Um blogue sobre os movimentos sociais, a ecologia, a contra-cultura, os livros, com uma perspectiva crítica sobre todas as formas de poder (económico, político, etc)
Foi inaugurado nesta semana na cidade alemã de Colónia um Memorial ( foto de cima) em homenagem aos desertores e que constitui o primeiro monumento aos desertores do exército alemão (Wehrmacht) durante a II Grande Guerra.
Segundo estimativas já conhecidas, o exército alemão sob comando de Hitler julgou e condenou à morte mais de 30.000 desertores das forças armadas ao serviço do estado alemão hitleriano, de cujo total foram executadas cerca de 20.000 condenações.
Apesar do monumento não fazer justiça a todos os desertores de todos os exércitos do mundo, aqueles homens e mulheres que rejeitaram a loucura militarista que é próprio de qualquer exército, a verdade é que se trata de um reconhecimento público implícito a todos os que desobedecem às ordens militares e abandonam as armas a favor de um mundo sem exércitos.
Árvores Urbanas - MOVIMENTO DE RECONHECIMENTO, PROTEÇÃO E RESPEITO ÀS ÁRVORES DAS CIDADES
A importância das árvores urbanas
1. melhoram o micro-clima, aumentam o conforto urbano e diminuem os consumos energéticos:
a) reduzem o vento
b) aumentam o ensombramento no Verão
c) diminuem o efeito da "ilha de calor"
d) aumentam a humidade atmosférica no Verão
e) reduzem o albedo
2. reduzem a poluição atmosférica absorvendo vários poluentes em suspensão
3. fixam CO2 e libertam O2
4. criam micro-habitats para a fauna, em especial aves e insectos
5. favorecem a infiltração das águas pluviais, podendo diminuir os caudais de cheia
6. enquadram e valorizam esteticamente as estruturas edificadas
7. dão variações de cor, forma e textura á cidade
8. aumentam a nossa sensação de bem-estar
9. aumentam o valor financeiro dos imóveis próximos
10. ligam-nos à "Natureza"...
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Informação:
Começam no próximo dia 9 de Setembro um ciclo de visitas guiadas no Jardim Botânico da Universidade de Lisboa (JBUL). O ciclo chama-se "Laços de Família" e ao todo serão 10 visitas temáticas diferentes.
Livros fundamentais para um amador de árvores em Portugal:
• Cabral, Francisco Caldeira e Telles, Gonçalo Ribeiro, 1999 - A ÁRVORE EM PORTUGAL. Assírio e Alvim. Lisboa É a "bíblia" para quem quer conhecer as árvores autóctones e tradicionais mais utilizadas em Portugal, realçando o seu enquadramento ecológico; fundamental ainda para perceber o que caracteriza uma árvore, e para saber "o que pretendemos" da árvore e como podemos atingir esses objectivos da forma mais adequada para a planta; indispensável.
• Humphries, C.J. et alli, 1996 para a edição portuguesa - GUIA FAPAS, ÁRVORES DE PORTUGAL E EUROPA. Fapas e Câmara Municipal do Porto. Porto É um guia de identificação, com edição original em inglês, mas muito bem traduzida e adaptada para português por um competente grupo de técnicos. Bons desenhos, textos claros, nomes correctos, fazem deste livro um dos tais indispensáveis para conhecer (e reconhecer) a maioria das árvores das nossas ruas e paisagens.
• Parret, Jean, 2001 para a edição portuguesa - A ÁRVORE. Colecção "o nome da árvore". Temas e debates. Lisboa É um pequeno livro, que se lê muito bem e que descreve as características essenciais e diferenciadoras das árvores, com particular clareza para o funcionamento e estrutura das mesmas.
• Câmara Municipal de Lisboa, 2005 - GUIA ILUSTRADO DE VINTE E CINCO ÁRVORES DE LISBOA. Câmara Municipal de Lisboa. Lisboa Com um design muito agradável e interessante ilustrações, este livro (quase uma brochura) mostra as características, locais onde se podem encontrar na cidade de Lisboa e algumas curiosidades sobre 25 espécies arbóreas marcantes nas ruas, jardins e parques da Capital.
• Araújo, Paulo Ventura et alli, 2006, 2ª edição - À SOMBRA DE ÁRVORES COM HISTÓRIA. Gradiva. Lisboa Um livro especial. Feito para as árvores que marcam a paisagem do Porto, deseja-se que possa vir a debruçar-se também sobre outras cidades do País. Descreve as espécies de uma forma muito interessante, mas concentra-se na história das mesmas, fazendo-nos reflectir que todas as actividades humanas têm um contexto temporal, espacial e ideológico, e que as árvores podem ser uma excelente forma de o analisar.
Termina hoje o festival Sons 09 na bonita aldeia de xisto Janeiro de Cima, no Fundão
Programa (Sujeito a alterações)
Sexta - 4 Setembro
22H00 - Hora do Conto 23H00 - Baile / Concerto VENTOS DA LÍRIA 01H00 - Jam session e Dj Folk
Sábado - 5 Setembro
10H00 - Visita e raid fotográfico á Lavaria das Minas da Panasqueira (Inscrições na bilheteira) 10H00 - Workshop de cozedura de pão em forno de Lenha Restaurante Fiado, Forno de Xisto ( (inscrição na bilheteira) 10H00 - Yöga 11H30 - Workshop de Danças Tradicionais: Viras & Outras Alexandre Matias
almoço
14H00 - Workshop de artesanato em materiais reciclados Agub 14H00 - Workshop de confecção de linho em teares tradicionais Casa das Tecedeiras 15H30 - Workshop de pinturas faciais PIMPIDU (todas as idades) 16H00 - Jogos tradicionais 16H00 - Corrida de barcas tradicionais na Praia Fluvial da Lavadeira (inscrição na bilheteira) 17H00 - Workshop de Danças Tradicionais: Bourrée's 3 Tempos Alexandre Matias
jantar
21H00 - Tertúlia XIS-Tema - Apresentação do Projecto Raiz d'Aldeia e conversa aberta sobre actividades de cultura tradicional na Rede de Aldeias do Xisto 22H00 - Concerto / Baile DEU LA DEU 23H00 - Hora do Conto 24H00 - Concerto / Baile FOL&AR 01H00 - Jam session e Dj Folk
Domingo - 6 Setembro
10H00 - Visita e raid fotográfico (inscrições na bilheteira) 10H00 - Workshop de construção em Xisto - inicio de construção de um muro, o muro do festival 10H00 - Yöga 11H30 - Workshop de danças tradicionais: Bretãs Alexandre Matias
almoço
14H00 - Workshop de artesanato em materiais reciclado - Agub (Praia Fluvial) 15H00 - Workshop de artesanato em Fitas de orelos (típicas da região) 16H00 - Jogos tradicionais 17H00 - Workshop de danças tradicionais: Quadrilhas do Poitou Alexandre Matias 18H30 - Concerto / Baile CABAZ
Workshops de Dança -Viras & Outras - Viras do Minho, Figuras, Passo Base, Dança a Dois e a Quatro -Bourrée's 3 tempos - Bourré Auvergne, Bourré Petite Voyageur, outras -Bretãs - Suite Plinn, Patch Pi, Rond de Landéda, Kost Ar C'hoad -Quadrilhas - Marchoises, Pas de Éte à Bozier, Avant Deux
Passeios de burro - Sábado e Domingo às 16h - esta actividade é extra festival e tem um custo de 2.5€ por participante.
A Plataforma dos Intermitentes formou-se em 2006 para chamar a atenção para a ausência de legislação sobre o regime laboral dos profissionais das Artes do Espectáculo e do Audiovisual e para a consequente precariedade vivida no sector.
Nos três últimos anos reunimos com todos os grupos parlamentares e o Governo, onde apresentámos e discutimos propostas sobre um possível enquadramento jurídico adequado às diferentes actividades profissionais.
Este esforço revelou-se inglório. Foi aprovada uma Lei para os Profissionais das Artes do Espectáculo que não enquadra o carácter descontínuo, temporário e irregular das actividades e marginaliza todas as profissões técnicas e técnico-artísticas.
Assim os profissionais continuam num sistema injusto, sem direitos legítimos como o subsídio de desemprego, responsáveis pelo seguro de acidentes de trabalho e sem um regime de segurança social adequado aos seus rendimentos e que os proteja.
No dia 9 de Setembro de 2009, às 18h iremos realizar o COCKTAIL INTERMITENTE
na esplanada do Clube Nacional de Natação,em Lisboa, Rua de São Bento, 209.
Estarão presentes os Profissionais do Espectáculo e do Audiovisual, dos diferentes sectores: Cinema, Dança, Teatro, Música.
Será feita a leitura de um comunicado, contextualizando a situação destes profissionais, e oradores falarão da situação específica de cada um dos sectores e de situações específicas que os atingem, como a perseguição dos artistas para liquidação do IVA de que estavam anteriormente isentos. Este evento cocktail será animado pelo Dj Nuno Lopes e Dj Mute.
Esta é uma data importante que marcará o início de uma nova luta exigindo que o novo Governo, independentemente da cor política, faça a revisão urgente da Lei 4/2008 de forma a incluir as características fundamentais das actividades destes profissionais, tendo acesso a um regime que os proteja e dignifique.
Não nos conformamos e não aceitamos como natural a precariedade em que nos encontramos e que continua a alastrar-se a todos os sectores. Exigimos uma verdadeira política cultural, com um Orçamento de Estado que o suporte (nunca houve um orçamento tão baixo como este, 0,3% do PIB). Os Profissionais do Espectáculo e do Audiovisual não podem continuar a ser ignorados – isso é reconhecer que a Cultura não é uma área prioritária.
O Governo não pode cometer o erro de, uma vez mais, nos votar ao esquecimento.
Acaba de ser traduzido e editado em Portugal o livro «Para salvar o planeta, livrem-se do capitalismo» do jornalista Hervé Kempf, responsável pela área do ambiente no jornal diário francês Le Monde. A edição portuguesa do livro ficou a cargo de uma nova editora, a Livre (http://livreedita.blogspot.com/)
Um outro mundo é não só possível como indispensável, e isso está ao nosso alcance. O capitalismo, após um reinado de 200 anos, metamorfoseou-se e entrou numa fase mortífera ao gerar simultaneamente uma grande crise económica e uma crise ecológica ainda de maiores proporções. Para salvar o planeta é preciso sair do capitalismo, reconstruindo uma sociedade em que a economia não é rainha, mas sim um meio onde a cooperação prevaleça face à competição, assim como a satisfação do bem comum tenha mais importância face à procura do lucro.
Este livro explica como o capitalismo de transformou ao longo dos anos de 1980 ao conseguir impôr o seu modelo comportamental individualista, marginalizando as lógicas colectivas. Ora para sair daí torna-se forçoso desmontar o condicionamento psíquico em que aquele modelo assenta.
A oligarquia no poder procura desviar a atenção do público para o desastre iminente fazendo crer que a tecnologia tudo pode fazer, inclusive evitá-lo. Esta ilusão mais não pretende que perpetuar o actual sistema de dominação. Como ilustram as reportagens demonstrativas realizadas pelo autor do livro, que é jornalista especializado em assuntos ambientais no conhecido diário francês Le Monde, o futuro não está na tecnologia, mas antes em novas práticas no relacionamento social entre indivíduos e grupos.
O que fará pender a balança, no futuro próximo, será a força e a rapidez que saibamos imprimir à exigência de solidariedade.
O anterior livro de Hervé Kempf, Como os ricos destroem o planeta, teve um enorme eco por todo o lado, tendo sindo traduzido em várias línguas, mas ainda não para português, o que acabou por acontecer com este seu último livro à data, Para salvar o planeta, livrem-se do capitalismo, onde se defende que o futuro está em aberto, tudo dependendo da nossa acção consciente.
7 de Setembro (2ª feira): acção pública de denúncia e de sensibilização contra a precariedade e a instabilidade de emprego na profissão docente.
NÚMEROS E PROPAGANDA DO GOVERNO sobre a colocação de professores SÃO UMA FARSA!
Acção de 7 de Setembro: locais de concentração
LisboaAv. 5 de Outubro, 11H00
PortoJunto à Estação do Metro da Trindade, 10H00
BragaAv. Central (junto às arcadas), 11H00
BragançaLargos dos Correios, 10H00
Viana do CasteloPraça da República, 11H00
AveiroLargo Dr. Jaime Magalhães Lima, frente à Biblioteca Municipal, 16H30
Castelo BrancoAv. Pedro Álvares Cabral (frente IEFP), 16H30
CoimbraPraça 8 de Maio ,16H30
GuardaLargo da Misericórdia - 16H30
LeiriaPraça Rodrigues Lobo ,14H30
ViseuRossio, 16H30
PortalegreJunto ao Plátano, 10H00
ÉvoraPraça do Giraldo, 11H00
BejaPortas de Mértola, 12H00
Por ser feriado em Faro no dia 7, a acção na capital do Algarve será realizada noutra data.
Os concursos para a colocação e contratação de professores, da responsabilidade do Ministério da Educação (ME), têm sido pretexto para um intenso mas nada rigoroso esforço de propaganda dos governantes. A proximidade de eleições parece ser um incentivo para deturpar os efeitos de medidas que o Governo tomou; mas a vontade de os embelezar não chega para alterar a natureza e o resultado das opções que o Governo fez. Mesmo que agora haja eleições por perto. PRECARIEDADE
A manipulação dos números dos concursos, procurando mostrar uma (inexistente) generosidade do Governo, já começou com a divulgação dos resultados da primeira fase, em Julho, momento em que foram conhecidos os novos ingressos de professores em lugares de quadro: 396 para todo o país, um número baixíssimo que espelha bem as verdadeiras opções de quem governa!
É importante lembrar que estas 396 entradas em quadro foram as primeiras desde 2006! É que o Governo legislou um estratagema para, ao contrário do que acontecia, evitar realizar concursos anuais para quadros. Diz que esta é uma forma de estabilizar os professores; na verdade é um expediente para não deixar entrar professores nos quadros.
Desde 2006 houve, entre outras situações, milhares de docentes que, chegados à altura em que o podiam fazer, foram para a aposentação. Acresce a isto o aumento de alunos no sistema; é o próprio ME que o afirma. No entanto, foram menos de quatrocentas as entradas em lugar de quadro decididas por esse mesmo ME.
Em 2006 entraram nos quadros, em concurso que era anual, acima de três mil docentes. Em 2005 foram quase três mil. Nos últimos três concursos antes do Governo ter interrompido o ajustamento anual, em média, três mil docentes ingressaram em quadro. Para o que já eram as necessidades dos alunos, as respostas que as escolas tinham de dar, bem como decisivos problemas estruturais, por exemplo ao nível das qualificações da população activa, era insuficiente tal número. Por isto mesmo, muitas respostas ficavam por dar e muitos professores acabavam por suprir necessidades permanentes das escolas e do sistema sem que lhes fosse atribuído o correspondente lugar de quadro Mas, por incrível que pareça, da média de três mil por ano passámos, com este governo e ao fim de dois anos sem ingressos em quadro, para 396 novos docentes em quadro!
Pelas regras que o Governo forjou, só daqui a quatro anos é que está previsto o próximo concurso para entradas em quadro. Ao fim de dois anos apenas 396; por vontade do actual governo só em 2013 voltaria a haver ingressos em quadro. No somatório de 2004, 2005 e 2006 entraram cerca de nove mil professores em quadro, número insuficiente para fazer face às necessidades permanentes do sistema. Por opção do governo de Sócrates/PS, em sete anos são criados menos de quatrocentos novos lugares de quadro.
O Governo tem esta opção. Não a declara, mas prefere trabalho em condições precárias, pior remunerado, com menos direitos, sem carreira ou melhorias salariais e facilmente "descartável". Em Julho, no mesmo momento em que reduzia a uma expressão mínima os ingressos em quadro, já o ME reconhecia que, afinal, precisava de recorrer à contratação de cerca de 40 000 docentes! Já identificava a sua necessidade mas optou por dispor deles através de contratos, em situação precária, mesmo que muitos sejam chamados para exercer funções que correspondem a necessidades permanentes das escolas e do sistema, o que ajuda a explicar que haja professores que vão sendo consecutivamente contratados mas vendo sempre ser-lhes vedada o direito a um emprego estável.
O ME só permitiu 396 entradas em quadro mas antes do ano lectivo começar já teve de contratar 15 125 docentes; optou por trabalho precário Alguns exemplos: em Julho, ninguém entrou em quadro, quer para a educação pré-escolar, quer para o 1º ciclo do ensino básico; de seguida, o ME vai contratar mais de três centenas de educadores e quase novecentos professores do 1º ciclo. Na área de matemática e ciências do 2º ciclo do ensino básico não houve ingressos em quadro; mas, ainda antes do ano lectivo começar, o ME já anunciou ter de contratar mais de novecentos professores dessas disciplinas. Na matemática do 3º ciclo e do ensino secundário, apesar dos milhares de professores habilitados que concorreram, só foi permitido o ingresso de dezasseis em quadro; logo depois o ME reconhece a necessidade de mil e trinta mas, claro, precários!
O Governo tem de manter o funcionamento das escolas, embora o faça muito aquém do que elas precisam. Para o fazer tem, entre outras, uma opção clara: trabalho precário; substituir o trabalho feito por professores dos quadros, em situação de maior estabilidade, por trabalho precário feito por docentes contratados, por vezes consecutivamente, mas sem direito à estabilidade profissional e pessoal que lhes é devida.
O Governo tem uma opção pelo trabalho precário e ela não se verifica apenas ao nível da Educação. Este é o governo que promoveu uma revisão do Código de Trabalho para pior, agravando a precariedade dos trabalhadores portugueses. Este é o governo que promoveu legislação do trabalho na Administração Pública que introduz patamares de perda de direitos e de precariedade nunca vistos. Este é o governo em cuja legislatura a precariedade atinge mais de um em cada cinco assalariados.
Até naquelas que são algumas das bandeiras do Governo para a área da Educação, a opção passa por trabalho precário. Assim foi, totalmente, nas chamadas Actividades de Enriquecimento Curricular do 1º Ciclo; assim foi, generalizadamente, nas chamadas Novas Oportunidades. Por opção política, sempre o recurso a trabalhadores contratados, em situação de precariedade.
DESEMPREGO
Na propaganda, o ME acena números impressionantes... A crer nas declarações de um secretário de Estado, a propósito das colocações em final de Agosto, o Governo estaria, praticamente, para acabar com o desemprego docente...
Ao longo dos anos a FENPROF tem denunciado a contradição que os sucessivos governos criaram entre as necessidades que as escolas e o país apresentam e o desperdício de milhares de profissionais docentes, remetidos para o desemprego ou para ocupações em que as suas qualificações não são devidamente aproveitadas.
Na divulgação dos dados das colocações em final de Agosto, o ME fez crer que se prepara para contratar um número "inédito" de professores. Só por si, e depois de anos em que não houve ingressos em quadro, é uma confissão da opção política que ainda tenta ocultar. Mas o ME pretende, então, fazer crer que quase vai acabar com o desemprego que ele próprio agravou. Omite, à cabeça, que impediu milhares de professores, até, de ser candidatos: cerca de dez mil detentores legais de habilitação própria para a docência e perto de cinco mil novos licenciados com qualificação profissional.
O ME adiciona às contratações já conhecidas, previsões para o futuro e conclui por um falso cenário de quase pleno emprego. Se compararmos as 15 125 contratações conhecidas a 28 de Agosto com as 17 238 que foram realizadas no ano anterior para, então, lançar o ano lectivo que se iniciava, veremos que são escassos os motivos de regozijo. Mesmo adicionando às primeiras a estranha previsão (?) de 5547 (!) contratações que o ME apontava até ao início das aulas... Não é mesmo credível o cenário de quase pleno emprego, tanto mais que continuam a não ser consideradas propostas que a FENPROF reiterou em Julho e que, contribuindo para melhorar condições de trabalho nas escolas, promoveriam a qualidade e fomentariam, de forma séria e desejável, o emprego docente.
Para além da propaganda, neste momento há cerca de 40 000 professores sem colocação.
EXIGÊNCIAS
A FENPROF condena, rejeita e continuará a lutar contra a opção política pela precariedade, tão aprofundada por este governo também na área dos professores e educadores.
Para que as distorções que resultaram dos concursos realizados este ano não se perpetuem inaceitavelmente por quatro anos, a FENPROF reitera a proposta de realização de um novo concurso para ingresso nos quadros já no próximo ano. É uma necessidade absoluta!
A FENPROF insiste nas propostas que tem apresentado a este e outros governos que, responsavelmente, conjugam a melhoria de condições para a qualidade das respostas educativas e do funcionamento das escolas e a resposta a problemas estruturais que o país mantém com o aproveitamento de recursos docentes qualificados e com a criação activa de emprego.
Neste quadro, a FENPROF considera inaceitável, e continuará a lutar contra isto, que se adie a formulação de regras de vinculação que confiram aos professores e educadores que acumulam anos e anos de serviço em regime de precariedade horizontes justos de estabilidade profissional e pessoal. É um direito que continua a ser negado aos professores portugueses por governos que têm optado por os obrigar a situações de continuada e injusta precariedade.
Crónica de Manuel António Pina no Jornal de Notícias
Nunca vi o tão falado "Jornal Nacional" das sextas e agora, depois da decisão da Administração da TVI de acabar com ele, fico com a impressão de que perdi alguma coisa. Porque quando uma empresa privada, que supostamente produz tendo em vista o lucro, retira do mercado o seu produto mais vendável (o "Jornal Nacional" era líder absoluto de audiências), das duas uma: ou o lucro afinal não lhe interessa ou a coisa envolve algum negócio ainda mais lucrativo.
E há-de ter sido um negócio dos chorudos porque tudo sugere que, de caminho, a Administração da TVI tenha vendido também a hipótese de vitória do PS nas próximas eleições. Com efeito, do que o PS nesta altura menos precisava era da suspeita de estar por detrás (coisa que toda a gente sabe que seria incapaz de fazer) da bolivariana medida. O que aconteceu foi uma cabala, desta vez dos socialistas espanhóis da Prisa, feitos com o PSD, contra o PS, a sua credibilidade democrática e o seu respeito pela liberdade de informação. Eu, se fosse a Sócrates (que tanto contava com o "Jornal Nacional" para ganhar as eleições), cassava-lhes já a licença.
A 21 de Agosto de 1987, depois de três anos de interregno os baleeiros das Lajes do Pico caçaram um cachalote de 20 toneladas e 15 m de comprimento, a cerca de 15 milhas da costa.
Assim terminou, sem ter trazido quaisquer problemas para a economia regional, uma indústria que nos últimos anos sobrevivia à custa dos impostos de todos nós. Com efeito, sobretudo depois da directiva europeia 348/81 que proibia a importação de todos os produtos derivados de cetáceos no espaço da Comunidade Económica Europeia, a exportação de óleo só era possível mediante auxílio financeiro que o Governo Regional dos Açores prestava.
Vivia-se, na altura, no auge do amaralismo e tal como agora eram poucas as pessoas que tinham a coragem de abertamente manifestar a sua opinião. Nos primeiros anos da década de oitenta do século passado, além de uma ou outra voz que a título individual se fizeram ouvir, duas pequenas entidades manifestaram-se contra a continuidade da caça à baleia nos Açores: o Núcleo Português de Estudos e Protecção da Vida Selvagem- Delegação dos Açores, sedeado em Vila Franca do Campo e que tinha como principais dinamizadores Duarte Soares Furtado e Gerald le Grand, e o Grupo “Luta Ecológica” com sede em Angra do Heroísmo e que era dinamizado por José Alberto Lopes, Paulo Borges, Rogério Medeiros e Teófilo Braga.
Passados 22 anos, por intermédio de um ex-governante amaralista, defensor acérrimo da sorte de varas e dos touros de morte, ressurge a peregrina ideia de retomar a caça à baleia nos Açores. Até ao momento, a sua proposta já conta com os adeptos do costume, isto é, daqueles que defendem ser necessário debater serenamente a questão, dos que acham que é possível conciliar a observação de cetáceos com a sua matança, sem qualquer justificação de carácter económico, social, religioso ou ecológico e mais dia, menos dia surgirão aqueles que do alto da sua cátedra virão dizer que a observação de cetáceos tal como se faz actualmente não satisfaz os mesmos e que estes divertem-se à brava se, para além de serem importunados, houver derramamento de sangue.
Terminaríamos, acrescentando que este assunto, tal como outros que são indício de um retrocesso civilizacional, como a tortura quer estejam em causa seres humanos ou outros animais, não merece qualquer debate.
A tortura e a morte para satisfazer a mente doentia de uns poucos não se debatem. Combatem-se.
Um documentário em francês de Jean-François Brient sobre o sistema totalitário mercantil no qual vivemos e que nada fica a perder relativamente a todos os outros sistemas totalitários. Ao longo do documentário desmonta-se as engrenagens sobre as quais funcinam as chamadas democracias liberais que formam parte do modelo social dominante no mundo ocidental.
Americanos e ingleses, quando se deslocam ao Iraque ou ao Afeganistão, fazem-no na mais rigorosa clandestinidade, porque sabem muito bem os crimes que estão a cometer nos vários teatros de operações e há milhares de bombas humanas prontas a explodir para cima deles.
O senhor Brown, herdeiro de Tony Blair, suspeito de ser criminoso de guerra, resolveu ir clandestinamente ao Afeganistão cumprimentar as tropas britânicas pelo excelente trabalho que fizeram nas eleições. Brown viajou escondido de tudo e de todos e desembarcou em Kabul disfarçado, não fosse o diabo tecê-las. Vai daí, as agências internacionais chamam a estes actos de cobardia “visitas surpresa”.
Bush e seus sequazes no Iraque fizeram meia dúzia delas. Fazem bem em esconder-se, porque iraquianos e afegãos estão a mostrar ao mundo como se combatem terroristas sanguinários que matam milhões de pessoas a troco de uns barris de petróleo.
Para quem quer começar a trabalhar na agricultura, para quem já nela vive, como é o caso dos camponeses e das camponesas, para quem ainda não tem acesso à terra, ou ainda para quem luta por recuperar a sua soberania alimentar vai realizar-se na quinta de Cravirola, em Minèrve, no sul da França, entre os dias 30 de Setembro e 4 de Outubro de 1909, um acampamento europeu sobre agricultura. O encontro organiza-se ao redor de 4 temas:
-Ser camponês: como é que os jovens podem ter acesso à terra e começar a trabalhar na agricultura camponesa.
- Como concretizar o apoio mútuo, a cooperação entre todos os interessados na agricultura camponesa
- Agricultura camponesa e agro-ecologia. Quais são os desafios para resfriar o planeta?
-Compreender a situação actual da agricultura, fortalecer a nossa solidariedade e a nossa capacidade em realizar acções: como juntar as nossas forças para defender os camponeses de amanhã?
Quem somosSomos um grupo de jovens camponeses, jovens sem-terra e futuros camponeses, assim como diversas pessoas que querem reassumir o control sobre produção alimentar
Os nossos objectivos:
- suportar e encorajar pessoas a ficarem na terra e regressarem ao campo - promover a soberania alimentar e a agricultura camponesa, especialmente entre os jovens e habitantes das cidades - promover formas alternativas de vida - criar alternativas ao capitalismo através de realizações cooperativas, autónomas levadas a cabo por colectivos em função de necessidades reais, e com base em iniciativas de produção em pequena escala - levar a teoria à prática e ligar a acção prática local às lutas polítca globais. - Fazer tudo isso com alegria e satisfação
A nossa definição de camponês
Camponeses são as pessoas que produzem alimentos em pequena escala quer para si próprios quer para a comunidade, vendendo um parte da sua produção. Dentro desta definição estão incluídos os trabalhadores agrícolas.
Eixos da nossa acção
- acesso à terra - quintas colectivas - sementes locais e sua troca
Os nossos valores
- solidariedade - respeito pela natureza e pelos seres vivos - não-violência - não-autoritarismo e não-hierarquização - não-descriminação baseada na raça, religião,género, nacionalidade, orientação sexual ou estatuto social - não-exploração de outras pessoas - amizade - convivialidade
Actividades
Uma das actividades será a de construir uma rede informal de troca e de educação, colocar em relação os camponeses, que queiram partilhar a sua experiência técnica e política, com jovens que queiram tornar-se camponeses mas que não têm meios para isso. Esta rede reunirá contactos entre todos os participantes que queiram envolver-se, permitindo satisfazer quer as necessidades de trabalho manual dos camponeses quer a procura de férias alternativas pelos jovens numa convergência de interesse mútuo
Reclaim the Fields European Camp To Cultivate Alternatives Acampamento europeu para cultivar alternativas
A crise global na agricultura, no clima, na energia, na biodiversidade e nas sociedades tem um enorme impacto sobre a vida de milhões de pessoas. Esta crise está intimamente ligada à substituição da agricultura de pequena escala por modos de consumo e produção industriais por grandes corporações. Biliões foram dados aos bancos no ano passado, enquanto as políticas governamentais neo-liberais têm levado ao aniquilamento da agricultural de pequena dimensão por todo o mundo. Essas políticas destroem modos de vida assentes numa ligação harmonioza entres os seres vivos e o seu ambiente. Na Europa essas políticas forçaram quase até à extinção as explorações agrícolas de pequena dimensão e dos camponeses, erguendo obstáculos à sua sobrevivência e impedindo a emergência de jovens agricultores.
(...)
PROGRAMA PROVISÓRIO
Thursday 1st october : Becoming Peasant. Youth, settling on land and peasant agriculture
For achieving food sovereignty in Europe, it is a priority that youth everywhere can start a farm. The present context does not allow this demand. How to analyze the factors which keep us from starting a farm ? Access to finances and to the land are difficult. It is difficult to gain the knowledge and there are selective processes for starting a farm. It is not easy to make a living through it and there is a lack of attractiveness/prejudice to this kind of activity.- Introduction : Presentation of RTF, of the collective farm Cravirola, and of the Youth plateform of Via Campesina, - How to settle a farm : experiences and legal frame in France,- Access to land and to other needed ressources to start the agricultural activity, - Farm transmission ; inside the family or not ; how to prepare and succeed it, - Presentation of the different technical trainings availables for young farmers and others who are walking towards peasantry, - RTF is building a « Farm network », in order to get practical and political training on peasant farms.
Friday 2 october : working together to develop cooperation and collective activities
Problems in accessing land, financing a farm, getting tools and markets to be able to produce… all this leads us to think of ways of working collectively in order that farming becomes feasible.
- Testimony from Cravirola, as collective and cooperative farm, - Urban agriculture and struggle for the use of any peace of land in the cities ; the work of two associations (Bruxelles, Paris), - Alternative economical model : case of solidar banks that help youngs settlings, - Direct producer-consumer cooperatives ; experience of a vegetable growing cooperative in Geneve that involves the consumers, - Putting our ressources together can help each : the cooperative company for the use of agricultural material (CUMA) are an exemple of solidarity between producers.
Saturday 3 october : Peasant agriculture and agroecology. What major changes need to happen in order to "cool down the earth”
It is getting clear that peasant agriculture has a positive impact on climate changes. Unlike intensive agriculture, that uses much mineral fertilize and fossile energy, peasant agriculture produces less greenhouse gaz than it fixes carbon into soils. Based on local level, high biodiversity and the use of adapted traditionnel races, that sustainable agricultures offers solutions to the current crises.
- Presentation of companies that work with peasant seeds (Bede, Kokopelli), - Experiences in traditionnal races breeding, that were given up because of the intensification, - How to conserve traditionnal seeds, and practical workshop on seed reproduction, - Presentation of agroecology and permaculture. Practical workshops on composting, wild herbs uses, …
Sunday 4 october : Understanding the current situation of agriculture in order keep on struggling in defending the peasants of tomorrow
To act in our day-to-day or militant behaviours, we need to know the past struggles, and to take part in the curent ones. To be peasant today is already a political act, and it is important to take measure of the current stakes.
- Testimony on peasant struggles, struggling for the peasant, - The movement Via Campesina struggles across the world to promote the peasant intereses, and the need of an agrarian reform, - European politics : let's change CAP , - The future of RTF and our next actions, - Workshop on civil desobedience and preparation of the militant action that will take place on the Monday 5 (organization under process), - Climate submit COP15 : presentation and preparation of our action there (Copenhaguen, december 09).
Monday 5 october : Final action in Montpellier Will be defined collectively during the camp.
Remarks : All workshop that we propose are participatives. We invited persons to present their work in organization (ASBL, union, other…) or their personal experience. Te program is not fixed, and any concrete proposal is still welcome. Please write to Olle (olle@reclaimthefields.org ) to see how to synchronize it in the global frame.
Futhermore, we will reserve every day a discussion place for our personal roads. There is a particular moment to explain our processes, and it is open to everyone.
Practical Information for the camp
Where is it? The camp will take place in the farm of Cravirola, also called Le Maquis, on a place called «Bois-Bas », near the village of Minerve. It's in Herault department, between Toulouse and Montpellier in the South of France. Le Maquis is a collective farm runned by dedicated people. More info on: http://www.cravirola.com/
Who can participate? We aim at gathering young peasants, landless peasants and people who wish to start in agriculture and/or who want to recover food sovereignty.
How can you participate? You can organize a workshop at the camp on topics related to access to farming, food sovereignty and/or agroecology. Please fill up the form attached below and send it to us before the 15th of September so that we can include it in the program. You can let people around you know about the camp. There are printable posters on Reclaim the Fields website. You can organize car-sharing from your country to come to the camp. You can come earlier to take part to the preparation (from the 27th of September). Register in our Camp Registration Form : http://reclaimthefields.org/form/camp-registration-formular
Do you have to pay? The participation to the camp is 5 euros. We ask for a participation for the meals.
What you need to bring Your tent, sleeping bag and camping mattress A plate, glass, fork, knife and spoon Rain clothes, warm clothes Musical instruments Your sense of responsability and participation your enthousiasm and determination that together we can change the world A lot of friends!
What you really don't need to bring Your dog Junk food from supermarkets
How to get there? "For discount traveling facilities get in touch with Adam Fülöp at canica375@gmail.com until the 10th of September!" To get there by train: the nearest station is LEZIGNAN-CORBIERES (Lezignan-Aude), then it is still about 40mn away by car. We will organize shuttles from the station on the 30th of september and on the 1st of October to get there. By car, look at the map (http://www.cravirola.com/pages/contact.html ). Once you are in Minerve, go towards BOISSET and then towards BOIS-BAS, the farm is at about 10km away from the village of Minerve.
De todos os sonhos de criança, não há senão um que ainda ocupa o meu pensamento e em quem eu coloco todas as minhas esperanças: o de me tornar em Pipi das Meias Altas.
A Pippi é o meu ídolo, o meu guia, o meu modelo em tudo. A Pipi zomba das identidades e dos papéis sociais, especialmente das identidades sexuais. Ela não tem medo de nada, fala alto, adora a briga e as peças dos carro, de subir às árvores, lutar com uma espada na mão, vestir saias, e andar com meias e um cinto de suspensório; ela costura, faz o trabalho doméstico e enche de satisfação as crianças com os seus petiscos culinários.
Pipi não segue senão os seus próprios padrões de beleza: anda com as sardas como se fosse o seu estandarte, apesar das opiniões da esteticista que vende os cremes de beleza.
Ela é apátrida, já percorreu o mundo, não é de nenhum lado e, ao mesmo tempo, é de todos os lugares. É inclassificável, irredutível a qualquer caracterização. Sem esquecer que ela é uma rapariga a que chamam Pipi, o que no Quebec remete para uma certa indefinição perturbadora mas deliciosa quanto à sua sexualidade.
Pippi é irrecuperável. Ela constrói com audácia e mestria o seu projecto de emancipação, de experimentação quotidiana, evitando as manobras que possam rebaixá-la. Não obstante, todos os dispositivos do poder tentam constantemente manietá-la, e trazê-la para a ordem: a tia Percilla, que conspira com as madames da vizinhança para a levar para a escola, os chuis que a querem levá-la à força para orfanato, os ladrões que pretendem roubá-la e atentar contra a sua pessoa. Pipi a todos os ridiculariza graças à sua perspicácia, à sua imaginação e à sua força prodigiosa. Não conseguimos imaginá-la integrada numa família, numa igreja, numa pátria, num partido. Os adultos não conseguem impôr-se à sua vontade.
Pipi é uma rebelde, uma adepta de estratégias insurreccionais. Provoca as situações, transforma cada território que atravessa numa zona autónoma temporária. Na sua casa ( Villa Drôlederepos) – que não é mais do que um squatter autogerido - ela vive com indivíduos seleccionados por afinidade: o senhor Nilsson e o tio Alfred – que não são só dois compinchas perfeitos, mas também são seres dotados de razão, que vivem de acordo com os seus desejos, o que torna a coisa mais alegre, como se imagina. A casa está localizada no limbo do poder capitalista, estatal e patriarcal, e completamente fora do sistema mercantil de mercado. Lá ninguém trabalha e as actividades são realizadas de uma forma lúdica, graças à sua árvore, onde cresce o chocolate e a limonada, e, especialmente, a sua mala cheia, não com dinheiro, mas "dobrões espanhóis", um «tesouro» que é o símbolo dos recursos da terra aprovisionados, e que são consumidos segundo as necessidades. Todos os que habitam ou passam pela casa guiam-se apenas pelas suas próprias necessidades e não pelos seus próprios desejos. Pipi come do que gosta, deita-se e levanta-se quando lhe dá na telha, faz as limpa a casa e veste-se como muito bem entende, inspira-se pelos seus desejos e pela sua fantasia, e incentiva os seus amigos Tommy e Annika a fazer o mesmo.
Pipi é uma teórica subversiva. Ela não pára de inventar novas situações, novas possibilidades de acção graças à sua criatividade fenomenal. Por exemplo, ela desfaz a escola como se fosse umas simples meias, dizendo preferir as escolas da Argentina, onde "se está continuamente a comer doces" através de um longo tubo que vai directamente para a sala de aula a partir da fábrica de doces e que faz descargas contínuas de forma a manter ocupados os alunos. E quando a sua amiga Annika lhe diz que é feio mentir, logo é repreendida pelo irmão, que observa que a " Pipi não mente senão para dizer a verdade. Ela inventa!" Pipi mente porque inventa, cria a sua própria vida de acordo com seus próprios padrões e ao fazê-lo acrescenta mais uma brecha na parede já rachada da ordem hierárquica e dominadora.
Acima de tudo, Pipi é uma criança. Ela não espera crescer para ser intelectual, saber a tabuada, para se casar ou se candidatar a presidente de câmara ela quer apenas viver de acordo com seus próprios desejos e segundo as suas próprias necessidades. E para isso ela age com os seus próprios meios, adaptando-se estrategicamente às situações, acabando de ir ao fundo de si mesma, o que faz dela a menininha mais terrível e mais forte do mundo.
Há muito tempo que os meus nove anos se foram, e, no entanto, ainda hoje não tenho mais nenhuma outra ambição que não seja ser a Pipi das Meias Altas.
Anne Archet
Adaptação a partir do texto traduzido por Liberdade à Solta, e posto a circular na Internet pela ANA (agência de notícias anarquistas)
"Pippi Långstrump" (em sueco) , Pipi das Meias Altas ( em português) , Pipi das Calças Largas ( em castelhano), Fifi Brindacier (em francês), Pippi Longstocking ( em inglês), ou expressões similares como Píppi Meialonga, Bibi Meialonga, é a personagem que dá título a uma série de livros infanto-juvenis da autora sueca Astrid Lindgren. Foi transformada em série de TV, iniciada em 1969 e com várias réplicas até 1973, sempre com a mesma actriz (Karin Inger Monica Nilsson) como protagonista.
Em Abril de 1901 Francisco Ferrer i Guàrdia recebe uma rica herança de uma viúva francesa a quem dava aulas de castelhano em Paris. Aos que tratavam de o convencer em utilizar o dinheiro para fins eleitorais, como tentou fazer o líder republicano-socialista radical Alejandro Lerroux ( ver a sua biografia em http://es.wikipedia.org/wiki/Alejandro_Lerroux ; e para saber mais sobre o Partido Republicano Radical Socialista, consultar http://es.wikipedia.org/wiki/Partido_Republicano_Radical_Socialista ) Francisco Ferrer i Guàrdia respondeu:
« - Servirei melhor as minhas ideias fundando a Escola Moderna do que fazendo política»
E, na verdade, há que reconhecer que se a Catalunha e Barcelona esteve na vanguarda das lutas emancipadoras nos últimos cem anos, e a CNT se implantou tão fortemente naquela região, ao facto não é estranho certamente a adesão e o enraizamento que a Escola Moderna teve ali por obra e pela mão de Ferrer i Guàrdia.
No seu livro La Escuela Moderna, Ferrer definia assim o objectivo da Escola Moderna: « Extirpar do cérebro dos homens tudo o que os divide, substituindo-os pela fraternidade e a solidariedade indispensáveis para a liberdade e o bem-estar gerais para todos.»
E na realidade, a Escola Moderna foi um importante foco de educação popular: teve ensino primário e foi uma escola mista ( coisa inédita na época ), de dia era para crianças e à noite para adultos; teve aulas de francês, de inglês, alemão, taquigrafia e contabilidade; estava apetrechada com um local onde se realizavam conferências, vocacionado para os sindicatos e as colectividades operárias; tinha ainda uma editora a fim de suprir a crónica falta de material didáctico, e graças à qual foram editados manuais escolares, livros para adultos, folhetos, informações e um boletim.
O local escolhido para a sua instalação foi um antigo convento da rua Bailén, na cidade de Barcelona, tendo aberto as suas portas a 8 de Outubro de 1901.
O ensino ministrado na Escola Moderna seguia as seguintes orientações: o aluno é livre, livre inclusive de deixar a escola. O aluno goza de uma ampla liberdade de movimentos: vai ou não ao quadro, consulta ou não este ou aquele livro, entrega-se às suas fantasias quando lha agrada, e até pode sair da sala de aula quando tem vontade de o fazer.
Além disso, Ferrer é defensor da higiene, da educação física e da natação, ao mesmo tempo que rejeita os jogos e as provas de competição que servem para alimentar a vã glória dos seus participantes. Estimula os trabalhos manuais para os rapazes, assim como a jardinagem, a limpeza e os trabalhos domésticos, o que é uma forma de nivelar ambos os sexos para as mesmas tarefas.
Não havia exames, nem muito menos castigos e recompensas.
No primeiro ano inscreveram-se 20 alunos (12 raparigas e 18 rapazes); em 1902 já são 70, e 126 em 1904. Em 1905 a Escola Moderna espalhara-se por 147 espaços por toda a Catalunha. Em 1908 contam-se 1.000 alunos só na cidade de Barcelona, e criam-se estabelecimento do mesmo género em Madrid, Sevilha, Málaga, Granada, Cádiz, Córdoba, Palma, Valência, assim como no estrangeiro ( em São Paulo, Lausanne, Amsterdam e Lisboa).
Mas, entretanto, em Junho de 1906 o governo espanhol encerra a escola-mãe, na rua de Bailén, na sequência do atentado bombista de Mateo Morral, bibiotecário da Escola Moderna, contra a carruagem real no dia da boda de Alfonso XIII. Ferrer i Guàrdia é detido e processado como instigador. Absolvido das acusações, Ferrer sai da prisão em Junho de 1907, mas a Escola-mãe em Barcelona já não reabrirá mais.
Ferrer promove a criação da revista L’École Renouvée com o subtítulo «extensão internacional da Escola Moderna de Barcelona», cujo primeiro número é editado em Bruxelas a 15 de Abril de 1908.
Também em Abril de 1908, Ferrer i Guàrdia funda a «Liga Internacional para a educação racional da infância» que conta, entre os seus aderentes, Languevin, Bernard Shaw, Berthelot, e Gorki.
Deixe o carro em casa. Não trabalhe tanto. Brigue menos. Curta mais. Conviva com os outros. Ligue para os seus amigos. Faça um jantar a dois. Vá ao teatro. Faça sexo. Ofereça flores. Seja mais feliz. Faça algo de novo. Adopte uma vida saudável. Passeie à beira-mar, à beira-rio ou pelos montes. Respire melhor. Ouça música. Leia mais. Ame. Saúde os que se cruzam consigo. Dê muitos beijos. Ergue-se face à opressão e a tirania. Lute por causa justas. Seja amigo do ambiente. Não desista de alargar os limites da liberdade individual e colectiva. Reflicta. Intervenha com conhecimento de causa. Emocione-se. Cante. Seja criativo. Ajude os outros em emanciparem-se. Sonhe. Converse. Contribua à sua medida para as forças que buscam contruir um mundo mais justo. Aprecie as obras realmente valiosas. Seja simples. Não se escravize nem se submeta ao dinheiro. Não se drogue com a bolsa de valores da TV. Viva e sorria aos demais.
Um nosso amigo das Caldas da Rainha informa-nos que na bonita cidade de Óbidos abriu há poucas semanas atrás o Hostel Argonauta por iniciativa de uma sua amiga, a Concha Rozas.
A partir de agora os viajantes, sobretudo os jovens backpackers / mochileros, dispõem de uma oferta mais económica que lhes permite aumentar a permanência na região. É mais uma boa razão para ficar pela região mais uns dias a conhecer o património natural e construído. E mais umas noites a sua acompanhar a programação cultural.
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Essa escola é Summerhill School, em Suffolk, England, definida como escola livre, e que foi fundada em 1921 por A.S. Neil , e se mantém ainda hoje como uma referência para a educação democrática em todo o mundo.