13.8.06

Guy Debord, o irrecuperável




A recente publicação das Obras Completas, com cerca de 2.000 páginas, de Guy Debord (1931-1994) fornece-nos uma excelente ocasião para uma viagem para além da sua legenda situacionista e que permita observar a prodigiosa coerência de um pensamento que, por nunca ter renegado a sua dimensão revolucionária, oferece-nos as melhores chaves para compreender o nosso tempo


Situação paradoxal é a de Guy Debord no panorama intelectual francês: por um lado, toda a gente o cita, lhe faz referência, inclusivé os próprios agentes do espectáculo, de que ele foi adversário durante toda a sua vida; por outro, fica-se chocado com a estranha discreção da imprensa face à edição do conjunto das suas obras. Um livro que reúne todas as suas obras publicadas, e que inclui ainda toda uma recolha de cartas, directivas, intervenções, artigos de revista, notas inéditas, é, sem dúvida, um acontecimento: permite simultaneamente esclarecer o trajecto deste pensamento, ano após ano, e observar a sua impressionante coerência. Mas na realidade tudo se passa como se o pensamento de Debord ficasse reduzido a clichés, a fórmulas estereotipadas, e mais que estafadas, sobre a «sociedade do espectáculo»; e isso em detrimento do posicionamento indefectivelmente revolucionário daquele que não teve outro objectivo, tanto nos seus textos como na sua vida, senão de perturbar a rdem estabelecida – ou, pelo menos, de não lhe fazer concessões.

No início dos anos 1950, Debord está no centro de um pequeno grupo de jovens que se empenham, na linha de certas vanguardas do início do século, a defender que a arte morreu enquanto entidade «separada», que a poesia deve Dora em diante passar a ser vida. Dada, pensam eles, quis suprimir a arte sem a realizar; o surrealismo quis realizar a arte sema suprimir; ora é este antagonismo que é preciso superar. Cada vida deve ser inventada e não sofrida; a cidade ( neste caso, Paris) é o território das «derivas», das aventuras ( daí o escândalo fomentado, por exemplo, contra Le Corbusier, responsável, segundo eles, de apoiar uma concepção de urbanismo visando a «destruir a rua»). O objectivoé criar situações – o que implica um desprezo para com a arte existente, e mais grealmente contra toda a cultura «alienada», separada da experiência directa. Quando muito pode-se agir na «decomposição» desta cultura, e imaginar ( com Lautréamont) nas técnicas que permitam subvertê-la….

Num segundo perído (correspondendo, de grosso modo, à passagem da Internacional letrista para a Internacional Situacionista), Debord vai muito claramente alargar o campo de acção – isto é, politizá-lo. A contestação à cultura desemboca logicamente na contestação à sociedade. O encontro com Marx era inevitável – ainda que se tratasse, no caso pendente, de um marxismo heterdoxo, nos antípodas do comunismo oficial ( para Debord e os seus amigos, foi a «contra-revolução» que triunfou no século XX, quando o Estado totalitário substituiu na Rússia o poder dos sovietes, ou quando os levantamento libertários da guerra civil espanhola foram esmagados pela burocracia estalinista).

No essencial, Debord apercebeu-se do segunte: a lógica da «mercadoria», que Marx tinha analisado, ligada ao sistema de produção, estendeu-se entretanto a todos os aspectos da vida quotidiana; o lado do «lazer», produzido pela evolução técnica, longe de suscitar liberdades acrescidas, redunda na expansão do espectáculo, propulsionando necessidades fictícias, renovadas sem cessar, e que submetem as nossas vidas a representações manipuladas e falsificadas, e que vão-se tornar na nossa relação com o mundo. É a época, para Debord, de novas cumplicidades internacionais, de alianças tácticas, traduzidas em «manifestos» ( o grupo não pára de se recompor) e também de uma intensa elaboração teórica – o levará tudo isto à edição em 1967 do livro decisivo que é A Sociedade do Espectáculo, implacável conjunto de textos impecavelmente escritos.

«O espectáculo – escreve Debord – não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada pelas imagens»; «a sociedade do espectáculo» não é somente a hegemonia do modelo mediático ou publicitário, mas, para além disso, o «reinado autocrático da autonomia mercantil que acedeu a um estatuto de soberania irresponsável, e o conjunto de novas técnicas de governo que acompanham esse reinado». A sequência é conhecida: propagação subterrânea destas teses, a sua ramificação no meio estudantil de Strasbourg a Nanterre, para acabar com a explosão de Maio de 68, cujo espírito situacionista surge como o segredo vivo, irradiante, talvez menos por influência directa ( nomeadamente, na Sorbonne, sobre o Comité para a manutenção e defesa das ocupações), do que por inspiração difusa. É ele que vibra e que se ouve nos slogans, nos cartazes, nas inscrições murais que invadem as ruas.

A continuação é mais sombria. Debord, depressa, dá-se conta de que aquilo que inspirou arrisca-se, por extensão, a converter-se em lugar comum, ou seja, a ficar diluído numa contestação banalizada, conformista. Donde a dissolução da sua «Internacional» ( que nunca teve mais do que quinze elementos), o seu auto-encolhimento, os exílios voluntários ( nomeadamente em Itália, ocasião que lhe serviu para demonstrar a verdadeira natureza do «compromisso histórico» proposto pelos comunistas, e apontar, com um enorme lucidez, a manipulação e a infiltração das Brigadas Vermelhas pelo poder do Estado).

Dá-se então o encontro com um mecenas, Gérard Lebovici, cuja editora publicará os autores predilectos de Debord ( de Gracián a Orwell), e que consagrará um sala à difusão exclusiva dos seus filmes ( pois que toda a sua aventura será pontuada por uma singular actividade cinematigráfica, visando a destruir o espectáculo desde o seu interior, com as suas próprias armas subvertidas). Lebovici aparecerá assassinada certo dia em circunstância mal elucidadas. Debord, que se torna cada vez mais irredutível, cada vez mais isolado na sua radicalidade, no momento em que a maior parte dos jovens dos anos 60 aderem à ordem liberal estabelecida, consagrará os seus últimos esforços a ripostar às imagens ( caluniosas, muitas vezes) que são postas a circular da sua pessoa e das suas obras.

Empenhado numa escrita, simultaneamente clássica e subversiva, soberana, condensada, depurada, não hesitando ( recorde-se o prodigioso Panegírico) a evocar a sua própria experiência na primeira pessoa – não por narcissismo ( até porque o narcissismo +e também um dos ingredientes do espectacular ), mas antes para sugerir que a resistência ao mundo completamente mercantilizado obriga a afirmar, apesar dele e contra tudo, que uma outra forma de vida é possível para além da que nos é imposta.

O livro maior deste último período é, sem dúvida,os Comentários sobre a sociedade do espectáculo, com data de 1988, em que Debord alarga e aprofunda as suas análises de 1967, fazendo-nos um agudo diagnóstico quer sobre o mundo contenporâneo quer sobre os meios que permitam compreênde-lo. Um ano antes da queda do muro de Berlim, ele pressente que a oposição entre a forma «concentrada» do espectáculo (os regimes comunistas) e a sua forma «difusa» ( o capitalismo ocidental) está prestes a ser ultrapassada na forma de uma « espectacularidade integrada» que reinará sem rival em todo o planeta. Quais são os seus traços carecterísticos? A «renovação tecnológica incencessante» ( por exemplo, a imposição da mercadoria informática, convertendo todo o utilizaodr em cliente submisso); a «fusão económico-estatal» ( a absorção do Estado no mercado); o «segredo generalizado» ) as verdadeiras decisões são inacessíveis, o modelo mafioso triunfa na instância política); o «falso sem réplica» ( pela primeira vez, os mestres do mundo são também os das suas representações); o «presente perpétuo» ( abolição de toda a consciência histórica).

Tudo isso cria um universo de servidão voluntária sem rpecedentes ( a verdadeira novidade do espectáculo, segundo Debord, é «de ter podido levar uma geração a vergar-se às suas leis»): «Quem olhar sempre, para saber a continuação, nunca agirá, e esse será o espectador». O momento, como é evidente, não é para grandes utopias colectivas, pois o espectáculo tudo invadiu, absorveu tudo, incluindo as crítcas parcelares, localizadas do sistema, e que não produzem senão efeitos periféricos –não é mais possível recusar radicalmente este sistema: O que em Debord não exclui uma certa tonalidade de nostalgia: a regressão é tal, de ora avante, que pode ser revolucionário retomar certos aspectos do passado – aqueles justamente que o espectáculo neutralizou…

Em suma, um livro apaixonante, no qual se pode seguir o percurso de debord ao longo de todas as suas etapas – em que nenhuma renega as precedentes. Saliente-se a fulgurância de certos textos publiados, até agora inéditos, ou desaparecidos. Por exemplo: «Adresse aux révolutionnaires d’Álgerie», de 1965, na época do golpe de Houari Boummedienne que derrubou Bem Bella; ou aquele espantoso artigo de 1967 sobre a revolução cultural chinesa, analisada em todas as suas contradições; ou ainda, mais perto de nós, as «Notas inéditas sobre a questão dos imigrados» ( Dezembro de 1985) – em que Debord coloca a questão desarmante que é a de saber qual a integração que esperam os imigrantes no momento em que o espectáculo está em vias de americanizar o que resta da França…

Tantas análises precisas, clarividentes, antecipadoras, que não cedem ao lugar comum, em especial, ao estereótipo e à cegueira da esquerda conformista. Não se trata aqui de salientar o facto de Debord nunca ter manifestado a mínima condescendência para com o «campo socialista» ou as ditaduras do terceiro mundo; ou de interrogramo-mos porque é que nele a procura do ponto de vista mais revolucinário gera, em todos os assuntos, o máximo de inteligência e de lucidez.

A notar também o extraordinário interesse dos seus textos cinematográficos. Pois que se tratava, para ele, de destruir esse código a partir do seu interior ( rompendo com toda a fascinação espectacular, e sistematicamente dissocia a imagem e o som, afirmando o primado do pensamento sobre o «visual», frequentemente graças a imagens documentários ou a planos subvertidos), paraalém de que não é menos certo que os filmes de Debord ( principalmente a sua obra-prima que é «In girum imus nocte et consumimur igni) representam uma tentativa inaudita de projectar do lado da consciência ( histórica e subjectiva) uma arte votada em princípio ao seu esvaziamento. Daí que os seus filmes sejam simultaneamente ensaio, confissão, mediação e compreensão do mundo através das suas imagens e que não se comparam a quaisquer outros– a não ser, talvez, às últimas realizações de Jean-Luc Godard ( e não deixa de ser lamentável que qualquer diálogo não tenha havido entre ambos, que se detestavam cordialmente entre si). (2)

Certamente que é legítimo não aderir cegamente a tudo o Debord escreveu. Considerar excessiva e injusta, por exemplo, o seu repúdio a toda a arte e literatura do seu tempo – quando é nítido que é justamente toda a efevercênscia criativa do século XX que o espectáculo tende destruir, ou a tornar «ilegível». Ou ainda que não deixa de ser algo suspeito a tendência de Debord a desecadear, nos grupos em que esteve, rupturas, exclusões, epurações, visando até os que lhe eram mais próximos, apoucando a dimensão colectiva ( logo, política) das suas posições. Mas talvez isso não seja mais do que a consequência forçada da sua intransigência, da sua exigência quase absoluta de radicalidade – ele que sabia que todo o grupo subversivo deve prever que seja sucessivamente «enganado, provocado, infiltrado, manipulado, usurpado, revolvido».

É esta radicalidade, em suma, que permite que o pensamento de Debord hoje em dia seja o único a dar conta de forma crítica de todos os aspectos da mercantilização do mundo, e da «falsa consciência» que daí se alastrou. Por isso mesmo é que Debord permanece, não obstante todos os efeitos efémeros das modas que convertem o seu pensamento inofensivo, profundamente irrecuperável. «É notório – escreve ele – que em nenhuma parte fiz concessões às ideias dominantes da minha época». Essa é, na verdade, a grande lição que ele nos legou – e que é preciso saber, como ele fez, passar para as nossas vidas.



Autor do texto: Guy Scarpetta
Texto publicado no Le Monde Diplomatique de Agosto de 2006


(1) Guy Debord, Oeuvres, Gallimard,Paris, 2006: edição estabelecida e anotada por Jean-louis Rançon, com a colaboração de Alice Debord.
(2) A proximidade contraditória entre Debord e godar foi muito bem apontada por Cécile Guilbert ( «Pour Débord», Gallimard, Paris, 1996) num dos melhores ensaios jamais escritos a seu respeito.

5.8.06

O Movimento Slow ou o Elogio da Lentidão



Um movimento global está a desafiar o culto da velocidade!
Por que estamos sempre com pressa? Qual a solução para a falta de tempo?
É possível desacelerar e recuperar a qualidade de vida?
A pressa faz-nos passar ao de leve pelas coisas, sem as aprofundamente, sem realmente as entender.A cultura dominante diz-nos que mais rápido é melhor. Andamos tão apressados que tudo e todos os que nos atrasem se transformam no inimigo.
Enquanto não nos dermos conta de que o nosso ritmo é o ritmo da natureza, continuaremos como o Coelho de “Alice no País da Maravilhas”: de relógio na mão, atrasados, atrasados, atrasados. Sem tempo para tudo o que temos de fazer, sem tempo pessoal, num frenesim de actividades.
Carl Honoré, um jornalista canadiano, escreveu um livro, agora traduzido para português, sobre o movimento slow, já presente em vários países, e que desafia o culto da velocidade, mostrando que mais devagar é muitas vezes melhor.
O movimento Slow não defende fazer tudo a passo de caracol; significa viver melhor no frenético mundo moderno, encontrando um equilíbrio entre o rápido e o lento



Alguns websites ligados ao movimento slow :

Slowlondon

A group of young, dynamic urbanites who push the Slow creed in London with serious intent and a sense of humour. A number of public events are in the works, but in the meantime check out their splendid web site. It has tips on slowing down, links to like-minded groups, articles from the press, letters from Londoners, a commuter blogger and a dictionary of slow terms. There’s even an agony aunt called slowcoach. If only every city had a group like this. Now there’s an idea….
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One of the easiest and most pleasurable ways to slow down is with food, and this organization (80,000 members in 100 countries) is leading the charge. I visit the site to see what’s going on in the world of gastronomic slowness.
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Moving the Slow philosophy from the dinner table to the town hall. An offshoot of Slow Food that aims to take some of the excess speed and stress out of urban life. More than 30 Italian cities have been certified as "Slow," and the movement has spread into other countries, including Britain, Germany and Norway. One of my favourite Slow Cities is Orvieto in Umbria.
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New Urbanism

A movement dedicated to building North American neighborhoods that encourage walking and community spirit. My favourite New Urbanist development is Kentlands, a suburb near Gaithursburg MA in the US. If I ever return to North American suburbia (which is a pretty big ‘if’), this is the kind of neighbourhood I’d want to live in.
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Candle Night
http://candle-night.org/english/home.php

During the night of the summer solstice (June 21), people across Japan turn off the electricity for two hours. The idea is to do slow things by candle-light - read, eat together, meditate, whatever reconnets you with your inner tortoise.
Do something special--Read a book with your child by candlelight. Enjoy a quiet dinner with a special person.
This night can mean many things for many people.A time to save energy, to think about peace, to think about people in distant lands who share your planet.
Pulling the plug open the window to a new world.Awakens as to human freedom and diversity.
It is a process, finding a larger possibility of the human civilization.
By turning off lights for only two hours, we will be all loosely connected.
Let's make a "wave of darkness" spread over the globe together.
On the evening of Summer solstice, June 21st, for two hours from eight to ten p.m. Turn off the lights, take it slow.
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Journée de la Lenteur
http://journeelenteur.ca/

Montréal switches into tortoise mode on June 21, with loads of activities to help the locals slow down.
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The Society for the Deceleration of Time
http://zeitverein.com/

An Austrian-based group that promotes living, working and playing at the right pace. It has members all over central Europe. What I like best about them is their sense of humour. Sometimes they run speed-traps for pedestrians in city centres. Anyone caught walking too fast is pulled over and asked to explain their haste. The punishment is walking 50 metres while steering a tortoise marionette along the pavement. Most people love being stopped, and some even return later in the day to walk the tortoise a second time.
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You've heard of Speed Dating. Well, now the backlash has begun. Slow Dating has hit the ground running (slowly) in Montréal, Canada.
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Slow Life
http://slow-life.net/

Japan has a reputation as the home of speed, but the Japanese are coming round to the idea of slowness in a big way. This site is a good starting point for exploring the spread of the Slow movement in Japan.
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Diamond Light Tantra

We all laughed when Sting confessed to marathon Tantric sex sessions with his wife, but now couples of all ages are flocking to workshops to learn the art of slower love-making. Tantra is one way to decelerate in bed. I attended a Diamond Light workshop in London and, once I got over my inclination to giggle, found it quite moving.
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While researching my book, I met Alberto Vitale, a jet-setting web-designer from Bra, the headquarter city of Slow Food. He figured that what works at the dinner table might just work in the bedroom. So he became an apostle for erotic deceleration. This is his Italian-language site.
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Long Now Foundation

One consequence of our hurry-up culture is a collective inability to see beyond the short term. To make the case for slowness and for thinking long-term, this group, which has many members from the IT industry, builds large clocks that measure time over 10,000 years. I was bowled over by the one at the Science Museum in London.
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One of the most engaging characters I met on my journey through the Slow movement was Uwe Kliemt. A Hamburg-based pianist, he is a leading light in Tempo Giusto, a loosely-knit group of musicians who argue that we play a lot of classical music too fast. I still listen to his slower renditions of Mozart and Beethoven. This is his site, parts of which are in English.
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The Sink

Wendel Messer, a driving instructor with a wry sense of humour, has written a novel satirizing Canadian driving culture – the mindless hurry, the rage. This is his site.
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International Meditation Centres

Learning how to still the mind is a big part of slowing down. I find meditation immensely relaxing. It also clears the head and gets the creative juices flowing during the workday. There are six IMC branches around the world, each offering retreats where anyone can learn Buddhist meditation. I attended the one in Wiltshire, England.
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Not all meditation comes with religious baggage. Over five million people worldwide use TM, including a couple of my friends, who swear by it.
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People all over the world are setting up personal websites to decry rushaholism and sing the praises of slowness. This is one of the more amusing ones. It also has a chat forum. It is the brainchild of an Englishman who lives in the U.S.
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So many children nowadays are hurried and over-scheduled. Some of my son’s classmates have diaries that would make a CEO go weak at the knees. This is one of many organizations that are helping parents help their children slow down and have more free time.
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Slow Now

Even outside the traditional Western world, people are waking up to the folly of relentless speed and busyness. This Warsaw-based group is bursting with ideas for how to promote the Slow movement in Poland. It also has an English-language chat forum.
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Part of slowing down is rethinking the way we make and interact with things, and how that affects our relationship with other people and the environment. This is a New York-based network of creative thinkers who apply the Slow philosophy to all aspects of design.
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ho says business can’t be Slow? Removing unnecessary hurry from the workplace can cut down on mistakes, boost creative thinking and raise productivity. This Toronto-based group promotes the idea that slowness has a role to play in the business world.
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An Italian organization that promotes the joys of living better by living more slowly.
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In October 2004, Canberra held its first Slow Festival. For a whole week, the Australian city played host to lunches, debates, concerts, walks, workshops and art exhibitions dedicated to exploring the benefits of deceleration. The plan is to make the festival an annual event. This is the official site.
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In a speech at The Royal Academy of Arts in London, Robert Hughes, the Time magazine critic, called for art that delivers more than just a quick thrill.
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Woody Tasch, a leading ethical investor, applies the Slow philosophy to business and the financial markets.
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A group dedicated to helping Australians rediscover their inner tortoise. Runs workshops on the art of slowing down in every walk of life, from parenting to working.
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A site all about escaping the rat race in Australia.
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Researchers are beginning to see the merits of taking their time in the hunt for data and trends.
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Longplayer is a piece of music that will run for 1,000 years. It started to play on January 1st, 2000 in London. You can read about and listen to the music on this site.
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A fascinating search for ways to bring the Slow ethos into the corporate boardroom.
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Ohad Fishof has turned walking very slowly into performance art. To celebrate the fifth anniversary of Longplayer (see other link), he crossed London Bridge at a glacial pace – it took him nine hours, 43 minutes and 25 seconds. I chatted with him on his lunch break. He told me that he plans to carry out Slow Walks in other cities around the world.
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As a leading proponent of downshifting, Tracey Smith writes, broadcasts and raises chickens. She is the driving force behind the annual National Downshifting Weeks in Britain and the United States.
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Laura Williams is a young English artist with a big idea. She plans to build the world’s first tidal-powered Moon Clock. Her aim is to make us rethink our relationship with time and the natural world.
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An international festival featuring one-minute films shot in slow-motion. The aim is to create meditative art that encourages viewers stop and smell the roses and experience time in a less hurried way.
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The name says it all. Based in British Columbia, this party calls on everyone to work less, consume less and live more. It even runs candidates in local elections.
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Slowing down and simplifying your life are often two sides of the same coin. This site is a gateway to the world of "voluntary simplicity."
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This is a nifty invention - a watch with variable speeds. The original purpose was to offer a gentle transition between time zones for international travelers. But the inventor tells me it has other uses in daily life: "You can use the watch to speed up time during a dull party or slow it down to prolong a pleasurable experience."
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An international foundation that works to improve the lot of under-privileged children, especially in developing countries. Its community projects make a real difference on the ground. I have never forgotten the months I spent working at a Terre Des Hommes centre for street children in Fortaleza, Brazil. We helped the kids create a shoe-shine cooperative.



Festivais/Festas que dá gosto e vontade em participar…

«Minha aldeia é todo o mundo.Todo o mundo me pertence. Aqui me encontro, e me confundo com gente de todo o mundo, que a todo o mundo pertence.»
António Gedeão


Sem prejudicar a nossa resolução de suspender a actualização do blog nos próximos tempos – e como não há regra sem excepção – inserimos alguns novos posts que consideramos oportunos ( por respeito aos amigos, companheiros e leitores que fazem questão de nos ler e acompanhar). É o caso deste que remete para um conjunto de festas e festivais de carácter alternativo que se realizam nesta altura do ano.

Na verdade, na avalanche massificadora de espectáculos e festivais para todos os gostos e feitios durante este mês de Agosto com óbvios efeitos turísitco-comerciais, ainda há iniciativas que dá gosto e em que vale a pena participar e assistir, para quem decida sair do seu local habitual de residência e sondar outros horizontes e ambientes.
Sem ser exaustivo indicamos aqui umas pistas para algumas Festivais/festas de carácter alternativo ao longo do mês de Agosto de 2006:


*** Festival Altitudes (em Campo Benfeito, Gosende, na Serra do Montemuro), organizado pelo Teatro Montemuro – 12 a 20 Agosto
Ver:
http://lobosnofojo.blogspot.com/


*** Festa das artes em Uzeste (15 a 20 de Agosto), Occitânia (sul de França, perto de Bordéus)
Ver
aqui



* Festival du bout su monde (Festival do fim do mundo), na Bretanha – 11 – 13 de Agosto
Ver
aqui




* Festival de Sziget, numa ilha a meio do Danúbio, perto de Budapeste, Hungria - 9 a 16 agosto
Ver:
http://www.sziget.hu/festival_english


* Boom festival ( 3 a 9 de Agosto) – em Idanha-a-Nova ( perto da cidade de Castelo Branco)
O Boom Festival é um festival de música trance realizado em Portugal durante o Verão. O festival tem evoluido, ao longo das últimas edições, para um espectáculo da áudio e visual com várias workshops, inédito no país e mesmo a nível internacional.
Ver:
http://www.boomfestival.org/boom2006/index.html



** Intercéltico de Sendim ( em Miranda do Douro, Trás-os-Montes)
(de 3 a 7 de Agosto)
Ver:
http://www.intercelticosendim.com/

* Festival de Teatro Clássico de Mérida ( 6 a 15 de Agosto)
Ver:
http://www.festivaldemerida.es/


**Andanças - Festival internacional de danças populares ( 31 de Julho a 6 de Agosto), em Carvalhais, S.Pedro do Sul
Ver
aqui


**Festas Populares de Madrid – festas populares durantes o mês de Agosto na região metropolitana de Madrid.
Ver:
http://www.fiestas-de-madrid.com/





Festival Altitudes
(em Campo Benfeito, Gosende, na Serra do Montemuro),
organizado pelo Teatro Montemuro – 12 a 20 Agosto


PROGRAMA
12 Sábado

15h Atelier de Lanternas, Helen Ainsworth
21h Caminhada de Lanternas Abertura Oficial Com a Música de Abelhões
22h Trechos Trovas e Trogloditas, Teatro Montemuro


13 Domingo0
9h30 Encontro de Pintura e Escultura
15h Atelier de Didgeridoo, Rodrigo Viterbo
17h Toques do Caramulo
21h30 Kansera, Teatro Mínimo
23h Tucanas


14 Segunda
15h Atelier de Didgeridoo, Rodrigo Viterbo
21h As Desventuras de Isabella, Casa da Comédia


15 Terça
15h Atelier de Percussão para Crianças, Kula
21h30 A viúva Astuta, Teatro Ao Largo
23h Lufa Lufa “Foledad”


16 Quarta15h Atelier de Percussão para Crianças, Kula
21h30 Clean Clown, Peripécia Teatro


17 Quinta
15h Atelier Cor da Madeira, Quiné
21h30 Babine o Parvo, Teatro Art´Imagem


18 Sexta
15h Atelier Cor da Madeira, Quiné
21h30 Gente Feliz com Lágrimas, Teatro O Bando
23h Orquestrinha do Terro


r19 Sábado
10h Atelier Cor da Madeira, Quiné
21h30 Don Quixote, Chapitô


20 Domingo1
5h Atelier Cor da Madeira, Quiné
17h Espectáculo Cor da Madeira resultante do Atelier
21h A Gargalhada de Yorick, Teatro Instável
23h Uxu Kalhus


www.teatrodomontemuro.com
www.lobosnofojo.blogspot.com

Travessa Principal nº1 Campo Benfeito 3600-371 Gosende
Perguntas ou comentários?
Envie-nos uma mensagem de correio electrónico para
teatromontemuro@gmail.com
ou
montemuro@mail.telepac.pt
ou ligue para
254 689 352 / 597





Festa das artes em Uzeste (15 a 20 de Agosto)
Festival convivial de artes, artistas e cidadãos em-jazz, e uma manifestação poiélítica numa pequena aldeia occitana (na actual Gironde francesa), a meio caminho entre Bordéus e Agen.

Participantes: La Compagnie Lubat de Gasconha, Marc Perrone, Edouard Glissant, Georges Didi Huberman, Benat Achiary,
Ursus Minor, Stokley Williams, Tony Hymas, Jef Lee Johnson, François Corneloup, Monique Chemillier-Gendreau, La Campagnie des Musiques à Ouïr, Pascal Convert, Michel Portal, Francis Marmande, Louis Sclavis, Régine Chopinot...

Info aqui





Festival du bout su monde (Festival do fim do mundo), na Bretanha – 11 – 13 de Agosto
Realiza-se num local chamado landaouedc ( a meio caminho entre Brest e Quimper, na Bretanha: a 60 Km de Brest e a 60Km de Quimper)
Info:
www.festivalduboutdumonde.com/2006/pages/accueil3.htm


Programa

Vendredi 11 Août / A partir de 18 h
Robert Plant & the Strange Sensation - Grande-Bretagne

Ismaël Lô - Sénégal

Zita Swoon - Belgique
Goran Bregovic & l'Orchestre des Mariages & des Enterrements - Serbie

David Walters - Caraïbe / France

Gayane - Bretagne


Samedi 12 Août / A partir de 14 h 30

Steel Pulse - Grande-Bretagne

Souad Massi - Algérie

Paco Ibañez - Pays Basque / Espagne

Alan Stivell - Bretagne

Cheikh Lô - Sénégal

Danyel Waro - La Réunion

Amparanoïa - Espagne

Anis - France

Lila Downs - Mexique

Dupain - Marseille

Bonga - Angola

Lura - Cap Vert



Dimanche 13 Août / A partir de 14 h 30

Hubert Félix Thiefaine - France

Johnny Clegg - Afrique du Sud

Benabar - France

Rossy - Madagascar

Dub Incorporation - France

Mahala Raï Banda - Roumanie

Lo'Jo - France

Da Silva - France

Egschilglen - Mongolie

Jehro - France

Norkst - Bretagne

Enzo Avitabile & Bottari - Naples / Italie




Boom festival ( 3 a 9 de Agosto) – em Idanha-a-Nova ( perto da cidade de Castelo Branco)


Info:
http://www.boomfestival.org/boom2006/index.html

Boom Festival is a global art, music and culture gathering held every two years in Portugal’s sun-drenched countryside in a stunning outdoor location on the shore of the Lake Idanha-a-Nova.
Bringing together the latest in psychedelic audio and visuals, art installations and workshops this week-long event is a harmonic convergence of people, energy, information and philosophies from around planet Earth and beyond.
Synchronized multi-dimensionally with the full moon of August the next incarnation of the Boom is taking a bio-dynamic approach by incorporating a variety of sustainable techniques and Earth-based forms throughout its infrastructure.
Reflecting a harmonic balance of the organic and the cyber-technologic, Boom 06 maps the metaphysical framework in accordance with Peace, Love, Unity and Respect.
The tone is set for a transformative experience in celebration of the perpetual cycle creation and re-creation - from the Beginning of the Whole to the Eschaton.
Boom “city” is located at an unspoilt ranch on the shores of the amazing lake of Idanha-a-Nova. Boom “city” stretches for about 3km of the lake’s shore. So you can learn, dance, enjoy and swim simultaneously.
Set amongst the beautiful surroundings of the central north of Portugal, Idanha-a-nova village is just a few kilometres away from the lake.
A magic place filled with energy ready to become the active centre of the psy-community and ready to support the Boom “city”.
This magnificent place is characterized by its biggest asset: billions of fresh crystal clear water. This mountain top lake serves as a mirror to the sky’s full moon and also as a guarantee for the survival of the local agriculture and delicate nature. Granted the honour of being part of Natura 2000. Surrounded by endless fields and cork trees.
Historically this is the region with the oldest Portuguese culture. From the Boom location you can see in the horizon the oldest village in Portugal, Monsanto just 15 km away.
Idanha-a-Nova (a village with about 3000 residents) is 50 km from the Spanish border and 35 km from the city of Castelo Branco in Portugal. The Boom location is (by car) 288 km from the capital of Portugal, Lisbon.



Intercéltico de Sendim ( em Miranda do Douro, Trás-os-Montes)
(de 3 a 7 de Agosto)

Ver:
www.intercelticosendim.com/

Programa

Sexta, 4 de Agosto
Célio Pires (Miranda, Portugal)
Hexacorde (Castela-Leão)
Lunasa (Irlanda)

Sábado, 5 de Agosto
Mielotxin (Navarra)
Berroguetto (Galiza)
Hevia (Astúrias)
DRD (Astúrias


Ver:
http://www.gaitadefoles.net/noticias/intersendim2006.htm


Os irlandeses Lunasa são um dos regressos mais aguardados em Portugal.Em Sendim, no Planalto Mirandês, realiza-se pela sétima vez o Festival Intercéltico de Sendim, de 3 a 6 de Agosto.Para a edição de 2006, a programação surge com uma novidade; desta vez, o festival começa em Espanha, na localidade de Fermoselle, fazendo uma homenagem às relações transfronteiriças que sempre marcam a cultura dos povos da Raia - de que Miranda do Douro é um exemplo. Desde tempos que já se perdem nas memórias dos mais velhos, que as gentes de ambas as localidades se encontram regularmente, partilhando vivências e convívios. E sempre se estabeleceram entre ambas as comunidades as mais diversas relações económicas, culturais e sociais, potenciadas pela proximidade física (ambas se encontram em pleno coração das Arribas do Douro, no Parque Natural do Douro Internacional). No cartaz deste ano o prato forte são os grupos musicais provenientes de Espanha e da Irlanda: Tamborileiros de Fermoselle (Sayago); DRD (Astúrias); Célio Pires (Miranda, Portugal); Hexacorde (Castela-Leão); Lunasa (Irlanda); Mielotxin (Navarra); Berroguetto (Galiza) e Hevia (Astúrias).


Lunasa (Irlanda)Sexta, 4 de Agosto - Parque das Eiras
A partir de 2002, ano da edição do álbum Merry Sisters of Fate (gravado e editado pela Green Linnet, este disco foi premiado pela Association for Independent Music, sediado nos USA, como melhor álbum na categoria de “British/Celtic Music”), os Lúnasa passaram a editar com satisfatória regularidade os seus trabalhos discográficos, seguindo-se, em 2003, Redwood, que foi concebido em Outubro de 2001, durante a estadia do grupo num rancho californiano, pertencente a Matt Greenhill. A ideia era simples: documentar o impacto das actuações ao vivo na música do grupo. Este trabalho ficaria marcado por uma série de problemas com a editora norte-americana, a Green Linnet, tendo surgido com três edições: pela Green Linnet, por uma editora japonesa e pelo próprio grupo (na Compass Records), sendo esta ultima a versão que continua disponível.Entretanto, em 2004, seria publicado o extraordinário álbum The Kinnity Sessions, gravado no Kinnitty Castle (County Offaly), em Dezembro de 2003, a o vivo (para um publico convidado), mas tendo sido apagado para a edição final tudo quanto indiciasse tratar-se de um álbum gravado ao vivo. Trata-se de um trabalho que continua a fazer jus ao nome escolhido – que designa, também, em gaélico, o nome do mês de Agosto. Lugh, heróico guerreiro, poderoso mágico e deus solar, era também um excelente músico que, na harpa, executava com divinal mestria, as três melodias fundamentais da música irlandesa: melodias para chorar, melodias para adormecer e melodias para alegrar. Pelo que não surpreendem nem pecam por exageradas a palavras de apresentação insertas neste The Kinnitty Sessions: Preparem-se para experimentar a radical reinvenção da música tradicional irlandesa na sua forma mais pura – nada de overdubs, de truques de estúdio. Gravado na presença de um auditório de convidados no interior das supostamente assombradas paredes do Kinnitty Castle, na Irlanda. The Kinnitty Sessions documenta um grupo no auge dos seus poderes. Com a imaculada fidelidade de um álbum de estúdio e a tempestuosa intensidade do ambiente de um concerto, o virtuosismo instrumental, arranjos intrincados e a energia rítmica que definem Lúnasa, que foram elevados a um nível de urgência e de ousadia. Trata-se do seu mais dinâmico e imediato álbum: quem ainda não ouviu The Kinnitty Sessions ainda não ouviu, verdadeiramente, os Lúnasa!Entretanto, em Dezembro de 2004, Donog Hennessy saiu para trabalhar num projecto com Pauline Scanlon (ex-Sharon Shannon Band), sendo substituído por Paul Meehan, um guitarrista e tocador de banjo, natural de Middletown (County Armagh), que integrou a Karan Casey Band (criada pela cantora após a sua saída dos Solas). Paul Meehan participou na gravação dos dois primeiros álbuns do grupo North Cregg, tendo ainda colaborado com muitos outros artistas da folk. Finalmente (que não em definitivo!...), em Fevereiro de 2006 foi publicado o sexto álbum do grupo, intitulado Sé, um trabalho gravado em Amberville (Cullybacky, Irlanda do Norte) e nos Marguerite Studios (Dublin), com produção de Trevor Hutchinson e colaborações de Tim Edey (guitarra), Conor Brady, Pat Fitzgerald (teclados) e Karl Ronan (trombone).


Festivais e Encontros no Reino Unido:



*The Big Green Gathering ( 2 a 6 de Agosto), na Inglaterra
"The Big Green Gathering is for people who care about health, the environment, sustainability, our children's future and life in general. It is a celebration of our natural world and our place within it."
Ver:
www.big-green-gathering.com


* Earth First! Summer Gathering ( 16 a 20 de Agosto) no País de Gales

For anyone interested in direct action for people and planet. This is not a festival but a chance to meet, discuss and plan.
Food provided by Anarchist Teapot - 3 vegan meals for £4 a day. £15 to pay for running costs. There will be talks, stalls, workshops, kids space, teens space, camping areas. No dogs. If you would like to help with the gathering, give workshops, etc contact soon.

Para mais info:
www.earthfirstgathering.org.uk
email
efgathering@aktivix.org
phone 0845 223 5254



*Westcountry Storytelling Festival ( 27 a 29 de Agosto) – festival de contadores de histórias (Once upon a time in Devon... discover) the lost art of storytelling,
Ver:
www.weststoryfest.co.uk


Para mais informações, consultar:

www.londonfreelist.com (o roteiro de Londres)
www.festivals.co.uk ( festivais no Reino Unido)
www.thefestivalzone.com ( festivais em toda a Europa)
www.frootsmag.com/content/festivals ( festivais de música étnica e folk)
www.campscene-directory.co.uk ( festas e festivais hippies)
www.protest.net ( manifs e acções em todo o mundo)

4.8.06

Como educar face à «máquina que produz esquecimento»? (Zygmunt Bauman)


Sociólogo e filósofo polaco, Zygmunt Bauman explica ao longo da sua já vasta obra como passamos de uma «modernidade sólida» para uma «modernidade líquida», na qual a rapidez, a superficialidade e o consumismo frenético dos indivíduos em geral, e dos alunos em especial, colidem com as maneiras de ensinar e educar estávamos habituados. Num mundo em perpétua mudança, saturado de informações, autêntica «máquina do esquecimento» ( ou, com mais rigor, de produzir esquecimento), os educadores devem inventar uma outra maneira de ensinar e aprender.


No seu estado «sólido», definitivamente superado, a modernidade tinha a obsessão da durabilidade (…) O conhecimento tinha valor pois era suposto durar, o que se verificava com a educação,uma vez que oferecia um conhecimento durável (…) Ora nós encontramos aqui o primeiro dos numerosos desafios com que se defronta a educação contemporânea. Na nossa época, uma época «moderna-fluída» as possessões duráveis, os produtos que eram supostos serem apropriados uma vez por todas e jamais substituídos, perderam a atracção que tinham no passado. Era vistos outrora como um capital, e arriscam-se agora a ser encarados como dívidas (…)
Os editores das revistas de luxo pressentiram como ninguém as novas tendências: simultaneamente com as novidades «para fazer» ou «a ter», fornecem regularmente aos seus leitores conselhos sobre o que «passou de moda». (…) O consumismo não consiste hoje numa acumulação de coisas, mas no prazer efémero que elas dão. Se assim é, então porque é que o conjunto de conhecidos obtidos na escola ou na faculdade deveriam ser excepção a essa tendência universal? No turbilhão de mudanças, o conhecimento adaptou-se a um uso instantâneo e previsto para uma única utilização: o conhecimento «pronto-a-vestir», do tipo que é oferecido pelos programas informáticos, e parece atrair a atenção geral. É assim que a ideia segundo a qual a educação é um produto, destinada a ser adquirida e conservada, está em declínio e não se fala mais da educação institucionalizada (…)
O segundo desafio que também se opõe às premissas fundamentais da educação provêm da natureza errática e essencilamente imprevisível das mudanças contemporâneas e reforça o primeiro desafio. Ao longo dos tempos, o conhecimento foi apreciado pela sua representação verídica do mundo: mas o que se passa se o mundo muda de um modo que desafia e questiona constantemente a verdade do conhecimento existente? (…)
O mundo em que vivemos hoje é visto mais como uma máquina de produzir esquecimento do que como um local para desenvolver aprendizagens (…) Numa tal espécie de mundo, a aprendizagem está destinada a ser uma corrida sem fim, logo que um objecto seja substituído e um outro começa a fazer-se notar (…) Como já observara há muito tempo Ralph Wald Emerson quando se está de patins de gelo, o segredo está na velocidade (…)
Isto tudo vai contrariar todos os aspectos da aprendizagem educativa tal como foram praticados ao longo da sua história (…)Nesse mundo, a memória era um capital: mais a memória abraçava o passado e se conservava, mais este capital se valorizava. Hoje uma tal memória aparece como potencialmente incapacitante (…) No nosso mundo volátil feito de mudanças instantâneas e erráticas, os hábitos enraizados, os quadros cognitivos sólidos e a presença de valores estáveis, que eram as finalidades últimas da educação ortodoxa, tornaram-se obstáculos. Pelo menos, eles são rejeitados pelo mercado do conhecimento, para o qual ( tal como para todos os mercados e para todas as mercadorias) a lealdade, os laços e os envolvimento a longo prazo estão obsoletos, quais obstáculos que urge desembaraçarmo-nos (…)
A questão é que muito pouco, ou mesmo nada, poderá ser remediado unicamente através da reforma das estratégias de educação, por mais engenhosa e completa que ela seja. (…) Devo insistir nisto: as actuais mudanças a que assistimos não são do mesmo género que as do passado. Em nenhum das épocas passadas da história da humanidade, os educadores foram confrontados com um desafio desta magnitude. Nunca nos encontramos numa situação semelhante. A arte de viver num mundo sobre-saturado de informações deve ainda ser aprendida. O mesmo se passa com a maneira como preparamos os seres humanos para essa forma de viver.


Tradução de excertos de um texto de Zygmunt Bauman inicialmente publicado na revista Diògene, e retomado no livro «Revue Diogène:une anthologie da la vie culturelle au XXè siécle», PUF, 2005

Os charlatães do turismo verde


As visitas ao templo Angkor no Cambodja estão confiadas a uma sociedade de turismo; as cidades históricas como a de Huê no Vietname estão constantemente sujeitas a uma avalanche de veraneantes…Não obstante a inscrição de certos locais no Património mundial da Humanidade pela UNESCO, a verdade é que os interesses financeiros acabam por sobrepor-se, em detrimento dos próprios locais e das suas populações. A Organização Mundial do Turismo promoveu a noção de «ecoturismo» que soa bem aos viajantes com preocupações ecológicas. Mas, na ausência de uma definição rigorosa, os governos e os grupos privados aproveitam-se deste label para projectos muito pouco ecológicos e fortemente anti-sociais. Vejamos alguns exemplos na América Latina.

No norte da Guatemala e da reserva da biosfera maya (RBM), a mais importante área protegida da América Central, o sítio arqueológico do Mirador era uma pérola bem protegida pela floresta. Fora as comunidades locais e os arqueólogos ninguém conhecia a existência destas 26 cidades mayas que datam do período pré-classico e que são anteriores entre mil e mil oitocentos anos dos outros sítios mayas (Palenque, Copán, Tikal). Os especialistas consideram Mirador como o berço da civilização maya: nele estão alojadoas as pirâmidas mais altas jamais construídas na Meso-América (147 metros de altura). Um arqueólogo norte-americano, Richard Hansen, viu neste património um mina de ouro: «Temos aqui uma combinação única de floresta tropical e de sítios arqueológicos de um valor inestimável que criam um potencial turístico enorme para a Guatemala»

Daí que não demorou a propor a construção de um complexo turístico que permita, segundo ele, a garantir os financiamentos para restaurar o sítio, travar a pilhagem arqueológica e conservar os recursos naturais. O projecto El Mirador nasceu com a fama do «ecoturismo» e foi apoiado pelo presidente da Guatemala, Óscar Berger, assim como por uma longa lista de instituições que aparentemente estavam apostadas na conservação da reserva (1). Contudo, com a chegada prevista de 120 mil turistas por ano a este meio preservado o projecto dividiu as comunidades até então unidas: o avanço do projecto está a conduzir à privatização do património, sob a cobertura de objectivos científicos e/ou turísticos muito pouco claros.(2)

Antes mesmo que o projecto seja conhecido em todos os seus detalhes, e conhecido o seu impacto ecológico, El Mirador já é anunciado na imprensa como uma óptima notícia para a economia do país e a conservação do planeta. A questão da água não é sequer referida: com efeito, não há água na zona de El Mirador, sendo necessário transportá-la por helicóptero. E o que vai acontecer quando os turistas começarem a chegar? Quanto a isso não há resposta até ao momento. Mas para Richard Hansen torna-se urgente actuar ( isto é, expropriar): « a riqueza da RBM deve ser preservada; as comunidades locais são responsáveis pela sua deterioração»

Uma imputação que é particularmente escandalosa. Na verdade, a comunidade visada pertence à rede da Associação das comunidades florestais do Petén (Acofop), premiada aquando da Cimeira da Terra em Joanesburgo, em 1992, pela sua gestão sustentável de 500.000 hectares da reserva, com o acompanhamento da Forest Stewardship Council (FSC) (3). «Em circunstância alguma Acofop é reponsável pela desflorestação da RBM», insurge-se Ileana Valenzuela, do grupo «Acções e propostas de Petén»: «Richard Hansen sabe perfeitamente que ela é destruída pelas explorações petrolíferas, pelas explorações florestais privadas e pelas rotas do narco-tráfico. Ora o turismo vai gerar deslocações e actividades suplementares numa zona da reserva que ainda está preservada justamente graças ao trabalho da Acofop».

El Mirador já reviu o seu projecto inicial para uma apresentação mais «verde»: o comboio e um heliporto substituíram as estradas e o aeroporto inicialmente previstos. No entanto, ninguém garante que esta zona não venha a ser percorrida por autocarros de turistas ou por camiões das empresas de exploração florestal caso as «estradas turísticas» projectadas pela organização Mundo Maya, uma componente do plano Puebla-Panamá venham a ver a luz do dia. Mundo Maya agrupa o Banco Interamericano de desenvolvimento (BID) e os ministros de turismo do México, Guatemala, Honduras, San Salvador e do Belize, tem como seus objectivo, pelo menos ao nível das suas intenções…, desenvolver o turismo «verde» e trazer benefícios para as populações locais.

Mas no plano dos factos as intenções do Mundo Maya são de «facilitar as deslocações dos turistas entre os diversos sítiios arqueológicos mayas e criar infra-estruturas para o turismo»(5). Ou seja, a ideia é estabelecer vias de comunicação entre os sítios de Palenque e Tulum ( no México), Tikal ( na Guatemala) e Copán ( nas Honduras), e que atravessará a região, ainda intacta, da RBM, muito próxima de El Mirador (6). Oficialmente; a região comprometeu_se a desenvolver »um turismo mais respeitador das culturas e do ambiente e cujos benefícios reverterão para o combate à pobreza»(7). Mas, na realidade, esta política arrisca-se a ter um resultado oposto.

No México, as costas marítimas enchem-se de projectos de betão (142 projectos encontram-se em vias de realização) e visam aumentar a «oferta praia» (8). Com a excepção da Costa Rica que tem desenvolvido uma efectiva política de conservação, a América Central percebeu que a natureza é um produto que se vende bem.. Acontece, todavia, que os projectos classificados de «ecoturismo» implicam frequentemente uma actividade em plena natureza mas sem contar com a participação dos habitantes locais na definição e gestão do projecto nem as adaptações ecológicas que possam reduzir o impacto da actividade. Os investidores privados, desejosos de locais virgens, protegidos, são bem acolhidos pelos países que fornecem a matéria prima e cada governo aspira a desenvolver um ´«grande projecto» durante o seu mandato com os olhos postos nas receitas turísticas que daí possam advir.

O presidente mexicano Vicente Fox apoiou desde a sua eleição em 2000 um desastrosa iniciativa da Fonatur, a instância governamental encarregada pelo turismo. Tratava-se de explorar o «último aquarium mundial» na baixa-Califórnia, região que tem uma bioodiversidade marítima única e local de reprodução da baleia cinzenta e de outras espécies. Ao longo das 240 ilhas (9), extremamente sensíveis às fontes de poluição sonora e química, o denominado projecto Mar de Cortès pretende atrair os iates norte-americanos para o que se projecta a construção de 24 marinas capazes de receber 50 mil embarcações privadas. Cinco milhões de turistas são esperados até 2014.

Os investimentos privados têm as mãos livres: o projecto Paraíso del Mar, uma das componentes do Marde Cortès, foi iniciado sem dispor de alguma autorização nem de qualquer estudo de impacto ambiental, digno desse nome.. Ele prevê a construção de 1500 villas, 2.000 quartos de hotel, dois campos de golfe, um centro comercial, um parque recreativo e dois hospitais privados, para um investimento estimado em 900 milhões de dólares. Face aos desvarios dos investidores ( construção de estradas sem autorização, destruição de mangroves,…) a UNESCO decidiu por classificar as ilhas do golfo da Califórnia, e que o México tinha pedido em 1978 para serem incuídas no conjunto do Património mundial da humanidade. É deveras significativo que o governador do Estado, Narciso Agúndez, nem o presidente da câmara de La Paz, Victor Castro Cosio, tenham assitido à cerimónia oficial de classificação do sítio pela Unesco no passado dia 23 de Agosto de 2005, ao passo que ambos tinham inaugurado o estaleiro do Paraíso del Mar. «Face ao turismo, a Unesco não poderá regulamentar o que quer que seja, nem ela tem sequer capacidade para tal», deplora Gonzalo Halffter, especialista junto da organização, que esclarece que a intervenção só se dá quando algum governo assim o solicitar, o que não é o caso do governo mexicano. Em contrapartida, uma rede de associações locais, «Ciudadanos Preocupados AC», impugnou judicialmente estes projectos privados com base nos «estudos de impacto que esqueceram a presença das baleias e de outras espécies». Segundo esta mesma rede, «o contexto social é negado, e o desenvolvimento local é tudo menos uma prioridade»

As Honduras praticam também o «ecoturismo» numa das mais belas parcelas das costas das Caríbas, à entrada do Parque Nacional Jeannette Kawas, terra dos Garifunas, população creoula de origem africana, aqui instalada desde 1880. ao longo da costa o país já «vendeu» aos norte-americanos as suas ilhas – em torno de Roatán, onde se fala inglês e se comercializa em dólares - assim como as suas terras agrícolas, para o cultivo do ananás pela empresa norte-americana United Fruits (reconvertida, desde 1990, em Chiquita Brands Company). Faltava aquela parcela do litoral, com uma orla de coqueiros, até aqui esquecida pelo governo de tegucigalpa.

Em nome do muito prático «interesse nacional», o Instituto do Turismo das Honduras muito simplesmente expropriou 300 hectares do litoral sem seuqer indemnizar os Garifunas. Em 2004 vendeu esta parcela de terra por 19 milhões de dólares à empresa privada que se constituiu para realizar o grande projecto Micos Beach & Golf Resort. Esta designação tem sido motivo de grande perturbação unto dos Garifunas: «na nossa língua micos significa macaco e nunca houve macacos por estas bandas. Os únicos macacos destas praias somos nós, os Garifunas», explica o jovem Alex Podilla, presidente do Pélican Café, uma associação de promoção da cultura garifuna. Não haverá macacos, efectivamente, mas antes um campode golfe de 25 hectares, 2.000 quartos de hotel, 170 villas, um centro de congressos, uma marina,etc. E se a atracção principal é o parque nacional onde se prevê a realização de «diversas actividades», segundo os promotores,« a dança e a música dos garifunas são também motivos de atracção». E não deixa de ser oportuno saber se os antros de turismo sexual já estão também previstos?

Neste 3 grandes projectos - El Mirador, Mar de Cortés e Micos Beach – a natureza é explorada e vendida como o foi há 40 anos a magnífica baía de Acapulco. Os métodos utilizados não mudaram muito: corrupção das autoridades, informações truncadas, indemnizações ridículas ou mesmo inexistentes sobre as expropriações de terras, negação das consequências ecológicas e sociais. No fundo, encontramos os mesmos promotores e investidores ( conhecidos por serem os «coiotes do turismo» por causa da compra das terras a baixo preço), em busca das últimas pérolas intactas do planeta.

Estamos muito longe dos compromissos assumidos pela Organização Mundial do Turismo e pelos Estados sobre a matéria, através do código mundial de ética do turismo e da declaração do Quebec sobre o ecoturismo (10). E a anos-luz de uma verdadeira definição deste último. Sob a capa da consrvação (real ou não) uma tal designação tem conduzido a uma privatização ainda mais rápida dos recursos naturais do que no turismo dito clássico. Os projectos anunciam por vezes objectivos de carácter ecológico, mas todos exigem garantias acerca da titularidade da terra, empurrando pra fora os seus residentes.

A comunidade local perde as suas terras, as suas reservas de peixe ou a sua fonte de água doce, isto é, tudo o que lhe permitia sobreviver. Por vezes, as zonas públicas (praias, margens dos rios, florestas) caem simplesmente nas mãos do privado por um golpe de magia e com recurso à meios ilícitos. De facto, todos estes projectos reservam as últimas baleias, as últimas ceibas ( a árvore-emblema da Guatemala) ou a região dos Garifunas aos mais afortunados, justamente àqueles que terão contribuído para a sua destruição mais rápida. No futuro, será então normal pagar, e pagar caro, para usufruir de uma natureza preservada. El Miradordestina-se ao turismo europeu ( mais cultivado), enquanto o Mar de Cortès e Micos Beach estão talhados para os norte-americanos.

A utilização fraudulenta da designação «ecoturismo» quase nunca é denunciada. O ecoturismo beneficia geralmente de uma boa fama, e é actual o seu desenvolvimento.Para as agências de desenvolvimento parece mesmo que se tornou uma panaceia. Na América Central e no México, agências da ONU (11), organismos financeiros, BID, Banco Mundial, United States Agency for Internacional development (Usaid) e a União Europeia possuem inúmeros projectos direccionados para as comunidades locais. (12). Justificam-nos com as vantagens que podem trazer para a economia local, para a formação profissional, e a tomada de consciência pelos residentesda riqueza do seu património natural e cultural. Uma fórmula quase perfeita que visaria responder à necessidade de valorizar o património e garantir a sua conservação.

Organização não governamentais como a Conservation Inernationale e o BID, ainda que muito críticos sobre as políticas que foram conduzidas na região, financiaram, mesmo assim, durante os anos 1990, pequenos projectos de turismo, 100% comunitários, nos quais os residentes asseguravam uma verdadeira preservação do meio graças aos rendimentos obtidos pelo turismo.

Nos projectos do PNUE ( programa das Nações Unidas para o ambiente), explica Diego Masera, responsável para a América no seio daquela orgaanização, «a participação da comunidade é o motor do processo de conservação, e nenhuma actividade turística é feita sem a população». Em contraste, pelo lado dos Estados, a comunidade, ou seja, a criação e gestão de projectos por parte dos habitantes coloca problemas. Uma comunidade organizada e consciente do valor dos seus recursos naturais tende a mostrar-se contrária à venda a baixo preço das suas terras, ou a deixar que a sua fonte de água ou a sua cascata sejam privatizadas.

Em Chiapas os projectos de ecoturismo promovidos pelos governos (local e federal) não se fundam sobre o modelo comunitário, tentando antes promover o turismo familiar e privado. O governo local não se cansa de elogiar o ecoturismo como a «solução para os problemas económicos de Chiapas», mas a verdade é que financia desde há anos os piores projectos de ecoturismo do…México. Segundo Maxime Kieffer, consultor para o sector, que acaba de fazer uma pesquisa em Chiapas, «os habitantes não são consultados na fase preparatória. Apresenta-se-lhes a actividade e as cabanas, tudo pronto, em betão, sem qualquer cuidado ou preocupação de carácter ecológico, para limitar,por exemplo,a poluição. Os responsáveis não são formados, não existe gestão colectiva, nem projecto de desenvolvimento local, nem sequer uma análise sobre o lixo.» Pior: quando as comunidades rejeitam um projecto sobre as suas terras, os métodos empregues para os convencer deixam pairar sobras sobre o futuro da região. Assim, o conselho autónomo da comunidade zapatista Roberto Barrios denunciou diversas vezes as intimidações dos funcionários públicos, tal como as dos investidores privados, sobre um projecto de ecoturismo a ser realizado próximo das suas famosas cascatas. Ora o primeiro direito de uma qualquer comunidade é o de recusar a chegada de visitantes às suas terras – logo, não se pode impor projectos, mesmo que «sejam muito, muito bons», como o repete incessantemente a responsável pelo turismo de Chiapas.

Os projectos são também financiados pela União Europeia através do programa Prodesis. Com um tal parceiro – o governo, pouco recomendável, de Pablo Salazar – a UE apoia projectos que não têm nada de ecológicos e são até, em muitos dos seus aspectos, o oposto às regras de base do ecoturismo. Na comunidade lacandonica de Lacanjá Chansayab, as famílias gerem os projectos privados sem qualquer colaboração entre si. Aceitam andar com a sua túnica tradicional (13) porque os formadores enviados pelo ministério do turismo lhes garantem que os turistas querem vê-los assim.

Se se acreditarmos nos folhetos a região de Chiapas é o reino da natureza e da paz. O verde do ecoturismo faria desaparecer o kaki dos soldados que nunca mais deixaram a região desde 1994, o ano do levantamento zapatista. A comunicação é astuciosa e está bem oleada. Nos escritórios locais do ministério do turismo reconhece-se que os projectos não respeitam os princípios-chave do ecoturismo,mas o conceito não deixa de ser utilizado em todas as campanhas governamentais.

Ao copresidir no segundo Fórum Internacional do Turismo solidário (FITS) em Chiapas,em Março de 2002, a França veio a caucionar esta falsa política. O presidente Fox, o mesmo que propôs a destrução da Baixa-Califórnia, foi recebido por Pablo Salazar como o «o grande fundador do turismo solidário». Ao mesmo tempo os participantes do Fórum, vindo de África e de Ásia lamentaram, numa carta aberta dirigida aos organizadores,de não terem debatido com nenhuma das comunidades locais, nas várias visitas de campo.

No seio do FITS a preservação da denominação «ecoturismo tornou-se numa prioridade das redes, associações e universitários que defendem o conceito. A denominação, sobretudo no turismo solidário, é a solução mais indicada.
Do meio
Uma denominação dessas para o turismo solidário garantiria, além disso, a preservação do meio, a gestão pelos habitantes do projecto de turismo e um reinvestimento de uma parte dos rendimentos assim obtidos nos serviços comuns. Em França os viajantes solidários, agrupados na Associação para um turismo justo e solidário (ATES) convidaram a Fairtrade Labelling Organizations (FLO) (14), que acompanha a rede do comércio justo a debruçar-se sobre o tema. Todas estas associações têm interesse em defender a transparência e salientar as suas acções de soldariedade e a sua ética, quando outras agências se mitam a um código de boa conduta, e utilizam termos cativantes como o de «turismo responsável» nas suas comunicações.

Mas a certificação é um processo pesado, complexo e dispendioso. Para Ernest Cañada, responsável espanhol Acção para um turismo responsável (ATR), «as taxas de certificação são incomportáveis para os pequenos projectos». No México, por exemplo, o custo da certificação do label do comércio justo aproxima-se dos 2.000 euros por ano para uma organização de produtores de café. «Ao certificar o café das multinacionais como Nestlé, McDonalds, Carrefour, a FLO optou por um caminho que conduzirá muito em breve as cadeias hoteleiras a fazer o mesmo, apesar de violarem os direios dos seus assalariados. Ora isso não tem nenhum sentido para nós», diz-nos Ernest Cañada.

Para não reproduzir os erros da labelização do comércio justo, as taxas de certificação não devem ser suportadas pelo pprojecto, a fim dos mais pequenos – que são a maioria – poderem também ter acesso. Mas, sobretudo, um label do turismo solidário, sustentável ou responsável, deverá excluir à partida os grandes grupos de turismo.

Labelizado, ou não, o ecoturismo deve cessar de enganar o cliente. A actividade, é certo, não é uma solução de aplicação universal, que possa aplicar-se em todo lado: não é possível converter as populações de todos os sítios arqueológicos em guias, sob o pretexto do desenvolvimento social. Além disso, tal como o comércio justo não resolveu a crise do café, também o ecoturismo pervertido não servirá grande coisa para combater a pobreza.


Notas
(1) Universidade da Califórnia, National Geographic Society, Counterpart International
(2) Em Chiapas a organização «Maderas del pueblo» denunciou várias vezes a biopirataria feita em nome do ecoturismo
(3) A FSC é uma ONG que agrupa desde 1993 proprietários de terrenos, empresas madeireiras, grupos sociais e associações ecologistas. AFSC baseia-se em 10 princípios e 56 critérios para a certificação
(4) O plano Puebla-Panama é um plano de desenvolvimento que visa criar infra-estruturas para futura implantação de actividades económicas desde o Panamá até ao Estado de Puebla, no México
(5) Ver
www.iadh.org/ppp
(6) Ver o site www.tropicoverde.org da ONG guatamalteca deo mesmo nome
(7) Declaração das ilhas Galápagos (2002), cimeira ibero-americana e das Caraíbas dos 20 ministros de turismo e do ambiente (Equador)
(8) Os outros segmentos envolvem o turismo cultural, o de negócios, os cruzeiros, o de aventura e o ecoturismo
(9) Para a UNESCO estas ilhas abrigam a biodiversidade marinha muito rica
(10) Adoptada emMaio de 2002, após o Ano Internacional do Eoturismo de 2001
(11) OIT, PNUD,PNUE, OMT
(12) A maior parte dos projectos concernem com comunidaes indígenas
(13) Os lacadónios não são originários da província do mesmo nome. Esta população maya é originária da penincula de Yucatán
(14) A FLO nasceu e, 1997 e agrupa uma vinte associações do comércio justo em todo o mundo e certifica548 cooperativas (
www.fairtrade.net )
.
.
Texto de autoria de Anne Vigna, e publicado no Le Monde diplmatique de Julho de 2006

3.8.06

Morreu Murray Bookchin, figura maior da ecologia social e da esquerda libertária




Murray Bookchin, um dos mais destacados nomes da esquerda libertária, e provavelmente um dos mais salientes pensadores dos últimos cem anos, morreu no passado dia 30 de Julho de 2006 em Burlington (Vermont), com 85 anos de idade. Foi um dos primeiros divulgadores e promotores das questões e temas ecológicos, sendo por muitos considerado um verdadeiro pioneiro da ecologia, tendo criado e teorizado a chamada ecologia social, uma das principais correntes do ecologismo.
Bookchin é também uma figura destacada do anarquismo contemporâneo, ao fazer uma leitura re-actualizada do pensamento e da prática anarquista, através do chamado municipalismo libertário, apesar de, nos seus últimos anos de vida, se ter mostrado muito crítico para com o movimento anarquista e até a utilidade e oportunidade do termo anarquismo.
Deixa a sua companheira de muitos anos, Janet Biehl, os seus filhos Joseph e Debbie Bookchin, e a sua ex-esposa e grande amiga, Beatrice Bookchin.


Bookchin nasceu em Nova Iorque a14 de Janeiro de 1921. Os seus pais eram revolucionários russos emigrados. Muito cedo juntou-se ao movimento dos jovens comunistas mas, em breve, dele se afastou com críticas ao seu carácter autoritário. Aproxima-se dos trotskistas mas também rompeu com eles, desiludido devido aquele mesmo autoritarismo. Foi operário de fundição e de uma fábrica de automóveis e militou no sindicato L’UAU (United Auto-Workers), tendo tomado parte na grande greve que afectou a General Motor em 1948. Passa a participar em diversas publicações, e envolve-se no movimento contra-cultural da nova esquerda que desponta na sociedade norte-americana logo após a II Grande Guerra. Durante os anos 60 escreveu diversas obras, tendo sido um dos pioneiros no estudo e análise das temáticas ecológicas, apresentando e teorizando sobre a ecologia social revolucionária ( argumentava que só uma sociedade completamente livre a aberta poderia resolver os problemas ambientais, pois o principal problema ecológico são as enormes desigualdades, hierarquias e relações de dominação que estruturam as sociedades humanas), ao mesmo tempo que faz uma crítica profunda ao marxismo tradicional .
Bookchin está na linha de muitos anarquistas e naturalistas, como Kropotkine, para quem a natureza não é esse ambiente hostil, competitivo e terrífico que imaginamos, mas antes a fonte de múltiplas formas inter-activas de vida ( criativas, simbólicas e produtivas). E se a natureza é fonte de liberdade, participação, solidariedade e apoio mútuo, então as estruturas sociais que organizam as sociedades humanas também assim poderiam ser.
Propõe-se então encontrar alternativas às instituições universitárias institucionalizadas para o que cria Universidades Livres e é o co-fundador e director do Instituto da Ecologia social em Vermont, USA.. Ensina de 1974 1984 no Ramapo Collège de New Jersey, ganhando renome internacional pelos seus trabalhos eco-filosóficos sobre ecologia e as alternativas tecnológicas. Em Burlington, onde se instala, ajudou a criar o Partido Verde. As suas teorias são conhecidas sob o nome do Municipalismo Libertário, no qual propõe um tipo de organização social e político, baseado no livre associativismo, na ecologia, e nas críticas às hierarquias institucionalizadas do patriarcado, do Capital, do Estado e do antropocentrismo. É autor prolífico, com diversas obras, muitas delas traduzidas nas mais variadas línguas, inclusive em português, sobre temas como a ecologia, a história, a política, a filosofia e o urbanismo.
As suas concepções são muitas vezes encaradas como vanguardistas e avançadas para a época. Critica ainda a «ecologia profunda» por não valorizar nem atender ao facto dos problemas ecológicos terem raízes nas estruturas e na maneira como a sociedade se organiza. Daí que defenda uma ecologia social como uma via racional e revolucionária que, com a participação e envolvimento dos cidadãos, consiga superar e resolver os problemas ambientais.
O eixo principal do seu pensamento está exposto no seu livro «Post-scarcity anarchism», onde escreve:
«The reason that human beings institute powerful government, with powerful military and police forces, is that we've always been engaged in a struggle for survival, fighting each other for scarce resources. In the modern era, for the first time in human history, we have the capability to eliminate scarcity as a basic part of human life -- to provide the basics of food, clothing, shelter, education and freedom to all. At some point, Bookchin argued (he was forever an optimist) the entire concept of scarcity would be meaningless -- and at that point, the whole idea of a powerful, centralized state would become meaningless, too.»

Bookchin foi um duro crítico das cidades modernas. Entre os seus variados trabalhos escritos sobre a matéria contam-se «Crisis in our cities» (1965) e The Rise of Urbanization and the Decline of Citizenship (1987.) nos quais é feita uma crítica profunda aos padrões da vida urbana.
Há que salientar, no entanto, que Bookchin é alvo de certas críticas que o acusam de se ter mantido colado a um evolucionismo ultrapassado, não tendo prestado atenção às últimas teorizações no domínio epistemológico nem ter questionado muitos conceitos (por ex., o do progresso) herdados do século dezanove. A esta obsolescência teórica haveria a acrescentar algumas propostas altamente discutíveis nos últimos anos como a utilidade de apresentação às eleições municipais através de um partido político libertário…
Para outros o contributo de Bookchin foi grande ao apontar os princípios que devem estruturar uma sociedade naturalmente ecológica: diversidade complementaria, espaços para a espontaneidade, e ausência de hierarquias. Bookchin seria assim o autor mais seguro para uma sociedade anarquista sustentável e realizável.


Mais info:
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Obituary by Janet Biehl, for the Burlington Free Press


Murray Bookchin was a left-libertarian social theorist who, in the early 1960s, introduced the concept of ecology into radical politics. A self-described utopian, he sought a decentralized, genuinely democratic society and placed ecology in a humanistic and social framework. He wrote more than two dozen books on ecology, history, politics, philosophy, and urban planning. At all times he upheld reason against the alternatives and sought to bring a lived revolutionary past forward into the future.

He was born on Jan. 14, 1921 in New York City, the only son of Russian Jewish immigrants, Nathan and Rose (Kaluskaya) Bookchin. At nine he joined the Communist youth organization but became disillusioned with the authoritarian character of the international Communist movement and broke with it in 1937. Unable to afford a college education, he worked as a foundryman in New Jersey and as a union organizer for the CIO. He served in the U.S. Army, then returned to civilian life as an autoworker. He participated in the great General Motors strike of 1946, but the strike leaders’ compromises with management caused him to abandon his faith in the industrial proletariat.

His first book, Our Synthetic Environment (written under the pseudonym Lewis Herber), published in 1962, addressed a broad range of ecological issues. Preceding Rachel Carson’s famous SilentSpring by nearly half a year, it called for a decentralized society using alternative energy sources. In this and later writings he developed what he called social ecology, which holds that ecological problems can be remedied only by the creation of a free and democratic society. At a time when “ecology” was an unfamiliar concept to most people, he lectured indefatigably on the subject to countercultural groups throughout the United States. He advanced the concept of postscarcity, holding that advances in technology would make possible a reduction of the workday, thereby providing people with the free time necessary to engage in civic self-management and direct democracy. His 1960s essays were very influential both in the counterculture and in the New Left and were anthologized in Post-Scarcity Anarchism (1971).

During the 1970s Bookchin’s writings and lectures influenced the formation of Green movements in the United States and abroad. Three years after moving to Burlington in 1971, co-founded the Institute for Social Ecology in Plainfield, Vt., becoming its director; the school later acquired an international reputation for its curriculum on social theory, ecophilosophy, and alternative technologies. That same year he began teaching at Ramapo College of New Jersey, where he became a full professor in 1977. He retired from Ramapo in 1981 with emeritus status.
In 1982 he Bookchin published The Ecology of Freedom, which became a classic in social thought. His 1986 The Rise of Urbanization and the Decline of Citizenship (1986) presented his program for direct-democratic politics at the municipal, neighborhood, and town levels. In Burlington Bookchin attempted to put these ideas into practice by working with the Northern Vermont Greens, the Vermont Council for Democracy, and the Burlington Greens, retiring from politics in 1990. His ideas are summarized succinctly in Remaking Society (1989) and The Murray Bookchin Reader (1997).

Bookchin is survived and his passing mourned by his loving family members, all of whom live in Burlington: his longtime companion, Janet Biehl; his daughter, Debbie Bookchin, her husband, James Schumacher, and their daughter, Katya Bookchin Schumacher; his son, Joseph Bookchin; and his ex-wife and longtime friend, Beatrice Bookchin. He will be much missed as well by his many dear friends and by the thousands of people, unknown to him personally, whom he touched during his long and productive life.