11.9.07

Os Dez Princípios da Nova Cultura da Água

A COAGRET ( Coordenadora de afectados pelos grandes embalses e transvases) é uma organização não-governamental fundada em 1995 em Zaragoza com o objectivo de aglutinar os municípios, as populações e as pessoas afectadas pelas grandes obras e construções na área das infra-estruturas hídricas, quer as que estão já construídas quer as que estão ainda em projecto por todo o território do Estado espanhol. No âmbito das suas actividades foi lançado um decálogo sob o título «Os Dez Princípios da Niva Cultura da Água», a saber:

1 – Não inundar os vales de montanha nem secar os deltas do rio, que são a casa e o sustento das povoações para cuja identidade contribuíam ao longo dos anos.


2 – Conservar os rios e o património que nele floresceu no decorrer dos anos, devolvendo as águas às suas funções e atributos mais essenciais.


3 – Gerir a água a partir do princípio da solidariedade, e encará-la como uma herança comum das gerações do presente e que devemos transmitir nas melhores condições possíveis às gerações vindouras.


4 – Poupar e preservar a qualidade da água, alterando o menos possível os sistemas naturais, e reduzindo na origem a carga contaminante, restringindo paulatinamente as operações de depuração.


5 – Gerir de forma sustentável os recursos hídricos, perante todo o desperdício, graças à poupança, à melhoria e a um uso eficiente, assim como à reutiização.


6 – Instaurar a cultura da participação e da imaginação, capazes de acolher as estratégias sábias de fazer pequeno e bem, tal como a subsidiariedade, como formas vinculativas de gestão.


7 - Viver a água enquanto nossa realidade mediterrânica, uma realidade limitada, incompatível com a cultura de um bem livre, que aponta para a oferta ilimitada da água a cargo do erário público.


8 – Abandonar a dialéctica demagógica de um falso produtivismo da água ( especialmente para regadio) a fim de incorporar critérios sérios de valoração económica e de recuperação integral dos custos, na perspectiva de uma gestão sustentável do desenvolvimento.


9 – Aproveitar as águas superficiais e subterrâneas como um recurso unitário, cientes de que formam parte de um mesmo ciclo e que lutar contra os aquíferos e a sua contaminação é o melhor contributo que podemos dar para esse aproveitamento conjunto.


10 – Defender para a água o conceito de recurso público gerido na base do interesse geral, evitando a sua mercantilização e a sua conversão em objecto de especulação.

Consultar:
http://www.coagret.com/

Os destaques da edição portuguesa do Le Monde Diplomatique de Setembro


«Novas Precariedades em Portugal: do Trabalho aos Estilos de Vida» é o tema do dossiê português do número de Setembro do Le Monde diplomatique - edição portuguesa, que está já nas bancas.


O sumário da edição bem como textos de outras rubricas estão acessíveis em http://pt.mondediplo.com.


Destacamos o artigo sobre a actual crise financeira, «O mundo refém do poder financeira» de Frédéric Lordon, um outro texto sobre as manobras económico-militares à volta do Árctico, «Início de guerra fria nos glaciares», assim como um longo texto sobre a vitimização de Mona Chollet sob o título « Segundas intenções dos discursos sobre a vitimização».

Para ler e guardar.

Repensar o saber para reformar a escola ( entrevista com Edgar Morin)

Sem querer suprimir a escola, como defendia Ivan Illich, o sociólogo e o pensador francês Edgar Morin propõe-se, no entanto, romper com o actual esquema tradicional constituído pelas várias disciplinas que fixa, rigidifica e burocratiza o conhecimento.

A luta por uma pedagogia da mudança


Pergunta – Em que contexto emergiu o pensamento de Ivan Illich que pretendia romper com a instituição escolar?
Resposta de Edgar Morin – Aparece no fim dos anos 60 ao mesmo tempo que as primeiras preocupações de carácter ecológico. Mas os escritos de Illich nunca convenceram os espíritos. O livro «Uma sociedade sem escola» foi lido, mas esta obra incendiária foi imediatamente rejeitada poruqe atacava as bases profundas da nossa civilização.

P – O que é que ele pretendia dizer quando falava do perigo do saber ficar confinado à escola?
R – Tomemos um exemplo. Reparei que os jovens ameríndios do norte do Canada compreendiam os fenómenos humanos ou naturais das suas relações mútuas. Abordavam assim a água ou a floresta colocando em relação uma erva esmagada, um excremento animal ou um ruído para figurarem a passagem de um pequeno mamífero. Ora desde a chegada da escola eles ficaram desamparados por efeito dos cortes disciplinares operados por uma instituição que forma e que adapta os espíritos às normas da racionalidade dominante. Illich mostra bem como o saber, tal como a medecina, ficou periigosamente especializado, emparcelado e parcializado.

P – Qual é a alternativa proposta?
R – A sai ideia é a de instituir aquilo que ele chama «redes de saber», a partir de uma oficina de coordenação que forneceria professores conforma os pedidos de cada aluno. Por exemplo, se alguém tivesse vontade de aprender chinês, era-lhe atribuído um professor de chinês. A escola assim descolarizada libertar-se-ia do esquema disciplinar das diversas disciplinas.

P – Acha que essas «redes de saber» possam ainda hoje ser actuais?
R - Sem chegar aí, é indispensável aproveitar esta crítica para pensar numa reforma educatica. Essa fragmentação do conhecimento, de que Illich deplorava, faz com que se evite questionar a civilização, transformando esta num soma de problemas individuais. Não se reflecte globalmente sobre nós mesmos, pois a cada problema é tratado por este ou aquele especialista, e torna-se independente dos outros. O ensino deve recentrar-se sobre o que permitiria defrontarmos com os nossos problemas vitais, como pessoas, cidadãos e seres humanos.

P – Como é que isso se traduziria no concreto?
R – Poder-se-ia, por exemplo, colocar o acento desde a primária na compreensão do outro, e mostrar à criança que, em vez de procurar saber sempre quem começou uma disputa, quem tem ou não razão, ela deveria antes considerar o círculo vicioso de uma incompreensão galopante do outro. Seria necessário que as crianças aprendessem desde muito cedo a reflectir sobre elas próprios. Acontece-lhes de se enganar, de ser vítimas de ilusões. Em vez de coleccionar verdades, a escola devia mostrar porque é que elas se enganam, o que já seria uma forma de conhecimento pertinente. Os saberes fundamentais, que hoje estão desintegrados nas compartimentações disciplinares, deveriam ser estudados durante uma ano propedêutico obrigatório antes do ensino universitário. Sou também a favor da criação de um instituto onde se ensinasse saberes transdisciplinares. Esta pedagogia da complexidade substituiria assim o saber em migalhas.

P – Como se poderia ensinar esse pensamento da complexidade?
R – Inspirando-nos na maiêutica socrática, o discípulo descobriria nele uma verdade que ignorava. A escola não tem mais o monopólio de um conhecimento a transmitir, já que o seu papel será antes o de ajudar os alunos a descobrirem um saber ao qual eles aspiram e que corresponde às suas curiosidades naturais. O desafio não é tanto o de ensinar todos os saberes, mas de mostrar como todos eles se inscrevem num mesmo projecto de conhecimento fundamental e vital. Os objectos disciplinares são por definição cortados; ora a natureza, e mesmo a natureza humana, não está organizada dessa forma disciplinar.

P – Isso significaria suprimir as disciplinas?
R – Bem pelo contrário. É verdade que a especialização fechada impede a cultura. Mas a especialização aberta alimenta o contexto e nutre-se do contexto. Renovadas, as disciplinas poderiam satisfazer as necessidades de conhecimento. É sobretudo necessário sair do esquema autoritário e parcelar do ensino sem troca, como é denunciado por Ivan Illich. Claro está que isso levanta um problema demográfico, porque com 40 alunos por classe não é difícil ver a verdadeira torça pedagógica não se faz senão com dois ou três eleitos.

P – Será então preciso acabar com a instituição escolar, como desejava Illich?
R – Não creio. No fundo não há razão nenhuma para suprimir as escolas quantos os quartéis. Eu diria que a escola deve ser preservada como local de encontro e de amizade. Um antigo colega meu enviou-me há pouco tempo uma fotografia tirado nos tempos do liceu que frequentei. E essa recordação levou-mea pensar que era bom partilhar momentos de companheirismo e de fraternidade. Será necessário reformar profundamente a escola, e o pensamento de Illich pode-nos ajudar a lutar contra um pensamento fixista, burocratizado, e libertar as aspirações à descoberta.

Entrevista concedida por Edgar Morin ao Le Monde de l’Éducation nº 360, Julho/Agosto 2007

9.9.07

Para acabar com o fundamentalismo escolar


(Excerto do livro Uma sociedade sem escola, de Ivan Illich)

Neste livro que teve grande impacto, «Uma sociedade sem escola» ( de 1971), Ivan Illich explica como a instituição escolar confiscou a educação. Tal como o hospital se apropria da saúde, a instituição escolar monopoliza o saber.


Muitos estudantes, em particular aqueles que vêm das famílias modestas, sabem intuitivamente o que lhes traz a instituição escolar. Ela ensina-lhes a confundir os métodos de aquisição do saber e a matéria de aprendizagem e, depois de apagada a distinção, ei-los prontos a admitir a lógica da escola: quanto mais tempo eles ficarem sob o seu império, melhores serão os resultados, ou então, o «processo de escalada» conduz ao sucesso! É assim que os alunos são instruídos na escola. É assim que eles aprendem a confundir ensinar e aprender, a crer que a educação consiste a passar de uma classe para outra, que o diploma é sinónimo de competência, que saber utilizar a linguagem é o mesmo que dizer algo de novo…


A sua imaginação, agora sujeita à norma escolar, deixa-se enredar e substitui a ideia de valor pela ideia de serviço: basta pensar nos cuidados a ter com a saúde, e ele não vê outro remédio que não seja o tratamento médico; a melhoria da vida comunitária passará pelos serviços sociais; confundirá a segurança individual com a protecção da polícia, assim como a segurança nacional com o exército, a luta quotidiana de sobrevivência e o trabalho produtivo. Saúde, instrução, dignidade humana, independência, esforço criativo, tudo isso passará a depender do bom funcionamento das instituições que pretendem servir esses fins, e toda a melhoria é concebida por via da alocação de créditos suplementares aos hospitais, às escolas e aos demais organismos (…)


Os pobres são enganados quando julgam que as crianças devem beneficiar de uma escolaridade. Que isso seja uma promessa como na América latina, ou uma realidade como nos Estados Unidos, tanto num caso como no outro o resultado é o mesmo: esses doze anos de escola fazem das crianças do Norte, deserdadas e adultos inválidos, porque sofredoras, e das crianças do Sul, desalentadas e atrasadas, porque não se sentem beneficiárias. Nem no Norte, nem no Sul as escolas asseguram a igualdade. Pelo contrário, a sua existência desencoraja os pobres, torna-os incapazes de tomar nas suas próprias mãos a educação. Em todo o mundo a escola prejudica a educação, porque arroga-se como a única forma de a dar. E muitos acabam por acreditar que os seus insucessos próvam que a educação é uma tarefa dispendiosa, de uma incompreensível complexidade, e que releva de uma alquimia misteriosa – a pesquisa é – porque não ? – a pedra filosofal.


A escola apropria-se do dinheiro, dos homens e das boas vontades disponíveis para a educação, e , ciosa do seu monopólio, esforça-se em proibir as outras instituições que assumem as tarefas educativas. Além disso , ela desempenha um papel importante nos hábitos e nos conhecimentos que são requisitos para as diferentes actividades da vida social, quer seja no trabalho, os lazeres, a política, a vida na cidade, e até dentro da própria família. Ela não permite a estas diversas actividades tornarem-se meios educativos privilegiados, mesmo quando os preços dos estabelecimentos de ensino se tornam proibitivos…

Os estabelecimentos de ensino levam-nos a uma situação paradoxal: precisam cada vez mais de dinheiro e uma tal escalada orçamental só conduz ao reforço do seu poder de destruição quer nos países que aceitam esse esforço financeiro como no plano internacional. No momento em que se torna visível que o nosso meio físico está ameaçado pela poluição, e em breve ficará inabitável se não tomarmos cuidado e não mudarmos os métodos de produção, talvez seja altura de nos apercebermos que existem outras formas de poluição. A vida social, a existência do indivíduo, são envenenados pelos subprodutos da segurança social, da saúde, considerados como produtos de consumo obrigatório e concorrenciais.



Esta escalada» em matéria escolar é tão perigosa quanto a dos armamentos, sem que tenhamos muito bem consciência disso. Trata-se de um fenómeno geral: por todo o lado os orçamentos escolares enchem desmedidamente, mais que o número de alunos e o produto nacional. Por todo o lado, os créditos alocados se mostram insuficientes e não respondem às expectativas dos pais, dos professores e dos alunos, e embora o problema dos não-escolarizados seja esquecido torna-se impossível encontrar os capitaos e as vontades necessárias para tentar arranjar uma solução.

Excerto do livro Uma sociedade sem escola, de Ivan Illich (1926-2002)


Ivan Illich nasceu em Viena Frequenta os estabelecimentos religiosos até 1941. Expulso pelas leis anti-semitas acaba por terminar os seus estudos secundários em Florença., antes de se formar em Teologia e em Filosofia na Universidade gregoriana de Roma. Quando o Vaticano se preparava para o nomear para a carreira diplomática, ele escolhe ser o vicário duma paróquia em Nova Iorque. Vice-reitor da Universidade católica de Ponse ( em Porto Rico) entre os anos de 1956 a 1969, depois professor na Universidade Fordham ( New York), ele abre em 1961 o Centro Intercultural de Documentação (Cidoc) no México onde ele tenta aplicar as suas teorias sobre a escola, a convivialidade ou a energia.

Será que o ideal do bom aluno é verdadeiramente desejável?

Será que o ideal do bom aluno, do aluno «sério» é verdadeiramente desejável?
Não será que a reverência e a submissão que normalmente vão associadas àquela categoria de aluno não são elas próprias altamente problemáticas, uma vez que implicam frequentemente – mas, nem sempre - uma relação de dependência , isto é, um processo de «infantilização»?




Texto de Charlotte Nordmann, ensaísta, tradutora e professora de filosofia.
Acaba de lançar em França o seu novo livro «La fabrique de l’impuissance. 2. L’École entre domination et emancipation» ( A fábrica da impotência. 2. A Escola entre a dominação e a emancipação)
Face às contradições da escola republicana e às sirenes da reacção, é chegado o momento de sair do impasse e da infantilização. Charlotte Nordmann propugna por uma outra escola, a da autonomia e da emancipação.

Tradução para português do texto publicado no Le Monde de l’Education nº 360, Julho/Agosto de 2007



Para tomar consciência do desafio que aqui lançamos é preciso partir de um problema fundamental que não foi enunciado de forma muito clara até hoje. A escola republicana baseia-se desde a sua origem numa contradição irredutível. A sua função é, com efeito, dupla: ela é, simultaneamente, factor de democratização e de hierarquização.

Estes dois princípios contraditórios casaram-se por força da ideologia do trabalho, do mérito e da sua recompensa: as hierarquias produzidas pela escola teriam pelo menos um fundamento aceitável, elas seriam a manifestação da ascensão legitima dos «melhores», isto é, dos «merecedores do mérito».
Ainda hoje, é-nos dito que a escola deve garantir a «igualdade de oportunidades»: tendo renunciado à igualdade, pelo menos, garantiríamos que todos tivessem as mesmas oportunidades à partida – cabendo depois a cada qual dar provas do seu valor individual e de arranjar meios para assegurar a sua promoção inidividual.

Esta contradição, que sempre se mostrou altamente discutível tanto por quem se preocupasse em ter uma perspectiva objectiva como por quem quisesse salvaguardar a democracia, tornou-se hoje em dia insuportável. Com efeito, quando a percentagem das crianças dos meios populares que acediam à Universidade, pouco relevante nos anos de 1960, diminui ao longo dos últimos anos; quando desemprego massificado veio para ficar; e quando a precariedade no trabalho se tornou a condição de vida mais comum, é mais que premente questionar como é que a ideia de celebrar o trabalho e o mérito tem hoje qualquer eficácia?

É justamente no momento em que os discursos reactivos mostram não terem aprendido nada com a realidade que eles se tornam mais presentes e mais insolentemente ruidosos. Ouvimos continuamente: é preciso «restaurar a autoridade», o «respeito pelos professores», valorizar «o valor do trabalho». Porque tudo isso se perdeu, que tudo isso foi desvalorizado, calcado aos pés dos inconscientes beneficiários é que nos encontramos nesta situação. E eis que Maio 68 é visto como o coveiro de uma escola que era verdadeiramente democrática pois que, pelas suas exigências iguais para todos, dava aos filhos do povo ( aos mais «meritórios» dentre eles, bem entendido) os meios para se alçarem ao nível dos seus superiores, os tais que a pátria devia estar orgulhosa! E teriam sido livros como «A Reprodução» e os «Os Herdeiros» os incendiários que lançaram o fogo ao palácio da República! Denunciando a parcialidade dos princípios de selecção aquelas obras minaram os fundamentos da nossa democracia. A escola da República já não desempenha a sua função de factor de «ascensão social» ( mas quantas vagas existiriam nessa ascensão social?) uma vez que, desde então, ela tinha renunciado a defender os seus princípios fundamentais: o trabalho, o esforço, o mérito, e sobretudo, o respeito. E não falta quem vá ao ponto de dizer que cada um é responsável pelo seu destino e que a sociologia não foi criada senão para fornecer desculpas aos miseráveis – tal como a ficção da liberdade não teria sido criada, a acreditar em Nietzsche, senão para poder punir a quem ela é retirada.

Será que é possível imaginar um discurso mais evanescente como este? Mas a verdade é que é este tipo de discurso melancólico, isto é, desesperado, antecipando a sua própria impotência, que lamenta o fracasso anunciado da cruzada contra-a-corrente de uma época cujo processo foi já instruído, de uma época indigna em que a palavra democracia se tornou o estandarte da vulgaridade e da mediocridade… Poder-se-á imaginar discurso mais odioso do que aquele que culpabiliza os que não tem outro remédio que se levantar cedo acusando-os de ser responsáveis por aquilo que estão a sofrer? De qualquer modo porque é que é preciso levantar cedo e trabalhar? E que trabalho vai ter que ser feito? São questões como estas que estão proibidas agora, depois do regresso em força de um discurso globalmente anacrónico que está hoje muito em moda.

Tratar-se-ia então de fazer o luto de uma certa esperança democrática, de apostar sobretudo em garantir as condições de promoção social de alguns indivíduos. Salvar alguns, desprezando aqueles que pela sua origem social estarão condenados aos cursos técnicos. Tratar-se-ia, no fundo, de reconhecer a ordem social tal como a reconhecemos, os seus princípios e fins, como os únicos possíveis, e desde logo, para nós próprios nos submeter a ela, defendê-la e respeitá-la.

É aqui que se mostra particularmente salutar virarmo-nos para os que, desde há muito tempo, pelo menos, desde que se implantaram as estruturas da sociedade capitalista, procuraram pensar e fazer uma outra escola.

Será que desejamos uma sociedade em que cada um tem que contar só com as suas próprias forças, em que tem de se submeter à ordem porque «é preciso respeitar a autoridade»? E como solucionar o insucesso escolar? Com evitar o abandono escolar?

Mas uma outra questão, talvez fundamental , se poderia levantar: será que o ideal do bom aluno, do aluno «sério» é desejável? Será que a reverência e a submissão não são problemáticas uma vez que implicam frequentemente a dependência , isto é, a «infantilização»?

Uma palavra condensa os efeitos produzidos pelo sistema escolar tal como ele existe actualmente: a impotência. Impotência dos alunos, desprovidos de toda a relação autónoma aos saberes e à prática da escrita e da palavra. Impotência dos professores, constantemente confrontados com esta realidade e desprovidos de meios para fazer que a máquina funcione de outra maneira, resvalando as mais das vezes para um sentimento de absurdo. Impotência dos pais que esperam muito da escola sem compreender porque é que ela é incapaz de satisfazer as suas promessas. A cada um, o funcionamento da escola parece inculcar que «as coisas são assim e não de outro modo», que é preciso passar por isso («Faz o 12º ano e logo se verá!», ouve-se a dizer), que é preciso seguir por esse caminho.

Falam-nos de «democracia na escola», mas qual o controle que os alunos têm sobre a definição do seu curso e a sua organização? Certamente que os princípios da pedagogia institucional permitiriam dar uma resposta concreta. De qualquer modo, se o requisito para uma política democrática é difundir a ideia que um outro mundo é possível, então um dos mitos que urge desfazer é o da escola: será que uma outra escola é possível?

A contradição estruturante da escola está em vias de se agravar hoje em dia (…) acentuando a hierarquia já existente entre os estabelecimentos escolares e reenviando para a universidade o acesso aos saberes e a posse de competências necessárias para uma actividade intelectual autónoma. Esperemos que esta situação insustentável, para os que encaram de outro modo a escola, encontre rapidamente os meios para a sua superação.

Mas para que uma outra escola seja possível, ou para que a escola possa funcionar de outra forma, é preciso acabar com a ideia de que se trata de um problema puramente pedagógico. O que produz a escola não depende simplesmente dos métodos que são utilizados ou dos valores que são defendidos. Mas também não se trata de uma questão de meios de financiamento.

Para começar, mais do que métodos, termo que sugere sempre um espírito instruído e competente guiando o espírito incerto e fraco, deve-se falar de «agenciamentos», de situações simultaneamente materiais e humanas, que produzam o poder de cada sujeito. Nesta matéria Freinet e a pedagogia institucional sugerem dispositivos muito concretos que permitiriam sair da relação dual professor-aluno, e que ajudariam a que a máquina escolar não alimentasse o narcisismo ou a angústia do aluno, ou ainda o desejo de «agradar» ao professor.

Mas o mais urgente é re-politizar a questão – e não apenas nos termos redutores da resistência à «mercantilização da escola», por mais real que seja esta ameaça. Ou seja, é urgente assumir a contradição inerente à lógica da escola a fim de interrogarmo-nos acerca dos meios da majorar a função emancipadora em detrimento da sua função de hierarquização. O que significa interrogarmo-nos acerca dos enquadramento políticos do domínio da leitura, da relação à palavra e da relação aos saberes.

Como fazer com que estas práticas estimulem a autonomia?
Como fazer com que o reconhecimento do valor dos saberes transmitidos não se converta em respeito do princípio da competência dos «instruídos» e dos «especialistas»?

Pretendeu-se democratizar o ensino, pô-lo ao alcance de «novos públicos», «simplificando» o conteúdo dos programas e reduzindo-os aos seus elementos primários. Mas esta saudável aspiração esvaziou de sentido os saberes a ensinar, evacuando sistematicamente a sua dimensão problemática, e tornando invisível o facto de que tais saberes serem construídos historicamente, e que são animados por polémicas e debates, graças aos quais os seus significados políticos são revelados.

Trata-se pois de interrogarmos a nossa própria relação com a escrita, a palavra, o conhecimento, procurando ao mesmo tempo desenvolver também em nós a autonomia.

Não mais cultivar a deferência para com aqueles que são supostos possuir o saber, mas reivindicar para cada um o direito de participar na elaboração desse saber, que deve mostrar aquilo que ele realmente é: algo em construção, de polémico, enfim, vivo.

A emancipação política é indissociável da emancipação intelectual: trata-se de sair do circulo de infantilização e começar a pensar e desejar possíveis outros.

Perante uma situação incontestavelmente precária, portador do pior mal, é urgente sair da angústia que nos paralisa, que nos impede de ver que o esforço para manter o status quo é o caminho mais certo para a ruína do que queremos defender. É tudo menos ingénuo dizer-se que é necessário restaurar a nossa confiança na nossa capacidade de agir e cultivar o nosso desejo de uma real democracia.

Charlotte Nordmann

Sobre a autora:
http://www.liberation.fr/transversales/portraits/218073.FR.php

8.9.07

Encontro mundial de pastores nómadas e transumantes em La Granja ( Segóvia, Espanha) entre 8 e 16 de Setembro




Começa hoje o Encontro mundial de pastores nómadas e transumantes na localidade de La Granja, perto da cidade castelhana de Segóvia.. Pretende-se com este encontro, entre outros objectivos, defender e dar mais visibilidade à vida das populações nómadas e transumantes que fazem da pastorícia a sua principal actividade.


http://www.pastos.org/
http://www.pastos.org/Propuesta/propuesta_total.html
http://www.nomadassegovia2007.org/

«O homem e os seus rebanhos caminham ao ritmo dos ciclos da natureza; não procuram modificar o clima nem em conseguir elevados níveis de rentabilidade através da aquisição de complexas e dispendiosas tecnologias; modelam a paisagem com técnicas simples e efectivas, adaptam-se ao curso sucessivo das estações. Vivem em harmonia com o meio ambiente e não têm necessidade de violentar a natureza para sobreviver; basta-lhes acaraciá-la, e submeter-se ao ritmo que ela própria lhes impõe.»
(Severino Pallaruelo, 1993)




A península ibérica tem uma larga tradição de pastoreio transumante que remonta ao século XIII. Hoje em pleno século XXI o objectivo deve ser tornar compatível a conservação das culturas nómadas tradcionais e o desenvolvimento sustentável. Por isso uma série de instituições internacionais relacionadas com a pastorícia e a conservação da diversidade biológica ( (UNDP, UICN, CLCD, WAMP, CENESTA,etc) apoiam este Encontro mundial de pastores nómadas e transumantes, cuja realização não é fácil dadas as especificidades da actividade dos participantes. Mesmo assim os objectivos que são propostos são da maior relevância:

1) Colaborar com a ONU e demais organizações internacionais para alcançar as metas propostas na luta contra a desertificação através do desenvolvimento sustentável das zonas áridas do planeta.
2) Demonstrar que o pastoreio extensivo é perfeitamente compatívelo e necessário para o desenvolvimento moderno e equilibrado, cuja melhor ilustração é o caso espanhol onde já existe uma lei de vias pecuárias e de defesa do patrimóni das raças autóctones, que recebeu o apoio da União Europeia.
3) Favorecer as relações entre os diferentes povos nómadas e transumantes do mundo, facilitando as relações entre eles a fim de tornar possível o debate aberto dos seus problemas e a busca de soluções, assim como o estabelecimento de relações estáveis de colaboração e amizade.
4)Contribuição para a resolução dos impedimentos ao livre movimento dos nómadas pelas suas rotas tradicionais, reconhecendo o direito aos pastos nos seus territórios, à sua organização social, à propriedade intelectual das suas raças autóctones, aos seus conhecimentos ancestrais, ao seu artesanato e música, damdo o devido valor ao seu património para a conservação do meio ambiente e da diversidade biológica.
5)Criação de um Observatório de Povos Nómadas que reforce e apoie as organizações já existentes com uma plataforma e secretaria permanente que reúna e distribua toda a informação gerada sobre a situação das diferentes culturas nómadas, evolução das suas populações, pproblemas políticos e sociais como as restrições à sua mobilidade, a influencia das mudanças climáticas ou a emergência de novas epidemias.



Mais de metade da população mundial depende total ou parcialmente dos animais para sobreviver. Nessa população inclui-se uns 200 milhões de pastores, 600 milhões de pequenos criadores de gado e mais de 1.000 milhões de pessoas sem terras.
A maior parte destas pessoas habitam em regiões frágeis e marginais, que não admitem os cultivos nem muito menos uma intensificação agrícola nos solos pobres e desérticos , sujeitos a chuvas irregulares e a temperaturas extremas.

É imprescindível manter os usos e cosutmes tradicionais destes criadores de gado pois todos as tentativas para «melhorar e modernizar» as suas condições de vida acabaram por fracassar quer de um ponto de vista económico-social como ecológico.
Os povos pastores constituem uma das culturas mais antigas do mundo, com mais de 10.000 anos de experiência no manejo e na melhoria dos territórios onde habitam, eplo que são depositários de conhecimentos e recursos genéticos valiosíssimos para o futuro da Humanidade.
A Convenção das Nações Unidas para Combater a Desertificação (UNCCD) procura salvaguardar estas realidades e nunca é demais todo o apoio para sensibilizar as populações e as autoridades para elas.
Uma em cada seis pessoas depende destes frágeis ecossitemas para sobreviver, sem esquecer que no século XXI a desertificação afectará mais de 1.000 milhões de pessoas. Os prejuízos agrícolas e ambientais resultantes da desertificação são estimados actualmente em 40.000 milhões de euro em cada ano. As causas são sobretudo de natureza humana derivadas das práticas agrícolas e florestais inadequadas, aos incêndiso e às polítcas de sedentirização das populações nómadas.

A EROSÃO GENÉTICA

Ligado à perda dos solos está p desaparecimento das raças autóctones, conservadas e seleccionadas ao longo de séculos pelas diferentes culturas em todo o mundo. Das 15 milhões de espécies animais conhecidas só 49 foram domesticadas, e foram-no precisamente pelos povos nómadas. Note-se ainda que 90% da produção animal do planeta depende só de 14 espécies principais.

Segundo a FAO conhecem-se actualmente uma 4.000 raças animais domésticas, mas dessas quase 1.000 encontram-se em perigo de extinção, e outras 1.000 já se extinguiram no último século, pricipalmente por efeito da ressãp de raças muito produtivas, seleccinadas e impostas pelos países industrializados. O actual ritmo de desaparecimento é de 2 raças autóctones por cada semana. Na Europa 40% das raças autócotnes estão ameaçadas, o que significa uma enorme vulnerabilidade genética, de que é exemplo a estimativa de que para o ano de 2015 as centenas de milhar de vacas frísias corresponderão tão-só a uma variabilidade de 66 exemplares, como tudo o que isso significa de alto risco para a alimentação mundial em caso de doenças e degenerações.

As raças autóctones sobrevivem em condições muito adversas e são resistentes a muitas doenças, o que é o resultado do trabalho milenário de selecção e melhoria dos pequenos criadores locais de gado. A substituição do seu uso múltiplo, não especializado, para uma única produção traz consequências negativas.Por isso reconhecer essa multifuncionalidade é fundamental.

É urgente respeitar e defender o trabalho realizado ao longo dos séculos pelos povos nómadas e transumantes, proteger as suas formas tradicionais de vida e os seus territórios ancestrais, garantindo a sua participação na gestão e nos benefícios destas áreas.

Chocalhos 2007 – festival e feira dos Caminhos da Transumânsia na vila de Alpedrinha / Fundão ( 15 a 23 de Set.)


Vai-se realizar entre 15 e 23 de Setembro na vila de Alpedrinha no concelho do Fundão um festival e uma feira sobre os caminhos da transumânsia sob a designação geral de Chocalhos 2007, onde se pretende fazer sobressair e valorizar as rotas dos rebanhos e do pastoreio regional.


Cinco rotas, cujos percursos têm como temática a actividade pastoril, são uma das grandes novidades do calendário do Chocalhos 2007, no Fundão. Visitar uma herdade, locais de produção de queijo ou percorrer, em passeio pedestre, os trilhos usados pelos pastores constituem os pilares dos programas integrados no âmbito do evento que tem como epicentro a vila de Alpedrinha. No total, são cinco propostas, com quatro delas a receberem o nome de raças autóctones da região: “Merino da Beira Baixa”, “Churra da Campo”, “Bordaleira” e “Novelinho”. A outra, como não podia deixar de ser, intitula-se “Rota dos Pastores”.

O festival inclui também uma série de outras actividades que envolvem exposições e música.



No dia 21 começará a Feira do Chocalhos, com as tasquinhas, espactáculos de rua e venda de produtos locais, em Alpedrinha, e que se prolongará por mais dois dias.

A culminar o programa, no domingo, dia 23, realiza-se o tradicional passeio Pedestre Com Rebanho Pela Serra Da Gardunha, que ligará a Praça do Município a Alpe-drinha, via Alcongosta.


Está também previsto a conclusão no Palácio do Picadeiro do Centro de Interpretação da Rota da Transumãncia.


http://www.fundaoturismo.pt/destaques/chocalhos-2007

O modelo dos baixos salários acentua-se em Portugal


Em todas as regiões de Portugal, exceptuando Lisboa e Vale do Tejo, é no escalão entre os 310 e 600 euros que se encontra a maioria dos trabalhadores por conta de outrem. No Norte, são mais de metade (53%), o dobro da percentagem em Lisboa (25). No Centro, Alentejo e Algarve, este escalão remuneratório abrange 44,5%, 46,2% e 38,5%.

Segundo os dados do INE, 4,9% das pessoas que trabalham para terceiros no Norte do país ganham menos de 310 euros. Esta percentagem desce para 4,1% no centro, 3,1% em Lisboa, 3% no Alentejo e 2,4% no Algarve.

É por haver tanta gente nos escalões remuneratórios inferiores que o vencimento líquido mediano se afasta tanto do médio. O valor médio é de 712 euros, mas o mediano, que leva em conta a distribuição das pessoas pelos vários escalões, é de apenas 560 euros.
Ou seja, metade dos portugueses ganha até 560 euros.

O que sobressai destes dados estatísticos do INE?

Apesar do salário mínimo ser próximo dos 400€, os salários líquidos de uma percentagem importante de trabalhadores estão abaixo deste valor. Isto significa que muitas pessoas têm trabalho a tempo parcial, o que aliás é confirmado por um estudo recente da CGTP ( ver:
http://www.pt.indymedia.org/ler.php?numero=130375&cidade=1 )

Existem sensíveis assimetrias regionais. Embora devidas às actividades (indústria, serviços, administração pública, etc.) estarem em proporção diferente no emprego das diferentes zonas do país, o certo é que - em termos de poder de compra dos trabalhadores e suas famílias - há assinaláveis discrepâncias.A estrutura salarial está distorcida para baixo, ou seja, existe uma proporção anómala de salários em torno do salário mínimo. Isto sobressai melhor se tivermos em conta as percentagens de trabalhadores que recebem um salário mínimo noutros países da UE, principalmente da zona euro. Em França, por exemplo, são apenas 16%.


A estrutura global de salários de miséria mantém-se ao longo das décadas. Apesar do custo de vida em Portugal não ser inferior ao da Espanha, no país vizinho o salário mínimo é IGUAL AO SALÁRIO MEDIANO PORTUGUÊS. Pelo menos metade da população trabalhadora portuguesa aufere menos que o salário mínimo de Espanha (560 €). Não admira pois que haja um enorme fluxo de emigração para Espanha e outros países da UE.

Mantém-se uma percepção distorcida pela propaganda (do governo e da generalidade dos media) sobre a realidade portuguesa. O facto é que as diferenças de mais de oito vezes entre a fatia dos 10% de rendimentos mais altos em relação aos 10% mais baixos explicam-se muito claramente pela enorme exploração dos trabalhadores.

Sendo constante, desde há pelo menos 27 anos, uma perda do poder de compra dos salários portugueses e um ataque paralelo às garantias de estabilidade dos empregos, devemos concluir que, na divisão internacional do trabalho decidida ao nível do grande capital europeu e apoiada pelo poder político da Comissão Europeia e pelos governos sucessivos, a Portugal tem sido reservado o papel de reserva de mão-de-obra barata, país de turismo e de emigração, de fraco desenvolvimento industrial e agrícola .

O país importa cerca de dois terços dos géneros alimentares consumidos, apesar das suas excelentes condições naturais (agrícolas e piscícolas).


Fonte: aqui

Realizada a 1ª bicicletada em Aveiro


Por intermédio do blogue http://ailusaodavisao.blogspot.com/ soubemos que se realizou no fim do mês de Agosto uma bicicletada em Aveiro pela primeira vez.

Recorde-se que as bicicletadas inserem-se no movimento mundial da Massa Crítica, presente em mais de 350 cidades por todo o mundo. Depois de Lisboa, Porto e Coimbra, é chegada a vez de Aveiro ter a sua bicicletada na última sexta-feira de cada mês.

Que venham mais cinco

7.9.07

Manifestação para o fecho da central nuclear de Almaraz na Extremadura espanhola (8 de Setembro, em Navalmoral de la Mata- 19.30)


Na Extremadura ( Espanha) , energia limpa e social.

FECHAR ALMARAZ


MANIFESTAÇÃO


8 de septiembre. Navalmoral de la Mata
Paseo de la Estación 19.30 h. y posterior concentración a las puertas de la central
.

depois haverá


FESTA REIVINDICATIVA

Parque de Las Minas a las 22.00 h.


Bocatas, sangría y actuaciones de calle y musicales.


Artistas invitados:

Quintín Cabrera Raúl La Kabra José Mª. Aldaya Pepe Extremadura


CONVOCAM a MANIFESTAÇÃO:
Plataforma de vecinos afectados por la Central de Almaraz, Plataforma Antinuclear Cerrar Almaraz, ADENEX; Ecologistas en Acción Campo Arañuelo, Ecologistas en Acción Monesterio, GREENPEACE, CGT, IU Extremadura, PCEx, Asociación de Jóvenes del Valle del Jerte, Asociación Garabato de Piornal, Los Verdes, Asociación Garabato de Piornal, Plataforma Ciudadana Refinería NO, Plataforma Térmicas NO.


A central de Almaraz tem tido incidentes com regularidade com situações em que já foram medidos níveis de radioactividade superiores ao permitido, sendo Portugal afectado por a central se situar numa albufeira afluente do rio Tejo e pela proximidade em caso de contaminação por via atmosférica.

Esta concentração, que é apoiada por mais de 12 organizações, pretende, à semelhança do ocorrido noutros anos, manifestar o desejo de que a Central de Almaraz seja encerrada, pois não só já completou 25 anos de funcionamento, como tem conhecido inúmeros acidentes ao longo da sua laboração, colocando em risco as populações (locais, nacionais e ibéricas).


Consultar: aqui, aqui

Kofi Annan não quer transgénicos em África

«Nós e a aliança não incorporaremos os OGMs nos nossos programas. Devemos trabalhar com os agricultores utilizando as sementes tradicionais» (Kofi Annan, prémio Nobel da Paz e ex-secretário-geral da ONU)

Nota: Kofi Annan foi nomeado no passado dia 14 de Junho de 2007 para presidir à «Aliança para uma revolução verde em África» (AGRA), um organismo criado em 2006 e financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates e a Fundação Rockfeller, agupando um vasto conjunto de dirigentes, homens de negócios, agricultores e investigadores. Esta organização tem como finalidade principal ajudar os agricultores africanos a melhorar o seu rendimento nas suas explorações agrícolas.

Ver:
http://reopen911.online.fr/Anti-OGM/?p=69
www.flag-sa.org/blog/rallyround.html

Consultar:
http://www.agra-alliance.org/

Para celebrar a multisecular Agricultura Africana :
www.agra-alliance.org/celebrating/


Sobre Kofi Annan:
http://fr.wikipedia.org/wiki/Kofi_Annan

O pretenso desconhecimento de Durão Barroso sobre o financiamento da Somague ao PSD e a sua responsabilidade pela invasão do Iraque.

Um texto de Artur Queiroz onde, a propósito do financiamento ilegal do PSD pela empresa Somague no tempo do governo de Durão Barroso (actual presidente da Comissão Europeia) e que este se apressou em negar qualquer conhecimento pessoal do assunto, se lança esta pergunta:

Será que «Durão Barroso vai um dia destes dizer que nada teve a ver com a invasão do Iraque e que não é responsável pelos milhares de mortos civis e pela existência de mais de quatro milhões de refugiados iraquianos…»?




Texto de Artur Queiroz, retirado de:
www.vozdapovoa.com/diversos/opiniao.html


Durão Nunca Quis a Invasão do Iraque

O financiamento ilegal da Somague à campanha eleitoral do PSD quando Durão Barroso era o líder do partido, mereceu do actual presidente da Comissão Europeia uma desculpa esfarrapada e indigna de quem anda na vida pública. José Luís Arnault veio a correr assumir responsabilidades mas depois sacudiu a água do capote para cima de alguém que está doente e por isso é defendido pela família. Este passa culpas para o parceiro do lado é inaceitável.

Durão Barroso escreveu uma carta ao Parlamento Europeu a declarar a sua inocência e com esse gesto encerrou as explicações que deve aos portugueses e a quem lhe confiou a presidência da comissão da União Europeia. É natural que Durão Barroso esteja incomodado com o escândalo que se abateu sobre o partido que liderou e não queira sequer ouvir falar do assunto. E pelos vistos, está a conseguir os seus objectivos com facilidade.

Também enterrou o seu passado de esquerdista, com a maior das facilidades. Os seus ímpetos revolucionários levaram-no a roubar mobílias da Faculdade de Direito e a levá-las para a sede do seu partido de então, o MRPP, mas este episódio é ignorado ou tratado com bonomia, tipo coisas da juventude estouvada mas generosa. Mas Durão não pode apagar com a mesma facilidade o financiamento ilegal da campanha eleitoral do PSD que o guindou ao cargo de Primeiro-Ministro, trampolim para o cargo que hoje ocupa e cujo mandato almeja renovar.

Por este andar, Durão Barroso vai um dia destes dizer que nada teve a ver com a invasão do Iraque e que não é responsável pelos milhares de mortos civis e pela existência de mais de quatro milhões de refugiados iraquianos que vivem em condições desumanas, deslocados no interior do seu país ou nos países vizinhos. Mas todos sabemos que Durão Barroso não esteve na cimeira das Lajes apenas para compor o ramalhete. Esteve lá porque, conforme declarou publicamente, viu provas da existência de armas de destruição maciça no Iraque. Durão Barroso é um dos principais responsáveis pela tragédia que se abateu sobre os iraquianos.

Também é o principal responsável pelo episódio que envolveu a Somague e o PSD e que se traduz num financiamento ilegal ao partido. Quem começou na política roubando bens públicos, tarde ou nunca endireita. Durão Barroso é um dos muitos políticos portugueses que anda a mais na política. Mas gente como ele faz muito jeito ao socialismo cavaquista.

Alguns afluentes do movimento ecológico em Portugal

Texto escrito em 1997 por Afonso Cautela
Retirado de:
http://www.catbox.info/catbooks/antess-1.htm
(onde se pode ler e consultar outros textos)


ALGUNS AFLUENTES ( INCLUINDO IDEOLÓGICOS)
DO MOVIMENTO ECOLÓGICO EM PORTUGAL


Lisboa 26/Julho/1997 - Se o chamado «óbvio ululante», na feliz expressão de um brasileiro (Millor Fernandes?), constitui a matéria do ecologismo e das ecologias, não há dúvida que o Movimento Ecológico Português, quando nasceu, em Maio de 1974 e se legalizou em Fevereiro de 1975, vinha antecedido de algumas ideias óbvias e movimentos sociais que deram bastante brado.

Ser vivo e Ambiente constituem uma unidade indissociável: eis a mais óbvia de todas as coisas óbvias. Ninguém, por exemplo, pode viver sem respirar. Mas foi preciso chegar ao século XX para a nossa «civilização» ter pensado nisso.

O facto de a cultura ocidental nunca ter assumido nem compreendido este tipo de evidências básicas, terá levado, em boa parte, à catastrófica e em certos aspectos patética, crise ecológica actual. Crise que, antes do 25 de Abril, era apenas óbvia para alguns mas que hoje, sem ter decrescido um milímetro, ainda continua a não ser sentida por muito boa gente.

- O congestionamento das cidades modernas, ligado à macrocefalia urbana que atrofia e desertifica os campos, eis outra óbvia realidade que estando na base de muitos problemas modernos, conduziria a uma consciência que, por sua vez, o movimento ecológico procuraria traduzir, através dos múltiplos textos editados.

- A sintomatologia na Medicina, na Sociologia e na Política (as chamadas «sopas depois de almoço» ou aposteriorismo das soluções), provocaria necessariamente uma reacção adversa naqueles que, cultivando uma mentalidade simplista de ligação causa-efeito (outro óbvio ululante), perceberam sempre que as doenças, quer sociais quer individuais, não caem do céu e que a melhor forma de não as ter é prevenir, fazer profilaxia das ditas doenças.
Todas as doenças - sociais e individuais - estão no ambiente físico - ar, água, solos -, mas também sócio-mitológico - todo o sistema de manipulação do homem pelo homem que, desde a publicidade comercial à propaganda político-partidária, condiciona de raiz os comportamentos, conforma e deforma o cérebro humano.

Neste sentido, a poluição - a famosa e famigerada poluição - é atmosférica, é agrícola, é hídrica mas é também, como alguns perceberam, psíquica e moral.

Ou seja: não se trata de corrigir pontualmente o sistema mas trata-se de «mudar de sistema».
Este radicalismo, a que mais tarde se chamaria fundamentalismo, foi sempre muito mal visto por todos os quadrantes ideológicos, incluindo os próprios que se diziam ecologistas e ambientalistas.

Radicalizar posições era um propósito do movimento ecológico mas que nunca teve expressão real e só se manifestou nos múltiplos textos publicados pelas edições «Frente Ecológica».
Os excessos de linguagem, note-se, foram sempre e aliás, para certas boas almas, mais intoleráveis do que as mais abomináveis agressões ambientais.

A expressão «crime ecológico» e o neologismo «biocídio» foram utilizados, pela primeira e última vez, nas edições «Frente Ecológica».

- A dominante «catastrofista» da sociedade industrial foi outra realidade, bastante óbvia, que levaria necessariamente à ideia e à constelação ecologista radical.

Alguns dos que fizeram o M.E.P. nunca chegariam a reconciliar-se com a síndrome de catástrofe intrínseca à sociedade industrial. Ficariam sempre os eternos «inimigos da civilização», como premonitoriamente lhes chamou Freud.

O que não deixou de provocar uma patética acusação dos estalinistas que tinham como insulto predilecto contra os ecologistas, chamarem-lhes catastrofistas. Isto, até que eles próprios, com o Partido dos Verdes, se fizeram também «catastrofistas».

- Ao cerco sem saída da crise ambiental constatado pelo norte-americano Barry Commoner - os retrocessos do progresso, como se dizia na «Frente Ecológica» - chamou Herbert Marcuse «homem unidimensional». Foram marcusianos os estudantes de Maio 68 e marcusianos foram os que dotaram o M.E.P dos seus fundamentos ideológicos.

A «ideologia ecológica», porém, nunca teve qualquer expressão além dos textos, normalmente muito críticos e polémicos, da «Frente Ecológica».

Nesse sentido, o ecologismo português foi totalmente desmiolado. Embora Antero de Quental perguntasse, atónito: «Mas, meus senhores, será possível viver sem ideias?», Portugal dos últimos 500 anos prova que sim: que é possível viver sem ideias, ou seja, sobreviver. O que já não é nada mau, em tempo de sobrevivência planetária.

Termo-nos habituado a sobreviver em vez de aprender a viver, poderá ser outra subtil nuance que fundamenta a revolta de alguns ecologistas «avant la lettre». Ou seja, antes do 25 de Abril de 1974.

- Se é o sistema cultural que leva à crise ecológica, é óbvio (ululante) que a crise só pode ter solução mudando de sistema - o que leva ao chamado «fundamentalismo» ecologista e que, depois do 25 de Abril, na «Frente Ecológica», se chamou «realismo ecologista» ou «eco-realismo», para o distinguir das derivantes reformistas e utopistas.

Entre a Utopia e a Reforma, o ecorealismo das edições «Frente Ecológica» marcou uma posição solitária, sem companhias nem aderentes, tentando reafirmar, em vão, o primado do real, do quotidiano, face a todas as mitologias modernas, nomeadamente as do hedonismo consumista.
Em vão também, porque a lógica consumista e a economia de marketing, sendo intrínsecas à lógica do macrosistema são também intrínsecas à devastadora crise ecológica.

O caso do sistema médico rentabilizando a doença em vez de conservar a saúde (higiene holística), mostra a perversidade estrutural intrínseca do hedonismo consumista.

Se a doença dá dinheiro e lucros a tanta gente, a tantos profissionais que da doença vivem, a tanta empresa, é evidente que tudo será feito para que a doença progrida e nada para que a saúde se conserve.

- «Congestionamento» é uma das palavras-chave nos antecedentes mais antigos do movimento ecológico.

Congestionamento físico - nas cidades e nas sociedades - mas principalmente congestionamento de dados, de informação. E ainda não fora inventado o chafurdo da Internet.

A sensibilidade ao congestionamento de dados constituiu uma componente de um mal-estar que necessitaria uma atitude chamada movimento ecologista.

- A industrialização em geral e a industrialização da agricultura em particular (com adubos químicos, pesticidas e monoculturas gigantescas) dadas como tabu intocável por todas as ideologias no terreno - capitalistas e socialistas - foram as componentes que atrasaram, por medo às aparências, a eclosão das manifestações ecologistas e, portanto, do movimento.

Também a indústria nuclear, dita pacífica para a demarcar do átomo militar, sacralizada por todas as ideologias, blocos e superpotências mundiais, seria um terreno onde dificilmente surgiria qualquer contestação.

Neste sentido, o movimento ecologista era mesmo um movimento de alto risco para quem o proclamasse e assumisse.

Foi, portanto, necessário atingir o limiar do insuportável - onde aliás ainda estamos e continuaremos - para que alguns, muito poucos, se atrevessem a fazer as primeiras críticas:
a) Ao nuclear (dito) pacífico
b) À industrialização em geral e à agricultura química em particular
c) A ciência e à tecnologia

Os tabus mantidos por todas as ideologias em confronto, mostram duas coisas:
a) Embora aparentemente se digladiem em aspectos pontuais (guerras em que se disputa o mesmo bolo), no fundamental as ideologias e os blocos têm alguns mitos que se tornam seus alicerces de suporte, permanência e eterna auto-reprodução.
b) Como o ecologismo tem de começar por denunciar esses tabus ideológicos, ele próprio, enquanto movimento, se tornará também tabu, passando automaticamente à clandestinidade.

- Significativo, no aspecto da industrialização, é o título da colecção «Zero», da editora Arcádia, «A Indústria do Ruído».
Para o director da colecção e autor do prefácio do livro, o Ruído era uma das muitas manifestações que, pelas repercussões na saúde pública, tinha sido e continua a ser rentabilizada.
Se o Ruído é «fábrica de doenças», como nesse livro se procura mostrar, certamente que o Ruído não será eliminado e, se for preciso, irá ser fomentado. É o que tem acontecido até hoje, 26 de Julho de 1997.

Este «cinismo» eco-realista chocou muito algumas boas almas que se queriam e diziam ecologistas, amigas do ambiente como o Persil e sempre dispostas a perdoar ao chamado Progresso os crimes e artimanhas do Progresso.

- Ecologia da doença, Ecologia do Trabalho (Doenças do Trabalho), Ecologia Alimentar ( Doenças do ambiente alimentar) aparecem bastante cedo nos textos de pessoas que, mais tarde, pós 25 de Abril, integrariam o M.E.P, a «Frente Ecológica» , a «Esquerda Ecológica», a «Ecologia em Diálogo» e outros títulos que agitaram as águas no pós 25 de Abril.

- Mas o atrevimento eco-realista do chamado «grupo coordenador» do M.E.P, da «F.E.» e de outras «frentes», ia até ao ponto de contestar as apregoadas virtudes e a própria legitimidade da ciência ordinária, essa «vaca sagrada» das modernas sociedades tecnológicas, que não dão um peido sem primeiro ir perguntar à ilustre classe universitária se é científico.
A crítica à Tecnologia era, de facto, algo impensável.
E muito em especial se essa tecnologia implicava mortes maciças da população.
O caso do que, na «Frente Ecológica», se chamou «sindroma sísmico-nuclear» - 30 anos de sismos provocados por rebentamentos subterrâneos de bombas termonucleares - é exemplar como fenómeno de dimensão planetária e como silenciamento total e totalitário sobre o maior crime de genocídio contra a Humanidade, ocultado em nome da ciência, do progresso tecnológico-militar e das conveniências da coexistência pacífica, tão em voga nos anos que precederam o 25 de Abril.
Foi talvez este «dossier maldito» - sismos provocados por bombas - o que mais cedo suscitou a revolta no espírito daquele (s) que, pós-25 de Abril, decidiram a reunião do 14 de Maio de 1974 para o lançamento do M.E.P.
O que não impede de ter ficado o mais maldito dos dossiês malditos, através de todos estes anos e até hoje, em que a frequência sísmica tem decrescido em resultado do decréscimo do número de bombas rebentadas nos poços de Semipalantinsk, Nevada e Muroroa.
- Pela positiva, o dossiê mais maldito é certamente o das eco-alternativas energéticas: Solar, Eólica, Maremotriz e Biogás.
Classificado como escândalo público o abandono a que todos - incluindo grupos ditos ecologistas - votaram a luta pelas alternativas energéticas, que é a luta pela sociedade paralela, única saída para a catástrofe, este dossiê das eco-energias é o barómetro que, só por si, dá bem o estado a que tudo isto - ecologistas e movimento ecológico incluídos - chegou.

O total silêncio e silenciamento sobre o crime nacional de Alqueva - só porque todos os partidos estão de acordo no crime - é outro dossier significativo do apodrecimento a que tudo isto - País, políticos, economistas, partidos e tutti quanti - chegou.

Não há fundamentalismo que nos livre desta neurose suprema.

- Sendo o diagnóstico da neurose totalitária um dos que induziram alguns carolas a sonhar, pós 25 de Abril, um 25 de Abril ecológico, esse facto diz bem e bastante da realidade que efectivamente se verificou: a clandestinidade do movimento e dos que nele podiam ter militado.

- Em autores de grande síntese - como Teilhard de Chardin, Arnold Toynbee ou Bertrand Russell - que podiam ter aberto a civilização ocidental a uma autocrítica e, portanto, a uma consciência ecológica profunda, foram assinaladas, no entanto, limitações estruturais por alguns precursores do movimento ecologista.

Relativamente às teses de Ivan Illich, adoptado pelo M.E.P. como seu farol e timoneiro, eram aqueles autores considerados reformistas dentro do sistema que vive de ir matando os ecossistemas.
- Os antecessores do M.E.P. foram buscar a um filósofo do materialismo dialéctico, Henri Lefèbvre, 2 noções-chave do movimento: o diferencialismo (o chamado «respeito à diferença» muito explorado pelos «hippies») e a «crítica da vida quotidiana», título de um livro de Henri Lefèbvre.

Uma «política do quotidiano» foi preconizada, pela 1ª vez, em textos da «Frente Ecológica». Pela 1ª e última vez, diga-se de passagem, sendo matéria de mais um dossier que ficou e continua maldito.

- A voga das «transplantações cirúrgicas» e o «boom» do cirurgião Barnard motivaram em alguns descontentes do Progresso um tremendo mal-estar.

Era o típico exemplo do progresso que não podia ser criticado, porque «salvava» vidas.

A demagogia do discurso científico e cientifista foi, com certeza, dos obstáculos a que o movimento ecologista nascente nunca saberia (nem poderia) dar resposta adequada.

Essa mesma demagogia verificar-se-ia, também, com o discurso dos sindicatos relativamente às indústrias mais devastadoras do meio ambiente ou aos empreendimentos mais calamitosos.
Tudo o que gera emprego (e todas as indústrias geram um emprego acrescentado - o de coveiro) é automaticamente bom e intocável.

Fosse a eucaliptação maciça do País (com os inerentes fogos de Verão), fosse a barragem de Alqueva (projecto salazarista, não o esqueçamos), fosse o encerramento de centrais nucleares, o alibi era e é sempre a criação de novos postos de trabalho.

Nunca o movimento ecologista poderia dar a volta a isto. O que significa, portanto, que a crise ecológica é irreversível e conduzirá inevitavelmente à catástrofe. Com todos a gritar «Vivó Progresso».

Catástrofe que evidentemente criará milhares de postos de trabalho - o de Coveiro.
A medicina das transplantações a salvar vidas e o industrialismo em geral, mesmo o mais catastrófico e mortífero, a criar postos de trabalho e a agricultura química a matar a fome mundial enquanto faz subir em flecha a incidência de cancros, são os dogmas da demagogia moderna, a Leste e a Oeste, à esquerda e à direita, a Norte e a Sul, que, à partida, o ecologismo teria de enfrentar. Claro que saiu literalmente derrotado.
- A rentabilização da doença, já citada, era apenas, bem vistas as coisas, um aspecto particular daquilo que, nos manuscritos de juventude, Karl Marx designou de alienação e que filósofos marxistas designaram de Reificação.

Uma página inédita de um diário, de 26/3/1971, assinala, em termos mais prosaicos e menos filosóficos, essa realidade de fundo que justificaria, mais do que nenhuma, o advento de uma «democracia ecológica», expressão que viria a aparecer, mais tarde, em escritos da «Frente Ecológica».

A alienação ou reificação marxista, alguém, em 1971, lhe chamava «patalogia administrativa», acrescentando: « Tudo se administra: o sexo, a educação, os tempos livres, a liberdade. Tudo se consome e se vende. Tudo se compra.»

- A crítica da agricultura química não se desligava do contexto mundial da Fome.

Ao contrário do que os agrónomos da F.A.O. e seus sequazes largamente defendiam, nos termos demagógicos que se conhecem, a agricultura química provoca mais fome em vez de a combater.

Mas esta afirmação precisava de uma demonstração autorizada que procedesse à desmontagem de 2 sofismas habilmente instilados na opinião pública:
1º sofisma - A fome decorre do excesso de população (teoria neomaltusiana a que, aliás, muitos alegados ecologistas, para não dizer todos, aderiram)
2º sofisma - Só com a agricultura química é possível matar a fome no Mundo.

O primeiro sofisma foi desmascarado pelo sociólogo brasileiro Josué de Castro, que demonstrou exactamente o contrário: a Fome provoca o excesso de população.

O segundo sofisma seria mais difícil de desmontar, embora sejam óbvias duas coisas:
a) Em 40 anos de agroquímica, a Fome alastrou em vez de recuar
b) Com a destruição dos solos pelas culturas químicas, a fome alastrará até aos países que até agora se julgavam imunes a ela.

Se houve fracassos estrondosos no movimento ecologista, este foi o maior: não ter conseguido fazer passar a verdade face aos sofismas e à demagogia generalizada sobre a Fome do Terceiro Mundo.

Em publicações da «Frente Ecológica» ler-se-ia que é o desenvolvimento que gera o subdesenvolvimento - heresia que, evidentemente, seria logo abafada pela retórica das multinacionais em geral e as do agrobusiness em especial.

- A reacção dita de esquerda às propostas ecologistas foi, sem dúvida e desde cedo, o sapo mais difícil de engolir pelo movimento ecologista nascente.

Em 1971, era bastante claro para alguns dos que viriam a dar forma ao M.E.P., esse flanco da reacção.

Com a crítica ao imperialismo norte-americano, a esquerda resolvia tudo: de um lado, os maus capitalistas, do outro lado os bons dos comunistas. Com este maniqueísmo se tentava calar toda a opinião que alinhasse pela alternativa.

Poluição era um mal do capitalismo e não da industrialização. Críticas ao industrialismo, portanto, eram automaticamente reduzidas ao industrialismo capitalista.

A denúncia de tudo o que era comum a leste e a Oeste, era considerado «inimigo da ordem e do progresso».

A denúncia da Bomba, da Poluição, da Burocracia de Estado, da Tortura, da Maratona termonuclear, da maratona olímpica, da maratona supersónica e espacial, do falhanço da medicina sintomática, etc, só tinha sentido se se inscrevesse tudo isso no rótulo geral de capitalismo. Tudo isso, a Leste, era o cúmulo da virtude.

4.9.07

A propósito da não-violência e das lutas sociais ilegais

Ceifeiros Voluntários de Transgénicos (OGMs)

Tirar fotocópias de um livro é um acto ilegal, mas um acto não-violento.
E o mesmo se passou em Silves com a acção contra os transgénicos: tratou-se também de um acto ilegal não-violento.


A intoxicação é tanta, o confusionismo que se instalou é enorme que se torna imperioso que as pessoas mais sensatas e esclarecidas intervenham e mostrem que a acção não-violenta contra os transgénicos em Silves foi mais uma das muitas que se tem registado desde há anos por essa Europa fora.

É PRECISO CONTRARIAR A DESINFORMAÇÃO E O OBSCURANTISMO que é incutido por gente ao serviço de interesses inconfessáveis.

Por isso aqui vão alguns esclarecimentos para os que estão mais confusos.

A acção contra os transgénicos em Silves foi uma acção ilegal ( como é ilegal tirar fotocópias de um livro, ou impedir a circulação numa estrada) , mas todos esses actos são acções não-violentas.

Juridicamente a violência física define-se como o emprego de força sobre o corpo da vítima, com alguma lesão corporal para a sua integridade física. Ora nada disso aconteceu.


Para mostrar o carácter não-violento da acção contra os transgénicos coloco aqui abaixo um texto com uma entrevista a Jean-Baptiste Libouban, uma das figuras destacadas do movimento dos ceifeiros voluntários que tem levado a cabo ceifas anti-OGM em França.

Jean-Baptiste Libouban pertence e foi responsável pelas Comunidades de l’Arche, que são as comunidades inspiradas na filosofia da não-violência de Lanza del Vasto.


O texto de Boaventura Sousa Santos, o mais prestigiado sociólogo português, e também doutorado em direito penal pela Faculdade de Direito de Coimbra, que há dias atrás transcrevi aqui, fala que os actos ilegais foram fundacionais das democracias modernas.


Um texto de José Carlos Marques, que também entretanto apareceu ( pesquisar no Fórum do Gaia), mostra igualmente que muitas das acções na recente história do movimento ecologista foram ilegais.

Victor Louro, engenheiro de silvicultura, num texto publicado no jornal Público do passado domingo, escreve:

«Em Portugal assistimos, por exemplo, nas décadas de 80 e 90, a acções contra a eucaliptização indiscriminada, nem todas respeitadoras da legalidade instituída. No entanto, foi graças a tais acções (algumas também atentatórias da propriedade privada), que a eucaliptização selvagem foi sendo travada, dando origem a legislação mais atenta ao bem público. Mas nem nessa altura se viu a berraria a que temos assistido a propósito desta acção relativa ao milho transgénico!»







Entrevista com Jean-Baptiste Libouban:
http://www.terre-net.fr/outils/fiches/FicheDetail.asp?id=2731

Jean-Baptiste Libouban é um membro das Comunidades de L’Arche (movimento criado por Lanza del Vasto), de que ele foi um dos principais responsáveis entre 1990 e 2005. Ele é ambém um dos iniciadores do movimento dos «Ceifeiros Voluntários» (Fauchers Volontaires) para cuja criação ele apelou no encontro de Larzac 2003.
Participou em numerosas ceifas anti-OGM e foi condenado pelo tribunal de Toulouse em 8 de Novembro de 2004 por uma acção de destruição de uma parcela de milho transgénico em 25 de Julho de 2004 em Menville ( Haute-Garonne, França), tendo apelado para o tribunal superior dessa decisão, esperando uma decisão final para o próximo dia 10 de Janeiro de 2007.

Acerca de Libouban, da não-violência e das Comunidades de L’Arche de Lanza del Vasto, ver:
http://amopie.free.fr/l_arche_de_lanza.htm



«Nós não pedimos à Monsanto para vir poluir os nossos campos»(Jean-Baptiste Libouban)

No momento em que se multiplicam as acções anti-OGM em França a tensão entre activistas e agricultores de transgénicos aumenta à medida que estes vêem os seus campos a serem periodicamente destruídos, apesar dos processos judiciais contra os primeiros e do apelo a mais dureza lançado pelo procurador-geral.
Trata-se de um fenómeno que marca o aparecimento mediático dos «Ceifeiros Voluntários», um grupo que soube impor-se na paisagem pública em poucos anos. Encontro com Jean-Baptiste Libouban, agricultor reformado, que está na origem da criação do colectivo.

Pergunta – Como nasceram os ceifeiros voluntários?
Resposta de Jean-Baptiste Libouban – A génese do movimento remonta à destruição de um stock de sementes transgénicas no laboratório da Novartis em Lot-et-Garonne, em Fevereiro de 1998. Quando José Bové e os seus colegas foram condenados, criminalizados pelo seu acto, pareceu-me insuportável que uma vez mais fossem os camponeses, os únicos a arcar com a responsabilidade por uma acção concebida e realizada pelo bem comum. Daí surgiu a ideia de alargar a base de militantes. No dia da saída da prisão, fui ter com José Bové para lhe apresentar o meu projecto, que imediatamente lhe agradou. A ideia era de reunir, à volta da questão dos OGM, gente de todos os horizontes que, conscientemente, se empenhassem contra os cultivos transgénicos. Por ocasião do encontro de Larzac de 2003, montamos um stand para informar os participantes da nossa iniciativa. No fim do encontro tínhamos reunido mais de 400 assinaturas de pessoas prontas a associarem-se ao movimento. Hoje somos 3.2000 ceifeiros. Todos se identificam no combate contra os OGM em razão do risco que eles representam para o património vegetal., do perigo latente em matéria de saúde humana, e da vontade conjunta de defesa do mundo camponês.

Pergunta – Vocês definem-se como «colectivo cidadão», enquanto os agricultores de transgénicos qualificam as vossas acções como de «simples delinquentes». Como concebe um movimento de cidadãos actuando na ilegalidade?
Resposta – Toda a noção de desobediência civil está aí. Estamos conscientes em que actuamos contra as normas legais. Mas diferentemente dos criminosos não fugimos à sanção, porque actuamos por aquilo que estimamos ser o interesse colectivo. É preciso mudar a lei que protege as empresas que colocam em perigo o nosso património comum, o património vegetal. Por exemplo, nenhuma responsabilidade foi pedida em caso de contaminação de um terreno por uma cultura vizinha de OGM . Isso é intolerável. Não me considero delinquente, mas enquanto membro da sociedade civil, entendo que de deve ouvir a voz da maioria dos franceses que, recorde-se, se opuseram aos OGM.

P – As acções dos ceifeiros voluntários obedecem a um certo número de regras.
R – Sim, absolutamente.As manifestações lançadas e reivindicadas pelos ceifeiros voluntários são feitas sistematicamente a luz do dia, de cara descoberta e de maneira não-violenta.. A este títuloreivindicamos até agora 3 acções. As de Menvile, Marsat e Pithiviers, as únicas que preencheram essas condições. Além disso, não somos uma associação, o que evita eventuais demandas judiciárias contra nós. Cada cefeiro responde inteiramente, e unicamente, pelos seus actos face à justiça. É por essa situação, ou antes por falta de um estatuto definido, que se explica o facto de na hora em que algumas figuras conhecidas do movimento serem ouvidas nos postos policiais também haver uma massiva comparência de activistas. De resto, a atitude das autoridades é contraditória. Actualmente somos nove pessoas processadas por um «delito cometido em reunião com 400 co-autores ou cúmplices». Se assim é porque não ouvir esses 400 «cúmplices»? Porquê que são seleccionados apenas os eleitos e as caras conhecidas – eis uma pergunta a ser feita ao proocurador.

P – A propósito disso como explica que, no momento em que o Procurador-geral pede maior dureza contra os ceifeiros voluntários, são muitas as pessoas que se surpreendem com a relativa impunidade que os activistas beneficiam durante as suas acções?
R – É verdade que em Menville,por exemplo, os poucos polícias presentes não impediram a destruição das culturas de transgénicos, mas identificaram os participantes com vista a acusações posteriores. Penso que se trata de uma orientação dos poderes públicos para não fazerem de nós mártires, o que multiplicaria o número de ceifeiros. Dito isto, tal não impede o risco de apnharmos penas de cinco anos de prisão e 75.000 euros de multa, e o dobro para José Bové, que é reincidente. Aceito que a situação é igualmente difícil para os agricultores de transgénicos que perdem muito dinheiro e trabalho nessas destruições. Mas não fomos nós que pedimos à Monsanto e a outros para virem poluir os nossos campos.

P – Uma nova destruição é prevista para o dia 5 de Setembro. O objectivo da vossa luta não será afinal de forçar a justiça prender-vos, em desespero de causa?
R – Mas isso só iria reforçar o movimento. Caso eles nos prendam, tal seria lamentável, mas lá estaremos. Em todo o caso, ninguém se subtrairá à justiça. Representamos a sociedade civil, em que uma maioria rejeita os OGM. Se o Estado não assume o seu papel, nós faremos o seu. Somos uma espécie de cirurgiões As culturas transgénicas ao ar livre são membros atingidos por gangrena que se torna necessário amputar antes que o mal se lastre aos campos vizinhos. As grandes empresas de sementes empurraram o governo a aceitar as culturas ao ar livre, pensando num mercado a conquistar. Pela minha parte, penso que a agricultura francesa deve ter outras ambições.

P- O que pensa sobre o impacto nos media do colectivo a que pertence?
R – Acho que os ceifeiros dão um boa resposta de cidadania a um problema da sociedade. Diz-se que os Franceses não votam, que se desinteressam do debate: eu, por mim, vejo pessoas que se mobilizam. Isso agrada-me, mesmo que me vá custar caro.

P – Os ensaios sobre os OGM devem continuar?
R - Nós não somos contra uma investigação pura, desde que seja confinada, e independente das empresas privadas.O que eu receio é a difusão de produtos de que não tem a mínima ideia do seu impacto no ambiente, nem sobre a saúde humana. E os ensaios ao ar livre, para além de um risco elevado de contaminação que provocam. Constituem um autêntico perigo para as culturas sãs vizinhas. Ao contrário do que ouvi dizer da boca de eminentes cientistas, o princípio da precaução defendido entre outros por Hervé Gaymard é tudo menos um travão à pesquisa.


Ler um artigo do jornal L'Humanité sobre Libouban, sintomaticamente com o título «Em nome dos fora-da-lei»:
http://www.humanite.fr/2004-08-05_Politique_-Au-nom-des-hors-la-loi

Ler ainda:
http://non-violence-mp.org/reflexions_fichiers/libouban.htm

A Agrobio promove cursos de introdução à agricultura biológica e à horta-jardim


A AGROBIO vai promover cursos de introdução à agricultura biológica e à horta-jardim.
Os(as) interessados(as) podem contactar ou consultar:
http://www.agrobio.pt/


http://www.agrobio.pt/formacao/planoformacao.pdf

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Tel. +351 213 623 585 - Fax: +351 213 623 586

CURRÍCULO-BASE EM AGRICULTURA BIOLÓGICA
 Horta-Jardim
 Introdução à Agricultura
 Agricultura Biológica


FORMAÇÃO AVANÇADA EM AGRICULTURA BIOLÓGICA
 Plantas aromáticas e Medicinais em Agricultura Biológica
 Olivicultura Biológica
 Introdução ao Marketing
 Viticultura Biológica
 Apicultura Biológica
 Fruticultura Biológica
 Horticultura Biológica





MERCADO BIOLÓGICO EM LISBOA ( todos os Sábados)

JARDIM DO PRÍNCIPE REAL (SÁBADOS, 8.00 - 14.00 H )

O Campo vem à Cidade, trazendo à mesa dos lisboetas produtos mais saborosos e saudáveis

Com o objectivo colocar os produtos de Agricultura Biológica mais perto do consumidor, a Câmara Municipal de Lisboa, com a colaboração da AGROBIO, deu início a estes mercados de rua biológicos em Lisboa.

Convidamo-lo a visitar este mercado. Nele encontrará, entre outros produtos, hortaliças, frutas, vinhos, cereais, azeite, pão, etc., produzidos em Agricultura Biológica. Faça as suas compras à porta de casa!

Aproveite o passeio e forneça à sua família produtos de qualidade, sem pesticidas e sem adubos químicos de síntese, saudáveis para si e para o ambiente!






O que é a Agricultura Biológica?


«A Agricultura Biológica é um sistema de produção holístico, que promove e melhora a saúde do ecossistema agrícola, ao fomentar a biodiversidade, os ciclos biológicos e a actividade biológica do solo. Privilegia o uso de boas práticas de gestão da exploração agrícola, em lugar do recurso a factores de produção externos, tendo em conta que os sistemas de produção devem ser adaptados às condições regionais. Isto é conseguido, sempre que possível, através do uso de métodos culturais, biológicos e mecânicos em detrimento da utilização de materiais sintéticos.»

Codex Alimentarius Comission, FAO/WHO, 1999





A Agricultura Biológica, também conhecida como “agricultura orgânica” (Brasil e países de língua inglesa), “agricultura ecológica” (Espanha, Dinamarca) ou “agricultura natural” (Japão) caracteriza-se por possuir uma base:

Ecológica


Baseia-se no funcionamento do ecossistema agrário e recorre a práticas – como rotações culturais, adubos verdes, consociações, luta biológica contra pragas e doenças - que fomentam o seu equilíbrio e biodiversidade;
Baseia-se na interacção dinâmica entre o solo, as plantas, os animais e os humanos, considerados como uma cadeia indissociável, em que cada elo afecta os restantes;

Sustentável


Visa:
* manter e melhorar a fertilidade do solo a longo prazo, preservando os recursos naturais solo, água e ar e minimizar todas as formas de poluição que possam resultar de práticas agrícolas;
* reciclar restos de origem vegetal ou animal de forma a devolver nutrientes à terra, minimizando deste modo o uso de recursos não-renováveis;
* depender de recursos renováveis em sistemas agrícolas organizados a nível local. Assim, exclui a quase totalidade dos produtos químicos de síntese como adubos, pesticidas, reguladores de crescimento e aditivos alimentares para animais.

Socialmente responsável


A Agricultura Biológica une os agricultores e os consumidores na responsabilidade de:
* Produzir alimentos e fibras de forma ambiental, social e economicamente sã e sustentável;
* Preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais;
* Permitir aos agricultores uma melhor valorização das suas produções e uma dignificação da sua profissão, bem como a possibilidade de permanecerem nas suas comunidades;
* Garantir ao consumidor o direito à escolha, na medida em que os produtos de Agricultura Biológica não são irradiados nem geneticamente modificados (OGM), nem contêm resíduos resultantes da aplicação de pesticidas.
* Garantir ao consumidor, no caso dos produtos animais, que estes são produzidos respeitando princípios éticos, necessidades e comportamento natural da espécie, em regime extensivo ou semi-intensivo; são alimentados de acordo com a sua fisiologia, com produtos sãos, de preferência provenientes da própria exploração e produzidos em Agricultura Biológica (logo, os riscos de transmissão de doenças veiculadas pelos alimentos, como a BSE, são minimizados) e não recebem tratamentos de rotina com antibióticos (minimizam os problemas de resistência).