23.10.10

Declaração pública de Paulo Varela Gomes

Texto publicado no jornal Público de 23 de Outubro de 2010

Sobre Paulo Varela Gomes:
Licenciado em história pela Universidade Clássica de Lisboa (1978), mestre em história da arte pela Universidade Nova de Lisboa (1988), doutorado em história da arquitectura pela Universidade de Coimbra (1999). Docente do DARQ desde 1991, professor convidado do Dep. Autónomo de Arquitectura da Universidade do Minho desde 2001, docente convidado de outras universidades portuguesas e estrangeiras. A principal área de investigação e publicação tem sido a história da arquitectura e da cultura arquitectónica portuguesa dos séculos XVII e XVIII.


DECLARAÇÃO


As medidas que o Estado português se prepara para tomar não servem para nada. Passaremos anos a trabalhar para pagar a dívida, é só. Acresce que a dívida é o menor dos nossos problemas. Portugal, a Grécia, a Irlanda são apenas o elo mais fraco da cadeia, aquele que parte mais depressa. É a Europa inteira que vai entrar em crise.

O capitalismo global localiza parte da sua produção no antigo Terceiro Mundo e este exporta para Europa mercadorias e serviços, criados lá pelos capitalistas de lá ou pelos capitalistas de cá, que são muito mais baratos do que os europeus, porque a mão-de-obra longínqua não custa nada. À medida que países como a China refinarem os seus recursos produtivos, menos viável será este modelo e ainda menos competitiva a Europa. Os capitalistas e os seus lacaios de luxo (os governos) sabem isso muito bem. O seu objectivo principal não é salvar a Europa, mas os seus investimentos e o seu alvo principal são os trabalhadores europeus com os quais querem despender o mínimo possível para poderem ganhar mais na batalha global. É por isso que o “modelo social europeu” está ameaçado, não essencialmente por causa das pirâmides etárias e outras desculpas de mau pagador. Posto isto, tenho a seguinte declaração a fazer:

Sou professor há mais de 30 anos, 15 dos quais na universidade.

Sou dos melhores da minha profissão e um investigador de topo na minha área. Emigraria amanhã, se não fosse velho de mais, ou reformar-me-ia imediatamente, se o Estado não me tivesse já defraudado desse direito duas vezes, rompendo contratos que tinha comigo, bem como com todos os funcionários públicos.

Não tenho muito mais rendimentos para além do meu salário. Depois de contas rigorosamente feitas, percebi que vou ficar desprovido de 25% do meu rendimento mensal e vou provavelmente perder o único luxo que tenho, a casa que construí e onde pensei viver o resto da minha vida.
Nunca fiz férias se não na Europa próxima ou na Índia (quando trabalhava lá), e sempre por
pouco tempo. Há muito que não tenho outros luxos. Por exemplo: há muito que deixei de comprar livros.

Deste modo, declaro:

1) o Estado deixou de poder contar comigo para trabalhar para além dos mínimos indispensáveis. Estou doravante em greve de zelo e em greve a todos os trabalhos extraordinários;

2) estou disponível para ajudar a construir e para integrar as redes e programas de auxílio mútuo que possam surgir no meu concelho;

3) enquanto parte de movimentos organizados colectivamente, estou pronto para deixar de pagar as dívidas à banca, fazer não um, mas vários dias de greve (desde que acompanhados pela ocupação das instalações de trabalho), ajudar a bloquear estradas, pontes, linhas de caminho-de-ferro, refinarias, cercar os edifícios representativos do Estado e as residências pessoais dos governantes, e resistir pacificamente (mas resistir) à violência do Estado.

Gostaria de ver dezenas de milhares de compatriotas meus a fazer declarações semelhantes

Acção de teatro invisível sobre o desemprego na sala de espera de um centro de segurança social



Quebrando o Isolamento, Experimentando a Acção

Ensaio sobre o desemprego
na sala de espera de centro de segurança social



Na sequência de uma Oficina do Teatro Oprimido realizada nos dias 26, 27 e 28 de Setembro no Sindicato da Hotelaria do Sul, em Lisboa, realizou-se uma acção de teatro Invisível na Sala de Espera de um Centro da Segurança Social no dia 30 de Setembro. O vídeo que abaixo se reproduz dá conta dessa Acção de teatro Invisível.


A acção testemunhada neste vídeo realizou-se na manhã de 30 de Setembro de 2010, um dia após a divulgação do 3º pacote de medidas relativas ao Pacto de Estabilidade e Crescimento. Estava então a acabar o prazo para a entrega da prova de “condição de recursos” pelos beneficiários de prestações sociais. O PEC3 veio, entre outras medidas, anunciar aumento de impostos, um indicador de que sobreviver se tornará mais caro e mais difícil.

A iniciativa partiu dos/as participantes no “ensaio sobre o desemprego”, uma oficina de teatro forum/teatro do oprimido dirigida essencialmente a desempregados/as, mas também a trabalhadores/as precários/as. Pretendíamos realizar uma acção que ajudasse a dar visibilidade à burocracia que enfrentam as pessoas desempregadas, o pesadelo que é enfrentar uma máquina burocrática que nos olha com desconfiança. Resolvemos unir o útil, ao igualmente útil e necessário: alguns/mas de nós tinham de enfrentar a tal máquina burocrática, precisavam de ir recolher senha, esperar, e tentar não desesperar.

O vídeo não necessita de muitos comentários. As imagens e as palavras falam por si. Mas há algumas informações que podem ajudar a contextualizar. Segundo dados recolhidos no centro de atendimento em questão, a média de utentes em espera passou de 80 para 180 pessoas, após a entrada em vigor da exigência aos beneficiários de prestações sociais não contributivas, de prova de condições de recursos. Não temos dados sobre os tempos de espera, mas sabemos que muitos foram os dias em que às 10h/11h/12h, já não era sequer possível obter uma senha que habilitasse a ser atendido/a no mesmo dia







Oficina de Teatro d@ Oprimid@/Teatro Fórum
26, 27 e 28 de Setembro, Lisboa

Esta proposta de Oficina de Teatro do Oprimido foi elaborada na sequência da experiência do “Desempregados pelo trabalho justo” e, para defender a urgência de acção colectiva, parte-se da constatação do crescimento do desemprego, e do forte ataque de direitos e de dignidade a que têm sido sujeitas as pessoas desempregadas. O ambiente social é de pressão sobre quem tem trabalho, e de ostracismo relativamente a quem não o tem. O clima geral é o da promoção do medo, do salve-se quem puder, da acomodação. Neste contexto, e reconhecendo-se que há muito pouca reflexão sobre a experiência social do desemprego, pretende-se reunir pessoas que o vivenciam para ensaiar formas de o compreender, para ensaiar perspectivas de mudança. Pretende-se quebrar o isolamento – um dos principais obstáculos à construção de acção colectiva - e construir solidariedades, partindo de quem vive a experiência do desemprego.

O que se propõe é a realização um ensaio sobre o desemprego, em duas acepções do termo: ensaio enquanto esboço crítico; ensaio enquanto tentativa ou experiência de transformação social. Para isso será usado o método do teatro do oprimido, um método teatral que reúne exercícios, jogos e técnicas elaboradas pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal. O teatro é aqui encarado enquanto forma de conhecimento, enquanto instrumento de transformação da sociedade, o teatro na acepção mais arcaica da palavra: todos os seres humanos são actores, porque agem, e espectadores, porque observam. Com explica Augusto Boal, o teatro deve trazer felicidade, deve ajudar-nos a conhecermos melhor a nós mesmo e ao nosso tempo. (...) O teatro é uma forma de conhecimento e deve ser também ser um meio de transformar a sociedade. Pode nos ajudar a construir o futuro, em vez de mansamente esperarmos por ele. (Em Jogos para atores e não atores, de Augusto Boal). O objectivo imediato é o ensaio crítico, o empoderamento, a quebra de isolamento, mas objectivo mais vasto é o ensaio de acção colectiva.

http://ensaiosobreodesemprego.blogspot.com/

22.10.10

Oficina de Teatro do/da Oprimido/a na Escola Superior de Artes e Espectáculo no Porto (29, 30 e 31 de Outubro)


Oficina de Teatro d@ Oprimid@ no Porto
Organização de Gaiac (Agrupo de acção e intercâmbio artístico e cultural) e Grupo de Teatro legislativo Estudantes por empréstimo.
Mais info em: estetica.do.oprimido@gmail.com

dinamizada por
Olivar Bendelak, do CTO – Rio

29, 30 e 31 de Outubro 2010 na ESMAE, Escola Superior de Artes do Espectáculo, no Porto


Olivar Bendelak trabalha como o Centro de Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro e é um dos seus responsáveis, fazendo parte da sua equipa e elenco. Trabalhou activamente com Augusto Boal desde a década de 1990. Encenou vários grupos populares de Teatro do Oprimido: Grupo CORPO EnCENA, da comunidade da Pedreira em Costa Barros, que originou a primeira lei estadual do Teatro Legislativo; Grupo Marias do Brasil, em parceria com a Curinga Claudete Felix, formado por trabalhadoras domésticas que na luta pelos direitos da categoria fez apresentação no Congresso Nacional em Brasília. Foi um dos elementos da equipa do mandato de Augusto Boal, quando este foi eleito para a Assembleia dos Vereadores, no Rio de Janeiro. Olivar é desde 2000 o responsável pelo Teatro Legislativo no CTO-Rio.

Estética do Oprimido

é a mais recente pesquisa desenvolvida por Boal e a equipe do Centro de Teatro do Oprimido, é a seiva que alimenta a Árvore, desde as raízes passando pelo tronco, atravessando galhos e folhas. A Estética do Oprimido tem por fundamento a crença de que somos todos melhores do que supomos ser, e capazes de fazer mais do que aquilo que efetivamente realizamos: todo ser humano é expansivo. Trata-se do fundamento teórico e prático do Método do Teatro do Oprimido: através de meios estéticos – que proporcionam a descoberta das possibilidades produtivas e criativas, e da capacidade de representar a realidade produzindo Palavra, Som e Imagem – promover a sinestesia artística que impulsiona o autoconhecimento, a auto-estima e a autoconfiança; e o diálogo propositivo que estimula a transformação da realidade.”

2ª celebração da aldeia das amoreiras sustentável (23 e 24 de Outubro, em Odemira, Alentejo)



No fim-de-semana de 23 e 24 de Outubro o Centro de Convergência/ GAIA Alentejo apresenta a II Celebração da Aldeia das Amoreiras Sustentável, aberta a todas e todos aqueles que queiram festejar connosco!

Na Aldeia das Amoreiras, o Sábado começa com o já habitual Mercado de Produtos Locais (Largo da Amoreira às 10H), prosseguindo pela tarde com a inauguração da exposição biográfica de Salguery, mágico natural da Aldeia premiado internacionalmente, que estará presente para apresentar alguns Apontamentos Mágicos (Centro Social às 16H). Segue-se a apresentação dos resultados dos inquéritos, realizados no mês de Agosto a todos os habitantes da Aldeia das Amoreiras, ao longo da segunda fase do projecto Aldeia das Amoreiras Sustentável (Tenda junto ao Centro Social às 18H).

No Domingo convidamos todos os habitantes da Aldeia interessados em concretizar o sonho “Mais Espaços e Actividades para Crianças” para o encontro na Antiga Escola Primária, pelas 10H30.

Dia 24 reserva ainda a projecção dos documentários “Aldeia de Sonho” (realizado na Aldeia das Amoreiras) e “A Verdade Inconveniente” e o debate sobre Iniciativas de Transição, num evento de entrada livre a todos os habitantes e visitantes da Aldeia das Amoreiras (Sociedade Recreativa às 15h30).

Projecto Aldeia das Amoreiras Sustentável: Pretendemos facilitar a criação de uma estratégia de desenvolvimento sustentável para a Aldeia e capacitar a população para a auto-ajuda. Pretendemos também fazer educação ambiental e convidar pessoas experientes em Permacultura e outros domínios para ajudar a pensar e criar a Aldeia das Amoreiras Sustentável

Lançamento de Doutor Avalanche, o novo livro de Rui Manuel Amaral (amanhã, 23 de Out. às 18h30)




O lançamento no Porto de “Doutor Avalanche” terá lugar na Fnac do NorteShopping, sábado, dia 23 de Outubro, pelas 18h30.
A apresentação do livro será feita por Rui Reininho.
Mais informação:

Lançamento informal do nº 2 da revista de poesia Piolho ( amanhã, dia 23 de Out. às 16h. no café Piolho)


PIOLHO, revista de Poesia, número dois acaba de aparecer.

Uma edição Edições Mortas e a partir deste segundo número conta com a colaboração da Black Sun editores

PIOLHO, revista de Poesia, As Edições Mortas e a Black Sun editores têm o prazer de o/a convidar para o lançamento informal da revista de Poesia, Piolho, no próximo dia 23 de Outubro com inicio às 16h, no Café Piolho, local: Praça Parada Leitão nº45 Porto, Portugal

As Edições Mortas e a Black Sun editores têm o prazer de o/a convidar para o lançamento informal da revista de Poesia, Piolho,




Local: Praça Parada Leitão nº45

Portugal, os «mercados» e o empobrecimento generalizado

Portugal, os “mercados” e o empobrecimento generalizado
Ler o texto em:
www.slideshare.net/durgarrai/portugal-os-mercados-e-o-empobrecimento-generalizado

Sumário

1. Esperança que se some, revolta que aumenta

2. A soberania que emigrou para Bruxelas, Frankfurt, para os “mercados”

3. A delegação de poderes e a hierarquia de comando

4. O PEC III, a caminho do PEC IV, com o PEC V no horizonte. E o FMI?

5. Onde estão os ricos e quantos são?

População activa e inactiva
Composição da população activa
Composição da população inactiva
Repartição do rendimento gerado – 1
Repartição do rendimento gerado - 2
Desigualdades salariais

Este e outros textos em:
http://esquerda_desalinhada.blogs.sapo.pt/

Sessão de esclarecimento das amas da Segurança Social (amanhã, dia 22 de Outubro, às 17h 30, em Odivelas)

Sessão esclarecimento amas da Seg. Social - 23/10/2010 às 17.30h na Igreja de Patameiras – Odivelas

Na continuação da luta conjunta com as Amas da Segurança Social, vai realizar-se amanhã dia 23/10/2010 na Igreja de Patameiras – Odivelas, pelas 17.30h, a 2ª sessão de esclarecimento com a Presença da APRA (Associação Profissional do Regime de Amas), dos Precári@s Inflexíveis e o apoio das advogadas Mónica Catarino e Sara Dias de Oliveira.


A primeira reunião, ocorrida no Porto a 25/09/2010, permitiu que muitas amas tirassem as suas dúvidas e ficassem a conhecer muito melhor a realidade da sua situação ao nível legal. Desta forma, algumas amas já responderam ao nosso apelo e estão a contactar muitas outras amas para que todas tenham conhecimento e lutem pelos seus direitos, e inclusive já chegaram às mãos das nossas advogadas alguns processos para estas os avaliarem e poderem em conjunto com cada ama decidir a forma de actuação ao nível legal.



Mais uma vez relembramos que para que as advogadas possam averiguar os diferentes casos, é necessário que cada ama envie para a APRA a seguinte documentação:
- Cópia de todas as cartas recebidas da segurança Social;
- Cópia de contrato de prestação de serviços (caso exista);
- Cópia dos 3 primeiros e 3 últimos recibos verdes passados à entidade para a qual trabalham;
- Cópias dos acordos de pagamento da Segurança Social;
- Regulamentos, avaliações e ordens escritas;
- Nome, morada, contactos, NIF, nº de contribuinte;
- Breve resumo escrito da sua situação enquanto ama.


Se és ama da Segurança Social, se tens contacto ou conheces alguma, passa a mensagem!
Fonte: AQUI

Poema de agradecimento à corja , de Joaquim Pessoa

O Zé povinho, burro de carga dos ricaços, guiado pelos políticos vendidos ao poder económico


Poema de agradecimento à corja

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa

Biografia
Joaquim Pessoa nasceu no Barreiro em 1948.
Iniciou a sua carreira no Suplemento Literário Juvenil do Diário de Lisboa.
O primeiro livro de Joaquim Pessoa foi editado em 1975 e, até hoje, publicou mais de vinte obras incluindo duas antologias. Foram lhe atribuídos os prémios literários da Associação Portuguesa de Escritores e da Secretaria de Estado da Cultura (Prémio de Poesia de 1981), o Prémio de Literatura António Nobre e o Prémio Cidade de Almada.
Poeta, publicitário e pintor, é uma das vozes mais destacadas da poesia portuguesa do pós 25 de Abril, sendo considerado um "renovador" nesta área. O amor e a denúncia social são uma constante nas suas obras, e segundo David Mourão Ferreira, é um dos poetas progressistas de hoje mais naturalmente de capazes de comunicar com um vasto público.

A sua produção poética assumiu desde o momento da sua aparição, a década de 70, um compromisso ideológico e social, firmando como missão a denúncia satírica da imbecilidade e da miséria humanas. Filho do estilo livre e arrebatado de Álvaro de Campos, posto agora ao serviço de uma praxis cívica, a sua poesia, cultivando também a expressão do erotismo, não recusa ser datada, indignando-se permanentemente com a alienação do Homem, nunca perdendo a convicção de que "tudo/ ainda depende de nós".

Bibliografia: "O Pássaro no Espelho", "A Morte Absoluta", "Poemas de Perfil", "Amor Combate", "Canções de Ex cravo e Malviver", "Português Suave", "Os Olhos de Isa", "Os Dias da Serpente", "O Livro da Noite", "O Amor Infinito", "Fly", "Sonetos Perversos", "Os Herdeiros do Vento", "Caderno de Exorcismos", "Peixe Náufrago", "Mas.", "Por Outras Palavras", "À Mesa do Amor", "Vou me Embora de Mim".

20.10.10

O cúmulo das pensões de Cavaco Silva, Presidente da República de Portugal, um mau exemplo para os portugueses


Este nosso Portugal é um país em que infelizmente os cidadãos são carneirinhos, obedecem cegamente aos decisores políticos do Bipartido PS/PSD. Por isso, mereciam uma resposta adequada da população a exemplo do que está a acontecer em FRANÇA.

OS POLÍTICOS PS/PSD COMEM TODOS DO MESMO TACHO, MAS PEDEM SACRIFÍCIOS AOS OUTROS...

Até este cavalheiro...

O EXEMPLO PRESIDENCIAL, ANÍBAL CAVACO SILVA

Actualmente recebe três pensões pagas pelo Estado:

4.152,00 - Banco de Portugal.

2.328 ,00 - Universidade Nova de Lisboa.

2.876,00 - Por ter sido primeiro-ministro.

9.356,00 - TOTAL ( 1 875 709 $ 60 )

Podendo acumulá-las com o vencimento de P. R.


Porque será que não se cortaram estes PRIVILÉGIOS que este e outros ECONOMISTAS (e que passaram por governos e Banco de Portugal) acumulam descarada e vergonhosamente e ainda têm a desfaçatez e distinta lata de ir para as Televisões recomendar cortes nos salários de quem vive apenas do seu trabalho, redução de pensões (para os outros, claro!), para quem tem APENAS UMA pensão que lhe dê para viver com dignidade!!!!!!!!!

Afinal quem estará a provocar a "famigerada" falência da Segurança Social apregoada por esses senhores???

Novo livro do padre Mário, «O Novo Livro da Sabedoria», é lançado amanhã na Unicepe ( dia 21 de Out. às 21h.)


Apresentação de 'O Livro da Sabedoria', do Padre Mário de Oliveira - 21 de Outubro, quinta-feira, 21 horas , na UNICEPE, no Porto

A apresentaçãodo novo livro do Padre Mário, editado pelo ediumeditores, será feita por António Figueiredo de Oliveira.

Autor do Livro “Fátima Nunca Mais” e de outras obras polémicas, o Padre Mário de Oliveira bate-se por um cristianismo e por uma Igreja que sejam Boa Notícia para a Humanidade.

Sobre a obra:
Para estes novíssimos Tempos que são os nossos, de prolongada e generalizada Escolaridade Obrigatória, em que abundam, como cogumelos depois das chuvas, tantos Mestres e tantos Doutores, tantos Economistas e tantos Engenheiros, tantos Deputados e tantos Ministros, Tantas Leis e tantos Polícias, tantos Filósofos e tantos Psicólogos, tantos Biblistas e tantos Teólogos, tantos Cientistas e tantos Pastores de Igreja, tantos Gurus e tantos Astrólogos, tantos Ateus e tantos Agnósticos, tantos Crentes e tantas Fés, tantos Craques de Futebol e tantos Estádios de Futebol, tantos Milhões Acumulados /Concentrados e tantos Povos Crucificados, faz falta, como o pão para a boca, uma Palavra fecundamente Maiêutica como esta.

O Livro da Sabedoria, que a Edium Editores aqui dá à luz, é o mais recente trabalho do conhecido e saudavelmente não-alinhado Padre Mário de Oliveira, o mesmo Autor de Novo Livro do Apocalipse ou da Revelação (Setembro 2009).

Esta sua Obra Maior, de alcance universal, chega na Hora H.
Ponham sabiamente de lado Preconceitos e Boatos, postos cirurgicamente a circular contra o Autor e mastiguem cada um dos muitos versículos com que se tecem os 50 capítulos deste Livro, todo ele escrito de raiz para esta Hora.
Quem sabe se, ao procedermos assim, ainda vamos a tempo de Mudarmos de Ser-Viver-Actuar na História e, desse modo, garantimos Futuro ao nosso Presente, gritantemente à beira de Implosão?!


UNICEPE - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL
Praça de Carlos Alberto, 128-A
4050-159 PORTO
Telefone (351) 222 056 660
Unicepe@net.novis.pt
http://www.unicepe.blogspot.com/
http://www.unicepe.com/

Visita guiada à Mouraria (dia 23 de Outubro, às 10h.)


Sábado, 23 de Outubro, entre as 10:00 - 11:30

Visita guiada à Mouraria

Da sua origem à actualidade multicultural e bairrista – 900 anos de história - Percurso pela freguesia de São Cristóvão e São Lourenço.

Sem reservas. Basta aparecer. Partidas garantidas. Boa disposição garantida.

Walking Tours – no need to book – Just turn up.

Encontro: Às 10 h no largo Martim Moniz, junto à Igreja da Sra. da Saúde.

Preço: 7 euros por adulto.



O movimento Renovar a Mouraria surgiu da iniciativa de um grupo de moradores e amigos da Mouraria, bairro histórico de Lisboa, com o objectivo de chamar a atenção dos responsáveis políticos e sociais para a situação em que o bairro se encontra.



Cicloficina no Porto, todas 5ªfeiras da terceira semana de cada mês


Cicloficina - todas as vésperas da penúltima 6ª do mês

Local: Casaviva, Porto
Praça Marquês de Pombal, 167 - porto

Têm uma bicicleta em casa, mas não está boa para andar?
Gostavam de conhecer malta que gosta tanto de biclas como vocês?
Querem aprender a sujar as mãos e fazer as vossas próprias afinações e reparações?
A Cicloficina é isto tudo e muito mais, um punhado de utilizadores de bicicletas no dia-a-dia que aparece uma vez por mês na CasaViva para fazer coisas simples como mudar uma câmara de ar ou remendar um furo, encher os pneus, afinar os travões ou as mudanças, regular a altura do selim ou apertar umas porcas e parafusos.

http://cicloficina.wordpress.com

19.10.10

Mineiros chilenos dizem que não são heróis, mas vítimas de empresas que ganham milhões!


HINO DOS MINEIROS DE ALJUSTREL


Nas minas de Aljustrel...
Morreram muitos mineiros, vê lá!
Vê lá companheiro, vê lá!
Vê lá como venho eu...

Trago a cabeça aberta...
Que me abriu uma barreira, vê lá!
Vê lá companheiro, vê lá!
Vê lá como venho eu...

Trago a camisa rota...
E sangue de um camarada, vê lá!
Vê lá companheiro, vê lá!
Vê lá como venho eu...

Santa Barbara bendita...
Padroeira dos mineiros, vê lá!
Vê lá companheiro, vê lá!
Vê lá como venho eu...

Fonte:
http://farpakultural.blogspot.com/





Mineiros chilenos dizem que não são heróis, mas sim vítimas de empresas e empresários que ganham milhões, sem cuidar da segurança dos seus assalariados.
Para ler a notícia:
AQUI



Santa Bárbara - Hino dos Mineiros


Conversa com Jorge Valadas, e exposição de Ursula Zanger na Casa da Achada ( dia 23 de Outubro, às 16h.)


Sábado, 23 de Outubro, 17:00h
Itinerários - uma conversa com Jorge Valadas
Um percurso: de Lisboa a Paris, nos anos 60; hoje entre Paris e Tavira; do trabalho manual ao trabalho intelectual; mudar a vida, mudar o mundo – o emigrante, o imigrado, o militante, o autor de livros em francês, com ou sem pseudónimo, também sobre Portugal.


Sábado, 23 de Outubro, 16:00h
Inauguração da Exposição de Fotografia «Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes vistos por Ursula Zangger»
Com a presença da autora.

Até 8 de Novembro de 2010.

O Centro Mário Dionísio encontra-se na Casa da Achada, sedeada na Rua da Achada, nºs 11 r/c e 11B, em Lisboa, na Mouraria, na freguesia de S. Cristóvão e S. Lourenço, perto da Praça da Figueira.

Meia dúzia de banalidades sobre esta e outras sociedades de classe ( texto do Colectivo Hipátia)


Texto integral e os principais pontos apresentados à discussão pelo Colectivo Hipátia nas JORNADAS ANARQUISTAS E ANARCOSINDICALISTAS


A organização social do capitalismo tradicional, de mercado, alterou-se em grande parte. Agora, ao passo que a produção industrial absorve cada vez menos massas de operários, crescem as concentrações de trabalhadores nos serviços. A agro-indústria foi-se, a pouco e pouco, impondo à agricultura de subsistência. (ponto 18)

Com base numa superior capacidade produtiva, a necessidade de assegurar a fluidez das mercadorias fez crescer cada vez mais a concentração de serviços de comércio, banca e seguros. Essa mesma necessidade de protecção fez também crescer a tropa de choque policial, privada ou do Estado, até se tornar numerosa e influente quanto o próprio exército. (ponto 19)

A extensão da escola a uma cada vez maior massa de crianças e de jovens não tem que ver com uma apregoada cada vez maior qualificação do trabalho, pelo contrário cada vez menos exigente em competências e saberes e antes reduzido a formas estereotipadas e repetitivas de execução, mas a essa necessidade de libertação de mão-de-obra e controlo. (ponto 29)

A importância do trabalho para o capital significa a importância do próprio sistema do salariato. Assalariar é já subjugar. E lutar por assegurar uma sobrevivência fora do sistema de salariato é já atingi-lo no que ele tem de mais essencial. A divisa de Auschwitz «o trabalho liberta» ilustra esta importância. (ponto 36)

Lutar contra o trabalho é assegurar o triunfo sobre a colonização da vida de cada pessoa, que a reduz a peça avulsa de um mundo que lhe é alheio. Fulano ou fulana tornaram-se não a pessoa que são, em si próprias, com a sua riqueza e multiplicidade de saberes, competências, reflexões e afectos, mas meras designações de profissão. (ponto 37)

Quer a reinvenção de formas de sobrevivência que reciclam a dissipação e alienação do modo de vida dominante, quer a criação de formas horizontais e colaborantes do exercício de uma actividade de partilha e troca que assegure sobrevivência e empreste mais-valia à comunidade exemplificam que é possível viver a vida doutra maneira. (ponto 38)

Uma das formas mais importantes desta dissipação é o próprio desenvolvimento produtivista, que faz do chamado progresso um objectivo em si mesmo, sem atender de forma racional a que necessidades ele corresponde e a que preço se faz impor, muitas vezes arrasando as próprias comunidades, e trazendo o desespero e a miséria. (ponto 40)

De facto, à medida que, cada vez mais, o tão afamado progresso foi lançando para fora do processo produtivo cada vez mais massas de gente em progressivo empobrecimento, o lugar central da resistência anti-capitalista foi-se deslocando cada vez mais também para fora da grande fábrica ou empresa de serviços, cuja luta se resume sobretudo a manter o emprego. (ponto 45)

Por isso defendemos a luta social em todas as formas por que ela se manifesta, na relação laboral e fora dela, na divulgação do pensamento libertário, na luta por um modo de vida não predatório da própria natureza, contra as formas de coacção violenta e os aparelhos militares nacionais e planetários, nas lutas de emancipação sexual, contra o progresso tecnológico a todo o preço. Não somos anarco-sindicalistas, mas partilhamos um lugar na barricada dos que combatem a opressão hierárquica, económica, e de todos os tipos. (ponto 50)

Porto, 13 de Outubro de 2010
Colectivo Hipátia

* Texto (em 50 pontos) discutido e aprovado no Colectivo Hipátia a propósito das Jornadas Anarquistas e Anarcosindicalistas do Porto. O texto, pela sua extensão, dificulta a discussão na forma proposta na organização das jornadas, pelo que só propomos os pontos acima em destaque.
Durante a discussão no Colectivo Hipátia foi considerado deixar este texto em aberto para posterior nova discussão e enriquecimento em alguns pontos (o papel do pensamento utópico precursor da crítica à sociedade opressiva; o capitalismo de Estado e suas variedades – exemplos dos modelos da União Soviética e da China actual; o lugar na escola no mundo do capitalismo actual).

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Meia dúzia de banalidades sobre esta e outras sociedades de classe


Nascimento do proletariado moderno

1. O surgimento da máquina a vapor e o desenvolvimento de forças motrizes capazes de substituir a tracção animal vieram possibilitar a partir dos fins do séculos XVII e sobretudo a partir do século XVIII a concentração de meios capazes de uma produção industrial em larga escala que até aí nunca fora possível.

2. Esta concentração beneficiava agora das grandes rotas comerciais abertas a partir do século XVI, da atitude religiosa mais tolerante para com o mundo dos negócios trazida pelo Reformismo e, sobretudo, da existência de um campesinato desapossado e empobrecido, sem meios certos de sobrevivência.

3. Todas estas condições foram propícias à criação de um proletariado industrial numeroso, concentrado, a quem os frutos do trabalho eram extorquidos em longas e penosas jornadas, em ambientes insalubres e sob a disciplina de uma organização laboral de carácter hierárquico e para-militar.

4. A própria condição operária ficava ainda refém, para além de recursos curtos de sobrevivência, da existência de uma reserva de desapossados disponíveis para o trabalho, os quais os detentores dos meios de produção se propunham usar como forma de pressão sobre os que tinham trabalho.

5. Ainda assim foi essa própria concentração operária, com a comunicação permanente que permitia entre os assalariados, a contaminação com os ideais de liberdade que aqui e ali surgiam contra os restos do regime feudal e o pensamento utópico de homens livres, que ajudaram a despertar a consciência de si próprios como classe explorada – o proletariado.

6. As organizações operárias - os sindicatos, em particular - através das suas lutas, foram conseguindo então amenizar as duras condições de existência, tais como a duração da jornada de trabalho, os períodos de descanso, a assistência à doença e à velhice, conquistas estas obtidas com sofrimento e mesmo martírio, contra a resistência adversa e a violência.

7. Como horizonte da luta dos trabalhadores apontava-se a revolução social, isto é, havia uma consciência de que só fora do quadro da sociedade hierárquica de classes seria possível um mundo de liberdade e equidade. Tudo o mais eram apenas formas de mitigar a situação de miséria e opressão para uns, opulência e poder para outros.


Uma nova forma de capitalismo

8. Mas a própria organização dos proletários trouxe também com ela a pretensa necessidade de especialistas que, pouco a pouco, se foram retirando dos locais de trabalho para se concentrarem nas suas funções de discussão com os patrões e da organização de cada vez mais pretensos protestos.

9. À medida que a força proletária ia crescendo, a importância destes dirigentes para o desfecho das lutas, na óptica dos patrões, ia também crescendo, tornando-se pouco a pouco parceiros respeitados de negociação, cada vez mais alheios às necessidades reais da classe de onde tinham emergido.

10. Para muitos tornou-se necessária esta elite de dirigentes, por sua vez cada vez mais empenhados em justificar a sua função. As utopias da liberdade absoluta e da igualdade cederam lugar a uma via política mediatizada por estes dirigentes como caminho para alcançar a justiça social (o dito socialismo e a chamada ditadura do proletariado).

11. Para uns tratou-se de justificar a permanência da sociedade de classes tradicional, defendendo que a melhoria das condições de vida do proletariado deveria resultar da negociação e compromisso com os patrões. A via das reformas deveria conduzir, a pouco e pouco, diziam, a uma sociedade cada vez mais equitativa.

12. Para outros, tratou-se de defender a continuação da sociedade de classes de uma maneira menos evidente. Ao invés da via do diálogo, a sua escolha seria antes a do confronto e defesa de uma nova forma de organização da sociedade, cuja direcção era agora assegurada em nome das massas trabalhadoras, embora excluindo estas da tomada de decisões.

13. A chegada ao poder desta ideologia numa relativamente grande economia do mundo, que os próprios apelidavam de “comunismo”, proporcionou uma cultura de expansão e triunfo na defesa destas formas de organização estratificada, elas mesmo reproduzindo a organização para-militar que pontificava nas fábricas.

14. Os meios então à disposição destas elites dirigentes do proletariado em outros pontos do mundo foram-lhes permitindo sobreviver e reforçar-se, na ilusão de grande parte dos trabalhadores de que eram eles sobretudo quem representava a resistência ao capital quando, na verdade, não eram senão a tropa de choque de uma nova forma de organização daquele.

15. Na verdade, nos países onde esta ideologia tinha tomado o poder, por entre esforços inenarráveis impostos aos trabalhadores e diante de uma militarização cada vez mais acentuada, a única coisa que evoluiu não foi a situação subalterna e de miséria daqueles, mas apenas o desenvolvimento de grandes forças produtivas assentes na sobre-exploração.

16. Contrapondo-se ao capitalismo tradicional, inclusive através de meios bélicos, crescia aqui uma economia cada vez mais voltada apenas para as necessidades do Estado e alheia às das massas, segundo propósitos que eram previamente definidos por um plano rígido e arbitrário.


Evolução da dominação do capital

17. Este novo mundo era agora o de uma economia não apenas transnacional mas verdadeiramente global, assente na fluidez das comunicações e na recomposição do trabalho e da própria produção, que lhe foram trazidos por revoluções sucessivas, primeiro mecânica e depois cibernética, cada vez mais influentes.

18. A própria organização social do capitalismo tradicional, de mercado, tinha-se alterado em grande parte. Agora, ao passo que a produção industrial absorvia cada vez menos massas de operários, cresciam as concentrações de trabalhadores nos serviços. A agro-indústria foi-se, a pouco e pouco, impondo à agricultura de subsistência.

19. Com base numa superior capacidade produtiva, a necessidade de assegurar a fluidez das mercadorias fez crescer cada vez mais a concentração de serviços de comércio, banca e seguros. Essa mesma necessidade de protecção fez também crescer a tropa de choque policial, privada ou do Estado, até se tornar numerosa e influente quanto o próprio exército.

20. A introdução de processos de produção mecânicos cada vez mais automatizados foi libertando cada vez mais trabalhadores dos processos produtivos nas economias do centro do mundo capitalista, ao mesmo tempo que, nas suas periferias, a concentração de trabalhadores ia aumentando, ocupada em tarefas esgotantes ou perigosas.

21. O recurso inexorável a novos meios de produção fará, contudo que, por sua vez, também esta massa de trabalhadores possa ser dispensada e se converta num enorme exército industrial de reserva, ao mesmo tempo que a produção de mercadorias em função do mercado se tornará cada vez mais supérflua e incongruente.

22. Esta produção realizada não em função da necessidade das pessoas mas do lucro, acarretando crises sucessivas de superprodução, não pode senão originar, cada vez mais, e ao mesmo tempo, ao lado da abundância o desperdício e a fome, e a continuação demente do esgotamento das fontes de energia que foram antes consideradas praticamente eternas.

23. Não admira que face à ideia de «desenvolvimento», considerado um fim em si mesmo, levando ao perigo de não-sobrevivência o próprio planeta, se suceda já hoje uma tentativa capitalista que procura reduzir os efeitos nefastos da política de sobre-exploração dos recursos para assegurar a possibilidade de continuar a sua dominação.


O capitalismo além da produção de objectos

24. Mas a organização da própria sociedade industrial do capitalismo evoluiu de uma forma tal que, muitas vezes, permanece praticamente invisível àqueles que apenas lhe reconhecem o carácter de actividade de rapina na esfera produtiva ou especulativa/financeira. Muito para além disso, ele diversificou a sua actividade a outros domínios.

25. Os empreendimentos económicos há muito saltaram fora dos trilhos de uma mera produção de objectos. Para além das indústrias tradicionais, quer sejam as de consumo para o Estado - em armamento, por exemplo -, quer sejam as de consumo para as pessoas - roupas, mobília, etc. -, surgem agora as novas indústrias de modelação da própria vida.

26. Surgem indústrias cada vez mais ambiciosas na educação e na saúde, por exemplo. A necessidade de assegurar, por via da escassez cada vez maior da mais-valia retirada dos trabalhadores, obriga a multiplicar e diversificar uma produção massiva que procura constantemente novos mercados e novos consumidores.

27. A massa de consumidores é ampliada a cada vez mais categorias: crianças e adolescentes, mercados longínquos, etc.. Tal como no mundo da produção planificada do capitalismo de Estado se sucediam as campanhas de produção, no capitalismo de mercado sucedem-se as campanhas de consumo: Natal, Dia da Mãe, do Pai, disto e daquilo…

28. A abundância derivada da exploração dos trabalhadores e do esgotamento da natureza permitiu uma acumulação tal que, a partir de certa altura, e no sentido de manter a sua forma essencial – a desigualdade e hierarquia – passou a ser possível dispensar das tarefas produtivas uma cada vez maior massa de gente.


O lugar do trabalho no modo de produção capitalista

29. A extensão da escola a uma cada vez maior massa de crianças e de jovens não tem que ver com uma apregoada cada vez maior qualificação do trabalho, pelo contrário cada vez menos exigente em competências e saberes e antes reduzido a formas estereotipadas e repetitivas de execução, mas a essa necessidade de libertação de mão-de-obra e controlo.

30. Mas se o capitalismo procura, por um lado, assegurar o preço mínimo da força de trabalho, por outro lado ele sabe que só uma sociedade assente no trabalho assalariado lhe permite perpetuar todo um sistema de produção baseado na desigualdade em que, por princípio, ele mesmo assenta.

31. Ter ou não ter trabalho é apresentado como uma distinção social que premeia os “diligentes” em desfavor dos “menos capazes”. A narrativa fantasiosa sobre o próprio modelo de opressão ajuda, por sua vez, a justificar as narrativas não menos fantasiosas sobre a própria acumulação primitiva do capital.

32. Alicerçada com base no saque dos próprios povos ou de povos mais longínquos, a acumulação que permitiu o impulsionar das formas modernas da exploração capitalista em desfavor do sistema feudal é, ela já, em si mesma, sub-produto de uma sociedade classista, globalmente desigual – a vários títulos – e hierarquizada.

33. Nenhuma sociedade humana pode viver sem a interdependência dos seus membros, assegurando a funcionalidade daquela através da repartição de tarefas, quer estas sejam trabalho manual ou intelectual. Um e outro concorrem para a organização social que torna viável a vida em comunidade.

34. A desigualdade do valor do trabalho, justificada por que uns acumulam nas suas tarefas uma elevada quantidade adicional de trabalho morto, enquanto noutros esse trabalho acumulado é residual, é em si mesma uma fundamentação que, de modo idêntico, justifica a acumulação primitiva do capital.

35. Não há valor intrínseco superior de uma qualquer forma de trabalho relativamente a outra. Todas as prestações à comunidade têm exactamente o mesmo valor de dádiva e partilha, como bem se pode ver em núcleos humanos colaborativos (ao invés de competitivos), como por exemplo em qualquer grupo de afinidade.

36. A importância do trabalho para o capital significa a importância do próprio sistema do salariato. Assalariar é já subjugar. E lutar por assegurar uma sobrevivência fora do sistema de salariato é já atingi-lo no que ele tem de mais essencial. A divisa de Auschwitz «o trabalho liberta» ilustra esta importância.

37. Lutar contra o trabalho é assegurar o triunfo sobre a colonização da vida de cada pessoa, que a reduz a peça avulsa de um mundo que lhe é alheio. Fulano ou fulana tornaram-se não a pessoa que são, em si próprias, com a sua riqueza e multiplicidade de saberes, competências, reflexões e afectos, mas meras designações de profissão.

38. Quer a reinvenção de formas de sobrevivência que reciclam a dissipação e alienação do modo de vida dominante, quer a criação de formas horizontais e colaborantes do exercício de uma actividade de partilha e troca que assegure sobrevivência e empreste mais-valia à comunidade exemplificam que é possível viver a vida doutra maneira.


Um capitalismo que invade todas as esferas da vida

39. Assim também essa mesma necessidade de assegurar a permanência da dominação hierárquica e desigual “obriga” à dissipação dos recursos na publicidade, no turismo, na produção de inutilidades, na multiplicação dos eventos desportivos, e do mundo do espectáculo, e em toda uma panóplia de actividades deste e doutros géneros.

40. Uma das formas mais importantes desta dissipação é o próprio desenvolvimento produtivista, que faz do chamado progresso um objectivo em si mesmo, sem atender de forma racional a que necessidades ele corresponde e a que preço se faz impor, muitas vezes arrasando as próprias comunidades, e trazendo o desespero e a miséria.

41. Pelo volume de negócios realizado, pela introdução artificial de determinados modos de vida, uma das principais indústrias do mundo de hoje, absolutamente central e vital para o capitalismo, é a indústria do entretenimento, capaz de gerar necessidades e cumplicidades artificiais, simulacros de felicidade que entorpecem e se tornam o ópio dos nossos dias.

42. O papel tradicional da religião enquanto bloqueador da acção e da reflexão social está morto. Mas a sociedade de classes encontrou os substitutos à altura, quer se chamem futebol ou música rock (ou seja lá o que for), desde que formas de massificação alheias ao exercício da lógica e da consciência individual e colectiva.

43. Não se trata aqui da formação e diversidade do gosto estético, da emoção, e da partilha desse gosto ou emoção. Trata-se da pulsão consumista obsessiva, trata-se do castramento da própria pulsão criativa, trata-se da aceitação submissa das massas aos tiques e escolhas dos seus ídolos. E isto reflecte-se nos mais variados domínios, incluindo a política.

44. Mesmo para aqueles que não foram capazes de o ver antes, quando os anarquistas insistiam no seu carácter de totalidade, hoje salta à vista que a dominação central é sobretudo hierárquica e civilizacional e não apenas económica e focalizada numa mera exploração económica do proletariado, seja o que for que hoje o represente.

45. De facto, à medida que, cada vez mais, o tão afamado progresso ia lançando para fora do processo produtivo cada vez mais massas de gente em progressivo empobrecimento, o lugar central da resistência anti-capitalista foi-se deslocando cada vez mais também para fora da grande fábrica ou empresa de serviços, cuja luta se resume sobretudo a manter o emprego.


Os novos focos de resistência possível

46. Massas proletarizadas de gente sem emprego ou emprego precário ocupam hoje cada vez mais o lugar central da resistência social que antes coube ao proletariado fabril. Este processo arrasta mais do que só os trabalhadores que perderam o seu emprego ou que detêm um em condições penosas e que, pela sua própria situação, os amarram de pés e mãos.

47. Acantonada em locais que lhe permitem grande convivência comunicacional, transformada em exército laboral de reserva essencial ao funcionamento do sistema capitalista, a massa dos alunos em situação de pré-inserção na vida económica, representa agora uma força social crescente com grande capacidade potencial de resistência.

48. Por um lado sujeita ao embrutecimento e manipulação sistemáticos que espera de uma sua fracção o papel dirigente e a reprodução do modelo em que cresceu, reside nela também a disponibilidade de tempo e a revolta contra um mundo que sabe nada ter a dar-lhe a não ser perspectivas incertas de sobrevivência e uma mais que certa insatisfação.

49. É este também o lugar dos artistas e intelectuais que não se limitam a aproveitar as benesses dadas pela proximidade do poder, seja ele ditado pelas escolhas das altas instâncias do Estado, seja ele expresso nas pequenas oportunidades aqui e ali geradas pelo poder autárquico ou outros poderes em busca dos seus elementos decorativos e de elegância.

50. Por isso defendemos a luta social em todas as formas por que ela se manifesta, na relação laboral e fora dela, na divulgação do pensamento libertário, na luta por um modo de vida não predatório da própria natureza, contra as formas de coacção violenta e os aparelhos militares nacionais e planetários, nas lutas de emancipação sexual, contra o progresso tecnológico a todo o preço. Não somos anarco-sindicalistas, mas partilhamos um lugar na barricada dos que combatem a opressão hierárquica, económica, e de todos os tipos.

Porto, 13 de Outubro de 2010
Colectivo Hipátia

17.10.10

Manifestação em Paris contra a alteração da idade da reforma

A CNT francesa na manifestação em Paris contra a alteração da idade da reforma










Ocupação de um supermercado em Avranches (16 de Outubro)



Polícias disfarçados de vândalos a partir montras de rua

É preciso viver ( Il Faut Vivre, na voz de Serge Reggiani)



IL FAUT VIVRE
Voz:Serge Reggiani


Il faut vivre, l'azur au-dessus comme un glaive
Prêt à trancher le fil qui nous retient debout
Il faut vivre partout, dans la boue et le rêve
En aimant à la fois et le rêve et la boue
Il faut se dépécher d'adorer ce qui passe
Un film à la télé, un regard dans la cour
Un coeur fragile et nu sous une carapace
Une allure de fille éphémère qui court
Je veux la chair joyeuse et qui lit tous les livres
Du poète au polar, de la Bible à Vermot
M'endormir presque à jeun et me réveiller ivre
Avoir le premier geste et pas le dernier mot
Étouffer d'émotion, de désir, de musique
Écouter le silence où Mozart, chante encore
Avoir une mémoire hypocrite, amnésique
Réfractaire aux regrets, indulgente aux remords

Il faut vivre, il faut peindre avec ou sans palette
Et sculpter dans le marbre effrayant du destin
Les ailes mortes du Moulin de la Galette
La robe de mariée où s'endort la putain

Il faut voir Dieu descendre une ruelle morne
En sifflotant un air de rancune et d'espoir
Et le diable rêver, en aiguisant ses cornes
Que la lumière prend sa source dans le noir
Football, amour, alcool, gloire, frissons, tendresse
Je prends tout pêle-mêle et je suis bien partout
Au milieu des dockers dont l'amarre est l'adresse
Dans la fête tzigane et le rire bantou
On n'a jamais le temps, le temps nous a, il traîne
Comme un fleuve de plaine aux méandres moqueurs
Mais on y trouve un lit et des chants de sirènes
Et un songe accroché au pas du remorqueur
Jamais ce qui éteint, jamais ce qui dégoûte
Toujours, toujours, toujours, ce qui fait avancer
Il faut boire ses jours, un à un, goutte à goutte
Et ne trouver de l'or que pour le dépenser
Qu'on s'appelle Suzanne, Henri, Serge ou que sais-je
Quidam évanescent, anonyme, paumé
Il faut croire au soleil en adorant la neige
Et chercher le plus-que-parfait du verbe aimer

Il faut vivre d'amour, d'amitié, de défaites
Donner à perte d'âme, éclater de passion
Pour que l'on puisse écrire à la fin de la fête
Quelque chose a changé pendant que nous passions

16.10.10

V Marcha Ecocultural pelas Arribas do Douro realiza-se no próximo 31 de Outubro



No próximo dia 31 de Outubro realiza-se em Trabanca ( localidade situada na província de Castilla, Espanha) a V Marcha Ecocultural Arribes del Duero-Trabanca que percorrerá cerca de 11 km pao longo das Arribas do rio Douro

Será uma boa ocasião para conhecer a flora e fauna do Parque Natural das Arribas do Douro.
Estão abertas as inscrições

Para saber mais: AQUI

Passeio e safari fotográfico pela Serra da Peneda. A iniciativa é da Associação dos Amigos do Mindelo



A Associação dos Amigos do Mindelo promove no próximo dia 23 de Outubro um passeio e um safari fotográfico pela Serra da Peneda
Saia de casa, com bom calçado e máquina fotográfica e vá fotografar cogumelos e conhecer belas cascatas na Serra da Peneda.
O percurso pedestre é feito durante todo o dia ao longo de um rio. Traga PIC-NIC e água.
O ponto de encontro é às 10.00 da manhã no Parque de Campismo de Lamas de Mouro.

Inscreva-se em
ecoturismo.09@gmail.com

Inclui seguros e guia.