2.5.05

Castros na região transfronteiriça


Existe uma séria de Castros e sítios arqueológicos nas regiões fronteiriças do Norte de Portuga e Espanha situados nas províncias de Ávila e Salamanca e concelhos de Miranda do Douro e Mogadouro.

Para pretender visitar estas preciosidades pode começar por aceder ao site
www.castroseverracos.com

Boas descobertas.
E não se esqueça: defenda o Património Natural e Histórico


1.5.05

1º de Maio - Dia Mundial dos Trabalhadores

"A história do Primeiro de Maio mostra, portanto, que se trata de um dia de luto e de luta, mas não só pela redução da jornada de trabalho, mais também pela conquista de todas as outras reivindicações de quem produz a riqueza da sociedade." - Perseu Abramo

O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época. Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.
Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.
Chicago, maio de 1886



O retrocesso vivido nestes primórdios do século XXI remete-nos directamente aos piores momentos dos primórdios do Modo de Produção Capitalista, quando ainda eram comuns práticas ainda mais selvagens. Não apenas se buscava a extracção da mais-valia, através de baixos salários, mas até mesmo a saúde física e mental dos trabalhadores estava comprometida por jornadas que se estendiam até 17 horas diárias, prática comum nas indústrias da Europa e dos Estados Unidos no final do século XVIII e durante o século XIX. Férias, descanso semanal e aposentadoria não existiam. Para se protegerem em momentos difíceis, os trabalhadores inventavam vários tipos de organização - como as caixas de auxílio mútuo, precursoras dos primeiros sindicatos.

Com as primeiras organizações, surgiram também as campanhas e mobilizações reivindicando maiores salários e redução da jornada de trabalho. Greves, nem sempre pacíficas, explodiam por todo o mundo industrializado. Chicago, um dos principais pólos industriais norte-americanos, também era um dos grandes centros sindicais. Duas importantes organizações lideravam os trabalhadores e dirigiam as manifestações em todo o país: a AFL (Federação Americana de Trabalho) e a Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho). As organizações, sindicatos e associações que surgiam eram formadas principalmente por trabalhadores de tendências políticas socialistas, anarquistas e social-democratas. Em 1886, Chicago foi palco de uma intensa greve operária. À época, Chicago não era apenas o centro da máfia e do crime organizado era também o centro do anarquismo na América do Norte, com importantes jornais operários como o Arbeiter Zeitung e o Verboten, dirigidos respectivamente por August Spies e Michel Schwab.

Como já se tornou praxe, os jornais patronais chamavam os líderes operários de cafajestes, preguiçosos e canalhas que buscavam criar desordens. Uma passeata pacífica, composta de trabalhadores, desempregados e familiares silenciou momentaneamente tais críticas, embora com resultados trágicos no pequeno prazo. No alto dos edifícios e nas esquinas estava posicionada a repressão policial. A manifestação terminou com um ardente comício. No dia 3, a greve continuava em muitos estabelecimentos. Diante da fábrica McCormick Harvester, a policia disparou contra um grupo de operários, matando seis, deixando 50 feridos e centenas presos, Spies convocou os trabalhadores para uma concentração na tarde do dia 4. O ambiente era de revolta apesar dos líderes pedirem calma.

Os oradores revezavam-se; Spies, Parsons e Sam Fieldem, pediram a união e a continuidade do movimento. No final da manifestação um grupo de 180 policiais atacou os manifestantes, espancando-os e pisoteando-os. Uma bomba estourou no meio dos guardas, uns 60 foram feridos e vários morreram. Reforços chegaram e começaram a atirar em todas as direcções. Centenas de pessoas de todas as idades morreram.

A repressão foi aumentando num crescendo sem fim: decretou-se "Estado de Sítio" e proibição de sair às ruas. Milhares de trabalhadores foram presos, muitas sedes de sindicatos incendiadas, criminosos e gângsters pagos pelos patrões invadiram casas de trabalhadores, espancando-os e destruindo seus pertences.

A justiça burguesa levou a julgamento os líderes do movimento, August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel. O julgamento começou dia 21 de junho e desenrolou-se rapidamente. Provas e testemunhas foram inventadas. A sentença foi lida dia 9 de outubro, no qual Parsons, Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua e Neeb a quinze anos de prisão.

Spies fez a sua última defesa:

"Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário - este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção - se esta é sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não poderão apagá-lo!"

Parsons também fez um discurso:

"Arrebenta a tua necessidade e o teu medo de ser escravo, o pão é a liberdade, a liberdade é o pão". Fez um relato da acção dos trabalhadores, desmascarando a farsa dos patrões com minúcias e falou de seus ideais:

"A propriedade das máquinas como privilégio de uns poucos é o que combatemos, o monopólio das mesmas, eis aquilo contra o que lutamos. Nós desejamos que todas as forças da natureza, que todas as forças sociais, que essa força gigantesca, produto do trabalho e da inteligência das gerações passadas, sejam postas à disposição do homem, submetidas ao homem para sempre. Este e não outro é o objectivo do socialismo".

No dia 11 de novembro, Spies, Engel, Fischer e Parsons foram levados para o pátio da prisão e executados. Lingg não estava entre eles, pois suicidou-se. Seis anos depois, o governo de Illinois, pressionado pelas ondas de protesto contra a iniquidade do processo, anulou a sentença e libertou os três sobreviventes.

Em 1888 quando a AFL realizou o seu congresso, surgiu a proposta para realizar nova greve geral em 1º de maio de 1890, a fim de se estender a jornada de 8 horas às zonas que ainda não haviam conquistado.

No centenário do início da Revolução Francesa, em 14 de julho de 1889, reuniu-se em Paris um congresso operário marxista. Os delegados representavam três milhões de trabalhadores. Esse congresso marca a fundação da Segunda Internacional. Nele K. Marx expulsou os anarquistas, cortou o braço esquerdo do movimento operário num momento em que a concordância entre todos os socialistas, comunistas e anarquistas residia na meta: alcançar uma sociedade sem classes, sem exploração, justa, fraterna e feliz. Os meios a empregar-se para atingir aquele objectivo constituíam os principais pontos de discordância: Marx, com toda a sua genialidade incontestável, levou adiante a tese de que somente através de uma "Ditadura do Proletariado" se poderia ter os meios necessários à abolição da sociedade de classes, da exploração do homem pelo homem. Mikhail Bakunin, radical libertário, contrapondo-se a Marx, criou a nova máxima: "Não se chega à Luz através das Trevas." Segundo o Anarquista russo, deve-se buscar uma sociedade feliz, sem classes, sem exploração e sem "ditadura" intermediária de espécie alguma! A tendência maioritária do Congresso ficou com Marx e os Anarquistas foram, vale repetir, expulsos. Muitos têm apontado nesta ruptura de 1890 os motivos do fracasso do socialismo dito "real": enfatizou-se mais do que o necessário a questão da "ditadura" e o "proletariado" acabou esquecido. A própria China de hoje é disso exemplo: uma pequenina casta de empresários lidera ditatorialmente uma nação equalizada à força aproximando perigosamente do neoliberalismo...


Fechando este parêntese que já vai longo, voltemos à reunião do Congresso Operário de 1890: na hora da votar as resoluções, o belga Raymond Lavigne encaminhou uma proposta de organizar uma grande manifestação internacional, ao mesmo tempo, com data fixa, em todas os países e cidades pela redução da jornada de trabalho para 8 horas e aplicação de outras resoluções do Congresso Internacional. Como nos Estados Unidos já havia sido marcada para o dia 1º de maio de 1890 uma manifestação similar, manteve-se o dia para todos os países. No segundo Congresso da Segunda Internacional em Bruxelas, de 16 a 23 de setembro de 1891, foi feito um balanço do movimento de 1890 e no final desse encontro foi aprovada a resolução histórica: tornar o 1º de maio como "um dia de festa dos trabalhadores de todos os países, durante o qual os trabalhadores devem manifestar os objectivos comuns de suas reivindicações, bem como sua solidariedade".

Como vemos, a greve de 1º de Maio de 1886 em Chicago, nos Estados Unidos, não foi um facto histórico isolado na luta dos trabalhadores, ela representou o desenrolar de um longo processo de luta em várias partes do mundo que, já no século XIX, acumulavam várias experiências no campo do enfrentamento entre o capital (trabalho morto apropriado por poucos) versus trabalho (seres humanos vivos, que amam, desejam, constroem e sonham!). O incipiente movimento operário que nascera com a revolução industrial, começava a apontar para a importância da internacionalização da luta dos trabalhadores. O próprio massacre ao movimento grevista de Chicago não foi o primeiro, mas passou a simbolizar a luta pela igualdade, pelo fim da exploração e das injustiças.


Poesia de Joaquim Moreira da Silva


O que é ser anarquista
(excertos)



Ser anarquista é ser bom
É sentir no coração
A dor da miséria alheia
Prò bem estar sempre disposto
A ter na frente do rosto
As grades duma cadeia


Pregar a Fraternidade
Liberdade e igualdade
Sacrossanta trilogia
E sempre constantemente
Cara a cara e frente a frente
Dar combate à burguesia


É proclamar a igualdade
Entre toda a Humanidade
A liberdade e o amor
Preparar a Revolução
Para a emancipação
Do povo trabalhador


Ter espírito cultivado
Forte e desempoeirado
De todos os preconceitos
Querer na Humanidade
A mais perfeita igualdade
Nos deveres e nos direitos


Arrasar toda a fronteira
E depois da Terra inteira
Fazer um frondoso horto
Onde toda a Humanidade
Possa gozar à vontade
Um relativo conforto


Combater sem piedade
Os dois monstros de maldade
Que são Igreja e Estado
Nesse combate a valer
Nada lhes reconhecer
De absoluto ou sagrado


Querer por pátria o mundo inteiro
A abolição do dinheiro
Para não haver quezília
Abolir a lei tirana
E com toda a raça humana
Formar uma só família


Anarquista é ser cristão
É de Cristo ser irmão
Em ideias e acções
Como ele correu outrora
É correr também agora
Do templo os vendilhões


É pregar o comunismo
Verdadeiro socialismo
Onde não há dono algum
A fábrica e a oficina
A bouça o campo e a mina
Ser de todos em comum


Ser generoso e sublime
Nunca praticar um crime
Nunca manchar a Razão
Quem for assim altruísta
É um verdadeiro anarquista
De alma vida e coração

(continua)

Poesia de Joaquim Moreira da Silva , incluída na “Antologia Poética”, edição da CM de Vila do Conde (1987), com prefácio de Arnaldo Saraiva

O Operário em construção

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo de religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia ...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
Garrafa, prato, facão
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção.
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
ele não cresceu em vão.
Pois além do que sabia
Exercer a profissão
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macação de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
"Convençam-no" do contrário
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
-Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Como o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fracturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.


Vinícius de Moraes


30.4.05

Há 30 anos que os norte-americanos foram varridos de Saigão após uma pesada derrota militar



Os helicópteros norte-americanos abarrotados de gente a levantar do telhado da embaixada americana em Saigão, no Vietname a 30 de Abril de 1975 é a imagem mais forte da pesada derrota que os Estados Unidos sofreram no Vietname, e que correu mundo por via do cinema e da Tv, fazendo já parte da antologia visual da história contemporânea.

Eram quase 8 horas da manhã de uma quarta-feira, 30 de Abril de 1975. Um helicóptero gigante elevava-se lentamente por cima da embaixada americana. Com ele iam os últimos soldados norte-americanos e os vietnamitas colaboracionistas que tinham conseguido entrar no aparelho entre os muitos que forçaram o gradeamento do recinto da embaixada americana e entraram de rompante com o intuito evidente de fugir face ao avanço vitorioso da guerrilha comunista (vietcong) e das tropas norte-vietnamitas.

Os Estados Unidos deixavam para trás 58.202 mortos desde o início da guerra que se iniciara em 1961 com a chegada dos «conselheiros» norte-americanos a que se seguiu a invasão maciça das suas tropas. Uma guerra que foi uma autêntica carnificina: calcula-se que cerca de 1,1 milhões de militares norte-vietnamitas, 230 mil militares sul-vietnamitas e 4 milhões de civis tenham sido mortos como consequência da invasão, ocupação e sucessivos bombardeamento que o exérctio norte-americano sujeitou o Vietname durante os anos de 1962-1975.

A derrota do exército norte-americano representou também a derrota do exército mais bem equipado do mundo face à resistência e guerrilha dos vietnamitas, em particular dos comunistas, que possuíam equipamento rudimentar

Pequena cronologia:
1859 – França inicia a colonização da Indochina

1940 – Japão assume o controle da Indochina

1959 – A França é derrotada na batalha de Dien Bien Phu. O Vietname divide-se em Norte e Sul do paralelo 17

1959 – Infiltrações no Vietname do Sul

1962 – Os EUA instalam 12.000 «conselheiros» militares no Sul do Vietname

1963 – É deposto o presidente do Vietname do Sul num golpe apoiado pelos norte-americanos

1964 – Os EUS iniciam os bombardeamento ao Norte

1965 – Marines americanos desembarcam em força no Vietname

1967 – o número de tropas norte-americanas atinge os 500 mil militares.

1968 – Ofensiva do Tet. Guerrilha e tropas do norte atacam as posições americanas

1969 – O presidente norte-americano inicia a retirada de tropas.

1975 – Campanha Ho Chi Ming: as cidades do Sul caem umas atrás de outras até as forças comunistas tomarem Saigão, capital do Vietname do Sul, e expulsarem os norte-americanos em fuga.

29.4.05

A Insuficiência das Ruas



Texto de reflexão para activistas pouco teóricos
Originalmente publicado no “Libera”, boletim do Círculo de Estudos Libertários Ideal Peres


Libera, boletim informativo do Círculo de estudos libertários Ideal Peres – texto publicado no nº 112, Maio-Junho/2002
www.celip.cjb.net

As tradições revolucionárias sempre contaram ,para a sua fixação na memória social, com imagens de eventos, insurreições e levantamentos de rua. Dispomos desses fragmentos, devidamente acompanhados por propostas políticas, e que ajudam na formação de uma identidade ou “etnia ideológica” onde cabem não apenas os fenómenos com maior visibilidade mas também as propostas mais consequentes.
Após o Maio de 68 e, especialmente, com a ruína e queda do triste espectáculo circense-inquisitorial de má memória da antiga URSS, nos inícios dos anos 90, as esquerdas caíram numa aparente letargia. A tais factos se aplicou, para além de uma transitória farsa nipo-americana anunciando o fim da história, uma roupagem intelectual que se convencionou chamar pós-moderna.
O prefixo “pós” deste rótulo identitário sugeria a superação de uma realidade “moderna” e a sua substituição por uma nova fase de relativismo revestida de presságios de uma liberdade radical e de cidadania global. Esta evolução não tardou em revelar as duas faces bastante familiares ao mundo que acabava de ser exumado por força dos “novos tempos”.
Se, por uma lado, o pós-moderno, na sua acepção virulentamente liberal, lançava as necessidades das pessoas para o arbítrio do mercado e reforçava aquela particular relação global baseada na ética do lucro e das lógicas competitivas do mundo dos negócios; por outro, uma vertente de “esquerda”, ancorada em valores éticos diametralmente opostos aos liberais, buscava, também no relativismo, um modelo explicativo para a “nova” realidade.
Nesta última vertente de pensamento, influenciada também pelo espírito do tempo, podemos encontrar uma variada gama de teorias que, em maior ou menor intensidade, nutriram-se do património político forjado pelos anarquistas nas décadas anteriores ao fenómeno pós-moderno. Uma grande amálgama uniu, pelo menos tacticamente, situacionistas, pós-estruturalistas e libertários profundamente desconfiados das agremiações partidárias. A bandeira do anti-autoritarismo, tão coerentemente empunhada pelos bakuninistas, durante a Primeira Internacional, pareceu fornecer um ponto de consenso mínimo aos insubmissos “náufragos da modernidade”.
Partindo do pressuposto que a pós-modernidade, no seu sentido mais restrito, é má conselheira da revolução, torna-se necessário toda uma profunda discussão em torno dos problemas contemporâneos que afectam o anarquismo. Na verdade, os anarquistas carecem de fóruns onde se proceda a uma exaustiva discussão teórica em que possam amparar as suas atitudes públicas e as suas opções privadas.
As manifestações de rua, em que se destaca Seattle, deram ao anarquismo uma visibilidade incomum nos últimos anos. As vagas de jovens trajando de negro empunhando as emblemáticas bandeiras vermelhas e negras não deixam dúvidas acerca da participação significativa do pensamento libertário nas manifestações antiglobalização.
Acontece que, apesar de algumas tentativas em sentido contrário, os orgãos de comunicação social burgueses têm tido uma grande sucesso quando descrevem toda essa recente história do anarquismo, mais até do que os próprios protagonistas. Estimulados pelas imagens e pelos apelos sensacionalistas desses media, muitos jovens engrossam as passeatas antiglobalização motivados mais pela adrenalina, na busca inconsciente de um “ritual de passagem” (da adolescência - Nota do Tradutor), do que propriamente por uma atitude reflectida. Procedendo dessa forma, bem se pode dizer que, como num fenómeno de retroalimentação, uma boa parte desses activistas que engrossam as manifestações são, na verdade, recrutados pelos media burgueses e não pelo espírito libertário que deveria determinar o movimento.
Uma tal situação, caso não seja encarada com seriedade e muita reflexão, pode vir a transformar um movimento vigoroso em mais uma peça publicitária com fôlego e prazo de validade limitado. O abandono de uma atitude consequente e a sua substituição por um hedonismo pragmático servirá para a emergência de novos comportamentos e novas estéticas mas não para a construção de uma sociedade realmente diferente. O crescimento numérico das manifestações só será acompanhado do seu correspondente qualitativo se houver muito trabalho e organização. Caso contrário, estaremos a reforçar o estereótipo, disseminado principalmente pelo marxismo ( e pela ideologia dominante – Nota do tradutor), segundo o qual o anarquismo é coisa vaga e intuitiva.

28.4.05

70 propostas de actividades para substituir a TV

70 propostas de actividades para substituir a TV

- aprender a tocar um instrumento musical
-ir a concertos
-visitar uma biblioteca pública
-ouvir rádio
-escrever um texto (poesia ou narrativa, pouco importa)
-pintar uma quadro
- aprender a entender as árvores e flores
- plantar alguma coisa
- nadar
-ler um livro
- ler um livro a outra pessoa
-planear um passeio à serra ou à praia
-observar as aves, e aprender a reconhecê-las.
-oferecer alguma coisa
-fazer uma visita
-escrever uma carta
-aprender a fazer pão
-aprender a fazer compotas
-preparar licores caseiros
-gozar de um momento de silêncio
-entrar num grupo coral e cantar em conjunto
-arrumar o armário e levar a roupa desnecessária a quem a precisar
-começar a escrever um diário
- ir a um museu
- jogar as cartas
-visitar uma livraria
-construir um objecto artesanal
-observar o céu à noite
-saber ou tomar contacto com uma cultura ou civilização diferente
-tirar fotografias
-organizar as fotos
-assistir a um peça de teatro
-emtrar para um grupo de teatro
-fazer exercícios físicos
-repara ou deslocar algum móvel
-ler poesia e memorizar os versos que mais gosta
-dançar
-Assistir ao pôr de sol
-ir ai cinema
-reunirmo-nos e conviver com amigos/as
-organizar uma tertúlia
-tratar dos vasos de casa
- recolher plantar medicinais
- aprende os atributos das plantas medicinais
-ouvir música
- participar nalguma colectividade da zona ou bairro
-empenhar-se em acções ecologistas ou dos vários movimentos sociais
-preparar algum dossier temático
-aprender um idioma
-aprender a fazer sabão
- cozinhar
-fazer um inventário dos gastos e despesas supérfluas
-frequentar lojas de comércio justo
-visitar exposições
-construir uma pequena farmácia com remédios caseiros
-praticar sexo
-fazer ou retocar a tua própria roupa
-ler a imprensa
-desfrutar a vida sem fazer nada
-organiza uma dieta equilibrada
-passear
-organiza a tua bilbioteca
- troca livros e músicas com amigos/as
-estudar as matérias que te interessem
-praticar um desporto de equipa
-ver como se pode poupar energia na tua casa
-participar na defesa dos direitos humanos e sociais
-visitar uma cinemateca
-assistir a um colóquio ou debate
……

…e tudo o que te dê na real gana…

Uma semana sem TV (25/4 a 2/5)



A semana sem TV ( 25/4 a 2/5) lançada nos Estados Unidos pela conhecida revista Adbuster pretende fomentar uma reflexão crítica sobre o papel que a Tv desempenha hoje em dia nas nossas sociedades industrializadas, levando á reavaliação da sua exagerada importância no quotidiano e roubando tempo e energia que poderiam ser utilizadas noutras áreas e de forma mais construtiva.
Instrumento político, cultural, comercial, a televisão é um claro meio de controle social.

Estudos do John Watson Institute, no Colorado, afirmam que a Tv deve ser classificada como mais uma droga adictiva. Segundo o mesmo estudo o consumo de Tv preenche os requisitos que definem uma adicção:

- Utilização como sedativo
-visão indiscriminada
-sensação de perda de controle durante a visão
-sentir-se mal consigo mesmo por ter excedido no seu consumo
-incapacidade de deixar de olhar
-sentir-se débil quando não se está a olhar a Tv

A publicidade é a verdadeira justificação para a Tv. É ela que a financia e justifica todo o tipo de programas em busca de maior audiência. Aliás, a Tv já consegue fazer notícias como se fossem anúncios…

O consumo de televisão, com programação de baixíssima qualidade, reduz a actividade de pensamento e da imaginação. Incita, além do mais, a um tipo de consumo social ambientalmente insustentável ao recorrer sistemática e insidiosamente à manipulação dos desejos humanos.


Alguns dados:

- estudos feitos mostram que os pais falam com os seus filhos cerca de 40 minutos semanais, enquanto estes dedicam 1.680 minutos por semana a ver televisão, o que tem por consequência que 54% das crianças preferem a TV ainda que esta não os alimenta nem os defende.

- calcula-se que os jovens norte-americanos passem 900 horas na escola, durante os seus estudos secundários, ao passo que gastam 1.500 horas em frente do aparelho de TV.

- estima-se que o nº de assassinatos que uma criança viu quando termina a 4ª classe é de 8.000. Mas quando perfizer 18 anos já terá assistido a cerca de 200.000 actos de violência homicida.

- tendo em conta o tempo médio de vida de uma pessoa , calcula-se que a Tv ocupe entre 12 e 15 anos do tempo de um indivíduo nos países industrializados

- Segundo um inquérito feito junto dos jovens espanhóis entre 15 a 29 anos, o aparelho de Tv é o terceiro objecto mais importante das suas vidas depois da casa e do carro.

- Portugal e Espanha são os países europeus que mais tempo passam frente à TV, aproximando-se das 4 horas/dia dos norte-americanos.
.
fonte: ecologistas en accion

Agentes secretos belgas passam a estar desarmados por razões de segurança



Ao contrário de James Bond, agente secreto com licença para matar, os agentes secretos do Estado belga estão impedidos de uso e porte de arma segundo uma decisão do governo que acabou de ser anunciada. O motivo para uma atitude tão inesperada como esta reside no facto de no passado 12 de Março, nas instalações dos Serviços de Informações belgas, um dos agentes de informação ter ameaçado atirar contra um dos seus colegas. Segundo explicações dadas a conduta do agente deve-se ao facto deste possuir uma personalidade instável...
Ou seja, não regulava lá muito bem da cabeça.

Fonte:
www.lalibre.be/

O exército é o refúgio dos falhados ou a vida ordinária da torturadora Lynndie


Lynndie Rana England, a soldado-torturadora norte-americana que se vê nalgumas fotografias a torturar e humilhar prisioneiros iraquianos, é natural de uma aldeia perdida da Virginia Ocidental e alistou-se como reservista no exército estadual norte-americano depois de abandonar os estudos na escola secundária da sua localidade.
Nascida em 1982, Lynndie é o modelo da rapariga provinciana que, sem perspectivas, decidem entrar no exército para ter um objectivo: obedecer e humilhar os outros, quando não mesmo matar!!!

Jesus era terrorista para os invasores romanos e para os judeus da época. Por isso o crucificaram!




A figura histórica de Jesus é um bom exemplo de como a história é apropriada pelo poder secular ( político) e religioso ( Igreja) de forma a esvaziá-la de todo e qualquer conteúdo subversivo.

Na verdade, a figura histórica de um homem chamado Jesus que, apesar de ser judeu, traiu os seus ( os Judeus) e apelava à resistência pacífica contra os invasores romanos e denunciava fortemente o conluio e a corrupção das elites judaicas e romanas lançou aquela sociedade em polvorosa.

A sua acção directa em expulsar os vendilhões que negociavam dentro do próprio templo constituiu um acto de terrorismo e de insubordinação face ao poder religioso dos Sumo-sacerdotes que não podia ser ignorado nem podia ser deixado impune pelo aparelho da justiça religiosa.

O crime de blasfémia – um dos crimes mais graves para a época - de que o acusaram constituiu o corolário lógico da reacção do poder político e religioso.

Ao crime de blasfémia correspondia a pena capital e a tortura máxima da crucificação.


Pudesse este exemplo iluminar as mentes cristãs belicistas assim como as mentes dos militares-cruzados da Coligação anglo-americana e de todos os Rambos que pululam hoje por esse mundo fora.

Infelizmente, a esperança é pouca.

A força da droga da TV - e das contínuas lavagens ao cérebro - é ainda muito forte e torna os telespectadores pouco mais que papagaios do poder militar-económico-político.
Deles não será com certeza o Reino dos Céus.



27.4.05

Activistas ecologistas que barraram as portas da Vicaíma foram absolvidos



Os activistas da Greenpeace e da Quercos que barraram os portões de entrada da empresa de importação de madeiras Vicaíma, em protesto contra o abate ilegal de árvores da Amazónia e a sua utilização pela empresa de Vale de Cambra acabam de ser absolvidos pelo Tribunal judicial deste concelho.

Fonte: JN

Movimento anti-TV tem arma secreta



Uma associação contra a existência de aparelhos de TV em lugares públicos acabou de apresentar na Grã-Bretanha uma tele comando que é capaz de desligar tais aparelhos num raio d 17 metros. A associação «White Dot» (ponto branco) pôs à venda o telecomando com o nome de «TV-B-Gone» ( «Tv desaparece»), um invento do californiano Michel Altman.
fonte: JN

Doenças do cérebro nos portugueses


Um em cada 3 portugueses sofre de distúrbios mentais, seja do foro psiquiátrico ou neurológico. No estudo internacional agora divulgado sobre a matéria, Portugal ocupa o 12º lugar na lista de 28 países analisados, tendo 2,9 milhões de pessoas afectadas.

O neo-liberalismo europeu dá o dito pelo não dito e vira proteccionismo têxtil


A União Europeia prepara-se para invocar a cláusula de salvaguarda a fim de proteger a sua indústria têxtil face às importações maciças dos têxteis chineses desde o passado dia 1 de Janeiro, data a partir do qual o comércio internacional com a China foi liberalizado.
Esta é bem uma ilustração dos efeitos desastrosos do liberalismo e da desregulamentação económica do actual capitalismo desorganizado. Para que se saiba...

Funcionária morre em empresa do grupo Jerónimo Martins na Polónia



Uma funcionária de uma grande superfície, pertencente ao grupo económico português Jerónimo Martins, instalada na Polónia faleceu quando entrava no seu turno de trabalho.
Os delegados sindicais acusam a empresa de impôr horários de trabalho extremamente duros e de más condições de trabalho aos seus trabalhadores, e que estarão na origem da morte daquela funcionária.

Mostra da Oralidade em Paredes de Coura a 29 e 30 de Abril


Nos próximos dias 29 e 30 de Abril vai realizar-se uma Mostra da Oralidade Galaico-Portugues em Paredes de Coura que incluirá exposições, documentários, contos e lendas, cantares e todo um conjunto de manifestações da tradição oral popular.

«Eu, a Puta de Rembrandt»

Neste romance tudo é verdadeiro, nada é inventado, nem os processos, nem as receitas, nem os cheiros, nem o armário, nem o espelho... Nem as obras, nem a bondade”, afirma a sua autora, Sylvie Matton, que procurou, acima de tudo, a verdade para a redacção deste romance.
Baseada no destino injusto e atormentado de Hendricke Stoffels, mas também na beleza da sua pessoa, a autora constrói um romance simultaneamente belo e triste.

Rembrandt retratou e amou duas mulheres: Saskia, com quem casou, e Hendricke Stoffels, que viria a ser a mãe de Cornelia, mas que não chegou a desposar.

Esta situação de mancebia, na Holanda puritana da época, lançou a pior das acusações sobre uma jovem culpada, somente, de amar e admirar o homem que a imortalizará através da pintura.

“Eu, a Puta de Rembrandt” é uma obra cativante, escrita numa linguagem viva e expressiva, que transporta o leitor para uma atmosfera pejada de sentimentalismo e dor.

O progresso na perspectiva anarquista

Tudo é um (Abrãao) – nas sociedades da Antiguidade

Tudo é pecado (Jesus) – durante o Império Romano

Tudo é económico (Marx) – no século XIX

Tudo é sexual (Freud) – na passagem do século XIX para o século XX

Tudo é relativo (Einstein) – no século XX





26.4.05

O triste aniversário do acidente nuclear de tchernobyl

No dia 26 de Abril de 1986, aconteceu na central nuclear de Tchernobil o pior acidente nuclear em tempos de paz.
Uma explosão seguida de incêndio num reactor provocou uma perigosa contaminação cujas consequências são sentidas ainda hoje.

Tchernobil é uma cidade no centro da Ucrânia, onde foi construída uma central nuclear em meados dos anos 70, a 110 KM da capital, Kiev. O primeiro reactor foi activado em 1977, pela União Soviética. Nos anos seguintes, foram activados mais três.

Em 1985, um grave acidente nuclear num dos reactores diminuiu a potência da central em 25%.
A 26 abril de 1986, duas fortes explosões destruíram o reactor central, originando uma brecha no núcleo de mil toneladas. Seguiram-se outras explosões, provocadas pela libertação de vapor, espalhando uma gigantesca nuvem de radiação que contaminou 75% da Europa, da Irlanda do Norte à Grécia.

Nas imediações de Tchernobil, 31 bombeiros ou trabalhadores morreram naquele dia e 135 mil pessoas foram evacuadas.
A União Soviética tentou ocultar as proporções do acidente. Antes mesmo de Moscovo admitir a catástrofe oficialmente, a Suécia e a Finlândia já alertavam para o aumento da radiação.

Catástrofe aumentou cepticismo e contestação antinuclear

No sul da Alemanha, por exemplo, naquele dia, as medições no solo apontaram até 45 mil bequeréis de contaminação por césio 137 (o valor normal é 300 bequeréis). Apesar dos indícios evidentes de perigo, as fontes oficiais, como a Agência Internacional de Energia Atómica e o Fórum Nuclear Alemão, tentaram minimizar as consequências. Em todo o mundo, cresceu a polémica e a contestação em torno do uso e dos perigos da energia nuclear.

Após o acidente, milhares de soldados construíram uma protecção de aço e cimento, denominada sarcófago, para proteger o reactor destruído.
Em 1991, um incêndio de grandes proporções levou ao encerramento das actividades de outro dos reactores. A Agência Internacional de Energia Atómica inspeccionou a central em Março de 1994 e encontrou várias deficiências de segurança nos dois reactores ainda em funcionamento.
O sarcófago que sela o que resta do reactor explodido estava ruindo.

Em 1995, foi elaborado um protocolo de acordo entre a Ucrânia e as sete nações mais industrializadas para o encerramento das actividades da central nuclear de Tchernobil, em troca de assistência económica.

Ucrânia aposta na energia nuclear

Com o seu fecho, a Ucrânia teria um déficit de 5% na produção de electricidade. O governo de Kiev só cedeu à pressão das nações ricas em troca de uma ajuda de US$ 2,3 milhões do Grupo dos Sete para a construção de dois novos reactores, o financiamento de programas sociais e o reforço da segurança das outras quatro centrais nucleares ucranianas.

As estimativas no final do século passado indicavam que cerca de três milhões de pessoas, entre as quais um milhão de crianças, ainda sofrem de doenças congénitas provocadas pelas radiações.

O processo de desmantelamento da central nuclear pode levar pelo menos 40 anos, pois é necessário esperar que a radioactividade diminua naturalmente. Tentativas para tornar a terra em volta de Tchernobil novamente segura para a agricultura incluem a raspagem de até quatro centímetros da superfície do solo. Em Dezembro de 2000, a central nuclear de Tchernobil encerrou oficialmente suas actividades.

O que preocupa é o mau estado de conservação do sarcófago, a estrutura que cobre as ruínas do reactor avariado em 1986. Ele está com rachaduras, ameaça ruir e há o risco de vazamento de cerca de 160 toneladas de combustível activo do núcleo do reactor.

Fonte: Deutschewelle