11.3.11

Os arquitectos solidarizam-se e participam no Protesto Geração à Rasca no dia 12 de Março



http://malditaarquitectura.blogspot.com/
Plataforma de informação e discussão sobre o panorama laboral da arquitectura em Portugal


No passado Sábado dia 5 de Março,a assembleia do Núcleo de Lisboa da Maldita Arquitectura tomou a decisão de se solidarizar com o Protesto Geração à Rasca do próximo sábado dia 12 de Março. Decidiu-se também que o Núcleo de Lisboa da Maldita Arquitectura iria ter uma participação própria uma vez que existem pontos em comum entre a declaração maldita e o manifesto publicado no site do Protesto.

Convidam-se assim todos os Arquitectos a que se juntem a este momento de protesto e reflexão da Geração à Rasca no dia 12 de Março



Declaração Maldita e Petição pública

À Assembleia da República, Ordem dos Arquitectos
1. INTRODUÇÃO

A profissão nos últimos 30 anos

A profissão de arquitecto, à semelhança das restantes profissões tradicionalmente denominadas como liberais, encontra-se actualmente a sofrer uma célere transformação, quer na forma como o trabalho se organiza, quer na forma como o produto desse trabalho se integra na sociedade. Ao longo dos últimos trinta anos, a tendência generalizada de liberalização dos mercados, associada à massificação do Ensino Superior, tem levado a transformações ao nível académico, laboral e institucional, com a crescente corporização de profissões como a arquitectura, a advocacia, o jornalismo, entre outras.

Arquitectura: do ensino à prática e ao mercado laboral

Com um corpo crescente de profissionais licenciados na área da arquitectura, fruto do aumento do número de vagas no Ensino Superior, alterou-se a relação entre o ensino e a prática. A orientação científica dos cursos de arquitectura, que outrora formava profissionais qualificados para exercer a profissão de forma independente, foi-se adequando às transformações do mercado concorrencial, sendo que a resposta às actuais exigências do mercado passou a exigir o envolvimento de um maior e mais diversificado número de profissionais qualificados nas diferentes fases do projecto.

No entanto, este facto não se tem traduzido numa valorização do trabalho colectivo, sobretudo porque a adequação do mundo académico à realidade profissional tem dado primazia à individualização no processo de aprendizagem. Se por um lado a exigência de uma resposta rápida aos diversos problemas formais, técnicos e construtivos do projecto favorece a eficácia da produção no actual sistema de mercado, por outro lado alimenta a ilusão da maioria dos recém-licenciados de que irão exercer a profissão de forma independente. Este facto origina uma desadequação completa entre a expectativa e a realidade profissional, tornando o recém-licenciado vulnerável à crescente fragilidade das relações laborais.

Transformação das relações laborais

Durante a maior parte do séc. XX a profissão de arquitectura em Portugal foi desenvolvida por um número reduzido de arquitectos que, oriundos na sua maioria de classes sociais favorecidas, respondiam perante um mercado restrito de clientes e de encomendas. Contudo, com a proliferação de licenciaturas em arquitectura na década de 90, cidadãos de todos os extractos sociais puderam formar-se em arquitectura e aceder, de forma mais ou menos turbulenta, à respectiva associação profissional. Se por um lado esta democratização reproduziu de uma forma mais fiel a sociedade, por outro lado as relações laborais entre os profissionais de arquitectura passaram também a reproduzir as diferenças sociais entre arquitectos.

Hoje, os arquitectos que se lançam no mercado enquanto profissionais liberais (de forma independente ou em associação com outros arquitectos) encontram diversos entraves à sua realização profissional. De facto, dada a dificuldade de acesso à encomenda privada e à monopolização da encomenda pública, muitos são os profissionais que alternam instavelmente entre a prática por conta de outrem e a profissão liberal.

No actual mercado de trabalho a predominância não é de profissionais liberais mas sim de trabalhadores assalariados. Construída num contexto global de desregulação do trabalho, a actual realidade laboral em arquitectura define-se, de uma forma genérica, pela dificuldade no acesso à profissão, pela falta de autonomia criativa e disciplinar, pelo aumento do desemprego, pelos baixos salários, e pela precariedade e instabilidade permanentes no trabalho.

Insuficiência das actuais estruturas representativas

A introdução do D.L. n.º 176/98 de 03 de Julho (por prerrogativas impostas na directiva 85/384/CEE) veio responder a esta nova realidade, materializada na substituição de uma Associação por uma Ordem Profissional com competências reguladoras delegadas pelo Estado, para assegurar a equidade de oportunidades e a dignidade da profissão de arquitecto. Paradoxalmente, tem crescido o incumprimento da Lei, regulamentos e estatutos por falta de fiscalização dos mesmos, assim como as assimetrias no acesso à profissão e distribuição dos seus rendimentos, bem como a precariedade laboral a todos os níveis, impedindo a participação dos arquitectos na necessária reflexão e transformação da cidade, do território e da sociedade.

A produção da arquitectura e a qualidade disciplinar da arquitectura

A qualidade disciplinar da arquitectura é indissociável da forma como é produzida. A produção de arquitectura exige tempo, discussão, reflexão. Quanto mais reflexiva e participada for a produção, maior será a capacidade de resposta da arquitectura às problemáticas ligadas à sociedade e ao território. A prática disciplinar deve, portanto, adaptar-se ao extenso corpo de profissionais existente, permitindo a participação activa de todos os intervenientes no processo criativo e dignificando o trabalho dos mesmos. Só desta forma será possível garantir que a qualidade disciplinar da arquitectura se reflicta, directamente, na melhoria do ambiente construído como resposta às necessidades da sociedade contemporânea.


2. DIAGNÓSTICO DO PANORAMA LABORAL DA ARQUITECTURA EM PORTUGAL

O quebrar das expectativas

À utopia imaginada por muitos dos novos arquitectos em torno de uma independência profissional depois da obtenção do grau académico, segue-se a desilusão da prática levada a cabo após a inscrição na Ordem Profissional. O acesso à profissão não se traduz, para uma grande maioria, na possibilidade de iniciar a construção de uma vida.

Por um lado, a realidade do mercado da arquitectura, eminentemente corporativo e monopolizado, cria um conjunto de entraves à concretização das expectativas em torno do trabalho independente, nomeadamente a nível institucional, financeiro e de obtenção de encomenda. Por outro lado, o desemprego e o trabalho precário generalizaram-se, reflectindo uma realidade na qual uma parte muito significativa dos arquitectos vive, actualmente, de forma instável, com rendimentos inferiores e menos direitos sociais que um trabalhador manual não especializado.

De facto, a crescente liberalização das relações de produção em praticamente todas as áreas profissionais, incluindo a arquitectura, tem conduzido à sua desregulação, levando a uma perversão no sistema social em que os direitos dos trabalhadores por conta de outrem não são protegidos pelo Estado, embora sejam teórica e legalmente assegurados.

Neste quadro, sendo que a grande maioria dos arquitectos trabalha hoje por conta de outrem, numa realidade muito diferente da do trabalho independente, é pertinente passar à observação de cada modo de exercício da profissão separadamente.

2.1 Trabalho por conta de outrem

2.1.1 Entre arquitectos assalariados e arquitectos empregadores

Progressão e carreira

À crescente dificuldade em encontrar um posto de trabalho adequadamente remunerado acresce o facto de o mercado de trabalho não oferecer qualquer noção de progressão na carreira, sendo extremamente raro que a remuneração e as condições laborais acompanhem o acumular da experiência profissional, e portanto o valor do trabalho do arquitecto. Neste contexto, o profissional de arquitectura por conta de outrem não encontra a estabilidade laboral mínima para a construção de uma vida independente.
Contratualização

Dos contratos a termo certo de curta duração aos falsos recibos verdes ou mesmo à inexistência de qualquer vínculo laboral, o trabalhador por conta de outrem em arquitectura é, em geral, um trabalhador precário. Esta precariedade começa na extrema dificuldade em contratualizar devidamente, nos termos da lei, o posto de trabalho. Um contrato de trabalho estabelece um conjunto de obrigações que protegem o trabalhador, garantindo uma duração mínima, uma remuneração mínima, protecção em caso de doença, incapacidade ou maternidade, um horário de trabalho e consequente pagamento de horas extraordinárias, o direito a férias, o acesso futuro à reforma e a eventual protecção no desemprego, bem como o impedimento do despedimento sem justa causa. Esta protecção do trabalhador aumenta os encargos da empresa e impede a flexibilidade dos despedimentos necessária à rápida adaptação à flutuação das encomendas de arquitectura no actual mercado. Como tal, mesmo quando existe um contrato, há frequentemente incumprimentos, e este é, regra geral, de duração curta e limitada.

Da prestação de serviços

Como forma de contornar as obrigações decorrentes da contratualização, a larga maioria do trabalho por conta de outrem em arquitectura é mascarada de prestação de serviços, em clara violação da lei. Sendo que a maior parte das subcontratações em arquitectura implicam a existência de um local de trabalho, subordinação hierárquica, horário laboral definido, bem como utilização de ferramentas de trabalho que sejam propriedade do empregador, a sua remuneração mediante recibos verdes é ilegal e os mesmos são falsos recibos verdes. O trabalhador a falsos recibos verdes não aufere de nenhuma das protecções sociais oferecidas por um contrato de trabalho, uma vez que o seu trabalho é considerado independente – é, de facto, um assalariado mascarado de profissional liberal, sem os direitos de um nem as vantagens do outro. Esta condição laboral permite a fixação de uma remuneração fora da legalidade, uma vez que o empregador é formalmente cliente do trabalhador, não existindo qualquer recomendação de organismo tutelar sobre a forma como os honorários da prestação de serviços se possam definir. Esta inversão de papéis permite a existência actual de situações de trabalho remunerado abaixo do salário mínimo, sem horário de trabalho, remunerado à hora, etc.

Obrigações sociais

Toda esta conjuntura, em que o arquitecto é pressionado a aceitar realidades laborais intoleráveis e ilegais, bem como remunerações muito baixas, põe em risco a qualidade do seu trabalho, tornando insustentável o pagamento das suas obrigações sociais, e potenciando assim a existência de profissionais a trabalhar por conta de outrem sem qualquer vínculo com a entidade empregadora. Estes casos representam o limite máximo do retrocesso civilizacional e remetem os arquitectos para a exclusão social completa, não declarando os seus rendimentos, não pagando impostos, não garantindo quaisquer direitos nem obrigações por parte do Estado ou do empregador e contribuindo, consequentemente, para o desmantelamento do Estado Social.

2.1.2 Entre arquitectos assalariados e outras entidades empregadoras

Contratos na administração pública

O Estado é neste momento o maior empregador de trabalho precário em Portugal. De facto, o número de profissionais de arquitectura a trabalhar na Administração Pública com vínculos laborais de contornos nebulosos, ou mesmo alheios a qualquer sustentabilidade legal, tem vindo a crescer. Para esta realidade tem contribuído o desrespeito pelos princípios elementares contidos no Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas, referentes aos instrumentos de regulação colectiva de trabalho, acordos colectivos de carreira ou de entidade empregadora pública, e o consequente desinteresse na harmonização do regime remuneratório pelos níveis de carreira/categoria. Os atropelos constantes aos referidos princípios têm colocado em causa a prática regular das duas modalidades de contratação pela Administração Pública que prevêem abertura de concurso para o efeito, nomeadamente os contratos a termo resolutivo certo ou a termo indeterminado, e a nomeação transitória ou definitiva. Neste contexto, acrescem óbvias e inerentes desigualdades no acesso à progressão de carreira, nos regimes contributivos, ou mesmo nas protecções sociais previstas, com prejuízos evidentes para o interesse público.

Além dos problemas de nível contratual, que não têm promovido ou dignificado o exercício da profissão, o trabalho destes arquitectos encontra-se muitas vezes desaproveitado das suas atribuições, sendo reduzido à mera legitimação/avaliação processual de projectos oriundos do sector privado. Ao mesmo tempo verifica-se uma redução substancial das políticas de promoção do interesse público da arquitectura (nos sectores da habitação e dos equipamentos, entre outros), da cidade (nos sectores do ordenamento e planeamento urbano, e da qualificação do espaço público), e do debate e participação pública nas decisões estratégicas.

Contratos no Sector Privado

O sector privado, quer sob a forma tradicional do escritório de arquitectura, propriedade de um arquitecto ou sociedade de arquitectos, quer sob a forma de uma empresa ligada ao ramo da construção, comércio ou promoção imobiliária, representa uma grande parte do mercado laboral em arquitectura, regulado pela legislação geral sobre trabalho dependente. No entanto, há a salientar que, nas empresas em que o proprietário e responsável pelas relações de subordinação laboral seja um arquitecto (ou sociedade de arquitectos), às obrigações legalmente impostas pela legislação geral acrescem as obrigações de cumprimento da legislação referente aos Estatutos da Ordem dos Arquitectos e do seu Regulamento de Deontologia, sob pena de sanção disciplinar.

Empresas de Trabalho Temporário

Uma vez que o fluxo de trabalho em arquitectura é por vezes inconstante, a entrada no mercado laboral das empresas de trabalho temporário (ETT) é, dentro do actual contexto de liberalização das relações laborais, uma questão de tempo. Estas empresas, que libertam os empregadores do ónus da contratualização do trabalho, resolvem as necessidades pontuais de mão de obra das empresas enquanto transformam o arquitecto num trabalhador descartável, um prestador de serviços ao empregador efectivo, através de um intermediário legal que cobra uma percentagem sobre o trabalho realizado. As ETT, tal como no caso dos já referido falsos recibos verdes representam a perpetuação e legalização da instabilidade laboral para o trabalhador por conta de outrem.

2.2 Trabalho por conta própria

Ao contrário do trabalho por conta de outrem, cuja percepção como relação laboral dependente é relativamente clara, o trabalho por conta própria em arquitectura assume realidades diversas, sendo a sua caracterização mais complexa.

Três níveis de desempenho da profissão por conta própria

Considerando que um processo analítico de categorização desta complexidade será, necessariamente, redutor, uma observação distanciada permite identificar três níveis de desempenho da profissão por conta própria:

a) Profissional independente

O arquitecto ou sociedade de arquitectos que se insere no grupo a), constitui uma entidade que, tendo acesso à encomenda, geralmente privada e descontínua ao longo do tempo, se caracteriza por incluir profissionais liberais independentes de qualquer estrutura hierárquica, e que oscilam ou mantêm em paralelo actividade por conta de outrem.

b) Pequeno empregador

O arquitecto ou sociedade de arquitectos que se insere no grupo b), constitui uma entidade que, em virtude de um processo de expansão do volume de trabalho, assalaria ocasionalmente outros arquitectos em estrutura hierárquica, passando a constituir-se como um pequeno empregador. Muito susceptíveis às flutuações da encomenda, as relações laborais decorrentes são, na sua maioria, instáveis.

A mobilidade entre o profissional independente e o empregador de pequena escala é grande, sendo comum a alternância entre os grupos a) e b) de desempenho da profissão por conta própria.

c) Entidade patronal permanente

O arquitecto ou sociedade de arquitectos que se insere no grupo c), constitui uma entidade que gere um gabinete com presença estabilizada no mercado, independentemente das oscilações do volume de trabalho, definindo-se de forma permanente como entidade patronal. Alguns gabinetes estabilizam uma carteira de clientes, conseguindo manter um número mínimo de assalariados ao longo do tempo. Este grupo inclui, quer os grandes gabinetes que exercem maior influência nas regras de funcionamento do mercado da encomenda, quer os gabinetes de menor dimensão que, condicionados por essas regras, encontram o seu nicho de mercado. O que diferencia estas entidades empregadores das que constituem o grupo anterior é a sua capacidade de absorver eventuais variações de encomenda, nunca deixando de empregar outros arquitectos.

Estes três grupos não são estanques sendo frequente que os arquitectos oscilem, não só na forma como desempenham a profissão por conta própria, mas também entre o trabalho independente e o trabalho por conta de outrem.

Acesso à encomenda

A mobilidade entre os arquitectos assalariados e os arquitectos por conta própria dos grupos a) e b) é uma falsa mobilidade, uma vez que não corresponde a uma crescente estabilização profissional, mas antes ao reflexo de uma instabilidade permanente. O corpo de profissionais que trabalha por conta de outrem e o corpo de profissionais que integra os dois primeiros grupos corresponde, geralmente, ao mesmo grupo de arquitectos em momentos contextuais diferentes. De facto, a realidade do mercado e da profissão tem evoluído no sentido da crescente cristalização dos grandes empregadores como sendo os únicos profissionais com estabilidade, existindo grandes desigualdades quer no acesso à encomenda pública, quer na publicitação do trabalho, fundamental para o acesso à encomenda privada.

Monopolização da encomenda pública

Com as notícias da crise o mercado da encomenda pública monopolizou-se. Hoje, a existência de um Concurso Público de Concepção, legalmente exigido para a elaboração de um projecto promovido por dinheiros públicos, não é um dado adquirido. Os Concursos de Aquisição de Serviços para projectos de arquitectura e especialidades, e mesmo os Ajustes Directos não precedidos do devido procedimento de Concurso Público de Concepção generalizaram-se. A sábia tradição de privilegiar o Superior Interesse Público em detrimento do favoritismo foi sucumbindo à lógica financeira e eleitoral. Disso são exemplo as centenas de projectos entregues à margem do Código dos Contratos Públicos (CCP) como a requalificação de todo o Parque Escolar do país, os mais variados Equipamentos de Saúde, os Tribunais, os Equipamentos de Lazer e Desporto, os Museus e Equipamentos Culturais. Neste quadro, perderam-se seguramente oportunidades valiosas de discussão, reflexão e inovação, todas elas mais-valias no desenvolvimento e afirmação da sociedade e do território em Portugal.

Arquitecto-Estrela

A evolução do mercado de arquitectura, nas últimas décadas, tem vindo a sedimentar-se em torno dos gabinetes de maior dimensão, que associam à ideia de grande empresa o conceito de arquitecto-estrela, cujo trabalho é publicitado nas publicações da especialidade e nos meios académicos. Esta imagem de arquitecto-estrela, que deriva quer do ideal romântico do artista-criador, quer da relação mestre-aprendiz típica das oficinas medievais, prática continuada até ao recente aumento exponencial do número de arquitectos em Portugal, consolidou-se numa ideologia que justifica a desregulação do trabalho na empresa de arquitectura contemporânea. Assim, atrás da ideia de colaboração entre arquitectos esconde-se a realidade actual da crescente proletarização do trabalho em arquitectura.

2.3 Da insuficiência das actuais estruturas representativas

A Ordem dos Arquitectos

As estruturas segundo as quais os arquitectos se organizam e fazem representar têm vindo a evoluir, desde a Real Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses, passando pela Sociedade dos Arquitectos Portugueses, depois pelo Sindicato Nacional dos Arquitectos e pela Associação dos Arquitectos Portugueses, até à actual constituição da Ordem dos Arquitectos, em 1998, por transposição para o direito interno da respectiva directiva comunitária.

A existência da Ordem dos Arquitectos como organismo representativo da classe profissional pressupõe a delegação, por parte do Estado, do poder de regulação quanto às relações entre arquitectos, e entre estes com a sociedade que servem (…com a publicação do respectivo Estatuto em anexo ao Decreto-Lei nº 176/98, de 3 de Julho, passando a OA a representar não só todos os arquitectos como, também, a regular o respectivo exercício profissional). Efectivamente, a criação da Ordem dos Arquitectos surge como resposta ao aumento significativo do número de profissionais a exercer em Portugal, numa tentativa de assegurar a qualidade do trabalho dos arquitectos, e simultaneamente de se assumir como instrumento do Estado na defesa dos interesses da classe dos profissionais de arquitectura e da sociedade em geral.

Regulação do mercado laboral

Em 1998, aquando da criação da OA já se verificava a realidade contemporânea da diluição da profissão liberal e do surgimento de um alargado conjunto de arquitectos trabalhadores por conta de outrem. Embora estes arquitectos sejam representados pela Ordem dos Arquitectos, de acordo com os seus estatutos, esta não tem procurado, até hoje, a regulação do mercado laboral em arquitectura, e tem, de facto, contribuído para a crescente dificuldade no acesso à profissão e à igualdade de oportunidades. Com efeito, a Ordem deixou de falar em arquitectos, enquanto profissionais de arquitectura, remetendo-se ao silêncio sobre as questões do trabalho, e passou a falar apenas em arquitectura enquanto disciplina teórica abstracta.

Regulação do mercado da encomenda pública

Para além de a Ordem dos Arquitectos não contribuir para a regulação do mercado laboral em Arquitectura, como anteriormente descrito, também não contribui para a regulação do mercado da encomenda de arquitectura, como é inequivocamente sua atribuição. De facto, a Ordem tem permitido, por inacção, a proliferação de encomendas públicas sem concurso público de concepção, passivamente permitindo a crescente desigualdade entre os arquitectos no acesso à encomenda pública. Já que a Ordem tem o poder de fiscalizar os concursos públicos, podendo por exemplo punir disciplinarmente arquitectos que participem em concursos que não respeitem a legislação vigente, não se compreende a relutância em intervir, em defesa do conjunto da classe profissional e do interesse público, em casos como concursos ou ajustes directos que não cumprem prerrogativas legais inerentes.

O dever de cumprimento da legislação

As exigências da negociação laboral entre os arquitectos por conta de outrem e os seus empregadores vão, necessariamente, para além das atribuições legais de uma Ordem Profissional, estando esta impossibilitada de supervisionar a negociação laboral entre empregadores e assalariados, assim como de organizar a exigência de melhores condições de trabalho, seja às entidades empregadoras seja ao Governo. Não se esperando que a Ordem dos Arquitectos assuma essas atribuições, esta tem no entanto a capacidade de assegurar que as relações entre arquitectos funcionem, não só nos termos da Lei Geral, mas também nos termos previstos pelo respectivo Regulamento de Deontologia.
O dever de cumprimento dos próprios estatutos

A Ordem dos Arquitectos já exige, estatutária e deontologicamente, o total cumprimento da legislação no exercício da profissão a todos os seus associados, estando os mesmos sujeitos a punição disciplinar em caso de incumprimento, o que lhe possibilita e compromete a intervir em todos os casos de incumprimento de contratos de trabalho, de subcontratação ilegal a falsos recibos verdes e de trabalho sem vínculo, desde que a entidade empregadora (ou o responsável por ela) seja um arquitecto. Além disso, a Ordem tem o dever estatutário de zelar pela fiscalização da concorrência desleal e pela valorização da arquitectura, que são necessariamente afectadas pelas situações acima descritas e pela sub-remuneração, pelo que a desresponsabilização e falta de intervenção da OA na regulação laboral constitui um problema de orientação política da mesma.

Processo de admissão

O acesso à profissão faz-se, por imposição institucional, por conta de outrem, já que a legislação em vigor, nomeadamente o Regulamento de Admissão à Ordem dos Arquitectos, obriga à realização de um estágio profissional, que actualmente tem uma duração de 9 a 12 meses. O processo de admissão à Ordem dos Arquitectos, para além de criar um conjunto de obstáculos institucionais e económicos ao acesso à profissão, contribui, com a exigência do estágio profissional, mal fiscalizado e acompanhado, para a rotatividade e instabilidade dos postos de trabalho, assim como para a fragilidade negocial dos arquitectos por conta de outrem, como anteriormente descrito.

Estágio profissional

Sendo que os estágios eram, anteriormente à criação da Ordem dos Arquitectos, incluídos nos planos de estudo dos cursos, esses estágios curriculares foram sendo abandonados após a instituição da figura do estágio profissional. Embora a argumentação em defesa dos estágios profissionais afirme que estes são mais dirigidos para a prática profissional do que os de índole académica, o que se verifica na realidade é que os estágios, académicos ou profissionais, não diferem quanto à qualidade da formação, sendo esta dependente sobretudo do rigor da fiscalização pela entidade responsável e da seriedade da empresa e do patrono. Na prática, a passagem do estágio curricular para o profissional veio desresponsabilizar as escolas de arquitectura quanto ao acompanhamento da inserção profissional dos seus formandos.

Regulação do estágio profissional

A Ordem dos Arquitectos não faz regulação activa dos estágios enquanto período de formação, não assegurando assim que este complemente devidamente a formação académica num sentido profissionalizante, ou seja, não garantindo o cumprimento da própria razão de ser da existência de um estágio profissional obrigatório. De facto, o estágio é generalizadamente encarado, pelo patrono e pelo estagiário, como um período de trabalho pouco qualificado e não como formação, criando uma base de mão-de-obra barata ou gratuita por parte de uma geração mais nova, frequentemente com maior domínio sobre as tecnologias associadas ao desenho assistido por computador, bem como sobre uma multiplicidade de conhecimentos interdisciplinares.

Remuneração do estágio profissional

O estágio profissional, embora obrigatório, não é obrigatoriamente remunerado, uma vez que a única regulamentação aplicável que poderia impor a remuneração dos arquitectos estagiários, o regulamento de estágio da Ordem dos Arquitectos, é omisso a esse respeito.

Colocação de membros estagiários

Uma vez que existem mais arquitectos candidatos a estágio do que lugares disponíveis no actual mercado de trabalho, uma parte deles engrossa a actual bolsa de desempregados. Os restantes, subjugados às regras da oferta e da procura, serão tendencialmente mal ou mesmo não remunerados.

A permanente ameaça de desemprego condiciona, além da progressiva redução da remuneração do trabalho dependente, a própria contratualização laboral, num processo em que o empregador que não recorre à sub-remuneração se encontra em desvantagem competitiva.

Apoios estatais ao primeiro emprego

Além disto, os apoios estatais ao primeiro emprego, nomeadamente os programas InovJovem, InovArt, as Bolsas de Estágio na Administração Pública ou os estágios do IFP, pagando parte dos encargos com o trabalhador à entidade empregadora, oferecendo-lhe vantagens fiscais, embora assegurem um contrato e um salário estáveis durante um ano, estimulam a rotatividade do posto de trabalho, já que a empresa ou a própria Administração Pública tem vantagens em empregar continuamente primeiros empregos, acabando por contribuir para uma viciosa desestabilização do mercado de trabalho.

Membros estagiários vs membros efectivos

Fica já estabelecida a matriz que condicionará todo o exercício da Arquitectura por conta de outrem. Após o estágio, a dificuldade em encontrar um posto de trabalho adequadamente remunerado não só se mantém como aumenta. Competindo directamente com os arquitectos que, tendo completado o estágio já são membros efectivos da Ordem, os estagiários contribuem, involuntariamente, para a falta de capacidade negocial do geral dos trabalhadores por conta de outrem em arquitectura, ao nível da contratualização, remuneração e condições de trabalho.

Do financiamento da OA

A taxação de quotas entre os membros da Ordem dos Arquitectos, indispensável para o seu financiamento, deve colectar o suficiente para manter a estrutura e meios necessários à sua manutenção e ao fornecimento de serviços como por exemplo o apoio jurídico aos arquitectos que o solicitarem. Actualmente, as quotas são iguais para todos os arquitectos, independentemente do rendimento que aufiram, ao contrário de países como Espanha ou o Reino Unido, onde as quotas para as ordens profissionais são taxadas percentualmente, relativamente ao volume de trabalho dos arquitectos.

2.4 Consequências do diagnóstico para a qualidade disciplinar da arquitectura em Portugal

Transformação do debate disciplinar

A classe profissional dos arquitectos tem, através das estruturas em que se tem organizado, um histórico de preocupação e participação social, debatendo e construindo posicionamentos colectivos sobre questões fulcrais para a disciplina como a habitação, a cidade, e as identidades nacional e regionais que advêm das tradições populares. No entanto, o debate tem-se vindo a distanciar da definição de uma arquitectura que contribua para um desenvolvimento que sustente uma melhoria das condições de vida da generalidade da população. Hoje, os problemas trazidos à discussão centram-se cada vez mais em torno dos interesses corporativos da classe e da promoção individual do trabalho de um pequeno número de arquitectos, cuja arquitectura se define mais como imagem do que como reflexão e proposta de organização espacial/social da vida, ao nível doméstico, público e urbano.

Centralização do processo criativo

Esta alteração do foco das preocupações da disciplina, do colectivo para o individual, está intrinsecamente ligada ao conjunto de transformações na realidade da prática disciplinar, com a crescente empresarialização da produção e corporização das instituições. Se outrora se discutiam os mecanismos de participação popular na actividade projectual de arquitectura, hoje a hierarquização do trabalho nos escritórios tende a excluir até os próprios arquitectos-executantes, arredados do trabalho criativo e sem lhes ser muitas vezes reconhecida a co-autoria que por lei têm direito. A redução do arquitecto assalariado a um operador de programas de desenho assistido por computador constitui um entrave significativo à qualidade da produção arquitectónica, já que reduz o número de profissionais que participa activamente sobre as problemáticas do projecto, da cidade e do território. Neste contexto é frequente o arquitecto empregador centralizar o grosso das decisões sobre o projecto, fazendo todos os esforços para que a autoria seja individualizada em vez de fruto de um trabalho colectivo, remetendo os arquitectos assalariados a uma compreensão afastada da globalidade do projecto e, como tal, impossibilitando-os de uma real participação na produção intelectual.

Desincentivo à inovação

A monopolização da encomenda pública e a constante divulgação do trabalho de um número restrito de gabinetes de arquitectura, leva a que uma parte significativa dos arquitectos não tenha hipótese de se afirmar no mercado, quer pelo acesso à encomenda quer pela possibilidade de terem o seu trabalho difundido em grande escala. Por outro lado, a concentração da encomenda nos gabinetes com maior acesso/influência no mercado permite diminuir a exigência de qualidade do seu trabalho, levando a um consequente desincentivo à inovação.

Qualidade da arquitectura = qualidade da produção de arquitectura

A inclusão da totalidade dos arquitectos no processo criativo e intelectual da prática profissional, em condições laborais estáveis e dignificantes, é cada vez mais necessário, não só para a qualidade de vida dos profissionais de arquitectura mas também para a qualidade disciplinar da arquitectura e, como tal, para a qualidade de vida dos cidadãos portugueses. De facto, o processo de regulação do trabalho por conta de outrem, o tornar equitativo o acesso à profissão liberal e a reaproximação da disciplina aos problemas reais da vida social estão indissociavelmente ligados, e constituem vários aspectos do mesmo problema.


3. LINHAS DE ACÇÃO PROPOSTAS

3.1 Relativamente às competências das estruturas do Estado

a) A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) deve inspeccionar activamente as empresas onde se realiza trabalho de arquitectura, dado existirem violações generalizadas ao Código Laboral, sobretudo pela generalização de falsos recibos verdes.

b) São eticamente inaceitáveis os Concursos de Aquisição de Serviços para projectos de arquitectura bem como a proliferação de regimes de excepção na Encomenda Pública, ou o Ajuste Directo não legitimado pelo Concurso Público de Concepção. A Ordem dos Arquitectos deve fazer pressão junto das instituições competentes no sentido da sua ilegalização.

c) A transparência nas adjudicações públicas deve ser total, com publicação de todo o processo de adjudicação, para consulta pública.

d) Deverá ser criada a figura do Alvará de Arquitectura, uma certificação de empresas de arquitectura que garantirá e discriminará a presença nos quadros da empresa de um número de arquitectos, na proporcionalidade da dimensão e complexidade dos projectos aos quais a empresa concorra, estimulando a estabilidade laboral. Para incentivar a renovação e não dificultar o acesso dos jovens à encomenda pública, a certificação apenas será aplicável nas fases de execução e licenciamento, estando a fase de concepção fora do âmbito da mesma. Deste modo será possível que qualquer arquitecto possa ganhar um concurso de concepção, podendo depois articular parcerias para assegurar a equipa necessária às fases de licenciamento e execução do projecto.

3.2 Relativamente às competências da Ordem dos Arquitectos

e) O regulamento de admissão da Ordem dos Arquitectos deverá ser alterado com vista a incluir a obrigatoriedade de remuneração dos estágios.

f) A Ordem dos Arquitectos deverá elaborar um Regulamento do Trabalho por Conta de Outrem em Arquitectura, abrangendo todos os arquitectos, empresas ou instituições que contratem outros arquitectos, estabelecendo uma tabela indicativa de salários de referência indexados às categorias de trabalho (ver alínea g) deste capítulo), consoante as suas responsabilidades e atribuições relativas na hierarquia da empresa em que se realize trabalho de arquitectura. Este Regulamento influenciará, pelo estabelecimento de um valor referência quanto à progressão de carreira e de remuneração, a capacidade de negociação salarial de todos os arquitectos que trabalham por conta de outrem

g) A Ordem dos Arquitectos deve centralizar a publicação online de minutas de contratos de trabalho por conta de outrem, a termo certo e incerto, entre pares arquitectos e entre arquitectos e outros técnicos, à semelhança do que faz com as minutas de contrato de prestação de serviços. Esses contratos de trabalho deverão incluir a discriminação tipológica das responsabilidades projectuais do arquitecto contratado, inserindo-o num sistema de categorias a criar, debater e aprovar pela Assembleia Geral da Ordem dos Arquitectos. Este sistema poderia constituir a base para a criação de um modelo de carreiras no trabalho dependente em arquitectura, estabelecendo contratualmente as responsabilidades relativas entre os arquitectos a trabalhar por conta de outrem e as diferentes exigências do trabalho/projecto em arquitectura.

h) A Ordem dos Arquitectos deve exercer pressão sobre a Administração Pública no sentido de melhorar a regulação e o cumprimento do Código dos Contratos Públicos (CCP).

i) A Ordem dos Arquitectos deve reforçar o seu papel na regulação da prática profissional, a partir do estabelecimento quantificado/qualificado de uma tabela de honorários de valores mínimos praticáveis, a título de recomendação, que contribua para uma genuína regulação concorrencial do mercado da encomenda (assegurando deste modo uma prestação referencial que garanta a boa satisfação da mesma), estabelecendo ainda e no mesmo sentido um limite mínimo de remuneração para os arquitectos assalariados. Deverá a OA, consequentemente, zelar pelo mínimo cumprimento da referida tabela por parte de todos os arquitectos.

j) A Ordem dos Arquitectos deverá criar um gabinete de apoio ao arquitecto por conta de outrem, recebendo e encaminhando para a Autoridade para as Condições de Trabalho as denúncias sobre incumprimentos às leis do trabalho, esclarecendo os arquitectos que sejam trabalhadores dependentes dos seus direitos e deveres, assegurando o cumprimento do Regulamento do Trabalho por Conta de Outrem em Arquitectura, e remetendo para os Conselhos de Disciplina a averiguação da eventual existência de ilícitos disciplinares.

l) A Ordem dos Arquitectos deverá criar um gabinete de apoio à internacionalização, reunindo informação e legislação, e apoiando os arquitectos a trabalhar fora de Portugal ou que queiram participar em concursos internacionais.

m) A Ordem dos Arquitectos tem a capacidade e o dever estatutário de zelar pelo cumprimento da Lei e de averiguar a eventual existência de ilícitos disciplinares cometidos pelos seus membros, nomeadamente nos procedimentos relativos à Encomenda Pública.

n) A Ordem dos Arquitectos deverá estabelecer protocolos de cooperação e implementar um calendário de formação/sensibilização para o cumprimento da legislação por parte de todos os agentes e instituições do sector público que directa ou indirectamente se cruzem com esta temática, nomeadamente o Tribunal de Contas, os Tribunais Administrativos, os Tribunais de 1ª Instância, Relação e Supremo, o Ministério Público, as Autarquias, os Ministérios de tutela, as Empresas Públicas, e os Institutos Públicos.

o) As receitas da Ordem dos Arquitectos que provêm directamente dos associados deverão passar a ser cobradas por uma quota base, reduzida, à qual se somem taxas adicionais sobre as certidões a serem pedidas à OA por cada projecto executado, incidindo estas de forma percentual sobre a estimativa orçamental da obra exigida pelo acto de Licenciamento Municipal de Obras Particulares (os valores de custo construtivo por metro quadrado constam de acto público de deliberação por parte das Assembleias Municipais respectivas, e os metros quadrados de construção são indiciados pela potenciação construtiva reconhecida nos respectivos instrumentos de gestão e planeamento territorial em vigor, pelo que constituem dados não sujeitos a qualquer forma de violação de sigilo). Os arquitectos-estagiários e arquitectos que estejam desempregados, ou que peçam a suspensão da sua actividade profissional, estarão isentos do pagamento de quotas, não perdendo direitos dentro da associação profissional.

p) A Ordem dos Arquitectos deverá oferecer a todos os seus associados serviços gratuitos de consultadoria jurídica, assegurados pelas quotas taxadas aos membros, conforme descrito no ponto anterior.

Sincerely,
Para subscrever:

Cinema Comunitário - hoje projecta-se o filme Escape from Suburbia, na Casa Viva, às 22h.



Quatro sessões de cinema sobre o tema "pico do petróleo"! Quatro documentários sobre este problema mundial e a transição para uma vida pós-carbono. Queremos discutir o assunto, relacionando-o com a situação em Portugal e aproveitar para falar de soluções e alternativas que podemos realizar agora, individualmente e em comunidade.
A primeira e terceira sessões no Terra Viva!, a segunda e última na CasaViva. Sextas-feiras, às 22h00.

Casa Viva
Praça marquês pombal 167 porto
http://casa-viva.blogspot.com/




Escape from Suburbia, de Gregory Greene (95')

Escape from Suburbia - Beyond the American Dream é uma sequela de The End of Suburbia, também dirigido por Gregory Greene, que começa onde o primeiro acaba. Apesar de centrado na América do Norte, levanta problemas globais.

Através de histórias pessoais e entrevistas, examina como o declínio da produção de petróleo do mundo já começou a afectar a vida moderna na América do Norte. Desafiando o paradigma do crescimento infinito, mostra alternativas com que grupos de cidadãos enfrentam os desafios do pico do petróleo.

E tu, o que é que tu vais fazer perante o fim da era do petróleo?

Ano: 2007
País: EUA
Idioma: Inglês (s/ legendas)

Colóquio Internacional Jacques Rancière - Entre nós e as palavras: a filosofia contra o consenso ( 15 e 16 de Março, Lisboa)


Entre nós e as palavras: a filosofia contra o consenso

15 e 16 Março de 2011

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

Universidade Nova de Lisboa

Edifício ID, sala multiusos 3 (4º piso)



Organização

Golgona Anghel

Vanessa Brito

Silvina Rodrigues Lopes


Abrir um espaço entre nós e as palavras, criar dissensos, é, para Rancière, o próprio coração da política e a condição do pensamento. Pretendemos neste Colóquio tomar essa tese como incitação a uma reflexão que não se limite a explicitar as relações poder/saber e os dispositivos de legitimação e institucionalização que as concretizam. A escrita enquanto pensar/agir – capaz de evidenciar e de deslocar as operações de unificação do mundo constituídas por ficções consensuais que procedem à naturalização das relações tecidas em palavras e imagens – será, pois, o tema orientador. Partir-se-á da leitura de livros e textos de Jacques Rancière, insistindo em conceitos neles decisivos, como os de igualdade, de emancipação, de partilha do sensível e de história, que estão na base da conceptualização da possibilidade de incessantes reconfigurações do mundo, segundo as quais, poesia, literatura e filosofia partilham a capacidade de dar existência ao que era imperceptível apesar da sua operatividade. Essa é a possibilidade de conceber a história em termos não-deterministas e de escapar aos mecanismos identitários: experiência de afirmação da igualdade que implica uma atenção às palavras da literatura que não as reinscreva nos circuitos do estabelecido e às palavras anónimas com que se fez história e ficaram ignoradas pelo ruído de modelos narrativos que impuseram uma lógica de exclusão.

PROGRAMA

15 de Março de 2011

9H30 Conferência inaugural por René Schérer, «Le Dissensus constitutif»

10h30 Pausa Café


1° PAINEL As palavras contra a mestria

Moderadora: Golgona Anghel

10H50 Silvina Rodrigues Lopes, «Anti-destino, experimentação e emancipação»

11H30 Vanessa Brito, «L’espace entre les mots et les choses»

12H10 Maria Benedita Basto, «Comme si, comme cela : histoire et vérification de l’égalité»



13H00 Almoço

2° PAINEL O arquivo e as palavras anónimas

Moderador: João Pedro Cachopo

14H30 Déborah Cohen, « Jacques Rancière et les mots de l’archive »

15H10 José Neves, «A História, o Proletariado e o Espectador»

15H50 Luís Trindade, «A narrativa do desentendimento histórico »

16H30 Tiago Baptista, «Aritméticas da nação no cinema moderno português»



19H00 Mesa-redonda na Cinemateca Portuguesa: Arte popular, arte do povo?

Encerramento do ciclo de cinema Jacques Rancière – curtas viagens ao país do povo

Moderadora: Vanessa Brito

Participantes: Emiliano Battista, Pedro Costa, Luís Miguel Oliveira, Jacques Rancière


16 de Março de 2011



3° PAINEL

As palavras sem destinatário da literatura

Moderadora: Maria Benedita Basto

9H30 José Paulo Pereira, «Literatura e democracia: Derrida e Rancière»

10H10 Golgona Anghel, «L’intrus, le silence, le conflit: pour une critique de l’exception»

10H50 Maria Filomena Molder, «Perigos, equívocos e linguagens naturais»


11H30 Pausa café



4° PAINEL As palavras e a configuração do sensível

Moderador: Manuel Deniz

11H50 Gabriel Rockhill, «Rancière’s productive contradictions: from the politics of Aestectics to the Social Politicity of Art»

12H30 Miguel Cardoso, «A partilha do legível: ordem, desordem e mediação no regime estético»



13H10 Almoço

5° PAINEL Contra as palavras consensuais

Moderador: José Neves

15H00 António Guerreiro, «Comunidade e política dos puros meios. Para um confronto entre Rancière e Agamben»

15H40 João Pedro Cachopo, «Le dissensus démocratique. Comment désordonner un mot d’ordre?»

16H10 André Barata, «Dissensualizar consensos, sensualizar palavras, democratizar a democracia – ‘La lute politique, c’est aussi la lutte pour l’appropriation des mots’»


18h30 Sessão de autógrafos com Jacques Rancière (Mediateca do IFP).

19H00 Mesa-redonda Voz e democracia (Anfiteatro do IFP).

Participantes: Manuel Deniz, Jacques Rancière, Rui Tavares

10.3.11

Amartya Sen dirige um simpósio, e vai ser doutor honoris causa pela Faculdade de Economia na Universidade de Coimbra (dia 13 e14 de Março)


Vivemos um mundo de opulência sem precedentes, mas também de privação e opressão extraordinárias. O desenvolvimento consiste na eliminação de privações de liberdade que limitam as escolhas e as oportunidades das pessoas de exercer ponderadamente sua condição de cidadão" - Amartya Sem



A Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra atribui, no próximo dia 13 de Março, Domingo, às 10:30h, na Sala Grande dos Actos da Universidade de Coimbra, o Doutoramento Honoris Causa a Amartya Sen.

Os fundamentos da decisão do Conselho Científico da FEUC encontram-se em
www.uc.pt/feuc/documentos/destaqueDocs/Docs11/HonorisCausa-AmartyaSen.pdf.

Economista de grande relevo, figura intelectual de vasta cultura, a quem foi concedido, em 1998 o Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, Sen personifica uma intensa convivência com os grandes debates intelectuais das últimas décadas, designadamente quando estão em causa temas como os das escolhas colectivas, da justiça, dos valores, da pobreza, do desenvolvimento, da ética ou da capacitação das pessoas para uma inserção plena na sociedade e na economia. A Faculdade de Economia, ao conferir a Sen esta distinção, quer homenagear o seu notável contributo para as ciências sociais e sublinhar o significado que atribui a valores como os que se referiram para que tanto a Ciência Económica como a vida económica assumam plena grandeza.


Simpósio de Amartya Sen e Emma Rothschild
sobre Justiça, Valores Humanos e Economia Política,
dia 14 de Março, às 14:30h no Auditório da FEUC

Na Segunda-Feira, dia 14, às 14:30h, no Auditório da Faculdade, tem lugar um Simpósio durante o qual, numa primeira parte, Amartya Sen e Emma Rothschild proferirão duas Conferências sobre Justiça, Valores Humanos e Economia Política.
Na segunda parte do Simpósio, para ilustrar o modo como os trabalhos de Sen estão presentes na investigação e no ensino que aqui se desenvolvem, haverá apresentações de Adelino Fortunato, Clara Murteira, João Rodrigues, Lina Coelho e Vítor Neves.


Na nota autobiográfica1 que associou à atribuição do Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, em 1998, Amartya Sen declarou que nasceu num Campus Universitário (Santiniketan, 3 de Novembro de 1933) e que lhe parece ter passado a sua vida de um campus para outro. De facto, ele estudou e ensinou em Calcutá e em Cambridge, foi professor na Delhi University, na London School of Economics, em Oxford e em Harvard University e foi visitante no M.I.T., em Stanford, em Berkeley e em Cornell.

Na sua formação económica, a conjugação de dois ambientes universitários diferentes, Calcutá e Cambridge, deram lugar a questões marcantes como as da identidade cultural, da tolerância e do pluralismo ou do debate sobre a matéria substantiva da ciência económica. A partilha de ambientes comuns com Kenneth Arrow, John Rawls, Luigi Pasinetti, Nicholas Kaldor, Joan Robinson, Albert Hirschman ou Piero Sraffa, entre muitos outros, faz dele um economista sofisticadíssimo. E a convivência com problemas centrais do século XX, como o problema da fome e da discriminação na Índia ou a utopia da construção europeia vista ao lado de um federalista como Spinelli, fizeram dele um académico profundamente envolvido no mundo.

Ainda na Índia, a publicação em 1951 do livro de Kenneth Arrow Social Choice and Individual Values e o seu “teorema da impossibilidade”, com a demonstração de que nenhum mecanismo de escolha social não-ditatorial pode conduzir a decisões coerentes, abriu-lhe um imenso campo de estudo e debate. Ao publicar, em 1970, Collective Choice and Social Welfare, Sen procurou responder positivamente a esta pergunta e, com isso, abriu um campo frutuoso que marcou toda a sua obra e, com ela, o pensamento económico, renovando-o e superando alguns dos seus dilemas mais notórios. A ideia de que é razoável uma escolha social mesmo considerando as diferenças entre as preferências, interesses e valores dos indivíduos tornou-se central.

Esse pensamento foi rapidamente ligado ao estudo das desigualdades, da pobreza, do emprego e, sobretudo, ao das implicações da liberdade, dos direitos e da justiça. As duas colecções de artigos que publicou em 1982 e 1984, respectivamente, Choice, Welfare and Measurement e Resources, Values and Development consolidaram esse caminho que prosseguiria com os temas das desigualdades de sexo e do papel das mulheres, tanto na Índia como através de comparações internacionais, como se mostra em Commodities and Capabilities, 1985, e em “Gender and Cooperative Conflict", 1990.

Mas já desde meados dos anos 70 que o objectivo de combater a fome o juntou ao World Employment Programme da International Labour Organization, para o qual escreveu em 1981 o livro Poverty and Famines. Em 1993, juntamente com Mahbub ul Haq, foi o criador do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), usado desde então pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no seu relatório anual.

A sua imensa produção teórica não ficaria completa sem a referência a On Ethics and Economics e, mais recentemente, a A Ideia de Justiça, que acaba de ser publicado em Portugal e que ilustra todo o seu debate com John Rawls.

Sessões públicas do Tribunal-Iraque e exposição sobre a ocupação do Iraque (12 e 13 de Março)


Os 8 anos de ocupação do IRAQUE e a situação no mundo árabe

Tribunal-Iraque (Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque) em colaboração com a Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro realiza nos próximos dias 12 e 13 duas sessões com a projecção de documentários, exposição, e debates


Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, Lisboa
Metro Telheiras


12 Março, sábado,15 horas
Exposição Os 8 anos de Ocupação do Iraque
Projecção dos documentários

Faluja, o massacre escondido (20’)
Testemunhos de Faluja (33’)


13 Março, domingo,15 horas
Exposição Os 8 anos de Ocupação do Iraque
Projecção do documentário Objectivo Iraque (54’)

Debate sobre as revoltas populares nos países árabes

Desde Janeiro, revoltas populares alastram pelos países árabes, do Magrebe ao Médio Oriente. Os EUA e a Europa, que sempre viram estes países como colónias, ou bases estratégicas, ou fontes de abastecimento de energia, enfrentam uma realidade nova. Os povos árabes repudiam os regimes que o Ocidente apoiou durante décadas. Querem liberdade, rejeitam a miséria, exigem melhor vida. Uma nova geração está a dar corpo a lutas sociais que reclamam direitos humanos básicos.


www.tribunaliraque.info

Manifestação pacífica pelo Tibete hoje, dia 10 de Março, às 19h., em Lisboa



MANIFESTAÇÃO PACÍFICA PELO TIBETE

COMEMORAÇÃO DO 52º ANO DA REVOLTA NACIONAL TIBETANA

Esta quinta-feira dia 10 Março às 19h00

frente à embaixada da R.P.C em Lisboa (Rua de Santana à Lapa, 2)

Compareçam !

Tragam bandeiras, T-shirts e posters !

Os Tibetanos no Tibete necessitam da vossa ajuda, do vosso apoio

http://grupodeapoioaotibete.blogspot.com/

Uma nova revolução está em curso no Tibete.
Uma nova geração de Tibetanos - no Tibete e no exílio - ergue-se.
Apesar do poderio e controlo militar chinês sobre a sua nação, os Tibetanos afirmam resolutamente a sua identidade e o seu desejo por liberdade.
A revolução está em curso via videos, canções, poemas e literatura.


Veja e partilhe o video seguinte:

Participe na acção global pela libertação de Norzin Wangmo, condenada a cinco anos de prisão pelo envio de informação acerca da violação dos direitos humanos, para o exterior, via telemóvel e internet:
http://www.freetibetanheroes.org/

- Leia e partilhe: "Tiananmen 2.0: Why China Is Not Immune to the Tunisia Effect" por Tendor do Students for a Free Tibet

Marina Rosenfeld, compositora, artista sonora e visual, dá hoje um concerto no Porto com uma perfomance musical participativa: Rainbow Gathering


Marina Rosenfeld, compositora, artista sonora e visual, dá hoje um concerto no Porto, no Mosteiro de S.Bento da Vitória, pelas 22h. ( bilhetes a 5 euros), com uma perfomance musical participativa a que deu o nome de Rainbow Gathering . A iniciativa está integrada na exposição Às Artes, Cidadão, do Museu de Serralves.

A artista está também associada à improvisação e às práticas estéticas situacionais, sendo já uma figura importante na música experimental.

O projecto rainbow gathering, de Marina Rosenfeld, aborda de forma lúdica a contínua relevância do arco-íris para práticas utópicas – tanto políticas como estéticas –, ao juntar o simbólico e o sónico numa performance musical participativa.

Esta peça convida membros da comunidade musical do Porto, de músicos pop a instrumentistas experimentais, a reunirem-se para formar uma estrutura sónica temporária – um arco-íris composto inteiramente de som –, seguindo uma notação gráfica e integrando o seu próprio “fazer da música”, no âmbito de uma partitura electro-acústica criada pela artista.

Usando instrumentos, voz, canções e som abstracto, o rainbow gathering (encontro arco-íris) de Rosenfeld pede aos participantes para se situarem dentro de um dado espectro de frequência e para ouvirem o seu vizinho.

Marina Rosenfeld é uma compositora e artista sedeada em Nova Iorque. O seu trabalho tem sido apresentado na Europa e nos Estados Unidos, na Whitney Biennial, na Bienal de Liverpool, no Stedelijk Museum (Amesterdão), na Tate Modern, e em festivais como o Ultima (Oslo), Donaueschingen Musiktage, Ars Electronica (Linz), Wien Modern, Maerz Musik (Berlim), Mutek (Montreal), entre outros. Colaborou com a Merce Cunningham Dance Company e editou discos com as chancelas Charhizma, Softl, Room 40 e Innova. Em Abril, irá apresentar um trabalho paralelo a rainbow gathering no MoMA, em Nova Iorque.

http://www.marinarosenfeld.com/

Marina Rosenfeld is a composer and turntablist. She initiated a decade-long engagement with composition, improvisation, performance and situational aesthetic practices while still a student in 1994 with her "sheer frost orchestra:" a performance realized by 17 women on floor-bound electric guitars, deploying nail-polish bottles as sound-producing implements.








Para saber mais:
http://newyork.timeout.com/articles/art/26736/marina-rosenfeld
http://whitney.org/www/2008biennial/www/?section=artists&page=artist_rosenfeld
www.room40.org/releases-plasticmaterials.shtml

Eu Vou (resposta de um arquitecto à pergunta porque é que ia ao Protesto da Geração à Rasca do dia 12)

Clicar sobre a imagem para ler em detalhe


Esta resposta foi enviado para a imprensa

Professores também estarão no Protesto da Geração à Rasca na Avenida da Liberdade, Lisboa, em solidariedade com os professores precários

PROFESSORES também estarão no PROTESTO da Geração à Rasca na Avenida da Liberdade, Lisboa, em solidariedade com os PROFESSORES PRECÁRIOS


Dia 12 de Março, às 14h30, à frente do Diário de Notícias
(no início da Avenida da Liberdade, do lado esquerdo, de quem desce do Marques de Pombal).

http://3rs-spgl.blogspot.com/


DIA 12 MARÇO VAMOS ENCHER A AVENIDA DA LIBERDADE

O Movimento de professores e educadores 3R’s esteve em todas as lutas contra o governo e as suas políticas anti-educativas. Estivemos e ajudámos a mobilizar, sem sectarismos, as lutas dinamizadas pelos dirigentes sindicais mas também lutas que não foram dinamizadas por aqueles: 15 Novembro 2008, 24 Janeiro 2009, 13 Setembro 2010, 4 Março 2011, etc.


No entanto nunca concordámos que as direcções sindicais tradicionais tenham apenas por objectivo negociar e fazer acordos e entendimentos com o governo que nem sequer são debatidos e decididos democraticamente pela classe e são mesmo prejudicais à base. Defendemos a necessidade de Renovar, Refundar e Rejuvenescer (3Rs) o movimento reivindicativo, ajudando assim a construir uma alternativa democrática e combativa. É fundamental começar a construir algo de novo. A mobilização que se está a construir em torno do Protesto dos Precários/Geração à Rasca do próximo sábado, dia 12 de Março, na Avenida da Liberdade, poderá dar passos importantes para a construção daquela alternativa nova, democrática e combativa.


A classe docente possivelmente é a mais precária da função pública e é fundamental que, perante o ataque unido do governo Alçada-Sócrates em precarizar todas as relações de trabalho e os próprios direitos da generalidade dos efectivos, enchendo assim os bolsos da banca e boys, estejamos unidos com outros sectores precarizados ou com direitos ameaçados na Avenida da Liberdade no dia 12 de Março.

Muitos professores naturalmente vão estar também no Campo Pequeno no dia dia 12 de Março conforme convocatória dos dirigentes da FENPROF e de outros sindicatos; o Movimento 3Rs, mais uma vez sem sectarismo, também aí estará presente.


No entanto, para começarmos a dar a volta a isto – não ficarmos sempre condenados a escolher o mal menor ou obrigados a aceitar acordos sem democracia de base… - teremos que nos unir aos outros sectores. Queremos ajudar a construir movimentos novos, sem "velhos vícios sindicais" (que têm impedido de responder eficazmente aos ataques governamentais e feito perder as oportunidades que as mobilizações históricas da classe têm proporcionado…), e por isso apelamos para a participação do protesto na Avenida da Liberdade.


Pela unidade de todos os sectores contra a precariedade no emprego e nos direitos! Todos, cada vez mais, somos precários!


Despedimentos e ataques no ensino são para pagar bancos e boys!


Na Avenida da Liberdade e com o Movimento 3Rs, vem ajudar a construir uma alternativa democrática e combativa!


Dia 12 de Março, às 14h30, à frente do Diário de Notícias
(no início da Avenida da Liberdade, do lado esquerdo, de quem desce do Marques de Pombal).


JUNTA-TE A NÓS: professores, funcionários, estudantes e todos os outros sectores são bem vindos!

Declaração do escritor José Luís Peixoto de Apoio ao Protesto de dia 12 de Março.



Sobre José Luís Peixoto
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Lu%C3%ADs_Peixoto
http://www.joseluispeixoto.net/

Protesto da Geração à Rasca também fora do país - Convocatória para concentração junto às embaixadas portuguesas

www.facebook.com/?tid=1913426000769&sk=messages#!/event.php?eid=115213511889768




Convocatória para concentração junto às embaixadas portuguesas, em consonância com o Protesto da Geração à Rasca:


Cidades que já aderiram:
Haia -
http://www.facebook.com/event.php?eid=146039612126925
Londres -
http://www.facebook.com/event.php?eid=115159275228106
Barcelona -
http://www.facebook.com/event.php?eid=151479054913797
Madrid -
http://www.facebook.com/event.php?eid=131203940284900
Berlim -
http://www.facebook.com/event.php?eid=204655686212547
Estugarda -
http://www.facebook.com/event.php?eid=203258626367171
Paris -
http://www.facebook.com/event.php?eid=204096852949454
Copenhaga -
http://www.facebook.com/event.php?eid=102942183120241


Para todos aqueles que se revejam no protesto que se vai realizar em Portugal. Seja porque que tenham emigrado por falta de oportunidades, em busca de melhores condições de vida ou simplesmente porque estejam solidários com a precaridade laboral vivida por milhares de portugueses e reconheçam a gravidade do que isso implica para a estabilidade e bem-estar social no país.

Não fiquem à espera que vos digam se vai haver manif ou não no país onde residem. Iniciem o vosso próprio evento e convidem o maior numero de pessoas possível! Há muito que passamos a fase da meia-dúzia de gatos pingados e ainda seremos muitos mais!!!

Não se trata apenas dum protesto duma geração ou classe desfavorecida. A precaridade laboral é um problema que afecta a todos, directa ou indirectamente: cria instabilidade social, contribui para a deterioração das qualificações do mercado laboral e como consequência é um obstáculo para a retoma económica do país a longo prazo.

Não se trata apenas dum protesto para fazer reivindicações, mas sim duma oportunidade para um ponto de viragem a nível social. A democracia não se pode limitar a uma escolha entre esquerda e direita, mais estado ou mais sector privado. É preciso introduzir uma nova força que interfira e que contrabalance os poderes instituídos e essa forca é a participação activa dos cidadãos na resolução dos problemas da sociedade. Só assim se pode contribuir para a melhoria da situação económica, politica e social do pais.

Por isso, não deixem de participar! E mesmo que não possam estar presentes por morarem longe da embaixada, enviem para lá uma carta com o manifesto e propostas vossas!
Enviem também essas propostas para a organização do protesto - geracaoarasca@gmail.com

9.3.11

Almingas ( para a criação de uma Rede Algarvia de Partilha) - próximo encontro é no dia 13 de Março, às 13h. na Quinta do Vale da Lama, Odiaxere,Lagos


O mês passado um pequeno grupo juntou-se para conversar e unir intenções, lançámos as sementes da partilha e da entre-ajuda.

Estamos embrenhados, neste momento, na criação de uma Rede Algarvia de Partilha, a Almingas!

Iniciativa de partilha e de entre-ajuda.

Queremos começar por um partilhar um dia por mês de fraternidade e trabalho, unindo esforços numa tarefa especifica, numa determinada quinta que procure ou necessite de uma mãozinha! Dá-mos-lhe o nome de Mingas.

Este mês a quinta escolhida foi a Quinta do Vale da Lama- Odiaxere - Lagos. (
mapa)


Dia 13 de Março, ás 9h, vamos juntar-nos para Plantar Batatas!
Pela tarde, depois do almoço/ picnic partilhado, convidamos todos os interessados a juntarem-se á conversa necessária de criar objectivos precisos para a REDE, e mais algumas questões tecnicas.


Almingas é uma rede LIVRE, não existe obrigatoriedade na participação nem compromissos, qualquer um pode juntar-se ás Mingas se sentir vontade.

Existe um questionário curto para preencher, que funciona como base de dados da Rede, ao que se pede aos participantes para preenche-lo!


Cá vos esperamos!

Ana Tara
Contact
aloichot@gmail.com ou tlm 934240466
http://odecrescimento.blogspot.com/



Last month a small group gathered to talk and bind intentions, spread seed of sharing and help exchange.
We would like to start by sharing a fraternity and work day a month, join efforts in a specific task, at a farm that is looking for or needing a hand! We call that a Mingas.
This months the farm chosen was the Quinta do Vale da Lama - Odiaxere - Lagos
On the 13th March, at 9h am, we'll gather to seed potato's! On the afternoon, after a shared lunch/picnic, we invite all to join us to discuss the objectives of the network, and some technical issues.
Almingas is a FREE network, no mandatory presence or engagement is required, one can join the mingas at any time and own pace. There is a little questionnaire to fill, that is a data base of the network, that we ask you o fill!
We'll be waiting for you!

Plenário de estudantes à rasca na Faculdade de Letras do Porto nesta quinta-feira (dia 10, às 18h.)

Plenário de estudantes à rasca na Faculdade de Letras do Porto nesta quinta-feira (dia 10, às 18h.)


Porque nós, estudantes, já estamos à rasca mesmo antes de procurarmos um primeiro emprego pós-licenciatura! Apareçam esta quinta-feira, na FLUP!

Local: FLUP - Anfiteatro Nobre
Hora: quinta-feira, 10 de Março de 2011 18:00

Precário: adjectivo; que não é estável, que não é seguro, incerto, sujeito a contingências, delicado, frágil, escasso, pouco rendoso, difícil, pobre.(Dicionário Porto Editora)

Primeiro emprego, trabalho precário, estágios não remunerados, endividamento dos estudantes, propinas, falta de bolsas, elevados preços da habitação…

Tudo factores que nos colocam à rasca com a vida e com o futuro. Sem confiar na inevitabilidade de um destino pouco ou nada certo, sem adiar mais, esta quinta-feira iremos debater as razões do protesto de sábado

Flash Mob no metro de Lisboa a divulgar o Protesto da Geração À Rasca para dia 12 de Março





Artistas confirmados em Lisboa para o PROTESTO dia 12 de Março da GERAÇÃO À RASCA:

Homens da Luta
Paulo de Carvalho
Chullage Blasted Mechanism
Rui Veloso
Luis Represas
Kumpania Algazarra
Vitorino
Valete Nação
Vira Lata Social
Smokers
Fernando Tordo
Tiago Bettencourt
Zé Pedro


ELES VÃO! E TU?

8.3.11

Jovens da Geração à Rasca interrompem em Viseu uma« missa» de Sócrates com os seus fiéis socretinos



Jovens do movimento Geração à Rasca interromperam ontem um discurso de Sócrates em Viseu com um megafone e foram agredidos e retirados da sala à força". Mais: tiveram que pagar 10 euros para assistir ao comício e quando solicitaram o recibo do pagamento a resposta que lhes deram foi que isso era ridículo!!!

José Sócrates apenas tinha tido tempo para fazer os agradecimentos quando os jovens, munidos de um megafone, começaram a dizer: "Chegou a hora de a geração à rasca falar, isto é pacífico, só queremos falar".

«Precários nos querem, rebeldes nos terão» foi uma das frases que estes manifestantes gritaram enquanto José Sócrates discursava, antes de serem postos fora do recinto pela segurança.

«Infelizmente, não conseguimos ler o recado. Fiz questão de citar que isto era pacífico, mas como todos puderam ver e as câmaras conseguiram captar caíram-nos em cima, fomos empurrados e partiram-nos o megafone e uma colega nossa levou um pontapé», explicou Paulo Agante, um dos jovens intervenientes.

Sócrates desvalorizou o incidente, declarando «Nós somos o partido da tolerância. E estamos no Carnaval. E a verdade é que no Carnaval ninguém leva a mal. Se estes simpáticos convivas se quiseres juntar a nós são muito bem-vindos», disse ainda o líder socialista, convidando-os para jantar. »

Apesar do convite, os jovens foram colocados na rua e, de acordo com a agência Lusa, queixam-se de terem sido agredidos.
«Peço desculpa não ter aceite o jantar, mas já estávamos cá fora a levar pontapés e empurrões e foi mesmo impossível», ironizou Paulo Agante, do movimento da Geração à Rasca.

Antes de o grupo ter sido expulso, uma das jovens ainda teve tempo de entregar duas máscaras a José Sócrates.
«Uma delas laranja e a outra rosa, que era para se decidir pela políticas que toma, porque estamos fartos, não só das políticas do PS, como do PSD. Varia sempre entre os mesmos, o país vai de mal a pior e somos nós que sofremos», justificou Paulo Agante.


Garantiu que os jovens não queriam «estragar a festa» a José Sócrates, apenas deixá-lo a reflectir sobre as palavras que iam dizer.
«Só queríamos expor a nossa palavra, ter um espaço onde pudéssemos falar, já que ninguém nos ouve, e iríamos sair pacificamente. Ninguém teria de nos expulsar, mas, enquanto estávamos a ser expulsos a empurrões e nos partiam o material, estava o primeiro-ministro a rir-se», criticou.

Os jovens queixam-se ainda de lhes ter sido retirada a faixa que levavam, com a inscrição «Fim às políticas rascas» e «619 mil amigos gostam disto», numa alusão ao número de desempregados portugueses.



12 de Março de 2011
Protesto/Manifestação da Geração à Rasca, no Rossio de Viseu, às 15h
Junta-te a nós na luta contra a precariedade!


Mail:
geracaoarasca.viseu@gmail.com
Evento no Facebook:
www.facebook.com/photo.php?fbid=1348782596500&set=a.1405788981624
Página do Facebook:
www.facebook.com/GARViseu
Blog:
http://garviseu.wordpress.com/
Twitter:
http://twitter.com/#!/GARViseu


Dia 12 na rua Sócrates vai ouvir o BASTA!

Basta das políticas rasca que nos têm governado!
Basta de disfarces rasca, onde num dia promete uma coisa que no dia a seguir já é mentira.
Basta de ilusionismos sociais, as pessoas não são números!
Basta deste carnaval político onde só há duas máscaras!
Basta de hipocrisia!


No dia 12 de Março vai ouvir os desempregados e precários de Portugal:

Há, em Portugal, 619 mil desempregados inscritos no centro de emprego…porque há muitos mais…metade dos quais com menos de 35 anos.

Há ainda mais de um milhão de portugueses em situações de precariedade:
• Mal remunerados
• Falsos trabalhadores independentes
• Estagiários não remunerados
• Bolseiros
• Contratados a prazo
Entre tantas outras situações!

Iríamos avançar com os seguintes números:
• Mais…7 em cada 10 jovens têm vínculos de trabalho precários!
• Amanhã é o dia da mulher mas a verdade é que são elas quem mais sofre…7 em cada 10 licenciados no desemprego são mulheres!
• O número de licenciados desempregados aumentou 61% nos últimos três anos!
• Em 1998 eram 483 mil os trabalhadores em situação precária…passou mais de uma década e o número triplicou!
• Em 2008 havia 32 mil jovens a recibos verdes, mais 93% do que em 1998…e acredite que estes números continuam a aumentar dia após dia.
• Saem anualmente do país entre 90 a 100 mil portugueses…os mesmos números que se registavam nos anos 60!


Não fiques em casa, vêm fazer parte da mudança!



Movimento de Libertação da Mulher em Portugal

Após o 25 de Abril de 1974 foi criado o MLM, Movimento de Libertação da Mulher, por mulheres que defendiam um feminismo avançado e que ficou regitado na história pelo facto de ter organizado uma manifestação a 13 de Janeiro de 1975 que provocou muita celeuma na época.

Essa manifestação passou a ser conhecida pela «queima de soutiens» como símbolo de opressão feminina, mas tal não corresponde à verdade, até porque segundo as próprias organizadoras, as feminista não costumavam usar essas peças.

Recorde-se que 1975 era que a ONU proclamara o Ano Internacional da Mulher, tendo o MLM decidido organizar uma acção simbólica, no dia 13 de Janeiro, no Parque Eduardo VII, onde seriam queimados alguns símbolos, como o Código Civil, objectos de lida doméstica, brinquedos sexistas, livros de autores machistas ou revistas pornográficas.

Acontece que um numeroso e agitado grupo de homens decidiu boicotar o evento tendo-se gerado muita confusão o que impediu a realização da manifestação feminista.

Ao movimento não foi estranha a dinâmica gerada em Portugal pela publicação em 1972 do livro "Novas Cartas Portuguesas" - conhecido como o livro das três Marias, Maria Velho da Costa, Maria Isabel Barreno e Maria Teresa Horta – e que levou as autoras a tribunal acusadas de atentado à moral e ao pudor, mas que acabou em absolvição e num grito de vitória que insuflou o movimento feminista.

Com o 25 de Abril novas baralhas feminsitas despontam como o planeamento familiar, educação sexual, gratuitidade dos métodos contraceptivos e o direito ao aborto. Na época do processo revolucionária, Maria Teresa Horta, Célia Métrasse e Helena Medeiros publicaram um livro "histórico" – "Aborto, Direito ao Nosso Corpo" – o único escrito sobre o tema durante vários anos.



Nos 35 anos da Manifestação Feminista do Parque Eduardo VII




Maria Teresa Horta, a 13 de Janeiro de 2010, fala da manifestação do Parque Eduardo VII de 1975. Presentes também Célia Metrass, Isabel Télinhos, Helena e Salomé Coelho


The Rebel Girl – canção de Joe Hill sobre as mulheres inconformistas e lutadoras ( 8 de Março é Dia Internacional da Mulher)

O vídeo começa com uma narrativa de Elizabeth Gurley Flynn sobre as mulheres do I.W.W. (Industrial Workers of the World), a que se segue a canção escrita por Joe Hill e cantada por Hazel Dickens.

As imagens da Mulheres que aparecem no vídeo são todas do IWW, excepto Emma Godman e Charlotte Anita Whitney:

Emma Goldman

Helen Keller ( membro do IWW, feminista e conhecida figura pelo seu trabalho em prol das pessoas portadoras de deficiências)

Grace Silve, mãe da famosa actriz Queen Silver

Lucy Parsons, mulher de Albert Parsons, um dos mártires de Chicago

Judi Bari – ecologista e membro do IWW

Mother Jones

Lesbia Harford – poetisa australianao e membro activo do IWW

Amelia Siblich

Rosie Kane

Caroline Leckie

Dorothy Day – anarquista, fundadora da organização catholic workers

Charlene Sato – sociolinguísta

Faith Petric – cantora

Anne Feenley – cantora

Charolotte Anita Whitney

Suley Ayala




There are women of many descriptions
In this queer world, as everyone knows.
Some are living in beautiful mansions,
And are wearing the finest of clothes.
There are blue blooded queens and princesses,
Who have charms made of diamonds and pearl;
But the only and thoroughbred lady
Is the Rebel Girl.

CHORUS:
That's the Rebel Girl, that's the Rebel Girl!
To the working class she's a precious pearl.
She brings courage, pride and joy
To the fighting Rebel Boy.
We've had girls before, but we need some more
In the Industrial Workers of the World.
For it's great to fight for freedom
With a Rebel Girl.

Yes, her hands may be hardened from labor,
And her dress may not be very fine;
But a heart in her bosom is beating
That is true to her class and her kind.
And the grafters in terror are trembling
When her spite and defiance she'll hurl;
For the only and thoroughbred lady
Is the Rebel Girl.

7.3.11

Vou tentar falar sem dizer nada - canção do Grupo Outubro de crítica ao nacional-cançonetismo festivaleiro para adormecer os ouvintes

VOU TENTAR FALAR SEM DIZER NADA – canção do Grupo Outubro ( do Carlos Alberto Moniz e da Maria do Amparo) que constitui uma crítica irónica às canções típicas dos Festivais, e que passam diariamente nas rádios e Tvs e se destinam a «adormecer» e embrutecer os ouvintes.




Eu vou tentar, prometo, que destes versos
Não saia uma canção mal comportada
Eu vou tentar não falar do que acontece
Eu vou tentar falar sem dizer nada.

Não vou, por isso, falar da exploração
Nem sequer do amor à Liberdade;
Da luta pela terra e pelo pão
E do apego à Paz da humanidade.

Vou tentar não falar do que acontece
Vou tentar falar sem dizer nada

Vocês preferem que eu vos fale
De grilos a cantar e gambuzinos?
A vossa vontade será feita
Eu calarei a fome dos meninos.

Vocês preferem que eu vos cante
Sem vos lembrar os tiros e as facas?
A vossa vontade será feita
Eu calarei o frio das barracas.

Vou tentar não falar do que acontece
Vou tentar falar sem dizer nada

Vocês preferem que eu vos fale
Com um sorriso a iluminar-me as trombas?
A vossa vontade será feita
Eu calarei o estilhaçar das bombas.

Vocês vão gostar que eu não cante
A luta de nós todos todo o ano
A vossa vontade será feita
Não falarei do povo alentejano

Vou tentar não falar do que acontece
Vou tentar falar sem dizer nada

Não falarei do luxo e da miséria
Não falarei do luxo e da canseira
Não falarei das damas, das mulheres
De tudo o que se passa à nossa beira

Não falarei do Amor, nem da Verdade
Nem do suor deixado no trigal;
Eu não ofenderei vossas excelências
Nem a civilização ocidental!

Homens da Luta - uma perfomance muito séria


Texto de Cristina Paixão


“O espectáculo, como a sociedade moderna, está ao mesmo tempo unido e dividido. Como esta, ele edifica a sua unidade sobre o dilaceramento. A contradição, quando emerge no espectáculo, é por sua vez contradita por uma inversão do seu sentido; de modo que a divisão mostrada é unitária, enquanto a unidade mostrada está dividida”
DEBORD, Guy, A Sociedade do Espectáculo, ed. Afrodite, p. 47

“Diante da totalidade horrivelmente séria da política institucionalizada, a sátira, a ironia e a provocação hilariante tornam-se uma dimensão necessária da nova política. O desprezo pelo esprit de serieux, que permite as conversas e as acções dos políticos profissionais e semi-profissionais, confunde-se com o desprezo pelos valores que eles professam e, ao mesmo tempo, destroem. Os rebeldes revivem o riso desesperado e o desafio cínico dos loucos como meios para desmascarar os actos da gente séria que governa o todo.”
MARCUSE, Herbert, Um Ensaio para a Libertação, liv. Bertrand, p. 89



E eis que o inusitado, o mais extraordinário imprevisto aconteceu. Os Homens da Luta ganharam – por votação popular – o Festival da Canção que os levará brevemente a Dusserdolf, em representação do país no euro festival. Dito assim, parece pouco. Mas na verdade foi uma espécie de bomba carnavalesca que explodiu nas mãos do establishment apodrecido, mas empedernido na recuperação de alguns resquícios de seriedade no pântano lodoso em que se atasca. E logo gloriosas vozes furiosas, talvez ressuscitadas a alguns egrégios avós, se levantaram indignadas, chocadas.

Do fundo do pântano insurgem-se clamores de vários quadrantes e justificações variadas. Porque os homens da luta “desprestigiam a canção de protesto”, porque “não dignificam o país representando-o nos seus trajes ridículos e anacrónicos”, porque… em suma… “e a seriedade, senhores”?

Na verdade, nunca os Homens da Luta causaram tamanho desconforto. Até à data, reduziram as suas performances ao palco do espectáculo, devidamente categorizado e delimitado. São actores e como tal foram vistos até ao momento em que o véu caiu e a arquitectura, o esqueleto, das suas intervenções se desnudou. Ganhar o festivaleiro concurso, vencer o glamour vazio e as falsas lantejoulas dos restantes concorrentes, representa uma conquista em território inimigo, um tiro certeiro no coração do Império - um incitamento à revolta que se glosa a si mesmo, que ridiculariza o clássico discurso da política institucional, ainda reclamadora de uma seriedade impossível, porque sustentada e sustentadora de uma realidade circense. Num infindável jogo de espelhos de uma casa de horrores, saiu vitorioso o absurdo, o non-sense, a subversão estética de contornos inevitavelmente políticos, porque, em última análise, desmascara o grotesco apalhaçado em que se transformou a política institucional e o seu braço armado da cultura mainstream. Não pode haver seriedade no que não é sério.

É conveniente recordar que o Festival da Eurovisão é um instrumento institucional da chamada cultura de massas. Consequentemente, a única forma intelectualmente séria de o considerar é reduzi-lo ao que em essência é: um espectáculo ridículo e risível, de forte cariz político. Não se pode, por inerência, colocar em causa a dignidade de um espectáculo que não a possui, porque nos considera indignos, reduzindo-nos a uma espectacular indigência intelectual.

Mas a surpresa e o choque de todos os que ainda não se libertaram das velhas linguagens estéticas e políticas, não se ficou por aqui. Esta vitória, decidida pelos anónimos dos 60 cêntimos mais Iva e, portanto, conseguida a troco de muitos votos populares, contrários à opinião de um júri “sério” e de uma plateia em traje de gala, revela a emergência de um novo poder que escapa totalmente ao controlo institucional. Como muito poucas vezes acontece, a voz da rebeldia descartou herculeamente, de sorriso nos lábios, forte convicção e a dois tempos, a pretensa seriedade do kitsh cultural e do kitsh político.

Quem tem acompanhado as intervenções levadas a cabo pelo par perceberá certamente com facilidade que o que se glosa nas suas performances não é o protesto em si, ou a tradicional canção de intervenção, mas antes uma determinada forma de protestar, anacrónica sim (porque ainda herdeira de uma velha forma de fazer política), e por isso representada pelos adereços utilizados. Os que conheceram o visionário Zeca Afonso (o homem que já então se proclamava como o comité central de si próprio), lembrar-se-ão seguramente do quanto se deliciava com o refrão dos Trabalhadores do Comércio: “chamem a polícia, que eu não pago” que fez furor nos anos oitenta, independentemente da sua discutível qualidade musical e da sua inexistente pretensão literária.

Também no caso, a qualidade da intervenção dos Homens da Luta provém precisamente da sua discutível qualidade musical e literária. Pretender o contrário seria uma contradição interna irresolúvel – a qualidade é-lhe conferida, precisamente, pela recusa de uma linguagem estética “séria”, no sentido histórico do termo. Seria impossível desconstruir um discurso utilizando formas e conteúdos que se pretendem recusar.

O jogo de espelhos não terminará aqui.

Em Dusseldorf, os Homens da Luta serão o espectáculo que conferirá dignidade ao espectáculo. Serão os clowns que devolverão essa mesma imagem aos articuladores dos cordéis que comandam as nossas vidas de marionetas. Um exemplo de tamanha coragem só pode merecer aplausos.

Algo de novo por este reino ( texto António Pedro Ribeiro)

A vitória dos "Homens da Luta" no Festival RTP da Canção, a juntar a fenómenos como a canção dos Deolinda, a manifestação de 12 de Março ou os resultados de José Manuel Coelho nas eleições presidenciais provam que, de facto, algo está a mudar também em Portugal.

Há um grito novo, satírico, de revolta, se bem que ainda confuso, ainda não totalmente oposto ao capitalismo dos mercados. De qualquer forma, são sinais que não se podem confundir com o mero folclore. Os "Homens da Luta" têm consciência do que estão a fazer. Há muita gente farta do cinzentismo de Sócrates e de Cavaco, de quase toda a classe política, das ordens de Merkel e dos mercados, de uma vida entediante, sem perspectivas, sem emprego, sem dinheiro, precária.

Mas há algo mais. É a dignidade do ser humano que está em causa, a própria liberdade. Não podemos ser escravos do trabalho, do chefe, do banco, de coisa nenhuma. Não podemos aceitar ser reduzidos à condição de mercadorias que se compram e vendem no mercado global. Daí as revoluções do Egipto e da Tunísia, as revoltas na Líbia, na Grécia, no Médio Oriente, no Norte de África. O homem, o homem livre, o homem nobre, não pode contentar-se com ser o macaco que mercadeja, na esteira de Nietzsche.

A utilização da Internet e do Facebook veio trazer uma proximidade, uma cumplicidade que não existiam entre as pessoas. Há muitas que começam a ficar fartos de "tantos rodeios", das patranhas da competividade e da economia. Há, de facto, algo de novo por este reino.

http://tripnaarcada.blogspot.com/

6.3.11

A Luta é Alegria, dos Homens da Luta, vence o Festival RTP da Canção e vai à Eurovisão para provocar turbulência nos mercados financeiros…

Mais uns pauzinhos na engrenagem...

A Luta é Alegria, dos Homens da Luta, vence o Festival RTP da Canção graças ao voto popular por telefone. Só os Júris distritais de Viseu e de Bragança deram preferência à canção. Um dos elementos do grupo dedicou a canção a todos os desempregados, anunciando que marcarão presença na manifestação da Geração à Rasca do 12 de Março

No final da canção, eles gritam:
A LUTA CONTINUA, QUANDO O POVO SAI À RUA

Entretanto, para quem não souber o signficado do termo Reacção («Luta contra a reacção»), a expressão significa as forças reaccionárias do fascismo e do capitalismo que tudo fizeram para sabotar a construção de uma sociedade mais igualitária em Portugal, e conseguiram os seus objectivos.

LUTA contra a REACÇÃO (= Luta contra o FASCISMO e o CAPITALISMO)


A banda apresentar-se-á no Festival da Eurovisão, que este ano se realizará na Alemanha da Sra Merkel, e tudo indica irá ser motivo de conversa e polémica, provocando seguramente grande turbulência nos mercados internacionais.

Entretanto, cá dentro, o mais certo é assistirmos, nas rádios e nas Tvs, a mais um boicote à canção pelos s «aparelhistas» instalados nos media, o que só mostra como o poder não é só o Bipartido (PS+PSD) mas toda uma clientela instalada, paga a preço de ouro, e que faz funcionar a engrenagem do sistema vigente.




A LUTA É ALEGRIA

Por vezes dás contigo desanimado
Por vezes dás contigo a desconfiar
Por vezes dás contigo sobressaltado
Por vezes dás contigo a desesperar

De noite ou de dia, a luta é alegria
E o povo avança é na rua a gritar

De pouco vale o cinto sempre apertado
De pouco vale andar a lamuriar
De pouco vale o ar sempre carregado
De pouco vale a raiva para te ajudar

De noite ou de dia, a luta é alegria
E o povo avança é na rua a gritar

E tráz o pão e tráz o queijo e tráz o vinho
E vem o velho e vem o novo e o menino
E tráz o pão e tráz o queijo e tráz o vinho
E vem o velho e vem o novo e o menino
Vem celebrar esta situação e vamos cantar contra a reacção»

Não falta quem te avise «toma cuidado»
Não falta quem te queira manter calado
Não falta quem te deixe ressabiado
Não falta quem te venda o próprio ar

De noite ou de dia, a luta é alegria
E o povo avança é na rua a gritar

E tráz o pão e tráz o queijo e tráz o vinho
E vem o velho e vem o novo e o menino
E tráz o pão e tráz o queijo e tráz o vinho
E vem o velho e vem o novo e o menino
Vem celebrar esta situação e vamos cantar contra a reacção

A luta continua quando o povo sai à rua!
»