em Silves foi mais uma das muitas que se tem registado desde há anos por essa Europa fora.

É PRECISO CONTRARIAR A DESINFORMAÇÃO E O OBSCURANTISMO que é incutido por gente ao serviço de interesses inconfessáveis.

Por isso aqui vão alguns esclarecimentos para os que estão mais confusos.

A acção contra os transgénicos em Silves foi uma acção ilegal ( como é ilegal tirar fotocópias de um livro, ou impedir a circulação numa estrada) , mas todos esses actos são acções não-violentas.

Juridicamente a violência física define-se como o emprego de força sobre o corpo da vítima, com alguma lesão corporal para a sua integridade física. Ora nada disso aconteceu.


Para mostrar o carácter não-violento da acção contra os transgénicos coloco aqui abaixo um texto com uma entrevista a Jean-Baptiste Libouban, uma das figuras destacadas do movimento dos ceifeiros voluntários que tem levado a cabo ceifas anti-OGM em França.

Jean-Baptiste Libouban pertence e foi responsável pelas Comunidades de l’Arche, que são as comunidades inspiradas na filosofia da não-violência de Lanza del Vasto.


O texto de Boaventura Sousa Santos, o mais prestigiado sociólogo português, e também doutorado em direito penal pela Faculdade de Direito de Coimbra, que há dias atrás transcrevi aqui, fala que os actos ilegais foram fundacionais das democracias modernas.


Um texto de José Carlos Marques, que também entretanto apareceu ( pesquisar no Fórum do Gaia), mostra igualmente que muitas das acções na recente história do movimento ecologista foram ilegais.

Victor Louro, engenheiro de silvicultura, num texto publicado no jornal Público do passado domingo, escreve:

«Em Portugal assistimos, por exemplo, nas décadas de 80 e 90, a acções contra a eucaliptização indiscriminada, nem todas respeitadoras da legalidade instituída. No entanto, foi graças a tais acções (algumas também atentatórias da propriedade privada), que a eucaliptização selvagem foi sendo travada, dando origem a legislação mais atenta ao bem público. Mas nem nessa altura se viu a berraria a que temos assistido a propósito desta acção relativa ao milho transgénico!»







Entrevista com Jean-Baptiste Libouban:
http://www.terre-net.fr/outils/fiches/FicheDetail.asp?id=2731

Jean-Baptiste Libouban é um membro das Comunidades de L’Arche (movimento criado por Lanza del Vasto), de que ele foi um dos principais responsáveis entre 1990 e 2005. Ele é ambém um dos iniciadores do movimento dos «Ceifeiros Voluntários» (Fauchers Volontaires) para cuja criação ele apelou no encontro de Larzac 2003.
Participou em numerosas ceifas anti-OGM e foi condenado pelo tribunal de Toulouse em 8 de Novembro de 2004 por uma acção de destruição de uma parcela de milho transgénico em 25 de Julho de 2004 em Menville ( Haute-Garonne, França), tendo apelado para o tribunal superior dessa decisão, esperando uma decisão final para o próximo dia 10 de Janeiro de 2007.

Acerca de Libouban, da não-violência e das Comunidades de L’Arche de Lanza del Vasto, ver:
http://amopie.free.fr/l_arche_de_lanza.htm



«Nós não pedimos à Monsanto para vir poluir os nossos campos»(Jean-Baptiste Libouban)

No momento em que se multiplicam as acções anti-OGM em França a tensão entre activistas e agricultores de transgénicos aumenta à medida que estes vêem os seus campos a serem periodicamente destruídos, apesar dos processos judiciais contra os primeiros e do apelo a mais dureza lançado pelo procurador-geral.
Trata-se de um fenómeno que marca o aparecimento mediático dos «Ceifeiros Voluntários», um grupo que soube impor-se na paisagem pública em poucos anos. Encontro com Jean-Baptiste Libouban, agricultor reformado, que está na origem da criação do colectivo.

Pergunta – Como nasceram os ceifeiros voluntários?
Resposta de Jean-Baptiste Libouban – A génese do movimento remonta à destruição de um stock de sementes transgénicas no laboratório da Novartis em Lot-et-Garonne, em Fevereiro de 1998. Quando José Bové e os seus colegas foram condenados, criminalizados pelo seu acto, pareceu-me insuportável que uma vez mais fossem os camponeses, os únicos a arcar com a responsabilidade por uma acção concebida e realizada pelo bem comum. Daí surgiu a ideia de alargar a base de militantes. No dia da saída da prisão, fui ter com José Bové para lhe apresentar o meu projecto, que imediatamente lhe agradou. A ideia era de reunir, à volta da questão dos OGM, gente de todos os horizontes que, conscientemente, se empenhassem contra os cultivos transgénicos. Por ocasião do encontro de Larzac de 2003, montamos um stand para informar os participantes da nossa iniciativa. No fim do encontro tínhamos reunido mais de 400 assinaturas de pessoas prontas a associarem-se ao movimento. Hoje somos 3.2000 ceifeiros. Todos se identificam no combate contra os OGM em razão do risco que eles representam para o património vegetal., do perigo latente em matéria de saúde humana, e da vontade conjunta de defesa do mundo camponês.

Pergunta – Vocês definem-se como «colectivo cidadão», enquanto os agricultores de transgénicos qualificam as vossas acções como de «simples delinquentes». Como concebe um movimento de cidadãos actuando na ilegalidade?
Resposta – Toda a noção de desobediência civil está aí. Estamos conscientes em que actuamos contra as normas legais. Mas diferentemente dos criminosos não fugimos à sanção, porque actuamos por aquilo que estimamos ser o interesse colectivo. É preciso mudar a lei que protege as empresas que colocam em perigo o nosso património comum, o património vegetal. Por exemplo, nenhuma responsabilidade foi pedida em caso de contaminação de um terreno por uma cultura vizinha de OGM . Isso é intolerável. Não me considero delinquente, mas enquanto membro da sociedade civil, entendo que de deve ouvir a voz da maioria dos franceses que, recorde-se, se opuseram aos OGM.

P – As acções dos ceifeiros voluntários obedecem a um certo número de regras.
R – Sim, absolutamente.As manifestações lançadas e reivindicadas pelos ceifeiros voluntários são feitas sistematicamente a luz do dia, de cara descoberta e de maneira não-violenta.. A este títuloreivindicamos até agora 3 acções. As de Menvile, Marsat e Pithiviers, as únicas que preencheram essas condições. Além disso, não somos uma associação, o que evita eventuais demandas judiciárias contra nós. Cada cefeiro responde inteiramente, e unicamente, pelos seus actos face à justiça. É por essa situação, ou antes por falta de um estatuto definido, que se explica o facto de na hora em que algumas figuras conhecidas do movimento serem ouvidas nos postos policiais também haver uma massiva comparência de activistas. De resto, a atitude das autoridades é contraditória. Actualmente somos nove pessoas processadas por um «delito cometido em reunião com 400 co-autores ou cúmplices». Se assim é porque não ouvir esses 400 «cúmplices»? Porquê que são seleccionados apenas os eleitos e as caras conhecidas – eis uma pergunta a ser feita ao proocurador.

P – A propósito disso como explica que, no momento em que o Procurador-geral pede maior dureza contra os ceifeiros voluntários, são muitas as pessoas que se surpreendem com a relativa impunidade que os activistas beneficiam durante as suas acções?
R – É verdade que em Menville,por exemplo, os poucos polícias presentes não impediram a destruição das culturas de transgénicos, mas identificaram os participantes com vista a acusações posteriores. Penso que se trata de uma orientação dos poderes públicos para não fazerem de nós mártires, o que multiplicaria o número de ceifeiros. Dito isto, tal não impede o risco de apnharmos penas de cinco anos de prisão e 75.000 euros de multa, e o dobro para José Bové, que é reincidente. Aceito que a situação é igualmente difícil para os agricultores de transgénicos que perdem muito dinheiro e trabalho nessas destruições. Mas não fomos nós que pedimos à Monsanto e a outros para virem poluir os nossos campos.

P – Uma nova destruição é prevista para o dia 5 de Setembro. O objectivo da vossa luta não será afinal de forçar a justiça prender-vos, em desespero de causa?
R – Mas isso só iria reforçar o movimento. Caso eles nos prendam, tal seria lamentável, mas lá estaremos. Em todo o caso, ninguém se subtrairá à justiça. Representamos a sociedade civil, em que uma maioria rejeita os OGM. Se o Estado não assume o seu papel, nós faremos o seu. Somos uma espécie de cirurgiões As culturas transgénicas ao ar livre são membros atingidos por gangrena que se torna necessário amputar antes que o mal se lastre aos campos vizinhos. As grandes empresas de sementes empurraram o governo a aceitar as culturas ao ar livre, pensando num mercado a conquistar. Pela minha parte, penso que a agricultura francesa deve ter outras ambições.

P- O que pensa sobre o impacto nos media do colectivo a que pertence?
R – Acho que os ceifeiros dão um boa resposta de cidadania a um problema da sociedade. Diz-se que os Franceses não votam, que se desinteressam do debate: eu, por mim, vejo pessoas que se mobilizam. Isso agrada-me, mesmo que me vá custar caro.

P – Os ensaios sobre os OGM devem continuar?
R - Nós não somos contra uma investigação pura, desde que seja confinada, e independente das empresas privadas.O que eu receio é a difusão de produtos de que não tem a mínima ideia do seu impacto no ambiente, nem sobre a saúde humana. E os ensaios ao ar livre, para além de um risco elevado de contaminação que provocam. Constituem um autêntico perigo para as culturas sãs vizinhas. Ao contrário do que ouvi dizer da boca de eminentes cientistas, o princípio da precaução defendido entre outros por Hervé Gaymard é tudo menos um travão à pesquisa.


Ler um artigo do jornal L'Humanité sobre Libouban, sintomaticamente com o título «Em nome dos fora-da-lei»:
http://www.humanite.fr/2004-08-05_Politique_-Au-nom-des-hors-la-loi

Ler ainda:
http://non-violence-mp.org/reflexions_fichiers/libouban.htm

A Agrobio promove cursos de introdução à agricultura biológica e à horta-jardim


A AGROBIO vai promover cursos de introdução à agricultura biológica e à horta-jardim.
Os(as) interessados(as) podem contactar ou consultar:
http://www.agrobio.pt/


http://www.agrobio.pt/formacao/planoformacao.pdf

AGROBIO - Departamento de Formação
Calçada da Tapada, 39 R/C Dto - 1300-545 Lisboa
Tel. +351 213 623 585 - Fax: +351 213 623 586

CURRÍCULO-BASE EM AGRICULTURA BIOLÓGICA
 Horta-Jardim
 Introdução à Agricultura
 Agricultura Biológica


FORMAÇÃO AVANÇADA EM AGRICULTURA BIOLÓGICA
 Plantas aromáticas e Medicinais em Agricultura Biológica
 Olivicultura Biológica
 Introdução ao Marketing
 Viticultura Biológica
 Apicultura Biológica
 Fruticultura Biológica
 Horticultura Biológica





MERCADO BIOLÓGICO EM LISBOA ( todos os Sábados)

JARDIM DO PRÍNCIPE REAL (SÁBADOS, 8.00 - 14.00 H )

O Campo vem à Cidade, trazendo à mesa dos lisboetas produtos mais saborosos e saudáveis

Com o objectivo colocar os produtos de Agricultura Biológica mais perto do consumidor, a Câmara Municipal de Lisboa, com a colaboração da AGROBIO, deu início a estes mercados de rua biológicos em Lisboa.

Convidamo-lo a visitar este mercado. Nele encontrará, entre outros produtos, hortaliças, frutas, vinhos, cereais, azeite, pão, etc., produzidos em Agricultura Biológica. Faça as suas compras à porta de casa!

Aproveite o passeio e forneça à sua família produtos de qualidade, sem pesticidas e sem adubos químicos de síntese, saudáveis para si e para o ambiente!






O que é a Agricultura Biológica?


«A Agricultura Biológica é um sistema de produção holístico, que promove e melhora a saúde do ecossistema agrícola, ao fomentar a biodiversidade, os ciclos biológicos e a actividade biológica do solo. Privilegia o uso de boas práticas de gestão da exploração agrícola, em lugar do recurso a factores de produção externos, tendo em conta que os sistemas de produção devem ser adaptados às condições regionais. Isto é conseguido, sempre que possível, através do uso de métodos culturais, biológicos e mecânicos em detrimento da utilização de materiais sintéticos.»

Codex Alimentarius Comission, FAO/WHO, 1999





A Agricultura Biológica, também conhecida como “agricultura orgânica” (Brasil e países de língua inglesa), “agricultura ecológica” (Espanha, Dinamarca) ou “agricultura natural” (Japão) caracteriza-se por possuir uma base:

Ecológica


Baseia-se no funcionamento do ecossistema agrário e recorre a práticas – como rotações culturais, adubos verdes, consociações, luta biológica contra pragas e doenças - que fomentam o seu equilíbrio e biodiversidade;
Baseia-se na interacção dinâmica entre o solo, as plantas, os animais e os humanos, considerados como uma cadeia indissociável, em que cada elo afecta os restantes;

Sustentável


Visa:
* manter e melhorar a fertilidade do solo a longo prazo, preservando os recursos naturais solo, água e ar e minimizar todas as formas de poluição que possam resultar de práticas agrícolas;
* reciclar restos de origem vegetal ou animal de forma a devolver nutrientes à terra, minimizando deste modo o uso de recursos não-renováveis;
* depender de recursos renováveis em sistemas agrícolas organizados a nível local. Assim, exclui a quase totalidade dos produtos químicos de síntese como adubos, pesticidas, reguladores de crescimento e aditivos alimentares para animais.

Socialmente responsável


A Agricultura Biológica une os agricultores e os consumidores na responsabilidade de:
* Produzir alimentos e fibras de forma ambiental, social e economicamente sã e sustentável;
* Preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais;
* Permitir aos agricultores uma melhor valorização das suas produções e uma dignificação da sua profissão, bem como a possibilidade de permanecerem nas suas comunidades;
* Garantir ao consumidor o direito à escolha, na medida em que os produtos de Agricultura Biológica não são irradiados nem geneticamente modificados (OGM), nem contêm resíduos resultantes da aplicação de pesticidas.
* Garantir ao consumidor, no caso dos produtos animais, que estes são produzidos respeitando princípios éticos, necessidades e comportamento natural da espécie, em regime extensivo ou semi-intensivo; são alimentados de acordo com a sua fisiologia, com produtos sãos, de preferência provenientes da própria exploração e produzidos em Agricultura Biológica (logo, os riscos de transmissão de doenças veiculadas pelos alimentos, como a BSE, são minimizados) e não recebem tratamentos de rotina com antibióticos (minimizam os problemas de resistência).

3.9.07

Cooperativa Árvore - oficinas livres 2007-2008




Oficinas Livres de Curta Duração da Árvore 2007-2008

Com estas oficinas estamos a oferecer-lhe a possibilidade de experimentar alguns meios e técnicas de expressão e representação no tempo mínimo necessário, para que possa perceber as suas principais características expressivas e de que forma podem esses meios e técnicas, influenciar o processo criativo e a sua expressão pessoal.
Procuramos que a oferta seja vasta e diversificada para irmos ao encontro das suas preferências intuitivas ou ao seu desejo de aventura e descoberta. Assim temos para lhe oferecer as seguintes Oficinas:
• Papel
• Cerâmica / Olaria
• Gravura / Calcografia
• Serigrafia

As oficinas são práticas, funcionam em horário pós-laboral e numa sessão única de 3 horas semanais, a sua duração nunca ultrapassa 3 meses, que de acordo com as inscrições, poderão funcionar da seguinte forma:
• Trimestre – Outubro / Novembro / Dezembro
• Trimestre – Janeiro / Fevereiro / Março
• Trimestre – Abril / Maio / Junho
Com esta estrutura pode, se o entender, inscrever-se a mais do que a uma oficina. Venha conhecer o espaço privilegiado da Árvore, junte-se a nós e descubra-se a si próprio.
Para mais informações contactar: Filipa FerreiraTel.: 222 076 010


Oficinas Livres Anuais da Árvore 2007-2008

Pintura
Desenho I e II
Cerâmica
Painel cerâmico/azulejo
Escultura cerâmica
Rakú

As Oficinas Livres da Árvore têm funcionado ao longo dos anos com a participação entusiasta de todos os que a frequentam. Mas este ano o departamento de cursos sentiu a necessidade de modificar alguns aspectos conceptuais e estruturais dessas oficinas, para que se tornem mais dinâmicas e abertas a outras experiências, o que, por certo, fará aumentar o interesse de quem as vier a frequentar. É nosso propósito, ainda, promover algumas oficinas cujo principal objectivo é tornar possível o contacto com artistas com obras e actuações muito diversos e em conjunto observar e compreender o seu processo criativo e todos os aspectos de concepção, formalização e comunicação que o envolve.
Inscrições: 3 a 21 de Setembro de 2007
Para mais informações contactar: Filipa FerreiraTel.: 222 076 010

http://www.arvorecoop.pt/gca/?id=137

Universidade Popular do Porto - Cursos livres 2007-2008

http://www.upp.pt/


Cursos Livres

Alemão
por: Amélia Sousa

Ambiente
Carlos Ferreira

Astronomia
José Raeiro

Conhecer o Porto Contemporâneo
Annie Gunther


Desenho e Pintura: Desenho I
Manuela Lobo

Desenho e Pintura: Desenho II
Manuela Lobo

Desenho e Pintura: Acrílico (manhã)
Manuela Lobo

Desenho e Pintura: Acrilico (tarde)
Manuela Lobo

Desenho e Pintura: Aguarela Manuela
Lobo

Desenho e Pintura: Pastel
Manuela Lobo

O Direito na Vida de Todos Nós
Rubem Amaral

Física Moderna (nível I)
Daisi Silva e Regina Gouveia

Física Clássica (nível II)
Daisi Silva e Regina Gouveia

Francês através da impresa periódica francesa
Carlos Amador

Grandes Questões da Actualidade
Carlos Amador

História da Arte do Porto (Nível I)
Assunção Lemos

História da Arte do Porto (Nível II)
Assunção Lemos

História das Religiões (Nível I)
Palmira Pinho

História das Religiões (Nível II)
Palmira Pinho

História do Cinema (A)
José Eduardo Mendonça

História do Cinema (B)
José Eduardo Mendonça

Inglês I
Amélia Sousa

Inglês II
Manuela Coelho

Inglês III
Beatriz Bachá

Literatura Portuguesa
Paulina Sousa

Psicologia
Felicidade Castro

Reflexões sobre a História
Fátima Silva

Roteiros na Natureza
Dalmindo Natividade

Sociologia (Manhã)
António Laundes

Sociologia (Tarde)
António Laundes



Informações

REINSCRIÇÕES:
a partor de 1 de Junho


NOVAS INSCRIÇÕES:
2 de Julho


INICIO DAS AULAS (Previsão):
8 de Outubro


DURAÇÃO DO CURSO:
Outubro a Junho, inclusivé


TEMPO SEMANAL POR CURSO:
90 minutos


HORÁRIO DOS CURSOS:
estabelecido até final de Setembro




Inscrições
Inscrições
on-line ou na sede da UPP, na Rua de Augusto Luso,167, 1º, Porto, de segunda a sexta-feira, das 10 às 13h e das 14h.30 às 18h.30. Telefone: 226098641 Fax: 226004335

A participação nos cursos não se restringe a um conjunto de aulas teóricas mas abre um espaço de participação em cursos, debates, visitas de estudo e actividades diversas, de acordo com os interesses e motivação de cada um.

Civilização ou barbárie - Os desafios do mundo contemporâneo. (Serpa 2007)


Nota prévia: apesar de todas as nossas divergências relativamente às perspectivas teóricas que possam estar subjacentes a esta iniciativa, julgamos útil e interessante dar notícia deste encontro que se vai realizar em Serpa ( no sul de Portugal) no início do mês de Outubro com a participação de conhecidos pensadores e analistas portugueses e estrangeiros.



O jornal web http://www.odiario.info/ e a Revista Vértice vão promover em Serpa, nos dias 5, 6 e 7 de Outubro, o II Encontro Internacional Civilização ou Barbárie.

A iniciativa reunirá naquela cidade alentejana eminentes pensadores, cientistas políticos e autarcas de 17 países: Angola, Argentina, Bolívia, Brasil, Cabo Verde, Canadá, Colômbia, Cuba, Egipto, Espanha, Estados Unidos da América, França, Líbano, México, Portugal, Reino Unido e Venezuela.

Temas do Encontro

O AGRAVAMENTO DA CRISE DO CAPITALISMO
O SOCIALISMO COMO ALTERNATIVA À BARBÁRIE

A COMPLEMENTARIDADE DA LUTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS PROGRESSISTAS E DOS PARTIDOS E ORGANIZAÇÕES REVOLUCIONÁRIOS
ACTUALIDADE DE MARX E LENINE

O TERRORISMO DE ESTADO, AS AGRESSÕES IMPERIAIS
E A ESTRATÉGIA DAS GUERRAS PREVENTIVAS

GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL, MUDANÇAS GLOBAIS
E CRISES GLOBAIS SOB O IMPERIALISMO

REVOLUÇÃO E CONTRA-REVOLUÇÃO NA AMÉRICA LATINA

LUTAS SOCIAIS E POLÍTICAS NA UNIÃO EUROPEIA
A PRESIDÊNCIA PORTUGUESA

A PERVERSÃO MEDIÁTICA E A HEGEMONIA
DAS TRANSNACIONAIS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL

O PAPEL DO PODER LOCAL COMO FACTOR DE
MUDANÇA SOCIAL




Participantes portugueses no Encontro cuja presença já foi confirmada:

Francisco Melo, editor, ensaísta e investigador

Fernando Correia, professor universitário

Anabela Fino, jornalista

Correia da Fonseca, escritor, critico de televisão

Jorge Messias, especialista em temas de religião

Silas Cerqueira, professor universitário

Rogério Reis, professor universitário

Abílio Fernandes, economista, especialista em Poder Local

Carlos Lopes Pereira, jornalista

Luisa Tovar, engenheira

Sérgio Ribeiro, economista

Pedro Carvalho, economista

João Rocha, engenheiro, autarca, especialista em Poder Local

José Paulo Gascão, editor de odiario.info, publicista

Miguel Urbano Rodrigues, editor de odiario.info, escritor

Rui Namorado Rosa, editor de odiario.info, professor universitário



Dos convidados estrangeiros para o II Encontro Internacional Civilização ou Barbárie já confirmaram a sua presença em Serpa:

Samir Amin, egipcio, sociólogo e economista, professor da Universidade de Dakar, presidente do Fórum do Terceiro Mundo e do Fórum das Alternativas

István Mézaros, húngaro, filósofo, professor da Universidade de Sussex, Inglaterra

Georges Labica, francês, filósofo professor da Universidade de Paris

Henri Alleg, francês, escritor

Jean Salem, francês, professor de História, Universidade de Paris

Georges Gastaud, francês, cientista político, professor de filosofia,escritor

Remy Herrera, francês, professor de Economia, Universidade de Paris.

Marina Minicuci, italiana, politóloga e jornalista

Angeles Maestro, espanhola, cientista política, médica

Leila Ghanem, libanesa, politóloga e jornalista

Olivio Pires, cabo – verdiano, politólogo, diplomata, comandante das Forças Armadas

Michel Chossudovsky, canadiano, economista, professor da Universidade de Otawa

John Catalinotto, estadunidense, cientista político e jornalista

Isabel Monal, cubana, professora de filosofia na Universidade de Havana

Alberto Anaya, mexicano, senador, professor universitário de Economia

Pavel Blanco Cabrera, mexicano, politólogo, dirigente partidário

Piedad Córdoba, colombiana, senadora, politóloga

Rafael Uzcategui, venezuelano, politólogo, dirigente partidário

Marcos Domich, boliviano, escritor, professor da Universidade de La Paz, médico, dirigente partidário

Ivana Jinkings, brasileira, editora, politóloga, escritora

Virgínia Fontes, brasileira, professora de Filosofia na Universidade Fluminense do Rio de Janeiro

Luciano Alzaga, argentino, jornalista, politólogo.

Krishna Murthy, indiano, sindicalista, dirigente do Fórum Social Mundial

Osvaldo Martinez, cubano, ex-ministro da Economia

Julio Gambina, argentino, economista, professor na Universidade Nacional de Rosário

http://odiario.info/

2.9.07

Comemoram-se hoje os 50 anos da reserva ornitológica do Mindelo


Fonte da notícia: jornal O Primeiro de Janeiro

Em 1957, foi criada em Vila do Conde a primeira área protegida nacional.

Actualmente, a ROM estende-se por 600 hectares que constituem a última área costeira não construída do Grande Porto.



A Reserva Ornitológica de Mindelo (ROM) – primeira área protegida criada em Portugal em 1957 – comemora hoje 50 anos de vida. Durante décadas foi um espaço único que marcou o nascimento do estudo das aves e da conservação da Natureza em Portugal e no mundo. Nos primeiros trinta anos Santos Júnior, professor da Universidade do Porto, e os seus colaboradores da comunidade local, anilharam na zona mais de 78 mil aves. Com o aumento da pressão urbanística a área foi abandonada tornando-se um espaço ameaçado. Apesar da degradação a que se chegou, e da ambiguidade do seu estatuto de conservação, a ROM, que se estende por 600 hectares, foi conseguindo sobreviver, sendo mesmo a última área costeira não construída do Grande Porto, sendo procurada por cientistas e pela população para actividades de investigação e lazer. Nas últimas duas décadas foram realizadas campanhas de sensibilização da população local e foi criado o Movimento PROMindelo (Pela Reserva Ornitológica de Mindelo) que envolveu milhares de pessoas.



24 horas pela ROM


Para assinalar os 50 anos da ROM, estão em curso várias actividades que se iniciaram com a acção «De Regresso ao Futuro» realizada em Outubro de 2006, recriando as acções de anilhagem aí realizadas, e que se irão reforçar durante o próximo ano. O Movimento PROMindelo, fundado pela Associação dos Amigos do Mindelo para a Defesa do Ambiente, irá também acompanhar a ROM durante 24 horas (que têm início hoje pelas 19h00 em Árvore na Rua Engenheiro Mário Almeida), contribuindo para a sua revitalização e na sequência do trabalho que diariamente é realizado. Serão, por isso, organizadas acções de remoção de resíduos (pelas 9h00 de domingo), limpeza de mato e abertura de caminhos, para além de actividades lúdicas como treino de orientação pedestre, piquenique solar e jogos tradicionais, previstos para as 14h00.


O objectivo é a ROM passar a ser Paisagem Protegida do Litoral de Vila do Conde. A finalidade é a de transformar este num espaço de promoção de actividades económicas sustentáveis, turismo e lazer, e de uma actividade educativa e científica em meio natural.


Às voltas na reserva

No princípio era o mar, as ondas espraiando-se em dunas que invadem a terra num ecossistema peculiar. Era o sal espalhado pelo vento, os pequenos arbustos resistentes às intempéries, pintando de verde os espaços amarelados de sol. Acalmam-se as areias numa planície transitória entre a praia e a floresta, como se uma força maior se tivesse rendido à energia da natureza e permitido, finalmente, o desabrochar da fauna e flora. O imenso azul cede a vez a um manto verde pontilhado, aqui e ali, por pequenas pétalas multicolores. O silêncio emanado da própria terra é apenas interrompido pelas vozes de quem segue pelos trilhos, de quem caminha entre os diversos ecossistemas que formam a ROM. É a praia, o espaço interdunar, o espaço agrícola e, por fim, a floresta. O chão vê-se geometricamente dividido em áreas de cultivo, terras aradas, montes de feno empilhados formando linhas de um xadrez imaginário. Apenas mais uns metros e as solas dos sapatos sentem uma nova textura; não mais a granulada de areia, ou a suave de campos tratados mas a terra nova, o chão rígido que não se deixa abater a passos dados. Aqui os trilhos são mais sinuosos… E no ar o cheiro a eucalipto, à seiva que corre nas árvores brotando em resina e mais uma vez o silêncio, ou a música das folhas que se agitam com o vento…




e aqui ler o texto já publicado aqui

Hoje vamos todos vestir t-shirts contra os transgénicos

Imagem encontrada no blogue http://opafuncio.blogspot.com/


Participa:

Dia da t-shirt contra os transgénicos
Dia 2 de Setembro (hoje, Domingo)


Pela sua Saúde, pelo Ambiente


Pontos de encontro às 19h:
Lisboa: Praça da Figueira (junto à estátua)
Porto: Praça dos Leões (junto à estátua)
Coimbra: Largo da Portagem (junto à estátua)


Para mais informações sobre os perigos dos transgénicos:
www.stopogm.net



Objectivos: Um grupo de cidadãos preocupados com a questão dos transgénicos sobre a nossa saúde e outros aspectos importantes, de forma individual e independente, decidiu fazer uma acção de informação e sensibilização, perante a sociedade portuguesa sobre a questão relacionada com os graves perigos que os organismos geneticamente modificados (OGMs ou transgénicos) representam na saúde dos consumidores, no ambiente, na agricultura e na sociedade no geral.

Método: Hoje, Domingo, está planeada uma simples acção de sensibilização. O objectivo é somente distribuir panfletos (os dois primeiros localizados aqui:
http://stopogm.net/?q=node/85 , imprima e fotocopie) e conversar com as pessoas de forma a esclarecê-las o que os OGMs / Transgénicos realmente representam e do quanto estão e vão afectar a todos.



Para tal iremos vestir t-shirts com palavras contra os transgénicos.

Todas as pessoas são convidadas a fazerem uma t-shirt para si (com tinta, marcador, estampagem, etc) com frases tais como: "Transgénicos? Não Obrigado"; "Boicote transgénicos - Perigo para a saúde e o Ambiente"; "Transgénicos não"; ou outras frases que sejam interessantes e bem explícitas. Poderão igualmente colocar o site da Plataforma Transgénicos Fora: www.stopogm.net



Às 19h de domingo, as "t-shirts" encontram-se para distribuírem panfletos de esclarecimento em relação aos OGM, nas zonas acima anunciadas ou noutros locais que qualquer outra/s pessoa/s possa/m querer organizar para fazer o mesmo, seja em outras cidades, vilas ou aldeias.

Todos estão convidados - Ajude a fazer a diferença: Convidamos a todas as pessoas em Portugal, que caso não se possam juntar aos eventos nos locais anunciados acima, que no domingo e mesmo noutros dias, dentro da sua localidade, possam organizar um grupo de amigos e realizar o mesmo género de acção aqui descrito. Não podemos ficar parados, há que informar para ajudara evitar maiores males! Passe a mensagem por todos (fóruns, sites, e-mail, sms, telefone, boca a boca).


T-shirts à venda:












1.9.07

Estão abertas as inscrições para um workshop de Samba – Ritmos de Resistência


Está-se a organizar na cidade do Porto um workshop intensivo de Samba- Ritmos de Resistência ("Samba band - Rhythms of Resistance") para os dias 10 a 14 de Setembro. O workshop será dinamizado por uma activista da Samba Band de Berlim.

Recorde-se que os Ritmos de Resistência (“Rhythms of Resistance") é uma rede internacional de activistas e grupos que tocam e dançam de uma forma criativa e auto-organizada em manifestações e acções.
Para saber mais, consultar
http://www.rhythms-of-resistance.org/


A realização deste workshop na cidade do Porto tem como objectivo preparar uma participação dos Ritmos de Resistência na manifestação anti-OGM no Porto por ocasião da reunião informal dos ministros de agricultura europeus que decorrerá nesta cidade durante o mês de Setembro ( 16 a 18 de Set.)


Os interessados devem contactar o mais cedo possível para utopiar@netcabo.pt


NOTA:
É importante terem a certeza se podem participar e enviarem o contacto o mais rápido possível, pois a realização ou não deste workshop depende de um número mínimo de 8 participantes.


Há grupos do género em muitas outras cidades como Amsterdam, Barcelona, Bremen, Maastricht, Mexico City, Oberhausen, Oxford, Sofia und Torino ...


Mailing List europeia do Samba-Ritmos de Resistência:
https://lists.riseup.net/www/info/jogjugtrob


Outros websites de interesse:
http://www.infernalnoise.org/
http://www.rhythmsofresistance.co.uk/
http://www.action-samba-berlin.so36.net/en/index.html




31.8.07

A lavagem ao cérebro em liberdade ( por N. Chomsky)

Transcrevemos este texto que fomos buscar a um dos mais interessantes blogues que conhecemos:


Trata-se de um excerto de um artigo de Noam Chomsky com o título «Ainda Mais Eficaz que as Ditaduras, a Lavagem dos Cérebros em Liberdade» publicado na número de Agosto do Monde Diplomatique, edição portuguesa, Agosto de 2007;




A lavagem ao cérebro em Liberdade - «AINDA MAIS EFICAZ QUE AS DITADURAS

[…] Quando certos jornalistas são postos em causa, de facto respondem imediatamente: "Ninguém me pressionou, eu escrevo o que quero". É verdade. Só que, se eles tomassem posições contrárias à norma dominante, deixariam de escrever os seus editoriais. Claro que esta regra não é absoluta; eu próprio publico às vezes artigos na imprensa americana, os Estados Unidos não são um país totalitário. Mas qualquer pessoa que não satisfaça determinadas exigências mínimas não tem nenhuma possibilidade de aceder à condição de comentador estabelecido.

É aliás umas das grandes diferenças entre o sistema de propaganda dum Estado totalitário e a forma de proceder em sociedades democráticas. Exagerando um pouco, nos países totalitários o Estado decide sobre a linha a seguir, devendo toda a gente conformar-se com essa linha. As sociedades democráticas operam de outra maneira. A "linha" nunca é enunciada como tal, é subentendida. De certa forma, procede-se assim a uma "lavagem ao cérebro em liberdade". Até mesmo os debates "empolgados" que há nos grandes media se situam no quadro dos parâmetros implícitos consentidos, os quais têm nas suas margens muitos pontos de vista contrários.

O sistema de controlo nas sociedades democráticas é muito eficaz; instila a linha directriz como o ar que se respira. Não nos apercebemos disso, chegando por vezes a imaginar que estamos perante um debate particularmente vigoroso. No fundo, este sistema é infinitamente mais eficaz do que os sistemas totalitários.

Vejamos, por exemplo, o caso da Alemanha no início da década de 1930. Houve quem esquecesse que a Alemanha era então o país mais avançado da Europa, na vanguarda no respeitante às artes, às ciências, às ciências, às técnicas, à literatura, à filosofia. Mas depois, em muito pouco tempo, deu-se um retrocesso completo, e a Alemanha tornou-se o Estado mais assassino e mais bárbaro da história humana.

Tudo isto se realizou instilando medo: medo dos bolcheviques, dos judeus, dos americanos, dos ciganos, em suma: de todos quantos, segundo os nazis, ameaçavam o âmago da civilização europeia, ou seja, "os herdeiros directos da civilização grega". Pelo menos, foi isso que o filósofo Martin Heidegger escreveu em 1935. Ora a maior parte dos media alemães que bombardearam a população com esse género de mensagens adoptou as técnicas de marketing criadas por… publicitários americanos.

Não esqueçamos como uma ideologia se impõe sempre. Para dominar, não basta a violência – impõe-se uma justificação de outra natureza. Quando uma pessoa exerce o poder sobre outra – quer seja um ditador, um colono, um burocrata, um marido ou um patrão –, precisa sempre duma ideologia justificadora, e é sempre a mesma: essa dominação é exercida "para bem" do dominado. Por outras palavras, o poder apresenta-se sempre altruísta, desinteressado, generoso.

Na década de 1930, as regras da propaganda nazi consistiam, por exemplo, em escolher palavras simples, repeti-las sem descanso, associando-as a emoções, sentimentos, temores. Quando Hitler invadiu os sudetas [em 1938], fê-lo invocando os mais nobres e caritativos propósitos: a necessidade duma "intervenção humanitária" para impedir a "limpeza étnica" dos germanófonos e para tornar possível que todos vivessem sob a "asa protectora" da Alemanha, isto é, com o apoio da potência mundial mais avançada nas artes e na cultura.

Em matéria de propaganda, se em certo sentido nada mudou desde os tempos da antiga Atenas, a verdade é que houve bastantes aperfeiçoamentos. Os instrumentos da propaganda foram-se tornando muito mais refinados, em particular e paradoxalmente nos países mais livres do mundo: o Reino Unido e os Estados Unidos. Foi nestes países, e não noutros, que surgiu na década de 1920 a indústria moderna das relações públicas, isto é: o fabrico da opinião, ou propaganda.

Com efeito, no respeitante aos direitos democráticos (voto das mulheres, liberdade de expressão, etc.) estes dois países tinham progredido tanto que a aspiração à liberdade já não podia continuar a ser contida apenas pela violência estatal. Por esse motivo, os seus dirigentes viraram-se para as técnicas da "fábrica do consentimento". A indústria das relações públicas produz, no sentido exacto da palavra, consentimento, aceitação, submissão. Controla as ideias, os pensamentos, as mentes. Por comparação com o totalitarismo, é um grande progresso: é muito mais agradável uma pessoa suportar um anúncio publicitário do que ver-se numa sala de torturas. […]»

[Noam Chomsky, Ainda Mais Eficaz que as Ditaduras, a Lavagem dos Cérebros em Liberdade: Lisboa, Monde Diplomatique, edição portuguesa, Agosto de 2007;

Festival de Teatro da Guarda durante o mês de Setembro





Programa completo do Festival:
www.tmg.com.pt/festival_de_teatro_da_guarda.htm


No Sábado, dia 1 de Setembro, tem início no Teatro Municipal da Guarda a terceira edição do Acto Seguinte – Festival de Teatro da Guarda.

“Minetti”, apresentada por Camaleón e Ernesto Calvo Producciones [Espanha] é a peça que dá início ao festival, sobe ao palco do Pequeno Auditório às 21.30 horas.

Uma peça baseada num autêntico e histórico actor alemão, Bernhard Minetti (1905-1998), que em 1976 inspirou o dramaturgo Thomas Bernhard para este quase monólogo de musicalidade infernal que tem como protagonista o actor uruguaio radicado em Espanha, Juan Carlos Moretti, aqui dirigido por Ernesto Calvo.

Tanto o actor, Juan Carlos Moretti, como o encenador, Ernesto Calvo, tiveram como objectivo aproximarem-se o mais possível ao texto original. Os ensaios começaram desenvolvendo hábitos e método, estudando o texto, à procura de ritmos e de sonoridades, tentando decifrar pequenos enigmas ou grandes conflitos com os quais conta sempre qualquer autor teatral, e que no caso de Bernhard são mais usuais que em outros autores. «Trabalhar um texto deste dramaturgo é sempre construír um edifício sobre um que já está edificado. A figura do protagonista foi-se degradando ao mesmo tempo que as personagens e cenografia desapareciam. Foram-se entranhando no trabalho, fundindo-se na leitura que o Actor e o Encenador têm habitualmente nos primeiros ensaios, e as personagens transformaram-se assim em fantasmas que deambulam pela geografia da mente de Minetti. A doença, a perda de memória, a morte, o cansaço, a demência, a velhice, a juventude, o amor, o nazismo, a intolerância, etc., etc., todos eram os fantasmas da sua vida. A estrutura da encenação tomou corpo. Não eram necessários actores que interpretassem as personagens, nem cenografia que ilustrasse os sonhos impossíveis. Só existem Actor e Encenador, que são o Protagonista e o Antagonista, os elementos imprescindíveis para o Teatro.» – refere Ernesto Calvo a propósito da encenação desta obra.

Iberfolk - festival de cultura tradicional ( Sortelha - 7,8,9 Setembro)


IBERFOLK
7,8,9 Setembro 2007
Sortelha, Sabugal

Programa


Sexta, 07 Setembro
19H00 - Observação solar *
22H00 - Pé Na Terra
23H30 - Projecção do documentário "Arritmia"
23H30 - Hora Do Conto I - Marco Luna
24H00 - Ventos Da Líria
A partir das 15H00 - Escalada no castelo
Após as 22H00 - Observação astronómica


Sábado, 08 Setembro
16H00 - Workshop de Danças Tradicionais I
16H00 - Caminhada "Á descoberta de moinhos de água"
17H00 - Workshop de Adufe
17H30 - Workshop de Danças Tradicionais II
18H00 - Teatro de Marionetas "Tobias e as lendas" - Macapi
19H00 - Workshop "Mergulhar no Corpo" - Sandra João
19H00 - Workshop "Corpo em movimento" -
A partir das 15H00 - Escalada no castelo
21H00 - Adufeiras de Paúl, com participantes de Workshop de Adufe
22H00 - No Mazurka Band + Workshop
23H30 - Projecção do documentário "11 burros caem num estomago vazio"
23H30 - Hora Do Conto III - Marco Luna
24H00 - Diabo a sete


Domingo, 09 Setembro
15H30 - Workshop de Danças Tradicionais III
15H00 - Caminhada "Serra de Malcata"
A partir das 15H00 - Escalada no castelo
18H30 - Mosca Tosca
21H30 - Hora Do Conto III - Marco Luna
22H00 - Tor

O cinema em Trás-Os-Montes ( ciclo de filmes em Vimioso de 30 de Agosto a 2 de Set.)

Consultar:


Que cinema se fez em Trás-os-Montes e que Trás-os-Montes se fez nesse cinema?

Estes são os dois termos de uma mesma questão e as duas faces de uma mesma imagem, sem frente nem avesso. Responder à pergunta é ler a imagem cinematográfica à transparência da sua construção e à contra-luz do seu devir histórico, à vista de um confronto entre duas representações: uma que se mostra, a outra que se vê. É nessa descoincidência radical, em que se formam e desenvolvem todas as imagens, que é possível perceber a realidade.
Sendo muitos os filmes que têm por objecto ou pano de fundo a região transmontana e acreditando que a restituição dessas imagens, na maioria das vezes tão próximas quanto desconhecidas, ao contexto onde foram realizadas pode contribuir para uma redefinição dos lugares e das representações, A Reposição é um seminário aberto que pretende dar a ver e a discutir, in loco, uma selecção dos diferentes olhares que o cinema português dirigiu a Trás-os-Montes.

Em resposta a uma grande diversidade de propósitos (éticos, estéticos, políticos, sociológicos) e de pontos de vista (ficcionais, documentais ou combinado os dois registos), a multiplicidade de abordagens cinematográficas de Trás-os-Montes unifica-se em torno de uma gama pouco discrepante de temáticas e de concepções prévias. Reiteradas com frequência pelos cineastas, que encontraram na região e nos seus traços específicos elementos privilegiados para falar do país, ideias como o isolamento, o afastamento relativamente à capital e aos centros urbanos do litoral, associadas ao dramatismo da paisagem, à negação de todos os indícios da modernidade e à prevalência de modelos de organização social e de tradições ancestrais, contribuíram para forjar uma imagem pitoresca e pouco realista da região transmontana, convertida em lugar mítico, fora do espaço, do tempo e da história, pronto a acolher todo o tipo de projecções. Deste modo, enquanto alguns cineastas encontram em Trás-os-Montes o cenário ideal para, de modo fantasioso, filmar lendas e contos tradicionais (convertidos, na maioria das vezes, em comentário político), outros, desenvolvendo aproximações pretensamente mais objectivas, concordantes com os princípios teóricos da “antropologia visual”, vêem na prevalência de práticas comunitárias nalgumas aldeias, o molde e a justificação de um “comunismo natural”. Servindo as mais variadas perspectivas e discursos, identificada como território “virgem” e “original” – figura acabada de uma matriz cultural –, a região de Trás-os-Montes, torna-se, a um tempo, palco de algumas das mais radicais experiências cinematográficas do Novo Cinema Português e contraponto fundamental para repensar as assimetrias económicas entre o Norte e o Sul, a falência da reforma agrária e a crescente desertificação do interior do país.

Por isso, sendo certo que a paisagem natural e humana de Trás-os-Montes serve de pano de fundo a algumas das obras fundamentais da história do cinema português, A Reposição pretende proporcionar uma revisão crítica do cinema “transmontano” através do confronto de Trás-os-Montes com a sua imagem cinematográfica. Trata-se, pois, de reconduzir as imagens à sua origem e de levar o cinema onde este raramente chega.

A mostra terá lugar em plena região transmontana, na Casa da Cultura de Vimioso (Distrito de Bragança), de 30 de Agosto a 2 de Setembro.

Pela diversidade de abordagens cinematográficas de Trás-os-Montes, pelo confronto desses filmes com os locais onde foram realizados e contando com a presença de alguns dos realizadores, esperamos que A Reposição possa promover um espaço de abertura, de descoberta, de troca e de debate.

Por altura da mostra será ainda editado um livro com textos de reflexão sobre o tema e informação relativa aos filmes programados.

A entrada é gratuita.

O seminário está aberto a todas as participações.

Alojamento gratuito
A Câmara Municipal de Vimioso acolhe todos os participantes disponibilizando-lhes, para “acampar” gratuitamente, as instalações do recém-inaugurado Pavilhão Multiusos (espaço amplo com balneários e água quente).



Para outras informações:

António Preto
965775312
antónio.m.preto@gmail.com