22.5.06

O que é um ciclista furioso?

Nota: as próximas bicicletadas no Porto e em Lisboa já são na próxima 6ª feira, nas horas e nos locais habituais ( ver o website da Bicicletada aqui ao lado)



Um ciclista furioso (fúria, termo latino com o significado de acesso a uma bela loucura ou de alegria exaltada) é um indivíduo que costuma utilizar a bicicleta (veículo que consta de duas rodas alinhadas fixas a uma quadro, onde a primeira é directriz e a segunda motriz, e se move graças à combinação de pedais e engrenagens; é, também, sinónimo de ferramenta revolucionária de carácter utilitário) como meio para as suas deslocações, e se sente em permanente estado de rebelião quando olha à sua volta e o seu horizonte visual é ocupado por viaturas com condutores à beira de um ataque de nervos, e que não obstante isso – ou justamente por causa disso - utiliza com prazer e livremente a sua bicicleta.

Para ser um ciclista furioso é necessário:

1- ter uma bicicleta e usá-la frequentemente

2- Considerar a bicicleta como um meio de transporte, prática e filosoficamente em oposição ao automóvel

3- Não ter ou nem saber conduzir um automóvel e nem pensar sequer em comprar qualquer coisa parecido com essa espécime de máquina de quatro rodas.

4- Construir uma inteligência crítica refractária às massificações publicitárias e do trânsito citadino

5- Considerar-se como ecologista e agir em consequência

6- Não simpatizar com chefes ou presidentes de espécie alguma, antes preferindo mover-se em grupos de trabalho de iniciativa dos interessados, onde as lideranças possam ser rotativas e o mais participadas possível.

7- O ciclista furioso não se limita a realizar passeios de praia ou de montanha, nem muito menos quer fazer-se passar por cicloturista

8- O facto de se assumir como ciclista furioso não significa que este seja agressivo ou que ataque fisicamente os automóveis, antes pelo contrário, o ciclista furioso é, por principio, alguém muito bem educado, pacifista e que defende os direitos pessoais de todos os seres humanos perante a toda poderosa máquina-automóvel.

9- Apesar de, aparentemente, os ciclistas furiosos serem de número reduzido, a verdade é que são muitos mais do que parece.

Em suma, e para concluir:

O Ciclista furioso:

A) Não tem automóvel ou deixa-o em casa.

B)Gosta – e tem prazer - em pedalar livremente com a sua bicicleta

C) Cultiva o seu espírito crítico e ocupa o tempo a criar e a gerar ideias


Adaptação livre dos textos de:
www.furiosos.cl/ciclovias/

Acções locais e comunitárias contra as mudanças climáticas




Climate change is the greatest threat to ever face humanity and its happening now. Governments and big business dream of continued economic growth so won't deal with the crises. What we really need is a fundamental shift in the way we live - AWAY from consumer society, continued economic growth and power concentrated in the hands of the few. TOWARDS locally based, grassroots, community solutions.
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But we can!
Join us for action!
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Climate change and the depletion of oil mean an end to industrial society, of that we have no choice. Our only choice is when to make the change, and what society we create instead. Do we want industrial collapse to be war, famine, hurricanes, droughts & floods, or a new society based on co-operation and local community solutions to all our problems?
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Visualise Industrial Collapse
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With this action, we will reclaim power over our future and take concrete, positive action against climate change. We will send out a strong signal inspiring people to join us in changing the way we live. Reclaim Power will involved thousands of people taking action at a major industrial contributor to climate change. It will send out a strong signal that we urgently need to take radical action to survive.
What are you waiting for...?
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Help us stem the tide of climate chaos. More info will be posted on
www.reclaimpower.org.uk
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Reclaim Power is part of the
Camp for Climate Action, 26th August-4th September 2006, to create grassroots solutions to climate change through action, education, networking and skill-sharing.

Bibliotecas e Estádios



Como achamos da maior pertinência, reproduzimos abaixo a oportuna prosa, sob o título «O modelo português da teoria do custo de oportunidade» que mais vez fomos extrair do
http://bibliotecarioanarquista.blogspot.com/


O modelo português da teoria do custo de oportunidade

Este modelo foi desenvolvido pelos autarcas lusitanos e resume-se assim: «para produzirmos mais estádios de futebol temos de produzir menos bibliotecas».
Ao ler o relatório das estatísticas das Bibliotecas de Lisboa (BLX) no ano de 2005 foi com bastante agrado que verifiquei que foram visitadas por 760.933 pessoas. Ou seja uma média quinzenal de 31.708 pessoas. Superior à media de assistência de jogos de futebol do Sporting (23.050) e do Benfica (26.697). O agrado ainda aumentou quando verifiquei que dessas bibliotecas apenas uma (a Biblioteca Orlando Ribeiro) se pode caracterizar como um equipamento moderno. Uma biblioteca da nova geração. Ou seja mesmo com um investimento mínimo as bibliotecas de Lisboa superaram em entradas os novos estádios de futebol em Lisboa que beneficiaram de um investimento máximo.É também com bastante agrado que li no Público de sábado que a nova Biblioteca de Ílhavo recebeu um prémio internacional pela sua arquitectura e design inovadores. O sucesso popular é perfeitamente conciliável com a vanguarda artística estética. Por outro lado, é de lembrar que neste distrito foi edificada em 2003 uma das obras mais disparatadas e megalómanas dos últimos anos. O Estádio Municipal de Aveiro. Um mega estádio com capacidade para 40.000 pessoas mas que acolhe uma média de 2655 espectadores quinzenalmente. É óbvio que a Biblioteca Municipal de Aveiro mais a Biblioteca Municipal de Ílhavo vão dar um “bailinho” em termos de assistência ao estádio de futebol local. Mais uma vez o investimento mínimo irá superar o “mega-disparatado” investimento, mas infelizmente os nossos autarcas não pensam da mesma maneira.
Como dizia Hitler na sua teoria económica: «se quisermos produzir mais canhões temos de reduzir a produção de manteiga. Os canhões tornam-nos fortes e a manteiga engorda». Os autarcas portugueses pensam de forma idêntica: «Se quisermos produzir mais estádios de futebol temos de produzir menos bibliotecas. Os estádios tornam-nos fortes e machos e as bibliotecas moles, gordos e com ideias duvidosas».
Das duas uma ou estamos perante mais uma forma de manipulação por parte dos media (Chomsky, 2003) que nos querem obrigar a adorar o futebol aproveitando para esconder informação vital disponível nas bibliotecas ou então anda tudo a dormir!

20.5.06

Para uma sociologia do futebol

A sociologia do ódio e de dominação que estão presentes no futebol


Acabaram de ser editadas pela prestigiosa editora parisiense L’Harmattan duas obras que pretendem fazer uma análise sociológica do futebol.

O primeiro livro intitula-se «Footbal. Sociologie de la haine» (Futebol.Sociologia do ódio) sob a direcção de Camille Dal e Ronan David e reúne contribuições de diversos autores como Ignacio Ramonet, Malka Marcovich, Nicolas Oblin, Patrick Vassort,Marianne Nizet, David Sinbandhit, Hassan El Idrissi,… cujos textos reconduzem-se no essencial a analisar as relações do futebol com o ódio. Ao longo do livro pode-se ver que o futebol, longe de ser um meio de encontro dos povos, é na realidade uma área onde o ódio campeia e se difunde: o ódio ao seu próprio corpo. O ódio ao outro, o ódio ao feminino e à feminilidade, o ódio às ideias e ao pensamento, etc. Fala-se ainda da violência e do racismo larvar nas hostes dos espectáculos de futebol, assim como no virilismo bestial dos jogadores, na exploração dos ódios cegos entre as equipes, na educação anti-social que é veiculada pelo futebol, referindo-se ainda à economia mafiosa que o sustenta e no alcoolismo massivo que ele está sempre associado.



O segundo livro tem como título «Football et Politique. Sociologie historique d’une domination» (Futebole política. Sociologia histórica de uma dominação) é uma reedição de uma obra anterior de Patrick Vassort em que este traça a génese política do futebol, a sua história, os seus heróis, assim como o seu funcionamento ordinário como todo o cortejo de mitos, escândalos, violências, equívocos, e em que o dinheiro sempre está presente. Pretende-se desvendar o mundo do futebol para além dos discursos angélicos que normalmente são produzidos nos media.

Neste último livro pode-se ler a seguinte apresentação:

Nous désirons montrer au sein de cet ouvrage que dans un contexte de pénurie bien organisée, de crise bien entretenue, les étudiants, les enseignants, les UFR, les laboratoires, les universités, sur fond de compétitions économiques et politiques territoriales nationales et internationales, sont soumis, non seulement à des logiques d'obligations de résultats, d'efficacité, de rendements à court terme, mais également et conséquemment à un système de valorisation du savoir totalement aliéné aux conjonctures économiques dominantes. Ce processus vise à l'obsolescence d'une université dont les finalités étaient jusqu'alors culturelles, intellectuelles et humaines. Les différentes réformes, qui ne sont que répétitions du " même ", arrangements et aménagements conjoncturels de la société de marché au sein même du monde éducatif, ne visent plus à l'amélioration du développement des savoirs et de leurs circulations, mais à l'apprentissage de la compétition au sein des unités de formation et de recherche, l'accroissement de la marchandisation, de la pression socio-économique, de la reproduction du capital au sein d'un nouveau marché de la connaissance. Nous souhaitons donc montrer combien les stratégies des institutions et des acteurs/agents sociaux visent à " gérer " l'intégration des universités dans le processus global de production et de compétition généralisées. Ce processus historique s'inscrit dans une quotidienneté où les interrelations entre les personnels et les institutions participent de manière impensée à la destruction des institutions d'enseignement et de recherche. En ce sens, la situation de l'Université résume en un point focal la réification des savoirs face à la marchandisation du monde.

Evangelina Carrozo, a ecologista argentina manifestou-se novamente contra as celuloses contaminantes



Evangelina Carrozo, a jornalista e ecologista argentina que protagonizou, em nome da Greenpeace, uma acção contra as fábricas de celulose ( as conhecidas «papeleras») no recente encontro dos chefes de governo da União Europeia da passada semana ao apresentar-se de bikini com um cartaz onde se lia «Basta de papeleras contaminantes» frente aos políticos europeus quando estes se preparavam para a habitual fotografia de familia, acabou de participar nesta semana numa manifestação em Buenos Aires contra as referidas «papeleras» situadas na fronteira entre a Argentina e o Uruguai.
Antes desta manifestação Evangelina já se tinha deslocado e sido aclamada nas festas de Gualeguaychú, cuja população, que há muito tempo tem desenvolvido uma luta pertinaz contra as «papeleras», lhe agradeceu pela acção protagonizada por aquela activista e que permitiu chamar atenção para a contestação contra o projecto de instalação de empresas de celuloses contaminantes naquela região fronteiriça entre a Argentina e o Uruguai.
A Assembleia Ambiental daquela cidade argentina decidiu na última semana realizar manifestações de rua em frente das embaixadas de Espanha , Finlândia em Buenos Aires para mais uma vez mostrar a sua recusa ao projecto de construção daquelas celuloses.

17.5.06

A mais bela bandeira humana do mundo

Com mais uma onda de nacionalismo futobolístico à porta é sempre bom e saudável apresentar os nossos anticorpos. Daí que aproveite o óptimo texto e o desenho, com os merecidos agradecimentos, retirado de:
.


«Para quem não sabe é a bandeira anarquista. Uma bandeira para acabar com todas as bandeiras. Em época de crise de valores humanistas.
Em época de paranóias neo-nacionalistas por causa de um miserável campeonato de futebol. O bibliotecário anarquista vem propor uma bandeira alternativa. E, sem qualquer espécie de apoio bancário ou televisivo, aproveita para lançar o projecto “a mais bela bandeira humana do mundo” convidando desde já todos os sem abrigo, imigrantes ilegais, ciganos apátridas, clandestinos, artistas sem fronteiras, bibliotecárias com óculos de garrafão, desempregados, sem papeis, e o próprio Corto Maltese para esta iniciativa de repúdio às selecções de futebol, ao campeonato e sobretudo aos dirigentes do futebol (misteriosamente enriquecidos) e políticos amiguinhos – comparecendo no dia 20 de Maio no “Estádio” café ao Bairro Alto, Lisboa.
Para não afugentar potenciais camaradas NÃO ESTARÃO PRESENTES os horríveis “The Gift”, Kátia Guerreiro, Mafalda Arnaut, Sara Tavares e Dulce Pontes. »

15.5.06

Dia Internacional dos Objectores de Consciência ( 15 de Maio)



O dia 15 de Maio é o Dia Internacional dos objectores de Consciência e, neste ano de 2006, a sua promotora, a IRG (Internacional dos Resistentes à Guerra), dedica-o aos objectores e aos resistentes à guerra dos Estados Unidos contra o Iraque e o Afeganistão , oferecendo apoio a todos os que invocam o estatuto de objector de consciência para serem dispensados das suas funções nas forças armadas norte-americanas.
Com efeito, é importante criar pontes de contacto com os soldados que se encontram dentro do serviço militar e que se opõem à guerra e que querem deixar as forças armadas.
A IRG entregou no mês de Março de 2006 um relatório ao Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas acerca da dos direitos humanos e questões de consciência nas forças armadas norte-americanas. Nesse relatório apontam –se como principais preocupações o facto do procedimento conducente ao reconhecimento do estatuto de objector de consciência estar, no caso das forças armadas, unicamente entregue à própria estrutura do exército, não sendo portanto um procedimento independente e imparcial como exige a resolução 1998/77 da Comissão dos Direitos Humanos. Isto leva a que na prática os objectores que recusem o ordem de mobilização são condenados. Por outro lado, a denegação de ajuda educativas e outras formas de discriminação contra quem não se inscreve para um possível alistamento conforme a lei Military Selective Service-Act constitui uma violação do direito à educação, além de equivaler a uma sanção sem nenhum tipo de processo judicial. Em 3º lugar aparece como motivo de preocupação o facto do exército, para fins de recrutamento, ter acesso a dados privados dos estudantes nas escolas o que constitui uma violação do direito pessoal à intimidade. Como se isso não fosse já suficientemente grave acontece que os activistas anti-recrutamento têm vindo a sofrer intimidações e a serem detidos o que constitui, desta vez, uma violação aos direitos à expressão e à liberdade de reunião. Uma outro motivo de preocupação prende-se com as chamadas ordens «stop loss» do exército que servem para prorrogar a duração dos contratos miliatares laborais sem o consentimento dos próprios soldados envolvidos e que acaba por configurar mais uma grosseira violação da Convenção Internacional sobre o Trabalho Forçado que interdita liminarmente qualquer espécie de trabalho forçado.
Para ler o relatório:

Recorde-se que os últimos anos têm sido particularmente duros para os objectores de consciência nos Estados Unidos por razões óbvias. Ao mesmo tempo regista-se um crescente número de aderentes ao movimento dos objectores e resistentes à guerra no Iraque, em especial dos jovens norte-americanos entre os 18 e 22 anos, os quais tem sido cada vez mais sensíveis ao anti-militarismo e à resistência contra a guerra, apesar de serem o alvo fácil de toda uma multivariada bateria de meios de propaganda a favor da guerra e que vão desde os videojogos, a moda, a música até aos poderosíssimos canais de televisão e da imprensa oficial.

Foi possível assim lançar campanhas para a desmilitarização das escolas secundárias de forma a exigir o afastamento dos recrutadores militares para fora daquelas escolas, cuja evolução tem sido progressiva, ainda que lenta, à medida que alguns dos alistados recentes voltam, mortos ou feridos, para os seus distritos de origem.. Nos campus universitários as acções anti-recrutamento pautam-se por outras regras e que se prendem com a organização de acções e protestos face àqueles centros. Um dos grupos de anti-recrutamento que mais sucesso tem tido é o Campus Antiwar Network (CAN), e cuja acção já se faz sentir a nível geral de todos os Estados Unidos. O mesmo se diga do grupo que desenvolve as suas acções nas escolas secundárias e que se chama Juventude contra a guerra e o racismo (YAWR) com um âmbito de acção focalizado sobretudo nos estados de Washington, Minnesota e Massachussetts.

Múltiplos exemplos se podem indicar e que mostram como os jovens norte-americanos se encontram à frente no movimento anti-guerra e contra o recrutamento militar, tendo sido nalguns casos objecto de repressões violentas por parte da polícia e das autoridades como aconteceu em Holyoke Community College (Massachusetts), Kent State University (Ohio) George Mason University y Hampton University (ambas na Virginia) entre outros. Felizmente que os estudantes que foram vítimas de represálias tem sido firmemente apoiados por todos os seus colegas, que não lhes regateiam o apoio devido.

As perspectivas parecem que neste ano de 2006 são claramente optimistas uma vez que o número de novos recrutas têm vindo a diminuir a olhos vistos, o que só mostra que o nosso trabalho só pode e deve continuar, havendo que reforçar os apoios mútuos entre os variados grupos e colectivos que se manifestam contra a guerra e o recrutamento militar. Na verdade, enquantos os recrutadores do exército não pararem de fazer promessas e oferecendo tentadoras propostas de dinheiro, empregos e acesso às universidades aos jovens recrutas, abusando quantas vezes da sua boa fé, a presença e a luta dos resistentes anti-guerra não deve abrandar.


História

O Dia Internacional dos Objectores de Consciência teve origem nos Encontros Internacionais dos Objectores de Consciência (ICOM), que se organizaram todos os anos entre 1981 e 1997 por iniciativa dos grupos afiliados à Internacional dos Resistentes á Guerra, e que se realizaram nos Países Baixos, na Espanha, na Eslovénia, Áustria, Hungria, Turquia, Colômbia e Chade, entre outros. Enquanto nos primeiros anos a troca de ideias e a construção da rede internacional de objectores de consciência constitui a maior prioridade, um objectivo suplementar veio a tornar-se cada vez mais imperioso. Na verdade, a situação da objecção por parte dos objectores de consciência mostrou-se particularmente crítica em alguns países, e apesar de todo o apoio tornava-se indispensável dar maior visibilidade internacional à acção e às iniciativas locais dos diversos grupos de objectores.
Foi assim que em 1985 o ICOM, na qual participaram mais de uma centena de militantes de mais de 20 países, decidiu tornar pela primeira vez o dia 15 de Maio como um dia de acção a favor da Objecção de Consciência a fim de alertar a opinião pública mundial sobre a sua problemáticas, assim como denunciar as situações difíceis vividas pelos objectores de consciência em diversos países. Na linha do que foi decidido os sucessivos dias 15 de Maio foram focalizados nas situações específicas dos seguintes países: Grécia (1986), Jugoslávia (1987), África do Sul(1989), Espanha ( 1990), Turquia ( 1992), ex-Jugoslávia (1993), Colômbia (1995). O mesmo se passou relativamente a certas temáticas ligadas à Objecção de Consciência: contra a incorporação de mulheres (1991), o acolhimento dos homens e mulheres que se recusem ao alistamento ou que tenham desertado (1993). Em 2001 decidiu-se que focalizar na situação vivida em Angola, e em 2002 na dos Balcãs.
Apesar dos ICOM já não se realizarem desde há anos a verdade é que se manteve o dia 15 de Maio como o dia de acções e de iniciativas para recordar a situação por que passam muitos objectores de consciência só por querem mover-se pelos ditames da sua própria consciência. Por isso, neste dia é habitual realizarem-se conferências, encontros, manifestações, seminários e campanhas em torno da Objecção de Consciência., e em que cada grupo de objectores por cada país desenvolve temas mais específicos à sua situação.




Encontro sobre a estratégia internacional dos objectores de consciência em New York

Operação «Recusa a Guerra»

Este ano (2006) foi organizado um encontro internacional de objectores do dia 11 a 16 de Maio na cidade de Nova Iorque sob a designação genérica «Recusa a Guerra», semana durante a qual se realizarão conferências e várias acções para recordar e divulgar a Objecção de Consciência numa altura em que, por efeito da guerra do Afeganistão e do Iraque, tem vindo a aumentar a pressão do Exército para o alistamento militar nos Estados Unidos. Será mais uma ocasião para os objectores de consciência norte-americanos e de todo o mundo partilharem as suas experiências e reforçarem os seus contactos. Prevê-se ainda a realização de uma manifestação contra a guerra do Iraque.
A iniciativa conta com o apoio de: War Resisters League; Internacional dos Resistentes à Guerra; o Programa «Jovens e Militarism» da American Friends Service Committee; o Centre pour le Conscience et la guerra; o Washington Peace Center; a Colation National dês jeunes e étudiant(e9 pour la paix; o Groupe de travail sur le loi militaire; a Association National de Avocats; o Programme de Desarmnements de la Fellowship for Reconciliation (MIR-USA); o Comité Centrale pour les Objecteurs de Conscience; os Veterans for Peace; o Student Peace Action Network (SPAN)

Para mais info:

www.centeronconscience.org/orw/reg.html

http://operationrefusewar.org/

A gratuitidade dos Transportes

Não se deve confundir a necessidade (mobilidade) com os meios para satisfazê-la (transporte ou trânsito*). O conceito do lema "transporte gratuito para todos" é obter acesso igual à mobilidade, mas também tentar introduzir o debate para reduzir o impacto negativo produzido pelos transportes.

As consequências do transporte automóvel saltam à vista, nós conhecemo-las muito bem. Sem dúvida, atrás disto se ocultam problemas de alcance mundial e que estão relacionados com os estragos originados pelo capitalismo, e em especial pela nossa forma de abordar a energia e a velocidade. A gratuidade, longe de ser a solução milagrosa para todos nossos problemas, é uma condição insustentável para os transportes equitativos e limpos. Esta deve ir acompanhada de uma melhoria significativa da qualidade nos transportes colectivos.


Transportes, ferramentas do apartheid social

O urbanismo cumpre uma função de crucial importância com respeito ao crescimento de nossa necessidade de mobilidade. Os transportes pagos permitem assegurar uma característica urbana: a estratificação das cidades por populações relativamente homogéneas. Proibir mediante uma repressão cada vez maior o acesso ao transporte é justificar a criação de guetos no território. Solucionar o problema da pobreza tornando-a menos visível, deslocando os pobres dos bairros chamados "sensíveis" é um velho projecto liberal carente de justiça social. O discurso sobre a segurança actual aponta para que nós acreditemos que se está desenvolvendo violência gratuitamente. Quando o inspector faz descer do autocarro ou do comboio uma pessoa não se fala de violência. Esta violência social é invisível porque está integrada no capitalismo (sem dinheiro, não têm direito). A falta de resposta ofensiva do corpo social, este apartheid social avança.

Reduzir a velocidade do transporte dos poderosos

Os transportes questionam a equidade frente à mobilidade. A velocidade sem controle é cara. Cada vez é menos factível para a maioria. Todo aumento de velocidade de um veículo incrementa o custo de propulsão, os preços das vias de circulação necessárias e a necessidade de espaço que o seu movimento devora. Quando os viajantes mais velozes superam o limite de consumo de energia, cria-se a nível mundial uma estrutura de classe de capitalistas da velocidade. Limitar a velocidade dos transportes mais poderosos é defender a equidade. Sem dúvida, que limitar a velocidade não basta para reduzir as desigualdades: as diferenciações no seio da sociedade podem dar-se no nível de comodidade nos meios de transporte. Por exemplo, a gratuidade é uma condição indispensável e complementaria para reduzir a velocidade para ter igual acesso a mobilidade.

Desintoxicação ou metabolismo prolongado?

Vai ser necessário eleger entre desintoxicação (libertar-se de nossa dependência do consumo excessivo de energia) e a busca metabólica (conservar o nosso nível de consumo e encontrar energias limpas). Não se trata de substituir simplesmente as nossas actuais fontes de energia por outras mais limpas, senão mudar o regime energético. É conveniente recuperar a consciência sobre as vantagens aparentes ao uso da força muscular. Para mudar o regime energético, esta sociedade deve encontrar os meios para limitar o consumo dos cidadãos mais poderosos e de forma paralela, o fantasma daqueles que não o são. No âmbito dos transportes, o estabelecimento de relações sociais fundadas na participação igualitária só é possível se se limitar a velocidade. De forma caricatural, entre os seres livres, as relações sociais vão à velocidade de uma bicicleta, não mais rápido!

Visando uma mobilidade lenta?

O transporte automotor se assegura do monopólio dos deslocamentos e dessa forma impede que as pessoas utilizem a sua energia metabólica. Este monopólio observa-se principalmente nas deslocações dentro dos serviços, como cinemas, hospitais ou grandes superfícies nas periferias das cidades, fazendo mais difícil o seu acesso a uma parte da população, salvo que recorra a um transporte motorizado. Ao brindar infra-estruturas para ir longe e rápido, os transportes converteram em inoperante a mobilidade natural. Uma política de transportes num meio urbano não pode ser unimodal: o metro, o comboio ou o autocarro não seriam a única solução. É necessário que se combine com outros: a bicicleta ou caminhar. O pedestre e o ciclista devem voltar a encontrar um espaço na cidade...

RATP [Rede pela Abolição dos Transportes Pagos - Paris, França]

(*): É necessário diferenciar transporte de trânsito. A circulação de bens e de pessoas pode ser associada a outras categorias segundo a fonte de energia utilizada: o trânsito que utiliza energia metabólica do ser humano (caminhar, bicicleta) e o transporte que utiliza os motores (seja sua fonte animal, nuclear ou fóssil). Se a função de ambas as categorias é a mesma (transportar pessoas e objectos) suas consequências ambientais e sociais não serão iguais.

Colaborou na tradução Juvei

«Robin dos bosques» alemães dão aos pobres o gosto da vida boa dos ricos


Um grupo de militantes anti-capitalistas na Alemanha tem-se fantasiado de super-heróis para roubar estabelecimentos de luxo e super-mercados, entregando depois os bens roubados a desempregados e pessoas carenciadas.

Um grupo de ladrões anarquistas ao estilo de Robin Hood, que se vestem como super heróis e roubam comida cara de confeitarias e restaurantes finos e selectivos para dá-la aos pobres, está a ser procurado pela polícia na cidade alemã de Hamburgo.

Os membros do grupo gostam de deixar uma certa dose de humor nas suas incursões, que contam com números absolutos e a confusão causada pela sua presença. Depois de saquear filets Kobe, champanhe e salmão defumado de uma loja gourmet na exclusiva Elbastrasse, eles deixaram no caixa um bouquet de flores antes da fuga.

O último roubo seguiu o padrão que vem sendo seguido nos últimos meses, sugerindo que os ladrões querem deliberadamente realçar o que entendem como desigualdade inerente à sociedade alemã.

No entanto, as autoridades não concordam com isso. Bodo Franz, porta-voz da polícia, disse: "Eles vão-se embora achando que são como Robin Hood. Há cerca de 30 pessoas no grupo. Mas seja lá quais forem seus motivos, eles são ladrões, pura e simplesmente".

Carsten Sievers, gerente do supermercado de luxo na abastada área de Blankenese em Hamburgo, viu recentemente os ladrões fugindo cheios de comidas caras, inclusive os filets Kobe, que, a mais de 100 libras o quilo, estão sempre na sua ilícita lista de compras.

Noutro ataque recente, o gang encheu sacos com o conteúdo de uma extensa mesa de buffet de um restaurante top de linha enquanto um deles dizia: "Os tempos da gordura acabaram" – alusão a um filme de sucesso da Alemanha.

Através de declarações na Internet, o grupo chegou a ponto de dizer que o seu prémio é distribuído aos beneficiários de Hartz IV – os mais pobres, desempregados há mais tempo na Alemanha. O benefício foi concedido depois que o desonrado director de recursos humanos da Volkswagen, Peter Hartz, que, antes de perder o seu emprego na montadora por causa de um escândalo, tramou um novo sistema de verificação de renda que é odiado e ridicularizado pelos mais pobres.

Quando o grupo roubou uma loja gourmet em Abril – desencadeando uma forte investigação policial que custa 20.000 libras provenientes de taxas pagas pelos contribuintes sem que prisão alguma acontecesse –, eles deixaram uma nota dizendo: "Sem as habilidades dos super heróis para ajudá-los, seria impossível às pessoas comuns sobreviverem numa cidade de milionários".

A polícia diz que está a concentrar suas investigações num colectivo de anarquistas e agitadores chamado "Hamburg in Vain", que eles acreditam que os super heróis pertencem, apesar de admitirem que há uma certa ostentação de habilidade em relação aos roubos.

O gang também está por trás do mercado negro de ingressos de cinema que são distribuídos gratuitamente aos pobres e imprimiu também panfletos para passageiros sobre como enganar os cobradores de autocarros e metro

O Sr. Franz disse: "Eles tentam tornar o crime engraçado, mas têm motivação política".

Fonte:
aqui

14.5.06

Mário Quintana, poeta brasileiro (1906-1994)


AH! OS RELÓGIOS
Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...
.
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.
.
Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.
.
E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...
.
Mario Quintana - A Cor do Invisível



DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
.
Mario Quintana - Espelho Mágico

Leitura
Se é proibido escrever nos monumentos, também deveria haver uma lei que proibisse escrever sobre Shakespeare e Camões.

Urbanística
Como seriam belas as estátuas equestres se constassem apenas dos cavalos!

Poesia não é a gente tentar em vão trepar pelas paredes, como se vê em tanto louco aí: poesia é trepar mesmo pelas paredes.


Dos Livros
Há duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam, outros que esgotam os leitores.


Educação
O mais difícil, mesmo, é a arte de desler.

Pertencer a uma escola poética é o mesmo que ser condenado à prisão perpétua.

Cartaz para uma feira do livro
Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.



MARIO QUINTANA POR MARIO QUINTANA

( texto escrito pelo poeta para a revista Isto É de 14/11/1984 )

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade.
Nasci do rigor do inverno, temperatura : 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton ! Excusez du peu.
Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso ! sou é caladão, instrospectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem ( ou souberam) , o que é a luta amorosa com as palavras.
Mario Quintana

Our desire is revolution

Our being is becoming, not stasis
Our science is utopia,
Our reality is eros
Our desire is revolution

Murray Bookchin

13.5.06

Não à Publicidade!


A publicidade é a peste do nosso tempo

O sinistro negócio da Bunge no Brasil


Bunge - quando um bom negócio para uma multinacional é um sinistro negócio para a diversidade da vida

Em 30 de Abril o Jornal da Orla, de Santos (SP), publicou: “O Terminal de Grãos do Guarujá – TGG assinou termo com a prefeitura de Guarujá, para as obras, prevendo uma compensação ambiental, que será revertida para a cidade. O equivalente a R$ 101 mil em equipamentos, será destinado para aparelhar a Secretaria do Meio Ambiente. Serão dois carros, uma embarcação para a fiscalização, 24 salva-vidas, dois computadores, duas impressoras, um binóculo, duas máquinas fotográficas digitais e um aparelho GPS de rastreamento via satélite. O terminal tem até 60 dias para adquirir todos os equipamentos e realizar a entrega.”

Na época da colonização do Brasil, os índios foram enganados pelos colonizadores que levaram o nosso ouro, pedras preciosas, dando em troca espelhinhos e outros objectos. E hoje, depois de 500 anos, a história continua, com novas roupagens, com os “novos” colonizadores, as multinacionais. É incrível, mas a espoliação e conversa mole é a mesma: para nós esmolas, presentinhos electrónicos, empreguinhos, poluição... Para eles, homens “brancos”, lucro, lucro, lucro, lucro, lucro... Isso é o capitalismo, se não mata, absorve!

E o caso do TGG, leia-se Bunge, é emblemático a esse respeito, com essa lorota de “uma compensação ambiental”. Na verdade o que eles querem dizer é o seguinte, “vamos encher o bolso de dinheiro, explorar, destruir, agredir o meio ambiente, contaminar o ar, a água, a terra, urbanizar a terra, cimentar mentes, em troca fazemos compensação ambiental, certo?”. Quanta hipocrisia verde!

E mais uma vez as ditas autoridades, com sua cara de pau, aura de cinismo e engodo, apoiam o projecto. Para o "sempre sorridente" prefeito do Guarujá, Farid Madi, o TGG ampliará a receita anual de impostos, aumentará a geração de empregos e todos esses mitos desenvolvimentistas. É muita conversa mole!

E o secretario do meio ambiente do Guarujá, Sr. Elson Maceió, outrora activista ambientalista, participante das manifestações da Acção Global dos Povos (AGP) em São Paulo, o que fala? Nada, diante dos grandes projectos industriais ele se cala, se curva aos poderosos, como um bom cão submisso. O "negócio" dele é ficar promovendo "educação ambiental". E é isso que o sistema quer, cidadãos "conscientes", inofensivos, dóceis, de bom coração e sem informação sobre os debates reais, que não questionem à raíz dos problemas, o capitalismo.

Mas, Sr. Elson Maceió, o que é 101 mil reais em "compensação ambiental" para uma gigante multinacional que factura biliões e biliões de dólares por ano?

A destruição dos ecossitemas têm preços, Sr. Elson Maceió?

Será que o Sr. Elson Maceió sabe que há mais de 500 anos, as multinacionais só visam o lucro, devastam o meio ambiente, são as principais responsáveis pela concentração de renda e capital, pela exclusão social no campo, muitos deles irreparáveis?

Sr. Elson Maceió, você é um vendido, um cooptado pelos poderosos e interesses escusos do capital. Você é um indigno, uma vergonha!

Bunge e o Terminal de Grãos do Guarujá

Previsto para ser a maior instalação portuária multifuncional da América Latina, o Terminal de Grãos do Guarujá, já está em construção. O projecto prevê investimentos de mais de R$ 450 milhões, e pretende transformar uma área de quase 500 mil m² localizada no Porto de Santos (o TGG ficará na margem esquerda, no Guarujá), num terminal para fertilizantes e grãos com capacidade de transportar 10 milhões de toneladas por ano.

Segundo alguns críticos da empreitada, esse seria o primeiro passo para aumentar o poder económico da Bunge e de suas sócias no projecto, a Amaggi (antigo grupo Maggi) e a Ferronorte. Elas deteriam o controle não apenas da exportação e do transporte de soja, mas também da importação de fertilizantes. Criando um oligopólio no processo de compra e transporte de soja na área coberta pelos trilhos da Ferronorte. Essa empresa pertence ao grupo Brasil Ferrovias e detém o controle do principal sistema ferroviário para o transporte de soja do País – do Mato Grosso a Santos. Actualmente, a soja é embarcada pela chamada margem direita de Santos, também conhecida como porto velho. Considerada a pior área de movimentação de cargas de grande volume, ali registram-se enormes congestionamentos de caminhões.

O que é a Bunge?

A Bunge Alimentos, é uma gigantesca multinacional com sede nos Estados Unidos, e lida com óleo bruto de soja, óleo refinado de soja, gordura hidrogenada, farelo de soja, ração animal e uma grande quantidade de produtos para consumo humano. É a maior esmagadora de soja no Brasil. Juntamente com as multinacionais norte-americanas, ADM (Archier Daniels Midland) e Cargill, controlam o mercado de soja na Europa. Recentemente documentos do Greenpeace revelaram o papel dessas três multinacionais no norte do país, a invasão da Amazónia, impulsionando o desmatamento ilegal, muitas vezes, feito com trabalho escravo; a grilagem de terras públicas e a violência contra comunidades locais. A Bunge também está envolvida com biotecnologia, transgenia. Ademais, é uma empresa que financia campanhas políticas em todo o Brasil. Por quê? Será a velha prática recorrente do poder, das elites, dos conchavos? O “toma lá, dá cá”?

O texto a seguir foi escrito pela Fundação Águas do Piauí (Funáguas), um grupo que desde 2003 vem enfrentando a Bunge e o governo do Estado do Piauí, denunciando o capital depredador dessa gigante global naquele Estado, suas práticas de destruição de ecossistemas e crimes de genocídio contra populações tradicionais.

Mas a reacção da multinacional também é grande, através de processos e campanhas de marketing, leia-se engodo. A Funáguas já foi até processada por distribuir um folheto! Tempos atrás um juiz determinou a imediata suspensão do website da Funáguas, cobrando 5 mil reais diários de multas se a exigência não fosse cumprida.

Contudo, que fique bem claro, a devastação ambiental e social desta multinacional está presente em vários estados brasileiros, de norte à sul. A folha corrida dela é longa...

Bunge Alimentos S/A cem anos de experiência em destruição ambiental e social

1905. A Bunge chegava ao Brasil. No Piauí viemos conhecê-la apenas em 2001, mas até agora um rastro de destruição é a sua marca no Estado. Lucro com certeza deve ter, e muito, mas para quem e para onde? Responsabilidade social e ambiental nós atestamos que não há. Supostamente esta deve ser a sua política no transcurso deste século. Vejamos um pouco o que é a Bunge Alimentos no Estado do Piauí:

- Valor do investimento segundo a proposta da própria empresa encaminhada à Secretária da Indústria e Comércio, Ciência e Tecnologia do Estado do Piauí, em 18 de Outubro de 2001: 420 milhões de reais.

- Facturamento nos dez primeiros anos: 6,8 biliões.

- Isenção fiscal através do Decreto 10867 de 11 de setembro de 2002 – 15 anos. Para ICMS, ISS, IPTU.

- Empregos directos na fábrica: 120, destes 60 remanejados de outras unidades da empresa.

- Empregos indirectos na zona de influência da unidade: 500 aproximadamente.

- Êxodo rural (expulsão de famílias da zona rural): 75% da população das cidades invadidas pela soja se encontram em zona urbana. A grilagem de terra é uma prática utilizada e que contribui para a expulsão das famílias que vivem na zona rural. Estas populações se aglomeram nos centros urbanos, sem nenhum trabalho ou fonte de renda, contribuído para o processo da violência urbana.

- Concentração de terra e renda: a monocultura da soja no Piauí não permite a participação da agricultura familiar ou de cooperativas de pequenos produtores rurais. Um grupo diminuto é responsável por 100% da soja produzida. Este processo de concentração da produção dificulta a dinâmica da agricultura familiar na região para qualquer outra cultura.

- Contrabando de recursos naturais: para se produzir soja são necessários água e solos férteis, recursos escassos em muitos lugares do Planeta. E esta soja não é para alimentar o povo piauiense, mas para engordar animais (porco, gado, galinha) no primeiro mundo onde as populações vivem basicamente do consumo deste tipo de proteína.

- Desmatamento: A Bunge utiliza lenha nativa do cerrado, sem respeitar nenhuma espécie, como matriz energética para o processamento da soja. Em média 600 st por dia. A partir de 2007, quando duplicar o processamento de grãos para 1 milhão e 200 mil toneladas por ano, deverá aumentar a utilização da lenha para 1.200 st por dia. O rendimento médio de lenha por hectare da região é de 15 st. A área plantada tem aumentado de forma exponencial para atender a demanda. Os dois processos conjuntos contribuem para a retirada brusca da cobertura vegetal do cerrado piauiense. Fato grave ainda é que dentro deste cerrado, classificado como Ecotonal (de transição entre Caatinga e Amazônia) está a bacia hidrográfica do rio Parnaíba com 200 afluentes aproximadamente.

- Áreas desmatadas: existem áreas desmatadas e subutilizadas de 50 mil hectares continuamente. A área desmatada supera a plantada. O processo de desmatamento é ininterrupto, para que os fazendeiros agreguem valor à terra desmatada.

- Trabalho escravo: O Ministério Público Federal ajuizou acção na Justiça Federal (Processos nº. 1.27.608/2004-77 e 1.27.548/2004-92) em duas fazendas produtoras de soja nos municípios de Baixa Grande do Ribeiro e Ribeiro Gonçalves. No corte da lenha um trabalhador rural recebe em média 60 centavos de real por metro cúbico e para “catar toco” nas áreas desmatadas a diária é em torno de 7 reais para uma jornada de 10 horas. As condições de alojamento e alimentação são precárias e a legislação trabalhista não é respeitada. O “gato” é uma prática utilizada nas fazendas.

- Grilagem de terra: O avanço em terras devolutas e de posseiros é uma prática comum. O INTERPI – Instituto de Terras do Piauí reconhece a situação, todavia não apresenta políticas condizentes para combater esta prática.

Isto é um pouco da Bunge no Piauí em apenas 4 anos. Você já imaginou em 100 anos o que pode ter sido feito?

Deu na imprensa

Desde a instalação da Bunge no município de Uruçuí, Piauí, em 2002, a situação dos trabalhadores rurais se agravou. A terra onde plantavam produtos da agricultura familiar cedeu espaço para o plantio de soja pondo fim a cultura da região das tradicionais farinhadas, colecta de feijão, milho, abóbora e outros produtos.


Uma das comunidades mais prejudicadas, Sangue, a cinco quilómetros da Bunge, onde mais de 40 famílias vivem a margem da miséria. A agricultora Cleuza Pires, 59 anos que nasceu na comunidade lembra com saudosismo de um passado em que havia fartura de produtores da agricultura familiar. “Hoje, tudo virou deserto, não tem mais terra para plantar o que a gente come, e a terra que tem está envenenada pelos venenos que eles jogam de avião”, reclama a agricultora referindo-se aos agrotóxicos lançados pelos produtores de soja.

Moésio R.
Pececito Chuva de Fogo

10.5.06

Greve europeia de estudantes contra a reforma do ensino universitário ( 11 de maio)

Em 10 de Maio de 1933 os nazis queimavam livros


No dia 10 de Maio de 1933, foram queimadas em praça pública, em várias cidades da Alemanha, as obras de escritores alemães inconvenientes ao regime. Esta "limpeza" na vida cultural praticada pelos nazis levou muitos intelectuais ao suicídio ou à busca de segurança no exílio.
"Ao fogo com tudo o que é contra a Alemanha. Contra a luta de classes e o materialismo. Pela comunidade dos povos e a concepção de vida idealista: Deito agora ao fogo os escritos de Karl Marx e Kautsky."

O dia 10 de Maio de 1933 marcou o auge da perseguição dos nazistas aos intelectuais, principalmente aos escritores. Em toda a Alemanha, principalmente nas cidades universitárias, montanhas de livros ou suas cinzas se acumulavam nas praças. Hitler e seus comparsas pretendiam uma "limpeza" da literatura.

Tudo o que fosse crítico ou desviasse dos padrões impostos pelo regime nazista foi destruído. Centenas de milhares de livros foram queimados no auge de uma campanha iniciada pelo directório nacional de estudantes.
Albert Einstein, Stefan Zweig, Heinrich e Thomas Mann, Sigmund Freud, Erich Kästner, Erich Maria Remarque e Ricarda Huch foram algumas das figuras literárias alemãs perseguidas na época.

O poeta nazi Hanns Johst foi um dos que justificou a queima, logo depois da ascensão do nazismo ao poder, com a "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".
Assim como desde a pré-história se acreditava nos poderes purificadores do fogo, o regime do mestre da propaganda – Joseph Goebbels – pretendia destruir todos os fundamentos intelectuais que não se coadunassem com o regime.

A opinião pública e a intelectualidade alemãs ofereceram pouca resistência à queima. Editoras e distribuidoras reagiram com oportunismo, enquanto a burguesia tomou distância, passando a responsabilidade aos universitários. Também o exterior acompanhou a destruição distanciado, chegando a minimizar a queima como resultado do "fanatismo estudantil".

Entre os poucos escritores que reconheceram o perigo e tomaram uma posição estava Thomas Mann, que havia recebido o Nobel de Literatura em 1929. Em 1933, ele emigrou para a Suíça e, em 1939, para os Estados Unidos. Quando a Faculdade de Filosofia da Universidade de Bonn lhe retirou o título de doutor honoris causa, ele escreveu ao reitor:
"Nestes quatro anos de exílio involuntário, nunca parei de meditar sobre minha situação. Se tivesse ficado ou retornado à Alemanha, talvez já estivesse morto. Jamais sonhei que no fim da minha vida seria um emigrante, despojado da nacionalidade, vivendo desta maneira!"

Também Ricarda Huch retirou-se da Academia Prussiana de Artes. Na carta ao seu presidente, em 9 de Abril de 1933, a escritora criticou os ditames culturais do regime nazista: "A centralização, a opressão, os métodos brutais, a difamação dos que pensam diferente, os auto-elogios, tudo isso não combina com meu modo de pensar", justificou.
Em 1934, a "lista negra" incluía mais de três mil obras proibidas pelos nazistas. Como disse o poeta Heinrich Heine:
"Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas”

Debates sobre o Único e a sua propriedade nos 150 anos da morte de Stirner




Zona Temporalmente Amoral
(12 e 13 de Maio de 2006, em Barcelona)

Colóquio e debates pelos Egoístas Anónimos

O encontro não servirá para qualquer cerimóia necrófilo-académica sobre um filósofo morto, mas antes para trocar ideias sobre uma antifilosofia actual

6ª feira (12 de Maio)
19 horas
Agustín García Calvo"uno y uno de tantos" (título provisional.....)

Sábado (13 de mayo)
18 horas
Mesa redonda: El único y la anarquía actual
"Stirner y la anarquía contemporánea" Costantino Cavalleri
"Stirner, el hombre, el único y yo" Luis Andrés Bredlow
y varios más......
.
.
Todos los debates en al
"Ateneu Popular de 9 Barris"C/Portlligat sn
Barcelona
Metro L4 Via Julia o L4 Trinitat Nova
Organiza:
Llavors d'anarquia
Ateneu Enciclopèdic Popular.

Camping Libertário - 23 a 30 julho de 2006, Ariège (Pirenéus franceses)



Depuis deux ans, l’OCL et l’OLS organisent un camping commun ouvert à toutes et tous, auquel se joignent beaucoup de personnes qui n’appartiennent à aucune des deux organisations. L’idée est de profiter de la période estivale pour discuter de thèmes - voir le programme - sur lesquels nous avons trop peu le temps de nous arrêter lors de notre militantisme quotidien. Il ne s’agit pas pour autant d’une université d’été où on viendrait écouter la bonne parole ou faire des cours de rattrapage. Nous souhaitons plutôt offrir un espace de dialogue, de rencontre, d’échanges formels mais aussi informels. Un débat se tient chaque soir. Les journées offrent de vastes temps libres que chacun-e occupe à sa guise. En fonction des envies, des débats non prévus au programme peuvent être organisés, proposés à l’improviste ou poursuivre des questions qui se seraient posées durant les discussions précédentes. La vidéothèque, la librairie et table de presse fonctionnent à tout moment. Ce fonctionnement laisse aussi place à toutes personnes qui souhaiteraient faire partager une expérience, présenter une lutte particulière... Ce camping est donc pour toutes ces raisons ouvert à toutes et tous.

Dimanche 23 juillet POT D’ACCUEIL Se retrouver autour d’un verre pour discuter

Les débats Ils se déroulent quotidiennement, à la "fraîche", vers 20h30, après le repas du soir. Leur structure n’est pas figée. Des propositions peuvent être faite. Le reste de la journée permet d’insérer d’autres temps de discussions.

Lundi 24 juillet
L’ANNÉE SOCIALE
L’année sociale a déjà été marquée par la révolte des banlieues en réaction au "nettoyage au Kärcher de la racaille". Mais qui aurait prédit après toutes les défaites subies par le mouvement social depuis des années que, dans la foulée, la fin de l’hiver et le printemps 2006 verraient plus de 3 millions de personnes dans la rue sur l’initiative de la jeunesse ? Quel bilan tirons-nous de ce mouvement contre la précarité, tant au niveau local qu’au niveau global ? Quels espoirs pour demain ?
Mardi 25 juillet
QUELLES CLASSES SOCIALES AUJOURD’HUI ?
Politiciens, sociologues et analystes de cour rêvent, depuis les années 70, de faire croire que la France tend à n’être constituée que d’une énorme classe moyenne. Or tant les chiffres que les événements qui ponctuent la vie politique et sociale de l’hexagone ne font que démentir cette assertion qui relève de la méthode Coué. La société française est toujours la société de classe qu’elle était dans l’après-guerre. Et, dans ce contexte, bien sûr, une lutte des classes qui, si elle ne se manifeste pas tous les jours de manière spectaculaire, est présente. Ce qui a changé, en revanche c’est une crise de la représentation politique des classes sociales,
La perception que ces classes ont d’ellesmêmes qui est souvent brouillée par le discours sur les "classes moyennes",
La situation "géographique" d’un prolétariat moins regroupé qu’auparavant sur des lieux de travail énormes, homogènes et fixes.
Mercredi 26 juillet
NOUVELLES TECHNOLOGIES ET BIOMÉTRIE.QUELLE RÉSISTANCE
Notre époque est celle de l’accélération. Les publicités vantent la vitesse des voitures et des trains, mais aussi des connexions à Internet, des plats surgelés... Il faut toujours être à la page, posséder le tout nouveau téléphone mobile, la dernière version d’un logiciel, écouter le tube récemment à la mode, etc. Le fantasme de l’Occident contemporain est celui de l’immédiateté. Il faut en finir avec le temps perdu, en finir avec la tradition, pour désirer l’abolition du temps et de l’espace. Mais notre époque est aussi celle de la transparence et de la traçabilité. La biométrie, corollaire du projet global de numérisation et de quadrillage du réel, en est l’exemple le plus criant. Quels bouleversements des comportements, des formes d’organisations sociales, des valeurs de vie et de pensée véhiculent ces profonds changements sociaux ? À qui profitent-ils ? Et que peut-on faire face au déferlement technologique ?

Jeudi 27 juillet
L’ENGAGEMENT AUJOURD’HUI
En vue d’un Hors série commun entre Courant Alternatif et Offensive, un débat se tiendra sur les formes du militantisme aujourd’hui. Comment peut-on lutter, résister dans une société qui ne va pas dans le sens que nous souhaitons ? Quelles sont les modifications, les modes d’action qui caractérisent notre époque. Le mouvement social de 2006 a-t-il témoigné d’un changement de structure, d’espaces et de manière de faire de la politique ? Que signifie être révolutionnaire aujourd’hui ? Notre militantisme n’est-il pas victime des logiques du capitalisme : individualisme, média, logique de représentation, prépondérance d’internet... Que signifie créer des alternatives dans un monde régit par le système capitaliste ?

Vendredi 28 juillet
FAUT-IL CRITIQUER LE SPORT ?
Le sport occupe une place majeure dans notre société. Combien de fois par an fait-il la une des médias ! Sa critique est absente. Pourtant l’histoire du sport est traversée d’événements politiques. Et aujourd’hui son rôle n’est-il pas majeur dans la domestication des masses. Il est enseigné dès le plus jeune âge à l’école et en dehors. Et lorsqu’on commence à bosser, l’on retrouve nombre de logique qui existe dans l’entreprise existe aussi dans le sport : hiérarchie, esprit de compétition, dopage pour gagner... Existerait- il toutefois un sport ouvrier, rouge à distinguer du sport bour-geois ? Un sport capitaliste et un sport révolutionnaire ? Le sport peut-il véhiculer autre chose que la haine de l’autre, la violence ? Le sport a-t-il été dénaturé par la professionnalisation ou est-il en soit perverti ?

Samedi 29 juillet
ENERGIES ET CAPITALISME
La tendance actuelle à l’épuisement des ressources énergétiques naturelles fait ressortir des discours catastrophistes sur la fin de notre mode de vie. Les “nucléocrates” utilisent cet argument pour nous imposer une relance de la filière civile. Que doit on en penser ? Y a-t-il un intérêt à connaître précisément l’état des ressources énergétiques naturelles et les logiques capitalistes en découlant ? Comment ne pas se faire conseiller du prince en trouvant des solutions à la boulimie énergétique du capitalisme industriel ? "En restant sur le terrain des choix énergétiques, les écologistes sont amenés à se poser en co-gestionnaires de nos vies irradiées, toujours assis à la place que l’Etat a bien voulu leur concéder. D’où les maquignonnages et les jeux de lobby : sortir du nucléaire en 10 ans, 12 ans et demie, 18 ans et 3 mois ou 30 ans, le temps d’épargner pour acheter son cercueil (plomb ou béton ?).

Organisation matérielle du camping
Nous sommes accueilli.e.s dans une ferme en activité dont les exploitant.e.s mettent à notre disposition un local comprenant un coin cuisine, un salle de repas, une pièce pour les débats, des sanitaires (douches, lavabos, WC) et des terrains pour le camping. Pour ne pas gêner les travaux quotidiens un parking pour les voitures (autres que camping-car) est disponi
ble à Esplas de Sérou, qui se situe à dix minutes à pied. Téléphone sur place : 05 61 65 80 16

Les repas
Ils sont pris en commun et confectionnés par des équipes tournantes. Chaque jour, une équipe "bouffe" s’occupe des courses et des deux repas de 13h et 19h en fonction d’un budget quotidien (le petit déjeuner est autogéré service/vaisselle). Une seconde équipe s’occupe de la vaisselle, de la propreté des sanitaires, de la salle de éunion et de l’entretien quotidien du lieu.

Les prix, les tarifs
Ils comprennent les trois repas et les frais du camping et sont établis en fonction des revenus par souci égalitaire. Le séjour est gratuit pour les bébés mais un tarif de 5 euros par jour est demandé pour les enfants.
Tarifs journaliers
selon les revenus mensuels
5 euros si inférieurs à 400 euros
7 euros entre 400 et 700 euros
8 euros entre 700 et 800 euros
9 euros entre 800 et 900 euros
10 euros entre 900 et 1 100 euros
12 euros entre 1100 et 1200 euros
14 euros entre 1200 et 1500 euros
18 euros si supérieurs à 1500 euros

Y accéder
Le camping se situe à Eychenat sur la commune de l’Esplas de Sérou.
En train : gare de FOIX, prévenir à l’avance de votre arrivée et on peut venir vous chercher.
En bus : à la sortie de la gare de FOIX, prendre le bus direction St Girons et descendre à La Bastide de Sérou où nous irons vous chercher. Si vous tenez vraiment à l’autonomie intégrale, suivre les panneaux indiquant “Camping libertaire” à la sortie du village (à gauche), prendre son souffle et çà grimpe pour deux petites heures !
Par la route : vous venez de FOIX, prendre la départementale 117, direction St Girons. A la sortie de La Bastide de Sérou, suivre le fléchage temporaire Camping libertaire.

POUR PLUS DE RENSEIGNEMENT

OCL c/o EgregoreB.P. 1213 51058 Reims Cedexlechatnoir@club-internet.fr03 26 82 36 16

OLS c/o Mille Bâbords 61 rue Consolat, 13001 Marseilleols@no-log.org06 77 54 39 74

9.5.06

Palhaços sem fronteiras





Já existem em vários países colectivos de artistas procedentes do mundo das artes cénicas que pretendem contribuir para a transformação da situação psicológica dos grupos populacionais mais fragilizados, promovendo atitudes solidárias e realizando actividades de dessacralização dos símbolos e dos ícones do poder instituído.
Realizam habitualmente espectáculos para as populações vítimas de guerra e de exclusão social.

Milhares de metalúrgicos em greve manifestam-se em Vigo




A cidade galega de Vigo tem sido palco, nos últimos dias, de consecutivas jornadas de luta( com greves, manifs e cortes de ruas e estradas) por parte dos trabalhadores metalúrgicos, desde que no passado dia 3 de Maio foi decretada uma greve geral indefinida para o sector metalúrgico.
Cerca de 15.000 manifestantes cortaram o trânsito em frente da fábrica da Citroen e outros 600 trabalhadores dos estaleiros vieram em solidariedade com os seus colegas na passada 5ª feira.
Os sindicatos do sector convocaram esta greve que abrange 37.000 trabalhadores por não terem chegado a acordo para o novo Contrato Colectivo com a associação patronal. Como resultado dessa convocatória registou-se quase de imediato uma paralisação generalizada nas empresas. Registaram-se alguns confrontos com a polícia quando unidades de polícia de choque foram lançadas contra os manifestantes.
A greve continua.


http://www.cntgaliza.org/

8.5.06

Spinoza e o anarquismo



Ou como Spinoza pode ajudar a compreender o pensamento anarquista contra o Estado e Deus

Baruch de Spinoza nasce em 1632 numa família abastada da comunidade judaica de Amsterdam. O jovem Baruch acaba por ser rejeitado pela sua própria comunidade por via de uma excomunhão que lhe é imposta em 1656. A verdade , porém, é que o livre-pensador Spinoza pensa demasiado e bem demais para poder ser aceite por qualquer religião.
Começa então a saga de Spinoza nos liberais e poderosos Países Baixos. Exila-se fora de Amsterdam, indo viver modestamente do seu trabalho numa oficina de produção de vidro e ainda de uma pensão que lhe é concedida por Jean de Witt ( líder dos republicanos holandeses). Rodeia-se então de um círculo de amigos que estudam a sua obra. A sua reputação não pára de crescer valendo-lhe uma intensa troca de correspondência, assim como de frequentes visitas ( como o de Oldenbourg, secretário da prestigiada Real Sociedade de Londres, passando por políticos, aventureiros e libertinos, todos eles curiosos e sedentos em conviver com um pensador tão profundo e subversivo como era aquele).

Apesar de tudo, Spinoza era um homem solitário e probo, tendo recusado a cadeira de filosofia na academia de Heidelberg pela simples razão que “ desconhecia quais os limites que lhe seriam impostos, a ele e à sua liberdade filosófica, para não incomodar a religião oficialmente estabelecida”. Morre em 1677 num modesto quarto na cidade de Haia.

Aquele que ficará conhecido na história como o “ateu virtuoso” será saudado, cento e cinquenta anos mais tarde, por Hegel que se referirá a ele nestes termos: “Spinoza constitui de tal modo o ponto crucial da filosofia moderna que bem se pode dizer que há que escolher entre o spinozismo ou nenhuma filosofia.”

Do próprio Spinoza só nos chegou uma obra assinada com o seu nome, “ Os princípios da filosofia de Descartes”. Esta obra deu-lhe de facto alguma notoriedade que rapidamente será substituída pelo caso do “escândalo Spinoza”. Com efeito, em 1670 aparece o “Tratado das autoridades teológicas e políticas” de autor anónimo, apresentada publicamente como uma edição alemã mas realmente impresso em Amsterdam. Acontece que o anonimato não enganou ninguém, e todo o mundo reconheceu nele a mão e o pensamento de Spinoza.
Nesse tratado o objectivo declarado é a demonstração da utilidade e importância da “liberdade de filosofar” para a vida da Cidade. Spinoza propõe aí uma exegese heterodoxa da Bíblia e, segundo os seus detractores, “não se contenta em minar as bases da religião e da santa teologia, mas vai ao ponto de contestar a ordem política e as noções de senso comum” ( palavras do abade Huet). Abate-se então uma catadupa de insultos e invectivas sobre Spinoza. Não houve Igreja alguma que não tivesse aparecido a denunciar aquele “monstro de confusão e de trevas” ( palavras do abade de Massillon). A publicação póstuma da “Ética” , a obra maior de Spinoza, lançará então a intelligentsia teológica da época para a incredulidade e a paralisia completa tal é a sua incapacidade para fazer face a um pensamento tão rigoroso como o que se encontra plasmado naquele livro. A crítica ao Deus “clássico” revela-se implacável bem como aos lugares comuns do cepticismo libertino que começava a emergir na época: Spinoza não é um filósofo iludido por um qualquer ídolo que a ciência nascente acabará por desmistificar, a sua crítica recai antes sobre a questão essencial: a ideia de transcendência.

O cavalo de Tróia utilizado por Spinoza para baralhar os teólogos é a própria essência de Deus, isto é , a sua perfeição. E é justamente nisto que o filósofo se baseia para desmontar e demonstrar que toda a ideia de finalidade e de liberdade aplicada a Deus constitui um absurdo – “ pois se Deus actua com vista a um fim, tal significa necessariamente que ele deseja qualquer coisa que não possui”, logo ele não será um ser perfeito... “Deus ao agir pelas leis da sua própria natureza, e ao não estar condicionado por ninguém” não tem qualquer escolha a fazer, ou seja, tentar aplicar-lhe um conceito, ou a ideia humana de liberdade revela-se uma tarefa sem sentido... Do mesmo modo, a ideia da Criação é absurda uma vez que ela subentende um vazio anterior, ou uma “falha”, o que contradiz a ideia de perfeição que se associa a Deus...

Uma tal lógica de pensamento desqualifica a ideia de um Deus acima da Natureza, um Deus transcendente, ao mesmo tempo que insinua a ideia da perfeição do mundo, da Natureza.
Ora a crítica à transcendência ( a qualquer transcendência) traduz-se, no domínio da filosofia e do pensamento político, no próprio fundamento do anarquismo. Vejamos como.
Proudhon e Bakounine assentam a sua crítica ao Estado e à autoridade numa base filosófica que é justamente a crítica à transcendência proposta por Spinoza dois séculos antes.
Aqueles dois autores anarquistas tentam mostrar a ligação íntima entre a visão religiosa e a visão estatal.
Spinoza ao identificar Deus à natureza ( negando pois um Deus acima da natureza) anuncia Proudhon que, por sua vez, identifica a noção de Estado e de sociedade (negando assim o existir de um Estado acima da sociedade civil). Pelo exposto se concluirá que a potência ( o poder) que Spinoza reconhece à Natureza, é a mesma potência ( o poder) que os anarquistas reconhecem à sociedade.
O que transcende nega o que é transcendido: se Deus é, logo o destino do homem é ser escravo – acabará por dizer Bakounine.

Ao reivindicar para o mundo uma perfeição que lhe estava vedado pela estranha intercepção de um ser exterior ( Deus) segundo a tradicional visão religiosa , Spinoza acaba por percorrer um caminho similar ao do anarquismo que reconhece a autonomia e a “perfeição” da sociedade sem necessidade de um “ser transcendental” que é o Estado.
Segundo Spinoza a democracia releva “de uma assembleia composta por toda uma multitude”, “o Direito define-se pela potência ( poder) da multitude, e que se costuma chamar de Estado”. Aqui, realce-se, não há alienação do poder, a transferência para uma “vontade geral” que definiria uma espaço independente ( o Estado ) do espaço onde reside o poder ( a Sociedade). Por rejeitar definir o Estado como independente Spinoza defende que este deve ser a expressão imediata do “poder da multitude” (entendendo esta – é bom que se sublinhe - como composição de forças e não como algo resultante de um número).
O pensamento político de Spinoza deriva pois da sua análise crítica da metafísica: “ aquela Constituição externa da potência ( poder) colectiva, à qual os Gregos deram o nome de Archê, principado, autoridade, governo...”, essa Constituição externa não faz sentido algum para a filosofia de Spinoza.

Note-se que não se pretende aqui conotar Spinoza com o anarquismo. Todavia existe, sem dúvida, no pensamento deste “judeu maldito” uma base filosófica para todos aqueles para quem “todo o ser é o ser neste mundo e nada mais para além dele”
Spinoza foi o primeiro filósofo a ter pensado radicalmente a imanência, e não nos parece intelectualmente honesto pretender enredar a sua filosofia em qualquer tradição panteísta.
Não pretendendo, de maneira nenhuma, apontar precursores de espécie alguma ao pensamento político anarquista a verdade é que a filosofia de Spinoza tem a virtude de nos ajudar a compreender as ideias-mestras do anarquismo e de nos vacinar virtualmente contra os que enchem a boca de um "cadáver esquisito", pronto a digerir tipo fast-food, qualquer que seja o seu nome ( bem podendo ser o anarquismo, liberalismo, comunismo, marxismo, socialismo ou outro ismo qualquer).