25.5.06

Luandino Vieira recusa prémio Camões


Luandino Vieira, escritor e poeta angolano, de 71 anos, recusou o Prémio Camões que lhe foi atribuído pelos Ministérios da Cultura de Portugal e do Brasil. Note-se que o prémio Camões é a mais alta recompensa financeira da área das letras da lusofonia

José Luandino Vieira vive numa casa isolada em Vila Nova de Cerveira, e afastado do mundo literário e político desde 1990. As razões para a recusa do prémio são de carácter pessoal, mas tudo parece que apontam para o facto do escritor não estar disposto ao ruído e barulho mediático que não deixaria de ficar exposto com a entrega do referido prémio.

O seu editor explica: «Luandino é um homem tímido. Vive retirado,isolado e suponho que quer continuar a viver assim, e que isso é mais valioso do que receber todo esse dinheiro do prémio Camões».
O destino dos 100.000 euros do prémio será agora objecto de nova decisão ministerial dos governos português e brasileiro.

Entretanto, no próximo dia 11 de Novembro será lançado em Luanda um novo livro, intitulado O Livro dos Rios que constitui o 1.º Volume da trilogia De Rios Velhos e Guerrilheiros.
Biografia

José Luandino Vieira, nascido na Lagoa do Furadouro (Portugal) em 4 de Maio de 1935 é cidadão angolano pela sua participação no movimento de libertação nacional e contribuição no nascimento da República Popular de Angola. Passou toda a infância e juventude em Luanda onde frequentou e terminou o ensino secundário. Trabalhou em diversas profissões até ser preso em 1959 (Processo dos 50), é depois libertado e posteriormente (1961) de novo preso e condenado a 14 anos de prisão e medidas de segurança. Transferido, em 1954, para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde passou 8 anos, foi libertado em 1972, em regime de residência vigiada em Lisboa. Iniciou então a publicação da sua obra na grande maioria escrita nas diversas prisões por onde passou.Depois da Independência foi nomeado para a Televisão Popular de Angola, que organizou e dirigiu de 1975 a 1978; para o D. O. R. (Departamento de Orientação Revolucionária do MPLA) que dirigiu até 1979; para o I. A. C. (Instituto Angolano de Cinema) que organizou e dirigiu de 1979 a 1984.Membro fundador da União dos Escritores Angolanos exerceu a função de Secretário-Geral desde a sua fundação – 10-12-1975 – até 31-12-1980.Foi Secretário-Geral Adjunto da Associação dos Escritores Afroasiáticos, de 1979 a 1984; e de novo Secretário-Geral da União dos Escritores Angolanos, de 1985 a 1992.Após o colapso das 1.ªs eleições em 1992 e do recrudescimento da guerra civil, abandonou a vida pública, dedicando-se unicamente à literatura.


Obras publicadas na editorial Caminho
Nosso Musseque (1ª edição, 2003) «Outras Margens», n.º 13
A Vida Verdadeira de Domingos Xavier (1.ª edição, 2003) «Outras Margens», n.º 18
Nós, os do Makulusu (1.ª edição, 2004) «Outras Margens», n.º 26
João Vêncio: os Seus Amores (1.ª edição, 2004) «Outras Margens», n.º 29
Luuanda (1.ª edição, 2004) «Outras Margens», n.º 36
No Antigamente, na Vida (1.ª edição, 2005) «Outras Margens», n.º 39
Macandumba (1.ª edição, 2005) «Outras Margens», n.º 43
Velhas Estórias (1.ª edição, 2006) «Outras Margens», n.º 51

Outras Obras
A Cidade e a Infância (contos)
Vidas Novas (contos)
Velhas Estórias (estórias)
Lourentinho, Dona Antónia de Sousa Neto & Eu (estórias)




Estrada

Luanda Dondo vão,
cento e tal quilômetros
mangas e cajus
marcos brancos
meninos nus

Branco algodão
crescendo
corpos negros
na cacimba

O Lucala corre
confiante
indiferente à ponte que ignora

Verdes matas
Sangram vermelhas acácias
imbondeiros festejam
o minuto da flor anual

Na estrada
o rebanho alinha
pelo verde
verde capim

Adivinhados
caqui lacraus
de capacete giz
trazem a morte

Meninos
se embalam
em mães velhas
de varizes:

Rios azuis
da longa estrada

E é fevereiro
sardões as sol
Cassoalala

Eia Mucoso
tão cheio agora
Adivinhados
permanecem
lacraus caqui
capacetes giz

Não param as colheitas

Que razão seriam
fevereiro
acácias sangrando vermelho
verdes sisais
cantando o parto
da única flor?

Não param as colheitas!

(No reino de Caliban II - antologia
panorâmica de poesia africana de ex-
pressão portuguesa

Joan Baez sai em defesa de South Central Farm ( Los Angeles)




Joan Baez, a conhecida cantora da protest-song dos anos 60, e outras figura da vida cultural e do activismo ecologista norte-americano juntaram-se num acampamento de protesto a fim de impedir a expropriação e destruição de uma extensa quinta rural, gerida por emigrantes latino-americanos, situada a sul da cidade de Los Angeles e que é a última zona verde que ainda resta àquela cidade californiana. Apesar do Presidente da Câmara de Los Angeles reconhecer a importância da sua preservaçãoe ter anunciado a disponibilização de fundos públicos, a verdade é que a quantia exigida pelos proprietários dos terrenos é considerada exorbitante e ainda ninguém conseguiu reunir a quantia de 16 milhões de dólares para a sua compra a não ser os especuladores imobiliários que se aprestam a tomar conta daquelas parcelas, com o aval do tribunal local que se prepara para tomar uma decisão sobre a matéria.
Além de Joan Baez participam ainda no protesto Júlia Butterfly Hill( a famosa ecologista qie passou 738 dias no cimo de uma sequóia no Oregon para evitar que fosse derrubada), a actriz Daryl Hannah, o guitarrista Tom Morello e John Quigley ( artista e ecologista).

Mais info:
www.southcentralfarmers.com


Contact the Los Angeles City Council and Mayor Antonio Villaraigosa asking them to Support the Farmers by stopping the physical ejection and destruction at the farm. They have the power and resources to do so.

If they can allocate $800 million to bring in a football team to the city, why can't they find $5 million to keep the struggle alive or the $10 million to secure the Farm for the community? $6 million was raised but we need more time!

Call Ralph Horowitz and ask that he be reasonable by giving the community time to fundraise effectively.

It is unfair to ask an already impoverished community to bear the burden that was placed on them.
Contact information for Los Angeles City Mayor:
Mayor Antonio Villaraigosa:
mayor@lacity.org or call (213)978-0600



Joan Baez, Julia Butterfly Hill, Daryl Hannah, John Quigley, Tom Morello and others join South Central Farmers and community supporters on the frontlines. Encampment set up to resist eviction and save the South Central Farm.
For the last three years, 350 families have been fighting to preserve the South Central Farm, the largest contiguous piece of open green space in South Central Los Angeles. On April 22, 2006, the Trust for Public Land negotiated a 30-day option to purchase contract that depends on efforts by the City to find matching money for the $5 million put up by a private foundation. With only 6 million raised, the 30 day contract was not enough time for politicians and the community to raise the 16.35 million needed to purchase the land. With no time left, the South Central Farmers and their supporters are now vowing to do what is necessary to permanently protect the largest urban community farm in the United States.


South Central Farmers, celebrity supporters, and community members feel that it is necessary to take a principled stand for a more livable city. Livable cities thrive with the preservation of projects like the South Central Farm, the largest urban farm in the United States and a model for healthy communities everywhere.
“I support this project”, stated L.A. Mayor Antonio Villaraigosa, at a press conference on Friday, May 19th, 2006, “but I have not been able to raise the necessary 10 million still required to purchase the land.”
“We know that saving the South Central Farm is an obtainable goal” according to Tezozomoc, elected leader of the South Central Farmers.

“To illustrate the point, Los Angeles County alone has a population of approximately 10 million people and if every man, woman and child in the county were to contribute just $1 dollar to the Trust for Public Land it would be possible to reach the $16.35 million dollar price tag necessary to save this precious community oasis in the middle of a concrete jungle. We are reaching out to appeal to people everywhere to come forward with their support

24.5.06

Contra a militarização das mulheres




24 de Maio – Dia da Mulher Anti-militarista
International Women's Day for Peace and Disarmament - IWDPD


«As mulheres estão cansadas de parir para a guerra. Desactivemos todos os artefactos da guerra, quer os de ferro quer os que utilizam as palavras para incitarem a fazer a guerra, quer ainda os que produzem o esquecimento…»


As mulheres são algumas das principais vítimas das guerras. Durante os tempos chamados de guerra a violação sistemática de mulheres, quer nas frentes de batalha quer noutras partes do território, convertem as mulheres como algumas das principais vítimas das guerras. Penetrar no corpo das mulheres pertencentes à parte derrotada constitui um sinal mais de conquista e domínio senão mesmo um troféu de guerra. A participação das mulheres no movimento anti-militarista permite trazer contributos importantes na denúncia e acusação contra as mais variadas expressões do militarismo, entre as quais ser este mais um prolongamento do regime patriarcal em que vivemos. Na verdade, o contributo feminista permite ampliar as perspectivas e desocultar a natureza intrínseca da violência e o ódio militar.

Não se pense com isso que vejamos as mulheres como símbolos da tranquilidade e pacíficas por natureza. Não, nada disso. As mulheres são e devem continuar a ser determinadas, firmes nas suas tomadas de posição. Acontece que as mulheres são educadas geralmente a resolver os conflitos sem o uso da força. Ora esse património não se pode, nem se deve perder.
O exército, o militarismo, as guerras supõem uma visão viril da honra, do heroísmo, do patriotismo, da hierarquia e das relações de poder. É contra tudo isso que as mulheres amantes da paz devem levantar-se e fazerem-se ouvir.

A incorporação e o alistamento das mulheres nas forças armadas, com o pretexto da igualdade de direitos, constitui mais uma mistificação que urge desmontar, mostrando até que ponto a hierarquia e os valores militaristas são visceralmente patriarcais e característicos do patriarcado secular que tem dominado as nossas sociedades.

As mulheres não querem ser «iguais» aos homens para matar e torturar, nem muito menos iguais a eles para obedecer aos superiores, pois isso é meio andado para chegar às maiores degradações e humilhações. As mulheres não querem nem desejam ser submissas. Ter direitos iguais não deve significar sujeitamo-nos à hierarquia miltarista do quero, posso e mando. A igualdade de géneros passa pela liberdade e não submissão ou pelo treino militar dentro de um exército.

Desde os inícios dos anos 80 que o dia 24 de Maio é comemorado como o dia Internacional das mulheres pela Paz e pelo Desarmamento como forma de recordar e difundir as múltiplas acções e iniciativas protagonizadas pelas mulheres anti-militaristas e pacifistas ao longo dos tempos. Nos últimos anos tem-se registado uma multiplicação de redes a nível internacional que reúnem um número cada vez mais crescente de mulheres que lutam pela paz e pelo desarmamento. Quer na Grã-Bretanha, Irlanda, Estados Unidos como na América Latina e em África tem-se sucedido várias iniciativas que tem como objectivo despertar a consciência anti-militarista das mulheres e reforçar a sua determinação em lutar, pela paz e pelo desarmamento.

As mulheres têm um importante contributo a dar à luta anti-militarista na medida em que, mais do que ninguém, são as principais agentes humanitárias pela ética para com a vida, são elas que elegem geralmente a comunicação empática e a intermediação como meios privilegiados para a resolução dos conflitos. E ninguém dúvida que são as mulheres que assumem um relevante papel durante e após os conflitos bélicos em varíadissimas áreas sobretudo as que têm a ver com a atenção e a gestão das primeiras necessidades das populações atingidas pelos efeitos das guerras e dos conflitos bélicos em geral.

Neste dia internacional da Mulher pela Paz e pelo Desarmamento as mulheres anti-militaristas de todo o mundo vem-nos recordar a necessidade de uma desmilitarização geral ( dos Estados como das mentes dos indivíduos) e um desarmamento mundial como factor indispensável para o fomento do desenvolvimento humano e social de toda a humanidade.

Não mais exércitos nem investimentos na investigação, produção e comercialização de armas. Estimulemos antes uma política baseada na prevenção dos conflitos actuando, desde logo, a partir da sua raiz e das causas que lhes dão origem.

È preciso superar a ordem mundial bipolar entre o bem e o mal que nos querem impor, e restabeleçamos a confiança por meio de reformas económicas e políticas que garantam uma vida digna à humanidade inteira.

Que se exija aos media e aos sistemas educativos, chaves-mestras da manutenção da militarização social, que invertam as suas orientações no sentido de divulgarem quais são as verdadeiras razões e origens dos conflitos mundiais que atravessam as sociedades contemporâneas. Que a imprensa e o ensino sejam os estimuladores de uma consciência pacifista vivida e sentido por todos.


http://www.peacewomen.org/wpsindex.html

www.womensaynotowar.org

Sandwiched between International Conscientious Objectors' Day (15 May), and International Day for Children as Victims of War (4 June), is another opportunity for action: 24 May, International Women's Day for Peace and Disarmament (IWDPD).
This day began in Europe in the early 1980s, when hundreds of thousands of women organised against nuclear weapons and the arms race. Activists in the then-numerous women's peace groups declared the day in order to stimulate even more women's peace actions. As the anti-nuclear weapons movement declined in Europe, so did activities on the day. A handful of international women peace activists, meeting in the Peace Tent at the 1995 UN World Conference on Women in Beijing, decided to re-vitalise the day, again in order to stimulate women's peace activities, but also to gain more recognition for what women activists are already doing.

Challenging militarism

These two goals remain valid and important. There has been an increase in lip service to the idea that women have an essential role in building peace and challenging militarism. But the reality of sexism, both within peace movements and in the wider world, continues to undermine and block women's full participation.
IWDPD on 24 May is an opportunity to encourage more women to get involved in peace actions, to show concrete solidarity with women working for peace in the midst of conflicts and to celebrate peace women's accomplishments.

Cronologia (incompleta) do movimento das mulheres contra as guerras



1914
A Aliança Internacional de Mulheres pelo Sufrágio apresenta uma petição aos governos da França, Alemanha e Grã-Bretanha para que cessem as hostilidades e se acabe com a guerra

1915
Em Haia é criada a Liga Feminina Internacional pela Paz e a Liberdade como repúdio à I Guerra Mundial
En Berna tem lugar a Conferência Pacifista organizada pelas mulheres socialistas em repúdio pela guerra

1924
No Uruguai surge o Comité Feminino Anti-Militarista para se opor a um projecto de lei do Senado que cria o Serviço Militar Obrigatório

1954
No Japão começa uma campanha contra as armas nucleares que reúne 32 milhões de assinaturas nesse país e 670 milhões de outras provenientes de todo o mundo. Jiratsuka Raichoo, vice-presidente da Federação Internacional de Mulheres Democráticas, faz um apelo a todas as mães do mundo para lutar pela paz.

1955
Na Suíça realiza-se o I Congresso Mundial das Mães opositoras à guerra e que é organizado por Eugene Cotton, conhecida física francesa e presidente da Federação Internacional das Mulheres Democráticas. Assistem mil delegadas de 71 países.

1981
Instala-se o primeiro acampamento feminista de cáracter pacifista em Greenthanam, Inglaterra

1982
O dia 24 de Maio e declarado Dia Internacional das Mulheres pela Paz e pelo Desarmamento em memória das lutas das mulheres britânicas que se opuseram à NATO e à instalação das suas bases militares em território europeu.

1987
É criada em Israel a Rede de Mulheres de Negro e que é integrada por judias, árabes, católicas e palestinianas, iniciativa que visa protestar contra a ocupação israelita da Cisjordânia e de Gaza

1991
Surge em Belgrado a Rede de Mulheres de Negro no contexto dos conflitos da ex-Jugoslávia

1993
11 activistas da Rede de Mulheres para a proibição de ensaios nucleares são condenadas em Londres a pagar multas por terem entrado, em Julho desse ano, no recinto do Buckingham Palace a fim de protestar pelos ensaios nucleares britânicos no deserto do Nevada nos USA

1995
As mulheres de 16 organizações do movimento de mulheres do Equador e do Peru pedem a cessação imediata dos confrontos armados entre ambos países por causa de um conflito territorial. Através de um apelo conjunto exigem aos governos de Lima e de Quito que «recorram ao diáologo e à tolerância, de forma a que as armas se convertam em pão».

O movimento «Mães dos Soldados» (russos) protesta contra a guerra na Tchechenia, levando inclusivamente a cabo algumas acções de boicote à guerra ao viajarem para a zona dos confrontos com o objectivo de encontrarem os seus filhos e levá-los para casa. No balanço final conseguiram que 500 tivessem abandonado os combates.

1996
Durante as negociações de paz entre o governo palestiniano e os Estados Unidos, as feministas palestinianas deslocaram-se a Washington e depois de criarem o seu próprio comité forçaram a direcção palestiniana a aceitá-las como delegação oficial e, assim, a tomarem parte do processo.

1997
Um colectivo de organizações de mulheres do Ruanda recebe o Prémio Unesco-Madanjet Sing para a tolerância e a não violência pelo seu trabalho conjunto na promoção dos direitos das mulheres na construção da paz e na luta contra a injustiça social.

A activista norte-americana Jody William recebe, em nome da organização «Campanha Internacional contra as minas antipessoais» (ICBL, em inglês) o Prémio Nobel da Paz pelo facto de ter criado e impulsionado aquela campanha.
«A maioria do mundo libertou-se do colonialismo, da escravidão e da segregação racial. Já é hora de também começarmos a pensar em declarar ilegal a guerra» Lê-se numa petição pela Paz apresentada por 150 organizações de mulheres de todo o mundo, apoiadas por mais de 100.000 assinatura e entregue neste ano à Assembleia Geral das Nações Unidas.

1998
Cerca de 400 delegadas organizações de mulheres reúnem-se em Belfast tendo como um dos objectivos fundamentais pedir a participação activa das mulheres no processo de paz na Irlanda do Norte

1999
A artista e activista pacifista Sarah Chamberlain exibe durante a Conferência Internacional de ONGs realizada em Haia, sob o lema «Apelo pela Paz», o Muro da Paz das Mulheres que foi construído com 300 quadros de plástico transparente, cada um gravado com a palavra paz e diferentes idiomas

Durante a Conferência Mulheres em situações de recontrução pós-guerra, celebrada em Joanesburgo consolida-se a Coligação de Mulheres Africanas contra a Guerra, cujo objectivo é realizar acções de apoio às mulheres vítimas de conflitos armados. Um dos temas tratados desta reunião foi a violência contra as mulheres antes, durante e depois dos conflitos armados.

Ao longo dos últimos anos, em diversas cidades do mundo, os grupos de mulheres pertencentes à rede internacional Mulheres de Negro têm realizado marchas silenciosas como forma de protesto pela morte e desaparecimento de milhares de pessoas durante os conflitos armados ( ex-Jugoslávia, Ruanda, Palestina, Argélia, Kurdistão, Tchechenia, Iraque, etc)

2003
Mary Kelly, uma mãe e activista pacifista irlandesa de 50 anos, desmonta e danifica ( calcula-se que os danos tivessem sido de 500.000 euros) seriamente um avião e guerra norte-americano estacionado numa base militar da Irlanda
continua...

22.5.06

O que é um ciclista furioso?

Nota: as próximas bicicletadas no Porto e em Lisboa já são na próxima 6ª feira, nas horas e nos locais habituais ( ver o website da Bicicletada aqui ao lado)



Um ciclista furioso (fúria, termo latino com o significado de acesso a uma bela loucura ou de alegria exaltada) é um indivíduo que costuma utilizar a bicicleta (veículo que consta de duas rodas alinhadas fixas a uma quadro, onde a primeira é directriz e a segunda motriz, e se move graças à combinação de pedais e engrenagens; é, também, sinónimo de ferramenta revolucionária de carácter utilitário) como meio para as suas deslocações, e se sente em permanente estado de rebelião quando olha à sua volta e o seu horizonte visual é ocupado por viaturas com condutores à beira de um ataque de nervos, e que não obstante isso – ou justamente por causa disso - utiliza com prazer e livremente a sua bicicleta.

Para ser um ciclista furioso é necessário:

1- ter uma bicicleta e usá-la frequentemente

2- Considerar a bicicleta como um meio de transporte, prática e filosoficamente em oposição ao automóvel

3- Não ter ou nem saber conduzir um automóvel e nem pensar sequer em comprar qualquer coisa parecido com essa espécime de máquina de quatro rodas.

4- Construir uma inteligência crítica refractária às massificações publicitárias e do trânsito citadino

5- Considerar-se como ecologista e agir em consequência

6- Não simpatizar com chefes ou presidentes de espécie alguma, antes preferindo mover-se em grupos de trabalho de iniciativa dos interessados, onde as lideranças possam ser rotativas e o mais participadas possível.

7- O ciclista furioso não se limita a realizar passeios de praia ou de montanha, nem muito menos quer fazer-se passar por cicloturista

8- O facto de se assumir como ciclista furioso não significa que este seja agressivo ou que ataque fisicamente os automóveis, antes pelo contrário, o ciclista furioso é, por principio, alguém muito bem educado, pacifista e que defende os direitos pessoais de todos os seres humanos perante a toda poderosa máquina-automóvel.

9- Apesar de, aparentemente, os ciclistas furiosos serem de número reduzido, a verdade é que são muitos mais do que parece.

Em suma, e para concluir:

O Ciclista furioso:

A) Não tem automóvel ou deixa-o em casa.

B)Gosta – e tem prazer - em pedalar livremente com a sua bicicleta

C) Cultiva o seu espírito crítico e ocupa o tempo a criar e a gerar ideias


Adaptação livre dos textos de:
www.furiosos.cl/ciclovias/

Acções locais e comunitárias contra as mudanças climáticas




Climate change is the greatest threat to ever face humanity and its happening now. Governments and big business dream of continued economic growth so won't deal with the crises. What we really need is a fundamental shift in the way we live - AWAY from consumer society, continued economic growth and power concentrated in the hands of the few. TOWARDS locally based, grassroots, community solutions.
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But we can!
Join us for action!
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Climate change and the depletion of oil mean an end to industrial society, of that we have no choice. Our only choice is when to make the change, and what society we create instead. Do we want industrial collapse to be war, famine, hurricanes, droughts & floods, or a new society based on co-operation and local community solutions to all our problems?
.
Visualise Industrial Collapse
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With this action, we will reclaim power over our future and take concrete, positive action against climate change. We will send out a strong signal inspiring people to join us in changing the way we live. Reclaim Power will involved thousands of people taking action at a major industrial contributor to climate change. It will send out a strong signal that we urgently need to take radical action to survive.
What are you waiting for...?
.
Help us stem the tide of climate chaos. More info will be posted on
www.reclaimpower.org.uk
.
Reclaim Power is part of the
Camp for Climate Action, 26th August-4th September 2006, to create grassroots solutions to climate change through action, education, networking and skill-sharing.

Bibliotecas e Estádios



Como achamos da maior pertinência, reproduzimos abaixo a oportuna prosa, sob o título «O modelo português da teoria do custo de oportunidade» que mais vez fomos extrair do
http://bibliotecarioanarquista.blogspot.com/


O modelo português da teoria do custo de oportunidade

Este modelo foi desenvolvido pelos autarcas lusitanos e resume-se assim: «para produzirmos mais estádios de futebol temos de produzir menos bibliotecas».
Ao ler o relatório das estatísticas das Bibliotecas de Lisboa (BLX) no ano de 2005 foi com bastante agrado que verifiquei que foram visitadas por 760.933 pessoas. Ou seja uma média quinzenal de 31.708 pessoas. Superior à media de assistência de jogos de futebol do Sporting (23.050) e do Benfica (26.697). O agrado ainda aumentou quando verifiquei que dessas bibliotecas apenas uma (a Biblioteca Orlando Ribeiro) se pode caracterizar como um equipamento moderno. Uma biblioteca da nova geração. Ou seja mesmo com um investimento mínimo as bibliotecas de Lisboa superaram em entradas os novos estádios de futebol em Lisboa que beneficiaram de um investimento máximo.É também com bastante agrado que li no Público de sábado que a nova Biblioteca de Ílhavo recebeu um prémio internacional pela sua arquitectura e design inovadores. O sucesso popular é perfeitamente conciliável com a vanguarda artística estética. Por outro lado, é de lembrar que neste distrito foi edificada em 2003 uma das obras mais disparatadas e megalómanas dos últimos anos. O Estádio Municipal de Aveiro. Um mega estádio com capacidade para 40.000 pessoas mas que acolhe uma média de 2655 espectadores quinzenalmente. É óbvio que a Biblioteca Municipal de Aveiro mais a Biblioteca Municipal de Ílhavo vão dar um “bailinho” em termos de assistência ao estádio de futebol local. Mais uma vez o investimento mínimo irá superar o “mega-disparatado” investimento, mas infelizmente os nossos autarcas não pensam da mesma maneira.
Como dizia Hitler na sua teoria económica: «se quisermos produzir mais canhões temos de reduzir a produção de manteiga. Os canhões tornam-nos fortes e a manteiga engorda». Os autarcas portugueses pensam de forma idêntica: «Se quisermos produzir mais estádios de futebol temos de produzir menos bibliotecas. Os estádios tornam-nos fortes e machos e as bibliotecas moles, gordos e com ideias duvidosas».
Das duas uma ou estamos perante mais uma forma de manipulação por parte dos media (Chomsky, 2003) que nos querem obrigar a adorar o futebol aproveitando para esconder informação vital disponível nas bibliotecas ou então anda tudo a dormir!

20.5.06

Para uma sociologia do futebol

A sociologia do ódio e de dominação que estão presentes no futebol


Acabaram de ser editadas pela prestigiosa editora parisiense L’Harmattan duas obras que pretendem fazer uma análise sociológica do futebol.

O primeiro livro intitula-se «Footbal. Sociologie de la haine» (Futebol.Sociologia do ódio) sob a direcção de Camille Dal e Ronan David e reúne contribuições de diversos autores como Ignacio Ramonet, Malka Marcovich, Nicolas Oblin, Patrick Vassort,Marianne Nizet, David Sinbandhit, Hassan El Idrissi,… cujos textos reconduzem-se no essencial a analisar as relações do futebol com o ódio. Ao longo do livro pode-se ver que o futebol, longe de ser um meio de encontro dos povos, é na realidade uma área onde o ódio campeia e se difunde: o ódio ao seu próprio corpo. O ódio ao outro, o ódio ao feminino e à feminilidade, o ódio às ideias e ao pensamento, etc. Fala-se ainda da violência e do racismo larvar nas hostes dos espectáculos de futebol, assim como no virilismo bestial dos jogadores, na exploração dos ódios cegos entre as equipes, na educação anti-social que é veiculada pelo futebol, referindo-se ainda à economia mafiosa que o sustenta e no alcoolismo massivo que ele está sempre associado.



O segundo livro tem como título «Football et Politique. Sociologie historique d’une domination» (Futebole política. Sociologia histórica de uma dominação) é uma reedição de uma obra anterior de Patrick Vassort em que este traça a génese política do futebol, a sua história, os seus heróis, assim como o seu funcionamento ordinário como todo o cortejo de mitos, escândalos, violências, equívocos, e em que o dinheiro sempre está presente. Pretende-se desvendar o mundo do futebol para além dos discursos angélicos que normalmente são produzidos nos media.

Neste último livro pode-se ler a seguinte apresentação:

Nous désirons montrer au sein de cet ouvrage que dans un contexte de pénurie bien organisée, de crise bien entretenue, les étudiants, les enseignants, les UFR, les laboratoires, les universités, sur fond de compétitions économiques et politiques territoriales nationales et internationales, sont soumis, non seulement à des logiques d'obligations de résultats, d'efficacité, de rendements à court terme, mais également et conséquemment à un système de valorisation du savoir totalement aliéné aux conjonctures économiques dominantes. Ce processus vise à l'obsolescence d'une université dont les finalités étaient jusqu'alors culturelles, intellectuelles et humaines. Les différentes réformes, qui ne sont que répétitions du " même ", arrangements et aménagements conjoncturels de la société de marché au sein même du monde éducatif, ne visent plus à l'amélioration du développement des savoirs et de leurs circulations, mais à l'apprentissage de la compétition au sein des unités de formation et de recherche, l'accroissement de la marchandisation, de la pression socio-économique, de la reproduction du capital au sein d'un nouveau marché de la connaissance. Nous souhaitons donc montrer combien les stratégies des institutions et des acteurs/agents sociaux visent à " gérer " l'intégration des universités dans le processus global de production et de compétition généralisées. Ce processus historique s'inscrit dans une quotidienneté où les interrelations entre les personnels et les institutions participent de manière impensée à la destruction des institutions d'enseignement et de recherche. En ce sens, la situation de l'Université résume en un point focal la réification des savoirs face à la marchandisation du monde.

Evangelina Carrozo, a ecologista argentina manifestou-se novamente contra as celuloses contaminantes



Evangelina Carrozo, a jornalista e ecologista argentina que protagonizou, em nome da Greenpeace, uma acção contra as fábricas de celulose ( as conhecidas «papeleras») no recente encontro dos chefes de governo da União Europeia da passada semana ao apresentar-se de bikini com um cartaz onde se lia «Basta de papeleras contaminantes» frente aos políticos europeus quando estes se preparavam para a habitual fotografia de familia, acabou de participar nesta semana numa manifestação em Buenos Aires contra as referidas «papeleras» situadas na fronteira entre a Argentina e o Uruguai.
Antes desta manifestação Evangelina já se tinha deslocado e sido aclamada nas festas de Gualeguaychú, cuja população, que há muito tempo tem desenvolvido uma luta pertinaz contra as «papeleras», lhe agradeceu pela acção protagonizada por aquela activista e que permitiu chamar atenção para a contestação contra o projecto de instalação de empresas de celuloses contaminantes naquela região fronteiriça entre a Argentina e o Uruguai.
A Assembleia Ambiental daquela cidade argentina decidiu na última semana realizar manifestações de rua em frente das embaixadas de Espanha , Finlândia em Buenos Aires para mais uma vez mostrar a sua recusa ao projecto de construção daquelas celuloses.

17.5.06

A mais bela bandeira humana do mundo

Com mais uma onda de nacionalismo futobolístico à porta é sempre bom e saudável apresentar os nossos anticorpos. Daí que aproveite o óptimo texto e o desenho, com os merecidos agradecimentos, retirado de:
.


«Para quem não sabe é a bandeira anarquista. Uma bandeira para acabar com todas as bandeiras. Em época de crise de valores humanistas.
Em época de paranóias neo-nacionalistas por causa de um miserável campeonato de futebol. O bibliotecário anarquista vem propor uma bandeira alternativa. E, sem qualquer espécie de apoio bancário ou televisivo, aproveita para lançar o projecto “a mais bela bandeira humana do mundo” convidando desde já todos os sem abrigo, imigrantes ilegais, ciganos apátridas, clandestinos, artistas sem fronteiras, bibliotecárias com óculos de garrafão, desempregados, sem papeis, e o próprio Corto Maltese para esta iniciativa de repúdio às selecções de futebol, ao campeonato e sobretudo aos dirigentes do futebol (misteriosamente enriquecidos) e políticos amiguinhos – comparecendo no dia 20 de Maio no “Estádio” café ao Bairro Alto, Lisboa.
Para não afugentar potenciais camaradas NÃO ESTARÃO PRESENTES os horríveis “The Gift”, Kátia Guerreiro, Mafalda Arnaut, Sara Tavares e Dulce Pontes. »

15.5.06

Dia Internacional dos Objectores de Consciência ( 15 de Maio)



O dia 15 de Maio é o Dia Internacional dos objectores de Consciência e, neste ano de 2006, a sua promotora, a IRG (Internacional dos Resistentes à Guerra), dedica-o aos objectores e aos resistentes à guerra dos Estados Unidos contra o Iraque e o Afeganistão , oferecendo apoio a todos os que invocam o estatuto de objector de consciência para serem dispensados das suas funções nas forças armadas norte-americanas.
Com efeito, é importante criar pontes de contacto com os soldados que se encontram dentro do serviço militar e que se opõem à guerra e que querem deixar as forças armadas.
A IRG entregou no mês de Março de 2006 um relatório ao Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas acerca da dos direitos humanos e questões de consciência nas forças armadas norte-americanas. Nesse relatório apontam –se como principais preocupações o facto do procedimento conducente ao reconhecimento do estatuto de objector de consciência estar, no caso das forças armadas, unicamente entregue à própria estrutura do exército, não sendo portanto um procedimento independente e imparcial como exige a resolução 1998/77 da Comissão dos Direitos Humanos. Isto leva a que na prática os objectores que recusem o ordem de mobilização são condenados. Por outro lado, a denegação de ajuda educativas e outras formas de discriminação contra quem não se inscreve para um possível alistamento conforme a lei Military Selective Service-Act constitui uma violação do direito à educação, além de equivaler a uma sanção sem nenhum tipo de processo judicial. Em 3º lugar aparece como motivo de preocupação o facto do exército, para fins de recrutamento, ter acesso a dados privados dos estudantes nas escolas o que constitui uma violação do direito pessoal à intimidade. Como se isso não fosse já suficientemente grave acontece que os activistas anti-recrutamento têm vindo a sofrer intimidações e a serem detidos o que constitui, desta vez, uma violação aos direitos à expressão e à liberdade de reunião. Uma outro motivo de preocupação prende-se com as chamadas ordens «stop loss» do exército que servem para prorrogar a duração dos contratos miliatares laborais sem o consentimento dos próprios soldados envolvidos e que acaba por configurar mais uma grosseira violação da Convenção Internacional sobre o Trabalho Forçado que interdita liminarmente qualquer espécie de trabalho forçado.
Para ler o relatório:

Recorde-se que os últimos anos têm sido particularmente duros para os objectores de consciência nos Estados Unidos por razões óbvias. Ao mesmo tempo regista-se um crescente número de aderentes ao movimento dos objectores e resistentes à guerra no Iraque, em especial dos jovens norte-americanos entre os 18 e 22 anos, os quais tem sido cada vez mais sensíveis ao anti-militarismo e à resistência contra a guerra, apesar de serem o alvo fácil de toda uma multivariada bateria de meios de propaganda a favor da guerra e que vão desde os videojogos, a moda, a música até aos poderosíssimos canais de televisão e da imprensa oficial.

Foi possível assim lançar campanhas para a desmilitarização das escolas secundárias de forma a exigir o afastamento dos recrutadores militares para fora daquelas escolas, cuja evolução tem sido progressiva, ainda que lenta, à medida que alguns dos alistados recentes voltam, mortos ou feridos, para os seus distritos de origem.. Nos campus universitários as acções anti-recrutamento pautam-se por outras regras e que se prendem com a organização de acções e protestos face àqueles centros. Um dos grupos de anti-recrutamento que mais sucesso tem tido é o Campus Antiwar Network (CAN), e cuja acção já se faz sentir a nível geral de todos os Estados Unidos. O mesmo se diga do grupo que desenvolve as suas acções nas escolas secundárias e que se chama Juventude contra a guerra e o racismo (YAWR) com um âmbito de acção focalizado sobretudo nos estados de Washington, Minnesota e Massachussetts.

Múltiplos exemplos se podem indicar e que mostram como os jovens norte-americanos se encontram à frente no movimento anti-guerra e contra o recrutamento militar, tendo sido nalguns casos objecto de repressões violentas por parte da polícia e das autoridades como aconteceu em Holyoke Community College (Massachusetts), Kent State University (Ohio) George Mason University y Hampton University (ambas na Virginia) entre outros. Felizmente que os estudantes que foram vítimas de represálias tem sido firmemente apoiados por todos os seus colegas, que não lhes regateiam o apoio devido.

As perspectivas parecem que neste ano de 2006 são claramente optimistas uma vez que o número de novos recrutas têm vindo a diminuir a olhos vistos, o que só mostra que o nosso trabalho só pode e deve continuar, havendo que reforçar os apoios mútuos entre os variados grupos e colectivos que se manifestam contra a guerra e o recrutamento militar. Na verdade, enquantos os recrutadores do exército não pararem de fazer promessas e oferecendo tentadoras propostas de dinheiro, empregos e acesso às universidades aos jovens recrutas, abusando quantas vezes da sua boa fé, a presença e a luta dos resistentes anti-guerra não deve abrandar.


História

O Dia Internacional dos Objectores de Consciência teve origem nos Encontros Internacionais dos Objectores de Consciência (ICOM), que se organizaram todos os anos entre 1981 e 1997 por iniciativa dos grupos afiliados à Internacional dos Resistentes á Guerra, e que se realizaram nos Países Baixos, na Espanha, na Eslovénia, Áustria, Hungria, Turquia, Colômbia e Chade, entre outros. Enquanto nos primeiros anos a troca de ideias e a construção da rede internacional de objectores de consciência constitui a maior prioridade, um objectivo suplementar veio a tornar-se cada vez mais imperioso. Na verdade, a situação da objecção por parte dos objectores de consciência mostrou-se particularmente crítica em alguns países, e apesar de todo o apoio tornava-se indispensável dar maior visibilidade internacional à acção e às iniciativas locais dos diversos grupos de objectores.
Foi assim que em 1985 o ICOM, na qual participaram mais de uma centena de militantes de mais de 20 países, decidiu tornar pela primeira vez o dia 15 de Maio como um dia de acção a favor da Objecção de Consciência a fim de alertar a opinião pública mundial sobre a sua problemáticas, assim como denunciar as situações difíceis vividas pelos objectores de consciência em diversos países. Na linha do que foi decidido os sucessivos dias 15 de Maio foram focalizados nas situações específicas dos seguintes países: Grécia (1986), Jugoslávia (1987), África do Sul(1989), Espanha ( 1990), Turquia ( 1992), ex-Jugoslávia (1993), Colômbia (1995). O mesmo se passou relativamente a certas temáticas ligadas à Objecção de Consciência: contra a incorporação de mulheres (1991), o acolhimento dos homens e mulheres que se recusem ao alistamento ou que tenham desertado (1993). Em 2001 decidiu-se que focalizar na situação vivida em Angola, e em 2002 na dos Balcãs.
Apesar dos ICOM já não se realizarem desde há anos a verdade é que se manteve o dia 15 de Maio como o dia de acções e de iniciativas para recordar a situação por que passam muitos objectores de consciência só por querem mover-se pelos ditames da sua própria consciência. Por isso, neste dia é habitual realizarem-se conferências, encontros, manifestações, seminários e campanhas em torno da Objecção de Consciência., e em que cada grupo de objectores por cada país desenvolve temas mais específicos à sua situação.




Encontro sobre a estratégia internacional dos objectores de consciência em New York

Operação «Recusa a Guerra»

Este ano (2006) foi organizado um encontro internacional de objectores do dia 11 a 16 de Maio na cidade de Nova Iorque sob a designação genérica «Recusa a Guerra», semana durante a qual se realizarão conferências e várias acções para recordar e divulgar a Objecção de Consciência numa altura em que, por efeito da guerra do Afeganistão e do Iraque, tem vindo a aumentar a pressão do Exército para o alistamento militar nos Estados Unidos. Será mais uma ocasião para os objectores de consciência norte-americanos e de todo o mundo partilharem as suas experiências e reforçarem os seus contactos. Prevê-se ainda a realização de uma manifestação contra a guerra do Iraque.
A iniciativa conta com o apoio de: War Resisters League; Internacional dos Resistentes à Guerra; o Programa «Jovens e Militarism» da American Friends Service Committee; o Centre pour le Conscience et la guerra; o Washington Peace Center; a Colation National dês jeunes e étudiant(e9 pour la paix; o Groupe de travail sur le loi militaire; a Association National de Avocats; o Programme de Desarmnements de la Fellowship for Reconciliation (MIR-USA); o Comité Centrale pour les Objecteurs de Conscience; os Veterans for Peace; o Student Peace Action Network (SPAN)

Para mais info:

www.centeronconscience.org/orw/reg.html

http://operationrefusewar.org/

A gratuitidade dos Transportes

Não se deve confundir a necessidade (mobilidade) com os meios para satisfazê-la (transporte ou trânsito*). O conceito do lema "transporte gratuito para todos" é obter acesso igual à mobilidade, mas também tentar introduzir o debate para reduzir o impacto negativo produzido pelos transportes.

As consequências do transporte automóvel saltam à vista, nós conhecemo-las muito bem. Sem dúvida, atrás disto se ocultam problemas de alcance mundial e que estão relacionados com os estragos originados pelo capitalismo, e em especial pela nossa forma de abordar a energia e a velocidade. A gratuidade, longe de ser a solução milagrosa para todos nossos problemas, é uma condição insustentável para os transportes equitativos e limpos. Esta deve ir acompanhada de uma melhoria significativa da qualidade nos transportes colectivos.


Transportes, ferramentas do apartheid social

O urbanismo cumpre uma função de crucial importância com respeito ao crescimento de nossa necessidade de mobilidade. Os transportes pagos permitem assegurar uma característica urbana: a estratificação das cidades por populações relativamente homogéneas. Proibir mediante uma repressão cada vez maior o acesso ao transporte é justificar a criação de guetos no território. Solucionar o problema da pobreza tornando-a menos visível, deslocando os pobres dos bairros chamados "sensíveis" é um velho projecto liberal carente de justiça social. O discurso sobre a segurança actual aponta para que nós acreditemos que se está desenvolvendo violência gratuitamente. Quando o inspector faz descer do autocarro ou do comboio uma pessoa não se fala de violência. Esta violência social é invisível porque está integrada no capitalismo (sem dinheiro, não têm direito). A falta de resposta ofensiva do corpo social, este apartheid social avança.

Reduzir a velocidade do transporte dos poderosos

Os transportes questionam a equidade frente à mobilidade. A velocidade sem controle é cara. Cada vez é menos factível para a maioria. Todo aumento de velocidade de um veículo incrementa o custo de propulsão, os preços das vias de circulação necessárias e a necessidade de espaço que o seu movimento devora. Quando os viajantes mais velozes superam o limite de consumo de energia, cria-se a nível mundial uma estrutura de classe de capitalistas da velocidade. Limitar a velocidade dos transportes mais poderosos é defender a equidade. Sem dúvida, que limitar a velocidade não basta para reduzir as desigualdades: as diferenciações no seio da sociedade podem dar-se no nível de comodidade nos meios de transporte. Por exemplo, a gratuidade é uma condição indispensável e complementaria para reduzir a velocidade para ter igual acesso a mobilidade.

Desintoxicação ou metabolismo prolongado?

Vai ser necessário eleger entre desintoxicação (libertar-se de nossa dependência do consumo excessivo de energia) e a busca metabólica (conservar o nosso nível de consumo e encontrar energias limpas). Não se trata de substituir simplesmente as nossas actuais fontes de energia por outras mais limpas, senão mudar o regime energético. É conveniente recuperar a consciência sobre as vantagens aparentes ao uso da força muscular. Para mudar o regime energético, esta sociedade deve encontrar os meios para limitar o consumo dos cidadãos mais poderosos e de forma paralela, o fantasma daqueles que não o são. No âmbito dos transportes, o estabelecimento de relações sociais fundadas na participação igualitária só é possível se se limitar a velocidade. De forma caricatural, entre os seres livres, as relações sociais vão à velocidade de uma bicicleta, não mais rápido!

Visando uma mobilidade lenta?

O transporte automotor se assegura do monopólio dos deslocamentos e dessa forma impede que as pessoas utilizem a sua energia metabólica. Este monopólio observa-se principalmente nas deslocações dentro dos serviços, como cinemas, hospitais ou grandes superfícies nas periferias das cidades, fazendo mais difícil o seu acesso a uma parte da população, salvo que recorra a um transporte motorizado. Ao brindar infra-estruturas para ir longe e rápido, os transportes converteram em inoperante a mobilidade natural. Uma política de transportes num meio urbano não pode ser unimodal: o metro, o comboio ou o autocarro não seriam a única solução. É necessário que se combine com outros: a bicicleta ou caminhar. O pedestre e o ciclista devem voltar a encontrar um espaço na cidade...

RATP [Rede pela Abolição dos Transportes Pagos - Paris, França]

(*): É necessário diferenciar transporte de trânsito. A circulação de bens e de pessoas pode ser associada a outras categorias segundo a fonte de energia utilizada: o trânsito que utiliza energia metabólica do ser humano (caminhar, bicicleta) e o transporte que utiliza os motores (seja sua fonte animal, nuclear ou fóssil). Se a função de ambas as categorias é a mesma (transportar pessoas e objectos) suas consequências ambientais e sociais não serão iguais.

Colaborou na tradução Juvei

«Robin dos bosques» alemães dão aos pobres o gosto da vida boa dos ricos


Um grupo de militantes anti-capitalistas na Alemanha tem-se fantasiado de super-heróis para roubar estabelecimentos de luxo e super-mercados, entregando depois os bens roubados a desempregados e pessoas carenciadas.

Um grupo de ladrões anarquistas ao estilo de Robin Hood, que se vestem como super heróis e roubam comida cara de confeitarias e restaurantes finos e selectivos para dá-la aos pobres, está a ser procurado pela polícia na cidade alemã de Hamburgo.

Os membros do grupo gostam de deixar uma certa dose de humor nas suas incursões, que contam com números absolutos e a confusão causada pela sua presença. Depois de saquear filets Kobe, champanhe e salmão defumado de uma loja gourmet na exclusiva Elbastrasse, eles deixaram no caixa um bouquet de flores antes da fuga.

O último roubo seguiu o padrão que vem sendo seguido nos últimos meses, sugerindo que os ladrões querem deliberadamente realçar o que entendem como desigualdade inerente à sociedade alemã.

No entanto, as autoridades não concordam com isso. Bodo Franz, porta-voz da polícia, disse: "Eles vão-se embora achando que são como Robin Hood. Há cerca de 30 pessoas no grupo. Mas seja lá quais forem seus motivos, eles são ladrões, pura e simplesmente".

Carsten Sievers, gerente do supermercado de luxo na abastada área de Blankenese em Hamburgo, viu recentemente os ladrões fugindo cheios de comidas caras, inclusive os filets Kobe, que, a mais de 100 libras o quilo, estão sempre na sua ilícita lista de compras.

Noutro ataque recente, o gang encheu sacos com o conteúdo de uma extensa mesa de buffet de um restaurante top de linha enquanto um deles dizia: "Os tempos da gordura acabaram" – alusão a um filme de sucesso da Alemanha.

Através de declarações na Internet, o grupo chegou a ponto de dizer que o seu prémio é distribuído aos beneficiários de Hartz IV – os mais pobres, desempregados há mais tempo na Alemanha. O benefício foi concedido depois que o desonrado director de recursos humanos da Volkswagen, Peter Hartz, que, antes de perder o seu emprego na montadora por causa de um escândalo, tramou um novo sistema de verificação de renda que é odiado e ridicularizado pelos mais pobres.

Quando o grupo roubou uma loja gourmet em Abril – desencadeando uma forte investigação policial que custa 20.000 libras provenientes de taxas pagas pelos contribuintes sem que prisão alguma acontecesse –, eles deixaram uma nota dizendo: "Sem as habilidades dos super heróis para ajudá-los, seria impossível às pessoas comuns sobreviverem numa cidade de milionários".

A polícia diz que está a concentrar suas investigações num colectivo de anarquistas e agitadores chamado "Hamburg in Vain", que eles acreditam que os super heróis pertencem, apesar de admitirem que há uma certa ostentação de habilidade em relação aos roubos.

O gang também está por trás do mercado negro de ingressos de cinema que são distribuídos gratuitamente aos pobres e imprimiu também panfletos para passageiros sobre como enganar os cobradores de autocarros e metro

O Sr. Franz disse: "Eles tentam tornar o crime engraçado, mas têm motivação política".

Fonte:
aqui

14.5.06

Mário Quintana, poeta brasileiro (1906-1994)


AH! OS RELÓGIOS
Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...
.
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.
.
Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.
.
E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...
.
Mario Quintana - A Cor do Invisível



DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
.
Mario Quintana - Espelho Mágico

Leitura
Se é proibido escrever nos monumentos, também deveria haver uma lei que proibisse escrever sobre Shakespeare e Camões.

Urbanística
Como seriam belas as estátuas equestres se constassem apenas dos cavalos!

Poesia não é a gente tentar em vão trepar pelas paredes, como se vê em tanto louco aí: poesia é trepar mesmo pelas paredes.


Dos Livros
Há duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam, outros que esgotam os leitores.


Educação
O mais difícil, mesmo, é a arte de desler.

Pertencer a uma escola poética é o mesmo que ser condenado à prisão perpétua.

Cartaz para uma feira do livro
Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.



MARIO QUINTANA POR MARIO QUINTANA

( texto escrito pelo poeta para a revista Isto É de 14/11/1984 )

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade.
Nasci do rigor do inverno, temperatura : 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton ! Excusez du peu.
Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso ! sou é caladão, instrospectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem ( ou souberam) , o que é a luta amorosa com as palavras.
Mario Quintana

Our desire is revolution

Our being is becoming, not stasis
Our science is utopia,
Our reality is eros
Our desire is revolution

Murray Bookchin

13.5.06

Não à Publicidade!


A publicidade é a peste do nosso tempo

O sinistro negócio da Bunge no Brasil


Bunge - quando um bom negócio para uma multinacional é um sinistro negócio para a diversidade da vida

Em 30 de Abril o Jornal da Orla, de Santos (SP), publicou: “O Terminal de Grãos do Guarujá – TGG assinou termo com a prefeitura de Guarujá, para as obras, prevendo uma compensação ambiental, que será revertida para a cidade. O equivalente a R$ 101 mil em equipamentos, será destinado para aparelhar a Secretaria do Meio Ambiente. Serão dois carros, uma embarcação para a fiscalização, 24 salva-vidas, dois computadores, duas impressoras, um binóculo, duas máquinas fotográficas digitais e um aparelho GPS de rastreamento via satélite. O terminal tem até 60 dias para adquirir todos os equipamentos e realizar a entrega.”

Na época da colonização do Brasil, os índios foram enganados pelos colonizadores que levaram o nosso ouro, pedras preciosas, dando em troca espelhinhos e outros objectos. E hoje, depois de 500 anos, a história continua, com novas roupagens, com os “novos” colonizadores, as multinacionais. É incrível, mas a espoliação e conversa mole é a mesma: para nós esmolas, presentinhos electrónicos, empreguinhos, poluição... Para eles, homens “brancos”, lucro, lucro, lucro, lucro, lucro... Isso é o capitalismo, se não mata, absorve!

E o caso do TGG, leia-se Bunge, é emblemático a esse respeito, com essa lorota de “uma compensação ambiental”. Na verdade o que eles querem dizer é o seguinte, “vamos encher o bolso de dinheiro, explorar, destruir, agredir o meio ambiente, contaminar o ar, a água, a terra, urbanizar a terra, cimentar mentes, em troca fazemos compensação ambiental, certo?”. Quanta hipocrisia verde!

E mais uma vez as ditas autoridades, com sua cara de pau, aura de cinismo e engodo, apoiam o projecto. Para o "sempre sorridente" prefeito do Guarujá, Farid Madi, o TGG ampliará a receita anual de impostos, aumentará a geração de empregos e todos esses mitos desenvolvimentistas. É muita conversa mole!

E o secretario do meio ambiente do Guarujá, Sr. Elson Maceió, outrora activista ambientalista, participante das manifestações da Acção Global dos Povos (AGP) em São Paulo, o que fala? Nada, diante dos grandes projectos industriais ele se cala, se curva aos poderosos, como um bom cão submisso. O "negócio" dele é ficar promovendo "educação ambiental". E é isso que o sistema quer, cidadãos "conscientes", inofensivos, dóceis, de bom coração e sem informação sobre os debates reais, que não questionem à raíz dos problemas, o capitalismo.

Mas, Sr. Elson Maceió, o que é 101 mil reais em "compensação ambiental" para uma gigante multinacional que factura biliões e biliões de dólares por ano?

A destruição dos ecossitemas têm preços, Sr. Elson Maceió?

Será que o Sr. Elson Maceió sabe que há mais de 500 anos, as multinacionais só visam o lucro, devastam o meio ambiente, são as principais responsáveis pela concentração de renda e capital, pela exclusão social no campo, muitos deles irreparáveis?

Sr. Elson Maceió, você é um vendido, um cooptado pelos poderosos e interesses escusos do capital. Você é um indigno, uma vergonha!

Bunge e o Terminal de Grãos do Guarujá

Previsto para ser a maior instalação portuária multifuncional da América Latina, o Terminal de Grãos do Guarujá, já está em construção. O projecto prevê investimentos de mais de R$ 450 milhões, e pretende transformar uma área de quase 500 mil m² localizada no Porto de Santos (o TGG ficará na margem esquerda, no Guarujá), num terminal para fertilizantes e grãos com capacidade de transportar 10 milhões de toneladas por ano.

Segundo alguns críticos da empreitada, esse seria o primeiro passo para aumentar o poder económico da Bunge e de suas sócias no projecto, a Amaggi (antigo grupo Maggi) e a Ferronorte. Elas deteriam o controle não apenas da exportação e do transporte de soja, mas também da importação de fertilizantes. Criando um oligopólio no processo de compra e transporte de soja na área coberta pelos trilhos da Ferronorte. Essa empresa pertence ao grupo Brasil Ferrovias e detém o controle do principal sistema ferroviário para o transporte de soja do País – do Mato Grosso a Santos. Actualmente, a soja é embarcada pela chamada margem direita de Santos, também conhecida como porto velho. Considerada a pior área de movimentação de cargas de grande volume, ali registram-se enormes congestionamentos de caminhões.

O que é a Bunge?

A Bunge Alimentos, é uma gigantesca multinacional com sede nos Estados Unidos, e lida com óleo bruto de soja, óleo refinado de soja, gordura hidrogenada, farelo de soja, ração animal e uma grande quantidade de produtos para consumo humano. É a maior esmagadora de soja no Brasil. Juntamente com as multinacionais norte-americanas, ADM (Archier Daniels Midland) e Cargill, controlam o mercado de soja na Europa. Recentemente documentos do Greenpeace revelaram o papel dessas três multinacionais no norte do país, a invasão da Amazónia, impulsionando o desmatamento ilegal, muitas vezes, feito com trabalho escravo; a grilagem de terras públicas e a violência contra comunidades locais. A Bunge também está envolvida com biotecnologia, transgenia. Ademais, é uma empresa que financia campanhas políticas em todo o Brasil. Por quê? Será a velha prática recorrente do poder, das elites, dos conchavos? O “toma lá, dá cá”?

O texto a seguir foi escrito pela Fundação Águas do Piauí (Funáguas), um grupo que desde 2003 vem enfrentando a Bunge e o governo do Estado do Piauí, denunciando o capital depredador dessa gigante global naquele Estado, suas práticas de destruição de ecossistemas e crimes de genocídio contra populações tradicionais.

Mas a reacção da multinacional também é grande, através de processos e campanhas de marketing, leia-se engodo. A Funáguas já foi até processada por distribuir um folheto! Tempos atrás um juiz determinou a imediata suspensão do website da Funáguas, cobrando 5 mil reais diários de multas se a exigência não fosse cumprida.

Contudo, que fique bem claro, a devastação ambiental e social desta multinacional está presente em vários estados brasileiros, de norte à sul. A folha corrida dela é longa...

Bunge Alimentos S/A cem anos de experiência em destruição ambiental e social

1905. A Bunge chegava ao Brasil. No Piauí viemos conhecê-la apenas em 2001, mas até agora um rastro de destruição é a sua marca no Estado. Lucro com certeza deve ter, e muito, mas para quem e para onde? Responsabilidade social e ambiental nós atestamos que não há. Supostamente esta deve ser a sua política no transcurso deste século. Vejamos um pouco o que é a Bunge Alimentos no Estado do Piauí:

- Valor do investimento segundo a proposta da própria empresa encaminhada à Secretária da Indústria e Comércio, Ciência e Tecnologia do Estado do Piauí, em 18 de Outubro de 2001: 420 milhões de reais.

- Facturamento nos dez primeiros anos: 6,8 biliões.

- Isenção fiscal através do Decreto 10867 de 11 de setembro de 2002 – 15 anos. Para ICMS, ISS, IPTU.

- Empregos directos na fábrica: 120, destes 60 remanejados de outras unidades da empresa.

- Empregos indirectos na zona de influência da unidade: 500 aproximadamente.

- Êxodo rural (expulsão de famílias da zona rural): 75% da população das cidades invadidas pela soja se encontram em zona urbana. A grilagem de terra é uma prática utilizada e que contribui para a expulsão das famílias que vivem na zona rural. Estas populações se aglomeram nos centros urbanos, sem nenhum trabalho ou fonte de renda, contribuído para o processo da violência urbana.

- Concentração de terra e renda: a monocultura da soja no Piauí não permite a participação da agricultura familiar ou de cooperativas de pequenos produtores rurais. Um grupo diminuto é responsável por 100% da soja produzida. Este processo de concentração da produção dificulta a dinâmica da agricultura familiar na região para qualquer outra cultura.

- Contrabando de recursos naturais: para se produzir soja são necessários água e solos férteis, recursos escassos em muitos lugares do Planeta. E esta soja não é para alimentar o povo piauiense, mas para engordar animais (porco, gado, galinha) no primeiro mundo onde as populações vivem basicamente do consumo deste tipo de proteína.

- Desmatamento: A Bunge utiliza lenha nativa do cerrado, sem respeitar nenhuma espécie, como matriz energética para o processamento da soja. Em média 600 st por dia. A partir de 2007, quando duplicar o processamento de grãos para 1 milhão e 200 mil toneladas por ano, deverá aumentar a utilização da lenha para 1.200 st por dia. O rendimento médio de lenha por hectare da região é de 15 st. A área plantada tem aumentado de forma exponencial para atender a demanda. Os dois processos conjuntos contribuem para a retirada brusca da cobertura vegetal do cerrado piauiense. Fato grave ainda é que dentro deste cerrado, classificado como Ecotonal (de transição entre Caatinga e Amazônia) está a bacia hidrográfica do rio Parnaíba com 200 afluentes aproximadamente.

- Áreas desmatadas: existem áreas desmatadas e subutilizadas de 50 mil hectares continuamente. A área desmatada supera a plantada. O processo de desmatamento é ininterrupto, para que os fazendeiros agreguem valor à terra desmatada.

- Trabalho escravo: O Ministério Público Federal ajuizou acção na Justiça Federal (Processos nº. 1.27.608/2004-77 e 1.27.548/2004-92) em duas fazendas produtoras de soja nos municípios de Baixa Grande do Ribeiro e Ribeiro Gonçalves. No corte da lenha um trabalhador rural recebe em média 60 centavos de real por metro cúbico e para “catar toco” nas áreas desmatadas a diária é em torno de 7 reais para uma jornada de 10 horas. As condições de alojamento e alimentação são precárias e a legislação trabalhista não é respeitada. O “gato” é uma prática utilizada nas fazendas.

- Grilagem de terra: O avanço em terras devolutas e de posseiros é uma prática comum. O INTERPI – Instituto de Terras do Piauí reconhece a situação, todavia não apresenta políticas condizentes para combater esta prática.

Isto é um pouco da Bunge no Piauí em apenas 4 anos. Você já imaginou em 100 anos o que pode ter sido feito?

Deu na imprensa

Desde a instalação da Bunge no município de Uruçuí, Piauí, em 2002, a situação dos trabalhadores rurais se agravou. A terra onde plantavam produtos da agricultura familiar cedeu espaço para o plantio de soja pondo fim a cultura da região das tradicionais farinhadas, colecta de feijão, milho, abóbora e outros produtos.


Uma das comunidades mais prejudicadas, Sangue, a cinco quilómetros da Bunge, onde mais de 40 famílias vivem a margem da miséria. A agricultora Cleuza Pires, 59 anos que nasceu na comunidade lembra com saudosismo de um passado em que havia fartura de produtores da agricultura familiar. “Hoje, tudo virou deserto, não tem mais terra para plantar o que a gente come, e a terra que tem está envenenada pelos venenos que eles jogam de avião”, reclama a agricultora referindo-se aos agrotóxicos lançados pelos produtores de soja.

Moésio R.
Pececito Chuva de Fogo

10.5.06

Greve europeia de estudantes contra a reforma do ensino universitário ( 11 de maio)

Em 10 de Maio de 1933 os nazis queimavam livros


No dia 10 de Maio de 1933, foram queimadas em praça pública, em várias cidades da Alemanha, as obras de escritores alemães inconvenientes ao regime. Esta "limpeza" na vida cultural praticada pelos nazis levou muitos intelectuais ao suicídio ou à busca de segurança no exílio.
"Ao fogo com tudo o que é contra a Alemanha. Contra a luta de classes e o materialismo. Pela comunidade dos povos e a concepção de vida idealista: Deito agora ao fogo os escritos de Karl Marx e Kautsky."

O dia 10 de Maio de 1933 marcou o auge da perseguição dos nazistas aos intelectuais, principalmente aos escritores. Em toda a Alemanha, principalmente nas cidades universitárias, montanhas de livros ou suas cinzas se acumulavam nas praças. Hitler e seus comparsas pretendiam uma "limpeza" da literatura.

Tudo o que fosse crítico ou desviasse dos padrões impostos pelo regime nazista foi destruído. Centenas de milhares de livros foram queimados no auge de uma campanha iniciada pelo directório nacional de estudantes.
Albert Einstein, Stefan Zweig, Heinrich e Thomas Mann, Sigmund Freud, Erich Kästner, Erich Maria Remarque e Ricarda Huch foram algumas das figuras literárias alemãs perseguidas na época.

O poeta nazi Hanns Johst foi um dos que justificou a queima, logo depois da ascensão do nazismo ao poder, com a "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".
Assim como desde a pré-história se acreditava nos poderes purificadores do fogo, o regime do mestre da propaganda – Joseph Goebbels – pretendia destruir todos os fundamentos intelectuais que não se coadunassem com o regime.

A opinião pública e a intelectualidade alemãs ofereceram pouca resistência à queima. Editoras e distribuidoras reagiram com oportunismo, enquanto a burguesia tomou distância, passando a responsabilidade aos universitários. Também o exterior acompanhou a destruição distanciado, chegando a minimizar a queima como resultado do "fanatismo estudantil".

Entre os poucos escritores que reconheceram o perigo e tomaram uma posição estava Thomas Mann, que havia recebido o Nobel de Literatura em 1929. Em 1933, ele emigrou para a Suíça e, em 1939, para os Estados Unidos. Quando a Faculdade de Filosofia da Universidade de Bonn lhe retirou o título de doutor honoris causa, ele escreveu ao reitor:
"Nestes quatro anos de exílio involuntário, nunca parei de meditar sobre minha situação. Se tivesse ficado ou retornado à Alemanha, talvez já estivesse morto. Jamais sonhei que no fim da minha vida seria um emigrante, despojado da nacionalidade, vivendo desta maneira!"

Também Ricarda Huch retirou-se da Academia Prussiana de Artes. Na carta ao seu presidente, em 9 de Abril de 1933, a escritora criticou os ditames culturais do regime nazista: "A centralização, a opressão, os métodos brutais, a difamação dos que pensam diferente, os auto-elogios, tudo isso não combina com meu modo de pensar", justificou.
Em 1934, a "lista negra" incluía mais de três mil obras proibidas pelos nazistas. Como disse o poeta Heinrich Heine:
"Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas”

Debates sobre o Único e a sua propriedade nos 150 anos da morte de Stirner




Zona Temporalmente Amoral
(12 e 13 de Maio de 2006, em Barcelona)

Colóquio e debates pelos Egoístas Anónimos

O encontro não servirá para qualquer cerimóia necrófilo-académica sobre um filósofo morto, mas antes para trocar ideias sobre uma antifilosofia actual

6ª feira (12 de Maio)
19 horas
Agustín García Calvo"uno y uno de tantos" (título provisional.....)

Sábado (13 de mayo)
18 horas
Mesa redonda: El único y la anarquía actual
"Stirner y la anarquía contemporánea" Costantino Cavalleri
"Stirner, el hombre, el único y yo" Luis Andrés Bredlow
y varios más......
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Todos los debates en al
"Ateneu Popular de 9 Barris"C/Portlligat sn
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Llavors d'anarquia
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