25.11.07

Entrevista a Roberto das Neves, anarquista individualista, escritor e editor


Entrevista publicada pela revista Planeta nº 104, de Maio de 1981.
(Texto de Flamínio Araripe )


A trajectória deste incrível anarquista, individualista (no bom sentido), escritor e editor, deixa-lhe à vontade para repensar toda a história dos movimentos políticos, religiosos e das mais recentes trilhas e saídas existenciais da sociedade xarope contemporânea.


Roberto das Neves, 73 anos de idade, vegetariano desde os 16, português de nascimento, lutou na Revolução Espanhola, foi inimigo de Salazar (13 honrosas prisões), crítico do marxismo e defensor do socialismo libertário: este é o tipo de agitador que faz falta hoje. Ele ama as utopias e tem um saudável desprezo pelas instituições — por todas.


Amanhecer na Zona Norte do Rio de Janeiro. No bairro de Lins,o hospital da Marinha recebe os primeiros visitantes do dia. Sobem a rampa aventais brancos de médicos e enfermeiros, uniformes azuis e algum outro paisano sonolento. Perto dali me espera o poeta, editor e escritor individualista anarquista Roberto das Neves.
Há dois anos não o vejo. Soube que de saúde ele passa bem. Talvez o vegetarianismo que segue desde os 16 anos seja a razão de suas 73 primaveras lúcidas. Na calçada do prédio onde mora este português magrinho cujo exílio o fez carioca há mais de 30 anos, sob os raios de sol da manhã alguns velhos de bermudas conversam e aquecem o couro da barriga.


Quando toco a campainha do apartamento, o chumaço de papel que substitui o olho mágico mostra os olhos claros do poeta amante da liberdade. Vejo-o, alegre, com a mesma presença de espírito, ágil, convidar-me a entrar. Roberto conserva todo o vigor satírico de sua personalidade, confirmo ao receber de suas mãos um texto sobre a história das utopias que havia preparado na véspera para "poupar maçadas". Mesmo assim instalo o gravador diante dele.


Roberto mora hoje com o seu filho, e aquela que ele chama "minha companheira" há três anos partiu. Ele parece gostar do garoto, que tem seu mesmo nome e saiu para se matricular na universidade, onde passou "com distinção" no curso de jornalismo. Noto que a pequena sala do apartamento conta com seis estantes a menos. Ficaram apenas duas delas com obras em Esperanto – que é professor —, dicionários e clássicos do anarquismo, raridades em espanhol, francês, italiano e português. Todos livros amarelados, dos autores de sua predilecção: Han Ryner, E. Armand, Maria Lacerda de Moura e pensadores socialistas libertários, além de muita coisa sobre grafologia e dietética.


Parece que o lugar de actuação em múltiplas actividades de Roberto cedeu espaço para uma outra função por mim desconhecida em sua vida. Não vejo mais o arquivo com cartas coleccionadas, e a mesa grande da sala entulhada de jornais anarquistas de todo o mundo já não está mais ali, embora encontre exemplares dispersos pelo apartamento. O ambiente perdeu aquela atmosfera de saudável ebulição que ficou gravada em mim na primeira visita. Ante a janela agora é o local de trabalho dele, onde nos sentamos numa mesinha amontoada de papéis sob a qual vejo espalhados envelopes do ano passado, onde certamente os leitores solicitavam livros de sua editora, a Germinal.


A importância da utopia na história


Por enquanto Roberto não edita mais. Reclama do preço do livro hoje, que "o público não lê mais, no Brasil, principalmente", embora ainda tenha obras para editar. Uma delas, cuja tradução afirma estar pronta, é “Formas de Vida em Comum sem Estado nem Autoridade”, de E. Armand, a proposta que mais se identifica com a sua. Este texto tem muito a ver com a Germinal: conta as experiências práticas de comunas livres na Europa, em moldes individualistas anarquistas.


No espaço ocupado por sua editora é exercida urna actividade libertária que abrange o combate ao fumo, às doutrinas obscurantistas, ao poder, seja capitalista ou estatal, ao marxismo – "escola de ditadores" — e que é a favor do naturismo, contra a alopatia.


O escrito com que Roberto aguardou a minha presença se chama Breve História das Utopias e Colónias Experimentais Socialistas no Mundo e no Brasil.
Começa citando o historiador Max Nettlau, "o Heródoto do anarquismo", que disse do género tão escarnecido por Karl Marx e Friedrích Engels: "Facilmente se desprezam as utopias, consideradas por muitos como inúteis, ilusórias, contrárias à realidade e à ciência. Guardemo-nos de seguir essas vozes secas e utilitárias. O mundo é bastante pobre, tal como hoje se encontra, e por isso toda utopia é uma das mais belas e raras flores. O homem é verdadeiramente pobre se não afaga um sonho, se não leva no cérebro a eterna utopia de um ideal, colectivo ou individual, concebido na sua primeira juventude, construção muito variável, à qual acrescenta modificações em cada etapa de sua evolução moral e intelectual, que cresce, envelhece e morre com ele. Que vacuidade a do cérebro que não a conhece e que, por orgulho, resignação ou mera vulgaridade absoluta, não pensa mais além do presente! Pelo contrário, o carpediem vale sempre, mas os que estão absolutamente por ele são seres tão incompletos como os que vivem exclusivamente no sonho, na utopia."


Agora, com o texto manuscrito de Roberto das Neves, extraído de seu Marxismo, Escola de Ditadores: "A utopia é mais que um género literário, um fenómeno social de todas as épocas e uma das mais antigas formas de progresso e de rebeldia fecundante e renovadora. Porque o anseio que o homem sente – de elevar-se acima de um presente cinzento, sombrio ou injusto, só aceitável para o tirano, o usurpador, o explorador de seus semelhantes e para os homens sem horizontes, membros do panegírico rebanho humano —, converte-se em reflexão sobre o futuro, em visão do que poderá fazer-se e, finalmente, em dação, trabalho, investigação, e experiência."


Acrescenta que "nem sempre, porém, só a utopia vara as nebulosas do porvir". Porque às vezes "também a fantasia popular auxiliada pelo espectáculo dos homens primitivos", quando não havia "espoliação, restrições e repressões, se remetia a um estado de justiça, abundância e felicidade do passado". Segundo ele, é o caso da Idade de Ouro e do Paraíso, as primeiras utopias.


Roberto enumera em seguida várias criações ligadas à utopia, na literatura e na prática. Cita Platão, Rabelais, Thomas Campanella, Francis Bacon, Fenelon, Fontenelle, Montesquieu, Rousseau, Voltaire, entre outros. Menciona ainda Robert Owen e Thoureau — "verdadeiro individualista que vive a vida nos bosques" —, Tony Mollin, "mártir da Comuna de Paris, fuzilado nos Jardins de Luxemburgo", Luisa Michel, Etienne Cabet, James Guilhaume e Kropotkin.


Frutos maduros do sonho e o encontro com Ramatis


Para ele, a relação entre os motivos que impulsionavam as primeiras comunas e as iniciativas feitas nesse sentido actualmente é nítida: "Um regime libertário, sem o dinheiro, a propriedade individual, sem autoridade do homem sobre o seu semelhante e em regime de amor livre". Quer dizer: "Sem Estado, sem tribunais nem prisões".


A ideia-motor na crítica da sociedade actual neste individualista anarquista, assim como a base que norteia todas associações de carácter libertário, sempre é criar condições para vigorar o livre auxílio mútuo na condução dos assuntos colectivos. Com isto, visa-se preservar a soberania do indivíduo, considerado como pedra fundamental da sociedade. O libertário Roberto chega a admitir trabalhar em conjunto por um ideal revolucionário, desde que as bases do acordo para atuar em comum satisfaçam-lhe a integridade individual.


O manuscrito de Roberto defende em seguida a "Colónia Cecília", comuna de imigrantes italianos que durou 10 anos, cujo fim deveu-se à República, "mais reaccionária que o Império com D. Pedro II", de vez que resolveu cobrar impostos dos anarquistas. O mesmo texto toca, também, nas obras mediúnicas de Emmanuel, psicografadas por Francisco Cândido Xavier (Há Dois Mil Anos), e Hercílio Mães, Ramatis (Viagem ao Planeta Marte), por "reflectirem a aspiração ideal de nossa época, sem exércitos nem Estado, onde os povos se entendam por meio de um idioma comum".


Segundo ele, Ramatis o visitou e ambos encontraram pontos de aproximação entre a utopia mediúnica e a doutrina anarquista. Até no vegetarianismo estão de acordo. Mas a comunhão torna-se maior nesse "idioma comum", que imediatamente significa, para o individualista libertário, o universal esperanto. À medida que vê Ramatis reconciliar o ponto de vista espiritualista e anarquista, acusa Chico Xavier de reaccionário, embora não o tenha conhecido pessoalmente, "só de leituras".


O empreendimento autogestionário existente no município de Boa Esperança (ES) desperta-lhe entusiásticos elogios em sotaque luso. Não é por menos: do estado de falência decretada, até o posto de 22ª melhor renda entre as prefeituras brasileiras — o soerguimento da economia com base no auxilio mútuo –, é um feito de orgulhar qualquer anarquista. O bem-estar colectivo atesta o valor duma organização descentralizada e cooperativa, com solidariedade prática, o que fez com que "o poder político fosse transferido da prefeitura para as comunidades e respectivas assembleias, deixando a sede municipal de ser agência de empregos para parentes e amigos da administração".


Esta comprovada experiência do município capixaba, para Roberto, "é anarquista, embora seus organizadores não saibam disso. Pode não ter o nome de anarquia; isso não importa. Nem tudo o que tem o nome de anarquista é anarquista. E muita coisa sem esse nome é autenticamente anarquista."


"O que importa é que são focos de irradiação de novas doutrinas, de novos planeamentos."


Receita antitabagismo e toques sobre LSD


Na prática quotidiana de Roberto, porém, o seu desempenho deu-se predominantemente sozinho, na edição de livros e na pregação vegetariana com recomendações dietéticas em que responsabilizava sempre o Estado e o capitalismo pelos males da humanidade. De um panfleto de sua autoria a favor do naturismo:
"O vegetariano, revolucionário de uma revolução sem sangue, que conseguiu fortalecer a sua vontade e viver saudavelmente, livre da tirania dos vícios, não fuma, isto é, não faz da boca uma fornalha e do nariz uma chaminé, porque não ignora que o vício do tabaco, parente, segundo Freud, de equivalente vício sexual, só é proveitoso para os trustes industriais, capitalistas, e para o Estado, que em todo mundo exploram e envenenam a humanidade ignara, e constitui o primeiro passo na iniciação em outros vícios não menos perigosos, entre os quais o da maconha e o do LSD."


Contra o vício de fumar – "uma das principais fontes de renda do Estado" –, Roberto um dia pesquisou, imprimiu e distribuiu "infalível método". É o seguinte:
"Diariamente, ao levantar-se e à noite, o viciado, na posição de sentido perante um espelho, exproba-se, atirando, nas suas próprias bochechas reflectidas, frases recriminatórias e estimulantes do amor-próprio, como 'não te envergonhas, imbecil, de sustentares com prejuízo de tua saúde, da tua dignidade e do teu bolso, os Souza-Cruzes, os burrocratas e lesmocratas e quejandos vagabundos? Quando criarás vergonha nessas fuças, palerma?' (Ou outro palavrão porventura ainda mais ofensivo, como estúpido, cretino, atrasado mental, imaturo, reaccionário, estalinista, fascista, burguês, otário, maricas, filho da puta.)"


A revolução biológica e o sistema Waerland


Ele recomenda que "quanto mais ofensiva a expressão usada, maior valor terá a erradicação do vício". Caso não apresente resultados dentro de um mês de intensivo uso do "método", "não haverá mais nada a fazer, senão esperar que um câncer providencial venha liberar o mundo de mais um idiota indigno da vida”.


Roberto chama de "revolução permanente" o caminho aberto pela "alimentação- biológica", "sem drogas de farmácias, imunizado apenas pela consciência esclarecida do que estas significam, e confiante no poder regenerador dos agentes naturais". Para pensar assim, Roberto esteve aos 16 anos praticamente desenganado pelos médicos. Na sua família de sete irmãos, era o mais debilitado: "Ninguém dava nada por mim". A partir dai aderiu ao vegetarianismo, e – afirma – restabeleceu a saúde.


Esta alimentação biológica tem origem no sistema Waerland, um bromatólogo suíço de quem o poeta anarquista editou obras na sua Germinal. A particularidade dessa dieta vegetariana é a recusa de comer peixe – “o pior dos alimentos para a saúde, com maior número de bactérias de putrefacção. Para compensar, nele é usado muito sal, e isso arruina os rins. Por isso as populações ribeirinhas vivem menos". Ele ainda renega, também, alimentar-se de ovos, "menstruação de galinha", carne de aves ou qualquer animal.


No Rio de Janeiro, Roberto é um dos fundadores e consultor da pioneira Cooperativa dos Vegetarianos da Guanabara, que reúne cerca de 6 mil associados. A entidade hoje é autónoma na produção de alimentos – frutas, hortaliças, cereais, leguminosas — fornecidos pela colónia agrícola que mantém nos arredores do Rio de Janeiro, em Papucaia.


É aí que ele costuma almoçar todo dia. Para isso atravessa o Rio de Janeiro de ónibus – Lins-Praça Tiradentes –, tendo nas mãos a inseparável sacolinha onde coloca um suprimento de seus panfletos naturistas, livros de dieta e anarquistas. Nas ruas da cidade seu passo é rápido, o olhar pacífico atravessa o caos urbano, naquilo que ele chama de "sifilização cristã".


Roberto das Neves explica que se tornou anarquista individualista por "uma questão de nascimento, educação, tradição, família, etc." De seus pais herdou o ateísmo. Ainda criança iniciou-se na heresia com as primeiras perguntas sobre a existência de Deus, o que mereceu bons cascudos de sua avó, por não aceitar os dogmas da Igreja. Adolescente, partiu para sabotar os templos católicos espalhando substâncias químicas malcheirosas pelo chão. Hoje, porém, ele não mais afronta os adeptos de outras crenças: "Não podemos impedir que pensem assim. Podemos exigir, no entanto, que sejam coerentes. Um cristão, que se diz cristão, se colocar ao lado dos poderosos e dos ricos — isso é que é de espantar."


Lutando contra o fascismo, contra Salazar, contra...


Ele reconhece que a Igreja hoje tem procurado "se colocar a favor dos humildes, dos pobres e lutar pela redenção humana". Lembra o ano que passou na Revolução Espanhola, quando padres lutavam ao lado de anarquistas nas providas bascas e na Catalunha, contra o fascismo. Diz ele que estes católicos vieram depois ao Brasil e puseram aqui em prática a experiência adquirida no convívio com os anarquistas, o que favoreceu o novo rumo da Igreja neste país.
O poeta libertário, antes de vir ao Brasil, sob pecha de herético sofreu 13 prisões na Portugal salazarista. O refúgio mais próximo era nessa época a Espanha, onde passou 4 anos esparsos e os anarquistas estavam a pique de empreender a maior realização libertária da história (com a autogestão da Revolução Espanhola — 1936-1939). Cada poema seu editado em jornal valia uma ameaça de prisão. Por isso, atravessava a fronteira para não ser pego, até o ponto de saturação, quando Salazar interditou Portugal à sua presença. Como saída, mudou-se para o Brasil, em 1938.


Aqui, continuou na luta contra a ditadura portuguesa, colaborando com nativistas de diversas outras correntes de pensamento: liberais, socialistas, embora com o PC não se desse bem. A desconfiança dos libertários com relação ao Partido Comunista é forte. Não se esqueceram dos massacres de Kronstadt (1921) nem dos da Ucrânia (1920), quando a participação na Revolução Russa se limitou à chancela do partido único; nenhuma organização autónomo de trabalhadores teve mais espaço reconhecido no país da "ditadura do proletariado".


"A Rússia foi um fracasso. Criou-se um capitalismo de Estado, coisa mais abominável que o capitalismo vulgar. Eles esqueceram que sua finalidade era no começo desbaratar a organização burguesa. Tornaram-se um novo imperialismo, que está associado em toda parte com os partidos políticos", acrescenta.


O marxismo mereceu de Roberto das Neves o lançamento com dedicação, pela Germinal, da obra Marxismo, Escola de Ditadores — introdução de sua autoria a Erros e Contradições do Marxismo, do russo Varlan Tcherkesof.


Desancar a "religião marxista", para quem conhece suas nobres origens, parece ser o objectivo de Neves-Techerkesof. Segundo Roberto, "na obra de Karl Marx há que distinguir duas partes; uma, que é boa, mas não é dele; e outra, que é dele, mas não é boa".


Ele afirma que Marx, "além de roubar os principais conceitos de sua obra (mais-valia, etc.) de economistas liberais, socialistas e anarquistas franceses e ingleses — Sísmondi, Victor Consideram, Robert Owen, W. Thompson, Adam Smith, Blanqui, David Hume, Proudhon e Fourier, entre outros —, chamou-os de utopistas. A maioria dessas utopias, no entanto, foi ensaiada em colônias experimentais e falanstérios. Sem a conotação marxista de 'coisa irrealizável, devaneios de loucos sem base na realidade'."


A frieza do marxismo: onde está a ciência?


"É que na Rússia o sonho e a liberdade continuam, desde Lenine, considerados como futilidades ou preconceitos burgueses. Ao devaneio tolerante, libertador e criador da utopia, preferem os marxistas o realismo frio e esterilizante do dogma", diz Roberto das Neves.


O anarquista questiona, por fim, o carácter socialista científico do marxismo, que "jamais submeteu suas teorias ao controle da experiência com o método científico, limitando-se a examinar os dados oficiais, frios e raramente exactos das estatísticas."


Como o marxismo ainda não acabou com a divisão de classes e fortaleceu apenas uma burocracia de elite encastelada no Estado, Roberto conclui afirmando que a obra de Marx é que deve "ser chamada de socialismo utópico — na pior acepção que os marxistas atribuem a esta expressão".


1952, celebração do 369 Congresso Eucarístico no Rio de Janeiro. Patrocinado pelas lojas maçónicas "Germinal" e "Lusitânia Livre", Roberto publica e distribuí o folheto "O Verdadeiro Catecismo", que teve 5 edições. No mesmo estilo de linguagem simples da divulgação católica, com perguntas e respostas, fala de Deus — "Todo-Poderoso, porque é dele que nos vem toda a força" – e aos poucos tenta mostrar a inutilidade da Igreja na experiência religiosa quotidiana, para em seguida atacar a instituição do clero.


"O padre é o maior inimigo de Deus na Terra. Quando Jesus andou nesse mundo, já aqui encontrou igrejas e padres que viviam às expensas dos crentes." E emenda: "Os padres não servem ao povo nem a Deus, mas somente aos poderosos, para manterem jungidos os pobres aos arados dos ricos". Os abusos do clero subserviente ao poder são apontados sem piedade, no bom sentido anarquista de induzir os fiéis a olhar com os próprios olhos para as suas vidas. E, assim, eliminar os intermediários profissionais entre eles e Deus.


A participação do poder maçónico


Para escrever esse panfleto, Roberto inspirou-se nos "ensinamentos de Jesus", e recomenda nele "a bondade, que nos embeleza", a indulgência, gratidão e solidariedade humana. Finda com a afirmação de que "essa é a melhor maneira de amarmos, e servirmos a Deus".


Pergunto-lhe sobre essa intervenção e ele reconhece ter usado "o próprio linguajar deles, contra eles".
Nada disso, portanto, prejudica o ateísmo de Roberto das Neves. Maçom no rito escocês, iniciado na loja portuguesa "Rebeldia", em 28, tendo alcançado grau 25, exilado no Brasil em 1948 ele entrou para a loja "Filantropia e Ordem", do Rio. O nome adotivo que trazia desde sua entrada nos pedreiros-livres, Satã, criou receios entre alguns maçons cariocas, que acreditavam ser aquilo contrário aos princípios da maçonaria.


O patrono da instituição, o Grande Arquitecto Universal, pensavam estes maçons, era Deus, que seria ofendido com o nome adoptivo Satã. Para resolver a questão, reuniu-se "uma comissão de altas entidades maçónicas", que por fim decidiu que a escolha do discípulo um tanto quanto surpreendente não feria o princípio maior da maçonaria, pois "este e Satã ou Lúcifer, o portador da luz, são a mesma entidade".


E ficou ele com o pseudónimo com que passou a assinar artigos satíricos na imprensa anarquista: jornais Acção Directa, do Rio, e A Plebe, de São Paulo. Então chamava-se doutor Satã, pois aproveitou o título obtido na universidade com tese "Os Temperamentos e Suas Manifestações Gráficas".


Roberto grafólogo: é uma das suas facetas. Até hoje ele tem clientes que não admitem empregados sem antes submeter a letra do candidato ao seu exame. Inclusive os noivos das filhas escrevem, e o poeta libertário vê nos rabiscos "o espelho da alma: carácter e personalidade, humor, todas as características pessoais"


Roberto costuma afirmar que os maiores pensadores do anarquismo foram maçons: Kropotkin – "que baseado nos arquivos da organização escreveu sobre a Revolução Francesa" —, Bakunin, Max Stirner, E. Armand, Han Ry-ner, Luisa Michel, Sebastian Faure, Malatesta, Herbert Spencer, Benjamim Tucker, Jean Grave, Proudhon — "co-autor do Manual do Rito Moderno ou francês" – e Leon Tolstói.


Sua ligação com a maçonaria vem das conferências que proferia na Europa e no Brasil em lojas, algumas clandestinas sob ditaduras, a respeito do anarquismo. Embora hoje afastado das reuniões maçónicas, "sem frequentar normalmente", reconhece o poeta que "a humanidade a ela deve muito, por ser um dínamo que a acciona". A instituição dos pedreiros-livres, diz ele, "nos impulsionava, obrigava-nos a pensar, a estudar juntos. Pior seria se não existisse, apesar de seus defeitos".


Socialismo libertário como grande saída


Quanto aos defeitos, Roberto um dia encarou-os de frente e atirou sólidas tijoladas na acomodação da instituição que "representa o desenvolvimento, o poder e a decadência moral da burguesia" sem conservar muito da tradição revolucionária de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.


Na ocasião das críticas, chegou a dizer: "A sociedade secreta, que hoje subsiste com o nome de maçonaria, se quiser sobreviver, tem de adoptar um novo objectivo: o socialismo libertário. Só ele concilia os direitos inalienáveis do indivíduo com as soluções colectivas. Se tem que preparar os espíritos para a Anarquia. Uma sociedade sem escravos nem senhores, sem fronteiras nem exércitos, sem Estado nem propriedade de uns em detrimento dos que a trabalham. Uma sociedade em que os indivíduos saibam governar-se dispensando o Estado — em que o governo dos homens seja substituído pela administração das coisas."


Encontra-se dentro dessa polémica suscitada dentro da organização maçónica todo o ateísmo anarquista, que Roberto procura esclarecer. "A maçonaria", prossegue, "fez reviver e popularizou nas sociedades modernas que o universo não tem começo nem fim: está em permanente devir. No universo regido peia lei da evolução permanente, portanto, Deus não tem nada que fazer. Tudo é força da mecânica molecular, do átomo em suas variações, eterna e infinitamente combinadas pelo próprio dinamismo, sem um ordenador, sem força externa."


''Nunca tive simpatia pelas maiorias"


Transportado para o terreno filosófico, político e sociológico, esse princípio da maçonaria teve impulso renovador sobre as instituições vigentes: "Derrubou as monarquias do direito divino, o feudalismo e a Inquisição, tão caros à Religião e a Deus (sinónimo do culto do passado, de tirania, de estagnação e morte)".


A aliança entre o despotismo e a religião, o poder e a mistificação religiosa, a "Espada e a Cruz é de todos os tempos", revela Roberto. "O Estado, ou seja, a Autoridade, a opressão do homem pelo seu semelhante, é. uma injustiça, uma imoralidade, absurdo tão gritante que é necessário que a Religião venha abençoá-lo em nome de Deus para que os homens acatem e submetam o pescoço à canga."


Finaliza o ateu: "Os homens não necessitam da hipótese Deus para meditar, mover-se, comer, beber, defecar, amar, praticar uma boa acção, sentir as emoções do belo e do elevado, viver. Deus não é só indiferente perante as volições de cada um, mas repugna à inteligência de muitos. A minha, jamais, desde a infância, pôde concebê-lo."


Faço-lhe perguntas procurando uma reconciliação, que os anos avançados talvez possam trazer, com a espiritualidade:


"Reconhece que essa dimensão espiritual faz parte da vida humana?", digo.


"É um ponto de vista diferente do nosso. (...) Não tenho motivo algum para abjurar dos meus pontos de vista. Sou isso desde os 10 anos. Eu no fundo sou individualista, embora aceite muitas vezes o comunismo libertário, que é menos perigoso do que o outro comunismo à maneira russa. Isso quando não se está preparado ainda para uma coisa de maior expressão em bases individualistas, o que supõe uma mentalidade que a humanidade não atingiu."


"Diante das correntes de esquerda hoje em actividade, você não fica marginalizado?", interrogo.


Com calma vem a resposta: "Eu sempre me considerei membro da minoria. Nunca tive simpatia pela maioria, tão habituado estou a ver que a maioria é constituída por imbecis, por analfabetos, por hipócritas."


Indago ainda se ele vê alguma virtude na revolta.


Segundo Roberto das Neves, "a revolta é indispensável. Se não há revolta, o mundo continua como está. É preciso, porém, saber aplicar a revolta."


Quero saber se ele é adepto do pacifismo.


"Sim. De vez em quando, diante de um hipócrita ou de um covarde não recorro à violência das armas. Procuro a arma da sátira."


Faço mais uma pergunta a respeito da revolta, se ela não pode enfim amargurar a vida de uma pessoa.


Ele confirma. Explica: "Mas o mundo não caminha sem amargura, sem sofrimento, infelizmente."


Roberto, todavia, não deixa de fazer com gosto o seu trabalho. Mantém intacto o sentido ético no relacionamento humano, vê-se nele alguém afável, atencioso, de vez em quando gozador, porém nunca odiento. Várias vezes interrompe a entrevista para fazer-me perguntas pessoais, e se mostra interessado nas respostas.


Provado: a falência das instituições


As ideias anarquistas nele já estão amadurecidas, frutos de muitas reflexões, estudo e inspiração, pois se trata de um poeta. Sua musa inspiradora, pode-se dizer, é a anarquia. É ela que lhe abre os olhos para as injustiças e o coração para as alegrias da vida. Anteriormente, a questão social aparecia em seus livros em primeiro plano. Agora, no que editou, transparece mais a preocupação com o naturismo, se bem que no balanço final, quando ele formula a noção de "sifilização cristã", dá no mesmo. Todas as instituições ocidentais cabem dentro da deterioração interna por ele apontada.


Falta, sobretudo, na sociedade de hoje, solidariedade, livre acordo mútuo nas organizações – ele dá a entender —, e sobra autoridade, mando sobre os semelhantes do homem. No casamento, na questão da mulher, na criação das crianças, a contaminação do poder é abusiva. Ao mesmo tempo Roberto atesta a falência das instituições: na mulher ou no marido que traem a relação matrimonial, no filho que cresce revoltado e na mulher que aproveita as mínimas brechas para improvisar uma desforra dos anos de subjugação.


Provoco-o um pouco mais em busca de alguma fé recôndita. Insisto em obter dele uma confissão qualquer de espiritualidade. Toco no momento Nova Era e questiono as afinidades que tenha com suas ideias.


"Muitas, Estou inteiramente de acordo. Eles recusam a prestação de serviço militar: não querem matar pessoas de quem não tenham razão de queixa. Nem morrer."


"Mas isso não tem um fundo místico-cristão?", digo só para pôr lenha na fogueira.


"Nem todos", afirma ele. "E, ainda que tenham, a gente perdoa."


"Segundo a Nova Era, a humanidade, a superar o carma que tem a cumprir, virá com mentalidade mais evoluída", comento.



Roberto espera isso: "Não afirmo que virá, mas espero que venha."


Ele tem esperanças "de que a humanidade reconheça que é estúpida, que muitas ações que vem tomando não se justificam. Como, por exemplo, matar e morrer, querer o salvador, o infalível, o proprietário único da verdade. A civilização moderna, aquilo que chamo de sifilização cristã..."


Aproxima-se o meio-dia: hora de irmos até o centro de ónibus, almoçar no vegetariano da cooperativa. O Rio está nublado.

Poesias de Roberto das Neves




Germinal

Poesia de Roberto das Neves, inserida no seu livro "Assim Cantava um Cidadão do Mundo", publicado em 1952 pela editora Germinal. O poema é dedicado a José Oiticica, o sábio filólogo, extraordinário poeta e anarquista sem mácula.


Somos o Povo útil e forte,
a massa humil dos produtores
Ao vento, à chuva, ate à morte,
vimos, no mundo, hercúleo, forte,
nutrindo, há sec'los, os senhores.

Tudo o que existe sobre a Terra
— templos, quartéis, fábricas, paços,
armas de paz e armas de guerra...—
tudo quanto há por sobre a Terra
deve-se a nós, aos nossos braços.

Tudo isto eu faço, o Proletário:
aviões pra abrir novos espaços,
o livro, o pão, o vestuário...
O Deus sou eu, o Proletário.
Rende, burguês, culto a meus braços!

Sou quem produz, sou a Canalha,
sou a Ralé vil e precita.
Titã das sombras da fornalha,
tenho uma história, a da Canalha,
em negro livro, a sangue escrita.

2
E — vede bem! — sendo eu assim,
o herói, o mártir, que produz,
teem-me horror, fogem de mim,
sou desprezado e vivo assim,
faminto e roto, a ansiar a luz.

Eterno poeta do Trabalho,
componho a suar hinos à Vida,
visão da mina, Atlas do Malho.
Eu faço o pão, rei do Trabalho
e, no meu lar, não há comida.

Sou o Criador, forte, espectral.
Plebe, Ralé — são o meu nome.
Sustento o orbe terrenal
— e no meu lar, reina, espectral,
a imperatriz cruel, a Fome.

Aos reis o luxo dou e o fausto.
Sou o operário da Matéria,
sempre fecundo e nunca exausto.
E, enquanto os reis vivem no fausto
— vegeto, escravo da Miséria.

Somos os párias, enjeitados.
A Sociedade espoliou-nos.
Fomos roubados e escorraçados.
Ah, mas, um dia, os enjeitados
ruirão altar's, dogmas e tronos !

Sou o Povo, a vítima das leis
dos faraós, Césares e Gracos.
Ah, mas, um dia, cairão reis,
e eu surgirei, belo e sem leis,
viril, revel, novo Spartacus!

3
E, então, o mundo, sem tiranos
— perdoo-vos, reis; burguês, não tremas!
será, após tantos mil anos,
feliz, alfim, sem os tiranos,
feliz e livre, sem algemas.

Sonhando, a amar, na asa do Ideal,
vamos a voar pra a Revolução,
que, num amplexo fraternal,
os povos há-de unir no ideal
da Paz, do Amor e do Perdão.

E, redimida a humanidade,
ex-rico, irmão, meu ex-senhor,
ao brando sol da Liberdade,
cantando um hino à Humanidade,
tu bendirás o Produtor!

Prisão da Esquadra Policial do Forte do Castelo, em Lisboa, 1928.




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Altitudes


Poesia de Roberto das Neves, inserida no seu livro "Assim Cantava um Cidadão do Mundo", publicado em 1952 pela editora Germinal. O poema é dedicado aos seus amigos da Sociedade Naturista


Já que a estupidez humana
só causa sangrentas brigas,
abandona a vida urbana
das malfazejas formigas.
Foge à cidade maldita
e sobe aos mais altos montes,
junto à cúpola infinita,
dos mais vastos horizontes.

Que deslumbrantes grinaldas
das estações e das flores:
Primaveras de esmeraldas,
Verões de doces calores!
Urzes, junquilhos, giestas,
beijadas pelo galerno,
preparam as brancas festas
silenciosas do Inverno.

Sozinho, no pico agreste,
em face da imensidade,
sob a abóbada celeste,
ouve lição de humildade.
O orgulho, que te aniquila,
domina-o, sereno e forte,
ó homem, nado da argila,
à qual regressas na morte!

E na lição recebida
convido-te a concentrar-te,
para aprenderes que a Vida
é só Bondade e só Arte.
Eleva ao mais alto cume
tua alma e teu coração.
Abrasa-te, homem, no lume
da Suprema Aspiração!




Da boa e da má reputação

(Carta sob a forma de poema de Roberto das Neves, inserida no seu livro "Assim Cantava um Cidadão do Mundo", publicado em 1952 pela editora Germinal. A carta é dirigida a Vasco da Fonseca)

Leio na carta que me escreves,
cheio de dor e aflição:
"Sou alvo, meu caro Neves,
de uma torpe campanha de difamação...”
Não sublinho estas palavras,
com que a tua carta lavras,
para pôr em relevo um pleonasmo.
Quero apenas mostrar-te aqui o pasmo,
que sinto ante o conceito do valor,
que tu, um poeta, um pensador,
atribuis à boa e má reputação.
Não!
Não estou de acordo contigo,
meu camarada e amigo.
A má reputação,
longe de ser um flagício,
é, ao contrário, um benefício.
É uma armadura e um disfarce,
detrás dos quais um qualquer
pode tudo fazer,
inclusive dar-se
ao requinte de um bom comportamento,
ou daquilo que um vulgar mortal
tem como tal,
em seu pobre julgamento.
Mas ela nos oferece inda a vantagem
de afugentar de nós a malandragem
dos Catões,
dos Acácíos,
dos Calinos,
isto é, dos maganões,
dos pascácios,
dos cretinos,
dos moralistas
— todo o rebanho, enfim, dos conformistas,
coluna vertebral do mundo, é exato,
mas que tornam o mundo
imundo,
caricato
e chato.

Lembro-te apenas Sócrates e Cristo.
Ninguém houve que, pela sua acção,
merecesse melhor reputação.
E que lhes sucedeu? Pois, isto:
Presos e acusados
dos mais feios pecados,
foram condenados,
por imoral conduta:
Sócrates, a beber cicuta,
e Jesus,
de impropérios coberto,
a agonizar na cruz,
entre dois terríveis ratoneiros
— não tão terríveis, por certo,
quanto os nossos pacíficos banqueiros

Compreenderás, agora, meu amigo,
que, para uma pessoa inteligente,
não pode haver pior castigo,
mais duro e mais inclemente,
que o duma boa reputação,
atribuída pelos donos de armazém,
que envenenam e nos roubam no peso,
e pelos filhos-da-mãe,
que nos levam preso.
Tenho por isso a opinião
de que devemos sempre fomentar,
à nossa volta,
como prudente escolta,
uma salutar
atmosfera de má reputação,
que permita manter-nos sempre sós,
intactamente nós,
distantes do louvor das multidões,
dos imbecis,
dos vis,
dos Catões.

Desilude-te, meu caro:
enquanto houver dinheiro
e houver superstição,
hão-de ser sempre o casto padre Amaro,
o pobre do banqueiro,
o escrupuloso quitandeiro
e o vegetariano do açougueiro
— quem há-de desfrutar
boa reputação.
Contentemo-nos com estar,
sinceramente,
filosoficamente,
de acordo connosco mesmos,
embora contra a opinião
dos que querem acender de novo a Inquisição,
a fim de transformar,
como de onagros,
o nosso corpo de herejes em torresmos,
ou, melhor, meu caro Vasco
(visto que os herejes, como nós, são sempre magros)
— em churrasco.
Por isso me agito,
de nojo vomito,
faço um manguito
e grito,
cheio da mais cristã indignação:
— Livrem-me da boa reputação
o meu simpático e audaz
camarada Satanás
e o maganão
e muitíssimo cristão
do Catão!

Rio de Janeiro, 1952.




Poemas de Satan

(Poesias de Roberto das Neves, inserida no seu livro "Assim Cantava um Cidadão do Mundo", publicado em 1952 pela editora Germinal )

Satan é o espírito de revolta contra a fé, o ascetismo e a escolástica. É um apelo à Natureza desprezada pelo pensamento cristão e à Vontade esmagada pela Autoridade. É a Ciência, a Natureza, o espírito do Livre-Exame e a Filosofia ligados contra o Obscurantismo.
Emile Faguet — Historia da Filosofia




Aos que me ensinaram a amar a Satan, instilando-me no espírito a Dúvida heróica e fecundante:
A meu falecido pai, Manuel Vicente Pedroso Neves, que numa época e num meio dominados pelo fanatismo teve a coragem de proclamar-se ateu e como ateu viver e morrer;
a meu velho professor primário, António Antunes Amaro;
a Tomaz da Fonseca, o glorioso autor dos "Sermões da Montanha", que, com oitenta anos, continua sendo o motor hereje e o maior crente de Portugal;
e ao meu velho, bondoso e erudito professor de historia das religiões na Universidade de Coimbra, Dr. M. Goncalves Cerejeira (actual Cardeal-Patriarca de Lisboa), o maior ateu de Portugal.






QUERO SER COMO TU, SATAN!
A Jaime Brasil


É fria a noite. Ilune o céu. E o vento
uiva na treva como hidrófobo animal.
De luz nimbado surge, em um deslumbramento,
um vulto do Astral.
Desenha-se, num fundo azúleo, tenuemente,
uma linda visão de asas esculturais.
Ferem a escuridão dois raios, de-repente,
como flâmeos punhais.
O duende crava em mim sua pupila acesa
e longo tempo fixa o meu olhar. Alfim,
aquela aparição, de cujo olhar sou presa,
exclama: — Vem a mim!
— Quem és tu, ó visão que encanta e me fascina?
— inquiro, com assombro, a estranha aparição.
— Sou o Portador da Luz, a Estrela Matutina,
a alva Luz da Razão!
— Ah, como és belo! — digo ao Anjo, deslumbrado
pela sua beleza helénica, pagã.
Como te chamas tu? — Chamam-me o Reprovado,
o Anjo Revel, Satan!
— Anjo, há no teu olhar tanta melancolia!...
— Sofro — e turbou-se, então, o olhar do Anjo Revel —
por todos que, como eu, sofrem a tirania
do velho Deus cruel!
— Porque és o Reprovado e é réprobo o teu nome?
— Deus, de quem sou irmão, quis ser mais do que eu.
Revoltei-me. Jeová venceu-me, subjugou-me
— e expulsou-me do Céu.
E eu venho, desde então, pelo Universo, errante,
de Eloim afrontando o infinito rancor,
aos humanos pregando a insurreição perante
o jugo do Senhor!
— Quero ser como tu, Satan, ó Revoltado!
— Revolta-te e serás formoso aos olhos teus!
Sê livre, dá-te, rasga a Lei, ama o Pecado
— e amaldiçoa Deus!



CARTA AO DEUS DAS IGREJAS


(Endereço):
Ao: Padre Eterno, Deus, Criador e não-criado;
pirotécnico ilustre, excelso e decantado;
senhor dum poderio intérmino, profundo.
Detrás das Nuvens — Céu — Império do Outro Mundo.


(Texto):
Preclaro Autor de tudo o que se move
na imensurável amplidão dos céus,
ouve o que vou dizer-te, ó velho Zeus;
escuta o que te digo, antigo Jove:
A humanidade, que, por largos anos,
aos pés se te rojou, apavorada,
começa a compreender toda a farsada
e a gargalhar, ó Deus, de teus arcanos.
O raio, que tu lá de cima lanças,
que outrora muita gente estarreceu,
ó hábil pirotécnico do Céu,
só hoje aterra as tímidas crianças.
Ó Eterno, acalma o génio rabujento!
Mais que tu pode a herética Ciência.
Reduziu-te Franklin à impotência
com infernal, luciferino invento.
Por isso é que, hoje, à mirra e ao alecrim,
bentinhos, orações, magnificates,
até o crente (é bom, Deus, que o constates!)
prefere o pára-raios de Franklin.
Não me assustam, ó Júpiter tonante,
não me amedrontam, Júpiter superno,
as descrições mais tétricas do Inferno,
feitas por um masmarro ou pelo Dante.
Admiro Belzebú, o. ente primeiro
contra o teu despotismo revoltado.
Rio do teu poder ilimitado,
com João Most, com Voltaire e com Junqueira.
Do Infinito os zabumbas colossais
podes sovar, ó Deus, com toda raiva,
e mijar sobre mim chuva e saraiva,
que eu rir-me-ei, sem temor, ainda mais.
Deus, tranca-me os portões do Paraíso!
Chovam excomunhões sobre o blasfemo!
Jeová, as tuas cóleras não temo.
Tuas fúrias, ó Deus, causam-me riso.
Castiga, ó Padre-Eterno, o filho ingrato,
o filho heresiarca, o filho ateu!
Sobre mim desça a maldição do céu!
Às chamas infernais um candidato.
Coimbra, 1925.


Nota — Esta carta foi lançada numa caixa do Correio, em Coimbra (Portugal), no dia 3 de Junho de 1925, pelo autor, que nunca recebeu resposta. No reverso do sobrescrito lia-se:


De:
Um candidato às infernais chamas cruéis,
que em ser assíduo timbra
no número 26 da rua das Padeiras.
Terra — Coimbra.

«O Diário do Dr. Satan: comentários subversivos às escorrências quotidianas da sifilização cristã » (excerto do livro de Roberto das Neves)


"Antes insultado em esperanto — língua da Pátria Planetária, da Democracia, da Fraternidade — do que louvado em qualquer idioma nacional — Instrumento de divisão entre os homens, de patriotismo, de nacionalismo, de fascismo !" (Roberto das Neves)


O idioma, instrumento imperialista

(texto de Roberto das Neves inserida no seu livro "O Diário do Dr. Satan: comentários subversivos às escorrências quotidianas da sifilização cristã", publicado em 1954 pela ediotra Germinal. A carta é dirigida a Vasco da Fonseca)

"Os representantes russos da Checoslováquia desenvolvem, com a colaboração das autoridades checas, intensa campanha para popularizar o idioma russo, tornando o seu aprendizado obrigatório nas escolas. O professor Travnicek declarou que o russo, "língua do progresso e da paz", é o sucessor do esperanto como língua mundial" — noticiam de Praga.

O idioma foi sempre, através dos tempos, um instrumento psicológico de dominação imperialista. Foi por meio do latim que os romanos sujeitaram o mundo, como antes sucedera com o grego e com outras línguas, e como hoje ocorre com o inglês, arma de que se utilizam os imperialistas anglo-norte-americanos para manterem a hegemonia comercial e espiritual sobre as nações.
Depois da quinta-coluna das revistas, dos jornais e dos livros em inglês, com a propaganda de seus produtos e de seus métodos políticos, vem a conquista dos mercados e das almas. O nascente imperialismo russo não podia deixar de seguir o mesmo processo histórico. E os povos são tão idiotas, que fazem o jogo dos imperialistas, aprendendo e adoptando o ópio da sua língua. Se quando um anafado negociante ianque, recém-chegado ao Brasil, ou um rechonchudo burocrata soviético, acabando de saltar na Checoslováquia, se dirigem à primeira pessoa que encontram e lhe formulam qualquer pedido em inglês ou russo, o interpelado lhes respondesse: "Olha, velhinho, isto aqui não é a América do Norte (ou a Rússia). Se queres que te responda, fala-me em Esperanto, idioma que não pertence exclusivamente a um povo, mas a todos!" — as coisas correriam de outro modo. Os imperialistas ver-se-iam forçados, pelo menos, a mudar de táctica.

Declaremos, pois, a greve das línguas nacionais e pratiquemos o Esperanto, a mais terrível das armas secretas contra o imperialismo! Que o nosso lema seja: "Antes insultado em esperanto — língua da Pátria Planetária, da Democracia, da Fraternidade — do que louvado em qualquer idioma nacional — Instrumento de divisão entre os homens, de patriotismo, de nacionalismo, de fascismo !"

24.11.07

Seminário sobre Crises Esquecidas, organizado pela Plataforma das ONGD


A Plataforma portuguesa das ONGD organizações não governamentais para o desenvolvimento está a realizar o seminário "Crises Esquecidas", que começou em Lisboa no dia 21 e termina hoje 24 de Novembro, no Porto .



Neste seminário procura-se abordar algumas das crises humanitárias que continuam fora de uma, às vezes, tão necessitada atenção mediática. Para fazê-lo, convidamos representantes de ONGD Portuguesas que compõem o Grupo de Ajuda Humanitária e de Emergência da Plataforma ADRA, ASP, MdM-P e Oikos e um representante dos MSF Médicins Sans Frontières, para um pequeno colóquio introdutório, que será seguido da exibição do filme "Invisibles". Por fim teremos um espaço aberto á participação e ao debate.

"Invisíveis" são aqueles que não queremos ver, mas que acabam por aparecer atrás dos nossos medos e apreensões, entre outras coisas porque nunca deixaram de existir. São as vítimas de cinco crises esquecidas, duas epidemias mudas e três conflitos armados que não recebem a atenção mediática que merecem: a doença de Chagas, a doença do sono, as crianças soldado do Uganda, a violência sexual contra civis no Congo e os camponeses deslocados na Colômbia.

Coincidindo com o vigésimo aniversário do inicio das suas actividades em Espanha, os Médicos Sem Fronteiras quiseram fazer justiça a essas pessoas que foram esquecidas por governos, empresas, instituições e cidadãos. Quiseram dar-lhes voz através do olhar de cinco cineastas europeus.

"Invisibles" é um filme onde se combina realidade e ficção, no qual o talento de cineastas como Isabel Coixet e Mariano Barroso serve para falar dessas epidemias mudas que são a doença de Chagas na Bolivia com "Cartas a Nora" e a doença do sono, na Républica Centro-Africana en "El sueño de Bianca". Por sua vez, Fernando León de Aranoa dá voz aos civis convertidos em objectivos de guerra no Uganda em "Buenas Noches, Ouma", Javier Corcuera mostra as sequelas da violência na Colômbia com "La voz de las piedras" e Wim Wenders fala das agressões sexuais na Republica Democrática do Congo.

Este seminário surge com o objectivo de sensibilizar e mobilizar a opinião pública para estas graves crises humanitárias, bem como um convite à comunicação social para ser parte activa na divulgação das mesmas e na tomada de consciência sobre as causas do esquecimento e as responsabilidades de cada um em mitigar estas situações.



Para informação adicional, por favor contacte

ricardo.monteiro@plataformaongd.pt


ou 21 887 22 39.

Press Release - Crises Esquecidas 302.40 Kb





Trailer do documentário 'Invisibles' produzido porJavier Bardem e realizado por Isabel Coixet, Fernando León de Aranoa, Mariano Barroso, Javier Corcuera, Wim Wenders








A Plataforma Portuguesa das Organizações Não Governamentais para Desenvolvimento é uma associação privada sem fins lucrativos que representa a grande maioria das ONGD portuguesas registadas no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Potenciando o trabalho das suas associadas a nível político e legislativo e promovendo as boas práticas, a Plataforma reúne as ONG que trabalham, para um mundo mais justo e equitativo, junto dos Países em Desenvolvimento, em áreas como a Cooperação para o Desenvolvimento, a Ajuda Humanitária e de Emergência e Educação para o Desenvolvimento


Próximas actividades:


Lançamento do Livro "Imaterial, Possível, Inevitável A viagem de um projecto" pela UCCLA / URB- África, no âmbito de um projecto de Educação para o Desenvolvimento co-financiado pelo IPAD e apoiado pela Câmara Municipal de Guimarães e Câmara Municipal de Lisboa.

O livro de distribuição gratuita pode ser adquirido nas sessões de lançamento:
Guimarães 27 de Novembro de 2007, 21H, Biblioteca Municipal Raul Brandão
Lisboa 29 de Novembro de 2007, 19H30, Fórum Lisboa (antigo cinema Roma)

O livro aborda os seguintes temas: Educação para o Desenvolvimento, Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, o projecto e a capacidade de intervenção da sociedade civil.
Informações e contactos Gabinete de Cooperação Técnica e Formação União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, UCCLA / URBÁFRICA Rua de São Bento, 640 1250 – 222 Lisboa T. 21 384 56 22 / 00 F. 21 385 25 96

Um dia sem compras, e 364 de consumo sustentável

O que podemos fazer no Dia Sem Compras:

Para escapar ao consumismo que nos escraviza:





O dia sem compras (Buy Nothing Day) realiza-se há 15 anos e pretende ser como que uma espécie de greve geral dos consumidores, uma forma de contestação dirigida, não contra um produto em especial ou uma empresa multinacional em particular, mas contra a sociedade de consumo, essa que promove um modelo social baseado no consumismo, absolutamente insustentável.

Insustentável porque se o modelo consumista dos países ocidentais ( ou do hemisfério norte) se estendesse a toda a população mundial seriam necessários 3 planetas Terra para responder a uma tal procura.

Insustentável porque a ca da dois segundos uma área de floresta do tamanho de um campo de futebol é diizimada para o aproveitamento da madeira, ao mesmo tempo que a produção de lixo, a maior parte constituído por embalagens e invólucros, não pára de aumentar( meio quilo por pessoa há 30 anos atrás, e 1,5 Kg de lixo por pessoa na actualidade)

Insustentável porque 80% dos recursos naturais utilizados são-no por conta dos países ricos, no seio dos quais só 12% da população é responsável por 60% desse consumo

Insustentável também por causa do crescente impacto do consumismo dos países ricos nos ecossitemas de todo o planeta, evidenciado no uso exponencial de materiais que são importados para alimentar o modelo de vida consumista e depredatório seguido naqueles países, e que está, de resto, na origem da enorme dívida ecológica dos países do Norte em relação aos países do Sul, hipotecando assim a possibilidade de uma vida digna não só para as gerações futuras como ainda para as actuais populações dos países do Sul.

Insustentável ainda porque, apesar de todas essas taras consumistas, e do grau de produção e de consumo alcançados, as populações dos países ricos vêem-se confrontados com um sentimento larvar de infelicidade e enfado, a que não é alheio a percepção generalizada de que para ter êxito social precisamos de um emprego bem remunerado, ainda que não do nosso agrado, capaz de satisfazer os apetites consumistas espicaçados pela publicidade e outras técnicas de manipulação

Na realidade, uma terça parte dos consumidores adultos europeus revelam distúrbios comportamentais no exercício da sua função enquanto consumidores, enquanto metade dos jovens europeus (uns 46%) apresentam uma preocupante tendência consumista a raiar a adicção às compras. A publicidade é uma das causas primárias para isto acontecer na medida em que ao impingir produtos de beleza nos tenta convencer que somos feios, ou que a nossa identidade é moldada pelos produtos e pelas marcas que consumimos. No fim, o que se obtém é uma grande frustração e vazio existencial.

Por essas e outras razões é que hoje se realiza o dia sem compras. Mil e uma acções se realizarão para mostrar que existem alternativas ao modelo consumista, alternativas viáveis, eticamente responsáveis e existencialmente mais compensadoras.

Fonte: excertos traduzidos e adaptados do texto em castelhano da associação Ecologistas en Accion

http://www.ecologistasenaccion.org/diasincompras

Nasceu na Galiza um novo website para fazer trocas - Vigotroca



Acabou de nascer na Galiza um projecto que permite fazer trocas e cedências de bens entre os interessados, constituindo-se assim uma forma alternativa, mais justa e ecológica de satisfazer as necessidades das pessoas.

Numa sociedade cada vez mais alienada por um progresso que é muito mal-entendido, numa sociedade obcecada pelo consumo desmedido, a troca e cedência de bens entre as pessoas é indiscutivelmente um contributo precioso para a sustentabilidade das nossas vidas e sociedades.

Todos temos em casa coisas, objectos, bens de que não precisamos, que não usamos, e mesmo que estorvam. E ao mesmo tempo todos nós precisamos de algo que não possuimos. O novo website Vigotroca pretende justamente ser um espaço de intercâmbio e troca desses bens.

Importa que os interessados se registem e comecem desde logo a fazer as suas trocas e intercâmbios. Pretende-se que este website seja mais uma ferramenta ao serviço das associações e colectivos que possam assim satisfazer as suas mais variadas carências.

VIGOTROCA é um espaço aberto de intercâmbio e cedência de bens, uma alternativa para satisfazer as nossas necessidades.

VIGOTROCA é a aposta dum conjunto de associações a favor do consumo consciente, pela reutilização e a reciclagem, pela participação cidadã e a recuperação da rua como espaçoo de conhecimento, relação e disfrute.

VIGOTROCA é uma aposta pela revalorização das relações personais face às imposicções do mercado: nós somos os que decidimos o valor que têm as nossas coisas e o nosso tempo.

VIGOTROCA quere também chegar a ser um local DE TROCA.


Sem dinheiro, nem moeda nem cartões bancários, porque a gente não tem preço

SE QUERES DAR MAIS VIDA À TUA, VEM TROCAR CONNOSCO



Esta é uma iniciativa dos seguintes colectivos e projectos:

·Centro Social A Revolta:
revolta.agal-gz.org
· ONG de cooperación para o desenvolvemento Amarante:
amaranteong.org
·Cooperativa de consumo consciente Árbore:
arbore.org
· Asociación cultural Caleidoskopio / CSA Cova dos Ratos:
sindominio.net/caleidoskpio
· Centro Social Faísca:
faisca-gz.blogspot.com/
·Cooperativa de comercio xusto Mundos:
tiendamundos.com
· Asociación ecoloxista Verdegaia:

Ciclo sobre William Blake em Coimbra durante o mês de Novembro


Teatro Gil Vicente de Coimbra - ICLO DE PROGRAMAÇÃO INTERDISCIPLINAR, QUE INCLUI EXPOSIÇÕES, MÚSICA, TEATRO, MULTIMÉDIA, CINEMA, DEBATES E RÁDIO, DURANTE O MÊS DE NOVEMBRO

Com o ciclo «Blake no TAGV», o Teatro Académico de Gil Vicente pretende celebrar e dar a conhecer de forma alargada a obra de um dos grandes artistas da humanidade, no ano em que se completam 250 anos sobre o seu nascimento. «Blake no TAGV» constitui um ciclo
interdisciplinar, que abrange de forma integrada a maior parte das áreas de programação do Teatro: exposições, teatro, música, multimédia, cinema e debates. Contamos ainda com a colaboração da Rádio Universidade de Coimbra na montagem e difusão de um conjunto de gravações, constituídas por traduções de poemas de William Blake e por composições musicais baseadas na sua obra. Enquanto produção própria e exclusiva, «Blake no TAGV» representa também um modelo de relação dialéctica entre criação e programação. Trata-se de uma iniciativa que combina várias disciplinas artísticas, integra a criação local na programação e, ao mesmo tempo, realiza a dimensão especificamente universitária do TAGV, mobilizando um conjunto de saberes científicos e artísticos.
No âmbito deste ciclo serão estreadas duas co-produções do TAGV: «Uma Ilha na Lua», pela Camaleão com a Orquestra Clássica do Centro, e «As Portas da Percepção», pela Marionet. A natureza multimédia da obra de William Blake (1757-1827) poderá assim ser objecto de ressignificação e releitura cénica na era digital.

No seu conjunto, a obra de William Blake constitui uma verdadeira cosmogonia, que reescreve e recombina diferentes mitos da criação. Ao escrever, desenhar, gravar, imprimir, pintar e publicar, William Blake tomou nas suas mãos todo o potencial simbólico do livro como máquina de criação e chamou a si o controlo do modo de produção tipográfico, num momento em que se acentuava a divisão do trabalho e se anunciava já a industrialização da imprensa. Além dos poemas proféticos em manuscrito Tiriel (c. 1789), The French Revolution (1791) e The Four Zoas (c. 1795-1804), a sua obra inclui os seguintes livros iluminados: All Religions are One (c. 1788), There is No Natural Religion (c. 1788), Songs of Innocence (1789), The Book of Thel (1789), The Marriage of Heaven and Hell (1790), Visions of the Daughters of Albion (1793), For Children: The Gates of Paradise (1793), America a Prophecy (1793), Europe a Prophecy (1794), Songs of Innocence and of Experience (1794), The First Book of Urizen (1794), The Book of Los (1795), The Song of Los (1795), The Book of Ahania (1795), Milton A Poem(1811) e Jerusalem: The Emanation of the Giant Albion (1820). Aos livros iluminados juntam-se ainda centenas de pinturas, desenhos e gravuras. Nos últimos dez anos, a digitalização da sua obra tem construído um espaço de leitura que permite olhar de forma renovada para a materialidade icónica do seu traço visionário, restituindo a integridade visual e literária dos originais.


BLAKE NO TAGV

Comemoração dos 250 anos do nascimento de William Blake [1757-1827]

Datas :
De 6 a 28 de Novembro de 2007

Programa

EXPOSIÇÕES

De 6 a 28, Café-Teatro
7 VISÕES DE WILLIAM BLAKE

Sete artistas desenvolvem um trabalho original a partir de sete gravuras de William Blake. Esta exposição inclui as reproduções das gravuras seleccionadas e as sete obras resultantes.
Artistas participantes: Pedro Pousada, Armando Azevedo, António Olaio, Emanuel Brás, Teresa Amaral, Gilberto Reis e Atelier Corvo.

Inauguração da exposição no dia 6, às 18h00, com a mesa-redonda Blakeana 1: «Blake pintor», com a participação dos artistas que realizaram obras a partir de gravuras e pinturas de William Blake para a exposição «7 visões de William Blake».


De 6 a 28, Sala Branca
WILLIAM BLAKE: LIVROS ILUMINADOS

Esta exposição consiste numa videoprojecção integral das páginas de 17 livros iluminados: All Religions are One (c. 1788), There is No Natural Religion (c. 1788), Songs of Innocence (1789), The Book of Thel (1789), The Marriage of Heaven and Hell (1790), Visions of the Daughters of Albion (1793), For Children: The Gates of Paradise (1793), America a Prophecy (1793), Europe a Prophecy (1794), Songs of Innocence and of Experience (1794), The First Book of Urizen (1794), The Book of Los (1795), The Song of Los (1795), The Book of Ahania (1795), Milton A Poem(c. 1804-1811), Jerusalem: The Emanation of the Giant Albion (1804-c.1820) e For the Sexes: The Gates of Paradise (1793, c. 1820). A natureza singular de cada página iluminada será ilustrada com 10 versões diferentes do poema «The Sick Rose» e 11 versões do poema «The Tyger». Esta singularidade poderá ainda ser apreciada em exemplares diferentes de The Book of Thel (1789), Songs of Innocence and of Experience (1794) e The Song of Los (1795).



MESAS-REDONDAS

Dia 6, 18h00, Café – Teatro
BLAKEANA 1: «BLAKE PINTOR»
Mesa-redonda com a participação dos artistas que realizaram obras a partir de gravuras e pinturas de William Blake para a exposição «7 visões de William Blake».

Dia 13, 18h00, Café-Teatro
BLAKEANA 2: «BLAKE POETA»
Com Gastão Cruz e Manuel Portela

CINEMA

Dias 12, 13 e 14, 21h30
CINEBLAKE
Dia 12, Blade Runner (1982, 1991), de Ridley Scott
Dia 13, Dead Man (1995), de Jim Jarmusch
Dia 14, The Wind that Shakes the Barley (2006), de Ken Loach


Nos três filmes escolhidos, as referências a William Blake e à sua obra surgem de forma indirecta, através de alusões ou de citações. Não se trata de adaptações de obras ao cinema, nem de reconstituições biográficas, ou sequer de referências centrais. São antes presenças marginais, quase parasitas às vezes. Em Blade Runner, a referência a Blake surge através do nome de um dos replicantes, Orc, e através de uma citação de dois versos da 11ª gravura do poema America a Prophecy (1795): «Fiery the Angels rose, & as they rose deep thunder roll ' d / Around their shores; indignant burning with the fires of Orc» [«Fogosos os Anjos ergueram-se, e nesse instante um tremendo trovão/ Sacudiu a costa: indignados, a arder com os fogos de Orc»]. Em Dead Man, um certo William Blake, contabilista homónimo do autor, colocado no contexto do oeste norte-americano, serve o propósito de produzir o estranhamento que desnaturaliza a ficção. Em The Wind that Shakes the Barley, dedicado à guerra civil da independência irlandesa em 1922, é um dos prisioneiros políticos que cita o poema «The Garden of Love» (1794), aludindo ao papel da religião naquela guerra fratricida: «And I saw it was filled with graves, /And tomb-stones where flowers should be: /And Priests in black gowns, were walking their rounds, /And binding with briars, my joys & desires». [«E vi-o cheio de campas, /Lápides em vez de flores: /E Padres de preto, em seus afazeres, /Com silvas tolhiam desejos & prazeres.»] São três presenças oblíquas, fugazes, enigmáticas, da obra de William Blake, mediadas pela escrita de Philip K. Dick, Jim Jarmusch e Paul Laverty.

TEATRO E MÚSICA

Dia 8, 21h30, Dia 9, 15h00 e 21h30, Dia 10, 21h30
UMA ILHA NA LUA
Co-produção Camaleão – Associação Cultural, Orquestra Clássica do Centro e Teatro Académico de Gil Vicente




TEATRO E MULTÍMÉDIA

Dia 23, 15h00 e 21h30, Dia 24, 21h30

AS PORTAS DA PERCEPÇÃO
Co-produção Marionet e Teatro Académico de Gil Vicente
Projecto financiado pelo Instituto das Artes



AS PORTAS DA PERCEPÇÃO

a partir dos poemas iluminados de William Blake

Tal como nos poemas iluminados, texto e imagem colaboram na produção de um sentido, a selecção do Manuel Portela produziu para nós um mundo dentro da cosmogonia visionária de William Blake. Aqui estão ideias de liberdade para os corpos e para as emoções na forma de um novo Génesis. Um mundo sem escala ou tempo absolutos, em que o nascimento de um homem é também a explosão original geradora do mundo finito. Mente e corpo são um só, encerrado nos cinco sentidos finitos. Antes era o infinito e só a vontade determinava a forma. Depois de cairmos da Eternidade ficámos condenados aos limites do mundo material que podemos percepcionar. Instituições seculares como Igreja, Estado e parte da comunidade científica procuram organizar esta percepção para legitimar as suas leis com medições e cálculos.
Limpar as portas da percepção permitirá contemplar esta conspiração mas também encontrar o indivíduo incapaz de obedecer. O Homem ilimitado, que suportará a complexidade sem se esconder aquém do horizonte.




RÁDIO

De 6 a 28 de Novembro
RÁDIO BLAKE: VERSÕES DE WILLIAM BLAKE

Selecção de textos e canções Manuel Portela
Realização Alexandre
Co-produção TAGV – Rádio Universidade de Coimbra


Leitura de poemas de William Blake, ao ritmo de um por dia, com o objectivo de representar a maior parte dos tradutores portugueses e brasileiros da sua obra. A leitura completa-se com uma selecção de canções, de diferentes géneros musicais, concebidas a partir de livros do autor.

Traduções de: António Herculano de Carvalho, Augusto de Campos, David Mourão-Ferreira, Gastão Cruz, Hélio Osvaldo Alves, João Almeida Flor, João Ferreira Duarte, Jorge de Sena, Jorge Sousa Braga, José Paulo Paes, Manuel Portela, Mário Alves Coutinho e Leonardo Gonçalves, e Paulo Quintela.

Canções de: Billy Bragg, Bob Dylan, Bruce Dickinson, Caprice, Daniel Amos, Hughes de Courson, Jah Wobble, Patti Smith, Ralph Vaughan Williams, The Doors, Ulver e¬ Van Morrison



Concepção e programação: Manuel Portela
Produção: TAGV

23.11.07

Encontro dos REUTILIZADORES + Acção do DIA SEM COMPRAS (24 Nov) em Lisboa e Porto


O objectivo do ENCONTRO DOS REUTILIZADORES é que todas as pessoas interessadas em reutilizar materiais e objectos úteis, em vez de os atirar para o lixo, se encontrem já no próximo Sábado, dia 24 de Novembro.


Vamos ter todos um Almoço, levar coisas para dar, de que já não precisamos em casa, e receber outras que nos fazem falta!


Actualmente existem vários Grupos de Reutilização, e o objectivo é juntar as pessoas dos vários grupos, e todas as outras pessoas interessadas em Reutilizar!


Os grupos já existentes são, por exemplo:


o Freecycle - www.freecycle.org [1] (grupos locais em Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Braga e Alcobaça!)


o Trocal de Lisboa - http://tlx.mahost.org/ [2]



o Dado.Tricla - http://dado.tricla.com/ [4]

E o objectivo para este sábado é também que as pessoas que já pertencem a estes grupos combinem as suas trocas no Centro Social da Mouraria!


Quem não pertence aos grupos, pode e deve! vir à mesma, e tem também uma muito boa

oportunidade para dar e receber coisas, conhecer os grupos, e ver como funcionam!


O Encontro dos Reutilizadores é já no próximo Sábado!


Todos são bem-vindos!!Com ou sem coisas para oferecer ou receber!Tragam os amigos, a família, os colegas!TODOS ESTÃO CONVIDADOS!!!


Para o nosso encontro temos um espaço espectacular disponível: o Centro Social do GAIA no Clube Desportivo da Mouraria!

O GAIA - http://gaia.org.pt [4] - lançou-nos o desafio para esta iniciativa e disponibiliza-nos o seu espaço!

Fica mesmo junto ao Martim Moniz e também muito perto do Largo da Graça!

Morada
Clube Desportivo da Mouraria, Travessa da Nazaré, nº 21Lisboa

Mapa



Neste mesmo dia, 24 de Novembro, celebra-se também o Dia Sem Compras


Durante este dia, como um manifesto contra o consumismo desmedido e insustentável tão presente na sociedadeocidental, pessoas de todo o Mundo, decidem não comprar nada!


O caso do nosso país é ainda mais agudo,pois consumimos 3 vezes mais do que o adequado para ter um planeta sustentável, disse-o publicamente o Presidente da Oikos (http://www.oikos.pt [6]) há um mês atrás.


Pensemos, por exemplo, nos pratos abastados das ementas portuguesas, na comida que se costuma deixar no prato no fim da refeição ounas acelerações desnecessárias dos carros, que consomem combustível a mais...


O próximo Sábado 24 de Novembro, é pois um dia muito especialpara todos nós, durante o qual muitas pessoas não vão comprar nada,e nós como Reutilizadores de Materiais que

somos,podemos manifestarmo-nos realizando ofertas e procurando objectos que outras colegas nossos já não querem!


Para além de não comprarmos nada.. claro!!!


Com o objectivo de expormos a Reutilização e divulgar o Dia sem Compras ao povo de Lisboa, juntamente com o GAIA lembrámo-nos de organizar


A Loja Grátis , um espaço na Rua Augusta, na Baixa de Lisboa, com todo o tipo de produtos que tenhamos para dar!


Serão gratuitos e para todas as pessoas que os quiserem!!!Deste modo, estamos a intervir directamente na Reutilização de materiais já existentes,e consequentemente na inibição do consumo desses mesmoprodutos em superfícies comerciais!


Para além disso, vamos distribuir panfletos na rua,sobre o Dia sem Compras, os vários Grupos de Reutilização existentes, e convidar as pessoas para irem à Loja Grátis!!!


Fica então aqui resumido o Horário:


ALMOÇO - 12H (traz a comida / bebida / pratos e talheres que puderes sff)
HORA DAS TROCAS - 14H
LOJA GRÁTIS + DISTRIBUIÇÃO DE PANFLETOS – entre as 15H e as 20H


* Na R. Augusta - 15H-18H (quando o sol se puser e fizer mais frio)

* Rumo à Rua do Carmo (bem perto do C. C. do Chiado) - 18H-20H



Links:








No PORTO

Não se consumam mais...

chegou a hora da ACÇÃO!


24 DE NOVEMBRO DE 2007

DIA SEM COMPRAS - PORTO


O ponto de encontro para esta acção será às 15 horas em frente ao ViaCatarina.

Será montada uma banca com material informativo.


Apareçam, sejam criativos e Activos.

Actividades na Casa Viva para amanhã (Sábado, 24 de Novembro)

Actividades para este Sábado - 24 novembro na Casa-Viva no Porto
entrada livre
20h00 Acção de desobediência civil contra o cultivo transgénico em Silves
Vídeo (12'50'')

22h00 Jantar e conversa em torno do livro
Acção Sindical e Representatividade (Lisboa, Autonomia 27, 2007),
com a presença do autor, José Nuno Matos.

O Pica Miolos poderá aparecer e diz que vem cabreado com o querido líder Rui Rio.

CasaViva
praça marquês de pombal 167 porto
(bate o batente)

A TOCA foi demolida! Todos à acção de protesto na próxima 2ªfeira em frente à Câmara da Amadora pelas 18h.30


Na quarta-feira, a cultura na Amadora sofreu uma machadada brutal. A Taberna Ocupada p'la Cultura na Amadora (TOCA) foi demolida sem qualquer pré-aviso por escavadoras, enquanto a PSP cortava os acessos. A TOCA era um projecto do Movimento de Acção Reivindicativa pela Cultura e Habitação na Amadora (MARCHA).

O sonho de transformar um espaço abandonado num centro de cultura onde os jovens pudessem produzir e viver cultura durou oito meses. Mas o nosso sonho era um pesadelo para o proprietário e para a Câmara Municipal da Amadora. Através deste espaço denunciámos a especulação imobiliária e a falta de habitação para os jovens e denunciámos a falta de políticas por parte de Joaquim Raposo que apoiassem a cultura.


Ocupámos uma casa antiga, património histórico da nossa cidade, e remodelamo-la. Através do trabalho voluntário, centenas de jovens, com o apoio de vizinhos, limparam, pintaram as paredes, arranjaram o telhado, mobilaram a casa e deram-lhe vida abrindo-a à população e aos jovens.

Durante oito meses, resgatamos um espaço do silêncio e da degradação e demo-lo à juventude. Organizámos dezenas de concertos de todos os tipos de música, exposições de fotografia, sessões de cinema, debates, convívios e reuniões. Era raro o fim-de-semana em que a TOCA não se enchia de gente, com centenas de jovens da Amadora e de outros concelhos.


Mas não. Era um sonho demasiado bonito. Era um projecto que impulsionava a participação juvenil numa sociedade dominada pelo individualismo e pela apatia. Como tal, importava destruí-lo para abrir caminho à fúria dos construtores e para silenciar aqueles que lutam pela cultura na Amadora.

Desse ódio são exemplo a preocupação da Câmara Municipal da Amadora em enviar a Polícia Municipal para intimidar e ameaçar os jovens da TOCA, prometendo "desocupa-la" em breve. Quando, logo após a ocupação, o MARCHA se dirigiu à Assembleia Municipal da Amadora para explicar os seus objectivos e as razões da acção, o presidente da Câmara Municipal, Joaquim Raposo, afirmou, em relação às nossas preocupações, que tínhamos "o azar de viver numa cidade assim". Mesmo depois de termos convidado todos os deputados municipais a visitar a TOCA. Porém, não desistimos. Apesar de todas as ameaças e dificuldades, o MARCHA promete não se conformar com a cidade em que vive e lutar para que esta seja um lugar melhor para a população e para os jovens.

*O brutal ataque, sem qualquer pré-aviso, do especulador imobiliário com a autorização da Câmara Municipal da Amadora à Taberna Ocupada p´la Cultura na Amadora merece uma resposta. Por isso, apelamos à população e aos jovens para que participem numa acção de protesto em frente à Câmara Municipal da Amadora na próxima segunda-feira, às 18:30 com o lema

CONTRA A ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA E CONTRA A DEMOLIÇÃO DA CULTURA JUVENIL NA AMADORA!*


Movimento de Acção Reivindicativa pela Cultura e Habitação na Amadora



mais em:
http://www.em-marcha.blogspot.com/




A quem quiser demonstraR o seu desagrado:

Camara:
geral@cm-amadora.pt


Assembleia: geral@am-amadora.pt

O paradigma ecológico nas ciências sociais


Ensaios de E.Morin, G.Munda, M-Nardo, A.Puleo, V.Toledo, Á. Valência, F.GArrido, M.GOnzález de Molina, J.L.Serrano y J.L.Solana (eds)


«O paradigma ecológico nas ciências sociais » é um livro agora editado pelas edições Icaria, e disponível somente em castelhano, que pretende ser uma primeira abordagem, assim como oferecer um panorama geral do actual estádio de conhecimentos, sobre o impacto do paradigma ecológico nos diferentes campos do saber social: antropologia, economia, sociologia, ética, política… Com efeito, em cada um destes campos quebrou-se o binómio homem/natureza e foi definitivamente ultrapassada a separação artificial abstracta entre a espécie humana e o resto da natureza pelo que urge reequacionar os pressupostos a partir dos quais as ciências sociais se desenvolveram.

Agora que o pensamento científico superou esse binómio é chegado o momento de questionar as consequêcias e procurar situar o homem no lugar que lhe corresponde no seio de um contexto problemático de sistemas naturais. Tarefa que é cada vez mais urgente face à tentação a que não são alheias as ciências sociais de inserirem o ser humano num vazio, como se as suas acções não tivessem impactos decisivos, e da maior importância, sobre a natureza. Esta concepção releva de dois axiomas: o mito do progresso ilimitado e o antropocentrismo.


O paradigma ecológico permite voltar a considerar a natureza dentro da sociedade. A viragem operada pelo paradigma ecológico parte de um princípio fundamental: o de que as sociedades humanas, quaisquer que sejam as suas condições históricas ou graus de complexidade, não existem no vazio ambiental, bem pelo contrário, pois todas elas afectam e são afectadas pelos fenómenos e pelas leis da natureza. E isto não de forma determinista, mas antes como um duplo jogo em que ambos os termos se determinam reciprocamente Trata-se no fundo de uma relação co-evolutiva que passa assim a ser o fundamento epistemológico em que se baseia o paradigma ecológico.


No livro com 304 páginas uma série de investigadores abordam esta questão tendo por base o novo paradigma emergente: Edgar Morin, Alicia Puleo, Francisco Garrido, Manuel González de Molina, Giuseppe Munda, Michela Nardo, José Luis Serrano, José Luis Solana, Víctor Toledo y Ángel Valencia

Bibliotecas sem fronteiras


A Biblioteca sem fronteiras é uma Organização Não-governamental franco-americana criada em Dezembro de 2006 que tem como objectivos:

-facilitar o acesso aos livros nos países em vias de desenvolvimento através do envio de obras, colecções e periódicos para as bilbiotecas públicas, as universidades locais, as cidades e as aldeias.

-Desenvolver a troca de livros e obras, a criação de redes académicas, a informatização de bibliotecas em parceria e criar novas bibliotecas.

Bibliotecas sem fronteiras é uma ONG de soldariedade internacional que assume uma clara vontade de partilha de saberes à escala internacional, assim como a doação de livros e a criação e montagem de bibliotecas nos países em vias de desenvolvimento.

www.bibliosansfrontieres.com



Workshop de Soma - Uma terapia libertária ( Sábado, 24 de Nov. na BOESG, em Lisboa)

com João da Mata,
escritor, somaterapeuta, psicólogo,mestre em Filosofia e
doutorando em Sociologia Económica e das Organizações - ISEG/UTL.

A Soma é um processo pedagógico-terapêutico, corporal e em grupo. Foi criada e desenvolvida no Brasil pelo escritor e terapeuta Roberto Freire, como um instrumento para aqueles que buscam respostas originais nas suas vidas, procurando entender o comportamento humano em sociedade a partir do quotidiano das pessoas.

Baseado nas pesquisas de Wilhelm Reich, discípulo dissidente de Freud, a Soma nasceu de estudos sobre o desbloqueio da criatividade. Através de exercícios teatrais, jogos lúdicos e de sensibilização, fomos criando uma série de vivências que possibilitam uma rica descoberta sobre o comportamento e suas inúmeras nuances.

Perceber como o corpo reage diante de situações tão diferentes, como a agressividade, a comunicação, a sensorialidade, a sensualidade e sua relação com sentimentos e emoções, permite um resgate daquilo que nos diferencia enquanto individualidade, para criar um jeito novo, a singularidade contra a massificação. Esta oficina é um primeiro contacto com a Soma, onde buscaremos apresentar as principais bases teóricas e práticas do processo.


”...não é apenas uma terapia. É uma terapia lúdica e uma pedagogia nova. É poder se conhecer na diversão e, divertindo-se conhecer o outro. Estimular a solidariedade e a sinceridade como princípios da relação."


16h - Palestra "Psicologia, corpo e política"

17h - Oficina de Somaterapia


entrada livre

INCRIÇÕES: jodamata@terra.com.br ou 916759883

www.somaterapia.com.br


Local: BOESG - Rua das Janelas Verdes, 13 - 1º esq.
(em SANTOS, Lisboa)



Realização: Associação Cultural A Vida / Coletivo Anarquista Brancaleone