13.7.10

Workshop sobre a contradiçao entre discurso e prática no contexto académico (21 de Julho, no Instituto Superior de Economia e Gestão)




WORKSHOP
"Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço!":
A Contradição entre Discurso e Prática no Contexto Académico

21 Julho 2010 - 10h-14h
Sala MIT-Portugal no ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão) - R. Quelhas 6 ,Lisboa

Inscrição Gratuita até 15 Julho

Enquadramento
O título do evento é uma provocação à comunidade académica, de forma a lançar o mote para
reflexões sobre as atitudes/comportamentos e pensamentos dos "profissionais da academia".
Por entender que as atitudes/comportamentos daqueles profissionais têm reflexo em seus alunos, bem como nas comunidades, nomeadamente nos sujeitos do quotidiano dos "estudos de casos" pesquisados, este encontro foi dividido em duas partes:

A primeira será destinada à comunicação por parte dos diversos convidados, que apresentarão as suas experiências e reflexões sobre o tema, seguida de debate. Neste sentido, cada um dos participantes tem a liberdade de elaborar a sua comunicação oral e escrita a partir do tema/título do evento, da forma que melhor lhe convir, com aproximadamente quinze minutos para cada exposição.

A segunda parte (oficina) consistirá num exercício colectivo: maneiras como os “pesquisadores(investigadores)/ cientistas" podem dialogar com os sujeitos participantes das pesquisas/estudos, garantido o respeito e a igualdade destes como produtores de conhecimento/saberes válidos. Nesta oficina, no centro do debate estarão as experiências do público participante.

Objectivo: Reflectir colectivamente sobre as atitudes/comportamentos e pensamentos dos/as "profissionais da academia", de forma a analisar criticamente a importância do alinhamento entre discurso e prática no quotidiano dos/as actores envolvidos.

Metodologia: Serão utilizadas metodologias de Educação Popular.


1ª parte
* Apresentação das perspectivas de cada convidado/a sobre o tema orientador
Igor Valentim: “Uma coisa é o que falo e escrevo, outra é o que faço: o eu-académico em cena”
Doutorando SOCIUS/UTL

Julio Andrade: “Ouça o que digo: Não Ouça Ninguém – O Paradoxo entre Discurso e Prática na Participação Política”
Doutorando NGPA/UFBA e Professor da UFF (Univ. Federal Fluminense/ Brasil) (participação por vídeo-conferência)

Carolina Leão: “Como contrariar a subordinação às ideias e práticas mercantis na academia? Os desafios na construção de outras relações e modos de fazer POSSÍVEIS!”
Doutoranda SOCIUS/UTL

Cristiano França-Lima: “Invertendo os lugares – a universidade como “objecto de pesquisa”
Doutorando FEUC/CES (participação por vídeo-conferência)

Comentários: Euclides André Mance/ Brasil**
J. M. Carvalho Ferreira SOCIUS/ISEG-UTL

* “Círculo de Conversas”
Durante a apresentação dos convidados, os/as participantes (do público) poderão escrever em tiras de papel, previamente distribuídas, as questões a debater, dúvidas, comentários... Estas serão afixadas num quadro após às apresentações, seguindo-se os comentários e debate.

Intervalo
Pausa Justa (coffee-break com produtos do Comércio Justo e das Cooperativas de Consumo).


2ª parte (oficina)
“Grupo de Verbalização/Grupo de Observação” – um pequeno grupo de participantes reúne-se em círculo e conversa sobre as suas experiências de trabalho de campo, com tempo estipulado. Simultaneamente, os/as demais participantes estarão num círculo maior, ao redor do pequeno, observando e tomando notas da conversa.
Terminado o tempo estipulado para o pequeno círculo, este se junta ao grande e inicia-se o debate a partir das observações e notas.

http://pascal.iseg.utl.pt/~socius/home.html

12.7.10

Todos somos Palestina - solidariedade com o povo palestiniano (concentração a 17 de Julho na Pr. D.João I, Porto)



Todos somos Palestina - solidariedade com o povo palestiniano


Concentração no Sábado, 17 de Julho às 17:00


Local: Praça D.João I, Porto


Vamos realizar uma concentração com música, poesia, microfone aberto,

artes performativas, artes plásticas, bancas e exposições

Pela Paz
Pela autodeterminação da Palestina

Contra a ocupação
Contra o massacre
Contra o Crime israelita

Todos somos Palestina!
Participa! Traz outro amigo também!

Livro de Mário Brochado Coelho sobre a Confronto, cooperativa cultural, será apresentado no Porto ( dia 19 de Julho, às 21h30)

No próximo dia 19 realiza-se o lançamento e a apresentação pública do novo livro de Mário Brochado Coelho sobre a «Confronto», com o título «Confronto, memória de uma cooperativa cultural 1966-1972.
Recorde-se que a Confronto constituiu um pólo de resistência no Norte contra a ditadura de Salazar e Marcelo Caetano.

Confronto. Memória de uma cooperativa cultural. Porto 1966-1972, por Mário Brochado Coelho
Segunda-feira, 19 de Julho de 2010
21:30 - 23:30
Local: Biblioteca Municipal Almeida Garrett - Porto
Apresentadores: Joana Lopes e José Carlos Costa Marques


Contrariando a nossa habitual tendência de «fazer história» com base num ponto de vista único centrado exclusivamente em Lisboa, procurei recuperar e dar a conhecer os principais traços do nascimento, actividade, encerramento e significado de uma instituição político-cultural do Porto denominada «Confronto, Cooperativa de Promoção Cultural, SCRL».
Tentei fazê-lo com o rigor possível e fugindo à forte subjectividade e emoção dos que – como eu – viveram intensamente o dia-a-dia desta cooperativa. O discurso tem, pois, um estilo enxuto.Serão, porventura, muitos os que poderão encontrar neste trabalho algumas referências importantes sobre as suas vidas, a sua formação pessoal e os seus sonhos de um futuro melhor.
Procurei retirar do silêncio iniciativas, pessoas, factos, indignações e resistências que marcaram de modo significativo a vida política de vários sectores da intelectualidade portuense e nortenha da segunda metade dos anos 60 e início dos anos 70 do século passado (1966-1972) e que serviram de escola para variados e diferentes ramos de pensamento inovadores, alguns dos quais foram determinantes, por vezes, nas práticas política e social nacionais durante a(s) década(s) seguintes.
A Confronto foi um lugar de diálogo entre pessoas, ideias e grupos diferentes mas que se situavam dentro de um quadro mínimo de defesa dos direitos humanos e oposição política ao regime fascista de Salazar e Caetano.
Colocou em «confronto» perspectivas diversas de intervenção cívica, ética e social, ensinando cada um a conhecer e respeitar as diferenças dos demais ao aprender a descobrir nelas todos os seus tesouros escondidos.
Mostrou que a realidade é rica em diversidades e que ninguém é portador de uma qualquer verdade absoluta. Provou, por fim, que o ser humano é simultaneamente uno e complexo.


MÁRIO BROCHADO COELHO é autor das obras
Em Defesa de Joaquim Pinto de Andrade, 1971, Porto, Edições Afrontamento;
Uma Farsa Eleitoral – O Caso do Sindicato Metalúrgico de Aveiro, 1973, Porto, Edições Afrontamento;
Lágrimas de Guerra (diário), 1987, Porto, Edições Afrontamento;
Cinco Passos ao Sol (poesia), 1991, Porto, Edições Afrontamento;
A Liberdade Sindical e o Quadro Estatutário das Associações Sindicais (separata), 2004, CEJ/IGT, Coimbra Editora.

Atentado ao Património histórico edificado em Elvas: petição pública contra a demolição da igreja de S.Paulo

http://www.salvemosaigrejadespaulo.blogspot.com/

O mosteiro de S. Paulo, localizado no centro histórico de Elvas, propriedade do Ministério da Defesa, vai ser alvo, a curto prazo, de uma drástica e dramática amputação com a prevista demolição da Igreja.

Esta é o elemento arquitectónico, que constitui na prática, a âncora, de todo o conjunto edificado do mosteiro. Apesar de actualmente, apenas subsistirem todas as paredes periféricas da igreja, esta desempenha um papel relevante na caracterização e definição da morfologia urbana, na área da cidade onde se localiza.

Esta é a maior igreja da Congregação dos Monges de Jesus da Pobre Vida, também conhecidos como Paulistas da Serra de Ossa, única ordem masculina com origem e casa mãe em Portugal.

Não faz sentido a zona alta da cidade ter sido recuperada e reabilitada nestes últimos anos; castelo, antigos quartéis (oficinas de artesanato), Casa das Barcas (mercado municipal), Quartel do Trem (Escola Superior Agrária), e Nossa Senhora da Conceição; e agora poder ocorrer um acto de inqualificável desprezo pelo património edificado.

De acordo com o Plano Director Municipal, todo o conjunto intramuros da cidade de Elvas (centro histórico), está em vias de classificação.
Contudo, verifica-se no terreno, o inicio da preparação dos trabalhos de demolição (colocação de vedações, tapumes, andaimes, entre outros), sob o silêncio da Câmara Municipal de Elvas e do Ministério da Cultura.

Se nada for feito para sensibilizar os organismos competentes, Ministério da Defesa, dono da obra e do edifício, Ministério da Cultura e Câmara Municipal de Elvas, a imagem que vemos será o ultimo registo desta imponente igreja, de valor incontestavel numa cidade monumental candidata a Património Mundial.

Vamos salvar a Igreja de S. Paulo

Um grupo de cidadãos colocou "online", uma petição, dirigida ao Ministro da Defesa, para impedir a demolição da Igreja:

ASSINA A PETIÇÃO ONLINE: www.petitiononline.com/paulista/


Ex.mo Sr. Ministro da Defesa
A igreja de S. Paulo em Elvas, edifícada no sec. XVIII e localizada no Centro Histórico, propriedade do Ministério da Defesa, dentro de poucos dias será demolida.

Esta é a maior igreja da Congregação dos Monges de Jesus da Pobre Vida, também conhecidos como Paulistas da Serra de Ossa, única ordem masculina com origem e casa mãe em Portugal.

Não faz sentido a zona alta da cidade ter sido recuperada e reabilitada nestes últimos anos; castelo, antigos quartéis (oficinas de artesanato), Casa das Barcas (mercado municipal), Quartel do Trem (Escola Superior Agrária), e Nossa Senhora da Conceição; e agora ocorrer um acto de inqualificável desprezo pelo património edificado.

De acordo com o Plano Director Municipal a Igreja de S. Paulo é um imóvel em vias de classificação.

Nós os subscritores desta petição, vimos por este meio solicitar a V.Exa, responsável pelo Ministério da Defesa, a não demolição da Igreja de S. Paulo em Elvas.

Sincerely,

The Undersigned

http://www.petitiononline.com/paulista/

Debate sobre jornalismo, polícia e "bairros problemáticos" no chapitô, em Lisboa ( 24 de Julho, às 22h.)

Debate sobre jornalismo, polícia e "bairros problemáticos"
Data: Quarta-feira, 14 de Julho de 2010
Hora: 22:00
Local: Chapitô, 14 de Julho às 22 horas

Todos os dias são noticiados um corrupio de acontecimentos: Jovens abatidos por polícias, assaltos em praias e crimes nas cidades e revoltas de jovens em bairros “guetizados” dos arredores da grande Lisboa.

Como tratam os jornalistas aquilo que acontece nos bairros sociais? Conseguem ter uma visão jornalística dos acontecimentos ou tendem a agravar a discriminação que muitos dos habitantes dos bairros pobres são sujeitos?

Existe um jornalismo sobre assuntos policiais ou apenas existe um jornalismo que divulga os dados filtrados por fontes policiais?

Como tratar jornalisticamente os problemas da criminalidade sem tropeçar na justificação social dos crimes ou na aceitação acrítica das acções policiais?

São alguns dos assuntos do próximo debate organizado pelo Sindicato dos Jornalistas com o apoio do Chapitô.

A conversa contará com a presença do rapper e activista LBC, do comissário Paulo Flor da PSP e do jornalista da SIC Pedro Coelho. A data é no próximo dia 14 de Julho às 22 horas no Chapitô.

www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?id=8162&idselect=87&idCanal=87&p=0

Porquê o Socialismo? ( texto crítico de Einstein contra o capitalismo)



Porquê o Socialismo?

Einstein escreveu este artigo especialmente para o lançamento da Monthly Review, cujo primeiro número foi publicado em Maio de 1949.

O artigo original encontra-se em http://www.monthlyreview.org/598einst.htm que se

reproduz após o excerto traduzido logo a seguir:


«(...) A produção é feita para o lucro e não para o uso. Não há nenhuma disposição em que todos os que possam e queiram trabalhar estejam sempre em posição de encontrar emprego; existe quase sempre um "exército" de desempregados. O trabalhador está constantemente com medo de perder o seu emprego. Uma vez que os desempregados e os trabalhadores mal pagos não fornecem um mercado rentável, a produção de bens de consumo é restrita e tem como consequência a miséria. O progresso tecnológico resulta frequentemente em mais desemprego e não no alívio do fardo da carga de trabalho para todos. O motivo lucro, em conjunto com a concorrência entre capitalistas, é responsável por uma instabilidade na acumulação e utilização do capital que conduz a depressões cada vez mais graves. A concorrência sem limites conduz a um enorme desperdício do trabalho e a esse enfraquecimento da consciência social dos indivíduos que mencionei anteriormente.

Considero este enfraquecimento dos indivíduos como o pior mal do capitalismo.

Todo o nosso sistema educativo sofre deste mal. É incutida uma atitude exageradamente competitiva no aluno, que é formado para venerar o sucesso de aquisição como preparação para a sua futura carreira.



Estou convencido que só há uma forma de eliminar estes sérios males, nomeadamente através da constituição de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educativo orientado para objectivos sociais. Nesta economia, os meios de produção são detidos pela própria sociedade e são utilizados de forma planeada. Uma economia planeada, que adeqúe a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho a ser feito entre aqueles que podem trabalhar e garantiria o sustento a todos os homens, mulheres e crianças. A educação do indivíduo, além de promover as suas próprias capacidades inatas, tentaria desenvolver nele um sentido de responsabilidade pelo seu semelhante em vez da glorificação do poder e do sucesso na nossa actual sociedade.»





Why Socialism?
by Albert Einstein



Is it advisable for one who is not an expert on economic and social issues to express views on the subject of socialism? I believe for a number of reasons that it is.

Let us first consider the question from the point of view of scientific knowledge. It might appear that there are no essential methodological differences between astronomy and economics: scientists in both fields attempt to discover laws of general acceptability for a circumscribed group of phenomena in order to make the interconnection of these phenomena as clearly understandable as possible. But in reality such methodological differences do exist. The discovery of general laws in the field of economics is made difficult by the circumstance that observed economic phenomena are often affected by many factors which are very hard to evaluate separately. In addition, the experience which has accumulated since the beginning of the so-called civilized period of human history has—as is well known—been largely influenced and limited by causes which are by no means exclusively economic in nature. For example, most of the major states of history owed their existence to conquest. The conquering peoples established themselves, legally and economically, as the privileged class of the conquered country. They seized for themselves a monopoly of the land ownership and appointed a priesthood from among their own ranks. The priests, in control of education, made the class division of society into a permanent institution and created a system of values by which the people were thenceforth, to a large extent unconsciously, guided in their social behavior.

But historic tradition is, so to speak, of yesterday; nowhere have we really overcome what Thorstein Veblen called "the predatory phase" of human development. The observable economic facts belong to that phase and even such laws as we can derive from them are not applicable to other phases. Since the real purpose of socialism is precisely to overcome and advance beyond the predatory phase of human development, economic science in its present state can throw little light on the socialist society of the future.

Second, socialism is directed towards a social-ethical end. Science, however, cannot create ends and, even less, instill them in human beings; science, at most, can supply the means by which to attain certain ends. But the ends themselves are conceived by personalities with lofty ethical ideals and—if these ends are not stillborn, but vital and vigorous—are adopted and carried forward by those many human beings who, half unconsciously, determine the slow evolution of society.

For these reasons, we should be on our guard not to overestimate science and scientific methods when it is a question of human problems; and we should not assume that experts are the only ones who have a right to express themselves on questions affecting the organization of society.

Innumerable voices have been asserting for some time now that human society is passing through a crisis, that its stability has been gravely shattered. It is characteristic of such a situation that individuals feel indifferent or even hostile toward the group, small or large, to which they belong. In order to illustrate my meaning, let me record here a personal experience. I recently discussed with an intelligent and well-disposed man the threat of another war, which in my opinion would seriously endanger the existence of mankind, and I remarked that only a supra-national organization would offer protection from that danger. Thereupon my visitor, very calmly and coolly, said to me: "Why are you so deeply opposed to the disappearance of the human race?"

I am sure that as little as a century ago no one would have so lightly made a statement of this kind. It is the statement of a man who has striven in vain to attain an equilibrium within himself and has more or less lost hope of succeeding. It is the expression of a painful solitude and isolation from which so many people are suffering in these days. What is the cause? Is there a way out?

It is easy to raise such questions, but difficult to answer them with any degree of assurance. I must try, however, as best I can, although I am very conscious of the fact that our feelings and strivings are often contradictory and obscure and that they cannot be expressed in easy and simple formulas.

Man is, at one and the same time, a solitary being and a social being. As a solitary being, he attempts to protect his own existence and that of those who are closest to him, to satisfy his personal desires, and to develop his innate abilities. As a social being, he seeks to gain the recognition and affection of his fellow human beings, to share in their pleasures, to comfort them in their sorrows, and to improve their conditions of life. Only the existence of these varied, frequently conflicting, strivings accounts for the special character of a man, and their specific combination determines the extent to which an individual can achieve an inner equilibrium and can contribute to the well-being of society. It is quite possible that the relative strength of these two drives is, in the main, fixed by inheritance. But the personality that finally emerges is largely formed by the environment in which a man happens to find himself during his development, by the structure of the society in which he grows up, by the tradition of that society, and by its appraisal of particular types of behavior. The abstract concept "society" means to the individual human being the sum total of his direct and indirect relations to his contemporaries and to all the people of earlier generations. The individual is able to think, feel, strive, and work by himself; but he depends so much upon society—in his physical, intellectual, and emotional existence—that it is impossible to think of him, or to understand him, outside the framework of society. It is "society" which provides man with food, clothing, a home, the tools of work, language, the forms of thought, and most of the content of thought; his life is made possible through the labor and the accomplishments of the many millions past and present who are all hidden behind the small word “society.”

It is evident, therefore, that the dependence of the individual upon society is a fact of nature which cannot be abolished—just as in the case of ants and bees. However, while the whole life process of ants and bees is fixed down to the smallest detail by rigid, hereditary instincts, the social pattern and interrelationships of human beings are very variable and susceptible to change. Memory, the capacity to make new combinations, the gift of oral communication have made possible developments among human being which are not dictated by biological necessities. Such developments manifest themselves in traditions, institutions, and organizations; in literature; in scientific and engineering accomplishments; in works of art. This explains how it happens that, in a certain sense, man can influence his life through his own conduct, and that in this process conscious thinking and wanting can play a part.

Man acquires at birth, through heredity, a biological constitution which we must consider fixed and unalterable, including the natural urges which are characteristic of the human species. In addition, during his lifetime, he acquires a cultural constitution which he adopts from society through communication and through many other types of influences. It is this cultural constitution which, with the passage of time, is subject to change and which determines to a very large extent the relationship between the individual and society. Modern anthropology has taught us, through comparative investigation of so-called primitive cultures, that the social behavior of human beings may differ greatly, depending upon prevailing cultural patterns and the types of organization which predominate in society. It is on this that those who are striving to improve the lot of man may ground their hopes: human beings are not condemned, because of their biological constitution, to annihilate each other or to be at the mercy of a cruel, self-inflicted fate.

If we ask ourselves how the structure of society and the cultural attitude of man should be changed in order to make human life as satisfying as possible, we should constantly be conscious of the fact that there are certain conditions which we are unable to modify. As mentioned before, the biological nature of man is, for all practical purposes, not subject to change. Furthermore, technological and demographic developments of the last few centuries have created conditions which are here to stay. In relatively densely settled populations with the goods which are indispensable to their continued existence, an extreme division of labor and a highly-centralized productive apparatus are absolutely necessary. The time—which, looking back, seems so idyllic—is gone forever when individuals or relatively small groups could be completely self-sufficient. It is only a slight exaggeration to say that mankind constitutes even now a planetary community of production and consumption.

I have now reached the point where I may indicate briefly what to me constitutes the essence of the crisis of our time. It concerns the relationship of the individual to society. The individual has become more conscious than ever of his dependence upon society. But he does not experience this dependence as a positive asset, as an organic tie, as a protective force, but rather as a threat to his natural rights, or even to his economic existence. Moreover, his position in society is such that the egotistical drives of his make-up are constantly being accentuated, while his social drives, which are by nature weaker, progressively deteriorate. All human beings, whatever their position in society, are suffering from this process of deterioration. Unknowingly prisoners of their own egotism, they feel insecure, lonely, and deprived of the naive, simple, and unsophisticated enjoyment of life. Man can find meaning in life, short and perilous as it is, only through devoting himself to society.

The economic anarchy of capitalist society as it exists today is, in my opinion, the real source of the evil. We see before us a huge community of producers the members of which are unceasingly striving to deprive each other of the fruits of their collective labor—not by force, but on the whole in faithful compliance with legally established rules. In this respect, it is important to realize that the means of production—that is to say, the entire productive capacity that is needed for producing consumer goods as well as additional capital goods—may legally be, and for the most part are, the private property of individuals.

For the sake of simplicity, in the discussion that follows I shall call “workers” all those who do not share in the ownership of the means of production—although this does not quite correspond to the customary use of the term. The owner of the means of production is in a position to purchase the labor power of the worker. By using the means of production, the worker produces new goods which become the property of the capitalist. The essential point about this process is the relation between what the worker produces and what he is paid, both measured in terms of real value. Insofar as the labor contract is “free,” what the worker receives is determined not by the real value of the goods he produces, but by his minimum needs and by the capitalists' requirements for labor power in relation to the number of workers competing for jobs. It is important to understand that even in theory the payment of the worker is not determined by the value of his product.

Private capital tends to become concentrated in few hands, partly because of competition among the capitalists, and partly because technological development and the increasing division of labor encourage the formation of larger units of production at the expense of smaller ones. The result of these developments is an oligarchy of private capital the enormous power of which cannot be effectively checked even by a democratically organized political society. This is true since the members of legislative bodies are selected by political parties, largely financed or otherwise influenced by private capitalists who, for all practical purposes, separate the electorate from the legislature. The consequence is that the representatives of the people do not in fact sufficiently protect the interests of the underprivileged sections of the population. Moreover, under existing conditions, private capitalists inevitably control, directly or indirectly, the main sources of information (press, radio, education). It is thus extremely difficult, and indeed in most cases quite impossible, for the individual citizen to come to objective conclusions and to make intelligent use of his political rights.

The situation prevailing in an economy based on the private ownership of capital is thus characterized by two main principles: first, means of production (capital) are privately owned and the owners dispose of them as they see fit; second, the labor contract is free. Of course, there is no such thing as a pure capitalist society in this sense. In particular, it should be noted that the workers, through long and bitter political struggles, have succeeded in securing a somewhat improved form of the “free labor contract” for certain categories of workers. But taken as a whole, the present day economy does not differ much from “pure” capitalism.

Production is carried on for profit, not for use. There is no provision that all those able and willing to work will always be in a position to find employment; an “army of unemployed” almost always exists. The worker is constantly in fear of losing his job. Since unemployed and poorly paid workers do not provide a profitable market, the production of consumers' goods is restricted, and great hardship is the consequence. Technological progress frequently results in more unemployment rather than in an easing of the burden of work for all. The profit motive, in conjunction with competition among capitalists, is responsible for an instability in the accumulation and utilization of capital which leads to increasingly severe depressions. Unlimited competition leads to a huge waste of labor, and to that crippling of the social consciousness of individuals which I mentioned before.

This crippling of individuals I consider the worst evil of capitalism. Our whole educational system suffers from this evil. An exaggerated competitive attitude is inculcated into the student, who is trained to worship acquisitive success as a preparation for his future career.

I am convinced there is only one way to eliminate these grave evils, namely through the establishment of a socialist economy, accompanied by an educational system which would be oriented toward social goals. In such an economy, the means of production are owned by society itself and are utilized in a planned fashion. A planned economy, which adjusts production to the needs of the community, would distribute the work to be done among all those able to work and would guarantee a livelihood to every man, woman, and child. The education of the individual, in addition to promoting his own innate abilities, would attempt to develop in him a sense of responsibility for his fellow men in place of the glorification of power and success in our present society.

Nevertheless, it is necessary to remember that a planned economy is not yet socialism. A planned economy as such may be accompanied by the complete enslavement of the individual. The achievement of socialism requires the solution of some extremely difficult socio-political problems: how is it possible, in view of the far-reaching centralization of political and economic power, to prevent bureaucracy from becoming all-powerful and overweening? How can the rights of the individual be protected and therewith a democratic counterweight to the power of bureaucracy be assured?

Clarity about the aims and problems of socialism is of greatest significance in our age of transition. Since, under present circumstances, free and unhindered discussion of these problems has come under a powerful taboo, I consider the foundation of this magazine to be an important public service.

11.7.10

Tentando compreender o outro, na Palestina ( cinema na Casa Viva, dia 16/7 às 22h.)

Cinema Palestina - Tentando compreender o outro, na Palestina

Cinema Mudo, filme de João Sousa Cardoso (60')


Casa Viva
praça marquês pombal 167
porto

6ª feira, 16 julho, às 22h00

entrada livre


Cinema Mudo é o resultado de um trabalho de campo realizado por João Sousa Cardoso entre Maio e Junho de 2003, junto de uma pequena comunidade africana existente no bairro muçulmano da Velha Jerusalém, o African Quarter.

Diz o autor, que estará presente na CasaViva: "Pelo curto período de que dispunha para trabalhar no terreno e pela dificuldade das barreiras linguísticas, adoptei, desde o inicio, uma perspectiva materialista sobre este singular bairro afro-palestiniano. Procurei entender os conflitos de identidade através do espaço físico e das construções que a comunidade produz (uma arquitectura espontânea numa reduzidíssima área de terreno), desafiando os habitantes a filmarem aspectos exteriores do bairro e o interior das próprias casas; improvisando um conjunto de oficinas de expressão plástica com as crianças, onde lhes propunha que expusessem o seu ponto de vista sobre o espaço físico onde vivem; e organizando projecções e debates no lado muçulmano e no lado judaico da cidade, sobre o desenvolvimento do projecto. Mas também – e inevitavelmente – sobre a questão mais ampla do conflito israelo-palestiniano".

«Ida a caminhos» recupera a tradição de trabalho cooperativo e comunitário em Palaçoulo (Miranda do Douro)




A população de Palaçoulo, freguesia do concelho de Miranda do Douro, mobilizou-se este ano mais uma vez para um dia de trabalho comunitário.

Os habitantes da aldeia unem-se à volta de um objectivo comum, que é o da limpeza de arruamentos e caminhos agrícolas. Esta é uma iniciativa comunitária cujas raizes mergulham numa arreigada ancestralidade, consistindo numa acção com evidentes repercussões positivas para toda a comunidade.

Para Manuel Gonçalves, presidente da junta de freguesia de Palçoulo, “este é um dia importante para a população, pois é nesta altura que tem a oportunidade de arranjar os caminhos de acesso às propriedades agrícolas”.

O autarca referiu que esta tradição “ é o seguimento de uma prática antiga que era realizada por altura do Carnaval”.

A adesão da população de Palaçoulo é maciça, chegando a juntar-se mão de obra abundante e mais de 40 tratores na realização daquilo que Manuel Gionçalves designa como “um bem comunitário”.

Mas o dia de “Ida a Caminhos” é sobretudo de convívio e de confraternização entre todos os habitantes da aldeia nordestina.

A juventude também não fica indiferente a este dia de convívio comunitário, participando activamente num trabalho cívico que acaba por transformar-se num apreciado momento de festa e convivialidade entre todos os que nele participam

Fonte: AQUI

Acção cooperativa e solidária numa aldeia de Moimenta da Beira: faltam ao emprego para trabalhar pela aldeia

Faltam ao emprego para trabalhar pela aldeia
Populares reparam caminhos sem cobrar um cêntimo
(texto da jornalista Teresa Cardoso)

"Um por todos, todos por um", é a palavra de ordem em Sever, Moimenta da Beira, onde homens e máquinas estão a abrir e a reparar caminhos agrícolas, sem cobrar um cêntimo, em nome do bem comum. É o regresso às aldeias do trabalho em comunidade.

Chegam às oito da manhã, mangas arregaçadas para uma jornada que pode ir até ao sol posto, e passam horas a carregar, a espalhar e a calcar aterro em caminhos agrícolas onde mal passava um carro de bois. Não olham para o relógio. Apenas param, quando o dia vai a meio, para reconfortar o estômago por conta da Junta de Sever. No fim da jorna, a saudação é a única moeda de troca.

"O mínimo que podíamos fazer pela dezena e meia de homens que se juntaram neste desafio, era garantir-lhes o almoço. Até porque muitos deles faltaram ao trabalho para estarem aqui com os seus tractores. É um verdadeiro exemplo de cidadania", reconhece Marcelino Ramos Ferreira, presidente da autarquia.
Poupança de milhares de euros

A ideia de apelar à solidariedade dos cidadãos partiu do autarca de Sever e foi ditada pela escassez de recursos financeiros e pela urgência em criar condições nos acessos para o transporte da maçã.

"Reuni com o pessoal num sábado, e na segunda-feira seguinte já o grupo estava disponível", revela Marcelino Ferreira. Que voltou ontem, com todos os voluntários, para mais uma jornada de reparação e alargamento dos caminhos para os pomares. "Já temos transitáveis duas dezenas de quilómetros", regozija-se.
O autarca admite que se o serviço fosse pago, o investimento era incomportável para a junta.
"Contando que cada um dos 16 tractores custa 240 euros por dia, em dois, teríamos desembolsado cerca de oito mil euros. Sem contar as retroescavadoras da Junta e da Câmara e ainda a mão de obra", explica Marcelino Ferreira.

Outro factor de sucesso é a disponibilidade dos proprietários na cedência de terreno. "Sem essas faixas, não poderíamos, em alguns casos, avançar. Chegamos a deitar muros abaixo com o seu assentimento", enfatiza.

Os caminhos arranjados permitem que a fruta chegue sã às cooperativas. "Os atrelados podem transportar 14 palotes de maçã, cada um com 400 quilos, que se for entregue pisada sofre uma penalização de 10 a 15%", explica um dos homens que, como os demais, é produtor de maçã.
"Esta união de esforços fomenta o espírito de comunidade. O povo sabe que está a cuidar dos seus interesses e pode contar com os meios municipais", congratula-se José Eduardo, presidente da Câmara de Moimenta da Beira.

O elogio à preguiça pelo poeta brasileiro Juvenal Antunes



ELOGIO DA PREGUIÇA
(A mim mesmo)

Bendita sejas tu, Preguiça amada,
Que não consentes que eu me ocupe em nada!


Mas, queiras tu, Preguiça, ou tu não queiras,
Hei de dizer, em versos, quatro asneiras.

Não permuto por toda a humana ciência
Esta minha honestíssima indolência.

Lá está, na Bíblia, esta doutrina sã:
Não te importes com o dia de amanhã.

Para mim, já é um grande sacrifício
Ter de engolir o bolo alimentício.

Ó sábios, dai à luz um novo invento:
Para mim, já é um grande sacrifício

Todo trabalho humano em que se encerra?
Em, na paz, preparar a luta, a guerra!

Dos tratados, e leis, e ordenações,
Zomba a jurisprudência dos canhões!

Plantas a terra, lavrador? Trabalhas
Para atiçar o fogo das batalhas...

Cresce teu filho? É belo? É forte? É louro?
Mais uma rês votada ao matadouro!...

Pois, se assim é, se os homens são chacais,
Se preferem a guerra à doce paz,

Que arda, depressa, a colossal fogueira
E morra, assada, a humanidade inteira!

Não seria melhor que toda gente,
Em vez de trabalhar, fosse indolente?

Não seria melhor viver à sorte,
Se o fim de tudo é sempre o nada, a morte?

Queres riquezas, glórias e poder?...
Para quê, se, amanhã, tem de morrer?

Qual o mais feliz? – o mísero sendeiro,
Sob o chicote e as pragas do cocheiro,

Ou seus antepassados que, selvagens,
Viviam, livremente, nas pastagens?

Do trabalho por serem tão amigas,
Não sei se são felizes as formigas!

Talvez o sejam mais, vivendo em larvas,
As preguiçosas, pálidas cigarras!


Ó Laura, tu te queixas que eu, farsista,
Ontem faltei, à hora da entrevista,

E que, ingrato, volúvel e traidor,
Troquei o teu amor – por outro amor...

Ou que, receando a fúria marital,
Não quis pular o muro do quintal.

Que me não faças mais essa injustiça!...
Se ontem, não fui te ver – foi por preguiça.

Mas, Juvenal, estás a trabalhar!
Larga a caneta e vai dormir... sonhar...


Juvenal Anunes (1883-1941) é um personagem real que nasceu no Rio Grande do Norte, no Brasil, e viveu no Acre. Poeta, dono de um humor irónico e mordaz, ficou conhecido pela sua irreverência, anarquia e boémia. Pregava o amor livre e ridicularizava os valores da sociedade da época . Era hóspede e cliente constante do famoso Hotel Madrid.
Em 2007, foi inaugurada em Rio Branco uma estátua em sua homenagem à frente de uma galeria de arte com o seu nome, que funciona no prédio do antigo hotel e também abriga a sede da Fundação de Cultura Elias Mansour.

O poeta Juvenal Antunes é uma das personagens de uma série de televisão sobre o Acre, cujo título é “Amazônia – de Galvez a Chico Mendes”, de autoria da escritora acreana Glória Perez.

O poeta começou por publicar o livro "Cismas", além de vários poemas em jornais acreanos. Em 1922, publicou "Acreanas", o primeiro livro de poesia escrito no Acre. "Laura", a quem Juvenal Antunes escrevia poemas, era a sua musa, a mulher que parece ter sido sempre a "Desejada e nunca a Possuída"

http://galeriadeartejuvenalantunes.blogspot.com/

Fonte:



Ecoaldeias, de Jonathan Dawson - lançamento do livro em Lisboa (dia 14) e no Porto ( na Casa da Horta, dia 15)




Lançamento do Livro - ECOALDEIAS - Novas Fronteiras para a Sustentabilidade

14 julho 2010 às 18h em Lisboa
Local: Biblioteca-Museu República e Resistência LISBOA


15 de Julho às 21h30 no Porto
Local: Casa da Horta, Rua de S. Francisco, 12A; à Ribeira, Porto


As ecoaldeias, sejam no campo ou na cidade, são a grande promessa ecológica para o futuro. Novas Fronteiras para a Sustentabilidade é mesmo o subtítulo deste livro, Ecoaldeias, acabado de editar em tradução portuguesa pelas edições Sempre-Em-Pé

Em Lisboa o livro será apresentado, na quarta-feira 14 de Julho, às 18:00, na Biblioteca-Museu República e Resistência (metro Cidade Universitária), Rua Alberto de Sousa, n.º 10-A, Zona B do Rêgo, 1600-002 Lisboa (telef. 21 780 2760),
bib.republica@cm-lisboa.pt . Aqui, o livro será apresentado por Nelson Avelar (www.nelsonavelar.com), um dos nossos maiores conhecedores da problemática das ecoaldeias, e por Fátima Teixeira e Meike Müller, residentes na ecoaldeia de Tamera, no Alentejo, várias vezes referida ao longo do livro

No próximo dia 15 de julho, quinta-feira,às 21:30, no Porto, na Casa da Horta, na Rua de S. Francisco, 12A, junto à Igreja de S. Francisco e ao rio Douro, o livro será apresentado por Pedro Macedo e Pedro Jorge Pereira, ambos com experiência de vida em ecoaldeias, o primeiro na Escócia (Findhorn), o segundo na República Checa

O autor do livro Ecoaldeias é Jonathan Dawson, educador, consultor, autor de livros e gestor de projetos em matéria de sustentabilidade com base na ecoaldeia de Findhorn, na Escócia. Entre 2006 e 2009 presidiu a Rede Global de Ecoaldeias (GEN – Global Ecovillage Network). Trabalha atualmente para a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial como conselheiro económico em programas de desenvolvimento de grupos de pequenas empresas na África Oriental.

Edição:
www.sempreempe.pt

A Gafanha, periódico anarquista de 1909 editado por Campos Lima


«A Gafanha, meus caros senhores, não é senão esta boa terra de mesquinharias e de toleimas, a fingir de nação da Europa e que nem ao menos por decoro anda de tanga. A Gafanha é a «piolheira», onde só é gente o sr. Burnay.»(...) «terra de cegos, onde não havendo ao menos quem tenha um olho para ser rei, por esse facto se pensa em fazer a republica.»

Campos Lima, in Editorial do nº 1 de A Gafanha, periódico anarquista de 1909


A Gafanha foi um periódico anarquista editado por Campos Lima em 1909, cujos dois primeiros números foram digitalizados pela Hemeroteca Digital de Lisboa, e que estão agora acessíveis na internet para consulta, acompanhados por uma ficha histórica assinada por Rita Pereira que abaixo transcrevemos com a devida vénia.

A Gafanha nº 1 - ver AQUI
A Gafanha nº 2 - ver AQUI



A Gafanha – Ficha histórica por Rita Pereira
(texto retirado do site da Hemeroteca Digital de Lisboa)

A GAFANHA
Terá surpreendido Lisboa num dia incerto do ano de 1909.
Provavelmente em Março, mas nada na publicação o assegura. Também não é fácil descortinar o ritmo de edição que prosseguiu (1). Mas para João Campos Lima (2), o dinamizador e a “alma” deste periódico de orientação libertária, essas não eram questões relevantes. O seu propósito era sim divulgar os princípios doutrinários que perfilhava, ainda que os soubesse de improvável, senão mesmo impossível, aplicação no presente e até num futuro próximo.

De facto, Campos Lima parece consciente de que o caminho a percorrer até à sociedade livre e igualitária que idealiza será longo, na medida em que pressupunha uma «transformação psycologica» geral, sobretudo do povo trabalhador. Mas isso não o desalenta. Quanto muito explica a ironia, por vezes sombreada de amargor, que dá cor à publicação. A começar no título, que se vestiu com um vocábulo que evoca os locais ermos para onde eram enviados os que padeciam de uma enfermidade de natureza epidémica, como a lepra ou a sarna, designadas “gafa”. Campos Lima justifica assim a sua escolha: «A Gafanha, meus caros senhores, não é senão esta boa terra de mesquinharias e de toleimas, a fingir de nação da Europa e que nem ao menos por decoro anda de tanga. A Gafanha é a «piolheira», onde só é gente o sr. Burnay.» E é muito mais, mormente uma «terra de cegos, onde não havendo ao menos quem tenha um olho para ser rei, por esse facto se pensa em fazer a republica.» (3) Por aqui se percebe o seu distanciamento em relação aos dois regimes políticos: Monarquia ou República – pouco diferença lhes reconhecia, já que resultariam, inevitavelmente, em sociedades organizadas em função da propriedade e, consequentemente, não solidárias e não livres.

Esta perspectiva está presente na publicação desde os primeiros números e, provavelmente, manteve-se até ao seu terminus. Mas não o podemos garantir taxativamente, porque desconhecemos quando isso se verificou. Na investigação realizada, encontrámos apenas 8 números4, todos publicados em 1909. A este propósito importa sublinhar a raridade deste tipo de periódico, facto que encontra explicação quer na sua reduzida tiragem, quer na feroz perseguição a que foram sujeitos. Recorde-se a lei de 13 de Fevereiro de 1896, à data vigente, que estabelecia o processo sumário e as penas aplicáveis a quem, por qualquer meio, defendesse ou incitasse «actos subversivos», particularizando e agravando os casos animados pelas «doutrinas de anarchismo». A imprensa, por exemplo, era proibida de «occupar-se de factos ou de attentados de anarchismo», incluindo na sua fase investigatória ou processual. Em caso de infracção, a edição em causa sujeitava-se a ser apreendida, prevendo-se também a suspensão do periódico e a responsabilização criminal do autor do artigo, do editor do título e da própria tipografia onde era impresso. Neste quadro legal, não é pois de estranhar nem o curto tempo de vida destas publicações, nem o seu fim abrupto. Mas dele se depreende também o dinamismo que os movimentos libertários conheceram na época e o interesse que suscitaram, quer entre a intelectualidade, quer entre a população trabalhadora, sobretudo, o operariado, que principiava a organizar-se, a tomar consciência da sua força e a exigir a resolução da “questão social”.

Na sua acção de propaganda doutrinal n’ A Gafanha, Campos Lima parte, quase sempre, do concreto, isto é, de acontecimentos, factos políticos, sociais e até alguns fait divers. Comenta-os com tiradas jocosas, reveladoras da sua moral libertadora, mas não cultiva um discurso mobilizador, nem incita os leitores à acção, à luta. Na maior parte do tempo, Campos Lima coloca-se no papel do observador distante, atingido pela displicência: não poupa o exausto regime monárquico, mas a promessa da República não lhe inspira palavras mais generosas. As considerações que tece a respeito de uma possível união ibérica, firmada sobre o casamento de D. Manuel com uma filha de Afonso III, fica como amostra do tom corrosivamente descrente que impregna A Gafanha:
«Não convém ao concerto das nações, como se diz nas sebentas do perfumado Villela, o apparecimento d’uma nova potencia. E é assim provável que a união iberica não passe de um sonho… de reis encravados. Mas não se desconsole o sr. D. Manuel, se acaso perder o throno, fácil lhe será conseguir que o sr. dr. Bernardino Machado5 divida com Vossa Magestade, ás semanas, a presidência da republica.» (6)

Num registo de maior seriedade, destaca-se o plano para a reconstrução da vila de Benavente, destruída por acção do terramoto de 23 de Abril. Campos Lima dedica-lhe o n.º 5 d’ A Gafanha, idealizando a «communa de Benevente», com «casas pequenas, arejadas, elegantes»; possuindo uma «Escola completa», em vez de igreja; onde a actividade produtiva (rural e industrial) se desenvolveria em «officinas de produção», que canalizariam os seus produtos para «grandes depósitos» de consumo. Consciente do carácter utópico do seu plano, mormente por razões de ordem legal, Campos Lima defende uma solução de compromisso, um estádio preparatório, sob a égide do município, que entende como «uma espécie de socialismo: «Se é subversiva a doutrina da apropriação commum directa de tudo pela população, podia pelo menos fazer-se a municipalização, que é uma forma de apropriação commum por delegação». Embora possível e desejável, Campos Lima acabará por reconhecer que nada se fará porque «Se o terramoto abriu as casas e abalou as fortunas, não produziu uma radical transformação nas consciências.»

Merecem também o nosso sublinhado dois textos que reflectem sobre o fenómeno da comunicação social. Um, trata da “moda” recente de os conferencistas se fazerem pagar pelas suas dissertações, questionando as suas verdadeiras motivações. Campos Lima não tem peias em considerar que se trata de um comércio de ideias, onde impera a vacuidade e o artificialismo.
Assim, conclui, «essas conferencias não passarám de esquisitices de salão e os prelectores terám de substituir bem depressa o tom sentencioso e didáctico pelo gesto galante ou o esgar grotesco para gáudio do sr. espectador, que pagou o seu bilhete.» (8)

O outro é uma interessante caracterização da «opinião pública», em 1909 (sublinha-se): «quasi sempre irreflectida», «não passa da imagem rápida d’ uma noção transmittida por impressões momentâneas»; «Na estreiteza dos seus raciocínios, a opinião publica exige muito pouco para se pronunciar»; «Resulta assim injusta as mais das vezes, baralhando a verdade com a mentira, e infamando com suspeitas vis os que não teem outra maneira de se defenderem d’ella do que a de a chamarem á rasão das coisas; Que nunca a opinião publica, uma vez aferrada a uma ideia, se resigna a abandona-la, na teimosia perversa da sua inconciência.»(9)

A Gafanha era composta por 16 páginas, além da capa em papel de cor. O seu preço avulso era de 30 réis. Não incluía imagens, nem tão-pouco títulos: os textos são separados por datas (dia e mês), conferindo à publicação um aspecto intimista, próximo do diário ou das memórias. Graficamente e até no registo discursivo, ora irreverente, ora irónico, descobre-se umasemelhança com Os Gatos, de Fialho d’Almeida. Aliás, logo no primeiro número, no texto de apresentação d’ A Gafanha, Campos Lima evoca as penas cáusticas de Fialho d’ Almeida e de Ramalho Ortigão, lamentando o seu silêncio e sugerindo mesmo a sua corrupção: «Quando Ramalho morreu e quando morreu o Fialho, e sobretudo quando lhes vi o enterro, através da cidade, com os archeiros da casa real á frente, ladeado pela municipal, chorados ambos pela rainha, cantados em doiradas estrophes pelo poeta João Saraiva e elogiados do Brazil em artigos pomposos tarjados [sic] de negro, o que eu chorei não foram aquellas duas carcaças, já inúteis a caminho do monturo, mas o que depois d’essas paginas febris, d’um altíssimo e profundo sentimento, repassadas do espírito da nossa raça, não mais tornará a ser escrito.»(10)

Um dos interesses maiores d’ A Gafanha está, provavelmente, na oferta do testemunho de um libertário ortodoxo, num período marcado pela concertação de diferentes forças e sensibilidades políticas e ideológicas com o fim de derrubar a monarquia.



1 A partir dos assuntos que chama às páginas da publicação é possível deduzir uma periodicidade quinzenal, mas nem sempre cumprida com rigor.
2 Ver nótula biográfica no final.
3 Cf. [«Em que se dizem duas palavras de prologo»]. A Gafanha. Lisboa: Campos Lima. N.º 1,
1909, p. 3-6.
4 Na Hemeroteca Municipal de Lisboa existem apenas os dois primeiros números. Os restantes(3, 5, 6 e 8) foram consultados na Biblioteca Nacional de Portugal

5 Bernardino Machado é o principal alvo da veia satírica de Campos de Lima n’ A Gafanha. A sua eloquência atingirá os píncaros na apreciação que faz ao polémico quadro «”Sonho” –Venie ad me», de António Baeta Neves (1909), onde o presidente do Partido Republicano éretratado a cumprimentar Cristo. Terá sido encomendado por Francisco Grandella e esteveexposto numa montra dos seus célebres Armazéns. A imagem foi publicada em formato postale distribuída através da imprensa. Cf. [«Pede-se a intervenção do Dr. Bernardino Machadopara um caso urgente»]. A Gafanha. Lisboa: Campos Lima. N.º 8, 1909, p. 8-13.
6 Cf. [«Alvitra-se uma solução a um futuro rei desthronado»]. A Gafanha. Lisboa: Campos Lima.N.º 1, 1909, p. 7.
7 [«A destruição da villa de Benavente»]. A Gafanha. Lisboa: Campos Lima. N.º 5, 1909.
8 [«Conferentes por importação»]. A Gafanha. Lisboa: Campos Lima. N.º 2, 1909, p. 3-5.
9 [«A opinião publica»]. A Gafanha. Lisboa: Campos Lima. N.º 8, 1909, p. 3-8.
10 Fialho d’Almeida morrerá em 1911 (Cuba), e Ramalho Ortigão em 1915 (Lisboa).



NÓTULA BIOGRÁFICA
João Evangelista Campos Lima (1887?, Porto–1957, Lisboa) foi um dos mais entusiastas defensores das doutrinas libertárias em Portugal. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, tendo participado activamente na célebre greve académica de 1907, do que resultou a sua expulsão. Acabou por ser indultado e concluiu o curso nesse ano. Por essa altura, era já um colaborador regular da imprensa de orientação libertária e um orador reconhecido. Também foi proprietário e director de algumas publicações periódicas e da editora Spartacus, além de ter publicado alguns estudos sobre a história movimento operário e libertário em Portugal. Também fez tradução
.



Obra
Publicações periódicas que fundou ou onde colaborou: O gigante (Braga, 1897, lit.); Ideal e Verdade (Braga, 1898; prop./dir.); Vanguarda (Lisboa, 1899-1911; libertário); O Mundo (Lisboa, 1900); Ave Azul (Viseu, 1900; literária); Bohémios (Porto, 1900); Mocidade (Lisboa, 1901); Revista Livre (Coimbra, 1902; anarquista; dir.), A Verdade (Coimbra, 1903; libertário; prop./dir.) Arte e Vida (Coimbra, 1904-6); A Vida (Porto, 1905; anarquista); País (1905-1921); Era Nova (Coimbra; 1906; prop./dir.); Nova Silva (Porto, 1907); O Protesto (Lisboa, 1908; anarquista); A Greve (Lisboa, 1908; sindicalista); A Boa Nova (Lisboa, 1908; prop./dir.); O Povo (1911-16); Terra Livre (Lisboa, 1913); Portugal (1917- 20); O Século; Pátria (1920); Imprensa de Lisboa (Lisboa; 1921; dir.); Diário de Notícias; Amanhã (Lisboa, 1922; libertário; dir.); Imprensa Livre (Lisboa; 1925; sindicalista; prop./dir); A Notícia (1928); Cultura (1929-31; prop./dir.); Diário da Noite (Lisboa, 1932-33); Gleba (1934-35); A Batalha (Lisboa, 1919-26; sindicalista); Civilização (Porto, 1928-37); Vida Contemporânea (Coimbra, 1934-36); O Diabo (1939; dir.).



Monografias: A monja. Braga: Minerva, 1898; Notas de um Hallucinado: prosas intimas. Braga: [s.n.], 1899; Nova Crença. Coimbra: Liv. Portugueza, 1901; Os meus dez dias em Paris. Coimbra: Typ. Democrática, 1906; A questão da Universidade: depoimento d'um estudante expulso. Lisboa: Liv. Clássica, 1907; O Rei.Lisboa: Liv. Gomes de Carvalho, 1908; O Regicida. Lisboa: Liv. Gomes de Carvalho, 1909; O Estado e a evolução do direito. Lisboa: Liv. Ailland e Bertrand; Rio de Janeiro: Liv. Francisco Alves, 1914; O carácter jurídico da operação do recrutamento dos funcionários públicos. Lisboa: Liv. Ailland e Bertrand, 1914; O reino da Traulitânia: 25 dias de reacção monárquica no Porto. Porto: Renascença Portuguesa, 1919; O Amor e a Vida. Lisboa: Spartacus, 1924; A quebra. Lisboa: Spartacus, [s.d.]; A Ceia dos pobres: contraste à ceia dos cardeais. Lisboa: Spartacus, 1925; A revolução em Portugal. Lisboa: Spartacus, 1925; A teoria libertária ou o anarquismo. Lisboa: Spartacus, 1926; Gente devota: via dolorosa. Lisboa: Spartacus, 1927; O romance do amor: esboço de uma nova moral sexual. Lisboa: Spartacus, 1931; Movimento operário em Portugal. Porto: Afrontamento, 1972.


Bibliografia:
Grande enciclopédia portuguesa brasileira. Lisboa-Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, Lda., 1978.
LIMA, Campos - O Movimento Operário em Portugal. Porto: Afrontamento, 1972.
PEREIRA, José Pacheco – “Bibliografia sobre o movimento operário português desde a origem até 25 de Abril de 1974 (livros e artigos publicados de 1974 a 1980)”. Análise Social, 1981, vol. XVII (67-68).
PIRES, Daniel - Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX. Lisboa: Grifo, 1996.
SÁ, Victor de - Roteiro da Imprensa Operária e Sindical 1836-1986. Lisboa: Caminho, 1991. ISBN 972-21-0541-8.

10.7.10

Estado do Mundo 2010, do Consumismos à Sustentabilidade (State of the World 2010-Transforming Cultures: From Consumerism to Sustainability)

"This year’s State of the World report is a cultural mindbomb exploding with devastating force. I hope it wakes a few people up ."
Kalle Lasn, Editor of Adbusters magazine

Acaba de ser lançada a versão portuguesa, o livro "Estado do Mundo 2010, Transformando Culturas, do Consumismo à Sustentabilidade". Esse relatório é editado há 28 anos pela Worldwatch e merece uma leitura atenta.

Download gratuito do livro:
clique aqui


Apresentação da edição brasileira:

A Declaração do Milênio, da ONU, aprovada por 189 países em setembro de 2000, expressa a decisão da comunidade internacional de reduzir à metade, até 2015, o número de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia. De acordo com o "World Development Report", porém, em muitos países, onde as taxas de crescimento foram negativas, o avanço econômico permanece abaixo do nível considerado necessário para se atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Um bilhão e meio de pessoas no mundo continuam abaixo da linha da pobreza, sobrevivendo com menos de US$ 1,25 por dia. O compromisso com investimentos internacionais destinados à diminuição do fosso e da desigualdade social entre populações de elevado consumo, que movimentam mercados concentrados, e o 1/5 da humanidade que luta para sobreviver, é um desafio a ser enfrentado.

Tal esforço, porém, resultaria apenas parcialmente bem sucedido na ausência de uma equação capaz de frear o consumismo concentrado e impulsionar o quanto antes o consumo sustentável – equação esta que passa, entre outros fatores, por uma profunda mudança cultural e comportamental. Tal mudança na cultura do consumo é a proposta trazida ao debate pelo Estado do Mundo 2010, relatório anual do WWIWorldwatch Institute, editado há 28 anos consecutivos em cerca de 30 idiomas e publicado em língua portuguesa no Brasil desde 1999 pela UMA-Universidade Livre da Mata Atlântica, representante do WWI no Brasil.

Neste ano, a edição se faz em parceria com o Instituto Akatu, organização que se destaca no trabalho pela transformação do comportamento do consumidor como fator essencial, dentro do tripé empresa–governo–sociedade civil, para o encaminhamento de soluções voltadas para a sustentabilidade. Essa transformação, urgente, tem como pilar uma maior conscientização do consumidor quanto às consequências de seus atos de consumo.

Nesse passo, é também fundamental levá-lo a perceber que, em adição a buscar maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos de seus próprios atos individuais, cabe a ele mobilizar outros consumidores na direção de um consumo consciente; apoiar o esforço das melhores empresas em responsabilidade sócio ambiental, pressionando-as diretamente e comprando os seus produtos, assim como valorizando as novas tecnologias por elas desenvolvidas; e pressionar os governos na direção de uma atuação administrativa própria mais sustentável, do provimento de serviços que facilitem a ação do consumidor consciente (por exemplo, a coleta seletiva de resíduos) e da regulação e legislação referentes aos atributos dos produtos e à operação das empresas. Dessa maneira, o consumidor consciente terá um papel expandido para muito além de seus gestos individuais.

Integrando de modo concreto os esforços no sentido dessa mudança cultural tão indispensável e da co-relata democratização da informação, o WWI, com o apoio do Instituto Akatu, disponibiliza para download gratuito, em língua portuguesa, o presente relatório anual. Assim, executivos de empresas e responsáveis governamentais, estudiosos, jornalistas, pesquisadores, professores e alunos de instituições públicas ou privadas, têm à sua disposição análises, pesquisas, dados, informações e estatísticas confiáveis, abrangentes, muitas vezes inéditos, de extensão planetária, capazes de municiá-los em seu empenho não só pelo necessário cumprimento das metas do milênio como também por uma mudança imediata, aprofundada a cada dia, em favor de uma vida mais saudável, ambiental e socialmente responsável, rumo a um mundo sustentável que, dessa forma, poderá passar do sonho à realidade.



Índice

Introdução .....................................XX
Muhammad Yunus – Fundador do Banco Grameen e Prêmio Nobel da Paz em 2006
Prefácio ....................................XXII
Christopher Flavin – Presidente do Worldwatch Institute
Estado do Mundo: Um Ano em Retrospecto.............XXV
Lisa Mastny e Valentina Agostinelli

ASCENSÃO E QUEDA DAS CULTURAS DE CONSUMO..........3
Erik Assadourian
ANTIGAS E NOVAS TRADIÇÕES .................................21
Envolvendo as Religiões para Construir Visões de Mundo ..............................................23
Gary Gardner
Rituais e Tabus como Guardiões Ecológicos .................31
Gary Gardner
Vida Reprodutiva Ambientalmente Sustentável ..........38
Robert Engelman
Idosos: Um Recurso Cultural para Promover o Desenvolvimento Sustentável ..43
Judi Aubel
Da Agricultura para a Permacultura ........................49
Albert Bates e Toby Hemenway

A NOVA TAREFA DA EDUCAÇÃO: SUSTENTABILIDADE......57
Educação Infantil para Transformar Culturas para a Sustentabilidade .....59
Ingrid Pramling Samuelsson e Yoshie Kaga
O Comercialismo na Vida das Crianças.......................64
Susan Linn
Repensando a Alimentação Escolar: O Poder do Prato Público ......................................72
Kevin Morgan e Roberta Sonnino
O Que Compete ao Ensino Superior Hoje? ........................................................................79
David W. Orr

NEGÓCIOS E ECONOMIA: PRIORIDADES DE GESTÃO......87
Adaptando as Instituições para uma Vida em um Mundo Cheio 89
Robert Costanza, Joshua Farley e Ida Kubiszewski
Jornadas de Trabalho Sustentáveis para Todos ..................................................................96
Juliet Schor
Mudando as Culturas Empresariais Internamente ..........................................................102
Ray Anderson, Mona Amodeo, and Jim Hartzfeld
Empreendedores Sociais: Inovando Rumo à Sustentabilidade ......................................110
Johanna Mair e Kate Ganly
Relocalizando as Empresas .................................118
Michael H. Shuman

O PAPEL DO GOVERNO NOS PROJETOS ..............125
Eliminando o Comportamento Não Sustentável......127
Michael Maniates
Ampliando o Entendimento sobre Segurança ..................136
Michael Renner
Construindo as Cidades do Futuro ...............................143
Peter Newman
Reinventando os Serviços de Saúde: De Panaceia a Higeia ............................................149
Walter Bortz
Direitos da Terra: Da Colonização à Participação............................................................154
Cormac Cullinan

MÍDIA: TRANSMITINDO SUSTENTABILIDADE ...............161
Da Venda de Sabão à Venda de Sustentabilidade: Marketing Social ...163
Jonah Sachs e Susan Finkelpearl
Educação para a Mídia, Cidadania, e Sustentabilidade ..................................................170
Robin Andersen e Pamela Miller
Música: Usando a Educação e o Entretenimento para Motivar Mudança.178
Amy Han

O PODER DOS MOVIMENTOS SOCIAIS .......185
Reduzindo a Jornada de Trabalho como um Caminho para a Sustentabilidade .187
John de Graaf
Inspirando as Pessoas a Ver que Menos é Mais ................................................................193
Cecile Andrews e Wanda Urbanska
Ecovilas e a Transformação de Valores ............201
Jonathan Dawson

NOTAS ..................................................207
ÍNDICE REMISSIVO ......................231
QUADROS
1. Será que Níveis Elevados de Consumo Melhoram o Bem-Estar dos Homens?
por Erik Assadourian...............................................9
2. O Papel Essencial dos Pioneiros Culturais, por Erik Assadourian .19
3. Uma Ética Ecológica Global, por Patrick Curry ............................................................28
4. Aprofundando as Percepções de Tempo, por Alexander Rose ...35
5. Normas Dietéticas que Curam Pessoas e o Planeta, por Erik Assadourian
and Eddie Kasner .............................................................49
6. Sustentabilidade e o Relacionamento entre Homens e Natureza,
por Almut Beringer .................................60
7. Brinquedotecas, por Lucie Ozanne and Julie Ozanne........................................................66
8. Transformação do California Academy of Sciences, por Gregory C. Farrington 70
9. Questões Pendentes em Educação Ambiental, por David C. Orr..................................81
10. Maximizando o Valor do Ensino Superior, por Erik Assadourian .............82
11. Um Novo Foco para Cientistas: Como as Culturas se Transformam,
por Paul R. Ehrlich e Anne H. Ehrlich ...........................85
12. A Insensatez de um Crescimento Infinito em um Planeta Finito,
por Øystein Dahle ...................................................91
13. Melhorando o Estatuto Social, por Kevin Green and Erik Assadourian .....108
14. Do berço ao berço: Adaptando a Produção ao Modelo da Natureza,
por William McDonough and Michael Braungart ..........................................................113
15. Índice de Carbono para o Mercado Financeiro, por Eduardo Athayde ....115
16. O Processo Marrakesh das Nações Unidas sobre Consumo e Produção
Sustentáveis, por Stefanie Bowles ..................................128
17. Tornando os Programas de Bem-Estar Social Sustentáveis,
por Kevin Green e Erik Assadourian .....................152
18. Princípios dos Direitos da Terra, por Cormac Cullinan ............................................155
19. A Expansão do Papel do Jornalismo Ambiental na Índia, por Raj Chengappa ......175
20. Luz, Câmara, Consciência Ecológica, por Yann Arthus-Bertrand ......179
21. A Arte pelo Bem da Terra, por Satish Kumar ..............................................................180
22. Expandindo um Movimento pelo Decrescimento, por Serge Latouche .....197
23. O Movimento Slow Food, por Helene Gallis................................................................198
TABELAS
1. População Mundial Sustentável com Diferentes Níveis de Consumo .....6
2. Como as Indústrias Mudaram as Normas Culturais ....................................................14
3. Acesso aos Meio de Comunicação por Grupo de Renda Global, 2006.....15
4. Obras de Referência sobre Religião e Natureza..............................................................24
5. Alguns Conceitos Religiosos sobre o Consumo ............................................................31
6. Preceitos Econômicos de Certas Tradições Religiosas e Espirituais...........29
7. Iniciativas de Marketing Dirigido ao Público Infantil no Mundo Todo.......66
8. Exemplos e Características da Ingerência nas Escolhas ..............................................130
9. Desempenho da Assistência Médica, Países Selecionados, 2006 ..........150
10. Algumas Campanhas de Marketing Social e de Produto Bem-Sucedidas......165
11. Iniciativas de Alguns Países para Promover a Educação para a Mídia ......173
FIGURAS
1. Pegada Ecológica da Humanidade, 1961 – 2005 ............................................................5
2. Aspirações de Alunos de Primeiro Ano de Faculdades nos
Estados Unidos, 1971 – 2008 .......................10
3. Produto Interno Bruto comparado ao Indicador Genuíno de
Progresso – EUA – 1950-2004 ......................92
4. Horas anuais de trabalho nos países selecionados, 2007 ..............................................97
5. Modelo de Mudança de Cultura ..........104

Luiz Pacheco ( video e extractos de algumas das suas obras)






O libertino passeia por Braga, a idoláctrica, o seu esplendor [Extractos]

Saio para a rua e vou à cata dos dois pequenos libertinos ricos. Passeio pelas ruas de Braga, sigo ora uma ora outra, deito olhares de megatoneladas, fumo. O cinema ainda não acabou. Vigio de longe o jogo amoroso duma mocinha a palrar na rua com um maçanito, muito gesticulosa, muito espalha-brasas, e com o corpo todo pendurado para cima dele que com a mão esquerda na algibeira vai entretendo o caralho com as promessas que a vista lhe está a demonstrar.
(...)Faço o meu primeiro engate de magala, na rua. Não me digam tragédias: é facílimo. É a coisa mais natural do mundo!
(...) -`tão, nada feito - diz a sua honra camponesa, e pela primeira vez noto como me apetecia aquele corpo, ser dono ou servo daquele aparato movediço de carne, pele, ossos, pêlos, força. E também me parece que ele está pronto a ir atrás de uma promessa, duma mentira qualquer, e que a recusa pela venda comercial é onde ele esconde sua pronta adesão. Talvez o seu vício. Mas para comercial, comercial e meio.
(...) Descemos um carreiro em bico à direita da estrada. Escuridão. É o lugar ideal para mijar, cagar ou brochar discretamente. Calculo que ele está a provocar-me com o caralho fora das calças, quer festa, mas eu estou muito senhor de mim.
(...) Volto para Braga. Mas o cinema já fechou. E como estou um bocado tonto, passeio um bocado. Onde será o 28? Volto para a pensão. Lá estão os dois rapazolas; ou serão outros, parecidos?

Pergunto:

- Que tal esse cinema?

- Não foi mau - responde com ar zangado.

Ora vão pró caralho! Não aturo meninos depois de ter tido homens na mão. Bebo não bebo mais verde? bebo não bebo mais cerveja? ou uma água Castelo? Fumo? Peço mais fiado? Volto a passear e aproveito para meter aqui o episódio da excursão vianense.
(...) Vou para a cama. O vinho pesa-me na cabeça. Bebo água fria para desenjoar a gorja. Durmo como um bendito. Acordo no escuro, cedo, 5 ou 6 horas, há um grupo na Pensão que se esta a levantar, batem portas. Estou excitadíssimo. O meu homem virá ao encontro? Onde o hei-de meter? Nestes quartos ouve-se tudo.

Abjecção. Remorsos. Decido não ir. Misturo a Deolinda com o António e sem mexer na picha estou quase a vir-me. De repente, tudo é tão violento que tenho de bater uma punheta.

Luiz Pacheco,
Contraponto, 1970.





Comunidade
[
Extractos]

Estendo o pé e toco com o calcanhar numa bochecha de carne macia e morna; viro-me para o lado esquerdo, de costas para o candeeiro; e bafeja-me um hálito calmo e suave; faço um gesto ao acaso no escuro e a mão, involuntária tenaz de dedos, pulso, sangue latejante, descai-me sobre um seio morno nu ou numa cabecita de bebé, com um tufo de penugem preta no cocuruto da careca, a moleirinha latejante; respiramos na boca uns dos outros, trocamos pernas e abraços, bafos suor uns com os outros, uns pelos outros, tão conchegados, tão embrulhados e enleados num mesmo calor como se as nossas veias e artérias transportassem o mesmo sangue girando, palpitassem, compassadamente, silenciosamente, duma igual vivificante seiva.

(...)

Somos cinco numa cama. Para a cabeceira, eu, a rapariga, o bebé de dias; para os pés o miúdo e a miúda mais pequena. Toco com o pé numa rosca de carne meiga e macia: é a pernita da Lina, que dorme à minha frente. Apago a luz cansado de ler parvoíces que só em português é possivel ler, e viro-me para o lado esquerdo: é um hálito levemente soprado, pedindo beijos no escuro que me embala até adormecer. Voltamo-nos, remexemos, tomados pelo medo de estarmos vivos, pela alegria dos sonhos, quem sabe!, e encontramos, chocamos carne, carne que não é nossa, que é um exagero, um a-mais do nosso corpo mas aqui, tão perto e tão quente, é como se fosse nossa carne também: agarrada (palpitante, latejando) pelos nossos dedos; calada (dormindo, confiante) encostada ao nosso suor.

(...)

Luiz Pacheco,
("Comunidade", Contraponto, 1964)

Passos Contados:passeios pedestres de interpretação da paisagem (o de hoje, 10 de Julho, é sobre bruxas, lobisomens e mouras)




Decorre desde Abril passado em Cacela, no Algarve, a 4ª edição do ciclo anual de passeios pedestres de interpretação da paisagem “Passos Contados”. Hoje realiza-se mais um passeio pedestre com um percurso nocturno, desta vez sob o tema «Bruxas, lobisomens e mouras. Medos nocturnos na tradição oral» que será acompanhado pelo contador António Fontinha, e a arqueóloga Catarina Oliveira, juntamente com habitantes locais. O ponto de encontro: 21.30 em Santa Rita.









Bruxas, lobisomens, mouras, almas do outro mundo povoam o imaginário dos medos nocturnos das populações rurais. Estórias e lendas registam encontros fugazes de homens e mulheres com estes seres em determinados dias, horas e lugares. Acontecem usualmente em espaços exteriores à aldeia, conotados com a natureza e o perigo (penedos, fontes, poços, encruzilhadas, alfarrobeiras escuras). É também em horas abertas, normalmente próximo de meia-noite, que as bruxas e os lobisomens se transformam em animais, e que as mouras saem das entranhas da terra e se deixam descobrir. Nas zonas rurais mais isoladas, onde as noites são ainda escuras como o breu, alguns destes seres encontram refúgio, permanecendo vivos nas estórias e lendas contadas de boca em boca




O Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela / CMVRSA propõe este ano novas experiências de interpretação e descodificação das paisagens culturais e naturais do sotavento algarvio. Nesta quarta edição pretende-se ir à descoberta das plantas e dos seus antigos usos na medicina e alimentação; das heranças islâmicas nas formas de construir e habitar; de antigos caminhos, muros e valados; vamos durante a noite ouvir lendas sobre os antigos medos de bruxas e lobisomens; com os pés na água vamos apanhar e conhecer os bivalves da Ria Formosa; já no final do Verão vamos colher figos, e compreender a sua importância, a par da amêndoas e alfarroba, na história local; terminaremos com um percurso geológico sobre alterações no uso e ocupação do território.

Plantas medicinais e aromáticas do barrocal e serra algarvia
Com o mestre José Salgueiro
17 Abril (Ponto de encontro: 9.30 em Santa Rita)

Heranças islâmicas nas formas de construir e habitar
Com o historiador Cláudio Torres
22 Maio (Ponto de encontro: 9.30 em Cacela Velha)

Antigos caminhos, muros e valados no sotavento algarvio
Com o historiador Luís Oliveira e o arqueólogo João Pedro Bernardes
26 Junho (Ponto de encontro: 9.30 em Santa Rita)

Bruxas, lobisomens e mouras. Medos nocturnos na tradição oral
Com o contador António Fontinha, a arqueóloga Catarina Oliveira e habitantes locais
10 Julho (Ponto de encontro: 21.30 em Santa Rita)

Com os pés na água à procura dos bivalves da Ria Formosa
Com a bióloga marinha Paula Moura, viveiristas e mariscadores locais
28 Agosto (Ponto de encontro: 9.30 em Cacela Velha)

O figo, a amêndoas e a alfarroba no barrocal algarvio
Com o historiador António Rosa Mendes e produtores locais
18 Setembro (Ponto de encontro: 9.30 em Santa Rita)

Alterações no uso e ocupação do território: uma perspectiva geológica
Com o geólogo Hélder Pereira
9 Outubro (Ponto de encontro: 9.30 em Cacela Velha)

Inscrições
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela
Antiga Escola Primária de Santa Rita
Tel. / Fax: 281 952600
ciipcacela@gmail.com
www.ciip-cacela.blogspot.com

As participações são gratuitas e limitadas. Inscreva-se com antecedência, deixando o seu nome e contacto.