3.4.11

Novas economias - movimento contra a financeirização da sociedade

NOVAS ECONOMIAS - MOVIMENTO CONTRA A FINANCEIRIZAÇÃO DA SOCIEDADE é o nome do colectivo formado na Assembleia Popular de 19 de Março, no Porto, identificado, na altura, como "banca/contra a financiarização da sociedade".


O grupo/colectivo tem reunido uma vez por semana na Casa Viva. A próxima reunião é na QUINTA-FEIRA, 07 DE ABRIL, 22.00 h, novamente na Casa Viva, na Pr. Marquês de Pombal, Porto.


Já temos blogue para reunir todos os testemunhos, protestos, propostas sobre o actual sistema financeiro que nos tritura e sobre um sistema que acolhesse justiça e dignidade ...


Este é um espaço aberto para todas e todos interessados em demonstrar que esta economia que nos devora, não é a única saída, nem a única solução!


Através desta economia com a ditadura dos mercados, há a imposição de um novo totalitarismo, a financiarização da sociedade e das nossas vidas.


Parece que todos e cada qual, somos obrigados a ter uma conta num banco, parece que são os bancos que dizem quem é e não é sério, e, ainda por cima, estamos todos metidos numa imensa base de dados manipulada, usada e abusada pelos mandantes no actual sistema financeiro.


Neste espaço que é gerido por um grupo de pessoas, de todas as idades e experiências, que participou e participa activamente no movimento da chamada "geração à rasca", cabem os testemunhos e as vontades de todas e todos que acreditam que há outros caminhos, outras experências, outras construções para novas economias.


Participem, registem-se e façam ouvir a vossa voz!


Não contribuas para o passivo, torna-te activo!


As razões da cólera (Les raisons de la colère), um filme-doc de Samuel Luret e Damien Vercarmer sobre a revolta dos excluídos que percorre o mundo






Conferência de N. Chomsky realizada em Bruxelas a 17 de Março (vídeo integral)

Nos dias 16 e 17 N.Chomsky esteve em Bruxelas a proferir algumas conferências. Numas delas, realizada no Teatro Nacional , teve como título «Razão contra o Poder», tendo estado presentes Jean Bricmont, Normand Baillargeon et Diana Johnstone para participar no debate.

N. Chomsky é um verdadeiro dissidente do sistema capitalista blobalizado, sendo hoe o intelectual mais citado em todo o mundo. A sua crítica à política estragengeira dos Estados Unidos da América, assim como do modo de funcionamento dos Medias dominantes, deram-lhe uma enorme reputação, sendo escutado atentamente por todo o mundo. Ele próprio autodefine-se como um «filho das Luzes», sendo seguramente uma das vozes mais lúcidas e mais radicais desta tradição racionalista do iluminismo esclarecido
















70 despedimentos abusivos no MUDE (Museu do design e da moda) levam trabalhadores a protestar e entregar uma carta ao presidente da câmara de Lisboa


Após o despedimento ilegal de 70 falsos recibos verdes do MUDE (Museu do Design e da Moda), estes trabalhadores concentraram-se na 6ª feira passada ( 1 de Abril) à frente do Museu para ler uma carta que entregaram de seguida na Câmara Municipal de Lisboa.

Recorde-se que os 70 trabalhadores do Museu do Design e da Moda foram despedidos por emai no final de mês de Março por parte da Associação Aumento d'Ideias, associação que mediava e escondia um falso trabalho independente que estava a ser prestado para a Câmara Municipal de Lisboa



Carta entregue ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa



Ao Dr. António Costa



Somos os trabalhadores do MUDE demitidos ontem ilegalmente.


Estávamos desde a abertura do Museu, em Maio de 2009, a falsos recibos verdes, a receber através de intermediários, como empresas de segurança ou associações culturais, que por sua vez esperavam receber dinheiro da CML. A maioria dos pagamentos foram feitos com vários meses de atraso, uma situação sempre acompanhada pela Direcção do Museu, com a justificação de que tinham que esperar pelas transferências feitas pela Câmara. Durante quase dois anos a situação foi sendo arrastada e teve a nossa compreensão, até que tudo se tornou excessivo e absolutamente incompreensível para quem, durante esse tempo, acarinhou o MUDE, fazendo com competência o seu trabalho.


É por acreditarmos no projecto do MUDE e na sua colecção que queremos continuar a zelar pelo Museu, mas queremos fazê-lo com condições justas, dignas e legais, para que mais pessoas não sofram as represálias de que fomos alvo.


Temos a certeza que compreenderá que só através da justa contratação dos trabalhadores que o MUDE já formou e que acompanharam o seu crescimento ao longo destes quase dois anos, a CML pode melhorar o Museu que tanto destaque tem tido por parte da Autarquia.


Só pedimos a justiça e a legalidade que nos são devidas e estamos certos que não o contestará.



Com os melhores cumprimentos,


os trabalhadores do MUDE



http://muderesistance.blogspot.com/




1.4.11

A História Popular das Ciências, de Clifford D. Conner


Todos conhecemos a história das ciências tal como nos é ensinada nos manuais escolares. Por eles ficamos a saber como Graças ao seu telescópio, Galileu demonstrou que a Terra não estava no centro do universo; por eles também aprendemos como Newton descobriu a existência da gravidade vendo a cair uma maçã.


A narrativa tradicional desta epopeia atribui a um punhado de homens grandes parte, senão mesmo a totalidade, das descobertas e dos avanços científicos.



A verdade, porém, é que a ciência é uma obra colectiva


História Popular das Ciências, de Clifford Conner, é um livro que conta a história dos saberes e dos conhecimentos desenvolvidos pelos caçadores-colectores, pelos pequenos agricultures, pelos marinheiros, pelos mineiros, pelos ferreiros, e tantos outros, que asseguraram a sua substência através do contacto permanente com a natureza.


A medicina tem a sua origem, por exemplo, na descoberta pelos povos pré-históricos das propriedades terapêuticas das plantas. As matemáticas devem a sua existência aos topógrafos, aos mercadores, aos registadores de contas, e aos mecânicos.


Foi só no século XIX que por efeito da união entre o Capital e a Ciência se rompe essa evolução lenta e equilibrada. Entra-se na era das tecnociências, dominada pelos especialistas e obcecada pelas todas-poderosas eficácia, racionalização, acumulação e lucro.


O livro História Popular das Ciências, que acabou de ser editado em França, ajuda-nos a compreender aquela evolução e conhecer a natureza da sociedade tecnológica que hoje nos domina e nos aliena.


Adiamento da Marcha Nacional pela Educação que estava marcada para amanhã (dia 2) em Lisboa

Nos tempos recentes, várias alterações tiveram lugar no país, com forte incidência na Educação. Por exemplo:


· O PEC IV foi reprovado e isso é importante; contudo, as notícias que chegam ao país, quanto ao futuro próximo, não são animadoras;


· As alterações curriculares impostas pelo Governo foram revogadas, todavia há alternativas que não nos deixam descansados. Nem todos os argumentos dos que se lhes opuseram foram os mais positivos;


· É verdade que a avaliação dos professores foi suspensa e isso alivia as escolas de um problema cuja tendência era para se agravar no 3º período lectivo. Mas há alternativas que se ouvem – nomeadamente por quem espreita o poder – que estão longe de deixar sossegados os professores.


E depois há o resto, que é muito:


- os mega-agrupamentos e o encerramento de escolas com todas as suas implicações;


- os horários e as condições de trabalho nas escolas que se agravam;


- a falta de pessoal não docente: assistentes operacionais, administrativos e psicólogos;


- a falta de condições para que a IGE cumpra o seu importante papel no sistema educativo, seja ao nível dos recursos humanos, seja das condições políticas;


- os 803 Milhões de euros de redução na Educação que resultam de mais precariedade, mais desemprego já em Setembro, do roubo nos salários e do congelamento das carreiras. E ainda os 100 Milhões de euros que foram retirados às autarquias e que indirectamente significam redução também na Educação.


Estas são, entre outras, razões por que a Marcha pela Educação se deverá realizar e não ser anulada!


Há, no entanto, um problema que se coloca: qual é, hoje, o interlocutor da comunidade educativa?


A Marcha foi marcada tendo o Governo, com a sua política, como interlocutor. Junto dele pretendíamos protestar e exigir! Demitiu-se!


Mudámos o interlocutor, então, transferindo-a para a Assembleia da República. Embora o cenário de eleições antecipadas fosse o mais provável, a decisão estava por tomar. Ontem, a A.R. foi dissolvida pelo Presidente da República.


Portanto, deixámos de ter interlocutor político. Passamos, agora, a ter destinatários das nossas preocupações e propostas: os partidos políticos que passam a ser protagonistas do tempo que vivemos, um período pré-eleitoral que se prolongará até 5 de Junho.


É neste tempo e neste contexto em que os destinatários substituem os interlocutores, que a Plataforma da Educação decidiu:


– Adiar a realização da Marcha pela Educação para o próximo ano lectivo, transformando-a num “cartão de visita” a entregar ao Governo que sairá das eleições, tendo, naturalmente, em conta a matriz política que escolher para a Educação. Desde já deixamos claro que rejeitaremos e combateremos opções que desvalorizem a Escola Pública, que promovam o falso conceito da “liberdade de escolha” ou que adoptem medidas como o “cheque-ensino”.


– Reforçar a importância atribuída ao Manifesto “Investir na Educação, Defender a Escola Pública” tornando-o referência de toda a acção que desenvolveremos nos próximos dois meses, ou seja, até às eleições. Assim:


- incentivaremos a sua subscrição institucional que, neste momento, já atinge as 90 adesões;


- repetiremos as bancas de rua, para recolha de assinaturas individuais, em mais três momentos: 25 de Abril, 1º de Maio e 16 de Maio (primeiro dia da semana em que se iniciará a campanha eleitoral);


- entregaremos este Manifesto aos partidos políticos durante a campanha eleitoral, em reuniões que serão pedidas a todos.


Pretendemos que este seja o documento, em defesa da qualidade educativa e da Escola Pública, a recolher o maior número de sempre de assinaturas.


– Terá lugar, na primeira quinzena de Maio, um debate nacional sobre a importância dos serviços públicos e, nesse quadro, as respostas da Escola Pública. Convidaremos personalidades que intervirão no primeiro painel e os partidos políticos que, intervindo no segundo, serão convidados a tornarem claras as suas posições sobre tão importante matéria.


– No que respeita à intervenção da comunidade educativa a uma só voz, durante a campanha eleitoral pretendemos ir mais longe e, assim, entregaremos propostas concretas, que pretendemos ver reflectidas nos programas e compromissos eleitorais, em 6 áreas:


- Financiamento da Educação


- Acção Social Escolar


- Rede Escolar


- Gestão das escolas e modelo organizacional


- Recursos das escolas (materiais e humanos)


- Escola Inclusiva


– Por fim, duas notas de grande importância, uma para o governo demissionário, outra para o que será eleito!


· Para o actual, que não esqueça que se encontra em gestão corrente. Na Educação, os que saem deixam as coisas piores e mais desarrumadas do que encontraram. Portanto, deverão parar no que vai além da gestão corrente. É o caso da rede escolar: os mega-agrupamentos e os encerramentos de escolas são mais do que gestão corrente. Devem suspender a sua acção nesse domínio.


Para o próximo, que tenha consciência que entre a sua tomada de posse e o início do ano escolar decorrerão dois meses em pleno período de férias. Há medidas de correcção que obrigatoriamente deverão ser tomadas desde logo. Em primeiro lugar, deverá alterar-se o despacho de organização do ano escolar: as escolas não poderão perder, na prática, o seu crédito de horas; os professores não poderão ver os seus horários ainda mais ocupados com actividades que lhes retiram disponibilidade para o que é essencial na função docente: o trabalho com os seus alunos!


Neste novo contexto político vamos, desde já, começar a trabalhar na construção de propostas. O que uniu estas vozes da comunidade educativa foi o protesto às políticas e às medidas. Queremos agora ir para além disso, unindo vozes em torno de propostas concretas que elaboraremos e apresentaremos em breve.


Esta convergência em torno do que é comum não nos retirará das lutas e da intervenção que é específica. Assim, docentes, trabalhadores não docentes, estudantes, pais e encarregados de educação, psicólogos ou inspectores, nos seus espaços próprios de agirem e lutarem, continuarão a pugnar pelos seus direitos e por um futuro melhor para um país que querem mais justo, solidário e liberto das amarras que o comprimem e reprimem nos planos económico, político e social.


Lisboa, 1 de Abril de 2011


A Plataforma da Educação


Fonte: www.fenprof.pt

Assembleia Popular do Porto (2 de Abril, às 15h.) na Praça D.João I, Porto


Assembleia Popular do Porto (2 de Abril, às 15h.) na Praça D.João I, no Porto .


Esta Assembleia foi criada na continuação na manifestação da Geração à Rasca.


Foi realizada já uma 1ª Assembleia, criados vários grupos de trabalho, e a 2ª Assembleia realiza-se já no próximo Sábado, 2 de Abril.


APAREÇAM. PARTICIPEM


http://www.facebook.com/#!/event.php?eid=173912635993070

Ciclo de cinema porno feminista no espaço Regueirão dos Anjos (1,2 e 9 de Abril)

Clicar por cima da imagem para ler em detalhe


Ciclo de Cinema porno feminista


Espaço Regueirão dos Anjos (RDA 69) - Regueirão dos Anjos, Nº 69, Lisboa

SEX 1 Abril 21h* "Inside deep throat" (Fenton Bailey, Randy Barbato, 92') Conversa com Manuela Góis



SÁB 2 Abril 21h* "The Black Glove" (Maria Beatty) "Behind the Green Door" (Artie Mitchell, Jim Mitchell, 72') Conversa com Eva Holt


SÁB 9 Abril 21h* "Dirty Diaries" Conversa com Inês Martins Festa das festas


*20h Jantar Afrodisíaco


Ciclo de cinema porno-feminista? Mas xs feministas não acham todxs que a pornografia é uma forma de degradação e exploração das mulheres? Há feministas que vêem a pornografia como espaço de contra-poder, de resistência aos códigos normativos da pornografia tradicional por produzir representações alternativas, em que corpos, partes dos corpos e desejos considerados “monstruosos”, pela norma sexual e de género, têm lugar. Na pornografia feminista estão representados os órgãos que não funcionam para a norma heterossexual, os “defeitos”, o que está fora do padrão e é descartado e invisibilizado pela norma sexual - lésbicas, gays, trans, putas, travestis, drag-kings, mulheres barbudas, pessoas com deficiência, velhxs, sado-maso’s, bi’s, queer, etc. No porno feminista estes “monstros” passam a ser sujeitos de enunciação e lugares de resistência ao ponto de vista “universal” do homem branco, heterosexual, de classe média. Este ciclo é um espaço para essas práticas marginalizadas, para essas performatividades alternativas, e para construir novas formas de prazer-saber.

Viagem ao fim da noite é o livro em debate da sessão da Comunidade de leitores de amanhã (dia 2) na livraria Gato Vadio

COMUNIDADE de LEITORES VADIOS - sessão de 2 de Abril ( 17h.)

Livro em debate – VIAGEM AO FIM DA NOITE de CELINE


Livraria Gato Vadio – Rua do Rosário, 281 – Porto
Apareçam


Viagem ao Fim da Noite é um clássico anti-militarista e uma obra-prima da literatura contemporânea


O escritor Céline foi excluído pelo ministério da Cultura das comemorações oficiais do Estado francês. O mesmo Estado que excluí e deporta seres humanos para fora da sua banda.

Céline continua a provocar *tsunamis* de contestação e polémica. Falar de Viagem ao Fim da Noite, um libelo anti-militarista e uma obra literariamente inquietante até às entranhas, não nos faz esquecer questões irrevogáveis: o que pode levar um escritor a autorizar a reedição de um panfleto anti-semita, *Bagatelles pour un Massacre*, em 1941, num país ocupado pelas forças hitlerianas? E porque razão, alguns *judeus* eram alvo da sua pena em diatribes incendiárias, e outros “galfarros (…), bípedes em busca de uma côdea”, esses que “valiam tanto como um bretão” eram atendidos pelo médico Destouches, por vezes sem lhes cobrar cobre que fosse? E que experiência medicinal vai fazer à Alemanha em 1942, num comité de médicos franceses, quando a terapia nazi usava como cobaias prisioneiras e prisioneiros de guerra? E como exílio à sua França punitiva, não haveria outro lugar para escapar à ira que a cidade dinamarquesa onde se instalou o regime colaboracionista de Vichy?

Lendo a Viagem e questionando que comboios foi apanhando o escritor, talvez fiquemos mais “esclarecidos, bem colocados para compreender todas as sacanices que um passado encerra

Cinema comunitário do mês de Abril é dedicado às Lutas Sociais e Antiglobalização começa hoje com o filme «Vamos fazer dinheiro»

Lutas sociais e antiglobalização é o tema do mês de Abril do Cinema Comunitário

6ª feira, 1 abril 22h00
no espaço do Terra Viva!

entrada livre


Let's Make Money, de Erwin Wagenhofer (108')

Documentário. Austria, 2008

www.letsmakemoney.at


Terra Viva! Rua dos Caldeireiros, 213 Porto

http://terraviva.weblog.com.pt

Projecção do documentário «A guerra dos caulinos» e jantar no espaço anarquista Terra de Ninguém ( dia 2 de Abril, às 17h30)

Projecção do documentário "a guerra dos caulinos" + jantar

Sábado, 2/04/2011 - 17:30


Local: terra de ninguém, lisboa


17h30 - Projecção do documentário "A guerra dos caulinos", sobre a luta contra a extracção de caulinos em Barqueiros (Barcelos, Portugal) em finais dos anos 80. Duração: 35min.


20h - Jantar de apoio ao terra, para comer na rua.



Vai ser o relembrar de uma empresa (Mibal) que só queria extrair caulinos, e que nesse processo contaminou a água e as vidas de muita gente. Vai ser o relembrar de uma população normal a quem a indústria e a autoridade lhe explodiram na cara, e que à morte soube responder com vida. Vai ser o relembrar dos jogos políticos que invadem ou emergem em terrenos férteis e visam destruir toda a luta autónoma. Uma história de lucro, política e dignidade, que continua até hoje e ultrapassa os seus limites temporais, geográficos e sociais. Uma história que não pertence à História.



espaço anarquista terra de ninguém

r. do salvador, nº56 (entre o castelo, alfama e graça) lisboa
terraninguem@yahoo.com

Movimento Portugal Uncut


Portugal Uncut é um movimento horizontal. Tal como nos restantes Uncut, queremos chegar a todos os grupos etários e de todas as origens sociais. Trata-se de um movimento independente e apartidário com o objectivo de desmantelar um sistema que favorece as finanças e não a comunidade.Não temos um modelo de protesto fixo, um discurso formatado, não saímos à rua a horas certas e não precisamos de sair todos ao mesmo tempo. Somos um movimento pacífico, as nossas armas são a imaginação, a informação e o poder que temos quando nos juntamos — na rua, nas redes sociais, por aí


Portugal Uncut é um movimento recém-criado, inspirado no seu homónimo britânico, UK Uncut, o movimento anti-austeridade que surgiu no Reino Unido a 27 de Outubro de 2010, apenas uma semana depois de George Osborne (actual chanceler britânico do tesouro) ter anunciado os cortes mais profundos nos serviços públicos desde 1920. Nesse dia, cerca de 70 pessoas percorreram a Oxford Street, entraram numa das principais lojas da Vodafone e sentaram-se. Estava fechada a loja líder da Vodafone, empresa conhecida pelas suas práticas de evasão fiscal. Até então o movimento UK Uncut apenas existia como #ukuncut, uma hashtag do Twitter que alguém tinha imaginado na noite anterior ao protesto. Enquanto os manifestantes estavam sentados à porta a entoar palavras de ordem e a entregar panfletos aos transeuntes, a hashtag espalhou-se pelo Reino Unido, e as pessoas começaram a pensar repetir a acção. A ideia tornou-se viral. A fúria fervilhante contra os cortes transbordava. Apenas três dias depois, cerca de trinta lojas da Vodafone em todo o país tinham sido encerradas[1].


Hoje, o movimento Uncut vai-se alastrando rapidamente a todo o planeta. Já existe em vários dos Estados Unidos da América, na Irlanda, no Canadá, na Holanda, na Austrália e em França.


O Portugal Uncut pretende desenvolver acções contra os cortes brutais, desnecessários e cegos nos serviços públicos e transferências sociais em todo o país. O corte nos benefícios fiscais, nas prestações sociais, no investimento público e nos salários vai atingir todos os aspectos da nossa vida: desde os cuidados médicos à educação, passando pela habitação, pela protecção ambiental e pelos incentivos ao desporto e às artes.


Quem continua imune aos cortes? Os lucros das maiores empresas, dos contribuintes privados das classes mais altas e a banca. Este modelo está errado. Não funciona e é injusto. A realidade e múltiplos estudos económicos demonstram-no. Apesar disso, é-nos imposto como inevitável. Os cortes em salários que já são demasiado baixos, o corte em benefícios fiscais que resgatam muitas famílias e indivíduos de situações catastróficas, e um complexo sistema mundial — que permite que “criativos de planos fiscais internacionais” canalizem os rendimentos para paraísos fiscais — garantem que somos nós a financiar a economia da crise, enquanto outros lucram com ela e se recusam a contribuir com o mínimo que lhes é exigido: pagando impostos.


Os bancos, através de condições legais vantajosas, conseguem pagar cada vez menos impostos enquanto os seus lucros crescem exponencialmente.


Chegou a hora de lhes mostrar isto: a água que sustenta o barco também o pode derrubar. Junta-te ao Portugal Uncut e vamos obrigar as empresas que fogem aos impostos a pagar.


Portugal Uncut é um movimento horizontal. Tal como nos restantes Uncut, queremos chegar a todos os grupos etários e de todas as origens sociais. Trata-se de um movimento independente e apartidário com o objectivo de desmantelar um sistema que favorece as finanças e não a comunidade. Não temos um modelo de protesto fixo, um discurso formatado, não saímos à rua a horas certas e não precisamos de sair todos ao mesmo tempo. Somos um movimento pacífico, as nossas armas são a imaginação, a informação e o poder que temos quando nos juntamos — na rua, nas redes sociais, por aí.


Explora o nosso site, “gosta” da nossa página no Facebook, segue-nos no Twitter e lembra-te de visitar os grupos Uncut que se formaram e ainda virão a formar-se um pouco por todo o mundo. Procura a tua inspiração nos milhares de pessoas que já se juntaram mundo fora e nas dezenas de protestos que já se fizeram. Se quiseres organizar um protesto na tua cidade, fá-lo! Lá nos encontraremos


(Adaptado a partir do texto de Anne Marshall no Canada Uncut. 25 Fev. 2011)


[1] Anonymous. About UK Uncut. UK Uncut. Internet. 24 Fev. 2011.




31.3.11

Há 35 anos atrás os fascistas assassinavam o Padre Max e a Maria de Lurdes, que serão evocados numa iniciativa no próximo dia 2 de Abril em Vila Real

Realiza-se no próximo dia 2 de Abril, uma iniciativa evocativa de Maximino Barbosa de Sousa, mais conhecido como Padre Max.


às 12 horas - Concentração à entrada do cemitério (junto ao Quartel) e uma breve intervenção.

às 15 horas - Sessão no Hotel Mira-Corgo (Avª 1º de Maio nº 76) evocativa de Maximino Barbosa de Sousa - com depoimentos de antigos alunos do Pe. Max e pequenas intervenções/testemunhos.


A iniciativa é levado a efeito por uma comissão organizadora de amigos/as, associações como a AUDP e a Pe. Maximino (com sede em S. Pedro da Cova-Gondomar), bem como o Bloco de Esquerda.

Recorde-se que Maximino Barbosa de Sousa (conhecido por Padre Max) tinha 32 anos, e Maria de Lurdes Pereira 19. O primeiro, era padre, professor do liceu e candidato independente a deputado nas listas da União Democrática Popular (UDP). A segunda, uma aluna e apoiante do candidato. No dia 2 de Abril de 1976, o carro em que ambos viajavam – na localidade de Cumieira para Vila Real – foi alvo de um ataque bombista, matando-os.


Depois de várias peripécias judiciais os alegados autores do assassinato, conhecidos membros do movimento fascista MDLP, responsável junto com o ELP, de uma criminosa campanha contra-revolucionaria em 1975 e 1976, foram ilibados pelos tribunais, apesar de todas as evidências.


Trinta cinco anos depois o padre que aceitou ser candidato para “fazer chegar a sua voz aos mais humildes” aguarda Justiça na campa 1240 do cemitério de Santa Iria, em Vila Real.

Cordão humano à volta da estação ferroviária de Vila Real em defesa do Linha do Corgo ( dia 2 de Abril, às 15h.)

Movimento Cívico Pela Linha do Corgo realizará no próximo dia 2 de Abril, sábado, às 15.00 horas um evento apartidário em defesa da requalificação da Linha do Corgo. A acção consistirá num Cordão Humano à volta da estação de caminhos de ferro de Vila Real.


Esta iniciativa está a ser promovida através da rede social Facebook, e através da plataforma na internet do MCLC em http://linhaferroviariadocorgo.wordpress.com/ A iniciativa serve também para celebrar os 105 anos da inauguração da Linha do Corgo através de uma acção de protesto contra o atraso na reabertura do troço Régua – Vila Real e a favor da reabertura do troço Vila Real – Chaves.

Para além da conjuntura actual de crise económico-social, agravada no Interior pela falta de acessos e de mobilidade, os quais são componentes fulcrais para o desenvolvimento e competitividade de qualquer região, a sociedade actual não se pode mais dar ao luxo de ser tão dependente de um meio de locomoção tão dispendioso e poluidor como o automóvel.


No entanto, é com profundo alarme que o MCLC e outras entidades ligadas ao universo ferroviário português constatam que, nos últimos 20 anos, Portugal foi o ÚNICO país da Europa Ocidental a perder passageiros na ferrovia, enquanto que em países como a Espanha esse número mais que duplicou em igual período de tempo.


Para além disto, é com firmeza que o MCLC condena a consignação de mais 17Km de ecopista no canal da Linha do Corgo, no município de Vila Pouca de Aguiar. É incompreensível como a moda irreflectida das ecopistas em leitos ferroviários grassou pelo país, quando se repetem as provas de que este equipamento para além de caro (na Linha do Sabor chega a custar 125.000 EUR/Km, fora a renda anual de 10.000 EUR devida à REFER pela autarquia de Torre de Moncorvo), tem um retorno económico-social diminuto ou mesmo nulo. A sua atractividade turística é no mínimo duvidosa, para além de que as suas zonas de implantação são mal servidas de acessos e de oferta de mobilidade à população, tendo como resultado que os cicloturistas deixam pouco rendimento na região, e que à população local muitos outros equipamentos fazem bem mais falta.


No que ao mau serviço à população diz respeito, disso não restem dúvidas: Imaginemos um carro a ir da estação da Régua à de Chaves e regresso, via A24 (87Km), a gastar uma média de 6,5 litros aos 100Km, com o combustível a 1,50 EUR, e o valor da portagem em 7,20 EUR (Régua – Chaves). Imaginemos agora a mesma viagem, mas de comboio pela Linha do Corgo (97Km), através do pagamento de um bilhete inteiro (7 EUR, tarifa Regional, aproximadamente) ou através de uma assinatura mensal de estudante (185,65 EUR, aproximadamente):

1. Num mês, o comboio é mais barato que o carro em 347,30 EUR via bilhete inteiro, e em 441,65 EUR com uma assinatura mensal de estudante.

2. Num ano, a diferença é de 4.514,90 EUR via bilhete inteiro, e de 5.927,10 EUR com uma assinatura mensal de estudante.


Comparação agora com uma viagem num autocarro de uma das empresas que efectuam o percurso Régua – Chaves actualmente (Nota: a empresa escolhida só faz 2 viagens por dia neste trajecto, e demora 1h40m a fazê-lo, a um preço de 8 EUR. A Linha do Corgo, com o troço Régua – Vila Real a 40Km/h e Vila Real – Chaves a 70Km/h levaria, com paragens de 3 minutos em Vila Real, Vila Pouca de Aguiar e Chaves, 1h48m):

1. Num mês, o comboio seria mais barato em 40 EUR para bilhete inteiro, e em 134,35 EUR em assinatura mensal de estudante.

2. Num ano, a diferença análoga seria de 520 EUR e 1.932,20, respectivamente.


Assumimos que as deslocações da maior parte dos pensionistas do município de Vila Pouca de Aguiar não contemplarão a locomoção a pé ou de bicicleta, das suas habitações à sede de concelho, pela ecopista. No entanto, as diferenças acima explanadas só por si dariam para estes cidadãos viverem com um pouco mais de dignidade e qualidade de vida.


Movimento Cívico pela Linha do Corgo (MCLC)

Vila Real, 23 de Março de 2011

28.3.11

O vosso roubo (do BPN ) custou-nos 13 milhões de salários mínimos - são as palavras de um cartaz afixado hoje em várias cidades do país

Segundo o jornal público um grupo de jovens afixou em várias agências bancárias do Banco Português de Negócios distribuídas pelo país um cartaz com os seguintes dizeres:


“O vosso roubo custou 13 milhões de salários mínimos”.


A iniciativa é assinada pelo colectivo «E o Povo, pá?» com o seguinte blogue: http://eopovopa.wordpress.com/


No seu site podemos ler o seguinte manifesto:


É o povo, pá!


Quem somos


Não importa quem somos, mas aquilo que nos junta.

Somos gente farta da falta de oportunidades e cansada do discurso mentiroso que afirma «não há outro caminho».

Somos gente cujo investimento e sacrifícios dos pais na nossa educação resultou em desemprego e precariedade e ofende-nos ouvir dizer que a culpa da nossa precariedade é dos direitos que a geração deles conquistou.

Somos gente que defende o trabalho digno e com direitos, independemente da idade e habilitações literárias.

Somos gente que está farta de ter a vida congelada e o futuro, nosso e dos nossos filhos, adiado.

Porque não nos resignamos, protestamos.

Exigimos respeito e reclamamos o direito à dignidade e ao futuro.


Ao que vimos


Vimos dizer que não nos comem por parvos.

Não aceitamos o discurso que nos impõe a precariedade como forma de organização do trabalho. Desconfiamos de quem nos diz que «tem que ser assim» e «este é o único caminho» acenando com a chantagem da falta de patriotismo. Este país também é nosso e temos direito a cá viver e trabalhar. Exigimos pluralidade de opiniões porque sabemos que é nesse confronto que se encontram caminhos. Não aceitamos o pensamento único e sabemos que chegámos até aqui porque foram feitas escolhas: decidiram converter as pessoas em clientes e contribuintes. Nós dizemos que essas escolhas são erradas.


Porquê o BPN


Quando falamos do buraco nas contas públicas deixado pelo BPN referimo-nos a cerca de 6500 milhões de euros, ou seja, a mais de 13 milhões de salários mínimos, mais de um salário mínimo por cada habitante deste país.


A Caixa Geral de Depósitos enterrou directamente no BPN cerca de 4600 milhões de euros, a somar aos 2000 milhões de euros em imparidades (activos tóxicos), o que perfaz cerca de 4% do PIB. Explicitando: este valor assemelha-se ao encaixe total que o Estado português prevê fazer com o plano de privatizações. Dito de outra forma, assemelha-se ao valor previsto pelo plano de austeridade de 2010, em que para o cumprir foram necessários os PEC, mas também o fundo de pensões da PT, no valor de 1600 milhões de euros. Este é o valor da factura que todo nós estamos a pagar.


Quase três anos após a falência do BPN, podemos dizer que aquilo que estamos a pagar é a fraude,a promiscuidade entre a política e a finança, a cumplicidade e a troca de favores, os offshores, a evasão fiscal. Enfim, estamos a pagar o preço de um crime que não cometemos. O caso BPN configura o processo de desagregação do Estado democrático, onde se salvam os accionistas e as entidades reguladoras, onde se escolhe salvar os activos nacionalizando os prejuízos à conta dos impostos que pagamos.


O caso BPN diz-nos que em Portugal a fraude compensa e, quando esta vence, a democracia perde. Portugal está transformado num país onde há Estado máximo para alguns e Estado mínimo para quase todas as outras pessoas.


Quando nos dizem que o tempo é de sacríficios , sabemos que a sua distribuição não é justa nem democrática. Quem escolhe salvar Bancos para salvar amigos legitima a corrupção. Para o fazer, corta onde é mais necessário: nos serviços públicos e nas prestações sociais.


Não nos falem de austeridade, falem-nos de justiça.


A polícia do amor ataca a outra em Oxford Street, ou como a força da razão e do humor derruba a força do mais forte

Vídeo imperdível sobre a acção de activistas junto das forças da repressão ao serviço do Estado em Oxford Street, Londres, a 26 de Março, na manifestção contra os cortes sociais pelo governo britânico


Contra as portagens na A25, A23 e A24 - acção de luta convergente no dia 8 de Abril

ACÇÕES DE LUTA CONTRA AS PORTAGENS


participe, proteste, reclame, não se cale

8 de Abril . Acção de luta convergente - marchas lentas na A24, A25 e A23 – Pontos de encontro/partida para as auto-estradas:


http://www.contraportagens.net/

Entretanto, a Comissão Utentes Contra as Portagens na A17, A25 e A29 [região de Aveiro] comunicou-nos que vai juntar-se à acção de luta de 8 Abril.

27.3.11

Iraque -8 anos de ocupação (sessão no Porto com Haifa Zangana, no dia 28 de Março, às 18h.)



Iraque - 8 anos de ocupação


O Movimento Pela Paz organiza uma sessão no Porto sobre o tema Iraque - 8 anos de ocupação, com a presença de Haifa Zangana.


Dia 28 de Março, 2ª feira, às 18 horas, no SINAPSA (Rua Breiner, 259, Porto)


Haifa Zangana (nascida em 1950 em Bagdad) é uma escritora, artista e activista política iraquiana. Cresceu em Bagdad e licenciou-se em 1974 na faculdade de Farmácia da Universidade de Bagdad. No início da década de 1970, enquanto membro do Partido Comunista Iraquiano, foi presa pelo regime dirigido pelo Partido Baas. Depois de libertada permaneceu no Iraque e terminou os estudos. Integrou-se na Organização de Libertação da Palestina, tendo sido responsável pela equipa farmacêutica, deslocando-se então entre a Síria e o Líbano em 1975. Foi para o Reino Unido em 1976. Como escritora e como pintora, colaborou, nos anos 1980, em várias publicações europeias e norte-americanas e participou em exposições colectivas e individuais em Londres e na Islândia.


Publicou as seguinte obras:

City of Widows, An Iraqi Woman\\\'s Account of War and Resistance (2008),

Seven Stories Press NY War With No End (2007),

Verso Not One More Death (2006),

Verso Women on a Journey: Between Baghdad and London (2001)

Keys to a City (2000)

The Presence of Others (1999)

Beyond What the Eye Sees (1997)

Through the vast halls of memory (1991)

Colabora regularmente em publicações europeias e árabes como The Guardian, Red Pepper, Al Ahram e Al Quds (onde publica comentários semanais).

É membro fundador da Associação Internacional de Estudos Iraquianos Contemporâneos. Faz parte do conselho consultivo do Tribunal de Bruxelas sobre o Iraque (Brussel’s Tribunal on Iraq). Integra a organização Women Solidarity for an Independent and Unified Iraq (WSIUI). Em nome desta organização e da Iraq Occupation Focus (IOF), apresentou, em Setembro de 2009, perante o Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, o documento A report on the situation of women and children in occupied Iraq (Um Relatório sobre a Situação das Mulheres e das Crianças no Iraque Ocupado).

Biopolítica e dispositivos mediáticos: para uma descrição das relações de poder na contemporaneidade - é o tema da 12º oficina do pensável (dia 31/3 )

Realiza-se na próxima quinta-feira, dia 31 de Março, pelas 21h30, na Universidade Popular do Porto, a 12a Oficina do Pensável.


A entrada é livre, estando apenas sujeita a inscrição via correio electrónico para: oficinasdopensavel@gmail.com


Tema: Biopolítica e dispositivos mediáticos: para uma descrição das relações de poder na contemporaneidade.


Dinamizador: Luís Carneiro



Nesta oficina, após a apresentação do conceito, proposto por Michel Foucault, de biopolítica – conceito que ilustra o tipo de racionalidade política emergente no século XVIII com a introdução de um vasto conjunto de técnicas e procedimentos tendentes à regulação e controlo das populações -, veremos de que modo pode ele ser pensado na contemporaneidade, nomeadamente a par do desenvolvimento dos mass media, dos meios de comunicação, da cibernética e das tecnologias digitais.


Uma hipótese condutora será a da progressiva virtualização e desterritorialização da própria vida, na medida mesma da sua captura pelas técnicas biopolíticas características do Capitalismo tardio. De forma a explicitar o modo de procedimento desta captura analisaremos também o conceito de dispositivo, termo técnico desenvolvido por Michel Foucault, compreendendo em si um conjunto heterogéneo de coisas tais como discursos, instituições, edifícios, leis, medidas policiais, proposições filosóficas, etc., e mais especificamente o de dispositivo mediático, pensado como aquilo que, mediatizando toda a relação do homem consigo mesmo, com o outro e com o mundo, possui a capacidade de modelar, esquematizar, assegurar e controlar gestos, comportamentos, condutas e opiniões.


Para tal, veremos de que maneira, na esteira do trabalho de Giorgio Agamben, a figura jurídica do estado de excepção – totalmente extremada como paradigma do Nazismo -, progressivamente tornada norma na contemporaneidade, potencia a proliferação desmesurada dos dispositivos e a sua aplicação a uma vida nua – nem a vida natural da espécie, puramente biológica, nem a vida política e culturalmente qualificada, mas um limiar de indistinção entre uma e outra, entre facto e direito.


Por fim, mobilizaremos o pensamento no sentido de uma restituição ao uso comum das potencialidades capturadas nos dispositivos e no de uma resistência propriamente política a estas formas de controlo.


Universidade Popular do Porto

R. Ausgusto Luso, 167 -1º Porto


Concentração realizada hoje em Almaraz exige encerramento da central nuclear situada junto do rio Tejo

32 anos após acidente de Three Mile Island - Concentração em Almaraz exige encerramento de central nuclear

No próximo dia 28 de Março cumprem-se 32 anos do acidente de Three Mile Island (TMI), em Harrisburg, nos EUA. Uma fusão parcial do reactor provocou grandes emissões de gases radioactivos para a atmosfera, as quais nunca foram quantificadas, nem analisados os seus efeitos na população. Os efeitos do acidente de Fukushima Daichii, com a situação ainda longe de ser resolvida, superam largamente os de TMI. Para assinalar a data, várias centenas de espanhóis e portugueses concentraram-se este Domingo em Almaraz, para exigir o encerramento da central nuclear a 100 km da fronteira portuguesa.


O acidente de Three Mile Island

O reactor TMI-2 sofreu graves danos e uma emissão de gases radioactivos que afectou cerca de 25 mil pessoas. Foi classificado como nível 5 na escala INES. O acidente de TMI começa com uma falha do circuito secundário, que resultou num aumento da temperatura do reactor. Nesse momento, um operador tomou uma decisão errada e introduziu grandes quantidades de água fria no circuito primário de refrigeração, na tentativa de baixar a temperatura. Contudo, esta água ferveu, formando borbulhas de vapor.

Além disso produziu-se hidrogénio, tal como em Fukushima, que foi necessário ventilar para evitar uma explosão dentro da contenção. Esta ventilação deu lugar a uma nuvem radioactiva. Não foi possível evitar uma fusão do núcleo e foi necessário lançar água e areia para o seu interior. Ainda que esta sequência de acontecimentos fosse improvável, ela acabou por produzir-se, com efeitos catastróficos.

Situação em Fukushima é muito grave

32 anos depois, o acidente de Fukushima já provocou, pelo menos, uma fusão parcial de três reactores (números 1, 2 e 3) e emissões procedentes da piscina de combustível usado do reactor número 4. As emissões de trítio, iodo e césio já superam - e continuam a aumentar - em várias vezes a magnitude da catástrofe da central norte-americana e, consoante as estimativas, alcançam níveis entre 10% a 50% das emissões de Chernobil (Ucrânia). Hoje foi detectada radioactividade 10 milhões de vezes acima do limite na água junto ao reactor.

A radioactividade medida na água e no leite em mais de três vezes os níveis permitidos, num raio de 40 km da central. Os legumes apresentam concentrações radioactivas cerca de 30 vezes acima do permitido, sendo que nalguns pontos foram encontradas concentrações de césio-137 3 000 vezes acima dos valores permitidos. Isto é grave, dado que a vida média deste isótopo é de 30 anos, o que significa que tardará cerca de 300 anos a desaparecer. Além disso, a situação torna imprescindível o controlo de peixe e moluscos, dado que a água contaminada pela refrigeração dos reactores escoou para o mar. Como se tudo isto fosse pouco, foi detectada contaminação radioactiva em cinco estações de tratamento de água em Tóquio e existe a preocupação na Coreia e China de que a nuvem transporte quantidades significativas de radioactividade para estes países.

As Nações Unidas consideram que a evolução da situação é imprevisível e que esta crise nuclear deverá prolongar-se por alguns meses. Vários especialistas já classificaram o acidente de Fukushima no nível 7 da INES, o mesmo que Chernobil e o máximo da escala.

Protesto exige encerramento de central nuclear de Almaraz, a 100 km da fronteira A indústria nuclear anuncia, à semelhança do que fez em acidentes anteriores, que aprenderá com os erros e os corrigirá para que as centrais sejam mais seguras. Vários acidentes se sucederam desde então e o lobby pró-nuclear ainda não percebeu a questão central - que a segurança absoluta não existe e que determinados acontecimentos, por mais improváveis que sejam, acabam por produzir-se.

A pergunta que deve fazer-se não apenas à indústria nuclear, mas a toda a sociedade é: se podemos prescindir da energia nuclear, porquê continuar a manter este imenso perigo? A associação espanhola Ecologistas en Acción elaborou uma proposta de geração de energia eléctrica para 2020, na qual é demonstrado como se pode prescindir da energia nuclear e do carvão, mantendo coberta a procura, de forma ininterrupta, ao longo de todo o ano. Desta forma, poderia libertar-se a Península Ibérica do risco que constitui o funcionamento dos 8 reactores nucleares, eliminando a possibilidade de desastres com o de Fukushima, no Japão.

Para assinalar o aniversário do acidente de Three Mile Island, decorreram hoje acções de protesto junto das centrais nucleares de Garoña y Almaraz. Vários portugueses juntaram-se à concentração de mais de 300 pessoas em Almaraz, para exigir o fim da ameaça que constitui a presença para de reactores nucleares na Península Ibérica. A principal preocupação centra-se no reactor de Almaraz, a 100 km da fronteira, embora um acidente em qualquer central Ibérica (ou mesmo noutros pontos da Europa) possa resultar em impactos muito graves no território português.


Para mais informações:

AZU - José Moura: (+351) 932039759

Ecologistas en Acción - Javier González (Área de Energía): (+34) 679 27 99 31 Francisco Castejón (Campaña Antinuclear): (+34) 639 10 42 33

GAIA - Gualter Barbas Baptista: (+351) 919090807

Quercus - Susana Fonseca: (+351) 937788471

http://gaia.org.pt/

Abraço ao Tua, em defesa da linha e do rio (27 de Março)


Para hoje, 27 de Março, pelas 15h na foz do rio TUA, está convocado um ABRAÇO ao TUA.
Com este ABRAÇO ao TUA queremos expressar a profunda admiração que nutrimos pela beleza natural do rio e a harmonia que a Linha do Tua serpenteou ao longo de uma paisagem cheia de cor e vida.

O objectivo é juntar todos os defensores da paisagem, do rio e da Linha do Tua para um Abraço ao Tua, e intencionamos expressar o nosso descontentamento em relação à decisão política de avançar com a construção da barragem no Tua que implica a submersão do Vale e destruição da Linha do Tua.

Sabendo que esta barragem irá afectar, de modo irremediável, a qualidade de vida das pessoas que vivem na Região de Trás-os-Montes e Alto Douro, perpetuando o abandono desta região do país e a falta de perspectivas de futuro para a sua população surgimos em defesa da Linha e Vale do Tua e censuramos a construção da barragem devido a todas as consequências negativas que acarreta.

Para além de defender o interesse público, queremos impedir a descaracterização do Património Natural e Paisagístico do Vale do Tua e o Património Mundial do Douro Vinhateiro classificado pela UNESCO. É necessário realçar que os impactos da construção desta barragem são graves: viola a Directiva Quadro da Água; implica a submersão da linha ferroviária e de centenas de hectares de vinha e olivais que fazem parte da Região Demarcada do Douro, afectando irremediavelmente a Agricultura e a base económica da região; e impede a ligação ferroviária à Linha do Douro.

Defendemos uma política justa e participativa e queremos uma vez mais demonstrar que a construção da barragem do Tua é um erro político que deve ser corrigido pela sociedade civil. Assim expressamos o nosso descontentamento por políticas que levam à exclusão das pessoas que vivem no interior do país e apelamos a todos os cidadãos conscientes da negligência política em relação à região de Trás-os-Montes e Alto Douro a manifestarem-se contra a construção da barragem na Foz do Tua e contra o desaproveitamento das Linhas Férreas, do Turismo, da Agricultura e do Comércio Local.

É de conhecimento público que a construção da barragem no Tua é um erro político que irá criar uma instabilidade social, cultural e económica cada vez maior que não pode avançar porque irá agravar a crise política e económica que Portugal atravessa. Acreditamos que a região de Trás-os-Montes e Alto Douro tem um potencial único que deve ser desenvolvido.

É nosso dever preservar a herança cultural, ecológica, arquitectónica, histórica e humana da Linha do Tua que existe há mais de 123 anos e pode ser reactivada, promovendo o Turismo e possibilitando a deslocação diária de pessoas que vivem entre Bragança, Mirandela e Tua. Por isso queremos que o Governo reconheça a importância da Linha e Vale do Tua a nível regional, nacional e internacional e que reconheça que um projecto de requalificação desta linha trará maiores benefícios a Portugal.

Por tudo isto, dia 27, queremos mostrar que “Há Vida no Tua” e apelámos a todos a participar no Abraço de Solidariedade com as pessoas que vivem na Região de Trás-os-Montes e Alto Douro e que dependem deste Bem Comum.

Além do Abraço, vamos organizar uma caminhada ao longo de parte da linha, bem como outras actividades durante o dia. Portugal, 24 de Março de 2011

As Direcções Nacionais Associação dos Amigos do Vale do Rio Tua, Campo Aberto, COAGRET, GAIA, Movimento de Cidadãos de Defesa da Linha do Tua, QUERCUS

Para mais informações contactar: Nuno Pereira: 912 621 945 Graciela Nunes: 919429742 André Studer: 965698370

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2011, por Jessica Kaahwa

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2011

Este é o momento exacto para uma reflexão sobre o imenso potencial que o Teatro tem para mobilizar as comunidades e criar pontes entre as suas diferenças.

Já, alguma vez, imaginaram que o Teatro pode ser uma ferramenta poderosa para a reconciliação e para a paz mundial?

Enquanto as nações consomem enormes quantidades de dinheiro em missões de paz nas mais diversas áreas de conflitos violentos no mundo, dá-se pouca atenção ao Teatro como alternativa para a mediação e transformação de conflitos. Como podem todos os cidadãos da Terra alcançar a paz universal quando os instrumentos que se deveriam usar para tal são, aparentemente, usados para adquirir poderes externos e repressores?

O Teatro, subtilmente, permeia a alma do Homem dominado pelo medo e desconfiança, alterando a imagem que têm de si mesmos e abrindo um mundo de alternativas para o indivíduo e, por consequência, para a comunidade. Ele pode dar um sentido à realidade de hoje, evitando um futuro incerto.

O Teatro pode intervir de forma simples e directa na política. Ao ser incluído, o Teatro pode conter experiências capazes de transcender conceitos falsos e pré-concebidos.

Além disso, o Teatro é um meio, comprovado, para defender e apresentar ideias que sustentamos colectivamente e que, por elas, teremos de lutar quando são violadas.

Na previsão de um futuro de paz, deveremos começar por usar meios pacíficos na procura de nos compreendermos melhor, de nos respeitarmos e de reconhecer as contribuições de cada ser humano no processo do caminho da paz. O Teatro é uma linguagem universal, através da qual podemos usar mensagens de paz e de reconciliação.

Com o envolvimento activo de todos os participantes, o Teatro pode fazer com que muitas consciências reconstruam os seus conceitos pré-estabelecidos e, desta forma, dê ao indivíduo a oportunidade de renascer para fazer escolhas baseadas no conhecimento e nas realidades redescobertas.

Para que o Teatro prospere entre as outras formas de arte, deveremos dar um passo firme no futuro, incorporando-o na vida quotidiana, através da abordagem de questões prementes de conflito e de paz.

Na procura da transformação social e na reforma das comunidades, o Teatro já se manifesta em zonas devastadas pela guerra, entre comunidades que sofrem com a pobreza ou com a doença crónica.

Existe um número crescente de casos de sucesso onde o Teatro conseguiu mobilizar públicos para promover a consciencialização no apoio às vítimas de traumas pós-guerra.

Faz sentido existirem plataformas culturais, como o [ITI] Instituto Internacional de Teatro, que visam consolidar a paz e a amizade entre as nações.

Conhecendo o poder que o Teatro tem é, então, uma farsa manter o silêncio em tempos como este e deixar que sejam “guardiães” da paz no nosso mundo os que empunham armas e lançam bombas.

Como podem os instrumentos de alienação serem, ao mesmo tempo instrumentos de paz e reconciliação?

Exorto-vos, neste Dia Mundial do Teatro, a pensar nesta perspectiva e a divulgar o Teatro, como uma ferramenta universal de diálogo, para a transformação social e para a reforma das comunidades.

Enquanto as Nações Unidas gastam somas colossais em missões de paz com o uso de armas por todo o mundo, o Teatro é uma alternativa espontânea e humana, menos dispendiosa e muito mais potente.

Não será a única forma de conseguir a paz, mas o Teatro, certamente, deverá ser utilizado como uma ferramenta eficaz nas missões de paz.


Jessica Kaahwa ( do Uganda) Makerere University

Department of Music, Dance and Drama

http://www.world-theatre-day.org/
http://www.iti-worldwide.org/