18.3.07

Há 4 anos Rachel Corrie era selvaticamente morta por um tanque israelita

A 16 de Março de 2003 a activista pacifista norte-americana Rachel Corrie que se tinha deslocado à Palestina para no terreno defender as casas e as crianças palestinianas que eram destruídas e alvejadas pelas tropas israelitas foi assassinada por um cater-pillar ao serviço do exército israelita quando este se preparava para demolir mais uma casa palestiniana

Para mais informação ler os textos já editados neste blogue:
aqui, aqui, aqui
e consultar ainda o extenso artigo existente na Wikipedia

Entrevista





A vida de Rachel Corrie - Parte 1 e 2








Entretanto foi encenada e representada já em vários países uma peça de teatro «My name is Rachel Corrie» que pretende recordar uma das heroínas do nosso tempo na sua luta contra a barbárie e a favor da paz e justiça. Consultar:
http://en.wikipedia.org/wiki/My_Name_is_Rachel_Corrie

Escutar alguns dos seus escritos:
http://www.youtube.com/watch?v=pQBLiAk9thk
http://www.youtube.com/watch?v=W-sajcPhSX8
http://www.youtube.com/watch?v=TF1iXerLRdI&mode=related&search=

O cantor folk irlandês Christy Moore dedicou-lhe também o seu álbum Burning Times.

Deixamos um vídeo musical de Christy Moore que fala da luta antifascista durante a guerra civil espanhola e outro sobre as lutas das mulheres







The Magdalene Laundry



.

Radicais livres 3.1 pela OrchestrUtopica (hoje à noite no CCB)

Música contemporânea livre e sem concessões em cinco obras ( de Franco Donatoni, Helmut Lachenmann, António Pinho Vargas, Salvatore Sciarrino e Giacinto Scelci )


Radicais livres 3.1 é o programa para hoje à noite às 21h. no CCB em Lisboa e dedicado aos novos compositores que apostam na liberdade e na vanguarda para desenvolverem as suas obras e músicas - Franco Donatoni, Helmut Lachenmann, António Pinho Vargas, Salvatore Sciarrino e Giacinto Scelci – e que vão ser interpretados pela OrchestrUtopica, que se assume como algo mais do que o "grupo residente de música contemporânea do CCB": trata-se de um projecto que reúne músicos e compositores para programar, interpretar e discutir a música que se faz hoje.


António Pinho Vargas, um dos directores artísticos do projecto e também um dos compositores incluídos no programa de hoje, "a Orchestrutopica não é um simples grupo de música contemporânea que recebe convites, com um director artístico único. A Orchestrutopica reúne um núcleo de compositores para programar e discutir. É um núcleo que discute a posição a tomar, pensando a sua actividade a passo e passo."

O que liga estas 5 obras, como afirma José Júlio Lopes no texto de apresentação do concerto, é o facto de serem "peças de câmara de compositores com uma atitude musical (estética e "política") crítica." As aspas em "política" não significam uma suavização da sua atitude radical, mas antes a ideia de que são políticas sobretudo pela forma como pensam a música: "A sua posição manifesta-se, desde logo, e, em primeiro lugar, na sua própria música - e não se disfarça com efeitos e mecanismos recuperadores", afirma José Júlio Lopes.


António Pinho Vargas diz em que medida ela pode ser considerada radical e livre, como propõe a provocação do título do concerto. "Radicais livres é um pretexto genérico para organizar um concerto em torno de determinadas problemáticas. Mas em relação à minha peça, "livre" aplica-se com propriedade, na medida em que representa um corte importante na minha obra." E explica esse corte como um risco assumido plenamente: "é a primeira peça em que da melhor forma consegui lançar-me no acto de compor, dando um salto no ar, como o salto de tigre de que fala Walter Benjamin. Fiz um corte radical com a prática pós-serial e a partir de um gesto inicial fixei a energia e concentração no acto de compor, sem regras pré-estabelecidas." A partir daí, afirma Pinho Vargas, "passei a pensar de uma forma diferente. As regras que cada peça estabelece para si própria não obrigam a que na peça seguinte seja da mesma forma. Cada peça é um risco." Um traço que, segundo o compositor, aproxima a sua composição da obra de Giacinto Scelsi, que se ouvirá esta noite.

Desde que foi estreada, em 1993 pelo grupo Musikfabrik, a obra Monodia- quasi un requiem andou pelo mundo - Londres, Paris, Pequim - em múltiplas apresentações por quartetos de cordas tão importantes como o quarteto Arditti. "Julgo que é uma peça que contém em si uma capacidade de viajar. É com prazer que vou voltar a ouvi-la."

A peça, segundo Pinho Vargas, "é sobre a morte (daí o quasi un requiem) e o grito que não se ouve. Cheguei a escrever uma teoria do grito, uma teoria particular para esta obra. Eram frases que me permitiam reflectir sobre o desaparecimento." Musicalmente, Pinho Vargas considera que ela "está próxima da ideia de um canto suspenso, sem apoio, como o Luigi Nono gosta e também um outro compositor, Nicolaus Huber, que me disse a propósito da minha peça: I like monodia." E explica-nos: "monodia não é o mesmo que melodia. É uma linha de uma extrema fragilidade."

Programa

Salvatore Sciarrino :: Ommagio a Burri

Giacinto Scelsi :: Quarteto de cordas # 4

[INTERVALO]

Franco Donatoni :: Alamari

António Pinho Vargas :: Monodia - quasi un requiem

Intérpretes

Katharine Rawdon, flauta

Luis Gomes, clarinete

Elsa Silva, piano

Xuan Du, violino

Vítor Vieira, violino

Juan Carlos Maggiorani, violino

JanoLisboa, viola


Guenrikh Elessine, violonceloMarco Pereira, violoncelo


Contrabaixo, Vladimir Kousnetsov

Biografias e Notas de Programa

SALVATORE SCIARRINO Omaggio a Burri (1995) 13’[Flauta, clarinete, violino]


Omaggio a Burri permite uma observação aprofundada das preferências pontilisticas de Sciarrino, incluídas nestes treze minutos de pontos e contrapontos, suspiros, guinchos, pequenas estridências.
O verdadeiro prodígio está em que tudo isto resulta, e é essa, aliás, a pedra/palavra-chave: sucesso.

Enquanto determinadas obras de câmara transmitem a impressão de terem instrumentos mais potentes – parecem sinfónicas - a mais recente e sobejamente conhecida destas obras, Introduzione all’oscuro (1981) para 11 músicos, realça a individualidade dentro do grupo. Não é disso que se trata em Omaggio a Burri. Esta especificidade, que pode não ser o deleite de alguns, suscita seguramente o interesse de outros.

Nascido em 1947, começou a compor em 1959, dando o seu primeiro concerto em 1962.

Sete anos depois, deixou Palermo para viver em Roma, depois em Milão em 1977 e finalmente para a Città di Castello em 1983, onde ainda hoje reside.

Academicamente, Sciarrino não é um produto de escolas de música. Apesar de ter desenvolvido contactos importantes com Antonino Titone, Turi Belfiore e Franco Evangelisti, foi efectivamente um auto-didacta, sendo que o seu conhecimento musical advém directamente do estudo sobre os compositores modernos e clássicos.Recebeu vários prémios e aos 30 anos foi nomeado director artístico do Teatro Comunale di Bologna (cargo que exerceu entre 1978 e 1980). Entre os prémios mais recentes salienta-se o Prémio de Composição Musical da Fundação Principe Pierre, do Mónaco (2003) para Macbeth (melhor obra inédita de 2002), e o Prémio Internacional Feltrinelli, de 2003.

A mesma precocidade com que o seu estilo inconfundível se revelou, oferece-nos um invulgarmente longo e diversificado catálogo de obras. A docência ocupou grande parte da actividade de Sciarrino: para além das masterclasses, leccionou nos Conservatórios de Milão, Perugia e Florença desde 1974, até renunciar a todos os seus compromissos oficiais em 1996. Desde então, tem dedicado muito do seu tempo à escrita, como: Le figure della musica da Beethoven e Carte da suono scritti 1981-2001.

GIACINTO SCELSI Quarteto de cordas # 4 (1964) 10’[Quarteto de cordas]

A música da segunda fase da obra de Scelsi (a que corresponde o Quarteto # 4, de 1964) é marcada por uma suprema concentração na ideia de notas isoladas e únicas com uma enorme mestria na manipulação da forma.

Estas notas únicas são reelaboradas através de sombras micro-tonais, alusões harmónicas e variações de timbre e dinâmica.

A polifonia emerge da monodia.

Os movimentos de Scelsi revelam uma unidade de gestos e a polifonia da sua escrita para cordas integra uma concepção puramente melódica que é assumida como um aspecto essencial do som em si mesmo.

GIACINTO SCELSI (1905-1988), compositor

Nascido em La Spezia, no seio de uma família aristocrática e vivendo numa Villa antiga nos arredores de Nápoles, apesar de ter tido um escasso estudo formal de musica é reconhecido hoje como um dos mais criativos compositores do século XX.

Scelsi estudou primeiro música em Roma e, mais tarde, em Viena como discípulo de Schönberg. Tornou-se num dos primeiros adeptos da dodecafonismo em Itália.

No final dos anos quarenta passou por uma profunda crise religiosa que o levou à descoberta da espiritualidade oriental e também a uma mudança radical do seu olhar relativamente à música. Rejeita as noções de composição e de autor a favor da improvisação.Scelsi concebeu a criação artística como uma forma de comunicar uma realidade transcendental com o ouvinte.

Deste ponto vista, o artista é considerado um mero intermediário.

Por essa razão nunca permitiu que a sua imagem fosse associada à sua música.

Em vez disso, preferia ser identificado com uma linha debaixo de um círculo, um símbolo de proveniência oriental.

Foi amigo e mentor de Alvin Curran e outros compositores americanos expatriados como Frederic Rzewski que viveu em Roma nos anos 60.

Também “conspirou” com outros compositores americanos como John Cage, Morton Feldman e Earle Brown que o visitavam em Roma.Alvin Curran disse a propósito de Scelsi: “Veio a todos os meus concertos em Roma, até ao último que dei poucos dias antes da sua morte…

Isto foi no Verão e ele não gostava de sair.

Apresentou-se de fato e chapéu em pele.

Era um concerto ao ar livre.

Acenou-me de longe, com olhos brilhantes e o seu sorriso de sempre, foi a última vez que o vi”.

FRANCO DONATONI Alamari (1983) 13’[Violoncelo, contrabaixo e piano]

O título, bem como o material musical desta obra tem origem em trabalhos anteriores do compositor: Lame para violoncelo, Lem para contrabaixo, ambos de 1982, e Rima de 1979, este último com origem em Ed Insieme Bussarino de 1978.

O ímpeto de compor a partir de material de obras já existentes, é uma constante no trabalho de Donatoni, seja este originário das suas próprias obras ou das de outros compositores como Schoenberg ou Stockhausen.

Em nenhum dos casos se trata de uma colagem, mas antes de uma utilização de técnicas de composição muito precisas, demonstrativas de um certo automatismo em que o autor desenvolve um pequeno fragmento da peça tornando assim como impossível a identificação de um modelo.O contrabaixo, instrumento central desta obra, é utilizado de uma forma pouco habitual o que lhe confere uma cor estranha.

Os instrumentos dão-nos elementos que vão desde o pizzicato, produzindo efeitos de uma “mecânica de precisão”, a trechos de grande exigência técnica e artística, passando por movimentos desarticulados que sugerem danças únicas que mergulham na atmosfera nocturna e fúnebre desta música.

Como é habitual em Donatoni, a textura musical exige um grande virtuosismo dos intérpretes.

FRANCO DONATONI (1927-2000), compositor


Franco Donatoni nasceu em Verona em 1927. Estudou composição no Conservatório Giuseppe Verdi com Ettore Desderi, em Milão e com Lino Liviabella, no Conservatório de Bolonha.
Em 1949 completou o curso de composição e de orquestração e em 1950 o curso de música coral. Fez ainda o curso avançado de composição com Ildebrando Pizzetti na Accademia Nazionale de S. Cecília, em Roma, e frequentou, em Darmstadt, os Ferienkurse de 1954, 1956, 1958 e 1961.

A par da sua carreira de compositor, Donatoni manteve uma intensa actividade como professor de composição, tendo ensinado nos conservatórios de Bolonha, Turim e Milão, na Accademia Nazionale de S. Cecília em Roma, na Academia Chigi em Siena.

Em 1972 Donatoni foi convidado pela Deutscher Akademischer Austauschdienst para uma residência de um ano em Berlim.

Em 1985 recebeu o título de “Commandeur dans l’Ordre des Arts et des Lettres” do Governo Francês.

A sua música e o seu pensamento musical influenciaram várias gerações de compositores e a sua vasta obra é regularmente apresentada em concertos.

Em 1990 o Festival Settembre Musica de Turin dedicou uma série de concertos à sua música e, em 1982, em Milão, o Festival “Milano Musica” organizou um importante programa com a sua música, apresentando um grande número das suas mais importantes obras, incluindo a primeira audição de "Feria II"– para órgão e "A arte da fuga" de Bach, numa transcrição de Donatoni para orquestra.

Na década de 90 devem ser mencionadas obras como "Sweet Basil" (1993) para trombone e Big Band, "Portal" (1995) para clarinete baixo, clarinete em si bemol e orquestra, "In Cauda II" (1996), e "In Cauda III" (1996). Em 1996 completou o ciclo (iniciado em 1983) com "Françoise Variationen" para piano. Em 1998 a sua ópera curta, "Alfred Alfred", foi apresentada no Festival Musica de Strasbourg. Faleceu em Milão em 2000.

ANTÓNIO PINHO VARGAS Monodia – quasi un requiem (1995) 13’[Quarteto de cordas. Encomenda das Jornadas de Arte Contemporânea do Porto de 1993]

“Esta peça foi concebida para ser tocada usando um pequeno sistema de amplificação e reverberação, excepto se for apresentada numa sala com muita ressonância.

O material original é muito simples: duas melodias, uma linha a duas vozes e um agregado cromático.

A atitude rítmica deve ser sempre solta e flexível…A ideia de ressonância é central nesta peça.

O som de cada nota e a imaginação tímbrica dos músicos são muito importantes.O meu primeiro título foi Quasi un Requiem.

É uma peça acerca da extinção do som e da vida.

É sobre o absurdo da morte, do racismo e da intolerância. A secção central é uma espécie de “non-sense” passacaglia… “

ANTÓNIO PINHO VARGAS (1951), compositor

“Inquietação é uma das palavras que melhor sintetizam a personalidade artística de António Pinho Vargas, um músico integral que tem abordado com igual sucesso a composição livre de preconceitos de escola e os mais diversos géneros musicais, a interpretação e o ensaio musical, a pedagogia e a gestão cultural.

A sua música e o seu posicionamento estético têm contribuído para uma mudança radical no panorama musical nacional nas últimas décadas, tendo sido a sua influência determinante na aceitação em Portugal do pluralismo no âmbito da composição erudita.Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, concluiu o curso de composição no Conservatório de Roterdão, na classe de Klaas de Vries.

É professor na Escola Superior de Música de Lisboa desde 1991 e tem compaginado os seus labores docentes com a assessoria musical na Fundação Serralves e do Centro Cultural de Belém.

É ainda co-fundador e co-director artístico da OrchestrUtopica.Ligado ao jazz durante vários anos e sendo unanimemente considerado um dos mais importantes músicos portugueses neste domínio, começou o seu percurso criativo no âmbito da composição erudita em fins dos anos 80.As obras compostas até 1993 revelam a aderência à técnicas de composição mais rigorosas, ligadas à vanguarda musical posterior à Segunda Guerra Mundial. Porém, nesse ano, a composição de “Monodia.

Quasi un Requiem” marca um primeiro ponto de viragem na sua obra, que monstra a partir de então uma liberdade na escolha de materiais e de linguagens pouco habitual na música portuguesa contemporânea.À clareza estrutural das suas obras une-se a exploração exaustiva de novas abordagens de aspectos característicos do estilo tonal (por exemplo, a pulsação regular em obras como “Estudos e Interlúdios”, para percussão, escrita em 2000).

A sua obra em conjunto revela ainda uma rara capacidade para evocar e desenvolver em termos sonoros imagens poéticas, por vezes referidas nos títulos das suas peças.

Tem-se destacado como compositor de obras vocais de grande formato: as óperas “Édipo Tragédia do Saber” (1996) e “Os Dias Levantados” (1998), respectivamente sobre textos de Pedro Paixão e de Manuel Gusmão, e a oratória “Judas” (2002).”




Biografia de António Pinho Vargas

António Pinho Vargas nasceu em Vila Nova de Gaia, em Agosto de 1951.
Colabora com os A Grelha, grupo de rock do Porto. Em 1970 fundou, com Carlos Zíngaro e Jorge Lima Barretto, a Associação de Música Conceptual.
Com Lima Barretto e Artur Guedes faz parte do Anar Jazz Trio. Com Artur Guedes, José Nogueira e Pedro Cavaco forma os Abralas (1975/77).
Licencia-se em História pela Faculdade de Letras do Porto. Foi professor de História nos anos de 1975 e 1976. Enfrenta os anos 70 com algumas dificuldades pessoais pelo facto de querer ser músico de jazz.
Colabora com o grupo de jazz Araripa de João Heitor e José Eduardo. Com este grupo participa, em 1976, nas gravações do álbum "Malpertuis" de Rão Kyao. Participa também no disco "Bambu" de Rão Kyao, editado em 1978.
Ainda com José Nogueira faz parte do grupo de jazz-rock instrumental Abralas (ex-Zanarp). Os dois músicos fazem também parte da primeira formação dos Jáfumega. Durante algum tempo integra os Arte & Ofício com quem grava, em 1979, o álbum "Faces".

Em 1981 entra para a Banda Sonora de Rui Veloso com quem grava o álbum "Fora de Moda".
Em 1982 fez parte do Quarteto de Rão Kyao juntamente com Mário Barreiros e José Eduardo. Participa nas gravações do álbum "Ritual" de Rão Kyao. Nesse ano frequenta os cursos de Emmanuel Nunes.
Em 1983 grava o seu disco de estreia, "Outros Lugares". O Quarteto que gravou o disco incluía ainda Mário Barreiros, Pedro Barreiros e José Nogueira.
Em 1984 volta a colaborar com Rão Kyao participando nas gravações do álbum "Estrada da Luz" .
O seu segundo álbum, "Cores e Aromas", é editado em 1985. O Quarteto que gravou o disco é o mesmo do seu disco de estreia.
Em 1987 é lançado o disco "As Folhas Novas Mudam de Cor". O disco vende mais de 9.000 exemplares e atinge o top 10 de vendas. Nesse ano faz a banda sonora da peça "Hamlet", de William Shakespeare, com encenação de Carlos Avilez. Vai para a Holanda, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, estudar composição com o compositor Klaas de Vries.
Em 1988 compõe a música para o filme "Tempos Difíceis" de João Botelho que recebeu o prémio do Instituto Português de Cinema para a melhor música de Cinema. Também fez as bandas sonoras dos filmes "Uma Pedra No Bolso" (1988) e "Onde Bate o Sol" (1989) de Joaquim Pinto.
Em Abril de 1989 é editado o álbum "Os Jogos do Mundo". Além de António Pinho Vargas participaram os instrumentistas José Nogueira (saxofones), Mário Barreiros (bateria), Quico (sintetizadores), Pedro Barreiros (contrabaixo) e Rui Junior (tablas e percussão).
Diplomou-se em Composição no Conservatório de Roterdão em 1990. A partir da sua passagem pela Holanda passa a dedicar-se principalmente à composição erudita contemporânea.
Em 1991 é lançado o disco "Selos e Borboletas" que foi canditado ao Prémio José Afonso. Neste ano inicia actividade de professor de Composição na ESM (Escola Superior de Música) de Lisboa. Trabalha com Amália num trabalho que não chegou a ser publicado devido a um problema de direitos com os herdeiros da poetisa Cecilia Meireles. Tinha outros projectos com a fadista mas que não chegaram a ser concretizados.
Em 1993 retoma a colaboração com João Botelho e Carlos Avilez para quem faz a banda sonora do filme "Aqui na Terra" e da peça "Ricardo II".
O CD "Monodia", gravado na Igreja da Cartuxa e no Estúdio A da RDP, foi editado, em 1995, pela EMI Classics. A edição contou com o apoio de Lisboa 94 - Capital Europeia da Cultura. Neste ano foi condecorado, pelo Presidente de República Portuguesa, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique.
Em 1996 é editado o álbum "A Luz e a Escuridão". O disco conta com a participação da cantora Maria João e do saxofonista José Nogueira.
Faz a banda sonora do filme "Cinco Dias, Cinco Noites" de José Fonseca e Costa. Por essa banda sonora recebeu o prémio da melhor música do Festival de Cinema de Gramado (Brasil).
Apresentou, em 1996, na Culturgest, a ópera de câmara "Édipo - Tragédia do Saber", a partir de textos de Pedro Paixão.
A EMI-Valentim de Carvalho lança em 1998 a colectânea "As Mãos, O Melhor de António Pinho Vargas. O quarteto de cordas "Monodia-quasi un requiem" foi tocado pelo Quarteto Artis de Viena e incluido no CD "Quartet Portuguese Chamber Music" do Arditti String (edição Etcetera Records).
Escreve "Os Dias Levantados", ópera sobre o 25 de Abril, com libreto de Manuel Gusmão.
O CD "Versos" foi editado, em 2001, pela Strauss, com o apoio do IPAE. É o autor da música do filme " Quem és tu?" de João Botelho.
Em Novembro de 2001, desloca-se a Londres onde participa no festival Atlantic Waves 2001.
A Culturgest organizou um Festival António Pinho Vargas, entre 16 de Fevereiro e 6 de Março de 2002, com a maior parte da sua obra. Foi feito o documentário "António Pinho Vargas, notas de um compositor", encomenda da Culturgest, LxFilmes e RTP, com realização de Manuel Mozos e Luís Correia. A obra "Judas", resultado de uma encomenda do Festival de Música Sacra, foi estreada em Viana do Castelo.
A Afrontamento editou, ainda em 2002, o livro "Sobre Música" com sete ensaios e uma recolha de textos e entrevistas.
É um dos membros fundadores da direcção artística da OrchestrUtópica formada em 2003. Participa também no disco "Movimentos Perpétuos - Música Para Carlos Paredes" com o tema "Dois Violinos para Carlos Paredes".
Em Fevereiro de 2004 é editado o CD com a gravação da ópera "Os Dias Levantados", realizada em 6 de Março de 2002, na Culturgest.


DISCOGRAFIA
Outros Lugares (LP, EMI, 1983)Cores E Aromas (LP, EMI, 1985)As Folhas Novas Mudam De Cor (LP, EMI, 1987)Os Jogos do Mundo (LP, EMI, 1989)Selos e Borboletas (CD, EMI, 1991)Monodia (CD, EMI Classics, 1994) A Luz e a Escuridão (CD, EMI, 1996)As Mãos, O Melhor de António Pinho Vargas (Compilação, EMI, 1998)Versos (CD, Strauss, 2001)



COMENTÁRIOS
«Eu toquei rock em baile de finalistas, toquei e toco jazz, toquei com a Amália, o Carlos do Carmo, o Vitorino. Num dado momento comecei a trabalhar também noutra área, com possibilidades permanentes de trabalho. Julgo que o status da música erudita portuguesa nunca terá deixado de olhar para mim como aquele rapaz que veio do jazz e que agora compôe umas coisas contemporâneas e tal. É uma marca que transporto comigo, nada a fazer.» APV/DNA
«Uma das coisas escritas sobre mim que mais me comoveu foi 'O homem que fez com que começasse a ser possível falar de jazz português'. A minha vida como músico de jazz nos anos 80 foi relativamente semelhante ao que está a ser agora na música erudita. Também aí achavam que aquilo não era bem jazz...» APV/DNA
«Posso dizer que aprendi a não ter complexos de superioridade em nenhum momento. Aprendi a respeitar a diversidade, aprendi que um rapaz de 18 anos pode pegar num PC e ser mais criativo do que um estudante do conservatório que anda a ver se consegue tocar igual ao pianista X ou Y. É bom que a atenção seja recíproca, ou seja, que as tribos da pop, do rock, do metal ou da electrónica, não se fechem demasiado com base num complexo qualquer e perceba que o mundo é mais diverso do que aquilo que pensam. A mensagem fundamental é estar atento à diversidade do Mundo!» APV/Divergências (2004)

17.3.07

O terrorista nº1 e os quatro mentirosos que lançaram uma guerra criminosa



Passam agora 4 anos que 4 mentirosos se reuniram na Cimeira dos Açores e concertaram entre si lançar uma criminosa guerra contra o Iraque a quem acusavam de possuir armas de destruição maciça.
E não olharam a meios para levarem a efeito os seus intentos. Desde intimidações, ameaças, manipulações e falsificações, a tudo recorreram para desencadearem uma guerra criminosa contra um país soberano e contra todos os princípios que regem as relações internacionais e que devem orientar a paz do mundo.
Esses mentirosos têm um nome e ainda andam à solta: são eles o presidente dos Estados Unidos da América, G.W. Bush, o primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, o ex-primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar e o então primeiro-ministro português e actual presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barrosos. São estes os criminosos de guerra que ainda não foram presos nem julgados e a eles devem ser assacadas as devidas responsabilidades pelas milhares de perdas em vidas humanas e os colossais prejuísos materiais e ambientais que representou, e que não deixaram de aumentar, com o seu acto premeditado em invadir e ocupar o Iraque através dos exércitos da coligação.
Enquanto tais personagens sinistros não forem responsabilizados e chamados a responder pelos seus actos criminosos não haverá Justiça nem muito menos se podem pedir responsabilidades aos mais fracos, uma vez que o mau exemplo está lá bem em cima com o líder da maior potência do Mundo a ser considerado o mais perigoso terrorista do mundo e inimigo confesso da Paz mundial.
As 650.000 vítimas que a guerra do Iraque já ´causou, segundo fontes independentes, impõem que os 4 principais responsáveis deste genocídio sejam presos e condenados pela comunidade nternacional por crimes contra a Humanidade e a Paz mundial.

16.3.07

Campos Lima

O texto que a seguir reproduzimos foi retirado do blogue Almanaque Republicano ,cuja consulta se recomenda, e a quem saudamos pela qualidade de conteúdo e o interesse dos seus artigos, e no pressuposto da sua anuência para a publicação no Pimenta Negra deste post acerca de Campos Lima, uma figura ímpar do movimento anarquista português.

Campos Lima a discursar aos estudantes por ocasião da Greve Académica de 2007 na Universidade de Coimbra



João Evangelista de Campos Lima [1877 ?-1956 * ver nota no fim do post] nasce a 16 de Setembro no Porto. Foi estudante de direito em Coimbra e destacou-se (ver aqui e aqui) na denominada Questão Académica de 1907 ou Greve Académica de 1907. Colaborou, muito cedo, em jornais e revistas literárias (e libertárias).



[Ave Azul, Viseu, 1900 / Bohémios, 1900, publicação simbolista do Porto / Mocidade, de Lisboa, 1901 (data desse ano o opúsculo de C.L., "Nova Crença", Coimbra, 1901) / Revista Livre, publicação libertária de Coimbra sob sua direcção, 1902 / Arte e Vida, Coimbra, 1904-1906 / A Vida, Porto, 1905 - curioso semanário libertário, dirigido por Manuel Joaquim de Sousa e a partir de 1909, por Álvaro Pinto, com colaboração de Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão, Teixeira de Pascoaes, Alfredo Pimenta, Pinto Quartim, Homen Cristo Filho, etc / Nova Silva, Porto, 1907, revista dirigida por Leonardo Coimbra - veja-se, Daniel Pires, Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Séc XX, Lisboa, Grifo,1996]




Em finais de 1905, Campos Lima, que se tornaria num hábil orador, aparecia já a pronunciar conferências sobre questões sociais [como em Outubro de 1905, na Liga das Artes Gráficas, sob o tema "A Questão Social", conferência que foi publicada em 1906, em livro, sob edições do NEA] e militava na corrente libertária, integrando o NEA [Núcleo de Educação Anarquista de Coimbra, 1906], pelo que colabora no seu jornal, Era Nova [nº1, 3 de Fevereiro 1906, onde escreviam, também, Alfredo Pimenta, Ângelo Vaz, Pestana Júnior, Araújo Pereira (actor), Bento Faria (jornalista), Emílio Costa, Gonçalves Preto, Lopes Oliveira, Pulido Valente,.., ver Edgar Rodrigues, Breve Historia do Pensamento e das Lutas Sociais em Portugal, p. 124].



Em 1906, Campos Lima, regressado de Paris, onde tinha ido com o Orfeão Académico de Coimbra [ver, Campos Lima, "Os meus dez dias em Paris", 1906] lança o projecto da "Escola Livre", que de algum modo reflecte essa ideia de "educação libertária", tão cara ao ideário anarquista, e que teve em Portugal, nesses anos, uma considerável difusão através da chamada "Escola Moderna" [a Escola Moderna seguia os métodos do espanhol Francisco Ferrer e de La Ruche de Sebastião Faure, em França].



Nesse mesmo ano adere à maçonaria, tendo sido iniciado [24/11/1906] na Loja Fernandes Tomás, nº 212 da Figueira da Foz [onde temporariamente residiu] com o nome simbólico de Kropotkine [depois, dado a sua mudança da Figueira da Foz para Lisboa, pede o atestado de quite a 27/12/1907], tendo atingido posteriormente "cargos relevantes no GOLU e no Grande Tribunal Maçónico" [ver, A Loja Fernandes Tomás, O Arquivo e a História, ed. Museu Figueira da Foz, 2001 e o Dicionário de Maçonaria de Oliveira Marques, Delta, 1986]


Em 1907, em consequência da Greve Académica de Coimbra, é expulso da Faculdade de Direito, sendo depois "indultado e formando-se nesse ano" [refª Gr. Enc. Port-Bras., vol 5]. Depois, exerceu a advocacia em Lisboa com grande sucesso, participou na comissão da "Reforma da Lei do Inquilinato", fez parte da comissão organizadora do Congresso Cooperativista, integrou a Comissão do Congresso de Livre Pensamento (Outubro de 1913) e surge como fazendo parte da Caixa de Previdência dos Profissionais de Imprensa ("até à sua dissolução, em 1934"). Ao mesmo tempo continuava a realizar conferências sobre questões sociais e o ensino (principalmente "em associações operárias"), participava activamente na luta política, onde se distinguia como excelente orador, ao mesmo tempos que era professor na Escola Industrial de Afonso Domingues, em Lisboa.




[NOTA: a data de nascimento de Campos Lima torna-se, de algum modo, complicado de apurar a partir das diferentes biografias consultadas. Em quase todas elas, e foram muitas (como Oliveira Marques, António Ventura, a enc. Portuguesa e Brasileira,etc.), surge como data do seu nascimento 1887 (o que a ser verdade significa que C.L. teria 20 anos quando se formou, bem como seria muitíssimo jovem quando começa a publicar textos em revistas e jornais, o que nos deixou perplexos). A enciclopédia Lello refere o ano de 1877, o mesmo ano de nascimento que lhe atribui Edgar Rodrigues (A Oposição libertária em Portugal 1939-1974, Sementeira, 1982), significando que Campos Lima, que se formou em 1907, teria na época 30 anos, o que não sendo impossível, nos parece pouco provável. Outra fonte - A Loja Fernandes Tomás O Arquivo e a História, ed. Museu Figueira da Foz, 2001 - refere como data de nascimento 1874, o que ainda é menos plausível. Portanto, a nosso ver e salvo melhor opinião, existe alguma inexactidão sobre a data de nascimento de Campos Lima, que de momento não conseguimos ultrapassar, de todo. No Arquivo da U. de Coimbra há o registo da matrícula de Campos Lima a 4/10/1902. Porém não se conseguiu encontrar a sua certidão de nascimento, bem como na Carta de Curso não aparece nenhum documento sobre o aluno J.E.C.L., pelo que a dúvida subsiste. Continuaremos, quanto nos for possível, a investigação sobre o assunto - em actualização]


Em 1924, Campos Lima funda a Editora Spartacus


[onde publicou contos, romances e opúsculos seus, como O Amor e a Vida, 1924; A Revolução em Portugal, 1925; A Ceia dos Pobres (3ª ed., peça para teatro, publicada inicialmente em 1906 e que teve grande êxito no Brasil entre a comunidade libertária), a Teoria Libertária ou o Anarquismo, 1926; Gente Devota, 1927; Mulher Perdida, 1928; etc. Registe-se a publicação, pelas Edições Spartacus, das raras novelas de Ferreira de Castro, "Sendas do Lirismo e de Amor”" e "A Casa dos Móveis Dourados"]


e mantêm a sua faceta de jornalista [sócio efectivo da Casa dos Jornalistas nº 120, de 11/11/1924], articulista e, mesmo, de director, num conjunto quase infindável de publicações periódicas. Assim, colabora no jornal Vanguarda (1899-1911), no jornal O Mundo (1900), na Verdade (1903), no jornal republicano País (1905-1921), na Era Nova (já citado), na Greve (jornal republicano-sindicalista, dir. Alexandre Vieira, 1908), no jornal republicano O Povo (1911-1916), no importante semanário libertário Terra Livre (1913), no diário do partido republicano "Portugal" (1917-1920), no jornal O Século, na Pátria (1920), no Diário de Notícias, no jornal republicano da tarde A Notícia (1928), no Diário da Noite (Lisboa, 1932-33), Gleba (1934-35), no jornal anarquista A Batalha e no seu importante suplemento literário, na Revista do Instituto de Coimbra, na Vida Contemporânea (1934-36), no magazine mensal Civilização [dirigido por Ferreira de Castro e Campos Monteiro, 1925-37]. Foi também [proprietário e] director do diário da tarde "A Boa Nova" [nº1, 1 Maio 1908], da Imprensa de Lisboa [diário dos grevistas e único que se publicou na Greve de 1921], do jornal Imprensa Livre [1925, onde colaborou Ferreira de Castro que, curiosamente nesse mesmo ano, publica o célebre e raro livro Mas...], funda [Março de 1929-Fevereiro 1930] a revista libertária Cultura [XIV numrs] e é, ainda, director [entre o nº 275-326] do semanário de critica literária e artística O Diabo, em 1939.


Campos Lima foi um manifestamente um intelectual de orientação libertária [registe-se que João Freire, no seu artigo "A evolução ideológica de alguns expoentes do anarquismo português no pós-guerra" (Revista da Biblioteca Nacional, 1-2, 1995, p. 140) assinala a existência de um "grupo informal de antigos libertários" reunidos como tertúlia, da qual fazia parte, além de Campos Lima, Emílio Costa, Pinto Quartim, Jaime Brasil e Alexandre Vieira, e que se "reuniam habitualmente no Café Chiado", debatendo, conspirando e estabelecendo "programas políticos libertários"], um historiador do movimento operário, libertário e republicano [veja-se a sua Dissertação para a cadeira de Ciência Económica da FDUC, "O Movimento Operário em Portugal" (publicado em 1910 e, depois, em 1972), "O Estado e a Evolução do Direito" (1914), "O Reino da Traulitânia (25 dias de reacção monárquica" (1919), "A revolução em Portugal" (1925) ou leia-se os artigos da revista Cultura (em especial "Nós e as Ditaduras", nº 3, 1929)], um verdadeiro romântico de "ideias livres". Nunca aceitou ser deputado, tendo recusado cargos de chefia de estado, como governador civil de Braga (durante o "ministério de Bernardino Machado") ou ministro da Justiça (convite que lhe é feito depois do "movimento de 19 de Outubro de 1921").


Torna-se por isso tudo e, justamente, pela "sua conduta”", "aprumo moral", "tolerância", "indiferença à glória" e total "desassombro" [refª a artigo de Belisário Pimenta sobre C.L., Vértice, nº 153] uma figura absolutamente notável, que assume, defende e professa as suas ideias até ao fim da sua luminosa vida, a 15 de Março de 1956.


Bibliografia geral consultada: Anarquistas, Republicanos e Socialistas em Portugal: as convergências possíveis (1892-1910), de António Ventura, Cosmos, 2000 / Breve História do Pensamento e das Lutas Sociais em Portugal, por Edgar Rodrigues, Assírio & Alvim, 1977 / Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Séc XX, de Daniel Pires, Grifo,1996 / Jornais Diários Portugueses do séc. XX, de Mário Matos e Lemos, Ariadne Editora, Coimbra, 2006 / Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol 5

J.M.M.

Às 3ªs feiras à noite no Esmae há sempre jazz com a casa a abarrotar de estudantes

Por grave omissão minha não divulgei até hoje uma das iniciativas mais interessantes que existem neste momento na cidade do Porto: a realização quase todas as terças feiras à noite no café concerto da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE), no Porto, de jam sessions, com alunos da Escola e convidados.
O preço de entrada é puramente simbólico e o ambiente da sala é único,
A não perder.

Para quem não sabe aqui fica a direcção:
Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo do IPP
Rua da Alegria, 503 4000-049 Porto
( o ESMAE faz esquina da Rua da Alegria com a rua da Escola Normal)
Música ao vivo, todas as terças feiras... QUASE DE BORLA.


Como ilustração desta pista deixo aqui um video do grupo que mais vezes tem passado pelo excelente café concerto do ESMAE, o grupo de Lucia Martinez composto por:

João Pedro Brandão - Sax alto
Pedro Neves - Piano
Carl Minnemann - Contrabaixo
Lucia Martinez - Bateria



As aldeias dos livros

Por intermédio do novíssimo e promissor blogue Lura dos Livros, cuja consulta e leitura se recomenda, consegui encontrar uma listagem das aldeias de livros existentes no mundo num texto interessante publicado pelos bibliotecários sem fronteiros no respectivo website.
Há muito que pensava em elaborar um breve dossier e fazer a divulgação possível destas aldeias ( ou vilas) dos livros e onde estes fazem parte da identidade local. Deixarei então essa abordagem para mais tarde e vou limitar-me a reproduzir o texto encontrado aqui, sem antes, no entanto, agradecer mais uma vez à autora do
blogue Lura dos Livros a indicação feita .

As Book Towns (Comunidades de Livros) são localidades cujas actividades económicas e culturais centram-se quase exclusivamente nos livros. Localizam-se geralmente em pequenas localidades de interesse histórico/patrimonial, cultural ou mesmo paisagístico, concentrando-se nelas um elevado número de livrarias e afins, que comercializam sobretudo livros antigos e/ou em segunda mão.

Em 1961 Richard Booth, um graduado de Oxford, teve a ideia de transformar uma histórica povoação rural em gradual declínio, no País de Gales, Hay-on-Wye, numa Comunidade de Livros. Richard Booth comprou algumas casas abandonadas contíguas e aí implantou o maior alfarrábio de todo o Mundo. Apesar da sua localização numa área rural, Hay-on-Wye possui importantes núcleos urbanos relativamente próximos. Ao longo dos anos foi incentivando e auxiliando muitos outros na abertura de novas lojas em Hay-on-Wye. Em jeito de provocação jocosa em 1977 Booth declarou “independente” Hay-on-Wye , publicando as próprias leis “Home Rule for Hay” e (auto)coroou-se Rei dos Livros. Este facto, se na prática não redundou em nenhuma efectiva mudança administrativa, pelo menos teve o condão de projectar Hay-on-Wye pelo mundo fora, nomeadamente nos círculos dos livros e da cultura. Isso revelou-se crucial para o incremento do seu sucesso a um ritmo exponencial, contando hoje com mais de 30 livrarias/alfarrábios de grande dimensão e atingindo um montante anual de turistas superior a meio milhão. Desde 1988 realiza-se anualmente um festival “Hay Literary Festival“, em colaboração com o jornal “The Guardian” que atrai mais de 80 mil pessoas cujo interesse são os livros. Hay-on-Wye afirma-se na actualidade como um burgo já de razoável dimensão e importância Este êxito induziu outras localidades do resto do mundo a reproduzirem o seu modelo. Em especial os anos de 1993 e 1997 revelaram-se muito frutíferos no surgimento de novas Book Towns, respectivamente com cinco (1993) e oito (1997) novas localidades a aderirem a este modelo.

Uma das características destas Booktowns é formarem um catálogo comum das suas obras dos diversos livreiros e alfarrábios de modo a que este assuma maior visibilidade e o acesso às obras por parte dos visitantes/clientes seja facilitado. Com o advento da Internet esse catálogo passou na maior parte dos casos a estar disponível em rede na Web, o que contribuiu para exponenciar de modo significativo o número de clientes.Outra particularidade das Book Towns é o elevado número de evento e iniciativas ligadas ao universo dos livro que são realizadas ao longo do ano, designadamente os seus Festivais de livros

Na Europa têm sido envidados esforços para que cada país possue, pelo menos, uma Book Town. Na actualidade, contabilizam-se nível mundial, cerca de três dezenas de Book Towns, sendo que dezanove delas se localizam na Europa, destacando-se a França que concentra seis delas.As Book Towns representam uma estratégia modelar para o desenvolvimento rural e turístico sustentável, e contribuindo para afixação de pessoas em zonas rurais. A nível dos sectores de turismo e lazer afirma-se como uma formato inovador, granjeando elevado sucesso, e que é cada vez mais reproduzido pelo mundo fora.

Uma parte significativa das Book Towns estão agrupadas na I.O.B. - International Organisation of Book Towns (Organização Internacional de Comunidades de Livros) que congrega no momento 13 povoações. Algumas das Book Towns (ainda) não integram a IOB em face de não cumprirem os rigoroso critérios por ela propostos, ou porque simplesmente não têm essa intenção. A IOB foi fundada como consequência do projecto da União Europeia “EU-project UR 4001 : European Book Town Network”.

Lista-se, de seguida, as Book Towns que integram a IOB, referindo-se o país respectivo e a data em que obtiveram em que passaram assim a ser designadas:

Hay-on-Wye (Gales, 1961)


Redu (Bélgica, 1984)


Bredevoort (Holanda, 1993)

StillWater (Minnesota, USA, 1993)

St-Pierre-de-Clages (Suíça, 1993)


Fjærland (Noruega, 1995 )

Kampung Buku (Malásia, 1997)

Kirjakilä Sysmä (Finlândia, 1997)

Montereggio(Itália, 1997)

Wigtown (Escócia, 1997)

http://wigtown-booktown.co.uk/

Wünsdorf-Waldstadt (Alemanha, 1997)

Montmorillon (França, 2000)

Tvedestrand (Noruega, 2003)

Os objectivos da I.O.B. são:
- incrementar o conhecimento público das Book Towns e estimular o seu interesse através de divulgação via internet e pela organização do “International Book Town Festival” de dois em dois anos.
- Elevar a qualidade das Book Towns através do intercâmbio de conhecimento, capacidades e da experiências entre as book Towns e também entre os seus livreiros e e outros negócios afins
- Desenvolver a economia rural através da divulgação das Book Towns e pela oferta de um meio (e-bussiness) para os livreiros, através dos quais eles possam oferecer os seus livros a um público universal, em qualquer altura do ano e a qualquer hora.
- realizar actividades que sejam do interesse das Book Towns e fortalecer o comércio independente nestas povoações.
- contribuir para a preservação das múltiplas heranças culturais de âmbito local, regional e nacional e estimular o público internacional a tomar conhecimento delas

Até hoje o “International Book Town Festival” foi realizado nas seguintes Book Towns:
Bredevoort (Holanda, 1998),
Mühlbeck-Friedersdorf (Alemanha, 2000),
Sysmä, Finlândia, (Julho, 2002),
Wigtown, (Escócia, 2004).
Fjaerland, na Noruega , entre 18 e 25 de Junho deste ano, 2006.
Para além Book Towns integrantes da IOB existem outras Booktowns repartidas por diversos países do mundo:

Becherel (França, 1988)
Montolieu (França, 1989)
Fontenoy la Joute (França, 1993)
Cuisery (França, 1999)
La Charité-sur-Loire (França, 2000)
Kembuchi Children’s Picture-Book Village (Japão, 1991)
Miyawaga Children’s Book Village (Japão, 1993)
Blaenafon (Gales)
Dalmellington (Escócia, 1997)
Damme Boekendorp (Bélgica, 1997)
Muehlbeck/Friedersdorf (Alemanha, 1997)
Gold Cities BookTown (Nevada, USA)
Sidney-by-the-Sea (Canada, 1995)
Southern Highlands (New South Gales, Austrália)
Requena (Espanha) entretanto deixou de o ser

15.3.07

Milho transgénico é tóxico e causa danos à saúde

Plataforma Transgénicos Fora
www.stopogm.net

Apresentada prova científica definitiva:
MILHO TRANSGÉNICO EM CIRCULAÇÃO CAUSA DANO À SAÚDE

Foi apresentada pela primeira vez prova científica irrefutável do impacto na saúde de milho transgénico. Trata-se da variedade MON 863(1), produzida pela Monsanto (a maior multinacional de sementes transgénicas do mundo) e que foi objecto de estudo toxicológico pela própria empresa.
Num artigo(2) publicado ontem numa revista científica prestigiada são apresentados os resultados, dramáticos, da análise detalhada desse estudo: há alterações de crescimento e grave prejuízo para a função hepática e renal (fígado e rim) dos animais de laboratório que consumiram tal milho(3).
Ainda mais grave é o facto de que o milho MON 863 está actualmente em circulação na União Europeia(4), e que o estudo original da Monsanto (com mais de mil páginas) foi divulgado antes da aprovação europeia ter sido atribuída. Mas a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (AESA) não fez uma avaliação detalhada do trabalho, assumindo que as conclusões apresentadas pela empresa (de que o milho era inócuo) eram coerentes com os dados obtidos.
Face aos resultados agora publicados o governo português, através da autoridade competente sediada no Ministério do Ambiente, tem obrigatoriamente de assumir as suas responsabilidades na área da protecção da saúde pública e tomar as seguintes medidas:
- proibir desde já a circulação de milho MON 863 em todo o território nacional, mesmo aquele que já esteja processado, embalado ou pronto a vender;
- notificar a Comissão Europeia para que estas medidas de emergência sejam tomadas a nível de toda a União Europeia;- solicitar com carácter de urgência a reavaliação imediata das restantes variedades de transgénicos já autorizadas para a União Europeia.
Gualter Baptista, da Plataforma Transgénicos Fora do Prato, lembra: "Isto é o golpe final na credibilidade do sistema europeu de autorizações. Se uma empresa pode dizer que está tudo bem com o seu transgénico e ninguém na AESA se dá ao trabalho de ir verificar, que outras variedades já aprovadas não terão idênticos impactos na saúde ou no ambiente? Agora todos os transgénicos têm de ser considerados culpados até haver provas independentes de que são realmente inocentes."


(1) O milho MON 863 produz um insecticida nos seus tecidos (o Cry3Bb1 modificado) que mata insectos coleópteros. Nos Estados Unidos este milho transgénico está classificado como planta pesticida visto que todas as suas células são tóxicas para os insectos - um hectare deste milho contém cerca de um quilo de substâncias venenosas.

(2) O artigo intitula-se "New analysis of a rat feeding study with a genetically modified corn reveals signs of hepatorenal toxicity", é da autoria dos cientistas franceses Séralini, Cellier e Vendemois e está publicado na revista científica americana Archives of Environmental Contamination and Toxicology. O professor Séralini, da universidade francesa de Caen, pertence ao comité de biossegurança do governo francês.

3) A análise dos dados da Monsanto apresentada neste estudo revela um aumento de até 40% dos triglicerídeos do sangue em ratos fêmea e uma redução de até 30% do fósforo e sódio na urina de ratos macho. Também se detectaram alterações no peso dos animais: os machos cresceram menos que os animais de controle, e as fêmeas cresceram mais. Estes valores são estatisticamente significativos e estão directamente relacionados com o consumo do milho transgénico. O estudo durou apenas 90 dias - não existem dados sobre efeitos de longo prazo - e não permite saber porque é que o facto de o milho ser transgénico induziu estes danos nos animais de laboratório.

(4) O milho MON 863 foi aprovado (para toda a União Europeia) a 8 de Agosto de 2005 e ao abrigo da Directiva 2001/18 para importação e utilização em rações, e a 13 de Janeiro de 2006 e ao abrigo do Regulamento 1829/2003 para alimentação humana.



Para mais informações:Gualter Baptista (91 909 0807) ou Margarida Silva (91 730 1025)

A Plataforma Transgénicos Fora é uma estrutura integrada por onze entidades não-governamentais da área do ambiente e agricultura (ARP, Aliança para a Defesa do Mundo Rural Português; ATTAC, Associação para a Taxação das Transacções Financeiras para a Ajuda ao Cidadão; CNA, Confederação Nacional da Agricultura; Colher para Semear, Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais; FAPAS, Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens; GAIA, Grupo de Acção e Intervenção Ambiental; GEOTA, Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente; LPN, Liga para a Protecção da Natureza; MPI, Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente; QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza; e SALVA, Associação de Produtores em Agricultura Biológica do Sul) e apoiada por dezenas de outras.

Mais de 10 mil cidadãos portugueses reiteraram já por escrito a sua oposição aos transgénicos.


Consultar entretanto a fonte e o debate que tem gerado à volta do assunto:
http://science.slashdot.org/science/07/03/15/1426236.shtml


Reproduzimos a notícia publicada hoje no jornal Público também sobre o assunto

Milho transgénico aprovado na Europa para humanos é tóxico

Um tipo de milho geneticamente modificado em circulação na Europa pode ser nocivo à saúde, revela um estudo aceite para publicação na revista científica americana Archives of Environmental Contamination and Toxicology.
Na experiência, os ratinhos alimentados durante três meses com a variedade MON 863 produzida pela Monsanto - empresa multinacional de sementes transgénicas - apresentaram alterações no crescimento e problemas funcionais nos rins e no fígado.
"Esta é a primeira vez que uma investigação independente, publicada numa revista científica prestigiada, provou que há sinais de toxicidade num organismo geneticamente manipulado autorizado para consumo humano", afirmou o porta-voz da organização ambientalista Greenpeace, Arnoud Apoteker, em declarações à Reuters.
"Todos os especialistas concordam em que esta variedade transgénica é tão segura como o milho tradicional", afirmou Yann Fuichet, director de relações públicas da Monsanto França, à estação televisiva TF1. Recusando-se a comentar as acusações dos ambientalistas, o responsável recordou ainda que a comercialização do produto foi autorizada não só na União Europeia, mas também em outros dez países.
A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) aprovou o milho MON 863 para rações animais em 2005 e, no ano passado, para consumo humano. Quer isto dizer que este cereal capaz de repelir os insectos tem livre circulação no espaço comunitário, podendo estar presente em rações para gado, papas de bebé ou bolos que utilizem xarope de milho.
A cientista portuguesa Margarida Silva, da Plataforma Transgénicos Fora, considera grave que a EFSA "não tenha estudado a sério" o estudo original da Monsanto - um documento com mais de mil páginas que, segundo a especialista em biotecnologia, assegurava que o milho MON 863 era "inócuo". A EFSA considerou que as conclusões do relatório da multinacional eram coerentes.

Outros mundos técnicos/ Nossos mundos modernos


O Departamento de Sociologia do ISCTE / Instituto Superior de Ciênciasdo Trabalho e da Empresa, no âmbito do seu Programa de Doutoramento em Sociologia, alberga o I Ciclo Temático de Conferências Livres «Outros Mundos Técnicos Nossos Mundos Modernos»


(para mais informações conferir o blogue http://outrosmundostecnicos.blogspot.com)


Dedicado aos estudos sociais da técnica, o grupo de doutorandos do ISCTE «outros mundos técnicos» constituído por Alexandre Pólvora, InêsPereira, Pedro Abrantes e Susana Nascimento, organiza o presente ciclo com vista a uma discussão sobre outras lógicas de acção e reflexão perante os modelos técnicos que dominam os nossos mundos modernos.


O ciclo terá lugar no Auditório 6 – Afonso de Barros, Edifício Ala Autónoma – ISCTE, sempre às 18:00, com a seguinte série de quatroconferências:


15 Março, "Outras Energias", por Alain Gras - http://cetcopra.univ-paris1.fr/ (Université Paris1-Panthéon-Sorbonne);


19 Abril, "Outras Pedagogias", por Rafael Feito - www.ucm.es/info/soc3/RafaelFeito-2005.html (Universidad Complutense de Madrid);


3 Maio, "Outras Informáticas", por Adrian Mackenzie - www.lancs.ac.uk/staff/mackenza/(Institute forCultural Research, Lancaster University);


10 Maio, "Outros Habitats", por David J. Hess - www.davidjhess.org/ (Science and TechnologyStudies Department, Rensselaer Polytechnic Institute);



A primeira das conferências, por Alain Gras, com o título "Origem e devir da sociedade termo-industrial: uma perspectiva crítica sobre a socio-antropologia das energias e das técnicas" debruçou-se sobre temas como as fragilidades dos macro-sistemas energéticos que dominam a modernidade, os impasses das actuais apostas e propostas do progresso através da potência tecnológica, e ainda as possíveis escolhas de outras energias e técnicas para uma alteração de presentes efuturos cenários térmicos.


Uma Semana do Tamanho do Mundo



O mundo começa aqui, na nossa vida, na nossa experiência de vida. Propomos descobrir um mundo mais vasto, Propomos mudar este mundo com um projecto que criou outros projectos, que envolveu dezenas de pessoas com uma grande capacidade de interrogar, duvidar, criticar e criar outras realidades.


Esta experiência de vontade iluminou outras perspectivas, outroscontextos, outras verdades, outras propostas e outras hipóteses quequeremos partilhar contigo.



Programação Lisboa – Exposição “A Partilha do Indivisível”
Fotografia
Fórum Lisboa (comemorações dos 50 anos)
Inauguração no dia 14 de Março às 18H
De 14 a 18 de Março de 2007, das 10H às 18H

Exposição
Instalação de Sara Lisboa
Fórum Lisboa (comemorações dos 50 anos)
Inauguração no dia 14 de Março às 18H
De 15 a 18 de Março de 2007, das 10H às 18H

Debate / Workshop “Educação para o Desenvolvimento: Estudo de Casos Especiais”
Fórum Lisboa (comemorações dos 50 anos)
16 de Março, das 16H00 às 17H30

Debate público acerca de projectos, acções e estudos desenvolvidos no âmbito da acção de formação do projecto “Metas 2015: Responsabilidade Social”. Debate e reflexão acerca da capacidade empreendedora, inovadora e criativa da sociedade civil.

Seminário público “Cooperação para o Desenvolvimento, no quadro dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio”
Fórum Lisboa (comemorações dos 50 anos)
16 de Março, das 18H00 às 19H30

Seminário público para a partilha, debate e reflexão em volta das questões mais prementes e contemporâneas do desenvolvimento humano, social e ambiental a nível mundial.

Atelier Animação do Livro de da Leitura
Fórum Lisboa (comemorações dos 50 anos)
17 de Março, das 10H30 às 12H

Com o objectivo de realçar a importância do livro na Educação para o Desenvolvimento, incentivar o relacionamento com os livros, apreciar a qualidade literária e estética de alguns livros infantis, despertando o gosto pela fruição do livro, conhecer as muitas abordagens do livro e da leitura, criar a história como quem "cria um mundo", estimular as representações infantis. (Para crianças dos 6 aos 10 anos de idade).


Programação Guimarães – Exposição “A Partilha do Indivisível”
Fotografia
Museu de Arte Primitiva Moderna (Largo da Oliveira)
De 22 de Março a 5 de Abril, das 9H às 12H30 e das 14H às 17H30

Exposição
Instalação de Sara Lisboa
Museu de Arte Primitiva Moderna (Largo da Oliveira)
De 22 de Março a 5 de Abril, das 9H às 12H30 e das 14H às 17H30

Atelier Animação do Livro de da Leitura
Biblioteca Municipal Raul Brandão
23 de Março, das 10H30 às 12H

Com o objectivo de realçar a importância do livro na Educação para o Desenvolvimento, incentivar o relacionamento com os livros, apreciar a qualidade literária e estética de alguns livros infantis, despertando o gosto pela fruição do livro, conhecer as muitas abordagens do livro e da leitura, criar a história como quem "cria um mundo", estimular as representações infantis. (Para crianças dos 6 aos 10 anos de idade).

Fórum “Educação para o Desenvolvimento”
Biblioteca Municipal Raul Brandão
23 de Março, das 16H00 às 18H00

Debate público acerca de projectos, acções e estudos desenvolvidos no âmbito da acção de formação do projecto “Metas 2015: Responsabilidade Social”. Debate e reflexão acerca da capacidade empreendedora, inovadora e criativa da sociedade civil.

Informações e contactos
Princesa Peixoto e Alda Moreira
Gabinete de Cooperação Técnica e Formação
União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, UCCLA URBÁFRICA
Rua de São Bento, 640
1250 – 222 Lisboa
T. 21 384 56 22 / 00
F. 21 385 25 96
ppeixoto@uccla.pt alda.moreira@uccla.pt


Debate sobre o Fórum Social Mundial em Nairobi (17 de Maio em Lisboa)

Dia 17 de Março, pelas 21,00h,
.
na Livraria Ler Devagar,
sita na Rua daRosa, 145, em Lisboa (Metro: Baixa-Chiado)
.
Debate com Boaventura Sousa Santos no rescaldo da VII edição do Fórum Social Mundial em Nairóbi: desafios de presente, perspectivas para o futuro.
.
Uma iniciativa de:
Associação Roda Inteira;
CIDAC - Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral;
Cooperativa Mó de Vida;
GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental.
.
Apareçam.

Moradores do Alto da Damaia contra demolições iminentes

Cerca de 30 moradores do bairro da Estrada Militar do Alto da Damaia concentraram-se ontem no interior da Câmara da Amadora em protesto contra as demolições neste bairro "sem alternativas" de habitação.
"Exigimos que o presidente cumpra o dever de dialogar com os munícipes, mas já nos disseram que não nos iriam receber nem marcar uma reunião", disse Rita Silva, da Associação Solidariedade Imigrante.
Os moradores afirmam que a câmara irá demolir cerca de 80 casas a partir de segunda-feira. Segundo a Associação Solidariedade Imigrante, "centenas de moradores" correm o risco de ir "para a rua".
A demolição do bairro da Estrada Militar do Alto da Damaia foi iniciada no final do mês passado, prevendo-se que nos seus terrenos seja construída uma via que irá ligar a Amadora ao IC19

Publicidade subliminar, que é legal nos Estados Unidos, deixa a sua marca no cérebro humano


Pela primeira vez, foi possível obter provas concretas de que as imagens subliminares, praticamente invisíveis porque desfilam tão depressa que nem chegamos a ter consciência delas, podem ser registadas pelo cérebro humano.
Em experiências de ressonância magnética funcional, que permite mapear a actividade cerebral em tempo real, Bahador Bahrami, do University College London, e a sua equipa, que publicam os seus resultados na Current Biology, mostraram que o córtex visual primário - a parte do cérebro que recebe as imagens recolhidas pela retina - respondia a estas imagens apesar de os participantes declararem não as ter visto. Contudo, concluem ainda estes cientistas, é preciso um certo nível de atenção para que o cérebro registe as imagens subliminares: se estivermos ao mesmo tempo a fazer algo que requer muita atenção, não deixarão rasto algum nos nossos neurónios.
"Estes resultados sugerem o tipo de impacto que a publicidade subliminar poderá ter, mas não nos dizem se ela poderá incitar-nos a comprar um dado produto", diz Bahrami num comunicado. "Penso que é provável que a publicidade subliminar afecte as nossas decisões, mas, por enquanto, isto é apenas uma especulação".
Este tipo de publicidade, proibido em países como Portugal ou o Reino Unido, ainda é legal nos Estados Unidos.
Fonte: jornal Público (15 de Março de 2007)

Revolta operária em Santa Maria da Feira

1300 trabalhadores à beira do desemprego

Está por um fio a jornada de trabalho na empresa luso-alemã Rohde. Na unidade de Santa Maria da Feira, serão dispensados cerca de 1300 trabalhadores, e isso gerou uma situação de revolta que culminou ontem num plenário de trabalhadores.

“Em que é que esta greve me pode ajudar? Será que os alemães não se vão aproveitar das nossas suspensões de contrato?” São estas as questões que mais inquietam os cerca de 1300 trabalhadores da multinacional Rohde, em Santa Maria da Feira. Depois de anteontem terem sido confrontados com a “péssima” notícia de que a casa mãe, na Alemanha, entrou em processo de insolvência – dependente da banca alemã, ao qual a empresa contraiu um empréstimo para resolver toda esta situação –, os trabalhadores reuniram-se em plenário, ontem à tarde, para debaterem “o futuro”. Sem a presença da administração, com a qual se reuniram “no dia anterior mas da qual não saiu nenhuma medida de concreto”, os trabalhadores juntaram-se, às 15h30, no pátio comum da fábrica e reivindicaram os seus direitos. “Temos que tomar uma atitude. Há trabalhadores que querem deixar os seus postos de trabalho imediatamente, mas temos que trabalhar e mostrar que temos direitos”, anunciava uma das trabalhadoras, numa altura em que têm o salário do mês de Fevereiro em atraso. “Não entendemos que só paguem à Alemanha e nos deixem de mãos vazias, sem nada”, diziam. Um dado preocupante que se junta a uma nova data: 15 de Março (hoje), data limite dada pela comissão de trabalhadores para o pagamento do mês em atraso.

Manisfestação até Câmara local

“Caso não nos paguem, suspendemos os contratos e levaremos avante a greve da próxima sexta feira. Não baixamos os braços”, disse Fernanda Moreira. A coordenadora do Sindicato dos Operários da Indústria de Calçado, Malas e Afins dos Distritos de Aveiro e Coimbra é a cara do movimento que convocou este plenário e acrescenta que este será “um bom motivo para nos manifestarmos até à Câmara Municipal da Feira, onde seremos recebidos, por elementos da edilidade, às 11h15” de amanhã. E se essa reunião não der uma resposta coerente? “Aí, a partir de segunda feira, juntamo-nos à nossa colega Manuela e reduzimos a produção. Marcamos presença e aqui ficamos a mostrar o nosso descontentamento”, ressalva.O encerramento de outra unidade da mesma empresa ainda está presente em muitos deles. A 30 de Abril de 2006, a unidade de Pinhel encerrou as portas e deixou no desemprego 372 trabalhadores. Segundo fonte oficial, “a indústria não terá aguentado a concorrência de países com menores custos de produção, como a China, Indonésia e Índia.”

Novo plenário marcado

“Trabalho aqui há 27 anos e a minha mulher há 28. Agora vamos os dois para o desemprego.” Américo Campos não esconde a mágoa. “Vou aderir à greve de sexta feira e mostrar a esses “senhores ricos” que somos mais úteis do que simplesmente para pagar impostos. Não somos terra que eles possam pisar”.
Os trabalhadores e o sindicato do sector já acordaram novo plenário para a próxima segunda feira. Mas, para já, fica uma certeza: os salários não serão pagos hoje, conforme noticiado, “pois, caso contrário, já nos teriam dito alguma coisa e até agora nada”, refere uma das trabalhadoras à saída de um dos últimos dias de trabalho.


Fonte: jornal O Primeiro de Janeiro

14.3.07

14 de Março - Dia internacional de luta contra as barragens


O 14 de Março é, todos os anos, um dia de acções e protestos mundiais contra a construção de barragens, em defesa da natureza e pelos direitos dos atingidos.
Desta vez, no Brasil, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) aproveita a data para, durante a semana, lançar nas principais capitais do país a campanha "O Preço da Luz é um Roubo".


Consultar:
http://www.mabnacional.org.br/

Na verdade ao longo das últimas décadas por todo esse mundo fora milhares de vales e habitats naturais têm sido destruídos para que no seu lugar se construam barragens e represas, provocando inclusivamente a deslocalização de milhares de pessoas. Construções desse género alteram o território, reduzem a diversidade biológica, obstaculizam a migração dos peixes e a navegação fluvial, diminuem o caudal dos rios, modificam o nível das camadas freáticas, alteram a composição das águas retidas e o microclima existentes. Aliás costuma-se dizer que quanto maior a barragem maior é do desastre, como é bem demonstrado nas barragens faraónicas recentemente construídas na China, mas também em Akosombo no Gana, Assuan no Egipto, e em Balbina no Brasil.
Desde os finais do século XIX a energia hidráulica é empregue para a produção da electricidade. Entre 1950 e 1986 construíram 31.059 barragens com mais de 15 metros de altura, a maior parte na China (18.587).
Em 1989 estavam em construção 45 barragens com mais de 150 metros de altura, 20 das quais na América latina e 15 na Ásia.
A produção hidroeléctrica supera hoje anualmente os 2.000 Twh, montante esse que representa 20% da produção mundial da electricidade.
Note-se ainda que a construção de grandes barragens obrigou ao deslocamento de 16 milhões de pessoas na Índia, a 3 milhões na China e a um milhão no Sri Lanka. A resistência das populações conseguiu paralisar muitos projectos, mas não teve êxito em muitos outros. A barragem de Sardar Sarovar, no rio Narmada na índia é o episódio mundialmente conhecido da resistência da população das aldeias e das regiões que serão inundadas e submersas.




Consultar:
www.irn.org/dayofaction/
www.irn.org/dayofaction/index.php?id=background.html

Política & mentira

Crónica de Manue António Pina,
publicada hoje no JN

O ex-inspector da ONU Hans Blix, que chefiou a missão enviada ao Iraque em busca de armas de destruição maciça, revelou que o primeiro-ministro inglês, Tony Blair, falsificou os seus relatórios para poder justificar a invasão. O truque de Blair foi grosseiramente simples transformou os pontos de interrogação do relatório, manifestando dúvidas de que Saddam tivesse armas de destruição maciça, em pontos de exclamação! Bush, o cristão, fez o mesmo: mentiu, falsificou, inventou provas.
Se um comum cidadão americano ou inglês falsificar um documento (um cheque, um bilhete de comboio, uma simples entrada para um espectáculo) vai parar à cadeia (em Portugal a pena pode chegar a 3 ou a 5 anos). Blair e Bush (e os que os apoiaram na mentira, tanto editorialistas como políticos como Durão, Aznar e outros) continuam por aí de cabeça erguida, apesar de terem deliberadamente causado a morte de centenas de milhares de pessoas e metido os seus países num atoleiro de onde não sabem agora como sair.
Diz Santo Agostinho que, sem valores morais, os reinos não se distinguem de bandos de ladrões. O desprezo dos cidadãos pelos políticos vem daí: da impune ausência de escrúpulos que se habituaram a ver, nas grandes como nas pequenas coisas, na actividade política.

Tinariwen, a música rebelde dos touaregs

Composto por ex-rebeldes tuaregues, que chegaram a Tombuctu no final da rebelião, no início dos anos 90, de guitarra eléctrica e Kalachnikov, este grupo serve-se da sua música e poesia para expor as insatisfações em função do desrespeito da sociedade moderna através de canções originais com arranjos de guitarra actuais.
Vencedores do galardão de melhor formação world music, do continente africano, pela Rádio BBC em 2005, os Tinariwen marcaram presença no «Africa Live», festival da ONU destinado ao combate ao paludismo, que decorreu no Senegal no ano passado.
Particularmente ligados ao exílio do povo tuaregue e aos nómadas berberes do deserto do Sahara, os Tinariwen apelam à consciencialização política para problemas como o exílio, a repressão no Mali ou a extradição de pessoas da Algéria.
Partindo da tradição tuaregue, os Tinariwen deixam-se influenciar por Bob Marley ou Bob Dylan, assim como pelos rebeldes marroquinos da nova vaga, Nass El Ghiwane. Composto por cerca de 10 elementos, os melhores e mais famosos compositores e intérpretes da comunidade tuaregue da actualidade, os Tinariwen cantam o exílio e a oposição.
Depois de terem marcado presença no Rosskilde Festival e no Womad Rivermead Festival, o grupo do Mali traz-nos o registo que já foi considerado uma "obra-de-arte" e que, desde a sua edição em 2004, ainda não saiu do top musical europeu.
Recorde-se que os Tinariwen se destacaram internacionalmente quando ajudaram a organizar o Festival do Deserto, um evento anual que leva ao Norte de África fãs e celebridades de todo o Mundo, e que dá especial atenção ao povo tuaregue e, consequentemente, aos seus embaixadores musicais, os Tinariwen.
Composto por canções vivas, com coros profundos e verdadeiros, «Amassakoul» apresenta-se mais cuidado e polido que o anterior e registo de estreia «The Radio Tisdas Sessions».
Conhecidos como o primeiro grupo a fundir a música tradicional Tuaregue com guitarras eléctricas, em 1979, os Tinariwen continuam a ser liderados por Ibrahim Ag Alhabib, membro original da formação detentor de uma voz distinta um estilo de tocar guitarra único