1.3.07

Jornal Fraternizar e o Padre Mário



Tenho uma dívida imensa para com o Padre Mário. Foi ele que, por intermédio da leitura dos seus livros proibidos e censurados, e que o meu pai trazia para casa, me ajudou a crescer e a identificar-me com os mais fracos. Nos anos de adolescência, e no ambiente opressivo em que se vivia então, ele foi o referencial a que me arreguei para compreender o mundo em que vivia, a ditadura instalada, e a vontade de emancipação dos pobres...
Por isso já tardava este tributo a esse homem que ajudou muitos a entenderem quem são e para onde queremos ir. Mesmo depois do 25 de Abril ele continuou, ainda que de forma mitigada, por actos e palavras, a ajudar a desbravar certas trilhas ideológicas. Nunca lhe falei pessoalmente mas acho que é chegada a altura de lhe prestar esta simples homenagem pessoal.
Outra falta minha é de ainda não ter visitado e ajudado de qualquer forma o Barracão de Cultura que é, segundo sei, o seu projecto mais acarinhado. Faço questão de o visitar na primeira oportunidade que me apareça.
Entretanto, refira-se o notável Boletim Fraternizar que circula por aí, de que o Pe Mário de Oliveira é responsável, e cuja leitura e distribuição se aconselha a todos os que se batem por um mundo mais justo e livre.

Reproduzimos o editorial e um dos artigos publicados no seu último número (Jan-Mar de 2007). Para que não restem dúvidas, acrescentemos apenas que na última edição o lema do jornal é «Esta é a hora dos Povos».

Consultar e ler:
http://padremariodalixa.planetaclix.pt/index.html
Ninguém se descuide nem atrase
ESTA É A HORA DOS POVOS!


A edição n.º 164, referente ao trimestre de Janeiro/Março de 2007, do Jornal Fraternizar apresenta-se com uma boa notícia em manchete: O Império e o Templo estão a cair, para darem lugar aos Povos de toda a Terra. Esta é, pois, a hora dos Povos! Como boa notícia ou Evangelho que é, é preciso mudarmos de campo, despojarmo-nos da ideologia da Ordem Mundial dominante, e erguermos a nossa tenda entre as vítimas do Templo e do Império para podermos acreditar nela. Os que fabricam as vítimas, embora sintam que o chão do Poder e dos Privilégios já está a fugir-lhes de debaixo dos pés – aos olhos delas, não passam hoje de histriónicos cortesãos e de fantoches manipulados pelas grandes transnacionais do mundo, sem uma única ideia que se aproveite nas suas cabeças – não só não acreditam nesta boa notícia, como até esboçam sorrisos amarelos com tudo de estupidez e de cegueira, como se o seu Poder e os seus Privilégios fossem eternos. Não são. O 11 de Setembro de 2001 revelou para todo o sempre que não são. E se duraram todos estes séculos, foi porque a Humanidade foi habilmente mantida por eles na opressão e no medo e num estado de subdesenvolvimento e de infantilismo de bradar aos céus. Felizmente, o século XXI e o terceiro milénio não serão mais do mesmo. Esta é, por isso, a hora dos Povos. Mas a sua chegada anuncia, também, o fim da dupla histórica, intrinsecamente perversa e assassina, formada pelo Império e o Templo juntos. Até ao fim do século XX e do segundo milénio, as populações (mais populações do que Povos, que só agora emergem na História) foram brutalmente ensinadas e catequizadas para verem no Templo e no Império manifestações de Deus na terra, cujas leis e decisões tinham que acatar e realizar religiosamente, sob pena de maldição e de condenação eternas, o que perfaz um crime de lesa-Humanidade sem perdão!


Sabemos hoje que bem poderia não ter sido assim, pelo menos desde há dois mil anos para cá. Na verdade, pelo ano 30 da nossa era, houve um homem que revelou ao seu povo e, nele, a todos os povos da Terra – e revelou-o com o seu próprio sangue derramado – que o Templo e o Império eram, são o Perverso, o Mentiroso e o Homicida que jamais deveremos adorar, pelo contrário, sempre deveremos enfrentar, combater, derrubar e destruir. Logo um e outro como um só condenaram-no à morte e executaram-no na Cruz, para que o seu nome nunca mais fosse pronunciado sobre a Terra e ninguém mais se atrevesse a reconhecer na sua prática e na sua palavra e, sobretudo, na sua PÁSCOA ou Passagem pela História, a presença efectiva e definitiva da libertação e da salvação da Humanidade e do Universo. Mas quando semelhante propósito se revelou de todo impossível de conseguir, logo o Império e o Templo decidiram ir ainda mais longe na sua perversão e converteram esse Homem feito maldito pela crucifixão, num mítico deus, o seu deus maior, absolutamente inofensivo, enquanto eles próprios passaram de seus carrascos ou verdugos a seus máximos representantes sobre a terra!... As multidões, ainda medonhamente oprimidas e tolhidas pelo medo, acataram ingenuamente esta Mentira oficial e até aos nossos dias continuaram dispostas a ser carne para os canhões do Império e carne para as múltiplas religiões do Templo. Mas a verdade é que Jesus, o de Nazaré – é este o Homem de quem nem o Templo nem o Império podem sequer ouvir falar, tamanho é ódio que nutrem contra ele – está hoje à beira de ser resgatado do controlo de todas as religiões do Templo e de todos os ideólogos do Império. A Humanidade deste século XXI, felizmente cada vez mais ateia de todos os deuses que se alimentam de gente, está prestes a reconhecê-lo como património seu, vivo e actuante. E hão-de ser todos os Povos da Terra, finalmente unidos e organizados à escala global, que irão realizar com alegria e entusiasmo o seu Projecto de libertação para a liberdade/responsabilidade e para a sororidade/solidariedade universal.


Acreditemos nesta Boa Notícia. Procuremos ser dignos dela. Organizemo-nos desde já em pequenas comunidades ou núcleos de afectos e de mesas partilhadas, sem exclusão de ninguém. Ao mesmo tempo, comecemos a recusar executar as leis e as ordens dos mandantes das religiões do Templo e dos ideólogos do Império. Deixemos uns e outros a falarem sozinhos. Habitemos com simplicidade entre os Povos da Terra e com eles como humildes intelectuais orgânicos e como “parteiras”. Até que os Povos da Terra se assumam como um exército em linha de batalha sororal/fraternal, derrubem o Templo e o Império com a violência da Ternura e da Cultura e façam nascer um novo jeito de ser Homem/Mulher e de viver humanamente sobre a Terra: – o jeito jesuânico, feito de misericórdia e de perdão, de responsabilidade política e de partilha/comunhão económica e financeira entre todos eles. É hora, irmãs, irmãos! Ninguém se descuide nem atrase!





O pesadelo dos medicamentos


Entre 2000 e 2003, a quase totali­dade das grandes empresas farmacêu­ti­cas passou pelos tribunais dos EUA, acusadas de práticas fraudulentas. Oito dessas empresas foram condenadas a pagar mais de 2,2 mil milhões de dóla­res de multa. Em 4 destes casos, as em­presas farmacêuticas implicadas – Tap Pharmaceuticals, Abbot, AstraZena­ca e Bayer – reconheceram a sua responsabilidade por actuações crimino­sas que puseram em perigo a saúde e a vida de milhares de pessoas. Se qui­serem saber mais pormeno­res sobre as actuações criminosas das empresas far­macêuticas, leiam o texto que se segue, elaborado pelo Jornal Fraternizar a partir do n.º 141 de Cuadernos CJ (Cristianisme i Justícia), integralmente escrito por Teresa Forcades i Vila, monja beneditina, doutora em medicina e, neste momento, a preparar também um doutoramento em teologia. Verão que a realidade é um verdadeiro pesadelo, a que urge pôr cobro. Como? Eis a questão. Mas o primeiro passo consiste em tomar consciência dele. O monstro tem múltiplas cabeças e é multinacional. Mas não há nenhum “Golias” que não possa ser derrubado pela “pedra” duma “funda” lançada pelo mundo do Pobre, como no-lo revela o relato bíblico do jovem David. Vamos à luta! Esta é a hora, tanto mais quanto as grandes empresas farmacêuticas estão hoje mergulhadas num grande impasse, sem mais imaginação para criar novos medicamentos que respondam às reais necessidades das populações. A febre dos lucros subiu-lhes de tal modo à cabeça, que elas perderam a capacidade de criar e de inovar. Limitam-se a produzir e a vender mais do mesmo, sob rótulos diferentes. E se há causa que possa mobilizar as populações do mundo, do Norte e do Sul, é a causa da saúde e da qualidade de vida. Eis.


As grandes companhias farmacêuti­cas utilizam hoje a sua riqueza e o seu poder para defenderem os seus pró­prios interesses à custa do bem-estar, da saúde e da vida de outras pessoas.
De acordo com o Relatório elab­o­rado no ano passado (2005) pela Co­missão de peritos do Parlamento in­glês, os interesses da indústria farma­cêu­tica e os do conjunto da população não coincidem.


São quatro as principais estratégias utilizadas hoje pela indústria farmacêu­tica para obter os seus lucros multimilionários:


1) Comercializar e efectuar uma ex­traordinária pressão propagandística dos medicamentos que ela própria fa­bri­ca, mesmo que estes não sejam ú­teis às pessoas e até possam ser noci­vos e inclusive mortais; 2) explorar ao máximo os medicamentos (incluídos os es­senciais) sob a forma de monopólio e em condições abusivas que não têm em conta nem as necessidades objecti­vas dos doentes nem a sua capacidade aquisitiva; 3) reduzir ao mínimo ou eli­mi­nar totalmente em alguns casos a in­vestigação das doenças que afectam principalmente os pobres, porque não são rentáveis, e concentrar-se nos pro­blemas das populações com alto poder aquisitivo, mesmo quando não se trate de doenças propriamente ditas, como é o caso da proliferação de “medica­men­tos” contra o envelhecimento; 4) forçar as legislações nacionais e internacionais para que favoreçam os seus interesses, embora à custa da vida de milhões de pessoas.


Eis alguns factos concretos que com­provam a verdade de cada uma des­tas quatro principais estratégias:
1) Dados da agência reguladora dos medicamentos dos EUA mostram que entre 1998 e 2002 registaram-se oito suicídios naquele país entre doen­tes de epilepsia que tomavam gabapen­tina da casa Pfizer (o seu nome comer­cial é Neurontin). No primeiro semestre de 2003, o número de suicídios regista­do foi de 17. Depois que um núcleo de advogados estadoniense tornou pú­bli­cos estes dados e abriu um registo para divulgação de outros incidentes do género, foram documentadas, entre os meses de Setembro de 2003 e Agos­to de 2004, 2.700 tentativas de suicídio entre os doentes que tomavam gaba­pen­tina, dos quais 200 terminaram com a morte do doente. Portanto, em apenas 12 meses, 2500 tentativas de suicídio falhadas, e 200 suicídios consumados!
Os dados foram tornados públicos e, mesmo assim, em 2004 a revista Bri­tish Medical Journal informava que nem a agência reguladora dos medica­mentos do país, nem a empresa Pfizer tomaram qualquer medida, nem sequer a de passar a indicar no prospecto que acompanha o medicamento o alerta pa­ra o risco de suicídio. Actualmente, a página na net da Pfizer já alerta para o risco de suicídio do Neurontin, mas para se chegar a essa informação têm que ler-se primeiro 26 páginas de ex­pli­cações farmacológicas e de possíveis efeitos secundários…
Quanto ao antidepressivo sertralina (Zoloft), também da Pfizer, a referida revista informava que a companhia ha­via ocultado a informação sobre os pos­sí­veis efeitos secundários de tentativa de suicídio e de agressividade. E só depois do chocante caso de Christopher Pittman (um menino de 12 anos que co­me­çou a mostrar um comportamento al­tamente agressivo, poucas semanas depois de iniciar um tratamento com ser­tra­lina e que, dois dias depois que lhe dobraram a doze, assassinou os avós e incendiou a casa), é que a agên­cia europeia de regulação dos medica­men­tos finalmente desaconselhou o seu uso em menores…
Segundo a rede de centros regi­o­nais de farmocovigilância de França, todos os anos, um milhão e 300.000 fran­ceses são hospitalizados no sector público devido a efeitos indesejáveis de um medicamento. Este número re­pre­senta 10% do total das hospitaliza­ções. Ora, de todas estas pessoas, um ter­ço apresenta-se no hospital em esta­do grave; e pelo menos 18.000 morrem cada ano (o dobro do número de mor­tos na estrada no país).


2) Desde que entrou em vigor em 2005 a nova legislação sobre patentes dos medicamentos essenciais, é brutal o seu impacto no acesso a esses medi­camentos essenciais, especialmente nos países pobres. Trata-se de optar pelo prolongamento e pela qualidade de vida das povoações do Norte, à cus­ta de encurtar de forma imediata, em dezenas de anos, a esperança de vida nas populações dos países do Sul. O que equivale a condenar 90% dos que precisam de medicamentos para conti­nu­a­rem a viver, para que os preços se mantenham elevados para apenas 10% de privilegiados. O que perfaz uma obs­ce­nidade e inaugura o que poderemos chamar “um reinado de terror”.
Mas o abuso do actual sistema de ex­ploração de patentes não afecta ape­nas os países do Terceiro Mundo. Nos países ricos do Primeiro Mundo, há cada vez mais pessoas com dificuldade para pagar o preço dos tratamentos prescritos pelos médicos. Para reduzir des­pesas, há já quem tome os medica­mentos dia sim, dia não e quem os par­tilhe com outras pessoas da sua famí­lia. Nos EUA, tomar um medicamento durante um ano pode custar actual­men­te 1.500 dólares. As pessoas com mais de 65 anos chegam a tomar em mé­dia 6 medicamentos por dia, o que perfaz uma despesa anual por pessoa de 9.000 dólares!


3) Em 2001, o grupo de Médicos Sem Fronteiras publicou um Relatório intitulado Desequilíbrio fatal que teve enorme impacto na opinião pública na altura, mas depressa foi esquecido. Se­gundo este Relatório, as doenças que afectam principalmente as populações em­pobrecidas são pouco investigadas e as doenças que afectam exclusiva­mente as populações empobrecidas não são de todo investigadas. Algumas dessas doenças, como por exemplo a fase crónica da doença de Chagas (uma infecção que afecta milhões de pessoas na América Latina) não têm qual­quer opção terapêutica! Do refe­rido Relatório, conclui-se que 90% dos recursos sanitários do mundo são de­di­cados a investigar as doenças que afectam 10% dos doentes do mundo (pre­cisamente, os do Primeiro Mundo). O que quer dizer que apenas 10% da­queles mesmos recursos são gastos a investigar as doenças que afectam os outros 90% de doentes do mundo. Este dado é conhecido como “desequilíbrio 10/90”.
As doenças tropicais, por exemplo, são doenças esquecidas. Do total de 1.397 medicamentos comercializados entre 1975 e 1999, apenas 13 (1%) des­tinavam-se ao tratamento duma do­en­ça tropical. As doenças esquecidas incluem, entre outras: a malária, a tu­ber­culose, a doença de Chagas, a úl­ce­ra de Buruli, e a lepra, a maior parte delas doenças dos pobres!
Alguém poderá objectar que as em­presas privadas têm direito a investir o seu dinheiro onde melhor lhes pare­ça. Porém, a verdade é que o dinheiro que financia as investigações não é só privado, mas provém também de acor­dos com a saúde pública. O que quer dizer que nós, público em geral, pagamos duas vezes pelo mesmo pro­duto e, além disso, não temos qualquer controlo democrático sobre as priori­dades em que se gasta o referido di­nhei­ro. Pagamos, primeiro, para finan­ciar as investigações e depois para ad­quirir os medicamentos. Assim não é de estranhar os lucros multimilionários das empresas farmacêuticas. Por exem­plo: dos 17 ensaios clínicos que va­li­daram os 5 medicamentos mais ven­didos durante o ano de 1995 (Zan­tac, Zovirax, Capoten, Vasotec e Pro­sac), apenas 1 foi financiado pela in­dús­tria farmacêutica. Do conjunto dos estudos considerados decisivos para chegar a desenvolver estes 5 medica­men­tos, concluiu-se que apenas 15% fo­ram financiados pela indústria far­macêutica.
Os investigadores do grupo Médi­cos Sem Fronteiras advertem também que não são só os laboratórios os res­ponsáveis pelo desequilíbrio fatal, mas to­das as instituições públicas e priva­das que colaboram para que a produ­ção de medicamentos se oriente de for­ma exclusiva ao lucro económico e me­nos­preze o sofrimento dos doentes. Se as doenças mais estudadas não são as que mais afectam a humanidade, en­tão quais são elas? Vejam só: Se­gun­do o referido Relatório, a maior par­­te dos esforços financeiros e intele­ctuais da investigação sanitária de to­do o mundo em 2001 foram destinados a investigar a impotência sexual, a obe­si­dade e a insónia!!!
Além de não serem tidos em conta, quando se trata de decidir as priori­dades da investigação de novos medi­ca­mentos, os doentes dos países po­bres – especialmente, os africanos – são utilizados como cobaias para se ob­terem informações sanitárias diver­sas que depois nunca os beneficiam a eles. No Quénia, por exemplo, e sob a responsabilidade da Universidade de Washington, realizaram-se, em finais da década de noventa, estudos clínicos para observar a evolução natural da do­ença da SIDA. O que significa que, com a desculpa de que eles sempre aca­bariam por morrer, centenas de afri­canos foram sujeitos a provas comple­mentares para analisar como se iam de­teriorando até morrerem, à medida que avançava a infecção, sem nunca lhes ter sido oferecido o respectivo tra­ta­mento que poderia tê-la detido!!!


4) A indústria farmacêutica dispõe nos EUA (sede das empresas que domi­nam o mercado global) de um número de lobbys profissionais superior ao nú­mero de congressistas. O que significa na prática que cada parlamentar tem à perna um ou mais destes profissionais que estudam o seu perfil psicológico, a sua história pessoal e laboral e dete­ctam os pontos fracos através dos quais po­dem pressioná-lo para que vote, ou proponha no Parlamento leis favoráveis aos interesses da indústria farmacêuti­ca (por isso, contrários aos do bem co­mum) e para que vote sempre contra as propostas contrárias a esses mes­mos interesses. No ano de 2002, por exemplo, 26 destes 675 lobbys eram ex-parlamentares, 342 eram ex-traba­lhadores do Parlamento, e 20 tinham exercido cargos directivos.
Ao mesmo tempo, as empresas far­macêuticas foram ao ponto de criar or­ga­nizações que se apresentam na soci­e­dade como iniciativas espontâneas de cidadãos, quando mais não são do que or­ganizações financiadas por elas para de­fenderem os interesses delas. Quan­do se trata, por exemplo, de fazer subs­ti­tuir um medicamento por um outro no­vo que vai entrar no mercado, esses ci­da­dãos multiplicam-se em declarações aos media a testemunhar que o novo é que é bom e que já o experimen­ta­ram com resultados espectaculares… Tudo em troca de dinheiro ou outras com­pensações em que são hábeis as gran­des empresas farmacêuticas. Mer­ca­do livre, isto? Mercado selvagem, é o que é.

GMUNDO CONTRA G8 ( festa para preparar a ida a Rostock)


Festa para preparar a ida a Rostock (6 a 8 de Junho)


DJ, VJ, FILMES, BANDAS, DEBATES, JOGOS E TUDO SOBRE O G8

No dia 3 de Março ( Sábado)

a partir das 21 horas

no Grupo Desportivo da Mouraria

(Travessa da Nazaré nº21)

Convocada uma Manifestação do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos do Porto para dia 5 de Fevereiro às 21h.

O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos do Porto (MUSPP) está a organizar uma numerosa manifestação, que decorrerá em frente à Assembleia Municipal do Porto, no próximo dia 5 de Fevereiro (segunda-feira), às 21h00.
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CONTRA O AUMENTO DAS RENDAS CAMARÁRIAS!

O aumento das rendas no bairros municipais do Porto vai estar em destaque na reunião da Assembleia Municipal da próxima segunda-feira. Agendado por todos os partidos da oposição, o encontro visa saber se o executivo de Rui Rio violou, ou não, a deliberação tomada no anterior mandato relativa à actualização dos valores cobrados aos inquilinos do município.
A Assembleia Municipal do Porto vai avaliar segunda-feira se o executivo de Rui Rio, de maioria PSD/CDS-PP, violou, ou não, a deliberação que ele próprio tomou, no anterior mandato, relativa à actualização das rendas municipais, disseram hoje várias fontes autárquicas.
O debate, a realizar em sessão extraordinária daquele órgão deliberativo municipal, foi agendado por eleitos de toda a oposição (PS, CDU e BE) nos termos de uma disposição regimental que permite a convocação de sessões a requerimento de pelo menos um terço dos deputados municipais. A coligação PSD/CDS-PP tem maioria, por voto de qualidade do presidente do órgão, numa assembleia municipal composta por 27 representantes social-democratas e centristas e outros tantos dos três partidos de oposição. As mexidas nas rendas, que ocorrem na sequência da actualização dos rendimentos dos agregados familiares, prevêem um agravamento de 60 por cento do aumento decidido, agora em Março, e os 40 por cento restantes serão aplicados em Fevereiro de 2008. Está fixado igualmente que a renda mínima é de 10 euros, nos bairros antigos, e de 25 euros, nos mais recentes.
A Câmara do Porto, a maioria senhoria da Europa, detém 43 bairros sociais na cidade, com um total de cerca de 40 mil inquilinos. Segundo Artur Ribeiro, deputado municipal da CDU, o executivo tinha decidido em 2003 que o aumento seria faseado em dez anos e nunca poderia representar um agravamento superior a seis euros/ano. O eleito comunista disse à agência Lusa que conhece exemplos de pessoas que pagam actualmente 20 euros mensais e verão as suas rendas actualizadas para 140 euros “em apenas dois anos”.“Aumentos deste tipo são ilegais”, defendeu Artur Ribeiro, que confirmou também a intenção da CDU levar o caso ao provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues.
“Se a maioria PSD/CDS-PP quer alterar as regras, primeiro tem que alterar o que aprovou”, afirmou o eleito do PCP, considerando que os aumentos “abruptos” contrariam igualmente um parecer do constitucionalista Gomes Canotilho, segundo o qual ajustamentos de rendas têm que ser “suaves”. “Não podem afectar a estabilidade do orçamento familiar”, sustenta o parecer de Canotilho. O PS, principal partido da oposição, que no anterior mandato votou contra o ajustamento das rendas, ainda vai decidir a sua estratégia sexta-feira à noite, numa reunião que vai envolver vereadores, deputados municipais e presidentes de junta.
Ainda assim, o líder da bancada socialista, Justino Santos, adiantou que, independentemente da forma como o partido vai exprimir a sua oposição, “ela será de recusa” de um aumento das rendas nos moldes previstos.
“Não pode ser apenas coisa matemática, sem humanidade”, disse Justino Santos, acrescentando que o PS “tem provas” de aumentos superiores a 100 por cento. Justino Santos questionou também a necessidade dos aumentos, tendo em conta que o processo para reabilitação dos bairros, actualmente em curso, “está a ser pago em 50 por cento pelo Estado e o restante, embora a expensas da autarquia, tem juros bonificados a 60 por cento”. Já José Castro, do Bloco de Esquerda, recusa qualquer aumento de renda, independentemente de o executivo estar, ou não, a respeitar a sua própria deliberação. Na avaliação do deputado municipal bloquista, o aumento das rendas destina-se a “fazer uma espécie de limpeza social” com o objectivo de “correr da cidade do Porto camadas sociais que, na perspectiva da maioria, são indesejáveis”. “Queixam-se de que o Porto perde 20 habitantes por dia, mas contribuem para isso. Embora encham a boca com a coesão social, mas, se tirar a casca a este conceito, vemos que se portam como um centrifugadora social”, criticou o deputado municipal.
Da parte dos partidos da maioria, a posição é de apoio aos ajustamentos nas rendas, ainda que o CDS-PP pretenda “retirar algumas dúvidas” junto da vereadora do pelouro, Matilde Alves, em reunião já agendada para os próximos dias. “A convicção que tenho, dos elementos já recolhidos, é que não houve violação da decisão camarária. Mas quero ser esclarecido e por isso é que tenho uma reunião agendada com a vereadora”, disse o líder da bancada do CDS/PP, André Noronha. Sem dúvidas está Manuel Monteiro, líder da bancada social-democrata no órgão deliberativo municipal. “Apoiamos a política que a câmara está a adoptar. A partir de agora, todos os inquilinos irão pagar em função dos seus reais rendimentos”, salientou o deputado municipal. Manuel Monteiro referiu que “não houve, até agora, qualquer reclamação quanto à actualização das rendas” e garantiu que esta “não está a ser aplicada cegamente”.
Argumentou ainda que os aumentos são concretizados em dois anos (60 por cento este ano e 40 por cento no próximo) e, quando os agravamentos forem superiores a 75 euros, os inquilinos podem evitá-los, pedindo transferência para outros bairros com rendas mais acessíveis. “Isto revela sensibilidade face à situação de famílias economicamente mais débeis”, afirmou. Quanto ao alegado desrespeito pela deliberação anterior, Manuel Monteiro disse que deixa “essa guerra” para os juristas.
Bairros sociais fazem manifestação
O recente aumento das rendas das habitações municipais continua a fomentar protestos na cidade do Porto. Carlos Pinto, do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos do Porto (MUSPP), acusa a autarquia local de “contrariar” o regulamento aprovado em 2004, que determina a uniformização da forma de cálculo das rendas de todos os bairros, tornando-as proporcionais ao rendimento dos agregados familiares.
“Foi determinado que os aumentos anuais não podiam ser superiores a seis euros, mas isso não está a ser respeitado”, assegura Carlos Pinto. Como forma de protesto, a MUSPP está a organizar uma numerosa manifestação, que decorrerá em frente à Assembleia Municipal do Porto, no próximo dia 5 de Fevereiro ( segunda-feira), às 21horas
A data não é aleatória. Nesse mesmo dia decorre uma assembleia municipal de carácter extraordinário – convocada pelo PS, CDU e Bloco de Esquerda – para debater a implementação da actualização das rendas. A MUSPP pretende mobilizar manifestantes de todos os bairros sociais da cidade. “As manifestações têm sido a principal forma dos moradores reivindicarem os seus direitos, já que a autarquia não dialoga com o povo, apenas com os partidos políticos”, refere Carlos Pinto, que informa estarem a proceder-se a inúmeras acções de divulgação e mobilização. A partir de hoje serão afixados dezenas de comunicados em locais estratégicos e vão ser colocadas tarjetas em todas as caixas de correio dos bairros sociais da cidade do Porto.”Não será por falta de informação que os moradores não vão comparecer”, assegura. Estima-se que cerca de 20 por cento da população do Porto habite nos 24 bairros sociais da cidade. A MUSPP prevê a adesão de mil manifestantes. Rui Sá, vereador do CDU, um dos partidos que convocou a assembleia municipal, refere desconhecer a manifestação, mas considera que os utentes “têm todo o direito à sua justa indignação”

Fonte: jornal O Primeiro de Janeiro

La Quinzaine Littéraire de volta e em forma …

La Quinzane Littéraire tornou-se um mito na literatura e na cultura contemporânea, sobretudo naquela que se assume mais irreverente e mais próxima dos movimentos vanguardistas. Trata-se de uma publicação que foi fundada por Maurice Nadeau em 1966. Muitos de nós guardamos ciosamente alguns dos seus números atrasados.
Eis senão quando temos notícia que La Quinzaine está de regresso e volta a mexer. Um site e um blog parecem querer revitalizar todo o espírito que foi criado em torno da revista. Para além disso disponibiliza bastantes textos publicados.
Vale pois uma visita, mas também uma assídua frequência, pois a coisa promete…
Consultar:
http://www.quinzaine-litteraire.presse.fr/accueil.php

27.2.07

Antifascistas contra a criação do museu ao ditador Salazar

Sessão pública de afirmação dos ideais antifascistas no dia 3 de Março às 15h. no Auditório Municipal de Santa Comba Dão

Contra a criação do museu
ao ditador em Santa Comba Dão
A União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) está contra a possível criação, por parte da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, de um museu sobre o período do Estado Novo e Salazar. O núcleo de Viseu e Santa Comba Dão desta entidade marcou para o próximo dia 3 de Março, pelas 15H00, uma “sessão pública de afirmação dos ideais antifascistas”.


A sessão decorrerá no auditório municipal santacombadense e conta com a participação do coordenador do conselho directivo da URAP, Aurélio Santos. Alberto Andrade, da URAP, adiantou, que está igualmente previsto lançar um abaixo-assinado contra esta intenção do município. Para aquele elemento da URAP, a autarquia quer “criar uma organização centrada na propaganda da ditadura corporativo-fascista, em conflito com a Constituição da República e afrontando todos os portugueses que se identificam com a democracia e o acto fundador do 25 de Abril”.

“Realizamos esta sessão pública, porque é preciso, imperioso e urgente afirmar os ideais antifascistas em Santa Comba Dão e em todo o país, e travar mais esta tentativa de branqueamento do fascismo e de degradação do regime democrático”, frisou. Mostra-se igualmente crítico pelo facto de a autarquia ter efectuado um protocolo com Rui Salazar Mello, sobrinho-neto de Salazar, “em que irá pagar dois mil euros por mês para este senhor fazer parte da gestão do museu, em troca da cedência de documentos do ditador”.

Gravura de José Dias Coelho (1923-1961), assassinado por uma brigada de esbirros da PIDE, polícia política do regime fascista de Salazar

Foi recentemente lançado um novo livro de autoria de João madeira, Irene Flunser Pimentel e Luís Farinha com o título Vítimas de Salazar, Estado Novo e Violência Política.
Transcrevemos, com a devida vénia, uma breve resenha do livro retirada de:


Vítimas de Salazar, de João Madeira, Irene Flunser Pimentel e Luís Farinha, permite percorrer esse duplo caminho que atravessa resistência e repressão. Ao mesmo tempo que aborda a violência cometida pelas autoridades, recupera o rosto daqueles que arriscaram romper o cerco e lutar, das mais variadas formas, contra o regime ditatorial. Como declara João Madeira na introdução, este não é o estudo sistemático «que é globalmente indispensável» e «que tem vindo a ser parcelarmente realizado» sobre este domínio. Ainda assim, convém esclarecer que a obra não se limita a coligir e elucidar situações mais ou menos emblemáticas, mais ou menos desconhecidas – tarefa já de si altamente louvável – mas proporciona uma útil visão de conjunto sobre os mecanismos da repressão política.



No prefácio, Fernando Rosas elabora algumas considerações sobre os dois temas que, visível e invisivelmente, percorrem a obra: a violência e a memória. Sobre esta, Rosas salienta que a revolução de 1974/75 se fez, desde logo, em nome da «memória do antifascismo», o que explicaria o assalto à PIDE, a libertação dos presos políticos, a liquidação do partido único e da censura, a extinção da Legião Portuguesa (LP), da Mocidade Portuguesa (MP) e da Mocidade Portuguesa Feminina (MPF), bem como os saneamentos de governantes, delatores e colaboradores do regime.

Num segundo momento, colocado na curva da década de setenta para a década de oitenta, teria emergido uma «cultura de negação/revisão» dessa memória que fora dominante durante o biénio revolucionário. Fernando Rosas identifica três manifestações deste processo: 1. «a anulação ou esvaziamento prático de grande parte das medidas de justiça exigidas e parcialmente impostas»; 2. «o prolongado fecho de alguns arquivos essenciais à investigação histórica do Estado Novo e suas instituições»; 3. «a construção progressiva de um discurso de revisão historiográfica», que não tem a ver com a querela relativa a classificação (ou não) do regime como um fascismo, mas com uma dada interpretação que lhe enfatiza o lado civilista. Liderada por um professor catedrático e temperada por uma «matriz católica», a ditadura portuguesa ter-se-ia caracterizado pelo seu «baixo teor de violência».

É precisamente sobre a questão da violência, central neste volume, que Rosas faz mais algumas breves alusões. Enquanto projecto de superação do liberalismo e de cura da Nação através da erradicação dos «traidores da Pátria», a violência dos regimes de tipo fascista era «potencialmente irrestrita», variando a sua extensão de acordo com as circunstâncias e as possibilidades. A durabilidade dos regimes implicaria, pois, uma cuidadosa gestão entre a «violência preventiva» e a «violência punitiva», caminhos apostados em «enquadrar a massa» e «moldar os espíritos».

A primeira seria a forma mais constante, ainda que menos evidente, de violência política, e sustentava-se na intimidação, na dissuasão e no medo. Neste campo jogaram um papel essencial a igreja católica – sobretudo até a década de cinquenta –, o aparelho censório e os organismos estatais de inculcação ideológica. Aqui se traçava um «primeiro círculo de segurança que toda a gente que não quisesse correr sérios riscos ou arranjar problemas graves, interiorizava não poder pisar». O segundo domínio da violência – o da repressão directa – agia sobre um número quase sempre mais escasso de indivíduos e servia-se de uma rede própria: a PIDE, a PSP, a GNR, a LP, os tribunais especiais, as prisões e os campos de concentração, bem como por uma legislação penal que suportava e permitia uma série de arbitrariedades.
Mobilizando uma quantidade apreciável de documentos, informações e testemunhos, os autores de Vítimas de Salazar desenham um retrato inequívoco da identidade agressiva do Estado Novo. Nele se destacam as perseguições, os assassinatos, os interrogatórios da PIDE – onde, como lembrou o psiquiatra Afonso de Albuquerque, o que interessava não era fazer falar mas «a destruição da personalidade do preso e a criação de um clima de terror» – ao mesmo tempo que se vai apontando a referida «violência preventiva»: a censura, as escutas telefónicas, o medo, a mentalidade delatória, a violação de correspondência, as estruturas ideológicas do regime, são alguns dos temas documentados. Não se confundindo, pois, com um libelo acusatório, o livro não abdica de «tomar partido», isto é, de mostrar que na dialéctica entre torcionários e vítimas, delatores e perseguidos, opressores e oprimidos, a dignidade está apenas num dos lados.

João Madeira, Luís Farinha, Irene Flunser Pimentel (2007), Vítimas de Salazar. Estado Novo e Violência Política. Prefácio de Fernando Rosas. Lisboa: A Esfera dos Livros. 452 pp. [ISBN 978-989-626-044-6]

26.2.07

A ideologia dos senhores do mundo

Os Senhores do Mundo têm em comum valores e princípios fundamentais que são o cimento ou base de sua unidade, o seu denominador comum. A adesão a estes princípios é obrigatória para ser admitido no Círculo dos Senhores do Mundo e de suas organizações (FMI, etc).

Os princípios-chaves dos Senhores do Mundo

1 - Os fins justificam os meios.

2 - O forte deve dominar o fraco. O forte foi concebido para ser um predador, e o fraco para ser a presa.

3 - A eliminação dos fracos é conforme o pincípio da seleção natural (cf. Darwin).

4 - A vida de todos os indivíduos não tem o mesmo valor. Os que têm um valor negativo podem ser eliminados, conforme o interesse superior do conjunto.

5 - O mundo deve ser governado por uma elite.


Os Predadores (citação do livro "Os Novos Senhores do Mundo" de Jean Ziegler) 

No coração do mercado globalizado, o predador ( banqueiro, o resposável de uma sociedade transnacional, operador do comércio mundial) acumula dinheiro, destrói o estado, destrói a natureza e os seres humanos, e, mediante a corrupção conquistam os agentes apodrecidos que deveriam assegurar os serviços junto aos povos que ele domina.

Para os fortes, e também para os fracos que sonham em alcançá-los, a felicidade reside no solitário desfrute de uma riqueza obtida no esmagamento do próximo, mediante a manipulação da bolsa, da fusão e concentração de empresas sempre cada vez mais gigantescas e da acumulação acelerada de qualquer origem. Última invenção da cupidez empresarial: patentear seres vivos (humanos, vegetais...).

A racionalidade mercantil devasta as consciências, aliena o homem e distrai a multidão de seu próprio destino, que deveria ser livremente debatido, democraticamente escolhido. A lógica da mercadoria asfixia a liberdade irredutível, imprevisível do indivíduo. O ser humano é reduzido à sua pura funcionalidade no mercado.

Novos mini-livros da Colecção Pandora/Associação Coice de Mula

NOVOS MINI LIVROS EDITADOS NA Colecção "Pandora" / Associação Coice de Mula

10 – Os Anarquistas Naturianistas e Anticientíficos por José Tavares

11 – Lógica do Terrorismo por Michel Bouman


Mas estão também disponíveis os números anteriores:

1 - O Falso Princípio da Nossa Educação por Max Stirner

2 - O Comunismo de Mercado Como Utopia do Capital por Flora Montcorbier

3 - Vida de Miguel Bakunin por Rudolfo Rocker

4 - O Viajante e o seu Duplo ou o Complexo da Falsidade por Jean-Didier Urbain

5 - Anarquismo em Portugal (1974-2004), Conclusão Provisória por José Tavares

6 - A Estrutura do Poder em Cuba por Sam Dolgoff

7 – Hesitações de Uma Institucionalização, As bolsas de trabalho em França por Jean-Paul de Gaudemar

8 – Apontamentos Sobre os Anarquistas e a Guerra por José Tavares

9 – A Concepção do Naturismo Libertário por Henri Zisly

As encomendas podem ser solicitadas para
jornal_coice_de_mula@hotmail.com

ou Apartado 21477 1134 Lisboa codex

Cidadania sexual e de género ( seminário na Faculdade de Psicologia e de Ciências de Educação do Porto)

Procurando uma Cidadania Sexual e de Género: Acção Política e Reflexões em torno das Discriminações Sociais

Seminário no âmbito da Psicologia política

No dia 1 de Março, a FPCE-UP acolhe o seminário "Procurando uma Cidadania Sexual e de Género: Acção Política e Reflexões em torno das Discriminações Sociais", organizado no âmbito da Pós-Graduação em Psicologia Política.

O evento terá lugar no auditório da entrada, entre as 18 e as 20 horas.

A entrada é livre.

Programa

- Percursos e estratégias do Movimento Gay: o colectivo e o sujeito no espaço da cidadania;
- A Discriminação Social como enfoque de reflexões teóricas e de estudos em Portugal: factos, modos de violência, projecto do Observatório da Homofobia.
- Movimento Associativo, Acção Directa e Empoderamento Pessoal: questionar as identidades e agir para a redução da violência e da discriminação social;
- O Género como base da Acção Colectiva: que entendimentos e que caminhos de Acção?

Orador: Sérgio Vitorino - Jornalista e activista gay
Moderador: Nuno Santos Carneiro - Psicólogo

O nº 22 da revista Utopia já saiu

O nº 22 da revista Utopia, correspondente ao segundo semestre de 2006, já se encontra em distribuição pelos vários locais de venda espalhados pelo país.
Do seu índice destacam-se os textos sobre «Anarquia, Anarquismos e tolerância», «A violência, origens e anarquia» ( por E. Rodrigues), «Desvio e punição numa sociedade anarquista», «Da violência dos dominantes às violências dos dominados», uma breve biografia de militante anarco-pacifista Luis Lecoin, e muitos outros artigos e informações que, junto de um renovado aspecto gráfico, muito valorizam esta revista, a qual ocupa um lugar único no panorama da imprensa escrita em Portugal.
A revista encontra-se à venda em vários locais mas pode ser pedida para

Os Impérios ao longo de 5.000 anos em 90 segundos



A grande acção global de 2007 para transformar o mundo

Convocatória para a realização de uma

Greve Mundial para o próximo dia 7 de Junho

Um vídeo está a circular pela grande rede global que é a Internet convocando uma mobilização mundial para o próximo dia 7 de Junho, data da realização da cimeira dos G-8 na Alemanha.

Apela-se assim para nesse dia ninguém ir trabalhar nem ir fazer qualquer tipo de compras como forma de reivindicar que as coisas mudem,
no sentido de uma luta mais eficaz contra a pobreza.
ver link
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Organiza a tua indignação,
liberta os teus sonhos






Para mais informações:

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Manifestação brutalmente reprimida em Bilbao

Mais info aqui

A manifestação realizada no Sábado passado a pedir a amnistia para os presos políticos bascos e que contou com milhares de manifestantes foi brutalmente reprimida pela polícia tendo-se registado dezenas de feridos.
Não obstante isso, as mobilizações populares nas ruas de bilbao prosseguiram e multiplicaram-se um pouco por toda a cidade de Bilbao até ao fim do dia, visando reclamar uma solução negociada e pacífica no conflito entre os bascos e o Estado espanhol.
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Ver abaixo o impressionate vídeo sobre a repressão brutal da polícia do estado espanhol contra os manifestantes pacíficos



25.2.07

A ópera nasceu há 400 anos


Textos retirados do Jornal de Notícias de 24 de fevereiro de 2007


Há 400 anos nascia aquela que é considerada a primeira experiência de ópera. O autor, Claudio Monteverdi, inspirou-se na história do músico semideus Orfeo que perde a mulher, Eurídice, em plena boda de casamento, para compor "L'Orfeo".

Na noite de 24 de Fevereiro de 1607, os apartamentos privados do duque de Mântua abriram-se para a representação desta função musical, encomendada a Monteverdi pelo duque Francesco Gonzaga. Se passasse a prova da audição privada, a obra deveria ser apresentada em público, como aconteceu, uma semana depois, integrada nas comemorações do Carnaval de Mântua. Essa noite ficaria célebre foi aí que se estreou "L'Orfeo", considerada por muitos especialistas como a primeira ópera no sentido moderno.

"Ao apresentar a sua "favola in musica", Monteverdi fizera questão de dar à partitura, e sobretudo ao canto, um papel que até aí estava fora das preocupações dos seus contemporâneos", lembra António Mega Ferreira, presidente da Fundação Centro Cultural de Belém, que anteontem, no grande auditório, levou a cabo uma gala monteverdiana para assinalar a passagem dos 400 anos sobre esta primeira apresentação.

A "favola" de Monteverdi, com libreto do poeta Alessandro Striggio, retomava o mito de Orfeu e Eurídice, mas, em vez de o tratar como tragédia declamada ou recitativo acompanhado por música, propunha uma apropriação musical do mito e o seu tratamento em forma de drama musical. Lembre-se que a obra de Monteverdi é tida como sendo a primeira ópera porque tanto o seu libreto como a sua música chegaram aos nossos dias. Contudo, já alguns anos antes da apresentação de "L'Orfeo", a obra "Dafne" (1597), da autoria de Jacopo Peri e do poeta florentino Ottavio Rinuccini, era também uma tragédia declamada acompanhada por música. Foi apresentada em Florença por alturas dos esponsais de Maria de Médicis com Henrique II de França, mas a música dessa obra há muito que desapareceu. Por isso, hoje, a ópera mais popular do século XVI é, sem dúvida, "L' Orfeo", composta em 1607, dez anos depois de "Dafne".

Como afirma a musicóloga alemã Silke Leopold, do Departamento de Musicologia da Universidade de Heidelberg (Alemanha),"uma característica distintiva da música de Monteverdi, é o dar vida à palavra e ao gesto, mas também, e sobretudo, às personagens, aos seus estados de alma, que afloram nas entrelinhas a sua música é a expressão simultânea de uma emoção espiritual e gestual" .

Também o músico Enrico Onofri, da orquestra barroca "Divino Sospiro", defende que o fascínio que a audição das criações de Monteverdi exerce ainda hoje se deve "à utilização de um estratagema retórico-musical que consiste em alternar episódios de serenidade ou, mesmo, relativamente estáticos, com outros vivíssimos e agitados".


O universo da ópera é pontuado por várias obras-primas. Peças que se tornaram imortais e que resistem ao passar do tempo. Exemplo disso são óperas como "Don Giovanni",de Mozart, que estreou em Praga em Outubro de 1787. Ou então "O barbeiro de Sevilha", de Gioacchino Rossini,escrita propositadamente para estrear na época do Carnaval de 1816. Há ainda o exemplo de " Rigoletto", de Giuseppe Verdi, que estreou em Veneza em 1851, ou da então ousada "Carmen", de Georges Bizet. A cigana indomável e o seu amante desesperado, Don José, inflamaram o público que assistiuà estreia na Opera-Comique de Paris, em 1875. Na senda de obra-prima aparece também a "Tosca", de Giacomo Puccini, considerada uma das óperas mais comoventes jamais escritas. Contém todos os ingredientes do género amor, morte, violência, sexo, corrupação, poder e lealdade




Forma de arte única com força vital própria

A ópera tem sido perseguida por acusações de elitismo e de snobismo. E em Portugal não escapa a esses epítetos.

Embora nos anos 60 e 70 do século passado houvesse, pelo menos nas cidades do Porto e de Lisboa, um público fiel aos espectáculos produzidos pela Companhia Portuguesa de Ópera, sediada no Teatro da Trindade, e pelo Círculo Portuense de Ópera, esta oferta não foi suficiente para estabelecer uma rotina. No entanto, os espectáculos apresentados naquele espaço e nos coliseus de Lisboa e do Porto eram muito populares.

A Companhia Portuguesa de Ópera( CPO), dirigida por Serras Formigal na altura Vice-Presidente da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT) torna o Trindade num centro de excelência do canto lírico português. É nessa altura que se produzem óperas como "A Boémia" (Puccini), "Serrana" (Alfredo Keil), "O Barbeiro de Sevilha" (Rossini), "A Traviata" e "Rigoletto" (Verdi), "Cavalaria Rusticana" (Mascagui), "A Condessa Caprichosa" (Marcos Portugal - Frederico de Freitas), ou "A Flauta Mágica" (Mozart),

Entre os elementos que integravam o elenco da CPO, extinta em 1975, contavam-se nomes de uma maioria de cantores portugueses, entre os quais Hugo Casais, Zuleika Saque, Álvaro Malta, Elsa Saque, Luís França, Fernando Serafim, muitos deles saídos do Centro de Preparação dos Artistas Líricos que funcionava no interior do projecto da Companhia Portuguesa de Ópera.

Apesar das dificuldades, no nosso país começa a haver uma abertura cada vez maior para este género de espectáculo. Mas isto não chega para o descolar do rótulo de elitista. Isto deve-se, em parte, aos preços dos bilhetes. A ópera é um espectáculo bastante caro, há quem o considere um luxo e mesmo lotações esgotadas dificilmente cobrem as despesas de produção (cantores, cenário, figurinos, luzes, orquestra, etc).

Actualmente, em Portugal há apenas um teatro especializado na apresentação de espectáculos líricos, o Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) inaugurado em1793. A sua história identifica-se com a própria história da actividade operática em Portugal ao longo de mais de dois séculos.

O que é uma ópera?

Perguntarão os mais leigos "Mas afinal o que é uma ópera?" Sucintamente, é " uma peça de teatro em que o drama é relatado predominantemente pela música e pelo canto e não pelo discurso", escreve o crítico londrino e compositor Alexander Waugh no seu livro "Ópera - outra forma de ouvir", uma espécie de guia prático para iniciados.

Escreve Alexander Waugh que "a ópera é uma forma de arte única, profusa, diferente de todas as outras; não pode ser comparada com o cinema, o teatro, o bailado ou a música de concerto. A ópera tem uma força vital própria".

Na ópera,como em qualquer forma de arte, "o início do século XX foi tempo de experimentação e de fragmentação. Alexander Waugh lembra que Claude Debussy se inspirou em "Parsifal", a ópera que Wagner compôs em 1882, para, 20 anos mais tarde, compor "Pelléas et Mélisande", que mesmo assim foi uma obra inovadora.

Mais tarde, compositores como Bela Bartók, Arnold Schoënberg e Franz Shreker fizeram várias tentativas para, nas suas óperas, explorarem o tema da psicologia seguindo uma linha freudiana, de que são exemplos as criações de Richard Strauss com "Der Rosenkavalier" (O Cavaleiro da Rosa) em 1891. Alan Berg "levou este propósito mais longe nas sua ópera "Wozzeck (1925) , em que retrata um militar arruinado que sustenta a amante, Marie, submetendo-se às experiências de um médico louco", escreveu Alexander Waugh.

Nos anos 30 e 40 do século XX compositores como Chostakovitch com "O Nariz" (1930) ou Francis Poulenc com "Les Mamelles de Tirésias" (1947), fizeram experiências com o surrealismo e o absurdo poético.

"Devemos exorcizar qualquer noção errada que possamos ter, aceitar a ideia de que a ópera não é uma peça de teatro com música nem um concerto com uma peça associada, mas uma forma de arte vital que existe independentemente", defende Alexander Waugh





A Ópera sempre existiu ( Por Rui Vieira Nery)

Está a comemorar-se o aniversário da criação da ópera, como se esta tivesse "caído do céu" em 1607. Mas, a ópera é, em bom rigor, anterior ao teatro. Não foi a ópera que se separou do teatro; foi o teatro hoje dito declamado que se separou das manifestações sincréticas de palavra, canto, dança, representação, que remontam a tempos imemoriais e atravessam diferentes culturas (não são exclusivo europeu). Muito daquilo a que actualmente se chama ópera está mais próximo desse antiquíssimo sincretismo do que do dramma per musica seiscentista. Um Singspiel como a Flauta Mágica não terá mais afinidades estruturais com o Jeu de Robin et Marion (século XIII) do que com o Orfeo de Monteverdi? E a própria camerata fiorentina não se reclamava da herança do teatro grego - um teatro em que, para além de outras componentes vocais, corais, instrumentais, as vozes ressoavam através das máscaras per sonare, persona, personagem, "máscara colada à cara" (Pessoa)? Haverá uma grande diferença, deste ponto de vista, entre as peças a que António José da Silva ou o seu póstumo editor Ameno chamaram "óperas" (talvez jocosamente) e os autos ou farsas de Gil Vicente? Em ambos a música é chamada a desempenhar funções estruturais, com a diferença de, nas peças de O Judeu, ela ser constituída por árias da capo compostas em estilo italiano (ou em intencional caricatura deste). Ou lembremos o juízo do abade António da Costa, que via no antigo teatro escolar dos Jesuítas algo que hoje nos parece mais próximo do ideal wagneriano, enquanto a praxis da ópera italiana de meados do século XVIII em Roma, tal como ele a descreve, era diametralmente oposta à do seu contemporâneo Gluck em Viena... Em Roma, o abade não assistira a "nada de préstimo": só a "um zum zum, de quatro para cinco horas de rumor de rabecas, rabecões, trompas, etc., gritaria de gente, conversação contínua, risadas, palmadas, uns a gritar: bravo, bravone! Ah caro Cafarello! os que vendem sempre a apregoar ao redor dos camarotes, gritando desesperados: quem quer vinho, frutas, doces, etc." - em suma: ópera quase como arraial popular, onde nem sequer se fazia a distinção entre palco e plateia...


Que aconteceu, afinal, de especial, no contexto da cultura europeia, por volta de 1600? Talvez apenas uma confluência de dois movimentos em curso desde havia muito no teatro, a tendência crescente a fazer cantar a fala; na música, e mormente na polifonia vocal, a tendência crescente a fazer falar o canto ("nobre desprezo do canto" - Caccini). Num caso, a musicalização do teatro; no outro, a teatralização da música (comédia de madrigal).


Note-se, finalmente, que a "ópera", na versão seiscentista que hoje se comemora, era carnaval; surgiu pelo carnaval; era o mundo às avessas do maravilhoso pagão, como parte integrante do calendário litúrgico a cidade do demónio, por contraposição à cidade de Deus. Foi assim com Monteverdi, católico convicto, que fazia representar as paixões humanas pelo Carnaval, para logo se entregar à espiritualidade e à exaltação do divino pela Quaresma... Consoante o calendário, assim mudavam os temas e os estilos...


Inspiremo-nos nessa herança cultural. Se a ópera entretanto se "sacralizou", dessacralizemo-la.

A terra dos peles-vermelhas

Superbo documentário sobre a história dos peles-vermelhas e o etnocídio perpetrado pelos europeus sobre as culturas indígenas (doc. falado em francês)

Duas mil tribos povoavam o continente americano antes deste ser «descoberto» pelos europeus. Caçadores, colectores, pescadores viviam em sintonia com a natureza segundo um sincretismo religioso povoado por muitos elementos naturais. O documentário que abaixo inserimos traça a história de um genocídio e o terramoto cultural que se vivei com a chegada e a invasão do continente pelos colonos.
Mas a verdadeira invasão e ocupação deu-se no século XIX com a apropriação das terras por parte dos europeus sob o pretexto de que os índios não a cultivavam. Começam então as guerras e as epidemias que dizimam milhares de indígenas americanos. Pinturas da época mostram a euforia da conquista e a desolação das batalhas. O documentário, cujo autor é Jean-Claude Lubtchansky, sem ignorar os massacres, dá particular reace à destrução cultural que se verificou por efeito do domínio dos brancos sobre as culturas indígenas.

Recorde-se que o genocídio dos índios americanos ao longo de 4 séculos teve como consequência a redução da população autóctone de 7 milhões de indivíduos para os actuais 400.000, a que se deve somar o verdadeiro etnocídio que o acompanhou.



23.2.07

Viva o Poder Popular (letra e música de José Afonso)

No dia em que perfazem 20 anos da morte de José Afonso reproduzimos aqui três letras das suas canções mais interventivas. A primeira (Viva o Poder Popular) e a última (Foi na cidade do Sado) fazem parte do disco editado pela LUAR e destinaram-se a recordar a luta anti-capitalista de muitos portugueses nos anos quentes de 1974 e 1975, que custou a vida, por exemplo ao soldado Luís, alvo traiçoeiro dos aviões a mando dos golpistas do 11 de Março ( Spínola, CIA, etc).
O segundo tema ( O que faz falta) ficou no ouvido de muita gente e ainda hoje se pode ouvir em muitas manifestações.



Viva o poder popular


Não há velório nem morto
Nem círios para queimar
Quando isto der prò torto
Não te ponhas a cavar



Quando isto der prò torto
Lembra-te cá do colega
Não tenhas medo da morte
Que daqui ninguém arreda


Se a CAP é filha do facho
E o facho é filho da mãe
O MAP é filho do Portas
Do Barreto e mais alguém


Às aranhas anda o rico
Transformado em democrata
Às aranhas anda o pobre
Sem saber quem o maltrata



Às aranhas te vi hoje
Soldado, na casamata
Militares colonialistas
Entram já na tua casa


Vinho velho vinho novo
Tudo a terra pode dar
Dêem as pipas ao povo
Só ele as sabe guardar



Vem cá abaixo ó Aleixo
Vem partir o fundo ao tacho
Quanto mais lhe vejo o fundo
Mais pluralista o acho



Os barões da vida boa
Vão de manobra em manobra
Visitar as capelinhas
Vender pomada da cobra



A palavra socialismo
Como está hoje mudada
De colarinho a Texas
Sempre muito aperaltada



Sempre muito aperaltada
Fazendo o V da vitória
Para enganar o proleta
Hás-de vir comigo a glória



O Willy Brandt é macaco
O Giscard é macacão
O capital parte o coco
Só não ri a emigração



De caciques e de bufos
Mandei fazer um sacrário
Para por no travesseiro
Dum cura reaccionário



Não sei quem seja de acordo
Como vamos terminar
Vinho velho vinho novo
Viva o Poder Popular




O que faz falta

Quando a corja topa da janela
O que faz falta
Quando o pão que comes sabe a merda
O que faz falta


O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta

Quando nunca a noite foi dormida
O que faz falta
Quando a raiva nunca foi vencida
O que faz falta

O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é acordar a malta
O que faz falta

Quando nunca a infância teve infância
O que faz falta
Quando sabes que vai haver dança
O que faz falta

O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta


Quando um cão te morde a canela
O que faz falta
Quando a esquina há sempre uma cabeça
O que faz falta

O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta


Quando um homem dorme na valeta
O que faz falta
Quando dizem que isto é tudo treta
O que faz falta

O que faz falta é agitar a malta
O que faz falta
O que faz falta é libertar a malta
O que faz falta

Se o patrão não vai com duas loas
O que faz falta
Se o fascista conspira na sombra
O que faz falta

O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é dar poder a malta
O que faz falta





Foi na Cidade do Sado

Foi na cidade do Sado
No pavilhão do Naval
Havia uma bronca armada
Pelas bestas do capital


Aos sete do mês de Março
Quinta-feira já se ouvia
Dizer a boca calada
Que o PPD era a CIA


Uma tarjeta laranja
Convite ao povo fazia:
Venham todos ao comício
Da Social Democracia

Eram talvez quatrocentos
Gritando a plenos pulmões:
Abaixo o capitalismo
Não queremos mais tubarões

Lá dentro sessenta manos
Do PPD exibiam
Matracas e armas de fogo
E o mais que os outros não viam

A um sinal combinado
Já quente a polícia vem
Arreia, polícia, arreia
Que o Totta-Acores paga bem

Amigo arrebenta a porta
Que te vão para matar
As bestas já fazem fogo
Lá fora tens de lutar

Os gases lacrimogénios
E os tiros que então partia
Mais os cordões da polícia
Os Pê Pê Dês protegiam



Cai morto João Manuel
De nascimento algarvio
Dezoito já eram feridos
Ficou o Naval vazio


Justiça pela noite fora
Pediu o povo na rua
Morte à polícia assassina
Amigo a vitória é tua



Aos onze do mesmo mês
Às onze horas do dia
Enquanto o João passava
Enquanto o João jazia


Do outro lado do rio
Morre o soldado Luís
Soldado filho do Povo
Vamos fazer um País


24 de Fevereiro na CasaViva ( no Porto) - conversa e filmes sobre o Terrorismo de Estado na Rússia e a guerra na Tchetchénia

O Terrorismo de Estado na Rússia. A Guerra na Tchetchénia -
conversa com Cristina Dunaeva e Fernando Bonfim
no dia 24 de Fevereiro ( Sábado) a partir das 18 h.
na Casa Viva (à Praça do Marquês de Pombal, 167) na cidade do Porto


entrada livre

Há dois séculos que os tchetchenos são considerados terroristas, ora pelos czares do Império Russo, ora pelos dirigentes do Partido Comunista da URSS, ora pelos chefes da Federação Russa. Mas quem é terrorista nesta história?


Cristina Dunaeva e Fernando Bonfim procuraram a resposta e registaram a pesquisa no livro “O Terrorismo de Estado na Rússia: a guerra na Tchetchénia nos descaminhos da indústria da violência” (ed. Achiamé, Rio de Janeiro), assinando pela Ação Literária pela Autodertimanação dos Povos.


O foco principal da publicação é o conflito dessa pequena república situada na região a norte das montanhas do Cáucaso que reclama a independência.

Por essa causa, Cristina Dunaeva e Fernando Bonfim (Brasil) estão em Portugal.


Em Aljustrel, no Centro de Cultura Anarquista Gonçalves Correia, no dia 23 de Fevereiro (www.goncalvescorreia.blogspot.com),


e no Porto, na CasaViva (Pr. Marquês do Pombal,167), no sábado, 24 de Fevereiro, a partir das 18h00.
http://casa-viva.blogspot.com/

e em Lisboa na BOESG (R. das Janelas Verdes 13, 1º esq.), nos próximos dias 2 e 3 de Março

Sobre a causa, trazem o livro que publicaram, fruto de dois anos de trabalho, fotografias e DVDs.


Programa para o dia 24 de Fevereiro no Porto ( na Casa Viva)

18h00 – Projecção de “Prisioneiro das Montanhas”, de Serguei Bodrov 1996 (legendas em castelhano)
Em 1994, logo após a desintegração da URSS, a Rússia invade a Tchecténia. Dois soldados russos são presos e levados para uma vila tchetchena no meio das montanhas, onde convivem com os moradores. Adaptação contemporânea de um conto de Liev Tolstoi (115’).

20h00 – jantar vegetariano (para ser grátis, traz comida para partilhar)

21h30 – Conversa com Cristina Dunaeva e Fernando Bonfim sobre O Terrorismo de Estado na Rússia e a guerra na Tchetchénia, num cenário de meia centena de fotografias.

23h30 – Projecção de “A Casa dos Loucos”, de Andrei Kontchalovski 2003 (legendas em inglês)Em 1995, durante as primeiras operações militares na guerra da Tchetchénia, um manicómio é abandonado pelos médicos e enfermeiros. Os pacientes – agora livres, em casa – passam a conviver com os rebeldes tchetchenos e o exército russo. (104’)



Antecipando a conversa fica um pequeno artigo introdutório ao tema...



Imperialismo russo e a guerra na Tchetchênia:os descaminhos da indústria da violência

Convidada pela Federação Internacional de Direitos Humanos para o IV Fórum Social Mundial, Lida Iussupova procura incansavelmente denunciar um dos mais graves genocídios contemporâneos: o extermínio generalizado e o terror militar causado pela guerra na Tchetchênia. Representante da ONG Memorial na cidade de Grozny, capital da Tchetchênia, Lida recebeu em abril de 1994 o prêmio Martin Ennals Award for Human Rights Defenders por sua luta em defesa dos direitos humanos.

Antes de retornar para Grozny, Lida (...) nos relatou as atuais condições de vida dos tchetchenos, a história das guerras, a resistência de seu povo contra a violenta ditadura do Estado soviético e, atualmente, contra os crimes de guerra das tropas militares russas.

Os povos das montanhas do Cáucaso Setentrional – tchetchenos, inguches, ossetas, kabardinos, balkaros, karatchai, tcherkesse e outros – sempre representaram entraves para as tentativas imperialistas euro-asiáticas: resistiram aos impérios tártaro-mongol, turco-otomano, russo e soviético. A geografia auxilia nas estratégias de resistência. A região montanhosa dificulta o acesso para as tropas dos invasores, enquanto as formas seculares de auto-subsistência das comunidades tradicionais colaboram para a sobrevivência.Pastores nômades e agricultores, estes povos organizavam-se através de conselhos das comunidades e foram vistos como bárbaros e “atrasados” não só pelo Império Russo que tentou dominá-los durante longa e sangrenta Guerra do Cáucaso (1817-1864), mas também pelos dirigentes da União Soviética que se opuseram à criação de uma República Autônoma dos Montanheses, logo após a revolução de 1917.

Com a desintegração da URSS, a Tchetchênia novamente proclama a independência. Mas o poder imperial somente trocou de nome porque, em 1994, as tropas russas invadem a Tchetchênia. Começa a guerra, que dura até hoje – vitimando mais de 300 000 pessoas e fazendo cerca de 500 000 refugiados.

Comunidades tradicionais na Tchetchênia

A estrutura social das comunidades tradicionais na região da Tchetchênia e do Cáucaso Setentrional é formada por teipes. As teipes podem ser compostas por diversas famílias e, além disso, aceitam outros agregados em sua composição social, provindos de outras regiões.

As teipes são constituídas por uma vila ou por um conjunto de vilas. Todas as questões cotidianas referentes aos seus habitantes são decididas nos conselhos, compostos pelos anciãos das teipes e, em alguns casos específicos, por outros representantes da comunidade. O Conselho dos conselhos legisla sobre questões que envolvem o coletivo das teipes. Forma-se, ainda, o Conselho Maior, congregando todos os povos das montanhas.

A estrutura horizontal, participativa e representativa dos povos das montanhas se contrapunha às tentativas de estabelecimento de um Estado ou outras formas de hierarquização institucional. No caso de guerra, escolhe-se um líder, a quem todos os habitantes juram lealdade militar. A terra, as águas e os bosques pertencem aos habitantes das vilas. As tarefas de subsistência são realizadas pela própria comunidade, baseadas essencialmente na plantação de batata, milho e trigo, além das atividades pastoris. Pelas torres de pedra, a segurança da comunidade se faz através de atenta observação do território.

O Estado na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS):militarização, repressão e russificação


Após a criação da URSS, o processo de russificação e militarização no continente foi abrupto e violento. Abrupto por interromper e subjugar povos e comunidades que, por séculos, desenvolviam suas diversas formas de auto-governos. Em poucos anos, esse exercício de autonomia social foi substituído pela heteronomia estatal soviética (tal processo não fora exclusividade das ações do PC Soviético: em outros continentes, a formação e o desenvolvimento do Estado-nação caracterizou-se, essencialmente, pela usurpação das habilidades de auto-governo de comunidades tradicionais). Violento porque tais comunidades, descentralizadas e espalhadas pelo planeta, experimentaram a força dos modernos mecanismos de repressão militar combinados com a força de persuasão dos modernos mecanismos de propaganda e marketing. A sobrevivência do modo de vida comunitário autônomo fora encurralado. Assim, para compreendermos os conflitos atuais na Rússia provenientes da desintegração da URSS – como a guerra na Tchetchênia – percebemos que o processo de russificação, militarização e repressão constituiu a base das violações dos direitos humanos cometidos na época do governo imperialista da URSS.

A dominação pelo Estado das atividades comunitárias essenciais ao auto-governo social, tradicionalmente exercidas pela própria comunidade e núcleos familiares, se materializou através do surgimento de especialistas: estes passaram a apontar a melhor maneira para administrar a sociedade, gerir a economia, educar, remediar pequenas enfermidades, fazer sexo, lavar roupas, praticar esportes, parir crianças e enterrar os mortos. Indicam também a música da moda, explicam os motivos das grandes guerras e das catástrofes humanas, enfim, retiram de nós próprios as habilidades humanas de agir e emitir opiniões sobre nossas vidas. Aos especialistas do Estado é repassada a incumbência de gestão social. E a especialização da gestão social, por sua vez, nada mais é do que a radicalização da divisão do trabalho, processo capitalista iniciado com a Revolução Industrial, na Inglaterra, e globalizado através das grandes empresas transnacionais, na atualidade.No caso do Estado soviético, a divisão do trabalho configurou-se na formação de uma classe social de gestores (dirigentes), empenhados em submeter a classe trabalhadora de camponeses e operários à nova ordem dita comunista.

A operacionalização e implementação social dos mecanismos de lealdade aos dirigentes foram criados logo a partir das primeiras medidas de Lenin, principalmente na concepção da vetchka (ВЧК – Comissão Excepcional Superior, futura KGB) – os administradores, policiais e funcionários do Partido cuidavam para que toda e qualquer deslealdade significasse ato contra-revolucionário.

No que se refere ao papel dos professores, estes já contavam inicialmente com amplo apoio do aparato estatal para universalizar o ensino obrigatório do idioma russo em todas as regiões da União Soviética. A nova ordem bolchevique procurava uniformizar, disciplinar e controlar a totalidade de centenas de povos que habitavam o extenso continente euro-asiático.Os conflitos decorrentes desse processo, acentuados pela morte de milhões de pessoas com as repressões stalinistas (como a deportação de tchetchenos ordenada em 1944), são a origem das recentes guerras travadas entre o governo russo e os povos de ex-repúblicas soviéticas em torno da questão da autonomia política.

Atuais condições sociais na Tchetchênia


A infra-estrutura urbana da Tchetchênia foi destruída com a guerra. O sistema de canalização, os elevadores e a calefação nos prédios praticamente não funcionam. A população procura comprar água trazida de outros lugares. A eletrificação é reconstruída lentamente, improvisada em perigosas ligações clandestinas. As condições sanitárias estão em colapso. Apenas as avenidas centrais recebem limpeza adequada, enquanto nos demais locais acumula-se toneladas de lixo. No mercado central, ao lado das montanhas de entulho e outros detritos, comercializa-se carnes, verduras e frutas. O desemprego leva a população ao trabalho informal. Sem qualquer documentação, os trabalhadores são coagidos a pagar propina para a administração dos mercados. Além disso, são frequentemente assaltados por grupos armados e uniformizados.

O negócio mais lucrativo é a extração e refinação de condensador, atividade perigosa e extremamente prejudicial à saúde, assim como a coleta de metais e outros materiais nas fábricas abandonadas. Os coletores frequentemente se explodem com minas. O sistema de saúde é caótico. Além do tratamento dos feridos e enfermos, as crianças precisam de sério acompanhamento para reabilitação psicológica, pois muitas vezes permanecem longo período escondidas nos porões, sem alimentação adequada. A falta de vagas para as crianças nas escolas é permanente. Não há condições adequadas para o ensino, nem instalações para os estudos, nem sequer materiais escolares.Dessa maneira, o resultado das recentes ações das tropas militares russas durante a guerra na Tchetchênia é a destruição da possibilidade de auto-governo comunitário naquela região, e o controle territorial da população na formação de guetos nas cidades, nas vilas rurais e nos campos de refugiados.

Refugiados

A situação de vida insustentável nas grandes cidades leva milhares de pessoas a fugir para as áreas rurais ou para os campos de refugiados, nas repúblicas vizinhas. Estas alternativas não amenizam os problemas, pois as vilas rurais são constantemente alvo das operações de limpamentos (bombardeios generalizados) pelas tropas russas, enquanto a precariedade e a instabilidade da vida nos campos de refugiados não possibilita qualquer esperança para os tchetchenos. Alguns arriscam um novo destino nos grandes centros urbanos da Rússia – como Moscou ou São Petersburgo – encontrando xenofobia, preconceito e repressão da polícia: são eternos suspeitos de terrorismo.

Política do medo cotidiano e a dinamização da indústria da violência

Mas a política de medo cotidiano não é novidade para a população russa, que já enfrentara outrora a paranóia do poder repressivo stalinista, as deportações e assassinatos em massa, a cultura de delatação de inocentes instaurada pelo PC soviético. A diferença é a mudança do alvo desta política de medo cotidiano. Se antes os agentes e espiões do livre mercado capitalista eram os inimigos, hoje as minorias étnicas parecem ser as responsáveis por toda a pobreza e falta de perspectiva na sociedade contemporânea russa: é necessário vigiá-las, julgá-las, caracterizá-las como potenciais suspeitos. Nesse sentido, a desigualdade social é camuflada pela diferença étnica.Implementada globalmente em nosso planeta após os atentados políticos em 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, a política de medo cotidiano tem dinamizado diversos segmentos econômicos ligados à indústria da violência. O fluxo de movimentação financeira proveniente da ampla cadeia produtiva desenvolvida através dessa indústria – produção de armamentos, serviços de “defesa” e segurança, soldados mercenários, financiamento de redes e atentados terroristas, diversificada produção cinematográfica e midiática, etc – representa o mais fundamental segmento da economia capitalista na atualidade.

As vantagens e promoções de produtos militares oferecidos pela Federação Russa atraem um amplo e diversificado leque de consumidores – desde o Brasil (negociações para a aquisição de caça-aviões Sukhoi), ou mesmo o governo venezuelano de Hugo Chavez, até o Estado de Israel. Dessa maneira, a guerra na Tchetchênia e suas implicações nas recentes formas de vigilância e controle da sociedade russa têm dinamizado os segmentos econômicos da indústria da violência naquele continente e, até mesmo, na América do Sul. E assim movimenta-se toda a cadeia produtiva da guerra.

22.2.07

Lançamento no Porto do livro Trabalhadores do Sexo Uni-vos! da antropóloga Ana Lopes

Amanhã ( 23 de Fevereiro) às 21.30 será finalmente lançado na cidade do Porto o livro Trabalhadores do Sexo Uni-vos da antropóloga Ana Lopes. O local escolhido para a iniciativa será no Clube literário do Porto ( à Rua Nova da Alfândega, 22). A apresentação da obra e da autora estará a cargo de Miguel Vale de Almeida, também ele antropólogo e professor catedrático.

Este livro, que é uma visão “de dentro”, escrito por uma ex-sex worker e activista pelos direitos dos trabalhadores do sexo, relata o processo pioneiro e a luta pela qual profissionais do sexo alcançarama sindicalização oficial no Reino Unido. Coloca questões essenciais em relação à emergência de movimento sociais, ao movimento internacional de trabalhadores e aos direitos das mulheres.

“Trabalhadores do Sexo Uni-vos!” explora a formação e a dinâmica da organização laboral dos trabalhadores do sexo, através da investigação-acção e da etnografia. Apresenta uma análise do debate feminista sobre o trabalho e a indústria do sexo e defende a aceitação do trabalho do sexo como um trabalho legítimo, a descriminalização da prostituição, e a atribuição de direitos laborais a todos aqueles que trabalham na indústria do sexo. É uma importante contribuição para a história do movimento dos direitos dos trabalhadores do sexo.

Em Fevereiro de 2000, quinze profissionais da indústria do sexo convocados por Ana Lopes concluíam que o movimento sindical era o caminho na luta contra os problemas ligados aos vários ramos do trabalho sexual.

Em Março de 2002, depois de várias recusas de sindicatos britânicos, o terceiro maior sindicato geral do Reino Unido criava uma nova secção: Indústria do Sexo.

Três anos depois, cinco países europeus têm sindicatos que representam os trabalhadores desta indústria.

"Trabalhadores do sexo uni-vos" dá a palavra a profissionais do sexo sindicalizados, que desmontam o discurso habitual sobre o negócio do sexo. Deslocar o debate sobre o trabalho sexual do quadro moral para o quadro laboral é a revolução que propõem.


Ana Lopes, a autora, antropóloga doutorada pela University of EastLondon, trabalhou na indústria do sexo durante quatro anos, como operadora de linhas telefónicas eróticas, modelo e dançarina de strip-tease. Activista e pioneira, é reconhecida internacionalmente como especialista em assuntos relacionados com a indústria do sexo e tem sido alvo de atenção por parte dos meios de comunicação de vários
países, designadamente em vários documentários televisivos e na imprensa.

Ver aqui a reportagem transmitida pela Sic sobre a autora

Consultar ainda:
www.sexworkeurope.org



Princesas,
um filme de Fernando León de Aranoa

A propósito do trabalho sexual não será certamente despropositado a referência que decidimos fazer aqui ao filme «Princesas» do jovem, mas já internacionalmente reconhecido, realizador espanhol Fernando León de Aranoa, e que conta na sua banda sonora com a música de Manu Chao
Trata-se de um filme sobre a prostituição, melhor dizendo, sobre prostitutas mas que evita cair em pieguismos conferindo dignidade e bravura às trabalhadoras sexuais.

Breve sinopse do filme:
Cayetana (Candela Peña) vem de uma família de classe média espanhola que ignora a sua vida de prostituta. Ela e outras profissionais do sexo passam o tempo num salão de cabeleireiro, reclamando das suas colegas imigrantes que cobram barato e que lhes roubam clientes. Uma dessas imigrantes é Zulema (Micaela Nevárez), dominicana que usa o dinheiro ganho nas ruas para sustentar o filho, que continua na sua terra natal. Um dia Cayetana encontra Zulema espancada e leva-a ao hospital. No caminho nasce uma amizade e ambas descobrem que idealizam um improvável amor.

Pequeno excerto do filme Princesas:


As Vinhas da Ira (de John Steinbeck)


As Vinhas da Ira (The Grapes of Wrath) é um livro do escritor norte-americano John Steinbeck, publicado no ano de 1939.
Relata a história de uma família pobre do estado de Oklahoma, que durante a Grande Depressão de 1929 vê-se obrigada a abandonar as suas terras e partir para um novo mundo, a Califórnia, em busca de melhores condições de vida melhores. A ideia é levar a família num pequeno camião até a Califórnia, onde se diz que trabalho lá não falta. Durante a viagem eles passam por diversos tipos de provações e quando chegam à Terra Prometida descobrem que era um lugar bem pior do que aquele que tinham deixado.
Ludibriados por falsas promessas, a família toda parte num velho caminhão pela famosa estrada 66 numa jornada em que nada pode ser previsto.
Por essa obra, Steinbeck recebeu o Prémio Nobel de Literatura no ano de 1962.

Steinbeck nasceu a 27 de Fevereiro de 1902 em Salinas, Califórnia. Apesar de ter estudado diversos anos na Universidade de Stanford, saiu sem qualquer grau e passou a trabalhar como operário para sustentar-se enquanto escrevia.
O seu primeiro romance foi publicado em 1929, mas foi somente a partir da publicação de Tortilla Flat, em 1935, que o autor alcançou o reconhecimento da crítica e do público. O seu sucesso literário continuou com In dubious battle (1936) e com Of mice and men (1937). As vinhas da ira (1939) conferiu a Steinbeck o Prémio Pulitzer. Nessas obras, os temas proletários acham-se expressos pelo retrato dos trabalhadores desarticulados e despossuídos que habitavam sua região. Os romances Of mice and men e As vinhas da ira foram mais tarde transportados para o cinema.
Em 1943 Steinbeck viaja para a África do Norte como correspondente de guerra. Alguns dos seus últimos trabalhos incluem Cannery Row (1945), The pearl (1947), East of Eden (1952), The winter of our discontent (1961) e Travels with Charley (1962). Produziu também diversos “scripts” para o cinema, incluindo a adaptação de dois entre seus trabalhos mais curtos: The pearl e The red poney. Steinbeck morreu em Nova Iorque em 20 de Dezembro de 1968.

As Vinhas da Ira foram passadas ao cinema por John Ford sob o título de A Conquista do Oeste onde os actores foram Henry Fonda e John Carradine

O tema do romance, ao enfatizar que há ainda muito por fazer:“the quest is never over”, nas palavras do próprio autor, procura reforçar e ampliar a consciência de luta social e a necessidade de continuar essa luta: “we ain’t gonna die out. People is goin’ right on - changin’ a little maybe, but goin’ on.”
Esse credo pessoal de Steinbeck será pronunciado, com as mesmas palavras, pela personagem-espiral, a “alma” do romance. De resto, não faltam comprovações de outros traços autobiográficos. O personagem Tom Joad resulta ser “a prova artística” do credo particular de Steinbeck: “[...] man reaches, stumbles forward, painfully, mistakenly sometimes. Having stepped forward, he may slip back, but only half a step, and never the full step back...”9 Com essas palavras sugeridas pela sua personagem, o autor parece reafirmar, uma vez mais, a mudança ocorrida. Apesar das graves dificuldades, não se pode voltar atrás, é preciso continuar e ganhar novas batalhas. Pode-se voltar meio passo, nunca um passo inteiro. À nossa frente a luta continua...



parte 1



parte 2



Parte 3



Parte 4


Ladrões de bicicletas (filme de Vittorio de Sica)


O filme é considerado uma das obras mais emblemáticas do neo-realismo italiano. Os actores que nele intervêm não são profissionais. Está baseado no livro Ladri dì biciclette de Luigi Bartolini.
O argumento do filme remete-nos para a Itália pós-guerra onde há falta de trabalho. O personagem do filme tem a sorte de arranjar um emprego, mas para isso tem de ter uma bicicleta.
Ladrón de Bicicletas sitúa la historia en la Italia de la posguerra donde el trabajo escasea y obtenerlo es un suceso excepcional. El protagonista de la historia tiene la fortuna de conseguir trabajo pegando carteles por la ciudad pero para poder realizarlo necesita una bicicleta, el problema es que su bicicleta esta empeñada por lo que su primera tarea será recuperarla. O problema é que após o seu primeiro dia de trabalho roubam-lhe a bicicleta e come la o seu futuro. O enredo desenvolve-se então numa busca incessante em tentar recuperá-la até que na cena final o protagonista vê-se condenado a converter-se ele também em ladrão.


Breves comentários - parte 1


parte 2