Um blogue sobre os movimentos sociais, a ecologia, a contra-cultura, os livros, com uma perspectiva crítica sobre todas as formas de poder (económico, político, etc)
Entre os dias 7 e 9 de Julho estará a decorrer a reunião dos 8 países mais industrializados/ricos do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia), na qual irão ser debatidas, entre outras, a economia mundial, o desenvolvimento de África, o aquecimento global e as alterações climáticas.
Talvez pareça à primeira vista que a importância destes encontros, não deveria ultrapassar as fronteiras dos próprios países que se reúnem. Contudo, o impacto das decisões que daí advêm, têm um alcance global e vezes demais destrutivo e opressor. O poder económico destes 8 países é tal que, o que por eles é decidido nesta espécie de "cúpula" do poder rapidamente se converte em directivas políticas e de mercado, impostas ao mundo inteiro. O G8 determina políticas globais sem ter legitimidade para o fazer, da forma menos transparente possível fechando os portões à democracia.
De forma a proteger a sua economia em prejuízo de todas as outras, os países que integram o G8 são grandemente responsáveis por políticas cujas consequências são: aumento da pobreza e da fome resultando nesta crise alimentar; directivas comerciais que se traduzem na imposição (via OMC, FMI, Banco Mundial) na liberalização dos mercados agrícola e das pescas fragilizando e destruindo a economia de países em desenvolvimento; aquecimento global e perda de biodiversidade associada às alterações climáticas; desflorestação em prol de agrocombústiveis e monoculturas; por uma política de patentes que no caso dos medicamentos condiciona
gravemente o tratamento das populações com menores recursos económicos, proporcionando a escalada de doenças como a SIDA.
Em resposta a este crescendo de abusos, a resistência é fértil e propaga-se que nem ervas daninhas. A oposição à reunião do G8 reúne à escala mundial, centenas de milhares de indivíduos e grupos que diversos nas suas campanhas, convergem na oposição a esta maneira de fazer política.
Dia 29 deste mês (próximo Domingo), pelas 16:00h, na Horta Popular da Mouraria (à Graça, acesso pela R. Damasceno Monteiro) vem partilhar connosco ideias, perspectivas e sugestões tendo em vista a realização de acções não violentas contra a cimeira do G8 no Japão.
A Via Campesina está a apelar à mobilização do movimento contra G8 para no período de 4 a 7 de Julho realizar acções no âmbito da soberania alimentar, alterações climáticas, perda de biodiversidade.
Apesar desta chamada internacional partir (entre outras) da Via Campesina, a contestação ao G8 engloba uma diversidade de grupos de acção, campanhas e indíviduos que no dia a dia, lutam contra o desenfreado capitalismo que nos ataca e põe em causa habitats e seres vivos como nunca, com as consequências sociais dramáticas que conhecemos.
Esta é uma oportunidade de trabalharmos juntos por um objectivo comum, maximizando o impacto da sociedade civil nas políticas que nos impõe dia após dia.
Slavoj Zizek, filósofo, pensador e investigador, apresenta na Cinemateca de Lisboa o seu livro sobre cinema moderno – Lacrimae Rerum – com ensaios sobre Hitchcock, Lynch, Tartovsky e outros cineastas de renome
“LACRIMAE RERUM reúne um conjunto de ensaios sobre cinema moderno. Numa abordagem às filmografias de Kieślowski, Hitchcock, Tarkovsvki e Lynch, Žižek decripta as imagens e o cinema de cada um destes autores para nos propor um estudo aprofundado dos seus motivos e movimentos. E colocando-nos face aos nossos próprios medos, ou desejos, estabelece a ponte final da análise entre o espectador-receptor e a projecção das suas pulsões em imagens tão familiares quanto fabricadas.”
Lacrimae Rerum reuniu ensaios sobre Alfred Hitchcock, David Lynch, Andrei Tarkovsky, Krzysztof Kieslowski, onde analisa as imagens de cada um destes cineastas, conhecidos pelo seu cinema de autor, para encontrar as pulsões humanas que se escondem por trás de cada um delas.
Zizek, psicanalista e investigador de Sociologia na Universidade de Liubliana, tem uma vasta bibliografia, traduzida em mais de 20 idiomas, e colaborou com Sophie Fiennes no documentário The Pervert’s Guide to Cinema, de 2006.
Slavoj Žižek (Liubliana, 21 de Março de 1949) é um sociólogo, filósofo e crítico cultural esloveno. Seu nome é pronunciado como "slávoi jijec". Nasceu em Liubliana, na antiga Jugoslávia (hoje capital da Eslovénia). Doutorou-se em Filosofia na sua cidade natal e estudou Psicanálise na Universidade de Paris. Žižek é professor da European Graduate School e pesquisador sénior no Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana. É também professor visitante em várias universidades estadunidenses, entre as quais estão a Universidade de Columbia, Princeton, a New School for Social Research, de Nova Iorque, e a Universidade de Michigan. Žižek é conhecido por seu uso de Jacques Lacan numa nova leitura da cultura popular - por exemplo, Alfred Hitchcock, David Lynch, V. I. Lenin, fundamentalismo e tolerância, correcção política, subjectividade nos tempos pós-modernos e outros tópicos. Em 1990, candidatou-se à presidência da República da Eslovénia.
Teoria: o real, o simbólico e o imaginário
O real
Aqui, o "real" resulta ser um termo bastante enigmático, e não deve ser equiparado com a realidade, uma vez que a nossa realidade está construída simbolicamente; o real, pelo contrário, é um núcleo duro, algo traumático que não pode ser simbolizado (isto é, expressado com palavras). O real não tem existência positiva; só existe como abstracto. Nem tudo em realidade pode ser desmascarado como una ficção; basta ter presente certos aspectos - pontos indeterminados - que têm que ver com o antagonismo social, a vida, a morte, e a sexualidade. Temos que enfrentar com estes aspectos se quisermos simbolizá-los. O real não é nenhuma espécie de realidade atrás da realidade, mas sim o vazio que deixa a própria realidade incompleta e inconsistente. É o espectro do fantasma; o próprio espectro em si é o que distorce a nossa percepção da realidade. A trilogia do simbólico/imaginário/real se reproduz dentro de cada parte individual da subdivisão. Há também três modalidades do real: O "real simbólico": o significante reduzido a uma fórmula sem sentido (como em física quântica, que como toda ciência parece arranhar o real mas só produz conceitos apenas compreensíveis) O "real real": uma coisa horrível, aquilo que transmite o sentido do terror nas películas de terror. O "real imaginário": algo insondável que permeia as coisas como um pedaço do sublime. Esta forma do real torna-se perceptível na película Full Monty, por exemplo, no facto de que na nudez dos protagonistas desempregados, estes devem despir-se por completo; noutras palavras, através deste gesto extra de degradação "voluntária", algo da ordem do sublime se faz visível. A psicanálise ensina que a realidade (pós-moderna) precisamente não deve ser vista como uma narrativa, mas como o sujeito o há de reconhecer, suportar e ficcionar o núcleo duro do real dentro de sua própria ficção.
O simbólico
O simbólico inaugura-se com a aquisição da linguagem; é mutuamente relacional. Assim, sucede aquilo de que "um homem só é rei porque os seus súbditos se comportam perante ele como um rei". Ao mesmo tempo, permanece sempre uma certa distancia no que diz respeito ao real (excepto na paranóia): nem só é louco o mendigo que pensa que é rei, também aquele rei que verdadeiramente crê que é um rei. Uma vez que efectivamente, este último só tem o "mandato simbólico" de rei. O real simbólico é o significante reduzido a una fórmula sem sentido. O imaginário simbólico qual símbolos jungianos. O simbólico simbólico como o falar e a linguagem como sentido em si. O visor do monitor como forma de comunicação no ciberespaço: como um interface que nos leva a uma mediação simbólica da comunicação, a um abismo entre quem seja que fala e a "posição de falar" em si (p.ex. a alcunha, ou a direcção de correio). "Eu" nunca "de facto" coincido exactamente com o significante, não me invento a mim mesmo; em contrapartida, a minha existência virtual foi, em certo sentido, já confundida com o surgimento do ciberespaço. Aqui cada um, deve chegar a entender-se com uma certa insegurança, mas não pode ser resolvida como num simulacro de contingente pós-moderno... Aqui também, como na vida social, as redes simbólicas circulam á volta dos núcleos do real. As redes simbólicas, são a nossa realidade social.
O imaginário
O imaginário encontra se situado ao nível da relação do sujeito consigo mesmo. É como o olhar do Outro na etapa do espelho, a falta em esse reconhecimento ilusório, como conclui Jacques Lacan citando a Arthur Rimbaud: "Eu sou um outro" ("Je suis un autre"). O imaginário é a fantasia fundamental que é inacessível á nossa experiência psíquica e se eleva do espectro fantasmático em que encontramos objectos de desejo. Aqui também podemos dividir o imaginário entre um real (o fantasma que assume o lugar do real), um imaginário (a imagem/espectral em si que serve como isco) e um simbólico imaginário (os arquétipos de Jung e o pensamento New Age). O imaginário nunca pode ser agarrado, já que todo discurso sobre ele sempre estará localizado no simbólico. Todos os níveis estão interligados, de acordo com Jacques Lacan (desde o seminário XX para a frente), numa forma de nó gordiano, como três anéis enlaçados juntos de maneira que se um deles se desenlaçara, o resto também cairia.
Conceitos
Significante vazio – Signo que, devido à repetição exaustiva em circunstâncias totalmente díspares, perde completamente o seu valor. Ex: último andamento da nona sinfonia de Beethoven que é ouvido em toda e qualquer efeméride social e política, tentando fazer com que nos esqueçamos das nossas oposições e participemos nesse momento mágico de fraternidade humana.
Auseinandersetzung – Termo operado de Heidegger que transmite a necessidade europeia de se repensar, uma confrontação interpretativa, quer em relação aos outros quer em relação ao passado da própria Europa em todas as suas dimensões, das suas raízes antigas e judaico-cristãs à ideia recentemente defunta de Estado-providência, sobretudo quando actualmente a Europa se encontra balizada pela tecnologia desenfreada da China, por um lado, e pela globalização e economia americana, por outro. A pior opção seria, sem dúvida, a proposta de uma “síntese criadora” destes dois aspectos, no interior da Europa, tendendo para o que chamaríamos de “globalização de rosto europeu”. A época é, portanto, propícia a questionar tudo e a repetir a pergunta – “O que é a Europa?”.
Censura liberal – Sentimo-nos livres exactamente porque nos falta precisamente a linguagem que poderia transmitir essa mesma falta de liberdade, ainda que se reconheça que, supostamente, vivemos na época em que todos somos totalmente livres. “Guerra contra o terrorismo”, “democracia e liberdade”, “direitos do homem” são falsos termos que mistificam a nossa percepção da situação e nos impedem de verdadeiramente reflectir sobre ela. “As nossas profundas «liberdades» servem para mascarar e sustentar a nossa profunda «falta de liberdade»”. “Somos livres de escolher… desde que façamos a boa escolha”. É exactamente o que se passa quando, hoje em dia, nos pedem para escolher: ou democracia, ou fundamentalismo. Entre estes dois termos, é impossível não escolher a democracia. Todavia, importa reter que o problema da proposta não é o fundamentalismo, mas sim a democracia, como se a única alternativa fosse a democracia liberal parlamentar.
A paixão pelo Real – Acto de autenticidade executado; realização directa da nova ordem há muito aguardada; alcançar finalmente a própria “coisa”. A experiência directa do Real opõe-se à experiência directa da realidade social quotidiana, uma vez que o Real surge como o preço a pagar depois de despojar a realidade das suas camadas ilusórias. A autenticidade do Real reside num acto violentamente transgressor, como o Real lacaniano – essa Coisa que Antígona enfrenta quando decide transgredir as leis da cidade. No Ocidente desenvolvido, a frenética actividade social dissimula a monotonia do capitalismo global, a ausência de um Evento… Talvez o actual terror fundamentalista tenha como propósito o de nos fazer emergir, a nós, cidadãos do Ocidente, do nosso torpor, do universo do nosso condicionamento ideológico quotidiano. O colapso das torres pode ser visto como a apoteose conclusiva da arte do século XX e da sua paixão pelo Real.
Cutters – Indivíduos que se cortam com o intuito de enraizar solidamente o ego na realidade corporal para combater a angústia insuportável do indivíduo que tem a impressão de não existir. O cutting opõe-se à prática da tatuagem, que funciona como testemunho da inclusão do sujeito na ordem simbólica, inscrevendo-a no próprio corpo.
Multiculturalismo liberal e tolerante – Sistema político vigente que se caracteriza, essencialmente, por uma política sem política, aquilo que também pode ser designado por uma arte da administração elaborada por especialistas, ou ainda a experiência do Outro privado da sua Alteridade. A realidade virtual não faz mais que generalizar este processo que consiste em oferecer um produto privado da sua substância, do seu núcleo de real, de resistência material. Este fenómeno é ainda percebível através dos numerosos produtos postos à venda no mercado dos quais foram extirpadas as suas propriedades malignas: café sem cafeína, cerveja sem álcool, entre outros (ver “dessubstancialização”). Por fim, as atitudes mais recorrentes caracterizam-se por uma condescendência e um respeito repugnantes pelo Outro.
The Real Thing – A Coisa Verdadeira, o Vazio destruidor. Culmina na queda das torres, nos snuff movies, nos sites porno em que uma câmara é aplicada a um vibrador de forma a dar a ver o interior de uma vagina. Aliás, existe uma conexão evidente entre as imagens da realidade e as imagens divulgadas mediaticamente. Tudo ganha uma distância que permite que a dor das vítimas seja a volúpia do espectador. Veja-se a repetição compulsiva das imagens da queda do WTC e o fascínio que tais imagens sobre nós exerceram.
Desrealização – Tentativa de tornar a realidade privada de substância, de inércia material. Embora o número de vítimas do WTC não parasse de ser repetido, é surpreendente constatar a quase ausência de imagens de carnificina. Pelo contrário, sempre que se assiste à difusão de imagens do terceiro mundo, todo e qualquer pormenor macabro (cabeças degoladas, membros extirpados…) é sempre apresentado antecedido do aviso do horror das imagens que se seguem. Com isto, pretende-se sempre desrealizar a realidade, alterar a substância do que se vive tentando incutir ao espectador que o terrorismo está além e não aqui. Por conseguinte, na sociedade consumista do capitalismo avançado, é a própria vida que possui, de certo modo, as características do espectáculo de Hollywood, operando essa desmaterialização da vida verdadeira.
A travessia do Fantasma – Comummente julga-se que a psicanálise tem como pressuposto libertar-nos dos nossos fantasmas, permitindo-nos confrontar com a realidade tal qual ela é. Nada mais errado: Lacan pretendia, pelo contrário, dar a ver como, na nossa existência quotidiana, nos encontramos imersos na realidade, estruturada e sustentada pelo fantasma, sendo esta imersão perturbada pelos sintomas que testemunham o facto de um outro nível da nossa psique, reprimido, resistir a essa imersão. Atravessar o fantasma significa, então, paradoxalmente, identificar-se completamente com ele, isto é, com esse fantasma que estrutura o excesso que resiste à nossa plena imersão na realidade quotidiana, distinguir claramente o que é realidade do que é a nossa ficção, o nosso fantasma. Temos de conseguir distinguir, naquilo que apreendemos como ficção, o núcleo sólido do Real, que só podemos enfrentar se o ficcionarmos. Em suma, temos de distinguir como uma parte da realidade é transfuncionalizada pelo fantasma, de modo que, apesar de constituir parte da realidade, é apreendida no modo da ficção. A exposição do próprio Fantasma é um acto demasiado traumático para ser dito numa conversa. Daí que na psicanálise a figura do terapeuta tende à invisibilidade, ou então como, n’A Pianista, a professora dá a conhecer o seu Fantasma ao aluno apenas por escrito. O Fantasma exposto constitui o núcleo do seu ser, que está mais nela do que ela própria.
Existência/ Insistência – Os traumas históricos que não estamos prontos a enfrentar continuam-nos a assombrar com ainda mais força. Devemos portanto aceitar este paradoxo: o verdadeiro esquecimento de um acontecimento deve começar pela sua rememoração. Para compreender o justo alcance deste oximoro, devemos ter presente no espírito que o contrário da existência não é a não existência, mas sim a insistência: insistir para que exista para que seja absorvido e deixe de existir. Assim, as presentes revoluções repetem e redimem as suas malogradas tentativas passadas: os sintomas, as causas, as marcas do passado que são retroactivamente redimidas pelo milagre da intervenção revolucionária, não são tanto actos esquecidos, mas falhanços esquecidos para passar ao acto, tentativas malogradas para suspender a força do aparelho social que inibe os actos de solidariedade para com os outros. Num certo sentido, os sintomas, os falhanços, porque não têm existência, insistem até ganharem uma plena consistência ontológica, como se fossem arquivos virtuais vazios que guardamos que persistem da experiência histórica. O seu principal objectivo é o de preencher o vazio deixado pelo malogro de uma intervenção real na crise social.
Excesso de Superego – Este conceito pode ser materializado na figura do coronel Kurtz (Marlon Brando em Apocalipse Now) ou até mesmo, a meu ver, na personagem Mestre Ubu. Ambos simbolizam o pai primordial freudiano por excelência, o pai obsceno do gozo ao qual nenhuma lei simbólica opõe um limite, o Mestre absoluto que ousa confrontar-se com o Real do gozo aterrador. A sua supra-identificação com o sistema leva-o a tornar-se o excesso que o sistema, posteriormente, é obrigado a eliminar. Bin Laden, Hitler e Estaline são figuras que cabem dentro deste conceito. O que permanece fora do nosso horizonte é a perspectiva de uma acção política quebrando o círculo vicioso do sistema que engendra o excesso do seu superego, uma violência revolucionária que já não assentaria na obscenidade do superego, passada essa primeira fase de ostentação do verdadeiro bacanal da destruição, da despesa supérflua, puramente revolucionária. É este acto impossível, em que a violência revolucionária já não assentaria na obscenidade do superego, que todavia ocorre em qualquer autêntico processo revolucionário. Note-se ainda que, para Zizek, o desejo pio de privar a revolução deste excesso é simplesmente o desejo de ter uma revolução sem revolução. A grande diferença entre Lenine e Estaline consiste primeiramente na explosão da energia leninista puramente destruidora, portanto liberatória, para o cabouco estalinista e obsceno da Lei: Lenine é revolucionário e Herói, enquanto Estaline é ditador totalitário, resultado do excesso de Superego estatal que teria de ser eliminado.
Herói – Assume plenamente a fundação suja e obscena do poder, aquele que diz: “Mãos à obra, alguém tem de fazer o trabalho sujo”. Assume que o Real é alcançado pela destruição do elemento excessivo que o antagonismo da revolução produz. Age por si, sem antecipar consequências. O seu lema é: “Atacamos e logo veremos”. O que há de interessante nesta expressão é o facto de ela combinar o voluntarismo, uma atitude activa, empreendedora, arriscada, e um fatalismo mais fundamental: uma pessoa age, salta e depois… espera que as coisas corram bem. E se fosse desta posição que mais precisamos hoje, divididos como estamos entre as duas faces da “ideologia espontânea” da globalização contemporânea – por um lado, o pragmatismo utilitário e ocidental e, por outro, o fatalismo oriental?
Política da Abstracção/ Dessubstancialização – A guerra de alta tecnologia e os bombardeamentos de precisão são, a título de exemplo, um dos casos que o autor cita. Com estes exemplos, Zizek dá conta não só da distância a que as guerras são travadas, sendo cada vez mais raro o combate frontal corpo a corpo, como também da alta tecnologia e da presença de especialistas que decidem ataques mediante números, hipóteses e estimativas. O soldado de guerra é, actualmente, um especialista de informática que carrega em duas ou três teclas para fazer explodir uma porção de território do inimigo. Tendo ainda como base dados puramente matemáticos, esta política permite que um país seja financeiramente são, ainda que um milhão de habitantes esteja a morrer à fome. Perante esta política, surge uma nova arte da guerra bacteriológica, recorrendo ainda ao uso de gás letal ou ainda veneno que, combinando premissas a partir do ADN, matam apenas especificamente certo grupo de pessoas.
Fetichismo – De acordo com Marx, o prazer do fetichismo recaía principalmente na posse física do objecto e da sua própria concretude. Porém, na época em que vivemos, o fetichismo atinge o seu máximo paroxismo quando o dinheiro, a guerra e os vírus vivem em todo o lado e atingem em pleno uma realidade virtual. Mil euros e uma bactéria nociva pertencem muito mais a uma inscrição virtual, algures no planeta, do que propriamente a uma realidade física. O universo conhecido começa a desmoronar-se e a vida a desintegrar-se.
Choques de civilizações – Os choques reais estão, basicamente, todos ligados ao capitalismo global. Em vez de glosar interminavelmente sobre a intolerância característica do fundamentalismo islâmico em relação às nossas sociedades liberais, deveríamos centrar a nossa atenção sobre o pano de fundo económico do conflito – o choque de interesses económicos e geopolíticos dos próprios E.U.A. Estes choques de que falamos designam uma série de massacres perpetrados um pouco por toda a parte – Ruanda, Serra Leoa, Congo, Bósnia, Kosovo, Afeganistão… No fundo, todos estes casos atestam bem o facto de que os Estados Unidos dão claramente mais primazia à economia do que à democracia.
O Grande Outro – Aquilo em cuja prole agimos, em cujo nome se exerce uma busca impiedosa do poder, para o qual transferimos as nossas crenças. Aquele que acredita e sustém o nosso lugar, o nosso sujeito-suposto-crer.
A Outra Via – A verdadeira escolha para os dias que correm situa-se entre o capitalismo e o seu Outro, representado, neste momento, por correntes marginais como o movimento antiglobalização. Esta escolha faz-se acompanhar por fenómenos secundários estruturais, entre os quais, principalmente, a tensão inerente entre o capitalismo e o seu próprio excesso. Com efeito, é sempre o mesmo modelo: a fim de esmagar o seu verdadeiro inimigo, o capitalismo mobiliza o seu excesso obsceno sob a forma do fascismo; mais tarde, sob a forma do comunismo; agora, sob a forma do fundamentalismo e do terrorismo. Na verdade, a guerra contra o terrorismo, empreendida pela América, não é a nossa guerra, mas antes uma luta interna, no seio do universo capitalista. A democracia é hoje o fetiche político principal. A ideia de uma democracia honesta é uma ilusão, tal como é ilusória a ideia de uma ordem jurídica desembaraçada do complemento do seu superego obsceno. A ordem política democrática é, por natureza, susceptível de corrupção. Na realidade, a escolha é clara: aceitamos e endossamos essa corrupção dentro do espírito de uma sabedoria resignada e realista, ou reunimos coragem e formulamos uma alternativa de esquerda à democracia, para quebrar o círculo vicioso da corrupção democrática e das campanhas empreendidas pela direita que pretendem desembaraçar-se dela. (vide coragem ética)
Cinismo – Recordo as palavras de Mohammed Omar, um líder talibã que se dirigiu ao povo americano a 25 de Setembro de 2001: “Vós aceitais tudo o que diz o vosso governo, seja verdade ou mentira (…). Não sabeis pensar por vós próprios? Seria melhor, para vós, se julgásseis por vós próprios, se utilizásseis a vossa própria compreensão das coisas”. Apesar de estas considerações serem indubitavelmente uma manipulação cínica (porque não dar o mesmo direito ao julgamento e à compreensão dos próprios Afegãos?), não parecerão elas contudo bastante apropriadas à situação, quando consideradas de forma abstracta e retiradas do seu contexto? (cf. crentes pós-modernos)
Felicidade – É necessário reunir três condições fundamentais: 1 – Haver bens materiais básicos, mas não completamente, evitando que o excesso de consumo gere insatisfação; por vezes, a penúria ensina-nos a aproveitar melhor os bens de consumo; 2 – Poder imputar o que corre mal ao Outro, para que ninguém se sinta responsável; a culpa é sempre deles; 3 – Haver um outro espaço com o qual se pode sonhar e, por vezes, visitar. Reunidas estas três condições, feliz era a Checoslováquia nos anos 70, princípios de 80. No sentido lacaniano do termo, a felicidade assenta na incapacidade ou na indisponibilidade do sujeito para se confrontar plenamente com as consequências do seu desejo: o preço a pagar pela felicidade é que o sujeito permanece entalado na inconsistência do seu desejo. Na vida quotidiana, julgamos desejar coisas que, na verdade, não desejamos e, em última instância, o pior que nos pode acontecer é obter o que desejamos oficialmente. A felicidade é, portanto, hipócrita por natureza: é a felicidade de sonhar com coisas que não desejamos verdadeiramente.
“Não quero saber nada sobre isso” – Porque o saber traz infelicidade, Lacan sustém que esta é a principal atitude do homem face ao conhecimento, como se houvesse uma resistência fundamental à ideia de saber mais. Qualquer verdadeiro progresso, na área do saber, só se obtém através de um combate doloroso contra essa propensão espontânea. Por exemplo, se corrêssemos o risco de ter contraído uma doença grave que nos mataria aos trinta e cinco anos, quem faria voluntariamente os exames para aferir se corria efectivamente esse risco? Contudo, o problema com uma solução do género “Autorizo outra pessoa a saber o resultado e a não mo dizer, caso ele seja positivo, ajudando-me a morrer durante o sono” levanta uma questão: eu saber que o Outro sabe arruína tudo e expõe-me a um total sentimento de desconfiança.
Saber do saber do Outro – Para Lacan, esta frase resume o facto de toda a economia psíquica de uma situação mudar radicalmente não porque eu aprendi qualquer coisa que ignorava, mas antes porque aprendi que o Outro, que eu julgava ignorante, sabia desde o início e agia como se nada soubesse para salvar as aparências. Existirá situação mais humilhante do que a do marido infiel que, posteriormente, vem a descobrir que a sua mulher tinha conhecimento de tudo embora o tenha calado, por delicadeza ou por desamor?
Crentes pós-modernos – Para o animal humano, é difícil e, até mesmo, traumático aceitar que a sua vida está ao serviço de uma Verdade e que não é simplesmente um processo estúpido de reprodução e busca de prazer. É desta forma que a ideologia parece funcionar hoje no nosso autoproclamado universo pós-ideológico: desempenhamos os nossos mandatos simbólicos sem os assumirmos verdadeiramente, sem os levarmos realmente a sério. Um pai, por exemplo, encarna o papel simbólico de pai, mas acompanha esse papel com um fluxo constante de comentários irónicos e reflexivos denunciando a convenção estúpida da paternidade. Gozamos com as nossas crenças, mas continuamos a praticá-las, ou seja, continuamos a confiar nelas como estrutura em que assentam as nossas práticas quotidianas. Em suma, é sempre a mesma história que nos é contada, embora surja com deslocações, auto-ironia e distanciamentos brechtianos. Ora, a verdadeira função destes últimos mecanismos referidos consiste precisamente em conservar essa história tradicional como relevante para a nossa época pós-moderna – impedindo-nos assim de substituí-la por uma nova história. Se pretendemos levar a sério a ideologia liberal hegemónica, não é possível ao mesmo tempo ser inteligente e honesto: ou se é completamente idiota ou cinicamente corrupto.
Coragem Ética – Hoje precisamos de uma nova coragem e é essa falta de coragem – que, em última instância é também a coragem de questionar a sua própria posição – que é o facto mais flagrante na reacção dos intelectuais americanos e europeus. Claro que podemos sempre advogar que essa coragem também já os nazis a tiveram e, como se viu, isso não trouxe propriamente bons resultados. Todavia, o que torna o nazismo repugnante não é a retórica da solução final enquanto tal, mas a dimensão concreta que lhe imprimiu – o que tornou o nazismo repugnante foi, principalmente, a passagem ao acto. É errado partir do princípio que, ao assumir uma posição, cada sujeito sabe que todas as posições são relativas, condicionadas por constelações históricas contingentes e que, por conseguinte, ninguém está na posse de uma solução definitiva, mas apenas de soluções temporárias e pragmáticas. O relativismo ilustrado por esse exemplo, aparentemente todo feito de modéstia, esconde na realidade a posição inversa ao favorecer a própria posição do seu enunciado. Para nos convencermos disso basta comparar o combate e o sofrimento do fundamentalista com a paz serena do democrata liberal que, protegido na sua posição subjectiva, rejeita ironicamente qualquer comprometimento forte, qualquer defesa de um ponto de vista dogmático. Neste caso, deveríamos pôr antes em prática as palavras bem conhecidas de Cristo ao anunciar que trazia o gládio e a divisão e não a unidade e a paz: em nome do amor pela humanidade. Deveríamos completar a citação judia, evocada muitas vezes a propósito do Holocausto (“Quando alguém salva um homem da morte, salva toda a humanidade”), por: «Quando alguém mata nem que seja um só inimigo da humanidade, não está a matar mas a salvar toda a humanidade». O verdadeiro esforço ético não está apenas na decisão de salvar vítimas, mas também – e talvez muito mais – na dedicação impiedosa de aniquilar aqueles que fazem delas vítimas.
Oportunidade para descobrir a pequena aldeia de Bordozedo e participar em todo o processo de extracção do mel, desde a retirada dos quadros até à centrifugação. O guia desta descoberta será o apicultor Sr. Manuel Vinagre, que explicará todo o processo de tratamento das abelhas e do mel.
14h30 Concentração das pessoas inscritas frente ao escritório do Criar Raízes, em S. Pedro do Sul 16h00 Percurso pedestre/visita a aldeia 17h00 Extracção do mel 19h30 Lanche/prova de produtos locais 20h30 Regresso Organização: Projecto Criar Raízes, S. Pedro do Sul
ATENÇÃO: PERCURSO PEDESTRE MEDIANTE RESERVA OBRIGATÓRIA Informações e Reservas (até às 18h da 5ª feira imediatamente anterior ao percurso) pelos contactos: Projecto Criar Raízes Tel: 232 728 330 / 96 154 87 91 E-mail: criaraizes@portugalmail.pt O percurso far-se-á com um mínimo de 5 e o máximo de 25 pessoas.
5 Julho / sábado
FELGUEIRA, Arões A.T.R. da Felgueira FELGUEIRA – ALDEIA VIVA
A Aldeia Turística e Rural da Felgueira está classificada com a marca “Aldeia de Portugal”. Nesta aldeia pode passar um dia junto da população e participar nas actividades da aldeia. Actividades rurais; contacto com a natureza; gastronomia local; musica, cantares e animação tradicional; entre outros acontecimentos espontâneos… Início - Ao cantar do galo
Organização: Associação Desportiva e Cultural da Felgueira GAMOAL, Manhouce ROTA DAS CORREDOURAS percurso pedestre temático Organização: Projecto Criar Raízes, S. Pedro do Sul
COVAS DO MONTE, Covas do Rio cinema nas aldeias “CHARLOT, O EMIGRANTE” Organização: Projecto Criar Raízes, S. Pedro do Sul
6 Julho / domingo
CANDAL cinema nas aldeias “CHARLOT, O EMIGRANTE” Organização: Projecto Criar Raízes, S. Pedro do Sul
12 Julho / sábado
RIO TEIXEIRA SUBIDA DO RIO TEIXEIRA percurso pedestre 9h00 – Concentração em Lameiras Inscrições até dia 9 Abril (gftaroes@gmail.com) Organização: Grupo Folclórico “Terras de Arões”
13 Julho / domingo
MIZARELA, Albergaria da Serra FOLCLORE NA SERRA
Animação, cultura e regionalidades. Organização: Grupo Folclórico “Terras de Arões” / Associação de Melhoramentos de Albergaria da Serra / Naturveredas
Maciço da Gralheira.
A designação de maciço da Gralheira, aqui atribuída às complicadas formas de relêvo que limitam ao N. a bacia hidrográfica do Vouga, constitui pouco menos do que uma novidade na nossa nomenclatura geográfica. E, a-pesar-disso, ousamos empregá-la como mais propria para qualificar essa vasta zona montanhosa estendendo-se irregularmente em diferentes direcções, que por vezes irradiam do mesmo ponto, não aparentando por isso alinhamentos contínuos - sentido do termo serra - e nem sequer continuidade orográfica aparente. Chamamos-lhe maciço por esta circunstância primacial, e maciço da Gralheira, porque, havendo necessidade de nomes de conjunto em questões de orografia e tectónica, escolhemos, entre as designações locais, aquela que tem um carácter menos acentuadamente local, além de estar já em parte consgarada pelo uso, tanto em livros nacionais como estrangeiros.
Compreende o maciço toda a zona montanhosa que se estende entre o Vouga com o Sul, e o Douro com o Paiva, e é essencialmente constituído por uma faixa central granítica, a que se sucedem lateralmente terrenos arcaicos, precâmbricos e silúricos, apresentando as suas maiores altitudes na serra de S. Macário (1.053 m.), serra da Arada (1.116 m.) e serra da Freita (1.085 m.), estas últimas correspontes ao afloramento granítico e aquela a uma poderosa assentada de quatrzito cinzento, provàvelmente silúrico, que atravessa os terrenos arcaicos e precâmbricos.
Se examinarmos, no modêlo da região, como se distribuem as principais linhas de relêvo do maciço da Gralheira, notamos, antes de tudo, a falta sensivel dum plano ordenado, de tal forma se encontram misturadas essas linhas de relêvo; e a-pesar-disso, o todo constitui uma unidade bem evidente, embora desfigurada, como veremos, pela sobreposição de enrugamentos de diversa idade, que, posteriormente, a erosão fluvial veio complicar ainda mais.
Começa o maciço pela serra de S. Macário (pico de S. Macário, 1.053 m.; Cumieira, 985 m.), com orientação geral de NE. para SO. Caminhando para o Poente, encontra-se, numa direcção aproximadamente perpendicular, a serra da Arada (Arada, 1.057 m.; Cabria, 1.073 m.; Cabeçadas, 1.072 m.; Chans, 1.116 m.). Ao N., e com a mesma orientação, fica a serra de Covas do Monte, que se continua pela serra do Gamarão, uma e outra de altitudes inferiores, constituíndo esta última o recorte setentrional do fertilíssimo vale de Arouca. A disposição vertical dos xistos precâmbricos, facilitando extraordinariàmente o trabalho da erosão, dá origem a quedas de nível muito bruscas, cavando as linhas de água, que afluem ao Paiva, vales muito profundos que conservam, com ligeiros desvios, a mesma direcção das linhas de relêvo.
Continuando para Poente, voltam de novo os alinhamentos NE. - SO., de que faz parte a serra de Manhoce (1.002 m.), e que vão diminuindo de altitude à medida que se aproximam do Vouga. Ultrapassada a ribeira de Teixeira, cujo nome indica ser o seu vale cortado entre profundos desfiladeiros, as linhas de relêvo e os cursos de água tomam uma direcção aproximadamente N.-S., como a chamada serra de Sever, que se prolonga, para N., pela serra do Arestal. Deve notar-se, entretanto, que estes últimos alinhamentos montanhosos teem uma importância muito inferior aos primeiros, pois apenas constituem o rebôrdo de uma vasta zona planáltica em que assenta Albergaria das Cabras e de que a serra da Freita pode considerar-se o contraforte setentrional.
A serra da Freita (1.085 m.), correndo na mesma orientação e como prolongamento natural da serra da Arada, continua-se para NO., por uma zona de altitude successivamente decrescente de que fazem parte as serras de Romariz e de Santo Ovídio, através das quais se estendia o antigo caminho de S. Pedro do Sul para o Pôrto.
Aristides de Amorim Girão, Bacia do Vouga. Estudo Geográfico, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1922, pp. 23-26.
30 de Junho a 04 de Julho – 10h00 às 16h00 Oficina de Clown Com Juliette Prillard
Teatro Oficina Espaço Oficina Preço: € 100,00
O objectivo desta oficina é encontrar aquilo a que chamamos o estado do clown. O clown que não “joga” em cena e que utiliza 99 por cento da sua energia na tentativa de compreender “O que é que estou aqui a fazer?”. Tocaremos, assim, na questão fundamental do homem e da sua presença na terra. Como somos actores, tentaremos construir situações cómicas que serão escritas através do burlesco. O clown, o grotesco expõe o ridículo onde nos transformamos na besta humana, às vezes, com ternura, outras vezes, cheios de crueldade. Durante a oficina, os participantes deverão encontrar qualidade de escuta e de estado clownesco, mas também, uma capacidade de desenhar situações que fazem sentido. Mais do que um fim artístico, o clown é uma ferramenta essencial para o trabalho interpretativo do actor.
Juliette Prillard Comediante, marionetista e encenadora, estudou no Conservatório de Arte Dramática de Toulouse e na Escola Internacional de Teatro Jacques Lecoq. Desde 2000, trabalha na Fabrique des Arts d´à cotê, com direcção de Alain Blanchard tendo criado inúmeros espectáculos que circulam, regularmente, por França e Europa: Les fables bouffonnes; Clown amour et amnésie (clown); Rien que pour les filles (frou-frou e marionetas); La conférence (três) agitée (pantomima e improvisação); Les trois rêves de monsieur Scroodge (máscaras e marionetas); Faust ou la fiancée de l´enfer (marionetas). Em 2003 colabora com a Companhia Lilástico, em Os dias de Hoje de Jacinto Lucas Pires e com encenação de Marcos Barbosa, no Teatro Nacional S. João; cria as máscaras e as marionetas para La vie est belle pour les ressuscites, para o Théatre de la Jacquerie com direcção de Alain Mollot. Em 2004 participa em Petite rigolade avec la mort ou qui ne travaille pas, mangera quand même de Sylvie Bruhat, para a Companhia Carcara Producteur com direcção de Hélène Ninérola. Em 2005 colabora em Fatalitas ou les effroyables aventures de Cheri-Bibi de Jèrôme Soufflet com direcção de Fred Egginton para Les Ben´arts; Sob a direcção de Julie Beauvais do Colletifs dês Mondes Contraires participa em Le pupille et le tuteur de Peter Handke, em 2006. Em 2007 escreve e encena Albert et Jenny ou le cabaret de la névrose et de la déglingue.
Público-alvo Profissionais das artes do espectáculo Local Espaço Oficina Av. D. João IV, 1213, cave 4810-532 Guimarães Nº limite de inscrições 15 Data limite de inscrições 26 de Junho
As inscrições serão aceites até ao dia 26 de Junho e poderão ser efectuadas no Centro Cultural Vila Flor ou no site através do preenchimento da ficha de inscrição disponível online.
O pagamento poderá ser efectuado no Centro Cultural Vila Flor ou através de cheque enviado por correio para a morada: Centro Cultural Vila Flor, Av. D. Afonso Henriques, 701, 4810-431 Guimarães, sempre até à data limite de inscrições. A inscrição só é considerada válida após efectuado o pagamento. Em caso de desistência, não será devolvida a importância paga no acto de inscrição.
Informações e Contactos Centro Cultural Vila Flor Av. D. Afonso Henriques, 701 4810-431 Guimarães Telf. 253 424 700 geral@ccvf.pt
ALGARVE 15H30 CONCENTRAÇÃO na Praça do Infante, Junto ao Liceu, em Faro.
AVEIRO 15H00 CONCENTRAÇÃO no Largo da Estação de Aveiro seguida de MANIFESTAÇÃO até à Ponte Praça.
BEJA 10H30 CONCENTRAÇÃO nas Portas de Mértola, em Beja.
BRAGA 15H00 CONCENTRAÇÃO no Parque da Ponte, em Braga.
BRAGANÇA 15H30 CONCENTRAÇÃO no Largo dos Correios, em Bragança.
C. BRANCO 15H00 CONCENTRAÇÃO/MANIFESTAÇÃO, no Largo São João de Malta, na Covilhã.
COIMBRA 16H00 CONCENTRAÇÃO junto ao Ministério do Trabalho (Av. Fernão de Magalhães) seguida de desfile até ao Praça 8 de Maio, em Coimbra.
EVORA 10H30 CONCENTRAÇÃO na Praça do Giraldo, em Évora
GUARDA 15H30 Pré - concentração às 15H00 na Praça de Táxis da Guarda seguindo para o Governo Civil da Guarda.
LEIRIA 15H00 CONCENTRAÇÃO na Rotunda do Vidreiro com desfile até à Praça Steffens, na Marinha Grande.
LISBOA E SETUBAL 15H30 CONCENTRAÇÃO/MANIFESTAÇÃO, do Largo do Camões para o Rossio, em Lisboa.
PORTALEGRE 10H30 CONCENTRAÇÃO no Largo Frederico Laranjo, seguido de desfile até ao Governo Civil, na Praça da República, em Portalegre.
PORTO 15H30 Concentração na Praça da Batalha com desfile para a Praça da Liberdade, no Porto.
SANTARÉM 16H00 CONCENTRAÇÃO no Largo Cândido dos Reis, seguida de desfile até ao Largo do Seminário, em Santarém.
VILA REAL 15H30 CONCENTRAÇÃO na Praça Diogo Cão, junto à Escola Secundária S. Pedro, em Vila Real. VIANA CASTELO 15H00 Manifestação, no Jardim D. Fernando, em Viana do Castelo.
VISEU 15H30 CONCENTRAÇÃO/MANIFESTAÇÃO, no Rossio, em Viseu com deslocação ao Governo Civil.
FUNCHAL Iniciativas de rua com activistas, no dia 27 de Junho.
ANGRA DO HEROISMO Iniciativas de rua com activistas, no dia 27 de Junho.
HORTA Iniciativas de rua com activistas, no dia 27 de Junho.
PONTA DELGADA Iniciativas de rua com activistas, no dia 27 de Junho.
Mobilizar mais trabalhadores Dar ainda mais força à luta contra a degradação das condições de vida e de trabalho
É intenção do actual Governo agravar ainda mais as condições de vida dos trabalhadores com a revisão do Código do Trabalho, situação que só pode ser impedida por uma ainda mais forte mobilização dos trabalhadores nas manifestações agendadas para dia 28, em todas as regiões do País.
As políticas prosseguidas pelo Governo tornarão inevitável um ainda maior agravamento das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores, e as alterações previstas da legislação laboral nos sectores público e privado só irá piorar as coisas
“Os Anos do Silêncio” é constituído por textos inéditos que Francisco Martins Rodrigues começou a escreve em 2006 sobre os seus primeiros anos de clandestinidade e prisão, seguidos do relatório sobre a tortura do sono (1966) e a defesa em tribunal (1970), dois documentos há muito fora de circulação e nunca editados na legalidade.
Durante a sessão estará patente uma exposição biográfica.
No blogue Almanaque Republicano é possível ler um profunda e detalhada biografia de Francisco Martins Rodrigues:aqui
Dia 28 de JUNHO, às 16h, no Príncipe Real em Lisboa. Dia 12 de JULHO, 15h, na Praça da República no Porto
Manifesto 2008 FRACTURANTE É A DISCRIMINAÇÃO
O orgulho LGBT (Lésbico, Gay, Bissexual ou Transgénero) existe por contraponto à vergonha que o preconceito e a discriminação tentam impor-nos. Temos orgulho porque, por entre o insulto, fomos capazes de descobrir a nossa identidade e temos orgulho porque somos capazes de a afirmar contra os armários do silêncio, do medo e da invisibilidade. Porque a rua é o palco de todas as lutas e da celebração da diversidade e da visibilidade dos nossos amores, queremos mostrar que a orientação sexual e a identidade de género não nos diminuem nem nos tornam melhores seres humanos.
E estamos orgulhosamente acompanhad@s por todas as pessoas que se preocupam com os direitos humanos e que lutam contra a discriminação sexista, homofóbica, transfóbica, ou racista e xenófoba, que limitam a nossa democracia.
É que o direito à cidadania plena independentemente da orientação sexual e da identidade de género não é uma “questão fracturante”. “Fracturante” é a discriminação na lei e na sociedade que remete as pessoas LGBT para uma cidadania de segunda.
Queremos uma sociedade que reconheça a diversidade de modelos familiares com iguais oportunidades perante a lei. Porque a família é uma escolha livre dos indivíduos, lugar para a partilha de afectos e de vidas em comum e porque o Estado não pode privilegiar nenhum modelo em detrimento de todos os outros.
Por isso exigimos que se cumpra a Constituição no seu 13º Artigo e que o casamento civil deixe de ser uma possibilidade exclusiva para “pessoas de sexo diferente”, que a possibilidade de adopção e acolhimento de crianças seja alargada para todas as pessoas e casais com condições materiais e afectivas para delas cuidar, que a inseminação artificial possa ser uma possibilidade para todas as mulheres que a desejem, independentemente da sua orientação sexual e de viverem ou não uma relação de casal. Porque as nossas famílias já existem e nada justifica que continuem fora da lei.
“Fracturante” é por isso a actual discriminação na lei que recusa o igual reconhecimento das relações e projectos familiares das pessoas LGBT.
Exigimos que sejam tomadas medidas legislativas que combatam eficazmente a desigualdade de género que persiste e, inclusive, se agrava no nosso país. Que as mulheres possam ter acesso, em condições de igualdade, ao trabalho e ao espaço público. Que a violência e a discriminação de género sejam erradicadas definitivamente.
Exigimos ainda que a identidade de género seja contemplada no Principio da Igualdade constitucional, que se tomem iniciativas legais que reconheçam a autodeterminação das pessoas transsexuais e transgénero, que facilitem os processos de adaptação do nome e do sexo nos documentos de identificação, que agilizem os procedimentos médicos de adaptação do corpo.
“Fracturante” é a actual lacuna legal que obriga as pessoas transsexuais e transgénero a viver um longo processo médico e judicial, que perpetua a discórdia entre a aparência e os documentos, causando várias discriminações no acesso à educação, ao trabalho, e à saúde.
Não esquecemos que o Estado tem responsabilidades particulares no perpetuar da discriminação. Como por exemplo, através do Instituto Português de Sangue ao recusar as dádivas de homens que tiveram sexo com homens, com o preconceito a sobrepor-se a qualquer critério objectivo e a colocar mesmo em risco – para toda e qualquer pessoa que necessite de uma transfusão – uma triagem correcta da qualidade do sangue.
É fundamental apostar na prevenção activa do preconceito, com políticas que promovam a igualdade de género e combatam a discriminação e a violência em todas as suas formas.
É, pois, imperativo que agentes do Estado – de sectores fundamentais como a saúde, a educação, a justiça ou a segurança – recebam formação específica para que tenhamos uma sociedade plural e laica, que saiba viver em diversidade e que saiba combater as fracturas geradas pela discriminação.
Temos todos o direito, e @s jovens em particular, a uma educação abrangente, inclusiva e realista. Uma educação em que finalmente se concretize a educação sexual e para a cidadania, suportada em conhecimentos científicos rigorosos. Uma educação estruturada de modo não heterossexista e que aborde as orientações sexuais e as identidades de género, possibilitando a prevenção das diversas discriminações a que somos sujeit@s no nosso quotidiano público e privado.
Somos pessoas de muitas origens, convicções e diferentes saberes, mas hoje estamos juntas na rua com a cara levantada e a certeza de que o futuro só depende daquilo que soubermos fazer dele.
"Vós que não vos sentis opressores. Vós que beijais como toda a gente. Não é culpa vossa que haja doentes ou criminosos. Nada podeis fazer, dizeis, já que sois tolerantes. A vossa sociedade tratou-nos como um flagelo social para o Estado, como objectos de desprezo para os homens verdadeiros, como sujeitos terroristas para as mães de família. Estas mesmas palavras que servem para nos designar são os vossos piores insultos. Protegeis as vossas filhas e os vossos filhos da nossa presença, como se transportássemos a cólera. Afirmamos aqui que já chega. Que não mais nos chatearão, porque vamos perseguir o vosso racismo contra nós, até mesmo na linguagem. Dizemos mais: não nos contentaremos em nos defendermos. Nós vamos atacar."
Excerto do manifesto de fundação da Frente Homossexual de Acção Revolucionária (FHAR), Paris, 1973
3ª Marcha de Orgulho LGBT no Porto 12 de Julho de 2008 15:00h Praça da República, Porto
Em Portugal, começamos a dar os primeiros passos numa educação para uma saúde responsável. No entanto, esta educação continua a ter como base um modelo de família que não corresponde às práticas familiares do Portugal do século XXI.
Há cada vez mais crianças educadas por apenas um dos pais biológicos, sozinhos ou em novas uniões. Há cada vez mais crianças educadas por avós, tios, outros familiares, pais adoptivos. Sendo que estes educadores têm diversas orientações sexuais. E estas crianças são felizes. Não há diferenças de desenvolvimento físico, psicológico, emocional e de integração social destas crianças, como demonstrado em estudos com pais "não-biológicos" ou pais do mesmo sexo.
E ainda assim, o Estado português continua a negar esta realidade. Estas Famílias são esquecidas. Estas Mães e estes Pais são esquecidos. Estas Crianças são esquecidas.
É-lhes imposto um modelo standard de família em biologia, em história, em português, na educação para a saúde... Modelo este que não corresponde às suas famílias e às famílias dos seus colegas.
Isto é inaceitável!
É obrigação do Estado implementar em todos os estabelecimentos de ensino uma educação para uma sexualidade saudável. E uma sexualidade saudável não se limita ao velho paradigma "espermatozóide nada, encontra óvulo e 9 meses depois temos um brinde". O ser humano não é só um conjunto de células. É um ser pensante, emocional, social, histórico, que transforma o mundo e a si mesmo.
Só uma educação que considere todas estas vertentes poderá ser a base para adultos felizes, responsáveis e sexualmente saudáveis.
Esta educação tem de ser promovida numa disciplina específica a partir do 2º ciclo que aborde temas tão pertinentes como:
• Revelar múltiplas formas de constituição de família; • Desmistificar a bissexualidade, homossexualidade e heterossexualidade; • Fomentar a verdadeira igualdade de oportunidades entre homens e mulheres; • Reconhecer diversas identidades de género, como ser transexual, ser cissexual, ser transgénero e ser cisgénero; • Compreender várias formas de relacionamento, aceitando que alguém pode não ter uma relação, ter relacionamento com uma pessoa, ter uma relação poliamorosa. • Finalmente, promover o planeamento familiar e uma reprodução consciente.
É também importante a formação dos professores, gestores de estabelecimento de ensino, pessoal técnico, entre outros. De igual modo nenhuma criança pode ser excluída desta educação. É ainda essencial que esta educação transponha os limites do estabelecimento escolar e seja activamente divulgada junto da população em geral.
Menos que isto é inaceitável!
Efectivamente, na sociedade portuguesa ainda existem situações de discriminação aos mais variados níveis. A meio de 2008, Portugal continua a não seguir o bom exemplo do Estado espanhol que, já há três anos, estendeu o casamento civil a casais do mesmo sexo. Naturalmente com todos os direitos e deveres inerentes, incluindo a adopção.
O casamento civil não é uma instituição imutável no tempo e no espaço. Em 1976, um marido que chega a casa e abre, sem a autorização, uma carta dirigida à esposa, era mais que uma situação comum, era um direito legalmente reconhecido em Portugal. Se é evidente para todas e todos nós esta alteração, também deve ser claro o reconhecimento legal do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os direitos de homens e mulheres eram tão diferentes em 1976 como são hoje diferentes os direitos de um casal heterossexual e um casal homossexual.
E isto é inaceitável!
Mas não são só os casais de gays e lésbicas que vêem os seus direitos negados pelo Estado. As pessoas transgéneras continuam a ser tratadas como cidadãs e cidadãos de segunda. O artigo 13º da Constituição Portuguesa bem como o Código de Trabalho renegam a Identidade de Género. Da mesma forma o Código Penal, que reconhece os crimes por motivações religiosas, orientação sexual, racismo e afins, mantêm-se omisso quanto a crimes de transfobia.
Exigimos uma lei de identidade de género que permita a mudança de nome e género legal sem que esteja finalizada a reassignação de sexo. Todo o processo jurídico, médico e legal a que são submetidas as pessoas transexuais terá de ser, necessariamente, mais célere e humano.
Não aceitamos a imposição de "licenças oficiais" por parte da Ordem dos Médicos. Não aceitamos burocracias nem visões distorcidas da transexualidade e do transgenderismo.
Da mesma forma, só visões distorcidas podem servir de pretexto para proibir homens que tiveram sexo com homens de doar sangue em Portugal.
Tudo isto é inaceitável.
Por isso estamos aqui, na Marcha do Orgulho LGBT no Porto, com diferentes idades, diferentes experiências, diferentes géneros, diferentes culturas, diferentes orientações, mas unidos! Porque boa educação é partilhar o direito à felicidade. Porque boa educação é TRATAR os cidadãos e cidadãs de forma igual. Porque boa educação é EDUCAR os cidadãos e cidadãs de forma igual.
O lançamento e apresentação do livro de Clara Queiroz, «Se Não Puder Dançar, Esta Não é a Minha Revolução — Aspectos da Vida de Emma Goldman» vai realizar-se amanhã ( dia 23 de Junho) na livraria Assírio & Alvim, em Lisboa. A apresentação vai estar a cargo da historiadora Irene Pimentel.
Dia 23 de Junho (segunda-feira), pelas 19 horas, na Livraria Assírio & Alvim (Rua Passos Manuel, 67 B — Lisboa)
«Emma Goldman é um mulher pequena, um pouco entroncada, com cabelo ondeado bem arranjado, um olho azul claro, uma boca sensível ainda que não de linhas clássicas. Não é bonita, mas quando a sua face se ilumina com o brilho e o colorido do seu entusiasmo interior é extraordinariamente atraente. Tem gestos delicados, acessível e sem arrogância, livre sem um traço de grosseria e o seu riso é francamente sedutor. No que respeita à conversação é um deleite. A sua informação é vasta, a sua experiência abrangente, a sua leitura, em pelo menos três línguas, não tem praticamente limites. Ela tem perspicácia e humor também e uma sinceridade convincente. De que fala? De arte, literatura, ciência, economia, viagens, filosofia, de homens e de mulheres. Pintura, poesia, dramaturgia, personalidades – o melhor assunto para conversa e tudo do ponto de vista de alguém que olha em frente para a revolução. Ela tem a percepção do interlocutor e o dom da expressão sucinta. É simples e não violenta. É afirmativa sem truculência. É gentil e até, por vezes, terna. Toda a sua personalidade vibra com um fervor contagioso. É uma mulher que acredita na sua causa e sente-a com uma intensidade concentrada. É o padrão com que mede todos os valores. Não vê no mundo mais nada que não seja o que deve ser remodelado em qualquer forma próxima do seu desejo profundo. E o que é esse desejo? Liberdade – liberdade absoluta, incondicional, não agressiva. Isso é Anarquia... [...] Esta pequena mulher nega a lei, mas não a invoca. Vive com outro homem à margem do casamento legal; mas não exige que a considerem respeitável. Vive livre e está disposta a pagar o preço da deturpação, da injúria, da pobreza, da perseguição. E, entre tudo isto, é serena. Está segura da sua sanidade num mundo louco.» William Marion Reedy, 1908
«I Want Freedom, the Right to Self-Expression, Everybody's Right to Beautiful Radiant Things» Emma Goldman
«Anarchism is the great liberator of man from the phantoms that have held him captive; it is the arbiter and pacifier of the two forces for individual and social harmony» Emma Goldman
«Love, the strongest and deepest element in all life, the harbinger of hope, of joy, of ecstasy; love, the defier of all laws, of all conventions; love, the freest, the most powerful moulder of human destiny; how can such an all-compelling force be synonymous with that poor little State and Church-begotten weed, marriage? Free love? As if love is anything but free! Man has bought brains, but all the millions in the world have failed to buy love. Man has subdued bodies, but all the power on earth has been unable to subdue love. Man has conquered whole nations, but all his armies could not conquer love. Man has chained and fettered the spirit, but he has been utterly helpless before love. High on a throne, with all the splendor and pomp his gold can command, man is yet poor and desolate, if love passes him by. And if it stays, the poorest hovel is radiant with warmth, with life and color. Thus love has the magic power to make of a beggar a king. Yes, love is free; it can dwell in no other atmosphere. » Emma Goldman, in "Marriage and Love" in Anarchism and Other Essays (1911)
Emma Goldman (27 de Junho, 1869 – 14 de Maio, 1940) foi uma anarquista de origem lituana que ficou conhecida pelos seus textos e discursos feministas e pelos seus testemunhos acerca da Revolução Russa. Após emigrar para os Estados Unidos em 1886, é expulsa em 1919 em razão da sua intensa atividade política. Volta então para a Rússia, mas volta a abandonar o país por discordar do rumo autoritário tomado pelo governo bolchevique. Viveu em vários países, participou da guerra civil espanhola e veio a falecer no Canadá. Emma Goldman é, até hoje, a anarquista mais famosa da história dos Estados Unidos, país no qual viveu a maior parte de sua vida, mesmo se comparada com os homens anarquistas. É dela a famosa frase: "Se não posso dançar, esta não é minha revolução", que define de maneira simples a idéia anarquista de liberdade.
Com 17 anos Emma Goldman emigrou com sua irmã mais velha, Helene, para Rochester, Nova Iorque, para morar com sua irmã, Lena. Lá trabalhou muitos anos na indústria têxtil e em 1887 casou-se com um colega de trabalho, Jacob Kersner. O enforcamento de quatro anarquistas depois da Revolta de Haymarket levou Goldman à militância e a conhecer outra proeminente figura do anarca-feminismo, Voltairine de Cleyre. Com vinte anos ela torna-se uma revolucionária. Abriu mão de seu casamento e família, viajou para New Haven, CT, e depois para a cidade de Nova Iorque. Goldman e Kersner mantiveram-se legalmente casados garantindo a ela sua cidadania estado unidense.
• After all, that is what laws are for, to be made and unmade.
• All wars are wars among thieves who are too cowardly to fight and therefore induce the young manhood of the whole world to do the fighting for them.
• Anarchism is the only philosophy which brings to man the consciousness of himself; which maintains that God, the State, and society are non-existent, that their promises are null and void, since they can be fulfilled only through man's subordination. Anarchism is therefore the teacher of the unity of life; not merely in nature, but in man.
• Before we can forgive one another, we have to understand one another.
• Corruption of politics has nothing to do with the morals, or the laxity of morals, of various political personalities. Its cause is altogether a material one.
• Crime is naught but misdirected energy.
• Every daring attempt to make a great change in existing conditions, every lofty vision of new possibilities for the human race, has been labeled Utopian.
• Every effort for progress, for enlightenment, for science, for religious, political, and economic liberty, emanates from the minority, and not from the mass.
• Heaven must be an awfully dull place if the poor in spirit live there.
• How long would authority and private property exist, if not for the willingness of the mass to become soldiers, policemen, jailers, and hangmen.
• I'd rather have roses on my table than diamonds on my neck.
• Idealists are foolish enough to throw caution to the winds. They have advanced mankind and have enriched the world.
Variant: Idealists...foolish enough to throw caution to the winds...have advanced mankind and have enriched the world.
• If love does not know how to give and take without restrictions, it is not love, but a transaction that never fails to lay stress on a plus and a minus.
• I may be arrested, I may be tried and thrown in jail, but I will never be silent. I will never acquiesce or submit to authority, nor will I make peace with a system that degrades women to a mere incubator. I now and here declare war upon this system and will not rest until a path has been cleared for a free motherhood and a healthy, joyous and happy childhood.
• If voting changed anything, they'd make it illegal.
• In taking out an insurance policy one pays for it in dollars and cents, always at liberty to discontinue payments. If, however, woman's premium is a husband, she pays for it with her name, her privacy, her self-respect, her very life, "until death doth part."
• In the true sense one's native land, with its background of tradition, early impressions, reminiscences and other things dear to one, is not enough to make sensitive human beings feel at home.
• It is essential that we realize once and for all that man is much more of a sex creature than a moral creature. The former is inherent, the other is grafted on.
• It is organized violence on top which creates individual violence at the bottom. It is the accumulated indignation against organized wrong, organized crime, organized injustice, which drives the political offender to act.
• It is safe to say that no other superstition is so detrimental to growth, so enervating and paralyzing to the minds and hearts of the people, as the superstition of Morality.
• "It is significant that whenever the public mind is to be diverted from great social wrong, a crusade is inaugurated against indecency."
• Jealousy is indeed a poor medium to secure love, but it is a secure medium to destroy one's self-respect. For jealous people, like dope-fiends, stoop to the lowest level and in the end inspire only disgust and loathing.
• Merely external emancipation has made of the modern woman an artificial being. Now, woman is confronted with the necessity of emancipating herself from emancipation, if she really desires to be free.
• Methods and means cannot be separated from the ultimate aim.
• No great idea in its beginning can ever be within the law. How can it be within the law? The law is stationary. The law is fixed. The law is a chariot wheel which binds us all regardless of conditions or place or time.
• No one has yet fully realized the wealth of sympathy, kindness and generosity hidden in the soul of a child. The effort of every true education should be to unlock that treasure. o Variant: No one has yet realized the wealth of sympathy, the kindness and generosity hidden in the soul of a child. The effort of every true education should be to unlock that treasure.
• No real social change has ever been brought about without a revolution... Revolution is but thought carried into action.
• On rare occasions one does hear of a miraculous case of a married couple falling in love after marriage, but on close examination it will be found that it is a mere adjustment to the inevitable.
• Only when human sorrows are turned into a toy with glaring colors will baby people become interested — for a while at least. The people are a very fickle baby that must have new toys every day.
• Politics is the reflex of the business and industrial world.
• Poor human nature, what horrible crimes have been committed in thy name! Every fool, from king to policeman, from the flatheaded parson to the visionless dabbler in science, presumes to speak authoritatively of human nature. The greater the mental charlatan, the more definite his insistence on the wickedness and weaknesses of human nature.
• Public school — where the human mind is drilled and manipulated into submission to various social and moral spooks, and thus fitted to continue our system of exploitation and oppression. • Rather would I have the love songs of romantic ages, rather Don Juan and Madame Venus, rather an elopement by ladder and rope on a moonlight night, followed by the father's curse, mother's moans, and the moral comments of neighbors, than correctness and propriety measured by yardsticks.
• Resistance to tyranny is man's highest ideal.
• Since every effort in our educational life seems to be directed toward making of the child a being foreign to itself, it must of necessity produce individuals foreign to one another, and in everlasting antagonism with each other.
• Social and economic well-being will become a reality only through the zeal, courage, the non-compromising determination of intelligent minorities, and not through the mass.
• The demand for equal rights in every vocation of life is just and fair; but, after all, the most vital right is the right to love and be loved.
• The experience of every-day life fully proves that the armed individual is invariably anxious to try his strength. The same is historically true of governments. Really peaceful countries do not waste life and energy in war preparations, with the result that peace is maintained.
• The higher mental development of woman, the less possible it is for her to meet a congenial male who will see in her, not only sex, but also the human being, the friend, the comrade and strong individuality, who cannot and ought not lose a single trait of her character.
• The history of progress is written in the blood of men and women who have dared to espouse an unpopular cause, as, for instance, the black man's right to his body, or woman's right to her soul.
• The individual whose vision encompasses the whole world often feels nowhere so hedged in and out of touch with his surroundings as in his native land.
• The majority cannot reason; it has no judgement. It has always placed its destiny in the hands of others; it has followed its leaders even into destruction. The mass has always opposed, condemned, and hounded the innovator, the pioneer of a new truth.
• The majority cares little for ideals and integrity. What it craves is display.
• The most unpardonable sin in society is independence of thought.
• The most violent element in society is ignorance.
• The motto should not be: Forgive one another; rather, Understand one another.
• The people are urged to be patriotic ... by sacrificing their own children. Patriotism requires allegiance to the flag, which means obedience and readiness to kill father, mother, brother, sister.
• The philosophy of Atheism represents a concept of life without any metaphysical Beyond or Divine Regulator. It is the concept of an actual, real world with its liberating, expanding and beautifying possibilities, as against an unreal world, which, with its spirits, oracles, and mean contentment has kept humanity in helpless degradation.
• The political arena leaves one no alternative, one must either be a dunce or a rogue.
• The powers know that the people at large are like children whose despair, sorrow, and tears can be turned into joy with a little toy. ... An army and navy represents the people's toys.
• The State is the altar of political freedom and, like the religious altar, it is maintained for the purpose of human sacrifice.
• The ultimate end of all revolutionary social change is to establish the sanctity of human life, the dignity of man, the right of every human being to liberty and well-being.
• Thus Dante's motto over Inferno applies with equal force to marriage: "Ye who enter here leave all hope behind."
• To the indefinite, uncertain mind of the American radical the most contradictory ideas and methods are possible. The result is a sad chaos in the radical movement, a sort of intellectual hash, which has neither taste nor character.
• We hold these truths to be self-evident: that all human beings, irrespective of race, color, or sex, are born with the equal right to share at the table of life.
• When we can't dream any longer we die.
• Whether our reformers admit it or not, the economic and social inferiority of women is responsible for prostitution.
Living My Life (1931)
• The free expression of the hopes and aspirations of a people is the greatest and only safety in a sane society.
• At the dances I was one of the most untiring and gayest. One evening a cousin of Sasha, a young boy, took me aside. With a grave face, as if he were about to announce the death of a dear comrade, he whispered to me that it did not behoove an agitator to dance. Certainly not with such reckless abandon, anyway. It was undignified for one who was on the way to become a force in the anarchist movement. My frivolity would only hurt the Cause. I grew furious at the impudent interference of the boy. I told him to mind his own business. I was tired of having the Cause constantly thrown into my face. I did not believe that a Cause which stood for a beautiful ideal, for anarchism, for release and freedom from convention and prejudice, should demand the denial of life and joy. I insisted that our Cause could not expect me to become a nun and that the movement would not be turned into a cloister. If it meant that, I did not want it. "I want freedom, the right to self-expression, everybody's right to beautiful, radiant things." Anarchism meant that to me, and I would live it in spite of the whole world — prisons, persecution, everything. Yes, even in spite of the condemnation of my own closest comrades I would live my beautiful ideal. (p. 56)
This incident was the source of a statement commonly attributed to Goldman that occurs in several variants: If I can't dance, it's not my revolution! If I can't dance, I don't want your revolution! If I can't dance, I don't want to be part of your revolution. A revolution without dancing is not a revolution worth having.
• No sacrifice is lost for a great ideal! (p. 135)
• I do not believe in God, because I believe in man. Whatever his mistakes, man has for thousands of years past been working to undo the botched job your God has made. (p. 207)
• As to killing rulers, it depends entirely on the position of the ruler. If it is the Russian tsar, I most certainly believe in dispatching him to where he belongs. If the ruler is as ineffectual as an American president, it is hardly worth the effort. There are, however, some potentates I would kill by any and all means at my disposal. They are Ignorance, Superstition, and Bigotry — the most sinister and tyrannical rulers on earth. (p. 207)
• America had declared war with Spain.... It did not require much political wisdom to see that America's concern was a matter of sugar and had nothing to do with humanitarian feelings. Of course there were plenty of credulous people, not only in the country at large, but even in liberal ranks, who believed in America's claim. I could not join them. I was sure that no one, be it individual or government, engaged in enslaving and exploiting at home, could have the integrity or the desire to free people in other lands. (p. 226)
• The people are asleep; they remain indifferent. They forge their own chains and do the bidding of their masters to crucify their Christs. (p. 304)
• Nothing would prove more disastrous to our ideas, we contended, than to neglect the effect of the internal upon the external, of the psychological motives and needs upon existing institutions. (p. 402)
Durante a tarde do dia 23 vamos ter petiscos e cerveja fresquinha, à noite vamos preparar uma churrascada de S. João (bifes de seitan, pimentos grelhados e peixinhos da horta)!
Aparece até às 22H para jantar!
Depois do fogo mesmo ao lado, vem beber uns finos e aquecer o coração com o típico caldo verde!
Por excepção abrimos no dia 23 (durante todo o dia), segunda-feira, e estamos fechados dia 24, terça-feira.
Regressamos na quarta-feira já recompostos do S. João, com o horário habitual