13.3.11

Não há que pagar esta dívida! Pela criação de uma Comissão de auditoria da dívida portuguesa

Texto retirado de:


Não há que pagar esta dívida!
Pela criação de uma Comissão de auditoria da divida portuguesa
por Guilherme Alves Coelho [*]



Especialistas de vários países consideram que dívidas externas de Estados altamente devedores, originadas por empréstimos contraídos no âmbito de uma total desregulação dos mercados, podem ser investigadas e, se forem consideradas ilegítimas, ilegais ou odiosas, devem ser renegociadas ou mesmo anuladas. A divida externa portuguesa – uma das maiores da Europa [1] – resultante de empréstimos que nenhuns benefícios trouxeram ao povo, parece estar nessas condições. Será portanto legitimo indagar como, quando e para quê foram esses empréstimos concedidos e quem deles beneficiou e, se for caso disso, fazê-los pagar a dívida. Alguns países já seguiram este caminho com resultados positivos.


Após mais de três décadas de aplicação da política neoliberal em muitos países, os resultados não podiam ser piores para as suas populações: a destruição da produção nacional, o saqueio dos Estados, uma catastrófica redução dos direitos e níveis de vida dos cidadãos e um obsceno crescimento do número de multimilionários, provocando a maior desigualdade social de sempre. Como consequência, uma crise global sem precedentes parece ter-se instalado em definitivo.

Portugal não foi excepção. A imposição do colete-de-forças da UE e do Euro entregou definitivamente a soberania nacional nas mãos do capital especulativo financeiro estrangeiro e nacional. O país ficou assim privado dos possíveis mecanismos de equilíbrio financeiro.

Sem defesas e com a produção paralisada, Portugal tornou-se um dos mais endividados da zona euro, com o endividamento externo crescendo a níveis incomportáveis. A dívida externa é hoje o maior problema que o pais enfrenta [2] .

A solução para sair desta crise, imposta pelos que a provocaram, é apenas a continuação da ruinosa politica do neoliberalismo, fazendo pagar a dívida aqueles que já eram as suas principais vítimas: os trabalhadores e o povo em geral. Este caminho só pode conduzir ao desastre, ao retrocesso civilizacional e ao comprometimento das gerações futuras. O sacrifício dos portugueses ao longo de décadas foi inútil.

Um pouco por todo o mundo onde esta politica tem sido imposta, os trabalhadores começam a rebelar-se contra estes abusos. Os portugueses têm resistido maciçamente, através de manifestações de protesto, atingindo níveis de participação nunca antes alcançados. Mas, num quadro de legalidade cujas regras são ditadas pelo poder, os resultados estão ainda longe de fazer recuar a classe dominante, que prossegue a sua caminhada devastadora.

Perante um cenário como este, que pode ser irreversível, muitos crêem que não há mais lugar para contemporizações. Que é imperioso romper com as actuais politicas neoliberais e encontrar outros caminhos, que façam pagar a crise aos que com ela abusivamente lucraram.

O que fazer?

Embora o pensamento único tente fazer crer na inevitabilidade da solução neoliberal, segundo alguns autores outras soluções existem em relação aos pagamentos das dívidas externas. [3] Pelo menos três hipóteses alternativas se colocam:
- a primeira, a de austeridade para a maioria; esta hipótese favorece o capital financeiro e corresponde à continuação das medidas actuais.
- a segunda, a reforma da União Europeia, no sentido de a tornar favorável aos povos; obrigaria a uma autêntica revolução – coisa que está nos antípodas do pensamento e da acção dos actuais responsáveis políticos, e nem os trabalhadores estão em condições de encetar.
- a terceira alternativa, o deliberado incumprimento da dívida; permitiria reexaminar a legitimidade da dívida e, se necessário, não a pagar.

Só esta última solução poderia beneficiar a maioria trabalhadora.

Alegam aqueles especialistas que será perfeitamente legítimo não pagar aquilo que foi ilegal ou ilegitimamente emprestado, quer devido aos juros desproporcionados, quer pela inutilidade na aplicação dos empréstimos ou até pela sua apropriação fraudulenta. Neste caso será mesmo de imputar o pagamento das dívidas aos que deles beneficiaram.

Desde há vários anos que um movimento mundial, nomeadamente de países do chamado terceiro mundo – o CADTM (Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo) – vem defendendo o não pagamento aos países ricos e às instituições financeiras internacionais das respectivas dividas externas. Considera esse movimento que as riquezas nacionais têm sido saqueadas ao longo dos séculos pelos actuais credores. Assim, se alguém deve alguma coisa, são os países que enriqueceram à custa desse saqueio e não o contrário. Por isso contestam a legitimidade dos empréstimos dos seus países, alguns contraídos por ditadores afectos aos países credores, e exigem renegociar as suas imensas dívidas ou mesmo a sua anulação.

Esta ideia começa a ganhar força por todo o mundo. Casos como o da Rússia em 1998 e da Argentina em 2001-2005, mostram que "um incumprimento (não pagamento da dívida) pode ter resultados positivos, desde que seja rápido e conduzido com firmeza". [4]

O caso recente do Equador que acaba de ver a sua dívida renegociada para cerca de 30% do valor inicial, é o exemplo mais recente de sucesso. Uma comissão idónea demonstrou cabalmente que a maior parte da divida era ilegítima ou ilegal, ou mesmo odiosa porque contraída pela ditadura. Tal operação permitiu ao Estado recuperar financiamentos que de outro modo estariam perdidos e empregá-los no desenvolvimento do país.

Nos países periféricos da Europa, muito endividados, como Portugal, vítimas de ataques especulativos, começam a surgir propostas semelhantes. A Grécia é, neste momento, um dos mais avançados nesse processo. Deputados do Parlamento grego propuseram a criação de uma Comissão para investigar as condições dos empréstimos que provocaram a divida. [5] [6] Na Irlanda já se advoga abertamente a saída do Euro e o repúdio da própria dívida. [7] Na Islândia a situação é menos conhecida, mas dão-se passos seguros no mesmo sentido. Em referendo, 93% dos islandeses votaram contra o pagamento da dívida [8] .

Portugal está em condições semelhantes às deste grupo de países devedores ditos periféricos na zona euro. As soluções não poderão ser diferentes. Muitos dos empréstimos foram negociados em condições pouco claras, outros eram de duvidosa necessidade e ainda outros ainda terão sido aplicados em ruinosas operações. Longe de ajudarem o povo, os principais beneficiários deles foram os especuladores financeiros.

Parece pois legítimo, se não mesmo inevitável, que se actue para pôr cobro a esta situação que se agrava hora a hora e o momento de actuar é agora. Será desejável que se crie um movimento de opinião, o mais amplo possível, dentro e fora do Parlamento, que promova o equacionamento destas questões e avance com uma solução alternativa ao actual modelo.

Um grupo português de acompanhamento, com a assistência técnica do CADTM, poderia ser o embrião de uma Comissão de Auditoria da Dívida Externa Portuguesa, de preferência internacional e representativa das várias correntes económicas e com a participação dos trabalhadores. Esta Comissão, teria por objectivo promover uma investigação imparcial sobre a divida, nomeadamente sobre as condições dos empréstimos e o uso que deles foi feito. Esta investigação deveria criar a base jurídica para a renegociação da dívida e permitir imputar responsabilidades aos seus eventuais beneficiários. [9]

Um movimento global do conjunto dos povos destes países, centrado nesta questão concreta, seria ainda mais desejável e teria a vantagem de criar um objectivo ofensivo bastante visível de luta, sem abdicar das lutas de resistência diariamente prosseguidas.

Só assim os povos da Europa e os portugueses poderão retomar a sua economia em novos moldes, rompendo com a politica neoliberal que os levou ao desastre.

Notas e fontes

1. Dimensão da dívida
Dívida total (Pública e Privada) - Milhões € Dívida total (Pública e Privada) % Do PIB - Dívida
Privada / Dívida Pública - Dívida externa / Dívida Interna

Espanha- 5315 - 506% - 87% / 13% - 33 / 67
Portugal - 783 - 479% - 85% / 15% - 49 / 51
Grécia - 703 - 296% - 58% / 42% - 51 / 49

Esses défices são essencialmente imputáveis ao sector privado, uma vez que os três países têm cumprido com o PSC e os seus orçamentos fixavam excedentes (Espanha) ou défices moderados (Grécia e Portugal). Somente em 2008-2009, com o declínio nas receitas do Estado, devido à crise, os défices orçamentais se deterioraram. "A eurozona entre a austeridade e o incumprimento" , Stephanie Jacquemont (CADTM).

2. "A análise da situação da economia nacional revela que o problema fundamental e mais grave do País não é o Défice Orçamental como se pretende fazer crer. (...) É a incomportável Divida Externa que não pára de crescer, consequência de um elevado défice da Balança Corrente e que persiste em plena crise. "A Responsabilidade Social dos Economistas" , Eugénio Rosa.

3. "O espectro do incumprimento na Europa" , C. Lapavitsas, A. Kaltenbrunner, G. Lambrinidis, D. Lindo, J. Meadway, J.Michell, J.P. Painceira, E. Pires, J. Powell, A. Stenfors e N. Teles.

4. "A Eurozona entre a austeridade e o Incumprimento" . Stephanie Jacquemont , "The Eurozone between austerity and default".

5. "Comissão Internacional de Auditoria da dívida grega: um imperativo" , Lapavitsas Costas.

6. "Grécia: símbolo da dívida ilegítima" , Eric Toussaint.

7. "Repudiar a dívida já. Exijamos um referendo já." , Declaração do Partido Comunista da Irlanda, 03/Fevereiro/2011.

Quand l'Islande réinvente la démocratie , 16 décembre 2010, Jean Tosti

9. "A morte da Europa Social" . Michael Hudson e Jeffrey Sommers.

Estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto irão participar no dia nacional de luta dos estudantes (24 de Março)

Comunicado da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto


Tendo em conta que:

As afectações da nova Portaria n.º 92/2011 de 28 de Fevereiro que vem introduzir um novo modelo de Programa de Estágios Profissionais, que é prejudicial, sobretudo para os jovens graduados, como anteriormente elencado;

A postura dos órgãos executores que optaram por seguir um modelo de resposta à crise pela via não keynesiana e que, optaram por “cortes financeiros” em sectores-chave do Estado-Providência, em claro prejuízo dos cidadãos portugueses;

O clima nacional de descrença, fruto da não promoção da igualdade de oportunidades, à partida, e da meritocracia, na sua finalidade, verificando-se um clima de corrupção de determinadas estruturas da esfera do Estado;

A AEFCUP é uma associação estudantil com legitimidade de expressão política, por lei, pela via estatutária e da sua declaração de princípios;

A aprovação da proposta da Direcção da AEFCUP da Assembleia-Geral de 26 de Janeiro de 2011, que lhe conferia total poder decisório sobre iniciativas político-reivindicativas até ao findar do presente mandato.

Tomando em conta os pressupostos acima apresentados, a Direcção da AEFCUP – Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto -, vem por este meio comunicar que estará na “linha da frente” numa acção de manifestação e de desagrado estudantil concertada com outras estruturas, no próximo dia 24 de Março (Dia do Estudante).

Reiteramos, ainda, que defenderemos que a manifestação deve ocorrer de forma responsável, ordeira, não instrumentalizada e mantendo a nossa postura até momento, que é pautada pela seriedade e apresentação de soluções para a resposta aos problemas sócio-económicos e do foro ético que afectam a sociedade portuguesa, em geral, e os estudantes, em particular.
Assim, apresentada esta deliberação, todos os estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto são convidados a participar na iniciativa e na continua busca por soluções, em nome de um Ensino Superior de qualidade, justo, democrático e solidário.


http://aefcup.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=438:comunicado-a-aefcup-avanca-para-manifestacao-dia-24-de-marco-dia-do-estudante&catid=70:presidencia&Itemid=93

Dia do estudante - 24 de Março - Dia Nacional de Luta


No passado dia 24 de Fevereiro, realizaram-se em mais de 60 escolas do país, várias acções de luta por:

melhores condições materiais e humanas,
mais funcionários e professores,
mais financiamento,
contra a privatização das escolas com a entrada da Empresa Parque Escolar,
pela real aplicação da educação sexual nas escolas,
contra o estatuto do aluno e a figura do director,
contra os exames e por uma avaliação continua justa
Contra o fim do desporto escolar
e por muitos outros motivos que sentimos no dia a dia nas escolas.

Deste dia 24 de Fevereiro, ficou uma certeza: de que estamos dispostos a continuar a lutar até os problemas que vivemos se resolvam através de abaixo-assinados, marcação de Reuniões Gerais de Alunos, pinturas de faixas, concentrações e apitões até serem ouvidas as suas exigências.
A DNAEESB, apela desde já a que todas as Associações de Estudantes e todos os estudantes continuem a luta nas escolas. O mês de Março é um mês de luta!

24 de Março, foi consagrado como Dia Nacional do Estudante antes do 25 de Abril de 1974 e desde as suas origens teve um importante significado na luta estudantil. Assim como os estudantes saíram à rua antes da Revolução de Abril, pela democratização do ensino e por melhores condições de estudo, a DNAEESB assinalará este dia como um dia nacional de luta dos estudantes do Ensino Básico e Secundário, em que faremos ouvir bem alto a voz de todos os estudantes por uma educação PUBLICA, GRATUITA, DE QUALIDADE, DEMOCRÁTICA PARA TODOS!


http://dnaeesb.blogspot.com/

Assembleia Popular na Praça da Batalha no próximo dia 19 de Março às 14h.

Cerca de 200 pessoas reuniram-se em Assembleia Popular na Praça D.João no dia 12, no seguimento da manifestação realizada nesse dia, para expôr livremente as suas experiências e apresentar as suas propostas.


Decidiu-se então continuar essa Assembleia no próximo dia 19 de Março ( Sábado) às 14 h. na Praça da Batalha, Porto, com os objectivos de criar ideias, soluções, respostas, esperança e reforçar a persistência das nossas palavras e do nosso protesto, unindo-nos livremente, sem nenhuma burocracia ou desigualdade de palavra que se interponha entre a nossa opinião e a sua exposição a todos e todas.

Manifestação de protesto Geração à Rasca no Porto (12 de Março 2011) com vídeos editados



Vídeos do Protesto Geração à Rasca de 12 de Março em Lisboa



Movimento 3Rs na Avenida da Liberdade a 12 de Março






Principio e fim da manifestação na Av. Liberdade






Anarquistas na manifestação "geração à rasca"



Homens da Luta com Fernando Tordo a cantar a Tourada



Homens da Luta, Fernando Tordo e Rui Veloso



Gerações à rasca ( texto do escritor Manuel Poppe)

Texto do escritor Manuel Poppe retirado do seu blogue:


O justo título dessa manifestação de ontem, foi a do “Jornal de Notícias”:

Gerações à Rasca

Havia a juventude e os outros.

Porque todos estamos à rasca.

Pertencemos a uma sociedade que não nos reconhece.

Ou nos vê de duas maneiras:

é desnecessária a nossa existência,

somos úteis enquanto escravos.

O governo vai apresentar novas medidas de austeridade.

Não terá informado o Presidente da República.

Institucionalmente, talvez tenha sido um erro

E digo “talvez” porque não sei.

Eticamente, fez bem.

Cavaco é um dos maiores responsáveis pelo desastre que vivemos e nem sequer é capaz de corrigir erros: é um medíocre mental.

À rasca estamos, de facto, nós todos.

E as novas medidas de austeridade não resolverão nada.

Empobrecem quem já é pobre.

O défice é do governo para com o cidadão.

Não é do país.

A dívida é o roubo da banca ao cidadão.

A culpa dos governos é governarem os interesses da banca.

Equilibrarão o défice... à custa do cidadão...

Daqui a um ano, em dívida, voltarão a pedir o osso ao frango.

O frango, que é o cidadão, ao qual já lhe comeram a pele, a carne

e lhe chupam os ossos, à procura do tutano.

É o sistema, o neo-capitalista sistema que tem de se repudiar: ou seja "pega lá dinheiro que já te peço o triplo".

Ou morremos todos de fome –e os vampiros connosco, secado o nosso sangue.

É a única saída.

E depende de ti, amigo.


Manuel Poppe
Para conhecer Manuel Poppe: AQUI

A missão da geração à rasca é empurrar para a rua um povo adormecido


É imprevisível o desfecho do movimento, que terá de lutar contra a apatia, dizem os especialistas em ciências sociais

(...)

A missão desta geração à rasca é de monta: contrariar a natureza de um povo que se desabituou de protestar, que "não muda de estilo de vida de um dia para o outro ou que pertence a uma geração que enquanto estiver apoiada pelos papás não sai de casa para gritar", defende Villaverde Cabral. A falta de autonomia pode até ser um motor desencadeador - diz o sociólogo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa -, mas é "demasiado subjectivo" para se saber se terá força suficiente para os empurrar até à rua.


Protesto monstro Gritar na rua é um hábito que se tornou estranho para os portugueses: "Após a consolidação da democracia, o país conheceu a desmobilização cívica, eleitoral ou sindical e tem hoje uma taxa de conflitos sociais baixa em comparação, por exemplo, com França ou Inglaterra", explica António Costa Pinto. A apatia tem um preço alto, avisa D. Januário Torgal Ferreira: "Os portugueses caíram na descrença, não acreditam em ninguém ou sequer na mudança."


(...)

Resta saber se será suficiente e ver se chega para contaminar quem está afastado das redes sociais. "Este protesto não tem ligação aos que mais afectados foram por esta crise", defende Villaverde Cabral. Os que passaram a fasquia dos 45 anos, têm baixas qualificações, caíram no desemprego, dormem na periferia e "têm um intenso treino de apertar o cinto", diz o sociólogo.

Não é bem assim, avisa Paula Godinho, antropóloga da Universidade Nova de Lisboa e estudiosa dos movimentos sociais: "O protesto da geração à rasca ganhou força e está agora em todo o lado, seja nos monitores dos computadores, seja nos televisores ou nas páginas dos jornais." Bateu à porta dos universitários com medo do desemprego, entrou em casa dos pais que temem pelo futuro dos filhos e também dos pais que perderam o emprego: "Há também outras gerações que têm casa e contas para pagar. O trunfo desta manifestação é ter uma base multifacetada, que a transformou num protesto transgeracional."


Todas as dúvidas deixam esta tarde de fazer sentido quando as praças e as avenidas das oito cidades portuguesas estiverem às moscas ou então entregues às multidões. Mas é sobretudo ser uma contestação que escapou ao "controlo de todos" que faz com que a geração à rasca tenha "quase tudo" para se tornar num "marco histórico", defende André Pestana, professor contratado em Oeiras que optou por aderir à convocatória via Facebook, em vez de participar no plenário do Campo Pequeno: "Há muitos como eu que vão a esta manifestação precisamente por não ter essa carga pesada dos dirigentes sindicais ou partidários. Vou a uma demonstração de força e entusiasmo que não precisou de um aparelho nem terá discursos desgastados e bolorentos", remata o coordenador do movimento dos professores 3R - Renovar, Refundar e Rejuvenescer


Excertos de um artigo publicado no jornal i -
AQUI

Ideias e propostas para uma nova sociedade, sem capitalistas e outros gatunos

Para um programa de medidas favoráveis aos trabalhadores





Fonte: AQUI

O país saiu à rua: com a precariedade não há liberdade (texto dos Precários Inflexíveis)



O país saiu à rua:“Já chega!”.
O país saiu à rua:“Com a precariedade não há liberdade”

Mais de 400.000 pessoas em várias cidades do país afirmaram que não aceitam a proposta que as remete para a precariedade, para a pobreza, para a dificuldade, para a dependência da família, dos amigos… pior, dependência da boa vontade do patrão. Hoje o país mudou, porque não voltaremos para trás. Temos mais força para reconquistar os nossos direitos.

A falta de direitos no trabalho é a falta de direitos na vida. Por isso, mais de 300.000 pessoas em Lisboa, mais de 80.000 pessoas no Porto, muitos outros milhares espalhados pelo país inteiro afirmaram “Já chega”. Não aceitamos mais exploração e precariedade.

A seguir ao dia de hoje não faltarão responsáveis políticos, comentadores e dirigentes a pregarem nas suas homilias nos media sobre as dificuldades em que nos encontramos, sobre a necessidade de visão realista que hoje é necessária e sobre a responsabilidade externa do que nos acontece por cá.

Mas da realidade sabemos nós, precários, desempregados, mal-empregados, estagiários, explorados… Sabemos que os problemas do trabalho e da vida não são nenhuma novidade, resultaram de vários anos de opções que fragilizaram o trabalho e os direitos para que alguns acumulassem privilégios. Sabemos que temos direito ao salário, à dignidade. Sabemos também que é o poder económico que nos tenta impor, pelas mãos do Governo e do seu parceiro, principal partido da oposição, a precariedade e a exploração como forma de ganhar mais quota, mais dividendos, mais poder.

Não aceitamos, não aceitaremos que nos roubem mais a vida. Exigimos todos os direitos a que temos direito apontando como solução a riqueza acumulada por poucos, resultado do nosso trabalho. Queremos essa riqueza de volta: nos serviços públicos, nos salários, nos direitos.

Onde existirem soluções imediatas, que se apliquem já. Quando não existirem opções imediatas, que se criem, que se inventem, porque é para isso que servem as democracias, as ideias, as propostas, as pessoas.

Hoje, o país mudou. Não voltaremos para trás.
A rua é nossa.


www.precariosinflexiveis.org/2011/03/o-pais-saiu-ruaja-chega-o-pais-saiu.html#more

Texto do colectivo anarquista Hipátia distribuído na manifestação de 12 de Março

Texto do Colectivo anarquista Hipátia distribuído na manifestação de 12 de Março
Falsamente sofisticada e moderna, a sociedade dos poderosos, abusiva e egoísta, empurra cada vez mais a sociedade civil para longe dos centros de decisão, porque estes são exclusivos de banqueiros, grandes empresários e políticos, e das suas clientelas.

Eles montaram o sistema, criaram a crise, e é sempre à nossa custa que a querem resolver!

Como tudo aquilo em que tocam existe apenas para realçar o seu poder e lhes permitir mais lucros, sempre à nossa custa, eles transformaram tudo em mercadoria, com um preço que escapa à precaridade das nossas vidas.

Da nossa parte não podemos esperar nada dessa máquina de governar que não tem senão como objectivo acabar com a generosidade da vida. Não podemos permitir que se agravem cada vez mais as nossas condições gerais de existência, no interesse de alguns.

Auto-organizada e solidária, a sociedade pode exigir tudo: o direito pleno de uso e acesso aos transportes, à alimentação, à educação, à saúde, à habitação, à alegria de viver…

Que cada pessoa escolha os meios de usufruir a vida, agora confiscada pela finança e o poder. Seja qual for o modelo a seguir, será sempre necessário forçar o poder, através da auto-organização popular e libertária, a abrir a mão de ferro que guarda os privilégios, essa é a premissa-base da luta nos dias de hoje, sem a necessidade e preocupação de propor um modelo já construído de antemão.

Que se multipliquem as lutas nas empresas, que se espalhem as experiências de economia solidária, que se recuse o consumo alienado que nos querem impor, que se reconquiste o espaço público que nos confiscaram na tentativa de nos impor um modo de vida telecomandado e de anular a nossa aspiração de cooperação livre e de identidade societária, afogada em futebóis e pátrias e outras amarras sempre ao serviço dos mesmos.

A máquina neo-liberal mostra cada vez mais a sua face desumana. Os profissionais da economia fazem contas, os políticos disfarçam, mentem, e aplicam reformas duplamente miseráveis para manter de pé o seu modelo perverso. Os próximos tempos são de incerteza, e aqui surgem possibilidades, o desconhecido, o que ainda não foi escrito. O tempo também foi globalizado, o que se passa aqui neste pequeno país vai acontecendo um pouco por todo o globo. E a necessidade de revolta também. Que a comunidade se reconstrua e se congregue em ataque ao poder, em experiências solidárias de cooperação e apoio mútuo!

Que cada pessoa faça a sua escolha!


http://hipatia.pegada.net
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Movimento 12 de Março


Movimento 12 de Março

Dia 12 de Março ficará como a primeira pedra que lançámos para a construção do edifício-futuro. Pedra preciosa e simbólica. Na qual se suportarão os alicerces de algo maior.

Algo de novo, que una e não divida algo que nos coloque a nós, Portugueses, seres humanos, na rota de uma existência mais justa, solidária e feliz.

A pureza do que aqui temos não se pode perder, a força da vaga não pode esmorecer no areal, há que entrar terra adentro. E levar estas ideias através da distância.
Nós tudo podemos. Disse. Agora mais do que nunca Sei.

Dia 12 de Março mostrou-nos a capacidade de mobilização de um povo, o desejo inquestionável de trabalhar para o bem comum. Fomos, na rua, cúmplices sem temores de apresentarmos as nossas ideias, de as gritarmos a pleno coração no perfeito espaço incompleto da rua. Debatemos, discutimos e levantámos o punho em afirmação de um povo capaz.

Agora urge continuar.

Diversas vontades nos animam, diversas rumos intuimos. Urge não desmobilizar mas urge também não represar o pensamento e a acção que da rua irromperam.
Urge não restringir. Urge criar condições para que todos os afluentes daqui resultantes fluam livremente para o mar.

E é esse mar que vejo, agora, como o objectivo a alcançar. Até lá chegarmos há muito leito a percorrer, até lá chegarmos moldaremos a paisagem, mas será ali, nesse mar que desembocaremos todos.

Trata-se aqui de cartografarmos de novo um país, fisica e humanemente.
Trata-se aqui de convergência mas não homogeneização. Das nossas diferentes perspectivas, dos nossos diversos campos de intervenção, tijolo a tijolo construirmos um edifício sólido onde todos temos lugar, de que todos cuidaremos. A casa de um povo consciente de que é capaz de ser aquilo que quer e merece: Livre.

Assim sendo, após alguma reflexão, apresento um rascunho de futuros passos a dar, os quais deixo à consideração de todos aqueles que partilhem do espírito de aventura que anima todo e qualquer viajante. Porque é disso que aqui se trata, uma viagem rumo a um novo território, o do Bem.

Ponto #1 – recuperar o espírito da ágora, organização de tertúlias, encontros, debates, acções, nas, nossas vilas e cidades, criando condições para que organizações, associações e o cidadão comum partilhem experiências, ideias e soluções. Todas estas intervenções, associações e grupos resultantes encontrariam casa num movimento comum a todos, num movimento, sem líderes, que seria, fundamentalmente, um agregador de vontades e reivindicações.
Para este convergir sugiro que adoptemos o nome de Movimento 12 de Março.

Ponto #2 – Que destes encontros regionais se começasse a desenhar um manifestação das diversas correntes de pensamento, dos diferentes campos de intervenção, da economia à educação, da saúde à agricultura, da cultura à solidariedade. Uma manifestação para o próximo dia 25 de Abril, que se desejaria o mais representativa possível das diferenças que nos unem. Uma manifestação, um movimento, que transportasse em si um manual de propostas e reivindicações a apresentar à sociedade e instituições para que por estas seja discutido e encontre uma resposta concreta no prazo de uma semana até à celebração do feriado de 1 de Maio, onde seríamos novamente a rua, uma rua à escuta do retorno das nossas propostas.

Ponto #3 – Em paralelo dei já início à organização da iniciativa Caminhar Portugal, acerca da qual podem saber mais pormenores aqui:
http://www.facebook.com/notes/artigo-21º/33-dias/168600879855470

Ponto #4 – Sugiro uma reunião geral, um grande fórum do Movimento 12 de Março, onde as portas se abrem a todos, onde todas as organizações e cidadãos interessados poderão contribuir para avaliarmos do percurso efectuado até lá e traçarmos um novo mapa para a mudança.

Sugiro que este fórum ocorra num espaço de tempo que permita que as acções anteriores possam dar fruto. Deixo uma data para o mesmo: o fim de semana de 10, 11 e 12 de Junho.

Caminhemos. Juntos.

Rui Borges
Artigo 21.º

http://www.facebook.com/#!/notes/artigo-21º/passo-ii-movimento-12-de-março/168676813181210

11.3.11

Protesto geração à rasca - Sai de casa, vem para a rua (12 de Março) no Porto, Lisboa, Viseu,Braga,Coimbra,Faro, Leiria, e outras cidades,


«Quem luta nem sempre vence, mas quem não luta perde sempre»

http://geracaoenrascada.wordpress.com/


SAI DE CASA E VEM PARA A RUA!

E TRAZ UM/A AMIGO/A TAMBÉM!


Manifestações previstas para amanhã:

Lisboa, Av. da Liberdade (Cinema S. Jorge),
Porto, Praça da Batalha,
Braga, Av. Central, junto ao chafariz,
Castelo Branco, Alamenda da Liberdade (Passeio Verde),
Coimbra, Praça da República,
Faro, Largo S. Francisco,
Funchal, Praça do Município,
Guimarães, Largo da Oliveira,
Leiria, Fonte Luminosa,
Ponta Delgada, Portas da Cidade,
Viseu, Rossio.
Frente às Embaixadas de Portugal em Den Haag (Holanda), Londres, Madrid, Barcelona, Berlim, Estugarda, Compenhaga e Paris



Manifesto

Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.
Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.

Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.

Caso contrário:
a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.
b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.
c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.

Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.

Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.











Entrevista a José Afonso sobre a luta dos jovens




E TODOS SEREMOS UM…

Dizem pr’aí que não sirvo?
Dizem pr’aí que não presto?
Vamos sair para a rua
Todos juntos num protesto!

Todos juntos, lado a lado,
Gritando numa só voz
Que já basta, estamos fartos
Que façam pouco de nós!

Pode ser que o “mexilhão”
Assim saído da casca
Faça ouvir a sua voz
E ponha o “poder” à rasca!

Tendo ou não tendo trabalho,
Sendo estável ou precário,
Amigo, junta-te a nós
Num abraço solidário.

Sem partidos ou bandeiras
Que nos venham dividir,
Sem deuses e sem gurus
Que nos queiram conduzir…

No dia 12 de Março
Numa pacífica acção
Lá estaremos “à rasca”
No meio da multidão.

E a força da razão
Espalhada na cidade
“Escreverá” nas esquinas
A palavra Liberdade…

Zé Gigas (poeta popular):

Index de empregadores sem escrúpulos


Index de empregadores sem escrúpulos

• Agrupamento de Escolas de Mafra: http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2010/06/comunicado-aecs-em-mafra.html
• British Hospital, Lisboa:

http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2011/02/british-hospital-obrigado-integrar.html
• CCDR-N - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte:
http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2009/12/testemunho-ccdr-norte.html
• Centro Novas Oportunidades (CNO) da Marinha, parte integrante do Centro Naval de Ensino à Distância (CNED):

http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2010/03/testemunho-centro-novas-oportunidades.html
• Clínica UNIMED:

http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2009/12/testemunho-cardiopneumologia.html
• EB1 nº6 de Santo Contestável (Campo de Ourique): http://aecsdagrandelisboa.blogspot.com/2011/03/accao-de-protesto-em-campo-de-ourique.html
• Empresa de Trabalho Temporário (ETT) Manpower:
http://www.precariosinflexiveis.org/2011/02/testemunho-ex-trabalhador-temporario.html
• Fundação de Serralves:

http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2010/02/serralves-soma-e-segue.html
• G*ET – GLOBAL SERVIÇOS E ENGENHARIA, TOTAL, LDA:
http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2010/03/testemunho.html
• Grupo 8:

http://www.precariosinflexiveis.org/2011/02/testemunho-grupo-8-obriga-os-candidatos.html
• GRUPO AZEVEDOS:

http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2011/02/venho-denunciar-uma-situacao-de.html
• Iniziomedia:

http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2011/02/denuncia-produtora-de-audiovisuais.html
• Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP):
http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2011/02/iefp-promove-precariedade-falsos.html
• Instituto Uni**nter (Porto):
http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2010/03/instituto-de-formacao.html
• Kelly Services, Empresa de Trabalho Temporário:
http://www.precariosinflexiveis.org/2011/02/testemunho-precariedade-na-kelly_16.html
• Manpower:

http://www.precariosinflexiveis.org/2011/01/testemuho-precariedade-na-manpower-ett.html
• Ministério da Educação:

http://www.precariosinflexiveis.org/2009/12/ministerio-da-educacao-fomenta-clima-de.html
• MUDE - Museu do Design e da Moda, Lisboa:
http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2011/03/denuncia-mude-museu-do-design-e-da-moda.html
• Portugal Telecom:

http://www.precariosinflexiveis.org/2011/01/testemunho-trabalho-temporario-na-pt.html
• Randstad:

http://www.precariosinflexiveis.org/2011/02/testemunho-chantagem-da-precariedade-na.html
• Reditus, Castelo Branco:

http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2011/02/falsos-recibos-verdes-na-reditus.html
• Segurança Social:
http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2010/08/amas-da-seguranca-social-ameacadas-de.html
• Sogrape Vinhos, Porto:

http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2011/02/denuncia-sogrape.html
• Tempo Team ao serviço da PT Contact:
http://www.precariosinflexiveis.org/2011/01/testemunho-arbitrariedades-na-tempo.html
• Unicenter:

http://www.precariosinflexiveis.org/2010/03/falso-recibo-verde-de-ginasio-poe-hoje.html
• Vertente Humana, Agência de Trabalho Temporário:
http://www.precariosinflexiveis.org/2011/01/testemunho-trabalho-temporario-na-pt.html
• ViaPorto, empresa subcontratada pela Metro do Porto:
http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2010/11/falsos-recibos-verdes-no-metro-do-porto.html
• WellDomus Fitness & Spa, Porto:
http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2011/03/denuncia-falsos-recibos-verdes-no.html

Outras denúncias aqui. http://www.precariosinflexiveis.org/search/label/den%C3%BAncia

Se conhece outras situações, deixe aqui testemunho ou ligação nos comentários:

http://offxore.blogspot.com/p/principios.html

Os arquitectos solidarizam-se e participam no Protesto Geração à Rasca no dia 12 de Março



http://malditaarquitectura.blogspot.com/
Plataforma de informação e discussão sobre o panorama laboral da arquitectura em Portugal


No passado Sábado dia 5 de Março,a assembleia do Núcleo de Lisboa da Maldita Arquitectura tomou a decisão de se solidarizar com o Protesto Geração à Rasca do próximo sábado dia 12 de Março. Decidiu-se também que o Núcleo de Lisboa da Maldita Arquitectura iria ter uma participação própria uma vez que existem pontos em comum entre a declaração maldita e o manifesto publicado no site do Protesto.

Convidam-se assim todos os Arquitectos a que se juntem a este momento de protesto e reflexão da Geração à Rasca no dia 12 de Março



Declaração Maldita e Petição pública

À Assembleia da República, Ordem dos Arquitectos
1. INTRODUÇÃO

A profissão nos últimos 30 anos

A profissão de arquitecto, à semelhança das restantes profissões tradicionalmente denominadas como liberais, encontra-se actualmente a sofrer uma célere transformação, quer na forma como o trabalho se organiza, quer na forma como o produto desse trabalho se integra na sociedade. Ao longo dos últimos trinta anos, a tendência generalizada de liberalização dos mercados, associada à massificação do Ensino Superior, tem levado a transformações ao nível académico, laboral e institucional, com a crescente corporização de profissões como a arquitectura, a advocacia, o jornalismo, entre outras.

Arquitectura: do ensino à prática e ao mercado laboral

Com um corpo crescente de profissionais licenciados na área da arquitectura, fruto do aumento do número de vagas no Ensino Superior, alterou-se a relação entre o ensino e a prática. A orientação científica dos cursos de arquitectura, que outrora formava profissionais qualificados para exercer a profissão de forma independente, foi-se adequando às transformações do mercado concorrencial, sendo que a resposta às actuais exigências do mercado passou a exigir o envolvimento de um maior e mais diversificado número de profissionais qualificados nas diferentes fases do projecto.

No entanto, este facto não se tem traduzido numa valorização do trabalho colectivo, sobretudo porque a adequação do mundo académico à realidade profissional tem dado primazia à individualização no processo de aprendizagem. Se por um lado a exigência de uma resposta rápida aos diversos problemas formais, técnicos e construtivos do projecto favorece a eficácia da produção no actual sistema de mercado, por outro lado alimenta a ilusão da maioria dos recém-licenciados de que irão exercer a profissão de forma independente. Este facto origina uma desadequação completa entre a expectativa e a realidade profissional, tornando o recém-licenciado vulnerável à crescente fragilidade das relações laborais.

Transformação das relações laborais

Durante a maior parte do séc. XX a profissão de arquitectura em Portugal foi desenvolvida por um número reduzido de arquitectos que, oriundos na sua maioria de classes sociais favorecidas, respondiam perante um mercado restrito de clientes e de encomendas. Contudo, com a proliferação de licenciaturas em arquitectura na década de 90, cidadãos de todos os extractos sociais puderam formar-se em arquitectura e aceder, de forma mais ou menos turbulenta, à respectiva associação profissional. Se por um lado esta democratização reproduziu de uma forma mais fiel a sociedade, por outro lado as relações laborais entre os profissionais de arquitectura passaram também a reproduzir as diferenças sociais entre arquitectos.

Hoje, os arquitectos que se lançam no mercado enquanto profissionais liberais (de forma independente ou em associação com outros arquitectos) encontram diversos entraves à sua realização profissional. De facto, dada a dificuldade de acesso à encomenda privada e à monopolização da encomenda pública, muitos são os profissionais que alternam instavelmente entre a prática por conta de outrem e a profissão liberal.

No actual mercado de trabalho a predominância não é de profissionais liberais mas sim de trabalhadores assalariados. Construída num contexto global de desregulação do trabalho, a actual realidade laboral em arquitectura define-se, de uma forma genérica, pela dificuldade no acesso à profissão, pela falta de autonomia criativa e disciplinar, pelo aumento do desemprego, pelos baixos salários, e pela precariedade e instabilidade permanentes no trabalho.

Insuficiência das actuais estruturas representativas

A introdução do D.L. n.º 176/98 de 03 de Julho (por prerrogativas impostas na directiva 85/384/CEE) veio responder a esta nova realidade, materializada na substituição de uma Associação por uma Ordem Profissional com competências reguladoras delegadas pelo Estado, para assegurar a equidade de oportunidades e a dignidade da profissão de arquitecto. Paradoxalmente, tem crescido o incumprimento da Lei, regulamentos e estatutos por falta de fiscalização dos mesmos, assim como as assimetrias no acesso à profissão e distribuição dos seus rendimentos, bem como a precariedade laboral a todos os níveis, impedindo a participação dos arquitectos na necessária reflexão e transformação da cidade, do território e da sociedade.

A produção da arquitectura e a qualidade disciplinar da arquitectura

A qualidade disciplinar da arquitectura é indissociável da forma como é produzida. A produção de arquitectura exige tempo, discussão, reflexão. Quanto mais reflexiva e participada for a produção, maior será a capacidade de resposta da arquitectura às problemáticas ligadas à sociedade e ao território. A prática disciplinar deve, portanto, adaptar-se ao extenso corpo de profissionais existente, permitindo a participação activa de todos os intervenientes no processo criativo e dignificando o trabalho dos mesmos. Só desta forma será possível garantir que a qualidade disciplinar da arquitectura se reflicta, directamente, na melhoria do ambiente construído como resposta às necessidades da sociedade contemporânea.


2. DIAGNÓSTICO DO PANORAMA LABORAL DA ARQUITECTURA EM PORTUGAL

O quebrar das expectativas

À utopia imaginada por muitos dos novos arquitectos em torno de uma independência profissional depois da obtenção do grau académico, segue-se a desilusão da prática levada a cabo após a inscrição na Ordem Profissional. O acesso à profissão não se traduz, para uma grande maioria, na possibilidade de iniciar a construção de uma vida.

Por um lado, a realidade do mercado da arquitectura, eminentemente corporativo e monopolizado, cria um conjunto de entraves à concretização das expectativas em torno do trabalho independente, nomeadamente a nível institucional, financeiro e de obtenção de encomenda. Por outro lado, o desemprego e o trabalho precário generalizaram-se, reflectindo uma realidade na qual uma parte muito significativa dos arquitectos vive, actualmente, de forma instável, com rendimentos inferiores e menos direitos sociais que um trabalhador manual não especializado.

De facto, a crescente liberalização das relações de produção em praticamente todas as áreas profissionais, incluindo a arquitectura, tem conduzido à sua desregulação, levando a uma perversão no sistema social em que os direitos dos trabalhadores por conta de outrem não são protegidos pelo Estado, embora sejam teórica e legalmente assegurados.

Neste quadro, sendo que a grande maioria dos arquitectos trabalha hoje por conta de outrem, numa realidade muito diferente da do trabalho independente, é pertinente passar à observação de cada modo de exercício da profissão separadamente.

2.1 Trabalho por conta de outrem

2.1.1 Entre arquitectos assalariados e arquitectos empregadores

Progressão e carreira

À crescente dificuldade em encontrar um posto de trabalho adequadamente remunerado acresce o facto de o mercado de trabalho não oferecer qualquer noção de progressão na carreira, sendo extremamente raro que a remuneração e as condições laborais acompanhem o acumular da experiência profissional, e portanto o valor do trabalho do arquitecto. Neste contexto, o profissional de arquitectura por conta de outrem não encontra a estabilidade laboral mínima para a construção de uma vida independente.
Contratualização

Dos contratos a termo certo de curta duração aos falsos recibos verdes ou mesmo à inexistência de qualquer vínculo laboral, o trabalhador por conta de outrem em arquitectura é, em geral, um trabalhador precário. Esta precariedade começa na extrema dificuldade em contratualizar devidamente, nos termos da lei, o posto de trabalho. Um contrato de trabalho estabelece um conjunto de obrigações que protegem o trabalhador, garantindo uma duração mínima, uma remuneração mínima, protecção em caso de doença, incapacidade ou maternidade, um horário de trabalho e consequente pagamento de horas extraordinárias, o direito a férias, o acesso futuro à reforma e a eventual protecção no desemprego, bem como o impedimento do despedimento sem justa causa. Esta protecção do trabalhador aumenta os encargos da empresa e impede a flexibilidade dos despedimentos necessária à rápida adaptação à flutuação das encomendas de arquitectura no actual mercado. Como tal, mesmo quando existe um contrato, há frequentemente incumprimentos, e este é, regra geral, de duração curta e limitada.

Da prestação de serviços

Como forma de contornar as obrigações decorrentes da contratualização, a larga maioria do trabalho por conta de outrem em arquitectura é mascarada de prestação de serviços, em clara violação da lei. Sendo que a maior parte das subcontratações em arquitectura implicam a existência de um local de trabalho, subordinação hierárquica, horário laboral definido, bem como utilização de ferramentas de trabalho que sejam propriedade do empregador, a sua remuneração mediante recibos verdes é ilegal e os mesmos são falsos recibos verdes. O trabalhador a falsos recibos verdes não aufere de nenhuma das protecções sociais oferecidas por um contrato de trabalho, uma vez que o seu trabalho é considerado independente – é, de facto, um assalariado mascarado de profissional liberal, sem os direitos de um nem as vantagens do outro. Esta condição laboral permite a fixação de uma remuneração fora da legalidade, uma vez que o empregador é formalmente cliente do trabalhador, não existindo qualquer recomendação de organismo tutelar sobre a forma como os honorários da prestação de serviços se possam definir. Esta inversão de papéis permite a existência actual de situações de trabalho remunerado abaixo do salário mínimo, sem horário de trabalho, remunerado à hora, etc.

Obrigações sociais

Toda esta conjuntura, em que o arquitecto é pressionado a aceitar realidades laborais intoleráveis e ilegais, bem como remunerações muito baixas, põe em risco a qualidade do seu trabalho, tornando insustentável o pagamento das suas obrigações sociais, e potenciando assim a existência de profissionais a trabalhar por conta de outrem sem qualquer vínculo com a entidade empregadora. Estes casos representam o limite máximo do retrocesso civilizacional e remetem os arquitectos para a exclusão social completa, não declarando os seus rendimentos, não pagando impostos, não garantindo quaisquer direitos nem obrigações por parte do Estado ou do empregador e contribuindo, consequentemente, para o desmantelamento do Estado Social.

2.1.2 Entre arquitectos assalariados e outras entidades empregadoras

Contratos na administração pública

O Estado é neste momento o maior empregador de trabalho precário em Portugal. De facto, o número de profissionais de arquitectura a trabalhar na Administração Pública com vínculos laborais de contornos nebulosos, ou mesmo alheios a qualquer sustentabilidade legal, tem vindo a crescer. Para esta realidade tem contribuído o desrespeito pelos princípios elementares contidos no Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas, referentes aos instrumentos de regulação colectiva de trabalho, acordos colectivos de carreira ou de entidade empregadora pública, e o consequente desinteresse na harmonização do regime remuneratório pelos níveis de carreira/categoria. Os atropelos constantes aos referidos princípios têm colocado em causa a prática regular das duas modalidades de contratação pela Administração Pública que prevêem abertura de concurso para o efeito, nomeadamente os contratos a termo resolutivo certo ou a termo indeterminado, e a nomeação transitória ou definitiva. Neste contexto, acrescem óbvias e inerentes desigualdades no acesso à progressão de carreira, nos regimes contributivos, ou mesmo nas protecções sociais previstas, com prejuízos evidentes para o interesse público.

Além dos problemas de nível contratual, que não têm promovido ou dignificado o exercício da profissão, o trabalho destes arquitectos encontra-se muitas vezes desaproveitado das suas atribuições, sendo reduzido à mera legitimação/avaliação processual de projectos oriundos do sector privado. Ao mesmo tempo verifica-se uma redução substancial das políticas de promoção do interesse público da arquitectura (nos sectores da habitação e dos equipamentos, entre outros), da cidade (nos sectores do ordenamento e planeamento urbano, e da qualificação do espaço público), e do debate e participação pública nas decisões estratégicas.

Contratos no Sector Privado

O sector privado, quer sob a forma tradicional do escritório de arquitectura, propriedade de um arquitecto ou sociedade de arquitectos, quer sob a forma de uma empresa ligada ao ramo da construção, comércio ou promoção imobiliária, representa uma grande parte do mercado laboral em arquitectura, regulado pela legislação geral sobre trabalho dependente. No entanto, há a salientar que, nas empresas em que o proprietário e responsável pelas relações de subordinação laboral seja um arquitecto (ou sociedade de arquitectos), às obrigações legalmente impostas pela legislação geral acrescem as obrigações de cumprimento da legislação referente aos Estatutos da Ordem dos Arquitectos e do seu Regulamento de Deontologia, sob pena de sanção disciplinar.

Empresas de Trabalho Temporário

Uma vez que o fluxo de trabalho em arquitectura é por vezes inconstante, a entrada no mercado laboral das empresas de trabalho temporário (ETT) é, dentro do actual contexto de liberalização das relações laborais, uma questão de tempo. Estas empresas, que libertam os empregadores do ónus da contratualização do trabalho, resolvem as necessidades pontuais de mão de obra das empresas enquanto transformam o arquitecto num trabalhador descartável, um prestador de serviços ao empregador efectivo, através de um intermediário legal que cobra uma percentagem sobre o trabalho realizado. As ETT, tal como no caso dos já referido falsos recibos verdes representam a perpetuação e legalização da instabilidade laboral para o trabalhador por conta de outrem.

2.2 Trabalho por conta própria

Ao contrário do trabalho por conta de outrem, cuja percepção como relação laboral dependente é relativamente clara, o trabalho por conta própria em arquitectura assume realidades diversas, sendo a sua caracterização mais complexa.

Três níveis de desempenho da profissão por conta própria

Considerando que um processo analítico de categorização desta complexidade será, necessariamente, redutor, uma observação distanciada permite identificar três níveis de desempenho da profissão por conta própria:

a) Profissional independente

O arquitecto ou sociedade de arquitectos que se insere no grupo a), constitui uma entidade que, tendo acesso à encomenda, geralmente privada e descontínua ao longo do tempo, se caracteriza por incluir profissionais liberais independentes de qualquer estrutura hierárquica, e que oscilam ou mantêm em paralelo actividade por conta de outrem.

b) Pequeno empregador

O arquitecto ou sociedade de arquitectos que se insere no grupo b), constitui uma entidade que, em virtude de um processo de expansão do volume de trabalho, assalaria ocasionalmente outros arquitectos em estrutura hierárquica, passando a constituir-se como um pequeno empregador. Muito susceptíveis às flutuações da encomenda, as relações laborais decorrentes são, na sua maioria, instáveis.

A mobilidade entre o profissional independente e o empregador de pequena escala é grande, sendo comum a alternância entre os grupos a) e b) de desempenho da profissão por conta própria.

c) Entidade patronal permanente

O arquitecto ou sociedade de arquitectos que se insere no grupo c), constitui uma entidade que gere um gabinete com presença estabilizada no mercado, independentemente das oscilações do volume de trabalho, definindo-se de forma permanente como entidade patronal. Alguns gabinetes estabilizam uma carteira de clientes, conseguindo manter um número mínimo de assalariados ao longo do tempo. Este grupo inclui, quer os grandes gabinetes que exercem maior influência nas regras de funcionamento do mercado da encomenda, quer os gabinetes de menor dimensão que, condicionados por essas regras, encontram o seu nicho de mercado. O que diferencia estas entidades empregadores das que constituem o grupo anterior é a sua capacidade de absorver eventuais variações de encomenda, nunca deixando de empregar outros arquitectos.

Estes três grupos não são estanques sendo frequente que os arquitectos oscilem, não só na forma como desempenham a profissão por conta própria, mas também entre o trabalho independente e o trabalho por conta de outrem.

Acesso à encomenda

A mobilidade entre os arquitectos assalariados e os arquitectos por conta própria dos grupos a) e b) é uma falsa mobilidade, uma vez que não corresponde a uma crescente estabilização profissional, mas antes ao reflexo de uma instabilidade permanente. O corpo de profissionais que trabalha por conta de outrem e o corpo de profissionais que integra os dois primeiros grupos corresponde, geralmente, ao mesmo grupo de arquitectos em momentos contextuais diferentes. De facto, a realidade do mercado e da profissão tem evoluído no sentido da crescente cristalização dos grandes empregadores como sendo os únicos profissionais com estabilidade, existindo grandes desigualdades quer no acesso à encomenda pública, quer na publicitação do trabalho, fundamental para o acesso à encomenda privada.

Monopolização da encomenda pública

Com as notícias da crise o mercado da encomenda pública monopolizou-se. Hoje, a existência de um Concurso Público de Concepção, legalmente exigido para a elaboração de um projecto promovido por dinheiros públicos, não é um dado adquirido. Os Concursos de Aquisição de Serviços para projectos de arquitectura e especialidades, e mesmo os Ajustes Directos não precedidos do devido procedimento de Concurso Público de Concepção generalizaram-se. A sábia tradição de privilegiar o Superior Interesse Público em detrimento do favoritismo foi sucumbindo à lógica financeira e eleitoral. Disso são exemplo as centenas de projectos entregues à margem do Código dos Contratos Públicos (CCP) como a requalificação de todo o Parque Escolar do país, os mais variados Equipamentos de Saúde, os Tribunais, os Equipamentos de Lazer e Desporto, os Museus e Equipamentos Culturais. Neste quadro, perderam-se seguramente oportunidades valiosas de discussão, reflexão e inovação, todas elas mais-valias no desenvolvimento e afirmação da sociedade e do território em Portugal.

Arquitecto-Estrela

A evolução do mercado de arquitectura, nas últimas décadas, tem vindo a sedimentar-se em torno dos gabinetes de maior dimensão, que associam à ideia de grande empresa o conceito de arquitecto-estrela, cujo trabalho é publicitado nas publicações da especialidade e nos meios académicos. Esta imagem de arquitecto-estrela, que deriva quer do ideal romântico do artista-criador, quer da relação mestre-aprendiz típica das oficinas medievais, prática continuada até ao recente aumento exponencial do número de arquitectos em Portugal, consolidou-se numa ideologia que justifica a desregulação do trabalho na empresa de arquitectura contemporânea. Assim, atrás da ideia de colaboração entre arquitectos esconde-se a realidade actual da crescente proletarização do trabalho em arquitectura.

2.3 Da insuficiência das actuais estruturas representativas

A Ordem dos Arquitectos

As estruturas segundo as quais os arquitectos se organizam e fazem representar têm vindo a evoluir, desde a Real Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses, passando pela Sociedade dos Arquitectos Portugueses, depois pelo Sindicato Nacional dos Arquitectos e pela Associação dos Arquitectos Portugueses, até à actual constituição da Ordem dos Arquitectos, em 1998, por transposição para o direito interno da respectiva directiva comunitária.

A existência da Ordem dos Arquitectos como organismo representativo da classe profissional pressupõe a delegação, por parte do Estado, do poder de regulação quanto às relações entre arquitectos, e entre estes com a sociedade que servem (…com a publicação do respectivo Estatuto em anexo ao Decreto-Lei nº 176/98, de 3 de Julho, passando a OA a representar não só todos os arquitectos como, também, a regular o respectivo exercício profissional). Efectivamente, a criação da Ordem dos Arquitectos surge como resposta ao aumento significativo do número de profissionais a exercer em Portugal, numa tentativa de assegurar a qualidade do trabalho dos arquitectos, e simultaneamente de se assumir como instrumento do Estado na defesa dos interesses da classe dos profissionais de arquitectura e da sociedade em geral.

Regulação do mercado laboral

Em 1998, aquando da criação da OA já se verificava a realidade contemporânea da diluição da profissão liberal e do surgimento de um alargado conjunto de arquitectos trabalhadores por conta de outrem. Embora estes arquitectos sejam representados pela Ordem dos Arquitectos, de acordo com os seus estatutos, esta não tem procurado, até hoje, a regulação do mercado laboral em arquitectura, e tem, de facto, contribuído para a crescente dificuldade no acesso à profissão e à igualdade de oportunidades. Com efeito, a Ordem deixou de falar em arquitectos, enquanto profissionais de arquitectura, remetendo-se ao silêncio sobre as questões do trabalho, e passou a falar apenas em arquitectura enquanto disciplina teórica abstracta.

Regulação do mercado da encomenda pública

Para além de a Ordem dos Arquitectos não contribuir para a regulação do mercado laboral em Arquitectura, como anteriormente descrito, também não contribui para a regulação do mercado da encomenda de arquitectura, como é inequivocamente sua atribuição. De facto, a Ordem tem permitido, por inacção, a proliferação de encomendas públicas sem concurso público de concepção, passivamente permitindo a crescente desigualdade entre os arquitectos no acesso à encomenda pública. Já que a Ordem tem o poder de fiscalizar os concursos públicos, podendo por exemplo punir disciplinarmente arquitectos que participem em concursos que não respeitem a legislação vigente, não se compreende a relutância em intervir, em defesa do conjunto da classe profissional e do interesse público, em casos como concursos ou ajustes directos que não cumprem prerrogativas legais inerentes.

O dever de cumprimento da legislação

As exigências da negociação laboral entre os arquitectos por conta de outrem e os seus empregadores vão, necessariamente, para além das atribuições legais de uma Ordem Profissional, estando esta impossibilitada de supervisionar a negociação laboral entre empregadores e assalariados, assim como de organizar a exigência de melhores condições de trabalho, seja às entidades empregadoras seja ao Governo. Não se esperando que a Ordem dos Arquitectos assuma essas atribuições, esta tem no entanto a capacidade de assegurar que as relações entre arquitectos funcionem, não só nos termos da Lei Geral, mas também nos termos previstos pelo respectivo Regulamento de Deontologia.
O dever de cumprimento dos próprios estatutos

A Ordem dos Arquitectos já exige, estatutária e deontologicamente, o total cumprimento da legislação no exercício da profissão a todos os seus associados, estando os mesmos sujeitos a punição disciplinar em caso de incumprimento, o que lhe possibilita e compromete a intervir em todos os casos de incumprimento de contratos de trabalho, de subcontratação ilegal a falsos recibos verdes e de trabalho sem vínculo, desde que a entidade empregadora (ou o responsável por ela) seja um arquitecto. Além disso, a Ordem tem o dever estatutário de zelar pela fiscalização da concorrência desleal e pela valorização da arquitectura, que são necessariamente afectadas pelas situações acima descritas e pela sub-remuneração, pelo que a desresponsabilização e falta de intervenção da OA na regulação laboral constitui um problema de orientação política da mesma.

Processo de admissão

O acesso à profissão faz-se, por imposição institucional, por conta de outrem, já que a legislação em vigor, nomeadamente o Regulamento de Admissão à Ordem dos Arquitectos, obriga à realização de um estágio profissional, que actualmente tem uma duração de 9 a 12 meses. O processo de admissão à Ordem dos Arquitectos, para além de criar um conjunto de obstáculos institucionais e económicos ao acesso à profissão, contribui, com a exigência do estágio profissional, mal fiscalizado e acompanhado, para a rotatividade e instabilidade dos postos de trabalho, assim como para a fragilidade negocial dos arquitectos por conta de outrem, como anteriormente descrito.

Estágio profissional

Sendo que os estágios eram, anteriormente à criação da Ordem dos Arquitectos, incluídos nos planos de estudo dos cursos, esses estágios curriculares foram sendo abandonados após a instituição da figura do estágio profissional. Embora a argumentação em defesa dos estágios profissionais afirme que estes são mais dirigidos para a prática profissional do que os de índole académica, o que se verifica na realidade é que os estágios, académicos ou profissionais, não diferem quanto à qualidade da formação, sendo esta dependente sobretudo do rigor da fiscalização pela entidade responsável e da seriedade da empresa e do patrono. Na prática, a passagem do estágio curricular para o profissional veio desresponsabilizar as escolas de arquitectura quanto ao acompanhamento da inserção profissional dos seus formandos.

Regulação do estágio profissional

A Ordem dos Arquitectos não faz regulação activa dos estágios enquanto período de formação, não assegurando assim que este complemente devidamente a formação académica num sentido profissionalizante, ou seja, não garantindo o cumprimento da própria razão de ser da existência de um estágio profissional obrigatório. De facto, o estágio é generalizadamente encarado, pelo patrono e pelo estagiário, como um período de trabalho pouco qualificado e não como formação, criando uma base de mão-de-obra barata ou gratuita por parte de uma geração mais nova, frequentemente com maior domínio sobre as tecnologias associadas ao desenho assistido por computador, bem como sobre uma multiplicidade de conhecimentos interdisciplinares.

Remuneração do estágio profissional

O estágio profissional, embora obrigatório, não é obrigatoriamente remunerado, uma vez que a única regulamentação aplicável que poderia impor a remuneração dos arquitectos estagiários, o regulamento de estágio da Ordem dos Arquitectos, é omisso a esse respeito.

Colocação de membros estagiários

Uma vez que existem mais arquitectos candidatos a estágio do que lugares disponíveis no actual mercado de trabalho, uma parte deles engrossa a actual bolsa de desempregados. Os restantes, subjugados às regras da oferta e da procura, serão tendencialmente mal ou mesmo não remunerados.

A permanente ameaça de desemprego condiciona, além da progressiva redução da remuneração do trabalho dependente, a própria contratualização laboral, num processo em que o empregador que não recorre à sub-remuneração se encontra em desvantagem competitiva.

Apoios estatais ao primeiro emprego

Além disto, os apoios estatais ao primeiro emprego, nomeadamente os programas InovJovem, InovArt, as Bolsas de Estágio na Administração Pública ou os estágios do IFP, pagando parte dos encargos com o trabalhador à entidade empregadora, oferecendo-lhe vantagens fiscais, embora assegurem um contrato e um salário estáveis durante um ano, estimulam a rotatividade do posto de trabalho, já que a empresa ou a própria Administração Pública tem vantagens em empregar continuamente primeiros empregos, acabando por contribuir para uma viciosa desestabilização do mercado de trabalho.

Membros estagiários vs membros efectivos

Fica já estabelecida a matriz que condicionará todo o exercício da Arquitectura por conta de outrem. Após o estágio, a dificuldade em encontrar um posto de trabalho adequadamente remunerado não só se mantém como aumenta. Competindo directamente com os arquitectos que, tendo completado o estágio já são membros efectivos da Ordem, os estagiários contribuem, involuntariamente, para a falta de capacidade negocial do geral dos trabalhadores por conta de outrem em arquitectura, ao nível da contratualização, remuneração e condições de trabalho.

Do financiamento da OA

A taxação de quotas entre os membros da Ordem dos Arquitectos, indispensável para o seu financiamento, deve colectar o suficiente para manter a estrutura e meios necessários à sua manutenção e ao fornecimento de serviços como por exemplo o apoio jurídico aos arquitectos que o solicitarem. Actualmente, as quotas são iguais para todos os arquitectos, independentemente do rendimento que aufiram, ao contrário de países como Espanha ou o Reino Unido, onde as quotas para as ordens profissionais são taxadas percentualmente, relativamente ao volume de trabalho dos arquitectos.

2.4 Consequências do diagnóstico para a qualidade disciplinar da arquitectura em Portugal

Transformação do debate disciplinar

A classe profissional dos arquitectos tem, através das estruturas em que se tem organizado, um histórico de preocupação e participação social, debatendo e construindo posicionamentos colectivos sobre questões fulcrais para a disciplina como a habitação, a cidade, e as identidades nacional e regionais que advêm das tradições populares. No entanto, o debate tem-se vindo a distanciar da definição de uma arquitectura que contribua para um desenvolvimento que sustente uma melhoria das condições de vida da generalidade da população. Hoje, os problemas trazidos à discussão centram-se cada vez mais em torno dos interesses corporativos da classe e da promoção individual do trabalho de um pequeno número de arquitectos, cuja arquitectura se define mais como imagem do que como reflexão e proposta de organização espacial/social da vida, ao nível doméstico, público e urbano.

Centralização do processo criativo

Esta alteração do foco das preocupações da disciplina, do colectivo para o individual, está intrinsecamente ligada ao conjunto de transformações na realidade da prática disciplinar, com a crescente empresarialização da produção e corporização das instituições. Se outrora se discutiam os mecanismos de participação popular na actividade projectual de arquitectura, hoje a hierarquização do trabalho nos escritórios tende a excluir até os próprios arquitectos-executantes, arredados do trabalho criativo e sem lhes ser muitas vezes reconhecida a co-autoria que por lei têm direito. A redução do arquitecto assalariado a um operador de programas de desenho assistido por computador constitui um entrave significativo à qualidade da produção arquitectónica, já que reduz o número de profissionais que participa activamente sobre as problemáticas do projecto, da cidade e do território. Neste contexto é frequente o arquitecto empregador centralizar o grosso das decisões sobre o projecto, fazendo todos os esforços para que a autoria seja individualizada em vez de fruto de um trabalho colectivo, remetendo os arquitectos assalariados a uma compreensão afastada da globalidade do projecto e, como tal, impossibilitando-os de uma real participação na produção intelectual.

Desincentivo à inovação

A monopolização da encomenda pública e a constante divulgação do trabalho de um número restrito de gabinetes de arquitectura, leva a que uma parte significativa dos arquitectos não tenha hipótese de se afirmar no mercado, quer pelo acesso à encomenda quer pela possibilidade de terem o seu trabalho difundido em grande escala. Por outro lado, a concentração da encomenda nos gabinetes com maior acesso/influência no mercado permite diminuir a exigência de qualidade do seu trabalho, levando a um consequente desincentivo à inovação.

Qualidade da arquitectura = qualidade da produção de arquitectura

A inclusão da totalidade dos arquitectos no processo criativo e intelectual da prática profissional, em condições laborais estáveis e dignificantes, é cada vez mais necessário, não só para a qualidade de vida dos profissionais de arquitectura mas também para a qualidade disciplinar da arquitectura e, como tal, para a qualidade de vida dos cidadãos portugueses. De facto, o processo de regulação do trabalho por conta de outrem, o tornar equitativo o acesso à profissão liberal e a reaproximação da disciplina aos problemas reais da vida social estão indissociavelmente ligados, e constituem vários aspectos do mesmo problema.


3. LINHAS DE ACÇÃO PROPOSTAS

3.1 Relativamente às competências das estruturas do Estado

a) A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) deve inspeccionar activamente as empresas onde se realiza trabalho de arquitectura, dado existirem violações generalizadas ao Código Laboral, sobretudo pela generalização de falsos recibos verdes.

b) São eticamente inaceitáveis os Concursos de Aquisição de Serviços para projectos de arquitectura bem como a proliferação de regimes de excepção na Encomenda Pública, ou o Ajuste Directo não legitimado pelo Concurso Público de Concepção. A Ordem dos Arquitectos deve fazer pressão junto das instituições competentes no sentido da sua ilegalização.

c) A transparência nas adjudicações públicas deve ser total, com publicação de todo o processo de adjudicação, para consulta pública.

d) Deverá ser criada a figura do Alvará de Arquitectura, uma certificação de empresas de arquitectura que garantirá e discriminará a presença nos quadros da empresa de um número de arquitectos, na proporcionalidade da dimensão e complexidade dos projectos aos quais a empresa concorra, estimulando a estabilidade laboral. Para incentivar a renovação e não dificultar o acesso dos jovens à encomenda pública, a certificação apenas será aplicável nas fases de execução e licenciamento, estando a fase de concepção fora do âmbito da mesma. Deste modo será possível que qualquer arquitecto possa ganhar um concurso de concepção, podendo depois articular parcerias para assegurar a equipa necessária às fases de licenciamento e execução do projecto.

3.2 Relativamente às competências da Ordem dos Arquitectos

e) O regulamento de admissão da Ordem dos Arquitectos deverá ser alterado com vista a incluir a obrigatoriedade de remuneração dos estágios.

f) A Ordem dos Arquitectos deverá elaborar um Regulamento do Trabalho por Conta de Outrem em Arquitectura, abrangendo todos os arquitectos, empresas ou instituições que contratem outros arquitectos, estabelecendo uma tabela indicativa de salários de referência indexados às categorias de trabalho (ver alínea g) deste capítulo), consoante as suas responsabilidades e atribuições relativas na hierarquia da empresa em que se realize trabalho de arquitectura. Este Regulamento influenciará, pelo estabelecimento de um valor referência quanto à progressão de carreira e de remuneração, a capacidade de negociação salarial de todos os arquitectos que trabalham por conta de outrem

g) A Ordem dos Arquitectos deve centralizar a publicação online de minutas de contratos de trabalho por conta de outrem, a termo certo e incerto, entre pares arquitectos e entre arquitectos e outros técnicos, à semelhança do que faz com as minutas de contrato de prestação de serviços. Esses contratos de trabalho deverão incluir a discriminação tipológica das responsabilidades projectuais do arquitecto contratado, inserindo-o num sistema de categorias a criar, debater e aprovar pela Assembleia Geral da Ordem dos Arquitectos. Este sistema poderia constituir a base para a criação de um modelo de carreiras no trabalho dependente em arquitectura, estabelecendo contratualmente as responsabilidades relativas entre os arquitectos a trabalhar por conta de outrem e as diferentes exigências do trabalho/projecto em arquitectura.

h) A Ordem dos Arquitectos deve exercer pressão sobre a Administração Pública no sentido de melhorar a regulação e o cumprimento do Código dos Contratos Públicos (CCP).

i) A Ordem dos Arquitectos deve reforçar o seu papel na regulação da prática profissional, a partir do estabelecimento quantificado/qualificado de uma tabela de honorários de valores mínimos praticáveis, a título de recomendação, que contribua para uma genuína regulação concorrencial do mercado da encomenda (assegurando deste modo uma prestação referencial que garanta a boa satisfação da mesma), estabelecendo ainda e no mesmo sentido um limite mínimo de remuneração para os arquitectos assalariados. Deverá a OA, consequentemente, zelar pelo mínimo cumprimento da referida tabela por parte de todos os arquitectos.

j) A Ordem dos Arquitectos deverá criar um gabinete de apoio ao arquitecto por conta de outrem, recebendo e encaminhando para a Autoridade para as Condições de Trabalho as denúncias sobre incumprimentos às leis do trabalho, esclarecendo os arquitectos que sejam trabalhadores dependentes dos seus direitos e deveres, assegurando o cumprimento do Regulamento do Trabalho por Conta de Outrem em Arquitectura, e remetendo para os Conselhos de Disciplina a averiguação da eventual existência de ilícitos disciplinares.

l) A Ordem dos Arquitectos deverá criar um gabinete de apoio à internacionalização, reunindo informação e legislação, e apoiando os arquitectos a trabalhar fora de Portugal ou que queiram participar em concursos internacionais.

m) A Ordem dos Arquitectos tem a capacidade e o dever estatutário de zelar pelo cumprimento da Lei e de averiguar a eventual existência de ilícitos disciplinares cometidos pelos seus membros, nomeadamente nos procedimentos relativos à Encomenda Pública.

n) A Ordem dos Arquitectos deverá estabelecer protocolos de cooperação e implementar um calendário de formação/sensibilização para o cumprimento da legislação por parte de todos os agentes e instituições do sector público que directa ou indirectamente se cruzem com esta temática, nomeadamente o Tribunal de Contas, os Tribunais Administrativos, os Tribunais de 1ª Instância, Relação e Supremo, o Ministério Público, as Autarquias, os Ministérios de tutela, as Empresas Públicas, e os Institutos Públicos.

o) As receitas da Ordem dos Arquitectos que provêm directamente dos associados deverão passar a ser cobradas por uma quota base, reduzida, à qual se somem taxas adicionais sobre as certidões a serem pedidas à OA por cada projecto executado, incidindo estas de forma percentual sobre a estimativa orçamental da obra exigida pelo acto de Licenciamento Municipal de Obras Particulares (os valores de custo construtivo por metro quadrado constam de acto público de deliberação por parte das Assembleias Municipais respectivas, e os metros quadrados de construção são indiciados pela potenciação construtiva reconhecida nos respectivos instrumentos de gestão e planeamento territorial em vigor, pelo que constituem dados não sujeitos a qualquer forma de violação de sigilo). Os arquitectos-estagiários e arquitectos que estejam desempregados, ou que peçam a suspensão da sua actividade profissional, estarão isentos do pagamento de quotas, não perdendo direitos dentro da associação profissional.

p) A Ordem dos Arquitectos deverá oferecer a todos os seus associados serviços gratuitos de consultadoria jurídica, assegurados pelas quotas taxadas aos membros, conforme descrito no ponto anterior.

Sincerely,
Para subscrever:

Cinema Comunitário - hoje projecta-se o filme Escape from Suburbia, na Casa Viva, às 22h.



Quatro sessões de cinema sobre o tema "pico do petróleo"! Quatro documentários sobre este problema mundial e a transição para uma vida pós-carbono. Queremos discutir o assunto, relacionando-o com a situação em Portugal e aproveitar para falar de soluções e alternativas que podemos realizar agora, individualmente e em comunidade.
A primeira e terceira sessões no Terra Viva!, a segunda e última na CasaViva. Sextas-feiras, às 22h00.

Casa Viva
Praça marquês pombal 167 porto
http://casa-viva.blogspot.com/




Escape from Suburbia, de Gregory Greene (95')

Escape from Suburbia - Beyond the American Dream é uma sequela de The End of Suburbia, também dirigido por Gregory Greene, que começa onde o primeiro acaba. Apesar de centrado na América do Norte, levanta problemas globais.

Através de histórias pessoais e entrevistas, examina como o declínio da produção de petróleo do mundo já começou a afectar a vida moderna na América do Norte. Desafiando o paradigma do crescimento infinito, mostra alternativas com que grupos de cidadãos enfrentam os desafios do pico do petróleo.

E tu, o que é que tu vais fazer perante o fim da era do petróleo?

Ano: 2007
País: EUA
Idioma: Inglês (s/ legendas)

Colóquio Internacional Jacques Rancière - Entre nós e as palavras: a filosofia contra o consenso ( 15 e 16 de Março, Lisboa)


Entre nós e as palavras: a filosofia contra o consenso

15 e 16 Março de 2011

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

Universidade Nova de Lisboa

Edifício ID, sala multiusos 3 (4º piso)



Organização

Golgona Anghel

Vanessa Brito

Silvina Rodrigues Lopes


Abrir um espaço entre nós e as palavras, criar dissensos, é, para Rancière, o próprio coração da política e a condição do pensamento. Pretendemos neste Colóquio tomar essa tese como incitação a uma reflexão que não se limite a explicitar as relações poder/saber e os dispositivos de legitimação e institucionalização que as concretizam. A escrita enquanto pensar/agir – capaz de evidenciar e de deslocar as operações de unificação do mundo constituídas por ficções consensuais que procedem à naturalização das relações tecidas em palavras e imagens – será, pois, o tema orientador. Partir-se-á da leitura de livros e textos de Jacques Rancière, insistindo em conceitos neles decisivos, como os de igualdade, de emancipação, de partilha do sensível e de história, que estão na base da conceptualização da possibilidade de incessantes reconfigurações do mundo, segundo as quais, poesia, literatura e filosofia partilham a capacidade de dar existência ao que era imperceptível apesar da sua operatividade. Essa é a possibilidade de conceber a história em termos não-deterministas e de escapar aos mecanismos identitários: experiência de afirmação da igualdade que implica uma atenção às palavras da literatura que não as reinscreva nos circuitos do estabelecido e às palavras anónimas com que se fez história e ficaram ignoradas pelo ruído de modelos narrativos que impuseram uma lógica de exclusão.

PROGRAMA

15 de Março de 2011

9H30 Conferência inaugural por René Schérer, «Le Dissensus constitutif»

10h30 Pausa Café


1° PAINEL As palavras contra a mestria

Moderadora: Golgona Anghel

10H50 Silvina Rodrigues Lopes, «Anti-destino, experimentação e emancipação»

11H30 Vanessa Brito, «L’espace entre les mots et les choses»

12H10 Maria Benedita Basto, «Comme si, comme cela : histoire et vérification de l’égalité»



13H00 Almoço

2° PAINEL O arquivo e as palavras anónimas

Moderador: João Pedro Cachopo

14H30 Déborah Cohen, « Jacques Rancière et les mots de l’archive »

15H10 José Neves, «A História, o Proletariado e o Espectador»

15H50 Luís Trindade, «A narrativa do desentendimento histórico »

16H30 Tiago Baptista, «Aritméticas da nação no cinema moderno português»



19H00 Mesa-redonda na Cinemateca Portuguesa: Arte popular, arte do povo?

Encerramento do ciclo de cinema Jacques Rancière – curtas viagens ao país do povo

Moderadora: Vanessa Brito

Participantes: Emiliano Battista, Pedro Costa, Luís Miguel Oliveira, Jacques Rancière


16 de Março de 2011



3° PAINEL

As palavras sem destinatário da literatura

Moderadora: Maria Benedita Basto

9H30 José Paulo Pereira, «Literatura e democracia: Derrida e Rancière»

10H10 Golgona Anghel, «L’intrus, le silence, le conflit: pour une critique de l’exception»

10H50 Maria Filomena Molder, «Perigos, equívocos e linguagens naturais»


11H30 Pausa café



4° PAINEL As palavras e a configuração do sensível

Moderador: Manuel Deniz

11H50 Gabriel Rockhill, «Rancière’s productive contradictions: from the politics of Aestectics to the Social Politicity of Art»

12H30 Miguel Cardoso, «A partilha do legível: ordem, desordem e mediação no regime estético»



13H10 Almoço

5° PAINEL Contra as palavras consensuais

Moderador: José Neves

15H00 António Guerreiro, «Comunidade e política dos puros meios. Para um confronto entre Rancière e Agamben»

15H40 João Pedro Cachopo, «Le dissensus démocratique. Comment désordonner un mot d’ordre?»

16H10 André Barata, «Dissensualizar consensos, sensualizar palavras, democratizar a democracia – ‘La lute politique, c’est aussi la lutte pour l’appropriation des mots’»


18h30 Sessão de autógrafos com Jacques Rancière (Mediateca do IFP).

19H00 Mesa-redonda Voz e democracia (Anfiteatro do IFP).

Participantes: Manuel Deniz, Jacques Rancière, Rui Tavares