4.5.06

Young Activists : American High School Students in the Age of Protest ( um livro de: Goel Graham)


«Jovens activistas : os estudantes do ensino superior norte-americano na época dos protestos», livro de Goel Graham

"Graham imaginatively demonstrates how high school students during the turbulent 1960s were activists, engaged in many of the same problems that energized the society at large."—George Cotkin, California Polytechnic State University

"Young Activists 'takes me back' ... at the same time, I learn much from this book about what my peers were up to around the country and how high schools, and the political culture of high school students, evolved in this decade."—Mina Carson, Oregon State University

The traumas and controversies of the 1960s—the civil rights movement, the Vietnam War, and the pervasive antiauthoritarian spirit so evident on college campuses—infiltrated American public high schools. Students challenging their relegation to the world of children demanded the right to express their political views and to have a voice in decisions about their education. Adopting the activist tactics of the times, they organized strikes and demonstrations, initiated petitions and boycotts, and sought recourse through lawsuits and occasional violence.
As racial tensions flared across the country, high schools became a crucial arena for the civil rights movement. Drawing upon the memories of students and teachers as well as education journals, court cases, and news magazines, Young Activists provides an insider’s look at desegregation in all regions of the country, with a candid discussion of Black and Brown Power militancy and the reaction of white students. Debates about the war in Vietnam also rattled the high schools as young men and women—potential draftees and their colleagues—clashed over their judgments of American policy. In addition to these large social issues, student activists had their own specific agendas: relaxing dress codes, taking part in school governance, and initiating changes to the curriculum.
School authorities responded, warily but often positively. By the time activism waned in the mid-1970s, students had succeeded in making their high schools more open, more democratic, and more in tune with the times. Graham demonstrates that, although teenagers were indisputably influenced by the events reshaping the wider world, they were neither pawns nor mere mimics of their elders. Rather, they drew upon the rhetoric and strategies available to them in the 1960s to promote their own interests.

Gael Graham is Associate Professor of History and the Director of the History Graduate Program at Western Carolina University.

Table of Contents

Foreword by Todd GitlinIntroduction—The Diverse Origins of Student Activism and Dissent
1—The Changing World of the American High School Student
2—Maintaining the Color Line in Desegregated High Schools
3—It's Not Personal. It's Just That You're White—Black and Brown Power in the High Schools
4—The High School Student Rights Movement
5—Student Rights, Student Power, and the Critique of Contemporary Education
6—High School Students, the Vietnam War, and Radical Politics
7—Cops in the Halls, Students on the School Board—Educators Respond to High School Turmoil
EpilogueNotesSelected
BibliographyIndex

A Festa da Lavadeira no 1º de Maio mostra a cultura popular nordestina



Quase deserta, repleta de coqueiros em toda sua extensão, a Praia do Paiva nem parece que fica próxima ao Recife. Limitada ao norte pela foz do rio Jaboatão e ao sul pela pequenina Itapuama, Paiva é a primeira praia do município do Cabo de Santo Agostinho ( Região Metropolitana do Recife). Para se entrar de carro em Paiva, é preciso passar por uma portaria localizada no limite com Itapuama. A partir daí, pode-se seguir de carro por até cerca de 4 quilômetros ao norte. Durante o percurso, há inúmeras estradinhas de acesso até a beira da praia, a maioria delas em boas condições. Contudo, é só a pé que se pode conhecer os trechos central e norte do Paiva, pela faixa de areia fofa que fica a cada dia mais estreita devido ao avanço do mar.

A Praia do Paiva é quase deserto e tem mar aberto. Nas proximidades da praia existe um poço de lama negra, que algumas pessoas acreditam fazer bem para a pele. Com suas ondas fortes, Paiva foi reduto do surf até o princípio dos anos 90, quando a alteração no estuário do rio Ipojuca para a construção do porto de Suape provocou a migração dos tubarões para a foz do Jaboatão.

O sossego do Paiva é interrompido uma vez por ano, em 1º de maio, ocasião da Festa da Lavadeira, evento bolado pelo artista plástico pernambucano Eduardo Melo.


Com efeito, desde 1987, a praia do Paiva, em Cabo de Santo Agostinho, é sede de um dos maiores eventos da cultura popular nordestina. A Festa da Lavadeira, que recebe milhares de pessoas, todo dia 1º de maio - pode receber o título de Patrimônio Cultural do Povo de Pernambuco.

A Festa da Lavadeira começou quando a estátua foi inaugurada na casa do produtor cultural Eduardo Melo. A escultura, assinada por Ronaldo Câmara, chargista do Jornal do Commercio, passou a chamar atenção da comunidade que começou a levar oferendas para a imagem

O 1º de maio tem endereço certo, pois, para os amantes da cultura popular: a Festa da Lavadeira na praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, no Recife, que recebeu este ano uma maratona de mais de 40 espectáculos, das 10h às 22h.

Este ano, a produção do evento inclui o som dos tambores e coloca nos quatro palcos (que foram nomeados por elementos da natureza: Mata, Mar, Vento e Terra) os grupos locais, ao contrário do ano passado, quando a festa trouxe uma sessão de manifestações de outros estados. De fora virão apenas as Ceguinhas de Campina Grande e O Boi do Mestre Apolônio, do Maranhão.

Surgida sem pretensão, com oferendas colocadas por moradores da comunidade na escultura de uma lavadeira, no quintal da casa do artista plástico Eduardo Melo, a Festa da Lavadeira se transformou no único evento do estado 100% voltado para apresentações de grupos da cultura popular. Figuras cativas, que desde as primeiras festas já estavam presentes, animando um pequeno público, continuam fazendo parte da lista de atrações. Entre elas estão Dona Selma do Coco e Mestre Salustiano, que nesta edição leva ao palco as três gerações de sua família. Para dar espaço a todos os grupos, o produtor Eduardo Melo colocou na programação deste ano figuras que pisaram no Paiva pela primeira vez. É o caso de Gaspar, com o projeto Versos, vilarejos e quebrangulares, a Escola de Samba Preto Velho, o Samba de Véio de Petrolina, o Coco Bongar da Nação Xambá, o Maracatu Rural Estrela Dourada, entre outros.

Certeza é somente uma: a maioria das manifestações populares tradicionais de pernambuco está presente representada por grupos diversos.A oferenda ao orixá Iemanjá, colocada ao redor da escultura da lavadeira - ritual que alimenta a crendice dos adeptos dos cultos afro-brasileiros -, realizou-se na terça-feira. "

A Programação 20ª Festa da Lavadeira:

Palco da Mata

10h - Maracatu Naçào Leão da Campina11h - Malê e Aldeia do Coco12h - Afoxé Ylé de Egbá13h - Cabocolinhos 7 Flexas14h - Maracatu Nação Est. B. Igarassu15h - Selma do Coco 16h - Mestre Salustiano 17h - Boi da Fl. do M. Apolônio / MA ou Orquestra Frevo18h - Ciranda de Lia 19h - Ceguinhas de C. Grande/PB. 20h - Versos Vialejos e Quebranguladas

Palco do Vento

10h - Palhaços e Circenses12h - Dona Del e Seus Retalhos13h - Bloco C. M. Flor da Lira14h - Maracatu Rural Leão Vencedor15h - Orquestra de Frevo com os 16h - Bonecos de Olinda e cortejo17h - Xaveco e suas Pastoras18h - Cavalo Marinho Boi Pintado19h - Maracatu Rural Estrela Dourada


Palco da Terra

10h - Maracatu Nação Almirante do Forte11h - Flishimaya - Toré12h - Coco do Mestre Goitá13h - Coco Tebei de Tacaratu14h - Afoxé Oxum Pandá15h - Escola de Samba Preto Velho16h - Maracatu Nação Est. B. do Recife17h - Ciranda de Baracho e Célia Coquista18h - Samba de Véio de Petrolina19h - Maracatu Nação Leão Coroado

Palco do Mar

10h - Bacamarteiros do Cabo11h - Cabocolinhos Kapinawa12h - Aurinha do Coco13h - Afoxé Alafin Oyó14h - Escola Gigantes do Samba15h - Maracatu Nação Porto Rico16h - Afoxé Povo de Odé17h - Coco Raízes de Arcoverde18h - Trio Macambira19h - Bongar Coco Xambá
Fonte: da imprensa local

2.5.06

Colóquio sobre Castoriadis (3 de Maio, às 16.30 na Fac. de Letras do Porto)



Vai realizar-se amanhã, dia 3 de Maio de 2006, na Faculdade de Letras do Porto, na sala das reuniões ( 2º piso) pelas 16.30 um colóquio subordinado ao título

"A IDEIA DE CRIAÇÃO HUMANA EM CORNELIUS CASTORIADIS ­ INTERROGAÇÃO FILOSÓFICA E CIDADANIA"

por Miguel Serras Pereira, ensaísta, poeta e tradutor.

Fazer a Festa - festival internacional de teatro ( 5 a 14 de Maio)


O Teatro Art'Imagem vai promover, de 5 a 14 de Maio de 2006, o 25º Festival Internacional de Teatro - "Fazer a Festa".

"O Fazer a Festa" - Festival Internacional de Teatro realiza-se numa "aldeia-teatral" sediada no Palácio de Cristal, onde criadores e companhias de teatro nacionais e estrangeiras apresentam os seus espectáculos, que abarcam diversas disciplinas das artes do palco.
Os espectáculos serão acompanhados por outras manifestações paralelas e de convivio, de modo a criar uma ligação estreita entre todos os participantes (público e actores).

Programação para todas as faixas etárias e para diversificados tipos de públicos ao longo dos seus 10 dias de duração.

Local de Realização:
Palácio de Cristal e Biblioteca Municipal Almeida Garrett
Para mais informações contactar:

Teatro Art'Imagem Rua da Picaria, 894050-478
Tel. 222084014 Fax. 222084021E-mail:
producao@teatroartimagem.org

http://www.teatroartimagem.org/


Programa

Dia 5, sexta-feira
[ 21.30h ]
"VAMPYRiA" Teatro Corsário . Castela, Espanha M/ 12

[ 23.30h ]
"NOITE DA POETRIA" Livraria Poetria . Porto M/ 12"

CONCERTO - AO VIVO E A CORES" MalasArtes - Fábrica de Música . Porto

Dia 6, sabádo
[ 15.30h ]

"MARIONETAS NO JARDIM" Instituto Superior Jean Piaget . VN Gaia P/ Todos

[ 16:30h ]
"O MEDO AZUL" Quinta Parede . Porto M/ 4

[ 21.30h ]
"NO NATAL A GENTE VEM TE BUSCAR" Cia Paulista de Repertório . S Paulo, Brasil M/ 12

[ 23.30h ]
"FOLEDAD" Lufa-Lufa . Porto P/ Todos


Dia 7, domingo

[ 15.30h ]
"NA CARA " Jens Altheimer . Alemanha / Portugal P/ Todos

[ 16:30h ]
estreia"QARIBÓ" Teatro Regional da Serra de Montemuro . Montemuro M/4


Dia 8, segunda-feira

[ 10:00h e 14.30h ]
"O REI VAI NÚ" Evoé Teatro . Lisboa M/ 4

[ 21.00h ]
estreia"OS DIAS FELIZES" Projecto Cem Beckett . Porto M/ 12

Dia 9, terça-feira

[ 10:00h e 14.30h ]

"O ELIXIR DOS DESEJOS" Teatro das Beiras . Covilhã M/ 6

[ 21.00h ]

"OS DIAS FELIZES" Projecto Cem Beckett . Porto M/ 12

Dia 10, quarta-feira

[ 10:00h e 14.30h ]

"BABINE, O PARVO" Teatro Art' Imagem . Porto M/ 4

[ 21.00h ]

"OS DIAS FELIZES" Projecto Cem Beckett . Porto M/ 12

Dia 11, quinta-feira

[ 10:00h e 14.30h ]

"ESTÓRIAS DO ARCO DA VELHA" TapaFuros . Lisboa M/ 4

[ 21.00h ]

"OS DIAS FELIZES" ¬ Projecto Cem Beckett . Porto ¬ M/ 12


Dia 12, sexta-feira[

10:00h e 14.30h ]

"ESTÓRIAS DO DIA E DA NOITE" ¬ Limite Zero / Teatro Art' Imagem . Porto ¬ M/ 4

[ 21.00h ]

"OS DIAS FELIZES" Projecto Cem Beckett . Porto M/ 12

[ 21.30h ]

"AS BONDOSAS " Bando de Teatro Resistência . Bahia Brasil M/ 6

[ 23.30h ]

"A ORFÃ " Feliz Natal . Porto M/ 12

Dia 13, sábado

[ 15:30h ]

"O PAI DO GIGANTE" ENTREtanto Teatro . Valongo P/ Todos

[ 16:30h ]

"OS NARIGUDOS" Tanxarina . Galiza M/ 4

[ 21.00h ]

"OS DIAS FELIZES" Projecto Cem Beckett . Porto M/ 12

[ 21.30h ]

"VILLARET" Teatro da Comuna . Lisboa M/ 6

[ 23.30h ]

"XMAS QUANDO QUISERES" Tzero . Porto M/ 12

Dia 14, domingo

[ 15:30h ]

estreia"SERPENTINA" Radar 360º . Porto P/ Todos

[ 16:30h ]

"ESTÓRIAS DO DIA E DA NOITE" Limite Zero / Teatro Art' Imagem . Porto

Actividades paralelas

[ exposição ] "HOMENAGEM A SAMUEL BECKETT" ¬ Projecto Cem Beckett

[ teatro em livro ] "ESCAPARATE DA POETRIA" ¬ Livraria Poetria

Entrevista com Valéria Amorim, activista defensora dos índios brasileiros(parte II)


"A Vale do Rio Doce é um dos principais inimigos dos povos indígenas"

A seguir publicamos a segunda parte da entrevista com a anarquista maranhense Valéria Amorim, na qual ela fala do capital predador em terras indígenas, como em todo Estado do Maranhão, representado por empresas mineradoras, madeireiras, hidro-eléctricas, hidrovias, gasodutos, etc., com a cumplicidade do actual governo federal.

Agência de Notícias Anarquistas - No Dia do Índio deste ano, o presidente Lula falou a seguinte frase: "meus queridos caciques, não tenham medo de reivindicar". O que acha? [risos]

Valéria Amorim - Cinismo! Um governo que contou com o apoio maciço dos povos indígenas, que se comprometeu com uma série de compromissos com as lideranças indígenas antes das eleições, e que na prática relegou os indígenas à sua própria sorte, negociando os seus direitos como moeda de barganha para garantir a tão estimada governabilidade, que se negou muitas vezes durante estes anos de governo a ouvir as reivindicações dos povos indígenas e a montar uma política indigenista, não pode abrir a boca para dizer uma blasfémia como esta.

Os indígenas historicamente nunca tiveram medo de reivindicar e de lutar pelos seus direitos. Não foi à toa que os europeus não conseguiram escravizá-los. Muito menos necessitaram de que alguém dissesse para não terem medo. Ao contrário, o que os indígenas no Brasil precisam é justamente que suas reivindicações sejam ouvidas e levadas a sério pelas autoridades responsáveis.

ANA - É comum no Maranhão encontrar casos em que comunidades e lideranças indígenas são cooptadas e envolvidas em empreendimentos predatórios?
Valéria - Não é comum, graças a deus! [risos] Mas existem alguns casos de famílias que se envolvem com madeireiros. Os motivos, vários. Não justifica, porém, muitas vezes é a falta de perspectivas, o fascínio e a possibilidade de adquirir alguns bens da nossa sociedade etc.

ANA - Vamos mudar um pouco o foco da conversa, a Companhia Vale do Rio Doce é uma das principais inimigas dos indígenas no Maranhão?

Valéria - Eu diria que a Vale do Rio Doce é uma ameaça à sobrevivência das florestas, dos povos indígenas e de algumas pequenas comunidades rurais não só no Maranhão, mas também no Tocantins e no Pará. Estamos falando da maior produtora e exportadora de ferro do Brasil e terceira do mundo, cujas reservas localizadas na Serra do Carajás têm potencial de exploração estimado para cerca de mais 400 anos. São 73 empresas ligadas à Companhia que tem como alguns de seus principais accionistas George Soros e Citicorp. Esse “big monstro” não satisfeito apenas com a exploração de suas minas, também tem investimentos nos sectores de transporte, energia, produtos etc.

Para exemplificar melhor vou citar questões bem pontuais. Estrada de Ferro Carajás e siderúrgicas de refinamento do ferro distribuídas ao longo do percurso Parauapebas-Porto do Itaqui: minério transportado em vagões sem cobertura, intoxicando os caminhos, pessoas e bichos, às consequências... imagine! Fora isso, os fornos das siderúrgicas são alimentados por carvão vegetal. O resultado prático é o corte de madeira ilegal dentro das áreas indígenas, carvoarias clandestinas e devastação das florestas; Desastres ecológicos e impunidades: no Maranhão contamos dois casos graves, um em 2000 quando 25 mil litros de petróleo diesel derramaram dos tanques de armazenamento atingindo directamente a comunidades do Gapara, trecho Itaqui-Bacanga. O IBAMA multou inicialmente a Vale do Rio Doce em 3 milhões de reais, multa essa que foi reduzida a 100 mil reais e que actualmente está suspensa devido à existência de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado entre a companhia e o Ministério Público. Em 2004 novo vazamento de óleo aconteceu na mesma região (Itaqui-Bacanga). Desde então a Vale do Rio Doce indemniza as famílias atingidas com arroz e banana proporcionais a colheita de uma safra anual. Porém, as estimativas é que seja preciso cerca de mais uma década para que aquele terreno se recupere e volte a ser cultivável; Hidroeléctrica de Estreiro: também aqui no Maranhão, vai atingir os indígenas e comunidades rurais do Maranhão e Tocantins. A hidroeléctrica provocará o alagamento de 434 Km2 e a transferência de 5.000 famílias; Pólo Siderúrgico em São Luís: cerca de 18 mil pessoas correm o risco de serem desalojadas caso esse pólo seja implantado. Em sua maioria, são pescadores artesanais, famílias que sobrevivem da agricultura familiar etc. Sem falar nos impactos ambientais e sociais que o empreendimento deste porte pode trazer a uma Ilha como São Luis.

A Vale do Rio Doce é apenas um dos principais inimigos dos povos indígenas no Maranhão. A burocracia, a má vontade política, o descaso, a corrupção, a usura desenfreada são também outros inimigos. As terras indígenas estão cada dia mais ameaçadas pelos madeireiros e traficantes, a saúde indígena tem ficado pior nesses últimos 3 anos e começamos a registrar os primeiros casos de suicídio, prática recorrente quando os indígenas não percebem perspectivas de vida; a educação está totalmente abandonada a própria sorte. Nem a Funasa, nem o Governo do Estado, através da Secretaria de Educação, assumiram a questão indígena de fato. O resultado é abandono e descaso.

Como disse Ailton Truká, “da mesma maneira como os piratas desciam o Caribe para saquear a costa nos séculos XVI e XVII, os piratas modernos continuam saqueando a América. Só que agora eles não estão saqueando com trabucos. Eles estão saqueando com computadores, satélites. Sofisticaram muito os meios. No lugar de piratas truculentos, eles estão botando executivos, presidentes democratas, parlamentares vacinados. E tudo isso é uma orquestra montada para que o fluxo de sangria da América Latina continue vivo. E para não permitir de maneira alguma que se estanque esta veia aberta na América Latina. Enquanto tiver uma grama de minério, algum rio correndo ou uma floresta em pé, haverá um doido inventando e justificando programas que chama de desenvolvimento.”

ANA - Então são muitos os problemas ecológicos no Maranhão?

Valéria - O Maranhão é considerado estado nordestino, mas sua vegetação é um misto onde se pode encontra mangues no litoral, floresta Amazónica a Oeste, cerrado ao Sul, mata de cocais à Leste e campos alagados na Baixada Ocidental. Logo, temos problemas ambientais para todos os gostos.

Os manguezais estão ameaçados pelos aterros para expansão urbana, desastres ecológicos provocados por derramamento de petróleo, poluição por lançamento de esgoto, cultivo de camarão por indústrias de carcinicultura (em sua maioria estrangeiras) etc.

Da floresta Amazónica resta apenas o que corresponde às terras indígenas localizadas nesta região do estado e que estão ameaçadas pelos madeireiros, pela presença de fazendas agropecuárias etc.

No cerrado a grande ameaça encontra-se na indústria da soja. As consequências tem sido proporcionais ao avanço da produção (mais de 300.000 hectares de soja plantada), são elas: a devastação acelerada do cerrado, desalojamento da população local, utilização de grande quantidade de insecticidas no solo, utilização de sementes transgénicas, assoreamento dos cursos de água, contaminação das águas pelo uso intensivo dos agro-tóxicos e destruição de culturas próprias da região, como piqui, cupuaçu etc.

Nos cocais, a agricultura e a expansão das actividades pecuárias são os maiores inimigos dos coqueiras. As matas são derrubadas para darem lugar a pastos.

E nos campos alagados o problema se dá com a criação de búfalos soltos nos campos que destroem a fauna e a flora, sem falar na apropriação irregular por particulares. Os moradores da baixada vivem da caça de algumas aves desta região, da pesca e da extracção do junco, material utilizado para cobertura das casas. A criação dos búfalos destrói tudo isso e a sobrevivência dessas comunidades tradicionais é prejudicada.

Agora uns dados gritantes, só pra chocar um pouco antes de finalizar este assunto. [risos] Você sabia que em São Luis, capital do Estado, todo o esgoto produzido é jogado nos Rios Anil, Bacanga e no Mar? Imagine como é o sistema de colecta de lixo e esgoto no restante do estado... não existe tratamento!

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, um espectáculo da natureza, sofre pelo avanço do turismo desenfreado e das consequências que esse “desenvolvimento” tem provocado. Nas três principais cidades que integram o parque o esgoto é in natura, no Rio Preguiças. O IBAMA conta com 7 (sete!) funcionários e uma estrutura mínima para fiscalizar uma área de 150 mil hectares.

ANA - E há movimentação da sociedade, de grupos ecologistas contra tudo isso?

Valéria - Existem sim, o Fórum Carajás é sempre vigilante nas questões relativas às comunidades tradicionais e à questão ambiental (agronegócio, mangues, siderurgia etc). Realizam estudos e relatórios sobre as consequências do homem e do dito desenvolvimento sobre o meio ambiente, denunciam os crimes ambientais, fazem campanhas etc.

Há também a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Movimento das Mulheres Quebradeiras de Coco (MMQC), o Centro de Defesa dos Direitos Humanos, a Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos (SMDH), as organizações dos pescadores artesanais, as comunidades da baixada maranhense, os indígenas e sua organização, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Movimento Reage São Luis e CAECIP (Contra a Instalação do Pólo Siderúrgico em São Luis), entre outros.

ANA - E a diversidade anarquista local também participa dessas lutas?
Valéria - Há uma participação modesta e pessoal, principalmente no movimento contra a instalação do pólo siderúrgico em São Luis.

O colectivo anarquista, do qual eu faço parte, está adormecido. Problemas de ordem pessoal e política acabaram contribuindo para a nossa desarticulação. Hoje os indivíduos encampam às lutas de forma isolada. Alguns junto ao movimento contra o pólo, outros actuando com o movimento de pessoas portadoras de deficiência, outros militando no movimento estudantil, outros pesquisando os impactos dos grandes projectos no Maranhão, eu trabalhando com a questão indígena... Assim seguimos, meio desfacelados. Uma grande pena.

ANA - E como você vê a ligação, anarquismo e indígenismo? Temos muito o que aprender com os índios? [risos]

Valéria - Anarquismo e indígenismo é uma ligação possível e complementar. As diferentes formas de organização nas sociedades indígenas são complexas e fascinantes. A relação homem natureza, homem terra, homem mundo, homem outros homens são relações pautadas no respeito. O mutualismo pode ser percebido nas relações de reciprocidades. A educação na aldeia é sempre uma educação que incentiva a criança a ser autónoma e auto-suficiente na natureza, além de ser de responsabilidade social, e não exclusiva dos pais.

Olhar para as sociedades indígenas é perceber que o anarquismo e as sociedades sem estado são formas de organização completamente possíveis. Porém, dentro de um contexto totalmente adverso às estruturas do capitalismo.

É preciso dizer que as sociedades indígenas não são sociedades perfeitas, nem deveriam ser, posto que são humanas. Não cabe romantismo, cabe sim conhecer suas estruturas, viver sua realidade e perceber em que podemos aprender com eles, povos resistentes que lutam a 505 anos e que sobreviveram a tantos massacres.

ANA - Conheço alguns aldeamentos indígenas no litoral sul de São Paulo, e já percebi que neles não há bicicletas, pelo menos eu não vi, também não me recordo de ter visto em algum lugar do Brasil uma imagem de índios e bicicletas. Enfim, como amante da bicicleta, te pergunto: os índios do Maranhão usam bicicletas? [risos]

Valéria - Caramba! Que pergunta difícil! Bom, preciso de um tempo pra buscar no arquivo da "máquina" (cabeça), e olha que o meu "HD" não é um dos melhores e o "processador" então... precisa de tempo para pegar no tranco. Mas, passado o tempo necessário, a máquina conseguiu processar as informações e encontrou na mente a imagem.

Sim! Os indígenas no Maranhão também usam bicicleta! (certo que eu só vi uma, somente uma vez). Foi na aldeia Morro Branco, literalmente um morro bem no meio da cidade de Grajaú. Lá eu vi alguns indígenas que andavam de bicicleta. Do mais, não consegui lembrar de nenhuma outra imagem.

Os indígenas tradicionalmente são andarilhos. Hoje é certo que tem muita gente que prefere a comodidade dos carros, mas... ainda se anda muita nas aldeias.

ANA - Estamos terminando, quer dizer algo mais?

Valéria - Quero agradecer a oportunidade de socializar todas essas informações com os leitores da ANA. Falar sobre a questão indígena no Maranhão, os impactos dos grandes projectos e os problemas que enfrentamos com relação à preservação da natureza e a sobrevivência de comunidades tradicionais que vivem e mantêm uma relação de respeito ao meio ambiente é uma forma de fazer conhecer à luta e de, quem sabe, ganharmos alguns aliados.

Canais alternativos como esse possibilitam conhecer realidades que a gente desconhecia e que não são de interesse dos grande media. Assim, todas as vezes que tomamos ciência de outras formas de resistência, seja ela indígena, negra ou popular, isto serve como alimento a nossa esperança de que não estamos sozinhos nesta luta, que existem outros teimosos pelo mundo afora que acreditam e lutam pelos seus ideais.

Contacto Valéria Amorim:

waarara@hotmail.com

1.5.06

Liberdade ( poema de Paul Éluard)

Nos meus cadernos escolares
Na minha carteira e nas árvores
Na areia e na neve
Escrevo o teu nome

Em todas as páginas lodas
Em todas as páginas brancas
Pedra sangue papel ou cinz
Escrevo o teu nome

Nas imagens douradas
Nas armas dos guerreiros
Na coroa dos reis
Escrevo o teu nome

Na selva e no deserto
Nos ninhos nas giestas
No eco da minha infância
Escrevo o teu nome

Nas maravilhas nocturnas
No pão branco dos dias
Nas estações desposadas
Escrevo o teu nome

Em todos os meus trapos de azul
No charco sol bolorento
No lago de lua viva
Escrevo o teu nome

Nos campos no horizonte
Nas asas dos pássaros
E nomoinho das sombras
Escrevo o teu nome

Em cada bafo da aurora
No mar nos navios
Na montanha demente
Escrevo o teu nome

Nas formas cintilantes
Nos sinos das cores
Na verdade física
Escrevo o teu nome

Nos atalhos despertos
Nas estradas abertas
Nas praças quee xtravasam
Escrevo o teu nome


No candeeiro que se acende
No candeeiro que se apaga
Nas minhas casas reunidas
Escrevo o teu nome

No fruto cortado em dois
Do espelho e do meu quarto
No meu leito concha vazia
Escrevo o teu nome

No meu cão guloso e meigo
Nas suas orelhas erguidas
Na sua pata desajeitada
Escrevo o teu nome

No trampolim da minha porta
Nos objectos familiares
No jorro do fogo abençoado
Escrevo o teu nome

Em toda a cane concedida
Na fronte dos meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo o teu nome

No vidro das surpresas
Nos lábios aplicados
Bem por cima do silêncio
Escrevo o teu nome

Nas ausências sem desejo
Na nua solidão
Nos degraus da morte
Escrevo o teu nome

Na saúde regressada
No risco deaparecido
Na esperança sem memória
Escrevo o teu nome

E pelo poder d’uma palavra
Recomeço a minha vida
Nasci para te conhecer
Para te nomear

Liberdade

(poema de Paul Éluard)

Poema de Paul Éluard inserido na colectânea da sua poesia «Poemas de Amor e de Liberdade» com tradução de Egito Gonçalves publicada pela Campo das Letras

1º de Maio (May Day) - Dia mundial do trabalhador

A emancipação dos trabalhadores
é obra dos próprios trabalhadores


Um 1º de Maio internacionalista




30.4.06

Contra-cultura ( aproximação a uma definição)



Costuma-se associar o termo de contra-cultura – que foi popularizado pelo livro «The making of a Counter Culture» de Theodore Roszak em 1969 – aos anos sessenta. Mas se ensaiarmos uma definição logo veremos que a contracultura não é privativa do ambiente cultural vivido nessa década e que, pelo contrário, podemos encontar manifestações contra-culturais em muitas outras épocas e latitudes.

«…o essencial de uma contra-cultura, enquanto fenómeno histórico perene, é marcado pela afirmação do poder do indivíduo a criar a sua própria vida, e não tanto em aceitar os diktats das convenções sociais ou das autoridades da época, quaisquer que sejam as configurações com que o pensamento dominante e as subculturas se apresentam»

Trata-se, é certo, de uma definição algo vaga, que carece de precisões acerca dos princípios e valores, sobre o que distingue o pensamento dominante e as subculturas dominadas, quer de grupos étnicos e religiosos minoritários quer de grupos dissidentes contra-culturais.

As características fundamentais da contra-cultura são de 3 ordens:

- a contra-cultura confere primazia ao indivíduo relativamente às convenções sociais e às condicionantes governamentais
- a contra-cultura questiona o autoritarismo em todas as suas formas, desde as mais subtis às formas mais brutais
-a contra-cultura pressupõe a relação estreita entre a transformação individual e as mudanças sociais.

O indivíduo está, pois, no centro da contra-cultura. Concepções segundo as quais a mudança social se funda em valores altruístas e em que o individualismo é sempre entendido como um egoísmo são logicamente estranhas à contra-cultura.
Com efeito, o individualismo deve ser compreendido conforme o preceito socrático « Conhece-te a ti mesmo», além de que o individualismo contra-cultural é um individualismo profundamente compartilhado.

No prefácio de um dos seus livros, Timothy Leary sublinha a diferenciação entre movimentos contra-culturais e movimentos políticos:

«O meio de acção privilegiado de uma contra-cultura é o poder das ideias, das imagens e da expressão artística, e não a obtenção de poderes pessoais ou políticos. Consequentemente grupos minoritários, alternativos ou partidos políticos radicais não são contra-culturais. Se é certo que os movimentos contra-culturais tem implicações políticas, a verdade é que a tomada do poder e o facto da sua conservação exigir a adesão a estruturas muito rígidas fazem que tal se torne incompatível com a inovação e a criação que estão na base e é a razão de ser da contra-cultura. Ou seja, organização e instituição são incompatíveis com a contra-cultura.»

Outras características da contra-cultura:
- rupturas e inovações radicais em matéria de arte, ciências, espiritualidade, filosofia e modos devida.
- A diversidade.
- Uma comunicação aberta e autêntica, um contacto inter-pessoal profundo, assim como uma generosidade e uma partilha de meios.»
E não menos preciosa é a distinção entre a contra-cultura e as subculturas:
«...as contra-culturas são movimentod transgressivos de vanguarda. As contraculturas revelam uma excepcional diversidade. Pelo contrário, as subculturas definem-se geralmente por uma espécie de conformismo minoritário ou alternativo.»

Qualquer fenómeno contra-cultural envolve uma reacção repressiva da parte do pensamento dominante do sistema instituído. E, no limite, até a sua recuperação:
« O sistema integra a fraseologia contra-cultural na sua própria propaganda, ao mesmo tempo que os poderes económicos reduzem a arte e a estética contra-cultural a produtos de consumo.»
Em contrapartida, os artistas contra-culturais optam pelo exílio ou pela retirada para comunidades mais ou menos isoladas.

De qualquer forma a separação e o distanciamento relativamente ao pensamento dominante não é propriamente de carácter geográfico e pode até exigir formas muito subtis para que se faça a sua diferenciação:

«Os beats distanciaram-se do hiperconformismo característico da sociedade norte-americana dos anos cinquenta recorrendo a uma maneira de se vestirem e a uma recusa em participarem nessa corrida de ratos, ainda que à custa de uma certa pobreza».

Eco-teologia ( Leonardo Boff)


«A mesma lógica que leva a explorar as pessoas, as classes, os países, é também a que leva a explorar a natureza».

«A mesma lógica que leva a explorar as pessoas, as classes, os países, é também a que leva a explorar a natureza». É o que diz o teólogo Leonardo Boff (n. Concórdia, Brasil, 1938) que deu ontem em Madrid uma conferência no fim de uma intensa semana de seminários e encontros realizados em vários fóruns. De manhã interveio na Universidad Carlos III a propósito da Biodiversidade e do futuro da terra, e às 8 horas da tarde já se encontrava na Casa da América a reflectir sobre a actualidade da teologia da libertação. Em ambas as iniciativas a apresentação esteve a cargo do também teólogo Juan José Tamayo.
Pioneiro da teologia da libertação e também a sua figura mais conhecida, Leonardo Boff doutorou-se em 1970 em Teologia e Filosofia pela Universidade de Munique (Alemanha), onde publicou, de resto, o seuprimeiro livro, aos 26 anos, apadrinhado e financiado pelo cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Benedicto XVI. Quinze anos depois foi sujeito a um processo que lhe foi movido pela Congregação para a Doutrina da Fé ( ex-Santo Ofício da Inquisição), a que presidia o próprio Ratzinger, e no fim do qual foi remetido ao silêncio por decisão dos inquisidores. Alguns anos mais tarde Leonardo Boff viria a abandonar a Ordem dos Frades Menores ( franciscanos), continuando a exercer, no entanto, o cargo de professor de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia na Universidade do Estado de rio de Janeiro. É autor de 72 livros em áreas como a Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística, muitos deles traduzidos em diversas línguas.
Após a publicação da sua obra «Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres», Leonardo Boff tornou-se um símbolo da chamada Ecoteologia da libertação.
Ontem, no decurso de uma das suas Conferências, Boff declarou:
«Temos que nos convencer que a Terra é Gaia, isto é, tem um comportamento típico dos seres vivos. Somos mais filhos e filhas da Terra. A nossa singularidade é a de ser os cuidadores da Terra, os jardineiros do Éden terreno, e não o Satã da Terra.»

Fonte: El País
Para ler mais: aqui

As castas costumam chamar aos outros de privilegiados !!!


A frase mais bem escrita da nossa imprensa escrita deste fim de semana:

«Um dos aspectos mais proeminentes do discurso político contemporâneo é que as castas dominantes, que não perfazem juntas mais do 1% da população, têm por hábito chamar privilegiados à maior parte dos restantes 99% da população.»
(…)
«Como dizia o padre António Vieira, se é preciso muito peixe miúdo para alimentar um peixe grande, somente um peixe grande bastaria para alimentar muitos dos pequenos.»

Autor: Rui Tavares, em artigo de opinião publicado no jornal Público de 29 de Abril de 2006

A Hipocrisia do Ocidente, em versão de sátira curta


«Não podemos deixar que tenha armas nucleares alguém que acredita no regresso do 12º imã e no fim do mundo. Este é um privilégio que, a bem dizer, deveria ser reservado a quem acredita no regresso de Cristo e no fim do mundo»


Autor: Rui Tavares, em artigo de opinião publicado no jornal Público de 22 de Abril de 2006

Prisão para o Presidente da Hyundai


Um tribunal de Seul ordenou a prisão de Chung Mong-koo, presidente do poderoso conglomerado automobilístico sul-coreano, por sobre ele impender a acusção de desvio ilegal de fundos e suborno a funcionários públicos. Segundo a acusação Hung utilizou cerca de 130.000 milhões de wones ( uns 114 milhões de euros) para criar um fundo ilegal com o qual comprava as decisões de altos funcionários.
Se a moda pega por cá desconfiamos que muito Conselho de Administração haveria de ir para trás das grades…

O maior oleoduto do mundo começou a ser construído


Começou a ser construído o oleoduto, considerado como o mais extenso do mundo, que vai ligar a Rússia à Ásia ( Sibéria Orinetal- Ocenao Pacífico), e que irá permitir levar o petróleo russo aos mercados asiáticos ( China e Japão, principalmente). A capacidade de transporte do oleoduto será de 80 milhões de toneladas de crude ao ano. Para além do Oceano Pacífico como destino principal, prevê-se ainda um ramal de desvio em direcção à China. O custo total da obra-se está estimado em 10.000 milhões de euros.

Como se vê o mercado do petróleo está de vento em popa…

Actual vice-presidente da RTP foi um oficial detido pelos militares que fizeram o 25 de Abril


Segundo notícia publicada no passado Sábado no semanário Expresso o actual vice-presidente da RTP, Jorge Ponce Leão, foi um dos oficiais detidos pelos militares revoltosos do dia 25 de Abril e que derrubaram o regime ditatorial de Salazar e Caetano. A detenção de Jorge Ponce Leão, então alferes e oficial de dia no quartel da Escola Prática de Administração Militar, foi decidida pelos militares sublevados por ter sido considerado um oficial afecto ao anterior regime, e conhecida em Coimbra pela sua ligação aos meios da extrema-direita, ao ponto de ter sido nomeado pelo governo fascista da altura como Presidente da AAC ( Associação Académica de Coimbra) em 1967 o que lhe valeu, junto dos demais estudantes, ser conhecido por «funcionário do Governo e não reconhecido como estudante».
Actualmente Jorge Ponce Leão é vice-presidente da RTP depois de ter estado na administração do conhecido grupo económico Jerónimo Martins.
Com gente desta laia, à frente do principal órgão de comunicação, sob tutela governamental, não espanta que a democracia esteja onde está, e a RTP ao serviço de quem está.
Com «democratas» destes, esta «democracia» nunca me convencerá…

Os 3 maiores bancos portugueses somam e seguem em…lucros


Os 3 maiores bancos portugueses – BCP, BES e BPI – registaram no seu conjunto lucro da ordem dos 377,8 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano de 2006, o que representa mais de 31,6% de lucros do que os que foram registados no mesmo período ( 1º trimestre) do ano passado (2005).
E ainda falam eles de crise?

Apetece mesmso dizer: se em «crise económica» os lucros aumentam exponencialmente, o que seria se não houvesse a tão propagandeada «crise»???

26.4.06

Entrevista com Valéria Amorim, activista defensora dos índios brasileiros (parte I)




Awá Guajá, a teimosia de continuar existindo, resistindo e lutando contra o homem branco!

“É incrível imaginar que existem povos que conseguiram se isolar por mais de 500 anos e vivam de forma autónoma e autogestionária, recusando o contacto e vivendo as suas vidas em paz com a natureza e em constante fuga para não ter de contactar com o “lobo do homem, o próprio homem.”

Quem diz isto e muito mais na entrevista a seguir, dividida em duas partes, é Valéria Amorim, uma anarquista maranhense, que abraçou com paixão, sensibilidade e utopia a luta indígena, contra a devastação das florestas naturais, a destruição dos ecossistemas e crimes de genocídios praticados contra povos indígenas há mais de cinco séculos pelo capital e governos.

Agência de Notícias Anarquistas - Como você se envolveu com questões, lutas indígenas?
Valéria Amorim - Tudo começou na universidade. Um projecto de extensão abria vagas para uma selecção de alunos da Pedagogia para participarem no Curso de Formação em Magistério para Professores Indígenas. Curiosa, fiz a minha inscrição e participei do processo selectivo. Fui aprovada! [risos] Uma bolsa de meio salário-mínimo e na mochila muitos sonhos e expectativas. Meu primeiro contacto com os povos indígenas iria começar a se dar e eu já estava fascinada só com essa possibilidade.

Na época não me autodenominava anarquista, mas iniciava algumas leituras das quais estava começando a me identificar. Foi mamão com açúcar: leituras anarquistas, mais ter contacto com a realidade de sociedades sem estado foi paixão a primeira vista! Sou anarquista e o anarquismo é viável!

Com esse projecto de extensão nós, alunos da graduação, desenvolvíamos actividades de monitoria durante as etapas presenciais onde eram reunidos em dois pólos povos indígenas de todas as etnias do estado, e fazíamos visitas nas aldeias para acompanhar as actividades passadas pelos professores para que os indígenas desenvolvessem na aldeia. Foi uma experiência muito importante do ponto de vista que pude conhecer e viver um pouco com a organização de povos Tupi e de povos Timbira, percebendo como se davam as relações familiares, a organização política e económica, a educação e a relação com o sagrado. Pude também, mais que observar, mas também sentir a discriminação que a sociedade envolvente tem e alimenta em relação aos povos indígenas. Vi antenas parabólicas de algum projecto governamental de acesso a tecnologias na educação servindo de varal para roupas. Vi o poder da televisão seduzindo os mais jovens enquanto o cantor chamava para o pátio e realizava uma cantoria. Vi a mobilização indígena por “Outros 500” quando esta passou em Imperatriz antes de seguir para Cabralia... Quanta resistência naquelas peles coradas, descendentes e sobreviventes do massacre da colonização européia. Uma revolução começou a se processar dentro de mim...

ANA - Faça um pequeno histórico das lutas dos Awá Guajá.
Valéria - Antes de tudo, atenção aos navegantes de primeira viagem: eu sou extremamente prolixa. [risos] Logo vou sempre querer dar uma justificativa aqui... e um esclarecimento ali... sempre com o objetivo, muito bem intencionado, de melhorar o entendimento! [risos] Então, prepare-se...

Eles ficaram conhecidos, desde a época do contacto, como Awá Guajá, é a forma como eles se autodenominam que significa homem de verdade. São considerados como um dos últimos povos nómades e sem agricultura. Falam a língua Guajá, da família lingüística do Tupi-Guarani e ocupam as terras indígenas Alto Turiaçu, Awá, Caru e Araribóia.

No Maranhão, são 17 terras indígenas, o que corresponde a cerca de 5% do território do estado. As terras indígenas Alto Turiaçu, Awá e Caru formam o grande corredor que permite a perambulação dos Awá Guajá que vivem em grupos livres, ou seja, isolados do contacto com a sociedade "branca". As terras Awá e Caru são afectadas directamente pela Ferrovia Carajás que passa ao lado dessas terras.

O Povo Awá Guajá vivia na floresta organizados em grupos familiares de cerca de 20 a 30 pessoas que perambulavam na mata, negando-se a fazer contacto e fugindo de seus inimigos tradicionais, Kaapor e Guajajara.

A sobrevivência do Povo Awá Guajá começou a ser seriamente ameaçada a partir da década de 60 com a implantação do projeto desenvolvimentista que se não foi responsável, mas foi grande incentivador do povoamento daquela região, Noroeste do Maranhão. A abertura das BR 316 e 222 (respectivamente Recife-Belém e São Luis-Açailandia) atraiu frentes agrícolas e camponeses, grilagem de terras e a criação de cidades onde antes era habitat dos Awá Guajá, Guajajara e Kaapor.

Com essa ocupação muitos conflitos estouraram e as conseqüências para os Awá Guajá foram o contagio de doenças como sarampo, malaria etc, e até assassinatos premeditados, o que fez com que muitos grupos se dispersassem. Em 1982 houve a implantação do Projeto Grande Carajás, o que tornou a situação mais dramática, pois trouxe para a região as siderúrgicas de ferro gusa que são movidas a carvão vegetal e, por conseguinte, o corte ilegal de madeira, carvoarias e todas as pestes e parasitas que vivem a sombra do dito desenvolvimento, criado e concebido aos moldes do capitalismo.

Porém, desde a década de 40 o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), e depois a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), mantiveram contactos temporários com os Awá Guajá, a princípio movido por razões de cunho integracionista. Destes primeiros contactos os resultados geralmente eram a morte de muitos indígenas, infectados pelas doenças “de branco” adquiridas no primeiro contacto. A partir de 1973 os contactos foram mais sistemáticos e três Postos Indígenas (PI) foram criados para prestar assistência aos índios contactados, cerca de 145 pessoas. A frente de atracção, como se chama às equipes da FUNAI responsáveis em realizar os contactos de indígenas isolados, migrou para outro estado e cerca de 100 indígenas ficaram vivendo de forma isolada, sem nenhum contacto.

Hoje estima-se que a população Awá Guajá chegue a cerca de 360 pessoas, entre indígenas contactados e indígenas isolados. Habitantes da floresta pré-amazonica, os Awá Guajá são povos Tupi que praticam a caça, a pesca e a colecta como forma de subsistência. Logo, são considerados povos colectores e caçadores. Acredita-se que eles vivam o nomadismo como forma de garantir a sua sobrevivência, pois no início fugiam de seus inimigos tradicionais, depois fugiam das agressões consequentes da expansão das frentes de colonização e dos grandes projetos desenvolvimentistas (construção de BR e implantação do Grande Projeto Carajás) e suas mazelas.

Somente depois do aldeamento a FUNAI introduziu a agricultura como forma de garantir mais uma alternativa alimentar para este povo. Actualmente a população Awá Guajá contactada vive em aldeamentos próximos aos PI da FUNAI, praticando o semi-nomadismo. No período das chuvas permanecem mais tempo na aldeia, no período da seca algumas famílias chegam a passar até um mês na mata caçando e coletando mel, raízes e larvas.

Sobre a organização política, estão organizados em grupos familiares. Não existe a figura do cacique, mas as lideranças correspondem aos chefes das famílias extensas ou as pessoas mais velhas da aldeia, fiéis depositários da história e do modo de ser Awá Guajá.
ANA - E quais são os principais problemas deste povo hoje?
Valéria - A questão fundiária e a subsistência do povo. As terras onde hoje vivem os Awá Guajá são o que restou de mata pré-amazônica no estado. Logo, são objeto de cobiça de madeireiros e carvoeiro da região, muitos deles responsáveis pelo abastecimento das siderúrgicas existentes ao longo da Ferrovia Carajás.

O processo de invasão e destruição da floresta tem-se intensificado. Os grupos isolados novamente estão correndo risco, pois o cerco ao redor deles começa a se fechar e a sobrevivência novamente está sendo ameaçada. Nenhuma providência séria tem sido tomada para preservar o território deste povo. E eles seguem seu caminho relegados à sua própria sorte.

Os Awá Guajá contactados vivem hoje a realidade de 33 anos de pós-contacto. Da teimosia de continuar existindo como povo, resistem a todas as formas de adversidades. Superaram doenças como a gripe, tuberculose e malaria, hoje não mais mortais, e continuam firmes enfrentando o “lobo do homem, próprio homem”. Com o crescimento populacional, vitória conquistada nos últimos anos, a população, em sua maioria constituída de jovens e de crianças, enfrenta os desafios de garantir a subsistência. Com a intensificação dos invasores dentro da área e diante da inexistência de um plano de vigilância do território, a caça já não é mais tão abundante. Fica então o dilema: como garantir a sobrevivência das nossas crianças?! São mais de 500 famílias que moram ou tem seus sítios dentro da terra indígena Awá, são cinco grandes fazendas localizadas dentro desta terra indígena etc. Na região do Caru e Araribóia algumas lideranças indígenas estão ameaçadas de morte pelos madeireiros. E o governo brasileiro segue seu curso ignorando a voz e o clamor dos povos indígenas, primeiros habitantes dessa terra que se convencionou chamar Brasil.
ANA - Fale um pouco dos índios isolados, de etnia Awá Guajá, da situação deles...
Valéria - Não se sabe ao certo quantos são, estima-se que possam ser entre 60 a 100 pessoas, divididas em grupos pequenos e que perambulam pelas Terras Indígenas Alto Turiaçu, Awá, Caru e Araribóia, o que corresponde ao que sobrou de floresta dentro do estado. A situação atual deles é: encurralados! Estão vivendo nas regiões mais cobiçadas pelos madeireiros, logo devem estar vivendo terror e medo, com sérios riscos de vida.

Em 2004, na Terra Indígena Caru, um casal, mãe e filho, foi encontrado pelos Awa Guajá que vivem hoje a situação do pós-contacto. Eles haviam ido para uma caça demorada, num ponto bem distante da aldeia. Lá encontraram o casal, fizeram o convite para que viessem morar com eles na aldeia e eles aceitaram.

No ano passado, na Terra Indígena Araribóia, um grupo de cerca de 20 pessoas fez contacto com os Guajajara que vivem naquela terra. Os Guajajara não conseguiram chegar muito perto do grupo, pois eles se assustaram e sumiram no mato, deixando todos os seus pertences para trás (arco e flechas, utensílios etc). A partir de contactos como esses narrados por indígenas e por pessoas dos lugarejos próximos as terras indígenas, é possível detectar a presença desses grupos nessa região.

Anteriormente a política da FUNAI para esses casos era criar uma frente de atracção e contactar os índios. Os objetivos eram parte de uma política nacional de integração dos indígenas na sociedade nacional, entende-se integração como a negação de suas raízes culturais em favor da criação de um Estado-Nação uno. Em outras palavras, genocídio cultural.

Passado algum tempo a FUNAI desenvolveu como prática demarcar e homologar as terras onde existissem indígenas isolados, fazendo contacto apenas nos casos em que os povos isolados estejam correndo risco de vida.

É incrível imaginar que existem povos que conseguiram isolar-se por mais de 500 anos e vivam de forma autónoma e autogestionária, recusando o contacto e vivendo as suas vidas em paz com a natureza e em constante fuga para não ter contacto com o “lobo do homem, o próprio homem”. Será que inconscientemente ou conscientemente eles sabem as consequências de se deixar envolver com o “homem branco” e seus sistemas? Incógnita...

ANA - Você participou recentemente do bloqueio da Ferrovia Carajás em protesto contra a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) e o descaso com os indígenas e mortes de crianças. Como foi tudo isso?
Valéria - Isso é uma longa história. Com o governo Collor criou-se uma portaria que retirava da FUNAI, órgão indigenista e não de saúde, a responsabilidade pela saúde indígena, o que passou para o Ministério da Saúde. Daí uma portaria fez com que a FUNASA assumisse a questão da saúde indígena no Brasil. Com as conferências de Saúde Indígena foi pensado um modelo de estrutura e atendimento que respeitasse minimamente as especificidades de cada povo, onde os indígenas pudessem decidir e pensar o atendimento a saúde de suas comunidades, nasce assim um subsistema de saúde indígena.

Teoricamente deveria haver os Conselhos Locais, Conselhos Distritais e o Distrito Especial de Saúde Indígena. No Maranhão, a princípio se pensava na instalação de cinco distrito, ao final apenas um distrito foi instalado e funciona em São Luis, lugar bem distante das aldeias. Dos Conselhos Locais apenas um foi criado. O Conselho Distrital foi composto e desarticulado. Resultado, não havia o controle social. Na III Conferencia Nacional de Saúde Indígena foi aprovado a terceirização de algumas ações da saúde indígena por organizações não governamentais. A FUNASA deliberadamente incentivou a criação de associações indígenas para descentralizar as acções, porém não ofereceu formação.

As ONG’s indígenas, como ficaram conhecidas, conseguiram prestar os atendimentos emergenciais a que se prestaram, mas as lideranças avaliaram que os recursos repassados não eram suficientes para cobrir todas as despesas, que as parcelas atrasavam e os “parentes” começaram a cobrar deles mesmos ao invés de cobrar do Estado, o que aumentou o número de divisões entre os indígenas etc.

O coordenador regional da FUNASA desenvolveu uma política de racha entre as lideranças indígenas, o que gerou muitas divisões. Enquanto isso acreditasse que recursos foram desviados para as campanhas eleitorais.

Em 2003 cerca de 800 indígenas ocuparam a sede da FUNASA em São Luis exigindo a exoneração do coordenador regional da FUNASA, o fim dos contratos e da terceirização do atendimento da saúde indígena, que a FUNASA assumisse execução da saúde etc.

Depois de quase oito dias um TAC foi assinado, todas as reivindicações foram atendidas, menos a exoneração do coordenador, indicação do velho conhecido Sarney.

A situação piorou, a FUNASA teve o prazo de novembro de 2003 até julho de 2004 para se preparar para assumir a execução da saúde indígena no estado. Porém, terminado os contratos com as ONG’s indígenas houve uma lacuna no atendimento a saúde. Nada de remédios, vacinas, só descaso. Em quanto isso, crianças e idosos morriam por falta de atendimento médico ou por falta dos remédios de uso controlado. Na aldeia Bananal, 14 crianças morreram ano passado e dois homens cometeram suicídio. A FUNASA fez convenio com a Missão Kaiuwa, sem convocar o Conselho Distrital, sem ouvir as lideranças indígenas e descumprindo com mais um dos acordos contidos no TAC.

Muitos indígenas tentaram pelas vias legais garantir o atendimento de suas comunidades, mas os acordos e documentos assinados eram sempre desrespeitados pela Coordenação Regional da FUNASA. Em atitudes desesperadas apreenderam veículos e funcionários, o que levou a uma onda de criminalizacão das lideranças indígenas por todo o estado.

A gota d’água foi quando a FUNASA marcou uma reunião em Grajaú com representantes indígenas e na véspera da reunião informou a impossibilidade de suas presença na reunião. Representantes de todos os povos do estado se sentiram ultrajados e decidiram pela interdição da ferrovia.
A situação nas aldeias era de calamidade e desespero. Com isso cerca de 500 pessoas, dos povos indígenas Guajajara, Awá Guajá, Krikati e Gavião compuseram o movimento da aldeia Maraçanduba, que fica a cerca de 1 km da ferrovia. As famílias abrigaram os companheiros que chegaram de todos os cantos do estado, duas grandes cabanas foram construídas para abrigas os parentes e mais a escola da aldeia se transformou em um grande alojamento.

Foi lindo ver tantos povos diferentes, muitos grupos inclusive rivais, se unindo em prol da vida. As reuniões para fazer as discussões se davam ao ar livre, as mulheres da aldeia se revezavam para fazer a comida. A pauta de reivindicação foi montada e a união fez vitória na interdição da ferrovia.

O coordenador regional da FUNASA foi finalmente exonerado, os indígenas conquistaram legalmente a autonomia político e financeira do Distrito Especial de Saúde Indígenas, demissão de alguns funcionários e nova coordenação para a FUNASA, para o Distrito Especial de Saúde Indígena, uma intervenção nacional, investigação das denúncias de desvio de recurso, o não indiciamento das lideranças envolvidas na interdição etc.

Iniciava-se então uma nova batalha. Efetivação das conquistas. O movimento da aldeia Maçaranduba não morreu com a desinterdicão da ferrovia, mas está firme e atuante. Porém, existe uma má vontade política muito grande e acredito que interesses muito fortes estão por trás dessa omissão. É preciso sempre ficar vigilantes, principalmente as estratégias de cooptação e divisão de lideranças.
ANA - E desde longe, em que podemos apoiar a luta dos Awá Guajá?
Valéria - Tomando consciência de sua existência, divulgando essas informações e pressionando a FUNAI para tomar iniciativas de preservação e vigilância do território. A Terra Awá teve um decreto de homologação assinado pelo presidente Lula, porém existem vários processos pedindo a revisão do decreto de homologação. Enquanto esses processos não forem julgados os invasores não serão retirados e a destruição acelerada.

Na verdade, a Terra Awá sofreu um processo de degradação muito grande e é preciso pensar no seu reflorestamento. As cartas de apoio podem ser enviadas para a Funai ou para o CIMI.

ANA - Você sempre me presenteia fotos belíssimas do universo indígena, queria que você comentasse aquela do macaco morto, moqueados...
Valéria - Aquela cena meio desumana no primeiro olhar, não é assim tão desumano. O povo Awá Guajá é povo caçador, como bom carnívoro aprecia a carne, principalmente se com ela existe uma história de aventura e muitos feitos que valorizam o caçador.
Mas essa coisa tão bárbara na verdade é um rito milenar que se repete e que tem como princípio a sabedoria de gerações que fazem a gente reconhecer a harmonia com a natureza que esses povos souberam desenvolver como ninguém. Eles vêem a natureza com respeito, a terra como mãe fecunda. Não se vêem como superior à natureza, o princípio está em se vê como parte dela, como mais um elemento dentro deste bioma. Não é à toa que a maior parte das florestas que restaram no nosso Brasil estão nas terras indígenas.

É dentro deste contexto que existe uma relação de respeito. Quando eles vão caçar e encontram um bando de porcos do mato ou de macacos guariba são os macacos adultos os objectos da caçada. Se existem filhotes, estes não são mortos nem abandonados, mas são pegos e levados de presente para as suas respectivas mulheres ou, se não as tiver, para as suas mães. As mulheres daí terão o papel de criar aquele filhote como se fosse seu filho e este vira um membro da família que nunca, nunca será levado para a panela e que morrerá, se tudo der certo, de morte natural.

Uma das imagens que mais ficou conhecida deste povo é a de uma mulher dando de mamar a um filhote de porco do mato.

Esse povo tem cerca de 33 anos de contacto, não há circulação de dinheiro e os poucos produtos adquiridos pós-contato são resultado de trocas ou dados pela FUNAI. Logo, sobrevivem da caça, da pesca e da coleta, agora iniciou a agricultura de arroz, feijão, mandioca, abóbora e milho.

A população vem crescendo e a caça está cada vez mais escassa. Quais serão os motivos? O consumo doméstico dessa população ou será a presença nefasta dos invasores que vem derrubando metros e metros cúbicos de madeiras, destruindo a floresta e afugentando os animais? Ou será os caçadores que entram às escondidas para pegar veados, tatus e outras iguarias para vender para restaurantes locais especializados em caça?

Acredito que o desequilíbrio e a ameaça não está no consumo e nas actividades de caça dos povos indígenas, mas sim nas actividades de cunho predatória de pessoas que não tem a mínima responsabilidade com as conseqüências de suas ações para os povos indígenas e para as futuras gerações.

Se dependesse dos Awá a mata ainda estaria preservada e muitos bichos poderiam viver e se desenvolver, afirmo isto porque vejo de perto o sofrimento deste povo quando eles expressam sua preocupação com o futuro de suas crianças, porque os “Karai" (homem branco) estão matando a floresta e o que será dos Awá sem a floresta?!", "Awá não sabe dinheiro, não é enfermeiro, não recebe "tamatare" (dinheiro), como vai ficar se Karai acabar com o mato?", "eu, Awá, não vou do outro mato, do lado de Karai, por que Karai vem pro meu mato?", dizem os índios.

Não sei se convenci, mas a intenção não era de facto convencer, mas sim compartilhar com você a angustia de quem está entregue a própria sorte e que não domina as estruturas da sociedade não índia cheia de artifícios, onde a impunidade e o descaso se escondem e fazem muitas vítimas. Maldito sistema!


(reprodução da entrevista que me chegou via correio electrónico do amigo e companheiro Moésio)

Não sou o público-alvo ( crónica de Jorge Silva Melo)




(Tinha lido esta crónica do Jorge Silva Melo há cerca de 15 dias na coluna onde normalmente escreve, no suplemento de fim de semana do Público. Li-o e fiquei logo com a ideia e vontade de o inserir no Pimenta Negra. Entretanto, outros afazeres lançaram aquela intenção no saco do esquecimento. Voltei agora a ler a crónica graças à escolha oportuna do
http://xatoo.blogspot.com e, desta vez, seria imperdoável não trazê-la também eu para aqui.
Aproveito para enviar um agradecimento para o autor do Xatoo-blog. )

Texto retirado de:
http://xatoo.blogspot.com/



Não sou o público-alvo
( crónica de Jorge Silva Melo, publicada no suplemento literário do jornal Público)

O erro foi meu, entrei numa livraria. Parecia-me ter entrevisto na montra o novo livro de António Tabucchi, entrei. Para chegar ao fundo, ao lugar onde há vários livros (numa livraria, não devia ser o lugar principal?), atravessei várias bancas de bugigangas, revistas que oferecem chinelos e cafeteiras Bodum, agendas, os ominipresentes Moleskine. E as primeiras Bancas eram de “Best sellers e novidades com capas picantes, pernas de mulher por todo o lado, um rabo ou outro, siglas iniciáticas. Fiquei, parvo, a olhar para aqueles livros todos, quilos de papel. Aquilo não era para mim, fora um erro entrar ali, aquele negócio é para outras pessoas (sexodependentes? E compraram livros?), as editoras e os livreiros tentam desviar para dentro daquelas casas sombrias a senhora talvez licenciada que a essas mesmas horas há de mas é estar no cabeleireiro, talvez mesmo no café ao lado a comer uma sande de queijo fresco sem manteiga. Foi a primeira vez que me senti a mais numa livraria, tantas foram as que me foram familiares desde a adolescência.
Definitivamente: não sou público alvo. Com base 60 anos, boas notas na universidade, conhecimento de algumas línguas estrangeiras, não é para mim que agora se produzem livros, passei ao quadro dos excedentes da clientela. Aliás, não encontrei o Tabucchi que, sereia falaciosa, me atraíra lá para dentro, para onde só vi um mundo de conselhos práticos ou fantasias erótico medievais político iniciáticas que, de todo, não é para a minha idade e condição cardíaca. Já na rua, horrorizado, snob, e com a Primavera a trazer-me saudades de Saint-Germain des Prés (tantos livros a descobrir confiando na tenacidade dos editores a defender o seu bom nome), pus-me a fazer contas. E posso apostar em que não haveria, naquela loja moderna e central, mais de 8 por cento “de literatura”. Estranho que a literatura seja agora minoritária precisamente no negócio dos livros, ou não será? Aqueles produtos eram o que se chama entretenimento mas quem se entretem com aquilo tudo, ou livros de conselhos mas as pessoas lerão estes milhares de conselhos para emagrecer, fazer saladas, engordar, amar, falar com o chefe, arranjar emprego? Romances históricos desde o Monge de Cister de Herculano que não os quero ver à frente fábulas, livros de engane ou paródia. Está bem, nem há literatura nas livrarias nem eu sou o cliente pretendido, eis me reformado. E lá fui à tabacaria em frente onde aí sim, se encontram agora Bulgakov, Calvino, Pavese, Hamsun, Andric, Tolstoi, Migueis, Cervantes, e até Teixeira – Gomes, literatura, coisa para velhotes, imagino, entre dois registos para a Santa Casa.
E eu que queria tanto ser público alvo, que se me dedicassem edições, programações, que ainda se dirigissem a mim. É que ainda gastava algum dinheiro, juro…quando leio por todo o lado que o desígnio das políticas é a formação dos públicos para comprar livros com pernas abertas de rapariga elegante?, entro na melancolia, sinto-me folha morta. O que farão comigo, público já formado? Lixo comigo? Ou terei de passar por educando, iletrado, ignorante para poder entrar num teatro?
A pouco e pouco, o meio político, cultural, editorial, curatorial, programatorial… descobriu outro destinatário, senhoras ginasticadas, moçoilas aprendizas do amor e os jovens, esses jovens que lhes enxameiam os discursos. E que é deles, que não os vejo nas livrarias, a nenhum desses alvos?
E não é só com livros, não é filmes, é teatros, nada disso será doravante para mim. Lembrem-se das recentes declarações da ministra segundo a qual o Teatro Nacional terá como público alvo os jovens e eu, que nunca o quis ser? Não tenho direito a ir ver um teatrinho normalmente para adultos ou mesmo velhos? A ver mais ou menos sic se eles ficam mais tolerantes. E percebo que, para existirem, as artes ??? terão de se portar muito bem à mesa, não citar os intolerantes, serão bem comportadas, iogurtes de frutos vermelhos com bifidus, artes limpinhas, para poderem ser propagandeadas como calmantes sociais, gerando boas maneiras políticas.
Saudades ao Vítor Silva Tavares, casquinemos!; Ou também a mim me reciclam, laranja mecânica, a ver se fico “tolerante”?
Foi um erro entrar naquela livraria, vi-me dispensado da vida. Mas talvez seja essa a verdade.



http://www.artistasunidos.pt/jorge_silva_melo.htm

www.artistasunidos.pt

Moésio, um anarquista graças a Deus, ou às Deusas?


(reproduzimos uma entrevista que nos chegou por correio electrónico dada pelo nosso amigo e companheiro libertário Moésio ao jornal Vila Nova, acerca do seu activismo eco-libertário no Cubatão, região em que reside.)


Nome: Oficialmente Moésio Rebouças, informalmente Peixinho Chuva de Fogo.

Formação: Jornalista, mas aprendi mais com a biodiversidade e mistério da vida que qualquer banco escolar

Idade: Existe uma sabedoria indígena que diz que falar a idade para desconhecidos é abrir um pouco da alma, sendo assim, não vou abrir totalmente minha alma para tantos leitores e leitoras desta entrevista que não conheço cara-a-cara, mas já passei dos 30. [risos]

Jornal Vila Nova - Há quanto tempo você é anarquista?
Moésio Rebouças - Desde meados da década de 80. Ainda adolescente abracei com muita paixão as ideias e práticas libertárias, que no início do século passado já teve muita tradição na nossa região, inclusive em Cubatão, basta conhecer um pouco da história de Afonso Shimidt, Martins Fontes.
E que fique bem claro que anarquismo não tem nada a ver com bagunça, como muitos pensam, mas pelo contrário, anarquia é a vida lutando contra a morte, em todos os sentidos.

JVN - Como nasceu o seu interesse pelo Meio Ambiente?
Moésio - Nasceu junto com o anarquismo, com essa coisa de querer ser livre, viver sem opressões, nem oprimir nenhum ser vivo da Terra, respeitar todas as formas de vida. E isso vem se radicalizando com o passar do tempo, pois nunca na história humana a Mãe Terra foi tão agredida pelo homem civilizado, não é à toa que o clima enlouqueceu, de tantos desastres ecológicos, tantos animais em extinção, florestas... Cada vez mais o inconformismo e a acção fazem sentindo, virou questão de sobrevivência.

JVN - Você acredita na implantação do Turismo em Cubatão, mesmo com a existência do Pólo Industrial?
Moésio - Esse de Cubatão eu não acredito, pois está sendo feito sem nenhum estudo de impacto ambiental, por pessoas gananciosas, sem sensibilidade, que só vêem a natureza como um negócio, um trampolim político. Natureza não é negócio, muito menos politicagem! Eu acho surreal esses roteiros eco-turísticos da secretária de turismo, pois ao mesmo tempo que estás navegando num rio você encontra beleza, mas também lixo, cheiro ruim, aquele visual sinistro das indústrias... Um dia estava descendo a estrada velha, e lá no alto muita beleza, ar praticamente puro, mas quando chega no pé da serra, perto da petrobrás, um cheiro enorme de gasolina... [risos]
Sinceramente eu prefiro o “turismo” do boca-a-boca, de menos impacto. Hoje já há estudos contra a indústria do turismo, pois se o projeto não for bem feito, essa indústria acaba acelerando a destruição da natureza. Eu sou um pouco romântico, e não acredito muito na perfeição deste casamento entre natureza e indústrias, ademais de indústrias pesadas, petrolíferas, químicas etc.

JVN - Qual a sua maior preocupação em relação ao Meio Ambiente?
Moésio - Caramba, são tantas, não daria para apontar tudo nesta entrevista, até porque não defendo só o meio da nossa cidade, mas defendo a Mãe Terra como um todo. Um desastre, uma agressão à vida que acontece na Índia, por exemplo, também me afecta, tem consequências aqui. A poluição não reconhece fronteiras, e a defesa da Mãe Terra também não. Enfim, é aquela história, pensar globalmente, agir localmente.
Mas especificamente sobre Cubatão há vários problemas, desde a poluição dos nossos rios, poluição sonora, visual; poluição dos mangues; poluição do ar, através da emissão de co2 por uma quantidade cada vez maior de caminhões e carros que circulam no centro de Cubatão, como no seu entorno; poluição das indústrias, o descaso aos parques ecológicos de Cubatão, tanto das autoridades locais, como dos próprios moradores de Cubatão, que são os primeiros em sujá-lo, agredi-lo... Enfim, a fauna e flora de Cubatão vêm sofrendo muito ao longo de décadas, e parece que isso continuará por muitos anos ainda. O panorama não é dos melhores, infelizmente.

JVN - Qual a sua opinião sobre os trabalhos realizados até aqui pelas Secretarias Municipais de Turismo e Meio-Ambiente?
Moésio - Um horror! Como o espaço é curto, vou falar só da secretária do meio ambiente, mas a secretária de turismo não fica muito atrás não, pelo contrário. Aliás, acho o actual secretário de turismo e cultura um falastrão, que gosta muito da política do “pão e circo”, quer dizer, mais circo do que pão, é assim que ele cala e domestica às consciências. Longa história.
Mas, para começar, o secretário do meio ambiente nem de Cubatão é, não mora aqui, não sente essa cidade no dia-a-dia. Eu pergunto, qual é a relação histórica e sentimental deste senhor com Cubatão? Nenhuma! Será que este senhor já andou de bicicleta pelas trilhas no pé da serra, sentiu o vento beijar seu rosto? Será que ele já passou uma noite no pé de alguma cachoeira de Cubatão, com a companhia de vaga-lumes? Será que ele já se embrenhou nas matas desta cidade e avistou um casal de preguiças, ou outros animais? Duvido! A relação dele é tecno-burocrática, é de politicagem, para não falar outras coisas.
Este senhor deveria aprender que ecologia não é fazer marketing verde com projectos de “educação ambiental”, não é financiar ONG’s que estão mais para OPG’s, ou seja, Organizações Pró-Governamentais. É ir muito além, é defender a natureza com unhas e dentes, ter sensibilidade, ter coragem de denunciar as grandes indústrias. É amar a água, o ar, a terra...
Para você ter uma ideia da demagogia, da falta de sensibilidade e vergonha na cara destes senhores, é que a prefeitura com apoio das secretárias de turismo e meio ambiente, realizaram um evento no verão de 2006 lá no Parque Ecológico do Perequê, e diga-se de passagem um evento que foi um verdadeiro desastre e agressão ao meio ambiente. Se você fosse no outro dia do evento, após aqueles shows, encontrava o parque detonado de sujeiras de todos os tipos, a trilha machucada com tanto impacto promovido por milhares de pessoas subindo e descendo sem um mínimo de respeito com a natureza, a trilha cheirando a merda e mijo e tudo mais. Aquela trilha do Perequê não é um lixo porque eu e outras pessoas gostamos e admiramos aquele lugar, sempre estamos ali limpando as trilhas, recolhendo os lixos, tarefa que a própria prefeitura não faz. Aliás, no entorno do parque, não tem uma lixeira da prefeitura! E isso há anos!
Mas o que queria dizer especificamente, é que se você for ao parque hoje, encontrará lá dentro restos de madeiras e entulhos da própria prefeitura, e até barra de ferro, e isto tudo está lá desde o verão, desde a organização deste evento. Um absurdo! Um total descaso! E isso sem falar da poluição visual do parque, com aqueles bancos horrorosos de concretos com propagandas que colocaram lá, da sujeira que fica no entorno do parque, que estão lá há meses, anos, dos caminhões que estacionam lá na beira do rio e fazem sua limpeza com a água do rio. Enfim, poderia falar aqui sobre uma série de absurdos que acontecem nas áreas verdes de Cubatão, de tanta demagogia e descaso ao meio ambiente. Em resumo, o que vejo é muita hipocrisia verde.

JVN - Que sugestões você daria para melhorar Cubatão?
Moésio - Quem faz uma cidade bonita, moderna, feliz, que respeita todas as formas de vida, são as pessoas que nela vive, mas, infelizmente, as pessoas que moram em Cubatão, na sua maioria, não se envolvem nas questões da sua cidade, deixam tudo nas mãos de políticos oportunistas e inescrupulosos, aí já viu. A meu ver, as pessoas têm que se informar, pois um povo bem informado, não é enrolado com conversa mole de políticos demagogos, forasteiros, e nem se vende por um empreguinho, ou presentinhos. A população tem que se juntar, se organizar à margem de partidos, e fazer valer a sua voz, seus direitos, lutar contra tanto descaso, roubalheira e oportunismo nessa cidade tão rica em dinheiro, mas pobre de espírito, de carácter, de dignidade... com alma tão opaca. Uma cidade não se constrói só com dinheiro, mas com pessoas dignas, inteligentes, fortes, com almas iluminadas. As pessoas têm que aprender a se revoltar, afinal revolta é vida, é sinal que um povo está vivo, que estamos vivos. Não sei, confesso que sou bastante desiludido com as pessoas desta cidade, se as pessoas continuarem assim, amorfas, alienadas, submissas... Cubatão continuará sendo o que é.

JVN - Qual a sua opinião sobre a Agenda - 21?
Moésio - Eu costumo dizer que do alto só vem mentiras, demagogia, conversa mole, e do que pude perceber na reunião no bloco cultural do último dia 18 de Abril, o futuro de Cubatão é sinistro. Aquele dia foi um dos dias mais deprimentes da minha vida, pois, se for levado à efeito, se se concretizarem os projectos das indústrias, via Fiesp, Ciesp, Cubatão será transformada num inferno. Essa cidade não suportará tanta agressão ao meio ambiente, à vida em geral. Eu fico só imaginando Cubatão no ano 2020, com uma população de mais de 150 mil pessoas, mais favelas, mais sub-empregos, um monte de carros e caminhões cortando a cidade, muito co2 no ar, poluição visual e sonora, os rios ocupados por navios de médio e grande porte, a fauna e flora sendo agredidas por tantos empreendimentos de médio e grande porte... Isso é progresso?
Enfim, Cubatão não seria Zanzalá, mas o caos. E o triste é perceber que a própria prefeitura apoia esses projectos megalomaníacos, de grandes empresários que nem em Cubatão moram, e só querem dinheiro, lucros, em detrimento da qualidade de vida das pessoas que moram aqui. Lamentável.


Entrevista conduzida por Roberto Costa - Jornal Vila Nova - Edição 21/04 a 27/04 de 2006

Judeus pacifistas lutam pela paz com os palestinianos


O meu amigo João Soares do http://bioterra.blogspot.com/ acabou de divulgar a notícia de que judeus pacifistas tanto de Israel como da Europa lançaram uma campanha a defender a paz e uma solução pacífica para o conflito entre israelitas e palestinianos.

Há também um petição a correr pela net e um site de várias ONGs a defenderem a Paz a resolução pacífica do conflito. Ver:

To:

The European Union, the US congress and the Israeli Government
We condemn the actions taken by the US, the EU and Israel to exert penal economic pressure upon the Palestinian people. The withdrawal of economic aid by the US and the EU and the criminal withholding of internationally agreed custom duties by Israel will lead to widespread suffering, starvation and death among the Palestinian people, with the weakest, children and the elderly, dying first.
This aid is desperately needed because the Israeli government systematically pursues policies that prevent economic self sufficiency on the west bank and in Gaza. these policies include:
*Use of the separation wall to cut off Palestinian farmers from their fields *Import of labourers from East Asia rather than employ Palestinians
*Placing deliberate obstacles in the path of Palestinian exports of agricultural produce and handicrafts
*Use of the Israeli banking system to block remittances from Palestinians working abroad
*Disruption of Palestinian school and Higher Education
*Withholding of customs duties due to the Palestinian Authority under international law
These criminal policies are linked to demands that Hamas recognize the state of Israel, such recognition would be the end of a negotiating process, it should not be a precondition. The Palestinian people have affronted the US, the EU and Israel by electing a Hamas government. It was not made clear, when they insisted on democratic elections in Palestine, that these they should only be held if the result were acceptable to Israel.
We further note that Hamas is maintaining a ceasefire and that Israel is not and that Israel is killing far more Palestinians than vice-versa but this does not impede massive US aid to Israel nor favourable trade agreements between the EU and Israel.
In the name of justice and to end these economic crimes and murders we demand:
The immediate restoration of aid by the US and the EU The end of Israel's economic blockade The end of US military aid to Israel The end of exceptional favourable EU agreements with Israel.

Sincerely,