18.8.10

Anúncio da criação de uma Colónia Anarquista Agrícola em Trás-os-Montes ( Chaves e Vidago)




Colónia Anarquista

Os grupos anarquistas Audácia e Avante, de Chaves, e Avante pelo Futuro, de Vidago, acabam de levar a efeito a criação em Trás-os-Montes de uma Colónia Anarquista Agrícola que deve começar a funcionar no próximo mês de Novembro, sendo a sua manutenção feita com a criação de animais domésticos, contando ao mesmo tempo com a ajuda dos camaradas anarquistas ou de todos os que simpatizam com as doutrinas anarquistas e que as queiram ver praticamente.
Um grupo de trabalhadores daquela região completamente desiludidos com a actual ordem das coisas chegaram à compreensão que só a Anarquia resolverá o problema social que tanto a agita a Humanidade e resolveram avançar para a fundação de uma Colónia Anarquista Agrícola que funcionará o mais possível dentro da sublime e emancipadora ideia libertária, que virá dar ao ser humano uma ideia de quanta felicidade e harmonia reinará entre os homens desde que associem e vivam conforme o ideal Anarquista, que tão firmemente defendemos, mostrando à burguesia e aos fanáticos políticos, que tanto nos perseguem e temem, que nós não queremos destruir, mas sim edificar, e edificar sobre as bases que são a mais fortes no Amor e na Libertação do homem, livrando assim da sinistra Autoridade que há séculos cobre a Humanidade de ruínas e de sangue.
Segue a circular que acaba de ser dirigida à imprensa anarquista do país.


Camarada,

Levados pela convicção nas ideias anarquistas, empenhamos nossas forças numa obra grandiosa, para a qual pedimos a vossa cooperação, certos de que compreendereis o grande alcance que dela virá para a difusão dos princípios que defendemos.
Os grupos libertários Audácia e Avante, de Chaves, e Avante pelo Futuro, de Vidago, esperançados no auxílio que de vós esperam, resolveram fundar uma colónia agrícola livre, para onde nós, os trabalhadores conscientes, livres de preconceitos e de vaidades tolas, iremos pôr em prática os princípios das nossas doutrinas, provando assim que elas não são um sonho e que com vontade, estudo e perseverança se podem transpor os grandes obstáculos que nos impedem o caminho para o Bem.
Animados desta ideia, convencidos como estamos que a sua realização será a melhor propaganda que podemos fazer da anarquia, provando pelo exemplo o contrário do que dizem os defensores desta iníqua organização social e política – que a anarquia é a desordem, que as suas teorias dissolvem e não organizam – nós empregaremos todos os esforços para nos conservarmos, tanto quanto possível, dentro dos princípios, demonstrando claramente a falsidade de tais afirmações.
O nosso plano vai mais longe, não se limita à colónia. Sindicar os trabalhadores, fundar uma cooperativa que funcionará conjuntamente com a colónia e sindicato e uma cozinha comunista, s ão assuntos que nos tem preocupado e que andam ligados à fundaçºao da colónia. Para esta, os trabalhadores das duas localidades que já abriram os olhos, que se interessam pela sua situação e a quem isto merece simpatias, quotizar-se-ão com a quantia mínima de vinte réis por semana. Esta quotização já começou e o dinheiro assim junto empregámo-lo em animais domésticos que criamos e desenvolvemos, adquirindo assim conhecimentos indispensáveis para a colónia e aumentando os seus fundos.
Compreendeis muito bem que esta quotização é pouco para uma obra desta natureza e que se torna necessário o auxílio moral e material de todos os camaradas para dar princípio à vida da colónia.
Por isso vos enviamos esta circular, cônscios de que estareis connosco ao lado da grande causa.

OS GRUPOS

NOTA – Toda a correspondência deve ser dirigida ao camarada António A. Castro Lopo, Rua Direita nº 135 – Chaves, ou a José Augusto Ferreira – Vidago.



Anúncio publicado no nº22 do jornal A revolta ( órgão da Federação Anarquista da Região do Sul) , de Outubro de 1913
(texto adaptado para o português corrente)

12.8.10

Morreu Jaime Semprun, crítico pós-situacionista da civilização industrial


Jaime Semprun faleceu no passado dia 3 de Agosto com 63 anos. Ao longo da sua vida, Jaime Semprun desenvolveu uma crítica radical do Estado e da sociedade industrial.


As suas primeiras obras — La Guerre sociale au Portugal (1975), Précis de récupération (1976), La Nucléarisation du monde (L’Assommoir, 1980, rééd. 1986) — apareceram nas edições Champ Libré. Colaborou também na revista L’Assommoir (1977-1985).
Em Portugal, a editora Antígona traduziu o seu texto A Nuclearização do Mundo.

Em 1984 fundou a revista Encyclopédie des Nuisances sob a forma de fascículos, tendo sido publicados 15 números até 1992.

A revista Encyclopédie des Nuisances, sub-intitulada Dictionnaire de la déraison dans les arts, les sciences et les métiers ( em referência a Encyclopédie ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers de Diderot e D'Alembert), situava-se na linha da Internacional Situacionista, ainda que de forma crítica. Os seus principais redactores foram :Jaime Semprun, Miguel Amoros, Pierre Lepetit, Guy Bernelas, Jacques Fredet, François Martin, Pascal Moatti, Jacques Philipponneau, Christian Sébastiani et Jean-Pierre Gomez

No ano seguinte cria as Éditions de l’Encyclopédie des Nuisances (EdN), onde são publicadas obras de Baudouin de Bodinat, Theodore Kaczynski, Jean-Marc Mandosio, William Morris, Bernard Charbonneau, Lewis Mumford e René Riesel, assim como textos de autores tais como Tchouang Tseu, George Orwell, Günther Anders. São também editados novos livros de Semprun: Dialogues sur l’achèvement des Temps modernes (1993), L’Abîme se repeuple (1997), Apologie pour l’insurrection algérienne (2001), Défense et illustration de la novlangue française (2005), Catastrophisme, administration du désastre et soumission durable (2008, em colaboração com René Riesel).

Citações:

« Toute réflexion sur l'état du monde et sur les possibilités d'y intervenir, si elle commence par admettre que son point de départ est, hic et nunc, un désastre largement accompli, bute sur la nécessité, et la difficulté, de sonder la profondeur de ce désastre là où il a fait ses principaux ravages: dans l'esprit des hommes. Là il n'y a pas d'instrument de mesure qui vaille, pas de badges dosimétriques, pas de statistiques ou d'indices auxquels se référer. C'est sans doute pourquoi si rares sont ceux qui se hasardent sur ce terrain. On grommelle bien ici ou là à propos d'une catastrophe "anthropologique" dont on ne discerne pas trop s'il faudrait la situer dans l'agonie des dernières sociétés "traditionnelles" ou dans le sort fait aux jeunes pauvres modernes, en conservant peut-être l'espoir de préserver les unes et d'intégrer les autres. On pense cependant avoir tout dit lorsqu'on l'a dénoncée comme le produit de la perversité "néo-libérale", qui aurait inventé récemment la fameuse "globalisation des échanges": on se défend ainsi de reconnaitre, après tant d'années et de slogans "anti-impérialistes", que cet aspect du désastre a quelque chose à voir avec une logique d'universalisation depuis longtemps à l'oeuvre, et relève de bien plus que d'une simple "occidentalisation du monde". »(1)

(1) « Il faut sans doute être marxiste au Collège de France pour ignorer que la marchandise est par essence, en tant que rapport social, annihilation de toute particularité qualitative et de toute singularité locale au profit de l'universalité abstraite du marché. Si on accepte la marchandise, on doit accepter son devenir-monde, dont chaque marchandise particulière est un agent, avant même d'être fabriquée à Taiwan. »
(Encyclopédie des Nuisances, Remarques sur la paralysie de décembre 1995, mars 1996.)




Crítica ao esquerdismo

Pour apprécier à sa juste valeur la part du gauchisme dans la création du novhomme et dans la réquisition de la vie intérieure, il suffit de se souvenir qu'il s'est caractérisé par le dénigrement des qualités humaines et des formes de conscience liées au sentiment d'une continuité cumulative dans le temps (mémoire, opiniâtreté, fidélité, responsabilité, etc.); par l'éloge, dans son jargon publicitaire de « passions » et de « dépassements », des nouvelles aptitudes permises et exigées par une existence vouée à l'immédiat (individualisme, hédonisme, vitalité opportuniste); et enfin par l'élaboration des représentations compensatrices dont ce temps invertébré créait un besoin accru (du narcissisme de la « subjectivité » à l'intensité vide du « jeu » et de la « fête »). Puisque le temps social, historique, a été confisqué par les machines, qui stockent passé et avenir dans leurs mémoires et scénarios prospectifs, il reste aux hommes à jouir dans l'instant de leur irresponsabilité, de leur superfluité, à la façon de ce qu'on peut éprouver, en se détruisant plus expéditivement, sous l'emprise de ces drogues que le gauchisme ne s'est pas fait faute de louer. La liberté vide revendiquée à grand renfort de slogans enthousiastes était bien ce qui reste aux individus quand la production de leurs conditions d'existence leur a définitivement échappé : ramasser les rognures de temps tombées de la mégamachine. Elle est réalisée dans l'anomie et la vacuité électrisée des foules de l'abîme, pour lesquelles la mort ne signifie rien, et la vie pas davantage, qui n'ont rien à perdre, mais non plus rien à gagner, « qu'une orgie finale et terrible de vengeance » (jack London).
Véritable avant-garde de l'adaptation, le gauchisme (et surtout là où il était le moins lié au vieux mensonge politique) a donc prôné à peu près toutes les simulations qui font maintenant la monnaie courante des comportements aliénés. Au nom de la lutte contre la routine et l'ennui, il dénigrait tout effort soutenu, toute appropriation, nécessairement patiente, de capacités réelles : l'excellence subjective devait, comme la révolution, être instantanée. Au nom de la critique d'un passé mort et de son poids sur le présent, il s'en prenait à toute tradition et même à toute transmission d'un acquis historique. Au nom de la révolte contre les conventions, il installait la brutalité et le mépris dans les rapports humains. Au nom de la liberté des conduites, il se débarrassait de la responsabilité, de la conséquence, de la suite dans les idées. Au nom du refus de l'autorité, il rejetait toute connaissance exacte et même toute vérité objective : quoi de plus autoritaire en effet que la vérité, et comme délires et mensonges sont plus libres et variés, qui effacent les frontières figées et contraignantes du vrai et du faux. Bref, il travaillait à liquider toutes ces composantes du caractère qui, en structurant le monde propre de chacun, l'aidaient à se défendre des propagandes et des hallucinations marchandes.
L’abîme se repeuple (éditions de l’Encyclopédie des nuisances, 1997)

5.8.10

Andanças - 15º festival internacional de danças populares (2 a 8 de Agosto em São Pedro do Sul, Carvalhais) tem como tema este ano a Comunidade

Segundo informações recebidas o Andanças deste ano, a decorrer em São Pedro do Sul, tem tido uma afluência ainda maior que nos anos anteriores. Um mar de gente invadiu a aldeia de Carvalhais onde se realiza o Festival de Danças Populares...

Recorde-se que o tema deste ano do Andanças é a comunidade, falando-se de variadíssimos temas como o Open-source, os direitos de autor, a ecologia, para além, evidentemente, dos concertos, das oficinas, dos workshops, e das danças...

Porque falamos em Danças Populares Internacionais no Festival Andanças e não danças tradicionais, urbanas, folclóricas, folk, ou somente danças do Mundo?

A dança, como qualquer arte, tem uma tendência para integrar novos elementos de acordo com a influência do tempo e do lugar onde é executada. Esta dinâmica é inerente à dança: umas perduram no tempo, outras desaparecem, outras alteram-se, novas aparecem e exportam-se para o mundo inteiro. O importante é identificar-se com a dança: sua gestualidade, expressividade, a música que lhe é associada...

No Border Camp (Campo Não às Fronteiras) em Bruxelas (27 de Set. a 3 de Outubro)




The NO BORDER CAMP IN BRUSSELS is set up in the tradition of No Border camps organised across the globe since the 90s. Neither a formal organisation, nor a normative frame, No Border is first of all a convergence of struggles and a meeting set in a particular moment, in a particular place.

As in Calais or Lesbos in 2009, it will be a free space dedicated to sharing information, experience or expertise. It will provide space for the preparation and implementation of actions aimed at smashing the borders that divide us all.


OUR BASIC PRINCIPLES ARE:

- Equal rights for everybody!
- No borders, no nations!
- Freedom of movement and settlement
- No-one is illegal !



WHY IN BRUSSELS?

For 10 years, the European Union has been busy to build a Fortress Europe. It outsources its borders in Asia and Africa and makes use of border guard patrols, helicopters and ships through its Frontex agency (European Agency for the Management of Operational Cooperation at the External Borders). Moreover, its foreign policy now allows financing states from Ukraine to Morocco in order to have them performing its own work of "prevention" of immigration.

As the capital of Europe, Brussels is the symbol of this (anti) migration policy. By organising the No Border Camp there, we will question these European (anti) migration policies.



WHEN IN BRUSSELS?

- The construction of the No Border camp will take place from September 24 to 26
- Activities and actions will start from September 27 until October 3 with a big demonstration on Saturday the 2th of October 2010.

During this one week we would like to see in Brussels swarm with a variety of activities around (anti) migrations policies and their consequences. The camp will be an opportunity to fight together combining different kinds of actions, but also to create common initiatives with a longterm vision. We invite all associations and individuals to participate the way they wish, by proposing activities or collaborations.



HOW TO CONTRIBUTE AND SUPPORT?


A NOBORDERCAMP is what everyone makes of it:

- Offer ideas for workshops, films or exhibition, or contacting speakers, artists, or any other modest and/or brilliant proposals
- Proposals concerning grounds, premises, places to house militants and/or organise activities
- A financial contribution
- By organising an activity, event support to raise money for the camp
- To participate in networking with others...
- To translate, if so, in what language
The more we are, the better we will be heard, the fastest we will go forward.

JOIN US, YOU HAVE A ROLE TO PLAY IN THE BIRTH OF THE CRITITICAL MASS, NECESSARY FOR THE CHANGE! THERE IS A NEED FOR EVERYONE!


Para consultar:
http://euro-police.noblogs.org/category/english
http://clandestinenglish.wordpress.com/
http://dublin2.info/
http://noborder.org/

4.8.10

Ferreira de Castro, escritor, e Apátrida Universalista por amor à Humanidade


Ferreira de Castro (nasce a 1898 em Ossela, Oliveira de Azeméis, e morre a 1974, pouco depois do 25 de Abril) foi um livre-pensador e um dos escritores fundamentais do século XX português, que assumia o seu amor à Humanidade e como tal definia-se como Apátrida Universalista:

«Eu não sou bairrista, não sou regionalista, não sou nacionalista; amo Portugal inteiro, a Europa inteira, o Mundo inteiro; amo profundamente o povo do nosso país, mas amo também a Humanidade. Amo o homem pelo facto de ser homem, um ser igual a mim, que sofre das mesmas dores e das mesmas alegrias, dos mesmos desesperos e das mesmas esperanças, que sonha com o amanhã e ao mesmo tempo tem saudades da sua infância, que é simples e complexo e aspira a uma felicidade que não possui; esse ser que tenho encontrado em todas as latitudes, igual, absolutamente igual, nas suas características fundamentais e que eu amo tanto mais quanto mais infeliz ele for.»

Esse amor à Humanidade leva Ferreira de Castro a "compreender e fraternizar com os homens (...) de todas as cidades e de todas as aldeias de todos os países da Terra, por cima de todas as fronteiras e de todas as pátrias."

3.8.10

Encontro europeu dos viajantes à boleia realiza-se este ano em Portugal (em Sines, de 6 a 9 de Agosto)


Convidam-se todos os que gostam de andar à boleia, aventureiros destemidos, viajantes experientes e ainda os que procuram uma primeira experiência de boleia para um encontro onde se possam conhecer uns aos outros e trocar histórias e experiências, divertir-se e tornar-se parte desta nossa comunidade crescente!

Este ano o encontro dos viajante das boleias realiza-se em Sines, Portugal, entre 6 e 9 de Agosto

Sines está situada na costa, a cerca de 160Km de Lisboa, e dispõe de um excelente local para acampamento no centro da cidade, com árvores, sombra, wc grátis, chuveiros, acesso a água e com praia apenas a 10 min a pé.


http://hitchgathering.org/



Para arranjar boleias:

http://www.deboleia.com/

http://www.hitchhikers.org/index.cgi?lang=pt





Já por duas vezes centenas de viajantes à boleia se reuniram para promover a boleia na Europa. O primeiro encontro foi em Paris em 2008, em que acampámos debaixo da Torre Eiffel! Em 2009 realizou-se em Odessa, na Ucrânia, num acampamento na praia. Este ano o encontro dos viajantes à boleia realiza-e em Sines, Portugal!

Como tudo começou

Um pequeno grupo de viajantes entusiastas das boleias decidiu no início de 2008 organizar a primeira Semana Europeia das Boleias. Começou por ser um projecto artístico mas rapidamente se transformou em algo maior e mais abrangente à medida que várias pessoas se juntavam.
O objectivo passou a ser escolher um local e uma data para um encontro, e divulgar o evento a todos os adeptos de boleia do mundo. O local escolhido foi o “Champ de Mars” em frente à Torre Eiffel em Paris, França, às 8 da manhã do dia 08/08/08, passando-se por isso a chamar “projecto 888”.
Cento e cinquenta viajantes europeus apareceram e ficaram por três dias. Foi uma intensa troca de experiências, sorrisos e vinho francês.

Odessa 2009

Foi muito bom repetir a experiência no ano seguinte. A comunidade cresceu entretanto e mais pessoas apareceram. Desta vez queríamos uma localização mais a leste, onde pudéssemos encontrar-nos com viajantes russos (e para onde existissem menos restrições em relação à atribuição de vistos para todos). O local escolhido foi Odessa, no mar negro ucraniano.
O desafio foi bastante mais exigente desta vez. Paris era um destino fácil para a maior parte de nós mas a Ucrânia era muito mais longe. Muitos embarcaram numa viagem à boleia de vários dias, alguns sem parar e outros encontrando-se pelo caminho em encontros prévios que foram sendo organizados.
Acabámos por reunir um pouco mais que uma centena de adeptos da boleia de toda a Europa, a maior parte já com experiência. Alguns não chegaram ao destino por ser tão afastado. Passámos três dias juntos conversando, celebrando e partilhando conhecimento. Organizámos oficinas e encontros espontâneos.

2010
Esperamos que este ano de 2010 sejamos ainda mais em Portugal!

Participa

Todos estão convidados para contribuir com histórias, fotografias e vídeos. O encontro vive dos seus participantes e claro que queremos a participação de todos, quer seja a organizar um encontro prévio, traduzindo texto para outra língua ou simplesmente divulgando ao mundo este projecto! Se tiveres uma ideia, és tu que a podes fazer acontecer!

Deixa a tua ideia no fórum e procura ajuda junto dos outros participantes

Podes ajudar este encontro a ser o melhor possível.

O Encontro é auto-organizado pelos participantes de um modo transparente e igualitário. Todos são convidados a ajudar e ninguém recebe por isso.
Para começar, não precisas de perguntar a ninguém, ou de fazer alguma coisa em especial. Simplesmente encontra algo que precise de ser feito, fá-lo, e comunica que foi feito. Para simplificar tudo temos um “painel da evolução" :

onde se mostra o que precisa de ser feito e o que já foi feito

Os nossos objectivos
• Promover o conceito de boleia na sociedade europeia
• Estimular a comunidade de adeptos da boleia
• Divertir-nos a fazer os dois últimos, enquanto viajamos e encontramos velhos amigos



Pre-gatherings

Foram programados pré-encontros em várias rotas. E outros locais de pré encontros são discutidos no forum, onde podem adicionar encontros que queiram organizar na vossa própria cidade.

Organizar um pré-encontro é fácil: estabeleçam um período de 1 ou 2 dias para as pessoas chegarem e encontrarem um local onde se possa descansar e ter acesso a banho.
Dêem o vosso contacto e já está!
Podem usar o fórum para propor workshops, flash mobs, actuações, ou para encontrar companhia para a viagem.


Boleia ou carona ( no Brasil) é uma forma de transporte em que uma ou mais pessoas são levadas de um ponto a outro por um terceiro de forma gratuita no seu veículo.

Através da boleia fazem-se entre amigos e trocam-se conhecimentos Por vezes, as despesas decorrentes da viagem podem ser rateadas entre todos ou então pode ser cobrado um valor fixo, pré-determinado. As boleias são pode pedidas tradicionalmente nas margens das ruas e estradas, fazendo aquele gesto praticamente universal com uma das mãos à frente do corpo com o polegar apontando a direção que se deseja tomar. Ultimamente as boleias são solicitadas em websites criados para o efeito na Internet.

Pedir boleia pode ser, em alguns locais, completamente proibido, ou perigoso


Como andar à Boleia

Viajar à boleia é a nossa maneira preferida de andar por aí! Adoramos a boleia por várias razões. Alguns de nós pela aventura, outros para conhecer gente e outros ainda porque consideram que é a melhor maneira de conhecer novos lugares e os seus habitantes.

És novo nas boleias e queres mais informação? Consultar:

http://www.women-on-the-road.com/female-hitchhikers.html

2.8.10

Romaria de S.Domingos da Serra, na freguesia da Raiva, em Castelo de Paiva, no próximo dia 4 de Agosto, é uma genuína manifestação de cultura popular

Parte das vistas que se podem gozar do cimo do monte do S.Domingos da Serra
Vista do monte do S. Domingos da Serra a partir do rio Douro

O dia da Grande Romaria do S. Domingos da Serra, que se realiza anualmente na freguesia da Raiva , em Castelo de Paiva, é já no próximo 4 de Agosto. Para além das cerimónias de carácter religioso que tem como ponto central a capela, dotada agora de um enorme carrilhão, situada no cimo do monte com o mesmo nome do santo padroeiro, o local é um ponto de interesse por parte de muita gente, quer de forasteiros quer das gentes das vizinhanças já que goza de boa fama para os caminhantes e todos aqueles que apreciam a cultura popular.

A paisagem e a soberba vista que se pode gozar lá do cimo do monte, sobranceiro ao rio Douro, faz do local um espaço único, bastante apreciado, e destino de muita gente em qualquer altura do ano em busca de repouso e prazer para os olhos, tal é a qualidade de vistas que se podem ter dali.

No dia da Romaria milhares de pessoas sobem o Monte até à sua Capela, algumas delas para satisfação de suas promessas, outras para conviver e descansar depois de uma valente caminhada por estradas e caminhos percorridos a fim de lá chegar, devidamente aconhegados com o farnel da viagem a pé, ou dos comes e bebes que foram embuchados ao longo da jornada nas várias «capelinhas» espalhadas pelo caminho.

30.7.10

Noite do contrabando (caminhada na rota dos contrabandistas em Tourém, Montalegre, no dia 11 de Agosto)


No próximo dia 11 de Agosto à noite, na freguesia de Tourém, concelho de Montalegre, tem lugar mais uma "Noite de Contrabando". A concentração está agendada para as 19h30 no Largo do Outeiro. Inscrições estão abertas.

Tal como sucedeu no ano passado, a Junta de Freguesia de Tourém e o pólo do Ecomuseu de Tourém, promovem mais uma "Noite do Contrabando".

O programa inclui passagem pelo Marco 100 e visita à aldeia transfronteiriça de Randín. Para os interessados as inscrições são obrigatórias, assim como o uso de calçado adequado e lanterna na "Noite do Contrabando".

INSCRIÇÕES
276 579 121 (Junta de Freguesia de Tourém)
276 510 203 (Ecomuseu de Barroso)
tourem@ecomuseu.org

Aldeias de Memória (projecto que está a ser desenvolvido em várias aldeias da região do centro)


Nos dias de hoje, assiste-se cada vez mais a um processo de desertificação das regiões do interior. Localidades ricas em património cultural acabam por perder as suas tradições pela ausência de continuidade e incentivo, consequência do volume cada vez maior de migração para as zonas litorais que oferecem novas oportunidades aos mais jovens. Acredita-se que este ciclo de desertificação é reversível, pretendendo-se contrariar a sua trajectória. Para tal, é necessário olhar para estes locais como potenciais nichos turísticos, de valor acrescentado, fornecendo capacidade para a geração de novas oportunidades de emprego, atraindo e fixando população.

Tendo por base a recolha de Histórias de Vida, pretende-se com este projecto criar uma ferramenta tecnológica inovadora, um sistema de informação, que vise o desenvolvimento económico das áreas rurais, e resulte na sua promoção e valorização social e económica.

Pretende-se desenvolver as capacidades necessárias à criação de um instrumento que proporcione, a cada aldeia, a construção e divulgação da sua história, potenciando os seus recursos endógenos, regenerando-a e devolvendo-a à sociedade através da criação de verdadeiro valor social e económico. A chave da metodologia adoptada para criar esta ferramenta estará, por isso na capacidade de encontro de factores diferenciadores em cada território, que permitam a valorização e promoção de elementos genuínos e únicos, dando nova dinâmica a uma identidade que existe, mas que se encontra, de um modo geral, oculta.

Este Sistema de Informação pretende ser um catalisador do desenvolvimento do interior do país, em especial do meio rural, associado à forma de olhar e rentabilizar os atributos de um território, presentes nas suas tradições, nas suas paisagens, e principalmente na sua população, com as suas histórias e talentos.


Aldeias:

Benfeita
Pardieiros
Monte Frio
Mourísia
Soito da Ruiva
Piódão
Chãs d’Égua
Foz d’Égua


http://www.aldeiasdememoria.com/

Caminhada pela Geira, no Gerês ( em Terras do Bouro, dia 31 de Julho)


Caminhada pela Geira (MILHA XVII À XXIII)

O Município de Terras de Bouro, irá promover uma caminhada pelo “Trilho da Geira”, actividade que se iniciará pelas 9 horas do próximo dia 31 de Julho, em S. Sebastião da Geira (Chorense) e que tem uma duração aproximada de 3h30m.
O percurso pedestre, que se caracteriza por diversos locais de âmbito histórico, cultural e paisagístico, está classificado de pequena rota, com um grau de dificuldade médio e conta com uma extensão aproximada de 8 km pelos caminhos agrícolas das freguesias de Chorense e da Balança.
Por estes locais encontrará, entre outros, o sítio de Cantos ou Bico da Geira, na Milha XV, na Milha XVI, o Lugar do Penedo dos Teixugos ou na Milha XVIII, a Mutatio Saliniana, na Chãos de Vilar.

As inscrições são gratuitas e devem ser efectuadas até dois dias antes do início de cada actividade, junto da Divisão de Desenvolvimento Social e Cultural do Município, pelo telefone 253 350 010, nos Postos de Turismo do Concelho ou através do e-mail:
ddsc@cm-terrasdebouro.pt, sendo que, outras informações poderão ser recolhidas em www.cm-terrasdebouro.pt


Geira (Via Romana)
Milha XVII à XXIII
Local: S. Sebastião (Chorense)
8 km / 3:30 horas / Médio
GPS - 41º41´47 N - 8º11’49 O

http://www.visitgeres.com/

23.7.10

Precários presos por um fio


Os Precári@s Inflexíveis lançaram uma campanha contra as medidas de austeridade do Governo PS com o apoio do PSD.

A primeira acção foi mostrar que os 2 milhões de precári@s e desempregad@s estão por um fio e que a sua corda não estica mais. Não acreditam no "salve-se quem puder" que nos dizem inevitável e estão dispostos a ir para a rua para o dizer bem alto.
Nos principais pontos de acesso da cidade de Lisboa foram dependuradas faixas contra a austeridade. Simbolicamente, deixaram figuras precárias presas por um fio.
Recorde-se que a aprovação do primeiro Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) se deu em Março passado. Diminuíram então os apoios sociais, que tornaram Portugal um dos países onde o tempo necessário para a obtenção do subsídio de desemprego é o mais longo, e foi imposto um garrote orçamental que degrada os serviços públicos e começou um plano de privatizações.
Em Julho a história repete-se com a entrada em vigor do PEC2. Desta vez foi o aumento, cego e injusto, de impostos sobre o rendimento e o consumo. Tudo isto acompanhado de medidas populistas para justificar a inevitabilidade das medidas injustas. O verdadeiro objectivo: baixar as expectativas e as condições de trabalho para o conjunto dos trabalhadores e da população. Com esta onda de austeridade selectiva acelera a destruição do contrato social que ainda existe hoje, enquanto a riqueza se concentra cada vez mais. Ou seja, estão a criar-se condições para uma nova era. A era do “Salve-se quem puder”.

Mais info em
http://www.precariosinflexiveis.org/


Visita Guiada ao complexo das Sete Fontes ( em Braga) neste Domingo, e petição para subscrição pública a favor da sua salvaguarda



No próximo Domingo, dia 25 de Julho, vamos organizar mais uma visita guiada ao Complexo das Setes Fontes, incluindo às galerias subterrâneas. No final faremos um piquenique nas inúmeras e frescas sombras. Aceitamos sugestões para a animação do encontro.

O ponto de encontro está marcado para as 10h45m, no largo de monte d'arcos (ao pé do cemitério), Se preferir, pode aparecer às 11:00 na entrada do Complexo pelo Areal de cima (perto do café Cantarinha II).
Tragam merenda, manta e, claro, muita boa disposição!

O Complexo das Sete Fontes na cidade de Braga é uma obra de engenharia hidráulica única, datada do século XVIII, com inestimável valor histórico, ambiental, cultural e arquitectónico


Petição pela salvaguarda do complexo das sete fontes


Destinatário: Presidente da Assembleia da República Grupos Parlamentares Ministério da Cultura Ministério das Obras Públicas Presidente da Câmara Municipal de Braga Presidente da Assembleia Municipal E.P.Estradas de Portugal, SA

O Complexo das Sete Fontes é uma obra de engenharia hidráulica única, datada do século XVIII, com inestimável valor histórico, ambiental, cultural e arquitectónico, classificado desde 2003 como Monumento Nacional e actualmente em fase final de classificação como Zona Especial de Protecção (ZEP).

Durante séculos o complexo manteve-se funcional e preservado, abastecendo de água grande parte da cidade de Braga, mas, nos últimos anos, tem sido sujeito a constantes agressões à sua integridade, conforme tem sido denunciado por várias associações de protecção do património e ambiente, várias forças políticas, comunicação social e população Bracarense em geral.

À elevada pressão urbanística já existente, junta-se agora, a ameaça da edificação de um ou mais viadutos de acesso ao novo Hospital Central de Braga, atravessando o Complexo das Sete Fontes. A construção do viaduto contraria as medidas de protecção que advêm da classificação como Monumento Nacional e futura Zona Especial de Protecção.

Esta é, talvez, a última oportunidade que temos para AGIR. Num futuro próximo pode não restar nada para proteger.

Nós cidadãos, abaixo assinados, exigimos:

1.Preservação, restauro e manutenção deste património único, incluindo todas as seis (outrora sete) Mães-d’Água, minas, galerias e condutas.

2.Proibição de construção nas imediações do Complexo das Sete Fontes, incluindo o(s) viaduto(s) previstos e realização de estudos de acessos alternativos ao futuro Hospital. A execução destes acessos deve conter a obrigação de contornar o Complexo, não o invadindo e respeitando assim a ZEP.

3.Aumento da área da ZEP e do nível de protecção, incluindo zona non edificandi, salvaguardando os veios de água, a vital exposição solar e a manutenção do tapete vegetal.

4.Exposição pública e detalhada do estudo de impacto ambiental dos acessos, com os respectivos estudos hidrogeológico e arqueológico da área circundante.

5.Devolução da fonte mais alta ao seu conjunto arquitectónico, excluindo-a dos terrenos do novo Hospital Central de Braga.

6.O reaproveitamento, já prometido pelo actual executivo camarário da água, com respectiva recondução para fins públicos (fontes e fontanários) e privados (mediante pagamento).

7.A concretização de uma promessa, há muito anunciada pela C.M. de Braga, de criação do futuro “Centro Interpretativo da História da Água” no Complexo.

Os Peticionários

Assinar
AQUI



Projecção de Legados de Zeca (Sábado, dia 24 de Julho, às 22h. na Casa Viva)

sábado, 24 julho

20h00 Estreia mundial de Zeca pirata na RaDIYo CasaViva, em audição colectiva e comentada na cozinha.
Uma surpresa da RaDIYo CasaViva... uma rádio sem barbies!
http://radiocasaviva.blogspot.com


22h00 Projecção de Legados de Zeca, um documentário de Marco Pereira, que gera a crítica que, presumidamente, José Afonso faria sobre a sociedade portuguesa pós-25 de Abril.
Entrada Livre

Local: Casa Viva
Praça marquês pombal 167
Porto


O 25 de Abril não foi feito para esta sociedade, para aquilo que estamos agora a viver, dizia Zeca Afonso à RTP2 em 1984, mal imaginava ele como podiam continuar certeiras as suas palavras 36 anos depois da Revolução dos Cravos. E 36 anos depois, quando se comemoram 80 anos do seu nascimento, é com Zeca a exortar os jovens à insubordinação, à subversão, que arranca este Zeca pirata.

Inevitavelmente pirata, porque o Zeca, para além da liberdade, cantava tudo aquilo que define uma humanidade fraterna e solidária, em tudo contrário a uma humanidade presa a conceitos de propriedade, material, intelectual e artística. O Zeca é património mundial, exemplo maior dos que lutam e acreditam num mundo mais justo, onde não têm lugar nem muros, nem ameias, e em cuja concepção não existe o outro, existe o nós!

E nós concretizamos Zeca pirata, um projecto consensual para o colectivo CasaViva assim que convidado a participar nos 80 Anos de Zeca: desafiar músicos/bandas que tocaram na casa a gravarem uma versão do cantautor. Saíram 15 versões de 13 músicas. Uma com pronúncia galega, de uma terra calcorreada por Zeca; outra com pronúncia austríaca, de um sítio onde Zeca chegou mesmo que nunca lá tenha ido. Umas mantendo o cariz popular, outras substituindo a guitarra acústica pela eléctrica, saboreando a intervenção com notas de rock, uns acordes de jazz, sons eléctricos, ruídos imprevistos e um ligeiro toque punk. O retoque final teve a cumplicidade de Blandino e a cronologia da edição dos álbuns a que as músicas pertencem é a única responsável pelo alinhamento, com o VídeoJogos, como excepção, a fechar.

Suspeitamos que o Zeca havia de gostar do resultado. Obviamente disponível para cópia pirata.

Há cinema hoje (Bil'in My Love, sobre a luta dos palestinianos) e amanhã (Blindness, de Fernando Meirelles) na Casa Viva


Hoje ( 6ª feira, dia 23 de Julho, às 22h.) e amanhã (Sábado, às 18h.) há cinema na Casa Viva, no Porto.
Hoje passa o filme-documentário Bil'in My Love de Shai Carmeli Pollak sobre a luta de ula aldeia palestiniana contra o exército israelita invasor das suas terras. A iniciativa é do Grupo de Acção pela Palestina.
Amanhã realiza-se a 2ª sessão de cinema dedicada a José Saramago, desta vez com o filme de Fernando Meireles, Blindness, baseado no livro Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago.


Local: Casa Viva
Praça marquês pombal 167



ENTRADA LIVRE

Bil'in My Love , de Shai Carmeli Pollak (85')
Documentário. 2003
Produção: Israel. (Legendas em Inglês)

Sinopse

Uma aldeia Palestiniana, Bil'in, decide lutar contra o Exército Israelita, recorrendo a meios pacíficos, quando o muro de separação ameaça a divisão da aldeia. O realizador, Shai Carmeli Pollak, chegou à aldeia de Bil'in como activista, pertencendo ao colectivo israelita Anarchists Against the Wall, mas acabou a documentar um acontecimento enorme quando Israelitas e Palestinianos, juntos, lutam para evitar a construção do muro de apartheid que o Estado Israelita procura impor na Cisjordânia, roubando terras às comunidades palestinianas.
O documentário foca-se essencialmente na luta do Comité Local de Moradores da aldeia e num agricultor que arrisca-se a perder a maior parte da sua terra com a construção do muro. O filme demonstra que é possível a comunicação e o esforço para que comunidades palestinianas trabalhem em conjunto com activistas e colectivos israelitas na luta pelo fim da ocupação.A Anarchists Against the Wall (AATW) é um grupo de acção directa, formado em 2003 como resposta à construção do muro israelita em terras Palestinianas na Cisjordânia ocupada. O grupo trabalha em cooperação com os Palestinianos numa luta conjunta contra a ocupação.






Sábado, 24 julho 18h00

Blindness, de Fernando Meirelles (120')
Baseado em Ensaio Sobre a Cegueira, livro de José Saramago

Uma inédita e inexplicável epidemia de cegueira atinge a humanidade, pondo à prova os seus mais básicos instintos, necessidades e sentimentos, numa infame luta pela sobrevivência.

CITEMOR - 32º Festival de Montemor-o-Velho começa hoje e prolonga-se até 14 de Agosto



http://www.citemor.blogspot.com/



PROGRAMAÇÃO

Sexta 23 Julho 22:30 Teatro Esther de Carvalho
Norberto Lobo
Norberto Lobo presenteia-nos com um concerto intimista, onde o dedilhar da guitarra acústica cria um ambiente familiar. A guitarra quase que fala para nós. Com influências do folk e do blues, de Carlos Paredes, John Fahey e Charley Patton, o guitarrista lisboeta faz uma abordagem simples e directa da interpretação, entrando em perfeita comunhão com o público. Norberto Lobo já nos havia prendido com “Mudar de Bina”, lançado em 2008, mas é com “Pata Lenta”, um disco centrado na sonoridade da guitarra acústica, que ele nos conquista. A técnica é simples, os elementos aparentemente contraditórios mas em completa harmonia. Há espaço para mostrar a ruralidade do Portugal profundo. E um “Unravel” de Björk despido de qualquer complexidade. Um auto-didacta, artista curioso, obcecado pela melodia, com música cheia de significado. Este é Norberto Lobo.

Sábado 24 e Domingo 25 Julho 22:30 Espaço Mota-Engil/Real Estate
SIMULACROS
SUSANA VIDAL
co-produção, residência de criação, estreia
Estamos a simular que trabalhamos, que amamos, que odiamos, que fodemos, que queremos, que criamos, que somos artistas, pais, modernos, pais modernos, inovadores e únicos. Estamos a simular que fazemos um espectáculo, estamos a simular que podemos mudar o mundo. Simulamos cada vez melhor que estamos aqui.
Estamos a simular...
Não pensas em ser puta quando fores grande, não pensas em ter um filho deficiente, não pensas em ter um acidente, não pensas em perder a quem amas. Não pensas em ser nem tímido nem fracassado. Não pensas em não ter ideias brilhantes e inovadoras. Nem te imaginas a não ser uma artista. Nem te imaginas a não viver em liberdade ou numa guerra. Não pensas em sentir-te infeliz. Mas ao mesmo tempo, por esquisito que pareça, passamos o tempo a evitar a infelicidade, a morte, a dor, o medo... ou pelo menos tentamos!
Há coisas que nunca queres ser, fazer ou converter. Há coisas que nunca queres que aconteçam, parece que sempre acontecem aos outros mas, de repente, um dia acontecem-te...

Criação, direcção e texto: Susana Vidal Intérpretes: Carla Ribeiro, Maria João Garcia Composição sonora e direcção artística: Alberto Lopes Espaço cénico, adereços e figurinos: Eric Costa Desenho de luz e imagem: Alexandre Coelho Direcção técnica: João Cáceres Alves Produção executiva: Mafalda Sebastião Co-produção: Sociedade Informal e Citemor


Quinta 29 e Sexta 30 Julho 22:30 Sala B
SINGLE
MALA VOADORA direcção de Jorge Andrade
co-produção, residência de criação, estreia
O Imperador Haile Selassie reina na Etiópia, soberano, entre 1930 e 1974.
Vive com a sua corte e estabelece rotinas. O protocolo, o guarda-roupa, os carros. Seguindo um horário rigoroso, audiências, nomeações, denúncias. O tempo dedicado aos animais de estimação: leões, leopardos, panteras, aves do paraíso, flamingos, um papa-formigas. O Imperador é único, como o Sol. Um cargo é uma honra. Ser Ministro da Pluma, Ministro das Finanças, Reverendo Tesoureiro. Ser responsável por abrir as portas pelas quais o Imperador passa, ou por colocar uma determinada almofada debaixo dos seus pés em função da altura de cada trono. Ser Chefe do Serviço Áulico de Espionagem, Imperial Body Guard, Grande Mordomo da Corte, Funcionário de Protocolo nos cortejos. Limpar o xixi do lulu dos sapatos dos dignitários para que eles possam continuar a agir imperturbáveis, não denunciando qualquer incómodo.
O povo passa fome. Tornam-se públicos os benefícios concedidos pelo Ministério do Alto Privilégio. Sabe-se da existência de avultadas contas bancárias do Imperador em bancos estrangeiros. Em 1969, há uma revolta estudantil. Dizendo agir “em nome do Imperador”, o exército junta-se ao movimento de renovação oposicionista. Entretanto, o regime avança nos planos de uma barragem no Nilo “em nome do progresso”. Os dignitários vão sendo detidos, desertificando-se a corte. Os que restam organizam-se em sessões de ginástica (pequenos grupos, para evitar detenções em massa) e iniciam-se os preparativos para a grande festa do 82º aniversário do Imperador. Nesse dia chove. Decorre o ano de 1974. A Comissão Militar Provisória destrona o Imperador, que se limita a afirmar: se a revolução for boa para o povo, concordo com ela.

Direcção: Jorge Andrade, a partir de “Cell Block, Egospheres, Self-Container: The Apartment as a Co-Isolated Existence” de Peter Sloterdijk e “The Emperor" de Ryszard Kapuściński com: Anabela Almeida, Bruno Huca, Flávia Gusmão, Jorge Andrade, Marco Paiva, Miguel Damião, Pedro Gil e Tânia Alves cenografia e figurinos: José Capela direcção de produção: Manuel Poças co-produção: Mala Voadora e Citemor
http://malavoadora.blogspot.com/


Sábado 31 Julho e Domingo 1 Agosto 22:30
Espaço Mota-Engil/Real Estate
MORRO COMO PAÍS
Colectivo 84 direcção de John Romão
co-produção, residência de criação, antestreia
Hoje, a morte e a noção de fim cruzam-se em permanência no quotidiano, sem ninguém parar ou reparar atentamente. A morte é como um gelado derretido no passeio, não se pode provar e quando passamos ao seu lado não queremos lambê-lo. "Morro como país" (1978), texto do dramaturgo grego contemporâneo Dimítris Dimitriádis, fala da morte de um território devastado pela guerra civil, pela corrupção política e pela subversão da moral, figuração trágica numa espécie de amálgama de todas as perversões e subversões. Foi a partir deste texto que começámos a escrever a nossa própria proposta, que junta o sabor doce da decadência absoluta e da negação para com o estado actual das sociedades europeias ao fim do mundo, que acontece lentamente à beira-mar, com a língua colada na areia, à procura do sorvete. É um espectáculo, assim, escatológico, por procurar perceber o que é o fim das coisas.
Texto: Dimítris Dimitriádis Direcção e espaço cénico: John Romão Dramaturgia: Mickael de Oliveira Interpretação: Cláudia Dias, Cláudio da Silva e João Folgado Música: Daniel Romero (.tape.) Esculturas: Pedro Mira Desenho de luz: Daniel Worm d'Assumpção Desenho de som: Jorge Pina Produção executiva: Colectivo 84 Assistência de produção: Lara Silveira Co-produção: Colectivo 84 / Penetrarte, Murmuriu e Citemor Apoios: Artistas Unidos, Bomba Suicida, Câmara Municipal de Almada, Fundação Calouste Gulbenkian e ZDB
O Colectivo 84 / Penetrarte - Associação Cultural é uma estrutura associada da Associação Zé dos Bois (ZDB) e da Casa das Caldeiras (Coimbra).
http://colectivo84.blogspot.com/


Quinta 5 Agosto 17:00 às 22:00 Galeria Municipal
(de quinta a domingo até 14 de Agosto)
MUSEOS DEL SILENCIO
Elena Córdoba e Sylvia Calle
co-produção, residência de criação, estreia
A partir de 2008 visitei com a realizadora Sylvia Calle vários museus anatómicos, realizando uma série de documentais que nos mostram distintas formas de representação do interior do corpo humano. Nestes museus assistimos a uma luta peculiar do homem por compreender e conservar o que é efémero e está sujeito à decomposição: o corpo sem vida.
O nosso olhar sobre estes objectos foi dando origem a uma série de peças que passeiam entre a realidade e a ficção. Uma resposta poética ao mistério que envolve os museus que visitámos. Os «Museos del Silencio» foram sendo construídos entre o olhar de Sylvia e o meu, que se uniram numa estranha harmonia, fruto da nossa longa amizade.

http://anatomia-poetica.blogspot.com/


Quinta 5 Agosto 22:30 Teatro Esther de Carvalho
LA MUJER DE LA LÁGRIMA
Elena Córdoba
estreia nacional

Sexta 6 e Sábado 7 Agosto 22:30 Sala B
EL LUGAR Y LA PALABRA. CONVERSACIÓN INTERFERIDA. BEIRUT (estreia nacional), seguido de IMPROMPTUS (co-produção, residência de criação, estreia)
e TIEMPOS COMO ESPACIOS (estreia nacional)
Fernando Renjifo


Domingo 8 Agosto 22:30 Teatro Esther de Carvalho
NOVA CRIAÇÃO 2010
Francisco Camacho
co-produção, antestreia


Quinta 12 e Sexta 13 Agosto 22:30 Espaço Mota-Engil/Real Estate
TODO LO QUE SE MUEVE ESTÁ VIVO (estreia nacional), seguido de EXPULSADAS DEL PARAÍSO (co-produção, residência de criação, estreia)
Elena Córdoba


Sábado 14 Agosto 22:30 Praça da República
ARROZ NEGRO remix
Tiago Pereira
co-produção


Sábado 14 Agosto 23:00 Praça da República
Diabo na Cruz

20.7.10

Conversa com Sylvie Tissot sobre o livro Les Mots sont Importants e a retórica reaccionária ( dia 24 de Julho, na Galeria Zé dos Bois/Letra Livre)


Sylvie Tissot, socióloga, investigadora e activista do colectivo «Les Mots Sont Importants» vai estar no próximo Sábado na Galeria Zé dos Bois para nos falar do seu colectivo e dum livro recentemente publicado de que é co-autora.

Esta obra é fruto de 10 anos de trabalho realizado pelo colectivo «Les Mots Sont Importants». Ali se fala das sondagens falsamente neutras, dos editoriais agressivos que nos procuram dar lições, da verdade orientada, das indignações públicas com geometria variável (segundo alguém é poderoso ou miserável, branco ou negro, católico ou muçulmano), das invenções do léxico, das evoluções ideológicas inquietantes e, enfim, da radicalização e da "descomplexização" do racismo, do sexismo e dos privilégios de classe.

A tradução estará a cargo de Georges militante da CNT-Paris. A iniciativa organizada pela Tertúlia Liberdade tem o apoio da Livraria Letra Livre.

Participa e divulga

SÁBADO 24 DE JULHO ÀS 21 HORAS
LIVRARIA LETRA LIVRE - GALERIA ZÉ DOS BOIS
RUA DA BARROCA, 5 (BAIRRO ALTO)

Tertúlia Liberdade
http://tertulialiberdade.blogspot.com/
Blogue do colectivo «Les Mots Sont Importants»
http://lmsi.net/


«Les mots sont importants» fala-nos da retórica reaccionária que impregna a linguagem e o discurso dominante. Um livro sobre a eufemização da violência dos dominantes (Estado, patronato, patriarcado, heterossexualidade, etc) e a hiperdiabolização da violência do dominados.

Sylvie Tissot, co-autora do livro Les mots sont importants, é socióloga e investigadora na Universidade Marc-Bloch em Strasbourg. Faz parte também do colectivo Les mots sont importants. Entre outros títulos destaca-se o seu livro L’Etat et les quartiers. Genèse d’une catégorie de l’action publique, Seuil, 2007



« LES MOTS SONT IMPORTANTS » : RETOUR SUR 10 ANNÉES D’ANALYSE DES DISCOURS - 2000/2010.
Reprodução do texto publicado AQUI

Des sondages faussement neutres et vraiment orientés, des éditoriaux agressifs et donneurs de leçon, des bavures médiatiques, des indignations publiques à géométrie variable (suivant que vous serez puissant ou misérable, blanc ou noir, catho-laïque ou musulman), des inventions lexicales faussement bienveillantes (comme la mixité ou la diversité) ou franchement malveillantes (comme le communautarisme et la repentance), des évolutions idéologiques inquiétantes (la lepénisation, le « sarkozysme », l’« islamophobie » et ses déclinaisons faussement « laïques-et-féministes »), et enfin la radicalisation et la « décomplexion » du racisme, du sexisme et du mépris de classe : tels sont les principaux sujets qu’aborde le recueil de Sylvie Tissot et Pierre Tevanian, Les mots sont importants - 2000/2010, qui vient de paraître aux Editions « Libertalia » et qui résume en trente textes dix années de critique sociale.


Ce livre rassemble trente textes issus de dix années de travail au sein du Collectif Les mots sont importants. À côté des raisons biographiques ou sociologiques qui expliquent notre intérêt pour le langage et notre goût pour la critique, les raisons politiques qui nous ont poussé à investir le champ de la critique du langage et plus spécifiquement de la langue des dominants, n’ont au fond rien d’original ni de nouveau. Georges Orwell, dès les années 1940, les expliquait avec force :

À notre époque, les discours et les écrits politiques sont pour l’essentiel une défense de l’indéfendable. Des événements comme la continuation de la domination britannique en Inde, les purges et les déportations en Russie, le lancement de la bombe atomique sur le Japon, peuvent bien sûr être défendus, mais seulement avec des arguments que la plupart des gens ne peuvent pas reprendre à leur compte, et qui ne s’inscrivent pas dans les buts professés par les partis politiques.

Ainsi le langage politique consiste-t-il pour une grande part en euphémismes, pétitions de principe et pure confusion. Des villages sans défense sont bombardés par l’aviation, les habitants sont chassés vers la campagne, le bétail est passé à la mitrailleuse, les maisons sont incendiées : on appelle cela pacification. Des millions de paysans se font voler leur ferme et sont jetés sur les routes avec pour seul viatique ce qu’ils peuvent porter : on appelle cela transfert de population, ou rectification de frontière. Des gens sont emprisonnés pour des années sans jugement, ou abattus d’une balle dans la nuque, ou envoyés mourir du scorbut dans les camps de bûcherons de l’arctique : on appelle cela élimination des éléments suspects. Une telle phraséologie est nécessaire pour susciter les images qui leur correspondent.

Prenez par exemple un professeur anglais qui vit à l’aise et qui défend le totalitarisme russe. Il ne peut dire d’un trait : « je crois qu’il faut tuer ses adversaires toutes les fois qu’on peut en tirer un résultat profitable ». Par conséquent, il dira plutôt quelque chose de ce genre : « Tout en concédant volontiers que le régime soviétique affiche certains traits que les humanistes sont enclins à déplorer, nous devons, je pense, reconnaître qu’une certaine restriction du droit de l’opposition politique est un corollaire inévitable des périodes de transition, et que les rigueurs avec lesquelles le peuple russe a été confronté ont été amplement justifiées dans la sphère des réalisations concrètes [1] ».

Le fait qu’Orwell ait ciblé son travail critique sur des régimes totalitaires ou coloniaux et que nous nous consacrions pour notre part à des contextes démocratiques et post-coloniaux ne change pas fondamentalement l’enjeu, bien au contraire : plus un régime se dit démocratique et égalitaire, plus il doit légitimer la violence qu’il exerce et l’ordre inégalitaire qu’il instaure. Quant au rôle politique de plus en plus important que jouent les images du fait de l’essor et de la quasi-hégémonie des médias audiovisuels, s’il appelle en réponse une attention critique spécifique aux choix d’images, à leur cadrage et à leur montage – celle d’un Serge Daney, par exemple [2] – il n’annule pas, loin s’en faut, la centralité du langage dans la sphère du combat culturel et idéologique. Pierre Bourdieu l’a souligné :

« En fait, paradoxalement, le monde de l’image est dominé par les mots. La photo n’est rien sans la légende qui dit ce qu’il faut lire – legendum –, c’est-à-dire bien souvent des légendes qui font voir n’importe quoi. Nommer, on le sait, c’est faire voir, c’est créer, porter à l’existence. Et les mots peuvent faire des ravages : islam, islamique, islamiste – le foulard est-il islamique ou islamiste ? Et s’il s’agissait d’un fichu, sans plus ? Il m’arrive d’avoir envie de reprendre chaque mot des présentateurs qui parlent souvent à la légère sans avoir la moindre idée de la difficulté et de la gravité de ce qu’ils évoquent et des responsabilités qu’ils encourent en les évoquant, devant des milliers de téléspectateurs, sans les comprendre et sans comprendre qu’ils ne les comprennent pas. Parce que ces mots font des choses, créent des fantasmes, des peurs, des phobies ou, simplement, des représentations fausses. [3] »

Il est dès lors assez indifférent, du point de vue de notre travail, que les discours critiqués émanent de la presse écrite, de la radio ou de la télévision – cela d’autant plus que c’est la même langue qui s’y exprime… et souvent les mêmes locuteurs : ces fameux « éditocrates » [4] (Alain Duhamel, Laurent Joffrin, Jacques Attali, Bernard-Henri Lévy, Alexandre Adler, Christophe Barbier, Nicolas Baverez, Caroline Fourest, Jacques Marseille, Jacques Julliard, Philippe Val et une poignée d’autres) qui sont devenus, que nous le voulions ou non, les ténors de l’air du temps.

Il serait bien entendu abusif d’envisager de manière trop massive la langue des grands médias, en méconnaissant son hétérogénéité : même si la soumission à l’ordre établi demeure en tout lieu la règle, et même si l’on peut affirmer que tous les grands médias promeuvent pour l’essentiel une langue normalisée et appauvrie, une certaine hétérogénéité se manifeste toutefois. D’abord entre des médias populistes comme « TF1 », « RTL » ou « Le Parisien », qui propagent une version pauvre, caricaturale et édulcorée de la culture populaire : la culture de masse – avec son avatar linguistique : une langue de masse – et des médias élitistes comme « Le Monde », « Le Nouvel Observateur », « France Culture » ou « Arte », qui cultivent davantage la distinction et la cuistrerie. Ensuite entre les programmes de divertissement (jeux, reality-shows, talk-shows sans dimension politique affichée), la fiction, les programmes culturels, l’information, le commentaire politique et les « débats de société ». Du point de vue de la critique de la langue, tous ces types d’émissions méritent une lecture politique même si, de fait, nous concentrons pour notre part l’essentiel de notre attention sur l’information, le commentaire et le débat, en pointant deux langues sensiblement différentes, mais passibles des mêmes critiques :

la langue du journalisme d’information ou d’enquête, dont nous dénonçons la fausse neutralité, la croyance naïve au « fait » et la méconnaissance de sa construction sociale (nous avons par exemple produit plusieurs analyses déconstruisant l’apparente réalité objective du « problème de l’immigration », du « problème des quartiers sensibles », du « problème de l’insécurité » et du « problème du voile à l’école », ou encore la fausse évidence, considérée comme acquise dans la plupart des reportages, d’une augmentation et d’une spécificité banlieusarde et « arabo-musulmane » des violences sexistes).

La langue du commentaire autorisé, désormais rebaptisé « décryptage », dont nous dénonçons la fausse impartialité en mettant à jour leurs partis-pris implicites, leurs points aveugles et leurs présupposés idéologiques.

Nous avons retenu ici trente textes, regroupés en sept thématiques. Un premier chapitre, intitulé « Poupées ventriloques », analyse à partir d’exemples précis la manière dont la parole populaire est confisquée par ceux-là même qui prétendent la recueillir et la publiciser : les éditorialistes armés de sondages qui font dire à « l’opinion publique » absolument tout ce qu’ils veulent. Le chapitre suivant, « La France d’en bas vue d’en haut », s’intéresse à la manière dont ces mêmes éditorialistes, populistes lorsque le peuple opine sagement aux « inquiétudes » et aux « réformes » que lui ont concoctées les sondeurs, deviennent tout à coup anti-populistes à chaque fois qu’émerge une expression populaire authentique et autonome : la grève, l’émeute ou cette émeute électorale que fut la victoire du Non au référendum européen de 2005. Dans ces moments incontrôlés où les élites ne parviennent plus à « parler le peuple », le commentaire politique autorisé change de registre et parle du peuple – en des termes révélateurs d’un profond mépris de classe.

Ce qui est en question dans ces deux chapitres est en somme la distribution de la parole : qui est sujet du discours autorisé, qui n’est qu’objet ? Bref : qui parle de qui ? On l’oublie trop souvent : les rapports du pouvoir s’expriment sur le plan linguistique autant que sur le plan politique, économique ou social. Le dominant est entre autres choses celui qui a la parole tandis que le dominé doit sans cesse la conquérir. Quand le second doit se battre non seulement pour avoir la parole mais aussi et surtout pour être écouté (c’est-à-dire pris au sérieux) et entendu (c’est-à-dire au moins compris, à défaut d’être approuvé), le premier est investi d’une autorité symbolique qui lui donne à peu près toute légitimité à dire à peu près tout ce qu’il veut sur à peu près tous les sujets et sa parole jouit d’une légitimité, d’un intérêt et d’un crédit quasi-naturels. C’est ainsi par exemple que, parallèlement à la domination militaire, politique et économique que la France coloniale a exercé et exerce sur une bonne partie de l’Afrique noire, s’est mis en place un ordre symbolique qui répercute la division sociale du travail sur le terrain linguistique en instituant les Français blancs dans le rôle de sujet ou d’agent d’énonciation tandis que les Africains sont relégués soit au rang d’objet soit à celui de destinataire des discours – c’est ce qu’a illustré sous une forme particulièrement brutale l’ahurissant « Discours de Dakar » de Nicolas Sarkozy [5].

Le troisième chapitre poursuit la réflexion en s’attardant sur le contenu des discours : comment nos clercs, éditorialistes et journalistes parlent-ils du peuple et de ses différentes composantes – immigrés, jeunes des quartiers populaires, lesbiennes, femmes émancipées ? Une même réponse se dégage, au-delà des différences et des nuances : mal. Le discours est mal construit, mal fondé logiquement, mal étayé empiriquement, mauvais en somme d’un strict point de vue technique au regard des exigences du bon journalisme, mais aussi malveillant et malfaisant. Stigmatisation des pauvres et des étrangers, légitimation de la violence économique, raciste, sexiste et homophobe : les raisons sont nombreuses d’intituler ce chapitre « Mauvaises langues, mauvais traitements ».

Cette analyse qualitative du contenu des discours est prolongée dans le chapitre suivant par une perspective quantitative : comment, à quelle échelle et à quelle intensité ces discours autorisés sont-ils diffusés ? Quel bruit médiatique font-ils ? Quelle est leur force de frappe politique ? La signification et les effets sociaux d’un discours dépendent en effet autant de ce qui est dit que de qui le dit et de la manière dont le discours est reçu. Nous soulevons en particulier un effet de quantité particulièrement opérant ces dernières années : la figure du deux poids deux mesures, en particulier dans la manière de publiciser, réprouver et combattre les différentes formes de violence raciste ou sexiste. Toujours au détriment des mêmes…

Le cinquième chapitre resserre encore plus la focale en se concentrant sur des mots. Il porte plus précisément sur ce que Gille Deleuze appelait les gros concepts : ces grands mots d’apparence savante qui ont en commun d’intimider et de servir à ne pas penser. À la fois vides (de sens) et trop pleins (de présupposés et de moralisme), ils forment l’armature de ce qu’Orwell a nommé la novlangue du pouvoir. Alain Bihr en a répertorié un certain nombre, en particulier dans le domaine des discours socio-économique [6], nous en avons retenus quatre, apparus récemment et vite devenus hégémoniques : la mixité sociale et la diversité (coefficientées positivement), le communautarisme et la honte d’être français (coefficientés négativement).

Ironiquement intitulé « Grandes questions », le sixième chapitre vient contester le monopole de l’objectivité et du discours vrai que se sont réservé les clercs de l’ordre dominant, qu’ils soient écrivains, éditorialistes, chargés de cours à Sciences-Po ou histrions télévisuels – ou, comme c’est souvent le cas, tout cela à la fois. Nous y proposons des analyses approfondies qui ont en commun d’aller à contre-courant des interprétations dominantes de divers phénomènes : la lepénisation et les dessous de l’identité nationale, la nature du sarkozysme et les raisons de son succès, les enjeux de la lutte contre le sexisme en banlieue mais aussi la construction-même de cet objet politique très particulier qu’est la banlieue.

Nous avons réuni pour finir plusieurs textes d’intervention sur l’hétérosexisme, et plus précisément sur ses formes machistes et virilistes, telles qu’elles se manifestent dans les hautes sphères de la politique, de la culture et de la communication – ce Gotha qu’on nous présente toujours comme policé et courtois par opposition aux maris violents, jeunes violeurs et autres harceleurs supposés tous d’origine populaire, pas très française et pas très catho-laïque. En épinglant entre autres Julien Dray, Ségolène Royal, Xavier Darcos, Eric Zemmour, Alain Soral, Patrick Buisson et Dominique de Villepin, sans oublier notre petite bite sur pattes nationale, Nicolas Sarkozy, ces textes sont autant d’occasions de rappeler que le sexisme, y compris le plus grossier, est loin d’être l’apanage des gueux et des basanés.

De cet ensemble se dégage, nous l’espérons, un souci qui anime le travail de publication poursuivi depuis dix ans autour du site lmsi.net : contribuer avec bien d’autres collectifs et médias alternatifs, à promouvoir une contre-culture anticapitaliste, antiraciste et antisexiste. Ce travail et ce livre sont dédiés à toutes celles et ceux qui, loin des radicalités aristocratiques, du communisme mondain et des poses prophétiques, s’engagent en pensée, en paroles et en actes, et s’efforcent jusque dans leur vie professionnelle et affective de faire vivre un minimum les mots émancipation, égalité et amitié.

Le livre de Pierre Tevanian et Sylvie Tissot, « Les mots sont importants », est en vente en ligne sur le site des Editions « Libertalia ».


TABLE DES MATIÈRES

Présentation. Pourquoi les mots sont importants

I. Poupées ventriloques
1. La France d’en bas n’est pas « sarkoziste »
2. Le populisme contre le peuple
3. État de l’opinion ou opinion de l’État ?
4. Perdre son honneur ne fait pas gagner les élections

II. La France d’en bas vue d’en haut
1. Le 21 avril : usages et mésusages
2. Un cri de douleur de Serge July
3. Écrire contre la canaille
4. L’école du mépris

III. Mauvais traitements
1. Une bavure médiatique
2. Retour sur une émeute
3. Une nouvelle zone dangereuse : le festival du film féministe et lesbien
4. Beauvoir revisitée
5. Les chemins de la méconnaissance

IV. Deux poids, deux mesures
1. Un négationnisme respectable
2. Une fatwa contre Bové ?
3. Charlie Sarkozy et Nico hebdo
4. Un devoir de réserve à géométrie variable

V. Gros concepts
1. La mixité contre le droit
2. Le repli communautaire : un concept policier
3. Honte d’être français, honte d’être un homme
4. Des jeunes d’origine difficile aux candidats issus de la diversité

VI. Grandes questions
1. Racisme, lepénisme et lepénisation
2. Qu’est-ce que le « sarkozisme » ?
3. Bilan d’un féminisme d’État
4. Aux banlieues, la République reconnaissante
5. Les dessous de l’identité nationale

VII. Grosses bites
1. String, voile et poing dans la gueule
2. Les choses en main
3. Les mains, les couilles et le trou du cul
4. Les couilles de Villepin
5. Travail, Famille, Partouze

Conclusion.
La langue des maîtres et sa fabrique


NOTES :

[1] George Orwell, « La politique et la langue anglaise », in Tels étaient nos plaisirs et autres essais. 1944-1949, Ivrea, 2005.

[2] Cf. notamment Le salaire du zappeur, P.O.L, 1993 et Devant la recrudescence des vols de sac à main, Alea, 1993

[3] Pierre Bourdieu, « Sur la télévision, Raisons d’Agir », 1998

[4] Cf. Mona Chollet, Olivier Cyran, Sébastien Fontenelle, Mathias Reymond, « Les éditocrates », La Découverte, 2009

[5] Cf. Achille Mbembe, « L’Afrique de Nicolas Sarkozy ».

[6] Cf. Alain Bihr, « La novlangue néo-libérale », Éditions Pages Deux, 2007

EXTRAIT DU RECUEIL « LES MOTS SONT IMPORTANTS » : RETOUR SUR 10 ANS DE RHÉTORIQUE RÉACTIONNAIRE - 2000/2010.
Reprodução do texto publicado AQUI

Après dix ans de travail critique au sein du collectif Les mots sont importants, si l’on doit caractériser à grand traits la langue des maîtres, on peut dire qu’elle repose sur une logique binaire au fond très ancienne, déjà à l’œuvre dans la novlangue totalitaire ou coloniale décrite par Orwell : euphémisation de la violence des dominants (État, patronat, pression sociale masculiniste, hétérosexiste et blanco-centriste), et hyperbolisation de la violence des dominé-e-s... Par Sylvie Tissot, Pierre Tevanian, 15 avril.

Ce double mouvement d’euphémisation / hyperbolisation structure l’essentiel du commentaire politique, mais déteint aussi largement sur la parole prétendument factuelle des journalistes d’information.


EUPHÉMISMES ET HYPERBOLES :
L’euphémisation consiste, étymologiquement, à positiver du négatif. Dans le discours politique, elle consiste essentiellement à occulter, minimiser et relativiser une violence, et ainsi la rendre acceptable :

l’armée américaine ou israélienne bombarde par exemple toute une population : c’est, nous disent les États-majors et la plupart des éditorialistes, mais aussi bien souvent les journalistes d’information, une simple « incursion », ou une « frappe » ;
Un policier abat un jeune homme en fuite d’une balle dans le dos : c’est une simple « bavure » et non un « homicide » ;

La police cogne sur des manifestant-e-s : ce n’est qu’une « intervention musclée » ;

Des contrôles au faciès sont organisés à grande échelle sur l’ensemble du territoire, suivis de rafles, d’enfermement dans des camps et d’expulsions forcées : il ne s’agit que de « maîtrise des flux migratoires », d’ « interpellations », de « placements en rétention » et de « reconduites à la frontière », voire de « rapatriements » ;

Une entreprise organise un licenciement collectif : c’est un « plan social » (terme le plus fréquent) ou mieux encore (mais le terme n’a pas encore été pleinement adopté par les journalistes) un « plan de sauvegarde de l’emploi » ;

Le droit du travail, la protection sociale et les services publics sont démantelés : on ne parle que de « réforme », de « modernisation » ou d’ « assouplissement » ;

le propos raciste tenu par un ministre de l’Intérieur (Brice Hortefeux) dans un lieu public (l’Université d’été de l’« UMP ») est requalifié en « boulette » (M6), « bourde » ou propos « lourdaud » (Libération), « maladresse » ou « dérapage » (Le Monde), autant de termes soulignant finalement son insignifiance ;

Le viol commis par Roman Polanski sur une mineure de treize ans devient une simple « affaire de mœurs », une « relation sexuelle » tout juste malséante, et le fait que la fillette de treize ans sodomisée par le cinéaste ait au préalable été neutralisée par un cocktail fatal de champagne et de métaqualone n’est plus qu’un simple détail, qu’on omet souvent de mentionner.

À cette occultation de la violence des dominants s’oppose comme en miroir une hyperbolisation de la violence des dominé-e-s, ayant pour effet d’une part de disqualifier leur parole, d’autre part de donner à l’oppression le visage plus acceptable de la légitime défense. « Qui veut noyer son chien l’accuse de la rage » :

de même, les grévistes qui s’opposent aux « réformes » sont pathologisé-e-s (le mouvement de décembre 1995 fut ainsi qualifié de vaste « épidémie », de « fièvre », de « délire » ou de « crispation », et il en est allé de même du vote victorieux pour le Non au référendum européen de 2005) ou criminalisé-e-s (la grève devient une « prise d’otages », et les brèves séquestrations de patrons des « violences », voire des « actes terroristes ») ;

les sans-papiers sont rebaptisés « irréguliers » ou « clandestins », et systématiquement associés à des « filières maffieuses » (alors que l’immigration dite irrégulière, clandestine ou sauvage n’était, avant la fermeture des frontières, qu’une « immigration libre », dans la langue même des cabinets ministériels) ;

Les foulards deviennent des « voiles islamiques » voire « islamistes », ou des « tchadors » ;
Et les victimes de crimes policiers s’avèrent, suivant la formule consacrée, « bien connues des services de police » (y compris lorsque leur casier judiciaire est vierge) ;

La résistance palestinienne ou irakienne est réduite au rang de « terrorisme », la critique d’Israël devient un « antisémitisme » et celle de la suprématie blanche un « racisme anti-Blancs » ;

Les féministes deviennent des « hystériques » animées par « la haine des hommes » et les militant-e-s homosexuel-le-s des « nantis du Marais », leur résistance à l’ordre hétérosexiste est appelée « tyrannie du politiquement correct », et la dénonciation publique du racisme, du sexisme ou de l’homophobie des dirigeants politiques ou des grands éditorialistes devient un « lynchage médiatique » ou une « police de la pensée » ;

Quant aux alternatives à l’orthodoxie économique ou politique, elles sont systématiquement qualifiées d’ « angéliques », d’ « irréalistes » ou d’ « irresponsables ».

On retrouve ce dispositif de dépolitisation-psychologisation-pathologisation-criminalisation à propos des émeutes des trente dernières années, des Minguettes à Villiers-le-Bel en passant par Vaulx-en-Velin, Mantes-la Jolie ou Clichy-sous-Bois : le contexte général de précarité sociale et de discriminations, comme la violence policière qui les déclenche, passe systématiquement au second plan, l’injustice sociale est euphémisée sous le nom de « malaise » ou de « mal-être », la responsabilité des classes dirigeantes est du même coup dissipée, les quartiers populaires sont rebaptisés « quartiers sensibles » ou « zones de non-droit » – et les révoltes deviennent du même coup de pures et simples « violences urbaines », dès lors justiciables d’un traitement strictement policier et non socio-politique.

Plus généralement, que l’oppression soit strictement économique ou à dimension raciste ou hétérosexiste, toute énonciation du tort subi par l’opprimé-e s’expose à la pathologisation, sous le nom commode de « victimisation » – avec cet effet paradoxal : c’est au moment même où, cessant d’être de pures victimes, passives et muettes, les intéressé-e-s deviennent acteurs et actrices, en prenant la parole et en nomment le tort subi, qu’ils et elles se voient reprocher de se réduire et de se complaire dans un statut de victime.

Un paradoxe analogue est à l’œuvre dans une autre invention langagière récente, qui a connu un immense succès dans le débat médiatique, au point de devenir également une catégorie d’analyse spontanée pour les journalistes d’enquête : le « communautarisme ». C’est en effet au moment où des citoyen-ne-s discriminé-e-s et relégué-e-s (banlieusard-e-s, racisé-e-s, femmes, homosexuel-le-s, lycéennes et étudiantes voilées…) s’unissent pour demander à être traités comme les autres, au moment où ils et elles demandent à rejoindre les autres dans des territoires, des univers sociaux ou des modes de vie qui leur sont interdits (les centre-ville, les lieux de loisir, le travail qualifié, le mariage et la parentalité, l’école publique, le monde associatif et politique, les postes de pouvoir), qu’on les accuse de se particulariser, de se replier sur eux-mêmes et de diviser la société française.

Le partage des rôles entre « modérés » et « extrémistes » (ou « radicaux », ou encore « intégristes ») obéit lui aussi à une logique binaire et étroitement politique : pour ce qui concerne les musulmans par exemple (mais pas seulement), qu’il s’agisse des individus, des groupes politiques ou des États, les « extrémistes » ne sont pas ceux qui exercent les violences les plus extrêmes ni ceux qui professent les thèses les plus irrationnelles, les plus réactionnaires ou les plus intolérantes, mais ceux qui demeurent les plus indociles face aux décrets des grandes puissances – et à l’inverse un-e musulman-e français-e acquiert son brevet de « modération » en clamant son soutien à la loi anti-foulard, un-e Palestinien-ne en acceptant ou en devançant les directives israéliennes ou étasuniennes, un-e Irakien-ne ou un-e Afghan-e en acclamant l’occupant américain… et l’État Saoudien en demeurant un partenaire économique et diplomatique de « l’Axe du Bien ».


LUTTE DES CLASSES ET GUERRE DES MOTS

Si la structure binaire euphémisation / hyperbolisation est aussi simple, pauvre et immuable, le contenu des discours ne cesse en revanche d’évoluer. Le champ des médias dominants n’est en effet pas un espace homogène et autonome, ni même une simple caisse de résonance du pouvoir dominant. C’est plutôt un champ de luttes, même s’il est loin d’être neutre : bien que structurellement lié aux dominants, ce champ n’est pas une machine toute-puissante capable d’écraser toute parole singulière, déviante ou contestataire. C’est au contraire un appareil contesté, bousculé, qui doit en permanence recomposer ses outils, notamment rhétoriques, en tenant compte des contre-discours qui le prennent d’assaut.

Il arrive en effet que des mouvements sociaux – novembre 1995, le mouvement des sans-papiers, les émeutes de novembre 2005 ou, sous une autre forme, le succès du Non au référendum européen de mai 2005 – bousculent l’agenda gouvernemental sur lequel ces médias calent leur propre agenda, et fassent irruption dans les JT et les débats auxquels ils n’étaient pas conviés, et le rapport de force est parfois tel que la parole contestatrice s’impose – non seulement en tant que parole autorisée à prendre part au débat, mais parfois aussi comme parole vraie, suffisamment pertinente en tout cas pour imposer aux journalistes une réforme de leur vocabulaire :

C’est ainsi par exemple que des mots comme exploitation ou souffrance au travail réapparaissent parfois ;

C’est ainsi que les « clandestins » sont redevenus, après le mouvement de Saint Bernard, des « sans-papiers » ;

C’est ainsi que le concept d’ « intégration » a fini par être disqualifié et que les journalistes les plus soucieux de « coller à leur époque » ont fini par s’intéresser plutôt à la discrimination.
Et à chacune de ces conquêtes linguistiques – comme il y a des conquêtes sociales – répond un contre-feux :

à la demande d’égalité portée en 1983 par la Marche du même nom (significativement rebaptisée Marche des Beurs) a répondu (au niveau étatique mais aussi, quasi-immédiatement, dans la langue des journalistes) la promotion de l’« intégration », promesse d’une inclusion écartant la question de l’égalité ; et lorsque ce mot intégration s’est avéré usé, lorsque sa critique a fini par le disqualifier partiellement et lorsque la demande d’égalité a recommencé à se faire entendre jusque sur les plateaux de télévision, une nouvelle invention langagière est revenue verrouiller le débat : le « vivre ensemble » et l’ « ouverture à la diversité » ont fait leur apparition ;

Il en va de même pour la thématique du « refus de la repentance », apparue en réaction à la montée en puissance des discours sur le caractère intrinsèquement oppressif et criminel, donc illégitime, de la colonisation, et à l’émergence de collectifs mettant en cause le poids de l’héritage colonial dans la société française contemporaine ;

Il en va de même enfin pour la notion d’ « intégrisme », popularisée essentiellement comme un contre-feu face à la visibilité grandissante d’une génération de musulman-e-s décomplexé-e-s et en demande de respect, ou pour la prétendue « nouvelle judéophobie », ou encore pour le prétendu « choc des civilisations », contre-feux à la montée en puissance d’une contestation de la politique israélienne et américaine…


MÉDIAS ET POUVOIRS

Du travail sur ces différents combats linguistiques s’est dégagé un autre constat important, qui nous distingue de certaines formes de critique des médias, celle par exemple d’ « Arrêt sur images », à nos yeux superficielles ou dépolitisées. Ce constat est le suivant : les médias que nous critiquons sont les médias dominants, et de ce fait, leur langue spontanée n’est au fond pas la leur. La langue première des médias dominants n’est pas la langue des médias mais la langue des dominants : c’est la langue du « MEDEF », la langue des préfectures de police ou du ministère de l’Intérieur, la langue de « Tsahal » ou du « Pentagone »… C’est dans ces lieux extra-médiatiques que sont inventés les « réformes » et les « modernisations », les « plans sociaux » et les « plans de sauvegarde de l’emploi », les « clandestins » et les « reconduites à la frontière », les « violences urbaines » et les « interventions musclées », les « bavures » et leurs victimes « bien connues des services de police », le « terrorisme » et la « guerre au terrorisme »->545], les incursions, les frappes et autres opérations de défense du territoire…
Nos grands médias portent en somme bien leur nom puisqu’ils ne sont en la matière rien d’autre que des instances de médiation, qui assurent la diffusion massive, au sein de la société civile, d’une langue qui n’est au départ que le jargon d’un tout petit nombre. Une critique des médias conséquente est donc à nos yeux indissociable d’une critique sociale plus fondamentale : la critique de l’ordre dominant – un ordre qui, le plus souvent, se construit et invente sa langue ailleurs que dans les sphères médiatiques.

Ce texte est extrait du recueil « Les mots sont importants – 2000 /2010 », qui vient de paraître aux éditions « Libertalia ».