25.12.09

Músicas de Gonzaguinha: «Viver! E não ter vergonha de ser feliz», «Nunca páre de sonhar» e «Vamos à Luta»




http://www.gonzaguinha.com/

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, mais conhecido como Gonzaguinha, (Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1945 — Renascença, 29 de abril de 1991) foi um cantor e compositor brasileiro. Característica sua foi a postura crítica à ditadura brasileira e canções de carácter social.




Viver! E não ter vergonha de ser feliz

(Maria Bethânia canta o tema O que é o que é? De Gonzaguinha)



Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...
E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...
Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo...
Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...
Você diz que é luxo e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser...
Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...




VAMOS À LUTA
Eu acredito
É na rapaziada
Que segue em frente
E segura o rojão
Eu ponho fé
É na fé da moçada
Que não foge da fera
E enfrenta o leão
Eu vou à luta
É com essa juventude
Que não corre da raia
À troco de nada
Eu vou no bloco
Dessa mocidade
Que não tá na saudade
E constrói
A manhã desejada...(2x)
Aquele que sabe que é negro
O coro da gente
E segura a batida da vida
O ano inteiro
Aquele que sabe o sufoco
De um jogo tão duro
E apesar dos pesares
Ainda se orgulha
De ser brasileiro
Aquele que sai da batalha
Entra no botequim
Pede uma cerva gelada
E agita na mesa
Uma batucada
Aquele que manda o pagode
E sacode a poeira
Suada da luta
E faz a brincadeira
Pois o resto é besteira
E nós estamos pelaí...
Acredito
É na rapaziada
Que segue em frente
E segura o rojão
Eu ponho fé
É na fé da moçada
Que não foge da fera
E enfrenta o leão
Eu vou à luta
É com essa juventude
Que não corre da raia
À troco de nada
Eu vou no bloco
Dessa mocidade
Que não tá na saudade
E constrói
A manhã desejada...
Aquele que sabe que é negro
O coro da gente
E segura a batida da vida
O ano inteiro
Aquele que sabe o sufoco
De um jogo tão duro
E apesar dos pesares
Ainda se orgulha
De ser brasileiro
Aquele que sai da batalha
Entra no botequim
Pede uma cerva gelada
E agita na mesa logo
Uma batucada
Aquele que manda o pagode
E sacode a poeira
Suada da luta
E faz a brincadeira
Pois o resto é besteira
E nós estamos pelaí
Eu acredito
É na rapaziada!





NUNCA PÁRE DE SONHAR

Ontem um menino que brincava me falou
Hoje é a semente do amanhã
Para não ter medo que este tempo vai passar
Não se desespere, nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será

24.12.09

Não aos brinquedos de guerra

Não aos brinquedos de guerra

Brinquedos violentos ensinam e criam habituação à violência

A comprar..., comprem brinquedos pacíficos

Jogar amigavelmente é uma boa prática

Opõe-te à glorificação da guerra por meio dos brinquedos de guerra e à reprodução da cultura da violência


Consultar:








No More War Toys







Don't Teach Our Kids To Kill

Lembrar Gaza - vigília à frente da embaixada de Israel em Lisboa ( 27 de Dez. das 15h às 19h)




LEMBRAR GAZA
VIGÍLIA
27 de Dezembro, das 15h às 19h
à frente da Embaixada de Israel em Lisboa (Rua António Enes, 16)

Para evocar o massacre de Gaza!

Para apelar ao apuramento da responsabilidade pelos crimes de guerra e crimes contra a Humanidade!

Para exigir o levantamento do cerco ilegal a Gaza!


No dia 27 de Dezembro de 2008, as forças armadas do Estado de Israel desencadearam um assalto militar em larga escala contra toda a população de Gaza, após ano e meio de um bloqueio cruel que transformou 1,5 milhão palestinianos em reclusos nas suas próprias casas.

Os bombardeamentos massivos dos primeiros dias culminaram numa invasão devastadora. Na operação militar “Chumbo fundido” as forças armadas israelitas lançaram fósforo branco sobre zonas urbanas densamente populadas e lançaram fogo a mesquitas, escolas, hospitais, cimenteiras, instalações da ONU, padarias e habitações.

Finda em 18 de Janeiro de 2009, a operação assassinou mais de 1400 palestinianos, a maior parte civis – crianças, mulheres e idosos – e causou ainda milhares de feridos em três semanas de violência desmedida.

Israel invocou auto-defesa como justificação para o ataque contra Gaza e chamou à operação uma guerra, mas, na verdade, foi um massacre!

A consciência do mundo ficou chocada com esta demonstração de força militar desumana.

Passado um ano sobre o massacre, o cerco ilegal a Gaza continua e a ocupação e colonização israelita dos territórios palestinos intensifica-se. E não permite ao povo palestino recuperar da destruição.

Não nos podemos esquecer de Gaza!

A Iniciativa “Lembrar Gaza” convoca, por isso, uma vigília, no próximo dia 27 de Dezembro, pelas 15h, frente à Embaixada de Israel, em Lisboa, para evocar, solenemente, as vítimas e a destruição, os crimes de guerra e contra a Humanidade e exigir o cumprimento do direito internacional e o levantamento do cerco ilegal a Gaza!

Organizações e personalidades subscritoras da Iniciativa Lembrar Gaza

SPGL
CGTP
CPPC
MPPM
Associação Abril
CIDAC
PCP
BE
Colectivo Múmia Abu-Jamal
Comité de Solidariedade com a Palestina
Fórum pela Paz e Cidadania
Associação de Estudantes da FCSH
ATTAC
Tribunal-Iraque
Manuel Duran Clemente
Maria do Céu Guerra
Helena Roseta
Miguel Graça
Boaventura Sousa Santos
Paulo Sucena
António Avelãs
Paula Cabeçadas
Alípio de Freitas
Guadalupe Magalhães
Alan Stoleroff
Hélder Costa
Ana Benavente
José Manuel Pureza
José Mário Branco

Mais um programa Onda livre, da Tertúlia Liberdade, vai ser emitido no dia 26 de Dez. às 20h. na Rádio Zero


No próximo Sábado dia 26 de Dezembro, às 20h., a Rádio Zero emite mais um programa Onda Livre, da responsabilidade da Tertúlia Liberdade.

Para dar voz aos que não tem voz. Aos moradores dos bairros, aos trabalhadores precários, aos imigrantes, aos jovens e a todos que lutam por um mundo diferente e melhor. A Liberdade está no Ar.


Onda Livre de Novembro online

Entretanto, a emissão de Novembro da Onda Livre, o programa de Rádio da Tertúlia Liberdade, já está online. Muita música, as crónicas dos nossos correspondentes no Brasil e em Paris, excertos de uma entrevista com um dirigente sindical da Andaluzia, poesia e outras rubricas que serão decerto do vosso agrado.
Descarregar aqui.



http://tertulialiberdade.blogspot.com/



http://www.radiozero.pt/







Apresentação da Tertúlia Liberdade:

Um grupo de pessoas amantes da liberdade, alguns dos quais aqui chegados cansados das maquinações de poder dos partidos políticos , decidiram juntar-se numa perspectiva de auto-organização para abordar em conjunto questões sociais, políticas e culturais e levar à prática as iniciativas que entendermos pertinentes em cada momento.

As actividades que iremos promover serão autogeridas e fomentarão a autonomia dos participantes, as suas capacidades e iniciativa. Cada membro, ou grupo participante, terá a sua autonomia.Do nosso diálogo nasceu a primeira iniciativa. Outras se seguirão.
CONTACTA-NOS:
tertulia.liberdade@yahoo.com

23.12.09

Democracia nas ruas (THIS IS WHAT DEMOCRACY LOOK'S LIKE) – documentário sobre as mobilizações em Seattle, em 1999, contra a globalização capitalista

Democracia nas ruas (THIS IS WHAT DEMOCRACY LOOK'S LIKE) – documentário sobre as mobilizações em 1999 contra a globalização capitalista em Seattle por ocasião da reunião da OMC (Organização Mundial do Comércio)

http://www.thisisdemocracy.org/















22.12.09

Conferência internacional sobre «Anarquismo e Sexualidade nos países de língua portuguesa e castelhana»

Realiza-se na cidade inglesa de Leeds, a 20 de Fevereiro de 2010, uma Conferência Internacional sob o tema «Anarquismo e Sexualidade nos países de língua portuguesa e castelhana» (Anarchism and Sexuality in Spanish- and Portuguese-speaking countries), sendo o seu objectivo sondar as conexões entre o pensamento anarquista e o activismo nos países de língua portuguesa e castelhana, com especial ênfase na América Latina, numa importante área de intervenção das ideias e da prática anarquista como é a sexualidade.

Esta será a 9ª Conferência de uma série que tem sido organizada e realizada, desde 1997, sob o título «Socialismo e Sexualidade» por várias entidades, entre as quais o Instituto Internacional de História Social ( International Institute of Social History - Amsterdam) e que pretende estudar as ligações entre as ideologias sexuais e os programas dos movimentos sociais radicais dos últimos cem anos.

http://www.iisg.nl/womhist/leeds.php
http://anarchist-studies-network.org.uk/

Para mais informações, contactar:
Richard Cleminson (University of Leeds),
Gwendolyn Windpassinger (Loughborough University),
G.Windpassinger@lboro.ac.uk


As intervenções previstas e já asseguradas são as seguintes:

Pedro García Guirao (Instituto Cervantes de Praga),
Pobres pero honradas. Lujuria burguesa y honorabilidad proletaria en las novelas breves de Federica Montseny = Poor but Honest. Bourgeois Lust and Proletarian Honour in the novellas of Federica Montseny.

Enrique Álvarez (Florida State University),
Man Un/Made: Male Homosocial and Homosexual Desire in Anarchist Culture of the Spanish Civil War.

Isabel Jiménez-Lucena (Universidad de Málaga) and Jorge Molero-Mesa (Universidad Autónoma de Barcelona),
Good birth and good living. The (de)medicalising key to sexual reform in the anarchist media of inter-war Spain..

Arturo Sánchez García, "
Ni dios, ni patrón, ni marido". Anarchist-feminism and Sexual Rights in Latin America.

Laura Fernández Cordero, (Universidad de Buenos Aires),
Emancipación y sexualidad. Anarquistas en Argentina (1895-1925).

Helena Isabel Mueller,
Proposta anarquista de amor livre: o pleno exercício da Sexualidade.

Veronica Paola Raffaelli (Universidad de Buenos Aires-Universidad de Valencia),
Mujer y amor libre en el neomalthusianismo anarquista, Generación Consciente 1923-1928 = Women and free love in anarchist neo-Malthusianism.



Anarchism and Sexuality in Spanish- and Portuguese-speaking countries
Leeds, 19th February 2010

The aim of this conference is to explore the connections between anarchist thought and activism in regions of extensive uptake of anarchist ideas, e.g. Spain, Portugal and Latin America, with respect to an important area of anarchist ideas and practice: sexuality.

This is an under-studied area in anarchist historiography and other disciplines, such as history of labour movements, and this is particularly the case in some understudied countries within these regions (especially Portugal and Brazil). As areas with large anarchist movements, they offer telling examples of how anarchism engaged with this important question.

Sexuality was taken up by anarchist movements as an example of their attempt to interconnect cultural, social and economic questions and forms of exploitation and as a response to broad issues of power differentials between men and women in society, the role of the Catholic Church and as an attempt to live and experience cultural change as part of the overall challenge anarchist movements have provided against capitalist social relations. This is relevant not just on a historical level but also has relevance to current debates on the relations between politics, sexuality, cultural change and identities. We invite papers on historical as well as present day intersections between anarchism and sexuality, and their implications for anarchist or libertarian practice. We would also encourage contributions on Spanish- and Portuguese-speaking Asia and Africa and their respective anarchist movements.

In addition to providing a forum for the discussion of the legacy and the present of anarchist thought, the conference aims to allow for a critical engagement with current theories that derive from the realities of countries generally unknown in British critical thinking, political science and sociology, not to speak of gender and sexuality studies.



Anarchism and Sexualityin Spanish- and Portuguese-speaking countries
Ninth conference in the Socialism and Sexuality Series
Leeds, 19th February 2010


About the Socialism and Sexuality Network

Begun in 1997 by Francis Ronsin (University of Burgundy, Dijon, France) and other scholars associated with the Institute of Contemporary History (Dijon), the International Institute of Social History (Amsterdam), the Socialism and Sexuality seminar organized a series of conferences designed to bring together scholars interested in exploring the sexual ideologies and programs of radical social movements.

The first meeting took place in Ghent in conjunction with the AMSAB's (Archives and Museum of the Socialist Worker's Movement) exhibition "Desire Touched Us: Sex, Sexuality and Socialism" and its conference on "Gender and Class" in April 1999. The conference papers have been published as Conference Proceedings of the International Colloquium on Gender and Class in the twentieth Century, Denise de Weerdt (ed.) (Ghent: AMSAB/MIAT, 2000).

The International Institute of Social History in Amsterdam hosted the second conference on the topic of "
Free Love and the Labour Movement", in October 2000. This seminar explored the sexual ideologies and behaviours of anarchist feminists, individualist socialists, anarcho-syndicalists, and utopian socialists in Belgium, Holland, Great Britain, France, and Germany, and carefully delineated the ways in which these groups challenged the sexual reforms advocated by more traditional political groups, such as the Belgian Workers Party and the Dutch Social Democrats. These papers were published as Free Love and the Labour Movement: Research Papers (Amsterdam: IISG, 2001) and can be accessed at http://www.iisg.nl/womhist/freelove.php


The third conference "
Labour Organizations and Sexuality", was organized by Thomas Bouchet and Tania Régin of the Institute of Contemporary History at the University of Burgundy (Dijon) in October 2001. This workshop explored the sexual politics of labour organizations (trade unions, workers movements, and political parties) in the West in the nineteenth and twentieth centuries. By looking at specific case studies, this seminar explored the role of sexuality in the projects of various progressive movements, and examined the conflicts over sexual issues that occurred between (and within) left-wing movements and organizations in the United States, Great Britain, Holland, and France. These papers were published in Jesse Battan, Thomas Bouchet and Tania Régin, eds., Meetings & Alcôves - The Left and Sexuality in Europe and the United States since 1850 (Dijon: Editions Universitaires de Dijon, 2004).


The fourth seminar on the topic "
Sexuality and Millennialism", was hosted by the Center for Millennial Studies at Boston University (April 2003). This workshop explored groups in Europe and the United States that supported the idea that the liberation of the body and its desires would lead to spiritual redemption and the regeneration of society. The papers presented at this workshop examined the sexual politics of these movements - their ideas on the connection between sexual liberation, spiritual transformation, and the creation of the perfect society - and compared the ways in which these ideas changed over time and varied from place to place.

The fifth conference, organized by Gert Hekma (Gay and Lesbian Studies) and Saskia Poldervaart (Gender Studies) of the University of Amsterdam, was on "
Past and Present of Radical Sexual Politics". Gert Hekma introduced it as follows: "In the past, radical sexual politics have most often been closely connected to leftist movements: from utopian socialism and anarchism to Marxist feminism. And most movements for sexual reform, homosexual rights, or birth control were closely linked to progressive ideologies. Notwithstanding major changes in the field of sexuality, many of them engineered by socialist governments, the seduction of the left for sexual politics has disappeared. The radical left has become marginalized while the successes of sexual reform and gay and lesbian emancipation have loosened the links between their demands and particular political currents. New social movements against global capitalism have not included sexual issues in their platform. The change from the old to the 'New Left' did not mean a breakthrough because the New Left is reluctant to deal with controversial issues like child sexuality, public expressions of sexual pleasure, sexual citizenship, new reproductive technologies or societal heterosexism, or even revives old moralistic discourses, for example on prostitution. The conference dealt with the histories of radical sexual ideals, their survival and their renewal in contemporary culture." These papers were published in Gert Hekma, (ed.), Past and Present of Radical Sexual Politics (Amsterdam, Mosse Foundation, 2004).



Monika Pisankaneva organized the sixth conference "
New Social Movements and Sexuality" hosted by Sofia University, in October 2004. She gave the following summary: "This year the seminar aims to attract more scientists from Central and Eastern Europe (CEE) and the countries of the former Soviet Union, and expand the existing international network of scholars who research the sexual programs of leftist ideologies. Cultural changes in the 1970s and 1980s have led to a proliferation of new social movements in Europe and the United States about ecology, peace, ethnicity, gender and sexuality. Most of them have been closely allied with socialist parties, and share some of the goals of old and new left ideologies. Sexuality and sexual reform occupied a significant place in the new social movements of the West. The demise of communism in 1989 triggered a new wave of social movements in CEE and former Soviet States. Unlike their predecessors in the West, the pro-democracy movements of CEE countries are essentially conservative and anti-socialist. One important cluster of the new social movements in Central and Eastern Europe that is clearly absent is the movement for sexual reform. Despite expansion of the freedoms for individuals in all countries of the region, sexual relationships are considered only for couples: adult, monogamous and heterosexual. Sexual reform, gay and lesbian and transgender movements have usually been excluded from the public discourse on social tolerance and development of social capital." Melinda Chateauvert (University of Maryland) is working on the publication of papers of this workshop.


The latest conference in this series,
Revolutions and Sexualities, was held in Krakow, 26-28 September 2007).



Past Socialism & Sexuality workshops and conferences
Revolutions and Sexualities (Krakow, 2007)
Socialists and Marriage (Paris, 2006)
New Social Movements and Sexuality (Sofia, 2004)
Radical Sexual Politics (Amsterdam, 2003)
Sexuality and Millennialism (Boston, 2003)
Labour Organizations and Sexuality (Dijon, 2001)
Free Love and the Labour Movement (Amsterdam, 2000)

A Utopia da Fraternidade Universal


O Natal é tempo de afirmação das utopias humanistas!
A solidariedade e a fraternidade como utopias possíveis, os caminhos que podem levar a uma humanização progressiva de cada homem e de todos os homens!
É esse o nosso desejo e os propósitos para o ano de 2010!
É o programa universal que exige a eliminação da opressão e da exploração do outro!
É o programa radical que nos pode dar o futuro!



Fonte do texto e imagem: aqui

José Sequeira, operário corticeiro, anarco-sindicalista e resistente anti-fascista de Silves

«Não queremos autómatos obedientes, nem serventuários! Queremos homens livres!».
José Sequeira, operário corticeiro, anarco-sindicalista de Silves

Texto recolhido do blogue:
http://abril-de-novo.blogspot.com/


Hoje falámos, muito justamente, de José dos Reis Sequeira, na altura em que se comemora o 102.º aniversário do seu nascimento, pois nascera em Silves a 28 de Junho de 1907.

José Sequeira pertenceu à última e memorável geração de militantes anarco-sindicalistas, conservando-se sempre fiel aos seus princípios ideológicos, mesmo contra ventos e marés, e que lutou com denodo contra a desarticulação do movimento operário e sindical, numa fase já de alguma debilidade e desmobilização.

Em 1918, menino de 11 anos, começou na labuta da vida como aprendiz e mais tarde operário corticeiro, aderindo aos 14 anos, corria o ano de 1921, aos ideais das Juventudes Sindicalistas. Militou igualmente nos organismos libertários, como o “Grupo Terra e Liberdade” (1923), de âmbito nacional, na associação anarquista regional “Grupo Libertário Mártires 22 de Junho” (1924), e na Federação Anarquista da Região Portuguesa (1937).

Participou activamente na grande luta sindical dos operários do sector corticeiro de Silves, em 1924, barbaramente reprimida pelos democratas da 1.ª República. A violenta carga policial deixou um rasto de sangue, feridos e um morto.

Veio a ser eleito para o cargo de primeiro-secretário do Sindicato dos Operários Corticeiros do Algarve em 1929, já em plena Ditadura Militar, época de repressão ímpar. Foi igualmente director da Associação de Classe dos Operários Corticeiros, dentro do espírito de cultura popular e resistência dos trabalhadores, no âmbito ideológico do sindicalismo e do anarquismo. Dirigiu também a cooperativa de consumo operária A Compensadora.

Prosseguiu com a sua militância activa contra a ditadura fascista, resistir era preciso, «actividade que […] teimava manter», mesmo perante a «situação repressiva em que vivíamos» e a «vigilância da polícia política que não dava tréguas aos activistas sociais»[1].

Foi detido pela primeira vez em 1927, durante uma onda repressiva a propósito de uma explosão em Moncarapacho, sendo libertado pouco depois. Seria novamente preso em Agosto de 1931, aquando de uma greve no Barreiro, e detido ainda a 4 de Outubro de 1935, na vigência do Estado Novo salazarista, acusado de conspiração contra a segurança nacional e ligação a grupos anarquistas.

Estivera envolvido no movimento revolucionário de 18 de Janeiro de 1934, uma acção revolucionária contra a institucionalização da violência e advento do fascismo. Em Silves, um Comité Revolucionário[2] composto por anarquistas, sindicalistas, anarco-sindicalistas e comunistas[3], ao qual pertencia José Sequeira, dirigiu a luta contra a «fascização dos sindicatos operários».

Organizaram uma manifestação de rua, a greve no sector dos corticeiros e o assalto à sede do Sindicato dos Operários Corticeiros, encerrado pelas autoridades administrativas, onde içaram a bandeira vermelha[4]. A adesão à «greve geral insurreccional» limitou-se a focos significativos na Marinha Grande, Barreiro, Almada, Lisboa e Silves[5].

Encarcerado no Forte de Peniche, julgado em sessão plenária do Tribunal Militar Especial de Santa Clara, condenado a 20 meses de prisão celular por sentença de 5 de Fevereiro de 1936, e deportado para a Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, a 17 de Outubro de 1936. Seria restituído à liberdade, tão-somente a 8 de Agosto de 1938, após 35 meses de calabouço e privação da liberdade, ele que fora apenas condenado a 20 meses de prisão. Era assim a justiça fascista.

Durante esse tempo amargo de prisão, pretendeu seguir estudos, sonhando com «projectos de preparação liceal», pois tinha só a quarta classe, sendo expressamente impedido de tal, para além de sofrer toda a espécie de restrição de acesso a «livros, nem jornais, por motivo de castigos colectivos infligidos pelas autoridades prisionais».

No cárcere foi um dos organizadores e redactores do boletim manuscrito clandestino dos anarquistas presos nos Açores, editando com Virgílio Barroso o BRADO LIBERTÁRIO[6]. Seria igualmente redactor e colaborador desde a fundação do jornal anarquista TERRA E LIBERDADE, no início da década de 1930.

Colaborou também com o periódico A RAJADA, fundado em Silves por Mateus Gregório e João Brás Machado, em 1935. Era representante e distribuidor clandestino do jornal REBELIÃO[7], publicado pelos expatriados da Federação Anarquista dos Portugueses Exilados em Espanha, em 1932-1938.

Dentro do espírito de resistência antifascista, pertenceu ao MUD – Movimento de Unidade Democrática, em 1945, organização unitária de oposição ao Estado Novo, altura em que colabora com o jornal anarquista A BAT ALHA, cuja 5.ª série tinha reaparecido. Em 1949 foi cooptado para o Comité Sindical do Conselho Confederal da Confederação Geral do Trabalho.

Depois da madrugada libertadora de 25 de Abril de 1974, integrou o Centro de Estudos Libertários e o colectivo editorial de A BATALHA[8], colaborando em especial nas colunas do mensário VOZ ANARQUISTA[9], editado em 1975 pelo Grupo Libertário de Almada.

Em 1978 publicou um livro de reminiscências políticas, titulado “Relembrando e Comentando (Memórias de Um Operário Corticeiro) 1914-1938”, importantíssimo testemunho para a História do movimento operário, sindical e anarquista das décadas de vinte e trinta do século XX, vital para a compreensão do período final da 1.ª República e primórdios do Estado Novo.

Este homem honestíssimo, duma ética sublime e coerência a toda a prova, faleceu a 1 de Outubro de 1999, em Marinhais da Serra, lugar da freguesia de Samora Correia, aos 92 anos de idade, após um longa vida de luta, com nobre espírito de militância e iniciativa, consciente da dignidade do trabalhador, sem jamais se apartar um milímetro do essencial: anarquismo e liberdade.

Uma vez disse-me de viva voz, a sua máxima filosófica: «Não queremos autómatos obedientes, nem serventuários! Queremos homens livres!». Ainda hoje, volvidos mais de trinta anos, penso nesta espantosa frase. Todos os dias.


[1] José dos Reis Sequeira, Relembrando e Comentando (Memórias de Um Operário Corticeiro): 1914 – 1938, Lisboa, A Regra do Jogo, 1978.
[2] José Correia Pires, Memórias de Um Prisioneiro do Tarrafal, Lisboa, Deagá, 1975.
[3] O Comité Revolucionário de Silves era composto pelos seguintes elementos: José Sequeira, Virgílio Pires Barroso, Manuel Pessanha, João da Conceição Valério, Domingos Passarinho, Abatino Luz da Rocha, António Estrela, António Neves Baptista, Pedro Baptista, José Gonçalves Rita, António do Rosário (todos anarquistas, anarco-sindicalistas ou sindicalistas) e José Gonçalves Victor (do PCP).
[4] ANTT – PIDE/DGS, processo 1055/A/C/F/SPS; processo RGP – 160, fl. 1.
[5] A «greve geral insurreccional» teve episódios, de menor ou maior importância, na Marinha Grande, Anadia, Leiria, Coimbra, Póvoa de Santa Iria, Xabregas, Benfica, Lisboa, Almada, Cova da Piedade, Barreiro, Seixal, Cacilhas, Vila Boim, Setúbal, Sines, Martingança, Portimão e Silves.
[6] Edgar Rodrigues, Breve História do Pensamento e das Lutas Sociais em Portugal, Lisboa, Assírio & Alvim, 1977.
[7] Manuel Loff, A memória da Guerra de Espanha em Portugal Através da Historiografia Portuguesa, in “Ler História”, n.º 51, Lisboa, 2006, pp. 77-131.
[8] O primeiro número da 6.ª série de A BATALHA foi publicado a 21 de Setembro de 1974, sob direcção de Emídio Santana.
[9] A VOZ ANARQUISTA era dirigida por Francisco Quintal, poeta e tradutor.

Anarquia e Paz (colóquio em Filadélfia)



Realiza-se na livraria anarquista Wooden Shoe Books, em Filadélfia, nos EUA, no próximo dia 9 de Janeiro um colóquio sob o tema Anarquia e Paz, e que vai ser animado por Alexis Bhagat, co-autor e editor do livro "An Atlas of Radical Cartography". O encontro é apoiado pelo Institute for Anarchist Studies (IAS).

www.woodenshoebooks.com
http://www.anarchist-studies.org/
http://www.an-atlas.com/contents.html

Anarchy and Peace: A Catalytic Conversation with Alexis Bhagat
at Wooden Shoe Books in Philadelphia

Saturday, January 9, at 7:00 p.m.
Anarchy and Peace:
A Catalytic Conversation with Alexis Bhagat

Wooden Shoe Books
704 South Street, Philadelphia
215-413-0999
sabot@woodenshoebooks.com


Alexis Bhagat facilitate a three-part catalytic conversation in the wake of the announcement of the escalation of the Afghan War. A catalyst is a substance that initiates and/or accelerates a chemical reaction. It is intended for this conversation to provoke exciting reactions in the tactics and strategies of peace activists in the coming year.

Part One: Where We're At--An Analysis

Alexis will put forward a brief analysis, from an anarchist perspective, of the trajectory of U.S. policy in waging the War on Terror. He will also speak about unstaffed hunter-killer planes (the "MQ-9 Reaper UAV"), and current prospects for nonproliferation and disarmament. Together, we will discuss implications at home and abroad for the escalation, and the continuing question of nuclear disarmament.

Part Two: Getting Together--Sharing Experiences

We will go around in a talking-stick format testifying on war and peace: how the war has affected us, what sort of activism we may or may not have been involved with, and what we think peace could mean. The stick will go around three times. Alexis will share his experiences working with the Nipponzan Myohoji Buddhist order and is especially interested in hearing experiences of anarchists who work with communities of faith.

Part Three: Moving on--Strategies for the Coming Year

Alexis will briefly speak about a few tactics from the past century--from direct action disruption to mass protest to dropping out--and how they fit into diverse strategies to oppose militarism and imperialism. Together we will discuss strategies that anarchists should be putting forward to end the War on Terror, identifying allies, and spelling out "What is to be Done?"


About Alexis Bhagat

Alexis is coeditor of "An Atlas of Radical Cartography," a collection of maps and essays on social issues ranging from globalization to garbage. He is a former board member of the IAS and former editor of its journal, "Perspectives on Anarchist Theory." Since 1999, he has been an active participant in Peace Walks in the United States and Asia organized by the nuns and monks of Nipponzan Myohoji. He was an initiator of the 2000 New York Prison Dharma Walk, organized by Jun Yasuda of Nipponzan Myohoji, and participated in the New Jersey and Pennsylvania sections of the 2001 Prison Dharma Walk from Plymouth Rock to SCI-Greene. Currently, he is helping to organize the northern branch of the 2010 Walk for a Nuclear Free Future, from Cold Spring Territory, Seneca Nation, to New York City.



40º aniversário da luta da braçadeira preta - Luto Ferroviário




Há 40 anos atrás registaram-se importantes lutas dos ferroviários, com grandes resultados, com uma acção emblemática, o “Luto Ferroviário”, ou a luta da braçadeira preta.

Não foi a primeira luta dos ferroviários. Na história do caminho-de-ferro, desde sempre se registaram imensas lutas, sempre na procura da conquista de melhores condições de vida e trabalho e pela construção de uma sociedade justa.

Vamos procurar, com o recurso à imprensa clandestina da época (Avante e Militante), órgãos de informação do PCP, transcrever um resumo dos acontecimentos relativos às lutas de 1969.

O Processo da luta reivindicativa

As lutas de 1969 começaram a desenvolver-se, com toda a inten¬sidade, em Outubro de 1968 com a entrega no Ministério das Corporações, por uma ampla comissão, duma exposição dos trabalhadores das ofi¬cinas e da linha, quem em 3 semanas recolheu 10.150 assinaturas de ferroviários que se identificaram inteiramente com as reivindicações nela contidas, através de ampla discussão e consulta nos locais de tra¬balho. Os ferroviários insistiam pela urgente satisfação das suas prementes reivindicações, que eram as seguintes:

"Aumento geral de 1.000$00 sobre os ven¬cimentos actuais;
Subsídio de renda de casa;
Horário de trabalho de 8 horas para to¬das as estações, apeadeiros e passagens de nível;
Pagamento das horas extra-ordinárias com mais 50% e a sua contabilização feita diariamente;
Subsídio de férias de um mês de venci¬mento;
Assistência médica e, medicamentosa equivalente à dispensada pela Federação das Caixas de Previdência;
Actualização dos subsídios para farda¬mentos."

Procurando o apoio público para a sua luta, a Comissão Nacional dos Ferroviários, depois de apresentar a exposição no Ministério das Corporações, entregou cópias da mesma nas redacções ou delegações dos jornais diários de Lisboa e Porto, assim como na TV, pedindo para lhe ser dada publicidade. A censura impôs, porém, o mais completo silêncio aos órgãos de informação.

Paralelamente, os trabalhadores administrativos dos Serviços Centrais lançaram-se também na luta, entregando na Presidência do Con¬selho, em 30 de Setembro, uma exposição subscrita por 757 assinaturas, cerca de metade dos trabalhadores desses serviços, contendo várias reivindicações, entre as quais são de destacar:

"Aumento geral de vencimentos não infe¬riores a 1.000 escudos;
Revisão periódica dos vencimentos de modo a acompanhar o aumento constante do custo de vida;
Concessão de 5% sobre o vencimento anual para efeitos de diuturnidade, ven¬cida de 3 em 3 anos até ao 9° ano e de 5 em 5 anos a partir do 9º ano;
Concessão de um subsídio de renda de casa para o pessoal que habita nos grandes centros populacionais;
Assistência médica e medicamentosa se¬melhante à usufruída pelos beneficiários da Federação das Caixas de presidência;
Instituição do subsídio de férias nunca inferior a um mês de vencimento e do 13º mês por ocasião do Natal;
Pagamento das horas extraordinárias a 50%".

Porque os trabalhadores apareceram unidos e com reivindicações comuns, impunha-se a unificação orgânica das lutas e, com esse objectivo, cerca de uma centena de ferroviários, na segunda quinzena de Outubro, levaram, a efeito, uma reunião onde se discutiu como levar a luta por diante e como reforçar a unidade e a organização unitária dos trabalhadores.

Assim, foi pedida ao Sindicato do Centro a convocação duma Assembleia-geral extraordinária para debater os problemas respeitantes à revisão do Acordo Colectivo de Trabalho. Mostrando-se mais uma vez divorciados dos ferroviários, os dirigentes sindicais, (que eram controlados pelo governo fascista), sob os mais variados pretextos, recusaram o pedido dos trabalhadores.

A Comissão Nacional dos Ferroviários, que assumiu a direcção da luta devido ao papel demissionista dos sindicatos corporativos, dirigiu um apelo aos trabalhadores, para que se fizesse pressão junto da Administração da C.P. exigindo a satisfação das reivindicações num prazo mínimo. Trabalhadores de algumas estações enviaram exposições à CP exigindo o horário das 8 horas, tendo sido atendidos nessa pretensão.

Em Novembro e Dezembro de 1968 foram enviadas cartas e telegramas à Administração da CP, enquanto se pressionava o Sindicato do Centro, para também pressionar os responsáveis da CP e dessem força às suas reivindicações

Em resposta a esta acção dos ferroviários, o Ministério das Corporações emite uma nota em que dava conta da constituição mista de representantes do Sindicato, da “Companhia” e do Governo, com a tarefa de rever em vários aspectos as disposições do ACT em vigor. Esta nota tinha como objectivo desmobilizar os ferroviários e iludi-los sobre a disposição do Governo de Marcelo Caetano. Nesse intento procuraram de todas as formas manobrar, enganar, espalhar boatos e ilusões, propalando, ao mesmo tempo que a CP não tinha fundos para satisfazer as reivindicações apresentadas.

O discurso do ministro das Corporações em 9-12.68 tentou justificar os baixos salários dos ferroviários com os défices crónicos da CP, revelando que o governo vinha entregando 500 mil contos anuais a CP, sem explicar que as razões do défice e dos baixos salários tem a ver com a política seguida na empresa e nas negociatas dos seus responsáveis.

Nesse discurso o Ministro da Corporações revela que o governo não tem a intenção de satisfa¬zer as justas reivindicações apresentadas pe¬los ferroviários. Revela ainda que os cerca de 60 mil contos de novos encar¬gos com a reforma da Previdência prevista, num total de 130 mil contos, será conseguido à custa, em grande parte, dum futuro aumento das tarifas ferroviária.

Quando o ministro diz «apelar para a consciência dos interessados, lembrando-lhes a gravidade da hora que o país está a atravessar e que a todos impõe especiais deveres», os ferroviários dizem com ironia: «Agradecemos muito o papel de mártires, de sacrificados, de devotados à causa da manutenção do equilíbrio da economia nacional que a nação há longos anos nos tem vindo a dar a honra de desempenhar. É tempo, no entanto, de essa honra ser partilhada por outros». Lembram em seguida os chorudos vencimentos dos administradores e os aumentos que se atribuíram a si próprios nos últimos tempos (sem que o governo alguma vez tivesse intervindo para os limitar) que nalguns casos passaram de 9.500$00 para 21.000$00 e de 13.600$00 para 23.000$00.

Na carta enviada ao Ministro e em resposta à argumentação do ministro de que a C.P. é uma empresa deficitária e que isso é uma razão para os baixos salários existentes, os trabalhadores respondem na sua carta: «A empresa a que pertencemos é uma instituição de utilidade pública e nacional e o facto de não ser rentável não é razão para que nós não me¬reçamos a justa retribuição do nosso trabalho». E com ironia perguntam: «Ou será que ainda teremos de pagar à Companhia se o défice existente aumentar!».

Passagem a novas formas de luta

Depois de lançar um apelo à unidade e firme¬za dos ferroviários, a Comissão Nacional pro¬move um inquérito junto dos trabalhadores, procurando auscultar a opinião geral quanto ao caminho a seguir para o desenvolvimento vito¬rioso da luta. Ao mesmo tempo, espalhadas por toda a linha, nas estações e nos comboios e até nos escritórios apareciam pequenas tarjetas in¬citando os ferroviários a seguir o exemplo da Carris (Greve da mala em 1968, luta em que os cobradores não vendiam bilhetes).

Não tendo obtido resposta satisfatória às suas reivindicações, os ferroviários recorrem a uma forma de luta original: o LUTO FERROVIARIO. Desta forma, com braçadeiras negras, milhares de ferroviários davam a conhecer ao povo português as razões da sua luta, rompendo assim a mordaça da censura.

O LUTO, iniciado no dia 2 de Janeiro, man¬teve-se durante alguns dias apesar da repressão e da intimidação desencadeadas pela PIDE. "No Rossio, foi, seguido por cerca de 90% dos trabalhadores; nas oficina do Barreiro, onde o LUTO foi total entre os 2.000 operários, uma brigada da PIDE que procurava forçar os operários a retirar o luto, mal teve tempo de se salvar da ira provocada, tendo um agente sido atingido com uma barra de ferro nas pernas e o chefe da brigada com uma grande «porca» de ferro nas cos¬tas. No Entroncamento, o LUTO foi quase total, assim como nas zonas ferroviárias ao Sul do Tejo, mas foi desigualmente seguido noutras regiões, particularmente no norte do Pais".

O governo decreta precipitadamente o aumento

Perante esta magnifica acção de protesto dos ferroviários que tudo indicava se preparavam para passar a outras formas de luta, o governo anuncia precipitadamente, no dia 8 de Janeiro, o aumento de vencimentos em 12,2% em média, para os trabalhadores no activo, um aumento uniforme de 9% para os reformados e pensionistas, a actualização dos abonos ou de subsídios por deslocações e a equiparação do esquema de Previdência dos ferroviários ao das instituições de Previdência da indústria e do comércio.

O governo conta poder assim quebrar temporariamente a combatividade duma grande parte dos ferroviários, criar um motivo de di¬visão entre eles, isolando da grande massa a vanguarda mais combativa. “Se o conseguiria ou não, isso apenas dependeria da acção futura dos trabalhadores da CP”.

Fortalecidos por esta primeira e impor¬tante vitória, os ferroviários fizeram, um balanço do caminho já percorrido, reagruparam as suas forças, melhorando e reforçando a sua organi¬zação e a sua unidade combativa, e continua¬ram a luta.

Porque os salários eram bastante baixos, porque havia reivindicações por satisfazer, porque o Governo e os sindicatos do regime procuravam afastar os ferroviários da discussão dos problemas que lhe diziam respeito, em 2 de Agosto de 1969, mil ferroviários oriundos de diversos pontos do País, concentraram-se, à tarde, no centro de Lisboa, para apoiarem uma comissão que procurava reunir com os dirigentes da União dos Sindicatos Ferroviários, que vinham recusando a realização de uma Assembleia geral, reivindicada pelos trabalhadores, para discussão do ACT em revisão, que o governo, CP e sindicatos corporativos se preparavam para assinar à revelia dos ferroviários.

A concentração foi fortemente reprimida pela polícia, presos dois ferroviários, entretanto libertados nesse mesmo dia devido ao forte movimento de solidariedade. Enfrentando essa repressão, mais de quinhentos ferroviários manifestaram-se em plena Avenida da Liberdade, empunhando cartazes onde se lia: “Ferroviários mantêm reivindicação de 1.000$00”; “Queremos horários de trabalho humanos”; “Queremos sindicatos que defendam os interesses dos trabalhadores”; “Queremos que o ACT seja amplamente discutido pela classe”.

Prosseguindo a pressão, os ferroviários voltam à luta no dia 20 de Outubro entre as 15h e as 16h. Milhares de ferroviários em todo o País pararam e lutaram dessa forma em defesa das suas reivindicações. Nas oficinas do Entroncamento, Barreiro, Figueira da Foz, Santa Apolónia, Campolide e Cruz da Pedra a paralisação foi total. Muitas estações paralisaram em toda a rede A estação do Rossio foi ocupada por cerca de mil ferroviários, que das mais variadas formas impediram a circulação de comboios. Às 16 horas uma forte ovação dos ferroviários e utentes assinalou o fim da greve.

O 7º Congresso Sindical Mundial, solidarizou-se com os ferroviários em luta, assim como milhares de portugueses. Esta greve quebrou o imobilismo da negociação do Acordo Colectivo de Trabalho, que foi, finalmente assinado em 10 de Novembro. Depois do aumento verificado em Janeiro de 12,2%, em resultado da luta tiveram novos aumentos de 240$00 para salários inferiores a 2.000$00; e de 200$00 para salários superiores a 2.000$00 e um subsídio de férias de 50%, para além doutros direitos.

Esta importante vitória foi seguida de uma forte repressão que teve a resposta à altura. 20 ferroviários foram suspensos, mas perante uma onda de protesto, 19 foram readmitidos. Perante a ameaça de 3.000 despedimentos os ferroviários respondem com a recusa a mais horas extraordinárias. São inúmeros os exemplos de firmeza, coragem e determinação dos ferroviários nesta e noutras lutas, como por exemplo este: “No Entroncamento, quando se recolhiam assinaturas para a carta ao ministro das Cor¬porações, os chefes tentaram impedi-lo, proibindo que a recolha se fizesse «na hora do serviço». Em resposta, os operários foram unânimes em pedir meio-dia de licença, a fim de poderem assinar a carta. Como aquela lhes fosse negada a pretexto de «não poder ser con¬cedida a todos», os operários resolveram assi¬nar à hora do almoço, tendo por esse motivo retomado todos o trabalho com 40 minutos de atraso”.

Só com a luta se vence e conquistam direitos

Foi com esta e outras lutas que se construiu o património de direitos que os ferroviários dispõem, pelo que o mesmo não é de nenhuma organização, mas sim propriedade dos trabalhadores ferroviários e é um legado que tem de ser defendido para ser transmitido às futuras gerações.

Estes acontecimentos provam que os trabalhadores, mesmo nas condições mais difíceis, sabem encontrar a maneira de se organizarem para lutarem pelas suas reivindicações com vista a melhorarem as suas condições de vida e trabalho. Direitos que hoje consideramos tão normais, só existem porque ao longo de gerações de trabalhadores se lutou.

Uma das questões centrais em 1969, para além das reivindicações de melhores salários, era a organização do tempo de trabalho, que está, agora, novamente no centro da luta que desenvolvemos, em resultado do Código do trabalho aprovado pela maioria PS na Assembleia da República. E agora, tal como em 1969 é a luta que determinará a concretização das reivindicações dos trabalhadores e a defesa dos seus interesses.

A melhor homenagem que podemos prestar àqueles que lutaram antes de nós, para termos os direitos que hoje auferimos, é continuar a luta em defesa daquilo que gerações de trabalhadores construíram e para nós, hoje, são coisas tão normais, mas que exigiram muito sacrifício de quem nos precedeu.

Imprensa consultada
O Militante – nº 159 de Fev 1969
Avante – nº 395 Set 1968; nº
Fonte do texto: aqui

19.12.09

Por uma ecologia social, igualitária e libertária




Por uma ecologia social, igualitária e libertária

O verde está na moda, por todo o lado se fala em ambiente. Agora, já os fabricantes de carros e até os gestores das centrais nucleares são ambientalistas ! Se não nos podemos queixar desta tomada de consciência acerca da degradação ambiental, ao fim de 40 anos dos primeiros alertas, a verdade é que devemos denunciar o populismo ecológico que para fins bem nossos conhecidos não desiste de pintar com a cor verde as malfeitorias típicas do sistema de produção capitalista, não questionando a ideologia do crescimento produtivo, a crença de que « uma maior produção é a chave da prosperidade e da paz» (Truman, 1949).

Para nós, anarquistas, a ecologia não é apenas somente a defesa dos pássaros, a sacralização da natureza, vista como uma nova deusa. Já há uma século atrás, nomeadamente com Elisée Reclus, se colocava aa questão da integração harmoniosa do homem no seu meio, a gestão duradoura dos recursos, a construção de uma sociedade em que a qualidade da vida social seja mais importante que a quantidade da produção.

Como herdeiro do cristianismo, o liberalismo coloca o homem em oposição à natureza que deve submeter e dominar, enquanto outras culturas defendiam a harmonia e o respeito desta. No século XVIII, sob o impulso de Mandeville e Adam Smith, o económico separa-se da moral e do político, constituindo-se como campo autónomo da vida social.«Em vez da economia estar encastelada nas relações sociais, são estas que acabam por ficar enquadradas no sistema económico»»(Polanyi). Hoje, o homem é o servidor do Léviathan económico. As famílias estão dispersas, as solidariedades foram dissolvidas, os ritmos biológicos alterados, e toda a nossa vida social é determinada pelo desiderato do aumento da produtividade que, segundo o catecismo liberal e a ideologia do desenvolvimento mercantil, «o suave comércio», é a única via de aumento da riqueza, logo do bem-estar. Este dogma é ainda defendido hoje, apesar de assistirmos ao suicídio de trabalhadores stressados e ao aumento da pobreza no mundo, da má-nutrição, da falta de alojamento, e da busca do lucro individual e da vontade de acumulação ilimitada do capitalismo não recuar face à poluição do ar, das terras, dos mares, colocando em perigo a saúde e a sobrevivência da humanidade. O que vemos é que o comércio e os negócios, em vez de levar à paz, estão a conduzir-nos para as guerras.

Não convém, pois, cair na armadilha verde que as empresas e os tecnocratas do Estado montaram, e não deixar de compreender que o liberalismo económico e a ideologia do crescimento são os responsáveis pela degradação do ambiente, pelo aquecimento climático e pelas complicações do nosso funcionamento psicossomático.

É urgente inventar um outro modelo de sociedade em que o bem estar não esteja ligado à acumulação da mercadoria, mas antes ao desenvolvimento e reforço dos laços sociais, da convivialidade, da solidariedade e do apoio mútuo. Um modelo de ecologia social baseado na integração e na harmonia do homem na sociedade e na natureza. Este é o projecto anarquista. Um projecto fundado na igualdade económica e social, na participação de todos na definição das necessidades admissíveis, dos recursos necessários e dos modos de produção. É porque a consideração dos desejos de cada um deve constituir-se como a única maneira de contrariar o egoísmo individual, e porque o comunismo libertário é a única forma de lutar contra os privilégios e as desigualdades, é que nós lutamos por uma ecologia social, igualitária e libertária.

Escultura do artista dinamarquês Jens Galschiot no porto de Copenhaga lembra como os opulentos vivem à custa dos mais fracos



A escultura do artista dinamarquês Jens Galschiot com o título «A sobrevivência dos opulentos» foi colocada à entrada do porto de Copenhaga no início deste mês de Dezembro e representa uma figura opulenta, símbolo dos países industrializados, às costas de uma figura mais frágil representada na pessoa de um homem africano.


A escultura acaba por confirmar o que os activistas sociais já suspeitavam, ou seja, o facto do mundo industrializado impedir a tomada de decisões importantes contra as alterações climáticas, cujas principais vítimas são as populações dos países mais pobres.

A escultura é acompanha da seguinte legenda:

I’m sitting on the back of a man.
He is sinking under the burden.
I would do anything to help him.
Except stepping down from his back.



Sobre Jens Galschiøt

O Mercado Negro (feira do livro alternativo) termina hoje no Porto, e ainda vai a tempo de o visitar

Hoje termina o Mercado Negro ( Feira do livro alternativo) que se instalou desde o dia 9 de Dezembro na cooperativa cultural Gesto, na Rua Cândido dos Reis, 64, no Porto.
Se ainda não passou por lá, ainda tem o dia de hoje para procurar livros e obras do underground estético-literário, que não é fácil encontrar nos escaparates habituais. Vale a pena.






18.12.09

APELO - Contra o acordo da Epal com a Mekarot (empresa israelita que rouba água aos palestinianos)


APELO


Contra o acordo da Epal com a Mekorot!

Defendamos os direitos dos palestinianos à água!

Façamos respeitar a lei internacional!


A Mekorot, companhia nacional da água israelita, assinou um acordo comercial com a EPAL, companhia portuguesa que abastece 2,5 milhões de consumidores na Grande Lisboa. O acordo pretende proteger o sistema português municipal de água contra “ameaças terroristas”, baseando-se na alegada “competência” da Mekorot neste domínio.

O acordo português é, na realidade, uma tentativa velada para que a Mekorot tire proveito dos seus muitos anos de experiência enquanto agente da ilegal e imoral ocupação israelita da Palestina.

O acordo com Portugal é uma plataforma de lançamento para a empresa poder vender os seus serviços no resto da Europa, financiando o aparelho militar israelita com milhões de dólares. Esse dinheiro será inevitavelmente usado para consolidar a apropriação criminosa dos aquíferos palestinianos.

Um relatório da Amnistia Internacional publicado em Outubro passado acusa Israel de negar aos palestinianos o acesso à água. “Piscinas, relvados bem regados e grandes quintas irrigadas nos colonatos israelitas estão em flagrante contraste com as aldeias palestinianas, cujos habitantes lutam para conseguir satisfazer as suas necessidades domésticas em água”, diz o relatório. O consumo diário de água per capita em Israel é quatro vezes maior do que os 70 litros por pessoa consumidos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, um número muito abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

Israel desvia mais de 80% da água do Aquífero da Montanha. Este aquífero é a única reserva de água potável para os palestinianos, ao passo que Israel retira água de outras fontes, incluindo o Rio Jordão. Entre 180.000 e 200.000 palestinianos das comunidades rurais da Cisjordânia não têm acesso à água corrente. Cerca de 90 a 95% do fornecimento da água potável de Gaza foram contaminados por águas de esgotos e água do mar e estão agora impróprios para consumo.

O Comité de Solidariedade com a Palestina escreveu uma carta à EPAL, protestando contra o acordo. A empresa defendeu o acordo, negando a sua responsabilidade pelo destino dos palestinianos. Juntando o insulto à ofensa, a EPAL despediu uma funcionária que tinha contestado o acordo, o que é uma tentativa de limitar a liberdade de expressão no seio da empresa.

No entanto, à luz das directrizes da União Europeia para a atribuição de contratos públicos (2004/18/EC), a empresa encontra-se numa situação delicada e o acordo pode cair se for exercida pressão pública. Este apelo destina-se precisamente a dar início a essa pressão e a barrar o acesso da Mekorot aos mercados europeus desde o primeiro momento.

Exija que a EPAL anule o seu acordo com a Mekorot AGORA!

1 – Escreva uma carta à EPAL, à Ministra portuguesa do Ambiente (que tutela a EPAL) e aos meios de comunicação portugueses, denunciando este acordo vergonhoso e exigindo que a EPAL rompa com a Mekorot.




Envie-nos informações:
stopmekorotcampaign@gmail.com




Carta Modelo:
http://bit.ly/12zuWF




Conselho de Administação da EPAL:
jose.zenha@epal.pt , jose.zenha@epal.pt , jose.figueira@epal.pt , anita.ferreira@epal.pt , blopes@epal.pt , mario.maria@epal.pt , joaquim.sereno@epal.pt , luis.branco@epal.pt , conceicao.almeida@epal.pt , francisco.serranito@epal.pt , daniela.santos@epal.pt , carlos.saraiva@epal.pt , paulo.rodrigues@epal.pt , barnabe.pisco@epal.pt , maria.benoliel@epal.pt , nilopes@epal.pt , ldurao@epal.pt , mario.cruz@epal.pt , ana.pile@epal.pt , margarida.santos@epal.pt
gmaotdr@maotdr.gov.pt


Ministra do Ambiente: gmaotdr@maotdr.gov.pt