6.7.08

Encontro/tertúlia em Lisboa (dia 7 de Julho) com dois líderes indígenas da área da Raposa Serra do Sol na Amazónia brasileira


“Não temos mais em quem confiar!”. É uma frase do tuxaua Jacir Sousa. Depois de 30 anos de lutas, dezenas de vidas ceifadas, casas destruídas, prisões, torturas, sequestros, sofrimento permanente nas serras e campos, tudo parece desmoronar.

Trinta anos de luta pelo direito à terra, acreditando em prazos e promessas, até que, finalmente, a terra foi demarcada, homologada e os invasores receberam ordem de se retirarem, segundo o decreto de homologação do presidente Lula da Silva, Portaria n.º 534, de Abril de 2005. Mas tudo terá sido em vão. Os prazos foram sendo adiados, força e actos terroristas sobrepõem-se ao direito. Parece claro que a invasão de terras é tolerada e até mesmo protegida pelo Estado. Meia dúzia de arrozeiros ricos e audaciosos contam com a conivência das autoridades públicas.

Passaram três anos sobre a assinatura do decreto presidencial de homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol (TISRR). Os povos indígenas, agrupados em 194 comunidades, manifestam toda a indignação quanto à forma como vem sendo conduzido o prócesso para a retirada de seis arrozeiros, por parte do governo federal. A lentidão e a omissão permitem sucessivos ataques contra os direitos indígenas, sem a devida punição dos agressores. Crimes como a fabricação de bombas e o uso de um carro-bomba cheio de gasolina e dinamite destinado a fazer explodir o posto da Polícia Federal, em Pacaraima, são verdadeiros atentados contra a segurança nacional, perante a indiferença das autoridades.

Mas as comunidades indígenas do TIRSS não cruzam os braços. Vão intensificar a pressão para fazer valer o decreto presidencial de homologação da terra indígena. A denúncia contra os arrozeiros e o pedido de ajuda à comunidade internacional pela manutenção da área contínua é feita pela advogada Joênia Batista de Carvalho, conhecida como Joénia Wapixana. Índia da etnia wapixana – uma das cinco comunidades que ocupam a Raposa Serra do Sol , 34 anos, Joênia é a primeira mulher indígena formada em Direito no Brasil.

As comunidades indígenas estão revoltadas com tudo o que tem ocorrido dentro de sua casa, onde são humilhadas, os bens destruídos e ainda seus membros ameaçados e baleados. Diante das violações dos direitos humanos dos povos indígenas na TIRSS, lançaram a campanha urgente de apoio e solidariedade: “Anna pata Annayan”, que signi¬fica “Nossa Terra, Nossa Mãe”. Nela solicitam e exigem que o Supremo Tribunal Fede¬ral ratifique e faça cumprir o decreto de Homologação, assinado em Abril de 2005, e determine a retirada dos invasores da Nossa Terra Mãe. Os arrozeiros devem ser im¬pe¬didos de continuar a enviar jagunços para abrirem fogo contra os indígenas que vivem pacificamente em suas terras. A presença deles na TIRSS é altamente prejudicial. Próduzem arroz sem algum cuidado ambiental, desviam cursos de água, utilizam produtos agrários tóxicos, destroem as matas ciliares. Abatem o património público, como as pontes, lançam bombas caseiras contra os índios. Para que cesse a violência, a intimidação e as sucessivas ameaças, as comunidades da Raposa Serra do Sol exigem que eles abandonem a TIRSS, dando comprimento ao decreto presidencial. Apoiemos as comunidades indígenas!






No dia 7 de Julho vai realizar-se um Encontro/Tertulia com Dois Lideres Indigenas da Amazonia Brasileira (da area indigena Raposa Serra do Sol, no Estado de Roraima,) no salão do CUPAV (Centro Universitario Padre Antonio Vieira) - Estrada da Torre, n.26, ao lado do Colegio S. Joao de Brito, metro LUMIAR, em LISBOA,pelas 19h.

Para que o contexto deste encontro tao importante possa ser claro para todos, vamos explicar brevemente de que trata esta causa.

A Terra Indigena Raposa Serra do Sol foi homologada pelo presidente Lula em 15 de Abril de 2005, por decreto presidencial. Foram trinta e oito anos de luta organizada dos povos indigenas para conseguirem a homologacao da sua terra.

O decreto homologatorio estabeleceu o periodo de um ano (ate Abril de 2006)para a retirada de todos os nao-indigenas da area mediante contrapartidas do governo federal.

No entanto, os fazendeiros, que detem um poder fisico, economico e politico muito superior aos indigenas, recusam-se a sair de la e recorrem a violencia indiscriminada para conseguir os seus objectivos (destroem casas, pontes e terras, agridem os indigenas e ameacam-nos diariamente).

Sao seis fazendeiros, produtores de arroz e de soja (6.000 hectares), contra mais de 19.000 indigenas dos povos Macuxi, Wapixana, Taurepang, Patamona e Ingarika, distribuidos por 194 comunidades.

Bem mais grave ainda, eh que, tendo os fazendeiros/arrozeiros recorrido ao Supremo Tribunal Federal, maximo orgao judicial do Brasil, este suspendeu a operacao de retirada dos arrozeiros e acolheu um recurso apresentado pelo governo estadual de Roraima (que se encontra totalmente manipulado politica e economicamente pelos fazendeiros).

A retirada dos arrozeiros esta suspensa ate que o Supremo Tribunal se pronuncie, de modo definitivo, sobre a legitimidade do decreto de homologacao, confirmando-o ou anulando-o (a decisao deveria ter acontecido ate Junho/08, mas sera provavelmente adiada ate Agosto).

Esta situacao veio abalar decadas de luta pacifica dos povos indigenas da Amazonia pela recuperacAo das suas terras, que eles habitam há séculos, em harmonia com a natureza.

Se o Supremo Tribunal se pronunciar a favor dos arrozeiros, abre-se um precedente gravIssimo que porA em causa homologaCOes de outras Areas indigenas ja demarcadas e protegidas, nao so da Amazonia, mas tambem de todo o Brasil.

A Raposa/Serra do Sol nao eh apenas uma selva salpicada de tribos. Ali actuam 251 professores indigenas em 113 escolas de ensino fundamental e tres de ensino medio, para alem da Escola Agropecuaria de Surumu, que profissionaliza tecnicos de nivel medio. Diariamente os indigenas manejam um rebanho de 36 mil cabecas de gado bovino.

Por seu lado, os danos ambientais das fazendas sao muito graves. Alias, o IBAMA, Ministerio do Ambiente, multou a 9 de Maio o prefeito de Pacaraima (RR), Paulo Cesar Quartiero, fazendeiro, em R$ 30,6 milhoes por crimes ambientais cometidos na fazenda Deposito, dentro da reserva indigena Raposa Serra do Sol.

Para divulgar esta situacao injusta e fazer pressao sobre o Supremo Tribunal Federal, uma delegacao de indios da regiao amazonica da Raposa Serra do Sol esta em digressao pela Europa, em campanha contra a impunidade e a violencia.

Jacir Jose de Souza (lideranca Makuxi do Conselho Indigena de Roraima - CIR) e Pierlangela Nascimento da Cunha (lideranca Wapichana, Coordenadora da Organizacao dos Professores Indigenas de Roraima - OPIR), que representam todos os indios que lutam pelas suas terras na Raposa/Serra do Sol, vem divulgar pela Europa a exigencia de que o Supremo Tribunal Federal ratifique o decreto-lei de 2005, homologado por Lula da Silva, que reconhece a posse indigena da terra e decreta a expulsao dos arrozeiros que ilegalmente ocuparam as terras indigenas.

Nas palavras de Pierlangela: "Vemos todos os dias como se discute no mundo todo questoes como aquecimento global, a agua, e nos estamos a ver tudo isso ser destruido na nossa terra".

A embaixada indigena já esteve na Inglaterra, depois ter estado varios dias em Espanha, procurando recolher apoios para a sua causa. Os dois lideres ja se encontraram com representantes do governo espanhol, da embaixada brasileira e das agencias de cooperacao espanholas. Nos proximos dias passarao por Belgica, Franca e Italia.

Estão agora em Portugal, de 3 a 7 de Julho, para apresentar a campanha "Anna Pata Anna Yan", isto eh, "Nossa Terra, Nossa Mae".

Estao a organizar-se encontros entre os indios e os lideres politicos portugueses, tal como iniciativas de divulgacao na comunicacao social e para o grande publico.

É neste contexto que, no dia 7 de Julho, haverá o encontro no CUPAV, em LISBOA, que terá o seguinte programa:

* 9h - 20h30: encontro com os indigenas Jacir e Pierangela

* 20h30 - 21h: pausa para sopa e bolinhos

* 21h - 22h30: Campanha de Assinaturas e formacao de uma Plataforma de Solidariedade com a luta dos indigenas da Raposa Serra do Sol.



É mesmo importante a presenca de todos neste evento. Venha e ajude-nos a divulgar o encontro!

Antes do dia 7, porem, tambem há outras formas de comecar a solidarizar-se com esta causa:

- Há uma peticao para assinar:

http://www.petitiononline.com/tirssjg/petition.html


Para mais informacoes:

-dossier sobre a situacao da Raposa Serra do Sol em:
www.fatimamissionaria.pt/index_fatima.php?recordID=22

- noticias actualizadas da viagem pela Europa em:
http://oquesubjaz.blogspot.com


- site do Conselho Indigena de Roraima:
www.cir.org.br


- site do Conselho Indigena Missionario:
www.cimi.org.br



Vídeo sobre o ataque dos jagunços






Raposa Serra do Sol - Demarcação de Terra Indígena em perigo

Diante da polêmica demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, e sendo premente o julgamento da questão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, os abaixo-assinados têm a declarar o seguinte

1. A Constituição de 1988 reafirmou o direito originário das terras indígenas, cabendo à União a demarcação de tais terras indígenas. Tal processo não cria nada, antes reconhece e protege, formalmente, a situação de ocupação tradicional do território.

2. As terras indígenas são, por determinação constitucional, inalienáveis e imprescritíveis, e sua propriedade pertencence à União. Não pertencem, portanto, aos índios, que somente têm seu usufruto e posse permanente. Sua condição de inalienáveis - terras fora de comércio - e, ao mesmo tempo, cobiçadas, explicam a disputa. Fique claro que as terras indígenas, uma vez demarcadas, asseguram a plena soberania da União sobre tais territórios e a nulidade de eventuais títulos de propriedade sobrepostos. Tal disputa, portanto, é também disputa por terras da União e, portanto, terras públicas. E causa estranheza que a resistência violenta à desocupação das terras, com atos de destruição de bens públicos e, portanto, absolutamente ilegal, antes da concessão da liminar, não tenha sido objeto de condenação tão veemente quanto tem sido quando o Movimento dos Sem Terra (MST) ou outros movimentos sociais ocupam prédios ou praticam formas de resistência pacífica.

3. Raposa Serra do Sol não é a maior nem a única terra indígena em zona de fronteira. Esta condição tampouco fragiliza a integridade e soberania nacionais, seja porque inexiste, em qualquer lugar do mundo qualquer movimento separatista indígena, seja porque as terras fronteiriças também são bens da União. A demarcação contínua, tal como posta, é, ao contrário do alegado por seus opositores, a salvaguarda da integridade e soberania nacionais, inclusive pelo acesso facilitado da Polícia Federal e Forças Armadas a bens públicos, o que não ocorreria se reconhecidas propriedades privadas no referido território.

4. A área indígena objeto de litígio representa menos de 8% de Roraima e, mesmo somadas todos os demais territórios indígenas, tal condição não inviabiliza o desenvolvimento do Estado, que, possuindo, quanto ao restante, área superior à de Pernambuco e inúmeros outros Estados com população maior, tem condições de estabelecer projetos sustentáveis e estratégicos que levem em conta- como fator positivo e não como entrave- a forte presença indígena na região, em especial na zona rural e no Exército. O slogan "terra demais para pouco índio", por outro lado, obscurece a realidade fundiária brasileira, com imensa concentração de terras nas mãos de poucos proprietários.

5. O longo processo de demarcação das terras indígenas no Brasil (a Constituição fixara cinco anos para sua finalização) é emblemático dos desafios postos pela Constituição de 1988: a afirmação dos indígenas como sujeitos de direitos, não mais passíveis de tutela pelo Estado e de políticas de assimilação, devendo ser respeitadas suas culturas e tradições; o reconhecimento da diversidade étnico-racial cultural como valor fundante do "processo civilizatório nacional" e da própria unidade do país e a função socioambiental da propriedade, com distintas formas de manejo sustentável dos territórios pelas variadas comunidades culturais existentes no Brasil.

6. Uma inflexão da jurisprudência do STF em sentido contrário àquela até hoje dominante pode implicar a revisão de todos os demais processos demarcatórios arduamente realizados, o acirramento da discriminação anti-índios e anti-negros e a conflagração de novos conflitos fundiários, gerando maior insegurança a estes grupos subalternos. Países vizinhos, com populações indígenas majoritárias ou não, têm procurando desenvolver um conceito de "constitucionalismo multicultural", de que é exemplo a Colômbia. No momento em que se celebram os vinte anos da Constituição de 1988 e os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos tal mudança de postura seria um duro golpe nos direitos indígenas, justamente quando, no plano internacional, foi finalmente aprovada após trinta anos de discussão, uma Declaração dos Povos Indígenas. O momento, pois, é de apreensão, vigilância e também de confiança de que o compromisso, constante na Constituição de 1988, de prevalência dos direitos humanos, seja novamente reafirmado.


Vídeo: Entrevista a Joénia Wapichana











União Operária Natural promove encontro-convívio na Casa do Alentejo em Lisboa no dia 11 de Julho às 21h.


ENCONTRO DE AMIGOS/AS
CASA DO ALENTEJO
dia 11, às 21 horas
Liberdade Solidariedade Autogestão



Ciclo de cinema sobre Imigração promovido pela Tertúlia Liberdade ao longo do mês de Julho



http://www.tertulialiberdade.blogspot.com/

A Tertúlia Liberdade promove ao longo do mês de Julho um ciclo de cinema sobre a temática da imigração
A Tertúlia Liberdade é um grupo de reflexão sobre questões de índole social que pretende levar à prática iniciativas de âmbito político e cultural baseadas nos princípios da auto-organização e do fomento da autonomia dos participantes.

Local:
NA CREW HASSAN
Rua das Portas de Santo Antão, 159 - Lisboa

(é na rua do Coliseu de Lisboa)



##### DIA 9 - 4ª feira, às 21 horas
LISBOETAS - Os imigrantes, são os novos habitantes de Lisboa – em português


##### DIA 10 - 5ª feira, às 21 horas
TERRA PROMETIDA - Imigrantes e escravas sexuais em Israel - legendado em português


##### DIA 16, 4ª feira, às 18,30 horas
FORTALEZA EUROPA - manifestações contra barreiras Europa/África - em castelhano


##### DIA 17, 5ª feira, às 21 horas
NO LAGER, NOWHERE - Campos de detenção de imigrantes na Europa – em inglês


#####DIA 23, 4ª Feira, às 18,30 horas
NUBAI - O rap negro em Lisboa, - Arrentela, Cova da Moura, Porto Salvo - português


#####DIA 24, 5ª feira, às 21 horas
OUTROS BAIRROS - O falso arrastão e histórias de bairros de imigrantes - português


#####DIA 30, 4ª feira, às 18,30 horas
BAP-SEPTA - A odisseia da travessia do Estreito de Gibraltar pelos imigrantes - português
(exibição com a presença dos realizadores)


ENTRADA LIVRE E SAÍDA TAMBÉM

À volta das aldeias... - ciclo de actividades na Casa da Horta ( 8 a 27 de Julho)


PROGRAMAÇÃO:


Dia 8, terça-feira

21.00h - Inauguração da exposição fotográfica “Aldeias à volta do rio Paiva”, autoria Sérgio Rui


Dia 9, quarta-feira

21.30h - Documentário “11 burros caem no estômago vazio” (29 min.), de Tiago Pereira

22.00h - Apresentação da AEPGA - Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (Miranda do Douro)


Dia 12, sábado

17.30h – Documentário “Mestre da Cortiça” (10 min.)

18.00h – Conversa sobre “Revitalização de aldeias”, com a presença da associação ALDEIA (Vimioso) e Centro de Convergência (Odemira)


Dia 13, domingo

18.30h – Documentário “Névoa no Vale” (1h06m), de Victor Salvador


Dia 17, quinta-feira

21.30h – Documentário sobre o Teatro Regional da Serra de Montemuro (Castro Daire)


Dia 19, sábado

17.30h – Vídeos realizados em Nodar

? 18.30h – Apresentação da Associação Cultural de Nodar (S. Pedro do Sul)


Dia 20, domingo

18.00h – Documentários “Contra Corrente” (26 min.), “O Fole” (32 min.) e “Milho à Terra” (50 min.), de Carlos Eduardo Viana, produzidos pela Associação Ao Norte


Dia 24, quinta-feira

21.30h – Documentário “Ainda há pastores” (1h12m), de Jorge Pelicano


Dia 26, sábado

18.30h - Apresentação do projecto “Criar Raízes” (S. Pedro do Sul) e banca da CoopRaízes


Dia 27, domingo

18.00h – Documentário “O Céu Gira” (115min), de Mercedes Álvarez



Entrada gratuita

Casa da Horta, Associação Cultural
Rua de São Francisco, 12A
4050-548 Porto
(perto da Igreja de São Francisco e Mercado Ferreira Borges)

http://casadahorta.pegada.net/entrada/

Acção de formação sobre as alternativas de software livre aos monopólios digitais (10 de Julho)

INTERNET, INFORMÁTICA E CIDADANIA

Alternativas do software livre aos monopólios digitais

10 e 11 de Julho
Fábrica Braço de Prata - Livraria Ler Devagar
Lisboa



Acção de formação em SPIP (
www.spip.net )

10 de Julho 5.ª F 18h30

Com a participação de:

Philippe Rivière - jornalista do Le Monde diplomatique e co-autor do software livre SPIP;

Luís Carlos Feijão - programador informático.

Debate


11 de Julho 6.ª F 21h

Com a participação de:

Philippe Rivière - jornalista do Le Monde diplomatique e co-autor do software livre SPIP;

João Neves - ANSOL;

Inês Pereira - socióloga;

Nuno Teles - economista.

Entrada livre, sujeita a inscrição prévia. Inscrições para monde-diplo@netcabo.pt.

No final será eimitido certificado de participação.

Organização:
Le Monde diplomatique - edição portuguesa; ANSOL; Shift.


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Os programadores da liberdade


Sociedade em rede e sociedade da informação, eis dois epítetos comummente utilizados para caracterizar, por um lado, os processos internacionais de interdependência global – financeira, comercial, etc. – e, por outro, a comercialização e o fechamento do conhecimento e da informação. Paralelamente a este processo central na sociedade contemporânea, encontramos, todavia, um conjunto de movimentos que propõem a criação de alternativas, entre os quais se destaca o do software livre.


O software livre pode ser definido como aquele cujo código-fonte está disponível, sendo possível copiá-lo, modificá-lo e distribuí-lo sem quaisquer autorizações ou pagamentos adicionais. Ou seja, qualquer indivíduo na posse dos conhecimentos necessários pode utilizá-lo e contribuir livremente para o seu desenvolvimento.


O software livre desenvolve-se em rede, numa ampla e complexa rede que engloba colectivos e indivíduos isolados que contribuem, a partir das mais diversas partes do mundo, para a construção colectiva de soluções informáticas. Neste sentido, o desenvolvimento do software livre só é possível porque existe a sociedade em rede, e porque existem infra-estruturas tecnológicas que permitem ligar os diversos pontos do globo entre si, tornando possível o estabelecimento de comunicações sincrónicas entre um e outro ponto do mundo.


Por outro lado, o software livre baseia-se numa alternativa ao fechamento da informação. Resulta de projectos individuais e colectivos, conjugando no seu seio uma multiplicidade de projectos e motivações.


O primeiro tipo de projecto associado ao movimento do software livre prende-se com as possibilidades de inovação e criação tecnológica facultadas pelo uso das ferramentas de código-aberto. O software livre, cujos diversos «membros» elaboram mais ou menos autonomamente projectos de desenvolvimento, tradução e adaptação tecnológica, revê-se particularmente na ideia do prazer criativo. Simultaneamente, a inovação tecnológica surge dotada de sentidos e significados, incorporando éticas, ideologias e projectos de mudança.


A utilização de software livre reveste-se de um sentido ético e o projecto do software livre é também um movimento social, construído em torno da ideia da liberdade, do acesso e partilha da informação e da independência face a grandes organizações empresariais de tendência monopolista e a estratégias comerciais que controlam arbitrariamente as aplicações informáticas disponíveis no mercado.


Finalmente, o software livre está também a tornar-se parte de uma realidade empresarial, podendo ser também visto como um projecto económico.


O software livre surge assim como um movimento que reage a uma nova morfologia social e a novas lógicas de dominação, e que constrói alternativas no seio da sociedade em rede, em torno de uma das suas questões fundamentais: a circulação da informação, demonstrando que esta rede tem um imenso potencial disruptivo, e que outras informáticas são possíveis.


INÊS PEREIRA Socióloga

4.7.08

Como funciona a especulação petrolífera e como actuam os especuladores nos mercados das matérias-primas como o do petróleo (breve explicação)

Breve explicação sobre as «excelsas virtualidades» da economia capitalista e do livre jogo da especulação financeira dos produtos petroliferos no mercado global(izado) em prejuízo das economias reais, dos consumidores e dos recursos naturais.


Resumo:
O desvio dos fundos financeiros dos mercados bolsistas ( pois aqui a sua rentabilidade é inferior ao pretendido) para os mercados de matérias-primas como o do petróleo (sempre com o fito de procurar maiores ganhos e maior rentabilidade), e a grande mobilização de recursos financeiros demonstrada pelos especuladores-negociantes na compra de petróleo, muito para além das necessidades da procura, - tudo isso só com o objectivo daqueles de comprar agora, para vender de seguida, a preços mais altos, arrecadando chorudos lucros -, explica a actual escalada de preços do petróleo que só parará quando do lado da procura houver uma acção conjunta de recusa pelo produto oferecido em condições ( e preços) exageradamente altos, ou quando não houver mais capacidade de armazenamento do petróleo por parte dos especuladores-negociantes, deixando estes de terem possibilidade de adquirir petróleo para efeitos de açambarcamento, ou então quando os especuladores-negociantes deixarem de actuar impunemente na economia global(izada) e lhes forem impostas limitações, o que é pouco provável nos tempos em que hoje vivemos de pensamento neo-liberal dominante, de desregulamentação dos mercados, e de capitalismo selvagem especulativo.
A única resposta está pois na acção popular unilateral: deixar de consumir petróleo.





Nestes últimos dezoito meses o preço do petróleo mais que duplicou impondo custos acrescidos a tudo e a todos. Uma acrescida procura derivada das economias emergentes, como a da China, contribuiu sem dúvida para que tal acontecesse. Mas a escalada de preços do petróleo, a que se vem assistindo, ultrapassa os factores normais do jogo entre a oferta e a procura, relevando antes da pura especulação, o que gera a necessidade cada vez mais premente de «limpar» o mercado do petróleo.


Fazendo fé no mercado, a maior parte dos economistas rejeitam, no entanto, a ideia de que a especulação é a grande responsável pelo aumento dos preços do petróleo. Segundo eles, se essa fosse efectivamente a causa para o fenómeno, então deveria haver um aumento dos stocks dos produtos petrolíferos, já que os preços mais elevados iriam reduzir o consumo, obrigando os especuladores a acumular petróleo. O facto dos stocks não terem aumentado serviria assim para exonerar os especuladores da responsabilidade da alta de preços.


Acontece que a situação é mais complexa que um tal raciocínio supõe uma vez que a procura do petróleo é particularmente insensível à alta dos preços. Com efeito, a curto prazo, é tecnicamente difícil um ajuste do consumo. Basta lembrarmo-nos que as necessidades de combustível de cada carro ou camião são fixas e não existem alternativas para a maior parte dos trajectos. E se o aumento das tarifas das viagens de avião pode levar à redução das reservas, a verdade é que as companhias aéreas não reduzem o seu consumo de carburante a não ser que anulem o voo de cada avião.


Ora como não há recessão, e a procura se mantém mais ou menos ao nível do ano anterior, não há diminuição das necessidades de petróleo o que faz com que a oferta possa impor as suas condições de venda como muito bem quer.


Ilustrativo disso é o facto da dívida dos consumidores e do crédito ao consumo não ter parado, e ter até registado um aumento nos Estados Unidos, conforme o desejo e a vontade da Reserva Federal que tudo faz para encorajar esse endividamento e a concessão de crédito. De resto, só assim se explica como é que a economia norte-americana tem conseguido pagar a taxa petrolífera imposta pelos especuladores.


Infelizmente é difícil de provar que a especulação é responsável pelo aumento dos preços, uma vez que ela tem tendência a produzir-se em períodos de boom económico., quando a alta dos preços se confunde facilmente com a dinâmica económica. De qualquer modo, a verdade é que, ao contrário do que dizem os supostos especialistas, os actuais stocks de petróleo mostram até muito bem a acção e a presença dos especuladores. Com efeito, os stocks estão hoje a níveis historicamente… normais, e até 10% acima do que se verificava há dois anos atrás. Com tais níveis seria lógico assistirmos a uma pressão para a sua descida. Mas o que nos diz o Wall Street Journal é que as empresas financeiras se mostram cada vez mais empenhadas em arranjar novas e maiores capacidades de armazenamento de petóleo.


O problema de base é efectivamente o facto dos mercados financeiros serem hoje capazes de mobilizar dezenas de milhões de dólares para fins especulativos. Isso levou a que os negociantes passassem a ter recursos que lhes permitem operar segundo uma estratégia comum que no fundo consiste em comprar o ouro negro e a vendê-lo rapidamente, enquanto os consumidores se vão habituando a pagar o produto a preços cada vez mais elevados – uma estratégia que, diga-se em abono da verdade, só saiu reforçada com a obstinação da Administração Bush nas reservas estratégicas de petróleo dos Estados Unidos, o que tem levado ao aumento da procura, ao mesmo tempo que contribui para o alargamento das capacidades de armazenamento e depósito do petróleo.


Se não houver uma inversão dos procedimentos dos negociantes (traders), a alta dos preços dos produtos petrolíferos só será interrompida com uma recessão que venha a esgotar as capacidades dos consumidores a absorver a subida dos preços, ou quando o lento processo de substituição do petróleo começar a surtir efeito. Nesse momento os fundamentos do mercado não deixarão de travar a especulação, mas até lá a sociedade terá pago um alto preço com uma economia mundial a sofrer uma profunda recessão, ao mesmo tempo que os especuladores petrolíferos terão arrecadado chorudos lucros.


No caso especial dos Estados Unidos – e de muitos outros países – a forte dependência das importações do ouro negro terão outras graves consequências como o agravamento do défice comercial e a desvalorização da moeda.


Toda esta situação exige um novo enquadramento que venha a regulamentar o acesso dos investidores aos mercados petrolíferos, e a limitar as suas posições a um nível aceitável, assim como a aumentar os montantes obrigatórios dos depósitos de garantia, quanto tal for possível. Infelizmente, sabendo nós qual é o sentido do «tradicional saber económico», a adopção daquelas medidas é muito pouco provável.


Resta assim a acção popular unilateral. Se nos lembrarmos que os depósitos de combustíveis das nossas viaturas constituem um dos principais locais de reserva do precioso líquido, então se os consumidores apenas os enchessem no mínimo possível, ou deixassem simplesmente de se abastecerem, isso levaria a uma baixa da procura, o que conjugado com a falta de capacidade de armazenamento poderia provocar uma descida de preços e neutralizar as operações especulativas dos especuladores.


Adaptação livre de um texto de Thomas I. Palley ( autor do livro « Post-Keynesian Economics»), publicado no jornal Le Monde de 1 de Julho de 2008 sob o título « Comment lutter contra la spéculation pétrolière»

VII Festival de Música Medieval em Carrazeda de Ansiães ( entre 12 e 20 de Julho)


Constituindo uma iniciativa ímpar no panorama dos festivais de música em Portugal, Carrazeda de Ansiães acolhe o VII Festival de Música Medieval, No dias 12, 13, 18, 19 e 20 de Julho de 2008. A aposta nesta sétima edição é a de apresentar um conjunto de intérpretes portugueses que se tem vindo a distinguir na interpretação especializada, vocal e instrumental, do repertório musical da Idade Média: Ensemble Hispânia, Vozes Alfonsinas, Mediae Vox Ensemble e La Batalla. O festival, que conta com a direcção artística de Pedro Caldeira Cabral, terá ainda a presença de uma oficina sob o tema "A Arte dos Instrumentos Musicais na Idade Média", apresentada pelo próprio.

ENSEMBLE HISPÂNIA - Direcção de Fernando Gomes
Programa: “Oriente-Ocidente”
Sábado, 12 de Julho, pelas 21, 30 horas.
Igreja de Beira Grande.
O repertório deste grupo alicerça-se numa interessante reflexão sobre as relações interculturais entre as comunidades mouras, judias e cristãs na Idade Média e a memória sobrevivente de algumas das suas músicas nas tradições orais peninsulares e da diáspora.


VOZES ALFONSINAS - Dir. de Manuel Pedro Ferreira
Programa: “Sons perdidos, revividos”
Domingo, 13 de Julho, pelas 21,30 horas.
Igreja de Selores.
O grupo Vozes Alfonsinas propõe um programa inédito, cobrindo um período de tempo de mais de mil anos de história, começando pela monodia litúrgica cristã, prosseguindo com exemplos das polifonias primitivas e terminando com o repertório do preciosos manuscrito 714, do século XV, conservado na Biblioteca Pública Municipal do Porto, constituído por canções polifónicas de tema amoroso.


OFICINA:
”A Arte dos Instrumentos Musicais na Idade Média”
18 de Julho, das 15 às 18 horas.
Auditório do Centro de Apoio Rural.
No desejo de alargar o leque de possibilidades de contacto com novos públicos interessados na abordagem prática da música medieval, vamos apresentar o workshop “A Arte dos Instrumentos Musicais na Idade Média”, com exposição de cerca de trinta exemplares, execução e comentários.


MEDIAE VOX ENSEMBLE - Direcção de Filipa Taipina
Programa: “Miracles de Notre Dame de Gautier de Coincy”
Sábado, 19 de Julho, pelas 21, 30 horas.
Igreja de Amedo.
O MediaeVox Ensemble apresenta em estreia absoluta no nosso país um excerto dos célebres Miracles de Nostre Dame, de Gautier de Coincy, colecção de narrativas em língua vulgar (30 mil versos e 37 canções) que se julga terem sido o modelo inspirador da obra do rei Afonso X, intitulada Cantigas de Santa Maria.


LA BATALLA - Direcção de Pedro Caldeira Cabral
Programa: “Dois Cancioneiros Senhoriais”
Domingo, 20 de Julho, pelas 21,30 horas.
Centro Cívico de Ansiães.
Para encerrar o festival, o La Batalla apresenta um programa especial com excertos de dois cancioneiros de âmbito senhorial, produzidos respectivamente por D.João Perez Aboim, senhor de Portel e Estevam da Guarda, trovador do qual sabemos ter sido conselheiro do Rei D.Afonso IV e ter uma visão crítica apurada, (por vezes de uma actualidade espantosa pelo tipo de problemas que aborda) da sociedade do seu tempo e dos círculos de poder que frequentava.
Informação obtida via:



Para saber mais sobre musica medieval:


Carrazeda de Ansiães é uma vila portuguesa, pertencente ao Distrito de Bragança, Região Norte e subregião do Douro, com cerca de 1 600 habitantes. É sede de um município com 280,91 km² de área e 7 026 habitantes (2006), subdividido em 19 freguesias. O município é limitado a norte pelos municípios de Murça e de Mirandela, a nordeste por Vila Flor, a leste por Torre de Moncorvo, a sul por Vila Nova de Foz Côa, a sudoeste por São João da Pesqueira e a oeste por Alijó.
O concelho tinha sede na antiga vila de Ansiães (Carrazeda de Ansiães); as suas ruínas, a sul da actual sede concelhia, situam-se no alto de uma colina, cerca da aldeia de Lavandeira. O concelho obteve foral em 1075, tendo o estatuto de vila sido confirmado por alvará de D. João V de 6 de Abril de 1734. No século XIX a sede concelhia foi transferida de Ansiães para Carrazeda, e a antiga vila foi abandonada.
Foto da aldeia de Fontelonga

A freguesia de Fontelonga está inserida em pleno Planalto de Ansiães, a 800 metros de altitude, conforma um marco geodésico atesta. A cerca de quatro quilómetros de Carrazeda de Ansiães (é a povoação mais alta do concelho), ocupa uma área de 11,2 quilómetros quadrados e engloba os lugares de Besteiros e Penafria. Tem como freguesias limítrofes Vilarinho da Castanheira, Mogo de Ansiães, Carrazeda de Ansiães, Selores e Alagoa (Valtorno). No que toca à Origem do topónimo, há três explicações possíveis, todas associadas à fertilidade de água na freguesia. Uma está relacionada com o tempo das conquistas, julgando-se que o povo se deslocava a esta terra em busca de água. De resto, Fontelonga sempre foi terra de nascentes de água, sendo que actualmente os fontanários públicos são abastecidos por uma nascente denominada “Mãe de Água”. Uma segunda hipótese. Algo semelhante, é a de que na altura da presença romana houve um Verão muito seco. Perante a seca, os romanos foram à procura de água e encontraram um local fértil neste bem essencial que designaram de Fontelonga. Outra Explicação está relacionada com os jesuítas, os quais, durante as suas peregrinações pela freguesia, que conforme referido está localizada num planalto, diziam que a fonte ficava muito longe. Daí a derivação Fontelonga. O Passado histórico desta freguesia está intimamente ligado à vila de Ansiães, da qual Fontelonga fazia parte, tendo, tendo sido influenciada por sucessivos acontecimentos históricos. Em 1160, A vila de Ansiães recebeu foral de D. Afonso Henriques, o qual foi renovado em 1198 por D. Sancho I. Anos mais tarde, já no reinado de D. Afonso III, foi concedida feira à vila e, em 1384, procedeu-se à reconstrução dos muros do castelo. A reconstrução da Igreja de Ansiães ocorreu em 1442 e em 1510 é atribuído à vila, por D. Manuel I, o foral novo. Em 1734 ocorreu a transferência da administração local para Carrazeda, sendo a freguesia de Fontelonga sido integrada neste concelho. Num registo de 1721, João Pinto de Morais caracteriza o povoado naquela época da seguinte forma: “Tem mais a freguesia de Sª. Maria Magdalena do lugar da Fonte Longa, que com 9 vezinhos que tem a quinta de Besteiros e 37 que tem o lugar de Penafria que sam da sua freguezia tem 113 moradores, esta Igreja tem hum largo circuito de Adro e nelle muitas sepulturas terrenas com Comendas levantadas das Ordens militares as cabeceiras, indícios de ser antiga, e que nellas jazem muitos cavalheiros e pessoas graves que antiguamente habitarão aquela terra ”.
O vigário de FONTE Longa era apresentado pelo reitor da vila de Salvador de Ansiães e tinha de rendimento anual quarenta mil réis.

Retirado de: http://www.fontelonga.pt/news.php


O Ranço Salazarista ( por Baptista Bastos)

Desenhos de João Abel Manta


O Ranço Salazarista

texto de Baptista Bastos publicado no Diário de Notícias


Cada vez mais nos afastamos uns dos outros. Trespassamo-nos sem nos ver. Caminhamos nas ruas com a apática indiferença de sequer sabermos quem somos. Nem interessados estamos em o saber. Os dias deixaram de ser a aventura do imprevisto e a magia do improviso para se transformarem na amarga rotina do viver português e do existir em Portugal.

Deixámos cair a cultura da revolta. Não falamos de nós. Enredamo-nos na futilidade das coisas inúteis, como se fossem o atordoamento ou o sedativo das nossas dores. E as nossas dores não são, apenas, d’alma: são, também, dores físicas.

Lemos os jornais e não acreditamos. Lemos, é como quem diz - os que lêem. As televisões são a vergonha do pensamento. Os comentadores tocam pela mesma pauta e sopram a mesma música. Há longos anos que a análise dos nossos problemas está entregue a pessoas que não suscitam inquietação em quem os ouve. Uma anestesia geral parece ter sido adicionada ao corpo da nação.

Um amigo meu, professor em Lille, envia-me um email. Há muitos anos, deixou Portugal. Esteve, agora, por aqui. Lança-me um apelo veemente e dorido: ‘Que se passa com a nossa terra? Parece um país morto. A garra portuguesa foi aparada ou cortada por uma clique, espalhada por todos os sectores da vida nacional e que de tudo tomou conta. Indignem-se em massa, como dizia o Soares.’

Nunca é de mais repetir o drama que se abateu sobre a maioria. Enquanto dois milhões de miúdos vivem na miséria, os bancos obtiveram lucros de 7,9 milhões por dia. Há qualquer coisa de podre e de inquietantemente injusto nestes números. Dir-se-á que não há relação de causa e efeito. Há, claro que há. Qualquer economista sério encontrará associações entre os abismos da pobreza e da fome e os cumes ostensivos das riquezas adquiridas muitas vezes não se sabe como.

Prepara-se (preparam os ’socialistas modernos’ de Sócrates) a privatização de quase tudo, especialmente da saúde, o mais rendível. E o primeiro-ministro, naquela despudorada ‘entrevista’ à SIC, declama que está a defender o SNS! O desemprego atinge picos elevadíssimos. Sócrates diz exactamente o contrário. A mentira constitui, hoje, um desporto particularmente requintado. É impossível ver qualquer membro deste Governo sem ser assaltado por uma repugnância visceral. O carácter desta gente é inexistente. Nenhum deles vai aos jornais, às Televisões e às Rádios falar verdade, contar a evidência. E a evidência é a fome, a miséria, a tristeza do nosso amargo viver; os nossos velhos a morrer nos jardins, com reformas de não chegam para comer quanto mais para adquirir remédios; os nossos jovens a tentar a sorte no estrangeiro, ou a desafiar a morte nas drogas; a iliteracia, a ignorância, o túnel negro sem fim.

Diz-se que, nas próximas eleições, este agrupamento voltará a ganhar. Diz-se que a alternativa é pior. Diz-se que estamos desgraçados. Diz um general que recebe pressões constantes para encabeçar um movimento de indignação. Diz-se que, um dia destes, rebenta uma explosão social com imprevisíveis consequências. Diz a SEDES, com alguns anos de atraso, como, aliás, é seu timbre, que a crise é muito má. Diz-se, diz-se.

Bem gostaríamos de saber o que dizem Mário Soares, António Arnaut, Manuel Alegre, Ana Gomes, Ferro Rodrigues (não sei quem mais, porque socialistas, socialistas, poucos há) acerca deste descalabro. Não é só dizer: é fazer, é agir. O facto, meramente circunstancial, de este PS ter conquistado a maioria absoluta não legitima as atrocidades governamentais, que sobem em escalada. O paliativo da substituição do sinistro Correia de Campos pela dr.ª Ana Jorge não passa de isso mesmo: paliativo. Apenas para toldar os olhos de quem ainda deseja ver, porque há outros que não vêem porque não querem.

A aceitação acrítica das decisões governamentais está coligada com a cumplicidade. Quando Vieira da Silva expõe um ar compungido, perante os relatórios internacionais sobre a miséria portuguesa, alguém lhe devia dizer para ter vergonha. Não se resolve este magno problema com a distribuição de umas migalhas, que possuem sempre o aspecto da caridadezinha fascista. Um socialista a sério jamais procedia daquele modo. E há soluções adequadas. O acréscimo do desemprego está na base deste atroz retrocesso.

Vivemos num país que já nada tem a ver com o País de Abril. Aliás, penso, seriamente, que pouco tem a ver com a democracia. O quero, posso e mando de José Sócrates, o estilo hirto e autoritário, moldado em Cavaco, significa que nem tudo foi extirpado do que de pior existe nos políticos portugueses. Há um ranço salazarista nesta gente. E, com a passagem dos dias, cada vez mais se me acentua a ideia de que a saída só reside na cultura da revolta.


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Baptista Bastos ( biografia)


Armando Baptista-Bastos (Lisboa, 27 de Fevereiro de 1934) é um jornalista e escritor português.
Iniciou a sua carreira profissional, aos dezanove anos, em O Século, após ter realizado os estudos secundários na Escola de Artes Decorativas António Arroio e no Liceu Francês Charles Lepierre, em Lisboa.
Em 1953 foi subchefe de redacção de O Século Ilustrado.
Pertenceu, também, aos quadros redactoriais de outros jornais: República, O Diário, Europeu, Almanaque, Seara Nova, Gazeta Musical e de Todas as Artes, Época e Sábado. Desempenhou funções de redactor da Agence France Press, em Lisboa. Trabalhou no vespertino Diário Popular durante duas décadas, tendo assinado reportagens, entrevistas e crónicas.
Como cronista colaborou com o Jornal de Notícias, A Bola, o Tempo Livre e, como crítico, com o Jornal de Letras, Artes e Ideias, o Expresso, o Jornal do Fundão e o Correio do Minho.
Publicou o seu primeiro livro de ensaio, O Cinema na Polémica do Tempo, aos vinte e cinco anos de idade. Em 1969 destaca-se As Palavras dos Outros.
Em 1996 apresentava o seu programa televisivo na SIC, intitulado Conversas Secretas.
A convite do jornal Público, realizou uma série de dezasseis entrevistas sob a designação «Onde é que você estava no 25 de Abril?», posteriormente publicadas em CD-ROM.
Fundou ainda o semanário O Ponto, periódico que registou uma série de entrevistas semanais.
Na rádio leu as suas crónicas, nomeadamente na Antena 1 e na Rádio Comercial.
Actualmente é colunista do Diário de Notícias e do Diário Económico.


Obras:
• O Filme e o Realismo (1962)
• O Secreto Adeus (1963)
• O Passo da Serpente (1965)
• O Cinema na Polémica do Tempo (1969)
• A Palavras dos Outros (1969)
• Cidade Diária (1972)
• Cão Velho entre Flores (1974)
• Capitão de Médio Curso (1977)
• Elegia para um Caixão Vazio (1981)
• Viagem de um Pai e de Um Filho pelas Ruas da Amargura (1981)
• O Homem em Ponto – Entrevistas (1984)
• A colina de Cristal (1987)
• Um Homem Parado no Inverno (1991)
• O Cavalo a Tinta da China (1995)
• Fado Falado (1999)
• A Colina de Cristal (2000)
• Lisboa Contada pelos Dedos (2001)
• No Interior da Tua Ausência (2002)
• As Bicicletas em Setembro (2007)

Prémios:
• Prémio Literário Município de Lisboa (Prémio de Prosa de Ficção), 1987 - A Colina de Cristal
• Prémio P.E.N. Clube Português de Ficção, 1987 - A Colina de Cristal
• Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários (ex-aequo), 2002 - No interior da tua ausência
• Prémio de Crónica João Carreira Bom - 2006




Portugal precisa de um indisciplinador ( F. Pessoa)

Disciplina no trabalho = trabalho em cadeia


«Portugal precisa de um indisciplinador. Todos os indisciplinadores que temos tido, ou que temos querido ter, nos têm falhado. Como não acontecer assim se é da nossa raça que eles saem? As poucas figuras que de vez em quando têm surgido na nossa vida política com aproveitáveis qualidades de perturbadores fracassam logo, traem logo a sua missão. Qual é a primeira cousa que fazem? Organizam um partido... Caem na disciplina por uma fatalidade ancestral.Trabalhemos ao menos - nós, os novos - por perturbar as almas, por desorientar os espíritos. Cultivemos em nós próprios a desintegração mental como uma flor de preço. Construamos uma anarquia portuguesa [...]»


Fernando Pessoa, 1915


Disciplina militar e eclesiástica no salazarismo





3.7.08

Fernando Pessoa via Fátima como meio para a construção do nacionalismo católico pelo Estado salazarista


O poeta português Fernando Pessoa encarava Fátima como o lugar mítico da construção do nacionalismo católico e monárquico que ele repudiava, sustentou o historiador José Barreto, antes de revelar um texto inédito do escritor sobre aquele lugar de culto.

"É um texto irónico, a roçar a sátira anticlerical, em que Pessoa parece regressar ao extremismo da juventude", disse José Barreto numa conferência sobre "Pessoa e Fátima. A prosa política e religiosa", proferida ao fim da tarde na Casa Fernando Pessoa.

O texto inédito descoberto pelo historiador e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa é apenas "o preâmbulo de um artigo maior que teria o carácter de estudo de caso 'sobre o Catolicismo desde bom e mau povo'", explicou citando o poeta.

O artigo sobre Fátima deveria ser publicado no primeiro número da revista Norma, um dos três projectos editoriais de Pessoa no ano da sua morte, em 1935, o que não se chegou a concretizar.

Pessoa denunciava o aproveitamento da crença do povo por parte do poder político e afirmava: «o facto é que ha em Portugal um lugar que pode concorrer e vantajosamente com Lourdes. Ha curas maravilhosas, a preços mais em conta».

Pessoa acrescenta ainda:

«O negócio da religião a retalho, no que diz respeito à Loja de Fatima, tem tomado grande incremento, com manifesto gaudio místico da parte dos hoteis, estalagens e outro comércio d’esses jeitos - o que, aliás, está plenamente de accordo com o Evangelho, embora os católicos não usem lê-lo - não vão eles lembrar-se de o seguir!»

O texto escrito por Fernando Pessoa começa assim:
«Fatima é o nome de uma taberna de Lisboa onde às vezes… eu bebia aguardente. Um momento… Não é nada d’isso… Fui levado pela emoção mais que pelo pensamento e é com o pensamento que desejo escrever»

E continua:

«Fatima é o nome de um lugar da provincia, não sei onde ao certo, perto de um outro lugar do qual tenho a mesma ignorancia geografica mas que se chama Cova de qualquer santa»

«Nesse lugar - esse ou o outro - ou perto de qualquer d’elles, ou de ambos, viram um dia umas crianças aparecer Nossa Senhora, o que é, como toda gente sabe, um dos privilégios (…) a que se não (…). Assim diz a voz do povo da provincia e a ‘A Voz’ (jornal católico e monárquico) sem povo de Lisboa»


«Deve portanto ser verdade, visto que é sabido que a voz das aldeias e ‘A Voz’ da cidade de ha muito substituíram aquelas velharias democraticas que se chamam, ou chamavam, a demonstração científica e o pensamento raciocinado».


Ver video
aqui

Notícia retirada das agência Lusa

A imagem foi retirada do blogue:
http://mumiafanzine.blogspot.com/

Exibição seguida de debate do filme «O pão nosso de cada dia» sobre o tema da soberania alimentar (6 de Julho às 17h na Casa da Horta)


No dia 6 de Julho o GAIA apresenta na Casa da Horta um filme seguido de debate sobre o tema Soberania Alimentar. O filme a passar será 'O pão nosso de cada dia'

Aparece a partir das 17h na Casa da Horta (Rua de S.Francisco nº12)



Filme: 'O pão nosso de cada dia', 92m; do austríaco Nikolaus Geyrhalter.

sinopse:
Our Daily Bread, do austríaco Nikolaus Geyrhalter, sem voz off nem diálogos, deixa as imagens falarem por si e é capaz de fazer os espectadores saírem perturbados da sala ou jurarem que a partir de agora se tornam vegetarianos. O seu exímio formalismo visual de matriz kubrickiana, rigorosamente geométrico e suportado exclusivamente pela imagem e pelo som ambiental, esconde uma curiosidade observadora, entomológica e entusiasta pelos mecanismos subjacentes à manutenção da vida moderna. O título é para levar à letra: é do 'pão nosso de cada dia' que se trata aqui, visto que Nikolaus Geyrhalter andou durante dois anos a recolher imagens em explorações alimentares industriais para dar a ver como é recolhida e processada a comida que consumimos diariamente.
Legumes, carne, peixe, fruta: pouco interessam as diferenças, tudo está automatizado de modo a poupar o esforço humano e a maximizar a rendibilidade de cada alimento, mas com o efeito irónico de desumanizar a mão-de-obra, reduzida ao mero estatuto de 'máquina' que repete
incessantemente os mesmos gestos para manter a linha de montagem a funcionar .




Soberania alimentar... e o G8


Entre os dias 7 e 9 de Julho estará a decorrer a reunião dos 8 países mais industrializados/ ricos do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia), na qual irão ser debatidas, entre outras, a economia mundial, o desenvolvimento de África, o aquecimento global e as alterações climáticas.

Talvez pareça à primeira vista que a importância destes encontros, não deveria ultrapassar as fronteiras dos próprios países que se reúnem. Contudo, o impacto das decisões que daí advêm, têm um alcance global e vezes demais destrutivo e opressor. O poder económico destes 8 países é tal que, o que por eles é decidido nesta espécie de 'cúpula' do poder rapidamente se converte em directivas políticas e de mercado, impostas ao mundo inteiro. O G8 determina políticas globais sem ter legitimidade para o fazer, da forma menos transparente possível fechando os portões à democracia.

De forma a proteger a sua economia em prejuízo de todas as outras, os países que integram o G8 são grandemente responsáveis por políticas cujas consequências são: aumento da pobreza e da fome resultando nesta crise alimentar; directivas comerciais que se traduzem na imposição (via OMC, FMI, Banco Mundial) na liberalização dos mercados agrícola e das pescas fragilizando e destruindo a economia de países em desenvolvimento; aquecimento global e perda de biodiversidade associada às alterações climáticas; desflorestação em prol de agrocombústiveis e monoculturas; por uma política de patentes que no caso dos medicamentos condiciona gravemente o tratamento das populações com menores recursos económicos, proporcionando a escalada de doenças como a SIDA.

Em resposta a este crescendo de abusos, a resistência é fértil e propaga-se que nem ervas daninhas. A oposição à reunião do G8 reúne à escala mundial, centenas de milhares de indivíduos e grupos que diversos nas suas campanhas, convergem na oposição a esta maneira de fazer política.

A Via Campesina está a apelar à mobilização do movimento contra G8 para no período de 4 a 7 de Julho realizar acções no âmbito da soberania alimentar, alterações climáticas, perda de biodiversidade.



http://viacampesina.org/


Apesar desta chamada internacional partir (entre outras) da Via Campesina, a contestação ao G8 engloba uma diversidade de grupos de acção, campanhas e indívduos que no dia a dia, lutam contra o desenfreado capitalismo que nos ataca e põe em causa habitats e seres vivos como nunca, com as consequências sociais dramáticas que conhecemos.

Esta é uma oportunidade de trabalharmos juntos por um objectivo comum, maximizando o impacto da sociedade civil nas políticas que nos impõe dia após dia.

Os 71 anos do atentado anarquista a Salazar vão ser assinalados amanhã (4 de Julho) pelo Círculo de estudos sociais libertários do Porto


4 DE JULHO DE 1937 - O ATENTADO ANARQUISTA A SALAZAR - 71 ANOS DEPOIS

CESL-CÍRCULO DE ESTUDOS SOCIAIS LIBERTÁRIOS-Porto


O ATENTADO ANARQUISTA A SALAZAR
4 DE JULHO DE 1937


EM 4 DE JULHO DE 1937 , NUM PERÍODO EM QUE A DITADURA DO CHAMADO “ESTADO NOVO” SALAZARISTA SE CONSOLIDAVA E :

-TINHAM SIDO PROIBIDAS AS ORGANIZAÇÕES DE TRABALHADORES E ASSOCIAÇÕES LIVRES (juvenis, culturais, etc.) e PARTIDOS - SÓ ERA PERMITIDO O PARTIDO ÚNICO DO REGIME, A “UNIÃO NACIONAL”…

-A POLÍCIA POLÍTICA (PIDE) JUNTAMENTE COM AS RESTANTES FORÇAS REPRESSIVAS (GNR, PSP) E DE DEFESA DO REGIME (“Legião Portuguesa”, “Mocidade Portuguesa”) IMPLANTAVAM O TERROR E A PERSEGUIÇÃO A TUDO QUANTO NÃO ALINHAVA COM O “PENSAMENTO ÚNICO” DE ENTÃO …

-OS OPOSITORES AO REGIME (sobretudo anarquistas, anarco-sindicalistas e comunistas,) ERAM ENVIADOS PARA O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL E PARA AS PRISÕES OU ERAM ASSASSINADOS…

-O REGIME APOIAVA OS MILITARES DE FRANCO (juntamente com a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini) CONTRA A REPÚBLICA ESPANHOLA, ENTREGANDO MILHARES DE REFUGIADOS REPUBLICANOS AOS PELOTÕES DE FUZILAMENTO DO FASCISMO ESPANHOL (Elvas-Badajoz, Chaves, etc.)…

-SE PASSAVA FOME EM PORTUGAL MAS ERAM ENVIADOS PELO REGIME PARA AS TROPAS DE FRANCO AS CHAMADAS “SOBRAS DE PORTUGAL” (TONELADAS DE ALIMENTOS )…

-SE ENVIAVAM QUADROS DA OBRIGATÓRIA “MOCIDADE PORTUGUESA” PARA CURSOS DE FORMAÇÃO POLÍTICA E INTERCÂMBIO AOS CENTROS DA “JUVENTUDE HITLEREANA” À ALEMANHA DE HITLER…

UM PUNHADO DE HOMENS CONVICTOS, REVOLTADOS E DECIDIDOS RESOLVE LEVAR A EFEITO O IMPENSÁVEL ENTÃO PARA A MAIORIA: “ATIRAR PELO AR” O DITADOR

Deste episódio da Resistência contra o salazarismo de que foram protagonistas ANARQUISTAS como o jovem Emídio Santana, tem a história oficial feito essencialmente silêncio…a favor de versões partidárias ou/e fortemente “branqueadoras”.

DAÍ ESTE NOSSO PROGRAMA VISANDO SOBRETUDO NÃO DEIXAR APAGAR A MEMÓRIA LIBERTÁRIA DA RESISTÊNCIA AO SALAZARISMO.

4 de Julho- sexta-feira

-19.00 h. Encontro na Praça da Liberdade (Porto) para divulgação da efeméride

-21.30 h. na TERRA VIVA!AES –Rua dos Caldeireiros 213 –à Cordoaria - PORTO
APRESENTAÇÃO E DEBATE do livro de Emídio Santana “História de um atentado”(c/textos de apoio extraídos do livro)


25º Festival Internacional de Teatro de Almada (4 a 18 de Julho) traz a Portugal o Berliner Ensemble (nos dias 12 e 13)





Festival de Teatro de Almada, cuja 25ª edição começa sexta-feira, é hoje considerado um dos melhores da Europa. Joaquim Benite, que é também director da Companhia de Teatro de Almada, é o seu responsável máximo. O Festival de Almada, "com cerca de 20.000 espectadores por edição", tem um orçamento para este ano de 500.000 euros.

O Berliner Ensemble é um dos destaques da edição deste ano que leva a cena no Municipal de Almada, dias 12 e 13 de Julho, "Peer Gynt", de Henrik Ibsen, com encenação de Peter Zadeck.
Além da presença do Berliner Ensemble, destaca-se a encenação de Robert Cantarella de "Hippolyte" de Robert Garnier pelo Théâtre Dijon-Bourgogne, nos próximos sábado e domingo, no Municipal de Almada, e a participação de outra companhia francesa, a de Alain Ollivier, que apresenta "El Cid" de Corneille nos dias 16 e 17 de Julho no Nacional Dª. Maria II.

Outro destaque é o espectáculo encenado por Ana Zamora, "Misterio del Cristo de los Gascones", um texto baseado na tradição oral e que é levado à cena no Teatro do Bairro Alto pela Nao d`Amores, nos próximos dias 15, 16 e 17.

No total participam este ano 11 companhias estrangeiras, de França, Espanha, Cuba, Itália, Chile Alemanha, e Moçambique, além de oito de Portugal. Até 18 de Julho estão previstas sete estreias nacionais entre Almada e Lisboa, e além das produções teatrais haverá um recital de Luís Madureira com Jeff Cohen no Teatro São Luiz, dias 11 e 12 de Julho.

O tenor Luís Madureira, acompanhado ao piano por Cohen, irá recriar temas do repertório da cantora francesa Barbara.
O festival vai ainda homenagear o pintor, cenógrafo e figurinista João Vieira pela "responsabilidade política e a intervenção social" que caracterizaram "a busca de linguagens novas e o desejo radical de modernidade".
João Vieira, cuja actividade teatral começou no grupo de Campolide na década de 1970, terá uma exposição dedicada à sua obra plástica na Casa da Cerca, em Almada, intitulada "Não pintura".
Também na cidade de Almada, na Escola D. António da Costa, inaugurará uma exposição documental dedicada à sua vida e obra.
João Vieira é o autor do cartaz oficial do festival e o segundo cenógrafo distinguido, depois de Mário Alberto.
Paralelamente às peças levadas a cena, estão previstas exposições, colóquios e debates.
No Fórum Romeu Correia, em Almada, estará patente uma exposição organizada pela autarquia em co-produção com o Californian Museum of Photography e a galeria 212 - Berlim, intitulada "Che! mito e revolução".
Esta exposição, que já foi apresentada em Nova Iorque, Londres, Milão, Amsterdão e Barcelona, foi criada a partir da fotografia "Guerrillero Heroico", de Alberto Korda, que retrata Ernesto Guevara, e nela participam artistas como Marco Lopez, Vik Muniz, Ruben Ortiz Torres e Martin Parr.
A Casa da Cerca será também espaço para tertúlias e encontros de reflexão sob duas directrizes: "O papel presente e as perspectivas de futuro dos festivais" e "Corpos em palco e práticas cénicas".
O primeiro tema de reflexão conta com a colaboração do Instituto Internacional de Teatro Mediterâneo e o segundo com a Associação Portuguesa de Críticos de Teatro.
O festival decidiu criar este ano o Prémio Internacional de Jornalismo Festival de Almada, no valor de cinco mil euros, para distinguir o melhor texto publicado sobre esta mostra de teatro.
O Festival abrirá com o espectáculo "Gulliver", de Jaime Lorca, uma produção de dança CulturArte de Moçambique, no dia 04 de Julho, na Escola D. António Costa, em Almada, e encerrará em Lisboa, no IFP, no dia 18, com a apresentação da peça "A última história de Werther", de Inês Leitão, encenada por João Meirelles.

http://www.ctalmada.pt/


http://www.ctalmada.pt/festivais/2008/programa_2008.pdf



PROGRAMAÇÃO


GENGIS ENTRE OS PIGMEUS
FORA DE CENA - LISBOA PORTUGAL
Culturgest - Lisboa Pequeno Auditório
4 a 10 JULHO


NUMA CERTA NOITE
ARTISTAS UNIDOS - LISBOA PORTUGAL
Instituto Franco-Português - Lisboa Auditório
4 a 7 JULHO


DENTRO DE MIM OUTRA ILHA
COMPANHIA CULTURARTE - MAPUTO MOÇAMBIQUE
Escola D. António da Costa - Almada Palco Grande
4 JULHO


HIPPOLYTE HIPÓLITO
Théâtre Dijon Bourgogne - DIJON FRANÇA
Teatro Municipal de Almada - Almada Sala Experimental
5 e 6 JULHO


O DIA EM QUE NINA SIMONE DEIXOU DE CANTAR
THÉÂTRE DES HALLES AVIGNON FRANÇA
Fórum Romeu Correia – Almada Auditório Fernando Lopes-Graça
5 JULHO


A FESTA
MUNDO PERFEITO E TEATRO MARIA MATOS - LISBOA PORTUGAL
Teatro Maria Matos – Lisboa Sala Principal
5 a 13 JULHO


HÓSPEDES INDESEJADOS
COMUNA – LISBOA PORTUGAL
Escola D. António da Costa – Almada Palco Grande
6 JULHO


A FORÇA DO HÁBITO
CASA CONVENIENTE - LISBOA PORTUGAL
Fórum Romeu Correia – Almada Auditório Fernando Lopes-Graça
8 e 9 JULHO


STABAT MATER
ARTISTAS UNIDOS - LISBOA PORTUGAL
São Luiz Teatro Municipal – Lisboa Sala Principal
9 a 13 JULHO


O LAGO
ARTISTAS UNIDOS - LISBOA PORTUGAL
Instituto Franco-Português – Lisboa Auditório
9 a 12 JULHO


QUARTO INTERIOR
CIRCOLANDO - PORTO PORTUGAL
Escola D. Antónioda Costa – Almada Palco Grande
9 JULHO


UN CONTE MINEUR UM CONTO MINOR*
COMPAGNIE CHATFOIN - PARIS FRANÇA
Teatro Municipal de Almada – Almada Sala de Ensaios
11 e 12 JULHO


FEMININE
COMPAGNIE CHATFOIN - PARIS FRANÇA
Culturgest – Lisboa Grande Auditório
11 JULHO


GULLIVER
COMPAÑIA JAIME LORCA - SANTIAGO DO CHILE CHILE
Escola D. António da Costa – Almada Palco Grande
11 JULHO


LUÍS MADUREIRA CANTA BARBARA
LUÍS MADUREIRA E JEFF COHEN - LISBOA PORTUGAL
São Luiz Teatro Municipal – Lisboa Jardim de Inverno
11 e 12 JULHO


PEER GYNT
BERLINER ENSEMBLE - BERLIM ALEMANHA
Teatro Municipal de Almada – Almada Sala Principal
12 e 13 JULHO


EN LA LENGUA FLOJA NUMA LÍNGUA FRACA
PAI - SARAGOÇA ESPANHA
Escola D. António da Costa – Almada Palco Grande
13 JULHO


LA CASA VIEJA A CASA VELHA
TEATRO D’DOS - HAVANA CUBA
Fórum Romeu Correia - Almada Auditório Fernando Lopes Graça
14 e 15 JULHO


MISTÉRIO DO CRISTO DOS GASCÕES
NAO D’AMORES - MADRID ESPANHA
Teatro do Bairro Alto / Cornucópia – Lisboa
15 a 17 JULHO


A ÚLTIMA HISTÓRIA DE WERTHER
ARTISTAS UNIDOS - LISBOA PORTUGAL
Instituto Franco-Português – Lisboa Auditório
15 a 18 JULHO


ON THE ROAD
TEATRO DA GARAGEM - LISBOA PORTUGAL
Escola D. António da Costa – Almada Palco Grande
15 JULHO


CANÇÕES DE BRECHT
COMPANHIA DE TEATRO DE ALMADA - ALMADA PORTUGAL
Teatro Municipal de Almada – AlmadaSala Experimental
16 e 17 JULHO


LE CID O CID
COMPAGNIE ALAIN OLLIVIER - PARIS FRANÇA
Teatro Nacional D. Maria II – Lisboa Sala Garrett
16 e 17 JULHO


LA CASA VIEJA A CASA VELHA
TEATRO D’DOS - HAVANA CUBA
Casa da América Latina – Lisboa
17 JULHO


LA BUSTA O ENVELOPE
COMPAGNIA SCIMONE SFRAMELI - ROMA ITÁLIA
Escola D. António da Costa – Almada Palco Grande
18 JULHO

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EXPOSIÇÕES



FOTOGRAFIA
CHE! MITO E REVOLUÇÃO

Organização: Câmara Municipal de Almada
Integrada no programa de exposições do Festival de Almada
Co-produção: Californian Museum of Photography e 212 BERLIN
Curadora: Trisha Ziff

Para assinalar a sua 25ª edição o Festival de Almada acolhe a exposição Che! Mito e Revolução, já apresentada em cidades como Nova Iorque, Londres, Amesterdão, Milão, e Barcelona. Che! Mito e Revolução foi criada em torno da célebre fotografia Guerrillero Heroico, da autoria de Alberto Korda, e que é a imagem de Ernesto “Che” Guevara mais conhecida e reproduzida em todo o Mundo. Ao longo dos anos este retrato manteve-se um símbolo de revolução e de rebelião juvenil, apesar da sua reprodução massiva em posters, t-shirts e objectos kitsch (desde o cartaz promocional do álbum American life, de Madonna, até à Nota de cinco dólares, de Pedro Meyer, em que a imagem de Che substitui o rosto de Abraham Lincoln).

A exposição Che! Mito e Revolução reúne trabalhos de artistas como Vik Muniz (EUA/Brasil), Rubén Ortiz Torres (México), Martin Parr (Inglaterra) e Marcos Lopez (Argentina), bem como um conjunto de magníficos posters originais cedidos pelo Center for the Study of Political Graphics de Los Angeles, e artefactos em que se incluem insígnias e objectos evocativos da memória de Che. Estas imagens mostram a evolução da fotografia de Korda desde a criação original até à sua utilização contemporânea.

O retrato de Ernesto “Che” Guevara, Guerrillero Heroico, foi tirado a 5 de Março de 1960 por Alberto Díaz Gutiérrez (1928-2001), também conhecido como Alberto Korda, enquanto fotografava para o jornal cubano Revolución. Korda, antigo fotógrafo de moda e publicidade, tornou-se, após a Revolução Cubana, fotógrafo pessoal de Fidel Castro. No momento eternizado por esta fotografia Che Guevara encontrava-se numa tribuna ao lado de várias autoridades cubanas, enquanto participava num memorial às 136 vítimas da explosão de La Coubre, um atentado contra-revolucionário terrorista. O que inspirou o fotógrafo foi a intensidade da expressão de Che, que descreve como “encabronado y dolente”. Na imagem original, Che está entre um homem e as folhas de uma palmeira. Contudo, durante o processo de impressão da fotografia, Korda isolou Che, surgindo desta forma a imagem ícone do seu expressivo e intenso rosto.
De 28 de Junho a 7 de Setembro
De Quarta a Sábado das 10h00 às 24h00,
Terças e Domingos das 10h00 às 18h00.
Fórum Municipal Romeu Correia (Almada)

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ARTES PLÁSTICAS

JOÃO VIEIRA
Não Pintura

Em colaboração com: Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea

João Vieira começou a trabalhar no final dos anos 50 e desde então não tem parado de nos surpreender. Haverá os que o definam, genericamente, como “pintor de letras”. Mas dizer isso é afirmar pouco, apenas uma parte — porventura a mais dermatológica ou aparente, ou até por vezes ilusória — do seu trabalho. (...) Para lá da aparência, como poderemos então orientar-nos no labirinto criativo deste artista?

Aparentemente difusa, na sua pluralidade de experiências, de media e referentes formais (plásticos e outros), dividindo-se pela pintura, desenho, grafismo, cenografia, performance, criação de objectos, a obra de João Vieira é afinal congregadora. Assim podemos testemunhar, em poucas peças, nesta exposição na Casa da Cerca, significativamente intitulada Não Pintura, desde logo assumindo um campo de acção outro. Mas, dentro destes outros campos criativos, que relação existe? Que relação entre as letras gregas (2000-2008) que surgem na cisterna, as mãos (1973-2008) e caretos (2007) da Galeria do Pátio, e Incorpóreo III (1972-2000) que aqui convive na capela com outras cenografias? O desenho. Ou antes, a noção de cenografia como face do Mundo.
Emília Ferreira
De 20 de Junho a 31 de Agosto
De Terça a Sexta das 10h00 às 18h00, e Sábados e Domingos das 13h00 às
18h00 (encerra às Segundas e feriados)
Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea (Almada)

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EXPOSIÇÃO DOCUMENTAL

HOMENAGEM A JOÃO VIEIRA

O pintor e cenógrafo João Vieira é, este ano, não só o autor do poster do 25ºFestival de Almada, mas também a personalidade escolhida para a tradicional homenagem que o Festival faz em cada edição a nomes destacados do teatro português. É a primeira vez que a autoria do cartaz oficial e a distinção de Figura Homenageada coincidem na mesma pessoa.

João Vieira, nome prestigiado das artes plásticas portuguesas, teve um largo e intenso papel nas transformações ocorridas no teatro em Portugal. Sobretudo a partir dos anos 70 a sua colaboração com várias companhias de teatro (entre as quais o Grupo de Campolide, em cujo desenvolvimento teve um papel fulcral) foi determinante para a renovação estética e para a criação de novas linguagens cenográficas. Ligado ao chamado “teatro independente”, o seu labor artístico influenciou vários dos colectivos que vieram a afirmar-se no panorama teatral do nosso País. Homem de teatro e artísta plástico, como muitos criadores das décadas de 60 e de 70, João Vieira foi também encenador. É sobre a sua multifacetada e interventiva obra tanto como artista plástico como homem de teatro que o Festival de Almada apresenta na Escola D. António da Costa, uma exposição alusiva, comissariada pelo também cenógrafo Fernando Filipe.

No espaço definido entre a referida exposição e o Palco Grande estará também patente um grupo escultórico de João Vieira. A exposição abrange ainda elementos cenográficos e ocupa, além dos espaços já indicados, a sala habitualmente destinada às recepções organizadas a seguir aos espectáculos.
De 4 a 18 de Julho
Das 15h00 às 24h00
Escola D. António da Costa (Almada)

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EXPOSIÇÃO DOCUMENTAL

25 VEZES FESTIVAL

Muitas companhias de muitos países de praticamente todos os continentes. Actores, encenadores, cenógrafos, figurinistas, técnicos. Peças de autor, clássicos e contemporâneos, nacionais e estrangeiros. Mas também criações colectivas. E espaços para a dança contemporânea. E para a ópera, a música, as artes plásticas, a fotografia, às vezes o cinema. Nas salas convencionais, nos palcos improvisados que, ano após ano, se vão transformando em espaços indispensáveis de quinze dias urgentes de teatro. Sempre em Julho, sempre em Almada mas também em Lisboa.

Os espectáculos de honra, as personalidades homenageadas. O reconhecimento, a homenagem. E o prazer da descoberta. E os espectadores, os amigos. Os debates, os colóquios, o convívio.

Tudo começou em 1984 no Beco dos Tanoeiros no coração de Almada. O percurso de um festival que, ano após ano, se foi afirmando através da prestação artística de cada actor, de cada grupo, de cada companhia, de cada colectivo.
De 4 a 18 de Julho
Das 15h00 às 24h00
Escola D. António da Costa (Almada)

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EXPOSIÇÃO DOCUMENTAL

O TEATRO HUMANO DE PETER ZADEK

Fotografias de Gisela Scheidler
Comissária: Jenny Baese
Em colaboração com a Akademie der Künste

A Akademie der Künste (Academia das Artes) de Berlim dedicou no ano passado a Peter Zadek (ver biografia na pág. 27), um dos mais significativos encenadores da actualidade (cuja encenação de Peer Gynt, de Ibsen, é apresentada nesta edição do Festival pelo Berliner Ensemble) uma exposição monográfica. Desta abrangente exposição, que ocupava 14 salas, a fotógrafa Gisela Scheidler, colaboradora de longa data do encenador alemão, seleccionou uma série de dezassete fotografias de Peer Gynt (das quais três são em grande formato) e uma série de 36 quadros que documentam o processo criativo do espectáculo Conto de inverno, de Shakespeare, estreado no Schauspielhaus de Hamburgo em 1978. Esta série de quadros revela a forma como Zadek se inspira em fotografias e gravuras para criar cenários e figurinos, mas também personagens. Fazem também parte desta exposição vários filmes de obras dirigidas por Zadek, bem como um documentário sobre o processo de criação de Peer Gynt, produzido para o Berliner Ensemble.
De 4 Julho a 30 de Outubro
Das 14h30 às 22h00
Foyer e Livraria do Teatro Municipal de Almada

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ARTES PLÁSTICAS

O MISTÉRIO DO ESPAÇO

Malgorzata Zak

Malgorzata Zak é pintora, cenógrafa e pedagoga. Em 1972 licenciou-se em Pintura e Escultura na Faculdade de Belas Artes em Gdansk/Polónia. Após completar os estudos, começou a trabalhar como designer de palco no Baltic Opera, Wybrzeze Theatre, em Gdansk, Musical Theatre, em Gdynia, bem como no Great Opera Theatre, em Varsóvia. Simultaneamente, apresentou os seus trabalhos de pintura em várias exposições colectivas e individuais, e em encontros de pintores internacionais na Polónia, Alemanha e Finlândia.

Foi para Espanha em 1985, com uma bolsa artística que lhe foi concedida pelo Ministro Espanhol dos Serviços Estrangeiros e o Ministro da Cultura e das Artes. A partir de 1986 vive permanentemente em Madrid. Desde que partiu da Polónia tem exibido as suas obras e realizado trabalhos cenográficos em Espanha, Portugal, Alemanha, Polónia e outros países, mantendo também uma permanente colaboração com importantes festivais de teatro na Europa. É professora e responsável pela cadeira de figurinismo da Faculdade de Belas Artes, assumindo também a posição de deão do Departamento de Desenvolvimento e Promoção Artística do Royal Higher Dramatic School / RESAD / em Madrid.
De 4 de Julho a 30 de Setembro
Das 14h30 às 20h00 (em dias de espectáculo também entre as 20h30 e as 23h00)
Galeria do Teatro Municipal de Almada


ENCONTROS/ COLÓQUIOS

POR QUÊ OS FESTIVAIS DE TEATRO?

QUAL O SEU FUTURO?

Organização:
Festival de Almada / Instituto Internacional de Teatro do Mediterrâneo

Pelo 16º ano consecutivo, o Festival de Almada e o Instituto Internacional do Teatro do Mediterrâneo organizam, no âmbito do Festival, um colóquio internacional. Desta vez o tema são os festivais de teatro, a sua história, o seu presente e o seu futuro, contando para isso com os directores de festivais de vários países.

É certo que alguns festivais perderam o Norte, limitando-se a congregar vários espectáculos de êxito. Mas noutros persiste a ideia que os associa ao desenvolvimento dos valores humanos, à criação da liberdade, à consciência planetária, à globalização do conhecimento e da solidariedade. É como se cada festival constituísse em si mesmo uma só obra, aberta a muitas vozes e vertebrada pelo mais profundo, antigo e necessário pensamento político. É evidente que o Mundo de hoje já não pode explicar-se com a teoria de ontem. Precisamos de uma nova cultura que, para além disso, aproxime a realidade dos enunciados teóricos do direito democrático. E o teatro pode ajudar-nos.

Qual será o futuro dos festivais? Até onde é que contarão com o apoio da política de mercado? Até que ponto serão condenados por não aceitar a lei da oferta e da procura? Será que o poder necessita de cidadãos lúcidos ou só de votantes? Uma vez mais, o teatro está no fio da navalha, nessa linha, desditosamente débil, que une tantas vezes a política à cultura.
José Monleón
Director do IITM e do Festival Madrid Sur
Participantes: Abdelkader Gonegai (Festival de Casablanca); Francisco Suárez (Festival de Mérida); José Bablé (Festival de Cadiz); José Monleón; Miguel Murillo (Festival de Badajoz), entre outros

Sábado 5 de Julho, às 10h00
Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea (Almada)

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COLÓQUIO INTERNACIONAL

CORPOS EM PALCO E PRÁTICAS CÉNICAS

Organização:
Associação Portuguesa de Críticos de Teatro e Festival de Almada

Após um século durante o qual se sucederam os mais diversos modelos de representação e os mais distintos entendimentos das funções expressivas reservadas ao “intérprete” – paralelamente a audaciosos cruzamentos disciplinares –, gostaríamos de trocar algumas ideias e experiências sobre o modo como as diferentes práticas cénicas contemporâneas vêm explorando as infinitas virtualidades do corpo em palco.

Comissão organizadora: João Carneiro, Maria Helena Serôdio e Paulo Eduardo Carvalho
Participantes estrangeiros: Aglika Stefanova (Bulgária); Ian Herbert (Inglaterra); Ivan Medenica (Sérvia); Jean-Pierre Han (França); Manabu Noda (Japão); Mark Brown (Escócia); Miloš Mistrík (Eslováquia); Zeynep Oral (Turquia); José Gabriel Antuñano (Espanha)
Participantes portugueses: Ana Pais; Christine Zurbach; Constança Carvalho Homem; Daniel Tércio; João Carneiro; Maria Helena Serôdio; Maria José Fazenda; Paulo Eduardo Carvalho; Rita Martins; Rui Pina Coelho; Sebastiana Fadda

Sábado 12 de Julho às 10h00
Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea (Almada)



ENCONTRO COM O BERLINER ENSEMBLE

Colóquio com os actores do Berliner Ensemble, a propósito do espectáculo
Peer Gynt com encenação de Peter Zadek.

Domingo 13 de Julho às 19h30
Cafetaria do Teatro Municipal de Almada

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COLÓQUIOS NA ESPLANADA

Como habitualmente, na esplanada da Escola D. António da Costa, realizam-se vários debates com criadores e intérpretes de espectáculos apresentados no Festival.

Encontro com Panaibra Gabriel director da Companhia CulturArte (Moçambique)
Sábado 5 de Julho às 23h00

Encontro com Pedro Marques (Gengis entre os Pigmeus) e Tiago Rodrigues (A Festa)
Quarta-feira 9 de Julho às 19h00

Encontro com Sidonie Han e Laurine Schott (Um conto minor)
Sábado 12 de Julho às 19h00

Encontro com Oswaldo Felipe (En la lengua floja)
Segunda-feira 14 de Julho às 19h00

Encontro com Julio César Ramirez (Teatro d’Dos - Cuba)
Quarta-feira 16 de Julho às 18h00

Encontro com Jorge Silva Melo, Ana Mendes, Inês Leitão e Luís Mestre
Quinta-feira 17 de Julho às 16h00

Encontro com Yvette Centeno, Luís Madureira e Teresa Gafeira
Sexta-feira 18 de Julho às 19h00

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MÚSICA


Os espectáculos do Palco Grande da Escola D. António da Costa são antecedidos de concertos musicais de vários géneros, no Palco da Esplanada, com entrada livre. Este ano haverá um acontecimento especial: a companhia moçambicana Culturarte apresenta um espectáculo extra - Mafalala, uma coreografia de Panaibra Gabriel.

BLUE MOON TRAVELS 21h00 Sex 4
Os Blue Moon Travels apresentam em concerto uma viagem pelo tempo e pela história das músicas que de alguma forma estiveram ligadas ao jazz. Entre outros, são interpretados temas de Edu Lobo, Miles Davis, George Gershwin, Chick Corea, etc.

CULTURARTE 23h00 Sáb 5
Mafalala é um dos primeiros bairros suburbanos surgidos em Maputo, antes da independência, habitado por moçambicanos que para ali migravam em busca de trabalho. Após o espectáculo haverá um colóquio com o encenador Panaibra Gabriel.

LA VIE EN ROSE 21h00 Dom 6
Sylvie C. (voz), Gabriel Godoy (guitarra) e Carlos Lopes (acordeão) interpretam temas célebres da música francesa. Sylvie C., a vocalista do grupo, tem actuado no Casino Estoril e no Hot Club de Lisboa. Editou recentemente La vie en rose.

QUARTETO MÉXICO 21h00 Qua 9
Radicado em Portugal, este quarteto tem-nos apresentado os ritmos mexicanos mariachi, e as suas interpretações originais de temas latino-americanos. O grupo é constituído por quatro vozes, acordeão, guitarra e viola mexicanas, e viola clássica.

TRIO TRÍPTICO 21h00 Sex 11
O Trio Tríptico, constituído por Pedro Zamora (viola), Gueorgy Titov (viola) e Jorge Garcia (percussão) reúne três músicos que juntam os ritmos latinos à música clássica, e à bossa nova. A única linha orientadora deste espectáculo é a improvisação.

RODA DE CHORO DE LISBOA 21h00 Dom 13
A Roda de Choro de Lisboa é um projecto de músicos portugueses que aborda o repertório clássico do chorinho, respeitando-o, mas criando algumas surpresas. São também abordados neste espectáculo ritmos como o fandango, o corridinho ou o fado.

ON DIXIE 21h00 Ter 15
O sexteto On Dixie apresenta uma recriação do ambiente jazzístico de Nova Orleães do início do século XX. Do Ragtime ao Blues, passando pela improvisação polifónica, são interpretados temas de Louis Armstrong e Fats Waller, entre outros.

GROOVE4TET 21h00 Sex 18
O quarteto Groove4tet, formado em Lisboa, tem-se apresentado nos principais bares de jazz da capital: Onda Jazz, Maxime, Speak Easy e Catacumbas. Para além dos temas originais a banda interpreta temas de James Brown e Maceo Parker.