6.6.10

Entre Línguas - documentário sobre as regiões raianas na fronteira entre os territórios dos Estados português e espanhol


Entre Línguas - um filme-documentário de João Aveledo, Eduardo Maragoto, e Vanesa Vila-Verde sobre algumas regiões raianas na fronteira entre os territórios dos estados de Portugal e o de Espanha, e que acabou de ser lançado.

http://agal-gz.org/blogues/index.php/entrelinguas/


Ao longo da fronteira com Portugal, desde a Província de Zamora até a de Badajoz, existem quatro territórios que, por diferentes vicissitudes históricas, possuem actualmente soberania espanhola e conservam uns dialectos muito semelhantes ao galego. No transcurso do documentário Entre Línguas os vizinhos destas quase sempre pequenas vilas contam-nos como vivem a sua mais forte peculariedade e conversam sobre os motivos para continuarem a falar como ainda falam e cantam, ou todo o contrário.

Entre línguas contém filmagens feitas ao lobgo de vários pontos da fronteira hispano-portuguesa, onde vivem falantes de uma variante do português «castelhanizado» ou dum castelhano aportuguesado. Os pontos e núcleos urbanos onde se realizaram as filmagens que compõem o documentário são : Calabor (Zamora); Alamedilla (Salamanca); Eljas, Valverde del Fresno, San Martín de Trevejo y Herrera de Alcántara (Cáceres); y La Codosera, Olivenza, San Benito de la Contienda y Táliga (Badajoz). Para ver o mapa destas regiões: AQUI

5.6.10

A luta de classes está de volta ( texto de Boaventura Sousa Santos)


Cidadãos europeus, Uni-vos!
(texto de Boaventura Sousa Santos, publicado na revisa Visão de 2 de Junho)

A luta de classes está a voltar, sob nova forma, mas com a violência de há cem anos: agora é o capital financeiro a declarar guerra ao trabalho

Os dados estão lançados, o jogo é claro e quanto mais tarde identificarmos as novas regras mais elevado será o custo para os cidadãos europeus. A luta de classes está de volta à Europa e em termos tão novos que os actores sociais estão perplexos e paralisados. Enquanto prática política, a luta de classes entre o trabalho e o capital nasceu na Europa e, depois de muitos anos de confrontação violenta, foi na Europa que ela foi travada com mais equilíbrio e onde deu frutos mais auspiciosos. Os adversários verificaram que a institucionalização da luta seria mutuamente vantajosa: o capital consentiria em altos níveis de tributação e de intervenção do Estado em troca de não ver a sua prosperidade ameaçada; os trabalhadores conquistariam importantes direitos sociais em troca de desistirem de uma alternativa socialista.

Assim surgiram a concertação social e seus mais invejáveis resultados: altos níveis de competitividade indexados a altos níveis de protecção social; o modelo social europeu e o Estado Providência; a possibilidade, sem precedentes na história, de os trabalhadores e suas famílias poderem fazer planos de futuro a médio prazo (educação dos filhos, compra de casa); a paz social; o continente com os mais baixos níveis de desigualdade social.

Todo este sistema está à beira do colapso e os resultados são imprevisíveis. O relatório que o FMI acaba de divulgar sobre a economia espanhola é uma declaração de guerra: o acumulo histórico das lutas sociais, de tantas e tão laboriosas negociações e de equilíbrios tão duramente obtidos, é lançado por terra com inaudita arrogância e a Espanha é mandada recuar décadas na sua história: reduzir drasticamente os salários, destruir o sistema de pensões, eliminar direitos laborais (facilitar despedimentos, reduzir indemnizações).

A mesma receita será imposta a Portugal, como já foi à Grécia, e a outros países da Europa, muito para além da Europa do Sul. A Europa está a ser vítima de uma OPA por parte do FMI, cozinhada pelos neoliberais que dominam a União Europeia, de Merkel a Barroso, escondidos atrás do FMI para não pagarem os custos políticos da devastação social.

O senso comum neoliberal diz-nos que a culpa é da crise, que vivemos acima das nossas posses e que não há dinheiro para tanto bem-estar. Mas qualquer cidadão comum entende isto: se a FAO calcula que 30 mil milhões de dólares seriam suficientes para resolver o problema da fome no mundo e os governos insistem em dizer que não há dinheiro para isso, como se explica que, de repente, tenham surgido 900 mil milhões para salvar o sistema financeiro europeu? A luta de classes está a voltar sob uma nova forma mas com a violência de há cem anos: desta vez, é o capital financeiro quem declara guerra ao trabalho.

O que fazer? Haverá resistência mas esta, para ser eficaz, tem de ter em conta dois factos novos. Primeiro, a fragmentação do trabalho e a sociedade de consumo ditaram a crise dos sindicatos. Nunca os que trabalham trabalharam tanto e nunca lhes foi tão difícil identificarem-se como trabalhadores. A resistência terá nos sindicatos um pilar mas ele será bem frágil se a luta não for partilhada em pé de igualdade por movimentos de mulheres, ambientalistas, de consumidores, de direitos humanos, de imigrantes, contra o racismo, a xenofobia e a homofobia.
A crise atinge todos porque todos são trabalhadores.

Segundo, não há economias nacionais na Europa e, por isso, a resistência ou é europeia ou não existe. As lutas nacionais serão um alvo fácil dos que clamam pela governabilidade ao mesmo tempo que desgovernam. Os movimentos e as organizações de toda a Europa têm de se articular para mostrar aos governos que a estabilidade dos mercados não pode ser construída sobre as ruínas da estabilidade das vidas dos cidadãos e suas famílias. Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular do capital financeiro ou o futuro é o fascismo e terá que ser combatido por todos os meios.

Pelo fim do bloqueio a Gaza (comunicado distribuído hoje por várias associações, no dia de solidariedade mundial com a população martirizada de Gaza)




PELO FIM DO BLOQUEIO A GAZA

A solidariedade com a população de Gaza está hoje nas ruas em centenas de cidades de todo o mundo, numa acção global para travar o bloqueio e a impunidade dos crimes contra os direitos humanos.

Condenamos o bloqueio imposto à população da Faixa de Gaza de há 3 anos para cá, alegadamente por motivos de segurança, na realidade causando e agravando a cada dia a situação de extrema carência daquela população.

O recente ataque em águas internacionais à flotilha “Gaza Livre” pelo exército israelita, causando pelo menos 9 mortos e vários feridos entre os activistas que traziam ajuda humanitária à população da Faixa de Gaza, representa mais uma violação inaceitável das convenções internacionais e dos direitos humanos. a começar pelo direito à vida d@s habitantes da Faixa de Gaza e d@s que @s tentam auxiliar. Não pode passar impune. Não podemos ficar indiferentes.

A ajuda humanitária é cada vez mais urgente para a sobrevivência da população de Gaza, reduzida por força do bloqueio económico e territorial à dependência quase total do auxílio externo. Com cerca de 1.5 milhões de pessoas a Faixa de Gaza é a área do mundo mais densamente povoada onde 8 em cada 10 palestinianos vive abaixo do limiar da pobreza.

Defendemos o fim das violações repetidas às convenções internacionais, aos acordos firmados, às resoluções das Nações Unidas por parte do Estado de Israel e o fim da insuportável negação diária dos mais básicos direitos humanos. Mas também queremos que termine a indiferença – quando não a conivência – da comunidade internacional, que as condena por palavras, mas aceita pela sua não-intervenção.

Contra o esquecimento, pelo fim do bloqueio de Gaza.

Subscrevem: APRE, Casa Viva, CNT-Porto, Comité de Solidariedade com a Palestina, Associação ESSALAM, FERVE, GAIA, Movimento Popular de Desempregados e Precários, Movimento de Solidariedade com a Palestina, PAGAN, Panteras Rosa, SOS Racismo, UMAR.


http://www.witnessgaza.com/

4.6.10

Estado de excepção - crónica de Manuel António Pina

Estado de excepção
Crónica de Manuel António Pina publicada no Jornal de Notícias de 3 de Junho de 2010

Um Estado de Direito caracteriza-se (ou caracterizava-se antes da fulgurante chegada do ministro Teixeira dos Santos à doutrina jurídico-política) pelo primado da lei. E pelo primado da Constituição sobre as leis comuns.

Soube-se ontem porém que, no particular entendimento de Teixeira dos Santos do que seja um Estado de Direito, uma coisa em forma de assim chamada "desafio dos mercados" ou o que Teixeira dos Santos acha que é o "bem público", ou até as conveniências práticas dos serviços do seu ministério, estão acima das leis e da Constituição.

A Constituição afirma solenemente que "ninguém pode ser obrigado a pagar impostos (...) que tenham natureza retroactiva"? Teixeira dos Santos puxa dos "mercados" e, em nome do "bem público", que entretanto definiu, e dos misteriosos "mercados", derroga, zás!, a Constituição.

Até porque respeitar a Constituição e a lei daria trabalho ("implicaria duas liquidações do IRS"), o que é "impensável". Na verdade não é "impensável". As cadeias estão cheias de gente que pensa que é mais fácil (e temos que reconhecer que é) não cumprir a lei do que ter trabalho.

Conferência de Edgard Leuenroth sobre o Movimento Operário, proferida em 1965 no Centro de Cultura Social em São Paulo



O tema da conferência é a história da organização operária em São Paulo.

Edgar Leuenroth foi um dos maiores nomes do movimento operário do Brasil. Para saber mais:

http://segall.ifch.unicamp.br/site_ael/
recollectionbooks.com


"...Mas é justamente por isso que devemos ir ao passado, porquê para se conseguir formular um juízo da situação do proletariado hoje, da organização dos trabalhadores e da sua situação atual na atividade sindical é preciso que se conheça o que se fez no passado. E o que resultou de tudo isso? Exatamente muitas das coisas, muitos dos defeitos, muitas das falhas do momento e que são resultantes da falta de conhecimento do que se fez no passado para o aproveitamento das experiências de todos os militantes desses anos todos que se passaram...(Edgar Leuenroth)"


Para consultar mais material sobre a história do movimento operário no Brasil:
Centro de Cultura Social de São Paulo - http://www.ccssp.org/ccs/

Um outro sindicalismo é possível: a tertúlia Liberdade organiza sessão sobre sindicalismo (dia 5/6 às 21h30 na Galeria Zé dos Bois, Lisboa)

Amanhã, sábado, dia 5 de Junho, pelas 21,30h, a Tertúlia Liberdade, promove uma sessão sobre o SOC (Sindicato dos Operários do Campo da Andaluzia) na Livraria Letra Livre, na Galeria Zé dos Bois, situada na Rua da Barroca, 5 no Bairro Alto.

Nessa sessão teremos oportunidade de mostrar fotografias do SOC e da sua actividade, que se estende pelos campos da Andaluzia, através da acção directa numa luta constante pelos 20.000 camponeses associados, com resultados assinaláveis e sem privilégios para os activistas.

Só assim tem sido possível, ocupar latifúndios, organizar cooperativas agrícolas e de habitação para os camponeses e introduzir uma dinâmica anti-capitalista nas zonas rurais. Iremos estabelecer um debate com todos os presentes para esclarecermos esta realidade tão desconhecida e tão diferente do que se passa por cá.

Faleceu Diego Gimenez Moreno, anarquista e ex-combatente na guerra civil espanhola

Morreu no passado dia 2 de Junho, aos 99 anos, o anarquista, ex-combatente da guerra civil espanhola e militante do Centro de Cultura Social de São Paulo, Diego Gimenez Moreno.
Nascido em 10 de abril de 1911, em Jumilla, província de Múrcia, Diego engaja-se aos 17 anos no movimento anarquista espanhol e em seguida na Guerra Civil. Ferido em combate, é hospitalizado e em seguida, com a vitória franquista, encarcerado no campo de concentração Mauthausen, na Áustria. Uma experiência que descreveu no seu livro Mauthausen – campo de concentração e de extermínio (São Paulo, Edições Hispanoamericanas, 1975, 236pp). Escapa para França, chegando em seguida ao Brasil em 1942, onde participa ativamente das atividades anarquistas na cidade de São Paulo.
Diego trazia um mundo novo em seu coração. Durante uma conferência no CCS pronunciada em 2001, declarou: “O patrão não se discute, suprime-se!”
Exemplo de uma existência libertária, deixa um enorme vazio; mas parte após ter semeado muitas primaveras.Mesmo subtraído ao olhar dos amigos, sua glória perdura na nossa memória, pois a recordação dos grandes homens não é menor que sua presença.


O Centro de Cultura Social de São Paulo é o remanescente de uma prática comum do movimento libertário no Brasil. Tem como principal objetivo o aprimoramento intelectual, a prática pedagógica e os debates públicos. Para tanto lança mão de meios como palestras, cursos, seminários, filmes, peças teatrais, entre outros, além de manter um acervo de arquivo e biblioteca voltada principalmente para o anarquismo.
Desenvolve assim formas de ação e de formação de militantes e de livres pensadores, tendo sido comum a formação de diversos centros de cultura ou congêneres no primeiro meado do século XX.
A finalidade do CCS é, inclusive estatutariamente, estimular, apoiar e promover nos meios populares o estudo de todos os problemas que se relacionam com a questão social, não somente de cunho anarquista mas de maneira plural, havendo o especial cuidado de manter-se distante de qualquer instrumentação externa,seja de partidos políticos ou não.

All My Independent Women - exposição colectiva patente na Casa da Esquina em torno do livro Novas Cartas Portuguesas




Está patente na CASA DA ESQUINA, em Coimbra, até ao dia 18 de Junho, a quinta edição da exposição All My Independent Women.

Do encontro, por um lado com a Casa da Esquina e por outro com o livro Novas Cartas Portuguesas de Maria Velho da Costa, Maria Isabel Barreno e Maria Teresa Horta, surgiu a vontade de realizar pela quinta vez o projecto All My Independent Women, projecto artístico que procura problematizar as questões de género. A vontade de voltar a trabalhar com quem recebe o projecto de braços abertos e o nutre como seu, e de reler colectivamente esse livro, marco do feminismo em Portugal levou, assim, à recuperação da experiência colectiva das Cartas; aqui em Coimbra, e com cerca de 40 participantes procura-se a construção de uma nova subjectividade, procura essa que retoma a linha da paixão, paixão que será o próprio objecto e exercício, porque o objecto da paixão é mesmo pretexto, pretexto para nele ou através dele, definirmos, e em que sentido, o nosso diálogo com o resto.


EXPOSIÇÃO:
O projecto AMIW, mais do que uma mera exposição, é uma plataforma de pensamento feminista que se formaliza irregularmente em diversos pontos do país. A maioria dos projectos realizar-se-ão na Casa da Esquina, mas outros serão “fora de portas” e outros ainda acontecerão no ambiente virtual do Second Life. A exposição terá uma forte vertente internacional com a presença de artistas da Alemanha, Áustria, Itália e dos Países Baixos.
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PUBLICAÇÃO:
Aproveitar-se-á a ocasião para a edição de uma publicação da autoria de Carla Cruz e Virgínia Valente que introduz leituras e relacionamentos possíveis ao projecto AMIW e aos gestos de cada artista/performer/pensadora; cruzando contribuições visuais, cartas do livro Novas Cartas Portuguesas, e também ensaios e provocações escritas especificamente para o evento. Com a re-edição do pré-prefácio e prefácio de 1980 às Cartas, por Maria de Lourdes Pintasilgo.

PERFORMANCES (realizadas e a realizar):
21 Maio: CASA DA ESQUINA: 21H30 Carla Cruz: Que Quem Esteja Ferido Não Se Recolha, Antes Despeje o Seu Sangue no Mundo. // 22HOO Rita Rainho: Flexão I. QUEERemos.
29 Maio: TEATRO DE BOLSO: 21H30: Projecto Gentileza: Projeccão de Biting Song.
O5 Junho: TEATRO DE BOLSO: 21H30: Micaela Maia: Ela só queria ser arrebatada.
12 Junho: TEATRO DE BOLSO: André Alves: 21H30: Sentidos Privados.

CINEMA:
CASA DA ESQUINA: todas as Quintas às 21H30:
Durante o período do projecto a CASA DA ESQUINA em colaboração com as associações parceiras, promoverá um ciclo de cinema alusivo ao tema do feminismo como forma de pensar as questões de género não só históricamente mas também nos nossos dias.

DEBATES:
CASA DA ESQUINA: Sextas e Sábados – conversas em torno dos feminismos.
Uma série de encontros, mesas redondas e aulas abertas serão organizadas em colaboração com diversos grupos como a UMAR, o NIGEF, o Núcleo de Estudos de Democracia, Cidadania Multicultural e Participação do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, o Programa em Estudos Feministas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e a CASA DA ESQUINA em colaboração com a artista Carla Cruz, em torno da produção colectiva das Novas Cartas Portuguesas e da sua pertinência no contexto artístico/literário e político português - especificamente no trabalho de carácter feminista - 40 anos depois, das questões de género enquanto relação de poder na política, na sociedade e na cultura. Pretende-se também discutir o feminismo na sua essência e a sua pertinência no mundo actual no combate à discriminação de género.

CONTEXTUALIZAÇÃO:
Este projecto de divulgação e promoção de arte de cariz feminista/género foi iniciado em 2005 pela artista Carla Cruz. All My Independent Women surgiu do convite de Lígia Araão para expor no espaço SMS – Museu de Arqueologia da Sociedade Martins Sarmento em Guimarães. A proposta foi fazer uma exposição colectiva em torno de obras de artistas que trabalham numa perspectiva feminista ou sobre noções de género, obras que de alguma forma faziam parte do contexto da produção artística da artista. O Dicionário de Crítica Feminista, editado por Ana Gabriela Macedo e de Ana Luísa Amaral serviu de fio condutor da exposição. A exposição foi depois apresentada na livraria 100ª Página em Braga, a convite de Ana Gabriela Macedo para o lançamento do dito Dicionário; no espaço EIRA 33 a convite de João Manuel Oliveira, em Lisboa; e na Casa da Cultura da Trofa a convite de Antónia Serra. A ideia de refazer o projecto All My Independent Women surgiu da releitura do livro Novas Cartas Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa. Este mítico livro, marco da causa feminista em Portugal, é o ponto de partida para um projecto de novas criações que pretendem discutir a temática feminista tanto nos trabalhos de cada autor, como a perspectiva espacio temporal da história de Novas Cartas Portuguesas. Partindo deste livro e dos acontecimentos que o envolveram, estabelecemos uma reflexão sobre o feminismo em Portugal e a arte feminista, o projecto tomará a forma das propostas das(os) diversas(os) artistas convidadas(os), que passará pelas linguagens visual, performativa, sonora e escrita e acontecerá em vários espaços da CASA DA ESQUINA, espaços públicos e espaços parceiros nas cidades de Coimbra, Porto e até mesmo na realidade virtual da internet, nomeadamente do Second Life. Futuramente o projecto será apresentado em em Viena, Áustria, numa colaboração com a VBKÖ (Associação Austríaca de Mulheres Artistas) a convite de Rudolfine Lackner.


APOIOS:
CES, CMC, FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN, GESTO COOPERATIVA CULTURAL, REPÚBLICA MARIAS DO LOUREIRO, TEATRO DE BOLSO, UMAR, UC.

Conversa sobre Mulheres e Resistência na Casa da Esquina ( dia 5 de Junho, às 18h., Coimbra)


A Casa da Esquina, em Coimbra, promove no próximo sábado pelas 18h a conversa MULHERES E RESISTÊNCIA com

Shahd Wadi (investigadora),

Margarida Viegas (República Rosa Luxemburgo)
e Fátima Cavalho (Sindicato dos têxteis).

Já pelas 21:30 teremos a performance de Micaela Maia "Ela só queria ser arrebatada".

Esperamos a vossa presença!

Casa da Esquina
R. Aires de Campos 6
3000 Coimbra

Deliberação fria versus deliberação quente: o caso do debate público sobre a auto-estrada de Génova (Conferência no CES em Coimbra / dia 8/6)

Conferência - Deliberação fria vs. deliberação quente: O caso do debate público sobre a auto-estrada de Génova

Luigi Bobbio, Universidade de Turim, Itália

8 de Junho de 2010, 15:00, Sala de Seminários do CES, Coimbra

Entrada livre – Os participantes terão um certificado de participação


Apresentação

A maioria dos democratas deliberativos sugere que a deliberação deverá ser efectuada em espaços protegidos, entre cidadãos aleatoriamente seleccionados, de modo a assegurar uma abordagem fria e racional da questão e garantir que os participantes representam a comunidade em geral. Pelo contrário, o modelo de debate público francês sobre infra-estruturas de grandes dimensões baseia-se em reuniões abertas e na participação colectiva. A participação é desequilibrada. O confronto quente tende a prevalecer sobre a deliberação. No entanto, o instrumento parece conseguir apresentar todos os argumentos relevantes sobre a infra-estrutura (“faire le tour des arguments”) e permitir alguma discussão sobre a respectiva validade.

O dilema entre a deliberação quente e fria será abordado através da análise do primeiro caso de debate público de “estilo francês” que teve lugar em Itália, sobre o projecto de uma auto-estrada em Génova. Irei considerar as características do instrumento com base nesta experiência: o conflito que originou o debate, a independência da comissão responsável pela execução, a organização do processo e a transparência da informação, a mobilização das comunidades locais, o desequilíbrio da participação dos cidadãos, o dilema entre o “como" e o “se” do projecto, e entre a deliberação e o confronto, e, finalmente, o resultado do debate. Por último, irei discutir os prós e contras deste mecanismo em comparação com os mecanismos inspirados pela deliberação fria.


Referências

Bobbio, L. (2010), “Il dibattito pubblico sulle grandi opere. Il caso dell’autostrada di Genova”, Rivista Italiana di Politiche Pubbliche, n.1.

Fung, A. (2003), “Survey article: Recipes for public spheres: Eight institutional design choices and their consequences”, The Journal of Political Philosophy, 11, pp. 338-367.

Fourniau, J.-M. (2001), “Information, Access to Decision-making and Public Debate in France: the Growing Demand for Deliberative Democracy”, Science and Public Policy, 28, 6, pp. 441-445.

Hendriks, C. M. - Dryzek, J. S., Hunold, Ch. (2007), “Turning Up the Heat: Partisanship in Deliberative Innovation”, Political Studies, 55, pp. 362–383


Sobre o exemplo em análise, ver: AQUI

Textos e Mitos da Antiguidade Clássica - curso de Verão na Fac. de Letras da Universidade de Lisboa


Para saber mais informações sobre este e outros cursos de Verão promovidos pelo Centro de Estudos Clássicos da Fac. de Letras da Universidade de Lisboa:

www.fl.ul.pt/unidades/centros/cec/Verao2010.html

3.6.10

Pic-Nic global pelo decrescimento, pela igualdade social e sustentabilidade ecológica, e por uma vida simples e solidária ( dia 6, em Lisboa e Lagos)

Foto da Conferência pelo Decrescimento económico e pela igualdade social e sustentabilidade ecológica realizada em Barcelona no passado mês de Março


No próximo dia 6 de Junho ( Domingo) realiza-se a nível global um Pic-Nic pelo Decrescimento Sustentável e por uma vida simples e solidária por decisão da 2ª Conferência Internacional do Decrescimento económico e pela igualdade social e sustentabilidade ecológica ( The 2nd international conference on economic degrowth for ecological sustainability and social equity) realizada em Barcelona no passado mês de Março.





Em Portugal a acção global pelo Decrescimento vai ter duas realizações, uma em Lisboa e outra no Algarve.


ALGARVE
Mata de Barão São João
Lagos
A partir das 14h


LISBOA
Em Belém, na zona arborizada em frente aos Pastéis de Belém, em Lisboa
A partir das 15h


Tragam comida para partilhar, pratos, talheres (sem ser de plástico por favor) e vontade de conversar


A vida pós-crescimento: por uma economia para todos

Filme realizado por Leah Temper and Claudia Medina, com o apoio da Fundació Autònoma Solidària, e da Universitat Autònoma de Barcelona

A crise económica de 2008 mostra até que ponto o tão propalado crescimento económico dos países assenta em bases falsas, além de não impedir - e até por promover - o desemprego e o aumento da insegurança profissional e económica de todos nós.

A receita dos economistas do sistema é sempre a mesma: crescer, não parar de crescer...!!!

Esta receita é um atentado à economia real. Daí o desenvolvimento de um movimento social que alastra um pouco por todo o mundo e que reivindica o Decrescimento sustentável para relocalizar a economia e torná-la mais próxima das pessoas.

Contacto:lifeaftergrowth@gmail.com

A próxima Feira de Trocas na Junta de freguesia de S. Nicolau, no Porto, realiza-se já no Sábado ( dia 5 de Junho, entre as 15h e 18h.)


A Casa da Horta, no Porto, em conjunto com o GAIA e com o apoio da Junta de Freguesia de São Nicolau realiza mensalmente uma Feira de Trocas. No primeiro Sábado de cada mês podes montar uma banca com coisas que queiras trocar!

Para realizar a Feira de Trocas disponibilizamos um espaço onde as pessoas trocam ente elas produtos, serviços e saberes sem o uso de dinheiro, de uma forma solidária. Esta feira funciona com trocas directas e indirectas.
Nas trocas directas, trocas os teus bens ou serviços com outra pessoa que também queira trocar contigo.
As trocas indirectas acontecem quando alguém se interessa por alguma coisa tua mas não tem nada que te agrade para efectuarem a troca. Então utiliza-se uma moeda fícticia (o Feijão) para permitir a troca: recebes Feijões no valor que deste ao teu produto e podes usá-los para trocar com outra pessoa ou numa próxima feira
Para participares neste evento, deves trazer contigo produtos em boas condições de uso ou oferecer serviços e saberes.Se quiseres montar a tua banca, basta preencheres uma ficha de inscrição e recebes 5 Feijões, que podes utilizar nas trocas indirectas.

Podes inscrever-te na Feira de Trocas no próprio dia (mediante a disponibilidade de mesas no local) ou com antecedência enviando um e-mail para casadahorta@pegada.net , com o teu nome, contacto, e as trocas que pretendes fazer (o que levas e o que procuras).

A feira de Trocas realiza-se no espaço multiusos da Junta de Freguesia de S.Nicolau, Rua Nova da Alfândega nº 25 das 15:00h às 18:00h.

Aparece!

Piquenique auto-organizado na Horta Popular ( hoje, dia 3 de Junho, a partir das 19h., em Lisboa)




Esta semana, o jantar popular é substituído por um piquenique auto-organizado na Horta Popular da Mouraria!
Local: Calçada do Monte, à Graça, em Lisboa.

O que é um Piquenique Auto-organizado?
- Uma refeição comunitária vegana e livre de transgénicos em que cada um traz uma comida e come também as outras comidas!
- Um exemplo de consumo responsável, com ingredientes que respeitam o ambiente, a economia local e os animais.
- Uma oportunidade para criar redes, trocar conhecimentos e pensar criticamente


Nas conversas inspiradas pela bonita paisagem e pelo final da tarde, iremos abordar os trágicos acontecimentos protagonizados por Israel e como pode cada um@ de nós contribuir para uma sociedade pacífica, com sã convivência entre todas as pessoas, etnias, povos

31.5.10

Concentração hoje às 17h30 frente à Embaixada de Israel contra o massacre perpetrado pelo exército israelita sobre a frota de ajuda humanitária a Gaza

Concentração hoje (31/5), às 17h30, frente à Embaixada de Israel (Rua António Enes - metro Saldanha) contra mais um acto terrorista do Estado de Israel: desta vez as vítimas foram activistas humanitários e a frota que levava ajuda para a população martirizada de Gaza



http://www.witnessgaza.com/






CALL FROM GAZA FOR GLOBAL RESPONSE TO KILLINGS ON THE FREEDOM FLOTILLA

We, Gaza based Palestinian Civil Society Organizations and International activists, call on the international community and civil society to pressure their governments and Israel to cease the abductions and killings in Israel’s attacks against the Gaza Freedom Flotilla sailing for Gaza, and begin a global response to hold Israel accountable for the murder of foreign civilians at sea and illegal piracy of civilian vessels carrying humanitarian aid for Gaza.


We salute the courage of all those who have organized this aid intervention and demand a safe passage through to Gaza for the 750 people of conscience from 40 different countries including 35 international politicians intent on breaking the Israeli-Egyptian blockade. We offer our sincerest condolences to family and friends who have lost loved ones in the attack.


By sailing directly to Gaza, outside of Israeli waters, with cargo banned illegally by Israel, such as the 10,000 tonnes of badly needed concrete, toys, workbooks, chocolate, pasta and substantial medical supplies, the flotilla is exercising international law and upholding article 33 of the Geneva Convention which clearly states that collective punishment is a crime against humanity.


The hardships of Israel’s closure of Gaza have been well documented by all human rights groups operating, most recently by Amnesty International in their Annual Human Rights Report concluding that the siege has “deepened the ongoing humanitarian crisis. Mass unemployment, extreme poverty, food insecurity and food price rises caused by shortages left four out of five Gazans dependent on humanitarian aid. The scope of the blockade and statements made by Israeli officials about its purpose showed that it was being imposed as a form of collective punishment of Gazans, a flagrant violation of international law.” The United Nations continuously states that only a fraction of the required aid is entering the Strip due to what it calls ‘the medieval siege’, with John Ging the Director of UNRWA in Gaza specifically expressing the need for the Flotilla to enter Gaza. The European Union’s new foreign affairs minister Catherine Ashton has just reiterated its call for, “an immediate, sustained and unconditional opening of crossings for the flow of humanitarian aid, commercial goods and persons to and from Gaza.”


The people of Gaza are not dependent people, but self sufficient people doing what they can to retain some dignity in life in the wake of this colossal man-made devastation that deprives so many of a basic start in life or minimal aspirations for the future.


We, from Gaza, call on you to demonstrate and support the courageous men and women on the Flotilla and join the many now murdered on a humanitarian aid mission. We insist on severance of diplomatic ties with Israel, trials for war crimes and the International protection of the civilians of Gaza. We call on you to join the growing international boycott, divestment and sanction campaign of a country proving again to be so violent and yet so unchallenged. Join the growing critical mass around the world with a commitment to the day when Palestinians are entitled to the same rights as any other people, when the siege is lifted, the occupation is over and the 6 million Palestinian refugees are finally granted justice


Press Contacts:

Dr Haidar Eid: One Democratic State Group and University Teachers’ Association

Dr Mona El Farra: Middle East Children’s Alliance, Gaza 00.972(0)598.868.222

Adie Mormech: International Solidarity Movement 00.972(0)597.717.696

Max Ajl: Gaza Freedom March 00.972(0)597.750.798


Signatory Organisations:

The One Democratic State Group

University Teachers Association

Arab Cultural Forum

Palestinian Students’ Campaign for the Academic Boycott of Israel

Association of Al-Quds Bank for Culture and Info

Popular Committee against the Wall and Settlements

International Solidarity Movement

Palestinian Network of Non-Governmental Organisations

Palestinian Women Committees

Progressive Students Union

Medical Relief Society

The General Society for Rehabilitation

Gaza Community Mental Health Program

General Union of Palestinian Women

Afaq Jadeeda Cultural Centre for Women and Children

Deir Al-Balah Cultural Centre for Women and Children

Maghazi Cultural Centre for Children

Al-Sahel Centre for Women and Youth

Ghassan Kanfani Kindergartens

Rachel Corrie Centre, Rafah

Rafah Olympia City Sisters

Al Awda Centre, Rafah

Al Awda Hospital, Jabaliya Camp

Ajyal Association, Gaza

General Union of Palestinian Syndicates

Al Karmel Centre, Nuseirat

Local Inititiative, Beit Hanoun

Union of Health Work Committees

Red Crescent Society Gaza Strip

Beit Lahiya Cultural Centre

Al Awda Centre, Rafah

30.5.10

Ontem realizou-se mais um passeio pela Avenida, a grande especialidade ( e sucesso) da CGTP


E pronto, lá fui eu passear-me pela Avenida, chamada de Liberdade, para lutar contra a injustiça social que se vive no país e pelo infame ataque aos mais fracos e desprotegidos que está a ser feito em nome da crise.

Ingenuamente quis acreditar que hoje pudesse ser diferente, que fosse uma manifestação de todos contra estas políticas, e não mais um desfile da CGTP que acabou em lindos discursos arrematados pelo obrigatório Hino Nacional.

Fui e não gostei porque se gritou mais CGTP, CGTP que palavras contra o governo. A palavra capitalismo parece que se tornou tabu, a participação dos não alinhados, dos que dizem coisas diferentes, como a palavra "capitalismo", são rodeados pelos "stuarts" da manifestação e forçados a desfilar no passeio.

De Greve Geral não se falou e ficou em aberto a possibilidade de todas as formas de luta permitidas pela Constituição (como se na véspera da Manifestação já não o fossem). Não se sabe para quando, como se não fosse agora a hora de as fazer. Não se sabe quais, como se não fosse a hora de serem todas começando pela Greve Geral.

Uma jornada que devia ter sido de luta e foi simplesmente mais uma de propaganda.

Fui, porque todos nunca seremos demais para acabar com a injustiça e a miséria, voltarei a ir porque pouco é melhor que nada, mas acredito que é preciso fazer muito mais.

Aliás, passeios destes já acontecem há muitos anos e os trabalhadores continuam a ver os seus direitos e poder de compra cada vez mais reduzidos.


Texto e imagem retirados de:
http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/

Apresentação da reedição do Discurso sobre o Filho-da-Puta, de Alberto Pimenta, com a presença do autor (na livraria-bar Gato Vadio, hoje, às 17h.)




http://gatovadiolivraria.blogspot.com/

Livraria-bar Gato Vadio
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016
email: gatovadio.livraria@gmail.com

“[…] Ao longo do DISCURSO percebemos a reincidência de certos recursos estilísticos, tais como a elipse, o polissíndeto, a anáfora, a palavra-puxa-palavra, etc., que só vêm reforçar a sua estrutura enquanto discurso obediente às regras da gramática e do beletrismo da literatura em língua portuguesa. Assim, mais do que a desintegração, acentuamos a prática subversiva de desfiguração do código, o que vai consolidar a sátira contundente a toda a herança cultural que pesa sobre os nossos ombros. […]”
Do posfácio de Eduardo Kac à edição brasileira de 1983, ed. Codecri.



Discurso Sobre o Filho da Puta pertence a um autor que fará da absoluta irreverência o seu traço distintivo. Nesta obra, o processo iconoclasta passa pela introdução de uma linguagem transgressora e pela paródia de géneros, nomeadamente do discurso ensaístico ("de como o filho da puta existe e praticamente se encontra em todos os lugares, do pouco que se sabe acerca dele, de como os trajes e a conformação física não bastam para o definir, alguns traços distintivos do filho da puta, seus gostos e lugares que ocupa, modos de o filho da puta ser filho da puta" etc.), compondo um discurso aparentemente lógico, fortemente estruturado e até corroborado por notas de rodapé.
Ao longo destas páginas, o prosador propõe-se desmontar, de forma violenta e humorada todos os itens que configuram o "filho da puta", um conceito que nunca é definido com precisão, mas onde se concentram todos os símbolos de situações e seres institucionalizados, de tudo o que é burguês, kitsch, convencional ou falso.

25.5.10

Capitalistas atacam os trabalhadores: salários baixam na Grécia, Portugal e Espanha


Capitalistas atacam os trabalhadores.: salários baixam na Grécia, Portugal e Espanha

Com a actual crise mundial, que se manifestou em 2008 inicialmente nos EUA e que agora se aprofunda na União Europeia, fica claro que o capitalismo não é capaz mais de manter as condições já precárias em que vivem os trabalhadores neste sistema de produção, até mesmo nos países mais privilegiados por uma acumulação anterior.

Nos EUA, na Inglaterra e na Europa em geral, graças à anterior super-exploração colonial dos trabalhadores da América Latina, África e Ásia, conseguiam-se sustentar uma série de vantagens para boa parte da sua classe trabalhadora. Isto fazia com que largas camadas dos trabalhadores desses países se adaptassem ao sistema capitalista e dessem sustentação aos partidos reformistas, trabalhistas ou social-democratas, aliados dos patrões.

Basta observar alguns factos recentes que mostram o rumo desesperado que toma conta da classe trabalhadora à escala mundial. Nos EUA, na economia mais rica do planeta, de 2008 para cá, desapareceram nada menos que 8 milhões de empregos. A chamada breve "recuperação”que foi anunciada como se a crise já houvesse passado, conseguiu criar apenas 500 mil empregos. E antes que o falso optimismo conseguisse crescer e convencer alguém, já se manifestaram as consequências europeias da crise norte-americana que parecem mais devastadoras ainda.

Se no caso norte-americano assistimos à falência apenas de uma série de bancos, na verdade, diversos Estados dos EUA possuem dívidas que já são consideradas gravíssimas, não tendo tomado maiores dimensões graças ao apoio provisório do governo Federal que não permite a decretação de falências estatais. Mas, diversos Estados e cidades norte-americanas assistiram as suas fábricas sendo fechadas sistematicamente, criando zonas semi-desérticas povoadas por desempregados.

Porém, por outro lado, o que vem ocorrendo na Europa? Estados como a Grécia, Portugal, Irlanda, Itália e Espanha mostram-se em situações gravíssimas, com dívidas enormes em relação à totalidade do que esses países produzem, o seu PIB (Produto Interno Bruto). No caso da Europa, existe a União Europeia, que seria uma espécie de nação européia única composta hoje por 27 Estados membros. Trata-se de um sonho que começou a ser elaborado um pouco após a Segunda Grande Guerra, em 1951, que visava, pouco a pouco, superar os Estados Nacionais e, sobretudo, os conflitos nacionalistas económicos-políticos catastróficos que levaram à morte de pelo menos 30 milhões de pessoas, claro que, em geral, vindas da classe operária.

No entanto, como se retornássemos no tempo, longe de uma verdadeira solidariedade, vemos a União Europeia reproduzir dentro de si os conflitos pré-Segunda Guerra. Os países com forças produtivas mais desenvolvidas foram massacrando as economias mais frágeis, quebrando os seus sistemas produtivos graças à abertura dos mercados e, agora, aqueles que estão à beira da falência são socorridos parcialmente, mas, ao mesmo tempo, ameaçados de expulsão caso não obedeçam a programas de severa “austeridade”.

Evidentemente, a chamada “austeridade” exigida pelos países mais poderosos recai directamente sobre a classe trabalhadora dos países semi-falidos. Em troca das ajudas que serão concedidas, Grécia, Portugal e Espanha, assim como os outros, terão que fazer cortes nas aplicações orçamentárias destinadas a finalidades sociais. Além disso, claro, entre as medidas exigidas, as principais são sempre reduzir aposentadorias e baixar os salários, fora que com os cortes orçamentários vem sempre o aumento do desemprego.

Na última semana de Maio , destacam-se as medidas a serem tomadas pela Espanha. A situação da Espanha, como se sabe, já é gravíssima, com um desemprego que chega a 20%, um déficit fiscal de 11,2 % e uma dívida pública de 53,2 %, ambos em relação ao PIB produzido durante o ano de 2009. Ora, estando nessas condições péssimas, tinha uma previsão de crescimento de apenas 1,8% em 2010, índice totalmente insuficiente para sair da crise. Porém, com as medidas que o país foi obrigado a tomar, o PIB deve crescer ainda menos este ano, prevendo-se somente o índice de 1,3%.

Entre as medidas propostas já aprovadas na Espanha estão a redução de 5% nos salários do funcionalismo, congelamento em 2011, suspensão de reajustes nas aposentadorias, fim das aposentadorias parciais e outras medidas directamente voltadas contra os trabalhadores. Curiosamente, o governo dito “socialista” do primeiro ministro Rodriguez Zapatero, pressionado pelo sector mais à esquerda do seu partido, diz que pretende aprovar também um novo imposto para quem possui ganhos anuais acima de 1 milhão de euros, mas, esta proposta não foi ainda confirmada, sendo adiada provisoriamente.

Como já ocorreu e continua a ocorrer na Grécia, os protestos dos trabalhadores começaram a tomar conta das ruas da Espanha e tendem a se generalizar por toda a Europa. Mesmo os países credores que realizam os empréstimos, tais como a Alemanha, sofrem grandes pressões da população e dos trabalhadores, pois, afinal os empréstimos nada mais são do que mais-valia extraída também do suor da classe trabalhadora dos países exploradores.

Diante dessas situações que vivem os trabalhadores europeus e norte-americanos, mais do que nunca é possível objectivamente a construção da unidade mundial da classe trabalhadora. Ao contrário do que ocorria há algumas décadas atrás, quando sectores da classe operária mundial possuíam maiores diferenças em seus níveis de vida, hoje os problemas se aproximam e a uniformidade programática se universaliza mais concretamente.

Os ataques que os companheiros norte-americanos, portugueses, gregos, espanhóis hoje recebem nos seus salários, nos seus direitos mínimos, na sua garantia a um emprego digno, são os mesmos ataques sistemáticos que os trabalhadores brasileiros e latino-americanos já conhecem há muito tempo. Objectivamente, hoje, mais do que nunca, é possível a construção da unidade mundial dos trabalhadores de todo o mundo em defesa dos seus salários e em defesa dos seus empregos.

http://www.movimentonn.org/