22.12.09

40º aniversário da luta da braçadeira preta - Luto Ferroviário




Há 40 anos atrás registaram-se importantes lutas dos ferroviários, com grandes resultados, com uma acção emblemática, o “Luto Ferroviário”, ou a luta da braçadeira preta.

Não foi a primeira luta dos ferroviários. Na história do caminho-de-ferro, desde sempre se registaram imensas lutas, sempre na procura da conquista de melhores condições de vida e trabalho e pela construção de uma sociedade justa.

Vamos procurar, com o recurso à imprensa clandestina da época (Avante e Militante), órgãos de informação do PCP, transcrever um resumo dos acontecimentos relativos às lutas de 1969.

O Processo da luta reivindicativa

As lutas de 1969 começaram a desenvolver-se, com toda a inten¬sidade, em Outubro de 1968 com a entrega no Ministério das Corporações, por uma ampla comissão, duma exposição dos trabalhadores das ofi¬cinas e da linha, quem em 3 semanas recolheu 10.150 assinaturas de ferroviários que se identificaram inteiramente com as reivindicações nela contidas, através de ampla discussão e consulta nos locais de tra¬balho. Os ferroviários insistiam pela urgente satisfação das suas prementes reivindicações, que eram as seguintes:

"Aumento geral de 1.000$00 sobre os ven¬cimentos actuais;
Subsídio de renda de casa;
Horário de trabalho de 8 horas para to¬das as estações, apeadeiros e passagens de nível;
Pagamento das horas extra-ordinárias com mais 50% e a sua contabilização feita diariamente;
Subsídio de férias de um mês de venci¬mento;
Assistência médica e, medicamentosa equivalente à dispensada pela Federação das Caixas de Previdência;
Actualização dos subsídios para farda¬mentos."

Procurando o apoio público para a sua luta, a Comissão Nacional dos Ferroviários, depois de apresentar a exposição no Ministério das Corporações, entregou cópias da mesma nas redacções ou delegações dos jornais diários de Lisboa e Porto, assim como na TV, pedindo para lhe ser dada publicidade. A censura impôs, porém, o mais completo silêncio aos órgãos de informação.

Paralelamente, os trabalhadores administrativos dos Serviços Centrais lançaram-se também na luta, entregando na Presidência do Con¬selho, em 30 de Setembro, uma exposição subscrita por 757 assinaturas, cerca de metade dos trabalhadores desses serviços, contendo várias reivindicações, entre as quais são de destacar:

"Aumento geral de vencimentos não infe¬riores a 1.000 escudos;
Revisão periódica dos vencimentos de modo a acompanhar o aumento constante do custo de vida;
Concessão de 5% sobre o vencimento anual para efeitos de diuturnidade, ven¬cida de 3 em 3 anos até ao 9° ano e de 5 em 5 anos a partir do 9º ano;
Concessão de um subsídio de renda de casa para o pessoal que habita nos grandes centros populacionais;
Assistência médica e medicamentosa se¬melhante à usufruída pelos beneficiários da Federação das Caixas de presidência;
Instituição do subsídio de férias nunca inferior a um mês de vencimento e do 13º mês por ocasião do Natal;
Pagamento das horas extraordinárias a 50%".

Porque os trabalhadores apareceram unidos e com reivindicações comuns, impunha-se a unificação orgânica das lutas e, com esse objectivo, cerca de uma centena de ferroviários, na segunda quinzena de Outubro, levaram, a efeito, uma reunião onde se discutiu como levar a luta por diante e como reforçar a unidade e a organização unitária dos trabalhadores.

Assim, foi pedida ao Sindicato do Centro a convocação duma Assembleia-geral extraordinária para debater os problemas respeitantes à revisão do Acordo Colectivo de Trabalho. Mostrando-se mais uma vez divorciados dos ferroviários, os dirigentes sindicais, (que eram controlados pelo governo fascista), sob os mais variados pretextos, recusaram o pedido dos trabalhadores.

A Comissão Nacional dos Ferroviários, que assumiu a direcção da luta devido ao papel demissionista dos sindicatos corporativos, dirigiu um apelo aos trabalhadores, para que se fizesse pressão junto da Administração da C.P. exigindo a satisfação das reivindicações num prazo mínimo. Trabalhadores de algumas estações enviaram exposições à CP exigindo o horário das 8 horas, tendo sido atendidos nessa pretensão.

Em Novembro e Dezembro de 1968 foram enviadas cartas e telegramas à Administração da CP, enquanto se pressionava o Sindicato do Centro, para também pressionar os responsáveis da CP e dessem força às suas reivindicações

Em resposta a esta acção dos ferroviários, o Ministério das Corporações emite uma nota em que dava conta da constituição mista de representantes do Sindicato, da “Companhia” e do Governo, com a tarefa de rever em vários aspectos as disposições do ACT em vigor. Esta nota tinha como objectivo desmobilizar os ferroviários e iludi-los sobre a disposição do Governo de Marcelo Caetano. Nesse intento procuraram de todas as formas manobrar, enganar, espalhar boatos e ilusões, propalando, ao mesmo tempo que a CP não tinha fundos para satisfazer as reivindicações apresentadas.

O discurso do ministro das Corporações em 9-12.68 tentou justificar os baixos salários dos ferroviários com os défices crónicos da CP, revelando que o governo vinha entregando 500 mil contos anuais a CP, sem explicar que as razões do défice e dos baixos salários tem a ver com a política seguida na empresa e nas negociatas dos seus responsáveis.

Nesse discurso o Ministro da Corporações revela que o governo não tem a intenção de satisfa¬zer as justas reivindicações apresentadas pe¬los ferroviários. Revela ainda que os cerca de 60 mil contos de novos encar¬gos com a reforma da Previdência prevista, num total de 130 mil contos, será conseguido à custa, em grande parte, dum futuro aumento das tarifas ferroviária.

Quando o ministro diz «apelar para a consciência dos interessados, lembrando-lhes a gravidade da hora que o país está a atravessar e que a todos impõe especiais deveres», os ferroviários dizem com ironia: «Agradecemos muito o papel de mártires, de sacrificados, de devotados à causa da manutenção do equilíbrio da economia nacional que a nação há longos anos nos tem vindo a dar a honra de desempenhar. É tempo, no entanto, de essa honra ser partilhada por outros». Lembram em seguida os chorudos vencimentos dos administradores e os aumentos que se atribuíram a si próprios nos últimos tempos (sem que o governo alguma vez tivesse intervindo para os limitar) que nalguns casos passaram de 9.500$00 para 21.000$00 e de 13.600$00 para 23.000$00.

Na carta enviada ao Ministro e em resposta à argumentação do ministro de que a C.P. é uma empresa deficitária e que isso é uma razão para os baixos salários existentes, os trabalhadores respondem na sua carta: «A empresa a que pertencemos é uma instituição de utilidade pública e nacional e o facto de não ser rentável não é razão para que nós não me¬reçamos a justa retribuição do nosso trabalho». E com ironia perguntam: «Ou será que ainda teremos de pagar à Companhia se o défice existente aumentar!».

Passagem a novas formas de luta

Depois de lançar um apelo à unidade e firme¬za dos ferroviários, a Comissão Nacional pro¬move um inquérito junto dos trabalhadores, procurando auscultar a opinião geral quanto ao caminho a seguir para o desenvolvimento vito¬rioso da luta. Ao mesmo tempo, espalhadas por toda a linha, nas estações e nos comboios e até nos escritórios apareciam pequenas tarjetas in¬citando os ferroviários a seguir o exemplo da Carris (Greve da mala em 1968, luta em que os cobradores não vendiam bilhetes).

Não tendo obtido resposta satisfatória às suas reivindicações, os ferroviários recorrem a uma forma de luta original: o LUTO FERROVIARIO. Desta forma, com braçadeiras negras, milhares de ferroviários davam a conhecer ao povo português as razões da sua luta, rompendo assim a mordaça da censura.

O LUTO, iniciado no dia 2 de Janeiro, man¬teve-se durante alguns dias apesar da repressão e da intimidação desencadeadas pela PIDE. "No Rossio, foi, seguido por cerca de 90% dos trabalhadores; nas oficina do Barreiro, onde o LUTO foi total entre os 2.000 operários, uma brigada da PIDE que procurava forçar os operários a retirar o luto, mal teve tempo de se salvar da ira provocada, tendo um agente sido atingido com uma barra de ferro nas pernas e o chefe da brigada com uma grande «porca» de ferro nas cos¬tas. No Entroncamento, o LUTO foi quase total, assim como nas zonas ferroviárias ao Sul do Tejo, mas foi desigualmente seguido noutras regiões, particularmente no norte do Pais".

O governo decreta precipitadamente o aumento

Perante esta magnifica acção de protesto dos ferroviários que tudo indicava se preparavam para passar a outras formas de luta, o governo anuncia precipitadamente, no dia 8 de Janeiro, o aumento de vencimentos em 12,2% em média, para os trabalhadores no activo, um aumento uniforme de 9% para os reformados e pensionistas, a actualização dos abonos ou de subsídios por deslocações e a equiparação do esquema de Previdência dos ferroviários ao das instituições de Previdência da indústria e do comércio.

O governo conta poder assim quebrar temporariamente a combatividade duma grande parte dos ferroviários, criar um motivo de di¬visão entre eles, isolando da grande massa a vanguarda mais combativa. “Se o conseguiria ou não, isso apenas dependeria da acção futura dos trabalhadores da CP”.

Fortalecidos por esta primeira e impor¬tante vitória, os ferroviários fizeram, um balanço do caminho já percorrido, reagruparam as suas forças, melhorando e reforçando a sua organi¬zação e a sua unidade combativa, e continua¬ram a luta.

Porque os salários eram bastante baixos, porque havia reivindicações por satisfazer, porque o Governo e os sindicatos do regime procuravam afastar os ferroviários da discussão dos problemas que lhe diziam respeito, em 2 de Agosto de 1969, mil ferroviários oriundos de diversos pontos do País, concentraram-se, à tarde, no centro de Lisboa, para apoiarem uma comissão que procurava reunir com os dirigentes da União dos Sindicatos Ferroviários, que vinham recusando a realização de uma Assembleia geral, reivindicada pelos trabalhadores, para discussão do ACT em revisão, que o governo, CP e sindicatos corporativos se preparavam para assinar à revelia dos ferroviários.

A concentração foi fortemente reprimida pela polícia, presos dois ferroviários, entretanto libertados nesse mesmo dia devido ao forte movimento de solidariedade. Enfrentando essa repressão, mais de quinhentos ferroviários manifestaram-se em plena Avenida da Liberdade, empunhando cartazes onde se lia: “Ferroviários mantêm reivindicação de 1.000$00”; “Queremos horários de trabalho humanos”; “Queremos sindicatos que defendam os interesses dos trabalhadores”; “Queremos que o ACT seja amplamente discutido pela classe”.

Prosseguindo a pressão, os ferroviários voltam à luta no dia 20 de Outubro entre as 15h e as 16h. Milhares de ferroviários em todo o País pararam e lutaram dessa forma em defesa das suas reivindicações. Nas oficinas do Entroncamento, Barreiro, Figueira da Foz, Santa Apolónia, Campolide e Cruz da Pedra a paralisação foi total. Muitas estações paralisaram em toda a rede A estação do Rossio foi ocupada por cerca de mil ferroviários, que das mais variadas formas impediram a circulação de comboios. Às 16 horas uma forte ovação dos ferroviários e utentes assinalou o fim da greve.

O 7º Congresso Sindical Mundial, solidarizou-se com os ferroviários em luta, assim como milhares de portugueses. Esta greve quebrou o imobilismo da negociação do Acordo Colectivo de Trabalho, que foi, finalmente assinado em 10 de Novembro. Depois do aumento verificado em Janeiro de 12,2%, em resultado da luta tiveram novos aumentos de 240$00 para salários inferiores a 2.000$00; e de 200$00 para salários superiores a 2.000$00 e um subsídio de férias de 50%, para além doutros direitos.

Esta importante vitória foi seguida de uma forte repressão que teve a resposta à altura. 20 ferroviários foram suspensos, mas perante uma onda de protesto, 19 foram readmitidos. Perante a ameaça de 3.000 despedimentos os ferroviários respondem com a recusa a mais horas extraordinárias. São inúmeros os exemplos de firmeza, coragem e determinação dos ferroviários nesta e noutras lutas, como por exemplo este: “No Entroncamento, quando se recolhiam assinaturas para a carta ao ministro das Cor¬porações, os chefes tentaram impedi-lo, proibindo que a recolha se fizesse «na hora do serviço». Em resposta, os operários foram unânimes em pedir meio-dia de licença, a fim de poderem assinar a carta. Como aquela lhes fosse negada a pretexto de «não poder ser con¬cedida a todos», os operários resolveram assi¬nar à hora do almoço, tendo por esse motivo retomado todos o trabalho com 40 minutos de atraso”.

Só com a luta se vence e conquistam direitos

Foi com esta e outras lutas que se construiu o património de direitos que os ferroviários dispõem, pelo que o mesmo não é de nenhuma organização, mas sim propriedade dos trabalhadores ferroviários e é um legado que tem de ser defendido para ser transmitido às futuras gerações.

Estes acontecimentos provam que os trabalhadores, mesmo nas condições mais difíceis, sabem encontrar a maneira de se organizarem para lutarem pelas suas reivindicações com vista a melhorarem as suas condições de vida e trabalho. Direitos que hoje consideramos tão normais, só existem porque ao longo de gerações de trabalhadores se lutou.

Uma das questões centrais em 1969, para além das reivindicações de melhores salários, era a organização do tempo de trabalho, que está, agora, novamente no centro da luta que desenvolvemos, em resultado do Código do trabalho aprovado pela maioria PS na Assembleia da República. E agora, tal como em 1969 é a luta que determinará a concretização das reivindicações dos trabalhadores e a defesa dos seus interesses.

A melhor homenagem que podemos prestar àqueles que lutaram antes de nós, para termos os direitos que hoje auferimos, é continuar a luta em defesa daquilo que gerações de trabalhadores construíram e para nós, hoje, são coisas tão normais, mas que exigiram muito sacrifício de quem nos precedeu.

Imprensa consultada
O Militante – nº 159 de Fev 1969
Avante – nº 395 Set 1968; nº
Fonte do texto: aqui

19.12.09

Por uma ecologia social, igualitária e libertária




Por uma ecologia social, igualitária e libertária

O verde está na moda, por todo o lado se fala em ambiente. Agora, já os fabricantes de carros e até os gestores das centrais nucleares são ambientalistas ! Se não nos podemos queixar desta tomada de consciência acerca da degradação ambiental, ao fim de 40 anos dos primeiros alertas, a verdade é que devemos denunciar o populismo ecológico que para fins bem nossos conhecidos não desiste de pintar com a cor verde as malfeitorias típicas do sistema de produção capitalista, não questionando a ideologia do crescimento produtivo, a crença de que « uma maior produção é a chave da prosperidade e da paz» (Truman, 1949).

Para nós, anarquistas, a ecologia não é apenas somente a defesa dos pássaros, a sacralização da natureza, vista como uma nova deusa. Já há uma século atrás, nomeadamente com Elisée Reclus, se colocava aa questão da integração harmoniosa do homem no seu meio, a gestão duradoura dos recursos, a construção de uma sociedade em que a qualidade da vida social seja mais importante que a quantidade da produção.

Como herdeiro do cristianismo, o liberalismo coloca o homem em oposição à natureza que deve submeter e dominar, enquanto outras culturas defendiam a harmonia e o respeito desta. No século XVIII, sob o impulso de Mandeville e Adam Smith, o económico separa-se da moral e do político, constituindo-se como campo autónomo da vida social.«Em vez da economia estar encastelada nas relações sociais, são estas que acabam por ficar enquadradas no sistema económico»»(Polanyi). Hoje, o homem é o servidor do Léviathan económico. As famílias estão dispersas, as solidariedades foram dissolvidas, os ritmos biológicos alterados, e toda a nossa vida social é determinada pelo desiderato do aumento da produtividade que, segundo o catecismo liberal e a ideologia do desenvolvimento mercantil, «o suave comércio», é a única via de aumento da riqueza, logo do bem-estar. Este dogma é ainda defendido hoje, apesar de assistirmos ao suicídio de trabalhadores stressados e ao aumento da pobreza no mundo, da má-nutrição, da falta de alojamento, e da busca do lucro individual e da vontade de acumulação ilimitada do capitalismo não recuar face à poluição do ar, das terras, dos mares, colocando em perigo a saúde e a sobrevivência da humanidade. O que vemos é que o comércio e os negócios, em vez de levar à paz, estão a conduzir-nos para as guerras.

Não convém, pois, cair na armadilha verde que as empresas e os tecnocratas do Estado montaram, e não deixar de compreender que o liberalismo económico e a ideologia do crescimento são os responsáveis pela degradação do ambiente, pelo aquecimento climático e pelas complicações do nosso funcionamento psicossomático.

É urgente inventar um outro modelo de sociedade em que o bem estar não esteja ligado à acumulação da mercadoria, mas antes ao desenvolvimento e reforço dos laços sociais, da convivialidade, da solidariedade e do apoio mútuo. Um modelo de ecologia social baseado na integração e na harmonia do homem na sociedade e na natureza. Este é o projecto anarquista. Um projecto fundado na igualdade económica e social, na participação de todos na definição das necessidades admissíveis, dos recursos necessários e dos modos de produção. É porque a consideração dos desejos de cada um deve constituir-se como a única maneira de contrariar o egoísmo individual, e porque o comunismo libertário é a única forma de lutar contra os privilégios e as desigualdades, é que nós lutamos por uma ecologia social, igualitária e libertária.

Escultura do artista dinamarquês Jens Galschiot no porto de Copenhaga lembra como os opulentos vivem à custa dos mais fracos



A escultura do artista dinamarquês Jens Galschiot com o título «A sobrevivência dos opulentos» foi colocada à entrada do porto de Copenhaga no início deste mês de Dezembro e representa uma figura opulenta, símbolo dos países industrializados, às costas de uma figura mais frágil representada na pessoa de um homem africano.


A escultura acaba por confirmar o que os activistas sociais já suspeitavam, ou seja, o facto do mundo industrializado impedir a tomada de decisões importantes contra as alterações climáticas, cujas principais vítimas são as populações dos países mais pobres.

A escultura é acompanha da seguinte legenda:

I’m sitting on the back of a man.
He is sinking under the burden.
I would do anything to help him.
Except stepping down from his back.



Sobre Jens Galschiøt

O Mercado Negro (feira do livro alternativo) termina hoje no Porto, e ainda vai a tempo de o visitar

Hoje termina o Mercado Negro ( Feira do livro alternativo) que se instalou desde o dia 9 de Dezembro na cooperativa cultural Gesto, na Rua Cândido dos Reis, 64, no Porto.
Se ainda não passou por lá, ainda tem o dia de hoje para procurar livros e obras do underground estético-literário, que não é fácil encontrar nos escaparates habituais. Vale a pena.






18.12.09

APELO - Contra o acordo da Epal com a Mekarot (empresa israelita que rouba água aos palestinianos)


APELO


Contra o acordo da Epal com a Mekorot!

Defendamos os direitos dos palestinianos à água!

Façamos respeitar a lei internacional!


A Mekorot, companhia nacional da água israelita, assinou um acordo comercial com a EPAL, companhia portuguesa que abastece 2,5 milhões de consumidores na Grande Lisboa. O acordo pretende proteger o sistema português municipal de água contra “ameaças terroristas”, baseando-se na alegada “competência” da Mekorot neste domínio.

O acordo português é, na realidade, uma tentativa velada para que a Mekorot tire proveito dos seus muitos anos de experiência enquanto agente da ilegal e imoral ocupação israelita da Palestina.

O acordo com Portugal é uma plataforma de lançamento para a empresa poder vender os seus serviços no resto da Europa, financiando o aparelho militar israelita com milhões de dólares. Esse dinheiro será inevitavelmente usado para consolidar a apropriação criminosa dos aquíferos palestinianos.

Um relatório da Amnistia Internacional publicado em Outubro passado acusa Israel de negar aos palestinianos o acesso à água. “Piscinas, relvados bem regados e grandes quintas irrigadas nos colonatos israelitas estão em flagrante contraste com as aldeias palestinianas, cujos habitantes lutam para conseguir satisfazer as suas necessidades domésticas em água”, diz o relatório. O consumo diário de água per capita em Israel é quatro vezes maior do que os 70 litros por pessoa consumidos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, um número muito abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

Israel desvia mais de 80% da água do Aquífero da Montanha. Este aquífero é a única reserva de água potável para os palestinianos, ao passo que Israel retira água de outras fontes, incluindo o Rio Jordão. Entre 180.000 e 200.000 palestinianos das comunidades rurais da Cisjordânia não têm acesso à água corrente. Cerca de 90 a 95% do fornecimento da água potável de Gaza foram contaminados por águas de esgotos e água do mar e estão agora impróprios para consumo.

O Comité de Solidariedade com a Palestina escreveu uma carta à EPAL, protestando contra o acordo. A empresa defendeu o acordo, negando a sua responsabilidade pelo destino dos palestinianos. Juntando o insulto à ofensa, a EPAL despediu uma funcionária que tinha contestado o acordo, o que é uma tentativa de limitar a liberdade de expressão no seio da empresa.

No entanto, à luz das directrizes da União Europeia para a atribuição de contratos públicos (2004/18/EC), a empresa encontra-se numa situação delicada e o acordo pode cair se for exercida pressão pública. Este apelo destina-se precisamente a dar início a essa pressão e a barrar o acesso da Mekorot aos mercados europeus desde o primeiro momento.

Exija que a EPAL anule o seu acordo com a Mekorot AGORA!

1 – Escreva uma carta à EPAL, à Ministra portuguesa do Ambiente (que tutela a EPAL) e aos meios de comunicação portugueses, denunciando este acordo vergonhoso e exigindo que a EPAL rompa com a Mekorot.




Envie-nos informações:
stopmekorotcampaign@gmail.com




Carta Modelo:
http://bit.ly/12zuWF




Conselho de Administação da EPAL:
jose.zenha@epal.pt , jose.zenha@epal.pt , jose.figueira@epal.pt , anita.ferreira@epal.pt , blopes@epal.pt , mario.maria@epal.pt , joaquim.sereno@epal.pt , luis.branco@epal.pt , conceicao.almeida@epal.pt , francisco.serranito@epal.pt , daniela.santos@epal.pt , carlos.saraiva@epal.pt , paulo.rodrigues@epal.pt , barnabe.pisco@epal.pt , maria.benoliel@epal.pt , nilopes@epal.pt , ldurao@epal.pt , mario.cruz@epal.pt , ana.pile@epal.pt , margarida.santos@epal.pt
gmaotdr@maotdr.gov.pt


Ministra do Ambiente: gmaotdr@maotdr.gov.pt

Leitura de poemas de Sebastião Alba (dia 20 de Dez. às 18h. na Livraria-bar Gato Vadio)


Aos poetas que morrem com muita, muita luz nos olhos.

«Um dos meus remorsos mais pungentes é ter contribuído, quando escrevi alguma poesia, para "enfeitar" de cultura as classes dominantes.»
Sebastião Alba




Não serão muitos os poetas que nos deixam sem palavras. O que dizer?

“Um poeta não se pega”, disse ele uma vez. Ou num poema, “Estar comigo/é o meu nativo/modo de estar”. Talvez desejasse desaparecer, deste mundo, desta vida. Frágil para nele viver, bravio para nele recusar acoitar-se. Nenhuma concessão. Desapareceu para estar vivo.

Na página 98 da Enciclopédia das Literaturas de Língua Portuguesa (Verbo, Lisboa/São Paulo, 1995), a entrada Alba (Sebastião) remete para Gonçalves (Carneiro). Na entrada Gonçalves (Carneiro), na pág. 852, diz-se: “Escritor português, desde muito novo radicado em Moçambique (Braga, 21.6.1941 – Moçambique, 20.1.1974). Frequentou o Instituto Liceal D. Gonçalo de Silveira, na Beira. (…) Obteve dois prémios da Câmara Municipal de Lourenço Marques: um, em 1965, com o conto “A lua do advogado”, e outro, em 1968, com uma poesia. Faleceu num acidente de viação. Em 1975, editou-se em Lourenço Marques “Contos e lendas”, uma colectânea de alguns dos melhores trabalhos do autor, única obra sua publicada”.

Será um equívoco? Ou, a única entrada da citada enciclopédia a fazer jus ao desejo do autor?

A 14 de Outubro de 2000, na noite dividida, foi atropelado na conhecida “rodovia” de Braga por um autocarro. Deixou um bilhete dirigido ao irmão: «Se um dia encontrarem o teu irmão Dinis, o espólio será fácil de verificar: dois sapatos, a roupa do corpo e alguns papéis que a polícia não entenderá».


Alba, continuas a assobiar?




Sebastião Alba

Leitura de poemas

Nuno Meireles e Júlio do Carmo Gomes

Domingo, dia 20 de Dezembro, 18h

Gato Vadio
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016




17.12.09

Libertem Tadzio Mueller e os outros prisioneiros climáticos

Tadzio Mueller

Em solidariedade com todos os detidos nos últimos dias em Copenhaga circula actualmente na Net uma petição com o título "Release Tadzio Mueller and the other climate prisoners!" aberta à subscrição pública de todos. Tadzio Mueller é editor da revista Turbulence e um dos porta-vozes do colectivo que organizou a manifestação a favor da Justiça Climática.
http://www.petitiononline.com/Tadzio/petition.html



Além desta, circula ainda uma petição a pedir a libertação do cientista italiano Luca Tornatore,
http://www.petitiononline.com/freeall/petition.html




Release Tadzio Mueller and the other climate prisoners!


To: The Danish Parliament

Over the past week, tens of thousands of people from across the planet have taken to the streets of Copenhagen demanding real and just solutions to climate change. But on the streets, as well as inside the UN Climate Change Conference, delegates and ‘outsiders’ alike are doubting that the conference will reach a deal that isn’t a disaster for most of the world.

Inside the Bella Centre, where the UN delegates are meeting, numerous critical voices have been marginalised through technical and procedural manoeuvres. Others, like Friends of the Earth International, have had their accreditation revoked. Outside, the policing of protest has been consistently draconian and occasionally brutal.

On Saturday 12 December, almost 1,000 participants in a ‘Climate March’ through Copenhagen were arrested. On Monday 14 December, hundreds more were arrested at a party in the city’s Christiania district following a public meeting, addressed by Canadian journalist Naomi Klein and others. On Tuesday 15 December, Tadzio Mueller, a spokesperson for Climate Justice Action, was arrested by undercover police officers following a press conference at the Bella Centre.

This morning, on Wednesday 16 December, Tadzio appeared before a judge on a number of charges relating to his public support for today’s Reclaim Power demonstration. The declared aim of Reclaim Power – also supported by social movements, many conference delegates and other civil society actors – is to hold a People’s Assembly at the Bella Centre, to discuss real solutions to climate change. At this morning’s court hearing the judge decided to hold Tadzio for a further three days, after which he will reappear in court. There are reports that the hearing was closed to the public.

Meanwhile, hundreds more protesters have been arrested today and there have been numerous reports of police brutality and the extensive use of batons, pepper spray and tear gas. We have also heard of further arrests of individual activists by undercover police officers.

We, the undersigned, not only lend our support to those in Copenhagen seeking to push for real and just solutions to climate change, but also demand the following:



• The immediate release of Tadzio Mueller and all other climate prisoners;
• A halt to the criminalisation and intimidation of activists, including the pre-emptive detaining of protesters in Copenhagen;
• The immediate re-instatement of accreditation withdrawn from NGOs and other critical voices at the Climate Summit



Initial Signatories (name and affiliation):
• Ben Trott (Turbulence editor)
• David Harvie (Turbulence editor, University of Leicester)
• Michal Osterweil (Turbulence editor, US based lecturer, UNC Chapel Hill)
• Keir Milburn (Turbulence editor)
• Rodrigo Nunes (Turbulence editor)
• Kay Summer (Turbulence editor)
• Naomi Klein
• Katja Kipping (Member of the German Bundestag)
• Ulla Jelpke (Spokeswoman for internal affairs of the faction DIE LINKE in the Bundestag)
• Alexis Passadakis (Member of the Coordination Committee of Attac Germany)
• Dr. Simon Lewis (University of Leeds and UN accredited science advisor in COP15)
• Emma Dowling (Lecturer, University of London)
• Ingo Stützle (editor, ak - analyse & kritik)
• Zoe Young (writer and film maker)
• Friends of the Earth International



Luca Tornatore free‏

Per la liberazione di Luca Tornatore


Luca Tornatore isn’t only our friend. He is a scientific researcher at the Department of Physics at the University of Trieste. He is a scientist, one who combines passion and a desire to change the world to his scientific skills. These are the ingredients that pushed him to go to Copenhagen together with hundreds of Italian environmentalists. Luca is in Copenhagen to demand climatic justice, to participate in the Climate Forum and to network with others who believe that the environmental emergency must be faced beginning from a democratization of decision-making and not through delegating the question to those who started the problem in the first place or to those who are worsening it.

Luca Tornatore was arrested, together with many others for having participated in a debate. Luca, like hundreds of others, committed no crime. His arrest was confirmed based not on evidence, but only to punish his political involvement, his public visibility and his skills.This would be laughable but what is happening in Copenhagen is unprecedented. People are being stopped randomly on the streets, being preventively arrested (an already noted monstrous device of the state of exception) without any shame. More than 1500 arrests have been made, nearly all completely unjustified. Copenhagen, an ex-symbol of social-democracy, has been transformed into a police state.

We demand the immediate release of Dr. Luca Tornatore, above all for his innocence, but also because the suspension of the state of right, the provocations and the lies make Luca’s absence intolerable for all of us that sincerely share his worries for the future of our planet.
Trieste – Venice, 15 December 2009

Greve de uma semana dos trabalhadores dos transportes urbanos de Coimbra


Com uma adesão global de 95 por cento, os trabalhadores dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) iniciaram no domingo passado uma greve de uma semana. Os trabalhadores exigem o pagamento do subsídio de turno em 14 meses, a mudança de nível remuneratório nas condições previstas na «opção gestionária», o pagamento do trabalho extraordinário no mês seguinte à sua prestação, e a actualização dos suplementos remuneratórios.

A luta dos trabalhadores dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) por direitos e pela sua valorização profissional resulta da intransigência negocial do Conselho de Administração destes Serviços Municipais e da falta de vontade política do presidente da autarquia, Carlos Encarnação, para desbloquear o conflito.

O pagamento do subsídio de turno em 14 meses por ano, a mudança de nível remuneratório nas condições previstas na «opção gestionária», o pagamento do trabalho extraordinário no mês seguinte à sua prestação e a actualização dos suplementos remuneratórios são algumas das principais razões que levaram os trabalhadores a endurecer este processo de luta, que dura há já longos meses.

O STAL, Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local, considera que os transtornos que esta greve está a causar à população conimbricense, particularmente aos utentes dos transportes públicos, são da inteira responsabilidade do Conselho de Administração dos Serviços Municipais, que se furta a um diálogo sério, empenhado e consequente, e em última instância ao próprio presidente da autarquia, Carlos Encarnação, porquanto responsável máximo pelo município e consequentemente pelos próprios SMTUC.

Em resolução hoje entregue na Câmara Municipal de Coimbra os trabalhadores relembram as reivindicações que estão na origem deste conflito e «manifestam-se disponíveis para continuar a luta em defesa dos seus direitos e legítimas aspirações».

O STAL manifesta-se disponível para o diálogo, que considera dever ser consequente, e denuncia que a administração da empresa tomou a decisão unilateral de aplicar a opção gestionária a apenas uma pequena minoria de trabalhadores, discriminando muitos que há muito não são alvo de qualquer valorização profissional, seja ela no âmbito das promoções ou da mudança de escalão.

Por isso o Sindicato exige a marcação de uma reunião entre as partes envolvidas no processo – Câmara Municipal de Coimbra, Conselho de Administração dos SMTUC e Direcções sindicais do STAL e do STRUP, ao mesmo tempo que condena as declarações que Carlos Encarnação tem vindo a proferir junto da imprensa, considerando-as demagógicas e populistas.

Carlos Encarnação é para o STAL o principal responsável por esta greve, pois há muito que é conhecedor do conflito que opõe trabalhadores e administração dos SMTUC e nada fez para, buscando um clima de diálogo consequente, a evitar.

Comportamento tão mais grave quanto o Edil fez declarações que apontavam para uma resolução do conflito depois das eleições autárquicas, declarações essas que agora os actos denunciam como falaciosas e demagógicas.

O STAL não pode ainda deixar de considerar que esta atitude de Carlos Encarnação denota não só um total desrespeito pelos direitos dos trabalhadores mas também incúria perante o serviço público essencial que os SMTUC prestam, na medida em que a valorização dos trabalhadores deve constituir condição fundamental para a sua melhoria.

Caso até ao final da greve não se vislumbrem soluções dialogantes e conducentes com as reivindicações dos trabalhadores, estes irão analisar a continuação deste processo de luta e desde já está decidida a participação na sessão pública de câmara que se realizará no próximo dia 21 de Dezembro.

Um fim de semana diferente na Casa da Achada (18, 19 e 20 de Dez.)


Um fim de semana diferente na Casa da Achada

Início: Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009 às 15:00
Fim: Domingo, 20 de Dezembro de 2009 às 20:00
Local: Casa da Achada - Centro Mário Dionísio
Rua: Rua da Achada, nº 11


Nos próximos dias 18, 19 e 20 de Dezembro vai haver na Casa da Achada UM FIM DE SEMANA DIFERENTE.

Três dias de vendas - Obras de arte, livros e discos novos, usados e difíceis de encontrar a partir de 1€


SEXTA - 15h-20h
SÁBADO - 11h-20h
DOMINGO - 11h-20h


Actividades:


SÁBADO - 19 de Dezembro

- 14h-17h: «O que é que o meu bairro tem», oficina de vídeo para crianças orientada por Regina Guimarães
- 15h30: Visita guiada à exposição 50 anos de pintura e desenho de Mário Dionísio e outros artistas
- 17h30: Canções pelo Coro da Achada


DOMINGO 20 de Dezembro

- 11h30: Visionamento e comentário do vídeo «O que é que o meu bairro tem»
- 15h: «Filme que falamos, filme que nos fala», oficina de vídeo para jovens e adultos orientada por Regina Guimarães, a partir da curta-metragem «Deus Construção e Destruição», de Samira Makhmalbaf

Olhares sobre o mundo rural - festival de cinema em Trancoso (18 e 19 de Dez.)


Promovido pelo Cineclube, este ano em parceria com a Associação Luzlinar (Feital, Trancoso), este certame tem como tema, na sua quarta edição, “Fronteira e Memória”. Irá realizar-se no Teatro do Convento, em Trancoso, um edifício quinhentista recentemente remodelado para albergar eventos culturais. Esta edição conta, na sua programação, com o precioso apoio do realizador Pedro Sena Nunes, de quem vão ser apresentados dois filmes, um deles, “Tourada”, pela primeira vez. Destaque também para a exibição de “Cordão Verde”, de Hiroatsu Suzuki, recém nomeado para o Festival de Locarno, na secção “Ici et Ailleurs”. Pretende-se, mais uma vez, aprofundar a troca de perspectivas cinematográficas sobre a ruralidade, os seus códigos, as suas margens, as suas dinâmicas, a sua função de conservação das memórias e das identidades. Serão exibidas obras nacionais e duas do outro lado da fronteira, ao longo de dois dias de cinema, debates e uma mini feira do livro.


PROGRAMA


Dia 18, Sexta
21.00 – Abertura.
21.30 – Sessão de curtas e médias metragens
1. “La esquina del tiempo”, Carla Alonso, Espanha, 2009, 30’, Cor
2. “Mulheres da Raia”, Diana Gonçalves, Portugal e Espanha, 2009, 60’, Cor
3. “Da Pele à pedra”, Pedro Sena Nunes, Portugal, 2005, 40’, Cor
23.45 – Conversa com Diana Gonçalves, a propósito do seu filme

Dia 19, Sábado
15.00 – Sessão curtas
1. "Um bando de passarinhos", de Zigud, 20'.
2. "Sabugueiro, Verão, 1050m", de António João Saraiva, 12’, prémio especial Serra da Estrela - Cine Eco 1995
3. "Gente de Fajãs" 59’, António João Saraiva, Grande prémio de Cinema Antropológico - Lisboa 2009
4. "Cordão Verde", 33', de Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres, nomeado para o 62ª Festival de Locarno
17.15 - Debate, com a presença de António João Saraiva, realizador, e de Frederico Lucas, co-autor do projecto Novos Povoadores

21.30 Primeira apresentação do filme "Tourada" (95’), de Pedro Sena Nunes, com a presença do realizador
23.45 – Encerramento

Actividades paralelas:
Mini feira do livro, com edições do Centro de Estudos Ibéricos e Associação Luzlinar;
Instalação vídeo

Dossier: aqui

Natal Social (mercado alternativo) começa hoje na Cooperativa Crew Hassan




A Vª edição do Natal Social na Crew Hassan começa a partir do dia 17 de Dezembro e prolonga-se até ao dia 24.


Podes fazer as tuas compras de natal no Mercado de Artesãos do Natal Social, acompanhado sempre de boa música com a Rádio CrewHassan, concertos, dj´s,exposições e muita animação…


...há também recolha de comida, roupa e brinquedos que revertem favor da Associação Cultural Africana do Bairro da Belavista em Setúbal
À semelhança dos anos anterioesr o Natal Social tem como objectivo a criação de um mercado onde artesãos e designers poderão expor e vender os produtos por si concebidos, complementado pela divulgação das várias actividades da Crew Hassan - exposições, instalações, performances, animações, teatro, música e ateliers.

Numa época tradicional de compras queremos promover os pequenos produtores, que encontram grandes dificuldades para fazer escoar os seus produtos.
Pretendemos assim transformar as tradicionais e inevitáveis compras de natal num momento aprazível, que possibilite aos visitantes a compra de diversos produtos directamente do produtor, podendo assim adquiri-los a um preço mais justo.

Para além do espaço destinado aos artesãos, haverá também lugar para uma feira de vinil e fanzines, projecções de vídeo, bares de apoio, e muita alegria e boa disposição.

A nível do público em geral, pretende-se proporcionar um espaço agradável, onde a criatividade dos intervenientes proporcione um saudável intercâmbio cultural e artístico - um mercado alternativo mas de qualidade.

A entrada é simbólica, 1€ ou 1 Kg de produtos alimentares, vestuário ou brinquedos. Estes produtos vão novamente reverter a favor da Associação de Cultura Africana do Bairro da Bela Vista.

Esta iniciativa é organizada pela Cooperativa Cultural Crew Hassan

Cinema fora da estrada amanhã ( dia 18 de Dez.) para assinalar o dia internacional das migrações

No dia Internacional das Migrações que se assinala amanhã, o Gaffe (Grupo a Formiga fora da Estrada) http://blogdogaffe.blogspot.com/ vai projectar um vox pop realizado nas ruas de Lisboa sobre movimentos migratórios e ainda, uma longa metragem que bem retrata a temática. Contamos com todos!

Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009 às 21:00

Local:
Centro Desportivo da Mouraria (Gaia)

No Dia das Migrações que se comemora amanhã, 18 de Dezembro, irá realizar-se uma projecção de uma curta-metragem em que se entrevistam pessoas na rua colocando questões sobre o tema da imigração e posteriormente projectaremos uma incrível longa metragem acerca da mesma temática.


Convidamo-vos a aparecerem no Grupo Desportivo da Mouraria para se juntarem a nós na visualização destes filmes.


Esta iniciativa conta com a colaboração activa do Gaia http://www.gaia.org.pt e do programa de rádio Migrasons http://migrasons.blogspot.com/.


Vem e divulga!

16.12.09

Libertação imediata do astro-físico e activista climático Luca Tornatore



O cientista italiano Luca Tornatore a discursar para os estudantes da Universidade de Trieste


Luca Tormatore é um jovem cientista italiano, especializado em astro-física que desenvolve o seu trabalho na Universidade de Trieste, e que se deslocou a Copenhaga na qualidade de activista ambiental a favor da justiça climática. Ele fez uma intervenção oral no comício realizado no passado dia 12 de Dezembro, tendo sido preso na noite passada no bairro de Christiania, quando a polícia dinamarquesa atacou e cercou aquele bairro, e o encontrou no 'Woodstock , um dos muitos bares daquele conhecido bairro alternativo.
Recorde-se que vários outros italianos foram também detidos na ocasião, muitos deles oriundos da Veneza, uma das cidades que será duramente afectada a confirmar-se a subida do nível das águas dos mares por efeito do aquecimento global.

Prepara-se uma concentração de solidariedade para a Embaixada da Dinamarca em Lisboa para os próximos dias, caso aquele activista não for libertado.

Ninguém faça compras no dia 24 de Dezembro: boicote aos hipermercados e supermercados nesse dia!


NINGUÉM FAÇA COMPRAS NO DIA 24 DE DEZEMBRO... nas grandes empresas de distribuição!

Sabia que, em 2006 e 2007, do bolo total de "gastos" das empresas portuguesas, apenas 12,5%, em média, foram custos laborais (ou seja, salários) ?

Doze-e-meio-por-cento?

Nesse caso, como é possível que possa assim ser tão significativo o impacto do aumento de 25€ no salário mínimo (uma percentagem mínima desses 12,5% ...) nas contas das empresas, a ponto de justificar isto?

Quanto é que ganha quem toma estas decisões?

Andam a fazer de nós parvos.

A desculpa da crise está a permitir que a finança e o "direito a lucrar" pressione ainda mais os trabalhadores precarizados e explorados, the bottom of the food chain.

O Código de Trabalho que temos permite, por exemplo, o que a SONAE se propõe fazer: aumentar para 60h de trabalho a semana laboral nos hipermercados, consoante a necessidade da empresa na quadra dos ho-ho-hos. Não contratam mais gente, apesar do desemprego (e, logo, da disponibilidade de mão de obra), apesar do trabalho barato - sobrecarregam os trabalhadores que têm ao dispor, e não pagam horas extraodinárias, apesar dos lucros.

Por tudo isto, os trabalhadores dos hipermercados e supermercados marcaram uma greve, para o dia 24 de Dezembro.

Uma greve contra o direito a fazer as pessoas trabalhar 10h por dia (que, com o tempo de refeição e os transportes pendulares de e para o trabalho se transformam em 12h ou mais), contra o Código de Trabalho que temos, que legaliza escravaturas de várias formas e feitios, contra o que se adivinha: o desaparecimento de quaisquer regulações laborais em nome do mercado global, da diminuição constante do valor do trabalho face ao da finança especulativa, que vai indo, bem obrigada.

Esta é uma greve bem pensada: num dia de pressão grande no mercado à conta das prendas de última hora, num dia que é simbólico q.b.

Num dia que pode dar que falar.

... E esta é uma greve em que nós podemos todos ajudar:


BOICOTE OS HIPERMERCADOS E SUPERMERCADOS NESSE DIA!


Não faça compras.


Antecipe ou adie.


Seja um não-consumidor solidário.


Dê força ao protesto - e passe mensagem ...


Convocada greve dos trabalhadores da Grande Distribuição (Hipermercados e Supermercados) para o dia 24 de Dezembro




A proposta das empresas da "Distribuição Moderna" é desumana, faria a vida dos/as trabalhadores/as num "inferno".

Pela defesa dos direitos, da dignidade, da saúde e da harmonização da vida profissional com a vida familiar, social e cultural a que todos têm direito!

RESOLUÇÃO DO ENCONTRO NACIONAL DE DIRIGENTES, DELEGADOS E ACTIVISTAS SINDICAIS DA GRANDE DISTRIBUIÇÃO


A proposta das empresas da “Distribuição Moderna” é desumana porque quer legalizar e generalizar algumas práticas ilegais que já vêm pontualmente praticando, e fazem a vida dos/as trabalhadores/as num “inferno”, com as chamadas escalas diárias, ou seja, todos os dias um horário diferente.

Querem acrescentar-lhe a chamada adaptabilidade, (horário médio) até mais 4 horas diárias de trabalho gratuito, no máximo de 60 horas por semana, prolongadas por dezenas de semanas consecutivas, com o recurso ao banco de horas (saco de horas) que sendo a mesma coisa, acresce mais 200 horas a mais de trabalho gratuito.

A tudo isto, as empresas ainda querem para si mais um direito fundamental – o poder - deunilateralmente fixarem “de véspera” o acréscimo do horário, por essa forma adquirirem o direito de em cada dia alterarem o horário de entrada e saída (ou os dois) no dia seguinte, manipulando e determinando a vida dos trabalhadores e suas famílias.
Esta proposta coloca na mão das empresas, seus representantes nos locais de trabalho, o imenso e unilateral poder de em cada dia fixarem para o seguinte 12 horas de trabalho, mais 1 ou 2 horas de intervalo para refeição, retendo os trabalhadores/as 13 ou 14 horas no local de trabalho e ainda alterarem, todos os dias, hora de início e de termo do horário de trabalho, com isso criando uma desumana relação de trabalho que faria a vida dos/as trabalhadores/as num “inferno”.

Nuns dias podem mandá-los apresentar-se ao trabalho 4, 3, 2 ou 1 hora a mais, antes do início da hora normal de trabalho, noutros ordena-lhe que trabalhem mais 1, 2, 3, ou 4 horas depois de terminado o horário normal e noutros umas horas antes e outras horas depois do período normal de trabalho, é a isto que governantes e patrões chamam de flexibilidade e banco de horas, e os trabalhadores, mais prosaicamente, trabalho “escravo”.

Um exemplo deste poder imenso que eles querem para liquidar a saúde e a vida familiar e social dos trabalhadores

Um trabalhador tem o horário de segunda a domingo: das 12 às 16 horas e das 17 às 21 horas, com apenas 1 hora de intervalo para refeição (a maioria tem 2 horas de intervalo).
Aplicando a proposta das empresas de “adaptabilidade e ou banco de horas”, ou seja de trabalho gratuito a mais, ordenado de véspera ou não. Em cada dia o responsável da secção, sector ou serviço pode impor (o trabalhador passa a ser obrigado a obedecer desde que negociado pelos sindicatos) o horário para o dia seguinte, exemplo:

Recorda-se o horário do trabalhador fixado no mapa de horário afixado, tem início às 12 e termo às 21 horas, que não é pratica generalizada, porque as empresas violam as normas do Contrato Colectivo de Trabalho ainda me vigor.

Na segunda está de descanso, telefonam-lhe a dizer que na terça vens fazer mais 4 horas depois das 21, entras às 12 fazes o teu horário normal até às 21 horas, e trabalhas em regime de adaptabilidade ou para o banco de horas, conforme opção da empresa, mais 4 horas, até à 1 hora da manhã, e vão 12 horas de trabalho …
Na terça, no final do dia, simplesmente, dizem-lhe que na quarta vens fazer mais 4 horas depois das 21, entras às 12 fazes o teu horário normal até às 21 horas, e trabalhas no regime de adaptabilidade ou para o banco de horas mais 4 até à 1 hora da manhã, e vão mais 12 ....
Na quinta está de descanso, telefonam-lhe a dizer que na sexta vens fazer mais 4 horas antes das 12, entras às 8 e depois fazes o teu horário normal das 12 às 21 horas, e vão mais 12 horas de trabalho ....
Na sexta o chefe diz-lhe: sábado vens fazer mais 2 horas antes das 12, entras às 10, segue-se o teu horário normal das 12 às 21 horas, e a seguir, porque é sábado as vendas aumentam, precisamos muito de ti cá, fazes mais 2 das 21 às 23 horas, e vão mais 12....
No sábado dizem-lhe, simplesmente, amanhã domingo vens às 10 horas e trabalhas até às 23 horas, e vão mais 12 horas de trabalho.
No conjunto trabalhou 60 horas na semana, espectacularmente, foi respeitado o horário fixo, os 2 dias de descanso e os 5 de trabalho e ainda as 11 horas de descanso entre jornadas de trabalho impostas pela lei.

Este exemplo pode ser aplicado a quaisquer horário, com ligeiras adaptações, semanas e semanas a fio …

E assim sucessivamente, semana após semana, até adoecer ou se despedir porque não aguenta mais os problemas familiares, ou então junta-se aos outros colegas e pára o trabalho até o abuso terminar e a empresa respeitar a saúde, a vida, a família e a dignidade de todos os trabalhadores.
Nas lojas com menor amplitude de abertura, em vez de 2 passam a precisar apenas de 1 trabalhador para fazer todo o horário da secção ou sector.
Para evitar esta experiência muito traumática, que alguns já provaram e sabem ser insuportável, recusamos negociar estas desumanas barbaridades, contrárias à saúde, à vida, à família e à dignidade dos trabalhadores, que têm em vista aumentar o imenso poder unilateral das empresas e seus representantes nos locais de trabalho, a obtenção de trabalho gratuito para reduzir custos, diminuir o emprego e aumentar lucros.

Recusamos também aumentar ainda mais a precariedade, com motivos para contratar a termo e em alternativa exigimos a reposição da legalidade, ou seja a passagem a efectivos dos trabalhadores contratados a termo a ocupar postos de trabalho permanentes.

De igual modo exigimos um aumento salarial que actualize os baixos salários praticados na grande distribuição, a maioria ao nível ou próximo do salário mínimo nacional, apesar do desmesurado crescimento e lucros dos grupos e empresas da grande distribuição.

Vamos para os locais de trabalho mobilizar os trabalhadores para uma jornada de luta – greve - na véspera do Natal e mandatar o CESP/FEPCES decidirem, caso se justifique, avançar em Janeiro 2010, com outro dia de greve, emitindo os respectivos pré-avisos de greve.

A luta prosseguirá até que as Empresas e a APED assumam posições negociais razoáveis, respeitem os direitos humanos básicos e actualizem os salários dos trabalhadores.

Contra as propostas desumanas das empresas da grande distribuição!
Pela defesa dos direitos, da dignidade, da saúde e da harmonização da vida
profissional com a vida familiar, social e cultural a que todos têm direito!
Pela actualização dos salários e subsídios!
Pelo respeito pelas regras e leis na grande distribuição!
Lisboa, 14 de Dezembro de 2009

http://www.cesp.pt/

12.12.09

12 de Dezembro - Dia de acção global pela Justiça climática: Mudemos de sistema, não de clima!


Transmissão em directo da Manifestação em Copenhaga: AQUI

Hoje, 12 de Dezembro, dezenas de milhares de pessoas vão marchar em Copenhague para exigir acções concretas e efectivas contra as mudanças climáticas. Muit@ s ainda têm esperança que «reunião de cúpula dos líderes mundiais seja capaz de chegar a um acordo que seja bom para o povo e o clima. Mas nós bem sabemos que as negociações não vão resolver a grave crise climática em que estamos metidos.

Na verdade, não estamos mais perto de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa do que no início, quando as negociações começaram há quinze anos: as emissões continuam a aumentar a ritmo acelerado, enquanto o comércio de carbono permite que os criminosos do clima continuam a poluir e a ganhar lucros com isso. Diante da profunda crise da nossa civilização, tudo o que vemos é um circo político a defender os interesses empresariais das grandes corporações capitalistas.

Em resposta a esta loucura, um movimento internacional pela justiça climática tem vindo a reivindicar poder sobre o nosso próprio futuro. Como parte deste, um novo movimento global pela justiça climática surgiu para reivindicar o poder sobre o nosso futuro. Não podemos confiar, em 1º lugar, naqueles que criaram o problema, e que têm grande interesse para diminuir o poder sobre o nosso futuro, nem alimentar a nossa fé nas tecnologias inseguras, insustentáveis e que não oferecem garantias.


Ao contrário daqueles que escolhem o capitalismo 'verde', nós sabemos que no nosso planeta finito é impossível ter um crescimento infinito. Em vez de tentar reparar um sistema destrutivo, devemos:

• Deixar os combustíveis fósseis no subsolo
• Socializar e descentralizar a energia
• Re-localizar a nossa produção de alimentos
• Reconhecer e restaurar a dívida ecológica e climática
• Respeitar os direitos dos povos indígenas
• Regenerar o nosso ecossistema


A única maneira de conseguir isso é não mais estarmos à espera que alguém actue, ou que corrija problemas em outros lugares - pois, devemos e podemos tomar o poder nas nossas próprias mãos e construir um movimento forte, que lute pela justiça climática: um mundo onde as soluções para a crise do clima não sejam pagas pelos que fizeram o mínimo para causar o problema, e que lute por um mundo onde a qualidade vida de alguém não signifique a exploração de outros, e para um mundo com mais tempo para o prazer, a solidariedade e um desenvolvimento mais humano real, enfim, para um futuro brilhante sem o capitalismo.


Juntem-se ao bloco às 13:00 no Slotsplads Christiansborg (Praça do Parlamento), em Copenhague centro para pedir



MUDEMOS DE SISTEMA , NÃO DE CLIMA!


http://www.climate-justice-action.org





FOTOS E VIDEOS DA MANIF de HOJE (12 de DEZ.)



11.12.09

Um Poeta no Piolho - o novo livro de A. Pedro Ribeiro é lançado no dia 12 de Dez. pelas 17h. no café Piolho



UM POETA NO PIOLHO

Integrado nas comemorações dos 100 anos do café Piolho, no Porto, A. Pedro Ribeiro lança o livro "Um Poeta no Piolho" (Corpos Editora), só com textos escritos no Piolho, no próximo sábado, 12, pelas 17 h.

A apresentação do livro vai estar a cargo do escritor Raúl Simões Pinto e conta também com a presença do editor Ricardo de Pinho Teixeira.

A. Pedro Ribeiro é autor dos livros de poesia e manifestos "Queimai o Dinheiro" (Corpos, Março de 2009), "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (Pirata, 2003) e "Á Mesa do Homem Só. Estórias" (Silêncio da Gaveta, 2001). Foi fundador da revista literária "Aguasfurtadas" e colaborador de diversas revistas e fanzines como "Portuguesia", "Cráse", "Voz de Deus", "Bíblia" e "Conexão Maringá" (Brasil). Diz poesia e faz performances poéticas e poético-musicais, tendo actuado nos Festivais de Paredes de Coura 2006 e 2009 e recentemente nas "Quintas de Leitura" do Teatro Campo Alegre. Foi activista estudantil na Faculdade de Letras do Porto, onde se licenciou em Sociologia. Foi jornalista e é cronista. É vocalista das bandas Mana Calórica e Las Tequillas.

10.12.09

Activistas do GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental) lutam em COPenhaga pela justiça climática



Um grupo de jovens ambientalistas do GAIA viajou até Copenhaga, onde decorre a 15ª Conferência das Partes (COP15) sobre o clima. As activistas criticam a falta de legitimidade deste espaço de decisão, que não só tem sido totalmente ineficaz na redução de emissões de carbono, como tem acentuado as injustiças sociais através de mecanismos de mercado e outros esquemas tipicamente colonialistas. Vão tomar parte nos protestos para bloquear a cimeira e iniciar novos processos de base, que possam abrir caminho para uma verdadeira justiça climática.

Quem somos?

Consideramo-nos representantes de uma nova classe emergente; educadas ao nível de mestrado, sensibilizadas com uma tal consciência dos problemas sociais, ambientais e espirituais globais que não nos dispomos a sucumbir ao individualismo.
Tudo o que sabemos faz-nos olhar para o sistema capitalista, com que crescemos, como a raiz dos problemas na nossa sociedade. Um simples exemplo é a correlação entre a última crise económica, durante a qual houve uma diminuição de produção e a diminuição de três por cento de emissões de CO2 a nível global. A este exemplo se juntam mais, que nos obrigam a desconstruir o mito do progresso e do crescimento económico constante, sem tomar em conta os limites do nosso próprio planeta.

Porquê?

Acreditamos que podemos ter uma boa influência no que se vai passar nas ruas de Copenhaga. Como indivíduos isolados não temos grande voz, mas se juntarmos todas as vozes reclamando decisões comprometedoras, podemos gritar até nos escutarem no Bella Center, o centro onde os políticos mais poderosos decidem do futuro do nosso clima. Somos elementos integrantes dos Ritmos de Resistência (internacional Lisboa) e do Exército Clandestino Insurgente de Palhaços Rebeldes, duas redes internacionais que usam a frivolidade táctica, inspirada no carnaval, para confrontar e criticar sistemas de dominação e apoiar todos os que lutam contra a exploração e a opressão.
Não queremos passar o Natal numa cela, pois não é nesse ambiente que nos sentimos em casa; estas manifestações poderão ser perigosas, pois as autoridades tudo farão para proteger a elite governante e o status quo, mas as alterações climáticas JÁ SÃO PERIGOSAS. Por isso, estar aqui é plenamente justificado.

Como chegámos aqui?

Os transportes estão na raiz do debate sobre as alterações climáticas, em particular na Cimeira de Copenhaga, porque o contributo para as emissões de indústrias altamente emissoras como a aviação ou transporte marítimo não estão incluídas nos tratados. Escolhemos deslocar-nos deliberadamente de uma forma sem emissões adicionais de CO2, pedindo boleia a camionistas e particulares que íam em direcção de Copenhaga.

Qual é a nossa posição?

Queremos delegitimizar as negociações a partir do topo, dado que, como mostram os últimos 14 anos (a Cimeira da Terra, de onde saiu a Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, teve lugar em 1992), não conseguiram reduzir as emissões de carbono, bem pelo contrário.
Pelo menos 300 000 pessoas morreram já por causas relacionadas com as alterações climáticas. No que ameaca ser o acto de extinção em massa mais relevante do período corrente, são mais uma vez as pessoas que tiveram má sorte de nascer em países do Sul global que serão mais afectadas. Para além disto, as decisões já tomadas nas últimas 14 COPs, não têm contribuído em nada para uma verdadeira justiça climática – pelo contrário, vêm pejados de um colonialismo asqueroso, da ideia de que temos que ajudar os países pobres a reduzir as nossas emissões com as nossas magníficas tecnologias (as mesmas que nos ajudam a ser tão eficientes que temos emissões per capita várias vezes superiores a esses países!).
Os culpáveis da presente crise climática compram direitos de emissões de carbono (chama-se “offset”) aos países que, devido a um menor desenvolvimento industrial, não têm tantas emissões. Um esquema não muito distinto das indulgências medievais adquiridas pelos fiéis para os livrar dos seus pecados. Noutros casos, limpam a sua consciência plantando eucaliptos clonados ou geneticamente manipulados, nefastos para os ecosistemas locais e para os indígenas em países como o Brasil (para mais informações sobre este programa de “reflorestacão” conhecido como REDD, ver
http://www.natbrasil.org.br/).
Não queremos apenas criticar, mas também sensibilizar cada cidadão deste planeta. Apesar das gotas insignificantes que cada um de nós constitui, somos capazes de ajudar a preservar o que resta do equilíbrio dos nossos sistemas ecológicos e sociais, introduzindo pequenas mudanças na sua vida diária.

“TÁ-SE”, Instalação Anti-Experimental com Base em imagens da Revolta Grega de há um ano atrás - montra/instalação na livraria-bar Gato Vadio


“TÁ-SE”, Instalação Anti-Experimental com Base em imagens da Revolta Grega de há um ano atrás.
Por Bartldad Bashir e Yurgi Tzanov
(na Montra/Gato Vadio)
11, 12 e 13 de Dezembro 2009



Gato Vadio

Livraria. Atelier de Design. Café-bar.

Rua do rosário, 281 – Porto

telefone: 22 2026016

email: gatovadio.livraria@gmail.com

http://gatovadiolivraria.blogspot.com/



Censurada na Bienal de Veneza, a instalação da dupla de artistas formada por Bartldad Bashir e Yurgi Tzanov atravessou o Atlântico para provocar motins em São Paulo, chegando agora à passiva e testosterónica cidade portuense, revelando-se num espaço mais vocacionado para a acção do que para a exposição.
Este “visual point” é uma experiência multi-disciplinar (e anti-disciplinária) pós-moderna realizada a título experimental e que em breve estará disponível nas livrarias Fnac’s e noutras grandes superfícies com o intuito de lembrar que você não existe senão enquanto mercadoria.






Um ano depois da programada e eficaz encenação da Crise Mundial e no fim-de-semana da Cimeira de Copenhaga, onde o teatro de actores respeitados continua em cena, (sempre com lotação esgotada e representando os interesses do espectador respeitador em geral), a Gato Vadio, preocupada com o espectador respectivo em particular, oferece-lhe “TÁ-SE”, um brinde* em estreia nacional.




9.12.09

Portugal eucaliptiza Moçambique e esquece a luta no nosso próprio país contra as eucaliptizações nos anos 80



Segundo informações difundidas na imprensa, o grupo económico português da Portucel-Soporcel está a ultimar as negociações com o Governo moçambicano para adquirir 200 mil hectares de terrenos (equivalente à área de 200 mil estádios de futebol) para plantar eucaliptos, junto dos quais irá edificar também uma fábrica de pasta de papel.
A produção silvícola cobrirá uma enorme área florestal dos distritos de Manica e Zambézia, em Moçambique, envolvendo ainda a produção industrial de pasta e, numa fase posterior, de papel.


Recorde-se que, nos anos 80 do séc. XX , quando a consciência ambiental em Portugal era muito fraca - o que, em geral, se mantém, ainda hoje, com poucas e honrosas excepções – assistia-se à eucaliptação indiscriminada de vastas áreas do nosso litoral e de áreas serranas, reconversão esta que tinha por vezes lugar em áreas com espécies autóctones e ou consideradas importantes para a conservação da biodiversidade. Esta foi uma grande luta que, convém não esquecer, decorreu muitas vezes em sintonia com o sentir das populações locais que receavam as mudanças drásticas que estas florestações colocariam à sua região e ao seu modo de vida.

As múltiplas actividades que então decorreram tiveram alguns pontos altos com acções directas no terreno em conjunto com a população e que envolveram acorrentamento às máquinas como as que decorreram em Manhuncelos, concelho de Marco de Canaveses em 1988, na Serra da Aboboreira em Janeiro de 1989, em Valpaços em Março de 1989 ou ainda em Mértola, juntamente com a Associação de Defesa do Património de Mértola já no final desse ano.


Sessão de poesia erótica-satírica no bar-livraria Labirinto (9 e 10 de Dez. às 22h.)



Labirintho Bar Livraria Galeria
Rua N. Sra de Fátima, nº 334 - Porto

Sessão de Poesia Erótico-Satírica compilada por Natália Correia

leitura por Nuno Meireles

9 e 10 de Dezembro de 2009 às 22:00

O Labirintho dos Sentidos. Gomes Leal, Guerra Junqueiro, Fernando Pessoa, António Botto, Pedro Homem de Melo, Carlos Queiróz, Luiz Pacheco e Eugénio de Andrade na "Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica" de Natália Correia.

Plantação de árvores em Carreiras - Portalegre (13/12/2009)‏


A Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, vai levar a cabo no próximo dia 13 de Dezembro (Domingo), uma acção de plantação de espécies autóctones em Carreiras, Portalegre, no Parque Natural da Serra de S. Mamede.

Esta plantação terá lugar no âmbito do projecto da Quercus "Criar Bosques", uma iniciativa que visa a criação de uma nova floresta portuguesa, gerida de forma activa e sustentável e constituída por espécies autóctones.

Convidam-se assim todos os interessados a participar nesta iniciativa, bastando que para tal se inscrevam até ao próximo dia 12 de Dezembro. A participação é gratuita e o transporte a cargo de cada um dos participantes.

O final das actividades está previsto para as 16.00 horas, havendo contudo a hipótese de os interessados participarem apenas no período da manhã ou da tarde.


As inscrições, assim como eventuais pedidos de informação adicionais, podem ser feitas pelos contactos abaixo. Não faltem!


QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da
Natureza

Núcleo Regional de Portalegre

Apartado 163, 7301-901 PORTALEGRE, Telefs: 96 010 70 80 / 96 020 70 80

E-mails:
portalegre@quercus.pt / quercus.portalegre@gmail.com

Web page:
www.quercus.pt



Local: Carreiras - Portalegre

Ponto de encontro: Praça Central de Carreiras às 10.00 horas

Contacto: Nuno Sequeira - 96 010 70 80,
portalegre@quercus.pt