
... mas também contra a exploração capitalista
Um blogue sobre os movimentos sociais, a ecologia, a contra-cultura, os livros, com uma perspectiva crítica sobre todas as formas de poder (económico, político, etc)

A Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal de Almeida Garrett do Porto escolheu o livro da escritora de ficção científica Ursula K. Le Guin, «Floresta é o nome do mundo» ( The word for world is forest ), para tema do encontro e de debate aprazado para amanhã, dia 29 de Maio, às 21h.30, a realizar como sempre nas instalações daquela Biblioteca, situado nos jardins do Palácio de Cristal, na cidade do Porto.
"Those who build walls are their own prisoners. I'm going to go fulfil my proper function in the social organism. I'm going to go and unbuild walls."
Na foto acima vê-se a escritora norte-americana Ursula K. Le Guin, numa das suas raras aparições em público, a participar numa manifestação anti-guerra realizada recentemente na área da sua residência
A nova livraria-bar Gato Vadio (sita na Rua do Rosário, 281, no Porto) está a criar uma Comunidade de leitores, simbolicamente cognominada por Os Vadios.
Apesar de escrito em 1896 este texto de Guerra Junqueiro não perde actualidade ao caracterizar a sociedade portuguesa. 
Apareceu agora em francês um novo manual de direito, mais propriamente um Anti-Manual de Direito. A obra de autoria do advogado Emmanuel Pierrat segue na esteira de outros livros de género como o Anti-manual de Filosofia de Michel Onfray e do Anti-manual de Economia de Bernard Maris. Como é óbvio o livro diferencia-se claramente dos clássicos livros de Direito que estão na base dos cursos magistrais sobre a matéria e que são habitualmente recomendados nas universidades. Sem sermos exaustivos, nem pretendermos caracterizar socialmente os seus efectivos interesses sociais, nem ainda descermos ao detalhe a fim de diferenciar as várias fontes históricas em que a chamada extrema-direita vai beber para auto-justificar a sua acção, deixamos aqui de forma despretensiosa algumas das referências teóricas da extrema-direita para se conhecer melhor o nosso inimigo.
Origem
As origens históricas da extrema-direita remontam à Reacção contra a Revolução Francesa, ou seja, contra os princípios revolucionários da «Igualdade, Liberdade, Fraternidade», bem como contra o princípio humanista que todos nascem iguais. Por isso também o carácter anti-democrático e anti-sufragista do pensamento ultra-conservador da extrema-direita e a desconfiança, senão mesmo a animosidade, face aos princípios republicanos. O regime plebiscitário é frequentemente sugerido como o dispositivo por excelência para legitimar o poder do Chefe ou do caudilho, que passa a ser o intérprete genuíno e indiscutível da Nação.
O nacionalismo
O Nacionalismo não tem nada a ver com o gostar do seu país. O nacionalismo é uma doutrina política que reivindica o primado da Nação enquanto sujeito político quer na vida política interna quer no âmbito das relações internacionais. A construção artificial da Nação, assim realizada, vida dar uma dimensão étnica e purista a essa entidade singular que passa a ser a Nação. Donde a persistente tendência para a preferência de nacionais como critério para tudo e mais alguma coisa. Ela parte da distinção entre o nacional e o estrangeiro, distinção essa que se legitima com a construção ideológica da entidade suprema que é a Nação.
Uma tal ideia contraria claramente o princípio universal segundo o qual todos os homens são iguais em direitos. O nacionalismo opõe-se ao cosmopolitismo e à concepção aberta que nos leva a viver em paz com os outros, e não contra eles.
A Ordem Moral
A ideia de que o ordem anterior é melhor, e que se torna imperioso restaurá-la, é outro dos traços marcantes da extrema-direita. Daí que a temática da decadência seja recorrente no seu pensamento desde há muito tempo. Trata-se de uma concepção moral retrógrada que investe contra a evolução dos costumes, contra o laicismo, contra a emancipação da mulher, etc. O futuro é sempre visto como portador de decadência, imoral e desprovido de valores. Um tal raciocínio permite colocá-lo como tema forte da propaganda da extrema-direita de forma a incutir nas pessoas a ideia do medo, e ao mesmo tempo reconduzi-las aos valores tradicionalistas. A verdade é que um simplismo destes não se compadece com a realidade vivida pois é opinião geral que se vive hoje melhor do que há décadas atrás.
Anti-semitismo
O anti-semitismo é uma forma de racismo direccionado contra os judeus. Manifesta-se por via de ataques verbais ou físicos contra os judeus ou contra aqueles que são vistos como tais, e o seu legado histórico-cultural. Trata-se de um tema tradicional e predilecto da extrema-direita. O anti-semitismo desenvolve-se como uma reacção contra a modernidade a partir do séc. XIX. O «judeu» é apontado como o financeiro, o especulador e o indivíduo urbano que corrompe os bons costumes do povo. O antisemitismo teve o seu apogeu nas leis antijudeus promulgadas na Alemanha nazi mas também no caso Dreyfus que estiveram na origem nas perseguições, deportações e massacres dos judeus. Negam a existência de câmaras de gás nos campos de concentração nazi e a Shoah.
No fundo, a figura do judeu – mas que poderia aplicar-se a outra qualquer categoria social, seleccionada como o alvo facilmente identificável – é encarada como a causa dos males do mundo, o que origina, por exemplo, a teoria do complot mundial dos sectores judaicos. Esta orientação têm permitido que se reúnam à volta da extrema-direita uma conjunto variado de correntes de pensamento, desde a tradição católica do anti-semitismo (os judeus são olhados como deicidas, que crucificaram Cristo), como os utra-conservadores que vêem nos judeus o estranho que se vai infiltrando nas instituições sociais. O antisemitismo permite «construir» um inimigo permanente, qualquer que seja o problema e qualquer que seja a época.

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O Futuro Primitivo é, para nós, a obra mais marcante de John Zerzan. Para além de reflectir uma revisitação teórica da Pré-História, ataca violentamente as ideias preconcebidas da antropologia oficial e dá-nos a possibilidade de encontrar uma ténue saída para a catástrofe iminente.
«Definir» um mundo não alienado seria impossível e talvez indesejável, mas creio que podemos e deveríamos tentar revelar o não-mundo dos nossos dias e como se chegou até ele. Caímos num monstruoso erro ao adoptarmos a cultura simbólica e a divisão do trabalho, abandonando um mundo de deslumbramento, compreensão e totalidade e esperando por um Nada que nós encontramos, hoje, na doutrina do progresso. Vazia, cada vez mais vazia, a lógica da domesticação, com as suas exigências de domínio total, mostra-nos a ruína de uma civilização que destrói tudo em que toca. Presumir a inferioridade da natureza favorece o domínio de sistemas culturais que não tardarão a tornar a Terra inabitável.
O pós-modernismo diz-nos que uma sociedade sem relações de poder não é mais que uma abstracção. É uma mentira, a menos que aceitemos a morte da natureza e que renunciemos para sempre ao que foi e que poderá, um dia, vir a ser de novo. Turnbull falou-nos da intimidade entre os Mbuti e a floresta, e da sua maneira de dançar como se fizessem amor com ela. Na fímbria de uma vida onde todos os seres são iguais, onde não existia nenhuma abstracção e que se esforça ainda por manter-se viva, eles «dançam com a floresta, dançam com a lua». (Futuro Primitivo, 2007, Deriva).
Esta edição portuguesa da Deriva é acompanhada por um prefácio do autor.
Trata-se de uma obra importantíssima pela recusa em enveredar pela cartilha da antropologia oficial (que Zerzan tão bem desmascara) e por uma perspectiva completamente nova da pré-história que nos é dada por este pensador libertário. Tudo é posto em causa: o trabalho, o patriarcado, a guerra primitiva, a família e a propriedade. A subtileza argumentativa do autor reside no uso que faz das ideias centrais e das afirmações dos académicos e cruzá-las de modo a parecerem, afinal, um conjunto de contradições insanáveis.
«A divisão do trabalho, que tanto contribuiu para nos submergir na crise global do nosso tempo, age diariamente para nos impedir de compreender a origem do terror do presente. Mary Lecron Foster (1990) peca, certamente por eufemismo, quando afirma que, hoje em dia, a antropologia está «ameaçada por uma fragmentação grave e destrutiva». Shanks e Tilley (1987) fazem eco de um problema semelhante: «o objecto da arqueologia não é somente o de interpretar o passado, mas de transformar a maneira como é interpretado em benefício da reconstrução social actual.» Evidentemente, as Ciências Sociais, por si só, limitam a perspectiva e a profundidade da visão necessária que permitiria uma reconstrução como esta. No capítulo referente às origens e ao desenvolvimento da Humanidade, o leque de disciplinas e de sub-disciplinas cada vez mais ramificadas – antropologia, arqueologia, paleontologia, etnologia, paleo-botânica, etno-antropologia, etc. – reflecte o efeito redutor e incapacitante que a civilização personificou desde o seu início.No entanto, a literatura especializada pode dar-nos uma ajuda bastante apreciável, na condição de a abordar com método e vigilância apropriadas, na condição de decidir não ultrapassar os seus limites. De facto, as deficiências destas maneiras de pensar mais ou menos ortodoxas correspondem às exigências de uma sociedade cada vez mais frustrada. A insatisfação da vida contemporânea transforma-se em desconfiança perante as mentiras oficiais que servem para legitimar tais condições de existência; ela permite, assim, desenhar um quadro mais fiel ao desenvolvimento da humanidade. Explicou-se, exaustivamente, a renúncia e a submissão que caracterizam a vida moderna pelas contingências da «natureza humana». No fim de contas, o mito da nossa existência pré-civilizada, pretensamente vivida por privações, brutalidade e ignorância acabou por fazer parecer a autoridade como uma benfeitoria que nos salvou da selvajaria. Invoca-se sempre o «Homem das Cavernas» e o «Homem de Neanderthal» para nos lembrar como nós seríamos sem religião, Estado ou trabalhos forçados.(...)»
Futuro Primitivo, de John Zerzan (, págs. 1 e 2)




• os despedimentos, sem justa causa, na Administração Pública;
• a eliminação dos "corpos especiais", como o dos docentes;
• que o designado emprego público se restrinja aos trabalhadores das áreas consideradas "núcleo essencial das funções do Estado", em que não se integra a Educação, sendo eliminada a vinculação através da figura de "nomeação";
• a aplicação generalizada das regras de "contrato individual de trabalho", em que relevam os deveres, deixando praticamente de estar consagrados direitos para os trabalhadores (com implicações também para quem já está nos quadros).
Se acrescentarmos a estas intenções que já constam em projecto, outras que têm vindo a ser anunciadas, tais como:
• a municipalização quase absoluta do ensino básico (podendo incluir os próprios docentes, que passariam a ser funcionários das Câmaras);
• a progressiva transferência de importantes vertentes do ensino secundário para empresas, por enquanto públicas;
• A transformação das universidades públicas em entidades empresariais;
• a intenção de aplicar as regras de mobilidade especial (supranumerários) a milhares de docentes, o que, na verdade, se traduzirá no seu despedimento efectivo;
• o agravamento das condições de aposentação e a redução significativa do valor das pensões dos que já estão aposentados...
Então, não restam quaisquer dúvidas,
TODOS OS PROFESSORES E EDUCADORES
DEVEM ADERIR À GREVE GERAL!
É NOSSA OBRIGAÇÃO LUTAR POR OUTRA POLÍTICA,
EXIGIR UM PAÍS MAIS JUSTO
E EXIGIR RESPEITO POR QUEM TRABALHA!
Quand nous chanterons le temps des cerises
Et gai rossignol et merle moqueur
Seront tous en fête
Les belles auront la folie en tête
Et les amoureux du soleil au cœur
Quand nous chanterons le temps des cerises
Sifflera bien mieux le merle moqueur
Mais il est bien court le temps des cerises
Où l'on s'en va deux cueillir en rêvant
Des pendants d'oreilles
Cerises d'amour aux robes pareilles
Tombant sous la feuille en gouttes de sang
Mais il est bien court le temps des cerises
Pendants de corail qu'on cueille en rêvant
Quand vous en serez au temps des cerises
Si vous avez peur des chagrins d'amour
Evitez les belles
Moi qui ne crains pas les peines cruelles
Je ne vivrai pas sans souffrir un jour
Quand vous en serez au temps des cerises
Vous aurez aussi des peines d'amour
J'aimerai toujours le temps des cerises
C'est de ce temps-là que je garde au cœur
Une plaie ouverte
Et Dame Fortune, en m'étant offerte
Ne saura jamais calmer ma douleur
J'aimerai toujours le temps des cerises
Et le souvenir que je garde au cœur
(Un refrain a été rajouté pendant la Commune : )
Quand il reviendra le temps des cerises
Pandores idiots, magistrats moqueurs
Seront tous en fête
Les bourgeois auront la folie en tête
A l´ombre seront poètes chanteurs
Mais quand reviendra le temps des cerises
Siffleront bien haut chassepots vengeurs

Swadeschi é o nome do modelo económico que Gandhi propugnou para a Índia após a sua libertação do jugo colonial inglês.